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<DATE>19950128</DATE>
<CATEGORY>Desporto</CATEGORY>
<AUTHOR>LF</AUTHOR>
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Uma final repetida no feminino
Arantxa Sanchez e Mary Pierce vão hoje discutir o título feminino do Open da Austrália, numa repetição da final de Roland Garros de 1994. Frente a frente vão estar uma tenista candidata ao primeiro lugar do «ranking» e outra à procura da primeira vitória num torneio do Grand Slam.
Em Paris, a última vez que as duas jogadoras se defrontaram, Sanchez foi a vencedora, tendo a francesa desiludido todos aqueles que a tinham visto praticar um ténis de alta qualidade durante uma quinzena em que eliminou, entre outras, a líder do «ranking», Steffi Graf. Pierce não voltou a exibir-se ao mesmo nível desde então, mas agora, por outro lado, poderá não sentir tanta pressão como no «open» parisiense, em que participava na sua primeira final do Grand Slam e diante dos seus compatriotas. «No `French' estava a jogar muito melhor. Penso que foi inacreditável, o melhor que alguma vez joguei», disse ela.
A sua presença nesta segunda final de um torneio do Grand Slam é reflexo da sua condição física, que no último ano foi uma prioridade no seu trabalho com o treinador norte-americano Nick Bollettieri. «Mary é uma das jogadoras mais em forma, mas tem que ser a melhor», afirma o seu preparador físico, o colombiano José Rincon, que pela primeira vez a acompanha num Grand Slam.
«Mary precisa de trabalhar o físico todos os dias. Por exemplo, após a vitória sobre a Zvereva, fizemos uma hora de aeróbica de manutenção e flexões. E no dia seguinte, que seria de folga, trabalhámos durante duas horas em exercícios de velocidade e reflexos, um pouco de levantamento de pesos e mais flexões, que lhe permitirão evitar lesões», justificou Rincon, acrescentando que ela «sempre teve boas bases físicas, graças ao seu pai, que a fazia trabalhar duramente».
Aliás, Pierce é a primeira a afirmar que, apesar da sua separação, se não fosse o pai, não tinha chegado onde chegou. Mas Rincon sustenta que ela ainda está a 80 por cento do seu potencial físico. «Nos últimos meses, ela tem batido todos os recordes nos testes que regularmente fazemos. Se continuar assim, ainda se torna na `Supermulher'», ironiza.
Ambas as finalistas ainda não cederam um único «set» na prova, mas, em cinco encontros, a tenista francesa nascida no Canadá só derrotou a sua adversária espanhola uma vez, no ano passado, e foi em terra batida. «Quando joguei com Arantxa [em Roland Garros], estava nervosa e a pensar em várias coisas ao mesmo tempo e não consegui concentrar-me como nas partidas anteriores», revela Pierce. «Desta vez vou concentrar-me apenas no meu jogo como se fosse mais um encontro», garante a número cinco do «ranking» feminino.
Mais experiente (vitórias em Roland Garros, em 1989 e 1994, e EUA, também no ano passado), Sanchez também é da opinião de que esta partida não será como a de Paris. «É uma superfície diferente. Penso que quem for mais dura, mais agressiva e mais forte será a vencedora», disse a tenista espanhola, que no ano passado perdeu na final com Graf por uns severos 6-0, 6-2.
Ontem, Arantxa Sanchez fez um bom ensaio ao vencer a competição de pares juntamente com a checa Jana Novotna. Com o «central» já seco, as cabeças-de-série nº2 derrotaram na final as grandes favoritas, a norte-americana Gigi Fernandez e a bielorrussa Natalia Zvereva, par nº1, por 6-3, 6-7 (3-7) e 6-4. Um triunfo que rendeu cerca de 12 mil contos a cada jogadora vencedora, enquanto as outras finalistas se contentaram com metade desse valor.
P.K., com Reuter
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