 [ EMBED ]

 Estrangeirismo j irritava estudiosos da dcada de 20

 O projeto de lei que probe o uso de estrangeirismo a fim de preservar

 a lngua portuguesa no  inovao de Aldo Rabelo , deputado do PCdoB .

 Uma pesquisa apresentada  Universidade de So Paulo ( USP ) demonstrou

 que a preocupao no  exatamente uma novidade .

 Assim como hoje polticos e linguistas criticam o uso da lngua

 inglesa , a historiadora Betriz Protti Christino constatou que

 intelectuais de 1920 j manifestavam seu dio pelo uso de vocbulos

 no oriundos do portugus .
 Na poca , o alvo dos pensadores eram o uso

 que a burguesia fazia do francs e o macarrnico portugus falado

 pelos italianos .

 Alguns dos vocbulos rechaados pelos intelectuais passariam

 desapercebidos pelos cidados do sculo XXI : utilizar palavras como

 " sucesso " ou o verbo " constatar " , por exemplo , era considerado pecado .

 Para eles uma forma de aportuguesar desnecessariamente termos

 franceses como succs e constater .

 A idia central desses intelectuais , segundo apurou a pesquisadora ,

 era a de que a lngua portuguesa era auto-suficiente e no necessitava

 de palavras de outros idiomas .

 " A lngua ptria , para eles , oferecia vocbulo mais do que suficiente .

 Tratavam-se de uma discusso imbuda de nacionalismo " , explica

 Beatriz .

 Com o ttulo " Portugus de Gente Branca " , a dissertao faz analise de

 trs revistas cujo temtica era a linguagem ( Revista de Lngua

 Portuguesa , Revista de Filologia Portuguesa e Revista Brasiliana ) .

 Nelas , a historiadora constatou que os intelectuais cultuavam os

 modelos de Lus de Cames , Padre Antnio Vieira e Rui Barbosa e

 defendiam a hiptese de que quanto mais prximos os brasileiros

 chegassem desses modelos mais protegida a lngua portuguesa estaria .

 O repdio tambm recaiu sobre jeito de falar dos imigrantes , em

 especial os italianos - ridicularizados pelos intelectuais de maneira

 caricatural .
 As contribuies de ndios e negros ao portugus falado

 no Brasil foi praticamente ignoradas pelos intelectuais analisados por

 Beatriz .
 " Eles igualavam o conceito de lngua  norma culta

 estabelecida .
 O que sasse dessa norma era considerado uma no

 lngua " , esclarece .

 Segundo Beatriz , o combate dos estrangeiros era feito de forma

 incoerente , pois os estudiosos no levavam em considerao a prpria

 construo e histria da lngua portuguesa .
 As palavras almofada e

 azeite , como lembra Beatriz , foram incorporadas ao portugus aps o

 domnio dos rabes nas terras lusas .
 O que , segundo ela , demonstra que

 a lngua no  esttica , mas fruto de uma construo histrica da

 cultura .

 A historiadora argumenta que "  complicado tentar mudar a lngua por

 decreto .
 Se o falante e a sociedade que aquela lngua representa forem

 valorizados , a lngua ser valorizada .
 Ela vem junto com o resto da

 cultura " , conclui .

 Raquel Souza

 Copiar este texto

 VOLTAR

 [ EMBED ]

