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<DOCNO>PUBLICO-19951114-038</DOCNO>
<DOCID>PUBLICO-19951114-038</DOCID>
<DATE>19951114</DATE>
<CATEGORY>Mundo</CATEGORY>
<AUTHOR>PM</AUTHOR>
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Ieltsin quer eleições a tempo
O Presidente russo, Boris Ieltsin, manifestou-se ontem claramente pela realização das eleições parlamentares no prazo previsto pela lei, a 17 de Dezembro deste ano. Num encontro com Serguei Filatov, chefe da administração presidencial, realizado na Clínica Central de Moscovo, o Presidente decidiu pôr fim às dúvidas sobre a sua posição face às eleições parlamentares. Considerou que «é preciso esclarecer todas as questões para que as eleições parlamentares decorram normalmente e no prazo previsto na Constituição». Além disso, noutro encontro com Serguei Satarov, seu conselheiro, Ieltsin declarou ter pedido ao Conselho da Federação, câmara alta da Assembleia Federal da Rússia, que marque a data das eleições presidenciais. Segundo a lei eleitoral, as presidenciais deverão ser marcadas para o primeiro dia feriado após o termo do mandato presidencial, 12 de Junho, o que significa que elas deverão realizar-se no dia 16 de Junho de 1996. Estas declarações do Presidente russo vêm esclarecer uma situação que se tornou bem confusa após o internamento de Ieltsin. Desde essa altura, deputados e políticos começaram a falar com insistência na possibilidade de adiamento das eleições, alegando a inconstitucionalidade da lei eleitoral.
Julgamento de Krenz adiado
O julgamento em Berlim do último líder comunista da ex-RDA, Egon Krenz, foi ontem adiado por uma semana três minutos depois de ter começado, após o advogado de Defesa ter posto em causa a imparcialidade dos juizes. O advogado alegou que três dos cinco juizes provaram ter ideias preconcebidas sobre o caso ao concordarem, a semana passada, em agravar as acusações contra Krenz e os outros cinco membros do politburo do antigo Partido Comunista da Alemanha oriental. Os juizes decidiram adiar o julgamento, em que os seis réus são acusados de responsabilidade em 47 mortes na fronteira interna alemã, para dar tempo a que as objecções sejam examinadas. As acusações do advogado de Krenz incidem essencialmente sobre o juiz Hans Georg Brautigam, que terá pedido para que a acusação de «homicídio por omissão» fosse substituída pela de «participação activa». Na opinião do juiz, a atitude de «ver e deixar passar» equivaleria a uma responsabilidade activa pelas mortes na fronteira.
Ex-comunistas vencem na Bulgária
Os antigos comunistas da Bulgária obtiveram uma vitória esmagadora nas eleições municipais cuja segunda volta se realizou este fim-de-semana, mas a oposição reagiu logo afirmando que as eleições não foram «nem honestas nem civilizadas». O Partido Socialista (PSB), que detém a maioria absoluta no parlamento, conquistou as presidências das câmaras em dez das maiores cidades búlgaras, contra três que ficaram para a oposição, e ganhou também na maioria das pequenas localidades. Na totalidade das duas voltas, o PSB ganhou as presidências de 21 grandes cidades, incluindo Sófia, e a coligação anti-comunista União das Forças Democráticas (UFD) ganhou as de quatro cidades. A UFD, no entanto, deu uma conferência de imprensa acusando o PSB de ter feito uma «falsificação» e anunciando a intenção de recorrer a «todos os meios legais» para protestar contra as «manipulações».
Nigéria chama embaixadores
A NIGÉRIA chamou ontem muitos dos seus embaixadores no estrangeiro, em represália por idêntica atitude tomada por diversos países, que assim protestaram contra o enforcamento de nove activistas dos direitos ecológicos da minoria ogoni. Os representantes nigerianos nos Estados Unidos, na África do Sul e nos quinze países da União Europeia foram mandados regressar imediatamente, para consultas, enquanto a Rádio Federal e a Televisão da Nigéria se retiravam da Associação de Audiovisual da Commonwealth. Por seu turno, o Governo israelita juntou-se ontem ao coro dos que pedem a restauração do poder civil na Nigéria; e a África do Sul retirou um convite que tinha sido feito à selecção nacional nigeriana para participar num torneio quadrangular que iria ter lugar de 18 a 26 deste mês.
Fujimori desmente derrota
O PRESIDENTE peruano, Alberto Fujimori, desmentiu que a derrota do seu candidato, Jaime Yoshiyama, nas eleições para a presidência da Câmara Municipal de Lima, a capital, tenha sido um desaire para si, preferindo antes chamar-lhe um exemplo «positivo» de democracia...e nomeá-lo ministro da Presidência. «É um técnico de primeira classe. Não vou deixá-lo no congelador. Seria um desperdício», argumentou o chefe do Estado, acerca daquele seu compatriota igualmente de origem nipónica, derrotado nas autárquicas pelo candidato independente Alberto Andrade, que segundo dados ainda não oficiais conseguiu a vantagem de 53 a 47 por cento.
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