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<DOCNO>PUBLICO-19950816-113</DOCNO>
<DOCID>PUBLICO-19950816-113</DOCID>
<DATE>19950816</DATE>
<CATEGORY>Sociedade</CATEGORY>
<AUTHOR>JMF</AUTHOR>
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Fogo cercou casas em Gondomar
Cerca de nove hectares de mato e pinhal em Melres, Gondomar, foram ontem completamente consumidos por violentas chamas, que também ameaçaram dezenas de habitações. Além de vários bombeiros intoxicados, três pessoas sofreram queimaduras ligeiras e muitas outras tiveram de ser evacuadas devido a problemas respiratórios provocados pelo denso fumo que cobriu a área. O fogo deflagrou pelas 5h00 e foi dado como «aparentemente» controlado ao final da tarde, embora algumas zonas estivessem ainda a sofrer reacendimentos preocupantes. No combate às chamas estiverem envolvidas catorze corporações de bombeiros, com cerca de 130 homens, mais de 30 viaturas e um helicóptero de reconhecimento.
Segundo o comandante Viana, dos Voluntários de Melres, «em cerca de duas horas, entre as 5h30 e as 7h30, o fogo lavrou intensamente em mais de nove hectares de mata e pinhal, cerca de metade da área arborizada da freguesia», perante a impotência dos bombeiros, cuja acção se centrou mais nas zonas habitacionais ameaçadas pelas chamas. Nenhuma casa foi seriamente atingida, mas muitas ficaram parcialmente danificadas e chamuscadas.
As primeiras horas da manhã foram as de maior perigo e pânico entre a população, que também tentava ajudar no combate ao fogo com os meios disponíveis, rudimentares. «Há treze anos que não se via nada assim nesta zona», disse ao PÚBLICO uma moradora, que, para além das vinhas queimadas, chegou a ver a sua habitação ameaçada pelas labaredas. Para além de Melres, as localidades de Branzelo, Serra das Flores, Vila Cova, Vilarinho, Covelo e Foz do Sousa foram as mais atingidas. A circulação rodoviária na EN108 esteve impedida durante duas horas.
Segundo os bombeiros, «muitas bocas de incêndio não funcionaram e alguns marcos de água nem sequer existiam». Em algumas localidades com as «bocas secas», valeu a existência de poços de água artesanais para ajudar a reabastecer os autotanques. Os maiores adversários dos bombeiros foram, porém, os irregulares e densos acessos ao interior da mata. O comandante Viana queixou-se ainda do «não-cumprimento do regulamento que obriga à remoção do restolho quando se procede ao derrube de árvores na floresta», facto que contribuiu para que o fogo se intensificasse e alastrasse.
Manuela Teixeira
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