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 Base Temtica

 Artes Plsticas

 [ INLINE ] Lisboa  19 de Maro de 2001

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 A estranha sombra do surrealismo portugus

 Primeira reviso do movimento

 Entre pintura , desenho , fotografia e escultura , 175 obras para uma

 mostra que , depois de Badajoz , chegar a Lisboa , ao Museu do Chiado ,

 entre 24 de Maio e 23 de Setembro

 Da nossa enviada Vanessa Rato

 em Badajoz

 Estava-se em 1948 quando Carlos Calvet , um arquitecto de 20 anos e uma

 paixo pela pintura , e Mrio Henrique Leiria , de 25 , decorador ,

 tradutor , crtico de arte , artista grfico e publicitrio , entre um

 sem-fim de actividades que acabou por desenvolver , fizeram a pergunta

 e deram a resposta : " O que  o surrealismo ?
 /  a morte dos sculos

 projectando uma sombra muito longa debaixo da gua do sonho. " O sonho ,

 que  " uma chama obscurecida pelo recalcamento do desejo " .

 Mais de cinquenta anos depois de escritas , so essas mesmas palavras

 que , aos 73 anos , o primeiro destes homens , Calvet , encontrou na

 sexta-feira transcritas para uma parede do Museu Extremenho e

 Iberoamericano de Arte Contempornea ( MEIAC ) , em Badajoz .
  l que at

 dia 29 de Abril se encontra patente ao pblico aquela que  a primeira

 grande exposio dedicada ao movimento em que acabou por se ver

 integrado e que o juntou a nomes como Alexandre O'Neill , Mrio

 Cesariny , Jorge Vieira ou Fernando Lemos - mostra que , entre 24 de Maio

 e 23 de Setembro se apresentar no Museu do Chiado , em Lisboa , atravs

 de mais uma colaborao entre as duas instituies .

 Numa iniciativa sem precedentes , " Surrealismo em Portugal 1934-1952 " ,

 rene cerca de 175 obras , atravs das quais Mara Jess vila e

 Perfecto E. Cuadrado , os comissrios , pretenderam fazer uma reviso do

 que foram os ecos portugueses de um momento que , antes de tudo e mais

 que um movimento esttico ou artstico , foi uma forma de viver , olhar

 e partilhar o mundo .

 Pinturas como as de Antnio Dacosta ou Marcelino Vespeira , desenhos de

 Artur do Cruzeiro Seixas , esculturas de Jorge Vieira , colagens de

 Cesariny ou Mrio Henrique Leiria e fotografias de Fernando Lemos ou

 Fernando de Azevedo .
 Mas tambm uma srie de publicaes literrias em

 cuja edio todos eles e muitos outros , como Pedro Oom ou Antnio

 Maria Lisboa , participaram .
 " Na altura parecia-me uma coisa de poucos

 grupos , sem grande possibilidade de divulgao , particular , uma coisa

 que se fazia pelo prazer de poucos foi uma bela surpresa ver o

 conjunto , ver tudo reunido " , explicava Calvet depois de visitada a

 exposio .

 A verdade  que at agora , e mesmo para ele , o surrealismo portugus

 surgiu apenas como uma imagem fragmentria , pouco clara ou conhecida .

 Muitas das obras da poca ficaram desde sempre integradas em coleces

 de particulares , dos prprios artistas , de amigos , annimos .
 As

 outras , espalhadas por diversas instituies , como a Biblioteca

 Nacional , a Fundao Calouste Gulbenkian e a Cupertino de Miranda ou o

 Museu do Chiado .
 Foi com a colaborao de todos eles , particulares e

 instituies , que foi possvel reunir o conjunto desta exposio .

 O repto foi lanado h dois anos por Antnio Franco , o director do

 MEIAC , instituio que tem feito grande parte da sua actividade girar

 em torno da divulgao da arte portuguesa .
 Uma vez aceite , pelo Museu

 do Chiado , atravs do seu director , Pedro Lapa , restava um longo

 trabalho de investigao levantamento , catalogao e estudo .
 Isto , no

 s no campo das artes plsticas como no da literatura - porque , como

 explica Perfecto E. Cuadrado , " a herana que os surrealistas tiveram

 do romantismo foi o sonho do absoluto e , por isso , no se podem

 entender as obras do surrealismo se abrirmos fronteiras entre as

 diversas linguagens " .

  , pois , nos caminhos cruzados que todas elas tiveram entre 1934 ( ano

 em que Antnio Pedro pintou " Le crachat embelli " ) e 1952 ( ano em que

 os comissrios consideraram terminada a interveno do Grupo

 Surrealista de Lisboa e do Grupo Os Surrealistas ) que se poder com

 esta exposio descobrir o fio da histria surrealista portuguesa

 vista por Mara Jess vila e Perfecto E. Cuadrado .

 O parente pobre

 A exposio " Surrealismo em Portugal , 1934-1952 " ter sido concebida " como uma

 abordagem conjunta da literatura e das artes plsticas , dois campos intimamente

 unidos na prtica e at agora sempre estudados de maneira independente " .
 Foi o

 que disseram os organizadores .
 Era a teoria .
 A prtica  menos feliz e o que se

 v no MEIAC de Badajoz ( e se ver depois em Lisboa e em Vila Nova de Famalico )

  que a literatura  o parente pobre desta histria .
 Dupla e inglria injustia

 ( para o comissrio Perfecto Cuadrado e para a literatura ) .
 Que no ter que ver

 com esta exposio concreta , mas com uma dificuldade geral : como dar a ver ,

 mostrar , expor a literatura ?
  evidente que reunir algumas dezenas de edies

 em vitrinas no s pouco dir , a quem apenas pode ver as capas , sobre a

 literatura que l est dentro , como dificilmente poder competir , no terreno

 visual , com o " espectculo " das artes plsticas ( que jogam no seu territrio

 prprio e com trunfos importantes , como sejam obras rara ou mesmo nunca vistas

 publicamente ) .
 E  assim que esta  uma belssima exposio sobre o surrealismo

 nas artes plsticas em Portugal , aparecendo a literatura como um apndice

 documental e apenas discreto .
 Residual na economia da exposio .
 Acresce ( e

 isto  bem mais interessante ) que os documentos literrios convocados tm a

 vantagem de mostrar , do interior da prpria exposio , como so convencionais e

 insuficientes as datas que a balizam .

 Mrio Santos

 " Surrealismo em Portugal 1934-1952 "

 Badajoz Museu Extremenho e Iberoamericano de Arte Contempornea ( MEIAC ) , de 3

 a sbado , das 10h s 13h30 , e das 17h s 20h , domingos das 10h s 13h30 .
 At 29

 de Abril .
 Entrada gratuita .

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