<DOC>
<DOCNO>PUBLICO-19940403-076</DOCNO>
<DOCID>PUBLICO-19940403-076</DOCID>
<DATE>19940403</DATE>
<CATEGORY>Cultura</CATEGORY>
<AUTHOR>JEA</AUTHOR>
<TEXT>
Percorrer, através da música, toda a história dos ritmos de Cabo Verde, desde o início da colonização até aos nossos dias, foi o que se propôs o grupo Simentera, com a peça «C. Idade, Nôs Idade», apresentada no passado dia 31 no auditório da Assembleia Nacional, na Cidade da Praia. O grupo, constituído por onze elementos, tem-se feito notar pelo rigor com que trabalha os ritmos tradicionais do arquipélago. «C. Idade, Nôs Idade» é uma obra em três actos: o primeiro dedicado aos ritmos de base da actual música crioula, o segundo à morna e o terceiro onde se pretende expor a actualidade e evolução dessa música. O espectáculo, com cenografia de Domingos Luísa, e um elenco de trinta dançarinos, mistura sons da natureza, o mar e o vento, com antigos cantos de escravos, batuques africanos, e ritmos como o finaçon, a tabanka, o funáná e a cola.
Caso estivesse vivo, Baltazar Lopes da Silva -- ou Nhô Balta, como era popularmente conhecido o fundador da moderna literatura de Cabo Verde -- completaria 97 anos no próximo dia 23 de Abril. A data vai ser comemorada em Cabo Verde com o apoio da Embaixada Portuguesa. Entre outras actividades, está previsto um concerto de guitarra clássica com soprano, para dois poemas -- «Experiência» e «Vi Um Brilho Através da Vidraça» -- musicados por Vasco Martins; uma feira do livro em São Nicolau, a ilha natal do escritor; e a leitura dramatizada do conto «A Caderneta», por Maria do Céu Guerra. A pintora Graça Morais, que viveu algum tempo em Cabo Verde, aceitou também participar nas comemorações, ilustrando um poema de Nhô Balta. O lucro conseguido com a venda dessa serigrafia reverterá a favor da Fundação Baltazar Lopes, presidida pela viúva do escritor.
A Lisboa africana é o tema de um programa da BBC Rádio, a difundir na próxima semana pelo seu canal especializado em música clássica e temas culturais. Duas jornalistas da BBC, a produtora Tessa Watt e Lucy Durán, professora universitária de música africana, estiveram durante dez dias em Lisboa, onde entrevistaram músicos, artistas plásticos e escritores africanos aqui radicados, bem como responsáveis por associações de imigrantes. Em foco, a multiplicação dos casos de racismo e xenofobia no novo Portugal europeu.
«Lisboa Menina Bonita», uma canção de Waldemar Bastos dedicada à capital portuguesa, foi recentemente gravada pela TSF-Rádio Jornal, nos estúdios da Banda Sonora. A TSF estuda agora a possibilidade de editar um CD do tema, no âmbito de Lisboa-94. O músico angolano diz ter escrito «Lisboa Menina Bonita» como uma homenagem da comunidade africana a uma cidade largamente marcada pela presença negra. Na sequência deste projecto, Waldemar pretende realizar um espectáculo cantando temas dos fundadores das músicas crioulas de todos os países africanos de íngua portuguesa: B. Léza, de Cabo Verde, José Carlos Schwartz, da Guiné-Bissau, e Liceu Vieira Dias, de Angola. «A partir deste espectáculo», diz Waldemar, «quero gravar um disco totalmente acústico: `Lisboa Palopiana'.»
</TEXT>
</DOC>