

 Fatos histricos

 A lngua portuguesa  originria do latim vulgar , isto  , da modalidade falada

 do latim , que os romanos introduziram na Lusitnia , regio situada ao norte da

 Pennsula Ibrica , a partir de 218 a.C .
 At o sculo IX , quando surgem os

 primeiros documentos latino-portugueses , falava-se o romance - estgio

 intermedirio entre o latim vulgar e as modernas lnguas latinas , como o

 portugus , o espanhol e o francs .
 Essa fase  considerada a pr-histria da

 lngua .
 No perodo que vai do sculo IX ao XII chamado de proto-histria j se

 encontram registros de alguns termos portugueses em textos escritos por

 tabelies e notrios em latim brbaro , mas o portugus era basicamente a lngua

 falada .

 A poca histrica da lngua tem duas fases : a arcaica ( do sculo XII ao XVI ) e

 a moderna ( sculo XVI at hoje ) .
 Na primeira fase os textos so redigidos em

 portugus arcaico .
 O fim do perodo  marcado pela publicao do Cancioneiro

 Geral de Garcia de Resende , em 1516 .
 Em Os Lusadas , de Lus de Cames de 1572 ,

 o portugus j  , tanto na estrutura da frase quanto na morfologia , muito

 prximo do atual .

 Essa estruturao formal da histria da lngua portuguesa est ligada aos

 episdios que pertencem  histria da Pennsula Ibrica .

 ROMANIZAO

 Com a invaso romana da Pennsula Ibrica , em 218 a.C. , todos os povos ali

 sediados ,  exceo dos bascos , passam a conviver com o latim , dando incio ao

 processo - mais rpido e completo no sul do que no norte dessa regio - de

 formao do espanhol , portugus e galego .
 O movimento que resulta na

 homogeneizao cultural , lingstica e poltica dos povos nativos da regio 

 denominado romanizao .
 Poderosos fatores concorrem para a eficcia deste

 processo : o recrutamento militar dos jovens provincianos , o sistema rodovirio

 romano , que permitia o acesso  metrpole , o direito de cidadania romana

 concedido aos povos que habitavam a regio e o cristianismo , como elemento

 forte de unificao .
 Estes fatores possibilitam a unidade do Imprio Romano ,

 apesar da diversidade dos povos que o compunham .
 Os vestgios das lnguas que

 existiram na regio ( os chamados substratos ) so incorporados ao latim .

 INVASES GERMNICAS

 Em 409 d.C. , invasores germnicos - vndalos , suevos , alanos e visigodos

 instalam-se na Pennsula e ali permanecem at 711 .
 Lngua e cultura latinas no

 se alteram substancialmente durante a dominao .
 As contribuies lingsticas

 germnicas somam-se ao latim , formando os chamados superestratos .
 O vocabulrio

  enriquecido com a introduo de palavras oriundas do germnico : roubar ,

 espiar , guerrear ( relativas  guerra ) ; ganso , marta ( relativo aos animais ) ; e

 agasalhar , branco , brotar .

 DOMNIO RABE

 Os rabes invadem a Pennsula Ibrica em 711 d.C .
 Durante seu domnio ,

 florescem as cincias , a agricultura , o comrcio e a indstria .
 Como lngua

 oficial , adota-se o rabe , mas o povo subjugado continua a falar o romance ,

 modalidade do latim vulgar j modificado .

 Contribuies rabes - A influncia rabe sobre o vocabulrio latino  grande .

 As principais reas que recebem contribuies lingsticas so : agricultura

 ( arroz , azeitona , aucena , alface ) , cincias e tcnicas ( alfinete , alicerce ,

 alicate , azulejo , almofada ) , profisses ( alfaiate , almocreve ) , organizao

 administrativa ( alcaide , almoxarife , alfndega ) , culinria ( acepipe , acar ,

 azeite , javali ) , vida militar ( alferes , refm ) e urbana ( arrabalde , aldeia ) .
 As

 palavras de origem rabe comeam geralmente com o artigo definido al ( por

 exemplo , almofada , de al + mohada ) , sendo , s vezes , o l assimilado pela

 consoante seguinte ( azeitona , al + ceitun ) .
 Alm destes substantivos , o rabe

 deixou tambm alguns adjetivos ( mesquinho , baldio ) e uma preposio ( at ) .

 RECONQUISTA

 O perodo de reconquista  caracterizado por um movimento blico e poltico ,

 liderado pelos reis cristos que desejam recuperar os territrios conquistados

 pelos rabes .
 No sculo XI , os cristos avanam sobre os inimigos rabes e os

 empurram para o sul da Pennsula , onde surgem os dialetos morabes ou

 moarbicos , originados do rabe em contato com o latim .
 As guerras de

 reconquista levam  criao do Estado portugus .

 Galego-portugus - At a ruptura entre o Condado de Portugal e o reino de

 Castela ( sculo XIII ) , o portugus no se distingue do galego , falado na

 provncia ( hoje espanhola ) da Galzia .
 Em galego-portugus so escritos os

 primeiros documentos oficiais testamentos , ttulos de venda e textos

 literrios , como os poemas recolhidos nos cancioneiros da Ajuda , da Vaticana e

 Colocci-Brancuti ( da Biblioteca Nacional de Lisboa ) .
 No sculo XIV , com o Livro

 de Linhagens , de dom Pedro , conde de Barcelos , e a Crnica Geral de Espanha

 ( 1344 ) , surge a prosa literria em portugus , diferenciado do galego .

 EXPANSO

 Com a expanso ultramarina e a formao do imprio portugus , entre os sculos

 XIV e XVI , a lngua portuguesa se espalha por diversas regies da frica , sia

 e Amrica e recebe influncias locais : cfila , alcova , mono ( do rabe falado

 no norte da frica ) , pagode ( do dravdico , falado na ndia ) , zumbaia e jangada

 ( do malaio ) , junco ( do chins ) , ch ( do japons ) .
 Durante a fase em que

 Portugal foi governado pelo trono espanhol , entre 1580 e 1640 , o portugus

 recebe palavras castelhanas , como bobo , gana , granizo .
 No sculo XVI surgem as

 primeiras gramticas , que definem a morfologia e a sintaxe .
 A partir da , a

 lngua tem mudanas estruturais menores , como a influncia francesa no sculo

 XVIII , que fez o portugus da metrpole afastar-se do falado nas colnias .

 Vocabulrio tcnico - Nos sculos XIX e XX a lngua recebe termos

 internacionais de origem greco-latina designando avanos tecnolgicos

 ( automvel , televiso , telefone , aeroplano , rdio ) ; e inmeros termos tcnicos

 em ingls , em ramos como as cincias mdicas , a astronutica e especialmente a

 informtica ( winchester , drive , software ) .
 O volume de novos termos em ingls

 principalmente relacionados  informtica , incorporados ao portugus estimula a

 criao de uma comisso composta por representantes dos pases de lngua

 portuguesa , em 1990 , para uniformizar o vocabulrio tcnico e evitar a

 introduo de termos diferentes para os mesmos objetos .

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 O portugus no mundo

 O portugus  uma das lnguas oficiais da Comunidade Europia desde 1986 , data

 em que Portugal torna-se membro da instituio .
 Em 1994 ,  criada a Comunidade

 dos Pases de Lngua Portuguesa , que rene Angola , Cabo Verde , Guin-Bissau ,

 Moambique , Portugal e Brasil .

 BRASIL

 A lngua falada no Brasil colonial no acompanha as mudanas ocorridas durante

 o sculo XVIII no portugus falado na metrpole : alm de manter-se fiel 

 maneira de pronunciar da poca da descoberta , o portugus falado no Brasil

 sofre fortes influncias indgenas e africanas e , mais tarde , de imigrantes

 europeus que se instalam no centro-sul .
 Isso explica a presena de modalidades

 fonticas to distintas quanto as do nordestino , do mineiro ou do gacho , mesmo

 conservando uma rara uniformidade .
 A lngua portuguesa no Brasil , apesar de

 falada em uma imensa extenso territorial , manteve sua unidade , variando apenas

 em questes superficiais de lxico e modalidades de pronncias regionais .

 Lngua indgena - A lngua de contato entre o colonizador e os povos indgenas

 do litoral  o tupi mais precisamente o dialeto tupinamb .
 Os jesutas estudam

 a lngua , traduzem oraes crists para a catequese e ela se estabelece como

 lngua geral , ao lado do portugus , na vida cotidiana da colnia .
 Na metade do

 sculo XVIII , o tupi tem sua utilizao proibida por uma Proviso Real de 1757 .

 Nessa poca , o portugus se fortalece com o afluxo de grande nmero de pessoas

 da metrpole .
 Com a expulso dos jesutas do pas ( 1759 ) , o portugus fixa-se

 definitivamente como o idioma do Brasil .

 Herana tupi - Da lngua indgena , o portugus incorpora principalmente

 palavras referentes  flora ( abacaxi , buriti , carnaba , mandacaru , mandioca ,

 sap , taquara , peroba , imbuia , jacarand , ip , cip , pitanga , maracuj ,

 jabuticaba , caju ) ,  fauna ( capivara , quati , tatu , sagi , caninana , sucuri ,

 piranha , araponga , urubu , curi , sabi ) , a nomes geogrficos ( Aracaju ,

 Guanabara , Tijuca , Niteri , Pindamonhangaba , Itapeva ) e a nomes prprios

 ( Jurandir , Ubirajara , Mara ) .

 Influncia africana - O iorub , falado pelos negros vindos da Nigria , deixa o

 vocabulrio ligado ao candombl ( nomes de divindades como Exu , Ians ) e 

 cozinha afro-brasileira ( vatap , abar , acaraj ) .
 O quimbundo angolano fornece

 palavras da vida cotidiana ( caula , cafun , molambo , moleque ) e termos

 relativos  escravido ( bang , senzala , mocambo , maxixe , samba ) .

 SIA

 A presena poltica de Portugal na sia hoje limita-se a Macau , mas os

 portugueses j controlaram regies mais extensas , que incluam partes da ndia ,

 da Indonsia , do Sri Lanka e da Malsia .
 Entre os sculos XVI e XVIII , o

 portugus serve de lngua franca nos portos da ndia e sudeste da sia ,

 estabelecendo a comunicao entre povos de lnguas diferentes .
 Entretanto , o

 nico lugar onde o portugus sobrevive na sua forma oficial  Goa , na ndia ,

 onde est sendo gradualmente substitudo pelo ingls .
 Em Damo e Diu ( ndia ) ,

 Java ( Indonsia ) , Macau ( possesso portuguesa , de populao predominantemente

 chinesa ) , Sri Lanka e em Mlaca ( Malasia ) so faladas variedades de crioulo

 idiomas que derivam de grande simplificao da lngua que os origina .
 Mantm do

 portugus basicamente a base lexical ( vocabulrio ) , diferindo muito no aspecto

 gramatical .

 FRICA

 Na frica , o portugus  a lngua oficial de cinco pases : So Tom e Prncipe ,

 Cabo Verde , Guin-Bissau , Moambique e Angola .
 Nesses pases , ele  utilizado

 na administrao , no ensino , na imprensa e nas relaes internacionais .
 Esse

 portugus regional distancia-se cada vez mais da lngua portuguesa falada na

 Europa , aproximando-se em muitos casos do portugus falado no Brasil .
 As

 lnguas nacionais ou crioulos que existem nesses pases - muito diferentes

 entre si - so utilizados nas situaes da vida cotidiana e resultam de uma

 grande reestruturao do portugus , provocada pelo contato com as lnguas

 locais .

 So Tom e Prncipe - A lngua oficial  o portugus , devido  colonizao , mas

 a maioria da populao das ilhas fala hoje mais os dialetos locais forro e

 monc , alm de lnguas de Angola .

 Cabo Verde - O portugus  a lngua oficial e de instruo , mas fala-se um

 dialeto crioulo que mescla o portugus arcaico a lnguas africanas .
 H duas

 variedades , a de Barlavento e a de Sotavento .

 Guin-Bissau - Dados de 1983 revelamt que 44 % da populao fala o dialeto

 crioulo , semelhante ao de Cabo Verde , enquanto apenas 11,1 % utiliza o

 portugus .
 O restante da populao fala inmeros dialetos africanos .

 Moambique - O portugus  a lngua oficial falada por 25 % da populao , mas

 apenas 1,2 % considera como lngua materna .
 A maioria dos moambicanos fala

 lnguas do grupo banto .

 Angola - Em 1983 , 60 % dos moradores declaram que o portugus  sua lngua

 materna .
 A lngua oficial convive com o bacongo , o quimbundo , o ovibundo e o

 chacue .

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 O Aprendizado da Lngua Portuguesa

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