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<DOCNO>PUBLICO-19940111-161</DOCNO>
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<DATE>19940111</DATE>
<CATEGORY>Nacional</CATEGORY>
<AUTHOR>RVZ</AUTHOR>
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PR preparou ontem com especialistas em Ambiente a próxima Presidência Aberta
Soares percorre o país de 6 a 17 de Abril
Mário Soares já marcou a data da sua próxima Presidência Aberta. Entre 6 e 17 de Abril, vésperas do 20º aniversário da Revolução, o Presidente volta à rua, desta vez para percorrer o país, e incluirá uma deslocação aos Açores -- o arquipélago «laranja» --, embora esta seja apenas uma etapa num longo itinerário pelo continente. O programa definitivo ainda não está elaborado e promete dar trabalho, já que desta vez o tema escolhido, ambiente e qualidade de vida, oferece múltiplas vertentes e o Presidente quer fazer um levantamento exaustivo, a crer nos oito temas que já decidiu integrar na iniciativa.
Inculcar a ideia de que, «ao contrário do que alguns dizem, o desenvolvimento não é incompatível com a ecologia e a qualidade de vida» é uma ideia basilar desta iniciativa e para o efeito Soares deverá, sobretudo, dar a voz aos entendidos. Os universitários e especialistas do sector estarão na rota desta Presidência Aberta e nesse sentido as escolas e universidades constituirão local de paragem sempre que se justificar.
Entre os oito temas escolhidos está a desertificação do mundo rural, a dar pano para mangas. Está intimamente ligado aos problemas da agricultura portuguesa, um dos sectores de actividade mais críticos no país e que tem motivado fortes contestações à política governamental. E cola na perfeição com a temática da falta de qualidade de vida nos subúrbios das grandes cidades, ponto de chegada dos que deixam os campos, e que Soares teve oportunidade de «destapar» na última Presidência Aberta na Área Metropolitana de Lisboa.
Os problemas do ambiente urbano são, aliás, outro dos temas escolhidos. Bem como os problemas das florestas, da água, das áreas protegidas, do litoral e suas barreiras de cimento, do mar e recursos afins, e dos resíduos. Depois, há uma imensidão de subtemas alinhados com base em contributos de vários especialistas na matéria.
Ontem, Soares almoçou em Belém com uma série de personalidades ligadas, duma forma ou de outra, à temática ambiental, desde os arquitectos Ribeiro Telles e Helena Roseta, ao ambientalista Soromenho Marques (da Quercus), passando pelo biólogo Humberto Rosa, pelo antropólogo Benjamim Pereira ou pelo especialista em agricultura Fernando Gomes da Silva. Sem esquecer Mário Ruivo, que, ironia das ironias, é um dos membros do secretariado executivo do congresso «Portugal, que futuro?», cujas alegadas ligações a Belém tanta polémica têm gerado.
O diagnóstico traçado pelos convidados de Soares, com quem o Presidente conversou durante três horas, não deixou grandes ilusões. Há graves problemas ambientais no país, há boas leis que não se cumprem, há falta de educação e sensibilização sobre a matéria. Durante 11 dias, o Presidente vai observar a qualidade de vida à lupa. Depois da Presidência Aberta em Lisboa, mais uma dor de cabeça para o Governo, desta vez com carácter nacional. Ângela Silva
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