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Premiê japonês faz concessões para viabilizar aprovação de reformas, mas votação de hoje não está garantida
ANDRÉA FORNES
Especial para a Folha, de Tóquio
Um acordo entre o primeiro-ministro japonês, Morihiro Hosokawa, e a oposição amenizou a crise política que pode forçar sua renúncia. As negociações começaram às 19h de ontem (8h de Brasília) e foram encerradas três horas depois, quando uma tempestade de neve caía sobre a capital japonesa.
Para viabilizar a aprovação do projeto de reforma política ("seiji kaikaku", em japonês), o premiê fez concessões que desagradaram integrantes do governo de coalizão, especialmente os socialistas. A decisão mais controversa envolve contribuições eleitorais, o pivô de casos de corrupção no país.
Hosokawa e Yohei Kono, presidente do Partido Liberal Democrático, decidiram limitar as doações políticas à quantia de 240 mil ienes (o equivalente a US$ 2,2 mil) por empresa ou organização. Não há restrições quanto ao número de contribuintes. Devido ao virtual monopólio de poder que manteve por 38 anos, o PLD é o maior beneficiado por contribuições.
Os representantes da coalizão e da oposição concordaram também em fixar em 300 o número de parlamentares eleitos pelo sistema distrital (apenas um candidato por partido) e em 200 os eleitos pelo sistema proporcional (representação partidária). Os membros restantes serão escolhidos pelas 11 regiões em que o país passará a ser dividido. A proposta inicial do governo previa 250 cadeiras para cada um dos sistemas.
O compromisso entre os dois grupos foi formalizado pontualmente à 1h de hoje, com a assinatura de um documento com dez artigos. "Sem o projeto de reforma política não seria possível melhorar a situação econômica, restabelecer a credibilidade do governo e evitar que a confiança internacional no país se deteriorasse", afirmou o premiê em entrevista.
"O governo Hosokawa chegou ao poder com a promessa de reforma e estamos contentes porque ela será concretizada", disse Kozo Watanabe, membro do Partido da Renovação do Japão, um dos oito integrantes da coalizão estabelecida em julho do ano passado que tirou o PLD do governo pela primeira vez desde 1955.
A Dieta (Parlamento) se reúne hoje, último dia da sessão extraordinária, para deliberar sobre a implementação da nova legislação política. A proposta necessita de maioria absoluta nas duas Casas para ser aprovada.
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