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Ato foi contra conversão salarial em URV
Da Reportagem Local
Os metroviários de São Paulo interromperam por 15 minutos, na tarde de ontem, o fluxo de trens e passageiros nas 41 estações da cidade, em protesto contra a conversão dos salários da categoria em URVs. Wagner Gomes, presidente do sindicato dos metroviários de São Paulo, estima em 30% as perdas salariais com a não-inclusão da inflação de fevereiro na conversão dos salários.
Entre as 14h15 e 14h30, representantes do sindicato e funcionários do Metrô bloquearam as catracas nas estações, impedindo o acesso às plataformas de embarque.
A assessoria de imprensa do Metrô estimou em 10 mil o número de passageiros prejudicados. Durante a interrupção, 56 trens ficaram parados nas três linhas –dois deles no interior dos túneis.
O piso salarial dos metroviários de São Paulo (CR$ 135,6 mil em fevereiro) foi convertido em 224,085 URVs (CR$ 169,7 mil pela cotação atual). O presidente do sindicato, Wagner Gomes, defende um piso de CR$ 180 mil pela cotação atual da URV e a conversão dos salários pelo "pico" e não pela média dos quatro meses anteriores à adoção do indexador como prevê a medida provisória da URV.
Diante de aproximadamente 300 passageiros concentrados junto às catracas bloqueadas da estação Sé, o sindicalista convocou a população e os metroviários a participarem da greve geral contra o Plano FHC, que as centrais sindicais nacionais poderão deflagrar no próximo dia 23.
Faltando 2 minutos para o prazo previsto para a liberação das catracas, cerca de 300 passageiros retidos na Sé começaram a vaiar os sindicalistas –o acesso à plataforma foi então normalizado.
"É um absurdo limitar o direito de ir e vir da população", disse a professora aposentada Maria Edith Abrahão, 63, que tentou convencer os seguranças a permitir sua passagem, sem saber que os trens haviam deixado de circular.
(Luís Eduardo Leal)
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