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 Histria da Lngua Portuguesa

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 O Perodo Romnico O galego-portugus O portugus arcaico

 O portugus moderno O portugus no mundo O portugus na Europa

 O galego O portugus na Amrica Zonas dialetais brasileiras

 O portugus na frica Angola Cabo Verde

 Guin Bissau Moambique So Tom e Prncipe

 Outras regies O portugus na sia e Oceania

 O perodo pr-romnico

 Os linguistas tm hoje boas razes para sustentar que um grande nmero de

 lnguas da Europa e da sia provem de uma mesma lngua de origem , designada

 pelo termo indo-europeu .
 Com exceo do basco , todas as lnguas oficiais dos

 pases da europa ocidental pertencem a quatro ramos da famlia indo-europia : o

 helnico ( grego ) , o romnico ( portugus , italiano , francs , castelhano , etc. ) ,

 o germnico ( ingls , alemo ) e o cltico ( irlands , galico ) .
 Um quinto ramo , o

 eslavo , engloba diversas lnguas atuais da Europa Oriental .

 Por volta do II milnio a.C. , o grande movimento migratrio de leste para oeste

 dos povos que falavam lnguas da famlia indo-europia terminou .
 Eles atingiram

 seu habitat quase definitivo , passando a ter contato permanente com povos de

 origens diversas , que falavam lnguas no indo-europias .
 Um grupo importante ,

 os celtas , instalou-se na Europa Central , na regio correspondente s atuais

 Bomia ( Repblica Tcheca ) e Baviera ( Alemanha ) .

 [ INLINE ] Algumas lnguas da Europa no II milnio a.C .

 Povos de lnguas indo-europias :

 * germanos , eslavos , celtas , mbrios , latinos , oscos , drios .

 Povos de origens diversas :

 * beros , aquitanos , lgures , etruscos , sculos .

 Os celtas estavam situados de incio no centro da Europa , mas entre o II e o I

 milnios a.C. foram ocupando vrias outras regies , at ocupar , no sculo III

 a.C. , mais da metade do continente europeu .
 Os celtas so conhecidos , segundo

 as zonas que ocuparam , por diferentes denominaes : celtberos na Pennsula

 Ibrica , gauleses na Frana , bretes na Gr-Bretanha , glatas no centro da

 Turquia , etc .

 O perodo de expanso celta veio entretanto a sofrer uma reviravolta e , devido

  presso exterior , principalmente romana , o espao ocupado por este povo

 encolheu .
 As lnguas clticas , empurradas ao longo dos sculos at as

 extremidades ocidentais da Europa , subsistem ainda em regies da Irlanda ( o

 irlands  inclusive uma das lnguas oficiais do pas ) , da Gr-Bretanha e da

 Bretanha francesa .
 Surpreendentemente , nenhuma lngua cltica subsistiu na

 Pennsula Ibrica , onde a implantao dos celtas ocorreu em tempos muito

 remotos ( I milnio a.C. ) e cuja lngua se manteve na Galiza ( regio ao norte de

 Portugal , atualmente parte da Espanha ) at o sculo VII d.C .

 O perodo romnico

 Embora a Pennsula Ibrica fosse habitada desde muito antes da ocupao romana ,

 pouqussimos traos das lnguas faladas por estes povos persistem no portugus

 moderno .

 A lngua portuguesa , que tem como origem a modalidade falada do latim ,

 desenvolveu-se na costa oeste da Pennsula Ibrica ( atuais Portugal e regio da

 Galiza , ou Galcia ) includa na provncia romana da Lusitnia .
 A partir de 218

 a.C. , com a invaso romana da pennsula , e at o sculo IX , a lngua falada na

 regio  o romance , uma variante do latim que constitui um estgio

 intermedirio entre o latim vulgar e as lnguas latinas modernas ( portugus ,

 castelhano , francs , etc. ) .

 Durante o perodo de 409 d.C. a 711 , povos de origem germnica instalam-se na

 Pennsula Ibrica .
 O efeito dessas migraes na lngua falada pela populao

 no  uniforme , iniciando um processo de diferenciao regional .
 O rompimento

 definitivo da uniformidade lingustica da pennsula ir ocorrer mais tarde ,

 levando  formao de lnguas bem diferenciadas .
 Algumas influncias dessa

 poca persistem no vocabulrio do portugus moderno em termos como roubar ,

 guerrear e branco

 A partir de 711 , com a invaso moura da Pennsula Ibrica , o rabe  adotado

 como lngua oficial nas regies conquistadas , mas a populao continua a falar

 o romance .
 Algumas contribuies dessa poca ao vocabulrio portugus atual so

 arroz , alface , alicate e refm .

 No perodo que vai do sculo IX ( surgimento dos primeiros documentos

 latino-portugueses ) ao XI , considerado uma poca de transio , alguns termos

 portugueses aparecem nos textos em latim , mas o portugus ( ou mais precisamente

 o seu antecessor , o galego-portugus )  essencialmente apenas falado na

 Lusitnia .

 O galego-portugus

 No sculo XI , com o incio da reconquista crist da Pennsula Ibrica , o

 galego-portugus consolida-se como lngua falada e escrita da Lusitnia .
 Os

 rabes so expulsos para o sul da pennsula , onde surgem os dialetos morabes ,

 a partir do contato do rabe com o latim .
 Em galego-portugus so escritos os

 primeiros documentos oficiais e textos literrios no latinos da regio , como

 os cancioneiros ( coletneas de poemas medievais ) :

 * Cancioneiro da Ajuda - Copiado ( na poca ainda no havia imprensa ) em

 Portugal em fins do sculo XIII ou princpios do sculo XIV. Encontra-se na

 Biblioteca da Ajuda , em Lisboa .
 Das suas 310 cantigas , quase todas so de amor .

 * Cancioneiro da Vaticana - Trata-se do cdice 4.803 da biblioteca Vaticana ,

 copiado na Itlia em fins do sculo XV ou princpios do sculo XVI .
 Entre as

 suas 1.205 cantigas , h composies de todos os gneros .

 * Cancioneiro Colocci-Brancutti - Copiado na Itlia em fins do sculo XV ou

 princpios do sculo XVI. Descoberto em 1878 na biblioteca do conde Paulo

 Brancutti do Cagli , em Ancona , foi adquirido pela Biblioteca Nacional de

 Lisboa , onde se encontra desde 1924 .
 Entre as suas 1.664 cantigas , h

 composies de todos os gneros .

  medida em que os cristos avanam para o sul , os dialetos do norte interagem

 com os dialetos morabes do sul , comeando o processo de diferenciao do

 portugus em relao ao galego-portugus .
 A separao entre o galego e o

 portugus se iniciar com a independncia de Portugal ( 1185 ) e se consolidar

 com a expulso dos mouros em 1249 e com a derrota em 1385 dos castelhanos que

 tentaram anexar o pas .
 No sculo XIV surge a prosa literria em portugus , com

 a Crnica Geral de Espanha ( 1344 ) e o Livro de Linhagens , de dom Pedro , conde

 de Barcelona .

 O portugus arcaico

 Entre os sculos XIV e XVI , com a construo do imprio portugus de ultramar ,

 a lngua portuguesa faz-se presente em vrias regies da sia , frica e

 Amrica , sofrendo influncias locais ( presentes na lngua atual em termos como

 jangada , de origem malaia , e ch , de origem chinesa ) .
 Com o Renascimento ,

 aumenta o nmero de italianismos e palavras eruditas de derivao grega ,

 tornando o portugus mais complexo e malevel .
 O fim desse perodo de

 consolidao da lngua ( ou de utilizao do portugus arcaico )  marcado pela

 publicao do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende , em 1516 .

 O portugus moderno

 No sculo XVI , com o aparecimento das primeiras gramticas que definem a

 morfologia e a sintaxe , a lngua entra na sua fase moderna : em Os Lusadas , de

 Luis de Cames ( 1572 ) , o portugus j  , tanto na estrutura da frase quanto na

 morfologia , muito prximo do atual .
 A partir da , a lngua ter mudanas

 menores : na fase em que Portugal foi governado pelo trono espanhol ( 1580-1640 ) ,

 o portugus incorpora palavras castelhanas ( como bobo e granizo ) ; e a

 influncia francesa no sculo XVIII ( sentida principalmente em Portugal ) faz o

 portugus da metrpole afastar-se do falado nas colnias .

 Nos sculos XIX e XX o vocabulrio portugus recebe novas contribuies : surgem

 termos de origem grecolatina para designar os avanos tecnolgicos da poca

 ( como automvel e televiso ) e termos tcnicos em ingls em ramos como as

 cincias mdicas e a informtica ( por exemplo , check-up e software ) .
 O volume

 de novos termos estimula a criao de uma comisso composta por representantes

 dos pases de lngua portuguesa , em 1990 , para uniformizar o vocabulrio

 tcnico e evitar o agravamento do fenmeno de introduo de termos diferentes

 para os mesmos objetos .

 O portugus no mundo

 O mundo lusfono ( que fala portugus )  avaliado hoje entre 170 e 210 milhes

 de pessoas .
 O portugus , oitava lngua mais falada do planeta ( terceira entre

 as lnguas ocidentais , aps o ingls e o castelhano ) ,  a lngua oficial em

 sete pases : Angola ( 10,3 milhes de habitantes ) , Brasil ( 151 milhes ) , Cabo

 Verde ( 346 mil ) , Guin Bissau ( 1 milho ) , Moambique ( 15,3 milhes ) , Portugal

 ( 9,9 milhes ) e So Tom e Prncipe ( 126 mil ) .

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 frica Amrica do Sul Europa

 O portugus  uma das lnguas oficiais da Unio Europia ( ex-CEE ) desde 1986 ,

 quando da admisso de Portugal na instituio .
 Em razo dos acordos do Mercosul

 ( Mercado Comum do Sul ) , do qual o Brasil faz parte , o portugus  ensinado como

 lngua estrangeira nos demais pases que dele participam .
 Em 1996 , foi criada a

 Comunidade dos Pases de Lngua Portuguesa ( CPLP ) , que reune os pases de

 lngua oficial portuguesa com o propsito de aumentar a cooperao e o

 intercmbio cultural entre os pases membros e uniformizar e difundir a lngua

 portuguesa .

 Na rea vasta e descontnua em que  falado , o portugus apresenta-se , como

 qualquer lngua viva , internamente diferenciado em variedades que divergem de

 maneira mais ou menos acentuada quanto  pronncia , a gramtica e ao

 vocabulrio .
 Tal diferenciao , entretanto , no compromete a unidade do idioma :

 apesar da acidentada histria da sua expanso na Europa e , principalmente , fora

 dela , a lngua portuguesa conseguiu manter at hoje aprecivel coeso entre as

 suas variedades .

 No estudo das formas que veio a assumir a lngua portuguesa na frica , na sia

 e na Oceania ,  necessrio distinguir dois tipos de variedades : as crioulas e

 as no crioulas .
 As variedades crioulas resultam do contato que o sistema

 lingustico portugus estabeleceu , a partir do sculo XV , com sistemas

 lingusticos indgenas .
 0 grau de afastamento em relao  lngua me  hoje de

 tal ordem que , mais do que como dialetos , os crioulos devem ser considerados

 como lnguas derivadas do portugus .

 O portugus na Europa

 Na faixa ocidental da Pennsula Ibrica , onde o galego-portugus era falado ,

 atualmente utiliza-se o galego e o portugus .
 Esta regio apresenta um conjunto

 de falares que , de acordo com certas caractersticas fonticas ( principalmente

 a pronncia das sibilantes : utilizao ou no do mesmo fonema em roSa e em

 paSSo , diferenciao fontica ou no entre Cinco e Seis , etc. ) , podem ser

 classificados em trs grandes grupos :

 1 .
 Dialetos galegos ;

 2 .
 Dialetos portugueses setentrionais ; e

 3 .
 Dialetos portugueses centro-meridionais .

 A fronteira entre os dialetos portugueses setentrionais e centro-meridionais

 atravessa Portugal de noroeste a sudeste .
 Merecem ateno especial algumas

 regies do pas que apresentam caractersticas fonticas peculiares : a regio

 setentrional que abrange parte do Minho e do Douro Litoral , uma extensa rea da

 Beira-Baixa e do Alto-Alentejo , principalmente centro-meridional , e o ocidente

 do Algarve , tambm centro-meridional .

 Os dialetos falados nos arquiplagos dos Aores e da Madeira representam um

 prolongamento dos dialetos portugueses continentais , podendo ser includos no

 grupo centro-meridional .
 Constituem casos excepcionais a ilha de So Miguel e

 da Madeira : independentemente uma da outra , ambas se afastam do que se pode

 chamar a norma centro-meridional por acrescentar-lhe um certo nmero de traos

 muito peculiares ( alguns dos quais igualmente encontrados em dialetos

 continentais ) .

 O galego

 A maioria dos linguistas e intelectuais defende a unidade lingustica do

 galego-portugus at a atualidade .
 Segundo esse ponto de vista , o galego e o

 portugus modernos seriam parte de um mesmo sistema lingustico , com diferentes

 normas escritas ( situao similar  existente entre o Brasil e Portugal , ou

 entre os Estados Unidos e a Inglaterra , onde algumas palavras tm ortografias

 distintas ) .
 A posio oficial na Galiza , entretanto ,  considerar o portugus e

 o galego como lnguas autnomas , embora compartilhando algumas caractersticas .

 Outras informaes sobre a Galiza e o galego moderno podem ser obtidas nos

 seguintes endereos :

 * Instituto de Lngua Galega da Universidade de Santiago de Compostela ,

 organismo partidrio de uma ortografia galega bastante influenciada pelo

 castelhano .

 * Pgina sobre o reintegracionismo , movimento que defende a adoo de uma

 ortografia prxima do galego-portugus antigo e do portugus moderno .

 * Vieiros , um espao para comunicaes e informaes sobre a Galiza .

 * Ciberirmandades da Fala , que promovem o uso da lngua galega na rede .

 O portugus na Amrica

 Histria da lngua no Brasil

 No incio da colonizao portuguesa no Brasil ( a partir da descoberta , em

 1500 ) , o tupi ( mais precisamente , o tupinamb , uma lngua do litoral brasileiro

 da famlia tupi-guarani ) foi usado como lngua geral na colnia , ao lado do

 portugus , principalmente graas aos padres jesutas que haviam estudado e

 difundido a lngua .
 Em 1757 , a utilizao do tupi foi proibida por uma Proviso

 Real .
 Tal medida foi possvel porque , a essa altura , o tupi j estava sendo

 suplantado pelo portugus , em virtude da chegada de muitos imigrantes da

 metrpole .
 Com a expulso dos jesutas em 1759 , o portugus fixou-se

 definitivamente como o idioma do Brasil .
 Das lnguas indgenas , o portugus

 herdou palavras ligadas  flora e  fauna ( abacaxi , mandioca , caju , tatu ,

 piranha ) , bem como nomes prprios e geogrficos .

 Com o fluxo de escravos trazidos da frica , a lngua falada na colnia recebeu

 novas contribuies .
 A influncia africana no portugus do Brasil , que em

 alguns casos chegou tambm  Europa , veio principalmente do iorub , falado

 pelos negros vindos da Nigria ( vocabulrio ligado  religio e  cozinha

 afrobrasileiras ) , e do quimbundo angolano ( palavras como caula , moleque e

 samba ) .

 Um novo afastamento entre o portugus brasileiro e o europeu aconteceu quando a

 lngua falada no Brasil colonial no acompanhou as mudanas ocorridas no falar

 portugus ( principalmente por influncia francesa ) durante o sculo XVIII ,

 mantendo-se fiel , basicamente ,  maneira de pronunciar da poca da descoberta .

 Uma reaproximao ocorreu entre 1808 e 1821 , quando a famlia real portuguesa ,

 em razo da invaso do pas pelas tropas de Napoleo Bonaparte , transferiu-se

 para o Brasil com toda sua corte , ocasionando um reaportuguesamento intenso da

 lngua falada nas grandes cidades .

 Aps a independncia ( 1822 ) , o portugus falado no Brasil sofreu influncias de

 imigrantes europeus que se instalaram no centro e sul do pas .
 Isso explica

 certas modalidades de pronncia e algumas mudanas superficiais de lxico que

 existem entre as regies do Brasil , que variam de acordo com o fluxo migratrio

 que cada uma recebeu .

 No sculo XX , a distncia entre as variantes portuguesa e brasileira do

 portugus aumentou em razo dos avanos tecnolgicos do perodo : no existindo

 um procedimento unificado para a incorporao de novos termos  lngua , certas

 palavras passaram a ter formas diferentes nos dois pases ( comboio e trem ,

 autocarro e nibus , pedgio e portagem ) .
 Alm disso , o individualismo e

 nacionalismo que caracterizam o movimento romntico do incio do sculo

 intensificaram o projeto de criao de uma literatura nacional expressa na

 variedade brasileira da lngua portuguesa , argumento retomado pelos modernistas

 que defendiam , em 1922 , a necessidade de romper com os modelos tradicionais

 portugueses e privilegiar as peculiaridades do falar brasileiro .
 A abertura

 conquistada pelos modernistas consagrou literariamente a norma brasileira .

 Zonas dialetais brasileiras

 A fala popular brasileira apresenta uma relativa unidade , maior ainda do que a

 da portuguesa , o que surpreende em se tratando de um pais to vasto .
 A

 comparao das variedades dialetais brasileiras com as portuguesas leva 

 concluso de que aquelas representam em conjunto um sincretismo destas , j que

 quase todos os traos regionais ou do portugus padro europeu que no aparecem

 na lngua culta brasileira so encontrados em algum dialeto do Brasil .

 A insuficincia de informaes rigorosamente cientficas e completas sobre as

 diferenas que separam as variedades regionais existentes no Brasil no permite

 classific-las em bases semelhantes s que foram adotadas na classificaco dos

 dialetos do portugus europeu .
 Existe , em carter provisrio , uma proposta de

 classificao de conjunto que se baseia - como no caso do portugus europeu -

 em diferenas de pronncia ( basicamente no grau de abertura na pronncia das

 vogais , como em pEgar , onde o " e " pode ser aberto ou fechado , e na cadncia da

 fala ) .
 Segundo essa proposta ,  possvel distinguir dois grupos de dialetos

 brasileiros : o do Norte e o do Sul .
 Pode-se distinguir no Norte duas

 variedades : amaznica e nordestina .
 E , no Sul , quatro : baiana , fluminense ,

 mineira e sulina .

 O portugus na frica

 Em Angola e Moambique , onde o portugus se implantou mais fortemente como

 lngua falada , ao lado de numerosas lnguas indgenas , fala-se um portugus

 bastante puro , embora com alguns traos prprios , em geral arcasmos ou

 dialetalismos lusitanos semelhantes aos encontrados no Brasil .
 A influncia das

 lnguas negras sobre o portugus de Angola e Moambique foi muito leve , podendo

 dizer-se que abrange somente o lxico local .

 Nos demais pases africanos de lngua oficial portuguesa , o portugus 

 utilizado na administrao , no ensino , na imprensa e nas relaes

 internacionais .
 Nas situaes da vida cotidiana so utilizadas tambm lnguas

 nacionais ou crioulos de origem portuguesa .
 Em alguns pases verificou-se o

 surgimento de mais de um crioulo , sendo eles entretanto compreensveis entre

 si .

 Essa convivncia com lnguas locais vem causando um distanciamento entre o

 portugus regional desses pases e a lngua portuguesa falada na Europa ,

 aproximando-se em muitos casos do portugus falado no Brasil .

 Angola

 Em 1983 , 60 % dos moradores declararam que o portugus era sua lngua materna .
 A

 lngua oficial convive com vrias outras lnguas nacionais , como o quicongo , o

 quimbundo , o umbundu , o chocue , o mbundo ( ou ovimbundo ) e o oxikuanyama .

 Cabo Verde

 Falam-se crioulos que mesclam o portugus arcaico a lnguas africanas .
 Os

 crioulos dividem-se en dois grandes grupos : os das ilhas de Barlavento , ao

 norte , e os das ilhas de Sotavento , ao sul .

 Guin Bissau

 Em 1983 , 44 % da populao falava crioulos de base portuguesa , 11 % falava o

 portugus e o restante , inmeras lnguas africanas .
 O crioulo da Guin-Bissau

 possui dois dialetos , o de Bissau e o de Cacheu , no norte do pas .

 Moambique

 O portugus  a lngua oficial falada por 25 % da populao , mas apenas 1,2 % a

 considera como lngua materna .
 A maioria da populao fala lnguas do grupo

 banto .

 So Tom e Prncipe

 Em So Tom fala-se o forro e o monc ( lnguas locais ) , alm do portugus .
 O

 forro era a lngua falada pela populao mestia e livre das cidades .
 No sculo

 XVI , naufragou perto da ilha um barco de escravos angolanos , muitos dos quais

 conseguiram nadar at a ilha e formar um grupo tnico a parte .
 Este grupo fala

 o monc , um outro crioulo de base portuguesa mas com mais termos de origem

 banta .
 H cerca 78 % de semelhanas entre o forro ( ou so-tomense ) e o monc ( ou

 angolar ) .

 Existe tambm o portugus de So Tom , que guarda muitos traos do portugus

 arcaico na pronncia , no lxico e at na construo sinttica .
 Era a lngua

 falada pela populao culta , pela classe mdia e pelos donos de propriedades .

 Atualmente ,  o portugus falado pela populao em geral , enquanto que a classe

 poltica e a alta sociedade utilizam o portugus europeu padro , muitas vezes

 aprendido durante os estudos feitos em Portugal .

 A ilha do Prncipe fala o principense , um outro crioulo de base portuguesa , que

 se pode considerar como um dialeto do crioulo so-tomense

 Outras regies

 A influncia portuguesa na frica deu-se tambm em algumas outras regies

 isoladas , muitas vezes levando  apario de crioulos de base portuguesa :

 * Ano Bom , na Guin Equatorial .

 Em Ano Bom , uma ilha a 400 km ao sul de So Tom , fala-se o ano-bonense ,

 bastante similar ao so-tomense .
 Tal fato explica-se por haver sido a ilha

 povoada por escravos vindos de So Tom .

 * Casamana , no Senegal .

 O crioulo de Casamana s se fala na capital , Ziguinchor , uma cidade fundada

 por portugueses ( seu nome deriva da expresso portuguesa cheguei e chorei ) .

 Est na rbita lexical do crioulo de Cacheu , na Guin-Bissau .

 O portugus na sia e Oceania

 Embora nos sculos XVI e XVII o portugus tenha sido largamente utilizado nos

 portos da ndia e sudeste da sia , atualmente ele s sobrevive na sua forma

 padro em alguns pontos isolados :

 em Macau , territrio chins sob administrao portuguesa at 1999 .
 O portugus

  uma das lnguas oficiais , ao lado do chins , mas s  utilizado pela

 administrao e falado por uma parte minoritria da populao ;

 no estado indiano de Goa , possesso portuguesa at 1961 , onde vem sendo

 substitudo pelo konkani ( lngua oficial ) e pelo ingls .

 no Timor leste , territrio sob administrao portuguesa at 1975 , quando foi

 invadido e anexado ilegalmente pela Indonsia .
 A lngua local  o tetum , mas

 uma parcela da populao domina o portugus .

 Dos crioulos da sia e Oceania , outrora bastante numerosos , subsistem apenas os

 de Damo , Jaipur e Diu , na ndia ; de Mlaca , na Malsia ; do Timor ; de Macau ; do

 Sri-Lanka ; e de Java , na Indonsia ( em algumas dessas cidades ou regies h

 tambm grupos que utilizam o portugus ) .

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 Fontes

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 sua Histria , a sua Geografia ( traduo de Manuel Ramos ) .
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