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<DOCNO>PUBLICO-19941217-079</DOCNO>
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<DATE>19941217</DATE>
<CATEGORY>Mundo</CATEGORY>
<AUTHOR>PCR</AUTHOR>
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Bósnia
testa
sérvios
Os militares das Nações Unidas na Bósnia tencionam recomeçar hoje os seus voos para o aeroporto de Sarajevo, no que constituirá um teste ao cumprimento, por parte dos sérvios bósnios, da sua proposta de paz em seis pontos.
O líder sérvio bósnio, Radovan Karadzic, assegurou que os seus homens já estão a aplicar a maior parte das propostas que ele próprio apresentou e que disse terem como objectivo acabar de uma vez por todas com a guerra. Uma delas é a reabertura do aeroporto da capital, fechado desde 21 de Novembro. Segundo Karadzic, a pista «está segura e aberta».
Mesmo que o «teste» a realizar hoje pela Força de Protecção das Nações Unidas (Forpronu) decorra sem problemas, o transporte de ajuda humanitária por via aérea para a capital bósnia nunca recomeçará antes de meados da semana que vai começar, de acordo com um funcionário do Alto Comissariado para os Refugiados. E isto porque os países dadores pretendem avaliar primeiro até que ponto as promessas sérvias estão a ser cumpridas.
Outro ponto que a Forpronu vai avaliar é até que ponto os homens de Karadzic respeitarão os anunciados compromissos de permitir liberdade de movimentos ao pessoal das Nações Unidas e de retirar os sistemas de mísseis anti-aéreos estacionados em redor de Sarajevo.
Num desenvolvimento positivo, um comboio de veículos das Nações Unidas com ajuda de emergência chegou ontem ao enclave muçulmano de Bihac, no noroeste da república. Os dez camiões com alimentos para os 180 mil habitantes da bolsa cercada estiveram retidos durante 48 horas por combatentes sérvios da Croácia (Krajina), aliados dos sérvios bósnios. Em dois meses e meio, foi apenas o segundo comboio de ajuda a chegar ao enclave.
Entretanto, o Governo alemão anunciou ter chegado a um acordo de princípio para auxiliar a NATO a dar cobertura a uma eventual retirada dos soldados da ONU que se encontram na Bósnia, se e quando esta for decidida. O Executivo de Helmut Kohl apresentará um plano detalhado à Aliança Atlântica na quarta-feira.
Os social-democratas, na oposição, exigiram saber mais pormenores antes de apoiarem o que se pode transformar na primeira operação militar estrangeira da Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.
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