<DOC>
<DOCNO>PUBLICO-19950129-120</DOCNO>
<DOCID>PUBLICO-19950129-120</DOCID>
<DATE>19950129</DATE>
<CATEGORY>Nacional</CATEGORY>
<TEXT>
A assembleia distrital de Aveiro do PSD, que esteve ontem reunida para debater a questão da liderança do partido, foi marcada pelo discurso «de despedida» do deputado Ângelo Correia, que traçou o perfil do sucessor de Cavaco Silva. Na opinião de muitos delegados presentes na reunião, o figurino traçado por Ângelo Correia assenta como uma luva em Durão Barroso. No final, Ângelo Correia desvalorizou esta interpretação, tanto mais que, acrescentou, «ainda irão aparecer outros candidatos».
Numa reunião extremamente participada, que se prolongou por três horas, Ângelo Correia -- que, neste ano, abandona a Assembleia da República por considerar o cargo de deputado «incompatível com a sua vida profissional» -- deixou ficar um autêntico testamento político dirigido, na quase totalidade, ao interior do PSD. Acusou o partido de «excessiva governamentalização» e não poupou críticas ao Governo, que, em seu entender, é «incapaz de ouvir o partido».
Para os tempos mais próximos, o PSD deveria tomar a iniciativa das reformas do sistema político, do sistema produtivo e da sociedade. E são as questões sociais, com o surgimento de casos de exclusão e fome, que impõem a «recuperação dos valores do PPD».
Para Ângelo Correia -- que afirma peremptoriamente não haver lugar «a um cavaquismo sem Cavaco» --, o modelo seguido na última década «está esgotado, tal como, desde há dois anos, todos os sinais davam a entender». Mas o futuro de Cavaco Silva, que recebeu um voto de louvor da assembleia distrital, passará, por vontade dos militantes de Aveiro, pela candidatura à Presidência da República. «Será um grande candidato presidencial, que terá todo o meu apoio», resume Ângelo Correia.
A aposta, agora, é a abertura do PSD «à inovação». E o próximo líder deveria assumir a inovação no partido, na sociedade e no Estado -- afirmou no final do seu discurso. Segundo alguns militantes próximos deste deputado, este é, sem dúvida, «o perfil de Durão Barroso». Entretanto, a estrutura distrital da JSD anunciou ontem, mesmo antes da assembleia, o seu apoio público ao ministro dos Negócios Estrangeiros.
Daniel Oliveira
</TEXT>
</DOC>