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 revista de cultura # 31 - fortaleza , so paulo - dezembro de 2002

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 Vctor Chab : una trayectoria del surrealismo

 Floriano Martins

 Vctor Chab A idia de um dilogo com o artista argentino Vctor Chab ( 1930 ) j

 me perseguia h algum tempo .
 Certa confluncia nossa indicava que tal encontro

 seria valioso .
 J o publiquei em destaque no Brasil por duas vezes , nas

 revistas Xilo e Agulha .
 Ento finalmente propus a Chab uma entrevista ,

 enviando-lhe perguntas para que a partir delas desenvolvssemos algo mais

 extenso .
 Nosso ritmo de vida nem sempre nos permite o sossego para realizar

 tudo o que desejamos .
 Logo me escreveu Chab optando por uma forma distinta da

 que lhe havia proposto .
 Sugere ento um depoimento com base nos tpicos que eu

 lhe havia remetido .
 Nosso encontro buscava desde os primeiros momentos de Chab ,

 relaes com seus pares e gerao imediatamente anterior , perspectivas do

 surrealismo que envolviam a passagem de uma gerao a outra etc .
 Chab comeou a

 descobrir uma voz prpria em meio a uma circunstncia onde se mesclavam

 denominaes e conceitos dados como distintos mas que eram complementares ou

 tinham a mesma raiz : abstrao ps-concreta , surrealismo gestual , action

 painting , abstrao lrica etc .
 A este respeito disse o poeta Julio Llins

 ( 1929 ) que tais modulaes " responden a efmeras variaciones alrededor de un

 mismo nudo experimental y que esse nudo no tiene otros orgenes que el

 Surrealismo ni toma su vigor de outra corriente que no sea la de ese espritu

 en constante evolucin y desarrollo " .
 Contudo , algumas dessas variaes

 acabaram sendo deslocadas pela crtica acadmica , o que impede ainda hoje a

 abordagem de uma influncia do Surrealismo na obra de alguns artistas .
 Um outro

 aspecto envolvendo o Surrealismo diz respeito ao corte que traou Jean Schuster

 entre um Surrealismo histrico - encerrado com a morte de Breton - e outro

 eterno .
 Tal contraste ou dissenso sempre me pareceu golpista , pois tem em sua

 raiz um princpio de tomada de poder .
 No faz sentido pensar em  Surrealismo

 histrico  , exceto se a inteno  decretar-lhe um fim .
 E podemos perceber um

 final de vida (   cul es tu obra pstuma ?
  ) para um surrealista , porm nunca

 para o Surrealismo .
 Naturalmente que concordamos a respeito , Chab e eu , mas o

 importante no  propriamente a concordncia e sim o anncio da mesma , a

 seguida afirmao de uma ateno contra esse tipo de distoro intencional .
 Uma

 outra curiosidade que mencionei dizia respeito a um aspecto local na Argentina

 dos anos 50 , ou seja , quando surge , em 1958 , o grupo / revista Boa ( com certa

 destacada influncia de Julio Llins e douard Jaguer , numa margem e outra do

 Atlntico ) , Buenos Aires j contava com a publicao de revistas como Qu

 ( 1928 ) , A partir de 0 ( 1952 ) e Letra y Lnea ( 1953 ) , por exemplo .
 De que

 maneira essa cumplicidade com o parisiense Phases contribuiria para o

 Surrealismo na Argentina ?
 At que ponto se poderia avaliar hoje afinidades e

 dissonncias com o que j vinha realizando Aldo Pellegrini ?
 Neste primeiro

 momento de nosso dilogo Chab aponta algumas perspectivas bastante reveladoras

 dos meandros de uma histria que ainda no foi tocada seno em pequenos vus de

 seus bastidores .

 Vctor Chab VC - Desde los trece aos tuve una gran atraccin por las artes

 plsticas .
 Como yo desciendo de una familia de pequeos comerciantes sefardes ,

 muy simples , sin una cultura en la cual apoyarme , no tuve ni estmulo ni

 modelos , de modo que inici mi trabajo sin idea alguna sobre mi futuro .
 Hacia

 1950 conoc a Batlle Planas y sus discpulos Roberto Aizemberg , Julio Silva

 - que vive en Pars desde 1953 - y sobre todo Juan Andralis , que fu el que me

 revel el surrealismo ; sus pintores , sus poetas , sus ideas , sus manifiestos ,

 etc ...
 Andralis , quien ya tena una slida cultura y en especial sobre

 surrealismo , poco despus viaj a Pars y se vincul con Andre Breton , Wifredo

 Lam , Tristan Tzara , y asista a las reuniones de la Place Blanche .
 En una de

 las ltimas fotos del grupo , aparece retratado junto a Breton , Max Ernst ,

 Benjamin Pret , Man Ray , Jean Louis Bedouin , Jos Pierre , etc .
 En esa poca

 Guillermo Roux no figuraba en la escena de la plstica y Xul Solar , tena un

 mnimo prestigio .
 An no se lo haba descubierto en toda su dimensin creadora .

 Coincido con Julio Llins - aunque el mismo ha negado su pasado surrealista y a

 pesar de que su actual poesa contina la mejor tradicin surrealista ; Enrique

 Molina tambin en sus ltimos aos , insisti en esa negativa - en que la

 abstraccin lrica , la action painting , an el informalismo espaol , tiene una

 raz surreal , sobre todo si tenemos en cuenta que todas estas tendencias estn

 basadas en un tema fundamental para el surrealismo que es el automatismo .
 En

 cuanto a la idea de la muerte del surrealismo , no olvidemos que si bien los

 fundamentos del surrealismo estn muy claramente expuestos en el primer

 manifiesto de 1924 , a partir de ese mismo ao se lo di por muerto

 sistemticamente , por los espritus idiotas que no vieron ms all de sus

 narices. Estoy de acuerdo en que el lmite que Jean Schuster establece entre el

 surrealismo histrico y el eterno - con la muerte de Breton - es una violencia

 golpista y arbitraria y totalmente innecesaria .
 Carece de fundamento terico .

 La participacin de Edouard Jaguer en la revista " Boa " - que deviene de su

 amistad con Llins - fue altamente provechosa y jams que yo sepa , entr en

 colisin con las ideas de Aldo Pellegrini , quien incluso lleg ms lejos que

 Jaguer , al incluir en la seleccin de la exposicin surrealista del Instituto

 Di Tella en 1967 , a artistas que poco o nada tenan que ver con el espritu del

 surrealismo .

 Vctor Chab A partir deste momento comecei a indagar por aspectos ligados

 diretamente  criao , trama esttica , percepes .
 Recordei a Chab que , ao

 escrever sobre uma exposio sua em Lima ( Peru , 1995 ) , disse Jorge Villacorta

 Chvez , a respeito do que se poderia chamar de arte contempornea na Amrica

 Latina , que ali  un barroquismo irreflexivo y plagado de efectismo ha sido

 ltimamente adoptado como pobre sustituto del estado de libertad salvaje que es

 prerrogativa de la psique llevar com violencia absoluta a la creacin en arte  .

 Talvez seja difcil para ns estabelecer at onde essa irreflexo seja

 resultante de uma exigncia de mercado ou fruto de um daqueles momentos de

 refluxo onde a arte se limita a epigonismos e diluies .
 O fato  que existe em

 nosso tempo uma obsesso pelo novo , o que acaba acentuando as limitaes .
 Em

 seguida observei que , mais recentemente , por ocasio de uma exposio em Buenos

 Aires em 2001 , escreveu Aldo Galli que a pintura de Chab ( atual , segundo ele )

  oscila entre el surrealismo y el expresionismo  .
 Em primeiro lugar eu no

 creio que haja uma vacilao entre dois mundos , e sim uma zona de tenso que

 busca uma substantiva fuso .
 Ernst dizia que para os impressionistas ,  la

 retina era una inagotable fuente de placer  , contrastando com uma deformao da

 realidade no caso dos expressionistas .
 O Surrealismo apaga essas fronteiras ,

 acasalando sonho e crnica .
 Basta pensar em Magritte :  El surrealismo

 reivindica para la vida despierta una libertad parecida a la que tenemos en el

 sueo  .
 O problema  que Galli aparentemente possui uma viso segregacionista

 ou marginalizante .
 Na mesma crtica diz :  aunque la imagen tiene un corte

 actualizado , hay detrs un oficio sostenido por todas las tradiciones de la

 buena pintura  .
 Ora , penso que Magritte referia-se  pintura como  o pensamento

 que v  , ento h que se pensar na pintura ( tradio / ruptura ) com tudo o que

 ela tem a nos oferecer .
 Caso contrrio , um dia podem escrever a respeito de um

 artista :  era apenas um excepcional pintor surrealista  .
 A partir da observei

 ainda acerca da concepo de cada artista acerca da criao .
 Se considerarmos

 os postulados do Surrealismo , a inesgotvel fertilidade de aspectos como humor ,

 automatismo , maravilhoso , onirismo , exaltao lrica ,  possvel atentar para

 uma destacada presena do erotismo na obra de Chab , onde a transgresso

 anatmica , por exemplo , ampara-se em uma sensualidade vertiginosa , uma luxria

 sem limites , a imagem afirmando-se atravs de uma lubricidade .

 Vctor Chab VC - En el ao 2001 Aldo Galli describe mi pintura como oscilando

 entre el surrealismo y el expresionismo. Y bien , no solo l sostiene esta idea ,

 sino muchos otros hablan de este maridaje. En realidad a mi no me incomoda en

 absoluto esta idea , porque algo tiene de real .
 El surrealismo ha tenido

 histricamente todo tipo de influencias , que no le ha quitado nada de su fuerza

 esencialmente revulsiva.Y en cuanto al expresionsmo en particular , es un

 movimiento al que yo me siento ligado y que ha dado pintores de la talla de

 Grosz , Schiele , Dix , etc .
 Yo concibo el arte de pintar como el camino de la

 gran libertad .
 De igual manera que transit por caminos distintos y opuestos ,

 en la actualidad mi obra est fijada al desnudo femenino ; el cuerpo de la mujer

 no tiene igual como cantera para las variaciones estticas y me produce un

 placer sin lmites. El surrealismo tiene la particularidad maravillosa de no

 basarse en un corpus tcnico como el cubismo , fauvismo , el neoplasticismo ,

 donde los fundamentos estn basados estrictamente en la descomposicin de la

 figura ( cubismo ) , la plenitud del color ( fauvismo ) , o la geometra ortogonal

 ( neoplasticismo ) .
 El surrealismo nos abre las puertas a lo desconocido .
 Todas

 las formas y todas las tcnicas pueden adscribirse a la fantasas ms

 delirantes : figuracin o no figuracin , y todas las variantes de la reunin de

 los contrarios .

 Em um momento conclusivo de nosso dilogo Chab comentou a respeito de vnculos

 com Brasil e Portugal , quando ento mencionei a no existncia - no largo

 roteiro internacional de suas viagens - de uma exposio dele em Portugal , onde

 sempre esteve muito presente o Surrealismo , destacando-se a obra de muitos

 artistas , dentre os quais Cruzeiro Seixas e Mrio Botas , ao passo que no

 Brasil , pas vizinho da Argentina , havia registro to-somente de duas coletivas

 em 1958 e 1961 , posterior a isto havendo apenas a mostra  Austral do Brasil e

 Cone Sul  ( Bienal de S. Paulo , 1997 ) e sua presena como  artista convidado  da

 revista Agulha , em 2000 .

 VC - En cuanto al surrealismo portugus y al brasileo , debo confesar mi

 desconocimiento , no tengo la suficiente informacin. Debo a Perfecto Cuadrado

 el material que me ha enviado y que me est sacando de la ignorancia. En

 relacin a Brasil , he intentado por diferentes medios concretar alguna muestra

 de mis obras , pero siempre he fracasado .
 Espero , en un futuro prximo , integrar

 estos dos pases a mi trayectoria , conjuntamente a Per , Panam , Costa Rica , El

 Salvador , Colombia , Venezuela , etc. ; donde realic innumerables exposiciones .

 Victor Chab foi o primeiro artista convidado da Agulha .
 30 nmeros depois , seu

 retorno se d pela publicao de Victor Chab Obras 1947-2002 , substancioso

 catlogo que acompanha a exposio homnima no Palais de Glace , Buenos Aires

 ( julho / agosto de 2002 ) .
 Contato : chabvictorgladys@ciudad.com.ar .
 Pgina

 ilustrada com obras do artista Vctor Chab ( Argentina ) .

 retorno  capa desta edio

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