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Líder palestino tem despedida de chefe de Estado na Tunísia, onde viveu por 12 anos
Das agências internacionais
O líder palestino Iasser Arafat chegou ontem ao Cairo de onde deve ir hoje a Gaza, desta vez para morar. Arafat chegou com sua mulher, Suha, e alguns assessores, vindo de Túnis, na Tunísia. Em Gaza, chefiará a autoridade palestina estabelecida depois de acordo de paz com Israel.
Até encontrar acomodações permanentes, ele ficará no hotel Palestina (leia texto abaixo).
Em Túnis, teve uma despedida de chefe de Estado. "Pela primeira vez, há uma despedida sem que sejamos refugiados", disse.
Ele foi para Túnis em 1982 depois que a OLP foi expulsa do Líbano por tropas israelenses.
"Despedidas são sempre comoventes, mas as nossas estão marcadas pela alegria de sua volta à pátria", disse o presidente tunisiano, Zine al Abidine Ben Ali.
No Cairo, palestinos e israelenses mantiveram negociações sobre os próximos passos da implementação do acordo de paz que estabeleceu a autoridade palestina na faixa de Gaza e em Jericó.
Duas comissões diferentes negociam. Uma trata da ampliação da autoridade palestina a outras áreas da Cisjordânia ocupada. A outra lida com os problemas ainda não resolvidos em Gaza e Jericó.
Destes, o principal é o dos prisioneiros palestinos em Israel. Na semana passada, Arafat e o premiê de Israel, Yitzhak Rabin, estabeleceram que vão ter prioridade mulheres, doentes, velhos e casos como o do fundador do grupo islâmico Hamas, xeque Ahmed Iassin.
O chefe da delegação palestina, Nabil Shaat, vê avanço no caso de Iassin. "Antes eles queriam soltá-lo só se fosse para o exílio, agora pedem que ele faça uma declaração."
A comissão discute novas libertações e os cerca de 600 prisioneiros que Israel conta como libertados mas estão presos por se negarem a assinar declaração em que abrem mão do recurso à violência.
A outra comissão discute a retirada de tropas israelenses de outras partes da Cisjordânia além de Jericó, na véspera das eleições para um Conselho Palestino que governará a área autônoma.
As eleições deveriam ser em julho, mas com o atraso na implementação das medidas acertadas elas só devem ocorrer em outubro.
Anteontem, Arafat foi à Arábia Saudita. Ele visava normalizar relações abaladas pelo apoio da OLP ao Iraque na Guerra do Golfo.
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