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 Introduo

 A obra de Ren Magritte , tal como o pensamento que a influenciou , representam

 na histria da arte moderna e na da pintura surrealista um caso especial .

 Onde as pinturas onricas referem-se de diversas formas ,  natureza do sonho .

 Algumas so registos de um sonho realmente experimentado pelo artista - uma

 espcie de obra pictrica do sonho , onde a pintura do quadro funciona a

 reconstituio do sonho .

 Ao procurar o " mistrio " que envolve as coisas e os seres , Magritte concebeu

 quadros que , partindo da realidade quotidiana , deveriam ter uma lgica

 diferente da habitual .
 Magritte representa o mundo do real e do imaginrio com

 uma superficialidade misteriosa , que impe ao observador a reflexo de que 

 atravs da lgica dos seus pensamentos e das suas associaes e no da

 transfigurao sentimental que surge o misterioso .

 Magritte cria tambm uma linguagem pictural , que no podemos ignorar e que

 permite aprofundar a compreenso habitual do quadro .

 Neste trabalho , proponho uma viagem pelo " O Mundo Belo " , do surrealismo ,

 sublinhando sempre a originalidade deste grande pintor belga ...
 Uma viagem

 para alm das regras aceites , ao mesmo tempo , pelo senso comum e pelas longas

 tradies , que ocasionaram a natureza da arte , pelo menos at ao incio do

 sculo XX .

 Magritte e o encontro com o Surrealismo

 Na altura em que Magritte nasceu , em Novembro de 1898 , na Blgica , onde toda a

 populao , ou grande parte dela , trabalhava nas pedreiras , as artes plsticas

 europeias j tinham sofrido a influncia de algumas das revolues , que as

 tinham feito passar de uma pintura que se aproximava submissamente da natureza

 e da realidade , para uma arte de concepes mais intimistas ...
 passagem que

 marcou o impressionismo e os seus seguidores , mais directamente .

  verificvel , nesta poca indcios do aniquilamento de um realismo que seria ,

 apenas , uma tentativa de reproduo do real e o aparecimento de teorias que

 misturam a emotividade e o cientismo .

 Entre os acontecimentos estticos do final do sculo , destaca-se principalmente

 o aparecimento do Jugendstil , ou Arte Nova , e o Simbolismo .

 Estes dois movimentos , embora diferentes , e , por vezes opostos nas suas

 propostas , tm no entanto em comum as aproximaes sensitivas dos dois

 universos que mobilizam os homens , ou seja a relao entre o mundo interior e o

 exterior , entre o sonho e a aco , considerada como uma necessidade vital .

 Ren Magritte , nos anos 20 , ampliou este movimento de uma maneira muito

 particular , invertendo a proposta que consistia em colocar o sentimento acima

 da existncia .
 Esta evocao do real seria objecto da emoo e no da reflexo .

 Foi por isso mesmo , que Magritte recusou a aplicao de uma teoria simblica

 nos seus quadros .

 O " caso Magritte " contudo , apresenta-se-nos de um modo particular , porque este

 artista foi , na verdade , um criador excepcional , fora de todas as regras

 " modernas " ou " clssicas " da arte de pintar e de pensar a pintura .

 Pode certamente dizer-se que todos os grande pintores surrealistas , desde Max

 Ernst a Salvador Dal , de Yves Tanguy a Ren Magritte , forma originais , na

 medida em que no copiaram nada , nem foram copiados .
 Mas , a originalidade de

 Magritte assenta tambm , mais particularmente , nas suas relaes especiais com

 o surrealismo e com o movimento parisiense , que defendia .

 Esta originalidade manifesta-se , em primeiro lugar , na unio fundamental que o

 pintor belga estabelece com o mundo tal qual ele  e , nesta base , ele age de

 determinada maneira e  a partir das evidncias que se afirma tudo o resto .

 Mobilizando o subconsciente atravs do pr-consciente e este atravs do

 evidente , ele confirmou que a realidade ultrapassa a fico e que , desta

 maneira , o consciente domina o inconsciente .
 Foi praticamente o nico

 surrealista que agiu assim , colocando-se fora de uma arte de fico , baseada

 num apelo parafreudiano a foras nevrticas .

 Para Ren , a banalidade dos objectos conjuga-se com a preocupao de procurar

 que estes simbolizem qualquer coisa de diferente do que na realidade so .

 " Pintei quadros onde os objectos estavam representados com a aparncia que tm

 na realidade , de uma maneira bastante objectiva , a fim de que o efeito

 perturbador que , graas a certos meios , eles podiam provocar , se encontre no

 mundo real , onde estes objectos existem , devido a uma troca totalmente natural "

 Magritte , Ren

 H assim uma estreita conjugao , atravs de Magritte , entre as aparncias

 domsticas dos objectos ou das coisas - isto  , entre a dependncia do mundo

 real - e as sugestes que as correspondncias inusitadas provocam .
 Podemos ,

 portanto , encontrar a a iniciao ao surrealismo , a tomada de conscincia da

 liberdade : "  a realizao de um desejo real , at consciente , para a maior

 parte dos homens " .

 Magritte , conferiu ao surrealismo qualidades intrnsecas , que no encontrava em

 qualquer outro movimento revolucionrio da poca .
 Devemos no entanto concordar ,

 que a ideologia surrealista se encontrava no auge do seu pensamento e da sua

 aco , pois estes tinham surgido da convico de que a arte no era reveladora

 dos subentendidos que constituem a condio humana .
 " o pintor no pinta para

 cobrir uma tela de cor , tal como o poeta no escreve para cobrir uma pgina de

 palavras " Magritte , A Arte Pura , 1922 .

 A rejeio final da gratuitidade foi uma das constantes da atitude magrittiana .

 Sonhos , iluses , fantstico , extraconsciente e paranormal forma , deste modo , os

 caminhos privilegiados para fazer sair os indivduos da alienao mental e

 social .
 Se a vida do movimento foi alimentada pela literatura e palas chamadas

 artes plsticas , elas constituram apenas meios para excitar nos Homens as

 ideias sobre a sua prpria condio .

 Neste contexto , o pensamento e a obra de Magritte revestem-se , igualmente , de

 um caracter excepcional , na medida em que uma e outra se confundem nas suas

 atitudes , nos seus escritos e nos seus quadros .
 E tambm na medida em que o

 pintor tentou , por vrias vezes , fazer prevalecer uma ideologia de retorno s

 origens , quando o movimento surrealista teve necessidade disso ...

 Magritte aparece , por fim , como particularmente representativo daquilo que o

 surrealismo seria na origem .
 Tambm para ele a pintura foi um meio e no um

 fim !

 " A minha insero no movimento era inevitvel , visto que as minhas

 preocupaes , na altura , as mesmas de hoje , eram semelhantes s dos

 surrealistas. " " Para mim , o surrealismo  a pintura ,  a descrio de um

 pensamento que evoca o mistrio , o que implica que esse pensamento deve

 assemelhar-se s imagens que so oferecidas ao pensamento pelo o mundo ( ...
 ) , a

 forma como reno os objectos evoca o mistrio surrealista .
  qualquer coisa que

 existe. " Magritte , 1962

 A Pintura como um apelo ao mistrio

 A ideia principal de Ren Magritte era de que a pintura deve ser poesia e que a

 poesia faz um apelo ao mistrio .
  assim , numa tentativa de evocao do

 mistrio , que toda a obra do pintor est implicada .

 O mistrio , esta indubitavelmente , relacionado com a noo de escondido , de

 secreto .
 Magritte , ao assumir nas imagens na imagens a verdade dos objectos e

 das coisas , agia como se a sua representao realista e as suas associaes

 devessem provocar em ns a interrogao essencial para a qual o pressentimento

 do mistrio nos arrasta .
 Mais do que procurar incansavelmente descobrir

 segredos , o que conviria fazer , seria desperta na pintura e no pblico a

 intuio do escondido .
  este o significado da observao de que " um objecto

 esconde sempre outro " .

 Como  o caso de " As frias de Hegel " este quadro surgiu , precisamente apartir

 da realidade .
 Respeitando o equilbrio plstico , o chapu-de-chuva , ao abrir-se

 ficou por baixo do copo .
 A imagem surge assim na sua forma definitiva , como se

 no houvesse outra soluo para o problema pictural , que se lhe colocara .
 Este

 quadro , foi pois , o resultado de uma correspondncia feliz entre o problema

 tcnico ( de que forma pintar um copo com gua ) e a soluo que a sua imaginao

 encontrou para resolver este problema .
 Assim ...
 pintar uma copo de gua leva a

 pintar um guarda-chuva .
 Um exerccio do pensamento sobrepe ao exerccio

 revelador da pintura .

 A imagem magrittiana prope ao olhar um enigma ambguo que  resolvido pelo o

 espirito .
 O escondido , o desconhecido so , por natureza , estranho  maior parte

 das pessoas , no entanto , podem algumas , artistas ou no , conhec-los .

 Mas , de qualquer maneira  possvel revelarem-se a toda a gente , se algum

 sugerir associaes para fazer surgir em cada um ideias inesperadas e , no

 entanto , plausveis .
 De certa maneira , ao fazer isto , o mistrio encontra a sua

 explicao , quer na imaginao , quer naquilo que geralmente a alimenta , desde a

 memria at s recordaes que so suscitadas por ela .

 No entanto , foi predominncia sobre a " iluso magnifica " que excitou a sua

 imaginao e que o forou a procurar respostas tcnicas para o problema do

 oculto e do visvel , problema que ele pretendia resolver plasticamente .

 O pintor utilizou a expresso " iluso magnifica " a propsito da tela , " As

 afinidades Electivas " .
 Trata-se portanto de um quadro desprovido de acessrios ,

 cujo tema o preenche totalmente .
 Nele se encontra representado um ovo ,

 aparentemente gigantesco , numa gaiola , cujo suporte de madeira torneada tem a

 forma de colunas , tal como j encontrmos na sua obra .

 " ( ...
 ) Acordei num quarto , onde tinham posto uma gaiola com um pssaro

 adormecido .
 Uma iluso magnifica fez-me ver que o pssaro tinha desaparecido da

 gaiola e que tinha sido substitudo por um ovo .
 Dominei ento um novo segredo

 potico espantoso , porque o choque que senti foi precisamente provocado pela

 afinidade de dois objectos , a gaiola e o ovo , enquanto que anteriormente , este

 choque era provocado pelo conflito entre dois objectos estranhos " Magritte ,

 Ren " La ligne de vie I " , 1938 .

 Foi nos anos 30 que Ren Magritte , procurou uma soluo para o problema que se

 lhe colocou , ou seja , a associao de objectos de natureza diferente a fim de

 " criar poesia evidente " semelhante  que tinha conseguido atravs da associao

 de um ovo e de uma gaiola .
 Na verdade , at ento a maior parte da sua obra

 surrealista , tinha em considerao sobretudo a oposio de objectos , mais do

 que a sua associao , embora esta fosse fortuita .
 Exemplo disso so os

 quadros : A Floresta , O nascimento do dolo , passando ainda por , O homem dos

 mares ou ainda os vus de A manh simtrica .

 Todos estes quadros so , composies muito elaboradas de grande importncia

 nestes anos decisivos , onde o pintor rene neles elementos domsticos ou

 naturais , a par de elementos inventados .
 Tambm como personagens reais ou

 falsas , transparentes ou opacas , veladas ou identificveis .

 Devo no entanto sublinhar , que a presena de objectos isolados tinha , muitas

 vezes povoado , nesse perodo , a imaginao de Magritte .
 Em 1927 pintou o Museu

 de uma noite , quadro este dividido em quatro partes , como se fossem caixas ,

 onde se encontram uma mo decepada , uma ma , uma forma que parece ser de

 calado e a ltima parte encontra-se tapada por uma cortina recortada .
 Mas s

 no ano seguinte , em 1928 ,  que se verificou a substituio de palavras por

 imagens figurativas , transformando claramente a sua pintura numa verdadeira

 linguagem , sem no entanto ser literria .

 Estas diferentes inovaes derivam , em grande parte , da investigao realizada

 a partir da " a iluso magnifica " que originou o quadro As afinidades Electivas .

 Como foi pintado a a partir do confronto de motivos estranhos entre si , o

 pintor apercebeu-se de que , na realidade tambm podia aproximar objectos que

 tivessem somente afinidades .
 Portanto a partir da ideia de colocar um ovo numa

 gaiola , ele procurou saber se a " mesma poesia evidente " podia ser criada

 atravs de outros objectos .

 Na sua opinio , ela deve ser criada , no utilizando j o mtodo da gaiola e do

 ovo , mas sobretudo manipulando trs elementos , ou seja , O objecto , a coisa que

 a ele se liga na sua conscincia e a luz .
 Primeiro , um objecto , em seguida o

 apelo s recordaes ,  memria ,  imaginao para que se estabelea uma

 primeira equivalncia com este primeiro objecto : um outro objecto e um outro

 motivo .
 Esta mesma relao , entre dois objectos  que faz com que eles se

 tornem numa imagem , fazem-nos pensar que o artista procura as suas afinidades

 no mais profundo da imaginao .

 Assim , A Resposta Imprevista , apresenta uma porta fechada , na qual um buraco

 sem forma definida faz descobrir a noite .
 A porta fechada leva-nos , com efeito ,

 a pensar na noite , tal como ela  sentida , atravs do orifcio feito .
 O pblico

  ento convidado a questionar estas imagens , cujo sentido lhe escapa numa

 primeira observao .
  talvez aqui que reside o mistrio !

 O Quadro como imagem

 Tudo o que na realidade podemos afirmar sobre , Ren Magritte ,  que de facto

 ele no pintava da mesma maneira que a maior parte dos nossos pintores

 modernos .
 A sua pintura tinha reabilitado a noo de " imagem " , na arte moderna

 e na arte contempornea .

 Na verdade , o seu realismo , e a sua escolha preconcebida das cores , por um

 lado , e , por outro , a maneira metdica , sempre controlada , de as utilizar nas

 telas , fizeram com que a maior parte dos seus quadros surrealistas fosse

 conhecida , sobretudo quer como constataes , quer como balano das suas

 emoes .

 Nesta medida , desde ento os efeitos habituais da arte assemelham-se a cones

 realistas , que so reprodues exactas ,  priori diferentes , atributos

 inerentes  noo veicular da imagem .

 Foram feitos apelos e especulaes a partir do seu pensamento e da sua obra ,

 que de qualquer modo lembram menos as ideias que Magritte professava sobre a

 arte , em geral , do que a parte da sua obra que questiona a linguagem da

 pintura .

 A noo de " antipintura " , qualquer que seja a sua forma ,  semelhante  noo

 de imagem , apenas por causa de uma confuso que se estabeleceu .
 Pelo contrrio ,

 o quadro pintado , se  sempre imagem , no responde forosamente  ideia que ,

 vulgarmente , se tem do que  uma imagem .
 E , ainda com mais razo , o quadro

 pintado responde , aparentemente ,  concepo extra-artstica que a palavra

 " imagem " traz ,  sua compreenso habitual .

 Quando os dicionrios ou as enciclopdias definem imagem como " representao

 mental , que tem origem na sensibilidade "  o espirito de Magritte que

 sobressai , que se inscreve nela , o que significa que a imagem  tambm

 " reproduo exacta " de seres ou de coisas .
 Alm disso foi nestas circunstncias

 que a noo de imagem , aplicada ao quadro pintado , encontrou a sua actualidade .

 Quadros como " O Assassino Ameaado " ou " O Homem do Jornal " , so muito

 exemplificativos de uma formao da pintura em termos de imagens .
 Por exemplo ,

 a fragmentao da narrativa em quatro partes , em " O Homem do Jornal " ,  uma

 apreenso grfica que se inspira nas tcnicas de banda desenhada , cujo desenho

  executado com preciso , verdica , e cujo discurso ambguo nos faz pensar nos

 jogos familiares , do gnero " Quais os erros contidos neste desenho ?
 " .

 Em " O Assassino Ameaado " podemos ver as mesmas caractersticas de execuo

 annima , como se as personagens e os objectos tivessem sido recortados e

 colados ao contrrio sobre a tela .
 Nesta imagem , a narrao que o pintor sugere

 j no se apoia nos jogos de palavras .
 O cadver de uma mulher assassinada jaz ,

 sagrando sobre um div .
 O assassino distinto ouve msica , com a bagagem pronta ,

 os policias ,  civil , que vieram prnde-lo , vo utilizar , na sua captura , armas

 de gladiador .
 Vem-se trs pessoas que , do exterior , observam o que se vai

 passar .

 O efeito de surpresa deve-se a alguns elementos aparentemente inesperados : a

 estranha escolha da moca e da rede para prender um marginal que , no entanto , se

 apresenta calmo ; o facto de alguns espectadores assistirem , sem se esconderem ,

 a um acontecimento que lhes  estranho .

 A existncia de laos entre uma procura incessante do mistrio verifica-se

 atravs desta via pouco ortodoxa , atravs dos enigmas efmeros das experincias

 da interpretao das coisas a outro nvel , tal como foi feito por Magritte ,

 atravs das imagens verdicas , mas inslitas .
 Demonstrando  que os mistrios

 aplicados a um real fisicamente demonstrado , convocam entre si mesmo um peso

 transdisciplinar de poesia , que sublimam as suas prprias experincias .

  preciso no entanto sublinhar o facto de que a demonstrao da forma como

 Magritte encarava a pintura , tal como ele a executava nas suas tcnicas

 veiculares e nos processos particulares , no que respeita  sua inteno

 demonstrativa , se encontrava em toda a sua obra de concepo formalmente

 surrealista .

 Conhecimento , aptido , qualidade constituem conhecimentos adquiridos durante os

 anos que decorrem entre 1915 e 1924 , no final do perodo de aprendizagem e

 aquando das suas primeiras experincias convincentes de tendncia

 impressionista , expressionista e futurista , na verdade no figurativa .
 Estas

 experincias e o domnio das tcnicas , que da decorrem , justificaram o seu

 compromisso surrealista de 1925 .

 Assim , entre 1925 e1926 , o vocabulrio mudou radicalmente do que a maneira de

 pintar , de aplicar a cor .
 Se Ren passou de um mundo do cenrio em harmonia com

 o universo onrico imaginado , no existe grande afastamento entre as obras ,

 quer no lano da execuo artesanal , quer quanto  maneira de aplicar a cor e de

 dispor os elementos , excepto no que respeita aos tons utilizados , que j

 respondem mesma escala cromtica , desta vez , surgem os tons monocromticos ,

 cores fortes , " minerais " , como o preto , o amarelo-ocre , o castanho-ferrugem ou

 o azul-esbranquiado .

 A maior parte das telas desta poca revelam que o artista tomou uma posio

 muito prpria , face  misso que ele exigia que a pintura desempenhasse .
 Esta

 posio de distncia , em relao a uma arte de pura sensibilidade , articula-se

 em torno de " concepes da arte de pintar " que misturam , a preocupao da

 mensagem a transmitir , a especificidade do seu contedo e os processos

 necessrios para a aceitar .

 Ele escreveu ento : " Concebo a pintura como uma arte de justaposio das cores ,

 de tal maneira que o seu aspecto efectivo se esbate e deixa aparecer uma imagem

 onde esto unidas as figuras familiares do visvel " .

 A sua originalidade , num contexto que procurava transformar a arte numa

 operao mgica , foi portanto sacralizada .
 Para ele , a finalidade da pintura ,

 no era o quadro em si , uma espcie de pea nica que s teria valor em relao

 a si prpria .
 O que interessa  o que o pblico v , o que ele reconhece .

 Portanto ,  o olhar que interessa essencialmente e que deve ser libertado dos

 malefcios da iluso ptica .

 De facto Magritte ps assim termo  eterna disputa entre o concreto e o

 abstracto .
 Ele procurou esbater as oposies aparentes que existem entre estes

 dois conceitos .
 E , voltando as costas a uma arte interpretativa , que se servia

 das astcias da perspectiva , quis aplicar esta indiferena que o caracterizou ,

 no que diz respeito s iluses artsticas pre-fabricadas

 Podemos ento , resumir o percurso " magrittiano " , em cinco etapas que marcaram o

 perodo decorrido entre 1919 e 1925 :

 A primeira etapa , caracteriza-se por uma procura do movimento e do ritmo , onde

 as formas e cores eram colocadas na tela sem rigor , de maneira a poder obedecer

 a uma ritmo do movimento .
 Os retratos de 1921 , so reveladores desta tendncia

 lrica , onde as formas completamente livres , associadas a uma natureza que no

 se apoia numa s cor .

 A segunda , baseou-se numa procura das relaes existentes entre os objectos e

 as formas , e por consequncia , neste perodo surgem quadros , que representam

 objectos imveis , despojados de pormenor e de particularidades ocasionais .
 Foi

 assim , a partir da realidade , que Magritte caminhou para a abstraco relativa .

 Como  possvel verificar no " Auto-retrato Cubista " .

 Por outro lado , a terceira etapa , engloba o perodo em que o pintor perdeu a

 confiana nas iluses pticas , ao procurar as coincidncias existentes entre o

 concreto e o abstracto , conseguiu visualizar a paisagem para alm das suas

 complexidades naturais , como se fosse apenas uma cortina , ou um lenol colocado

 perante os seus olhos .

 Por consequncia a quarta , baseou-se numa procura em reanimar um mundo

 inconsciente , regressando  observao dos objectos , que poderiam ter a virtude

 de revelar eloquentemente a sua existncia .
 Para comprovar esta revelao ,

 Magritte , primeiro tentou , voltar  sua antiga maneira de pintar , suplantada

 pela sua descoberta e ao esquecer que as suas experincias precedentes se

 tinham tornado inteis .

 Por ltimo , aquela a que podemos considerar como a quinta fase , consistiu numa

 busca decisiva em favor de um realismo misterioso .
 Foi ento , nesta altura que

 se deu o grande arranque do pintor em direco  prpria originalidade ,

 introduzindo nos seus quadros elementos com todos os pormenores que nos mostram

 a realidade , e Ren apercebeu-se que estes mesmo elementos , representados desta

 forma , colocavam directamente em causa os defensores do mundo real .
 Assim , por

 volta de 1925 , resolveu nunca mis pintar os objectos seno nos seus pormenores

 aparentes , renunciando apenas a uma certa maneira de pintar , o levou a um ponto

 que precisava de ultrapassar .

 Em suma , em 1925 , como quadro " A Janela " , Magritte anuncia a primeira obra que

 considerava plenamente surrealista ...
 " O Jquei Perdido " , colagem sobre tela

 colorida a aguarela e , posteriormente , a leo , ambos de 1926 .

 As molduras foram muitas vezes utilizadas pelo o pintor nos seus quadros , elas

 so simultaneamente formas abstractas , lineares , geomtricas , contudo , formas

 representativas de um elemento domstico a que no se presta grande ateno ,

 nem pelo o qual se tem especial interesse .
 So tambm elementos que permitam

 fechar , ou abrir , o quadro sobre ele prprio .

 Como por exemplo o quadro intitulado A Perspectiva Apaixonada , executado sem

 preparativos estticos , visto de frente , apresenta-se pintado mais  moda

 realista , de tal maneira que , o pintor recopiou as texturas da madeira lenhosa

 com que forma feitas as portas de pinho .
 E onde a porta interior tem uma forma

 praticamente idntica  da silhueta de uma personagem um pouco " disforme " .

 Onde a porta se abre para uma paisagem imaginada , onde esto representados uma

 arvore aparentemente maior que seria natural , em forma de folha , ramos , que

 parecem um esqueleto bem como um edifcio cbico , sobre o qual se encontra uma

 daquelas campainhas que Magritte espalhou por muitos dos seus quadros , como por

 exemplo a Voz dos Ventos .
 Alm disso a problemtica da porta , com moldura ou

 no , ilustra o espirito do artista confrontado com a veracidade das coisas , mas

 considerada a partir do verdadeiro , das armadilhas da lgica .

 " O Problema da porta atraa para um buraco pelo o qual se podia passar " .

 Ainda que fechada , a porta est , no entanto , aberta atravs desta

 interpretao .
 Por outro lado , o facto de a rvore ser maior que o normal , ou

 de qualquer modo maior que o edifcio vizinho , levanta o problema das

 propores entre os objectos e as coisas .

 Usando pretextos , as relaes dimensionais entre as representaes , e falseando

 as perspectivas , procura desordenarar a ordem habitual da percepo .
 Este

 processo  normalmente , utilizado por Magritte , e podemos o encontrar em

 numerosas obras completamente diferentes desde O Firmamento , ao Sabor das

 Lgrimas , e at ao O Castelo dos Pirinus , entre muitos outros ...

 Todos estes quadros , todas estas imagens so " surrealistas " , na medida qm que

 representam os perodos em que Magritte no poupava afirmaes sobre a sua

 adeso a este movimento .
 Eles so no entanto mais " Magritte " que

 " surrealistas " , no que respeita  originalidade da obra em relao s dos seus

 correligionrios , filiados na mesma tendncia .

 As suas obras so especialmente surrealistas , por causa da facilidade

 particular que tinha de relacionar a realidade fsica das coisas , tal como elas

 so vistas , com a impresso indita que delas emana , o que podemos ver quando

 se questiona esta realidade de uma maneira diferente da habitual , que o pintor

 desenvolveu

 O realismo de temas representados por imagens , que ele tanto desejava ,

 imps-lhe a prtica de uma pintura que anulava todos os subterfgios e todas as

 artimanhas da profisso , todas as qualidades plsticas constatadas pela

 crtica .
 Assim afirma :

 " Eu empregava , por exemplo , azul-claro onde era necessrio representar o cu e

 nunca representava o cu como o fazem certos artistas burgueses , para ter a

 ocasio de mostrar um determinado azul junto de um cinzento da minha

 preferncia "

 Magritte namoricou com uma pintura melodiosa , um desafio quase contra a sua

 natureza , no que diz respeito  especificidade universal da sua mensagem .

 A Pintura como Prazer

 A maior parte da obra de Magritte constitui um todo inaltervel .
 Desde o

 momento em que rompeu com uma rate convencional , por volta de 1925 , at ao

 momento da sua morte em 1967 , a srie de quadros que pintou articula-se em

 torno do mesmo conceito sempre invarivel .

 Ou seja , tudo  objecto , tudo  " coisa " , independentemente a que gnero

 pertena , portanto  preciso pintar os objectos apenas nos seus pormenores

 visveis , fazendo a combinao dos objectos entre si , segundo semelhanas um

 pouco inslitas , chega-se a uma imagem surpreendente .

 Picturalmente , pode interpretar-se esta posio que tomou da seguinte forma :

 no h diferena entre o real e o imaginado , onde as coisas devem ser

 representadas de uma forma realista , no seu prprio mundo anonimato , pois a

 surpresa tem de surgir deste anonimato e deste realismo , atravs de associaes

 inditas .

 Toda a sua obra constitui uma resposta a estes princpios baseados sobre a

 rejeio absoluta e definitiva da pintura emotiva ou apenas sentimental .

 H no entanto , duas excepes a esta trajectria nica do pintor ...
 So

 excepes de curta durao , mais ou menos da mesma altura , perodo este que

 apelidado de " Renoir " nos anos de 1943-1944 .
 e o perodo designado por " Vache "

 nos anos de 1947-1948 .

 O perodo , Renoir , foi objecto de uma primeira exposio de caracter

 relativamente confidencial , num local privado , em Bruxelas , no ms de Julho de

 1943 .
 Onde a galeria afirmava que Ren Magritte tinha rompido com a sua tcnica

 habitual .

 O estilo Vache , foi concebido para a primeira exposio pessoal que ocorreu em

 Paris , na Galeria du Faubourg , em 1948 .
 Nela estavam expostos uns 30 leos e

 guaches e provocou comentrios e emoes , em geral , negativos , esta exposio

 foi um fracasso .

 Foram acidentes de percurso .
 No entanto , alguns deles voluntrios , e sempre

 justificados .
 Alm disso , se marcaram uma ruptura evidente com a sua execuo

 habitual , com a forma como aplicava as cores , utilizava os materiais e escolhia

 os tons , no constituram de forma alguma uma ruptura muito evidente com o

 universo magrittiano .
 Por outro lado , entre os dois momentos h tantas

 semelhanas como diferenas ...

 O perodo Renoir , foi voluntariamente classificado como sendo " impressionista " ,

 o perodo Vache , foi utilizado pelo pintor para ridicularizar a palavra Fauve .

 De qualquer modo , ambos forma momentos " lricos , a execuo de quadros deles

 decorrentes apelava aos , mtodos gestuais e s manipulaes libertrias dos

 materiais picturais .
 Os objectos e as personagens , predominaram , e so sempre

 desenhados habilmente e com preciso .
 Apenas a cor , nos seus temas e tons ,

 contrasta com as suas obras anteriores , devido a uma vivacidade to depressa

 alegre como trocista .

 Independentemente dos perodos , os assuntos abordados no rompiam com a

 proposta que a obra , no seu conjunto , se propunha .
 Somos assim , sempre

 surpreendidos pelas associaes dos motivos e das relaes que se estabelecem

 entre eles .

 Podemos encontrar nesses mesmos anos , quadros que se inserem nos mesmos

 processos que Magritte , tinha definido no comeo da sua carreira , um exemplo

 entre outros  A Voz do Sangue , tal como a maior parte das telas do perodo

 Vache .
 Tambm o assunto de certos quadros destes perodos apresentam pontos

 comuns .

 Na verdade , no h menos surrealismo nos perodos " Renoir " , ou " Vache " , do que

 em qualquer outro perodo da obra magrittiana .
 E , se estes comprovam um

 surrealismo de Magritte diferente , em relao ao que os outros artistas

 integrados no movimento executavam , estes momentos de anarquia apenas ampliaram

 a sua singularidade .

 Magritte recorre , mais do que nunca , aos encantos do pincel , aos jogos

 realistas das tonalidades e dos materiais .
 Talvez uma pintura mais divertida ...

 Contra um surrealismo reaccionrio , baseado numa " magia ineficaz " , Magritte

 afirmava em 1947 : " ( ...
 ) Escolhemos deliberadamente o prazer como finalidade

 ltima da vida. ( ...
 ) Devemos imaginar os objectos encantadores que despertaro

 em ns o que nos resta do instinto do prazer. "

 Deveria citar todas as obras do perodo Renoir , para ilustrar as capacidades de

 Magritte utilizar os processos dos seus antecessores e , tambm , para ilustrar a

 sua posio pessoal , no que se refere s suas demonstraes ticas , no entanto

 vou referir apenas algumas , das que julgo mais exemplificativas .

 Como  o caso de , Os Agoiros Felizes de 1944 , em que um ramo de flores sai da

 cauda de uma pomba , como se se tratasse de bombons surpresa , ou das danas

 carnavalescas que Magritte conhecera em criana , d-nos um bom exemplo de umas

 graas picturais , por vezes um pouco gratuitas .
 Imagem maliciosa , mas no uma

 imagem forte .
 A severidade que Magritte exigia do seu " surrealismo em pleno

 sol " , tal como exigia do surrealismo em si , apresentava-se mais longnqua e

 neste caso , demasiado longnqua .

 Pelo contrrio , Alice no pais das Maravilhas , era uma tela que associava

 precisamente , a malcia surrealista e o modelo impressionista .
 Um rosto , do

 qual se v apenas o nariz e um dos olhos inseres-se num tronco de uma rvore

 cheia de folhas generosas , num cu , agradavelmente nebuloso , surge uma cabea

 inchada em forma de pra , semelhante  que se v , em primeiro plano , a inchar .

 Descobre-se nesta imagem uma relao inesperada entre o perodos Renoir e

 Vauche , sem que o pintor se aperceba dela .
 De facto , com Alice no Pais das

 Maravilhas , o impressionismo do perodo Renoir reencontrou uma fora incisiva ,

 semelhante  dos grandes quadros surrealistas , ao mesmo tempo que confirmou um

 humor iconoclasta .
 Normalmente , nos cus dilacerados da pintura esttica , no 

 esta face irreverente que nos aparece .

 Do actual ponto de vista , esta poca em que Magritte tentou exprimir-se de

 maneira diferente da que estava habituado , apercebemo-nos de que ela constituiu

 um intervalo , cujas consequncias forma muito diferentes das do perodo Renoir

 ou do perodo Vache .
 Na verdade este ltimo apresenta hoje uma importncia

 retrospectiva , que no teve na poca .

 Podemos observar esta visvel diferena ao comparar A Embelezada , mais ao

 estilo de Magritte , e O Braseiro , que se enquadra neste perodo do percurso de

 Magritte , onde o tema pouco se altera , ao contrrio da tcnica e dos elementos

 cromticos que so substancialmente diferentes .

 O facto  que , aps estes perodos de pintura " solar " , depois que por uma lado ,

 a pintura se tornou aos seus olhos um atractivo , uma inocncia divertida , mas

 acerba por outro , depois destes perodos , em que a sua obra abandonou a " no

 pintura " concreta a favor da pintura pictural generosa .
 Magritte voltou ao

 estilo preciso que as suas melhores intenes justificam e o tornaram conhecido

 em todo o mundo .

 O regresso  ortodoxia magrittiana , manifestou-se particularmente em O Sabor

 das Lgrimas .
 A , ele desenvolveu uma ideia surgida em 1942 com a Ilha do

 Tesouro , onde o pssaro-folha , a folha-pssaro , confuso j assinalada das

 espcies botnica e animal , ressurgimento de demonstraes veristas , eivadas de

 romantismo .
 Alm de umas ondas de desiluso que poderiam explicar a sua

 melancolia para-romntica , a veia superior de um Magritte que tinha voltado ao

 seu caminho altivo , ressurge mais bela .
 At  morte , sucedem-se sries de

 quadros soberbos , depois do abandono do neo-impressionismo e do neofauvsimo .

 No seria demasiado ousado afirmar que foram abandonados sem deixarem quaisquer

 vestgios .
 A utilizao de cores , muitas vezes mais generosas do que

 anteriormente , poderia constituir um vestgio , mas isso aconteceu poucas vezes .

 Pelo contrrio , vemos substituir nestas sries , as suas ideias fundamentais , a

 escolha da lista dos objectos preferidos , do vocabulrio original aperfeioado

 desde o incio da sua carreira .

 Partir do realismo das coisas , comparar os objectos atravs das semelhanas

 sugerir o mistrio , unindo-os .
 Dar uma imagem do pensamento .
  segundo esta

 ordem de ideias que situamos as sries surgidas entre 1948 e o ano da sua

 morte , 1947 , assim como as imagens isoladas dos mesmos anos de plenitude .

 Assim , as telas intituladas A Memria , onde cabeas de mulheres jovens em gesso

 sangram das tmporas .
 A primeira de 1945 , estava ainda influenciada pelo o

 neo-impressionismo , a seguinte de 1948 , oscila entre a serenidade e

 dramaturgia .

 Surgem ento , personagens com cabeas em forma de bombarda e corpos com ps de

 mesas de madeira torneada , como em O Cicerone .
 Onde Ren , irrompeu todo o

 encanto que existia e a dramaturgia , com insistncia iconoclasta , passa a

 constituir o elemento principal das imagens , assim as personagens iniciais so

 substitudas por atades .

 Semelhante , embora meio romntico e meio evocador , temos O Ramo Pronto , no qual

 a Primavera de Botticelli , se incrusta nas costas de um homem com um chapu de

 coco ( o prprio pintor ) .

 Temos O Espirito de Aventura , que  anlogo ao anterior , mas nas costas da

 personagem central vem-se , desta vez , dois outros indivduos que se assemelham

 ao anterior .

 Ou A Arte da Conversao , neste as palavras surgem de surpresa , em associaes

 literais , anlogas s que Lewis Carrol utilizava , assim um andaime de rochas

 talhadas , construdo ao mesmo tempo , permite ler a palavras " REVE " , ou melhor

 " TREVE " , ou talvez " CREVE " .

 No posso no entanto ignorar , alm destes , o memorvel quadro Os Valores

 Pessoais , notvel , na medida em que , por si s , resume vrios dos objectivos

 desconcertantes que o artista perseguiu .
 A cena passa-se num quarto sem

 paredes , sendo estas constitudas por um cu azul com algumas nuvens dispersas .

 Excepto a cama e o armrio de espelho , todos os objectos so maiores do que o

 tamanho natural , objectos usuais que se tornam monstruoso , me desproporo com

 o seu uso .
 Este ilusionismo procurava sem dvida , impor ao olhar do pblico a

 evidncia dos assuntos tratados de forma realista por Magritte .
 Encontra-se a

 mesma proposta por exemplo em O Quarto de Escuta ou em A Sepultura dos

 Lutadores .

 No entanto , podemos comprar , O Rouxinol de 1962 , como O Tempo Perfurado de

 1939 , pois a sua comparao explica-nos cada vez melhor a maneira como

 funcionou a imaginao magrittiana , atravs de decises , ausncias e regressos

 a si prprio , de maneira foi sendo elaborado o seu lxico de figuras recursivas

 e de maneira se expressou o seu discurso , entre experincias do natural e do

 sobrenatural , do convencional e do plausvel .

 Restava apenas a esta obra , em 1967 , tombar nos braos do destino ...

 Resumo Biogrfico

 Caixa de texto : 1898 - Ren Franois-Ghislain Magritte , nasce a 21 de Novembro

 em Lessines provncia do Hainaut , Blgica .

 1912 - A sua me suicida-se , atirando-se ao rio Sambra .

 1913 - Vive com o pai e os dois irmos , Raymond e Paul , em Charleroi .
 Frequenta

 o Liceu local .
 Torna-se leitor assduo de Edgar Allan Poe e R. L. Stevenson .

 1916 - Inscreve-se na " Acadmie des Beaux-Arts " em Bruxelas .
 A famlia muda-se

 para esta cidade no ano seguinte .

 1918/20 - Os primeiros quadros , inicialmente cubistas e depois em estilo

 futurista .
 Faz as ilustraes para os poemas de Pierre Bourgeois .
 Primeiros

 desenhos para cartazes e anncios .

 1922 - Casa com Georgette Berger , que conheceu quando tinha 15 anos , e voltou a

 encontrar em 1920 .
 Esta torna-se a sua musa de eleio e a mulher da sua vida .

 Juntamente com Victor Servranckx , redige o manifesto " Arte Pura .
 Defesa da

 Esttica " .
 Trabalha como desenhador txtil .

 Caixa de texto : 1924 - Os seus " Aforismos " so publicados na Revista 391 .
 Ganha

 a vida a fazer desenhos para cartazes e publicidade .

 1925 - Trabalha a contrato durante trs anos , para a galeria Le Centaure .
 Edita

 as revistas " Esophage " e " Marie " , conjuntamente com Hans Arp , Francis Picabia ,

 Tristan Tzara e Man Ray .

 1926 - Trabalha intensivamente , conseguindo pintar 60 quadros durante este ano .

 O " Jquei Perdido "  considerado o seu primeiro exito surrealista .

 1927 - Primeira exposio individual em Abril , na galeria Le Centaure .
 Muda-se

 para Perreux-sur-Marne , Paris .
 Estabelece amizade com Breton , Paul Eluard e Max

 Ernst .

 1928 - Exposio em Janeiro na galeria L ' Epoque , Bruxelas .
 Primeira colectiva ,

 com os surrealistas , na Galeria Goesmans .
 Inicia-se no cinema , pela mo de Paul

 Noug .

 1929 - Frias em Cadaqus com Dal , Mir , Buuel , Eluard e Goemans .
 Publica

 " Palavras e Imagens " na revista " La Rvolution Surraliste " .

 1930 - Exposio de colagens surrealistas , na Galeria Goesmans .
 Regressa a

 Bruxelas .

 Caixa de texto : 1933 - Exibe individualmente 59 telas no Palais de Beaux-Arts em

 Bruxelas e na galeria Pierre em Paris .

 1936 - Primeira exposio na galeria de Julien Levy .
 Participa em Londres na

 " International Surrealist Exhibition " e na " Dada and Surrealism " em Nova

 Iorque .

 1940 - Desenha e escreve para as revistas " L ' Invention Collective " e " La Chaise

 de Sable " .

 1941 - Exposio na Galerie Dietrich , Bruxelas .

 1945/48 - Comea a fase conhecida como o perodo " Vie Heureuse " ou " Plein de

 Soleil " , bem a estilo de Renoir .
 Filia-se no Partido Comunista Belga pela

 terceira vez .

 1947 - Exposio em Nova Iorque na Hugo Gallery e em Bruxelas na Lou Cosyn .

 1948 - Exposio de leos e guaches na Galerie du Faubourg em Paris .
 So obras

 da " poque Vache " ou " Perodo Vaca " .

 Caixa de texto : 1952 - Publica o primeiro nmero de " Carte Postal d ' Aprs

 Nature " .

 1953 - Executa a pintura mural , " O Reino Encantado " , para a sala de jogos do

 Casino de Knokke-le-Zoute .
 Primeira exposio em Roma , Itlia .

 1956 - Recebe o prmio Guggenheim para a Blgica .

 1957 - Elabora a pintura mural , " A Fada Ignorante " , para o Palais des Beaux-Arts

 em Charleroi .

 1961/62 - Exposio com Yves Tanguy nos E.U.A .

 1965 - Retrospectiva no Museum of Modern Arte em Nova Iorque .

 1967 - Exposio no Museu Boymans-van-Beuningen em Roterdo , e no Moderna

 Musset , Estocolmo .

 [ INLINE ]

 A 15 de Agosto de 1967 , falece Ren Magritte , em Bruxelas

 Concluso

 Caixa de texto :

 Finalmente , sendo a obra e o pensamento de Magritte universais , ele actuam mais

 como um catalisador do que como uma fonte de influncias pontuais .
 Imagens

 pintadas e expressas so substncias que , tal como na qumica , aceleram o

 processo de aco e de reaco aos quais submetemos , contra hbitos e

 convenes , a percepo do que nos rodeia .

 Magritte ,  em tudo original , mesmo roando o surrealismo , foi dos artistas

 mais importantes para o desenvolvimento de uma nova concepo de arte , uma arte

 que busca o mistrio , mas que  acompanhada pelas caractersticas envolventes

 da poesia .

 Incutindo em ns , uma nova maneira de ver a arte , sensibilizando-nos para o que

 se esconde para l da tela , pois afinal o essencial da vida  invisvel aos

 olhos .

 Espero , ento que tenha sido uma " viagem " agradvel , por este mundo diferente

 que Ren Magritte conseguiu criar e transmitir .

