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<DOCNO>PUBLICO-19951019-019</DOCNO>
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<DATE>19951019</DATE>
<CATEGORY>Desporto</CATEGORY>
<AUTHOR>LF</AUTHOR>
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Eficácia do Sporting desce 15% sem o extremo nigeriano
A influência de Amunike
António Tadeia
O Sporting defronta hoje o Rapid Viena sem Amunike. A equipa técnica desdramatiza esta ausência, fala num plantel com muitas escolhas, mas os números provam que, sem Amunike, o Sporting ganha menos, empata e perde mais, marca menos golos e sofre mais. Um problema.
O primeiro episódio decorreu no Estádio das Antas. No início da segunda parte, o Sporting vencia o FC Porto por 1-0 em jogo da primeira jornada do actual campeonato, quando Amunike foi expulso. Jogando contra dez, os portistas chegaram a 2-1. O segundo episódio seguiu-se uma semana depois. Sem Amunike, castigado, o Sporting não foi além de um empate a zero, em casa com o Boavista. Até agora não houve outras sequelas, uma vez que, com excepção da segunda parte do jogo de Leiria, Amunike fez sempre parte dos escolhidos de Queiroz, e o Sporting nunca mais perdeu pontos.
O nigeriano que, por lesão, está afastado do desafio de hoje com o Rapid Viena provou a razão dos que, há um ano, se bateram para o arrebatar ao Duisburgo. A sua acção em campo, quer defensiva quer ofensiva, reflecte-se claramente na produção global da equipa. Fazendo as contas aos jogos do campeonato e das provas europeias desde que o nigeriano se estreou pelo Sporting, conclui-se que, sem Amunike em campo, a equipa leonina faz menos golos (1,57 por jogo contra 1,75 com ele) e sofre mais (0,85 face a 0,57). Como consequência normal destes números, sem Amunike o índice de vitórias baixa de 64 para 42 por cento, os empates aumentam de 25 para 42 por cento e as derrotas crescem de 10 para 14 por cento. É por isso normal que, sem o nigeriano, o rendimento leonino baixe de 72 para 57 por cento.
É verdade que, este ano, o plantel do Sporting tem mais escolhas que na época passada e que José Costa tem razão ao salientar isso mesmo. «É precisamente para combater casos como estes [ausências de Amunike e Ouattara] que quisemos um plantel forte», sublinha o adjunto de Queiroz. Mas, a confirmar-se a tendência, as preocupações vão muito além desta noite: a meio da época, o Sporting vai estar privado de Amunike por duas ou três semanas, devido à participação da selecção nigeriana na Taça de África das Nações. E aí há que contar com a ausência física do jogador e com o período de re-adaptação à equipa no regresso, como já sucedeu na época passada, quando demorou a recuperar a forma após a participação nigeriana na Taça Intercontinental.
Após um longo conflito com o Duisburgo, que já tinha assinado contrato com o jogador por intermédio do ex-seleccionador nigeriano Westerhof, Amunike chegou a Lisboa em Agosto de 1994. Por cá se treinou durante três meses sem poder jogar e, após a intervenção conciliadora da FIFA, estreou-se em Alvalade com uma vitória por 2-0 contra o Beira Mar em jogo da 9ª jornada. O primeiro golo marcou-o um mês depois, ao Benfica, numa partida que os «leões» ganharam por 1-0. Foi o suficiente para os sócios do Sporting passarem a adorar este nigeriano de feitio simples e boné quase sempre a cobrir-lhe a cabeça rapada.
As primeiras ausências de Amunike na equipa foram bem resolvidas: em Chaves, o Sporting ganhou por 2-1, e em casa, com o Guimarães, chegou a vitória por 2-0. Mas à terceira foi de vez: sem o nigeriano, os «leões» só empataram em casa com o Farense (1-1). Na época passada, Amunike não jogou em mais três ocasiões: vitória por 4-0 em casa contra o União de Leiria, empate (2-2) em Guimarães na última jornada e derrota (0-2) na inútil repetição do jogo com o Benfica. A somar a estas seis partidas, já esta época Amunike esteve ausente apenas uma vez, no empate (0-0) em casa com o Boavista. E estará hoje.
Para ocupar o lugar de Amunike no jogo de hoje, Queiroz tem três opções fortes: Dominguez, escolhido contra o Boavista e substituto do nigeriano na segunda parte de Leiria; Assis, um jogador que veio com um rótulo de estrela mas que tem estado de fora devido a lesão; ou Dani, o jovem que tarda em afirmar-se nos seniores mas a quem, mais cedo ou mais tarde, será mesmo dada uma oportunidade. Como tal, a equipa do Sporting para hoje não deve andar longe da seguinte: Costinha; Nélson, Marco Aurélio, Naybet e Vujacic; Oceano e Afonso Martins; Sá Pinto, Pedro Barbosa e Dominguez; Paulo Alves.
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