«Luís Lindberg Farias Filho» nasceu em João Pessoa no dia 8 de dezembro de 1969, filho do médico Luís Lindberg Farias e de Ana Maria Nóbrega Farias, professora universitária. Seu pai estudou no Rio de Janeiro, foi presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) da Paraíba e vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1961. Seu avô era eleitor do Partido Comunista. Ele foi batizado com o mesmo nome do pai, uma homenagem do avô ao aviador norte-americano Charles Lindbergh, que fez a primeira travessia solo do Atl"ntico em 1927. Luís vem do nome do avião de Charles Lindbergh usado na travessia do Atl"ntico, o Spirit of St. Louis.

Lindberg Farias fez o curso secundário na Paraíba, estudando no Colégio Pio X e no Colégio Marista. Segundo ele mesmo diz, cresceu cercado de livros sobre o pensamento da esquerda. Por orientação de seu pai, iniciou-se na leitura de obras de escritores socialistas e, aos 14 anos, já se dizia socialista. Influenciado pela vida do médico e guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, resolveu estudar medicina e ingressou na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 1987. Ao mesmo tempo, a conjuntura política de transição democrática e a experiência em plantões num hospital público acabaram por reforçar suas tendências políticas socialistas, e em 1988 filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), no qual atuou no seu braço juvenil, e chegaria, em 1996, a ser presidente nacional da União da Juventude Socialista (UJS). Ainda em 1988 participou do XXXIX Congresso da UNE, realizado em São José dos Campos (SP). No ano seguinte passou a fazer parte do centro acadêmico de sua faculdade e em 1990 do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPB, como secretário-geral. Em 1991 participou de um congresso da UNE em Campinas (SP), no qual foi eleito secretário-geral e se mudou para São Paulo. Transferiu-se em 1992 para o Rio de Janeiro, e ainda nesse ano foi eleito presidente da UNE, no congresso realizado em Niterói (RJ), iniciando sua gestão em maio, em substituição a Patrícia de Angelis.

Também em maio de 1992 teve início grave crise política envolvendo o presidente da República Fernando Collor de Melo (1990-1992), acusado pelo irmão, Pedro Collor, de envolvimento com um esquema de corrupção liderado por Paulo César Farias, ex-tesoureiro de sua campanha eleitoral. Lindberg conseguiu que as entidades estudantis participassem das discussões promovidas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em agosto, foi um dos líderes das manifestações populares que em cerca de dez capitais do país exigiram a saída de Collor do governo. Em decorrência da maquiagem usada pelos estudantes nas passeatas, ficou conhecido como o líder dos caras-pintadas. Em 29 de setembro, a C"mara dos Deputados aprovou a abertura do processo de «impeachment» contra o presidente. Exatos dois meses depois, Collor renunciou ao mandato momentos antes de ter seus direitos políticos suspensos pelo Senado Federal. Foi então substituído na chefia do Executivo por seu vice Itamar Franco, que vinha ocupando o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.

Durante o governo Itamar Franco, Lindberg tornou-se um interlocutor frequente do novo presidente, a quem o PCdoB fez uma oposição não sistemática. No plano nacional, defendeu a mobilização dos estudantes contra o programa governamental de privatização de empresas e a favor de uma campanha nacional de alfabetização. Em relação às demandas estudantis, pleiteou a volta do controle das mensalidades escolares, liberadas no governo Collor. Em março de 1993, liderou no Rio de Janeiro uma manifestação de rua em que milhares de estudantes secundaristas e universitários protestaram contra os aumentos elevados das mensalidades. Ainda nesse ano, integrou o Movimento pela Ética na Política, organizado por entidades da sociedade civil para lutar contra a corrupção política no país. Completou seu mandato como presidente da UNE em julho de 1993 e também nesse ano transferiu-se para o curso de direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 1994, tornou-se membro do diretório regional do PCdoB carioca e trancou a matrícula na faculdade para se candidatar a deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro pela coligação Frente Brasil Popular, integrada pelo PCdoB, o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Partido Verde (PV) e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Em sua plataforma eleitoral, deu ênfase à luta pela aplicação de um mínimo de 18% do orçamento nacional na área da educação, prevista na Constituição mas não executada, e pela diminuição das taxas de juros como forma de incentivo ao capital produtivo.

## Deputado Federal

Nas eleições de outubro de 1994, Lindberg foi o deputado federal mais bem votado de sua coligação (57.544 votos), com votos provenientes de sua base eleitoral na cidade do Rio de Janeiro. Devido a denúncias de irregularidades supostamente ocorridas durante o processo de votação, o pleito foi anulado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), e nova eleição foi marcada para novembro seguinte. Confirmada sua eleição, assumiu uma cadeira na C"mara dos Deputados em fevereiro de 1995, tornando-se membro da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da casa. Pautou seu primeiro mandato na oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso. Durante o processo das privatizações, Lindberg destacou-se nas manifestações contra a privatização da Companhia Vale do Rio Doce e do Sistema Telebrás: na venda da Vale, se uniu às manifestações de cerca de 100 estudantes na entrada da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro; e no leilão das telefônicas enfrentou a polícia em protestos.

Centrando sua atuação parlamentar nos assuntos referentes à educação, Lindberg foi um dos principais opositores do Exame Nacional de Cursos proposto pelo governo para avaliar o ensino superior. Batizado de provão, o exame deveria ser realizado ao final da graduação por todos os alunos. Segundo o deputado, o projeto aprovado pelo Congresso Nacional em novembro de 1995 reduzia a avaliação das universidades a uma simples prova, e não contribuía para um real aperfeiçoamento das instituições de ensino superior.

Durante o processo de reforma constitucional levado a cabo nesse ano, acompanhou quase sempre as teses defendidas pela oposição, votando contrariamente à abertura da navegação de cabotagem às embarcações estrangeiras; à abolição do monopólio estatal nas telecomunicações e na exploração do petróleo pela Petrobras; e à prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) - antigo Fundo Social de Emergência (FSE) -, criado na legislatura anterior para garantir o financiamento do plano de estabilização econômica do governo, o Plano Real. Manifestou-se, no entanto, a favor da extinção do monopólio dos governos estaduais na distribuição do gás canalizado e esteve ausente da sessão que aprovou a proposta de revisão do conceito de empresa nacional.

Em 1996, foi membro das comissões de Defesa do Consumidor e de Trabalho, Administração e Serviço Público da C"mara. Em julho desse mesmo ano, declarou-se favorável à instituição da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) - antigo Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) -, tributo criado para aumentar a arrecadação do Ministério da Saúde.

Previsto para novembro, o primeiro provão do ensino superior sofreu uma forte oposição da UNE. Apoiada, entre outros, por Lindberg, a entidade lançou uma campanha para que os estudantes boicotassem o exame e entregassem a prova em branco. Posteriormente, Lindberg propôs, sem êxito, uma solução negociada, sugerindo que os formandos fizessem a prova, mas sem assiná-la. Após o exame - realizado pelos cursos de administração, direito e engenharia civil -, afirmou que a avaliação [havia sido] inviabilizada pelo número elevado de ausências e pelo excesso de testes em branco.

Ainda em novembro de 1996, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu anular a eleição de novembro de 1994 e restabelecer o resultado do pleito de outubro. Alegando falta de fundamentação nas denúncias de fraude, o tribunal deu ganho de causa aos recursos impetrados pelos candidatos prejudicados com a decisão do TRE de realizar um novo pleito. Eleito nas duas ocasiões, Lindberg não teve sua condição alterada, sendo reempossado na C"mara em 17 de fevereiro de 1997, ano em que integrou a Comissão de Viação e Transportes.

Ainda em fevereiro, declarou-se contrário à emenda que instituiu a possibilidade de reeleição para prefeitos, governadores de estado e o presidente da República. Três meses depois, foi o autor de uma emenda - rejeitada pela C"mara - que propunha a elevação, de 18% para 25%, do percentual do Orçamento da União a ser destinado obrigatoriamente à educação.

Como membro da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da C"mara, integrou uma subcomissão criada para investigar denúncias de corrupção na Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (Conaf). Veiculado pela Rede Globo de Televisão, o caso tinha como principais envolvidos o ex-presidente da entidade Ivens Mendes e os presidentes Alberto Duailibi, do Esporte Clube Corinthians Paulista, e Mário Celso Petraglia, do Clube Atlético Paranaense, agremiações que teriam sido beneficiadas por um esquema de manipulação de resultados supostamente liderado por Mendes durante sua passagem pela Conaf.

Cotado para presidir as investigações, Lindberg foi no entanto surpreendido, ainda em maio de 1997, com a eleição do deputado Eurico Miranda, do Partido Progressista Brasileiro (PPB), para a presidência da subcomissão. Alegando que a eleição de Miranda era o resultado de uma manobra dos dirigentes para evitar que o caso fosse levado até o fim, decidiu renunciar à sua vaga, sendo acompanhado por mais dois parlamentares. Afastado da subcomissão, passou a defender a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as atividades de Ivens Mendes.

Também no mesmo período, após a divulgação dos resultados do provão, entrou com uma representação na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão contra o ministro da Educação, Paulo Renato de Sousa. Juntamente com o deputado Ricardo Gomide (PCdoB-PR), alegou no recurso uma suposta violação dos interesses dos estudantes e pediu a anulação do exame. Segundo os deputados, o ministro havia infringido a própria lei que instituíra o provão, por ter determinado a realização de um único teste em lugar da utilização de procedimentos e critérios mais abrangentes. No final do mês seguinte, às vésperas do segundo Exame Nacional de Cursos, Lindberg foi um dos autores da ideia do provão paralelo, forma de protesto com a qual a UNE pretendeu realizar uma avaliação do Ministério da Educação junto aos estudantes.

Em 1997 declarou-se trotskista e em setembro desse ano deixou o PCdoB, ingressando logo em seguida no PSTU. Ao justificar sua saída, afirmou que seu antigo partido estava inerte na burocracia. Dois meses depois, posicionou-se contrariamente ao destaque do projeto de reforma administrativa do governo que instituiu a possibilidade de demissão no serviço público por insuficiência de desempenho ou por excesso de gastos com pessoal.

No pleito de outubro de 1998 - ano em que participou da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da C"mara -, candidatou-se à reeleição na legenda do PSTU, que então não integrava nenhuma coligação. Apesar da expressiva votação que obteve - 73.791 votos -, não conseguiu se eleger pelo fato de seu partido não ter atingido o quociente mínimo de votos exigido pela lei eleitoral.

No mês seguinte, posicionou-se contrariamente à adoção de um limite máximo para as aposentadorias do setor público e à instituição da idade mínima e do tempo de contribuição como critérios de concessão dos benefícios para os trabalhadores da iniciativa privada. Deixou a C"mara em janeiro de 1999, ao fim do mandato, depois de ter votado contra a Lei 9.783, que estabeleceu a contribuição previdenciária dos trabalhadores inativos.

No pleito de outubro de 2000 concorreu, na legenda do PSTU, a uma cadeira na C"mara dos Vereadores da cidade do Rio de Janeiro. Mais uma vez, embora tenha obtido uma significativa votação (40.503 votos), não foi eleito, pois o seu partido, como não integrava nenhuma coligação, não conseguiu atingir o quociente eleitoral exigido pela lei.

Transferindo-se, em agosto de 2001, para o PT, em cerimônia de que participou o então presidente interino do partido, José Genoíno, voltou a se candidatar à C"mara dos Deputados e foi eleito com 83.468 votos no pleito de outubro de 2002, no qual apoiou Luís Inácio Lula da Silva (PT) para presidente da República. Antes mesmo de ser empossado, alinhou-se, em outubro, com o grupo de oposição interna no PT, conhecido como os radicais  formado, entre outros, pelas senadoras Heloísa Helena (AL) e Ana Júlia Carepa (PA) e pelos deputados Luciana Genro (RS), João Batista Oliveira de Araújo, o Babá (PA), e Maria José da Conceição Maninha (DF) , contra a intenção anunciada pelo presidente eleito no sentido de cumprir todos os compromissos firmados pelo governo anterior com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Argumentando ter ajudado a eleger Lula para que ele constituísse um contraponto ao modelo neoliberal, defendeu o rompimento com o FMI e a não assinatura do acordo de criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), patrocinada pelo governo dos Estados Unidos.

Empossado em fevereiro de 2003, tornou-se membro titular da Comissão Especial da Reforma da Previdência e vice-líder do PT na C"mara, mas manteve-se crítico em relação à política econômica do governo, bem como às suas propostas de reforma da Previdência Social, em especial a contribuição dos inativos, que estava suspensa, porque a Lei 9.783 havia sido considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas fora incluída na agenda de reformas anunciada por Lula.

Após ter tentado articular, em abril, com o presidente do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Leonel Brizola, e a senadora Heloísa Helena, uma frente de oposição ao projeto de reforma da Previdência, começou a ser acusado, por seus companheiros de oposição interna, de abrandar as críticas ao governo e de receber um tratamento diferenciado por parte da cúpula do partido. No início de maio, os principais membros do grupo radical foram punidos com o afastamento, por tempo indeterminado, das comissões de que participavam na C"mara. Na ocasião, Lindberg declarou que, mesmo com a punição, não recuaria em relação às críticas ao governo. Em 6 de maio, a bancada federal do PT, seguindo a orientação do presidente nacional do partido, José Genoíno, determinou seu afastamento da vice-liderança por 30 dias. Foi, no entanto, poupado do processo disciplinar aberto pela direção do PT contra os radicais, grupo afinal reduzido a Heloísa Helena, Luciana Genro e Babá. Os demais teriam, segundo a imprensa da época, feito um acordo com os dirigentes partidários, pelo qual se pronunciariam contrariamente à contribuição dos inativos, mas votariam com a bancada caso a maioria se pronunciasse a favor da medida  informação confirmada, em relação a Lindberg, por Genoíno, em declarações públicas feitas logo após iniciado o processo disciplinar.

Diante da iminência da expulsão de Heloísa Helena do partido, Lindberg, que atribuía a crise à reunião que ambos haviam tido com Leonel Brizola, declarou-se, em 20 de maio, desconfortável por ter sido excluído do processo e disposto a deixar o partido caso a senadora fosse punida, embora entendesse que a posição mais adequada fosse permanecer no PT para tentar fazer valer seus pontos de vista. No dia 11 do mês seguinte, participou, em Brasília, de uma manifestação dos servidores públicos contra a reforma da Previdência. Finalmente, em 6 de agosto, pronunciou-se a favor da reforma na primeira votação no Congresso, embora assinando uma declaração de voto contrário à taxação dos inativos. Na votação em segundo turno, ocorrida no dia 27 seguinte, destacou-se entre os oradores que defenderam a reforma, argumentando que o projeto do governo melhorara em pontos essenciais, como a manutenção do salário integral na aposentadoria para o funcionalismo então ativo e o aumento das faixas de isenção para os inativos e de redução das taxas para os futuros pensionistas.

Finalmente, a reforma da Previdência foi à discussão decisiva em dezembro. Acusado, na ocasião, de ter mudado de posição por ser pré-candidato do PT à prefeitura de Nova Iguaçu (RJ), Lindberg voltou a defender o conjunto do projeto, observando que o governo Lula mudara para melhor em relação ao início de 2003, tendo privilegiado articulações com países como China, Rússia, Índia e África do Sul, além de ter contribuído decisivamente para o esvaziamento do debate sobre a ALCA e exigido a imediata retirada das forças de ocupação no Iraque, lideradas pelos EUA. Em face dessas posições, a atitude dos radicais  que seriam expulsos do PT em dezembro de 2003, contra o seu voto  acabaria, no seu entender, fazendo o jogo das forças direitistas. O projeto foi afinal aprovado, tornando-se a Emenda Constitucional nº 41, que instituiu, entre outras novidades na área previdenciária, a contribuição para inativos e pensionistas.

No início de 2004, Lindberg assumiu a relatoria da Comissão Externa da C"mara dos Deputados criada em janeiro para analisar os impactos que a homologação da reserva indígena Raposa Serra do Sol  em área contínua, na extensão de 1,75 milhão de hectares, como definido no decreto que a criara em 1998  poderia causar no noroeste de Roraima. A comissão deveria ir à área, onde ocorriam conflitos entre índios e fazendeiros, e avaliar a situação da demarcação e o desalojamento da população não indígena, estimada em 7 mil habitantes. Em seu relatório final, apresentado em 31 de março, sugeriu medidas que implicariam a redução da reserva. Entre elas, a criação de uma faixa de 15 km, que chamou de calha, ao longo da fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana, perfazendo aproximadamente 500km de extensão. Nessa faixa de proteção, recomendava, por razões de segurança nacional, a criação de polos urbanos produtivos junto às habitações indígenas. As propostas despertaram a oposição de vários setores ligados aos indígenas, principalmente de seus chefes e da Fundação Nacional do Índio (Funai). Aprovado em 14 de abril, o relatório constituiu a base da demarcação homologada por decreto presidencial de 15 de abril de 2005. A reserva continuaria, contudo, palco de conflitos, principalmente em decorrência da ação de plantadores de arroz que resistiam a deixar a região. Houve intenso debate entre entidades ligadas aos indígenas, parlamentares e membros do Judiciário e do Exército. Em 20 de março de 2009, o Supremo Tribunal Federal tomaria uma decisão final, confirmando a homologação contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e determinando a retirada dos não indígenas da região.

## Prefeito de Nova Iguaçu

Tendo como vice Itamar Serpa, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)  que depois de alguns meses seria substituído por Sheila Gama (PDT) , Lindberg Farias lançou-se à sucessão de Mário Marques (PMDB) como prefeito de Nova Iguaçu, uma das principais cidades da Baixada Fluminense. Foram candidatos a prefeito, também, o próprio Mário Marques, que buscava a reeleição, Fernando Gonçalves, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Carlos Antônio Rodrigues dos Santos, Carlão (PSTU), e José Renato (PCB). Sua candidatura, sustentada pela coligação Hora da Mudança  formada com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o PCdoB, o PSDB e o Partido da Frente Liberal (PFL) , foi interpretada como um esforço do PT para expandir-se na Baixada Fluminense e abalar a hegemonia do ex-governador Antony Garotinho (PMDB) na região. Lindberg explicou que sua vitória significaria uma mudança no quadro político estadual, com a derrota dos coronéis da Baixada, e, no plano pessoal, a concretização de um projeto de médio e longo prazo, já que ele poderia vir a ser uma alternativa petista na eleição para governador do estado do Rio em 2010. Tendo transferido seu domicílio eleitoral pouco antes do início da campanha, foi rotulado, pelos partidários do então prefeito, de forasteiro e estrangeiro e apelidado de paraíba, termo genérico de referência aos nordestinos no Sudeste. Em resposta, assumiu sua origem paraibana, utilizando-a para comunicar-se com o grande número de conterr"neos habitantes da Baixada.

Realizado o pleito em 3 de outubro de 2004, Lindberg quase se elegeu já no primeiro turno, obtendo 181.185 votos, correspondentes a 48,13% dos votos válidos, contra os 39,09% dados a Mário Marques. No segundo turno, realizado no dia 31, foi eleito com 217.521 votos, equivalentes a 57,74% dos votos válidos, contra os 42,26% de seu opositor. Ainda na condição de prefeito eleito, declarou que sua gestão deveria ser um cartão-postal do PT no estado do Rio e que pretendia evitar rivalidades políticas com a governadora Rosinha Matheus (PMDB), e seu marido, Anthony Garotinho, então secretário estadual de Segurança Pública.

Empossado em 1º de janeiro de 2005, sua agenda se voltou para a pauta da educação. Criou os programas Bairro Escola e Cidade Universitária. O programa Bairro Escola, inspirado nas ideias pedagógicas de Paulo Freire, o principal projeto da prefeitura, promovia o ensino em tempo integral aos estudantes da região, com participação da comunidade. Este programa serviu de base para o Ministério da Educação desenvolver o Programa Mais Educação, que levou esta metodologia a várias escolas em todo o país. O Bairro Escola também foi implementado em outras cidades brasileiras, como em Belo Horizonte, onde foi adotado pela Secretaria de Educação da prefeitura local. O sucesso do programa também inspirou a UNICEF a elaborar uma cartilha para leva-lo a várias cidades do mundo. Devido ao sucesso desse programa, Lindberg recebeu, entre outros, o Prêmio Caixa Melhores Práticas em Gestão Local, da Caixa Econômica Federal, e o Prêmio Tecnologia Social, concedido pela Fundação Banco do Brasil.

Desenvolveu, também, ações baseadas nos recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo governo federal em janeiro de 2007. Nova Iguaçu receberia 361 milhões de reais para melhorias na urbanização, tornando-se a terceira cidade do país em recebimento de recursos do governo federal, atrás, apenas, de Rio de Janeiro e São Paulo. Ao longo de sua gestão, Lindberg enfrentou denúncias de fraudes e prática de propinas, chegando a ser acusado pelo Ministério Público de superfaturamento em licitações.

Apesar das denúncias, em 2008 Lindberg conseguiu construir uma forte candidatura à reeleição, agora com o apoio da coligação A Mudança não pode parar, composta pelos seguintes partidos: PT, PDT, PSB, PCdoB, Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), Partido Republicano (PR), PTB, Partido Trabalhista Nacional (PTN), Partido Republicano Brasileiro (PRB) e Democratas (DEM). No pleito realizado em 5 de outubro obteve 263.292 votos, ou seja, 64,98% dos votos válidos, contra 33,60% conferidos a seu principal opositor, Nelson Bornier (PMDB).

No ato de posse, em 1º de janeiro de 2009, anunciou que a sua nova gestão seria, basicamente, uma continuidade da primeira, dando prioridade às obras de saneamento básico, ou de requalificação urbana. Afirmou, também, que Nova Iguaçu estava vivendo um boom de novos empreendimentos e que o município seria o primeiro do país a inaugurar uma obra do PAC, atendendo principalmente aos bairros da periferia com melhorias na rede de drenagem e de esgoto, estação de tratamento e pavimentação. Anunciou, ainda, como uma das principais metas de seu governo, a adoção do horário integral nas 102 escolas do município. O regime, pelo qual os alunos estudariam das 7h às 17h, participando de atividades culturais, esportivas e de aulas de reforço, complementaria o projeto Bairro Escola, implantado na primeira gestão, fazendo de Nova Iguaçu o primeiro município do Brasil a universalizar o horário integral.

Na ocasião, reafirmou sua intenção de se candidatar à sucessão de Sérgio Cabral Filho (PMDB) no governo do estado em 2010, e que isso iria depender do seu desempenho no segundo mandato, que se comprometia a exercer até o fim. Poucos dias após a posse, assumiu a função de apresentador do programa Nação Nordeste, transmitido por duas emissoras de rádio AM e voltado para os nordestinos residentes no Estado do Rio, estimados, então, em cerca de três milhões. A pretensão ao governo esbarrou, contudo, desde o início, na política nacional do PT, que negociava o apoio do PMDB à candidatura da ministra Dilma Rousseff à sucessão presidencial no mesmo ano. Em declarações públicas, Lindberg passou a admitir recuar na pretensão ao governo, trocando-a pela candidatura ao Senado pelo Estado do Rio de Janeiro.

Após vencer as prévias do PT, oportunidade em que derrotou a ex-governadora Benedita da Silva, Lindberg Farias deixou o comando da Prefeitura de Nova Iguaçu no início de abril de 2010 para concorrer ao Senado nas eleições de outubro desse ano. No ato político então realizado, Lindberg transferiu o cargo de prefeito à sua substituta legal, a vice-prefeita Sheila Gama. Em sua despedida, afirmou que, caso fosse eleito, teria um olhar diferenciado para a Baixada Fluminense, e declarou: Vou ser senador do Estado do Rio, mas serei, principalmente, senador da Baixada.

Lindberg aproveitou também a oportunidade para atacar ao presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), também pré-candidato ao Senado, que concorreria na mesma chapa que ele. O ex-prefeito de Nova Iguaçu havia passado uma semana turbulenta, graças à divulgação de um processo contra ele, aberto em 2009: o Ministério Público Estadual (MPE) havia aberto investigação por suspeita de comandar um esquema que cobrava e recebia propinas de empresas que teriam firmado contratos de fachada com a prefeitura local. Por conta disso, o MPE determinara a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lindberg, bem como de mais 10 pessoas (entre elas cinco parentes do político e três secretários da prefeitura), além de 13 empresas. Então o petista acreditava que, com o intuito de desgastar e comprometer sua imagem perante o eleitorado estadual, Picciani teria divulgado o processo para a imprensa. Durante o evento da transmissão do cargo, Lindberg revelou sua insatisfação com o fato. Em nota, disse que o deputado peemedebista era o responsável por requentar denúncias velhas.

No mês seguinte, em maio de 2010, a Prefeitura de Nova Iguaçu foi acusada de ter contratado sem licitação, em março de 2005, a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec). Através de uma liminar, Lindbergh teve seus bens bloqueados pela 3a Vara Cível de Nova Iguaçu a pedido do Ministério Público, segundo o qual o município dispensou a licitação porque a empresa tinha notória especialização para o trabalho de consultoria. Lindbergh, porém, informou que não havia nada de ilegal na contratação da Finatec, por isso recorreu da liminar. Ele acreditava que a ação havia sido uma jogada política da oposição para atrapalhar sua participação nas eleições de 2010, uma vez que o processo foi instaurado logo após sua saída da prefeitura, cinco anos depois da contratação da Finatec.

Após formar a chapa com a escolha dos nomes dos seus dois suplentes, na hora do registro, um deles foi impugnado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE). A chapa, inicialmente, foi registrada com apenas dois nomes, mas isto feria a legislação eleitoral. O MPE havia pedido a impugnação do 1º suplente José Bonifácio Ferreira Novellino, do PDT, com base na Lei da Ficha Limpa. Apesar de ter ficado apenas 50 dias no cargo de secretário de Saúde de Arraial do Cabo, Novellino teve suas contas reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que teria apontado um rombo de R$ 1,779 milhão na pasta. Como a procuradora Silvana Batini dissesse que iria recorrer contra o deferimento da chapa, por estar em desacordo com a legislação, foi feito o registro de Olney Ribeiro Botelho em substituição a Novellino.

Lindberg Farias concorreu por uma coligação integrada, além do PT, por 15 partidos: o Partido Progressista (PP), PDT, PTB, PMDB, Partido Social Liberal (PSL), Partido Trabalhista Nacional (PTN), Partido Social Cristão (PSC), Partido Social Democrata Cristão (PSDC), Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Partido da Mobilização Nacional (PMN), Partido Trabalhista Cristão (PTC), PSB, Partido Republicano Progressista (PRP) e PC do B. No pleito realizado a 3 de outubro de 2010, foi eleito senador pelo Rio de Janeiro com 4.213.749 votos, o equivalente a 28,65% dos votos válidos, ficando em primeiro lugar com a maior votação do estado, deixando em segundo o senador Marcelo Crivella, que recebeu 3.332.886 votos, o equivalente a 22,66% dos votos válidos e foi reeleito. O candidato do PMDB, Jorge Picciani, foi o terceiro colocado com pouco mais de 20% dos votos.

Assumindo sua cadeira no Senado Federal em fevereiro de 2011, logo passou a integrar, como titular, a Comissão de Serviços de Infraestrutura e, como suplente, a Comissão de Assuntos Sociais. No mês seguinte foi eleito presidente da Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais das Pessoas com Deficiência e passou a integrar, como suplente, a Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas. Nessa mesma condição passou a integrar, em abril, a Comissão de Relações Exteriores e, em julho, a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, entre outras.

Ao longo de 2011 apresentou vários projetos de lei suplementar (PLS), em parceria ou só, que merecem destaque. Sobre criança e adolescente, apresentou três projetos em companhia do senador Aécio Neves (PSDB-MG): o PLS 752/2011, concedendo salário e licença-paternidade ao empregado que, sozinho, adotar ou obtiver guarda judicial para adotar uma criança, além de unificar o prazo de concessão do salário-maternidade em 120 dias, para que o prazo não seja modificado de acordo com a idade da criança adotada; o PLS 753/2011, permitindo que as associações que tenham como objetivo proteger os direitos da criança e do adolescente propusessem a ação civil pública, para que estas entidades pudessem lutar de forma mais ampla pelos direitos das crianças e dos adolescentes; e o PLS 754/2011, permitindo que as doações feitas a abrigos que acolham crianças e adolescentes sejam descontadas do cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido devida pela pessoa jurídica, para estimular os empresários a fazerem doações a estas entidades.

Sozinho, Lindberg apresentou vários projetos de lei suplementar. Sobre segurança, o PLS 171/2011 tornando obrigatória a inclusão de número de série nas munições, visando coibir o comércio ilegal de munições, diminuir os índices de criminalidade, além de auxiliar na política de desarmamento, impedindo que pessoas sem autorização para o porte de armas possam ter acesso aos projéteis; o PLS 325/2011 concedendo anistia aos bombeiros militares do Estado do Rio de Janeiro que foram punidos por participarem de movimentos reivindicatórios de melhores salários e condições de trabalho, pois estes profissionais são heróis e não podem ser tratados como bandidos; o PLS 25/2011 criando a Força Nacional de Defesa Civil que trabalhará na prevenção de danos, no socorro imediato e na recuperação de áreas atingidas por desastres.

Sobre economia, apresentou o PLS 22/2011, concedendo isenção fiscal para pessoas físicas e jurídicas atingidas por desastres, quando caracterizado situação de emergência ou estado de calamidade pública; o PLS 24/2011, permitindo o empréstimo imobiliário especial, com taxas de juros limitadas, para compra e reforma de imóveis residenciais ou comerciais atingidos por desastres; e o PLS 477/2011, fixando as atribuições do Banco Central, para que ele fique responsável por perseguir a estabilidade do poder de compra da moeda, estimular o crescimento econômico e a geração de empregos, entre outras atribuições. Sobre defesa do consumidor, o PLS 514/2011, propondo aplicação de multa àquele que não cumprisse com suas obrigações legais ou contratuais nas relações econômicas e de consumo, que será proporcional à gravidade da infração, à vantagem obtida, à condição econômica do infrator, bem como à posição do infrator no mercado. Tratando de necessidades especiais, Lindberg apresentou o PLS 505/2011, obrigando os editais de concursos públicos a estabelecerem os mecanismos adequados para a comunicação de todos os fatos importantes do processo seletivo, levando em conta as dificuldades próprias das pessoas com deficiência que participarem do concurso.

Apresentou ainda, sobre esportes, o PLS 506/2011, obrigando as empresas beneficiadas por incentivos fiscais relativos à realização da Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e Paralímpicos, a destinarem 5% de seus cargos a pessoas com deficiência habilitadas; sobre administração pública, o PLS 480/2011, proibindo que as licitações adotem o índice de preços como reajuste, para não prejudicar a estabilidade monetária; e sobre saúde, o PLS 377/2011, criando o Dia Nacional da Síndrome de Down, a ser celebrado todo dia 21 de março.

Em dezembro de 2011, Lindberg lançou, pela Editora Agir, o livro «Royalties do Petróleo: as regras do jogo». Nesse mesmo ano foi escolhido pelo «site» Congresso em Foco como um dos três parlamentares mais atuantes no Senado. Na ocasião, foram escolhidos também os senadores Cristovam Buarque e Eduardo Suplicy.

## As razões Jurídicas Para Anulação do Processo

Em 2012, a 10ª C"mara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) condenou Lindberg por improbidade administrativa, suspendendo seus direitos políticos por cinco anos, o que, na prática, impediria suas pretensões às eleições de 2014. Mas a suspensão dos direitos políticos só entraria em vigor depois de esgotados todos os recursos. A ação civil pública que originou o processo foi movida pelo Ministério Público Estadual por causa da contratação sem licitação de um fornecedor para serviços de iluminação em Nova Iguaçu na gestão de Lindberg. Esta decisão foi cassada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 5 de novembro de 2013. A ministra Eliana Calmon, relatora do processo, classificaria a decisão do TJ-RJ como um aleijão jurídico: o Tribunal não pode julgar diretamente o mérito da ação de improbidade sem a devida citação da defesa; a falha é insanável e impôs a anulação do processo. Por esse motivo, a Segunda Turma do STJ cancelou a condenação aplicada ao senador Lindbergh Farias por contratação de empresa de manutenção quando era prefeito de Nova Iguaçu.

O processo por improbidade administrativa tem duas fases. Na primeira, o acusado apresenta apenas uma manifestação preliminar. Se o juiz entender que o ato de improbidade não existe, extingue a ação. Se entende que há indícios de improbidade, recebe a petição inicial e manda citar o réu. No caso, o juiz recebeu a inicial. Após pedido de reconsideração da defesa, determinou a realização de audiência especial. Nela, o magistrado julgou a ação improcedente, por considerar inexistente o nexo causal entre a conduta dos réus e a responsabilização apontada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). Este recorreu ao TJ-RJ, que reformou a sentença para condenar apenas o ex-prefeito por improbidade administrativa. Lindbergh teria de pagar multa equivalente a 10 vezes seu salário de prefeito e ficaria com os direitos políticos suspensos por cinco anos. O próprio MP-RJ e o então senador recorreram ao STJ contra o procedimento adotado pelo TJ-RJ.

A ministra Eliana Calmon explicou que, diferentemente do entendimento do TJ-RJ, a falta de citação do réu foi uma falha insuperável. Para a relatora, o Tribunal deveria ter-se limitado a devolver os autos à primeira inst"ncia, para que a ação tivesse seu curso regular, com apresentação de contestação pela defesa e eventual desenvolvimento da instrução probatória. Em seguida, destacou que o acórdão recorrido, ao concluir pela parcial procedência da demanda, não prejudicou apenas o ex-prefeito, que se viu apenado com a sanção de suspensão de direitos políticos e multa civil, esclareceu a relatora. A nulidade processual cometida prejudicou interesses também do Ministério Público, que se viu impossibilitado de produzir provas para demonstrar a responsabilidade dos demais réus indicados na exordial, bem como a ocorrência de dano ao erário e/ou proveito econômico eventualmente obtido pelo agente, completou a ministra. A condenação do réu, ainda que de forma parcial em relação à petição inicial, não dispensa a citação da defesa, sob pena de grave violação ao devido processo legal, concluiu a ministra relatora.

Em fevereiro de 2013, Lindberg foi escolhido por unanimidade entre os senadores como presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Nesse mesmo ano apresentou um projeto sobre trabalho, o PLS 120/2013, regulamentando o direito de greve dos servidores públicos, para que possam ter a garantia de se manifestar de forma pacífica.

## Pré-candidatura ao Governo do Rio de Janeiro

O senador Lindberg Farias estava determinado e já trabalhava sua candidatura ao governo do Estado do Rio de Janeiro em 2014, o que, caso ocorresse, representaria o rompimento da aliança PT/PMDB no estado. Por outro lado, embora o governador Sérgio Cabral defendesse a manutenção dessa aliança, impunha o nome do vice-governador Luís Fernando Pezão como seu candidato. Para pressionar o PT, Cabral ameaçava romper a aliança no plano nacional, retirando assim o apoio do partido à reeleição da presidenta Dilma Rousseff caso ela e o PT insistissem com o lançamento de candidatura própria. O presidente do partido, Rui Falcão, procurando evitar acirrar os "nimos e aumentar a crise entre os partidos, dizia sempre que a pré-candidatura do PT [era] legitima e que o diálogo com o PMDB [estava] sendo feito e a aliança [permanecia] firme.

Na prática, contudo, os fatos não correspondiam à retórica dos discursos. Em maio de 2013, em debate promovido no Rio de Janeiro pela Fundação Perseu Abramo, do PT, que tinha como tema Trinta Anos do PT nas Cidades, a direção nacional do partido reafirmou seu apoio à candidatura de Lindberg Farias ao governo do Rio de Janeiro. Na oportunidade, o senador evitou polemizar com o governador Sérgio Cabral. O evento também serviu para o pré-candidato mostrar a unidade do partido em torno do seu nome no estado, já que toda a bancada de deputados federais petistas, além de prefeitos e outros parlamentares, marcou presença no evento realizado no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) do Rio de Janeiro.

Na oportunidade, Lindberg disse que o PT vem executando com sucesso um projeto nacional e o PT do Rio está preparado para, mais do que nunca, dar sua contribuição. O PT está unido no Rio. Em menção indireta ao governador Sérgio Cabral, que na véspera havia dito que a candidatura de Lindbergh era um projeto pessoal, o senador petista disse que o crescimento do PT nos estados é o crescimento do projeto nacional do PT. Lindbergh disse ainda que o partido poderá ter a oportunidade de imprimir sua marca no estado.

Em setembro desse ano, o senador Lindberg Farias apresentou nova Proposta de Emenda Constitucional, a PEC 51, com o objetivo de promover mudança radical nas instituições policiais do país. Englobando reivindicações majoritárias nas polícias, este projeto, entre outras medidas, apresentava: 1) a desvinculação das forças armadas, devendo o Estado organizar polícias de natureza civil para garantir os direitos dos cidadãos, que poderiam recorrer ao uso comedido da força, segundo a proporcionalidade e a razoabilidade, devendo atuar ostensiva e preventivamente, investigando e realizando a persecução criminal; 2) Carreira única; 3) Ciclo completo, responsabilizando-se assim o órgão, cumulativamente, pelas tarefas ostensivas, preventivas, investigativas e de persecução criminal; 4) autonomia dos estados para estruturar seus órgãos de segurança pública, inclusive quanto à definição de responsabilidades do município, podendo organizá-los a partir da definição de responsabilidades sobre territórios ou sobre infrações penais; 5) Ouvidorias externas, independentes, que controlariam a atividade policial; constituídas no "mbito de cada órgão policial, seriam dotadas de autonomia orçamentária e funcional.

Protocolada no dia 24, esta proposta foi encaminhada para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, cujo relator indicado foi o senador Humberto Costa (PT-PE), mas ainda não teve uma decisão final. Tornou-se assunto polêmico e matéria de debates entre especialistas no assunto pelo Brasil. Ainda no final de setembro, em meio aos boatos de que respondia a vários processos no STF que tinham por objetivo torpedear sua candidatura ao governo do estado do Rio de Janeiro, Lindberg distribuiu nota de esclarecimento sobre o assunto. Nela, negava a existência de qualquer ação penal no STF, já que o próprio Tribunal havia decidido que o processo não poderia existir sem que fosse analisada sua viabilidade, o que levou á suspensão do caso até que o Pleno analisasse a defesa apresentada por ele, Lindenberg, Ressaltava ainda que o relator já havia se manifestado pela absolvição sumária do senador. Esclarece ainda a nota que o que existe na Corte Suprema são investigações preliminares, iniciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, referentes ao período em que foi prefeito de Nova Iguaçu e que, em função da sua eleição para o Senado, seguiram para o STF. Segundo o senador, cabe ressaltar que, até o momento, quatro destes procedimentos preliminares foram analisados pelo STF e arquivados. Outros dois casos já receberam parecer do Ministério Público Federal isentando o senador Lindbergh Farias de qualquer responsabilidade e devem seguir o mesmo caminho. O senador tem a firme convicção de que os demais procedimentos que ainda precisam ser analisados também serão arquivados pelo Supremo, a exemplo dos anteriores.

Em 6 de fevereiro de 2014, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, pela absolvição sumária do senador Lindberg Farias da acusação de omissão quando ele era prefeito de Nova Iguaçu. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro havia acusado Lindbergh Farias de não haver enviado dados solicitados para uma investigação, ao que a defesa argumentou que ele não respondera porque não havia recebido o pedido. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, opinou pela absolvição sumária. O plenário do Supremo não chegou a analisar a denúncia e decidiu pela absolvição por falta de indícios de cometimento de crime.

Em nota divulgada, o senador afirmou que a decisão revela que o MP de Nova Iguaçu agira com excesso: O senador Lindberg Farias obteve mais uma vitória na Justiça. O Supremo Tribunal Federal julgou improcedente, por unanimidade, denúncia apresentada pelo Ministério Público de Nova Iguaçu. A decisão teve o apoio do procurador-geral da República, que reconheceu, no plenário do STF, a absoluta inconsistência da acusação. Já são nove os casos de denúncia do MP de Nova Iguaçu julgados improcedentes pelo STF, o que revela um excesso que agora está sendo corrigido pelo Supremo.

Em 22 de fevereiro de 2014 o PT realizou encontro estadual do partido, oportunidade em que apresentou a pré-candidatura do senador ao governo do Estado do Rio de Janeiro, aprovada pelos 350 delegados presentes. Como demonstração de força política e aprovação do seu nome, participaram do evento o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, deputados estaduais e federais do partido, e o presidente estadual do PT, Washington Quaquá, que presidiu o encontro. Representantes de outros partidos também estiveram presentes, como o presidente estadual do PCdoB, João Batista Lemos, o deputado estadual Márcio Pacheco (PSC), e o ex-ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT), além de representantes de movimentos sociais, como o do MST, João Pedro Stédile.

Em seu discurso, Lindberg Farias destacou a import"ncia da união das forças populares em torno de sua candidatura. O senador lembrou que, ao começar a Caravana da Cidadania, em Japeri, na Baixada Fluminense, ainda em 2013, percebera as dificuldades enfrentadas pela população, e destacou: Na Caravana, conheci pessoas como Seu Messias, que mora em Japeri, trabalha na Zona Sul e demora quatro horas e meia para chegar ao trabalho e mais quatro horas e meia para voltar para casa. Precisamos mudar a realidade dessa população sofrida. O senador criticou a política de investimentos do governo do estado, ao não dar prioridade a projetos para a população mais pobre. Gastaram R$1,2 bilhão para reformar o Maracanã e vão gastar R$8,5 bilhões para levar o metrô da Zona Sul para a Barra, enquanto falta água para 40% da população de Caxias e a Baixada não tem metrô, afirmou Lindberg.

Voltando à questão do impacto da candidatura própria do PT na aliança com o PMDB, partido da base do governo federal, o presidente estadual dessa agremiação, Jorge Picciani, teria sugerido que o seu partido abandonaria a aliança com a presidenta Dilma Rousseff e ofereceria o palanque ao senador Aécio Neves, do PSDB, candidato tucano à presidência da República. Por isso Lindberg e seus assessores de campanha resolveram ainda convidar para o evento o deputado federal Brizola Neto (PDT) e representantes do PCdoB e PSC, além do ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Para os petistas, estava dado o recado ao PMDB. A ideia da coordenação da campanha do candidato era mostrar força e poder de mobilização do senador Lindberg, pois, horas antes do encontro regional do PT, Picciani tentara uma última cartada para manter a aliança entre PT e PMDB, e, assim, evitar uma candidatura própria do PT com Lindberg.

Em seu discurso, além de enfatizar as ameaças de Picciani, Lindberg falou sobre segurança e destacou ainda que as Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) não podem ser apenas uma ocupação policial, é preciso ter uma ocupação educacional, com estudo integral nas comunidades. Destacou também a educação como a prioridade em seu governo e prometeu recuperar os 503 Cieps construídos no Rio. Quero pensar numa educação integral, mas vou analisar como pode ser isso, modernizando a ideia de Leonel Brizola e Darci Ribeiro em um novo momento. Quero um CIEP atualizado, aplicando toda essa tecnologia, o ensino técnico e a cultura.

Por fim, Lindberg garantiu que a presidenta Dilma teria no Rio o seu maior defensor e afirmou ainda que se inspira no ex-presidente Lula, em primeiro lugar, e no ex-governador Leonel Brizola para fazer uma administração para o povo. E destacou: O que acontece hoje no Rio é a política do Robin Hood às avessas. Cobra imposto do pobre e dá benefícios a setores específicos da sociedade. Existem dois Rios: um do cartão postal e outro real, do trabalhador, onde os transportes são ruins e falta água em diversos pontos do estado, concluiu.

## Convenção, Coligação e Eleições

O PT realizou sua convenção estadual no dia 20 de junho, quando foi homologada a candidatura do senador Lindberg Farias ao governo do Rio de Janeiro. Mas, ao contrário do que pretendia o candidato, o evento não contou com a presença dos principais expoentes do partido, como a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, considerado o principal incentivador de sua candidatura.

A formalização da chapa na sede do partido, no Centro do Rio, mostrou a dificuldade que o ex-prefeito de Nova Iguaçu enfrentou para deslanchar a sua campanha até mesmo dentro da própria legenda. Muitos prefeitos petistas estariam debandando para a campanha à reeleição do então governador Luís Fernando Pezão, do PMDB. Além disso, o petista também não havia conseguido aumentar o leque de partidos em torno de sua candidatura, o que aumentaria o tempo de exposição na TV durante a propaganda eleitoral gratuita. Até então, só se havia coligado com o PV, que indicou Roberto Rocco para vice, e com o PCdoB, que poderia ficar com a vaga ao Senado, tendo como nome mais provável o da deputada federal Jandira Feghali. Posteriormente, conseguiu também a adesão do PSB para a formação da coligação, denominada Frente Popular, e a indicação do ex-jogador de futebol e deputado federal Romário para o Senado.

Lindbergh foi apontado pelo PMDB como o responsável pelo fim da aliança entre as duas siglas no Estado do Rio, após sete anos de convivência e administração estadual. O racha gerou o movimento Aezão, criado por Jorge Picciani a favor do candidato à presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, e de Pezão, no estado.

Lançado no início do mês, o Aezão reuniu mais de 1.500 políticos de partidos como o próprio PMDB, PSDB, PP, PSD, Solidariedade, entre outros. O evento acendeu o sinal de alerta para a Executiva Nacional do PT em relação à campanha de Dilma Rousseff no Rio de Janeiro, embora o governador Pezão, o ex-governador Sérgio Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmassem que estavam fechados com a candidatura à reeleição da presidenta Dilma.

Uma vez definida sua chapa e a coligação, Lindberg iniciou a campanha, destacando-se entre suas propostas para o setor educacional a revitalização dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) existentes, e construção de 100 novas unidades. Para essas escolas prometeu, caso eleito, oferecer educação em tempo integral com atividades técnicas e profissionalizantes. Na área da saúde, disse que criaria consultórios de rua para atender os dependentes de crack e assim combater a droga. Para viabilizar esta ideia, prometeu montar uma equipe multidisciplinar, com psicólogos, médicos e terapeutas, que fizesse a abordagem nas ruas e dialogasse com estas pessoas. Na oportunidade, o petista afirmou ainda ser contra a internação compulsória de usuários da droga e que trabalharia em parceria com o prefeito do Rio. Prometeu aumentar os salários de médicos na Baixada Fluminense com o objetivo de melhorar o atendimento em unidades públicas de saúde e investir R$500 milhões na construção de elevatórias e de redes de distribuição para acabar com a falta d´água na região. Quanto aos transportes, Lindberg prometeu transformar os trens em metrô de superfície, adaptando os trilhos para um sistema semelhante ao do metrô. Além disso, mostrou-se favorável à redução das passagens de nível, à diminuição dos intervalos e ao aumento da velocidade das composições, de modo a agilizar as viagens de trem. Também prometeu levar o metrô de superfície até o Méier e regulamentar o transporte alternativo complementar.

Na área da segurança, Lindberg se mostrou disposto a acabar com atuação da milícia no estado, afirmando que investiria no trabalho de investigação policial, em conjunto com a Polícia Federal, com o objetivo de acabar com a atuação dos milicianos. Defendeu também um freio de arrumação nas UPPs e a reforma da PM de acordo com a PEC 51. Defendo um freio de arrumação neste projeto, para consolidá-lo. As UPPs estão sob ataque, basta ver notícias do Alemão todo dia. Sair ampliando desorganizadamente coloca o projeto sob ameaça. UPP é para locais com tráfico e milícia, não é para tudo, disse o candidato. Prometeu também implementar políticas públicas para consolidar as UPPs.

Ao longo de sua campanha, Lindberg propôs-se a criar centros de referência para jovens com deficiência. Em companhia do deputado Romário, que tem filha com Síndrome de Down e é candidato ao Senado, visitou o Centro Dona Meca, na Taquara (Zona Oeste do Rio), de tratamento para crianças e adolescentes com deficiência. Na oportunidade, o candidato lembrou que as dificuldades de pais de crianças com deficiência também se estendem ao transporte e à educação: Precisamos trazer melhorias nos transportes, para a mobilidade da pessoa com deficiência, cadeirantes também. A educação também tem que ser inclusiva, e é preciso que haja recursos nas redes públicas estadual e municipal de ensino para isso. Defendeu também a possível criação de uma agência de formação profissional para pessoas com deficiência.

Outras promessas do candidato: valorizar os mercados populares do Rio de Janeiro, espalhar o programa Minha Casa, Minha Vida pelo estado, ampliando-o para idosos; aplicar «royalties» do pré-sal em saúde e educação; passe livre para universitários e alunos do 2º grau; construir mais estaleiros no RJ; ampliar o número de delegacias especiais para a mulher; entre outras.

Embora tenha apresentado esta ampla plataforma para conquistar os eleitores, o candidato petista não conseguiu decolar nas pesquisas, mesmo depois do horário político gratuito no rádio e na TV. À véspera do pleito, a última pesquisa do Ibope apresentava Lindberg em quarto lugar, com apenas 9% da preferência do eleitorado, tendo Crivella (20%) em terceiro, Garotinho (27%) em segundo, e Pezão na liderança com 37%.

Realizado o pleito em 5 de outubro de 2014, o candidato da coligação Frente Popular confirmou o quarto lugar apontado pelas pesquisas, tendo obtido somente 798.897 votos, equivalentes a 10% dos votos válidos. O resultado final do primeiro turno, no entanto, apresentou uma reviravolta, com Marcelo Crivella (PRB) superando Garotinho e se qualificando para disputar o segundo turno contra o governador Pezão (PMDB). O apoio do PT-RJ no segundo turno das eleições para o governo do Estado do Rio ficou dividido. Na quarta-feira, dia 8, três dias após o pleito, nove, dos dez prefeitos do partido no estado, formalizaram apoio ao governador. Porém, o presidente do PT-RJ e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, e o candidato derrotado do partido ao governo, Lindberg Farias, anunciaram, neste mesmo dia, o apoio à candidatura de Crivella, no segundo turno. Realizado o pleito no final de outubro, Pezão foi reeleito. Em seguida, Lindberg voltou a exercer regularmente o seu mandato de senador.

Iniciando novo período legislativo em fevereiro de 2015, o senador Lindberg Farias passou a titular da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e como suplente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), e da Comissão de Educação, Cultura e Esportes.

Também no início do mês defendeu emendas às Medidas Provisórias 664 e 665, que tratavam de alterações nas regras do seguro-desemprego e pensões da Previdência. Em seus discursos, propôs também aumentar os impostos pagos pelos cidadãos mais ricos, a exemplo de banqueiros e grandes latifundiários, como formar de tornar o sistema tributário mais justo e promover uma distribuição de renda equilibrada no Brasil. Lindberg acredita que a classe alta contribuiu pouco em proporção ao volume do patrimônio que possui, seja por isenções de impostos, ou até mesmo por sonegações e fraudes, lembrando que o assunto já era discutido, hoje, em países como Estados Unidos, França e Grécia.

Na ocasião, Lindberg citou como referência o economista e pesquisador francês Thomas Piketty  autor do livro O Capital no Século XXI , que justifica a tributação de grandes fortunas como uma ferramenta para o combate à desigualdade econômica; assim como o estudo da ONG brit"nica Oxfam Internacional, segundo o qual, em 2016, o volume de riquezas de 1% da população mundial deverá ultrapassar o dos outros 99%. Assim, trazendo para a realidade brasileira, o senador ressaltou que uma das principais soluções para o problema seria cobrar mais de quem tem mais e, assim, desonerar a classe trabalhadora. Entre as propostas apresentadas, está o aumento do imposto sobre o lucro dos bancos, tributar a distribuição de lucros e dividendos, reestruturar o imposto de renda segundo a capacidade econômica do contribuinte, assim como o imposto sobre remessas de lucros para o exterior e o imposto sobre a propriedade territorial rural.

Ao responder uma pergunta sobre uma eventual resistência que possa enfrentar nas alas mais conservadoras do Congresso Nacional, Lindberg destacou a necessidade de união com entidades da sociedade civil que reconhecem a import"ncia dessa iniciativa. Desse pessoal aqui [no Congresso], tem uma minoria claramente golpista. Precisamos do apoio dos nossos aliados e dos movimentos sociais, concluiu.

Em abril de 2015 Lindberg Farias assumiu o cargo de titular na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul e na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Assassinato de Jovens. Em maio seguinte passou a integrar, como titular, a Comissão Especial para o Aprimoramento do Pacto Federativo. Participou ainda, como titular e suplente, de várias outras comissões e subcomissões no Senado.

## Operação Lava Jato

A Operação Lava Jato foi uma investigação da Polícia Federal, deflagrada em março de 2014, que se tornou um dos maiores esc"ndalos de corrupção da história do país, ao revelar um grande esquema de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras nacionais e políticos. Ao todo, 49 políticos de seis partidos foram investigados: 31 do PP; oito do PT; outros sete do PMDB; um do PSDB; um do PTB e um do Solidariedade (SDD). Consta ainda o nome do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, vulgo Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de desvios dos contratos da Petrobras. O nome do senador Lindberg Farias (PT-RJ) apareceu na lista de políticos que, por terem foro privilegiado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal para serem processados por essa Corte por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. O nome do senador está entre os 28 encaminhados no início de março de 2015 pelo procurador ao ministro do STF, Teori Zavascki, com pedidos de abertura de inquérito.

Em depoimento de delação premiada, o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que trabalhou como arrecadador de recursos das empreiteiras para financiar a campanha do petista ao governo do estado do Rio de Janeiro em 2014. Costa contou aos investigadores da Operação Lava Jato que as empreiteiras pagavam propinas em troca de contratos com a petroleira.

Esta lista de envolvidos na Operação Lava Jato surpreendeu muitos políticos, como Lindbergh Farias (PT-RJ), que reclamou do fato de não ter recebido informações sobre sua situação, afirmando que vai provar que não tem nenhuma ligação com o esc"ndalo da Petrobras. Quero lamentar que divulguem uma lista como essa sem a divulgação para nós mesmos dos fatos. Por que isso é ruim? Porque acaba juntando no mesmo balaio pessoas que receberam dinheiro, propina e pessoas que entram sem saber o motivo ou por doação legal de campanha, reclamou. Mas estou tranquilo, é o início de uma investigação. Não se pode confundir isso com culpa. Quero separar o joio do trigo. Quem estiver envolvido, tem que pagar. Mas não é o meu caso, e vou provar isso, concluiu o senador.

As petições para a abertura de inquérito contra políticos implicados no esquema de corrupção na Petrobras apontam que os três senadores do PT investigados pela Operação Lava Jato teriam recebido ao menos 4 milhões de reais de forma ilícita. Nos documentos, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, indica haver indícios de que a ex-ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, e Lindberg Farias sabiam da irregularidade das verbas ao pedirem doações para suas campanhas. O procurador-geral pediu a investigação de ambos, além do ex-ministro da Saúde, Humberto Costa. Os três podem ser acusados de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro, pois os valores teriam sido repassados após processos de ocultação e dissimulação dos valores provenientes dos crimes contra a Administração. Nas petições, Janot afirmou que os políticos não apenas tinham consciência de que os valores eram provenientes das vantagens indevidas destinadas aos diretores e altos funcionários da Petrobras, como atuavam, direta ou indiretamente, pela continuidade do esquema. A instauração do inquérito deve ocorrer em um prazo inicial de 30 dias e os senadores serão convocados a depor.

## Lindberg Farias Teria Recebido ao Menos R$ 2 milhões

De acordo com os pedidos de abertura de inquérito, o senador Lindberg Farias teria recebido o maior repasse entre os petistas. Paulo Roberto Costa afirma que Farias solicitou e recebeu dois milhões de reais para sua campanha ao Senado em 2010. Costa diz que o pedido ocorreu em uma reunião previamente agendada em seu escritório na estatal no Rio de Janeiro. A reunião provavelmente consta da agenda de Costa na Petrobras, aponta a petição. O senador estava acompanhado de seu assessor José Antônio Silva Parente.

A forma como o repasse foi feito, no entanto, apresenta desencontros. Costa alega ter acionado Youssef, mas desconhece como o pagamento foi operacionalizado. O ex-diretor afirma poder garantir que o depósito foi realizado, caso contrário haveria reclamação, como de fato ocorria. Por outro lado, não se recorda de ter realizado registro do repasse. Em outra parte do depoimento, ele diz que Lindberg Farias agradeceu o repasse posteriormente provavelmente em um evento social, dizendo que aquele assunto estava resolvido. Por outro lado, Youssef disse não ter sido responsável pela operacionalização do pagamento e negou conhecer Lindberg e seu assessor, além de afirmar nunca lhe terem feito um pedido para fazer algum pagamento a Farias. Ele completou afirmando que Costa pode ter se confundido e que o repasse pode ter sido realizado diretamente pelas empresas.

O inquérito destacou a transferência de cerca de um milhão de reais, para Farias, pela construtora Camargo Corrêa, implicada na Lava Jato, além de 20 transferências do Diretório Nacional do PT em 2010. De acordo com a petição, o Diretório Nacional do PT transferiu para a campanha de Lindberg Farias altos valores de grandes construtoras, a maioria delas envolvidas no cartel da Petrobras, no mesmo dia ou no dia seguinte ao recebimento pelo partido destes valores, em geral abatendo de 5% a 10%.

Na petição, foram citadas diversas transferências ao PT de construtoras implicadas na Lava Jato, que as repassou a Lindberg. Um exemplo é a transação de 1 milhão de reais em 03 de agosto de 2010, realizada pela construtora Andrade Gutierrez ao Diretório Nacional do partido. No mesmo dia, a campanha do senador recebeu 950 mil, um desconto de 5% que pode representar o valor cobrado por eventual operador. O documento cita outras transferências de construtoras por meio do PT insinuando que o senador pode ter recebido um valor maior de propina de outras construtoras.

Janot ainda cita documento apreendido na sede da Queiroz Galvão com diversas anotações de doações, na qual aparece o nome Lindinho à frente da quantia de 200  uma indicação de 200 mil reais. O executivo Júlio Gerin de Camargo, um dos delatores da Lava Jato, confirmou o pagamento de propinas na Petrobras e ter realizado doações de 200 mil a Farias. Ele, contudo, nega que essa doação fosse propina.

Na petição, Paulo Roberto Costa revela ter sido novamente procurado por Lindberg Farias em 2014 para aproximar-se das empresas e pedir dinheiro para a campanha do parlamentar naquele ano. Ele ainda diz que Lindberg o indicaria secretário de Estado caso ganhasse o governo do Rio de Janeiro.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apontou que o senador tinha conhecimento da irregularidade dos valores recebidos, pois não haveria qualquer justificativa lícita razoável para o recebimento de valores por intermédio do então diretor da Petrobras. O procurador-geral pediu os registros das entradas de Farias na Petrobras e das agendas de reunião com Costa para que se identifique alguma visita ou reunião entre os dois em 2010.

## Lindberg Diz a Jornal que Agiu de Forma Imprópria, Não Ilegal

O senador Lindberg Farias confirmou que recebeu R$2 milhões por meio do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em 2010, mas negou que tenha integrado o esquema de corrupção da estatal do petróleo, conforme destacou reportagem da Folha de S. Paulo de 08/03/2015. Segundo a reportagem, o senador afirmou ter ido à sede da Petrobras para pedir doações. De fato, você pode até dizer que é impróprio. Só que não é ilegal, disse Lindberg, ressaltando que o dinheiro teria sido doado legalmente pela empreiteira Andrade Gutierrez, que também é investigada na Operação Lava Jato.

Ainda de acordo com a reportagem da «Folha de S. Paulo», o senador disse que teria conhecido o ex-diretor da Petrobras em inaugurações no Rio de Janeiro, que contaram com a presença do ex-presidente Lula, e que quando decidiu se candidatar resolveu procura-lo: Eu sabia que ele era uma pessoa muito bem relacionada na Petrobras e perguntei se ele conhecia alguma empresa que pudesse me receber. Ele ligou para alguém da Andrade Gutierrez e pediu para me receber, contou o senador ao jornal. De acordo com a reportagem, Lindberg disse que teria conversado algumas vezes com o presidente Otávio Azevedo, presidente da empresa. Eu fui na Andrade Gutierrez, falei da minha campanha. Ninguém falou mais de Paulo Roberto. Ninguém falou de propina, muito pelo contrário, afirmou.

O senador contestou a acusação de que sabia do caráter ilícito dos valores recebidos e diz que o Ministério Público não tem provas que possam incriminá-lo. Segundo a reportagem, o senador acusa o Ministério Público de criminalizar doações legais: Do jeito que a lista foi lançada, estão misturando gente que recebia mesada de propina com doação legal de campanha. [...] Essas empreiteiras ligadas à Lava-Jato fizeram mais de 60% das doações nas últimas campanhas. Se eu recebo dinheiro de uma grande empresa, nunca passou pela minha cabeça saber se era ilícito ou não era, afirmou Lindberg.

A reportagem lembra que Lindberg despontou como cara-pintada nos atos pelo «impeachment» de Fernando Collor, em 1992. E que, agora, surge ao lado do ex-presidente entre os suspeitos de corrupção. O meu caso é diferente, diz. Estou numa lista que é praticamente uma condenação. [...] Pedi doação legal e entrei na lista com gente que fez atos bárbaros de corrupção. Isso pode estar destruindo a minha carreira política, concluiu.

Casou-se com Maria Antônia Goulart, com quem teve três filhos.