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<DOCNO>PUBLICO-19940409-095</DOCNO>
<DOCID>PUBLICO-19940409-095</DOCID>
<DATE>19940409</DATE>
<CATEGORY>Mundo</CATEGORY>
<AUTHOR>JDM</AUTHOR>
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Lixeira de Vila Fria, em Oeiras, volta a dar que falar
Moradores temem explosão
Margarida Rodrigues
Os moradores de Vila Fria consideram que têm razões suficientes para se sentirem preocupados. Em Julho do ano passado, um incêndio que deflagrou na lixeira só foi extinto quatro meses mais tarde. Agora, a Câmara de Oeiras autorizou a construção, num terreno anexo, de dois depósitos de gás. E tudo isto se passa a menos de 50 metros das primeiras casas da povoação.
A construção de dois depósitos de gás e de uma estação de triagem de resíduos sólidos junto à lixeira de Vila Fria, em Oeiras, está a revoltar os moradores da localidade. Preocupados com a situação, que consideram "perigosa e negligente", querem a lixeira selada e os depósitos e estação de triagem desactivados. Da Câmara, têm a promessa de resolução a prazo quanto à lixeira e a garantia de que não existe perigo com as unidades a instalar.
"Tudo isto foi construído sem o nosso conhecimento, a menos de 50 metros das nossas casas. O facto de estar feito não nos atemoriza porque, se está feito, não fomos nós que fizemos ou mandámos fazer. Mas uma coisa é certa: quando houver o azar de uma explosão, não há ninguém que nos acuda", disse ao PÚBLICO Armanda Gonçalves, residente em Vila Fria.
Como ela, todos os outros moradores estão preocupados com a situação. A existência de bolsas de gás no interior da lixeira, de bocas de queima de gás permanentemente acesas e de grandes quantidades de materiais combustíveis faz com que, na sua opinião, aquele não seja o local ideal para a instalação dos depósitos. Lembram que já no ano passado ali deflagrou um incêndio, que esteve aceso durante quatro meses. «E ninguém nos garante que não volte a acontecer o mesmo, agora com os depósitos mesmo ao lado", acrescenta.
Para além do perigo, revolta-os ainda a "falta de palavra da Câmara", que dera como garantido o encerramento da lixeira até 1990, assegurando que o espaço reverteria para a população, como compensação pelos danos causados. Uma promessa na qual os moradores já não acreditam, mas que Aline Bettencourt, a vereadora da Câmara de Oeiras responsável pelo caso, garante estar de pé.
"Tanto os depósitos como a estação de triagem vão ocupar uma parte mínima da área disponível nos terrenos da lixeira. Assim, quando a lixeira for definitivamente selada, ainda restará muito espaço, que será, como prometido, destinado aos os habitantes de Vila Fria", afirmou ao PÚBLICO Aline Bettencourt.
A vereadora admitiu compreender a contestação da população, garantindo, no entanto, que, segundo indicações dos técnicos responsáveis, não há qualquer perigo pelo facto de os depósitos, que se destinam a abastecer de gás parte do concelho de Oeiras -- e cuja inauguração esteve prevista para princípios de Maio --, se encontrarem situados junto à lixeira.
Aline Bettencourt, que já comunicou estes dados aos moradores de Vila Fria, numa reunião realizada com alguns dos seus representantes na passada quinta-feira, explicou ainda que, da parte do executivo camarário, há todo o interesse na recuperação daquele espaço. Adiantou, porém, que "o processo de selagem de uma lixeira é sempre moroso, e tem de avançar por fases, para cada vez ter menos impacto junto da população, podendo mesmo demorar vários anos".
Os moradores, que não estão dispostos a esperar tanto tempo para ver o seu problema resolvido, estudam agora formas de contestação. E já enviaram diversas cartas e abaixo-assinados para a Câmara, para a Junta de Freguesia de Porto Salvo e para alguns ministérios. Cansados de «promessas", avisam: "Não venham é cá tentar inaugurar isto, porque vai haver burburinho".
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