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 Bem-vindo ( a ) visitante 3026336 , 17/06/2005 o www.kplus.com.br

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 Editorial

 A Cigarra continua aberta as vrias vozes , aos poetas e leitores que queiram

 enviar suas colaboraes e sugestes para nossa pgina .
 Aguardamos notcias

 suas pelo nosso e-mail : acigarra@zipmail.com.br .

 Arquivar o mundo

 O mundo vai se acabar !?
 Talvez seja um alvio livrar-se desse eterno sentir o

 mundo , o meu , o dos outros o das plantas , dos bichos .
 Esse sentir o olhar das

 casas velhas , contando histrias das pessoas que esto l dentro ou estiveram

 um dia .
 Guardar as palavras , as de paz e as de guerra .
 Organiz-las , infinitos

 quebra-cabeas .
 Fechar os livros , rasgar as cartas , esquecer os cdigos , as

 passagens para esta dimenso .
 Deixar que fiquem ali , ocultas , rituais

 ancestrais .
 Fechar a porta e ir dormir , o tal do sono dos justos , aquele que

 no tem nada com isso .
 Mas da vitrine dos esquecidos , me olham , borboletas em

 alfinetes .
 Observam meus movimentos .
 Caladas com as etiquetas de ?
 ismos ?
 ,

 pequenas mordaas .
 Dormir , acordar , falar s o necessrio , o social , s vezes

 pegar algumas crucificar num texto , para aplacar a fria da crtica , alguma que

 no compromenta o estado de caos .
 S para dar uma pista de sobrevida .
 Durmo ,

 penso que durmo , sonho que durmo .
 Elas ficam ali , de um lado para o outro em

 suas minsculas jaulas , a po e gua , sem sentir o cheiro de outras , sem roar

 outras texturas da pele dos sentidos .
 Cada uma preservada , espcie rara e em

 extino , zelosamente confiscadas pela gramtica .
 Crescem na solido de suas

 paredes coloridas .
 Em silncio .
 Como era segura a torre que guardava a agulha

 da roca da Bela Adormecida ...
 E na Lua Cheia elas sentem o cheiro das outras ,

 debatem-se , na penumbra do abajur .
 Durmo , est tudo salvo , registrado

 arquivado , est tudo salvo .
 As pequenas palavras to inofensivas trazem as

 fibras eriadas , sensibilizadas pela clausura , fomes de segredos alheios .
 Na

 madrugada , sem fazer alarde , quase invisveis , balanam as estantes , descem dos

 fichrios , saem das pastas , arrombam as gavetas , abrem todas as fechaduras ,

 passam atravs das paredes , bebem a tinta das canetas , devoram os dicionrios ,

 engordam e se roam umas nas outras , sem se importar com suas categorias

 gramaticais , procriam toda sorte de vocbulos , derivam-se , dialetam-se ,

 afixam-se , sufixam-se , de cabo a rabo nada sobra inteiro , ou melhor , s .
 Sobem

 pelos ps da cama , descem pela cabeceira entre os desenhos esculpidos na

 madeira .
 E vo caar meu sono .
 Tranam as razes , cabelos compridos de

 Rapunzel , entram pelo meu ouvido , as j ditas , as palavras que ele nunca

 escrevi , as fetais , as que esto por vir , as prisioneiras .
 Vencedoras , do uma

 volta olmpica pelo crebro , causam um curto circuito .
 Faunas e floras verbais

 espalham-se pelo ar que entra nos pulmes , atiam o estmago e desapertam

 outros apetites , e quando comeam a correr pelo sangue ,  tarde .
 Acordo com

 suores e tremores , todas aquelas vozes dentro do meu corpo , nos olhos tenho um

 aparelho de raios-X , no meu peito um infarto , no meu sexo , um teso , elas me

 lambem o pensamento , misturam-se aos meus hormnios , a saliva de suas bocas ,

 querendo ser ditas como as gatas querendo no colo , to macias , as garras que

 sem querer nos causam tanta dor .
 E eu s queria o bvio , penso sobre tudo ,

 sobre todos , mas no contava que a linguagem fosse um dia dar nisso , mas estava

 l , cravado no meu gens , adormecido no dna .
 Este escrever que  uma esperana ,

 essa emoo que parece kitch , em tempos de guerra .
 Quero praticar essa emoo

 obscena , a esperana em palavras , a poesia , essa minha Me , minha filha ,

 criatura orgstica.Eco no papel que rabisco na madrugada , gozo de saber , que se

 o mundo acabar terei feito com as palavras o meu banquete .
 A festa de estar

 viva , transformar-me em ondas , som , vibraes , partculas de estrelas e

 continuar sendo ...

 Jurema Barreto de Souza

 Audcia

 Os versos

 dos seus

 poemas

 eram de

 cactos

 mas uma

 ou outra

 borboleta

 multicor

 pousava

 nos seus

 espinhos .

 Hamilton Monteiro

 in Gume das Palavras

 Vitral de sombras

 Numa capela um vitral

 de sombras desembesta

 corcis negros nas passagens

 laterais da igreja .
 Longe ,

 as formas fantasmagricas

 de alucinados , rezando

 se protegem sobre capas

 de uma forma , outras formas ,

 infinito - negras prolas ,

 splicas , delrios , o pranto .

 Pedem socorro contra as

 investidas dos tropis .

 As litanias causam

 estragos nas peles oleosas

 das bestas desenfreadas .

 A luz do sol l fora , absorta ,

 ultrapassa o vitral , rapidamente .

 Ajoelha-se na simetria das figuras

 de santos , anjos e salvadores que

 domam o dorso de animais quadrpedes .

 Alexandra Vieira de Almeida

 SURREALISMO

 O que sobrou

 do lixo

 rio raso

 terra vazia

 pas de metal

 e mquina

 a cincia

 no tem resposta

 a medicina

 prolonga

 o sofrimento

 uma realidade

 tela de Magritte .

 ( Almandrade )

 CICATRIZ URBANA

 O centro aceita

 a multido

 e o vocabulrio

 das estaes .

 A arquitetura

  a escrita da cidade

 assim como

 o cime

  o vcio do apaixonado .

 A linguagem

 faz a diferena

 das coisas e das ruas .

 ( Almandrade )

 A Casa

 na rua da casa no passe .

 o futuro ser pstumo

 a fachada da Casa no olhe .

 os olhos sero outros

 na calada da Casa no pise .

 a terra ser queda

 os frutos da Casa no coma .

 dentro as paixes disparam

 aos viventes da Casa no fale .

 qualquer palavra  rendio

 os cmodos da Casa no visite .

 os gatos enlouquecem de tanta beleza

 na Casa eu vivo .

 os ausentes so minha famlia

 Fernando Fbio Fiorese Furtado

 www.revista.ufjf.br / fiorese / index.htm

 MUSA 3X4

 A velha musa

 Se deita

 Retira

 O olho de vidro

 Que atira

 Em copo d ?
 gua

 Olho verde

 Turmalina

 Enquanto afunda

 Vira

 O escafandrista

 Aflito

 De cabo-guia

 Partido

 Luis Rodolfo Souza Dantas

 neste tte--tte comigo

 paisagens num abismo

 sis rachados na janela

 parasos enforcados

 por todo lado nuvens

 e nuvens dormem nuas

 pssaros inutilizados

 na aragem uma chuva

 petrificada rumor de

 ossos secos cantando

 dentro de mim roendo

 o tempo mais fundo

 Anelito de Oliveira

 in Lama , Orob Edies , 2000 .

 Cantares D'Amor

 Do amor Fiel

 eu

 sem porto

 contigo

 tu

 sem porta

 comigo

 Wanderson Lima

 in Morfologia da Noite , 2001

