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<DOCNO>PUBLICO-19940228-038</DOCNO>
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<DATE>19940228</DATE>
<CATEGORY>Mundo</CATEGORY>
<AUTHOR>JAF</AUTHOR>
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Congresso dos Verdes alemães
Aprovada aliança com SPD
No congresso que ontem terminou em Mannheim, os Verdes alemães mostraram a sua vontade de regressar ao Parlamento federal, optando por um programa realista e por uma aliança com os sociais-democrats (SPD). O novo programa foi aclamado pelos 600 delegados, havendo apenas um único voto contra.
O partido ecológico alemão, representado actualmente no Parlamento de Bona apenas por deputados dos novos «länder» (leste), foi o primeiro partido a declarar aberta e programaticamente as suas intenções de coligação governamental para as eleições de Outubro próximo, ao manifestar a sua disposição de constituir uma aliança com os social-democratas, por forma a substituir o Governo de Helmut Kohl e a traçar um novo rumo político reformista, em prol de uma Alemanha «mais social e ecológica».
Ludger Volmer, porta-voz da presidência do partido declarou que, embora não desejando uma coligação a qualquer preço, não se devia desperdiçar «a oportunidade única de regresso dos Verdes ao Bundestag». «Quem quiser uma coligação verde/vermelho tem de votar nos Verdes a fim de se impedir uma grande coligação» (entre social-democratas e democratas-cristãos), concluiu Volmer.
A reacção da CDU não se fez esperar. O secretário-geral dos cristãos-democratas, Peter Hintze, exigiu de Rudolf Scharping, dirigente social-democrata, que se pronunciasse inequivocamente sobre uma tal aliança.
Em debates em parte muito controversos e emocionais, os Verdes discutiram durante três dias o seu extenso programa eleitoral subordinado ao lema: «Redução do horário de trabalho, criação de novos postos de trabalho e economia ecológica».
A temática fundamental do programa eleitoral é a remodelação ecológica e social da Alemanha. Como instrumento para se combater o desemprego os Verdes alemães exigem a redução de horários de trabalho e a criação de impostos «ambientalistas». Defende-se assim o aumento gradual do preço da gasolina até cinco marcos (cerca de 500 escudos) por litro até ao ano 2005, aliada à anulação do desconto fiscal para o gasóleo. Os Verdes fizeram notar que também o Conselho Federal do Ambiente apresentou recentemente ao Governo recomendações idênticas.
Em política interna, a Aliança 90/Verdes pretende uma lei de imigração e uma legislação mais humana para refugiados, sem alteração da Constituição. Para se pôr cobro à influência da extrema-direita, defendem uma política abertamente multicultural e multiétnica.
Em política externa, mantêm-se fieis às suas teses pacifistas, exigindo o fim da estrutura militar da NATO e a criação de um novo sistema de segurança com base na CSCE. Rejeita-se igualmente a «política externa expansionista do Governo de Helmut Kohl», bem como a participação de soldados alemães nos capacetes azuis.
Causticamente, os Verdes acusaram o Governo e a União Europeia de, com o reconhecimento antecipado das repúblicas da ex-Jugoslávia, terem contribuído para o agravamento da guerra nos Balcãs. Em política europeia, eles pretendem uma reforma e abertura da UE, tendo como objectivo uma federação de Estados.
No seu programa os Verdes defendem ainda a liberalização e a descriminalização da política de estupefacientes, exigindo a entrega de narcóticos aos tóxicodependentes, mediante um controlo estatal. O congresso terminou com o debate sobre o orçamento para a campanha eleitoral, ajustado em cinco milhões de marcos.
Maria Ermelinda Pedrosa, em Bona
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