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MIGUEL ANGELO DA LUZ
Especial para a Folha
O basquete feminino brasileiro entrou para a história do esporte mundial de forma surpreendente, ao contrário do que se pensava.
Agora, já com o ano terminando, é o melhor período para avaliarmos o resultado do nosso basquete feminino, campeão do mundo.
A seleção nacional tinha como seu melhor resultado um terceiro lugar, conquistado em 1971, no Campeonato Mundial disputado no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.
A façanha da conquista do título, alcançada pelo time do Brasil no Campeonato Mundial da Austrália, só havia sido realizada por duas superpotências, a ex-União Soviética (campeã mundial em seis oportunidades) e os Estados Unidos (cinco vezes).
A receita deste sucesso foi a aceitação de um trabalho solidário por todo o grupo, onde prevaleceu o antigo ditado popular: "um por todos e todos por um".
Valeu pela disciplina, determinação e, principalmente, pela união de todos que perseguiam a mesma meta.
Destaco a dedicação de todos os profissionais envolvidos no projeto da seleção nacional, do mordomo ao presidente da Confederação Brasileira de Basquete.
Agora é hora de pensarmos no próximo ano.
E será uma tarefa árdua, pois não teremos o talento de Paula e Hortência, duas atletas que se dedicaram durante 20 anos ao basquete nacional, dando exemplo de amor à pátria pelas atitudes que tomaram nas suas vidas desportivas.
Precisamos, em um curto espaço de tempo, começar a trabalhar para esta nova etapa do basquete feminino brasileiro, visando não só os Jogos Pan-americanos que acontecem em março, na Argentina, e o Campeonato Sul-americano/95, bem como a próxima Olimpíada, a ser disputada em Atlanta/96.
Não podemos esquecer também que, em 1997, o Brasil promoverá o Mundial Juvenil Feminino.
Nossa meta é a Olimpíada. É o título que falta para o basquete feminino brasileiro.
Nossa preocupação para atingir esta meta é que não haja uma cobrança imediata do grupo que disputará o Pan e o Sul-americano.
Estarão em testes novos valores, com pouca experiência internacional.
Acreditando na competência e na transparência da comissão técnica e das jogadoras, faremos, sem sombra de dúvida, mais um grupo vitorioso.
Trabalho! Trabalho!
Desejo a todos os amantes do basquete um ano repleto de vitórias e muito sucesso.

MIGUEL ANGELO DA LUZ COELHO, 35, é técnico da seleção brasileira feminina de basquete e do time masculino do Flameng
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