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<DOCNO>PUBLICO-19951115-022</DOCNO>
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<DATE>19951115</DATE>
<CATEGORY>Desporto</CATEGORY>
<AUTHOR>LP</AUTHOR>
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Portugal e República da Irlanda decidem hoje qualificação para o Europeu de futebol
«Vai ser uma transcendência»
Leonor Pinhão e Berta Rodrigues
Portugal joga esta noite, na Luz, frente à República da Irlanda a sua qualificação para a fase final do Campeonato da Europa. A um ponto do apuramento, «a selecção só pensa na vitória» como «percepção subliminar», nas palavras de Hernâni Gonçalves, adjunto de António Oliveira.
Casa cheia logo à noite no Estádio da Luz. «Está garantido», diz Joseph Wilson, o assessor de imprensa das selecções nacionais. Paulo Sousa no «onze» titular. «É quase certo», têm vindo a afirmar os médicos da FPF. A vitória frente à República da Irlanda. «Ninguém pensa noutra coisa», confessa Hernâni Gonçalves, adjunto do treinador António Oliveira. O que falta? Que o jogo comece. «Porque esta gente está motivada para ganhar mas é preciso que o público encha o estádio com a sua alegria e com o seu apoio», pede também Hernâni Gonçalves.
Ontem, a selecção fez o seu último treino antes do jogo. No relvado principal do Estádio Nacional, debaixo de chuva, os internacionais portugueses trabalharam durante uma hora. «Uma sessão bem disposta e ligeira», como a definiu Hernâni Gonçalves. Nas bancadas, alguns incondicionais adeptos da «equipa de todos nós» e uma numerosa representação feminina de jovens estudantes do ensino secundário, interessadas em fotografar os seus ídolos. «Sou adepta do FC Porto e vim ver o Vítor Baía porque ele é lindo»; «O Dominguez é giríssimo»; «O Paulinho Santos não me diz nada» -- estas foram algumas das frases soltas de uma tarde de chuva no Jamor.
Domingos, o avançado do FC Porto, foi o primeiro jogador a subir ao relvado, carregando com o saco das bolas -- «Ai coitadinho, é tão magrinho.» Às 16h30, começava o treino. Oliveira dividiu os jogadores em dois grupos e em metade de meio-campo jogou-se à mão -- qualquer coisa entre o andebol e râguebi -- com a particularidade de a finalização ter de ser feita de cabeça. Vermelhos de um lado e verdes do outro. Pelos «vermelhos» alinharam Oceano, Paulinho Santos, Fernando Couto, Dominguez, Cadete, Rui Costa, Secretário e João Pinto; pelos «verdes» jogaram Paulo Sousa, Nelson, Dimas, Figo, Hélder, Folha e Domingos. Ganharam os vermelhos, enquanto Vítor Baía e Neno se aprontavam noutra zona do relvado. Mais tarde, Domingos, Rui Costa e João Pinto -- alternadamente com Neno e Vítor Baía pela frente -- foram chamados a ensaiar remates de primeira a solicitações pelos extremos.
António Oliveira não quis falar depois do treino. «Penso que isso já estava decidido, devemos respeitar a vontade do seleccionador nacional, é preciso dar tranquilidade à equipa, tirar a pressão dos ombros desta gente», assim explicou Joseph Wilson a decisão do seleccionador nacional. Para Hernâni Gonçalves, o jogo desta noite com a República da Irlanda «vai ser uma transcendência» e o adjunto de António Oliveira, mesmo sabendo que «em futebol há sempre factores aleatórios», acredita firmemente na qualificação da selecção portuguesa. «Vamos todos transformar o espectáculo numa grande festa», é o seu apelo.
Para a festa começar cedo, a FPF solicitou os serviços de Luís Filipe Barros que, uma hora antes do início do jogo, vai «animar, através da cabina sonora, as bancadas da Luz». Joseph Wilson anunciou ontem, no Jamor, aos jornalistas o programa da festa mas avisou que «muita coisa depende do tempo», ou seja, se chove ou se não chove. Certa será a homenagem que vai ser feita a Jack Charlton e a Eusébio, momentos antes do início do jogo. E Rui Veloso cantará ao vivo o hino nacional.
Dúvidas e poucas palavras
Para já, a estratégia das selecções irlandesa e portuguesa não difere muito -- silêncio na véspera do jogo. Ontem, Jack Charlton limitou-se a mostrar preocupação pela situação de Andy Townsend, o médio esquerdo da equipa que parece não ter recuperado totalmente de uma lesão no pé direito. «O meio-campo é o maior problema», disse o seleccionador inglês da Irlanda.
De resto, Charlton e os jogadores optaram por falar pouco. Foi assim no treino da manhã (o único que fizeram em Portugal) e à tarde, quando a equipa esteve no Estádio da Luz por escassos minutos. A ideia era fazer uma ligeira sessão para adaptação ao terreno e à iluminação. Ficaram a saber que o relvado da Luz está muito, muito molhado. E não deverão ter ficado muito preocupados, porque a chuva e o relvado pesado podem servir melhor à selecção irlandesa, mais habituada a estas condições climatéricas. Mas, de manhã, Charlton tinha dito que preferia que não chovesse mais.
Em vão. Choveu muito em Lisboa, ontem à tarde, e chovia ainda mais ao princípio da noite. Talvez por isso, não foram muitos os adeptos irlandeses que se deslocaram ao Estádio da Luz para cumprimentar a equipa. Mas estiveram lá alguns. E bem dispostos. Até houve quem se fizesse fotografar ao lado dos polícias portugueses que zelavam pela segurança. Ou não fosse o jogo um pretexto para os cerca de 20 mil irlandeses que estão já em Portugal virem fazer turismo.
Voltando ao futebol, Charlton diz que só hoje irá escolher o «onze» inicial. Mas a equipa, condicionada ao estado de Townsend, pode ser esta: A. Kelly; G. Kelly, P. McGrath, A. Kernaghan, D. Irwin; P. Babb, McAteer, Kenna, Staunton; N. Quinn e Aldridge. Do lado português, a constituição provável da equipa é a seguinte: Vítor Baía, Secretário, Fernando Couto, Hélder e Paulinho Santos, Oceano, Paulo Sousa, Figo, Rui Costa, João Pinto e Domingos.
Canal 1, 21h00
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