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<DOCNO>PUBLICO-19941016-138</DOCNO>
<DOCID>PUBLICO-19941016-138</DOCID>
<DATE>19941016</DATE>
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Em 1963, o chanceler Konrad Adenauer abandona a chancelaria, que ocupou durante 14 anos, cedendo o lugar ao seu ministro das Finanças, Ludwig Erhard, que passava por ser o autor da recuperação económica dos anos 50, o «milagre alemão». Apesar de ter ganho as eleições de 1965, em breve se percebeu que Erhardt não iria aguentar o barco por muito tempo. A União estava dividida na política externa (querela entre «atlânticos» e «europeus» e divergências sobre a abertura ao Leste), além de problemas financeiros.
A perda de autoridade de Erhard foi rápida e, a 27 de Outubro de 1966, os liberais abandonam o governo. Incapaz de formar uma maioria, Erhardt demite-se no dia 1 de Dezembro, sendo encarregado de formar governo o ministro-presidente de Baden-Wüttemberg, Kurt Georg Kiesinger. Este preferia formar novo gabinete com os liberais, mas as sondagens e as negociações em breve mostraram que a única aritmética possível era uma «grande coligação» com o SPD. Este, dirigido por Willy Brandt, obtivera 39,3 por cento dos votos nas eleições anteriores.
A estratégia dos sociais democratas foi elaborada pelo seu vice-presidente, Herbert Wehner. O seu cálculo político era devolver ao SPD a credibilidade como partido de governo. A entrada de Willy Brandt para ministro dos Estrangeiros foi preparada metodicamente, como o degrau preliminar que permitiria ao partido ganhar as eleições seguintes.
Apesar dos sapos que o SPD teve de engolir, o balanço da grande coligação foi notável. Sem ela as leis nacionais de emergência, destinadas a responder na altura a eventuais conturbações militares, não teriam sido elaboradas. Foi igualmente a coligação Kiesinger-Brandt que operou a reforma das Finanças, prescrevendo quais as receitas que cabiam ao Estado e quais aos «länder» e às comunas. Outro exemplo foi a lei de estabilidade que incentivaria a conjuntura e garantiria as necessárias medidas de poupança. No plano externo, foi confirmada a política de integração europeia e esboçada a abertura ao Leste.
Este modelo de amplo consenso, praticado mais por razão de Estado do que por afecto, durou apenas o tempo necessário. As eleições de Setembro de 1969 provocam uma viragem: os liberais aliam-se aos sociais-democratas e permitem a Willy Brandt ocupar a chancelaria. A coligação SPD/FDP duraria 13 anos: em 1982, o líder liberal, Hans-Dietrich Genscher, voltaria a inverter as alianças, derrubando o chanceler Helmut Schmidt e permitindo a Helmut Kohl ascender à chefia do governo.
Maria Ermelinda Pedrosa, em Bona
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