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 Congresso Brasileiro de Hispanistas

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 Hispanistas Oct .
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 O surrealismo na Amrica Latina : o caso do Peru

 Robert Ponge

 UFRGS

 Parte de uma pesquisa mais ampla sobre as diversas realidades da recepo e

 enraizamento do surrealismo nas Amricas , este trabalho examina o caso do Peru .

 No processo de redao deste texto , optei por privilegiar o estudo da recepo

 inicial ( 1926-1931 ) .
 Para respeitar as dimenses dadas a esta comunicao , fui

 obrigado a restringir as consideraes sobre as trajetrias e obras de Csar

 Moro e Emilio Adolfo Westphalen .

 Nascimento do surrealismo e sua chegada na Amrica Latina

 O surrealismo comeou a vir a luz em 1919 , em Paris , com o lanamento da

 revista Littrature , por Andr Breton , Philippe Soupault e Louis Aragon , e com

 a descoberta da escritura '' surrealista '' ( isto  , automtica ) pelos dois

 primeiros .
 Cinco anos depois , em 1924 , o surrealismo foi fundado , proclamado

 enquanto movimento nomeada e explicitamente surrealista , atravs de vrias

 iniciativas tomadas por um grupo de jovens poetas franceses ( o Manifesto de

 Breton lista 19 nomes ) que estava tambm reagrupando pintores , fotgrafos e

 outros , de diversas nacionalidades ( Max Ernst era alemo , Man Ray

 estadunidense , Picasso espanhol , etc. ) .
 Pode-se definir , brevemente , seu

 objetivo como sendo o de lanar e alcanar uma revoluo cultural que

 questionasse os modos vigentes de se expressar , sentir , pensar em primeiro

 lugar a lgica estreita , fechada , positivista .
 Destacou-se quase imediatamente ,

 entre os movimentos da modernidade , como um dos mais vigorosos e questionadores

 o que lhe angariou reservas e at mesmo reaes adversas , por parte de diversos

 setores ( da modernista Nouvelle Revue franaise at a monarquista e

 fascistizante Action franaise ) .

 A chegada do surrealismo na Amrica foi extremamente rpida .
 Sabe-se , por

 exemplo , que , no Brasil , em 1925 ( talvez antes ) , Prudente de Moraes , neto e

 Srgio Buarque de Holanda j realizavam experincias de escritura surrealista ;

 na Argentina , foi tambm em 1925 que um grupo de jovens reunido em torno de

 Aldo Pellegrini ( ento estudante de medicina ) iniciou um processo de discusso

 e experimentao do surrealismo .

 Como explicar esta extrema rapidez ?
 Ao fato de que os debates e a reflexo

 sobre os rumos da arte moderna vinham se desenvolvendo internacional e

 intercontinentalmente desde o sculo 19 , atravs das viagens , dos livros , das

 revistas , da imprensa .
 E , se existia um debate internacional , era porque a arte

 no possua mais um carter local , mas internacional .
 Em outras palavras , o

 impressionismo , o cubismo , o surrealismo ( para tomar apenas trs exemplos )

 nasceram em Paris , mas no foram movimentos franceses , foram movimentos

 internacionais .
 Que nasceram em Paris devido ao lugar especial que , por razes

 histricas , essa cidade assumiu na vida intelectual e artstica da Europa e do

 planeta a partir do sculo 18 , chegando a constituir-se na capital cultural do

 sculo 19 e do incio do sculo 20 ( para parafrasear a conhecida expresso de

 Walter Benjamin^1 ) .

 Ora , cabe constatar , nas primeiras dcadas do sculo 20 , uma acelerao do

 fluxo de informaes e do ritmo dos contatos internacionais em decorrncia dos

 progressos nas comunicaes .
 No bojo desses debates internacionais , as

 informaes sobre a revista Littrature , sobre Andr Breton , seus companheiros

 e seu iderio comearam a chegar  Amrica Latina antes de 1924 , no mnimo l

 por 1922 ou 1923 .

 A recepo do surrealismo no Peru de 1925 a 1931

 O Peru tomou conhecimento do surrealismo com a mesma rapidez que o Brasil e a

 Argentina : em 1925 , no nmero de 19 de julho do peridico quinzenal Variedades ,

 o intelectual marxista e liderana socialista Jos Carlos Maritegui assinalou

 a existncia do movimento em Paris ; um ms depois , foi a vez do poeta Csar

 Vallejo enviar notcias ao peridico Mundial ( do qual era ento correspondente

 em Paris ) sobre a manifestao dos surrealistas durante o banquete em honra do

 poeta Saint-Pol-Roux e sobre as turbulncias que tal interveno suscitou em

 Paris ( LEFORT , p. 253 ) .

 Maritegui , que se interessava intensa e genuinamente pelas vanguardas

 literrias e artsticas , deu espao para o surrealismo em Amauta , a revista que

 dirigia .
 Nos n^os 17 e 18 , respectivamente de setembro e outubro de 1928 ,

 publicou trs textos de Andr Breton , e no n  24 , de junho de 1929 , um artigo

 intitulado '' Esttica de sentido en la crtica nueva Izquierda , frente : angulo

 de Andr Breton '' , no qual o poeta Xavier Abril elogia o surrealismo e seu

 principal terico ; quanto s pginas do n  29 , de fevereiro-maro de 1930 ,

 contm um ensaio em que o poeta Jos Mara Eguren menciona a '' adorable Nadja ,

 flor de la calle y de la locura '' , personagem central do livro epnimo de

 Breton ( SILVA-SANTISTEBAN , p. 79-85 ) .
 Referente  recepo do surrealismo , cabe

 ainda assinalar que , num escrito posterior , publicado no n  187 de La Revista

 Semanal , de 2 de abril de 1931 , Eguren voltou a mencionar a '' transitoria ''

 figura de Nadja e caracterizou assaz correta mas elipticamente o surrealismo

 como '' un realismo de realismo '' :

 Los proslitos de esta tendencia , viendo mixtificada la realidad por atavismos

 o falsos rumbos , proponen la verdadera realidad potica [ ...
 ] .
 ( Eguren , citado

 por SILVA-SANTISTEBAN , p. 86 )

 Voltando a Maritegui , esse no se limitou a abrir as pginas de Amauta ao

 surrealismo , mas manteve-se atento aos desenvolvimentos do movimento em Paris ;

 assim , no nmero de 24 de julho de 1926 de Variedades , chamou a ateno para a

 evoluo da '' insurreio surrealista '' ( a expresso  notvel !
 ) :

 A insurreio surrealista entra numa fase que prova que este movimento no  um

 simples fenmeno literrio , mas um complexo fenmeno espiritual .
 No uma moda

 artstica , mas um protesto do esprito. ( Maritegui , citado por LEFORT , p. 253 )

 Neste comentrio , pode-se perceber que , apesar da distncia que separa Lima de

 Paris , Maritegui conseguia alcanar uma excelente compreenso da proposta

 surrealista .

 Em 15 de janeiro de 1930 , sua colaborao ao n  1141 de Variedades foi dedicada

 a um comentrio esclarecido e esclarecedor sobre Nadja de Breton .
 Organizada em

 duas partes , a resenha inicia com uma discusso terica : denuncia a velha e

 errnea idia de que '' el realismo importa la renuncia a la fantasa '' ,

 esclarece que , pelo contrrio , '' no es posible entender y describir lo real sin

 una operosa y afinada fantasa '' e aponta para a importncia do surrealismo :

 proponiendo a la literatura los caminos de la imaginacin y del sueo , los

 suprarrealistas no la invitan verdaderamente sino al descubrimiento , a la

 recreacin de la realidad. ( Maritegui , citado por SILVA-SANTISTEBAN , p. 83 )

 A seguir , Maritegui se debrua sobre o livro de Breton , mostrando como est

 estruturado e comentando a personagem de Nadja .
 O que permite perceber como o

 marxista peruano consegue captar a essncia de Nadja , figura '' bizarra '' ,

 '' desorbitada '' , '' errante '' , mas nem um pouco '' absurd [ a ] '' , '' imposible ,

 irreal '' , pois a Nadja de Breton  certamente nica ,

 pero sus hermanas criaturas de una filiacin al mismo tiempo vaga y

 inconfundible deambulan por la calles de Pars , Breln , Londres , se extinguen

 en sus manicomios. Son la ms cierta estirpe potica de la urbe , el ms

 melanclico y dulce material de la psiquiatria. ( MARITEGUI , p. 83-84 )

 O '' balano do surrealismo '' de Maritegui

 Um ms depois , no n^o 1146 ( 19 de fevereiro de 1930 ) de Variedades , Maritegui

 voltou ao assunto do surrealismo .
 Motivado pela recente publicao , em 15 de

 dezembro de 1929 , do Segundo manifesto do surrealismo , de Andr Breton ,

 Maritegui apresenta seu '' balano '' a respeito do '' alcance e valor '' do

 surrealismo ( ou supra-realismo , como ele denominava-o ) .
 Na continuidade ao

 elogio de 1926  insurreio surrealista , as linhas introdutrias deixam claro

 a simpatia e o alto apreo do autor pelo surrealismo :

 Nenhum dos movimentos literrios e artsticos de vanguarda da Europa ocidental

 teve , ao contrrio do que falsas aparncias possam sugerir , o significado e o

 contedo histrico do supra-realismo. ( MARITEGUI , 1995 , p. 401 )

 Por que Maritegui destaca o significado e o contedo histrico desse

 movimento , situando-o acima das demais vanguardas ?
 Porque , escreve ele , '' os

 outros movimentos se limitaram  afirmao de alguns postulados estticos e 

 experimentao de alguns princpios artsticos '' ( ibidem ) , resposta que

 encontra seu complemento no artigo de 1926 , em que Maritegui chamou a ateno

 sobre o fato de que o surrealismo no  um simples fenmeno literrio , mas um

 complexo fenmeno espiritual , no uma moda artstica mas um protesto do

 esprito .

 Maritegui dedica ento um longo pargrafo a criticar o futurismo italiano ,

 pois este nasceu pretendendo '' representar artstica , poltica e

 sentimentalmente uma nova Itlia '' , mas no teve a capacidade de se desenvolver

 dinmica e dialeticamente , acabando '' digeri [ do ] '' pelo fascismo .
 A seguir ,

 contrape-lhe o surrealismo , que pode , '' verdadeiramente '' , ser caracterizado

 como '' um movimento , uma experincia '' porque nasceu de '' um processo '' , no

 est parado , congelado , mas evoluindo , desenvolvendo-se na continuidade desse

 processo : '' Ignora totalmente o supra-realismo quem imagina conhec-lo e

 entend-lo por uma frmula , ou uma definio de uma de suas etapas '' ( ibidem ,

 p. 401-402 ) .

 Maritegui aponta ento duas outras caractersticas importantes e definidoras

 do surrealismo : tomou conscincia da necessidade da ao poltica , aderindo ao

 programa social , poltico e econmico do movimento marxista ; por outro lado , os

 surrealistas defendem a '' autonomia da arte '' , porm '' nada lhes  mais

 estranho do que a frmula da arte pela arte. [ ...
 ] .
 A nada resistem tanto [ ...
 ]

 quanto como ao confinamento voluntario na pura especulao artstica '' ( ibidem ,

 p. 402 ) .

 Maritegui encerra seu artigo insistindo na '' qualidade rara '' do surrealismo ,

 exaltando a '' linha atormentada , perigosa e desafiante de suas pesquisas e de

 seus experimentos '' ( cada nmero da revista La Rvolution surraliste  '' um

 autntico exame de concincia , uma interrogao '' ) ; tambm anuncia dois outros

 escritos sobre o surrealismo ( ibidem p. 403 ) .

 O primeiro  uma resenha do Segundo manifesto do surrealismo .
 Afora a crtica ,

 de passagem ,  frases '' de gusto dadasta '' e '' intonacin infantil '' que ,

 segundo ele , '' no faltan en el manifiesto '' , Maritegui reafirma sua avaliao

 entusiasmada da '' difcil y valerosa disciplina espiritual y artstica a que

 conduce la experiencia suprarrealista '' ( Maritegui , citado por

 SILVA-SANTISTEBAN , p. 88 ) .

 O segundo artigo deveria ter sido um comentrio sobre o texto de Louis Aragon

 intitulado '' Introduo a 1930 '' e publicado no mesmo n  12 de La Rvolution

 surraliste em que saiu o Segundo manifesto .
 Infelizmente , a anunciada resenha

 no chegou a ser redigida , devido ao falecimento precoce de Maritegui .

 A esta altura , o leitor atento no deixar de estranhar esta sucesso de textos

 favorveis ao surrealismo , sem nenhuma voz discordante , e perguntar se o Per

 constituiu-se numa rarssima e pouco provvel exceo : um pas que no teria

 possudo recepo contrria ao surrealismo .
 Obviamente que no !
 A falta de

 dados impede-me de historiar e comentar o comportamento daqueles que se

 consideravam como os pilares da defesa da tradio , mas posso , pelo menos ,

 fazer referncia  postura de um homem de esquerda , o poeta Csar Vallejo , que ,

 vinte e um dias aps a resenha de Maritegui , publicou , no mesmo peridico

 ( Variedades , n  1151 , de 26 de maro ) , seus comentrios sobre o Segundo

 manifesto e sobre o movimento animado por Breton e seus amigos .
 Ambos

 Maritegui e Vallejo se declaravam marxistas , mas o ttulo do ensaio do segundo

 '' Autpsia do super-realismo '' basta para perceber que divergiam frontalmente

 em relao ao surrealismo como , alis , em relao s demais vanguardas .

 Moro , Westphalen e o surrealismo peruano

 A no ser por Vallejo , nos limitamos , por enquanto , em falar na recepo do

 surrealismo entre escritores que , embora com alguma simpatia por aquele

 movimento , no aderiram ao mesmo .
 Para falar do enraizamento do surrealismo

 entre intelectuais peruanos , nos anos vinte ,  impossvel no citar Csar Moro .

 Ele no tomou conhecimento do surrealismo pelo correio , pela chegada de livros

 e peridicos , mas sim atravs da velha via da viagem .

 Nascido em 1903 , em Lima , Moro cedo descobriu possuir uma queda pelas artes ,

 comeando a desenhar , pintar e escrever .
 Quando , em 1921 , seu irmo mais velho

 partiu para estudar em Madrid , vislumbrou a possibilidade de escapar de Lima ;

 entretanto , seu objetivo no era a Espanha , mas Paris ( que imaginava cheia de

 atrativos e oportunidades ) , onde chegou em 1925 .
 Foi somente em 1928 aps mais

 de dois anos de vida parisiense que , atravs de uma prima , entrou em contato

 com os surrealistas .
 Imediatamente seduzido , no demorou para aderir ao grupo ,

 participar de suas atividades e escrever abundantemente ( infelizmente , a quase

 totalidade de sua obra dos anos 1929-1931 foi perdida ) .

 No Peru , os anos 30 foram aqueles do retorno  ordem , poltica e culturalmente .

 Apesar disso , Emilio Adolfo Westphalen , no incio da dcada , pouco depois de

 fazer vinte anos , conseguiu descobrir os Manifestos do surrealismo e Nadja de

 Breton , obras que , junto com a influncia de Jos Mara Eguren , contriburam ao

 '' clima '' ( a palavra  de Daniel Lefort , 1992 , p. 133 ) em que foi redigido

 Insulas extraas , sua primeira coletnea potica .

 Quando , no incio de 1934 , Csar Moro desembarcou em Lima , de volta de Paris , a

 segunda coletnea de Westphalen , Abolicin de la muerte , estava pronta .
 Moro

 apresentou algumas sugestes ( que foram aceitas ) e ilustrou o volume .
 Comeava

 entre ambos uma ntima e frutfera colaborao que , com o reforo de Rafo

 Mendz Dorich , iria permitir o desenvolvimento de uma autntica atividade

 surrealista , nos planos potico , artstico , polmico-ideolgico e poltico .
 Em

 1935 , organizaram a primeira exposio surrealista internacional da Amrica

 Latina , cujo catlogo contm poemas dos trs e de luard .
 Em 1936 , polemizaram

 contra Vicente Huidobro com o panfleto coletivo Huidobro o el bispo

 embotellado , e saram em defesa da Espanha antifranquista assumindo papel

 destacado no Boletn del Comit Amigo de los Defensores de la Repblica

 Espaola , o que lhes valeu a represso policial .

 Westphalen foi preso e Moro exilou-se no Mxico , de onde organizou , junto com

 Westphalen no Peru , a publicao da revista El Uso de la Palabra .
 No editorial

 do primeiro e nico nmero ( Lima , dezembro de 1939 ) , gritaram sua confiana no

 futuro e no projeto surrealista ( '' s aves negras do obscurantismo [ ...
 ] ,

 opomos nossa confiana no destino do homem e na sua prxima libertao '' ) .
 Com

 a j mencionada separao fsica entre Westphalen e Moro , e com a conjuntura

 desfavorvel no Peru ( um governo filofascista ) , Westphalen passou para uma

 resistncia , digamos , retrada , marcada por uma digna reserva ,  margem do

 militantismo , e por um certo silncio ( no publicou nada de 1935 a 1980 , embora

 continuasse escrevendo poesia ) .
 Quanto a Moro , em 1940 , junto com o artista

 plstico e surrealista austraco Wolfgang Paalen ( tambm exilado no Mxico ) e

 com os conselhos e orientaes de Breton desde Paris , organizou a Exposio

 Internacional do Surrealismo na cidade do Mxico , que suscitou um misto de

 curiosidade e incompreenso , at mesmo de desprezo .

 Em 1947 , o lanamento da revista Las Moradas , sob a direo de Westphalen ,

 mostrou que o retraimento deste era relativo .
 Em 1948 , Moro ( que colaborava em

 Las Moradas desde o Mxico ) voltou para Lima .
 O reencontro entre os dois amigos

 durou pouco : no final de 1949 ( aps o decimo-oitavo e ltimo nmero de Las

 Moradas ) , foi a vez de Westphalen deixar o Peru ( partiu para Nova Iorque ) .

 Quanto a Moro , rapidamente decepcionou-se com sua volta a '' Lima a horrvel ''

 ( Moro , citado por Coyn , p. 123 ) , onde gastava seu tempo defrontando-se com a

 vida srdida ; o sol no faltava mas , para o poeta , as nicas iluminaes

 provinham da poesia e da pintura .
 Faleceu no incio de 1956 .

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 1 Pode se ver , tambm : RIVAS , Pierre .
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 In : CHIAPPINI , Lgia ; AGUIAR , Flvio ( Orgs. ) .
 Literatura e

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 So Paulo : EdUSP , 1993 .
 p. 99-114 .

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