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 By Hugo Bruno

 Obras Home Pesquisas Teste de Qi Perodos

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 Modernismo

 CONTEXTO HITRICO

 No Brasil , o termo Modernismo envolve aspectos ligados ao movimento ,

 propriamente dito ,  esttica e ao perodo histrico .
 Desde o incio do sculo ,

 a literatura tradicional , acadmica e elitizante se mantm ao lado de

 tendncias renovadoras , representadas por escritores como Euclides da Cunha ,

 Monteiro Lobato e Lima Barreto .
 Com o passar do tempo , a busca pelo novo e as

 tentativas de renovao da arte brasileira se multiplicam com a promoo de

 exposies de pintura , esculturas modernas e artigos nos jornais , dedicados s

 tendncias vanguardistas europias .
 Na Europa , essa vanguarda tem como marca o

 avano tecnolgico e cientfico do incio do sculo XX .
 Nesse perodo , o

 cotidiano das pessoas sofre uma verdadeira revoluo com a supervalorizao do

 progresso e da mquina .
 O capitalismo entra em crise , dando incio  Primeira

 Guerra Mundial ( 1914-1918 ) , encerrando a chamada belle poque .
 A seguir , a

 crise financeira , oriunda do conflito , leva  Segunda Guerra Mundial

 ( 1939-1945 ) , e nos anos intermedirios , conhecidos como " os anos loucos " , as

 pessoas passam a conviver com a incerteza e com o desejo de viver somente o

 presente .
 Tais experincias despertam o anseio de interpretar e expressar a

 realidade de forma diferenciada , dando origem aos movimentos da vanguarda

 europia .

 Os mais importantes foram : o futurismo , liderado pelo italiano Marinetti ,

 exalta a velocidade e a mquina ; o cubismo , oriundo da pintura , fraciona a

 realidade , remontando-a , a seguir , por meio de planos geomtricos superpostos ;

 o dadasmo , com seu lder Tristan Tzara , nega totalmente a lgica , a coerncia

 e a cultura , como forma de oposio ao absurdo da guerra .
 Tzara toma o termo

 dad , que no significa nada , e o aplica  arte que produz , afirmando no

 reconhecer nenhuma teoria e declarando a morte da beleza ; o surrealismo ,

 lanado em 1924 , por Andr Breton , com o Manifesto do Surrealismo , prega o

 apego  fantasia , ao sonho e  loucura , alm da utilizao da escrita

 automtica em que o artista , provocado pelo impulso , registra tudo o que lhe

 vem  mente , sem preocupao com a lgica .

 Essa vanguarda passa a exercer influncia sobre os artistas e intelectuais

 brasileiros .
 Dessa forma , vo surgindo obras de autores jovens que ,

 descontentes com a tradio acadmica e parnasiana , demonstram que a literatura

 brasileira est sofrendo um processo dinmico de transformao .
 Trs datas

 ( 1922,1930 e 1945 ) marcam as diferentes fases desse movimento , iniciado com a

 Semana de Arte Moderna .

 Contexto histrico da primeira fase ( 1922-1930 ) - Certas transformaes foram

 responsveis pela criao do ambiente propcio  instalao das novas idias ,

 ressaltando-se : o Centenrio da Independncia e a Guerra Mundial ( 1914-1918 ) ,

 que favoreceu a expanso da indstria brasileira , promoveu novas relaes

 polticas , alm de abrir espao para a renovao na educao e nas artes .
 Deu

 origem , tambm , ao questionamento do sistema poltico vigente , at ento

 comandado pela oligarquia ligada  economia rural .
 H , ainda , a grande

 influncia da mo-de-obra imigrante , instalada no Sul , centro de poder da vida

 econmica e poltica do pas .
 Outros fatos importantes foram : o triunfo da

 Revoluo de Outubro de 1930 , cujo levante se deu em 1922 , e a fundao do

 Partido Comunista Brasileiro .

 Igualmente relevante , foi a quebra da Bolsa de Valores de Nova York , em 1929 ,

 levando  queda do caf brasileiro na balana de exportao , nessa mesma data .

 Tal fato , desestabiliza , no Brasil , o grupo dirigente e abre espao para o

 novo , dando legitimidade  arte e  literatura modernas , entendidas , a

 princpio , como " capricho " .
 O pas vive os ltimos anos da Repblica Velha ,

 caracterizada pelo domnio poltico das oligarquias , formadas pelos grandes

 proprietrios rurais .
 Em 1922 , com a revolta do Forte de Copacabana , o Brasil

 entra num perodo revolucionrio de fato , culminando com a Revoluo de 1930 e

 a ascenso de Getlio Vargas .

 Contexto histrico da segunda fase ( 1930-1945 ) - No plano internacional , os

 fatos histricos que se destacam como os mais importantes so : a quebra da

 Bolsa de Nova York , em 1929 , provocando profunda depresso econmica , conhecida

 como a Grande Depresso ; a instalao da ditadura salazarista em Portugal ,

 estendendo-se de 1932 a 1968 ; o incio da Guerra Civil Espanhola , em 1936 ; a

 invaso da Polnia pela Alemanha , sob o comando de Adolf Hitler , resultando na

 Segunda Guerra Mundial ; a invaso da ex-Unio Sovitica pela Alemanha , em 1941 ;

 no mesmo ano em que os japoneses atacam aos Estados Unidos ; a invaso da

 Itlia , provocada pelos pases aliados , em 1943 ; o fim da Segunda Guerra , em

 1945 , com a utilizao da bomba atmica sobre as cidades japonesas de Hiroshima

 e Nagasaki .

 No Brasil , a Revoluo de 1930 conduziu Getlio Vargas ao poder com o apoio da

 burguesia industrial .
 Tratava-se de um governo provisrio que incentivou a

 industrializao e substituiu o capital ingls pelo norte-americano .

 Descontentes com essa poltica , em 1932 , os produtores de caf de So Paulo se

 rebelam contra esse governo provisrio , dando origem  chamada Revoluo

 Constitucionalista de 9 de julho , que resultou em fracasso .
 Em 1934 , 

 promulgada a nova Constituio Brasileira , acompanhada da eleio de Getlio

 Vargas para presidente da Repblica .
 Mais tarde , em 1936 , vrios membros do

 Partido Comunista so presos , incluindo os escritores Jorge Amado e Graciliano

 Ramos .
 Em 1937 , uma nova constituio  promulgada com caractersticas

 fascistas .

 Em meio a todas essas conturbaes , um fato merece registro .
 Trata-se das

 mortes , em 1938 , de Lampio , o chefe do cangao e de sua companheira Maria

 Bonita .
 O cangao pode ser definido como o banditismo praticado pelos

 nordestinos expostos  extrema pobreza e constante injustia social .
 Surge na

 grande seca de 1879 , a partir de grupos armados que assaltam fazendas e casas

 comerciais para depois distriburem o alimento furtado aos flagelados .

 Alm desses acontecimentos , em 1941 , o Brasil entra na guerra , em apoio aos

 Estados Unidos da Amrica do Norte , e , em 1945 , Getlio Vargas  deposto pelas

 Foras Armadas , pondo fim ao Estado Novo com a eleio de Eurico Gaspar Dutra

 para presidente da Repblica .

 Contexto histrico da terceira fase ( Ps-1945 ) - A duas bombas lanadas

 covardemente sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki em agosto de

 1945 apenas evidenciaram um fato que h muito estava comprovado : a vitria dos

 aliados sobre os pases do eixo e o fim da Segunda Guerra Mundial .
 Comeava , a

 partir de ento , um confronto de duas naes e dois sistemas scio-polticos

 que dividiria o mundo em duas partes e aumentaria o medo de uma outra guerra

 mais sanguinria : Estados Unidos versus Unio Sovitica , ou capitalismo versus

 socialismo .
 No Brasil , chegava tambm ao fim o regime de quinze anos de poder

 de Getlio Vargas , deposto pelos mesmos militares que o ajudaram a chegar 

 presidncia .
 Getlio ainda voltaria em 1951 , desta vez eleito pelo povo que o

 idolatrava .
 Seu governo , no entanto , no chegou ao fim : sob suspeita de

 irregularidades no comando do pas , Getlio Vargas suicida-se com um tiro no

 corao no ano de 1954 , causando uma comoo geral .

 Dentre os presidentes que sucederam Getlio , merece destaque a figura de

 Juscelino Kubitschek , eleito em 1955 .
 Praticando a poltica dos " cinqenta anos

 em cinco " , Kubitschek apostou na industrializao como fonte de crescimento

 para o pas .
 O investimento , sobretudo na rea automobilstica , necessitou de

 emprstimos de capital estrangeiro , o que implicava numa dvida externa cada

 vez maior e uma conturbada inflao .
 Um dos grandes marcos de seu governo foi a

 construo da nova capital do pas : Braslia , inaugurada em 1960 .
 Enquanto

 isso , as cidades inchavam cada vez mais com a migrao das famlias

 provenientes de regies agrrias , sobretudo do norte .
 O pas , no entanto ,

 possua uma alegria a mais para esquecer dos problemas : o futebol brasileiro ,

 campeo mundial nos anos de 1958 e 1962 , e que viria conquistar o terceiro

 ttulo em 1970 .

 A dcada de 60  marcada pelo Golpe Militar no ano de 1964 , quando os militares

 depuseram o presidente Joo Goulart e instituram uma represso que

 perseguiria , torturaria e exilaria os principais cones de nossa poltica e

 cultura .
 O ano de 1968 ficou conhecido pela instituio do Ato Constitucional

 Nmero 5 , que pregava a censura e condenava pessoas que viessem a se posicionar

 poltica e culturalmente contra o regime militar .
 Nossa cultura , no entanto ,

 passava por um perodo frtil , no s na literatura e teatro , como tambm na

 msica , com o nascimento dos grandes festivais de msica popular e do

 " Tropicalismo " , movimento musical que contava com nomes como Chico Buarque ,

 Caetano Veloso , Milton Nascimento e outros .

 O Brasil s se livraria por completo da represso militar no ano de 1984 .
 O

 principal responsvel por essa busca da democracia foi o ento eleito

 presidente Tancredo Neves , que faleceria antes de tomar posse .
 A presidncia 

 assumida pelo vice , Jos Sarney .
 Segue-se um perodo de pacotes econmicos

 constantes e uma inflao que chega a nveis absurdos .

 A eleio de 1990 tornou-se um marco na histria do pas .
 Finalmente um

 presidente seria eleito pelo povo depois de tantos anos de ditadura e

 sofrimento .
 Fernando Collor de Melo assume o poder com uma macia campanha

 poltica e uma gama de reformas que visavam colocar a nao no eixo do

 desenvolvimento .
 Tanta disposio foi , no entanto , desmascarada , mostrando uma

 sria teia de corrupo e lavagem de dinheiro , levando o pas a um movimento de

 nacionalismo nunca antes visto , que culminaria com o Impeachment do presidente .

 Com Fernando Collor impedido de continuar exercendo o cargo de presidente , seu

 vice Itamar Franco assume o poder .
 O marco de seu governo  a criao de uma

 nova moeda , o Real , que estabilizou os ndices inflacionrios e equilibrou de

 certo modo a economia em 1994 .
 O criador do plano , o ento Ministro da Fazenda

 Fernando Henrique Cardoso , tornou-se o sucessor de Itamar Franco na

 presidncia , sendo reeleito no ano de 1998 .

 CARACTERSTICAS

 O Modernismo tem como caracterstica unificadora o desejo de liberdade de

 criao e expresso , aliados aos ideais nacionalistas , visando , sobretudo ,

 emancipar-se da dependncia europia .
 Esse anseio de independncia inclui : o

 vocabulrio , a sintaxe , a escolha de temas e a maneira de ver o mundo .
 Ao

 rejeitarem os padres estilsticos portugueses , seus criadores cobrem de humor ,

 ironia e pardia as manifestaes modernistas , passando a utilizar as

 expresses coloquiais , prximas do falar brasileiro , promovendo a valorizao

 diferenciada do lxico .
 O mais importante  a atualidade , por isso centram o

 fazer literrio na expresso da vida cotidiana , descrita com palavras do

 dia-a-dia , afastando-se da literatura tradicional , consagrada ao padro culto .

 Um exemplo de incorporao da linguagem oral , na criao potica e descrio de

 coisas brasileiras , valorizando o prosaico , recoberto de bom humor ,  o poema

 de Mrio de Andrade , O poeta come amendoim ( 1924 ) .
 Contudo ,  preciso ressaltar

 que no havia imposio de normas e nem tratamento unificado dos temas .

 Os modernistas revelam o nacionalismo , atravs da etnografia e do folclore .
 O

 ndio e o mestio passam a ser considerados por sua " fora criadora " , capaz de

 provocar " a transformao da nossa sensibilidade , desvirtuada em literatura

 pela obsesso da moda europia " .
 Cantam , igualmente , a civilizao industrial ,

 destacando : a mquina , a metrpole mecanizada , o cinema e tudo que est marcado

 pela velocidade , aspecto preponderante no modo de vida da nova sociedade .
 Ao

 comporem o perfil psicolgico do homem moderno , expem angstias e

 infantilidades como forma de demonstrar o carter e a complexidade do ser

 humano , apoiando-se , para tanto , na psicanlise , no surrealismo e na

 antropologia .

 A Primeira Fase ( 1922-1930 )

 O primeiro momento , conhecido como fase herica , corresponde  Semana de Arte

 Moderna em 1922 , em So Paulo .
 Essa semana serviu como elemento de divulgao e

 dinamizao das discordncias , acelerando o processo de modernizao .
 O

 objetivo central era se impor contra o Naturalismo , Parnasianismo e Simbolismo

 ainda vigentes .
 Alm disso , visava estabelecer uma teoria esttica , nem sempre

 claramente explicitada por seus criadores e que acaba por renovar o conceito de

 literatura e de leitor .
 A Semana incluiu uma srie de eventos ( l3 , l5 e 17 de

 fevereiro de 1922 ) no Teatro Municipal de So Paulo , reunindo artistas e

 intelectuais que , sob o aplauso e vaias da platia , apresentaram uma espcie de

 sarau , declamando poemas , lendo trechos de romances , fazendo discursos , expondo

 quadros e tocando msica .

 Alguns acontecimentos , anteriores a 1922 , preparam a trajetria do Modernismo ;

 fatos , especificamente , ligados  esttica renovadora , se multiplicam .
 Em 1912 ,

 Oswald de Andrade traz da Europa a novidade futurista ; em 1913 , o pintor Lasar

 Segall faz uma exposio , negando a pintura acadmica .
 Em 1917 , a exposio dos

 quadros de Anita Malfatti , em So Paulo , destacando a pintura expressionista ,

 assimilada na Europa , coloca , de um lado , os que apiam o novo e , de outro , os

 conservadores .

 Na literatura , a transformao e o rompimento com o velho esto presentes ,

 sobretudo , na obra de Oswald de Andrade , Memrias Sentimentais de Joo Miramar ,

 publicada em 1916 , cuja caracterstica experimental notvel se aprofunda em

 edies posteriores .
 Em 1920 , Oswald e Menotti del Picchia iniciam a campanha

 de renovao nos jornais , tendo como expoente o poeta Mrio de Andrade que , em

 1922 , traz a pblico Paulicia Desvairada .
 Seu " Prefcio Interessantssimo "

 corresponde a um primeiro manifesto esttico .

 Outra manifestao , em 1921 , so os Epigramas Irnicos e Sentimentais , de

 Ronald de Carvalho , que , apesar de terem sido publicados em 1922 , j revelam a

 busca por uma nova forma de expresso .
 No Rio de Janeiro , Manuel Bandeira se

 utiliza do verso livre .
 Ao final de 1921 , os jovens de So Paulo preparam a

 Semana , contando com o apoio de Graa Aranha que , ao procurar criar uma

 filosofia para o movimento , acaba seu lder .
 Vrios escritores do Rio e de So

 Paulo participam do evento : Manuel Bandeira , Guilherme de Almeida , Menotti del

 Picchia , Ronald de Carvalho , Ribeiro Couto , Mrio de Andrade e Oswald de

 Andrade .

 Sabem que esto produzindo algo de novo , em oposio s tendncias dominantes ,

 entretanto no conseguem apontar claramente a trajetria a ser seguida .
 A esses

 escritores juntam-se os que publicam pela primeira vez : Lus Aranha Pereira ,

 Srgio Milliet , Rubens Borba de Moraes , Srgio Buarque de Holanda , Prudente de

 Morais ( neto ) , Antonio Carlos Couto de Barros .
 Unem-se , tambm , os pintores :

 Anita Malfatti , Tarsila do Amaral , Emiliano di Cavalcanti , Vicente do Rego

 Monteiro ; o escultor Victor Brecheret ; o compositor Heitor Villa-Lobos e o

 historiador Paulo Prado , criador do movimento Pau-Brasil , em 1924 .
 Ainda , em

 1922 ,  lanada a renovadora revista Klaxon , em So Paulo , cuja publicao se

 estende at o nmero nove .

 O movimento pela nova esttica se radicaliza em So Paulo , revelando o aspecto

 agressivo e polmico da empreitada .
 Aos poucos , escritores de norte a sul se

 ligam ao grupo na batalha de oposio aos conservadores .
 O esprito

 nacionalista , inspirado pelo desejo de libertao da tradio europia , toma

 conta das manifestaes e estimula a luta dos renovadores .

 Aps a Semana , surgem propostas variadas que do origem aos grupos : Pau-Brasil ,

 lanado por Oswald de Andrade .
 O nome adotado faz referncia  primeira riqueza

 brasileira exportada e o movimento tem como princpios : a exaltao do Carnaval

 carioca como acontecimento religioso da raa , o abandono dos arcasmos e da

 erudio , a substituio da cpia pela inveno e pela surpresa ; o

 Verde-Amarelo , se colocando em oposio ao Pau-Brasil , prega o nacionalismo

 ufanista e primitivista .
 Mais tarde , transforma-se no grupo da Anta , escolhida

 como smbolo da nacionalidade por ter sido o totem da raa tupi ; o

 Regionalista , iniciado no Recife , prega o sentimento de unidade do Nordeste ; o

 Antropofgico , liderado por Oswald de Andrade , inspirado no quadro Abaporu ,

 ( aba , " homem " ; poru , " que come " ) , de Tarsila do Amaral , prope a devorao da

 cultura importada com intuito de reelaborao , transformando o que veio de fora

 em produto exportvel .
 As obras ligadas a esse movimento so Cobra Norato , de

 Raul Bopp , e Macunama , de Mrio de Andrade .

 Nesses agrupamentos , o enaltecimento do primitivismo passa a incluir a

 mitologia e o simblico , sobretudo no movimento Antropofgico que , propondo a

 devorao dos valores europeus , lana suas idias na Revista de Antropofagia

 ( 1928-1929 ) .

 Nessa primeira fase , o rompimento com o velho , a necessidade de chocar o

 pblico e de divulgar novas idias esto marcados pelo radicalismo .
 Enquanto

 vrias revistas so criadas por escritores renomados e por iniciantes , o

 movimento vai se estruturando de forma mais vibrante no Rio e em So Paulo ,

 estendendo-se a Minas e ao polmico regionalismo nordestino .
 As publicaes

 variadas so fundamentais para o movimento que , extremamente ativo , se estende

 at 1930 , quando menos agressivo , muda de rumos , principalmente , com referncia

  prosa , dominada , tradicionalmente , pela literatura oficial , ligada  Academia

 Brasileira de Letras , antagonista dos " futuristas " , ou seja , dos modernistas ,

 " rebeldes excntricos do perodo ".A partir dessa data , as novas idias se

 generalizam , constituindo-se em padres de criatividade .
 Findo esse primeiro

 momento , abre-se espao para a segunda fase ; a fase construtiva que prima pela

 estabilizao das conquistas , com forte apelo social .

 A Poesia - A poesia , produzida na primeira fase , apropria-se do ritmo , do

 vocabulrio e dos temas da prosa , constituindo-se no principal veculo de

 divulgao do movimento .
 Abandona os modelos tradicionais do Parnasianismo e

 deixando de lado os recursos formais , adota o verso livre , sem nmero

 determinado de slabas e sem metrificao , respeitando a inspirao potica .
 A

 cadncia rtmica  mantida prxima da prosa em obedincia  alternncia de sons

 e acentos , demonstrando que a poesia est na essncia ou no contraste das

 palavras selecionadas .
 A opo pelo verso livre expressa a alterao da msica

 contempornea , produzida pelo impressionismo , pela dissonncia , pela influncia

 do jazz e dodecafonia .

 O registro do cotidiano aparece valorizado por meio de elementos diferenciados ,

 incluindo : a linguagem coloquial ; a associao livre de idias ; uma aparente

 falta de lgica ; a mescla de sentimentos contrastantes , revelando o

 subconsciente e o nacionalismo .
 s vezes , a preferncia recai sobre o " momento

 potico " - observao de um determinado aspecto ou de um instante emocional ,

 resultando em condensao potica .

 O presente  incorporado aos versos por meio do progresso , da mquina , do ritmo

 da vida moderna .
 O humor , igualmente empregado , manifesta-se sob a forma de

 ironia ou paradoxo , surgindo o poema-piada , condensao irreverente que busca

 provocar polmica .

 A Prosa - A prosa do perodo no apresenta o mesmo vigor da poesia , mas revela

 conquistas importantes .
 A princpio , demonstra certa densidade , carregada de

 imagens , provocando tenso pela expressividade de cada palavra .
 Os recursos so

 variados como : a aproximao com a poesia , o apoio na fala coloquial e na

 utilizao de perodos curtos .
 Um dos modernistas , Oswald de Andrade , aplica

 essas experincias no s em seus artigos e manifestos , mas tambm na obra

 Memrias Sentimentais de Joo Miramar ( 1924 ) .
 Trabalha a realidade atravs de

 recursos poticos , empregando metforas e trocadilhos .
 Essa tcnica , aliada a

 uma " espcie de esttica do fragmentrio " , compe-se de espaos em branco na

 formatao tipogrfica e tambm na seqncia do discurso , cabendo ao leitor a

 tarefa de dar sentido ao que l .

 Ao lado de Oswald de Andrade , outros escritores se destacam : Antonio de

 Alcntara Machado com Path Baby , Plnio Salgado com O Estrangeiro , Jos

 Amrico de Almeida com Bagaceira .
 H os que do nfase  experincia lxica e

 sinttica , tendo como suporte a fala coloquial .
 Mrio de Andrade  um de seus

 representantes com Amar , Verbo Intransitivo e Macunama .
 Neste ltimo , o novo

 est , sobretudo , no emprego da lenda , revelando contornos poticos , derivados

 da liberdade na escolha do vocabulrio , nacionalizando o modo de escrever .

 A Segunda Fase ( 1930-1945 )

  o perodo de maturao e de regionalismo , revelando-se , aps as conquistas da

 gerao de 1922 , uma fase muito rica na produo de prosa e poesia .
 Reflete o

 momento histrico conturbado , reinante no s na Europa , mas tambm no mundo .

 Poesia - Nesta fase construtiva predomina a prosa , enquanto a poesia se

 apresenta de forma mais amadurecida .
 No precisa mais ser irreverente e

 experimentalista , nem chocar o pblico ; agora familiarizado com a nova maneira

 de expresso .
 As influncias de Mrio e Oswald de Andrade esto presentes na

 produo potica ps Semana de Arte Moderna .
 Os novos poetas do continuidade 

 pesquisa esttica anterior , mantendo o verso livre e a poesia sinttica .
 A nova

 tcnica est marcada pelo questionamento mais vigoroso da realidade ,

 acompanhada da indagao do poeta sobre seu fazer literrio e sua interpretao

 sobre o estar-no-mundo .
 Conseqentemente , surge uma poesia mais madura e

 politizada , comprometida com as profundas transformaes sociais enfrentadas

 pelo pas .
 Ampliando os temas da fase anterior , volta-se para o espiritualismo

 e o intimismo , presentes em certas obras de Murilo Mendes , Ceclia Meireles ,

 Jorge de Lima e Vinicius de Morais .
 A Prosa - A prosa reflete o mesmo momento

 histrico da poesia , cobrindo-se igualmente das preocupaes dos poetas da

 dcada de 30 .
 So autores mais representativos : Jos Lins do Rego , Graciliano

 Ramos , Rachel de Queiroz , Jorge Amado e Erico Verissimo .

 Nessa fase , a prosa se reveste de carter mais maduro e construtivo , refletindo

 e aproveitando as conquistas da gerao de 1922 .
 A linguagem atinge certo

 equilbrio e adota uma postura mais documental ao expor a realidade brasileira

 e focalizar o aspecto social .
 Essa tendncia  aplicada nos romances urbanos ,

 voltados  exposio da vida nas grandes cidades , revelando as desigualdades

 sociais , observadas na vida urbana brasileira , com destaque para algumas obras

 de Erico Verissimo .
 Os escritores focalizam , ainda , a realidade regional do

 pas , originando a prosa regionalista que destaca a seca e os flagelos dela

 decorrentes .
 Os romancistas comprometidos com essa temtica so : Rachel de

 Queiroz , Jos Lins do Rego , Jorge Amado e Graciliano Ramos .
 Ao lado dessa

 tendncia , encontra-se a prosa intimista ou de sondagem psicolgica , elaborada

 a partir do surgimento da teoria psicanaltica freudiana .
 Seus representantes

 so : Dionlio Machado , Lcio Cardoso e Graciliano Ramos .
 Portanto , a denncia

 social e a relao do " eu " com o mundo e , em especial , com o povo brasileiro

 so o ponto de tenso dos romances do perodo .

 A preocupao mais marcante da prosa  o homem do Nordeste , incluindo sua vida

 precria e as condies adversas impostas pela geografia do lugar , pela

 submisso dos trabalhadores aos proprietrios de terras , advinda de sua grave

 falta de instruo .
 O encontro com o povo brasileiro propicia , pois , o

 nascimento do regionalismo , reforado pelos temas dedicados  decadncia dos

 engenhos ; s regies de cana-de-acar ; s terras do cacau no sul da Bahia ; 

 vida agreste ; s constantes secas , aprofundando as desigualdades sociais ; ao

 movimento migratrio ;  mo-de-obra barata ,  misria e  fome .

 Em 1945 , encerra-se o perodo dinmico do Modernismo , abrindo espao para a

 fase de reflexo , devotada aos questionamentos sobre a linguagem , ao retorno a

 certos modelos estilsticos tradicionais , sobretudo , no incio dos anos 50 ,

 visando inovaes .

 Some-se a isso que , o trmino da Segunda Guerra Mundial ( 1945 ) empurra o pas

 para a era industrial e passa a contar com um proletariado de grande peso

 representativo , vido de participar efetivamente da vida poltica .
 Alm disso ,

 o pas desponta como uma potncia moderna , facilitando o aparecimento da nova

 esttica , revelando , segundo Antonio Candido , " no seu ritmo histrico , uma

 adeso profunda aos problemas da nossa terra e da nossa histria

 contempornea " .

 A Terceira Fase ( Ps-1945 )

 Nesta terceira fase , presencia-se a rejeio da gerao de 22 na poesia .
 Surge

 o Concretismo , a Poesia-Prxis , o Poema-Processo , o Poema-Social , a Poesia

 Marginal e os msicos-poeta .
 Na prosa , a explorao do psicolgico e dos

 conflitos entre o homem e a modernidade , a busca da universalizao e de uma

 literatura engajada e o mergulho no realismo fantstico e no romance de

 reportagem passam a ser o foco .
 A crnica , o conto , a prosa autobiogrfica e o

 teatro ganham fora .

 A Poesia - A poesia da segunda metade da dcada de 40  marcada pela presena

 da Gerao de 45 , onde se destacariam grandes nomes dentro de nossa literatura ,

 entre eles Joo Cabral de Melo Neto .
 Essa gerao tem como marco a publicao

 dos nove nmeros da " Revista Orfeu " , no Rio de Janeiro .
 Pregavam , acima de

 tudo , a rejeio aos moldes modernistas da gerao de 22 , ou seja : o fim do

 verso livre , da pardia , da ironia , do poema-piada , etc .
 A poesia deveria

 seguir um modelo mais formal , de cunho neoparnasiano ou neo-simbolista , com

 versificao mais regrada , maior erudio com relao s palavras e uso de

 temas mais universais .

 Contrapondo a toda essa busca pelos padres clssicos , Dcio Pignatari , Augusto

 de Campos e Haroldo de Campos criaram o Concretismo , que condizia mais com a

 rapidez e agilidade da sociedade moderna .
 O Concretismo vai alm de tudo o que

 o Modernismo conquistou : prega o fim do verso , do lirismo e do tema , alm da

 explorao do espao em branco , e a decomposio e montagem de palavras , com

 seus vrios sentidos e correlaes com outras palavras .
 O poema em si muitas

 vezes lembra um cartaz publicitrio que se evidencia pelo apelo visual e

 permite vrias leituras .

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