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<CATEGORY>BRASIL</CATEGORY>
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DENISE MADUEÑO
Da Sucursal de Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso e a cúpula pefelista montaram ontem uma "operação bombeiro" para tentar colocar um fim na crise que se abateu sobre o governo e seus principais aliados.
Os principais personagens da crise, FHC e o presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), se reuniram durante 45 minutos no Palácio da Alvorada para buscar um entendimento.
"Luís Eduardo voltou melhor, mais sorridente e com ares natalinos", disse o deputado Paulo Bornhausen (PFL-SC) sobre o encontro de FHC e LEM.
Logo após a reunião com FHC, Luís Eduardo se encontrou com Paulo Bornhausen e com o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, na residência oficial da presidência da Câmara.
Antes, às 12h30, Luís Eduardo e Jorge Bornhausen se reuniram com o vice Marco Maciel, também pefelista. "O clima é bom, é um clima de Natal, de entendimento", disse Maciel.
O partido entendeu como um sinal positivo a determinação de FHC de resolver a crise antes do Natal, se reunindo com Luís Eduardo ontem. Para isso, o presidente da Câmara e Jorge Bornhausen adiaram suas viagens marcadas para o início da tarde.
Pela manhã, antes do encontro com o presidente, Luís Eduardo não escondia que permanecia insatisfeito com o governo.
Segundo confidenciou a amigos, Luís Eduardo considera que FHC deu declarações em excesso em sua última viagem e acabou escorregando em algumas palavras. Pela avaliação feita, a crise entre o PFL e o Banco Central, por exemplo, foi criada por FHC.
Segundo relato de alguns interlocutores de Luís Eduardo, foi o próprio presidente que suspeitou que o vazamento da pasta rosa teria sido provocada pelo diretor de Normas do BC, Cláudio Mauch, ou pelo interventor do Banco Econômico, Flávio Barbosa.
No dia seguinte, segundo essa avaliação, o presidente saiu em defesa dos diretores do BC, como se o PFL estivesse pedindo a punição dos suspeitos.
A pasta cor-de-rosa contém uma lista de parlamentares, principalmente do PFL baiano, que supostamente receberam doações eleitorais do Econômico em 1990.
O mesmo teria acontecido com a crítica ao processo de privatização de empresas estatais. O PFL defende mais rapidez nas privatizações, mas quem voltou ao assunto foi o próprio presidente.
A cúpula do PFL não entende por que FHC voltou ao assunto e atacou o ministro pefelista Raimundo Brito (Minas e Energia), atribuindo a ele parte da demora no processo.
(Denise Madueño)
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