 Histria da Arte

 Sculo XX

 SURREALISMO

 SURREALISMO

 Movimento da literatura e das belas artes , fundado em Paris pelo poeta e

 crtico Andr Breton em 1924 , quando publicou seu Manifesto Surrealista .
 Foi

 constantemente dominado por seu criador .
 Cresceu fora do movimento conhecido

 como Dadasmo , um movimento artstico e literrio que refletiu o protesto

 niilista contra todos os aspectos da cultura Ocidental .
 Assim como o Dadasmo ,

 enfatizou o papel do inconsciente na atividade criativa , mas empregou o

 inconsciente psquico mais ordenadamente e de maneira mais sria .

 Literatura surrealista

 Os surrealistas deram seguimento , como seus antecessores literrios , a uma

 longa linha de excelentes escritores , entre os quais Comte de Lautreamont

 ( 1846-70 ) , autor do longo e complicado romance Les chants de Maldoror ( 1868 ) .

 Alm de Breton , muitos dos escritores franceses mais distinto do incio do

 sculo se conectaram ao movimento , incluindo Paul Eluard , Louis Aragon , Rene

 Crevel ( 1900-35 ) , e Philippe Soupault ( 1897-1990 ) .
 Escritores mais jovens , como

 Raymond Queneau ( 1903-76 ) tambm foram influenciados por seus pontos de vista .

 Os escritores surrealistas mais " puros " usaram o automatismo como uma forma

 literria , quer dizer : escreviam quaisquer palavras que entrassem em sua mente

 consciente , considerando-as inviolveis .
 No alteravam o que escreviam , pois

 isto constituiria uma interferncia com o puro ato de criao .
 Sentiam que este

 fluxo livre de pensamento estabeleceria uma conexo com a mente subconsciente

 de seus leitores .
 Um pequeno exemplo tpico de um texto surrealista  este

 provrbio de Paul Eluard : " Elefantes so contagiosos " .
 Este automatismo

 puramente psquico foi modificado depois pelo uso consciente , especialmente na

 pintura , de smbolos derivados da psicologia freudiana .

 Como seus precursores dadastas , os surrealistas quebraram regras aceitas de

 trabalho e conduta pessoal para liberar sua sensao de verdade interna .
 O

 movimento espalhou-se por todo o mundo e floresceu na Amrica durante a Segunda

 Guerra Mundial , quando Andr Breton passou a residir em New York .

 Surrealismo na Arte

 Na pintura e na escultura o surrealismo  uma das principais influncias do

 sculo XX .
 Considerando como seus antepassados nas artes grficas pintores como

 o renascentista italiano Paolo Uccello , o poeta e artista romntico ingls

 William Blake , e o francs Odilon Redon .
 Seus artistas admiravam e tambm

 incluam em suas exibies , trabalhos de artistas do incio do sculo , como o

 italiano Giorgio de Chirico , o russo Marc Chagall , o suo Paul Klee , os

 franceses Marcel Duchamp e Francis Picabia , e o espanhol Pablo Picasso , sendo

 que nenhum destes fazia parte do grupo surrealista .

 A partir de 1924 o alemo Max Ernst , o francs Jean Arp , e o pintor e fotgrafo

 americano Man Ray aderiram ao movimento .
 Permaneceram juntos pouco tempo , at

 1925 , aproximados pelo francs Andr Masson ( 1896-1987 ) , assim como o espanhol

 Joan Mir , que era muito individualista , era difcil para eles se submeter 

 forte liderana de Andr Breton , que continuava a exercitar sua autoridade

 final sobre o movimento .

 Depois o grupo passou a incluir o americano Yves Tanguy , o belga Ren Magritte ,

 e o suo Alberto Giacometti .
 O pintor catalo Salvador Dali uniu-se ao

 movimento surrealista em 1930 mas foi acusado depois , pela maioria dos

 surrealistas , de estar mais interessado em comercializar sua arte do que

 defender as idias surrealistas .
 Embora durante certo tempo tenha sido um dos

 membros mais divulgados do grupo , seu trabalho  to idiossincrtico que chega

 a ser s parcialmente tpico do surrealismo .

 A pintura surrealista exibe grande variedade de contedo e tcnica .
 Por

 exemplo , os trabalhos de Dali consistem , mais ou menos , em uma transcrio

 direta e fotogrfica de sonhos e deriva sua inspirao das pinturas de sonhos

 de De Chirico , anteriores s suas prprias .
 As esculturas de Arp so grandes ,

 lisas , e de formas abstratas , e Mir , um surrealista formal por pouco tempo ,

 emprega formas fantsticas que tambm incluram adaptaes deliberadas da arte

 infantil , tendo algo em comum com os desenhos usados pelos artistas catalos

 para decorar sua cermica .
 O pintor americano de origem russa Pavel Tchelichew

 ( 1887-1957 ) , apesar de no se considerar um surrealista , traz imagens

 surrealistas em suas pinturas e tambm nos numerosos bals por ele criados .

 Um ramo americano do movimento surrealista  o grupo de artistas conhecido como

 " realistas mgicos " , que surgiu sob a liderana do pintor Paul Cadmus ( 1904 ) .
 O

 grupo tambm inclui George Tooker ( 1920 - ) , Ivan Le Lorraine Albright , Philip

 Evergood ( 1901-73 ) , Peter Blume ( 1906-92 ) , e Louis Guglielmi ( 1906-56 ) .
 Joseph

 Cornell , escultor de assemblage , comeou como um surrealista reconhecido , mas

 depois procurou por uma maior individualidade de sua arte .

 A atitude de criao livre dos surrealistas foi uma das principais influncias

 do expressionismo abstrato de New York .
 Uma coleo representativa dos

 trabalhos grficos dos surrealistas est no Museum of Modern Art e dos

 " realistas mgicos " no Whitney Museum of American Art , ambos em New York .

 Traduzido de

 Infopedia 2.0 CD-ROM

  Softkey , London , 1995 .

 ***

 SURREALISMO

 Movimento literrio e artstico do sculo XX que tenta expressar o

 funcionamento do subconsciente por imagens fantsticas e justaposio

 incongruente de temas .

 O Surrealismo , movimento das artes visuais e da literatura , floresceu na Europa

 entre a I e a II Guerra Mundial .
 Cresceu principalmente a partir do movimento

 Dada , que mais cedo , antes da Primeira Guerra Mundial , produziu trabalhos de

 anti-arte que deliberadamente desafiavam a razo ; mas a nfase do Surrealismo

 no estava na negao mas sim na expresso positiva .
 O movimento representou

 uma reao contra o que seus criadores viram como a destruio da arte forjada

 pelo " racionalismo " que tinha guiado a cultura e a poltica europia no

 passado , culminando nos horrores de Primeira Guerra Mundial .
 De acordo com o

 porta-voz principal do movimento , o poeta e crtico Andr Breton , que publicou

 o Manifesto Surrealista em 1924 , o Surrealismo  um meio de reunir reinos

 conscientes e inconscientes de experincias , to completamente que um mundo de

 sonho e fantasia seria juntado ao mundo racional cotidiano em " uma realidade

 absoluta , um surrealismo " .
 Utilizando teorias pesadamente adaptadas de Sigmund

 Freud , Breton viu o inconsciente como a origem da imaginao .
 Ele definiu o

 gnio como algum que , normalmente , extrai deste reino sua inspirao , o que ,

 como acreditou , poderia ser conseguido por poetas e pintores especiais .

 Os principais pintores surrealistas foram Jean Arp , Max Ernst , Andr Masson ,

 Ren Magritte , Yves Tanguy , Salvador Dal , Pierre Roy , Paul Delvaux , e Joan

 Mir .
 Com sua nfase em contedo e formas gratuitas e imaginrias , o

 Surrealismo foi uma das alternativas principais para a arte contempornea , se

 contrapondo ao movimento Cubista , altamente formalista e largamente responsvel

 pela perpetuao , na pintura moderna , da nfase em contedos tradicionais .

 Em 1917 , Apollinaire criou a expresso " Surrealismo " ( a palavra teria sido

 sugerida por Chagall ou , de acordo com outras fontes , atravs de P .

 Albert-Birot ) .
 Junto de processos de criao e expresso que usam todas as

 foras psquicas ( disposies automticas , sonhos , inconsciente ...
 ) livres do

 controle da razo e em luta contra os valores recebidos ; concebido como

 movimento intelectual revolucionrio que afirma a superioridade destes

 processos , se desenvolveu especialmente na literatura e nas artes plsticas , na

 pintura , no cinema ...
 seguindo o movimento Dada .

 " Quando o homem quis imitar a marcha , ele criou a roda , que no se parece com

 uma perna .
 Assim fez tambm com o surrealismo , sem o conhecimento racional " .

 Apollinaire , Les Mamelles de Tirsias , Prefcio .

 " Foi de muita m f quem nos contestou o direito de usar a palavra

 ' Surrealismo ' no sentido especialmente particular que a entendemos , pois est

 claro que antes de ns esta palavra no tinha feito fortuna .
 Eu a defino agora

 de uma vez por todas :

 SURREALISMO. substantivo masculino - Automatismo psquico atravs do qual se

 pretende expressar ( ...
 ) o funcionamento real do pensamento .
 Ditado a partir do

 pensamento , na ausncia de todo controle exercido pela razo , afastado de toda

 preocupao esttica ou moral .

 Encicl .
 Filos .
 O Surrealismo repousa na crena da realidade superior de certas

 formas de associao negligenciadas pelo indivduo , na presena do sonho , no

 jogo desinteressado do pensamento. "

 Andr Breton , Manifeste du surralisme ( 1924 ) .

 Traduzido de

  Web Museum

 http : // www.puc-rio.br / wm /

 ***

 SURREALISMO

 Nas duas primeiras dcadas do sculo XX , os estudos psicanalticos de Freud e

 as incertezas polticas criaram um clima favorvel para o desenvolvimento de

 uma arte que criticava a cultura europia e a frgil condio humana diante de

 um mundo cada vez mais complexo .
 Surgem movimentos estticos que interferem de

 maneira fantasiosa na realidade .

 O surrealismo foi por excelncia a corrente artstica moderna da representao

 do irracional e do subconsciente .
 Suas origens devem ser buscadas no dadasmo e

 na pintura metafsica de Giorgio De Chirico .

 Este movimento artstico surge todas s vezes que a imaginao se manifesta

 livremente , sem o freio do esprito crtico , o que vale  o impulso psquico .

 Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no irreal , pois a emoo

 mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a

 aproximao do fantstico , no ponto onde a razo humana perde o controle .

 A publicao do Manifesto do Surrealismo , assinado por Andr Breton em outubro

 de 1924 , marcou historicamente o nascimento do movimento .
 Nele se propunha a

 restaurao dos sentimentos humanos e do instinto como ponto de partida para

 uma nova linguagem artstica .
 Para isso era preciso que o homem tivesse uma

 viso totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do esprito

 no qual a realidade interna e externa so percebidas totalmente isentas de

 contradies .

 A livre associao e a anlise dos sonhos , ambos mtodos da psicanlise

 freudiana , transformaram-se nos procedimentos bsicos do surrealismo , embora

 aplicados a seu modo .
 Por meio do automatismo , ou seja , qualquer forma de

 expresso em que a mente no exercesse nenhum tipo de controle , os surrealistas

 tentavam plasmar , seja por meio de formas abstratas ou figurativas simblicas ,

 as imagens da realidade mais profunda do ser humano : o subconsciente .

 Principais Artistas

 SALVADOR DALI -  , sem dvida , o mais conhecido dos artistas surrealistas .

 Estudou em Barcelona e depois em Madri , na Academia de San Fernando .
 Nessa

 poca teve oportunidade de conhecer Lorca e Buuel .
 Suas primeiras obras so

 influenciadas pelo cubismo de Gris e pela pintura metafsica de Giorgio De

 Chirico .
 Finalmente aderiu ao surrealismo , junto com seu amigo Luis Buuel ,

 cineasta .
 Em 1924 o pintor foi expulso da Academia e comeou a se interessar

 pela psicanlise de Freud , de grande importncia ao longo de toda a sua obra .

 Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi fundamental para sua carreira .
 Fez

 amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a obra de Tanguy e o

 maneirista Arcimboldo .
 O filme O Co Andaluz , que fez com Buuel , data de 1929 .

 Ele criou o conceito de " parania critica " para referir-se  atitude de quem

 recusa a lgica que rege a vida comum das pessoas.Segundo ele ,  preciso

 " contribuir para o total descrdito da realidade " .
 No final dos anos 30 foi

 vrias vezes para a Itlia a fim de estudar os grandes mestres .
 Instalou seu

 ateli em Roma , embora continuasse viajando .
 Depois de conhecer , em Londres ,

 Sigmund Freud , fez uma viagem para a Amrica , onde publicou sua biografia A

 Vida Secreta de Salvador Dali ( 1942 ) .
 Ao voltar , se estabeleceu definitivamente

 em Port Lligat com Gala , sua mulher , ex-mulher do poeta e amigo Paul luard .

 Desde 1970 at sua morte dedicou-se ao desenho e  construo de seu museu .

 Alm da pintura ele desenvolveu esculturas e desenho de jias e mveis .
 Obra

 Destacada : Mae West .

 JOAN MIR - iniciou sua formao como pintor na escola de La Lonja , em

 Barcelona .
 Em 1912 entrou para a escola de arte de Francisco Gali , onde

 conheceu a obra dos impressionistas e fauvistas franceses .
 Nessa poca , fez

 amizade com Picabia e pouco depois com Picasso e seus amigos cubistas , em cujo

 grupo militou durante algum tempo .
 Em 1920 Mir instalou-se em Paris ( embora no

 vero voltasse para Montroig ) , onde se formara um grupo de amigos pintores ,

 entre os quais estavam Masson , Leiris , Artaud e Lial .
 Dois anos depois adquiriu

 forma La masa , obra fundamental em seu desenvolvimento estilstico posterior e

 na qual Mir demonstrou uma grande preciso grfica .
 A partir da sua pintura

 mudou radicalmente .
 Breton falava dela como o mximo do surrealismo e se

 permitiu destacar o artista como um dos grandes gnios solitrios do sculo XX

 e da histria da arte .
 A famosa magia de Mir se manifesta nessas telas de

 traos ntidos e formas sinceras na aparncia , mas difceis de serem

 elucidadas , embora se apresentem de forma amistosa ao observador .
 Mir tambm

 se dedicou  cermica e  escultura , nas quais extravasou suas inquietaes

 pictricas .
 Obra Destacada : Noitada Esnobe da Princesa .

 ******

 " O sonho no pode ser tambm aplicado  soluo das questes fundamentais da

 vida ?
 "

 fragmento do Manifesto do Surrealismo .

 2001  Simone R. Martins & Margaret H. Imbroisi

 Disponvel em :

 http : // www.historiadaarte.com.br / surrealismo.html

 ***

 SURREALISMO

 Introduo

 O surrealismo foi por excelncia a corrente artstica moderna da representao

 do irracional e do subconsciente .
 Suas origens devem ser buscadas no dadasmo e

 na pintura metafsica de Giorgio De Chirico .
 Este movimento , a exemplo de seus

 predecessores , pregou a transgresso dos valores morais e sociais , a nulidade

 das academias e a dessacralizao do artista , com uma ressalva : ao nihilismo

 fundamentalista do dadasmo ops uma atitude esperanosa e comprometida com seu

 tempo .

 A publicao do Manifesto Surrealista , assinado por Andr Breton em outubro de

 1924 , marcou historicamente o nascimento do movimento .
 Nele se propunha a

 restaurao dos sentimentos humanos e do instinto como ponto de partida para

 uma nova linguagem artstica .
 Para isso era preciso que o homem tivesse uma

 viso totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do esprito

 no qual a realidade interna e externa so percebidas totalmente isentas de

 contradies .

 A livre associao e a anlise dos sonhos , ambos mtodos da psicanlise

 freudiana , transformaram-se nos procedimentos bsicos do surrealismo , embora

 aplicados a seu modo.Por meio do automatismo , ou seja , qualquer forma de

 expresso em que a mente no exercesse nenhum tipo de controle , os surrealistas

 tentavam plasmar , seja por meio de formas abstratas ou figurativas simblicas ,

 as imagens da realidade mais profunda do ser humano : o subconsciente .

 Dentro do surrealismo devem-se destacar trs perodos importantes e bem

 diferenciados entre si : o perodo dos sonhos ( 1924 ) , representado pelas obras

 de natureza simblica , obtidas atravs de diferentes procedimentos de

 automatismo , de um certo figurativismo ; o perodo do compromisso poltico

 ( 1928 ) , expresso na filiao de seus lderes ao comunismo ; e uma terceira fase

 ( 1930 ) , de difuso , que se empenhou na formao de grupos surrealistas em toda

 a Europa , tendo conseguido a adeso de grupos americanos .

 Pintura

 Em um dos nmeros da revista A Revoluo Surrealista , que Andr Breton editava ,

 ele no s aceitava a teoria freudiana do automatismo verbal ( livre associao

 de palavras ) , como tambm admitia a possibilidade do automatismo grfico ( livre

 associao de imagens ) , dois processos que , na opinio dele , esto

 estreitamente relacionados .
 O poeta citava concretamente dois artistas : Pablo

 Picasso e Max Ernst .
 Pela primeira vez se aprovava a existncia de uma pintura

 surrealista .

 Segundo Breton , h dois mtodos propriamente surrealistas : o automatismo

 rtmico ( pelo qual se pintava seguindo o impulso grfico ) e o automatismo

 simblico ( a fixao das imagens onricas ou subconscientes de maneira

 natural ) .
 De acordo com isso , surgiram grupos diferentes de pintores : Mir ,

 Hans Arp e Andr Masson , por exemplo , representaram o surrealismo orgnico ou

 automatista , enquanto Dal , Magritte , Chagall e Marx Ernst , entre outros ,

 desenvolveram o surrealismo simblico .

 Os surrealistas no representaram subjetivamente a realidade , pelo contrrio ,

 tentaram objetivar seu mundo interno , como demonstram suas obras .
 Na Amrica

 Latina , esse tipo de representao encontrou eco principalmente entre pintores

 do porte de Frida Kahlo e Wilfredo Lam , entre outros .
 Sua pintura estava

 impregnada desse aspecto telrico e quase ingnuo que tanto interesse

 despertara nos surrealistas europeus , apesar de no lhe faltar caractersticas

 expressionistas .

 Escultura

 No surrealismo , melhor do que falar em escultura , deve-se falar em objetos

 retirados do seu contexto - algo muito parecido com o que o francs Marcel

 Duchamp , na ocasio tambm membro do movimento , havia iniciado com seus ready

 mades .
 Os surrealistas se dedicaram conscientemente a reunir os objetos mais

 dispares , privados de sua funcionalidade , para expressar as necessidades mais

 ntimas do homem .
 No comeo , chegaram inclusive a falar de dois tipos de

 objetos : os naturais ( vegetais , animais e minerais ) e os de uso cotidiano .

 Exemplo claro do culto ao objeto , iniciado por este movimento , foi a Exposio

 de Objetos Surrealistas de 1936 .
 Nela se representaram as mais extravagantes

 combinaes , produto das associaes inconscientes de seus autores .
 Alguns

 podiam ser interpretados quase automaticamente pelo pblico , de to simples que

 eram em sua composio , enquanto outros se mantinham dentro de um hermetismo

 simblico potico , no melhor estilo das esculturas dadastas .

 No entanto , deve-se destacar que os objetos surrealistas , no limite entre a

 ironia e a perverso , tentavam abrir a imaginao do espectador para a

 multiplicidade de relaes existentes entre as coisas , para a associao livre

 de condicionamentos .
 Prova disso foram o engenhoso Telefone-lagosta , de Dal ,

 ou as combinaes de objetos de Mir .
 Referindo-se  escultura surrealista ,

 Andr Breton , precursor do movimento , disse : " no encontramos mais do que

 aquilo de que precisamos profundamente " .

 Cinema e Fotografia

 O cinema e a fotografia surrealista assimilaram , logicamente , os parmetros da

 pintura e da escultura desta corrente .
 Os diretores de cinema procuraram o

 exorcismo do subconsciente por meio de imagens totalmente simblicas ou no

 limite do absurdo .
 No faltaram nessas disciplinas a crtica s convenes

 morais , religiosas e polticas , mas sempre sob a forma de hermticas metforas

 visuais , alienadas e provocantes , que tinham pouco em comum com o cinema e a

 fotografia tradicionais .

 So dois os grandes representantes do cinema surrealista : o espanhol Luis

 Buuel e o francs Jean Cocteau .
 Da filmografia do primeiro  preciso

 destacar-se os filmes O Co Andaluz e A Idade Dourada .
 Em ambas as obras , uma

 espcie de exerccio de filmagem , o cineasta no poupa imaginao para criar

 mundos completamente fantsticos .
 Com base em cenas de aparncia onrica ,

 paradoxalmente subversivas e ao mesmo tempo poticas , conta histrias

 inverossmeis e audazes .
 Na primeira , trabalhou em colaborao com Salvador

 Dal .

 A obra de Cocteau se manteve dentro da linguagem simblica dos sonhos com

 imagens absurdas , produto de fotomontagem .
 Seus filmes mais conhecidos so

 Sangue de um Poeta e A Bela e a Fera .
 O fotgrafo por excelncia do surrealismo

 foi o norte-americano Man Ray .
 Depois de militar nas fileiras do dadasmo , ele

 no hesitou em passar para o grupo de amigos de Breton , interessado no que o

 inconsciente e o automatismo podiam dar  fotografia .

 Enciclopedia Multimedia del Arte Universal - Vol. 10

  AlphaBetum Ediciones Multimedia , Madrid , 1999 .

 ***

 O SURREALISMO

 A esttica do surrealismo est condensada no manifesto escrito e publicado em

 Paris , em 1924 , pelo poeta e escritor francs Andr Breton ( 1896 ) , estudante de

 neurologia e adepto de Freud .
 Escreveu que o surrealismo  " automatismo

 psquico puro , por meio do qual se prope expressar , seja verbalmente , seja por

 escrito , seja por qualquer outra maneira , o funcionamento real do pensamento .

 Ditado do pensamento com ausncia de toda fiscalizao exercida pela razo ,

 alheio a toda a preocupao esttica ou moral " .

 Em linhas gerais todos ns conhecemos as reveladoras contribuies de Freud ao

 melhor conhecimento de nossa vida psquica , com as suas aplicaes no

 tratamento das neuroses .

 A nossa alma ou a nossa vida psquica se divide , como sabemos , em trs zonas -

 o inconsciente , o subconsciente e o consciente .
 No inconsciente , esto os

 nossos impulsos primitivos , verdadeiramente instintivos , que no conhecemos

 justamente por serem inconscientes .
 Quando esses impulsos primitivos emergem

 das profundidades desconhecidas do inconsciente e tentam chegar ao consciente ,

 para se transformarem em atos e palavras , tem de atravessas o subconsciente ,

 que os fiscaliza , recalca ou sublima .
 Disfara-os , por assim dizer .
 Desse modo ,

 quando chegam ao consciente , refletem no a nossa personalidade inconsciente ,

 mas a nossa personalidade consciente , modelada e aperfeioada pela educao e

 cultura .

 Algumas vezes , porm , as manifestaes do inconsciente burlam a vigilncia e

 chegam disfaradas ao consciente .
 Isso ocorre , geralmente , quando dorminos .

 Nosso sonhos , por isso mesmo , so quase sempre disparatados , absurdos ,

 fantasiosos e simblicos .
 Ocorre tambm quando estamos acordados , graas ao

 processo que os psicanalistas chamam de automatismo psquico e bsico para os

 dadastas e surrealistas - coisas que fazemos ou dizemos , aparentemente

 inexplicveis , porque independentes da nossa vontade ou contrrias  lgica .

 Fascinados pelas idias e mtodos de Freud , os surrealistas recusam , como

 fontes de criao artstica , as manifestaes racionais e lgicas do

 consciente .
 Aceitam somente as manifestaes do subconsciente , absurdas e

 ilgicas , como acabamos de ver , principalmente nos sonhos , nos automatismos

 psquicos , nos estados alucinatrios , que consideram fontes artsticas mais

 autnticas do que a natureza e a realidade .
 Dizia Andr Breton : " No meu modo de

 entender , nada existe de inadmissvel. " Passa-se ento a considerar o irreal

 to verdadeiro como o real e o irracional , o fantstico e o maravilhoso como a

 nica linguagem artstica universal entre os homens .

 Recursos dos Surrealistas

 Na pintura , alm do registro e representao , com inteira liberdade , sem

 qualquer fiscalizao da razo , do fluir incessante de idias e imagens em

 nosso esprito , os pintores surrealistas valeram-se ainda de outros recursos -

 o humor , paisagens de sonho e excesso de realismo , quase fotogrfico .

 O humor , dizem os surrealistas -  a mscara dos nosso desesperos .
 Exemplos :

 quatro cirurgies curvados gravemente sobre uma mesa de operaes onde est um

 guarda-chuva fechado , ou confortvel poltrona , em pleno deserto do Saara .
 As

 paisagens de sonho so paisagens fantasmagricas , irreais , inexistentes na

 natureza .
 O excesso do realismo , chegando ao mais cru verismo fotogrfico na

 representao dos objetos , concorre para maior irrealidade .

 Restries  Pintura Surrealista

 Duas restries so feitas  pintura surrealista .
 A primeira pelos

 psicanalistas : as manifestaes do subconsciente realmente so ricas de beleza ,

 mas extremamente pessoais e simblicas .
 Precisam ser interpretadas no seu

 simbolismo , como os analistas fazem com os sonhos dos seus pacientes estendidos

 no sof dos consultrios .
 Apesar de desconhecida a significao de seus

 smbolos , a verdade  que pintura surrealista exerce irresistvel fascnio em

 nosso esprito .
 A segunda restrio , feita por alguns pintores ,  a seguinte : a

 concepo do quadro pode ser subconsciente , automtica , mas a sua execuo ser

 sempre obra do consciente , com a aplicao de recursos racionais e lgicos ou

 em sentido de absoluta conscincia .

 O francs Andr Masson ( 1896 ) procurou sanar essa contradio insanvel entre a

 concepo subconsciente e a execuo consciente com os seus tableaux de sable

 ( quadros de areia ) .
 Sobre uma tela coberta de cola fresca , atirou

 desordenadamente , num verdadeiro automatismo , punhados de areia de cores

 diferentes .
 Tentava obter , desse modo , automatismo tambm na execuo .
 Os

 resultados no o satisfazem , abandonou , por isso , a pintura surrealista .

 O espanhol Salvador Dali , um dos surrealistas mais populares , criou a parania

 crtica - delrio na interpretao do mundo e do prprio eu .
 O paranico

 crtico vive num mundo estranho , no se submetendo  lgica do cotidiano .
 " 

 preciso sistematizar a confuso e contribuir para o total descrdito da

 realidade " , disse Dali .

 O pintor surrealista pode representar as manifestaes de seu subconsciente de

 dois modos : figurativo ou abstrato .
 Em consequncia existem surrealistas

 figurativos ( Salvador Dali ) e surrealistas abstratos ( Juan Mir ) .
 Entre os mais

 destacados surrealista figurativos esto Salvador Dali ( 1904 ) , Ren Magritte

 ( 1898 ) , Paul Delvaux ( 1897 ) e Marc Chagall ( 1887 ) .
 Entre os surrealistas

 abstratos , ainda que em algumas obras sejam figurativos , Juan Mir ( 1893 ) , Yves

 Tanguy ( 1900 ) , Max Ernest ( 1891 ) , Francis Picabia ( 1879 ) e Hans Arp ( 1887 ) .

 No passado , entre remotos precursores do surrealismo , os estudiosos citam

 Hyeronimus Bosch ( 1450/60 - 1516 ) e Giuseppe Arcimboldo ( 1530 - 1596 ) .

 Disponvel em : http : // www.sul-sc.com.br / afolha / artes / abstracionismo.htm

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 Prof  Dra. Carla Mary S. Oliveira

 Departamento de Histria - Universidade Federal da Paraba - Centro de Cincias

 Humanas , Letras e Artes

 Cidade Universitria - Conjunto Humanstico - Bloco V - Castelo Branco - Joo

 Pessoa - PB - CEP 58.051-970 - Brasil

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