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<DOCNO>PUBLICO-19940217-055</DOCNO>
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<DATE>19940217</DATE>
<CATEGORY>Mundo</CATEGORY>
<AUTHOR>APC</AUTHOR>
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Em resposta ao acordo Norte-AIEA
Seul admite cancelar manobras
Os altos e baixos da tensão na península da Coreia conhecem agora uma aparente fase de desanuviamento, com o Norte comunista a autorizar a inspecção de algumas das suas instalações nucleares e o Sul capitalista a rever a necessidade de exercícios militares anuais conjuntos com os Estados Unidos. Mas o cerne da questão mantém-se: Pyongyang tem ou não a bomba atómica?
Seul respondeu com optimismo à abertura do regime rival no norte da península coreana em relação às inspecções internacionais de algumas das suas instalações nucleares, anunciando ontem que vai estudar o cancelamento dos controversos exercícios militares conjuntos que todos os anos realiza com os EUA.
«Os preparativos para os exercícios Team Spirit («Espírito de Equipa») continuam. Agora que a Coreia do Norte concordou em inspecções da Agência Internacional de Energia Atómica, vamos estudar a hipótese do seu cancelamento», disse um porta-voz do ministério da Defesa, em Seul.
Uma decisão final será anunciada no fim deste mês ou no início de Março, estando os exercícios provisoriamente marcados para 22 a 31 de Março.
A Coreia do Norte tem sempre ligado estes exercícios à sua segurança, considerando-os como «uma ameaça directa» e um «ensaio para a invasão» do seu território. Tanto Washington como Seul dizem que os jogos de guerra são de carácter puramente defensivo.
No ano passado, à medida que a questão das inspecções nucleares se agravava, as autoridades da Coreia do Norte colocaram o país em estado de alerta «semi-guerra» durante a realização do Team Spirit.
Os exercícios foram suspensos por um ano em 1992 e fontes americanas e sul-coreanas dizem que o mesmo poderá ocorrer agora, se o Norte autorizar mesmo as inspecções e reiniciar o diálogo com a Coreia do Sul.
Na terça-feira, a Coreia do Norte concordou em autorizar inspectores da AIEA fiscalizarem in loco sete instalações nucleares, acabando com um ano de impasse. O acordo, obtido na sede da Agência, em Viena, a apenas seis dias de uma reunião da sua direcção, onde o problema norte-coreano seria decerto remetido para o Conselho de Segurança da ONU, para possíveis sanções, foi bem recebido tanto por Washington e Seul, como por Tóquio.
As três diplomacias têm tentado, com a ajuda da China, um dos poucos aliados de Pyongyang, levar o fechado e ortodoxo regime do Norte a ceder e abrir os locais suspeitos à inspecção internacional.
A CIA afirma que Pyongyang dispõe já de uma ou duas bombas atómicas, mas o regime do Presidente Kim Il Sung desmente e diz que todo o seu programa nuclear é para fins pacíficos.
De qualquer modo, o acordo de terça-feira não contempla dois locais secretos, suspeitos de albergarem materiais altamente fissíveis e que podem servir para o fabrico de engenhos nucleares. A Coreia do Norte sempre recusou abrir essas instalações aos olhos de observadores estrangeiros, dizendo que em Yongbyon, a 90 quilómetros a norte de Pyongyang, se encontram apenas instalações militares não-nucleares.
Os inspectores da AIEA aguardam agora os vistos para poderem entrar «o mais depressa possível» na Coreia do Norte e vão continuar a discutir com os representantes daquele país em Viena a maneira de entrar em Yongbyon.
Até lá, continuam em aberto as questões de fundo: saber se a Coreia do Norte já tem ou não a bomba atómica ou se o regime tenciona, em caso negativo, dotar-se do engenho num futuro próximo. F.C.O.
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