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<DOCNO>PUBLICO-19941031-090</DOCNO>
<DOCID>PUBLICO-19941031-090</DOCID>
<DATE>19941031</DATE>
<CATEGORY>Sociedade</CATEGORY>
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Abuso Sexual de crianças
Foram 12 crianças em 1985, 30 em 1988 e 65 em 1992. Nas II Jornadas de Pediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, os números apresentados falam por si: 10% das crianças maltratadas que dão entrada no hospital foram vítimas de abuso sexual e apresentam sinais de agressões físicas brutais. Falando ainda em números, a negligência (46%) e a agressão física (33%) foram responsáveis pela maior parte dos casos observados. No entanto, só um terço deles foi participado aos tribunais.
«Portugueses, critiquem!»
O desafio vem da mulher do presidente da República e dirige-se ecumenicamente a todos os portugueses. Sob o patrocínio de Victor Melícias, presidente das Misericórdias Portuguesas, Maria Barroso lançou sábado da Maia, ilha açoreana de S. Miguel, uma exortação aos portugueses para que manifestem o seu desagrado pelos programas transmitidos nas televisões nacionais em horários nobres. Embora o telex da agência Lusa seja omisso quanto às modalidades de protesto que a primeira dama estimaria ver em prática, transmite o seu conselho aos comerciantes e industriais: «Revejam a vossa política de anúncios na televisão, beneficiando programas que salientem valores da humanidade».
Mar açoreano em directo
Nas furnas da ilha de S. Miguel, Açores, terminou ontem a X Mostra Atlântica de Televisão, conhecida pela apresentação de documentários, por vezes excelentes, sobre a flora e fauna marinha e a necessidade de as preservar. O colóquio «Oceanos, investigação, acção e formação», iniciou-se sábado com uma intervenção de Mário Ruivo, o qual debateu longamente a «entrada no domínio público» dos problemas do mar e a crescente «democratização» do acesso à informação nesta matéria. A sessão terminou com uma transmissão em directo para a RTP-Açores das profundezas do mar da zona da Ribeira Quente, onde existem fumarolas submarinas.
Rádio Corridinho, sabotagem
Com dois parafusos apenas se terá sabotado sábado a Rádio Corridinho, deixando parte do território Algarvio sem a emissão da estação de Almancil. O silêncio sobreveio às 22h20 de Sexta-feira, prolongou-se até às 20h00 do dia seguinte, altura em que, por fim, os capciosos parafusos foram descobertos e, como é natural, retirados. Compreensivelmente irado, o proprietário e director da Rádio Corridinho, Vítor Gonçalves, declarou à agência Lusa não ter dúvidas que se tratou de «um acto de vandalismo praticado por alguém com conhecimentos técnicos».
Presos assaltantes de Macau
A sorte acompanhou-os durante seis meses, mas esgotou-se sábado, em Pequim, quando foram presos pela polícia chinesa. Assaltaram há seis meses o maior casino de Macau, o Hyatt, conseguindo levar mais de 570 mil contos. São suspeitos da autoria de mais três grandes assaltos a estabelecimentos do território sob administração portuguesa. Após esses cometimentos escaparam para a cidade de Zhubai, na província chinesa contígua a Macau, e desapareceram. Deixaram rasto, contudo. E anteontem oito dos implicados nos assaltos foram capturados na capital chineses.
Stendhal distingue RTP e Visão
A RTP, através do jornalista Jacinto Godinho, e a revista Visão, pelo jornalista Pedro Vieira, receberam sábado menções honrosas do Prémio Stendhal 1994, que este ano teve a sua cerimónia de entrega em Lisboa, no Palácio Nacional da Ajuda. O prémio é organizado pela fundação Adelphi, de Genebra, e pretende distinguir os orgãos de imprensa, as televisões e os jornalistas que, através dos seus trabalhos, melhor contribuem para tornar compreensível e esclarecer o processo de construção europeia. Este ano, os vencedores absolutos foram o jornal britânico «Finantial Times», na área económica, e a revista «La nueva España», no tema «a Europa das regiões».
«Idosos ficam melhor em casa»
A necessidade de «dar prioridade à manutenção do idoso no seu domicílio» foi defendida por Maria Joaquina Madeira, directora-geral da Acção Social. Na sua opinião, «colocar os idodos nas instalações das misericórdias, mesmo sendo estas muito agradáveis, provocam um desenraizamento em relação ao seu ambiente habitual». A directora-geral propôs que as instituições, o Estado e as populações conjuguem esforços para se conseguir que o idoso resida o máximo de tempo na sua própria casa.
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