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'É emocionante, é a primeira vez que vejo um silvícola', afirma Parreira
Dos enviados especiais
O índio brasileiro Macsuara Kadiwel, 32, foi a maior atração ontem no estádio da Universidade de Santa Clara, após o treino da seleção brasileira.
Ele foi pedir para a equipe oferecer o tetracampeonato "para os índios do Brasil, para os nativos de todo o mundo e para um mundo melhor".
Conversou por cinco minutos com o atacante Romário. Presenteou o jogador com uma peça de cerâmica carajá.
O índio colocou seu cocar na cabeça de Romário. O jogador pouco falou, limitando-se a olhar o índio. Permitiu que seu rosto fosse pintado com tinta vermelha da planta urucum.
Um brasileiro brincou com o índio e disse: "Cuidado com o John Wayne." A referência era ao ator norte-americano, que se popularizou fazendo filmes de caubói.
O técnico Carlos Alberto Parreira também deixou que o índio pintasse sua cara com urucum. Mas recusou-se a posar de cocar.
"É emocionante", disse o técnico. "É a primeira vez que vejo um silvícola do nosso país." Kadiwel estava vestido com indumentária de sua tribo, mas utilizava short esportivo, meia soquete e tênis Reebok.
O índio disse que é chefe da tribo Kadiwel, em Mato Grosso do Sul. Ele costuma ser visto em bares no centro do Rio, onde trabalha como modelo fotográfico e ator.
Ele foi levado ao treino da seleção pela antropóloga brasileira Rosita Roden, do Museu de Florestas tropicais de San Francisco (Califórnia).
Impedido de entrar no estádio, o índio teve que esperar a intervenção do chefe da delegação brasileira, Mustafá Contursi. Antes, o assessor de imprensa da seleção, Nelson Borges, havia se recusado a ajudar Kadiwel. "Eu não sou da Funai", disse. (FR e MM)
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