 A lngua portuguesa em perspectiva histrica

 Do portugus europeu para o portugus brasileiro : algumas questes

 Rosa Virgnia Mattos e Silva

 UFBa / CNPq

 1 Introduo : um breve olhar para os estudos histricos do passado

 sobre a lngua portuguesa

 O objetivo desta conferncia  apresentar algumas questes que esto

 hoje na pauta dos estudos histrico-diacrnicos sobre a lngua

 portuguesa , tanto de brasileiros como de portugueses .
 Antes , contudo ,

 de entrar nas questes por mim relacionadas , lanarei um breve olhar

 sobre o passado desses estudos sobre o portugus , que foram o centro

 da pesquisa filolgico-lingstica dominante at a dcada de sessenta

 de nosso sculo , tanto em Portugal como no Brasil .
 Esse olhar reveste

 um ponto de vista , de que estou convicta , e que vi , elegantemente

 formulado por David Lightfoot no seu recente livro .
 Na minha traduo

  o seguinte :

 " A cincia  o mais cooperativo dos empreendimentos , e nada 

 inteiramente novo " ( 1999 : XI )

 Quando ento se trata de lingstica histrico-diacrnica , essa

 afirmativa adquire maior fora , porque sabemos que a Lingstica nasce

 e se sedimenta , no sculo XIX , como Lingstica Histrica .

 Sabemos todos que , no Brasil e um pouco depois em Portugal , entra para

 ficar , nos estudos lingsticos , com o atraso de algumas dcadas , a

 chamada Lingstica Moderna , que reorienta esses estudos para o

 sincrnico e para as abstraes do sistema / estrutura e , em seguida , da

 grammar , no sentido chomskiano .
 A tradio de estudos lingsticos

 histricos ficar na sombra , mas retomar algum lugar ao sol de forma

 renovada , aqui no Brasil e diria que um pouco depois em Portugal , a

 partir da dcada de oitenta .

 Como nesta Conferncia vou me centrar em questes

 histrico-diacrnicas na cena atual tanto da Lingstica Histrica

 brasileira como portuguesa , gostaria de relembrar , em rpidos traos ,

 o rico legado informativo que os estudos histricos passados nos

 deixaram , para no termos a pretenso de que estamos descobrindo a

 plvora ou o caminho martimo para as ndias .

 Seguindo modelos sobretudo alemes e franceses , a tradio de estudos

 que vou designar de histrico-filolgicos no mbito da lngua

 portuguesa foi muito forte e muito rica , tanto em Portugal como no

 Brasil .
 Costumamos , por efeitos de nossa formao acadmica

 ps-sessenta , ignor-la como ultrapassada teoricamente - e isso de

 fato ocorre , como alis no poderia deixar de ser - mas no devemos

 ignor-la , se hoje somos dos que trabalham no campo da Lingstica

 Histrica , porque recobre essa tradio informaes e dados de que , a

 meu ver , devemos estar conscientes , para no sermos inocentes ao

 pensarmos que estamos sendo novos , quando muito j tinha sido visto e

 dito sobre o passado da lngua portuguesa .

 De maneira esquemtica , poderia dizer que , herdeiros dos estudos

 novecentistas sobre as lnguas germnicas e romnicas , os estudos

 histricos do portugus realizados na primeira metade do sculo vinte

 seguia duas orientaes conjugadas que , em designao atual , envolviam

 a variao sincrnica e a mudana no tempo real de longa durao .

 Produtos atuais dessas duas orientaes conjugadas foram o que se

 designava de estudos filolgicos no seu sentido amplo , ou seja ,

 estudos de fatos lingsticos documentados nos textos do passado e de

 fatos lingsticos documentados nos dialetos regionais em uso em reas

 conservadoras no espao geogrfico das lnguas nacionais ,

 politicamente delimitadas .
 Assim esses estudos filolgicos abarcavam

 no s a Filologia , ou seja , o estudo do texto escrito , como a

 Dialectologia , o estudo sobre os falares rurais , embrionria j na

 segunda metade do sculo XIX .

 No mbito da lngua portuguesa , sem dvida , o primeiro a conjugar em

 sua pesquisa essas duas orientaes - alm de ter sido pelo menos

 arquelogo e etngrafo - foi Jos Leite de Vasconcellos .
 Seguindo essa

 tradio , vemos como exemplo estelares , j nos meados deste sculo ,

 Serafim da Silva Neto , no Brasil , que na sua obra conjuga o estudo

 filolgico propriamente dito , ou seja , a pesquisa sobre textos do

 passado , ao estudo da Dialectologia .
 Lembremos que parte dele o grande

 incentivo para os estudos dialectolgicos no Brasil e a primeira

 proposta para um Atlas Lingstico que cobrisse nosso territrio

 nacional .
 Em Portugal , dos meados do sculo a 1990 , a grande figura

 intelectual e a grande obra de Luis Filipe Lindley Cintra  , a meu

 ver , a que melhor ilustra essa tradio .
 Lembro que seu ltimo

 trabalho , de 1990 ,  um minucioso estudo filolgico-lingstico da

 Notcia de torto , dos primeiros textos escritos em portugus e at a

 sua morte , coordena o atlas Lingstico de Portugal , em elaborao no

 Centro de Lingstica de Lisboa .

 Nesse tempo em que , no dizer de Ivo Castro 1995 : 552 ) , todos se

 reconheciam e se identificavam como fillogos , houve aqueles que

 selecionavam uma das orientaes referidas ou a do estudo lingstico ,

 pr-estruturalista ,  claro , dos textos ou os estudos dos usos

 dialetais regionais falados .
 Nesse ltimo caso , creio que no erro , se

 disser que , em Portugal , se destaca , fundamentalmente , como

 dialetlogo Manoel de Paiva Boleo , e , no Brasil , Antenor Nascentes e

 Amadeu Amaral , com os clssicos O linguajar carioca e o dialeto

 caipira , ambos dos anos vinte .

 Como produto final da pesquisa em dados dos textos do

 passado , marca a primeira metade de nosso sculo , tanto em Portugal

 como no Brasil , o conjunto das chamadas Gramticas histricas , de

 orientao neogramtica , que se publicaram sobre o portugus nas

 dcadas de 20 a 40 .
 O rol dessas obras est apresentado no bem

 informado trabalho de Joo Alves Penha ( 1997 ) , apresentado ao XII

 Congresso da Associao Portuguesa de Lingstica .
 Delas so ,

 certamente , as mais conhecidas as de Jos Joaquim Nunes de 1919 , a de

 Said Ali de 1931 , a de Ismael Lima Coutinho e a de Edwin Williams de

 1938 e tambm a Sintaxe histrica de Epiphanio Dias de 1918 que ,

 diferentemente das Gramticas histricas , que se centram na fontica

 histrica e na morfologia histrica , aborda , exclusivamente , a

 sintaxe , aspecto da estrutura a que no foi dada prioridade nessa

 poca dos estudos de tradio histrico-filolgica .

 A par desses estudos , foram realizadas tambm histrias da

 lngua portuguesa , que em outro trabalho ( 1998 ) tive oportunidade de

 enumerar e brevemente avaliar .
 Nenhuma delas , entretanto , substituiu

 ainda a de Serafim da Silva Neto , que comeou a ser publicada em

 fascculos em 1952 , que se centra , contudo , do perodo romnico para o

 medieval , perodo em que , alis , se concentraram a maioria dos

 trabalhos histricos sobre a lngua portuguesa , ficando ainda por

 fazer , como bem assinala Ivo Castro , no seu trabalho Para uma histria

 do portugus clssico ( 1996 : 135-190 ) , a histria do portugus dos

 sculos XVI ao XIX .

 Essa tradio rica de estudos filolgicos , que em rpidos

 traos delineei , contudo nos deixou apenas raros estudos verticais

 sobre aspectos lingsticos especficos , diferentemente do que

 aconteceu com outras lnguas , como , por exemplo , o ingls e o francs ,

 estudos esses que hoje ainda so inesgotveis fontes de dados para

 interpretaes de acordo com as teorias mais recentes .

 Com o retorno aos estudos histrico-diacrnicos no Brasil ,

 na dcada de oitenta , como tenho tido a oportunidade de assinalar em

 trabalhos anteriores ( cf. , por exemplo , 1988 e 1997 ) , os novos

 historiadores e diacronistas , tendo que se voltar aos documentos do

 passado , tm tido de se fazerem fillogos , ou de buscarem a companhia

 de fillogos , para levantarem os dados de que precisam para suas

 interpretaes tericas , j que a sua formao acadmica em geral tem

 sido , a partir dos anos sessenta , estritamente lingstica .

 O retorno  lingstica Histrica no Brasil tem se feito ,

 como sabemos , sobretudo a partir da implementao aqui da teoria da

 variao e mudana laboviana e da teoria paramtrica chomskiana de

 incios dos anos oitenta .
 Mas , como tenho argumentado em outras

 oportunidades ( cf. , por exemplo , 1997 e 1998 ) , considero que foi o

 grande avano realizado pelas pesquisas sobre o portugus brasileiro

 em uso hoje que tem principalmente motivado a volta para o passado , a

 fim de melhor interpretar o presente .
 Assim os estudos

 histrico-diacrnicos no Brasil vem se centrando na busca da histria

 do portugus brasileiro , questo em que me fixarei na terceira parte

 deste trabalho .

 Em Portugal , embora a Lingstica Moderna comece a avanar

 nos anos setenta , sobretudo na orientao gerativista , tendo  frente ,

 sem dvida , a liderana de Maria Helena Mateus , a tradio filolgica

 continuou e continua forte , porque teve presente e atuante , at 1990 ,

 Lindley Cintra .
 Apesar disso , a Associao Portuguesa de Lingstica ,

 criada em 1986 , programa a Lingstica Histrica , como centro temtico

 de seus encontros semestrais , s em 1996 no seu XII Encontro .
 Na minha

 avaliao considero que hoje os estudos histrico-diacrnicos tm mais

 evidncia na Lingstica no Brasil , pelas motivaes acima expostas ,

 que na Lingstica em Portugal .

 Finalizo por aqui esse percurso sobre o passado dos

 estudos histricos sobre o portugus , para me centrar em seis questes

 de carter histrico sobre a lngua portuguesa que selecionei , por

 consider-las relevantes , ficando bvio que nessa seleo est

 envolvida no s a minha subjetividade como o mbito do conhecimento

 de que disponho sobre os estudos histrico-diacrnicos atuais

 referentes  lngua portuguesa .
 No vis da minha especialidade ,

 seguirei a linha do tempo e partirei de questes mais remotas do

 passado da lngua portuguesa para , em seguida , me deter nas questes

 que selecionei relativas ao portugus brasileiro numa perspectiva

 histrica .

 2 Questes atuais sobre o portugus europeu numa perspectiva histrica

 2.1 Sobre a relativa unidade original do galego e do portugus

 Essa questo , sem dvida , reabriu-se na cena da

 Lingstica Histrica , na dcada de setenta e , logo de sada ,

 ressalta-se a figura do grande fillogo-lingista galego Ramon

 Lorenzo .
 At ento o perodo formativo galego-portugus tinha sido

 tratado sobretudo por fillogos portugueses e brasileiros .
 Nos anos

 oitenta , com a queda do franquismo , a busca da autonomia e identidade

 do povo e da lngua galega , no conjunto hispnico , desencadeou um rico

 processo , que perdura , de busca de conhecimento da lngua galega de

 suas origens ao presente .
 Essa questo certamente recobre problemas

 scio-histricos , polticos e intralingsticos .

 Todo o passado do noroeste da Pennsula Ibrica , do oeste

 cantbrico ao sul do Douro , acima de Aveiro , e pelo leste por terras

 depois leonesas , levaria a uma situao propcia  formao de um

 espao lingstico com certa unidade , quando comparado s outras reas

 hispnicas .
 Em rpido esboo , sinalizo que por l estiveram os mesmos

 substratos pr-romanos ; no perodo romano , a Gallaeccia , numa das

 provncias hispano-romanas , cobria aproximadamente essa rea

 geogrfica ; dos germnicos na Pennsula Ibrica , os suevos s ali se

 localizaram , depois dominados pelos visigodos na sua expanso ; os

 muulmanos no alcanaram essa rea ibrica .
 Tudo isso que abrange um

 passado plurissecular , configura uma certa unidade original

 lingstico-cultural  rea galaica .

 Sem dvida , no fim do sculo XI - 1096 - se inicia um

 destino poltico diferenciado para a rea que tem o rio Minho e a raia

 seca transmontana como limite , do que viria a ser Galcia e Portugal

 e , conseqentemente , galego e portugus .
 A partir de quando se poder

 falar de galego e portugus como lnguas distintas ?
  esta a questo

 em que neste ponto me centro .

 Antes porm pergunto : ser que  possvel definir lnguas

 sem considerar fatores de natureza histrico-polticos ?
 Tudo indica

 que no .
 Nesse aspecto Chomsky est , a meu ver , no caminho certo ,

 quando defende que lngua  um conceito , fundamentalmente poltico ,

 que extrapola o mbito propriamente lingstico , da se concentrar nas

 grammars que subjazem s lnguas .
 Se pensarmos em termos estritamente

 lingsticos , para tentar definir o momento em que o galego e o

 portugus comeam a divergir , faz-se necessrio que se explore a

 documentao mais recuada , do sculo XIII aos meados do XIV escrita na

 rea galega e na rea portuguesa , para tentar rastrear nela quando se

 evidenciam gramticas , no sentido chomskiano , distintas .

 Em breves traos , descreverei como essa questo tem sido

 tratada nos estudos filolgicos tradicionais e como vem sendo tratada

 da dcada de setenta para c .

 A designao dos incios do sculo XX , partida dos estudos

 filolgicos portugueses , aponta para a unidade galego-portuguesa na

 documentao remanescente , nos limites seculares antes referidos .
 Essa

 designao genrica se estabeleceu como dominante na filologia

 portuguesa e s veio a ser contestada , pelo que sei , a partir das

 novas orientaes poltico-lingsticas , antes referidas .
 Recolocou-se

 em cena a questo da unidade ou no do galego e do portugus no

 perodo histrico referido , partindo agora da filologia e lingstica

 galegas .

 Manuel Souto Cabo em trabalho de 1988 - A variante

 lingstica galega sob a perspectiva da filologia luso-brasileira -

 levanta doze autores portugueses e brasileiros deste sculo que se

 dividem entre os que acentuam o quase igual para defender a unidade ou

 o um tanto diferente para defender a diferena .

 Da dcada de setenta para c , as duas posies se

 encontram em fillogos e lingistas galegos .
 Um exemplo ilustrativo e

 muito significativo , a meu ver ,  o de Ramon Lorenzo ; em artigo de

 1975 - Gallego y portugues : algumas semejanzas y diferencias - defende

 a unidade original galego-portuguesa .
 Em 1985 , no seu estudo

 lingstico da Crnica troiana , escrita na Galcia na primeira metade

 do sculo XIV , defende a diferena na primitiva documentao escrita

 nessas reas .
 No estudo de 1975 , aponta para a necessidade de estudos

 sistemticos e comparativos entre a documentao recuada remanescente .

 Clarinda de Azevedo Maia , lingista de Coimbra , no seu

 grande livro de 1986 - Histria do galego-portugus .
 Estudo

 lingstico do galego e do noroeste de Portugal desde o sculo XIII ao

 XIV - segue a proposta de Ramon Lorenzo e analisa 186 documentos

 no-literrios escritos na Galcia e no noroeste portugus entre

 aqueles sculos com o objetivo de chegar sobre a questo a concluses

 fundadas na objetividade da anlise grfico-fnica , fonolgica e

 mrfica .
 Mostra a Autora nos documentos mais recuados uma unidade

 lingstica essencial ; mostra ainda com o correr dos sculos a

 penetrao das caractersticas do castelhano no galego e indica que ,

 para que se defina a diferenciao , se faz necessrio que estudo

 semelhante seja feito em documentao anloga e contempornea , escrita

 na rea portuguesa centro-meridional , a fim de que se tenha outro

 termo de controle em relao ao que encontrou ao norte e ao sul do

 Minho .

 Na realidade , tirante a castelhanizao crescente no

 galego , que o levou a ser a lngua da casa e do campo , e o castelhano

 a lngua escrita da Galcia , ressurgindo o galego na escrita por

 movimentos literrio-culturais e polticos s no sculo XIX , como

 sabemos , as diferenas minuciosamente analisadas por Clarinda Maia na

 sua importante pesquisa poderiam configurar variaes dialetais

 diatpicas prprias  heterogeneidade natural a qualquer lngua

 histrica .

 Dispondo-se hoje de uma teoria capaz de definir limites

 no de lnguas , mas de gramticas , fundada na anlise da sintaxe , h

 que analisar essa documentao recuada no tempo - a de alm Minho e a

 de aqum Minho e ainda a documentao quelas contempornea escrita ao

 sul do Douro , para se chegar a alguma possvel concluso sobre essa

 questo .
 Nessa direo vem desenvolvendo um projeto - Sintaxe

 comparada de documentos escritos na Galcia e em Portugal nos sculos

 XIII e XIV - no mbito do Programa para a histria da lngua

 portuguesa ( PROHPOR ) a gerativista baiana Ilza Ribeiro , a fim de

 verificar se nesses documentos esto representadas mais de uma

 gramtica .
 Em breve futuro , esperamos , algo de novo haver na cena

 sobre a questo neste ponto delineada .

 2.2 Sobre a primitiva produo documental em portugus

 A questo da substituio progressiva do latim pelas

 lnguas romnicas na documentao medieval no s interessa aos

 historiadores de uma maneira igual , como aos fillogos e aos que fazem

 sociolingstica histrica , mais ainda aos historiadores das lnguas ,

 pois fornece , nesse ltimo caso , dados empricos para alicerar a

 delimitao da periodizao dos estgios mais remotos das lnguas

 romnicas .
 Assim sendo , a definio do momento em que a lngua

 portuguesa aparece escrita indica o limite inicial do primeiro perodo

 histrico do portugus - histrico no sentido de documentado pela

 escrita - o chamado perodo arcaico .

 Sabe-se que , na ltima dcada do sculo XIII , o rei d .

 Dinis legaliza a lngua portuguesa como lngua oficial do reino de

 Portugal , seguindo tambm nisso o modelo de seu av , Afonso X de Leo

 e Castela , que no seu reinado iniciado em 1252 , institui o vernculo

 castelhano como lngua oficial de seu reino .
 Sabe-se tambm que ,

 apesar de o portugus s ter sido oficializado no tempo de d. Dinis ,

 j , a partir de 1255 , na chancelaria do rei Afonso III de Portugal , a

 par do latim j se usava o portugus nos diplomas oficiais .
 Esse

 perodo de 1255 e a institucionalizao do portugus como lngua

 escrita oficial  o que Ana Maria Martins , nos seus trabalhos de 1998

 e 1999 , considera a Segunda fase da primitiva produo documental em

 portugus .
 Aqui , vou me centrar , na primeira fase dessa primitiva

 documentao , portanto anterior a 1255 , que , nestes anos noventa ,

 comea a ser revista sobretudo pela referida lingista e filloga ,

 seguindo inferncias e sugestes tanto de Lindley Cintra ( 1963:45 )

 como de Ivo Castro ( 1991 : 183 ) .

 Em 1961 , em colquio sobre os mais antigos textos

 romnicos no-literrios , realizado em Estrasburgo , Lindley Cintra

 ( 1963 ) torna pblicas pesquisas que vinha realizando sobre os antigos

 textos em portugus , juntamente com o palegrafo Ruy de Azevedo , que

 demonstraram que , entre os textos , que a tradio filolgica , desde os

 comeos do sculo XX , indicava como os mais antigos - o Testamento de

 Elvira Sanches e o Auto das Partilhas - eram dos fins do sculo XIII ,

 mantendo-se como os primeiros documentos , o Testamento de Afonso II ,

 escrito na Chancelaria desse rei e a Notcia de torto , provvel

 rascunho de um documento privado .
 O Testamento datado de 1214 e a

 Notcia , situvel , pelos fatos narrados , relacionados a famlias

 historicamente identificadas , entre 1210 e 1216 .

 Ao trabalho do fillogo e palegrafo antes nomeados ,

 juntou-se depois o trabalho do historiador medievalista Pe. Jos

 Avelino da Costa ( 1979 ) .
 Confirma os achados dos outros e ainda inclui

 um elemento novo que se refere a mais uma das treze cpias do

 Testamento de Afonso II , encontrada no arquivo da diocese de Toledo ,

 na dcada de sessenta , j que , desde o sculo XIX at ento s se

 conhecia uma , a que est no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em

 Lisboa .
 Desde ento , at os dias que correm , os representantes

 incontestveis conhecidos da primeira fase da primitiva documentao

 em portugus so , portanto , as duas cpias do Testamento de Afonso II

 e a Notcia de Torto .

 Tanto Lindley Cintra , desde a dcada de sessenta , como Ivo

 Castro , no seu Curso de histria da lngua portuguesa ( 1911 ) deixam ,

 contudo , claro que esses documentos no teriam sido os nicos dessa

 primeira fase .
 O Testamento por no poder ser , devido  estabilidade

 de sua escrita , apesar da variabilidade entre as duas cpias

 remanescentes e a Notcia , por ser uma pista , um indcio de que o que

 levou a que fosse anotada em portugus , teria levado tambm a que

 outros documentos da mesma natureza existissem nos fundos dos arquivos

 portugueses .

 At o momento , nenhum outro documento oficial foi

 encontrado , entre as duas cpias do Testamento de 1214 e os documentos

 em portugus da Chancelaria de Afonso III , a partir de 1255 , sendo

 assim , realmente , o referido Testamento um documento temporo ,

 explicvel por razes da histria de vida de Afonso II .
 Contudo ,

 pesquisas muito recentes , conduzidas sobretudo por Ana Maria Martins ,

 at o momento apenas nos fundos conventuais arquivados na Torre do

 Tombo , para surpresa da Autora , como ela confessa em seu artigo deste

 ano , alguns documentos assemelhados  Notcia de torto tm sido

 encontrado e j compem um corpus , embora ainda restrito , de menos de

 vinte documentos , que a Autora situa entre 1175 e 1255 , momento em que

 comea a Segunda fase referida .
 Esses documentos na sua classificao

 so de scripta conservadora , como a Notcia de torto diferentemente do

 Testamento de Afonso II , que classifica como de scripta inovadora .

 Compem eles um conjunto de textos de natureza jurdica categorizados

 como fintos ou ris , notcias e testamentos ( Martins 1997:7 ) .

 Para Ana Maria Martins , a fronteira entre textos

 latino-romances e textos romances de scripta conservadora , produzidos

 em Portugal , no deve ser traada numa base meramente quantitativa ,

 parecendo-lhe ser caracterstica essencial desses documentos da

 primitiva produo em portugus , por oposio aos documentos

 latino-romances

 " o abandono efetivo ou tendencial das marcas de uma morfologia latina "

 ( 1999 : 8 )

 Vale dizer que os documentos latino-romances em Portugal a

 que se contrapem esses primeiros documentos de scrpita conservadora

 vm sendo tambm pesquisados por outro jovem fillogo e lingista

 portugus , Antnio Emiliano que , na sua tese de doutoramento , se

 dedicou a lngua notarial latino-bracarense ( 1997 ) .
 Sem conhecer esse

 lado latino-romance da questo , no teria podido Ana Maria Martins

 contrapor os documentos que encontrou em sua pesquisa e defini-los com

 clareza que no so mais escritos em latim , mas representam uma

 scripta conservadora , latinizante da lngua portuguesa .

 Com esse filo recentemente reaberto , o estado da questo

 que neste ponto focalizei , permite j afirmar que , a par da Notcia de

 torto , outros documentos privados a ela assemelhados , seus

 contemporneos , um pouco anteriores e posteriores , mas todos

 precedendo 1255 , compem a primeira fase da primitiva produo

 documental em portugus e que a data para esse tipo de texto recua

 para as ltimas dcadas do sculo XII .

 Para finalizar esse tpico informo que , tambm do lado

 galego , est-se a buscar documentos escritos na Galcia , em vernculo ,

 nessa primeira fase da primitiva produo documental no ocidente

 peninsular , anteriores , portanto anterior aos meados de 1255 , veja-se ,

 por exemplo , o trabalho de Tato Plaza ( 1997 ) , jovem fillogo e

 lingista galego , apresentado ao XII Encontro da Associao Portuguesa

 de Lingstica .

 2.3 Do portugus arcaico para o moderno

  certo que o chamado perodo arcaico , antigo ou medieval ,

 prefiro a primeira designao por consider-la mais definidora ,

 apresenta um conjunto de caractersticas lingsticas , representadas

 na documentao escrita remanescente , que fundamenta a oposio entre

 o portugus arcaico e o moderno , para outros designado como clssico .

 A questo em que neste ponto me vou centrar  uma velha questo , mas

 ainda , a meu ver , no resolvida , que recobre a definio de quando

 essas caractersticas que tipificam o perodo arcaico deixam de

 ocorrer na documentao escrita .

 Todos sabemos que , na Histria do mundo ocidental , so

 considerados tempos modernos aqueles que se iniciam na passagem do

 sculo XV para o XVI .
 No caso da Pennsula Ibrica e , muito

 especialmente no caso portugus , sem dvida , 1498 e 1500 so incios

 de novos tempos , s ento se cumpria o antigo projeto de incios do

 sculo XV , com a vitria sobre a rota martima para as ndias e com o

 vitorioso domnio da navegao no Atlntico Sul e conseqente chegada

 ao futuro Brasil .
 Ser ento adequado dizer que o portugus arcaico

 acaba ao acabar o sculo XV ?

 Sabemos tambm que a histria das lnguas no acompanham a

 par e passo a histria scio-poltica das sociedades que usam essas

 lnguas .
 Seus ritmos so distintos .
 Se um evento histrico

 significativo pode ser tomado como um marco delimitador de um perodo

 histrico para a histria de uma sociedade , a lngua dessa sociedade

 continuar o seu ritmo constitutivo e pode disso sofrer o efeito com o

 passar do tempo .

 Decorre desse desemparelhamento entre a histria da

 sociedade e a histria da lngua dessa sociedade o fato de no

 encontrarmos consenso , nos estudos pertinentes , na delimitao dos

 finais do perodo arcaico e dos incios do perodo moderno da lngua

 portuguesa .

 Em trabalho anterior , publicado em 1994 na Revista

 D.E.L.T.A. , reuni dados de trabalhos de doze especialistas , fillogos

 da antiga tradio e lingistas nossos contemporneos sobre essa

 delimitao e neles encontrei desde aqueles que situam o fim do

 perodo arcaico como sendo 1500 ( Carolina Michalis de Vasconcelos ,

 Serafim da Silva Neto , Amini Hauy ) at 1572 , data da publicao de Os

 Lusadas ( Paulo Teyssier , que considera de 1350 a 1572 o perodo de

 formao do portugus clssico ) .
 Entre essas datas , h os que

 selecionam 1536 e 1540 - so a maioria - datas do aparecimento das

 primeiras reflexes metalingsticas sobre o portugus e do incio da

 sua normativizao explcita , como marco do fim do perodo arcaico

 ( Leite de Vasconcellos , Said Ali , Lima Coutinho , Mattoso Cmara ,

 Lindley Cintra , Ivo Castro , Fernando Tarallo e Pilar Vasquez Cuesta ) .

 H ainda a questo da subdiviso do perodo arcaico em

 duas fases , para o que tambm no h consenso .
 Quanto a isso , h

 aqueles que no as consideram , h os que estabelecem at 1350 como o

 perodo trovadoresco ou ento perodo galego-portugus e outros que

 situam essa diviso entre 1385 ou 1420 , designando a primeira fase de

 portugus antigo e a segunda de portugus mdio .

 A fundamentao para essas divises dspares est ou num

 enfoque de natureza literria ( basta ver as designaes perodo

 trovadoresco , prosa nacional , portugus clssico , publicao de Os

 Lusadas ) ou num enfoque baseado em fatos da histria social como 1385

 ( Aljubarrota ) e 1500 ou , ainda , e esse me parece mais adequado , o

 enfoque de natureza sociolingstica que seleciona como elemento

 demarcador os textos inaugurais sobre a lngua portuguesa de Ferno de

 Oliveira e de Joo de Barros .
 Enquanto no se faa uma caracterizao

 com base na cronologia relativa para o desaparecimento dos fatos

 lingsticos que tipificam o perodo arcaico e que o opem ao moderno ,

 o enfoque sociolingstico me parece o mais adequado .

 Se para os incios do primeiro perodo de histria escrita

 da lngua portuguesa estamos hoje em um momento em que essa questo se

 reabriu , como busquei mostrar no item anterior , para os finais do

 perodo arcaico e incio dos tempos lingsticos modernos , a meu ver ,

 h ainda a fazer um estudo sistemtico sobre um mesmo corpus

 diversificado e significativo do sculo XIII aos meados do sculo XVI ,

 pelo menos , para que se estabelea , com dados intralingsticos , at

 quando perduram as tipicidades do portugus arcaico .

 J mencionei no incio desta exposio , de todo passado

 de , pelo menos , sete sculos de existncia documentada pela escrita da

 lngua portuguesa ,  o chamado perodo arcaico o mais estudado

 filologica e lingisticamente , portanto o mais sistematicamente

 conhecido .
 Com base nesse conhecimento acumulado , que vem dos incios

 do sculo XX , no meu artigo referido de 1994 , levantei dez fatos

 lingsticos - cinco fnicos e morfo-fnicos estudados pela tradio

 gramatical ( hiatos ; sistema de sibilantes ; ditongo nasal final ;

 morfemas verbais nmero-pessoa - des , - de ; vogal temtica / u / dos

 verbos da 2 .
 Conjugao ) e cinco morfo-sintticos ( diticos

 demonstrativos ; locativos adverbiais e anafricos ; conjunes tpicas

 do perodo arcaico ; os usos variveis de ser / estar e de ter / haver ; o

 tempo composto ; aspectos da ordem sinttica ) , depreendidos de estudos

 lingsticos mais recentes , de 1990 para c e , com base nisso , pude

 verificar , na falta de uma pesquisa especfica para uma cronologia

 relativa dos fatos lingsticos caracterizadores do perodo arcaico ,

 que alguns dos dez se estendem at fins do sculo XVI ; outros

 desaparecem nos fins do sculo XIV ; a maioria continua ao longo do

 sculo XV e alguns esto em claro processo de desuso pela primeira

 metade do sculo XVI .
 Nesse trabalho concluo o que h pouco afirmei :

 h que ser feita uma pesquisa direcionada para essa questo , com base

 em corpus nico , criteriosamente construdo , para definir-se , em

 termos intralingsticos , os finais do perodo arcaico .

 Pesquisadores do Programa para a histria da lngua

 portuguesa ( PROHPOR ) , grupo de pesquisa da UFBa. e UEFS , organizado a

 partir de fins de 1990 , que tem como campo de observao a lngua

 portuguesa das origens ao sculo XVI , da infletindo para a histria

 do portugus brasileiro , vem , nesse momento , a partir de sua

 experincia com a documentao do perodo arcaico , explorando dados da

 morfossintaxe de documentao de meados do sculo XVI , no com o

 objetivo imediato de delimitar o perodo arcaico , mas para melhor

 conhecer o portugus quinhentista e poder compar-lo com o anterior e

 ainda ter um ponto de partida para o futuro estudo da histria

 intralingstica do portugus brasileiro .
 Os tpicos em investigao

 no projeto em curso Aspectos da morfossintaxe quinhentista so a ordem

 sinttica da sentena ; a posio dos clticos ; os usos variveis de

 ser / estar / haver / ter em estruturas atributivas , possessivas ,

 existenciais e de tempo composto ; verbos de padro especial ;

 gramaticalizaes nas conjunes e locues conjuntivas , nas

 preposies e locues prepositivas , nos advrbios e locues

 adverbiais ; o uso varivel de artigo diante de possessivo e nomes

 prprios ; os demonstrativos diticos e anafricos .
 Constituem esses

 alguns aspectos da morfossintaxe que tm caractersticas prprias no

 portugus arcaico e , nele , esto em processo de mudana .

 Como bem alerta Ivo Castro no seu trabalho Para uma

 histria do portugus clssico - ele chama de clssico o que aqui

 venho designando de moderno , seguindo conscientemente a tradio

 iniciada por Leite de Vasconcellos - perodo que localiza dos sculos

 XVI ao XIX , esse novo perodo histrico da lngua portuguesa envolve

 tpicos complexos que , sem hierarquiz-los , destaca : a entrada da

 lngua portuguesa na galxia de Gutemberg ; o desenvolvimento da lngua

 literria ; o uso do portugus como metalinguagem sobre si mesmo ; a

 padronizao do portugus e , entre esses tpicos

 " seguramente sobressai o fenmeno nunca demais exaltado de o portugus

 ser uma das raras lnguas que no s excederam os limites da

 comunidade que inicialmente as falava , mas transbordaram do seu

 continente originrio e se expandiram  escala mundial " ( 1996 : 137 )

 Nas trs questes finais subseqentes desta exposio , vou

 me centrar em alguns aspectos da pesquisa sobre a histria do

 portugus brasileiro , sem dvida o resultado historicamente mais

 significativo do " transbordamento " da lngua portuguesa de seu

 continente originrio .

 3 Questes atuais na pesquisa sobre o portugus brasileiro numa

 perspectiva histrica

 3.1 Do presente para o passado

 Sem dvida os dias que correm representam um momento

 alvissareiro para os estudos referentes  formao e elaborao do

 portugus brasileiro nesses cinco sculos de sua constituio .
 Graas

  liderana de Ataliba de Castilho , desde 1996 , um grande grupo de

 pesquisadores se organiza para enfrentar uma reconstruo e escrita do

 passado da lngua majoritria e oficial do Brasil .
 Em organizao est

 o projeto nacional e interinstitucional Para a histria do portugus

 brasileiro .
 Resultado dele j foram os dois primeiros seminrios

 nacionais , o de 1997 na USP e o de 1998 , em Campos do Jordo e j se

 aproxima o III , em Campinas ; tambm o so , o primeiro volume Para a

 histria do portugus brasileiro .
 Primeiras idias ( 1998 ) , publicado

 pela Humanitas .
 O segundo , Primeiros estudos , j est em processo de

 publicao .

 Como j referi antes nesta exposio , certamente a grande

 motivao para a volta aos estudos histricos no Brasil decorre ,

 sobretudo , como conseqncia do processo de conhecimento da realidade

 sincrnica do portugus brasileiro , a partir dos anos sessenta , o que

 nos tornou conscientes da sua complexa heterogeneidade , especialmente

 a social .

 A questo histrica do portugus brasileiro , nomeado de

 vrias formas - portugus no Brasil , modalidade brasileira da lngua

 portuguesa , portugus do Brasil etc. - ocupou muitos autores na

 primeira metade do sculo vinte , em defender teses ou africanfilas ,

 ou indianfilas ou lusitanfilas , no dizer de Antnio Houaiss ( 1985 ) ,

 destacando-se , certamente , entre todos eles , os trabalhos sobre essa

 temtica de Serafim da Silva Neto ( 1950 , 1960 ) .
 Contudo , depois dos

 avanos da sociolingstica sobre o portugus brasileiro , da dcada de

 setenta para c , no se pode mais afirmar com a segurana com que o

 fazia Serafim da Silva Neto que a lngua portuguesa no Brasil ,

 designao corrente na sua obra ,  homognea e conservadora .

 Fundava-se ele na diversificada dialetao regional das lnguas

 romnicas da Europa , contrapondo  possibilidade de intercomunicao

 lingstica em nosso extenso espao territorial e , tambm , em fatos

 pinados de elementos arcaizantes , conservadores , documentados nos

 incipientes estudos de Dialectologia da primeira metade de nosso

 sculo .

 Voltando-se para a dialetao social , os estudos sobre a

 realidade do portugus brasileiro , com os grandes projetos

 sociolingsticos que se iniciaram , a partir de 1969 , com o projeto

 Norma urbana culta ( NURC ) , seguido de tantos outros como , por exemplo ,

 o Censo sociolingstico do Rio de Janeiro , o VARSUL ( Variao sul ) , o

 Projeto da gramtica do portugus falado , comeou o desvelar-se , com

 maior preciso , a sutil heterogeneidade social do portugus usado no

 Brasil , recoberta pela possibilidade de intercomunicao oral em todo

 o territrio nacional e esbatida por uma normativizao no uso

 escrito , que a escola tenta , a duras penas , propagar entre aqueles que

 alcanam a escola no Brasil .

 Nesses ltimos tempos , como externei em recente Mesa

 Redonda no II Congresso Nacional da ABRALIN , tem sido formulada de

 vrias maneiras a heterogeneidade e pluralidade do portugus

 brasileiro .
 Suponho j estar suficientemente mostrado que essa

 pluralidade decorre , fundamentalmente , embora no exclusivamente , da

 variao estrtica ou social .
 Ope-se , com segurana , o portugus

 popular ou vernculo brasileiro ao portugus culto , tambm designado

 de normas vernculas e de normas cultas , sempre plurais .
 Formula-se

 tambm essa pluralidade como um continuum dialetal que tem em um

 extremo as variantes usadas principalmente por no-escolarizados de

 reas rurais e , no outro , as variantes daqueles de reas

 principalmente urbanas de escolaridade alta .
 s margens desse

 continuum se pode ainda situar , para alm de um extremo , possveis

 reas descrioulizantes em antigas comunidades afro-brasileiras

 isoladas e , para alm do outro , o portugus escrito formal de pessoas

 de alta escolaridade que ainda buscam aplicar as tradicionais regras

 gramaticais normativas devedoras ao portugus europeu .

 Pelo melhor conhecimento do presente para tentar entrever

 o passado , os estudos sociolingsticos j nos legaram um conjunto

 significativo de diagnsticos sobre caractersticas que tipificam a

 heterogeneidade social do portugus usado no Brasil , mas esse conjunto

 significativo tem-se centrado , sobretudo , como alis  a orientao

 geral na Sociolingstica , sobre a variao urbana e tambm sobre as

 divergncias entre usos falados e usos escritos .
 Contudo , para que no

 se enviese e simplifique a informao essencial para desvelar o

 passado , faz-se ainda necessrio , a meu ver , expandir os estudos sobre

 a realidade lingstica que se estende por nosso espao geogrfico .

 Considero , ento , que uma questo atual na pauta para

 interpretar , numa perspectiva histrica , o portugus brasileiro ser o

 estudo extensivo e intensivo sobre as variantes rurais conviventes no

 Brasil .
 Felizmente , nestes tempos que correm , h uma volta para o

 conhecimento do portugus no espao brasileiro , tanto pela via de

 dialetlogos que j investem na realizao de um atlas lingstico

 geral do Brasil .
 Refiro-me ao Projeto ALIB , projeto nacional e

 interinstitucional , coordenado por Suzana Cardoso , da UFBa. , e pela

 via da crioulstica , com trabalhos de campo iniciados em fins de

 oitenta por Alan Baxter de La Troube , Austrlia , posteriormente

 estruturado , juntamente com Dante Lucchesi , no Projeto Vestgios de

 descrioulizao em comunidades afro-brasileiras isoladas .

 Para finalizar esta questo , considero que , enquanto o

 Atlas Lingstico do Brasil dar um diagnstico geral de fatos

 lexicais , fonticos e de alguns aspectos da morfossintaxe , como se

 pode verificar pelo seu Questionrio , j sendo aplicado ; e o Projeto

 Vestgios de descrioulizao , com metodologia variacionista , se centra

 sobre a questo da descrioulizao prvia do portugus brasileiro e

 para esse seleciona comunidades pertinentes para a verificao dessa

 hiptese , faz-se , a meu ver , necessrio o estudo vertical intensivo de

 comunidades rurais de vrios tipos e de vrias reas brasileiras , no

  cata de arcaismos / conservadorismos , que tambm podero ser de

 interesse , mas para que se possam confrontar os usos lingsticos

 dessas comunidades com as urbanas , nas suas diferenas e

 coincidncias , a fim de ampliar-se o conhecimento do quadro geral do

 portugus brasileiro na sincronia atual , como uma das bases para

 melhor compreendermos o seu passado .

 3.2 Da histria social do Brasil para a scio-histria do portugus

 brasileiro

 Sendo o portugus brasileiro um continuador histrico do

 portugus europeu que aqui chegou aos poucos com Cabral e continuou

 chegando durante os trs sculos de colonizao e depois ainda com os

 imigrantes do sculo XIX , h que se compreender e interpretar as

 coincidncias e as divergncias lingsticas entre essas duas

 variedades da lngua portuguesa .
 O portugus europeu  fruto da sua

 scio-histria que  profundamente distinta da scio-histria do

 portugus brasileiro .

 O portugus brasileiro , como sabemos , resulta , sem dvida ,

 do contato entre falantes do portugus europeu , lngua hegemnica de

 dominao , com os falantes das numerosas lnguas indgenas autctones ,

 com as chamadas lnguas gerais indgenas , e ainda do contato com os

 falantes africanos , de vrias lnguas , e seus descendentes e , a partir

 do sculo XIX , com os falantes dos diversificados grupos de emigrantes

 que aqui se estabeleceram .
 Constituiu-se assim o portugus brasileiro

 em um complexo contexto multilingstico que h de ser rigorosamente

 escrutinado para que se possa afirmar de que decorre o que tipifica ,

 numa perspectiva histrica , o portugus brasileiro .

 A tradio filolgica da primeira metade do sculo XX , que

 se dedicou a esse tema , muito simplificou e generalizou sobre essa

 questo , a depender do vis africanista , indianista ou lusitanista de

 seus autores .
 Nesse primeiro momento de estudo sobre a formao do

 portugus brasileiro , sem dvida , foi Serafim da Silva Neto , apesar de

 seu vis lusitanista , ideologicamente fundado na tese da vitria da

 superioridade cultural dos europeus , aquele que buscou , embora de

 maneira assistemtica e rarefeita , em fontes de nossa histria social ,

 informaes para uma reconstituio da scio-histria da lngua

 portuguesa no Brasil , para usar a sua designaco .

 No meu modo de ver , neste momento de retomada por vrios

 pesquisadores da questo da formao e elaborao histrica do

 portugus brasileiro , um problema central e geral  o de tentar

 compreender e interpretar , olhando com lentes poderosas e na companhia

 dos historiadores , o passado scio-histrico do Brasil , a polarizao

 scio-lingstica do portugus brasileiro que se pode sintetizar nas

 diferenas existentes entre as normas vernculas e as normas cultas

 conviventes hoje .

 Outro problema geral e central , a meu ver ,  delinear por

 que caminhos , no contexto multilingstico em que se constituiu o

 portugus , nas configuraes que aqui adquiriu , se tornou a lngua

 amplamente majoritria do Brasil .
 Sob essa questo , est uma pergunta

 que me fao e que comecei a responder em trabalho a ser publicado no

 volume II de Para a histria do portugus brasileiro ( 1995 ) : quem foi

 de fato o principal agente da difuso do portugus do Brasil ?

 Essa pergunta se fundamenta em nossa demografia histrica

 que indica que , ao longo do perodo colonial , a populao de origem

 portuguesa e seus descendentes ficou  volta de 30 % do conjunto da

 populao do Brasil do sculo XVI aos meados do sculo XIX .
 Cobriam os

 outros 70 % os africanos e afro-brasileiros sempre crescentes , de 20 %

 na 2 .
 metade do sculo XVI a 65 % nos meados do XIX e os ndios

 integrados e seus descendentes , em processo decrescente , que de 50 % na

 2 .
 metade do sculo XVI chega a 40 % nos meados do sculo XIX ( cf .
 A .

 MUSSA 1991:163 ) .
 A demografia geral do Brasil , no estado do

 conhecimento em que se encontra , aponta para os africanos e seus

 descendentes , que tiveram de abdicar de suas lnguas , por razes

 histricas muito conhecidas , como principais difusores do portugus

 geral brasileiro , designao minha no trabalho referido , antecedente

 histrico do chamado portugus popular ou vernculo do Brasil .

 Esses dois problemas gerais delineados indicam que , na

 reconstruo do passado scio-histrico do portugus brasileiro , dois

 problemas scio-histricos , gerais para o Brasil , devem ser

 pesquisados a fundo ao longo dos nossos quinhentos anos e nos

 diversificados contornos das diferentes reas geogrficas e

 scio-histricas .
 So eles enfim : a nossa demografia histrica ao

 longo desses sculos e o processo de escolarizao , veculo , sem

 dvida , fundamental , no sentido de uma normativizao , que ter

 favorecido a elaborao do chamado portugus culto brasileiro .

 Certamente a reconstruo de scio-histrias lingsticas

 areais , correlacionadas  histria social desses locais , mostrar

 diversificados percursos na histria lingstica do Brasil , que

 envolvem no s a lngua portuguesa , mas todas as outras , as que aqui

 estavam e as que aqui chegaram com os africanos e com os imigrantes .

 Muitos pesquisadores j esto nisso envolvidos , mas ainda no h uma

 cobertura para todo o Brasil .

 Este tipo de investigao est em curso para o Brasil

 meridional , para So Paulo , para o Rio de Janeiro , para Minas Gerais ,

 para a Bahia e para Pernambuco , no contexto do projeto Para a histria

 do portugus brasileiro .

 3.3 A varivel sintaxe brasileira

 A ltima questo , das que selecionei para esta exposio ,

 centrar-se- na varivel sintaxe brasileira , como baliza das

 diferenas entre normas vernculas e normas cultas no Brasil e , entre

 elas , e a sintaxe do portugus europeu .

 A tradio filolgica da primeira metade do nosso sculo

 que se voltou para os estudos dialectolgicos se centrou , em

 consonncia com essa orientao de estudo , principalmente , em aspectos

 fnicos e lexicais que distinguiam o portugus brasileiro do europeu .

 Ainda em 1960 , no seu ltimo trabalho sobre a lngua portuguesa no

 Brasil , Serafim da Silva Neto , defendendo o carter homogneo e

 conservador do portugus brasileiro se refere ao numeroso vocabulrio

 e a algumas divergncias sintticas ( 1960 : 25 ) do portugus brasileiro

 em relao ao europeu .

 Ao voltarem-se , nesta segunda metade do sculo XX , os

 estudos lingsticos e sociolingsticos para a sintaxe brasileira ,

 sobretudo a falada , verificou-se no s a complexa variabilidade da

 sintaxe do portugus brasileiro nos seus usos diversificados como

 diferenas essenciais que permitiram a postulao de uma gramtica , no

 sentido paramtrico chomiskiano , distinta da europia .
 Desde a dcada

 de oitenta para c , numerosas pesquisas vm demonstrando onde 

 varivel a sintaxe brasileira e em que se distingue ela da sintaxe do

 portugus europeu .
 Muitos sociolingistas e lingistas gerativistas a

 isso se tm dedicado e j  vasta a bibliografia sobre essa questo ,

 como sabemos .

 Deve-se , certamente , a Fernando Tarallo ter desencadeado

 nesses estudos , no s a conjuno da teoria paramtrica 

 variacionista , mas tambm voltar a olhar para os dados do passado em

 busca de definir at quando se poderia recuar , na observao de textos

 escritos , para detectar a emergncia de uma gramtica brasileira no

 uso escrito do portugus no Brasil .
 Resultados muito conhecidos dessa

 linha de pesquisa esto nas Fotografias sociolingsticas ( 1989 ) ,

 coletnea organizada por Tarallo e no Portugus brasileiro : uma viagem

 diacrnica ( 1993 ) , coletnea organizada por Mary Kato e Ian Roberts em

 sua homenagem .

 No seu estudo Diagnosticando uma gramtica brasileira

 ( 1993 ) , F. Tarallo , alm de reunir o conjunto de propriedades

 sintticas interrelacionveis que identificam a nossa sintaxe , indica

 que seria os fins do sculo XIX o momento a partir do qual essa

 gramtica se documenta nos textos brasileiros .

 Por essa via aberta por F. Tarallo , os pesquisadores do

 projeto Para a histria do portugus brasileiro , que se centram nas

 mudanas gramaticais , esto comeando a buscar , em documentao que

 seria mais prxima do portugus aqui falado , dados que possam indicar

 que a emergncia da gramtica brasileira possa se situar em momento

 mais recuado de nossa histria , para alm , portanto , dos fins do

 sculo XIX , como props Tarallo , com base sobretudo em cartas e peas

 teatrais editadas .

 Uma das vertentes de pesquisa para a histria do portugus

 brasileiro est , portanto , se centrando na organizao de corpora

 documentais do sculo XIX para trs , em busca , de cartas pessoais ou

 de outros documentos em que " escorria sua prpria tinta " ( para usar

 uma metfora de Tarallo ) o portugus brasileiro .
 Alguns desses corpora

 j se encontram em processo de edio , com critrios

 filolgico-lingsticos apropriados e gerais para todos os corpora do

 Projeto , princpio metodolgico definido no II Seminrio .
 Outros

 corpora esto sendo planejados .

 Vemos assim que nesse Projeto coletivo para uma

 reconstruo e escrita do passado do portugus brasileiro lingistas ,

 sociolingistas , fillogos e historiadores esto de mos dadas para

 tentar uma grande meta de longo alcance .

 Gostaria de sinalizar , contudo , que esse rastreamento das

 caractersticas da gramtica do portugus brasileiro em documentao

 dos sculos passados nos fornecer certamente informaes e dados para

 a reconstruo histrica do portugus brasileiro escrito , que

 refletir , provavelmente , o portugus da camada letrada culta do

 passado .
 O rastreamento do passado do portugus popular , a meu ver ,

 ter de buscar em outros tipos de fontes os indcios de sua

 constituio histrica , que se fez na oralidade , ao longo do perodo

 colonial e ps-colonial .

 Um outro aspecto da divergncia gramatical entre o

 portugus brasileiro e o europeu recobre uma antiga polmica , hoje de

 volta  agenda da pesquisa histrica sobre o portugus brasileiro ,

 diferentemente do que sups F. Tarallo no seu trabalho da dcada de

 oitenta sobre a alegada origem crioula do portugus brasileiro , so as

 hipteses contrrias da crioulizao prvia e a da deriva natural ,

 como duas formas alternativas de interpretao para a divergncia

 sinttica entre essas duas variantes da lngua portuguesa .
 Para a

 primeira hiptese est na agenda da pesquisa lingstica brasileira o

 estudo de possveis vestgios de descrioulizao em comunidades

 isoladas , como j antes referido , para a segunda , tem-se de investir

 na sintaxe histrica do portugus europeu - pouco explorada , como j

 referido nesta exposio - do perodo arcaico para c , o que alis j

 iniciaram Athony Naro e Martha Scherre ( 1999 ) .
 Veja-se o recente

 trabalho apresentado no ltimo congresso da ABRALIN - Concordncia

 varivel em portugus : a situao do Brasil e em Portugal - na Mesa

 Redonda sobre As origens do portugus brasileiro .

 4 Para encerrar

 Finalizo esta Conferncia retomando o incio de outra , em

 1992 - Portugus brasileiro : razes e trajetrias .
 Para a construo

 de uma histria .
 Nesse texto , o primeiro que ousei escrever sobre a

 histria do portugus brasileiro , apesar de h longos anos vir

 trabalhando sobre a lngua portuguesa em perspectiva histrica ,

 comecei assim :

 " As reflexes que seguem pretendem ser apenas um convite para a

 construo da histria do portugus brasileiro , obra que no pode

 deixar de ser coletiva e conjuntamente sonhada .
 E todos sabemos , o

 Poeta Pessoa nos ensinou , que sem sonhar a obra no nasce , Deus ( e ,

 neste caso ns brasileiros ) querendo " ( 1993 : 75 )

 Passados sete anos , o sonho est a tornar-se realidade ,

 graas ao trabalho coletivo do Projeto para a histria do portugus

 brasileiro , convocado e coordenado por Ataliba de Castilho .
 Resta

 ainda aliciar nossos colegas portugueses para juntos construirmos uma

 histria geral da lngua portuguesa .
 O prximo milnio poder nos

 conduzir por esses caminhos , se quisermos e Deus querendo .

 Salvador , 1 .
 de maio de 1999

 Rosa Virgnia Mattos e Silva

 Referncias bibliogrficas

 CASTILHO , A. de ( org. ) ( 1998 ) Para a histria do portugus brasileiro .

 Primeiras idias. v.I .
 So Paulo : Humanitas .

 CASTRO , I. ( 1991 ) Curso de histria da lngua portuguesa. v. I .

 Lisboa : Universidade Aberta .

 CASTRO , I. ( 1995 ) O retorno  filologia .
 In PEREIRA , C. e PEREIRA , P .

 Miscelnea de estudos lingsticos , filolgicos e literrios ` in

 memoriam ' de Celso F. Cunha .
 Rio : Nova Fronteira. p. 510-520 .

 CASTRO , I. ( 1996 ) Para uma histria do portugus clssico .
 In Actas do

 Congresso Internacional sobre o Portugus. v. II. Lisboa : Colibri / APL .

 p. 135-150 .

 CINTRA , L. F. L. ( 1963 ) Les anciens textes portugais non-littraires :

 classement et bibliographie. Revie de linguistique romane. XXVII :

 40-58 .

 CINTRA , L. F. L. ( 1990 ) Sobre o mais antigo texto no-literrio

 portugus : a Notcia de torto ( leitura crtica , data , lugar de redao

 e comentrio lingstico ) .
 Boletim de Filologia .
 XXXI : 21-77 .

 COSTA , Pe. A. de S. ( 1979 ) Os mais antigos documentos escritos em

 portugus ( reviso de um problema histrico-lingstico ) .
 Revista

 Portuguesa de Histria .
 XVII : 263-341 .

 EMILIANO , A. ( 1995 ) Latim e romance em documentao notarial da

 segunda metade do sculo XI. Anlise scripto-lingstica de textos

 provenientes do ` Territorium Bracarense ' ( Liber Fidei 1050-1110 ) .

 Dissertao de Doutoramento .
 Lisboa : Faculdade de Cincias Sociais e

 Humanas da Universidade Nova de Lisboa .
 Mimeo .

 HOUAISS , A. ( 1985 ) O portugus no Brasil .
 Rio : UNIBRADE .

 KATO , M. e ROBERTS , I. ( orgs. ) ( 1993 ) Portugus brasileiro : uma viagem

 diacrnica .
 Campinas : Editora da UNICAMP .

 LIGHTFOOT , D. ( 1999 ) The development of language. Acquisition , change

 and evolution. Massachusetts / Oxford : Blackwell .

 LORENZO , R. ( 1975 ) Gallego y portugues : algumas semejanzas y

 diferencias .
 In NAVARRO , J. M. et alii ( org ) .
 Filologa y didactica

 hispnica. Hamburg : Helmut Buske. p. 155-175 .

 LORENZO , R. ( 1985 ) Cronica Troiana .
 A Corua : Real Academia Gallega .

 MAIA , M. C. de A. ( 1986 ) Histria do galego-portugus .
 Estudo

 lingstico do galego e do noroeste de Portugal desde o sculo XIII ao

 sculo XIX ( com referncia  situao do galego moderno ) .
 Coimbra :

 INIC .

 MARTINS , A. M. ( 1999 ) Ainda ` os mais antigos textos escritos em

 portugus ' .
 29 p. Mimeo .

 MARTINS , A. M. e ALBINO , C. ( 1998 ) Sobre a primitiva produo

 documental em portugus .
 Notcia de uma ` Notcia de haver ' .
 In KREMER ,

 D. ( org. ) Homenaxe a Ramn Lorenzo. t .
 1 .
 Vigo : Galaxia. p. 105-117 .

 MATTOS E SILVA , R. V. ( 1988 ) Fluxo e refluxo : uma retrospectiva da

 lingstica histrica no Brasil .
 D.E.L.T.A. , 4 ( 1 ) : 85-114 .

 MATTOS E SILVA , R. V. ( 1993 ) Portugus brasileiro : razes e

 trajetrias .
 Discursos , 3 : 75-91 .

 MATTOS E SILVA , R. V. ( 1994 ) Para uma caracterizao do portugus

 arcaico .
 D.E.L.T.A. , 10 ( n . especial ) : 247-277 .

 MATTOS E SILVA , R. V. ( 1997 ) Desenvolvimentos recentes no Brasil dos

 estudos histrico-diacrnicos sobre o portugus .
 In Actas do XII

 Encontro da Associao Portuguesa de Lingstica. v. II. Lisboa : APL .

 p. 567-580 .

 MATTOS E SILVA , R. V. ( 1998 ) Idias para a histria do portugus

 brasileiro : fragmentos para uma composio posterior .
 In CASTILHO , A .

 ( org. ) Para uma histria do portugus brasileiro .
 Primeiras idias. v .

 I .
 So Paulo : Humanitas. p. 21-52 .

 MATTOS E SILVA , R. V. ( 1999 ) De fontes scio-histricas para a

 histria social lingstica no Brasil : em busca de ndcios .
 In MATTOS

 E SILVA , R. V. ( org. ) Para uma histria do portugus brasileiro .

 Primeiros estudos. v. II .
 So Paulo : Humanitas ( no prelo ) .

 MUSSA , A. B. N. ( 1991 ) O papel das lnguas africanas na histria do

 portugus do Brasil .
 Dissertao de Mestrado .
 Rio : UFRJ .
 Mimeo .

 NARO , A. e SCHERRE , M. ( 1999 ) Concordncia verbal varivel em

 portugus : a situao no Brasil e em Portugal .
 Comunicao em Mesa

 Redonda do II Congresso Nacional da ABRALIN. Florionpolis .
 16 p .

 Mimeo .

 PENHA , J. A. ( 1997 ) Nossas gramticas histricas .
 In Actas do XII

 Encontro da Associao portuguesa de Lingstica. v. II. Lisboa : APL .

 p. 521-524 .

 RIBEIRO , I. ( 1997 ) Sintaxe comparada de documentos escritos na Galcia

 e em Portugal nos sculos XIII e XIV. Projeto de pesquisa -

 PROHPOR / CNPq .
 Salvador .
 Mimeo .

 SILVA NETO , S. da ( 1986 [ 1950 ] ) Introduo ao estudo da lngua

 portuguesa .
 5 .
 ed. Rio : Presena .

 SILVA NETO , S. da ( 1960 ) A lngua portuguesa no Brasil : problemas .

 Rio : Acadmica .

 SOUTO CABO , M. ( 1988 ) A variante gallega sob a perspectiva da

 filologia luso-brasileira .
 In Actas do II Congresso de Estudos Galegos

 ( Brown University ) .
 Vigo : Galaxia. p. 81-89 .

 TARALLO , F. ( org. ) ( 1989 ) Fotografias sociolingsticas .
 Campinas :

 Pontes Editora .

 TARALLO , F .
 Diagnosticando uma gramtica brasileira : o portugus

 d'aqum e d'alm mar ao final do sculo XIX .
 In KATO , M. e ROBERTS , I .

 ( orgs. ) Portugus brasileiro : uma viagem diacrnica .
 Campinas : Editora

 UNICAMP .

 TATO PLAZA , F. R. ( 1997 ) Dous documentos en galego de 1220 ?
 In Actas

 do XII Encontro da Associao portuguesa de Lingstica. v. II .

 Lisboa : APL. p. 297-302 .

