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<DATE>19951123</DATE>
<CATEGORY>Sociedade</CATEGORY>
<AUTHOR>FCOL</AUTHOR>
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Do Egipto a Israel
Sismo abala o Médio Oriente
Dez mortos e uma centena de feridos é o balanço de um tremor de terra que ontem de madrugada abalou durante um minuto -- atingindo 7,2 pontos na escala de Richter -- toda a região do Médio Oriente, provocando a queda de edifícios na Jordânia, Egipto e Israel. Mas, nos Montes Sinai a visão espectacular de gigantescas nuvens de poeira avermelhada, provocadas pelo abalo sísmico, não chegou a provocar o pânico.
O abalo ocorreu às 6h15 locais (madrugada em Lisboa), tendo o seu epicentro no Golfo de Aqaba, 110 quilómetros a sul do porto jordano com o mesmo nome, onde um homem de 72 anos faleceu devido a um ataque cardíaco. Como disse à Reuter Ian Penberthy, um turista australiano, o sismo «começou lentamente, como uma locomotiva a aproximar-se... Depois, parecia uma barragem de artilharia».
Armando Cisterna, sismólogo francês do Instituto de Geofísica de Estrasburgo, afirmou que poderá haver um reacender de actividade sísmica na região, onde uma falha parecia «adormecida», podendo acontecer «outros sismos mais ao norte, em regiões muito povoadas».
A maior parte da dezena de mortes ocorreu no Egipto. No Cairo, onde há muito existem milhares de prédios em ruína, dois egípcios morreram ao saltar das janelas das suas casas. O desmoronamento de um prédio de quatro andares nos subúrbios da cidade não causou vítimas, visto ter sido evacuado meses antes.
Pelo contrário, a queda de um hotel de três andares no porto de Nuweiba (próximo do epicentro) causou a morte a três pessoas e feriu mais de dez. A outra vítima mortal em solo egípcio foi um homem que saltou da janela de um quinto andar na cidade de Assiut, no Sul do país. O facto de tudo ter ocorrido a meio da noite evitou piores consequências. Em Outubro de 1992, um sismo que atingiu 5.3 na escala de Richter matou 340 pessoas no Cairo, devido ao pânico que se seguiu ao sinistro.
A única vítima em Israel -- houve ainda dois mortos na Arábia Saudita -- foi um turista que sofreu um ataque cardíaco na cidade de Eilat. A polícia local viu-se ainda forçada a fechar uma estrada onde aparecera uma falha de 400 metros. Yoan Dan, residente num subúrbio de Telavive (onde os estragos foram mínimos) nem percebia o que a acordara. «Senti a minha cama a mover-se de um lado para o outro. Ouvi os candeeiros a cair e a minha irmã começou a gritar. Não percebia o que se estava a passar. Pensei que me estavam a tentar acordar mas depois vi que não havia ninguém junto a mim», disse à Reuter.
PÚBLICO/Reuter/AFP
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