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<DOCNO>PUBLICO-19950424-026</DOCNO>
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<DATE>19950424</DATE>
<CATEGORY>Desporto</CATEGORY>
<AUTHOR>LF</AUTHOR>
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Única dúvida prende-se com a inclusão de Paulo Sousa
Uma equipa personalizada
António Tadeia
A selecção portuguesa fez ontem o último treino de conjunto antes da partida para a Irlanda. Ganhou por 5-0, mas não chegou sequer a testar o sector defensivo, tão fraco se revelou o Amora, o adversário de ocasião. Por isso, a sessão apenas serviu para descontrair e dar rotina de jogo à equipa.
«Era preciso pôr os jogadores a correr e a jogar com alegria.» É o treinador adjunto da selecção, António Simões, quem o diz. «Refinar.» Eis a palavra de ordem nos últimos trabalhos da selecção nacional de futebol antes da partida para a República da Irlanda, onde defronta quarta-feira a equipa local em jogo do Grupo 6 de apuramento para o Europeu. Tudo porque se pretende uma equipa que seja personalizada, que jogue sempre da mesma maneira, que não se acobarde apenas porque vai enfrentar a outra candidata ao primeiro lugar.
A única dúvida que ficou a quem viu o treino de ontem tem a ver com a entrada de Paulo Sousa na equipa. O médio da Juventus tem estado lesionado, limitou-se a correr à volta do campo, mas a sua inclusão nos disponíveis não oferece dúvidas. «A situação evoluiu bastante favoravelmente, penso que não vai haver problemas», esclareceu o médico da selecção, José Carlos Esteves, enquanto, bem disposto, o jogador se servia do telefone portátil para saber as últimas novidades do campeonato italiano. Daí que se coloque a dúvida: qual dos médios ontem utilizados no «onze» inicial sairá da equipa titular? Barroso ou Pedro Barbosa?
Se António Oliveira optar por tirar Pedro Barbosa, mantém um médio mais defensivo na equipa -- Barroso --, mas perde o contributo de um dos jogadores capazes de romper pela defesa adversária em jogada individual. Mas como Figo e Rui Costa também podem fazer esse papel, a solução até não é anormal. Se, pelo contrário, o preterido for Barroso, como parece querer dizer o facto de ter sido o primeiro a sair durante o treino, mantém-se Pedro, mas a selecção fica com um meio-campo algo desguarnecido na procura da bola. Sobretudo após a lesão de Oceano.
Outra hipótese, mais defensiva, poderia passar pelo sacrifício de Domingos, mas são vários os factores a desaconselhá-la. A começar pela actual boa forma do atacante portista e continuando na tal coerência procurada pela equipa que, até aqui, tem alinhado sempre com dois avançados. «Temos procurado libertar alguns destes jogadores, utilizando outros que são mais de contenção.» O que queria dizer António Simões? Só esta semana se saberá.
O jogo contra o Amora era para ser à porta fechada, mas acabou por ter assistência. Antes do início, cerca de uma centena de pessoas arrombou uma das portas do Estádio José Gomes, entrando para uma das bancadas de topo. Com muito barulho e insultos, deixaram o local após a intervenção de cinco agentes da PSP, mas só para regressarem ao intervalo. Perderam os primeiros quatro golos e o período em que actuou a equipa que mais se aproxima do «onze» inicial.
Oliveira começou por colocar em campo a seguinte equipa: Baía; João Pinto I, Fernando Couto, Jorge Costa e Paulinho Santos; Barroso; Figo, Rui Costa e Pedro Barbosa; Domingos e João Pinto II. A defesa era o sector menos testado e Barroso tinha como tarefa prioritária cobrir as investidas atacantes dos outros três médios, todos eles com ampla liberdade criativa. Por fim, no ataque, Domingos e João Pinto II eram as duas armas utilizadas, ambos com características que podem dar muito que fazer à defesa irlandesa: em vez do confronto físico que os irlandeses procurarão, os avançados portugueses impõem-se pela rapidez e pela mobilidade.
Em dois passes de Rui Costa, João Pinto II fez os dois primeiros golos de Portugal, aos 11 e aos 12'. Após abertura de Figo, o 3-0 chegou por Pedro Barbosa, aos 27'. E, aos 33', foi a vez de Domingos fazer o 4-0. Sensivelmente ao mesmo tempo, deu-se a primeira substituição na selecção: Barroso, que festejou ontem o nascimento de uma filha, saiu, dando o seu lugar a Folha. O extremo portista foi colocar-se no flanco esquerdo, Pedro Barbosa fixou-se na direita e Figo e Rui Costa continuavam a pautar o jogo, em tabelas com os avançados. Mas nos primeiros 45 minutos não houve mais golos.
Na segunda parte, que só durou 25 minutos, a equipa nacional sofreu várias alterações. Alfredo ocupou o lugar de Vítor Baía entre os postes, Secretário substituiu João Pinto como lateral direito, Hélder entrou para defesa central em vez de Fernando Couto e, no ataque, Paulo Alves e Sá Pinto renderam Domingos e João Pinto II. E só houve mais um golo, marcado por Rui Costa de livre directo, aos 48 minutos de jogo.
«Nesta altura da época o mais importante é refinar, melhorar os processos, pôr os futebolistas a jogar juntos, ensaiar bolas paradas e repeti-las sempre que necessário, jogar de forma simples, muitas vezes ao primeiro toque. E vê-se que os jogadores estão mentalmente frescos», disse António Simões.
Paulo Madeira convocado
O defesa central Jorge Costa lesionou-se no último lance do jogo. Não é nada de grave, mas a situação foi, ainda assim, definida pelo médico da selecção, José Carlos Esteves, como «preocupante». E levou António Oliveira, a recorrer a Paulo Madeira, um dos jogadores que estava de prevenção.
Jorge Costa alinhou durante os 70 minutos do treino no centro da defesa. Era, por isso, dada como assente a sua utilização em Dublin. Até que se lesionou no «tendão de Aquiles direito». «Estive a avaliar a situação e devo dizer que é de difícil diagnóstico. Ele tem o tendão dorido, mas só durante a semana vamos poder fazer uma avaliação mais fiável», disse no final do treino José Carlos Esteves. O jogador, no entanto, manifestou-se seguro de que vai estar em condições de ser escolhido por Oliveira. «Espero treinar já amanhã [hoje]», referiu. E não teme ficar de fora por lesão? «De maneira nenhuma», concluiu, antes de entrar no autocarro.
Mesmo assim, António Oliveira chamou Paulo Madeira, defesa central do Benfica. Tudo porque a partida para Dublin acontecerá já hoje ao fim da tarde, antes de se terem certezas acerca de Jorge Costa. O seleccionador acabou assim por recorrer a um dos jogadores que já estava de prevenção desde a lesão sofrida por Oceano.
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