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<DOCNO>PUBLICO-19950131-042</DOCNO>
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<DATE>19950131</DATE>
<CATEGORY>Cien_Tecn_Educ</CATEGORY>
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Ariane-5 mais perto da partida
O novo foguetão europeu Ariane-5, cujo voo inaugural está marcado para o dia 29 de Novembro, ultrapassou mais uma etapa do seu desenvolvimento, com a ignição do seu andar principal (EPC ou andar principal pirotécnico) na base espacial europeia de Kourou, na Guiana Francesa, na passada sexta-feira.
Com um ruído semelhante ao da descolagem de um avião a jacto, o motor Vulcain que equipa este andar funcionou durante três minutos e 43 segundos, lançando em torno de si uma nuvem de vapor, num verdadeiro ensaio geral de lançamento. Além do teste de ignição, os computadores que controlam o processo tiveram de resolver diversas «avarias» provocadas voluntariamente no sistema de pressurização dos reservatórios de hidrogénio e oxigénio que alimentam os motores, de forma a experimentar os sistemas de segurança.
«Foi a primeira vez que reunimos os diferentes elementos do EPC: motor, equipamentos de propulsão, sistemas eléctricos, calculadores de bordo e respectivos programas. E o ensaio foi um sucesso», disse Hugues Laporte-Weywada, chefe da divisão do Centro Nacional de Estudos Espaciais francês (CNES), que está encarregado do desenvolvimento deste andar.
O EPC foi desenvolvido pelas empresas Aérospatiale e Société Européenne de Propulsion, sob a orientação do CNES e por encomenda da Agência Espacial Europeia, mas na sua concepção e fabrico participaram cerca de 40 empresas. Este andar -- que custou 473 milhões de contos e é o principal componente do Ariane-5, tendo 30 metros de altura e 5,4 de diâmetro -- está colocado entre dois propulsores laterais, que asseguram, por seu lado, nove décimos da força necessária para arrancar o foguetão à gravidade terrestre.
Na sua primeira missão, que tem um objectivo científico, o Ariane-5 deverá colocar em órbita quatro pequenos satélites europeus destinados ao estudo da magnetosfera terrestre. Quanto à sua estreia em lançamentos comerciais, ela deverá ter lugar em Abril de 1996, segundo noticia a France Presse.
Com mais de 710 toneladas de peso e 45 a 56 metros de altura (esta dimensão varia conforme o tipo de «focinho» que for adaptado ao foguetão), esta aeronave será capaz de colocar 18 toneladas de carga útil numa órbita baixa e 6,9 toneladas em órbita geoestacionária (36 mil quilómetros de altitude). Em vez de ter três andares, o Ariane-5 é composto por duas partes, além de propulsores laterais que se separam do foguetão entre os 55 e os 70 quilómetros de altitude e caem de pára-quedas no mar, de forma a ser recuperados.
Inicialmente, o Ariane-5 foi pensado para colocar em órbita o avião espacial europeu Hermes e, embora este projecto tenha sido abandonado, não ficou privado da sua capacidade de lançar aparelhos espaciais habitados. No seu segundo voo, o lançador transportará uma cápsula conhecida por ARD (Atmospheric Reentry Demonstrator ou «demonstrador de reentrada atmosférica») desenvolvida no quadro do projecto de um veículo europeu capaz de transportar uma tripulação.
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