<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?>
<!DOCTYPE colHAREM [

<!ELEMENT colHAREM (DOC)*>
<!ATTLIST colHAREM
  versao CDATA #REQUIRED>

<!ELEMENT DOC (#PCDATA|ALT|EM|OMITIDO|P)*> <!ATTLIST DOC DOCID CDATA #REQUIRED>

<!ELEMENT P (#PCDATA|ALT|EM|OMITIDO)*>

<!ELEMENT ALT (#PCDATA|EM|OMITIDO)*>

<!ELEMENT EM (#PCDATA)>
<!ATTLIST EM
  ID CDATA #REQUIRED
  CATEG CDATA #IMPLIED
  TIPO CDATA #IMPLIED
  SUBTIPO CDATA #IMPLIED
  COMENT CDATA #IMPLIED
  TIPOREL CDATA #IMPLIED
  COREL CDATA #IMPLIED
  TEMPO_REF (ENUNCIACAO|TEXTUAL) #IMPLIED
  SENTIDO (ANTERIOR|POSTERIOR|SIMULT|ANTERIOR_OU_SIMUL|POSTERIOR_OU_SIMULT) #IMPLIED
  VAL_DELTA CDATA #IMPLIED
  VAL_NORM CDATA #IMPLIED>

<!ELEMENT OMITIDO (#PCDATA|EM)*>
]>

<colHAREM versao="ColeccaoSegundoHAREM-4.0">

<DOC DOCID="cha-73943">
<P>
Dividir o IRA, eis a estratégia</P>
<P>
Hugo Estenssoro, em Londres</P>
<P>
O IRA esteve esta semana na ofensiva, paralisando o aeroporto de Londres e causando prejuízos à temporada turística britânica, com presença obrigatória nas grandes manchetes. As bombas não explodiram, mas o IRA matou um polícia no Ulster em frente à esposa grávida. Foi uma violência anunciada: o líder do Sinn Fein -- o braço político do IRA -- falara poucos dias antes num «`show' espectacular» como resposta à iniciativa anglo-irlandesa lançada pelos primeiros-ministros da Grã-Bretanha e da República da Irlanda com a sua «declaração» de 15 de Dezembro do ano passado. Mas a campanha terrorista foi só parte da resposta.</P>
<P>
A outra foi uma declaração do Sinn Fein, que rejeitava as propostas da «Declaração de Downing Street» de maneira implícita, embora afirmando que o IRA tem uma atitude «flexível e positiva» na procura da paz. O Governo britânico é que estaria a ser «negativo» e deveria dar o próximo passo: entabular negociações directas com os representantes do IRA. O que constitui, exactamente, o único passo que nenhum governo britânico pode dar sem cometer suicídio político.</P>
<P>
Para alguns analistas, isso tudo significa regressar à estaca zero. Não necessariamente. A estratégia do Governo Major consiste em isolar o sector mais violento do IRA graças à sua nova aliança com o Governo irlandês. Não vai ser fácil nem rápido, mas é a primeira possibilidade realista em muito tempo. Por enquanto, o primeiro-ministro, John Major, que se caracteriza por lançar políticas que depois não faz questão de cumprir, parece estar decidido a não ceder às exigências do IRA e não negociar se o Sinn Fein não prometer primeiro, de maneira formal e solene, renunciar à violência. Isso vai requerer, sem dúvida, uma divisão dos rebeldes e a história do IRA oferece precedentes encorajadores.</P>
<P>
Dividir o IRA pode, contudo, não ter os resultados que Major espera, a julgarmos pela longa série de divisões que o movimento tem sofrido desde a sua criação em 1919, nos tempos heróicos da luta pela independência. O seu fundador, Michael Collins, declarou a luta encerrada em 1923, quando aceitou o Estado livre irlandês. Mas o IRA passou a considerá-lo traidor e continuou a guerra civil sob liderança de De Valera... até ele aceitar a paz. Novamente o IRA voltou à luta terrorista na ilegalidade, com De Valera como inimigo. Quando em 1972, mais uma vez, a liderança «oficial» do movimento anunciou um cessar-fogo, a ala radical criou o IRA «provisional» que continuou a guerra de guerrilha. Tudo indica que se o Sinn Fein e alguns sectores do IRA renunciarem à violência -- cedendo mais à pressão popular do que à do governo britânico -- um núcleo duro continuará a luta. Afinal, para a violência terrorista bastam alguns homens decididos a matar e morrer.</P>
<P>
A história também oferece um exemplo lamentável dos resultados enganosos de uma campanha terrorista implacável, especialmente quando as vítimas não são irlandesas. A reputação do IRA foi estabelecida quando, em 1921, matou o chefe de estado-maior do império britânico na sua própria residência londrina, naquele que foi o primeiro assassínio político realizado em Londres em mais de um século. Desde então o terror urbano indiscriminado longe da Irlanda passou a ser o último refúgio das fracções extremistas do nacionalismo irlandês.</P>
<P>
As campanhas de 1939 (tentando aproveitar-se da fraqueza do Governo de Chamberlain na véspera da II Guerra) e da década de 70 -- que incluiu os atentados atribuídos aos «Quatro de Guilford» -- foram provas, mais uma vez, do impacto desestabilizador que pequenos grupos podem lograr obter em território inglês. O atentado de 12 de Outubro de 1984 em Brighton, quando o IRA esteve quase a matar a então primeira-ministra Thatcher, assim como o morteiro que atingiu Downing Street a 7 de Fevereiro de 1991, enquanto o Governo de Major estava reunido, tiveram um efeito publicitário desproporcionado em relação aos recursos empregues. A tentação de manter vivo o movimento com acções deste tipo -- com o que poderia chamar-se «efeito David `versus' Golias» -- é grande de mais para pequenos grupos perseguidos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-10541">
<P>
Uma cidade à procura de terrenos</P>
<P>
Os responsáveis da Câmara da Amadora continuam sem saber onde realojar a maioria dos moradores das seis mil barracas existentes no concelho, devido à escassez de terrenos. É que este município, apesar de ter apenas 24 quilómetros quadrados, é, a seguir ao da capital, o segundo mais sobrecarregado com barracas da Área Metropolitana de Lisboa.</P>
<P>
Para ultrapassar o problema, a edilidade tem tentado negociar com outras autarquias, nomeadamente com a da capital, que possui terrenos dentro do território da Amadora, na zona da antiga lixeira da Boba. Resultados concretos ainda não há. E o próprio Programa Especial de Realojamentos (PER) para o concelho, que deverá ascender aos 40 milhões de contos, continua por assinar.</P>
<P>
«O PER ainda está a ser negociado com a administração central porque consideramos que a Amadora devia ter uma atenção especial, dado o número de barracas existentes. Os terrenos são poucos e não podemos fazer realojamentos metendo as pessoas em caixotes, porque se não, no futuro, teremos problemas mais graves de integração social», explica João Bernardino, assessor de Orlando de Almeida, presidente da Câmara.</P>
<P>
Além de verbas para equipamentos sociais que ajudem à integração das famílias a realojar, a autarquia pretende que parte das habitações sejam feitas fora do concelho. Isto porque, se os fogos necessários forem todos construídos na Amadora, ficaria praticamente esgotada a capacidade de construção prevista no plano director municipal da cidade. «A nossa intenção não é exportar problemas para outros municípios. Só que a nossa falta de espaço é real», sublinha o mesmo responsável.</P>
<P>
Os únicos realojamentos que se encontram mais ou menos encaminhados são os dos moradores dos bairros 6 de Maio e das Fontainhas, que vão ser afectados pela construção da CRIL. Trata-se de cerca de 600 famílias que serão reinstaladas no âmbito de um acordo celebrado entre a autarquia, a Junta Autónoma das Estradas e o Instituto de Gestão e Alienação do Património do Estado. Este acordo contempla, também, a construção de fogos para mais 350 famílias da Falagueira, que deverão situar-se nas proximidades da escola secundária local. G.P.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55664">
<P>
As fortes chuvas que atingiram ontem Belo Horizonte destelharam 20 casas e deixaram cerca de cem desabrigados, segundo o Corpo de Bombeiros. As chuvas atingiram os bairros Vila Sport Clube e Vila Maribondo. A Defesa Civil informou que várias famílias estavam em áreas de risco.</P>
<P>
Minas Gerais 2</P>
<P>
O secretário da Fazenda, Roberto Brant, disse que o governo de Minas vai pagar o salário dos servidores do Estado com quatro dias de atraso em janeiro. A escala de pagamento começa no dia 5 e termina no dia 13. Segundo Brant, o atraso se deve ao pagamento do 13.º salário.</P>
<P>
Minas Gerais 3</P>
<P>
A polícia de Minas prendeu os comerciantes José Alves, 29, e Waldir Pereira, 26, acusados de assassinar com um tiro no peito o estudante Cleison Araújo, 10. O assassinato aconteceu no dia 21 de dezembro em Belo Horizonte. Segundo a polícia, eles disseram que o tiro foi acidental.</P>
<P>
Minas Gerais 4</P>
<P>
A polícia de Minas prendeu Gilmar Gomes, 41, acusado de assassinar o estudante Nivaldo Rosa, l8, durante um assalto. O crime ocorreu anteontem, em Contagem. Nivaldo foi preso em flagrante. Segundo a polícia, ele disse que cometeu o crime porque o estudante não tinha dinheiro para lhe dar.</P>
<P>
SP Interior 1</P>
<P>
A Prefeitura de Santo André vai conceder bolsas de estudo para terceiro grau. As inscrições vão de 18 de janeiro a 12 de fevereiro. Os interessados devem levar documentos que comprovem dois anos de residência e título de eleitor de Santo André.</P>
<P>
SP Interior 2</P>
<P>
Termina dia 7 o prazo para matrículas na rede pública estadual de Rio Preto para alunos novos (que estudam em outras escolas, públicas ou particulares) e para alunos desistentes (que abandonaram a escola sem concluir o ano letivo).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-gt654"> 
<P> FAZER A FESTA, LANÇAR OS FOGUETES E APANHAR AS CANAS: Ao que parece, Paulo Pinto Mascarenhas tem a convicção firme de que certa personagem que interpretei está a falar com ele. A generalidade dos malucos ouve a voz de Jesus Cristo ; PPM ouve a minha. Enfim, cada um tem a Alexandra Solnado que merece e, mesmo sendo ateu, parece-me mais do que justo que eu tenha pior sorte que o Messias. </P>
 <P> Talvez seja bom explicar o que se passa. O povo português tem tido, até agora, a decência de não delegar em PPM qualquer espécie de poder. Mas a verdade é que o povo português não tem sido tão sensato no que respeita a outras pessoas. Eu sei que esta notícia vai cair como uma bomba no 31 da Armada, mas há gente um pouco mais poderosa do que o PPM. É uma coisa muito ligeira, mas tem, de facto, um bocadinho mais de poder. E essa gente, quando se sente atingida, ou quando sente que os amigos foram atingidos (mesmo que seja por uma rábula humorística), pressiona, corta relações com a estação de televisão em que a rábula foi emitida, manda recados com ameaças, faz saber que ficará à espera de uma oportunidade para nos fazer, digamos, coisas bonitas (sempre que posso, uso expressões de Artur Jorge). É isso que tem acontecido desde que o Diz Que É Uma Espécie de Magazine começou e foi o que aconteceu agora, de forma bastante mais intensa, na sequência do sketch sobre Marcelo Rebelo de Sousa. Em tempos, o Herman disse-me que o pequeno poder (e, às vezes, não tão pequeno como isso) sabe encontrar maneiras de pressionar no sentido de fazer censura sem sujar as mãos, de ameaçar sem poder ser denunciado, de intimidar sem aparecer. Na semana passada percebi isso melhor do que gostaria, e dei-lhe razão. </P>
 <P> Decidimos fazer uma rábula sobre esta espécie dissimulada de censura. Ontem, uma jornalista do DN perguntou-me se tínhamos sido pressionados pela RTP e pelo Provedor do Espectador. Respondi que não, e não menti. Da RTP e do Provedor do Espectador, não veio qualquer espécie de pressão. Quem sobra? No entender do PPM, sobra ele e um post que escreveu no 31 da Armada. Fizemos uma rábula para um milhão e meio de espectadores por causa de um post do PPM no 31 da Armada. Mandei uma mensagem ao Herman a dar-lhe razão por causa de um post do PPM no 31 da Armada. E dei-lhe razão porque, como é óbvio, foi para isso que ele me advertiu. «Põe-te com brincadeiras e vais ver que, um dia destes, o PPM faz um post sobre ti no 31 da Armada », foram as palavras exactas dele. «Tinha razão, Herman », disse-lhe eu agora. </P>
 <P> Há, no meio disto tudo, um pormenor que pode intrigar o leitor. Se eu já interpretei tantas personagens apalermadas e de discurso incoerente, porque é que o PPM só se sentiu retratado agora? Boa pergunta, leitor. Vagamente insultuosa, mas boa. Eu respondo: por duas razões. Primeiro, porque quando eu disse que a RTP e o Provedor não nos tinham pressionado, a jornalista tirou conclusões que não são as minhas. Segundo, porque a crítica do PPM segue, digamos, a mesma matriz ideológica que o pequeno poder (e, às vezes, não tão pequeno como isso) perfilha. Aliás, a crítica do PPM não é nova, nem é só dele. Já tinha sido usada para pedir a nossa imparcialidade em relação a Salazar e Cunhal. Ou em relação a Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira. Ou em relação à Floribella e à Doce Fugitiva. Mas dizem-me que é intelectualmente desonesto falar nisto. </P>
 <P> Parece que o que é intelectualmente honesto é dizer que um programa humorístico de sátira social e política deve ser imparcial (argumento espantoso). Ou dizer que criticar o prof. Marcelo é fazer campanha pelo Sim. O próprio prof. Marcelo diz que foi criticado por muitos defensores do Não o que só pode significar que, pelos vistos, há gente do Não a fazer campanha pelo Sim. </P>
 <P> PPM, referindo-se ao sketch sobre o prof. Marcelo, diz que, «em plena campanha eleitoral» quisemos ´ridicularizar os argumentos de um dos lados em confronto no referendo». Primeiro, o prof. Marcelo não representa o Não. Ele mesmo, aliás, afirma que há vários Nãos. Segundo, a nossa rábula sobre o prof. Marcelo foi transmitida no domingo, dia 28 de Janeiro. A campanha começou na terça-feira, dia 30. Dizer que fizemos o sketch «em plena campanha eleitoral» é, portanto, uma... Bom, parece-me que não há maneira delicada de o dizer: é mentira. </P>
 <P> Não posso deixar de fazer referência às últimas palavras de PPM, que me parecem interessantes: « Ricardo Araújo Pereira pode dizer que não me conhece de lado nenhum, como disse ao 24 Horas. Pode, mas estará a faltar à verdade se o repetir em relação ao Rodrigo Moita de Deus.» Quero agradecer, penhorado, que PPM me autorize a dizer o que eu disse. Já é mais do que costuma fazer, e registo a evolução democrática. Agradeço ainda mais que me ponha de sobreaviso em relação à veracidade do que eu não disse mas, por uma razão que neste momento me escapa, poderei vir a dizer. </P>
 <P> Uma nota final: estou muito habituado às críticas do PPM, que têm, aliás, sempre o mesmo sentido. Normalmente, comento-as aqui mesmo. Na televisão e na imprensa, costumo satirizar gente que a generalidade do público conhece, e que diz coisas ridículas. Enquanto o PPM continuar a preencher apenas um destes requisitos, pela minha parte também continuarei a responder-lhe apenas aqui no blog. Por isso, e para evitar confusões futuras, gostava de sublinhar o seguinte: se, um dia, eu interpretar uma personagem megalómana, moralista e que mente para fazer valer os seus argumentos, o mais provável é que eu não esteja a satirizar o PPM. Há mais Marias na Terra. RAP </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-2433">
<P>
Acidente de Wendlinger reforça importância do debate na Fórmula 1</P>
<P>
Tudo pela segurança</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Manuel Abreu, no Mónaco</P>
<P>
São os carros ou os circuitos os maiores responsáveis pelas condições de segurança em que correm os pilotos de Fórmula 1? E o que se pode alterar, nuns e noutros, para aumentar essas condições e evitar mais acidentes mortais? O debate foi lançado após as mortes de Ratzenberger e Senna e as últimas duas semanas deixaram claro que não há soluções milagrosas.</P>
<P>
Karl Wendlinger, piloto da Sauber-Mercedes, está internado em estado grave num hospital de Nice, depois do acidente que sofreu no fim do primeiro treino livre para o Grande Prémio do Mónaco em F1. Faltavam poucos minutos para terminar a sessão, na manhã de ontem, quando o carro do piloto austríaco saiu da pista à entrada da chicane que se segue ao túnel, batendo violentamente contra as protecções plásticas colocadas à frente dos «rails».</P>
<P>
Em consequência do choque, o piloto ficou inconsciente, sendo removido do carro e transportado de seguida para o Hospital Princesa Grace, no Mónaco, de onde foi posteriormente transferido para o Hospital Saint Roch, em Nice, ficando aí internado. A exemplo do que aconteceu em acidentes anteriores, a cabeça do piloto foi gravemente afectada pelo choque.</P>
<P>
O diagnóstico feito ontem ao início da tarde dava conta de que Wendlinger sofreu um traumatismo craniano, sem fractura, mas que provocou um edema cerebral. Não foram detectadas fracturas na coluna cervical. O seu estado era então considerado estável, embora o piloto continuasse inconsciente e na unidade de cuidados intensivos mais de cinco horas após o acidente.</P>
<P>
Segundo informações oficiosas, por outro lado, Wendlinger estaria em coma, o que não foi confirmado pela sua equipa nem pelos médicos que o assistiram no Hospital Saint Roch, que emitiram um comunicado reservado: «Traumatismo craniano grave, prognóstico vital em jogo.» Um novo boletim foi anunciado para a manhã de hoje, após mais uma série de exames, enquanto a família do piloto austríaco pedia «a maior discrição» no tratamento do assunto.</P>
<P>
De acordo com a Sauber-Mercedes, a análise dos dados transmitidos pela telemetria não revelou qualquer falha técnica no carro, deixando embora claro que Wendlinger travou 13 metros depois do que tinha feito na sua anterior volta mais rápida. Um erro do piloto? De qualquer forma, a equipa decidiu não participar no treino da tarde, devendo no entanto fazer alinhar o alemão Heinz-Harald Frentzen na sessão de amanhã, que estabelece a grelha de partida para o GP do Mónaco.</P>
<P>
Muros das preocupações</P>
<P>
Este acidente, a que se juntaram os despistes, sem consequências para os pilotos, de Comas (Larrousse-Ford), de Belmondo (Pacific-Ilmor) e de Lehto (Benetton-Ford), serviu para reforçar a urgência de um debate alargado sobre as actuais condições de segurança na F1, envolvendo pilotos, dirigentes, técnicos e responsáveis pelos circuitos. Após o GP de S. Marino, em Ímola, no qual morreram Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, quase todos os envolvidos nesta disciplina do desporto automóvel têm divulgado as suas próprias ideias sobre este assunto e procurado defender as suas convicções e interesses.</P>
<P>
Porém, continua a faltar um debate feito com maior consciência e frieza, entre pessoas capazes de apontar soluções exequíveis e com poder para alterar os regulamentos. As principais linhas de actuação a adoptar pela Federação Internacional do Automóvel (FIA), essas poderão ser conhecidas já hoje, numa conferência de imprensa convocada por Max Mosley, presidente deste órgão.</P>
<P>
A participação dos pilotos neste debate continua, no entanto, ainda dependente da sua capacidade de organização, que se mantém bastante precária. A possibilidade de se fazerem representar junto dos dirigentes por antigos pilotos é uma das soluções preferidas, mas ainda não foram definidos os limites da sua actuação nem é seguro que ex-pilotos como Niki Lauda, Alain Prost ou Jackie Stewart venham a aceitar essa responsabilidade. Finalmente, técnicos e responsáveis por circuitos têm-se mostrado pouco receptivos a uma discussão pública e alargada.</P>
<P>
Os primeiros -- de quem dependem realmente as modificações a introduzir nos monolugares -- preferem o silêncio e concentração dos gabinetes, onde precisam ainda de equacionar os interesses e posições relativas de cada equipa; os segundos dizem-se dispostos a aceitar todas as sugestões, mas debatem-se com uma série de limitações, muitas vezes ligadas à própria construção das pistas.</P>
<P>
O choque com os muros que delimitam determinados sectores das pistas tem sido uma das causas principais dos acidentes graves, mas a sua eliminação ou a simples criação de escapatórias mais largas nem sempre é possível. Recorde-se, como exemplo, as declarações feitas há dois dias por Gerhard Berger em relação à ausência de pneus em parte da curva Tamburello, no circuito de Ímola: «Não sei se eles teriam salvo a vida de Ayrton. Mas sei que, no caso do meu acidente em 1989 [na mesma curva], os pneus teriam agravado a situação.» Ou a explicação do mesmo Berger para a proximidade do muro naquele ponto do circuito: «Um dia, perguntei por que é que estava ali. Mostraram-me o rio que corre mesmo por trás...» E uma boa meia dúzia de metros abaixo do nível da pista, acrescente-se.</P>
<P>
A baixa velocidade média, a sinuosidade e as (muitas) curvas lentas faziam com que os pilotos não considerassem o circuito de Monte Carlo uma pista arriscada, ao contrário do que dizem sobre Spa-Francorchamps ou Monza, entre outras. Aqui, as maiores restrições eram levantadas quanto à zona de «boxes», muito estreita e movimentada. Com os reabastecimentos, este seria o ponto crítico do circuito. Afinal, Wendlinger sofreu um grave acidente numa zona que ninguém considerava perigosa. O que só serve para dar ainda mais razão aos que preconizam uma discussão séria e desapaixonada sobre questões de segurança. Ponderação é o que mais se pede, num momento em que são as emoções a falar mais alto no mundo da Fórmula 1.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45967">
<P>
Conferência de Segurança e Cooperação na Europa em Budapeste</P>
<P>
A cimeira dos russos</P>
<P>
BUDAPESTE RECEBE, amanhã e terça-feira, os líderes dos 52 países membros da Conferência de Segurança e Cooperação na Europa (CSCE), para uma cimeira onde a Rússia vai tentar limitar a influência crescente da NATO no Leste europeu e ao mesmo tempo reforçar o seu papel nas antigas repúblicas soviéticas.</P>
<P>
Os participantes, entre os quais os Presidentes Bill Clinton e Boris Ieltsin, poderão decidir enviar uma força multinacional de paz para o Nagorno-Karabakh, um enclave de maioria cristã arménia, em teoria ainda integrado na antiga república soviética do Azerbaijão, predominantemente muçulmana. Depois de violentos combates, os arménios não só controlam o Nagorno como ocuparam partes do território azeri, na luta pela independência.</P>
<P>
Também a Ucrânia deverá aproveitar os dois dias da cimeira para renunciar formalmente às suas armas nucleares, pondo fim a um longo conflito. Apesar de tudo, deverá ser a guerra na Bósnia, que tanto tem dividido os EUA, os seus aliados europeus e a Rússia, que deverá dominar este encontro, destinado a evitar outros conflitos como o da ex-Jugoslávia. (Ver pág. 12)</P>
<P>
Sabendo que não tem grandes hipóteses de aderir à NATO e receando o isolamento, a Rússia propôs um reforço da CSCE, para que se transforme na principal organização de segurança europeia -- o que permitiria a Moscovo um papel mais determinante em todas as decisões.</P>
<P>
No entanto, os aliados ocidentais, em especial os EUA, embora se mostrem desejosos de tranquilizar a Rússia, hostil à integração dos países da Europa de Leste na Nato, têm bloqueado as propostas de Moscovo, e a cimeira deverá aprovar apenas um modesto reforço da CSCE.</P>
<P>
A Federação Russa quer também que a cimeira lhe dê um mandato para intervir em áreas como a Geórgia e o Tajiquistão, mas não quer que seja debatida a rebelião na sua república da Tchetchénia, por considerar a situação um assunto interno. Outros países insistem, porém, que Moscovo deve aceitar a supervisão internacional.</P>
<P>
Medo dos</P>
<P>
não-russos</P>
<P>
A verdade é que, embora a Rússia defenda o reforço da CSCE, não se mostra à vontade com a perspectiva de ver forças não-russas a manter a paz nas antigas repúblicas soviéticas. No entanto, as vantagens de um envolvimento da CSCE na CEI (Comunidade de Estados Independentes) seriam consideráveis para os russos, porque legitimaria a sua própria missão de manutenção da paz na região (há tropas russas no Tajiquistão, na Abkházia e na região moldova de Dniestr, e foi Moscovo que mediou um cessar-fogo no Nagorno-Karabach).</P>
<P>
Muitos delegados da Conferência admitem que o apoio ao reforço da CSCE deriva, em parte, do desejo de não excluir a Rússia dos processos de decisão política que afectam a segurança europeia. «Ninguém que isolar a Rússia e ninguém acredita seriamente que seja possível uma verdadeira segurança na Europa sem a Rússia», comentou um dos delegados ocidentais, citado pelo diário britânico «The Independent».</P>
<P>
«A CSCE é a única organização de segurança que une a Rússia, as antigas repúblicas soviéticas, os EUA, a Europa Ocidental e de Leste», acrescentou o delegado. «O que realmente se trata aqui é das relações entre a Rússia e o Ocidente no mundo pós-guerra fria.»</P>
<P>
Desde que a cimeira começou a ser preparada em Outubro, tem havido um consenso de que, de certa maneira, a CSCE tem ajudado a minorar potenciais conflitos -- em particular os que envolvem os cidadãos de origem russa na Letónia e na Estónia -- e a promover os direitos humanos e valores democráticos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-28874">
<P>
H5N1: Mais de 32 mil mortos se pandemia atingisse Portugal</P>
<P>
Mais de 32 mil pessoas poderiam morrer se uma pandemia de gripe humana de origem aviária atingisse Portugal, segundo cenários elaborados este ano por peritos do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.</P>
<P>
Na quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde confirmou que um paquistanês vítima da gripe das aves tinha contraído o vírus H5N1 de outro humano, apesar de os peritos afastarem ainda qualquer risco de contaminação generalizado.</P>
<P>
Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde elaborou cenários de uma eventual pandemia de gripe humana de origem em aves, que poderá ou não ser desencadeada pelo H5N1, a estirpe do vírus mais mortal até agora conhecida.</P>
<P>
Os cenários tiveram em conta a utilização do Oseltamivir (o anti-viral tido como o mais eficaz contra uma eventual pandemia com origem da gripe das aves), mas não consideraram outras medidas de saúde pública, apesar de os autores admitirem que estas «terão um efeito principal, embora não exclusivo, na diminuição da incidência da doença e, portanto, nas taxas de ataque».</P>
<P>
Os autores dos cenários basearam o seu cálculo em três taxas de ataque (30, 35 e 40 por cento da população), admitindo que a pandemia evoluiria em duas ondas.</P>
<P>
Os peritos consideram provável que, com uma taxa de ataque de 30 por cento, existiriam 3.106.835 casos de gripe, 3.624.641 numa taxa de ataque de 35 por cento e 4.142.447 perante a mais severa taxa de ataque (40 por cento). </P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-Ren_2003_6465">
<P> Os fragmentos do satélite italiano Bepposax mergulharam na noite de ontem no oceano Pacífico, deixando aliviados os mais de 30 países _inclusive o Brasil _ que estavam sob risco de serem atingidos pelos destroços. </P>
 <P> Segundo informou a ASI (agência espacial italiana) no fim da noite de ontem por telefone, o impacto dos destroços teria ocorrido às 18h06 (
horário de Brasília), numa área remota do oceano. Os italianos não devem conduzir operação para resgatar os detritos. </P>
 <P> Estimativas da agência davam conta de que mais de 40 pedaços, com até 120 kg, poderiam resistir ao atrito com o ar e chegar ao solo. A chance de que um dos pedaços atingisse uma pessoa era mínima, mas autoridades de diversos países, inclusive a Agência Espacial Brasileira, estavam prontas para qualquer contingência. </P>
 <P> O satélite, com massa total de aproximadamente 1,4 tonelada, foi construído pelos italianos, em colaboração com a Holanda, para o estudo dos raios X vindos do espaço cósmico. O equipamento foi lançado ao espaço em 1996, numa órbita baixa (cerca de 600 km de altitude) com uma pequena inclinação, ou seja, quase exatamente sobre a linha do Equador. </P>
 <P> A missão científica da nave foi concluída em 30 de abril de 2002. Depois disso, o satélite deixou de ter sua órbita corrigida. O atrito com as camadas mais altas da atmosfera gradativamente diminuiu a altitude, o que culminou com a reentrada, ontem. Como a volta à Terra não foi realizada de forma controlada (como aconteceu com as 135 toneladas da estação espacial Mir, em 2001), era impossível prever exatamente onde os destroços iriam cair. </P>
 <P>(SN)</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-79348">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil de São Paulo, delegado Nelson Guimarães, recebeu informações de que pessoas ligadas a José Benedito de Souza, o Zezé, estariam planejando a sua apresentação à Polícia nos próximos dias. Zezé é acusado de ser o autor do assassinato do Oswaldo Cruz Júnior, presidente do Sindicado dos Condutores Rodoviários do ABCD.</P>
<P>
As informações chegaram ao delegado por intermédio de policiais que apuram o caso em Santo André, na Grande São Paulo, onde ocorreu o crime. Pessoas que teriam se identificado como amigas e aliadas de Zezé telefonaram para os policiais comunicando a possibilidade de apresentação.</P>
<P>
Escalado pelo governador Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB) para dirigir as investigações, Nelson Guimarães começou ontem a ouvir, como testemunhas no inquérito, familiares e amigos de Oswaldo Cruz Junior. A partir das 11h foram iniciados os depoimentos no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).</P>
<P>
A Polícia tomou os depoimentos de Valéria Cruz (mulher de Oswaldo), Clodovil Aparecido de Carvalho Cruz e Antonio Carlos Cruz (irmãos de Oswaldo) e Miguel Rupp, funcionário da Prefeitura de Santo André, ex-dirigente do Sindicato dos Condutores e um dos principais amigos do sindicalista assassinado.</P>
<P>
Até 14h, os depoimentos não haviam sido encerrados. Valéria e Clodovil têm comportamentos diferentes em relação ao caso. A mulher de Oswaldo declara que não tem nenhuma possibilidade de afirmar que o crime teve conotações políticas, devido às acusações feitas contra o PT pelo seu marido.</P>
<P>
Clodovil, que também é diretor do Sindicato dos Condutores, tem dito o contrário. Ele acredita que o assassinato, ocorrido na quinta-feira, tem ligação direta com as denúncias de Oswaldo Cruz.</P>
<P>
O irmão de Osvaldo Cruz começou a travar desde anteontem uma disputa acirrada pelo controle do Sindicato. Como diretor e irmão do sindicalista assassinado, Clodovil reivindica para ele a posse no cargo deixado por Oswaldo Cruz.</P>
<P>
Outro dirigente sindical, Cícero Bezerra da Silva, que brigava na Justiça pela direção da entidade, não concorda com Clodovil e disse que está disposto a assumir a presidência.</P>
<P>
Bezerra da Silva informou que tentará ocupar o posto, nem que necessite da ajuda da polícia para garantir o mandato e a cerimônia de posse.</P>
<P>
Fleury</P>
<P>
O governador Luiz Antonio Fleury Filho pediu todo o empenho possível ao delegado Nelson Guimarães para tentar desvendar o mais rápido possível o caso. O esforço de Fleury é acompanhado pela bancada do PMDB na Assembléia Legislativa, que vai tentar abrir uma CPI para projeção política ao fato.</P>
<P>
Delegada</P>
<P>
A delegada titutal do 1º DP (Distrito Policial) de Santo André, Eloni Soares de Oliveira, negou que tenha recebido qualquer telefonema de amigos ou parentes de José Benedito de Souza, o Zezé. Essa informação foi negada também pelos policiais de plantão ontem na Delegacia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-18886">
<P>
Operação especial mobiliza 184 trabalhadores municipais</P>
<P>
Câmara varre o Casal Ventoso</P>
<P>
Vários focos de fumo flutuavam, ontem de manhã, pela encosta do Casal Ventoso, na freguesia de Santo Condestável. Eram pequenas queimadas de lixo, assinalando a operação especial de limpeza lançada pelo pelouro da Higiene Urbana e Resíduos Sólidos da Câmara de Lisboa, que hoje termina, envolvendo 184 trabalhadores, apoiados por 14 viaturas e protegidos por luvas e máscaras, dado o tipo de resíduos ali depositados, nomeadamente seringas e agulhas usadas pelos toxicodependentes que frequentam o local.</P>
<P>
Através daquela operação -- levada a cabo dentro do espírito do plano de reconversão do Casal Ventoso, apoiado em 3,5 milhões de contos pelo programa Urban da União Europeia -- o município pretende remover as lixeiras do bairro e limpar a encosta dos caniços e mato ali existentes. Durante os dois dias da limpeza, ontem e hoje, os trabalhadores camarários vão, igualmente, varrer e lavar as ruas do Casal Ventoso e desentupir as respectivas sarjetas.</P>
<P>
No âmbito da operação -- que contou com a presença, durante a manhã, dos vereadores Rui Godinho e Vasco Franco, respectivamente responsáveis pela Higiene Urbana e pela Habitação Social -- foram enviadas cartas aos moradores, sensibilizando-os para a necessidade de acondicionarem o lixo doméstico nos contentores, deporem o vidro nos vidrões e de encaminharem o papel para os vários centros de recolha da cidade.</P>
<P>
A operação especial de limpeza, iniciada às 7h00 de ontem, constitui um primeiro sinal do andamento da Operação Integrada de Reconversão do Casal Ventoso, que visa reabilitar aquela zona da cidade, através da criação de novos equipamentos sociais, acções de formação profissional, construção de habitação social e reabilitação de fogos degradados, criação de espaços verdes e melhoria da rede viária no interior do bairro. A reconversão do Casal Ventoso, caracterizado pela degradação física e social, deverá custar cerca de 10 milhões de contos, a investir até 1999. G. P.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="HAREM-718-00325">
<P>A.Casa.do.Mp3@trd.sintef.no</P>
<P>Mais de 7.500 músicas em MP3 de todos gêneros !!! · Para você que quer ter uma coleção de músicas para seu computador ou mesmo para ouvir no seu novo aparelho de MP3 , não perca essa oportunidade.</P>
<P> Se você já tem sua coleção própria de MP3  , aproveite para aumentar sua coleção.</P>
<P> · Este é um pacote com milhares de músicas de bandas e artistas dos mais variados gêneros musicais para incrementar sua coletânea.</P>
<P> Não perca mais seu tempo fazendo download.</P>
<P> Acesse o site abaixo e veja a lista completa das músicas.</P>
<P> · São 40 CDs repletos de músicas totalizando mais de 28GB só em MP3 !!! Os CDs são de boa qualidade e gravados em velocidade compatível assegurando assim uma ótima durabilidade.</P>
<P> Os arquivos MP3 estão organizados e renomeados.</P>
<P> Não perca esta oportunidade, entre já !!! Maiores informações, acesse: - www.casadomp31.kit.net-.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="bob-14949"> 
<P> " Pequena Notável " ou a " Brazilian Bombshell " </P>
 <P> Depois de ser exibida no Rio, chega a São Paulo a mostra Carmen Miranda para sempre, que será inaugurada hoje para convidados e amanhã para o público no Memorial da América Latina. Fotos, roupas (algumas são releituras contemporâneas de seu estilo), objetos, são mais de 700 peças reunidas (além de filmes e músicas) para contar a história da " Pequena Notável " ou a " Brazilian Bombshell " - não há no mundo quem não conheça essa genial estrela que conquistou o Brasil, a Broadway e Hollywood. </P>
 <P> A imagem recorrente que vem à cabeça é a da baiana com badulaques na cabeça sempre sorridente - ela se apresentava com nada menos que 20 quilos sobre o corpo, entre roupas e acessórios, e uma plataforma de 15 cm de altura. Carmen Miranda (1909-1955) "nasceu personagem, era uma artista", como diz o jornalista e escritor Ruy Castro, que há pouco lançou uma biografia sobre a estrela. Apesar do enorme sucesso conquistado a partir do fim da década de 1930 nos EUA, para Ruy Castro a fase da artista no Brasil é a que precisa ser "urgentemente conhecida pelo público brasileiro". Ele, que fez consultoria dos textos presentes na mostra, vai realizar uma palestra gratuita na sexta-feira, às 19h30, sobre a vida e a obra da artista na Biblioteca Victor Civita, no Memorial. </P>
 <P> Carmen Miranda para sempre é um projeto que vem sendo realizado há mais de dois anos. Com curadoria de Fabiano Canosa, a mostra feita com peças da própria coleção de Canosa, do Museu Carmen Miranda (inaugurado em 1976) e da família da artista, tem percurso cronológico e está dividida em núcleos. Inicia com o nascimento em Portugal e inclui imagens de sua família. Depois, vem a fase brasileira, "quando ela era a rainha do disco, do rádio, do cineteatro e fez filmes que estão quase todos destruídos, uma tragédia". Um dos únicos que restaram é Alô, Alô Carnaval, de 1936, que Carmen fez ao lado de sua irmã Aurora, morta em dezembro - como conta o curador. Não era ainda a Carmen Miranda dos badulaques. Era uma "mulher art déco dos anos 30 ", como diz Canosa, que usava calças, ternos e vestidos belos - em particular, há uma sala especial com retratos da artista feitos em 1931, em Buenos Aires, pela alemã Annemarie Heinrich. </P>
 <P> E foi durante uma de suas apresentações no Cassino da Urca, no Rio, em 1939, que o produtor americano Lee Shubert viu Carmen e se encantou. Levou-a para a Broadway e o sucesso foi inevitável. Ela, com o Bando da Lua, ficou consagrada já no início com o espetáculo The Streets of Paris. Daí em diante, tornou-se uma das maiores celebridades que o mundo já conheceu. </P>
 <P>Serviço</P>
 <P> Carmen Miranda para sempre. Galeria Marta Traba. Memorial da América Latina. Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, 3823-4741. 9h/18h (fecha 2.ª). Grátis. Até 16/4. Abertura hoje, 19h30, para convidados. Diariamente, às 10h30 e às 15h, exibição do documentário Bananas Is My Business </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-83761">
<P>
Especial para a Folha, de Colônia</P>
<P>
Os mais importantes noticiários da TV alemã alteraram ontem sua programação e destacaram os últimos acontecimentos em Imola.</P>
<P>
Seus comentaristas questionaram o sentido de um esporte como a Fórmula 1.</P>
<P>
Esta foi a tônica de praticamente todas as reportagens veiculadas desde domingo na televisão e desde ontem na imprensa alemã, sempre acompanhadas de comentários.</P>
<P>
"Ayrton Senna morto –chega de loucura" foi a manchete do jornal popular "Express".</P>
<P>
O jornal "Bild", o mais vendido do país, com cinco milhões de exemplares diários, destacou na primeira página: "Delírio na Fórmula 1 –dois pilotos morrem e eles continuam a disparar".</P>
<P>
O jornal "Frankfurter Rundschau" comentou em seu caderno de esportes: "Agora não se trata, mais uma vez, de melhorar as pistas e intensificar as medidas de segurança ou de dar mais poder de decisão aos pilotos em relação aos seus empresários, mas sim de questionar a razão de ser de determinados tipos de esporte".</P>
<P>
O "Rundschau" comparou as mortes de Senna e do austríaco Roland Ratzenberger à da esquiadora austríaca Uli Maier, em uma prova de esqui disputada no início deste ano, em Garmische-Partenkirchen (Alemanha).</P>
<P>
A Alemanha perdeu alguns de seus melhores pilotos na Fórmula 1. Em 1961, Wolfgang Von Trips liderava o Mundial de Pilotos quando morreu em um desastre em Monza (Itália).</P>
<P>
Em 1985, uma revelação do automobilismo alemão, Stefan Bellof, morreu aos 27 anos, durante uma prova da categoria protótipos em Spa-Francorchamps (Bélgica).</P>
<P>
Três semanas antes, outro piloto alemão, Manfred Winkelhock, morrera aos 32 anos em uma prova da mesma categoria em Mosport (Canadá).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-28424">
<P>
Extremo Oriente</P>
<P>
Inundações já fizeram milhar e meio de mortos</P>
<P>
Os campos de arroz transformaram-se em lagos gigantes, devido às chuvas torrenciais que, nos últimos dez dias, caíram sobre a província de Hunan, na China. O último balanço apontava, ontem à tarde, para 400 mortos, 527 pessoas desaparecidas e 18 mil desalojados. Um dos distritos de Hunan, Paikou, ficou quase completamente submerso pelas inundações, com prejuízos na ordem dos 24 milhões de dólares (mais de três milhões e 500 mil contos), oito mil toneladas de arroz destruídas e perto de mil casas arruinadas.</P>
<P>
As inundações, em Paikou, estendem-se até à linha do horizonte. Fica apenas visível o topo das árvores e dos postes telegráficos e as casas, pelo nível do segundo andar, à tona de água. Os habitantes não têm outra opção se não deslocar-se de barco, na tentativa de recuperar os seus bens. A casa térrea de Chen Chunxi, de 58 anos, foi engolida pelas cheias e, embora ainda se encontre de pé, corre o risco de desmoronar quando as águas retrocederem.</P>
<P>
Estas chuvas, sem precedente, e o rebentamento de um dique, estão na origem das inundações que afectaram toda a zona sul e central da China, referiram as autoridades locais de Paikou.</P>
<P>
A destruição causada pelas tempestades atingiu, igualmente, o Bangladesh, provocando mais de mil mortos e ameaçando já a capital do país, Daca, após os rios Buriganga e Turag terem transbordado das suas margens.</P>
<P>
As autoridades dos distritos do norte do país referiram que a situação está a piorar à medida que mais áreas são inundadas, e crêem que o balanço final será mais trágico do que 1988, quando as inundações causaram um total de três mil mortos. O gabinete governamental de emergência referiu, na sexta-feira, que mais de seis milhões de pessoas foram atingidas pelas cheias, que destruíram 68 mil casas e mais de dois mil quilómetros de estradas.</P>
<P>
A situação é similar na Turquia, depois das tempestades que assolaram o país há três dias. Pelo menos 40 pessoas morreram e outras 40 ficaram gravemente feridas, em Senirkent, devido ao desabamento de terras. A cidade, com 15 mil habitantes, está coberta de água e lama, e as equipas de salvamento recomeçaram, ontem, os trabalhos de busca, à custa de escavadoras e do apoio militar. O Presidente turco, Suleyman Demirel, deslocou-se à cidade ontem de manhã, onde fez a promessa de apoiar a reconstrução da cidade.</P>
<P>
Na Formosa, a morte chegou com uma onda de volume anormal que «engoliu» sete jovens, ontem, à beira-mar de uma praia de Kaohsiung, dos quais três morreram e outros três estão dados como desaparecidos. O único sobrevivente da tragédia, Tsai Hou-yang, esteve cerca de meia hora à deriva no mar, «tentando manter a calma», até as equipas de salvamento o trazerem para terra.</P>
<P>
Nos Estados Unidos, é uma vaga de calor que se abateu sobre o país na última semana, chegando aos 40 graus centígrados na parte oriental, a provocar vítimas mortais: 31 mortos, de acordo com a última contagem, divulgada ontem pelas autoridades norte-americanas. As temperaturas e os altos níveis de humidade, aliados à poluição, criaram uma atmosfera mortal, a que algumas das pessoas sucumbiram sufocadas nas suas próprias casas, sem ar condicionada.</P>
<P>
AFP e Reuter</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-43756">
<P>
O empresário nem conseguia acreditar. Há vinte anos que não o via. Aproximou-se do seu ex-colega da faculdade e chamou-o. K virou-se. Cumprimentaram-se. Efusivo, o empresário, enquanto K foi contido e formal. Só quando o empresário revelou que ganhava a vida no mundo dos negócios e que tinha empresas com sede em diversos «offshore» mundiais, K acedeu a tomar um café.</P>
<P>
-- Então o que é isso dos «offshore»?, perguntou K após um breve silêncio.</P>
<P>
-- Bom, há quem também lhes chame paraísos fiscais ou zonas de baixa tributação. São zonas especiais, em que a actividade das empresas, instituições financeiras e mesmo de particulares pode ser concretizada, por vezes, com total isenção de impostos sobre os rendimentos. Há zonas «offshore» em que os rendimentos provenientes de actividades realizadas no exterior também não são tributados e outras em que há tributação, mas consideravelmente mais reduzida. A escolha de um «offshore» tem que ver com a actividade que se quer realizar, porque há alguma especialização nestas zonas. Mas, de qualquer forma, estás já a perceber porque é que realizo os meus negócios com empresas com sede nestes paraísos...</P>
<P>
-- Estou, estou... Mas o Estado farta-se de perder receitas fiscais.</P>
<P>
-- É verdade. Mas os «offshore» foram constituídos com o objectivo de atraírem investimento e, portanto, criarem postos de trabalho, em zonas específicas. Muitas vezes até em regiões desfavorecidas de países desenvolvidos. Pelo menos teoricamente, a chegada de empresas e investidores a essas zonas são factores de dinamização económica.</P>
<P>
-- Deve haver custos para quem se queira instalar num «offshore».</P>
<P>
-- Claro. Uma empresa, para poder gozar dos benefícios fiscais de um determinado «offshore», tem de ser formalmente constituída junto do registo privado desse «paraíso fiscal», utilizando o notário privativo da zona. E, para isso, tem que pagar direitos e ter aí a sua sede. Para manterem a licença, as empresas pagam uma taxa anual, geralmente fixa. Só é compensador estar num «offshore» se as taxas a pagar forem inferiores ao valor dos impostos que seriam cobrados pelo fisco se a empresa estivesse sujeita ao regime fiscal geral. Para um particular, há que obter o estatuto de residente para poder gozar dos benefícios fiscais do «offshore».</P>
<P>
-- Parece-me que isso tem um lado perverso. Muitas empresas devem ser constituídas nessas zonas apenas por questões de evasão fiscal. E as actividades ilegais também devem encontrar aí um bom refúgio.</P>
<P>
-- Por isso é que as administrações fiscais andam cada vez mais atentas às actividades nos «offshore». Há a preocupação de reprimir os abusos na utilização dos «offshore», através, precisamente, de medidas antiabuso. Como a legislação não é perfeita, particulares, bancos e empresas podem concretizar operações que, face à letra da lei, são regulares mas que na sua substância são concretizadas apenas com o objectivo de fugir ao pagamento de impostos. E há zonas que ganharam fama de serem utilizadas para branqueamento de dinheiro proveniente do narcotráfico. Fala-se muito nos «offshore» das Caraíbas. É que as actividades nos paraísos fiscais estão geralmente protegidas pelo sigilo comercial e bancário.</P>
<P>
-- E onde é que existem esses «offshore»?</P>
<P>
-- Há dezenas em todo o Mundo. Por exemplo: Gibraltar, Andorra, Chipre, Ilhas do Canal (Jersey e Guernsey), Liechtenstein e Madeira, na Europa. Bahamas, Ilhas Caimã, Panamá e Antilhas Holandesas, nas Caraíbas. As ilhas Seychelles e a Libéria, no Médio Oriente e África. E Hong Kong e Singapura, na Ásia.</P>
<P>
-- Já tinha ouvido falar no «offshore» da Madeira.</P>
<P>
-- É um dos existem na Europa, onde os mais desenvolvidos são os do Luxemburgo e Dublin. Na Madeira é dado um tratamento fiscal favorável à actividade financeira. Estão lá registadas sucursais de praticamente todos os bancos portugueses que aceitam depósitos, sobretudo de emigrantes, gerem contas em moeda estrangeira e carteiras de investimento de clientes. No ano passado, o crédito a empresas não financeiras e particulares concedido por essas instituições foi de cerca de dois milhões de contos, os depósitos a prazo totalizavam 3,9 milhões e os depósitos de emigrantes eram superiores a 352 milhões de contos, cerca de 13,2 por cento do total verificado em bancos nacionais.</P>
<P>
Na Madeira há também uma zona franca, destinada à instalação de indústrias. Estas gozam, por exemplo, da isenção de imposto sobre os lucros até ao ano 2011, assim como estão isentas de Sisa e imposto sobre sucessões e doações na compra de terrenos para se instalarem na zona.</P>
<P>
Mas os incentivos, que estão previstos no artigo 41 do Estatuto dos Benefícios Fiscais, abrangem igualmente o registo de navios e as empresas prestadoras de serviços. Esta zona de baixa tributação foi concessionada pelo Governo Regional da Madeira à SDM (Sociedade de Desenvolvimento da Madeira). Há um pequeno pormenor que, no entanto, é decisivo: os benefícios fiscais abrangem apenas as operações realizadas com não residentes. Santa Maria, nos Açores, também tem uma zona franca industrial.</P>
<P>
-- Essa ideia das zonas «offshore» é recente?</P>
<P>
-- Certas regiões da Grécia antiga davam um tratamento fiscal favorável às importações. E na Idade Média muitas das cidades da Liga Hanseática prosperaram por causa da reduzida tributação das transacções comerciais. Mas os modernos paraísos fiscais desenvolveram-se sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, à medida que a carga fiscal ia aumentando na generalidade dos países industrializados, com o objectivo de financiar a reparação dos danos causados pelo conflito e de proceder a uma redistribuição mais equitativa dos rendimentos.</P>
<P>
-- Interessante, disse K.</P>
<P>
-- Pois é. Mas estamos fartos de falar de mim. Afinal, o que é tu fazes na vida?</P>
<P>
K bebeu um gole de água antes de responder, com um brilho malicioso no olhar:</P>
<P>
-- Ah, nada de especial. Sou director-geral das Contribuições e Impostos...</P>
<P>
João Cândido da Silva</P>
</DOC>

<DOC DOCID="HAREM-649-00204">
<P> - Não faço mistério disso; mora com seu pai em uma pequena chácara no bairro de  Santo Antônio  , onde vivem modestamente, evitando relações, e aparecendo mui raras vezes em público.</P>
<P> Nessa chácara, escondida entre moitas de coqueiros e arvoredos, vive ela como a violeta entre a folhagem, ou como fada misteriosa em uma gruta encantada.</P>
<P> - É célebre! - retorquiu o doutor - mas como chegaste a descobrir essa ninfa encantada, e a ter entrada em sua gruta misteriosa?- Eu vos conto em duas palavras.</P>
<P> Passando eu um dia a cavalo por sua chácara, avistei-a sentada em um banco do pequeno jardim da frente.</P>
<P> Surpreendeu-me sua maravilhosa beleza.</P>
<P> Como viu que eu a contemplava com demasiada curiosidade, esgueirou-se como uma borboleta entre os arbustos floridos e desapareceu.</P>
<P> Formei o firme propósito de vê-la e de falar-lhe, custasse o que custasse.</P>
<P> Por mais, porém, que indagasse por toda a vizinhança, não encontrei uma só pessoa que se relacionasse com ela e que pudesse apresentar-me.</P>
<P> Indaguei por fim quem era o proprietário da chácara, e fui ter com ele.</P>
<P> Nem esse podia dar-me informações, nem servir-me em coisa alguma.</P>
<P> O seu inquilino vinha todos os meses pontualmente adiantar o aluguel da chácara; eis tudo quanto a respeito dele sabia.</P>
<P> Todavia continuei a passar todas as tardes por defronte do jardim, mas a pé para melhor poder surpreendêla e admirá-la; quase sempre, porém, sem resultado.</P>
<P> Quando acontecia estar no jardim, esquivava-se sempre às minhas vistas como da primeira vez.</P>
<P> Um dia, porém, quando eu passava, caiu-lhe o lenço ao levantar-se do banco; a grade estava aberta; tomei a liberdade de penetrar no jardim, apanhei o lenço, e corri a entregar-lho, quando já ela punha o pé na soleira de sua casa.</P>
<P> Agradeceu-me com um sorriso tão encantador, que estive em termos de cair de joelhos a seus pés; mas não mandou-me entrar, nem fez-me oferecimento algum.</P>
<P> - A peripécia?.., oh! essa ainda não chegou, e nem eu mesmo sei qual será.</P>
<P> Esgotei enfim os estratagemas possíveis para ter entrada no santuário daquela deusa; mas foi tudo baldado.</P>
<P> O acaso enfim veio em meu socorro, e serviu-me melhor do que toda a minha habilidade e diligência.</P>
<P> Passeando eu uma tarde de carro no bairro de Santo Antônio, pelas margens do Beberibe, passeio que se tornara para mim uma devoção, avistei um homem e uma mulher navegando a todo pano em um pequeno bote.</P>
<P> Instantes depois o bote achou-se encalhado em um banco de areia.</P>
<P> Novo modelo de apólice cobrirá safra agrícola Data: 25/02/2000 Fonte: Jornal do Commercio Autor: Matéria: O Governo quer disponibilizar o novo modelo do seguro agrícola para os agricultores brasileiros já na próxima safra de grãos e frutas, que começa a ser cultivada em julho.</P>
<P> A informação é do ministro da Agricultura , Marcus Vinícius Pratini de Moraes , que já esteve reunido duas vezes com os seguradores para discutir o novo formato desse produto, o qual vem sendo desenhado com base na troca de informações entre Federação Nacional das Seguradoras (  Fenaseg  ),  Superintendência de Seguros Privados  (  Susepe o  Ministério da Agricultura  .</P>
<P> Os seguradores também têm pressa na aprovação do produto.</P>
<P> A expectativa é de que o modelo em discussão possa ser posto em votação no Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) já no próximo mês.</P>
<P> "Esse seguro é a plataforma para desenvolvimento da agricultura", assinalou Pratini de Moraes, no último encontro com seguradoras, há quinze dias.</P>
<P> A adoção de um novo modelo de seguro agrícola no Brasil , com o apoio governamental, provocou um aumento do interesse de grupos estrangeiros na compra da Companhia de Seguros do Estado de São Paulo ( Cosesp ).</P>
<P> Embora tenha acumulado resultados negativos nesse ramo de seguro, a Cosesp tem uma extensa carteira de negócios, que inclui produtores rurais.</P>
<P> Um prato cheio para conglomerados do exterior, voltados para o ramo agrícola, que fazem planos para explorar o quase virgem mercado brasileiro em de coberturas para o agrobusiness.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-83020"> 
<P> Actualmente é de 570,6 euros </P>
 <P> Espanha aumenta salário mínimo para 600 euros </P>
 <P> O Governo socialista espanhol aprovou hoje o aumento do salário mínimo em Espanha, fazendo-o passar dos actuais 570,6 euros para 600 euros no próximo ano. </P>
 <P> «Aprovámos o decreto que estabelece o salário mínimo interprofissional nos 600 euros por mês, com efeito a partir de 1 de Janeiro », anunciou o
chefe do Governo, José Luís Rodriguez Zapatero, numa conferência de imprensa do último Conselho de Ministros deste ano. </P>
 <P> Este aumento foi conseguido graças ao acordo com os sindicatos e o patronato acrescentou Zapatero, que afirmou que esse valor correspondia às suas promessas eleitorais, precisando que o salário mínimo estava nos 460 euros em 2004, aquando da sua ascensão ao poder. </P>
 <P> O chefe do governo vai disputar um segundo mandato de quatro anos nas eleições legislativas de 9 de Março, e salienta frequentemente o seu balanço económico positivo. </P>
 <P> Em Outubro, Zapatero prometeu igualmente aumentar o salário mínimo até aos 800 euros por mês em caso de reeleição. </P>
 <P> À excepção dos antigos países do bloco de leste, a Espanha é um dos países que tem o salário mínimo mais baixo da União Europeia, juntamente com Portugal, Grécia e Malta. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-91193">
<P>
Aristides Teixeira</P>
<P>
Eu «show» candidato</P>
<P>
Se não ganhar a eleição presidencial, Aristides Teixeira, de 36 anos, pensa continuar a exercer a profissão actual: produção no audiovisual. É um homem de várias imagens, e até já foi actor num programa de Nicolau Breyner, onde era o pirata de perna-de-pau.</P>
<P>
Por enquanto, ele próprio e a Comissão de Candidatura, que ainda não tem sede, andam preocupados com o processo legal que obriga a apresentar 7500 assinaturas num prazo de 50 dias. Esta exigência da lei reforça a convicção que já tinha antes: vivemos numa «democracia de frontispício».</P>
<P>
Casado e com dois filhos, Aristides nasceu em Lisboa e morou na capital até se mudar, em 1982, para a Margem Sul. Esta mudança foi determinante na sua vida, como adiante se verá.</P>
<P>
Aos 16 anos, publicou o primeiro livro, edição de autor, esgotada, reedição, esgotada também. Era um livro em que «denunciava as atrocidades do antigo regime». Outros livros se seguiram e também a liderança do Movimento de Escritores Novos, nos anos 80. «Sou membro da Associação Portuguesa de Escritores e da Sociedade Portuguesa de Autores.»</P>
<P>
Em, televisão, o pré-candidato foi apresentador de programas juvenis e trabalhou na produção de outros programas, desde As Botas das Sete Léguas à Rua Sésamo e ao Euronico.</P>
<P>
«No plano político», afirma, «apoiei a candidatura de Francisco Salgado Zenha e fiz parte de uma coisa que se chamou Associação dos Utentes dos Transportes Colectivos da Cidade de Lisboa», por ocasião da greve prolongada dos trabalhadores da Carris. A associação não cumpriu os objectivos pensados por Aristides: desfez-se quando a greve terminou, em vez de prolongar uma intervenção na defesa dos direitos dos passageiros.</P>
<P>
De resto, os portugueses e em particular os habitantes da capital não se mostram muito sensibilizados para movimentos de carácter cívico. Veja-se o caso do protesto contra o aumento das portagens da Ponte 25 de Abril, no ano passado: que sequência deram os lisboetas à indignação? Daí que Aristides tenha dinamizado primeiro a Associação de Utentes, de que depois saiu para formar a Associação Democrática de Utentes, hoje com duas dezenas no núcleo mais activo, cinco dezenas de inscritos em geral. E esta última associação está agora a dinamizar núcleos em Lisboa, como o que já existe na Junta de Freguesia de Benfica e outros dois de que Aristides ainda não pode falar.</P>
<P>
A própria ideia da candidatura à Presidência da República partiu da Associação -- «não foi ideia minha e consideraram que eu era a pessoa indicada», garante. Só em Outubro haverá programa de acção, depois das eleições legislativas. Mas já têm cinco mil impressos para recolher assinaturas. E, de qualquer modo, o objectivo da candidatura é claro: continuar o debate de ideias, em particular, acerca do pagamento da portagem na Ponte. É uma candidatura aberta a novas adesões, «por exemplo de movimentos ecologistas ou de estudantes», embora nenhuma se tenha concretizado ainda. Também os financiamentos estão por vir, por agora é tudo pago pelos activistas, mas «já há empresários interessados em contribuir».</P>
<P>
Aristides não tem medo de que pensem que a candidatura é uma forma de se pôr em evidência: «Estou exposto a que me chamem de tudo, eu explico as razões e as pessoas têm todo o direito de fazer a leitura que quiserem.»</P>
<P>
Carlos Ferreira</P>
<P>
O Zé Povinho existe</P>
<P>
Anuncia-se a ele próprio como «representante do Zé Povinho» e diz que a verdadeira meta é o ano de 2001, porque as próximas eleições presidenciais são apenas uma espécie de treino, apenas umas «primárias» como nos Estados Unidos.</P>
<P>
Carlos Alberto Ferreira, empregado de mesa num hotel de Lisboa, nasceu há 47 anos no Hospital da Mealhada e foi de imediato separado da mãe, internada num hospital psiquiátrico. Casado e pai de um rapaz de 17 anos, mora em Tercena e diz que não tem mais família.</P>
<P>
Cresceu no Portugal dos Pequenitos, em Coimbra. Depois, ficou algum tempo com uns tios, mas fugiu. E, finalmente, foi na Obra da Criança Abandonada que estudou até fazer dois anos no seminário de Soutelo, perto de Braga. Voltou para casa dos tios e de novo fugiu, desta vez para Lisboa, aos 16 anos, e começou a trabalhar na hotelaria.</P>
<P>
O interesse pelo desporto surgiu nessa mesma época, quando conheceu «vedetas» como José Luís, da luta livre americana, e acabou por inscrever-se no Ateneu Comercial de Lisboa, onde praticou luta livre, luta greco-romana e natação. Tarzan Taborda foi «colega» de treinos. Hoje, Carlos Ferreira dedica-se ao atletismo e participa em todas as provas do calendário das provas amadoras. Diz que figura no Guinness Book desde que percorreu a pé, de bandeja na mão, os 1110 quilómetros entre Melgaço e Lagos.</P>
<P>
O outro grande interesse da vida de Carlitos, como é chamado pelos colegas do hotel, é a política. Uma verdadeira paixão. Simpatizante da UDP, foi candidato por este partido a duas eleições autárquicas no concelho de Sintra. Foi também activo apoiante das candidaturas presidenciais de Otelo e Maria de Lurdes Pintasilgo. De resto, afirma que é visita habitual de Otelo e que têm em comum um outro amigo, o jornalista Gunther Walraff.</P>
<P>
O facto de a UDP apresentar um candidato próprio às presidenciais não o incomoda. Carlos Ferreira anunciou a sua candidatura no Congresso deste partido, no hotel Altis, e ninguém tentou impedi-lo de avançar. «Só prova que a UDP é um partido democrático.»</P>
<P>
A questão das assinaturas necessárias à candidatura não o preocupa nada, é fácil. Aliás, na hotelaria as pessoas andam «radiantes» com o facto de terem um candidato do sector.</P>
<P>
Como tem família em Espanha, Carlos Ferreira tenciona ir a Madrid falar à TVE, ao «El País» e ao «El Mundo», através de um cunhado que é taxista e que lhe costuma explicar muitas coisas. Depois, dará uma conferência de imprensa no Porto, na Associação dos Empregados de Mesa, e aí revelará se vai ou não avançar com a candidatura.</P>
<P>
Para já, o que lhe interessa é aparecer na imprensa e ir ganhando experiência para as presidenciais de 2001, «se entretanto não houver uma ditadura em Portugal». Por agora, faz questão de dizer mal de Jorge Sampaio, sempre que tem oportunidade, e acha que «ele está a perder credibilidade, devia era estar calado».</P>
<P>
Se for eleito, entrega o Palácio de Belém aos pobres, porque aquilo tem lá muito jardim e muitos quintais, «dá para uma boa horta de batatas», entrega 60 ou 70 por cento do ordenado a «uma associação de gente que precise» e instala a presidência entre Coimbra e a Mealhada, a igual distância do Minho e do Algarve. Quanto à Europa, é peremptório: «Sou contra.» E adianta: «Aquilo é um ninho de chulos.»</P>
<P>
A paixão pela intervenção política resulta, diz, do muito que sofreu. «O problema é que as pessoas não sonham. Eu sonho. Não quero morrer sem deixar um rasto bem aceso.»</P>
<P>
Jacinto Duarte</P>
<P>
Belém, não. Vila Viçosa!</P>
<P>
É com um abnegado espírito de sacrifício que Jacinto Duarte, advogado, notário recém-aposentado, vai candidatar-se à eleição presidencial. Aos 61 anos, natural de Amor, no concelho de Leiria, o pré-candidato considera que já deu o que era preciso aos oito filhos e que chegou o momento de dar um pouco de si aos portugueses.</P>
<P>
Jacinto Duarte tem sede de candidatura em Loulé, onde reside, e afirma que não terá dificuldades em obter as 7500 assinaturas necessárias ao processo eleitoral. Simples. Porque já tem três mil e distribuiu impressos a cem colegas, na última assembleia de notários. «Como as pessoas têm de fazer reconhecimento de assinaturas, têm de lá ir. Há alguém que não confie num notário? Se ele disser que é para a candidatura de uma pessoa séria que quer tirar os partidos e dar o poder ao povo, certamente assinam e depois o reconhecimento é gratuito. Sou uma pessoa muito conhecida no mundo notarial e registarial. Já mandei faxes a dizer que podem começar a recolher assinaturas.»</P>
<P>
Se for eleito presidente, Jacinto Duarte levará a Presidência e o Governo para o Alentejo: «Para Vila Viçosa ou Évora, talvez aproveitando o paço ducal. É uma coisa a pensar.» E promoverá a alteração radical do regime.</P>
<P>
Desde logo, acaba com o poder dos partidos, com a partidocracia. O sistema eleitoral passaria a ser assim: o país dividido em 120 círculos de 50 mil eleitores, e cada círculo só elegeria um deputado. E como a eleição directa era difícil de executar, cada freguesia escolhia três a cinco representantes que, com os escolhidos das outras freguesias do círculo, elaborariam uma lista de três candidatos a deputados. As associações da sociedade civil, designadamente os industriais, os comerciantes, os agricultores, pescadores, profissões liberais e trabalhadores escolheriam, cada uma, um representante. Estes nomes seriam depois votados pelos tais 50 mil eleitores e um deles seria escolhido. Portanto, seriam 120 deputados, um por círculo.</P>
<P>
O advogado foi à televisão expor estas ideias, ao programa de Manuel Luís Goucha: «E ele até me disse que ia recomendar à Direcção de Informação que me levassem a um debate com o Jorge Sampaio.» Mas preferia um debate com Cavaco Silva: «Tenho uma quantidade de trunfos que só revelo nessa altura. Desde que se deixou influenciar pelos conselheiros de imagem tornou-se um político vulgar. Sei de coisas que ele fez e que dão cabo dele. É um economicista que não dá valor nenhum às famílias, às pessoas. As minhas ideias alternativas tornam Portugal muito mais próspero e feliz.»</P>
<P>
Para o problema da droga, um dos maiores do nosso tempo, Jacinto Duarte tem uma solução garantida. Ele próprio irá, caso seja eleito, apresentar o plano à ONU, ou então mandará o embaixador. Em síntese: «Bastará que as Nações Unidas mobilizem recursos, em homens e dinheiro, semelhantes aos que se mobilizaram na guerra contra o Iraque.» Depois, «os soldados com avionetas e helicópteros destroem em todo o mundo as culturas da droga e, com o dinheiro das Nações Unidas, indemnizam-se os lavradores que produziam droga e dão-se-lhes cursos de formação para que se dediquem à produção de produtos alimentares úteis.» E com convicção: «Se cortarmos com a droga na fonte, nunca mais aparece em lado nenhum. Não acredito que, se apresentar esta proposta, alguém tenha a coragem de não a aprovar.»</P>
<P>
Se o voto não for favorável a Jacinto Duarte, nada está perdido: «Se não ganhar, vou para a minha herdade em Almodôvar. Vou lá plantar pinheiro manso com um subsídio europeu.»</P>
<P>
Menezes Alves</P>
<P>
Agora eu queria ser deputado</P>
<P>
É uma espécie de candidato profissional. Se lhe perguntarem hoje o que faz, responde que é candidato e é mesmo isso que diz o cartão de visita. José Manuel Pauliac de Menezes Alves, 49 anos, não está, no entanto, muito virado para as presidenciais. Do que gostava agora era de ser deputado.</P>
<P>
«Até pode dizer que estou com escritos», diz logo de início, e o tom da conversa é sempre assim, displicente e excessivo. Deputado por que partido, pergunta-se? «A única maneira, e o meu percurso um pouco heterodoxo leva a isso, é ser convidado pelo Partido Socialista como candidato independente. Não vou pedir, não entro em `lobbies'. Não faço questão disso. Falei, ou querem ou não querem. Nem vou perder cinco minutos com isso.»</P>
<P>
Casado e com três filhos, desde sempre entusiasta e proprietário de automóveis caros, Menezes Alves está -- ou não está? -- na corrida das presidenciais pela terceira vez. Já desistiu por Eanes, já desistiu por Soares. A ideia é fazer trabalho de desgaste, explica. Dizer as coisas que os candidatos «sérios» não querem dizer: «Em 1979, fiz um `gentleman's agreement' com o embaixador Fernando Reino para dizer tudo aquilo que o general Ramalho Eanes não pudesse dizer contra o general Soares Carneiro, na medida em que eu vinha de um meio que não era nem comunista nem socialista, portanto, provocava uma certa confusão na Aliança Democrática. Em 84, fiz um `gentleman's agreement' com o Manuel Homem de Melo, uma coisa muito gira. Eu era presidente de um clube de reflexão política com ele, a gente reunia-se no Clube dos Empresários, para almoços e jantares.»</P>
<P>
Fala dos políticos ou das famílias «Olá», tratando-os sempre pelo nome próprio. Quando diz «o Diogo», fala de Freitas do Amaral, com quem andou no Colégio Avé-Maria; os irmãos Herédia, que frequentaram o mesmo colégio na Suíça, são «o Manão e o Pumba, filhos da Mocas Herédia, não têm nada a ver com essa Isabelinha (toda a gente sabe quem é)»; quando diz Zezinha, refere-se a Maria José Nogueira Pinto e a Gracinha é Graça Viterbo, ambas dos tempos do Liceu Francês. No Colégio Militar ficou com amigos e com a sensação horrível de ser o mariquinhas, o menino da mamã: «O `chauffeur' ia lá às quartas e quintas-feiras levar-me bolinhos», explica.</P>
<P>
O tom é mais ou menos o mesmo quando se refere à guerra colonial. Conta, torrencialmente, o que viu em Angola quando fez parte da chamada Organização Provincial de Voluntários: «Foi muito interessante ver um homem como o Deslandes, que queria uma independência branca suavizada, tipo Ian Smith `avant la lettre'. E tentou. Foi lá o Adriano Moreira tentar convencê-lo, foi lá um general Gomes de Araújo, que era ministro da Defesa Nacional e esteve envolvido depois no escândalo dos `ballet rose', uma coisa de meninas. Assisti a essa coisa toda, aos generais com enfartes de miocárdio, porque havia lá uma série de bailarinas de um `ballet' Verde Gaio que era tudo uns bacanais na ilha do Mussulo. Ver o poder assim em cuecas desmistifica.»</P>
<P>
Sem perder tempo, conta como Marcello Caetano, de quem foi aluno em Direito, o convidou para ser presidente da ANP a nível juvenil, mas esteve lá uma semana e bastou. Aproveitou para conviver com o decorador Lucien Donnat, com «atelier» no mesmo edifício, porque, de resto, queriam que ele organizasse um torneio de vela e ele preferia jogos de futebol e piqueniques e tinha de falar com uns «tios» -- «aquilo era tudo tios» -- e então escreveu uma carta a recusar e, no dia seguinte, foi chamado para a tropa. Diz que ainda tentou convencer Marcello Caetano a aconselhar-se com militares de patente mais baixa do que os generais de que se rodeava, tudo gente do reumático, mas ele não lhe deu ouvidos e depois foi o que se viu: deu-se o 25 de Abril, claro está.</P>
<P>
Não tem problemas quando pensa no processo eleitoral, porque já está habituado e até já entregou uns papéis para assinar na bomba de gasolina onde se abastece, em Sintra, perto da quinta onde vive e que é a sede da candidatura. Quando não está entretido a ser candidato, o advogado tem como actividade profissional ser consultor jurídico da mulher, que «é muito rica». «Vou-me ocupando a fazer negócios com os terrenos dela.»</P>
<P>
Orlando Cruz</P>
<P>
Electrodomésticos em vez de cartazes</P>
<P>
Orlando Manuel Leite Cruz, 43 anos, começou por ter a ideia de se candidatar porque é preciso dar voz aos independentes. Mas, agora, entrou para o PSN e vai ser cabeça de lista por Vila Real nas legislativas. Vila Real e o país inteiro vão ver a maior campanha de sempre: em vez de queimar dinheiro em cartazes, vai oferecer electrodomésticos.</P>
<P>
Divorciado e pai de quatro filhos, ficou inicialmente conhecido como o candidato-taxista. Agora, é administrador de uma agência de construção e tem um «stand» de automóveis.</P>
<P>
Vive em Leça do Balio, mas foi em Lisboa, à frente da Assembleia da República, que fez uma greve de fome em defesa de dois cabo-verdianos detidos injustamente. Teve uma das vitórias da sua vida quando foram libertados. Outra vitória foi de uma vez que disse, num programa que Teresa Guilherme tinha à tarde, que ia haver 60 por cento de abstenções. «Considero que eu representava esses 60 por cento e tento agora captar esta abstenção para o PSN. Penso que vamos colocar cinco deputados, eu próprio vou ser eleito deputado.»</P>
<P>
Enquanto não chegam as eleições presidenciais, Orlando Cruz é desde já presidente da Associação Nacional e Internacional de Ajuda ao Povo Africano de Língua Oficial Portuguesa e Anti-Racismo. Era, até há pouco tempo, uma associação de âmbito nacional, mas querem alargar os seus horizontes: «Estamos a mudar os estatutos, vamos trabalhar no estilo Greenpeace em todo o mundo.» Na direcção, tem também «quatro médicos, um advogado e um professor doutorado». Orlando Cruz é e será presidente: «Porque fui eu que criei a associação.» «Vai ser a maior associação da Europa. Temos cerca de 300 sócios. Não estamos a recolher muitos mais. Só depois de ter o estatuto regularizado.»</P>
<P>
O ex-taxista de Leça do Balio insiste na importância dos independentes -- «para deixarmos este monopólio de serem os partidos a dizer quem nos vai governar» --, mas foi em tempos militante do PPD. Só enquanto o doutor Sá Carneiro foi vivo: «[Depois, O PSD] deixou de ser um partido dentro dos meus parâmetros. Até me dá a impressão de que alguns ministros foram a Itália tirar um curso de mafia.»</P>
<P>
Declara-se contrário à ideia das superesquadras, que são «uma aberração», e lança um desafio: «É preciso que os partidos digam, antes das eleições, se faz parte do programa deles acabar com as superesquadras.»</P>
<P>
Ao povo de Vila Real, promete «uma campanha eleitoral como nunca tiveram cá em Portugal, uma campanha de estilo americano». «Vou saber do que precisam as pessoas, perguntar que electrodomésticos precisam. O dinheiro que se gasta em cartazes vou dar aos mais desfavorecidos, vou dar televisões e frigoríficos, um aquecedor, uma máquina de lavar.»</P>
<P>
«Fico escandalizado de ver que os partidos gastam milhões em cartazes e sacos, quando esse dinheiro daria para pôr as famílias felizes. Dentro das possibilidades, que o PSN também não é um partido rico.»</P>
<P>
A ideia da candidatura às presidenciais surgiu-lhe há dois anos. «Gosto de exprimir a minha opinião, a minha filosofia e era o momento certo. Se for eleito deputado proponho que o Presidente da República tenha mais poderes, senão não se justifica um presidente. Realmente, só tem poderes para passear.»</P>
<P>
Alfredo Frade</P>
<P>
O desassossego</P>
<P>
Alfredo Frade, 43 anos, médico psiquiatra, é o candidato que o PSR decidiu levar às presidenciais. A candidatura surge «por causa do vazio à esquerda e da necessidade de debate de ideias».</P>
<P>
A ideia principal é, portanto, «desassossegar as consciências, multiplicar a participação», lutar contra o alheamento da vida política de que os eleitores só emergem momentaneamente quando votam.</P>
<P>
Preocupado com a eclosão de casos visíveis de racismo na sociedade portuguesa, Alfredo Frade sublinha que o PSR sempre disse «que Portugal é um país racista, mas esse traço tem estado encoberto». «Há grupos organizados de extrema-direita, pessoas de vários pontos do País que se juntam em acções concretas, como aconteceu com o caso do assassínio de Alcindo Monteiro, em que o grupo atacou organizadamente, mantendo fechadas as saídas do Bairro Alto.» Por isso estabelece uma comparação com o assassínio de José Carvalho, militante do PSR, numa acção organizada. «Há uma confluência de ideologias nazis, tal como faz em França a Frente Nacional -- utilizam os `skinheads' como tropa de choque.»</P>
<P>
Na opinião de Alfredo Frade, o problema mais importante da sociedade portuguesa, actualmente, é «a crise do sistema político, a falta de participação das pessoas, o alheamento.»</P>
<P>
Assistente hospitalar no Centro de Apoio a Toxicodependentes do Restelo, em Lisboa, o psiquiatra cumpriu serviço médico à periferia em Mourão e especializou-se no hospital Júlio de Matos. A par do consultório, onde pratica psiquiatria geral, mantém um contacto permanente com a realidade da toxicodependência e sofre assim o mal que afecta todos os profissionais envolvidos nesta área: a frustração da baixa percentagem de êxitos -- «10 a 15 por cento de êxito em tratamento ambulatório, 50 por cento entre os internados».</P>
<P>
«Claro que tudo isto passa pelas condições de trabalho que o Estado oferece: falha na prevenção, falha na reabilitação e falha no tratamento. Não há comunidades terapêuticas e, aqui, temos apenas 20 camas. O facto é que estamos a falar de um problema que, só em Lisboa, atinge 50 mil pessoas.»</P>
<P>
Frustrante é também o ritmo a que surgem novos casos de toxicodependência: «Aparecem cada vez mais novos e também aparece cada vez mais gente mais velha, alguns a começar os consumos aos 30 ou 40 anos.» Ressalva, no entanto, que está apenas a falar de heroinómanos, que constituem 90 por cento dos frequentadores do CAT do Restelo. «Os casos de cocaína não aparecem aqui, são gente com dinheiro que vai a consultórios particulares.» Os números do consumo e os problemas em torno do fenómeno, como a prostituição, são uma espécie de «caixa de Pandora, que causará grande espanto quando for aberta».</P>
<P>
Alfredo Frade anuncia desde já que, na campanha eleitoral, vai abordar temas tabu, como a questão das uniões civis de pessoas do mesmo sexo, e vai defender a legalização imediata das drogas leves. Defenderá igualmente que não seja permitidos dois mandatos sucessivos de Presidente da República, para que o primeiro não se torne uma espécie de preparação da campanha para o segundo mandato.</P>
<P>
António Raposo</P>
<P>
Presidente de todos os poderes</P>
<P>
António José da Costa Raposo, nascido em Ponta Delgada há 47 anos, declara que, se ganhar as eleições presidenciais, dissolve de imediato a Assembleia da República e altera a Constituição, criando um regime totalmente presidencialista.</P>
<P>
Todos os poderes na mão do Presidente não significa, porém, um perigo de ditadura para António Raposo, que se apresenta como o arcebispo primaz e patriarca de Lisboa da Igreja Católica Apostólica Nacional, implantada em Portugal desde 1988. «Há países que têm regimes presidencialistas e não são ditaduras», observa.</P>
<P>
O dia-a-dia do pré-candidato, que afirma ter quase terminada a recolha das assinaturas necessárias ao processo eleitoral, divide-se entre a sede da sua Igreja, na aldeia da Murgeira, perto de Mafra, onde fica o «santuário catedral do Senhor Santo Cristo», e um conjunto de casas na Rinchoa. Aqui, está já instalado um lar de terceira idade e António Raposo anuncia para breve um seminário e um lar para crianças. Considera que a sua Igreja não pode ser confundida com uma seita e aponta raízes na dissidência dos Velho Católicos aquando do I Concílio do Vaticano.</P>
<P>
Além da modificação radical do regime político português, preconiza também a saída de Portugal da União Europeia. Tudo em nome da urgência em resolver a crise, o descalabro em que o país vive. «Como cidadão que sou, é meu dever reconstruir o país, tirá-lo do estado em que está. Todos sabemos que há um grande desemprego, a criminalidade e a droga aumentam, há uma grande insegurança social. O povo vive numa angústia constante. O nosso objectivo é travar esta ruína, criar melhores condições de vida para todos os portugueses, através de um bom sistema de educação, porque não é reprimindo que se resolvem os problemas, mas criando novas escolas.»</P>
<P>
António Raposo iniciou o curso de Teologia na Universidade Católica Portuguesa, onde, diz, foi secretário particular do actual reitor, o bispo José Policarpo. Foi então que, segundo afirma, se desvinculou da Igreja Católica Apostólica Romana e rumou ao Brasil, onde esteve dois anos e se ligou à Igreja Católica Apostólica Brasileira. Seguiu depois para os Estados Unidos e aí concluiu o curso de Teologia. Voltou para Portugal, fundou a Igreja. «Fui eleito arcebispo primaz e patriarca de Lisboa no último sínodo da nossa Igreja.»</P>
<P>
Na opinião do pré-candidato, «pode haver surpresas na votação». «Há várias igrejas que me estão a apoiar. Até da Igreja Católica Apostólica Romana, há padres que me apoiam neste projecto.» Tem alguma expectativa de ganhar? «Veremos nas eleições.»</P>
<P>
Alberto Matos</P>
<P>
A candidatura da UDP</P>
<P>
Alberto Manuel Belo da Cunha Matos, 42 anos, é um homem da UDP e será candidato às presidenciais em nome deste partido. Ganhou notoriedade como activista da Associação de Utentes da Ponte 25 de Abril, mas diz que na geração dele do Instituto Superior Técnico era muito conhecido, foi até vice-presidente da Associação de Estudantes.</P>
<P>
O gabinete da candidatura anuncia Alberto Matos com um currículo muito pormenorizado, em que surge com destaque a referência aos sete anos que passou no Colégio Militar: «Cedo se confronta e rebela contra a disciplina militarista.» Datam dessa época «as primeiras perseguições políticas», em consequência da «recusa em participar numa visita de estudo à Guiné».</P>
<P>
Passa umas férias em Inglaterra, cumprido o liceu, e ali sofre «ameaças de expulsão» por participar «em sessões pelos direitos cívicos na Irlanda». É já no Técnico que adere à «UEC (m-l), a organização estudantil do CMLP [Comité Marxista-Leninista Português]». Diz que, depois do assassínio de Ribeiro Santos, «é alvo dum mandato de captura da PIDE a que consegue escapar», pelo que anda a monte durante três meses e acaba por ser expulso do ensino superior.</P>
<P>
«Poucos meses antes do 25 de Abril, passei à clandestinidade, até perto do 11 de Março de 1975.» Na clandestinidade depois do 25 de Abril? «Era um tempo de golpes em que podia haver matanças», explica.</P>
<P>
Saiu do «mundo fechado do movimento estudantil» e instalou-se em Beja. «[Aí] também não fui um cidadão anónimo», afirma. Durante os 14 de anos de Beja, Alberto Matos dedicou-se ao ensino, em escolas secundárias do distrito, mas manteve «actividade sindical e partidária» -- já na UDP. Sentiu-se bem no Sul, considera-se mesmo um filho «adoptivo e adoptado do Alentejo» e, um dia, quando se reformar --»se ainda houver reforma» --, voltará para lá.</P>
<P>
Pai de dois filhos do primeiro casamento, Alberto Matos vive há dez anos com a sua companheira. Em 1989, mudaram-se para Almada e daí o envolvimento activo na questão do aumento das portagens da Ponte.</P>
<P>
Quem quiser encontrá-lo procure-o na Assembleia da República, no espaço reservado à UDP, onde deu «apoio a Mário Tomé». É deputado municipal em Almada e dirigente distrital da UDP em Setúbal. Foi em plena Assembleia Municipal que deu a conhecer a intenção de candidatar-se à Presidência da República, iniciativa que foi (citando a Circular Informativa nº1 da Candidatura) «recebida com respeito e saudada pessoalmente por deputados de diversas bancadas».</P>
<P>
Nos tempos livres, que lamenta serem poucos por causa das múltiplas intervenções políticas, que o levam a todos os pontos do País, em especial aos locais onde se desenvolvem lutas laborais ou cívicas, aproveita para «ler, sempre,» e dedica-se especialmente ao teatro.</P>
<P>
Alberto Matos tenciona completar todo o processo de candidatura, «ir até onde os eleitores quiserem». Se ganhasse, «espantaria muita gente, porque isso significaria que muita coisa tinha mudado no País».</P>
<P>
O que mais o preocupa em Portugal é o facto de vivermos «numa democracia bloqueada». «Temos um grande partido único pró-Maastricht, somando o PS e o PSD, com alternâncias de posição que representam a quase totalidade do espectro político português, o que lhes dá plenos poderes nas alterações às leis eleitorais e na formação de maiorias. No quadro actual, não há grandes saídas deste bloco único. O que se arrisca a mudar são as moscas.»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-16632"> 
<P>A MINHOCA E A MAÇÃ</P>
 <P> Durante a discussão sobre a natureza do salazarismo, e depois de assinalar, com o fastio do costume, a ignorância grotesca do adversário, Vasco Pulido Valente recomendou-lhe esta reflexão: « Vítor Dias que puxe pela cabeça: existe em Portugal alguém ou alguma coisa a que o PCP já não chamou 'fascista??» Bom argumento. De facto, a repetição exaustiva da mesma acusação desacredita o acusador. Proponho, por isso, outra reflexão. Vasco Pulido Valente que puxe pela cabeça: existe em Portugal alguém ou alguma coisa a que Vasco Pulido Valente já não tenha chamado "ignorante"? </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-47488">
<P>
Vila Franca de Xira</P>
<P>
Câmara aceita 995 fogos do IGAPHE</P>
<P>
A Câmara de Vila Franca de Xira aprovou o texto de um protocolo que fixará as condições de transferência para a sua propriedade de 995 fogos, que o Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) possui na área do concelho. No âmbito do programa especial de realojamento, o protocolo visa garantir uma maior eficácia de gestão do parque habitacional, que se distribui por 184 edifícios de dez bairros distintos.</P>
<P>
Dada a complexidade desta transferência, foram definidos períodos de preparação e separados os momentos em que o município assumirá a gestão de nove dos bairros e a do restante (Bairro do Olival de Fora, também conhecido por parque residencial da ICESA, em Vialonga, que soma 408 fogos e revela sérios problemas sociais e de degradação dos edifícios). Assim, em Novembro deste ano, a Câmara vila-franquense deverá receber 587 dos fogos do IGAPHE. Relativamente ao Bairro do Olival de Fora, será definido um período de preparação da transferência que poderá ir até dois anos.</P>
<P>
Até lá, estará em vigor um convénio entre a Câmara e o IGAPHE, no âmbito do qual será criado um gabinete técnico que analisará e descreverá a habitação existente, elaborará propostas de regularização da situação dos moradores, identificará e caracterizará os agregados familiares, com acompanhamento de técnicos de serviço social.</P>
<P>
O gabinete deverá, ainda, elaborar propostas de realojamento das famílias, de obras de recuperação dos edifícios, de construção de equipamentos sociais e colectivos e de arranjo exterior das urbanizações em causa.</P>
<P>
Segundo Carlos Silva, vereador do PS -- do pelouro da Habitação --, a transferência da propriedade do Bairro do Olival de Fora exigirá «a execução de obras estimadas em algumas centenas de milhares de contos, que terão que ser feitas, num prazo de dois anos, em edifícios que estão muitos degradados».</P>
<P>
O Bairro do Olival de Fora é o que apresenta maiores problemas sociais e de gestão do património, acrescenta o vereador. «Há situações de ocupação ilegal, vandalismo, insegurança. Um conjunto de aspectos negativos que, aliados ao estado de degradação dos edifícios e à falta de arranjos exteriores, justificam um plano de reabilitação urbana deste bairro».</P>
<P>
Carlos Silva reconheceu que, «ao aceitar este património, a Câmara está, também, a aceitar um monte de problemas que são, de facto, imensos. Mas as questões sociais, urbanas e de integração das famílias, sobrepõem-se a estas dificuldades».</P>
<P>
O vereador vila-franquense frisou, ainda, que foram dois os objectivos fundamentais que levaram a autarquia a aceitar esta transferência: a ideia de que, estando mais próxima da realidade, poderá assegurar uma melhor qualidade urbana e uma maior reintegração social das famílias e a intenção de garantir uma melhor absorção destes bairros pela malha urbana envolvente.</P>
<P>
Daniel Branco, presidente da Câmara de Vila Franca, observou, por seu turno, que «estamos a iniciar um nova fase relativamente às questões de habitação. Ficaremos com mais responsabilidades e não vai ser nada fácil. Mas, se não formos nós a avançar, dificilmente estas populações encontrarão, a breve prazo, uma melhoria das suas condições de vida».</P>
<P>
Jorge Talixa.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-16456">
<P>
Chissano na África do Sul</P>
<P>
Boers querem cultivar terras em Moçambique</P>
<P>
José Pinto de Sá, em Maputo</P>
<P>
A concessão de terras a agricultores afrikaners, pedida recentemente em Maputo pelo general Viljoen, deverá constar das conversações que o Presidente Chissano vai ter durante a visita que hoje inicia à República da África do Sul.</P>
<P>
A questão dos «farmeiros» (fazendeiros) interessados em desenvolver projectos em Moçambique, incluindo nas áreas da pecuária, irrigação e turismo, deverá ser abordada durante a visita que o Presidente Joaquim Chissano hoje inicia, disse a rádio oficial da África do Sul (SABC).</P>
<P>
Há cerca de duas semanas, o general Constand Viljoen, líder da Frente da Liberdade, que no Parlamento representa a direita boer, esteve em Maputo com uma importante delegação dos agricultores sul-africanos e abordou o problema com o Presidente Chissano.</P>
<P>
«A presença deste grupo representa uma mudança positiva, não só para a África do Sul mas também para Moçambique», comentou na altura o chefe da Frelimo.</P>
<P>
Ao comentar a sua visita a Maputo no Parlamento sul-africano, na Cidade do Cabo, Viljoen disse na semana passada que a Frente da Liberdade tenciona continuar a criar condições para a exploração agrícola e a formação agrária em Moçambique, por «farmeiros» das regiões do Transvaal e do Orange. Em troca da concessão de terras por 40 anos, os boers comprometem-se a criar postos de trabalhos e a minorar a crise alimentar no sul do país, ao longo da fronteira, onde tencionam implantar-se.</P>
<P>
O anúncio dos contactos de Viljoen em Maputo está a despertar uma vaga de entusiasmo entre os grandes agricultores sul-africanos, que receiam vir a perder as suas terras quando o Governo de Unidade Nacional implementar a reforma agrária que o ANC prometeu durante a campanha eleitoral do ano passado.</P>
<P>
Face ao número de pretendentes, o presidente da União de Agricultores da África do Sul já aconselhou os seus confrades a não tomarem decisões precipitadas e a aguardarem mais pormenores, noticiou o jornal «Business Day».</P>
<P>
Aval dado por Mandela</P>
<P>
O general Viljoen anunciou que a ideia partiu da Frente da Liberdade, que tem apenas nove deputados, e recebeu o aval tanto do Presidente Nelson Mandela como do primeiro vice-presidente, Thabo Mbeki, antes de ser transmitida ao Presidente Chissano. Fontes de Maputo indicam que, apesar do bom acolhimento com o chefe do Estado concedeu ao projecto, subsistem ainda muitas arestas por limar. Os «farmeiros» terão insistido que a cooperação agrícola deveria fazer-se pelos canais das organizações empresariais dos dois países, enquanto Chissano desejaria que ela se processasse a nível governamental.</P>
<P>
A delegação dos agricultores estudou o estabelecimento em Moçambique de explorações agro-pecuárias de alta tecnologia e elevado rendimento. Thomas Langley, um criador de gado do Transval Setentrional agora designado embaixador em Lisboa, disse aos jornalistas em Maputo que outros países africanos, como Angola, Zâmbia e Zaire, também estão interessados na tecnologia agro-pecuária da África do Sul.</P>
<P>
Entretanto, o ministro moçambicano da Agricultura e Pescas anunciou sexta-feira que a Lei de Terras vai ser analisada e revista, «de modo a adequá-la à actual conjuntura político-social». Carlos Agostinho do Rosário considerou imperioso rever a legislação sobre a posse da terra elaborada pelo anterior Parlamento, e que considera todo o solo nacional propriedade do Estado.</P>
<P>
Chissano, que discursa amanhã no Parlamento sul-africano, vai discutir com Mandela a dinamização do Acordo Geral de Cooperação assinado pelos dois no dia 20 de Julho do ano passado, em Maputo. Na ocasião, foram criados grupos bilaterais de trabalho para diversas áreas, incluindo a agricultura.</P>
<P>
Ao falar há dias no Parlamento, o Presidente sul-africano anunciou que o seu executivo irá prestar particular atenção às relações com os países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), nomeadamente Moçambique.</P>
<P>
«Estamos todos inspirados pela realidade dos desenvolvimentos progressistas na nossa região», disse Mandela, congratulando-se pelo êxito das eleições em Moçambique, no Malawi, na Namíbia e no Botswana, pelo restabelecimento da paz no Lesotho e pela assinatura do Protocolo de Lusaca, para a paz em Angola.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-94570">
<P>
Lobotomia</P>
<P>
História</P>
<P>
Foi desenvolvida em 1935 pelo médico neurologista português António Egas Moniz (1874-1955), em equipe com o cirurgião Almeida Lima, na Universidade de Lisboa. Egas Moniz veio a receber com este trabalho o prêmio Nobel da Medicina e Fisiologia em 1949.</P>
<P>
A Leucotomia foi a primeira técnica de Psicocirurgia ou seja, a utilização de manipulações orgânicas do cérebro para curar ou melhorar sintomas de uma patologia psiquiátrica (em contrapartida à neurocirurgia que se ocupa de doentes com patologia orgânica directa ou neurológica).</P>
<P>
Inicialmente foi usada para tratar depressão severa. Egas Moniz sempre defendeu o seu uso apenas em casos graves em que houvesse risco de violência ou suicídio. No entanto apesar de cerca de 6% dos pacientes não sobreviverem à operação, e de vários outros ficarem com alterações da personalidade muito severos, foi praticada com entusiasmo excessivo em muitos paises, nomeadamente o Japão e os Estados Unidos. Neste último país foi popularizada pelo cirurgião Walter Freeman, que divulgou a técnica por todo o seu país, percorrendo o no seu Lobotomobile, e criando inclusivamente uma variante em que espetava um picador de gelo directamente no crânio do doente, desde um ponto logo acima do canal lacrimal com a ajuda de um martelo, rodando-se depois o mesmo para destruir as vias aí localizadas. Supostamente a atractividade deste procedimento seria o seu baixo custo e o desejo social de silenciar doentes psiquiátricos incómodos. A leucotomia ganhou tal popularidade que foi inclusivamente praticada em crianças com mau comportamento. Cerca de 50.000 doentes foram tratados só nos Estados Unidos. Com a ajuda destes abusos, a leucotomia foi abandonada quando surgiram os primeiros fármacos antipsicóticos. Durante muito tempo foi considerada algo injustamente como um episódio barbárico na história da Psiquiatria, sendo comum a comparação à técnica da flebotomia (ou sangria) na história da medicina interna. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70524">
<P>
Correspondência do escritor é chata; a de Flaubert mostra o início do romance moderno</P>
<P>
MARCELO COELHO</P>
<P>
Da Equipe de Articulistas</P>
<P>
Proust considerava medíocres as cartas de Flaubert. Um acaso editorial permite ao leitor brasileiro reparar duplamente a injustiça. Foi publicada pela Imago uma excelente seleção, as "Cartas Exemplares" de Flaubert (1821-1880); seguiu-se, pela Edusp/Ars Poética, um volume até certo ponto inexplicável, de correspondência entre Proust (1871-1922) e seu editor Gaston Gallimard.</P>
<P>
Digo inexplicável, porque mesmo na França o interesse deste último livro estaria restrito a um pequeno círculo de especialistas proustianos. Só quem estiver preparando um doutorado na Sorbonne (a respeito, digamos, da indústria tipográfica francesa nos anos 20) há de ter esta "Correspondência Proust-Gallimard" como livro de cabeceira.</P>
<P>
Ao longo de 600 páginas, o que mais se lê são: 1) queixas contra os revisores e tipógrafos, assinadas por Proust; 2) promessas de rapidez e eficiência no trabalho editorial, assinadas por Gallimard e seus colaboradores; 3) queixas quanto à distribuição e propaganda dos livros de Proust, assinadas pelo próprio; 4) respostas do editor; 5) problemas com direitos autorais, recibos, quitações, cálculos; 6) questões de saúde.</P>
<P>
É uma pena; Proust é um desses autores que, uma vez lidos, nunca nos abandonam. Tomamo-nos de interesse pelas minúcias de sua vida pessoal, já que minuciosa e personalíssima é sua obra. Há um culto a Proust, há um culto a Stendhal, como não há um culto a Flaubert ou a Gide: os dois primeiros "fetichizem" mais o leitor; é como se não quiséssemos que eles tivessem morrido, e qualquer nova manifestação de vida que tenhamos deles (cartas, bilhetes, autógrafos, relíquias) torna-se valiosa por si mesma.</P>
<P>
"Em Busca do Tempo Perdido" é um livro que dá pena acabar. Melhor relê-lo, entretanto, do que a essas cartas. De todo modo, o admirador de Proust poderá devorar a "Correspondência", vencendo o próprio tédio.</P>
<P>
É que essas cartas formam um verdadeiro labirinto. Problemas com a tipografia se entrecruzam com pequenos pedidos de favores pessoais, suscetibilidades se remificam em arrependimentos, há mal-entendidos em cada parágrafo.</P>
<P>
Proust devia ser infernal de tão chato –e seu editor infernal de tantos atrasos e burradas. Não sabemos quem tinha razão na maior parte dos casos, intrincadíssimos, envolvendo direitos autorais. Mas há coisas engraçadas.</P>
<P>
Tudo leva a crer que Gallimard fugia dos telefonemas de Proust. Mandava a secretária dizer que ele não estava. Proust manda então cartas insinuando que Gallimard evitava seus telefonemas. Gallimard jura que não.</P>
<P>
Em outros momentos, sente-se que Gallimard se encheu para valer e entrega a outro funcionário o encargo de responder a Proust. A coisa piora ainda mais.</P>
<P>
Proust vê que está sendo excessivamente chato e tenta, por vias sinuosas, desculpar-se. Depois de cobrar uma dívida de direitos autorais, recebe alguns milhares de francos. Mas, para mostrar-se sensível às alegações de dificuldade financeira levantadas por Gallimard, propõe emprestar-lhe parte do que acabara de ganhar.</P>
<P>
Durante uma viagem de Gallimard, Proust atazana sua assistente, a sra. Berthe Lemarié. As coisas azedam-se bastante, em meio a protestos de admiração mútua e fórmulas de polidez. Proust acaba sentindo-se culpado e, num dos raros momentos de graça literária de todo o livro, arrisca gentilezas. Diz que a sra. Berthe Lemarié (então por volta dos 40 anos) parecera-lhe tão jovem que ele se penitenciava de ocupá-la com assuntos profissionais, quando a imaginava brincando de amarelinha ou coisa parecida. Mas é um pequeno sorriso dentro de uma correspondência desgastante, cansativa.</P>
<P>
Como se sabe, havia um problema prévio em toda relação entre Proust e Gallimard. A editora deste, a NRF (Nouvelle Revue Française) havia recusado o primeiro volume de "Em Busca do Tempo Perdido". A culpa foi de André Gide, que se arrenpenderia o resto da vida. Proust acabou publicando o primeiro volume na editora Bernard Grasset. Depois, foi acolhido pela Gallimard, mais "Moderna". Mas a toda hora lembra para Gallimard essa recusa inicial.</P>
<P>
Mais detalhes na "Correspondência". Nada tão injusto quanto chamar Proust de "chato". Sua obra é um abismo de surpresas, de reviravoltas, de perturbações. Mas, se esse livro de cartas é chatíssimo, cabe também dizer que é muito "proustiano". Pois encerra um emaranhado de desentendimentos, de recuos e avanços, de ataques indiretos, de punhos de renda e luvas de pelica. Em todo caso, é o pior Proust que se pode imaginar. Só seria bom se o autor dessa correspondência fosse um personagem de Proust, e não o Proust real.</P>
<P>
Nas cartas de Flaubert, entretanto, estamos às voltas como Flaubert real. Às vezes, até real demais, como muitos leitores de sua correspondência já notaram –o autor de "Madame Bovary" bufa, reclama, se estrafega, sufoca e sua a cada página que escreve; sofre o tempo todo com suas próprias exigências de estilista.</P>
<P>
Mas, se a correspondência de Proust nos remete para o que há de pior no mundo proustiano, as caras de Flaubert nos apontam para um universo muito além do que é puramente "flaubertiano" –para os impasses, para as ambições, para o desafio de toda a literatura moderna.</P>
<P>
É nas cartas de Flaubert que se registra, quiçá pela primeira vez, o propósito de se escrever um livro "sobre nada" –onde só o estilo e näo o assunto, contasse. Surge o projeto de romper com todo o emocionalismo romântico, em prol de uma literatura apenas "literária" –desumana, no sentido de Ortega y Gasset. Ao lado de tanta busca de "impessoalidade" e pureza material do estilo, há um comprometimento quase físico, corpóreo, do autor em sua obra: Flaubert dizia ter vomitado quando escreveu a cena do envenenamento de Madame Bovary.</P>
<P>
As razões do corpo, as razões da escrita puramente literária, o problema do "assunto" (há temas intrinsecamente mais adequados à literatura do que outros?), tudo o que até hoje, ou pelo menos até ontem (nouveau roman, Beckett, estruturalismo etc.) perturbou um escritor aparece nestas cartas abordado com ímpeto quase inconsciente. E ao mesmo tempo, com uma enorme lucidez de propósitos e projetos.</P>
<P>
Flaubert escreve cartas pra Victor Hugo, Baudelaire, Turguêniev, Maupassant, George Sand. São documentos capitais. A longa correspondência que ele manteve com sua amante Louise Colet e com seus amigos Maxime du Camp e Louis Bouilhet é apresentada, neste livro, em trechos decisivos. Não é algo que interesse apenas ao flaubertianos de plantão: em meio a solavancos, dores e exultações, assistimos ao nascimento da literatura moderna.</P>
<P>
E é uma pena ver uma de suas consequências mais intemporais, menos submissas às tentações da moda e da conjuntura, como a obra de Proust, entregue à circunstancialidade menor e neurótica que nos revela sua correspondência com Gallimard. Mas os proustianos –considero-me um de carteirinha– têm o dever de perdoar essa publicação.</P>
<P>
AS OBRAS</P>
<P>
Correspondência Proust-Gallimard,  de Marcel Proust e Gaston Gallimard. Edusp (av. Prof. Luciano Gualberto, tr. J, 374/6.º, Cidade Universitária, SP, tel. 011 813-8837), e Ars Poetica (Caixa Postal 57052). CR$ 9.800.</P>
<P>
Cartas Exemplares,  de Gustave Flaubert. Org., prefácio e tradução de Duda Machado. Imago (r. Santos Rodrigues, 201-A, RJ, tel. 021- 293-1092). 267 págs. CR$ 8.320.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49276">
<P>
Dom Paulo Evaristo Arns (foto), cardeal arcebispo de SP, rezou ontem na Catedral da Sé o que pode ter sido sua última missa de Natal para 800 fiéis. D. Paulo encaminhou ao Vaticano carta de renúncia e deve receber resposta até o fim de 96.</P>
<P>
O NÚMERO</P>
<P>
8 ...milhões e meio de reais deve ser o valor do prêmio acumulado do concurso 38 da supersena, cujas dezenas serão sorteadas hoje, às 9h, em Brasília. Por causa do feriado de Natal, os sorteios da sena e da quina também serão realizados hoje. O prêmio da quina é de cerca de R$ 370 mil, e o da sena, de aproximadamente R$ 800 mil.</P>
<P>
Caminhoneiro foge após ficar 25 h em cativeiro</P>
<P>
O caminhoneiro Quintino Weis Sanches conseguiu fugir anteontem do cativeiro em Bragança Paulista (80 km de SP), onde foi mantido refém por 25 horas. Sanches levava uma carga 25 t de sal grosso de Cabo Frio (RJ) para Atibaia (SP), quando teve o caminhão roubado em uma estrada vicinal. A polícia suspeita da ação de uma quadrilha especializada em roubo de carga.</P>
<P>
Câmara deve decidir se libera jet ski em praias</P>
<P>
A Câmara de Ubatuba (litoral norte de SP) envia hoje para a prefeitura projeto de lei para revogar a proibição do uso de jet ski nas praias da Enseada, Lázaro e Maranduba. O prefeito Paulo Ramos (PMDB) terá 15 dias para sancionar ou vetar o projeto. Ramos afirmou à Folha que não irá se manifestar. "Vou colocar a decisão para a Câmara." A lei que proíbe o uso de jet ski entrou em vigor há dez dias.</P>
<P>
Intensificado combate à prostituição em estrada</P>
<P>
A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) e a Polícia Rodoviária intensificam até o fim do feriado de Ano Novo o combate à prostituição nas estradas de São Paulo, principalmente na Anhanguera e Bandeirantes. O Código Penal prevê prisão de seis meses a um ano de travesti ou prostituta que convidar motoristas para programas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-92285">
<P>
Birmânia</P>
<P>
Aung San Suu Kyi continua presa</P>
<P>
Fernando Sousa</P>
<P>
A líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, foi presa há cinco anos -- completam-se hoje. Face à lei birmanesa, a Prémio Nobel da Paz de 1991 devia ser restituída à liberdade. Mas os militares que ocupam há seis anos o poder em Rangun alegam que a lei que a prende só foi assinada há quatro anos, neste mesmo dia.</P>
<P>
A menos que a junta militar de Rangun dê hoje um inesperado sinal de respeito pela legalidade que ela mesma instaurou, pela força, em 1988, a líder oposicionista Aung San Suu Kyi vai continuar detida contra a vontade da maioria dos birmaneses e do mundo.</P>
<P>
Aung San Suu Kyi foi colocada em residência vigiada em 20 de Julho de 1989, no âmbito da sanha dos generais birmaneses contra o movimento nacional a favor da democracia. Mas nem a vitória do seu movimento, a Liga Nacional para a Democracia, nas eleições gerais de Maio 1990 (80 por cento dos votos) nem o Prémio Nobel da Paz que recebeu no ano seguinte demoveram o Conselho de Estado para a Restauração da Lei e da Ordem (SLORC, a junta que governa o país)</P>
<P>
Acusada de cumplicidade com os rebeldes anti-governamentais (karen) por ter criticado o antigo ditador Ne Win, um dos ideólogos do falhado «socialismo birmanês», a filha de Aung San -- o general que deu, em 1948, a independência ao país (entretanto rebaptizado de Myanmar) -- foi detida em 20 de Julho de 1989 e não em 20 de Julho de 1990. Esta foi a data em que foi assinada a lei que legitima a sua prisão. Completam-se por isso, hoje, cinco anos efectivos de prisão domiciliária, e não quatro como quer Rangun.</P>
<P>
O que os generais birmaneses -- que assaltaram o poder em Setembro de 1988 e nele se mantêm com a ajuda de armas chinesas, polacas, portuguesas e singapurianas -- desejariam hoje era libertá-la sem ter de pagar elevados custos internos ou perder a face perante a comunidade internacional que se tem desdobrado em campanhas pela sua libertação imediata e incondicional.</P>
<P>
Foram várias as vezes que a junta tentou Aung com a liberdade em troca do exílio. O negócio teria inegáveis vantagens: derrogaria as esperanças do movimento democrático, neutralizaria a oposição, calaria as bocas do mundo. A prisioneira nem disse que não: respondeu que o faria desde que a deixassem ir a pé da Avenida da Universidade, onde tem a sua casa-prisão, até ao aeroporto, sabendo que os seus compatriotas não a deixariam sair. Os generais, claro, recearam que o passeio os arrastasse com ele, e recusaram.</P>
<P>
Prova acabada de que está num beco sem saída, a junta autorizou o primeiro secretário do SLORC a dar, no dia 12, uma entrevista ao «New York Times», onde os militares mostram um conveniente rosto de humanidade: «Aung San Suu Kyi não é nossa inimiga», disse o general Khin Nyunt, também o «número dois» da hierarquia birmanesa. «Desejamos trabalhar ombro a ombro com os nossos opositores do passado», acrescentou.</P>
<P>
Mas foi quando estabeleceu uma irritante familiaridade com a sua prisioneira que o porta-voz da junta mostrou, no fundo, todo o cinismo do poder birmanês: «De facto, ela é filha de um dos nossos generais. É mais nova do que eu e eu vejo-a como a uma irmã mais nova», disse.</P>
<P>
O que o chefe dos serviços de informação -- o cargo que Nyunt efectivamente desempenha, e que faz dele o «homem forte» do naipe castrense -- pretendeu foi estabelecer uma ponte sentimental dirigida ao influente auditório do «Times». O regime militar deseja ardentemente restabelecer as boas relações com os Estados Unidos, que, pressionados eles próprios pela opinião pública internacional, condicionaram qualquer ajuda ao Myanmar ao respeito pelos direitos humanos. O Myanmar é o paradigma asiático de toda a espécie de atropelos aos direitos humanos.</P>
<P>
A questão da eventual libertação, este mês, de Aung, foi suscitada, recorde-se, em Janeiro passado, quando faltavam seis meses para terminar o prazo de cinco anos de prisão efectiva, quando um jornal japonês, o «Yomiuri», entrevistou Khin Nyunt. Este disse então que a questão seria «tratada conforme a lei», o que levou as agências a embandeirarem em arco e a admitirem que os militares iriam considerar o tempo de prisão de um ano anterior à assinatura da lei. Mas não foi assim.</P>
<P>
Em Fevereiro, contra o que foi sempre a regra, pois só recebia as visitas do marido, o britânico Michael Aris, e das duas filhas, Aung foi autorizada a encontrar-se com uma delegação de congressistas americanos chefiada por Bill Richardson, democrata do Novo México, a quem admitiu a hipótese de se encontrar com os militares, tendo o visitante mostrado a sua disponibilidade para mediar as negociações.</P>
<P>
Cinco meses depois do encontro, parece ser esse o acontecimento que se aproxima: o diálogo em lugar da libertação. Mas nem a entrevista está marcada. Khin Nyunt anunciou-a para «o momento apropriado». Quanto muito será esse, hoje, o anúncio de Rangun, onde os generais entendem que falta um ano para terminar o prazo estipulado na lei que fizeram em 1990 à medida da sua incómoda prisioneira. Até lá, um dos mais famosos presos de consciência do mundo, Aung San Suu Kyi, cujas teses contra a violência a fazem discípula de Ghandi, só receberá a família e alguns livros fornecidos por uma sociedade americana, os poucos contactos que lhe permite este regime militar que traja à civil.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55494">
<P>
Acontecimentos anteriores às eleições ainda agitam a África do Sul</P>
<P>
Mandela a contas com a polícia</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
E de repente a lua de mel chegou ao fim. Nelson Mandela já não é só, e apenas, o Presidente bem amado de quase todos os sul-africanos; mas também aquele que muitos se apressam a criticar, por haver confessado ter sido duro em vésperas das eleições do ano passado. Entretanto, a violência volta a crescer.</P>
<P>
O chefe da polícia sul-africana, George Fivaz, anunciou ontem que pretende ouvir o Presidente Mandela, sobre o papel que este afirmou quinta-feira haver tido nos incidentes de 28 de Março do ano passado, durante os quais manifestantes do Inkatha foram mortos à porta da sede do ANC.</P>
<P>
A tensão está a crescer na África do Sul, com dezenas de mortos durante o último fim de semana, e o jornal britânico «Guardian» atribuiu mesmo a um dirigente do Inkatha a afirmação de que o seu partido começará a matar milhares de pessoas se Nelson Mandela não for detido durante os próximos dias.</P>
<P>
Os analistas políticos citados pela agência Reuter disseram que a confissão feita por Mandela, de que afirmara aos seguranças do ANC que poderiam disparar a matar se o edifício estivesse em vias de ser invadido pelos militantes da força adversária, prejudicou fortemente a sua imagem.</P>
<P>
O Comissário Fivaz declarou pretender que o inquérito aos incidentes de Shell House, sede do ANC, termine em breve, mas que entretanto os políticos devem manter a calma, para que atitudes mais precipitadas não coloquem em perigo a segurança geral.</P>
<P>
Há 15 meses</P>
<P>
Há 15 meses ainda o Inkatha, de Mangosuthu Buthelezi, não queria ir às eleições gerais marcadas para Abril, alegando que não fora devidamente escutado durante o processo negocial preparatório da ida às urnas. Por isso, organizou uma grande manifestação no dia 28 de Março; e quando chegou junto às instalações do movimento dirigido por Nelson Mandela os acontecimentos precipitaram-se.</P>
<P>
O homem que é hoje Presidente da República disse quinta-feira passada no Senado que os manifestantes já tinham causado mortos noutras zonas, pelo que pretendeu a todo o custo que eles entrassem no edifício do ANC, tendo dado ordens aos respectivos guardas para disparar, se necessário.</P>
<P>
Como esses disparos vitimaram oito sequazes de Buthelezi, o chefe do Estado perdeu por agora a imagem de pacifista e de conciliador que desde há muito o rodeava, tendo surgido de diversas forças políticas pedidos para que se explicasse melhor; ou até mesmo para que encarasse a hipótese da renúncia.</P>
<P>
No entanto, os analistas políticos da situação sul-africana não crêem que haja verdadeiramente uma profunda crise governamental nem que a posição do Presidente se encontre ameaçada, até porque não há de imediato uma alternativa credível, mesmo sem ele ser a pessoa imaculada que alguns desejariam.</P>
<P>
Durante o último fim de semana 21 pessoas morreram em actos de violência na província do Kwazulu/Natal e 42 na região de Joanesburgo, podendo a situação tornar-se muito pior se este caso não for ultrapassado com rapidez e Mandela sobreviver pouco chamuscado, uma vez que só ele é considerado -- apesar de tudo -- capaz de manter a África do Sul relativamente unida e tranquila.</P>
<P>
O Presidente que em Maio do ano passado sucedeu a Frederik de Klerk tem procurado dar um particular ênfase à reconciliação de todos aqueles que no passado se combatiam, mormente os que haviam defendido o apartheid e os que contra ele lutaram. E por isso a sua acção costuma ser considerada brilhante, muito em especial quando comparada com as de outros políticos africanos. Mas as luas de mel não duram sempre...</P>
<P>
Sessão de emergência</P>
<P>
Mandela convocou o Parlamento para uma sessão de emergência, amanhã, a fim de debater os trágicos episódios do 28 de Março de 1994, quando o Inkatha decidiu insistir uma vez mais na importância da monarquia zulu, cujo papel deseja ver inequivocamente reconhecido na nova África do Sul.</P>
<P>
Se o debate parlamentar não for devidamente esclarecedor e se o inquérito policial não estiver pronto o mais depressa possível, lá se esmorecerão bastante as esperanças de um milagre sul-africano, que desse alento aos demais povos do continente, muitos deles a braços com problemas de pobreza e de má administração.</P>
<P>
Por enquanto, o país não é muito diferente daquilo que Nelson Mandela encontrou em Maio do ano passado, quando tomou posse, à frente de um Governo de Unidade Nacional, de que surpreendentemente até faz parte o Inkatha, inimigo figadal do maioritário ANC. Mas existem planos para criar novos postos de trabalho e novas residências, com mais condições; planos esses que é claro só se poderão concretizar se houver tranquilidade.</P>
<P>
A África do Sul está a viver numa espécie de limbo, entre as tristes memórias do passado e as esperanças nem sempre muito consistentes num futuro melhor. Ontem mesmo, quando regressavam de um desfile de protesto contra a violência tantas vezes patente na província do Kwazulu/Natal, governada pelo Inkatha, simpatizantes do ANC atiraram-se para o chão ao ouvirem disparos de uma arma automática [conforme se vê na foto acima]. É a incerteza que persiste, num povo traumatizado e ainda carente de uma mais completa reconciliação entre todas as suas componentes.</P>
<P>
Legenda: Simpatizantes do ANC deitam-se por terra ao ouvirem tiros, ontem, em Umlazi, arredores de Durban</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-46329">
<P>
Novo comandante na Zona Marítima dos Açores</P>
<P>
O contra-almirante Gonçalves Cardoso substitui, desde ontem, Nobre Carvalho, um oficial do mesmo posto, no cargo de comandante da Zona Marítima dos Açores, passando a desempenhar também funções de chefe do Departamento Marítimo daquela região autónoma.</P>
<P>
A Zona Marítima dos Açores, com sede em Ponta Delgada e serviços dispersos por várias ilhas, tem como principais missões no arquipélago a vigilância da Zona Económica Exclusiva (ZEE) e a salvaguarda da vida no mar. Com corvetas de lanchas de desembarque ao seu serviço, colabora, também, em acções de transporte entre as ilhas.</P>
<P>
Na cerimónia de troca de comandos, realizada a bordo da corveta General Pereira D'Eça, atracada em Ponta Delgada, esteve presente o vice-almirante naval, Vieira Matias.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80116">
<P>
Holanda em dique-suspense</P>
<P>
Luís Pedro Nunes</P>
<P>
Meio milhão de pessoas evacuadas, prejuízos de milhões, culturas perdidas... Nada disso é verdadeiramente importante. É que o pior, bem pior, pode estar a acontecer. Neste preciso momento. Há diques em risco de ceder. Há diques que estão a ceder. A Holanda é um país roubado ao mar. E a água parece estar a reclamar a terra de volta.</P>
<P>
Parte da Europa do Norte respirava ontem de alívio. Estava a terminar a fase crítica das «cheias do século» que submergiram inúmeras cidades da França, Bélgica e Alemanha. Só que, na Holanda, a situação era de grande expectativa e pânico: o pior poderia estar ainda para acontecer. Hora a hora, aumentavam os receios de que pudessem ceder alguns dos diques. Os diques que protegem a Holanda resgatada às águas.</P>
<P>
Os rios continuavam a subir e repetiam-se os apelos das autoridades holandesas para que milhares e milhares de pessoas se pusessem em fuga imediata. Há já um quarto de milhão de desalojados. Muitos ainda conservam a esperança de regressar às suas casas. Se os diques aguentarem.</P>
<P>
Mais de dois terços da população holandesa vivem em zonas situadas abaixo do nível da água do mar, em áreas «roubadas» ao oceano e protegidas pela vasta rede de diques ao longo da costa e dos rios. As tremendas enxurradas que estão a chegar da Alemanha vizinha e que vêm desaguar na Holanda estão a provocar uma perigosa erosão nessas barreiras, pondo em perigo centenas de milhares de pessoas.</P>
<P>
«Um dique é como um castelo de areia na praia... Vai-se desmoronando por baixo», explicou um especialista holandês. As fortes tempestades, combinadas com os degelos, explicam parte da catástrofe que tem atingido a Holanda esta semana. A ministra dos Transportes, Annemarie Jouristma, reconhece que os imponderáveis da natureza não explicam tudo. E aponta para a Alemanha e para todas as construções que diminuíram drasticamente a permeabilidade das margens do poderoso Reno. «Parte do problema é que o curso do Reno foi alterado pelos alemães», acusou.</P>
<P>
Desde 1830 que o Reno tem vindo a ser «endireitado» e hoje tem menos 50 quilómetros de comprimento. As águas do degelo dos Alpes que correm de Basileia na Suíça, levam agora apenas 30 horas a chegar a Karlsruhe, no Sudoeste da Alemanha, metade do tempo que levava há um século.</P>
<P>
Portanto, na Holanda, teme-se o pior. Os diques podem não aguentar. Ontem, mais duas cidades a leste de Roterdão foram mandadas evacuar com urgência máxima. «Os 6500 habitantes de Gorinchen-Este têm de abandonar a localidade até às seis horas da tarde ou a polícia tomará as acções devidas», ouvia-se na rádio. Outras 3500 de Boven-Hardinxfeld receberam as mesma instruções.</P>
<P>
«Tudo tem que ver com a estabilidade dos diques. Se eles cederem, a água levará poucas horas a atingir um nível de quatro metros... Qualquer pequeno problema com um dique poderá ser um grande problema», disse o porta-voz da Província Sul da Holanda.</P>
<P>
Há um caso tremendamente crítico. Um dos diques que protege Ochten (Centro) foi primeiramente dado como perdido, segundo algumas testemunhas citadas pela France-Presse. Mas centenas de militares ali colocados juntamente com as populações conseguiram controlar todas as fissuras descobertas nas fundações. Foi uma situação de grande desespero. E ainda é. A água está apenas a um metro de galgar o dique. Hora a hora, vai subindo e aumentando a pressão sobre a barreira. «A situação ainda é muito, muito crítica», disse o presidente da câmara, Henk Zomerdijk.</P>
<P>
Um helicóptero munido de sofisticado equipamento de infra-vermelhos continuava a sobrevoar regularmente o dique de 200 metros de comprimento. Os mais de 4500 habitantes de Ochten foram obrigados a abandonar a povoação. Se o dique não resistir, outras 40 mil pessoas do pólder serão afectadas.</P>
<P>
«Não temos alternativa... A decisão de mandar evacuar os locais só é tomada após os peritos declararem que não nos podem dar garantias de que os diques vão aguentar, o que é que podemos fazer?», dizem as autoridades holandesas. Roterdão, o maior porto do mundo e enorme centro financeiro, além de base de armazenamento de petróleo, não está, para já, em risco.</P>
<P>
É enorme o êxodo no país. É necessário improvisar instalações para parte substancial dos 250 mil evacuados que não têm família nas zonas «secas» do país. Num desses centros de acolhimento, um ginásio, visitado pelo enviado a AFP, estão mais de 500 pessoas, muitas delas crianças, que trouxeram consigo uma verdadeira Arca de Noé.</P>
<P>
O centro recebe pessoas de Nijmegen (Este da Holanda, onde 140 mil pessoas estão a ser obrigadas a abandonar os seus lares). Os organizadores começaram por recusar-se a receber animais domésticos, mas acabaram por ceder. Por todo o lado há cães, gatos, hamsteres e canários, animais muitas vezes com incompatibilidades naturais entre si. Jornais locais oferecem leitura para passar o tempo. Foram instalados vídeos, há animação circense e rígidos horários para duche dos homens e das mulheres e para refeições.</P>
<P>
Mas o ambiente não é muito festivo. A maior parte das pessoas estão extremamente ansiosas, cansadas, assustadas ou irritadas com o facto (ou eventualidade) de terem perdido todo o recheio das suas casas. Na zona de Nijmegen, a situação é caótica, nomeadamente as estradas, que estão completamente bloqueadas com o êxodo. Depois, é necessário evacuar hospitais, lares de idosos e prisões. A cidade tinha que estar deserta até à meia-noite de ontem, por ordem oficial. A polícia cerca a área. «Estamos constantemente a mandar pessoas de volta... Umas esqueceram-se de desligar o gás, outras esqueceram-se do gato...»</P>
<P>
Um repórter da Reuter foi apanhado no meio do gigantesco engarrafamento perto de Tiel, uma cidade medieval com 35 mil habitantes que está a ser evacuada. A única matéria jornalística que pode enviar é a descrição das bichas de trânsito com dezenas de quilómetros. «As pessoas estão calmas, mas as filas são de perder de vista... Os carros estão parados ou movem-se muito devagar... É incrível, porque há todo o tipo de veículos, caravanas, bicicletas, carroças cheias de plantas, tractores, camiões, autocarros...»</P>
<P>
Junto ao dique principal de Tiel ainda se encontra muita gente, multidões armadas com as inevitáveis câmaras de vídeo, a gravar o desastre para a posteridade. «Água branca é `okay'! Mas se ela começa a vir castanha, lamacenta, isso é muito mau... Quer dizer que o dique se está a dissolver», dizia um dos «observadores». Actualmente, na Holanda, cada holandês é um perito em diques, ironizava outro jornalista da Reuter.</P>
<P>
Há histórias perfeitamente absurdas. Perto da fronteira alemã foi detectado um bando de jovens munidos de picaretas que estava a tentar rebentar os diques. Foram presos, mas os tribunais estão inoperacionais. O telex escusou-se a dar qualquer explicação para o acto dos adolescentes.</P>
<P>
Em Tiel (cem quilómetros a leste da Haia), a água domina. Dentro dos botes de borracha, vêem-se as copas das árvores, o cimo dos candeeiros de rua, os telhados. Os únicos estabelecimentos que funcionam são as farmácias, que estão a aviar receitas, nomeadamente a idosos, para pelo menos uma semana. Muitos habitantes de Tiel protestavam contra o facto de os bancos não terem criado serviços de urgência, deixando muitos de bolsos vazios. Ontem, ao cair da noite, o jornalista da France-Presse falava em «cidade fantasma».</P>
<P>
Em Lobith, o local onde o Reno entra na Holanda vindo da Alemanha, a água desceu dos 16,66 metros para 16,61. O rio Maas iria continuar a subir até pelo menos hoje à tarde, aumentado o esforço dos diques.</P>
<P>
Na Holanda morreu ontem a primeira vítima das cheias, uma mulher que caiu numa corrente de um rio. O mau tempo fez, em menos de uma semana, 26 mortos na Europa do Norte. As autoridades holandesas estimam que os custos das cheias deverão situar-se entre 1,2 mil milhões e 1,7 mil milhões de dólares (entre 186 e 263 milhões de contos). Isto se os diques aguentarem.</P>
<P>
Em risco estão também as famosas tulipas holandesas. Alguns dos maiores produtores foram obrigados a abandonar as suas quintas. Há aliás neste momento mais de 20 milhões de frágeis túlipas que não têm quem cuide delas. «As túlipas não são como o gado, que se pode levar para outro local... Se os diques cederem, o preço da túlipa vai disparar», disse um produtor.</P>
<P>
Na França -- onde a situação parece estar a normalizar-se -- também se fazem contas aos estragos. As companhias de seguros calculam que só a sua factura irá rondar os 570 milhões de dólares. O Executivo alemão disponibilizou o equivalente a 20 milhões de dólares para empréstimos a baixos juros aos afectados pelas cheias. O Governo belga já libertou 57 milhões de dólares para um fundo de emergência.</P>
<P>
Quase todos os rios da Holanda e da Alemanha vão ficar encerrados ao tráfego fluvial pelo menos uma semana. Esta proibição «aprisionou» 85 por cento da frota petrolífera e de cargueiros de toda a Europa. Para já, não há motivo para alarme.</P>
<P>
Em França, nomeadamente na zona da Bretanha, os níveis dos rios estavam a baixar, embora mais de 250 mil pessoas continuassem sem electricidade. Na Bélgica, as estradas começavam a ser reabertas. As previsões meteorológicas alertavam para o perigo do optimismo excessivo. Na cidade alemã de Colónia -- uma das mais afectadas de toda a Europa --, as águas do Reno estavam a descer hora a hora, regressando ao seu leito.</P>
<P>
Noutros pontos da Europa, a crise parece estar agora a começar. A Autoridade Nacional dos Rios da Inglaterra decretou o alerta máximo para 17 rios do país. Dezenas de famílias foram forçadas a abandonar as suas casas. Há já inundações preocupantes no Norte do país e o exército foi chamado a intervir em algumas das zonas afectadas.</P>
<P>
Na Irlanda, as chuvas torrenciais não param e milhares de hectares de terras estão completamente inundados. As culturas perderam-se. Subsídios são reclamados pelos agricultores.</P>
<P>
Uma forte tempestade de neve atingiu a Dinamarca e a Suécia, paralisando o tráfego aéreo doméstico. Ao largo de Gotemburgo, um petroleiro está em situação difícil, tendo sido detectada uma «pequena fuga de `crude'». Nada de especial, pelos vistos, no meio do dilúvio.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-13143">
<P>
COSMÉTICA NA BIRMÂNIA -- A junta militar birmanesa retirou a guarda militar postada em frente da casa, em Rangun, de Aung Sann Suu Kyi, dirigente da oposição e Prémio Nobel da Paz de 1991, colocada em residência vigiada desde Julho de 1989, disseram fontes diplomáticas em Bangkok, capital da vizinha Tailândia. É a primeira vez, segundo observadores citados pela AFP, que o Conselho de Estado para o Restabelecimento da Lei e da Ordem, o nome oficial da junta birmanesa, toma uma tal medida, desde que Aung Sann Suu Kyi, 49 anos, passou a ser guardada à vista. Só o seu marido, o professor universitário britânico Michael Aris, e os seus dois filhos, a puderam visitar nos últimos cinco anos, ainda assim raras vezes. Nenhuma explicação oficial tinha sido adiantada até ontem pelas autoridades militares sobre a retirada da guarda armada, admitindo que se trate de um expediente cosmético para não ferir a susceptibilidade dos turistas que visitam o país, em número cada vez maior, e que em Rangun se aventuram a fotografar a casa onde a dirigente se encontra detida.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-82306">
<P>
Antigo presidente zambiano Kenneth Kaunda em entrevista ao PÚBLICO</P>
<P>
Angola precisa de um governo de unidade nacional</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Jorge Heitor, em Joanesburgo</P>
<P>
Um dos líderes históricos das primeiras décadas da África independente, o zambiano Kenneth Kaunda, que esteve no poder de 1964 a 1991, disse ontem ao PÚBLICO, em Joanesburgo, que o presidente Mandela vai decerto dar um importante contributo para que se consiga a paz em Angola. Tal como também anteviu um mercado económico de 300 milhões de habitantes, da Somália ao Cabo, tendo a África do Sul como motor.</P>
<P>
O antigo presidente Kaunda crê que a tomada de posse de Nelson Mandela como chefe de Estado da África do Sul, à frente de um governo de unidade nacional, vai ajudar não só a resolver os problemas de Angola e de Moçambique, como também a criar um enorme espaço económico desde o Corno de África ao cabo da Boa Esperança, com os sul-africanos no comando.</P>
<P>
PÚBLICO -- Como vai o «velho leão» da África Austral?</P>
<P>
KENNETH KAUNDA -- Vai bem, apesar dos seus 70 anos. Deixei a política. Dirijo a Fundação Kaunda, de que um dos ramos é o Instituto Kenneth Kaunda para a Paz e a Democracia.</P>
<P>
P. -- Como está agora a Zâmbia, três anos depois de haver sido derrotado nas urnas por Frank Chiluba?</P>
<P>
R. -- Gostaria de dizer que está bem, mas não está. Os países doadores disseram ao Presidente que tem de se livrar dos bares da droga e dos ministros corruptos.</P>
<P>
P. -- Teria havido, para alguns zambianos, uma certa desilusão, após o triunfo do multipartidarismo?</P>
<P>
R. -- Creio que sim. Milhares de pessoas perderam o emprego, os agricultores não recebem a tempo o pagamento dos seus produtos, a má nutrição das crianças mais do que duplicou, o índice de criminalidade subiu imenso.</P>
<P>
P. -- O seu partido, o velho UNIP (Partido Unificado da Independência Nacional), terá alguma hipótese de voltar ao poder nas eleições de 1996?</P>
<P>
R. -- Depende da maneira como se conseguir organizar. Tem uma hipótese, mas há que trabalhar no duro.</P>
<P>
O milagre sul-africano</P>
<P>
P. -- Falando agora da África do Sul, como vê os resultados das eleições?</P>
<P>
R. -- É um milagre. Nada menos do que um milagre. Depois de tanto sangue, depois de se andarem a matar uns aos outros, conseguiu-se efectuar eleições relativamente livres e justas. Peço a Deus que a paz e a estabilidade tenham vindo para ficar, pois isso será muito importante para a África oriental, central e austral. Temos a Zona de Comércio Preferencial (PTA) e a Conferência para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), dois blocos que no seu conjunto vêem desde a Somália e da Etiópia até ao Zaire e a Moçambique.</P>
<P>
P. -- Está desde já a admitir um grande bloco económico desde o Corno de África até ao cabo da Boa Esperança?</P>
<P>
R. -- A África do Sul é a âncora para o desenvolvimento de todo o território que começa na Somália e vem por aí abaixo. Quando a PTA e a SADC se juntarem, teremos um mercado de 300 milhões de pessoas, em que será possível desenvolver alguma da electricidade mais barata do Mundo. Com a África do Sul livre e estável, teremos uma base para o desenvolvimento de vastas regiões.</P>
<P>
P. -- Acha que a nova situação na África do Sul também irá influenciar os desenvolvimentos políticos em Angola e Moçambique?</P>
<P>
R. -- Sem qualquer dúvida. Creio que o Governo de unidade nacional será ouvido pelas duas partes do conflito angolano. O exemplo sul-africano não poderá deixar de ser seguido em Angola. E em Moçambique já está a ser.</P>
<P>
P. -- Quem lhe parece mais razoável, o Governo angolano ou Savimbi?</P>
<P>
R. -- Pedimos ao nosso colega e irmão dr. Savimbi que ajude a formar um governo de unidade nacional. É muito importante que isto aconteça, que trabalhem juntos. Não odiamos nenhum deles. Angola é potencialmente um dos países mais ricos nesta parte do Mundo. E creio que o presidente Mandela vai dar uma ajuda nesta questão.</P>
<P>
P. -- Como comenta tantos problemas que tem havido na África independente?</P>
<P>
R. -- Nenhum continente sofreu semelhantes condições de esclavagismo. E, depois disso, veio a Conferência de Berlim, de 1884 a 1985, que destruiu as infra-estruturas africanas. Dividiu os lundas por Angola, Zaire e Zâmbia, deixando eles de funcionar em conjunto como nação; os angonis pela Tanzânia, Malawi, Zâmbia e Moçambique; e assim por diante. Os britânicos não nos ensinaram democracia na Zâmbia, tal como os portugueses não ensinaram democracia em Angola, nem os belgas no Zaire, no Ruanda e no Burundi. Até mesmo os negros norte-americanos, que se tornaram independentes na Libéria, se comportaram, infelizmente, como colonialistas. Depois veio o conflito entre o Leste e o Ocidente. Quando eu ia a Moscovo, o Ocidente dizia que estava feito com os comunistas; quando ia a Washington, o Leste considerava-me ao serviço do capitalismo. Necessitamos de ajuda, sim, mas também de uma melhor ordem económica. A Bíblia e o Corão dizem que não se deve cobrar juros.</P>
<P>
Nós, os corruptos</P>
<P>
P. -- Diz então que há muita coisa junta contra a África.</P>
<P>
R. -- Sim, há o proteccionismo do mundo ocidental e tudo o mais. Mas muitos de nós também somos muito corruptos.</P>
<P>
P. -- Costuma-se dar como exemplo mais acabado o marechal Mobutu.</P>
<P>
R. -- Não sei! (risos)</P>
<P>
P. -- Julga que se poderá voltar atrás e recriar os reinos africanos de outrora, anteriores à Conferência de Berlim?</P>
<P>
R. -- Seria um jogo muito perigoso, seria talvez pior a emenda do que o soneto. O que é preciso é unir a África e conseguir o desenvolvimento económico, mas, depois disso, as fronteiras poderão vir a ser redesenhados e novos Estados criados, por meio de negociações -- nunca pela força.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83980">
<P>
Habitação na AML</P>
<P>
Autarcas dizem que PER não basta</P>
<P>
O Plano Especial de Realojamento (PER) é insuficiente para solucionar os problemas habitacionais da Área Metropolitana de Lisboa. A conclusão, subscrita por autarcas como o comunista Daniel Branco e o social-democrata Isaltino Morais, é um dos resultados do primeiro encontro sobre habitação promovido sábado em Oeiras por aquela entidade.</P>
<P>
Daniel Branco, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira e da Junta Metropolitana, pensa que o PER é insuficiente e que é urgente promover uma solução para integrar as famílias de fracos recursos. O autarca, citado pela agência Lusa, disse que «não adianta tirar as famílias de barracas e pô-las em edifícios altos» sem uma política de integração, uma vez que, dessa forma, os conflitos sociais apenas serão deslocados.</P>
<P>
Isaltino Morais, autarca anfitrião do encontro, disse que o PER, sendo um programa de erradicação de barracas «integrado», é melhor do que os programas anteriores, mas «não é suficiente» para suprir as carências habitacionais das áreas metropolitanas existentes: Lisboa e Porto.</P>
<P>
A preocupação de que o PER crie «ghettos» foi acentuada pelo presidente da direcção da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica, Guilherme Vilaverde. Em seu entender, a habitação social que aquele programa prevê exclui socialmente os seus residentes.</P>
<P>
Com o objectivo de pensar as melhores formas de aplicação do PER na Área Metropolitana de Lisboa, coordenando «opções políticas e soluções técnicas», Daniel Branco defendeu a realização regular de encontros deste tipo. Desta vez estiveram em discussão quatro temas: instrumentos para a promoção integrada de habitação, implicações práticas do PER, aspectos sociais da promoção de habitação e o enquadramento urbanístico dos programas habitacionais.</P>
<P>
No encontro participaram centena e meia de técnicos das 18 autarquias da área metropolitana, diversos presidentes de câmaras municipais e representantes do IGAPHE (Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado). Daniel Branco lamentou a ausência do ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral, cuja participação no encontro chegou a estar prevista.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cver"> 
<P>Uma nação de pedintes</P>
 <P> O PRESIDENTE Sarkozy abriu a Conferência de Dadores realizada em Paris com uma frase grandiloquente sobre a necessidade urgente de criar um Estado palestiniano no fim de 2008. O Presidente ou é mentiroso ou finge-se ignorante, ou as duas coisas. Depois do falhanço esperado da cimeira de Annapolis, um modo de Condoleezza Rice salvar a face e de a Administração americana e a Europa continuarem a fingir que estão interessadas em resolver o conflito israelo-palestiniano e de lavarem as mãos de tudo o resto, Sarkozy não pode ignorar que o momento para pronunciamentos débeis é o menos adequado. Tony Blair, depois de ter minado todo o processo de paz do Médio Oriente ao ordenar a invasão do Iraque de braço dado com Bush, continua a emitir piedades deste género, e diz que está na altura de resolver o problema e que ele pode ser resolvido. Blair não sabe o que diz. </P>
 <P> A verdade é que não pode ser resolvido, já não pode, e não pode justamente nesta fase, quando os palestinianos têm não um mas dois governos e dois territórios, um ocupado pelos israelitas, a Cisjordânia, outro abandonado pelos israelitas e bombardeado pelos israelitas, Gaza. Anos e anos de destruição compulsiva de interlocutores, alguns moderados, e de opressão, fizeram do povo palestiniano uma nação de pedintes. Gaza subvive das esmolas iranianas, sauditas e dos Emiratos, e a Cisjordânia subvive de doações da Europa, da América, de Estados árabes e das Nações Unidas. Nenhuma nação palestiniana pode aspirar a ser um Estado palestiniano, e um país viável, sem unidade do território e do povo, e sem soberania sobre esse povo e esse território. No terreno, temos a pior situação de sempre. O Hamas a mandar em Gaza, e a OLP a fingir que manda na Cisjordânia. Sarkozy, e Blair, e os europeus, sendo a Europa o maior dador de dinheiro para os palestinianos e já vamos ver porquê, não podem desconhecer que nem Mahmoud Abbas é um chefe com apoio popular na Cisjordânia nem a OLP, dominada pela Fatah, tem apoio popular em Gaza. Se realizassem eleições na Cisjordânia, Abbas e um grupo de agentes corruptos disfarçados de "moderados" não as ganhariam, e não as ganhariam nas cidades onde o Hamas ganhou. Abbas pode fingir mandar em Ramallah e na clientela privilegiada de uma organização que não soube constituir-se como fonte legítima do poder palestiniano, não pode fingir que é considerado em Jenin e Hebron, em Nablus e Tulkarem, em Jericó e Jerusalém Oriental. Abbas, arrastando-se aos pés dos chefes europeus a mendigar uns milhares de milhões de dólares enquanto insulta o Hamas e aceita que os palestinianos de Gaza sejam colectivamente punidos pelo embargo israelita e pela recusa americana e europeia de incluir o Hamas no processo de paz é visto como uma marioneta do Ocidente e um traidor. Os israelitas sabem isto melhor do que ninguém porque são os que melhor conhecem a quimera do road map. Israel, sabendo que não pode devolver a Cisjordânia, desmantelar os colonatos, prescindir da Ocupação sem comprometer a sua segurança, dividir Jerusalém ou ceder a pretensões sobre o regresso de milhões de refugiados (que nunca poderão regressar), está interessado em manter as ficções americanas e europeias e administrar a Ocupação e a relação de forças, como a sua supremacia militar assegura. O Hamas está interessado, simetricamente, em administrar a resistência. Israel só seria obrigado a ceder se os Estados Unidos deixassem de apoiar e de vender milhares de milhões de dólares de armas aos israelitas, e Israel sabe que isso nunca acontecerá, por razões da política interna americana e da força do lobby judeu. Nenhum candidato democrata, nem mesmo o utópico Obama, ousariam modificar este estado de coisas. </P>
 <P> A posição da Europa, dando milhares de milhões que a dispensem de contribuir para uma resolução política, é a mais contraproducente. A Europa prefere pagar para não ser incomodada, e prefere transformar, como transformou, os palestinianos numa nação de pedintes. A velha e cínica Europa, origem de todo este problema, a assassina Europa como lhe chama o escritor israelita Amos Oz, sabe que não pode contrariar os Estados Unidos e não quer contrariar os israelitas por má consciência. Sabe também que os palestinianos são um povo espoliado, banido, revoltado e oprimido, e que parte da responsabilidade histórica dessa opressão lhe pertence. Como contribui para o problema sem contribuir para a solução, a Europa adoptou um discurso de duplicidades e subentendidos, de fraquezas e recuos, de que o senhor Javier Solanas é o exemplo acabado. A rematar o discurso, a Europa passa cheques. Os palestinianos habituaram-se a explorar esta fraqueza a seu favor e transformaram a sua reivindicação numa vitimização que lhes dá direito, de tanto em tanto tempo, a uma compensação monetária. Muitos milhões acabam, como no tempo de Arafat, em contas secretas e nos bolsos de uma oligarquia. Tanto dinheiro não chega para comprar os palestinianos que não estão à venda. Os palestinianos vêem o Muro entrar-lhes pelas vidas dentro, vêem a sua destituição transformada em humilhação, e votam Hamas ou Jihad Islâmica. Em Gaza, as crianças querem ser mártires. E sem Gaza, não haverá Palestina. </P>
 <P> Clara Ferreira Alves </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-37008">
<P>
Mandela reconheceu ter sido mal aconselhado quanto a Winnie</P>
<P>
Perigosos sinais do futuro</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
O rocambolesco episódio da recondução de Winnie no lugar de que fora afastada já não é o primeiro passo em falso do Presidente Nelson Mandela, que tem 76 anos e passou mais de um terço da sua vida isolado da prática política quotidiana. Perigosos sinais para um fim de século que muitos sul-africanos gostariam que fossem de maior tranquilidade.</P>
<P>
Nelson Mandela voltou ontem a casa, depois de uma viagem aos países do Golfo Pérsico-Arábico, e teve a dolorosa tarefa de explicar aos seus concidadãos que a credibilidade do Governo de Unidade Nacional de que a África do Sul foi dotada há quase um ano em nada teria sido afectada pelo complexo episódio do despedimento e readmissão da vice-ministra das Artes e da Cultura, Winnie.</P>
<P>
Essa não é porém a análise feita pelo Partido Nacional, do segundo vice-presidente, Frederik de Klerk, nem por alguns analistas políticos, segundo os quais não fica muito bem visto um Governo que decide afastar um dos seus membros e que depois o readmite, por não haver actuado dentro de toda a legalidade constitucional.</P>
<P>
Resta agora ver se o Presidente da República volta ou não a demitir Winnie Mandela, depois de cumpridos todos os requisitos legais; mas, entretanto, esta história veio lembrar que o Chefe de Estado não é um homem perfeito, apesar de toda a auréola conseguida ao longo dos anos.</P>
<P>
«Atravessaremos essa ponte quando lá chegarmos», disse ontem Mandela durante uma escala em Nairobi, no Quénia, quando lhe colocaram o problema de vir ou não a afastar de novo do Governo a mulher que já antes tivera de afastar de sua casa, devido a comportamentos algo controversos.</P>
<P>
O desaire presidencial</P>
<P>
«Penso que tenho muito bons conselheiros, excepto neste caso», acrescentou o idoso político, que segundo a agência Reuter sofreu um humilhante desaire quando esta semana foi obrigado a reconhecer que nem tudo tinha sido feito da forma mais adequada na altura em que, o mês passado, se revelou aconselhável substituir a vice-ministra das Artes, da Cultura, da Ciência e da Tecnologia.</P>
<P>
Fonte governamental citada pela mesma agência dizia que Nelson Mandela poderia voltar a afastar Winnie ainda ontem à noite ou hoje, depois de conferenciar com os vice-presidentes Thabo Mbeki e De Klerk e com o ministro do Interior, Mangosuthu Buthelezi. Foi a não consulta a este, aliás, que invalidou a decisão do dia 27 de Março, tomada em relação a uma vice-ministra que andava a criticar publicamente algumas das medidas do Governo de que era parte.</P>
<P>
Antes deste caso, porém, o chefe de Estado da África do Sul já dera outros passos em falso, como o de aceder prontamente à proposta do líder da Frente da Liberdade, general Constant Viljoen, para designar o seu amigo Tom Langley embaixador em Lisboa, o que aparentemente foi muito mal recebido pelo Governo português.</P>
<P>
Como não teve o cuidado prévio de auscultar a receptividade que esse pedido de agrément poderia encontrar, Mandela está ainda hoje -- passados já dois meses e meio -- à espera de uma resposta formal do Palácio das Necessidades, que diplomaticamente prefere manter silêncio a comunicar de forma clara a Pretória que deverá avançar com um nome de alternativa.</P>
<P>
Ao transigir com a sugestão do general boer Viljoen, antigo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o Presidente mais não fez do que ser fiel ao seu desejo de reconciliação entre todos os sul-africanos, mantendo grande parte dos fazendeiros afrikaners ao abrigo de quaisquer tentações aventureiristas. Mas esqueceu-se de que dentro da própria carreira já haveria possivelmente algum diplomata a pensar em Portugal e que neste país poderia não cair bem o facto de ser «contemplado» com alguém que ainda há pouco mais de um ano se posicionava à direita do Partido Nacional, sendo um dos que não queriam as eleições em pleno pé de igualdade entre brancos e negros.</P>
<P>
Não basta ser bom</P>
<P>
O líder do ANC terá de aprender à sua própria custa que não lhe basta ser uma boa pessoa e agradar a toda a gente, pois que a condução de uma potência é bem mais do que isso e obriga a um quase impossível equilíbrio entre os interesses mais contraditórios, sem nunca deixar de respeitar as promessas nem os preceitos institucionais.</P>
<P>
Outra das botas que tem agora de descalçar é a de, há um ano, para convencer o partido Inkatha, de Buthelezi, a ir às urnas, lhe haver prometido que se poderia recorrer a mediação internacional -- designadamente do norte-americano Henry Kissinger e do britânico Lord Carrington -- para definir o grau de autonomia das diferentes províncias da África do Sul e o estatuto constitucional do rei dos zulus.</P>
<P>
Bem podem agora o ANC e o Partido Nacional, que entre si totalizam mais de 84 por cento dos votos expressos nas primeiras eleições livres, alegar que há a hipótese de o assunto ser resolvido entre os sul-africanos, no âmbito da Assembleia Constituinte. Por mais que lhe digam, o nobre Buthelezi, tio do rei Goodwill Zwelithini, insiste sempre na promessa de mediação internacional, como se essa fosse a chave mágica para a província do Kwazulu/Natal, a única onde o Inkatha é maioritário, vir a ser dotada da mais vasta autonomia.</P>
<P>
Dossiers como os de Winnie Mandela, de Tom Langley e da eventual mediação externa quanto ao futuro articulado da Constituição sul-africana são alguns dos sinais dos grandes perigos que se desenham no horizonte, após este primeiro ano de relativa lua de mel entre o Governo de Unidade Nacional e a maioria esmagadora da população.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77767">
<P>
979 fogos para Câmara de Vila Franca</P>
<P>
IGAPHE já entregou 20 milhões às autarquias</P>
<P>
O Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) já transferiu para as câmaras municipais das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto cerca de dez mil fogos -- 70 por cento do total --, avaliados em perto de 20 milhões de contos, segundo revelou, quarta-feira à tarde, em Vila Franca de Xira, o presidente daquele organismo.</P>
<P>
Carlos Botelho, que assinava o protocolo de promessa de transferência para a câmara de Vila Franca dos 979 fogos que o IGAPHE possui no concelho, observou que dos 361 bairros do Instituto espalhados pelo país apenas dois são considerados «muito maus»: o de Olival de Fora, na freguesia de Vialonga, e um outro em Peso da Régua.</P>
<P>
«Não tem sido hábito investirmos na recuperação de bairros antes de os transferirmos para as respectivas câmaras municipais, mas pareceu-nos que, atendendo à especificidade de Olival de Fora, que é uma situação muito difícil, não deveríamos pedir à câmara para aceitar este bairro sem que durante algum tempo trabalhássemos em conjunto e realizássemos obras», explicou o presidente do IGAPHE.</P>
<P>
Assim, está prevista para Novembro a escritura formal da transferência para a edilidade de 571 fogos. Os restantes 408, incluídos no Bairro de Olival de Fora, beneficiarão de um período transitório, que poderá ir até dois anos, destinados à sua reabilitação socioeconómica. «Já começámos a trabalhar nesse sentido», disse Botelho. «Resolvemos a questão dos pagamentos à EDP, estamos em vias de resolver o problema dos elevadores e vamos investir na conservação do bairro».</P>
<P>
O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Daniel Branco, anunciou, por seu lado, que os fogos recebidos do IGAPHE que estejam ou venham a ficar vagos, no âmbito de acções judiciais contra ocupantes ilegais, serão usados no realojamento de famílias abrangidas pelo programa de erradicação de barracas.</P>
<P>
Relativamente ao Olival de Fora, também conhecido por Bairro da Icesa, para além da intervenção do Estado, a Câmara vai candidatar-se a um programa comunitário de reabilitação urbana de áreas degradadas. O município espera assim apoiar a construção de infra-estruturas físicas e ambientais e de equipamentos sociais e iniciativas de formação profissional.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11954">
<P>
Da Agência Folha, em Natal</P>
<P>
As turistas italianas devem alterar os costumes de Natal (RN) neste verão. Em pequenos grupos, elas já estão dando uma mostra do que poderá vir a ser esta temporada de verão em termos de topless. Nas praias da Via Costeira, onde estão os hotéis mais luxuosos de Natal, as turistas italianas tiram a parte de cima do biquini para aproveitar ainda mais o sol.</P>
<P>
A Emproturn (Empresa de Promoção e Desenvolvimento do Turismo do Rio Grande do Sul) prevê que neste verão (dezembro a março) cerca de 250 mil turistas visitarão Natal, 40% estrangeiros, principalmente argentinos e italianos. O presidente da Emproturn e também secretário da Indústria, Comércio e Turismo, Mário Barreto, 42, calcula que esse contingente de turistas vai deixar no Estado cerca de US$ 30 milhões.</P>
<P>
No período de segunda-feira a domingo, 17 vôos extras chegam a Natal. São vôos de São Paulo, Buenos Aires e Milão. A Varig, esta semana, além de seu vôo normal de quinta-feira, teve um vôo extra, um DC-10, para Natal na última quarta-feira. Dois transatlânticos também passaram por Natal nesta semana.</P>
<P>
Na terça-feira, um grupo de 350 turistas alemães desembarcou do navio Odessa, de bandeira ucraniana. Na sexta-feira, o navio Funchal trouxe 420 turistas, entre brasileiros e estrangeiros. Este navio deve voltar outras três vezes a Natal durante o verão. Além das empresas aéreas tradicionais, a TAM, a Rio-Sul e Air Vias estão operando vôos charters.</P>
<P>
A rede hoteleira, que oferece 15 mil leitos, incluindo as pousadas, já está com a maioria das vagas ocupadas até fevereiro. Segundo pesquisa da Emproturn realizada em janeiro de 93, 43% dos turistas que visitam a cidade se hospedam em casas de parentes e amigos ou em imóveis alugados para temporada. Um apartamento ou casa de seis quartos custa em média US$ 1,3 mil por mês.</P>
<P>
O presidente da Emproturn disse que o governo estadual investiu no ano passado mais de US$ 1 milhão no setor de turismo. (Paulo Francisco)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80612">
<P>
Força de paz para o Nagorno-Karabakh</P>
<P>
Os 53 estados membros da CSCE (Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa) adoptaram ontem na cimeira de Budapeste um documento prevendo o envio de uma força internacional de manutenção de paz para o Nagorno-Karabakh.</P>
<P>
A Rússia, depois de uma oposição de meses ao envio de tropas sob a égide da CSCE para a região que considera fazer parte do seu «estrangeiro próximo», votou favoravelmente. Mas, nos termos do acordo, a Rússia e a Suécia têm agora o estatuto de co-presidentes do grupo de Minsk da CSCE, criado em 1992 para ficar encarregado do estabelecimento da paz neste enclave do Azerbaijão de maioria arménia. Os arménios controlam quase todo o território depois de sete anos de guerra que fizeram 20 mil mortos e milhares de refugiados.</P>
<P>
O acordo foi apresentado como um teste à capacidade da CSCE para controlar conflitos regionais. O documento apela a que se iniciem «rapidamente negociações com vista à conclusão de um acordo político» entre as duas partes em conflito, e exige à presidência da CSCE que defina a curto prazo o plano com a composição da força e as operações de manutenção da paz.</P>
<P>
A Rússia vinha a pressionar para ter o maior contingente na força de paz, de forma a assumir o controlo da operação. Mas um diplomata disse que ficou acordado que nenhum país estará representado em mais de 30 por cento do total dos militares que irão para o Nagorno-Karabakh. A força será compopsta por 3.000 homens e custará 40 milhões de dólares no primeiro semestre.</P>
<P>
Uma das suas principais missões será garantir o cumprimento do cessar-fogo em vigor, e que o Presidente da Arménia -- país que rejeitou sempre um envolvimento directo nesta guerra -- Levon Ter-Petrossian disse ter sido violado recentemente pelos azeris.</P>
<P>
Declarações que foram recebidas com «grande surpresa» pelo chefe de Estado do Azerbaijão, Gueidar Aliev. «Aviso o Presidente da Arménia para não tentar fazer ruir este processo de paz sob a égide da CSCE», disse Aliev referindo-se às contradições do discurso de Ter-Petrossian em Budapeste. Pouco antes, este tinha dito que estavam finalmente reunidas as condições para pôr em marcha um processo de paz.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-78733"> 
<P>Cavalo-marinho Boi PIntado, o dia de Reis e a Lei Rouanet, Recife, PE · 05/1</P>
 <P> Rosa Campello · Recife (PE) · 31/12/2007 11:18 · 137 votos </P>
 <P> Celebração ao Dia de Reis, evento que acontece sempre dia 06 de janeiro, estaremos antecipando-o um pouco, para o dia 05 de janeiro de 2008, e com motivos de sobra para comemorá-lo: Mestre Grimário acaba de receber incentivo para finalizar seu CD CAVALO-MARINHO BOI PINTADO, o qual tem a participação especial das crianças do Ponto de Cultura do MOVIMENTO PRÓ-CRIANÇA através da Lei Rouanet !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! </P>
 <P> A Empresa socialmente responsável, é a STN - SISTEMA DE TRANSMISSÃO DO NORDESTE. </P>
 <P> " CAVALO-MARINHO, Uma Dança Dramática Brasileira: </P>
 <P> Cavalo-marinho, uma tradição folclórica do ciclo de Natal, é a versão pernambucana do Bumba-meu-Boi. Encontrado em toda parte do Brasil, o Bumba-meu-boi é uma dança dramática que tem como elemento principal a morte e ressurreição do boi mágico. </P>
 <P> Uma apresentação de cavalo-marinho abrange música vocal, dança, cenas dramáticas, ação, poesia improvisada, música instrumental, máscaras e fantasias. No interior, para o norte do Recife, apresenta-se durante a safra da cana-de-açúcar(agosto a janeiro). </P>
 <P> O enredo do Cavalo-marinho concentra-se em torno do Capitão, um proprietário rural que tinha deixado suas terras sob o controle de Mateus e Sebastião, dois vaqueiros. O Capitão deseja celebrar a volta dele às suas terras, mas, os vaqueiros não deixam. O Capitão manda um Soldado tirar a licença à força, e ele consegue, após muita confusão cômica e pancadas altas, mas, sem dor, das bexigas de boi que o Mateus e o Sebastião usam como armas e instrumentos musicais. Agora é a vez do Mestre Ambrósio, que imita todas as personagens do folguedo, que continua com uma longa seqüência de danças pelo Capitão e seus Galantes, uma guarda de honra. Entre elas, são danças em homenagem aos Reis Magos, que compartilha temas musicais com as devoções de Reis no Portugal, e uma para São Gonçalo de Amarante. </P>
 <P> Entram, em seguida, dezenas de personagens, cada uma das quais faz parte do mundo do engenho-de-açúcar. Entre elas, há personagens realísticas, como o Valentão, o Cangaceiro e o Vaqueiro - que fala na poesia do Sertão, e imaginárias- como o Caboclo de Urubá. A apresentação termina com a entrada, dança, morte e ressurreição do Boi. O acompanhamento musical fica por conta do banco, um grupo de músicos que tocam Rabeca, Pandeiro, Bage (Reco-reco) e Mineiro (Ganzá). Os Percussionistas e, às vezes, o Rabequeiro também cantam. Entre seqüências, se ouve toadas do vasto repertório, versos improvisados e música instrumental para dança. </P>
 <P> Durante os anos 90, o interesse no Cavalo-marinho por parte do público da região metropolitana do Recife tem crescido muito, como parte de um ressurgimento de interesse na cultura popular em geral. Jovens visitam o interior para assistir a apresentações e para entrar no Mergulhão - a dança de abertura do Cavalo-marinho, e existem diversos projetos de pesquisa e documentação". </P>
 <P> Texto: John Murphy, Ph.D., Etnomusicólogo e professor de música na Western Illinois University (até 2001) e a University of North Texas (à partir de Agosto de 2001). </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-54533">
<P>
PALOP -- o difícil caminho para a democracia</P>
<P>
Nuno Teotónio Pereira</P>
<P>
O hediondo assassinato do jornalista Ricardo Melo, ocorrido recentemente em Luanda, veio demonstrar como é difícil a consolidação da democracia em alguns dos países africanos de expressão portuguesa. Esse clima tem paralelo no assassinato do dr. David Bernardino, acontecido no Huambo logo a seguir às eleições, quando a UNITA ainda não tinha tomado pela força o controlo completo da cidade, mas os seus grupos armados espalhavam a insegurança e a instabilidade.</P>
<P>
Atribui-se a morte de Ricardo Melo às suas actividades como jornalista independente, ousando denunciar alguns casos da corrupção existente em Angola, e ela insere-se, o que é comprometedor para os governantes, numa série de ameaças e agressões contra jornalistas independentes que trabalham em Luanda.</P>
<P>
Do mesmo modo, o assassinato do dr. David Bernardino, prestigiado médico, figura conhecida e admirada no Huambo pela sua dedicação às populações e também ele director de um jornal independente -- «O Jango» --, inseriu-se em acusações contra aqueles que teriam porventura influenciado a votação contra a UNITA e foi acompanhado por outros crimes de morte.</P>
<P>
Depois de períodos de grande instabilidade e mesmo de guerras civis em Angola e Moçambique, provocadas sobretudo por causas externas, eleições pluripartidárias, consideradas livres e justas pela comunidade internacional, vieram inaugurar regimes democráticos naqueles dois países e na Guiné-Bissau. E é interessante verificar que nestes três Estados, aqueles onde se desenrolaram prolongadas lutas armadas contra o colonialismo, foram exactamente os movimentos de libertação os vencedores dessas eleições, por vezes contra algumas expectativas. É que as populações, que acorreram às urnas de forma exemplar, provavelmente não terão esquecido quem fez a guerra, arruinando os países e provocando incontáveis sofrimentos.</P>
<P>
Apesar da corrupção, do nepotismo e da inépcia instalados no MPLA e na Frelimo, eram os respectivos governos o sustentáculo da normalidade da vida. Foram a UNITA e a Renamo que minaram os campos e as estradas, causando milhares e milhares de estropiados, destruíram as pontes, cortando as vias de comunicação e impossibilitando os abastecimentos, assaltaram os viajantes e aldeias, provocando o êxodo maciço das populações.</P>
<P>
São conhecidos o que foram os horrores destas guerras em Angola e em Moçambique e o facto incontroverso de a UNITA não ter aceite o resultado das eleições de que saiu vencida, tomando pela força cidades e vilas e recomeçando assim, com maior grau de destruição, uma guerra que parecia terminada.</P>
<P>
O facto é que as populações deram a sua confiança aos partidos que tinham governado até às eleições, no prolongamento das lutas de libertação nacional de que haviam sido os principais agentes. Mas desta permanência no poder advêm importantes riscos e ela exige a reconversão desses partidos, habituados durante 20 anos a governar em regimes de partido único.</P>
<P>
É esta nova atitude que os acontecimentos de Luanda relacionados com jornalistas independentes vêm pôr à prova. Ou os partidos vencedores das eleições são capazes de operar uma profunda transformação nas mentalidades e nas práticas, ou então as eleições não serviram para nada. E essa transformação exige o afastamento dos sectores antidemocráticos e o combate à corrupção.</P>
<P>
Para isto há que dar lugar à emergência de uma sociedade civil, ainda muito incipiente e que é indispensável como sustentáculo da democracia. E, para a consolidação dessa sociedade civil, a livre informação é uma condição essencial. O fortalecimento de correntes de opinião diferentes, a existência e a possibilidade de intervenção de organizações não-governamentais para a educação e o desenvolvimento, sindicais, profissionais e empresariais, a existência de meios de informação e de comunicações independentes são condições para que essa sociedade civil possa afirmar-se.</P>
<P>
Os novos governos da Guiné, de Angola e de Moçambique devem estar conscientes de que está à prova a sua sinceridade de viver em democracia. É que os partidos que ganharam as eleições têm uma nova missão histórica a cumprir, não menos importante do que foi a conquista da independência nacional: a instauração de uma sociedade mais livre, mais justa e mais desenvolvida.</P>
<P>
Aqueles que acompanharam solidariamente as lutas de libertação nacional estarão atentos a estas novas exigências e não deixarão de emitir os seus juízos no futuro. E, em primeiro lugar, os próprios povos interessados, agora chamados a pronunciar-se periodicamente para eleger os seus governantes.</P>
<P>
É neste quadro que o assassinato de Ricardo Melo e as ameaças a jornalistas ganham uma dimensão dramática; para além da perda de uma vida, é todo o destino de um país que está em causa. Bem fez a Assembleia da República em repudiar o acontecimento com um voto de pesar e de protesto. E bem triste foi a posição do PCP em abster-se nesse voto. Também este partido -- como tem acontecido tantas vezes -- joga com dois pesos e duas medidas quando se trata de atitudes de protesto ou de indignação.</P>
<P>
Destaque:</P>
<P>
Ou os partidos vencedores das eleições [nos PALOP] são capazes de operar uma profunda transformação nas mentalidades e nas práticas, ou então as eleições não serviram para nada. E essa transformação exige o afastamento dos sectores antidemocráticos e o combate à corrupção.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-76935">
<P>
MARCELO DAMATO</P>
<P>
Enviado especial a Pelotas</P>
<P>
A seleção da Rússia inicia amanhã uma série de dois amistosos caça-níqueis pelo Rio Grande do Sul. Depois de golear a seleção do México por 4 a 1, quarta-feira à noite em Oakland, na Califórnia, os russos vão enfrentar o Pelotas amanhã e o Guarani de Bagé na sexta-feira.</P>
<P>
O termo caça-níqueis se aplica exatamente aos dois jogos. Segundo o presidente do Pelotas, Álvaro Azocar, os jogadores russos comandados pelo técnico Pavel Sadyrin vão jogar pela quantia de US$ 45 mil, livres de despesas. O clube bicampeão mundial, o São Paulo, cobra entre três e quatro vezes mais por cada amistoso no exterior.</P>
<P>
Azocar disse que a partida com a Rússia foi acertada quase por acaso. Um conselheiro do clube visitava a filha no Rio de janeiro quando soube por um jornalista que a seleção da Rússia procurava amistosos no Brasil. Segundo Azocar, o empresário argentino que agenciou os jogos lhe informou que os russos procuravam adversários "que não fossem muito fortes".</P>
<P>
A expressão de Azocar é um eufemismo. O Pelotas, o mais forte adversário dos russos no Brasil, foi o quarto colocado no Campeonato Gaúcho de 93 e terceiro no campeonato de 92. O clube praticamete não tem projeção nacional –ao contrário do Brasil, da mesma cidade, que foi terceiro colocado no Brasileiro de 85.</P>
<P>
O Guarani de Bagé, cidade de 180 mil habitantes perto da fronteira com a Argentina, não está nem sequer na primeira divisão do Campeonato Gaúcho. Chegar ao ascenso é, aliás, sua meta neste ano. </P>
<P>
Os amistosos vão custar cerca de US$ 80 mil a cada um dos times gaúchos, entre cota para os russos e demais despesas.</P>
<P>
Os russos vêm a Pelotas e Bagé com a mesma equipe que empatou com os Estados Unidos (1 a 1) e goleou o México em partidas realizadas nos EUA. Estão fora da equipe 22 jogadores selecionáveis que rejeitaram a convocação. Quatroze deles, incluindo Igor Shalimov, da Inter de Milão, já disseram que só voltam se o técnico Sadyrin for afastasdo. A Federação Russa só deve resolver a questão definitivamente em maio.</P>
<P>
Mesmo com tantos desfalques, os russos serão vistos em Pelotas pelo técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, e pelo seu coordenador técnico, Zagalo. Parreira só decidiu viajar para o Rio Grande do Sul após os resultados obtidos por essa "seleção B" da Rússia nos EUA.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-58414">
<P>
Negócios obscuros nos transportes marítimos do arquipélago da Madeira</P>
<P>
Há lodo no cais...</P>
<P>
José António Cerejo</P>
<P>
O Governo Regional da Madeira acaba de entregar as ligações marítimas Funchal-Porto Santo a um grupo privado que já detinha o controlo das operações portuárias da ilha. O processo decorreu em circunstâncias pouco claras e não falta quem ponha em causa a sua legalidade. Pouca gente dá a cara, mas há quem não hesite em falar em «polvo» e em «tentáculos».</P>
<P>
Madeirenses ligados ao sector dos transportes marítimos estão boquiabertos. E não é por não estarem habituados a situações que fazem arregalar os olhos. O caso é que, de um dia para o outro, os barcos do Governo Regional que faziam a ligação entre o Funchal e o Porto Santo foram retirados da circulação e o serviço foi entregue a um «ferry-boat» privado.</P>
<P>
Os bilhetes, porém, continuam a ostentar o nome e a fotografia dos navios da Região Autónoma -- com os significativos nomes de «Pátria» e «Independência» -- e a venda das passagens continua a ser assegurada por funcionários públicos. Mais do que isso: as autoridades regionais ordenaram aos seus funcionários que passassem a trabalhar na empresa privada e cederam a essa sociedade o «Pátria» por uma quantia irrisória.</P>
<P>
Tudo em nome da melhoria da qualidade do serviço e da redução dos encargos do Governo Regional, que teria perdido, em 1994, 175 mil contos naquela linha. O pior é que os beneficiários destas medidas, com o apoio dos sindicatos de estivadores, já dominavam a actividade portuária da ilha e são acusados de ter asfixiado toda a concorrência. Pormenor a ter em conta: pertencem a uma das famílias mais poderosas da Madeira e são primos direitos de Miguel Sousa, o homem que foi durante anos o número dois de Alberto João Jardim e ocupa actualmente uma das vice-presidências da Assembleia Regional. O Governo e os empresários negam a existência de quaisquer favores. «Falar em tal coisa é uma pulhice», diz Ricardo Sousa, o vice-presidente da sociedade concessionária.</P>
<P>
No dia 21 de Julho passado, o Governo Regional da Madeira e a Porto Santo Line, Lda (PSL) celebram um protocolo que concede a esta empresa dos irmãos Ricardo e Luis Miguel, por três meses, a exploração do serviço público de transporte de mercadorias e passageiros entre o Funchal e o Porto Santo. Terminado este prazo, se tudo correr bem, o Governo compromete-se a conceder aquele serviço, por dez anos e em exclusivo, a uma empresa mista em que a PSL terá 75 por cento do capital e o Estado 25.</P>
<P>
Ordem pública, barco privado...</P>
<P>
Na véspera da assinatura do protocolo, o Conselho do Governo aprovara a minuta do acordo e autorizara a Direcção Regional de Portos (DRP) a suspender, por 90 dias, o funcionamento dos seus navios «Pátria», «Independência» e «Pirata Azul». Até aí, eram eles que faziam o transporte de passageiros daquela linha. Para acorrer a eventuais necessidades, o acordo cedia o Pátria à PSL, mediante um pagamento diário de 33 contos e com a obrigação de a empresa pagar apenas o combustível do barco. Isto quando o «catamaran» chega a facturar -- e já facturou depois de ter sido entregue à PSL -- 2500 contos por dia.</P>
<P>
Entretanto, no próprio dia em que o protocolo foi firmado, João Jardim e comitiva visitam o «ferry» «Lady of Mann», acabado de chegar ao Funchal, e realiza-se a primeira viagem -- ao abrigo desse protocolo -- para Porto Santo. Com uma enorme confusão, aliás, porque os passageiros tinham comprado bilhetes para o «Pátria» e o «Independência»e os funcionários da DRP só nesse dia é que tinham recebido a controversa ordem que os obrigava a prestar serviço num barco privado...</P>
<P>
Muito antes, porém, já a PSL estava em negociações com os armadores do «ferry» -- a Isle of Man Steam Packet Company -- e já os peritos contratados pelo Governo o tinham inspeccionado em Inglaterra, a expensas da DRP. «Pelo menos puseram o carro à frente dos bois», comenta-se nos meios marítimos do Funchal, a propósito da contratação do «Lady of Mann» -- que os portossantenses já rebaptizaram com o nome «A mulher do gajo» -- antes da assinatura do protocolo. Mas este foi apenas um acto intercalar de uma peça particularmente obscura que há vários anos tem por cenário o porto do Funchal e as ligações marítimas com Porto Santo. O espanto maior viria depois, quando o protocolo foi tornado público e foi possível compará-lo com o caderno de encargos do concurso para a «concessão do serviço público de transporte marítimo regular de passageiros e mercadorias entre a Madeira e Porto Santo».</P>
<P>
Lançado em Março de 1994 pelo Governo da Madeira, o concurso não se mostrava particularmente atraente para os potencias interessados. Mesmo assim, ainda chamou dois concorrentes potenciais: a PSL e a Portline. Ambas levantaram o caderno de encargos e ambas prepararam as suas propostas. A segunda, porém, acabou por desistir a poucas horas do prazo limite para a entrega dos processos.</P>
<P>
Na manhã desse dia, garantiram ao PÚBLICO diversas fontes, os responsáveis da PSL haviam-se encontrado com os homens da Portline. Esta empresa, sublinhe-se, é uma das quatro que operam no transporte de mercadorias entre o continente e a Madeira e, por isso, é cliente do Porto do Funchal, uma infra-estrutura controlada pela OPM, também dos irmãos Sousa.</P>
<P>
Meses depois, o Governo entendeu que as propostas da PSL, a única concorrente, «não foram inteiramente satisfatórias para a realização do interesse público», pelo que decide encetar negociações directas com aquele concorrente, «com vista à adequação da sua proposta ao interesse público». Para legitimar a evolução do concurso para uma negociação directa -- considerada muito pouco ortodoxa por alguns juristas ouvidos pelo PÚBLICO, mas aceitável, sob certas reservas, por outros -- o Governo invocou uma cláusula do programa do concurso que contemplava, formalmente, essa possibilidade. O programa de concurso e o caderno de encargos foram encomendados pelo executivo madeirense a uma equipa da empresa Berin Lda, coordenada pelo anterior ministro dos Transportes, Oliveira Martins.</P>
<P>
O que sucedeu depois é que surpreende muita gente e faz falar em «violação das regras da concorrência», ou em «modificação ilegal das condições do concurso». Considerando a «impossibilidade de dar integral satisfação a todas as cláusulas do Caderno de Encargos da Concessão», o Governo Regional acaba por assinar um protocolo com a PSL que reduz significativamente as suas exigências e que, por isso mesmo -- como disse ao PÚBLICO um jurista de um gabinete ministerial de Lisboa -- poderá estar ferido de ilegalidade.</P>
<P>
Contrato</P>
<P>
leonino</P>
<P>
Nesse documento, assinado a 21 de Julho, o Governo aceita alterar um conjunto de disposições do caderno de encargos e compromete-se a criar um regime de concessão, com base numa empresa mista a formar com a PSL, que nem sequer estava contemplado nas condições iniciais do concurso. Em resultado deste protocolo, que acaba por funcionar como um contrato temporário, mas que não foi submetido a visto do Tribunal de Contas, o executivo regional obriga a PSL a fretar um único dos seus navios, o «Pátria», e não o «Pátria» e o «Independência», como estipulava o caderno de encargos. Nova e favorável à empresa concessionária é a obrigação assumida pelo concedente de a isentar das taxas portuárias. Finalmente, o Governo Regional concorda em comparticipar em 60 por cento dos encargos financeiros relativos à aquisição do «Lady of Mann», um compromisso que, de acordo a Secretaria Regional da Economia, deverá implicar um dispêndio de 55 mil contos no primeiro ano, montante que irá decrescendo até cerca de 4 mil contos no décimo ano.</P>
<P>
Esta última cláusula também não constava do caderno de encargos, uma vez que ele não previa qualquer participação estatal na aquisição de novos meios de transporte. O que o caderno de encargos admitia era o pagamento de indemnizações compensatórias de que a PSL prescindiu perante as restantes facilidades negociadas.</P>
<P>
Como renda de concessão, a PSL e a futura empresa mista limitam-se a pagar os 12 mil contos anuais correspondentes ao frete do «Pátria», cedendo adicionalmente, ao Governo Regional, um crédito anual em passagens no valor de dez mil contos.</P>
<P>
Falta dizer que o protocolo foi assinado quase em segredo, que o Governo Regional começou por tentar ocultá-lo dos jornalistas e que o documento está cheio de contradições, ambiguidades e erros grosseiros. Desde trocas graves na enumeração das resoluções do Governo Regional relativas ao assunto, até à declaração de isenções de taxas que ninguém sabe quais são, há de tudo no acordo subscrito pela PSL e pela Secretaria Regional da Economia.</P>
<P>
Em meios marítimos do Funchal o acordo é visto como um «contrato leonino» para a PSL. Só nos três meses experimentais, garantem fontes bem colocadas na DRP, a empresa arrecadará um lucro da ordem dos 80 mil contos -- enquanto que a administração portuária deixará de facturar 178 mil contos com a imobilização dos seus navios, recebendo apenas três mil contos pelo afretamento do «Pátria». Até os 12 mil contos mensais que a PSL deveria pagar à DRP pela utilização dos trabalhadores dos seus serviços marítimos acabarão por ficar quase totalmente em casa. Isto porque, à excepção de dois contratados a prazo, nenhum dos 21 tripulantes dos barcos do Governo Regional acatou a ordem de se transferir para o «Lady of Mann».</P>
<P>
Na PSL, Ricardo Sousa rejeita todos estes números e todas as acusações de favoritismo. Segundo afirma, o envolvimento da PSL no projecto constitui um investimento de tamanho risco que esteve para desistir à última da hora. «Tanto podemos perder como ganhar quatro ou cinco mil contos nestes três meses. Quanto ao resto, prevemos que a empresa só sairá do vermelho no quarto ano de actividade.»</P>
<P>
Resta saber, dizem os críticos do processo, se este tipo de raciocínio não se destina apenas a preparar o terreno para que, mais tarde, o Governo venha em socorro do concessionário e reintroduza o princípio das indemnizações compensatórias.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-87801">
<P>
Às 19h30 congestionamentos atingem 118,2 km; rio Tietê transborda, bloqueia pista e provoca 35 km de filas </P>
<P>
Da Reportagem Local </P>
<P>
A chuva deixou 118,2 km de vias engarrafadas em São Paulo ontem às 19h30. Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), o triplo da média para a mesma hora em fevereiro.</P>
<P>
No horário de pico da manhã de ontem foi registrado um congestionamento de 81,3 km. A média em janeiro foi de 38,2 km.</P>
<P>
A marginal Tietê teve à tarde engarrafamento de 35 km. A marginal Pinheiros registrou 9 km. </P>
<P>
As pistas da marginal Tietê nas regiões das pontes Aricanduva (zona leste) e Casa Verde (zona norte) ficaram alagadas e bloqueadas até a noite. A situação voltou ao normal nas marginais às 23h.</P>
<P>
A CET deixou aberto o elevado Costa e Silva, que normalmente fecha às 21h30, como opção para o motorista fugir das marginais.</P>
<P>
Nos Jardins (zona oeste), o trânsito ficou confuso das 14h30 até as 15h30. Faltou luz e os sinais de trânsito ficaram apagados nas principais ruas do bairro.</P>
<P>
O córrego Pirajussara, que faz a divisa de São Paulo com Taboão da Serra, transbordou, bloqueando o trecho da rua José Felix com avenida Francisco Morato (zona oeste) durante a tarde.</P>
<P>
Na zona sul, a avenida Guarapiranga ficou alagada em vários pontos. Postes e árvores caíram na estrada M'Boi Mirim, congestionando o trânsito da região.</P>
<P>
As avenidas Zacki Narchi, na zona norte, e Aricanduva, na zona leste, também ficaram alagadas.</P>
<P>
Fim de férias </P>
<P>
Milhares de pessoas ficaram presas por mais de quatro horas nos dois sentidos da marginal Tietê. Motoristas abandonaram seus caminhões e se juntaram em grupos para conversar.</P>
<P>
Famílias inteiras, voltando de férias, procuravam sanduíches e banheiros para as crianças. A estudante Fabrícia Oliveira, 17, disse que ficou com medo da cidade.</P>
<P>
Ela e oito familiares voltavam de férias de Cabo Frio (RJ) em direção a Cuiabá (MT), onde moram. "Eu insisti com meu pai para que pegasse a rodovia D. Pedro e não passasse por São Paulo", lamentava Fabrícia.</P>
<P>
Ela e dois irmãos menores andavam entre as filas de caminhões, junto à ponte das Bandeiras, à procura de um banheiro.</P>
<P>
O engarrafamento atrapalhou a excursão de 27 turistas que saíram do Rio e seguiam para as serras gaúchas. "Tínhamos jantar e hotel reservados em Curitiba", disse o motorista Jorge Trindade, 45. "Vamos comer sanduíche pelo caminho e dormir na estrada."</P>
<P>
A estudante Raquel Simas, 13, preferia ficar fora do ônibus observando. "Vou ficar com a imagem de que São Paulo é uma grande fila de caminhões."</P>
<P>
O comerciante carioca Paulo Roberto Araújo, 38, vinha do Rio com a família e seguia para a Barra Funda (zona oeste). Ficou preso na marginal a menos de um quilômetro de seu destino. "Tô levando na esportiva", dizia.</P>
<P>
Entre os caminhões, carros e ônibus parados, uma dezena de vendedores oferecia cerveja, água e salgadinhos. "Essa é a melhor clientela", brincava Fernando da Silva, 17, um dos garotos que vendiam cerveja.</P>
<P>
(Augusto Gazir e Aureliano Biancarelli)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-34534">
<P>
Seminário junta investigadores e responsáveis autárquicos</P>
<P>
Receitas para o realojamento</P>
<P>
Não construir mais do que 50 a 60 fogos em conjunto e dispersar os «bairros sociais», nunca permitir a ocupação de um bairro sem que ele esteja mesmo pronto, integrar as novas construções no que já existe, construir com qualidade e integrar oficinas, comércio e equipamentos colectivos nas novas urbanizações.</P>
<P>
Estas foram recomendações ontem feitas por académicos do Centro de Estudos Territoriais do ISCTE, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, aos representantes de várias câmaras da zona norte da Área Metropolitana de Lisboa que participaram num seminário destinado a «Pensar o realojamento». Algumas ideias são de difícil aplicação prática, como reconhecem os seus autores.</P>
<P>
As propostas foram feitas aos eleitos e técnicos das câmaras da Amadora, Azambuja, Cascais, Lisboa, Loures, Oeiras, Sintra e Vila Franca de Xira, que durante a maior parte do seminário discutiram as experiências de uns e outros em matéria de relojamento e os desafios que os esperam: o Programa Especial de Realojamento lançado em 1993 pelo Governo prevê a construção de 34 mil fogos na região até ao ano 2000 e há ainda acções específicas de algumas autarquias.</P>
<P>
A dispersão de bairros por localidades é justificada pela necessidade de impedir a concentração de populações homogéneas e de «miscenizar a cidade». Pode ser vista também nesta linha a defesa de que a construção seja feita «de forma urbanisticamente integrada» no conjunto existente. Mas os investigadores estão conscientes que para levar avante esta medida é necessário disponibilizar terrenos através de compra, troca ou de outras formas.</P>
<P>
Na «reflexão conjunta» de ontem, como lhe chamou Eduardo Vilaça, do Centro de Estudos Territoriais, foi também acentuado o esforço necessário para evitar que se ocupe um bairro sem que ele esteja concluído . Só dessa forma se evitará «a não apropriação positiva e higiénica logo desde o início». Dito de outra forma: só assim não haverá pretextos para o desleixo.</P>
<P>
A construção em qualidade é também considera muito importante para «evitar a degradação precoce de edifícios e dos seus equipamentos». E tem outra vantagem: «tornar menos custosa a manutenção e conservação do bairro». Nestes casos, para facilitar as coisas, é recomendado, «sempre que possível, fazer edifícios de não mais de três pisos, sem elevador de preferência».</P>
<P>
A sugestão de «pensar em simultâneo no projecto do bairro, incluindo pequenas oficinas, comércio e equipamentos de desporto e convívio» é explicada pelo facto de a população dos bairros sociais se apoiar «frequentemente em pequenas actividades que têm como sede as barracas e os seus anexos». A ideia é evitar, desta forma, a «perda do emprego».</P>
<P>
Também defendida é a multiplicação de formas de acesso ao arrendamento e propriedade das novas habitações. A intenção é implicar mais activamente as populações na procura da «melhor solução para o seu problema habitacional» e evitar, «sempre que possível, as mediações burocráticas e paternalistas».J.M.R.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-30518">
<P>
História do RFID</P>
<P>
A tecnologia de RFID tem suas raízes nos sistemas de radares utilizados na Segunda Guerra Mundial. Os alemães, japoneses, americanos e ingleses utilizavam radares -- que foram descobertos em 1937 por Sir Robert Alexander Watson-Watt, um físico escocês -- para avisá-los com antecedência de aviões enquanto eles ainda estavam bem distantes. O problema era identificar dentre esses aviões qual era inimigo e qual era aliado. Os alemães então descobriram que se os seus pilotos girassem seus aviões quando estivessem retornando à base iriam modificar o sinal de rádio que seria refletido de volta ao radar. Esse método simples alertava os técnicos responsáveis pelo radar que se tratava de aviões alemães (esse foi, essencialmente, considerado o primeiro sistema passivo de RFID).</P>
<P>
Sob o comando de Watson-Watt, que liderou um projeto secreto, os ingleses desenvolveram o primeiro identificador activo de amigo ou inimigo (IFF -- Identify Friend or Foe). Foi colocado um transmissor em cada avião britânico. Quando esses transmissores recebiam sinais das estações de radar no solo, começavam a transmitir um sinal de resposta, que identificava o aeroplano como Friendly (amigo). Os RFID funcionam no mesmo princípio básico. Um sinal é enviado a um transponder, o qual é ativado e reflete de volta o sinal (sistema passivo) ou transmite seu próprio sinal (sistemas ativos).</P>
<P>
Avanços na área de radares e de comunicação RF (Radio Frequency) continuaram através das décadas de 50 e 60. Cientistas e acadêmicos dos Estados Unidos, Europa e Japão realizaram pesquisas e apresentaram estudos explicando como a energia RF poderia ser utilizada para identificar objetos remotamente...</P>
<P>
Companhias começaram a comercializar sistemas antifurto que utilizavam ondas de rádio para determinar se um item havia sido roubado ou pago normalmente. Era o advento das tags (etiquetas) denominadas de "etiquetas de vigilância eletrônica" as quais ainda são utilizadas até hoje. Cada etiqueta utiliza um bit. Se a pessoa paga pela mercadoria, o bit é posto em off ou 0. E os sensores não dispararão o alarme. Caso o contrário, o bit continua em on ou 1, e caso a mercadoria saia através dos sensores, um alarme será disparado. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-73845">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Elisabeth, Luciana, Diego e Luís Frederico tiveram verdadeiras aulas de ecologia fora da escola. Nas caminhadas em trilhas das "cordilheiras" (locais que não inundam nem na época das cheias) em Caiman, os ouvidos e olhos ficavam atentos. Silêncio total para descobrirmos em que árvore está o pica-pau ou o macaco bugiu.</P>
<P>
O Pantanal está com as águas baixas por causa da seca. Os jacarés se concentram em pequenos lagos. Apesar do aumento da vigilância contra a caça dos jacarés, eles continuam em extinção no Pantanal. As araras-azuis são capturadas ainda quando filhotes e custam no exerior até US$ 35 mil o casal.</P>
<P>
Vimos vários jacarés e casais de araras-azuis. Caiman é um lugar onde eles e outros animais em extinção –como onça, cervo do Pantanal, lobo guará e macaco-prego– vivem soltos e são vistos com alguma sorte.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21705">
<P>
1994 não foi muito bizarro</P>
<P>
O ano de 1994 não foi tão estranho como 1993, mas contou com mais relatos de milagres e com uma maior tendência para a prática de cultos religiosos. O balanço é da «Fortean Times», uma revista dedicada a fenómenos bizarros que vai ao ponto de assegurar que «1994 foi oficialmente dois por cento menos estranho que 1993» -- uma classificação que mereceria, por si, ser considerada como um dos fenómenos bizarros de 1995.</P>
<P>
O índice que a revista atribui é definido tendo por base os fenómenos estranhos ocorridos a nível mundial e relatados na imprensa mundial. Estes fenómenos incluem-se em 34 categorias, das experiências paranormais às aparições, passando pelos círculos desenhados em campos de cereais aos homicídios colectivos e aos monstros marinhos.</P>
<P>
«O que tentamos avaliar é se foram relatados mais ou menos casos em cada um dos temas e qual o interesse do público», diz Bob Rickard, de 50 anos de idade, fundador da revista com sede em Londres e um apaixonado das coisas bizarras. «Aquilo que consideramos estranho vai desde as descobertas científicas provadas mas inesperadas até relatos subjectivos», acrescenta Bob Rickard, um ex-artista gráfico.</P>
<P>
Entre os acontecimentos mais estranhos de 1994 recenseados pela «Fortean Times» inclui-se o nascimento, em Agosto, de um búfalo branco em Wisconsin (Estados Unidos), saudado pelos nativos daquele país como um grande acontecimento religioso; e a descoberta, em Fevereiro, de milhares de pequenos peixes em parques de estacionamento e estradas do interior da Austrália, após uma tempestade. No campo da astronomia, as descobertas do telescópio espacial Hubble também são recenseadas.</P>
<P>
O favoritismo de Bob Rickard vai porém para os relatos sobre um monstro semelhante ao do lago Ness, que teria sido visto num lago remoto da Argentina, e para a descoberta de duas novas espécies de animais no Vietname -- o veado gigante Muntjac e o boi Vu Quang. «É surpreendente, porque a maioria dos zoólogos já não tem esperança de encontrar espécies grandes. Pensa-se que conhecemos todos os animais do mundo, mas ainda temos surpresas».</P>
<P>
Rickard está particularmente interessado na chamada «combustão humana espontânea» -- um fenómeno que consistiria na auto-combustão de uma pessoa sem qualquer razão aparente e do qual apenas existem alegações de testemunhas não muito credíveis e nenhuma prova. No entanto, no ano passado não foram relatados quaisquer casos do fenómeno, para sua grande pena.</P>
<P>
Patricia Reaney (Reuter), em Londres</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-82225">
<P>
Nível de água na periferia ainda é superior a 1 metro</P>
<P>
Da Reportagem Local e da Agência Folha, em Santos</P>
<P>
Três dias depois do forte temporal que deixou pelo menos 900 desabrigados em Peruíbe (Litoral Sul), sete bairros da cidade continuam inundados. Moradores de Caraguava –o bairro pobre mais populoso de Peruíbe– tiveram que abandonar suas casas ou conviver com a água sob as camas. O abastecimento de água foi interrompido em 40% das residências.</P>
<P>
O intenso calor de ontem não foi suficiente para evaporar a enchente, ainda em nível superior a 1 metro nos bairros periféricos próximos ao rio Preto. As ruas próximas às praias, onde estão concentradas as casas de veraneio, já não apresentam sinais do temporal, mas muitas residências estão sem água.</P>
<P>
"A cheia não alcançou a parte de cima do meu beliche, mas tive que colocar o fogão e bujões de gás sobre cavaletes", disse o pintor Joaquim Deosdeti Barbosa, 37, que abrigou em sua casa alagada, em Caraguava, um casal de vizinhos e o irmão. Após o temporal de domingo, mulher e dois filhos do pintor foram para a casa de amigos. Morreram na enchente duas galinhas de Barbosa –o cão foi posto no telhado.</P>
<P>
"Na noite de terça, saí da cama para tomar um copo d'água e a água do rio ainda atingia a minha cintura", disse Deosdeti. Com água acima dos joelhos, o bombeiro aposentado Joaquim Eustáquio Santiago, 43, carregava o filho Diego, 5, nas costas.</P>
<P>
Vizinho de Deosdeti, o bombeiro perdeu móveis, mas retornou ontem à rua onde mora para se assegurar de que não roubaram o que lhe restou. Santiago está em uma creche desde que o rio transbordou.</P>
<P>
Em Santos, diversas famílias continuam a sair dos morros da cidade, em situação de risco. "Nos 13 morros de Santos identificamos mais de 15 pontos de risco iminente de deslizamento", disse a geóloga Cassandra Maroni, 38, chefe da Administração Regional dos Morros.</P>
<P>
Em Cubatão, prossegue a limpeza da refinaria Presidente Bernardes, da Petrobrás, parada há três dias. Os prejuízos ultrapassam US$ 20 milhões.</P>
<P>
Em São José dos Campos, as 31 famílias desabrigadas que foram transferidas da favela Santa Cruz 3 vão permanecer por tempo indeterminado em barracas do Exército ou containers. A medida faz parte do plano de emergência adotado pela prefeitura devidos aos estragos provocados pelas chuvas no início da semana. A prefeitura destinou CR$ 345,4 milhões para atender as famílias atingidas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-87746">
<P>
Piloto austríaco da equipe Sauber morreu ainda na pista de Imola; Justiça poderia ter suspendido o GP</P>
<P>
Do enviado especial</P>
<P>
Os dirigentes da Fórmula 1 omitiram deliberadamente a informação sobre o momento e local da morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger, 31, ocorrida sábado nos treinos para o GP de San Marino, em Imola.</P>
<P>
O resultado da autópsia realizada ontem no corpo do piloto não deixa dúvidas. Ratzenberger morreu com o impacto de seu carro no muro de concreto da curva Villeneuve, a mais de 300 km/h.</P>
<P>
Segundo os médicos, em nenhum momento depois do choque Roland recobrou seus sinais vitais. As massagens cardíacas realizadas ainda na pista não tiveram efeito. Ratzenberger morreu no autódromo –clínica e legalmente, pela legislação italiana.</P>
<P>
A FIA e a Foca omitiram essa informação. O corpo do piloto foi embarcado num helicóptero e transferido para o hospital Maggiore, de Bolonha.</P>
<P>
O teatro incluiu massagens cardíacas no lado direito do peito de Roland. Oficialmente, ele morreu oito minutos depois de ser hospitalizado. Esse curto espaço de tempo, de certa forma, exime o hospital de uma suposta participação na farsa montada pelos dirigentes.</P>
<P>
Oito minutos foi o tempo necessário para remover seu corpo do helicóptero, colocá-lo numa ambulância, levá-lo até a ala de traumatologia e subir de elevador até a unidade de reanimação.</P>
<P>
Se fosse declarada sua morte no circuito, a Justiça Italiana interditaria imediatamente o autódromo para a abertura de inquérito.</P>
<P>
A morte de Ratzenberger foi "transferida" para o hospital, livrando o GP da ameaça de suspensão. Se não tivesse sido enganada pela FIA e pela Foca, a Justiça da Itália poderia ter impedido a realização da prova que matou Ayrton Senna, 34, e feriu mais dez pessoas. Uma delas, um torcedor atingido por um pneu do carro de Pedro Lamy, está em coma.</P>
<P>
(FG)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40584">
<P>
Encosta de morro soterra casa no Paraná; passarela das cataratas do Iguaçu foi interditada </P>
<P>
MÔNICA SANTANNA </P>
<P>
Da Agência Folha, em Curitiba </P>
<P>
JOSÉ MASCHIO </P>
<P>
Da Agência Folha, em Londrina </P>
<P>
Duas pessoas morreram soterradas e quatro ficaram feridas devido a um deslizamento de terra ocorrido anteontem à noite em Itaperuçu (20 km de Curitiba-PR).</P>
<P>
As chuvas provocaram situação de calamidade em diversas cidades do país. Em todo o Paraná, o número de desabrigados chega a 20 mil. O Ibama interditou a passarela das cataratas do Iguaçu. A vazão de água do rio é de 7.000 metros cúbicos por segundo, cinco vezes acima do normal.</P>
<P>
Em Santa Catarina, 11 cidades decretaram estado de emergência, uma estado de calamidade e outra estado de alerta. Eldorado, no Vale do Ribeira (SP), continua em estado de calamidade pública. A cheia do rio Cuiabá deixou 6.000 desabrigados em sete municípios no Mato Grosso. Dois deles estão em estado de emergência.</P>
<P>
No Mato Grosso do Sul, as chuvas deixaram 695 desabrigados em quatro municípios.</P>
<P>
Em Itaperuçu (PR), segundo a polícia, parte da encosta do morro do Caçador desabou às 22h na casa de madeira da família Matoso.</P>
<P>
A polícia informou que a família saiu de casa ao ouvir um barulho. Elvilia Matoso, uma das vítimas, voltou para casa ao notar que seu filho João não estava junto.</P>
<P>
João Diveti Betim, secretário da prefeitura, disse que o deslizamento ocorreu em seguida, soterrando os dois. Os dois corpos foram resgatados ontem pela manhã.</P>
<P>
Curitiba e a região metropolitana concentram o maior número de pessoas atingidas pela enchente.</P>
<P>
No final da tarde de ontem, algumas famílias começaram a retornar às suas casas.</P>
<P>
Técnicos da secretaria municipal de Saúde visitaram as áreas atingidas para prevenir os desabrigados sobre possíveis doenças.</P>
<P>
Eles orientaram as famílias a ferver a água ou tratá-la com hipoclorito de sódio.</P>
<P>
Mais três municípios da região metropolitana foram atingidos pela enchente. Piraquara, Campina Grande do Sul e Almirante Tamandaré têm 850 desabrigados.</P>
<P>
Em União da Vitória (236 km a sudoeste de Curitiba), o nível do rio Iguaçu continua subindo e já atingiu 5,40 m.</P>
<P>
O coordenador municipal da Defesa Civil, Rubens Konnel Filho, disse que 150 pessoas já foram retiradas de suas casas e levadas para os abrigos.</P>
<P>
As chuvas no Paraná provocaram estragos no km 480 da BR-277, principal ligação entre Curitiba e o oeste do Paraná.</P>
<P>
A passagem de veículos só é possível em meia pista na ponte sobre o rio das Cobras, em Nova Laranjeiras (oeste do Estado).</P>
<P>
No km 305 da BR-376, que liga o norte do Paraná com Curitiba, o DER precisou fazer um desvio para permitir o trânsito de veículos.</P>
<P>
Cataratas </P>
<P>
O Ibama interditou anteontem a passarela das cataratas do Iguaçu, no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR).</P>
<P>
A interdição foi decidida após a vazão do rio Iguaçu chegar a 7.000 metros cúbicos por segundo –cinco vezes maior que a normal.</P>
<P>
Os policiais do Pelotão da Polícia Florestal retiraram as telas de proteção da passarela para evitar que elas fossem levadas pelas águas. Um policial foi designado para impedir que turistas se aproximem do local. Da passarela, os turistas têm uma visão privilegiada das quedas de água do rio.</P>
<P>
O aumento do volume do rio Iguaçu, provocado pelas enchentes que atingem o sul e sudoeste do Estado, aumentou em 30% o número de turistas que visitam as cataratas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-29559">
<P>
Dirigentes da F-1 esconderam a notícia para que prova de Imola pudesse ser reiniciada</P>
<P>
FLAVIO GOMES</P>
<P>
Enviado especial a Bolonha</P>
<P>
Ayrton Senna teve morte cerebral instantânea no acidente de domingo em Imola, na sétima volta do GP de San Marino de F-1.</P>
<P>
Essa foi a conclusão dos legistas que ontem fizeram a autópsia no corpo do brasileiro, piloto da equipe Williams. Os dirigentes da F-1 souberam que ele havia morrido antes de reiniciar a corrida, meia hora depois do acidente.</P>
<P>
Quando o piloto foi retirado do carro, já não tinha mais pulsação e a circulação sanguínea estava praticamente interrompida.</P>
<P>
A batida no muro, às 14h12 locais, provocou fraturas múltiplas na base do crânio, grave insuficiência respiratória, afundamento frontal, ruptura da artéria temporal e hemorragia nas vias aéreas.</P>
<P>
Segundo o médico Giovanni Gordini, da unidade de reanimação do hospital Maggiore, de Bolonha, Senna chegou do circuito às 14h44 com o coração batendo com o auxílio de equipamentos.</P>
<P>
Legalmente, o piloto não deixou a pista morto, porque não era possível avaliar no circuito se havia morte cerebral.</P>
<P>
Na Itália, uma pessoa só é considerada legalmente morta quando há morte cerebral –indicada por um eletroencefalograma (espécie de exame) plano.</P>
<P>
Sua "morte legal" só ocorreu às 18h42. Mas desde o impacto já não havia a menor chance de sobreviver.</P>
<P>
O médico-chefe da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Sid Watkins, avisou pelo rádio que Senna estava morto ao presidente da Foca (Associação dos Construtores de F-1), Bernie Ecclestone.</P>
<P>
Leonardo Senna, irmão do piloto, Celso Lemos, diretor das empresas de Senna no Brasil, e Beatris Assumpção, sua assessora de imprensa, foram até a torre de controle. Bernie os levou para o motorhome (caminhão) da Foca.</P>
<P>
Entrou com Leonardo, que fala mal inglês, e Beatris. Disse ao irmão de Senna para "esperar o pior". "Ele está morto. Mas nós só vamos anunciar isso quando ele chegar ao hospital." Leonardo começou a chorar na hora.</P>
<P>
Martin Whitaker, assessor de imprensa da FIA, tentou consertar o estrago. Bernie disse, em inglês: "He is dead". Whitaker se apressou em reformular a sentença dizendo que a palavra era "head" (cabeça) e não "dead".</P>
<P>
Daí o primeiro comunicado oficial, afirmando que o piloto tinha sofrido "contusões na cabeça".</P>
<P>
Beatris relatou o diálogo em um longo telefonema para o escritório de Senna em São Paulo.</P>
<P>
A atitude de Ecclestone tem uma explicação financeiro-jurídica. Se os dirigentes admitissem que ele estava morto no autódromo, a corrida não poderia ser reiniciada.</P>
<P>
Era prejuízo na certa, diante dos patrocinadores e das emissoras de TV que transmitiam o GP. As leis italianas obrigam a imediata interdição dos locais onde acontecem mortes em acidentes.</P>
<P>
No sábado, acontecera o mesmo com Roland Ratzenberger, piloto austríaco da Simtek. A autópsia feita ontem concluiu que ele morreu instantaneamente na batida no muro da curva Villeneuve.</P>
<P>
Em nenhum momento, segundo os legistas, foi trazido de volta à vida com massagens cardíacas ou aparelhos, como Senna. Saiu do circuito morto e foi dado como tal oito minutos depois de chegar no hospital. Se fosse informada disso, a Justiça Italiana poderia impedir a realização da corrida.</P>
<P>
LEIA MAIS</P>
<P>
Sobre a morte de Senna nas págs. 3 a 8</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-8522">
<P>
Ver a cidade com outros `óculos'</P>
<P>
Os espaços urbanos, a que por comodidade poderemos continuar a chamar cidades, tornaram-se o quadro ideal para o estudo das questões e dos condicionalismos da pós-modernidade ou, se preferirmos, da `modernidade tardia'. Subsidiado por Lisboa 94-Capital Europeia da Cultura e pela JNICT, o nº 4 da revista «Mediterrâneo», procura precisamente um enquadramento multidisciplinar sobre as problemáticas sociológicas em torno dos modelos e tipologias urbanas, onde a convivência territorial com o `diferente' se processa, cada vez mais, segundo uma lógica de centros e periferias, sociais, funcionais e simbólicas, em convivência ou em contraponto com as tradicionais hierarquias sociais verticais.</P>
<P>
Neste panorama, o indivíduo paga o anonimato e a liberdade com a necessidade de redefinir constantemente a sua posição e identidades. O crescendo dos modelos de sociabilidade, em que a aplicação da noção de coexistência/ negociação e o estudo dos processos de integração versus exclusão social se tornaram centrais, resultou no questionar dos modelos analíticos assentes tão-só nas dicotomias cidade/campo, ou rico/pobre. Os sociólogos da «escola de Chicago», como nos relembra Filomena Silvano (no artigo sobre «Exclusão Territorial»), foram os primeiros, nos anos 20, a observar o modo como os fenómenos urbanos evoluem segundo um «movimento que vai da coexistência funcional à interacção funcional, social e simbólica». Numa constante renegociação de identidades territoriais.</P>
<P>
O relevo dado neste volume ao `complexo histórico-geográfico' mediterrânico conduziu necessariamente à revisão dos quadros de análise. Nesse sentido, o estudo comparativo sobre a construção de uma identidade territorial nas `periferias' de Lisboa e da Catalunha levou J. J. Pujadas a entretecer o seu estudo com dados históricos e etnográficos. Contudo, a maioria dos artigos coloca a tónica no facto de integração e segregação sociais serem duas faces da mesma moeda. É o caso da «segregação socio-espacial» visível no Casal Ventoso; da comunidade cigana, um exemplo de «coexistência segregada»; de Vizela, que permite o cruzar das topologias territoriais com as hierarquias funcionais e simbólicas centro/periferia e rural/industrial; dos homossexuais de Valência, cuja ocupação de um `território' na vida nocturna da cidade se transformou num mecanismo constituinte de uma identidade, renegociando o próprio estatuto de marginalidade; ou mesmo o apelo à antropologia «crosscultural» no estudo da instrumentalização das comunidades migrantes pela mafia siciliana, em «Palermo Creola».</P>
<P>
Como refere F. Indovina, estamos perante experiências de «auto-organização» que `reagem' à marginalização social, obrigando-nos a procurar outros «óculos com que ver a cidade».</P>
<P>
Octávio Gameiro</P>
<P>
Título: Mediterrâneo, nº 4 -- Coexistência e Exclusão Urbanas</P>
<P>
Autor: vários</P>
<P>
Editor: Instituto Mediterrânico -- Dep. de Sociologia da F.C.S.H. --U.N.L.</P>
<P>
329 pgs.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-87348">
<P>
Albie Sachs, constitucionalista do ANC, fala dos portugueses e do «25 de Abril sul-africano»</P>
<P>
O fim do «deixa andar»</P>
<P>
Do nosso enviado,</P>
<P>
Rui Cardoso Martins, na Cidade do Cabo</P>
<P>
Agora é votar ou não. Participar na construção da democracia sul-africana ou fazer de conta que um português deve ainda deixar-se de políticas e fazer apenas a sua vida. Depois de um período de completa baralhação, quando muitos passaram do silêncio sobre o apartheid para as tentações de extrema-direita racista, o grosso dos que ficaram acabou por se convencer: o tempo não volta para trás. Num núcleo de imigrantes com raízes tão conservadoras, a adaptação foi mesmo assim rápida e, talvez, feita a tempo.</P>
<P>
De quem -- lembrando-se da revolução portuguesa de há duas décadas -- considera o dia de hoje como «o nosso 25 de Abril, o 25 de Abril sul-africano», de quem é dos mais importantes quadros do partido que vai tomar o poder nas primeiras eleições livres do país, vale a pena saber o que pensa da comunidade portuguesa da África do Sul.</P>
<P>
Albie Sachs, da Comissão Nacional do Congresso Nacional Africano (ANC), um dos autores da Constituição interina para os próximos cinco anos e possível presidente do novo Tribunal Constitucional, responde: «Acho que muitos portugueses vão votar, mas que também muitos vão resistir».</P>
<P>
Sachs vê os portugueses em vários grupos bem distintos e com diferentes capacidades de adaptação à grande mudança que hoje começa. Mas a primeira coisa de que se lembra tem pouco a ver com o que o 25 de Abril representa em Portugal: o lado de profundo conservadorismo que colou os portugueses às podres raízes do apartheid entre brancos e negros. «Houve um certo apoio aos sectores mais `reaccionários', à extrema-direita do AWB, à Renamo em Moçambique e ao tráfico de armas».</P>
<P>
Há depois outro grupo de portugueses, reflecte, que não estará «tão directamente envolvido nestas actividades». São «todos os que sofreram as desgraças da África Austral, que vieram de Angola e Moçambique». Têm «um sentimento forte, não direi de raiva, mas de terem sido `violados', desterrados e têm medo da repetição dessa experiência». Por último, «há correntes muito positivas, principalmente nas gerações mais novas».</P>
<P>
A viver na Cidade do Cabo numa moradia entre o mar e a grande «Montanha da Mesa» tocada pelas nuvens -- que foi o gigante Adamastor para os navegadores portugueses de há cinco séculos -- o advogado Albie Sachs conhece o passado recente de Portugal. No dia 26 de Abril de 1974, quando viu os prisioneiros políticos serem libertados de Caxias, chorou. «Lembrei-me do Nelson Mandela, que estava preso».</P>
<P>
Como um dos principais activistas brancos anti-apartheid, sofreu o exílio de 22 anos em Moçambique e Londres, com passagens por prisões e torturas. Como a do sono: «Foi uma das coisas que a PIDE e o antigo regime português nos ensinaram», diz ironicamente, como se agradecesse. Em 1988, no Maputo, uma bomba colocada no seu carro pela polícia secreta sul-africana arrancou-lhe o braço direito e deixou-lhe as pálpebras e o peito crivados de cicatrizes azuis.</P>
<P>
E foi porque passou tanto para ver o dia de hoje -- «o melhor dia da minha vida» --, que Albie Sachs, 59 anos, dá exemplos um pouco duros da reacção da comunidade portuguesa ao processo que levou ao fim anunciado do apartheid. Mas também da admiração pela estranha capacidade que os portugueses têm de se adaptar às circunstâncias e de mostrarem um coração inesperado.</P>
<P>
Fez-lhe grande confusão ter assistido, há três anos, a uma manifestação em Joanesburgo, em que falou o então secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Foi no dia 10 de Junho, a data mais cara: «Ele disse que, se isto aqui desse em desastre total, Portugal os ia receber. Ninguém falou da possibilidade de colaborarem, de trabalharem no novo país. Ninguém falou do ser sul-africano e português ao mesmo tempo!»</P>
<P>
Albie Sachs percebeu toda a conversa porque em Moçambique aprendeu português fluente. De tal modo que, há tempos, quando quis mostrar o domínio da língua num encontro com estudantes de origem portuguesa na Universidade de Joanesburgo, um ninho das novas «correntes positivas», foi-lhe cortada a palavra: «`Sorry', professor Albie, mas importa-se de falar inglês, que percebemos mal o português?».</P>
<P>
Mas aquele dia 10 de Junho com o secretário de Estado também lhe reservava uma surpresa: «Depois falei com eles e o que muito me impressionou foi que, quanto a mim, o grupo sul-africano branco que tem mais capacidades trabalhadoras e anti-racistas é precisamente o português». Isto é, nem a superioridade agressiva e rácica dos boers, descendentes de holandeses e calvinistas franceses, nem a «arrogância mundial anglo-saxónica». Os portugueses, diz Albie Sachs, «têm uma cultura com muita emoção» e, mais do que isso -- quando se pensa nas condições miseráveis da grande maioria dos sul-africanos -- «os portugueses conhecem a pobreza».</P>
<P>
«Ainda é um paraíso...»</P>
<P>
Não haja qualquer dúvida que a grande fatia dos que emigraram há 30 ou 40 anos para a África do Sul o fizeram para fugir à pobreza. E, se possível, mesmo que trabalhando como loucos na construção civil especializada ou no pequeno comércio de frutas e comidas, fazer fortuna apresentável; e, caso a isso seja possível chegar, ver pregada no peito uma comenda por bons serviços prestados à República, a milhares de quilómetros de distância.</P>
<P>
Entre os 300 mil a um milhão de portugueses que estão na África do Sul --Êà falta de qualquer estatística fiável, há os que defendem um número e acham o outro ridiculamente alto ou baixo (os censos de 1991 dão apenas conta de 350 mil pessoas falarem a língua em casa) -- é frase comum: «Isto aqui pode estar muito mau, mas isto aqui ainda é um paraíso...» Ao que se acrescenta que, mesmo se há bastante desemprego -- e tantos por isso saíram do país, acompanhando os que simplesmente tiveram medo das eleições -- onde é que em Portugal um canalizador pode ter vivenda com piscina e Mercedes à porta?</P>
<P>
Mas como em quase tudo, há de tudo, como subpeças do chamado «mosaico sul-africano». Há os madeirenses, que são pelo menos metade, e há os continentais e os fugidos das descolonizações moçambicana e angolana. Há os ricos e há os remediados. Há os que -- a vasta maioria -- se adaptaram humildemente às vantagens económicas do apartheid e nunca meteram uma unha na politica, nem sequer em anteriores votações reservadas a brancos. E que assim deram um apoio tácito às décadas de governo do Partido Nacional, antes dele ter enveredado por um novo rumo guiado por F. W. De Klerk. Há os que nasceram em Portugal e os filhos destes, as segundas e terceiras gerações que sabem muito mais inglês do que português. Há os que dizem «os pretos» com nítida carga negativa e os que ficam admirados quando sabem que dizer isso soa a racismo em Portugal, porque simplesmente nunca ouviram dizê-lo de outro modo.</P>
<P>
De Joanesburgo ao Cabo</P>
<P>
Joanesburgo, Durban e Cidade do Cabo, os três núcleos importantes dos imigrantes na África do Sul, apresentam entre si bastantes diferenças quanto ao «espírito» central da comunidade. Compará-las torna bem nítida a distância entre o ganhar muito bem e o ter qualidade de vida.</P>
<P>
Joanesburgo, destino principal, vive desde há mais de dois anos, a paranóia do aumento da violência e da criminalidade. E os portugueses, que aí cometeram a proeza de fundar mais de duas dezenas e meia de associações, descobriram as fraquezas da desunião quando chegam as crises. Há, por exemplo, clubes a funcionar neste momento com direcções de recurso, há falta de candidatos a presidente onde os habitantes têm o quase pânico de saírem à rua, à noite. E onde agora despertaram, de vez, os receios de uma verdadeira campanha bombista dos radicais de extrema-direita.</P>
<P>
Em Durban, a diferença faz-se a partir do momento em que existe uma só, mas grande, associação para os cerca de 20 mil imigrantes e de a violência se confinar aos arredores das cidades negras. Mas há mais, segundo Orlando Carrazedo, filho de transmontanos e novo presidente da Associação Portuguesa do Natal: «Aqui a qualidade de vida é muito melhor.» Quanto a racismo, «em Joanesburgo, há uma concentração de portugueses da primeira geração e, normalmente, à maioria desses portugueses o apartheid deu muito boas condições. Esse é o primeiro grupo de pessoas a ser afectado por uma situação normal de igualdade de oportunidades».</P>
<P>
Na Cidade do Cabo, que viu muitos portugueses desenvolverem excelentes negócios de pesca do atum e lagosta, João Santos ainda se recorda de quando resolveu convidar Nelson Mandela para um jantar na Associação Portuguesa do Cabo da Boa Esperança. Até ameaças de destruição da sede recebeu este director e foi apenas há dois anos. Na semana passada, uma grande sala da associação ficou praticamente cheia para ouvir dois altos dirigentes do ANC em sessão de esclarecimento eleitoral. À qual se seguiram, dias depois, sessões do Partido Nacional e do Inkhata. «Eles estavam altamente despolitizados e só conheciam o `National Party'», diz João Santos. «Ao princípio começaram a pensar... a ter uma simpatia pela extrema-direita. Filiados, não, o português praticamente nunca foi filiado em nada. E agora começou a mudar um pouco».</P>
<P>
A mudança decisiva, essa deverá começar hoje mesmo. Se há receios fundados sobre tentativas de boicote violento às eleições «livres e justas», que fazem barreira ao contagiante vento de optimismo que sopra no Sul de África, é possível que muitos milhares de portugueses acorram hoje às urnas. Coisa que nem lhes passava pela cabeça ainda há pouco tempo. E para os que não entrarem num «movimento» de votação em massa nos partidos Nacional e Democrático -- as tendências mais prováveis para um grupo que receia a hegemonia do ANC -- também há a alternativa do LUSAP, o Partido Luso-Sul-Africano, do jovem empresário Manuel Moutinho. Que muitos acusam de «oportunismo», mas que, em nome da importância dos portugueses no país, deu uma cara portuguesa aos milhões de boletins de voto das primeiras eleições multirraciais.</P>
<P>
A vitória mais que provável do ANC também não deverá alterar muito as suas vidas, promete o constitucionalista Albie Sachs. «A maior parte da população portuguesa trabalha no pequeno sector privado, que não deve ser muito afectado. E sem querer romantizar, nem querer esquecer o passado, há aspectos da história da cultura portuguesa que são muito favoráveis à sua inserção. Mas é preciso criar novas pontes com o resto da sociedade.»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-44009">
<P>
Estudante foi mordido de manhã na praia de Boa Viagem, a mais frequentada da cidade</P>
<P>
Da Agência Folha, em Recife</P>
<P>
O estudante de medicina Albano Gomes Dias Filho, 25, afirmou ter sido atacado por um tubarão quando surfava ontem na praia de Boa Viagem, a mais frequentada de Recife (PE). Ele sofreu fratura no perônio direito e "lesões extensas" na mesma perna, com perda de musculatura da panturrilha (batata da perna).</P>
<P>
Segundo a médica Maria José Freitas, que operou o rapaz, os ferimentos são característicos de um ataque de tubarão e indicam que a vítima foi mordida mais de uma vez. Dias Filho se encontra em observação no hospital da Restauração, onde chegou em estado de semi-inconsciência.</P>
<P>
O estudante disse aos médicos ter sido atacado por volta das 7h da manhã, a cerca de 50 metros da praia. Afirmou que estava sentado na prancha e viu o tubarão se aproximar e mordê-lo. O animal foi descrito como tendo cerca de dois metros de comprimento.</P>
<P>
Com a ajuda da prancha, Dias Filho conseguiu chegar até a areia, onde foi socorrido por banhistas. Levado ao hospital, foi submetido a uma transfusão de sangue e operado. Segundo a médica, o surfista passará por novas operações para enxertos na perna.</P>
<P>
A mãe do estudante, Fátima Carvalho, foi avisada do ataque às 8h através de uma sobrinha. "Na hora, pensei que ele tivesse perdido a perna ou coisa pior", disse no hospital. Fátima diz não ter dúvidas de que o filho foi vítima de um tubarão. "Ele surfa desde os nove anos. Conhece o mar e sabe muito bem o que é um tubarão", disse.</P>
<P>
Este é o segundo ataque atribuído a tubarões este ano em Pernambuco. O primeiro caso ocorreu no final de janeiro, na praia de Piedade, a 5 km do local onde o estudante de medicina foi atacado ontem. A vítima foi Sérgio Agrião Gomes da Silva, 15, que também praticava surfe.</P>
<P>
Ataques de tubarões na praia "são raros", segundo o professor do Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Teodoro Vaske, 33.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31496">
<P>
Chemwoyo ganha em San Fernando</P>
<P>
O corredor queniano Simon Chemwoyo venceu ontem a corrida de San Fernando, no Uruguai. Ele completou a prova de 8,5 km em 20min48. Chemwoyo, que há uma semana conquistou a São Silvestre, disputará no domingo a Maratona de Manaus.</P>
<P>
O NÚMERO</P>
<P>
19</P>
<P>
...são os times ibero-americanos entre os cem melhores do ano passado, segundo a classificação anual que publica a Federação de História e Estatística do Futebol, com sede na Alemanha. O São Paulo, 4.º colocado na classificação geral, é o melhor deles. Na 1.ª colocação está o Milan.</P>
<P>
FÓRMULA 1</P>
<P>
Larrousse anuncia seus pilotos e motor</P>
<P>
Erik Comas e Olivier Beretta, ambos franceses, serão os pilotos da Larrousse no Campeonato Mundial de F-1 de 1994. A Ford fornecerá os motores da equipe, que, no ano passado, usou os motores da Lamborghini.</P>
<P>
FUTEBOL</P>
<P>
Milan é líder isolado no futebol italiano</P>
<P>
A equipe de Milão empatou ontem com a Udinese em 0 a 0 e chegou aos 26 pontos. O Milan está agora a três pontos do segundo colocado na competição, a Juventus de Turim, com 23 pontos.</P>
<P>
PARIS-DACAR</P>
<P>
Rali tem um de seus dias mais difíceis</P>
<P>
O regulamento proíbe, na etapa de hoje da competição, qualquer tipo de manutenção dos veículos nos acampamentos. Os pilotos brasileiros André Azevedo e Kléver Kolberg, atuais segundo e terceiro colocados na categoria Maratona, não poderão contar com o auxílio de seu carro de apoio em todo o percurso de 580km.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-bbb"> 
<P> HEIDEGGER e o 4-4-2: Foi, ontem, apresentado o livro « Liderança - As Lições de José Mourinho » de Luís Lourenço, baseado na sua tese de mestrado. Segundo o autor, José Mourinho "é diferente por partir de um novo paradigma de pensamento, preconizado por Heidegger ou Morin, por exemplo, e o operacionalizar. Trata-se de um novo olhar para o Todo, que põe de parte a divisão e análise das partes e o pensamento cartesiano de há quatro séculos ". Cada vez que leio isto (e faço-o várias vezes ao dia, na esperança de o vir a compreender), gosto de imaginar a seguinte conversa entre dois adeptos, à saída de Stanford Bridge: </P>
 <P> - Eh pá, o Chelsea não merecia ter empatado este jogo. </P>
 <P> - Pois não. Mas a primeira parte foi tão má que parecia que o Mourinho não tinha lido « O Ser e o Tempo ». </P>
 <P> - Quantas vezes é que o Heidegger avisou que o 4-4-2 só resulta se o trinco compensar a subida dos laterais? </P>
 <P>- Exacto. Meu amigo, se é para ver a nossa equipa voltar ao pensamento cartesiano, não contes mais comigo para vir ao estádio.</P>
 <P> - Calma. Também tens que perceber que estava nevoeiro. Se calhar, por isso é que, durante a primeira parte, o Mourinho não conseguiu ver o Todo. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-8032">
<P>
Os moradores da Vila Nilo que tiveram suas casas inundadas na madrugada de ontem com o transbordamento do rio Piqueri fizeram uma manifestação na manhã de ontem reclamando da prefeitura providências no sentido de desobstruir a passagem da água sob a rodovia Fernão Dias, zona norte. A av. Alfredo Ávila, que margeia o rio e suas transversais foram as mais castigadas com a chuva da noite de anteontem. O que mais surpreendeu os moradores foi a rapidez com que as águas chegaram a 1,5 m, não permitindo que eles salvassem eletrodomésticos, mantimentos, roupas e móveis. Parte do material perdido foi juntado numa fogueira, ateada pelos moradores em protesto pela inundação, ontem de manhã.</P>
<P>
À tarde a prefeitura desobstruia as galerias enquanto os moradores continuavam a lavar as casas e colocavam objetos para secar. Maria Domingues Castilho, 42, moradora no nº 123 da av. Alfredo Ávila disse que já ocorreram chuvas mais fortes sem contudo ocasionar enchente semelhante. Na lembrança dos moradores outra enchente igual só há de três anos atrás. Alguns moradores e a Administração Regional de Santana (AR-Santana) culpam o excesso de lixo jogado às margens do rio como o responsável pela enchente. Ao passar sob a rodovia Fernão Dias o rio atravessa umas manilhas que vão sendo obstruídas pelo lixo. Os moradores querem a construção de um pontilhão que dê passagem ao fluxo normal do rio.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-16371">
<P>
Da FT </P>
<P>
O depoimento de uma nova testemunha pode mudar o rumo das investigações do assassinato do advogado José Francisco da Silva, 68, na Aclimação (zona sul de SP). Até agora, o maior suspeito era o filho do advogado, A.F.T.S., 16, que havia confessado o crime.</P>
<P>
A testemunha, cujo nome a polícia não quis revelar, associou a morte do advogado ao assassinato do então prefeito de Arujá (Grande SP), Geraldo Barbosa, em 1990.</P>
<P>
Ela afirmou que conhece a pessoa que mandou matar Barbosa e que possivelmente tenha mandado matar o advogado.</P>
<P>
Segundo a testemunha, Barbosa foi morto por ir contra o interesse de um famoso corretor de imóveis de Arujá.</P>
<P>
Três pessoas foram presas pelo assassinato do prefeito. Elas confessaram o crime, mas dizem que fizeram isso sob tortura. O mandante seria o então vice-prefeito, João Pedro dos Santos, que nega.</P>
<P>
Para a nova testemunha, essa versão está errada.</P>
<P>
O advogado Silva ia, segundo o novo depoimento, apresentar a testemunha que depôs hoje à Justiça, para esclarecer a morte do prefeito. Três dias antes de fazer isso, morreu em seu apartamento.</P>
<P>
"Os indícios de que o filho do advogado é realmente o autor do crime são fortes, mas não podemos descartar as afirmações da testemunha", disse o delegado Osmar Ribeiro Santos, 36.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-78164">
<P>
Taxista agredido</P>
<P>
Um taxista de Lisboa foi esfaqueado e roubado por um «pseudo-cliente» que levou ao Pragal, em Almada, informou ontem a PSP desta cidade. O assaltante atingiu o motorista com dois golpes e fugiu no táxi que acabou por se atolar num lameiro pouco depois. O motorista foi internado no Hospital Garcia da Horta, em Almada.</P>
<P>
Droga na Amadora</P>
<P>
A PSP da Amadora deteve ontem quatro pessoas a quem apreendeu um total de 77 gramas de heroína e cocaína (parte desta em estado puro) e diversos valores.</P>
<P>
Na Damaia, foi capturado um homem de 28 anos na posse de 68,9 gramas de ambas as drogas, objectos de ouro e prata no valor de 150 contos, duas balanças, um moinho e uma máquina fotográfica. No Alto da Cova da Moura foram detidos dois irmãos, de 27 e 24 anos, e um rapaz de 21 com 7,9 gramas de heroína, 92 contos em dinheiro e uma pistola ilegal.</P>
<P>
Rinchoa e Mercês hoje sem água</P>
<P>
As obras de beneficiação de um conduta adutora à zona das Mercês, no concelho de Sintra, obrigaram hoje à suspensão do fornecimento de água, entre as 9h30 e as 17h00.</P>
<P>
Segundo os serviços municipalizados de Sintra, o corte no abastecimento afectará as zonas da Rinchoa (toda a zona alta, incluindo as urbanizações Urbanil e Fitares) e as Mercês (em particular a urbanização da Tapada das Mercês).</P>
<P>
Loures assinou contrato do PER</P>
<P>
Trinta e um milhões de contos é o valor do contrato de adesão ao Programa Especial de Realojamento (PER) assinado ontem pela Câmara Municipal de Loures, com o objectivo de nos próximos 10 anos acabar com as barracas existentes no concelho e solucionar o problema habitacional de 3.904 famílias.</P>
<P>
Na cerimónia, em que o presidente da câmara, Demétrio Alves, lembrou que é neste concelho que existem 10 por cento das barracas do país, ou seja quatro mil, esteve também presente o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Ferreira do Amaral, segundo o qual, no ano de 2.004, Loures já não terá nenhuma barraca. O acordo para a concretização do PER, que permitirá realojar cerca de 15 mil pessoas no concelho, foi assinado entre a Câmara de Loures e os seus parceiros neste programa: o Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) e o Instituto Nacional de habitação, INH.</P>
<P>
Fogo na Columbano</P>
<P>
Bordalo Pinheiro</P>
<P>
Um incêndio deflagrou ontem de manhã num primeiro andar do número 95 da Av. Columbano Bordalo Pinheiro, em Lisboa, tendo danificado apenas aquele piso, que era habitado, mas sem provocar danos pessoais.</P>
<P>
No combate ao incêndio, extinto em cerca de meia hora, participaram 20 homens do Regimento de Sapadores Bombeiros, que deslocaram para o local cinco viaturas.</P>
<P>
A origem do fogo era ontem ainda desconhecida pelos bombeiros, segundo os quais foram poupados às chamas os restantes andares do edifício, apenas atingidos pelo fumo que se libertou enquanto durou o sinistro.</P>
<P>
Trânsito condicionado em Odivelas</P>
<P>
O tráfego automóvel entre a Rua Feliciano de Castilho, em Odivelas e a Rua Rui de Pina, nas Patameiras, estará condicionado a partir de hoje e durante uma semana, devido a obras em curso num colector.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-68694"> 
<P>Multibanco</P>
 <P> Multibanco é uma marca registada propriedade da empresa SIBS. O termo é utilizado comumente para designar as caixas automáticas (as máquinas que permitem a realização de operações bancárias em regime de auto-serviço), sendo mesmo utilizados em relação a caixas automáticas de sistema outros que o controlado pela SIBS. Neste contexto, também se utiliza o termo ATM, do inglês Automatic Teller Machine. </P>
 <P> Enquanto Portugal foi um dos últimos países da Europa ocidental a instalá-las, o equipamento usado representou o que havia de mais avançado, baseado nas experiências de outros países, muitos dos quais gastam agora imenso dinheiro para substituir e actualizar máquinas obsoletas. </P>
 <P> O número de caixas Multibanco mais do que triplicou em Portugal na última década, revela um estudo da Marktest. Desde 1995, triplicou também o valor mensal médio de levantamentos per capita, revelam os dados fornecidos pela SIBS e incluídos na pesquisa « Os Concelhos Portugueses -- 1995/2005 ». </P>
 <P> Em Portugal, os multibancos têm tido muito sucesso, o que levou ao aparecimento de novos serviços não bancários, como a venda de bilhetes ou o pagamento de serviços. </P>
 <P> Neste momento a Rede Multibanco é uma das mais sofisticadas redes interbancárias do mundo. </P>
 <P>Também é o nome de um cartão de débito.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-84029">
<P>
Da Agência Folha, em Belém</P>
<P>
A Comissão de Defesa Civil de Marabá (420 km ao sul de Belém/PA) pediu ontem ao governo do Estado mais 60 barracas de lona para abrigar famílias que estão dormindo nos estábulos do Parque de Exposição Agropecuária do município. Cerca de 4.000 pessoas estão desabrigadas por causa das enchentes dos rios Itacaiúnas e Tocantins, que margeiam a cidade.</P>
<P>
As chuvas intensas desde o início do mês no sul do Pará fizeram transbordar também o rio Parauapebas, inundando a cidade de mesmo nome (600 km ao sul de Belém). Cerca de cem pessoas estão desabrigadas.</P>
<P>
Em Marabá, os moradores que resistem em suas casas, invadidas pelas águas, estão usando canoas para transportar aparelhos domésticos, camas e roupas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa77651"> 
<P> Ministério da Defesa Nacional </P>
 <P> Ministro da Defesa Nacional visita
Forças Nacionais Destacadas no Afeganistão </P>
 <P> O Ministro da Defesa Nacional, Nuno Severiano Teixeira, desloca-se ao Afeganistão, no dia 29 de Dezembro, para efectuar uma visita às
Forças Nacionais Destacadas em Cabul. </P>
 <P> Nuno Severiano Teixeira visitará o contingente português estacionado em Campo Warehouse, composto pela
22.ª Companhia de Atiradores Pára-Quedistas da Brigada de Reacção Rápida e uma equipa de
Controladores Aéreos Avançados da Força Aérea. </P>
 <P> O Ministro da Defesa deverá assistir ao briefing do destacamento e visitar o aquartelamento do Campo Warehouse. Com um total de 161 militares, o contingente português integrado na Força Internacional de Assistência e Segurança (ISAF) constitui a
Força de Reacção Rápida do Comandante da força da NATO no Afeganistão. Nuno Severiano Teixeira reúne-se ainda com o comandante da força da NATO (ISAF) no Afeganistão, General Dan McNeill. A participação militar Portuguesa no Afeganistão começou a 10 de Agosto de 2005. </P>
 <P> Nuno Severiano Teixeira aproveita a deslocação a Cabul para manter encontros com as autoridades afegãs. O Ministro da Defesa deverá reunir-se com o Ministro da Defesa afegão, Raheem Wardag, e com o
Presidente da República Islâmica do Afeganistão, Hamid Karzai. </P>
 <P> O Ministro da Defesa Nacional estará de regresso a Lisboa no dia 30 de Dezembro. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-34681">
<P>
S-Breves/Inter.</P>
<P>
Marika 7: só vestígios</P>
<P>
São escassas as probabilidades de se encontrarem sobreviventes dos 36 membros da tripulação do navio«Marika 7», que naufragou sábado no Atlântico norte, a 900 km. dos Açores. O temporal tem perturbado as pesquisas e o cargueiro norueguês «Thorsaga», que mais se aproximou do local encontrou vazia uma lancha salva-vidas do «Marika 7». O barco saiu sábado do porto quebequiano Sete-Ilhas, onde fez escala, em direcção à Holanda. Transportava uma carga de minério de ferro. As equipas de salvamento, das quais faz parte um avião «C-130» da Força Aérea Portuguesa, prosseguiram ontem as buscas de sobreviventes.</P>
<P>
Avaria na queda do Tupolev</P>
<P>
O «Tupolev-154» que caiu segunda-feira num campo gelado próximo de Irkutsk (Sibéria), provocando 120 mortos, sofreu uma avaria no sistema hidráulico e poderia ter excesso de carga. A informação é do gabinete de imprensa estatal, que indicou ter sido já examinada uma das caixas negras do aparelho. O ministro russo dos Transportes, Vitali Efimov deslocou-se ao local para examinar as condições em que ocorreu o desastre. O sistema hidráulico do aparelho não funcionou, diz a versão oficial, e um motor incendiou-se, o que levou o piloto a tentar regressar ao aeroporto, de onde descolara há minutos.</P>
<P>
Mais prisões em Itália</P>
<P>
A polícia italiana esperou pelo final do ano para lançar uma operação anti-corrupção em Asti, capital distrital de uma região noroeste da Itália, a 50 km. de Turim. Deteve 26 suspeitos, entre empreiteiros e autarcas, incluindo o presidente do município e o governador-civil. A polícia obedeceu a um mandato do magistrado que investiga um caso de irregularidades numa obra de tratamento de águas residuais. O presidente da Câmara foi eleito pelo PS (de Craxi), enquanto o governador-civil pertencia à DC (de Andreotti). O magistrado interrogou os suspeitos segunda e terça-feira, tendo mantido nove na cadeia e ficando os outros em prisão domiciliária.</P>
<P>
A canção perdida de «Gary, Indiana»</P>
<P>
Gary é uma cidadezinha do estado norte-americano de Indiana que um autor musical decidiu incluir num «show» da Broadway, com o título «The Music Man» (O Músico). A canção celebrava uma certa ideia da classe média norte-americana e dos valores por que se regia a sua vida comunitária. Correu mundo, foi representada em Pequim e manteve-se anos a fio no teatro londrino do West End. Este «era uma vez...» foi há mais de 30 anos. Hoje, Gary é novamente notícia: conseguiu alcançar o título de cidade mais violenta dos EUA. Feitas as contas, dá 91 mortos/ano por 100 mil habitantes.</P>
<P>
Taipé condena pirata do ar</P>
<P>
O governo chinês da Formosa mantém-se fiel ao compromisso de reenviar para o governo da China continental os eventuais casos de pirataria aérea e confirmou-o ontem quando anunciou que repatriaria Zhang Wenlung, logo que cumprisse os 9 anos de cadeia a que acabara de ser condenado por um tribunal de Taipé. O crime de Zhang foi desviar um avião da companhia Xiamen, que seguia para Cantão, em Junho de 1993. O avião era um «Boeing 737» e levava 72 pessoas a bordo. Zhang apresentou-se como um ex-soldado do Exército Popular, mas isso não convenceu o tribunal.</P>
<P>
TGV «tropeçou» nas trincheiras</P>
<P>
O TGV (Comboio de Alta Velocidade) descarrilou no passado mês de Dezembro, em período de chuvas diluviais no norte de França, devido à...I Guerra Mundial. O descarrilamento ocorreu no passado dia 21 de Dezembro, quando o TGV seguia a 300 km. horários e estava 133 km ao norte de Paris. A causa imediata do acidente, que não provocou vítimas, foram as chuvas que se abateram sobre a região. Mas o aluimento foi provocado por tocas de raposa, que acharam o local particularmente apropriado para se instalar, pois aproveitaram as trincheiras deixadas pela I Guerra Mundial.</P>
<P>
Mais pés na água</P>
<P>
Chuvas torrenciais caíram nos últimos dias no sul da Inglaterra e no Ulster (Irlanda do Norte). Neste último território há três desaparecidos, cuja esperança de encontrar com vida foram ontem abandonadas. Eram quatro caçadores e tinham ido dar um passeio de canoa pelo rio de Coleraine (norte do Ulster), quando foram apanhados pela enxurrada. A embarcação voltou-se e só um dos tripulantes conseguiu atingir a margem. No sul da Inglaterra há estradas cortadas e no País de Gales um helicóptero que fora ajudar viajantes presos numa tempestade de neve, teve que fazer uma aterragem de emergência.</P>
<P>
Explosão em quartel da Nato</P>
<P>
Uma explosão na sala dos geradores do comando naval da Nato, em Atenas (Grécia), provocou pelo menos 27 feridos. Um curto-circuito num cabo de alta voltagem deve ter causado a explosão, disse um porta-voz do Ministério da Defesa grego. «Três dos feridos estão em estado crítico e uns poucos mais estão em observação», afirmou Nikos Nikolopoulos, director do Hospital Naval de Atenas, que acrescentou haver pelo menos três civis entre os feridos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-3899">
<P>
Chefe da oposição birmanesa em encontro com a imprensa</P>
<P>
«Sei que a democracia chegará»</P>
<P>
Cansada mas enérgica, Aung San Suu Kyi afirmou ontem estar segura de que «a democracia chegará» à Birmânia, no seu primeiro encontro com jornalistas em seis anos, um dia depois de ter terminado a reclusão, na sua casa de Rangum, a que a Junta militar que governa o país a obrigou desde 20 de Julho de 1989.</P>
<P>
E a democracia chegará -- explicou a Nobel da Paz de 1991 -- «porque é algo que o povo quer».</P>
<P>
«Estou feliz por poder dizer que, apesar de tudo pelo que passámos, as forças da democracia na Birmânia continuam fortes e dedicadas» -- disse Suu Kyi, 50 anos feitos o mês passado.</P>
<P>
As palavras da chefe da oposição birmanesa eram aguardadas para se avaliar por um lado se os militares teriam colocado condições à sua libertação e, por outro, qual a sua determinação em prosseguir a luta pela democratização de um dos países mais pobres do mundo.</P>
<P>
Aung San Suu Kyi foi presa por «colocar o Estado em perigo», mas nunca foi formalmente acusada ou julgada. Ontem assegurou que não houve condições para ser libertada, que um emissário dos generais no poder lhe disse que eles gostariam que «ela ajudasse na procura da paz e da estabilidade».</P>
<P>
Mas ela própria sublinhou que não há lugar para optimismos exagerados. «É um sinal positivo, um sinal de esperança. Mas penso que é preciso olhá-lo com cautela, com um optimismo cauteloso».</P>
<P>
A chefe da Liga Nacional para a Democracia, que ganhou as eleições de 1990 num resultado nunca reconhecido pela Junta, indicou ainda que adoptará uma postura cautelosa. «Temos de escolher entre o diálogo e a devastação completa» -- declarou, ao mesmo tempo que falava na necessidade de um «espírito de reconciliação».</P>
<P>
Nem a notícia da libertação nem a conferência de imprensa tinham até ontem sido noticiadas pela controlada imprensa birmanesa, facto explicado por alguns analistas com o receio de que pudesse desencadear movimentos de protesto contra o regime.</P>
<P>
Mas os birmaneses já sabem da notícia, transmitida na sua língua por emissoras estrangeiras. E no exterior da vivenda onde Suu Kyi viveu nos últimos seis anos concentraram-se pequenas multidões. Na segunda-feira à noite, a líder democrática mostrou-se aos que a esperavam e falhou-lhes, assegurando que não fizera qualquer acordo secreto com os militares.</P>
<P>
Os motivos destes para a libertarem continuam a ser alvo de especulações, mas a ideia geral é a de que se trata de obter alguma legitimidade para um regime pária e internacionalmente pressionado. Isso permitiria um maior fluxo de investimento estrangeiro, vital para uma economia paupérrima. Ontem mesmo, ao reagir com satisfação à notícia da libertação, o ministro japonês dos Negócios Estrangeiros, Yohei Kono, afirmou que o seu país estava a pensar recomeçar a ajuda económica em grande escala à Birmânia, que foi substancialmente reduzida.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa33715"> 
<P> O Pai Natal, Artur Jorge e o BCP </P>
 <P> O Governo russo proibiu uma campanha de uma cadeia de distribuição, que tinha por lema " O Pai Natal não existe ". O argumento é que tal ideia era nefasta para as criancinhas russas. Conclusão: o Governo russo acredita no Pai Natal e quer que as criancinhas também acreditem. </P>
 <P> Artur Jorge foi, entretanto, escolhido para seleccionador do Irão, equipa que se encontrava há seis meses sem treinador. Tendo em atenção o que se tem passado nos últimos anos na carreira do ex-treinador do FC Porto, que nunca termina os contratos e acaba sempre despedido com uma choruda indemnização, bem se pode dizer que a Federação Iraniana de Futebol acredita no Pai Natal. E Artur Jorge também, claro. </P>
 <P> Por outro lado, a escolha do presidente da Caixa Geral de Depósitos para presidir ao BCP só pode igualmente ser obra do Pai Natal. Carlos Santos Ferreira é visto como o homem que vai trazer a concórdia para um banco que não vive em paz há muito - mesmo que o vá fazer à custa do banco do Estado. </P>
 <P> Por isso, o ministro das Finanças, que autorizou esta mudança sem pestanejar, também deve acreditar no Pai Natal. Não lhe passa pela cabeça que Santos Ferreira, com o que sabe da Caixa, fique em excelente posição para ganhar quota de mercado ao banco público, que vai este ano dar mais de 800 milhões de lucros, dos quais 400 milhões vão direitinhos para os cofres do Estado a título de IRC. Se Santos Ferreira tiver sucesso no BCP, quem vai sofrer é a Caixa - e, por tabela, todos nós, contribuintes. Porque quanto menos o Estado receber de dividendos das empresas públicas, mais o Estado será tentado a vir buscar-nos dinheiro aos bolsos. </P>
 <P> Por outras palavras, os únicos que não têm razões para acreditar no Pai Natal são os contribuintes portugueses. </P>
 <P> Nicolau Santos </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-34133">
<P>
Nélson Guimarães pediu prisão preventiva do acusado; líder de Fleury na Assembléia quer CPI para o caso</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, delegado Nélson Guimarães, que assumiu ontem as investigações sobre o assassinato de Oswaldo Cruz Júnior, presidente do Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABCD, não descarta que "motivações políticas" estejam por trás do crime.</P>
<P>
O delegado destaca, entre as razões a serem investigadas, "a briga interna do sindicato, as denúncias de Oswaldo sobre dinheiro que estaria sendo desviado para campanhas políticas e as ameaças de morte que a vítima vinha sofrendo". "Não esqueceremos nenhuma hipótese", disse Guimarães, que pediu a prisão preventiva de José Benedito de Souza, o Zezé, acusado do crime.</P>
<P>
Guimarães, que estava em férias, foi designado para o caso pelo secretário de Segurança Pública, Odyr Porto. A escolha, segundo Odyr, "partiu do governador Fleury, devido à gravidade e grande repercussão do caso". "Vamos esclarecer as razões do crime, já que seu autor foi o Zezé", disse o delegado.</P>
<P>
Ontem, na Secretaria de Segurança Pública, Odyr e Guimarãs receberam o sindicalista Luiz Antônio de Medeiros, presidente da Força Sindical. Medeiros se colocou à disposição de Guimarães para prestar depoimento.</P>
<P>
A carreira de Nélson Guimarães é marcada por dois casos com grande repercussão política: o sequestro do empresário Abílio Diniz, em dezembro de 1989, e o assassinato do governador do Acre, Edmundo Pinto, em maio de 1992.</P>
<P>
No caso Diniz, Guimarães foi acusado por membros do PT de ter tentado vincular os sequestradores ao partido. Ele teria, segundo o PT, obrigado os sequestradores a vestir camisetas de apoio a Lula e colocado adesivos do PT no ônibus que os transportou. O fato ocorreu no dia da votação do segundo turno da eleição presidencial entre Lula e Collor. O secretário de Segurança Pública, à época, era o hoje governador Luiz Antonio Fleury Filho.</P>
<P>
Enquanto aguarda o laudo do IML (Instituto Médico Legal), a polícia pretende ouvir novas testemunhas, começando pela família da vítima. Guimarães disse que vai usar uma fita de vídeo, gravada por um cinegrafista do sindicato segundos após os tiros, para identificar novas testemunhas. A fita registra, em poucos segundos, o corpo de Oswaldo sendo carregado num corredor do sindicato e mostra o chão da sala em que foi baleado cheio de sangue.</P>
<P>
O deputado estadual Uebe Rezeck, líder do PMDB e do governo Fleury na Assembléia Legislativa de São Paulo, pediu ontem a abertura de uma CPI para investigar os detalhes do assassinato de Oswaldo Cruz Júnior.</P>
<P>
Rezeck se reuniu ontem com o presidente da Assembléia, Vitor Sapienza (PMDB), para discutir o assunto. O líder de Fleury se disse "chocado" com a morte. O empenho da bancada governista, na opinião dos parlamentares do PMDB, deve ser o maior possível para conseguir a abertura da comissão de inquérito.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-60382">
<P>
Mundial: Rui Cordeiro e Lobos arrepiam franceses</P>
<P>
NÃO FOI SÓ EM PORTUGAL QUE O HINO PUXOU PELAS EMOÇÕES FORTES</P>
<P>
Os homens também choram, e isso ficou provado quando os jogadores da Selecção cantaram o hino antes do Escócia-Portugal. As imagens emocionaram o País mas não só. No bloco informativo dedicado à prova, a TF1 -- uma das principais cadeias de televisão francesas -- anunciou «o momento mais incrível do Mundial até agora» e, de seguida, exibiu «A Portuguesa» na íntegra, com os Lobos a chorarem.</P>
<P>
Não é todos os dias que se vê um «gigante» de 1,84 metros e 140 kg a chorar como uma criança. Mas Rui Cordeiro foi um dos Lobos que mais impressionou a cantar hino. Logo ele, que «é difícil ir às lágrimas». «Senti tanta coisa. O hino sempre foi um momento importante nos nossos jogos e nós não o cantamos, gritamos! Depois entre o aquecimento e o regresso, as bancadas, que ainda estavam quase vazias, compuseram-se. Deu-me muitas ganas», explicou Cordeiro, prosseguindo: «Assim como a Nova Zelândia se motiva com o 'haka', nós fazemo-lo com 'A Portuguesa'.»</P>
<P>
Esforço</P>
<P>
Durante o apuramento, Cordeiro foi dos que mais sofreu. Sempre que havia convocatória, o veterinário e inspector sanitário «saía do trabalho "pelas 17 horas, viajava para Lisboa, treinava e regressava, chegando perto da uma da madrugada». «Aconteceu ter de me levantar às 4 horas para ir trabalhar», conta.</P>
<P>
Adeus à Selecção</P>
<P>
O último jogo de Rui Cordeiro no Mundial vai ser também o derradeiro da carreira internacional. «É complicado conciliar a Selecção Nacional com a carreira profissional», justifica o pilar da Académica, que este ano regressa à Divisão de Honra.</P>
<P>
«Há muitas dificuldades. Mesmo com o Mundial, só iniciei a preparação em Julho, enquanto os colegas começaram em Maio, e isso notou-se», explicou com alguma mágoa.</P>
<P>
Assim, o jogo com a Roménia promete trazer-nos um Cordeiro mais «chorão». «Vai haver choradeira no início, no fim, o tempo todo», promete, bem-disposto, o pilar, que vai «continuar na Académica enquanto der gozo».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-89938">
<P>
Ayrton Senna e a morte na F1</P>
<P>
Após 12 anos, a morte voltou em 1994 às pistas de Fórmula 1. Levou dois pilotos -- o tricampeão mundial Ayrton Senna e o estreante Roland Ratzenberger -- e ameaçou outros de muito perto. Jean Alesi, JJ Lehto, Rubens Barrichello, Karl Wendlinger e Pedro Lamy sobreviveram a acidentes graves e voltaram às pistas, mas a onda de choque desencadeada pela morte de Senna, um ídolo do desporto mundial, provocou uma séria discussão sobre a segurança na F1.</P>
<P>
O GP de S. Marino, disputado a 1 de Maio, marcou um trágico ponto de viragem na disciplina maior do desporto automóvel. Desde 1982, quando morreram Gilles Villeneuve (treinos para o GP da Bélgica) e Riccardo Paletti (partida para o GP do Canadá), que nenhum piloto perdia a vida durante um Grande Prémio. Doze anos depois, os acidentes mortais regressaram às pistas da F1, atingindo uma vez mais um dos maiores pilotos de sempre.</P>
<P>
Na pista de Imola (Itália), durante a segunda sessão de treinos cronometrados, o austríaco Roland Ratzenberger perdeu o controlo do seu Simtek-Ford (onde se partiu uma parte da asa dianteira), batendo violentamente contra um muro de protecção. Ratzenberger morreu imediatamente, causando consternação entre os pilotos. Mas o pior estava ainda para vir. No dia seguinte, na sétima volta da corrida, a segunda depois de o «safety car» abandonar a pista, o Williams-Renault nº 2 passou a fundo na recta da meta, à frente de todos os concorrentes, mas não completou a curva Tamburello, despistando-se a cerca de 250 km/h. Do violento choque quase frontal resultou a morte do piloto Ayrton Senna da Silva, 34 anos, brasileiro, tricampeão mundial de Fórmula 1, a 22ª vítima mortal desde o início desta disciplina, em 1952.</P>
<P>
O Brasil perdeu uma das suas bandeiras e saiu à rua para se despedir do melhor piloto da última geração, um dos maiores de todos os tempos. Cerca de 250 mil pessoas esperavam em São Paulo o avião que transportou o corpo do piloto; mais de 200 mil acompanharam o velório; todos os momentos foram seguidos em directo por vários canais de televisão. Os brasileiros reviam-se no homem tímido e com cara de menino que não dava tréguas na pista, sempre em busca de mais uma vitória, de menos um centésimo de segundo. O deus dos circuitos, para quem não havia justificação «seja em que circunstância for, para um segundo ou terceiro lugares». «Vencer é como uma droga», admitia este piloto profundamente religioso. Especialista em andar nos limites, as suas 65 «pole-positions» ficarão por vários anos como um dos recordes a bater -- a última conseguiu-a no GP mais negro da última década.</P>
<P>
Ayrton Senna entrou para a Fórmula 1 em 1984, depois de uma carreira vertiginosa e vitoriosa nos karts e nas fórmulas de promoção, sobretudo em Inglaterra. Nesse ano, teve a sua pior classificação no «Mundial», um nono lugar com a equipa Toleman. Depois, na Lotus e na McLaren, nunca deixou de estar entre os quatro primeiros. Ganhou três títulos mundiais e 41 Grandes Prémios, teve 24 acidentes em corrida -- o último foi fatal. Senna morreu na terceira corrida ao volante de um Williams-Renault, a equipa que sonhava representar há anos e que parecia a mais preparada para lhe proporcionar mais vitórias e títulos.</P>
<P>
A morte do tricampeão brasileiro provocou várias mudanças na estrutura da F1. Senna tinha-se reunido com outros pilotos na manhã da corrida em Imola, sugerindo a associação dos pilotos, de forma a garantirem melhores condições de segurança. Essa associação (GPDA) só havia de se concretizar durante o GP do Mónaco, já após o acidente que deixou Karl Wendlinger em coma por mais de duas semanas, e viria a concentrar-se na eliminação dos pontos mais perigosos encontrados nas pistas.</P>
<P>
Na mesma ocasião, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) impôs às equipas uma série de modificações nos monolugares, procurando aumentar as condições de segurança. A diminuição de velocidade em curva foi um dos objectivos imediatos dos dirigentes, que decretaram (colocando em causa anteriores acordos com os construtores) várias alterações na aerodinâmica. As mudanças eram grandes e o tempo para as testar muito curto -- os acidentes obrigaram as equipas a concordar com as alterações e com os prazos, enquanto a FIA e a FOCA (associação dos construtores) descartavam a possibilidade de alterar o calendário ou de cancelar qualquer prova.</P>
<P>
O português Pedro Lamy foi a primeira e mais grave vítima dessa política. Depois de se ter estreado na F1 nos últimos Grandes Prémios de 1993, prosseguiu a sua carreira na Lotus, onde esperava fazer todo o campeonato deste ano. No dia 24 de Maio, quando participava numa sessão de testes no circuito britânico de Silverstone, para ensaiar as alterações introduzidas nos regulamentos, a asa traseira do seu Lotus partiu-se, provocando um violento e aparatoso despiste a cerca de 240 km/h. O acidente, que reduziu o monolugar ao «cockpit» imobilizado já fora da pista, provocou ao jovem piloto português (22 anos) a fractura das duas pernas e de um braço e o deslocamento dos dois joelhos. Para Lamy, estava terminada a época de F1. O seu regresso às pistas só aconteceu após cinco meses, e o piloto português não conseguiu ainda assegurar um lugar no pelotão que vai disputar a próxima época, apesar do contrato assinado com a Mercedes.</P>
<P>
À parte desta sucessão de acidentes conseguiu manter-se Michael Schumacher, o alemão da Benetton-Ford que no início do ano afirmava que a sua ambição era terminar o campeonato na segunda posição, atrás de Senna. Schumacher provou nas pistas o seu enorme talento, conseguindo na primeira parte da época uma vantagem que posteriormente se revelou fundamental.</P>
<P>
Para o jovem alemão, o «Mundial» teve apenas 12 provas, pois foi desclassificado em duas e suspenso em outras duas. Foi o período mais conturbado no confronto entre pilotos, construtores e dirigentes. Mesmo assim, Schumacher conseguiu oito vitórias e abandonou apenas duas vezes -- uma com o motor partido, outra na última corrida do campeonato, quando se envolveu num acidente com Damon Hill (Williams-Renault) --, assegurando a conquista do título mundial. Uma vitória merecida, frente a um adversário subitamente elevado à posição de protagonista.</P>
<P>
Schumacher ganhou o «Mundial» numa época marcada pela grande rotatividade de pilotos (mais de quatro dezenas participaram em Grandes Prémios), pelo regresso à disciplina do campeão Nigel Mansell, pelas alterações técnicas aos monolugares, pelas modificações introduzidas em quase todas as pistas a partir de Imola. O nome do piloto alemão já entrou para a história, mas, para a maior parte dos adeptos, 1994 foi o ano da morte de Ayrton Senna.</P>
<P>
Manuel Abreu</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11280">
<P>
Famílias recusam-se a sair de barracas na Pontinha</P>
<P>
«P'ra pior já basta assim»</P>
<P>
Duas famílias do bairro de barracas de Santa Maria da Urmeira, na Pontinha, recusam-se a ser transferidas para habitações sociais do Governo Civil de Lisboa, nos bairros de Santo António e Mário Madeira (também na freguesia da Pontinha), alegando que possuem condições ainda piores do que as casas onde moram actualmente. O vice-governador civil, Machado Lourenço, que gere ambos os bairros, já intimou as famílias de Luís Gonçalves Lopes e de Albertino Augusto Miranda a aceitarem a troca, caso contrário haverá lugar a «despejo coercivo». O prazo dado para a aceitação da transferência (cinco dias) está a expirar, mas ninguém quer ceder.</P>
<P>
Jacinta Maria, que habita o número 19 das casas desmontáveis da Urmeira com o marido, Luís Lopes, e dois filhos, queixa-se de que a casa que lhe foi atribuída «só tem dois quartos e uma retrete que nem lavatório tem». «Aqui [e aponta para uma barraca de madeira e telhado de lusalite em estado de ruína], sempre temos três quartos e, lá em baixo, onde me querem pôr, estou ao lado de uma ribeira cheia de lixo», justifica-se Jacinta Maria.</P>
<P>
«Tenho medo de lá morar, porque está ao pé da ribeira e ainda me lembro das cheias, tinha eu quatro anos», acrescenta. «Prefiro ficar na rua a ir para ali», diz, referindo-se ao número 615 do bairro de Santo António, uma casa velha de telhado periclitante, mas em alvenaria, situada a poucas centenas de metros.</P>
<P>
Posição idêntica tem Albertino Miranda, nascido há 42 anos na Urmeira, onde ainda vive, no número 510 das casas de São Pedro, ao lado da ribeira que, em 1967, transbordou durante as cheias que obrigaram ao realojamento de mais de 130 famílias, dando lugar ao bairro de pré-fabricados da Urmeira. Uma situação que dita «provisória», já lá vão 28 anos.</P>
<P>
A família Miranda é constituída por quatro pessoas e o chefe do agregado recusa-se a aceitar a casa «de apenas dois quartos» que o Governo Civil lhe atribuiu no bairro Mário Madeira. Ao contrário de Jacinta Maria, ele não tem receio das cheias e não está muito preocupado com a ameaça de despejo: «É só para nos assustar», diz, acrescentando que só sai «para melhor».</P>
<P>
Despejos não estão previstos para já, garante, por sua vez, o vice-governador civil. Machado Lourenço considera «incompreensível que as pessoas se dêem ao luxo de dizer que não querem ser realojadas». O responsável pela gestão dos vários bairros do Governo Civil na Pontinha diz que os velhos pré-fabricados são para demolir por não terem condições de habitabilidade, sendo as famílias transferidas para casas dos bairros de alvenaria. «Se não demolimos as barracas, somos criticados; se o queremos fazer, criticam-nos na mesma», queixa-se.</P>
<P>
Quanto ao desfecho de mais uma situação de conflito com moradores, Machado Lourenço diz que as cartas se destinam apenas a «intimidar» os recalcitrantes e a levá-los a reconsiderar a sua posição. Mas adverte que «há-de haver uma altura em que terão de mudar e, se não for a bem, terá de ser a mal».</P>
<P>
Segundo o vice-governador civil, das 130 casas iniciais de madeira, só restam 42 por demolir e efectuar os respectivos realojamentos. Mas os moradores acusam aquele responsável de não deitar as barracas abaixo e de voltar a colocar nelas outras famílias, num sistema de transferências em cadeia entre os vários bairros. Seria esse o caso, segundo afirma Jacinta Maria, da sua vizinha da barraca número 19, que foi para ali há dois meses, vinda da casa para onde a querem transferir a ela.</P>
<P>
Vítor Faustino</P>
</DOC>

<DOC DOCID="wpt-10034934164544455">
<P>
Autor Mensagem</P>
<P>
joseep</P>
<P>
Site Admin </P>
<P>
Registo: 12 Apr 2005</P>
<P>
Mensagens: 4</P>
<P>
Local/Origem: Lisboa (Portugal)</P>
<P>
Colocada: Quarta-feira Maio 04, 2005 23:36 Assunto: Como efectuar um Registo (tem vantagens)</P>
<P>
Gostaria muito, que os Acólitos, se registassem no forum, de modo a ser algo organizado, principalmente os da AAPSE e é muito simples, querem ver.</P>
<P>
1º-Vão ao cabeçalho, onde estão várias teclas, uma delas REGISTAR-SE, e seleccionam.</P>
<P>
2º- Aceitam o contrato,</P>
<P>
3º Preenchem o que acharem necessário e SUBMETEM (NAO ESQUECER USERNAME, PASS e vosso e-mail).</P>
<P>
4º Vão ao vosso e-mail, que colocaram no registo, e vão ver que receberam um novo mail, abrem e carregam no link para concluir o registo (PASSO MUITO IMPORTANTE, dúvidas contactem-me)</P>
<P>
5º - Quando acederem ao forum da próxima vez vão a ENTRAR (em cima) e digitam o vosso USERNAME e PASS.</P>
<P>
Qualquer dúvida contactem!</P>
<P>
_________________</P>
<P>
Um abraço,</P>
<P>
José Eduardo Pires</P>
<P>
Ass. de Acólitos da Paróquia de Santo Eugénio</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71095">
<P>
Igrejas como a catedral da Sé e a Nossa Senhora do Brasil prepararam programação especial </P>
<P>
Da Reportagem Local e da FT </P>
<P>
Algumas igrejas de São Paulo, além da realização normal das missas, programaram comemorações especiais para a Páscoa.</P>
<P>
A procissão da Sexta-Feira Santa organizada pela Arquidiocese de São Paulo, que acontece hoje às 19h na ruas do centro, mostra pela primeira vez uma união do calvário de Cristo com o sofrimento atual da população.</P>
<P>
A mudança foi inspirada na Via-Sacra Latino Americana, criada pelo argentino Adolfo Perez Esquivel, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 80.</P>
<P>
Segundo o padre Assis Donizete de Carvalho, a modificação é inédita porque troca as imagens tradicionais por sete panôs (gravuras) utilizados durante as setes paradas. "Em cada panô, Cristo retrata o sofrimento e morte do povo". Entre os temas tratados estão os direitos humanos, as favelas e as grandes cidades. De acordo com ele, a mudança também está relacionada com a Campanha da Fraternidade deste ano que tem como tema os excluídos.</P>
<P>
Às 11h, cerca de 500 pessoas carentes celebram a Paixão do Povo de Rua. A via-sacra também será pelas ruas do centro. No final será servido um lanche.</P>
<P>
Na paróquia São Judas Tadeu, no Jabaquara (zona sul) haverá a procissão da ressurreição. A saída está marcada para as 5h, em frente à igreja. A procissão deve durar uma hora, voltando à igreja, onde será celebrada missa às 6h.</P>
<P>
Durante o dia, as missas acontecem no horário habitual: 7h, 8h30, 10h, 11h30, 16h30, 18h e 19h30.</P>
<P>
Na igreja de São Januário, na Mooca (zona leste), _conhecida como San Genaro_ a missa das 10h terá apresentação especial do grupo de jovens, encenando a ressurreição de Cristo. Também haverá missa às 7h30 e às 18h.</P>
<P>
A catedral da Sé (centro) terá seis missas celebradas na Páscoa. Os horários são 8h, 9h, 10h, 12h, 16h30 e 18h.</P>
<P>
A Nossa Senhora do Brasil, no Jardim América (zona oeste), terá vários corais acompanhando as missas do domingo.</P>
<P>
Apenas a primeira missa, às 7h, não terá o canto. Na programação estão o coral Apocalipse, na missa das 17h30, e Dom Bosco às 18h30. As outras missas no dia ocorrem às 10h, 11h, 12h30 e 19h30.</P>
<P>
Cidade vazia </P>
<P>
Para quem quiser sair do roteiro "sacro", a grande pedida para quem fica em São Paulo é aproveitar as atrações normais da cidade no sábado e no domingo com a vantagem de que, na maioria dos casos, haverá muito menos gente e as tradicionais filas não devem se formar nos cinemas e parques.</P>
<P>
Comércio Nos shoppings, apenas as áreas de lazer, as praças de alimentação e os cinemas vão funcionar hoje e domingo. No sábado, as lojas abrem normalmente.</P>
<P>
Os supermercados abrem amanhã e só voltam a funcionar na segunda-feira.</P>
<P>
Para quem quer viajar </P>
<P>
As passagens aéreas para grande parte das capitais do país já estão esgotadas. Ainda restam pouquíssimos lugares para os vôos para manaus, Belém, São Luís, Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Vitória, Brasília, Campo Grande e Goiânia.</P>
<P>
Para quem quiser pegar ônibus, ainda restam alguns lugares para a maior parte dos destinos mais procurados como o litoral de SP, capitais do Norte/Nordeste, Rio de Janeiro e capitais dos Estados da região Sul.</P>
<P>
ENDEREÇOS DAS IGREJAS:</P>
<P>
São Judas Tadeu - av. Jabaquara, 2628</P>
<P>
São Januário - r. da Mooca, 950</P>
<P>
Catedral da Sé - pça. da Sé, s/n</P>
<P>
Nossa Senhora do Brasil - pça. Nossa Senhora do Brasil, 1 </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99785">
<P>
PKK declara a Turquia «zona de guerra»</P>
<P>
Separatistas «embaraçam» Ancara</P>
<P>
Alexandra Prado Coelho</P>
<P>
Acusada pela Amnistia de graves violações dos Direitos Humanos e confrontada com um agravamento do conflito com os separatistas curdos, a Turquia arrisca-se a perder pontos no «exame» para a entrada na Europa dos Doze. Bombas explodiram esta semana em locais turísticos e os separatistas curdos prometem mais um «Verão quente».</P>
<P>
Foi uma semana de más notícias para a Turquia. Primeiro a Amnistia Internacional tornou público um relatório extremamente crítico sobre a situação dos Direitos Humanos no país; depois, no sábado, demitiu-se o ministro encarregado dos Direitos Humanos, Mehmet Kahraman, pela pouca atenção que o governo da senhora Tansu Ciller dava às questões que era suposto tutelar; entretanto, duas bombas explodiam em locais turísticos fazendo recear mais um Verão «quente», com uma nova ofensiva dos separatistas curdos contra os interesses económicos turcos.</P>
<P>
O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) não esconde que é precisamente essa a sua intenção e na passada terça-feira anunciou, numa conferência de imprensa em Madrid, que a Turquia deverá ser considerada «zona de guerra» e, como tal, um país a evitar pelos estrangeiros. O objectivo é afectar o turismo, uma das principais fontes de rendimento para o Governo. Mas a «campanha de Verão» não é novidade, já no ano passado os rebeldes curdos tinham prometido «levar a guerra para as zonas turísticas», conseguindo de facto reduzir de forma significativa o número de visitantes do país.</P>
<P>
Os atentados à bomba desta semana provocaram 21 feridos e, onze dos quais eram turistas, nas estâncias balneares de Fethiye e Marmaris, precisamente na zona onde se encontram as praias preferidas pelos estrangeiros e os melhores hotéis. Ontem, em Istambul, cinco novas explosões mataram um polícia e feriram outro. Na imprensa começaram já a surgir as fotografias das praias praticamente desertas depois dos atentados e o Ministério do Turismo, em conjunto com as agências de viagens, lançou uma campanha de promoção para tentar «salvar» o ano.</P>
<P>
«Prática sistemática da tortura»</P>
<P>
Mas, mesmo que convença os turistas, Ancara começa a ter alguma dificuldade, depois das denúncias da Amnistia, em convencer a opinião pública internacional de que a situação no país está calma e os direitos humanos são respeitados. «A situação agrava-se de hora a hora», afirma a Amnistia, que pediu já à Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa (CSCE) que envie uma missão de peritos à Turquia para investigar «os limites impostos à liberdade de expressão e a prática sistemática da tortura».</P>
<P>
O Governo turco desmentiu imediatamente as acusações. «A imagem da Turquia que a Amnistia pretende criar é contrária à verdade», afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Parte das acusações feitas a Ancara prendem-se com a questão curda e com a situação que se vive no Sudeste do país, onde as forças governamentais combatem os guerrilheiros do PKK. Só na última semana pelo menos 70 rebeldes e 13 soldados turcos morreram em combates nesta região, e, segundo Ancara, mil guerrilheiros terão sido mortos nos primeiros cinco meses deste ano.</P>
<P>
Mas uma das críticas que começa a ser feita com uma frequência cada vez maior ao actual Governo turco, dirigido pela primeira-ministra Tansu Ciller, relaciona-se com as medidas tomadas contra jornalistas, escritores e sindicalistas, presos este ano sob acusações de propaganda pró-curda.</P>
<P>
O caso mais falado tem sido o da prisão dos deputados do partido pró-curdo DEP, dissolvido em Janeiro por «actividades separatistas». Na quarta-feira foi apresentado à Comissão Europeia dos Direitos do Homem do Conselho da Europa um recurso contra a Turquia, acusada de, com a detenção dos deputados desde o início de Março, estar a violar quatro artigos da Convenção europeia dos Direitos do Homem. Nada disto é positivo para a imagem de Ancara, que sabe que a questão dos Direitos Humanos tem sido um dos principais obstáculos à sua entrada na União Europeia.</P>
<P>
O correspondente em Istambul do jornal «The Guardian» afirma que se está a assistir a uma deslocação das operações dos separatistas para Ocidente, num movimento que acompanha a fuga de centenas de milhar de curdos que nos últimos anos têm vindo a abandonar o Sudeste e a concentrar-se na zona de Istambul. Segundo a Amnistia, a fuga das populações surge na sequência das operações do Exército, incluindo bombardeamentos aéreos contra as localidades curdas. Muitos dos refugiados (oito mil fugiram, desde Março, para o Norte do Iraque) afirmam que foram expulsos das suas casas pelos soldados.</P>
<P>
O relatório refere ainda o número crescente de «desaparecimentos» de curdos ou personalidades com conhecidas simpatias pelo movimento curdo e as mortes sob custódia policial. «A menos que seja tomada uma acção decisiva, a prática de `desaparecimentos', tal como as execuções extra-judiciais e a tortura será estabelecida na Turquia como um instrumento rotineiro de intimação e eliminação», afirma a Amnistia.</P>
<P>
A situação no Curdistão turco tem vindo a agravar-se desde o ano passado. O PKK lançou violentos ataques contra civis, matando professores e incendiando escolas onde são ensinados os programas impostos pelo Estado turco (a língua e a cultura curdas não podem ser ensinadas nas escolas) e impondo a sua lei em grande parte do Sudeste.</P>
<P>
Algumas fontes indicam que o número de guerrilheiros atinge os 15 mil, mas Ancara não reconhece esta dimensão ao movimento, e insiste numa política de repressão e de recusa de qualquer negociação, tendo enviado para a região entre 150 a 250 mil soldados. Hugh Pope, correspondente do jornal «The Independent» cita observadores que admitem que a situação possa evoluir para uma «guerra civil do tipo da jugoslava».</P>
<P>
Mas Pope nota também uma mudança de posição por parte de determinadas elites com uma certa influência. Embora a maior parte da opinião pública se mantenha apavorada com os títulos dos jornais, algumas destas vozes influentes começam a falar em formas «alternativas» para pôr termo à guerra. E o analista do «The Independent» pensa que, se não fossem as acções terroristas do PKK, poderiam facilmente surgir mais vozes favoráveis à causa curda.</P>
<P>
Entre dois fogos</P>
<P>
É preciso não esquecer, no entanto, que a primeira-ministra é alvo de enormes pressões por parte da poderosa instituição militar, contrária à hipótese de uma solução negociada ou de cedências. Esta semana, Tansu Ciller anunciou que não aceita a ajuda militar norte-americana enquanto esta estiver condicionada. O Senado americano prometeu a ajuda se Ancara se comprometesse a não a usar para combater os rebeldes curdos. «A República Turca não vai submeter-se a um pedido destes. Uma condição destas significa `eu apoio o terrorismo, vou ficar a olhar enquanto a Turquia se desfaz'», declarou Ciller.</P>
<P>
Tanto a guerra curda como a progressiva expansão eleitoral do islamismo minam a regime democrático de Ancara. Se a primeira ameaça a economia, a segunda põe em causa o laicismo histórico do Estado. Conjugadas, podem vir a traduzir-se num regresso dos militares à cena política e pôr em causa o longamente desejado «destino europeu» da Turquia. O que inquieta os meios económicos. Talvez por isso, o presidente da associação dos industriais turcos tenha dito recentemente ao enviado do «Monde Diplomatique»: «Uma economia forte só pode prosperar num terreno democrático».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-48768">
<P>
teste do consumidor</P>
<P>
Quem não gosta de um chopinho bem gelado no verão? A Revista da Folha decidiu testar a nova versão de chopeira portátil da Marfinite, recém-lançada, com capacidade para três litros (ou quatro cervejas) e serpentina de três metros de comprimento. A chopeira, que "transforma" cerveja em chope, foi testada por Sérgio de Nardi, 37, comerciante, e por Lucas Bambozzi, 28, coordenador de vídeo do Museu da Imagem e do Som (MIS). Eles avaliaram gosto, colarinho e a temperatura da bebida. O produto foi aprovado apenas no item temperatura. Segundo os dois consumidores, após "bons" primeiros copos, houve perda de gás, falta de pressão e o colarinho ficou ralo. Pela avaliação, a chopeira parece mais útil para gelar com rapidez chá, sucos ou refrigerantes. Abaixo, as suas opiniões. – G.A.</P>
<P>
ONDE ENCONTRAR: Lojas Marfinite em São Paulo (r. Costa Aguiar, 590, Ipiranga; shopping Lar Center, piso 3, loja 357; e "show room" na av. dos Bandeirantes, 5.364, Vila Olímpia). e nos revendedores espalhados pelo Brasil. Preço: CR$ 9.200.</P>
<P>
BAIXA PRESSÃO</P>
<P>
O comerciante Sergio de Nardi não gostou da chopeira porque, "após cinco ou seis primeiros copos, o chope fica intragável". Há perda de gás, segundo Nardi. "A bomba de pressão parece defeituosa". O consumidor afirma também que é difícil saber se a quantidade de bombadas é suficiente ou excessiva para "transformar" a cerveja em chope. Os pontos positivos: 1) as instruções impressas na chopeira são boas, embora não informem o número necessário de bombadas; 2) a serpentina funciona bem e gela a bebida rápido; 3) se usada corretamente, a chopeira parece ser resistente e durável.</P>
<P>
COLARINHO RALO</P>
<P>
Lucas Bambozzi, funcionário do MIS, reprovou a chopeira porque há perda de gás, após o quinto copo. "Só os primeiros copos saem bem". A pressão é insuficiente ("talvez ela fosse maior, se a serpentina fosse mais fina") e a espuma fica rala e sem densidade ("a torneira não permite o controle do colarinho"). Resultado: gosto ruim. "Vira cerveja sem gás, esfriada. Pode ser útil quando há muita gente e a cerveja não fica muito tempo parada no reservatório". Pontos positivos: 1) as instruções são claras, mas não trazem o número certo de bombadas; 2) com pouco gelo, esfria rápido.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-8177">
<P>
Há muito mais "Brasis" sob a face do sol do que a teoria ou a imaginação são capazes de abranger</P>
<P>
MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES</P>
<P>
Especial para a Folha</P>
<P>
O conflito distributivo brasileiro é permanente e abrange todos os níveis da sociedade e do Estado. A dispersão de rendimentos do trabalho, a variedade de formas de acumulação espúria de capital e a proliferação dos "podres poderes" exprimem um tamanho grau de iniquidade que é verdadeiramente difícil de imaginar sua superação a curto prazo.</P>
<P>
Hoje está claramente aceita até pelos poderes da República a expressão "ciranda financeira". Mas falta uma, cunhada também nos tempos da ditadura, por alguns intelectuais e pela própria imprensa, que é a expressão "capitalismo selvagem".</P>
<P>
A péssima distribuição de rendas no Brasil e a superinflação, que são a manifestação mais gritante desta iniquidade, não podem ser atribuídas, porém, apenas à ação dos oligopólios ou monopólios, que sempre existiram, nem à heterogeneidade da estrutura produtiva que também vem de longe. O atual grau de selvageria de nosso capitalismo deve-se à profunda crise que atravessa a nossa sociedade, expressa na desorganização e na fragmentação de interesses dos vários poderes econômicos e políticos, que passaram a ter um comportamento predatório.</P>
<P>
A desintegração social brasileira atual não pode ser apreendida pela imagem dos dois "Brasis", a famosa "Belíndia". Há muito mais "Brasis" sob a face do sol do que a teoria ou a imaginação são capazes de abranger. Nem mesmo o "olhar atravessado" de um Nelson Rodrigues, mais dado à crítica dos costumes do que à crítica social, daria conta, hoje, da profundidade de nossa patologia social e dos conflitos potenciais latentes. A diversidade de situações sociais de poder, de prestígio, de condições de trabalho e de vida –expressa na maior desigualdade de distribuição de renda e de riqueza do mundo capitalista– é de tal natureza que não há qualquer ordem ou modelo de engenharia social conservadores capaz de resolvê-la. Vale dizer, são necessárias reformas profundas no Estado e na sociedade para tornarmo-nos viáveis como nação. O problema é que nunca houve acordo mínimo entre as elites e a sociedade sobre a natureza das reformas.</P>
<P>
Enquanto isso, a biodiversidade da nossa "selva social" vem requerendo periodicamente, para não transformar-se num estado permanente de luta aberta e de desespero, um imaginário coletivo que envolva a tolerância e a negociação. O problema é que hoje não basta o famoso pacto das elites. Quando a situação se torna dramática demais e nenhuma negociação global parece possível, é necessário buscar algum ponto de encontro, identificável no território do simbólico ou do sagrado, que vá da redenção ao sentimento de transcendência, como vem ocorrendo agora com a campanmha do Betinho. As lutas recentes passaram por fundos movimentos de massas que tiveram a animá-los um sentimento de "alegria, felicidade e solidariedade" de que foram exemplos a campanha das "Diretas Já" ou a campanha de Lula de 1989.</P>
<P>
Sobre a precariedade e o desejo persistente da alegria e da felicidade, a nossa música popular está cheia de versos poéticos que penetram no coração de todos. A memória poética e a esperança na capacidade de transformação da realidade é o que permanece, por cima das diferenças sociais e ideológicas da maioria da população que teima em acreditar que o Brasil é um país viável. "Brasileiro, profissão esperança" e "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima" foram duas das mais belas imagens criadas pela produção cultural deste nosso país.</P>
<P>
Dadas as raízes opressoras e autoritárias das elites dominantes brasileiras, que não fizeram senão sofisticar-se, e a violência social dos "mercados" formais e informais, o imaginário do "homem cordial" está hoje desacreditado. Mas ainda está profundamente enraizado na cultura tanto do povo como das classes dominantes o desejo ou a crença em soluções "mágicas" ou simplesmente "moralizadoras" para nossos graves problemas.</P>
<P>
Independentemente das conjunturas esta foi uma das maiores dificuldades políticas que tiveram de enfrentar quase todos os presidentes eleitos legitimamente na história do após guerra. As aspirações populares de justiça social mínima, juntam-se sempre demandas contraditórias das elites, acompanhadas de resistências surdas ou explícitas à mudança social. Estas características estruturais têm conduzido sistematicamente a impasses (Vargas, Jango, Jânio e Collor).</P>
<P>
Não se trata, como se tem sugerido, de obter alianças majoritárias no Congresso para poder governar ou da capacidade de decisão e coragem dos presidentes. A maioria deles se elegeu com alianças majoritárias dominadas pelas forças conservadoras e no entanto cada vez que tentaram empreender qualquer reforma que ameaçasse o "status quo" ou se viram na impossibilidade de arbitrar os interesses mais pesados, econômicos ou regionais, foram sistematicamente acusados de populismo e levados a um impasse, mesmo quando sua aliança originária tivesse poderosas forças conservadoras e algumas das elites chamadas "morais" e "bem pensantes".</P>
<P>
O regime autoritário, apesar de seu aparente poder "inconstratável" também não foi capaz de enfentar as desigualdades, a questão agrária e a educação de base. Apenas conseguiu fazer as reformas conservadoras e operacionais capazes de pôr de acordo, por um período limitado, as frações mais importantes das classes dominantes. Este acordo terminou antes mesmo da crise da dívida externa. Em compensação, a sua gestão "macroeconômica" contraditória, a criação da "ciranda financeira" e o endividamento externo excessivo criaram alguns vícios estruturais no Estado e no mercado pelos quais pagamos até hoje.</P>
<P>
O regime autoritário não criou os monopólios (privados ou públicos), os oligopólios, as construtoras, os banqueiros, os especuladores, apenas permitiu que o Estado fosse usado por eles de forma predatória, numa extensão até então desconhecida. Não criou as condições originárias do "capitalismo selvagem", apenas as exarcerbou com a convivência perversa de seus representantes mais poderosos, em decisões secretas nos principais gabinetes e desvãos dos sucessivos governos, sem controle social de qualquer espécie.</P>
<P>
A crise do modelo de desenvolvimento e da ideologia do Estado autoritário começou no final da década de 70 e contribuiria em muito para a sua derrocada. Infelizmente a ideologia neoliberal não contribuiu em nada para reformar o Estado e regenerar o setor público na direção dos interesses das grandes massas. No que se refere ao mercado, a idéia da "liberdade" irrestrita da concorrência ilimitada como mecanismo de eficiência, a privatização desordenada, o desmantelamento de empresas estratégicas e dos sistemas de infra-estrutura que abrangem todo o território nacional, estão minando nossas possibilidades de competitividade internacional futura e agravando o desemprego e a injustiça social.</P>
<P>
Estamos jogando fora as poucas vantagens sistêmicas que o regime autoritário anterior conseguiu com tanto sacrifício do povo. Estamos liquidando o sistema de planejamento e a burocracia de Estado sem colocar nada no lugar; estamos contribuindo assim para um novo tipo de "capitalismo selvagem" que ultrapassa o herdado de nossas condições históricas. E, o que é pior, pretendem legitimá-lo sob a forma de uma doutrina neoliberal em que foram adotadas radicalmente as teses do livre mercado e confundidas, de boa ou má fé, com o conceito de democracia.</P>
<P>
Assim, na crise atual, partidos, organizações patronais, sindicais e burocráticas, empresas e bancos, travam entre si uma luta desordenada, sem qualquer possibilidade de construir um novo pacto hegemônico conservador e muito menos construir um novo projeto nacional. Lutam nos seus "territórios menores" sem quartel, sem ética, sem projeto, numa verdadeira "ciranda política" em que as alianças duram apenas o tempo de uma conjuntura particular. É a guerra de todos contra todos, entrecruzada por alianças parciais e temporárias que não conduzem a nada.</P>
<P>
A única novidade política é a persistência de um candidato de extração popular nas intenções de voto de uma parte substancial da população. Contra ele estão começando a articular-se um conjunto de forças poderosas. Como proclamou esta semana, em manchete e com certa ironia, a "Gazeta Mercantil" (11/01/94): "Procura-se um adversário para Lula".</P>
<P>
MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES, 63, é economista, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora associada da Unicamp.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70560">
<P>
E depois da escalada da montanha?</P>
<P>
Acácio Barreiros *</P>
<P>
Worcester. Secção de voto A0277, Town Hall High Street, dia 26 de Abril. Faltavam dois minutos para as sete horas da manhã. Cá fora acumulavam-se algumas centenas de pessoas brancas, negras, mestiças e indianas à espera da sua vez de votar. No interior, o responsável pela delegação do Comité Eleitoral Independente que acabara de verificar, uma vez mais, se tudo estava em ordem para dar inicio à votação, pede silêncio e, com voz embargada pela emoção, diz: «Senhoras e senhores, vamos começar a escrever a mais linda página da História de África do Sul. Peço a todos um momento de recolhimento.»</P>
<P>
Finalmente, às sete em ponto, abrem-se as portas e no meio de um silêncio nervoso entra o primeiro cidadão eleitor. Tratava-se de um homem negro, com um fato castanho domingueiro, as lágrimas correndo pelo rosto e as mãos tremendo, que lá ia cumprindo lentamente as formalidades necessárias para votar. Mas quando lhe entregam o voto, não aguenta mais e desata num choro compulsivo que contagia os membros da mesa, os representantes dos partidos e os observadores. Mais tarde dir-me-ia: «Já sou um homem velho. Passei toda a vida à espera deste momento. Agora já posso morrer em paz!»</P>
<P>
Tinha razão o responsável da mesa de voto A0277 naquela pequena cidade a 150 km do Cabo. Começava a ser escrita ali, como por toda a África do Sul, a mais linda página da História daquele imenso país. E, seguramente, uma das mais lindas da História da Humanidade, acrescento eu.</P>
<P>
Muitos receavam que os ódios e as infinitas humilhações provocados pelo hediondo sistema do «apartheid» conduzissem irremediavelmente a um banho de sangue. Mas, para contentamento de todos os que acreditam na Liberdade e na Democracia, eis que o regime racista caiu pela força do voto de milhões de cidadãos finalmente livres.</P>
<P>
Para este feito notável contribuiu de forma decisiva a acção inteligente e corajosa dessa grande figura da História Universal que é Nélson Mandela. Depois de 27 anos de violenta prisão política, saiu da cadeia sem um gesto de rancor, combateu com determinação todos os extremismos, incluindo dentro do seu próprio partido, e defendeu sem hesitações uma saída democrática que permitisse a reconciliação nacional, fosse capaz de evitar a guerra civil e afirmar a África do Sul no mundo democrático.</P>
<P>
Quem conheça, ainda que superficialmente, a África do Sul sabe como é estreita e difícil a via democrática que Mandela defende. A cada passo são visíveis os traços terríveis com que o regime racista foi marcando aquele país. Em cada cidade, por mais pequena que seja, encontram-se os bairros negros que são autênticos campos de concentração de miséria, humilhação e revolta. Anos e anos de ódios acumulados não se apagam de um dia para o outro.</P>
<P>
Tudo isto é agravado por uma economia em crise e um desemprego crescente que atinge, sobretudo, a população negra. Mas as imensas dificuldades ainda dão mais grandeza à aposta democrática do povo sul-africano.</P>
<P>
No seu memorável discurso na hora da derrota eleitoral, o Presidente De Klerk disse: «Mandela levou muitos anos a escalar esta montanha. Mas chegado ao alto, não vê a planicie, mas sim novas montanhas tão difíceis de escalar como a primeira.» Esta é a dura realidade. Com a tomada de posse do primeiro Presidente eleito na África do Sul, no próximo dia 10, começam as novas escaladas.</P>
<P>
Mas para todos aqueles que na África do Sul e em todo o mundo se batem pelos Direitos Humanos fica o exemplo desta grande caminhada de coragem, determinação e amor feita por este homem e por este povo. Nélson Mandela disse várias vezes: «O importante é sermos homens livres, para podermos de facto decidir o nosso próprio destino.»</P>
<P>
As curtas palavras que aqui escrevo ainda no calor da emoção da experiência que pude viver como observador internacional das eleições na África do Sul não ficariam completas se não manifestasse também a minha profunda admiração pela acção do Presidente De Klerk. Colocado à frente do odioso regime racista, teve a inteligência e a coragem política de conjugar esforços com Mandela para acabar com esse regime. Sem a sua acção, não teria sido possível a solução democrática e pacífica encontrada. E o povo sul-africano reconheceu isso mesmo ao dar ao seu Partido Nacional uma votação honrosa que lhe permitirá continuar a ter um papel muito influente no futuro da África do Sul.</P>
<P>
Os notáveis discursos de respeito e admiração mútuos feitos por Mandela e De Klerk quando foram conhecidos os resultados eleitorais são mais um sólido motivo de redobrada esperança no sucesso do Governo de Transição que agora toma posse. E é nessa esperança que assenta muito do futuro próximo da África do Sul e da luta pelos Direitos Humanos em todo o mundo.</P>
<P>
* Deputado do PS, observador às eleições da África do Sul</P>
<P>
Destaque: Quem conheça, ainda que superficialmente, a África do Sul sabe como é estreita e difícil a via democrática que Mandela defende. A cada passo são visíveis os traços terríveis com que o regime racista foi marcando aquele país.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77090">
<P>
A incógnita da África do Sul</P>
<P>
José Gonçalves*</P>
<P>
O primeiro elemento em jogo na África do Sul é a própria natureza da sua transição, uma transição negociada internamente e que não termina nas eleições, antes começa com elas.</P>
<P>
De modo geral, as transições africanas esqueceram o facto de os Estados do continente serem multiculturais, multicomunitários e, às vezes, até multinacionais. Nas sociedades com este tipo de divisão -- sobretudo quando se trata de casos que cada vez mais a ciência política designa por «sociedades profundamente divididas» --, o factor ideológico é suplantado ou pelo menos igualado pelas solidariedades e medo de grupo.</P>
<P>
As garantias para as comunidades minoritárias, a descentralização administrativa e o princípio de que o voto proporcional deve repercutir-se tanto no legislativo como no executivo são métodos que permitem, no caso africano, evitar a exacerbação dos antagonismos e fazer do período transitório uma fase de restabelecimento da confiança e de emergência de partidos políticos ou de sociedades civis onde as clivagens étnicas sejam desdramatizadas.</P>
<P>
A partir daí, terá impacto a noção de programa político-ideológico. O método usado para negociar uma transição nestes termos implica, antes de mais, boa vontade dos grandes actores políticos. Se um destes grandes actores estiver disposto a adoptar uma estratégia de confronto, os demais terão de possuir uma grande capacidade de envolvimento ou força armada dissuasiva. As mediações, em situações destas, serão reféns da conjuntura que se criar no terreno.</P>
<P>
Até aqui, na África do Sul, não houve intervenções de mediadores, e tem a sua importância constatar que a direita defende agora a mediação externa contra a opinião do Governo. Para De Klerk, esta mediação é «manobra dilatória» e, de facto, ao avançar com a proposta, a direita pede a «adaptação do calendário eleitoral» para dar tempo à mediação.</P>
<P>
Para o ANC, que em princípio concordou, pode tratar-se de uma concessão destinada a testar a boa fé destas forças, sublinhando que a data das eleições não é negociável.</P>
<P>
A ausência da direita nas eleições tem algumas vantagens para o Partido Nacional, que pode mobilizar eleitores dessa faixa em nome da «barreira contra a aliança ANC-PC». No entanto, o risco de violência cometida por sectores brancos levanta uma interrogação. Como se comportará o exército?</P>
<P>
As forças armadas sul-africanas têm uma capacidade operativa bem conhecida e, em condições normais, são o tal factor dissuasivo. Mas, para isso, é fundamental que a cadeia de comando não se rompa e que a base se mantenha leal. Um problema que De Gaulle enfrentou (com sucesso) durante a transição para a independência da Argélia.</P>
<P>
Os analistas locais de temas militares sublinham -- inclusive no ANC -- que as SADF não têm tradição golpista e que a chegada de De Klerk ao poder com o programa que tem vindo a aplicar era conhecida previamente dos militares. Desde há vários anos que a teoria reinante nas SADF é que o problema do país «é 80 por cento político e 20 por cento militar».</P>
<P>
O desenvolvimento da máquina de guerra sul-africana obrigou ao recrutamento de pessoal altamente especializado. Como em todos os exércitos que atingem este nível, a preocupação é adoptar uma postura profissional que não se confunda com a atitude pretoriana. Assim, o corpo permanente do exército sul-africano exigiu que a capacidade operativa, os requisitos de promoção e o regulamento de disciplina fossem mantidos no futuro exército inteiramente voluntário. O próprio ANC concordou, até porque um exército forte ser-lhe-á muito útil na futura política austral.</P>
<P>
Os soldados colocados no lugar dos polícias em zonas sensíveis do East Rand têm-se conduzido de forma elogiada por todos os grandes partidos e a reacção popular é favorável. O problema é saber se os casos de ligação aos antigos comandos e antigos métodos serão suficientemente numerosos para provocar rupturas na intensidade dissuasiva de uma força que vai ser espalhada por todo o país no período eleitoral, como garantia contra sabotagens e intimidades.</P>
<P>
Dois temas ocupam, portanto, o topo do cenário actual; de que forma serão cumpridos os acordos negociados pelos signatários que devem coabitar nas futuras instituições e como se comportará o regulador da violência perante a sua persistência ou mesmo o seu recrudescimento.</P>
<P>
* jornalista angolano residente na África do Sul</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83021">
<P>
Aliança Atlântica discute em Istambul papel da Rússia</P>
<P>
O dilema da NATO</P>
<P>
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO estão reunidos em Istambul, onde vão tentar definir que papel pode a Rússia ter no seio da Aliança Atlântica. É um dilema: se, por um lado, não podem permitir que a Rússia interfira nas suas decisões, por outro, não podem ignorar esta superpotência.</P>
<P>
Rodeados de apertadas medidas de segurança, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 16 países da NATO estão, desde ontem, reunidos em Istambul, na Turquia, para começar a definir as grandes opções políticas da NATO em relação à Rússia.</P>
<P>
O perigo de a reunião ser alvo de atentados islamistas levou a que fossem destacados para a segurança dos ministros e delegados da NATO dois mil polícias. Além disso, navios de guerra tomaram posição nas águas do Bósforo, que banham a capital turca, onde muitas ruas foram fechadas para permitir a circulação dos participantes em segurança.</P>
<P>
Ontem e hoje, a agenda dos ministros centrou-se na análise da situação da Bósnia e nos acordos de redução de armas nucleares. Mas o dia mais difícil deste encontro será amanhã, quando chegar a Istambul o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Andrei Kozirev. Kozirev vai repetir ao Conselho de Cooperação do Atlântico Norte (Cocona, a instância encarregada das relações da NATO com os seus antigos adversários na guerra fria) o que Moscovo já disse tantas vezes -- vai contestar as decisões da Aliança tomadas sem o conhecimento de Moscovo, como os raides aéreos sobre as posições sérvias na Bósnia.</P>
<P>
Os ministros da Aliança querem que o seu homólogo russo dê uma resposta final sobre a data da adesão da Rússia à Parceria para a Paz, o programa de cooperação lançado em Janeiro pela Aliança e que visa aproximar o antigo bloco de Leste através de manobras e operações comuns de planificação militar. O programa já foi assinado por 20 países, muitos deles antigas repúblicas da URSS.</P>
<P>
Após uma brevíssima posição contra a Parceria, a Rússia acabou por aceitar a assinatura do documento, mas tem vindo a adiar a concretização desse passo. Ontem, fontes da NATO adiantaram que há uma possibilidade de Moscovo aderir à Parceria em Agosto.</P>
<P>
Inicialmente, Moscovo tentou fazer o jogo das concessões: só assinaria a Parceria se lhe fosse reconhecido um estatuto especial dentro da NATO -- a Rússia é uma grande potência mundial, possui armas nucleares e as suas forças convencionais são superiores às de todos os outros países da Europa.</P>
<P>
Proposta inaceitável</P>
<P>
No mês passado, o ministro russo da Defesa, Pavel Gratchev, esteve em Bruxelas para apresentar os termos da proposta russa para uma cooperação com a NATO. Foi rejeitada, mas previa que, além da Parceria, fosse igualmente assinado um protocolo de cooperação que incluía a criação de um mecanismo de consulta prévia sobre questões relacionadas com a segurança na Europa e no mundo.</P>
<P>
O problema é que a proposta russa vai muito mais além de um acordo de cooperação especial. O que Moscovo propõe é uma reestruturação dos mecanismos de segurança na Europa e a criação de uma nova hierarquia que retira autonomia à NATO. A Aliança teria um peso idêntico ao da União Europeia e ao da Comunidade de Estados Independentes (CEI), as suas decisões militares e políticas seriam subordinadas ao Cocona, que, por sua vez, dependeria hierarquicamente da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa (CSCE). Isso significaria que a Rússia adquiria direito de veto sobre as decisões da NATO, sem necessitar de ser membro da Aliança.</P>
<P>
Para os analistas, está muito claro para Moscovo que a proposta é inaceitável para os aliados ocidentais. E tudo não passa de um jogo de forças numa altura em que a NATO enfrenta um dilema: não pode subalternizar-se e permitir que seja outra organização a ratificar as suas decisões, ou submetê-las à aprovação de Moscovo; mas é urgente o estabelecimento de uma relação estável com a Rússia.</P>
<P>
Mas, como diz o especialista em assuntos de segurança Frederick Bonnart -- no artigo «Que espaço para a Rússia» publicado no «Herald Tribune» --, o dilema para o Ocidente é também perceber se a Rússia se transformou de facto num país democrático e que, como tal, está pronto a aceitar as estruturas legais internacionais. A Rússia quer sentir que reúne as condições para fazer parte da comunidade internacional e ter um verdadeiro papel de cooperação. Mas, se Bonnart considera que a NATO deve dar um passo unilateral e reconhecer as aspirações de Moscovo em ter um papel activo na segurança da Europa, entre a Aliança permanecem as dúvidas quanto a deixar que Moscovo se aproxime demasiado.</P>
<P>
Instabilidade na Rússia</P>
<P>
Para suprir os seus problemas económicos, a Rússia continua a vender indiscriminadamente material de guerra. Ainda na terça-feira foram anunciados contratos de venda de mísseis e aviões de combate MiG ao Brasil e à Malásia. As Forças Armadas são cada vez mais um potencial foco de problemas. O ministro da Defesa queixou-se recentemente ao jornal conservador «Trud» que o dinheiro não chega e que as Forças Armadas estão a ser alimentadas com «rações de fome». O ministro reagiu violentamente ao facto de o Parlamento ter aprovado o novo orçamento militar, muito aquém das expectativas dos militares, que ameaçam adoptar formas de luta pelo que consideram seus direitos.</P>
<P>
A situação política interna da Rússia é também instável. A oposição conservadora está a ganhar terreno e a situação económica continua a deteriorar-se, dizem os últimos relatórios dos organismos económicos internacionais. Para completar este quadro de insegurança, esta semana a Rússia começou a pressionar as antigas repúblicas soviéticas no sentido de renegociarem um acordo sobre o limite de armas nas fronteiras, disse à Reuter uma fonte da NATO, sob anonimato.</P>
<P>
Após o colapso da URSS, as ex-repúblicas soviéticas assinaram entre si um acordo de controlo de armamento marginal ao Tratado de Forças Convencionais na Europa (CFE). É precisamente nesse acordo que Moscovo quer introduzir alterações, com o objectivo de aumentar o arsenal bélico estacionado junto às suas fronteiras no Cáucaso, justificado essa medida com o facto de os conflitos na região ameaçarem a estabilidade interna.</P>
<P>
O Azerbaijão -- em guerra com a Arménia pela posse de Nagorno-Karabakh -- já rejeitou a pretensão russa; quanto à Arménia a sua resposta foi vaga. Mas a Geórgia poderá ver-se obrigada a aceitar as alterações no Tratado, uma vez que Tbilissi depende inteiramente de Moscovo para controlar o conflito com os separatistas da Abkházia.</P>
<P>
Fontes da NATO dizem que a intenção da Rússia é renegociar o CFE (o que poderá ser proposto por Kozirev), argumentando que este acordo -- que prevê a limitação de armamento desde o Atlântico aos Urales -- já não reflecte a situação em termos de segurança que se vive na Europa. E acusa a NATO de ser uma organização que se desligou das novas realidades.</P>
<P>
O assunto deverá ser levantado de novo por Kozirev. Mas tudo indica que os ministros da Aliança Atlântica vão rejeitar mexer no CFE. A verdade é que as pressões russas junto dos países vizinhos relançaram o debate à volta de outra velha questão: quais são as intenções da Rússia na sua periferia? Ao mesmo tempo que tentam negociar um reforço de armamento nas regiões fronteiriças do Cáucaso, os russos continuam a negociar a passos lentos a retirada das suas tropas dos países bálticos -- Gratchev disse mesmo que a retirada não se fará tão cedo, porque não há dinheiro para a operação e para realojar os militares.</P>
<P>
Por tudo isto, é pouco provável que os 16 países-membros da NATO cheguem a uma decisão sobre a Rússia na reunião de Istambul. As negociações vão continuar nas próximas semanas. Para já, a NATO parece ter para oferecer à Rússia um diálogo informal. Resta saber se isso é suficiente para Moscovo, ou se os russos vão continuar a rejeitar a Parceria como forma de pressão para obter um acordo mais favorável.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-57257"> 
<P> « Call girl » estreia hoje em 40 salas de cinema </P>
 <P> O filme « Call girl », de António-Pedro Vasconcelos, estreia hoje em quarenta salas de cinema, mostrando uma intriga policial que envolve uma mulher fatal e um autarca escrupuloso que se deixa corromper. </P>
 <P> Soraia Chaves veste a pele de mulher fatal e no papel do autarca corrompido está Nicolau Breyner, aos quais se juntam dois inspectores de polícia, os actores Ivo Canelas e José Raposo, e aquele que alicia à corrupção, interpretado por Joaquim de Almeida. </P>
 <P> « Call girl » podia ser uma variação moderna de Anjo Azul, de Josef von Sternberg, disse o realizador à agência Lusa, acompanhando «o percurso da decadência, da perdição», do autarca alentejano até ao momento em que aceita dinheiro em troca de um favor. </P>
 <P> «Neste caso a personagem é corrompida, no outro [ Anjo azul ] perde toda a dignidade e reputação», compara António-Pedro Vasconcelos, até porque é um tema «recorrente na literatura e na ficção ocidental». </P>
 <P> « Call girl », cujo argumento o realizador escreveu ao longo de dois anos em parceria com Tiago Santos, é uma história sobre o poder do dinheiro e da sedução, sobre a corrupção no meio político e a prostituição de luxo. </P>
 <P> A fotografia é de José António Loureiro, a produção de Tino Navarro e do elenco fazem ainda parte Virgílio Castelo, Custódia Gallego, Sofia Grilo ou José Eduardo. </P>
 <P> « Call Girl » é uma co-produção luso-brasileira da MGN Filmes e da Lagoa Cultural, e conta ainda com a participação financeira dos institutos do cinema de Portugal e do Brasil e da estação de televisão TVI. </P>
 <P> « Call Girl » é o sétimo filme de António-Pedro Vasconcelos, 68 anos, e o último de produção nacional a estrear este ano nas salas de cinema. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="relkj7666">
<P>ARQUITETURA E HISTÓRIA</P>
 <P> A partir do Forte de Santiago, na Ponta do Calabouço, a evolução do conjunto arquitetônico do Museu acompanhou a trajetória urbana da cidade do Rio de Janeiro. À fortificação inicial veio se juntar a Casa do Trem, destinada à guarda do "trem de artilharia", conjunto de apetrechos bélicos usados na defesa da cidade, e, mais tarde, o Arsenal de Guerra. </P>
 <P> No início do século XX o Arsenal é transferido para a Ponta do Caju, abrindo o caminho para a adaptação do conjunto para suas novas funções: Pavilhão das Grandes Indústrias da " Exposição Internacional de 1922 ". </P>
 <P> Por determinação do Presidente Epitácio Pessoa, o Pavilhão abrigou, em duas de suas salas, o núcleo inicial do Museu Histórico Nacional. Com o encerramento da Exposição, o Museu veio ocupando progressivamente toda a área. </P>
 <P> PATROCINADORES </P>
 <P> Ministério da Cultura </P>
 <P> Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional </P>
 <P> Associação dos Amigos do Museu Histórico Nacional </P>
 <P> Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social </P>
 <P> Caixa Econômica Federal </P>
 <P> Holcim (Brasil) S. A. </P>
 <P> Vitae -- </P>
 <P> Recuperar a arquitetura original, ampliar espaços destinados ao público, aprimorar os serviços oferecidos aos visitantes, democratizar o acesso dos mais diversos segmentos da sociedade e viabilizar uma circulação e um percurso adequados ao discurso museográfico: essas foram as diretrizes que nortearam o " Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006 ", concluído em 19 de maio de 2006. </P>
 <P> A primeira fase das obras, totalmente financiada pelo Ministério da Cultura num total de R$ 1.980.000,00, foi inaugurada dia 9 de setembro de 2004, com a presença do
Primeiro Ministro de Portugal, Pedro Santana Lopes, da
Ministra da Cultura de Portugal, Maria João Bustorff Silva, e do Ministro de Estado da Cultura, Gilberto Passos Gil Moreira, já que nesta data foi aberta a exposição internacional « Artes Tradicionais de Portugal », promovida pela Fundação Gulbenkian. </P>
 <P> Iniciada em dezembro de 2003, a primeira fase das obras incluiu a recuperação de uma área de 1.500 metros quadrados que estavam completamente sem uso há mais de trinta anos e apresentavam um avançado processo de deteriorização. Nesse local, foram instalados os novos acessos ao circuito de exposições (escadas rolantes e elevador para portadores de necessidades especiais) e os espaços para atendimento ao público - guarda volumes, cafeteria, sanitários públicos e bilheteria - além de áreas para serviços internos. </P>
 <P> A partir da assinatura de contrato entre o Museu Histórico Nacional, a Associação dos Amigos do Museu Histórico Nacional e a Caixa Econômica Federal realizada no dia 26 de novembro de 2004, foram liberados recursos no valor de R$ 1.900.000,00 para o início da segunda fase das obras ainda em dezembro de 2005. </P>
 <P> Nesse etapa foi desmontada a laje construída em 1940, quando parte do conjunto arquitetônico era utilizada pelo Ministério da Agricultura, para abrigar um canteiro de experiências agrícolas e que gerava no pavimento térreo uma área de insalubridade que comprometia a integridade física do acervo sob a guarda do Museu. </P>
 <P> Essa obra foi fundamental para resgatar a arquitetura original de 1922, devolvendo ao público um belíssimo pátio interno interligado aos Pátios da Minerva e dos Canhões e um espaço nobre para exposições, além de permitir que parte da Reserva Técnica seja vista, sem prejudicar a segurança do acervo. Com uma área de 2.000 metros, o novo pátio recebeu o nome de Gustavo Barroso, numa homenagem ao fundador e primeiro diretor do Museu Histórico Nacional. </P>
 <P> Com o patrocínio da HOLCIM (Brasil) S. A. foram recuperados 1.000 metros quadrados de galerias voltadas para o Pátio Gustavo Barroso para a implantação da exposição permanente " Do Móvel Ao Automóvel: Transitando pela História ", reunindo a preciosa coleção de meios de transportes terrestres do Museu Histórico Nacional em sua totalidade, a partir de restauração viabilizada graças a Vitae - Apoio à Cultura, Educação e Promoção Social. </P>
 <P> Com recursos do Ministério da Cultura foram concluidas as obras da terceira fase do « Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006 " com o objetivo de ampliar o auditório, visando dobrar a capacidade de atendimento de cem para duzentos lugares e, possibilitando a um maior número de interessados o acesso aos cursos e seminários promovidos pelo Museu. Ainda com recursos do Ministério da Cultura, o Pátio dos Canhões foi reformado, contando com o apoio do Arsenal de Guerra do Rio e do Instituto Benjamin Constant para a confecção das novas legendas das peças expostas, inclusive em braille. </P>
 <P> Com o patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, essa etapa incluiu, ainda, a recuperação de três amplas galerias de exposição permanente situadas no segundo andar, além da realização de obras estruturais no terceiro andar, onde funciona a Administração. </P>
 <P> As galerias revitalizadas com os recursos do BNDES abrigam o multivídeo panorâmico " A Trajetória de um museu ", que apresenta o Museu Histórico Nacional ao visitante, e a exposição " Oreretama ", que abre pela primeira vez no Museu Histórico Nacional um espaço permanente dedicado ao índio brasileiro. " Oreretama » apresenta também uma ambientação representando uma gruta do sítio arqueológico da Serra da Capivara e os sambaquis do litoral, incluindo objetos retirados de sítios do Estado do Rio de Janeiro. </P>
 <P> Com o " Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006 ", o Museu Histórico Nacional segue a tendência mundial dos grandes museus nacionais de se adequarem às necessidades impostas pelo aumento do fluxo de visitantes e à valorização das instituições culturais nesse novo milênio. </P>
 <P> A solenidade do término das obras do " Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006 " foi realizada no dia 19 de maio de 2006, no âmbito das comemorações do Dia Internacional de Museus, com a presença do Ministro de Estado da Cultura, Gilberto Passos Gil Moreira. </P>
 <P>ARQUIVO HISTÓRICO</P>
 <P> O Museu Histórico Nacional oferece ao público Arquivo Histórico, com 50.000 documentos iconográficos e manuscritos sobre a história do Brasil, e Biblioteca com 57.000 obras versando sobre história, história da arte, museologia, heraldica, numismática, genealogia e moda. </P>
 <P> Oferece, ainda, o Centro de Referência Luso-Brasileiro, ligado ao Arquivo Histórico e criado em 1998, no âmbito das comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil. </P>
 <P> O Arquivo pode ser consultado de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h30m, mediante agendamento prévio através do telefone (0xx21) 2550-9268. </P>
 <P> O Museu mantém, ainda, Arquivo Institucional sobre a trajetória do próprio Museu Histórico Nacional, com documentos, fotografias, impressos, recortes de jornal, etc. As fotos utilizadas para ilustrar o item " ARQUITETURA E HISTÓRIA " integram este acervo. O Arquivo Institucional é aberto a consultas, mediante agendamento prévio através do telefone 21-25509265. </P>
 <P> Retrato do Imperador D. Pedro II </P>
 <P> Fotografia Francisco Pesce, 1888 O Arquivo Histórico reúne importantes documentos manuscritos e iconográficos referentes à nossa história e divididos em coleções, como a " Coleção Família Imperial ", compreendendo 1.445 documentos de diversas procedências, relacionados aos Imperadores D. Pedro I e D. Pedro II e respectivos familiares. São gravuras e álbuns de fotografias com retratos da realeza e nobreza da época, vistas de cidades brasileiras e estrangeiras e documentos pessoais, como os exercícios de caligrafia de D. Pedro II ; de correspondência entre membros da família imperial e outros, além de homenagens como poesias, sonetos, hinos ou músicas dedicados a membros da família. </P>
 <P> Ântonio Carlos Gomes </P>
 <P> Il Guarany </P>
 <P> Folha de rosto da Partitura </P>
 <P> O Arquivo Histórico preserva, ainda, importante coleção referente ao compositor brasileiro Ântonio Carlos Gomes, que inclui o primeiro volume da partitura original de um de seus primeiros trabalhos, a ópera " Joana de Flandres ". Formada a partir de diversas doações, a coleção reúne 216 documentos, entre desenhos de cenários, cartas, fotografias, partituras originais e libretos de algumas obras como " Condor ", " Morena " e " Colombo ", preciosos para uma melhor compreensão do trabalho de Carlos Gomes, cuja obra de maior sucesso, " O Guarani ", estreou no
Teatro Scala de Milão em 1870, sendo encenada em diversos países. </P>
 <P> A Coleção Eusébio de Queirós engloba 350 documentos, sobretudo correspondências trocadas entre políticos e seus familiares, versando, principalmente, sobre a repressão ao tráfico negreiro e temas políticos e judiciais. Magistrado e político brasileiro, nascido em Angola em 1812, Eusébio de Queirós Coutinho Matoso da Câmara exerceu o cargo de Ministro da Justiça de 1848 a 1852, destacando-se como autor de duas importantes leis do Império: a lei 556, que criava o Código Comercial, e o decreto 708, que estabelecia medidas para a repressão ao tráfico de africanos. </P>
 <P> Missão Salesiana em Mato Grosso, 1908 </P>
 <P>Meninas bororos freqüentam a escola</P>
 <P> Documentação pessoal, álbuns de fotografias e documentos cartográficos compõem a " Coleção Miguel Calmon Du Pin e Almeida ", engenheiro e político brasileiro, que ocupou o cargo de Ministro de Viação e Obras Públicas no Governo Afonso Pena, entre 1906 e 1909 e de Ministro da Agricultura no mandato de Artur Bernardes, de 1922 a 1926. </P>
 <P> As fotografias documentam as principais obras que significaram a incorporação dos ideais de progresso e modernização pelo Brasil no começo do século XX, assim como as diversas áreas indígenas encontradas ao longo deste trabalho. </P>
 <P> Aquarelas de Sophia Jobim para Ilustrar suas aulas de indumentária </P>
 <P> A moda também faz parte do Arquivo Histórico. Quem pesquisa a indumentária civil e militar não pode deixar de consultar as coleções " Sophia Jobim Magno de Carvalho " e " Uniformes Militares ". </P>
 <P> Museóloga e desenhista, Sophia Jobim lecionava na Escola Nacional de Belas Artes a disciplina de Indumentária Histórica. </P>
 <P> Através de suas constantes viagens pelo mundo, colecionou um vasto acervo de trajes típicos, fundando, em 1960, o primeiro
Museu de Indumentária Histórica e Antigüidades da América Latina em sua residência no bairro carioca de Santa Teresa. </P>
 <P> Toda a coleção Sophia Jobim é doada ao Museu após a sua morte. Os trajes típicos são preservados na Reserva Técnica, os livros na Biblioteca e os 1.124 documentos textuais e iconográficos, inclusive livros de receitas de pratos regionais e álbuns de fotografia de eventos relacionados à trajetória da titular da coleção, estão à disposição do pesquisador no Arquivo Histórico. </P>
 <P> Já a coleção de uniformes militares é composta por 836 documentos iconográficos, dos quais destacam-se 228 aquarelas de autoria de José Wasth Rodrigues ; álbuns de aquarelas, do século XVIII, de uniformes militares do período colonial e de desenhos copiados de modelos de uniformes existentes no
Arquivo Histórico e Colonial de Lisboa. O valor documental destas obras reside na constituição dos traços da indumentária militar brasileira, do período colonial ao republicano, tornando-se fonte de consulta obrigatória com relação a este tema. </P>
 <P> Juan Gutierrez </P>
 <P> Documentou a Revolta da Armada (1893/94) </P>
 <P> Cerca de 10.200 fotografias, entre as quais os primeiros processos fotográficos, como daguerreótipos e ambrotipos, integram o acervo do Arquivo Histórico. São fotografias de Marc Ferrez e Augusto Malta, além de cartões postais de diversas épocas. Destaque para a " Coleção Juan Gutierrez ". Fotógrafo espanhol, Gutierrez atuou no Rio de Janeiro entre 1880 e 1890. Documentou a Revolta da Armada (1893/94), retratando as fortificações, os soldados e o armamento utilizado sem, contudo, apresentar cenas do embate. Suas lentes captaram, ainda, vistas de vários bairros da antiga cidade do Rio de Janeiro, reproduzindo sua arquitetura e seu cotidiano. Conheça toda a coleção de fotografias de Gutierrez em nossa Galeria Virtual. Desenhos, gravuras e aquarelas de importantes artistas como Rugendas, Debret, Norfini e Reis Carvalho, retratam cidades e paisagens brasileiras ao longo dos séculos XIX e XX, estando também preservados no Arquivo Histórico. </P>
 <P> Nair de Teffé </P>
 <P> Dita Rian (1886-1981) </P>
 <P>Caricatura</P>
 <P> Outra curiosa coleção pertencente ao acervo do Museu é formada por 26 caricaturas de Rian, entre as quais as dos Presidentes Juscelino Kubitsckek, Eurico Gaspar Dutra, João Café Filho e Humberto de Alencar Castelo Branco. Os traços irônicos de Rian fixaram, sobretudo, personalidades políticas e figuras da alta sociedade. Rian, na realidade Nair de Teffé, já era conhecida caricaturista ao casar-se, em 1913, com o então Presidente da República, Hermes da Fonseca. Com trabalhos publicados em revistas nacionais e estrangeiras, como o Semanário Fon-Fon, Le Rire e a Gazeta de Notícias, escandalizou muitas vezes o Palácio do Catete com suas atitudes excêntricas. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-81393">
<P>
Torneio</P>
<P>
Invicta</P>
<P>
Guimarães-Celta de Vigo (19h00, no Estádio da Maia) e FC Porto-Selecção da Argélia (22h00, nas Antas) são os dois jogos de hoje do Torneio Internacional Invicta, uma prova organizada pelos portistas em colaboração com a autarquia maiata. Para além do regresso de Madjer às Antas, actual treinador dos argelinos, a prova servirá de apresentação da equipa portista e de algumas das contratações efectuadas esta época. São os casos de N' Tsunda, Latapy, Rui Barros, Emerson e do peruano Baroni, cuja contratação ainda se encontra em fase de negociações. Para o jogo de hoje à noite não foram convocados o sul-africano Mandla Zwane e os argentinos Walter Paz e Roberto Mogrovejo, que poderão ser chamados para o encontro de amanhã, apesar de ser muito provável que Mandla e, principalmente, Mogrovejo venham a ser emprestados para rodarem um ano noutro clube. Bobby Robson convocou ainda os seguintes jogadores: Vítor Baía, Cândido, João Pinto, Bandeirinha, Rui Jorge, Jorge Costa, José Carlos, Aloíso, Secretário, Rui Filipe, Paulinho Santos, Folha, Drulovic e Domingos.</P>
<P>
Senna</P>
<P>
O acidente que vitimou o piloto brasileiro de fórmula 1, Ayrton Senna, no Grande Prémio de São Marino, em 1 de Maio, poderá ter sido causado pela quebra da coluna de direcção do Williams-Renault, escreveu ontem o diário desportivo françês «L'Équipe». O jornal cita um relatório oficioso de uma peritagem ordenada pela justiça italiana ao acidente, ocorrido no circuito de Imola. Segundo o «L'Équipe», os investigadores orientaram-se para a coluna de direcção depois de terem analisado os pneus e a caixa negra do Williams-Renault e de terem considerado igualmente outras hipóteses, entre as quais o erro humano. Uma análise microscópica da fractura de coluna de direcção teria permitido determinar que a ruptura não tinha sido originada pelo choque contra o muro de betão da curva Tamburello, onde a viatura de Senna saíu da pista, mas sim por um defeito de qualidade e, eventualmente, por falta de espessura do metal. Entretanto, o juiz italiano encarregado do processo, Maurizio Passarini, declarou ontem que as conclusões do inquérito só serão conhecidas em meados de Outubro, mesmo em termos oficiosos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30287">
<P>
Presidente da Câmara de Oeiras entrega chaves de casas a 86 famílias</P>
<P>
Barracas atrás de barracas deixam Isaltino embaraçado</P>
<P>
A ausência do ministro Ferreira do Amaral numa cerimónia de entrega de habitações sociais em Oeiras acabou por poupar Isaltino de Morais do embaraço de ser publicamente criticado, na presença de um membro do Governo. É que enquanto a uns entregou casas, a outros mandou destruir as que tinham, para os colocar num sítio imundo.</P>
<P>
À cerimónia de entrega das chaves dos 86 novos fogos de habitação social recentemente concluídos na urbanização da Outurela/Portela, no concelho de Oeiras, onde esteve ontem o presidente da Câmara, Isaltino Morais, não faltou quase nada -- apenas o reconhecimento de que, em Oeiras, todos os munícipes merecem ser tratados com um mínimo de dignidade.</P>
<P>
Pela manhã, na urbanização da Outurela/Portela -- onde foram realojadas as 86 famílias ontem bafejadas pela sorte de ter finalmente uma casa -- houve pompa e folclore.</P>
<P>
À porta de um dos blocos dos apartamentos a inaugurar, Isaltino Morais descerrou uma placa gravada, onde, se falava de «Sonhar Portugal, para construir o futuro», ainda que ele não chegue para todos os que esperam ser realojados, para logo a seguir se afadigar no simbolismo da plantação de uma árvore -- um freixo, que as crianças daquela urbanização «hão-de ver crescer», como sublinhou.</P>
<P>
Para o acto, estava anunciada a presença do ministro Ferreira do Amaral, «para a assinatura do contrato da primeira empreitada do Plano Especial de Realojamento (PER) da Câmara de Oeiras», mas, como a autorização do Tribunal de Contas não chegou a tempo, essa cerimónia ficou adiada e o ministro -- que ficou assim com mais tempo para acompanhar os acontecimentos na ponte -- há-de voltar ao município mais tarde, explicou Isaltino Morais.</P>
<P>
Mas nem por isso os foguetes deixaram de estalar, na Encosta da Portela, onde dezenas de balões, inevitavelmente laranja, foram lançados ao céu e outros tantos oferecidos às crianças, que corriam encantadas atrás deles. Já os pais aguardavam ansiosos a vez de chegar junto do palanque e receber, por fim, das mãos de Isaltino Morais, a chave da casa pela qual esperaram anos.</P>
<P>
Antes tiveram, porém, que ouvir as palavras do presidente da Câmara, a propósito do «enorme esforço que a autarquia está a fazer para dar a cada um dos munícipes uma casa condigna», que não pode chegar para todas as pessoas no mesmo dia. «E quantas vezes as pessoas não tratam mal os funcionários da Câmara, o que não deviam fazer», disse-lhes ainda o autarca, num reparo aos protestos que por vezes surgem.</P>
<P>
É que, como sublinhou, ninguém imagina o que é o esforço até se conseguir alcançar esse objectivo: «É preciso encontrar terrenos, prepará-los para a construção» e, antes que as casas apareçam feitas e prontas a entregar, ainda é muitas vezes preciso «preparar também as famílias» que as hão-de habitar. Porque nem todos estão habituados. Têm que passar por «um período de transição». Daí que, enquanto não houver casa para todos, segundo Isaltino Morais, alguns -- como acontece com moradores do Alto de Santa Catarina -- estejam a ser reinstalados «temporariamente, em casas abarracadas» que vão vagando, noutras zonas de construção clandestina do concelho.</P>
<P>
«Porque não se pode pegar nos 300 ou 400 moradores do Alto de Santa Catarina e transferi-los por inteiro para um novo bairro». Isso seria, para Isaltino Morais, «criar um novo ghetto», o que se traduz numa política de habitação social que a Câmara de Oeiras não quer seguir.</P>
<P>
Imundo, isolado e sem acessos</P>
<P>
Mas a política que a autarquia segue torna-se difícil de compreender, sobretudo para os que, além de não terem ainda sido contemplados com uma casa, se vêem confrontados com uma alternativa bem pior, que lhes é imposta pela câmara: a de irem morar para Salregos -- onde o PÚBLICO esteve ontem -- um local imundo, isolado e sem acessos, e, ainda por cima, em barracas, em piores condições das que usufruíam no Alto de Santa Catarina. E caso não aceitem, perdem o direito à casa de habitação social para a qual estavam inscritos, como já os ameaçaram.</P>
<P>
Afinal, quais são os critérios da Câmara na operação de realojamento? Esta foi a questão que alguns deles, presentes na cerimónia, colocaram a Isaltino Morais, estragando a festa laranja e embaraçando o autarca, que até mudou de cor. «Ele ficou tão vermelho», comentava depois uma das jovens presentes. Mas às perguntas, Isaltino disse nada: «Esses problemas tratam-se é na Câmara, não em público», retorquiu.</P>
<P>
E enquanto uns receberam as chaves de casas acabadas de construir, outros, como Pedro Silva, um operário da construção civil, casado e com uma filha de ano e meio, ficaram na rua, desde que na semana passada a polícia municipal lhes destruiu as barracas. Agora, só se forem para Salregos, viver ao lado de um riacho, transformado em lixeira, numa velha casa abarracada, empestada a cheiro a esgoto.</P>
<P>
«Aqui, só o cheiro mata a gente», dizia, em Salregos, um outro morador do Alto de Santa Catarina, a quem a Câmara já avisou da obrigatória transferência. A mãe, Maria dos Santos, recusa-se à mudança. «Não vou aceitar ficar em Salregos, numa barraca pior que a minha. Mas a senhora da Câmara já me disse que se não eu não for para lá perco o direito a uma nova casa».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-73181">
<P>
O milagre da África do Sul</P>
<P>
Até ao momento, o processo eleitoral na África do Sul tem decorrido de forma exemplar, surpreendendo pela positiva todos os que temiam que a violência latente fizesse implodir o edifício laboriosamente erguido por Nelson Mandela e Frederick de Klerk.</P>
<P>
O quase milagre destas eleições históricas foi possível devido à forma extremamente inteligente como os seus dois principais protagonistas conduziram o processo político da transição. Mesmo sabendo que na verdade é a partir deste momento que os problemas mais delicados vão surgir, é partir do momento em que uma parte do poder for entregue ao ANC que as cartadas decisivas se irão jogar, há já em todo este processo ensinamentos suficientes para ajudar à boa concretização de outros processos de paz, nomeadamente os que decorrem nos estados vizinhos de Angola e Moçambique.</P>
<P>
A grande inteligência de Mandela e de De Klerk foi terem a coragem de aceitar um regime de transição cujo desenho foi realizado antes de conhecer o veredicto das urnas. Mandela e De Klerk não estiveram à espera da contagem dos votos para determinar quem tinha mais força para impor as suas condições no futuro Governo da África do Sul, tendo conseguido acordar de antemão um período relativamente longo de partilha do poder.</P>
<P>
Formalmente, este «negócio» corresponde a uma entorse nas regras mais puras da democracia, já que, no fundo, não se esperou pelo veredicto das urnas. Mas, em contrapartida, permite desdramatizar o período pós-eleitoral e criar um verdadeiro regime de transição e de poder partilhado. Esta questão é central, uma vez que este procedimento não tem sido seguido nos outros processos de transição africanos.</P>
<P>
A raiz do problema é que tínhamos, de um lado, uma minoria senhora do poder e, do outro, uma maioria completamente desapossada. A tentação é, vencida a resistência da minoria, entregar o poder à maioria. E o nosso reflexo ocidental é, de imediato, o de sugerir eleições e de exigir o respeito pelos seus resultados, exportando de forma linear os modelos existentes em sociedades homogéneas e estáveis. Inevitavelmente, essas eleições, apoiadas pela ONU, são parlamentares e/ou presidenciais, depreendendo-se que quem ganha, governa. É o princípio, tão anglo-saxónico, de «the winner takes all» (o vencedor fica com tudo). Simples, mas terrivelmente redutor. Tão redutor que tem conduzido a sucessivos desastres, o mais recente dos quais terá sido o angolano.</P>
<P>
O erro deste raciocínio é que reduz a noção de democracia a uma só das suas manifestações, quando a democracia é um regime complexo de partilha do poder entre as diferentes forças políticas e sociais. Mesmo no Ocidente, com sociedades culturalmente homogéneas e em regimes assentes na maioria parlamentar de um só partido, os restantes actores políticos e sociais dispõem de múltiplas formas de intervenção e de poder, nomeadamente a nível regional e local ou noutros órgãos de soberania do Estado.</P>
<P>
Ora, em África, a aplicação do princípio sagrado «um homem, um voto» deve levar em linha de conta que existem tradições e solidariedades étnicas que não se satisfazem pelo simples exercício de depositar um voto numa urna e esperar pelo próximo escrutínio. A política de «the winner takes all», quando seguida nestes países divididos e sem tradição democrática, tende a criar entre os derrotados o desespero da impotência -- mesmo da total impotência.</P>
<P>
Mandela e De Klerk souberam evitar esta tentação simplista, quer acordando previamente a forma de governo durante um período pré-estabelecido de transição quer, também previamente, acordando regimes de autonomia a sectores da sociedade e/ou a regiões, por forma a estes continuarem a sentir que têm uma palavra a dizer sobre o seu futuro. Esta questão é tanto mais importante quanto se conhece a artificialidade com que foram desenhadas as fronteiras africanas e se teme, com razão, a explosão das pulsões tribais mais primitivas.</P>
<P>
Se se deseja manter o princípio da inviolabilidade das fronteiras -- um princípio tabu que, abandonado, pode provocar um efeito de dominó absolutamente incontrolável, sobretudo em África --, então é necessário que se aprenda a partilhar o poder, mesmo quando se dispõe, como o ANC, de quase dois terços dos votos.</P>
<P>
Por isso não podemos deixar de pensar em Angola. Sintomaticamente, parece estar a ser este o cominho que os negociadores do processo de paz estão agora a seguir. Acordar em dar às regiões onde a UNITA é maioritária uma autonomia importante, ao mesmo tempo que se forma um governo de unidade nacional que integre os principais quadros do movimento de Jonas Savimbi, parece ser a única forma de ultrapassar o actual impasse.</P>
<P>
Para isso, tal como sucedeu na África do Sul, ambos os movimentos têm de perceber que não podem ambicionar o poder absoluto, que têm de dividir as desejadas mordomias por uma classe política mais vasta e mais plural.</P>
<P>
Até ao momento, repetimos, com uma habilidade e inteligência ímpares, Mandela e De Klerk têm sabido caminhar por um terreno mais minado do que qualquer outro, evitando o que podia ser o maior dos erros: deixar que estas eleições se transformassem num gigantesco ajuste de contas, atrasadas por muitos anos de «apartheid». E em todo este processo eles só tiveram um outro trunfo: a enorme solidez e fidelidade de instituições como o exército e as forças de segurança sul-africanos.</P>
<P>
Mas é bom não esquecer que o mais difícil começa hoje.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-46556">
<P>
Funcionário público continua foragido                                                                                                  O funcionário público Ricardo de Britto Rocha, que atirou em dois alunos da UnB (Universidade de Brasília) na última quarta, continuava foragido até as 19h de ontem. O estudante Milton dos Santos Pereira Jr. ,19, está em coma no Hospital de Base. João Rochael Meira Alcântara, 36, foi operado para retirar balas no abdômen e está na UTI.                                                                                                                                               </P>
<P>
AM registra aumento nos casos de rubéola                                                                                          O Amazonas registrou aumento de 4.322% nos casos de rubéola no primeiro semestre deste ano, em comparação com 93 o Estado registrou 27 casos e nos primeiros seis meses deste ano 1.117.                             </P>
<P>
Mussum continua na UTI em estado grave                                                                 O humorista Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, ainda está na UTI do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, em estado grave. Não há rejeição do transplante de coração realizado no dia 8, mas a infecção hospitalar no pulmão não melhorou.</P>
<P>
Prefeitura de Recife decide sinalizar praia                                                                 Os trechos da praia de Boa Viagem com maior incidência de ataques de tubarões serão sinalizadas pela Prefeitura de Recife (PE). A sinalização vai evitar, porém, a palavra "tubarão". Bombeiros em embarcações vão percorrer essas áreas e haverá incentivo para pesquisas sobre a presença dos tubarões no litoral.</P>
<P>
QUINA</P>
<P>
CONCURSO 036</P>
<P>
Dezenas sorteadas</P>
<P>
42 - 56 - 62 - 65 - 79</P>
<P>
Prêmio da quina</P>
<P>
R$ 138.426,04</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93076">
<P>
Pilotos evitam comentários sobre o primeiro aniversário do acidente que tirou a vida do tricampeão mundial </P>
<P>
JOSÉ HENRIQUE MARIANTI</P>
<P>
Do enviado a Imola </P>
<P>
Em 1º de maio do ano passado, o piloto brasileiro Ayrton Senna morreu em consequência de um acidente sofrido durante o Grande Prêmio de San Marino de F-1.</P>
<P>
E, a um dia do primeiro aniversário da morte do tricampeão mundial, a sua categoria parece tentar esquecê-lo.</P>
<P>
Os fãs prestaram suas homenagens.</P>
<P>
Inundaram de lembranças a curva Tamburello, o local onde Senna se chocou contra um muro de proteção.</P>
<P>
São flores, fotos, camisetas, bandeiras do Brasil, faixas, cartas, recados.</P>
<P>
O mesmo não foi feito pelos responsáveis pela organização do evento.</P>
<P>
Quase nada lembra Senna. Nem o programa oficial da corrida, que leva um inusitado carimbo de "provisório", lista qualquer cerimônia relacionada ao piloto.</P>
<P>
O fato do lançamento da pedra fundamental de um museu sobre Senna, na última semana, que será construído nas cercanias do autódromo Enzo e Dino Ferrari, tampouco mereceu atenção.</P>
<P>
Muito menos as comemorações marcadas para amanhã, em Imola, quando fãs-clubes, torcedores e autoridades da cidade de Bolonha, para onde Senna foi transportado de helicóptero ao hospital local, estarão fazendo suas celebrações pela memória do piloto.</P>
<P>
Seus companheiros de pista, os pilotos, foram reservados.</P>
<P>
Alguns, por relutarem; outros, por não estarem dando a mínima.</P>
<P>
Exceção deve ser feita ao brasileiro Rubens Barrichello, da equipe Jordan.</P>
<P>
O piloto foi bastante solicitado pelos jornalistas durante todo o fim-de-semana.</P>
<P>
Na Williams, a última equipe de Senna, a norma adotada foi o silêncio.</P>
<P>
Nem mesmo o fato de o resultado do inquérito do acidente ter tido sua divulgação adiada por mais seis meses mereceu uma declaração por parte da equipe.</P>
<P>
Oficialmente, os membros da Williams estão impedidos de falar porque parte do time está arrolada no processo.</P>
<P>
Frank Williams, chefe e proprietário da escuderia inglesa, quebrou a regra para a TV francesa.</P>
<P>
"Foi uma fatalidade. Não podemos fazer mais nada. O circuito está mais seguro, e isso já é positivo", disse, de forma lacônica.</P>
<P>
O alemão Michael Schumacher, da Benetton, utilizou o discurso padrão para a ocasião.</P>
<P>
"Poucos sabem, mas ele era meu ídolo", disse o campeão mundial.</P>
<P>
Já o austríaco Gerhard Berger, que era amigo de Senna, pediu para não falar.</P>
<P>
"É muito difícil para mim", disse o piloto que, este ano, às vésperas do Grande Prêmio do Brasil, foi sozinho ao cemitério do Morumbi (zona sul de São Paulo) visitar o túmulo onde o corpo de Senna está enterrado.</P>
<P>
Questionado se Senna estaria "assistindo" à prova de hoje, Berger foi simpático.</P>
<P>
"Provavelmente, ele deve ter arrumado alguma corrida por lá e não dará a mínima para nós", afirmou o piloto da Ferrari.</P>
<P>
(José Henrique Mariante)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-23475">
<P>
REGIS MALLMANN</P>
<P>
Da Agência Folha, em Florianópolis</P>
<P>
As fortes chuvas de ontem em Joinville, na região norte de Santa Catarina, alagaram grande parte da área urbana, derrubaram três pontes e provocaram o cancelamento das festividades pelo 143º aniversário da cidade. As chuvas, que caem há três dias, fizeram o rio Cachoeira transbordar e alagar o centro. Várias ruas nos bairros foram atingidas. Pelo menos 50% da cidade não tem água potável.</P>
<P>
Segundo Maria Andreis Cadorin, presidente da Comissão de Defesa Civil de Joinville, pelo menos cem pessoas foram retiradas de suas casas pela Defesa Civil. A maioria morava em Jativoca (periferia da cidade) e está abrigada em uma igreja do bairro. Maria Cadorin afirma que esse número pode aumentar, pois a previsão é de mais chuvas. Ainda não existe estimativa dos prejuízos.</P>
<P>
Duas pontes de concreto -uma no centro e outra na zona rural- ruíram. Uma ponte pênsil, localizada na periferia da cidade, também caiu. Foram registrados deslizamentos de morros -uma casa na rua Cerro Verde, na periferia, foi soterrada- e três outras ruíram, até as 16h. Ninguém ficou ferido.</P>
<P>
No bairro Jativoca, a água dentro das casas chegava a 1,5 metro de altura. No centro, a água subiu até 60 centímetros. O comércio não funcionou. Vivem no município 500 mil habitantes.</P>
<P>
Em São Francisco do Sul, o prefeito decretou estado de emergência. Muitas famílias foram retiradas de suas casas e levadas para abrigos improvisados em ginásios de esportes. Em Blumenau, no vale do Itajaí, o rio Itajaí Açu subiu quatro metros e meio acima do seu leito normal, alagando comunidades ribeirinhas.</P>
<P>
Segundo o coordenador em exercício da Defesa Civil do Estado, major Paulo Della Giustina, o trabalho de resgate dos flagelados está sendo feito pelas Comissões Municipais de Defesa Civil. Até o final da tarde, não havia um levantamento do número de desabrigados, mas eles podem chegar a mais de mil em todo o Estado.</P>
<P>
A BR-101 foi parcialmente interditada para o tráfego por mais de três horas durante a tarde, o que provocou filas de até cinco quilômetros em ambos os sentidos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49273">
<P>
Adversário foi responsável pelos dois tiros que mataram Oswaldo Cruz Junior, autor de denúncias contra o PT</P>
<P>
RODRIGO VERGARA</P>
<P>
CRISPIM ALVES</P>
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
O presidente do Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABCD, Oswaldo Cruz Júnior, 40, foi assassinado ontem à tarde em sua sala na sede da entidade, em Santo André. Um dos diretores do sindicato, José Benedito de Souza, o "Zezé", foi acusado de ser o autor dos dois disparos fatais. Cruz teria sido atingido no tórax e no rosto.</P>
<P>
Cruz foi o autor de denúncias de que o sindicato teria colaborado com campanhas políticas do PT. Ontem, cerca de mil motoristas de ônibus entraram em greve das 13h às 16h em protesto contra uma decisão do presidente do sindicato de fechar a subsede do sindicato em São Caetano. Zezé é casado com uma sobrinha de Cícero Bezerra da Silva, secretário-geral do sindicato e um dos principais opositores de Cruz na entidade.</P>
<P>
O clima ontem à tarde no sindicato era de revolta. O irmão do sindicalista morto, Antonio de Carvalho Cruz, invadiu a sede e quebrou a porta de entrada de vidro e acusou opositores de seu irmão de serem os assassinos.</P>
<P>
Outro irmão de Cruz, Clodovil Aparecido de Carvalho, afirmou que o assassinato está ligado às denúncias relacionadas à CUT e ao PT. "Acredito que tenha sido isso também".</P>
<P>
Carvalho afirmou ainda que levará adiante todas as denúncias feitas por seu irmão. "Toda a documentação comprovando o que ele falou será entregue em momento oportuno."</P>
<P>
Antes do crime, Cruz estava reunido em sua sala com dois integrantes do sindicato. As 13h, chegaram Zezé e José Carlos de Souza, o Carlinhos, seus opositores na entidade. Cruz teria pedido para ficar a sós com Carlinhos e Zezé.</P>
<P>
Segundo Luiz Carlos, ex-diretor do sindicato que não quis dizer o sobrenome, e que estava na sala vizinha à do crime, minutos depois da saída dos outros membros do sindicato Zezé teria ameaçado aos gritos dar um tiro em Cruz. Em seguida, foram ouvidos quatro disparos. Dois deles atingiram Cruz. Zezé deixou a sala com uma arma na mão, ameaçando os presentes.</P>
<P>
Robson Bezerra, filiado ao sindicato que também estava na sala ao lado no momento do crime, confirma a versão. Segundo Bezerra, os três discutiam sobre uma divisória da sala do presidente que havia sido arrombada durante a manhã de ontem. Bezerra e outros diretores do sindicato disseram acreditar que a depredação foi causada por opositores de Cruz.</P>
<P>
Zezé e Carlinhos estavam foragidos ontem, segundo o delegado seccional de Santo André, Fernão de Oliveira Santos.</P>
<P>
Logo após os disparos, Cruz foi encaminhado ao Hospital Municipal de Santo André, onde já chegou morto. O corpo foi levado ontem à noite para o IML (Instituto Médico Legal) de Santo André. Até as 20h30 não havia sido liberado. O corpo será velado na sede do sindicato.</P>
<P>
Para o delegado Santos, o crime está resolvido. "O autor do crime foi José Benedito. Falta agora saber as razões que o levaram a isso", disse. Santos disse não acreditar em queima de arquivo. "O assassino se sentiu ofendido. Foi uma atitude pessoal. Não vejo uma ação arquitetada."</P>
<P>
Valéria Cristina Costa, mulher do sindicalista assassinado, também acredita que seu marido tenha sido morto por causa das denúncias que fazia. "Sem dúvida alguma foi por causa disso", disse. Ela declarou também que ele estava sofrendo muitas ameaças por causa das denúncias que vinha fazendo.</P>
<P>
Eloni Soares de Oliveira, delegada titular do 1.º DP de Santo André, onde foi registrado o crime, disse que convocará Cícero Bezerra da Silva, tio da mulher do suposto assassino, para depor.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-44773">
<P>
Estado de emergência no Kwazulu-Natal</P>
<P>
Situação grave, mas não dramática</P>
<P>
Jorge Heitor*</P>
<P>
A proclamação do estado de emergência na província de Kwazulu-Natal revela que a situação na África do Sul é de facto grave, mas convém não exagerar e compreender que ainda não assumiu aspectos catastróficos. Os incidentes ir-se-ão decerto repetindo, com largas centenas de vítimas até às eleições. Mas daí até uma situação de guerra civil vai um largo passo.</P>
<P>
O presidente Frederik de Klerk, o homem que em quatro anos deu um enorme safanão no marasmo que estava a ser a vida sul-africana sob o controlo da minoria branca, anunciou ontem a proclamação do estado de emergência na província do Kwazulu/Natal, a que está a dar mais dores de cabeça às autoridades.</P>
<P>
Ao fazê-lo, o chefe do Partido Nacional procurou que as Forças Armadas controlem a espiral de violência que ali se adivinha e garantam a efectivação das eleições gerais marcadas para 26 a 28 deste mês, apesar de todas as reservas manifestadas pelo partido Inkatha e pelos seus aliados da extrema-direita boer.</P>
<P>
O facto de o Inkatha e de o rei dos zulus, Goodwill Zwelithini, persistirem no pedido de adiamento do acto eleitoral está a causar uma série de incidentes, com centenas de mortes durante o mês de Março. Mas De Klerk e o ANC querem evitar que se chegue a um clima de guerra civil, no qual seria impossível o funcionamento das assembleias de voto e a instauração de uma sociedade democrática.</P>
<P>
O Presidente, que desde o início de 1990 tem vindo a reformular profundamente o país que herdou do seu antecessor, Pieter Botha, pediu «muita, muita calma» aos seus compatriotas, para que se consiga evitar o pior e que os rios de sangue que têm corrido na África do Sul não se transformem em autênticos oceanos.</P>
<P>
Não há pânico</P>
<P>
«Controlamos a situação. Não há necessidade de pânico», sublinhou o corajoso estadista, que, no próximo mês, deverá muito provavelmente passar à situação de vice-presidente, ficando a chefia do Estado a cargo do líder do ANC, Nelson Mandela.</P>
<P>
Quanto ao controverso Mangosuthu Buthelezi, primeiro-ministro do bantustão Kwazulu, que no novo ordenamento administrativo se dissolve na província do Natal, a cujo nome acrescenta o seu, considerou humilhante a proclamação do estado de emergência, que fora sugerida pelo ANC.</P>
<P>
Semelhante situação permite detenções sem julgamento, controlo de comícios, recolher obrigatório e proibição de porte de armas. Não se crê, apesar disso, que a comunidade internacional se vá opor grandemente a tal estado de coisas, dado que a alternativa era uma sangria desenfreada e o fantasma de milhares de mortos durante o mês de Abril.</P>
<P>
Homens armados abateram ontem quatro polícias, incluindo uma mulher, numa emboscada perto de Vereeniging, 30 quilómetros a sul de Joanesburgo, enquanto outros assassinavam a tiro sete pessoas que seguiam numa carrinha-táxi, em Katlehong, igualmente nos arredores da grande metrópole.</P>
<P>
Receia-se que, ao longo das próximas semanas, continue a haver 20 ou 30 mortos por dia na África do Sul, mas em termos relativos isso não é considerado extremamente dramático nem comparável ao que tem sido a situação em Angola nos últimos 18 meses.</P>
<P>
Alguns desses mortos serão decerto na província de Kwazulu-Natal, que tem perto de oito milhões de habitantes e comunica com o exterior pelo porto de Durban, numa zona em que Vasco da Gama fez escala no dia 25 de Dezembro de 1497, quando ia a caminho da Índia. Mas muitos mais seriam se não houvesse o estado de emergência, que deverá limitar bastante os confrontos entre partidários e adversários das eleições.</P>
<P>
No entender de alguns observadores, relativamente optimistas, o Rei dos zulus e o Inkatha não têm homens nem armas suficientes para fazer face ao grande poderio das Forças Armadas sul-africanas, pelo que não consideram credível que eles tentassem levar à prática os seus intentos separatistas. Qualquer tentativa de pseudo-independência seria esmagada em alguns dias, nunca podendo ocorrer ali nada que se comparasse com um Katanga ou um Biafra.</P>
<P>
Até porque, nunca é demais sublinhá-lo, e ao contrário do que por vezes crêem os mais distraídos, o grosso dos oito milhões e meio de zulus não está contra as eleições nem a favor do Inkatha, antes preferindo ir às urnas e viver numa África do Sul administrada em coligação pelo ANC e pelo Partido Nacional.</P>
<P>
Os zulus que admitem o boicote eleitoral e a proclamação de uma monarquia autónoma na província do Natal, seguindo assim a linha de Buthelezi, não deverão representar sequer 35 por cento daquele grupo étnico. Ou seja, no máximo, uns três milhões de sul-africanos, numa população total de quase 40 milhões.</P>
<P>
Mesmo que aos separatistas zulus se associassem, numa acção aventureirista, aos extremistas boers de Ferdi Hartzenberg e Eugene Terre-Blanche, a força conjunta dos que rejeitam as eleições nunca representaria nesta altura muito mais de 12 por cento da sociedade, o que é manifestamente insuficiente para impedir uma razoável democratização da África do Sul.</P>
<P>
* com Steven Lang, em Joanesburgo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-85455">
<P>
EUA abrem fronteiras a países de «baixo risco»</P>
<P>
Milhões de passageiros chegados de países considerados de «baixo risco» poderão, brevemente, franquear os aeroportos dos Estados Unidos sem passar nenhum controlo, indicou um porta-voz das fronteiras norte-americanas, Steven Duchesne.</P>
<P>
Precisou que há um projecto nesse sentido em fase de estudo, que se justifica dado que as fronteiras norte-americanas caminham para uma supervisão do nome dos passageiros, por computador, de modo a serem confrontados com elaboradas listas de traficantes de droga, terroristas e criminosos de todas as espécies. Só os passageiros que «não passem» no computador serão barrados e controlados.</P>
<P>
O porta-voz não especificou o que é um pais de «baixo risco» nem tão pouco quantos serão esse países. Cita-se por exemplo a Grã-Bretanha cujos cidadãos poderão entrar pelas portas de voos domésticos, sem ter que preencher os extensos formulários sobre quanto tempo vão ficar ou que produtos trazem consigo.</P>
<P>
Um estudo realizado no início do ano no aeroporto internacional de Miami, Florida, revelou que apenas um por cento dos 15 mil passageiros chegados a esse aeroporto tentaram passar droga ou quaisquer outros produtos interditos.</P>
<P>
«Estes estudos demonstraram-nos que, para cumprirmos a nossa missão, não há necessidade de falar com todas as pessoas que chegam. Devemos sim é ser mais eficazes na identificação do tal um por cento de traficantes».</P>
<P>
Mas este projecto já suscitou críticas de uma senadora democrata da Califórnia, Dianne Feinstein, que se mostrou preocupada com o «impacto potencialmente devastador» das medidas na luta contra o terrorismo e tráfico de droga.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17328">
<P>
Contagem decrescente para Ímola</P>
<P>
Os últimos dias da vida de Ayrton Senna</P>
<P>
Lionel Froissart*</P>
<P>
O piloto brasileiro sentia-se inquieto. Desde o início da época que o seu automóvel se mostrava caprichoso. Mas Senna obstinava-se. Entre uma pausa em Paris e um salto a Inglaterra para gerir os seus negócios, recobrava forças no campo em Portugal, seguindo atentamente a evolução do seu Williams. Últimas páginas da agenda de um campeão.</P>
<P>
Estamos a 27 de Março de 1994. O primeiro Grande Prémio da época ainda não terminou. Ayrton Senna interroga-se. Será que este Williams-Renault, que tanto desejara possuir, não passa de um «falhanço»? Um monolugar falhado porque os engenheiros e os técnicos de aerodinâmica foram, também eles, longe de mais nos seus sonhos. Afogueado pelo esforço e pelo «stress», Senna acaba de abandonar a corrida, perante o seu público, nas primeiras voltas do circuito de Interlagos, nos arredores de São Paulo. Um local tão cheio de boas recordações! Fora aqui que, 21 anos antes, ele ganhara a sua primeira corrida de kart.</P>
<P>
No calor húmido brasileiro, este momento apresenta-se menos risonho. Uma falha ínfima, um lapso de concentração de um milésimo de segundo deram origem a um pião. Desde o início da corrida que Senna luta com este monolugar que considera difícil de conduzir. Isto não passa de um eufemismo na boca de um piloto de corridas. O Williams-Renault, desprovido dos seus apoios electrónicos, tais como a suspensão activa, o sistema de antipatinagem e antibloqueio na travagem, transformou-se num monstro de nervosismo.</P>
<P>
Um automóvel, cujo desenvolvimento está ainda no início, é, por vezes, caprichoso. Com dez anos de Fórmula 1 atrás de si, Senna não está demasiadamente preocupado. Pensa que será uma questão de tempo e de trabalho e que recuperará o seu lugar -- lógico -- de favorito do campeonato. Com um desprendimento aparente, encaixa este primeiro revés. Os observadores atribuem esta descontracção de fachada à serenidade que três títulos de campeão do mundo, dezenas de vitórias e um recorde intocável de «pole positions» lhe conferem.</P>
<P>
17 de Abril. Três semanas mais tarde, na noite do Grande Prémio do Pacífico, no Japão, a situação torna-se um pouco mais embaraçosa. Senna não passa da primeira curva. O seu principal adversário neste campeonato, o alemão Michael Schumacher, soma já vinte pontos. Ayrton gosta de desafios, mas este campeonato de 1994 está a passar das marcas.</P>
<P>
No dia a seguir a este novo revés, o brasileiro embarca em primeira classe num Boeing 747 da British Airways, que efectua a ligação entre Osaka, no Japão, e Londres. Viaja acompanhado de, entre outros, Christian Contzen, o director geral da Renault-Sport. Senna informa o seu patrão francês que tenciona deslocar-se a Paris dois dias mais tarde para assistir ao desafio de futebol que opõe uma equipa constituída pelo PSG e pelo Bordéus à selecção brasileira. Esta viagem estava desde há muito programada. Com bastante tacto, Senna não aborda os problemas que o inquietam relativamente ao comportamento do seu automóvel. Não tem grande coisa a censurar ao V10 Renault, embora este apresente a particularidade de se ter tornado bastante violento desde que deixara de ser comandado por um acelerador electrónico.</P>
<P>
É Christian Contzen que toma a iniciativa e convida o «seu» piloto a fazer uma pequena visita aos técnicos da Renault na fábrica de Viry-Châtillon para um almoço informal. Senna aceita. Até lá, o seu tempo vai estar bastante preenchido. A Inglaterra, onde se encontra a maioria das equipas de Fórmula 1, entre as quais aquela que Frank Williams dirige com pulso de ferro, é também o país onde Ayrton Senna gere alguns dos seus negócios. Neste campo, o campeão sul-americano revela-se igualmente brilhante. Na maior parte dos contratos directamente ligados à sua profissão de piloto, conta com a colaboração de Julian Jakobi, antigo quadro da empresa de agentes desportivos McCormack, que estava encarregado do «dossier» Alain Prost quando este ainda corria na McLaren. Posteriormente, Jakobi fundou a sua própria empresa e passou a ocupar-se exclusivamente de Ayrton Senna. Megaestrela da Fórmula 1, Senna aufere milhões de dólares em contratos publicitários. Jakobi, tão impiedoso quanto o seu ilustre cliente quando se trata de negociar um contrato, constitui um elemento precioso para Ayrton.</P>
<P>
De regresso à Europa, Ayrton Senna recupera o seu jacto privado, um British Aerospace 125/800, que adquirira por 9,5 milhões de dólares após ter negociado uma redução de 500.000 dólares. Por este valor, a empresa fica autorizada utilizar o nome e a imagem do piloto nas suas brochuras publicitárias. Embora provindo de uma rica família brasileira, quando se trata de dinheiro Ayrton Senna não deixa passar nada. Com este jacto, considerado como o Rolls dos aviões privados, Senna desloca-se como muito bem entende por toda a Europa.</P>
<P>
Tal como previsto, na manhã de quarta-feira, 20 de Abril, Ayrton aterra no aeroporto de Le Bourget. Aí é esperado por representantes da Renault-Sport e, juntos, seguem para os arredores na direcção oposta da capital. Em Viry-Châtillon encontra-se com Bernard Dudot, geralmente considerado como o pai do V10 francês. Os dois homens já se conhecem bem por terem trabalhado em conjunto em meados dos anos 80, quando Senna pilotava o Lotus-Renault que lhe garantiu as suas primeiras vitórias. Dudot tem em alta consideração um campeão deste calibre. No seu espírito, não separa Alain Prost e Ayrton Senna e considera que eles se movimentam num planeta à parte do universo da Fórmula 1. Nessa tarde, Senna concede uma entrevista à TF1 em que faz o ponto da sua situação no campeonato. Mostra-se optimista e declara que, em sua opinião, a época vai verdadeiramente começar em Ímola.</P>
<P>
Mais de uma hora antes do pontapé de saída do jogo de futebol no Parque dos Príncipes, Ayrton Senna aguarda pacientemente no camarote VIP. Está acompanhado por alguns amigos, entre os quais o fiel Galva Bueno, comentador dos Grandes Prémios para a cadeia brasileira TV Globo, presente em todas as corrida mas, sobretudo, amigo íntimo do piloto. Era ele que, no domingo, fazia o relato da corrida de Ímola. Nesta quarta-feira de festa no Parque só se fala de futebol. Ayrton avança com um resultado: 2-0, vencendo o Brasil, como é óbvio.</P>
<P>
Porém, neste doce entardecer parisiense, o espectáculo não está à altura. Senna abandona o Parque dos Príncipes e dirige-se a Montparnasse, onde se senta à mesa na Coupole. Além de Galva Bueno, está acompanhado de António Carlos de Almeida Braga, um antigo dirigente do Bradesco, um banco brasileiro. Este homem idoso e elegante preferiu passar a sua reforma em Sintra, nos arredores de Lisboa. Em todos os Grandes Prémios de Portugal acolhe Ayrton na calma da sua sumptuosa moradia.</P>
<P>
No dia seguinte a esta escala parisiense, é precisamente para Portugal que Ayrton Senna e o seu grupo voam. Apesar de ter conservado um pequeno apartamento no Mónaco, Senna prefere a tranquilidade e o clima do Algarve sempre que se desloca à Europa. É aí que decide oferecer-se alguns dias de repouso antes do Grande Prémio de San Marino, em Ímola. Deseja descansar para recobrar forças e reforçar a sua motivação, não deixando de estar em contacto com os engenheiros da equipa da Williams.</P>
<P>
Estão marcados ensaios, para segunda-feira, 25, e terça-feira, 26, no pequeno circuito de Nogaro, com o objectivo de se afinarem algumas alterações no campo da aerodinâmica. Senna não tinha previsto deslocar-se ao Gers mas, em todo o caso, solicita uma autorização de voo entre Portugal e o aeroporto de Pau-Uzein. Tratou-se de uma precaução inútil, pois Ayrton deixa-se ficar com a sua companheira do momento, Adriana Galisteu.</P>
<P>
Última quarta-feira. A caminho de Itália, Ayrton faz um desvio pela Alemanha para cumprir certos compromissos com um patrocinador privado. Na manhã de quinta-feira, o avião branco e cinzento metalizado de Senna aterra suavemente na pista do aeroporto de Bolonha-Marconi. A região de Emilia-Romagna, banhada pelo sol, está linda. As suas longínquas origens italianas -- pelo lado materno -- fazem com que Ayrton se sinta em Itália como em sua casa, tanto mais que domina a língua italiana na perfeição. Nessa tarde apresenta em Pádua uma linha de bicicletas de corrida e todo-o-terreno com a chancela de Senna «Driven to perfection». Um dos inúmeros negócios sob licença de Senna.</P>
<P>
Um pouco mais tarde, o piloto mergulha no universo das corridas e na sua rotina: responder aos jornalistas, conferenciar com os mecânicos, e ainda um curto «briefing» sobre o programa do fim-de-semana. Denis Chevrier, o seu técnico-chefe, propõe-lhe uma troca de impressões de ordem técnica. Ele recusa: «Não, hoje o meu espírito está fechado. Vemos isso amanhã.» Confuso, Chevrier regressa aos seus computadores. A dura realidade da corrida é precisamente já no dia seguinte.</P>
<P>
Rubens Barichello, compatriota de Senna e, também ele, nativo de São Paulo, é vítima de uma violenta saída de pista, não recobrando os sentidos senão no hospital do circuito. Senna, o irmão mais velho, encontra-se ao seu lado. Ansioso, inquieto, chocado. No sábado acontece o drama: morre o principiante Roland Ratzenberger. Senna é o primeiro a chegar ao local do acidente. Esta iniciativa fará com que seja repreendido pela FIA e pela direcção da corrida.</P>
<P>
Nessa mesma noite, Ayrton contacta com Adriana, que ficara em Portugal. Confia-lhe o seu sentimento de lassidão e confessa as suas preocupações. No dia seguinte, poucos minutos antes da partida, Senna profere as mesmas palavras face às câmaras de todo o mundo: «O meu automóvel é difícil de conduzir, é nervoso. O circuito é escorregadio, perigoso. Faltam as escapatórias...» São palavras de um piloto que tem consciência dos perigos da sua profissão e que os aceita. Um minuto depois, já Ayrton Senna se encontra, de capacete e com cinto, no «cockpit» do Williams nº 2.</P>
<P>
Às 14h18, Senna embate a alta velocidade contra o muro da curva de Tamburello. Quando o automóvel, destroçado, pára, a sua cabeça estremece imperceptivelmente e imobiliza-se.Tradução de Maria João Reis</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26115">
<P>
Como «privatizar» funcionários públicos</P>
<P>
Os dias 20 e 21 de Julho de 1995 vão ficar na memória dos trabalhadores da Direcção Regional de Portos (DRP) da Madeira. No espaço de algumas horas, o Governo Regional aprovou o protocolo que os condena à inactividade e atribui à Porto Santo Line (PSL) o exclusivo, ainda que por um período experimental de três meses, das ligações marítimas com Porto Santo. O protocolo em questão foi celebrado quase em segredo; os barcos do Estado foram encostados ao cais para facilitar o negócio da PSL; a primeira viagem comercial do ferry boat contratado pela empresa foi efectuada e o director Regional de Portos ordenou-lhes que se passassem de armas e bagagem para o navio privado, o «Lady of Mann».</P>
<P>
O primeiro sinal de que alguma coisa de anormal se passava no Serviço de Transportes Marítimos -- um departamento da DRP responsável pelo transporte de passageiros para Porto Santo --, surgiu quando o seu chefe e comandante do navio «Pátria», Cruz dos Santos, foi informado de que iria comandar o «Lady of Mann» e integraria a tripulação encarregada de o ir buscar a Liverpool.</P>
<P>
A comunicação ocorreu a 14 ou 15 de Julho e o ferry boat deveria deixar o porto inglês três dias depois. Quem deu a ordem a Cruz dos Santos foi João Carlos Caldeira, o comandante da marinha mercante que, até há pouco meses, o antecedera na chefia do Serviço de Transporte Marítimos. Entretanto, João Caldeira conseguira uma reforma antecipada, constituira uma empresa de consultadoria e passara a trabalhar para a PSL. Foi ele e os seus colaboradores, aliás, quem se deslocou à Grécia e a Inglaterra, por conta do Governo Regional, para escolher o ferry que a PSL acabou por fretar.</P>
<P>
Cruz dos Santos declinou de imediato o convite/ordem e acabou por ser o próprio João Caldeira quem viria a assegurar, até hoje, o comando do «Lady of Mann».</P>
<P>
Pouco depois, no mesmo dia 21 de Julho, a DRP, executando directivas da Secretaria Regional da Economia, voltou à carga e procurou mobilizar todo o pessoal para o esquema negociado com Ricardo e Luis Miguel Sousa, os administradores da PSL. «No período compreendido entre 21 de Julho e 21 de Outubro de 1995, os trabalhadores desta direcção regional, que exercem actualmente funções no Serviço de Transportes Marítimos (terra e mar) passam a exercer funções na Porto Santo Line Ldª», determinava o director regional na ordem de serviço 7/95.</P>
<P>
Assim mesmo, através de uma simples ordem de serviço, as autoridades regionais decretavam a «privatização» de cerca de 30 funcionários públicos, sem olhar a leis e sem qualquer contacto ou informação prévia dos interessados.</P>
<P>
O que ninguém esperava era que os funcionários se recusassem a acatar essa ordem, tal como o seu chefe já tinha recusado. Nos primeiros dias, ainda houve alguns que cederam perante a ameaça de processo disciplinar que lhes foi feita numa reunião com o director regional -- mas ele próprio acabou por reconhecer que não podia obrigar ninguém a ir para a PSL e que o estatuto de funcionário público era incompatível com os horários e o regime de trabalho do «Lady of Mann». Ao fim de dez dias, foi a vez de a própria PSL desistir de recorrer aos tripulantes do «Pátria», do «Independência» e do «Pirata Azul» para trabalhar no ferry boat.</P>
<P>
O mesmo já não aconteceu com os nove funcionários de terra, encarregues do controlo de entradas e da venda de bilhetes nos escritórios da DRP. De um dia para o outro, viram-se obrigados a ficar sob as ordens dos homens de Ricardo e Luis Miguel Sousa nas instalações do Estado e até os talões de depósito do Banco Totta &amp; Acores passaram a preencher, ao fim de cada dia, para depositar a receita da venda dos bilhetes, na conta da PSL. Resta dizer que os bilhetes para o «Lady of Mann» continuam a ostentar os nomes e as fotos do «Independência» e do «Pátria».</P>
<P>
Banal? O secretário Regional da Economia acha que sim. «Tivémos que agir muito pressionados pelo tempo. Mais do que o `modus faciendi', o que interessa é saber se o Governo Regional toma as medidas adequadas ao desenvolvimento da região», justifica Pereira Gouveia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54730">
<P>
Da Folha Norte</P>
<P>
A chuva forte que caiu ininterruptamente por duas horas no sábado à noite em São José do Rio Preto derrubou árvores, inundou e abriu buracos nas ruas e alagou os terminais de ônibus da estação rodoviária. O Hospital Austa, localizado na avenida Murchid Homsi, também foi inundado.</P>
<P>
O Corpo de Bombeiros informou que recebeu várias chamadas para atender quedas de árvores, mas não registrou acidentes ou desabamentos de casas em função da chuva. Na avenida Bady Bassitt, onde tradicionalmente há alagamentos quando chove muito, as águas abriram um buraco na rua.</P>
<P>
Na estação rodoviária, a chuva alagou os terminais e atrasou alguns ônibus que fazem linhas na região de Rio Preto. Depois que as águas baixaram, restaram as marcas da chuva na parede. E muita lama.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-58766"> 
<P>Fim de ano com uísque barato no Rio</P>
 <P>Caro leitor:</P>
 <P>Por favor, não entenda, por uísque barato, uísque vagabundo. É uísque bom, sem batismo, só que de preço baixo mesmo. Venho notando isso nos últimos meses. Deve ser por conta da queda do dólar: os donos de bares, finalmente, estão entendendo que uísque escocês não tem, necessariamente, que sair caro no balcão.</P>
 <P>Aquele "ouro" líquido, que o balconista costumava servir a conta-gotas e com um chorinho miserável e sem vela, está deixando de existir. Com a garrafa de um bom scotch sendo vendida a menos de R$ 60 em qualquer supermercado, já é possível encontrar, com facilidade, bares e botequins que assumiram o serviço regado do puro scotch.</P>
 <P>O Belmonte da Rua do Lavradio, por exemplo, é um desses. Por R$ 8,50, toma-se uma dose boca larga de Johnny Walker Red Label. E a régua é só de vinte doses, contra as absurdas 24 doses de alguns bares por aí. Nada mal, não?</P>
 <P>Para você, leitor que não toma uísque, ter uma idéia do que isso significa, basta dizer que a menos de 150 metros dali, no Carlitos da Rua Mem de Sá, uma dose do mesmo Red Label, servido em dedal de moça, custa R$ 12,50. Uma diferença exorbitante de preço e quantidade.</P>
 <P>E por que isso?, você há de perguntar. Puro preconceito, amigo. Os donos do Carlitos ainda acham que uísque é coisa de rico, coitados. Mas, para nossa sorte, essa ignorância aos poucos vai sendo riscada do mapa. Até quando o dólar deixar, claro...</P>
 <P>Outros exemplos de bom uísque barato e regado na cidade do Rio:</P>
 <P>- Aboim, na Rua Souza Lima, em Copacabana: o Pé-Sujo mais especializado em uísque da cidade serve mais de dez marcas diferentes de scotch. As mais baratas (White Horse e Grants 8 anos) saem a R$ 7,00, sempre na tala larga.</P>
 <P>- Azeitona &amp; Cia, na Rua Dias Ferreira, no Leblon: O melhor custo-benefício do scotch na Zona Sul do Rio. Uma dose caprichadíssima de Red Label no copo longo sai por meros R$ 7. E ainda vem com a boa conversa do Azeitona, o dono.</P>
 <P>- Bar do Adão da Rua Dona Mariana, em Botafogo: Não é muito boteco, mas ali o Ballantines 12 anos sai por R$ 9 a dose. Espetáculo que melhora ainda mais às terças-feiras, quando a casa especializada em pastel serve tudo dobrado. E o mesmo uísque sai, então, pela bagatela de R$ 4,50.</P>
 <P>- Bar Barata Ribeiro, na esquina das Ruas Barata Ribeiro e Barão de Ipanema, em Copacabana: Botequinho escondido no meio do caos copacabanense, mas que tem um coração de ouro e uma blea prateleira de uísques.</P>
 <P>- Bar Vieira Souto, na Praça da Cruz Vermelha, Centro da cidade: Um restaurante popular dos bons, que serve um filé com fritas espetacular e uísque de excelente procedência a R$ 8, no capricho.</P>
 <P>- BotecoTaco, no Humaitá: As madrugadas varam e o uísque não pára de sair no templo carioca dos notívagos. Doses cavalares de uísque oito anos, a menos de R$ 10.</P>
 <P>Conhece outros? Indique aqui, caro leitor.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-87544">
<P>
Vila Franca de Xira</P>
<P>
Assaltos à mão armada chegam ao tribunal</P>
<P>
O colectivo do tribunal de Vila Franca de Xira inicia, no próximo dia 3, o julgamento de 13 indivíduos acusados de envolvimento numa quadrilha responsabilizada pela prática de 30 assaltos à mão armada de instituições bancárias situadas em diversos pontos de país.</P>
<P>
Efectuados no período compreendido entre 15 de Março de 1991 e 12 de Novembro do ano seguinte, os assaltos terão rendido mais de 53 mil contos, que, de acordo com a acusação deduzida pelo Ministério Público, foram gastos em proveito pessoal dos arguidos, «designadamente em jogo clandestino e aquisição de drogas e bens de consumo».</P>
<P>
Tudo terá começado em Outubro de 1990, quando o arguido Agostinho, que se encontrava a cumprir pena no estabelecimento prisional de Pinheiro da Cruz, deixou de se apresentar após uma saída precária que lhe havia sido concedida.</P>
<P>
A acusação refere que Agostinho terá contactado um indivíduo de apelido Perestrelo -- que na altura se dedicaria a assaltos a bancos --, proprietário de um apartamento da Rua da Machadinha, em Lisboa, e fixou aí residência, juntamente com outro dos arguidos neste processo, de apelido Oliveirinha.</P>
<P>
Posteriormente, conheceram o arguido Azinheira e, nos termos de acusação, «passaram a constituir um grupo que se reunia diariamente, decidindo passar a ter como objectivo a efectivação de assaltos à mão armada a instituições bancárias».</P>
<P>
Para tal terão conseguido duas espingardas caçadeiras -- umas das quais com canos cerrados -- e uma pistola calibre 7,65 mm, e, para se disfarçarem, muniram-se de gorros, camisolas de gola alta, óculos escuros, cabeleiras postiças e luvas, que utilizaram na execução dos assaltos.</P>
<P>
Ainda de acordo com a acusação, iniciaram então a sua actividade, com a realização de assaltos um pouco por todo o país e com posições diferenciadas e evolutivas do próprio grupo. Acabariam por ser detidos em Novembro de 1992, como presumíveis autores dos assaltos às caixas do Crédito Agrícola Mútuo de Vialonga (ocorrido a 3 de Novembro, com a retirada de 1634 contos) e da Tocha (ocorrido a 12 de Novembro, que rendeu 1174 contos). No momento da detenção foram apreendidas embalagens com aproximadamente 36 gramas de heroína.</P>
<P>
O Ministério Público, que arrolou 133 testemunhas para este julgamento, responsabiliza os 13 arguidos pela prática de crimes de associação criminosa, roubo, falsificação de matrículas, furto de veículos, uso e detenção de armas proibidas, rapto e tráfico de estupefacientes.</P>
<P>
Jorge Talixa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33887">
<P>
«Sociedade e Território» celebra dez anos</P>
<P>
«As pessoas não são coisas que se ponham em gavetas» -- é o aliciante tema do dossier com que a revista «Sociedade e Território» preenche o essencial da sua vigésima edição, exactamente aquela com que esta publicação das edições Afrontamento assinala o seu décimo aniversário. Especializada em assuntos urbanos e regionais, a revista tem na sua redacção alguns dos responsáveis pelo planeamento estratégico da Câmara de Lisboa, o que não deixa de lhe conferir um interesse adicional.</P>
<P>
Neste número de aniversário, que agora começou a ser distribuído, Fonseca Ferreira equaciona os principais problemas suscitados pelos realojamentos maciços e aponta alguns dos erros que é preciso evitar para que o Programa Especial de Realojamento não conduza ao mesmo insucesso que caracteriza a generalidade dos bairros sociais, em Portugal e no estrangeiro.</P>
<P>
Curiosamente, num texto da autoria de Isabel Guerra, uma das coordenadoras do dossier, confessa-se que «aqueles que falavam de participação nos anos 60 e 70 e estão hoje no poder (...) não conseguem criar redes de comunicação com aqueles que estão na periferia do sistema» -- o que, de acordo com a autora, é «uma enorme frustração».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40076">
<P>
Rádio francesa suspensa</P>
<P>
A autoridade francesa que controla as emissoras independentes ordenou a suspensão, durante 24 horas, da «Skyrock», uma estação de rádio juvenil que emitiu um comentário que qualificava de «boas notícias» o facto de um polícia ter sido alvejado. «Um polícia morreu em Nice, e isso é uma notícia bastante boa», foi a frase que provocou a indignação das autoridades que afirmaram ter recebido diversas queixas. A «Skyrock» disse que o comentário era «uma piada» e pediu desculpa.</P>
<P>
Sida sobe nos heterossexuais</P>
<P>
O peso da sida é pequeno na população heterossexual mas o número de heterossexuais atingidos pela sida poderá vir a ser, no futuro, superior ao dos toxicodependentes, homossexuais e bissexuais atingidos pela doença, segundo um relatório oficial francês tornado público ontem. O documento «a evolução da epidemia do HIV em França na população heterossexual», realizado pela Rede Nacional de Saúde Pública, afirma que das 110 mil pessoas infectadas em França, um quarto deverão ser heterossexuais, segundo uma estimativa de finais de 1991.</P>
<P>
Selo Marilyn</P>
<P>
Foi lançado nos EUA, na quarta-feira, o primeiro selo postal de uma série dedicada às lendas de Hollywood. A imagem de Marilyn Monroe foi a escolhida pelos correios norte-americanos para inaugurar as novas emissões de selos. O lançamento do selo, que custa 32 cêntimos (cerca de 50 escudos) foi feito no restaurante Planet Hollywood, de Nova Iorque, por Anna Strasberg, directora do Instituto Teatral Lee Strasberg, e pelo responsável dos correios norte-americanos, Marvin Runyon.</P>
<P>
Não se olha a idades</P>
<P>
Um homem de 81 anos atingiu a tiro um intruso que, segundo disse, tentava entrar no quarto da sua mãe, de 101 anos, em Bisbee, estado norte-americano do Arizona. Ontem a polícia declarou que tinham interrogado Ben Duree, o filho, que afirmou que «era ele ou a minha mãe, de forma que não tive qualquer problema em alvejá-lo». O alegado assaltante, que se encontra hospitalizado em estado crítico depois de ter sido atingido na cabeça, foi encontrado pela polícia perto da casa de Duree. Este foi alertado para a presença do intruso através do sistema de escuta instalado no quarto da sua mãe, que há já algum tempo não sai da cama.</P>
<P>
Chave e mapa em Wight</P>
<P>
Um mapa da prisão de alta-segurança em Pankhurst, na ilha de Wight, de onde fugiram na noite de terça para quarta-feira três detidos, foi encontrado numa estação ferroviária perto de Southampton, noticiou ontem o diário britânico «The Sun». A polícia já tinha informado, na quinta-feira, que uma cópia artesanal da chave mestra da prisão utilizada na fuga, foi descoberta perto de uma cabine telefónica situada a uma centenas de metros da porta principal. Apesar da descoberta do mapa no continente, a polícia suspeita que os três evadidos, que são considerados «extremamente perigosos», ainda devem encontra-se na ilha de Wight.</P>
<P>
Leilão de pisa-papéis de Schindler</P>
<P>
Um pisa-papéis que os nazis ofereceram a Oscar Schindler, o alemão que salvou mais 1.200 judeus polacos e cuja acção é descrita no filme «A lista de Schindler», vai ser leiloado até final de Janeiro, nos EUA. O pisa-papéis, que esteve desaparecido durante muitos anos, contêm na base uma placa de bronze onde o nome de Schindler se encontra gravado ao lado da figura de um trabalhador segurando uma máscara de protecção e onde se pode ler a frase «todos pela Alemanha».</P>
<P>
Tubarões em praias do Brasil</P>
<P>
O aparecimento, nos últimos tempos, de tubarões nas costas do nordeste do Brasil levou as autoridades do Estado de Pernanbuco a proibir a prática de surf em algumas praias da região. Em 1994 foram registados 11 ataques de tubarões naquela área e num deles, ocorrido a 2 de Dezembro, um surfista morreu devido a perda de sangue. Na ultima segunda-feira, um jovem de 17 anos foi mordido no pé esquerdo quando se encontrava a cerca de 30 metros da praia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-67792">
<P>
Amadeo de Souza-Cardoso</P>
<P>
Vida</P>
<P>
A sua familia era rica e influenciou-o a ingressar no curso de Direito na Universidade de Coimbra. Depressa desistiu do curso e mudou-se para o curso de Arquitectura na Academia de Belas Artes de Lisboa em 1905. O curso nao satisfaz o seu genio criativo, por isso parte para Paris em 1906 instalando-se em Montparnasse com a intençao de continuar a estudar. As suas primeiras experiências artisticas conhecidas foram desenhos e caricaturas, depois dedicou-se à pintura. Poder-se-á dizer que foi um pintor impressionista, expressionista, cubista, futurista mas sempre recusou qualquer rotulo. Apesar das multiplas influencias procurava a originalidade e a criatividade na sua obra. Em 1908 instala-se no número catorze da Cité de Falguière. Frequentou ateliers preparatórios para Academia de Beaux-Arts e a Academia Viti do pintor catalão Anglada Camarasa mas, apesar disso, nao chega a ser admitido. Em 1910 esteve alguns meses em Bruxelas e em 1911 expôs trabalhos no Salon des Indépendants, em Paris, aproximando-se progressivamente das vanguardas e de artistas como Amedeo Modigliani, Constantin Brancusi, Alexander Archipenko, Juan Gris e Robert Delaunay. Em 1912 publicou um álbum com vinte desenhos e, em seguida, copiou o conto de Gustave Flaubert, "La Légende de Saint Julien l'Hospitalier", trabalhos ignorados pelos apreciadores de arte.</P>
<P>
Depois de participar em 1913 numa exposição com oito trabalhos nos Estados Unidos da América, no Armory Show, voltou a Portugal, onde teve a ousadia de realizar duas exposições, respectivamente em Porto e em Lisboa. Nesse ano participou ainda no Herbstsalon da Galeria Der Sturm, em Berlim. Em 1914 encontrou-se em Barcelona com Antoni Gaudí, e parte para Madrid onde é surpreendido pelo início da I Guerra Mundial. Regressou então a Portugal, onde iniciou meteórica carreira na experimentação de novas formas de expressão, tendo pintado com grande constância ao ponto de, em 1916, expor no Porto 114 obras com o título "Abstraccionismo", que serão também expostas em Lisboa, num e noutro caso com novidade e algum escândalo.</P>
<P>
O cubismo em expansão por toda a Europa foram influências marcantes no seu cubismo analítico.</P>
<P>
Amadeo de Souza-Cardoso explora o expressionismo e nos seus últimos trabalhos experimenta novas formas e técnicas, como as colagens e outras formas de expressão plástica.</P>
<P>
Em 25 de Outubro de 1918, aos 31 anos de idade, morre prematuramente em Espinho, vítima da "pneumónica" que grassava em Portugal. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99622">
<P>
Moradores do bairro do Freixo bloquearam passagem dos «bulldozers»</P>
<P>
VCI polémica em Campanhã</P>
<P>
O avanço da construção da Via de Cintura Interna (VCI) do Porto na freguesia de Campanhã está a processar-se a grande velocidade, mas também de modo polémico. Em causa estão os trabalhos de execução de uma conduta que desviará os esgotos e águas pluviais para o rio Tinto, que colocam em perigo algumas das habitações do bairro de pré-fabricados do Freixo, e a edificação de um túnel na Rua do Binjóia, que implicará o derrube de um aqueduto setecentista aí existente.</P>
<P>
Ontem, os moradores do bairro do Freixo impediram o avanço das máquinas que ali chegaram por volta das 13h30 para fazer uma vala junto às habitações. Os moradores, avisados da intenção dos construtores, organizaram-se em turnos e, quando os «bulldozers» chegaram, sentaram-se na via, obrigando as máquinas a retroceder, cerca das 16h30.</P>
<P>
«Dentro do bairro não vêm», garantiam os moradores, que, sem garantias da interrupção da obra, prometem continuar de vigia e impedir o avanço das máquinas enquanto for preciso. Temem que as habitações cedam aos trabalhos, uma vez que as casas -- pré-fabricados de cimento que, em 1981, ali foram levantados para acolher os desalojados das cheias do Douro -- começaram já «a dar de si». Por outro lado, aquela zona tem vindo a ser palco de sucessivas cheias durante o inverno, motivadas pelo aumento do caudal do rio Tinto, temendo-se que as obras degradem ainda mais a situação. «O ribeiro não aguenta mais água», protestam. Entretanto, uma vala está já aberta nas traseiras de uma das habitações, encontrando-se o bairro sitiado por blocos de cimento e outros materiais de construção, pelo pó e pelo ruído das obras. «Quando põem uma máquina a trabalhar, a minha casa treme toda», garantia uma das moradoras.</P>
<P>
O vereador da habitação da Câmara Municipal do Porto, Armando Pimentel, esteve ontem de manhã no local, constatou as péssimas condições ali existentes e deu razão aos protestos dos moradores, estando a equacionar o realojamento das 46 famílias que ali vivem. Contactado pelo PÚBLICO, o vereador afirmou ser impossível proceder imediatamente à transferência devido à falta de habitações disponíveis -- está actualmente em curso o processo de realojamento dos moradores do bairro da Mitra, também motivado pela passagem da VCI --, tendo pedido aos moradores que aguardem até ao final o ano. Apanhado de surpresa pela situação --já que, segundo garantiu, «a Junta Autónoma das Estradas (JAE) nunca fez saber da necessidade de realojar aquela gente» --, Pimentel adiantou que o realojamento terá que ser apenas antecipado, já que o Plano Director Municipal do Porto prevê uma área verde para aquela zona, pelo que, mais tarde ou mais cedo, as habitações em causa teriam de ser derrubadas.</P>
<P>
Aqueduto em perigo</P>
<P>
Na Rua do Bonjóia, a questão é patrimonial e quem se opõe ao derrube do antigo aqueduto e da Fonte da Senhora (uma das mais antigas da freguesia) é a Junta de Freguesia de Campanhã, até porque parte da infraestrutura setecentista está incluída na Quinta do Bonjóia, património classificado já há alguns anos. O projecto da VCI prevê a construção naquele local de um túnel de 40 metros, implicando a demolição dos dois monumentos históricos e ainda de um lavadouro aí existente. A autarquia não tinha conhecimento destes promenores do projecto, mas ainda na segunda-feira os SMAS estiveram no local para cortar a água que abastece o lavadouro, o que foi impedido.</P>
<P>
O presidente da Junta de Freguesia, Rodrigo Oliveira, reuniu com técnicos dos serviços de património da Câmara do Porto, estando em discussão com a JAE o futuro a dar áquela área, que a Junta pretende ver preservada. Para já, o empreiteiro suspendeu a demolição e, segundo Rodrigo Oliveira, a solução para o problema poderá passar pela construção de um viaduto.</P>
<P>
Jorge Marmelo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="wpt-1000772700099419796">
<P>
Team Suzuki Cepsa - Notícias</P>
<P>
27 Março de 2005</P>
<P>
Luís Correia domina concorrência em Casais S.Quintino</P>
<P>
Luís Correia em Suzuki RMZ 250 voltou a demonstrar o seu excelente momento de forma ao dominar por completo a classe 125cc na 2ª jornada do Campeonato Nacional de Motocross, que se realizou este domingo em Casais de S.Quintino.</P>
<P>
Numa pista em bom estado, apesar da ameaça de chuva que pairou na região durante o domingo de Páscoa, foram muitos os espectadores que resolveram ver o espectáculo do Motocross.</P>
<P>
E o piloto a dar mais espectáculo foi Luís Correia que deu um recital de condução aos seus mais directos adversários, averbando uma vitória que não deixa margens para dúvidas. Para o piloto do Team Suzuki Cepsa, o dia até começou muito bem com a conquista do 1º lugar na grelha de partida. Na partida não conseguiu chegar à primeira curva na liderança mas após algumas voltas, cedo instalou-se no comando do numeroso pelotão, distanciando-se a partir desse momento dos seus perseguidores. Com esta vitória cimentou a liderança na classificação actual do Campeonato Nacional de Motocross, classe 125.</P>
<P>
Os seus companheiros de equipa tiveram prestações diferentes, tendo Ricardo Pereira alcançado o 6º lugar e Hugo Basaula o 15º lugar. Para o mais jovem membro do Team Suzuki Cepsa, Hugo Basaula, esta manga começou muito bem, pois o piloto fez uma partida fenomenal e assumiu a 3ª posição no pelotão. Mas uma queda que sofreu num salto, fez com que tivesse que recuperar da última posição e já com muito tempo de atraso para os seus adversários. Após uma recuperação endiabrada conseguiu então a 15º posição final.</P>
<P>
Ricardo Pereira esteve mais uma vez muito regular e rápido terminando no 6º lugar com a Suzuki RMZ 250.</P>
<P>
Na classe maior, Ricardo Pazos, partiu determinado a melhorar a sua prestação relativamente à Águeda, e com uma condução mais adaptada à Suzuki RMZ 450, alcançou o 3º lugar, muito perto de Paulo Gonçalves que secundou Hugo Santos no Podium.</P>
<P>
No final da tarde realizou-se a manga do Absoluto, e mais uma vez Luís Correia demonstrou porque é o piloto mais rápido a correr em Portugal com máquinas da classe 125. Alcançou o 3º lugar em termos de Absoluto e foi o melhor piloto da classe 125. Para Ricardo Pazos esta manga ficou marcada por uma queda espectacular que sofreu logo na volta inicial e quando tentava assumir a liderança, numa descida em que os pilotos alcançam velocidades muito elevadas. Apesar do grande aparato da queda, Ricardo Pazos pode prosseguir em prova, pois os seus equipamentos protegeram-no de lesões graves, nomeadamente o capacete CMS, botas Oxtar e equipamento Shift.</P>
<P>
Apesar de ter quase uma volta de atraso para os seus adversários, não baixou os braços e realizou uma grande recuperação, alcançando o 12º lugar.</P>
<P>
Para o publico presente a luta travada entre Hugo Basaula e Ricardo Pereira foi empolgante, pois os pilotos trocavam de posições em todo o percurso da pista. No final seria Ricardo Pereira a levar a melhor sobre o colega de equipa, alcançando o 11º lugar e Hugo Basaula o 17º lugar. Esta prova também contava para o Troféu Suzuki Cepsa Cetelem Motojornal, e o lugar mais alto do Podium voltou a ser ocupado por Ricardo Pereira, que assim permanece invicto deste o início desta iniciativa em 2004.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-53227">
<P>
Os flatulentos porcos voadores</P>
<P>
Se andar de avião provoca grande mal-estar em muitas pessoas, o que é que se pode esperar de um porco? A companhia aérea sul-africana (SAA) acaba de preencher mais uma lacuna científica: em condições particulares, um porco faz aquilo que se espera dele. No voo de quinta-feira de Londres para Joanesburgo -- um Boeing 747 com com 300 pessoas a bordo -- teve que regressar e aterrar de emergência no aeroporto londrino de Heathrow, quando disparou o alarme de incêndios no porão, onde seguiam 72 animais. O alarme disparou hora e meia depois da descolagem, libertando um gás destinado a reduzir a presença de oxigénio no porão. Registaram-se 15 baixas mortais entre os porcos, por asfixia. Segundo a companhia, foi uma «combinação de urina, de calor e de gás metano libertado pelos porcos que provocou o alerta.» As vítimas, destinadas à reprodução na África do Sul, tinham sido examinadas por um veterinário antes da partida, que autorizou a operação. A companhia explicou que, geralmente, é menos traumatizante e doloroso para os animais utilizar uma ligação aérea regular que um avião fretado, que costuma fazer várias escalas.</P>
<P>
Centro de Atenas só para peões</P>
<P>
As ruas centrais do comércio de Atenas vão estar completamente proibidas a carros particulares, táxis e motas durante três meses, numa nova tentativa de lutar contra a poluição atmosférica e o caos no trânsito da capital da Grécia. A medida provisória pretende inaugurar o reordenamento da cidade, para «salvar» o centro e «devolver-lhe a vida e o prestígio», disse o ministro do Ambiente, Costas Laliotis. Se resultar, ficará definitiva e será estendida aos dois bairros limítrofes de Kolonaki e Exarchia. Concentrando quatro milhões de pessoas, mais de um terço da população grega, desfigurada por décadas de especulação imobiliária, Atenas é hoje a capital mais poluída da Europa. Fugindo do «nefos», a malcheirosa nuvem de poluição visível a olho nu, os habitantes desertaram do centro e os turistas estão sempre a queixar-se. A proibição, por agora, só funciona numa pequena parte do «triângulo comercial», uma zona de 40 hectares delimitado, abaixo da Acrópole, pelas três grandes praças da Constituição, de Omonia e de Monastiraki. O bairro, datado de finais do século passado, acolhe diariamente cerca de 60 mil comerciantes e empregados, dezenas de milhares de clientes e apenas 300 habitantes.</P>
<P>
A «Coroa dos Andes» vai viajar</P>
<P>
A «Coroa dos Andes», a mítica jóia religiosa colombiana feita com 1,8 quilos de ouro e 450 esmeraldas, avaliada entre três a cinco milhões de dólares (centre 435 mil e 725 mil contos), vai dar uma volta ao mundo (Estados Unidos, Europa, América Central e Ásia) antes de ser leiloada, em Nova Iorque, pela Christie's. A maior das esmeraldas, lapidada em quadrado, baptizada com nome do último rei-soldado inca, Atahualpa, mede 15,80 mm por 15,15 mm. A coroa tem 34,5 cm de altura e 52 cm de circunferência. Segundo a lenda, a coroa foi feita como reconhecimento dos habitantes da Popayan à Virgem, que os teria salvo de uma epidemia em 1590. Durante seis anos, trabalharam nela 24 dos melhores joalheiros e ourives espanhóis. Escapou a guerras, ladrões e revoluções, mas em 1909, arruinada, a cidade vendeu-a, com autorização do Papa Pio X. Como é costume, acabou em 1936 nas mãos de empresários norte-americanos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70472">
<P>
Acusado diz que conhecia filha de Agenor Silva Borges e já havia visitado casa da família no ABCD </P>
<P>
Da Folha ABCD </P>
<P>
O empresário Agenor Silva Borges, 45, foi morto com seis tiros em São Bernardo (ABCD) por três assaltantes. Um acusado disse ser amigo de K.B., filha de Borges.</P>
<P>
Ontem, a polícia pediu à Justiça a prisão preventiva da mulher do empresário, Matilde Borges. Até as 19h30, a prisão não havia sido decretada. A polícia suspeita que Matilde e a filha tenham participado do crime.</P>
<P>
O advogado Paulo Luis de Souza, que representa Matilde e K.B., afirmou que acusação é uma leviandade (leia texto ao lado).</P>
<P>
O crime aconteceu por volta das 9h de anteontem, quando Borges saía de sua casa, no bairro Santa Terezinha, para ir ao trabalho.</P>
<P>
Borges era sócio da Fábrica de Móveis Irmãos Borges e de uma loja de móveis em São Bernardo. O corpo foi encontrado às 19h30 de anteontem. A arma usada no crime não foi localizada.</P>
<P>
O empresário teria sido abordado na porta de sua casa por Alexandro Silva, 20, Claudemir Silva, 20, e S.B.G., 16. Segundo a polícia, eles confessaram o crime.</P>
<P>
Alexandro teria afirmado que fez os disparos e que conhecia a filha da vítima. Em depoimento, disse ter decidido assassinar Borges por temer ser reconhecido.</P>
<P>
Depois, segundo a polícia, Alexandro disse que Matilde e K.B. teriam oferecido a ele o Escort de Borges em troca do assassinato.</P>
<P>
Alexandro afirmou ser amigo de K.B., 17, e que havia frequentado a casa de Borges pelo menos duas vezes. Ele disse que a garota teria sugerido o crime há cinco meses.</P>
<P>
K.B. confirmou que conhecia o acusado e que teria feito o comentário sobre o assassinato do pai por brincadeira. Ela negou que tivesse mandado matar o pai. Matilde não quis dar declarações à Folha.</P>
<P>
Antes de matar o empresário e roubar seu Escort, os acusados teriam roubado R$ 75 que Borges levava e o teriam obrigado a sacar R$ 500 em um caixa eletrônico em Ribeirão Pires (ABCD).</P>
<P>
Claudemir Silva foi preso anteontem em sua casa no Jardim Silvina, em São Bernardo.</P>
<P>
Alexandro e S.B.G foram presos anteontem à noite por policiais militares quando ocupavam o Escort com outros cinco rapazes.</P>
<P>
No carro, estavam ainda Carlos Salvador Jardim, 19, Manuel da Silva Bento, 24, P.R.G., 17, R.U.M., 17, e R.B.S., 15, que negaram participação no crime.</P>
<P>
As investigações levaram à prisão de mais três suspeitos: o desempregado Paulo José Vendrusculo, 20, que teria emprestado a arma do crime, o comerciante Arnaldo Viana de Lacerda, 24, e o vigilante José Isídio da Silva, 37.</P>
<P>
O delegado Hildo Estraioto Júnior, que acompanha o caso, disse que os envolvidos foram indiciados por latrocínio, receptação, formação de quadrilha, corrupção de menores e favorecimento. Só a pena de latrocínio (roubo seguido de morte) varia de 15 a 30 anos de reclusão.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26556">
<P>
O presidente francês, François Mitterrand, tem razão ao definir o desemprego, somado à exclusão social, como "os problemas mais graves deste fim de século". Desnecessário alongar-se sobre os terríveis efeitos sociais e mesmo psíquicos que o desemprego ocasiona às suas vítimas. Já foram exaustivamente analisados.</P>
<P>
O importante, agora, é constatar que não se encontraram por ora remédios eficazes para o mal e sequer o diagnóstico é coincidente entre os especialistas. Os desencontros de opinião ficaram muito claros no Fórum Econômico Mundial, encontro anual que se realiza em Davos, na Suíça, e reúne este ano cerca de 1.200 personalidades, entre autoridades oficiais de 60 países, acadêmicos e empresários de muitas grandes corporações internacionais.</P>
<P>
Nem essa constelação de peritos (ao menos em tese) conseguiu produzir, até agora, alguma proposta objetiva para reduzir o desemprego, que, só nos 24 países mais ricos, afeta 35 milhões de pessoas –o equivalente à população do Estado de São Paulo.</P>
<P>
Na Europa, a receita que se está generalizando para aumentar o emprego é a chamada flexibilização das leis trabalhistas. Trata-se de derrubar normas construídas ao longo do tempo que, ao lado de outros mecanismos relativos à educação e saúde, constituem o pilar do "welfare state", outrora um orgulho dos europeus.</P>
<P>
Mas um especialista dos EUA, Lawrence Summers, subsecretário do Tesouro, diz que a flexibilização é apenas "meia-verdade" e fracassará se não for acompanhada de aumento da demanda. Faltou dizer como induzir um aumento da demanda sem provocar inflação e/ou elevar o déficit público –que, aliás, é um dos fatores da estagnação na Europa, por sua vez responsável em parte pelo aumento do desemprego.</P>
<P>
Seja qual for o diagnóstico que se faça sobre a crise do emprego, as profundas mudanças estruturais ocorridas na economia internacional nos anos recentes sugerem que o desemprego é um fenômeno terrível com o qual o mundo terá que conviver ainda por um longo tempo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-12307">
<P>
INÁCIO MUZZI</P>
<P>
Do Painel, em Brasília</P>
<P>
A CPI do Orçamento começou a analisar ontem um documento atribuído à empreiteira Servaz, que relaciona 49 políticos com percentuais do valor de obras executadas pela empresa.</P>
<P>
O documento cita, além de vários parlamentares implicados no escândalo do Orçamento, o senador José Sarney (PMDB-AP), o ex-governador Orestes Quércia (PMDB-SP), os governadores Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), Moisés Avelino (PMDB-TO), Freitas Neto (PFL-PI), e o irmão do governador Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB-SP), Frederico Coelho Neto, o Lilico.</P>
<P>
Um técnico da Subcomissão de Bancos da CPI investiga a relação entre os valores contidos no documento e a movimentação bancária daqueles citados que já tiveram o sigilo bancário quebrado.</P>
<P>
O documento foi remetido por um ex-diretor da Servaz ao coordenador da Subcomissão de Emendas, deputado Sigmaringa Seixas (PSDB-DF). Como o material não é assinado e não está em papel timbrado da empreiteira, o deputado preferiu manter sigilo sobre seu conteúdo, à espera da comprovação da veracidade das informações.</P>
<P>
A Folha apurou que o documento, além dos percentuais, detalha, em cruzeiros, a suposta retirada mensal da maioria dos citados. Em alguns casos, há uma referência aos serviços prestados pela empreiteira a políticos, como reformas em propriedades do ex-presidente Sarney.</P>
<P>
O nome de Quércia aparece associado ao do tesoureiro de suas campanhas, José Lopes, o Zé Português, seguido da observação "% variável". Lilico surge associado ao nome Onofre, que suspeita-se seja  Onofre Vaz, proprietário da empreiteira.</P>
<P>
Conjuntamente à relação, a CPI recebeu três folhas contendo os nomes de todas as obras de interesse da Servaz, com valores respectivos. Até o final da semana, a CPI vai ter elementos para decidir sobre a veracidade do documento. Se o texto for considerado legítimo, a comissão pode iniciar novas investigações, que exigirão novo depoimento de Onofre Vaz.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-37741">
<P>
Negociações angolanas em Lusaca</P>
<P>
Redigido mais um documento</P>
<P>
As delegações do Governo angolano e da UNITA concluíram quinta-feira à noite o pacote de princípios e modalidades que regerão a segunda volta das eleições presidenciais em Angola, a tempo das movimentações políticas da próxima semana em Pretória.</P>
<P>
Era fundamental concluir as modalidades do processo eleitoral a tempo da saída do medianeiro, Alioune Blondin Beye, para a tomada de posse do Presidente sul-africano, disse à Lusa fonte das conversações. Beye reunir-se-á com o secretário-geral das Nações Unidas na África do Sul.</P>
<P>
As modalidades são seis e completam o quadro dos anteriores 12 princípios gerais e específicos que regerão a segunda volta das presidenciais, pendente desde o Outono de 1992. São expressas em termos gerais, apontando embora para a calendarização de operações que deverão ser realizadas no país, e uma fonte das conversações criticou a «vacuidade» da sua formulação.</P>
<P>
A negociação não foi fácil, tendo a UNITA pedido a manhã de quinta-feira para estudar melhor as propostas da mediação e acabando as delegações por se reunirem somente quinta-feira à tarde. Ao fim do dia foi necessária a intervenção dos observadores para conciliar alguns aspectos da formulação, que ficou pronta depois das 20h00, segundo fontes das conversações.</P>
<P>
Em termos gerais, pendente do mandato que será ainda estabelecido para a missão da ONU em Angola (UNAVEM), ficou estabelecido que «os meios humanos e materiais das Nações Unidas deverão ser adaptados à sua missão de apoio, verificação e fiscalização» do processo eleitoral.</P>
<P>
Outro ponto diz que a ONU «constatará por declaração formal, depois de ouvido o órgão sucedâneo da Comissão Conjunta Político Militar, a existência de todos os requisitos indispensáveis e de todas as condições requeridas» para as eleições, especialmente as relativas «à satisfação de todas as obrigações do protocolo de Lusaca».</P>
<P>
O terceiro ponto determina que «todas as instituições implicadas» na organização das eleições, como o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), «deverão efectuar os preparativos indispensáveis nos prazos requeridos».</P>
<P>
«A concepção, fabricação, recepção e armazenamento do material eleitoral far-se-ão nos prazos adequados», refere o quarto ponto, remetendo para a lei, CNE e o «apoio, verificação e fiscalização» pela ONU.</P>
<P>
Num dos pontos mais relevantes do processo, o registo do eleitorado, ficou estabelecido que «a elaboração dos cadernos do registo eleitoral através da inscrição dos cidadãos eleitores, bem como a publicação por afixação edital das listas dos registos deles extraídos», deverão cumprir os prazos e ser sujeitos às normas gerais da lei e actuação pelas Nações Unidas.</P>
<P>
Este ponto interliga-se com o terceiro princípio específico do pacote, que determina as «condições requeridas» para as eleições, da livre circulação de pessoas e bens à reposição da Administração central no país.</P>
<P>
O sexto ponto das modalidades diz que «deverá ser levada a cabo dentro dos prazos requeridos e através dos meios adequados uma campanha de educação cívica dos eleitores àcerca dos objectivos» da segunda volta das presidenciais «e do modo como o eleitor deve votar».</P>
<P>
A delegação governamental angolana deverá partir hoje para Luanda, regressando somente terça-feira, na véspera da retomada provável das conversações, dada a ausência do medianeiro.</P>
<P>
Fonte das negociações disse à Lusa que o aspecto a debater a seguir será o mandato das Nações Unidas em Angola, questão que se relaciona com os vários acordos já estabelecidos parcelarmente. As questões iniciais do mandato militar -- para distribuição do pessoal das Nações Unidas pelo país e depósitos para recolha de armas dos guerrilheiros da UNITA -- está esta semana em análise em Luanda, no âmbito da UNAVEM. [...]</P>
<P>
Luisa Ribeiro, em Lusaca/Lusa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-53761">
<P>
Schumacher continua a ganhar</P>
<P>
Michael Schumacher não guardará boas recordações do circuito de Ímola, tal como todos os intervenientes e fãs do «grande circo», mas os dez pontos da sua vitória no GP de San Marino catapultaram-no para a conquista do título mundial.</P>
<P>
Após os acidentes de Lamy e de Senna, a corrida do GP de S. Marino acabou mesmo por ser interrompida, desta vez com formação de nova grelha. Com um lugar vazio à sua frente, e partindo do melhor lado da pista, Gerhard Berger (Ferrari) assumiu o comando, com Schumacher (Benetton-Ford) logo atrás de si. No entanto, estas posições davam o comando da corrida ao piloto alemão, graças à vantagem ganha nas primeiras voltas, antes da interrupção.</P>
<P>
Com 13 voltas decorridas, uma passagem de caixa falhada por Berger permitiu que Schumacher o ultrapassasse. O piloto austríaco abandonou poucas voltas depois (17ª), após uma primeira passagem pela boxe, com problemas na roda esquerda traseira. Mika Hakkinen assumiu então o primeiro lugar (a primeira vez que isso foi conseguido pelo motor Peugeot), mas só até voltar a entrar nas boxes para reabastecimento e troca de pneus. Schumacher voltou então ao primeiro lugar, que não mais abandonou até final, mesmo com mais uma paragem nas boxes.</P>
<P>
Com as posições praticamente definidas, houve ainda lugar a mais um acidente nesta corrida azarada. Michele Alboreto, que saíra das boxes nas duas partidas efectuadas, voltou ali na volta 48 para reabastecimento e troca de pneus. Quando saía da zona de boxes, atropelou três mecânicos da Ferrari, quando a roda traseira direita, mal apertada, se soltou e acabou por se soltar, atingindo um dos mecânicos da equipa Lotus-Honda. Os quatro mecânicos foram hospitalizados com traumatismos vários, encontrado-se todos livres de perigo.</P>
<P>
Nicola Larini (Ferrari), que aqui substituiu Jean Alesi, tinha entretanto chegado ao segundo lugar, que defendeu até à bandeirada xadrez. O piloto italiano era sem dúvida o mais feliz no pódio -- e deu uma grande alegria aos muitos milhares de «tifosi» presentes em Ímola, que invadiram a pista imediatamente após os primeiros cortarem a meta, ainda com muitos carros em andamento. O terceiro lugar coube a Hakkinen, que assim marcou os primeiros pontos do ano para a McLaren-Peugeot.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-13500">
<P>
FOTOS PEDRO CUNHA da semana passada.</P>
<P>
Câmara de Loures já demoliu 420 barracas</P>
<P>
Família são-tomense em risco de despejo</P>
<P>
José António Cerejo</P>
<P>
A Câmara de Loures está preocupada com a construção de novas barracas. Não pode deixar fazê-las porque a isso a obriga a lei, mas fica com uma drama nos braços cada vez que a cumpre. Ao todo já demoliu 420 desde o lançamento do PER. Desta vez é uma família da Portela de Sacavém que está na calha.</P>
<P>
Uma família são-tomense, constituída por uma anciã de 93 anos, um filho de 63, uma neta de 33 e duas bisnetas de 8 e 9 anos, corre o risco de ser despejada da barraca onde reside, na Quinta do Carmo, na Portela de Sacavém. As moradoras garantem que vivem no local há três anos e meio e a Câmara de Loures -- que já emitiu uma ordem de despejo e demolição -- argumenta que a casa foi construída depois de Abril do ano passado, altura em que foi concluído o recenseamento dos residentes, no âmbito dos trabalhos preparatórios do Plano Especial de Realojamento (PER). Apesar disso, a autarquia decidiu suspender a execução do despejo, estando a aguardar elementos adicionais para tomar uma decisão definitiva.</P>
<P>
Sendo um caso igual a tantos outros, o drama da família de Ivo Sosthenes da Vera Cruz Jordão ilustra bem as contradições e as insuficiências do chamado PER, lançado pelo Governo há dois anos e destinado a acabar com as barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Na perspectiva da Câmara de Loures, o problema radica na persistência das causas sociais que conduzem ao aparecimento de barracas e na impossibilidade prática de lhes pôr termo por decreto.</P>
<P>
Isto porque o PER assegura o realojamento dos habitantes de barracas recenseados até um determinado momento -- Abril de 1994, no caso do concelho de Loures -- e obriga as câmaras a demolir todas as que forem construídas depois. Mas a realidade, dizem os responsáveis camarários, é que as carências de mão-de-obra e a situação social do país continuam a fazer afluir à região de Lisboa milhares de pessoas que não têm alternativas e fazem tudo o que podem para construir habitações clandestinas.</P>
<P>
Natural de São Tomé, Ivo Jordão foi funcionário do ministério português da Educação durante muitos anos. Hoje em dia, aufere uma pensão de 29 contos, tem nacionalidade portuguesa e trabalha numa empresa de fabrico de refeições. Quando se instalou em Portugal, em meados da década de 70, a mãe e a filha, ambas com o nome de Maria Assunção, foram viver para Luanda. Na capital angolana nasceram-lhe duas bisnetas e foi a guerra, há pouco mais de três anos, que empurrou as quatro para Lisboa.</P>
<P>
Chegadas a Portugal, foi a casa de Ivo Jordão, na Quinta do Carmo, que foram procurar abrigo. Segundo conta a filha e confirmam algumas vizinhas, a minúscula barraca que o pai havia construído e partilhava com uns parentes foi-lhes então cedida, retirando-se estes para casas de outros familiares. «Depois disso consegui o meu cartão de residente, arranjei emprego honestamente, trabalho há mais de dois anos no aeroporto, trato sozinha das minhas filhas e da minha avó e moro nesta casa desde que cheguei», conta Maria da Assunção.</P>
<P>
A barraca não foi recenseada</P>
<P>
Quando, aqui há um ano e meio, começou a ser feito o recenseamento das famílias e das barracas existentes no bairro, Maria da Assunção não deu por nada e não encontra explicações para o facto de o seu nome e a sua casa não constarem dos levantamentos camarários. O que ela sabe é que havia uma chapa com um número na barraca e o amigo do pai, que a fez com ele, garantia que «estava tudo bem e tudo legal».</P>
<P>
Ivo Jordão, porém, apercebeu-se de que havia problemas e contactou a Câmara, no fim do ano passado, para esclarecer a situação. O pior é que, nessa altura, do ponto de vista legal e na opinião dos serviços municipais, já não havia nada a fazer. Nem a sua família nem a casa constavam do censo e o levantamento daqueles que serão realojadas pelo PER, e poderão manter as suas barracas até lá, estava concluído fazia muito tempo. Além disso, a lei mandava demolir todas barracas não recenseadas. Por isso mesmo, o edital com a ordem de despejo e demolição, no prazo de 30 dias, foi afixado em 11 de Maio. A história parecia, assim, chegada ao seu termo.</P>
<P>
Para a Câmara esta seria apenas mais uma, já que, desde Janeiro do ano passado até 31 de Março deste ano, em todo o concelho, já foram ordenadas e efectuadas 420 demolições de barracas começadas a construir após o termo do recenseamento. Só que Ivo Jordão decidiu não cruzar os braços e fez tudo o que estava ao seu alcance para evitar, ou pelo menos adiar, o despejo da família. Escreveu ao presidente da Câmara de Loures, ao provedor de Justiça e aos jornais.</P>
<P>
Na carta que endereçou ao primeiro, Demétrio Alves, logo após ter recebido a ordem de despejo, pede que lhe deixem ficar a barraca até que todo o bairro seja demolido e diz que ela não foi incluída no recenseamento por «má-fé dos funcionários». Ivo Jordão invoca a sua condição de negro português e diz que aprendeu «pelos manuais portugueses que ser português não teria como lema nascer em Portugal, ter pais portugueses ou ainda ser filho de Castro, `o Forte', Camões, Garrett, Albuquerque, `o Terrível' e tantos outros que traçaram a gesta e engrandeceram a pátria lusa».</P>
<P>
Perante as reclamações apresentadas, a Câmara decidiu suspender a demolição, que deveria ter lugar a partir do dia 11 deste mês, aguardando agora os pareceres da Junta de Freguesia da Portela e da Associação Sócio-Cultural da Quinta da Serra, quanto aos argumentos de Ivo Jordão.</P>
<P>
Maria da Assunção, por seu turno, enquanto espera pelas decisões da autarquia, interroga-se sobre o que lhe poderá acontecer. «Se me deitarem a casa abaixo, o que é que eu vou fazer com duas crianças, uma avó de 93 anos e 69 contos de ordenado?»</P>
<P>
Para a vereadora Zélia Amorim, que já explicou ao provedor de Justiça a posição da Câmara, com base no cumprimento das obrigações impostas pelo Governo às autarquias no âmbito do PER, a solução do problema só poderá estar nos serviços da segurança social.</P>
<P>
A avó Assunção, alheia às complexas razões do Governo e da autarquia, recorda o tempo calmo em que «partia o caroço do dem-dem e escolhia cacau lá em São Tomé» e só sabe que está velha. «Agora, vem um pouco de vento e começa logo a abanar.»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-7831">
<P>
Taj Mahal a salvo</P>
<P>
Monções na Índia continuam a matar</P>
<P>
O templo indiano Taj Mahal, tido como uma das «sete maravilhas do mundo», foi ontem considerado a salvo depois de violentas enxurradas terem tocado o muro norte do grande mausoléu de mármore em Agra, quando cerca de 100 mil pessoas foram afectadas pelas monções que têm assolado o Norte da Índia.</P>
<P>
As autoridades declararam o estado de crise em 46 distritos do Estado de Uttar Pradesh, anunciando 29 novas mortes por afogamento, desabamentos de terra e destruição de casas. No total, segundo a agência indiana Press Trust, tinham ontem morrido 177 pessoas naquele Estado. No Estado de Haryana, foram ontem confirmadas novas 30 vítimas mortais, num total de 112.</P>
<P>
Em Nova Deli, mais de 30 mil pessoas foram evacuadas sábado em consequência das piores inundações sofridas pela capital indiana nos últimos 17 anos, que levaram ao corte das linhas de caminho-de-ferro. Cinquenta mil pessoas, no total, foram evacuadas desde quinta-feira para serem transferidas para locais mais elevados. O nível do rio Yamuna, que atravessa Nova Deli, apesar de ter baixado um pouco no fim-de-semana, ultrapassava ainda a cota de alerta de dois metros na maior parte da cidade. Num dos bairros atingiu mesmo os oito metros.</P>
<P>
Desde que as primeiras monções irromperam em Junho, com uma força pouco habitual, pelo menos 700 pessoas morreram em todo o país. Segundo as informações das autoridades, no entanto, esperava-se que rapidamente começassem a descer os grandes rios, como o Yamuna, que corre junto ao Taj Mahal, em Agra, e também em Nova Deli, a cerca de 160 quilómetros de Agra. Também se esperava que suavizasse a força das águas do enorme Ganges, o rio sagrado dos hindus.</P>
<P>
O Taj Mahal, um mausoléu construído no século XVII pelo rei Shah Jehan para a sua esposa, Mumtaz-i-Mahal, foi considerado a salvo pela Sociedade Indiana de Arqueologia, depois de receios iniciais de que podia ser invadido pelas águas. O nível do rio, que normalmente fica vários metros abaixo do muro norte, que bordeja o rio, quase galgou para dentro do templo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-81275">
<P>
Quadrinhos e pop art - É neste processo de renovação da sociedade norte-americana que a pop art ganha um impulso e, de certa forma, contribui para que os quadrinhos voltem de novo a ser tratados como coisa séria. Os artistas procuravam demolir a rigidez e a seriedade das artes plásticas através de ícones da sociedade ocidental. Garrafas de Coca Cola, latas de sopa, símbolos gráficos usados em estações de metrô eram usados em associações livres que permitiam o estabelecimento de relações simbólicas e afetivas com as obras em questão. Era uma arte que se valia da repetição de signos conhecidos no intuito de buscar uma identificação com o público a que ela se destinava. A idéia era eliminar as barreiras entre as culturas erudita e popular. </P>
<P>
Sendo assim, é compreensível que os grandes nomes da pop art utilizassem também as histórias em quadrinhos como um elemento a mais dentro de seus trabalhos. Afinal, a linguagem das HQs, um balão de texto ligado a uma imagem, possibilita a compreensão imediata da mensagem. Além do que, graficamente, eles dispunham de inúmeras referências que serviriam de parâmetro para os pintores pop. Isso pode ser visto na obra de Roy Lichtenstein e seus painéis diretamente copiados de tiras de jornal e, em menor escala, no trabalho de Andy Warhol. Neste caso, mais em decorrência da forma como ele dispunha suas obras - utilizando a narrativa seqüencial em cores primárias nos célebres retratos de Marilyn Monroe, Mao Tsé Tung e James Dean - do que propriamente por se comportar como um quadrinhista tradicional. </P>
<P>
Ao levar para as galerias a estética das HQs, a pop arte fez com que os quadrinhos ganhassem de volta o respeito que haviam perdido na década de 50. Claro que isso não seria possível sem a renovação promovida pelos Comix. Com a pop art os quadrinhos passaram a ser aceitos por uma camada mais intelectualizada da sociedade. Jules Feiffer tem suas tiras publicadas nas páginas da elitista New Yorker. Na Europa, François Truffaut, Alain Resnais, Federico Fellini e Umberto Eco, teorizam sobre as HQs e declaram seu amor aos quadrinistas norte-americanos. Com a benção da pop art, finalmente as histórias em quadrinhos viraram coisa de gente grande. </P>
<P>
A quebra de valores promovida pela pop art, pela contracultura, pelos comix e pela beat generation influenciou ainda o jornalismo e a literatura. Hunter S. Thompson e Tom Wolfe criam o "new journalism" e inventam uma nova forma de narrativa, misturando a notícia a impressões pessoais e estados alterados de consciência. Se, por um lado, Thompson experimentou todos os tipos de substâncias legais e ilegais para escrever Fear &amp; Loathing in Las Vegas, um relato de suas maluquices na capital mundial do jogo, Wolfe desenvolveu uma linguagem acelerada e dinâmica parecida com as narrativas das HQs. Inclusive com a utilização de onomatopéias: </P>
<P>
"mesmo que alguém quebrasse a corrente e em que todos fluíam e fosse bater de encontro ao asfalto da Grande Estrada a noventa quilômetros por hora - eles possuiam isso gravado na fita - e podiam tocar muitas vezes em retardos variáveis, skakkkkkkkkkkk-akkkkkkkk-akkkkk-akkkkkeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee</P>
<P>
eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee - Nua em Pêlo cada vez mais esquisita enrolada na manta preta, tremendo e depois se levantando feito uma alma penada...</P>
<P>
...É loucura, delírio, piração, fora da realidade, com metade do mesencéfalo repetindo</P>
<P>
VOCÊ ESTÁ MUITO DOIDO</P>
<P>
e a outra metade repetindo</P>
<P>
VOCÊ É DEUS...</P>
<P>
Homem home on the range, cuspindo e buzinando fonfonrofonfon aquela maldita ladainha ao microfone - Home...home...on the ra-a-a-a-a-ange..." </P>
<P>
Tom Wolfe - O Teste do Ácido do Refresco Elétrico </P>
<P>
Essa foi a estética vigente dos primeiros textos da literatura underground norte-americana. Em livros como V, O Leilão do Lote 49 e Arco Íris da Gravidade, todos publicados no período que vai de 61 a 73, o escritor Thomas Pynchon freqüentemente adota um modelo de narrativa semelhante ao das histórias em quadrinhos e nos diverte com aviões sendo abatidos por uma rajada de tortas de creme, sátiras ao quadrinho de herói (o personagem Homem Foguete é claramente inspirado no Capitão América), monstros imensos que surgem do nada, ratos falantes, uma rolha assassina que persegue um casal em pleno ato sexual e personagens como nomes improváveis e absurdos (Benny Profane, Oedipa e Mucho Maas, Pierce Inverarity, Fausto Magistral, Tyrone Slothrop, General Pudding, Pig Bodine...). Quem também se utiliza do humor quase infantil das HQs é Kurt Vonnegut em seu manifesto anti-militarista Matadouro 5 e no experimental Timequake. Foi essa reciclagem da cultura de massa norte-americana e a sua junção com os valores emergentes da contracultura que permitiu o surgimento de uma narrativa genuinamente pós-moderna, um gênero que, além de bastante divertido, deixou fortes marcas na literatura norte-americana. Dos anos 60 até os dias de hoje.</P>
<P>
Fonte: Kung Fu Lounge (http://kfl.blogspot.com/).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="HAREM-425-00322">
<P>Qual é o seu nome? Ventura Pires da Cruz .</P>
<P> Local de nascimento? Pisões .</P>
<P> Quando é que nasceu? Dia 7 de Maio de 1939.. </P>
<P>Qual é o nome do seu pai? José Pires da Cruz .</P>
<P> Qual é o nome da sua mãe? Aurintina Afonso .</P>
<P> Diga o nome dos seus avós? Não me lembro.</P>
<P> Sabe a origem do nome da sua família? Nos Pisões e em Brandim .</P>
<P> De onde vieram os seus avós? O pai do meu pai era de Viade e a minha avó da Venda Nova .</P>
<P> De onde vieram os seu pais? O meu pai de Pisões e a minha mãe de Brandim .</P>
<P> Quantos irmãos tem ? Irmãos éramos sete e agora somos dois e uma irmã.</P>
<P> Descreva a casa onde morou durante a sua infância.</P>
<P> Era de 2 andares e feita de pau.</P>
<P> Quem morava na casa? O meu pai, a minha mãe e os meus irmãos.</P>
<P> Como eram divididas as tarefas? Um ia com as ovelhas, outras com as cabras e outros lavravam as terras.</P>
<P> Quais eram os momentos mais marcantes na sua família? A primeira vez que calcei umas botas tinha 18 anos .</P>
<P> Em que local ficava a sua casa? Ficava onde é a central.</P>
<P> Gostava da sua casa? Gostava.</P>
<P> Qual era a actividade dos seus pais? Trabalhavam na agricultura.</P>
<P> Quem tinha mais autoridade na família? Era o pai.</P>
<P> Como descreveria o seu pai? O meu pai era médio.</P>
<P> Como descreveria a sua mãe? Era gorda.</P>
<P> Você relacionava-se melhor com algum deles? Porquê? Mais com a mãe porque era mais boa.</P>
<P> Como descreveria os seus irmãos? Eram bons.</P>
<P> Como era a relação entre vocês? Dávamo-nos bem.</P>
<P> Convivia com que membros da família? Com todos e com um bando de cabras e vacas.</P>
<P> Quais as actividades incentivadas pela sua família? Gosto de lavrar com arados de paus.</P>
<P> Quando é que entrou na escola? Entrei com 7 anos .</P>
<P> Qual foi a sua primeira escola? Foi no Antigo de Viade .</P>
<P> Qual é a sua lembrança mais forte da escola? De ir a pé e voltar a pé.</P>
<P> Levava um saco com broa e carne forda.</P>
<P> Como é que descreveria a educação que recebeu? Foi boa além de não haver comida.</P>
<P> Quais as principais características dessa educação? Era dada pela mãe e do pai.</P>
<P> O que é que essa educação influenciou a sua personalidade? Acho que havia mais educação.</P>
<P> Até que idade estudou? Estudei pouco, entrei com 7 anos saí com 11 anos .</P>
<P> Como ia para a escola? Ia a pé 7 km .</P>
<P> Como é que se descreveria como criança? Era como vós hoje.</P>
<P> Como era a sua relação com os amigos? Era malhar o corpo aos outros.</P>
<P> Como era a relação com a família? Éramos amigos.</P>
<P> O que queria ser quando crescesse? Motorista.</P>
<P> Quais eram as suas brincadeiras preferidas? À choca e jogar à bola feita de trapos.</P>
<P> Quando é que saiu da casa dos seus pais? Porquê? Conte-nos como foi essa mudança de casa.</P>
<P> Saí quando tinha 18 anos porque queria ser independente.</P>
<P> A mudança de casa foi triste.</P>
<P> É casado? Conte-nos como foi o seu casamento e o namoro.</P>
<P> Sou.</P>
<P> Escrevíamos por cartas.</P>
<P> Tem filhos? Tenho.</P>
<P> Tem netos? Tenho 6 netos.</P>
<P> Quando é que chegou a Pisões ? Eu morei sempre aqui.</P>
<P> Morei sempre na moagem no meio do monte.</P>
<P> Qual foi a sua primeira impressão da aldeia? Foi sempre bonita.</P>
<P> Qual é a lembrança desta aldeia? Eram os moinhos.</P>
<P> Como escolheu o queria fazer? Porquê? Queria saber ler e escrever.</P>
<P> O que fez depois disso? Fui tirar a carta de condução.</P>
<P> Gostaria de ter continuado a estudar? Gostava.</P>
<P> Qual foi o seu primeiro trabalho? Era ir com as cabras e lavrar nos campos do meu pai.</P>
<P> Foi escolha própria ou por pressão familiar? Porque a família precisava.</P>
<P> Gosta do que faz profissionalmente? Gostava do que fazia.</P>
<P> Se nascesse novamente escolheria a mesma profissão? Não.</P>
<P> Com quem mora actualmente? Com a mulher e com os filhos.</P>
<P> Actualmente, qual é a actividade mais importante da sua vida? É ser motorista.</P>
<P> Quais são as suas principais preocupações? É fazer tudo bem feito.</P>
<P> O que é que faz nas suas horas de lazer? Vou ver os campos.</P>
<P> Qual é o seu maior desejo? É comprar um bom carro.</P>
<P> O que espera da vida? Que melhore.</P>
<P> Teve alguma decepção? Sim.</P>
<P> Quais são os seus sonhos? É que a vida corra melhor do que tem corrido.</P>
<P> Qual é a sua melhor qualidade? É o descanso onde tenho pouco tempo para descansar.</P>
<P> Tem facilidade nos relacionamentos? Não.</P>
<P>Como descreveria a sua vida hoje?Que a vida hoje é mais fácilO que achou da entrevista? Muito boa.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-19409">
<P>
Do enviado a Imola </P>
<P>
Uma missa será realizada hoje, no circuito de Imola, Itália, em memória a Ayrton Senna, que morreu há um ano nesta pista, durante o GP de San Marino de 94.</P>
<P>
A celebração será feita no local em que o tricampeão mundial sofreu o acidente fatal, a curva Tamburello.</P>
<P>
O trecho se tornou uma espécie de santuário graças aos fãs do piloto brasileiro, que elegeram o ponto onde Senna bateu contra o muro de proteção para deixar recordações e homenagens.</P>
<P>
De uma camisa da seleção brasileira de futebol, até cartas seladas, passando por grafites estilizados nas formas e nas cores do capacete de Senna, há de tudo.</P>
<P>
Mensagens em japonês, inglês, italiano, português, entre outros idiomas, foram deixadas em papéis e na própria superfície do muro onde Senna bateu.</P>
<P>
Mas a forma preferida de homenagem parece mesmo as flores, que são presas à cerca e podem ser percebidas por quem passa pelo lado de dentro da pista.</P>
<P>
Durante este último fim-de-semana, quando aconteceu o GP de San Marino, o local foi bastante visitado pelo público que se encontrava em Imola para a corrida.</P>
<P>
Nenhuma cerimônia oficial foi promovida pelos organizadores da prova. Mas, antes da largada, alguns pilotos se reuniram na pista para um minuto de silêncio por Senna e pelo austríaco Roland Ratzenberger, que também morreu em Imola no ano passado.</P>
<P>
Michael Schumacher foi um dos que participaram do grupo. A sua frente, pendurada numa cerca da arquibancada localizada em frente aos boxes, uma faixa em inglês chamava a atenção.</P>
<P>
``Michael, tenha cuidado. Ayrton está de olho em você."</P>
<P>
Outras quatro missas serão realizadas em cidades italianas.</P>
<P>
(JHM)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-3904">
<P>
Janeiro</P>
<P>
1 (a 25) -- O levantamento indígena do Exército Zapatista de Libertação Nacional, no muito pobre estado de Chiapas, no Sul do México, faz entre 100 e 400 mortos. Os rebeldes exigiam a demissão do Presidente Salinas de Gortari, eleições livres e meios de combater a miséria. Em Fevereiro, principiaram um diálogo com o poder, mas interromperam-no em Junho.</P>
<P>
9 (a 16) -- Primeira digressão europeia do Presidente Bill Clinton, a pretexto da cimeira da NATO, em Bruxelas, que aprova o projecto emanado de Washington e baptizado como Parceria para a Paz, propondo uma cooperação com os países da Europa central e de leste. Em Moscovo, Clinton assina um acordo tripartido com a Rússia e a Ucrânia sobre a desnuclearização deste último país.</P>
<P>
11 -- A NATO reafirma a determinação de lançar ataques aéreos para impedir o «estrangulamento de Sarajevo» e de outras zonas de segurança.</P>
<P>
30 -- O general Liamine Zéroual torna-se Presidente da Argélia, no dia em que cessa o mandato do Alto Comité de Estado, uma presidência colegial.</P>
<P>
Fevereiro</P>
<P>
3 -- Os EUA levantam o embargo comercial ao Vietname, imposto após a queda de Saigão, em 1975.</P>
<P>
5 -- Um obus cai num mercado em Sarajevo, mata 68 pessoas e fere 200, no mais sangrento dos massacres na capital da Bósnia desde o início do cerco, em Abril de 1992. A 9, a NATO dá aos sérvios um ultimato para que, até dia 21, retirem as suas armas pesadas para lá de 20 quilómetros do centro da cidade ou as coloquem sob o controlo da ONU, sob a ameaça de ataques aéreos. Sob pressão russa, os sérvios cedem. A 29, a NATO lança o seu primeiro raide aéreo no quadro da operação Deny Flight, que, desde Abril de 1993, procura fazer respeitar uma zona de interdição aérea nos céus da Bósnia.</P>
<P>
21 -- Um responsável da CIA, Aldrich Ames, e a mulher são presos por espionagem a favor de Moscovo desde 1985. Em 28 de Abril, Ames é condenado a prisão perpétua.</P>
<P>
23 -- Os deputados da Duma votam a amnistia política dos responsáveis do levantamento de Outubro de 1993 contra Boris Ieltsin e dos autores do golpe falhado de Agosto de 1991 contra Mikhail Gorbatchov.</P>
<P>
25 -- Um colono judeu mata 29 palestinianos na mesquita do Túmulo dos Patriarcas, em Hebron, massacre que provoca a suspensão das conversações de paz.</P>
<P>
Março</P>
<P>
7 -- O aeroporto militar de Tuzla, no Nordeste da Bósnia, passa para o controlo dos capacetes azuis, após a retirada do Exército bósnio, de maioria muçulmana. Fechado ao tráfego desde Maio de 1992 e sob o fogo dos sérvios, é reaberto a 22. A 18, em Washington, muçulmanos e croatas assinam um acordo sobre a criação de uma federação, acabando com os combates que os opõem há cerca de um ano; os sérvios rejeitam qualquer participação nesta federação.</P>
<P>
25 -- Quinze meses após a sua chegada, termina a intervenção norte-americana na Somália. Perto de 100 capacetes azuis foram mortos nos combates. Permanecem neste país do Corno de África cerca de 19 mil homens, na maioria de países asiáticos, que devem partir em Março de 1995.</P>
<P>
27-28 -- Uma coligação de direita, liderada pelo magnate Silvio Berlusconi, ganha as legislativas em Itália. A 10 de Maio, cinco ministros neofascistas entram pela primeira vez num governo de um país da União Europeia. A Força Itália, o movimento de Berlusconi, novo primeiro-ministro, conseguiu em dois meses tornar-se a maior força política italiana.</P>
<P>
Abril</P>
<P>
6 -- Após a morte do Presidente do Ruanda, Juvenal Habyarimana, cujo avião, atingido por «rockets», se despenhou perto da capital, o país mergulha na guerra civil. Entre 500 mil e um milhão de pessoas são mortas em três meses, numa sucessão de massacres entre forças governamentais da maioria hutu e a Frente Patriótica da minoria tutsi. Mas de dois milhões de ruandeses refugiam-se nos países vizinhos. No atentado contra Habyarimana morreu também Cyprien Ntaryamira, Presidente do vizinho Burundi (igualmente «dividido» entre hutus e tutsis).</P>
<P>
10 -- A NATO bombardeia posições sérvias perto de Gorazde, no Leste da Bósnia, após uma ofensiva sérvia contra o enclave muçulmano, zona de segurança desde 1993. A 27, Gorazde torna-se «zona de exclusão» de armas pesadas.</P>
<P>
20 -- Primeiras eleições gerais livres em El Salvador desde o fim da guerra civil, há dois anos. Armando Calderon Sol sucede na presidência a outro conservador, Alfredo Cristiani.</P>
<P>
26-29 -- O Congresso Nacional Africano, de Nelson Mandela, ganha as eleições multirraciais sul-africanas, em que a maioria negra vota pela primeira vez. A 10 de Maio, após 342 anos de domínio branco, Mandela torna-se Presidente, e um dos seus vices é Frederik de Klerk, que ocupava a chefia do Estado desde 1989.</P>
<P>
Maio</P>
<P>
4 -- O chefe da OLP, Yasser Arafat, e o primeiro-ministro israelita, Yitzhak Rabin, assinam o acordo que fixa as modalidades da autonomia palestiniana, que principia em Gaza e Jericó. O acordo dá aos palestinianos a possibilidade de, pela primeira vez, gerirem os seus próprios assuntos. A 13, a região de Jericó passa para as mãos da polícia palestiniana e torna-se a primeira localidade da Cisjordânia a beneficiar de um regime de autonomia. A 17, os poderes civis são transferidos para a Autoridade Palestiniana na Faixa de Gaza.</P>
<P>
8 -- Primeiras eleições gerais no Panamá desde a intervenção norte-americana de 1989, que derrubou o regime do general Noriega. Vitória do candidato da oposição Ernesto Perez Balladares, que, em 1 de Setembro, sucede ao Presidente Guillermo Endara.</P>
<P>
27 -- Após 20 anos de exílio, o escritor Aleksandr Soljenitsin regressa à Rússia.</P>
<P>
30 -- Termina um conflito fronteiriço africano com 21 anos, quando a Líbia restitui ao Chade a faixa de Aouzou, ocupada por Trípoli.</P>
<P>
Junho</P>
<P>
9 a 12 -- 266 milhões de eleitores elegem os 567 deputados do Parlamento Europeu. O grupo socialista conquista a maior fatia: 198 assentos.</P>
<P>
22 -- A Rússia adere à Parceria para a Paz. Em Outubro, após a adesão da Arménia, ascendem a 23 os países a assinar o programa de cooperação proposto pela NATO.</P>
<P>
23 -- A França lança no Ruanda a Operação Turquesa, que vai mobilizar durante dois meses 2500 soldados, até à chegada de uma nova missão de capacetes azuis. Nos campos de refugiados no Zaire uma epidemia de cólera faz 50 mil mortos.</P>
<P>
24-25 -- Na cimeira dos Doze em Corfu, Grécia, Boris Ieltsin assina um acordo de parceria com a UE, mas o acontecimento da reunião é o veto britânico à escolha de Jean-Luc Dehaene, primeiro-ministro belga, como novo presidente da Comissão Europeia. A 15 de Julho, em Bruxelas, o luxemburguês Jacques Santer é escolhido para suceder a Jacques Delors em Janeiro de 1995.</P>
<P>
29 -- Pela primeira vez desde o fim da Guerra, um socialista japonês torna-se primeiro-ministro. Tomiichi Murayama forma uma coligação com os conservadores. Após 38 anos de domínio absoluto do Partido Liberal Democrata, o Japão vive desde Agosto de 1993 um regime de coligações frágeis e em menos de um ano conhece quatro primeiros-ministros.</P>
<P>
Julho</P>
<P>
1-5 -- Após 27 anos de exílio, Yasser Arafat regressa à Palestina. Tem um acolhimento triunfal na Faixa de Gaza e segue depois para Jericó para presidir ao seu primeiro «conselho de ministros». A 12, instala-se em Gaza, deixando Tunes, sede da OLP desde 1982.</P>
<P>
5 -- O Grupo de Contacto para a Bósnia (EUA, Rússia, Alemanha, Grã-Bretanha e França) aprova um plano de paz prevendo a concessão de 51 por cento do território à federação croato-muçulmana e 49 por cento aos sérvios.</P>
<P>
7 -- A culminar dois meses de guerra civil no Iémen, entre tropas do Norte e separatistas do Sul, as forças do Presidente Ali Abdallah Saleh (nortista) tomam Aden, a principal cidade do Sul. Em 21 de Maio, os dirigentes sulistas tinham proclamado a «República Democrática do Iémen», para acabarem com a unificação do país, proclamada em 1990.</P>
<P>
8 -- Morre o Presidente Kim Il Sung, que durante 46 anos dirigiu a Coreia do Norte. Em Dezembro, o seu filho e sucessor designado, Kim Jong Il, ainda não o tinha oficialmente substituído.</P>
<P>
10 -- Leonid Kutchma, partidário de uma aproximação com a Rússia, derrota nas presidenciais ucranianas o chefe de Estado cessante, Leonid Kravtchuk.</P>
<P>
18 -- Um atentado antijudeu em Buenos Aires faz perto de 100 mortos e 250 feridos.</P>
<P>
Agosto</P>
<P>
4 -- As autoridades de Belgrado anunciam a sua ruptura com a República sérvia da Bósnia, após a recusa dos dirigentes de Pale de aceitar o plano internacional de paz. A 23, a ONU decide endurecer as sanções contra os sérvios bósnios.</P>
<P>
5 -- Incidentes violentos em Havana ilustram a degradação da situação económica em Cuba. Os confrontos seguem-se a desvios de navios por candidatos ao exílio. Cerca de 35 mil refugiados abandonarão o país.</P>
<P>
14 -- Carlos, um dos nomes míticos do terrorismo nos anos 70-80, procurado há duas décadas, é preso no Sudão e entregue às autoridades francesas.</P>
<P>
21 -- Ernesto Zedillo, candidato do Partido Revolucionário Institucional, no poder, ganha as eleições presidenciais no México. Era a segunda escolha do PRI. A primeira, Luis Colosio, foi vítima de um assassínio que chocou o país.</P>
<P>
31 -- Após meio século de presença, os últimos soldados russos abandonam a Alemanha. No mesmo dia retiram-se das repúblicas bálticas da Estónia e da Letónia (tinham saído da Lituânia um ano antes).</P>
<P>
31 -- O Exército Republicano Irlandês anuncia o fim de 25 anos de luta armada contra a presença de tropas britânicas na Irlanda do Norte, um conflito que causou perto de três mil mortos. A 13 de Outubro, as milícias protestantes também anunciam a cessação de «todas as operações militares».</P>
<P>
Setembro</P>
<P>
8 -- Os soldados americanos, britânicos e franceses, presentes em Berlim desde Julho de 1945, despedem-se da cidade que simbolizou a divisão da Europa durante a guerra fria.</P>
<P>
12 -- O Partido Quebequense ganha as eleições provinciais, batendo os liberais do primeiro-ministro Daniel Johnson. O partido, que prevê organizar um referendo sobre a independência em 1995, recupera assim o poder na província francófona ao fim de nove anos. Jacques Parizeau torna-se o chefe do Governo.</P>
<P>
26 -- Cherif Gousmi, líder do Grupo Islâmico Armado (GIA), o mais radical dos movimentos islamistas armados da Argélia, é morto pelas forças de segurança. O GIA reivindicou a maior parte dos assassínios de estrangeiro (70 até ao princípio de Dezembro).</P>
<P>
Outubro</P>
<P>
3 -- Fernando Henrique Cardoso é eleito Presidente do Brasil, para suceder, em Janeiro, a Itamar Franco.</P>
<P>
7 -- Movimentos de tropas iraquianas junto da fronteira com o Kuwait desencadeiam nova crise no Golfo e levam ao envio para a região de cerca de 30 mil soldados norte-americanos. A 20, Bagdad retira as últimas unidades.</P>
<P>
14 --ÊNobel da Paz para Yasser Arafat, Yitzhak Rabin e o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Shimon Peres.</P>
<P>
15 -- Regresso do exílio do Presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide, derrubado num golpe de Estado militar três anos antes.</P>
<P>
16 -- Helmut Kohl, chanceler alemão há 12 anos, triunfa uma vez mais nas legislativas, mas sai enfraquecido. A 15 de Novembro, no Parlamento, é reeleito por uma margem mínima.</P>
<P>
19 -- Um islamista palestiniano faz explodir um autocarro em Telavive. O atentado suicida causa 23 mortos e é reivindicado pelo movimento fundamentalista Hamas.</P>
<P>
21 -- Estados Unidos e Coreia do Norte assinam em Genebra um acordo destinado a garantir a utilização pacífica da energia nuclear por Pyongyang.</P>
<P>
26 -- Israel e Jordânia assinam um tratado de paz que garante a Israel a segurança da sua fronteira e lança as bases de uma cooperação económica.</P>
<P>
27-29 -- Joaquim Chissano, o Presidente cessante, e o seu partido, a Frelimo, ganham as primeiras eleições multipartidárias em Moçambique depois da independência. A 9 de Dezembro, Chissano toma posse.</P>
<P>
Novembro</P>
<P>
8 -- O Partido Republicano inflige uma tremenda derrota aos democratas de Bill Clinton e, pela primeira vez em 40 anos, assume o controlo das duas câmaras do Congresso dos EUA.</P>
<P>
9 -- Chandrika Kamaratunga, primeira-ministra do Sri Lanka desde Agosto, ganha as presidenciais, torna-se a primeira mulher a ascender à chefia de Estado e nomeia a mãe, Sirima Bandaranaike, para liderar o Governo.</P>
<P>
10 -- Bagdad reconhece as fronteiras e a soberania do Kuwait. A ONU mantém o embargo contra o Iraque, em vigor há quatro anos.</P>
<P>
12 -- Os EUA decidem deixar de participar nas operações de controlo do embargo de armas com destino à Bósnia. A 21, a NATO efectua o seu primeiro raide aéreo na Krajina, região da Croácia controlada pelos sérvios croatas, que se juntaram aos sérvios bósnios na ofensiva contra o enclave de Bihac, no Noroeste da Bósnia.</P>
<P>
20 -- É assinado em Lusaca um acordo de paz para Angola, sem a presença do líder da UNITA, Jonas Savimbi. A 22, é proclamado um cessar-fogo que deve acabar com 19 anos de guerra civil.</P>
<P>
28 -- A Noruega rejeita em referendo a adesão à União Europeia, depois de Áustria, Finlândia e Suécia se terem pronunciado, em consultas realizadas desde o Verão, pela entrada na União, a partir de 1 de Janeiro de 1995.</P>
<P>
Dezembro</P>
<P>
2 -- O Grupo de Contacto propõe aos sérvios da Bósnia uma confederação com a Sérvia se aceitarem o plano de partilha territorial.</P>
<P>
5 -- A Ucrânia assina o Tratado de Não Proliferação Nuclear, o que permite a entrada em vigor do tratado Start 1, entre Estados Unidos e Rússia.</P>
<P>
6 -- A cimeira da Conferência de Segurança e Cooperação na Europa, em Budapeste, Hungria, acaba marcada pelo desacordo americano-russo quanto ao alargamento da NATO aos países da Europa central e de leste.</P>
<P>
11 -- Jacques Delors põe fim a meses de «suspense» e anuncia que não será candidato à Presidência da França em 1995.</P>
<P>
11 -- A Rússia desencadeia uma operação militar para acabar com a aventura separatista da pequena república da Tchetchénia, no Cáucaso do Norte.</P>
<P>
15 -- Uma deliberação judicial retira ao milionário francês Bernard Tapie os seus mandatos de deputado europeu, de deputado de Marselha e o direito de elegibilidade durante cinco anos.</P>
<P>
18 -- O Partido Socialista búlgaro, ex-comunista, ganha as legislativas com maioria absoluta.</P>
<P>
22 -- Demite-se o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21645">
<P>
Papas de sarrabulho feitas pela D. Maria do Carmo</P>
<P>
António Matos</P>
<P>
Jornalista</P>
<P>
No campo na praia e na cidade, quais são, na sua opinião, os melhores restaurantes portugueses? E porquê?</P>
<P>
Para não ter de optar entre o Senhor Nobre de Lisboa, os meus amigos Júlio de Gouveia e Vila da Mexilhoeira Grande e alguns outros magníficos restaurantes, vou à procura de uma síntese do campo, da praia e da cidade. E encontro a Quinta do Martelo, em São Carlos, junto a Angra do Heroísmo e a escassa meia hora da Praia da Vitória, na ilha Terceira. Tem-se mantido como um espaço exemplar de reposição das tradições e, ainda por cima, comem-se lá muito boas alcatras de carne, peixe e feijão, sopa e cozido do Espírito Santo. E não têm a mania de impingir o vinho de cheiro.</P>
<P>
Qual é o seu prato favorito?</P>
<P>
Os pratos que mais vezes me apetece comer, talvez mesmo por esta ordem, são: ervilhas com ovos escalfados, pezinhos de coentrada, rojões com farinhotos e qualquer uma das açordas de peixe alentejanas. O que gosto mais são as papas de sarrabulho feitas pela D. Maria do Carmo.</P>
<P>
Sugira-nos uma viagem de férias ao estrangeiro. Não esquecendo as referências gastronómicas locais...</P>
<P>
Insisto nos Açores, que não sendo estrangeiro tem de se ir de avião. E então, assentando arraiais em São Miguel, pode-se descobrir alguns dos segredos da ilha em meia dúzia de dias. Siga-se depois para a Terceira, onde já não está o magnífico areal da Praia da Vitória porque «o desenvolvimento harmonioso das ilhas» o engoliu com um monstruoso e inútil porto. Passado o desabafo, siga-se de barco para São Jorge, Pico e Faial, onde nos espera a parte que interessa desta proposta: reler o «Mau Tempo no Canal» no ambiente da narrativa de Vitorino Nemésio. É pena que nos restaurantes açorianos seja muito difícil comer os pratos regionais. Mas nalgumas tascas dos lugares portuários, encontra-se de tudo o que o mar dá.</P>
<P>
Qual é, para si, a bebida alcoólica que melhor combate o calor?</P>
<P>
«Whisky» com água de castelo e muitíssimo gelo. Um belíssimo champanhe também resulta, mas, com esse, despertam-se outras sedes.</P>
<P>
Imagine que era proprietário de um restaurante ou de um bar. Que nome lhe daria? E que especialidades teria para propor aos seus clientes?</P>
<P>
«Última Ilha». Seria o restaurante para os que, volta e meia, querem «aquele» prato que, assim, passariam a saber onde o encontrar. Para além das iguarias açorianas já referidas, pediria ao Carlos Ferreira que, de vez em quando, presidisse às fornalhas, para dar largas à sua imaginação de micaelense. Também lá haveria espaço para uma ou outra coisa boa do Continente. Mas cavacos e outros mariscos, só mesmo das Nove Ilhas.</P>
<P>
Quem são, habitualmente, os seus companheiros de mesa?</P>
<P>
Não tenho companheiros de mesa muito fixos. Só não consigo é estar sozinho à mesa ou comer num balcão.</P>
<P>
O que é que é capaz de lhe estragar uma refeição?</P>
<P>
Ter o tempo contado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-16047">
<P>
São Tomé e Príncipe</P>
<P>
Confusão pós-eleitoral</P>
<P>
A DIVULGAÇÃO, ontem, dos resultados oficiais provisórios das legislativas de domingo em São Tomé, em vez de ter contribuído para a clarificação do cenário pós-eleitoral introduziu elementos que prenunciam momentos de instabilidade e de confusão.</P>
<P>
De acordo com a Comissão Eleitoral Nacional, o MLSTP/PSD obteve 27 dos 55 assentos no futuro parlamento, contra 28 repartidos igualmente pelo PCD (Partido da Convergência Democrática) e pelo ADI (Partido da Acção Democrática Independente). E isto confere uma posição maioritária à forças da oposição e reduz a margem de manobra do partido vencedor.</P>
<P>
O secretário-geral do MLSTP, Carlos Graça, iniciou contactos com as outras duas forças para viabilizar um governo de unidade nacional, tal como havia prometido durante a campanha eleitoral. Mas as perspectivas de o MLSTP vir a liderar um executivo de consenso pareciam ontem seriamente ameaçadas.</P>
<P>
A Comissão Política do PCD confirmou segunda-feira o que este partido sempre sustentara: a passagem à oposição, em caso de derrota. Mantendo o PCD inalterável a sua posição de princípio, restaria ao MLSTP a hipótese de coligação com o ADI. Só que, após ter sustentado que o futuro do país passava pela formação de um governo de unidade nacional, e de ter defendido que todos os partidos que obtivessem mais de 10 por cento nas eleições deveriam integrar tal executivo, o ADI surgiu ontem à tarde, em conferência de imprensa, muito reticente em relação a isso, remetendo para a direcção do partido uma decisão definitiva sobre a questão.</P>
<P>
Num recuo nítido quanto ao que defendeu durante a campanha, o secretário-geral do partido, Carlos Agostinho das Neves, esquivou-se a dizer claramente se o ADI irá ou não integrar um governo de maioria social-democrata, limitando-se a afirmar que a sua formação «manterá sempre uma posição construtiva». Mas lá acusou indirectamente o MLSTP de ter movido uma campanha menos limpa contra os seus dirigentes, sugerindo implicitamente que isto poderá conduzir à revisão da posição inicial do seu partido.</P>
<P>
Assim, caso o MLSTP venha a ter dificuldades na formação de um executivo de unidade nacional, São Tomé poderá conhecer nos próximos tempos um período de instabilidade. A menos que os resultados definitivos das eleições venham a alterar o quadro actual. Tal hipótese parece no entanto afastada. Sem maioria no parlamento, o partido de Carlos Graça, estaria completamente à mercê da oposição.</P>
<P>
Um alto dirigente do MLSTP disse ao PÚBLICO que vão prosseguir os contactos com outras forças políticas e que, na impossibilidade de formar uma coligação, o partido indicará um primeiro-ministro e submeterá ao parlamento, dentro do prazo previsto, o seu programa de governo. «O resto -- disse -- dependerá da oposição». Sabe-se que, à partida, o PCD não está disposto a inviabilizar o governo social-democrata, mas o desenvolvimento deste cenário irá depender dos contactos de bastidores que irão certamente ocorrer nos próximos dias.</P>
<P>
Conceição Lima, em São Tomé e Príncipe</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-65566">
<P>
Comunismo derrotado, capitalismo partilhado</P>
<P>
Vietname na ASEAN</P>
<P>
O COMUNISTA Vietname deverá tornar-se hoje no sétimo membro da Associação dos Países do Sueste Asiático (ASEAN), uma organização fundada com preocupações e princípios anti-comunistas.</P>
<P>
A bandeira vietnamita deverá ser hasteada numa cerimónia em Bandar Seri Begawan, capital do emirado do Brunei, onde está a decorrer uma reunião da ASEAN. Além do Brunei, são membros fundadores da ASEAN a Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia.</P>
<P>
Dificuldades de última hora foram ultrapassadas para que Hanói pudesse aderir a todas as modalidades da ASEAN, incluindo a entrada na AFTA (Zona de Livre Comércio da ASEAN), que prevê uma redução de tarifas para um máximo de cinco por cento durante os próximos oito anos. Na AFTA a partir de 1 de Janeiro de 1996, o Vietname obteve um alargamento de três anos para redução de tarifas, até 2006.</P>
<P>
«Estamos prontos para entrar a todos os níveis», disse aos jornalistas o vice-ministro vietnamita dos Negócios Estrangeiros, Vu Khoan. «Temos que nos adaptar às actividades da ASEAN, ao seu treino e estilo. Não é fácil... mas vamos tentar», prometeu.</P>
<P>
A admissão do Vietname é também um grande ajustamento para a ASEAN, fundada há 28 anos, no meio de receios e tensões da guerra fria e no auge da guerra na Indochina. Era então conhecida como a NATO do Oriente.</P>
<P>
Há apenas seis anos, por exemplo, tropas tailandesas combatiam o exército invasor vietnamita no Camboja, bombardeando-o a partir da fronteira. Nessa altura, o grande objectivo comum da ASEAN era fazer sair o Vietname de lá e acabar com a guerra civil cambojana. A organização esteve aliás na primeira linha para a obtenção do acordo de paz de Paris, em 1991.</P>
<P>
O Vietname era observador da ASEAN desde 1993. O Camboja deverá ter a partir de hoje esse estatuto.</P>
<P>
Entrando para a organização, o Vietname continua na senda da reforma económica que iniciou a partir dos anos 90, mas procura também aliados no conflito que mantém com a China sobre a posse das ilhas Spratly, que entram nas plataformas continentais de todos os membros da ASEAN.</P>
<P>
A China reclama todo o Mar da China do Sul, incluindo o arquipélago, um conjunto de pequenas ilhas, atóis e rochedos, potencialmente ricos em petróleo. Além de Hanói e Pequim, a zona é reivindicada pelas Filipinas, Taiwan, Brunei e Malásia.</P>
<P>
A entrada do Vietname traz peso novo à equação geopolítica da ASEAN. Os seus 72 milhões de habitantes são o mercado mais vasto da região, depois da Indonésia, e o seu Exército de um milhão de efectivos é o maior no sueste asiático.</P>
<P>
E a seguir, a Birmânia</P>
<P>
Outro país comunista, a Birmânia, que continua ainda hoje isolado do resto do mundo, governado por uma junta militar, dava ontem o primeiro passo no processo de integração plena na ASEAN, uma das regiões do mundo mais dinâmicas do ponto de vista económico.</P>
<P>
O ministro birmanês dos Negócios Estrangeiros, Ohn Gyaw, entregou formalmente o pedido de «acesso». «Cumpriremos todos os requisitos», assegurou. O próximo passo será o estatuto de observador, talvez já para para o ano.</P>
<P>
A decisão do regime birmanês ocorre duas semanas depois de ter libertado a dirigente da oposição e prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, depois de seis anos de prisão domiciliária.</P>
<P>
A política de comprometer a Birmânia a melhorias na frente política e dos direitos humanos, em vez de confrontar o regime militar, sempre seguido pela ASEAN, parece ter agora eco em Rangoon, a braços com graves problemas económicos e com os seus 42 milhões de habitantes num nível de vida dos mais baixos da região.</P>
<P>
A Birmânia entrou em reclusão na sequência de um golpe militar, em 1962, fechando-se virtualmente ao mundo exterior, por detrás daquilo que ficou conhecido como «cortina de laca».</P>
<P>
Rica em recursos naturais, a Birmânia, que faz fronteira como a China e a Índia, recusou convites para se juntar à ASEAN, depois da associação ter sido criada em 1967.</P>
<P>
Mas as tentativas de autarquia comunista ao estilo birmanês falharam e o país, visto nos anos 50 como uma das estrelas económicas ascendentes da Ásia, desceu à mais completa ruína.</P>
<P>
Em 1987, a ONU declarou a Birmânia como um dos países menos desenvolvidos do mundo. No ano seguinte, registou-se um levantamento popular contra a junta, motivado pelas duras condições de vida. A repressão seguiu-se, com milhares de dissidentes presos. Nos últimos anos, o regime de Rangoon aproximou-se do vizinho meridional, a China.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83933">
<P>
Moradores da Amadora não querem receber realojados</P>
<P>
A possibilidade dos moradores do casal Ventoso serem realojados nos terrenos situados junto ao Casal de São Brás, na Amadora, está a originar protestos dos habitantes que afixaram já um comunicado de alerta nas redondezas.</P>
<P>
O comunicado, assinado por "um grupo de residentes no Casal de São Brás" alerta para a implementação nessa zona de bairros sociais onde seriam realojados habitantes do Casal Ventoso e da Musgueira, no âmbito de um acordo entre as autarquias da Amadora e da capital.</P>
<P>
Os autores do comunicado afirmam: "Não queremos um Casal Ventoso de tijolo". E alertam os outros habitantes para "os perigos de degradação social, insegurança e transferência dos piores problemas da sociedade" para aquela zona, para além da "desvalorização do território" que isso iria implicar.</P>
<P>
Os habitantes do Casal de São Brás ficaram mais "agitados" desde que se registam movimentações de máquinas nos terrenos da Serra da Mina.</P>
<P>
O vereador da Habitação da Câmara da Amadora (CMA), Fernando Pereira, afirmou que a "transferência dos moradores do Casal Ventoso para essa zona é praticamente impossível", visto essa área ter um projecto de reabilitação próprio, com fundos comunitários.</P>
<P>
Fernando Pereira afirma que está em negociação um protocolo entre os municípios da Amadora e de Lisboa e a Empresa Pública de Urbanizações de Lisboa com vista à construção de habitações sociais em terrenos da CML situados na zona contínua ao Casal de São Brás.</P>
<P>
Está prevista para essa zona a construção de 580 fogos, que realojarão cerca de 300 famílias, provenientes metade da Amadora e a outra metade de bairros degradados da capital.</P>
<P>
O vereador garante que "ainda não estão definidas as origens da população a habitar esses bairros", embora afirme que "não está prevista a vinda de habitantes do Casal Ventoso».</P>
<P>
Fernando Pereira garante que os realojamentos, que não acontecerão antes de 1996, serão acompanhados pelos serviços técnicos e sociais da Câmara, estando ainda prevista a construção de equipamentos e estabelecimentos para dar resposta às necessidades dos novos habitantes, de modo a que não surjam guetos.</P>
<P>
Segundo Fernando Pereira, "a Câmara da Amadora garante que os novos habitantes não serão pessoas que provoquem problemas à vizinhança".</P>
<P>
No concelho da Amadora, o programa Especial de Realojamento (PER) prevê a eliminação de 4.835 barracas no concelho e a construção de 5.419 fogos, para o realojamento de 20 mil pessoas, até 2009, através de um financiamento de 42 milhões de contos, dos quais 9,5 milhões serão de auto-financiamento municipal.</P>
<P>
Lusa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17233">
<P>
Um acidente com um avião matou 47 pessoas ontem na Rússia. O avião de carga caiu ao tentar fazer uma aterrissagem em um aeroporto da Sibéria, perto da fronteira com a China. Todos os passageiros e tripulantes morreram. Há suspeita de que a asa do avião tenha se chocado contra um morro por causa de problemas de visibilidade. Desde o início do ano, 270 pessoas morreram em acidentes aéreos na Rússia.</P>
<P>
Abiola recusa termos para a sua libertação</P>
<P>
O empresário nigeriano Moshood Abiola rejeitou os termos da fiança impostos para sua libertação. Em uma reunião de emergência em Abuja, uma corte federal determinou a soltura de Abiola sob fiança. Ele recusou os termos que implicavam renunciar de sua reivindicação à Presidência. Para observadores internacionais, Abiola venceu a eleição de 93, anulada pelos militares.</P>
<P>
Explosão mata mais de 74 mineiros na China</P>
<P>
A explosão de uma mina de carvão no sul da China matou pelo menos 74 pessoas. Segundo o jornal "Guangxi Daily", há 99 feridos na explosão da mina de Shangchao, ocorrida na terça-feira. Em 1993, pelo menos 5.000 mineiros morreram em acidentes.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-29713">
<P>
Malquerido na Noruega, o velho bacalhoeiro pode «morrer» em Lisboa</P>
<P>
O «Mira» espera um milagre no Tejo</P>
<P>
Christoph Seitz*</P>
<P>
O último dos bacalhoeiros que navega apenas à custa de vento veio da Noruega ao Tejo, para matar saudades de uma viagem que, entre 1892 e 1939, fez centenas de vezes. O Mira -- assim se chama ele -- é um grande sobrevivente. Nem tempestades, nem colisões, nem encalhes puderam levá-lo, como levaram os seus gémeos.</P>
<P>
O Tejo numa tarde de domingo fria e chuvosa. A Ponte 25 de Abril e o Cristo-Rei quase desaparecem no nevoeiro. Os ruídos da cidade são engolidos pela densa atmosfera. Para além dos cacilheiros que continuam a cruzar as águas entre Lisboa e Almada, não há muito tráfego no rio. Apenas alguns marinheiros de fim-de-semana decidiram passar o seu tempo livre neste cenário tão soturno e apaziguador ao mesmo tempo. De repente, a beleza ilumina esta atmosfera irreal. Sob a forma de um velho veleiro que sai do cais de Alcântara.</P>
<P>
É o Mira, um cargueiro à vela norueguês com 102 anos, 30 metros de comprimento, sete de largura e dois mastros, o mais alto dos quais se eleva 25 metros no ar. Este barco, construído em pinho norueguês, não é apenas belo. Está também repleto de história, de histórias e de valor cultural. Porque se trata, provavelmente, do último bacalhoeiro no mundo a navegar as quatro mil milhas marítimas da Noruega ao Algarve sem motor.</P>
<P>
De 1892 a 1939, o Mira fez centenas de vezes esta viagem de quatro semanas, ao serviço de uma companhia norueguesa. Navegava do bravio Atlântico Norte, onde era carregado com bacalhau seco nas ilhas Lofoten, até à costa meridional portuguesa. Aí carregava quase cem toneladas de sal e regressava à Noruega. Ao longo de todos esses anos, sobreviveu a muitas tempestades, a muitas colisões e encalhes iminentes. Com o deflagrar da guerra, o Mira quedou-se pela Noruega, navegando nas águas escandinavas como cargueiro durante os 40 anos seguintes. Já nessa altura, a rota do bacalhau tinha há muito sido conquistada pelos cargueiros a motor, que começaram a operar no início do século.</P>
<P>
Mas a história do Mira estava ainda muito longe do seu fim. Meio século depois de ter deixado Portugal pela última vez, iria regressar ao país aonde tantas vezes acostara. Foi em 1992, quando um capitão norueguês chamado Trygve Petersen conduziu o Mira de novo a Portugal. Mas a sua carga, desta vez, não era bacalhau. Petersen não trazia carga alguma. Em vez dela, trazia consigo muita amargura, ira e desilusão. Dois anos depois, estes sentimentos continuam patentes no rosto magro de Petersen. Aparenta mais que os 40 anos que tem; a pele, bronzeada pelo sol, já tem rugas, os olhos azuis são tristes, o cabelo louro está um pouco desalinhado. Parece exausto. Mas o seu discurso é claro e preciso, é um homem perspicaz, informado e bastante culto. E, quando fala do seu país e dos últimos seis anos da sua vida, é com revolta. Que aconteceu?</P>
<P>
O «apocalipse», como ele lhe chama, começou em 1988. Petersen, pintor de retratos, professor de arte e instrutor de esqui na neve em tempo parcial, acabava de vender o seu apartamento em Oslo para viver no Mira, que comprara dez anos antes. Este homem apaixonado pelo mar, filho de um vencedor de muitos campeonatos nacionais de vela, queria reconstruir e restaurar o seu muito amado veleiro no porto de uma pequena cidade do Sul da Noruega. Como o dinheiro era escasso, contratou trabalhadores especializados com problemas de alcoolismo e toxicodependência, a quem não precisava de pagar. «Eles só queriam alguma coisa para comer e um lugar para dormir», diz Petersen. «Era a sua última oportunidade, pois não arranjavam emprego em lugar nenhum.» Mas a sorte ser-lhe-ia madrasta e o que aconteceu a seguir parece mau demais para ser verdade.</P>
<P>
Má reputação</P>
<P>
Não tardou muito que os 10 mil habitantes da pequena cidade se virassem contra Petersen e os seus ajudantes. Chamavam ao Mira o «barco da droga», embora o capitão tivesse terminantemente proibido o consumo de qualquer tipo de drogas a bordo. Os políticos e os jornais locais iniciaram uma campanha contra o marinheiro para o expulsar da cidade. «Não compreenderam que aqueles homens eram pacíficos, bons trabalhadores, não viram o excelente trabalho que eles fizeram no barco», recorda Petersen. Passado pouco tempo, até a mulher de Petersen se virou contra ele, pediu o divórcio e não o deixou mais ver o filho. «A situação atingiu o auge quando a polícia me entrou pela casa dentro e destruiu os meus quadros, a maior parte dos quais versavam temas políticos e mostravam a brutalidade existente na sociedade norueguesa e exercida pela polícia.»</P>
<P>
A imprensa norueguesa pegou no assunto, que viria a transformar-se numa questão política. O melhor advogado do país, Tor Erling Staff, aceitou gratuitamente o caso e provou que Petersen não era um criminoso e que as acções da polícia e dos políticos fora ilegal. Mas a repressão sobre o homem prosseguiu por mais quatro anos. Indivíduos que nunca chegaram a ser identificados destruíram-lhe o carro e tentaram incendiar o Mira. Por fim, Petersen não conseguia suportar mais este estado de coisas e decidiu deixar a Noruega.</P>
<P>
Nove voluntários</P>
<P>
No princípio de 1992, o Mira deixou a Escandinávia com uma tripulação de nove voluntários, angariados por Petersen em bares. O plano era dar a volta ao mundo. Depois de ter feito escala na Holanda, na Inglaterra, em França e em Espanha, o veleiro acostou a Portugal, de onde não voltaria a partir. Precisava de demasiadas reparações para poder percorrer grandes distâncias. Petersen, que vive agora da previdência norueguesa, não pode custeá-las. E gostou imediatamente de Portugal. «Não é apenas o clima que o torna atraente, mas também o baixo custo de vida.» Vive a bordo com dois voluntários, que o ajudam a manter o barco a troco de um lugar para dormir.</P>
<P>
Desde o dia em que virou costas à Noruega, só lá voltou uma vez, para procurar o filho. Mas quando chegou, no Verão passado, por terra, à cidadezinha de onde partira, a perseguição recomeçou. Alguém deve ter informado a polícia da chegada de Petersen, que foi preso por «navegar em águas norueguesas sem autorização» -- um pretexto ridículo, considerando que o Mira ficara no porto de Lisboa. Apesar disso, as autoridades conseguiram mantê-lo atrás das grades durante três meses. «Até a organização de defesa dos direitos humanos, a Amnistia Internacional, se interessou pelo meu caso», diz Petersen. Quando, em Setembro, foi finalmente libertado, continuaram a não o deixar ver o filho. «Odeio aquele país», afirma hoje. «Parece um cantinho muito bonito, pacífico e próspero, mas, para mim, não passa de um Estado `fascista' que esconde todos os seus problemas sociais. Precisa de entrar na União Europeia, para ter de cumprir as normas e leis internacionais.»</P>
<P>
Apesar de toda a sua ira, Petersen não desistiu dos seus planos de velejar à volta do mundo. «A partida está prevista para antes da Páscoa de 1995. A nossa primeira etapa durará seis meses e levar-nos-á à Venezuela, com escalas em Cabo Verde, Madeira e Açores.» Para financiar a viagem à volta do mundo, Petersen quer angariar dez passageiros, cada um dos quais terá de contribuir com cerca de 180 contos por mês de viagem. «Se alguém ficar mais de um mês, posso reduzir o preço», diz o capitão, que procura também empresas dispostas a patrocinar a viagem. «Afinal de contas, este barco faz parte da história portuguesa.»</P>
<P>
Passeios ou venda</P>
<P>
Para custear as reparações -- o veleiro precisa de uma retranca, um gerador e um cabrestante novos --, Petersen gostaria de organizar passeios à vela pelo Tejo, com passageiros pagantes. Para obter a necessária autorização, contudo, teria de despender muito dinheiro, preencher inúmeros papéis e esperar muito tempo. «E não tenho nem dinheiro nem tempo. Se não conseguir rentabilizar o Mira, ver-me-ei obrigado, um destes dias, a vendê-lo.» Já teve ofertas vindas de toda a Europa, de pessoas interessadas em barcos de madeira antigos. O preço de venda ronda os 80 mil contos. Mas Petersen não está interessado em vender o Mira. Depois de estar em Portugal há quase três anos, pergunta-se muitas vezes porque é que os portugueses não se interessam pelo seu veleiro e não o ajudam. «Parece que se esqueceram da sua longa história de marinheiros e descobertas.»</P>
<P>
A vida de Trygve Petersen não é fácil; não o foi na Noruega, não o é em Portugal agora e poderá não o ser no futuro, seja ele onde for. Mas há momentos em que está em paz com o mundo, em que se sente descontraído e sem amargura. Esses momentos são aqueles que passa a velejar no Mira. Tal como nesta fria e chuvosa tarde de um domingo de Inverno. Quando só ouve o ranger das madeiras, o marulhar das ondas e o sussurro do vento. E quando é apreciado pelos seus pares, como os raros marinheiros de fim-de-semana que passam esta tarde no Tejo. Todos eles se aproximam do Mira por alguns instantes, para admirarem de perto esta beleza majestosa que voga silenciosamente.</P>
<P>
*Tradução de Maria Eugénia Guerreiro</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54898">
<P>
Problemas do ambiente urbano</P>
<P>
Centros desertos, tristes periferias</P>
<P>
António Moura</P>
<P>
A desertificação dos centros urbanos constitui um dos sintomas mais preocupantes dos baixos níveis de qualidade de vida nas nossas cidades. O terciário apoderou-se das zonas nobres e expulsou os cidadãos para a periferia, impondo-lhes penosos movimentos pendulares casa-trabalho. É apenas uma das facetas da temática do ambiente urbano, a reclamar uma abordagem integrada e não sectorizada, como no passado.</P>
<P>
O lançamento de esgotos no Douro, em especial nas frentes ribeirinhas de Gaia e do Porto, constitui talvez o problema ambiental número um da região. É pelo menos aquele que, devido à sua destacada visibilidade, mais chama a atenção. Resulta, por um lado, da ausência de tratamento dos esgotos produzidos em Gaia e no Porto e, por outro, de a rede de saneamento das duas cidades desaguar impunemente no Douro, transformando-o no grande cano de esgoto da Área Metropolitana do Porto.</P>
<P>
Todavia, o debate ambiental coloca-se a um nível bastante mais alargado e reclama uma abordagem global. Nos primeiros anos, a questão centrava-se nos sectores convencionais: poluição atmosférica, poluição hídrica, gestão de resíduos, poluição industrial.</P>
<P>
«Apenas nos anos mais recentes, as autoridades e as instituições responsáveis pelo ambiente, a nível nacional e internacional, têm vindo a procurar abordagens integradas mais eficazes para a protecção do ambiente no quadro de um processo de desenvolvimento, atribuindo um destaque especial às estratégias de gestão do ambiente dedicadas às áreas urbanas», pode ler-se no Relatório do Estado do Ambiente e Ordenamento do Território, de 1993, da responsabilidade dos ministérios do Planeamento e da Administração do Território e do Ambiente e Recursos Naturais.</P>
<P>
A Comunidade Europeia produziu em 1990 um Livro Verde consagrado a esta temática em que começava por destacar que os «problemas das cidades são um primeiro sinal de alerta de uma crise mais profunda que nos obrigará a reconsiderar os actuais modelos de organização e desenvolvimento urbano». É que a resolução dos problemas urbanos, mesmo tendo em conta que eles não são iguais em todo o lado, representaria uma grande contribuição para a resolução das questões ambientais globais mais urgentes, pois é nas cidades que encontramos as maiores concentrações de população e de actividade económica.</P>
<P>
A região do Porto, como a de Lisboa, exibe situações comuns a outras urbes europeias, como, por exemplo, uma periferia desqualificada, com tendência para alastrar. São zonas monótonas e tristes que cresceram em volta das partes mais estruturadas, mas isoladas destas, como se fossem guetos. Muitas vezes alojam a pobreza, o crime e a droga. A revitalização deste espaços é, seguramente, uma das tarefas mais prementes das autoridades portuguesas, ao mesmo tempo que se perfilam como uma das novas áreas que se inscrevem na temática do ambiente urbano.</P>
<P>
Directamente ligado a esta questão aparece o problema da habitação, que, por sua vez, não constitui um exclusivo da cintura periférica das cidades do Porto e de Lisboa. O plano apresentado pela Câmara Municipal do Porto, no âmbito do programa governamental de erradicação das barracas nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa, prevê a eliminação de 4600 ilhas degradadas de propriedade privada. Ilhas, barracas, bairros depauperados e habitações em ruína figuram entre os principais problemas dos municípios mais populosos, e não admira, por isso, que absorvam quase sempre a maior fatia dos respectivos orçamentos.</P>
<P>
A questão, neste caso, como em todos os outros que fazem parte do «menu» do ambiente urbano, tem que ver com a qualidade de vida das populações. A requalificação do espaço urbano surge, assim, como uma das grandes tarefas nacionais. No Porto, está em curso um projecto que, visando recuperar o centro histórico, inclui, entre os seus principais objectivos, a recuperação do parque residencial.</P>
<P>
Trata-se de reintegrar zonas da cidade votadas ao esquecimento, cujos habitantes são excluídos do convívio social e acabam por se refugiar nas margens da sociedade. As freguesias portuenses da Sé ou de Miragaia, em pleno coração histórico do Porto, defrontam-se com esse tipo de problemas e não foi por acaso que acolheram projectos de luta contra a pobreza. É que a pobreza está associada a zonas degradadas e isoladas.</P>
<P>
Malefícios da terciarização</P>
<P>
Importante é, também, neutralizar os malefícios da terciarização selvagem da Baixa portuense, que aos poucos expulsou os cidadãos de zonas tradicionalmente residenciais. Essa terciarização, com os seus horários fixos, conduziu à desertificação da cidade, abriu as portas ao desenvolvimento de diversas formas de delinquência e está a descaracterizar a paisagem dominante, construída a partir do século passado.</P>
<P>
Nos últimos anos, os portuenses foram seduzidos para um conceito denominado «terciário superior», mas a história das últimas décadas leva-nos a perguntar se isso não será o caminho para «transformar o Porto numa Avenida da Liberdade em grande escala», como destacou o presidente do Conselho Directivo Regional do Norte da Associação dos Arquitectos Portugueses e membro da Comissão de Defesa do Património da Câmara do Porto, João Rapagão.</P>
<P>
Este responsável mostra-se favorável a um modelo de cidade baseado na diversidade e riqueza de funções, «com preponderância para a função residencial». No Porto, essa primazia está a ser tomada de assalto pelos serviços -- e mesmo pelo comércio -- e ainda por construções que estão em desacordo com a escala dominante na cidade (o chamado «shopping» do Bom Sucesso e o Oporto Center são exemplos dessa realidade).</P>
<P>
A especulação correu com as pessoas para a periferia. Rapagão acha que essa tendência pode ser invertida, com a ajuda de planos, «embora estes transportem muitas vezes um problema: levam anos a ser feitos e, quando ficam prontos, a cidade mudou e eles desactualizaram-se». Em todo o caso, os planos são instrumentos capazes de disciplinar a distribuição das grandes funções urbanas, equilibrando-as a favor das pessoas.</P>
<P>
Esta visão mais ampla do tema «ambiente urbano» não ignora a existência de velhos problemas, como o ruído, a poluição atmosférica, a recolha do lixo, a promiscuidade entre áreas residenciais e industriais ou a ausência de zonas verdes. Os habitantes na Área Metropolitana do Porto convivem intimamente com estes cancros. O trânsito intenso, algumas unidades industriais e a falta de educação são responsáveis por uma série de agressões ambientais que tornam mais dura a vida na cidade.</P>
<P>
As autarquias afirmam que fazem o que podem -- o que, normalmente, quer dizer muito pouco -- e queixam-se do Governo, imputando-lhe maior parcela das responsabilidades. Mas a questão tem ainda muito a ver com a insensibilidade das autoridades em geral para as questões ambientais. O ambiente, urbano ou outro, continua a servir interesses imediatos e está longe de ser encarado de uma forma integrada e concertada.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59844">
<P>
Corveta procura náufragos de cargueiro cubano</P>
<P>
A corveta António Enes, da Marinha de Guerra portuguesa, chega esta manhã ao local onde, supostamente, naufragou, a 10 de Março, ao largo dos Açores, o cargueiro cubano Guatanamo.</P>
<P>
Além da corveta António Enes, estão envolvidos na operação, a cerca de 420 milhas a sul da ilha de S. Miguel, um avião da Força Aérea portuguesa e dois navios mercantes que navegam na zona.</P>
<P>
A Armada só tomou conhecimento do afundamento do navio no domingo, quando o navio mercante Dolly Africa recolheu, numa jangada salva-vidas, um dos 26 tripulantes do Guatanamo.</P>
<P>
Através deste náufrago, que durante 16 dias permaneceu no mar e afirma não ter visto mais nenhum sobrevivente, foi possível saber que o acidente teve lugar no dia 10 de Março, cerca das 22h, devido a um deslocamento de carga provocado pelo mar alteroso.</P>
<P>
O cargueiro, que transportava limalha de aço, viajava de Havana para o porto espanhol de Santander, e o seu desaparecimento já tinha sido comunicado, pelo armador e pelo cônsul de Cuba, à Marinha portuguesa. No entanto, as buscas estavam a ser efectuadas num local a cerca de 800 milhas do sítio do sinistro, de acordo com as coordenadas fornecidas, o que tornava impossível a sua localização.</P>
<P>
O caso apresenta algumas contradições e os contornos são ainda pouco claros. Segundo informação da Marinha, o armador afirmou ter entrado em contacto com o navio no dia 14, o que seria impossível se já tivesse tido lugar o afundamento, como indicou o tripulante cubano recolhido no domingo, um técnico de electricidade do navio e que já se encontra em trânsito para Cuba.</P>
<P>
Entretanto, o avião da Força Aérea que sobrevoa o local informou ontem ter visto, na zona onde se supõe ter ocorrido o afundamento do "Guatanamo", uma balsa virada e vários coletes salva-vidas vazios.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-14473">
<P>
O Corpo de Bombeiros usou barcos a remo para resgatar pessoas ilhadas no centro da cidade</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
As fortes chuvas que atingiram diferentes pontos da cidade –especialmente as regiões central e oeste– no final da tarde de ontem provocaram 140 quilômetros de congestionamentos entre as 16h e as 22h –a média no horário não costuma ultrapassar 70 quilômetros, segundo a CET.</P>
<P>
A marginal Tietê estava parada às 18h, com pontos de alagamento em toda sua extensão, o principal deles sob a ponte Anhanguera. Na zona sul, o córrego Pirajuçara ficou 1,50 m acima do nível normal e inundou trechos da avenida Francisco Morato.</P>
<P>
Os bombeiros atenderam, a partir das 16h, vários chamados de pessoas "ilhadas" em seus carros, em ruas próximas à avenida São João e à rua Amaral Gurgel. </P>
<P>
Na região central da cidade, barcos a remo foram usados na operação de resgate, já que a água quase chegava às janelas dos carros. Em Cangaíba (zona leste), uma mulher ficou ferida no desabamento do barraco em que morava.</P>
<P>
Às 21h, ainda era difícil o trânsito próximo à Cidade Universitária, devido ao transbordamento do córrego Pirajuçara. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrava 7 quilômetros de congestionamentos na região naquele horário e interditou os acessos à ponte. Segundo a meteorologia, a chuva de verão foi provocada pela intensa evaporação –típica dessa época– associada a uma frente fria e úmida em lento deslocamento pelo litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-89492">
<P>
Vila do Bispo contra empresa de camionagem</P>
<P>
As populações de Monte Salema, Mesquita, Covões e Granja, nas imediações de Vila do Bispo, manifestaram-se, recentemente, contra as alterações introduzidas no percurso das carreiras de autocarros que ligam Sagres a Lagos. Em carta dirigida ao presidente da Câmara de Vila do Bispo, os moradores queixam-se do facto de os autocarros terem deixado de utilizar a antiga EN-268, obrigando-os assim a fazer maiores deslocações a pé e a furar as vedações da novo estrada, a fim de chegarem à paragem. Na opinião dos residentes, trata-se de uma situação «inadmissível dado existirem ali muitos idosos, alguns com necessidade de se deslocarem a centros médicos, e crianças em idade escolar, algumas das quais a estudar em Lagos». Em resposta às diligências da autarquia, relativamente ao abandono do percurso que passava pelas aldeias, a Junta Autónoma das Estradas afirma que a concessionária das carreiras lhe garantiu que «os autocarros iriam passar a circular no antigo traçado da EN-268, onde se localizam efectivamente as gares de paragem». De acordo com os habitantes da zona, essa é, porém, uma promessa com seis meses que nunca foi cumprida pela concessionária.</P>
<P>
Albufeira vai ter provedor municipal</P>
<P>
A Câmara de Albufeira, no Algarve, aprovou, na sua última reunião, o regulamento da provedoria municipal, uma entidade que tem por objectivo «facilitar a transparência dos actos municipais» e estabelecer uma maior confiança entre os munícipes, os autarcas e os funcionários camarários. O regulamento deverá agora ser ratificado pela Assembleia Municipal, que procederá, depois, à eleição do provedor, o qual receberá um mandato de de quatro anos «com total independência perante os órgãos municipais». Logo que o provedor assuma as suas funções, os munícipes poderão apresentar-lhes as suas queixas por acções ou omissões da administração municipal que considerem incorrectas, ilegais ou imorais.</P>
<P>
Navio panamiano arrestado no Funchal</P>
<P>
O Tribunal Judicial do Funchal ordenou ontem o arrestamento do navio panamiano «Báltica», com base nas dívidas acumuladas junto da agência de navegação Blandy. A empresa lesada tinha solicitado ao juiz o arresto da embarcação, que ali chegou no dia 21, com 230 passageiros, e deveria partir ontem para Las Palmas, nas Canárias. O «Báltica» é propriedade da companhia «Baltic Line» e realiza viagens semanais entre as Canárias, Marrocos e a Madeira. O armador do navio está registado na Libéria, o barco tem bandeira do Panamá e a gestão do navio pertence a uma empresa grega.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54943">
<P>
Diques de papel, ecologistas afogados</P>
<P>
Durante séculos, os holandeses não se pouparam a esforços para manterem os pés secos. Criou-se o ditado «Deus criou o mundo, os holandeses a Holanda». Mas, à medida que dezenas de milhares de pessoas abandonam as suas casas, fugindo às inundações que assolam o país -- e toda a Europa do Norte --, cresce na população a raiva contra os atrasos burocráticos que têm impedido o reforço dos diques. Os diques que, afinal, impedem o país de voltar a ser submerso pela água do mar.</P>
<P>
As culpas, contudo, são irmãmente repartidas: de um lado, a densa burocracia, do outro, ecologistas ultrazelosos. «Alguma coisa tem que ser feita contra a montanha de papel que está a atrasar o reforço dos diques», lia-se ontem no jornal diário de grande circulação «De Telegraaf».</P>
<P>
A situação exige medidas urgentes. Pelo segundo ano consecutivo, as zonas sul e leste da Holanda encontram-se debaixo de água. Os comentadores interrogam-se sobre se terá que se assistir a uma repetição das cheias de 1953, que mataram mais de 1800 pessoas, para que sejam tomadas medidas sérias.</P>
<P>
Nesse ano, uma tempestade revolveu as ondas do mar do Norte e empurrou-as contra as defesas, destruindo-as. O Governo respondeu com o original Projecto Delta, uma poderosa barreira construída pelo Homem para proteger a Holanda do mar.</P>
<P>
Na década de 90, a ameaça passou a vir dos rios. Reno, Mosa e Waal começaram sazonalmente a sair dos leitos, destruindo campos e habitações. Ouviram-se as primeiras vozes exigindo medidas similares e radicais para impedir as águas doces e lamacentas de avançarem pela terra. «Na nossa batalha contra a água, temos andado unicamente a olhar para o mar, esquecendo a que vem do interior, dos rios», lia-se ontem no jornal «Trouw».</P>
<P>
Mais de dois terços dos holandeses vivem abaixo do nível da água do mar, em pólderes (línguas de terra «roubadas» ao mar, protegidas por diques e continuamente dessecadas para aproveitamento agrícola). Se isto constitui motivo de orgulho nacional, não deixa de ser causa de grandes receios, dada a necessidade de constante reforço dos diques.</P>
<P>
Nada de novo para os holandeses, afinal. A construção de diques na Holanda remonta ao século VI a.C., com os «terpen», barreiras de terra com seis a oito metros de altura. Os primeiros diques foram construídos no alinhamento destes «terpen», de modo a criar um enorme paredão.</P>
<P>
Durante séculos, não passaram de barreiras íngremes, reforçadas com estacas de madeira que exigiam constante reconstrução. Hoje são estruturas defensivas, de construção matematicamente exacta, para evitar a erosão das marés.</P>
<P>
Algumas áreas, nomeadamente entre o Reno e o Mosa -- conhecidas por Banheira --, estão mais de seis metros abaixo do nível do mar.</P>
<P>
«Se os diques cedem -- e isso pode acontecer --, a água arrastará tudo à sua frente», dizia ontem um porta voz ministerial. «Nós aconselhamos as pessoas a não se instalarem nessas zonas, mas muitas não acatam o conselho.»</P>
<P>
A desflorestação, a construção de estradas e a urbanização têm sido apontadas como responsáveis pelo decréscimo da capacidade de absorção das terras. Dado que na Holanda desaguam alguns dos maiores rios da Europa, as cheias tornam-se inevitáveis nestas circunstâncias.</P>
<P>
«Isto não é um problema que só respeite à Holanda, é um problema ambiental da Europa», declarou a ministra do Ambiente, Margaretha de Boer. «A perda de capacidade de absorção começa noutros países e a água chega-nos em maior volume e com mais rapidez.»</P>
<P>
Mas, para os habitantes da zona, a culpa é dos ecologistas, que têm atrasado a construção de mais e melhores diques nos rios. «Esses tipos bem-educados da cidade deviam, depois de cada cheia, ser afogados aqui», disse a uma rádio um habitante de Dreumel.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-3933">
<P>
Barata, simples e eficaz, a droga evita ataques cardíacos e derrames, impedindo a formação de coágulos</P>
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
A aspirina pode evitar mais de 100 mil mortes prematuras por ano, causadas por infartos e derrames cerebrais em todo o mundo. Estudo internacional publicado hoje no "British Medical Journal" informa que a aspirina evita a formação de coágulos no sangue não só de homens –o que se sabia há mais de uma década–, mas também de mulheres.</P>
<P>
"A aspirina é barata, simples e eficaz. Evita que o sangue coagule", disse Rory Rollins, pesquisador da Enfermaria Radcliffe em Oxford (Reino Unido). Ele apresentou os resultados de testes em 140 mil pacientes de 25 países.</P>
<P>
Segundo os pesquisadores, apenas meia aspirina por dia poderia ajudar milhões de pessoas que já sofreram ataques do coração e derrames. Para eles, um tratamento prolongado com aspirina deve ser considerado para quase todas as pessoas que sofrem de angina, têm histórico de doenças cardíacas ou receberam uma ponte arterial.</P>
<P>
O estudo mostrou que a aspirina impede a formação de coágulos não apenas em artérias, mas também em veias. "Os médicos não tinham idéia de quantos pacientes podem tirar proveito da aspirina, porque as evidências estavam espalhadas pelo mundo", disse Richard Peto, um dos pesquisadores.</P>
<P>
A colaboração internacional, que envolveu 300 testes clínicos, foi coordenada no Reino Unido pelo Fundo Imperial de Pesquisa sobre o Câncer, pelo Conselho Médico de Pesquisa e pela Fundação Britânica do Coração.</P>
<P>
"A aspirina é tão comum que muitos médicos e pacientes ainda não reconhecem plenamente sua importância. Se ela fosse cem vezes mais cara, ela talvez fosse mais usada", disse Peto, que atribuiu à droga o poder de salvar até 20.000 vidas nos Estados Unidos, 7.000 no Japão e 30.000 na União Européia.</P>
<P>
Mas os pesquisadores enfatizaram que a aspirina não é uma panacéia geral. Ela não deve ser usada por pessoas com baixo risco de sofrer ataques do coração ou derrames, porque poderia haver sangramento nos intestinos ou no cérebro.</P>
<P>
O "British Medical Journal" publica na mesma edição mais dois trabalhos dedicados à capacidade da aspirina prevenir doenças do sistema circulatório.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68800">
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
A violência é uma das marcas do sindicalismo na região do ABCD. De 1987 a 1992 foram assassinados três líderes sindicais nos municípios de Santo André e São Caetano. A truculência também é uma das características na disputa entre centrais sindicais na região.</P>
<P>
As greves da categoria dos motoristas também são marcadas pela ocorrência de atos violentos, com quebra-quebra de veículos. O acusado pelo assassinato sempre andava armado e já tinha passagem pela polícia.</P>
<P>
Em abril de 1987, Antonio Ubirajara Mota Faria, diretor do Conselho Fiscal do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano foi morto por dois desconhecidos com quatro tiros. O crime ocorreu na rua Amadeu Massaroto (na zona zul de São Paulo), quando Ubirajara deixava sua casa. Na sede da entidade, na época, nenhum sindicalista comentou o assassinato.</P>
<P>
CUT</P>
<P>
Um ano depois, o dirigente sindical Luiz Rodrigues dos Santos, ligado à CUT (Central Unica dos Trabalhadores), foi baleado na perna quando distribuía panfletos em frente aos portões da Rhodia, em Santo André. Foi o primeiro incidente grave envolvendo chapas da CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e da CUT na disputa pelo controle do Sindicato dos Químicos do ABCD.</P>
<P>
Em 1987, dois diretores do Sindicato dos Condutores do ABCD foram assassinados em Santo André durante campanhas salariais da categoria.</P>
<P>
Já entre os metalúrgicos de São Bernardo, de onde saíram Luiz Inácio Lula da Silva e Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, nunca foram registradas ocorrências envolvendo sindicalistas com atos violentos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-13938">
<P>
Williams pode ter dificuldade domingo que vem no Japão</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O circuito onde domingo que vem acontece a segunda etapa do Mundial de Fórmula 1 é uma dádiva dos céus para a Benetton. A equipe que ganhou a corrida de abertura da temporada, em Interlagos, tem a chance de repetir a façanha em Aida, Japão, daqui a uma semana.</P>
<P>
A pista japonesa, sede do estreante GP do Pacífico, está deixando Ayrton Senna e a Williams de cabelos em pé.</P>
<P>
O time começou o ano como favorito e viu despencarem todos os prognósticos dos especialistas com a vitória de Michael Schumacher no Brasil.</P>
<P>
As primeiras análises de Aida são unânimes: o circuito não é o mais apropriado para a Williams, cujo carro certamente vai se sair bem em pistas velozes –como Imola, Monza e Hockenheim–, mas deve sofrer nas lentas.</P>
<P>
Aida tem um traçado de baixa velocidade. A média de uma volta, para um carro de F-1, deve ficar em torno de 180 km/h. Para se ter uma idéia, em Interlagos é de 200 km/h. Em Monza, 230 km/h e, em Hockenheim, 250 km/h.</P>
<P>
Pistas rápidas favorecem carros com motores mais potentes –caso dos V10 da Renault que equipam a Williams. Circuitos lentos anulam essa vantagem. Os propulsores da Benetton são Ford V8, em tese menos fortes que os rivais franceses.</P>
<P>
Para piorar as coisas para Senna e sua trupe, a pista japonesa é estreita e travada, com muitas curvas fechadas, retas curtas e poucos pontos de ultrapassagem. Não há onde aproveitar a potência superior de seus motores.</P>
<P>
A luta pela pole-position será decisiva. Quem largar na frente tem grandes chances de manter a posição se o trabalho dos boxes, nas paradas para reabastecimento e troca de pneus, for eficiente.</P>
<P>
A preocupação da Williams com o GP do Pacífico ficou clara na semana passada. O time deslocou um séquito de 47 pessoas para três dias de testes em Jerez de La Frontera, Espanha.</P>
<P>
O circuito tem as mesmas características de Aida. Senna treinou na terça e quarta-feiras, tentando regular seu FW16 –o modelo da Williams– para um traçado como o japonês.</P>
<P>
A esperança do time e do piloto brasileiro é de que pelo menos o asfalto não seja ondulado como em Interlagos. Esse tipo de piso tornou o carro de Senna, segundo ele mesmo, "inguiável".</P>
<P>
O FW16 salta muito nas ondulações. Isso não acontecia no ano passado, quando o regulamento da F-1 permitia o uso das suspensões ativas.</P>
<P>
Tais equipamentos, controlados por computador, mantinham os carros a uma altura constante do solo, independente das características do piso. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) proibiu os dispositivos nesta temporada.</P>
<P>
O GP do Pacífico, que começa à 0h30 do dia 17 (horário de Brasília), terá 83 voltas –mais do que qualquer outra prova do calendário.</P>
<P>
Como a F-1 nunca correu em Aida, haverá um treino extra-oficial na quinta-feira. Faz frio na região, que fica no sul do Japão. Há duas semanas, o autódromo estava coberto de neve.(FG)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33838">
<P>
Filipe Mário Lopes*</P>
<P>
«Reabilitar Lisboa -- é mesmo possível»</P>
<P>
No passado dia 9, publicou este jornal um artigo intitulado «Reabilitar Lisboa -- será mesmo possível?», no qual se pretendia demonstrar a inviabilidade do processo de reabilitação em curso. Acontece, porém, não serem exactos os números em que o articulista se baseou, pelo que entendemos dar uma explicação aos leitores do PÚBLICO.</P>
<P>
A Câmara Municipal de Lisboa, através da sua Direcção Municipal de Reabilitação Urbana, reabilitou, até agora, 3500 fogos e não 3000. Nos bairros em que intervém, falta-lhe reabilitar 70 por cento e não 86 por cento -- o autor desconhece que existem neles construções que não necessitam de intervenção. Foram gastos 11 milhões de contos, sendo necessário, só para habitação, mais 60 milhões e não 78.</P>
<P>
Consciente do ritmo que os meios até agora disponíveis permitiram -- a reabilitação só se completaria nos próximos 25 anos --, a Câmara propôs ao Governo um programa, o PERU, do tipo do que foi criado para a eliminação das barracas, o PER. A criação desse programa permitirá reduzir para cerca de sete anos o tempo necessário à reabilitação dos bairros intervencionados. Os dois milhões de contos votados no Orçamento Geral de Estado para bonificação dos juros das operações de reabilitação dos centros históricos é já uma primeira medida que vai nesse sentido e disponibilizará cerca de 28 milhões de contos para o PERU.</P>
<P>
Para Lisboa, os fundos públicos necessários estão orçamentados em 40 milhões -- 20 financiados pelo Recria e 20 pelo programa proposto. Como se vê, a despesa será coberta pelo orçamento votado.</P>
<P>
Isto quanto a números. Quando à «alternativa» proposta pelo autor do artigo citado, ela poderá constituir uma contribuição benévola de um leigo, mas nunca de um técnico conhecedor destas matérias. Fazer pagar a resolução do grave problema de degradação do parque construído destes bairros por uma densificação do seu tecido urbano revela um profundo desconhecimento das regras elementares e consensualmente aceites pelos profissionais do urbanismo ligados a este sector. É evidente que se podem aceitar intervenções nesse sentido -- e já o temos feito -- apenas pontualmente e em casos que o permitam. Como regra geral, como pretende o autor, é impensável e subverte todas as regras do equilíbrio, pois, para além de ir saturar indevidamente o tecido urbano, destruiria o seu valor patrimonial pela alteração das morfologias.</P>
<P>
Além de tudo isto, não há densificação do centro, contrariamente ao que é afirmado. Bem pelo contrário. Basta observar as estatísticas, para concluir pela perda de população nas freguesias centrais, o que corresponde, aliás, a um fenómeno comum às cidades ocidentais, como também o sabem todos os profissionais do sector.</P>
<P>
Finalmente, temos a esclarecer que o colóquio referido se realizou para se fazerem propostas realistas e exequíveis, o que, felizmente, aconteceu. Nele se provou, com números, que reabilitar um fogo custa apenas metade do preço da construção de um fogo social e a respectiva despesa em fundos públicos é de um terço do investimento necessário.</P>
<P>
As vantagens não se esgotam, no entanto, nos cifrões. A reabilitação realiza alguns dos desideratos mais caros aos criadores e estudiosos da cidade --mantém e respeita o tecido social existente, procura que ele encontre motores endógenos de desenvolvimento e de participação social, contraria os movimentos centrífugos das populações de fracos recursos atiradas para os bairros sociais ou para os dormitórios das periferias, mantém a mistura dos estratos sociais e etários, preserva a identidade cultural dos homens e das pedras, enquanto realidade dinâmica.</P>
<P>
Não é tudo perfeito, e críticas, fundamentadas, serão sempre bem-vindas. O colóquio aqui referido fez-se também para responder ao interesse internacional que a experiência de Lisboa tem suscitado. Vieram técnicos e políticos de outros países. Apreciaram as realizações, deram as suas achegas, ofereceram as suas críticas. Perante o seu entusiasmo, ficámos, sobretudo, uma vez mais, com a grata certeza de que vai valer a pena continuar. Com mais força. Porque, afinal, reabilitar Lisboa tornou-se numa possibilidade muito séria, com a participação do Governo, da Câmara e da iniciativa privada.</P>
<P>
* Arquitecto, director municipal da reabilitação urbana da CML</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-4171">
<P>
Pacto de sangue</P>
<P>
PASSAPORTE BIOLÓGICO EM 2008	</P>
<P>
O ano de 2008 promete ser aquele em que tudo se fará para combater o flagelo do doping. Pelo menos é esta a intenção de vários agentes da modalidade que criaram, para tal, o passaporte biológico, a designação de um documento electrónico e individual na qual constarão todos os resultados dos controlos antidoping à urina e ao sangue efectuados aos ciclistas, assim como o respectivo perfil hematológico. O cruzamento destas informações permitirá avaliar as variações das análises e, consequentemente, detectar se houve manipulação de sangue.</P>
<P>
O passaporte biológico é o resultado de uma reunião verificada há alguns meses, em Paris, organizada pelo ministro francês da Saúde, o ministro francês da Saúde, a UCI e a Agência Mundial Antidopagem (AMA). O objectivo é chegar ao Tour com o passaporte biológico de todos os possíveis participantes em total funcionamento, de modo a evitarem-se os casos de doping que ocorreram este ano.</P>
<P>
Contra-relógio</P>
<P>
O passaporte biológico abrange todos os ciclistas do ProTour, onde só há um português, podendo as equipas Continentais Profissionais, na qual faz parte o Benfica, serem também abrangidas. Ao todo, o grupo de trabalho prevê fazer 4.200 análises ao sangue -- seis por cada ciclista do ProTour --, mais 3.700 do que em 2007.</P>
<P>
Em suma, a UCI quer controlar em 2008 cada ciclista por 12 vezes -- às análises de sangue juntam-se às da urina --, na sua maioria inopinadas, devendo gastar, com todo o programa do passaporte biológico, qualquer coisa como 6 milhões de euros, contra 1 milhão gasto este ano. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-95481">
<P>
FERNANDO RODRIGUES</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O Departamento de Estado norte-americano terminou uma investigação sobre documentos encontrados na Nicarágua este ano e concluiu que havia "um organização muito bem estabelecida sequestrando em toda a América Latina" até o final dos anos 80, segundo a Folha apurou. A informação veio de dentro do Departamento de Estado –o Ministério das Relações Exteriores dos Estados Unidos.</P>
<P>
Os documentos de Manágua estavam escondidos dentro de um bunker que explodiu acidentalmente em 23 de maio do ano passado, na capital nicaraguense. Além de um farto arsenal –mísseis terra-ar e metralhadoras AK–, o local continha listas com nomes de empresários latino-americanos e descrição da rotina de alguns deles. Junto a esse material estavam os documentos dos canadenses David Spencer e Christine Lamont, que haviam participado do sequestro de Abílio Diniz em dezembro de 89, em São Paulo.</P>
<P>
A investigação do Departamento de Estado norte-americano é sigilosa. O trabalho é dividido em duas partes. A primeira, já concluída, se refere aos documentos encontrados e à atividade da rede internacional de sequestros até o final da década de 80. Agora, os norte-americanos estão procurando pistas sobre o que aconteceu com os integrantes dessa rede. Querem ter certeza que as operações já terminaram.</P>
<P>
Segundo a investigação norte-americana, os documentos sobre sequestros foram atualizados até 1989 e início de 1990. Não há uma data precisa. Há, entretanto, documentos da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN), de El Salvador, datados de abril deste ano. A FMLN assumiu publicamente a propriedade das armas, mas não dos documentos sobre sequestros.</P>
<P>
Também já é considerado certo pelo Departamento de Estado que os sequestros tinham finalidade política. Isso passa a ser de fundamental importância para os dez condenados pelo sequestro de Abílio Diniz, em 89. A Justiça brasileira considerou o fato apenas um crime comum. Até hoje os sequestradores estão pleiteando a transferência do caso para a Justiça Federal, com o argumento de que sequestraram o empresário para fins políticos. A decisão está para ser tomada em fevereiro ou março.</P>
<P>
Sobre a operação da rede de sequestros, o Departamento de Estado não sabe precisar até que ponto havia contato entre os seus membros. Mas tem certeza que as ações eram coordenadas entre si.</P>
<P>
Também não foi possível precisar, ainda, até que ponto esse grupo de pessoas –egressas de movimentos de esquerda nas décadas de 70 e 80– continuou a manter algum contato na década atual. Para o Departamento de Estado, embora seja uma avaliação preliminar, o mais provável é que com o esfacelamento do comunismo a rede tenha sido desativada.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75683">
<P>
HUMBERTO SACCOMANDI</P>
<P>
De Londres</P>
<P>
Enquanto a Austrália sofre com o calor e o fogo, a Europa é assolada por frio, tempestades e enchentes. Boa parte do sul do Reino Unido está debaixo d'água. Vários regiões da França também estão inundadas. Pelo menos duas pessoas morreram ontem nesses países devido ao mau tempo.</P>
<P>
Apesar de acostumados à chuva, há anos os britânicos não viam tanta água como nestes últimos dois meses. Nos cinco primeiros dias de janeiro choveu metade do que normalmente costuma nesse mês. O resultado é que quatro grandes rios transbordaram no interior do país, inclusive o Tâmisa.</P>
<P>
Para complicar ainda mais, nevou nos últimos dois dias em quase todo o país. Uma pessoa morreu em Londres, ao perder o controle de seu carro e cair num canal. Algumas cidades estão alagadas há uma semana. Dezenas de famílias foram evacuadas.</P>
<P>
Na França, uma criança de 12 anos provavelmente morreu afogada ontem quando a corrente de água numa estrada levou o carro onde estava. A mãe da criança havia saído do carro para pedir ajuda. Pelo menos sete pessoas morreram desde o início do ano no país devido ao mau tempo.</P>
<P>
Fortes ventos provocaram ondas de até cinco metros em Portugal, bloqueando vários portos. Alguns navios estavam em dificuldades ontem no mar do Norte e no Mediterrâneo. Um navio italiano teve de ser abandonado e seus 17 tripulantes foram resgatados.</P>
<P>
Vários regiões de Portugal, Espanha e nos Alpes estavam isoladas ontem devido à neve. Parte do rio Reno, na Alemanha, estava fechada à navegação devido ao perigo de transbordamento. E a meteorologia prevê que o mau tempo e as chuvas devem continuar em quase todo o continente.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-69401">
<P>
Deputados municipais põem a questão</P>
<P>
Onde se vão alojar os operários da Expo ?</P>
<P>
O problema que se irá colocar a Lisboa quando começarem a afluir à capital os cerca de 20 mil trabalhadores que a autarquia estima que participarão na regeneração da zona oriental, devido à Expo 98, foi ontem levantado na Assembleia Municipal. A questão surgiu no âmbito da discussão da protocolo de adesão de Lisboa ao PER, programa governamental de apoio à erradicação de barracas.</P>
<P>
Os deputados municipais -- quer da maioria, quer da oposição -- foram unânimes quanto à necessidade de se encarar desde já a questão, agora que Câmara e Governo se unem para acabar com as cerca de 10 mil barracas existentes na capital.</P>
<P>
César de Oliveira, do PS, que previu o aparecimento do primeiro pilar da nova ponte até Setembro de 1995, «emergindo qual cogumelo do Tejo», disse esperar que o ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral, pense no alojamento dos trabalhadores que vão afluir a Lisboa para preparar a Expo, criando desde já as condições para que o problema possa ser ultrapassado.</P>
<P>
Victor Gonçalves, do PSD, sublinhou a necessidade de «comunhão» entre Governo e autarquia, sem a qual não se poderá resolver a questão habitacional, enquanto o representante do PCP afirmou que a resolução do problema cabe ao Governo. F.R.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-18999"> 
<P> Amazonas - Índios querem sobrenomes característicos da etnia </P>
 <P> HOME PAGE RONDONIA AO VIVO, 24.12.2007 </P>
 <P> Índios do Amazonas reivindicam o direito de registrar os filhos de forma organizada, respeitosa e com os sobrenomes que caracterizam suas etnias. Os pontos foram apontados pelos indígenas na reunião de encerramento da primeira fase do Projeto Registro Civil dos Povos Indígenas do Amazonas, que aconteceu na última semana em Manaus. </P>
 <P> De acordo com o projeto, iniciado em setembro de 2007, 17 líderes indígenas estiveram em 44 comunidades no Alto Rio Negro, Alto e Médio Solimões, Vale do Javari, Purus, Juruá e Manaus para aplicar os questionários de avaliação sobre a atual situação dos registros civis da população e coletar dados para a elaboração de um relatório. </P>
 <P> O documento, será apresentado em março de 2008 e incluirá o resultado geral das avaliações e as sugestões dos povos indígenas. Ao todo, foram mais de 1,4 mil questionários aplicados em 325 comunidades, o equivalente a 43 etnias visitadas. </P>
 <P> Fonte: Clipping da
6ªCCR do MPF. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-86294">
<P>
Preparação da «Shi Fu Hui» avança «a todo o vapor»</P>
<P>
A Grande Muralha Feminina</P>
<P>
António Caeiro, em Pequim*</P>
<P>
Dezenas de milhares de representantes da «metade do céu», a metáfora com que o antigo Presidente Mao Tsé Tung descrevia as mulheres, começarão a chegar já na próxima semana a Pequim, para a IV Conferência Mundial sobre a Mulher. É a maior reunião do género patrocinada pela ONU, e o Governo anfitrião, que nunca viu tantas estrangeiras ao mesmo tempo na sua capital, está a preparar-se com todo o cuidado.</P>
<P>
A «Shi Fu Hui» (Conferência Mundial sobre a Mulher) só começa dia 4 de Setembro, mas as massagistas estabelecidas junto ao Hotel Kunlun, noroeste de Pequim, já devem estar ansiosas que a reunião acabe e a cidade volte à normalidade. Embora o nome de «massagistas» iludisse a verdadeira natureza da profissão, a polícia parecia tolerar a sua actividade, como acontecia com as prostitutas que frequentavam o Kunlun, um hotel de cinco estrelas propriedade do Ministério da Segurança Pública. Vendedores de CD's piratas e mendigos desapareceram também da zona, e à entrada do hotel foi afixada uma faixa de pano vermelho com as três palavras de ordem da Conferência: «Igualdade, Desenvolvimento, Paz».</P>
<P>
Mais de 200 casas de massagem, salões de beleza, discotecas, bares e outros estabelecimentos suspeitos de servirem como bordéis foram encerrados nas últimas semanas pelas autoridades de Pequim. A «limpeza» precedeu a chegada das cerca de 40 mil delegadas de mais de 150 países inscritas na IV Conferência Mundial sobre a Mulher, patrocinada pela ONU, e no Fórum das Organizações Não-Governamentais, que decorrerá paralelamente à conferência oficial, a partir de 30 de Agosto. A Conferência -- de 4 a 15 de Setembro -- é a mais concorrida e cosmopolita reunião jamais realizada na China e a maior aposta internacional do Governo chinês desde a frustrada candidatura de Pequim à organização do Jogos Olímpicos, em 1993.</P>
<P>
«Ao organizar esta Conferência, a China pode alargar a sua influência política e melhorar a imagem internacional», disse Chen Muhua, presidente da Federação das Mulheres Chinesas e vice-presidente da Assembleia Nacional Popular. Chen Muhua, 74 anos, filiada no Partido Comunista desde 1938, é a mulher que ocupa o lugar mais elevado na hierarquia chinesa.</P>
<P>
Foi em 1990 -- um ano após a sangrenta repressão do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen -- que a China propos à ONU organizar a IV Conferência Mundial sobre a Mulher. Na altura, estavam muito vivas as imagens do que a opinião pública ocidental viu como um «massacre» e que o Governo chinês continua a considerar um simples «incidente».</P>
<P>
Festa intelectual</P>
<P>
A Conferência encerra, contudo, alguns riscos. Além de constituir um quebra-cabeças logístico, a Conferência mobiliza uma multidão politicamente incontrolável. «Os contactos entre as mulheres chinesas e as estrangeiras serão muito úteis para a evolução da nossa consciência democrática», comentou um intelectual chinês à Agência France Press. Para a socióloga Chen Yiyun, animadora de uma ONG chinesa dedicada à violência doméstica, a Conferência representa sobretudo «uma grande oportunidade de comunicação»: «Noventa e cinco por cento das mulheres chinesas não tem possibilidade de viajar fora do país e agora poderão comunicar directamente com as suas irmãs estrangeiras».</P>
<P>
O Governo chinês poderá recusar vistos às partidárias da independência do Tibete ou de outras causas «subversivas», mas não conseguirá evitar a entrada de grupos de lésbicas, feministas radicais e muitas outras activistas susceptíveis de «perturbar a ordem» do último grande bastião do comunismo. «Os casos de vistos recusados são muito poucos», disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. «Quaisquer actividades contrárias à lei chinesa serão proibidas», avisou por sua vez o governador de Huairou, a vila dos arredores de Pequim onde irá decorrer o Fórum das ONG.</P>
<P>
Inicialmente previsto para o «Ginásio dos Trabalhadores», no centro de Pequim, o Fórum das ONG acabou por ser transferido para Huairou, cerca de 50 quilómetros ao norte da capital chinesa. A mudança -- anunciada há apenas cinco meses devido a «problemas estruturais» do referido ginásio -- foi vista como uma medida para isolar as delegadas e afastá-las da Praça de Tiananmen, o espaço urbano mais sensível da China. Responsáveis chineses rejeitaram aquela interpretação, garantindo que haverá um autocarro entre Huairou e Pequim de dez em dez minutos.</P>
<P>
Quarenta frases</P>
<P>
Os agentes da Polícia de Pequim receberam, entretanto, instruções para se mostrar educados e «projectar uma boa imagem junto de pessoas vindas de todas as partes do país e do mundo». Alguns tiveram até lições de inglês. O manual de boa educação distribuído pelo Departamento Municipal de Segurança Pública inclui uma lista de 40 frases que os polícias deverão abster-se de pronunciar nos seus contactos com os cidadãos, entre as quais o clássico «não sei» e o ameaçador «não arranje problemas». Idênticas instruções foram dadas aos funcionários dos caminhos de ferro, aeroportos, correios, hospitais e centros comerciais.</P>
<P>
Por outro lado, a companhia aérea chinesa anunciou a concessão de descontos de 20 a 50 por cento às delegadas que se deslocarem a Pequim nos seus aviões, e o Departamento Municipal de Comércio garantiu que as lojas e mercados da cidade estarão «abundantemente abastecidos».</P>
<P>
Ninguém espera, no entanto, que a nova cortesia das autoridades chinesas tolere manifestações «subversivas». Como avisou também o governador de Huairou, «qualquer pessoa que vá a um país estrangeiro deve respeitar as leis desse país».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49440">
<P>
Clube deve acertar também com o volante Donizete</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O dia promete grande movimentação no mercado de futebol de São Paulo. O retorno dos jogadores das férias está pevisto para hoje na Portuguesa e o atacante Dener deverá forçar a nova diretoria a negociá-lo.</P>
<P>
Corinthians e Vasco são seus maiores pretendentes, mas a Portuguesa fixou o passe do jogador em US$ 2 milhões, o que pode dificultar a negociação.</P>
<P>
Além de Denner, o Corinthians deve tentar hoje, mais uma vez, contratar o volante Donizete, do Bragantino. O lateral-esquerdo Biro-Biro e o volante Ezequiel entrariam na negociação para aliviar o US$ 1 milhão que o time de Bragança pede por seu jogador.</P>
<P>
Se der certo, Donizete será o quarto reforço da equipe do Parque São Jorge para a temporada de 94. Já vieram Marcelinho e Casagrande, ambos ex-Flamengo, e Gralak, do Paraná Clube. O goleiro Dida, do Vitória da Bahia, vice-campeão brasileiro, e o lateral-esquerda Piá, do Flamengo, também estão na mira do Corinthians.</P>
<P>
No Palmeiras, a maior expectativa fica por conta do atacante colombiano Rincón, cuja apresentação está prevista para o dia 17. Segundo jornais italianos, o jogador deverá ficar no Parque Antarctica apenas no primeiro semestre deste ano, transferindo-se, depois da Copa dos EUA, para o Parma da Itália.</P>
<P>
O meia Edílson pode ser negociado com o Monaco, da França, ou o Nagoya, do Japão. Mas seu desejo (e do clube) é não deixar o Palmeiras até a Copa do Mundo. Edílson entende que se ficar no futebol brasileiro terá chances de ser chamado pelo técnico Carlos Alberto Parreira e disputar o Mundial.</P>
<P>
Hoje se iniciam as negociações para a renovação dos contratos de Antônio Carlos, Roberto Carlos, Evair, que também interessa ao futebol japonês, e Edmundo, que desde a final do brasileiro expressou seu desejo de permanecer no Parque Antarctica.</P>
<P>
O São Paulo deve dar prioridade para a renovação dos contratos de Muller e Cafu. O diretor Márcio Aranha é esperado hoje em Belo Horizonte para acertar a contratação do ponta Euler junto ao América.</P>
<P>
Guilherme foi contratado ao Marília, enquanto que Jura e Luís Carlos Goiano foram devolvidos, respectivamente, para Guarani e Novorizontino. Júnior Baiano, trazido do Flamengo, pode não ser o único novo jogador na zaga são-paulina, caso Ronaldo acerte sua ida para o Japão. O clube tem interesse no quarto-zagueiro Rogério, do Flamengo. E Matosas, dispesando pelo clube, pode acertar com o Guarani.</P>
<P>
Na Portuguesa, o recém-eleito presidente, Manuel Gonçalves Pacheco, além de tentar conseguir um bom dinheiro com a venda de Dener, deve reintegrar alguns jogadores que estavam emprestados e que o técnico Fito Neves quer reintegrados à equipe, casos de Enio, Tico, Cícero, Sinval, Carlinhos e Pereira.</P>
<P>
No Santos, o meia Pita, que foi campeão paulista no clube em 1978, pode desprezar os dólares do milionário futebol japonês para acertar um contrato de um ano com o clube. Pita, 34, é dono de seu passe. O futuro presidente do clube, Miguel Kodja Neto, deve se reunir esta semana para acertar a renovação dos contratos de Ranielli, Indio, Gallo e Axel.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68214">
<P>
REGINA CARDEAL</P>
<P>
Da Redação</P>
<P>
Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, que abriram caminho para a recessão mundial em 1990, renovam os sinais de crescimento econômico. É nestes três integrantes do Grupo dos Sete (países mais industrializados) que os analistas apostam suas fichas para a recuperação global em 1994.</P>
<P>
Se Reino Unido e Canadá têm importância relativa na engrenagem econômica mundial, os Estados Unidos se mantêm como potente motor, com uma economia de US$ 5,7 trilhões. Para a maior economia do globo, os principais institutos internacionais prevêem crescimento em torno de 3% este ano.</P>
<P>
É um número modesto se comparado ao que se espera da China. Os chineses vão espantar o mundo com crescimento econômico de dois dígitos pelo terceiro ano consecutivo.</P>
<P>
De seu lado, a América Latina, movida a investimentos privados e exportações, deve crescer em torno de 3,5%. Apesar da prevista desaceleração no México, Argentina e Chile, a América Latina conservará seu recém-conquistado segundo lugar como a região que mais cresce no mundo.</P>
<P>
O sudeste da Asia, com seus tigres e filhotes, continuará no topo da lista. Mercados emergentes, asiáticos e latino-americanos, se manterão como ímãs para o capital internacional.</P>
<P>
Este é o lado brilhante das previsões de instituições como o FMI e o Banco Mundial para o Ano Novo. O lado sombrio mostra uma fila de quase 35 milhões de desempregados só nos 24 países industrializados da OCDE, economia estagnada no Japão e um grande ponto de interrogação sobre a Alemanha.</P>
<P>
Contrariando estatísticas da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que projetam a queda da economia alemã até meados do ano que vem, o ministro da Economia, Gunter Rexrodt, declarou esta semana encerrada a recessão no país. De qualquer maneira, Rexrodt espera para a "locomotiva" da Europa desempenho mais próximo de uma maria-fumaça do que de um trem-bala para 1994. Rexrodt acredita em crescimento de até 1%. Para a OCDE, a expansão alemã não passa de 0,5%.</P>
<P>
Para seus 24 países, a OCDE crava expansão média de 2,1% na primeira metade do ano, acelerando para 2,7% até o final de 94. Para comparar com os 'líderes": o crescimento econômico nas chamadas Economias Dinâmicas da Asia (Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Tailândia e Malásia) vai atingir 6,1%.</P>
<P>
Mais boas novas: o Leste Europeu retomará o crescimento pela primeira vez desde o colapso do comunismo na virada da década. Já para a Rússia, cuja economia despencou mais de 10% em 1993, o cenário não é tão animador, apesar do aparente controle da inflação –façanha que o Brasil não conseguiu em 1993 e que muitos analistas duvidam que consiga em 1994.</P>
<P>
Já os países ricos vão continuar experimentando níveis excepcionalmente baixos de inflação.</P>
<P>
Misturando o expressivo crescimento da Asia e América Latina, mais a recuperação do Leste, o FMI chega a um cenário de expansão global de 3,2% em 1994. É uma taxa considerada muito baixa para criar o número de novos empregos que o mundo precisa com urgência.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71495">
<P>
Mas dirigente da F-1 afirma que GP que matou Senna aconteceria `de qualquer maneira'</P>
<P>
MAURO TAGLIAFERRI</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O vice-presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Bernie Ecclestone, pediu desculpas ontem à família do piloto Ayrton Senna.</P>
<P>
"Eu queria pedir desculpas ao Leonardo (irmão de Senna). Estou tão aborrecido com tudo isso como qualquer outra pessoa", disse.</P>
<P>
Ecclestone esteve em São Paulo ontem e pretendia ir ao enterro do piloto. Ao saber que Leonardo afirmou que ele não seria bem-vindo, desistiu.</P>
<P>
"Estou profundamente magoado. Mas compreendo sua posição. O problema é que Leonardo só ouviu versões da história e não toda a verdade", afirmou.</P>
<P>
O dirigente da F-1 lamentou a confusão que disse ter feito em Imola, ao, segundo ele, trocar a expressão "his head" (a cabeça dele –afirmando que a contusão de Senna no acidente era na cabeça) por "he's dead" (ele está morto) ao comunicar a batida do brasileiro a seu irmão no autódromo.</P>
<P>
Ecclestone também tentou provar que o acidente foi causado por falha no Williams de Senna.</P>
<P>
Para isso, mostrou ao governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho, um vídeo com uma volta completa do carro de Senna na pista de Imola, antes da colisão.</P>
<P>
As imagens foram obtidas da câmera do carro do alemão Michael Schumacher (Benetton), que vinha logo atrás de Senna.</P>
<P>
Segundo o governador e os fotógrafos que assistiram ao vídeo, o carro de Senna se chocou contra a pista pelo menos dez vezes durante a volta.</P>
<P>
"Normalmente isso não significa nada (os carros costumam tocar o solo), mas não sabemos. A suspensão podia ter problemas."</P>
<P>
"Podia haver uma saliência na pista naquele ponto e, com o choque, o carro teria ficado fora de controle", explicou Ecclestone.</P>
<P>
O dirigente fez questão de deixar claro que o GP de San Marino seria realizado independentemente de se comprovar que o austríaco Roland Ratzenberger morreu na pista de Imola e não no hospital.</P>
<P>
Ratzenberger morreu em um acidente durante os treinos para o GP no sábado.</P>
<P>
Ecclestone rebateu a acusação de que, se a FIA tivesse admitido que o austríaco morreu em Imola, a prova seria suspensa e, assim, Senna teria se salvado.</P>
<P>
"É 100% certo que o GP aconteceria", afirmou. "A Justiça italiana não fecharia o autódromo."</P>
<P>
E completou: "Se alguém morresse numa auto-estrada, não iriam interditá-la só por isso".</P>
<P>
O dirigente disse também que não há imagens da câmera do carro de Senna no momento da colisão. </P>
<P>
Segundo ele, havia 18 carros com câmeras na pista. As imagens eram enviadas para um helicóptero que sobrevoava o circuito. De lá, imagens de apenas três carros eram retransmitidas ao diretor de TV, que diz quais irão ao ar.</P>
<P>
"Como Senna estava na frente, as imagens que fazia não eram boas", explicou Ecclestone. "Por isso, não foram selecionadas."</P>
<P>
Mesmo não condenando o autódromo, Ecclestone reconheceu o perigo da curva Tamburello (onde Senna bateu). "Há seis anos sugeri modificações ali, mas ecologistas foram contra porque derrubaríamos algumas árvores", contou.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-67156">
<P>
Região de Angra dos Reis e Parati, litoral sul do Rio, tem maioria das opções; diárias chegam a US$ 1.000</P>
<P>
TELMA FIGUEIREDO</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Curtir o calor e o mar "a bordo" de uma ilha particular não é privilégio exclusivo dos personagens de filmes no cinema ou das raras pessoas que incluem um lugar como esses em seu patrimônio. Principalmente em Angra dos Reis, no Rio, uma região com várias ilhas particulares, há proprietários que alugam seus imóveis para temporada de famílias ou grupos.</P>
<P>
As descrições dessas ilhas –que muitas vezes incluem prainhas privativas, natureza exuberante, acomodações confortáveis, opção de uso de lanchas e jet-ski– ajudam a "digerir" os preços altos das diárias, que em alguns casos chegam a US$ 1.000.</P>
<P>
"As pessoas que procuram ilhas particulares geralmente não se importam em pagar caro por privacidade, sossego e pelo prazer de praticar mergulho em um lugar especial, por exemplo", diz Guilherme Moreira, 58, dono de um centro de mergulho em Angra dos Reis.</P>
<P>
Moreira intermedia alguns negócios entre proprietários de ilhas e interessados que o procuram. "Alguns estrangeiros que gostam de mergulhar me ligam querendo viabilizar uma estadia da noite para o dia", afirma. Quando dinheiro não é problema, até um helicóptero pode ser posto a disposição dos ocupantes. Entre as pessoas que trabalham com esse mercado, comenta-se que no réveillon passado um empresário pagou US$ 50 mil por uma estadia de dez dias –com direito a todas mordomias, é claro.</P>
<P>
Procura difícil</P>
<P>
A dificuldade para se hospedar em uma casa de ilha particular começa na procura de contatos. Primeiro porque a oferta é muito restrita. "A maioria das pessoas que têm casas nesses locais, utilizam-nas para uso próprio e nem cogitam alugá-las", diz Cláudia Maria Morcef, 31, sócia da Classi Produções e Turismo, empresa de Angra que trabalha com opções de casas em ilhas.</P>
<P>
Outro motivo é o fato de várias agências de turismo optarem por não trabalhar com o produto. "Não operamos com ilhas particulares. Embora elas atraiam bastante as pessoas é difícil montar grupos por causa do alto custo da estadia", diz Miya Tanaka, 37, sócia da Radical Livre Ecoturismo e Aventuras.</P>
<P>
Entre as opções encontradas pela Folha, três –ilha do Breu, ilha do Araújo e ilha da Cocanha– são negociadas na cidade de São Paulo. Os demais negócios precisam ser fechados com empresas ou pessoas do Rio.</P>
<P>
Na ilha Francisca, em Angra, por exemplo, onde há uma casa com acomodações para até 16 pessoas, diárias de US$ 400 a US$ 500, as reservas podem ser feitas pelo telefone –(0243) 65-0044– na cidade mesmo ou no Rio, (021) 233-6336, na Norway Turismo. A ilha pertence a uma família de ingleses e dispõe ainda de um restaurante.</P>
<P>
LEIA MAIS</P>
<P>
sobre aluguel de ilhas na pág. 10-2.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-48118">
<P>
Relatório da Unicef mostra que em 1992 morreram no país 236 mil crianças com idade inferior a 5 anos</P>
<P>
JOÃO BATISTA DE ABREU</P>
<P>
Da Sucursal do Rio</P>
<P>
Em 1992 morreram no Brasil 236 mil crianças com idade inferior a 5 anos, o que deixa o país na décima colocação entre as nações de maior número de óbitos infantis. O primeiro lugar é ocupado pela India, com 3.212 mortes de crianças. Os dados fazem parte do relatório Situação Mundial da Infância 1994, divulgado ontem pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).</P>
<P>
A taxa brasileira de mortalidade infantil, de acordo com o relatório da Unicef, caiu de 118, em 1960, para 54 em 1992, em cada grupo de mil crianças com menos de 12 meses. Nesse ano, nasceram 3.626 mil crianças e a expectativa de vida do brasileiro alcançou 66 anos (números de 1992).</P>
<P>
Entre 1983 e 1992, as principais doenças causadoras da mortalidade infantil registraram queda significativa. O sarampo caiu de 2,5 milhões de óbitos em 83 para 1,1 milhão em 92; as mortes por tétano diminuíram de 1,1 milhão para 600 mil; diarréia, de 4 milhões para 2,9 milhões; coqueluche, de 700 mil para 400 mil e poliomielite, de 360 mil para 140 mil.</P>
<P>
A Unicef informa que as metas propostas para o final de 1995 incluem a eliminação do tétano neonatal, redução de 90% dos casos de sarampo e de 95% nas mortes causadas pela mesma doença, eliminação da poliomielite, da deficiência de vitamina A e do verme da Guiné.</P>
<P>
O documento adverte que o problema da pobreza neste fim de século ameaça a maior parte dos países em desenvolvimento, dentro da espiral PPA (pobreza, população e ambiente). "É ilusório visualizar estes problemas como questões isoladas", afirma a entidade das Nações Unidas.</P>
<P>
O relatório revela que a chamada Africa negra, ao sul do deserto do Saara, é a única região do mundo onde a pobreza se agrava irremediavelmente. O cidadão médio tornou-se 20% mais pobre nos últimos 10 anos e mais de 200 milhões de seres humanos não conseguem suprir suas necessidades básicas.</P>
<P>
A Africa também é o continente mais afetado pela Aids: de cada grupo de 40 cidadãos, 1 está contaminado com o vírus HIV, sendo que em algumas localidades a relação chega a uma pessoa contaminada em cada três. A Unicef prevê que até o fim do século a Africa abrigará 10 milhões de crianças órfãs ou abandonadas por causa da epidemia de Aids.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="HAREM-811-00058">

<P>W. JAMES</P>
<P> Willian James</P>
<P> Willian James, filósofo e psicólogo.</P>
<P> Foi o mais influente dos pensadores dos EUA, criador do pragmatismo.</P>
<P> Nasceu e, Nova Iorque, a 11 de Janeiro de 1842.</P>
<P> O seu pai, Henru James, era um teólogo seguidor de Emanuel Swedenborg.</P>
<P> Um dos seus irmãos foi o conhecido novelista Henry James.</P>
<P> Concluiu os seus estudos de medicina, em 1870, na Universidade de Harvard, onde iniciou a sua carreira como professor de fisiologia em 1872.</P>
<P> A partir de 1880 ensinou psicologia e filosofia em Harvard, universidade que abandonou em 1907, proferindo conferências nas universidades de Columbia e Oxford.</P>
<P> Morreu em Chocorua, New Hampshire, a 26 de Agosto de 1910.</P>
<P>Princípios de Psicologia (1890), uma obra monumental que o projectou na comunidade científica e filosófica do tempo.</P>
<P> A Vontade de Crer e Outros Ensaios Sobre Filosofia Popular (1897), A Imortalidade Humana (1898), Diversidade da Experiência Religiosa (1902).</P>
<P> Pragmatismo: um nome novo para velhas formas de pensar (1907).</P>
<P> Esta obra resume as contribuições de Willian James para o pragmatismo, termo empregue pela primeira vez por Charles Peirce.</P>
<P>Durante décadas aplicou os seus métodos empíricos à investigação de temas religiosos e filosóficos.</P>
<P> Explorou a questão da existência de Deus, a imortalidade da alma, o livre arbítrio e os valores éticos, como fonte da experiência religiosa e moral.</P>
<P> O método pragmático, desenvolvido a partir da análise do fundamento lógico das ciências, converte-se na base da avaliação de qualquer experiência.</P>
<P> O significado das ideias só pode ser analisado a partir das suas consequências.</P>
<P> Se não produzem efeitos as ideias não têm sentido As ideias metafisicas são desprovidas de sentido porque não podem ser comprovadas.</P>
<P> As teorias com significado, segundo Willian James, são aquelas que permitem resolver problemas que decorrem da experiência.</P>
<P> Carlos Fontes Navegando na Filosofia </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-25762">
<P>
Depois de pôr em fuga a guerrilha karen</P>
<P>
Birmânia prepara ataque ao «Rei do Ópio»</P>
<P>
João Carlos Silva</P>
<P>
O regime militar da Birmânia parece ter decidido utilizar em pleno as enormes somas que gasta em armamento. Infligiu derrotas pesadas à resistência karen, provocou um fluxo de refugiados para a Tailândia e prepara-se, tudo o indica, para se virar agora contra o «Rei do Ópio». As armas espalham por todo o território a autoridade de um regime que sufoca e reprime um dos países mais pobres do mundo.</P>
<P>
Militares tailandeses sugeriram ontem que o Exército da Birmânia está a preparar uma operação de grande envergadura contra os redutos no Nordeste do país controlados pelo «Rei do Ópio», Khun Sa.</P>
<P>
O comandante regional tailandês, coronel Charoen Netrpae, revelou que os seus soldados detectaram uma grande concentração de tropas birmanesas e que o objectivo parece ser um ataque às forças de Khun Sa. O coronel descreveu a operação como «iminente».</P>
<P>
O militar da Tailândia, segundo as declarações transcritas pela agência Reuter, não adiantou mais quanto ao porquê do ataque. É um facto que o regime militar birmanês se tem comprometido diversas vezes a eliminar Khun Sa e a sua força de guerrilheiros, o Exército Mong Tai, que serão talvez oito mil homens. Entre o final de 1993 e meados do ano passado, houve inclusive uma grande operação militar birmanesa contra Khun Sa, que, no entanto, acabou sem resultados.</P>
<P>
Mas, por outro lado, fontes da oposição ao regime birmanês dão como certa uma cumplicidade real entre as autoridades de Rangum e o «Rei do Ópio». Sarkis Istanbulyan, um empresário português que tem acompanhado as violações dos direitos humanos na Birmânia e está ligado em particular ao apoio dos refugiados da minoria étnica karen, assegurou ao PÚBLICO que os militares birmaneses «celebram pactos com o barão da droga Khun Sa e partilham os lucros da cultura da papoila e sua transformação em ópio e heroína».</P>
<P>
«Estes lucros são escandalosamente incorporados no `saco azul' do produto interno bruto [PIB] birmanês, a fim de financiar uma máquina militar cujo orçamento representa cerca de 60 por cento do PIB -- isto num dos países mais pobres do mundo. Institucionalizam assim o tráfico de droga e cometem um crime monstruoso contra toda a humanidade», acrescentou o empresário.</P>
<P>
As autoridades dos Estados Unidos, por exemplo, também não têm muitas dúvidas de que Khun Sa, 60 anos, seja um criminoso. Um tribunal norte-americano já o acusou de delitos de tráfico de droga, enquanto responsáveis de Washington o qualificam como um dos principais traficantes do mundo.</P>
<P>
Khun Sa e os seus homens controlam uma grande parte da região de produção de ópio conhecida como «Triângulo Dourado». Mas o senhor da guerra apresenta-se como um nacionalista shan, em combate com o Estado birmanês pela independência shan. Sobre as acusações de narcotráfico, responde candidamente que apenas se limita a deixar passar os traficantes de ópio pela região que controla, a troco de um imposto que serve para financiar o seu combate.</P>
<P>
Na verdade, porém, esta defesa de Khun Sa não é levada a sério por ninguém, muito menos a sua tentativa de se equiparar aos rebeldes da etnia karen, que há muitos anos travam luta contra os militares de Rangum.</P>
<P>
Esse combate sofreu esta semana um dos mais sérios reveses de sempre, quando os rebeldes karen perderam o seu último reduto em solo birmanês, a base de Kawmoora.</P>
<P>
Fazendo eco de relatos da resistência, o empresário Istanbulyan disse ao PÚBLICO que Kawmoora foi evacuada depois de ter estado durante semanas sob intenso fogo de artilharia birmanesa.</P>
<P>
Os karen indicaram que os seus mil homens em Kawmoora foram também alvo de obuses químicos que causaram vómitos e desmaios. Um militar tailandês afirmou, porém, à agência Reuter que, após investigar estas alegações, os seus homens não tinham conseguido provar a utilização de armas químicas.</P>
<P>
Os defensores da base karen retiraram-se para a Tailândia, atravessando o rio Mui, e aí foram desarmados pelo Exército tailandês e «devolvidos» à Birmânia, a território ainda em poder da sua guerrilha.</P>
<P>
Istanbulyan disse ao PÚBLICO que o número de refugiados karen na Tailândia «ronda neste momento os 80 mil, apenas apoiados por algumas organizações humanitárias». O empresário fez questão de realçar que «a sua permanência em território tailandês revela a atitude humana e tolerante da Tailândia que, baluarte democrático na região, nunca tem travado fluxos de refugiados de países vizinhos».</P>
<P>
A derrota karen em Kawmoora seguiu-se à perda, em 26 de Janeiro, do que era até então a sua capital, Manerplaw. As populações karen que fugiram estão instaladas em campos improvisados a cerca de 500 metros da fronteira.</P>
<P>
Os resistentes karen, segundo Istanbulyan, acusam o Exército birmanês de, «repetidamente, nas últimas duas semanas, bombardear com artilharia pesada e morteiros estes campos, matando civis e violando escandalosamente a soberania do território tailandês».</P>
<P>
Curiosamente, as autoridades birmanesas parecem apostadas em camuflar a sua operação militar contra os karen. Esta semana, por exemplo, asseguraram que o assalto a Kawmoora não foi obra do seu Exército, mas sim de um grupo dissidente budista dos karen.</P>
<P>
A União Nacional Karen tem uma componente maioritariamente cristã, e o grupo assaltante, segundo Rangum, seria o Exército Democrático Budista Kayin, uma dissidência.</P>
<P>
Esta alegação é rejeitada liminarmente pelos karen e pelos militares tailandeses: para ambos, não há dúvidas de que a operação foi realizada pelo Exército do regime, o mesmo que mantém sob prisão domiciliária, vai para três anos, a nobel da Paz Aung San Suu Kyi.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93988">
<P>
Grande Prémio de San Marino de Fórmula 1</P>
<P>
O dia da morte de Ratzenberger</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Manuel Abreu, em Ímola</P>
<P>
Roland Ratzenberger morreu ontem, depois de bater a cerca de 300 km/h nos treinos de qualificação para o GP de S. Marino. Williams, Benetton, Sauber e Simtek não voltaram à pista, enquanto aumentavam as críticas às condições de segurança do circuito de Ímola. Para a corrida de hoje, Senna parte na frente.</P>
<P>
O austríaco Roland Ratzenberger, 31 anos, morreu ontem no hospital Principal de Bolonha, depois de se ter despistado e batido contra um muro de protecção, a cerca de 300 km/h, durante o segundo treino de qualificação para o Grande Prémio de S. Marino, a terceira prova do «Mundial» de Fórmula 1 de 1994. Este é o primeiro acidente mortal durante um GP de F.1 desde 1982, ano em que morreram Gilles Villeneuve (treinos para o GP da Bélgica) e Riccardo Paletti (partida do GP do Canadá).</P>
<P>
O piloto da Simtek-Ford tinha-se estreado este ano na F.1, não conseguindo qualificar-se para o GP do Brasil, mas cumprindo todo o GP do Pacífico, onde terminou no 11º lugar. Ontem, ocupava o 25º lugar da grelha provisória quando saiu para a pista à procura de um melhor tempo, acabando por não resistir às várias paragens cardíacas que sofreu após o acidente. Ratzenberger iniciava a aproximação à curva Villeneuve quando perdeu o controlo do seu monolugar -- terá ficado sem apoio aerodinâmico quando, presume-se, se soltou uma parte da asa da frente --, embatendo violentamente num muro de protecção, quase de frente.</P>
<P>
Quando o carro se imobilizou, o piloto austríaco estava já inconsciente, sendo assistido pelos médicos presentes no local, que de seguida iniciaram uma série de massagens cardíacas. Um pouco mais de vinte minutos mais tarde, já depois de ter passado pela enfermaria do circuito, Ratzenberger foi transportado num helicóptero-ambulância para o hospital Principal de Bolonha, onde morreu oito minutos depois da entrada.</P>
<P>
Natural de Salzburgo, solteiro, o piloto austríaco tinha começado a sua carreira pela F. Ford, em 1983, passando depois pela F. 3, F. 3000 e Turismo, mas considerava como experiência mais importante os seus primeiros testes com um monolugar de F. 1 -- neste mesmo circuito Enzo e Dino Ferrari.</P>
<P>
Segurança posta em causa</P>
<P>
Após o acidente, e ainda antes que fosse conhecido o seu trágico desfecho, várias equipas decidiram não voltar à pista para completar o treino de qualificação (uma hora), interrompido aos 18 minutos. Cerca de 45 minutos mais tarde, os restantes pilotos puderam então regressar à luta por um lugar na grelha, mas não sem que antes fossem levantadas algumas questões quanto às actuais condições de segurança do circuito de Ímola e dos próprios monolugares de F.1. De acordo com alguns especialistas, os carros de F.1 precisam de um sector deformável na sua estrutura, para evitar que o corpo do piloto absorva toda a energia libertada em caso de embate.</P>
<P>
O piloto brasileiro esteve ontem no circuito, e hoje deve assistir à corrida na «boxe» da Jordan. Já sorridente, Rubinho tinha ainda bem visíveis as marcas dos ferimentos -- cortes no rosto, o nariz partido, para além de uma costela fracturada. De acordo com o médico que o assistiu no hospital de Bolonha, o piloto brasileiro precisa de 25 dias para recuperar -- o que o deixaria de fora o GP do Mónaco, a disputar no próximo dia 15, e traria um novo problema para a equipa, que já tem Andrea de Cesaris a substituir Eddie Irvine, suspenso até ao dia 16.</P>
<P>
«Pole» para Senna</P>
<P>
O acidente de Ratzenberger condicionou grande parte dos treinos, quer porque algumas equipas decidiram não voltar à pista, quer pela reacção de alguns pilotos e técnicos. O piloto austríaco, embora há pouco tempo no «circo», tinha já feito muitos amigos.</P>
<P>
Como nas duas corridas anteriores, Ayrton Senna parte da «pole-position» (com o tempo de sexta-feira, já que ontem não chegou a rodar), tendo a seu lado na primeira linha o alemão Michael Schumacher (que entrou também no segundo 21).</P>
<P>
Da segunda fila partem Gerhard Berger e Damon Hill, com JJ Lehto e Nicola Larini a fechar o grupo dos seis primeiros -- onde estão os dois Williams, os dois Benetton e os dois Ferrari. Destaque ainda para a boa colocação dos dois Sauber Mercedes, com Frentzen (que só fez o treino de qualificação de sexta-feira) no sétimo lugar e Wendlinger no 10º posto.</P>
<P>
De acordo com os tempos obtidos nas duas sessões de qualificação, ficam de fora deste GP de S. Marino Rubens Barrichello (Jordan-Hart) e Paul Belmondo (Pacific-Ilmor). No entanto, aguardava-se que a Simtek-Ford retirasse a inscrição de Ratzenberger na corrida, o que abriria lugar para a primeira participação de Belmondo no «Mundial» deste ano.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-86514">
<P>
Crianças sem mãos na Alemanha</P>
<P>
A oposição social-democrata alemã (SPD) pediu ontem ao Governo um relatório sobre o número anormalmente alto de bebés nascidos sem mãos nos últimos anos perto das costas do Mar do Norte. Os casos, noticiados esta semana pela estão de televisão ARD, «são tão assustadores que o Bundestag [parlamento] deve informar-se os mais depressa possível sobre este assunto e descobrir-lhe as causas», declarou o porta-voz para o ambiente do grupo parlamentar do SPD, Michael Mueller. O SPD pretende a criação de um registo nacional de recenseamento dos casos de doenças cancerosas e outras doenças graves «para evitar que casos similares não venham a ser dissimulados do futuro», acrescentou, em comunicado. A televisão pública ARD revelou quarta-feira ter encontrado 20 casos de crianças vítimas de malformações nos braços e das mãos ao longo das costas do Mar do Norte, um terço dos quais na região industrial de Wilhesmshaven.</P>
<P>
Presos mais raptores de Fortaleza</P>
<P>
Nove dos 14 amotinados em fuga da prisão de Fortaleza, autores na terça-feira da tomada de 11 reféns, incluindo a arcebispo daquela cidade brasileira, o cardeal Aloísio Lorscheider, foram já capturados, anunciou a polícia. Um dos fugitivos morreu em tiroteio com a polícia e outro ficou ferido. Logo na quinta-feira de manhã, dois dos amotinados, que retiveram os reféns mais de 20 horas antes de os libertar, tinham-se rendido na região da Serra Azul, a 170 quilómetros de Fortaleza, capital do Ceará, uma zona acidentada e florestal onde se tinham escondido. Outros dois foram apanhados ao princípio da noite, na mesma região, quando se escondiam atrás de uma encosta escarpada da montanha. Os restantes seriam presos ontem, procurando a polícia os últimos cinco fugitivos.</P>
<P>
Compra do «The Independent» concluída</P>
<P>
O Governo britânico levantou ontem o último obstáculo à recompra do jornal «The Independent» -- que atravessa dificuldades financeiras -- pelo consórcio conduzido pelo grupo Mirror, que se salvou da divisão do império Maxwell para se lançar à conquista de órgãos de comunicação social. Invocando a «urgência» provocada pela descalabro das finanças do diário, o ministro do Comércio e da Indústria, Michael Heseltine, decidiu não submeter a transacção à comissão das fusões e monopólios, quando esta já foi aprovada por Bruxelas. O Mirror Group Newspapers (MGN) e os seus associados ganharam assim o braço-de-ferro que mantinha desde Fevereiro com o magnata irlandês da imprensa Tony O'Reilly, também presidente do grupo agro-alimentar Heinz, que tinha lançado uma contra -- OPA (Operação Pública de Aquisição) para tentar apoderar-se da Newspaper Publishing, a sociedade editora do «The Independent».</P>
<P>
Turquia reabre Bósforo</P>
<P>
A Turquia reabriu ontem parcialmente o estreito do Bósforo, encerrado desde o acidente com um petroleiro no domingo, dizendo que o fogo a bordo do navio já foi extinto e que o mau tempo no Mar Negro estava a pôr em risco os navios que aguardavam a passagem pelo estreito para o Mar Egeu, passando por Istambul. O Governo de Ancara anunciou oficialmente que vai acelerar os planos para instalar um sistema de navegação que custa cem milhões de dólares (cerca de 17,8 milhões de contos ao câmbio actual), a instalar nos estreitos do Bósforo e do Dardanelos e no pequeno Mar de Marmara, que separa os estreitos e, ainda, que vai impor novas regras de segurança a partir de 1 de Julho.</P>
<P>
Mafioso preso em Filadélfia</P>
<P>
Um notório chefe da mafia norte-americana, John Stanfa, foi preso quinta-feira em Filadélfia (estado da Pensilvânia) com 11 outras pessoas, anunciou o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos. A captura trata-se de uma importante vitória do FBI, confrontado desde há vários meses com uma luta sangrenta pelo controlo do mundo do crime em Filadélfia e no sul de Nova Jersey. No quadro deste caso foram inculpadas 24 pessoas, estando três delas ainda em fuga. Segundo o auto de acusação, Stanfa terá ordenado dois homicídios e uma tentativa de homicídio no ano passado no decorrer de uma batalha de clãs em que morreram pelo menos cinco homens e outros cinco foram feridos, em 15 meses.</P>
<P>
«Casa do horror»: nona acusação oficial</P>
<P>
O proprietário da «casa do horror» de Gloucester foi ontem acusado oficialmente do homicídio do último de nove corpos de jovens mulheres descobertos no número 25 da Cromwell Street, informou ontem a polícia britânica. Contrariamente à maioria das precedentes, a nona vítima de Frederick West, construtor civil de 52 anos, já foi identificada: trata-se da adolescente Carol Cooper, desaparecida aos 15 anos em 1973, que fora vista pela última vez por um amigo a entrar num autocarro em Worcester, cidade situada a cerca de 50 quilómetros de Gloucester. Depois de ter declarado que mais nenhum esqueleto deverá ser encontrado na Cromwell Street, a polícia prossegue as escavações em três outros locais onde West habitou.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-73906">
<P>
Raptado o ministro ugandês da Saúde</P>
<P>
O «kabaka» do Buganda por trás da guerrilha</P>
<P>
O MINISTRO ugandês da Saúde, James Makumbi, e dois amigos foram raptados na noite de sexta-feira, aparentemente por um grupo rebelde, perto de Kasangati, 16 quilómetros a nor-noroeste da capital, Kampala, anunciou ontem o jornal estatal «Sunday Vision».</P>
<P>
Segundo a polícia, o motivo do rapto teria sido «político»; e toda a gente sabe que os ataques de elementos rebeldes federalistas se têm sucedido estes últimos meses na região de Kasangati, designadamente visando esquadras, de onde são levadas armas e uniformes da polícia.</P>
<P>
Os guerrilheiros afirmam bater-se pelo restabelecimento de um sistema político federal, tal como havia em 1963, quando o «kabaka» (rei) do Buganda passou a ser também Presidente do Uganda, ficando Milton Obote como primeiro-ministro.</P>
<P>
Em 1967, depois de ter deposto o kabaka Mutesa II e de o enviar para o exílio, Obote assumiu ele próprio a Presidência e acabou com os reinos tradicionais, que eram essencialmente o Buganda, o Bunyoro, mais a norte, Toro e Ankole, a ocidente.</P>
<P>
Milton Obote veio a ser deposto em 1971 por Idi Amin, o militar de quem se servira para mandar expulsar o kabaka do seu palácio, mas voltou à Presidência no fim de 1980, pela via eleitoral, para mais uma vez ser afastado pelo Exército, em 1985.</P>
<P>
O Uganda, 235.880 quilómetros quadrados a sul do Sudão, já conheceu sete chefes de Estado nos últimos 33 anos, sendo o actual, Yoweri Museveni, o que detém o recorde do poder, pois que o conquistou em Janeiro de 1986, por afastamento do general Tito Okello.</P>
<P>
Um povo de elite</P>
<P>
Depois da relativa tranquilidade em que tem vivido Museveni, chefe do Movimento de Resistência Nacional, surge agora de novo a controvérsia sobre os velhos reinos, à volta dos quais a Grã-Bretanha estabeleceu há um século o seu protectorado, constituindo o Uganda, em certa medida para deter o fervor islâmico que soprava do norte, vindo do Sudão.</P>
<P>
O Presidente reconheceu nos últimos dois anos a existência de tais entidades, mas avisou os soberanos de que se devem contentar com um papel meramente formal, de herança cultural, sem quererem exigir poderes políticos, para não mergulhar de novo o país no caos.</P>
<P>
O povo do Buganda, os bugandeses, apenas representa 16 por cento da população total do Uganda, mas teve durante muito tempo neste espaço um papel de elite algo comparável ao que desde há séculos é desempenhado pelos tutsis no Ruanda e no Burundi.</P>
<P>
Ontem, um homem que disse pertencer ao Exército Democrático Nacional (NDA, sigla em inglês), que começara por se apresentar há três meses na região de Luwero, 65 quilómetros a norte da capital, afirmou pelo telefone à agência Reuter que os rebeldes vão aumentar os seus ataques às posições governamentais.</P>
<P>
O autor do telefonema alegou que se trata de um protesto contra o facto de o poder central haver rejeitado as propostas de larga autonomia para o Buganda [algo de comparável ao que, na África do Sul, o partido Inkatha pede para a província do Kwazulu/Natal].</P>
<P>
O Lukiko do Buganda, instituição que no início deste século os ingleses julgaram comparável ao Parlamento de Westminster, mas a que Kampala não quer atribuir grande importância, aprovara tais propostas, dentro de um espírito de resistência que desde há muitas décadas é patente na aristocracia que rodeia o kabaka.</P>
<P>
O que se passa hoje em dia no Uganda é o que, ao longo da História, se tem verificado noutras partes da África: o choque entre estruturas político-sociais por vezes com bem mais de 200 anos de existência e novas realidades surgidas com o período colonial e a descolonização.</P>
<P>
«Todas as instalações militares do país vão ser alvo dos nossos ataques. Atacaremos até que sejam razoáveis e fiquem de joelhos», disse o homem que telefonou à Reuter e que se apresentou como general do Exército monárquico.</P>
<P>
Quanto ao próprio kabaka, Ronald Mutebi, entronizado em 31 de Julho de 1993, tem-se mantido calado quanto ao controverso problema do federalismo. Ou seja, da escolha entre um Uganda unitário e um Buganda dotado de vastos poderes autonómicos. Jorge Heitor</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-Ren_2001_6414"> 
<P> Uma alteração num único gene é capaz de transformar um vírus inofensivo no agente causador de uma gripe mortal. A descoberta, segundo pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), poderá levar à compreensão de como as epidemias da doença surgem e qual a melhor forma de combatê-las. </P>
 <P> A equipe liderada por Yoshihiro Kawaoka analisou amostras do H5N1, o vírus influenza que, em 1997, matou 6 das 18 pessoas infectadas, em Hong Kong. </P>
 <P>Essas amostras foram inoculadas em camundongos e, de acordo com os sintomas apresentados pelos animais, foram divididas em dois grupos.</P>
 <P>O primeiro grupo causava uma forma de infecção letal, matando os camundongos, e o segundo provocava apenas problemas respiratórios como sintomas.</P>
 <P> Para descobrir a razão dessa diferença, Kawaoka usou uma estratégia de "engenheirar" os vírus, trocando genes entre as linhagens virais. Desse modo, conseguiu identificar qual deles era o responsável pela maior capacidade de infecção do influenza. </P>
 <P> "Uma mudança de apenas uma base [letra] no gene PB2 [que resultou na modificação de um aminoácido na proteína por ele codificada] parece ser a causa da virulência do influenza", explica. </P>
 <P> Os cientistas ainda não sabem exatamente qual o papel do PB2, mas ele parece codificar uma enzima responsável pela indução de um número maior de partículas virais nas células infectadas. </P>
 <P> O estudo do grupo de Kawaoka está na edição de hoje da revista científica " Science ". </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-47749">
<P>
S-Queda avião</P>
<P>
Primeiro desastre aéreo do ano causa 120 mortos</P>
<P>
Tupolev despenha-se na Sibéria</P>
<P>
Era meio-dia local de ontem (4h00 em Portugal) quando o comandante do Tupolev -154, que acabava de deixar o aeroporto de Irkutsk, anunciou que ia regressar, pois incendiara-se-lhe um dos motores do avião. Não conseguiu realizar a manobra. Parece que ainda tentou uma aterragem de emergência, mas o avião acabou em chamas num campo gelado de neve. Estava a 20 km. de Irkutsk, cidade de 650 mil habitantes e capital distrital de uma região siberiana vizinha do lago Baikal.</P>
<P>
A bordo do avião seguiam 120 pessoas, das quais nove pertenciam à tripulação. Entre os passageiros, cuja maioria era russa, contavam-se dez alemães, quatro mongóis, um austríaco, um indiano e uma japonesa. Havia ainda um bebé. «Não há um único sobrevivente», comunicou Yekaterina Glebova, porta-voz do departamento estatal russo para situações de emergência. Por isso, acrescentou, um avião especial, equipado para prestar socorro em regiões geladas, que chegou a ser activado em Moscovo, acabou por ficar em terra.</P>
<P>
Um outro relato sobre o desastre é o de Alexandre Kamentsky, responsável pelo serviço de defesa civil da região do Irkutsk, que chefiou a equipa que se deslocou ao local onde o avião se despenhou. Segundo as declarações que fez à Reuter, todos os corpos estavam carbonizados, embora a graus diversos: «50 eram reconhecíveis, dez outros estavam totalmente carbonizados, enquanto os restantes foram destroçados pela explosão».</P>
<P>
A causa do acidente parece estar no incêndio que se declarou num dos motores. Mas há uma diferença de apreciação entre Kamentsky e Yekaterina Glebova quanto à queda do aparelho, que pertencia à companhia aérea de Irkutsk. Para a porta-voz do departamento estatal, o piloto, depois de anunciar que ia fazer meia-volta, ainda fez saber que perdera o controlo do avião e foi quando este explodiu.</P>
<P>
A versão do responsável local da defesa civil é a de que o avião não explodiu no ar. Incendiou-se, de facto, um dos motores e o piloto tentou regressar à base. Não tendo conseguido controlar as chamas, que se propagaram aos outros motores, tentou a aterragem de emergência num campo gelado, perto de uma aldeia que dista 20 km. de Irkutsk. A aterragem foi trágica, pois o avião, que se dirigia a Moscovo, levava os tanques cheios de combustível e incendiou-se no contacto com o solo. A versão de Kamentsky afasta a hipótese de um atentado, que a porta-voz governamental também não considerara, mas era um cenário possível numa explosão nos ares.</P>
<P>
O Tupolev sinistrado tinha uma capacidade para 124 a 164 passageiros e uma autonomia de voo de seis mil km. Irutsk dista 4100 km de Moscovo, rota de destino do aparelho que se despenhou.</P>
<P>
Lusa, Reuter e France Presse</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21124">
<P>
Presidente Zéroual vence eleições na Argélia com 58 a 66 por cento dos votos</P>
<P>
O triunfo absoluto do regime</P>
<P>
Não é exactamente uma surpresa: a primeira estimativa das eleições presidenciais argelinas indica a vitória, por maioria absoluta, do chefe de Estado, Liamine Zéroual, com 58 a 66 por cento dos votos. Em segundo lugar surge o candidato anti-islamista Said Saadi, com uma votação entre os 14 e os 19 por cento, seguido pelo islamista moderado Mahfoud Nahnah (13 a 18,5 por cento) e finalmente Nouredine Boukrouh (cinco a nove por cento). Esta estimativa, com uma margem de erro de seis por cento, foi anunciada pela rádio argelina às 19h00, altura em que deveriam ter fechado as urnas.</P>
<P>
Mas os responsáveis argelinos tinham anunciado algum tempo antes que as assembleias de voto permaneceriam abertas durante mais duas horas, em determinadas cidades, devido à «grande afluência» de eleitores: 65,54 por cento às 18h00, segundo informações do Ministério do Interior. A confirmar-se este número, as eleições presidenciais argelinas foram uma vitória do regime e uma estrondosa derrota da oposição que apelara ao boicote do escrutínio.</P>
<P>
Dois dos principais partidos argelinos, a Frente de Libertação Nacional (FLN) e a Frente das Forças Socialistas (FFS), recusaram-se a participar nas eleições, enquanto a ilegalizada Frente Islâmica de Salvação (FIS) estava impedida de o fazer. Mas, aparentemente, o povo argelino ignorou os apelos ao boicote por parte destas forças políticas e até as ameaças de morte dos grupos islâmicos armados.</P>
<P>
«Voto para acabar com o massacre», afirma Mohamed, 40 anos. «Voto para provar que as ameaças terroristas não funcionam», diz uma jovem. «Vim votar para que o país possa sair da crise e eu possa participar na construção do futuro para os meus filhos», afirma um idoso. Estas são frases recolhidas por jornalistas das agências noticiosas internacionais que se encontram em Argel para cobrir as eleições presidenciais. Mostram o que é que levou milhões de pessoas a sair ontem à rua para votar, apesar das ameaças de morte dos grupos armados. A vontade dos argelinos de sair da crise que se prolonga desde Janeiro de 1992 -- altura em que os militares cancelaram as eleições legislativas para impedir a vitória da FIS -- é mais forte do que a ameaça de morte.</P>
<P>
Mas os relatos dos jornalistas revelam também que vencer os medos não é fácil. A maior parte dos inquiridos recusa-se a revelar o nome e alguns contam como passaram uma e duas vezes em frente da assembleia de voto até arranjarem coragem para entrar. Muitos decidiram-se a sair de casa só depois de terem visto que os vizinhos já tinham ido votar.</P>
<P>
«Tantas mulheres»</P>
<P>
«É a primeira vez que vejo tantas mulheres», comenta um habitante de Bab el Oued, um dos bastiões islamistas de Argel. A elevada participação das mulheres -- que votavam separadas dos homens -- surpreendeu muita gente. E em certos locais foi preciso explicar aos eleitores que queriam votar pelas esposas ou irmãs que não o podiam fazer a menos que tivessem uma procuração. «No tempo do partido único podíamos votar pela nossa mulher. Até em 1991 isso era possível», afirma um homem. As eleições foram também uma oportunidade para reencontros entre famílias que não se viam à meses, porque a violência obrigou muita gente a mudar-se para outros bairros.</P>
<P>
Para tranquilizar as pessoas e garantir que a afluência às urnas seria elevada, o regime instalou um impressionante dispositivo de segurança. Em Argel foram montados postos de controlo nas principais ruas e avenidas, enquanto um helicóptero sobrevoava continuamente a cidade desde a madrugada. Por todo o lado se viam os «ninjas», as unidades de choque, com as caras escondidas por gorros de malha e metralhadoras ao ombro. Eram cerca de 16 milhões os eleitores inscritos junto das 33 mil mesas de voto que às 8h00 abriram por toda a Argélia.</P>
<P>
A primeira reacção da FIS ao anúncio da elevada afluência de votantes surgiu, entretanto, em Bona. Num comunicado enviado à agência Reuter, um representante do movimento garantiu que a afluência foi muito inferior à anunciada pelo Ministério do Interior. Citando fontes de confiança, tanto no Ministério como nos departamentos regionais, a FIS afirmou que às 15h00, quando as autoridades anunciavam uma participação de 45,83 por cento, na realidade esta não ultrapassava os 26,3. As eleições decorrem sob a supervisão de uma centena de observadores da Liga Árabe, da ONU e da Organização de Unidade Africana (OUA).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17095">
<P>
Conselho de Segurança da ONU</P>
<P>
Renamo deve «reexaminar decisão»</P>
<P>
O Conselho de Segurança das Nações Unidas lançou um apelo a Afonso Dhlakama para que recue na decisão de boicote eleitoral. «Os membros do Conselho de Segurança pediram-me que lhe peça com veemência para reexaminar a sua decisão de retirar a Renamo das eleições em curso» -- diz uma declaração do presidente em exercício do Conselho, o britânico David Hannay, dirigida ao líder da Renamo. «... Peço ao seu partido que não ponha em perigo esta oportunidade».</P>
<P>
Butros Butros-Ghali</P>
<P>
«O processo deve continuar»</P>
<P>
O secretário-geral das Nações Unidas, Butros Butros-Ghali, afirmou que as eleições em Moçambique «devem prosseguir como previsto», sendo «essencial que as partes honrem completamente os seus compromissos a este respeito». Numa declaração transmitida pelo seu porta-voz em Nova Iorque, Butros-Ghali assinalou, face às questões levantadas pela Renamo, que «existe um mecanismo para examinar» esses problemas. E deixou ainda o desejo de que possa assistir-se a uma «conclusão satisfatória» das eleições, termo de processo «em que a comunidade internacional e a ONU tanto investiram».</P>
<P>
União Europeia</P>
<P>
«Explicações não são convincentes»</P>
<P>
A presidência alemã da União Europeia apelou à Renamo para participar nas eleições, manifestando preocupação e alarme pela anunciada renúncia. «As explicações dadas pela Renamo, apenas algumas horas antes da abertura do escrutínio, segundo as quais a Comissão Nacional de Eleições não pode garantir eleições livres, não são convincentes. Mas de dois mil observadores das Nações Unidas e da União Europeia vigiam o bom desenrolar destas eleições». Sublinha a nota: «Apesar de inevitáveis problemas de logística, as condições nunca foram melhores para a realização de eleições honestas e livres em Moçambique».</P>
<P>
Mário Soares</P>
<P>
«Esperemos que não se regresse a um plano militar»</P>
<P>
O Presidente Mário Soares qualificou de «muito preocupante» a situação em Moçambique, mas afirmou esperar que as complicações «se mantenham no plano político e não se regresse ao plano militar, como sucedeu em Angola». «É um mau caminho se as coisas continuarem neste pendor» -- declarou Soares, considerando «extremamente desagradável» a decisão da Renamo. Mas, «parece que as pessoas querem votar e estão a votar (...), felizmente não há violência. A situação (...) é pacífica e isso é positivo». O Presidente escusou-se a comentar as razões da Renamo -- «a esta distância não acompanhei suficientemente o processo» -- mas assinalou que foi preferível o anúncio do boicote antes do que depois das eleições. E acrescentou que a melhor forma de os países africanos fazerem a transição para a democracia é assegurar ao perdedor uma parte do poder, como sucedeu na África do Sul. Disse ter tentado, sem êxito, convencer os partidos em Moçambique a aceitarem um tal acordo.</P>
<P>
Cavaco Silva</P>
<P>
Que «tudo corra bem»</P>
<P>
O primeiro-ministro Cavaco Silva limitou a sua primeira reacção a formular votos para que «tudo corra bem» em Moçambique, dizendo que o seu Governo estava em contacto com Maputo. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Durão Barroso, declarou, segundo a agência Lusa, estar em permanente contacto com a ONU e os observadores portugueses. «É útil que se concretizem as eleições logo que se reúnam as condições técnicas. Esta parece-me ser a questão polémica» -- disse o ministro, para quem estão reunidas todas as condições para a realização de um acto eleitoral justo.</P>
<P>
África do Sul</P>
<P>
«Não podemos permitir-nos outra Angola»</P>
<P>
O vice-Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, anunciou que o seu governo estava em contacto com todas as partes moçambicanas para garantir que «todos se mantenham no processo e que todos reconheçam o resultado». «Esperamos -- acrescentou -- ser bem sucedidos, porque claramente, enquanto país, não podemos permitir-nos ter outra Angola à nossa porta». A rádio sul-africana, citando um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, sublinhou que o país não vai envolver-se militarmente em Moçambique, prestando, sem necessário, ajuda humanitária.</P>
<P>
Estados Unidos</P>
<P>
«Que todos participem»</P>
<P>
Os Estados Unidos, através da sua embaixada em Maputo, pediram à Renamo que voltasse atrás na sua decisão «profundamente preocupante». «Esperamos que [as conversações entre a Renamo e a Comissão Nacional de Eleições] possam resultar numa conclusão rápida e com êxito. As estações de voto estão abertas. Os eleitores estão a votar e as eleições decorrem como previsto. É firme desejo dos Estados Unidos que todos os partidos participem nestas eleições e aceitem pacificamente os resultados».</P>
<P>
Zimbabwe</P>
<P>
Robert Mugabe esperançado</P>
<P>
O Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, indicou que Afonso Dhlakama tinha indicado que poderia «regressar» às eleições se as suas queixas fossem atendidas. «Estamos contentes por Dhlakama não ter eliminado completamente a hipótese de participar, mas ele condiciona a sua participação a condições mais transparentes e favoráveis a todos» -- disse Mugabe em conferência de imprensa. O Presidente zimbabweano revelou que um elemento do seu governo tinha estado em contacto com Dhlakama. Mugabe manifestou-se desapontado com a decisão da Renamo e exortou o líder da Renamo a participar nas eleições, por isto ser no seu interesse e no de Moçambique. Mas também pediu às autoridades eleitorais moçambicanas que examinem as queixas de Dhlakama, especialmente as relacionadas com alegações de que havia poucas estações abertas em áreas controladas pela Renamo. Mugabe foi contactado pelo Presidente do Botswana, Ketumile Matsire, que disse estar «extremamente preocupado». Outro país da África Austral, a Namíbia, pediu à Renamo para reconsiderar.</P>
<P>
Angola</P>
<P>
O pessimismo do «dejá vu»</P>
<P>
O MPLA, no poder em Angola, cujo apoio à Frelimo é total, apontou para a coincidência de comportamentos entre a UNITA e a Renamo, num dia em que surpresa e pessimismo dominaram as reacções dos meios políticos angolanos. Mas o Partido Democrático Angolano surpreendeu, ao pedir aos angolanos de todos os credos um minuto de meditação pelo futuro tranquilo de Moçambique</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-74313">
<P>
Birmânia</P>
<P>
Diálogo com Aung San</P>
<P>
A JUNTA militar birmanesa, que esta semana vai receber uma delegação do governo norte-americano empenhada na defesa dos direitos humanos, confirmou ontem a sua vontade de encetar um diálogo político com a sua principal adversária, Aung San Suu Kyi.</P>
<P>
Durante três horas, o homem forte da junta, o general Khin Nyunt, conferenciou «de maneira franca e cordial» com aquela Prémio Nobel da Paz, segundo um comunicado lacónico lido à população pela rádio e pela televisão.</P>
<P>
As conversações versaram «a situação política e económica actual» da Birmânia, acrescenta o texto, sem dar pormenores.</P>
<P>
Como acontecera depois de uma primeira reunião, no dia 20 de Setembro, os habitantes da capital birmanesa, Rangum, esgotaram os exemplares da imprensa oficial, a única autorizada, onde o anúncio ocupava as primeiras páginas.</P>
<P>
«Não se saltava de alegria, mas toda a gente estava muito contente», declarou um diplomata ocidental a quem a agência France Presse telefonou a partir da vizinha Tailândia.</P>
<P>
«Não é apenas poeira nos olhos, é mesmo a sério», acrescentou o diplomata, a propósito dos contactos da junta com Aung San.</P>
<P>
A realização das conversas consagra a destacada adversária do regime, que está com residência fixa desde Julho de 1989, no seu papel de interlocutora obrigatória dos militares, dizem alguns observadores da cena birmanesa.</P>
<P>
A junta está a ser alvo de numerosas pressões internacionais a favor da libertação de Aung San Suu Kyi, de 49 anos, filha do homem que conseguiu a independência, Aung San, e líder da Liga para a Democracia, vencedora clara das eleições de 1990, logo a seguir ignoradas pelos generais.</P>
<P>
O nome da junta</P>
<P>
Desde há meses, o Conselho de Estado para a Restauração da Lei e da Ordem (SLORC, tal é o nome oficial da junta) está empenhado numa política de liberalização económica prudente, para reabilitar uma economia devastada por mais de 30 anos de regime militar.</P>
<P>
Uma recente condenação a 15 anos de cadeia de um antigo funcionário da ONU e a sete anos de três outros birmaneses que tinham «documentos antigovernamentais» veio no entanto recordar que os generais não tencionam ceder facilmente terreno à oposição.</P>
<P>
A maior parte dos observadores calculam que as discussões entre a junta e a sua adversária fazem admitir uma solução «à chilena», baseada numa retirada progressiva e condicional dos militares da vida pública, com protecção dos seus interesses, designadamente dos económicos.</P>
<P>
O reatar do auxílio internacional à Birmânia está ligado, designadamente, a um abrandamento do regime em matéria de direitos humanos, domínio no qual o seu historial é considerado dos mais negativos.</P>
<P>
O diálogo ontem conhecido durou o dobro do primeiro e teve aparentemente um aspecto menos protocolar, segundo o diplomata citado pela France Presse.</P>
<P>
O general Khin Nyunt, chefe dos serviços secretos militares e primeiro secretário do SLORC, estava acompanhado pelos generais Than Oo e Tin Aye, que ocupam igualmente altos cargos nas Forças Armadas.</P>
<P>
Pouco depois, sabia-se que Rangum aguarda a chegada de alguns altos funcionários da secretaria de Estado e do Conselho norte-americano de Segurança, empenhados no respeito dos direitos humanos, na democracia e na luta contra as drogas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-86295">
<P>
O Britannia, iate de 125 metros de comprimento e 5769 toneladas de peso bruto para serviço da família real britânica, está, desde ontem às 7h00 atracado na doca de Alcântara, em Lisboa, para participar naquilo a que os ingleses chamam os «Sea Days» -- dias dedicados a seminários e encontros com o objectivo de promover os negócios além-mar das companhias e industriais do reino.</P>
<P>
Por cá, o motivo da visita foi o da transferência da embaixada britânica da Rua de S. Domingos, à Lapa, para as novas instalações na Rua de S. Bernardo, por detrás do Jardim da Estrela, a serem inauguradas dia 27 pelo ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Douglas Hurd.</P>
<P>
No navio vai decorrer ainda um seminário intitulado «Britain Towards 2200», em que participará o actual secretário de Estado do Comércio, Antony Nelson, e vários representantes de companhias britânicas. Quem não foi convidado pode pelo menos apreciar o barco que em 1953 veio substituir o velho HMY Victoria and Albert e que, de então para cá, já percorreu mais de um milhão de milhas marítimas (1,85 milhões de quilómetros).</P>
<P>
LL01-Presos-AH¨ CDr 6539</P>
<P>
Presidiários começaram a trabalhar na recolha do lixo em Lisboa</P>
<P>
Sete homens à prova no convento</P>
<P>
Ana Henriques</P>
<P>
A antiga prisão feminina das Mónicas está neste momento a albergar reclusos que trabalham durante o dia para a Câmara de Lisboa e ali vão dormir à noite. A burocracia faz com que ainda não passem de sete os homens que lá vivem. Mas todos se mostram satisfeitos com a experiência, que começou há duas semanas.</P>
<P>
Aos 35 anos, Rui está prestes a terminar a quarta pena de prisão. «Faltam três meses e meio para sair», diz Rui, fazendo rapidamente as contas, com ar de quem já não liga tanto a isso como dantes.</P>
<P>
Com tudo o que tem visto da vida, Rui ainda não percebeu muito bem o que lhe aconteceu de há duas semanas a esta parte, quando começou a trabalhar para a Câmara de Lisboa, em regime aberto, com mais seis colegas de prisão. Certo, certo, é que todas as manhãs uma velhota da rua que varre vai ter com ele e pede que lhe venda a vassoura, que lhe dava muito jeito em casa. «Eu cá vou-a empatando, digo que ainda não sei o preço da vassoura.» Os outros seis rebentam à gargalhada ao ouvir a história. Há um que conta que o dono de um café lhe costuma oferecer a bica.</P>
<P>
Sem saber da sua condição de reclusos, os lisboetas das áreas para onde estes homens foram destacados tratam-nos como a qualquer «almeida». E não são só os moradores que têm uma atitude amigável. Avisados da sua presença, os outros varredores da Câmara não mostraram qualquer hostilidade. «Receberam-nos de braços abertos. Dois de nós até já se inscreveram na equipa de futebol da autarquia», diz Luís, o líder natural do grupo.</P>
<P>
Os sete homens, que têm idades entre os 24 e os 35 anos e estavam detidos na Penitenciária de Lisboa, vivem agora na cadeia das Mónicas, na Graça. O antigo convento do séc. XV chegou a ser reformatório para depois se tornar conhecido como cadeia de mulheres. Aqui viveu D. Branca quase até ao fim dos seus dias. Costumava sentar-se num banco de pedra do primeiro andar que dá para o pátio interior.</P>
<P>
A ser alvo de pequenas reparações, o convento está neste momento exclusivamente dedicado a este projecto de reinserção social dos reclusos, que beneficiam de um regime especial que lhes permite andar em liberdade a maior parte do dia.</P>
<P>
Na Penitenciária era o Vietname</P>
<P>
O dia começa cedo, que o trabalho é para pegar às 7h45. Vassoura numa mão, pá e carrinho na outra, lá vão eles pelos «cantões» -- é o nome que a Câmara dá às zonas -- que lhes foram distribuídos. O almoço é cozinhado por uma empregada da autarquia -- fica mais barato que na cantina e há muitos funcionários que recorrem a este expediente, explicam os homens -- e a saída é às 16h30. Até às 19h00, hora a que têm de se apresentar sem falta aos portões do convento, são homens livres. Podem fazer o que lhes apetecer.</P>
<P>
«Podia ser melhor pago, mas vale a pena», diz um deles. Foi-lhes prometido o salário mínimo nacional e a maioria está entusiasmada. Depois de cumprirem a pena têm a possibilidade de ingressar nos quadros da Câmara. Fica resolvido o problema do emprego que o cadastro lhes nega. Quando viviam na Penitenciária, trabalhavam como pintores ou nas obras no interior da prisão. «Ia-se fazendo qualquer coisa... Via-se televisão...» Dois deles frequentavam o 9º ano, que é o nível de escolaridade mais elevado neste grupo.</P>
<P>
Numa coisa são unânimes: «Aqui é muito melhor.» Comparam: «Na Penitenciária era o Vietname. Aqui é um lar!» Só falta uma coisa no convento: livros. «As pessoas que têm livros que os tragam aqui que a gente agradece. E jogos!»</P>
<P>
Dentro de alguns dias chegarão às Mónicas mais 15 reclusos neste regime, vindos da cadeia de Sintra. Problemas burocráticos, ligados à selecção mas também aos testes médicos, impediram até agora a entrada destes 15 homens ao serviço da Câmara de Lisboa.</P>
<P>
Mulheres também entram</P>
<P>
«Na cadeia de Sintra demoraram dois meses a tirar as radiografias», diz uma assessora do vereador da Higiene Urbana, Felícia Costa. O protocolo com a Câmara de Lisboa e os serviços prisionais foi assinado na primeira semana de Agosto, mas «em finais de Setembro ainda não tinham sido feitos exames médicos».</P>
<P>
A assessora explica que aos reclusos estão também destinados lugares na área da jardinagem e que no futuro os trabalhadores da recolha do lixo poderão vir a poder trabalhar à noite.</P>
<P>
Ao todo, a autarquia possui 300 lugares disponíveis para varredores e jardineiros, áreas onde tem grande falta de mão-de-obra. Se os candidatos foram poucos, admite o director-geral dos Serviços Prisionais, Marques Ferreira, é porque a divulgação feita estabelecia prazos de resposta muito curtos. «Está em curso uma nova divulgação», menciona Marques Ferreira.</P>
<P>
De qualquer forma, em relação aos sete reclusos que se encontram ao serviço, tudo parece estar a correr bem. Se os presos estão satisfeitos, os serviços camarários não estão menos. «São pessoas muito empenhadas», frisa o responsável pela higiene urbana da autarquia, Ângelo Mesquita.</P>
<P>
Os candidatos a varredores tiveram de passar por um processo de selecção que incluiu o parecer de um conselho disciplinar dentro dos serviços prisionais e o preenchimento de uma série de condições. Por exemplo, terem cumprido mais de um quarto da pena. O passado criminoso, esse, contou menos para a selecção do que a atitude dentro da cadeia, conforme explica o director da Penitenciária, Prazeres Pais. «Este projecto também contempla a participação de mulheres, nos serviços de jardinagem», adianta Prazeres Pais.</P>
<P>
Más experiências no passado</P>
<P>
Não se trata de um projecto único e muito menos inovador. Há alguns anos a Câmara de Angra do Heroísmo tentou algo de semelhante. Os resultados não foram os melhores e os reclusos voltaram à prisão.</P>
<P>
Resultados pouco positivos teve ainda uma experiência do mesmo tipo promovida um dia pela associação de leigos O Companheiro, que tem como objectivo apoiar ex-reclusos e que se encontra também ligada ao actual projecto. «A selecção dos detidos talvez não tenha sido a melhor e houve problemas ligados ao álcool», recorda o padre Dâmaso, capelão-chefe das cadeias. «A actual iniciativa tem uma preparação maior.»</P>
<P>
Neste momento, há algumas autarquias com projectos semelhantes ao de Lisboa. É o caso de Cascais, Leiria e Caldas da Rainha. Também há reclusos a trabalhar para empresas privadas e a estudar.</P>
<P>
Fora de Portugal, há casos em que o sistema tem dado bons resultados. Nos Estados Unidos, no estado de Maryland, por exemplo, existe um programa deste tipo a funcionar desde 1963.</P>
<P>
LL02-Adolescente¨ CDv 3138</P>
<P>
Grupo de jovens de 14 a 23 anos assaltava lojas durante o dia</P>
<P>
Bando adolescente desmantelado na Margem Sul</P>
<P>
Um «gang» de assaltantes, a maioria adolescentes, que, desde Julho passado, alegadamente procedia a assaltos com ameaça de arma branca ou revólver, em lojas de roupas e artigos de desporto, da Margem Sul do Tejo, foi detido no fim-de-semana pela GNR de Almada.</P>
<P>
O grupo é, segundo fonte da Guarda, constituído por sete rapazes, com idades compreendidas entre os 14 e os 23 anos de idade, alguns deles já «com bons empregos» e nenhum com «problemas de droga». Na sua maioria são moradores do bairro do Picapau Amarelo, um aglomerado de prédios de habitação social, perto da Costa da Caparica, com um historial longo de problemas de integração.</P>
<P>
Os seus elementos actuavam sempre segundo o mesmo «modus operandi»: dois deles entravam como por acaso em lojas de desporto abertas ao público, nos momentos mais mortos do dia. Começavam por fechar os empregados dentro dos escritórios, casas de banho ou vestiários que as lojas possuíssem, para, a seguir, já com a ajuda dos outros elementos, que ficavam por perto, procederem à transfega das roupas para os carros em que se faziam transportar (um Honda Civic e um Fiat Uno preto), como se se tratasse de uma simples recolha de mercadoria.</P>
<P>
Seguindo este método, assaltaram pelo menos três lojas, até que, na semana passada, um dos rapazes foi detido, após ter sido reconhecido por uma das vítimas. A partir dele, foi possível à GNR chegar aos restantes elementos do grupo. Quatro deles foram assim detidos este fim-de semana e, por decisão do tribunal, aguardam julgamento em prisão preventiva. O rapaz de 14 anos, apesar de sobejamente conhecido pela GNR , foi apenas identificado, mas poderá vir a recolher a uma instituição de reinserção social de menores. Um sétimo elemento, que está também identificado, encontra-se em parte incerta.</P>
<P>
O grupo recolheu ao Estabelecimento Prisional de Setúbal. As lojas assaltadas situavam-se na Costa da Caparica, Pragal e Lazarim. Duas estiveram fechadas durante períodos mais ou menos longo a seguir aos assaltos e outra encerrou mesmo em definitivo.</P>
<P>
A GNR só veio a relacioná-los com os três assaltos depois de verificar que, nos produtos recuperados do último, estavam vários artigos que não constavam na lista de material roubado. Na continuação das investigações, veio a apurar que figuravam noutras listas de material desaparecido.</P>
<P>
Os três assaltos -- cuja autoria alguns dos rapazes terão confirmado -- renderam cerca de 3500 contos em valor comercial, mas eles terão ganho muito menos, pois, normalmente, vendiam os artigos na Feira da Ladra ou aos elemento de uma claque desportiva a que alguns deles pertencem.</P>
<P>
Entre os detidos contam-se empregados de escritório, da indústria hoteleira e de empresas de segurança privada. Para além da acusação dos assaltos, podem também enfrentar, segundo a GNR, a de tentativa de sequestro, pelo facto de fecharem as pessoas dentro das lojas. Para além dos carros, foi ainda apreendida uma mota de grande cilindrada, marca Suzuki, de cor vermelha.</P>
<P>
LL03-Chiadoc-GP 3048</P>
<P>
Armazéns do Chiado</P>
<P>
Proprietários ainda podem evitar expropriação</P>
<P>
A Câmara Municipal de Lisboa e a comissão directiva Fundo Extraordinário de Ajuda à Reconstrução do Chiado (FEARC) assinaram ontem o protocolo -- aprovado na semana passada pelo executivo alfacinha -- que garante à autarquia os meios financeiros para adquirir os terrenos dos Armazéns do Chiado, através de via negocial ou de expropriação, caso os proprietários, a família Martins Dias, não avancem rapidamente com outra solução.</P>
<P>
«Os proprietários têm agora de pensar muito depressa [em negociar a venda com particulares ou com a Câmara], ou terão de esperar muito tempo pelo dinheiro [no caso de expropriação, em que o valor do imóvel será determinado pelos tribunais]», afirmou ontem ao PÚBLICO o responsável pelo Gabinete Técnico do Chiado, Pessanha Viegas. Recorde-se que em Agosto deste ano, Gonçalo Martins Dias revelou que estava a negociar a venda do imóvel -- devastado pelo incêndio de Agosto de 1988 -- adiantando que haveria uma decisão em meados de Setembro. O que até ao momento não aconteceu.</P>
<P>
Também nessa altura, Jorge Sampaio, presidente da Câmara de Lisboa, manifestou a intenção de avançar com a expropriação, caso a família Martins Dias não resolvesse a situação. Ontem, Sampaio, citado pela agência Lusa, deixou ainda uma porta aberta aos donos do imóvel, ao afirmar que «em qualquer momento a solução privada sobreleva a expropriação».</P>
<P>
No entanto, e como forma de acautelar a necessidade de expropriar, a EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa) está já, a pedido da autarquia, a elaborar um caderno de encargos para o lançamento de um concurso público internacional de construção do empreendimento previsto para aqueles terrenos. Trata-se de um projecto traçado pelo arquitecto Siza Vieira, que prevê a criação de um hotel, áreas comerciais e culturais.</P>
<P>
Nos termos do acordo ontem celebrado entre o Fundo, representado por Abel Mateus, do Banco de Portugal, e a Câmara, o FEARC compromete-se a facultar à autarquia um subsídio reembolsável (e sem juros) destinado ao pagamento do preço a acordar com os expropriados ou a decidir por via judicial, no decorrer de um eventual processo de expropriação. A verba, segundo valores que têm sido apontados, poderá oscilar entre um e dois milhões de contos.</P>
<P>
Se a Câmara vier a entregar a execução do projecto de reconstrução do imóvel a um promotor privado, e se o valor dos subsídios atribuídos pelo FEARC for superior ao valor pago ao município pelo promotor, a verba excedentária será considerada subsídio a fundo perdido. Mas, isto apenas no caso de a autarquia transferir a propriedade plena dos Armazéns e se o preço pago aos expropriados tiver sido determinado pelos tribunais (Ver Local de 18 de Outubro).</P>
<P>
Entretanto, o PÚBLICO tentou ontem, em vão, falar com Gonçalo Martins Dias, sobre a situação em que se encontram as negociações que anunciou em Setembro, e que se têm processado com o grupo holandês MDCI (Multi-Development International Corp.).</P>
<P>
LL04-ViaPública-GP 2703</P>
<P>
Regulamento para ocupação da via pública nos bairros históricos</P>
<P>
Novas regras libertam ruas e fachadas</P>
<P>
Esplanadas fechadas, toldos, alpendres e palas, anúncios electrónicos, além de bandeirolas, painéis e mupis (suportes de publicidade colocados no passeios) vão ser banidos das fachadas dos prédios e das ruas dos bairros antigos de Lisboa. As interdições estão todas no futuro «Regulamento de mobiliário urbano, ocupação de via pública e publicidade dos bairros históricos», que a Câmara lisboeta vai votar amanhã.</P>
<P>
As novas regras surgem como complemento aos regulamentos já existentes e pretendem introduzir uma nova imagem nos bairros sob jurisdição da Direcção Municipal de Reabilitação Urbana: Bica, Alfama, Bairro Alto, Colina do Castelo, Mouraria, Madragoa, São Paulo, Olivais Velho, Carnide, Paço do Lumiar, Ameixoeira e Rua do Lumiar.</P>
<P>
Considerando que o mobiliário urbano e a publicidade têm contribuído para a degradação da imagem e dos valores arquitectónicos e paisagísticos dos bairros históricos, o regulamento vem proibir a instalação de um vasto conjunto equipamentos. Assim, passam a ser interditos naquelas zonas os alpendres e palas, os guarda-ventos, esplanadas fechadas e a colocação de toldos acima do nível do rés-do-chão. E mesmo estes, quando instalados, têm de ser rebatíveis, de cor adequada à área e não podem tapar elementos de interesse arquitectónico e decorativo, como cornijas, cunhais ou gradeamentos.</P>
<P>
Os mupis, que proliferam um pouco pelos passeios de toda a cidade, vão também ter de saltar das bermas das ruas. Os painéis e bandeirolas publicitários ficam igualmente proibidos, tal como os anúncios electrónicos. E mesmo outros anúncios luminosos só serão permitidos em farmácias ou similares, estações de correios, agências bancárias e multibancos, desde que sejam colocados a mais de 2,6 metros acima do solo.</P>
<P>
Os anúncios de néon também são permitidos, se forem instalados nas fachadas e desde que não choquem com o espaço urbano, nem perturbem a vizinhança. Nos casos em que a animação do local, a tradição e o interesse público o justifiquem, poderá ser autorizada a instalação de alguns dos equipamentos interditos.</P>
<P>
A aplicação do novo regulamento vai caber às direcções municipais da Reabilitação Urbana e da Intervenção Local. Os proprietários dos estabelecimentos situados nas zonas abrangidas, tal com a própria autarquia que faz a gestão da colocação da publicidade e dos respectivos suportes, dispõem de 90 dias para adaptarem os seus equipamentos às novas regras. Mas, só depois de o regulamento ser aprovado pela assembleia municipal e publicado no boletim oficial da Câmara de Lisboa.</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
LL05-Café-/JT CDr 2557</P>
<P>
Vila Franca de Xira</P>
<P>
Junta pode mudar-se para Café Central</P>
<P>
A Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira deverá, muito em breve, transferir os seus serviços administrativos para o edifício do antigo Café Central, de acordo com uma proposta já apresentada ao presidente da câmara local.</P>
<P>
Instalada num edifício térreo com apenas três salas, a junta vila-franquense há muito que avalia as possibilidades de melhorar as suas condições de funcionamento. Há perto de um ano, a câmara adquiriu por 15 mil contos, ao Banco Pinto e Sottomayor (BPSM), o edifício do antigo Café Central, situado a escassos metros dos Paços do Concelho. Trata-se de um imóvel construído no início do século e que, durante décadas, funcionou como centro polarizador da vida económica, cultural e social de Vila Franca de Xira.</P>
<P>
O velho estabelecimento encerrou no final da década de 70, mas acabou por ficar registado na trilogia dos cafés -- República, Central e 25 de Abril -- publicada pelo escritor vila-franquense Álvaro Guerra.</P>
<P>
Nos últimos anos, o imóvel foi adquirido pelo BPSM, que possui um balcão no prédio vizinho e pensava ampliar as suas instalações no sentido do antigo café. A evolução do sector da banca, no entanto, viria a desaconselhar essa ampliação, o que levou o banco a optar pela venda do edifício à câmara.</P>
<P>
Nos últimos meses, o velho prédio de dois pisos foi limpo e pintado e reabriu, durante o Colete Encarnado e a Feira de Outubro, como espaço de exposição e algum convívio.</P>
<P>
Agora, o presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca, Carlos Félix (CDU), colocou à câmara o pedido de cedência do imóvel para instalação dos seus serviços. E o presidente da edilidade vila-franquense, Daniel Branco, diz ver com agrado esta solução e que o assunto será, muito em breve, apreciado em reunião de câmara.</P>
<P>
No final de Outubro, o rés-do-chão do antigo Café Central acolherá uma exposição alusiva às comemorações do dia municipal do bombeiro, após o que estará liberto de compromissos.</P>
<P>
Para Daniel Branco, a eventual cedência de instalações à junta não tem nada de anormal, já que «a maioria das juntas está em instalações feitas ou de propriedade da câmara e esta ficará nas mesmas condições».</P>
<P>
A confirmar-se a cedência, os aspectos relacionados com a recuperação e condições de utilização futura do edifício serão articulados entre os dois órgãos autárquicos, mas, pelo que pudemos apurar, será intenção da junta vocacionar parte do imóvel para actividades lúdico-culturais.</P>
<P>
LL06-Cheiros 1421</P>
<P>
Vila Franca de Xira</P>
<P>
Maus cheiros atacam bairro de Santa Sofia</P>
<P>
Moradores do bairro de Santa Sofia, em Vila Franca, têm vindo a queixar-se dos «cheiros nauseabundos» que exala a vizinha ribeira do mesmo nome.</P>
<P>
Os problemas de insalubridade deste bairro não são novos. No último verão, a sua zona baixa foi afectada por uma praga de carraças. A Câmara de Vila Franca projecta há anos instalar na área envolvente da ribeira o jardim-parque da cidade, mas as negociações com os donos das diferentes parcelas de terreno têm-se arrastado e os terrenos permanecem coberto de mato, entulho e detritos, para além de barracas usadas na criação e guarda de animais.</P>
<P>
De acordo com Fernando Paulo Ferreira, membro da Assembleia Municipal, os moradores atribuem o novo incómodo ao conjunto de barracas «que albergam diversos tipos de animais, porcos, cães, aves de galinheiro. As barracas não têm o mínimo de condições de higiene e todos os dejectos dos animais vão parar exactamente à ribeira, que tem muito pouca água e onde tudo fica a apodrecer».</P>
<P>
O presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento, que este ano limparam as linhas de água cobertas do concelho, diz desconhecer se mau cheiro resulta exclusivamente das barracas. «Contamos até ao fim do ano ter comprado os terrenos onde estão as barracas e estamos a negociar para que elas sejam retiradas», disse. J.T.</P>
<P>
LLHD01-Ygrego 1529</P>
<P>
Inventando um novo tempo</P>
<P>
Intitula-se "Vestígios" a exposição de Oliveira Tavares que inaugura a temporada 95/96 na Galeria Ygrego. Uma mostra que reúne mais de uma dezena de trabalhos inspirados na obra de Jan Vermeer. Ou melhor, uma releitura da obra do pintor flamengo, que Oliveira Tavares transpõe para a actualidade. Não se tratando de uma réplica, mas de um trabalho de pesquisa em torno da obra do mestre que, desde há alguns anos vem desenvolvendo.</P>
<P>
Globalmente, os trabalhos agora apresentados a julgamento público reflectem a preocupação do autor na fragmentação de imagens facilmente identificáveis ou pormenores das mesmas que conduzem, inevitavelmente, a um apelo à memória visual. Afinal, a harmonia entre referências de tempos separados no tempo e destinados à invenção de um novo tempo.</P>
<P>
"É uma viagem pela pintura de plenitude - como afirma Mário Tropa no catálogo desta mostra - na representação da vida burguesa no seu momento ascencional, mas antes de tudo uma viagem entre o tempo "antigo" e o universo da memória ritualizado, onde introduz um segundo tempo, nosso, o das imagens onde captamos os desejos mais urgentes".</P>
<P>
Tratando-se da proposta da Ygrego para a abertura da sua temporada, Oliveira Tavares assume a dupla responsabilidade de ser o pintor escolhido para a "rentrée" e, em simultâneo, de se apresentar, pela primeira vez, individualmente em Lisboa.</P>
<P>
Horário: de 24 de Outubro a 2 de Dezembro de 1995</P>
<P>
Dias úteis: 9h30 às 20h00</P>
<P>
Sábados: 9h30 às 13h00</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99203">
<P>
Um longo processo de escolhas e ambições</P>
<P>
Porque não está Lamy na F1</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Manuel Abreu, em São Paulo</P>
<P>
Pedro Lamy está desde quarta-feira em São Paulo, onde vai acompanhar de perto o GP do Brasil. Nas «boxes», entre engenheiros, mecânicos e chefes de equipa, o piloto português tenta encontrar um lugar que o faça regressar o mais depressa possível ao volante de um Fórmula 1.</P>
<P>
Afastado das competições desde Maio do ano passado, quando sofreu um grave acidente durante os testes da Lotus em Silverstone, o piloto português Pedro Lamy tenta agora encontrar uma nova porta de entrada no restrito mundo da Fórmula 1.</P>
<P>
Para trás, ficou já um longo processo de recuperação física e alguns testes com carros de competição -- primeiro com um Mercedes do campeonato alemão de Turismo (DTM), depois com um Tyrrell-Yamaha, numa sessão que levou algumas centenas de pessoas ao Autódromo do Estoril, no início deste mês. As razões que levaram Pedro Lamy a optar por ficar «desempregado» neste começo de temporada podem ser explicadas pelas suas ambições pessoais e pelas escolhas que fez nestes últimos anos da sua carreira.</P>
<P>
Em 1993, tudo parecia correr pelo melhor para o jovem piloto português (completou 23 anos no dia 20 de Março). Campeão em todas as categorias em que tinha participado e depois de uma excelente época na Fórmula 3 alemã, Lamy lançou-se no campeonato internacional de F. 3000, uma categoria que nos últimos anos tem dado acesso imediato à F1. Lamy brilhou nas primeiras provas, onde teve como principal adversário o escocês David Coulthard, hoje piloto titular na Williams-Renault. Acabou o campeonato no segundo lugar, atrás do francês Olivier Panis, hoje primeiro piloto da Ligier-Mugen Honda. Terão começado aí as más opções do português, embora nessa altura fosse quase impossível prever a evolução das equipas, neste estranho mundo da F1.</P>
<P>
O Grande Prémio da Bélgica de 1993, disputado no fim de Agosto, tinha no seu programa uma das etapas do campeonato de F. 3000. Em luta directa com Coulthard e Panis, Lamy cometeu um erro (uma tentativa de ultrapassagem mal calculada) que o deixou de fora da luta pelos primeiros lugares. Porém, a sua garra e habilidade estavam provadas perante os chefes de equipa da F1. Nos treinos para o Grande Prémio de Fórmula 1, o italiano Alessandro Zanardi sofreu um violento acidente, que o deixou afastado das pistas por alguns meses e abriu um lugar na Lotus. Duas semanas depois, no GP de Itália, em Monza, Lamy participou pela primeira vez numa corrida de F1, garantindo também a sua presença nos três últimos GP da temporada (Portugal, Japão e Austrália).</P>
<P>
A divisão de interesses do piloto e a falta de dinheiro na sua equipa, confrontada com uma forte concorrência, contribuíram decisivamente para a perda do título na F. 3000. A cabeça de Lamy estava já na F1, embora se soubesse que a sua equipa enfrentava sérias dificuldades técnicas e financeiras.</P>
<P>
A temporada de 1994 abria boas perspectivas para o piloto português. A Lotus assegurou os motores Mugen-Honda V10 e Lamy faria equipa com o experiente e reconhecidamente rápido Johnny Herbert. As primeiras corridas encarregaram-se de demonstrar que a escuderia britânica não tinha conseguido ultrapassar as suas dificuldades. Pelo contrário, elas foram agravadas com a chegada do novo motor, mais pesado e menos adaptado ao «chassis» que o anterior Ford V8. Herbert e Lamy coincidiam nas críticas ao monolugar britânico, desequilibrado e difícil de guiar.</P>
<P>
No horrível GP de San Marino, onde morreram Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, começaram os azares de Lamy. Na partida, ainda com Senna em pista, Lamy não conseguiu evitar o choque com o Benetton de JJ Lehto, destruindo o seu Lotus.</P>
<P>
A corrida não foi interrompida e Lamy não pôde voltar à pista. Foi a sua última corrida «a sério». Quando o «pace car» saiu da pista, Senna despistou-se na curva Tamburello. Uma tragédia que, aliada à morte de Ratzenberger e a um grave acidente sofrido por Rubens Barrichello, levaram a Federação Internacional do Automóvel (FIA) a modificar substancialmente os regulamentos da Fórmula 1, procurando diminuir a velocidade máxima dos monolugares e aumentar as condições de segurança para os pilotos. Algo que Lamy ainda deve lamentar.</P>
<P>
Antes do GP do Mónaco, as equipas foram obrigadas a agendar sessões extraordinárias de testes para verificar o comportamento dos seus monolugares, perante as alterações aerodinâmicas impostas pela FIA num curto espaço de tempo. Foi numa dessas sessões que Lamy interrompeu a sua carreira. Um violento despiste em Silverstone, provocado pela quebra da asa traseira do seu carro, levou-o para o hospital, com várias fracturas graves. Seguiu-se um longo período de recuperação e inactividade competitiva, durante o qual foi substituído, ironicamente, por Zanardi.</P>
<P>
Durante esse período, agravaram-se os problemas financeiros da Lotus, já sob administração judicial e seriamente ameaçada de falência. No final da época, a Mugen-Honda rescindiu o contrato de fornecimento de motores e a Lotus, entretanto comprada por um grupo liderado por David Hunt, acabou mesmo por fechar. Só mais tarde é que um acordo de fusão com a Pacific permitiu a continuação nas pistas do nome da mítica equipa, ainda que sem intervenção directa.</P>
<P>
E Lamy? Recuperado das lesões, o piloto português queria voltar a correr.</P>
<P>
Graças ao apoio de Domingos Piedade, conseguiu um teste com um Mercedes do DTM, que posteriormente lhe valeu um convite para alinhar no mais competitivo campeonato de Turismo do mundo, com a garantia de um bom salário. Uma oferta que Pedro Lamy recusou: «Depois de fazer toda uma carreira nos monolugares, orientada para chegar à F1, ir para o DTM era uma mudança total, uma coisa completamente diferente. Ainda para mais, o tempo para decidir era muito pequeno, tipo `para a semana tens de dar uma resposta definitiva'. Decidi arriscar, mesmo sabendo que corria o risco de ficar um ano parado, porque é preciso arriscar enquanto se é novo e porque o meu objectivo é mesmo a F1.»</P>
<P>
Para voltar à Fórmula 1, Lamy precisava então de dinheiro (um piloto sem resultados precisa de pagar para encontrar um lugar) e, talvez mais importante, de mostrar aos chefes de equipa que estava completamente recuperado do seu acidente do ano passado. Os patrocínios foram aparecendo, embora sem atingirem os valores avançados por outros pilotos que procuram um lugar na F1. Lamy terá mesmo assinado um pré-contrato com a Pacific-Lotus, mas queria mais e melhor.</P>
<P>
Surgiu então a possibilidade de efectuar um teste com a Tyrrell-Yamaha, uma equipa organizada e apontada como uma das que poderão causar alguma surpresa no campeonato de 1995. E o teste era no Estoril, com outras equipas em pista e com os principais «patrões» muito atentos aos resultados. Lamy apostou tudo e, até agora, perdeu.</P>
<P>
Com o japonês Ukyo Katayama (apoiado pela Yamaha) garantido como primeiro piloto, a Tyrrell procurava para o seu segundo carro um piloto jovem, com potencialidades e dinheiro para investir. Tudo parecia apontar para o finlandês Mika Salo, quando problemas com os seus patrocinadores fizeram a equipa «jogar» com Lamy. Com bons resultados nos testes (ainda que os tempos divulgados pela Tyrrell sejam alvo de alguma contestação, dado que nem sempre coincidiram com os registos obtidos pelas outras equipas presentes no Estoril) e apoiado por muitos portugueses (possivelmente nunca se tinha visto tanta gente no Autódromo a meio da semana), Lamy deu um passo em frente.</P>
<P>
Talvez o suficiente para mostrar aos «patrões» da F1 que está completamente recuperado, mas certamente não o suficiente para derrotar o forte patrocínio que a Nokia oferecia a Mika Salo. De tal maneira que, poucos dias depois, a Tyrrell confirmou a contratação do finlandês e a mudança do nome da equipa para Nokia-Tyrrell-Yamaha...</P>
<P>
Para Lamy, restavam então os lugares em aberto na Pacific-Lotus e na estreante Forti Corse, duas equipas que pouco testaram no Inverno e de quem não se esperam grandes resultados nesta época. A primeira indicou o italiano Andrea Montermini para acompanhar o francês Bertrand Gachot; a segunda (que tem como principal patrocinador a Parmalat, a empresa que agora apoia também Lamy) escolheu o experiente brasileiro Roberto Moreno para acompanhar o seu compatriota Pedro Paulo Diniz nos dois primeiros Grandes Prémios (Brasil e Argentina), deixando para mais tarde a escolha do piloto que fará a temporada europeia.</P>
<P>
Para já, Pedro Lamy vai-se mostrando, à espera que alguém confie nas suas potencialidades para ocupar o próximo lugar em aberto na F1. Lamy é um «desempregado» plenamente confiante no seu futuro. As próximas semanas irão mostrar se tem ou não razão.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-81551">
<P>
Terramoto de 1755</P>
<P>
O Terramoto</P>
<P>
O sismo fez-se sentir na manhã de 1 de Novembro de 1755, dia que coincide com o feriado do Dia de Todos-os-Santos. O epicentro não é conhecido com exactidão, havendo diversos sismólogos que propõem locais distanciados de centenas de quilómetros. No entanto, todos convergem para um epicentro no mar, entre 150 a 500 quilómetros a sudoeste de Lisboa. Devido a um forte sismo, ocorrido em 1969 no Banco de Gorringe, este local tem sido apontado como tendo forte probabilidade de aí se ter situado o epicentro em 1755.</P>
<P>
Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, consoante o local, durante entre 6 minutos a 2 horas e meia, causando fissuras enormes de que ainda hoje há vestígios em Lisboa. Com os vários desmoronamentos os sobreviventes procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao recuo das águas, revelando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Poucas dezenas de minutos depois, um tsunami, que actualmente se supõe ter atingido 20 metros de altura, fez submergir o porto e o centro da cidade. Nas áreas que não foram afectadas pelo tsunami, o fogo logo se alastrou, e os incêndios duraram pelo menos cinco dias. Todos tinham fugido e não havia quem o apagasse.</P>
<P>
Lisboa não foi a única cidade portuguesa afectada pela catástrofe. Todo o sul de Portugal, nomeadamente o Algarve, foi atingido e a destruição foi generalizada. As ondas de choque do sismo foram sentidas por toda a Europa e norte da África. Os maremotos originados pela movimentação tectónica varreram desde do norte de África até ao norte da Europa, nomeadamente até à Finlândia e através do Atlântico, afectando locais tão longínquos como Martinica e Barbados.</P>
<P>
De uma população de 275 mil habitantes em Lisboa, crê-se que 90 mil morreram[2]. Outros 10 mil foram vitimados em Marrocos. Cerca de 85% das construções de Lisboa foram destruídas, incluindo palácios famosos e bibliotecas, conventos e igrejas, hospitais e todas as estruturas. Várias construções que sofreram poucos danos pelo terramoto foram destruídas pelo fogo que se seguiu ao abalo sísmico.</P>
<P>
A recém construída Casa da Ópera, aberta apenas seis meses antes, foi totalmente consumida pelo fogo. O Palácio Real, que se situava na margem do Tejo, onde hoje existe o Terreiro do Paço, foi destruído pelos abalos sísmicos e pelo tsunami. Dentro, a biblioteca de 70 mil volumes e centenas de obras de arte, incluindo pinturas de Ticiano, Rubens, e Correggio, foram perdidas. O precioso Arquivo Real com documentos relativos à exploração oceânica e outros documentos antigos também foram perdidos. O terramoto destruiu ainda as maiores igrejas de Lisboa, especialmente a Catedral de Santa Maria, e as Basílicas de São Paulo, Santa Catarina, São Vicente de Fora, e a da Misericórdia. As ruínas do Convento do Carmo ainda hoje podem ser visitadas no centro da cidade. O túmulo de Nuno Álvares Pereira, nesse convento, perdeu-se também. O Hospital Real de Todos os Santos foi consumido pelos fogos e centenas de pacientes morreram queimados. Registos históricos das viagens de Vasco da Gama e Cristóvão Colombo foram perdidos, e incontáveis construções foram arrasadas (incluindo muitos exemplares da arquitectura do período Manuelino em Portugal). </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49789">
<P>
Piloto da Williams foi mais rápido que o alemão Michael Schumacher</P>
<P>
Do enviado especial</P>
<P>
Escolado com a derrota em Interlagos, o piloto brasileiro Ayrton Senna preferiu não esbanjar otimismo com a pole provisória conquistada no treino de sexta-feira em Aida. No Brasil, Senna saiu na frente, mas não concluiu a corrida. Schumacher ganhou.</P>
<P>
Primeiro, porque havia ainda a segunda sessão oficial a ser disputada em Aida –que estava marcada para a madrugada de hoje.</P>
<P>
Depois, porque acredita que bater Michael Schumacher em treino é uma coisa. Em corrida, é outra, bem diferente.</P>
<P>
"Acho que a vantagem deles aqui é ainda maior do que no Brasil", disse o piloto da Williams. A explicação para o melhor tempo de sexta-feira foi simplória: "Eu guiei melhor e a gente melhorou um pouco o equilíbrio do chassi e o motor".</P>
<P>
Ayrton disse que no treino extra-oficial de quinta-feira não se preocupou em ser o mais rápido. </P>
<P>
"Não apertei porque o carro não estava no ponto e correr riscos naquela situação não ia me trazer nenhum benefício, a não ser para o ego, talvez. Na tomada de tempo valia dar aquela apertadinha", falou.</P>
<P>
A pole provisória não iludiu o brasileiro. "Numa tomada de tempo, uma volta veloz, sempre dá para inventar alguma coisa. Mas repetir as voltas com pneus usados... Essa pista, menos ondulada que Interlagos, mas muito lenta e de baixa aderência, complica nossa vida em comparação com a Benetton."</P>
<P>
Para Senna, o segundo round da briga com Schumacher foi ganho "no grito".</P>
<P>
Ele esperava manter a pole no treino da madrugada de hoje, talvez a melhor forma de anular a superioridade teórica da Benetton –largando na frente.</P>
<P>
Se não conseguisse, não seria o fim do mundo. É em Imola, no GP de San Marino, que a Williams quer mostrar por que é considerada favorita ao título. Em Aida, o que vier é lucro.(FG)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="wpt-1005220936254463458">
<P>
Escola lança quadrinhos em prol do meio ambiente</P>
<P>
Fonte: Press Release (28/10/2003)</P>
<P>
A Expotec 2003, Feira de Ciências e Cultura da Escola Fortec, reuniu mais de 2000 pessoas na unidade 4, em São Vicente - Feira de Ciências e Cultura da Escola Fortec.</P>
<P>
Um dos destaques do evento foi a apresentação do resultado do trabalho desenvolvido em sala de aula pela oficina Noções básicas de Histórias em Quadrinhos, da Associação dos Artistas - Música e Arte.</P>
<P>
O evento contou com o lançamento do Zine Expotec 2003 - Meio Ambiente, ilustrações e mascotes criados pelos alunos. Além da exposição, cada aluno criou sua mascote que virou camiseta.</P>
<P>
A oficina foi coordenada por Fábio Tatsubô com a monitoria de André Prata.</P>
<P>
Links Relacionados: HQ Nacional</P>
<P>
Editora Rocco lança Mulheres Alteradas 5 (09/06/05)</P>
<P>
Lançamento do mangá Fruits Basket no Anima Weekend (07/04/05)</P>
<P>
Turma da Mônica será estrela de campanha internacional de vacinação (30/03/05)</P>
<P>
HQs de Velta disponíveis em CD-Rom (22/03/05)</P>
<P>
Folclore brasileiro em estilo mangá (03/03/05)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-47217">
<P>
FC Porto</P>
<P>
O FC Porto defronta na terça-feira em Genebra, Suíça, os franceses do Olympique de Marselha, em jogo integrado numa gala de exibição organizada pelo Servette, clube que assinala a conquista do título de campeão suíço. A equipa portista, que no domingo tem uma deslocação difícil a Guimarães para a 30ª jornada do «Nacional», parte para a Suíça na segunda-feira, regressando após o encontro.</P>
<P>
Palmeiras</P>
<P>
O Palmeiras conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o campeonato de futebol de São Paulo da I Divisão, ao derrotar o Santo André por 1-0 em encontro da 29ª e penúltima jornada, dispondo agora de um avanço de quatro pontos relativamente ao Corinthians, que ganhou por 4-1 ao Ferroviária.</P>
<P>
Tottenham</P>
<P>
O Tottenham Hotspur pode vir a ser despromovido da Primeira Liga inglesa, caso se provem as acusações de irregularidades financeiras feitas pela Associação Inglesa de Futebol (AIF). A AIF concedeu um prazo de 14 dias para que os dirigentes do clube londrino esclareçam a situação. Alan Sugar, presidente do Tottenham, afirmou que tudo fará para salvar o clube da descida, admitindo, contudo, que a palavra final caberá à AIF. Sugar realçou ainda que aconteça o que acontecer não abandonará o clube.</P>
<P>
Feyenoord</P>
<P>
O Feyenoord venceu, na quinta-feira, o Nimègue da II Divisão por 2-1, em jogo da final da Taça da Holanda, disputado no estádio De Kuip em Roterdão. Esta é a nona vez no seu historial, que o Feyenoord vence a Taça.</P>
<P>
Maradona</P>
<P>
O ministro da Justiça japonês, Hiroshi Nakai, afirmou hoje em Tóquio que o seu homólogo dos Negócios Estrangeiros, Kojio Kakizawz, lhe pediu que reconsiderasse a decisão de não emitir um visto de entrada no país ao futebolista argentino Diego Maradona. No final do mês, Japão, Argentina e França deveriam disputar o Torneio Kirin, mas a Argentina já decidiu boicotar a prova devido à recusa de concessão do visto a Maradona. Esta recusa tem por base a legislação nipónica, que impede qualquer pessoa de entrar no país desde que tenha sido condenada por posse de estupefacientes. O ministro da Justiça declarou ainda ter dado conhecimento da sua decisão à Associação de Futebol do Japão, não havendo qualquer hipótese de recuo. A organização da Taça Kirin já fez saber que esta se realizará mesmo sem a participação da selecção argentina.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-87179">
<P>
O lugar do morto</P>
<P>
Já me tenho perguntado a mim mesmo várias vezes como é que alguém pode ser tão estúpido para comprar um bilhete para assistir a uma corrida de Fórmula 1. A única vez que, convidado, me dispus ao sacrifício, não aguentei mais do que meia dúzia de voltas de uma corrida no Estoril. O barulho ensurdecedor torna impossível qualquer conversa, o cheiro asfixiante a gasolina queimada torna o ar irrespirável e, finalmente, para grande frustração não confessada de todos aqueles íntimos na matéria, um espectador, sentado na bancada e reduzido a uma visão mínima da pista, não sabe nada do que se passa na corrida. A pretexto de ver a corrida de perto, os espectadores de bancada sabem muito menos do que se está a passar do que qualquer distraído espectador de televisão. Não sabem a classificação, quantas voltas tem cada concorrente, quem parou e porquê, quem se despistou e como.</P>
<P>
Nenhum acontecimento como a Fórmula 1 estabelece um contraste tão flagrante entre as possibilidades de informação do espectáculo ao vivo e as da sua transmissão televisiva. Só a televisão nos dá os «replay», os «slow motion», os grandes planos dos pilotos, a azáfama das boxes, a emoção das filmagens do interior do «cockpit», a sagração do pódio. Sempre suspeitei de que a tradicional ovação com que os assistentes saúdam o final da corrida não é uma manifestação de agrado, mas o alívio de quem vê chegar ao fim uma imensa chatice.</P>
<P>
Em Ímola, só um centésimo dos espectadores presentes puderam assistir, como milhões de espectadores de televisão, à cruel agonia de Ayrton Senna. Enquanto dezenas de milhar de «tiffosi» presentes no circuito de San Marino perguntavam a si mesmos porque é que Ayrton Senna não voltara a passar, nós, os do sofá, vivíamos em directo (porque a televisão não é estúpida e a morte em directo é um «must» televisivo) cada um dos penosos minutos durante os quais a máfia da FISA e da Fórmula 1 ensaiava a encenação dos médicos a lutarem pela vida de Ayrton Senna -- quando, manifestamente, ele já estava morto, mas os interesses comerciais envolvidos aconselhavam a sua sobrevivência artificial.</P>
<P>
Como Senna, já vi morrer vários em directo: Lorenzo Bandini, em Monte Carlo; Jocken Rindt, em Monza; Roger Williamson, queimado vivo, lentamente e "ao vivo", em Paul Riccard; Gilles Villeneuve, em Zandvoort. De todas as vezes me assaltou este pensamento sinistro: só a morte, só o risco real de morte, e só o espectáculo da morte justificam a atracção da Fórmula 1. Depois de 12 anos sem uma única morte em pista, os «assassinatos» de Ratzenberger e Senna vieram devolver à Fórmula 1 toda a sua aura de circo romano de que ela desesperadamente andava carecida. É que não faz nenhum sentido ter corridas de carros que andam a 300 à hora mas que, quando se despistam, nada acontece aos pilotos. Onde está, então, o risco?</P>
<P>
A verdade é que os Fórmula 1 já não são carros, os pilotos já não são homens e as corridas já não são desporto. Toda a gente sabe isso e toda a gente finge ignorar isso. Quanto aos carros, cuja justificação comercial era serem banco de ensaios dos modelos normais, basta pensar que nenhuma das mais recentes inovações da tecnologia dos automóveis comuns -- o «airbag», o ABS, a direcção assistida -- está presente ou foi testada pelos Fórmula 1. E, afinal, quem é que compra um Renault 19 a pensar que ele tem algum parentesco com o Williams-Renault?</P>
<P>
Quanto aos pilotos, obrigados a aguentar acelerações e desacelerações da ordem dos 5 G, apoiados numa condução completamente computorizada, espiados ao detalhe pela telemetria e guiados pelas comunicações rádio, já não são seres normais especializados na condução automóvel, mas uma espécie de «aliens» programados em laboratório, tal qual como os actuais pilotos de caça não são os melhores aviadores, mas os melhores «robots» humanos e os mais rápidos operadores de computador.</P>
<P>
Quanto ao desporto, enfim, morreu no dia em que Jackie Stewart se retirou, porque tinha mais prazer em conduzir um Ford Escort nas estradas do Sussex do que um Tyrrell em Monza. De então para cá, os circuitos são exactamente os mesmos, mas os carros andam 50 por cento mais e as inovações na aerodinâmica, nas suspensões e na direcção fazem com que eles nem em curva abrandem substancialmente. O resultado disto é que as ultrapassagens só são praticamente possíveis aos que o consentem e contam-se pelos dedos de uma mão as ultrapassagens que em toda a época decidem uma corrida.</P>
<P>
As provas são resolvidas, não pelo mérito dos pilotos, mas pelos incidentes técnicos. Quem ganha as corridas, hoje em dia, são os mecânicos que conseguem mudar quatro pneus e abastecer um carro em oito segundos e os engenheiros que conseguem afinar motores a partir da boxe, com o carro em plena prova.</P>
<P>
Mesmo com todos os truques a que a televisão lança mão para salvar o espectáculo, as corridas de Fórmula 1 são hoje uma coisa suporífera, penosa e desnecessariamente longa. Tal como as coisas estão, falta apenas dar o último passo na evolução lógica: que os carros corram sem piloto. O que chamam o «campeonato do Mundo de condutores» é apenas um negócio privado de três sinistras personagens, apoiadas em vários «cappi» locais, como sucede em Portugal: os srs. Ecclestone, Ballestre e Max Moseley.</P>
<P>
Toda esta imensa mistificação funciona no Mundo inteiro graças a uma categoria de subcontratados, que são os jornalistas especializados na Fórmula 1 (um parêntesis para dizer que, de todos os que tenho visto e ouvido, os da RTP conseguem bater o mundo inteiro em incompetência e inutilidade. Depois destes anos todos a comentar corridas, ainda não perceberam que o que se espera deles não é que nos digam exactamente e apenas o mesmo que estamos a ver nas imagens, e às vezes até menos do que isso). Os jornalistas Fórmula 1 são como os nossos críticos de cinema: escrevem uns para os outros, numa linguagem esotérica destinada a complicar tudo o que possa ser simples, não vá dar-se o caso de os leitores entenderem o que eles escrevem e ficarem ao mesmo nível que eles. Vivem a insinuar-se íntimos dos deuses e dos segredos indecifráveis do «circo», contribuindo assim para a ideia feita e comercialmente rentável de que a Fórmula 1 é um mundo à parte, que eles são parte desse mundo inacessível ao comum dos mortais, ou seja, dos consumidores.</P>
<P>
É desta encenação mediática, desta ficção consentida, que nascem os Ayrton Senna. Na origem, são apenas jovens apaixonados pelos automóveis, pela velocidade e pelos sonhos de glória. Quando conseguem chegar lá acima, já são peças de um «puzzle» que ultrapassa em muito a sua capacidade de controle. Os patrões do negócio continuam a dar-lhe a velocidade, a glória e o dinheiro, o que os mantém enganados na ilusão de que são o essencial de um desporto em que o talento e a coragem farão a diferença. Na verdade, são sobretudo cobaias humanas e curiosidades médicas, como a cadela Laika, enviada a bordo do primeiro Sputnik soviético. Nem se estranha, assim, que, por vezes, se comportem mesmo como seres desumanizados: como quando Williamson ficou preso no carro e foi queimado aos poucos sem que, apesar dos pedidos desesperados de auxílio de um seu colega de equipa, nenhum dos outros parasse para ajudar a tirá-lo do carro; ou quando, depois de ver Senna morrer à sua frente, Schumacher foi capaz de celebrar a vitória como se nada fosse.</P>
<P>
Restam as excepções, aqueles para quem a embriaguês do «circo» não fez perder o lado humano das coisas. Ayrton Senna era justamente um desses, talvez o último dos heróis «acessíveis» do mundo da Fórmula 1. Amava a vida, os sobrinhos, o mar, os aviões, as manhãs de nevoeiro em Sintra. Logicamente, era a sua imagem humana que interessava à imprensa. A quem pode interessar a vida do Schumacher ou a do Katayama? Como dizia Pessoa, morrem jovens os que os deuses amam, mas o perfume da tragédia que se abateu sobre a sua imagem é o sopro de vida que o negócio da Fórmula 1 esperava. Morto, Senna continuará a ser explorado pelo circo. A Williams oferecerá milhões para quem quiser sentar-se no lugar do morto. Os «sponsors» acorrerão com muito mais força, Ecclestone aumentará os direitos de transmissão televisiva e o dinheiro choverá de todos os lados, porque agora o espectáculo passou a valer muito mais.</P>
<P>
É verdade que Ayrton Senna morreu pelo que amava. Mas ninguém quer morrer aos 34 anos. Lá onde está, com saudades de tudo o que deixou para trás, olhando de longe o mar de Angra dos Reis onde nunca mais tomará banho e só ele sabendo quem e o quê o mataram, talvez ele se coloque, afinal, a mesma questão pessoana: valeu a pena?</P>
<P>
Os Fórmula 1 já não são carros, os pilotos já não são homens e as corridas já não são desporto. Toda a gente sabe isso e toda a gente finge ignorar isso.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75283">
<P>
BBV de Alvalade assaltado</P>
<P>
Um homem armado com uma pistola assaltou, terça-feira à tarde, a dependência do Banco Bilbao e Vizcaya na Praça de Alvalade, em Lisboa, de onde levou 188 contos, informou ontem a PSP. O assaltante, que actuou de cara descoberta e falou em castelhano, apontou a arma aos presentes e exigiu à funcionária que se encontrava na caixa a entrega do dinheiro. Após o assalto, o indivíduo abandonou as instalações, deixando à porta um suposto engenho explosivo com duas pilhas e um rastilho, artefacto com que pretendeu evitar eventuais perseguições.</P>
<P>
Rusga no Casal Ventoso</P>
<P>
Um rusga ao Casal Ventoso levou a PSP a deter, terça-feira à tarde, quatro suspeitos de tráfico de droga e a apreender 155 gramas de estupefacientes -- cocaína, heroína e haxixe --, um quilo de ouro e 625 contos em dinheiro e outros artigos, incluindo armas. A operação foi autorizada por um dos magistrados do Tribunal Criminal de Lisboa e concretizada pelas brigadas anti-crime da 4ª divisão.</P>
<P>
AML leva habitação ao Governo</P>
<P>
A Junta Metropolitana de Lisboa vai elaborar um documento com sugestões sobre habitação que deverá apresentar brevemente aos responsáveis pela área do novo Governo. A informação foi divulgada pela Agência Lusa, na sequência do encerramento do 2º encontro sobre Habitação na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Uma reunião da "junta permanente" da AML está marcada para a próxima terça-feira e dela deverá sair um documento com as questões a apresentar ao Executivo.</P>
<P>
Alagoa ameaça derrocada</P>
<P>
O núcleo urbano antigo da Quinta da Alagoa, onde esteve para se instalar a polémica Universidade de Cascais, está "em risco de derrocada", enquanto a Câmara começa a estudar a sua transformação em centro cultural. A quinta vem referida num documento de 1597, acredita-se que o padre António Vieira permaneceu nela em 1685 e, mais tarde, pertenceu à Companhia de Jesus. Depois de ter mudado de dono várias vezes e de ter produzido o conhecido vinho de Carcavelos, várias vezes premiado no estrangeiro, a quinta foi, em 1978, loteada, tendo o núcleo urbano antigo passado em 1983 para a posse da Câmara.</P>
<P>
"Cidades Saudáveis" na Amadora</P>
<P>
Melhorar as condições sociais, económicos e ambientais das grandes cidades, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos munícipes, é o principal objectivo do encontro "Cidades Saudáveis" -- um projecto da Organização Mundial de Saúde que agora chega à Amadora, única cidade portuguesa que integra o projecto. A coordenadora local, Helena Delgado, anunciou ontem que o concelho vai dispor de mais um centro de saúde na Brandoa, um projecto já aprovado, e outro na Damaia, previsto no Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central e para o qual a autarquia já cedeu terrenos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59248">
<P>
Esquadra da PSP com menos 25 efectivos do que a lei manda</P>
<P>
Sintra com segurança ao acaso</P>
<P>
Uma loja de electrodomésticos do supermercado Pingo Doce da Portela foi assaltada na madrugada de terça-feira. O assaltante acabou por ser preso pelo carro-patrulha da PSP de Sintra que na altura passava pelo local, mas a detenção foi casual. Apesar de ter menos duas dezenas e meia de efectivos do que deveria, os responsáveis policiais asseguram que a esquadra em causa não se inclui nas áreas de maior criminalidade.</P>
<P>
Foi pelas 5h45 que a tripulação do carro-patrulha que efectuava a ronda pela Portela, um dos bairros da vila de Sintra, se deparou com um assalto a uma loja do Pingo Doce. Um jovem de 20 anos, sem profissão e residente no Cacém, preparava-se para retirar do estabelecimento -- auxiliado por três indivíduos que se puseram em fuga -- vários aparelhos áudio e vídeo.</P>
<P>
Na participação do comerciante ficaram registados cerca de 500 contos de material furtado e mais 350 contos de danos causados na loja. O Tribunal de Sintra confirmou a detenção.</P>
<P>
Nem todos os assaltos na vila, no entanto, têm tido idêntico desfecho. Disso mesmo dá conta uma carta enviada ao comando da PSP de Cascais pelo presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria e São Miguel, António Pombal (PSD), e que o PÚBLICO divulgou na terça-feira, em que se refere a diminuição de agentes e consequente aumento de roubos diurnos e nocturnos, a falta de vigilância junto às escolas e a disseminação da venda ambulante.</P>
<P>
Ou seja, apesar das promessas de mais efectivos deixadas pelo secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna, Carlos Encarnação, numa visita que fez à vila em Junho, a situação mantém-se inalterada.</P>
<P>
«A vila de Sintra não me deixa preocupado», começou por afirmar o comandante da Divisão de Cascais, Vaz Antunes, ao ser confrontado com a carta, para o que se apoiou no facto de a vila só registar 7,5 por cento das ocorrências da divisão. Talvez o facto explique que a esquadra de Sintra conte com apenas 40 efectivos, quando a portaria publicada em 1991 promovendo-a a esquadra de tipo A lhe atribui 65, excluindo as três pessoas com funções não policiais que também nunca existiram.</P>
<P>
Embora reconheça que o seu comando não anda «a nadar em efectivos», Vaz Antunes aponta para a detenção na Portela como prova de que «há policiamento nas ruas».</P>
<P>
Sobre a situação de o comissário de Sintra ter feito sentinela, a explicação do responsável da Divisão de Cascais é mais pragmática: «Durante os dias de semana, em vez de ter um homem especado à porta prefiro pô-lo a fazer serviço na rua, porque o graduado tem que estar sempre na esquadra. É uma maneira de ter mais alguém na rua.»</P>
<P>
E Vaz Antunes salientou que a substituição do comissário Augusto de Sá foi de mútuo acordo e decorrente da entrada de novos elementos formados pela Escola Superior de Polícia. O comissário Sá escusou-se a prestar declarações, confirmando apenas que a sua transferência se deveu «a uma decisão do comando».</P>
<P>
Com as obras das novas instalações junto à estação da CP a começar em breve -- a antiga sede dos serviços municipalizados foi já entregue à PSP e os trabalhos deverão estar concluídos no início do próximo ano --, nada mais parece restar aos munícipes de Sintra do que esperar que, quando chamarem a polícia, a sorte os proteja...</P>
<P>
Luís Filipe Sebastião</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75128">
<P>
Rio que corta a cidade de Eldorado subiu 11 m acima do normal; 1.600 dos 18 mil habitantes estão desabrigados </P>
<P>
Da Agência Folha e da Folha Vale </P>
<P>
As três estradas que dão acesso ao município de Eldorado (235 km de SP) foram interditadas às 14h de ontem. A cidade está ilhada.</P>
<P>
O acesso à cidade passou ontem a ser feito por barcos. O prefeito, Donizete Antônio de Oliveira, 34, decretou estado de calamidade pública na última segunda. O rio Iguape, que corta a cidade, chegou ontem a 11,1 m acima do normal. As chuvas atingem a região há uma semana. Uma pessoa morreu afogada no sábado passado.</P>
<P>
Na maior enchente registrada em Eldorado, ocorrida em janeiro de 83, o nível do rio Iguape atingiu 11,4 metros acima do normal.</P>
<P>
A Defesa Civil do município informou que 1.600 dos 18 mil habitantes estão desabrigadas. Cerca de 30% das casas estão sem água potável. Os bairros mais atingidos, segundo o órgão, são da periferia.</P>
<P>
Na costa sul de São Sebastião (litoral norte de SP), a tempestade deixou 40 pessoas desabrigadas e faltou energia em vários bairros.</P>
<P>
O índice de ocupação dos hotéis no litoral norte caiu de 80% para 50% nos últimos dois dias por causa das chuvas. Os donos de hotéis da região temem que a chuva atrapalhe o movimento de turistas no próximo final de semana.</P>
<P>
No Paraná, a cidade de Porto Amazonas, a 70 km de Curitiba, foi atingido durante a madrugada de ontem pelas águas do rio Iguaçu, deixando 400 desabrigados.</P>
<P>
O nível do rio era de 7,31 m, quase 3 m acima da cota de alerta. Os municípios de São Mateus do Sul e União da Vitória, cortados pelo rio, e Rio Negro, cortado pelo Rio Negro, desde ontem estão em estado de alerta. Em Curitiba e região metropolitana, a situação permaneceu inalterada. Desde as 5h da manhã de ontem não chove.</P>
<P>
Os 6.200 desabrigados da capital, de Pinhais e São José dos Pinhais não voltaram às suas casas.</P>
<P>
Em Santa Catarina, a cidade de Presidente Nereu (164 km de Florianópolis) decretou estado de calamidade pública por causa da queda de barreiras, derrubadas de pontilhões e alagamentos. Outros sete municípios tinham declarado anteontem estado de emergência.</P>
<P>
Em Blumenau (140 km de Florianópolis), a prefeitura manteve o estado de alerta, após o nível da água do rio Itajaí-Açu começar a baixar. A cidade registrou duas mortes e 450 desabrigados. O prejuízo pode ser de R$ 2,5 milhões.</P>
<P>
Em Cuiabá, no Mato Grosso, três bairros deixaram ontem de receber fornecimento de água anemat (Empresa de Saneamento de Mato Grosso) devido à enchente. Segundo o diretor de Operações da Sanemat, Ailton Gomes da Silva, o acidente afetou apenas 5% do sistema de produção de água.</P>
<P>
Segundo o coordenador da Defesa Civil do Estado, Domingos Iglésias Valério, existem 6.000 pessoas desabrigadas em sete municípios banhados pelo rio Cuiabá.</P>
<P>
Em Mato Grosso do Sul, 695 pessoas estão desabrigadas nos municípios de Miranda, Anastácio, Bela Vista e Porto Murtinho.</P>
<P>
O prefeito de Porto Murtinho (473 km de Campo Grande), Luiz Carlos de Abreu, disse que o nível do rio Paraguai atingiu ontem 6,66 m. Ele afirmou que, se o rio chegar a 9,50 m, vai decretar estado de calamidade pública.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-25368">
<P>
FLAVIO GOMES</P>
<P>
Enviado especial ao Estoril</P>
<P>
O primeiro dia real de trabalho de Ayrton Senna na Williams serviu para o piloto concluir que a equipe não é o país das maravilhas. Senna viu coisas boas no carro nas 42 voltas que completou no circuito português do Estoril: o motor ("redondo, estável e confiável") e a aerodinâmica ("tem uma eficiência enorme"), por exemplo. Mas já avisou: a máquina que, há dois anos, ele mesmo definiu como "de outro planeta", hoje em dia é a maior das terráqueas. Sem suspensão ativa, o carro da Williams, nas palavras de Senna, "não tem nada a ver com aquilo que a gente andou vendo por aí, não".</P>
<P>
Ayrton prevê muito trabalho, mais do que se imaginava. Apesar de marcar o melhor tempo do dia entre os seis pilotos de quatro equipes que fazem seus testes em Portugal, ele acha que o time campeão do mundo vai ter que se dedicar muito ao desenvolvimento da velha suspensão passiva.</P>
<P>
O brasileiro dedicou o dia ontem a testar diversar modificações no modelo FW15C, "para sentir suas reações". Aprender é o verbo que Senna mais tem conjugado esta semana. "É um carro totalmente diferente de guiar", disse, em relação à McLaren, o último que dirigiu. "Ele não tem só qualidades, tem seus problemas também."</P>
<P>
O principal, na suspensão. "Sem a ativa, ele pula mais, fica completamente instável se comparado a um eletrônico. Por essas e outras é mais difícil de guiar e lento também. A aerodinâmica desse carro foi desenvolvida para a suspensão ativa. Com a passiva vira um animal", definiu.</P>
<P>
Senna teve como companheiro ontem o escocês David Coulthard, piloto de testes da equipe. Damon Hill não andou. Também não falou muito com o brasileiro. "Ele preferiu ouvir mais o que eu senti do carro, para não influenciar minhas opiniões", explicou Ayrton, que fica em Portugal até domingo. Hoje ele já anda com a nova versão do motor Renault, o RS6. O carro de 94, batizado de FW16, entra em pista no fim de fevereiro.</P>
<P>
O FW15C é considerado pela equipe um laboratório. "Ele não vai ter uma performance excepcional", adianta o piloto. "Com suspensão passiva, ficaram evidentes algumas características desse carro que não eram conhecidas. As modificações serão feitas no modelo novo." As dúvidas quanto ao real potencial do FW15C, despido da eletrônica, tornaram-se claras quando foi perguntado a Senna o que mais lhe surpreendeu na máquina. Ele levou 17 segundos para começar a responder. Fez alguns elogios ao motor e ficou nisso.</P>
<P>
A posição de dirigir, primeira reclamação feita por Senna já na terça-feira, foi parcialmente corrigida ontem. O volante, de diâmetro muito grande, deve ser trocado. "A tentação de acelerar é grande, mas eu tenho que ser cauteloso, só posso fazer isso quando me sentir seguro e confortável", falou Senna. A potência do motor Renault realmente assusta. "Chego ao final da reta aqui a 320 km/h. Com a McLaren não chegava a 300 km/h. A freada é mais forte, é preciso ter muito autocontrole para não me expor a acidentes", concluiu.</P>
<P>
Os tempos de ontem: 1) Ayrton Senna (BRA/Williams), 1min13s30 (42 voltas); 2) Karl Wendlinger (AUT/Sauber), 1min14s48 (64); 3) Heinz-Harald Frentzen (ALE/Sauber), 1min14s79 (53); 4) David Coulthard (ESC/Williams), 1min15s30 (44); 5) Eric Bernard (FRA/Ligier), 1min15s99 (30); 6) Alessandro Zanardi (ITA/Lotus), 1min16s61 (45).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11350">
<P>
Comentário</P>
<P>
Stephen Smith*</P>
<P>
Dois países ameaçados de implosão</P>
<P>
A dez dias do primeiro aniversário do genocídio no Ruanda, que começou na tarde de 6 de Abril, é grande a tentação de conjecturar sobre o perigo de «um segundo genocídio» no Burundi, de pôr em paralelo as situações destes dois países vizinhos, compostos, nas mesmas proporções, de hutus (85 por cento) e tutsis ( 15 por cento).</P>
<P>
No entanto, sob pena de cometer um grave erro de julgamento, não se pode confundir os «dois falsos gémeos da nascente do Nilo», como se chamava a estes dois reinos no século passado. Hoje, também, os dados políticos nos dois países diferem consideravelmente.</P>
<P>
É certo que, tanto num como noutro, são os hutus e os tutsis que se matam mutuamente. Tanto num como noutro, também, é paradoxalmente a maioria hutu que alimenta, no essencial, os fluxos de refugiados.</P>
<P>
Mas o Burundi tem sido, nos primeiros 30 anos da sua História como país independente, uma ditadura militar da minoria tutsi.</P>
<P>
O êxodo não deriva de um projecto de genocídio da parte dos executores hutus. O que não quer dizer que massacres em grande escala não possam ocorrer: entre o Exército burundês, composto por 95 por cento de tutsis, e a esmagadora maioria hutu, massa de camponeses que vive dispersa pelas colinas do país, a hostilidade foi sendo construída passo a passo. Após o assassínio, pelos militares tutsis, do primeiro Presidente democraticamente eleito -- um hutu --, em Outubro de 1993, houve uns 40 mil mortos, dos dois lados.</P>
<P>
Depois, longe da conflagração genocidária como a que conheceu o Ruanda, foi a descida aos infernos... Por escadas. O que deixa subsistir uma ténue esperança de estabilização, ainda que nos possamos interrogar sobre a que nível de caos isso se conseguiria.</P>
<P>
No Burundi, ao contrário do que se passou há um ano no Ruanda, a diplomacia preventiva - apesar das vacilações frequentes - não tem faltado.</P>
<P>
É certo que a comunidade internacional poderia sempre ter feito mais e melhor, designadamente extraindo lições dos fracassos anteriores (por exemplo, a Somália). Mas, na falta de um contingente permanente de capacetes azuis que, colocados à disposição da ONU, pudesse intervir a qualquer momento, é preciso reconhecer que o representante especial das Nações Unidas no Burundi, Ahmedou Ould Abdallah, da Mauritânia, bateu-se constantemente por trazer os moderados dos dois lados para a mesa de negociações.</P>
<P>
A França, após o seu fracasso no Ruanda, desempenhou também um papel estabilizador que é preciso tomar em consideração.</P>
<P>
Enfim, as Organizações Não Governamentais (ONG) de muitos países contribuiram também com algumas pedras para erguer o dique contra o ódio ao Outro no Burundi.</P>
<P>
Se, apesar de tudo isto, o pior tiver de acontecer, não é por falta de diplomacia preventiva, mas porque ela terá falhado.</P>
<P>
Porquê? Neste capítulo, e também ao contrário do Ruanda, em vão se procurará no Burundi um verdadeiro Presidente extremista que, com o seu «akazu» (a sua equipa, literalmente: a sua «pequena casa») tenha preparado «a noite das facas longas».</P>
<P>
É certo que há extremistas dos dois lados: os vadios do Palipehutu, guerrilheiros hutus que se uniram ao antigo ministro do Interior, Léonard Nyangoma, de um lado; do outro, as diversas milícias urbanas tutsis e, sobretudo, o Exército «nacional» que, a partir do momento em que entra num bairro hutu, redescobre os seus antigos reflexos de repressão.</P>
<P>
No entanto, para explicar a derrapagem do equilíbrio do terror entre hutus e tutsis no Burundi, o argumento do extremismo «tribal», por si só, é insuficiente.</P>
<P>
A verdade é que o genocídio no Ruanda fez não apenas implodir toda a região mas conseguiu também «tribalizá-la». Hoje, o mapa que foi mostrado em Paris no Verão passado mostrando o traçado de uma «Hutulândia» e de uma «Tutsilândia», após o desaparecimento dos Estados do Ruanda e do Burundi, continua a ser uma loucura. Infelizmente, ele corresponde na perfeição à consciência dos actores no terreno. Mais um pouco e, para os hutus e os tutsis do Ruanda, como para os do Burundi, os dois Estados já não existem.</P>
<P>
Cerca de 200 mil tutsis entraram já no Ruanda, provenientes do Burundi. Ao atravessar os cerca de 200 quilómetros que separam Bujumbura (Burundi) de Kigali (Ruanda), os opressores (tutsis) da ex-ditadura racista do Burundi transformam-se, ao chegar ao Ruanda, em vítimas dignas de compaixão, uma vez que pertencem à «etnia mártir».</P>
<P>
Ao contrário, os hutus ruandeses encurralados nos campos de refugiados do Zaire, calculando que a batalha regional se joga actualmente no Burundi, juntam-se em grande número ao grupo de guerrilha de Léonard Nyangoma. Muitas vezes comprometidos no genocídio do Ruanda, transformam-se de súbito em «combatentes da liberdade».</P>
<P>
«Parem com o etnofascismo no Ruanda», «Abaixo os extremistas hutus»: após o genocídio, «slogans» como estes revelam-se tão impotentes que tapam a vista.</P>
<P>
Talvez ainda não o tenha sido no passado, mas hoje, seguramente, o «Buruanda»-- o espaço geopolítico de dois estados ameaçados de desaparecimento -- é um ambiente mortífero. Mata-se para não ser morto. E o mundo exterior não pode fazer mais do que assegurar, tornar credível que se pode sobreviver tem ter espalhado a morte.</P>
<P>
*Jornalista</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-39869">
<P>
Em Dezembro em Lisboa</P>
<P>
Sócrates: cimeira "União Europeia-África não deve ser uma cimeira «sobre Mugabe» </P>
<P>
A cimeira União Europeia-África, prevista para 8 e 9 de Dezembro em Lisboa, não deve ser uma cimeira sobre o Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, defendeu hoje José Sócrates, primeiro-ministro português e presidente em exercício da União Europeia (UE).</P>
<P>
«O que queremos é que esta cimeira entre a União Europeia e África, uma cimeira histórica muito importante, se concentre nos documentos que vão ser aprovados e não sobre o Presidente Robert Mugabe», declarou Sócrates em Singapura, à margem da cimeira entre a UE e os países do Sudeste asiático, segundo a Lusa.</P>
<P>
O Zimbabwe foi convidado para participar na cimeira, apesar da oposição do Reino Unido que ameaçou boicotar a reunião se Mugabe estiver presente.</P>
<P>
«Esta é uma cimeira que não se realiza há sete anos, uma cimeira sobre os direitos do Homem, sobre as alterações climáticas, sobre as migrações, sobre os problemas da União Europeia e da União Africana», salientou Sócrates.</P>
<P>
«O objectivo é restaurar o diálogo político alargado com a África e fazer não apenas uma estratégia da Europa para a África mas uma estratégia conjunta, pela primeira vez na história», lembrou.</P>
<P>
«Gostaria que esta cimeira não fosse apenas sobre um país ou sobre um dirigente», insistiu.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59974">
<P>
Prémio contra o cancro</P>
<P>
O prémio francês Yvette Mayent-Instituto Curie 1994, no valor de um milhão de francos (30 mil contos), foi atribuído ao britânico David Lane pela descoberta do papel da proteína p53 no aparecimento de cancro.</P>
<P>
Lane, de 42 anos e professor de oncologia molecular na Universidade de Dundee (Escócia), é o primeiro laureado deste prémio, que distingue trabalhos de investigação realizados na Europa, independentemente da nacionalidade do investigador.</P>
<P>
O prémio foi criado por um particular, Pierre Mayent, em homenagem à sua esposa e pretende recompensar descobertas feitas na União Europeia susceptíveis de contribuir para o diagnóstico, tratamento e prevenção do cancro. A entrega do prémio será feita em 1995, aquando da inauguração de um edifício que acolherá os novos laboratórios de biologia celular do Instituto Curie de Paris.</P>
<P>
A proteína p53, que é codificada pelo gene do mesmo nome, parece ter uma função reguladora no ciclo de vida da célula, podendo tanto incentivar a célula a dividir-se como fazer o contrário. O que é importante, porém, é que quando, por alguma razão, o gene p53 sofre uma mutação, a proteína que ele passa a fabricar deixa de poder controlar a proliferação celular. Já foram identificadas mutações do p53 que estão envolvidas nos cancros do cólon, do recto, do seio, do pulmão, do fígado, da bexiga, do cérebro e dos ovários.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="Ntyr-78"> 
<P> CCB 15 ANOS | UM PRESENTE AOS ESPECTADORES </P>
 <P> Com um grande concerto realizado ao ar livre, na Praça do Museu, no dia 21 de Março de 1993, o CCB iniciava, há quinze anos, a sua actividade como centro de produção e apresentação de espectáculos e exposições o maior de Portugal. O Grande Auditório viria a ser inaugurado seis meses depois, a 22 de Setembro, com um recital da soprano catalã Montserrat Caballé, enquanto o Pequeno Auditório abrira as suas portas em Junho com um espectáculo do violoncelista Anner Bylsma. </P>
 <P> Neste arco temporal de 15 anos, o CCB apresentou ao público de Lisboa artistas tão diversos como Sviatoslav Richter e Cecilia Bartoli, Pina Bausch et Pippo Delbono, Peter Brook e Jordi Savall, Philip Glass et Keith Jarrett, a Royal Shakespeare Company e o Piccolo Teatro di Milano, Robert Lepage e a companhia Cheek by Jowl, a companhia de ópera do Teatro Mariinski de S. Petersburgo e The Wooster Group. Aqui se estrearam os The Gift, aqui actuaram Maria João Pires e Bernardo Sassetti, aqui se apresentaram os Madredeus e GNR, Sérgio Godinho e Luís Represas, Jorge Palma e Mariza. Os visitantes do CCB puderam ver nestes anos exposições de Roy Lichtenstein e Frida Kahlo, de Robert Rauschenberg e de Paula Rêgo, de Antoni Tàpies e de Helena Almeida, de Júlio Pomar e de Sabine Hornig, de Candida Höfer e de Sebastião Salgado, de Aleksander Rodchenko e de Louise Bourgeois. </P>
 <P> Durante estes anos de viragem do século, o CCB acolheu alguns dos maiores espectáculos apresentados em Lisboa, tornando-se um dos equipamentos culturais de referência do país e um parceiro crescentemente procurado por insituições culturais internacionais. O balanço desta década e meia de actividade praticamente ininterrupta (o Centro só fecha no Dia de Natal) mede-se pela frequência diária de centenas de pessoas, que habitam os espaços de estudo e lazer do CCB, além dos muitos milhares que ferquentam as suas actividades. Em 2006, 150.000 pessoas assistiram a espectáculos, 200.000 visitaram as exposições, 90.000 frequentaram reuniões e congressos, 20.000 crianças participaram em actividades de pedagogia e animação. </P>
 <P> É por isso que as comemorações dos 15 anos de actividade do CCB, que decorrerão ao longo do ano de 2008, vão ser especialmente orientadas para o público que fez do CCB um equipamento indipensável na vida cultural da cidade. Não editaremos álbuns auto-congratulatórios nem promoveremos grandes jantares de celebração; não lançaremos fogo de artifício nem nos envolveremos em extravagâncias de programação que estariam para lá da nossa dimensão e recursos. Investiremos tudo o que está ao nosso alcance para tornar a programação de espectáculos de 2008 mais acessível aos frequentadores do CCB. </P>
 <P> Assim, um conjunto de espectáculos programados para o Grande Auditório foi escolhido para integrar a série CCB 15 Anos, em que o leque de preços se situa em média 30% abaixo dos preços normalmente praticados para espectáculos semelhantes, mantendo-se além disso os descontos habituais. Mais: nos casos em que isso seja tecnicamente possível, os lugares de Galeria (em pé, por vezes com visibilidade reduzida) serão postos à venda ao preço único de 5 EUR (estes naturalmente sem desconto), permitindo que toda a gente tenha acesso aos espectáculos de maior atractividade para o público. </P>
 <P> As comemorações terão assim início já em Dezembro, com a apresentação da
Oratória de Natal de J. S. Bach pela Akademie für Alte Musik e o RIAS Kammerchor de Berlim, para a qual o preço dos bilhetes varia entre os 5 (Galerias) e os 25 EUR (1ª Plateia); em Janeiro, a ópera visual
Operação Orfeu, apresentada pela companhia dinamarquesa Hotel ProForma, será também um espectáculo CCB 15 Anos (bilhetes entre 15 e 20 EUR): CCB 15 Anos será também o ciclo de piano Beethoven 2008 (cinco recitais com o preço único de 15 EUR por concerto). E em Fevereiro haverá três espectáculos integrados nas comemorações: o concerto do quinteto de Enrico Rava, um dos maiores trompetistas de jazz da actualidade, oferecerá preços entre os 5 e os 20 EUR ; as duas récitas da coreografia de William Forsythe
Impressing the Czar, pelo Ballet Real da Flandres, terão bilhetes entre 5 e 30 EUR ; e a
Carta Branca a Jorge Palma, no último dia do mês, propõe entradas entre 5 e 20 EUR. </P>
 <P> Mas a festa vai continuar ao longo do ano de 2008. Cada edição do Programa de Actividades assinalará com o selo CCB 15 Anos os espectáculos integrados nesta oferta especial. E contamos com todos, nesta comemoração de uma data que deve ser pretexto para uma renovação da nossa ligação com o público que connosco habita, todos os dias, de há 15 anos para cá, o Centro Cultural de Belém. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-41604">
<P>
Incêndio em Camarate</P>
<P>
Uma carrinha com cinco motorizadas no interior ardeu esta madrugada no Bairro de Angola, em Camarate, nos arredores de Lisboa. A carrinha e os motociclos, pertencentes à empresa VP Motos, ficaram destruídos pelas chamas, mas não se registaram acidentes pessoais.</P>
<P>
Os bombeiros de Camarate disseram desconhecer as causas do incêndio, mas uma fonte da GNR de Sacavém admitiu a hipótese de fogo posto uma vez terem sido detectados vestígios de derrame de combustível sobre o veículo.</P>
<P>
Sampaio na cruzada pela capitalidade</P>
<P>
A cruzada de Jorge Sampaio a favor da especificidade dos problemas da capital do país levou-o quarta-feira à Assembleia da República, onde procurou sensibilizar os grupos parlamentares para a necessidade de serem tidos em conta os chamados «custos da capitalidade» de Lisboa quando são distribuídos os dinheiros do orçamento do Estado.</P>
<P>
Após reuniões com os grupos parlamentares do PSD, PS, PCP e CDS/PP, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, citado pela Agência Lusa, queixou-se da evolução negativa do orçamento do seu município, defendendo a necessidade da «consideração específica dos problemas da capital». Nos últimos dois anos, disse, a maior autarquia do país perdeu cerca de 25 por cento das suas receitas, vendo o seu orçamento reduzido em cerca de 7,5 milhões de contos.</P>
<P>
Para ultrapassar o problema -- e apesar de afirmar a sua solidariedade para com os protestos da Associação Nacional de Municípios Portugueses -- o autarca defendeu a redução do IVA de 17 para cinco por cento nas empreitadas destinadas à construção de habitação para erradicar as barracas de Lisboa. Isso iria «beneficiar a própria construção de casas», acrescentou.</P>
<P>
Jorge Sampaio reclamou ainda a necessidade de alteração da lei das Finanças Locais, de forma a ajustar o orçamento municipal às necessidades específicas de Lisboa. Uma questão que deixou no ar foi a da isenção de pagamento da contribuição autárquica de que os edifícios do Estado continuam a beneficiar.</P>
<P>
Largo A. Perdigão junto à Gulbenkian</P>
<P>
A praceta contígua aos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian e delimitada pelas avenidas de Berna e Conde de Valbom, em Lisboa, vai passar a ostentar o nome de Azeredo Perdigão, que, desde 1956 até 1993, presidiu aos destinos daquela instituição.</P>
<P>
O novo topónimo obteve parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia e foi anteontem aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal de Lisboa. A praceta, onde se situam alguns dos acessos ao novo parque de estacionamento subterrâneo da Avenida de Berna, vai, assim, passar a designar-se «Largo Azeredo Perdigão», personalidade que nasceu em 1896 e faleceu em Setembro do ano passado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21941">
<P>
Debate em Lisboa</P>
<P>
Violência na escola: polícia não é solução</P>
<P>
Manuela Martins</P>
<P>
Para Daniel Sampaio, a violência é sobretudo um problema de relações familiares. Mas o psiquiatra realçou também que a escola tradicional e os professores não estão preparados para situações que uma nova sociedade coloca. Importante é que jovens, professores e pais se encontrem para falar, sem receio de reconhecer os seus próprios erros e limitações.</P>
<P>
Não é com mais polícias na escola e na rua que se resolve o problema da violência e da segurança. A violência não é só um problema do Governo, das autarquias e da polícia. É, antes de mais, um problema de relações familiares. Os pais, além de exigirem mais vigilância nas escolas, têm que se interrogar, também, sobre a sua vida e sobre o tempo e a atenção que dão aos filhos.</P>
<P>
Foi desta forma que o psiquiatra Daniel Sampaio, convidado da Associação de Pais da Escola Primária nº 157, em Lisboa, atacou na terça-feira à noite o tema do encontro «A violência e a Segurança nas Escolas de Lisboa». Referiu também as outras sementes de violência que não se resolvem com mais polícia, mas com um maior empenhamento político: a pobreza, a falta de emprego, o emprego precário, a habitação degradada.</P>
<P>
Os «pecados» do sistema escolar quase que ficavam em estado de graça, nesta enumeração de causas e respostas para a violência nas escolas de Lisboa. No entanto, apesar de dar mais ênfase ao papel da família na prevenção e na resolução de situações de violência, através do diálogo e de um maior envolvimento dos pais, Daniel Sampaio realçou ainda que a escola tradicional e os professores não estão preparados para situações que uma nova sociedade coloca, designadamente a violência, a toxicodependência, os estigmas, as carências de toda a ordem, incluindo as de carácter afectivo, os problemas raciais. Considerou também que é muito difícil ensinar, principalmente numa escola do ensino básico. Os professores fazem um enorme esforço, por isso é compreensível que faltem tanto.</P>
<P>
O que admira é não faltarem mais. Os pais têm que ter consciência disto e compreender que a escola não está preparada para atender às dificuldades económicas e sociais dos alunos. Nos últimos trinta anos, a família e a sociedade mudaram muito. Para esta mudança houve também o contributo dos meios de comunicação social, com as suas aportações positivas, mas também com as suas cargas nefastas, divulgando modelos negativos. Mas se os jovens vêem muita televisão, acrescentou Daniel Sampaio, é porque não têm pais que os levem a passear ou que joguem à bola com eles. E se isto acontece é também porque, se calhar, os pais chegam muito tarde a casa, cansados, porque estão em empregos precários que receiam perder, ou porque têm que fazer «biscates».</P>
<P>
O que é importante, apesar de todas estas situações, é que os jovens, os professores e os pais se encontrem para falar, sem receio de reconhecer os seus próprios erros e limitações. O combate à violência, nas escolas, tem de passar pela colaboração de todos estes agentes educativos e não se resolve apenas com mais polícia, defendeu. Até porque os principais problemas de violência surgem dentro da própria escola, designadamente nos recreios (55 por cento dos casos, de acordo com um estudo de professores da Universidade do Minho) e nas salas de aula (22 por cento).</P>
<P>
Daniel Sampaio informou que algumas escolas do segundo ciclo do ensino básico estão a fazer experiências para resolver este problema, que passam pela eliminação dos recreios que existiam entre as várias disciplinas, criando apenas um espaço de lazer mais alargado, a meio da manhã ou a meio da tarde. Aliás, na própria escola onde se realizou este debate a hora de almoço também foi reduzida por esses motivos. A maioria das crianças almoçam ali e há apenas quatro auxiliares de educação para uma população de 200 alunos, e que além da vigilância têm que servir os almoços, lavar a louça e arrumar a cozinha.</P>
<P>
A propósito da inadequação do tradicional sistema de ensino à sociedade actual, um professor com muitos anos de serviço considerou que a formação de um docente não pode passar apenas pela sua preparação para transmitir conhecimentos. Acrescentou que, na formação que recebeu, nunca ninguém o ensinou a educar nem a auxiliar os pais a educarem.</P>
<P>
Sobre este assunto, a directora da escola, Emília Marques, referiu que «é necessário implementar medidas práticas e reais de apoio no terreno». É imprescindível o acompanhamento, por assistentes sociais, de algumas famílias com problemas e o apoio a algumas crianças por psicólogos -- que as escolas, principalmente as do ensino básico, não têm. E se, esporadicamente, há respostas a estes pedidos, elas são tão demoradas, implicam tantas deslocações e exigem tanto tempo aos pais que acabam por se tornar irrealistas.</P>
<P>
A psicóloga Graça Mexia enriqueceu o debate relatando casos de violência que se revestem de outra natureza, mais psíquica do que física, e que não surgem de situações de pobreza, mas de riqueza. É uma violência de que raramente se fala.</P>
<P>
Baseou-se numa tese de doutoramento, de Helena Marujo, que estudou crianças entre os oito e os 15 anos, de famílias da denominada «classe alta», que frequentam dois colégios dos mais conceituados em Lisboa. Verificou a autora do estudo que nesses colégios havia taxas de depressão elevadíssimas. As raparigas eram as mais afectadas, com problemas de auto-estima e num caso até de anorexia. Trinta por cento das crianças analisadas revelaram que já tinham pensado várias vezes «em morrer». Nesses colégios vivia-se com a obsessão do sucesso. Os pais, sem problemas de dinheiro, viajam muito e delegam nos colégios, «caros e bons», a educação dos filhos. Trata-se aqui de outras situações de «stress» e violência que não radicam na pobreza, mas sim noutro tipo de falta de qualidade de vida.</P>
<P>
Depois das comunicações dos oradores, a assistência foi convidada a intervir. O ginásio da escola estava cheio, o que se pode considerar um sucesso, atendendo a que o debate estava marcado para as 20h45 e à meia-noite ainda não tinha acabado. A iniciativa foi promovida por uma associação de pais pioneira, como fez questão de lembrar o seu presidente, Vítor Sarmento. É que efectivamente são muito poucas as associações de pais em escolas do primeiro ciclo do ensino básico, e as primeiras começaram a constituir-se há apenas cinco anos.</P>
<P>
Pena é que o debate tenha mobilizado poucos pais: apenas estavam presentes alguns dos mais activos, membros da associação. Havia também alguns jovens e muitos professores, mas principalmente representantes de instituições e organismos oficiais, cujas presenças terão dado ao debate um tom demasiado «oficial».</P>
<P>
Integrada na Calçada da Tapada, «num bairro de características urbanas envelhecidas» que escondem pobreza e degradação extremas, como o caracterizou a directora da escola, os professores depressa perceberam que antes de ensinar as crianças tinham que arranjar forma de as alimentar. Aproveitaram assim o subsídio camarário normalmente utilizado para os lanches e a solidariedade das auxiliares de educação, que do seu bolso põem mais algum dinheiro, e passaram a servir às crianças uma sopa quente, além de sandes e fruta três vezes por semana e um iogurte nos outros dois dias.</P>
<P>
Mas há um incómodo que ainda não arranjaram maneira de ultrapassar: é que, à hora do almoço, as crianças são distribuídas por duas salas. Numa serve-se a refeição mencionada, para as crianças mais carenciadas, que a não podem pagar. Na outra, comem as crianças cujos pais pagam a refeição completa, confeccionada na escola -- 36000 por cabeça. É uma situação violenta, ela própria, mas a direcção da escola ponderou e concluiu que era preferível ainda que não ideal.</P>
<P>
Os próprios tempos livres apenas são frequentados, na escola, por algumas crianças. Aquelas que os podem pagar. Esta situação verifica-se em toda a região escolar de Lisboa, observa a educadora Ana Oliveira, opinando que se deveria generalizar a prática da Região Escolar de Setúbal, onde o próprio Ministério da Educação assumiu a responsabilidade de destacar e pagar a educadores para acompanharem os tempos livres dos alunos.</P>
<P>
A segurança também melhorou: desde que, há quatro anos, existe na escola um guarda a tempo inteiro, que habita dentro do estabelecimento, os assaltos dos fins-de-semana deixaram de acontecer. Apenas situações esporádicas, como a que sucedeu no próprio dia em que se realizou o debate, quando um homem entrou numa sala de aula e disse para os alunos: «Olá, eu sou o Joaquim e venho buscar a câmara de vídeo.» E desapareceu, calmamente, com o aparelho.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-56854">
<P>
Plano emergencial para enfrentar crise econômica prevê corte de 10% na folha de pagamento da universidade</P>
<P>
FERNANDO ROSSETTI</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) iniciou ontem um programa inédito para enfrentar sua crise econômica: divulgou um ofício propondo que professores e funcionários se demitam voluntariamente. A idéia é cortar 10% da folha de pagamento e faz parte de um plano emergencial para o primeiro trimestre deste ano, segundo o chefe de gabinete, Carlos Donizeti Macedo Maia, 38.</P>
<P>
Com gastos maiores do que a arrecadação em mensalidades há mais de dez anos (leia texto ao lado), a PUC está com uma dívida de cerca de US$ 15 milhões. O 13.º salário de 1992 foi pago parceladamente entre abril e agosto do ano passado. Até agora, pouco mais da metade do 13.º salário de 1993 foi pago. A reitoria diz que pagará o resto "na primeiríssima oportunidade em que tiver recursos".</P>
<P>
"Ninguém vai se demitir", afirma a vice-presidente da Associação de Docentes da PUC, Maria da Graça Gonçalves, 40. "Eles nem têm dinheiro para o 13.º e estão propondo pagar os encargos da demissão de forma parcelada", acrescenta. Para compensar o parcelamento, a reitoria oferece assistência de saúde durante o período.</P>
<P>
O "plano emergencial" foi anunciado em reunião do Conselho Universitário no dia 15 de dezembro. Inicialmente, a reitoria pretendia diminuir 10% das jornadas e dos salários de professores e funcionários. Mas as entidades recusaram. Outra medida é orientar as unidades para que os professores dêem mais aulas. "Estão cortando o tempo de pesquisa", diz Graça Gonçalves.</P>
<P>
"Chegou um momento em que alguma medida tinha de ser tomada", afirma Maia. "Vamos reestruturar a universidade para que se tenha uma solução mais permanente." O chefe de gabinete diz que, dependendo dos resultados das medidas, a reitoria poderá recorrer à Justiça do Trabalho para garantir cortes futuros.</P>
<P>
A folha de pagamento da PUC cobre 2.700 pessoas, entre professores e funcionários. Cerca de 14 mil alunos fazem os cursos de graduação e pós-graduação da universidade –o que arrecada entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões, dependendo da época do ano. Por 40 horas semanais, um professor em início de carreira recebe CR$ 278 mil.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55913">
<P>
Embaixada de Portugal inundada na Tailândia</P>
<P>
Inundações matam no sul da Índia</P>
<P>
Pelo menos 109 pessoas morreram devido às cheias provocadas por chuvas torrenciais no sul da Índia, que causaram também avultados prejuízos no Estado de Andhra Pradesh. De acordo com fontes oficiais, foram destruídas também várias infraestruturas como estradas e caminhos-de-ferro, provocando um prejuízo calculado em cem milhões de dólares (cerca de 15 milhões de contos).</P>
<P>
Na Tailândia, entretanto, a subida das águas do rio Chao Phraia, em Banguecoque, inundaram o jardim e o piso térreo da residência do embaixador português e a chancelaria da Embaixada de Portugal, depois do rebentamento de um dique que protegia a representação diplomática. As águas do Chao Phraya transbordaram as margens engrossadas por fortes chuvas de monção que atingem a região da capital tailandesa.</P>
<P>
Fontes da representação diplomática indicaram à agência Lusa que os funcionários da embaixada, incluindo o embaixador Mesquita de Brito, evitaram danos sérios provocados pelo avanço das águas, transferindo para o piso superior da residência tapetes, obras de arte e a biblioteca. Na chancelaria, a documentação foi também posta a salvo, mas as áreas inundadas encontravam-se ontem submersas por cerca de metro e meio de água. Os serviços meteorológicos de Banguecoque anunciaram que o nível das águas do rio atingira o seu ponto mais alto sob a influência da maré alta no Golfo da Tailândia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-95486">
<P>
Água europeia melhorou</P>
<P>
Houve uma ligeira melhoria na qualidade das águas para banhos da União Europeia no ano passado. Esta melhoria da qualidade da água do mar tem sido constante nos últimos anos, segundo afirmou John Iversen, porta-voz da Comissão Europeia, citado pela Reuter. Segundo os dados de 17.172 zonas de banho relativos a 12 países (a Austria, a Suécia e a Finlândia não estão incluídas), 90 por cento das zonas costeiras indicadas atingiram as normas da União Europeia (UE) sobre a qualidade da água tendo em conta a presença de bactérias. A Irlanda foi o país com a melhor qualidade de águas de banhos, tanto costeiras como de interior. Nos países do Sul -- Espanha, Grécia, França, Portugal e Itália --, 90 por cento das praias atingiram, em média, as normas da UE, mas Portugal e Itália situaram-se abaixo daquela percentagem.</P>
<P>
Entre os países do Norte o relatório chama a atenção para a situação da Holanda onde 36 por cento das praias analisadas tinham água que não atingia as normas de qualidade. Já a qualidade das águas interiores nos doze países estudados deixou muito a desejar, pois apenas 65 por cento das áreas preencheram as normas. As conclusões mostram ainda que houve uma deterioração da sua qualidade nos últimos quatro anos. A União Europeia chama a atenção para o facto de que apenas foram analisadas zonas designadas oficialmente como zonas de banho e que apenas se tiveram em conta alguns dos parâmetros cujo respeito é obrigatório -- o que significa, por exemplo, que um critério tão importante como «material flutuante», cujas normas não são obrigatórias, não foi avaliado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-41984">
<P>
Cruzeiro das Ilhas, entre o Faial e a Terceira</P>
<P>
A travessia é uma festa</P>
<P>
José António Cerejo</P>
<P>
Entre as ilhas do grupo central, nos Açores, circula um barco que é um mundo. Desde a Horta cosmopolita até Angra sente-se pulsar um povo alegre e diferente. E desfrutam-se as mais belas vistas que se podem esperar no meio do Atlântico.</P>
<P>
Roufenhas e arrastadas, as notas do «Avé» rolam pela proa do «Cruzeiro das Ilhas». Sozinho, sentado numa cadeira contra a chaminé do barco, um homem rude dedilha um instrumento tão primitivo quanto ele. As mãos pesadas são sardentas e as unhas vão sujas pelo trabalho do campo. Grossos como trambolhos, os dedos do tocador esmagam os pistões do velho trombone, escurecido e amolgado.</P>
<P>
Frente a ele, as terras de São Jorge aparecem cada vez mais nítidas. Das ventas cheias de ar saem-lhe vagas toadas religiosas e fragmentos de raíz profana. Duas cadeiras adiante, um jovem mais urbano desembala um trompete igualmente desgastado pelo tempo e ensaia um velho «oh! Yesterday». À parte um ou outro turista, ninguém parece ligar-lhes. A exibição de ambos, afinal, é apenas um detalhe da festa que é a travessia dos mares do Açores, entre a Horta, na ilha do Faial, e Angra do Heroísmo, na Terceira. Nove horas de viagem -- com escalas na Madalena e São Roque (Pico) e nas Velas e Calheta (São Jorge) -- que, só por si, concentram, numa preciosa amostra, a alma açoriana e o viver das ilhas do grupo central.</P>
<P>
Cestos e garrafões</P>
<P>
Logo à saída da Horta, pelas 9h30, o «Cruzeiro» -- uma embarcação da classe dos «cacilheiros», que no Verão faz duas ou três destas viagens por semana -- entra em completa ebulição. Famílias inteiras, ranchos folclóricos, bandas de música, emigrantes, turistas e até ciganos que vendem colchas de ilha em ilha ocupam as suas posições, conforme a sede de folia e o receio do enjôo. Para o bojo do Cruzeiro, numa demorada e confusa operação, descem as mercadorias e as bagagens que não podem ser subtraídas ao bem humorado controlo da tripulação.</P>
<P>
Pela proa, pela popa e pelos compartimentos interiores espalha-se tudo o mais: cestos de figos e de uvas, garrafões de vinho de cheiro, sacos de toda a espécie -- muitos deles com os instrumentos das filarmónicas --, caixas e caixotes, gaiolas e até uma carrinha de rodas que faz parte dos adereços de um grupo de baile de Carnaval. Entre os passageiros que escolhem o ar livre à ré do navio, o pequeno guindaste de bordo semeia, a esmo, centenas de bem cheirosas pranchas de cedro do mato. «É o melhor que há para fazer barcos, isto dura séculos», explica um homem que tem tanto de lavrador como de pescador.</P>
<P>
Mas há também caixas frigoríficas vazias, usadas como contentores precários, motas e até dois automóveis. Carros que transpõem o encosta-afasta do barco ao cais numa rede de grossas cordas penduradas do guindaste. Sete mil e quinhentos escudos para ter o automóvel do lado de lá do canal, na Ilha do Pico.</P>
<P>
Já o Faial vai esmorecendo na bruma, o cone gigantesco do Pico avolumando-se pela frente e já a cerveja começa a circular para enfrentar o calor húmido e a ausência da mais leve brisa. Em cada escala, a agitação é a mesma da partida. O mar está bom, dizem os de lá. Mesmo assim, o braço forte do marinheiro é bengala indispensável para que os pés dos mais fracos se finquem em terra.</P>
<P>
Na Madalena entram mais cestas de fruta e os garrafões trazem vinho novo. A festa das vindimas teve o seu auge no domingo passado, mas das adegas particulares -- centenas de construções rústicas que se confundem com os muros de lava que cercam as minúsculas vinhas e que polvilham quase todo o litoral da ilha -- já chega o cheiro inconfundível do vinho americano, ajudado em grau pelo álcool etílico e pelo açúcar.</P>
<P>
Em São Roque, no chamado Cais do Pico, ainda se respira a atmosfera da epopeia baleeira, com a última fábrica de óleo e farinhas de cachalote transformada em museu industrial. A paragem do «Cruzeiro», com o seu cortejo de episódios e atrapalhações, demora cerca de meia hora. Uma mulher pede a um tripulante um favor igual a muitos outros: «Leve-me aqui este saquinho, oh senhor! O meu primo está lá nas Velas à espera.» Invariavelmente, o saquinho, que às vezes são três ou quatro volumes e garrafões, é arrumado a um canto sem regateio. Uma moeda ou uma nota discreta agradece, mas percebe-se que impera ali o desejo de ser útil e o espírito de entre-ajuda. O mesmo que faz as vindimas na Madalena ou na Piedade, hoje ajudo-te eu, amanhã ajudas-me tu. E dá para tudo: até para um velho pescador apanhar uma boleia para Angra.</P>
<P>
No fim de contas, a confiança nas pessoas é o principal instrumento de controlo da carga e dos passageiros. Nas diferentes escalas sai quem quer e acaba por entrar quem deseja. Mas sem bilhete, ou autorização, até é capaz de não haver ninguém.</P>
<P>
Ranchos e bandas</P>
<P>
O Verão já está a chegar ao fim, mas o tempo ainda é de festa por todo o arquipélago. A bordo seguem pelo menos três grupos folclóricos e bandas que andam no vaivém do intercâmbio, de ilha em ilha, a retribuir visitas, a defender as cores da sua freguesia, ou apenas da sua «sociedade». Os do grupo de baile de Carnaval de Porto Judeu (Terceira) trazem membros das duas filarmónicas da terra -- «Já lá vai em que a gente não se podia ver uns aos outros» -- e batem todos os recordes da boa disposição. Vieram à Festa das Vindimas e regressam com quase três noites sem pregar olho. Fazem circular o garrafão de vinho do Pico, tocam acordeão, trompete e trombone, cantam e dançam.</P>
<P>
Baixinho, um homem de chapéu preto, que veio de Porto Judeu só para acompanhar os seus, deixa vir ao de cima a velha rivalidade entre a Terceira e São Miguel. «Eles dizem que a gente só quer festa, mas a gente trabalhámos muito antes de vir. Os São Miguéis têm é inveja da gente...»</P>
<P>
Subitamente, na proa, toda a gente corre para a amurada. Os dedos estendidos apontam um bando de golfinhos que vêm saudar o «Cruzeiro». Durante alguns minutos extasiam o barco inteiro com piruetas e correrias. Depois desaparecem e deixam o palco aos peixes voadores que saltam da água e fazem vibrar as barbatanas ao longo de centenas de metros.</P>
<P>
A calma regressa e os olhos vasculham o horizonte em busca da silhueta da ilha seguinte. O mar revolta-se a caminho de Angra e o barco balouça, acima e abaixo, lá bem fundo, com os estômagos mais frágeis a darem de si. No interior do navio viajam confortavelmente os que querem dormir e descansar.</P>
<P>
Entre eles, um emigrante nos Estados Unidos mantém-se absorto. Já lá vão mais de vinte anos que deixou as ilhas. A velhice e a doença dos pais trouxeram-no agora numa visita rápida. Com uma enorme tristeza a toldar-lhe os olhos fala dos filhos dos açorianos que têm vergonha de falar português. Os seus percebem-no, mas ignoram tudo da terra, até a guerra da Guiné em que morreram muitos dos homens da sua companhia. «Querem eles lá saber. A vida é assim, a gente também não queria saber da fome que os nossos apanharam...»</P>
<P>
A chegar a Angra, com o burburinho a inundar o cais e o «Cruzeiro», o homem despede-se com uma expressão de franqueza única: «Gostei de falar com o senhor».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-46308">
<P>
Da Agência Folha, em Manaus</P>
<P>
As embarcações que chegam a Manaus estão sendo vistoriadas pelos agentes do Ibama dentro da operação de combate à pesca predatória. O Ibama está realizando no Estado, há três semanas, a Operação Defeso –de proteção ao período de reprodução dos peixes. O órgão colocou em ação 16 fiscais, principalmente no rio Negro.</P>
<P>
O órgão já apreendeu pelo menos 15,6 toneladas de peixe e arrecadou CR$ 8 milhões em multas. O peixe mais visado pelos pescadores é o matrixã.</P>
<P>
Segundo José Leland, do Ibama, hoje existem mais de 450 barcos nos rios da região que podem estar praticando o comércio irregular desse peixe.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21081">
<P>
Património subaquático português dos séculos XVI a XVIII é cobiçado pelas maiores empresas mundiais</P>
<P>
A febre do ouro submerso</P>
<P>
Isabel Braga</P>
<P>
Os mais poderosos exploradores internacionais do fundo do mar são candidatos à obtenção de licenças da Secretaria de Estado da Cultura para explorar os fabulosos tesouros dos mares portugueses. Licenças que a burocracia faz tardar e que podem não surgir a tempo para permitir chegar, ainda este ano, ao naco mais apetecido, as naus das Índias, supostamente intactas, afundadas nos Açores com as suas riquíssimas cargas. Prática condenada pelo Conselho da Europa, a exploração comercial de navios naufragados, foi consagrada pela lei portuguesa. O Estado ficará com uma fonte de receita que lhe renderá a curto prazo mais de um milhão de contos. Os exploradores também lucram. Só os cidadãos têm tudo a perder.</P>
<P>
A baía de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, Açores, onde, a grande profundidade, estão afundadas centenas de navios com cargas riquíssimas, como as naus da Índia, que asseguravam o comércio entre a Europa e o Novo Mundo nos séculos XVI, XVII e XVIII, é a zona dos mares portugueses mais apetecida pelas grandes empresas internacionais de exploração de tesouros subaquáticos. Essas empresas aguardam ansiosamente a abertura, por parte do Governo português, dos concursos públicos a que a lei do património cultural subaquático obriga para conceder licenças de prospecção e recuperação dos achados arqueológicos submarinos.</P>
<P>
Entre os candidatos a uma concessão no mar da Ilha Terceira está um dos mais poderosos exploradores internacionais do fundo dos mares, o norte-americano Robert Marx (ver entrevista no PÚBLICO de 24/11/94). Uma das suas empresas, a Phoenician Exploration, LTD, com sede no Canadá, é, desde Abril do ano passado, candidata a um contrato de concessão para a prospecção de 100 milhas marítimas quadradas, na baía de Angra.</P>
<P>
Nos últimos meses, outras duas empresas candidataram-se a concessões para trabalhar na mesma zona: a Arqueonautas SA, cujo cartão de visita aparece nobilitado com o nome de D. Duarte de Bragança, é dirigida pelo Almirante Isaías Gomes Teixeira e integra uma arqueóloga subaquática de renome internacional, Margareth Rule, além de mergulhadores como o inglês John Grattan -- envolvido, em 1972, em histórias de violência, na Ilha Terceira, que chegaram aos tribunais -- e o alemão Peter Segers; e ainda a empresa dirigida por um antigo mergulhador de Robert Marx, Ben Marish, com sede nas Ilhas Caimão.</P>
<P>
O final da Primavera, início do Verão, é a única época que permite trabalhos de pesquisa subaquática a grandes profundidades nos Açores, o que aumenta a ansiedade dos candidatos pela abertura dos dois concursos públicos a que a lei obriga: um primeiro para a concessão de licenças de prospecção numa área que não pode ultrapassar as 100 milhas quadradas marítimas, e um segundo para concessões de licenças de recuperação, abrangendo um círculo com duas milhas marítimas de raio.</P>
<P>
«Esta espera põe-me louco»</P>
<P>
Robert Marx é, talvez, o pesquisador submarino mais ansioso de todos. Em causa está, como ele afirmou ao PÚBLICO, a «realização de um sonho que tem quase quarenta anos», um sonho que alimenta «desde os anos 60», quando viu, «em registos feitas com sonar pelas marinhas francesa e da ex-URSS nos anos 60, navios intactos afundados nos Açores, a grande profundidade», recorda.</P>
<P>
Apesar das poderosas influências de que Marx disfruta em Portugal -- o seu advogado é Rui Gomes da Silva, deputado do PSD e um dos autores da lei do património subaquático, na elaboração da qual o próprio Marx serviu de consultor --, ele tenta jogar com outros trunfos para apressar o passo à burocracia portuguesa. Assim, nos últimos dias, estabeleceu contactos com a embaixada dos Estados Unidos em Lisboa tentando, através desta, pressionar o Governo português para dar um andamento mais rápido ao processo de abertura dos concursos públicos para a concessão de licenças de exploração arqueológica submarina. Em nome do dono da Phoenician Explorations diversos senadores norte-americanos tentaram já também exercer pressões junto daquela embaixada, com o mesmo objectivo, soube o PÚBLICO.</P>
<P>
«Estou obcecado, esta espera põe-me louco. Se não puder começar em Abril ou Maio terei que aguardar mais um ano. Já vim a Lisboa mais de 200 vezes por causa disto» desabafava Robert Marx há dias, em conversa com o PÚBLICO. O que está a atrasar a concretização dos sonhos dos exploradores do fundo dos mares é a publicação, em «Diário da República», da regulamentação da lei do património cultural subaquático, que só ficou terminada nos últimos dias de Março. A seguir, a Comissão do Património Cultural Subaquático terá que anunciar, na folha oficial, a abertura dos concursos públicos para a atribuição de concessões, após o que os vários candidatos dispõem de um prazo, segundo a lei não inferior a um mês, para a apresentação das suas propostas. Quem ganhar uma concessão de prospecção e, eventualmente, detectar um achado no fundo do mar na área que lhe foi adjudicada, tem que iniciar um novo processo destinado a conseguir uma licença de recuperação.</P>
<P>
Não só o mar da Ilha Terceira está na mira dos exploradores submarinos: a empresa Seahawk Deep Water Technology, com sede em Tampa, Florida, pretende uma concessão de 100 milhas quadradas na Ilha de S. Miguel, mais exactamente junto a Vila Franca do Campo, um porto nas proximidades de Ponta Delgada. O mergulhador Vitor Cruz quer recuperar os destroços da nau «La Condessa», que descobriu afundada na Carrapateira, junto ao Cabo de São Vicente, em 1992. A firma Lex Rhodia, presidida pelo almirante Saquetti, pretende uma concessão para recuperar os destroços do navio «Nossa Senhora do Rosário», afundado a baixa profundidade em Setúbal. Recuperar o navio «Nossa Senhora das Mercedes», naufragado a Sul do Algarve, é o objectivo de outra empresa, «New Era», cujo presidente é o empresário norte-americano Jack Kelly.</P>
<P>
Marx e a Expo 98</P>
<P>
Mas o grande bolo está nos Açores: há documentação histórica que refere o afundamento num mesmo naufrágio, durante uma tempestade, à saída da Ilha Terceira, de 104 barcos, sendo de supor, dada a profundidade das águas, que todos os elementos -- estrutura e carga -- se encontrem, se não intactos, pelo menos perto uma da outra.</P>
<P>
Robert Marx nega a pés juntos que o seu empenho na obtenção de uma concessão para explorar as fabulosas riquezas do mar de Angra se deva a interesses económicos: «Tenho muito dinheiro, milhões de dólares no banco, casas em quatro países, não preciso de ir ganhar dinheiro debaixo de água. Só que, no mundo inteiro, há dez companhias a trabalhar debaixo de água e sete são minhas. Escrevi 45 livros, tenho doutoramentos honorários em quatro países, sou consultor de vários organismos internacionais, não preciso dos vossos malditos tesouros para nada», quase gritou, quando questionado pelo PÚBLICO acerca da sua fama de caçador de tesouros.</P>
<P>
Como prova disso, garantiu ter tido uma reunião com Mega Ferreira, um dos responsáveis da Expo 98, em que ofereceu àquela organização «tudo o que encontrar nos Açores». Afirmação que o seu advogado, Rui Gomes da Silva, corroborou, garantindo ser intenção do seu cliente oferecer ao Oceanário, projectado pela Expo, as caravelas que conseguisse recuperar do fundo do mar. Mega Ferreira, contactado pelo PÚBLICO, negou ter conhecimento dessa oferta: «Recebi o senhor Marx e o seu advogado que manifestaram disponibilidade para colaborar com a Expo 98. Registei e agradeci, foi uma conversa breve e formal, durante a qual eles não fizeram nenhuma oferta concreta nem eu me comprometi a receber nada».</P>
<P>
A lei portuguesa do património cultural subaquático está a gerar uma corrida ao ouro em que participam grandes empresas privadas de capital internacional. É simples explicar porquê: um navio equipado para uma escavação a profundidades superiores a 100 metros custa cinco mil contos diários. Nenhum museu, nenhuma instituição do Estado tem capacidade financeira para pagar equipamentos destes. E quem investe somas tão elevadas na exploração do fundo do mares portugueses aspira, obviamente, ao lucro, caso contrário os pedidos de concessão não diziam respeito, como efectivamente acontece, a áreas marítimas onde se supõe estarem afundados despojos riquíssimos. Ou seja, despojos dos séculos XVI, XVII e XVIII, os únicos capazes de pagar as despesas com a sua recuperação.</P>
<P>
A obtenção de lucros é, aliás, consagrada pela lei portuguesa do património cultural subaquático, aprovada em 1993, durante o consulado de Santana Lopes na Secretaria de Estado da Cultura: embora, em princípio, todos os bens achados no fundo do mar pertençam ao Estado, a lei permite que achadores sejam remunerados através de parte desses achados ao determinar, no seu artigo 16, que a remuneração do concessionário seja constituida por uma parte (30 a 70 por cento) dos bens recuperados «ainda que classificados, ou do respectivo valor, quando o pagamento em espécie for considerada inconveniente para o património cultural português».</P>
<P>
Pendor comercial</P>
<P>
Se alguém, que está a gastar cinco mil contos diários em equipamento, encontrar um monte de dobrões de ouro no fundo do mar sucumbirá à tentação de recuperar esses dobrões o mais rapidamente possível, mesmo à custa da destruição de parte do contexto do achado? É difícil admitir que sim, mas mesmo que tal aconteça, é a própria lei do património subaquático que, com o seu pendor comercial, incentiva à atitude contrária. E que faz desistir qualquer arqueólogo que aspire a fazer uma escavação subaquática num contexto onde não é suposto existirem despojos vendáveis, ou seja, todos os contextos alheios ao século XVI, XVII e XVIII, por muito ricos que sejam sob o ponto de vista da informação histórica.</P>
<P>
O Estado português também vai ganhar dinheiro com o património subaquático: o adjudicatário de uma concessão é obrigado a pagar taxas que não podem ser inferiores a 20 mil contos por semestre por cada 100 milhas quadradas marítimas, no caso da licença ser para prospecção de achados, e de 200 mil contos de seis em seis meses se se tratar de uma concessão para recuperação. Se os candidatos a concessões de prospecção e recuperação forem apenas cinco, o dinheiro a encaixar pelos cofres públicos somará 100 mil contos de contos quando do primeiro concurso para uma licença de prospecção e um milhão de contos para ser autorizado a fazer recuperações, milhão esse que duplicará de seis em seis meses.</P>
<P>
Nos anos 70, o Conselho da Europa alertava: «A exploração comercial de navios naufragados contendo conjuntos valiosos arrisca-se a ser destrutiva, porque as razões do lucro podem obrigar a uma pressa e a uma eficácia na recuperação que é inevitavelmente irreconciliável com o registo moroso e a investigação controlada a que os parâmetros da arqueologia obrigam. Nenhum enquadramento legislativo ou administrativo (para salvaguardar a nossa herança subaquática) pode ser considerado satisfatório a não ser que tais operações (comerciais) sejam eliminadas.»</P>
<P>
Os navios do século XVI e XVII afundados nos Açores não encerram só tesouros em metal sonante, mas dados científicos importantíssimos sobre as embarcações propriamente ditas, as técnicas usadas na sua construção e a forma como navegavam. Só porque não navegavam carregados de ouro, os navios gregos e romanos afundados no Mediterrâneo foram deixados em paz pelos caçadores de tesouros, por isso, hoje em dia, sabe-se muito mais acerca dos navios dessa época do que acerca das naus de Colombo, afirma a maior autoridade mundial em arqueologia subaquática, o norte-americano George F. Bass, director do Institute of Nautical Archaeology, num artigo publicado em 1985, no «Journal of Field Archaeology», volume 12. Estarão os detentores da caríssima tecnologia de exploração do fundo do mar dispostos a estudar os seus achados com a demora e minúcia que a arqueologia impõe? Segundo Bass afirma no mesmo artigo, a cada mês no mar correspondem dois anos de trabalho em terra, de investigação, conservação e publicação.</P>
<P>
Portugal legalizou a comercialização de uma fatia muito importante do seu património cultural. Quem tiver dinheiro, terá oportunidade, dentro de pouco tempo, de adquirir esse património às peças em leilões na Sotheby's ou na Christie's. Mas, mesmo os portugueses com poder de compra ficarão, para sempre, privados do conhecimento da parte mais importante da história que essas peças poderão contar, o contexto em que, originalmente, estiveram inseridas. E de muitos contextos de outras épocas que ninguém será incentivado a investigar em Portugal.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-39277">
<P>
Organização do GP muda e deixa traçado do circuito mais lento; regulamento reduz a potência dos motores</P>
<P>
JOSÉ HENRIQUE MARIANTE</P>
<P>
Enviado especial a Montreal</P>
<P>
Com motores menos potentes, gasolina comum e muita brita e paredes de pneus, acontece hoje às 15h em Montreal o GP do Canadá de Fórmula 1, sexta etapa da temporada 94.</P>
<P>
E se a questão da segurança tem sido contornada satisfatoriamente, outro problema ainda está longe de uma solução: como resgatar o espetáculo da categoria e reconquistar o público.</P>
<P>
O que dizer de um campeonato que, atualmente, tem no austríaco Gerhard Berger o piloto com mais vitórias (oito no total, a última delas em 1992, no Grande Prêmio da Austrália).</P>
<P>
Berger é conhecido mais por suas trapalhadas e colisões do que por manobras arrojadas e ultrapassagens. Uma diferença brutal em comparação a anos anteriores, quando pilotos do quilate de Alain Prost e Ayrton Senna esgrimavam por pontos do Mundial.</P>
<P>
Na última sexta-feira, a categoria respirou com a qualificação de Jean Alesi, como o mais rápido na primeira sessão de treinos oficiais.</P>
<P>
O piloto francês da Ferrari, com um desempenho impressionante, foi o mais rápido também nos treinos livres da manhã e chegou a ser superado à tarde por Schumacher.</P>
<P>
Logo depois, sobrepujou o alemão em um novo giro, que chegou a ser comemorado com aplausos na sala de imprensa do autódromo candadense.</P>
<P>
A Ferrari andou tão bem sob as novas determinações da FIA (Federação Internacional de Autombilismo), que chegou a gerar dúvidas nas outras equipes.</P>
<P>
Uma movimentação anormal após os treinos de anteontem era percebida nos boxes da Williams, McLaren e Benetton.</P>
<P>
A questão a ser respondida era se a escuderia italiana estaria fazendo uso de um combustível especial.</P>
<P>
A FIA escalonou por GPs as mudanças no regulamento, visando uma maior segurança nas corridas, após os acidentes de Ayrton Senna, Roland Ratzenberger, em Imola, e Karl Wendlinger, em Mônaco.</P>
<P>
E para o Canadá, duas das mudanças interferiram na potência dos motores: a eliminação do "air box", tomada de ar que força uma mistura oxigênio-combustível mais potente, e o uso de combustível comum.</P>
<P>
Apesar da inclusão de um chicane antes da curva do cassino, a comparação dos tempos deste ano com o grid definitivo do ano passado mostra claramente a perda.</P>
<P>
Em 93, Alain Prost foi o pole com 1min18s987. Michele Alboreto fez o pior tempo, que não o qualificou para a corrida, 1min24s382. </P>
<P>
Anteontem, a pole provisória de Alesi foi obtida com o tempo de 1min26s277.</P>
<P>
Mas mesmo que isso seja um sinal de que Michael Schumacher não é invencível, a F-1 ainda está atrás do brilho perdido.</P>
<P>
Para tanto, espera que o próximo GP, dia 3 de julho, em Magny Cours, na França, confirme a presença do inglês Nigel Mansell correndo no lugar de Senna na Williams.</P>
<P>
NA TV</P>
<P>
GP do Canadá, às 15h, na Globo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-11625"> 
<P> O Kuduro e nós. Teria mesmo algo a ver? </P>
 <P> Ku, palavra e não palavrão, parece vir do mais puro vernáculo do Kimbundo (MataKu =nádegas, assento plural de ritaku), principal língua falada em Luanda, Angola (da qual falamos centenas de vocábulos, sem saber - inclusive Ku, certo?) O sentido figurado da palavra é, exatamente, o mesmo que usamos no Brasil: Bunda (palavra aliás, oriunda também do mesmo Kimbundo), literalmente traduzida para o portugês também como nádegas. </P>
 <P> O sentido da expressão Kuduro poderá ser melhor explicado por um Angolano, mas, ao que tudo indica, significa o que parece: Kuduro = Bunda imóvel, sem rebolar, o que, considerando-se que um dos movimentos fundamentais da dança angolana é o sofisticado rebolado (dos homens inclusive), é muito significativo. Algo como uma dança diferente, supostamente 'moderna', no âmbito das danças tradicionais que, como já disse são, extremamente, rebolativas. </P>
 <P> Contudo, dança livre que é, no Kuduro também se pode rebolar, é claro, basta querer. </P>
 <P> Dito isto, o Kuduro, inserido no âmbito da cultura Hip Hop, é uma dança de rua (ou uma street dance, para quem gosta americanismos) Como todos os outros gêneros assemelhados, o Funk carioca e o Kwaito (da África do Sul) é a resposta africana avassaladora influência da indústria cultural de massa capitalista, cujo eixo como se sabe, localiza-se, desde o fim da segunda guerra mundial, na América do Norte. </P>
 <P> Mas o Kuduro também é um símbolo dos mais fortes, neste momento, da enorme capacidade da resistência cultural das populações não-brancas, do outrora chamado Terceiro Mundo, diante da pressão globalizante, sinônimo evidente de aculturação. </P>
 <P>Kuduro Checkup</P>
 <P> No Kuduro angolano - e vejam vocês mesmos que coisa curiosa! - os passos do mix, da fusão com o break, são o mais puro e carioca dos Sambas. Incrível! </P>
 <P> Acreditem, mas, os Pupilos do Kuduro, e outros kuduristas, quando em conjunto, dançam, quase exatamente, o que a nossa Ala dos Malandrinhos dançava lá naqueles bem passados anos 60. Os braços e as mãos dançam break, mas, da cintura para baixo, bundas e pernas dançam o mais desbragado dos Sambas. Pode? </P>
 <P> Teria sido aquela minha saudosa rapaziada de Padre Miguel a inventora do Kuduro ? </P>
 <P> Alguns pesquisadores tentam explicar a estrutura da base rítmica, da batida (beat) do Kuduro por meio de teorias moderninhas ou simplificações que insistem em preconizar a importância, ao nosso ver, exagerada, das tecnologias na criação e na evolução destas danças e gêneros musicais. Os reis da parada seriam portanto os equipamentos eletrônicos (como o já velho Sampler, por exemplo). </P>
 <P> Apenas uma opinião, mas, é preciso cuidado porque assim, por extensão, o papel do Mocinho poderia ser atribuído a sociedade neoliberal globalizada, ao Capitalismo em suma, e ao estupendo grau de desenvolvimento tecnológico que ele propicia. </P>
 <P>Besteira. Baita injustiça, sobretudo. Não há nada de novo nesta praia deserta, neste giro do prato de velha vitrola hi fi.</P>
 <P> O Sampler e sucedâneos são, neste contexto, apenas instrumentos musicais, meios, facilitadores de registro, meros suportes. Se disponíveis estiverem, ferramentas de cultura serão. Se não estiverem, outras ferramentas se inventarão. </P>
 <P> Aliás, o que um Sampler faz mesmo? Não muda nada. Copia. E haja periferia e miséria para samplear. </P>
 <P>A grande sacação (e isto vem desde que o mundo é mundo) é, portanto, a capacidade do homem de tirar leite das pedras, resistir sem esmorecer jamais, reinventando linguagens, recriando sempre a partir de dados do cotidiano, subvertendo referências e sentidos comunicativos, extraídos de seu passado mais remoto, cimentando os degraus do presente, sem ilusões de modernidades vãs ou de futuro radiante.</P>
 <P> Vírus no sistema. O Mocinho verdadeiro desta história- o anti herói - não é a sociedade,mas sim o homem. </P>
 <P>----------------------</P>
 <P>Inside the Kuduro</P>
 <P>(em português não ficaria melhor não)</P>
 <P> Senão vejamos: Em todos os gêneros citados (entre outros), a alma do negócio é um som de caixa e contratempo. É esta a célula rítmica base, a matriz, o DNA, sobre o qual se criará os sons que bem entendermos. Poderia ser um humano baterista lá no fundo, marcando a batida, mas, fica bem mais econômico usar um som gravado. </P>
 <P> No caso do Kuduro clássico (como ocorre com toda coqueluche pop, as distorções e deformações aparecem rapidamente), a batida copiada (sampleada) parece ser o que se chamava nos anos 70, 80 de Kabetula, um ritmo muito popular em Luanda, semelhante ao Semba, do qual talvez seja uma variação (uma outra corrente afirma, contudo, que o Kuduro é uma variação do Kuzukuta, ritmo popular do carnaval angolano). </P>
 <P> Ficou tudo em casa, no entanto, porque ambos os ritmos (como a maior parte das danças de negro do Brasil, desde, pelo menos, o século 19), tipicamente urbanos que são, vieram, provavelmente, do Kaduke, espécie de Kuduro surgido na cidade de Ambaça (Mbaka), grande centro urbano e comercial (!) lá pelos idos de 1880 (veja Capello e Ivens), no tempo da colonização portuguesa em Angola </P>
 <P> Este Kaduke, talvez tenha gerado, a partir do mesmo processo, no Brasil colonial, o Kalundu que, mesclado à danças européias como a Polka e a Mazurka (espécies de danças de periferia brancas, populares na
Europa central), deram numa dança popularíssima na Corte brasileira (um Kuduro colonial) chamada de Lundu. </P>
 <P> Pois não é que o Kaduke, o Kalundu e talvez até mesmo o Jongo formaram talvez, a base principal - coreográfica e musical- do que conhecemos vulgarmente hoje no Brasil como Samba ? </P>
 <P> Viram só? Kuduro e Samba: Tudo a ver. </P>
 <P> Fenômeno recorrente, efetivamente, existem manifestações como o Kuduro em todas as periferias do mundo. Decupando a estrutura de todas elas, especialmente no que diz respeito à coreografia, encontraremos, quase que invariavelmente, a seguinte composição: Passos e gestos de Break Dance, fundidos a movimentos de uma ou mais danças tradicionais, tribais mesmo em muitos casos, existentes na cultura local. </P>
 <P> Alguém já parou para pensar que na violenta e exuberante expressão coreográfica de uma multidão de jovens favelados do Rio, muitos deles portando fuzis automáticos como se fossem lanças, existem passos completamente estranhos ao novaiorquino repertório de movimentos de break original, de, entre outros, James Brown e Michael Jackson ? Há break sim, mas, um pouquinho só. Há desconjuntamento de braços e punhos, movimentos robóticos, como imagens de luz negra intermitente, mas, o que será que significam os outros passos? </P>
 <P> Ora, é evidente que, olhando detidamente os movimentos de dança deste Funk Carioca, iremos encontrar a mesma filosofia coreográfica do Kuduro, em nosso caso, representada por passos de umbanda e candomblé (ritmos aliás, hoje banidos de algumas favelas cariocas, dominadas pela cultura ditatorial-evangélica das milícias). </P>
 <P> Assim como na África e no Brasil, na Índia, no Afeganistão, na Indonésia, a fórmula beat futurista somado à tradição, se repetirá. Uma lógica planetária, uma espécie de cultura global periférica se estabelecerá. Para nós brasileiros, por exemplo, o Kuduro pode vir a representar a feliz descoberta de que, embora alguns anseiem, desesperadamente, pelo nosso ingresso no clube dos brancos países desenvolvidos, fazemos parte sim - e disto muito devemos nos orgulhar- do universo paralelo da mais complexa, viva, diversificada e pujante Periferia. </P>
 <P> Como, facilmente, se pode notar, o mundo roda enquanto a cultura das periferias gira, circula, como um bambolê. Somos do Overmundo, o pá! O Bicho, o vírus da maçã. Y love you Angola ! </P>
 <P>(Em tempo: Em terra de cego, quem tem um olho, infelizmente é... caolho.)</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-93547">
<P>
Segundo salva-vidas, o estudante que morreu na semana-passada pode ter sido a quarta vítima fatal em 94</P>
<P>
CRIS GUTKOSKI </P>
<P>
Da Agência Folha, em São Luís </P>
<P>
O ataque de tubarão ao estudante Carlos Adileno Magalhães, 19, pode ter sido o quarto caso fatal este ano em São Luís (MA). Seu corpo foi encontrado na semana-passada na praia do Caolho, dois dias após ter desaparecido.</P>
<P>
Segundo laudo do Instituto Médico Legal, o estudante estava vivo quando foi atacado pelo tubarão, afastando a hipótese que ele tenha se afogado.</P>
<P>
O salva-vidas Dionaldo da Silva, 29, e Pedro de Carvalho Dias, 24, do posto de saúde da praia do Calhau, afirmaram ontem à Agência Folha que nos meses de abril, agosto e setembro três corpos apareceram nas praias da capital com membros dilacerados ou arrancados, marcas características dos ataques de tubarões.</P>
<P>
"Com certeza ocorrem mais casos, os próprios pescadores nos contam histórias de ataques, mas não existe um acompanhamento mais rigoroso", afirmou a bióloga Márcia Fernandes Coura, 28, do programa de Gerenciamento Costeiro da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.</P>
<P>
Segundo Márcia, os tubarões são atraídos para São Luís devido à grande quantidade de peixe e à temperatura da água morna, em torno de 28ºC.</P>
<P>
O estudante Carlos Adileno perdeu quase todo o braço direito e teve as pernas e costas dilaceradas.</P>
<P>
O irmão de Carlos, Cleber Alberto Magalhães, 18, afirmou que ele não costumava frequentar a praia. Decidiu ir no último domingo porque estava previsto um jogo de futebol. Carlos bebeu cerveja com amigos antes de mergulhar.</P>
<P>
Depois de dois ataques de tubarões a surfistas em São Luís, a Secretaria do Meio Ambiente colocou placas nas praias alertando para a presença dos tubarões. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-57059">
<P>
Debates jovens</P>
<P>
Críticas ao diploma que estabelece o subsídio de arrendamento para jovens e a ligação entre falta de habitação e o insucesso escolar, a droga, a marginalidade e o aumento da idade em que se constitui família foram alguns dos aspectos focados num debate realizado ontem na Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa.</P>
<P>
O encontro juntou associações juvenis de Lisboa e entidades ligadas a cada um dos temas em discussão: Ambiente e Tejo, Acesso à Habitação, Emprego e Desemprego e Integração das Comunidades Estrangeiras. Os Problemas Sociais, a Rádio, a Televisão e o Cinema, a Educação e os Jovens e a Política são os temas para os debates de hoje.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45634">
<P>
Consenso parece impossível na África do Sul</P>
<P>
«Brancostão» já tem Presidente</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
A África do Sul continua a balançar entre a hipótese optimista de um vasto consenso para as eleições de Abril e a visão catastrófica de um conflito cada vez maior. Para já, Hartzenberg foi escolhido para Presidente do Estado afrikaner que a extrema direita insiste em criar.</P>
<P>
As diferentes formações políticas sul-africanas estavam ontem à noite empenhadas em mais uma fase de negociações cruciais para se tentar impedir que as eleições de 27 a 29 de Abril sejam o prelúdio de um grande drama, que faça correr enormes rios de sangue.</P>
<P>
No domingo à noite, o chefe do Partido Conservador, Ferdi Hartzenberg, foi escolhido por uns 10.000 simpatizantes da Frente Popular Afrikaner concentrados em Pretória «presidente interino» do estado separado (Volkstaat) que muitos brancos de origem holandesa e francesa insistem em criar.</P>
<P>
A reivindicação de territórios largamente autónomos tanto por parte da extrema-direita branca como dos zulus afectos ao Partido Inkatha é um dos obstáculos a que a África do Sul caminhe normalmente para as eleições de Abril e para um futuro tranquilo, em que haja lugar para todos os seus 40 milhões de habitantes.</P>
<P>
O Congresso Nacional Africano (ANC), de Nelson Mandela, conseguiu a concordância do Partido Nacional, de Frederik de Klerk, para uma nova divisão do país em nove províncias, mas sem que nenhuma delas seja dotada de vastos poderes administrativos, que eventualmente acarretassem o perigo de separatismo.</P>
<P>
Ora acontece que tanto os ultra-conservadores afrikaners da Frente Popular como Mangosuthu Buthelezi, líder do Inkatha, se opõem à centralização do poder, por entenderem que assim o país ficaria plenamente dominado pelo ANC e pelos seus aliados comunistas, sem possibilidade de defesa para os grupos minoritários.</P>
<P>
A Frente Popular, o Inkatha e os bantustões Kwazulu e Bophutatswana fazem parte de uma Aliança da Liberdade que deverá representar cerca de 13 por cento de todo o eleitorado sul-africano e que é o bloco que falta para que as eleições decorram num clima de grande consenso.</P>
<P>
O direito à diferença</P>
<P>
O ANC, que integra nas suas listas o presidente do Partido Comunista, Joe Slovo, tem segundo as sondagens a hipótese de conseguir mais de 60 por cento dos votos e de a médio prazo vir a talhar uma África do Sul inspirada nos seus ideais de cariz socialista, em que não há lugar para os velhos bantustões nem para quaisquer reinos de origem histórica.</P>
<P>
No entanto, já admitiu a hipótese de os afrikaners efectuarem no fim de Abril uma votação separada, a fim de se pronunciarem sobre se na realidade desejam um estado à parte; com a promessa de que, em caso afirmativo, isso viria posteriormente a ser discutido.</P>
<P>
Não é por enquanto possível saber-se se os afrikaners ou «boers» que reivindicam o «Volkstaat» constituem uma parte muito importante da comunidade branca de cinco milhões de sul-africanos, mas sejam eles um ou dois milhões a verdade é que reivindicam com toda a energia o seu direito à diferença e a leis próprias, numa nova África do Sul que não está a delinear-se segundo os seus velhos princípios calvinistas.</P>
<P>
Quase o mesmo se poderá dizer de uns dois milhões de seguidores do príncipe Buthelezi, que embora sejam apenas uma minoria dos nove milhões de zulus não desistem de modo algum de ter um estatuto especial dentro da República, orgulhosos que ainda estão da odisseia que nos princípios do século passado foi protagonizada pelo seu rei Shaka.</P>
<P>
O diário liberal «Business Day» observava ontem que do resultado das melindrosas negociações em curso depende as eleições de Abril significarem a livre escolha de toda a população ou o prelúdio para muitos anos de conflito ainda pior do que aquilo a que se tem vindo a assistir até agora.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-27612">
<P>
A Folha publica hoje mais três casos de violações dos direitos humanos, em apoio à campanha da Anistia Internacional. Neste mês, os casos selecionados são do Togo, do Iraque e de Myanma. Os casos são publicados no boletim mensal da entidade, sediada em Londres.</P>
<P>
O primeiro caso é de dois homens condenados à prisão no Togo após terem confessado sua participação em atividades terroristas para a oposição. A Anistia acredita que eles foram torturados para que confessassem.</P>
<P>
O caso seguinte é sobre os ataques aéreos do governo iraquiano contra esconderijos rebeldes no sul do país, que acabam matando civis. A Anistia descreve um bombardeio que transformou uma festa de casamento em tragédia: o noivo e várias crianças morreram.</P>
<P>
O terceiro e último caso relata a prisão de uma opositora do regime de Myanma. Segundo a Anistia, ela está presa apenas porque tentou ajudar outra prisioneira de consciência, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, e por suas atividades políticas.</P>
<P>
Todos os casos publicados relatam histórias de pessoas presas ou mortas por suas convicções políticas ou religiosas, cor, sexo ou origem étnica. Nenhuma dessas pessoas usou ou defendeu a violência.</P>
<P>
O objetivo da campanha é pressionar as autoridades através de cartas. Os apelos poderão ajudar na libertação dos prisioneiros. Para não prejudicá-los, as cartas devem ser elaboradas com cortesia e não devem, em hipótese alguma, ser endereçadas aos próprios presos.</P>
<P>
Para maiores esclarecimentos, a seção brasileira da Anistia Internacional se localiza na Rua Vicente Leporace, 883, Campo Belo, São Paulo (SP), CEP 04619-032. O telefone é (011) 542-9819.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-64477">
<P>
Alpes sem neve ameaçam férias</P>
<P>
A persistência do bom tempo nos Alpes está a inquietar os responsáveis pelo sector do turismo em vários países da Europa. Por seu lado, os milhões de pessoas que habitualmente fazem férias na neve rezam para que ela comece a cair antes do Natal.</P>
<P>
Em França, como na Suíça, em Itália, na Áustria e na Alemanha, só as estâncias a alta altitude já abriram aos esquiadores, e a indústria dos desportos de Inverno queixa-se de estar a vender pouco equipamento.</P>
<P>
Por toda a parte, as competições desportivas estão a ser anuladas e os canhões de neve só são eficazes quando faz muito frio. Tudo leva a crer, porém, que as reservas hoteleiras não serão anuladas à última hora.</P>
<P>
Ao aeroporto de Genebra-Cointrin, por onde passam todos os anos cerca de 350 mil esquiadores estrangeiros, começaram a chegar no sábado «os `charters' das neves», mas estas tardam em comparecer ao encontro nas pistas de Valais (Suíça) ou da Alta-Sabóia (França). De acordo com o Departamento de Turismo helvético, apenas dez por cento dos 2100 teleféricos no país estavam operacionais no fim-de-semana, nas 25 pistas destinadas à prática do esqui já abertas.</P>
<P>
Em Davos (Suíça), uma responsável do sector afasta o pessimismo: «É possível esquiar a partir dos 2200m de altitude. Mas as pessoas também vêm passar as festas.» Em Valais, contudo, as opiniões dividem-se. Enquanto em Saas-Fee, Verbier ou Zermatt parece reinar a confiança e se assinala que 40 por cento das pistas estão abertas, em Crans-Montana, pelo contrário, domina o pessimismo.</P>
<P>
Na Suíça, as pessoas precipitam-se para os raros locais já recobertos de neve. Os serviços meteorológicos prevêem precipitações só a partir de amanhã.</P>
<P>
Quanto às reservas no maciço norte dos Alpes franceses, que na época transacta tinham registado 35,5 milhões de pernoitas, têm vindo a marcar passo nas últimas semanas.</P>
<P>
Segundo Jean-Guy Cupillard, presidente da Ski-France -- organismo encarregado da promoção turística das estâncias --, começam a escassear as vagas para a semana de entre o Natal e o Ano Novo, apesar de Isère ter conhecido o seu Inverno mais quente desde 1946. Nesta região, as primeiras neves surgem a altitudes de 1800-2000 metros, e as estâncias de Val d'Isère, Tignes, La Plague, Val Thorens, Dois Alpes e Alpe de Huez, entre outras, já abriram parcialmente.</P>
<P>
Em Itália, prevê-se que metade dos 7,5 milhões de pessoas que habitualmente gozam férias no final do ano irão para a montanha até Março, ou seja, uma subida de cerca de dois a três por cento. Apesar da fraca camada de neve, nas estações mais em voga (Cortina, Madonna di Campiglio, Bormio, Cervinia) já é visível o letreiro «esgotado».</P>
<P>
Na Áustria, os peritos temem um «fiasco» se o Inverno tardar. Apenas uma dezena de estâncias a alta altitude estão abertas, entre as quais Lech (Voralberg), Soelden e Obertauern (Salzburgo), e, nas mais elegantes, como a de Kitzbuhel, os grandes acontecimentos que costumam marcar o início da época (espectáculos, prémios) foram cancelados. Na Alemanha, a temporada de esqui ainda só começou em Zugspitzplatt, com seis teleféricos. Ao cimo das pistas, a neve atinge uma espessura de 1,05m, mas no vale não ultrapassa os cinco centímetros.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-60905">
<P>
Distribuição de jornais gratuitos quase duplicou este ano</P>
<P>
O número de jornais gratuitos nacionais distribuídos nos nove primeiros meses deste ano quase duplicou em relação ao mesmo período de 2006, ultrapassando os 600 mil exemplares, de acordo com dados hoje divulgados pela APCT. </P>
<P>
A subida deveu-se sobretudo ao lançamento de dois novos títulos - o Global Notícias e o Meia-Hora que, em conjunto, representam mais de 235 mil exemplares - mas também a um crescimento das tiragens dos principais jornais gratuitos que já existiam.</P>
<P>
Entre os mais antigos, o maior crescimento foi registado pelo Metro que passou a distribuir mais 22.600 exemplares do que fazia no ano passado, atingindo este ano os 180 mil.</P>
<P>
Com este aumento, o Metro passou a ser o maior jornal gratuito, à frente do Destak que registou, este ano, uma circulação de 173 mil exemplares (melhorando 5,3 por cento).</P>
<P>
A maior subida em termos relativos foi, no entanto, protagonizada pelo económico gratuito Oje que aumentou a sua circulação em quase 56 por cento, passando para os 22 mil exemplares.</P>
<P>
Refira-se que os dados hoje divulgados pela APCT não contabilizam ainda o jornal lançado pelo Público e A Bola, o Sexta-feira.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26818">
<P>
Uma outra Lisboa</P>
<P>
Nuno Ferreira</P>
<P>
Por detrás de supermercados, debaixo de viadutos, nas arcadas de centros comerciais, em Santa Apolónia, existe uma Lisboa feita de gente sem casa para dormir cujo número não pára de aumentar. Entre os cerca de três mil sem abrigo, há cada vez mais jovens toxicodependentes, idosos sem dinheiro para ter uma casa e desempregados, muitos desempregados.</P>
<P>
«Não, não. Não tirem fotografias à gente, senão é que ninguém nos dá trabalho», grita Ramiro, um dos dois homens que todas as noite dormem, enrolados numas mantas, por debaixo de um viaduto junto à Praça de Espanha. Os silvos incessantes dos automóveis e o vento que circula por debaixo da ponte, tornam difícil ouvir o que diz Ramiro. «Tenho 61 anos. Quem é que dá emprego a um homem de 61 anos? Já fiz de tudo; fui cozinheiro no Hotel Estoril-Sol e em muitos outros sítios; estive em França, no Luxemburgo. Esfalfei-me a trabalhar para estar agora aqui na merda. O que nos vale é que qualquer dia começa a época da fruta e nós abalamos para o Bombarral e para as Caldas da Rainha.» E dormem onde? «Nos barracões dos lavradores. Sempre dão comida à gente...»</P>
<P>
Praça de Espanha, Campo Grande, Avenidas Novas, jardim da Casa da Moeda, Praça da Alegria, nas traseiras do Centro Comercial da Mouraria, nos Anjos, no Rossio, em Santa Apolónia, na Avenida 24 de Julho, em prédios abandonados, existe uma outra Lisboa que pernoita na rua.</P>
<P>
As Avenidas Novas são conhecidas por serem zonas respeitáveis e bem abonadas. Porém, por detrás de edifícios bem iluminados de supermercados, debaixo de viadutos, em frente de hotéis de cinco estrelas, por detrás de cinemas outrora muito concorridos, na entrada de multinacionais, existe gente a dormir.</P>
<P>
Na Mouraria, são os idosos que se acoitam, perto da esquadra do Martim Moniz, para se sentirem mais seguros. O número dos que dormem aí é tão grande que a Junta de Freguesia do Socorro passou a abrir o seu Balneário às seis da manhã, para que eles tenham aonde ir fazer as suas necessidades. Nos prédios abandonados, ficam os mais fortes, os toxicodependentes, os que conseguem defender-se.</P>
<P>
Simão, 67 anos, que dorme numa reentrância da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na Rua Camilo Castelo Branco, recebe uma pensão de invalidez de 17 contos, por conta de uma queda que deu num prédio abandonado. «Foi em São Sebastião da Pedreira. Um amigo meu ficou no sótão, eu fiquei no segundo andar. No dia seguinte, tropecei numa merda qualquer, caí dez degraus, parti a bacia.»</P>
<P>
Sobreviver na rua não é fácil e, para resistir ao frio e à solidão, consome-se muito álcool. «Têm de ser realistas! Não aldrabem!», grita António, 47 anos, que dorme com um amigo numa reentrância de um prédio do Largo das Palmeiras. Tem os olhos inchados e exala um hálito a vinho. «Senão», e abre muito os braços, «mando já o PÚBLICO à merda! Os jornais só querem é encher páginas com a nossa desgraça.»</P>
<P>
Muitos inventam histórias fantasistas para sensibilizar as assistentes sociais. Neste universo, inveja-se quem consegue mais um cobertor ou umas calças e rouba-se. «É um mundo onde não há nada, um mundo onde até um couto de uma vela tem de se defender», define Helena Rebelo, da Porta Amiga, um ramo da Assistência Médica Internacional (AMI). «Na rua, nunca fiz amigos», conta um ex-sem abrigo. «Só há amizades por interesse. De resto, rouba-se tudo: relógios, sapatos. Tem de se trazer connosco, senão roubam.»</P>
<P>
Na rua, há de tudo: os sem abrigo com problemas psíquicos e consumo de álcool, aqueles que saem de casa por problemas familiares, os toxicodependentes, os ex-reclusos, os desempregados e os que pura e simplesmente não ganham para ter uma casa.</P>
<P>
«Sou pintor», explica-nos Rogério, um homem sorridente e simpático que encontramos por volta da meia-noite, com a cabeça envolta num pano, sentado num banco da Avenida da Liberdade. «Aí chegando às 6h00 da manhã, vou até ao Cais do Sodré, tomo um galãozinho e pego o comboio para Paço de Arcos. Estou lá a trabalhar.» Abre a sacola e mostra uma espátula.</P>
<P>
Levantamentos feitos quer pela Câmara Municipal de Lisboa quer pela Divisão de Emergência Social da Santa Casa da Misericórdia apontam para uma baixa escolaridade, a existência de muitas doenças e de graves rupturas familiares. «As famílias de um modo geral fazem um corte muito radical com eles e muitas vezes é impossível reatar a ligação», explica Celeste Brissos, chefe da Divisão de Emergência Social da Santa Casa.</P>
<P>
O consumo de estupefacientes criou um contingente cada vez maior de jovens que vivem na rua. «Cerca de 75 por cento dos jovens que andam na rua é por causa da droga», explica a Irmã Maria Gonçalves, da Comunidade Vida e Paz.</P>
<P>
Jordão, 26 anos, vivia em Corroios com a família, mas o consumo da droga tornou impossível ficar em casa. «Menti, roubei, aldrabei, o meu descontrolo era tão grande que vendia tudo o que encontrava à mão.» Depois de um ano em Sines, para onde partiu como pintor da construção civil e acabou como intermediário na venda de droga, Jordão passou a recorrer a todos os expedientes para arranjar dinheiro para a meia grama de heroína diária.</P>
<P>
«Cravava toda a gente que estava num café; arranjei uma receita falsa; cheguei a encher uma seringa cheia de sangue e dizer que era seropositivo. À noite, ou dormia no albergue ou ia para o Parque Eduardo VII prostituir-me. Nunca pensei descer a um poço tão fundo.» Agora, procura reabilitar-se, mas, por cada um a fazê-lo, há mais uns tantos que fogem de casa.</P>
<P>
Outro fenómeno emergente é o da nova pobreza. «De repente, o próprio tipo de pobre está a mudar. Há cada vez mais gente com sérias dificuldades em sobreviver, vítimas súbitas do desemprego», explica Matilde Cardoso, da Cais. Esta associação começou por pretender ajudar os sem abrigo, mas viu-se logo surpreendida por um leque de pessoas em dificuldades que não são estritamente sem abrigo, como os ex-toxicodependentes, ex-reclusos ou imigrantes.</P>
<P>
Ao fim de três revistas, a Cais tem sido um sucesso. «Temos tido êxito por não existirem regras nem horários. Os sem abrigo não estão habituados a cumpri-los nem a obedecer a disciplina. Eles gerem o seu tempo, vendendo a revista quando querem.»</P>
<P>
O processo que leva a que uma pessoa fique na rua é mais lento e gradual do que possamos julgar a princípio. «Para alguém chegar a sem abrigo», explica João Silva, da associação «O Companheiro», «vão-se verificando rupturas sucessivas e cumulativas, que os levam àquele isolamento em que estão. Perdem o emprego, ficam em casa sem dinheiro, geram-se tensões que levam a uma ruptura completa, acompanhada de alcoolismo...»</P>
<P>
Um grande passo para cair na rua é a desagregação familiar, divórcios, discussões, rupturas definitivas, como a de Silvino. «A minha mãe faleceu», conta, «e o meu pai passou a viver com outra mulher. Vim-me embora de Aveiro para não me chatear com ela.»</P>
<P>
Silvino conseguiu emprego na área de serviço de Palmela, onde trabalhou sucessivamente como jardineiro, como funcionário de bomba de gasolina e por fim, no «self-service». O patrão assegurava-lhe dormida num anexo, em Azeitão.</P>
<P>
Ao fim de cinco anos, problemas legais levaram ao fecho da área de serviço de Palmela. Silvino ficou sem emprego e sem dormida. Ainda tentou a construção civil em Grândola, onde trabalhou três meses, a dormir numa pensão. O patrão pagava de 15 em 15 dias, ao fim dos três meses falhou o pagamento. «Comecei a ficar com conta na pensão e, além do mais, detestava o Alentejo. Vim-me embora para Lisboa.»</P>
<P>
Percorreu a cidade toda à procura de emprego. «Fui a armazéns, fui às obras, respondi a ajudante de camionista, a servente...» Dormia em pensões e passava os dias a ler os jornais, a ver os anúncios. Até que o dinheiro acabou. «Fui à Santa Casa da Misericórdia e acabaram por me mandar para a Câmara. Passei a recolher entulho, a escolher a chapa, o ferro, o papelão.»</P>
<P>
O problema principal de Silvino é que não tem dinheiro suficiente para alugar um quarto. Acabou por recorrer à associação «O Companheiro», onde dorme numa camarata. «Já tive vidas boas. Nunca roubei nada a ninguém. Estou a ver se consigo ter uma vida melhor.»</P>
<P>
Outro contingente de risco, que muitas vezes acaba na rua, é o dos ex-reclusos. Quem sai da prisão, tem dificuldade em conseguir um emprego. Simão, 39 anos, por exemplo, é um ex-presidiário que sofre de perturbações psíquicas. Operário da construção civil, perturbado pela morte do pai e no fim de uma discussão com o senhorio, pegou fogo à casa onde vivia, na Baixa da Banheira. Foi preso e cumpriu uma pena de cinco anos em Alcoentre. Ao fim desse tempo, foi libertado, mas acabou por se envolver numa rixa com um homem à porta de uma taberna. Deu-lhe duas facadas. «'tava a fazer pouco da minha mãe.» Mais dois anos na cadeia e Simão está de novo em liberdade. A mãe morreu entretanto e os dois irmãos não o querem em casa. «O Companheiro» deu-lhe abrigo, mas o pior é arranjar emprego. «Os meus irmãos têm filhos e mulheres. Dizem: `Tu desenrasca-te para aí.' Vim para aqui. Agora, tenho de ver se abalo. Quero arranjar um trabalho certo nas obras, para poder alugar um quarto. Neste momento, não há nada.»</P>
<P>
As mudanças na política de Saúde Mental, com a subalternização dos internamentos, trouxe muitos doentes do foro psiquiátrico para a rua. «Com a agravante», explica Genoveva Borges, socióloga da Santa Casa da Misericórdia, «de precisarem de medicação e não a terem». Enquanto, apesar de todas as deficiências, os sem abrigo alcoólicos ou toxicodependentes conseguem obter alguma ajuda, não existe ainda qualquer apoio a nível de psiquiatria para os sem abrigo doentes mentais. «Não existem psiquiatras a trabalhar com os sem abrigo», afirma Sara Amâncio, vereadora da Acção Social da Câmara, «e este grupo é muito difícil de abordar. Já tivemos um caso de uma senhora para quem tínhamos lugar numa instituição, mas com a qual era impossível estabelecer qualquer diálogo. O que é que se pode fazer quando a pessoa diz que é filha do Rei D. Carlos? Não a podemos internar à força.»</P>
<P>
Trabalhar na área do apoio aos sem abrigo é uma tarefa nada fácil. «Estamos a actuar numa área», explica João Silva, da associação «O Companheiro», «que é uma área limite. Alguns conseguem reconstruir a sua vida, outros não.»</P>
<P>
A maioria dos sem abrigo perdeu a noção de conceitos como «trabalho» e «disciplina laboral», «dignidade pessoal. «O problema aqui», explica Maria do Céu, da Quinta das Lages, dos Companheiros de Emaús, «é que os sem abrigo perderam o hábito de trabalhar. Temos `companheiros' que nunca trabalharam, outros com problemas psíquicos.»</P>
<P>
Há oito anos, Maria do Céu tinha um colégio em Caxias. Foi então que teve conhecimento da obra do Abbée Pierre e dos Emaús. Foi a França fazer um estágio e frequentou várias comunidades Emaús antes de ajudar a lançar a quinta dos Emaús de Caneças. Trabalha ali unicamente em regime de voluntariado -- «por ordenado não trabalhava aqui» -- há oito anos. «Isto aqui não é nenhuma pêra doce», explica Maria do Céu. «Cada dia, há coisas novas; cada dia, tudo aqui dentro é posto em questão.»</P>
<P>
A Quinta das Lages, em Caneças, foi cedida há oito anos pela Obra de Nossa Senhora do Amparo. «A comunidade é dos `companheiros', eles é que se acolhem uns aos outros», explica António, responsável juntamente com Maria do Céu, pelo bom funcionamento da quinta. «Aqui, cada um tem de ser igual ao outro. A regra principal é a da amizade. Nenhum deve ocupar o espaço dos outros.»</P>
<P>
A duração da estadia na quinta de Caneças varia. «O companheiro pode estar cansado e ficar apenas uns dias, ou fazer da Comunidade Emaús uma opção de vida. O companheiro chega e parte quando entende. Não lhe perguntamos nada. Ele, se quiser, pede ajuda. O passado de cada um só a ele diz respeito.»</P>
<P>
O dia-a-dia na quinta dos Emaús é feito de imprevisibilidade. «Na semana passada, houve um que se embebedou de tal forma que teve de se ir embora. Com os toxicodependentes, passa-se o mesmo. Nunca sabemos quando poderão ter a próxima recaída.»</P>
<P>
Em todas as instituições contactadas, a resposta é a mesma: o número de casos novos de sem abrigo não pára de aumentar. São os jovens toxicodependentes, são os desempregados, são todos aqueles que vêm da província à espera de conseguir trabalho em Lisboa e acabam a deambular pelas ruas. «O número de casos novos chegados à Porta Amiga em Março triplicou em relação ao de Janeiro», informa Helena Rebelo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-76682">
<P>
Entre dois continentes</P>
<P>
Com uma extensão de 31 km e uma largura entre os 700 e os 1200 metros, o estreito do Bósforo liga o Mar Negro ao Mediterrâneo, através do Mar de Marmara e do estreito dos Dardanelos. A região constitui uma via marítima internacional regida pela Convenção de Montreux de 20 de Julho de 1936, que confirma a passagem para todos os navios mercantes, mas limita o direito de passagem dos navios de guerra a um aviso prévio.</P>
<P>
Controlados ao longo da História por gregos, romanos, bizantinos e turcos, estes estreitos tornaram-se numa das principais preocupações da política europeia a partir do século XVIII, com a chegada dos russos e o seu avanço no Mar Negro em direcção ao Mediterrâneo. Esta tentativa de acesso ao «mar livre» por parte do regime czarista sempre contou com a oposição da Grã-Bretanha, e culminou em 1854-1856 com a guerra da Crimeia.</P>
<P>
A evolução do estatuto internacional do Bósforo deriva do equilíbrio entre as potências ocidentais, a Turquia e a Rússia. Esta última, sempre em posição de fraqueza face às frotas ocidentais, defendeu durante muito tempo o princípio do encerramento dos estreitos a todos os vasos de guerra. O Tratado de Lausana de 1923, ao aproveitar-se da posição de fraqueza da Rússia (já então União Soviética) e da Turquia, desmilitarizou os estreitos e autorizou a passagem dos navios de guerra.</P>
<P>
Contudo, a autorização de fortificar os estreitos adoptada em Montreux em 1936, constituiu o sinal da passagem da Turquia para o campo ocidental, contra a União Soviética. Mas as consequências para o Ocidente da livre passagem dos navios de guerra surgem com a formação de uma frota soviética no Mediterrâneo, apesar de o equilíbrio de forças entre os dois blocos nunca ter permitido uma revisão da Convenção.</P>
<P>
A partir de 1993, a questão do encaminhamento de petróleo e gás natural da Ásia Central e do Cáucaso em direcção à Europa ocidental veio recolocar a questão da livre navegação nos estreitos. Face ao desejo russo de construir um terminal em Novorossiysk, onde terminam os oleodutos caucasianos e centro-asiáticos, a Turquia deseja pelo contrário fazer passar os seus oleodutos via-Cáucaso e através do seu próprio território até ao golfo de Iskenderun, e nessa perspectiva refere que o aumento do número de petroleiros se tornará insustentável para as populações que habitam nas duas margens do Bósforo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-72311">
<P>
Da Sucursal do Rio </P>
<P>
As chuvas de ontem em Petrópolis (na região serrana, a 66 km do Rio) provocaram a queda de duas barreiras na altura do km 67 da Rodovia 040 (Rio-Juiz de Fora), soterrando vários carros.</P>
<P>
Pelo menos uma pessoa morreu e cinco estão desaparecidas. O trânsito foi interrompido e não há previsão de reabertura da estrada.</P>
<P>
Outros 29 pequenos desabamentos aconteceram nos morros da cidade. A Defesa Civil do município recebeu 62 chamadas.</P>
<P>
Iara Matos Lobo, 9, morreu quando a casa onde morava, no morro do Alemão (bairro Retiro), foi soterrada. Três outras crianças ficaram feridas e foram levadas para o hospital Santa Teresa.</P>
<P>
De acordo com a Defesa Civil de Petrópolis, mais de cem toneladas de terra desabaram na Rio-Juiz de Fora, numa extensão de cerca de 500 metros. A primeira barreira desmoronou às 9h30. O tráfego de veículos foi interrompido.</P>
<P>
Duas horas depois, uma nova barreira desmoronou. Pelo menos quatro carros e um caminhão usado para o transporte de automóveis ficaram soterrados. Até às 18h, a Defesa Civil não sabia se havia vítimas no desabamento da estrada. Ademir dos Santos, que estava no caminhão, foi resgatado com vida.</P>
<P>
No final da tarde, a Polícia Rodoviária começou a desviar o tráfego para a rodovia Presidente Dutra.</P>
<P>
Em Araras, distrito de Petrópolis, quatro dos sete chalés do hotel Pedra Bonita foram soterrados. Os chalés estavam desocupados, mas cinco pessoas –entre funcionários e hóspedes– estavam desaparecidos até as 18h de ontem.</P>
<P>
A chuva começou na quinta-feira à noite. O rio Piabanha, que corta Petrópolis, transbordou. Várias ruas do centro da cidade ficaram inundadas.</P>
<P>
Até as 17h de ontem, a Defesa Civil de Petrópolis registrava um índice pluviométrico de 140 milímetros. De acordo com a assessora de imprensa da Defesa Civil, Maria Ceres de Oliveira, as equipes da cidade entram em estado de prontidão quando o índice ultrapassa os 60 milímetros. "A partir daí há grande risco de desabamentos", disse.</P>
<P>
O motorista Ademir Oliveira dos Santos assistiu à tragédia da BR-040. Ele saiu de Fortaleza há quatro dias dirigindo uma carreta cegonha –de transporte de carros– com destino ao Rio.</P>
<P>
Às 10h de ontem, Ademir ficou retido no engarrafamento causado por um desabamento de terras na BR-040. "Ouvi um barulho e saí correndo. Quando olhei para trás meu carro já não estava mais."</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17153">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O alemão Michael Otte faz em "O Formal, o Social e o Subjetivo" um resumo das palestras sobre didática em matemática proferidas em 1990 e 1991 no Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Rio Claro. Para ele, a didática é em parte crítica.</P>
<P>
Para desvendar a construção dos conceitos matemáticos, ele aborda, além das abstrações automaticamente ligadas à matemática – seu aspecto formal –, os desdobramentos sociais e subjetivos de cada objeto. Depois de cada capítulo, um "interlúdio" descreve discussões sobre o tema.</P>
<P>
O FORMAL, O SOCIAL E O SUBJETIVO" Uma introdução à Filosofia e à Didática da Matemática, de Michael Otte. Tradução de Raul Fernando Neto, Win Neeleman, Antonio Vicente Marafiori Garcia e Maria Aparecida Viggiani Bicudo. Editora da Unesp (av. Rio Branco, 1210. Cep 01206-904, São Paulo-SP, tel. 011/223-9560). 324 págs. CR$ 6.500,00. Tiragem de mil exemplares.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71457">
<P>
Boers querem cultivar terras em Moçambique</P>
<P>
A concessão de terras a agricultores afrikaners, pedida recentemente em Maputo pelo general Viljoen, deverá constar das conversações que o Presidente Joaquim Chissano vai ter durante a visita que hoje inicia à República da África do Sul, informou a rádio oficial de Pretória (SABC). Os «farmeiros» (fazendeiros) sul-africanos estão sobretudo interessados em projectos nas áreas da pecuária, irrigação e turismo.</P>
<P>
Há cerca de duas semanas, o general Constand Viljoen, líder da Frente da Liberdade, que no Parlamento representa a direita boer, esteve em Maputo com uma importante delegação dos agricultores sul-africanos e abordou o problema com o Presidente Chissano.</P>
<P>
«A presença deste grupo representa uma mudança positiva, não só para a África do Sul mas também para Moçambique», comentou na altura o chefe da Frelimo.</P>
<P>
Ao comentar a sua visita a Maputo no Parlamento sul-africano, na Cidade do Cabo, Viljoen disse na semana passada que a Frente da Liberdade tenciona continuar a criar condições para a exploração agrícola e a formação agrária em Moçambique, por «farmeiros» das regiões do Transvaal e do Orange. Em troca da concessão de terras por 40 anos, os boers comprometem-se a criar postos de trabalhos e a minorar a crise alimentar no sul do país, ao longo da fronteira, onde tencionam implantar-se.</P>
<P>
O anúncio dos contactos de Viljoen em Maputo está a despertar uma vaga de entusiasmo entre os grandes agricultores sul-africanos, que receiam vir a perder as suas terras quando o Governo de Unidade Nacional implementar a reforma agrária que o ANC prometeu durante a campanha eleitoral do ano passado.</P>
<P>
Face ao número de pretendentes, o presidente da União de Agricultores da África do Sul já aconselhou os seus confrades a não tomarem decisões precipitadas e a aguardarem mais pormenores, noticiou o jornal «Business Day».</P>
<P>
Aval dado por Mandela</P>
<P>
O general Viljoen anunciou que a ideia partiu da Frente da Liberdade, que tem apenas nove deputados, e recebeu o aval tanto do Presidente Nelson Mandela como do primeiro vice-presidente, Thabo Mbeki, antes de ser transmitida ao Presidente Chissano. Fontes de Maputo indicam que, apesar do bom acolhimento com o chefe do Estado concedeu ao projecto, subsistem ainda muitas arestas por limar. Os «farmeiros» terão insistido que a cooperação agrícola deveria fazer-se pelos canais das organizações empresariais dos dois países, enquanto Chissano desejaria que ela se processasse a nível governamental.</P>
<P>
A delegação dos agricultores estudou o estabelecimento em Moçambique de explorações agro-pecuárias de alta tecnologia e elevado rendimento. Thomas Langley, um criador de gado do Transval Setentrional agora designado embaixador em Lisboa, disse aos jornalistas em Maputo que outros países africanos, como Angola, Zâmbia e Zaire, também estão interessados na tecnologia agro-pecuária da África do Sul.</P>
<P>
Entretanto, o ministro moçambicano da Agricultura e Pescas anunciou sexta-feira que a Lei de Terras vai ser analisada e revista, «de modo a adequá-la à actual conjuntura político-social». Carlos Agostinho do Rosário considerou imperioso rever a legislação sobre a posse da terra elaborada pelo anterior Parlamento, e que considera todo o solo nacional propriedade do Estado.</P>
<P>
Chissano, que discursa amanhã no Parlamento sul-africano, vai discutir com Mandela a dinamização do Acordo Geral de Cooperação assinado pelos dois no dia 20 de Julho do ano passado, em Maputo. Na ocasião, foram criados grupos bilaterais de trabalho para diversas áreas, incluindo a agricultura.</P>
<P>
Ao falar há dias no Parlamento, o Presidente sul-africano anunciou que o seu executivo irá prestar particular atenção às relações com os países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), nomeadamente Moçambique.</P>
<P>
«Estamos todos inspirados pela realidade dos desenvolvimentos progressistas na nossa região», disse Mandela, congratulando-se pelo êxito das eleições em Moçambique, no Malawi, na Namíbia e no Botswana, pelo restabelecimento da paz no Lesotho e pela assinatura do Protocolo de Lusaca, para a paz em Angola. José Pinto de Sá, em Maputo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-42739">
<P>
Das agências internacionais </P>
<P>
Depois de oito meses de investigações, os peritos italianos concluíram que foi mesmo a quebra da barra de direção a causa do acidente que vitimou Ayrton Senna em Imola, em 1º de maio.</P>
<P>
A informação foi divulgada pela revista italiana "AutoSprint", especializada em automobilismo, que publica reportagem de capa sob o título "Senna, mais uma verdade chocante".</P>
<P>
No texto, a revista diz que a ruptura da barra de direção estaria confirmada pelas provas de laboratório. Além disso, revela que o tubo não era uma peça única e fora modificado com material de resistência incerta, tanto que cedeu perto de uma solda.</P>
<P>
A decisão de alterar a barra fora tomada pela Williams, depois de solicitação de Senna, que buscava melhor posição para dirigir.</P>
<P>
Tudo está registrado nas três perícias solicitadas pelo procurador de Bolonha, Maurizio Passarini, responsável pelo caso.</P>
<P>
A revista criticou a Williams pelo improviso no carro de Senna.</P>
<P>
Enquanto a Lotus anunciou que está fora da temporada 95 da F-1, a Sauber confirmou que seus carros serão pilotados pelo austríaco Karl Wendlinger e pelo alemão Heinz-Harald Frentzen.</P>
<P>
Depois do acidente que sofreu em Mônaco –ficou 19 dias em estado de coma–, em maio passado, Karl Wendlinger disse que se sente feliz e que está pronto para dirigir "sem medo".</P>
<P>
Alguns treinos realizados em dezembro, em Barcelona (Espanha), permitiram a Wendlinger dissipar todas as dúvidas sobre seu retorno à F-1. "Creio que sou tão bom piloto como antes", afirmou.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-98893">
<P>
MONICA SYDOW HUMMEL </P>
<P>
Myanmar, 1993. A dra. Ma Thida tem como única fonte de iluminação em sua cela, a luz do dia. Está em regime de isolamento há mais de um ano, delgada e débil, com uma úlcera gástrica e problemas ginecológicos sérios. Está, hoje, com 28 anos. E se depender do governo ficará nessa situação até chegar aos 46 anos.</P>
<P>
Seu "crime": participar de uma campanha organizada pelo principal partido de oposição do país, a Liga Nacional para a Democracia, e promover suas atividades. Para o governo, Ma Thida coloca em risco a ordem pública. Junto com a médica também se encontram mais 75 mulheres, dentre elas Daw Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz, fundadora e dirigente do LND.</P>
<P>
China, 1995. Em setembro se realizará a 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher das Nações Unidas, tendo como temas a igualdade, o desenvolvimento e a paz. De mais esta reunião, serão tiradas declarações diplomáticas, belas intenções e um programa de ação.</P>
<P>
O que nos preocupa, mais uma vez, é a ameaça de muitos países tentarem adotar falsos dilemas, como desenvolvimento ou liberdade, progresso ou justiça social, para justificar sua ação e omissão na proteção dos direitos fundamentais _universais e indivisíveis_ de seus cidadãos. Dilemas, estes, que justificam as negociatas bélicas entre Estados e, sempre, resultam em milhares de mortes de civis inocentes.</P>
<P>
As mulheres são as vítimas ocultas dos anos 90. Responsáveis, por um lado, pelos avanços qualitativos do desenvolvimento humano, por outro lado, vítimas preferenciais quando a barbárie se avizinha. Sofrem todo o tipo de violações praticadas contra homens, acrescidos os estupros e a discriminação.</P>
<P>
A conferência será uma boa oportunidade para se promover avanços, não com a retórica pró-mídia mas com ações concretas e recursos assegurados. Não é possível assumir compromissos de paz e igualdade sem garantir todos os direitos humanos das mulheres.</P>
<P>
A Anistia Internacional lançou no último dia 8 de março a campanha mundial "Mulher e solidariedade", visando acompanhar todos os preparativos das delegações nacionais para a Conferência de Pequim e divulgar a dramática situação da mulher em todas as latitudes.</P>
<P>
Centenas de milhares de membros da Anistia, em dezenas de países, trabalharão durante o ano por vítimas de violações de direitos humanos. </P>
<P>
Ma Thida é uma delas. Muitas outras, vítimas da violência doméstica e da miséria, reivindicam o fim da impunidade da banalização da vida e do rancor frígido.</P>
<P>
MONICA SYDOW HUMMEL, 35, professora, diretora de campanhas da Seção Brasileira da Anistia Internacional.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99127">
<P>
Cruz Vermelha sai da Birmânia</P>
<P>
Um ano de esforços falhados para tentar convencer a junta militar a permitir-lhe acesso aos presos políticos levou ontem o Comité Internacional da Cruz Vermelha a anunciar que abandona a Birmânia. O principal problema é que a organização não tem possibilidade de falar com os prisioneiros em privado; além disso não lhe é garantida uma continuidade de visitas. Organismos internacionais de defesa dos direitos humanos calculam que haja centenas de presos políticos na Birmânia. A mais famosa é a Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi, sob prisão domiciliária desde Julho de 1989. Suu Kyi, a heroína do movimento pró-democracia que abalou o regime militar no fim da década de 80, cumpriu ontem 50 anos e nada indica que a sua situação vá mudar. O marido, o britânico Michael Aris, viu recusado um pedido de visto para poder estar com ela. A junta sofreu entretanto um revés, quando as suas tropas foram derrotadas, no fim-de-semana, pela resistência da minoria étnica karen perto de Kanelay. Foi o primeiro êxito dos karen desde importantes desaires em Janeiro -- a perda dos bastiões de Manerplaw e Kawmoora --, tão significativo que o próprio «primeiro-ministro» da União Nacional Karen, Ba Thin, o anunciou em telefonema para uma fonte do PÚBLICO em Portugal que apoia a resistência.</P>
<P>
Tigres matam e morrem</P>
<P>
OS TIGRES de Libertação do Eelam Tamil mataram ontem quatro soldados do Sri Lanka e perderam pelo menos nove dos seus homens, numa emboscada que armaram no nordeste do país, foi anunciado por fonte militar. Os guerrilheiros dispararam armas automáticas contra uma patrulha do Exército, na região de Weli Oya, desencadeando uma intensa resposta. Treze soldados e oito combatentes da causa tamil ficaram feridos no incidente, depois de no domingo os rebeldes haverem morto oito soldados no leste da ilha. Entretanto, em Colombo, a capital, o Governo anunciou um reforço draconiano das medidas de segurança, depois de novas ameaças da guerrilha, designadamente contra o aeroporto.</P>
<P>
Aidid forma Governo</P>
<P>
MOHAMED Farah Aidid, o comandante de guerrilha que humilhou os Estados Unidos na Somália, nomeou ontem um Governo, depois de na semana passada se ter proclamado Presidente, e também disse que pretende reivindicar a representação do seu país nas Nações Unidas. Isa Mohamed Siad foi designado ministro da Presidência, Aidid Abdulahi Ika-Kanaf ministro do Federalismo, Jama Mohamed Qalim ministro dos Negócios Estrangeiros e Ahmed Omar Jesse ministro da Defesa. A escolha de Aidid para um mandato de três anos, numa reunião de amigos seus, não é considerada muito significativa, num país dividido entre centenas de clãs e de grupos armados.</P>
<P>
Berlusconi quer o poder</P>
<P>
O CHEFE do Forza Italia, principal componente da coligação de centro-direita Aliança da Liberdade, Silvio Berlusconi, confirmou nos termos mais precisos até à data que tenciona tentar o regresso ao lugar de primeiro-ministro, noticiou ontem o quinzenário «IdeAzione», próximo do seu movimento. «Não me importa desiludir os que esperavam que desse um passo atrás...e apraz-me confirmar aos eleitores que dirigirei a Aliança da Liberdade nas próximas eleições», disse o primeiro-ministro que o ano passado só se aguentou sete meses no lugar.</P>
<P>
Desarmamento do IRA</P>
<P>
BRITÂNICOS E irlandeses estão a trabalhar para quebrar um impasse quanto à desactivação das armas que o IRA utilizou ao longo de 25 anos de luta contra o Reino Unido. Fontes do Governo de Dublin disseram ontem à agência Reuter que uma comissão bilateral está a tentar elaborar propostas que o Sinn Fein, braço político do IRA, possa considerar teoricamente aceitáveis. Entretanto, na África do Sul, onde foi recebido pelo Presidente Mandela, o líder do Sinn Fein, Gerry Adams, afirmou que nunca se retirará do processo de paz que visa acabar com décadas de conflito na Irlanda do Norte, mas que entende que há muito mais assuntos a tratar do que a entrega das armas.</P>
<P>
O regresso de «Ben-Ben»</P>
<P>
O CHEFE do Estado-Maior General da UNITA, general Arlindo Chenda Pena, «Ben-Ben», voltou ontem a Luanda, mais de três anos depois da sua fuga da capital, onde chegou então a ser dado como morto. Integra-se numa delegação que vai tratar com as autoridades de aspectos relacionados com a aplicação integral do Protocolo de Lusaca e tem como superior, nesta missão, Abel Chivukuvuku, conselheiro e possivelmente futuro sucessor de Jonas Savimbi à frente do partido.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-56077">
<P>
CRISPIM ALVES</P>
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
O promotor da Justiça Eleitoral de Santo André, José Luiz Saikali, deve determinar nos próximos dias a realização de uma perícia contábil no Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABC. De acordo com o promotor, objetivo da análise dos livros contábeis é descobrir como a entidade usa e administra o dinheiro que arrecada. Com isso, Saikali espera saber se parte do dinheiro era utilizada para financiar campanhas eleitorais e como isso era feito.</P>
<P>
As denúncias de financiamentos de campanhas eleitorais pelo sindicato começaram a ser feitas no final de novembro do ano passado pelo então presidente da entidade, Oswaldo Cruz Júnior, assassinado no último dia 6. Raimundo Costa dos Santos, secretário-geral interino do sindicato, disse ontem que, independente de determinação judicial, uma auditoria será feita nas contas de entidade.</P>
<P>
No dia 27 de novembro, Cruz revelou ajuda financeira para as campanhas a vereador de ex-diretores da entidade –Pedro Luís de Mello, Benedito Aparecido Fermino, Raul Correia, todos do PSDB de Mauá, e João Antônio Santos (PTB-Santo André), que confirmaram ter recebido ajuda.</P>
<P>
No dia seguinte, ele disse que o sindicato contribuiu com dinheiro e material para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 89, informação negada pela direção do PT. Cruz afirmou também, no dia 9 de dezembro, que o sindicato colaborou financeiramente para a campanha do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT) em 88. Daniel negou a ajuda.</P>
<P>
A ajuda de sindicatos, direta ou indiretamente, em campanhas eleitorais é proibida por lei. A proibição consta no inciso 4.º do artigo 91 da Lei Orgânica dos Partidos, de número 5.682/71. A pena máxima prevista para os responsáveis pelo crime, de acordo com o artigo 346 do Código Eleitoral, é de seis meses de prisão. Segundo Saikali, a punição cabe para quem autorizou a ajuda e para quem a recebeu. O promotor afirmou ainda que em alguns casos, como o da campanha de 89, o crime já prescreveu.</P>
<P>
Saikali discute a realização da perícia contábil no sindicato hoje ou amanhã com o delegado Walter Antônio César, da seccional de Santo André. César preside o inquérito que apura o uso do carro de som do sindicato, conhecido como "Gabriela Eletrônica", em campanhas eleitorais.</P>
<P>
A reunião do promotor com o delegado servirá também para determinar uma nova linha de investigação do caso, uma vez que a principal pessoa a depor foi assassinada. Saikali afirmou ainda que vai pedir ao delegado a convocação de Clodovil Aparecido de Carvalho, irmão de Oswaldão. "O Clodovil passou a ser uma pessoa chave porque ele diz estar com a documentação que compravaria as denúncias do irmão."</P>
<P>
Morte no sindicato</P>
<P>
A Promotoria Criminal do Fórum de Santo André encaminhou no último dia 12 uma petição para que a Procuradoria-Geral de Justiça interceda junto à Secretaria de Segurança Pública para pedir o afastamento do delegado Nélson Guimarães das investigações que apuram a morte de Oswaldo Cruz Júnior. O setor de protocolo da Procuradoria-Geral informou que a petição foi encaminhada no mesmo dia à assessoria do procurador-geral de Justiça Marino Pazziglini Filho. Pazziglini, segundo seus assesores, decidiu que a Promotoria de Santo André tem autonomia para pedir à Justiça a transferência do inquérito para a cidade.</P>
<P>
Mesmo sem haver decisão sobre o assunto, o delegado passará a colher os depoimentos das testemunhas na Delegacia-Seccional de Santo André. A medida foi tomada porque várias testemunhas pediram para ser ouvidas na cidade, segundo prevê a lei.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40243">
<P>
54 mil contos para espaços verdes</P>
<P>
A Câmara de Lisboa aprovou ontem um «pacote» de arranjos nos espaços verdes no valor de 54 mil contos. Das intervenções destacam-se as empreitadas de revitalização e conservação dos jardins do Castelo de S. Jorge (26 mil contos) e do Parque Recreativo do Alto da Serafina, integrado no Parque Florestal de Monsanto (8500 contos). Foi também aprovada a atribuição de um subsídio de 2100 contos à associação «O Companheiro», para que esta continue a limpar as vias e jardins da cidade.</P>
<P>
Taxa para financiar ETAR de Loures</P>
<P>
Demétrio Alves, presidente da Câmara de Loures, defendeu, ontem, a criação de «uma tarifa do Ambiente», semelhante às taxas de saneamento, para assegurar o funcionamento das estações de tratamento de águas residuais (ETAR). O autarca, que falava na abertura do encontro «Ecossistemas Ribeirinhos», em representação da Associação Nacional de Municípios Portugueses, preconizou, para a nova taxa, valores entre os 1500 e os 2000 escudos por mês.</P>
<P>
Exemplificando com o caso do seu concelho, Demétrio Alves disse que a «gestão da ETAR para despoluir o rio Trancão vai custar quase 600 mil contos por ano e como o dinheiro não vem do Estado, terá que ser o município a suportar as despesas, através dos cidadãos».</P>
<P>
Oeiras entrega cem casas</P>
<P>
A Câmara de Oeiras entregou, domingo, cem fogos de habitação social na Encosta da Portela, em Carnaxide, ao abrigo do Programa Especial de Realojamento (PER). As famílias realojadas são oriundas de zonas degradadas como o Bairro de Salregos, Bairro dos Barronhos, Alto de Santa Catarina, Pedreira dos Húngaros, Quinta das Forquilhas e taludes de Queijas. Tratou-se da última fase do programa de realojamento da Outrela-Portela, que, no total, representou o realojamento de 364 famílias. O investimento total foi de 2,3 milhões de contos, comparticipados pelo Estado. Recentemente, Oeiras pediu novo empréstimo, de 938 mil contos, destinados à construção de 160 fogos na Quinta da Politeira, Leceia, Barcarena.</P>
<P>
Pobreza e cultura</P>
<P>
«Para não andarmos todos a dizer a mesma coisa e a falar de coisas diferentes», o Movimento Católico de Estudantes, de Lisboa, promove logo à noite um debate que pretende definir conceitos. O que significa exactamente pobreza, exclusão e cultura, é o que estará em debate logo, a partir das 21 horas, na Capela do Rato, à Calçada Bento da Rocha Cabral, 1-B, em Lisboa. O debate terá a participação de um economista (Luís Wemans), um sociólogo (Miguel Fontes) e um biblista (padre Tolentino Mendonça).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-81346">
<P>
África do Sul a 10 dias de eleições cruciais</P>
<P>
Receia-se um crescendo de violência</P>
<P>
Jorge Heitor*</P>
<P>
O Inkatha não desarma na defesa das suas posições, pelo que se receia um crescendo de violência na África do Sul durante os próximos dias. Mas, tanto nos meios oficiais como entre observadores estrangeiros, acredita-se não haver condições para nada de tão grave como o que aconteceu em Angola após as eleições de 1992.</P>
<P>
O partido Inkatha, do chefe tradicional zulu Mangosuthu Buthelezi, anunciou que vai promover uma «semana de acção de massas» e que, na segunda-feira, tenciona desfilar de novo pelo centro de Joanesburgo, tal como fez no dia 28 de Março, quando dezenas de pessoas pereceram em confrontos junto à sede do ANC.</P>
<P>
Depois do malogro da mediação internacional que ia tentar limar arestas entre o Inkatha e os dois principais parceiros da cena política sul-africana, ANC e Partido Nacional, receia-se muito o crescendo de violência daqui até ao fim do mês, porventura com incidentes em que morram 50 ou 60 pessoas de cada vez.</P>
<P>
No entanto, e apesar de tudo, os altos funcionários do regime cessante procuram tranquilizar os estrangeiros e dizem que tudo irá correr relativamente bem, enquanto os próprios observadores angolanos, já presentes na África do Sul, afirmam não existirem condições para nada de semelhante ao que aconteceu no seu país após as eleições de Setembro de 1992.</P>
<P>
Chamada dos reservistas</P>
<P>
As Forças de Defesa chamaram ontem milhares de reservistas brancos, para que, até 15 de Maio, ajudem a garantir a lei e a ordem, apesar de toda a tensão existente antes, durante e logo após as eleições, que se realizam de 26 a 28 de Abril, devendo os resultados ser conhecidos a 30.</P>
<P>
Na província do Kwazulu-Natal, que o Inkatha considera um reduto seu, apesar de as sondagens indicarem o contrário, estão já destacados três mil soldados, partindo do pressuposto de que as Forças de Defesa são isentas e conseguem limitar o número de incidentes, mormente entre os partidários de Buthelezi e os simpatizantes do ANC.</P>
<P>
Entretanto, um antigo membro da seita racista norte-americana Ku Klux Klan, David Duke, derrotado no ano passado nas eleições para o Congresso, apareceu agora a fazer campanha na África do Sul, onde disse que «um milhão de americanos, canadianos e europeus» poderia deslocar-se para ali, a fim de ajudar os boers a terem uma pátria própria, um Volkstaat.</P>
<P>
Os dois magníficos</P>
<P>
Bastante diferente de tais extremismos foi o tom que o presidente Frederik de Klerk e o líder do ANC, Nelson Mandela, adoptaram, na quinta-feira à noite, no seu primeiro debate televisivo, que, segundo alguns observadores, não teve vencedor nem vencido; nem sequer demasiada contradição entre as posições de uma e outra parte.</P>
<P>
Fiéis a uma postura que já lhes mereceu em conjunto o Prémio Nobel da Paz e outros galardões internacionais, De Klerk e Mandela revelaram-se como as duas bênçãos que nestes últimos anos caíram sobre a África do Sul e que nela estão a protagonizar uma viragem histórica, apesar de todos os Velhos do Restelo, que não acreditam de modo algum no êxito daquilo que está a ser feito.</P>
<P>
Desde há meses bem seguro de que vai assumir em Maio a Presidência da República, Mandela é já para milhões de africanos «um herói do nosso tempo». E as suas grandes dificuldades vão surgir quando, dentro de um ano ou dois, uma parte substancial das bases do ANC entender que a governação, essencialmente a cargo da maioria negra, fica, porventura, aquém das expectativas.</P>
<P>
Quanto a De Klerk, depois de haver subvertido com inteligência quase tudo o que o Partido Nacional fizera e dissera de 1948 a 1989, prepara-se agora para ser um reformador com muito mais sorte do que Gorbatchov, pois que, enquanto ao russo foi apontada a porta de saída, a ele parece estar reservada uma das vice-presidências.</P>
<P>
Durante o debate televisivo entre os dois «pivots» do que se poderá chamar o «bloco central» da política sul-africana, Mandela acusou o Partido Nacional de estar a virar os três milhões de mestiços contra a maioria negra do país. Ou seja, reconheceu indirectamente que De Klerk está a conseguir cativar a maioria do eleitorado «coloured», para o juntar a mais de metade do eleitorado branco e indiano e, assim, chegar eventualmente a um quinto dos votos expressos.</P>
<P>
Com efeito, se o partido que, há uma década, era vilipendiado por todo o mundo, por haver instituído o «apartheid», conseguir agora pelo menos uns 20 por cento do eleitorado total, será de certo modo uma façanha. Sobretudo se isso for possível com a ajuda de uns quantos negros, que também os há nas fileiras desta formação que hoje se pretende multirracial.</P>
<P>
* com Steven Lang, em Joanesburgo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-14952">
<P>
Tupolev que ia para Moscou caiu 12 minutos depois de decolar do aeroporto de Irkutsk</P>
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
Pelo menos 121 pessoas morreram na queda de um avião na cidade siberiana de Irkutsk. O avião caiu e se incendiou 12 minutos após ter decolado com destino a Moscou. Havia pelo menos 17 estrangeiros no vôo da companhia siberiana Baikal. Um trabalhador de uma fazenda próxima também morreu, segundo a agência oficial de notícias "Itar-Tass".</P>
<P>
Foi o pior acidente aéreo na Rússia em quase dez anos. "O avião caiu em um campo gelado e se arrastou pela neve por 300 metros até bater em uma fazenda", disse o chefe da defesa civil de Irkutsk, Alexander Kamentski, após visitar o local. "Cerca de 50 cadáveres ficaram irreconhecíveis e os outros foram reduzidos a pedaços", afirmou.</P>
<P>
"Os corpos ficaram espalhados num raio de 3 km. A área foi isolada pela polícia e tropas da Academia Militar", disse a porta-voz do Comitê para Emergências do governo russo. O órgão informou que o piloto do Tupolev 154 avisou à torre de comando que um dos três motores estava pegando fogo, minutos após a decolagem. Quando decidiu voltar, os outros dois motores falharam. O avião caiu a 15 km do aeroporto de Irkutsk.</P>
<P>
Logo após a queda o avião se incendiou, sem que houvesse tempo para os serviços de emergência chegarem. Havia combustível a bordo sufuciente para fazer a viagem até Moscou –de 5.042 km, com duração de cinco horas, sem escalas.</P>
<P>
Todos os 111 passageiros –entre eles sete crianças– e os nove tripulantes morreram. Entre os 17 turistas mortos no desastre havia dez alemães, quatro mongóis, um austríaco, um indiano e um japonês. A agência "Itar-Tass" informou que um trabalhador morreu e uma mulher sofreu queimaduras nas mãos e no rosto. Embora não tivesse certeza sobre mortes em terra, Alexander Kamentski disse que um trabalhador da fazenda estava desaparecido.</P>
<P>
O presidente da Rússia, Boris Ieltsin, enviou um telegrama de condolências para as autoridades de Irkutsk. "Fiquei sabendo da tragédia com profunda dor. Uma fatal combinação de circunstâncias tirou a vida de pais, mães e crianças, de irmãos e irmãs", disse Ieltsin.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45353">
<P>
s-Portugal sereno</P>
<P>
Dos 305 concelhos portugueses, só 34 têm zonas que metem medo</P>
<P>
O Grande Atlas do Portugal Perigoso</P>
<P>
Bárbara Reis e Rui Cardoso Martins*</P>
<P>
Que locais evitam hoje as pessoas em Portugal? Que cidades e vilas criaram dentro de si zonas perigosas ou onde as pessoas sentem medo? Construir um Atlas do Portugal Perigoso revelou o óbvio: Lisboa é o lugar mais perigoso do país e a droga a causa mais comum do receio. Mesmo assim encontrámos mais de 130 locais onde as pessoas se sentem inseguras. Muitos deles são ruas e bairros onde a maioria da população nunca entrou e prefere até pensar que não existem. E há também algumas surpresas, de norte a sul do país.</P>
<P>
Em Portugal a noção de local perigoso está quase sempre associada à droga. Bairros e ruas onde se faz tráfico, ou que são simplesmente pontos de encontro de toxicodependentes, aparecem em quase metade da lista de locais que o PÚBLICO seleccionou a nível nacional através de um extenso inquérito em todo o país a um grupo de onze profissões.</P>
<P>
Neste Grande Atlas do Portugal Perigoso -- que destaca os pontos que aparecem mais vezes nas estatísticas do crime mas também o simples medo que certos locais provocam a quem a eles se desloca em trabalho -- Lisboa vem à frente como a cidade mais perigosa. O que não espanta, num país apesar de tudo sereno, pequeno, em que as grandes cidades são raras.</P>
<P>
Fora da capital há evidentemente locais perigosos, onde as probabilidades de haver assaltos, furtos a pessoas ou propriedades, e ofensas corporais são maiores. Mas dos 305 concelhos portugueses só em 34 apareceram lugares onde as profissões inquiridas pelo PÚBLICO -- Polícias (PJ, PSP e GNR), carteiros, médicos de serviço nocturno ao domicílio, assistentes sociais, bombeiros, funcionários dos telefones, transportes (públicos e taxistas) e serviços camarários -- sentem receio.</P>
<P>
Um receio que, apesar de tudo, segundo dizem, não os impede de entrar em praticamente nenhum lugar, mesmo os de pior nome. A excepção são os taxistas, da Grande Lisboa, que explicitam várias zonas onde pura e simplesmente não entram ou, se o fazem, é porque realizaram, com o cliente, acordos prévios que chegam a incluir garantias bancárias. É o caso do interior do Casal Ventoso, um dos bairros emblemáticos do tráfico de droga em Lisboa.</P>
<P>
«Aqui todos se conhecem»</P>
<P>
O espanto de muitos profissionais perante a pergunta do PÚBLICO -- «Quais são os locais mais perigosos em termos de crime na região em que trabalha?» -- e a reacção de vários comandos distritais de polícia, que quase se ofenderam quando perguntámos «Têm medo de entrar em algum lugar?», revela a situação de pacatez nacional e explica, em parte, a ausência de várias capitais de distrito nos mapas destas páginas. Em relação a Santarém, por exemplo, a resposta foi exemplar (mesmo se esta é uma cidade que entra na nossa lista): «O concelho não tem grandes aglomerados periféricos e todos se conhecem», disse ao PÚBLICO o sub-chefe Azevedo, das Relações Públicas da PSP de Santarém.</P>
<P>
Em relação a Lisboa ninguém poderia dizer isto, o que favorece a criminalidade. «A confusão ajuda os ladrões. É quase mais fácil assaltar uma casa na Av. Alexandre Herculano [uma transversal da Av. da Liberdade, centro de Lisboa] do que um apartamento em Carnaxide [periferia de Lisboa], onde há sempre alguém no prédio e há mais relações entre os vizinhos», disse ao PÚBLICO Francisco Pereira Calvão, coordenador para a área dos furtos e roubos da Polícia Judiciária.</P>
<P>
Aliás, para a PJ é evidente que quem estiver às dez da noite na zona do Marquês de Pombal -- quem for por exemplo passear para o Parque Eduardo VII, «e ainda há muitas pessoas que vão namorar para lá» -- terá muito mais hipóteses de ser agredido ou assaltado do que às cinco da manhã em muitos dos locais de capitais ou vilas de província que, no contexto local, são olhados com muita desconfiança.</P>
<P>
À cabeça de um Atlas do Portugal Perigoso deveriam estar indicados os locais onde há mais homicídios e violações. Mas o homicídio, por exemplo, «não escolhe lugar nem hora» que permitam apontar com o dedo os sítios onde há mais ocorrências, como diz o inspector João de Sousa, do departamento de homicídios e ofensas corporais da Polícia Judiciária. Restam-nos portanto as estatísticas nacionais: em 1993 houve 83 homicídios (33 no primeiro semestre, 50 no segundo), e entre 1 de Janeiro e 31 de Maio, 49.</P>
<P>
As diferentes</P>
<P>
percepções</P>
<P>
Num inquérito que envolve profissões tão diversas como carteiros, serviços médicos e polícia, o retrato do Portugal perigoso é necessariamente visto com olhos diferentes. Se a Carris (transportes públicos de Lisboa), considera o Elevador da Glória, o que dá acesso ao Bairro Alto, um dos locais mais perigosos das suas carreiras (para os seus funcionários) -- «há pessoas a saltar para o tejadilho» --, a Polícia Judiciária e a PSP não consideram este um local digno de referência.</P>
<P>
Do mesmo modo, para os TLP o Rossio e o Cais do Sodré são «as zonas de maior agressividade» em Lisboa, pelo facto simples de ser aí que se regista o maior número de destruição de cabines telefónicas. A seguir vem a recta Campo Pequeno/Areeiro, depois o Cacém e em último a linha de Cascais, especialmente nas estações de comboio e tendo como alvo as cabines que funcionam com moedas. «Desde Janeiro foram vandalizadas 1300 cabines telefónicas», disse Rogério Santos, do Departamento de Comunicação dos TLP. Outro tipo de perigos os TLP não sentem, porque quando vão a casa das pessoas «vão ajudar e os cortes são feitos na central».</P>
<P>
Já a EDP, a única entidade contactada que não aceitou participar neste inquérito nacional, tem que fazer os cortes directamente nas casas dos seus clientes, pelo que os funcionários enfrentam «algumas situações perigosas», sobretudo «quando o pessoal vai fazer um corte por falta da pagamento», disse Rui Campos, da direcção para o Tejo das Relações Públicas da EDP. «Às vezes são muito mal recebidos.»</P>
<P>
As cidades-aldeias</P>
<P>
Geograficamente, tornou-se óbvio que o crime de rua que implica violência, os assaltos a casas e lojas, é mais comum no litoral do que no interior do país. Mas também é no litoral que estão concentrados a maior parte dos portugueses, muitos deles a habitar bairros periféricos, e portanto, mais pobres.</P>
<P>
No outro extremo, surgem casos como o de Elvas, no Alto Alentejo, que se transformou, segundo o seu presidente da Câmara, numa cidade perigosa: «Em cada 100 elvenses, 90 dirão que é perigoso sair à rua na sua cidade», disse Rondão de Almeida ao PÚBLICO. A 20 de Maio, dias depois de um homicídio numa rua principal da cidade, a população organizou uma invulgar manifestação contra a falta de polícias na rua e o aumento da criminalidade, sobretudo de tráfico de droga com Badajoz (Espanha). A Câmara Municipal pediu ao Ministério da Administração Interna um reforço dos efectivos da PSP -- cujo quadro de mais de cem agentes está preenchido apenas por metade, pelo que «poucos se vêem na rua», segundo Rondão de Almeida.</P>
<P>
Como exemplo, o autarca elvense diz que à noite só há um agente de serviço dentro da esquadra e outro a fazer ronda, à civil. O comandante da PSP da cidade, João Capela, responde que não é verdade e que «há mais pessoal à civil pela cidade». Reconhecendo, porém, que há graves problemas de toxicodependência e tráfico de droga relacionados com a proximidade com Badajoz, o responsável da esquadra de Elvas acrescenta que «as pessoas podem sair à noite» porque «é uma cidade com características de aldeia».</P>
<P>
Elvas, um caso excepcional -- por ser interior - acaba afinal por reproduzir, no seu microcosmos, a inquietação crescente, tanto psicológica como factual, de que a droga é hoje o primeiro factor do crime em Portugal.</P>
<P>
*com David Pontes, Luís Filipe Sebastião e os correspondentes do PÚBLICO que encontraram zonas de relevo nos respectivos concelhos e distritos: Alexandrina Baptista, Santarém; Carlos Camponez, Leiria; Carlos Dias, Beja; Francisco Fonseca, Barcelos; Graça Barbosa Ribeiro, Coimbra; Idálio Revez, Faro; Jorge Talixa, Vila Franca de Xira; José Parreira, Peniche; Luís Paulo Rodrigues, Famalicão; Manuela Teixeira, Matosinhos; Pedro Garcias, Vila Real; Raul Oliveira, Sines; Raul Tavares, Setúbal; Tolentino de Nóbrega, Funchal</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-6315">
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
O assistente de legista Charles Souza, do IML (Instituto Médico Legal) de Santo André, forneceu ontem à Folha informações que constam do laudo oficial sobre a morte do sindicalista Oswaldo Cruz Júnior, assassinado na tarde de quarta-feira em sua sala na sede da entidade. O tiro mortal, segundo Souza, atingiu a base superior da nuca de Cruz.</P>
<P>
O laudo constatou que o sindicalista recebeu quatro tiros –um acima da nuca, um no lado direito do corpo na altura da cintura, um nas costas na altura da cintura e um no meio das costas.</P>
<P>
Segundo o assistente de legista, que participou da necrópsia, as marcas das balas demonstram que Cruz foi alvejado quando estava sentado a uma distância de pelo menos 1,5m. A informação confirma parte do depoimento prestado ontem à polícia pelo diretor do sindicato José Carlos de Souza. O sindicalista disse ter visto Cruz abaixar pouco antes de José Benedito de Souza, o principal acusado pelo crime, sacar a arma.</P>
<P>
Anteontem à noite, o médico legista do IML de Santo André, Juvenal Campiolo, havia dito que pelo menos três haviam sido disparados contra Cruz. Campiolo disse que os tiros atingiram as costas do sindicalista. Segundo ele, o tiro mortal tinha atingido a cabeça do sindicalista.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-76663">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
Pelo menos 29 pessoas morreram e 49 estão desaparecidas nas Filipinas, onde tempestades assolaram ontem as regiões de Albay e de Bicol, depois de três tufões consecutivos.</P>
<P>
No Marrocos, o mau tempo matou pelo menos quatro pessoas ontem. Em Grenoble, França, no mínimo quatro pessoas desapareceram sob um deslizamento de lama, devido às chuvas. Na Inglaterra, já duramente atingida por fortes chuvas, há previsãos de mais tempo ruim e de mais inundações.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-19639">
<P>
Fotomosaico</P>
<P>
Fogo de artifício e muita música juntaram um milhão de pessoas nos festejos de 14 de Julho, o Dia da Bastilha, aos pés da Torre Eiffel. Um evento que já entrou nas tradições francesas, com Jean-Michel Jarre a encabeçar o cartaz de um espectáculo que contou com a participação de muitos artistas, entre os quais, o popular cantor argelino Khaled. Este concerto gratuito foi, parcialmente, organizado pelas Nações Unidas sob o mote do Ano Internacional da Tolerância. Fogo de artifício e música que não conseguiram iludir outros fogos e outras músicas que os ecologistas levaram aos ouvidos do Presidente francês, Jacques Chirac, à conta da sua decisão de reiniciar os ensaios nucleares no Pacífico.</P>
<P>
O povo decide</P>
<P>
Pode ser o fim de uma tradição de décadas. Cabe ao povo americano decidir se continuaremos a ver ou não o desfile em fato de banho no concurso Miss América. Questão delicada que será submetida a voto dos telespectadores, via telefone, durante a transmissão em directo do concurso, em 16 de Setembro, referiu o presidente da organização, Leonard Horn. Se o «não» prevalecer, satisfazendo os anseios das feministas, o final do espectáculo deixará de ser o que é desde 1921. Apenas os juízes do concurso terão o prazer de contemplar as concorrentes em fato de banho, na intimidade da selecção das finalistas.</P>
<P>
Marlon Brando irlandês?</P>
<P>
O actor Marlon Brando, envolvido recentemente em dramas familiares, diz que encara seriamente a possibilidade de pedir a cidadania irlandesa. Brando, de 71 anos, que actualmente participa nas filmagens de «Divine Rapture», na povoação irlandesa de County Cork, em Ballycotton, informou os jornalistas que vai preencher um formulário com o pedido de cidadania antes de abandonar o país daqui a um mês. «Nunca me senti em casa em nenhum dos lugares onde tenho estado», disse o protagonista de «Apocalypse Now», cujo avô, Myles O'Gahan, nasceu na Irlanda. Confessou que sentiu «uma ponta de emoção» quando pisou solo irlandês, lembrando-se de que, quando era criança, o vocabulário de sua avó «estava cheio de expressões irlandesas. Senti-me muito comovido quando entrei no avião. Fui assaltado pela frase: `Estou em casa'».</P>
<P>
Madonna em Cuomo</P>
<P>
Quem também está à procura de raízes à Europa, neste caso a Itália, é Madonna, a popular cantora norte-americana. Descansa, desde terça-feira, nas margens do lago Cuomo, a uns 40 quilómetros a norte de Milão, a convite do estilista italiano Gianni Versace, que lhe emprestou a sua casa de férias. A cantora passou o primeiro dia praticamente em reclusão na casa, «La Fontanelle», na cidadezinha de Moltrasio, com o seu novo namorado, o modelo cubano Carlos Leon, tendo apenas saído para meia-hora de «jogging». Mas quinta-feira, os seus 20 fãs, acampados em frente à porta principal da casa de férias de Versace, cujos modelos Madonna passou em recente desfile em Paris, foram devidamente compensados: a cantora saiu num Mercedes preto, foi visitar o santuário da Madonna del Soccorso del Ossucio, tirou fotografias, mostrou-se muito apaixonada por Carlos Leon. Ou seja, Maria Veronica Ciccone (Madonna) teria sido confundida com qualquer turista normal, não fossem os guarda-costas espadaúdos que são a sua companhia constante.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-42697">
<P>
Torcedores falam, por computador, sobre o acidente a pedido da Folha </P>
<P>
ANDRÉ FONTENELLE </P>
<P>
De Paris </P>
<P>
Assim como o dia em que o homem chegou à Lua ou em que o papa João Paulo 2º sofreu um atentado, o dia da morte de Ayrton Senna ficará gravado na memória de muitas pessoas.</P>
<P>
A pedido da Folha, fãs do automobilismo no mundo inteiro enviaram por correio eletrônico, através da rede de computadores Compuserve, mensagens contando como viveram o 1º de maio de 94.</P>
<P>
Do Canadá à Nova Zelândia, os sentimentos foram muitas vezes os mesmos, como o mau pressentimento devido à morte do austríaco Roland Ratzenberger, na véspera, e a lembrança de outros mitos da F-1 mortos nas pistas, como Gilles Villeneuve (82) e Jim Clark (68).</P>
<P>
Leia, a seguir, trechos dessas mensagens.</P>
<P>
ESTADOS UNIDOS </P>
<P>
``Acordei para assistir a prova às 4h45. Quando vi Senna sair da pista, pensei: `Merda, três abandonos seguidos'. Quando o carro parou e ele não saiu, meu coração parou.</P>
<P>
Ao saber que ele sofrera ferimentos graves na cabeça, acordei meu marido, que é brasileiro.</P>
<P>
Quando soube da morte cerebral, não pude acreditar. Liguei para um amigo no Rio para conferir. Ao desligar, sentei-me no chão e chorei como nunca na minha vida. Meu marido me abraçou. Choramos por uns 20 minutos.</P>
<P>
Fui ao GP Brasil deste ano. Fiquei desapontada com tão pouca homenagem ao Ayrton.</P>
<P>
Na saída do cemitério, chorava descontroladamente. Minha cunhada tentou me consolar em português. Só entendi uma parte. Talvez eu não quisesse entender. Ainda não quero acreditar que é verdade." Colleen Magee, 27, cidade de Sparks.</P>
<P>
``Tinha gravado a corrida, para vê-la depois. Quando eu estava saindo para o trabalho, minha mulher, que assistira ao noticiário, gritou: `Senna morreu!'</P>
<P>
Achei que ela fizera confusão com Ratzenberger. Mas, ao abrir o jornal no trem, a foto de Senna estava na primeira página. Tive vontade de dizer a todos no vagão que uma lenda das corridas tinha desaparecido.</P>
<P>
Aquele dia permanecerá gravado na minha cabeça, como o dia da morte de John Lennon ou da explosão do ônibus espacial." Iori Suzuki, 32, Nova York.</P>
<P>
``Eu esperava mais coisas ruins naquele fim-de-semana, depois do acidente de Ratzenberger; uma premonição, como muitos outros disseram depois.</P>
<P>
Após o incidente da largada (fragmentos de carros atingiram torcedores), pensei que nada mais pudesse ocorrer e relaxei.</P>
<P>
Quando a prova recomeçou, torci para que Schumacher passasse Senna. Então houve a batida.</P>
<P>
Soube instantaneamente, no meu coração, que ele se fora. Esperei horas para ouvir que estava errada. Não estava. Senti-me culpada por ter esperado a tragédia e tê-la visto, por ter desejado um desfecho que tirasse Senna da liderança." Susan Zenel, 39, Washington.</P>
<P>
``Obtive uma credencial de fotógrafo para o GP. Soube que Ayrton batera, mas estava na pista tirando fotos. Nos boxes, ouvi o anúncio na TV, primeiro em italiano: `E morto Senna!'</P>
<P>
A primeira coisa que me tocou foi o silêncio na área dos boxes. Todo o ruído e as conversas pararam, substituídos por sussurros e lágrimas.</P>
<P>
Vendo o vídeo meses depois, uma coisa que me espantou foi o instante em que puseram Ayrton no helicóptero.</P>
<P>
Sid Watkins, que conheço bem, não o acompanhou a bordo. Conhecendo sua especialidade, neurocirurgia, achei que significava que não havia esperança." Raymond Ninness, 53, East Point.</P>
<P>
``Estava visitando meu primo em Long Beach, no dia 1º de maio. Assistimos a um VT da prova, à noite, em um bar. Tínhamos bebido razoavelmente, mas admito que foi um choque.</P>
<P>
Não gostava de Senna, assim como de nenhum outro esportista em geral. Para ser sincero, minha mulher e eu o considerávamos pirado, na pior das hipóteses, e um imbecil, na melhor das hipóteses.</P>
<P>
Mas o homem era um piloto impressionante... realmente impressionante. Ele era bom para seu esporte e seu país.</P>
<P>
Acho forte demais dizer que ele era amado no mundo inteiro. O interessante é a forma como ele era visto em seu país.</P>
<P>
Ver mulheres adultas beijando o capacete de Senna no funeral foi uma das cenas mais bizarras da história da televisão.</P>
<P>
O público brasileiro pode ficar tranquilo: Senna era conhecido, festejado e criticado, e será sempre respeitado pelos torcedores do mundo inteiro; mas nunca da forma como era em seu país." Richard Straude, 34, Gulf Breeze.</P>
<P>
REINO UNIDO </P>
<P>
``Sou corredora de kart e quero chegar à F-1. Naquele dia, fui a Coventry assistir à final de um torneio de speedway (motociclismo em pista oval de areia).</P>
<P>
Soube que Senna tinha batido quando ouvi a conversa de espectadores à minha frente. Voltei para o carro e mamãe disse que talvez ele não sobrevivesse.</P>
<P>
Ficamos com o rádio ligado. Quando ouvi que ele morrera, deitei no banco de trás e comecei a chorar. Senti um vazio por dentro.</P>
<P>
A coisa de que me lembro melhor foi, naquela noite, um comentário de Murray Walker, o mais famoso locutor britânico de GPs: `Eu me lembro de Ayrton Senna. E é terrível ter que usar essa palavra.' Era visível que ele havia chorado. Isso me arrasou." Leanne Winfield, 16, Leeds.</P>
<P>
CANADÁ </P>
<P>
``Quando Senna não saiu do carro e, pior, quando o comissário de pista decidiu esperar pelos médicos, percebi que era sério.</P>
<P>
É terrivelmente injusto que eu tenha aceitado tão rapidamente a morte de Ratzenberger e tenha ficado tão chocado com a de Senna.</P>
<P>
Nunca imaginei que teria um vínculo tão forte com outro piloto depois da morte de Gilles Villeneuve. Mas aconteceu e ainda dói." Ferdinand Trauttmansdorff, 37, Ottawa.</P>
<P>
HOLANDA </P>
<P>
``Na véspera eu vira os acidentes de Ratzenberger e Barrichello. Já estava com um mau pressentimento. Quando o acidente ocorreu, mal pude acreditar. Mas era Senna, ele ia sair do carro e vencer o GP seguinte.</P>
<P>
Durante e depois da corrida, fiquei mudando de canal, à procura de notícias. Alguns dias depois, minha mulher gravou um documentário sobre ele. Até hoje não pude vê-lo." Marcel van Beuzekom, 27, Oosterhout.</P>
<P>
AUSTRÁLIA </P>
<P>
``Sempre assisto às provas, embora passem de madrugada. Quando houve o acidente, fiquei chateado, porque ele não ia terminar outra vez. Mas, quando vi sua cabeça balançar, esperei o pior.</P>
<P>
Não pude dormir naquela noite. Tive pesadelos, e, toda vez que fechava os olhos, revia o acidente claramente. Meu único desejo é levar flores a seu túmulo." Antero Bonifacio, 22, Melbourne.</P>
<P>
NOVA ZELÂNDIA </P>
<P>
``Sou fã de automobilismo desde os anos 70. Chorei ao ver na TV a morte de Gilles Villeneuve. Meu interesse pela F-1 acabou. Só voltei a vê-la em 1988, quando a TV mostrou (coisa rara então) o GP do Japão.</P>
<P>
Foi o GP em que um piloto fez a mais incrível das corridas de recuperação, saindo do 14º para o 1º lugar e vencendo. Eu disse VENCENDO. Era Ayrton Senna.</P>
<P>
Para mim, 1º de maio foi o dia em que o automobilismo perdeu dois campeões: Roland Ratzenberger _um dos poucos eleitos a competir na categoria máxima do automobilismo; e Ayrton Senna _um dos poucos eleitos a mudar a maneira de competir na categoria máxima do automobilismo." Stephen McIvor, 26, Auckland.</P>
<P>
SUÉCIA </P>
<P>
``A primeira coisa que pensei, quando Ratz (Ratzenberger) bateu, foi que ele estava morto, pela forma como sua cabeça estava solta no cockpit. A mesma coisa com Senna, ele me parecia morto.</P>
<P>
Senna representava o esporte para muitas pessoas. É isso que faz da morte de um homem, que é uma tragédia relativamente menor em um mundo cheio de sofrimento, uma tragédia de verdade para o esporte e os torcedores." Joakim Tarnstom, 32, Bromma.</P>
<P>
INDONÉSIA </P>
<P>
``Vivo no meio da selva. Minha ligação com o mundo real é através da Internet ou Compuserve. Soube da morte de Senna pelo computador.</P>
<P>
Até hoje espero ver seu nome nas listas de grid de largada _na pole position, naturalmente! Como Jim Clark, Jochen Rindt, Piers Courage, Pedro e Ricardo Rodríguez, Peterson e tantos outros, ele se foi, mas nunca será esquecido." Gordon Greaves, 47, Iriã.</P>
<P>
ALEMANHA </P>
<P>
``Ainda me lembro bem do início da transmissão do GP de Imola, quando John Watson (ex-piloto irlandês) comentou a imagem de Senna no carro, sem capacete: `Senna parece pensativo diante da perspectiva das voltas do GP.'</P>
<P>
Pensei: `NÃO, engano seu, John'. Não sei em que Senna estava pensando, mas seu rosto mostrava algo além das simples preocupações de mais um GP.</P>
<P>
Depois foi dito que ele tivera um pressentimento de que algo terrível ia acontecer. Para mim, era o que mostrava seu semblante.</P>
<P>
Cresci como fã de Jochen Rindt (piloto austríaco, morto em 1970) e chorei com seu fim trágico. Desde então, nunca a F-1 me emocionara tanto.</P>
<P>
Tive que chorar ao ver o acidente _nisso, também, John Watson errou em seu comentário. Era visível que algo fatal ocorrera." Jasper Marquardt, 35, Berlim.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71268">
<P>
PER: o «grande compromisso público» entre Governo e Câmara</P>
<P>
O sonho de uma casa até ao ano 2001</P>
<P>
Fernanda Ribeiro</P>
<P>
O primeiro-ministro e o ministro das Obras Públicas, estiveram ontem com Jorge Sampaio, nos paços do concelho, para a assinatura do acordo de adesão ao PER. Todos salientaram a «grande cooperação» reinante entre Governo e Câmara para acabar com as barracas. Agora, falta o resto. E a isso se referiu Sampaio.</P>
<P>
A assinatura do acordo de adesão da Câmara de Lisboa ao Programa Especial de Realojamentos (PER) levou ontem aos paços do concelho o Primeiro Ministro e o ministro das Obras Públicas, o que para Jorge Sampaio se traduziu na oportunidade de publicamente manifestar ao Governo o seu regozijo pela cooperação reinante. Mas também para falar das preocupações que se seguem à assumpção deste «grande compromisso público» entre autarquia e administração central.</P>
<P>
«A partir de hoje [aqueles que vivem em barracas] não esquecerão que lhes foi prometido o sonho de uma casa até ao ano 2001», disse o presidente da Câmara. Na sua longa intervenção, Sampaio congratulou-se com a adesão de Lisboa ao PER -- que representa o desaparecimento de 10.030 barracas e o realojamento de 11.129 famílias na capital -- mas simultâneamente salientou o facto de o acordo não esgotar os problemas habitacionais da capital.</P>
<P>
O que falta ao PER e à</P>
<P>
habitação</P>
<P>
«O PER representa uma nova forma de concertação e com isso nos congratulamos. Mas será um grave engano pensar que toda a política de habitação se resolve com este programa (...) e que aí termina a responsabilização mútua do Estado e da autarquia», até porque, sublinhou Sampaio, «não há, em termos de responsabilidade, espectadores ou fiscais no PER: o programa tem de ser estimulado e positiva e responsavelmente partilhado».</P>
<P>
E para estimular o plano de realojamentos das 37.299 pessoas abrangidas pelo programa em Lisboa, o autarca apresentou sugestões, que, em seu entender, poderiam «desde já, minimizar» o problema da falta de casas.</P>
<P>
Articular o PER à escala metropolitana, em vez de o aplicar concelho a concelho, impedir que ele leve a autarquia ao seu limite de recurso ao crédito, fazendo com que o PER deixe de contar para o endividamento municipal, e, ainda, elevando o preço pelo qual a câmara pode comprar fogos, foram alguns melhoramentos que para o autarca deveriam ser aplicados de imediato.</P>
<P>
Só deste modo, seria possível «garantir uma maior intervenção municipal, no actual quadro de recessão, de que o FEF é paradigma», disse Sampaio, destacando que o esforço financeiro da autarquia lisboeta, nos vários programas habitacionais acordados a médio prazo com o Governo, ronda os 100 milhões de contos.</P>
<P>
Já num quadro extra-PER, Sampaio considerou também urgentes outras medidas, implicando idêntica concertação entre Estado, a autarquia e as associações representativas de proprietários e inquilinos. A produção de nova legislação capaz de devolver ao mercado os 30 mil fogos devolutos em Lisboa; melhores condições para o RECRIA, permitindo que este programa abranja o restauro de um maior número de casas degradadas; a criação de um programa de emergência de construção de residências universitárias foram medidas preconizadas.</P>
<P>
«Convicções democráticas» implicam concertação</P>
<P>
Mas, apesar dos recados deixados ao Governo, Sampaio quis também destacar a sua disponibilidade para colaborar com o Executivo, numa atitude justificada por um comportamento muito pessoal: «As minhas convicções democráticas sempre me impuseram o reconhecimento do relacionamento institucional como pedra angular da democracia».</P>
<P>
E, por isso, «a Câmara Municipal de Lisboa está de portas abertas a qualquer Governo do país, qualquer que seja a sua configuração política». Ao mesmo tempo que o inverso também é de esperar e «qualquer governo o esteja também quanto à Câmara de Lisboa, qualquer que seja a sua base política de partida».</P>
<P>
«O problema das barracas existe há 100 anos e uma tão singular persistência indicia desde logo que ele é grave e de difícil solução», disse, depois o ministro Ferreira do Amaral, para quem «o pior efeito da persistência» tem sido «a aceitação que a sociedade portuguesa acaba por mostrar», face a uma situação como a actual.</P>
<P>
O mais terrível para o ministro das Obras Públicas é haver quem encare como um facto «natural» que haja pessoas sem alojamento, quando «Governo, autarcas e representantes das responsabiliddes públicas têm a obrigação de ser os mais inconformistas». Por isso, Ferreira do Amaral saudou o PER, «em boa hora lançado» pelo executivo.</P>
<P>
Destacou a «gigantesca tarefa» desempenhada pela autarquia, que se «pode orgulhar», pelo levantamento -- que «nunca ninguém antes fizera» -- do número de famílias a viver em barracas, em Lisboa, mas as palavras de maior reconhecimento dirigiram-se a Cavaco Silva, o verdadeiro «pai» do PER.</P>
<P>
Isso porque, sublinhou, foi o primeiro-ministro «quem anunciou ao país um programa com este objectivo e com esta exigência» -- a de acabar com as barracas -- e também porque foi Cavaco Silva que «pessoalmente se empenhou no desenho do PER», até mesmo «na procura das soluções técnicas».</P>
<P>
Em termos de construção de casas, pelo país fora, o que se está a construir, ao abrigo do PER, é, em número de fogos, «a terceira cidade do país», sublinhou Ferreira do Amaral, para quem esta é «uma obra de solidariedade social», que representa «mais um motivo de orgulho» no actual primeiro-ministro.</P>
<P>
Cavaco Silva, que na cerimónia não usou da palavra, destacou depois -- respondendo a questões levantadas pelos jornalistas -- o «trabalho de cooperação» entre o ministério das Obras Públicas e a Câmara Municipal de Lisboa e justificou o seu empenho pessoal no PER pelo facto de ele juntar vários departamentos governamentais. «E quando se trata de tarefa intergovernamental o próprio primeiro ministro tem de vir para a linha da frente», disse.</P>
<P>
Sublinhou também -- não fosse o gesto ter outra interpretação, a de um eventual apoio a Jorge Sampaio como candidato do PSD às presidenciais -- que a sua presença em cerimónias de assinatura não se limitou a Lisboa, citando outros exemplos. «Estive em Matosinhos, em Gondomar, na Maia, e aceitei com muita satisfação estar hoje aqui na Câmara de Lisboa»,</P>
<P>
Recordou que a aplicação do PER na capital representa um investimento de 70 milhões de contos, em cerca de 11 mil fogos, num momento em que «há condições financeiras para concretizar o sonho» de acabar com as barracas.</P>
<P>
E, para ajudar a realizá-lo, a Câmara, que afirma ter já demolido mais de quatro mil barracas na cidade, marcou para hoje mesmo nova operação, desta vez, no Bairro do Relógio, onde 132 habitações precárias serão alvo do camartelo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="wpt-1001951616378060469">
<P>
São os produtores de resíduos, nomeadamente os municípios, associações de municípios e industriais responsáveis por encaminhar os resíduos de uma forma e para um destino correctos.</P>
<P>
Para isso é fundamental a sua associação a empresas especializadas que lhes garantam o cumprimento das exigências feitas pelas normas ambientais, que lhes disponibilizem experiência e conhecimentos técnicos e que ao mesmo tempo lhes ofereçam meios que lhes permitam rentabilizar os resíduos.</P>
<P>
É neste contexto que surge a ECOMAIS - Recolha e Valorização de Resíduos, Lda. uma empresa dinamizadora na área do ambiente direccionada para a área dos resíduos industriais e urbanos.</P>
<P>
É uma empresa licenciada de acordo com as exigências estabelecidas, especializada na prestação contínua de serviços e na procura de soluções para os seus clientes, de modo a satisfazer as suas necessidades de uma forma ambientalmente correcta.</P>
<P>
Oferecendo um serviço diversificado, eficaz, rápido e completo na área dos resíduos, torna-se o parceiro ideal na Gestão Global de Resíduos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-44201">
<P>
Começou a funcionar no primeiro dia deste ano o maior bloco comercial do mundo, o Espaço Econômico Europeu, que engloba os países da União Européia (ex-Comunidade Européia) e mais Austria, Suécia, Finlândia, Noruega e Islândia. O novo bloco possui 372 milhões de habitantes e um PIB de US$ 7,5 trilhões.</P>
<P>
Cada vez mais os blocos econômicos de livre comércio ganham relevância, não somente na Europa. O governo dos EUA já anunciou que o prazo inicial para eliminação de tarifas entre os membros do Nafta (EUA, México e Canadá), de 15 anos, pode vir a ser reduzido. Mesmo o mais pobre Mercosul também parece caminhar: a chamada margem de preferência (desconto nas tarifas de importação para os países membros) subiu de 75% para 82% em 1.º de janeiro. Além disso, também prossegue a redução das listas de exceção –produtos considerados sensíveis e, portanto, merecedores de tratamento diferenciado.</P>
<P>
Os reflexos do Mercosul, que para muitos têm passado despercebidos, já podem ser vistos na prática. O PIB do Rio Grande do Sul, fronteiriço aos países membros, cresceu 7,3% em 93 e havia crescido 6,5% em 92. O contraste com o restante do país é flagrante e grande parcela desse crescimento está sendo creditada ao acordo comercial da região.</P>
<P>
Entretanto, as dificuldades macroeconômicas de cada país do Mercosul podem criar problemas e adiamentos nos calendários iniciais. Os industriais argentinos, por exemplo, reclamam barreiras para deter a entrada de produtos brasileiros. O congelamento do câmbio naquele país gerou uma sobrevalorização do peso que barateia as importações, levando o saldo do Brasil no comércio bilateral a US$ 1,1 bilhão em 92 e US$ 800 milhões em 93.</P>
<P>
O que cabe agora aos países membros do Mercosul é lutar para que esses desequilíbrios macroeconômicos não acabem se traduzindo em mais protecionismo e terminem por inviabilizar o tratado e prejudicar o comércio na região. Afinal, é o que resta a nações alijadas dos principais blocos da economia mundial.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49955">
<P>
«Sociedade e Território» fez dez anos</P>
<P>
Os defeitos e as virtudes do PER</P>
<P>
«De tempos a tempos, alguém vem e diz que vai acabar com as barracas. Foi assim antes do 25 de Abril, depois do 25 de Abril, mais tarde com o projecto do Alto do Lumiar do engenheiro Abecasis, é assim agora com o PER [Programa Especial de Realojamento] e com Cavaco Silva». Nuno Portas, arquitecto e um dos oradores do debate «Programa Especial de Realojamento -- Que Realojamento?», organizado pela revista «Sociedade e Território» para comemorar os seus dez anos de existência, deu o mote para uma das tónicas dominantes: a crítica ao megapacote governamental para a habitação social.</P>
<P>
Este plano, segundo o arquitecto, «é sobretudo um programa lisboeta», já que no Porto «se andou de candeias à procura de barracas que não existem». É, também, um programa «cosmético», que favorece resultados visíveis -- os bairros desaparecem -- mas não necessariamente eficazes, já que deixa de lado outras áreas igualmente importantes, como a da revitalização da habitação em centros históricos e a promoção das cooperativas. O PER é, por fim, segundo alguns dos intervenientes no debate, «um presente envenenado a que as câmaras deveriam ter dito não», um programa que, em si mesmo, «obriga a opções duvidosas que podem derivar em novos guetos».</P>
<P>
«Está-se a recorrer, com demasiada frequência, a modelos de habitação social assimilados nos anos 40/60, que se traduzem em unidades que, em Inglaterra, França e Itália, têm sido deitadas abaixo», afirmou Fonseca Ferreira, um dos fundadores da revista e responsável pela Direcção do Planeamento Estratégico da Câmara de Lisboa. E os curtos seis anos que nos separam do ano do fim das barracas (2000) não vêm convidar a soluções novas, pensadas e atempadas. «O PER tem assim à partida», alertou Fonseca Ferreira, «todos os ingredientes para o desastre: construção maciça, realojamentos concentrados, populações de grande precariedade económica e serviços da administração burocratizados».</P>
<P>
Daí que se fale hoje -- como já se falava no passado -- na necessidade de participação dos habitantes, de estabelecer «partenariados» com as populações, nomeadamente ao nível da construção e gestão dos bairros, tentando dar-lhes uma dinâmica social, ao nível dos serviços (pequenas oficinas e empresas), da cultura e do lazer (associações, espaços de fruição cultural), sem a qual qualquer experiência está votada ao «sucesso» que é Chelas.</P>
<P>
Mas o PER não tem só defeitos e, como disse alguém na assistência, «tem pelo menos a vantagem de se estar a discutir a habitação social», para além de agora, pela primeira vez em algumas décadas, «haver, de facto, dinheiro para a construção de casas». Outra das virtudes apontadas ao plano de realojamento é a de abrir a porta à possibilidade de serem os próprios destinatários da habitação, ainda que indirectamente, a disporem de uma verba para a compra de casa, em vez de serem atirados contra a sua vontade para dentro de «gavetas» -- isto é, há alguma liberdade de escolha.</P>
<P>
De resto, o debate da «Sociedade e Território», revista onde escrevem alguns dos técnicos da Câmara Municipal de Lisboa ligados à área da habitação social, acabou por ser mais interessante pelas perguntas que ficaram no ar do que pelas suas conclusões. Qual o efeito, ao nível da procura no mercado da habitação, da junção de um bairro de barracas a um bairro dito normal? Qual a relação entre determinadas doenças -- artrites, tuberculoses -- e as condições de habitação? A enorme quantidade de obras públicas que se adivinham -- CRIL, CREL, Expo-98 e outras -- serão feitas mais uma vez com recurso à mão-de-obra africana clandestina? Irão crescer, assim, mais barracas? O futuro dará as respostas. João Dias Miguel</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11317">
<P>
Evento gratuito leva alunos a pontos significativos do centro da cidade e estuda arquitetura local</P>
<P>
VICTOR AGOSTINHO</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O Museu Padre Anchieta e o Instituto Cultural Itaú estão promovendo curso nas férias de julho, gratuito, sobre a São Paulo dos séculos 19 e 20.</P>
<P>
Além da parte teórica, "Passeando pela história de São Paulo" vai levar os alunos aos locais mais significativos do centro da cidade.</P>
<P>
São visitas guiadas pelos orientadores/pesquisadores dentro do triângulo que compreende a praça da Sé, a igreja de São Bento e a igreja de São Francisco.</P>
<P>
Andréa de Araújo Nogueira, 27, historiadora que faz parte do projeto, conta que foram selecionadas cem imagens entre as 8.700 do banco de dados do Instituto Cultural Itaú.</P>
<P>
Primeiro, os alunos tomam conhecimento, pelas fotografias, de como eram os locais que serão visitados. Recebem informações sobre arquitetura, moda e costumes dos antigos frequentadores do centro da cidade.</P>
<P>
Depois, saem a campo num passeio de duas horas para comparar o que mudou, constatar o que foi demolido e perceber a diferença no comportamento do paulistano.</P>
<P>
O roteiro guiado vai mostrar, por exemplo, onde ficava a primeira igreja da praça da Sé, uma construção colonial demolida em 1913. Os alunos vão conhecer ainda um pouco da história da igreja da Sé, catedral que demorou 40 anos para ser construída.</P>
<P>
Também na praça da Sé, os pesquisadores vão levar seus alunos ao local onde foi construído o edifício Santa Helena, reduto de artistas como Bonadei, Volpi, Clóvis Graciano e Rebolo, entre outros.</P>
<P>
O edifício Santa Helena, demolido na década de 70 para a construção do metrô, foi erguido em 1930 e, além de reunir o Grupo Santa Helena de artistas plásticos e intelectuais, inaugurou o conceito de prédio com sala de projeção (cinema).</P>
<P>
O passeio segue pelo largo São Bento, onde existe ainda hoje, embora bastante modificado, o prédio que abrigava o hotel D'Oeste nos idos de 1870. Neste hotel se hospedavam os barões de café quando vinham a São Paulo negociar seu produto.</P>
<P>
A historiadora Andréa lembra que o "happy hour" dos cafeicultores era feito na casa de banhos "Banhos da Sereia", que reunia mocinhas incumbidas de fazer os barões relaxar e esquecer das pragas e oscilações do mercado de café.</P>
<P>
O roteiro termina no largo São Francisco, que desde o século 19 mantém sua vocação de palco de manifestações políticas e sociais. O curso vai enfocar o largo São Francisco dos anos 60, quando a movimentação política/estudantil fez do local um dos mais efervescentes de São Paulo.</P>
<P>
PASSEANDO PELA HISTÓRIA DE SÃO PAULO, curso promovido pelo Museu Padre Anchieta e Instituto Cultural Itaú, com aulas às quartas e sextas, das 14h às 16h, entre os dias 6 e 29 de julho. Inscrições de 29 de junho a 5 de julho no Museu Padre Anchieta (Pátio do Colégio, 2, centro). Gratuito, 60 vagas, inscrições por ordem de chegada.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-41288">
<P>
Liamine Zéroual derrota oposição democrática e islamistas nas presidenciais argelinas</P>
<P>
Carta branca para o general</P>
<P>
Alexandra Prado Coelho</P>
<P>
As presidenciais na Argélia ultrapassaram as expectativas: 75 por cento dos eleitores foram às urnas, ignorando os apelos em contrário, e até ameaças de morte, da oposição. Os argelinos deram a maioria absoluta a um general, o segundo lugar a um islamista moderado e o terceiro a um inimigo dos integristas. Nos próximos dias o vencedor, Liamine Zéroual, terá de clarificar a sua política face aos activistas islâmicos: o diálogo ou a repressão .</P>
<P>
Os argelinos decidiram colocar o seu futuro nas mãos do general Liamine Zéroual, eleito Presidente, na quinta-feira, com 61,34 por cento dos votos. Para Zéroual foi uma vitória absoluta: provou que era possível fazer uma campanha eleitoral e realizar eleições num país que parecia mergulhado no caos. A legitimidade popular conquistada nas urnas dá-lhe agora um novo espaço de manobra para, contrariando a ala «dura» do Exército, negociar com os islamistas que aceitem renunciar à violência.</P>
<P>
O segundo candidato mais votado foi o islamista moderado Mahfoud Nahnah -- que já denunciou irregularidades no escrutínio --, com 25,38 por cento dos votos; seguido por Said Saadi, um feroz anti-islamista, que não ultrapassou os 9,29 por cento; e, por último, Noureddine Boukrouh, com 3,78 por cento. Mas a verdadeira vitória foi a taxa de afluência às urnas que, ultrapassando as expectativas anunciadas pelos autoridades, atingiu os 75 por cento -- é sobretudo neste número que se baseia a recém-conquistada legitimidade de Liamine Zéroual.</P>
<P>
Os observadores que foram enviados à Argélia para acompanhar este escrutínio não puseram em causa os números e sublinharam o clima de calma e normalidade em que decorreram as eleições. O regime montou um gigantesco dispositivo de segurança, com mais de 300 mil soldados e polícias nas ruas, e conseguiu evitar a violência prometida pelos grupos islâmicos armados, que tinham ameaçado de morte quem se atrevesse a votar.</P>
<P>
As primeiras reacções aos resultados foram de apoio a Zéroual. A França, antiga potência colonial, considerou a eleição como «uma primeira etapa» no caminho para a democracia, passando por legislativas, e apelou ao novo chefe de Estado para que inicie o diálogo com a oposição. Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros declara que os dois países continuarão a manter relações «baseadas na amizade e cooperação». O Governo espanhol disse também esperar que as presidenciais argelinas «sejam seguidas de progressos na democratização do país, através de um diálogo com as principais forças políticas».</P>
<P>
Na sua primeira declaração depois de ser conhecida a vitória, Zéroual afirmou que será «o Presidente de todos os argelinos», considerando estas eleições como «um sucesso da democracia». «Procurarei estar à altura da confiança que depositou em mim a maioria dos argelinos e das argelinas», declarou, anunciando para os próximos dias uma conferência de imprensa.</P>
<P>
A segurança e o pão</P>
<P>
A responsabilidade de Zéroual é, efectivamente, enorme. «As pessoas fizeram filas para votar como fazem filas todos os dias para comprar pão. Isso mostra que precisam tanto de segurança como de pão. E agora vão exigir ambos», afirmou o jornalista Ezzeddine Mayhoubi, citado pela Reuter. Criar um clima de segurança e recuperar a economia, profundamente afectada por quatro anos de violência entre os grupos islâmicos armados e o Exército, são os dois maiores desafios que esperam Zéroual [ver textos nestas páginas]. Como é que ele os vai resolver, é ainda uma incógnita.</P>
<P>
Quando foi nomeado pelos militares para a chefia do Estado, em Janeiro do ano passado, o general prometeu iniciar o diálogo com os dirigentes da Frente Islâmica de Salvação (FIS), Abassi Madani e Ali Belhadj, detidos desde 1991. As tentativas para o fazer falharam sistematicamente e o Presidente encontrava-se sob grande pressão daqueles que, entre os militares, defendem uma política de repressão total e se opõem a qualquer hipótese de diálogo, os chamados «erradicadores». As eleições serviram precisamente para reforçar a sua posição face a este grupo, permitindo-lhe avançar com o diálogo. Segundo a AFP, desde quinta-feira à noite que figuras próximas de Zéroual começaram a falar na eventualidade de uma libertação dos «prisioneiros políticos», referindo-se naturalmente aos dirigentes islamistas.</P>
<P>
A FIS reagiu à vitória de Zéroual, afirmando tratar-se da «confirmação de uma palhaçada que não dá nenhuma legitimidade aos generais do golpe». A declaração é de Anouar Haddam, o representante do movimento nos EUA e uma figura geralmente pouco conciliatória. Haddam, que falava à AFP, sublinhou que as eleições foram organizadas «na ausência de observadores dignos desse nome», e apelou à França e «aos países parceiros da Argélia» para não darem credibilidade a estas eleições «porque abriria um precedente muito grave». Logo na quinta-feira à noite, a Frente Islâmica contestou a taxa de participação anunciada pelo Ministério do Interior, afirmando que esta não ultrapassara os 30 por cento.</P>
<P>
Os grandes derrotados</P>
<P>
Durante o último ano, o Presidente argelino tem alternado os esforços para um diálogo com o reforço das políticas de repressão. Os grupos armados estão agora profundamente enfraquecidos e não têm quaisquer hipóteses de derrotar o Exército no terreno; mas mantêm uma capacidade preocupante para realizar atentados, colocar bombas, assassinar, em suma, manter a tensão e a instabilidade em níveis elevados, o que impede, obviamente, a recuperação da economia. O facto das eleições se terem realizado num clima de normalidade constitui, por si só, uma derrota para os grupos armados.</P>
<P>
Mas os principais derrotados deste escrutínio são, sem dúvida, os partidos que se recusaram a participar, a Frente das Forças Socialistas (FFS) e a Frente de Libertação Nacional (FLN), a chamada «oposição democrática» (Said Saadi, que esperava concentrar os votos «democráticos», perdeu a aposta). Os argelinos ignoraram os apelos destes partidos ao boicote -- a que se somaram os apelos da FIS -- e acorreram em massa às urnas.</P>
<P>
Uma das conclusões a tirar, segundo observadores, é a de que o movimento islamista, que teria sido o grande vencedor das legislativas de 1991 se estas não tivessem sido anuladas, está a perder terreno. Mesmo um islamista moderado como o cheque Nahnah, em quem terão votado muitos dos potenciais apoiantes da FIS, não conseguiu votos suficientes para disputar uma segunda volta com Zéroual. Por isso, mesmo que aceite iniciar agora um diálogo com os integristas, o Presidente sabe que enfrenta um movimento bastante mais enfraquecido do que há um ano.</P>
<P>
A vitória de Zéroual significou, portanto, a derrota dos três partidos signatários do acordo de Roma -- um «contrato nacional» para a paz que propunha um diálogo entre os militares e todas as forças políticas representativas da Argélia. E o resultado pode começar a criar divisões neste grupo. Segundo a AFP, muitos dirigentes locais da FLN fizeram campanha por Zéroual e nos principais bastiões deste antigo partido único, o Presidente venceu com maiorias mais do que confortáveis. É por isso que, sublinha ainda a agência francesa, a questão da sobrevivência política da FLN -- dividida entre várias tendências -- e do seu líder, Abdelhamid Mehri, começa agora a colocar-se. Sobretudo quando Zéroual começou já a prometer a realização de eleições legislativas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-29139">
<P>
Programa comunitário para a integração económica e social</P>
<P>
Um km de auto-estrada para combater a pobreza</P>
<P>
Cerca de metade dos 12 mil habitantes da zona histórica do Porto que vivem abaixo do limiar de pobreza, mais de 400 crianças da rua em Lisboa, duas mil pessoas da região da Covilhã e 38 aldeias do concelho de Almeida foi o universo directamente envolvido no terceiro programa comunitário de médio prazo para a integração económica e social dos grupos menos favorecidos, que termina em Junho próximo.</P>
<P>
Os primeiros resultados do programa, designado por «Pobreza III», começam a ser agora divulgados, embora se espere pelo termo da sua vigência para se apurarem dados concretos, como o número de postos de trabalho gerados pelas iniciativas lançadas. Para a equipa de consultores do projecto, a avaliação feita até agora é positiva, apesar de serem também muitas as recomendações a fazer. Os primeiros sinais concretos vêm de Almeida, com a criação de empresas a nível individual, e do Porto, onde a formação de pequenos «ateliers» (fotografia, por exemplo) gerou trabalho numa zona com forte concentração de problemas económicos e sociais.</P>
<P>
Em Lisboa, os responsáveis pelo «Trabalho com Crianças de Rua em Situação de Marginalidade», levado a cabo pelo Instituto de Apoio à Criança admitem que o movimento de crianças da rua na baixa lisboeta foi estancado. As novas zonas de «fuga» são agora o Campo Grande e Benfica. Das 449 crianças contactadas até agora, com idades entre os cinco e os 16 anos, os objectivos de regresso à família foram alcançados em 17 por cento dos casos, encontrando-se 30 por cento em fase de transição.</P>
<P>
As acções integradas no programa comunitário -- que, sem eufemismos, destina-se à luta contra a pobreza e exclusão social --, beneficiaram, no total, de uma verba que não chegou a 1,5 milhões de contos, repartidos por cinco anos. É um número referido com ironia por José Manuel Henriques, da equipa de consultores do projecto nacional, que o compara com «pouco mais do que o custo médio de um quilómetro de auto-estrada».</P>
<P>
Modelo esgotado</P>
<P>
A ironia acresce quando os problemas sociais, a começar pelo desemprego, representam as grandes linhas de preocupação quer do Livro Branco sobre o Crescimento, Competitividade e Emprego, de Jacques Delors, quer do Livro Verde sobre a Política Social da Europa. Neste último documento, a Comissão Europeia propõe aos Doze medidas que conduzam a melhores condições sociais na Europa, ameaçada por estimativas como a de que 1/3 dos jovens de hoje não chegará a conhecer o mercado de trabalho. Está em causa um modelo de política social que se esgotou e «uma ponte que se pretende fazer, entre o âmbito social e económico», como refere Fernanda Rodrigues, da equipa de consultores ligada ao CISEP - Centro de Investigação Sobre Economia Portuguesa.</P>
<P>
Recomendações concretas retiradas das experiências realizadas não faltam. No Porto, a equipa de projecto defende a afectação às escolas tendo em conta os projectos educativos em vez da simples regra de colocação. Na Covilhã, uma das principais propostas passa por uma melhor ligação com os serviços oficiais ligados à agricultura. Agricultura a tempo parcial como actividade complementar dos habitantes da região é o objectivo que se pretende manter, defendendo-se uma melhoria da produtividade da terra. A experiência mostrou, no entanto, que os serviços oficiais contactados «foram incapazes de sugerir culturas alternativas em pequena escala, porque estão virados para a lógica empresarial», explica José Manuel Henriques.</P>
<P>
São propostas que têm os olhos postos no próximo programa «Pobreza IV», cujo financiamento será através do Fundo Social Europeu, à semelhança dos anteriores. Deverá ter uma duração mais longa, cerca de cinco anos e meio, mas o seu orçamento encontra-se ainda em discussão. O presidente da Comissão Europeia tinha proposto a duplicação do valor atribuído ao Pobreza III, que foi de 55 milhões de ecus para o conjunto dos Doze, mas admite-se já que o montante poderá não chegar ao dobro. Com princípios semelhantes o próximo programa parece ser mais ambicioso: integração de mais projectos -- actualmente estão abrangidos 42 por toda a Europa comunitária, envolvendo um total de cerca de duas mil organizações -- e que ultrapasse o âmbito local. Lurdes Ferreira</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-78542">
<P>
Da Redação</P>
<P>
Considerado por especialistas como o futebol que mais evoluiu no planeta nos últimos anos, a Colômbia entra pela primeira vez em uma Copa do Mundo com chances reais de um bom resultado. Em ensaio realizado pela  Folha, publicado no dia 27 de dezembro de 93, a Colômbia enfrentaria o Brasil em uma das partidas semifinais do torneio.</P>
<P>
A equipe colombiana está no Grupo A do Mundial, junto com EUA, Suíça e Romênia. A Colômbia é tida como favorita para ser a primeira da chave.</P>
<P>
Nessa hipótese, o time enfrentará nas oitavas-de-final o terceiro colocado do Grupo C, D ou E. No C, especulando-se sempre a favor da lógica, o adversário seria provavelmente a Bolívia. No D, Grécia, Nigéria ou Bulgária. E no D, Irlanda, Noruega ou México. O time do técnico Francisco Maturana reúne condições de vencer qualquer uma dessas seleções.</P>
<P>
Nas quartas-de-final, o próximo adversário da Colômbia seria o vencedor do jogo entre o 2.º do Grupo F (teoricamente a Bélgica) contra o segundo do grupo do Brasil (Camarões ou Rússia). Mais uma vez, a Colômbia tem condições de vencer.</P>
<P>
Na semifinal, enfim, os colombianos enfrentariam o Brasil, que tem como saída mais lógica buscar enfrentar a Colômbia. Passando pelo Brasil, a final poderia acontecer contra Alemanha, Itália ou Argentina –se estes vencerem seus primeiros jogos.</P>
<P>
É claro que este é apenas um cenário especulativo, mas que revela as possibilidades do selecionado colombiano. Na fase semifinal e final, a grande adversidade pode ser a falta de tradição. Mas também deve ser levado em conta que a Colômbia de hoje é capaz de façanhas como golear a Argentina fora de casa por 5 a 0 num jogo decivisivo pelas eliminatórias sul-americanas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="wpt-1001819342220711712">
<P>contra-revoluções musicais</P>
<P>
Talvez que, tendo a música uma componente tão física não seja apetecível o aleatório, o algorítmico. É mais do que tropeçar, caír, espalhar o corpo em mil bocados.</P>
<P>
"Se a música comtemporânea pôde ser considerada incompreensível quanto ao seu código de leitura, hoje já não é a música que se tornou incompreensível mas sim o público."</P>
<P>
Metzger, Heins-Klaus.cit.,p.2</P>
<P>
Afinal não somos todos o mesmo público?</P>
<P>
posted by DGP @ 4:29 AM</P>
<P>
2 Comments:</P>
<P>
At 1:55 PM, César Viana said...</P>
<P>
Será que hoje ainda podemos falar de "a" música contemporânea? Há uma diversidade de manifestações que se movem nesta área, desde as mais exigentes às mais oportunisticamente simplistas, todas sobre essa mesma capa de "música contemporânea".</P>
<P>
At 2:20 AM, DGP said...</P>
<P>
Claro que sim!</P>
<P>
Nem sei bem em que contexto escrevi este post.</P>
<P>
Estava a reler um livro -Revoluções Musicais, a música contemporânea depois de 1945</P>
<P>
Pareceu-me infeliz a frase de Heinz-Klaus ("já não é a música que se tornou incompreensível mas sim o público)</P>
<P>
No fundo aquilo de que discordo é o facto de neste caso o criador estar de fora do grupo colectivo. É claro que é mais apetecível e mais fácil, mas depois falta-lhe amor. (Como tão bem defeniu no post em que falava de Alvaro Cunhal)</P>
<P>
De qualquer maneira e infelizmente, não conheço música feita nos últimos anos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-98896">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A crise financeira da PUC-SP decorre da opção histórica da universidade em manter pesquisa, além de ensino. Até a década de 70, isso era possível, já que o Estado custeava mais da metade de seus gastos.</P>
<P>
É essa atividade de pesquisa que diferencia –para melhor– a PUC de outras instituições de ensino particular. Direito, psicologia, educação, matemática, entre outros cursos de pós-graduação, atraem estudantes de todo país. Só que, desde a crise econômica da década de 80, a PUC não recebeu mais subsídios. Recorreu a empréstimos, que agora são dívidas.</P>
<P>
Sem novas fontes de recursos, a tendência é a PUC virar um "colegião" –já que o Estado brasileiro mal consegue custear seu próprio ensino. (FR)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-94728">
<P>
Rádio italiana avança tese sobre morte de tricampeão de F1</P>
<P>
Peça solta terá morto Senna</P>
<P>
Uma rádio italiana noticiou ontem que a morte do piloto brasileiro tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna pode ter sido provocada por uma peça solta do seu Williams-Renault. Essa peça teria partido o visor do seu capacete, para depois originar uma fractura fatal no crânio de Ayrton Senna, quando decorria o Grande Prémio de São Marino, disputado no circuito italiano de Imola.</P>
<P>
Segundo a rádio, a autópsia comprovou a existência de uma perfuração de dois centímetros no sobrolho direito do piloto brasileiro. Uma peça não especificada da suspensão da roda dianteira do lado direito do seu carro, que teria embatido no «cockpit», seria a responsável pelo que aconteceu, quando o Williams-Renault embateu num muro colocado na curva Tamburello. Contudo, esta versão pode não ser confirmada pelo relatório oficial elaborado por magistrados de Bolonha, que ainda não está disponível.</P>
<P>
A rádio não identificada divulgou ainda que Senna teria sobrevivido se o fragmento não o tivesse atingido, e que o acidente pode ter sido produzido devido à quebra da direcção do monolugar, como aliás a imprensa brasileira noticiara recentemente. A mesma fonte revelou ainda que mais testes serão realizados na próxima semana num laboratório aeronáutico italiano para verificar a veracidade dessa informação. Entretanto, muito se tem especulado sobre o acidente que em Maio vitimou o tricampeão brasileiro de Fórmula 1. A morte de Senna ocorreu num fim-de-semana fatal para a Fórmula 1, já que no dia anterior o austríaco Roland Ratzenberger havia sucumbido nos treinos do mesmo GP de São Marino.</P>
<P>
Há doze anos que não ocorriam acidentes desta gravidade em Grandes Prémios. Todavia, poucas semanas depois tiveram lugar mais dois de grande aparato: no GP do Mónaco, o Sauber-Mercedes de Karl Wendlinger protagonizou uma colisão que o deixou em coma profundo durante semanas (do qual já recuperou, regressando à Fórmula 1 no GP do Japão), e, em testes privados ao seu Lotus em Inglaterra, o piloto português Pedro Lamy sofreu também um forte acidente que o mantém ainda afastado das pistas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-25446">
<P>
A menos de sete semanas das eleições na África do Sul</P>
<P>
Os últimos dias dos bantustões</P>
<P>
Steven Lang, em Joanesburgo</P>
<P>
O dia de ontem na África do Sul foi assinalado pela revelação de que vastos sectores apoiariam um golpe de Estado, pela informação, horas depois, de que uma tentativa golpista estaria mesmo em curso no Ciskei e pela notícia de que o Presidente do Bophuthatswana teria abandonado já o seu palácio.</P>
<P>
Mais de metade dos cinco milhões de brancos da África do Sul apoiaria um golpe que fosse dado pelas Forças de Defesa, tal como 53 por cento dos quase 28 milhões de negros apoiaria a tomada do poder pelo Umkhonto we Sizwe, o braço armado do ANC, revela uma sondagem ontem publicada em Joanesburgo pelo «Business Day».</P>
<P>
As condições internacionais não são de molde a favorecer nenhuma tentativa golpista no mais importante dos países africanos, mas horas depois da publicação do trabalho efectuado pela Integrated Marketing Research o ministro do Interior, Hernus Kriel, anunciava que uma movimentação desse género estaria em curso no Ciskei, bantustão situado no Cabo Oriental.</P>
<P>
O ministro informou que seguia de imediato para Bisho, a capital daquele território até há pouco reservado a populações de etnia xhosa e que em breve deverá ser reintegrado no todo sul-africano, se for por diante o plano de transição para uma sociedade plenamente democrática elaborado em conjunto pelo Partido Nacional, no poder em Pretória desde 1948, e pelo ANC, de Nelson Mandela.</P>
<P>
No entanto, notícias posteriores falavam apenas de algumas centenas de soldados amotinados e não propriamente de um golpe de Estado, enquanto continuavam a surgir as mais desencontradas informações sobre a situação altamente volúvel que se está a viver em todo o conjunto sul-africano, nestes meses de gestação de uma sociedade pós-apartheid.</P>
<P>
Em Mmabatho, a capital de outro dos bantustões, o Bophuthatswana, jovens negros haviam erguido barricadas nas ruas e apedrejado automobilistas, no quarto dia de distúrbios contra o Presidente local, Lucas Mangope, que não aceita desistir da independência que lhe fora concedida pela África do Sul nem permite a realização de eleições no espaço sob a sua jurisdição.</P>
<P>
Ao fim da tarde a agência noticiosa sul-africana SAPA referia que Mangope abandonara o palácio presidencial num helicóptero, com destino desconhecido, enquanto a Rádio Pretória, da extrema-direita, incitava os simpatizantes do apartheid a tentarem salvar aquele dirigente regional. Uma testemunha disse que o Movimento de Resistência Afrikaner (AWB), de Eugène Terre'Blanche, estava a mobilizar homens a uns 70 quilómetros de Mmabatho, onde a população -- geralmente afecta ao ANC -- começara a destruir as lojas do grande centro comercial Megacity. A polícia abriu fogo sobre os populares e crê-se que houve mortos, pois ao começo da noite tinham sido notados corpos por terra e muitas ambulâncias haviam afluído ao local.</P>
<P>
Além disso, os guardas espancaram três elementos de uma equipa de televisão da Reuter que estava a cobrir a agitação no Bophuthatswana, aparente sinal de estertor dos países artificiais que o apartheid havia criado e cujos líderes revelam alguma dificuldade em desistir dos privilégios adquiridos.</P>
<P>
Tudo continua em aberto</P>
<P>
Por outro lado, as autoridades sul-africanas deram até hoje à tarde a todas as partes ainda hesitantes, como o Inkatha e os brancos da extrema-direita, para se decidirem de uma vez por todas se participam ou não nas eleições marcadas para o período de 26 a 28 de Abril.</P>
<P>
O Partido Conservador, de Ferdi Hartzenberg, já disse que poderá expulsar os seus militantes que teimem em votar, mas há outros sectores da Frente do Povo Afrikaner (FPA) aparentemente com alguma vontade de ir às urnas, como é o caso do grupo liderado pelo general na reserva Constand Viljoen.</P>
<P>
Facto curioso é o da sondagem ontem revelada pelo «Business Day» dizer que apenas uns 850 mil brancos, menos de um quinto do total, estariam dispostos a viver num «Estado boer» preconizado pela FPA, mas que talvez mais de um milhão de negros não se importassem muito de lá trabalhar, por entenderem que «os patrões os tratam bem».</P>
<P>
As últimas notícias dizem que a Aliança da Liberdade, que congrega o Inkatha, a Frente do Povo Afrikaner e o Bophuthatswana, suspendeu qualquer hipótese de participação no processo eleitoral, alegando que o ANC está a desestabilizar o regime de Mangope.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-12093">
<P>
Avião russo desaparecido na Sibéria</P>
<P>
Pouca esperança de sobrevivência</P>
<P>
A noite e mau tempo suspenderam as operações para encontrar o Tupolev-154 das linhas áreas regionais russas, que desapareceu com 97 pessoas a bordo na no extremo oriente da Sibéria, mas os responsáveis pelas buscas pensam já ter delineado a zona onde o aparelho pode estar.</P>
<P>
O avião, voo número 3949, desapareceu dos ecrãs de controle aéreo ontem, às 03h20 locais (18h20 de quarta-feira, em Lisboa), 40 minutos depois de ter partido de Ioujno-Sacalina (ilha de Sacalina) em direcção a Khabarovsk, no continente.</P>
<P>
Ontem, ao fim da tarde (hora local), «as buscas foram interrompidas porque caiu a noite e as condições meteorológicos agravaram-se, com fortes quedas de neve e um nevoeiro intenso», referiu o centro de socorro de Khabarovsk, citado pela agência russa Interfax.</P>
<P>
«Não consigo imaginar que os passageiros e a tripulação tenham tido alguma hipótese de sobreviver», afirmou Dimitri Polkanov, responsável do controle de tráfico aéreo baseado em Moscovo, em declarações à Reuter. «Segundo as nossas informações de Khabarovsk, posso confirmar que o avião se despenhou».</P>
<P>
O Tupolev-154, que levava a bordo 89 passageiros - incluindo 31 mulheres e cinco crianças - e oito tripulantes, todos russos, desapareceu dos ecrãs de radar quando terminava a travessia do estreito dos Tártaros (no mar de Okhotsk), que separa Sacalina do continente russo.</P>
<P>
Os responsáveis pelas operações de socorro tinham praticamente excluído a possibilidade do avião ter caído no mar, e citaram testemunhas da aldeia de Kopi, junto à costa, que afirmaram ter ouvido, pouco depois das 03h00, o barulho do avião.</P>
<P>
As buscas, levadas a cabo com a ajuda de aviões e helicópteros, deverão ter recomeçado mas, no entanto, a possibilidade de sobrevivência de alguém que eventualmente tenha escapado à queda são mínimas, uma vez que os termómetros não marcam mais do que 15 graus negativos.</P>
<P>
O aparelho fora recentemente submetido a um controle técnico e era pilotado por uma equipa experiente, segundo as autoridades locais, citadas pela Interfax.</P>
<P>
Por outro lado, não parece que a sobrecarga tenha sido o motivo da queda (muito frequente nos acidentes aéreos na ex-URSS), uma vez que o aparelho com capacidade para levar 164 passageiros, deslocou com metade dos lugares vazios.</P>
<P>
Mas a antiguidade do avião -- que contava com 30 mil horas de voo -- e dos seus equipamentos coloca outra vez o problema da velhice e insegurança do parque aeronáutico da ex-União Soviética.</P>
<P>
Depois da desintegração da companhia nacional Aeroflot que se multiplicou em inúmeras companhias regionais, os problemas de manutenção multiplicaram-se também e em vários aeroportos de província, os aviões são «canibalizados» para instalar as sua peças noutros aparelhos.</P>
<P>
Ainda na terça-feira, um Tupolev-134 despenhou-se logo após a descolagem do aeroporto de Nakhitchevan (Azerbeijão), provocando 50 mortos e 31 feridos. A comissão de inquérito oficial invocou uma falha técnica, sem adiantar mais nenhum pormenor, mas fontes aeronáuticas de Baku realçaram a antiguidade do parque de aviões de construção soviética no Azerbeijão.</P>
<P>
Quanto aos acidentes menos espectaculares -- aterragens forçadas e avarias diversas -- eles fazem parte do dia a dia dos transportes aéreos em toda o território da ex-URSS.</P>
<P>
Na quarta-feira, quatro pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas na sequência da queda de um helicóptero militar no sul da Rússia. Segundo a agência Itar-Tass, um MI-24 despenhou-se quando as pás da sua hélice baterem num cabo de electricidade de alta-voltagem, na república étnica da Ingúchia, que faz fronteira com a Tchetchénia, onde continua a guerra entre os rebeldes e as tropas russas.</P>
<P>
Boris Agapov, vice-presidente da Ingúchia, disse que o helicóptero estava a voar baixo por causa do nevoeiro e das nuvens baixas. Algumas horas antes, a agência Itar-Tass havia anunciado que um outro helicóptero MI-8 que transportava feridos da Tchetchénia, e que viajava junto com o MI-24, também se tinha despenhado. Mas Agapov não confirmou este segundo acidente.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-27376">
<P>
Da Agência Folha, em Manaus</P>
<P>
A Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher prendeu no último fim-de-semana, em Manaus (AM), quatorze homens acusados de praticar violência e agressões contra suas mulheres ou desconhecidas. A titular da Delegacia da Mulher, Leila Silva, disse que o número de prisões superou em 50% a média de detenções dos finais de semana.</P>
<P>
A maioria das agressões foi praticada contra as mulheres dos acusados. Mas houve três prisões em flagrante por estupro de vítimas desconhecidas dos agressores. Uma das vítimas, a adolescente E.S.R., 18, foi espancada e algemada durante dois dias em um hotel no centro de Manaus.</P>
<P>
Segundo a delegada Leila, na primeira semana deste ano foram registradas 162 ocorrências. Em 93, a delegacia contabilizou 6.472 casos, contra 5.847 registros em 92. "Eu atribuo o grande número de prisões e o aumento dos casos em 93 à iniciativa recente das mulheres em denunciar os maus tratos", disse a delegada.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68039">
<P>
NINA HORTA</P>
<P>
Especial para a Folha</P>
<P>
Já haviam me pedido há bastante tempo um artigo sobre whisky na panela. Não é a minha especialidade, confesso...</P>
<P>
Gosto de tomar whisky, iniciada no seu gosto iodado desde os nove anos. Cedo? Pois cedo caíram nas minhas mãos uns livros de tradução portuguesa, de "O Santo", se bem me lembro um detetive das arábias. Ele bebia, e a cada vez que emborcava um trago eu ia à despensa e tomava uma colher do "single-malt", disponível para acompanhar melhor as aventuras do meu ídolo carismático. Foi assim que comecei.</P>
<P>
Para fazer a matéria, comprei numa livraria especializada, "The World Book of Whisky", de Brian Murthy (Collins), para adquirir alguns conhecimentos teóricos sobre o assunto. Separei todos os livros de gastronomia escocesa à disposição e cheguei à conclusão que não existe um uso significativo de whisky na cozinha.</P>
<P>
Os escoceses o bebem no café da manhã, para um dia restaurador. Foi muito usado, misturado com especiarias como remédio dos mais milagrosos, e, aqui e ali aparece um bolo regado a whisky, e é só. Qual seria a explicação? Não sei.</P>
<P>
Uma das escritoras inglesas consultadas acha que os homens sempre boicotaram o uso da bebida, preferindo o conhaque, por torpe egoísmo e medo de que as mulherzinhas acumulassem justificativas para acabar com seus estoques.</P>
<P>
Outro imagina que cozinhar com whisky, na Inglaterra, é pouco glamouroso. Não pega bem. É bebida de macho, um pouco como cozinhar com pinga, no Brasil. Na França, por exemplo, aparecem algumas receitas com uísque porque uma lagosta flambaba em "scotch" é romântica, não conota narizes e olhos vermelhos, porre, "battered wives"...</P>
<P>
Já que os livros pouco ajudavam, resolvi experimentar o que havia de melhor para beber, e para cozinhar. Já guiada pela teoria, eu, impulsiva e compulsiva, comprei uma garrafa da Ilha de Islay, um Laphroaig. Pelo menos, era o que me disseram ser o mais puro "single malt" do mundo.</P>
<P>
Por Baco! O inconveniente de se comprar um whisky tão impronunciável é que, sinceramente, não sobra dinheiro para outros ingredientes das prováveis receitas.</P>
<P>
Ao chegar em casa, o remorso amarelando os olhos, já com a idéia "kitsch" de aproveitar a garrafa para pé de abajur, amortecendo o investimento, você prova o seu Laphroaig. Cruzes! É como se, à moda papal, você se ajoelhasse para beijar a terra da Escócia, da ilha de Islay, com certa precipitação. É morder a turfa defumada, a alga, o iodo, ter a garganta rasgada. Usar esse belo uísque na comida seria estragar qualquer bicho de pena ou de pelo. Deve ser um gosto adquirido, com paciência e muito dinheiro.</P>
<P>
Enfim. Comprei na Inglaterra, nos anos 70, uma garrafinha de cerâmica, arrolhada, com os dizeres: "Cook's Nips" ou "Tragos da Cozinheiro". É uma idéia inteligente, engenhosa. A cozinheira vai pondo ali doses de sua bebida, fácil de disfarçar no meio do panelório, enquanto mantém uma certa privacidade quanto ao seu "blend" preferido.</P>
<P>
Para mim, adepta de um bourbon sem gelo, é isso que chamo de cozinhar com whisky. É ótimo. Produz um relaxamento alegre e produtivo, uma dose de alegria saudável no trabalho, uma intuição certeira quanto ao emprego dos temperos, desloca barreiras preconceituosas, e se alguma coisa der errado... "Who cares?"</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71899">
<P>
Cimeira da OUA</P>
<P>
Mandela em Tunes</P>
<P>
NELSON Mandela está hoje em Tunes para a sua primeira cimeira da OUA como Presidente da República da África do Sul e este simples facto é uma das poucas coisas de que o continente se pode orgulhar durante a última década.</P>
<P>
Cheia de dívidas, a Organização da Unidade Africana (OUA) foi até agora incapaz de resolver os problemas na Libéria, na Somália, em Angola ou no Ruanda, restando-lhe a satisfação de ter assistido ao fim do «apartheid» e ao triunfo de Mandela como paradigma de uma justiça desde há muito aguardada.</P>
<P>
Criada no início dos anos 60 para lutar pela independência dos territórios africanos que ainda não a haviam alcançado e para a unidade de todo o continente, a organização viu gorados muitos dos seus intentos, pois não conseguiu resolver de forma eficiente a questão da autonomia saraui nem uma série de outros problemas.</P>
<P>
Por isso, a OUA é hoje uma instituição que já não tem a popularidade nem o prestígio das duas primeiras décadas da sua existência e tem de se apegar aos poucos casos em que tem havido um relativo êxito, como foram os das eleições, nos últimos anos, na Namíbia e na África do Sul.</P>
<P>
São 53 os países que fazem parte da organização, mas entre eles há experiências tão diversas como a marroquina, a líbia, a etíope e a sul-africana, para já não falar nos conflitos que proliferam do Sudão ao Ruanda e na persistência de regimes militares como o nigeriano.</P>
<P>
A África já percorreu um grande caminho desde que, há 40 anos, alguns políticos e partidos começaram a trabalhar pela independência de territórios como o Senegal, o Gana e a Costa do Marfim, mas está ainda muito aquém de tudo aquilo com que sonhava há três décadas.</P>
<P>
Numerosas experiências foram frustrantes e a independência da Eritreia colocou em causa o princípio da preservação das fronteiras herdadas do colonialismo, pelo que ninguém pode garantir hoje que no próximo século não haja uma Casamansa ou uma Cabinda livres.</P>
<P>
Por tudo isto, a festa à volta de Mandela e do Governo de Unidade Nacional que foi possível formar na África do Sul terá de fazer esquecer os 62 milhões de dólares que a maioria dos países-membros deve à organização e as muitas incertezas quanto ao futuro da mesma.</P>
<P>
Talvez que os devedores estejam agora à espera que os sul-africanos entrem com grande parte do dinheiro de que a OUA carece, devido às numerosas quotas em atraso. Mas a verdade é que Pretória se preocupará em primeiro lugar com as questões que tem na sua primeira esfera de influência, a começar pelo Lesoto, antes de eventualmente pagar as dívidas de países tão distantes como a Líbia ou o Sudão. J.H.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-88943">
<P>
Mandela, no cimo da montanha</P>
<P>
Do nosso enviado,</P>
<P>
Jorge Heitor em Joanesburgo</P>
<P>
Com muitos votos ainda por contar, o líder do ANC já tem assegurada a Presidência da África do Sul, que assume no dia 10. A maioria negra celebrava ontem à noite a liberdade. Mas Frederik De Klerk fez questão de sublinhar que o papel do Partido Nacional não está esgotado, que é uma parte integrante do novo sistema e que será um garante da Constituição. Foram discursos de reconciliação, de dois vencedores.</P>
<P>
Eram 20h35 quando Nelson Rolihlala Mandela entrou no salão de festas do maior hotel de Joanesburgo, vitoriado como o primeiro Presidente negro da República da África do Sul, 75 anos depois de haver nascido na aldeia de Qunu, no Transkei, onde quando criança guardava gado.</P>
<P>
«Mandela percorreu uma longa estrada e encontra-se agora no cimo da montanha. Um viajante sentar-se-ia para admirar a vista, mas o homem de desígnio sabe que para lá deste monte, há outro monte e outro ainda. Esta viagem nunca termina. E enquanto ele contempla a próxima montanha, eu estendo a minha mão a Mandela, em amizade e cooperação» -- dissera duas horas e meia antes o Presidente De Klerk, ao reconhecer a esmagadora vitória do ANC nas primeiras eleições multirraciais da África do Sul, que puseram termo a 342 anos de domínio branco.</P>
<P>
A História do subcontinente acabara de dar um grande passo e, na festa do ANC, o ambiente era o de uma celebração esfusiante, como se houvessem sido finalmente cumpridos os sonhos que muitos negros tinham desde há longo tempo.</P>
<P>
«Meus amigos, posso dizer-vos que estou deliciado com o esmagador apoio ao Congresso Nacional Africano», disse Mandela a abrir o seu discurso, que não foi apenas a celebração da vitória mas também uma mensagem a todos os sul-africanos: «Peço a todos que se juntem a nós [... ] Temos de começar a construir sem demora uma melhor vida para todos na África do Sul».</P>
<P>
Apesar de engripado, e de proibido pelo médico de falar muito, Mandela não pôde deixar de anunciar que já recebera as felicitações do Presidente De Klerk, do general Viljoen, do líder liberal Zach de Beer e da direcção do PAC. Ausência notada a de qualquer mensagem proveniente do Inkatha, que no cômputo geral das eleições está com um pouco mais de seis por cento dos votos, apresentando-se à frente no Natal.</P>
<P>
Aos seus eleitores disse: «Sou o vosso servidor, não venho como líder; e as ideias que expresso são as da Carta da Liberdade. Não são os indivíduos que importam, é a direcção colectiva. Presto tributo a alguns dos grandes líderes que tivemos», citando entre muitos Albert Luthuli, Chris Hani e Oliver Tambo».</P>
<P>
A dignidade de De Klerk</P>
<P>
Quanto ao Presidente cessante da África do Sul, Frederik Willem de Klerk, 58 anos, disse que um dia o seu partido ainda poderá vir a ser o maior do país e que, pelo menos em teoria, até poderá vir a ganhar as eleições gerais previstas para daqui a cinco anos, em 1999: «Creio que a minha carreira política ainda mal começa».</P>
<P>
Num discurso de 15 minutos em que reconheceu, na sede do Partido Nacional ao princípio da noite, que o ANC ganhara as primeiras eleições multirraciais sul-africanas, De Klerk afirmou que haverá de ora avante um país melhor do que aquele onde há quatro anos e três meses anunciara ser tempo de acabar de vez com o apartheid. E prometeu trabalhar durante estes cinco anos em íntima cooperação com o partido maioritário.</P>
<P>
Acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Roelof «Pik» Botha, e por outras figuras cimeiras do Partido Nacional, que se encontra no poder desde que ganhou as eleições só para brancos de 1948, o Presidente afirmou que daqui para a frente já não haverá mais o domínio de nenhum grupo sobre os restantes: «Depois de tantos séculos, todos os sul-africanos são finalmente livres».</P>
<P>
De Klerk, que o ano passado partilhou o Prémio Nobel da Paz com Nelson Mandela, afirmou que o Partido Nacional e o ANC poderão muito bem trabalhar em conjunto, pois que esse é o grande desafio e é algo de essencial para que a África do Sul funcione.</P>
<P>
«Não deixo o Governo, não entrego o poder a nenhum partido em especial, entrego-o ao povo sul-africano», sublinhou o Presidente, que como de costume falou parte em inglês e parte em africaans; e disse que Mandela merece as felicitações de todos os seus compatriotas pela atitude que assumiu nos últimos quatro anos, desde que saiu da cadeia.</P>
<P>
«Não negociámos a saída do Governo, negociámos a sua partilha. É só uma questão de mudar de cadeiras. Vai haver uma coligação, que é o que desejamos desde 1989», afirmou um pouco mais tarde à televisão, confirmando a impressão de que o Partido Nacional não sai derrotado destas eleições, mas sim, em certa medida, como um dos vencedores.</P>
<P>
Com mais de 23 por cento dos votos conseguidos, o partido de Frederik de Klerk passa a ser uma garantia para brancos, mestiços e indianos de que não deverá haver uma grande discriminação racial numa África do Sul com um Governo maioritariamente negro. E também uma garantia perante os investidores estrangeiros.</P>
<P>
Um papel imprescindível</P>
<P>
«Tal como não podemos governar a África do Sul sem o ANC e os seus partidários, também ninguém poderá governar a África do Sul sem o apoio das pessoas e as instituições que eu represento», sublinhou o Presidente cessante, que vai ser agora um dos vice-presidentes da República e transferirá alguns ministros do Governo cessante para o que se formará dentro de alguns dias.</P>
<P>
A grande curiosidade neste momento em Pretória e Joanesburgo é verificar como é que efectivamente Nelson Mandela irá formar o seu Governo, metendo nele uns 18 ministros saídos das listas do ANC (que incluíram figuras do Partido Comunista e da central sindical Cosatu), uns cinco ou seis do Partido Nacional, um do Inkatha, se este aceitar, e eventualmente o general Constand Viljoen, apesar de a Frente da Liberdade não chegar sequer a ultrapassar três por cento dos votos no todo nacional.</P>
<P>
Os analistas políticos têm vindo a admitir que, pelo menos nos primeiros tempos do novo regime, Mandela não poderá deixar de dar algumas pastas importantes aos expoentes do regime cessante, mantendo pelo menos nele, para além de Frederik de Klerk, o actual ministro das Finanças, Derek Keyes, e o ministro do Desenvolvimento Constitucional, Roelf Meyer, que aos 46 anos é uma figura que muito se tem vindo a afirmar ultimamente.</P>
<P>
Uma das apostas que actualmente se fazem é a de se saber se o grande equilibrista Roelof «Pik» Botha, que já foi o ministro dos Negócios Estrangeiros nos governos de Balthazar Vorster, Pieter Botha e Frederik de Klerk, terá espaço de manobra suficiente para o continuar a ser sob as ordens de Nelson Mandela, consolidando assim uma façanha que nos últimos 20 anos só viu algo de comparável no alemão Hans-Dietrich Genscher. Mas é provável que o ANC deseje nos Estrangeiros uma cara negra para simbolizar a mudança.</P>
<P>
Ainda faltam votos</P>
<P>
Entretanto, às 20 horas de ontem ainda havia alguns milhões de votos por contar, sabendo-se que a tarefa não terminaria antes da manhã de hoje, pelo que o ANC atrasara um pouco a sua festa da vitória, num dos andares do Carlton Hotel, dois pisos abaixo daquele onde tem vindo a dar conferências de imprensa diárias e muitas centenas de entrevistas, para mais de dois mil jornalistas vindos de todo o mundo.</P>
<P>
Aparentemente, ainda estava com uma vaga esperança de conseguir a mágica marca de 66 por cento, os dois terços que lhe dariam direito a alterar Constituição que foi negociada com o Partido Nacional e a fazer praticamente o que muito bem entendesse, sem se preocupar com qualquer espécie de oposição, dentro ou fora do Executivo.</P>
<P>
E por isso mesmo é que De Klerk teve o cuidado de acentuar que ficará no Governo como guardião da Constituição e de tudo aquilo que foi morosamente negociado ao longo dos últimos anos. Mas no seu discurso Mandela teve o cuidado de acentuar que o Executivo será o mais abrangente possível e que estende a mão aos dirigentes de todos os grupos políticos, para que haja paz e se mantenha o bom clima prevalecente durante as eleições.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80705">
<P>
Castor participou de Réveillon de bicheiros</P>
<P>
O delegado Luís Torres disse que o "convidado" mais famoso da festa do dia 1.º na Polinter (Polícia Interestadual) foi o bicheiro Castor de Andrade, pai de um dos presos, Paulinho de Andrade. Segundo ele, foram 25 e não 50 os participantes da festa. "O pessoal chega com carros importados e comida de primeira, mas não posso obrigar os presos a comerem angu com carne moída." Ontem a polícia começou a ouvir policiais que estavam de plantão na madrugada do dia 1.º. As conversas ontem foram "informais" –os depoimentos da sindicância começam hoje.</P>
<P>
O NÚMERO</P>
<P>
2</P>
<P>
... pessoas de uma mesma família morreram e três ficaram feridas em um acidente ocorrido ontem no km 614 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barro, em Pacaemb (SP). Elas viajavam no Del Rey, que capotou e caiu em um riacho. A motorista do carro, Kimie Uharama Yoshida, 40, e o filho Wagner Koiti Yoshida, 17, morreram no local do acidente.</P>
<P>
Avião cai e mata 2 em cidade de MG</P>
<P>
Um avião Collins, prefixo PTRS, caiu anteontem à noite no município de Monte Sião (MG), matando duas pessoas. O avião, modelo E-810, é de propriedade da empresa Compromisso Táxi Aéreo, de São Paulo. O avião caiu por volta das 20h num sítio localizado no Bairro Farias. Segundo a PM, nenhuma casa foi atingida. Morreram o piloto Flavio de Souza e passageiro Luiz Fernando.</P>
<P>
30 homens entram em ônibus e matam dois</P>
<P>
Trinta homens armados com revólveres, fuzis e metralhadoras interceptaram ontem de madrugada um ônibus da linha 415 (Usina-Leblon) que passava pela rua Conde de Bonfim (Tijuca, zona norte do Rio) e retiraram dois passageiros, mortos a seguir na divisa dos morros do Borel e da Casa Branca. Ao lado dos corpos, a polícia encontrou o seguinte bilhete: "Morreram porque roubaram pobre. O próximo será o Peixe e o Gato. Assinado rapaziada da Casa Branca". Um dos mortos é Antônio Tomaz Neto, 20. O outro não tinha sido identificado até o fim da tarde de ontem.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-34927">
<P>
O cardeal arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns (foto), celebra a missa de Natal às 18h de hoje na catedral da Sé, no centro de São Paulo. Ontem, no mesmo horário, ele celebrou a "Missa do Galo".</P>
<P>
Polícia liberta homem sequestrado no Rio </P>
<P>
Cerca de 20 policiais civis libertaram na manhã de ontem o empresário Jaime Rodrigues da Custódia, 38, sequestrado há cinco dias. Os sequestradores não foram presos. Custódia foi encontrado acorrentado a uma janela.</P>
<P>
Ação da PM deixa três mortos em Acari </P>
<P>
Três pessoas morreram ontem durante operação da Polícia Militar na favela de Acari (zona norte do Rio). Segundo a PM, os mortos pertenciam ao grupo do traficante Jorge Luiz, líder do tráfico na favela.</P>
<P>
Sindicância contra delegado é arquivada </P>
<P>
O Conselho da Polícia Civil de São Paulo arquivou, por falta de indício de crime, a sindicância que apurava a conduta do delegado Hélio Bernarde Cabral, do 40º DP, ao investigar uma empresa fantasma. Ele havia sido acusado por José Gonzaga Moreira, o "Zezinho do Ouro".</P>
<P>
Acidente mata 6 no Rio Grande do Sul </P>
<P>
Seis pessoas morreram em um acidente no final da tarde de anteontem em Três Cachoeiras (RS). Quatro estavam em uma camionete D-20 de São Paulo e duas em um Gol de Araranguá (RS).</P>
<P>
Jovens são presos em SP após matar taxista </P>
<P>
Estevão Faustino de Camargo Júnior, 18, e R.A.O., 15, foram presos ontem depois de assaltar e matar o taxista Antoniel Pereira do Nascimento, 44. O crime aconteceu na Chácara Santa Maria (extremo sul de São Paulo). Os dois confessaram vários assaltos a taxistas.</P>
<P>
Sorteio de loteria é adiado para amanhã </P>
<P>
Os sorteios da Quina, da Sena e da Supersena acontecem amanhã, às 9h, no auditório da Caixa Econômica Federal, em Brasília. A Supersena, que está acumulada, deve pagar cerca de R$ 8,5 milhões.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-6575">
<P>
Da Agência Folha, em Santos</P>
<P>
No último dia 8 de fevereiro, o estudante Alexandre Nascimento Martins, 14, foi socorrido na praia do José Menino, em Santos (SP), com um corte semi-circular no pé esquerdo. Ele estava a uma profundidade de 1,5 metro quando disse ter sido mordido por um peixe cinzento. "Tinha barbatana e parecia um tubarão", diss à época.</P>
<P>
Martins foi atendido no Pronto Socorro Central de Santos pelo médico Valter Makoto. "A possibilidade de o ferimento ter sido feito por animal marinho é grande. Mas não posso ter certeza se foi um tubarão", disse o médico.</P>
<P>
Para o biólogo da Universidade Federal da Paraíba, Otto Bismarck Gadig, 32, "o corte no pé de Martins foi feito por um tubarão de cerca de 1,5 metro de comprimento". Gadig é especialista em tubarões, sendo representante, no Brasil, do museu estadual da Flórida, que cataloga ataques de tubarões a seres humanos no mundo.</P>
<P>
Gadig esteve na residência de Martins e analisou o corte. Ele disse que não conhece outro tipo de peixe além de tubarões que pudesse provocar ferimentos com as características observadas no pé de Martins. Segundo o biólogo, este foi o quinto ataque de tubarões na região da Baixada Santista. "Destes, uma mulher de 34 anos morreu ao ser atacada em Praia Grande em 1976", disse.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-60531">
<P>
Governo Civil promete realojar famílias da Urmeira</P>
<P>
Helena Duarte, a mulher que no passado dia 11 de Março ocupou uma casa no bairro social Dr. Mário Madeira, na Pontinha, concelho de Loures, tendo sido dali desalojada três dias depois por ordem do vice-governador civil, foi recebida, quarta-feira, pela governadora civil de Lisboa, que lhe terá prometido resolver o seu problema de habitação no âmbito de um plano global, que está a ser elaborado com vista ao realojamento das famílias que continuam nas barracas da Urmeira e para as quais foi construído aquele bairro.</P>
<P>
Adelaide Lisboa adiantou anteontem ao PÚBLICO que o caso de Helena Lopes vai ser integrado na lista de famílias a realojar nos bairros sociais da Assembleia Distrital de Lisboa (ADL), por se tratar de uma situação «urgente» de desdobramento, na medida em que ela é há muito tempo moradora no bairro, vivendo sem condições num quarto da casa do pais. No entanto, acrescentou: «Não vou resolver casos pontuais, a minha intenção é resolver todas as situações daquele bairro que requerem realojamentos».</P>
<P>
Prioritários, disse a governadora civil, são os casos das famílias que ainda continuam a viver em cerca de 40 barracas no Bairro da Urmeira e depois os desdobramentos, capítulo onde vai ser integrada Helena Lopes. Esta «vai ter que ter paciência e esperar um pouco», sublinhou Adelaide Lisboa. Apesar de tudo, a moradora saiu da audiência bastante satisfeita. «Correu muito bem e a governadora mostrou-se muito empenhada em resolver a minha situação».</P>
<P>
Para realojar as famílias da Urmeira que ainda esperam casa, Adelaide Lisboa garantiu que se está a fazer um levantamento de todas as situações e do número de casas vagas no bairros da ADL, uma vez que algumas foram vendidas aos moradores e não estarão a ser habitadas. Nestes casos, adiantou, o Governo Civil vai tentar negociar com os proprietários a devolução dos fogos.</P>
<P>
Helena Duarte, que actualmente reside com os pais no Bairro Menino de Deus, também construído para o realojamentos da Urmeira, há já quatro anos que solicitava ao vice-governador civil, Machado Lourenço, que lhe fosse atribuída uma casa nos bairros sociais da ADL por ele geridos, dadas as deficientes condições de habitação que partilha com dois filhos, um deles com problemas psiquiátricos. Aquele, no entanto, vinha alegando que a situação da moradora não cabia nos casos contemplados para realojamento.</P>
<P>
A situação de Helena Duarte deu já origem a um requerimento à Assembleia da República, apresentado pelo deputado João Amaral, do PCP. Nesse requerimento, ao qual o vice-governador ainda não deu resposta, são questionados os processos de atribuição de casas e a forma como eles têm sido conduzidos por Machado Lourenço.</P>
<P>
O deputado comunista perguntava, entre outras coisas, «porque se conservam fogos sem utilização no Bairro Dr. Mário Madeira» e «porque não se pode ser concedido o uso de um desses fogos a Helena Duarte?». Questionava ainda Machado Lourenço sobre como pensa ele atender «à justa» reclamação da moradora e a «pedido de quem e com que base legal actuou a PSP» no dia em que Helena foi desalojada. Isto porque, estando a casa que ela ocupou atribuída a outra pessoa, seria esta quem teria legitimidade para ordenar o despejo. G. P./F. R.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-66491">
<P>
Com o PER a Câmara de Lisboa promete evitar a criação de novos guetos</P>
<P>
Os perigos e as virtudes do fim das barracas</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
Acabar com os bairros de barracas pode trazer novos problemas sociais. Entre estes ressalta o perigo de novos guetos em bairros com excessivas concentrações de habitação social. Tal como aconteceu em Chelas. A Câmara de Lisboa promete não repetir a dose. Vai pedir a participação de instituições nos processos de realojamento. Vai espalhar as famílias carenciadas pela cidade e defender a criação de incentivos à compra de casa própria.</P>
<P>
O recente apelo dos religiosos que trabalham nos bairros de barracas da Área Metropolitana de Lisboa (AML) para que autarquias e administração central tenham cuidado com o realojamento das populações carenciadas, evitando a criação de guetos, não terá caído em saco roto, pelo menos no município alfacinha. A Câmara de Lisboa assegura que vai convidar instituições e associações de moradores a participarem no PER (Programa Especial de Realojamentos), de modo a corrigir os erros do passado, como as grandes concentrações de habitação social em Chelas, geradoras de marginalidade e violência.</P>
<P>
Os resultados dos erros cometidos em programas de realojamento levados a cabo na AML estão à vista, em Lisboa e nos concelhos limítrofes, onde cresceram, e crescem, bairros nos quais impera o betão e a violência urbana está sempre à espreita. Na capital, foi e continua a ser o PIMP (Plano de Intervenção de Médio Prazo) -- um programa celebrado entre a autarquia lisboeta e o Governo, em 1987, para a construção de 9698 fogos de habitação social -- o principal responsável pela criação de autênticas cidades de cimento, não só em Chelas, como no Bairro Padre Cruz ou no Casal dos Machados. Esqueceram-se as acções de preparação das famílias a realojar, os espaços verdes, os equipamentos de apoio social, escolas e áreas de lazer, que só tardiamente apareceram, nos casos em que foram feitos.</P>
<P>
Face a este panorama e às experiências mal sucedidas, os religiosos temem que o PER venha a ter idêntico caminho, caso as autarquias e a administração central se fiquem pela mera construção das casas. Vasco Franco, vereador responsável pela Habitação no município lisboeta, diz que tal não irá acontecer na capital e que a vertente social vai ser tida em conta no PER, em cujo processo as instituições de solidariedade vão ser convidadas a participar.</P>
<P>
Nesse sentido, afirma, a Câmara terminou recentemente um levantamento de todas as entidades laicas e religiosas, públicas e privadas que trabalham junto das populações carenciadas. A partir dessa lista, a autarquia vai começar a contactar com as instituições, juntas de freguesia e associações de moradores que queiram colaborar na preparação das famílias para as novas habitações.</P>
<P>
«Os equipamentos não caem do céu»</P>
<P>
«O PER não é só a construção de casas. É preciso o envolvimento das misericórdias, instituições de solidariedade social, Igreja, Segurança Social, escolas e outras entidades. Queremos saber que tipo de ajuda nos podem dar e de que meios precisam», refere Vasco Franco, sublinhando que o Plano de Actividades da autarquia deste ano prevê uma dotação orçamental para esta medida. Além disso, salienta, a Câmara está empenhada em fomentar a criação de associações de moradores, onde estas não existam.</P>
<P>
«O acesso a uma nova casa tem uma componente de desvantagem que é preciso compensar. As pessoas vão ter de fazer face a um conjunto de despesas que não teriam nas barracas, como gás, electricidade, renda». Por isso, defende o autarca, «a preparação das pessoas tem de passar por as ajudar a aumentar o seu rendimento, habilitando-as para o mercado de trabalho através de acções de formação profissional ou da promoção de emprego local».</P>
<P>
Para a preparação e acompanhamento das famílias a Câmara de Lisboa pode tentar mobilizar as mais diversas instituições, mas para a construção dos equipamentos sociais a situação será bem mais difícil, pelos custos que envolve. E nesta área, Vasco Franco não deixa de apontar as responsabilidades da administração central. «Não se pode financiar a construção de habitação e depois esperar que os equipamentos caiam do céu», diz, referindo que «a Câmara de Lisboa está a ser [financeiramente] estrangulada».</P>
<P>
O vereador defende «uma partilha de responsabilidades». As estruturas desportivas de média e grande dimensão, diz, devem ser criadas pelos clubes com financiamentos da administração central. Os equipamentos sociais em Lisboa cabem, por estatuto, à Santa Casa da Misericórdia. E as escolas secundárias são, por lei, da responsabilidade do Ministério da Educação. Para a autarquia sobram os espaços verdes, as escolas do ensino básico, os arruamentos, a iluminação pública, o planeamento e a definição das necessidades. Mas, assegura Vasco Franco, a Câmara tem ido mais além, cedendo terrenos para vários equipamentos e construindo acessos.</P>
<P>
Enquanto as entidades responsáveis não avançam, o município tem vindo a criar alternativas, instalando provisoriamente estruturas de apoio social nos rés-do-chão dos prédios de realojamento. E tão importante como as escolas ou os espaços verdes, em termos de integração social, é, sustenta o autarca, passar-se a fazer habitação social no meio do tecido urbano da cidade. Exactamente o contrário do que tem acontecido com o PIMP.</P>
<P>
Espalhar os fogos pela cidade</P>
<P>
«Com o PER vamos fazer uma dispersão [das famílias] pela cidade», adianta o vereador da Habitação. Assim, os 11.129 agregados familiares abrangidos pelo Programa Especial serão realojados em núcleos de habitação social que não excederão os 300 fogos, à excepção de um ou dois casos. É pelo menos o que decorre do planeamento feito pela autarquia.</P>
<P>
Para o Alto do Lumiar, por exemplo, estão previstos 4500 fogos, mas vão ficar dispersos no meio de outros 17 mil de venda livre. Será um dos casos onde alguns núcleos irão ultrapassar as 300 habitações. Ali estão já em construção 150 casas destinadas ao PER, que a autarquia adquiriu à SGAL (Sociedade Gestora do Alto do Lumiar).</P>
<P>
Ao Vale de Chelas o PER vai levar 1500 fogos. Também aqui as casas serão distribuídas por vários núcleos. Um deles, de 186 habitações, vai ficar na Rua Nascimento Costa e um outro, de 240 casas, nas Olaias. Os concursos para a construção nestes dois locais estão em fase de lançamento. No caso do núcleo das Olaias, o valor da empreitada vai ascender quase aos dois milhões de contos, porque engloba a criação de estacionamento subterrâneo, os arruamentos e o desvio de um colector.</P>
<P>
Na zona do Alto da Eira-Vale Escuro vão ser construídos 435 fogos em quatro localizações diferentes. Um destes núcleos, de 150 habitações, foi encomendado pela Câmara de Lisboa à EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa), a qual vai lançar em breve o respectivo concurso público. Recentemente, a autarquia deliberou comprar à mesma empresa um outro pacote de 117 casas para um outro núcleo daquela zona.</P>
<P>
Os 500 fogos previstos para a área da Quinta José Pinto, ao fundo da Rua de Campolide, vão ser distribuídos pelo meio de uma urbanização de 1300 fogos. Este empreendimento consta de um Plano de Pormenor que está a ser elaborado pela EPUL. Entretanto, Câmara já lançou, em Fevereiro deste ano, o concurso para a empreitada de construção de 40 fogos na Buraca-Benfica, no valor de 215 mil contos. Um outro, de 162 fogos para a Quinta dos Barros, junto à Universidade Católica, foi lançado no princípio de Abril.</P>
<P>
Mas, logo no início deste ano, o município decidiu encomendar à EPUL a construção de 44 fogos na Quinta do Ourives, freguesia do Beato, no valor de 215 mil contos, e de 14 no Alto do Chapeleiro, à Ameixoeira, por 85 mil contos. Para o Casal Ventoso, a equipa que está a trabalhar no Plano de Reconversão do bairro já fez o plano de realojamento de 300 famílias, junto à Avenida de Ceuta. O Plano de Pormenor para o empreendimento está concluído e o concurso de concepção e construção será lançado até ao final deste ano.</P>
<P>
As referidas decisões de compra e os concursos já lançados são os passos dados ao longo do último ano pela Câmara de Lisboa, desde que esta assinou o PER, a 24 de Maio de 1994, com o Ministério das Obras Públicas. Na capital, onde o programa ascende aos 70 milhões de contos, a autarquia promete entregar as primeiras casas a partir próximo ano. E até 2001 deverão desaparecer todas as barracas da cidade, «se não se agravarem determinados factores perturbadores, nomeadamente os de ordem legal», avisa Vasco Franco (ver caixa).</P>
<P>
Integração dos ciganos é a mais difícil</P>
<P>
Associados à filosofia do PER, de espalhar as pessoas pela cidade, estão os perigos de rejeição e de possíveis atitudes racistas por parte das populações que recebem os realojados. Perigos já apontados pelos religiosos que trabalham com as famílias carenciadas. Vasco Franco, referindo algumas experiências já efectuadas em Lisboa, não receia essa eventualidade. Há três anos, conta o autarca, foram alojadas famílias do bairro degradado da Musgueira Sul em habitações integradas numa área de fogos de venda livre, no Alto do Lumiar. «No início houve alguma resistência, mas não foi muito significativa. E desde aí não temos recebido queixas».</P>
<P>
Os maiores problemas, diz o vereador, surgem quando se tenta realojar grandes núcleos de ciganos. «Nesses casos, é preciso encontrar soluções para que a vizinhança não os considere uma ameaça». A primeira experiência inter-étnica do PER, a construir pela autarquia, é o projecto já referido para a zona da Buraca-Benfica. Trata-se de um edifício de quatro pisos, que foi preparado para diferentes etnias, entre as quais 12 famílias ciganas. Estas, devido à sua necessidade de contacto com a rua, vão ficar num piso com acessos directos à via pública.</P>
<P>
Para Vasco Franco, uma outra forma de atenuar a carga de habitação social na AML seria dar às pessoas a possibilidade de adquirirem casa própria, através de incentivos financeiros. Neste momento, explica o autarca, o custo médio de um realojamento do PER anda à volta dos sete mil contos. «Se essa verba fosse oferecida às famílias elas poderiam, com mais algum dinheiro amealhado ou pedido aos bancos, comprar a sua habitação. Se esta medida fosse aceite, 20 por cento dos agregados recenseados no PER da Área Metropolitana de Lisboa, seriam seis mil famílias fora dos bairros sociais».</P>
<P>
Apesar das aparentes virtudes desta medida, a verdade é que o secretário de Estado da Habitação ainda não se deixou convencer. Já houve mesmo um projecto de decreto-lei preparado pelo Instituto de Gestão e Alienação do Património do Estado (IGAPHE), com o qual a Câmara de Lisboa estava de acordo, «mas Carlos Costa mostrou alguma incompreensão», conta o autarca. No entanto, Vasco Franco ainda acredita que o Governo venha a lançar os esperados incentivos à compra de habitação própria, que permitiria às câmaras disporem de mais terrenos para outros fins.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-29079">
<P>
Rainier vai casar com viúva de David Niven</P>
<P>
Hjordis Niven, que foi casada com o ator britânico David Niven (em cujo enterro ela é vista na foto), vai casar-se este ano com o príncipe Rainier de Mônaco. A informação é da TV italiana RAI.</P>
<P>
Combate faz 70 mortos em Cabul</P>
<P>
O governo do presidente do Afeganistão, Burhanuddin Rabbani, disse que os combates com tropas rebeldes comandadas pelo general ex-comunista Abdul Rashid Dostum fizeram pelo menos 70 mortos e 670 feridos nos dois últimos dias na capital.</P>
<P>
Cargueiro afunda no Atlântico Norte</P>
<P>
O Marika 7, de bandeira liberiana, aparentemente foi atingido por uma tempestade de inverno pouco depois de deixar Sept Iles (Canadá) com destino à Holanda. Havia 36 tripulantes, gregos e filipinos. O petroleiro Freja Svea chegou à área, mas não encontrou sobreviventes.</P>
<P>
Alemanha condena ameaça de Jirinovski</P>
<P>
O governo alemão qualificou como "um insulto" a declaração do líder da extrema direita russa, Vladimir Jirinovski, de que caso chege ao poder promoverá a "destruição total" da Alemanha com 300 mil soldados. O governo francês disse que as afirmações de Jirinovski são "intoleráveis". Em Moscou, o líder nacionalista Aleksandr Barkachov foi preso no hospital onde se recuperava de um ferimento a bala.</P>
<P>
Paquistão e Índia debatem a Caxemira</P>
<P>
Os secretários-gerais dos Ministérios das Relações Exteriores dos dois países retomaram em Islamabad conversações sobre a Caxemira, suspensas por 18 meses. O lado indiano da região fronteiriça tem maioria muçulmana, como o Paquistão, e é palco de um movimento separatista que já fez 2.000 mortos.</P>
<P>
Irmão de Escobar pede paz a inimigos</P>
<P>
Roberto Escobar, irmão do narcotraficande Pablo Escobar, morto pela polícia colombiana em dezembro, apelou aos inimigos da família que façam trégua e negociem. Escobar está preso na penitenciária de Itaqui, onde foi ferido por uma carta-bomba em 18 de dezembro, duas semanas depois de o chefe do Cartel de Medellín ser morto.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-61425">
<P>
Limpeza às portas de Lisboa para CRIL e acessos à nova ponte</P>
<P>
Loures quer renegociar PER</P>
<P>
A chuva fez ontem de manhã um intervalo para que o presidente da Câmara de Loures entregasse as chaves de novas habitações a algumas das famílias a residirem em barracas na Quinta da Serra, freguesia do Prior Velho. Demétrio Alves deixou a promessa de, em dois anos, limpar toda aquela área às portas da capital e de que vai solicitar ao ministro do Equipamento Social a alteração das condições financeiras do Programa Especial de (PER).</P>
<P>
O autarca referia-se a uma área que engloba três núcleos de barracas designados por Quinta da Serra, Bairro Tete e «Junto à Auto-Estrada», este por as precárias habitações, feitas com o mais variado tipo de materiais, darem directamente, e sem qualquer tipo de protecção, para o asfalto da movimentada auto-estrada do Norte. Ao todo residem nos três aglomerados 951 famílias, em 879 barracas.</P>
<P>
A meio da manhã, na Quinta da Serra, o segundo maior bairro de barracas do concelho, os camiões da autarquia carregavam o mobiliário dos realojados, enquanto as máquinas limpavam o terreno. Uma das casas devolutas, edificada com tijolo e coberta a placa de «lusalite», começou a ser derrubada por duas máquinas, uma de cada lado, e a solidez das paredes foi demonstrada com duas ineficazes pancadas do balde da escavadora.</P>
<P>
A dois passos, uma moradora chorava a abalada para Camarate dos vizinhos, habituais auxiliares nas andanças para o médico com o seu filho mutilado: «Eles é que me ajudavam. Agora vamos para outro sítio e lá não conheço ninguém», desabafava Conceição, dando conta dos problemas pessoais que a simples mudança de casa não resolve ou até vem agravar.</P>
<P>
Enquanto prosseguiam as demolições, Demétrio Alves entregou, sob as objectivas das máquinas fotográficas e das câmaras de televisão, as chaves a algumas das 13 famílias ontem realojadas. «Ó Vítor, venha cá antes que isto acabe», chamou o autarca comunista, perante a demora de Vítor Filipe, 35 anos, pedreiro, que recebeu então o envelope contendo as chaves da nova residência no Barro, Loures.</P>
<P>
Olhos vermelhos de choro, outra moradora explicou que nasceu no bairro e que a sua mãe também ali morou. Preocupações? «Vamos ver se tenho dinheiro para pagar a renda», disse ela, apenas obtendo como resposta que o recibo há-de ser pago «com a ajuda de Deus»... Admitindo que «não se agrada a todos», o edil sublinhou, no entanto, a «grande vitória» colectiva que representará a limpeza da «mancha vergonhosa» à beira da auto-estrada.</P>
<P>
Esta limpeza permitirá a construção da CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa) e dos acessos à nova ponte sobre o Tejo. Desde 1994, foram realojadas 460 famílias, esperando Demétrio Alves contemplar mais cem até ao fim do corrente ano. O PER abrange aqui 3904 agregados familiares e, segundo o presidente da autarquia, esta «está quase asfixiada» pelos encargos do programa, vendo-se impedida de investir, por exemplo, em escolas e jardins-de-infância, pelo que preconiza «novas condições financeiras» para o PER.</P>
<P>
Isto mesmo deverá o autarca defender, em breve, numa reunião com o ministro do Equipamento Social, Henrique Constantino, propondo que os apoios financeiros passem também pela construção de equipamentos sociais e culturais nos núcleos de realojamento, um aumento da participação governamental no programa, subindo os subsídios a fundo perdido para 50 por cento, e a transformação dos dez por cento em dinheiro a cargo das autarquias em créditos a longo prazo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83927">
<P>
Vi aqueles homens de fibra e de aço chorarem como criancinhas. Alguns deles recostavam seu rosto no meu ombro –pediam socorro logo a quem? A morte do companheiro de pista expunha a fragilidade deles. Poderia ter acontecido comigo –é o que com certeza passava na cabeça de cada um. </P>
<P>
Pois bem, naquele dia de luto e dor, ficou provado que circula vida nas veias dos super-heróis da quilometragem. Eles vibram, amam, choram. Têm outros sentimentos, além da ânsia da velocidade, com cara de quem não está nem aí para o perigo. Estão, sim.</P>
<P>
Em Mônaco, em maio de 1993, comecei a travar contato com esses moços e com suas histórias arriscadas e atrapalhadas. Ayrton, que adorava atazanar os amigos, era um coroinha diante de outros pilotos. Dizia, por exemplo, com toda a seriedade:</P>
<P>
– Eu tenho um amigo louco – pronunciava a palavra louco como um psiquiatra a pronunciaria.</P>
<P>
– O nome dele é Gerhard Berger.</P>
<P>
Companheiro de escuderia na McLaren, o grandalhão austríaco conviveu com Senna, numa certa época, mais do que os outros pilotos. Senna o conhecia bem. Gostava um bocado dele. O sentimento era recíproco. Quando tudo aconteceu, Berger tomou um avião na Europa, desembarcou em São Paulo para o velório e o enterro, voltou na mesma noite para a Europa porque não queria perder o velório e o enterro de seu compatriota Roland Ratzenberger, a outra vítima do massacre de Ímola. Nessa, acabou esquecendo a mala no hotel.</P>
<P>
Béco tinha pânico das brincadeiras de Berger. Sistemático que só ele, Ayrton não largava uma pasta tipo 007 em que guardava suas pequenas preciosidades, tipo agenda, passaporte, caneta, uma mininécessaire, um suéter e um exemplar da Bíblia. A fé de Ayrton era uma crença íntima, não uma exibição pública, mas a leitura dos salmos e dos versículos sagrados era um hábito de todas as noites, um relax espiritual para facilitar um sono que, antes das corridas, quase sempre custava a chegar.</P>
<P>
À melhor história com Berger, eu não assisti. Mas conheço bem. Os dois deixavam, de helicóptero, o hotel Villa d'Este, às margens do deslumbrante lago de Como, antes de um GP em Monza. O Ayrton com sua indefectível pastinha, o Berger simulando um certo interesse pela paisagem. Ayrton se distraiu, o austríaco lhe arrancou a pasta da mão, abriu a porta do helicóptero já em movimento e arremessou o precioso objeto para as águas do lago. Errou por pouco: a pasta 007 esborrachou no gramado, quase no lago.</P>
<P>
Ayrton guardou a vingança na geladeira. Esperou até o GP da Austrália. Nesse dia, quem dividia o quarto com ele era seu primo Fábio Machado. A dupla surrupiou da camareira uma chave mestra, invadiu o quarto de Berger e Ana, a simpática portuguesinha que é namorada dele há muito tempo, derrubou na banheira as roupas dos dois, encheu de água até em cima, entornou xampu, enfeitou o ventilador de pás com peças íntimas do casal e sumiu, antes que Ana e Berger reaparecessem.</P>
<P>
Berger pode ser louco, mas não é idiota. E Ayrton e Fábio não duvidavam de que vinha troco a caminho. Aparentemente, não veio. Os quatro tinham combinado de jantar naquela noite. Ayrton e Fábio trocaram um olhar cúmplice quando viram que tanto Berger quanto Ana, não por acaso, vestiam as mesmas roupas da tarde. Ficaram firmes. O jantar transcorreu sem uma queixa, um pio sobre roupa, banheira, quarto –nada, nada. Ficaram elas por elas, imaginou Ayrton.</P>
<P>
Dias depois, passada a prova, Ayrton desembarca a negócios em Buenos Aires. Não havia lugar no mundo em que um porteiro, um motorista, um policial não o reconhecesse e não lhe manifestasse seu entusiasmo –além do tradicional pedido de autógrafo. Surpresa: o guarda da imigração argentina fecha a cara, irritado, pede licença e tranca-se numa sala, com outros oficiais. Demorada conferência. Volta um senhor severo, visivelmente mais graduado:</P>
<P>
– Temos todo o respeito pelo señor Ayrton Senna – começou o oficial. </P>
<P>
– Pero hay un problemita.</P>
<P>
O passaporte. Constrangimento. Passou-lhe o documento. No lugar em que deveria estar aquela foto 5 x 7, colorida e, se possível, sorridente, estava uma donzela nua, sem um só trapinho a vesti-la e, pior, em posição ginecológica.</P>
<P>
– Berger... Berger... – espumou Senna.</P>
<P>
Desfazendo-se em desculpas, o piloto brasileiro explicou às autoridades argentinas que aquela grosseira colagem era vingança de "um austríaco maluco''.</P>
<P>
Nossa convivência com Berger era íntima e social. Aliás, se havia alguma coisa que Ayrton sabia separar era a relação gostosa que rolava num jantar, numa viagem ou num passeio, e uma conversa embebida em gasolina e cheia de palavrões técnicos que o Senna –aí, sim, o Senna– tinha de ter, às vezes, com um ou outro parceiro de pista. Trabalho e prazer –nada a ver.</P>
<P>
Do Rubinho Barrichello, por exemplo, ele dizia coisas ótimas:</P>
<P>
– Com um carro melhor, vai longe – previa.</P>
<P>
Na verdade, ele se sentia padrinho dos nossos calouros, da jovem guarda brasileira do volante, o próprio Rubinho, Christian Fittipaldi, mas também do português Pedro Lamy e do escocês David Coulthard, que por ironia viria substituí-lo na Williams.</P>
<P>
(...)</P>
<P>
Damon Hill, Michael Andretti –que durou pouco na Fórmula 1. Para eles também Ayrton tinha palavras de amizade. Até onde eu saiba, pelo alemão Michael Schumacher ele mantinha, de início, só indiferença. Por uma única vez, recordo-me, estivemos lado a lado, Ayrton e eu, Schumacher e a mulher dele, uma alemã loira e bonita. Num show da Tina Turner –outra paixão do Béco– na Austrália, em 1993. Trocamos uma apresentação rápida e meia dúzia de palavras. Não havia intimidade possível com um sujeito que passou um show trepidante como quem estivesse assistindo a um concerto em Salzburgo. </P>
<P>
Na temporada de 1994, quando o Benetton de Schumacher começou a dar um suor no Williams de Senna, nem assim Ayrton falava dele. Preocupava-o apenas o desempenho de sua própria máquina, e ponto final. Jamais se importou com aquele que chamava, secamente, de "o alemão'' ou, ao pé da letra, "o sapateiro''.</P>
<P>
Alain Prost, sim, era uma pedra no sapato, ou na sapatilha. A crônica de seus duelos com Ayrton nas pistas vai permanecer na história do automobilismo. De parte a parte, ficaram ressentimentos, queixas, acusações de jogo sujo –e Senna, que odiava perder, teve de amargar o tetracampeonato do rival logo naquela temporada em que vivi intensamente a seu lado. Com Prost, chegou a ser uma relação de tipo mudar de calçada quando um via o outro. Mesas distantes em restaurantes, nos anos negros da hostilidade. Até os garçons tremiam. Mas o tempo foi curando as feridas. Num magnífico restaurante em que jantávamos em Milão, setembro de 1993, antes do GP de Monza, com o Braga, o tio Papagaio, aliás Galvão Bueno, e esposa, a tenista Monica Seles e a mãe, o Julian Jakobi e sua adorável mulher, Fiona, de repente Prost em pessoa veio a nossa mesa. Ayrton gelou, mas o pior já tinha passado. Prost estava, isso sim, mais à vontade: afinal, naquele ano o campeão foi ele, não o seu eterno rival.</P>
<P>
Meu sexto sentido indica, porém, que a rivalidade dos dois tinha o tempero de um enorme respeito. Haviam dividido, não sem algumas farpas, o mesmo boxe, o mesmo time, o mesmo staff da McLaren por dois anos. Alain Prost era alguém -quando "o francês" vinha à baila, numa conversa entre amigos, uma certa cerimônia se impunha, a não ser quando Ayrton queria gozar a incompatibilidade dele com a chuva a as pistas molhadas. Prost desafiava Senna, Senna desafiava Prost, e foi essa estimulante competição, interrompida na temporada de 1994 com a aposentadoria do francês, que produziu aquele diálogo entre os dois, incrível, às vésperas do desastre de Imola. Quem assistiu ao abraço, como o Braguinha, custou a acreditar. Senna foi além:</P>
<P>
-Estou sentindo a sua falta</P>
<P>
-disse ele a Prost, em inglês.</P>
<P>
A parte francesa dessa linda reconciliação entre as duas feras se traduziu no choro sincero de Alain Prost, diante do esquife do ex-rival. Falou-me, após o funeral, que ele também tinha morrido um pouco, junto com Ayrton Senna. Parecia meio deslocado naquele ambiente soturno e distante do Cemitério do Morumbi. Com a mão em meu braço, disse um comovido "conte comigo".</P>
<P>
Houve um adversário de verdade na vida e na carreira de Ayrton Senna. Não se pode esperar palavras de rancor e ódio de quem lia a Bíblia como ele, mas acontecem situações de saia-justa que dizem tudo. Às vésperas do Grande Prêmio de Estoril, fomos num grupo grande experimentar aquela maravilha de cozinha portuguesa que é o restaurante Porto Santa Maria, na praia do Guincho, diante daquelas escarpas do cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa. Coisa dos deuses. Encomendado com antecedência pelo nosso anfitrião, o Braga, um linguado ao forno, cozido dentro de uma casca de sal grosso.</P>
<P>
Chegamos e o maitre nos levou a uma mesa voltada para aquele mar e para aquele horizonte de onde, séculos atrás, uns malucos portugueses, a bordo de casquinhas tão frágeis quanto os carros de Fórmula 1, foram descobrir novos mundos. De repente, o Ayrton, sempre ligadíssimo, parou:</P>
<P>
– Aqui, não. Vamos para outra mesa, bem longe.</P>
<P>
Fincou pé, os outros convidados perplexos. Mas me sussurou ao ouvido:</P>
<P>
– O indivíduo está aí.</P>
<P>
A palavra, aqui entre nós, não foi propriamente indivíduo. Imaginei que era o Prost. Nada disso: o indivíduo atendia pelo nome de Nélson Piquet. Aí a coisa ficava de fato feia. É inútil voltar a esse assunto, depois do que se passou. Mas o silêncio de Piquet, no dia do enterro, foi significativo –  por mais que amigos seus tentem me convencer de que a melhor manifestação de dignidade dele seria a ausência. Um dia, quem sabe, eu me convença disso. Hoje, não.</P>
<P>
Tenho, a propósito, uma bela lembrança gravada na memória. Conheci, no circuto da Fórmula 1, um garotinho lindo, de uns cinco anos, acredito, que tinha uma especial veneração pelo Ayrton -e a amizade era recíproca. Circulava pelos boxes, antes das provas, levado pelas mãos de sua mãe, Sylvia, uma holandesa habituée dos pitlanes. O garoto se chama Nelsinho. Nélson Piquet Júnior.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68730">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Segundo o pesquisador Otto Gadig, que deu uma palestra sobre tubarões na reunião do ano passado da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, diz que os ataques de tubarão do peixe são mai um fenômeno de mídia. "No Brasil, todos os anos, cerca de 33 mil pessoas são picadas por serpentes peçonhentas e aranhas venenosas e isso não tem tanta divulgação. De 1927 até 1993 foram registrados 54 ataques de tubarão no litoral brasileiro", diz o pesquisador da Universidade Federal da Paraíba. "O tubarão deve ser a última coisa com que as pessoas devem se preocupar ao entrarem na água", disse.</P>
<P>
Até o ano passado, Pernambuco era o campeão dos registros, com nove ataques no Brasil. Maranhão e São Paulo vinham em segundo, com oito. Austrália, EUA e África do Sul concentram mais da metade dos casos no mundo, com 54% do total. O Brasil tem menos de um por cento dos casos anuais. A África do Sul tem, inclusive, os melhores centros de pesquisa e de cirurgia para reparar mordidas do peixe.</P>
<P>
No mundo inteiro ocorrem entre 50 a 70 ataques registrados de tubarões. O tubarão ataca preferencialmente, em cerca de 80% dos casos, em águas quentes, acima de 21º, perto de praias, embocaduras de rios e lagos de água salgada. Os horários preferenciais para as mordidas são aqueles em que as praias estão mais cheias. Entre 10h e 12h e entre 14h e 16h.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-chaPex2">
<P>  Entre o jdanovismo e a ignorância</P>

<P>
 Augusto M. Seabra Se não quer ser simplesmente ignorante, a comissária Seabra que atente às regras da economia cinematográfica. O que conta, então, não são os valores dos números de espectadores nacionais, mas as receitas de um produto nos diferentes tipos de circuito internacional. E sabe que mais? O filme português recentemente mais vendido e visto, imagine a senhora tão PSDista, e o PS e o « Expresso », é... « Vale Abraão », de Manoel de Oliveira .</P>

<P>
Sentir o imperativo ético de voltar a escrever sobre «o cinema português» não deixa de ser um acto penoso, mas inadiável. Se o faço ao fim de alguns anos de deliberado silêncio (não sobre este ou aquele filme, mas sobre as questões estruturais), isso deve-se a razões de longo prazo, à sua agudização em curto prazo, mas também a dois motivos que, sendo pessoais, não deixam de se prender com o debate em curso: em primeiro lugar, porque penso que o período mais exaltante do cinema português, que genericamente correspondeu aos anos 80 , foi ultrapassado numa conjuntura que, para todos os efeitos políticos, teve início com a nomeação de Pedro Santana Lopes para secretário de Estado da Cultura em 2 de Janeiro de 1990 ; em segundo lugar, porque as funções que venho ocupando no European Script Fund do Programa Media das Comunidades Europeias fazem com que a única relação institucional que mantenho com o cinema português ocorra num quadro europeu em que, quando se tem por função ler ou discutir para aí uns 300 projectos de guiões cinematográficos e televisivos por ano , os modos de entendimento não deixam de ser diferentes.</P>

<P>
A luta pela existência de condições para o funcionamento regular de uma produção é quase tão velha como o próprio cinema português -- essa indústria «horrivelmente cara», como Salazar se queixava a António Lopes Ribeiro . Com o tempo produziram-se mitos, que um novo-vindo, a televisão (essa mesma que aqui, como em toda a parte, tantos espectadores e viabilidade económica retirou ao cinema), consolidou. Quantas vezes já não ouvimos locutores virem relembrar uma suposta «idade de ouro» do cinema português?</P>

<P>
Pois é, mas então pergunte-se a António Lopes Ribeiro porque faliu a sua produtora depois de três filmes tidos como tão populares como « O Pai Tirano », « O Pátio das Cantigas » e « Aniki-Bóbó ». A degenerescência hegemónica do velho Estado Novo e a cada vez mais insistente presença no espaço público (mesmo com todos os cortes de censura) dos autores de um «novo cinema português» levaram à definição de um apoio do Estado , consagrado na lei 7/71 , na vigência do marcelismo. O facto nem era inédito, pois em diversos países da Europa se consagrava então o apoio do Estado à produção cinematográfica.</P>

<P>
As circunstâncias históricas, e desde logo o 25 de Abril , levaram a algumas particularidades no caso, duas antes de mais: o divórcio acentuado entre produção e distribuição; a consolidação de uma ideologia hegemónica entre os realizadores, como se, por apoio do Estado e alheamento das regras do mercado, Portugal se tivesse transformado numa espécie de utopia da criação cinematográfica. Contudo, em raros países a parte da produção nacional no respectivo mercado é tão restrita. E, apesar disso, em poucos países os realizadores (que não directamente os filmes) têm tal presença no espaço público.</P>

 </DOC>

<DOC DOCID="cha-57558">
<P>
Moradores da Amadora não querem receber realojados</P>
<P>
A possibilidade dos moradores do Casal Ventoso serem realojados nos terrenos situados junto ao Casal de São Brás, na Amadora, está a originar vários protestos dos habitantes, que afixaram já um comunicado de alerta nas redondezas.</P>
<P>
O comunicado, assinado por «um grupo de residentes no Casal de São Brás», chama a atenção para a implantação nessa zona de bairros sociais onde seriam realojados habitantes do Casal Ventoso e da Musgueira, no âmbito de um acordo entre as autarquias da Amadora e da capital. «Não queremos um Casal Ventoso de tijolo», afirmam os autores do texto.</P>
<P>
Alertam os outros habitantes para «os perigos de degradação social, insegurança e transferência dos piores problemas da sociedade» para aquela zona, para além da «desvalorização do território» que isso iria implicar. Os habitantes do Casal de São Brás ficaram particularmente inquietos desde que se começaram a registar movimentações de máquinas nos terrenos da Serra da Mina.</P>
<P>
O vereador da habitação da Câmara Municipal de Amadora (CMA), Fernando Pereira, esclareceu, por seu turno, que a «transferência dos moradores do Casal Ventoso para essa zona é praticamente impossível», visto a área em questão ter um projecto de reabilitação próprio, com fundos comunitários. Quanto às movimentações nos terrenos, o autarca esclarece que «não estão relacionadas com construções de habitações», uma vez que «não há qualquer obra em curso no concelho da Amadora para o realojamento».</P>
<P>
Fernando Pereira afirma que está em negociação um protocolo entre os municípios da Amadora e de Lisboa e a Empresa Pública de Urbanizações de Lisboa (EPUL), com vista à construção de habitações sociais em terrenos da propriedade da CML, situados na Amadora, nomeadamente na zona contínua ao Casal de São Brás. Está prevista para essa zona a edificação de 580 fogos, que realojarão cerca de 300 famílias, provenientes metade da Amadora e a outra metade de bairros degradados da capital. Fernando Pereira acrescenta que o protocolo entre as câmaras da Amadora e de Lisboa é «justo e adequado», pois «resolve os problemas da antiga lixeira da Boba, onde crescerá um parque urbano».</P>
<P>
O vereador afiança, por outro lado, que «ainda não estão definidas as origens da população a habitar esses bairros». Mas «a Câmara da Amadora garante que os novos habitantes não serão pessoas que provoquem problemas à vizinhança», o que contraria o comunicado dos moradores, onde se lê que a autarquia «não terá qualquer intervenção na escolha dos novos vizinhos».</P>
<P>
Fernando Pereira assegura que os realojamentos, que não terão lugar antes de 1996, serão acompanhados pelos serviços técnicos e sociais da câmara, estando ainda prevista a construção de equipamentos e estabelecimentos para dar resposta às necessidades dos novos habitantes, de modo a que não surjam guetos e consequentes problemas de inserção social. O vereador reafirma a vontade da autarquia de «dar uma casa digna aos moradores» dos bairros degradados, não deixando, por isso, de dialogar com as populações vizinhas.</P>
<P>
No concelho da Amadora, o Programa Especial de Realojamento (PER) prevê a eliminação de 4835 barracas no concelho e a construção de 5419 fogos, para o realojamento de 20 mil pessoas, até 2009, através de um financiamento de 42 milhões de contos, dos quais 9,5 milhões serão de autofinanciamento municipal.</P>
<P>
Lusa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-Ren_ex4">
<P>  Pesquisadores do Museu Nacional do Rio de Janeiro anunciaram ontem a descoberta de uma nova espécie de dinossauro no Brasil . O animal era um carnívoro que habitou o nordeste brasileiro há 110 milhões de anos , no período Cretáceo (o último da era dos grandes répteis ).</P>

<P>
Batizado de Santanaraptor placidus , o fóssil é o único a ser encontrado no país com restos de tecido mole, como fibras musculares, vasos sanguíneos e pele.</P>

<P>
Para os paleontólogos, achar esse tipo de evidência equivale a acertar na loteria.</P>

<P>
"É como se o dinossauro tivesse sido enterrado ontem ", disse Alexander Kellner , geólogo do Setor de Paleovertebrados do Museu Nacional e coordenador da expedição que encontrou o fóssil na região da Chapada do Araripe , Ceará (veja mapa).</P>

<P>
Com os tecidos preservados, os cientistas esperam poder saber mais sobre o modo de vida e a evolução dos répteis.</P>

<P>
Outra importante descoberta é que, na cadeia evolutiva dos dinossauros, o Santanaraptor ocuparia uma posição no grupo Tyrannoraptora , o mesmo do Tyrannossaurus rex , que habitou os EUA no final da era dos dinos .</P>

<P>
Segundo Kellner , apesar de o animal ser um baixinho (poderia atingir, no máximo, 2,5 metros de altura), suas patas e bacia têm características anatômicas muito semelhantes às do ilustre réptil norte-americano.</P>

<P>
"O Santanaraptor pode ser a espécie que deu origem ao tiranossauro 68 milhões de anos mais tarde ", explicou o geólogo.</P>

<P>
Predador</P>

<P>
O exemplar de Santanaraptor encontrado pela equipe carioca foi desenterrado em 1991 , mas a montagem do fóssil só foi concluída nove anos mais tarde . Tudo o que sobrou dele foram as patas e partes da cauda e da bacia, mas os pesquisadores conseguiram estimar que o bicho fosse um filhote de 1,5 metro de altura.</P>

<P>
Sua estrutura óssea é de um dinossauro ágil e veloz, que provavelmente se alimentava de pequenas presas _um raptor, na linguagem dos paleontólogos. O nome é uma alusão à região onde ele viveu (a Formação Santana ).</P>

 </DOC>

<DOC DOCID="cha-72292">
<P>
Vila Franca de Xira</P>
<P>
Julgamento de assalto a taxista com desfecho imprevisível</P>
<P>
O Ministério Público pediu, ontem, a condenação numa pena de prisão efectiva, entre os 16 e os 18 meses, de um indivíduo acusado de tentativa de assalto a um taxista lisboeta e de posse de arma proibida. A defesa, para a qual «tudo isto não passa de um montagem do ofendido», defendeu a absolvição do arguido.</P>
<P>
A sessão do julgamento que decorre no tribunal de Vila Franca de Xira contou, finalmente, com presença do queixoso, António Costa -- antigo taxista, que disse ter mudado, recentemente, de emprego, trabalhando agora numa firma distribuidora de carnes. António Costa afirmou perante o tribunal que faltou às duas sessões anteriores por puro desconhecimento, um vez que não recebera qualquer notificação formal e não se apercebera, pela comunicação social, do desenrolar do julgamento.</P>
<P>
Conforme decisão tomada, na passada terça-feira, pelo colectivo do tribunal vila-franquense, o queixoso foi localizado pela 3ª Divisão da PSP de Lisboa, que o trouxe sob custódia para testemunhar.</P>
<P>
António Costa confirmou tudo o que relatara anteriormente. Sustentou que o arguido o ameaçou com uma faca, lhe disse que o ia assaltar e explicou, já com o táxi em andamento, que a «corrida» seria até um acampamento de famílias de etnia cigana, situado próximo do Sobralinho, onde o taxista sabia que, quatro dias antes, tinha sido assaltado um seu colega.</P>
<P>
Interpelado pelo juiz presidente do colectivo, Santos Martins, o arguido assegurou que são falsos os factos de que António Costa o acusa. O magistrado notou, todavia, que o acusado «diz que é mentira, mas também disse que não se lembrava de nada».</P>
<P>
Santos Martins perguntou ainda ao arguido se tinha conhecimento de que tem pendente, no mesmo tribunal, um outro processo que o indicia como presumível co-responsável por um assalto a um taxista de Alverca, consumado quatro dias antes do caso em julgamento e por causa do qual foi pedida a sua prisão preventiva. O arguido disse nada saber deste segundo processo.</P>
<P>
Seguiu-se a fase de alegações, com o representante do Ministério Público, Rui Cavaco, a defender que o depoimento do queixoso foi coerente e que o arguido se «esqueceu» propositadamente da parte relativa ao ilícito que praticou. O acusador público considerou que houve, da parte do arguido, «um acto premeditado» e que será justa a aplicação de uma pena de prisão efectiva situada entre os 16 e os 18 meses.</P>
<P>
Isolete Barbosa, advogada do réu, classificou de «estranhas» as anteriores ausências do queixoso e admitiu que pode ter havido uma montagem deste caso, quando os taxistas, confrontados com uma série de assaltos anteriores, terão encontrado neste jovem, «só porque é cigano e toxicodependente, um alvo ideal para a sua ira».</P>
<P>
O tribunal marcou para o próximo dia 28 a leitura da sentença.</P>
<P>
Jorge Talixa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-87594">
<P>
Dezoito milhões de egípcios votam hoje em eleições legislativas</P>
<P>
Uma Assembleia do Povo para manter Mubarak no poder</P>
<P>
Margarida Santos Lopes</P>
<P>
Quase quatro mil candidatos -- um recorde na história contemporânea do Egipto -- apresentaram-se às eleições legislativas de hoje. O mais sério adversário do partido no poder é a perseguida Irmandade Muçulmana que nos últimos dias viu centenas de militantes serem presos. Está, pois, tudo preparado para que o PND, de Mubarak, conquiste a maioria de dois terços que depois há-de nomear o Presidente República.</P>
<P>
Em 1990, a oposição boicotou as eleições legislativas e o partido de Hosni Mubarak conquistou facilmente uma maioria de dois terços dos 454 lugares do Parlamento. No escrutínio de hoje, só as forças políticas com problemas financeiros não apresentaram candidatos, mas o resultado será provavelmente o mesmo.</P>
<P>
O analista Nabil Abdel-Fattah, do Centro Al-Ahram para os Estudos Estratégicos e Políticos, calcula que o Partido Nacional Democrata (PND), de Mubarak, ganhará 80 por cento dos lugares e a oposição ficará apenas com 40 a 60 assentos.</P>
<P>
«O governo vai querer manter a sua maioria, necessária para eleger o Presidente», disse, por seu turno, Ibrahim Dessouqi, o secretário-geral-adjunto do Al-Wafd, o Partido Liberal que concorre numa coligação com o Partido do Trabalho e a Irmandade Muçulmana, todos de tendência islamista.</P>
<P>
O chefe de Estado egípcio é nomeado pelo Parlamento antes de se submeter a um referendo popular, e, é claro, o PND não admite a hipótese de outro Presidente que não Mubarak. Por isso, a oposição não se cansou de acusar o governo de recorrer a «métodos desonestos» para garantir o seu domínio na Assembleia do Povo, onde 444 lugares são ocupados pelos eleitos e outros dez são atribuídos pelo Presidente a pessoas da sua confiança.</P>
<P>
Apesar das denúncias de fraudes, os opositores de Mubarak não quiseram este ano boicotar as legislativas. E, assim, nove dos 14 partidos registaram quase quatro mil candidatos -- um número recorde na história contemporânea do país --, na esperança de atrair os votos de 18 milhões de egípcios.</P>
<P>
Só a coligação da Irmandade Muçulmana apresentou 223 candidatos. Não tem, porém, ilusões de conseguir uma boa representação parlamentar, sobretudo depois da campanha empreendida nos últimos dias contra a confraria fundada em 1929 por Hassan al-Banna.</P>
<P>
Um porta-voz da Irmandade queixou-se que só na segunda-feira mais de mil simpatizantes foram detidos, sendo a maior parte delegados dos candidatos islamistas que deveriam estar nas mesas de voto a supervisionar as eleições. Na semana passada, um tribunal militar já tinha desferido um duro golpe na organização ao condenar 54 dos seus membros a penas de prisão e trabalhos forçados. Mesmo assim, os Irmãos Muçulmanos não desistem. «A maioria não pode sobrepor-se infinitamente à opinião da minoria», comentou o porta-voz da Irmandade, Maamoun al-Hodeiby. «A oposição deve pôr fim à tirania.»</P>
<P>
A Irmandade tornou-se, efectivamente, um alvo a abater desde que Mubarak a equiparou aos grupos armados extremistas. E depois do recente atentado contra a embaixada egípcia em Islamabad (Paquistão), a campanha de repressão intensificou-se.</P>
<P>
Os grupos de direitos humanos, como a Amnistia Internacional e o Human Rights Watch, reprovam ao regime o uso da militância islâmica como pretexto para conter todas as formas de dissidência. Citam, designadamente, uma nova lei de imprensa que aplica pesadas penas de prisão aos jornalistas que criticarem figuras públicas.</P>
<P>
Alguns analistas, como John Lancaster, do «Washington Post» crêem que o regime se virou contra a Irmandade, animado pelas recentes vitórias na ofensiva contra os radicais do Gama'at Islami e da Jihad. A Irmandade, ilegal mas até agora tolerada, tem publicamente denunciado os actos de violência, mas a verdade é que o seu objectivo final é o mesmo dos integristas: a criação de um Estado islâmico puritano.</P>
<P>
Combate sem fronteiras</P>
<P>
Talvez por essa razão os aliados ocidentais do Egipto se mostrem silenciosos quando a Amnistia denuncia abusos no campo dos direitos humanos. Se o Egipto -- a maior potência militar do mundo árabe -- seguir o exemplo do Irão, o Médio Oriente e o Norte de África correm perigo. A reacção de Londres e Paris, por exemplo, foi dar ouvidos às denúncias de Mubarak de que a Grã-Bretanha e a França se tornaram bases logísticas e centros de comando dos islamistas, de onde emanam as ordens para atentados bombistas em qualquer parte do globo. O combate aos fundamentalistas já ultrapassa as fronteiras do vale do Nilo, porque os ataques dos fundamentalistas também já não conhecem fronteiras.</P>
<P>
Às acusações dos opositores de que as eleições de hoje são fraudulentas, o ministro do Interior, Safwat Sherif (sobrevivente de um atentado cometido pelo Gama'at Islami), respondeu: «O Estado não interveio a favor de nenhum candidato. As eleições são livres e honestas.»</P>
<P>
Rifaat al-Saeed, secretário-geral do Partido Unionista Progressista (esquerda), discorda e, à Agência Reuter, denunciou que responsáveis governamentais negligenciaram as suas tarefas oficiais para participarem em acções de apoio ao PND, de Mubarak. Para al-Saeed, o importante nas eleições deste ano não é a política nem a ideologia, mas a fama e a fortuna. (Há pessoas que se candidataram como um investimento. Gastaram milhões para depois obter os privilégios inerentes a quem está próximo do Governo e para gozar de imunidade parlamentar.)</P>
<P>
Numa das mais pobres circunscrições do Cairo, por exemplo, um candidato montou uma «sala de juramento» onde cada eleitor recebia 50 libras egípcias (cerca de dois mil escudos) em troca da promessa do voto, feita sobre o Al Corão, o livro sagrado do Islão. Noutras áreas, alguns candidatos distribuíram alimentos, vestuário e diversos bens, ofereceram donativos para construir escolas, mesquitas e hospitais, e houve quem prometesse electricidade e água potável.</P>
<P>
Um país sem visão</P>
<P>
Com todo este fervor eleitoral, o PND, de Mubarak, enfrenta este ano uma dura competição. E os mais sérios adversários são exactamente os candidatos da Irmandade. É que além de serem populares são ricos. Observou al-Saeed: «Os irmãos muçulmanos têm milionários a viver no estrangeiro e recebem grandes quantias de dinheiro das monarquias do Golfo Pérsico.»</P>
<P>
Com inimigos destes, Mubarak não quis correr riscos. Só que se arrisca a que o seu partido e o seu Governo sejam eternamente comparados às múmias do Egipto. «Mubarak merece crédito pela estabilidade que ofereceu ao Egipto mas estabilidade não é suficiente», comentou um editorialista do «New York Times», depois de uma visita ao país dos faraós. «Mubarak ainda não conseguiu apresentar um projecto para fazer do Egipto um país mais competitivo, democrático, orientado para uma economia de mercado e aberto ao mundo. Por isso, a estabilidade cristalizou em estagnação. Os ministros económicos de Mubarak estão constantemente a empurrá-lo em diferentes direcções, porque ele, do topo, não fornece sinais claros. Exceptuando alguns ministros jovens, o gabinete de Mubarak é dominado por velhos `apparatchiks' para quem a Internet é algo com que se pesca no Nilo.»</P>
<P>
Um jornalista egípcio foi ainda mais contundente na sua análise: «Dinheiro? Temos dinheiro. Mão-de-obra? Temos mão-de-obra. Visão? Não temos visão!»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-22322"> 
<P> Cavaco começa ano com recados de maior exigência ao Governo </P>
 <P> O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, vai deixar uma série de recados ao Governo nas palavras que vai dirigir ao país no primeiro dia do ano. </P>
 <P> A notícia faz manchete na edição desta terça-feira do Jornal de Notícias, com o diário portuense a assegurar que Cavaco prepara, para a sua primeira comunicação em 2008 ao País, um discurso com menos optimismo do que o transmitido por Sócrates mensagem de Natal. </P>
 <P> Afirmando esperar um ano de 2008 mais exigente do que 2007, o Presidente da República promete, ao longo do próximo ano, dar toda a atenção a temas sociais, sobretudo o desemprego, e andar pelo país a mostrar bons exemplos da criação de postos de trabalho. </P>
 <P> Segundo o JN,
Cavaco silva vai ainda aproveitar a ocasião para sublinhar a expectativa criada em relação aos resultados que pediu no ano passado ao Governo, para as áreas da economia, educação e justiça </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="aa13183"> 
<P> Por que não lançar foguetões de água e aprender a fazer relógios de Sol ? </P>
 <P>:: 2007-12-13 </P>
 <P> Telescópios, brinquedos, livros, um simulador de voo, sessões de observação do sol e do céu nocturno e foguetões de água vão estar, entre sexta-feira e domingo, em Cascais, à disposição dos visitantes da FASCINIO - Feira de Astronomia e Ciência. </P>
 <P> Organizada pelo Núcleo Interactivo de Astronomia (NUCLIO) no Centro de Interpretação Ambiental da Ponta do Sal, em São Pedro do Estoril, a quarta edição da iniciativa inclui sessões de observação do sol e do céu nocturno, oficinas de astronomia, lançamentos de foguetões de água, palestras e uma "procura de asteróides", actividade que a instituição promove regularmente nas escolas do concelho. </P>
 <P> "A feira destina-se ao público em geral, embora o programa de sexta-feira esteja muito pensado para as escolas, com actividades para os primeiros ciclos, e sábado tenha actividades para os professores, com uma pequena mostra das actividades do NUCLIO ", disse à Agência Lusa a astrónoma Rosa Doran. </P>
 <P> " Sexta-feira estão previstas actividades para as escolas, a que chamámos 'sexta-feira divertida', dedicadas ao conhecimento das estrelas e constelações e ainda observação do Sol com Telescópios e construir enfeites de Natal com motivos de astronomia", acrescentou. </P>
 <P> No sábado o programa prevê observação de supernovas e do Sol e apresentação a professores do projecto ' Hands-On Universe ', que pretende uma nova abordagem no ensino e aprendizagem da astronomia, recorrendo a ferramentas interactivas que podem, por exemplo, passar pela utilização de tempo de observação em telescópios profissionais nas salas de aulas e tratamento de imagens num software especialmente desenvolvido para o efeito. </P>
 <P>Sol para Todos</P>
 <P> Haverá observação nocturna do céu com telescópios e será ainda apresentado o programa do
Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra " Sol para Todos ". </P>
 <P> "O
Observatório de Coimbra tem um grande acervo de imagens do Sol, que registam diariamente desde os anos vinte do século passado, e estão a digitalizar essas imagens para que possam estar à disposição das escolas", explica Rosa Doran, realçando que desta forma "os meninos podem fazer ciência na própria sala de aula, podem ver a evolução das manchas do sol nas últimas décadas e comparar essa evolução, por exemplo, com as mudanças do clima". </P>
 <P> Segundo a responsável, um dos principais objectivos da FASCINIO é dar também a conhecer a oferta existente na área e valorizar o trabalho dos profissionais portugueses, "muito ligados" à investigação de vanguarda e pouco reconhecidos pelo grande público. </P>
 <P>[...]</P>
 <P>A Nossa Galáxia</P>
 <P> O NUCLIO vai por isso assinar sábado um protocolo com a Câmara Municipal de Cascais para que o Centro de Interpretação Ambiental seja disponibilizado para as suas actividades junto da comunidade escolar. De acordo com o documento, a autarquia irá ainda apoiar a formação agendada para o presente ano lectivo com vinte mil euros. Durante a feira será também apresentado o livro de divulgação científica " Passeio Aleatório pela ciência do dia-a-dia ", com a presença do autor Nuno Crespo. </P>
 <P> Ainda no sábado, a investigadora do
Centro de Astronomia da Universidade do Porto Catarina Lobo, que estuda enxames de galáxias, vai explicar ao público em geral que tipo de galáxia é a nossa, como se formam e como evoluem na palestra " A nossa Galáxia e as outras: Ilhas no Universo ". </P>
 <P> No domingo está previsto que o público em geral possa participar no lançamento de foguetões de água e em Oficinas de Astronomia, com a construção de Relógios de Sol, Espectroscópios, Astrolábios, Planisférios e outros materiais de observação. A iniciativa termina com uma palestra por João Fernandes, o coordenador nacional do ano internacional da astronomia, que se assinala em 2009. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-30357">
<P>
JOSÉ REIS</P>
<P>
Especial para a Folha</P>
<P>
Pierre de Fermat (1601-1665) foi, na opinião de muitos especialistas, o maior dos matemátcos amadores. De grande saber jurídico e cultura clássica, exerceu altos postos na administração pública francesa, atingindo o cargo de Conselheiro do Parlamento de Toulouse, no qual permaneceu até a morte.</P>
<P>
Boa parte de sua obra matemática é conhecida por sua correspondência, na qual costumava apresentar teoremas de sua lavra, sem todavia fazer a demonstração. Ou então anotava, nas margens dos livros que lia, esses difíceis teoremas.</P>
<P>
Alguns deles eram propostos como desafio a outros matemáticos, o que era atitude comum naqueles tempos. Foi atraído pela matemática quando leu uma tradução da obra de Diofanto, apaixonando-se pela teoria dos números. Alguns dos teoremas que deixou só foram resolvidos dezenas e até centenas de anos após seu conhecimento.</P>
<P>
Pode-se dizer que, com Blaise Pascal, Fermat fundou a teoria das probabilidades. Contribuiu com Bernouilli na criação do cálculo das variações. Não se conhece o porquê de sua aparente indiferença ao reconhecimento público, mas é certo que muito se satisfazia com o prazer da pura descoberta.</P>
<P>
Margem de livro</P>
<P>
É muito citado o chamado "último teorema de Fermat", assim denominado por haver sido a única de suas proposições matemáticas que até hoje resiste às tentativas de demonstração. Aparentemente simples, o teorema afirma que "a equação xn + yn - zn não tem solução com x, y e z inteiros positivos quando o expoente n é superior a 2". Ele escreveu esse teorema à margem da página de um livro, acrescentando haver achado uma prova elegante e concisa que, por ser muito extensa, não cabia no espaço disponível.</P>
<P>
Por prova entende-se demonstração geral que se aplique a todos os casos do teorema, não apenas à verificação específica para expoentes isolados. Assim começou verdadeira caçada não apenas à prova geral, mas também à solução de casos específicos. O próprio Fermat registrara solução para o caso de n igual a três.</P>
<P>
Rebate falso</P>
<P>
Na década de 1840, Ernst Eduard Kummer iniciou o estudo do que hoje se chama teoria dos números algébricos, que permitiu provar o último teorema de Fermat para um grande número de expoentes, segundo B. Cipra ("Science", 261, 32). Com auxílio de computadores, chegou-se a incluir todos os expoentes até 4 milhões. Durante esse esforço nasceram várias teorias novas, que vieram enriquecer vários campos da matemática, principalmente a álgebra.</P>
<P>
Em 1988 causou sensação o anúncio de que Yoichi Miyaoka conseguira provar o último teorema, mas em sua suposta prova os especialistas encontraram muitas falhas. Caminho diverso de seus antecessores seguiu Andrew Wiles, que apresentou sua prova em três conferências seguidas, a partir de um teorema demonstrado por Ken Ribet, que por sua vez se baseara numa idéia desenvolvida por Gerhard Frey. Este havia proclamado que um importante problema da chamada teoria das curvas elípticas –que descreve propriedades de curvas através de equações e vice-versa– poderia abrir caminho à solução do teorema de Fermat. Esse problema é conhecido como "conjectura de Taniyama-Weil", de grande importância desde a década de 50.</P>
<P>
Em sua série de conferências, Wiles, em cerca de 200 páginas, resolveu, segundo comentou "Science", a "conjectura", demonstrando que ela se aplica a uma classe infinita de curvas elípticas. E o teorema de Fermat não passaria de mero corolário dos resultados obtidos por Wiles, na opinião de muitos matemáticos presentes às reuniões realizadas no "Newton Institute", de Cambridge, Reino Unido, de 21 a 23 de junho de 1993.</P>
<P>
Erro fatal</P>
<P>
Bom demais para ser verdadeiro. Notícias recentíssimas publicadas pela revista norte-americana "Time" dão conta de que foi encontrado um erro, reconhecido por Wiles, em seu trabalho. Fica ainda insolúvel o famoso teorema.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-35276">
<P>
2- A pressão dos pneus do Williams estaria abaixo do ideal. Com os pneus "murchos", o carro se choca contra uma saliência da pista e se descontrola. Confirma esta hipótese uma reportagem apresentada pela TV Globo em que Senna e Frank Williams deixaram claro, numa reunião com os técnicos que cuidavam dos pneus, que não estavam satisfeitos com eles.</P>
<P>
Além disso, devido ao calor, os carros largaram com os pneus mais baixos, pois a pressão aumentaria já nas primeiras voltas. Isso pode não ter acontecido, pois o pace-car, que estava na pista no início da prova, reduziu a velocidade dos carros, e pode ter mantido a pressão dos pneus abaixo do normal</P>
<P>
3- Michael Schumacher, o piloto alemão que vinha logo atrás de Senna antes do acidente, disse que viu o carro do brasileiro se chocar diversas vezes contra o chão. As imagens da câmera instalada no carro de Schumacher, que registraram toda a volta anterior ao acidente, confirmam que o Williams batia no solo.</P>
<P>
Este fato pode indicar tanto problemas na suspensão quanto uma pressão inadequada dos pneus </P>
<P>
4- A revista italiana "Autosprint", que tem fotos exclusivas do resgate de Senna, acredita que uma peça da suspensão dianteira do carro se chocou contra a cabeça de Senna, o que teria produzido os ferimentos que o levaram à morte. A FIA concorda com a hipótese. Para seu presidente, Max Mosley, a peça teria furado o capacete do brasileiro. Para o vice-presidente, Bernie Ecclestone, foi o pneu dianteiro direito que bateu na cabeça de Senna após a colisão contra o muro</P>
<P>
5- A mesma revista levanta a suspeita de que a direção poderia ter quebrado. Fotos mostram que parte da barra da direção foi retirada para o resgate do piloto, quando o normal é se tirar apenas o volante. A pergunta é se a barra saiu depois ou antes do acidente</P>
<P>
6- A TV TF1 (França) reproduziu as imagens do acidente quadro a quadro. Nelas, aparece uma peça, provavelmente do aerofólio, que se desprende do Williams de Senna</P>
<P>
7- Primeiros dados da perícia mostraram que, pelos computadores do carro de Senna, o piloto tirou o pé do acelerador e tentou frear antes de bater. Se confirmada a informação, elimina-se a hipótese de que Senna teria tido algum problema físico, como um desmaio, antes da colisão</P>
<P>
O QUE FEZ A JUSTIÇA ITALIANA</P>
<P>
1- O Williams de Senna, o capacete do piloto, os registros do computador do carro, gravações de conversas de rádio da equipe e as fitas com as imagens do acidente foram apreendidos para perícia. As fotos da revista "Autosprint" também estão com a Justiça</P>
<P>
2- O circuito de Imola foi interditado e a curva Tamburello examinada por peritos</P>
<P>
3- Dirigentes do autódromo serão investigados sob acusação de homicídio culposo. A Justiça que saber se, caso houvesse maior proteção (pneus, caixa de brita, maior área de escape) antes da curva onde Senna bateu, a morte do piloto não seria evitada</P>
<P>
4- Parlamentares italianos pediram a suspensão do GP da Itália (11 de setembro, em Monza)</P>
<P>
5- No último dia 23, começou a correr o prazo de 60 dias para se concluírem as investigações. 17 pessoas, entre pilotos, dirigentes e chefes de equipe serão ouvidas</P>
<P>
O QUE CONCLUIU A AUTÓPSIA</P>
<P>
Embora o laudo oficial não tenha sido concluído, adiantou-se que:</P>
<P>
1- Senna morreu devido a lesões no cérebro. Teve fraturas múltiplas na base do crânio, afundamento do osso frontal (testa), ruptura da artéria temporal e hemorragia nas via respiratórias</P>
<P>
2- O piloto teve morte cerebral instantânea, no momento do acidente. Os médicos do hospital Maggiore, de Bolonha, onde Senna foi atendido, afirmam que a morte cerebral aconteceu no centro de reanimação do hospital</P>
<P>
3- Médicos que viram o corpo do piloto afirmaram que a cabeça foi a parte maisafetada pelo acidente</P>
<P>
O QUE DISSE A EQUIPE WILLIAMS</P>
<P>
No dia do acidente, o diretor-técnico da equipe, Patrick Head, afirmou que Senna teria errado e desacelerado o carro antes da curva.</P>
<P>
No dia seguinte, a Williams desmentiu a informação e se comprometeu a apurar as causas do acidente. Head está na lista da Justiça italiana entre as pessoas que podem ser responsabilizadas pela morte de Senna</P>
<P>
O QUE FEZ A FIA</P>
<P>
A Federação Internacional de Automobilismo não comunicou à Justiça italiana que a morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger, nos treinos do dia anterior ao GP de San Marino, aconteceu na pista de Imola, o que poderia ter provocado a suspensão da prova. Seu vice-presidente, Bernie Ecclestone, disse que a prova seria realizada de qualquer maneira</P>
<P>
Ecclestone disse também que a câmera do carro de Senna não registrou o acidente</P>
<P>
A entidade estabeleceu regras para reduzir a velocidade dos carros, basicamente retirando pressão aerodinâmica das máquinas e aumentando seu peso. A redução na potência dos motores deve ser o próximo passo. A velocidade nos boxes passou a ser controlada</P>
<P>
O QUE OS PILOTOS FIZERAM</P>
<P>
Foi recriada a Associação dos Pilotos de GPs. Até agora, a associação conseguiu a construção de uma chicana no circuito de Montmeló (GP da Espanha), para reduzir a velocidade na curva Nissan. Os pilotos exigem participação nas discussões relativas à segurança na F-1</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-66746"> 
<P> José Sócrates apresentou balanço dos últimos seis meses </P>
 <P> UE: Durão Barroso elogia prestação da presidência portuguesa </P>
 <P> O presidente da Comissão Europeia elogiou hoje a prestação da presidência portuguesa da UE e a «competente liderança» do primeiro-ministro, José Sócrates, na condução dos destinos europeus no segundo semestre deste ano. </P>
 <P> Durão Barroso discursava na sessão plenária extraordinária do Parlamento Europeu, durante a qual José Sócrates apresentou os resultados da presidência portuguesa da UE. </P>
 <P> O ano de " 2007 mostrou que a Europa está à altura dos seus compromissos", sublinhou o presidente do executivo comunitário, estendendo à anterior presidência alemã os louros pelo acordo que permitiu a assinatura do novo tratado europeu. </P>
 <P> Durão Barroso lembrou que o «sucesso político tem agora de ser concretizado» com a ratificação do tratado por todos os Estados-membros, o que foi já hoje feito pela Hungria, o primeiro dos 27 países a cumprir esta etapa. </P>
 <P> No seu discurso, o dirigente europeu disse concordar com a apreciação feita minutos antes por José Sócrates sobre os seis meses da presidência portuguesa, principalmente a assinatura do Tratado de Lisboa, novo relacionamento com o Brasil e a cimeira com África. </P>
 <P> Durão Barroso acrescentou à longa lista de sucessos enunciados por Sócrates outros que considerou "também importantes", como a decisão de criar o Instituto Europeu de Tecnologia e o lançamento de uma Política Marítima Europeia. </P>
 <P> Entre os desafios que esperam a UE nos próximos meses, o presidente da Comissão Europeia destacou a necessidade de os 27 ajudarem a encontrar uma solução para resolver a questão do Kosovo. "Isto é um teste para a Europa onde não podemos falhar", sublinhou. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-26466">
<P>
Governo britânico consultará população antes de decidir sobre futuro de técnicas de reprodução assistida</P>
<P>
HUMBERTO SACCOMANDI</P>
<P>
De Londres</P>
<P>
As novas técnicas para tratamento de infertilidade foram colocadas ontem em debate público no Reino Unido. Esse debate vai durar até seis meses e deverá indicar quais terapias serão aprovadas e quais serão proibidas. Os temas mais polêmicos são a gravidez pós-menopausa e o uso de óvulos extraídos de fetos abortados ou de mulheres mortas.</P>
<P>
O debate foi lançado pela Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA), um órgão governamental do Reino Unido. Os especialistas acreditam que a evolução científica nessas áreas está sendo talvez mais veloz do que a capacidade de aceitação da população. Isso estimula um sentimento de rejeição.</P>
<P>
"Queremos dar tempo para as pessoas pensarem com a razão, e não emocionalmente. Nós não podemos impor uma solução ao país. Queremos descobrir até que ponto as pessoas apóiam os progressos", disse Colin Campbell, diretor da HFEA.</P>
<P>
A gravidez pós-menopausa, técnica desenvolvida pelo especialista italiano Salvatore Antinori, permite que mulheres de mais de 60 anos fiquem grávidas. O uso de óvulos retirados de fetos femininos abortados ou de mulheres mortas está sendo pesquisado no Reino Unido. Essas técnicas podem acabar com o crônico problema de falta de doadoras de óvulos para tratamentos de infertilidade.</P>
<P>
A Igreja anglicana já se posicionou contra essas técnicas. Para Richard Harris, bispo de Oxford, qualquer tratamento que envolva óvulos doados é condenável, pois não faz parte da cadeia natural de reprodução de um casal.</P>
<P>
Um grande obstáculo levantado é a reação das crianças geradas nessas condições. No caso de doação por uma mulher morta, a mãe biológica da criança teria morrido antes de ela ser concebida. No caso de óvulos retirados de um feto abortado, a mãe biológica não teria nem nascido.</P>
<P>
Após os seis meses de consulta popular, o HFEA poderá aprovar ou proibir a prática dessas terapias no país. "Queremos dar a todos a oportunidade de expressar seus pontos de vista antes de decidirmos se a pesquisa ou o tratamento devem prosseguir."</P>
<P>
Se, no entanto, as autoridades acharem que o tema é polêmico demais, podem solicitar uma votação no Parlamento.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-9251">
<P>
Bora Bora</P>
<P>
Dias no paraíso</P>
<P>
Texto e fotos: Luís Andrade de Sá</P>
<P>
Mares do Sul. Ilhas minúsculas, cercadas de recifes. Lagoas de um azul quase branco, montanhas de jade que descem a pique na água, corais e tubarões; mulheres lindíssimas, motins e naufrágios. Uma visita de sonho às «ilhas mais caras do Pacífico Sul».</P>
<P>
Que força têm estes mares do Sul! Um lençol de água na imensidão do Pacífico, salpicado de ilhas com nomes mágicos: Taiti, Bora Bora, Raiatea, Moorea, Rurutu, Tubuai, Marquesas. Mas também Moruroa, o diabo aquartelado no paraíso, desde que, em 1963, o general De Gaulle transferiu as experiências nucleares francesas da Argélia para a Polinésia Francesa.</P>
<P>
«As ilhas mais caras do Pacífico Sul, talvez do mundo», eis a Polinésia Francesa, como não se cansa de explicar Vyr, um jovem israelita que, naturalmente, fez o que havia a fazer em Bora Bora -- apaixonou-se por uma polinésia e ali está, a viver de pequenos empregos, na artesanal indústria do turismo. Vyr está farto de dizer às pessoas que não têm que se preocupar com o preço das coisas (todas exageradamente caras): «Porque vocês estão no melhor sítio do mundo.»</P>
<P>
Bora Bora é uma montanha alta, rodeada de uma lagoa exterior. O recife cerca toda a ilha, com excepção de uma pequena abertura que permite a passagem dos barcos. O azul característico do Pacífico é interrompido e a cor das águas interiores decompõe-se em inúmeros tons de verde e de azul. De origem vulcânica, a ilha, vista dos céus, é um espectáculo inacreditável para quem a conhece pela primeira vez.</P>
<P>
«Daqui já não saio», anuncia Patrícia Acuña, uma jovem mexicana que está na Polinésia para participar num congresso de agências de viagens. As suas colegas riem-se e concordam -- depois de um extenso programa em Papeete, capital do Taiti, vêm mesmo a calhar as águas multicolores, que se adivinham quentes, por baixo da asa do avião. Quando estiverem em terra, vão sofrer a decepção por não haver praias, por as areias serem inexistentes e substituídas por extensas áreas de coral que obrigam ao uso de sapatos próprios, por tudo ser tão caro e pelas pessoas que parecerem tão pouco empenhadas em agradar aos forasteiros.</P>
<P>
O avião pára suavemente numa pista construída à beira-mar, vestígio da presença militar americana durante a II Guerra Mundial. Um barco faz a ligação entre o aeroporto e a ilha. Passa diante de um «motu» (atol) e os turistas franceses tiram fotografias apressadas e espreitam todos os ângulos da ilha. Os restantes perguntam a quem pertence. «É do Marlon Brando», diz um casal americano de Seattle, que tem que explicar aos filhos quem é o actor. Uma versão logo desmentida por vários chilenos, acabados de desembarcar do voo de Santiago, com escala na ilha da Páscoa, que afiançam que é naquele atol que repousam os ossos do belga Jacques Brel. «De quem?», perguntam as mexicanas.</P>
<P>
«El señor jefe de delegación» das agentes de viagem põe um ponto final na discussão e, de um livro, saca os elementos: «Paul Émil Victor, francês, explorador da Gronelândia e escritor.» Tem uma ilha privada, a meio caminho entre o aeroporto e a ilha de Bora Bora; não deixa que ninguém se aproxime e leva uma vida reservada, nos últimos anos da sua atribulada existência. No fundo, repete o que, antes dele, e desde há dois séculos, muitos vêm fazendo -- fugir para a Polinésia, perder-se numa das ilhas mágicas e por lá, abandonado e esquecido, esperar pela hora do pôr do Sol, a ocidente, para os lados de Timor.</P>
<P>
Foi o mito do «bom selvagem» que fez a fama do Taiti e da Polinésia Francesa, quando os primeiros europeus ali chegaram. Mas ainda antes das descrições fantásticas do comandante James Cook, sobre as ilhas do amor e a boa índole dos nativos, já os portugueses por ali tinham navegado sem, no entanto, terem pisado as terras do arquipélago. Primeiro, a expedição de Magalhães, no século XVI, e, ainda em 1606, Pedro Fernandes de Queirós, também ao serviço de Espanha.</P>
<P>
Muito mais tarde, em 1768, já as ilhas eram conhecidas dos navegadores; Cook fez a primeira das suas quatro viagens ao arquipélago. A expedição destinava-se a acompanhar o movimento do planeta Vénus e a bordo seguia uma equipa de cientistas, astrónomos, botânicos, naturalistas, topógrafos, desenhadores e experimentados marinheiros. Entre os quais, um tal Manoel Pereira, embarcado no Rio de Janeiro, e que faleceu durante aquela que foi a primeira expedição científica da história.</P>
<P>
O navio-almirante Endeavour tornar-se-ia famoso por ter permitido a posse britânica da Nova Zelândia e da Austrália, mas foi no Taiti que a tripulação teve os melhores dias da jornada, talvez de toda uma vida. Três meses no paraíso, relutantemente abandonado pelos tripulantes, quando chegou a altura de obedecer às cartas do reino e rumar para sul em busca da terra Australis Nondun Cognita, que anteriores viagens faziam adivinhar.</P>
<P>
Um ano antes de Cook, Louis de Bougainville, navegador francês que se julgava o primeiro a chegar ao Taiti, reclamou a soberania das ilhas e descreveu os nativos: «Eles exigem que nós escolhamos uma mulher, e trazem-nas a bordo. E os gestos que fazem são tão eloquentes que indicam claramente o que querem que nós façamos com elas.»</P>
<P>
Desde então, não parou de crescer a fama da Polinésia. Paul Gauguin imortalizou as suas mulheres e deu corpo ao sonho do europeu de abandonar tudo e partir para os mares do Sul. Os escritores, americanos sobretudo, reforçaram o mito. A lista daqueles que escreveram apaixonadamente sobre o Taiti e a Polinésia dá para construir uma vasta biblioteca -- Pierre Loti, Jack London, Melville, Robert Louis Stevenson, Somerset Maugham...</P>
<P>
No cais de Bora Bora estão alguns gendarmes. Aparentemente, não têm nada para fazer. Não há roubos, o crime é inexistente e os poucos automóveis que circulam não atrapalham a pacatez da ilha. Ouve-se falar francês, carregado de sotaque e interjeições locais. Mulheres, escuras e lindas, conduzem velhos autocarros, o único meio de transporte público, a caminho de Matira, no Sul, onde estão as praias que têm alguma areia.</P>
<P>
«Há tubarões?», é a pergunta que todos fazem, olhando as águas cristalinas. Há-os, de facto, não muito grandes, mas com temíveis fiadas de dentes; o excesso de alimento tornou-os quase inofensivos e o turismo domesticou-os. Todas as manhãs, um grupo de guias locais entra na água com grandes pedaços de peixe para atrair os tubarões do recife. A uma distância de dois passos, turistas, agarrados a uma corda, dentro de água, numa zona sem pé, são cercados por dúzias de predadores, atraídos pelos peixes que mastigam paulatinamente. É a grande sensação do dia e das férias, um momento forte para recordar à noite, quando a escuridão se abate repentinamente a meio da tarde e pouco mais resta para fazer do que ir comer um «chao men» ou um «mahi mahi» (um peixe que se serve grelhado) ao restaurante de um chinês.</P>
<P>
A noite é povoada de sons -- cães que ladram, árvores que rangem como portas quando dobradas pelo vento, os acordes de um cavaquinho, numa festa típica num hotel das redondezas. E o céu estrelado, iluminado pelas constelações do Sul, inúmeras estrelas cadentes e o Cruzeiro a indicar outros continentes para onde partiram daqui gerações de marinheiros e baleeiros.</P>
<P>
No regresso a Papeete, capital do Taiti e da Polinésia Francesa, uma boa notícia: há barcos de guerra franceses ancorados no porto. Marinheiros em terra, diz a tradição, significa que não estão a patrulhar os mares para mais um ensaio nuclear.</P>
<P>
A marginal de Papeete enche-se de carros e de fumo na hora de ponta, que dura pouco mais de meia hora. O sol vai descendo no horizonte e os barcos que ligam as ilhas regressam ao porto. À beira-mar, vendedores abrem «roulottes» e oferecem comida e bebida a preços acessíveis. O ar cheira a fritos e a humidade. E o que apetece mesmo é andar horas a fio, perdido na multidão, sempre perto do mar, dos mares do Sul.</P>
<P>
Ficha</P>
<P>
A Air France tem voos três vezes por semana para Papeete, com escalas em Paris e Los Angeles. O preço, para um mínimo de 14 dias de estada, é de 217.75500.</P>
<P>
Outras alternativas: Qantas, Air New Zealand, Lan Chile e Hawaiian Airlines. O bilhete «Year round the World», no esquema British Airways/Qantas/US Air, permite várias escalas na Europa, Ásia, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos. Preço: cerca de 500 contos.</P>
<P>
A ligação aérea Papeete-Bora Bora é assegurada pela Air Taiti, através de diversos voos diários, com preços de ida e volta de cerca de 40 contos. Mais económicas (25 contos) são as carreiras marítimas, que permitem ainda poupar no alojamento da noite que dura a viagem.</P>
<P>
Em Bora Bora: Chez Nono, BP 12, Vaitape, e Chez Pauline, Vaitape, ambos na praia de Matira, são as opções baratas (diária de cerca de oito contos) e com um mínimo de conforto, embora algo afastados das lojas e dos supermercados.</P>
<P>
Em Papeete: Hotel Prince Hinoi, BP 111, e Hotel Royal Papeete, BP 919, encontram-se no grupo dos mais baratos (entre 12 e 15 contos a diária, sem alimentação) e são centrais.</P>
<P>
Os melhores restaurantes da Polinésia Francesa são os chineses, que servem pratos locais e comida vagamente aparentada com a culinária de Cantão. Em Bora Bora, o Chez Hing, com pratos de peixe cru com molho de limão e coco, bem como o Acajou, na zona do mercado de Papeete, servem bem e dão oportunidade de convívio com os taitianos. Em Papeete, à noite, qualquer «roulotte» da zona do cais serve comida boa e variada, por entre muita animação.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-97143">
<P>
Pelo menos dez pessoas morreram já no Norte da Europa em consequência do mau-tempo que continua a assolar vastas áreas da Alemanha, França e Holanda. As chuvas torrenciais dos dois últimos dias no Oeste da França foram as piores dos últimos 150 anos, enquanto fortes nevões paralisavam o Norte de Inglaterra. Em Paris, o Sena está 3,95 metros acima do seu nível habitual e é percorrido por correntes fortes. Na Noruega, houve avalanches em zonas de desportos de Inverno. Na Alemanha, os rios saíram dos seus leitos em diversas cidades e as autoridades esperam um agravamento das condições climatéricas. Na Holanda, o nível do Reno também está a subir, e duas aldeias do Limburgo foram já evacuadas. O mesmo cenário se verifica na Bélgica. A foto mostra carros semi-submersos em Quimper, na Normandia. Em contraste com este universo, a Andaluzia e o Alentejo continuam a não ter chuva que permita ultrapassar a quase calamidade da seca.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-97134">
<P>
Tchetchénia</P>
<P>
Ordem para parar</P>
<P>
Os comandos russo e independentista da Tchetchénia deram ordem às suas unidades para cessarem todas as hostilidades a partir da meia-noite de ontem. Segundo a televisão independente russa NTV, a ordem foi anunciada em Grozni, capital daquela república, numa declaração conjunta das duas partes.</P>
<P>
Esta ordem, da responsabilidade de Anatoli Romanov, comandante das forças russas na Tchetchénia, e de Aslan Maskhadov, chefe do Estado Maior tchetcheno, surge depois de no domingo à noite o líder independentista tchetcheno Djokhar Dudaiev ter considerado nulo o acordo militar assinado horas antes em Grozni por uma delegação russa e outra tchetchena.</P>
<P>
Entretanto, a agência russa Itar-Tass, citando um alto responsável tchetcheno, revelou que os independentistas estariam a preparar-se para libertar todos os prisioneiros de guerra russos nos próximos três dias. A informação foi confirmada por Sandor Meszaros, chefe da missão da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em Grozni, segundo o qual a troca de prisioneiros entre os dois lados deveria ter-se realizado ontem mas foi adiada por um ou dois dias devido à incapacidade dos tchetchenos de transportarem os seus prisioneiros para a capital a tempo.</P>
<P>
Vários juízes do Tribunal Constitucional da Rússia afirmaram ontem em Moscovo que a intervenção russa na Tchetchénia constituiu uma violação da Constituição e dos Direitos do Homem. Este grupo de quatro juízes contesta assim a decisão tomada na véspera pelo Tribunal, segundo a qual a guerra foi constitucional, afirmando que os decretos do Presidente Boris Ieltsin visando restabelecer a ordem na república rebelde conduziram a violações dos Direitos do Homem.</P>
<P>
Por seu lado, Ieltsin promoveu ontem o seu novo chefe dos serviços de informação para o principal orgão executivo da Rússia, numa remodelação que só contribui para aumentar o seu controlo pessoal sobre o sistema de segurança nacional. Ieltsin deu a Mikhail Barsukov -- que tinha nomeado na semana passada para director do Serviço de Segurança Federal -- um lugar no Conselho de Segurança, um poderoso orgão do qual fazem parte os principais ministros e outros responsáveis que determinam a política russa.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-51211">
<P>
O cavaleiro negro</P>
<P>
Gary Younge*</P>
<P>
É o mais famoso «eleitor estreante» do mundo. Um jornalista seguiu a sua campanha para a partir dela traçar o retrato do próximo Presidente da África do Sul</P>
<P>
«Não posso vender os meus direitos. Só os homens livres podem negociar. Regressarei». Foi assim que Nelson Mandela se dirigiu numa mensagem ao povo do Soweto, em 1985, respondendo a uma proposta de liberdade condicional que lhe foi feita pelo antigo Presidente da África do Sul, P. W. Botha.</P>
<P>
Nove anos mais tarde, ele regressou e negociou, e hoje exerce plenamente os seus direitos de cidadania, nomeadamente após se ter tornado no mais famoso «eleitor estreante» do mundo. Segui Mandela durante as últimas semanas, durante a parte final da sua longa marcha até à presidência sul-africana, vendo-o dirigir-se às massas nos comícios e aos jornalistas nas conferências de imprensa, nos encontros informais com o povo e nas cerimónias oficiais.</P>
<P>
Milhares de pessoas, apinhadas em camiões de gado ou em mini-autocarros, viajaram centenas e centenas de quilómetros e esperaram durante horas, ao sol ou à chuva, ao calor ou ao frio, nos estádios de futebol, para terem a oportunidade de ver de relance o seu líder, Mandela. Alguns, que não têm acesso à televisão, só tinham anteriormente visto a sua cara em cartazes e folhetos de propaganda.</P>
<P>
[...] Todos eles, dos velhos e desdentados aos novos e descalços, dançam até vislumbrarem o primeiro carro da caravana automóvel. A visão provoca uma vaga de energia que atravessa a multidão. As mulheres gritam em crescendo, as crianças batem palmas. Todos acenam freneticamente com bandeiras e cartazes, criando vagas de excitação num mar de negro, amarelo e verde.</P>
<P>
Mandela regressou... na caixa de uma carrinha. Surge altaneiro, digno; o cavaleiro negro no cavalo branco, carrasco do apartheid e pioneiro do poder da maioria. Com uma face rígida e o punho erguido. Insiste em dar uma volta de honra, mesmo se isso não está no programa, para que ninguém volte desapontado para casa.</P>
<P>
Se foi pela excitação e pelo ambiente que as pessoas ali acorreram, então podem ir-se agora embora. No momento em que Mandela toma o seu lugar no palco, o orgasmo terminou. [...]</P>
<P>
As qualidades de Mandela são vastas, mas falar em público deixou há muito de ser uma delas. Os seus guarda-costas dirão que durante os seus julgamentos, quando como advogado ele se representou a ele próprio e aos seus camaradas co-réus, os negros costumavam vir de quilómetros em redor para o ouvirem reduzir o homem branco à sua insignificância, com o seu poder analítico e raciocínio fino. Os seus poderes de análise continuam a ser fortes mas o estilo de oratória lento que hoje utiliza parece trabalhado e rígido.</P>
<P>
[...] Nos seus assuntos pessoais, Mandela é um fanático da pontualidade, mas em campanha ele andou invariavelmente atrasado. Os que lhe são próximos dizem que a insistência em apertar a mão a todos os que lha estendem, por cima da muralha de guarda-costas, e um genuíno desejo de contacto humano são a causa dos atrasos. «Ele adora falar com as pessoas, e é muito delicado. Despede de imediato os guarda-costas se os vê tratar de forma minimamente rude alguém que se aproxime», diz Barbara Masakela, chefe de gabinete de Mandela.</P>
<P>
[...] Não é acidental o facto de Mandela não se ter referido ao longo de toda a campanha às memórias dolorosas do passado, como os tempos da prisão, o massacre de Sharpeville ou o levantamento do Soweto. Isto porque, dando como certo que o ANC ganharia as eleições por larga margem, a campanha teria que ser conduzida pela positiva.</P>
<P>
«Seria condescendente dizer aos negros sul-africanos que tiveram uma vida difícil durante o apartheid», refere Ken Modise, que está encarregado da imagem do ANC. «Todos sabem que o partido foi um movimento de libertação altamente eficiente. Mas será ele tão eficiente no governo? Os sul-africanos encaram o ANC como o partido novato. Tivemos que demonstrar às pessoas que tínhamos a predisposição para governar».</P>
<P>
[...] Para alguém com 75 anos, Mandela tem uma aparência física invejável. Não bebe nem fuma. Não come manteiga, ovos, doces ou quaisquer outros alimentos que possam agravar a sua pressão arterial alta. Costumava levantar-se todas as manhãs pelas 04h30, um hábito adquirido na prisão. Mas a idade atrasou o seu relógio biológico, acertando-lhe o despertar para as 05h00. A primeira coisa que fazia era correr, mas isso é considerado hoje demasiado arriscado, do ponto de vista de segurança, usando antes uma bicicleta fixa. Depois, toma um pequeno-almoço ligeiro de frutas frescas ou de cereais com leite quente, antes de começar a trabalhar pelas 06h30.</P>
<P>
É um homem extraordinariamente introvertido. Ahmed Kathrada, que com Mandela partilhou durante sete anos a mesma cela, diz que ele e Walter Sisulu tinham por vezes de o forçar a parar de ler e a falar com eles. Também o impediam de correr à volta da cela, às 04h30 da manhã, quando eles tentavam dormir. Hoje, o pouco tempo de descontracção que Mandela se permite passa-o a ver desporto, especialmente boxe, e a ler biografias.</P>
<P>
Raramente vai para a cama depois das 22h00, mas durante a campanha os seus dias foram muito mais longos. No final do mês passado, quando teve laringite, houve a ideia de que ele estava a puxar demasiado pelo físico. Foi posto durante uma semana a descansar, fora do alcance do público.</P>
<P>
[...] Nascido na família real Tembu, é descendente de uma linhagem que pode ser seguida até 20 gerações atrás, no séc. XV. De vez em quando, Mandela ainda dá o seu ar de nobreza, quase imperial, traduzindo a natureza de um homem convencido de que está geneticamente equipado para governar.</P>
<P>
Claro que foi um lutador pela liberdade, mas nunca foi um revolucionário no sentido que geralmente se atribui a esse conceito. Se ele é alguma coisa é um conservador convicto. Durante o início dos anos 60, quando os restantes lutadores pela liberdade na África do Sul abraçavam o socialismo ou desenvolviam as suas próprias teorias pan-africanistas, Mandela defendia a antiga potência colonial do seu país. «Tenho grande respeito pelas instituições políticas britânicas e pelo sistema judicial desse país. Vejo o parlamento britânico como o mais democrático do mundo», disse ele no Supremo Tribunal de Pretória, durante o julgamento de Rivonia. O grande trunfo de Mandela é a sua capacidade para gerar consensos. Ele não é um ideólogo mas um democrata de centro-esquerda preocupado com os interesses de «uma Nação». Para ele quase todas as questões, desde a criação dum Volkstaat (um território para os africaners) ao envolvimento do FMI na elaboração das opções políticas, merecem ser tomadas em consideração, na medida em que contribuam para o esforço de reconciliação nacional.</P>
<P>
[...] Fontes no ANC asseguram que o seu papel como Presidente se confinará essencialmente a sarar as feridas do apartheid, com o vice-presidente do partido a mergulhar as mãos na política suja do dia-a-dia. Mas se o seu novo papel lhe vai decerto dar o título de Pai da Nação, isso deve-se quase inteiramente à devoção sem limites ao ANC, que tem sempre estado acima de tudo em toda a sua vida.</P>
<P>
A pressão do seu activismo político destruiu-lhe o primeiro casamento com Eveline Ntoko Mase, de quem tem três filhos. E sabe-se que a sua separação de Winnie foi resultado das pressões do ANC, que viam as suas condenações em tribunal e posições políticas radicais como prejudiciais à imagem do partido. Interrogado sobre se Mandela gostaria de se reconciliar com Winnie, o arcebispo Desmond Tutu disse: «Ele não diz nada directamente, mas suspeito que não quereria fazer nada que fosse prejudicial para o partido ou para a causa».</P>
<P>
Winnie diz que desde que ele assumiu a liderança do ANC, nunca teve uma vida própria. «No momento em que saiu da prisão, passou a ser propriedade nacional e tínhamos muita sorte se estávamos com ele 10 minutos por dia. Penso que a família ainda está à espera dele. Psicologicamente, ainda não saiu da prisão, no sentido de que agora ele regressou para o povo. Foi a continuação do género de vida em que a família não tinha acesso a ele».</P>
<P>
Muito pouca gente tem acesso a Nelson Mandela. Os seus amigos dizem que, embora não o consigam imaginar a fazer outra coisa diferente, a sua natureza não está à vontade com as restrições do cargo. Gostaria de passar mais tempo com os netos, de viajar e ler, mas simplesmente não tem tempo para isso.</P>
<P>
Tirem o ANC de Mandela e terão um homem muito quente e generoso, mas sozinho, que passou o último Natal sem companhia, numa ilha das Índias Ocidentais. Um homem que raramente tem tempo para falar com os amigos e mesmo assim só pelo telefone.</P>
<P>
Tirem Mandela ao ANC e privam a organização do seu mais importante trunfo, no momento mais crucial da sua história. Um dos poucos homens capazes de ajudar a levar a bom termo a transição do movimento de resistência clandestina para a fase de partido político legal e, finalmente, partido do poder.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-9279">
<P>
ELVIS CESAR BONASSA</P>
<P>
Da Sucursal de Brasília</P>
<P>
A cópia de um documento de duas páginas, encontrado pela CPI do Orçamento na casa de Ailton Reis, diretor da Odebrecht, é um dos principais indícios da ligação entre a empreiteira e o deputado João Alves. Uma cópia idêntica do documento, relacionando 15 obras da Odebrecht aprovadas no Orçamento de 91, foi apreendida na casa de João Alves. A CPI suspeita que se trate de um "mapa de propinas".</P>
<P>
Na cópia de Ailton Reis há anotações manuscritas, no verso da primeira página. Registram: US$ 38,6 milhões como "prometido",  US$ 6,7 milhões como "recebido" e US$ 500 mil como "pago". Depois, são feitos cálculos de porcentagem relacionando os US$ 500 mil ao total de recursos incluídos por João Alves no Orçamento para atender as obras da empreiteira.</P>
<P>
O documento tem o título "CNO - OGU/1991" –o que significa "Construtora Norberto Odebrecht, Orçamento Geral da União de 1991". Estão listadas 15 obras seguidas das informações: órgão do Executivo responsável pela obra, valor que constava no projeto original enviado ao Congresso, incremento dos relatores parciais, incremento do relator-geral (no caso, João Alves) e valor sancionado. Somente a coluna do relator-geral está com anotações de cálculos.</P>
<P>
A maior parte das obras listadas –dez– eram de responsabilidade do Ministério da Infra-Estrutura. Duas outras obras eram do Ministério da Ação Social, uma do Ministério da Saúde, uma do Ministério da Aeronáutica e uma do Ministério da Agricultura.</P>
<P>
Apenas três dessas obras estavam contempladas no projeto original, elaborado pelo Executivo. Três foram incluídas por relatores parciais. As outras nove foram parar no relatório exclusivamente pelas mãos de João Alves. Mesmo nas obras incluídas antes, no entanto, João Alves aumentou a dotação.</P>
<P>
Outro lado</P>
<P>
Nélio Machado, advogado da Odebrecht, disse que a empreiteira não teve acesso oficial aos documentos apreendidos na casa de Ailton Reis. A empresa deve pedir a anulação dos documentos para efeito de prova, alegando que houve irregularidades jurídicas na apreensão.</P>
<P>
A Folha ligou para a residência de João Alves às 17h. O deputado não estava. Foi deixado recado. Não houve retorno até as 21h.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-7904">
<P>
MORTE DE ALPINISTAS ESPANHÓIS NO K2 -- Três alpinistas espanhóis foram encontrados mortos no campo de base do K2, o segundo pico dos Himalaias, com 8475m. Foram vítimas de uma avalancha, que no domingo passado surpreendeu sete montanhistas ocidentais. Os corpos dos três homens foram retirados do local em helicóptero, que transportou ainda outros dois alpinistas espanhóis padecendo de congelamentos parciais. Na semana passada, as autoridades paquistanesas tinham já anunciado a morte, no mesmo local, da britânica Allison Hargreaves, de 33 anos, que em Maio deste ano se tornara a primeira mulher a escalar o Evereste, sozinha e sem a ajuda de oxigénio. O seu corpo não foi nem poderá ser resgatado, devido aos riscos que a operação comportaria.</P>
<P>
PEDRO COUCEIRO OITAVO NA F3 -- O português Pedro Couceiro classificou-se na oitava posição na nona prova do campeonato alemão de Fórmula 3, que se disputou ontem no circuito de Nurburgring e foi ganha por N. Fontana, em Dallara Opel. A corrida foi muito atribulada e houve mesmo necessidade de uma segunda partida, após um acidente na pista. Esse facto prejudicou Pedro Couceiro, que tinha saído do 15º lugar da grelha e, na altura do acidente, já ultrapassara cinco adversários. Mesmo assim conseguiu levar o seu Dallara Fiat ao oitavo lugar, terminando a 28,82s de Fontana, que gastou 24m39,86s. Hoje disputa-se nova corrida no mesmo local, e Couceiro sairá da quarta linha da grelha de partida.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31037">
<P>
Argélia</P>
<P>
As eleições presidenciais argelinas de hoje vão realizar-se num clima de guerra civil que, em quatro anos, já causou 50 mil mortos, incluindo centenas de estrangeiros.</P>
<P>
Estatísticas do país</P>
<P>
Área: 2 380 000 km2</P>
<P>
População: 25 milhões</P>
<P>
Língua: Árabe (oficial), francês e berbere</P>
<P>
Religião estatal: Islão, com mais de 90 por cento de muçulmanos sunitas</P>
<P>
Emprego: 30 por cento de funcionários públicos</P>
<P>
Desemprego: 35 por cento</P>
<P>
PNB per capita: 1,649 US dólares</P>
<P>
Dívida: 26 mil milhões de dólares</P>
<P>
Inflação: 32 por cento</P>
<P>
História</P>
<P>
Julho de 1830: Cessar-fogo e independência alcançada após oito anos de ma guerra contra a França, liderada pela Frente de Libertação Nacional (FLN)</P>
<P>
Setembro de 1963: Ahmed Ben Bella, fundador da FLN, é eleito Presidente</P>
<P>
Dezembro de 1991: A FIS vence a primeira volta das primeiras eleições legislativas multipartidárias</P>
<P>
Janeiro de 1992: O Governo cancela a segunda volta das eleições legislativas</P>
<P>
Junho de 1992: O Presidente Mohamed Boudiaf é assassinado</P>
<P>
Agosto de 1992: O ex-primeiro-ministro Kasdi Merbah é assassinado</P>
<P>
1992-1995: O GIA (Grupo Islâmico Armado) é responsabilizado pela maior parte dos actos de violência política</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75915">
<P>
Da Agência Folha, em Recife </P>
<P>
Técnicos da Universidade Federal Rural de Pernambuco instalaram ontem três redes para capturar tubarões em praias da Grande Recife. A medida faz parte da pesquisa desenvolvida pela universidade, que estuda as causas dos ataques do animal no litoral do Estado.</P>
<P>
As redes, que têm 340 m, foram instaladas nas praias de Boa Viagem, a mais frequentada do Estado, Piedade e do Paiva. Nesses locais, 11 surfistas foram atacados em um ano. Um deles morreu.</P>
<P>
Segundo o perito em tubarões Fábio Hazin, o material será usado por pelo menos quatro meses.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-18881">
<P>
Do papel para a prática</P>
<P>
Pedro Caldeira Rodrigues</P>
<P>
Com a Conferência de Londres, para discutir a reconstrução da Bósnia, a comunidade internacional procura provar, a partir de hoje, que não pensa apenas na aplicação da paz, mas num futuro em paz. Um gesto talvez de excessivo optimismo, mas que tenta tranquilizar os que sofreram com um sangrento conflito de quatro anos, apesar das muitas reticências e resistências que continuam a manifestar em relação ao próprio processo. Se é facto que a operação da NATO na Bósnia está em marcha acelerada, também persistem as dúvidas sobre se ela será bem sucedida. Ou até sobre se «a paz de Dayton» poderá ser verdadeiramente global.</P>
<P>
Ministros e responsáveis oficiais de todo o mundo reúnem-se hoje e amanhã em Londres para iniciar a elaboração de planos destinados à reconstrução da Bósnia, após quatro anos de devastadora guerra nesta região do sudeste da Europa.</P>
<P>
Esta conferência, na qual participam mais de 50 países e organizações internacionais, realiza-se antes de os máximos representantes das três partes em conflito assinarem em Paris o acordo final de paz -- cerimónia prevista para o próximo dia 14 -- mas poderá contribuir para acalmar as crescentes críticas sobre a lentidão com que estão a ser elaborados os planos civis para a região balcânica.</P>
<P>
«Esta vai ser a única oportunidade para que se encontrem os diversos organismos, para partilhar informações e falar da forma como as coisas deverão ser conduzidas. A conferência vai garantir o cumprimento da tarefa e definir prioridades», informou à Reuter um responsável oficial britânico.</P>
<P>
Ministros dos Negócios Estrangeiros e representantes de 40 países e organismos internacionais vão estar presentes nesta Conferência para a Aplicação da Paz para debater o ambicioso esforço global de reconstrução, que se estende da ajuda alimentar ao controlo do armamento. «As tarefas no terreno não estão a ser subestimadas», assegurou o mesmo responsável britânico.</P>
<P>
Os Presidentes da Sérvia, Croácia e Bósnia rubricaram no mês passado em Dayton, Estados Unidos, um acordo de paz que prevê o envio para a Bósnia de 60 mil soldados, comandados pela NATO, com a tarefa de fazer aplicar no terreno os principais pontos do documento.</P>
<P>
A par desta iniciativa militar, a maior operação terrestre da Aliança desde a sua fundação em 1949, estão previstas iniciativas dirigidas exclusivamente à população civil da Bósnia destinadas a reconstruir a república e dotá-la de organismos políticos com poder de decisão. Neste aspecto e entre as principais medidas, inclui-se a preparação de eleições gerais, a construção de habitações para permitir o regresso dos refugiados, e as diversas contribuições financeiras quando se iniciarem os projectos de reconstrução.</P>
<P>
As conversações de hoje -- com início previsto para o fim da tarde, após a conclusão de conferência da Organização sobre a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) que também discutiu em Budapeste a aplicação de diversos aspectos civis do acordo de Dayton -- não deixará de analisar os planos de operação militar da NATO destinada a «policiar» a paz. Aguarda-se ainda que Carl Bildt, mediador da União Europeia para a ex-Jugoslávia, seja nomeado Alto Representante, com a tarefa de assegurar os contactos entre os flancos civil e militar desta operação. Uma nomeação que deverá ser ainda confirmada pelo Conselho de Segurança da ONU.</P>
<P>
Prioridade ao regresso dos refugiados</P>
<P>
Para sábado, os MNE's e restantes responsáveis por distintos organismos internacionais presentes em Londres estão a planear três sessões, a primeira relativa às necessidades humanitárias e situação dos refugiados, cujo regresso às regiões de origem constituiu um dos principais aspectos dos acordos de Dayton.</P>
<P>
O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) calcula que existem actualmente um milhão e 200 mil refugiados no interior da Bósnia, 400 mil na Croácia e mais de 300 mil na Sérvia, mas sabe-se que muitos deles jamais regressarão às suas antigas casas. E também se sabe que um dos aspectos mais complicados vai ser o de tentar aplicar na prática o que foi rubricado num papel em Dayton pelos três chefes de Estado, apesar de esta iniciativa ter sido patrocinada pelos EUA.</P>
<P>
Informações provenientes nos últimos dias de diversas regiões da Bósnia indicam que a prática de limpeza étnica não deixou de vigorar. Famílias muçulmanas continuam a ser expulsas pelas forças sérvias da região de Banja Luka, as milícias croatas prosseguem a sua campanha de destruição sistemática de habitações sérvias na Krajina e no oeste da Bósnia, e em diversas cidades onde a população muçulmana era maioritária antes da guerra, como Jajce, as recém-instaladas autoridades croatas estão a impedir o regresso dos civis.</P>
<P>
Após abordarem este melindrosa questão, os ministros vão debater a realização de eleições multipartidárias, que deverão ser organizadas pela OSCE e decorrer dentro de seis a nove meses. Por fim, ocupar-se-ão da reconstrução económica, que deverá ser aprofundada numa conferência já agendada para Bruxelas. Na capital húngara, o diplomata norte-americano Robert Frowick foi entretanto nomeado futuro responsável da missão da OSCE na Bósnia-Herzegovina.</P>
<P>
Os promotores desta conferência não deixam de salientar a necessidade de fazer acompanhar a instalação no terreno dos 60 mil soldados da NATO com o início efectivo de programas generalizados de ajuda dirigidos às populações, sobretudo para evitar descontentamentos que poderão derrapar em revoltas.</P>
<P>
Serão estes os principais assuntos a debater em Londres pelos 15 MNE's da União Europeia, e pelos Estados Unidos, Rússia, Japão, China, países da região ou ainda por Estados árabes como o Egipto ou Marrocos. Ao lado destes dirigentes políticos vão sentar-se líderes de instituições financeiras e uma dezena de organizações internacionais, com a ONU e o seu secretário-geral Butros-Ghali na liderança.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-66513">
<P>
Um voto argelino, longe de Argel</P>
<P>
Quatro ambulâncias enfileiradas no passeio dos Campos Elísios, outros tantos carros da polícia, dezenas de metros de gradeamento observados, do interior, por guardas de arma à cintura: a Rua da Argentina, a um pulo do Arco do Triunfo, estava ontem preparada para se responder rapidamente a uma tragédia.</P>
<P>
E, no entanto, seria difícil imaginar maior calma que na Rua da Argentina, onde flutuava, a meio, a bandeira verde do consulado-geral da Argélia, em Paris. Com os cartões de eleitor na mão, homens e mulheres, esperavam a vez, mostravam o documento na última barreira policial, dobravam a esquina, votavam no consulado e saíam pelo outro extremo da rua.</P>
<P>
Muito longe da confusão a que se assistiu no fim-de-semana em várias cidades francesas quando, apesar das ameaças dos integristas islâmicos, os cerca de 620 mil imigrantes com direito de voto nas eleições na Argélia acorreram em massa às urnas.</P>
<P>
Ontem, em Paris, último dia, quando já se esbateu a paranóia dos ataques bombistas do Verão, estavam a funcionar estrategicamente três outros grandes locais de voto: no Centro Cultural da Argélia, e nos subúrbios de Nanterre e de Aubervilliers.</P>
<P>
Muitos têm dito que grande parte dos que estão a votar o fazem unicamente para evitar qualquer futuro aborrecimento com o regime, numas eleições que se limitarão a caucionar o general Liamine Zéroual, designado pelos militares.</P>
<P>
Mas, enquanto esperava a sua vez, o pintor Djilali disse como as razões são muito mais fortes e complexas. Djilali saiu há muitos anos de Argel, onde nasceu, e assistiu de fora, com horror, aos quase quatro anos de guerra civil: «O meu sentimento é partilhado por muitas pessoas. É a vontade de que a situação trágica que se vive na Argélia acabe de vez. E que mude, sobretudo, a situação social. É isso que chama as pessoas».</P>
<P>
Deu um suspiro: «É verdade que são eleições `democráticas', que as pessoas sabem quem vai ganhar. Mas, de facto, há vários candidatos e as pessoas são livres de escolher. É a primeira vez que isso acontece».</P>
<P>
A poucos metros estava um homem com um triste ar de obrigação. Trinta anos de vida, vinte deles em Paris e pediu para não ser identificado: «Nunca se sabe...»</P>
<P>
«O que é que sinto? Desolação... Só vou votar por mim, não pelo Presidente, pelo ditador. Vou votar contra a ditadura!... Mas não sei se vai mudar alguma coisa, vou só tentar. E agora, desculpe, tenho que ir».</P>
<P>
Rui Cardoso Martins, em Paris</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59369">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
Pelo menos cem pessoas morreram nos combates entre soldados mexicanos e cerca de 600 militantes do grupo guerrilheiro Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que no último dia 1.º lançaram uma ofensiva no Estado de Chiapas, no sudeste do país. No terceiro dia da ofensiva, os revoltosos sequestraram um ex-governador de Chiapas. O governo do México se disse disposto a negociar uma trégua. Até a noite de ontem, o EZLN não havia respondido à oferta.</P>
<P>
O EZLN declarou guerra ao governo mexicano e ao Nafta (Acordo Norte-Americano de Livre Comércio, assinado por EUA, México e Canadá), que entrou em vigor no dia 1.º.</P>
<P>
Para os guerrilheiros, a maioria índios, o tratado, que elimina barreiras protecionistas entre os três países, significa "entregar o México aos estrangeiros" e é a "sentença de morte para os povos indígenas do país". Eles exigem também reforma agrária e a deposição do presidente Carlos Salinas de Gortari.</P>
<P>
O ministro do Desenvolvimento Social do México, Carlos Rojas Gutierrez, pediu ontem a mediação de organizações civis e de sacerdotes católicos e protestantes para contornar a crise no sudeste do país. Três bispos católicos da região se ofereceram para participar das negociações. O porta-voz Rafael González disse que o governo de Chiapas está disposto a dialogar com os rebeldes.</P>
<P>
As informações sobre vítimas variam. O Exército diz que 30 pessoas (6 soldados e 24 guerrilheiros) morreram anteontem e que outras 27 pessoas foram mortas no dia 1.º. Gutierrez acrescenta a estes números 26 policiais militares mortos nos três últimos dias. A imprensa mexicana, com base em relatos de testemunhas, calcula que o total de mortos passa de 100.</P>
<P>
Pelo menos quatro civis morreram nos ataques. "Tememos que o número de civis mortos seja bem maior", disse González.</P>
<P>
Os mais duros combates registrados ontem ocorreram em Ocosingo, uma das cinco cidades ocupadas pelos rebeldes desde sábado. De acordo com funcionários do governo, o Exército estava ganhando terreno em Ocosingo e havia tomado por completo a cidade de San Cristóbal de las Casas, segunda mais importante do Estado e foco principal da rebelião.</P>
<P>
Cerca de 40 guerrilheiros sequestraram Absalón Castellanos Domínguez, governador de Chiapas de 1982 a 1988, seu irmão e sua cunhada. Até a tarde de ontem, os rebeldes não haviam feito qualquer exigência para libertá-los. Castellanos é acusado pela população local de violações dos direitos humanos dos índios durante seu governo. As autoridades temem que ele tenha sido morto.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-42228">
<P>
75 mortos em acidente aéreo na Sibéria</P>
<P>
SESSENTA E três passageiros e 12 tripulantes morreram na madrugada de ontem quando o avião onde viajavam, o Airbus A-310 da transportadora aérea russa Aeroflot, se despenhou na Sibéria. Segundo o Ministério russo para as Situações de Emergência, 40 passageiros eram russos e 23 estrangeiros, dos quais 17 chineses. Os restantes eram britânicos, canadianos, indianos e letões.</P>
<P>
As equipas de socorro não encontraram nenhum sobrevivente entre os destroços do aparelho, que se despenhou em plena taiga siberiana, perto da aldeia de Mejdouretchensk. O aparelho que devia garantir a ligação Moscovo-Hong Kong, caiu cerca da 1h30 (18h30 em Lisboa), algumas horas depois de ter descolado de Moscovo. A tarefa das equipas de socorro foi dificultada pelo facto de o acidente ter ocorrido num zona montanhosa e porque toda a zona da taiga está coberta com uma camada de três metros de neve.</P>
<P>
Segundo Iuri Vorobiev, primeiro adjunto do ministro para as Situações de Emergência, «não se pode excluir a hipótese de acto terrorista» para explicar a catástrofe. Mas a causa do acidente só será conhecida daqui a dez dias quando terminarem todas as investigações.</P>
<P>
A Airbus Industries, a companhia europeia que construiu o A-310, afirmou que vai enviar uma equipa de técnicos para o local do acidente para averiguar as razões do sinistro. Este foi o segundo acidente de aviação na Sibéria este ano, depois de a 3 de Janeiro mais de 120 pessoas terem morrido quando um Tupolev-154 da Aeroflot se despenhou perto de Irkutsk.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40644">
<P>
As águas do rio Reno, invadiram, pela segunda vez em 13 meses, as ruas dos bairros antigos de Colónia, na Alemanha. Aconteceu na madrugada de sexta-feira para sábado causando danos consideráveis e levando as autoridades municipais a tomar medidas de emergência, segundo a France Presse. Na Bélgica e na Holanda chuvas torrenciais provocaram inundações em várias localidades por as águas terem saltado as margens do rio Mosa. A situação na Alemanha assumiu proporções de grande gravidade levando as autoridades a ordenar o encerramento do centro histórico de Colónia, impedindo assim o acesso das populações de outros bairros. Para facilitar o trabalho dos serviços municipais, que tentaram em vão obstar à enxurrada que acabava de galgar os diques improvisados que protegiam o centro daquela cidade, estão a ser aplicadas multas destinadas a afastar os curiosos do local. Na Bélgica, a situação parecia estar estabilizada na noite de sexta-feira para sábado. Mas ontem o regresso das chuvas provocou a preocupação dos responsáveis oficiais quanto à eventualidade de se verificarem novas cheias no sul do país. A ponte de Maaseik sobre o rio Mosa, que liga as fronteiras belga-holandesa, foi encerrada devido às inundações registadas na Holanda.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-14553">
<P>
Da Reportagem Local </P>
<P>
A Secretaria de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras anunciou ontem que vai mudar os critérios das operação de bombeamento de águas do rio Pinheiros para a represa Billings.</P>
<P>
A partir da próxima semana, o bombeamento será iniciado sempre que houver previsão de chuvas fortes. Até ontem, as águas do rio Pinheiros só começavam a ser bombeadas quando a vazão do rio atingia 160 m3 por segundo.</P>
<P>
Uma resolução estadual de outubro de 92, proíbe que as águas do rio Pinheiros, que são poluídas, sejam despejadas na Billings –área de manancial de São Paulo. Uma das exceções é quando a vazão atinge 160 m3 por segundo.</P>
<P>
A decisão de mudar as regras da operação aconteceu depois de reunião entre o secretário de recursos Hídricos, Antônio Félix Domingues, e o prefeito Paulo Maluf.</P>
<P>
Na quarta-feira, a marginal Tietê ficou inundada com o transbordamento do rio Tietê, causado por chuvas de intensidade média de 43 milímetros.</P>
<P>
Na quinta-feira, Maluf disse que, se o bombeamento tivesse começado antes das chuvas (que já eram esperadas), a inundação da marginal Tietê teria sido evitada.</P>
<P>
O coordenador da campanha "Billings, eu te quero viva", Carlos Bocuhy, 44, disse que as mudanças nas regras do bombeamento poderão causar "verdadeira catástrofe", com a morte de toneladas de peixes. Bocuhy disse que entrará na Justiça contra o Estado.</P>
<P>
(Daniela Falcão)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-90588">
<P>
Primeira linha vazia no GP do Mónaco</P>
<P>
Berger poderá abandonar a F1</P>
<P>
Manuel Abreu*</P>
<P>
A primeira linha da grelha de partida para o GP do Mónaco não será preenchida, em homenagem a Senna e Ratzenberger. A Williams e a Simtek vão alinhar só com um carro, enquanto na Ferrari nasce a dúvida: Gerhard Berger vai ou não voltar ao «cockpit»?</P>
<P>
O austríaco Gerhard Berger convocou para hoje uma conferência de imprensa onde anunciará o seu futuro como piloto de Fórmula 1. Berger vai divulgar as suas decisões no Mónaco, onde se disputa no domingo a quarta prova do «Mundial» de F1, a primeira depois do fim-de-semana negro do GP de S. Marino (Ímola), onde morreram Ayrton Senna e Roland Ratzenberger.</P>
<P>
A Ferrari anunciou já apoiar completamente o seu piloto, que passou o último fim-de-semana na casa de Luca di Montezemolo, presidente do construtor italiano, onde compareceram também o seu companheiro de equipa Jean Alesi (que regressará às competições no Mónaco, depois de recuperar de um acidente sofrido em testes) e Jean Todt, director-desportivo da equipa.</P>
<P>
«Sabemos que, qualquer que seja a decisão tomada por Gerhard, será boa para ele e para a Ferrari. Berger será livre para escolher o que quer fazer», anunciou ontem o porta-voz da equipa, acrescentando que a Ferrari está «serena e tranquila». O piloto austríaco terá sentido «mais do que ninguém» as mortes de Ratzenberger, seu compatriota, e de Senna, um dos seus amigos mais próximos. Berger foi o único piloto em actividade autorizado a entrar no quarto onde estava o piloto brasileiro no Hospital Maggiore de Bolonha, e continua chocado com o que viu. O porta-voz da equipa disse ainda que a Ferrari já conhece a decisão do piloto, mas que decidiu respeitar o seu pedido de divulgar ele próprio o seu futuro.</P>
<P>
Domingo, num programa da televisão austríaca, Berger resumiu o que sente: «Neste momento o meu desejo de voltar a sentar-me num carro de corridas é zero. Os meus sentimentos dizem-me que ainda não estou pronto para correr outra vez.» Porém, o francês Jean Alesi disse à Gazzetta dello Sport de ontem estar convencido de que o seu companheiro de equipa participaria no GP do Mónaco. De qualquer forma, o italiano Nicola Larini -- que substituiu Alesi em Ímola, terminando no segundo lugar -- já foi colocado de prevenção.</P>
<P>
Recorde-se que no GP de S. Marino, após a morte de Ratzenberger, Gerhard Berger justificou assim o seu regresso aos treinos, ao contrário do que aconteceu com os pilotos da Williams e da Benetton: «Disse a mim mesmo que a questão não era voltar a guiar agora. A questão era se eu ía guiar amanhã e no futuro, ou se não voltaria a guiar. Isso não tem a ver com o que aconteceu esta tarde, tem a ver com estar ou não preparado para correr estes riscos. Para o Roland, não fazia nenhuma diferença eu voltar ou não à pista, mas eu tinha de decidir se ainda estou preparado para correr riscos destes.» Depois da morte de Senna, Berger terá reavaliado o perigo e decidido ser hora de parar.</P>
<P>
Pilotos exigem mais segurança</P>
<P>
Entre os pilotos, prosseguem as críticas aos dirigentes do automobilismo internacional e aumentam as exigências de mais e melhores condições de segurança. Mas os pilotos parecem ser ainda o elo mais fraco entre todos os que compõem a F1, incapazes de se organizar de forma séria e duradoura. Até porque a maior parte paga para correr e para manterem os seus lugares nas respectivas equipas não podem ser demasiado independentes...</P>
<P>
Entretanto, cresce a possibilidade de se constituir um comité de antigos campeões do mundo, composta por Alain Prost, Jacky Stewart e Niki Lauda, para representar os pilotos nas reuniões da FIA, uma solução que teria sido anteriormente proposta por Ayrton Senna. Esta seria a oportunidade para criar um grupo de pilotos «poderoso e impôr à FIA as suas sugestões, nomeadamente no que se refere à segurança nos circuitos», como gostaria Jean Alesi.</P>
<P>
Ontem, couberam ao britânico Damon Hill, companheiro de equipa de Ayrton Senna na Williams, as maiores críticas aos dirigentes. Num artigo publicado no jornal Daily Mail, Hill acusa «esses senhores de casaco» de não conhecerem nada em relação à segurança dos pilotos de F1: «Falar de segurança com eles é impossível, é como explicar a democracia a Staline.»</P>
<P>
*com Reuter e AFP</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-98254">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A reportagem da Folha rastreou 18 distritos policiais e os arquivos da Polícia Militar de São Paulo em busca de indícios da presença do CV na cidade nos últimos dois anos.</P>
<P>
No 36.º DP (Paraíso) consta o inquérito mais revelador: a prisão do sargento Jorge Luis de Souza Santos, da PM do Rio. Foi preso em São Paulo no final de 92, quando tentava extorquir um executivo, acusando-o de traficar cocaína, para depois poder exigir dinheiro pelo seu silêncio.</P>
<P>
Hoje, o sargento está no Bangu 1, no Rio. Antes que fosse transferido, o sargento relatou ao delegado Aldo Galiano Jr. como agia em São Paulo. "O sargento me disse que trabalhava para o CV e que havia perdido no Rio 2 quilos de cocaína. Ficou devendo ao comando US$ 50 mil e resolveu vir para São Paulo como 'caixa dois', para não ter de pagar 50% dos roubos aos líderes cariocas", afirma o delegado. "Sem dúvida, São Paulo é uma espécie de paraíso fiscal para eles."</P>
<P>
Na Delegacia Anti-Sequestro de São Paulo (Deas), surgiu outro indício da presença do CV em São Paulo. Um dos chefões do Comando, Eroi de Lara, foi preso em 92 em São Paulo sob acusação de comandar sequestros. (CJT)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-42100">
<P>
PSD vai votar contra orçamento do município de Lisboa</P>
<P>
«Câmara é um monstro sorvedor de dinheiro»</P>
<P>
«A Câmara [de Lisboa] é cada vez mais um monstro burocrático, sorvedor de recursos financeiros», acusaram ontem os vereadores do PSD, em conferência de imprensa, comentando, assim, o «aumento das despesas correntes» e a «redução das despesas de investimento» previstos no orçamento e plano de actividades do município, que hoje são votados em reunião extraordinária do executivo.</P>
<P>
Num discurso onde várias vezes foi criticada a burocracia municipal, que «gasta mais de metade do orçamento da Câmara», Macário Correia, cabeça de lista dos sociais-democratas nas autárquicas de Dezembro último, atacou o plano de actividades e o orçamento da autarquia. Como «aspectos graves» dos dois documentos apontou a «subida global das despesas de funcionamento», «acrescidas despesas com aquisições de serviços», «desinteresse pela habitação», falta de «vontade em reformar a máquina burocrática», «crescimento das despesas correntes e redução das despesas de investimento».</P>
<P>
Críticas foram ainda lançadas ao facto de a coligação PS-PCP só agora, «no final do primeiro trimestre», apresentar o plano e o orçamento para este ano. O que constitui, na opinião dos PSD, «um indicador de má gestão». Acusando o actual executivo de apresentar propostas «não criativas, nem inovadoras», os vereadores `laranja' adiantaram que o ano passado, antes das eleições, foram anunciadas obras por todo lado. «Mas, em 1994 já nada é possível, e descobriu-se de repente que a `culpa é do Governo'».</P>
<P>
Os sociais-democratas referiam-se às críticas feitas várias vezes por Jorge Sampaio, presidente do município, à nova lei das derramas, que se traduziu na diminuição das receitas da autarquia (este ano há uma quebra de três milhões de contos no orçamento e de 12, 5 milhões no plano de actividades). Críticas que os vereadores do PSD consideraram injustificadas. «A Câmara não tem legitimidade para fazer ataques gratuitos ao Governo, acerca da legítima alteração da legislação sobre as derramas, quando não apresenta uma única medida de simplificação do seu próprio funcionamento».</P>
<P>
Numa clara posição de defesa da equipa de Cavaco Silva, Macário Correia acrescentou que o município -- quando atribui ao Governo responsabilidades nas dificuldades financeiras que afectam Lisboa --, «ignora as mais valias e as receitas de Sisa que vão ser geradas nas imediações da Expo-98, das novas estações de metro e dos nós das novas vias ferroviárias e rodoviárias em construção».</P>
<P>
Depois de enunciarem uma vasta lista de obras de iniciativa governamental para a região de Lisboa -- CRIL, CREL, nova ponte sobre o Tejo, extensão da rede de metro, entre outras --, os autarcas do PSD concluem que «é o Governo (...) o grande agente estratégico de mudança na cidade». Um papel, disseram, do qual a «Câmara se demite».</P>
<P>
No sector da habitação os ataques foram para a falta, na opinião dos sociais-democratas, «de uma política dinâmica com medidas ágeis para bem utilizar as verbas [do Plano de Intervenção a Médio Prazo e do recente PER-Plano de Erradicação de Barracas] e resolver de facto o problema crónico da habitação», que no concelho de Lisboa afecta «quase 20 mil famílias». Por estas e outras razões, salientou ontem ao PÚBLICO Maria João Metello, vereadora do PSD, os `laranja' votam hoje contra o plano de actividades e orçamento.</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-32502">
<P>
Comunidade portuguesa na África do Sul entre o «apartheid» e a democracia</P>
<P>
Aprender a viver sem Portugal</P>
<P>
João Gomes Cravinho</P>
<P>
A dois dias das primeiras eleições multirraciais na África do Sul, o PÚBLICO divulga extractos de um estudo divulgado este fim-de-semana pelo CIDAC (Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral) sobre a comunidade portuguesa residente naquele país. João Gomes Cravinho, economista, autor do trabalho, participa como observador nas eleições de dia 26. Conhecedor da realidade de diversos países africanos, Cravinho dá mais destaque, neste estudo, ao retrato político da comunidade de emigrantes, a partir de duas viagens efectuadas em 1990 e 1994.</P>
<P>
A integração da comunidade portuguesa na África do Sul nunca foi fácil, apesar de todos os discursos oficiais que iam nesse sentido. Quase sem excepção, os líderes políticos da África do Sul, namorando votos ou ajudas financeiras, emitiam em ocasiões propícias declarações elogiosas sobre a comunidade portuguesa.</P>
<P>
Tal como no sistema político americano, políticos brancos sul-africanos têm de cortejar as várias comunidades imigrantes ou, em alternativa, assumirem-se como porta-estandartes de uma faixa específica do eleitorado. Naturalmente, portanto, a comunidade portuguesa beneficiava ocasionalmente de meia dúzia de palavras amáveis por parte de responsáveis políticos que, embora sabendo que acabavam por ser poucos os portugueses que votavam, consideravam que valia a pena porque não tinham nada a perder.</P>
<P>
De vez em quando, diziam-se palavras depreciativas, oriundas por exemplo da extrema direita, que içava a bandeira da pureza rácica dos afrikaneres. Neste caso, mencionavam-se os portugueses como um mau exemplo, por não saberem distinguir entre raças e por terem o hábito, considerado péssimo, de miscigenação. Além disso, não eram afrikaneres e deveriam, portanto, voltar para a sua terra. Esta retórica acabava por ser bastante inconsequente, até porque nem era muito frequente; como se sabe, os alvos preferidos da extrema direita são outros.</P>
<P>
Hoje em dia, depois da legalização do ANC, destacados dirigentes deste movimento vieram engrossar o coro daqueles que, quando publicamente solicitados, produzem uma opinião positiva sobre a comunidade portuguesa. Estas vozes são fielmente reproduzidas pela imprensa local de língua portuguesa, e devidamente transmitidas para várias instâncias oficiais em Lisboa e no Funchal. Os comentários negativos são minimizados para dar a impressão de um certo consenso à volta da popularidade e da respeitabilidade da comunidade portuguesa. (...)</P>
<P>
Groenewald e Smedley, numa amostra suficientemente grande e diversificada para garantir uma razoável credibilidade científica, demonstram, inequivocamente, que a imagem da comunidade portuguesa era fortemente negativa. Antes de olharmos um pouco mais pormenorizadamente para alguns dos resultados desse trabalho, convém referir dois factores importantes. Primeiro, a pesquisa foi efectuada em 1977, sendo pois provável que tenha havido alterações entretanto. Segundo, a altura em que a pesquisa foi feita era, para a comunidade portuguesa, um período de alvoroço. O número de portugueses na RAS tinha, recentemente, aumentado em muitos milhares, devido ao influxo de antigos residentes em Moçambique, e esta situação, aliada à natural instabilidade social e económica dos recém-chegados, prejudicava a imagem da comunidade. Pode-se supor portanto que, em relação ao segundo factor, o nível de aceitação da comunidade era excepcionalmente baixo no momento em que o estudo se realizou. Quanto ao primeiro factor, cumpre apenas registá-lo, já que, salvo aquilo que acabamos de referir, não há elementos para ajuizar da evolução da imagem da comunidade. Os três quadros que se seguem baseiam-se numa amostra de cinco mil brancos de diferentes grupos etários, níveis de rendimento familiar, localidades de residência e grupos linguísticos.</P>
<P>
Preferência por vizinhos, dos seis principais grupos de imigrantes, segundo o rendimento familiar dos entrevistados</P>
<P>
Atitudes dos brancos sul-africanos sobre a imigração portuguesa, segundo o rendimento familiar dos entrevistados</P>
<P>
TESE 1 : A África do Sul deveria encorajar menos imigrantes portugueses a estabelecerem-se neste país.</P>
<P>
TESE 2 : A África do Sul deveria fechar o país à imigração portuguesa</P>
<P>
Atitude de brancos sul-africanos sobre a imigração portuguesa, segundo a origem.</P>
<P>
Afrikaner Inglesa</P>
<P>
As teses 1 e 2 são as mesmas que no Quadro 2.</P>
<P>
Os resultados resumidos no Quadro 3 são interessantes, porque denotam uma forte clivagem de atitudes entre brancos anglófonos e afrikaneres. Embora a diferença em relação à Tese 1 seja bastante escassa, os dados referentes à Tese 2 não deixam dúvidas. Os afrikaneres são muito mais favoráveis ao congelamento total da imigração portuguesa do que os anglófonos.</P>
<P>
Há várias interpretações possíveis para esta tendência. Uma é que os afrikaneres, sendo os imigrantes brancos mais antigos e um povo historicamente fechado sobre si mesmo, aceitam menos qualquer tipo de imigração. Muitos afrikaneres consideram que a África do Sul é, não apenas terra de brancos, como especificamente terra de afrikaneres, e se aceitam imigração é por questões práticas e não por vontade intrínseca. A língua inglesa, por outro lado, é veículo para uma mescla de gentes, muitas das quais serão também imigrantes de primeira ou segunda geração, com maior abertura em relação à chegada de novos imigrantes.</P>
<P>
Outra possível contribuição para os resultados apontados é que os afrikaneres tendem a ter um grau de instrução mais baixo e concorrem para o mesmo tipo de empregos que os portugueses -- o Quadro 2 já mostrou esta relação entre salários baixos e sentimentos antiportugueses. Outros factores (3) provavelmente influentes neste resultado são a oposição das igrejas ferozmente calvinistas à implantação de uma comunidade católica no seu meio, e a tendência demonstrada por imigrantes portugueses a preferirem a língua inglesa à afrikaner (4).</P>
<P>
Quaisquer que sejam as razões para o baixo índice de popularidade da comunidade, resta a frieza dos números: entre todos os sectores da comunidade branca, o melhor resultado é que «apenas» 13,9 por cento das mulheres de língua inglesa gostariam de fechar as portas à imigração portuguesa. (...)</P>
<P>
Em relação ao número de portugueses na África do Sul, continuamos sem poder apresentar qualquer estatística fiável. É frequente ouvir referências a seiscentas ou setecentas mil pessoas, mas é mais provável que este número seja inferior a meio milhão. Em parte, trata-se de uma questão de definição. Aqueles que procuram acentuar a importância da comunidade portuguesa costumam incluir nos seus cálculos pessoas cujos antepassados saíram de Portugal há três ou quatro gerações e que já nada têm a ver com Portugal ou com a comunidade portuguesa. Por outro lado, também é certo que nem todos os portugueses estão inscritos nos consulados, embora a instabilidade dos últimos anos tenha levado muitos a «pôr os papéis em dia».</P>
<P>
No consulado de Joanesburgo, responsável por aproximadamente três quartos da comunidade portuguesa, estão actualmente inscritas 120.000 pessoas. Haverá ainda muitos outros com direito à nacionalidade portuguesa, mas a partir daí entramos no campo da especulação. De todas as formas, a comunidade portuguesa dificilmente chega a ter meio milhão de pessoas.</P>
<P>
As previsões que acima se transcrevem, escritas após a primeira visita em 1990, mostraram-se geralmente correctas. A partir de 1990, com especial incidência a partir de 1992, a posição dos «líderes» enfraqueceu muito e a comunidade abriu as suas portas ao debate político. Surgiu uma nova geração de pessoas influentes dentro da comunidade, com uma postura política muito mais democrática, muito mais aberta ao diálogo, muito menos interessada em angariar o apoio da comunidade para um só partido, e muito mais empenhada em participar na construção de uma nova África do Sul.</P>
<P>
A influência do grupo de pessoas a quem se chamava «líderes» dependia do papel de charneira que desempenhavam, oferecendo ao Partido Nacional o apoio silencioso da comunidade e obtendo o beneplácito do Governo para as suas actividades empresariais. Estas actividades, por sua vez, permitia-lhes obter um estatuto social e financeiro que reforçava a sua capacidade de influenciar as agremiações e demais manifestações da comunidade portuguesa.</P>
<P>
Na África do Sul, o regime então em vigor era moralmente repugnante para a maioria da população, e a convicção generalizada por parte daqueles que lutaram contra o «apartheid» era a de que a comunidade portuguesa tinha, durante muitos anos, pactuado com o sistema. A partir das reformas políticas que começaram em 1990, os «líderes» estavam condenados a perder parte da sua influência porque já não interessava nada continuar esta identificação com o Partido Nacional.</P>
<P>
Alguns dos factores mencionados que permitiam a sua influência política perderam também algum peso. A comunidade portuguesa continua a ter um nível educacional bastante baixo, mas verificou-se um retorno às actividades associativas da comunidade de uma geração que se afastara durante os anos 80, a geração que nasceu por volta de 1960, e que tem um nível educacional muito superior ao dos seus pais. Esta geração considera-se luso-sul-africana, isto é, identificam-se dentro da África do Sul como descendentes de portugueses, mas não têm nenhuma ambiguidade sobre o país onde querem viver e trabalhar. Sendo ainda novos, estão fortemente empenhados em participar na transição política que ocorre no país.</P>
<P>
Esta geração, nos anos 1990-94 (entre as duas visitas), tomou (em alguns casos quase de assalto) posições importantes em muitas associações, com um discurso muito diferente daquele que se ouvia por parte dos anteriores «líderes». Por outro lado, rejeitam o epíteto de «líderes», salvo quando se aplica ao caso específico dos interesses das associações a que pertencem, preferindo encorajar as pessoas a terem as atitudes políticas que entenderem, individualmente.</P>
<P>
A partir de 1992-93, começou a notar-se uma grande erosão no apoio que a comunidade portuguesa deu, durante tantos anos, ao Partido Nacional. Ao nível eleitoral, aqueles que votavam davam, por larga maioria, os seus votos ao Partido Nacional; mas, por duas razões, muitos membros da comunidade portuguesa abstinham-se de votar. A primeira razão é que nem todos tinham direito ao voto; a segunda é que os «líderes» da comunidade nunca quiseram encorajar a participação eleitoral por pensarem que isso poria em risco a sua hegemonia política.</P>
<P>
Os apoios mais importantes que vinham da comunidade portuguesa para o Partido Nacional eram, por um lado, contribuições financeiras para campanhas eleitorais e, por outro lado, o trabalho de «lobbying» efectuado por dirigentes da comunidade portuguesa junto do Governo de Lisboa para atenuar o efeito de sanções sobre a economia sul-africana. Um dos mais destacados porta-vozes desta posição foi o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, que, pelo menos desde 1975, é um dos adeptos mais calorosos do Partido Nacional. (...)</P>
<P>
Portugal e a comunidade portuguesa</P>
<P>
O sentimento dominante na comunidade portuguesa é que mais vale aprender a viver sem Portugal do que estar à espera de apoios de Lisboa. Esta sensação de abandono é o prolongamento de um sentimento de terem sido «traídos» em 1975 quando se fizeram as descolonizações de Angola e Moçambique e quando dezenas de milhares de pessoas encontraram na África do Sul refúgio em relação às mudanças que não queriam ver. Portugal, pensam, esqueceu-os em 1975 e esquece-os hoje.</P>
<P>
Entraves burocráticos, falta de fundos e simples desinteresse são os principais problemas apontados por aqueles que já procuraram apoio junto de entidades oficiais portuguesas. Sintomática será a situação do Consulado Português de Joanesburgo: responsável por um espaço geográfico quatro vezes o tamanho de Portugal onde moram centenas de milhares de Portugueses (talvez só o consulado de Paris tenha mais emigrantes na sua área de jurisdição), esteve sem cônsul-geral durante quase um ano em 1990-91. (...)</P>
<P>
A imagem de Portugal em muitos países, entre os quais a África do Sul, é a imagem dos seus emigrantes. A política nacional em relação à colónia portuguesa naquele país, durante longos anos, traduziu-se de uma forma muito simples. Chegou-se a um acordo tácito, do qual eram excluídos os princípios. A forma mais barata de conseguir o apoio das autoridades sul-africanas para a grande comunidade portuguesa no país era fazer coro com a oposição britânica a sanções de qualquer espécie. O regime de Pretória mostrava compreender o acordo apadrinhando meia dúzia de empresários de sucesso.</P>
<P>
Oficialmente, disfarçava-se este agradável estado de coisas com solenes proclamações sobre a desumanidade que o «apartheid» representava. Mas, acrescentava-se, a melhor forma de influenciar Pretória era evitar qualquer atitude contrária ao regime. Verificou-se qual era a verdadeira capacidade de influência portuguesa aquando da humilhação sofrida pelo então secretário de Estado Durão Barroso, que chegara à África do Sul munido de uma carta em tom crítico, assinada pelo primeiro-ministro: P. W. Botha, Presidente na altura, limitou-se a mostrar-lhe a porta de saída.</P>
<P>
O relacionamento de Portugal com o futuro governo sul-africano depende em larga medida do comportamento político da comunidade portuguesa. Para a própria comunidade, os tempos que se avizinham não se prevêem fáceis e o apoio do Governo português assumirá uma grande importância. É certo que a postura diplomática portuguesa mudou bastante deste 1989, e já está longe do cinismo e da pura ineficácia que imperaram durante anos.</P>
<P>
O episódio entre o Presidente Botha e o dr. Durão Barroso que acabámos de mencionar é a prova mais acabada dos erros da diplomacia portuguesa durante os anos 80, mas desde então houve uma preocupação muito maior de comunicar também com os representantes da grande maioria da população, enfim, os futuros governantes do país. Estamos agora perante uma boa oportunidade para procurar corrigir erros do passado e forjar, numa região tão importante para a política externa nacional, uma imagem do país mais concordante com os valores defendidos pelas várias instâncias internacionais a que Portugal pertence.</P>
<P>
(1) As letras referem-se a rendimento familiar, sendo o grupo A o mais pobre e o grupo D o mais abastado.</P>
<P>
(2) Tal como no quadro anterior as letras indicam o rendimento familiar que cresce de A para D.</P>
<P>
(3) V. Pereira da Rosa e S. Trigo, em «Portugueses e Moçambicanos no Apartheid: da ficção à realidade», atribuem muita importância a estes dois últimos factores.</P>
<P>
(4) Ver Schutte, Quadros 22 e 23.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-52414">
<P>
Da Sucursal do Rio</P>
<P>
As mudanças implementadas por d. Paulo Evaristo Arns na Arquidiocese de São Paulo são o tema do livro "Do Corpo Cintilante ao Corpo Torturado _ uma igreja em operação periferia", de Maria Cecilia Domezi (editora Paulus).</P>
<P>
O livro faz uma espécie de balanço de sua atuação em São Paulo. De acordo com a autora, a partir da ascensão de d. Paulo ao posto de arcebispo, a igreja trocou a aliança com o poder pelo compromisso com os pobres e vítimas da luta contra o regime militar.</P>
<P>
O livro descreve o movimento da igreja em direção à periferia de São Paulo. Domezi ressalta que, no início da década de 70, a atividade das ordens religiosas concentrava-se no centro da cidade. "Tinha-se notícia, em 1972, de somente três religiosas que desenvolviam trabalho em favelas".</P>
<P>
No livro, a autora ressalta que, em 1973, d. Paulo vendeu o palácio episcopal pelo equivalente a US$ 5 milhões. O dinheiro obtido com a operação foi empregado na Operação Periferia, um plano pastoral destinado ao atendimento das famílias mais pobres da cidade.</P>
<P>
"Do Corpo Cintilante ao Corpo Torturado" ressalta as diferenças entre d. Paulo e seu antecessor, d. Agnelo Rossi, no trato com regime militar e seus adversários.</P>
<P>
Segundo o livro, em 1969, quando houve a prisão de frades dominicanos em São Paulo, d. Agnelo afirmou que nada tinha a ver com o caso. Ainda segundo o livro, nessa mesma época, quando ainda era bispo-auxiliar em São Paulo, d. Paulo dizia que era sua obrigação atuar junto aos presos.</P>
<P>
No livro, Domezi detalha a reação de d. Paulo à morte do jornalista Vladimir Herzog, que ocorreu nas dependências do 2º Exército, em outubro de 1975.</P>
<P>
O arcebispo negou-se a aceitar a versão oficial de suicídio e promoveu na catedral um culto pelo sétimo dia da passagem de sua morte _a cerimônia transformou-se em ato de protesto contra o governo.</P>
<P>
(Fernando Molica)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-24036">
<P>
Chumbo da candidatura ao programa Urban condenado pela autarquia</P>
<P>
Valente de Oliveira dá esperanças a Coimbra</P>
<P>
Na sequência de um protesto unânime da Câmara de Coimbra, o ministro do Planeamento, Valente de Oliveira, considerou, ontem, «seguramente possível» que esta cidade venha a ser contemplada numa segunda fase do programa comunitário Urban.</P>
<P>
A Câmara de Coimbra aprovou, segunda-feira -- com os votos favoráveis do PS, PSD e CDU --, um protesto junto do Ministério do Planeamento, por causa do chumbo da sua candidatura ao Urban, programa que tem por objectivo a recuperação de zonas urbanas degradadas e afectadas por fenómenos de exclusão social.</P>
<P>
Coimbra sente-se preterida em relação a cidades como Gondomar, que viu aceite a sua candidatura apesar de ter apenas 20 mil habitantes -- muito embora o Urban se destine a aglomerados populacionais com mais de 100 mil pessoas.</P>
<P>
«Trata-se de um exemplo gritante de isenção partidária de opção técnica fundamentada», afirmou, anteontem, o vereador socialista João Silva, citado pela agência Lusa, referindo-se ao facto de a cidade de Gondomar ter à frente um autarca social-democrata, Valentim Loureiro. Uma coincidência ainda maior, acrescentou o autarca socialista, quando se sabe que Oeiras, que também não reúne os tais 100 mil habitantes e que tem igualmente um presidente camarário laranja, foi outro dos concelhos seleccionados pelo Governo para receber apoios deste programa. A crítica da Câmara de Coimbra tem contornos semelhantes à que a Junta Metropolitana de Lisboa apresentou no ano passado, ao falar em «pseudo-equilíbrio entre forças políticas».</P>
<P>
Os 8,6 milhões de contos que a União Europeia vai disponibilizar a Portugal no âmbito do Urban destinam-se a financiar a qualificação dos espaços urbanos e suas condições sociais e ambientais, a dinamização das actividades sociais e económicas e a formação profissional. Lisboa (Casal Ventoso), Porto (Vale da Campanhã), Gondomar (São Pedro da Cova) , Oeiras (Vale de Algés ), Loures (Odivelas) e Amadora (Venda Nova) foram as cidades com candidaturas aprovadas, tendo Odivelas e Venda Nova sido escolhidas depois de todas as outras.</P>
<P>
Ontem, o ministro Valente de Oliveira esteve em Coimbra e informou que se encontra em estudo «o acesso de Portugal a um segundo Urban», mostrando-se optimista quanto à possibilidade de a cidade vir a ser contemplada numa próxima oportunidade. O ministro recusou as acusações de discriminação da Câmara de Coimbra, mas não quis comentar o facto de o PSD ter votado favoravelmente o protesto. Segundo Valente de Oliveira, o Governo português «conseguiu convencer a Comunidade de que os problemas das grandes cidades não se resolvem só no centro» desses aglomerados urbanos, sendo também necessária «uma actuação na periferia».</P>
<P>
«Gondomar é sobretudo um dormitório do Porto», referiu, acrescentando que «oito milhões de contos é pouco» para as necessidades do país.</P>
<P>
Lusa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11020">
<P>
Ayrton Senna com a «pole-position» no Grande Prémio do Brasil de Fórmula 1</P>
<P>
Nem a chuva atrapalhou</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Manuel Abreu, em São Paulo</P>
<P>
Quando começou a chover em São Paulo, sensivelmente a meio da sessão de treinos cronometrados que definia a grelha de partida para o GP do Brasil de F1, já o brasileiro Ayrton Senna tinha garantido a «pole-position». Michael Schumacher tentou o seu melhor, mas Senna impôs a força do seu Williams-Renault e confirmou o seu favoritismo para o título desta época.</P>
<P>
De acordo com as previsões da meteorologia, a chuva deveria atrapalhar a segunda sessão de treinos cronometrados para o GP do Brasil, que define a grelha de partida para a primeira prova desta temporada, a disputar hoje no circuito de Interlagos, em São Paulo, a partir das 13 horas locais (18h00 em Lisboa). O céu nublado e o calor abafado que se fez sentir no circuito ao longo do dia dava razão aos técnicos do tempo, mas a chuva só começou a cair quando já estava esgotada a primeira meia hora da sessão cronometrada. Nessa altura, já os principais pilotos tinham estado em pista e feito os seus tempos, mas quem os pensava melhorar na segunda parte dos treinos deu-se mal.</P>
<P>
Restava, então, montar pneus de chuva e ir praticar para a pista, já prevendo que as condições climatéricas instáveis se mantenham durante o dia de hoje, podendo vir a afectar o desenrolar da corrida -- como aconteceu no ano passado, quando Senna impôs a sua categoria de piloto em pistas molhadas para bater, pela primeira vez, os favoritos Williams-Renault e o seu rival Alain Prost.</P>
<P>
Entre os pilotos da frente, o primeiro a mostrar as «garras» foi o francês Jean Alesi, baixando o seu melhor tempo para 1m17,385s, de forma a manter o terceiro lugar. Logo depois, foi a vez do alemão Michael Schumacher (Benetton-Ford) mostrar que estava disposto a não deixar Senna ficar com todos os louros, pelo menos não sem encontrar alguma oposição. Schumacher foi para a pista e baixou o seu tempo de sexta-feira em quase três décimos de segundo, passando para o primeiro lugar. Foi o bastante para Senna entrar em cena, retomando o primeiro lugar logo na primeira volta lançada e deixando os seus adversários ainda mais longe na seguinte, quando obteve 1m15,962s -- é o único piloto no segundo 15 e ficou perto do recorde estabelecido há dois anos por Nigel Mansell (1m15,703s).</P>
<P>
Estavam definidos os três primeiros lugares da grelha. Damon Hill melhorou o seu tempo e posição, ocupando o quarto lugar à partida; na fila seguinte, estarão as duas surpresas desta primeira prova do «Mundial», com o Sauber-Mercedes de Frentzen no quinto lugar e o Arrows-Ford de Morbidelli no sexto. Hakkinen, um dos principais prejudicados com a chuva, já que entrou em pista poucos minutos antes de esta começar, depois de ter trocado o motor do seu carro, perdeu dois lugares em relação ao primeiro treino cronometrado, partindo do sétimo posto, ao lado do jovem holandês da Benetton, Jos Verstappen.</P>
<P>
O treino da tarde foi também péssimo para a Minardi; nos treinos livres da manhã, Alboreto tinha conseguido um excelente quarto posto, com 1m17,818s, mas alguns problemas mecânicos surgidos no seu carro (e também no do seu companheiro de equipa Martini) atrasaram o trabalho dos técnicos. Os dois carros acabaram por não participar no treino cronometrado, ficando com os tempos obtidos na sessão de sexta-feira, o que levará Martini a sair em 15º lugar e Alboreto em 22º.</P>
<P>
Na conferência de imprensa que se seguiu ao fim do treino (que coincidiu com o fim da chuva), os três primeiros classificados mostraram-se muito contentes com os resultados obtidos, sobretudo Schumacher e Alesi. Mas foi Senna a deixar o recado mais importante: «O tempo está imprevisível, e se começar a chover durante a corrida, o `pace-car' deve entrar imediatamente em pista ou a corrida deve ser interrompida; não se trata de uma chuvinha, hoje foi uma verdadeira tempestade, a pista tem mau escoamento e torna-se muito perigosa.»</P>
<P>
As condições da pista de Interlagos devem melhorar bastante no próximo ano, pelo menos a acreditar nas promessas do prefeito (presidente da Câmara) de São Paulo, Paulo Maluf, também candidato à presidência do Brasil nas próximas eleições. Depois de jantar em sua casa com Bernie Ecclestone, presidente da FOCA (a associação de construtores), na sexta-feira, e de ter prometido o total reasfaltamento do circuito, Maluf esteve ontem mais uma vez em Interlagos, onde assinou com Ecclestone o contrato que garante a manutenção do GP do Brasil nesta cidade até ao ano 2001.</P>
<P>
Lamy preocupado</P>
<P>
O português Pedro Lamy parte hoje da 24ª posição da grelha de partida do GP do Brasil, a quinta corrida de F1 da sua carreira como piloto. Ontem, Lamy não conseguiu aproveitar o treino livre da manhã para certar o seu carro -- fez um pião no primeiro período da sessão e não foi além do 25º tempo, com 1m21,381s, a cerca de 1,6s do seu companheiro de equipa Johnny Herbert, que optara por regulações diferentes.</P>
<P>
A sessão da tarde começou bem para o jovem português, que retomou o 24º lugar ao baixar o seu tempo de sexta-feira em mais de um segundo. «Talvez o Andy Tilley e eu estivéssemos a trabalhar na direcção errada na sexta-feira, mas depois acertamos. O carro estava mais estável e equilibrado, mas longe de estar perfeito.» Lamy queixa-se que o Lotus continua com falta de tracção e a fugir de traseira, de nada adiantando aumentar o apoio aerodinâmico.</P>
<P>
Também Peter Collins, o «patrão» da equipa, reconhece os problemas que os seus pilotos terão que enfrentar antes de poderem utilizar o «chassis» deste ano (109): «Basicamente, estamos com os mesmos problemas de ontem, com um carro acima do peso ideal e que é um modelo adaptado. Confiámos em resolver esses problemas com o novo `chassis'.»</P>
<P>
Para a corrida de hoje, Pedro Lamy mostra-se pouco confiante: «Vou tentar dar o máximo de voltas, mas com o carro tão pouco estável é difícil chegar ao fim. Então se estiver molhado, vai ser dez vezes pior. Mas, venha o que vier, tenho de tentar fazer o melhor possível.»</P>
<P>
Grelha de partida:</P>
<P>
A. Senna Williams 1m15,962s</P>
<P>
M. Schumacher Benetton 1m16,290s</P>
<P>
Jean Alesi Ferrari 1m17,385s</P>
<P>
Damon Hill Williams 1m17,554s</P>
<P>
H. Frentzen Sauber 1m17,806s</P>
<P>
Gianni Morbidelli Footwork 1m17,866s</P>
<P>
Karl Wendlinger Sauber 1m17,928s</P>
<P>
Mika Hakkinen McLaren 1m18,122s</P>
<P>
Jos Verstappen Benetton 1m18,183s</P>
<P>
Ukyo Katayama Tyrrell 1m18,194s</P>
<P>
C. Fittipaldi Footwork 1m18,204s</P>
<P>
Mark Blundell Tyrrell 1m18,246s</P>
<P>
Erik Comas Larrousse 1m18,321s</P>
<P>
R. Barrichello Jordan 1m18,414s</P>
<P>
PierLuigi Martini Minardi 1m18,659s</P>
<P>
Eddie Irvine Jordan 1m18,751s</P>
<P>
Gerhard Berger Ferrari 1m18,855s</P>
<P>
Martin Brundle McLaren 1m18,864s</P>
<P>
Olivier Panis Ligier 1m19,304s</P>
<P>
Eric Bernard Ligier 1m19,396s</P>
<P>
Johnny Herbert Lotus 1m19,483s</P>
<P>
Michele Alboreto Minardi 1m19,517s</P>
<P>
Olivier Beretta Larrousse 1m19,524s</P>
<P>
Pedro Lamy Lotus 1m19,975s</P>
<P>
Bertand Gachot Pacific 1m20,729s</P>
<P>
David Brabham Simtek 1m21,186s</P>
<P>
Não qualificados:</P>
<P>
R. Ratzenberger Simtek 1m22,707s</P>
<P>
Paul Belmondo Pacific 3m48,480s</P>
</DOC>
<DOC DOCID="H2-dftre765"> 
<P>Fatores Demográficos e Econômicos Subjacentes</P>
<P> A revolta histórica produz normalmente uma nova forma de pensamento quanto à forma de organização da sociedade. Assim foi com a Reforma Protestante. No seguimento do colapso de instituições monásticas e do escolasticismo nos finais da Idade Média na Europa, acentuado pela " Cativeiro Babilónica da igreja " no papado de Avignon, o Grande Cisma e o fracasso da conciliação, assistimos no século XVI ao fermentar de um enorme debate sobre a reforma da religião e dos posteriores valores religiosos fundamentais. Este debate passou completamente ao lado de Portugal, demasiado distante do foco onde surgiram estes pensamentos. A imprensa, inventada na Alemanha por John Gutenberg, foi importante na divulgação destas ideias. As 95 Teses de Martinho Lutero foram imediatamente impressas e divulgadas por todas as regiões de língua alemã, o que contribuiu para a crescente popularidade de Martinho Lutero. Não menos relevante foi a influência da pressão social exercida pela Contra-Reforma, na qual os Jesuítas tiveram um papel de liderança. A Inquisição e a censura exercida pela Igreja Católica foram igualmente determinantes para evitar que as ideias reformadoras encontrassem divulgação em Portugal, Espanha ou Itália, países católicos. Historiadores assumem geralmente que a incapacidade de reformar (grande número de interesses legítimos, falta de coordenação na coligação dos reformadores) poderia levar a uma grande revolta ou revolução, uma vez que o sistema deverá ser gradualmente ajustado ou então desintegrar-se. O fracasso da conciliação levou à Reforma Protestante do ocidente europeu. Estes movimentos reformistas frustrados variam desde o nominalismo, a moderna devoção, ao humanismo, e ocorrem em conjunção com o crescente desagrado perante a riqueza e o poder da elite clerical, sensibilizando a população para a corrupção moral e financeira da Igreja. </P>
 <P> A Reforma Religiosa e Política na Inglaterra </P>
 <P> Henrique VIII O curso da Reforma foi diferente na Inglaterra. Tinha havido desde há muito uma forte corrente anti-clerical, tendo a Inglaterra já tido o movimento Lollard, que inspirou os Hussitas na Boémia. Mas em cerca de 1520, no entanto, os Lollards não eram já uma força activa, ou pelo menos um movimento de massas. </P>
 <P> O carácter diferente da Reforma Inglesa deve-se ao facto de ter sido promovida inicialmente pelas necessidades políticas de Henrique VIII. Sendo este casado com Catarina de Aragão e estando apaixonado por Ana Bolena, Henrique solicita ao Papa Clemente VII a anulação do casamento. Perante a recusa do Papado, Henrique faz-se proclamar, em 1531, protector da Igreja inglesa. O " Ato de Supremacia ", votado no Parlamento em Novembro de 1534, colocou Henrique e os seus sucessores na liderança da Igreja: os súbditos deveriam submeter-se ou então seriam excomungados e perseguidos. Apesar de uma certa deriva em direcção ao luteranismo, Henrique reafirma a ortodoxia católica através da " Confissão dos Seis Artigos " (1539). </P>
 <P> Entre 1540 e 1553, sob Thomas Cromwell, a política conhecida como a dissolução dos mosteiros foi posta em prática. A veneração de santos, locais de peregrinação foram atacados. Enormes extensões de terras e propriedades da Igreja passaram para as mãos da coroa e posteriormente da nobreza e das classes altas. Os direitos adquiridos foram uma força poderosa de apoio às dissoluções. </P>
 <P> Houve muitos opositores da Reforma de Henrique, tais como Thomas More e o Bispo John Fischer, que foram executados pela sua oposição. Mas também existiu um partido crescente de Protestantes genuínos que estavam inspirados pelas doutrinas então correntes no continente. Quando Henrique foi sucedido pelo seu filho Eduardo VI em 1547, os protestantes viram-se em ascendente no governo. Uma reforma mais radical foi imposta, com a destruição de imagens e o fecho de capelas, para além de ter sido revogada a " Confissão dos Seis Artigos ". Em 1552, é redigido o novo " Livro de Orações " e promulgada a " Confissão de Fé em Quarenta e Dois Artigos ", que aproximava doutrinalmente a Igreja de Inglaterra do calvinismo. </P>
 <P> Seguiu-se uma breve reacção católica durante o reinado de Maria I (1553-1558). De início moderada na sua política religiosa, Maria procura a reconciliação com Roma, consagrada em 1554, quando o Parlamento vota o regresso à obediência papal. Porém, as perseguições violentas que move aos não católicos e o seu casamento com Filipe II de Espanha | Filipe II de Espanha, provocam um forte descontentamento na população. </P>
 <P> Um consenso começou a surgir durante o reinado de Isabel I. Em 1559, Isabel retorna à religião do pai, com o restabelecimento do " Ato de Supremacia " e do " Livro de Orações " de Eduardo VI. Através da " Confissão dos Trinta e Nove Artigos " (1563), Isabel alcança um compromisso entre o protestantismo e o catolicismo: embora o dogma se aproxime do calvinismo, só admitindo como sacramento o baptismo e a eucaristia, é mantida a hierarquia episcopal e o fausto das cerimónias religiosas. </P>
 <P> O sucesso da Contra-Reforma no continente e o crescimento de um partido puritano dedicado a estender a Reforma Protestante polarizou a era Elizabetana, apesar da Inglaterra não ter tido até 1640 lutas religiosas comparáveis às dos seus vizinhos. </P>
 <P> Na verdade a Reforma na Inglaterra procurou preservar o máximo da Tradição Católica (episcopado, liturgia e sacramentos). A Igreja da Inglaterra sempre se viu como a "eclesia anglicanae", ou seja, "A Igreja cristã na Inglaterra " e não derivação da Igreja de Roma ou do movimento reformista do século XVI. </P>
 <P> Como consequência disso sempre existiu dois grandes "partidos" ou "facções": a Igreja Alta (High Church) e Igreja Baixa (Low Church), que refletem a controvérsia histórica sobre as formas de culto e de expressão. </P>
 <P> A Reforma Anglicana buscou ser a "via média" entre os extremos romanos e puritanos. Assim aceitam os dois sacramentos do Evangelho: o Santo Batismo, através do qual a pessoa é feita membro da Igreja de Cristo, sendo que tal graça é complementada na Confirmação, e na Santa Comunhão, que une o cristão ao sacrifício de Cristo Jesus que os alimenta com seu corpo e sangue. </P>
 <P> Para os anglicanos estes dois sacramentos foram instituídos pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Os demais ritos sacramentais da Igreja também são aceitos, apesar de não terem sido instituídos por Cristo, mas são reconhecidos por serem, em parte, estados de vida aprovados nas Escrituras: a Confirmação, Penitência, Ordens, Matrimônio e a Unção dos enfermos. </P>
 <P> Embora tenham se afastado de muitas das prática devocionais medievais com relação aos santos e a Virgem Maria mantiveram um calendário específico para sua comemoração na Igreja, em especial as antigas festas marianas diretamente associadas aos méritos de seu Filho Jesus Cristo (Anunciação, Natividade etc). </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-39898">
<P>
ANTONIO PALOCCI FILHO</P>
<P>
O grande desenvolvimento do interior de São Paulo tem demonstrado cada vez mais que as soluções para os problemas que o país enfrenta podem ser amenizados por um movimento que já vem se dando naturalmente –de retorno de setores da população e de investimentos de todo tipo para o interior. Com grande vigor para o desenvolvimento econômico e com razoável potencial para enfrentar os problemas sociais, o interior começa a ser redescoberto nesses momentos de crise.</P>
<P>
Ribeirão Preto tem 100% de seus imóveis com ligação de água, 96% com ligação de esgoto, 87% das ruas asfaltadas, um telefone para cada quatro habitantes, 11 hospitais e 35 unidades básicas de saúde; seu coeficiente de mortalidade infantil é de 19,5. Existem favelas, mas abrigam menos de 2% da população.</P>
<P>
Qual o segredo do interior de São Paulo? Em geral, as políticas econômicas e sociais de "concentração" têm vivido uma crise crescente. Concentração de poder, concentração de serviços, centralização de recursos etc, isso tudo vem desmoronando desde o desaparecimento dos governos militares, tendência reforçada pela Constituição de 88, que descentralizou tributos e serviços.</P>
<P>
Os municípios vêem enfrentando problemas sociais com grande desenvoltura, num país onde há uma tendência de falência das políticas públicas. Mais recentemente, diversas cidades do interior se lançaram em iniciativas para atrair investimentos. E isso se dá com razoável sucesso, tanto pelas condições de infra-estrutura excelentes, como pela existência de um mercado estável de consumo. Por tudo isso, hoje os municípios são unidades mais VIVAS da Federação e acumulam poder de articulação.</P>
<P>
Mais recentemente as cidades com gestões democráticas têm combinado seu vigor econômico com a democracia nas decisões, com a transparência das ações do poder público, dando mais forma e conteúdo à cidadania. Ao mesmo tempo em que o país assiste ao escândalo do Orçamento no Congresso Nacional, diversas administrações municipais democráticas vivem uma concreta e ousada experiência de orçamento participativo, onde os cidadãos atuam diretamente na decisão dos investimentos na cidade, forçando de forma salutar a privilégios dos investimentos sociais sobre as obras de necessidade duvidosa.</P>
<P>
Assim com eleições gerais, reforma constitucional e CPIs, os municípios se dizem presentes. Na busca de um projeto econômico, social e democrático para o Brasil, há de se considerar que a articulação de um Municipalismo sadio poderá ser uma importante vertente para o enfrentamento das nossas dificuldades sociais.</P>
<P>
Antônio Palocci Filho, 33, médico sanitarista formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (SP), é prefeito de Ribeirão Preto e presidente da Associação dos Municípios da Macrorregião de Ribeirão Preto.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-23081">
<P>
News &amp; Views</P>
<P>
Primeiro tempo</P>
<P>
Hampton está para Nova York assim como Saint-Tropez está para Paris. É o lugar onde os nova-iorquinos vão para serem vistos. E os fashions victims também. O estilista Calvin Klein e o cantor Billy Joel têm casas lá. Para eles, foi fácil dar uma olhada no The First Annual Hampton's Model Olympics, que se tornou o melhor programa do verão de NY. Cada agência da cidade organizou suas equipes de modelos, agentes e funcionários, que competiram em categorias como natação, corrida de cavalos, vôlei, cabo-de-guerra e escultura na areia. O modelo Marcus Schenkenberg, por exemplo, foi peça decisiva na vitória de sua equipe, Boss, em uma das partidas de vôlei. O time da Elite, por sua vez, se consagrou em natação, corrida de caiaque e corrida mesmo.</P>
<P>
Segundo Tempo</P>
<P>
Mesmo quem não competiu deu uma passada por Hampton para olhar o movimento. Beverly Peele (foto) até queria competir, mas preferiu ficar observando tudo com sua filha Cairo. A atriz Nicolette Sheridan também optou por um banho-de-sol em seu biquíni vermelho. Assim como o diretor Oliver Stone.</P>
<P>
Prorrogação</P>
<P>
Enquanto uns tomavam sol, outros trabalhavam dobrado. A top model da Elite Joanna Rhodes cobriu o evento como entrevistadora para a rede de TV HBO. Uma de suas vítimas foi justamente Oliver Stone (foto), que continua desmentindo um romance com a modelo, apesar de terem sido vistos juntos na festa de quinto aniversário da revista "Mirabella". E parece que Stone não está mentindo ao dizer que eles são apenas "bons amigos". Seu verdadeiro interesse seria outra loira da Elite, a supermodel sueca Tove.</P>
<P>
Lay-Out</P>
<P>
Linda Evangelista foi vista em Nova York com cabelos castanhos, em um tom muito próximo à cor natural de seus cabelos. E eles também cresceram e estão quase cobrindo o pescoço.</P>
<P>
Hot Spots</P>
<P>
O Tempo Passa</P>
<P>
A grife Escada quer colocar no mercado de perfumes um conceito básico para a área da moda: o tempo. Assim como as roupas e acessórios, os perfumes também deveriam ter sua estação. Para isso, criaram Summer in Provence –como o nome já diz, é para o verão, que vale até o final de agosto (se bem que o verão europeu e americano vai até o final de setembro). Será que se a grife tivesse um Chanel nº 5 no catálogo (é o perfume mais vendido no mundo há 60 anos), seus executivos estariam pensando nessas estratégias?</P>
<P>
Duas Peças</P>
<P>
Esqueça os maiôs que Elle McPherson tanto alardeia. O biquíni em duas peças voltou com tudo no verão europeu e norte-americano e nos ensaios fotográficos. Emma Sjoberg já disse que só usa os da marca Too Hot Brazil. Amber Valletta só quer saber dos da Calvin Klein, em branco ou preto. E Kate Moss (foto)  está mais sexy ainda em ensaio moda-praia que Patrick Demarchelier fez para a "Harper's Bazaar".</P>
<P>
Et Cetera...</P>
<P>
Let's go Shopping</P>
<P>
De passagem por Milão, não deixe de visitar a loja de Dolce &amp; Gabbana, na via della Spiga 2, que reúne todo o prêt-à-porter feminino, masculino e para noivas dos dois estilistas italianos. Funciona como uma casa, com várias dependências. Uma loja como essa não se encontra em qualquer esquina!</P>
<P>
Aeroporto</P>
<P>
Existe coisa melhor em aeroporto que o Duty Free? Que prazer voltar para casa com todos aqueles produtos absolutamente indispensáveis! Pois saiba que suas qualidades variam de país para país. Na Europa, o de Amsterdã tem os menores preços da Europa. O de Milão é excelente para moda e artigos regionais, como vinhos e frios, além de oferecer excelentes promoções em agosto. Na América do Sul e no Caribe, o de Caracas é imbatível em alcoólicos, como rum e charutos (mais baratos que em Cuba). Mas a maior barbada do planeta está em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Além de preços imbatíveis, você poderá ter a sorte de receber em casa (sem taxas) um dos Rolls-Royce sorteados em sua loteria quinzenal.</P>
<P>
Saudades</P>
<P>
Com certeza o soul erótico de Marvin Gaye é insubstituível. Mas, sem ele por dez anos, já é tempo de procurar uma alternativa. E seu nome é Angela Winbush (foto). Ouça seu álbum homônimo (Warner), o terceiro de sua carreira, e depois me diga se você não sentiu alguma coisa "estranha". E ela não abre apenas a boca. Ótima pianista, são dela os arranjos vocais e instrumentais.</P>
<P>
London is Calling</P>
<P>
Prepare sua paciência, sua perseverança e principalmente seu modelo, caso queira entrar no Pleased, um dos clubes mais frequentados de Londres no momento. Mas vale a pena tentar, principalmente porque pela fila você já tem uma idéia do que está acontecendo lá dentro. Fica no 143 da Charing Cross Road (tel. 071 439-4655).</P>
<P>
The Look</P>
<P>
She's so Deep and Deep and Deep...</P>
<P>
Linda, inteligente, profissional, persistente. Tudo isso e muito mais é Isabella Rosselini, 42 anos confessos. Isabella é o bem sucedido fruto da união da beleza e do talento da atriz sueca Ingrid Bergman com a beleza e o talento do cineasta italiano Roberto Rosselini. Já foi casada com o ex-modelo Jonathan Wiedemann (com quem teve a pequena Elettra), com o diretor Martin Scorcese e com o também diretor David Lynch. "Com Lynch, descobri que sou siciliana. Descobri meu apego a valores como fidelidade e amor. Nunca pensei que um homem pudesse ter um efeito tão devastador em mim. Nunca mais nos falamos depois da separação", disse. Modelo exclusivo da Lancôme, teve problemas com a grife de cosméticos por seu papel em "Veludo Azul" e quando posou de lésbica com Madonna no livro "Sex". Polêmicos seus amores, sua carreira como modelo e sua vida como atriz, já que sempre faz papéis perturbados. O último deles é em "The Innocent", de John Schlesinger. "É sobre incesto e estupro. Para não passar vergonha em sua primeira relação sexual, um adolescente estupra sua irmã menor. Sobre o fato de sermos todos inocentes, mesmo que assassinos." Mas isso tudo é nas telas. Em casa, cuida de Roberto, bebê que acaba de adotar, e quando sai, prefere usar um modelo Armani, "como todo mundo", diz.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45537">
<P>
José Pinto de Sá</P>
<P>
Chissano e Dhlakama</P>
<P>
Joaquim Alberto Chissano faz 55 anos a 22 de Outubro, cinco dias antes das eleições, e nenhum presente de aniversário lhe calhava tão bem como outro mandato na Presidência. De facto, a única coisa que Chissano ainda não recebeu foi a chefia do Estado caucionada por voto democrático.</P>
<P>
Guerrilheiro nacionalista e ilustre chanceler de Machel, Chissano apresenta-se às eleições como o Presidente da transição para a democracia e, como reza o «slogan», «o obreiro da paz».</P>
<P>
É uma «machangana» da velha cepa, natural de Gaza, a província natal de Mondlane, de Machel e de muitos outros líderes da Frelimo. Nasceu em Malahice, perto de Chibuto, no ubérrimo vale do baixo Limpopo que os seus antepassados zulus ocuparam, vindos do Sul, no princípio do século XIX. A sua geração ainda escutou, à volta da fogueira, os relatos dos anciãos que ali mesmo combateram de zagaia na mão, há cem anos, nas últimas e desesperadas batalhas contra o invasor português.</P>
<P>
Em família, ficou Dambuza. Com mais cinco irmãos e uma irmã, compõe a prole do senhor Chissano, professor primário e intérprete da administração colonial, falecido em Maio último numa clínica de Joanesburgo. Embora o seu ambiente familiar fosse metodista, fez a primária em Gaza, numa escola católica. Depois rumou para a capital, onde completou o secundário como um dos primeiros alunos negros do Liceu Salazar.</P>
<P>
Corriam os anos 50 e o regime colonial impunha uma ditadura desumana. Trabalhos forçados, recolher obrigatório e castigos corporais eram consignados pelo estatuto dos «indígenas», a quem só restava a submissão ou a revolta.</P>
<P>
O jovem Chissano revoltou-se e, ainda no liceu, aderiu ao núcleo dos estudantes secundários africanos, do qual foi eleito presidente em 1959, seu ano de finalista.</P>
<P>
Os dentes da PIDE</P>
<P>
Em 1960 seguiu para Portugal. Em princípio ia prosseguir estudos universitários em Lisboa, mas a militância nacionalista em breve inviabilizou a sua permanência. Com a PIDE à perna, no ano seguinte passou a salto para Espanha e dispunha-se a continuar para França quando foi preso em Hendaia por imigração clandestina.</P>
<P>
Quando consegui chegar a Paris, matriculou-se em Medicina e aderiu com entusiasmo à actividade política nos círculos de estudantes africanos. O crescente envolvimento leva-o a abandonar os estudos e a partir para a Tanzânia, onde numerosos moçambicanos viviam exilados, estabelecendo contacto com Eduardo Mondlane.</P>
<P>
Formado nos Estados Unidos, Mondlane abandonara uma brilhante carreira na ONU para regressar a Moçambique, decidido a aglutinar os vários movimentos nacionalistas numa ampla frente anticolonial.</P>
<P>
Em 1962, quando fundam a Frente de Libertação da Moçambique (Frelimo), Chissano começa por trabalhar como secretário do presidente Mondlane, e desde logo ascende ao Comité Central.</P>
<P>
Após ter recebido treino militar, em 1965 passa a dirigir o importante Departamento de Segurança da Frelimo, continuando a secretariar Mondlane. A guerra tinha começado e os jovens comunistas ganhavam força no interior da Frente. No ano seguinte, Samora Machel assumiu a direcção do Departamento de Defesa, passando a comandar as forças guerrilheiras.</P>
<P>
A 3 de Fevereiro de 1969, Eduardo Mondlane foi morto na explosão de uma encomenda armadilhada, em Dar-es-Salaam. A segurança tanzaniana abriu um inquérito e prendeu Chissano, além de Marcelino dos Santos e da sua noiva sul-africana. A Frelimo responsabilizou sempre a PIDE, que por sua vez atribuiu o crime à facção comunista na Frelimo, alegadamente desejosa de afastar o moderado Mondlane. Os tanzanianos libertaram Chissano e os outros, mas nunca revelaram as conclusões do inquérito. Em Maio do ano seguinte, Chissano está com Samora Machel quando o chefe guerrilheiro se torna presidente da Frelimo, imprimindo àquela força política uma orientação marxista-leninista que iria durar duas décadas.</P>
<P>
O morgado de Mangunde</P>
<P>
Em 1972 a guerrilha tinha alastrado pela metade Norte do país e causava crescentes problemas a um Exército Português desmotivado, remando só contra a maré da História. Atraídos pelos ideais nacionalistas, soldados negros das incorporações locais começavam a desertar com as armas para se juntarem à Frelimo.</P>
<P>
Um desses foi um jovem ndau chamado Afonso Macacho Marceta Dhlakama, o mais velho de sete filhos do régulo de Mangunde, em Chibabava, na província central de Sofala. Criado numa família católica, o jovem Dhlakama frequentara o Seminário de Zobué, em Tete, antes de iniciar estudos na escola secundária da Manga, na Beira. Integrado nas fileiras da Frelimo, combateu na frente do Niassa até ao fim das hostilidades, em 1974.</P>
<P>
Embora lutando no mesmo campo, Dhlakama e Chissano nunca se conheceram como camaradas, teriam que decorrer ainda vinte anos para que os dois homens trocassem o primeiro aperto de mão. Afonso Dhlakama era então um jovem guerrilheiro e Joaquim Chissano já ocupava o terceiro posto na hierarquia da Frelimo.</P>
<P>
Após o 25 de Abril, Chissano participou nas negociações com as autoridades portuguesas e foi co-signatário dos acordos de Lusaca, conducentes à Independência. Durante nove conturbados meses como primeiro-ministro do governo de transição, os seus dotes de diplomata lograram granjear-lhe até a confiança da atemorizada comunidade portuguesa. Samora Machel reconheceu-lhes esses dotes e confiou-lhe a pasta dos Negócios Estrangeiros, ininterruptamente ao longo dos seus vários governos, durante onze anos. Chissano revelou-se um chanceler brilhante, que logrou sempre preservar o reconhecimento norte-americano ao Governo da Frelimo, apesar do crescente alinhamento de Maputo pelo bloco de Leste.</P>
<P>
Afonso Dhlakama também viajou até Lourenço Marques em 1974, para frequentar um curso intensivo de contabilidade no centro militar de Boane. Regressou à Beira no ano seguinte, já como comandante provincial da Intendência Militar em Sofala. Terá sido por esses dias que travou amizade com o comandante André Matsangaíssa, que dirigira um pelotão da Frelimo na serra da Gorongosa durante a guerra e se encontrava como responsável provincial da Engenharia Militar. Muita coisa os unia, afinal. Ambos eram ndau, veteranos da guerrilha e oficiais do novo Exército. Ambos estavam descontentes e frustrados com a orientação que o jovem país tomava.</P>
<P>
De volta à guerra</P>
<P>
Os primeiros anos do Poder Popular foram marcados pela deportação de milhares de desempregados, opositores políticos e outros «anti-sociais». Suspeito de anticomunismo, André Matsangaíssa foi encarcerado no campo de reeducação de Sacuze, mas em Junho de 1976 conseguiu evadir-se para a Rodésia.</P>
<P>
Em estado de guerra, o regime branco de Ian Smith acolhia os opositores moçambicanos de braços abertos, retaliando ao apoio militante que o Governo revolucionário de Maputo sempre concedeu aos «comrades» vizinhos. Deu-lhes treino militar, armas e dinheiro para poderem combater o regime de Samora Machel, inimigo comum.</P>
<P>
No ano seguinte, Matsangaíssa regressa ao país comandando um grupo armado, ataca o campo de reeducação de Sacuze e liberta os prisioneiros, que recruta para as suas forças. A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) tinha começado a guerra contra o regime de Samora Machel.</P>
<P>
É o momento da grande opção para Afonso Dhlakama. Parte da Beira e embrenha-se no mato, ao encontro de Matsangaíssa. Rapidamente ascende a segundo comandante militar da Resistência, participando directamente em operações, sobretudo no Norte de Manica. Em Outubro de 1977, o comandante Matsangaíssa morre em combate na Gorongosa. Dhlakama neutraliza rivalidades e assume a presidência da Renamo.</P>
<P>
No ano seguinte, o regime de minoria branca entra em colapso e os santuários da Renamo são transferidos «in extremis» para a África do Sul, após conversações secretas entre rodesianos e sul-africanos. Em resposta à solidariedade de Maputo para com o ANC, o «apartheid» apoiou maciçamente a Resistência, cujas operações se estenderam progressivamente a todo o país.</P>
<P>
A guerra devastou o país durante mais de quinze anos. Meio milhão de mortos e duzentos mil órfãos são números avançados em balanço provisório de um conflito que colocou Moçambique como «o país de maior sofrimento no mundo» na agenda das organizações internacionais de ajuda humanitária. À semelhança de milhares de famílias, os Dhlakama viveram na carne o drama da guerra civil. Dos sete filhos do régulo, três empunharam armas pelo Governo e três pela Renamo, incluindo Afonso.</P>
<P>
Depois do desastre</P>
<P>
Na noite de 19 de Outubro de 1986, o Presidente Samora Machel perdeu a vida num acidente aéreo ainda por esclarecer, quando o avião em que viajava de regresso de uma cimeira regional na Zâmbia embateu contra uma montanha em Mbuzini, na província sul-africana do Transval. A 3 de Novembro, o Comité Central da Frelimo reuniu-se em sessão especial e Chissano foi eleito presidente do partido único, tornando-se, por inerência ao cargo, Presidente da República e comandante-em-chefe das Forças Armadas.</P>
<P>
Embora tivessem ocorrido encontros entre delegados do Governo e da Renamo, a guerra prosseguiu e Chissano só se decidiu a aceitar conversações directas em fins de 1989, quando era visível que não se podia esperar uma solução militar para o conflito. Dhlakama, com o tempo a favor, esperava pela cedência de Chissano, intensificando a pressão das suas forças sobre um exército governamental à beira do colapso.</P>
<P>
Em Janeiro de 1990, Joaquim Chissano revela o projecto de uma nova constituição baseada na Declaração Universal dos Direitos Humanos, e seis meses depois inicia-se em Roma a primeira ronda das negociações directas entre os dois beligerantes, sob mediação da Itália e da Igreja Católica. A 30 de Novembro, o Parlamento monopartidário de Maputo aprova a Constituição proposta pelo Governo. A República Popular de Moçambique morreu. Viva a República de Moçambique! No dia seguinte, em Roma, os representantes do Governo e da Renamo assinavam os primeiros protocolos e um cessar-fogo parcial entrava desde logo em vigor.</P>
<P>
Durante dois anos, a comunidade de Santo Egídio acolheu pacientemente as delegações do Governo e da Renamo, e em Outubro de 1992 o acordo geral de paz estava pronto para ser assinado, abrindo caminho para a realização das eleições multipartidárias do próximo mês, sob a égide da ONU.</P>
<P>
Homens de consenso</P>
<P>
No entanto, quase tudo parecia separar os dois homens: origens, ideologia, idade e personalidade. Chissano é um veterano da política, um quadro forjado no velho estilo comunista. Tímido e discreto, não está à vontade em banhos de multidão e preserva ciosamente a sua vida privada. Dona Marcelina, a guerrilheira makonde que desposou na Tanzânia e lhe deu quatro filhos, é mais conhecida pelas iniciativas empresariais do gabinete da primeira dama do que pelas discretas aparições públicas ao lado do marido.</P>
<P>
Dhlakama é muito diferente. É um líder jovem à conquista do poder, saído do mato em bruto, astuto mas ingénuo, sem verniz político. Gosta das multidões e sabe falar-lhes, num estilo que retoma a exuberante tradição oratória de Samora Machel. Dona Rosário e as cinco crianças têm vivido quase sempre em Portugal, longe da refrega. Na grande casa sobranceira ao mar que o Governo acabou por lhe atribuir, Dhlakama ainda vive rodeado de homens como um general em campanha, a quem não sobra tempo para ter vida familiar.</P>
<P>
Para além dos inúmeros diferendos, o aperto de mão entre «irmão Chissano» e «irmão Dhlakama» tem permanecido como o principal garante da concórdia ao longo destes conturbados 23 meses do processo de paz. Nos momentos de tensão, ambos souberam procurar soluções em conjunto e acalmar os sectores extremistas das respectivas hostes. Para os moçambicanos, o futuro imediato depende da coragem que eles tiverem para continuar a assumir-se como homens de consenso, capazes de deixar de ser inimigos para serem adversários.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-69512">
<P>
Da Sucursal de Brasília</P>
<P>
O deputado Roberto Rollemberg (PMDB-SP) vai ser o relator do caso de todos os parlamentares de Pernambuco investigados pela CPI do Orçamento. A decisão foi tomada ontem pela CPI, depois que o relator-geral Roberto Magalhães se declarou suspeito para fazer o relatório sobre as investigações do deputado Ricardo Fiuza (PFL-PE). Magalhães é amigo de Fiuza.</P>
<P>
Inicialmente, a CPI tinha decidido que Rollemberg relataria apenas o caso de Fiuza. Foi o próprio Rollemberg quem defendeu que Magalhães se afastasse também do julgamento dos outros pernambucanos. A decisão final foi tomada apenas ontem à noite.</P>
<P>
Quatro parlamentares de Pernambuco estão sendo investigados: o senador Mansueto de Lavor (PMDB) e os deputados José Carlos Vasconcellos (PRN), Sérgio Guerra (PSB) e Fiuza. A CPI decide hoje se investiga o caso do deputado Miguel Arraes (PSB), que aparece nos documentos apreendidos na casa de Ailton Reis, diretor da empreiteira Odebrecht.</P>
<P>
Segundo estes papéis, Arraes teria pedido ajuda financeira da Odebrecht para sua campanha. A CPI decide hoje também se convoca Arraes para depor.</P>
<P>
Antes de se declarar suspeito, Magalhães já havia decidido pedir a cassação de Fiuza em seu relatório final. A parte do relatório referente a Fiuza já estava praticamente pronta. Com cerca de dez páginas, o texto tem duas denúncias principais.</P>
<P>
Fiuza foi relator-geral do Orçamento de 1992. É acusado de ter inserido emendas ao texto após o prazo legal. Segundo as denúncias da CPI, estas emendas favoreceriam as empreiteiras envolvidas em irregularidades no Orçamento.</P>
<P>
A segunda acusação é com relação a um empréstimo efetuado pelo deputado na Caixa Econômica Federal em 21 de janeiro de 1991, no valor de US$ 1,5 milhão. O financiamento foi concedido mesmo com parecer contrário dos técnicos do banco. Ele nunca foi pago e hoje a dívida já soma US$ 3,7 milhões.</P>
<P>
Fiuza se reuniu ontem com o presidente da CPI, senador Jarbas Passarinho (PPR-PA). Estava irritado pelo fato de que terá um relatório próprio. "Se ele (Magalhães) não tem capacidade, o problema é dele. Para mim não importa, quero apenas que a CPI se atenha aos fatos." O parlamentar chegou a afirmar que há um complô contra ele. "O jogo político na CPI é evidente e isto só serve para desvirtuar os fatos." (Gabriela Wolthers e Rudolfo Lago)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-85133"> 
<P> O jardim de caminhos que se encontram (algumas palavras sobre o conto de Borges e o filme de Tom Tykwer) </P>
 <P> Roberto Azoubel </P>
 <P> (Este texto é dedicado ao professor e poeta Jorge Wanderley (em memória) que me "incomodava" com Borges e com a literatura.) </P>
 <P> Uma das tarefas mais importantes da arte foi sempre a de gerar uma demanda cujo atendimento integral só poderia produzir-se mais tarde." </P>
 <P> Walter Benjamim </P>
 <P>I1.</P>
 <P> Com o desenvolvimento da imprensa no começo do século XX, o romance - forma literária intrinsecamente ligada ao objeto livro - emerge em sintonia com toda a evolução das forças produtivas da sociedade, tornando-se um gênero de grande difusão no mundo. Tal difusão levou o filósofo alemão Walter Benjamim a se preocupar com a morte do narrador - aquele do discurso vivo - como podemos observar no texto O Narrador, escrito em 1936. </P>
 <P> O texto de Benjamim nos remete a uma recente discussão que seria a factível morte da literatura diante do crescimento da produção cinematográfica que se espalha pelo planeta. Proponho-me neste texto analisar justamente esta contenda, assumindo posições que ficarão nítidas no decorrer do seu corpo. Para tal empreitada, tomo como referências o conto O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam, escrito em 1941 pelo argentino Jorge Luis Borges, e o fresquíssimo Corra Lola, Corra (Lola Rennt), filme alemão realizado pelo diretor e roteirista Tom Tykwer. </P>
 <P>II</P>
 <P> Para chegarmos ao conto de Borges, passemos antes por Italo Calvino. No capítulo chamado " Multiplicidade " do seu livro Seis Propostas para o Próximo Milênio, Calvino destaca como uma das (boas) características da literatura contemporânea essa capacidade de estabelecer redes de conexões entre os acontecimentos, entre as pessoas, entre as coisas do mundo, em outras palavras, essa capacidade atual de a escritura poder ser múltipla. </P>
 <P> No decorrer do capítulo, o autor italiano mostra várias formas de multiplicidades que ocorrem na literatura. No entanto, para não sairmos do foco da discussão do texto, fiquemos inicialmente com o exemplo do romancista italiano Carlo Emilio Gadda, de quem, entre outros autores, Calvino se serve como ilustração. </P>
 <P> Segundo Calvino (1990: 121), " Gadda durante toda a sua vida buscou representar o mundo como um rolo, uma embrulhada, um aranzel, sem jamais atenuar-lhe a complexidade inextricável - ou, melhor dizendo, a presença simultânea dos elementos mais heterogêneos que concorrem para a determinação de cada evento". E mais adiante, apoiado no ensaio La disarmonia prestabilita do crítico Gian Carlo Roscioni, Calvino ainda coloca que "esse conhecimento das coisas enquanto 'relações infinitas, passadas e futuras, reais e possíveis, que para elas convergem?, exige que tudo seja exatamente denominado, descrito e localizado no espaço e no tempo"(CALVINO, 1990:123). </P>
 <P> Outros romancistas como Proust e George Perec, com o seu A Vida Modos de Usar, são citados no capítulo como exemplos de uma escritura que conduz à multiplicidade (de caminhos, de níveis, de pensamentos, de vozes etc.). Mas, de acordo com Calvino, esse modelo de redes possíveis pode ser construído tanto em romances extensos, como pode ser concentrado nas poucas páginas de um conto de Borges. Chegamos assim a'O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam. </P>
 <P> O conto, classificado pelo autor como policial, narra o percurso do personagem principal da cama até o jardim em que comete um assassinato como estratégia de sua missão de espionagem. No entanto, no seu enredo (e aqui também me apoio na leitura que Calvino faz dele) Borges desenvolve várias noções acerca do tempo. </P>
 <P> No início, enquanto o protagonista está no seu quarto se preparando para realizar sua incumbência, o autor expõe um tempo preciso e no presente: "refleti que tudo aquilo que acontece com alguém, acontece agora, precisamente agora. Séculos de séculos e apenas no presente ocorrem fatos; inumeráveis homens no ar, na terra e no mar e tudo o que realmente sucede, sucede a mim..." (BORGES, 1995: 94). Em seguida, Calvino, ainda no seu Seis Propostas..., relata que Borges mostra "uma idéia de tempo determinado pela vontade, no qual o futuro se apresenta tão irrevogável quanto o passado"(CALVINO, 1990: 134). Por último, a idéia de um tempo múltiplo, que é a idéia central do conto e, afinal, o que nos interessa aqui. Veremos abaixo como essa idéia de um tempo múltiplo se apresenta no conto. </P>
 <P> Ao chegar numa casa de portão alto, o protagonista é recebido por sua futura vítima, Stephen Albert, sujeito que fora encarregado de decifrar um enigma do livro escrito por Ts'ui Pen. Este, que era um antepassado do próprio personagem principal, tinha abandonado sua próspera vida (era governador de sua província, doutor em astronomia, em astrologia, enxadrista, calígrafo e famoso poeta) para compor um labirinto e um livro. No entanto, o enigma revelado por Albert é justamente que o livro e o labirinto são o mesmo objeto. A chave para a descoberta estava num fragmento de uma carta deixada por Ts'ui Pen, no qual estava escrito: "Deixo aos vários futuros (não a todos) meu jardim de caminhos que se bifurcam"(BORGES, 1995: 94 94 | BORGES, 1995: 94). </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="wpt-1019468604217317242">
<P>
Protocolo de Quioto</P>
<P>
Decreto 7/2002, de 25 de Março que aprova o Protocolo de Quioto à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas </P>
<P>
Documentos relacionados com o PNALE</P>
<P>
Decisão da Comissão Europeia sobre o PNALE português</P>
<P>
Comunicado de imprensa da COMISSÃO - "Comércio de Emissões: a Comissão deu o seu aval a mais oito planos, abrindo caminho para o início do Comércio de Emissões na data prevista" (IP/04/1250)</P>
<P>
Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão - PNALE 2005-2007 (versão notificada à Comissão Europeia)</P>
<P>
PNALE 2005-2007 - Relatório da Consulta Pública</P>
<P>
Metodologia de Atribuição de Licenças de Emissão - PNALE 2005-2007 </P>
<P>
Documentos relacionados com o Comércio Europeu de Licenças de Emissão</P>
<P>
Directiva 2003/87/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de Outubro de 2003, relativa à criação de um regime de comércio de licenças de emissão de gases com efeito de estufa na Comunidade e que altera a Directiva 96/61/CE do Conselho</P>
<P>
Decreto-Lei n.º 233/2004, de 14 de Dezembro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 243-A/2004, de 31 de Dezembro, que estabelece o regime de comércio de licenças de gases com efeito de estufa na União Europeia</P>
<P>
Decisão da Comissão n.º 156/2004, de 29 de Janeiro de 2004, que estabelece orientações para a monitorização e comunicação de informações relativas às emissões de gases com efeito de estufa</P>
<P>
Regulamento (CE) n.º 2216/2004 da Comissão de 21 de Dezembro de 2004, relativo a um sistema de registos normalizado e protegido em conformidade com a Directiva 2003/87/CE do Parlamento Europeu e do Conselho e a Decisão n.º 280/2004/CE do Parlamento Europeu e do Conselho</P>
<P>
International Emissions Trading Association, "Guidelines for an accredited verification system of the greenhouse gas emissions within the EU Emissions Trading Scheme" (em inglês)</P>
<P>
Directiva 2004/101/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de Outubro de 2004, que altera a Directiva 2003/87/CE relativa à criação de um regime de comércio de licenças de emissão de gases com efeito de estufa na Comunidade, no que diz respeito aos mecanismos baseados em projectos do Protocolo de Quioto</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-5080">
<P>
O Tour de França de 2009 vai começar no Mónaco com um contra-relógio de 15 quilómetros, numa etapa que também terminará no principado monegasco.</P>
<P>
O início do contra-relógio terá lugar precisamente no mesmo local do local de partida das provas de Fórmula 1.</P>
<P>
"O prestígio do principado, a filosofia que tem para o desporto e grandes eventos e a localização geográfrica" foram apontados por Christian Prudhomme como justificação para a decisão.</P>
<P>
O Tour de França voltará assim ao Mónaco, depois de 45 anos ausente.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54127">
<P>
Os primeiros 100 dias da Administração Mandela</P>
<P>
Uma África do Sul «normal»</P>
<P>
Steven Lang, em Joanesburgo</P>
<P>
A República da África do Sul, durante décadas votada ao ostracismo pela maioria da comunidade internacional, é hoje em dia um país praticamente normal, do qual pouco se tem falado, desde que em Maio o líder do ANC tomou posse como Presidente, à frente de um Governo de Unidade Nacional.</P>
<P>
Na quinta-feira, Nelson Mandela, de 76 anos, completa 100 dias como Presidente da África do Sul e faz um discurso desde já considerado importante, a anunciar uma série de projectos para os próximos tempos.</P>
<P>
O aspecto mais surpreendente deste período simbólico de uma centena de dias é a sua normalidade, depois de décadas de sangue e de tensões, em que morreram dezenas de milhares de pessoas, enquanto não se conseguia acabar com uma governação exercida exclusivamente pela comunidade branca.</P>
<P>
Há cinco anos, quando Frederik de Klerk substituiu Pieter Botha na Presidência sul-africana, quase ninguém esperaria que o país se transformasse, sem uma guerra civil sangrenta, de pária da Humanidade numa autêntica democracia multiracial.</P>
<P>
Ainda há seis meses, o Partido Inkatha, formado essencialmente por elementos da etnia zulu, ameaçava boicotar as eleições e a extrema-direita branca dizia que jamais iria aceitar uma Administração dominada por negros. Mas agora, passados pouco mais de três meses sobre a tomada de posse de Nelson Mandela, a África do Sul é praticamente um país normal, cujo Governo enfrenta problemas que não são muito diferentes dos que pesam sobre os ombros dos vizinhos.</P>
<P>
Hartzenberg calou-se</P>
<P>
O líder do Partido Conservador, Ferdi Hartzenberg, não permitiu que os seus seguidores votassem nas eleições históricas de 26 a 29 de Abril último, mas agora já não põe em causa a legitimidade do Governo de Unidade Nacional, formado pelos partidos de Mandela, De Klerk e Buthelezi.</P>
<P>
Este último, líder do Inkatha, participa activamente, como ministro do Interior, numa Administração em que o ANC tem a maioria; e o espírito de reconciliação prevalece tanto a nível nacional como provincial. O Inkatha governa a província do Kwazulu/Natal e o Partido Nacional, do agora vice-presidente De Klerk, dirige a do Cabo Ocidental, havendo assim um naco do poder para todas as forças políticas realmente significativas.</P>
<P>
A situação relativamente normal que reina no grande e belo país não significa um êxito total do Governo em que ficaram representados os partidos com mais de cinco por cento nas eleições. O nível de violência em certas zonas do Kwazulu/Natal, e mesmo nos subúrbios de Joanesburgo, é ainda motivo de preocupação não só para o novo ministro da Segurança, Sidney Mufamadi, mas também para os que residem nas regiões afectadas. As rixas continuam a vitimar dezenas de pessoas por mês, mas o ambiente geral não é nada que se possa comparar ao de há quatro ou cinco meses.</P>
<P>
Uma pobreza aflitiva</P>
<P>
Quando Mandela presidiu à primeira sessão do novo Parlamento, na Cidade do Cabo, em 24 de Maio, reconheceu que ainda existem na sociedade sul-africana áreas de uma pobreza impressionante, em contraste com as bolsas de nítido desenvolvimento, com são as belas cidades de Joanesburgo, Durban e Pretória, entre outras. E disse que as autoridades iriam implementar projectos de reajustamento social sob a sua supervisão directa.</P>
<P>
Esses projectos importantes não foram lançados durante os primeiros 100 dias, pois os novos ministros e as novas estruturas burocráticas têm levado a arranca mais tempo do que aquele que teria sido desejável. As estruturas das quatro antigas províncias e dos 10 bantustões agora extintos ainda precisam de ser reorganizadas e absorvidas nas das nove províncias em que hoje em dia se reparte a África do Sul.</P>
<P>
Em consequência dos atrasos destes primeiros meses da nova Administração, os eleitores que votaram no ANC ainda não sentiram grande diferença no seu quotidiano. A maioria esmagadora de quem não tinha casa adequada nem emprego certo continua na mesma, pois que milagres não se fizeram. Os pobres continuam pobres e os ricos continuam à espera da tão prometida vaga de investimentos externos.</P>
<P>
O Governo tem um Programa para a Reconstrução e Desenvolvimento visto pela maioria dos sul-africanos como a solução de todos os problemas sociais do país; mas o ministro sem pasta dele encarregado, Jay Naidoo, ainda não conseguiu construir uma casa ou criar um emprego que não fossem para os próprios funcionários que hão-de implementar o PRD.</P>
<P>
O povo está pouco a pouco a perder a paciência. Todos os dias há frente ao Parlamento manifestações de pessoas a exigir aumento salarial, casa, saneamento e água potável, enquanto as autoridades vão mais ou menos respondendo que «Roma e Pavia não se fizeram num dia». Por enquanto os protestos não são muito grandes, mas poderão crescer no futuro se a população não vir actos concretos dentro das próximas semanas. E se os padrões de vida da maioria não melhorarem substancialmente nos próximos dois anos a estabilidade social ficará de novo em perigo, como o estava há dois ou há três anos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-58966">
<P>
Luxo e «glamour» num circuito histórico</P>
<P>
Monte Carlo é o exemplo perfeito do que não deve ser um circuito para corridas de automóveis: estreito, lento, com curvas perigosas, rodeado por muros e «rails» e quase sem escapatórias. Porém, nada disso impede que o GP do Mónaco seja um dos mais conhecidos e prestigiados em todo o mundo e que o seu circuito urbano continue a fascinar os pilotos.</P>
<P>
A história do circuito de Monte Carlo começa antes mesmo da Fórmula 1, mas foram os 42 Grandes Prémios já disputados no Principado (o primeiro em 1950, quando começou a F1) que contribuíram decisivamente para que se criasse aqui um ambiente único. Para além das dificuldades da pista, que são um desafio constante para os pilotos, há um conjunto de factores que fazem com que esta prova se destaque de todas as outras do calendário internacional. Desde logo por se disputar em Monte Carlo, ainda hoje um lugar envolto em algum mistério -- um paraíso fiscal para milionários, um retiro para o «jet-set» internacional. O fim-de-semana da F1 é aproveitado por muitos para que a sua presença seja notada, após um ano de anonimato, enquanto outros escolhem exactamente esta altura do ano para procurar outras paragens, menos barulhentas e com menos curiosos.</P>
<P>
Para os pilotos, esta é também uma prova diferente, possivelmente a única onde podem permitir-se esquecer algumas das suas justas exigências em matéria de segurança. A pista foi uma das poucas que escapou à «febre» de modificações impostas pela FIA e pelos pilotos a partir do acidente mortal de Ayrton Senna, em Ímola, no ano passado. «Este é um circuito único, com desafios muito particulares», explica Mike Gascoyne, director-técnico da Tyrrell-Yamaha e responsável pela preparação do programa que permite simular uma volta à pista no computador. «É muito estreita, muito lenta e os carros vão correr com o máximo de apoio aerodinâmico. É uma pista especialmente exigente para as transmissões e o asfalto também é muito irregular e sujo», refere Gascoyne, para quem os pilotos vão sentir aqui, mais do que em qualquer outro lugar, as alterações aerodinâmicas impostas para esta época.</P>
<P>
Este circuito é penalizante para os «rookies», já que o conhecimento do traçado é fundamental para se conseguir um bom resultado. «Acho que quando conseguir parar de tentar lembrar-me de como é a próxima curva, posso melhorar os meus tempos», afirmou ontem o «estreante» David Coulthard, após as duas primeiras sessões de treinos.</P>
<P>
Para Eddie Irvine, outro piloto que nunca tinha disputado qualquer corrida em Monte Carlo, a adaptação também não está a ser fácil: «O circuito não é tão divertido como eu pensava que seria -- os carros são muito grandes e acho que até vou ter de adaptar o meu volante.» Heinz-Harald Frentzen, que no ano passado cumpriu apenas algumas voltas ao circuito (a Sauber retirou-se após o acidente com Karl Wendlinger), mostrou-se também surpreendido com a nova visão dos trajectos que conhece bem: «Apesar de viver aqui, tinha-me esquecido de como as ruas podem ser tão estreitas.»</P>
<P>
Mika Salo encontrou uma forma de passar a conhecer a pista, mesmo antes de entrar no seu monolugar: passou parte da noite de quarta-feira a passear de bicicleta pela pista, procurando memorizar todo o traçado. O finlandês utilizou a mesma técnica quando correu no circuito urbano de Macau, e ficou com boas recordações, já que terminou a corrida no segundo lugar.</P>
<P>
Para ter êxito neste circuito tão difícil, é necessário dispor de um carro muito equilibrado, sobretudo a nível de chassis e de afinações aerodinâmicas. Mas mantém-se a ideia de que os pilotos de excepção são, à partida, os favoritos, o que é confirmado pelo historial da prova. Juan Manuel Fangio venceu a corrida de 1950, repetindo o triunfo em 1957; Graham Hill foi durante muito tempo conhecido como o «rei do Mónaco» graças às suas cinco vitórias neste circuito da década de sessenta; os anos oitenta ficaram marcados pelas quatro vitórias de Alain Prost; Ayrton Senna foi coroado «rei» do Principado graças às suas seis vitórias, cinco delas consecutivas, tendo ganho pela última vez em 1993. No ano passado, já sem a oposição de Senna, Michael Schumacher recebeu pela primeira vez a taça de vencedor das mãos do príncipe Rainier, dando início a um novo ciclo --Êou a uma nova dinastia, como parece mais adequado dizer quando se trata do GP do Mónaco.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31080">
<P>
O GGB (Grupo Gay da Bahia) deve começar a distribuir hoje um folheto contendo instruções para evitar a violência contra os homossexuais. O material está sendo divulgado devido à repercussão do assassinato do ator Moacir Moreno (foto), no início do mês. Moreno foi morto em sua casa. Dois garotos de programa foram acusados do crime.</P>
<P>
O NÚMERO</P>
<P>
10 ... mil assinaturas para a campanha pela volta do ensino da música nas escolas foram coletadas na Expomusic'94, encerrada no último domingo no Expo Center Norte, na zona norte de São Paulo. A campanha é liderada pela Associação Brasileira da Música. São necessárias 30 mil assinaturas para votar emenda que torna obrigatório o ensino de música no 1º e 2º graus.</P>
<P>
Chuva deixa cerca de 200 desabrigados no RS</P>
<P>
A chuva que começou na madrugada da última segunda-feira no Rio Grande do Sul atingiu diversos municípios. A situação mais crítica é em São Gabriel (320 km de Porto Alegre), onde até ontem à tarde havia cerca de 200 desabrigados devido ao transbordamento do rio Vacacaí. O 8º Distrito de Meteorologia prevê tempo nublado com chuva até o próximo sábado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49411">
<P>
Porquê?</P>
<P>
Porque se despistou Ayrton Senna na curva Tamburello?</P>
<P>
Esta é uma das curvas mais perigosas do circuito de Ímola, tendo em anos anteriores vitimado Gerard Berger e Nelson Piquet, em acidentes não fatais. Negociada a fundo, em aceleração, numa altura em que os carros se aproximam dos 300 km/h antes de atingirem, algumas centenas de metros à frente, os 320 km/h, a anteceder a travagem para a curva Villeneuve. Ora se o acidente de Ratzenberger, que ocorreu precisamente nessa curva Villeneuve, se ficou a dever à quebra de elemento aerodinâmico, que desapoiou bruscamente o trem dianteiro, ainda não existe uma resposta clara para o que aconteceu com Ayrton Senna. A tese dominante entre os pilotos é que terá ocorrido uma qualquer falha mecânica, provavelmente a ruptura de um elemento da suspensão traseira, o que terá precipitado o carro para fora da pista. Os pilotos são unânimes em considerar que aquela não é uma zona do circuito onde se cometam erros de pilotagem, já que é feita a fundo (para além disso, ao volante ia o mais categorizado dos pilotos no activo). O único testemunho ocular, o de Michael Schumacher, que seguia logo atrás, não permite confirmar nem inferir a tese da falha da suspensão. O piloto alemão afirma que o carro de Senna estava instável e que a traseira terá tocado no chão com muita força antes da viatura se despistar. As outras hipóteses de falha técnica relacionam-se com um qualquer defeito da direcção.</P>
<P>
Uma outra possibilidade discutida é a de a pressão nos pneus ser demasiado baixa. Com efeito, devido à elevada temperatura que se vivia em Ímola, os carros partiram com uma pressão menor do que o habitual, pois os pneus iam aquecer muito, o ar dilatar e assim chegar à pressão ideal. Acontece porém que as cinco voltas que as viaturas foram obrigadas a efectuar atrás do «pace car» poderá ter contribuído para arrefecer os pneus, diminuindo assim a sua pressão. Na altura em que passava pela segunda vez na curva Tamburello, Senna só cumprira uma volta lançada, insuficiente para reaquecer os pneus.</P>
<P>
Houve igualmente quem levantasse a hipótese de um desmaio súbito de Senna -- razão por que não se teria notado qualquer tentativa de corrigir a trajectória do Williams -- e, em declarações a um jornal inglês, Patrick Head, da própria Williams, falou em erro de pilotagem. Segundo ele a telemetria teria indicado um ligeiro abrandar da pressão sobre o acelerador na curva, o que teria provocado o descontrolo da viatura. Este tese, vinda de quem terá todo o interesse em descartar a hipótese de falha mecânica, não elimina porém a hipótese de essa ter sido a eventual reacção de Senna a um comportamento anómalo do seu carro. Assim, uma resposta definitiva talvez nunca venha a ser conhecida, mesmo depois de aberta a «caixa preta» que também equipa os Fórmula 1.</P>
<P>
Os Fórmula 1 são carros realmente seguros?</P>
<P>
Doze anos sem acidentes mortais faziam crer que sim. Basicamente, a evolução da segurança dos Fórmula 1 assenta na resistência da célula de sobrevivência, construída em fibra de carbono. Essas células de sobrevivência praticamente não cederam em nenhum dos acidentes fatais e, um dia antes, tinham salvo a vida a Barrichelo. Mas isso não quer dizer que estas viaturas não possam sofrer avarias súbitas -- perda de elementos aerodinâmicos, suspensão que cede, um furo, etc. -- capazes de, por si só, provocarem o descontrolo a alta velocidade. Nessa altura, quando se segue a mais de 300 km/h, o problema deixa de ser a célula de sobrevivência para passar a ser o piloto.</P>
<P>
Quais são os limites para a resistência humana?</P>
<P>
Quando se choca contra um muro a 300 km/h, mesmo que a célula de sobrevivência não ceda e o cinto de segurança permaneça fixo, o corpo do piloto sofre uma brutal desaceleração. Uma vez que as pernas e o tronco estão firmemente presos, é a cabeça e o pescoço que aguentam o maior choque, porque são a única parte móvel do corpo (até do próprio carro). Tanto no caso de Senna como no de Ratzenberger ter-se-á verificado o esmagamento da parte inferior da caixa craniana com lesões cerebrais profundas, eventualmente com perda de massa encefálica. Recentemente, noutros acidentes, Jean Alesi e J. J. Letho tinham já sentido o que pode significar desacelerações deste tipo, tendo fracturado vértebras cervicais. As quantidades de energia dissipadas através da cabeça e do pescoço neste impacto é tal que alguns técnicos falam em fixar o capacete, o que não parece possível, pois o piloto terá sempre de mexer a cabeça. Para além disso, este tipo de desaceleração brutal pode provocar outro tipo de danos cerebrais, pois literalmente «atira» o cérebro contra as paredes da caixa craniana, problema que não seria resolvido, antes agravado, pela fixação do capacete. A única forma de melhorar a situação seria passar a construir os Fórmula 1 com partes deformáveis, que absorvessem parte do choque, diminuindo a desaceleração instantânea.</P>
<P>
Os carros estão a evoluir depressa de mais?</P>
<P>
Por outras palavras: estão os Fórmula 1 demasiado rápidos? Tudo indica que sim. Apesar das alterações aos regulamentos, os recordes continuam a ser batidos, mesmo pulverizados. Isso mesmo tinha sucedido em Ímola. Sem suspensões activas, sem outras formas de auxílio à pilotagem, tudo se torna mais difícil para pilotos que, ainda por cima, vão cada vez mais depressa devido a motores mais potentes, pneus mais sofisticados e aerodinâmicas mais bem conseguidas. As alterações introduzidas este ano aos regulamentos apenas visaram aumentar o espectáculo e, teoricamente, aproximar as equipas com menos orçamento das mais poderosas. A segurança não foi tida em conta, apesar dos avisos de alguns pilotos, e talvez porque há muito tempo ninguém morria no «circo». Com a chegada ao primeiro circuito rápido, com os novos regulamentos, duas mortes (e mais um espectador). É caso para pensar.</P>
<P>
Os circuitos são demasiado perigosos?</P>
<P>
São os pilotos que o dizem. Senna não gostava de Ímola, Senna tinha mesmo ido verificar a pista depois da morte de Ratzenberger (o que lhe valeria ser admoestado pela FIA!). A questão é que só por milagre se pode resistir vivo a um embate contra um muro de cimento a 300 km/h, e em alguns circuitos os muros de cimento estão a poucos metros de curvas perigosas e muito rápidas. É o caso de Ímola. Será por isso necessário reduzir a velocidade nalguns pontos, aumentar a dimensão das escapatórias, redesenhar mesmo parte de alguns circuitos, sobretudo dos mais rápidos, onde se atingem velocidades superiores aos 300 km/h.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-51353">
<P>
Prefeito afirma que espera concluir 'logo' o projeto; d. Paulo Evaristo Arns apóia movimento contra a extensão</P>
<P>
LUIS HENRIQUE AMARAL</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O prefeito Paulo Maluf (PPR) afirmou ontem que a obra de extensão da avenida Faria Lima é "irreversível": "Vamos fazê-la dentro da lei. É um projeto de governo que espero entregar logo para São Paulo". Segundo ele, a lei 7.104, aprovada pela Câmara Municipal em 1968 e que determinava o traçado original da avenida, autoriza as desapropriações e o início da obra.</P>
<P>
A declaração foi feita ontem, após cerimônia de comemoração do aniversário de 440 anos de São Paulo, no Pátio do Colégio. Enquanto Maluf discursava, um grupo de 50 pessoas dos movimentos Pinheiros Vivo e Vila Olímpia Viva protestou contra a obra: "É especulação, Faria Lima não", gritavam em coro.</P>
<P>
Maluf ironizou os manifestantes afirmando que eles não eram moradores de Pinheiros nem da Vila Olímpia: "A maioria mora em São Bernardo e veio aqui por ordem da CUT". Para o prefeito, os moradores dos bairros que serão cortados pela obra "estão felizes, pois seus imóveis serão valorizados".</P>
<P>
Os manifestantes participaram, às 9h, da missa pelo aniversário da cidade celebrada pelo cardeal-arcebispo d. Paulo Evaristo Arns, na catedral da Sé. Após a missa, d. Paulo afirmou que apóia o movimento. Ele colocou o departamento jurídico da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo à disposição do grupo. "Eu abençôo vocês", disse o cardeal.</P>
<P>
Maluf voltou a afirmar ontem que os proprietários dos 120 imóveis que serão desapropriados para a extensão da Faria Lima "receberão indenizações acima do valor de mercado". Lembrou também que hoje será realizada, na Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, uma audiência pública para debater o Eia-Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) da obra. "A obra deve respeitar a ecologia da cidade", disse.</P>
<P>
Os grupos que se opõem à extensão da avenida prometem comparecer à audiência pública para discutir o projeto e protestar. Ela será realizada na sede da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-36941">
<P>
Califórnia espera chuva do fim-de-semana</P>
<P>
Inundada de água e de lama pelas chuvas torrenciais que se abateram durante nove dias, e que provocaram pelo menos oito mortos, a Califórnia devastada gozou ontem de uma acalmia nas condições atmosféricas, mas com grandes receios da nova vaga prevista para o fim-de-semana.</P>
<P>
O governador do maior Estado norte-americano, Pete Wilson, pediu quarta-feira ao Presidente Clinton para dar a mais dez condados o estatuto de zona sinistrada, já decidido para 24 condados, que dá às zonas tocadas o direito de receberem fundos federais. Clinton deverá visitar os locais sinistrados nas próximas segunda e terça-feira, aproveitando uma viagem à Califórnia prevista para comemoração do terramoto de Los Angeles, que há exactamente um ano provocou 61 mortos.</P>
<P>
Além das oito vítimas mortais, a subida violenta das águas de rios como o Sonoma, o Napa e o Russe, destruiu dezenas de casas. Mais de 40 cm de água por metro quadrado abateram-se em nove dias sobre a Califórnia, isto é, duas vezes mais que a quantidade habitual em toda a época. Ontem, dezenas de milhares de «refugiados» começaram a reentrar naquilo que resta dos seus domicílios, debaixo de uma chuva fina mas persistente. Segundo as primeiras estimativas estabelecidas pelos serviços de urgência do estado, e referidas a apenas 13 condados, as intempéries provocaram 66 milhões de dólares (cerca de dez milhões e 500 mil contos). O balanço final deverá ser significativamente superior.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-28533">
<P>
Célula de futura menina seria posta em outra mulher</P>
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
Pesquisadores britânicos planejam usar células de fetos mortos como técnica de inseminação artificial. Eles pretendem usar células –futuros óvulos– de fetos do sexo feminino que, por algum motivo, foram abortados.</P>
<P>
Os planos, divulgados ontem, geraram protestos de políticos, médicos e sacerdotes britânicos.</P>
<P>
De acordo com o método, o médico retiraria o ovário do feto morto. Do ovário, ele retiraria células especiais que, na mulher, se tornariam óvulos. São esses óvulos que, fertilizados com o espermatozóide de um homem, seriam implantados no útero de uma outra mulher.</P>
<P>
Bebês nascidos dessa maneira, dizem os críticos, não teriam mães biológicas. Críticos também temem uma "criação de fetos" –mulheres que engravidariam apenas para abortar e vender seus fetos.</P>
<P>
"Isso é equivalente a furto de úteros", disse David Alton, um político liberal-democrata. Jill Knight, uma colega conservadora, afirmou: "Não entendo como a profissão médica pode considerar a produção de crianças de uma mãe que nunca existiu".</P>
<P>
"Mulheres que não têm ovários funcionais devido a um tratamento de câncer ou a uma menopausa precoce poderiam se beneficiar desse tecido, que, de qualquer maneira, vai ser incinerado", defendeu Roger Gosden, um dos cientistas envolvidos.</P>
<P>
A técnica já foi realizada em camundongos por pesquisadores da Universidade de Edinburgo. Ela poderia ser aplicada em seres humanos dentro de três anos, dependendo da aprovação da Associação Médica Britânica.</P>
<P>
Este é o terceiro caso médico que gera discussões éticas no Reino Unido. No final de dezembro, uma mulher de 59 anos deu à luz a duas crianças, graças à inseminação artificial. Dias depois, uma mulher negra disse ter escolhido o óvulo de uma mulher branca para poder engravidar.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-19175">
<P>
A CPI do jogo do bicho da Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou ontem parecer do relator da comissão, deputado Hélio Ansaldo (PL), que pede a legalização dessa contravenção.</P>
<P>
O relatório também propõe a abertura de CPI sobre o crime organizado e a corrupção policial.</P>
<P>
Golfinho faz 28ª vítima em Caraguá </P>
<P>
O golfinho Tião fez ontem sua 28ª vítima em Caraguatatuba (litoral de SP). Marcos Roberto Simão, 38, diz ter sido mordido quando nadava na praia do Centro. Simão levou três pontos na mão esquerda. Segundo o Ibama, Tião ataca em defesa própria.</P>
<P>
Tubarão ataca pela 10ª vez no ano em PE </P>
<P>
Um tubarão atacou ontem em Recife (PE) o estudante Tiago Costa Lima, 17. Ele surfava na praia de Boa Viagem. É o terceiro ataque de tubarão no litoral do Estado nos últimos 13 dias e o 10º do ano. Uma pessoa já morreu. Segundo o médico Rainério Ramalho, Lima sofreu "ferimento complicado" na panturrilha (batata da perna) direita.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-48634">
<P>
Morte de Ayrton Senna</P>
<P>
Continua a onda de choque</P>
<P>
Um pouco por todo o mundo, a morte do piloto brasileiro Ayrton Senna -- ocorrida no domingo, à 7ª volta do GP de S. Marino, quando o Williams-Honda do tricampeão mundial se despistou a cerca de 300 km/h na curva Tamburello do circuito de Ímola, em Itália -- continua a provocar reacções, muitas vezes contraditórias. Entre as homenagens sentidas e os aproveitamentos de ocasião, prossegue a onda de choque provocado pelo fim-de-semana mais negro da última década da história do desporto automóvel.</P>
<P>
Com a realização da autópsia (por força do inquérito judicial instaurado pelas autoridades italianas) dos corpos de Senna e Ratzenberger, as duas vítimas mortais da terceira prova do «Mundial» de F1 de 1994, terminou mais uma fase do processo de averiguação das causas daqueles dois acidentes. O Procurador da República italiana declarou ontem, sem esperar pelo relatório dos médicos encarregados das autópsias, que Ayrton Senna morreu em função do grave traumatismo craniano sofrido no acidente, seguido de paragem cardíaca, o que exclui a possibilidade de doença súbita. Porém, não são ainda conhecidos oficialmente os resultados da autópsia. Os médicos do Instituto Médico-Legal de Bolonha afirmam precisar de 60 dias para chegar a conclusões definitivas sobre as causas da morte do tricampeão brasileiro.</P>
<P>
Ontem, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) anunciou em comunicado que dará «prioridade absoluta» a todos os relatórios que já foram elaborados sobre a segurança nos circuitos de F1, que poderão ser analisados já na reunião desta manhã, realizada a pedido do Automóvel Clube de Itália. De acordo com o comunicado, a FIA aguarda «os relatórios dos delegados técnicos do circuito de Ímola, do médico, do pessoal da segurança e da supervisão, bem como os das escuderias». O documento adianta ainda que «só quando se conhecerem todos os factos é que será possível determinar se é necessário alargar as medidas de segurança introduzidas em 1993 e 1994, antecipar a aplicação das que foram aprovadas para 1995 e estudar a possibilidade de serem introduzidas outras medidas.»</P>
<P>
Max Mosley, presidente da FIA, refutou ontem todas as críticas que apontam como principal responsável pelos acidentes do fim-de-semana a excessiva importância do espectáculo, em contraponto com as condições de segurança, na F1: «As mortes [de Senna e Ratzenberger] não são mais do que fruto de uma extraordinária coincidência. Tivemos uma sorte incrível durante 12 anos, mas a sorte abandonou-nos em Ímola. A Fórmula 1 não é nem mais nem menos segura do que há uma semana atrás.» Interrogado sobre as condições de segurança do circuito de Ímola, Mosley afirmou: «Ninguém, nem piloto nem director de equipa, me disse nunca que Ímola é perigoso. Todos já fizeram testes em Ímola e havia sessões de testes previstas para esta semana.» Testes anulados depois dos acidentes mortais.</P>
<P>
Williams aguarda inquérito</P>
<P>
Entretanto, a Williams-Renault emitiu ontem um comunicado onde afirma que «todas as teorias referentes à causa do acidente de Ayrton Senna, reproduzidas na imprensa, são pura especulação», acrescentando : «O carro está imobilizado em Itália. Será efectuado um inquérito completo, com o apoio de todos os meios técnicos. Enquanto se aguarda pelos resultados desse inquérito, nenhum comentário pode ser feito.» A equipa de Didcot anunciou ainda que as suas decisões quanto à forma de participação no GP do Mónaco, próxima prova do «Mundial», não serão divulgadas antes da próxima segunda-feira. No entanto, é dado como certo que a equipa alinhará com apenas um carro no GP do Mónaco, como homenagem ao piloto brasileiro. Segundo o jornal britânico Today, a equipa estaria disposta a oferecer 18 milhões de dólares (cerca de 3 milhões de contos) ao francês Alain Prost (o tetracampeão mundial que se retirou no fim da última época) para que este voltasse à equipa até ao fim do ano. Segundo o mesmo jornal, o italiano Ricardo Patrese segue-se na lista de preferências.</P>
<P>
Escusando-se a falar publicamente sobre a morte de Senna, por se encontrar emocionalmente abalado, o inglês Frank Williams, «patrão» da equipa anglo-francesa, preferiu também divulgar um comunicado, lido aos jornalistas pelo director comercial da Williams-Renault, Richard West: «A escuderia Williams é uma família e, embora Senna apenas tenha chegado esta época, eu e ele tínhamos umas sólidas e longas relações de amizade. Estou também orgulhoso pelo facto de ter sido um Williams o primeiro carro a ser conduzido por Ayrton Senna. Ele trouxe-nos todo o seu empenho e fizemos o mesmo em relação a ele. Ele amava o automobilismo e partilhou essa paixão com todos os empregados em Didcot. Somos uma escuderia de Grandes Prémios que se consagra ao desporto e continuaremos o nosso trabalho, já que estou certo que isso é o que Senna desejava.»</P>
<P>
Ron Dennis exalta amizade</P>
<P>
Também Ron Dennis, «patrão» da equipa McLaren-Peugeot -- com a qual Senna ganhou os seus três títulos mundiais -- preferiu o comunicado escrito para render a sua homenagem ao piloto brasileiro. «Ayrton Senna era um piloto extraordinário. As suas capacidades, o seu profissionalismo, a sua delicadeza e coragem eram de uma tal magnitude que esmaga todos os outros pilotos da sua geração», afirma o comunicado da equipa anglo-francesa.</P>
<P>
Ron Dennis acrescenta: «Para mim, ele era mais do que um tricampeão mundial, mais do que um próspero homem de negócios. Era um amigo. (...) Ayrton e eu estivemos muitas vezes em desacordo e por vezes até nos ignorámos. Isto porque tínhamos a mesma vontade de ganhar. À margem da nossa paixão partilhada, instalou-se um respeito mútuo, mesmo se cada um de nós procurava ultrapassar o outro. (...) Normalmente, não sou um homem emotivo, Ayrton também não o era, mas os dois sentimos uma grande emoção quando nos lançamos juntos nos Grandes Prémios. Ele vai fazer-me muita falta.»</P>
<P>
Zita Seabra quer telenovela</P>
<P>
Ainda ontem, o embaixador do Brasil em Portugal, José Aparecido de Oliveira, propôs ao Governo português a realização de uma co-produção cinematográfica sobre a vida de Ayrton Senna. O embaixador falava numa cerimónia que decorreu no Palácio da Ajuda, em Lisboa, com a presença do Secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana Lopes, e da presidente do Instituto Português das Artes do Cinema e Audiovisual (IPACA), Zita Seabra.</P>
<P>
O antigo ministro da Cultura do Brasil recordou que a carreira do piloto começou em 1984 no GP do Estoril, sublinhando que Senna deve ser considerado como «um grande atleta do mundo lusófono». Respondendo a Aparecido de Oliveira, Zita Seabra propôs que essa co-produção fosse «uma telenovela filmada pela Rede Globo».</P>
<P>
Ainda ontem, a presidente da Câmara de Sintra, Edite Estrela, emitiu uma «nota de condolências» dirigida aos «familiares e amigos do malogrado piloto», onde afirma que «o Concelho de Sintra ficou mais pobre perante a morte de um dos seus mais ilustres habitantes».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-44306">
<P>
África do Sul suspensa do resultado da cimeira</P>
<P>
Uma coroa para Zwelithini</P>
<P>
Jorge Heitor*</P>
<P>
O ANC tentou seduzir o rei dos zulus e afastá-lo do seu tio Buthelezi, como forma de pacificar a África do Sul. Se o conseguiu ou não só agora se irá saber, depois de vir a público todo o resultado da cimeira quadripartida que ontem ao princípio da noite ainda decorria no Parque Nacional Kruger, que faz fronteira com Moçambique.</P>
<P>
O Congresso Nacional Africano (ANC) propôs ontem ao rei dos zulus, Goodwill Zwelithini, reconhecê-lo como monarca constitucional do Kwazulu/Natal e fazê-lo, se assim o desejar, coroar pelo presidente do Tribunal Constitucional da África do Sul, no que seria um autêntico ovo de Colombo para resolver uma das principais crises que o país atravessa.</P>
<P>
A proposta de coroação do rei pelas autoridades da República está contida num projecto de acordo entre o ANC e a casa real do Kwazulu, conhecido na altura em que na região de Sukuza, no Parque Nacional Kruger, decorria ontem ao fim da tarde a cimeira quadripartida que poderia ser decisiva para o bom desenrolar das eleições de 26 a 28 deste mês.</P>
<P>
Antes de ambos se reunirem com o Presidente Frederik de Klerk e com o líder do partido Inkatha, Mangosuthu Buthelezi, o soberano e o líder do ANC, Nelson Mandela, conferenciaram durante mais de quatro horas, tendo transcendido nos meios políticos que o mais popular político do país estava a tentar seduzir o descendente de Shaka.</P>
<P>
Goodwill Zwelithini Zulu Kabhekuzulu começou a reunião com a exigência de que Mandela se distanciasse do abate de oito súbditos seus junto à sede do ANC, em Joanesburgo, durante um desfile efectuado no dia 28 de Março.</P>
<P>
«Enquanto e a não ser que se distancie pessoalmente do derrame do sangue inocente do povo do meu pai, levando à condenação dos que são culpados deste crime, o nosso diálogo permanecerá difícil, se não mesmo impossível», disse o soberano a Mandela, na sua linguagem majestática, própria de uma pessoa que se considera a imagem viva de uma História gloriosa.</P>
<P>
A importância da tradição</P>
<P>
A fim de se explicar e de tentar ultrapassar a má-vontade de Goodwill, o líder do ANC necessitou de mais do dobro do tempo inicialmente previsto para o seu encontro com um homem que diz representar milhões de zulus, a mais numerosa das diversas etnias sul-africanas.</P>
<P>
Segundo os observadores, a grande cartada de Mandela era ir ao encontro da vaidade real e explicar ao seu interlocutor que só tem a perder se continuar afecto às atitudes radicais de Buthelezi, de quem é sobrinho e pelo qual tem sido muitas vezes utilizado para satisfazer as ambições de poder.</P>
<P>
Entende o ANC que a província do Kwazulu/Natal, uma das nove em que a África do Sul passa a estar dividida, poderá muito bem ser considerada uma monarquia constitucional, tal como depois de o Uganda se haver tornado uma República nele continuou a existir o tradicional reino de Buganda. E é sabido que no próprio Gana, um dos países africanos com mais anos de independência, ainda hoje continua a existir o velho reino de Ashanti.</P>
<P>
O reconhecimento das autoridades tradicionais, com linhagens que se têm perpetuado ao longo dos séculos, é hoje em dia o segredo de uma boa administração nas jovens repúblicas africanas saídas das fronteiras coloniais, tendo-se malogrado todas as tentativas de as ignorar, desde a Guiné-Bissau a Moçambique, passando pelos barões de Cabinda.</P>
<P>
Foi decerto tendo isso em conta que o rei ontem começou por falar duro a Mandela, quando lhe disse não existirem palavras para expressar o horror da «chacina do povo de seu pai que se manifestava pacificamente pela restauração do Reino do Kwazulu». Mas o líder do ANC logo o teria amansado um pouco ao propor reconhecê-lo como «monarca dotado de poderes constitucionais, de prerrogativas, de direitos e de obrigações», em toda a área do antigo Natal.</P>
<P>
O antigo bantustão Kwazulu, tal como existiu durante o tempo do apartheid, era constituído por uma série de pedaços de terreno para negros dispersos pelo conjunto do Natal, a Sul de Moçambique. Mas agora deixa de haver destrinça entre zonas brancas e negras, passando todo o conjunto a poder ser considerado ao mesmo tempo uma província sul-africana e uma monarquia constitucional, habitada basicamente por zulus, indianos e brancos de língua inglesa.</P>
<P>
Segundo a proposta do ANC ontem conhecida, «Sua Majestade o Rei e a casa real obterão e gozarão o estatuto próprio da sua linhagem», o que tanto poderá servir para Goodwill propriamente dia como para seu tio Buthelezi, que de modo algum aceitaria agora remeter-se a um papel apagado, de simples dirigente de um partido menor.</P>
<P>
Poderes protocolares</P>
<P>
O rei ou as pessoas que ele escolher exercerão os poderes protocolares e tradicionais que vierem a ser especificados na Constituição própria do Kwazulu/Natal, enquanto o poder real estará nas mãos da assembleia regional a ser eleita e que, segundo as sondagens, deverá ser dominada pelo ANC e pelo Partido Nacional.</P>
<P>
Mesmo que o Inkatha ainda mudasse de opinião e apresentasse candidatos, não é considerado credível que ganhasse as eleições, nem naquela nem em nenhuma outra província. A nível nacional o partido de Buthelezi representa menos de 10 por cento da população sul-africana, quota que no Kwazulu/Natal poderá eventualmente ir a 30 por cento.</P>
<P>
Assim, sem qualquer hipótese de elevado protagonismo político a nível central ou regional, a Mangosuthu Buthelezi só restará nos próximos anos a saída de puxar pelos seus galões de príncipe da casa real do Kwazulu e de compartilhar com o soberano uma série de funções tradicionais, como a inauguração de obras públicas ou a assistência a festivais. A exemplo dos príncipes de Gales ou dos duques de York.</P>
<P>
Ao princípio da noite de ontem (na África do Sul, com hora agora idêntica à de Lisboa, anoitece muito mais cedo), enquanto uma grande tempestade desabava sobre o Transvaal, com queda de granizo, o país estava suspenso do resultado da grande cimeira de Shukuza.</P>
<P>
Para além do bloco noticioso das 20 horas, o principal do dia, a televisão reservara um «especial» para as 22 horas, altura em que contava poder transmitir a luz verde que eventualmente viesse do Parque Nacional Kruger para um acto eleitoral sem grandes perturbações.</P>
<P>
Entretanto, ao começar a reunião com Mandela, ainda durante a manhã, o rei referira-se à entrada de alguns milhares de soldados sul-africanos no Kwazulu/Natal, ao abrigo do estado de emergência, como «uma agressão estrangeira, uma invasão». Mas era de crer que a presença militar não viesse a ser reforçada durante as próximas semanas se acaso do acampamento de Shukuza saísse fumo branco para a grande reconciliação nacional entre os monárquicos e as forças maioritárias da África do Sul.</P>
<P>
Por outro lado, do resultado da cimeira de ontem vão agora depender os esforços de diplomacia internacional que Henry Kissinger e Lord Carrington estão dispostos a efectuar durante os próximos dias para que o essencial possa ser salvo, no processo democratizador sul-africano.</P>
<P>
Se a cimeira não resultasse e se a mediação se tornasse extremamente difícil, a África do Sul teria a recear centenas de mortos durante as semanas que antecedem a contagem dos votos e logo após a divulgação dos resultados.</P>
<P>
*Com Steven Lang, em Joanesburgo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33572">
<P>
TUBARÃO BRANCO</P>
<P>
Aparece pouco no Brasil. Só atacou uma vez no nosso litoral, em 1981, mas a vítima não morreu. É o animal que aparece no filme "Tubarão, de Steven Spielberg (1975). Pode crescer até sete metros. Apesar do nome, só a barriga é branca. Está ameaçado de extinção.</P>
<P>
TUBARÃO-TIGRE OU TINTUREIRA</P>
<P>
Existe em todo o litoral brasileiro, mas é mais comum no Nordeste. É um tubarão grande. O filhote tem "listras pelo corpo, parecendo um tigre, que ficam difíceis de enxergar quando ele cresce. Os cientistas dizem que ele é um dos tubarões que está atacando em Pernambuco.</P>
<P>
CABEÇA-CHATA</P>
<P>
Junto com o tubarão branco e o tubarão-tigre, formam o trio de tubarões mais perigosos. Existe em todo o litoral brasileiro e pode entrar nos rios. Também é um dos que está atacando em Pernambuco.</P>
<P>
TUBARÃO-MARTELO</P>
<P>
Tem a cabeça em formato de martelo, com os olhos na ponta. Existem seis tipos de tubarão-martelo vivendo no Brasil. Podem crescer até mais de três metros.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-50378">
<P>
Greenpeace preocupada com as caixas de munições do S. Miguel</P>
<P>
Pacific Pintail afasta-se da Madeira</P>
<P>
Preocupados com a proximidade do local onde o S. Miguel foi afundado e perante a possibilidade de o navio Pacific Pintail, carregado com 14 toneladas de resíduos nucleares com destino ao porto de Mutsu-Ogaware no Japão, deparar com as caixas de munições que se soltaram após a explosão que se deu a bordo da embarcação portuguesa, os ambientalistas da Greenpeace emitiram uma mensagem de alerta para o navio britânico. «Utilizámos a frequência de emergência mas o comandante do Pintail não nos deu qualquer resposta», afirmou ao PÚBLICO Bas Bruyne, a bordo do navio MV Solo que navega a três milhas (5,4 quilómetros) de distância do navio nuclear.</P>
<P>
O Pacific Pintail, que saiu do porto de Cherburgo, em França, no passado dia 23 de Fevereiro, estava ontem a descer ao longo do litoral português, fora da nossa Zona Económica Exclusiva (ZEE), a cerca de 400 milhas da costa. A corveta Oliveira Carmo está a seguir o Pintail desde as 15h00 de Domingo.</P>
<P>
«Daqui vemos bem a Oliveira Carmo que está a seguir de muito perto o Pacific Pintail», afirmou Bruyne. A Greenpeace elogiou, em comunicado, a actuação das autoridades portuguesas por não terem permitido que o navio britânico entrasse nas águas nacionais, ao contrário de Espanha que deu autorização para a passagem na costa galega.</P>
<P>
«Legalmente, à luz do direito marítimo internacional, não se pode proibir a entrada do navio nas ZEE assim tão simplesmente mas eles também não devem querer entrar em discussões», afirmou ao PÚBLICO o comandante Brites Nunes, do gabinete do Almirante Chefe do Estado Maior da Armada. A rota do navio tem sido mantida secreta, pondo-se nesta altura três possibilidades: através do Cabo da Boa Esperança, Cabo Horn ou Canal do Panamá. Nos dois primeiros casos, os países respectivos -- África do Sul e Chile -- já anunciaram que não darão permissão para a entrada do navio nas suas águas.</P>
<P>
Às 2h00 de ontem, o Pacific Pintail passou a 140 milhas do local onde foi afundado o S. Miguel. Nada foi avistado, quer pelas autoridades portuguesas, quer pela Greenpeace que tinha alertado o Pintail para a possibilidade de se encontrarem caixas de munições à deriva.</P>
<P>
Recorde-se que durante o afundamento do S. Miguel, a 25 de Outubro, ocorreu uma explosão a bordo, a qual libertou 80 caixas de munições. Oito delas deram à costa portuguesa nas últimas semanas durante as marés vivas o que leva a concluir que muitas se encontram ainda em pleno oceano.</P>
<P>
«É especulativo pensar que o Pintail pudesse encontrar alguma caixa, não só porque passou bastante longe do local onde está o S. Miguel, como elas derivaram em direcção à costa», afirmou o comandante Brites Nunes. O destino das caixas é ainda uma incógnita. «Podem muito simplesmente ter afundado», adiantou o porta-voz da Armada.</P>
<P>
O cargueiro «deverá chegar, durante a noite, à zona que separa as zonas económicas exclusivas dos Açores e da Madeira», disse ontem o comandante Brites Nunes. Espera-se que o Pintail saia das proximidades da ZEE da Madeira às 15h00 de hoje. O acompanhamento do Pacific Pintail pelo navio da Greenpeace tem decorrido sem problemas: «eles ignoram-nos», afirmou Bruyne.</P>
<P>
Ana Fernandes</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-43118">
<P>
20 anos de sobressalto</P>
<P>
Verão de 1974 -- Portugal admite o direito de Angola à independência.</P>
<P>
15 de Janeiro -- O MPLA, a UNITA e a FNLA assinam com Portugal o acordo do Alvor, pelo qual compartilham um governo de transição.</P>
<P>
29 de Agosto -- Malogra-se o governo de transição.</P>
<P>
11 de Novembro -- As últimas forças portuguesas retiram-se de Luanda, onde o MPLA proclama unilateralmente a independência, com o apoio de tropas cubanas e de armas soviéticas. A UNITA faz do Huambo a sua capital.</P>
<P>
1976 -- O MPLA esmaga a guerrilha da FNLA, de Holden Roberto, e afasta a UNITA, que tentara aproximar-se de Luanda, com o apoio da África do Sul.</P>
<P>
1979 -- O líder do MPLA e Presidente da República Popular de Angola, António Agostinho Neto, o poeta da «Sagrada Esperança», morre num hospital de Moscovo e é substituído pelo ministro do Plano, o engenheiro de petróleos José Eduardo dos Santos.</P>
<P>
1987 -- Tropas sul-africanas voltam a entrar em Angola, mais concretamente no Sueste do país, para combater nas terras do Cuando-Cubango ou do Fim do Mundo uma ofensiva do MPLA e dos cubanos contra a UNITA.</P>
<P>
Agosto -- Os sul-africanos retiram-se de Angola, depois de os Estados Unidos haverem servido como medianeiros.</P>
<P>
Dezembro -- Angola, a África do Sul e Cuba assinam um acordo que liga a independência da Namíbia (até aí administrada pelos sul-africanos) à retirada dos 50 mil soldados cubanos que se encontravam em solo angolano.</P>
<P>
1989 - 22 de Junho -- Numa cimeira africana realizada em Gbadolite, a terra natal do Presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko, José Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi aceitam um cessar-fogo, que se malogra em Agosto.</P>
<P>
28 de Abril -- Portugal anuncia os primeiros contactos directos, ainda exploratórios, entre a UNITA e o MPLA, realizados numa herdade do distrito de Évora.</P>
<P>
26 de Outubro -- O Comité Central do MPLA aprova o estabelecimento da democracia multipartidária, depois de 15 anos de regime de um só partido.</P>
<P>
28 de Abril -- O MPLA troca o marxismo-leninismo pela social-democracia, a fim de se preparar para a realização de eleições gerais.</P>
<P>
1 de Maio -- O MPLA e a UNITA concluem as conversações na escola hoteleira de Bicesse, junto ao Estoril, em Portugal, para que haja cessar-fogo daí a 15 dias e eleições no segundo semestre do ano a seguir.</P>
<P>
31 de Maio -- José Eduardo dos Santos e Jonas Malheiro Savimbi assinam o acordo de paz em Lisboa, tendo entre si o primeiro-ministro português, Aníbal Cavaco Silva.</P>
<P>
29 e 30 de Setembro -- Os angolanos têm pela primeira vez eleições presidenciais e legislativas, sob fiscalização da ONU.</P>
<P>
6 de Outubro -- A UNITA retira-se das Forças Armadas unificadas e acusa o governo de fraude eleitoral.</P>
<P>
17 de Outubro -- Conhecidos os resultados, o MPLA obteve 53,7 por cento nas legislativas e a UNITA 34,1 por cento, enquanto nas presidenciais José Eduardo dos Santos conseguiu 49,6 e Savimbi 40,1, tornando-se necessária uma segunda volta. A ONU considera que as eleições foram, de um modo geral, livres e justas.</P>
<P>
Outubro-Novembro -- A luta reacende-se e mais de 300 pessoas são mortas em Luanda, incluindo o vice-presidente da UNITA, Jeremias Chitunda.</P>
<P>
Janeiro -- Ofensiva do MPLA contra a UNITA nas principais cidades, com fortes baixas. A guerra arrasta-se ao longo do ano e os homens de Savimbi conquistam o Huambo.</P>
<P>
Novembro -- Começam as conversações de paz em Lusaca, depois de terem falhado tentativas anteriores em Adis Abeba e em Abidjã.</P>
<P>
18 de Outubro -- O medianeiro das Nações Unidas, Alioune Blondin Beye, anuncia que já se chegou a acordo de princípio entre o governo angolano e a UNITA para acabar com a guerra que vai quase em dois anos, nesta sua última fase.</P>
<P>
31 de Outubro -- Rúbrica do protocolo das conversações de Lusaca.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-94914">
<P>
Câmara de Lisboa e Ministério do Planeamento preparam partilha de gestão</P>
<P>
Vai nascer um instituto para o Casal Ventoso</P>
<P>
A gestão da Operação integrada de Reconversão do Casal Ventoso vai estar a cargo de um instituto sem fins lucrativos, que terá a participação da Câmara Municipal de Lisboa e do Ministério do Planeamento e da Administração do Território (MPAT). A formalização da futura entidade só deverá ocorrer depois da aprovação do programa Urban pela União Europeia, vai financiar aquela operação em cerca de 3,5 milhões de contos. A autarquia alfacinha vai adiantando serviço e hoje prepara-se para votar a sua participação no novo organismo.</P>
<P>
Segundo fonte do MPAT, o processo de criação do futuro Instituto para a Reconversão do Casal Ventoso está já a decorrer e está a ser acompanhado pelo Ministério do Planeamento e pelo município lisboeta. Isto enquanto se espera que Bruxelas aprove programa Urban para Portugal em meados de Julho, depois dessa aprovação ter sido marcada para Abril último. Entretanto, de acordo com Eduardo Graça, coordenador do grupo de trabalho criado pela autarquia para tratar das questões relacionadas com a operação, os estatutos do instituto deverão contemplar um tipo de gestão privada, suficientemente flexível para permitir intervenções rápidas e eficazes no Casal Ventoso.</P>
<P>
As medidas a desenvolver para a reconversão daquele bairro vão passar pela protecção aos idosos, formação profissional dos jovens, criação de equipamentos escolares, saúde e desporto, reinserção social dos marginalizados e excluídos. O projecto aposta, igualmente, na criação de postos de trabalho, recuperação de edifícios (65 por cento das habitações do bairro estão bastante degradadas), construção de novos fogos, melhoria da rede viária, com a abertura de novas artérias, além de outras intervenções.</P>
<P>
Visto que -- segundo já referiu várias vezes Jorge Sampaio, presidente da edilidade -- serão necessários pelo menos 10 milhões de contos para toda a operação, ter-se-á de recorrer, além do Urban, a financiamentos de outros programas previstos no Plano de Desenvolvimento Regional. É o caso do PER (Plano Especial de Realojamentos) para a substituição das barracas que é preciso demolir; do Recria, para a reabilitação de prédios particulares degradados; do Horizon, para as acções de apoio aos socialmente desfavorecidos; ou do programa Pessoa, para fazer face aos problemas de emprego e formação dos jovens. G. P.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22206">
<P>
Sindicatos tomam posição</P>
<P>
Serviços da Segurança Social estão em «situação caótica»</P>
<P>
«Na grande maioria dos serviços da Segurança Social a situação é caótica». Isto é a Comissão Executiva da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (CGTP) a falar.</P>
<P>
Antecipando-se a uma eventual acusação de catastrofismo, os sindicatos dão três exemplos. Primeiro: no Porto, «onde se dizia que havia trabalhadores a mais, há neste momento horas extraordinárias programadas até ao fim do ano». Com uma particularidade: aos sábados, há funcionários a cumprir trabalho extraordinário, mas, na segunda-feira seguinte, os serviços páram «porque o sistema informático é obsoleto».</P>
<P>
Segundo: em Viana do Castelo, o receio que se instalou entre os funcionários de que poderiam ser colocados na situação de disponíveis, levou à desertificação da Secção das Convenções Internacionais. Resistiram dois, mas em breve restará um. Resultado: há quem comece a fazer bicha às quatro horas da manhã, para tentar ser recebido a partir das nove e, por vezes, tem que regressar a casa sem o ter conseguido.</P>
<P>
Terceiro exemplo: em Setembro, em Lisboa, um homem no desemprego desde o princípio do ano continuava à espera do subsídio. Dirigiu-se aos serviços, informou-se sobre o guichet on de esytava o seu processo, irritou-se, insultou, partiu um vidro, mas foi pago à boca do cofre. Tomaram-se medidas. Desde o passado dia 6 que se diz aos desempregados que só num prazo de 15 dias é que se pode dar uma resposta escrita e fundamentada às reclamações. Ainda não há dados que permitam avaliar se a decisão desobstruirá os serviços, que estavam praticamente paralisados, por os funcionários, que deveriam organizar os processos de desemprego, estarem constantemente a interromper as suas tarefas para darem informações.</P>
<P>
Alegam os sindicatos que «o sistema informático está sem capacidade de resposta, os trabalhadores são obrigados a ritmos e condições de trabalho como os existentes na época esclavagista, estão sujeitos a pressões bloqueadoras do normal funcionamento dos serviços, assistem preocupados às justas reclamações de milhares de utentes com graves problemas económicos e sociais que procuram os seus direitos, que estão em débito há muitos meses».</P>
<P>
Descentralização bloqueada</P>
<P>
Vitor Duarte, um dos dirigentes sindicais presentes numa conferência de imprensa ontem de manhã realizada em Lisboa, acusou o Governo de,»em nome da racionalização dos meios e da eficiência dos serviços», ter criado «mecanismos que aumentam significativamente a burocracia. E porquê? Porque a descentralização do sistema foi bloqueada: em vez de uma estrutura descentralizada por 18 capitais de distrito passámos a ter uma estrutura concentrada em cinco capitais. Os poderes de decisão ficaram concentrados nas cinco capitais de distrito. Hoje, Bragança, se quiser tomar uma atitude mais significativa relativamente a uma situação social, tem que pedir autorização ao Porto. Braga se quiser resolver qualquer coisinha tem que ir pedir autorização ao Porto. Chega-se mesmo à aberração da presidente do Centro Regional de Segurança Social do Norte -- que é uma senhora de Braga colocada certamente por razões que o sistema de Segurança Social desconhece -- todos os dias com o seu staff ter que se deslocar de Braga para o Porto e do Porto para Braga. Isto aplica-se também no Alentejo: a presidente é de Beja, a sede do centro é em Évora e todos os dias a senhora presidente e o seu staff deslocam-se de Beja para Évora, de Évora para Beja. Quando, anteriormente, a Segurança Social tinha uma estrutura descentralizada por distrito com capacidade e autonomia administrativa e financeira para decidir relativamente aos problemas sociais que se colocassem».</P>
<P>
O dirigente sindical argumenta que «esta reestruturação entre aspas feita pelo Governo veio desequilibrar o sistema, veio introduzir problemas novos nos problemas antigos que a Segurança Social já tinha. Tais como: a falta de capacidade de resposta dos serviços, que é a questão central, às necessidades sociais dos utentes. Esta situação explica-se por o facto dos serviços terem trabalhadores a menos, porque os que existem não têm condições de trabalho e são obrigados a ritmos de trabalho intensos».</P>
<P>
Em resultado desta situação, os sindicatos informam que «o subsídio de desemprego está a ser pago generalizadamente com cinco e seis meses de atraso; o registo de remunerações dos trabalhadores e o registo da situação contributiva das empresas estão também atrasados vários meses».</P>
<P>
O panorama descrito leva os sindicatos a afirmar que «os trabalhadores da Segurança Social não são os responsáveis pelo mau funcionamento dos serviços, pelo baixo valor das prestações, pelo elevado tempo de espera pelos direitos» e a garantir que «são contra a burocracia e as políticas que visam enfraquecer o actual sistema de Segurança Social». Reclamam, a concluir, ser recebidos em audiência pelo secretário de Estado da Segurança Social. Aguardam que o governante o faça há um ano. Ontem, os sindicatos da Função Pública renovaram o pedido. D.L.R.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22849">
<P>
PAULO MALUF</P>
<P>
Apesar da estúpida e pornográfica inflação que está aí, da crise social que se agrava e da mistura de cartorialismo e corporativismo que são as principais causas da crise moral, o Brasil tem jeito e é ainda um país muito viável. Malgrado tudo isso, temos uma economia privada já bem desenvolvida e vigorosa –com milhares de empresários e milhões de trabalhadores operosos–, que teima em produzir e crescer, apesar dos abusivos aumentos de impostos e do caos governamental. E temos também uma sociedade cuja compreensão política se alarga –aprendendo com sua própria experiência e com a percepção das grandes mudanças que o mundo vem vivendo.</P>
<P>
Assim, se formos capazes de fazer o mais rápido possível –já na revisão constitucional, enfim desencadeada, e no início do próximo governo– as mudanças econômicas e políticas essenciais, a partir da reforma do Estado paquidérmico e corporativista, poderemos viabilizar um novo padrão, não-inflacionário, de financiamento, crescimento e geração de empregos. Poderemos ter um serviço público racional e eficiente e partidos mais representativos, com menos espaço para o clientelismo e acabando com a corrupção. E poderemos entrar no século 21 caminhando com firmeza para uma modernização ampla, que combine estabilidade e prosperidade econômica, melhor distribuição de renda e uma democracia respeitada.</P>
<P>
É com essa perspectiva que me preocupo seriamente com os problemas que nos cercam hoje de todos os lados. É delicada a fase de transição que precisamos atravessar até o final do ano, sob um governo contraditório e passivo e numa conjuntura dominada pelo descontrole inflacionário, pela insegurança dos agentes econômicos, pela virtual implosão da política de saúde e demais programas sociais da União e pelo aumento do desemprego e da miséria. É por tudo isso que me contraponho à sedução populista de propostas estatizantes e ilusórias, que poderão nos enredar de vez no isolamento internacional e no atraso.</P>
<P>
Com a mesma perspectiva e o senso de responsabilidade que dela decorre, tenho procurado contribuir de todas as formas para a revisão constitucional, e passei a dialogar com diferentes lideranças políticas e sociais, em busca da convergência das forças reformistas modernizadoras na sucessão presidencial. Tenho afirmado com clareza que esse entendimento deve, pode e precisa ser posto acima de partidos e de presidenciáveis, tenham eles maior ou menor densidade eleitoral ou respaldo partidário.</P>
<P>
Quanto a mim, coloco-me inteiramente a serviço desse objetivo maior, subordinando a ele a posição privilegiada e honrosa que ocupo nas pesquisas eleitorais, apesar de não ter me declarado candidato. Pois estou certo de que as tarefas da ultrapassagem da crise e da formação de um novo consenso modernizador do país são desafios que envolvem um amplo bloco de forças políticas e sociais, desde as de tradição liberal até setores da esquerda, já convencidos de que a justiça social tem de ser buscada no desenvolvimento da economia de mercado.</P>
<P>
Nesse sentido, além dos partidos com atuação mais próxima nos trabalhos da revisão –PFL, PPR, PP, PTB e PL–, é possível e desejável um esforço de diálogo, que abranja todos os setores partidários que se uniram para garantir a própria revisão. E o passo mais importante a ser dado agora será o de uma articulação suprapartidária de propostas para a sucessão presidencial. Uma boa referência são os projetos já preparados para a revisão, pelos partidos mais empenhados nela. Mas a articulação programática poderá estender-se aos centros universitários e aos meios empresariais e sindicais, bem como a outros núcleos de pensamento da sociedade civil.</P>
<P>
Das decisões legítimas dos partidos, de contribuições modernas e sérias e das preferências que a sociedade vá manifestando é que deverá resultar a escolha do candidato que melhor representará essas forças.</P>
<P>
É compreensível o receio que muitos têm hoje diante dos riscos de retrocesso econômico e impasses políticos que resultariam de eventual vitória de propostas marcadas pelo irrealismo, pelo despreparo e pela radicalização. Mas a postura correta nessa hora deve inspirar-se num sentimento positivo –de convergência em torno de soluções racionais para o país. É em torno da contraposição entre o moderno e o arcaico que cabe hoje a polarização política na sociedade brasileira.</P>
<P>
Essa é igualmente a postura que garantirá a afirmação eficaz e democrática das forças modernizadoras contra grupos presos a uma ideologização maniqueísta e ultrapassada e a um populismo corporativista cada vez mais nocivo.</P>
<P>
PAULO SALIM MALUF, 62, é prefeito da cidade de São Paulo. Foi deputado federal (PDS-SP), prefeito de São Paulo (1969-71) e governador do Estado de São Paulo (1979-82).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-67961">
<P>
No Porto, pelo sexto centenário</P>
<P>
Duas regatas pelo Infante</P>
<P>
Nysse Arruda</P>
<P>
Com a escala da Cutty Sark Tall Ships' Race 94 -- Prince Henry Memorial, em Agosto no Porto, e a transformação do 5º Troféu Infante D. Henrique em regata oceânica, as comemorações do sexto centenário do nascimento do príncipe navegador estendem-se ao mar.</P>
<P>
De 30 de Julho a 7 de Agosto, as margens do rio Douro, o porto de Leixões e toda a zona ribeirinha de Matosinhos e Vila Nova de Gaia servirão de ponto de atracação a uma frota internacional participante na tradicional regata anual Cutty Sark Tall Ships' Race, que volta a arribar à cidade do Porto depois de 38 anos de interregno -- data da primeira edição do evento --, integrando-se no programa das comemorações do sexto centenário do nascimento do infante D. Henrique.</P>
<P>
Num esforço conjunto da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, da Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos, da Aporvela, da Associação dos Portos do Douro e Leixões e das Câmaras Municipais de Porto, Gaia e Matosinhos, bem como de numerosas empresas patrocinadoras, a regata -- que se inicia em Weymouth, Inglaterra, e passa pela Corunha, Espanha -- trará especialmente à região do Porto cerca de 80 embarcações à vela, entre as quais os imponentes Tall Ships, os grandes veleiros de três e quatro mastros que servem de navios-escola em muitos países.</P>
<P>
O programa de atividades para o público inclui cortejos cívicos, «shows» ao ar livre, apresentação de um «cais medieval», desfile de barcos rabelos e parada das tripulações. O espectáculo maior será a presença de mais de 3000 jovens tripulantes das várias embarcações nas docas da cidade e o desfile naval no dia 7 de Agosto, ao largo de Leixões, que assinala a partida da frota para St. Malo, na França, última etapa do evento.</P>
<P>
Triângulo atlântico</P>
<P>
Entretanto, a Associação Naval de Lisboa (ANL) e o «Diário de Notícias» organizam em simultâneo a 5ª edição do Troféu Infante D. Henrique -- Regata Alcântara Açúcares, uma versão actualizada de uma competição que até agora percorria apenas a costa portuguesa. Agora, a prova tornou-se oceânica, com largada dia 31 de Julho, em frente à Torre de Belém, em Lisboa, rumo ao Porto, uma escala estratégica a coincidir com a chegada da frota da Cutty Sark Tall Ships' Race -- Prince Henry Memorial.</P>
<P>
No mesmo dia em que se efectua o desfile naval dos Tall Ships, os cerca de 14 veleiros participantes no Troféu Infante D. Henrique partem em direcção a Ponta Delgada, nos Açores, a mais longa etapa da regata, com 798 milhas. Depois de uma estadia de 3 dias na ilha de São Miguel, a frota retorna a Lisboa, onde deverá chegar entre os dias 23 e 24 de Agosto.</P>
<P>
Além de se integrar nas comemorações do aniversário de nascimento do príncipe navegador, o 5º Troféu Infante D. Henrique homenageia também os 50 anos de atividades do Clube de Vela Atlântico de Leixões, que, em conjunto com a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Armada Portuguesa, Câmaras Municipais e Clube Naval de Ponta Delgada, apoia essa iniciativa da ANL.</P>
<P>
A frota comportará cerca de14 veleiros das categorias IMS e CHS -- embarcações de cruzeiro com o mínimo de 9 metros de comprimento --, além do navio de instrução da Marinha Portuguesa, o «sloop» de 20 metros Vega, cujo «skipper» é o comandante Jorge Novo Palma, do Instituto Hidrográfico da Marinha. A prova obedecerá às normas do Ocean Racing Council, relativas às questões de segurança, e todos os barcos deverão ter a bordo um Epirb (equipamento de rastreamento via satélite).</P>
<P>
A comissão organizadora, cujo presidente é o velejador lisboeta João Lúcio da Costa Lopes, ex-«skipper» da caravela portuguesa Boa Esperança, encarregar-se-á da adopção de medidas de segurança nessa regata para tripulações amadoras, com um cuidadoso rastreamento da rota através do apoio técnico da Marinha, que disporá de um navio para acompanhar a frota, além de uma central de informações na Associação Naval de Lisboa, em contacto diário com os barcos participantes.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-51640">
<P>
Lincha-funcionários e desmemoriados &amp; cia. ganham a chance de rever suas mentiras neste novo ano</P>
<P>
ALOYSIO BIONDI</P>
<P>
Especial para a Folha</P>
<P>
Neste ano que começa, os empresários poderiam deixar de lado o esporte favorito das elites –o pessimismo– e dizer a verdade sobre a economia e, assim, elevar o astral nacional. Eles já não têm como mentir sobre 93, pois as estatísticas mostram que a economia bateu recordes, ao contrário do que eles diziam (ver coluna do último domingo).</P>
<P>
Agora, é torcer para que a mesma mudança de comportamento seja adotada por outros formadores de opinião que sempre estão na TV, nas rádios ou nos jornais espalhando o pessimismo.</P>
<P>
O desfile de "arrependidos" do catastrofismo começaria assim:</P>
<P>
Economistas - vão parar de dizer que o crescimento da economia foi uma "surpresa sem explicação". Eles precisam recuperar a honestidade intelectual e dizer à opinião pública que a recuperação econômica foi consequência da política ordenada pelo presidente Itamar Franco.</P>
<P>
Não há "milagres" ou "surpresa" em economia. A recessão do governo Collor era uma escolha deliberada, a opção que o Planalto havia feito para tentar derrubar a inflação. Como se fabrica uma recessão? Reduzindo o consumo.</P>
<P>
Foi o que o ministro Marcílio fez, cortando o poder de ocmpra da população, através dos reajustes salariais só a cada dois meses e congelamento do salário mínimo e das aposentadorias por quatro meses. De quebra, houve corte violento nos gastos públicos e arrocho do funcionalismo.</P>
<P>
O governo Itamar mudou isto –com a oposição de alguns ministros da Fazenda. Foi matemático: a economia voltou a crescer.</P>
<P>
Jornalistas - aqueles que negam o tempo todo qualquer avanço e arranjam explicações pessimistas para tentar inverter a realidade. Chegam a publicar maluquices engraçadas, como "as vendas batem recordes, apesar da recessão". Inventaram recessão com recorde de vendas? Está bom.</P>
<P>
Desmemoriados - líderes políticos, empresariais, comunicadores, analistas-burocratas. Estão sempre inventando uma desgraça nova. Nunca confessam que a desgraça que anunciaram lá atrás não aconteceu.</P>
<P>
Lá por abril/maio, criaram enorme confusão anunciando um déficit monstro de US$ 8 bilhões ainda para 93 (naquela época, eles ainda estavam inventando qual seria o déficit monstro de 94). A confusão foi tanta, que a ex-ministra Yeda caiu fora. Mailsons, Serras e outros sacerdotes do "Estado falido" passaram o ano martelando a tecla do déficit gigante.</P>
<P>
Na semana passada, o governo foi obrigado a divulgar que, até novembro, o Tesouro acumulou não um déficit, mas um superávit. Nenhum desmemoriado teve a iniciativa de dizer à sociedade que o rombo de US$ 8 bilhões não existiu. Mentiram o ano inteiro...</P>
<P>
Lincha-funcionários - há os vivaldinos e os ingênuos. Os vivaldinos sabem que há uma enxurrada de mentiras sobre o funcionalismo brasileiro. Aqui, o número de funcionários (por habitante) é quatro vezes menor que na França e dez vezes menor que na Inglaterra.</P>
<P>
Os saldos foram achatados, ou quase zerados: técnicos da Secretaria do Orçamento ganham hoje três salários mínimos, ou CR$ 54.000, contra 30 salários mínimos, ou CR$ 540.000, que ganhavam há dez anos.</P>
<P>
Os vivaldinos escondem estes dados. Querem desmoralizar o Estado, o governo, o funcionalismo –pois é a destruição da máquina governamental que abriu caminho para a sonegação gigantesca e os grandes negócios para grandes grupos. Os ingênuos não percebem que sua indignação está sendo manipulada. A sociedade tem é que brigar pela reestruturação do governo. Bom 1994.</P>
<P>
ALOYSIO BIONDI, 56, é jornalista, foi diretor de Redação da revista "Visão" e editor de Economia da Folha.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33278">
<P>
Câmara da Amadora lança projecto para a Venda Nova, ainda sem soluções definitivas para os realojamentos</P>
<P>
Qualidade de vida com barracas pelo meio</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
A Amadora quer melhorar a qualidade de vida da população da Venda Nova-Damaia e para isso dispõe já de um projecto integrado. E até propõe a criação da primeira escola intercultural do país, uma forma de promover a integração das etnias residentes na zona. Mas o fracasso espreita -- mais de três mil pessoas vivem ali em barracas e o PER para o concelho ainda nem foi assinado.</P>
<P>
A Câmara Municipal da Amadora vai lançar ainda este ano o Programa Integrado de Desenvolvimento da Área Residencial e Industrial da Venda Nova-Damaia (PIDARIV), que será parcialmente suportado pelo programa comunitário Urban. Este plano visa atrair empresas para a zona, criar equipamentos sociais, culturais e desportivos e promover a integração das várias etnias ali residentes, nomeadamente através da construção de uma escola intercultural, que a concretizar-se será a primeira do país.</P>
<P>
O programa -- que ascende aos 2,2 milhões de contos, a financiar em 800 mil contos pelo Urban e o restante em parceria entre autarquia, organismos públicos e operadores privados -- destina-se a uma área de 112 hectares, com 16 mil habitantes, dos quais cerca de 20 por cento (3230 pessoas) vivem em barracas ou casas degradadas, no bairros 6 de Maio, Fontainhas, Estrela de África e Portas de Benfica. Além da área residencial, o PIDARIV vai incidir também sobre a zona industrial da Venda Nova-Damaia, que ocupa cerca de 46 hectares daquele território.</P>
<P>
Os problemas que o programa pretende resolver prendem-se com a habitação degradada, a falta de equipamentos vários, a tendência para o desenvolvimento excessivo de áreas habitacionais, o desaparecimento de diversas unidades industriais, que tem tornado a Amadora mais dependente de outros concelhos em termos de emprego, a integração das minorias étnicas, sobretudo cabo-verdianos, e a escassez de acessos à zonas envolventes.</P>
<P>
À conquista de novas empresas</P>
<P>
Para solucionar estas questões, o plano aponta três tipos de medidas: uma delas, de carácter essencialmente programático, visa estudar o modo de gestão do PIDARIV e as formas de garantir o acesso da população às acções a desenvolver no âmbito do Urban. Uma das outras duas destina-se a apoiar as actividades económicas e a criação de emprego. Assim, pretende a Câmara da Amadora, deverão ser criados espaços edificados para a instalação de novas empresas, do sector comercial e não comercial, e de indústrias não poluentes.</P>
<P>
Através do apoio a iniciativas empresariais de pequena e média dimensão, desde a criação de auto-emprego à actividade artesanal, a autarquia pretende aumentar o número de postos de trabalho na zona. Além disso, deverão ser lançadas, com a colaboração do Centro de Emprego da Amadora, acções de aconselhamento e de formação profissional.</P>
<P>
Para a área do ambiente, o programa propõe o tratamento paisagístico das zonas envolventes da linha férrea (Linha de Sintra), do Aqueduto das Águas Livres e da CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa). Prevê-se, igualmente, o arranjo dos espaços exteriores das áreas residenciais. E, para a zona industrial, o projecto contempla a reestruturação do sistema da circulação automóvel, das cargas e descargas e do estacionamento.</P>
<P>
A falta de acessos à zona Venda Nova-Damaia é um outro problema abordado no PIDARIV e cujas soluções passam pela concretização de vários empreendimentos em curso. A CRIL e o respectivo nó de acesso naquela área, a passagem inferior da Reboleira, a quadriplicação da via na Linha de Sintra e a construção das estações ferroviárias da Damaia e da Reboleira «permitirão devolver à área a acessibilidade inter-regional e intra-urbana perdida, em face do crescimento e expansão urbana entretanto verificados no território circundante», lê-se no documento de apresentação do projecto.</P>
<P>
Escola inédita para alunos e professores</P>
<P>
Por último, a terceira medida do PIDARIV engloba um conjunto de acções destinadas à melhoria da qualidade de vida da população e à integração da minorias étnicas ali residentes. Assim, a Câmara da Amadora propõe a criação de uma escola intercultural, cuja função será promover o ensino da língua portuguesa na fase pré-escolar e acompanhar os jovens e os imigrantes inseridos ou não no sistema de ensino. A nova unidade escolar estará igualmente aberta aos professores e educadores de todos os graus de ensino que queiram especializar-se nas questões referentes a minorias étnicas.</P>
<P>
Além desta escola, o programa prevê ainda a construção de um centro comunitário, com estruturas para a infância, reformados, idosos e domésticas. Este centro, que prestará apoio domiciliário e onde será criado um gabinete de apoio à família, deverá ser apetrechado com um refeitório, café e lavandaria, abertos à população da zona.</P>
<P>
No plano cultural, a aposta vai para a continuação da Fábrica da Cultura e para o apoio técnico e financeiro às associações e colectividades. Na área do desporto, o projecto prevê a construção de dois pavilhões polidesportivos em duas escolas do ensino básico que servem a Venda Nova-Damaia.</P>
<P>
Estas medidas constantes do PIDARIV correm, no entanto, o risco de não passar de boas intenções, sobretudo em termos de eficácia, se entretanto não for resolvido o problema do realojamento das famílias que vivem nas barracas. Pelo menos a integração social prevista poderá ficar pelo caminho. E a verdade é que a Câmara de Amadora ainda não sabe onde vai realojar os moradores dos bairros degradados (ver caixa) e nem sequer assinou ainda o PER (Programa Especial de Realojamentos) para o concelho.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-15590"> 
<P> Nuno Álvares Pereira </P>
 <P>Biografia</P>
 <P> Nuno Álvares Pereira nasceu na vila de Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã. Era filho de Álvaro Gonçalves Pereira e de Iria Gonçalves do Carvalhal. </P>
 <P> Casou com Leonor de Alvim, em 1377 em Vila Nova da Rainha, freguesia do concelho de Azambuja. </P>
 <P> Quando o rei Fernando de Portugal morreu em 1383, sem herdeiros a não ser a princesa Beatriz casada com o rei João I de Castela, Nuno foi um dos primeiros nobres a apoiar as pretensões de João, o Mestre de Avis à coroa. Apesar de ser filho ilegítimo de
Pedro I de Portugal, João afigurava-se como uma hipótese preferível à perda de independência para os castelhanos. Depois da primeira vitória de Álvares Pereira frente aos castelhanos na
batalha dos Atoleiros em Abril de 1384, João de Avis nomeia-o
Condestável de Portugal e
Conde de Ourém. </P>
 <P> O génio militar de Nuno Álvares Pereira foi decisivo na Batalha de Aljubarrota. </P>
 <P> O génio militar de Nuno Álvares Pereira foi decisivo na Batalha de Aljubarrota. </P>
 <P> A 6 de Abril de 1385, João é reconhecido pelas cortes reunidas em Coimbra como
Rei de Portugal. Esta posição de força portuguesa desencadeia uma resposta à altura em Castela. João de Castela invade Portugal com vista a proteger os interesses de sua mulher Beatriz. Álvares Pereira toma o controlo da situação no terreno e inicia uma série de cercos a cidades leais a Castela, localizadas principalmente no Norte do país. </P>
 <P> A 14 de Agosto, Álvares Pereira mostra o seu génio militar ao vencer a
batalha de Aljubarrota à frente de um pequeno exército de 6,000 portugueses e aliados ingleses, contra as 30,000 tropas castelhanas. A batalha viria a ser decisiva no fim da instabilidade política de 1383-1385 e na consolidação da independência portuguesa. Finda a ameaça castelhana, Nuno Álvares Pereira permaneceu como condestável do reino e tornou-se
Conde de Arraiolos e Barcelos. Entre 1385 e 1390, ano da morte de
João de Castela, dedicou-se a realizar raides contra a fronteira de Castela, com o objectivo de manter a pressão e dissuadir o país vizinho de novos ataques. </P>
 <P> Do seu casamento com Leonor de Alvim, o Condestável teve apenas uma filha, Beatriz Pereira de Alvim, que se tornou mulher de Afonso, o primeiro
Duque de Bragança, sendo assim um dos antepassados da actual casa real portuguesa. Lembrado como um dos melhores generais portugueses, abraça, nos últimos anos, a vida religiosa carmelita. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-12458">
<P>
Ligação Madeira-Porto Santo suspensa há cinco dias</P>
<P>
Vagas de quatro metros impediram, ontem, pelo quinto dia consecutivo, a travessia marítima entre a Madeira e Porto Santo através do catamarã «Independência». O mar está especialmente agitado na «travessa», a zona entre a Ponta de São Lourenço e a ilha de Porto Santo. A única alternativa para viajar entre as duas ilhas era o pequeno avião da Air Condor. O navio de transporte de carga e passageiros «Madeirense», que costuma efectuar viagens entre a Madeira e Porto Santo às quartas-feiras, saiu anteontem com uma lotação superior à habitual nesta altura do ano.</P>
<P>
Para a agência transportadora que opera com o «Independência», é difícil apurar quantos passageiros deixaram de utilizar a embarcação, uma vez que, nesta época, cerca de 80 por cento das pessoas que viajam para Porto Santo compram o bilhete momentos antes do embarque.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-88442">
<P>
O regresso à maioria absoluta</P>
<P>
O mote da maiora absoluta vai ser tema obrigatório das próximas intervenções públicas de Fernando Nogueira. O líder social-democrata deseja que os portugueses vão para férias «com a maioria no ouvido» e por isso vai insistir em reclamar esse objectivo junto do eleitorado. Fá-lo-á já amanhã no comício de Esposende, voltará a repeti-lo seguramente quando, no próximo fim-de-semana, mergulhar a fundo no arquipélago de Alberto João Jardim, desenvolverá razões durante a cerimónia de apresentação pública dos cabeças de lista a realizar ainda este mês, num crescendo que deverá culminar no último comício antes de férias - uma realização definida como «a inauguração de um modelo novo, com mais espectáculo», com Nogueira como único orador, a realizar a 26 ou 27 de Julho, no Porto.</P>
<P>
Apesar deste objectivo eleitoral ter ficado definido no último congresso do PSD, a verdade é que os sociais-democratas não vinham desde então a referir-se-lhe com particular entusiasmo. Pelo contrário, só iam dizendo que sim senhor, a maioria absoluta era a prioridade, quando confrontados com a insistência dos jornalistas. Subitamente, no comício realizado no passado fim de semana, em Sacavém, Fernando Nogueira regressa aos bons velhos tempos da confiança. Empolgado por uma plateia entusiástica e, não menos, pelo cancelamento de idêntica iniciativa dos socialistas ali mesmo ao lado, em Moscavide, o líder do PSD alongou-se sobre as vantagens da maioria absoluta. Em contraponto exibiu os problemas inerentes aos governos minoritários e aos executivos resultantes de coligação, cujas dificuldades operativas Nogueira ligou, respectivamente, quer aos bloqueios da oposição, quer às guerras entre os partidos que a compõem. A exibição da sua experiência, que abrange todas estas fórmulas governativas - serviu-lhe não só para credibilizar as apostas, como para justificar críticas e enfatizar perigos. Depois, é o desfiar da «obra feita» nas duas últimas legislaturas para acrescentar razões à insistência na terceira maioria absoluta.</P>
<P>
Como é óbvio, não foi apenas o entusiasmo da militância presente em Sacavém ou a infelicidade momentânea dos socialistas - o comício de Moscavide foi alegadamente cancelado devido ao mau tempo - a justificarem a subida de tom do discurso de Nogueira. Segundo um membro da Comissão Permanente disse ao PÚBLICO, tem sido deliberada esta espécie de dramatização «soft» deste longo período de pré-campanha. A necessidade de organizar o partido, delinear a campanha, fazer as listas e aprovar o programa impunham a não abertura de demasiadas frentes de combate. Os problemas internos foram, nos primeiros tempos, as razões das dores de cabeça de Fernando Nogueira.</P>
<P>
Mas, para a direcção do PSD, chegou agora o tempo de subir o tom na escala do dramatismo. Antes de férias. O momento tem a ver com a evolução das posições relativas entre os dois maiores partidos. Para os sociais-democratas, uma sucessão de acontecimentos tem vindo a «desacelerar as certezas» do PS, criando «dúvidas» no eleitorado. O momento da «gaffe» de António Guterres é geralmente apontado como um marco, a que juntam a controvérsia à volta das promessas do PS, a discussão sobre a carga fiscal levantado por Cavaco Silva no debate sobre o estado da nação, e, a mais recente mas não menos importante de todas as polémicas: as alegadas escutas do SIS a dirigentes políticos. O PSD contabiliza a seu favor todas estas situações, apresentando a evolução favorável das últimas sondagens como «dado objectivo» para uma leitura positiva do actual momento político.</P>
<P>
Fernando Nogueira inicia dez dias de férias a partir de um de Agosto. Até lá, vai dramatizar q.b. Em finais de Agosto é o arranque da campanha. No Pontal, provavelmente com Cavaco. Setembro será para percorrer o país, com o programa eleitoral a revelar na primeira semana.</P>
<P>
A escolha da dupla Durão-Ferreira para Lisboa deixou a militância nas nuvens. Ninguém esperava tanto. Para a semana uma reunião entre os candidatos servirá para delinear os traços essenciais da campanha. A ideia é explorar «tudo o que o Governo fez na Área Metropolitana de Lisboa, fazendo o contraponto com o que não fizeram as autarquias socialistas», disse ao PÚBLICO um responsável da distrital. Por outro lado, pretendem também explorar as potencialidades abertas pela presença de dois pesos-pesados à frente da lista. Nesta medida adivinham-se duas campanhas quase autónomas, com Durão mais virado para o combate político puro e duro, enquanto Ferreira do Amaral jogará o papel de autor «da revolução rodoviária» com incursões à CRIL, CRELL, Metro, etc, mentor do Plano de Erradicação das Barracas estratega da mudança da face de Lisboa, na qual joga a EXPO/98 cuja tutela pertence - é preciso não esquecer - ao ministro das Obras Públicas.</P>
<P>
Com esta «dupla maravilha» convergirá a espaços o próprio líder para participar nos comícios mais significativos. Registe-se que Durão e Ferreira deverão aparecer juntos em todos os comícios concelhios.</P>
<P>
Aguardada com expectativa é a campanha de Pacheco Pereira em Aveiro. O ex-líder parlamentar, que disse ao PÚBLICO conhecer bem o distrito onde leccionou durante vários anos, mais concretamente em Espinho, vai atacar pela esquerda visando sobretudo o eleitorado do PS. Pacheco prepara-se mesmo para fazer uma ousadíssima declaração de candidatura onde não faltará a evocação do passado progressista da capital do distrito, palco de importantes lutas da oposição contra o anterior regime.</P>
<P>
Apesar do protagonismo próprio que é reconhecido a alguns dos cabeças de lista do PSD, não é de esperar o aparecimento de cartazes próprios de ninguém. Fernando Nogueira será o único rosto da campanha... para não retirar unidade à imagem do partido. Áurea Sampaio</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-24472">
<P>
Documento publicado ontem na Grã-Bretanha aviva debate sobre procriação medicamente assistida</P>
<P>
A mãe que nunca nasceu?</P>
<P>
Ana Gerschenfeld</P>
<P>
A possibilidade de ajudar mulheres inférteis a engravidar utilizando os ovários de fetos abortados tem vindo nos últimos dias a agitar a actualidade britânica. Porém, não se trata propriamente de uma questão inédita. As pesquisas que fazem com que esta ideia possa vir a concretizar-se no futuro foram iniciadas há já vários anos por investigadores da Universidade de Edimburgo. E há cerca de um ano e meio que as autoridades de saúde da Grã-Bretanha tem estado a reflectir nas suas possíveis implicações médicas, psicológicas e éticas. Ontem, o debate público sobre o assunto foi oficialmente aberto.</P>
<P>
A utilização de tecidos ovarianos vindos de fetos humanos abortados deve ou não ser permitida no tratamento da infertilidade feminina? A ser autorizada, ela daria lugar ao nascimento de crianças cujas mães genéticas, tendo sido objecto de um aborto, nunca nasceram.</P>
<P>
A publicação nos últimos dias de diversos artigos na imprensa britânica sobre as pesquisas de uma equipa de cientistas da Universidade de Edimburgo que poderão abrir, num futuro mais ou menos longínquo, este tipo de possibilidade a mulheres inférteis, suscitou violentas reacções por parte de determinados sectores naquele país. Em particular, activistas anti-aborto citados pelo diário «The Independent» já declararam que consideram a ideia «macabra e repugnante».</P>
<P>
Porém, nem as pesquisas em causa, nem a reflexão em torno das possíveis implicações da sua aplicação, são temas inéditos. O que acontece é que, desde ontem, a opinião pública britânica tem a possibilidade de se pronunciar sobre o assunto, através de um documento publicado pela Alta Autoridade da Fertilização Humana e da Embriologia (Human Fertilization and Embriology Authority- HFEA) -- o organismo oficial que na Grã-Bretanha tem a última palavra a dizer neste tipo de matérias. Por seu lado, o comité de ética da Associação Médica Britânica anunciou que deverá publicar, dentro de dois meses, um parecer sobre a mesma questão.</P>
<P>
O documento da HFEA, intitulado «Doação de tecido ovariano para a investigação sobre embriões e para a concepção assistida» -- identifica, segundo um comunicado divulgado ontem por esta mesma instância, «algumas das preocupações que devem ser consideradas antes de a HFEA decidir se a investigação e o tratamento podem prosseguir».</P>
<P>
Ovários transplantados</P>
<P>
As pesquisas que poderão possibilitar a transplantação de tecido ovariano fetal foram realizadas durante estes últimos anos por Roger Gosden e a sua equipa da Universidade de Edimburgo. Já em 1990, e conforme o PÚBLICO tinha oportunamente noticiado, estes investigadores tinham descoberto que era possível, transplantando para ratinhos fêmeas adultas e estéreis fragmentos de tecido ovariano provenientes de ratinhos-bebés fêmeas, fazer com que os ratinhos adultos desenvolvessem ovários perfeitamente funcionais (ver «Ovários transplantados», PÚBLICO de 5.4.90). Os ratinhos fêmeas que receberam os transplantes puderam engravidar e deram à luz filhotes que eram, do ponto de vista genético, descendentes dos ratinhos-bebés.</P>
<P>
Além disto, Gosden e os seus colegas também mostraram que, contrariamente aos ovócitos sozinhos, que são extremamente difíceis de conservar, o tecido ovariano podia ser congelado e conservado durante longos períodos, à espera de ser reimplantado.</P>
<P>
Ratinhos e ovelhas</P>
<P>
A equipa viria porém a abandonar a via das transplantações de um animal para outro. E hoje, o seu objectivo do trabalho gira em torno de auto-transplantações de tecido ovariano -- ou seja, da extracção, congelação e subsequente reimplantação, no mesmo indivíduo, do seu próprio tecido ovariano.</P>
<P>
«O objectivo do nosso trabalho», disse ao PÚBLICO David Baird, um dos colaboradores de Gosden, é «permitir a mulheres com cancro, que vão ser submetidas a quimioterapia ou radioterapia [o que as pode tornar estéreis], preservar as suas hipóteses de terem filhos no futuro».</P>
<P>
Para isso, a técnica consiste em extrair cirurgicamente à mulher, antes de se proceder ao tratamento anti-cancro, a parte dos ovários que contém os futuros ovócitos. Este tecido pode a seguir ser congelado, à espera de ser reimplantado na mesma mulher -- o que poderá ser feito mesmo anos depois. Passados uns tempos, o tecido reimplantado deverá, em princípio, dar origem a ovócitos funcionais e fecundáveis. Os cientistas já testaram a técnica com relativo sucesso em ratinhos e em ovelhas.</P>
<P>
«Actualmente» acrescenta Baird, «estamos a testar a técnica em ovelhas, cujos ovários são mais semelhantes aos da mulher do que os ovários de ratinho. Mas ainda temos de confirmar que o número de ovócitos que sobrevivem à congelação é suficiente para garantir a fertilidade dos animais durante vários anos a seguir à reimplantação».</P>
<P>
Quanto aos ensaios clínicos em mulheres, «há actualmente só uma mulher na Grã-Bretanha cujo tecido ovariano foi congelado e conservado, porque ela insistiu muito para isso ser feito», acrescenta Baird. «Mas como tem apenas 17 anos, não saberemos se a técnica funciona ou não antes de vários anos -- quando ela quiser ter filhos e o ovário for reimplantado». A ideia, porém é lançar um ensaio mais amplo neste área.</P>
<P>
Fetos ainda não...</P>
<P>
Quanto aos transplantes de tecido ovariano entre dois indivíduos diferentes, é provável que a ideia de utilizar não os ovários de ratinhos-bebés, mas sim os de fetos de ratinhos abortados, não tenha passado -- contrariamente ao que a imprensa tem dado a entender nestes últimos dias --, de uma extrapolação teórica. Ou, no máximo, de experiências preliminares. A equipa de Edimburgo, porém, contactada pelo PÚBLICO, nega tê-lo feito alguma vez.</P>
<P>
«Dadas as suas implicações éticas, Roger Gosden interrompeu [esta via de pesquisas] há um ano, porque pensou que era melhor que a questão fosse previamente debatida em público», diz-nos Anne McKelvie, adida de imprensa da Universidade Edimburgo, contactada telefonicamente.</P>
<P>
David Baird é, por seu lado, muito mais peremptório: «Nunca fizemos nenhuma experiência de transplantação de ovários provenientes de fetos de ratinho», disse ao PÚBLICO ao telefone. «Utilizámos sempre ratinhos recém-nascidos, com poucos dias de vida. E, tanto quanto sei, este tipo de experiência ainda não foi feito por ninguém. Mas é possível extrapolar os resultados obtidos com os ratinhos-bebés e dizer que provavelmente a técnica também resultaria com tecido ovariano fetal».</P>
<P>
«Seja como for», salienta porém Baird, «o transplante resultou entre os ratinhos porque eles eram muito semelhantes do ponto de vista genético. Mas seria impossível aplicá-la às mulheres, porque o tecido ovariano da doadora seria rejeitado pela recipiente».</P>
<P>
Esta é precisamente uma das razões que justificaria a utilização de tecido ovariano fetal para permitir a mulheres estéreis de engravidarem. É que o tecido fetal apresenta muito menos problemas de rejeição imunitária.</P>
<P>
Mas não é a única razão: os ovócitos, contrariamente aos espermatozóides, são um material raro. Hoje em dia -- mesmo nos países que autorizam a doação de ovócitos --, as mulheres sem ovários funcionais têm poucas hipóteses de receber ovócitos de dadoras. As dadoras potenciais (em geral parentes próximas ou mulheres que se submeteram elas próprias a uma fertilização «in vitro» e a quem «sobraram» ovócitos) escasseiam. Pelo contrário, os ovários de um feto fêmea contêm milhões de ovócitos imaturos.</P>
<P>
...e cadáveres tão pouco</P>
<P>
Mesmo que as experiências com fetos de ratinhos não tenham sido levadas até o fim, o HFEA considerou a questão suficientemente importante para lançar um debate ao nível nacional sobre as possíveis aplicações ao tratamento da infertilidade da mulher do transplante de tecido ovariano de fetos humanos. E não só: o documento ontem difundido, que enumera os prós e os contras deste tipo de técnicas, menciona em particular a possibilidade de se vir a utilizar, para os mesmos fins, ovários provenientes de cadáveres.</P>
<P>
«O documento vai ser enviado a personalidades e organismos médicos, científicos, religiosos, éticos, etc.», disse ao PÚBLICO Veronica English, do serviço de imprensa da HFEA. «Mas além disso, qualquer cidadão britânico pode obter uma cópia do documento e aí formular a sua opinião. Toda a gente está a par da publicação do documento através da televisão, dos jornais, da rádios. A data limite para a entrega dos pareceres é o dia 1 de Junho próximo.»</P>
<P>
«A utilização de tecido ovariano fetal ainda não é possível tecnicamente», acrescenta Veronica English, «mas poderá vir a sê-lo daqui a dois ou três anos. Por isso, preferimos começar já o debate». Quando tivermos recolhido e analisado as reacções da opinião pública, os resultados serão tidos em conta na nossa decisão final. Talvez lá para o Outono já possamos tomar uma decisão.»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4400">
<P>
O novo ano começa com um velho e conhecido monstro a assombrar a economia brasileira: a inflação ascendente, que já abre 94 no patamar de 40%. É verdade que está anunciado um plano econômico supostamente capaz de reduzi-la. Mas o anúncio não foi capaz de limpar o horizonte das nuvens carregadas que uma aceleração obscena de preços sempre traz. Talvez porque o ataque direto à inflação, prometido pelo plano, dependa de pré-condições que acabaram sendo postergadas para este ano.</P>
<P>
A principal delas é a aprovação –ou, ao menos, a promessa de aprovação– de um Orçamento equilibrado. Só a partir desse pressuposto é que o governo lançaria a Unidade Real de Valor (URV), um misto de novo indexador e embrião de uma nova moeda, supostamente estável. O paradoxo é que, enquanto a URV não se transforma em moeda, ela contribui para acelerar a inflação, na medida em que generaliza a indexação da economia.</P>
<P>
Mesmo a implementação da URV como indexador é uma operação tecnicamente complexa e torna-se ainda mais delicada por ocorrer num ano eleitoral. Eleições despertam expectativas que atuam inexoravelmente sobre o ambiente econômico, mais ainda quando o responsável pelo Ministério da Fazenda é candidato potencial à Presidência.</P>
<P>
O acúmulo de nuvens no horizonte de 94 só não é maior porque a atividade econômica mantém-se relativamente aquecida. O ano de 93 deve fechar com uma expansão da ordem de 4,5% do PIB. Por mais que o crescimento sustentável –que é o que o país precisa– dependa da estabilização da economia, o fato de não se prever uma recessão ao menos evita o pior dos mundos.</P>
<P>
Mas não basta. O ano que se inicia herda dos anteriores o problema crucial de derrotar a inflação. Nem o brasileiro mais otimista é capaz de assegurar que a vitória contra o grande inimigo sequer esteja no horizonte.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-18894">
<P>
Bakili Muluzi é o novo Presidente do Malawi, após 30 anos de autocracia</P>
<P>
Banda reconhece derrota</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
A República do Malawi, a Noroeste de Moçambique, vai ter na próxima semana o seu segundo Presidente de sempre, Bakili Muluzi, que bateu nas urnas o antigo chefe, Kamuzu Banda, uma das figuras históricas da luta pela independência no continente africano. Banda já reconheceu a derrota e ofereceu colaboração ao líder da Frente Democrática Unida.</P>
<P>
Sem sequer esperar pelo anúncio oficial dos resultados finais das primeiras eleições livres que se efectuaram no Malawi, a antiga Niassalândia, que tem fronteiras com a Zâmbia, a Tanzânia e Moçambique, o homem que há 30 anos governa o país, Hastings Kamuzu Banda, reconheceu haver sido derrotado e prometeu a sua colaboração ao candidato vencedor, Bakili Muluzi.</P>
<P>
Num breve discurso feito pela rádio, pois que nunca autorizou a existência de televisão, o nonagenário Banda aceitou passar a pasta a Muluzi, cuja Frente Democrática Unida (UDF) teria conseguido cerca de 42 por cento dos votos nas eleições presidenciais e legislativas de terça-feira.</P>
<P>
De acordo com resultados que ontem à tarde ainda não eram oficiais, o Partido do Congresso do Malawi (MCP), desde 1964 no poder, teria conseguido 35 por cento dos votos expressos e a Aliança para a Democracia (Aford), do sindicalista Chakufwa Chihana, 23 por cento.</P>
<P>
Numa prova de que o clima internacional mudou bastante nos últimos anos, já não sendo tão tolerante para com os ditadores africanos, o Presidente Banda, que muitos vezes meteu os adversários na cadeia e os ameaçou até de lançar aos crocodilos, surgiu ontem a dizer que apoiará Bakili Muluzi, antigo secretário-geral do MCP que depois entrou em dissidência.</P>
<P>
Com uma grandeza e desportivismo que a muitos surpreendeu, o antigo Presidente vitalício garantiu àquele que na próxima semana lhe sucederá que o MCP «trabalhará com o novo Governo na construção da democracia no Malawi».</P>
<P>
Sem ressentimentos</P>
<P>
Num clima consentâneo com o das eleições do mês passado na África do Sul, Kamuzu Banda pediu aos seus compatriotas de todos os credos políticos que se comportem como amigos e que não procurem vinganças.</P>
<P>
«O Malawi conquistou o respeito do mundo, pela maneira pacífica como se processou a transição para uma democracia multipartidária», sublinhou o velho estadista, de formação britânica, que manteve o seu país como um dos mais atrasados do mundo, onde apenas a elite tinha direito a um ensino de classe, que incluía cursos de Latim e Grego.</P>
<P>
Tudo correu tão bem, nestes últimos três dias, e tão contra o que ainda aqui há um ano se sabia e se pressentia daquelas paragens, que parece difícil de acreditar que a sã vivência pluralista esteja ali para ficar, sem que se verifiquem manobras pouco claras daqueles que fizeram toda a sua carreira à sombra de Banda, como era o caso do todo poderoso ministro John Tembo.</P>
<P>
A Grã-Bretanha instalou-se na região há um século, vindo aí a criar a Federação das Rodésias e Niassalândia, de onde saíram a partir dos primeiros anos da década de 60 a Zâmbia, o Zimbabwe e o Malawi, países de língua oficial inglesa, situados entre Angola e Moçambique.</P>
<P>
Território sem grande unidade geográfica nem étnica, cujos povos aí se fixaram ao longo dos últimos quatro séculos, o Malawi tem ainda um grande caminho a percorrer até se consolidar como nação viável, onde mais de 10 milhões de negros possam viver confortavelmente numa superfície um pouco superior à de Portugal.</P>
<P>
Combate à pobreza</P>
<P>
«A UDF e eu próprio estamos muito preocupados com a pobreza, especialmente nas zonas rurais. Gostaríamos de enfrentar esta questão com muita urgência», disse o Presidente eleito, segundo o qual terá de haver uma redistribuição dos recursos financeiros do Estado.</P>
<P>
As eleições no Malawi «são um exemplo a seguir pelos outros países da região que estão à beira de entrar no mesmo processo», comentou em Washington o porta-voz do Departamento de Estado, Michael Mccurry, a pensar possivelmente em Moçambique, que deverá ir às urnas no fim de Outubro.</P>
<P>
O secretário-geral da Commonwealth, associação de países saídos do antigo império britânico, o nigeriano Emeka Anyaoku, também se congratulou pela forma ordeira e pacífica como a transferência do poder se está a processar na antiga coutada de Banda.</P>
<P>
Ainda em Março do ano passado a polícia de Blantyre, a principal cidade, disparou contra cidadãos que se manifestavam contra a magreza dos salários, pelo que a aparente tranquilidade dos últimos dias é como que um mistério de contornos ainda por definir.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70503">
<P>
Da Agência Folha, em São Luís </P>
<P>
A família de Carlos Adileno Duarte Magalhães tem um ex-surfista, Cleber, que abandonou a prancha há quatro anos depois de ouvir histórias de ataques de tubarões em São Luís (MA) contadas por seus amigos.</P>
<P>
Até hoje, Cleber, irmão do estudante morto no domingo, decora a parede do quarto com uma reportagem da revista "Fluir", especializada em surfe, sobre dois ataques registrados em 8 de julho de 1990 na praia do Olho d'Água.</P>
<P>
Os tubarões morderam o pé de um surfista e o braço de outro, ambos companheiros de surfe de Cleber.</P>
<P>
Cleber e Carlos moravam sozinhos numa casa do bairro São Cristovão, em São Luís. Os pais e o irmão menor, Cledison, 14, vivem em Belém (PA).</P>
<P>
O corpo de Carlos foi procurado por Cleber e mais seis amigos durante todo o dia de segunda-feira em quatro praias de São Luís. "Ele estava irreconhecível, as pernas só com os ossos, sem o braço direito e com a marca da dentada do tubarão no ombro", disse Cleber.</P>
<P>
Segundo ele, o pai, Carlos Alberto, reconheceu o filho através de uma camiseta branca que havia lhe dado no último sábado.</P>
<P>
Carlos afirmou que seu irmão não costumava frequentar a praia. Decidiu ir no último domingo porque estava previsto um jogo de futebol. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-64245">
<P>
DAVID LERER</P>
<P>
Um Marlon Brando jovem de longos bigodes caídos faz Emiliano Zapata no clássico de Hollywood sobre a Revolução Mexicana. Zapata não aceitou a transformação dos latifúndios em modernas agroindústrias de cana ao estilo norte-americano, com muitas máquinas e poucos homens. Zapata e seu exército de camponeses queriam uma reforma agrária com a volta aos "ejidos", antigo sistema indígena dos parcelamentos. Zapata era visto como um caipira arcaico, inimigo do progresso e da modernidade. Um perigo.</P>
<P>
Zapata foi emboscado e morto pela facção que originou o atual PRI, mas o "ejidos" acabaram sendo implantados. Os camponeses cultivavam milho, feijão, tomates, cebolas, chili, e criavam galinhas. Vendiam o excedente para as cidades. Aí, chegou o progresso.</P>
<P>
Em 1970, quando visitei o túmulo de Zapata, sua Morelos natal já tinha sido invadida por uma fábrica japonesa de automóveis e pelas casas de campo dos novos-ricos. Os antigos donos da terra foram lavar pratos nos Estados Unidos, ou engrossar o exército de desempregados nas "ciudades perdidas" da capital. Ciudades perdidas são favelas. Graças a elas, a Cidade do México tornou-se a maior metrópole do mundo.</P>
<P>
A custa de muito ajuste e aperto, o México consegue entrar no Nafta, tratado de livre comércio com os Estados Unidos e Canadá. No melhor da festa, mil índios se levantam no extremo-sul invocando o fantasma de Zapata, o arcaico. Egoístas e caipiras, os zapatistas só enxergam o desemprego que o Nafta vai causar aos plantadores de milho da paupérrima Chiapas. Não pensam nos benefícios do Nafta para o povo.</P>
<P>
Será verdade? Sem dúvida, o Nafta significa grandes negócios e bilhões de dólares. Muitos mexicanos vão sair ganhando. Alguns ficarão milionários, principalmente os que estão ligados à máquina do PRI, no poder há 65 anos (com essas CPIs, nós brasileiros aprendemos um bocado sobre a arte de enriquecer jogando na loteria). Mas um número enorme de mexicanos sairão perdedores.</P>
<P>
Não importa. Para os perdedores sobrarão as "ciudades perdidas", as novelas da Televisa e a sopa dos pobres. Quanto aos índios subversivos o governo já pode inaugurar o Nafta importando sem taxas a fórmula dos norte-americanos aplicada aos belicosos navajos e apaches: a reserva indígena de Chiapas. Lá os índios viverão em paz, protegidos dos agitadores, fabricando mantas coloridas para os turistas do norte.</P>
<P>
DAVID LERER, 56, médico, foi deputado federal pelo MDB-SP (1967-68), trabalhou na Frente de Libertação de Moçambique e foi diretor do Hospital Militar de Luanda (Angola).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-95209">
<P>
Mau tempo na Europa</P>
<P>
Alerta geral: a Holanda está a afundar-se</P>
<P>
A chuva não pára e os rios continuam a subir na Europa do Norte. Na Holanda, a ameaça, durante milhares de anos, vinha do mar, do exterior. Agora, o perigo das devastadoras inundações é também causado por mão humana, que durante anos transformou os solos em algo que deixou de absorver água expelida dos leitos. Na Alemanha, Bélgica ou França, a situação poderá normalizar-se dentro de dias. Na Holanda, quase 200 mil pessoas foram obrigadas a abandonar os seus lares numa operação de evacuação só comparável à que ocorreu durante a II Guerra Mundial. Os diques vão ceder?</P>
<P>
O apresentador do boletim meteorológico tornou-se em toda a Europa do Norte o orador mais ansiado pelas populações. Mas as notícias que transmitem continuam a ser desesperantes. As cheias ainda não acabaram! Os rios continuarão a expulsar as águas dos seus leitos, obrigando milhares a abandonar os lares.</P>
<P>
Na Holanda, a situação é de verdadeiro êxodo bíblico: ontem, o Governo ordenou a evacuação de uma zona do Leste do país onde vivem mais de 140 mil pessoas. No dia anterior tinham sido cem mil os que foram obrigados a deixar as suas casas à mercê das águas lamacentas. «Habitantes de Tiel e Culemborg, deixem urgentemente as vossas casas», ouviu-se, com desespero, na televisão e rádio.</P>
<P>
Vai mesmo ser lançado um novo e grandioso Plano Delta (ver caixa), para reforço dos diques do «país que vive abaixo do nível da água», anunciou o Governo holandês.</P>
<P>
As margens do Reno -- um dos maiores cursos de água da Europa -- continuam a expandir-se, ganhando e alagando quilómetros de terreno e os seus níveis vão subindo centímetro a centímetro. Mais de 25 pessoas já morreram devido às cheias que atingem a França, Alemanha e Holanda.</P>
<P>
«O êxodo [na zona] de Nijmegen é uma coisa única... Não se via nada assim desde a II Guerra Mundial.» Os ventos e as chuvas -- diz a meteorologia -- vão continuar em força, ameaçando os diques. «É uma catástrofe nacional», desespera o primeiro-ministro trabalhista Wim Kok.</P>
<P>
A situação não afecta apenas a Holanda. Todos dos grandes rios do Norte da Europa atingem níveis absurdos. Na Holanda, carros, autocarros, camiões militares, tractores, caravanas, bicicletas, tudo o que tem rodas tem servido para levar as pessoas a deixarem as estradas alagadas, depois de o Governo lhes ter ordenado o abandono urgente do local quase submerso onde habitam.</P>
<P>
Dezenas de milhares de vacas, porcos e galináceos foram postos em elevações de terreno, semelhantes a pequenas ilhas, na expectativa de que as águas ali não chegassem. Muitos desses animais morreram afogados.</P>
<P>
Mas também na Alemanha, em França e na Bélgica a situação é de catástrofe. Em França, foi o próprio primeiro-ministro, Edouard Balladur, que qualificou a situação de «desastre nacional», declarando-se «muito impressionado com a situação», e que anunciou que iria abrir linhas de crédito especiais, «garantindo assim a solidariedade do Governo».</P>
<P>
Nas Ardenas francesas, a situação é particularmente difícil. Mais de 2500 bombeiros, militares e polícias, que procederam à retirada de 2700 pessoas, viram destruídas mais de três mil casas e foram impotentes para evitar que quase 300 empresas ficassem inoperacionais.</P>
<P>
A tendência em França (com um balanço de 15 mortos, cinco desaparecidos e 40 mil casas afectadas) era, contudo, para uma descida das águas. Em Paris, de acordo com indicações da prefeitura de polícia, o Sena estava ontem à tarde nos 4,80 metros (a situação de catástrofe total regista-se nos seis metros).</P>
<P>
A cidade de Charleville-Mézières foi submersa pela cheia do Mosa. O gabinete de crise da prefeitura só era acessível de barco e o nível da água subiu quatro centímetros durante a noite.</P>
<P>
Na poderosa Alemanha, onde o nível das águas continua a baixar nas várias cidades submersas nos últimos dias, o Governo está a estudar o auxílio financeiro às dezenas de milhares de vítimas das cheias. O enorme caudal do Reno dirige-se, entretanto, para a zona holandesa.</P>
<P>
Em Colónia, o volume de caudal deste rio, o mais longo da Europa Ocidental, atingiu o seu nível mais alto desde 1926, mas esperava-se a qualquer momento que começasse a diminuir, pelo menos três centímetros. A chuva parou e todos olham para o céu na esperança de que talvez não deite mais água. Até ao final da semana, prevê-se a normalização. Certo é que, em muitas zonas, os alemães começaram a repor a ordem e a limpar a confusão advinda da revolta dos rios.</P>
<P>
Na Bélgica, onde também se registava uma melhoria do estado do tempo, os rios tinham começado a baixar lentamente, inclusive o Mosa e afluentes. Mas a situação mantinha-se crítica em Huy, entre Liège e Namur, onde as águas do Mosa continuam teimosamente a subir desde segunda-feira. Quase mil pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas e a Cruz Vermelha já lançou um apelo de solidariedade para com as vítimas.</P>
<P>
Um anticiclone é esperado ansiosamente. Ao contrário do que se passa na Holanda, a situação poderá normalizar-se dentro de cinco dias. Depois, é uma questão de contabilizar os prejuízos materiais. «Incontáveis», para já.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ven-098">
<P>Neste campeonato aprendi mais, e sei que tenho muito que aprender, ganhou Marcos Mata representante de Lisboa, cadete da ACM da mesma cidade, ganhou e ganhou bem, foi merecido o triunfo.</P>
<P>
Em Basket Ball também perdemos, e infelizmente sem as características do Ping Pong, na segunda parte eu e Vilarinho Cardoso, tivemos que substituir dois jogadores caprichosos, e sem o menor intuito de honrar não a terra em que nasceram, mas sim a que representavam, perdemos por 33-12 salvo erro.</P>
<P>
O ginásio da ACM de Coimbra, é o melhor que até à data tenho visto, assim como o seu pucking-ball, que é o único no género que existe em Portugal.</P>
<P>
Conservo algumas fotografias que tirei neste esplêndido passeio, em que gozamos muito, a única fotografia que até agora tirei a magnésio foi no ginásio aos dois grupos de Basket, que ficou regular. Comecei então a frequentar a igreja metodista ao Mirante, encontrando nesta religião a felicidade que já atráz falei depois de algum tempo e quando já convertido e conhecedor embora pouco da palavra de Deus dei o meu nome para a prova de membro comungante, em Maio, tenho frequentado um curso de preparação dirigido pelo sr. Alfredo Silva, entre outros que comigo frequentam este curso. Lembra-me Paulo Costa, Alberto Carreira da Silva, Maria Luísa Costa, etc. </P>
<P>
Deus tem-me auxiliado na compreensão destes grandes problemas morais e espitituais e brevemente farei a minha profissão de fé.</P>
<P>
Tenho feito alguma coisa na A.C.M. que por não ter tomado notas desde o princípio me esqueceram, e por não terem valor deixo de as mencionar.</P>
<P>
Tratando-se da criação de uma Federação de Basket Ball, fui indicado também para fazer parte da comissão de propaganda, juntamente com os srs. Eduardo Moreira, Dr. João Gomes de Oliveira, Artur Araújo, tendo feito relatos para a secção especial do Diário do Sport, tem havido vários desafios; faço parte do grupo do Boxing Club de Portugal.</P>
<P>
Como atraz já disse procuro auxiliar todas as organizações que do meu préstimo necessitam, faço parte do Orfeon do Mirante a pedido das meninas Luisa e Anita Costa.</P>
<P>
Fui também à excursão realizada no dia 24 de Junho, a primeira que se realizou desde que sou sócio, e juntamente com 57 pessoas fomos nesse dia até Viana do Castelo. Foi mais uma afirmação de amor dada pela família evangélica é com saudade que me recordo desses bons momentos passados em que Deus nos ajudou correndo tudo admiravelmente.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71681">
<P>
Pacific Pintail viaja com rota secreta</P>
<P>
Já passava das 16h30, de ontem, quando o cargueiro britânico "Pacific Pintail" abandonou as imediações da Zona Económica Exclusiva da Madeira, sob estreita vigilância da corveta portuguesa "Oliveira e Carmo" e do Solo, o navio da organização ecologista "Greenpeace", que seguirá a embarcação até ao seu destino, o porto de Mutsu-Ogaware, no Japão.</P>
<P>
Eram 05h00 da madrugada de terça-feira quando o navio britânico, transportando a bordo 14 toneladas de plutónio, cruzou o canto noroeste da Zona Económica Exclusiva (ZEE) da Madeira, tendo passado à distância mínima de cerca de 280 quilómetros (150 milhas) do arquipélago português. O cargueiro dirige-se agora para as Canárias, estando prevista a sua aproximação da costa de Cabo Verde amanhã ou sexta-feira. Mas depois do Brasil, do Chile, das Filipinas e da África do Sul, chegou a vez de Cabo Verde anunciar que não autorizará a entrada do Pacific Pintail nas suas águas territoriais. Um responsável da Estação Costeira de São Vicente, diz que este procedimento é idêntico ao utilizado, há cerca de duas semanas, com uma outra embarcação, o "Port Talbot", que levava igualmente a bordo lixo nuclear radioactivo, e ao qual não foi permitido aproximar-se das águas cabo-verdianas. Recorde-se que a população japonesa da região de Rokkasho, onde o lixo nuclear vai ser armazenado, se tem oposto a esta decisão.</P>
<P>
Ao contrário do governo de Madrid, que autorizou o cargueiro a navegar dentro da ZEE de Espanha, as autoridades portuguesas não o permitiram. No seu trajecto entre o continente e os Açores e entre este arquipélago e o da Madeira, o navio manteve-se sempre em águas internacionais, evitando as rotas normais de navegação e a ZEE portuguesa, demarcada até 370 quilómetros da costa. Durante este período -- que durou dois dias -- o Pacific Pintail navegou sob vigilância da corveta "Oliveira e Carmo". De acordo com Brites Nunes, do gabinete do Almirante Chefe do Estado Maior da Armada, a "missão da "Oliveira e Carmo" foi a de acompanhar o navio, não o deixando entrar nas nossas águas territoriais".</P>
<P>
São três as opções que se colocam ao navio britânico para rumar até ao Japão: contornar África passando a sul do Cabo da Boa Esperança; a rota do Cabo Horn, pelo extremo da América do Sul; ou através do canal do Panamá.</P>
<P>
Em Espanha, os ambientalistas denunciaram, em comunicado, o facto de a carga que o navio britânico leva a bordo equivaler «a dez vezes o valor de radioactividade libertada no acidente da central nuclear de Chernobyl».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="dav-52390">
<P>Em que escola estuda o Harry Potter? Qual a divisa da escola? Em quantas casas está dividida? Quem é o director da escola? </P>
<P>Como são os peixes-espada? Qual é o recorde da IGFA para este tipo de peixe? </P>
<P>Quando nasceu Amintore Fanfani? E aonde nasceu? </P>
<P>Quem foi Le Corbusier? Qual era o seu verdadeiro nome? </P>
<P>Quem era Flaubert? Em que ano publicou «Bouvard e Pécuchet»? Lista todas as suas obras. </P>
<P>O que foi a Revolução de Veludo? </P>
<P>O que foi a Revolução dos Cravos? </P>
<P>Quem foi António de Oliveira Salazar? </P>
<P>Quem compôs a canção "Grândola, Vila Morena"? </P>
<P>Onde foi fabricado Bender Bending Rodriguez? </P>
<P>Quem é Philip J. Fry? </P>
<P>Quem foi Hermann Emil Fischer? Quem prémio é que ele recebeu em 1902? Quem recebeu o Prémio Nobel da Literatura nesse ano? </P>
<P>Quem era Bertha von Suttner? </P>
<P>Quem foi Marco Pantani? Qual era a sua alcunha? </P>
<P>Quem foi Juan Manuel Fangio? </P>
<P>O que é a obsidiana? </P>
<P>O que é uma "macana"? </P>
<P>O que é um buraco negro? </P>
<P>O que é a realidade virtual? </P>
<P>O que é o pasodoble? </P>
<P>O que é a tarantela? </P>
<P>O que á a Arca de Noé? </P>
<P>O que é um tacógrafo? </P>
<P>O que é um odómetro? </P>
<P>O que é um kinnor? </P>
<P>O que é o INTASAT </P>
<P>O que é que era o Rainbow Warrior? Quem é que o afundou em 1985? </P>
<P>Para que serve um draga-minas? </P>
<P>O que é a INTELSAT? </P>
<P>O que é uma Organização Não-Governamental? </P>
<P>O que era a Gestapo? Quantos membros tinha durante a Segunda Grande Guerra ? </P>
<P>O que é a Organização Internacional da Normalização? </P>
<P>O que era a Mão Negra? </P>
<P>Qual a função da Organização Meteorológica Mundial? </P>
<P>Qual é a responsabilidade da ONUDI? </P>
<P>A que se dedica a Industrial Light and Magic? </P>
<P>Em que país fica Çatal Hüyük? </P>
<P>Em que mar desagua o rio Orentes? </P>
<P>Em que país fica a Muralha de Adriano? </P>
<P>Onde é que trabalha o Homer Simpson? </P>
<P>Em que país fica Minas Gerais? </P>
<P>De onde é típica a ensaimada? </P>
<P>Em que cidade nasceu Natalie Hershlag? Quem é o prefeito dessa cidade? </P>
<P>Quem desenhou o processador Zilog Z80? De quantos bits era este processador? </P>
<P>Como se chamam os pais de Luke Skywalker? </P>
<P>Que paises entraram na União Europeia a 1 de Janeiro de 1995? </P>
<P>Quem é a rainha da Austrália ? </P>
<P>Quem era o papa quando se realizou o Concílio de Clermont? </P>
<P>Que actor faz de Chewbacca? </P>
<P>Como se chama o deus grego da Medicina? </P>
<P>Quem foi o realizador de Nosferatu? E quem era o actor principal? </P>
<P>Quem é o secretário-geral da UGT? </P>
<P>Quando é que foi o atentado terrorista contra a AMIA? Quantas pessoas morreram nesse ataque? </P>
<P>Quando é que morreu Federica Montseny? </P>
<P>Em que dia se realizou o assalto ao rancho do davidianos em Waco? </P>
<P>Em que ano é que o Real Zaragoza ganhou a Taça das Taças? </P>
<P>Em que ano foi inaugurado o AVE Madrid-Sevilha? </P>
<P>Em que data é que o Corte Inglês comprou as Galerias Preciados? </P>
<P>Em que dia foi assassinado Rajiv Gandhi? </P>
<P>Que quatro deuses podem ser representados num vaso canopo? </P>
<P>Quem produz o Windows 95? </P>
<P>Steve Jobs é o presidente de que empresa? </P>
<P>Como se chamava o serviço secreto da RDA? </P>
<P>David Stern é o comissário de que organização? </P>
<P>Que rádio emite o programa de Howard Stern? </P>
<P>Que escola foi fundada por Walter Groupis? </P>
<P>A que ordem pertencia São Tomás de Aquino? </P>
<P>Que ordem foi fundada por São Francisco de Assis? </P>
<P>Que exército era comandado por Rommel? </P>
<P>O Bibendum é a mascote de que empresa? </P>
<P>Como se chamava o barco de Costeau? </P>
<P>Que tipo de leite se usa para fazer mozzarella? </P>
<P>Como se chamava a espada do Rei Artur? </P>
<P>As bolotas são o fruto de que árvore? </P>
<P>De que planta se obtêm a juncinha? </P>
<P>De que material é feito um Moai? </P>
<P>Que come um quebra-ossos? </P>
<P>Como se chamava a bomba atómica largada em Nagasaqui? </P>
<P>Qual foi o primeiro libro impresso por Gutenberg? </P>
<P>Que forma tem a entrada do Museu do Louvre? </P>
<P>Que animais puxam o carro de Cíbele? </P>
<P>O que é que mede a escala de Mohs? </P>
<P>Que licor se faz com abrunheiro? </P>
<P>Em que museu estão «As Meninas» de Velasques? </P>
<P>Que escândalo provocou a demissão de Nixon? </P>
<P>Que fabrica a Leica? </P>
<P>Que lado de um barco é bombordo? </P>
<P>Como se chamam as bolas usadas no Quidditch? </P>
<P>Quantas pessoas morreram no afundamento do USS Maine? </P>
<P>Quantos atletas participaram nos Jogos Olímpicos de Barcelona ? </P>
<P>Quantos habitantes tem a Lituânia? </P>
<P>Quantos lugares o parlamento da Islândia? </P>
<P>Quantos anos durarão as reservas mundiais de petróleo? </P>
<P>Quantas vezes é que Alain Prost foi campeão do Mundo ? </P>
<P>Quantos cavalos tem as turbinas do USS Nimitz? </P>
<P>Quantos golos se marcaram ao todo no Mundial de 1982 ? </P>
<P>Quantas caves tem a Torre Picasso? </P>
<P>Quantos prémios Goya ganhou "Torrente: El brazo tonto de la ley"? </P>
<P>Que idade tem o Sol? </P>
<P>Qual a duração do filme «A Nona Porta»? </P>
<P>Com que idade morreu Alfred Hitchcock? </P>
<P>Qual a envergadura do Airbus 380? Quantos passageiros transportou no dia 4 de Setembro de 2006? Quanto custa cada unidade? </P>
<P>Qual a capacidade de carga do Antonov An-124? </P>
<P>Quais são os membros fundadores da Star Alliance? </P>
<P>Em que país se fala náhuatl? </P>
<P>Quantas curvas tem o Circuito do Mónaco? </P>
<P>Quem foi a primeira mulher a viajar no espaço? </P>
<P>Quem realizou «O Dia da Besta»? </P>
<P>Quem inaugurou o Templo de Debod em Madrid? </P>
<P>Em que ano é que Torquemada foi nomeado Inquisidor Geral? </P>
<P>Em que ano foi publicada a Gramática de Nebrija? </P>
<P>Onde é que Rachel Weisz estudou literatura? </P>
<P>Em que cidade fica a Sagrada Família de Gaudí? </P>
<P>Qual a altura do Vesúvio? </P>
<P>A quantos quilómetros de Huesca fica o Castelo de Loarre? </P>
<P>Qual a massa molécular do metanol? </P>
<P>Qual a altura da Pirámede do Sol de Teotihuacan? </P>
<P>Quantos saltos formam as Cataratas do Iguaçú? </P>
<P>Quantos degraus tem a Torre de Pisa? </P>
<P>Quais são os ingredientes da sangria? </P>
<P>Quem é responsável pela segurança da Cidade do Vaticano? </P>
<P>Quem atribui a Medalha Fields? </P>
<P>Para quem trabalha Jack Bauer? </P>
<P>O que é que foi usado como desfolhante na Guerra do Vietname? </P>
<P>Qual foi o nome de código do Desembarque da Normândia? </P>
<P>De que fungo se obtêm a penicilina? </P>
<P>De que molusco é que os fenícios extraíam a tinta púrpura? </P>
<P>O que é que Manuel Campello Esclápez descobriu? </P>
<P>De que é que Jasão e os Argonautas andavam à procura? </P>
<P>Quem era presidente dos Estados Unidos durante o ataque a Pearl Harbour? </P>
<P>O que é que a Norsk Hydro produzia durante a Segunda Guerra Mundial ? </P>
<P>Qual o tíulo da obra que ganhou o Prémio Nadal em 1994? </P>
<P>Quantos reservistas tinha a Haganah em 1936? </P>
<P>Que idade tinha Miguel Induraín durante a Volta a Espanha de 1985? Em que ano é que ele ganhou a Volta à Espanha? Quantas etapas da Volta à França do Futuro de 1986 é que ele ganhou? Que prémio é que ele recebeu em 1992? </P>
<P>Que actores são os protagonistas de «O Bom, o Mau e o Vilão"? </P>
<P>Quantas pessoas morreram na Europa durante a epidemia de peste do século XIV? </P>
<P>Em que país teve origem a epidemia de gripe de 1918? </P>
<P>Como se chamavam os Reis Católicos? </P>
<P>Como se chamava o presidente do Burundi que morreu em 1994? </P>
<P>Em que dia foi promulgada a constituição espanhola de 1812? </P>
<P>Quem foi o capitão do Real Sociedad entre 1974 e 1989? </P>
<P>Em que cidade se disputou a final da Taça da Europa de Basquete de 1996? </P>
<P>Que grupo terrorista cometeu um atentado durante os Jogos Olímpicos de Munique ? </P>
<P>Que partido político governou a Espanha de 28 de Outubro de 1982 a 3 de Março de 1996? </P>
<P>Que farda tinha vestida o Rei quando apareceu na televisão após o golpe de estado de Tejero? </P>
<P>O que é que Leonardo da Vinci desenhou em 1492? </P>
<P>O que é que Antonio Rebollo usou para acender a Chama Olímpica nos Jogos Olímpicos de Barcelona ? </P>
<P>Que programa de televisão apresentou Takeshi Kitano de 1986 a 1989? </P>
<P>Que presente é que Nova Iorque recebeu para comemorar o centenário da indepêndencia dos Estados Unidos? </P>
<P>Qual foi a distribuidora do filme «O Planeta dos Macacos» que estreou em 1968? </P>
<P>Que velocidade atingiu Louis Blériot a 25 de Julho de 1909? </P>
<P>Quantos quilos de anchova apanhou a frota do Cantábrico em 1994? </P>
<P>Quais são as ilhas cuja posse a Argentina disputou ao Reino Unido de 2 de Abril a 14 de Junho de 1982? </P>
<P>Onde se disputaram os Jogos Mediterrânicos de 1997? </P>
<P>Que navio é que James Cook comandou de 1768 a 1769? </P>
<P>Quem é o actor principal do filme «Tarzan, o Homem-Macaco»? Quanto recordes mundiais é que ele bateu? </P>
<P>Quem ganhou o Óscar Honorário em 2007? </P>
<P>Quem roubou as jóias de Bianca Castafiore? </P>
<P>Em que país fica o Lago dos Cisnes? </P>
<P>Em que ano morreu o Capitão América? </P>
<P>Qual é a capital da Terra do Nunca? </P>
<P>Como se chama a mulher de Bill Gates? Em que universidade é que ele estudava quando criou a Microsoft? Qual o orçamento dessa universidade para 2005? Em que ano foi fundada? </P>
<P>Que avião supersónico teve os seus últimos voos comerciais em Maio de 2003? Quantos passageiros conseguia transportar esse modelo de avião? </P>
<P>Qual a capacidade do Estádio Santiago Bernabéu nos anos 80? Quem é o dono do estádio? Quanto dinheiro foi gasto na sua ampliação entre 2001 e 2006? </P>
<P>Quantas bombas foram lançadas sobre Dresda a 14 de Fevereiro de 1945? Quanto pesavam as bombas largadas sobre esta cidade a 7 de Outubro de 1944? </P>
<P>Que organismo dirigiu Alan Turing durante a Segunda Guerra Mundial ? </P>
<P>Quem era o czar da Rússia czar da Rússia ? </P>
<P>Quantos pontos marcou a Jugoslávia na final do Mundial de Basquetebol de 1990? </P>
<P>Contra que país é que a Espanha jogou a final de basquete das Olímpiadas de 1984? </P>
<P>Em que ano é que Espanha ganhou o Mundial de Futebol?</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-64983">
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
Uma tentativa de roubo a um carro-forte em Santo André deixou sete pessoas feridas e um morto durante tiroteio entre assaltantes e seguranças. O veículo da empresa de segurança Protege levava CR$ 150 milhões quando foi cercado às 7h de ontem em frente a uma agência da CEF (Caixa Econômica Federal) por 12 homens armados.</P>
<P>
No tiroteio, dois assaltantes foram atingidos. Um deles, negro e aparentando 35 anos, foi encontrado morto dentro de um Santana momentos depois do tiroteio. O corpo foi levado ao IML para identificação.</P>
<P>
O vigilante da Protege Nivaldo José Moreira, 24, levou três tiros e está na UTI. Segundo um funcionário da Santa Casa Municipal, que não quis se identificar, seu estado é grave. O motorista do carro-forte, Dorival Aparecido Afonso, foi atingido por estilhaços de vidro, mas passa bem.</P>
<P>
A polícia apreendeu um fuzil R-15 calibre 223 e uma pistola calibre 45. Aproximadamente cem pessoas aguardavam a abertura da agência às 7h30.</P>
<P>
Na fuga, os assaltantes foram interceptados em São Mateus, na divisa entre São Paulo e Mauá, por um carro da PM. Houve troca de tiros e o PM Antonio Carlos Castilha foi atingido no pé.</P>
<P>
O vigilante Eliomar Passos de Oliveira, 21, foi atingido por uma bala no maxilar. Ele foi socorrido e está fora de perigo. Flávio Cavinato, 65, aposentado, foi atingido por uma bala na parte inferior de uma das pernas. Na Santa Casa, ele foi socorrido e dispensado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-18050"> 
<P> Palácio Nacional de Mafra </P>
 <P>Convento</P>
 <P> Em 1715, foi fundado o Convento de Nossa Senhora e Santo António de Mafra, que pertencia à província eclesiástica da Arrábida. Teve origem numa comunidade do Hospício do Espírito Santo. Em 1730, sagrada a Igreja de Nossa Senhora e Santo António, junto de Mafra, foi para lá transferida a sobredita comunidade. Entre 1771 e 1791, por breve de Clemente XIV, de 4 de julho de 1770, a requerimento do Marquês de Pombal, foi ocupado pelos
Cónegos Regulares de Santo Agostinho da Congregação de Santa Cruz de Coimbra ; os
Franciscanos da Província da Arrábida saíram do Convento de Mafra, em Maio de 1771. Em 1791, os Cónegos Regulares de Santo Agostinho saíram do edifício de Mafra. </P>
 <P> Em 1834, no âmbito da " Reforma geral eclesiástica " empreendida pelo ministro e secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo
Decreto de 28 de Maio, promulgado a 30 desse mês, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-7044">
<P>
Caem mais dois Antonov</P>
<P>
Dois aviões de transporte Antonov despenharam-se ontem na Sibéria, provocando a morte de 26 pessoas, aumentando o numero de catástrofes aéreas na Rússia. Desde o início do ano 322 pessoas morreram em acidentes de aviões militares e civis, transformando 1994 no ano negro da aviação na Rússia. O primeiro Antonov incendiou-se em pleno voo antes de se despenhar contra uma colina, provocando a morte de todos os 21 ocupantes do aparelho. O motor do segundo Antonov incendiou-se em plena operação de descolagem, obrigando o piloto a fazer um aterragem de emergência. Dos 14 ocupantes do avião, cinco morreram e os restantes receberem tratamento hospitalar.</P>
<P>
Caso Simpson: 850 mil contos</P>
<P>
O «caso» O.J. Simpson já custou ao contribuinte norte-americano mais do que o de Charles Manson, e isto quando o julgamento propriamente dito ainda nem começou. O «julgamento do século», em que o famoso jogador de futebol americano é acusado de duplo homicídio, já tinha custado aos americanos, no fim de Setembro, 916 mil dólares (cerca de 140 mil contos). Peritos legais estimaram que os custos do julgamento de Simpson vão atingir os cinco milhões de dólares (850 mil contos). Isto se no final não for apresentado nenhum recurso.</P>
<P>
Bombas em esquadra sueca</P>
<P>
Durante a madrugada de ontem, duas cargas explosivas destruíram parcialmente uma esquadra da polícia desocupada em Svenljunga, no sul da Suécia. A explosão estilhaçou os vidros de vários prédios vizinhos sem, no entanto, provocar qualquer vítima. Os engenhos, cuja natureza não foi divulgada pelas autoridades suecas, tinha sido colocados junto às duas portas de entrada daquela esquadra que, anteriormente, já tinha sido alvo de disparos.</P>
<P>
Detido chefe do Cartel do Golfo</P>
<P>
A polícia mexicana deteve, no sábado, o chefe do Cartel da droga do Golfo, Juan Garcia Abrego, na cidade de La Paz, no estado mexicano da Baixa Califórnia. Garcia Abrego que se fazia passar por Garcia Trevino, chefe do grupo empresarial Azaltan, negou sempre, na sua qualidade de empresário, ter alguma ligação com o Cartel do Golfo e afirmou que não era a pessoa procurada pela polícia por tráfico de droga. Este cartel é o principal responsável pela entrada de cocaína colombiana nos EUA, via México.</P>
<P>
Tráfico de droga aos 82 anos</P>
<P>
Uma mulher de 82 anos, juntamente com a sua filha e os seus dois netos, foi detida pela polícia espanhola em Puertollano, no sul de Espanha. Esta estranha quadrilha foi acusada de tráfico de droga e posse de jóias roubadas. Segundo fontes policiais, foram encontradas, em casa da velha senhora, pequenas quantidades de cocaína e de heroína.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-48331">
<P>
Terceiro atentado ao local em quatro dias não deixa feridos; polícia volta a acusar o IRA</P>
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
O aeroporto de Heathrow, em Londres, um dos mais movimentados do mundo, foi alvo ontem de manhã de um novo ataque de obuses, que não deixou feridos nem danos materiais. Foi o terceiro atentado ao local em quatro dias.</P>
<P>
A polícia informou que um telefonema anônimo advertiu sobre o ataque pouco antes de ele acontecer. Até a tarde de ontem nenhum grupo havia reivindicado o atentado, mas o método utilizado para o ataque, idêntico aos das últimas 96 horas, leva a marca do IRA (Exército Republicano Irlandês). O IRA assumiu a responsabilidade pelo atentado da quinta-feira e a polícia atribuiu o de sexta-feira ao grupo.</P>
<P>
As explosões de ontem foram ouvidas perto do terminal 4, onde operam todos os vôos da British Airways, pouco depois das 8h (horário local). Em seguida, três obuses foram encontrados no chão, em um terreno vazio na parte sudoeste do aeroporto. Outro foi encontrado do teto do terminal.</P>
<P>
Segundo a polícia, os obuses foram disparados por um morteiro caseiro. Nenhum deles explodiu. Um policial afirmou que havia material explosivo nas bombas, mas que uma falha em seu projeto aparentemente impediu que elas explodissem. A Scotland Yard se recusou a dar mais detalhes.</P>
<P>
A área de onde foram disparados os obuses havia sido inspecionada pela polícia no sábado, mas o morteiro não foi localizado pela polícia porque havia sido enterrado e coberto com madeira.</P>
<P>
Pela primeira vez desde a Guerra do Golfo, funcionários do governo pediram a presença do Exército britânico para reforçar a segurança do aeroporto. Os jornais disseram que há um plano para usar tropas e carros blindados se a medida for aprovada pelo governo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-92662">
<P>
Jogos Olímpicos de Inverno/2002</P>
<P>
Salt Lake na frente</P>
<P>
Chega hoje ao fim a longa maratona de «lobbying» que as cidades de Salt Lake (EUA), Quebeque (Canadá), Oestersund (Suécia) e Sion (Suíça) têm levado a cabo, no sentido de receberem os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno do próximo milénio, no ano 2002. Na votação que hoje decorre em Budapeste (Hungria), os norte-americanos partem como favoritos, mas a questão não está resolvida, ou não fossem frequentes as surpresas nas escolhas dos 92 membros do Comité Olímpico Internacional (COI).</P>
<P>
A atribuição dos Jogos de 2002 acontece quando a organização dos Jogos de Inverno de 1998, a realizar em Nagano, no Japão, informou o COI que a realização do evento se encontra ameaçada devido à queda do dólar nos últimos 16 meses, exigindo deste modo que lhe seja atribuída uma maior fatia das receitas a realizar com publicidade e transmissões televisivas. O que acontece, segundo os japoneses, é que os 436 milhões de dólares (quase 65 milhões de contos) por si angariados em receitas de transmissões perderam, em moeda japonesa, cerca de 30 por cento do seu valor.</P>
<P>
Sem problemas cambiais, a candidatura de Salt Lake (pela quinta vez na corrida aos Jogos) apresenta a maior das quatro garantias monetárias -- 800 milhões de dólares (cerca de 119 milhões de contos), contra 780 milhões dos suecos, 592 milhões dos canadianos e 490 milhões dos suíços. Mas mesmo assim, tem sido aconselhada cautela aos norte-americanos. «Embora pense que seria escandaloso se Salt Lake não ganhasse, já aconteceram coisas mais estranhas», refere um membro neutro do comité. Enquanto isso, um seu colega alerta: «Não se ganham votos na última semana, mas pode-se muito bem perdê-los.»</P>
<P>
Os canadianos, únicos a concorrer pela primeira vez, têm cada vez menos hipóteses, devido aos crescentes fervores separatistas no Quebeque, uma província canadiana de expressão francesa.</P>
<P>
PÚBLICO/Reuter/AFP</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-63810">
<P>
Domingo, 2</P>
<P>
· No Sul do México, registam-se violentos combates entre tropas governamentais e camponeses armados do Exército Zapatista de Libertação Nacional, que atacaram uma unidade militar situada a cerca de dez quilómetros de San Cristobal de las Casas</P>
<P>
· O Paquistão e a Índia iniciam conversações sobre a disputa territorial de Caxemira, com o governo de Islamabad a exortar Nova Deli a terminar com aquilo que diz ser repressão na zona do estado administrada pelo Governo indiano</P>
<P>
· O líder ultranacionalista russo Vladimir Jirinovksi afirma na televisão de Moscovo que o Presidente Boris Ieltsin transformou a Rússia «num caixote do lixo, numa latrina, empurrando a juventude para a prostituição»</P>
<P>
· Ataque de obuses às instalações petrolíferas de Malongo, no litoral de Cabinda, que provocam ferimentos num trabalhador e danos em veículos e edifícios</P>
<P>
· Um cargueiro liberiano, com 36 tripulantes gregos e filipinos a bordo, desaparece no Atlântico Norte, durante uma forte tempestade</P>
<P>
Segunda-feira, 3</P>
<P>
· Em entrevista ao PÚBLICO, o líder do Partido Socialista, António Guterres, revela que o seu partido pode conquistar a maioria absoluta em 1995, mesmo sem uma aliança com o PCP, e admite que Jorge Sampaio e Fernando Gomes dariam bons candidatos à Presidência da República</P>
<P>
· Um avião Tupolev-154 que se desloca de Irkutsk, na Sibéria, para Moscovo despenha-se num campo gelado, causando a morte aos 120 passageiros e tripulantes que seguiam a bordo</P>
<P>
· Quatro pessoas morrem e outras 34 ficam feridas durante um bombardeamento de Sarajevo pelas forças sérvias. Entre os mortos encontra-se uma menina de nove anos</P>
<P>
· O primeiro-ministro irlandês, Albert Raynolds, é acusado de se estar a aproximar das posições do Exército Republicano Irlandês (IRA) ao defender a «desmilitarização» do conflito no Ulster</P>
<P>
· Trinta traficantes de droga ligados ao Comando Vermelho, a mais poderosa organização criminal do Brasil, atacam uma esquadra da polícia no Rio de Janeiro e libertam 38 presos</P>
<P>
· Lançamento oficial do serviço telefónico Linha Emergência- Criança Maltratada</P>
<P>
Terça-feira, 4</P>
<P>
· Em Sarajevo, na Bósnia, oito pessoas morrem e 33 ficam feridas durante mais um pesado bombardeamento das forças sérvias, pouco tempo antes do início das conversações de paz entre uma delegação croata e outra de muçulmanos bósnios, em Viena</P>
<P>
· Abertura do seminário sobre «Política externa portuguesa» em 1993 e perspectivas para 1994, no Palácio das Necessidades, em Lisboa, com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Durão Barroso</P>
<P>
· O Comité Internacional da Cruz Vermelha nega ter sido responsável por fazer chegar ao exterior uma mensagem de Xanana Gusmão a pedir a anulação do seu julgamento</P>
<P>
· Os representantes da estrutura sindical da TAP, com excepção do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, abandonam a reunião convocada pelo conselho de administração da empresa, como forma de protesto contra a «falta de transparência da administração»</P>
<P>
· O ministro do Comércio e Turismo, Faria de Oliveira, assina o despacho normativo que estabelece uma linha de crédito bonificado para os restaurantes típicos onde se canta o fado</P>
<P>
· O Governo francês anuncia que vai proibir a inseminação artificial nas mulheres que já tenham atingido a menopausa</P>
<P>
Quarta-feira, 5</P>
<P>
· O PSD abandona o Conselho Directivo da Associação Nacional de Municípios Portugueses, acusando a estrutura liderada por Mário de Almeida de «partidarização». A decisão é tomada no final de uma reunião com os presidentes de câmara eleitos nas listas sociais-democratas em que está presente Cavaco Silva</P>
<P>
· A CGTP abre o ano sindical com o anúncio de uma série de greves nacionais a desencadear na última semana de Janeiro</P>
<P>
· Os romenos que se encontravam a viver em tendas na zona de Alcântara, em Lisboa, começam a ser instalados numa antiga camarata da Polícia de Segurança Pública, no Poço do Bispo</P>
<P>
· A EDP anuncia que as tarifas de energia eléctrica para consumo doméstico são agravadas em três por cento, com efeitos a partir de 1 de Janeiro deste ano</P>
<P>
· A representante permanente dos EUA na ONU, Madeleine Albright, adverte a Croácia de que poderá ser alvo de sanções internacionais se continuar a intervir no conflito bósnio</P>
<P>
· Uma funcionária do Departamento norte-americano de Estado anuncia que a Coreia do Norte concordou com a realização de inspecções internacionais a sete instalações nucleares</P>
<P>
Quinta-feira, 6</P>
<P>
· Arlindo Carvalho vence a eleição para a Comissão Política Permanente da distrital de Lisboa do PSD com 346 votos, contra 186 obtidos pela lista de Mota Veiga</P>
<P>
· A ministra da Educação, Manuela Ferreira Leite, discursa na AR sobre a Lei das Propinas e mostra-se receptiva a alterar o actual regime, remetendo as mudanças concretas para a comissão especializada</P>
<P>
· Marques Mendes dirige, no Parlamento, um violento ataque aos argumentos do veto do Presidente da República ao decreto das propinas. O ministro-adjunto acusa Mário Soares de ter faltado à verdade e diz que a formulação do veto presidencial «é bizarra e perigosa», não se coadunando com os princípios constitucionais</P>
<P>
· Tem início em Lusaca uma nova ronda de conversações entre representantes do Governo angolano e da UNITA</P>
<P>
· O Conselho de Ministros decide rejeitar a proposta de compra do Banco Pinto &amp; Sotto Mayor feita pelo Banco Comercial Português...</P>
<P>
· ... e anuncia a entrada em vigor de um novo regime de vendas a prestações, em que deixa de haver «imposição de prazos máximos de pagamento» e cessa a condição «de um desembolso inicial mínimo»</P>
<P>
Sexta-feira, 7</P>
<P>
· Manuel Damásio e a lista A conquistam a maior maioria de sempre em eleições para os corpos gerentes do Benfica, com 87 por cento dos votos, enquanto a lista B, liderada por José Manuel Capristano, se fica pelos 13 por cento</P>
<P>
· Um evadido da penitenciária de Castelo Branco é recapturado pela GNR no lugar de Chaminé, em Abrantes, 24 horas depois de ter assassinado a tiros de caçadeira três pessoas, entre as quais uma criança de nove anos</P>
<P>
· O ex-mandatário da candidatura presidencial de Mário Soares, Gomes Mota, apresenta, em Lisboa, o manifesto do congresso «Portugal: que futuro ?».</P>
<P>
· No Brasil, o empresário Paulo César Farias, tesoureiro da campanha eleitoral do ex-Presidente Fernando Collor de Mello, é condenado a quatro anos de prisão</P>
<P>
· O Partido da Liberdade Inkhata, que congrega uma parte dos zulus da África do Sul, anuncia que não irá participar nas primeiras eleições livres do país, em Abril próximo</P>
<P>
· Israel liberta 101 prisioneiros palestinianos, todos membros de grupos que apoiaram o acordo de autonomia dos territórios ocupados</P>
<P>
Sábado, 8</P>
<P>
· Vários focos de incêndio cercam a cidade australiana de Sydney, levando a que dezenas de milhares de pessoas que habitavam nos arredores da cidade abandonem as suas casas para fugir aos fogos</P>
<P>
· O Governo indonésio suspende temporariamente a Cruz Vermelha Internacional de visitar Xanana Gusmão na prisão</P>
<P>
· Valeri Poliakov parte do cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão, a bordo da cápsula espacial Soyuz TM-18, em direcção à estação orbital Mir, para uma missão, de 429 dias, que terminará na primeira quinzena de Fevereiro de 1995 e que irá bater o anterior recorde de permanência no espaço -- 366 dias</P>
<P>
· O empresário Belmiro de Azevedo defende a existência de «condições objectivas» para ser retirada a licença de operador privado de telefones móveis à Telecel</P>
<P>
· Os líderes académicos do ensino superior iniciam um Encontro Nacional de Dirigentes Associativos, em Vila Real, para discutir a questão da Lei das Propinas</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-28053">
<P>
O atacante, que disputou cinco temporadas pelo clube de Turim, assinou contrato com o Milan. O valor da transferência foi de cerca de US$ 13 milhões. Baggio iniciou ontem os exames médicos em seu novo clube.</P>
<P>
Gallo desfalca Santos contra a Portuguesa</P>
<P>
O volante, expulso contra o Corinthians, foi suspenso por dois jogos. Ele não atuou sábado passado, contra o União, e não joga domingo, contra a Portuguesa. O time, que enfrentaria ontem o São Paulo pela Copa dos Campeões Mundiais, em Uberlândia, treina hoje na Vila Belmiro.</P>
<P>
Mogi mantem equipe para a próxima rodada</P>
<P>
O técnico Pedro Rocha poderá repetir a escalação usada nos três jogos anteriores na partida contra o São Paulo. Os jogadores fizeram exercícios de hidroginástica ontem. Hoje haverá coletivo.</P>
<P>
União tem uma dúvida para jogo no domingo</P>
<P>
O meia ofensivo Alexandre, contundido no joelho direito, é a única dúvida do time, que enfrenta o Corinthians.</P>
<P>
Johnson vence prova, mas não bate recorde</P>
<P>
O norte-americano Michael Johnson marcou 19s96 nos 200 m sem barreira do GP de Atletismo de Lausanne, na Suíça. O recorde mundial pertence ao italiano Pietro Mennea (19s72).</P>
<P>
Itália forma comissão sobre Olimpíada 2004</P>
<P>
Lamberto Dini, primeiro-ministro italiano, anunciou ontem a criação de um comitê para estudar a viabilidade de Roma abrigar os Jogos Olímpicos em 2004.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-39669">
<P>
Uma nova maneira de desbloquear artérias é descrita na revista "The Lancet", em esforço conjunto de cientistas dos EUA e da Alemanha. Elas usaram ultra-sonografia para abrir caminho através de um coágulo em uma das artérias coronárias de uma mulher de 48 anos, pouco depois de um ataque do coração. A mulher obteve alta em dez dias. Segundo os especialistas, a técnica pode ser uma alternativa aos métodos usuais.</P>
<P>
DINOSSAURO</P>
<P>
Fósseis de um dinossauro que ainda não havia completado o seu desenvolvimento foram descobertos em uma zona desértica na Argentina por um grupo de arqueólogos da Universidade de Cuyo. Segundo os cientistas, os fósseis podem dar origem a um novo sítio de pesquisas, com idade superior a 80 milhões de anos.</P>
<P>
AVALANCHE</P>
<P>
Artigo de cientistas austríacos na revista "Nature" analisa dados de uma década sobre as avalanches, que matam cerca de 150 esquiadores por ano. Segundo os especialistas da Universidade de Innsbruck, mais vidas poderiam ser salvas através de uma ação imediata. Um esquiador enterrado no gelo tem 92% de chances de sobreviver, se resgatado em 15 minutos. As chances caem para 30% se o resgate ocorrer em 35 minutos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-14715">
<P>
Na zona leste, 40 barracos em área de risco são interditados; moradores querem indenização pelos danos</P>
<P>
Da Reportagem Local e da FT</P>
<P>
O desabamento de um barraco ocorrido ontem às 4h na rua Vicente Martins Risco, na favela do Jardim das Embuias (zona sul de São Paulo), matou um bebê do sexo masculino, de apenas 12 dias, e feriu a doméstica Ana Délis de Matos Bandeiras, 24 anos.</P>
<P>
O desabamento foi provocado pela chuva que caiu no início da madrugada de ontem. O barraco pertencia ao servente de pedreiro Edimaro Andrade de Jesus, 25. Ele estava dormindo ao lado da esposa quando aconteceu o acidente.</P>
<P>
Os bombeiros foram chamados para o local e conseguiram resgatar o bebê e Ana ainda com vida. Ambos foram levados ao PS Osec, mas a criança acabou morrendo. Ana continua internada, mas com ferimentos leves.</P>
<P>
Zona leste</P>
<P>
Quarenta barracos da favela Ponte 2, no Jardim Elba, foram interditados ontem por fiscais da Administração Regional de Vila Prudente. Há cerca de 580 desabrigados na região. Os casebres estão situados em área de risco, próximos a um barranco que desmoronou no domingo com a elevação do nível do córrego do Oratório.</P>
<P>
Pelo menos quatro barracos foram tragados pelo córrego, cujo nível subiu mais de três metros no final da tarde de domingo. Não houve feridos.</P>
<P>
A dona-de-casa Francisca das Chagas Vieira, 30, abrigou quatro casais no barraco que divide com o marido e o filho de 4 anos –12 pessoas compartilhando pouco mais de 20 metros quadrados. O casebre de tábuas também foi declarado sob interdição pelos fiscais da prefeitura.</P>
<P>
Na avenida Aricanduva, próximo à usina de compostagem de lixo de São Mateus, moradores da favela Dois de Maio interromperam ontem o trânsito entre as 15h e as 16h30, em protesto contra os prejuízos causados pela chuva.</P>
<P>
Na Vila Guaracá, o barracão da União Independente de Vila Prudente, instalado sob as lonas de um circo, desabou no domingo. Os carros alegóricos da escola de samba ficaram destruídos.</P>
<P>
Nas ruas Iemanjá, Benedito Antônio Silveira e Luís Scalise, na Vila Carrão, a prefeitura concluiu ontem a retirada de lama e entulho acumulados no domingo, quando o córrego Aricanduva transbordou e invadiu as casas. Os moradores dessas ruas pretendem entrar com uma ação judicial conjunta, com base na lei municipal nº 11.341, que obriga a prefeitura a compensar danos causados por enchentes.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93575">
<P>
Cardeal de Lisboa reivindicativo</P>
<P>
O cardeal-patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, considerou que «não são favores, nem privilégios, os magros subsídios e as reduzidas isenções fiscais que a Autoridade civil por vezes concede a algumas instituições canónicas», na sua «mensagem de Natal», este ano intitulada «Não tenham medo de Cristo e da Igreja».</P>
<P>
D. António Ribeiro afirmou que aquelas medidas «são, antes, o cumprimento da obrigação de justiça social, que vincula qualquer sociedade democrática, rectamente constituída e ordenada». O bispo de Lisboa esclareceu que, «dos poderes públicos e da ordem civil em geral, a Igreja reclama e reivindica a liberdade sagrada, que lhe advém do seu divino Fundador, de poder exercer sem entraves a missão recebida. Não pede recompensas nem privilégios, mas tem direito a usufruir dos meios indispensáveis ao pleno desempenho do seu múnus. E é dever dos que têm a seu cargo a promoção do bem comum dos cidadãos garantir à Igreja, enquanto comunidade organizada dos cristãos, o recurso a tais meios considerados necessários».</P>
<P>
D. António Ribeiro, depois de lembrar que, segundo as Escrituras, «tiveram muito medo» os pastores a quem foram revelados os sinais do nascimento de Cristo, argumentou que «o Natal de Jesus Cristo foi e será sempre um acontecimento tão singular e extraordinário, um mistério tão denso e sublime de sentido, que jamais deixará de provocar calafrios em quem dele se aproxima e tenta compreendê-lo pela simples luz da razão. Como é possível que Deus, sendo a plenitude infinita do ser e da vida, se faça homem e assuma todas as limitações da natureza humana, excepto as do pecado? Mais do que isso: como é possível que, ao fazer-se homem, Deus surja no mundo sob a forma de um Menino débil e indefeso, nascido do desconforto de uma gruta?»</P>
<P>
O cardeal-patriarca, que entende que «a encarnação e o nascimento de Jesus Cristo constituem a manifestação suprema do amor de Deus por cada ser humano», apelou aos «homens da cultura, da política, da economia e da comunicação social», homens que exerçam «qualquer actividade profissional, digna e honesta», que não temam «a luz que irradia do Menino do presépio». E incitou: «Abri, antes, as portas da vossa inteligência e do vosso coração ao fulgor dessa luz, entre todas benéfica. (...) Não tenhamos, por conseguinte, medo de Cristo e da Igreja que prolonga, no tempo, a acção redentora e salvadora do Senhor Jesus».</P>
<P>
Famílias desalojadas em Águeda e Matosinhos</P>
<P>
Os rios saíram à rua</P>
<P>
Rui Baptista e Manuela Teixeira*</P>
<P>
Os rios galgaram as margens e subiram às ruas um pouco por todo o Norte e Centro do país, obrigando à evacuação de várias famílias e à exasperação de outras. Águeda e Matosinhos foram as duas regiões mais afectadas. Inundações, desabamentos de terras e cortes de estradas, um cenário que estragou o Natal de alguns portugueses.</P>
<P>
«Não há memória de uma coisa assim» -- a meio da tarde de ontem, esta era a única certeza dos habitantes de Águeda que, ao longo da noite, viram as suas casas serem invadidas pela água. As cheias afectaram principalmente a zona histórica, junto ao rio Águeda, onde os bombeiros foram obrigados a efectuar mais de meia centena de evacuações. Entre as vítimas das inundações encontrava-se o deputado e poeta Manuel Alegre, que ontem à tarde teimava em não abandonar a casa onde nasceu, e atribuía as responsabilidades do problema à Junta Autónoma de Estradas e à Câmara Municipal.</P>
<P>
Água a rondar as janelas e os puxadores das portas, vidrões e bancos de jardim submersos e gente espantada que avaliava das janelas dos andares superiores dos prédios o evoluir das águas e o movimento dos barcos dos bombeiros -- foi assim o dia de Natal na Baixa de Águeda. Sem pânico, porque se trata de uma zona habituada a cheias. Mas o segundo-comandante dos bombeiros locais, Manuel Fradique, é peremptório: «Desde 1919 que não há registo de uma cheia destas».</P>
<P>
Os bombeiros que, logo ao princípio da madrugada, começaram a proceder a evacuações depressa se aperceberam que o dia não seria fácil. Não bastavam as chuvas fortes que faziam engrossar o caudal do rio -- as marés vivas que na barra de Aveiro chegaram a atingir os 3,60 metros faziam com que as águas recuassem a partir do Vouga que já se tinha encontrado com o Águeda na zona da Ponte da Rata.</P>
<P>
A meio da manhã, a loja da família do vereador Gil Nadais, situada na Praça da República, já tinha vários palmos de água, apesar das comportas, que até aí nunca os desiludira. A meio da tarde, os bombeiros já haviam evacuado, na zona da Baixa, 40 pessoas. Pouco faltava para as 17h00 quando a GNR mandou encerrar ao trânsito a ponte principal de Águeda. Os pilares, que já tinham desaparecido de vista, estavam envolvidos em ramos de árvores arrastados pelas correntes violentas. A EN 1, a sul da ponte, já estava submersa. E os temores começavam a centrar-se na localidade de Sardão, de onde já haviam sido evacuadas algumas famílias. Aqui, o maior motivo de preocupação era a possibilidade de cedência de uma estrada recentemente construída e que funciona como dique, na zona dos Abadinhos. Era contra esta obra que Manuel Alegre clamava a meio da tarde.</P>
<P>
Disposto a não abandonar a sua casa na Rua de Vasco da Gama, na qual passava com a família a consoada, o deputado recordou, em declarações ao PÚBLICO, a apresentação, há alguns meses, de um requerimento ao Assembleia da República em que alertava para os efeitos nefastos daquela obra em caso de cheia.</P>
<P>
Mas não era só para fazer valer a sua posição que Manuel Alegre resistia às águas que tinham invadido já a adega da casa. Temia também que a sua desistência -- divulgada pelos jornalistas que em barcos lhe rondavam a casa -- pudesse lançar o pânico entre a população. Na rua, as más-línguas faziam uma interpretação bem humorada da coragem de Alegre -- o desejo de não deixar passar a oportunidade de publicitar o seu livro lançado há uma semana, «As Almas», no qual recorda as cheias da sua infância.</P>
<P>
Rio Leça galgou as margens</P>
<P>
Em Matosinhos, a subida do caudal do rio Leça -- chegando a atingir, em várias zonas, cerca de dez metros -- inundou cerca de 50 casas e deixou 17 famílias desalojadas, afectando também diversas habitações na Maia. As pessoas evacuadas foram recolhidas temporariamente por familiares, enquanto a Câmara estuda uma solução para as realojar ainda hoje.</P>
<P>
Foi com a água acima dos joelhos que estas pessoas acordaram na madrugada de ontem. «Já não houve tempo para salvar os haveres antes de abandonar as casas», contou um morador da Lomba, em Guifões. Neste conjunto de casas rudimentares com mais de 100 anos, além das duas famílias evacuadas, uma viatura ficou submersa e outros oito numerosos agregados familiares debateram-se também com a enxurrada. Também na Ponte da Pedra, em S. Mamede de Infesta, as águas do rio quase galgaram a ponte e cobriram algumas viaturas, enquanto em Gondivai, Leça do Balio, várias casas foram inundadas. Na zona dos Moinhos, em Santa Cruz do Bispo, uma família ficou encurralada na casa junto à ponte. Além das residências, várias fábricas, estradas, culturas e animais domésticos foram fortemente atingidos pelas cheias. Os prejuízos não estão ainda avaliados, mas deverão rondar alguns milhares de contos.</P>
<P>
«Grave, mas controlada», foi como o presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, considerou a situação. Narciso garantiu que as famílias afectadas «serão realojadas provisoriamente ainda hoje», acrescentando que tenciona pedir «apoio à Protecção Civil do Distrito do Porto e, possivelmente, ao Ministério da Administração Interna».</P>
<P>
Mais a norte, o rio Ave também transbordou, tendo provocado o encerramento da estrada entre Vila do Conde e Touguinha, havendo ainda a registar o afundamento de três barcos de pesca acostados no porto vila-condense.</P>
<P>
Viseu também não escapou às fortes chuvadas dos dois últimos dias. Os bombeiros na zona ribeirinha da cidade encontravam-se em alerta devido ao alto nível atingido pelas águas do rio Pavia (que atravessa a cidade) e ontem à tarde já tinha ultrapassado largamente as margens.</P>
<P>
Enquanto isso, em Moimenta da Beira e Sernancelhe os bombeiros tiveram mesmo que socorrer bovinos e ovinos que corriam o risco de ser arrastados pela corrente.</P>
<P>
Também nos distritos de Vila Real e Bragança, os rios transbordaram do leito, alagando vários hectares de terrenos agrícolas e causando algumas inundações domésticas e quedas de árvores um pouco por toda a parte. O concelho mais atingido foi o de Macedo de Cavaleiros, onde os bombeiros foram chamados para bombear água de caves de algumas residências.</P>
<P>
No distrito da Guarda, a chuva não causou grandes problemas, até porque a orografia do terreno permitia um rápido escoamento das águas. Onde se temia que a situação dos vários rios que nascem na serra da Estrela piorasse nos próximos dias era no Centro de Limpeza de Neve. Segundo informação deste organismo, chove torrencialmente nas zonas mais altas da serra desde há três dias, facto que pode provocar cheias tais como as que se registaram em Manteigas há dois anos.</P>
<P>
*com Graça Barbosa Ribeiro, Ângelo Marques e José Guilherme Lorena</P>
<P>
Circulação ferroviária interrompida temporiamente</P>
<P>
Aluimento causa descarrilamento na Linha da Póvoa</P>
<P>
Uma automotora que seguia no sentido Porto/Póvoa de Varzim descarrilou ontem por volta das 9h30, a poucos metros da Ponte das Carvalhas, entre Custóias e Crestins, em Matosinhos, causando ferimentos ligeiros em seis pessoas. O acidente, que envolveu quatro carruagens, ficou a dever-se ao aluimento de terras por baixo dos carris que cederam com a passagem do comboio. Segundo o relato de algumas testemunhas, a automotora, que seguia com poucos passageiros -- a CP não conseguiu dar o número exacto -- desfez em alguns metros a via, que ficou suspensa e intransitável. As carruagens, com a força do choque, descarrilaram e tombaram em direcção às águas ao rio Leça, que minaram as bases onde assentam os carris.</P>
<P>
A queda do comboio provocou também uma cratera com cerca de 20 metros de comprimento por cinco de largura, uma situação que vai prolongar a interrupção da linha naquele troço. Só hoje de manhã é que os técnicos da CP saberão ao certo quando poderá ser restabelecida a circulação. Segundo informações da empresa, o comboio sinistrado levava poucos passageiros e tinha saído da Estação da Trindade às 9h00, devendo chegar à Póvoa 55 minutos depois. Devido ao acidente, a ligação ferroviária Porto/Póvoa está interrompida e tudo indica que assim vai continuar ainda por bastante tempo dadas as dificuldades em remover os destroços da automorora.</P>
<P>
Ao fim da manhã de ontem, dois piquetes de prevenção da CP estavam no local para ajudar na operação de desobstrução da linha. Mas, apesar das tentativas, não foi possível ao pessoal da empresa iniciar os trabalhos de remoção das carruagens sinistradas, dada a falta de meios próprios. O Batalhão de Sapadores Bombeiros foi de imediato chamado pela CP, mas a corporação não se deslocou ao local por não dispor de uma grua com capacidade suficiente para remover aquele material, que pesa cerca de 40 toneladas. Dadas as dificuldades em contactar uma empresa privada de reboques por ser dia de Natal, a CP solicitou ao meio da tarde o auxílio dos bombeiros de Santa Cruz do Bispo, que enviaram para o local sete homens e duas viaturas. As más condições atmosféricas impossibilitaram, porém, qualquer trabalho de desobstrução.</P>
<P>
A subida do caudal do Leça, associada à infiltração de águas debaixo da linha férrea esteve na origem deste descarrilamento, o quarto nos últimos 31 anos. A tragédia de 24 de Julho de 1964 está ainda presente na memória de muitos dos moradores das Carvalhas, que ontem tiveram um acordar alvoroçado. Manuel da Silva Ferreira, um emigrante em França há já vários anos, é um deles. Este homem de 40 anos, um dos primeiros a chegar ao local do acidente, confessou ao PÚBLICO que ainda tem presente o acidente de Julho de 1964, «uma grande tragédia», conforme lhe chamou, em que morreram mais de 100 pessoas. Uma outra testemunha confirmava as palavras de Manuel Ferreira, um português de sotaque «afrancesado» que deu ainda conta de outros outros desastres registados logo a seguir à Ponte das Carvalhas, um dos quais com dois mortos.</P>
<P>
Maria da Conceição Ferreira Oliveira, Manuel Jorge Santos Vieira, Manuel Ferreira Soares, Adelaide Gonçalves Araújo e Alberto Chaves da Silva, com idades compreendidas entre os 27 e os 72 anos, foram os passageiros que sofreram alguns ferimentos neste.acidente, mas ao princípio da tarde tinham já abandonado o Hospital de S. João. O maquinista, João Paulo Pereira Gomes, de 27 anos, foi o único que foi transportado para o Santo António. Uma fonte deste hospital confirmou ao PÚBLICO a entrada de Paulo Pereira Gomes na urgência às 13h00 de ontem, mas acrescentou que o mesmo teve alta pouco tempo depois.</P>
<P>
Linha do Minho também interrompida</P>
<P>
Interrompida está também, desde as 8h00 de ontem, a Linha do Minho, entre Tadim e Braga, devido à infiltração de água na via férrea na localidade de Mazagão. A circulação ferroviária está, no entanto, assegurada, através do transbordo de passageiros para autocarros da empresa. As fortes chuvadas que têm caído nos últimos dias arrastaram a brita da linha férrea naquele troço, o que levou a CP a interromper temporariamente a circulação. Uma fonte da empresa admitia ontem a meio da tarde ao PÚBLICO que a ligação feroviária entre Tadim e Braga ficasse restabelecida nas próximas horas. «Logo que consigamos trazer o material (brita), a ligação será restabelecida».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93424">
<P>
CDS-PP quer debater o federalismo</P>
<P>
Monteiro acusa Cavaco de má-fé</P>
<P>
São José Almeida</P>
<P>
Conversou com pescadores, viu barcos-maternidade e provou água-pé, não sem antes responder taco-a-taco a Cavaco Silva. O primeiro-ministro «não está a falar verdade» e está de «má-fé» quando aborda o futuro da União Europeia, garantiu Monteiro. A seguir veio o desafio: um debate na TV entre os dois sobre o que é federalismo.</P>
<P>
«Infelizmente, o primeiro-ministro não está a falar verdade ao portugueses» sobre as posições do PSD em relação ao federalismo, afirmou ontem Manuel Monteiro, presidente do CDS-PP, acrescentado que «as pessoas não podem dizer cá dentro que são contra o federalismo e seguir depois, lá fora, uma política noutro sentido. Isso é má-fé».</P>
<P>
Falando aos jornalistas durante a visita a alguns concelhos da Área Metropolitana de Lisboa (AML), Monteiro respondia assim à afirmação feita por Cavaco Silva, quarta-feira, no Parlamento, de que «só por ignorância e demagogia» se justifica que o CDS-PP venha «falar agora» em federalismo. Atitude que Monteiro classificou de «deselegante e mal educada».</P>
<P>
Não se ficando pela resposta, Monteiro desafiou o primeiro-ministro para um debate televisivo sobre o que é o federalismo e as suas implicações para as soberanias nacionais.</P>
<P>
Insistindo em que o primeiro-ministro «não quer assumir que fez uma coisa lá fora e cá dentro diz outra», Monteiro lembrou que o PSD -- «um dos maiores partidos do grupo liberal-reformista» do Parlamento Europeu -- subscreveu o manifesto dos liberais-reformadores, o qual propõe que a União Europeia adopte o modelo federal.</P>
<P>
Monteiro reafirmou que não existe o «federalismo descentralizado» defendido pelo PSD -- «o federalismo é um conceito de natureza política» e a descentralização «é um conceito administrativo» -- e garantiu que federalismo «é tão-só a transferência de soberania para órgãos supranacionais». Prosseguindo na resposta a Cavaco Silva, Monteiro sublinhou a actualidade da questão garantido que ela «está no centro do debate até 1996», ano em que o Tratado de Maastricht deverá ser reanalisado pelos Estados-membros.</P>
<P>
No ar deixou algumas questões que, na sua opinião, indiciam que a União Europeia caminha para a perda de soberania pelos Estados-membros: «O que é o Sistema Monetário Europeu? O que é a moeda única? Não são transferências de soberania?»</P>
<P>
Frio e água-pé</P>
<P>
Foi o momento eminentemente político de um dia dedicado pelo presidente do CDS-PP ao contacto com alguns dos problemas detectados pelo seu partido na AML, durante a campanha eleitoral para as autárquicas. De Lisboa a Oeiras, passando por Loures, Vila Franca de Xira, Amadora, Sintra e Cascais, Monteiro parou, viu e falou. Ao seu lado, os candidatos do CDS-PP às respectivas presidências de câmara nas últimas autárquicas.</P>
<P>
Uma volta sob frio intenso, em que Monteiro não abdicou do cachecol e acabou mesmo por aceitar aquecer-se com um copo de água-pé no bairro dos avieiros da Póvoa de Santo Adrião, em Vila Franca de Xira. Motivado pela perspectiva de aquela comunidade piscatória ser transferida pela câmara para um bairro longe do rio, de modo a que no local passe uma marginal que escoe o trânsito, Monteiro quis falar com as famílias cujo orçamento depende totalmente ou em parte da pesca fluvial.</P>
<P>
Primeiro sozinho depois acompanhado por Fernando Palha -- cabeça-de-lista que triplicou a votação dos centristas em Vila Franca --, Monteiro lá foi perguntando como é que era. E as explicações vieram: «O que se fala prá'i é isso. Querem tirar a gente daqui. Pelo menos casas diz que dão, agora não sei...». As dúvidas quanto ao futuro aparecem de mais lados, mas há quem até se conforte na perspectiva de receber uma casa nova onde não «pingue na cama» quando chove ou que não seja invadida pelas águas quando a maré enche demais.</P>
<P>
Protestos a sério vêm contra o facto de agora as mulheres (na sua grande maioria analfabetas) terem de «fazer exame» e de ter «cédula» para pescar. Uma «injustiça» que ninguém entende. «A minha mulher com meio olho vê mais que as minhas filhas!», garante um pescador, cujas duas filhas conseguiram tirar cédula marítima, mas a mulher não, pois não sabe ler nem escrever.</P>
<P>
Quanto ao saírem dali, o medo maior é o que vai acontecer aos barcos: «Até queremos, mas a gente não pode viver sem os barcos!». No centro da conversa aparece a necessidade de uma doca nova onde possam dormir os meios de sustento, que também servem de cama e, época houve, substituíram qualquer maternidade. É o caso de Idília Tocha, que faz questão de apresentar a Monteiro o «Varino»: o barco com que ainda hoje pesca e onde deu à luz cinco dos seus seis filhos. Na volta, Monteiro lá teve de provar a água-pé tirada da pipa por um pescador. Ao seu lado, Fernando Palha avisava: «Não bebas muito que esta tem efeitos secundários!»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-27661">
<P>
Malawi</P>
<P>
Banda foi ilibado</P>
<P>
O antigo Presidente Kamuzu Banda, do Malawi, foi ontem ilibado em Blantyre de haver patrocinado em 1983 o assassínio de quatro políticos. Mas o Ministério Público disse que iria recorrer da sentença, proferida no fim de um julgamento de cinco meses.</P>
<P>
O Supremo Tribunal ilibou o antigo Presidente, dois dos seus adjuntos e três polícias de conspiração para assassinar os ministros Dick Matenje, Aaron Gadama e John Sangala e o deputado David Chiwanga, que segundo a versão oficial da época foram vítimas de um acidente de viação, mas sobre os quais mais tarde se concluiu terem sido mortos e depois colocados num veículo lançado de uma falésia.</P>
<P>
Hastings Kamuzu Banda, de 96 anos, foi julgado à revelia porque já não se encontra em condições de comparecer em público, mas no banco dos réus sentaram-se a sua companheira de várias décadas, Cecília Kadzamira, e um parente desta, John Tembo, que chegou a ser um ministro com extraordinários poderes e até mesmo o herdeiro aparente do antigo Presidente vitalício.</P>
<P>
Mais de 1.000 partidários de Banda, que o ano passado perdeu as primeiras eleições multipartidárias efectuadas no Malawi (ex-Niassalândia), invadiram o tribunal, tendo irrompido em aplausos e cânticos logo que o júri considerou os réus «não culpados» das acusações de que eram alvo.</P>
<P>
John Tembo falou de imediato à multidão, dizendo que todos estavam muito felizes por o poder judicial ter demonstrado a sua independência: «Agora somos todos livres de ir visitar o Ngwazi (o Herói, Banda)».</P>
<P>
O mais velho dos estadistas africanos assumiu o poder, inicialmente como primeiro-ministro, logo que o Malawi se tornou independente, em 1964, tornou-se Presidente em 1966, proclamou-se Presidente vitalício em 1971 e governou com mão de ferro durante 30 anos, tendo chegado a ameaçar que lançaria aos crocodilos quem ousasse fazer-lhe oposição.</P>
<P>
Durante o auge dos anos de Banda, havia censura à imprensa e não foi autorizada a funcionar qualquer cadeia de televisão, tal como se proibiram as mini-saias, as calças à boca de sino e os homens de cabelo comprido.</P>
<P>
Sempre vestido de fato e colete, muitas vezes usando chapéu de coco, num pequeno país do interior da África Negra, o Presidente, membro da Igreja da Escócia, impunha que todos os currículos escolares incluíssem o Latim e o Grego.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-15916">
<P>
Toda a gente vai agora dizer que a corrida deveria ter sido interrompida. Mas o que deveria ter sido feito era parar os treinos após o acidente de Ratzenberger. Não compreendo porque não o fizeram.</P>
<P>
Michael Schumacher, piloto de F1</P>
<P>
Acabámos de viver um período negro. Ayrton Senna era a imagem da paixão pura de todos os pilotos de Fórmula 1. Não estou somente chocado com as mortes ocorridas em Ímola, mas também com os comentários acusatórios muito graves sobre o desporto automóvel, pois isso é uma injúria à memória de Senna.</P>
<P>
Jean-Marie Balestre, antigo presidente da Federação Internacional do Automóvel</P>
<P>
Havia cerca de cem mil espectadores no circuito de Ímola, o templo italiano da Ferrari, e anular a corrida seria um risco com consequências incalculáveis.</P>
<P>
Idem</P>
<P>
É impossível um erro de condução. Só pode ter sido uma anomalia técnica no carro.</P>
<P>
Domingos Piedade, «team manager» da AMG e amigo pessoal de Senna</P>
<P>
Uma falha mecânica parece provável. Senna era um condutor tão bom que não poderia ter falhado uma curva daquela maneira.</P>
<P>
Stirling Moss, ex-campeão mundial de F1</P>
<P>
Conheço aquela curva, por isso posso dizer que só se pode ter tratado de uma falha mecânica.</P>
<P>
Eliseo Salazar, ex-piloto de F1</P>
<P>
É terrível.</P>
<P>
Juan Manuel Fangio, pentacampeão mundial de F1, ao assistir ao acidente pela TV</P>
<P>
Devido ao seu precário estado de saúde, ninguém lhe disse [a Fangio] que Ayrton morreu. Para ele, era mais do que um piloto, considerava-o como um filho.</P>
<P>
Sobrinha de Fangio</P>
<P>
Há circuitos que já não se adaptam aos novos regulamentos. O que é preciso rever é a velocidade, que se tornou demasiado importante nas curvas.</P>
<P>
Thierry Boutsen, piloto de F1</P>
<P>
Ayrton e eu partilhámos algumas das corridas mais emocionantes de sempre. Quando um grande piloto e um genuíno campeão morre, fica sempre um enorme vazio.</P>
<P>
Nigel Mansell, ex-campeão de F1, campeão de Fórmula Indy</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40031">
<P>
O boletim divulgado às 10h30 de ontem pela clínica Santa Marta (Botafogo, zona sul do Rio) informou que o paisagista Burle Marx (foto) começou a reagir melhor ao tratamento e saiu do estado de depressão em que se encontrava. Suas funções vitais estão normalizadas e ele deve deixar a clínica num prazo entre três e cinco dias.</P>
<P>
Chuva causa inundação e desabamentos no CE</P>
<P>
A chuva dos dois últimos dias em Fortaleza (CE) provocou deslizamentos de morros, inundações e desabamentos de casas em vários pontos da cidade. Na periferia oeste, o rio Maranguapinho transbordou e ameaça inundar 400 casas na favela Ilha Dourada. O técnico da Defesa Civil Wilson Maranhão disse que o Corpo de Bombeiros está fazendo escavações para facilitar o escoamento da água.</P>
<P>
Cinco homens libertam 37 detentos em MG</P>
<P>
Trinta e sete presos fugiram ontem de madrugada da cadeia pública de Frutal (MG). Segundo a PM, eles foram libertados por cinco homens mascarados que invadiram o presídio armados de metralhadoras e escopetas.</P>
<P>
Os cinco invasores renderam dois policiais que faziam a guarda e soltaram os presidiários. Os cinco fugiram num Del Rey.</P>
<P>
PM é preso e nega tiro no desfile do Olodum</P>
<P>
O PM Luís Sérgio Sampaio negou que tenha sido o autor do disparo que matou Antonio Cardoso de Jesus, 24, na manhã de anteontem durante o desfile do bloco afro Olodum, em Salvador (BA). Jesus, que assistia o desfile, recebeu uma bala na cabeça. O secretário da Segurança Pública da Bahia, Francisco Neto, disse que o soldado é o principal suspeito. Anteontem, o PM foi preso. Sua arma foi apreendida para exames de balística.</P>
<P>
Termina sequestro de filho de empresário</P>
<P>
Terminou ontem, após dez dias, o sequestro de Leandro Perin, 19, filho do empresário Nelson Perin, de Coronel Vivida (PR). Leandro foi sequestrado quando chegava à indústria de seu pai, um curtume na zona rural do município. Ele foi encontrado ontem por uma unidade da PM especializada em ações anti-sequestro. Foram presos cinco sequestradores.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-61705">
<P>
PSD quer saber se Sampaio sai ou fica na Câmara de Lisboa</P>
<P>
Os vereadores do sociais-democratas querem que Jorge Sampaio, presidente da Câmara de Lisboa, diga aos lisboetas se vai ou não cumprir o seu mandato até ao fim (1997), porque, adiantam, nas últimas eleições autárquicas, em Dezembro de 93, «nenhum dos candidatos à gestão da autarquia se apresentou ao eleitorado dizendo que não o terminaria». Desta forma, os eleitos do PSD, pedem a Sampaio que clarifique a sua intenção de se candidatar, ou não, às presidenciais do próximo ano e que diga aos alfacinhas «quem vai ser o próximo presidente» da capital.</P>
<P>
Apesar da «indefinição» de Sampaio, ou dos problemas que venham a colocar-se quanto à sua sucessão à frente dos destinos da Câmara de Lisboa, os autarcas do PSD garantem que respeitarão a «normalidade institucional» e que não exigirão eleições autárquicas antecipadas. O desafio dos vereadores da oposição a Jorge Sampaio foi ontem lançado numa conferência de imprensa, que os sociais-democratas aproveitaram para apresentar o balanço do trabalho desenvolvido pelo grupo «laranja» ao longo de 1994, o primeiro ano do segundo mandato da gestão PS-PCP. Uma gestão que não escapou às críticas do social-democrata Macário Correia.</P>
<P>
«O ano de 1994 foi muito importante para a cidade de Lisboa, com a Capital Europeia da Cultura, com o avanço dos trabalhos de expansão da rede do Metropolitano, o lançamento do Plano Especial de Realojamento (PER), para a erradicação de barracas, mas foram acções em que o Governo teve um papel preponderante e não a Câmara de Lisboa», salientou Macário, sublinhando a «falta de protagonismo» do município alfacinha na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Para o PSD, a capital tem tido um papel secundário na AML, «por conveniência político-partidária do PCP», que detém a presidência da Junta Metropolitana de Lisboa.</P>
<P>
Para o grupo «laranja», outro ponto crítico da gestão PS-PCP é a reabilitação urbana «que está a andar devagar». Isto, afirmam, não exclusivamente por culpa do Governo, mas sim da autarquia «que se tem atrasado no pagamento dos financiamentos que lhe cabem às obras de reabilitação realizadas no âmbito do Recria». No balanço social-democrata não faltaram, também, acusações de «demagogia» e «incoerência» à edilidade. Foi «incoerente» quando «participou com a Administração do Porto de Lisboa (APL) na elaboração do Plano de Ordenamento da Zona Ribeirinha (Pozor)» e numa «operação imobiliária para o Cais do Sodré» e depois «lavou as mãos quando surgiram críticas públicas», sublinhou Macário Correia.</P>
<P>
Entre muitas outras acusações, os vereadores apontaram a burocracia municipal. «Os munícipes continuam à espera meses e anos por respostas a problemas concretos», adiantou o líder do grupo laranja na autarquia lisboeta. «Só durante o ano passado recebemos queixas de mais de mil munícipes relativas á burocracia da Câmara, cuja reforma orgânica não andou um único passo. Mudaram-se os nomes de alguns departamentos, mas permanece o enredo e a teia de chefias».</P>
<P>
Também as «obras mal planeadas» não escaparam à lupa «laranja». Como exemplo, Macário Correia apontou o túnel sob a Praça Sá Carneiro (Areeiro), o qual «para nada servirá nos próximos dois anos», até que seja feito um segundo túnel sob a Avenida João XXI. E voltando às margens do Tejo, afirmou que a Câmara de Lisboa está em falta para com a APL quanto à assinatura de um protocolo com esta entidade. «A Câmara furtou-se ao diálogo nos últimos tempos com a administração portuária, com isso prejudicando a cidade, na medida em que não se avançou nada no protocolo para a zona ribeirinha».</P>
<P>
Mas, mais do que um balanço, a conferência de imprensa do PSD foi, igualmente, uma antevisão de 1995 no município alfacinha. «Este vai ser um ano [com as eleições legislativas de 95 e as presidenciais de 96] de grande agitação e animação política nos corredores da Câmara de Lisboa», prognosticou Macário Correia, explicando que já «em 1994 a autarquia aprovou muitas moções que tinham mais a ver com política partidária do que com as questões da cidade de Lisboa».</P>
<P>
Quanto ao trabalho dos cinco vereadores sociais-democratas ele foi desenvolvido, nas palavras de Macário, no âmbito de «uma oposição construtiva». As propostas e as medidas camarárias «que, na nossa perspectiva, tinham mérito contaram com o nosso apoio». E para o futuro, prometeram que o PSD na Câmara de Lisboa «nunca será oposição como voz de desgraça». «Estamos aqui para ajudar a gestão da cidade». Resta saber se esta «boa vontade» se manterá para além de Jorge Sampaio.</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-91277">
<P>
Da Reportagem Local e da FT </P>
<P>
A chuva no fim da tarde de ontem voltaram a inundar ruas da zona leste. Até as 22h, o trânsito estava lento na Radial Leste, na Celso Garcia, na avenida do Estado e parte da marginal Tietê.</P>
<P>
As ruas próximas ao córrego Aricanduva foram as mais atingidas. Na rua Altair, próximo à Radial Leste, os moradores colocaram os móveis em cima de cavaletes e muitos deixam as casas.</P>
<P>
"Minha irmã é doente e só consegue subir até o 2º andar carregada. Construímos a casa mais de 1 m acima do nível da rua e mesmo assim não ficamos livres das enchentes", disse a dona-de-casa Esmeraldina de Carvalho Pazim, 61.</P>
<P>
No dia 14 de janeiro, outra enchente obrigou a família de Esmeraldina a ficar um dia isolada na parte de cima da casa. "Não aguento mais. Quando acabamos de limpar e consertar o que estragou, vem outra enchente e destrói tudo de novo. Há dois anos que esperamos as obras de duplicação do córrego e até agora nada", disse.</P>
<P>
Na avenida Inajar de Souza, na Freguesia do Ó (zona norte), as casas foram inundadas. Colchões e outros utensílios domésticos estavam boiando na rua.</P>
<P>
O securitário Marcos Gentil, 37, disse que vai entrar na Justiça para conseguir ser indenizado pelos prejuízos causados pela chuva. "Demorei seis horas para chegar em casa", disse Gentil.</P>
<P>
Às 23h50 os bombeiros tentavam resgatar uma criança soterrada após o desabamento de um barraco em favela da Vila Nova Cachoeirinha. O Corpo de Bombeiros não soube informar quantos barracos desabaram.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-86972">
<P>
GP do Pacífico em Fórmula 1</P>
<P>
Schumacher sem adversários</P>
<P>
Patrice Burchkalter*</P>
<P>
O duelo mais esperado da Fórmula 1 voltou a não acontecer ontem, no circuito de Aida (Japão). Logo na primeira curva, poucas centenas de metros após a largada, Ayrton Senna abandonou. Michael Schumacher arrancou para um domínio completo, que o levou à vitória sem nunca perder o comando no GP do Pacífico.</P>
<P>
Três semanas depois de vencer o GP do Brasil, prova de abertura do «Mundial» de 1994, o alemão Michael Schumacher conseguiu uma nova vitória, a quarta da sua carreira, demonstrando de forma inequívoca o excelente comportamento e o potencial do seu Benetton-Ford. Duas corridas, duas vitórias, e o jovem alemão não conteve a sua alegria no pódio, prosseguindo este campeonato como o começou, ganhando uma vez mais por KO ao seu grande adversário Ayrton Senna.</P>
<P>
Ninguém poderia imaginar que, com duas corridas já disputadas, o piloto brasileiro não tivesse ainda nenhum ponto, tendo falhado por duas vezes. No circuito de Aida, foi um erro que o levou ao abandono. Senna largou da «pole-position», falhou a partida, deixou-se ultrapassar por Schumacher e, quando procurava a melhor trajectória, foi tocado na traseira pelo finlandês Mika Hakkinen (McLaren-Peugeot), entrando em pião e sofrendo o embate do italiano Nicola Larini (Ferrari).</P>
<P>
Senna explicou o acidente: «Não fiz uma largada brilhante. As rodas traseiras patinaram e Schumacher juntou-se a mim no comando. Nós estávamos perto um do outro na primeira curva, mas era impossível tentar ultrapassar. Isso seria muito arriscado. Então decidi deixar-me estar em segundo. Quando voltei a entrar na curva, Hakkinen tocou-me na traseira.»</P>
<P>
A equipa Williams-Renault já esperava uma corrida difícil, face à competitividade de Schumacher, mas não podiam prever que a viagem a Aida se saldasse por uma completa derrota. Nenhum dos seus carros cruzou a linha de chegada, uma situação que não se verificava na equipa britânica desde o GP da Austrália (8 de Novembro de 1992). Depois do acidente de Senna, um problema de transmissão levou Damon Hill a abandonar à 50ª volta, quando ocupava já a segunda posição, depois de uma saída de pista na quarta volta e de uma excelente recuperação.</P>
<P>
As coisas não correram melhor à McLaren-Peugeot, que também viu os seus dois carros parados antes do fim da prova. De qualquer forma, Hakkinen (que nada sofreu com o toque dado a Senna) e Martin Brundle voltaram a provar que o carro vermelho e branco equipado com o Peugeot V10 tem um bom potencial para desenvolver. Durante duas dezenas de voltas, Hakkinen conseguiu manter o contacto com Schumacher, antes de abandonar com uma fuga hidráulica. Mais atrás, Brundle viu o motor partir-se quando atacava Gerhard Berger e parecia capaz de conseguir um lugar no pódio.</P>
<P>
Todos estes abandonos ajudaram Berger a conservar sem grandes problemas o segundo lugar, o melhor resultado do austríaco depois do seu regresso à Ferrari, no começo de 1993. Esta subida ao pódio teve tanta importância para Berger que o piloto austríaco, ao cruzar a linha de chegada, festejou como se tivesse acabado de ganhar. Um bom resultado também para a equipa Ferrari, apesar do abandono (inevitável) de Larini. O piloto italiano vai disputar ainda a próxima prova (GP de S. Marino, em Ímola), pois Jean Alesi ainda não recuperou totalmente do acidente sofrido nos testes que se seguiram ao GP do Brasil -- onde lesionou várias vértebras ao embater nos rails a mais de 200 km/h.</P>
<P>
Muita alegria também na chegada de Rubens Barrichello (Jordan-Hart), que depois de terminar no quarto lugar em São Paulo, conseguiu no Japão a sua primeira subida ao pódio, o que o levou a correr para o telefone para partilhar a alegria com o seu pai. Uma alegria reforçada com o segundo lugar no «Mundial» de pilotos, atrás de Schumacher.</P>
<P>
Outro brasileiro, Christian Fittipaldi (Footwork), terminou no quarto lugar, diminuindo de alguma forma a frustração «canarinha» com o segundo abandono de Ayrton Senna. Heinz-Harald Frentzen (Sauber-Mercedes) e Erik Comas (Larrousse) completam o grupo de pilotos que pontuou no GP do Pacífico.</P>
<P>
* da AFP</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-41392">
<P>
P-MonteironaAML</P>
<P>
749 caracteres</P>
<P>
A mini «presidência aberta» de Monteiro</P>
<P>
O presidente do CDS-PP, Manuel Monteiro, visita na quinta-feira alguns concelhos da Área Metropolitana de Lisboa para se inteirar de situações sociais problemáticas.</P>
<P>
Amadora, Cascais, Lisboa, Loures, Oeiras, Sintra e Vila Franca de Xira são os concelhos escolhidos pelo líder popular, que será acompanhado, em cada paragem, pelo respectivo candidato do CDS-PP à presidência da câmara nas autárquicas de 12 de Dezembro passado, os quais, em alguns casos, são vereadores.</P>
<P>
Monteiro contactará as populações de locais onde, durante a campanha, o CDS-PP detectou «situações graves», como é o caso do bairro do Alto da Baronha, em Oeiras, e de uma comunidade piscatória que vai ser «transferida», em Vila Franca.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-43269">
<P>
Acreditações paralelas</P>
<P>
Um jornalista estrangeiro que queira fazer a reportagem das eleições sul-africanas deve ter pelo menos duas acreditações: uma do serviço oficial de comunicações, válida até 30 de Junho, e outra do ANC, válida até ao fim do ano.</P>
<P>
A primeira obtém-se em cinco minutos, com preenchimento de um formulário, apresentação de carta do órgão de comunicação em causa e do visto passado pela embaixada em Lisboa. A segunda requer um pouco mais de tempo, igualmente com formulário, mas também com apresentação da carteira profissional e com duas fotografias, uma para o cartão devidamente plastificado e outra para ficar nos ficheiros do partido.</P>
<P>
Os dois gabinetes de imprensa, o do Estado e o do ANC, ficam a uma centena de metros um do outro, no centro de Joanesburgo, e no primeiro também se tem direito a uma vasta carga de informação útil, bem como a uma camisola com a pomba da paz e a uma cassete com canções pacifistas.</P>
<P>
Dois meses de férias pagas</P>
<P>
As minas Randgold, a leste de Joanesburgo, decidiram conceder a 300 dos seus trabalhadores zulus dois meses de «licença especial paga», a fim de aliviar a tensão política no local. A gerência tinha chegado à conclusão de que não era possível garantir a segurança dos mineiros no lar onde viviam nem debaixo de terra, durante estes dias agitados das eleições e da formação de um governo de unidade nacional. As sequelas da história e do «apartheid» continuam a fazer com que trabalhadores de diversas etnias tenham dificuldade em viver e trabalhar em conjunto.</P>
<P>
«Stress» acima do normal</P>
<P>
Os sul-africanos estão a experimentar actualmente níveis de «stress» superiores ao normal. Além de óbvio, está cientificamente analisado: o investigador Ebben van Zyl revelou que mais de 35 por cento da população, de todos os grupos étnicos, experimentam elevados níveis de tensão nervosa, comparado com 10 a 22 por cento da população dos EUA e da Europa. O «stress» revela-se nas doenças coronárias, na taxa de divórcios, na toxicodependência e nas mais de 110 mil pessoas que estão nas cadeias.</P>
<P>
Longe da confusão</P>
<P>
Os voos da África do Sul para muitos outros países estão completamente cheios para os próximos oito dias, designadamente no que diz respeito a Portugal, Grécia, Israel e Austrália, presumindo-se que a situação é essencialmente protagonizada por portugueses, gregos, judeus e cidadãos de língua inglesa.</P>
<P>
Há mais de 130 pessoas na lista de espera a aguardar uma desistência nos voos para Telavive e mais de 80 à espera de uma vaga nos voos para Lisboa, acontecendo quase outro tanto no que diz respeito a Atenas, pois a comunidade helénica na África do Sul também é numerosa e nem sempre muito bem vista pela maioria da população.</P>
<P>
No caso especifico da Austrália, os bilhetes tendem a ser só de ida, pois um certo número de cidadãos brancos sul-africanos está a pensar transferir-se tanto para a terra dos cangurus como para a Nova Zelândia e o Canadá. Menor procura têm aparentemente os EUA e as ilhas britânicas.</P>
<P>
Filha de Mandela</P>
<P>
Maki Mandela, a filha mais velha do líder do ANC, nascida no seu primeiro casamento, antes de ter conhecido Winnie, disse à imprensa que não vai apoiar o pai nas urnas porque receia que o Congresso Nacional Africano não seja capaz de cumprir as suas promessas eleitorais.</P>
<P>
Professora de Estudos Sociais, de 40 anos, prefere dar o seu voto ao Partido Democrático, de Zach de Beer, a formação liberal cujo programa de transformação da África do Sul foi nos últimos quatro anos adoptado pelo Presidente De Klerk.</P>
<P>
Corrida aos enlatados</P>
<P>
Os grandes fabricantes e retalhistas de produtos alimentares estão a ter na África do Sul um mês de Abril como há muito não se lembravam: as compras de comida enlatada são bem superiores ao normal, não vão os estabelecimentos ficar fechados três ou quatro dias quando as eleições se realizarem.</P>
<P>
Os feijões Koo e o molho de tomate All Gold são agora das espécies mais procuradas nos supermercados, pelo que as fábricas aumentaram o número de turnos e a distribuição está a ser feita mesmo durante a noite.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-Ert75"> 
<P> Ali, só me lembro de ser eu. Mas talvez houvesse outros, da família Xara Brasil, que eram as pessoas ali principais, e eram realmente... não me lembro. Agora outros meninos em Lisboa, ou iam para as piscinas, de Algés e Dafundo, e outras coisas assim. </P>
 <P>D: Mas conta lá... como é que aprendeste a nadar, que é engraçado</P>
 <P> Aprendi a nadar, como digo, com esse velho lobo do mar que se tinha tornado banheiro da praia de S. Bernardino ; tinha um chapéu mole assim amachucado, um fato de macaco, e uma cabaça à cintura e ele puxav... agarrava-me assim no queixo, com a mão, e depois dizia-me os movimentos que eu devia fazer, nadar é claro, os bálticos, não é? E foi assim que eu aprendi. </P>
 <P>D: ele atirava-te para a água com a cabaça?</P>
 <P>Como? Não, a cabaça ele andava ali sempre com ela, como banheiro... era bóia, a cabaça servia de bóia</P>
 <P>D: então ele atirava-te à água...</P>
 <P>Não, ali à borda de água! à borda, primeiro começava-se à borda de água... mas com altura suficiente para eu já poder nadar. E ele pegava-me assim pelo queixo para me ajudar, e nadava de bruços, claro! nadava de bruços</P>
 <P>D: Mas depois... depois... tornaste-te uma grande nadadora</P>
 <P> Depois...na dita praia de S. Bernardino, e depois na Praia das Maçãs, tornei-me uma grande nadadora é uma maneira um bocadinho... como hei-de dizer? pouco rigorosa de dizer. Eu era uma nadadora de muita resistência. De fundo, digamos. Mas sempre com aquele estilo, que passou de bruços para agulha, e que realmente me fazia avançar muito, mas eu não sabia outro estilo, nunca nadei de braçada, crawl... </P>
 <P>D: Até longe!</P>
 <P> S. Bernardino não ia longe, mas... na Praia das Maçãs ia. Até tão longe que a minha mãe da praia não me via! Só que havia um barco, uma chata... um bocado... entre o sítio onde eu estava e a praia que era para nos mostrar, a mim e ao Caldeira Pires, que era... que éramos os únicos que tínhamos essa autorização para ir assim longe numa determinada direcção... em S. Bernardino, a única avaria foi na Berlenga, também. Parece que estava fadada para as tais aventuras da Berlenga ! Porque aí, na Berlenga, formos numa excursão organizada pelo... Xara Brasil e por um senhor que era governador de Peniche ou qualquer coisa assim... ou presidente da Câmara, para homenagear uma figura nobre que era um arquiduque austríaco... e fizeram </P>
 <P>D: Estava lá?</P>
 <P> Estava, estava em Portugal, e foi lá parece, casar com uma senhora que era a rainha da Boémia e que... tinha um filho. Mas isto foi muito amis tarde, foi aos quinze anos... ou dezasseis, porqu nós fomos. Não íamos nunca seguidamente para um sítio, não é? ìamos um aano para uma praia, outro ano para outra... </P>
 <P>D: Ah, nunca iam para o mesmo sítio...</P>
 <P> Não. Foi por isso que o meu pai nunca aceitou fazer uma praia na Areia Branca !Porque ele tinha tido a possibilidade de comprar terreno baratíssimo e fazer a segunda casa da Areia Branca ! Ele não queria um sítio fixo que o obrigasse a... </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-6301">
<P>
Comentário</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
A difícil democratização</P>
<P>
A GUINÉ-BISSAU é um caso típico das extremas dificuldades com que têm deparado todos aqueles que pretendem democratizar a África; ou pelo menos colocá-la a viver segundo padrões político-partidários que se assemelhem aos que se praticam na Europa e na América do Norte.</P>
<P>
Só no primeiro semestre de 1991 é que o PAIGC aceitou a existência legal de diversas formações políticas, e mesmo assim ainda foi preciso esperar mais de três anos para se ir às urnas, em condições que não são de todo em todo as ideais.</P>
<P>
Caído o muro de Berlim e democratizado o Leste Europeu, muitos entenderam que a África não poderia continuar a ser um dos últimos bastiões dos regimes ditatoriais, pelo que seria necessário colocá-la a viver segundo os costumes de uma Grã-Bretanha, uma França ou uma Alemanha unificada.</P>
<P>
No entanto, as práticas democráticas não se aprendem da noite para o dia e os modelos gerados em determinadas sociedades nem sempre são os mais adequados para outras, pelo que muitos desaires se têm verificado sempre que se procuram transplantar experiências.</P>
<P>
Tal como a prática marxista-leninista da velha URSS não serviu à Etiópia nem a Angola e tal como a prática maoísta da China foi um desastre no Moçambique de Samora Machel, também as vivências democráticas da Europa ou dos Estados Unidos não são modelo que facilmente se transfira para o continente africano.</P>
<P>
É verdade que em meia dúzia de casos isso parece ter funcionado e que na África do Sul há hoje em dia uma grandes esperança; mas em muitos outros deparamos com extrema dificuldade no desenvolvimento de sociedades livres e democráticas, a começar pela Nigéria, o mais populoso dos países negros, com veleidades de potência regional.</P>
<P>
Cabo Verde foi um dos raros casos na África onde nos anos 90 se colocou em marcha, sem qualquer dificuldade especial, um sistema pluralista que admite a rotatividade e que tem funcionado à imagem e semelhança dos padrões europeus. Mas aí podemos observar que se está perante uma sociedade mestiça e fortemente homogénea, profundamente influenciada pelo grande número de emigrantes que tem na Europa e nos Estados Unidos.</P>
<P>
Já em São Tomé e Príncipe, outro arquipélago igualmente crioulo, mas mais distanciado do mundo industrializado, a vivência democrática não tem sido tão fácil, dado que o Presidente da República não se deixa de forma alguma relegar para um papel de mero garante constitucional e o partido no Governo não apresenta grande riqueza de quadros.</P>
<P>
Incomparavelmente mais grave foi a experiência do terceiro PALOP a realizar eleições, Angola, pois aí se juntaram, com toda a sua carga explosiva, as consequências de velhos conflitos tanto ideológicos como tribais. E ainda ninguém sabe muito bem dizer como é que se irá conduzir Moçambique, se bem que se espere que saiba seguir a experiência até agora muito boa da África do Sul, nestes dois meses e pouco após as eleições.</P>
<P>
Quanto ao caso da Guiné-Bissau, tem muito mais a ver com o de uma série de outros regimes africanos que, mesmo sem guerra, se aclimataram muito mal à ideia de que era preciso abrirem-se aos novos tempos, dar liberdade de actuação a todos os partidos e levá-los às urnas em pé de igualdade: Togo, Zaire, Quénia, Malawi e a própria República da Guiné, logo ali ao lado.</P>
<P>
Até mesmo no Zimbabwe, tido na última década como um certo exemplo de estabilidade, quando comparado com outros cenários africanos, vimos o Presidente Robert Mugabe ter conseguido neutralizar com uma vice-presidência o seu antigo adversário Joshua Nkomo e manter assim um sistema praticamente monopartidário.</P>
<P>
Por tudo isto, não é de crer que as eleições presidenciais e legislativas de hoje na terra guineense alterem grandemente, a curto prazo, o quotidiano dos cidadãos locais, que vivem num país aparentemente muito aquém daquele que Amílcar Cabral preconizara.</P>
<P>
Imediatamente a Norte, o Senegal é desde há muito uma sociedade teoricamente pluralista; e nem por isso o partido no poder deixa de ser sempre o mesmo, o Socialista, uma espécie de PRI mexicano que ali se instalou por muitas décadas, recorrendo a todos os truques para acabar com qualquer hipótese de derrota eleitoral.</P>
<P>
É pois neste contexto que aguardamos com alguma curiosidade, mas sem grandes expectativas, o resultado das eleições a que foram chamados a participar 400 mil guineenses; pois sabemos muito bem que a simples ida às urnas não consegue só por si resolver grande parte dos problemas de um país.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80303">
<P>
Da Agência Folha, em Florianópolis</P>
<P>
Mais de 5.000 pessoas ficaram desabrigadas em Santa Catarina por causa das fortes chuvas que já duram 72 horas. O número foi levantado pela Defesa Civil.</P>
<P>
As cidades mais atingidas são Camboriú, Balneário Camboriú, Araranguá, Timbó e Florianópolis.</P>
<P>
Segundo o diretor da Defesa Civil, coronel Aliatar Silveira, 45, a chuva deve continuar nas próximas 24 horas, o que pode elevar o número de famílias atingidas.</P>
<P>
Silveira disse que Camboriú, no litoral norte do Estado, é o município mais atingido. "A cidade teve 70% de sua área coberta pelas águas devido ao transbordamento do rio Camboriú", afirmou.</P>
<P>
Em Balneário Camboriú, cidade vizinha, 70 famílias foram retiradas de suas casas pela prefeitura e levadas para ginásios. A situação mais grave ocorre nos bairros de Nações, Municípios e Vila Real, onde muitas casas foram invadidas pelas águas do rio Camboriú.</P>
<P>
Segundo a Comissão Municipal de Defesa Civil, 80% das ruas do centro foram alagadas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-51009">
<P>
Ao longo dos 15 quilômetros da corrida, fatos, personagens e tipos constróem uma alegoria do Brasil</P>
<P>
BOB FERNANDES</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
"Está mal el Brasil, no?". São seis os funcionários hispânicos do prédio número 45 na rua 60, Oeste, em Nova York. Terrível encará-los, e, pior ainda, ouvi-los, durante a agonia das eliminatórias para a Copa do Mundo. Agonia alimentada pela distância. E elevada à condição de tortura nas horas seguinte à inominável derrota diante da Bolívia. Gilberto Kaplan, de passagem pela cidade, adoeceu subitamente. Monossilábicas 24 horas de cama. Renato Shullman não dormiu. Homem controlado, quase germânico, disse suas primeiras palavras na noite seguinte: "Tem um boliviano lá no trabalho que eu vou acabar esganando".</P>
<P>
Dias de amuado silêncio aqueles. Brasileiros se esgueirando pelas ruas à exceção, é claro, daqueles que fazem de conta não dar pelota para a bola. No canal 41 –Univisión– a análise repetida: "Ridículo el Brasil". Até o dia em que chegou Romário. No porão de uma churrascaria verde-amarela em Newark, a 40 minutos de carro ou trem de Nova York, 300 torcedores amontoados. Sem janelas, com muito cigarro, e o coro geraldino "um, dois, três, quatro, cinco, mil, eu quero..." a cada aparição da parelha técnica –Parreira e Zagalo– no telão.</P>
<P>
Naquela tarde, o palavrão era alegre. O coro, repetido por todo o jogo,  matava a saudade do Brasil. Romário em campo era a negação da tática absolutista. Era a imposição das circunstâncias, e da torcida, sobre o Brasil burro, safado. O Brasil da bola contra o Brasil das bolas e boladas. Jogo duríssimo e que ainda vai longe. Na virada do ano, vendo pela primeira vez nas ruas a São Silvestre, diante de um corredor embandeirado, pensei em tudo isto. Os costumes, fatos e personagens ao longo de 15 km de corrida tambem se se prestam a alegorias.</P>
<P>
A TV Globo é a dona da bola, digo, da corrida. O etíope Fita Bayesa, para se guiar, grudou os olhos no logotipo do utilitário global, que à frente comandava o espetáculo, e mandou ver. Errou a entrada, não achou a saída a tempo. Perdeu. O utilitário global seguiu seu caminho. A largada tambem é algo incompreensível. Concentração. Esta é a palavra-chave para todos os corredores e técnicos. Difícil a concentração.</P>
<P>
"O meu chamego é meu xodó", Raça Negra, Só Prá Contrariar, o pagode imperou por todo o percurso da largada na tarde do dia 31. E a potência das caixas que despejaram som ao pé-do-ouvido dos atletas foi coisa de humilhar trio elétrico. Fora da "rave"-Paulista, as coisas não correram melhores para os concentrados, com três helicópetros zunindo sobre suas cabeças.</P>
<P>
Nas calçadas e ruas, como nas arquibancadas, os anônimos fazem a festa. Trajados a rigor dois garçons, bandejas e garrafas nos braços, correm uma prova à parte dentro da São Silvestre. Sapato, terno e camisas brancas, gravata-borboleta vermelha, um cidadão arranca aplausos entusiasmados. Vaias, sabe-se lá por quê, a um Tartaruga Ninja perfeito, com direito a espadas e demais adereços.</P>
<P>
Na subida da av. Brigadeiro Luiz Antônio, vaia absoluta. Camisa verde e amarela, máscara do Parreira no rosto, o masoquista vai guardando o seu quinhão."Burro, burro", berra o coro. Ele passa e surge o delírio nas calçadas. Baixinho, número 9 às costas, o mascarado de Romário puxa o gritos de "Brasil, Brasil".</P>
<P>
E é enorme o silêncio quando o velho corredor passa carregando a bandeira do Brasil. Nenhum aplauso. Nenhum grito. Como as arquibancadas naqueles milésimos de segundo que antecedem o pênalti decisivo. Parreira e Romário lembram a festa que veio, e poderá, quem sabe, vir de novo com a bola neste 1994. A bandeira, piegas ou não, lembra tudo. O dia e o ano seguinte. Ninguém vaia, ninguém aplaude. Silêncio quando o velho embandeirado passa em frente ao Teatro Bandeirantes, com "Porca Miséria" em cartaz e, num passo lento e arrastado vai subindo a ladeira..</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-16606">
<P>
Da Agência Folha, em Santos</P>
<P>
Mais de 800 pessoas estão desabrigadas em Peruíbe (135 km ao sul de São Paulo). Por causa das chuvas e dos alagamentos, que atingiram metade dos bairros da cidade, a prefeitura decretou estado de calamidade pública. Dos 21 bairros, 12 ficaram ficaram cobertos pela água.</P>
<P>
"Nos bairros afetados, o nível da água chegou a cerca de um metro e meio de altura", disse o chefe da Defesa Civil, José Ignácio Monte Oliva, 56.</P>
<P>
O rio Negro, que corta a cidade, transbordou na madrugada de ontem. A Defesa Civil passou o dia monitorando a situação das cerca de 2.300 pessoas que moram em áreas ribeirinhas. "Muitas delas, mesmo com as casas alagadas, não querem se transferir para abrigos", disse Oliva.</P>
<P>
Ele explicou que o alagamento de mais de 50% da área do município foi causado pela alta do mar –a maré alta que se verifica no litoral da cidade desde 12h30 de ontem. Segundo o chefe da Defesa Civil, a maré alta "represou o rio Negro, o que não permite o escoamento para o mar o aumento do seu nível, provocado pelas fortes chuvas".</P>
<P>
Os 12 bairros alagados abrigam cerca de 60% da população de Peruíbe, que é de 45 mil pessoas. Nesses bairros, segundo a Prefeitura, o abastecimento de água não é regular. Os desabrigados estão alojados em creches, escolas e no ginásio municipal.</P>
<P>
Os olhos vermelhos do funcionário público Sebastião da Silva, 30, denunciavam três noites sem dormir. "Desde sexta-feira não consigo dormir por causa da chuva", disse. Ele perdeu quase tudo que havia em sua casa, que fica no distrito de Caraguava, região mais afetada pelas enchentes.</P>
<P>
A família de Silva está abrigada em uma escola, mas ele não abandona a casa, temendo saques de ladrões. "Tentei dormir em cima de uma mesa, mas não consegui. Ladrão foi lá em casa na madrugada de hoje (ontem)", afirmou. Os ladrões que tentaram saquear o que restou foram expulsos por tiros de um vizinho.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-66123">
<P>
Sob a ameaça do mar e dos rios</P>
<P>
A Holanda é um país situado, a dois terços, abaixo do nível do mar. Só a pequena província do Limburgo, a sudoeste, apresenta alguma elevação. Acresce que o seu território é cruzado por dois dos mais importantes rios europeus: o Reno e o Mosela.</P>
<P>
O Mosela vem da Bélgica e entra na Holanda pelo extremo sul do país, única região que tem um relevo acidentado. O rio, que ganha a sua força em França, desliza primeiro entre a fronteira belgo-alemã, ao longo de 65 quilómetros, num leito largo, que por vezes atinge os 20 quilómetros e nunca se estreita mais de oito. É uma região de grande densidade populacional a que o Mosela deixa em direcção ao Norte, numa curva sinuosa para Nimègue, estendendo-se em seguida pela planície.</P>
<P>
Alguns quilómetros depois o seu leito faz um verdadeiro cotovelo, prosseguindo, através dos pólderes, rumo a Roterdão. São 150 quilómetros em que vai lado a lado com um dos braços do Reno, até que dele se separa para desaguar no mar do Norte.</P>
<P>
O Reno, por seu lado, tem a sua nascente na Suíça e passa a fronteira germano-holandesa oito quilómetros a oriente de Nimègue. Neste percurso, o maior rio europeu separa-se em dois grandes braços, um superior, outro inferior. O Reno Superior banha Nimègue e muda de nome para Waal, antes de se lançar no mar do Norte, em Roterdão, depois de um intrincado percurso onde é difícil separar as suas águas das do Mosela.</P>
<P>
É em Roterdão que o Waal se reencontra com o seu braço inferior, aqui baptizado de Lek, para refazer a unidade do Reno. O Lek desviara-se entretanto para Arnhem, velha cidade holandesa. O reticulado do Reno é tão difuso que ele próprio, ao chegar a Arnhem, se subdivide em mais dois braços, dando origem ao Ijssel.</P>
<P>
O Ijssel separa-se definitivamente do leito renano e do mar do Norte para ir ter ao lago com o seu nome, Ijssel, outrora designado por Zuiderzee. O lago fecha-se no grande dique do Norte, que fez dele, por um lado, o pólder de Flevoland, de terra fértil, e, por outro, uma bacia de água doce.</P>
<P>
Esta rede hidrológica faz com que a Holanda conheça, nestes dias, duas diferentes situações. A sudeste, no Limburgo, as águas do Mosela, vários metros acima do seu nível habitual, obrigaram à evacuação espontânea de 15 mil pessoas. Na planície, onde os braços do Reno transbordam, teme-se a ruptura dos diques de canalização fluvial.</P>
<P>
Nesta área, conquistada ao mar, vivem 165 mil pessoas que estão abaixo não só do nível da água do mar, como dos cursos de água que a atravessam.</P>
<P>
France-Presse</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-9873">
<P>
Sampaio na cruzada pela capitalidade</P>
<P>
A cruzada de Jorge Sampaio a favor da especificidade dos problemas da capital do país levou-o ontem à Assembleia da República, onde procurou sensibilizar os grupos parlamentares para a necessidade de serem tidos em conta os chamados «custos da capitalidade» de Lisboa quando são distribuídos os dinheiros do orçamento do Estado.</P>
<P>
Após reuniões com os grupos parlamentares do PSD, PS, PCP e CDS/PP, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, citado pela Agência Lusa, queixou-se da evolução negativa do orçamento do seu município, defendendo a necessidade da «consideração específica dos problemas da capital». Nos últimos dois anos, disse, a maior autarquia do país perdeu cerca de 25 por cento das suas receitas, vendo o seu orçamento reduzido em cerca de 7,5 milhões de contos.</P>
<P>
Para ultrapassar o problema -- e apesar de afirmar a sua solidariedade para com os protestos da Associação Nacional de Municípios Portugueses -- o autarca defendeu a redução do IVA de 17 para cinco por cento nas empreitadas destinadas à construção de habitação para erradicar as barracas de Lisboa. Isso iria «beneficiar a própria construção de casas», acrescentou.</P>
<P>
Jorge Sampaio reclamou ainda a necessidade de alteração da lei das Finanças Locais, de forma a ajustar o orçamento municipal às necessidades específicas de Lisboa. Uma questão que deixou no ar foi a da isenção de pagamento da contribuição autárquica de que os edifícios do Estado continuam a beneficiar.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-23850">
<P>
Combates na Tchetchénia</P>
<P>
Fumo negro sobre Gorzni</P>
<P>
Os combates entre as forças russas e os independentistas tchetchenos prosseguiram durante o dia de ontem nos arredores de Grozni, a capital desta república muçulmana do Cáucaso do Norte, enquanto se aguardava para breve a chegada a esta república de uma delegação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE, ex-CSCE), que vai proceder a um inquérito sobre a situação dos Direitos do Homem.</P>
<P>
Os independentistas tchetchenos prosseguiram o cerco a diversas posições militares russas, que responderam ao ataque abrindo fogo sobre «concentrações de combatentes» tchetchenos, segundo o termo utilizado pelo centro de imprensa instalado em Mosdok (Ossétia do Norte), quartel-general das forças de intervenção russas. Não foram fornecidas informações sobre o balanço destes confrontos.</P>
<P>
Segundo a agência Interfax, a artilharia russa bombardeou na noite de sexta para sábado as localidades de Samachki e Zakan-Iurt (situadas respectivamente a 30 km e 15 km a oeste de Grozni). Após o fim do cerco à capital tchetchena pelas forças russas, têm decorrido violentos e incessantes combates a sudoeste da cidade. A artilharia e a aviação russas têm vindo a atacar regularmente povoações situadas nestas zonas, para onde recuaram os combatentes tchetchenos após a queda de Grozni. Os confrontos também estão a atingir Argun, 15 km a leste da cidade.</P>
<P>
Residentes na cidade informaram que uma densa nuvem de fumo negro encobria na manhã de ontem os céus de Grozni, após os intensos bombardeamentos da véspera sobre os arredores da capital, que se estendem em direcção à vizinha Ingúchia. Estes ataques tiveram por objectivo impedir a infiltração tchetchena na cidade e cortar todas as vias de acesso.</P>
<P>
Ao citar fontes militares, a televisão de Moscovo «Ostankino» afirmava na noite de sexta-feira que os russos estavam a planear dirigir-se agora para a segunda maior cidade da Tchetchénia, Gudermes, situada a leste de Grozni. A televisão independente NTV revelou ainda que as forças militares russas estavam a tentar expandir a área que controlam ao longo de uma estratégica estrada que atravessa a Tchetchénia e liga Rostov, no sul da Rússia, a Baku, capital do Azerbaijão.</P>
<P>
Ontem, deveria chegar a Mozdok uma representação da OSCE, para investigar as violações dos direitos humanos durante a presente guerra na Tchetchénia. Os membros desta delegação -- a segunda a visitar a república independentista desde o início do conflito, a 11 de Dezembro -- encontraram-se na sexta-feira com a comissão de inquérito da Duma (câmara baixa do parlamento), formada após a investida do Exército russo.</P>
<P>
O delegado russo dos Direitos do Homem, Serguei Kovalev, chegou sexta-feira a Mozdok para tentar acompanhar pela primeira vez a delegação da OSCE. No sábado de manhã, no centro de detenção de Mozdok, Kovalev foi insultado por um grupo de manifestantes quando saía dos vagões onde estão detidos diversas dezenas de prisioneiros. Segundo um vídeo do centro de imprensa do Ministério do Interior, diversos manifestantes que se afirmaram «cossacos defensores dos russos» e habitavam em Grozni, exibiram à passagem do delegado russo uma tarjeta onde se lia «Kovalev=Judas».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-16775">
<P>
Governo Regional ignora relatório desfavorável</P>
<P>
Negócio do Lady of Mann é prejudicial para a Madeira</P>
<P>
Tolentino de Nóbrega</P>
<P>
O Governo Regional da Madeira escondeu um relatório da Direcção dos Portos do arquipélago que desaconselha o negócio das ligações Funchal-Porto Santo pelo navio Lady of Mann, adquirido por membros da influente família Sousa e já a operar em condições que muitos consideram obscuras. O Governo e a transportadora marítima preparam-se para criar uma sociedade mista que terá o exclusivo das ligações. Mas é outro negócio estranho, segundo o relatório: o navio não tem condições para o serviço e a maioria dos encargos vão sair do bolso do governo de Jardim.</P>
<P>
O Governo Regional da Madeira e a Porto Santo Line Ldª preparam um novo acordo, a estabelecer logo após as eleições, nos termos do qual o armador poderá, com uma forte comparticipação pública, adquirir o navio inglês Lady of Mann para prosseguir as ligações marítimas Funchal-Porto Santo. No entanto, a embarcação, segundo um estudo mantido em segredo pela Secretaria Regional da Economia, "não oferece condições" para o pretendido transporte misto de passageiros e carga.</P>
<P>
Apesar do optimismo do armador, confiante na continuidade da operação, a Direcção Regional dos Portos (DRP) -- mantida à margem das negociações entabuladas directamente pelo secretário da tutela com a Porto Santo Line Ldª -- está convicta de que, pelos encargos em causa, "dificilmente será fechado o negócio de compra da embarcação".</P>
<P>
Para a aquisição do Lady of Mann, o governo de Jardim e a Porto Santo Line Ldª acordaram -- segundo o artº 13º do protocolo original, ou 14º no documento assinado a 21 de Julho -- em constituir uma sociedade por quotas, de cujo capital a Região Autónoma da Madeira terá 25 por cento e a Porto Santo Line Ldª (PSL) 75 por cento. "É incompreensível que, detendo o Governo Regional apenas 25 por cento do capital da sociedade, venha a ser responsável por 60 por cento dos encargos financeiros" relativos à aquisição da embarcação, valor "totalmente desconhecido, dada a inexistência de dados referentes às condições do financiamento deste negócio". Embora o barco esteja avaliado em 700 mil contos, o relatório admite que os encargos, atendendo às taxas correntes de mercado para este tipo de negócio, não serão de "pequena monta".</P>
<P>
A sociedade concessionária deverá estar constituída até 21 de Outubro, data em que, conforme assegurava o protocolo, será celebrado o contrato de concessão, nos termos do qual será "definitivamente transferida para a sociedade a responsabilidade da exploração do serviço público", ficando isenta das taxas portuárias cobradas no Funchal e Porto Santo e autorizada a exercer "actividades comerciais" quando o navio se encontrar estacionado nos portos. A concessionária disponibilizará um crédito anual em passagens a favor do Governo Regional no montante de 10 mil contos, mais do dobro do montante das requisições oficiais feitas em 1994.</P>
<P>
Acordo leonino</P>
<P>
Quase a terminar o prazo da vigência do protocolo -- que atribuiu, a título experimental durante o Verão, a exploração exclusiva da linha em privilegiadas condições que nada tem a ver com o caderno de encargos do "concurso público para a concessão do serviço de transportes regulares de passageiros e mercadorias por via marítima" entre as duas ilhas --, decorrem neste momento conversações entre Pereira de Gouveia, titular da Secretaria Regional da Economia, e a administração da Porto Santo Line Ldª, com vista à definição do montante do capital social e dos estatutos da sociedade concessionária.</P>
<P>
O estudo das direcções de Serviços de Recursos Humanos e dos Serviços Financeiros e Administrativos (intitulado Informação Conjunta nº 1/95, da Direcção Regional dos Portos) dá conta de muitas das anomalias do protocolo referidas na reportagem objecto de processo criminal movido pelo Governo Regional contra o PÚBLICO, sobre os "negócios obscuros" nos transportes marítimos da Madeira, um sector dominado pela família de Miguel de Sousa, vice-presidente do PSD-Madeira e da Assembleia Regional (ver edições dos dias 5 e 9 deste mês).</P>
<P>
O relatório oficial reconhece que a embarcação a adquirir não oferece "condições para o transporte de mercadorias contentorizadas sem ser de forma tradicional", tornando-se economicamente viável só na época alta de Verão, coincidente com o de concessão a título dito experimental. Assim, "tendo sido condição basilar para a concessão da exploração marítima agora em análise encontrar uma solução de transporte misto de passageiros e mercadorias", mantêm-se por resolver os problemas afectos ao transporte de mercadorias para o Porto Santo, frisa o parecer da DRP.</P>
<P>
Entre outros aspectos apontados pelo PÚBLICO, o estudo confirma que o cancelamento da actividade desenvolvida pela Direcção Regional dos Portos com as suas embarcações -- não previsto no concurso público para adjudicação da concessão do serviço marítimo entre Funchal e Porto Santo, mas objecto de uma resolução "sem número" em que o Governo Regional autoriza a operação da Porto Santo Line Ldª -- trará, «como consequência imediata" para aquele departamento governamental, "a perda de receitas próprias, no valor previsível de 187.500 contos, correspondendo a cerca de 58 por cento da receita total prevista para o ano de 1995, mantendo, no entanto, os custos fixos e variáveis (exceptua-se unicamente o combustível) afectos à operação".</P>
<P>
Apesar de terem sido encostados para facilitar o negócio da PSL, a Região suportou os seguros dos seguintes barcos, ainda não totalmente amortizados, da DRP: Pirata Azul, Independência e Pátria, barco que teve de substituir o Lady of Mann durante as suas viagens para as Canárias e que está envolvido, devido ao litígio com o estaleiro, num processo de arbitragem que custou ao governo, nos dois últimos anos, cerca de 48 mil contos, dos quais 34 mil para o Tribunal Arbitral e 13 mil para a defesa entregue ao advogado e deputado social-democrata Guilherme Silva. O valor do prémio de seguro para estas duas últimas embarcações ronda os 48 mil contos/ano e, caso fosse solicitado o risco de porto, cerca de 19 mil contos, custos aos quais acrescem os do seguro de responsabilidade civil de passageiros/bagagem.</P>
<P>
Por outro lado, a "privatização" de funcionários da Direcção Regional dos Portos para a Porto Santo Line Ldª, nomeadamente o comandante e outros altamente qualificados, decidida pela Ordem de Serviço 7/95, também é posta em causa no parecer dos directores de serviço, que alertam ainda para o facto de que, mesmo fazendo a afectação e despedimentos, a DRP "ficará com excedentes, nomeadamente de oficiais administrativos no Porto Santo e de agentes de exploração no Porto Santo". A propósito, recordam "não ser possível ´transferir´ pessoal da função pública para uma empresa privada, sem o consentimento dos trabalhadores e através da rescisão do vínculo laboral, quer através de licenças sem vencimento e/ou pedido de exoneração". Só aqui, dizem, o Governo teria de suportar custos na ordem dos 130 mil contos/ano, relativos aos vencimentos, comparticipação obrigatória da DRP e seguros de trabalho.</P>
<P>
Défice de 240 mil contos</P>
<P>
Para além do défice normal da linha de transporte marítimo Funchal/Porto Santo/Funchal, o relatório prevê para o corrente ano um défice de cerca de 240 mil contos, "única e exclusivamente originado pela perda de receita", uma vez que, tomando por base os valores de 1994, o défice, visto em termos de autofinanciamento, seria apenas de cerca de 52.500 contos, pelo que reclama, desde já, o reforço adicional das transferências correntes para a cobertura do défice corrente.</P>
<P>
E, como remate final, o relatório coloca duas pertinentes questões: "Quanto suportará o Governo Regional com a concessão da linha, tendo em conta as despesas directas, as receitas não cobradas, os encargos financeiros, as despesas com o pessoal excedentário e o pagamento de passagens oficiais? Na época baixa (praticamente nove meses), com estas condições será garantida a ligação regular de transportes marítimos e de passageiros, tendo em atenção o tipo de embarcação?" Como resposta, o parecer recebeu a chancela de "confidencial".</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-23828">
<P>
Da guerra e da paz na Europa</P>
<P>
Teresa de Sousa</P>
<P>
Ninguém se atreverá a dizer que 1994 acaba da melhor maneira para a União Europeia.</P>
<P>
É verdade que a crise económica deu lugar à retoma, afastando algumas nuvens do horizonte, mas deixando, também, o aviso, expresso em Essen por Jacques Delors: mesmo com um ritmo de crescimento anual de 3,4 por cento, a Comunidade chega ao fim do século com uma taxa de desemprego de sete por cento da sua força de trabalho.</P>
<P>
É verdade que a União conseguiu concluir o seu novo ciclo de alargamento aos países da ex-EFTA, apenas com o dissabor norueguês, preparando-se para integrar 15 membros a partir do dia 1 de Janeiro de 1995.</P>
<P>
É verdade, também, que o Conselho Europeu de Essen, culminando a presidência alemã da UE, abriu as suas portas pela primeira vez aos representantes de mais seis novas democracias do Centro e do Leste europeu, dando algumas garantias suplementares de que o caminho para a respectiva integração, mesmo que lento e difícil, não será posto em causa.</P>
<P>
O simples facto de estar já lançado em força o debate sobre a reforma do Tratado de Maastricht -- prevista para a Conferência Intergovernamental de 1996 e destinada a levar a União a um aprofundamento institucional e a uma clarificação de objectivos políticos e estratégicos que lhe permita funcionar a 21 ou a 27 -- é, porventura, o sinal mais evidente de que, apesar de tudo, o caminho da unificação europeia prossegue. E, no entanto, a União respira incerteza, melancolia, desânimo, preocupação.</P>
<P>
Na origem deste sentimento mais ou menos difuso está, com certeza, a chocante desproporção entre a complexidade e gravidade dos problemas, desafios e perigos com que se defronta a nível externo e a ausência quase total de visão, capacidade e determinação para os vencer a nível interno.</P>
<P>
Em muitos aspectos, pode dizer-se que 1994 deixa como herança para o novo ano perspectivas e cenários que nem os mais pessimistas se atreviam, talvez, a imaginar há cinco anos, quando o mundo festejava a queda do Muro de Berlim e a libertação dos povos europeus do comunismo.</P>
<P>
O conflito bósnio continua a ceifar milhares de vidas, a semear o horror da «limpeza étnica» e dos «campos de trabalho», a permitir aos agressores ganhar terreno nos tabuleiros diplomático e militar, tornando ainda mais cruel e assustadora a impotência ocidental.</P>
<P>
Mas as consequências da guerra nos Balcãs foram bem mais longe, conduzindo àquilo que, para muitos responsáveis, seria o verdadeiro cenário de pesadelo: a divisão entre a Europa Ocidental e os Estados Unidos, o agravamento dos desentendimentos no seio da Aliança Atlântica com a manifestação aberta da divergência de interesses e de propósitos entre ambos os lados, no continente europeu.</P>
<P>
Espelhando fielmente esta situação, a UE e a NATO chegam ao fim de 1994 reduzidas à confrangedora circunstância de fazerem complexos e dispendiosos planos militares para a rápida e segura evacuação das tropas da Força de Paz da Bósnia a qualquer momento.</P>
<P>
Na Tchetchénia, a União Europeia e os Estados Unidos assistem silenciosos e comprometidos à miragem daquilo que pode ser uma Bósnia em dimensões gigantescas. Quatro anos depois do fim da União Soviética e da derrocada do comunismo na sua própria pátria, Boris Ieltsin e o Governo da Rússia parecem dispostos a deixar de considerar o seu entendimento e a sua convergência com o mundo ocidental como um vector fundamental da política externa pós-guerra fria.</P>
<P>
Em Budapeste, na cimeira da CSCE (crismada, agora, de OSCE), o Presidente russo conseguiu impedir brutalmente qualquer entendimento mínimo em torno de uma solução política para a Bósnia, ou mesmo uma simples declaração condenatória dos sérvios. O amigo de Washington e Bruxelas não hesitou em ameaçar a Europa com uma nova «paz fria» de consequências imprevisíveis.</P>
<P>
E, mesmo que os observadores se apressem a encontrar explicações desculpabilizadoras para a mudança de comportamento de Moscovo na relação de forças interna entre democratas pró-ocidentais e totalitaristas eslavófonos -- justificando a tendência manifesta do Ocidente para uma política de apaziguamento face a Moscovo --, isso não chega para dissipar as sombras pesadas que os últimos acontecimentos e as mais recentes posições do Governo da Federação Russa lançaram sobre a Europa.</P>
<P>
Ao vetar o alargamento da NATO aos seus antigos domínios da Europa Central e Oriental e ao recusar-se, à ultima hora, a assinar a Parceria para a Paz, proposta pela Aliança aos seus parceiros do antigo Pacto de Varsóvia, Moscovo conseguiu deixar o Ocidente momentaneamente paralisado e a Aliança Atlântica sem objectivos compatíveis e adequados à nova situação estratégica do continente.</P>
<P>
Em simultâneo, a Rússia dispõe-se a praticar nas antigas repúblicas soviéticas que denomina, significativamente, de «estrangeiro próximo» uma política de potência regional que dispensa qualquer «agrément» ocidental.</P>
<P>
Quatro anos após o acordo dos Doze em torno do Tratado de Maastricht, as previsões dos mais pessimistas correm o risco de se verem confirmadas. A União Europeia confronta-se com o ressurgimento de um nacionalismo agressivo à sua volta, com o qual não parece estar preparada para lidar, ao mesmo tempo que assiste impotente e receosa aos primeiros sintomas sérios da progressiva desresponsabilização dos Estados Unidos pela sua segurança.</P>
<P>
Incapaz de ter uma política diplomática e militar efectiva e credível para os Balcãs (tal como Washington não parece em condições de adoptar uma política externa clara e adequada à nova situação internacional), a UE vê-se sozinha diante de todas as suas fraquezas, perplexidade e incapacidades.</P>
<P>
A questão que se põe com uma acuidade dramática, no início de 1995, é a de saber onde irá a União Europeia buscar a visão, a força e os instrumentos para enfrentar o mundo turbulento e perigoso que parece emergir da «guerra fria».</P>
<P>
Internamente, parecem conjugar-se diversos factores preocupantes.</P>
<P>
O afastamento voluntário de Jacques Delors da corrida ao Eliseu, em França, vem deixar de mãos vazias os que ainda acreditavam nas potencialidades do voluntarismo de dois homens -- o presidente da Comissão Europeia e o chanceler alemão Helmut Kohl -- para liderar as mudanças de que a Comunidade precisa urgentemente.</P>
<P>
Hoje, talvez mais ainda do que nos primeiros 30 anos de vida, a aliança franco-alemã é indispensável para o projecto de integração económica e política da Europa. E, se Bona parece continuar com a determinação e a boa vontade necessárias para impulsionar o processo de revisão do Tratado, sem Delors, Paris arrisca-se a continuar mergulhada num período de profundas incertezas sobre o seu papel no mundo.</P>
<P>
Um rápido olhar sobre as restantes capitais apenas nos mostra mais sinais de crise, de fraqueza política, de imediatismo eleitoral. Jonh Major continua a lutar desesperadamente pela sobrevivência política à tona de um partido porventura já irremediavelmente dividido pela questão europeia. A Itália prossegue de crise em crise, tentando reconstituir novas instituições políticas a partir das cinzas deixadas pelos velhos partidos do pós-guerra, destruídos pela usura e pela corrupção. González está já em fase de declínio acentuado, que dificilmente conseguirá inverter até às eleições de 1997. Cabe-lhe ainda a tarefa de ordenar e impulsionar o debate preparatório da Conferência Intergovernamental de 1996, quando Madrid presidir à União no segundo semestre de 1995.</P>
<P>
Em toda a parte, mesmo que com graus de intensidade diversos, manifestam-se sinais do ressurgimento de forças nacionalistas e fechadas, desejosas de tirar partido do sentimento de insegurança e de medo do futuro que a nova situação europeia e internacional alimenta e preparadas para ocupar o vazio deixado pela inépcia e falta de coragem política dos governos e das elites democráticas dos países da UE. Portugal, naturalmente, não foge à regra.</P>
<P>
O contágio nacionalista ameaça, aliás, não respeitar nem aquelas fronteiras que pensávamos que a democracia tivesse tornado inexpugnáveis. Manifesta-se em Atenas, fazendo da Grécia um parceiro cada vez mais incómodo da UE, na recusa em reconhecer a República da Macedónia, nos conflitos fronteiriços com a Albânia, no apoio implícito a Belgrado, na susceptibilidade relativamente à Turquia. Ou em Roma, cujo Governo bloqueia o início das negociações entre Bruxelas e a Eslovénia para a assinatura de um Acordo Europeu idêntico aos que a Comunidade já tem com seis das novas democracias de Leste.</P>
<P>
Depois da alegria de 1989, do optimismo de 1990, da estrondosa vitória das democracias ocidentais sobre o totalitarismo soviético e do fim do equilíbrio do terror, abre-se à nossa frente um período de uma ou duas décadas que se arrisca a ser de forte turbulência. Os Estados Unidos e a União Europeia não vão ser os dois únicos poderes deste novo sistema mundial multipolar (onde a Rússia continua a ser uma incógnita e onde emergirão a China e, provavelmente, potências do mundo islâmico), nem o seu desejo de espalhar a democracia parece poder alcançar um amplo e rápido sucesso.</P>
<P>
São, fundamentalmente, as fraquezas, as divisões e a ausência de objectivos comuns da União Europeia, somadas à desorientação e ao regresso da velha e cíclica tendência norte-americana para o isolacionismo (ameaçando seriamente a solidez da Aliança Atlântica), que geram e alimentam este difuso sentimento de impotência, de perplexidade e de receio com que a Europa se prepara para entrar no novo ano.</P>
<P>
Por isso, 1995 será certamente, para os políticos e para os cidadãos da Europa, um ano de escolhas muito difíceis. Porque, afinal, no velho continente europeu, onde há cinco anos a História foi «descongelada», é outra vez da paz e da guerra que se trata.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54486">
<P>
Gil Y Gil quer</P>
<P>
Artur Jorge e Futre</P>
<P>
O Atlético de Madrid pretende o regresso de Paulo Futre e a contratação de Artur Jorge, revela hoje o jornal espanhol «El País», mas o «ABC» e o «Diário 16» apontam colombiano «Pacho» Maturana para o lugar de treinador do clube após o «Mundial»-94. O «El País» escreve ainda que o polémico presidente dos madrilenos pretende investir mais 1,6 milhões de contos para reestruturar a equipa, que este ano esteve perto da descida de divisão. Artur Jorge é desejado pela sua experiência e a movimentação que a sua presença a orientar a equipa pode despertar na massa associativa. Quanto a Futre, Jesus Gil está convencido que o declínio do Atlético começou com a sua saída. O presidente do Atlético de Madrid pensa ainda despedir sete jogadores e contratar outros sete, três dos quais estrangeiros. David Ginola, do Paris Saint-Germain, está entre os preferidos.</P>
<P>
Râguebi: Itália bate recorde do País de Gales</P>
<P>
A Itália bateu o recorde galês do resultado mais volumoso na Taça do Mundo de râguebi ao vencer, quarta-feira, a República Checa por 104-8 na zona de qualificação da Europa Central. O País de Gales derrotara Portugal, por 102-11, em jogo da zona da Europa Ocidental, realizado terça-feira.</P>
<P>
Ryder Cup esgota bilhetes</P>
<P>
Dois dias depois de terem sido colocados à venda, os bilhetes para a Ryder Cup'95, em golfe -- competição que opõe as selecções da Europa e dos EUA -- já estavam esgotados, revelou quarta-feira a Associação dos Profissionais de Golfe (PGA) dos Estados Unidos. Os bilhetes estavam disponíveis para o público desde segunda-feira, mas anteontem a organização já havia recebido mais de 25 mil pedidos, número idêntico ao da lotação do campo. A prova bienal vai ter lugar no Oak Hill Country Club em Rochester, Nova Iorque, entre 22 e 24 de Setembro de 1995, e realiza-se desde 1927.</P>
<P>
Knicks em vantagem na NBA</P>
<P>
Ao vencer os tricampeões Chicago Bulls, por um ponto de diferença (87-86), os New York Knicks estão agora mais próximos de alcançar a final da Conferência oriental da Liga Norte-Americana de Basquetebol profissional (NBA). Os Knicks lideram a meia-final por 3-2 e caso vençam hoje à noite em Chicago garantem o apuramento, discutido à melhor de sete partidas. A jogar no Madison Square Garden, os Knicks sentiram grandes dificuldades para superar o seu adversário, que esteve em vantagem até 2,1s do termo da partida. Nesse momento, Hubert Davis tentou um triplo, mas falhou o cesto. Nas suas costas, Scottie Pippen não evitou o contacto e na marcação dos lançamentos livres, Davis estabeleceu o resultado final. Os Bulls ainda teriam uma última oportunidade, mas o passe de Anthony Mason para Pippen, colocado debaixo do cesto, foi mal executado e o lance perdeu-se. Pippen foi o melhor marcador do jogo, com 23 pontos, mais três que Pat Ewing (Knicks).</P>
<P>
Sofia afastada em Roland Garros</P>
<P>
A tenista portuguesa Sofia Prazeres foi ontem eliminada na primeira ronda do torneio de qualificação para os Internacionais de França, a decorrer em Roland Garros. Prazeres, número 176 do «ranking» mundial, perdeu por 6-2 e 6-0 com a eslovena Tina Krizan (178º), nesta sua primeira presença numa fase de qualificação para um torneio do «Grand Slam». O quadro principal de senhoras da prova começa a disputar-se na próxima segunda-feira. Este ano, os prémios a distribuir atingem os 1,45 milhões de contos.</P>
<P>
Mortes de Ímola na justiça</P>
<P>
Dezassete pessoas foram notificadas pelos magistrados italianos encarregues de estudar as mortes de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger, no Grande Prémio de Fórmula 1 de Ímola, para prestar depoimentos. Segundo a televisão italiana, três oficiais da companhia Sagis, que explora o circuito, estavam entre as pessoas sujeitas a investigações. Elementos da Williams/Renault, equipa de Senna, e da Simtek, de Ratzenberger, completam a lista.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-62583">
<P>
Programa Especial de Realojamentos em debate</P>
<P>
Diálogo precisa-se</P>
<P>
Manuela Martins</P>
<P>
A Fundação Habitação e Sociedade promoveu, na terça-feira, em Lisboa, o fórum «Habitação Social e Estabelecimentos Humanos». Foi um relatar de experiências ricas, vividas no terreno, para prevenir que os futuros realojamentos do Programa Especial de Realojamentos nasçam diferentes.</P>
<P>
«Bom dia. Eu sou o António. Aquele ali, do filme sobre as barracas. Vivo na Quinta do Mocho. Saio todos os dias de casa às 5h10 para ir apanhar a camioneta e volto à meia-noite. Como eu, quase toda a gente do meu bairro. As mulheres também passam o dia fora, a fazer limpeza. As nossas crianças ficam o dia todo sozinhas. Organizámo-nos e fizemos um centro de ocupação das crianças. As simpáticas e inteligentes senhoras da Segurança Social fecharam o centro. Queria aqui perguntar quem vai agora cuidar das nossas crianças?»</P>
<P>
A pergunta do António não ficou sem resposta. Uma técnica do Centro de Segurança Social de Sacavém -- que afirmou que não queria «dar a cara» -- justificou o encerramento argumentando que ele não reunia «as condições mínimas». E informou que a Segurança Social estava disponível para ajudar a resolver o problema. Porque é que os moradores não pediam ajuda aos respectivos serviços? António respondeu-lhe que no fim falaria então com ela.</P>
<P>
A Quinta do Mocho é um dos bairros do Prior Velho que vai ser alvo do realojamento, ao abrigo do PER (Programa Especial de Realojamentos), plano anunciado pelo Governo em Março de 1993 com o objectivo de erradicar as barracas nas zonas metropolitanas de Lisboa e Porto. São 300 milhões de contos (50 por cento do INH [Instituto Nacional da Habitação] e o resto do IGAPHE [Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado]) que, com a participação das câmaras, vão ser aplicados na criação de dez mil habitações, para 37 mil pessoas até ao ano 2000. Actualmente ainda não está construído nenhum fogo.</P>
<P>
O modo como esses realojamentos vão ser feitos estão já a preocupar os habitantes desses bairros. Isso ficou patente neste encontro. Queixaram-se de que ninguém os está a ouvir e de que receiam que o programa se fique pela mera construção de casas, sem considerar toda a envolvente social, designadamente as estruturas de apoio.</P>
<P>
É essa ausência de diálogo que leva também as pessoas mais envolvidas neste trabalho de acção social a classificarem o PER de «criança deficiente», nas palavras de um pároco. Helena Bento, do grupo de apoio ao Prior Velho, interpelou os presentes com várias perguntas, juntamente com um membro da Associação de Moradores. Interrogações que revelam bem as preocupações com a componente social dos realojamentos, e que são, designadamente, as seguintes:</P>
<P>
-- Os novos bairros estão a ser estudados com as infra-estruturas elementares: creches, transportes, equipamentos escolares?</P>
<P>
- Como vai ser feito o realojamento das pessoas isoladas, que habitam sozinhas, nomeadamente as idosas?</P>
<P>
-- Qual o critério que vai presidir à fixação das rendas?</P>
<P>
-- Como é que vai ser com o pagamento da água, gás e electricidade, consumos a que nunca estiveram habituados?</P>
<P>
-- Os realojados vão ser informados com antecedência sobre os seus realojamentos? Ainda recentemente foram realojadas (não no âmbito do PER) algumas pessoas do bairro a quem a Câmara convocou para, nessa mesma semana, lhes dizer que iam «mudar de casa». Nenhuma assistente social foi ao bairro falar com a população...</P>
<P>
Promessas</P>
<P>
O vereador Vasco Franco, do pelouro da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa, não estava ainda presente para ouvir estas perguntas, uma vez que só participou no debate na parte da tarde. Mas elas foram ouvidas pela directora-geral da Acção Social que vai ter um plano de destaque nesta componente social dos realojamentos. Vasco Franco comunicou, na sua intervenção, que tinha já agendada uma reunião com a directora-geral da Acção Social para uma candidatura a um Acordo Complementar do PER para a reinserção social das famílias.</P>
<P>
O vereador afirmou peremptoriamente que o PER não iria enfermar dos mesmos erros da habitação social construída no âmbito do PIMP (Plano de Intervenção a Médio Prazo), ou seja, uma excessiva concentração de fogos e ausência de infra-estruturas. Reconheceu, no entanto, que esta última falha se verificou porque o dinheiro apenas chegou para construir as casas. Em oposição ao PIMP, Vasco Franco formulou uma mão-cheia de promessas e boas intenções para a gestão dos bairros a construir, que, afirmou, vão ser concretizadas e geridas por mais uma empresa municipal, cuja criação vai ser aprovada hoje, em Assembleia Municipal.</P>
<P>
O vereador da Habitação anunciou que a construção destes bairros sociais iria ser distribuída pelas áreas livres da cidade. A maior concentração de fogos não ultrapassaria os 500, mas o empreendimento ideal ficar-se-ia pelos 300. Chelas pode, assim, vir a ser martirizada com mais construções e os espaços livres vão ser utilizados no que designou de «novas valências». Com excepção do Vale de Chelas, para onde estão planeados 1500 fogos do PER. Vasco Franco justificou que não se estava a contradizer, uma vez que o Vale do Chelas «está fora de Chelas» e a construção vai ser feita num terreno que tem área para 4500 fogos.</P>
<P>
O Alto do Lumiar é também uma das zonas do PER. A construção, disse o vereador, vai ser planeada com uma «análise cuidadosa de todos os equipamentos necessários: desportivos, culturais, educativos, comerciais». O pequeno comércio de bairro que se desenvolve nas barracas também vai ser realojado, assim como todas as equipas residentes nesses bairros e que aí fazem trabalho social. Prometeu também que as pessoas iriam ser realojadas, tanto quanto possível, perto das zonas onde actualmente habitam e que iriam respeitar as relações de vizinhança e as culturas dos vários grupos étnicos. Das 37 mil pessoas a realojar, 94 por cento são cidadãos portugueses, 5,7 por cento são originários de países africanos de língua oficial portuguesa, 0,7 por cento provenientes de países da Comunidade Europeia, 0,5 por cento brasileiros e 0,12 por cento de outras nacionalidades.</P>
<P>
O vereador desafiou a iniciativa privada a participar no PER, divulgando que a lei o permite e que a Câmara cederá os terrenos para o efeito. Anunciou que a Casa Pia de Lisboa já informou a Câmara de que vai utilizar o PER nos seus terrenos ocupados com barracas e avançou com o exemplo da Associação Guineense que, em parceria com a Fundação Habitação e Sociedade e a autarquia, angariou fundos das Comunidades Europeias e do INH e vai adquirir fogos para realojamento.</P>
<P>
Auto-construção?</P>
<P>
Ao desafio da auto-construção proposto por Cardoso Andrade, do executivo da Fundação Habitação, Vasco Franco respondeu com uma experiência diferente que foi feita nos realojamentos do Bairro da Liberdade e que teve uma adesão de 30 por cento. A CML deu metade do dinheiro, o INH a outra metade e foram os próprios realojados que compraram a casa nova, sendo os pagamentos feitos directamente ao empreiteiro. Outros, já reformados e de idade avançada, preferiram regressar à sua terra e com esse dinheiro recuperar «a casa da aldeia». Isto reduziu os bairros sociais e conseguiu uma melhor distribuição das pessoas. Para que esta solução seja aplicada no PER são, no entanto, necessárias alterações legislativas.</P>
<P>
A propósito da auto-construção, o padre José Maia do Porto, outro dos participantes, relatou um episódio que ocorreu nos realojamentos do conhecido bairro «Tarrafal». Como havia 1400 pessoas de etnia cigana e tendo em consideração os seus hábitos, propôs-se que as casas deles não tivessem divisões e ficassem só com arcos, ao que eles responderam que não, que queriam casas iguais às de toda a gente. Realçou o importantíssimo papel do equipamento lúdico e educativo: o pavilhão gimnodesportivo, onde também se realizam festas, é um sucesso e a ludoteca está a ter mais êxito do que a escola.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-18725">
<P>
Porque precisamos da NATO</P>
<P>
João Carlos Espada</P>
<P>
A cimeira da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa, realizada na semana passada em Budapeste, saldou-se num retumbante fracasso. Uma declaração formal de oito parágrafos, condenando as forças sérvias em Bihac, foi rejeitada pela Rússia às três da madrugada de terça-feira. E uma declaração mais vaga, apelando a um cessar-fogo para restabelecer a ajuda humanitária, foi rejeitada pelo delegado da Bósnia e Herzegovina, com o argumento de que os bósnios enfrentam uma agressão, não um desastre humanitário.</P>
<P>
No final dos trabalhos, a representação norte-americana esforçou-se por sublinhar as duas únicas medidas concretas aprovadas: a mudança de nome da instituição (de «Conferência», para «Organização») e o envio de uma força multinacional para manutenção da paz em Nagorno-Karabakh. Mas isso não basta para preencher a impressão de vazio deixada pelo encontro. E mesmo a assinatura do importante acordo nuclear com a Ucrânia não preenche esse vazio fundamental.</P>
<P>
Muita gente atribui esse vazio às crescentes divergências entre os Estados Unidos e a União Europeia, relativamente à política internacional e, em particular, ao conflito na ex-Jugoslávia. A recente vitória republicana nas duas câmaras do Congresso norte-americano é vista como mais um sinal de que essas divergências se vão acentuar. E a conclusão tende a ser que a Europa deve autonomizar-se cada vez mais dos Estados Unidos, com vista a criar uma política de segurança comum e autónoma.</P>
<P>
Esse ponto de vista pode ser atraente. Mas está errado. É verdade que a origem das actuais dificuldades reside, em parte, na dissonância entre a América e a União Europeia. Mas a conclusão a retirar daí é que precisamos de estreitar -- e não enfraquecer -- os laços entre ambos. E o instrumento essencial para estreitar essa aliança é a NATO, a qual deve ser rapidamente alargada às novas democracias do Leste europeu.</P>
<P>
O Presidente Ieltsin pronunciou-se, em Budapeste, abertamente contra esse alargamento. Disse que ele equivalia à manutenção da divisão na Europa, e que conduziria a um clima de «paz fria». Argumentou que o fim do comunismo eliminará, simultaneamente, a razão de ser da NATO. E acrescentou que o seu alargamento correspondia a um sonho imperial de dirigir o planeta a partir de uma única capital -- subentende-se Washington.</P>
<P>
Todas estas asserções são falsas. A NATO nunca foi dirigida por uma só capital, mas sempre assentou numa colaboração multilateral entre várias nações. Acresce que essas nações são democráticas e liberais, o que significa que as decisões tomadas pelos governos estão abertas ao escrutínio e à crítica dos parlamentos e dos cidadãos. Essa é uma garantia de paz e de não expansionismo: não há memória de nenhuma guerra entre duas nações democráticas.</P>
<P>
Se a Rússia se tornar uma sólida nação democrática, ela não tem nada a temer da NATO. Nenhuma democracia teve alguma vez receio da Aliança Atlântica, antes pelo contrário. E isso continua a acontecer: a razão pela qual os países de Leste querem aderir à NATO é porque vêem nela uma garantia para as suas recém-conquistadas democracias. E essa garantia deve-lhes ser oferecida quanto antes.</P>
<P>
É da Rússia, e não da NATO, que as democracias têm legítimo receio. Não só porque ela tem débeis tradições liberais, mas também porque existem actualmente muitos sinais de que o liberalismo continua lá a ser ferozmente combatido.</P>
<P>
Um preocupante exemplo recente foi dado pela Duma, a câmara baixa do Parlamento. Após exaltados debates, em que o mote era o puro chauvinismo grão-russo e antiocidental, a Duma aprovou uma lei que exige a todos os visitantes estrangeiros a exibição de um certificado de que não possui o vírus da sida. A medida é obviamente discriminatória, dispendiosa e ineficaz. Mas, no clima antiocidental que hoje se vive na Duma, apenas três deputados ousaram votar contra.</P>
<P>
O Presidente Ieltsin é indubitavelmente uma das últimas esperanças de ocidentalização do barbarismo retrógrado da Rússia. Mas é um erro pensar que o estamos a ajudar se cedermos polidamente às reivindicações xenófobas do nacionalismo russo. O que ele precisa é de firmeza do Ocidente. A mensagem que deve ser emitida para a Rússia é a seguinte: talvez os nacionalistas consigam amedrontar os deputados da Duma. Mas eles não amedrontam as democracias ocidentais. Quer eles gostem quer não, a NATO vai alargar-se às democracias do Leste. Contando com isso, o melhor que a Rússia tem a fazer é desistir de sonhos expansionistas e fortalecer a democracia dentro de casa.</P>
<P>
A política de apaziguamento na ex-Jugoslávia tem produzido resultados dramáticos. Mas, por enquanto, eles estão geograficamente delimitados. Se o derrotismo apaziguador for estendido à política de alargamento da NATO, isto é, se o alargamento da NATO for adiado, o resultado inevitável será o alargamento da instabilidade e do conflito.</P>
<P>
A política de apaziguamento na ex-Jugoslávia tem produzido resultados dramáticos. (...) Se o derrotismo apaziguador for estendido à política de alargamento da NATO, isto é, se o alargamento da NATO for adiado, o resultado inevitável será o alargamento da instabilidade e do conflito.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-46133">
<P>
JORGE CARRARA </P>
<P>
Especial para a Folha </P>
<P>
Os "single malt whiskies" continuam sua luta pela conquista do consumidor. E ela já alcança o Brasil, onde a Palace Brands acaba de lançar o seu The Singleton of Auchroisk e a United Destillers, sua "Classic Malts" (linha que reúne seis puros maltes de diferentes regiões da Escócia).</P>
<P>
Apesar desses uísques serem a versão mais peculiar e sofisticada dos tragos escoceses, o maior consumo mundial _95%_ ainda é de "blended whiskies", elaborados com vários tipos de grãos em diferentes destilarias e mesclados para atingir o paladar de uma marca.</P>
<P>
Em contrapartida, os "malt whiskies" são elaborados unicamente com malte (grãos de cevada germinados e posteriormente secos) em uma única destilaria (das quais há mais de cem na Escócia), refletindo sua personalidade e a da região onde nasceram.</P>
<P>
Outro dos fatores que moldam o uísque, a água _cada destilaria tem sua própria fonte_ é utilizada na fermentação ou na diminuição do teor alcoólico final. Ela tanto pode dar à bebida sabores minerais (após ter fluído entre rochas) como herbáceos ou de resinas (pelo contato com plantas e arbustos).</P>
<P>
O solo, rico em turfa, também é parte da alquimia. O resíduo vegetal (cuja composição varia com a área) que é queimado para secar o malte transmite ao uísque distintos aromas defumados.</P>
<P>
A forma e o tamanho do alambique (que muda entre destilarias) pode talhar um "single malt" tanto de estilo leve e refinado como denso e oleoso.</P>
<P>
Para completar a fórmula, eles são envelhecidos (por no mínimo três anos para que possam ser chamados "scotch") em barris de carvalho já usados para Jeréz, Bourbon ou até Porto, o que lhes transmite um tempero especial e mais complexidade.</P>
<P>
Em geral, os mais potentes e encorpados vem da ilha de Islay, no oeste da Escócia; os mais frutados, das Highlands (ao norte); e os mais leves, das Lowlands, ao sul, perto de Glasgow.</P>
<P>
Nos novos exemplares da "Classic Malts" podem ser conferidas essas diferenças. O Lagavulin (Iglay) é potente com forte defumado; o Glenkinchie (Lowlands), mais delicado; e o Cragganmore, das Higlands, mais sério e encorpado.</P>
<P>
E quem quiser experimentar um "single malt" sem aquele defumado da turfa, pode provar um velho conhecido nosso _o Glengoyne_ e sentir apenas o caráter da água, da madeira e do cereal.</P>
<P>
ONDE ENCONTRAR: Casa Prata (av. Santo Amaro, 219, tel. 884-200). Preços: Lagavulin, R$ 49,57; Glenkinchie e Cragganmore, R$ 45,33; Glengoyne, R$ 49,27</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-65221">
<P>
Da Sucursal do Rio</P>
<P>
A juíza Maria Tereza Lobo, da 28.ª Vara da Justiça Federal no Rio, determinou ontem o reboque e o afundamento do navio grego Protoklytos 4.º fora das águas territoriais brasileiras. O navio, com uma carga de 120 mil toneladas de minério de ferro, está avariado desde julho do ano passado na baía de Angra dos Reis, no litoral sul do Estado do Rio.</P>
<P>
O navio foi impedido de navegar por uma decisão da juíza Maria Tereza Lobo depois que apresentou rachaduras no casco. Ela considerou que as avarias do Protoklytos 4.º não oferecem condições de segurança para a transferência ou transporte da carga. Segundo ela, há riscos de desastres ecológicos na baía de Angra causados pela contaminação da água pelo minério de ferro.</P>
<P>
Pela decisão de ontem, a empresa norueguesa Det Norske Veritas, responsável pela navegabilidade do barco, tem prazo de dois dias para provar que a operação de reboque do Protoklytos 4.º das águas brasileiras não trará riscos ambientais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-85110">
<P>
Novos nomes na comissão de reabilitação</P>
<P>
João Soares visita Casal Ventoso</P>
<P>
O novo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, João Soares, almoçou, ontem, no Centro Social do Casal Ventoso, onde anunciou os nomes dos três novos elementos da comissão de reabilitação daquele bairro. Lurdes Alvarez, directora do departamento de Construção e Obras da CML, presidirá ao grupo de trabalho, substituindo Eduardo Graça, que havia sido nomeado por Jorge Sampaio.</P>
<P>
Para além daquela engenheira, foram convidados Judite Lopes, que esteve ligada ao Museu Vieira da Silva, e o jurista Cipriano Oliveira. Ana Maria Gouveia e Norton Brandão manter-se-ão em funções. Segunda-feira, a nova constituição da comissão será formalizada junto do ministro do Planeamento, João Cravinho.</P>
<P>
João Soares, que se deslocou ao bairro lisboeta para cumprir uma promessa efectuada há anos a José Luís Coelho, presidente Centro Social -- «a primeira coisa que eu faria se um dia viesse a ser presidente da CML era visitar o Casal Ventoso» --, aproveitou para elogiar o trabalho de diplomacia realizado pelo seu antecessor, junto da União Europeia, na «sua sensibilização para intervir no Casal Ventoso nas suas várias vertentes». Alertou, no entanto, para a ausência de «um plano de intervenção concreto», afirmando não existirem «datas» para iniciar a Operação Integrada de Reconversão do Casal Ventoso, um dos principais pontos de tráfico de droga.</P>
<P>
De acordo com José Luís Coelho, a Operação deveria iniciar-se nos primeiros meses do próximo ano, com a edificação de 420 habitações, na zona sul do bairro, destinadas a realojar uma parte das famílias ali residentes enquanto decorrerem as obras de recuperação. Um inquérito local de 1992 revelou que vivem no bairro cerca de 4200 mil habitantes, dos quais cerca de 40 por cento são idosos.</P>
<P>
O novo presidente da Câmara considerou o realojamento da população do Casal Ventoso e a integração dos toxicodependentes como algumas das questões prioritárias. O autarca manifestou ainda o seu «total empenhamento na resolução dos problemas», recusando-se, porém, a adiantar promessas. E acrescentou: «Aceito ser julgado por aquilo que vier a fazer, assim como por aquilo que não fizer», lembrando que a toxicodependência se «tem vindo a agravar substancialmente desde o princípio dos anos oitenta», facto que se reflecte directamente no bairro, considerado, do ponto de vista social, o mais degradado do país.</P>
<P>
Em Novembro de 1994, o investimento necessário para a Operação de Reconversão do Casal Ventoso era de 9 milhões 750 mil contos. Mas apenas foram disponibilizados 4 milhões 750 mil: 3,5 milhões provenientes da UE, 1,250 milhões da CML, no âmbito do projecto de erradicação das barracas. Falta saber de onde virá a restante fatia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55116">
<P>
A namorada de Senna se emociona com ida até o local da morte do piloto </P>
<P>
RICARDO VALLADARES</P>
<P>
Do NP</P>
<P>
A modelo Adriane Galisteu esteve na semana passada na curva Tamburello, no circuito de Imola, o local onde Ayrton Senna morreu em 1º de maio de 94.</P>
<P>
Ainda revoltada pela tragédia, ela relembra os últimos momentos ao lado do namorado.</P>
<P>
 NP - Como é voltar ao lugar onde Senna se acidentou?</P>
<P>
Adriane Galisteu - (emocionada) Foi neste lugar o último ar que o Ayrton respirou.</P>
<P>
NP_ Que imagem vem à sua lembrança?</P>
<P>
Adriane - A horrível cena da batida.</P>
<P>
NP - O que você fez na hora do acidente?</P>
<P>
Adriane - Tive vontade de sair correndo.</P>
<P>
NP - Quem você culpa pela tragédia?</P>
<P>
Adriane - Tenho certeza que quem levou Ayrton foi a falta de segurança do autódromo. Não foi a equipe Williams, não foi o Bernie Ecclestone (presidente da Associação dos Construtores de F-1). Agora eu vejo o autódromo diferente, com escapes para todos os lados, pneus de proteção, a Tamburello completamente modificada. Exatamente como o Ayrton achava que tinha que ser. Deviam pôr fogo em Imola.</P>
<P>
NP - Você vai prestar alguma homenagem ao Senna no dia 1º de maio?</P>
<P>
Adriane - Eu presto homenagem a ele todos os dias.</P>
<P>
NP - Vocês iam ficar noivos no dia em que ele morreu?</P>
<P>
Adriane - Naquele dia a gente ia virar a noite em claro para conversar. Não sei se era noivado, se era casamento. Nunca saberei a resposta.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-84032">
<P>
Secretário de Estado da Administração em debate (da JSD) sobre racismo em Portugal</P>
<P>
Diferença ou discriminação?</P>
<P>
«O sentimento de diferença é natural. O que não podemos é admitir que a diferença se transforme em discriminação. Continuo a dizer que a sociedade portuguesa não é racista», afirmou o secretário de Estado da Administração Interna. Convidado de honra num debate organizado pela JSD de Odivelas, na passada semana, Carlos Encarnação respondeu sempre à pergunta-tema do encontro: «Há racismo em Portugal?»</P>
<P>
Reconhecendo que tem estado «muito conotado com estas questões», o secretário de Estado frisou no entanto que nunca ninguém, até hoje, o acusou de alguma «expressão, ou comportamento, ou política racistas.» Pois, acrescentou, até nos países africanos que foram colónias portuguesas «todos sabem que não permitiremos em Portugal qualquer crescimento de ódio rácico».</P>
<P>
«Temos na Constituição o princípio do repúdio disto tudo», disse Carlos Encarnação, numa mesa em que se salientou a ausência de um representante da «extrema-direita», convidado pelos jovens sociais-democratas de Odivelas mas que, «à última da hora», dissera que não.</P>
<P>
Fernando Ká, presidente da Associação Guineense, ouviu o governante explicar a sua ideia de Portugal. O que haverá neste país, dizia com vários exemplos, é um sentido da «diferença» que se traduz nalgumas manifestações. Carlos Encarnação contou uma conversa com um seu amigo, natural do concelho da Pampilhosa da Serra. O amigo, que nasceu e vivia na Amoreira Cimeira, não podia ir com os seus amigos à Amoreira Fundeira. Se o fizessem, «levavam pedradas». «Pertenciam ao mesmo concelho, distrito e país, mas tinham formas de cultura completamente diferentes», continuou Encarnação.</P>
<P>
Para o secretário de Estado, são situações como esta que por vezes, com o «sensacionalismo de alguns órgãos de comunicação social», são abusivamente conotadas com racismo, isto é, com problemas criados com a simples diferença «de cor da pele». «Se compararmos o que foi o comportamento racista da maior parte dos países europeus em África, e até na Índia e na Ásia, o nosso foi completamente diferente.»</P>
<P>
Quanto ao aconteceu em Junho no Bairro Alto, em Lisboa, quando um jovem cabo-verdiano foi morto a pontapé por «skinheads», tratou-se de um «afloramento de agressão racista», que «noutros países acontecem todos os dias». «O que aconteceu no Bairro Alto, penso eu, foi uma situação de excepção» criada por pessoas que, no geral, «têm tendência para a agressividade». «Não quero crer que [os skins] tenham a dimensão organizativa que lhes tem sido atribuída. Não tem acolhimento na sociedade portuguesa qualquer movimento nesse sentido.»</P>
<P>
O problema que há a defrontar é o da integração, continuou, referindo-se às comunidades africanas da área da Grande Lisboa. Mas, disse, «não quer dizer que sejam integradas com qualquer vantagem em relação a outros grupos. Têm que ser eles próprios a querer integrar-se. Têm que querer ter confiança na polícia, têm que querer ser legalizados, têm que querer lutar contra o tráfico de droga que cresce dentro das suas comunidades.»</P>
<P>
A resposta é a aposta na «dignidade», que começa «por construir habitação digna e, em segundo lugar, por uma atenção muito maior à área da educação.» E, também, quanto aos imigrantes africanos: «Não podemos fazer com que estas pessoas pensem que, por terem um trabalho temporário em Portugal, podem ficar para sempre em Portugal. Não podemos dar a ilusão às pessoas de que com um emprego não qualificado elas podem ficar para sempre em Portugal. É uma atitude inteligente e racional.»</P>
<P>
«Sabemos que muitas vezes são subcontratadores da mesma raça e origem que exploram os seus compatriotas. Todos os lados da questão têm que ser vistos com igual responsabilidade», acrescentou.</P>
<P>
Fernando Ká contestou veementemente que em Portugal não exista racismo: «Não interessa que sejam dez ou vinte pessoas que pensam assim, contra a maioria dos portugueses. O que interessa é que esteja a acontecer. O sofrimento não se soma, é individual. Dizer que há racismo em Portugal não é dizer que todos os portugueses são racistas.»</P>
<P>
Pois, continuou o representante da comunidade de guineenses, «as agressões são um racismo primário, mas o racismo tem uma forma mais dissimulada», como o caso do anúncio para aluguer de casa em que, quando os interessados são um casal de negros, a casa fica imediatamente alugada. «E depois o anúncio aparece de novo no jornal...», disse. «Temos que criar condições de igualdade de oportunidades.»</P>
<P>
Encarnação, no entanto, ripostou e manteve a sua tese: «Se as pessoas ouvem que `por existirem dez racistas, a sociedade portuguesa é racista', os outros dez milhões sentem-se legitimamente ofendidos. É preciso ter muito cuidado com o peso das palavras.»</P>
<P>
Rui Cardoso Martins</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-12588">
<P>
Barragens do Douro com comportas abertas</P>
<P>
Mau tempo faz vítimas e estragos no Norte</P>
<P>
A abertura das comportas em todas as barragens do Douro foi a mais importante consequência do mau tempo que, nos últimos dias, tem atingido a Região Norte. A grande quantidade de água que o rio transporta superou durante a manhã o caudal admitido pelo circuito hidráulico, tendo obrigado, segundo Ribeiro dos Santos, do gabinete de imprensa da EDP, à abertura das comportas. A evolução da situação nos próximos dias depende totalmente dos humores climatéricos, já que as barragens do Douro não têm uma função regularizadora do caudal.</P>
<P>
Não se previa ontem que viessem a ocorrer as sempre temidas cheias, segundo afirmou ao PÚBLICO uma fonte da Hidráulica do Douro. Um responsável do Serviço Nacional de Protecção Civil informou também, ao início da tarde, que não havia ainda sido adoptado qualquer esquema de emergência. A Barragem da Régua estava a debitar um caudal de 2500 metros cúbicos por segundo, mas só a partir dos quatro mil metros cúbicos por segundo a situação começaria a ser preocupante. Na Ribeira do Porto, o nível das águas estava ainda longe de atingir as margens. O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica informou que, para os próximos três dias, se prevê apenas a queda de chuva fraca.</P>
<P>
O vento e a chuva provocaram, no Porto, inundações, queda de árvores, montras, painéis de publicidade e taipais, não havendo a registar danos humanos. Em Aveiro, um comunicado do Governo Civil dava ontem conta do desaparecimento de uma pessoa, em Canelas, Estarreja, devido às inundações provocadas pela chuva dos últimos dias.</P>
<P>
Em Coimbra, no troço de ligação do IC 2 à Circular do Hospital, houve um desabamento de terras que levou à interrupção da circulação no sentido descendente daquela via entre as 19h30 de domingo e as 11h00 de ontem. Também no IP 5, na zona de Talhadas, Sever do Vouga, formou-se um barreira de terra na via, dificultando o trânsito durante a noite de domingo.m Dois choques em cadeia, envolvendo 16 veículos, ocorreram no quilómetro 230 da auto-estrada do Norte, cerca das 9h30 de ontem, provocando três feridos ligeiros.</P>
<P>
Morte em Barcelos</P>
<P>
Em Espinho, a subida das águas da ribeira de Silvalde provocou anteontem o pânico entre um grupo de dez pessoas que viram as suas barracas ser inundadas. Os Bombeiros Voluntário de Espinho, funcionários camarários e o Regimento de Engenharia acorreram ao local, tendo-se procedido à abertura do leito do ribeiro para facilitar o escoamento das águas.</P>
<P>
Em Trás-os-Montes, o vento forte, a chuva e o gelo tornavam bastante difícil o trânsito no IP 4. Nas proximidades de Vale de Nogueira, a nove quilómetros de Bragança, diversos autocarros e veículos ligeiros foram retidos pela neve. Ali teve também lugar o despiste de um automóvel ligeiro, sem gravidade. O trânsito processava-se com dificuldade em muitas outras estradas, tendo o gelo sido responsável por um outro despiste, na área do Barroso, na EN 15.</P>
<P>
Em Vila Real, a chuva provocou diversas inundações e cortes de energia ao longo do dia. Na agricultura, o mau tempo está já a provocar grandes estragos, estando seriamente comprometida a campanha da azeitona que, este ano, se previa farta.</P>
<P>
Em Barcelos , no domingo à noite, a intensa chuva que se fez sentir e o forte vento provocaram o derrube de um muro de grandes dimensões, em Pedra Furada, que causou a morte instantânea a Joaquim Rodrigues Lopes, de 19 anos, que se deslocava de motorizada pela estrada junto ao muro. Ontem, no início da manhã, todas as escolas da área urbana barcelense foram forçadas a interromper as aulas por falta de água, devido a inundações nas captações da estação do Bessa.</P>
<P>
Na cidade da Guarda nevou quase ininterruptamente desde as primeiras horas da manhã de ontem e nalgumas escolas da cidade não houve aulas. Na Serra da Estrela as temperaturas rondaram o grau negativo e os acessos à Torre, nos troços compreendidos entre Piornos e Sabugueiro, foram cortados .</P>
<P>
Os efeitos do mau tempo fizeram-se sentir também no estado do mar, forçando o encerramento de todos os portos do Norte. A meio da tarde de ontem, permaneciam fechadas as barras de Caminha, Póvoa de Varzim, Aveiro e São Martinho do Porto, enquanto as de Leixões e de Viana do Castelo haviam também sido obrigadas a encerrar durante a manhã.</P>
<P>
Jorge Marmelo, com Anabela Gradim, Francisco Fonseca, Leonete Botelho e Pedro Garcias</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77289">
<P>
Novo atentado na Argélia enquanto regime prepara presidenciais</P>
<P>
Eleições ensanguentadas</P>
<P>
Alexandra Prado Coelho</P>
<P>
Na Argélia continua-se a morrer. Duas violentas explosões com viaturas armadilhadas provocaram esta semana pelo menos 10 mortos e quase 200 feridos. Ontem um italiano foi assassinado. Mas o regime afirma que está a reunir as condições de «serenidade e segurança» necessárias à realização das eleições presidenciais marcadas para 16 de Novembro. Os principais partidos argelinos já apelaram ao boicote.</P>
<P>
Um camião armadilhado explodiu ontem na região de Blida (a Sul de Argel), matando quatro pessoas e ferindo 83. Entre as vítimas da explosão, que se deu perto de uma padaria e provocou estragos em vários prédios e lojas, estava uma rapariga de nove anos e outra de 19. Noutro ponto da Argélia, perto de Orão, um cidadão italiano foi, também ontem, assassinado a tiro. Tinham passado apenas dois dias depois de um dos mais sangrentos atentados deste ano na capital argelina: quinta-feira, um carro armadilhado explodiu no bairro de Bab-el-Oued, matando sete pessoas e ferindo cerca de 100.</P>
<P>
Mas, apesar de diariamente, numa espécie de ritual macabro, as agências noticiosas internacionais informarem que mais uma família foi massacrada, mais mulheres foram degoladas, mais carros armadilhados explodiram, os militares no poder afirmam que há condições para a realização de eleições na Argélia. Já foi escolhida uma data -- 16 de Novembro -- e já apareceram os primeiros candidatos.</P>
<P>
O facto de aquele que é considerado o maior partido de oposição (se continuarmos a ter como referência os resultados da primeira volta das eleições de 1991, as últimas realizadas no país), a Frente Islâmica de Salvação (FIS), continuar ilegalizado parece ser considerado pouco relevante. Assim como parece pouco relevante que os dois outros maiores partidos argelinos, a Frente de Libertação Nacional (FLN, antigo partido único) e a Frente das Forças Socialistas (FFS) tenham anunciado que vão boicotar o escrutínio.</P>
<P>
É difícil prever o que vão ser estas eleições -- se de facto chegarem a realizar-se. O objectivo dos militares parece ser, em primeiro lugar, o de legitimarem um regime que foi imposto em Janeiro de 1992, depois da segunda volta das eleições legislativas ter sido anulada para evitar uma vitória dos islamistas da FIS. Mas será difícil conseguir essa ambicionada legitimidade se os principais partidos insistirem no boicote.</P>
<P>
Por enquanto, apresentou-se uma meia dúzia de candidatos, mas apenas um tem algum prestígio e, empresta, com a sua participação, alguma seriedade às eleições: Reda Malek, antigo primeiro-ministro e agora líder de um novo partido, a Aliança Republicana Nacional (ANR). Malek, que apresentou a sua candidatura no passado fim-de-semana, frisou que não representa "nenhum clã" e que o seu principal objectivo é "combater o terrorismo por todos os meios". A ANR é um partido anti-islamista e Malek é conhecido pela sua oposição a qualquer tentativa de diálogo com a FIS. Na sexta-feira, o Movimento da Sociedade Islâmica (Hamas) declarou que vai participar mas eleições, sem anunciar ainda qual será o seu candidato, embora o mais provável é que seja o próprio presidente do partido, Mahfoud Nahnah.</P>
<P>
Quanto ao Presidente Liamine Zéroual, ainda não revelou quais são as suas intenções. Segundo o "Financial Times", os militares estão divididos entre a hipótese de lançar Zéroual como o seu candidato ou, em alternativa, optar por um civil. O Presidente é um homem misterioso e a sua estratégia nem sempre é clara: desde que assumiu a chefia do Estado, em Janeiro do ano passado, já tentou por várias vezes iniciar um diálogo com os islamistas mas, cada vez que uma dessas tentativas falhou, reapareceu como um defensor da repressão total para esmagar o movimento integrista. Há quem veja por detrás destas mudanças de posição um "duro", cujas "tentativas de diálogo" não passam de operações de cosmética para impressionar a comunidade internacional. Mas, curiosamente, os islamistas demonstram alguma confiança nele.</P>
<P>
O que vai fazer a FIS?</P>
<P>
Zéroual está, contudo, longe de ser a única incógnita destas eleições, num momento em que várias outras especulações alimentam os meios políticos argelinos. Uma delas está relacionada com a eventualidade de a FIS acabar por participar, ainda que indirectamente. Corre em Argel o rumor de que, apesar do anúncio público do falhanço do diálogo com os líderes islamistas, as negociações entre estes e a Presidência prosseguem secretamente. O "Financial Times" refere a eventualidade de Zéroual chegar a um compromisso com a FIS antes das eleições (falou-se, por exemplo, na hipótese de os islamistas aparecerem sob outro nome), ou desta decidir apoiar um candidato "independente".</P>
<P>
Ninguém duvida que, daqui até Novembro, muita coisa pode mudar. Sabe-se, por exemplo, que apesar de já ter anunciado que vai boicotar as eleições, a Frente de Libertação Nacional está a debater-se com divisões internas. O antigo primeiro-ministro Mouloud Hamrouche, que representa uma facção dentro da FLN, tem vindo a afirmar que "se o objectivo das eleições for a resolução da crise" em que o país mergulhou desde 1992, "é necessária a participação de todos". Hamrouche foi uma das poucas personalidades políticas que aceitou o convite de Zéroual para discutir o escrutínio, e é considerado um candidato potencial, embora não pareça beneficiar do apoio dos militares. Mas, se decidisse apresentar-se, entraria em ruptura com a FLN e poderia provocar uma grave crise no partido.</P>
<P>
Numa situação semelhante está Ahmed Taleb Ibrahimi, também membro da FLN e também convidado de Zéroual. Este ex-ministro considera que as eleições só deverão realizar-se se antes houver um acordo com a oposição. A hipótese de o seu nome surgir como candidato é admitida pelos analistas, tanto mais que se trata de uma figura que poderia ter o apoio de alguns sectores do Exército, alguns sectores da FLN e... dos islamistas.</P>
<P>
Talento para sobreviver</P>
<P>
Mas os militares não parecem dispostos a facilitar a vida aos candidatos a candidatos, e o primeiro obstáculo que estes têm que ultrapassar é o de conseguir a lista de 75 mil assinaturas que lhes permitirá concorrer. Depois, para além do esforço de convencer os eleitores, que qualquer eleição exige, vão precisar de algum talento para sobreviver. É que ninguém sabe o que é que os grupos islamistas armados estão a preparar para Novembro, mas é evidente que logo após o anúncio da data oficial das eleições, há poucas semanas, os atentados tornaram-se mais frequentes. É mais do que provável que os grupos armados continuem a aterrorizar a população para a impedir de votar e que a FIS não consiga -- ou não queira -- controlá-los. A esta eventualidade vem juntar-se ainda o facto de muitos registos eleitorais terem sido destruídos pela guerra civil, de zonas do país estarem quase isoladas, de não haver listas actualizadas dos eleitores.</P>
<P>
O Presidente Zéroual tem vindo a repetir que o Estado tudo fará para reunir as condições de "serenidade e segurança" essenciais para a realização do escrutínio. Mas os argelinos têm razões de sobra para estarem cépticos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-27765">
<P>
Estatística conta 32 mil fogos devolutos na capital</P>
<P>
Um décimo de Lisboa fechada e vazia</P>
<P>
João Manuel Rocha</P>
<P>
Se tudo se ficasse pela aritmética, Lisboa não precisava de muitas mais habitações do que as que tem. Assim voltassem ao mercado os fogos considerados devolutos. Até parece simples. Mas não é. As complicações começam pela definição do que é um fogo devoluto.</P>
<P>
Num prédio lisboeta construído no final dos anos 20, só três dos dez fogos estão ocupados. Os sete disponíveis -- somados aos 32 mil que a estatística diz estarem desocupados no concelho -- davam um jeitão à cidade e ajudariam a travar a sangria de jovens que Lisboa tem sofrido. Só que o dono não os quer alugar e apresenta uma mão-cheia de razões para assim fazer.</P>
<P>
Os 32 mil devolutos contados nos censos de 1991 são mais de onze por cento do total de cerca de 269 mil fogos que a cidade tem. É obra. Sabendo-se que Lisboa precisa de cerca de 40 mil residências para resolver os seus problemas de habitação, poderia estar à vista a resolução de boa parte das dificuldades.</P>
<P>
O programa eleitoral da coligação que governa a cidade defende expressamente «a colocação no mercado de arrendamento de fogos que ficarem vagos». O vereador da Habitação, Vasco Franco, concorda que os devolutos poderiam dar resposta a algumas situações de falta de alojamento e, sobretudo, ser um instrumento útil no êxito de uma das políticas do município -- recuperar a população jovem que saiu para a periferia.</P>
<P>
Só que para isso será indispensável a concordância dos donos dos fogos. A Associação Lisbonense de Proprietários considera que a aritmética que fixa em 32 mil o número de fogos devolutos é linear e recusa o papel de má da fita. Para o seu presidente, Carvalho da Silva, estão postas no mesmo saco situações muito diferentes entre si e é inaceitável ser beliscado o direito de propriedade ou ser penalizado quem tenha habitação secundária.</P>
<P>
Os casos contados por Carvalho da Silva vão desde o daquele proprietário «que tem um andar vago porque a filha casa dentro de dois anos e os contratos de arrendamento são feitos por, pelo menos, cinco», aos inquilinos que «mantêm um arrendamento antigo dos pais para guardar os móveis sem ali residirem», e que só poderiam perder tal direito se os proprietários conseguissem «prova testemunhal» de que os fogos não são habitados, o que não é fácil devido à solidariedade entre vizinhos.</P>
<P>
Proprietários descapitalizados</P>
<P>
Há também as habitações que estão à espera de decisão da Câmara sobre a viabilidade dos projectos apresentados. Nestes casos, o dirigente da Associação de Proprietários contesta que haja uma «tendência para demolir» com fins especulativos e considera normal que se queira remodelar e ampliar um edifício. «Se o prédio está doente, não nos obriguem a fazer obras de cosmética e fachada. Um prédio tem um prazo de validade e a certa altura mantê-lo é estar a lesar a economia», afirma, numa crítica indirecta à política municipal de recuperação de edifícios mantendo a sua traça original.</P>
<P>
A situação das casas «degradadas pertencentes a proprietários descapitalizados» é outro problema que, em cidades francesas, por exemplo, tem sido resolvido através de protocolos entre os donos e os municípios para que as obras sejam feitas por estes, a troco do direito de explorar esses fogos durante alguns anos com fins sociais.</P>
<P>
Carvalho da Silva lembra, a propósito, que os censos de 1991 indicavam que 93 por cento dos 150 mil alojamentos alugados rendiam aos proprietários -- quase todos particulares -- menos de 20 contos, e sublinha que sem rentabilidade não é possível manter um imóvel em bom estado. Uma máxima que lhe é cara e resume o seu entendimento sobre as razões que levam à degradação do património e ao quase desaparecimento do mercado de arrendamento é a de que, «num Estado de direito, não se pode fazer a lei no pressuposto de que os proprietários são ricos e os inquilinos pobres».</P>
<P>
O rol de situações inclui ainda a das casas de muitas assoalhadas que até há algum tempo os proprietários podiam alugar para escritórios, mas que medidas tomadas pela Câmara com o objectivo de travar a desertificação humana do miolo da cidade inviabilizaram.</P>
<P>
É difícil, queixam-se os proprietários, arrendar uma casa de 12 ou 13 assoalhadas nas Avenidas Novas porque as famílias são pequenas, mas sobretudo porque pouca gente terá dinheiro para pagar o valor pedido. Que fazer? A Associação preconiza a transformação de cada uma dessas habitações em várias mais pequenas.</P>
<P>
E as habitações secundárias? «São um direito, senão o Presidente da República não podia ter casa em Nafarros e no Algarve. Pode haver pessoas que trabalham, por exemplo, em Tomar e têm casa em Lisboa à espera de se reformarem. É um direito de propriedade. Eu, se quiser, posso manter a minha casa devoluta», afirma, admitindo, porém, que em casos de catástrofe possa vigorar legislação excepcional para o uso de fogos vazios.</P>
<P>
O vereador Vasco Franco contrapõe que, «sendo respeitável o direito à propriedade, é preciso considerar que o valor dos imóveis é também o valor que a cidade lhe acrescentou». E fica-se nisto.</P>
<P>
Das rendas ao fisco</P>
<P>
Uns e outros concordam em que o número de fogos devolutos é «anormalmente elevado». Mas as saídas propostas são diferentes. Para a Associação, «o quadro melhoraria a partir da altura em que houvesse a liberalização das rendas, porque mais pessoas comprariam novas casas para arrendamento».</P>
<P>
Vasco Franco tem outra ideia, que o município já propôs ao Governo: «Estímulos à colocação de fogos no mercado, com incentivos fiscais a quem arrende fogos devolutos e penalizações para quem os deixe devolutos por muito tempo, que é uma prática seguida em alguns países da Europa.»</P>
<P>
«Posso admitir, com certeza, o que não admito é que me obriguem a arrendar», condescende Carvalho da Silva, que considera necessário encarar o problema nos seus múltiplos aspectos. Com uma ressalva -- que não se penalize «a habitação secundária».</P>
<P>
A via, pelo menos uma via, poderia estar aberta para que voltassem ao activo da cidade os sete fogos do velho prédio dos anos 20 e boa parte das habitações que tanto jeito dariam às políticas para o sector da habitação -- sejam do Governo, por onde qualquer alteração legislativa passa, ou do município.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-53331">
<P>
Os islamistas dos outros</P>
<P>
Tunísia</P>
<P>
Ben Ali e os «terroristas»</P>
<P>
«Agora, o integrismo é um problema vosso: quero dizer de Paris, de Londres, de Washington.» Foi, em Agosto de 1984, numa entrevista ao jornal «Le Figaro», que o Presidente da Tunísia fez esta declaração. Zine El Abidne Ben Ali acusou a França, a Grã-Bretanha e os EUA de «servirem de bases de retaguarda aos terroristas integristas» e de, «em nome da liberdade e da democracia, darem asilo aos inimigos da liberdade e da democracia».</P>
<P>
Um dos mais destacados dirigentes islamistas tunisinos, Rachid Ghannouchi, líder do movimento Ennahdha (Renascimento), recebeu asilo político em Londres e tem sido descrito por muitos dos seus simpatizantes como um homem culto, moderado, defensor de um Islão tolerante. Uma opinião que não é partilhada pelo Governo de Ben Ali. «Não há terroristas maus e terroristas bons, mas simplesmente terroristas», declarou ao PÚBLICO, em Tunes, um responsável próximo do Presidente, que insistiu no anonimato.</P>
<P>
A postura de Ben Ali em relação aos integristas foi ditada pela própria evolução do movimento islamista, para o qual o sociólogo tunisino Abdelbaki Hermassi, numa análise apresentada num recente seminário do Instituto de Estudos Estratégicos em Lisboa, estabelece três fases. Primeiro, foi a da luta contra o Estado secular fundado por Habib Bourguiba, entre 1972 e 1980; seguiu-se, a de parceiro político, entre 1981 e 1990, quando tentou a sua legalização como partido; e finalmente a de contrapoder, que conduziu ao seu desmantelamento, a partir de 1991.</P>
<P>
Em 7 de Novembro de 1987, quando afastou o velho Bourguiba do palácio de Cartago, Ben Ali prometeu «dialogar com todos os opositores sem excepção». Libertou então da prisão Ghannouchi e outros islamistas e tentou estabelecer com eles um código de conduta política. No entanto, o Presidente quis, simultaneamente, limitar o espaço de manobra do Ennahdha nas universidades, mesquitas e áreas empobrecidas, onde os integristas recrutam os seus militantes, e os discípulos de Ghannouchi reagiram violentamente.</P>
<P>
Em 1991, um comando islamista incendiou um edifício do RCD, o partido de Ben Ali, em Tunes, e Ghannouchi justificou esse acto como «uma resposta à violência do poder». A partir daí, o Presidente não mais deu sossego aos seus adversários. Acusados de conspiração, milhares foram presos e outros forçados ao exílio. Hoje, a Tunísia orgulha-se de ser um país «livre de fundamentalistas», apesar da sua má vizinhança: a leste, a Líbia de Kadhafi, e a ocidente a Argélia, dizimada por três anos de guerra.</P>
<P>
Como se explica esta imunidade? «Actuamos em vários níveis», explicou ao PÚBLICO o já citado responsável próximo de Ben Ali. «Primeiro, no campo da segurança. Os que cometem actos de terrorismo são julgados e presos como criminosos. A nível económico, investimos nas `bolsas de pobreza', tentando melhorar o abastecimento de água potável e electricidade, construir estradas, escolas e clínicas. Criámos um fundo de solidariedade e voluntariado e já conseguimos angariar 62 milhões de dólares [9,2 milhões de contos], que foram canalizados para as zonas rurais. A nível cultural, tentamos ensinar nas escolas um Islão tolerante, deixando bem claro que a mesquita é um lugar de oração e não de política.»</P>
<P>
Quanto ao integrismo, o mesmo responsável frisou: «Já não é um problema da Tunísia, embora a situação na região nos preocupe. Os europeus não podem dar refúgio a terroristas invocando as suas tradições de asilo e liberdade de expressão. É preciso distinguir entre os verdadeiros activistas de direitos humanos e os que matam inocentes para atingir os seus objectivos. A quem é permitido conspirar contra o seu país de origem é também permitido conspirar contra o país de acolhimento.»</P>
<P>
Marrocos</P>
<P>
Hassan II e os riscos de «contágio»</P>
<P>
A estratégia do Rei Hassan II de Marrocos para evitar um «contágio» islamista vindo da vizinha Argélia parece ser não deixar que se crie um vazio que possa, de alguma forma, ser aproveitado pelos integristas. Estes não podem, como fizeram na Argélia, acusar o regime de se ter «desviado dos princípios do Islão», porque Hassan II é, ele próprio, o comandante dos Crentes, o descendente do Profeta e principal autoridade religiosa do país.</P>
<P>
Ou seja, de potencial força da oposição, o Islão foi transformado numa força de legitimação do poder. Ao mesmo tempo, as velhas estruturas religiosas, como as confrarias, nunca deixaram de desempenhar um papel activo na sociedade, dificultando, pelo simples facto de existirem, quaisquer tentativas de mobilização por parte dos islamistas.</P>
<P>
Mais vale prevenir que remediar e, antes que os integristas adoptassem determinadas causas, Hassan fê-las suas: a oração nas escolas foi tornada obrigatória, as escolas corânicas receberam o apoio do Estado, foi criado um Alto Conselho dos Ulema, para dar uma caução religiosa suplementar às decisões reais.</P>
<P>
Os islamistas viram-se também impedidos de se assumir como «a oposição», porque em Marrocos há partidos políticos que desempenham esse papel, há sindicatos, há uma sociedade civil. Por isso, explica François Burgat em «L'Islamisme au Magreb», «a corrente islamista [marroquina] foi privada do monopólio da contestação por uma oposição política e um movimento sindical, ambos com um discurso de esquerda mais credível do que na Argélia ou na Líbia».</P>
<P>
Mas, inspirados pelas ideias de Abdessalam Yassine, um moderado, líder do movimento Justiça e Beneficência, os islamistas marroquinos avançam pelos poucos espaços vazios que encontram, a começar pelas universidades, onde vão conquistando uma influência crescente.</P>
<P>
Grupúsculos mais radicais -- isolados e com estruturas muito frágeis -- começam também a surgir, em resultado do «contágio» argelino que Hassan II tanto quer evitar, e, ainda no início do mês, a polícia de Rabat deteve um comando que tentava passar armas para os seus «irmãos» na Argélia. O grupo, que tinha na sua posse espingardas, metralhadoras, pistolas e todo o tipo de munições, incluía quatro jovens argelinos, mas todos os outros eram marroquinos. É a terceira vez, no espaço de um ano, que as autoridades desmantelam um grupo deste tipo. O primeiro sinal sério da existência de uma colaboração entre islamistas de um lado e do outro da fronteira foi em Agosto do ano passado, com um atentado que vitimou dois turistas espanhóis num hotel de luxo em Marraquexe.</P>
<P>
Egipto</P>
<P>
Mubarak contra a Irmandade</P>
<P>
Perseguida há meio século pelos vários regimes egípcios, a Irmandade Muçulmana prepara-se para entrar no Parlamento do Cairo, nas eleições legislativas marcadas para o próximo dia 29. Uma entrada tanto mais significativa quanto os tribunais militares tentam desde há vários meses decapitar o movimento, condenando muitos dos seus quadros a longas penas de prisão e retirando-lhes os direitos cívicos.</P>
<P>
Desta vez, porém, os islamistas clamam ter o apoio da esquerda, que nunca lhes foi favorável, mas que partilha com eles a mesma hostilidade aos acordos de paz com Israel. Tal como os seus predecessores, o actual Presidente egípcio, Hosni Mubarak, chegou a simular uma reconciliação com os islamistas, para travar a influência da esquerda, mas, depois do assassínio de Anwar Sadat, em 1981, lançou contra eles o que a revista «Nouvel Afrique Asie» definiu como «a mais vasta caça ao homem levada a cabo nos últimos 30 anos no Egipto».</P>
<P>
A guerra total foi desencadeada em 1992, com os primeiros atentados contra turistas reivindicados pelo Gama'at Islami (Grupo Islâmico), mais radical do que a Irmandade. Implacável na sua campanha contra os integristas -- quase todos os dias os tribunais têm emitido sentenças de morte --, Mubarak terá conseguido diminuir os actos de violência integrista e dissipar os temores dos aliados ocidentais. Só a repressão, contudo, não será suficiente para vencer a guerra, pois a ideologia islamista continua a ganhar adeptos em muitas zonas do país abandonadas pelo Governo a uma abjecta pobreza.</P>
<P>
Líbia</P>
<P>
O «perigo verde» de Kadhafi</P>
<P>
No passado dia 19 de Outubro, o desconhecido Grupo Islâmico de Combate na Líbia saiu da clandestinidade para anunciar o seu propósito de derrubar o regime de Moammar Kadhafi. Num comunicado divulgado no Cairo, o grupo reivindicou uma série de tumultos registados este ano na Líbia, considerou «um dever de todos os muçulmanos» a destituição do coronel, que está no poder desde 1969, e defendeu a instauração da «sharia» (lei islâmica).</P>
<P>
Muitos analistas crêem que as recentes expulsões de milhares de sudaneses, egípcios e palestinianos, decretadas por Kadhafi, foram, em parte, motivadas, pelo receio do «perigo verde» (a cor do Islão). Kadhafi, cuja doutrina política, mistura de «sharia» e socialismo, é considerada herética por vários teólogos muçulmanos, tem sido tão implacável com os islamistas como Ben Ali ou Hosni Mubarak. Mas, para os seus vizinhos, ele ainda continua a ser a maior ameaça.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-28539">
<P>
Mostra Atlântica de Televisão 95 começa hoje nos Açores</P>
<P>
Mares e oceanos, tesouros e tragédias</P>
<P>
Fernanda Ribeiro</P>
<P>
Os oceanos, a sua importância futura e uma mostra do que as câmaras de filmar têm registado recentemente nas profundezas vão estar em foco na XI Mostra Atlântica de Televisão, promovida pela RTP-Açores e, agora, pela Expo-98. Uma viagem que incluirá um mergulho, transmitido em directo, à baía de Angra, um «santuário» do património cultural subaquático.</P>
<P>
Uma longa viagem ao fundo dos mares é o que farão, sem sair do lugar e durante dois dias, retirados numa sala do Hotel de Angra, os membros do júri da XI Mostra Atlântica de Televisão (MAT) -- uma iniciativa conjunta da RTP-Açores e da Expo-98, que hoje se inicia e ao longo da qual se hão-de apreciar mais de 50 produções para televisão, nas áreas do documentário e reportagem.</P>
<P>
O tema de quase todas elas versará os oceanos, os seus habitantes e a sua importância no futuro. A abordagem será, porém, diversificada e na mostra, em que participam produções de 17 países, tanto se encontrarão reportagens versando realidades actuais -- desde os testes na Mururoa («A Bomb Test on Mururoa», da Bayerischer Rundfunk, Alemanha) ou análises de acontecimentos de um passado recente, na produção alemã «The Miracle of The Shetlands» -- como documentários dedicados a aspectos da vida quotidiana em localidades marítimas, à semelhança do que estará patente na produção brasileira «Santana dos Pescadores», ou na espanhola «La Isla de Cabrera».</P>
<P>
As questões ecológicas ligadas à preservação das espécies serão também abordadas, o que se poderá ver em reportagens diversas, entre as quais a produção francesa «Nuit Blanches pour les Orques» ou a britânica, dedicada aos tubarões, «Great White Shark». Realidades concretas serão demonstradas, como pretende a produção britânica da BBC East «Matter of Fact: Sea Change», mas interrogações que assentam na importância dos oceanos serão também lançadas, nomeadamente sobre a sua capacidade para alterar o clima -- uma questão colocada na produção alemã «Can the Oceans of the World Save Our Climate?».</P>
<P>
Crónicas de bacalhoeiros franceses e de outros navios, segredos das grutas do Reino Unido, e dos mares da Lituânia, ou ainda relatos da morte de um rio na Albânia e de operações de salvamento e recuperação no mar serão também mostrados na MAT 95, onde haverá ainda espaço para analisar catástrofes eventuais, tal como em «Crash 2030: Anatomy of a Catastrophe».</P>
<P>
Na MAT 95 estarão também presentes sete produções portuguesas, entre as quais «Histórias de Naufrágios, Piratas, Sábios e Tesouros do Mar Português», da RTP, e «Viagem ao Triângulo de Tore», uma produção de Filmes Século XXI, além de «Tuaregues no Tecto do Mundo», da RTP-Porto, «Madeira Desconhecida», da RTP-Madeira, e «Fainas da Sorte», da RTP-Açores, entidade que patrocina a mostra.</P>
<P>
A arqueologia subaquática e o património existente nas profundezas serão não só versados em documentários e reportagens -- candidatos aos prémios a atribuir pelo júri (no valor de 1500 contos, 750 contos e 450 contos) --, como vividos e vistos em directo através da TV2 e da RTP Internacional, num mergulho a realizar às 13 horas do dia 28, sábado, à baía de Angra, por uma equipa coordenada por José Mendes da Rocha, director do Museu de Angra do Heroísmo.</P>
<P>
Albânia, Alemanha, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Angola, Canadá, Estados Unidos da América, França, Lituânia, Moçambique, Suíça, Grã-Bretanha, Guiné-Bissau e Grécia são os países que, além de Portugal, vão estar presentes na XI Mostra Atlântica de Televisão, que este ano abrirá com duas iniciativas dirigidas também à população local: duas exposições, uma sobre os 20 anos da RTP-Açores e outra sobre a Expo-98, no Palácio dos Capitães Generais, em Angra do Heroísmo.</P>
<P>
No último dia da MAT 95, além do mergulho televisionado à baía de Angra, a população açoriana poderá ouvir falar do património cultural subaquático, um tema de grande actualidade para a ilha Terceira, onde repousa -- por enquanto -- uma tal riqueza e quantidade de navios afundados que levam os especialistas a considerá-la, neste domínio, um «santuário».</P>
<P>
A fechar esta mostra, um simpósio a realizar no Hotel de Angra, sob a coordenação do investigador Mário Ruivo, analisará, na presença de oceanógrafos, arqueólogos e juristas portugueses e estrangeiros, o «Património cultural subaquático» entendido como «Uma herança para o futuro».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-25118">
<P>
DINHEIRO PARA TOXICODEPENDÊNCIA -- O ministro-adjunto Marques Mendes alertou ontem para o risco de haver «dinheiro a mais e capacidade a menos» na luta contra a toxicodependência, que o Governo considera prioritária. Ontem, a Santa Casa da Misericórdia entregou ao Projecto Vida um cheque de 380 mil contos, a primeira parcela dos lucros do «joker» destinados à luta contra a toxicodependência, e que este ano atingirão um milhão de contos. Marques Mendes afirmou que, até ao final do ano, o número de camas para toxicodependentes vai aumentar para 750, e lembrou que no ano passado eram apenas 300.</P>
<P>
VIOLAÇÃO NA EURODISNEY -- Uma turista alemã de 14 anos foi violada na semana passada no parque de diversões da EuroDisney em Marne-la-Vallée, região parisiense, por um dos funcionários, que ontem foi detido pela polícia. O empregado da EuroDisney, cuja identidade não foi revelada, atraiu a jovem à zona dos «Piratas das Caraíbas», com o propósito de a violar.</P>
<P>
CHEIAS E DERROCADA PROVOCAM CATÁSTROFE -- Pelo menos 500 pessoas desapareceram em Toes, no Sul da Colômbia, na sequência de um desmoronamento provocado por um sismo sentido ontem na região. Para além da derrocada de terras, e também devido ao sismo, registaram-se cheias devastadoras no rio Paez, que provocaram uma maré de lama e pedras que arrastou casas e pessoas.</P>
<P>
INCÊNDIOS EM IBIZA E MAIORCA -- Violentos incêndios florestais, que deflagraram há cinco dias, estão a destruir vastas áreas das ilhas espanholas de Maiorca e Ibiza, no Mediterrâneo, tendo já consumido tantos hectares como todos os fogos que se registaram em 1993, dizem fontes oficiais. Estes são os piores incêndios que atingiram as ilhas nos últimos anos, e ontem ainda não estavam controlados. Em Ibiza, mais de 200 pessoas tiveram que ser evacuadas.</P>
<P>
GRACE SLICK CONDENADA POR EMBRIAGUEZ -- Grace Slick, a vocalista dos Jefferson Airplane, grupo psicadélico dos anos 60, foi ontem sentenciada a uma pena suspensa de seis meses, sendo obrigada a comparecer num programa de reabilitação, com 12 reuniões semanais, nos Alcoólicos Anónimos. Slick, 54 anos, foi também condenada a 200 horas de trabalho comunitário. A cantora, «em estado de grave intoxicação alcoólica», decidiu, a 5 de Março passado, disparar uma caçadeira para o ar, deixando em pânico os vizinhos abastados do bairro de São Francisco onde habita.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21009">
<P>
A boa esperança</P>
<P>
As primeiras eleições livres na África do Sul e em Moçambique e o Protocolo de Lusaca para a paz em Angola marcaram positivamente o ano de 1994 na África Austral. Para muitos, a subida de Nelson Mandela à Presidência da República foi a esperança mais visível de um continente ainda este ano devastado pela carnificina no Ruanda e pela continuação da guerra e da extrema miséria em diversos países.</P>
<P>
É claro que ainda é muito cedo para dizer se o triunfo claro do ANC nas eleições sul-africanas de Abril e a sua liderança de um Governo de Unidade Nacional em que participam Frederik de Klerk e Mangosuthu Buthelezi constituem indubitavelmente uma garantia de estabilidade regional para este fim de século. Mas, para já, foram augúrios muito bons, principalmente quando combinados -- já no segundo semestre do ano -- com a forma como foram aceites os resultados eleitorais em Moçambique e com a assinatura formal do protocolo que visa concluir a aplicação dos Acordos de Paz para Angola assinados em Lisboa no dia 31 de Maio de 1991.</P>
<P>
Em Março ainda poucos acreditavam que todas as principais formações políticas da África do Sul fossem de facto às urnas e aceitassem de bom grado o resultado delas saído; tal como no primeiro dia das eleições moçambicanas, em 27 de Outubro, se viria a recear que todo o processo fosse por água abaixo. No entanto, num como noutro caso acabou por prevalecer o bom senso, que no primeiro esteve particularmente patente em homens como o líder do ANC, Mandela, o chefe do Partido Nacional, De Klerk, e o rei dos zulus, Goodwill Zwelithini, sobrinho do polémico Buthelezi e contrapeso moderador a um Inkatha demasiado etnocêntrico.</P>
<P>
Consenso essencial</P>
<P>
A confluência, ainda que temporária, dos interesses do grande movimento da luta «anti-apartheid», do partido que estava desde 1948 no poder e da força política que se identifica com a riqueza cultural zulu permitiu que a África do Sul tenha vivido de uma forma estável os últimos sete meses, excepção feita a uma vaga de criminalidade de delito comum ainda a resolver.</P>
<P>
Por outro lado, a forma suave como a transição do poder se processou em Pretória, com o funcionamento de um Governo tripartido que representa mais de 90 por cento dos sul-africanos, ajudou a criar o clima necessário para a tão difícil conclusão do Protocolo de Lusaca e para a salvação das eleições moçambicanas.</P>
<P>
Se a isto juntarmos a recente ida às urnas do povo namibiano, que referendou de forma positiva quase cinco anos de administração da SWAPO, temos de facto motivos para estar contentes nesta recta final de 1994; e para esperar que a toda a região austral de um continente predominantemente negro se possa alargar a estabilidade desde há muito patente num dos seus países, o Botswana.</P>
<P>
Só que nem tudo é um mar de rosas, não havendo ainda sinais demasiado convincentes de que a estabilidade se possa mesmo consolidar na África do Sul durante os próximos anos e alargar a todos os territórios que ficam abaixo dos rios Zaire e Rovuma, respectivamente na costa atlântica e na índica. Principalmente porque ainda existe um forte legado de subdesenvolvimento a ultrapassar.</P>
<P>
O pós-Mandela</P>
<P>
Ao tomar posse como Presidente, no mês de Maio, Nelson Mandela, que já vai nos 76 anos, coroou toda uma carreira de luta pela conquista de direitos políticos e humanos para a maioria negra da população sul-africana. No entanto, o descontentamento com o novo regime começa a lavrar cada vez com mais força nas bases do ANC, pois se os negros já podem votar e ser votados, ainda não têm, em grande parte dos casos, um emprego seguro, uma casa em condições e um ensino digno deste fim de século.</P>
<P>
Por isso, o que se começa a perspectivar desde já na África do Sul é o período pós-Mandela, pois dentro de dois ou três anos esta figura emblemática poderá ficar demasiado idosa e doente para garantir uma direcção efectiva dos destinos do país. Muita coisa irá pois depender da forma como for possível ultrapassar a luta pela sucessão que se trava entre o primeiro vice-presidente da República, Thabo Mbeki, de 52 anos, e o presidente da Assembleia Constituinte, Cyril Ramaphosa, uma década mais novo.</P>
<P>
Desde que aqueles dois homens não cavem ainda mais o fosso que aparentemente já os separa e saibam manter uma boa relação de trabalho tanto com o Partido Nacional como com o Inkatha, é de acreditar que a África do Sul se transforme a prazo num autêntico gigante económico, em termos subsarianos, e que à sua volta se desenvolva o há muito desejado bloco regional.</P>
<P>
Uma certa prova dos nove da experiência sul-africana em curso desde as primeiras eleições multirraciais vai ser, no último trimestre de 1995, a realização de autárquicas, depois de um reajustamento das fronteiras municipais, para que não seja tão visível a existência de áreas habitacionais separadas, de acordo com a cor da pele de cada um.</P>
<P>
Entretanto, até meados de 96, deverá ficar pronta a Constituição definitiva do país, prevista por Nelson Mandela e Frederik de Klerk para consagrar a autêntica viragem que desde o início desta década se tenta no principal país da África Austral, ao mesmo tempo que se procura que a paz não volte para trás em Moçambique e, muito particularmente, em Angola.</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-94511">
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
O diretor de Relações Internacionais do Sindicato dos Condutores do ABC, Clodovil de Carvalho, irmão de Oswaldo Cruz Júnior –assassinado no dia 6 de janeiro– denunciou ontem uma suposta invasão de sua casa, no bairro Assunção, em São Bernardo, na madrugada de ontem. O caso foi registrado em boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial de São Bernardo.</P>
<P>
Entre os objetos que teriam sido furtados de sua casa estavam documentos que comprovariam o envolvimento do sindicato dos condutores com o PT, principal denúncia apresentada por Oswaldo Cruz Júnior antes de sua morte. Em 93, Cruz fez várias denúncias de que sindicatos e CUT contribuíam com dinheiro para o PT.</P>
<P>
A denúncia de furto acontece uma semana depois de o promotor de Justiça de Santo André, Marcelo Milani, ter afirmado que, se Clodovil de Carvalho não apresentasse provas de suas denúncias, poderia ser processado. Entre outras acusações, Clodovil disse que o deputado estadual Arlindo Chinaglia (PT) propôs um pacto para que Oswaldo Cruz Júnior parasse de denunciar o partido e a CUT. O prazo para a apresentação de provas termina na próxima semana.</P>
<P>
Clodovil disse que a casa foi toda revirada e que notou a falta de um aparelho de videocassete e de algumas jóias de sua esposa. De acordo com o sindicalista, os invasores entraram por uma sacada que existe na lateral da casa, no andar de cima do sobrado.</P>
<P>
A polícia concluiu ontem às 18h40 a perícia feita na casa de Clodovil. As conclusões serão divulgadas através de laudo ainda sem data para ser conclúído. Uma das hipóteses levantadas pela polícia é de furto qualificado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-25480">
<P>
África do Sul</P>
<P>
Buthelezi ameaça com «guerra de libertação»</P>
<P>
O DIRIGENTE do Inkhata, Mangosuthu Buthelezi, ameaçou ontem com uma «guerra de libertação» se o líder do Congresso Nacional Africano, Nelson Mandela, e o Presidente Frederik De Klerk, realizarem mesmo as eleições marcadas para os dias 26 a 28 de Abril sem o concurso da organização zulu.</P>
<P>
Buthelezi, que fez a ameaça na sessão de inauguração da sessão anual do parlamento do Kwazulu, em Ulundi, disse que se o ANC e o Partido Nacional (no poder) tentarem fazer no bantustão zulu o que fizeram no Bophutatswana, na semana passada, reprimindo os opositores das eleições do próximo mês, ele iniciará uma campanha sem precedentes que tornará o país «ingovernável».</P>
<P>
O líder zulu acusou Mandela e De Klerk de tentarem desestabilizar os funcionários públicos do Kwazulu como fizeram no Bophutatswana, bantustão que voltou a semana passada à soberania sul-africana após a destituição do seu dirigente, Lucas Mangope, que também se opunha à realização, no território, das eleições gerais.</P>
<P>
Buthelezi discordou que nas actuais circunstâncias não devem realizar-se eleições regulares na África do Sul. «Se o processo eleitoral seguir o seu curso e se o escrutínio for finalmente declarado livre e regular, isso será porque a oposição democrática foi mandada para o museu pelo poder do Estado».</P>
<P>
O líder zulu, que inscreveu provisoriamente o seu partido entre as formações concorrentes, mas que no prazo legal, que terminou há oito dias, não apresentou a lista dos deputados do Inkhata, não disse que não concorreria às eleições mas defendeu o seu adiamento.</P>
<P>
A Comissão Eleitoral Independente afirmou quarta-feira que as listas para as eleições estavam «fechadas».</P>
<P>
«Se uma mediação internacional ocorrer rapidamente, se as emendas [à Constituição] forem feitas, se a data de registo das candidaturas for revista e se as datas do escrutínio forem mudadas, participaremos nas eleições», disse Mangosuthu Buthelezi.</P>
<P>
Cancelado encontro entre Mandela e rei zulu</P>
<P>
A radicalização das posições do líder zulu ocorreu horas depois do ANC anunciar a anulação do encontro, que estava previsto para hoje, em Ulundi, entre Mandela e o rei zulu Goodwill Zwelithini.</P>
<P>
A anulação da reunião -- pois não foi anunciada qualquer data para a sua realização -- deveu-se, segundo o porta-voz do ANC, Ronnie Mamoepa, a «motivos de segurança», depois do secretário-geral do partido de Mandela, Jacob Zuma, ter telefonado ao presidente nacional da organização de Buthelezi, Frank Mdalose, manifestando receio por distúrbios ou mesmo o assassínio do líder do ANC.</P>
<P>
Mdalose disse à Reuter que Zuma lhe telefonou manifestando-lhe receio pela segurança física de Nelson Mandela caso este fosse a Ulundi, onde hoje deveria reunir-se com o soberano zulu num encontro que os analistas classificaram de «histórico».</P>
<P>
Zuma ainda propôs a Mdalose que a reunião fosse transferida para Durban, o grande porto da costa do Índico, ou adiado, ao que este respondeu que havia segurança suficiente, tanto da polícia do Kwazulu como da da África do Sul, podendo o ANC enviar se quisesse os seus próprios agentes de segurança. Ambas as partes recusaram a proposta da outra e Mandela não vai hoje a Ulundi.</P>
<P>
Anulado o encontro entre Mandela e Zwelithini, o processo democrático na África do Sul estava ontem dependente das iniciativas que o Presidente De Klerk está a fazer com o Inkhata.</P>
<P>
«Estou a estudar uma iniciativa no que respeita ao Inkhata e há uma ligeira esperança quanto a uma eventual solução», disse De Klerk após um encontro com homens de negócios sul-africanos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-87209">
<P>
Governo Regional põe barcos à disposição de concessionário privado</P>
<P>
Lady of Mann deixa a Madeira</P>
<P>
O Lady of Mann, o polémico navio que nos últimos quatro meses assegurou, em condições privilegiadas, a ligação entre o Funchal e o Porto Santo, deixa a Madeira na próxima semana, para retomar a linha Liverpool-Isle of Mann. Ainda sem outra alternativa, o também controverso catamarã Pátria está condenado, quando as condições o permitirem, a navegar no tumultuoso mar da Travessa.</P>
<P>
O regresso do «ferry» à Grã-Bretanha foi decidido pela companhia britânica sua proprietária, depois de malogradas as negociações entre a Porto Santo Line (PSL) e o Governo Regional para a constituição de uma sociedade mista que, nos termos de um protocolo assinado a 21 de Julho, deveria adquirir o navio.</P>
<P>
A indisponibilidade do Governo da República, manifestada em vésperas das eleições legislativas, para garantir ao executivo madeirense os meios financeiros necessários à transacção, envolvendo uma verba próxima dos 700 mil contos, obrigou o governo de Alberto João Jardim a desistir do projecto de sociedade mista, embora persistisse na decisão de conceder à PSL a exploração das ligações marítimas entre as duas ilhas, por um período de dez anos.</P>
<P>
A constituição de uma sociedade por quotas, de cujo capital a Região Autónoma da Madeira teria 25 por cento e a Porto Santo Line 75 por cento, fora desaconselhada pela Direcção Regional dos Portos (DRP) num relatório confidencial divulgado pelo PÚBLICO (22/9/95), a cuja publicação Jardim reagiu reduzindo a polémica, uma das maiores ultimamente registadas no Funchal, a uma «briga de comadres que, neste caso, são grupos económicos, um dos quais é o grupo Sousa». Ignorando as conclusões do relatório, pouco abonatórias para o navio, o governante garantiu então a manutenção do Lady of Mann, decisão que, diria mais tarde, não poderá ser entendida como qualquer forma de proteccionismo do seu governo em relação ao grupo controlado pela família de Miguel de Sousa, vice-presidente da Assembleia Regional e da comissão política do PSD-Madeira.</P>
<P>
«É incompreensível que, detendo o Governo Regional apenas 25 por cento do capital da sociedade, venha a ser responsável por 60 por cento dos encargos financeiros» relativos à aquisição da embarcação -- num montante «totalmente desconhecido, dada a inexistência de dados referentes às condições do financiamento deste negócio»--, contestava o relatório. Os técnicos da DRP advertiam ainda que os encargos, atendendo às taxas correntes de mercado para este tipo de negócio, não seriam de «pequena monta» e que a embarcação, avaliada em 700 mil contos, «não oferece condições» para o pretendido transporte misto de passageiros e carga.</P>
<P>
Em contraste com as conclusões do relatório, o armador e o Governo Regional mostravam-se optimistas -- particularmente através do secretário da Economia, interlocutor noutros não menos polémicos negócios públicos, como o da marina, Praia Formosa, operações portuárias e cimentos -- e, com a assinatura do protocolo, confiantes na continuidade da operação. Mas o negócio, atendendo aos elevados encargos financeiros em causa, acabou, tal como previa o incómodo relatório, por não ser concretizado, embora por motivos oficialmente imputados à Isle of Mann Steam Packet Company.</P>
<P>
A sociedade concessionária deveria estar constituída até 21 de Outubro, data em que, conforme assegurava o contestado protocolo, se celebraria o contrato de concessão, nos termos do qual seria «definitivamente transferida para sociedade a responsabilidade da exploração do serviço público», ficando isenta das taxas portuárias cobradas no Funchal e Porto Santo e autorizada a exercer «actividades comerciais» quando o navio se encontrar estacionado nos portos.</P>
<P>
Passando por cima das condições impostas no original caderno de encargos do «concurso público para a concessão do serviço de transportes regulares de passageiros e mercadorias por via marítima» -- assim como das cláusulas estabelecidas no protocolo que se lhe seguiu --, o Governo Regional, sem abrir novo concurso público e por simples deliberação tomada no conselho de 12 de Outubro, acabaria por conceder a exploração das referidas ligações ao grupo que, através da constituição de duas dezenas de empresas, domina o sector dos transportes marítimos e as operações portuárias na região. Agora, sem sociedade mista e com o Lady of Mann de regresso à ilha de origem, previsto para o próximo dia 12, resta à Porto Santo Line procurar uma alternativa para garantir a frequência e regularidade das viagens, não só de passageiros como de mercadorias, entre o Funchal e o Porto Santo. Até lá, navegará o Pátria ou, enquanto não surgiram os tão desejados compradores, os velhos Independência e Pirata Azul -- colocados pelo Governo à disposição de um concessionário privado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-60548">
<P>
Piloto português em recuperação</P>
<P>
Lamy espera nova operação</P>
<P>
Pedro Lamy terá de ser submetido a nova operação cirúrgica para corrigir as lesões nas pernas e nos joelhos, provocadas pelo acidente que sofreu na terça-feira, quando testava o seu Lotus-Honda no circuito britânico de Silverstone, afirmaram ontem os médicos do Hospital Geral de Northampton, onde o piloto português está a ser assistido. Lamy foi operado pela primeira vez logo após entrar no hospital -- uma intervenção que durou mais de três horas.</P>
<P>
O chefe da equipa médica que assistiu ao jovem piloto (com apenas 22 anos) considerou a operação «bem sucedida» e adiantou que a segunda intervenção poderá realizar-se ainda esta semana. Depois, Lamy terá de passar por um longo período de recuperação, embora os prazos já adiantados (entre as seis semanas e os dois anos) sejam ainda muito falíveis e dependentes da própria capacidade de recuperação do jovem piloto português. O médico que o assistiu referiu mesmo que Lamy «não vai ter problemas para continuar a sua carreira».</P>
<P>
Em declarações à TSF, ontem de manhã, Pedro Lamy -- que se encontra acompanhado pela família, que partiu para Inglaterra logo que tomou conhecimento do acidente -- negou qualquer intenção de deixar a Fórmula 1: «Não, não tenciono abandonar a competição.» O piloto português, ainda com muitas dores nas pernas, adiantou que um elemento da equipa Lotus lhe teria dito que o acidente se deveu ao facto de se ter partido «a asa traseira do carro».</P>
<P>
A equipa britânica ainda não divulgou as causas oficiais do despiste e adiou para hoje uma declaração sobre o assunto e sobre a participação no GP de Espanha, cujos primeiros treinos decorrem já amanhã no circuito de Montmeló (Barcelona). Tendo em conta o local do acidente, uma pequena recta entre as curvas Abbey e Bridge, ganham consistência as hipóteses que apontam como razões prováveis uma falha mecânica ou a perda de aderência devido à chuva -- até porque o carro estava de acordo com os novos regulamentos, que impõem uma redução dos apoios aerodinâmicos na ordem dos 25 por cento.</P>
<P>
Reunião de pilotos</P>
<P>
O acidente de Pedro Lamy provocou uma nova onda de reacções contra as alterações aos regulamentos impostas pela FIA e aceites com relutância -- mas por unanimidade -- pelas equipas de F1. Mark Blundell (Tyrrell) e Martin Brundle (McLaren), que testaram os seus carros modificados durante esta semana na pista de Silverstone, dizem que as alterações não melhoraram as condições de segurança, sobretudo com a pista molhada.</P>
<P>
Blundell deixa isso claro: «Não quero dizer que estes carros sejam agora mais perigosos, mas também não são mais seguros. São 3,5 segundos mais lentos por volta, mas não são mais seguros. Em Barcelona vão estar algumas equipas que não deram uma única volta até sexta-feira e não acredito que isso seja tornar a F1 mais segura.»</P>
<P>
Já Brundle mostra-se preocupado com as altas velocidades que os carros continuam a atingir: «As velocidades máximas são as mesmas e chega-se à área de travagem à mesma velocidade, pelo que é preciso pensar no que pode acontecer se alguma coisa correr mal. É por isso que eu gostaria de ver uma redução na potência junto com estas alterações.» E acrescenta: «Todas as manhãs nos vem à cabeça a mesma pergunta -- quem vai ser o próximo?»</P>
<P>
Hoje, os pilotos reúnem-se em Barcelona, no âmbito da GPDA (associação de pilotos reactivada no Mónaco), e poderão tomar uma posição mais dura em relação às alterações introduzidas nos «seus» carros. Para amanhã, está prevista uma sessão de treinos extraordinária, às 8h30, a última oportunidade para as equipas testarem os seus monolugares modificados.</P>
<P>
Ontem, começaram também a ser analisados os destroços dos carros de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, mortos durante o GP de S. Marino. Os exames, indispensáveis na sequência do inquérito promovido pela justiça italiana, estão a ser realizados na presença do procurador Maurizio Passarini, oito conselheiros, advogados e peritos das equipas Williams e Simtek, do projectista Patrick Head e do responsável pelo circuito de Ímola (Itália), Federico Bendinelli.</P>
<P>
Ainda ontem, a Simtek anunciou que o piloto italiano Andrea Montermini, de 29 anos, vai substituir Ratzenberger como companheiro de equipa do australiano David Brabham nos GP de Espanha e do Canadá (e possivelmente da Grã-Bretanha). Nas últimas oito provas do campeonato, o lugar será preenchido pelo francês Jean-Marc Gounon, de 31 anos, com contrato desde o início da época.</P>
<P>
A Williams-Renault, por seu turno, deve anunciar hoje o piloto que fará equipa com Damon Hill para o resto do campeonato, depois da morte de Ayrton Senna. Muitos nomes têm sido adiantados nas últimas semanas, mas a possibilidade do piloto de testes David Coulthard vir a assumir o volante do Williams-Renault nº 2 ganha consistência, sobretudo depois da recusa da Jordan em libertar o brasileiro Rubens Barrichello. Também a Lotus deve anunciar quais os seus planos para a participação no GP de Espanha, bem como e quando pretende substituir Pedro Lamy.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-82124">
<P>
Açores</P>
<P>
Mau tempo atrasa remoção do Viana</P>
<P>
As várias tentativas de remoção do pesqueiro Viana do porto da Horta, Açores, que têm vindo a ter lugar desde domingo revelaram-se infrutíferas, devido ao mau tempo, esperando-se conseguir remover a embarcação ainda esta semana.</P>
<P>
Segundo informação do capitão-tenente Carlos Garcia, da Capitania da Horta, o navio já foi afastado do local de afundamento cerca de 200 metros, encontrando-se no último cais do porto, e só o mau tempo e a falta de segurança para a equipa que procede às operações impediu que tal fosse já feito.</P>
<P>
O Viana, que se afundou em Abril na sequência de um incêndio, quando se encontrava atracado ao cais da Horta, tinha na altura por armador uma empresa de pescas de Aveiro, que declinou a responsabilidade assumindo-se somente como utilizador do navio, impossibilitando as autoridades nacionais de localizar o proprietário do pesqueiro, que ostentava a bandeira panamiana, tendo sido aberto concurso internacional para a operações de resgate. Esta operação custará ao Governo português cerca de 130 mil contos, tendo já as autoridades marítimas açorianas retirado do navio cerca de 500 toneladas de combustível, a fim de evitar a poluição da zona.</P>
<P>
O Viana será posteriormente afundado ao largo da ilha do Faial, para criar um eco-sistema marinho, a ser aproveitado pela Universidade dos Açores como laboratório para experiências sobre o desenvolvimento de espécies piscicolas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22080">
<P>
FLAVIO GOMES</P>
<P>
Enviado especial ao Estoril</P>
<P>
A nova cara da Fórmula 1 aparece hoje em Portugal. Diante de um batalhão de 400 jornalistas, Ayrton Senna veste a roupa e o carro da Williams pela primeira vez em público, no circuito do Estoril. A festança de lançamento oficial da equipe Rothmans-Williams começou ontem à noite com um coquetel para 350 pessoas num hotel do balneário que fica a 20 km de Lisboa. Hoje Senna vai para a pista para uma programação de testes prevista para terminar só no domingo. É o primeiro passo de uma caminhada rumo ao seu quarto título mundial.</P>
<P>
Ontem já se ouviu o ronco do motor Renault montado no FW15C, o modelo que venceu o campeonato do ano passado nas mãos de Alain Prost. O dia foi dedicado à gravação de imagens por três emissoras de TV e à produção de fotos que amanhã estarão estampadas nos principais jornais do mundo. Senna e seu companheiro, Damon Hill, posaram com capacete e macacões, camisetas e modelos, tudo isso estampado com a marca do cigarro inglês.</P>
<P>
O Williams que Ayrton dirige hoje é o mesmo de 93, só que sem os eletrônicos proibidos pela FIA –controle de tração e suspensão ativa, entre eles. Suas cores, no entanto, serão diferentes. Sai o amarelo da Camel e o vermelho e branco da Canon, empresas que patrocinaram o time nos últimos anos, e entram o azul e branco da Rothmans, marca que há tempos investe pesado no motociclismo e no antigo Mundial de Marcas.</P>
<P>
Não se espera nenhuma novidade técnica, nem declarações bombásticas dos dois pilotos. O novo carro da Williams só vai ficar pronto em fevereiro e não será muito diferente do modelo atual. A equipe aposta no sucesso do conjunto melhor motor-melhor piloto, aliado a um chassi que cumpre bem a função de carregar com eficiência aquele que o dirige e o propulsor que o empurra.</P>
<P>
Senna não guia um carro com suspensão convencional desde 92, mas não vai estranhar a volta das molas e amortecedores. Piloto que se adapta bem a qualquer carro, Senna pretende dedicar seus primeiros testes a conhecer a equipe, seus mecânicos, engenheiros e "modus operandi". Ele ficou seis anos na McLaren e se acostumou com o estilo de Ron Dennis. Ayrton também vai retomar o contato com a Renault, com quem fez parceria em 85 e 86, na Lotus.</P>
<P>
Ninguém espera que Senna arrebente hoje. O primeiro dia na nova equipe vai ser uma continuação da festa que começou ontem à noite. Mas, a partir de amanhã, as férias terminam. Ayrton deixou o sol de Angra pelo frio do inverno europeu com um objetivo bem claro: não se deixar surpreender numa temporada que é sua.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-89548">
<P>
Selecção divide russos</P>
<P>
Vyacheslav Koloskov, presidente da Federação Russa de Futebol, manifestou ontem o seu desagrado face à hipótese de exclusão dos «rebeldes»da selecção nacional russa, colocada pelo comité de disciplina da federação. Este comité considera que a recusa em integrar a selecção assumida por alguns jogadores russos, os quais exigem a demissão do treinador Pavel Sadyrin, viola os estatutos da federação russa e a carta da FIFA. Assim, é intenção deste órgão excluir os jogadores da selecção por dois anos e bloquear qualquer hipótese de concessão de certificados de transferência, necessários para qualquer mudança de clube. O presidente da federação contrapõe que a federação não poderá bloquear as transferências, uma vez que não tem qualquer jurisdição sobre os jogadores.</P>
<P>
Maturana critica Havelange</P>
<P>
Francisco Maturana, seleccionador nacional da Colômbia, criticou ontem a proposta do presidente da FIFA, João Havelange, de aumentar o número de equipas qualificadas para as finais dos «Mundiais» de futebol. Segundo Maturana, a ideia pode trazer alguns benefícios económicos, mas o futebol não ganhará com o aumento de 24 para 32 equipas, uma vez que esta medida tornará a competição demasiado longa, acentuando o desgaste dos jogadores.</P>
<P>
Hodgson recua no sexo</P>
<P>
O seleccionador de futebol da Suíça, o inglês Roy Hodgson, levantou a proibição total de relações sexuais aos seus jogadores durante o Campeonato do Mudo dos EUA, que se inicia a 17 de Junho, anunciou ontem o jornal helvético «Blik». «Os rapazes de Roy podem fazê-lo duas vezes», titula o «Blik», adiantando que os futebolistas da Suíça poderão receber a visita das suas companheiras duas horas depois da estreia no «Mundial'94», a 18 de Junho, frente aos EUA, e do encontro com a Colômbia, no dia 26 do mesmo mês. Hodgson tinha anunciado em Março que não permitiria que os futebolistas da Suíça tivessem relações sexuais durante a disputa do «Mundial», decisão que levantou críticas mordazes na imprensa suíça, que chegou a utilizar títulos como: «Não ao sexo, por favor, somos suíços», ou ainda: «Não ao sexo, o treinador é britânico.»</P>
<P>
Couto e Mota vencem no Brasil</P>
<P>
Os portugueses Emanuel Couto e Bernardo Mota passaram à segunda ronda do torneio de ténis de São Paulo, dotado com 25 mil dólares em prémios. Couto, repescado da fase de qualificação, derrotou o brasileiro Cassio Mota por 6-4, 6-2, enquanto Mota venceu o argentino Marcelo Ingaramo por 2-6, 6-3 e 6-2. Menos sorte teve João Cunha e Silva, cabeça-de-série nº 7, que foi afastado pelo espanhol Oscar Martinez pelos parciais de 3-6, 6-3 e 7-6 (7-3). Na próxima eliminatória, Couto vai defrontar o brasileiro Marcio Carlsson (adversário que o eliminara no «qualifying»), enquanto Mota terá pela frente o vencedor do encontro entre o brasileiro Fernando Roese e o argentino Gabriel Markus. Em pares, Couto e Mota, dupla campeã nacional, também já garantiram a passagem à segunda ronda, ao vencerem os brasileiros Marcos Hocevar e Fernando Roese por 7-6 (7-2), 6-7 (3-7) e 7-5.</P>
<P>
Recorde em ciclismo</P>
<P>
O campeão do mundo da disciplina de perseguição, o ciclista britânico Graeme Obree, bateu ontem, por cerca de três segundos, a melhor marca mundial dos 10 quilómetros, com o tempo de 11m25,88s. O feito foi concretizado durante a tentativa levada a cabo por Obree para bater o recorde do mundo da hora, no Velódromo de Queue-D'Arve, em Genebra, Suíça, conforme informaram os organizadores. Com uma partida muito rápida, o ciclista escocês renunciou aos 10 quilómetros, por motivos técnicos, da sua tentativa de ultrapassar o recorde mundial da hora, actualmente em posse do inglês Chris Boardman, com 52,720 km. A anterior melhor marca mundial (não homologada oficialmente) dos 10 mil metros já pertencia ao ciclista escocês desde 23 de Março último, e fora por ele fixada em 11m28,46s.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-39761">
<P>
Em Lisboa, por causa do PER</P>
<P>
Polícia Municipal aperta vigilância sobre barracas</P>
<P>
A construção ou ampliação de barracas no concelho de Lisboa está agora «vedada, em absoluto», devido ao compromisso assumido pela Câmara Municipal quando se candidatou ao PER - Programa Especial de Realojamento. As barracas erguidas ilegalmente serão demolidas e o custo dessa operação será pago pelo responsável pela construção, ao qual será também cobrada uma multa de, pelo menos, cem contos.</P>
<P>
É num despacho assinado no passado dia 11 pelo vereador da Habitação, Vasco Franco, que estas regras vêm estabelecidas. O autarca considera «nula qualquer autorização dada, seja a que título for» que contrarie os compromissos assinados pela Câmara quando formalizou a sua candidatura ao PER, programa lançado pelo Governo com o objectivo de acabar com as barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.</P>
<P>
As únicas obras permitidas em barracas são as que tenham a ver com a instalação e abastecimento de água ou luz e a melhoria das condições de segurança, desde que não seja aumentado o volume das construções e sempre com a autorização da Polícia Municipal.</P>
<P>
Só numa situação se permite a construção de novas barracas: quando as anteriores tenham sido destruídas ou danificadas por incêndios e mediante processo organizado pelo Serviço Municipal de Protecção Civil. As barracas que sejam desocupadas serão «demolidas de imediato», mesmo que tenham entretanto sido «objecto de posterior ocupação, a que se porá cobro através de despejo».</P>
<P>
Além das barracas, o despacho refere-se ainda a construções em alvenaria e pré-fabricadas, nomeadamente as localizadas em bairros municipais e que sejam também abrangidas pelo PER. As regras aplicam-se ainda, «por razões de justiça relativa», às barracas e construções precárias situadas em áreas abrangidas pelo Programa de Intervenção de Médio Prazo-PIMP, uma acção de realojamento lançada ainda nos anos 80, quando Nuno Abecasis era presidente da autarquia.</P>
<P>
A posição agora adoptada pelo município acaba por vir na linha daquilo que já vinha sendo seguido, designadamente na sequência de um despacho assinado pelo mesmo vereador a 21 de Fevereiro de 1990, e que - segundo o gabinete de Vasco Franco - permitiu que o aumento do número de barracas nos limites da capital fosse travado. Agora, haverá «ainda mais vigilância», acrescentou a mesma fonte. J.M.R.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-46830">
<P>
Domingo, 13</P>
<P>
· O Aeroporto Internacional de Heathrow, em Londres, é evacuado após caírem nas suas pistas três morteiros do IRA, não tendo nenhum dos engenhos explodido. Trata-se do terceiro atentado consecutivo deste movimento contra um dos mais movimentados aeroportos do mundo.</P>
<P>
· Um petroleiro e um cargueiro gregos com bandeira cipriota colidem no estreito do Bósforo, provocando mais de 20 mortos e cerca de 40 feridos e desaparecidos.</P>
<P>
· O primeiro-ministro francês, Edouard Balladur, visita as tropas do seu país destacadas na Bósnia, onde têm sido alvo da artilharia sérvia.</P>
<P>
· O SPD alemão vence, com maioria absoluta, as eleições regionais na Baixa Saxónia.</P>
<P>
· O presidente do Partido Comunista Português, Álvaro Cunhal, insiste na necessidade da «convergência das forças democráticas, nomeadamente do PS e do PCP», ao encerrar, no Porto, um comício comemorativo do 73º aniversário do partido e dos 20 anos do 25 de Abril.</P>
<P>
· O guitarrista e banjoísta Danny Barker, um dos nomes históricos do jazz1 de New Orleans, morre vítima de cancro.</P>
<P>
Segunda-feira, 14</P>
<P>
· O presidente do CDS-PP, Manuel Monteiro, envia uma «carta aberta» ao primeiro-ministro, Cavaco Silva, na qual defende que o Governo português deve exigir a definição de uma quota de pesca para Portugal «nos mares da Noruega», nas negociações de adesão daquele país à União Europeia.</P>
<P>
· O ministro das Finanças, Eduardo Catroga, indigita para o cargo de director-geral das Contribuições e Impostos José Gomes Pedro, administrador financeiro da Quimigal.</P>
<P>
· Os chefes da diplomacia da Rússia e dos Estados Unidos anunciam, durante um encontro em Vladivostok, que as duas potências se comprometem a prosseguir a cooperação para resolver, apesar das divergências, as crises nos pontos mais «quentes» do mundo.</P>
<P>
· A Grã-Bretanha rejeita uma proposta do IRA para conversações directas sobre um plano de paz para a Irlanda do Norte.</P>
<P>
· Reunião dos ministros do Trabalho e da Economia do Grupo dos Sete (G7), em Detroit, para aprovar medidas de combate ao desemprego.</P>
<P>
· O serviço municipal de protecção civil evacua 36 idosos de um lar da Rua Miguel Lupi, em Lisboa, devido às precárias condições de segurança em que o imóvel se encontra.</P>
<P>
Terça-feira, 15</P>
<P>
· A Associação de Defesa do Consumidor (Deco) promove um boicote aos pagamentos através do cartão multibanco, como forma de protesto contra a aplicação, a partir de Abril próximo, da taxa de 1 por cento sobre cada operação de pagamento efectuada com cartão de débito nos estabelecimentos comerciais.</P>
<P>
· Abílio Araújo, o dirigente da facção da Fretilin favorável à «reconciliação», assume toda a responsabilidade pela deslocação à Indonésia e a Timor-Leste de 25 timorenses, residentes em Portugal.</P>
<P>
· Dois operários morrem perto das instalações da Sogrape, em Avintes (Vila Nova de Gaia), ao procederem à colocação de tubos de água numa vala.</P>
<P>
· Futebol: o Benfica qualifica-se para as meias-finais da Taça das Taças, depois de empatar a quatro bolas, na Alemanha, frente à equipa do Bayer Leverkusen.</P>
<P>
· O piloto de Fórmula 1, Alain Prost, anuncia em Paris que vai abandonar definitivamente a competição. O condutor francês recusa assim a proposta da McLaren/Peugeot, para representar a escuderia na edição deste ano do «Mundial».</P>
<P>
Quarta-feira, 16</P>
<P>
· Os Doze e a Noruega encerram, com sucesso, as negociações para a integração do país nórdico na União Europeia, chegando a acordo no polémico «dossier» das pescas.</P>
<P>
· O Presidente da República, Mário Soares, assina o diploma que marca para dia 12 de Junho, domingo, a data da eleição dos 25 eurodeputados portugueses que terão assento no Parlamento Europeu.</P>
<P>
· As delegações do Governo e da UNITA retomam em Lusaca as negociações interangolanas de paz, após uma interrupção de cerca de uma semana.</P>
<P>
· A OLP volta a exigir protecção internacional nos territórios ocupados, num dia em que o Exército israelita fere 60 palestinianos em Hebron (Cisjordânia) e outros 30 na Faixa de Gaza, agravando a situação da segurança na região.</P>
<P>
· Futebol: o FC Porto vence, no Estádio das Antas, a equipa belga do Anderlecht, por 2-0, em jogo do Grupo B da Liga dos Campeões; o Boavista é derrotado na Alemanha pelo Karlsruhe por 1-0, sendo afastado da Taça UEFA.</P>
<P>
Quinta-feira, 17</P>
<P>
· Assinatura de um contrato entre o IGHAPE e uma empresa privada, para a construção de 395 habitações económicas em Almada.</P>
<P>
· O dirigente do Inkhata, Mangosuthu Buthelezi, ameaça com «uma guerra de libertação», caso o líder do Congresso Nacional Africano, Nelson Mandela, e o Presidente Frederik de Klerk realizem mesmo as eleições marcadas para os dias 26 a 28 de Abril, sem o concurso da organização zulu.</P>
<P>
· O Conselho de Segurança da ONU lança um apelo às duas partes do conflito angolano para que concluam rapidamente um acordo de paz e reconciliação nacional.</P>
<P>
· O presidente da câmara de Vladivostok (no extremo-oriente da Rússia), Viktor Tcherepkov, um partidário do Presidente Boris Ieltsin, é deposto pelas autoridades regionais conservadoras, que o acusam de corrupção.</P>
<P>
· Inicia-se em Versalhes, na França, o julgamento de Paul Touvier, acusado da execução de sete reféns judeus durante a II Guerra Mundial, quando era miliciano do regime de Vichy. Trata-se do primeiro processo de um francês acusado de crimes contra a humanidade.</P>
<P>
Sexta-feira, 18</P>
<P>
· O vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Pacheco Pereira, critica as tentações do discurso conservador e nacionalista ensaiado por Cavaco Silva no último tempo de antena dos sociais-democratas na RTP.</P>
<P>
· O presidente da direcção da Associação Sindical dos Trabalhadores dos Serviços Prisionais defende, face à greve de fome iniciada segunda-feira por um recluso de Caxias e secundada por mais de 98 de diversas cadeias, que uma amnistia que «ponha na rua» quatro mil presos é a «única solução com efeitos imediatos» para resolver o problema da sobrelotação dos estabelecimentos prisionais.</P>
<P>
· O primeiro-ministro muçulmano da Bósnia e o líder dos croatas bósnios assinam, em Washington, os documentos que formalizam a criação da federação croato-muçulmana para a república.</P>
<P>
· O rei zulu Goodwill Zwelithini proclama a soberania de um estado zulu na África do Sul, anuncia a ruptura das negociações com Pretória, confirma o boicote das eleições na região do Natal e apela aos seus milhões de compatriotas para que defendam a sua nação contra a reincorporação na África do Sul.</P>
<P>
Sábado, 19</P>
<P>
· Inicia-se no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, a primeira Convenção Nacional do Partido Socialista, marcada com um discurso pró-federalista do presidente do partido, Almeida Santos, e com fortes críticas aos «magros resultados» da «democracia de sucesso» do PSD.</P>
<P>
· O primeiro-ministro, Cavaco Silva, e o líder da bancada social-democrata na Assembleia, Duarte Lima, encerram as Jornadas Parlamentares do PSD, no Centro Cultural de Belém.</P>
<P>
· O Presidente da República, Mário Soares, de visita ao Brasil, participa na sessão de abertura do IV Encontro Nacional das Comunidades Luso-Brasileiras, em Curitiba, capital do estado brasileiro do Paraná.</P>
<P>
· A polícia italiana detém dois magistrados sicilianos acusados de corrupção por mafiosos arrependidos.</P>
<P>
· Abertura oficial da Feira Popular de Lisboa, assinalada com um festival de folclore, música e cantares tradicionais das casas regionais sediadas na capital.</P>
<P>
· Realiza-se o programa «Lisboa Cidade Desportiva», organizado pela Câmara Municipal de Lisboa e inserido no Ano Internacional do Desporto e do Ideal Olímpico, sob a égide da Assembleia Geral da ONU.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-38036">
<P>
África do Sul</P>
<P>
Mandela homenageia a acção das igrejas</P>
<P>
As igrejas cristãs foram as destinatárias, ontem, de uma vibrante homenagem de Nelson Mandela, que o novo parlamento multirracial designará hoje na Cidade do Cabo como o primeiro Presidente negro da África do Sul.</P>
<P>
Mandela, cujas palavras foram também para os religiosos muçulmanos, judeus e hinduístas, pronunciou o elogio perante milhares de pessoas, de todas as raças, reunidas no estádio FNB, situado entre Joanesburgo e o Soweto, numa «jornada de acção de graças» promovida por todas as igrejas cristãs sul-africanas.</P>
<P>
«Há uma única força que, nos momentos mais graves da repressão, nunca esqueceu as pessoas atrás das grades das prisões, e essa força é a Igreja», disse o líder do Congresso Nacional Africano (ANC), num ambiente caracterizado pelo repórter da AFP como «de grande ecumenismo».</P>
<P>
Nelson Mandela fez a sua entrada no estádio já como um verdadeiro chefe do Estado, dentro de uma limusina negra, de vidros recolhidos, sob a ovação de milhares de negros e brancos.</P>
<P>
Pouco antes, como medida de precaução, um helicóptero da polícia fizera alguns voos de reconhecimento sobre o campo de futebol, perfeitamente apinhado de sul-africanos em festa.</P>
<P>
Depois de ter evocado a «crueldade do apartheid», Mandela sublinhou que o seu movimento foi sempre contra «um sistema de repressão e nunca foi hostil a qualquer comunidade em particular».</P>
<P>
Um dos momentos altos do encontro foi quando o Presidente exclamou: «Esqueçamos o passado, apertemos as mãos uns dos outros. O tempo chegou para que mulheres e homens, negros, mestiços, indianos e brancos, anglófonos e afrikaners, digam que somos um só povo, um só país».</P>
<P>
Pouco antes, o Prémio Nobel da Paz e arcebispo anglicano Desmond Tutu, presidira a uma cerimónia simbólica de reconciliação, rodeado de representantes de duas dezenas de igrejas, incluindo as igrejas afrikaners.</P>
<P>
Plena de emoção, a voz de Desmond Tutu subiu de tom até começar a gritar, convidando a multidão a que repetisse com ele: «Somos livres, todos, brancos e negros. Somos os filhos de Deus com as cores do arco-íris». Depois, pediu à assistência que trocasse abraços e votos de paz, o que foi feito no meio de grande emoção.</P>
<P>
Da prisão à Presidência</P>
<P>
Mas hoje é que é o dia adiado, o dia em que o antigo penitenciário da cadeia de Robben Island, onde esteve grande parte dos 27 anos em que esteve preso, se tornará o primeiro Presidente negro da história do país, depois da vitória do ANC (62,65 por cento dos votos) nas primeiras eleições multirraciais da África do Sul.</P>
<P>
A eleição de Nelson Mandela, 75 anos, será feita na sessão inaugural do novo Parlamento, e será o tiro de partida para um período de cinco anos de partilha do poder. Depois, haverá novas eleições.</P>
<P>
Os novos deputados reunir-se-ão na Cidade do Cabo. Às 13h00 locais (mesma hoje em Lisboa), Mandela, já eleito, pronunciará o seu primeiro discurso presidencial, na praça da Grande Parada.</P>
<P>
Amanhã, terça-feira, em Pretória, Mandela será investido na presença de uma multidão calculada em mais de 150 mil pessoas, de 42 chefes de Estado e de Governo, entre 1200 convidados especiais entre os quais o vice-Presidente dos Estados Unidos, Al Gore, a mulher do Presidente Bill Clinton, Hillary, o chefe da Organização Para a Libertação da Palestina, Yasser Arafat, o Presidente de Israel, Ezer Weizman, o secretário-geral da ONU, Butros Butros-Ghali.</P>
<P>
Winnie Mandela, a ex-mulher do líder do ANC, não estará entre os convidados. O próprio Nelson Mandela quis assegurar-se que ela não estaria presente, apurou a AFP. O casal separou-se há dois anos na sequência da condenação de Winnie pela rapto de sete jovens negros.</P>
<P>
Mandela passou o fim-de-semana a transmitir mensagens de unidade e de paz às diferentes comunidades religiosas. Uma delas: «As aves de mau-agoiro anunciavam que se o ANC ganhasse as eleições, os negros agiriam como selvagens e atacariam os brancos. Nada disso aconteceu, porque o ANC está comprometido em servir todo o povo desta nação», explicou.</P>
<P>
Para governar, o ANC dispõe de 252 lugares no parlamento, de 400 lugares, contra 82 do Partido Nacional, do seu antecessor Frederik de Klerk, e 43 do Partido da Liberdade Inkhata (IFP), do seu rival negro Mangosuthu Buthelezi. Cinco outros pequenos partidos partilham entre si os lugares restantes.</P>
<P>
O ANC governa ainda as assembleias de sete das nove províncias do país, entre as quais a da região de Joanesburgo, o centro económico da África do Sul. Apenas lhe escaparam as províncias do Cabo Ocidental, para o Partido Nacional, e o Natal-Kwazulu, onde o Inkatha venceu.</P>
<P>
Mandela já nomeou 16 ministros do ANC, na sua maioria veteranos do movimento, e escolheu o presidente nacional do partido, Thabo Mbeki, para seu vice-Presidente e, na prática, chefiar o Governo. O segundo vice-Presidente será Frederik de Klerk, que o libertou depois de 27 anos de prisão e que, com ele, partilhou o Prémio Nobel da Paz.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30005">
<P>
Tchetchenos derrubam avião russo</P>
<P>
Oposição a Dudaiev condena Moscovo</P>
<P>
COMBATENTES tchetchenos abateram ontem um avião russo SU-25 nas imediações de Grozni, enquanto o principal organismo de oposição ao Presidente separatista Djokhar Dudaiev condenava as tropas de Moscovo por «bombardeamentos bárbaros e sem sentido» a bairros habitados por civis.</P>
<P>
A estação independente de televisão NTV mostrou partes da fuselagem e das turbinas enegrecidas do SU-25 espalhadas por um campo cinco quilómetros a sueste de Grozni, a capital da República do Cáucaso que em 1991 proclamou a independência.</P>
<P>
Anteriormente os tchetchenos já haviam sido capazes de derrubar helicópteros russos, mas agora foi a primeira vez em que abateram um caça.</P>
<P>
Na sexta-feira aparelhos daquele tipo haviam efectuado pelo menos quatro raides na mesma zona, atingindo alguns quarteirões do sueste da cidade, numa tentativa de ajudar as forças terrestres russas a fazer uma avançada decisiva.</P>
<P>
Apesar de suplantados em número e mal armados, os combatentes da Tchetchénia têm resistido eficazmente aos russos a partir das caves e dos becos de Grozni, frustrando assim os planos do Kremlin para se apossar por completo da cidade.</P>
<P>
Já quase dois meses passados sobre a decisão moscovita de esmagar as tentativas de independência daquela que apenas é considerada uma República Autónoma no âmbito da Federação Russa, os guerrilheiros locais ainda controlam bairros da capital regional, a sul e a sueste do rio Sunja.</P>
<P>
O Conselho Provisório, principal oposição interna a Dudaiev, apoiada por Moscovo, acusou ontem os militares russos de saquearem, matarem pessoas inocentes e efectuarem bombardeamentos cruéis a cidadãos pacíficos que não têm hipótese de deixar Grozni.</P>
<P>
O Conselho, de que o Presidente Boris Ieltsin decerto gostaria de se servir, acabou por dizer que o comportamento das tropas russas levou muitos tchetchenos, que acatavam anteriormente a política do Kremlin, a pegarem em armas e a juntarem-se à guerrilha que defende Dudaiev.</P>
<P>
A guerra já causou milhares de vítimas -- entre elas quatro jornalistas mortos e 11 feridos -- e minou o apoio interno a Ieltsin e esfriou a simpatia de que gozava aos olhos ocidentais. O ministro britânico da Defesa, Malcolm Rifkind, afirmou ontem que a União Europeia não irá estreitar laços com a Rússia enquanto esta continuar com a sua actividade militar na Tchetchénia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-65902">
<P>
Free-Lance para a Folha</P>
<P>
O ambiente gráfico da Microsoft deu tão certo na vida do usuário que já está instalado em 40 milhões de computadores em todo o mundo. Na esteira de seu sucesso veio uma vasta literatura, que fatura alto em cima do programa "Windows".</P>
<P>
Prova disso são os inúmeros livros lançados no mercado editorial, abordando desde a utilidade do 'Windows" até dicas para melhorar a performance do micro. Mesmo sendo um software com interface amigável e intuitiva, sempre há inúmeras formas de conseguir atalhos para abrir um programa, como o seu processador de textos, planilha eletrônica ou banco de dados.</P>
<P>
Os livros acabam sendo a melhor maneira de descobrir como estabelecer um forte laço de amizade com o "Windows 3.1". A seguir, confira algumas publicações que podem facilitar a sua vida de usuário.</P>
<P>
"Windows para Iniciantes": ed. Campus, 214 pág.: com linguagem simples e direta, ensina o leigo, ao longo de 17 capítulos, desde os primeiros passos até a personalização de grupos de aplicativos.</P>
<P>
"Vodoo WIndows Dicas e Truques": ed. LTC, 218 pág.: o nome já indica seu objetivo. Com texto curto, inclui ainda ilustrações que facilitam a visualização de comandos na versão 3.1 do "Windows".</P>
<P>
"Windows 3.1 para Leigos": ed. Berkeley, 302 pág.: texto curto e bem-humorado com 23 capítulos. Desmistifica o programa, ensinando desde comandos básicos até como recuperar arquivos perdidos em diretórios.</P>
<P>
"Windows 3.1 série Rápido e Fácil": ed. Campus, 196 pág.: usa lições ilustradas para conduzir o leitor pelas janelas do programa. Após o término de cada tarefa, há uma revisão geral para checar o aprendizado do usuário.</P>
<P>
"Windows 3.1 Guia Rápido Visual": ed. Berkeley, 182 pág.: em seis capítulos, o leitor conta com todas as ferramentas para aprender a transitar pelas "janelas". O ponto forte são as ilustrações, uma vez que o texto funciona como apoio. (MZ)</P>
<P>
ONDE ENCONTRAR</P>
<P>
BOOKWARE: tel. (011) 257-6598; CULTURA: tel. (011) 285-4033; TEMPO REAL: (011) 289-3321</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70626">
<P>
Da Sucursal do Rio</P>
<P>
A juíza Maria Luísa Freitas Carvalho, da 2.ª Vara Criminal de Itaguaí (RJ), determinou ontem a prisão temporária de Édson Pereira Queiroz, 34, a pedido do delegado Irineu Barroso, da 50.ª DP. Ele é acusado de mandar matar sua mulher Isabel Cristina Quintino, 35, na madrugada do último dia 15 de agosto. Ela recebeu oito tiros após ter sido sequestrada com o marido na saída de um restaurante.</P>
<P>
A denúncia contra Queiroz foi feita na última terça por Elison Mendes, o "Russo". Em depoimento à Divisão de Roubos e Furtos (DRF), "Russo" confessou a autoria dos disparos contra Isabel, junto com outro companheiro, chamado Marquinhos, que está foragido.</P>
<P>
Russo disse que denunciou o mandante porque não recebeu o pagamento combinado –CR$ 500 mil e uma moto. Ele estava preso na 49.ª DP por participação num sequestro.</P>
<P>
Segundo a polícia, Queiroz confirmou ter sido o mandante do crime. Apesar disso, segundo o delegado, sua mulher não acreditava na culpa do marido.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-87463">
<P>
O país acordou este ano para uma das mais antigas, disseminadas, penosas e lentas formas de morte –a fome. A campanha nacional para diminuir essa tragédia procura aumentar a consciência dessa vergonha. Mas que não se esqueçam outras indignidades, igualmente revoltantes. É quase tão urgente uma campanha contra a violência –a indignação nacional contra as mortes mais cruéis é quase sempre passageira.</P>
<P>
Seja às dezenas, em chacinas ou acidentes de trânsito, seja solitariamente estúpida, por causa de um par de tênis, seja terrorista, em um sequestro, a morte aos poucos parece deixar de ser uma tragédia. Menos para as famílias dos que foram dizimados sem sentido. E este ano, mais uma vez, eles foram muitos.</P>
<P>
Foram dizimados os meninos da Candelária e os moradores de Vigário Geral. A polícia continuou responsável por boa parte dos homicídios. No Rio, o comando da PM teve que ser submetido a uma "operação limpeza" devido ao suposto envolvimento de membros da corporação com grupos de extermínio. E nem ao menos se está seguro da extensão da carnificina. Esta Folha mostrou que as estatísticas oficiais sobre as mortes omitem até 50% dos homicídios cometidos na cidade de São Paulo, muitos deles com envolvimento de policiais.</P>
<P>
Dois acidentes aparentemente casuais na estrada da morte, a BR-116, deixaram seis dezenas de vítimas fatais. Mas não podem ser considerados casuais fatos que se repetem há anos –a rodovia e a imprudência nacional ao volante são historicamente assassinos.</P>
<P>
Já foi dito que quando a eliminação de uma vida deixa de ser considerada trágica é sinal de que a vida mesma se tornou também uma tragédia. E a reversão deste quadro tem que começar por aí: garantir que o dia-a-dia dos brasileiros seja mais seguro. Que se possa estar seguro em casa e de poder voltar para ela sem o medo constante de ser raptado, fuzilado ou atropelado. Que as pessoas tenham a segurança de poder dispor ao menos de uma tigela de comida e de um médico que lhes atenda ou lhes dê uma vacina. Que não se morra por negligências estúpidas e perfeitamente evitáveis. Que cada morte antes do período normal e natural seja sentida como algo extraordinário.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-66728">
<P>
Água baixou na pateira de Fermentelos</P>
<P>
Da emergência ao alívio</P>
<P>
Depois de uma situação de emergência vivida no passado dia 7 na pateira de Fermentelos, concelho de Águeda, em consequência da subida do nível das águas -- de resto, uma ocorrência a que os habitantes da zona já estão habituados sempre que o índice de pluviosidade aumenta --, registou-se ontem uma sensível diminuição na altura, que chegou aos dois metros.</P>
<P>
No estabelecimento hoteleiro que se situa numa das margens, as águas inundaram por completo a cave, não havendo estragos de grande monta a registar. Curiosamente, e ao contrário do que era sugerido em alguns órgãos de comunicação social, não terá havido, na opinião dos residentes, situação de «emergência», chegando mesmo a considerar que as cheias de Outubro passado foram seguramente mais preocupantes.</P>
<P>
No entanto há registos de alguns problemas na circulação automóvel junto à pateira -- de noite, e porque a estrada se encontrava submersa e com algas flutuantes, alguns automobilistas foram vítimas de ilusão óptica e ficaram imobilizados, tendo que ser removidos a reboque.</P>
<P>
Noutras zonas igualmente afectadas pelas inundações no distrito de Aveiro, regressa-se muito lentamente à normalidade. Em Canelas, Estarreja, há a registar o desaparecimento dum agricultor nos campos inundados quando tentava sozinho salvar um animal encurralado. Amanhã, elementos do Batalhão de Sapadores de Bombeiros de Coimbra irão iniciar as buscas do corpo.</P>
<P>
Fontes da Câmara Municipal de Estarreja consideram estas as cheias mais graves desde 1954. As zonas rurais baixas de Canelas, Salreu, assim como a ponte sobre o rio Antuã e a estrada que liga a freguesia de Pardilhó a Avanca, foram alguns dos pontos principais de inundação, e as mesmas fontes admitem ainda que a maior parte das culturas agrícolas semeadas estarão definitivamente perdidas. Uma das prioridades futuras para a edilidade de Estarreja será a regularização do rio e posteriormente a construção dum dique junto da ponte do Antuã.</P>
<P>
João Carlos Marques</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75083">
<P>
Uma prioridade chamada Casal Ventoso</P>
<P>
A «Operação Integrada de Reconversão do Casal Ventoso» foi ontem assumida por Jorge Sampaio, presidente da Câmara d Lisboa, como um projecto de grande importância para a cidade, dedicando-lhe uma parte significativa do seu discurso. Para a concretização do plano vai ser decisiva a selecção, no final do mês passado, da candidatura daquela zona da capital ao programa Urban da União Europeia, que será apresentada em Bruxelas pelo Ministério do Planeamento e Administração do Território.</P>
<P>
Tendo como base os suportes financeiros do Urban, cerca de 3,5 milhões de contos, do programa de reabilitação urbana Recria, e do Plano Especial de Realojamentos, a Câmara definiu já os traços gerais das acções integradas a desenvolver no Casal Ventoso, ao longo de cinco anos, com a participação da administração central e local. Assim, está prevista a construção de uma zona residencial adjacente ao actual bairro, para o realojamento de famílias que estejam mal alojadas; a transformação de espaços que venham a ser libertados em jardins, praças e outros; a reabilitação do parque habitacional existente e o desenvolvimento de equipamentos colectivos de educação, saúde e desporto.</P>
<P>
A Câmara pretende, ainda, intensificar acções sociais tendentes ao enraizamento dos jovens, à protecção social das mulheres e idosos e à prevenção da toxicodependência. A remodelação da rede viária local, o reforço do saneamento básico e do abastecimento de energia eléctrica são outras propostas. Por fim, a autarquia defende para o Casal Ventoso o lançamento de programas para a reinserção da população residente, através da criação de emprego, educação e formação profissional, para que seja eliminada «a economia paralela ligada ao tráfico e consumo de drogas». G. P.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75628">
<P>
131 mortos na queda de um Boeing em Pittsburgh</P>
<P>
Um Boeing 737 da companhia aérea USAir despenhou-se, na noite de quinta-feira, no aeroporto internacional de Pittsburgh provocando a morte das 131 pessoas que se encontravam a bordo. O coordenador das operações de socorro no local disse que «foram efectuadas buscas aprofundadas em toda a zona do acidente e não se encontraram quaisquer sobreviventes» entre os 126 passageiros e os cinco membros da tripulação.</P>
<P>
O voo 427, com proveniência de Chicago, dirigia-se para West Palm Beach, na Florida. Despenhou-se pouco antes da aterragem num descampado perto de um centro comercial e de uma auto-estrada movimentada a nordeste de Pittsburgh.</P>
<P>
«Nós vimos o avião a passar por cima de nós a baixa altitude», declarou, à cadeia de televisão CNN, uma moradora que vive a 800 metros do local do acidente. Segundo ela, o barulhos dos motores parou bruscamente e «o avião mergulhou em direcção ao solo onde se despenhou e explodiu».</P>
<P>
Uma enfermeira que foi das primeiras pessoas a chegar ao local do acidente, disse ter visto «corpos despedaçados que pendiam das árvores. Havia restos humanos por todo o lado». Godich sublinhou que não viu um único cadáver intacto, a não ser o de uma menina de três ou quatro anos.</P>
<P>
O coordenador das operações de socorro declarou que já foi encontrada a caixa negra do avião, onde estão registadas todas as conversas entre os pilotos e as informações sobre o modo como decorreu o voo. A análise desses dados deverá esclarecer a causa do acidente mas por enquanto esta ainda não é conhecida e as investigações podem vir a durar semanas.</P>
<P>
Segundo um porta-voz do aeroporto, a torre de controlo perdeu o contacto via rádio com o bimotor quando este se encontrava a 1.818 metros de altitude, a uma dezena de quilómetros das pistas de aterragem do aeroporto de Pittsburgh.</P>
<P>
Este é o quinto acidente aéreo da companhia USAir, nos últimos cinco anos. O acidente anterior ocorreu a 2 de Julho quando um DC-9 se despenhou quando tentava aterrar durante uma tempestade, na Carolina do Norte. Morreram 37 das 57 pessoas que se encontravam a bordo.</P>
<P>
Colisão aérea na Rússia</P>
<P>
Uma colisão em pleno voo entre dois aviões que,ontem, efectuavam um treino, provocou a morte das oito pessoas que seguiam num dos aviões. A colisão deu-se entre um Tupolev TU-134, que se despenhou a cerca de 50 quilómetros de Moscovo, e um Tupolev TU- 122 que consegui fazer uma aterragem de emergência no aeródromo de Joukovski. Apenas foram encontrados quatro corpos, mas as autoridades continuam as buscas.</P>
<P>
Também na Rússia, esta colisão vem juntar-se a uma série de acidentes aéreos que ocorreram este ano, incluindo três desastres graves na Sibéria que provocaram mais de duzentos mortos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-90840">
<P>
Senna levou os foguetes mas foi Schumacher a festejar. A abertura do «Mundial» de Fórmula 1, ontem, no Brasil, deixou o samba sem sambódromo e uma tamanha decepção só comparada ao elevado ritmo cardíaco de Ayrton Senna após um pião que deixou todo um país desconsolado. Se Schumacher na altura já dominava, mais descansado ficou, concluindo com uma vantagem imensa sobre Damon Hill. Afinal, o Williams-Renault não provou ser o melhor em Interlagos. Mas deste lado do Atlântico outros corações bateram... e por Pedro Lamy. O jovem de Torres Vedras fez um vistaço para paulista apreciar, finalizando o seu primeiro Grande Prémio após quatro insucessos e concluindo na 10ª posição. Fez uma corrida serena, para terminar, e no final sentiu um certo orgulho em ter ficado à frente do seu grande rival OIiver Panis, para quem perdeu o título de F3000.</P>
<P>
Temporada de Fórmula 1 começa com surpresa no Brasil</P>
<P>
Senna deitou os foguetes mas Schumacher fez a festa</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Manuel Abreu em São Paulo</P>
<P>
Ayrton Senna dominou todos os treinos para o Grande Prémio do Brasil em F1 e os seus fãs já tinham preparado a festa para celebrar a sua primeira vitória com a Williams-Renault. Só o piloto brasileiro parecia alertado para as possibilidades de Michael Schumacher. Com uma corrida sem erros, o alemão levou o seu Benetton Ford ao primeiro lugar, deixando Hill e Alesi a uma volta.</P>
<P>
O alemão Michael Schumacher venceu ontem o Grande Prémio do Brasil em Fórmula 1, o primeiro da temporada de 1994, contrariando todas as previsões, que apontavam o brasileiro Ayrton Senna como grande favorito para esta prova. Senna acabou por desistir, depois de um pião, mas nessa altura já Schumacher detinha uma vantagem considerável e dificilmente perderia a corrida.</P>
<P>
O segundo lugar foi assegurado pelo britânico Damon Hill (Williams-Renault), cabendo o terceiro posto ao francês Jean Alesi (Ferrari), ambos a uma volta do vencedor.</P>
<P>
Alesi foi o melhor a reagir ao sinal verde, partindo muito bem e colocando-se no segundo lugar, logo atrás de Senna, que detinha a «pole position». Para trás ficava Schumacher, mas só até à segunda volta, quando ultrapassou definitivamente o francês, após uma luta renhida durante o primeiro «giro». Senna aproveitava esta luta para abrir uma vantagem de quatro segundos, enquanto atrás de si aconteciam as primeiras desistências.</P>
<P>
Gerhard Berger (Ferrari) entregou o seu carro aos mecânicos com apenas cinco voltas percorridas, encerrando um fim-de-semana completamente azarado. O piloto austríaco nunca dispôs de um carro em boas condições neste GP (saiu mesmo do 15º lugar da grelha). Aliás, nos momentos que antecederam a corrida, os dois Ferrari tinham problemas graves, de tal forma que Alesi decidiu utilizar o carro de reserva. Ainda nas primeiras voltas abandonaram Morbidelli (Footwork-Ford), Beretta (Larrousse-Ford) e Gachot (Pacific-Ilmor), estes dois últimos após se terem envolvido num acidente que deixou alguns destroços na pista.</P>
<P>
Com o decorrer da prova começavam a definir-se as primeiras posições, com Schumacher a aumentar o seu ritmo e a aproximar-se de Senna. O português Pedro Lamy ocupava então (7ª volta) o 19º lugar, rodando no segundo 24, sendo cerca de um segundo mais lento do que o seu companheiro de equipa Johnny Herbert, que estava no 16º posto. Os dois primeiros eram então cerca de dois segundos mais rápidos do que os seus principais adversários -- à 13ª volta, Alesi estava já a 22s, enquanto Hakkinen abandonava com problemas mecânicos no seu McLaren-Peugeot.</P>
<P>
Com 20 voltas percorridas, já seis pilotos tinham deixado a pista e Hans-Harold Frentzen (Sauber-Mercedes), que tinha sofrido um ligeiro despiste, rodava já com quatro voltas de atraso em relação aos primeiros. Beneficiando destes abandonos e atrasos, Lamy subiu ao 16º lugar, enquanto procurava encontrar o seu melhor ritmo de prova. Schumacher estava então «colado» a Senna, acabando por o ultrapassar quando ambos decidiram fazer a sua primeira paragem nas «boxes». Entre os 12 pilotos que terminaram a corrida, só Lamy e Hill pararam uma única vez.</P>
<P>
Desde que passou para o comando, o piloto alemão não mais deixou que o brasileiro se aproximasse. Mark Blundell (Tyrrell-Yamaha) também abandonava por despiste e Lamy conseguia a sua segunda ultrapassagem (o primeiro tinha sido Beretta), deixando para trás Olivier Panis, o seu grande rival do ano passado na Fórmula 3000 -- campeonato ganho pelo francês, com o português em 2º lugar --, ocupando então o 14º posto na corrida.</P>
<P>
Com 36 voltas percorridas, Lamy efectuou a sua única paragem na «box», para reabastecimento e troca de pneus, enquanto na pista acontecia um espectacular acidente que colocou quatro pilotos fora da corrida. O estreante Jos Verstappen (Benetton-Ford) tentava ultrapassar o também novato Eddie Irvine, que por sua vez seguia atrás do «rookie» Eric Bernard (Ligier-Renault), ainda atrás do britânico Martin Brundle (McLaren-Peugeot). Quando Verstappen passava, Irvine tentou ultrapassar Bernard, tocando no carro do holandês quando seguiam a mais de 250km/h. Com o choque, o Benetton de Verstappen levantou voo, «aterrando» sobre os carros que seguiam à sua frente.</P>
<P>
Segundo Bernard, terá sido uma travagem antecipada por Brundle que deu início ao acidente, em que a culpa maior pertenceu a Irvine. Azar para Brundle, que nada tinha a ver com aquele assunto e acabou também fora da corrida. Segundo os comissários da prova, o culpado de «condução perigosa» foi Irvine, que está suspenso para o próximo Grande Prémio (GP do Pacífico, a 17 de Abril, no Circuito de Aida, Japão) e terá de pagar uma multa de dez mil dólares (cerca de 1700 contos). Esta decisão está dependente de recurso.</P>
<P>
Já com mais de 45 voltas percorridas, só Schumacher e Senna estavam na mesma volta e apenas 13 carros se encontravam na pista. Os dois pilotos da frente fizeram então a sua segunda paragem nas «boxes», mas Senna não conseguia encontrar maneira de diminuir a distância que o separava do piloto alemão, então a rondar os oito segundos. Na volta 56 tudo se definiu, com Senna a fazer um pião à entrada para a curva da junção e a deixar o motor ir abaixo.</P>
<P>
Com o coração acelerado, o brasileiro tricampeão mundial abandonou a prova. Quase imediatamente, milhares de espectadores começaram a abandonar o circuito, frustrada que estava a sua expectativa de comemorarem mais uma vitória «verde-amarela», que deveria ser a primeira na caminhada de Senna para o «tetra».</P>
<P>
Na sequência deste abandono, Lamy passou para o 10º lugar, conseguindo entrar para o «top ten» na sua quinta corrida na Fórmula 1, a primeira que conseguiu terminar -- não sem alguma emoção, pois teve de controlar o ataque do seu velho adversário Panis nas últimas voltas. Algo que Karl Wendlinger (Sauber-Mercedes) não conseguiu perante o ataque de Ukio Katayama (Tyrrel-Yamaha), cedendo o quinto lugar ao piloto japonês.</P>
<P>
No fim da prova, não houve festa nas bancadas nem o samba tomou conta da pista. De forma mais discreta, as comemorações passaram para a «box» da Benetton, onde se sucedia a abertura de garrafas de champanhe. No Brasil, Schumacher deixou claro que o título deste ano ainda não pertence a Ayrton Senna.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-91343">
<P>
Em Março, o total dos desempregados portugueses atingiu o limiar dos 400 mil</P>
<P>
Estão a perder-se quatro empregos por hora</P>
<P>
Carlos Dias e Vítor Simões</P>
<P>
Apesar do optimismo do Governo, o desemprego continua galopante em Portugal. Não escolhe sexo, idade ou habilitações e começa a criar tensões no tecido social. As suas razões de ser são complexas e prendem-se quer com a conjuntura internacional, quer com dificuldades internas. À sombra dos números preocupantes ficam os desempregados, cujo drama se agrava diariamente.</P>
<P>
Quatro portugueses perdem o seu emprego a cada hora que passa. Os números do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP) referentes a Março colocam os desempregados no limiar dos 400 mil. A tendência para que continuem a aumentar é reconhecida pelo próprio ministro Falcão e Cunha, que contrapõe com o aumento das ofertas de emprego e com a segunda menor taxa de desemprego na União Europeia(UE). Esquecido fica o facto de, na UE, ser Portugal o país onde o desemprego mais tem crescido nos últimos meses, com custos sociais já visíveis nas regiões mais afectadas.</P>
<P>
O psiquiatra Afonso de Albuquerque, director do serviço de terapia comportamental do hospital Júlio de Matos, confirmou ao PÚBLICO que "se regista um aumento de pessoas que sofrem de depressão acentuada pelo desemprego. É o caso de ex-funcionáros da TAP". Trata-se do "stress" de origem laboral, despoletado com a ameaça de desemprego, que leva o indivíduo a ceder a pressões para aceitar piores condições de trabalho e deste modo a agravar o seu "stress". Instalado o desemprego de longa duração, tudo se precipita: maior "stress", depressão e, em alguns casos, suicídio.</P>
<P>
Lisboa, Vale do Tejo e Alentejo registam as mais altas taxas de desemprego do país. Só na região da capital, no retrato da situação entre Dezembro de 1993 e Fevereiro de 1994, a União de Sindicatos de Lisboa (USL-CGTP) fala de 700 empresas que encerraram ou faliram, afectando mais a metalurgia e os têxteis. Dá-se ainda conta de 16 mil postos de trabalho em perigo eminente, o que, segundo o dirigente da USL Arménio Carlos, tem criado "situações insustentáveis em termos psicológicos".</P>
<P>
De acordo com Manuel Pisco, da União de Sindicatos de Setúbal, neste distrito a situação também é grave, estando a "pagar-se a factura de não haver diversidade industrial", como atesta o caso da Renault, cujos desempregados terão dificuldade em recolocar-se. Os 37 mil novos empregos previstos pelo Governo para a região são cada vez mais uma miragem.</P>
<P>
Problema crónico</P>
<P>
No Alentejo, a crise deixou de ser cíclica para ser crónica. Além do sector agrícola (está vendida mais de metade das herdades), alastra cada vez mais no sector industrial e dos serviços. Todo o tecido económico está a registar situações de ruptura. O desemprego arrasta a fome e a emigração. Aos que ficam recebe-os o desespero, a toxicodependência, o álcool, o suicídio (aqui com a taxa mais alta da Europa).</P>
<P>
Em Fevereiro, o IEFP registou no Baixo Alentejo 12.284 desempregados. Destes só 2.741 receberam subsídio, sobretudo porque muitas das empresas não cumpriram os seus compromissos com a Segurança Social. A situação piorará com a aplicação 145/93, que prevê limitar os programas ocupacionais aos trabalhadores com direito a subsídio.</P>
<P>
Presentemente, o desemprego alastra nas famílias, que já não conseguem ser o "amortecedor" para as carências. Deste modo surgem bolsas de fome, sobretudo na classe média-baixa, até agora poupada. Muitos casais têm de se separar e regressar a casa dos pais, o que mostra até que ponto o desemprego está a desagregar o tecido social alentejano.</P>
<P>
Os vários economistas contactados pelo PÚBLICO são unânimes em considerar que este crescimento do desemprego só em parte se deve à recessão que se vive na Europa.</P>
<P>
Para José Barosa, economista da Universidade Nova de Lisboa, o nosso proteccionismo ao emprego só travou o desemprego no curto prazo, estando agora a aumentá-lo. Este especialista em questões laborais diz que "despedir em Portugal é caro para as empresas que estão no mercado há mais anos". Deste modo, ou se despedem os contratados a prazo quando já não é possível mantê-los como tal, ou se recorre à subcontratação, procedimento visível na redução dos contratos a prazo no primeiro trimestre deste ano.</P>
<P>
Luís Cunha, também da UNL, aponta para os reajustamentos estruturais da nossa economia e para a fraca mobilidade geográfica da nossa força de trabalho, devido não só à nossa mentalidade mas também à sisa, que sobrecarrega eventuais mudanças de residência.</P>
<P>
Da mesma forma pensa Rogério Amaro, economista do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, para quem a mão-de-obra nacional tem fraca formação e é incapaz de responder a um mundo cada vez mais marcado pela "grande adaptabilidade e mobilidade de funções. A ideia de ir para um emprego, aí obter a reforma, etc, está ultrapassada", começou a ser ultrapassada com a queda dos regimes comunistas. Tendo em conta o crescimento da população inactiva, vai ter que se pôr em causa a ideia de remuneração, assegurando um redimento mínimo a todo o cidadão, partilhando trabalho e desenvolvendo actividades não lucrativas, como defende o Livro Branco da Comissão Europeia.</P>
<P>
Embora reconheça que tal ainda não é possível, Rogério Amaro crê que "esta é a oportunidade de vermos o desemprego não como algo de negativo, mas como um meio de formarmos uma nova sociedade". Mas enquanto não chega esse admirável mundo novo, milhares de portugueses sofrem o drama e o estigma de terem os braços involuntariamente cruzados.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-39610"> 
<P> Reino Unido quer proibir Tintim </P>
 <P> 12/Julho/2007 · 182 Comentários </P>
 <P> A Comissão pela Igualdade Racial, do governo britânico, pediu que as livrarias interrompam a venda de Tintim na África, segundo álbum em quadrinhos de uma das séries mais populares do mundo. </P>
 <P> O livro é racista. Profundamente racista. Colonialista ao limite. Publicado em 1930, em Tintin au Congo negros são burros qual portas e são chamados de macacos. O álbum não é sequer particularmente bom: é uma obra menor na coleção ilustrada e redigida por Georges Remi, que se assinava Hergé. </P>
 <P> No Reino Unido, Tintim na África é vendido entre os livros adultos, não entre os juvenis, justamente por conta do conteúdo racista. Traz na capa um alerta. Já velho, antes de morrer, Hergé falou da obra. "Quando jovem, disse, "fui muito influenciado pelos preconceitos e estereótipos burgueses do tempo. Ele listava Tintim na África entre seus pecados de juventude. </P>
 <P> Hergé é autor de algumas das coisas mais geniais e profundas da história dos quadrinhos. Inclua-se na lista sua obra prima, Tintim no Tibete, na qual o jovem repórter embrenha-se pelas montanhas geladas na tentativa de encontrar Chang, seu amigo chinês, único sobrevivente de um acidente de avião. O livro, de 1960, é místico, orientalizado, respeitoso - tolerante e fascinado com o encontro de culturas distintas. </P>
 <P> O governo britânico não está censurando: pede que as livrarias cooperem interrompendo a venda. Tintim na África faz parte de uma coleção de 23 álbuns. Se é mais imaturo - e é - também é um retrato de como a burguesia européia via o resto do mundo nos anos 1930. </P>
 <P> Se o racismo nos incomoda hoje, se mesmo racistas envergonham-se de demonstrar o que pensam, é por conta de tragédias e lutas que, entre o Holocausto e Luther King, remodelaram nossa percepção do mundo. Esquecer que o racismo era natural há oitenta anos é desdenhar do esforço envolvido em dominá-lo. Se deixamos de ler os registros cotidianos daquele tempo - como Tintim na África -, estimulamos este esquecimento. Nenhuma obra deve ser lida ignorando a época na qual foi escrita. </P>
 <P> O intervalo entre Tintim na África e Tintim no Tibete mostra ao leitor de Hergé a mudança do autor. Certamente ele não seria lembrado se tivesse deixado apenas aqueles primeiros álbuns. </P>
 <P>Mas como cresceu entre um e outro.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-36777">
<P>
O Guadiana, as estiagens, as cheias e as barragens</P>
<P>
Manuel de Bivar Weinholtz*</P>
<P>
Estamos no final do ano de 1995 e parece que será desta vez que a construção da já célebre barragem do Alqueva irá por diante.</P>
<P>
Foi há 60 anos atrás que se iniciaram os estudos para aproveitamento integral do troço nacional do rio Guadiana, entre o Pomarão e Mourão. O projecto era ambicioso: melhoramento das condições de navegabilidade do rio até Mértola; construção de uma barragem de 110 metros de altura na Pedra (ou Rocha) da Galé, a cerca de meio caminho entre a vila e o Pulo do Lobo; construção de outra barragem cerca do limite do regolfo da barragem da Galé, a montante da Ponte de Quintos -- será agora a barragem do Alqueva?; construção de uma barragem no rio Ardila, perto da sua confluência com o Guadiana; construção de uma barragem no rio Degebe à sua foz e possivelmente outra mais a montante (da Hidráulica Agrícola); estudo da possibilidade de tornar o rio navegável até Mourão, para o que seriam construídas enclusas e sistemas elevatórios nas barragens, projecto que na altura já era considerado utópico mas que ainda entusiasmou muita gente.</P>
<P>
Os trabalhos de campo foram realizados pela Brigada de Estudos do Rio Guadiana da Direcção-Geral dos Serviços Hidráulicos e constaram, entre outros, do levantamento do rio e margens até ao nível das maiores cheias ou ao nível a atingir pelo regolfo das projectadas barragens.</P>
<P>
Quando estávamos em Mértola, assistimos a períodos de seca e também de grandes cheias. No Verão, por vezes, a estiagem era tão acentuada que a água retida pelo efeito das marés chegava a Mértola bastante salgada, mas no Inverno o rio enchia quase repentinamente e por duas ou três vezes se temeu a repetição do que aconteceu em 1876, quando a água chegou a meia altura do rés-do-chão do tribunal da vila.</P>
<P>
No Verão de 1945, há, portanto, 50 anos, fez-se o reconhecimento do troço internacional do rio, entre Mourão e a foz do Caia, para determinação do perfil longitudinal do rio em nível de estiagem e determinação das cotas das marcas indicativas das alturas atingidas pelas cheias.</P>
<P>
O rio estava praticamente seco, só um fio de água corria entre o cascalho do leito e mal chegava para manter os pegos ainda existentes. Numa manhã andámos largas centenas de metros por território «de facto» espanhol (Olivença). O leito principal estava completamente seco e uma ilha e um pego do lado espanhol tinham-nos levado ao engano.</P>
<P>
Feito o reconhecimento até à fronteira do Caia, iniciámos a descida do rio a meia encosta, nivelando as marcas deixadas nos açudes e locais singulares da margem e ainda as marcas assinalando as alturas atingidas pela água nas grandes cheias. Em certos locais, a altura era tal que dificilmente se acreditaria ter lá chegado o nível da cheia.</P>
<P>
Quando já tínhamos cerca de dois terços do percurso nivelado, começou a chover. As azenhas, já prontas a trabalhar, depois de reparadas e afinadas no período de estiagem, começaram a rodar, mas por pouco tempo. A chuva era muita e passados poucos dias já a água cobria tudo.</P>
<P>
Durante os percursos falámos com os moleiros e com o pessoal dos postos da Guarda Fiscal onde pernoitávamos. A situação de seca era considerada normal e igual à de outros Verões. Os moleiros não se alarmaram; a chuva prematura cessou -- estávamos em Setembro -- e o rio rapidamente baixou e permitiu que continuassem a trabalhar aguardando as prováveis cheias de Fevereiro ou Março.</P>
<P>
Em 1950, os trabalhos de campo estavam terminados e passámos para outros rios e, depois, para os portos e praias, não mais tendo contactos com o Guadiana, a não ser na zona portuária e na embocadura.</P>
<P>
Dos estudos realizados na mesma época em outros rios, tais como o Cávado e Rabagão, Zêzere, Tejo, etc., surgiram desde há muito as grandes barragens.</P>
<P>
O Guadiana ali está, aparentemente na mesma, só que uma seca que era considerada normal, agora, com os mesmos efeitos, é considerada uma calamidade. Os meios de comunicação levam a todo o país relatos sobre o estado do rio quase sem água ou, nalguns locais, completamente seco.</P>
<P>
Esperemos que acabe este ciclo de secas no Alentejo e aguardemos confiantes um Inverno chuvoso normal. Há 50 anos, o rio quase seco rapidamente enchia até níveis considerados habituais no Inverno e assim se conservava durante meses, aumentando de volume para além do normal uma ou duas vezes durante cada Inverno. Agora há o Plano Hidrológico Espanhol a considerar, mas tenhamos esperança de que bastante água sobrará para Portugal. Aguardemos os próximos Invernos.</P>
<P>
Alqueva é um sonho que começa a ser realidade e esperemos que chegue a bom termo.</P>
<P>
Entretanto, não nos devemos esquecer do resto da bacia hidrográfica do Guadiana abaixo do Alqueva. Se nada mais se fizer, muita água continuará a perder-se no mar e tanta que corre pelos barrancos e afluentes de regime torrencial, toda ela caída só em território português. Os naturais de Mértola bem conhecem o que é uma repentina cheia na ribeira de Oeiras. E há ainda o Ardila, cujo aproveitamento há 50 anos era considerado de muito interesse e foi um dos afluentes mais minuciosamente estudados. Haja fé!</P>
<P>
* engenheiro-geógrafo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-47206">
<P>
14 partidos sul-africanos registados</P>
<P>
PELO MENOS 14 partidos sul-africanos registaram-se até ontem à tarde para as eleições de Abril, mas entre eles não está o Inkatha, cuja Comissão Central reafirmou que não vai às urnas, por não concordar com a Constituição provisória que deverá vigorar durante os tempos mais próximos.</P>
<P>
Os 14 que estão preparados para o grande prélio vão desde o Congresso Nacional Africano (ANC), de Nelson Mandela, e do Partido Nacional, de Frederik de Klerk, até ao Keep it Straight and Simple (KISS), cuja origem, localização e plataforma são praticamente desconhecidas.</P>
<P>
Ontem à noite terminava o prazo oficial para o registo dos partidos, mas tanto o Presidente De Klerk como o ANC admitiram que algumas novas forças ainda poderão ser autorizadas a inscrever-se, designadamente as da extrema-direita, se isso contribuir de algum modo para o desejável clima de apaziguamento entre todos os sul-africanos.</P>
<P>
A Frente Popular Afrikaner (AVF), conjunto de grupos radicais, só aceita porém ir às eleições se tiver a garantia de que virá a existir um Estado autónomo governado por cidadãos de origem holandesa e francesa, cujas famílias chegaram à África Austral durante a segunda metade do século XVII. E até já propôs que esse «Volkstaat» fique em terras que pertenceram às antigas repúblicas boers de Orange e Transvaal, conforme mapa de que o PÚBLICO ontem dava uma ideia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77141">
<P>
Jovem pode ter embarcado no Rio</P>
<P>
Da Sucursal do Rio e da Reportagem Local</P>
<P>
A Infraero (Empresa de Infra-Estrutura Aeroportuária) abriu sindicância para apurar como Alexandre Felipe da Silva, 19, conseguiu entrar no trem de pouso do avião da Varig, que chegou anteontem a Roma. O corpo do rapaz deve chegar ao Brasil amanhã.</P>
<P>
Uma das hipóteses investigadas pela Infraero é de que Alexandre da Silva trabalhava em uma das firmas que prestam serviço no Aeroporto Internacional do Rio. O embarque, segundo avaliação dos técnicos da Infraero, pode ter sido feito na zona de manutenção dos aviões.</P>
<P>
O vôo 730, no qual Alexandre embarcou, partiu do Rio às 16h25 de sexta-feira (31), fez escala no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, às 18h20, e seguiu para a Itália onde aterrissou às 18h30 (horário local) de sábado. A Infraero ainda não sabe em qual dos dois aeroportos Alexandre embarcou.</P>
<P>
Segundo o assessor de imprensa da Infraero, Gilson Campos, é praticamente impossível que Alexandre tenha entrado no avião pelo terminal de passageiros. "A responsabilidade pelo ingresso no avião é da companhia aérea", disse. A Varig responsabiliza a Infraero pela falha na segurança dos aeroportos.</P>
<P>
A Infraero ainda não tem informações sobre a vítima. Com o corpo congelado de Alexandre da Silva, a polícia italiana encontrou apenas uma pequena quantidade de cruzeiros reais e um documento de identidade, expedido pelo Rio.</P>
<P>
Ele é filho de Wilson da Silva e Lúcia Helena da Silva Correia. Até o final da tarde de ontem, nenhum parente ou amigo havia procurado a Infraero ou a Varig.</P>
<P>
Um comandante de jato –que pediu para não ser identificado– disse que grandes aviões como o Boeing 747 têm espaço suficiente para acomodar uma pessoa na parte central entre as quatro pernas do trem de pouso. A área não é pressurizada e a temperatura chega a 50 graus negativos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80971">
<P>
Conhecer</P>
<P>
Deus</P>
<P>
O vigário expulso pela Igreja de Inglaterra por ter declarado não acreditar na "existência literal" de Deus proferiu ontem o seu último sermão. Anthony Freeman falou uma derradeira vez aos seus fiéis de Staplefield, no Sussex, dizendo-lhes que se sente como o profeta Jeremias: " Mas ao menos ninguém editou contra mim um mandato de captura", ironizou. O bispo local tinha dado um ano a Freeman para revocar passagens de um texto de 80 páginas em que ele questionava a existência de Deus e o dogma da Trindade formada pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. Freeman escrevera: "Não há nada acima de nós, ou se há não podemos conhecer a sua existência". Ontem, insistiu em que a frase não o tornava num ateu. Um paroquiano comentava aos repórteres: "Eu continuo a gostar dele, mas ele tornou-se num astronauta que não acreditasse na Lua".</P>
<P>
Gatwick</P>
<P>
perturbado</P>
<P>
Milhares de passageiros ficaram ontem bloqueados durante três horas no aeroporto de Gatwick, Londres, porque um DC-9 que partia para Ljubljana, na Eslovénia, cheio de turistas, rebentou um pneu na descolagem e bloqueou a pista. Não houve danos pessoais nem se chegou a accionar a emergência de Gatwick, mas 40 voos tiveram de ser desviados para outros aeroportos - Heathrow, Stansted e Luton. Gatwick viveu um fim-de-semana muito trabalhoso, contando que 90 000 passageiros passassem por ele sábado e domingo.</P>
<P>
TSF desce em Lisboa</P>
<P>
A Comercial recupera audiência e a TSF desce para quarto lugar, a seguir à RDP, no "share" de audiência da rádio em Portugal, que a Renascença continua a liderar - segundo o último estudo da Markteste. Os dados relativos ao segundo trimestre de 94, na Grande Lisboa, dão 29,6 à RR, 17,2 à Comercial, 9,3 à TSF e 6,2 à RDP. No Porto a Comercial lidera seguida pela Nova e só depois surge a Renascença.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-82901">
<P>
África do Sul</P>
<P>
Muita conversa para nada</P>
<P>
À PRIMEIRA vista, nada de novo resultou da longa cimeira que o Presidente De Klerk e Nelson Mandela tiveram na sexta-feira com o rei dos zulus, Goodwill Zwelithini, e com o chefe do Inkatha, Mangosuthu Buthelezi, num acampamento do Parque Nacional Kruger, junto à fronteira da região do Transvaal com o território de Moçambique.</P>
<P>
O soberano tradicional da nação zulu e o seu tio e mentor não aceitaram retirar todas as reservas que têm posto às eleições gerais de 26 a 28 deste mês, apesar de o Presidente da República e o ANC haverem oferecido ao rei a possibilidade de ser o monarca constitucional da província do Kwazulu/Natal, devidamente reconhecido pelas autoridades centrais da África do Sul.</P>
<P>
No entanto, foi dito que ainda haverá durante esta semana novas conversações, a nível de um grupo de trabalho, sobre o papel do rei dos zulus no futuro sul-africano. Ou seja, tudo continua em aberto neste processo em que o país está a passar de um regime de monopólio do poder pelos brancos para um sistema de partilha das responsabilidades administrativas por todos os sectores que compõem a vasta e complexa República.</P>
<P>
O Governo de Frederik de Klerk e o ANC tudo têm feito no sentido de ir ao encontro das pretensões do rei que diz representar perto de oito milhões e meio de zulus (mais de um quinto da população total da África do Sul) e do político que a ele se mantém colado, mas que não consegue de modo algum a simpatia da maioria desses mesmos zulus.</P>
<P>
Buthelezi emagrece</P>
<P>
«Eles estão a emagrecer cada vez mais porque não querem comer», comentou ontem De Klerk, a propósito da perda de popularidade de Mangosuthu Buthelezi e do Inkatha, desde que decidiram boicotar as primeiras eleições livres abertas a todos os sul-africanos.</P>
<P>
Perto de 23 milhões de cidadãos têm potencialmente direito a voto, mas é de admitir que pelo menos um terço se abstenha de ir às urnas, uns por desconhecerem quase em absoluto o que significa esta prática política, outros por terem receio da violência que poderá haver na data das eleições e terceiros por efectivamente estarem contra o novo arranjo constitucional.</P>
<P>
Ora, a jogada de Buthelezi, que em termos normais não conseguiria mais de nove por cento dos votos a nível nacional e de 25 ou 27 por cento dos votos no Kwazulu/Natal, poderá muito bem ser apresentar como votos a seu favor as abstenções, para depois dizer que na verdade conta com as simpatias de um bom naco da população.</P>
<P>
Ontem, o político que mais está a prejudicar um vasto consenso que poderia beneficiar a quase totalidade dos sul-africanos afirmou que poderá haver novos surtos de violência no Kwazulu/Natal por não se ter saído com resultados concretos da cimeira de sexta-feira.</P>
<P>
Autêntico profeta da desgraça, Buthelezi disse nunca ter visto a cólera a um nível tão elevado como o actual, dando a entender que rios de sangue poderão correr até ao fim do mês, por as autoridades não quererem adiar as eleições nem conceder mais prerrogativas à administração regional daquela província, onde os habitantes são essencialmente zulus, indianos e brancos de língua inglesa.</P>
<P>
Os dois ou três milhões de zulus que eventualmente simpatizam com o líder do Inkatha e os boers mais extremistas a eles associados poderão representar um enorme potencial de crise numa África do Sul que o Presidente De Klerk e Nelson Mandela querem encaminhar sem grandes sobressaltos para o século XXI. J.H.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-56407">
<P>
Entrevista com Anne d'Harnoncourt, directora do Museu de Arte de Filadélfia</P>
<P>
«Ver uma reprodução não é o mesmo que olhar para um Botticelli»</P>
<P>
Pedro Fonseca</P>
<P>
Os museus são os locais da arte por excelência. É aí que as obras de arte são concentradas, conservadas e exibidas. O recurso à tecnologia digital na criação artística, porém, pondo fim à noção de «original» e permitindo cópia múltiplas e absolutamente idênticas, está a colocar os velhos museus perante desafios de um novo tipo. A mesma tecnologia digital, por outro lado, permite a difusão das obras de arte originais contidas nos museus, abrindo novas formas de contacto do público com a arte. O PÚBLICO entrevistou Anne d'Harnoncourt, directora do Museu de Arte de Filadélfia, um dos muitos que está a apostar na tecnologia dos CD-ROM para divulgar as suas obras e interrogou-a sobre o futuro dos museus.</P>
<P>
PÚBLICO -- Em que projectos de arte digital está o seu museu envolvido?</P>
<P>
ANNE D'HARNONCOURT -- De momento, não temos um projecto nosso, mas fizemos um acordo com a Continuum Productions através do qual eles podem digitalizar 1300 obras de arte das 130 mil que temos em colecção. Eles podem usar essas imagens em CD-ROM ou para outras utilizações. Se, por exemplo, forem obras de Rubens, podem usá-las em qualquer coisa que estejam a fazer sobre Rubens, se o desejarem. No museu, recebemos um conjunto dessas mesmas imagens para fazermos o que quisermos com fins culturais e educacionais. Como não temos recursos -- e pensamos que não os teremos durante algum tempo -- para sermos nós a fazer este tipo de trabalho, parece-nos mais sensato trabalhar com eles porque, obviamente, têm bastante «know-how». É um bom negócio.</P>
<P>
P. -- Como tem decorrido a relação com a Continuum?</P>
<P>
R. -- Até agora, tem sido boa. Estamos num estádio prematuro, eles apenas fizeram a digitalização das imagens e esse processo não está terminado. Que tenhamos conhecimento, ainda não finalizaram nenhum produto.</P>
<P>
P. -- Por que razão considera bom para o museu a venda dos direitos para comercialização em suportes digitais?</P>
<P>
R. -- O que é muito importante é que os direitos não são exclusivos. Podemos ceder ou vender os mesmos direitos a qualquer outra pessoa. Eles são muito activos neste domínio, estão muito interessados e são líderes de mercado na sua área; mas, se alguém estiver interessado em participar num projecto connosco e, dentro de dois anos, nos fizer uma proposta e nós pensarmos que é uma boa ideia, estamos livres para o fazer.</P>
<P>
P. -- O CD-ROM ou a Internet podem servir para divulgar as obras existentes nos museus?</P>
<P>
R. -- O CD-ROM, a Internet ou qualquer meio audiovisual podem alertar para a existência das obras. De outra forma, poderíamos não as conhecer, nunca as ver ou não saber onde ela estão, ainda que conhecêssemos a sua existência. Poderíamos conhecer a existência de uma dada obra de Rubens, Cézanne ou El Greco e não saber que essa pintura estava em Filadélfia, em Lisboa ou noutro sítio qualquer. O facto de conhecer todas as obras desse artista, por outro lado, permite-nos saber como é que cada pintura encaixa no conjunto da sua obra.</P>
<P>
P. -- E o CD--ROM ou a Internet não poderão acabar por substituir os museus? Até que ponto é que a tecnologia digital constitui uma ameaça para o futuro dos museus?</P>
<P>
R. -- A observação de uma obra de arte original é insubstituível. É uma experiência muito complicada, depende da luz com que é vista, da disposição com que se está, de imensos factores que fazem com que as obras de arte «falem» às pessoas tanto directa como indirectamente, falem às emoções, ao sentido de perspectiva, à percepção. Uma mesma obra de arte afecta de modos desiguais em dias diferentes: num dia, quase faz chorar porque é triste e, no dia seguinte, é muito bonita porque não se pensa na tristeza, por exemplo.</P>
<P>
P. -- E não acredita que isso possa acontecer quando essa obra é vista num ecrã?</P>
<P>
R. -- Talvez, mas tenho a impressão de que as pessoas olham para as coisas num ecrã de modo diferente: para obter informação. Talvez possam obter os mesmos resultados, mas acho que ainda é cedo para o dizer. As pessoas relacionam-se com um objecto físico de um modo diferente da forma como se relacionam com uma imagem num ecrã. É apenas um processo visual diferente: num caso, o cérebro assimila imensas «pequenas caixas de cores» e, noutro, olha-se de um modo muito mais complicado, do ponto de vista fisiológico, para um objecto real num espaço real.</P>
<P>
P. -- E esse relacionamento visual não poderá ser enriquecido com tecnologias mais perfeitas, como a TV de alta definição?</P>
<P>
R. - Não acredito. É como ver um filme fabuloso sobre o Grand Canyon ou o Evereste. Eles poderão ser mais bem vistos em filme, porque os sobrevoamos de helicóptero, porque os podemos ver enquanto o sol se põe ou qualquer outra coisa do género, mas nada disso substitui a emoção de estar lá. Penso o mesmo da realidade virtual: embora seja fantástica, é artificial. Estamos conscientes de que é artificial e isso é, de algum modo, parte da experiência, ainda que possa ser muito agradável.</P>
<P>
P. -- Mas, hoje, a arte pode ser toda ela «artificial» nesse sentido. É possível fazer obras de arte virtuais, que nunca existem em suportes físicos mas apenas em ecrãs e mostrá-las em «museus virtuais», como algumas experiências na Internet...</P>
<P>
R. -- Tudo isso é uma grande aventura. Pessoalmente, ainda não vi nada feito de um modo que seja realmente interessante. Há alguma semelhança entre isso e um filme fabuloso, com um som soberbo. São experiências visuais diferentes e perfeitamente aceitáveis como tal. A questão é saber se são interessantes.</P>
<P>
P. -- Com estas obras virtuais, a primeira e a centésima cópia assemelham-se ao original. Isso não vai alterar o papel dos museus, como locais de apresentação pública dessas obras?</P>
<P>
R. -- Não, se se pensar na experiência que agora parece antiquada de ler um livro. Enquanto lê, a pessoa emociona-se devido ao modo como o texto está escrito. Nessa experiência, é o conteúdo do livro que o concentra. Numa obra de arte, passa-se o mesmo, ainda que de forma diferente. A imagem pode começar a dar essa emoção, uma boa reprodução da imagem pode fazer dizer que «esta imagem é fantástica», mas, ao contrário do livro -- que é uma resposta que está completamente contida nele mesmo e que interpretamos enquanto lemos --, olhar para uma reprodução é apenas parte da experiência de olhar para uma obra de arte. Tem de se ir mais longe.</P>
<P>
O acesso generalizado a boas reproduções significa apenas que mais gente ficará com vontade de ter a experiência da coisa real. No final do século XIX, com a invenção da fotografia, uma família de fotógrafos italianos registou todos os grandes monumentos de Itália e, pela primeira vez, pessoas que nunca tinham estado naquele país puderam ver como eram os palácios de Veneza, a praça de São Pedro, o Coliseu, mas isso apenas fez aumentar o desejo de lá ir. É a mesma coisa com um quadro: ver uma fabulosa reprodução a cores não é o mesmo que estar em frente ao Coliseu ou a olhar para um Botticelli. É diferente.</P>
<P>
P. -- Isso será verdade para obras que existem em suportes físicos e que são irrepetíveis, mas há obras criadas nos e para os suportes digitais. Qual é a sua opinião sobre essas obras?</P>
<P>
R. -- Acho que são muito interessantes. Sempre me interessei muito por arte contemporânea e parece-me que estas tecnologias e materiais interactivos vão produzir, nas mãos de alguns artistas, espantosas obras de arte num «medium» completamente novo, onde não haverá original.</P>
<P>
P. -- Acha que é necessário um código deontológico para a manipulação digital?</P>
<P>
R. -- Claro. Penso que, de muitos modos, há já uma espécie de código de senso comum, mas é um código que se desenvolve com os «media». Não se pode realmente inventar um código antes de saber quais são as possibilidades desses «media».</P>
<P>
P. -- Estamos, então, ainda no princípio?</P>
<P>
R. -- Sim. Quando se olha para uma pintura abstracta de Mondrian, por exemplo, vemos branco, preto, vermelho e azul e a manipulação digital pode alterar as cores para púrpura, rosa, verde (que ele detestava) ou outra cor qualquer. No momento em que isso é feito, o quadro deixa de ser um Mondrian e transforma-se noutra coisa qualquer. Penso que estamos todos simultaneamente inquietos e excitados com as possibilidades da digitalização e da manipulação das imagens. É como com as antigas fotografias de Mao nadando no Mar da China, quando não se sabia se ele estava morto ou vivo, e quando os jornais chineses mostraram essa fotografia. Podia ter sido apenas a sua cabeça retirada de uma outra fotografia e sobreposta nessa imagem. Por agora, a questão coloca-se principalmente aos meios de comunicação social, ao relato dos acontecimentos actuais. No domínio da arte, depende da forma como a obra resultante da manipulação é apresentada. Se dissermos que é um Mondrian e se for cor-de- rosa e verde, será desagradável. Não interessa se é digital ou não.</P>
<P>
P. -- Com estes novos meios digitais também pode aumentar o número de falsificações?</P>
<P>
R. -- Sim, mas a falsificação de uma pessoa é a imaginação de outra. O ser humano foi sempre muito imaginativo a adulterar coisas, a fazer imitações, falsificações -- tão bom como a fazer as coisas reais. No mundo da arte, lidamos com obras de arte originais e com coisas que provêm delas. Às vezes, as obras que são originadas pela primeira são más imitações, às vezes são falsas, outras vezes são influências, outras vezes são pontos de partida curiosos. Não vejo que isso vá mudar assim tanto.</P>
<P>
P. -- Quem vai ganhar com esta combinação entre museus tradicionais e novos formatos digitais? Serão os museus ou empresas como a Continuum?</P>
<P>
R. -- Quem vai ganhar mais será o público. Se a pergunta for quem ganha dinheiro, digo-lhe que é claro que a Continuum está neste negócio para fazer dinheiro. Quanto aos museus, estão no negócio de mostrar obras de arte ao maior número possível de pessoas e o seu fim não é ganhar dinheiro mas sobreviver, ter mais arte, tomar cada vez melhor conta da arte que possuem. Não penso que haja alguma razão para que uma empresa lucrativa e um museu não possam ser muito bons parceiros. O objectivo de um museu é fazer com que as obras de arte por que é responsável e os artistas que as criaram quando estavam vivos falem pela sua própria voz, que cheguem a muitas pessoas. O «multimedia» é um modo de o conseguir. Obviamente que teremos sempre a ambição de que as pessoas venham ao museu e vejam os originais por si mesmas, porque essa é, provavelmente, a mais completa experiência que alguém pode ter. Ler um livro sobre arte, ver uma exposição e ter experiências «multimedia» sobre obras de arte são coisas diferentes. A comunicação singular entre a obra de arte e a pessoa é uma experiência fantástica e qualquer pessoa que trabalhe num museu quer que mais pessoas tenham essa experiência. Devemos usar todos os meios possíveis para conseguir que mais pessoas tenham essa experiência.</P>
<P>
P. -- Como vê, então, o papel dos museus no futuro?</P>
<P>
R. -- Espero que, nalguns casos, esse papel seja alargado. A arte é tão antiga como o ser humano mas os museus ainda são muito novos: têm, no máximo, 200 anos e muitos nascem todos os dias. Os museus vão mudar -- mas como... não sei dizer. As obras de arte continuarão a existir e serão importantes porque constituem a materialização da criatividade humana. Os museus são simplesmente um modo de preservar essas obras para o futuro.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26461">
<P>
Treinadores reunidos no Porto</P>
<P>
O ex-seleccionador do Brasil, Carlos Alberto Parreira, e os directores dos departamentos técnicos da FIFA e UEFA, respectivamente Walter Gagg e Andy Roxburgh, vão participar no 15º Simpósio da União Europeia dos Técnicos de Futebol (EUFT), a partir de sábado, no Porto. A análise do último Campeonato do Mundo, disputado nos Estados Unidos, e da situação da carreira de treinador serão os principais pontos em análise no simpósio, que vai reunir no Porto até dia 26 alguns dos mais prestigiados técnicos mundiais, num total de 172 inscrições.</P>
<P>
Andebol: portugueses a Leste</P>
<P>
O Benfica defronta o Zaporoshye (Ucrânia) e o ABC de Braga o Karvina (República Checa) nos oitavos-de-final das Taças EHF e das Cidades, respectivamente, ditou o sorteio das competições europeias de andebol, ontem realizado em Viena, na Áustria. A equipa da Luz desloca-se à Ucrânia no encontro da primeira mão, enquanto os bracarenses iniciam a eliminatória na condição de visitados. No tocante aos dois representantes femininos portugueses nas competições europeias, o Académico do Funchal terá como adversário o Rossijanka Volvogrado, com o primeiro encontro a realizar-se na Rússia, e ao União de Almeirim coube o Rapid de Bucareste, sendo a primeira mão na capital romena. Os encontros realizam-se nos dias 12 e 13 (primeira mão) e 19 e 20 (segunda mão) de Novembro.</P>
<P>
Atletismo milionário em Zurique</P>
<P>
A cidade de Zurique continuará a organizar, no próximo ano, o «meeting» mais milionário do Grande Prémio da Federação Internacional de Atletismo, com um orçamento na ordem dos 4,39 milhões de dólares (cerca de 700 mil contos). Os 15 «meetings» do Grande Prémio atingirão um total de 27 milhões de dólares (cerca de 4 milhões e 320 mil contos) com Zurique à cabeça. Seguem-se Roma (2,67 milhões de dólares), Lille (2,5), Lausanne (2,4), Berlim (2,2), Monte Carlo (2), Bruxelas (1,8), Colónia (1,6), Estocolmo (1,5), Londres (1,46), Oslo (1,2), Nova Iorque (1,1), San Jose (1,1), São Paulo (1) e Nice (1).</P>
<P>
GP de San Marino em dúvida</P>
<P>
O Grande Prémio de San Marino de Fórmula 1, disputado em Ímola, Itália, e onde faleceram este ano os pilotos Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, poderá ser suprimido do calendário do «Mundial» da próxima época. Os projectos dos calendários para a nova época e as modificações dos regulamentos técnicos serão os temas a abordar hoje pelo Conselho Mundial do desporto automóvel, durante uma reunião em Paris. As decisões que deverão sair deste encontro serão adoptadas amanhã pela Assembleia Geral da Federação Internacional do Automóvel (FIA). Datas provisórias dos Grandes Prémios: 12 de Março-Argentina (Buenos Aires); 26 de Março-Brasil (São Paulo); 16 de Abril-Pacífico (Aida); 30 de Abril-San Marino; 14 de Maio-Espanha (Barcelona); 28 de Maio-Mónaco; 11 de Junho-Canadá (Montreal); 18 de Junho-(a anunciar); 2 de Julho-França (Magny Cours); 16 de Julho-Grã-Bretanha (Silverstone); 30 de Julho-Alemanha (Hockenheim); 13 de Agosto-Hungria (Budapeste); 27 de Agosto-Bélgica (Spa-Francorchamps); 10 de Setembro-Itália (Monza); 24 de Setembro-Portugal (Estoril); 8 de Outubro-Europa (Jerez); 29 de Outubro-Japão (Suzuka); 12 de Novembro-Austrália (Adelaide).</P>
<P>
Isabelle em ritmo de recorde</P>
<P>
A navegadora solitária Isabelle Autissier, «skipper» do veleiro Ecureuil Poitou-Charentes 2, aumentou sua liderança no comando da frota da BOC Challenge Around the World Alone. A cerca de mil milhas da meta, na Cidade do Cabo, África do Sul, Isabelle regista um avanço de 800 milhas sobre o segundo colocado, o francês Jean Luc Van Den Heede. Entretanto, a tripulação portuense que no fim-de-semana passado se deslocou a La Rochelle para disputar a 4ª edição do Challenge Arc Atlantique classificou-se em 4º lugar geral entre uma frota de 11 veleiros Europe, comandados por alguns dos melhores velejadores franceses, espanhóis e ingleses.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-73356">
<P>
Habitação: as políticas necessárias</P>
<P>
António Fonseca Ferreira*</P>
<P>
Os condicionalismos financeiros são uma realidade. Mas também é certo que a resolução dos problemas habitacionais carece mais de imaginação e de «saber fazer» a mobilização de vontades e recursos dos agentes económicos e das famílias do que de volumosas dotações orçamentais</P>
<P>
As questões habitacionais foram olvidadas na última campanha eleitoral. Outras prioridades -- Europa, desemprego, educação, segurança -- e a escassez de recursos financeiros explicarão o sucedido.</P>
<P>
Mas a habitação não pode ser esquecida: 1º, é, indiscutivelmente, um sector de grandes carências sociais e humanas, razões pelas quais um governo do Partido Socialista não a pode tratar (mal) como fez o último Governo do PSD; 2º, a sua dimensão económica vocaciona o sector para a sustentação do emprego e da actividade económica em geral; 3º, a sua dimensão territorial aponta-a como instrumento estratégico de ordenamento do território; 4º, não há justificação para o imobilismo. Os condicionalismos financeiros são uma realidade. Mas também é certo que a resolução dos problemas habitacionais carece mais de imaginação e de «saber fazer» a mobilização de vontades e recursos dos agentes económicos e das famílias do que de volumosas dotações orçamentais.</P>
<P>
Eis a grande responsabilidade -- e oportunidade -- com que está confrontado o próximo Governo. Este pode contar com a expectativa e cooperação dos agentes do sector. Disponibilidade para o diálogo bem demonstrada por todos os parceiros sociais no processo do Encontro Nacional da Habitação, realizado em 1992/93.</P>
<P>
Estas energias são, seguramente, o mais precioso capital para impulsionar as mudanças e soluções habitacionais. Um domínio onde não será difícil ao próximo Governo «fazer a diferença», pela positiva, relativamente ao anterior Executivo.</P>
<P>
Uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.</P>
<P>
A reabilitação do parque habitacional e a revitalização dos centros históricos são prioridades estratégicas da política de habitação e do reordenamento do território.</P>
<P>
O património habitacional do país ultrapassa quatro milhões de alojamentos, excedendo, em cerca de 960 mil unidades, o número de famílias recenseadas (3,06 milhões).</P>
<P>
As cidades de província expandiram-se, de forma acentuada, nos anos 80. Condicionada a emigração para a região de Lisboa e para o estrangeiro, as populações rurais emigraram para os principais aglomerados regionais e, sobretudo, para as capitais de distrito.</P>
<P>
As nossas cidades padecem, hoje, de uma dupla irracionalidade: de um lado, centros históricos em desertificação, património em degradação, habitações vazias ou ocupadas por serviços; do outro, expansões periféricas desordenadas e desqualificadas, sem serviços nem equipamentos.</P>
<P>
De fenómenos característicos de Lisboa, desde a década de 60, a terciarização e desertificação do Centro, o crescimento caótico das periferias, o aumento dos movimentos pendulares e o congestionamento dos acessos alastraram, nos anos 80, a todas as cidades situadas a norte do Tejo.</P>
<P>
Os fundos comunitários e as remessas dos emigrantes (nos anos 80, transferiram-se da construção de casas na aldeia para a construção ou aquisição de habitações nas cidades, como investimento e apoio à escolarização dos filhos) aumentaram os rendimentos de alguns estratos urbanos e incentivaram o imobiliário. Famílias residentes nas áreas centrais, com falta de espaço, de conforto e de «status» habitacional, adquiriram a sua moradia ou andar nas novas expansões urbanas, tornando-se os principais adquirentes do excedente de habitações construídas (relativamente ao crescimento demográfico):</P>
<P>
Construção</P>
<P>
Aumento</P>
<P>
nº. famílias (1981-91)</P>
<P>
Fogos vagos</P>
<P>
Coimbra</P>
<P>
Castelo Branco</P>
<P>
Guarda</P>
<P>
Fogos</P>
<P>
É fundamental suster este processo de desqualificação e de desperdício habitacional, definindo estratégias e medidas para o (re)uso da cidade existente; revitalizando os centros urbanos dotados de equipamentos, serviços e empregos; revalorizando a função habitacional e preservando a multifuncionalidade. Desta forma se resolverá uma parte significativa das carências habitacionais e de outros problemas (congestionamento, segurança, desenraizamento das periferias).</P>
<P>
Realojamento: dos bairros sociais a uma política social de habitação</P>
<P>
Muitas vozes vêm defendendo uma profunda mudança nos processos de concepção, construção e gestão da habitação social pública. E, particularmente, nos processos de realojamento das populações vivendo em alojamentos precários.</P>
<P>
Os bairros sociais têm sido um desastre: nas soluções urbanísticas e arquitectónicas, no (não) tratamento dos espaços exteriores, na degradação rápida dos edifícios e frequentes conflitos de vizinhança. Tornando-se, não raras vezes, guetos sociais e sede de insegurança, toxicodependência e delinquência.</P>
<P>
Na apreciação destas situações não se poderá esquecer que os bairros degradados albergam populações que, por regra, concentram, para além do problema habitacional, outras graves carências económicas, humanas e culturais. Carências que as soluções habitacionais poderão ajudar a minorar ou a agravar, mas não a resolver.</P>
<P>
O Programa Especial de Realojamento (PER), criado em 1993 para o realojamento de famílias vivendo em barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, é uma prioridade incontornável da política de habitação. Mas o PER carece de uma profunda reformulação de conceitos e de processos de realização. É um programa com uma concepção monolítica e «pesada». Um «desastre anunciado».</P>
<P>
As mudanças não são fáceis. Mas as soluções são conhecidas. E, dado que em causa estão valores sociais, humanos e económicos fundamentais, teremos que mudar concepções, atitudes e processos relativamente ao realojamento social.</P>
<P>
Essas soluções, passam:</P>
<P>
-- Por a promoção pública directa, em regime de arrendamento, não ser a solução única para o realojamento. Há que diversificar as modalidades de promoção (privada de custos moderados, cooperativa) e de acesso (renda resolúvel, aquisição, propriedade);</P>
<P>
-- Por conhecer melhor as populações a realojar e, particularmente, por implicá-las nos processos de realojamento;</P>
<P>
-- Pela concepção e construção de um modelo diferente de «habitat» ao nível da integração urbanística e ambiental, das morfologias arquitectónicas (diversificadas) do atempado tratamento dos espaços exteriores e dos equipamentos;</P>
<P>
-- Por uma adequada gestão dos bairros com responsabilização conjunta dos moradores e dos municípios (ou empresas municipais);</P>
<P>
--Pela reconversão urbanística dos bairros sociais existentes e a reabilitação de zonas históricas degradadas.</P>
<P>
O fomento da produção de solo urbanizado pelas autarquias é outra das vertentes estratégicas da política de habitação.</P>
<P>
A escassez habitacional e o desordenamento do território são, em grande medida, o resultado da falta de uma adequada política de solos. É um sector que entregue às livres forças do mercado tem provocado uma evidente especulação e desperdício: delapidação de recursos naturais, do património arquitectónico, da qualidade ambiental e do espaço natural.</P>
<P>
O enquadramento legal dos solos urbanos é uma «manta de retalhos»: disperso, desconexo, ineficaz.</P>
<P>
Se a elaboração dos Planos Directores Municipais foi um passo necessário e positivo, haverá, agora, que passar dos planos à produção de solo urbanizado. Para tal é necessário:</P>
<P>
-- Revisão da legislação, uniformizando conceitos e operacionalizando os institutos de intervenção (associação, direito de preferência, expropriação);</P>
<P>
-- Adopção da figura de «solo programado»;</P>
<P>
-- Criação de linhas de crédito para os municípios adquirirem e infra-estruturarem terrenos, com a obrigatoriedade de os colocar no mercado;</P>
<P>
-- Adaptação dos instrumentos fiscais às necessidades das políticas de solos, estimulando a produção habitacional, particularmente a de custos controlados, e penalizando os terrenos expectantes.</P>
<P>
A sistematização e modernização da legislação sobre solos deverá ser feita no âmbito da Lei de Bases do Urbanismo e do Ordenamento do Território, uma das prioridades do próximo Governo após a falhada intenção do último Executivo em aprovar um (mau) diploma.</P>
<P>
A reactivação do mercado do arrendamento é uma condição essencial para o acesso à habitação e para a mobilidade residencial.</P>
<P>
No início dos anos 50, o parque habitacional em regime de arrendamento representava 49 por cento do total. Com a inversão de tendências verificada em 1971, o surgimento de modalidades mais cómodas e atractivas de aplicação de poupanças e os traumas criados a seguir ao 25 de Abril, o arrendamento habitacional caiu, de forma abrupta, nas últimas décadas.</P>
<P>
A produção privada de novas habitações para arrendamento tem sido insignificante (menos de um por cento); a promoção pública escassa (cerca de cinco por cento); a legislação para novos arrendamentos só lenta e timidamente veio a ser actualizada, mantendo-se desajustada para contratos em constância de arrendamento.</P>
<P>
Não surpreende que a quota do parque arrendado tenha caído para 42 por cento, em 1970; 39,5 por cento, em 1981; e 18,1 por cento, em 1991. Mantendo-se a situação, chegaremos ao final do século com menos de 15 por cento do parque em regime de aluguer. Em todos os países europeus essa quota é superior a 20 por cento, limiar mínimo para manter uma oferta acessível aos jovens e aos estratos economicamente desfavorecidos, e uma condições de mobilidade residencial.</P>
<P>
Entretanto, mudaram os tempos e os agentes do investimento em prédios de rendimento. Temos aí os novos investidores institucionais: fundos de pensões e de investimento, imobiliário, companhias de seguros, cooperativas em regime de inquilinato, talvez os emigrantes.</P>
<P>
Duas condições se torna necessário assegurar para o relançamento do arrendamento habitacional:</P>
<P>
-- Criação dos incentivos fiscais e financeiros para investimento institucional no arrendamento habitacional, designadamente no que se refere ao inquilinato cooperador e à competitividade com as condições de aquisição de casa própria;</P>
<P>
-- Actualização progressiva, para níveis de mercado, das rendas «em constância de arrendamento».</P>
<P>
Esta é uma medida de grande delicadeza política e social. Mas é indispensável para fazer entrar no mercado e reabilitar dezenas de milhares de fogos, hoje devolutos; e para uma adequada conservação do parque habitacional. E até poderá ser feita com vantagens políticas se:</P>
<P>
-- For antecedida da criação do «subsídio familiar à habitação» que permita às famílias de fracos recursos suportar os aumentos das rendas;</P>
<P>
- As actualizações forem escalonadas ao longo de 5/8 anos;</P>
<P>
-- A medida for bem explicada à opinião pública.</P>
<P>
* Coordenador do «Livro Branco sobre a Política da Habitação em Portugal».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-51251">
<P>
Atual presidente teve 61,34% dos votos; Guerrilha islâmica diz estar pronta para negociar paz</P>
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
O general Liamine Zéroual foi proclamado oficialmente vencedor das eleições presidenciais da Argélia. Segundo um comunicado do Ministério do Interior, o atual presidente obteve 61,34% dos votos.</P>
<P>
O comparecimento às urnas, segundo o governo, foi de 74,92%. O partido de oposição FIS (Frente Islâmica de Salvação), que está na ilegalidade, disse em um comunicado emitido em Paris que menos de 37% do eleitorado votou.</P>
<P>
Um líder do grupo exilado na Alemanha disse à TV francesa TF1 que está pronto para diálogos para acabar com a guerra civil no país, que dura mais de três anos.</P>
<P>
Rabah Kebir afirmou que espera uma política de diálogo do governo com "a verdadeira oposição".</P>
<P>
A eleição foi realizada sob um forte esquema de segurança. A FIS pediu um boicote à votação, e extremistas islâmicos ameaçaram matar eleitores.</P>
<P>
Cerca de 200 mil policiais e soldados do Exército garantiram que a eleição no país transcorresse sem incidentes. Policiais uniformizados e à paisana e milhares de civis comemoraram a vitória de Zéroual com salvas de tiros e caravanas nas ruas da capital, Argel.</P>
<P>
A TV estatal colocou no ar durante o dia imagens semelhantes em diversas partes do país.</P>
<P>
Uma mulher que celebrava a vitória disse que ela e colegas de trabalho saíram às ruas por solicitação de seu superior. "Como posso comemorar? Meu filho de 26 anos morreu em 1994 e deixou dois filhos. Eu tenho que fingir."</P>
<P>
Um homem disse que as eleições parecem ter rompido uma tradição no mundo árabe.</P>
<P>
"Apesar de tudo, é a primeira vez que em um país árabe que há quatro candidatos e o vencedor obtém uma porcentagem que é bem inferior a 99%", disse ele.</P>
<P>
O candidato do partido islâmico Hamas, Mahfoud Nahnah, segundo colocado (veja quadro abaixo) contestou o resultado da eleição.</P>
<P>
"Nós dormiremos bem, enquanto aqueles que trabalharam para fraudar e adulterar terão sua punição", disse.</P>
<P>
O governo espera que o resultado e o alto índice de comparecimento às urnas dê legitimidade a Zéroual no confronto contra grupos radicais islâmicos. Ele foi conduzido ao poder pelos militares.</P>
<P>
"As eleições foram uma vitória da soberania do povo e da verdadeira democracia em nosso país e uma lição aos seus inimigos dentro e fora da Argélia", afirmou o presidente Zéroual.</P>
<P>
Desde a anulação, em janeiro de 1992, da eleição parlamentar supostamente vencida pela FIS, 50 mil pessoas morreram assassinadas e em atentados a bomba atribuídos a radicais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40638">
<P>
Vila Franca de Xira</P>
<P>
Câmara trava despejos no Vale de Arcena</P>
<P>
A Câmara de Vila Franca de Xira decidiu, quarta-feira ao fim da tarde, adquirir 12 fogos da urbanização do Vale de Arcena (Alverca) em que residem famílias em risco de despejo que estão abrangidas pelo Programa Especial de Realojamento (PER). A autarquia mantém negociações com outras empresas proprietárias de fogos nas mesmas condições que terão, para já, garantido que mandaram suspender as acções de despejo que colocaram em tribunal.</P>
<P>
Parte das cerca de 100 famílias de origem africana que ocuparam ilegalmente fogos da urbanização do Vale de Arcena -- onde na semana passada foram despejados 11 agregadas familiares -- foram, excepcionalmente, incluídas no PER. Ao abrigo de um recente diploma governamental que permite às câmaras das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto adquirirem fogos já construídos para a fase inicial dos respectivos planos de realojamento, a Câmara decidiu, agora, disponibilizar-se para adquirir fogos daquela urbanização desde que a iniciativa seja aprovada e financiada pelo Instituto Nacional de Habitação (INH) e pelo Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE).</P>
<P>
De acordo com Carlos Silva (PS), vereador do pelouro da Habitação na Câmara vila-franquense, «a disponibilidade dos proprietários dos fogos ocupados para a venda dos mesmos a preços relativamente baixos» e o «facto de ter havido, recentemente, mais despejos de famílias, que não têm qualquer solução para se abrigarem, e de estar eminente mais um numero significativo de despejos», fizeram com que a Câmara ponderasse a possibilidade de adquirir fogos de molde a ir resolvendo os problemas daquelas famílias</P>
<P>
Assim, a edilidade propõe-se adquirir 14 fogos, à firma Imoverca e ao particular José da Silva Queirós, por um valor total de 72 mil contos, que poderá ser comparticipado até 80 por cento pelo INH e pelo IGAPHE. Decorrem negociações com o representante dos proprietários dos restantes fogos ocupados ilegalmente para o mesmo fim.</P>
<P>
«Isto não significa que os despejos em Arcena vão desaparecer de todo. Os tempos de actuação dos tribunais podem ser diferentes dos nossos e há várias situações de apartamentos ocupados por famílias não incluídas no PER. Relativamente a esses não temos qualquer hipótese de solução», prosseguiu Carlos Silva.</P>
<P>
Daniel Branco (CDU), presidente da edilidade vila-franquense, sustentou, em declarações ao PÚBLICO, que esta decisão não vem alterar em nada o programação já definida para o PER concelhio. «Houve uma alteração na legislação que permite a aquisição de habitações já construídas para a solução dos problemas do PER nesta fase inicial».</P>
<P>
O edil observou que as famílias beneficiadas por aquisição de fogos não estarão numa situação de privilégio (o seu realojamento estava previsto para 97) relativamente às restantes. «É uma situação em que a Câmara utiliza um recurso legal, que está disponível há relativamente pouco tempo, para resolver casos mais graves e em que os proprietários dos fogos também estão de acordo em conter os preços dentro dos limites fixados por lei».</P>
<P>
Fernando Oliveira Monteiro (PSD), vereador do pelouro de Acção Social, alertou, por seu turno, a Câmara para os problemas vividos por inúmeras famílias que, não estando abrangidas pelo PER, vivem em habitações de tal forma degradadas que estão em situação pior que as que residem em barracas.</P>
<P>
Carlos Silva confirmou a ideia transmitida pelo seu colega do PSD e com base no estudo sobre a situação habitacional do concelho recentemente elaborado e nos pedidos de habitação que recebe no seu gabinete, estimou que existem cerca de 300 famílias «em situação porventura pior do que as que estamos a tratar no âmbito do PER».</P>
<P>
Explicou, contudo, que o quadro legal e financeiro em vigor só permite à Câmara avançar com a erradicação das barracas. «Não temos nenhuma espécie de recursos financeiros que nos permitam acudir a essas situações», concluiu.</P>
<P>
Jorge Talixa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21582">
<P>
Vila Franca de Xira</P>
<P>
PSD acusa PS por atraso na erradicação das barracas</P>
<P>
Os sociais-democratas acusaram, em comunicados, a semana passada, a Câmara pelo atraso no Programa Especial de Realojamento (PER) de Vila Franca de Xira. O PS, também em documento tornado público, reconhece o atraso, mas esclarece que uma nova calendarização do programa está a ser cumprida e foi aprovada também pelo PSD.</P>
<P>
Para os sociais-democratas, não há dúvida que o programa está atrasado, por culpa da Câmara Municipal, nomeadamente do vereador com o pelouro da habitação, o socialista Carlos Silva. O PSD entende que o atraso constitui «uma afronta à dignidade das pessoas». Os socialistas acusam o Partido Social-Democrata de hipocrisia e ignorância sobre esta matéria e recordam que quando Carlos Silva tomou conta do pelouro, em Fevereiro de 1994, já o programa estava atrasado, tendo o PSD votado favoravelmente, em Junho, um novo calendário para o desenvolvimento dos trabalhos.</P>
<P>
A guerra por causa do PER estalou quando a concelhia do PSD distribuiu um comunicado em que denunciava o escasso aproveitamento das verbas que o Plano de Actividades da Câmara para 1994 destinava à erradicação de barracas. De acordo com o documento, estavam previstos 436 mil contos para investimento na habitação e 40 mil para a aquisição de terrenos.</P>
<P>
«Apesar de o vereador do sector da habitação ser uma pessoa que conhece ou deveria conhecer os problemas, não foi possível à Câmara executar financeiramente mais de 5500 contos, ou seja 1,27 por cento do previsto», sustenta o PSD de Vila Franca.</P>
<P>
O comunicado lembrava o acordo assinado a 1 de Outubro de 1993 com o ministro Ferreira do Amaral que previa o arranque, nesse mesmo ano, da construção de 30 fogos, e ainda de mais 80 para fazer durante 1994 e 135 em 1995. Só que, segundo o PSD, a realidade traduz-se, nesta altura, em apenas seis fogos adquiridos e na perspectiva de lançamento, em 95, da construção de 50 fogos na Castanheira, 24 no Bairro Avieiro de Alhandra e 14 no Bairro da Costa (S. João dos Montes), num total de 94 fogos, quando, para este ano, já deveriam estar concluídos ou em construção 245 fogos».</P>
<P>
Os sociais-democratas de Vila Franca consideram, assim, que «a incapacidade da Câmara para conseguir concretizar, dentro do previsto, a reinstalação destas famílias é grave porque eterniza este problema e não cumpre a sua função social».</P>
<P>
A concelhia do PS respondeu, de imediato, com um esclarecimento público sobre o assunto, frisando que «é absolutamente intolerável que o PSD leve tão longe o seu oportunismo, que se sirva da degradação das condições de vida em que vivem milhares de munícipes para a usar como arma de arremesso partidário».</P>
<P>
O comunicado refere que, confrontado com o atraso do programa quando lhe foi entregue o pelouro da habitação, o vereador Carlos Silva «tomou desde logo medidas para desbloquear as situações que estavam na raiz desse atraso e apresentou à Câmara, em Junho de 1994, a nova calendarização, aprovada por unanimidade». Segundo essas novas datas, deveriam estar concluídos ou em construção 36 fogos em 1995 e 215 em 1995 até se atingirem os 765 fogos necessários em 1999.</P>
<P>
O PS de Vila Franca sustenta que estão adquiridos seis fogos, que em Maio arrancará a construção de mais 50 e no Verão a de mais 24. Está em curso a elaboração de projectos para mais 94 fogos. Em preparação está a abertura de mais concursos de projectos para cumprir a calendarização prevista.</P>
<P>
No último sábado, o PSD voltou à carga, acusando o PS de ser o responsável pelo incumprimento do programa de erradicação de barracas no concelho. Os sociais-democratas sublinham que a situação é ainda mais grave quando o vereador do pelouro refere que estão atrasados três meses nesta fase, ou seja, «já existe um novo atraso sobre outro atraso inicial», concluem.</P>
<P>
Jorge Talixa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-97004">
<P>
«Mulher ocupa habitação vaga na Pontinha. Em desespero de casa»</P>
<P>
Não resido na freguesia da Pontinha, nem sequer conheço Helena Duarte. Mas, após ler o artigo de Fernanda Ribeiro do passado dia 13 (PÚBLICO, Local Lisboa), com o título «Mulher ocupa habitação vaga na Pontinha. Em desespero de casa», não consegui deixar de escrever estas linhas.</P>
<P>
Para dizer, sobretudo, que admiro aquela mulher por, com toda a sua simplicidade, consciente da ilegalidade cometida, mesmo assim ter tido coragem de enfrentar o «todo-poderoso» vice-governador civil do distrito de Lisboa, António do Nascimento Machado Lourenço, que continua a afirmar competir-lhe gerir aqueles bairros, quando, segundo palavras da própria governadora, já deixou de ser presidente da Comissão de Assistência e Habitação Social do Governo Civil do Distrito de Lisboa, CAHS, desde Janeiro de 1994.</P>
<P>
É lamentável que situações como esta aconteçam, mas talvez seja este o único meio de chamar a atenção para o grave problema vivido pelos moradores daqueles bairros sociais, cuja luta tem quase uma década de protestos contra:</P>
<P>
-- «a forma descuidada, incorrecta e prepotente como o vice-governador tem vindo a gerir os bairros da Assembleia Distrital de Lisboa» (entidade à qual presidiu, desde finais de 1985 até 8 de Março de 1991, data da entrada em vigor do Decreto-Lei nº5/91, de 8 de Janeiro, diploma ao abrigo do qual o património em causa foi «transferido», a partir daí, para o Governo Civil);</P>
<P>
-- «a utilização de critérios pouco claros na atribuição de casas às famílias mais carenciadas»;</P>
<P>
-- «o desrespeito pelos mais elementares direitos dos cidadãos e da família em geral», conforme o teor da petição apresentada na Assembleia da República, em Abril do ano transacto, a qual reuniu mais de oitocentas assinaturas de residentes nos bairros Dr. Mário Madeira, Santa Maria e Menino de Deus, incluindo os habitantes das barracas da Urmeira.</P>
<P>
Nesse documento, entregue também na Provedoria de Justiça, os signatários requerem «a adopção de medidas específicas visando o rápido realojamento da população que habita nas barracas» e solicitam «a responsabilização de quem tem vindo a agir de modo tão irresponsável». Contudo, continuam a aguardar resposta!</P>
<P>
Ermelinda Toscano Silva</P>
<P>
(Téc. sup. da Assembleia Distrital de Lisboa)</P>
<P>
Feijó</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68806">
<P>
Bruce Millan visita o pior bairro de Lisboa</P>
<P>
Novos ventos para o Casal</P>
<P>
Luís Filipe Sebastião</P>
<P>
O programa Urban promete mudar o Casal Ventoso. Responsáveis pela cidade, pelo país e pela Comunidade visitaram ontem a dura realidade do velho bairro de Lisboa, com planos para a sua recuperação. Entre a cautela de Sampaio e a confiança de Millan, os moradores do principal centro de droga da capital esperam pelo lugar ao sol a que têm direito.</P>
<P>
O Casal Ventoso, degradado bairro lisboeta com a fama e o proveito de maior centro de tráfico e consumo de droga do país, recebeu ontem visitantes ilustres com uma mão-cheia de promessas para a sua recuperação. O presidente da autarquia espera que as verbas comunitárias do programa Urban não se resumam a «mais uma actuação publicitária» e o comissário Bruce Millan defendeu a alteração dos tratados da União Europeia para uma maior intervenção na reabilitação urbana.</P>
<P>
A Meia Laranja amanhece envolta em nevoeiro. A ambulância do programa de troca de seringas só mais tarde estacionará junto ao chafariz. Antes, poucos minutos depois das nove horas, começam a chegar o presidente da Câmara de Lisboa, Jorge Sampaio, o ministro do Planeamento, Valente de Oliveira, a secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Mota, e o comissário europeu Bruce Millan, para uma visita ao Casal Ventoso. Acompanhados por um batalhão de técnicos, assessores, jornalistas e elementos das forças de segurança à paisana, os responsáveis descem até ao centro social para tomar o pulso ao plano de recuperação que promete mudar o bairro.</P>
<P>
Na sede do centro social, o arquitecto Leopoldo de Almeida, que chefia a equipa do plano, traça as principais linhas do futuro novo bairro, sublinhando que se procurará aproveitar ao máximo as construções existentes e que no interior do aglomerado se pretende qualificar o sector comercial (ver caixa). «É um sonho que esperamos há muitos anos para que as nossas crianças possam viver felizes», dá conta José Luís, voluntário a trabalhar no centro social, esclarecendo que as crianças do Casal Ventoso constituem a «maior cota de insucesso escolar» da zona.</P>
<P>
«Não é fácil», resposta de comissário</P>
<P>
Mas a vida não é mais fácil para os idosos. Margarida Sousa, com 83 anos, aproveita a ocasião para pedir apoio a Jorge Sampaio. Perante os holofotes das televisões, a moradora explica a Bruce Millan que não pode dormir na casa que habita porque um cano roto lhe inunda os parcos haveres. «O bairro é horrível e está pior. Não se pode viver aqui. Quem me dera a mim uma casa nova», lamenta-se, com alguma esperança à mistura, a idosa, arrancando do comissário europeu um céptico «não é fácil» acerca de como superar este e outros dramas idênticos.</P>
<P>
De novo na rua, a numerosa comitiva desperta a atenção dos moradores, cansados de inúmeras promessas de um futuro melhor. «Arranjem uma casinha para a gente. Modifiquem esta merda», lança para os passantes um residente, enquanto distribui umas quantas palmadas nas costas. Após uma acentuada subida, os visitantes entram na chamada «zona pesada», a Rua Costa Pimenta, onde à porta das tabernas jovens deitados no chão ou encostados às paredes tapam a vergonha com os casacos ou os braços. Outros nem se dão ao trabalho, tal é o estado em que se encontram, e que os olhos raiados de vermelho denunciam.</P>
<P>
«Cuidadinho aqui com aquela rapaziada», avisa Jorge Sampaio para a sempre sorridente Isabel Mota, com um rápido gesto de cabeça para o ajuntamento de toxicodependentes. Alguns passos adiante, uma pessoa deitada no chão envolta em restos de alcatifa, e com um pão dentro de um saco de plástico, junto à cabeceira de calçada, volta a despertar os visitantes para a dura realidade do bairro. E se desta vez não há exibicionismos tristemente célebres de anteriores campanhas eleitorais -- com os toxicodependentes a «picarem-se» para as objectivas e para candidatos --, não falta o jovem a seguir a comitiva esfregando o braço com vestígios de sangue.</P>
<P>
Continuando por ruas estreitas e casas escoradas, a visita desce à Avenida de Ceuta, onde serão realojadas as famílias das barracas, para uma visão global das traseiras do pior bairro da capital. Em cima da passagem pedonal à movimentada artéria de Alcântara, Bruce Millan fala da sua sensibilidade para os problemas urbanísticos que afectam muitas cidades da Europa, nomeadamente no seu país. O comissário britânico reconhece, contudo, que do que viu, a situação do Casal Ventoso «é particularmente grave», apesar de sublinhar o forte «espírito de comunidade» que existe em torno da acção do centro social.</P>
<P>
Cautelas para</P>
<P>
«actuação publicitária»</P>
<P>
Salientando que a União Europeia não tem dado atenção aos problemas dos centros urbanos, Millan preconiza a criação de mecanismos para responder à degradação das cidades. «Se necessário for, os tratados têm que ser revistos para remediar essa situação», admite o comissário, que termina este ano o seu mandato, acrescentando, porém, que outros membros comunitários partilham da sua opinião.</P>
<P>
Para já, a União Europeia vai disponibilizar, ao abrigo do programa Urban para Portugal, 8,6 milhões de contos, a distribuir pelo Casal Ventoso, Vale da Campanhã (Porto), São Pedro da Cova (Gondomar), Venda Nova (Amadora), Vale de Algés (Oeiras) e Odivelas (Loures). As verbas destinam-se a financiar a qualificação dos espaços urbanos e suas condições sociais e ambientais, a dinamização das actividades sociais e económicas e a formação profissional das populações.</P>
<P>
O presidente da autarquia alfacinha mostra-se por seu lado satisfeito com a possibilidade do avanço de uma intervenção integrada para o Casal Ventoso. Mas, à cautela, Jorge Sampaio sublinha esperar que as prometidas ajudas comunitárias e governamentais «não sejam mais uma actuação publicitária». A primeira fase da recuperação do bairro deverá estar concluída em dois ou três anos.</P>
<P>
O autarca adianta que a iniciativa vai obrigar à constituição de uma comissão de acompanhamento onde tenham assento todas as entidades envolvidas, camarárias e governamentais, e chama a atenção para a acção desenvolvida pelo Centro Social do Casal Ventoso junto da população -- que serve quase cinco centenas de refeições diárias a necessitados de todas as idades, para além de apoiar toxicodependentes, do duche ao auxílio médico --, que «com muitos poucos ovos tem feito muitas omeletes».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17408">
<P>
ALDAÍZA SPOSATI</P>
<P>
Até hoje, a cena de um grupo de crianças cheirando cola no altar da Catedral da Sé durante a missa de Páscoa celebrada por d. Paulo Evaristo Arns repercute em nossas mentes e corações.</P>
<P>
Transmitida em cadeia nacional, a imagem trouxe à tona uma pergunta que merece resposta. Todos conhecemos a grave situação dos meninos e meninas de rua brasileiros. Mas como anda esse quadro em São Paulo, onde seguramente o problema adquire maior gravidade?</P>
<P>
A atual administração municipal tem praticado uma série de irregularidades. A matriz de todas aconteceu no início da gestão, quando o prefeito criou o Centro de Apoio Social e Atendimento Domiciliar, o CASA, atribuindo-lhe a "competência" de responder pelos programas de assistência aos meninos e meninas de rua.</P>
<P>
O centro é resultado da mudança do nome do Corpo Municipal de Voluntário. A alteração é irregular. O decreto feriu a Constituição e o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente, porque não cabe ao executivo constituir órgãos para exercer uma política pública.</P>
<P>
Outro fato grave é o silêncio da Câmara Municipal. Os vereadores não discutiram o parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara que julgou pela ilegalidade do decreto.</P>
<P>
A situação se torna mais delicada se considerarmos que, além de desfazer os programas e parcerias estabelecidos na gestão passada, o prefeito conferiu ao CASA o estatuto de dirigente das ações sociais.</P>
<P>
A Ordem Interna 3/94 assinada pelo prefeito é uma afronta a todos que há anos dedicam seus esforços em programas de apoio aos meninos e meninas de rua. A prefeitura inviabilizou o trabalho da Pastoral do Menor na Praça da Sé e Praça Clóvis ao não garantir o convênio assinado anteriormente.</P>
<P>
O CASA se apropriou indevidamente de vários aspectos da proposta da Pastoral do Menor da região Sé. Não podemos admitir que um trabalho social da Igreja, inspirado nas ações de d. Luciano Mendes de Almeida e baseado no Estatuto da Criança e do Adolescente, seja inviabilizado e tão descaradamente apropriado pela prefeitura. O Projeto Vida do prefeito é uma forma de enquadramento de uma política pública desprovida de legalidade -isto para não entrar no julgamento da eficácia na maneira como é conduzido.</P>
<P>
A Câmara Municipal e a sociedade civil precisam se posicionar diante desses fatos que ferem a iniciativa da Igreja Católica e agravam o problema. A imagem das crianças cheirando cola diante do altar não pode desaparecer da nossa consciência como se tivesse sido mais uma notícia de TV.</P>
<P>
ALDAÍZA SPOSATI, 47, é vereadora do PT em São Paulo e professora-titular de pós-graduação em Serviço Social na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-91162">
<P>
África do Sul</P>
<P>
De Klerk em missão impossível</P>
<P>
O PRESIDENTE da África do Sul, Frederik de Klerk, andou ontem em campanha pelo Transvaal, tentando a missão impossível de conseguir uma forte votação no Partido Nacional durante as eleições gerais de 27 de Abril: «A nossa pesquisa indica que seremos o mais forte partido se chegarmos aos indecisos e aos que dizem que são membros do ANC mas que não acreditam nele».</P>
<P>
Contra ventos e marés, que já dão mais de 67 por cento das intenções de voto à lista constituída pelo movimento de Nelson Mandela e pelos seus aliados, o Presidente que desmantelou o apartheid insistiu que o melhor para os sul-africanos será votarem no Partido Nacional, uma vez que o ANC -- segundo ele -- é intolerante e está dominado pelos comunistas.</P>
<P>
Desde as paragens de táxis aos mercados de hortaliça, De Klerk insistiu em que representa «o partido mais não-racista da África do Sul», pois que só se refere a «sul-africanos», enquanto Mandela ainda fala de brancos e negros. Mas as sondagens têm revelado que não lhe será mesmo nada fácil conseguir mais de 17 por cento do eleitorado nacional, que pela primeira vez é chamado às urnas na sua globalidade e em pé de igualdade.</P>
<P>
Divulgada lista do ANC</P>
<P>
Ontem mesmo, o Congresso Nacional Africano revelou a sua lista de 200 candidatos à Assembleia Nacional, tendo nos primeiros lugares o próprio Mandela, o secretário-geral do movimento, Cyril Ramaphosa, o presidente nacional do mesmo, Thabo Mbeki, o presidente do Partido Comunista, Joe Slovo, o responsável do ANC pela informação, Pallo Jordan, e o antigo dirigente sindical Jay Naidoo.</P>
<P>
Winnie Mandela, responsável pela Liga das Mulheres do ANC, aparece na trigésima primeira posição, enquanto o general que dirige o Transkei, Bantu Holomisa, está na décima terceira, o líder cessante da ala juvenil do movimento, Peter Mokaba, na vigésima sétima, e a cantora Miriam Makeba na centésima vigésima nona.</P>
<P>
Ainda em lugares considerados elegíveis encontram-se a cantora de protesto Jennifer Ferguson e Melanie Verwoerd, casada com um neto do antigo primeiro-ministro Hendrik Verwoerd, cujo governo há 31 anos condenou Mandela a prisão perpétua por combater o monopólio do poder pelos brancos.</P>
<P>
No número 142 da lista, já com grandes dificuldades de eleição, aparece o jornalista Allister Sparks, antigo correspondente do «Washington Post» e do «Observer».</P>
<P>
O sistema utilizado nas eleições é o de representação proporcional, com listas simples, sem diferenciação entre diferentes círculos. Mas 200 deputados são eleitos directamente a nível nacional e outros tantos de acordo com a representatividade de cada uma das nove províncias em que o país fica dividido.</P>
<P>
A contagem dos votos será feita por regiões, para que possam ser determinados os lugares em termos da representatividade regional, cabendo neste caso 43 deputados ao conjunto Pretória/Witwatersrand/Vereeniging, que é o de maior densidade populacional, e 40 ao Natal, que surge em segundo lugar.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-63600">
<P>
África do Sul</P>
<P>
Vasco da Gama nas listas do Partido Nacional</P>
<P>
UM MESTIÇO chamado Vasco da Gama ocupa o vigésimo sétimo lugar nas listas de candidatos à Assembleia Nacional da África do Sul agora apresentadas pelo partido de Frederik de Klerk, que está a dar tudo por tudo por conseguir atenuar o mais possível a prevista maioria folgada do ANC nas eleições gerais de Abril.</P>
<P>
No congresso do Partido Nacional que nos últimos dias decorreu em Kempton Park, nos arredores de Joanesburgo, o Presidente De Klerk disse ontem que muitos negros só não aparecem mais claramente ao seu lado devido a acções intimidatórias por parte do movimento de Nelson Mandela, a que as sondagens atribuem a possibilidade de conseguir mais de 62 por cento dos votos.</P>
<P>
A presença nas listas do actual partido governamental de pessoas como Vasco da Gama, nome do navegador que no Natal de 1497 escalou a costa oriental da actual África do Sul, representa bem a aposta do Presidente De Klerk no eleitorado mestiço, negro e indiano, se bem que estudos de mercado digam que lhe vai ser extremamente difícil conseguir acima de 15 por cento do voto total.</P>
<P>
O congresso da até agora força governamental, que em 1948 instituíra o apartheid, começou com o hino negro Nkosi Sisekele Africa (Que Deus abençoe a África) e gritou-se «Viva De Klerk», «Viva the National Party», tendo a expressão inglesa «Long Life» sido substituída pela sua congénere portuguesa, numa aparente influência exercida pelas experiências políticas de Angola e de Moçambique.</P>
<P>
O manifesto eleitoral do Partido Nacional, ontem apresentado, preconiza um Estado federal e uma economia de mercado, enquanto os discursos feitos durante o congresso foram todos no sentido de que o ANC é um grupo que não convém aos sul-africanos, por estar muito ligado ao passado e ter laços com os comunistas.</P>
<P>
Enquanto isto, nenhum avanço muito sigfnificativo foi conseguido nas conversações que tanto o governo como o movimento de Mandela têm estado a manter com os conservadores que fazem parte da Aliança da Liberdade, no sentido de ainda os conseguirem convencer a participar nas eleições anunciadas para o fim de Abril.</P>
<P>
Chegou a noticiar-se que o ANC já aceitara listas separadas para a Assembleia Nacional e para as assembleias provinciais, mas um porta-voz da Aliança -- de que são partes fundamentais a extrema-direita afrikaner e o partido de raiz zulu Inkatha -- comentou que não havia nada de substancialmente novo; e que ainda estava para se ver se os contactos irão ser retomados na próxima semana.</P>
<P>
Desde há mais de oito dias que cada nova jornada é apresentada como a da última oportunidade de conciliação e consenso, de modo a que os mais conservadores dos afrikaners e os zulus de obediência ao Inkatha não fiquem à margem da futura vida parlamentar (o que poderia acarretar um elevado potencial de violência).</P>
<P>
Rumo à catástrofe</P>
<P>
Na quarta-feira à noite, num comício, De Klerk avisou os brancos que se situam à sua direita de que «a via dos boicotes não tem saída. Só arrastará para a resistência e a violência. É uma estrada que conduzirá inexoravelmente a um novo isolamento internacional, a guerras invencíveis e à catástrofe económica».</P>
<P>
O Presidente disse que continuará a negociar antes das eleições e depois delas, disposto a fazer todos os ajustamentos que se apresentem razoáveis para que o país não resvale para situações muito pouco desejáveis.</P>
<P>
Por outro lado, num desejo de bipolarização, apelou às bases da Frente Popular Afrikaner e do Inkatha no sentido de, se acaso os respectivos dirigentes optarem pela abstenção, votarem nele, como forma de travar o passo ao ANC.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30169">
<P>
Kumba Ialá, de férias em Portugal, falou ao PÙBLICO</P>
<P>
Unir a oposição a Nino Vieira</P>
<P>
Kumba Ialá, depois de ter sido o mais votado candidato da oposição na eleições presidenciais da República da Guiné Bissau, promete continuar a luta até à «vitória final»: a queda de Nino Vieira. No futuro parlamento, disse ao PÚBLICO, «a oposição vai estar unida e formar uma única bancada».</P>
<P>
Nesse sentido, acrescentou, oito partidos já rubricaram um acordo parlamentar. De fora, apenas ficou o Movimento Bafatá, o partido mais representativo da oposição, mas que «também já manifestou a sua intenção de discutir connosco a possibilidade de virmos a formar uma única bancada». A estratégia passa por uma série de «acordos prévios para que haja uma única pessoa que fale em nome da oposição».</P>
<P>
Ialá, líder do Partido da Renovação Social -- que ficou a 200 mil votos de ter sido eleito Presidente da Guiné -- está no Algarve a passar férias, desenvolvendo ao mesmo tempo contactos com personalidades da vida política portuguesa. Na passada segunda-feira, foi recebido em Belém pelo Presidente Mário Soares, a que teve a oportunidade, disse, de pedir a colaboração de Portugal no processo de democratização e nas relações da Guiné com o mundo.</P>
<P>
A audiência em Belém permitiu ainda a Kumba Ialá, segundo afirmou ao PÚBLICO, fazer queixas das obstruções a que tem sido sujeito, no acesso aos órgãos de comunicação social guineenses e, tendo apelado a que Portugal usasse da sua «influência para que faça com que as próximos eleições autárquicas, em 1995, decorram em clima democrático». Por outro lado, o regime pluripartidário, sublinhou, «não é compatível com a existência de uma polícia política ao serviço de Nino Vieira». Na sua opinião, «a PIDE», como lhe chamou, deveria ser substituída por um Serviço de Informação do Estado.</P>
<P>
Os que participaram na guerrilha, sustenta Ialá, tiveram «uma certa legitimidade histórica», mas os novos rumos que surgiram com os eleições impõem que sejam reconhecidos os direitos e liberdades individuais. A consolidação da democracia na Guiné-Bissau, na sua opinião, só poderá ser concretizada se houver «vigilância da comunidade internacional». A oposição, afirmou, «não acredita que possa haver democracia com este regime, por isso, está empenhada no seu derrube e já tem alternativa».</P>
<P>
O algarvio por adopção</P>
<P>
O líder do Partido da Renovação Social representa uma nova geração jovem de guineenses que, em comum, para além das afinidades ideológicas, têm o facto de defenderem e manterem fortes laços afectivos com Portugal. Kumba Ialá considera-se até um «algarvio por adopção». Chegou a Portugal em 1970, a convite do louletano Joaquim Mealha: «Ele estava a cumprir o serviço militar na minha aldeia, e eu estudava e jogava à bola». Um dia, ele convidou-me e eu vim na esperança de poder prosseguir os estudos e, ao mesmo tempo, jogar à bola».</P>
<P>
Estava naquela idade em que as pessoas «aprendem uma coisa e fica para sempre», daí que «nunca mais tenha esquecido as amizades desse tempo. Foi jogador do Louletano Desportos Clube, trabalhou no Hotel Quarteirasol, como porteiro e, depois, recepcionista. No Hotel Montechoro, mais tarde, foi fiel de armazém, na altura em que já frequentava o 5º ano do liceu mas continuava como jogador de futebol. Em 1975, foi para Lisboa prosseguir os estudos tendo concluído a licenciatura em Filosofia e Teologia.</P>
<P>
Com a falta de «quadros» na Guiné, após a independência, em 1981, regressou ao seu país, deu aulas de política aos dirigentes do PAIGC, mas sete anos depois, por ter manifestado divergências em relação à política que estava a ser seguida, foi expulso do partido.</P>
<P>
As dificuldades da democracia em África e o seu percurso político foram o tema de um conferência que, Kumba Ialá proferiu na terça-feira à noite, na Casa da Cultura de Loulé. Falou dos ensinamentos que levou de Portugal, recordou as perseguições da PIDE e os conselhos dos oposicionistas a Marcelo Caetano -- elementos ligados ao PCP, MDP e PS -- que permitiram que não tivesse sido preso. Infelizmente, lamentou, «agora ainda tenho a PIDE na Guiné».</P>
<P>
A forma como decorreu a campanha eleitoral, os meios que partido do Governo tinha à sua disposição -- e ele, «nem uma bicicleta tinha» -- foram outros dos temas da conversa que se prolongou por cerca três horas. Inverter a situação política do país -- rico em madeiras e onde os «estudantes não têm sequer uma cadeira na escola para se sentarem» -- disse ser a seu grande objectivo.</P>
<P>
Para lançar as bases da acção política, no exterior, adiantou já ter tido algumas entrevistas com dirigentes do Partido Socialista e empresários portugueses. Valentim Loureiro e Fernando Barata, ambos cônsules da Guiné em Portugal, não estão na sua agenda de contactos «porque são amigos de Nino Vieira -- e nós somos adversários -- mas também vou arranjar os meus parceiros».</P>
<P>
Idálio Revez</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40287">
<P>
Os 3 tentavam roubar carga de cigarros; um policial se feriu </P>
<P>
Da Folha ABCD </P>
<P>
Três assaltantes foram presos e um policial militar saiu ferido depois de perseguição e troca de tiros ontem pela manhã, durante tentativa de roubo de carga de cigarros em Santo André (ABC).</P>
<P>
A polícia apreendeu com os assaltantes duas pistolas automáticas de 9 mm e armas privativas das Forças Armadas. Os acusados, o marceneiro argentino Eduardo Gaston Cicarelli, 24, o feirante Sérgio Dias Araújo, 24, e Marco Antônio Cuenca, 22, têm passagem pela polícia.</P>
<P>
Segundo a polícia, os três tentavam roubar uma Kombi carregada com cigarros da empresa Souza Cruz. Um quarto assaltante conseguiu fugir. A Kombi transportava 2.650 pacotes de cigarros, no valor de R$ 53 mil.</P>
<P>
A Kombi foi roubada no centro de Santo André. Policiais militares identificaram o veículo e iniciaram perseguição. Os assaltantes abandonaram a Kombi, entraram em um matagal e iniciaram tiroteio com a polícia, até que foram rendidos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-631">
<P>
Da Sucursal do Rio</P>
<P>
A juíza Maria Teresa Cárcomo Lobo, da 28ª Vara Federal do Rio, determinou ontem que a seguradora britânica P&amp;I UK Club deposite em juízo, no prazo de 24 horas, US$ 10 milhões para assegurar a realização de obras no navio Protoklitos 4º que ameaça vazar, na baía de Angra dos Reis, 120 mil toneladas de minério de ferro.</P>
<P>
A juíza diz que "não há como admitir práticas irresponsáveis de completo menosprezo pelas normas de preservação e de segurança, trazendo para as águas territoriais brasileiras um navio de estruturas abaladas". Um acordo entre os responsáveis e as autoridades marítimas prevê que sejam feitas obras no casco. No dia 21 de janeiro, a juíza constatou que as obras não estavam sendo feitas.</P>
<P>
Os responsáveis estariam propondo rebocar a embarcação. Segundo a juíza, não há garantia de que a embarcação não venha afundar. A Folha não conseguiu localizar até as 18h20 de ontem o advogado Pedro Calmon, representante dos proprietários do navio. Também não foi localizada no Rio uma representação do P&amp;I UK Club.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-60485">
<P>
África do Sul em período histórico</P>
<P>
O Lesoto poderá vir a ser absorvido</P>
<P>
AS ACTUAIS convulsões no Lesoto poderão muito bem vir a ser um dos passos para que, a médio prazo, aquele reino montanhoso de 30.300 quilómetros quadrados venha ser incorporado na República da África do Sul, tal como na primeira metade deste século Londres chegou a prometer a Pretória.</P>
<P>
O governo do pequeno país efectuou ontem uma sessão de emergência durante uma trégua na luta que desde há mais de oito dias se trava entre grupos militares rivais; e estudou a hipótese a pedir a intervenção militar sul-africana, pois que parecia estar a perder o controlo da situação.</P>
<P>
O primeiro-ministro Ntsu Mokhehle, líder do Partido do Congresso, é um homem doente de 75 anos e dificilmente poderá continuar por muito mais tempo a ocupar o cargo para que foi eleito o ano passado; de modo que permanece a instabilidade que muitas vezes ali se tem feito sentir durante a última década.</P>
<P>
No entanto, a África do Sul faz-se rogada e observa que a comunidade internacional é que deverá ter a primeira oportunidade de tentar resolver a crise no Lesoto, antes de serem os próprios sul-africanos a intervir.</P>
<P>
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Roelof «Pik» Botha, o homem que em todo o mundo há mais tempo exerce semelhante cargo, explicou que Pretória não deverá tomar nenhuma posição sem que o caso seja levado ao Conselho Executivo Transitório, entidade que nesta altura fiscaliza as actuações do governo de Frederik de Klerk.</P>
<P>
A África do Sul é um país em fase de transição e tal como tenciona acabar com a independência dos bantustões a quem a havia concedido, como o Transkei e o Venda, também é muito possível que a médio prazo tenha de encarar a hipótese de absorver o Lesoto, que dela tanto depende em diferentes campos.</P>
<P>
A Grã-Bretanha só não cumpriu a sua promessa de entregar a antiga Basutolândia à União Sul-Africana porque em 1961 esta rompeu todos os laços com Londres e a Commonwealth. Mas agora que o apartheid desaparece já não há razão muito forte para que o povo soto tenha mais direito a um reino independente do que o povo zulu, numericamente superior</P>
<P>
Conversações de última hora</P>
<P>
A agitação no Lesoto coincide com as últimas conversações que o governo da África do Sul e o ANC estão a efectuar esta semana com os grupos da direita congregados na Aliança da Liberdade, para ainda os tentarem convencer de que devem ir às eleições gerais marcadas para 27 de Abril.</P>
<P>
O ANC, que as sondagens admitem venha a ser o vencedor das eleições, com mais de 60 por cento dos votos, está a fazer tudo por tudo para atender as exigências da direita afrikaner quanto a um certo grau de autonomia. Mas esta só se conforma se também forem contemplados os interesses dos seus aliados zulus inscritos no Partido Inkatha.</P>
<P>
Enquanto se espera hoje a última palavra sobre se o compromisso foi ou não possível, a Frente Popular Afrikaner, que com o Inkatha constitui a Aliança da Liberdade, afirmou já que no dia 29 deste mês instala em Pretória a sua própria autoridade de transição, primeiro passo para a proclamação da autonomia dos brancos de origem holandesa e francesa.</P>
<P>
Se acaso os brancos moderados actualmente no governo e os homens do ANC que com eles têm conseguido negociar a maior parte das estruturas para a África do Sul pós-apartheid conseguirem agora um dificílimo compromisso com a extrema-direita afrikaner e com o Inkatha, talvez também não venha a ser impossível dentro de alguns anos englobar o Lesoto no território sul-africano.</P>
<P>
No vasto território de 40 milhões de habitantes compreendido entre as fronteiras meridionais da Namíbia e as de Moçambique tudo está agora a ser redefinido, num maravilhoso final de século que deverá dar origem ao mais rico e harmonioso dos países africanos. A terra que então bem se poderá chamar da Boa Esperança, talvez com mais propriedade do que há 500 anos. Jorge Heitor</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-44253">
<P>
Quadrilha traficava para Nigéria</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A polícia apreendeu anteontem, às 18h, 45 quilos de cocaína e deteve quatro acusados de fornecer droga para a Conexão Nigéria do tráfico de entorpecente. A cocaína estava em Ourinhos (371 km a oeste de São Paulo) e foi avaliada em US$ 140 mil. A prisão aconteceu após três policiais se infiltrarem na quadrilha.</P>
<P>
Segundo o delegado Ruy Ferraz Pontes, 32, do Denarc (Departamento de Narcóticos), os policiais entraram em contato um mês atrás com os acusados Ramão Rodrigues da Silva, 29, José Carlos Silvério, 34, e Izete Moreira da Silva, 44. Os investigadores se fizeram passar por compradores de cocaína e encomendaram 18 quilos.</P>
<P>
Os acusados teriam marcado para anteontem, às 10h, a entrega da droga em um posto de gasolina da avenida Duque de Caxias (região central de São Paulo). Os policiais infiltrados levaram uma maleta com US$ 54 mil falsificados que o Denarc usa em operações, pois a entrega da cocaína só é feita após o fornecedor ver o dinheiro do comprador.</P>
<P>
"Em cima da hora, os acusados mudaram de plano e disseram que a droga estava em Ourinhos", disse o delegado. Izete ficou em São Paulo, em um hotel da rua Aurora (região central). Ramão e Silvério teriam pego um Escort e levado os policiais infiltrados até Ourinhos para entregar a droga.</P>
<P>
Os investigadores ficaram naquela cidade esperando os acusados na rua Jacinto Sá. Ramão e Silvério chegaram nessa rua acompanhados de Marco Antônio Leandro Daniel, 47. "Os policiais revelaram suas identidades quando os 18 pacotes de cocaína foram entregues", disse o delegado. Na casa de Daniel, na rua Antônio Carlos Mori, o Denarc achou o restante da droga.</P>
<P>
Algumas horas depois, Izete foi presa em São Paulo. Segundo o delegado, a quadrilha vendia o quilo da droga para nigerianos por US$ 7.000. Para o mercado interno, esse preço diminuía 50%. A cocaína vinha da Bolívia para Corumbá (MS) e era levada de avião para Ourinhos. Dos quatro acusados, apenas Izete disse ser inocente. Os outros se negaram a dar entrevistas. Nenhum deles havia sido preso anteriormente pela polícia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-19312">
<P>
África do Sul a três semanas das eleições</P>
<P>
À espera de Henry Kissinger</P>
<P>
Jorge Heitor*</P>
<P>
Políticos dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da Alemanha poderão agora ser a chave para o desbloqueamento da situação de crise na África do Sul. Kissinger e Lord Carrington chegam já esta semana, a tempo da grande cimeira que se debruçará sobre a questão zulu. O presidente da Comissão Eleitoral disse ao PÚBLICO que as perspectivas se desanuviam.</P>
<P>
Aqueles que sempre defenderam que a África do Sul não se encontra de modo algum à beira de uma catástrofe iminente citam hoje a seu favor a chegada, esta semana, dos medianeiros internacionais que vão ajudar a ultrapassar o conflito que opõe os adversários e os defensores das eleições gerais do fim de Abril.</P>
<P>
Henry Kissinger, o antigo secretário norte-americano de Estado que foi o braço direito do Presidente Nixon, é a vedeta de uma mediação que deverá incluir o britânico Lord Carrington e um destacado político alemão, que muito bem poderá ser o antigo ministro Hans-Dietrich Genscher.</P>
<P>
Este esforço de diplomacia que tanto se estava a fazer sentir coincide com a realização, em princípio na próxima sexta-feira, de uma cimeira entre o Presidente Frederik de Klerk, o líder do ANC, Nelson Mandela, o rei dos zulus, Goodwill Zwelithini, o chefe do Inkatha, Mangosuthu Buthelezi; e, ainda, o presidente do Congresso Pan-Africano (PAC), Clarence Makwetu.</P>
<P>
O Presidente da Comissão Eleitoral Independente, juiz Johan Kriegler, declarou ontem ao PÚBLICO que o estado de emergência na província do Kwazulu/Natal está a melhorar as possibilidades de se realizar naquela zona uma eleição democrática, tal como aliás se pretende no resto do país.</P>
<P>
Resistência passiva</P>
<P>
Kriegler disse que as autoridades do Kwazulu, antigo bantustão que de ora em diante se dissolve na antiga província do Natal, juntando-lhe o seu nome, só com relutância é que estão a cooperar com a Comissão Eleitoral, numa espécie de resistência passiva.</P>
<P>
O grande objectivo do Presidente De Klerk e de Nelson Mandela, possivelmente com a ajuda de Kissinger e de Lord Carrington, é conseguir ultrapassar a insolência até agora demonstrada por Buthelezi e levá-lo a aceitar, mediante um qualquer compromisso, que as eleições também se possam efectuar no Kwazulu-Natal, ao mesmo tempo que nas restantes oito províncias sul-africanas.</P>
<P>
O juiz Kriegler observou que o líder do Inkatha só poderá agora apresentar-se ao eleitorado como candidato de um dos partidos devidamente registados, uma vez que a tempo e horas não aceitou inscrever o dele. Mas uma gráfica da África do Sul afirma que em três dias ainda se poderiam imprimir novos boletins de voto, para substituir aqueles que já estão compostos e que não incluem o nome e o símbolo da força que se reivindica defensora da identidade zulu.</P>
<P>
São 18 as oportunidades de escolha que se encontram num dos actuais boletins, desde o ANC, o Partido Nacional e o PAC até ao Sports Organisation for Collective Contributions and Equal Rights (SOCCER), que tem por emblema uma bola de futebol, e ao Keep it Straight and Simple (KISS), cujo símbolo é constituído por uns lábios.</P>
<P>
Ainda antes da chegada dos medianeiros e da cimeira que se pretende da reconciliação de todos os sul-africanos deverão conferenciar entre si delegações do ANC e do Inkatha, designadamente àcerca das reivindicações federalistas deste último. E uma das hipóteses em aberto é a das eleições para a assembleia regional do Kwuazulu/Natal não se efectuarem na mesma data das eleições para a Assembleia Nacional, mas apenas uma ou duas semanas depois.</P>
<P>
O general Constand Viljoen, elemento relativamente moderado da extrema-direita boer, sugeriu entretanto que o Inkatha vá às urnas incluído nas listas da Frente da Liberdade, cujo principal objectivo é conseguir o direito a uma região exclusivamente administrada por brancos cuja língua deriva do antigo holandês; um Volkstaat.</P>
<P>
*Com Steven Lang, em Joanesburgo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-69678">
<P>
Breves</P>
<P>
Grande derrota do SPD</P>
<P>
O PARTIDO SOCIAL-DEMOCRATA (SPD), em plena crise de identidade, foi ontem o principal derrotado nas eleições regionais de Berlim, onde desceu ao seu mais baixo nível do após-guerra, enquanto os Verdes e os comunistas avançaram bastante. Segundo as estimativas das televisões públicas, ao princípio da noite, uma hora depois de encerradas as assembleias de voto, o SPD, com 23,8 por cento dos sufrágios, perde mais de seis pontos e meio em relação a 1990. A União da Democracia Cristã, do chanceler Helmut Kohl, que dirigia o Governo regional cessante, fica com 36,9 por cento dos votos, mas perde mais de três pontos e meio. Os Verdes chegam a 14,2 por cento e os comunistas reformistas do PDS, herdeiros espirituais do antigo regime da RDA, alcançam 13,9, quando nas anteriores eleições nenhum desses grupos chegaram sequer a ser apoiado por 10 por cento do eleitorado berlinense.</P>
<P>
Mantêm-se clivagens suíças</P>
<P>
OS eleitores das cidades suíças deram ontem ganhos ao Partido Socialista (SP), favorável à União Europeia, enquanto o campo votou maioritariamente nos nacionalistas, reforçando-se assim as clivagens que já se notavam na Confederação Helvética. Quatro milhões e meio de eleitores foram chamados a renovar por quatro anos os 200 deputados ao Conselho Nacional e 39 dos 46 lugares no Conselho dos Estados, a câmara alta que representa os 23 cantões. De acordo com as projecções feitas ao fim do dia, os radicais-democratas (PRD), centristas, poderiam porém continuar a ser um dos primeiros partidos da Suíça, com cerca de 20 por cento dos votos, não se verificando ao fim e ao cabo alterações muito substanciais no panorama político nacional. Os socialistas parecem avançar em especial nos cantões germanófonos, que representam dois terços da população.</P>
<P>
D'Alema defende Dini</P>
<P>
O LÍDER do Partido Democrático da Esquerda (PDS), Massimo D'Alema, afirmou ontem à televisão que a Itália arrisca meses de caos económico e político se o primeiro-ministro Lamberto Dini perder esta semana a confiança do Parlamento. O triunfo de uma moção apresentada pelo bloco centro-direita chefiado pelo antigo primeiro-ministro Silvio Berlusconi poderia levar a eleições gerais antecipadas, mais de três anos antes do período normal. D'Alema pediu à Refundação Comunista que não vote contra Dini, para que não haja uma «crise dramática».</P>
<P>
Manifestação húngara anti-Governo</P>
<P>
Centenas de apoiantes do Partido da Vida (direita) manifestaram-se ontem em Budapeste ameaçando marcar uma greve geral se o Governo de Gyula Horn (ex-comunistas) continuar com a política de austeridade. O presidente do partido, Istvan Csurka, disse à multidão que a política económica do executivo de coligação entre socialistas e liberais está a enfraquecer o país. Csurka é considerado um extremista, e os partidos com representação parlamentar afastaram-se da iniciativa, que teve lugar na véspera do 39º aniversário do levantamento contra o domínio comunista no país. Mas é crescente o descontentamento geral face à actuação de Horn, que já provocou desentendimentos dentro da coligação e do próprio Partido Socialista.</P>
<P>
Atentado contra mesquita</P>
<P>
A ARÁBIA Saudita disse que um seu cidadão morreu ontem de ferimentos causados pelo ataque bombista da semana passada a uma mesquita cheia de fiéis, o que eleva a sete o número de vítimas. As autoridades percorreram a remota região ocidental do país, em busca de Abdullah bin Mohammad bin Sa'ad al-Amri, suspeito pelo atentado, que feriu mais de uma centena de pessoas, 36 das quais ainda se encontram hospitalizadas. Os mortos já conhecidos eram três sauditas, dois indianos e um egípcio. Foi o primeiro ataque conhecido a uma mesquita saudita desde 1989, ano em que algumas bombas explodiram em Meca, matando um peregrino e ferindo 16.</P>
<P>
Eleições pacíficas em Zanzibar</P>
<P>
OS ZANZIBARITAS votaram ontem pacificamente, nas suas primeiras eleições multipartidárias desde que em 1964 se juntaram ao Tanganica, para formar a Tanzânia, um dos países mais pobres e menos noticiados do mundo. Enfrentando chuvas esporádicas, os ilhéus formaram bicha durante horas para escolherem o presidente e o parlamento regionais, num ensaio geral das eleições que no dia 29 se efectuam em todo o território tanzaniano. O resultado deverá ser oficialmente conhecido hoje ou amanhã.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-23826">
<P>
Whitbread Regata Volta ao Mundo 93-94</P>
<P>
Mau tempo no canal</P>
<P>
A tripulação feminina do iate Heineken, participante na Whitbread Regata Volta ao Mundo 93-94, já está a 350 milhas do porto inglês de Southampton. Depois de ter conseguido instalar, a muito custo, o leme de emergência que o «skipper» uruguaio Gustavo Vanzini lhes passou há dois dias -- uma operação bastante difícil, devido ao mau tempo que se faz sentir a sul da Inglaterra -- navega agora a uma velocidade de 7 nós (cerca de 12 km/h).</P>
<P>
A comandante americana Dawn Riley relatou à central de regata que as manobras de transferência e instalação do leme sobressalente foram penosas: «Primeiro, tivemos que embarcar as peças -- a pá do leme em alumínio, dois paneiros e ferragens de fixação --, que foram transferidas de bordo do `maxi' Uruguay Natural. Usamos uma adriça (cabo de sustentação das velas) para içar das águas revoltas um peso total de 68 quilos. Depois, o trabalho de instalação ficou por nossa inteira conta, pois a tripulação do Uruguay Natural já nada podia fazer para nos ajudar.»</P>
<P>
A equipa feminina cortou então um dos paneiros (pranchas de madeira que servem de piso no interior dos barcos) para servir de suporte à pá do leme na popa. Aí, começou a parte mais difícil do trabalho: furar com a broca debaixo da água. «Tivemos que fazer algumas modificações, pois a nossa broca era muito pequena e usámos alguns parafusos do gerador para instalar um suporte em forma de T na popa. Gastámos imenso tempo também a recarregar a broca eléctrica», disse a navegadora Adrienne Cahalan.</P>
<P>
Para colocar o leme fora da borda, foi necessário que duas velejadoras fossem para dentro da água, enquanto o resto da equipa, no convés, manobrava quatro adriças e seis cabos-guias, para efectuar a reparação. Toda a operação decorreu sob tempestade, com ventos de 45 nós (cerca de 80 km/h) e mar grosso, que fazia o barco derivar de popa nas vagas de 6 a 11 metros de altura.</P>
<P>
Entretanto, os iates WOR 60 Brooksfield e Hetman Sahaidachny cruzaram a linha de chegada no último fim-de-semana. O iate italiano Brooksfield chegou ao porto inglês com a vela grande rota e avarias no convés, resultado das baixas pressões atmosféricas que sofreu durante o percurso. O «skipper» Guido Maisto, que dominou a etapa na primeira semana de navegação ao optar por um rumo fora da corrente do Golfo e mais a sul da frota, acabou por não conseguir manter a liderança face aos iates que navegavam mais a norte.</P>
<P>
O «skipper» do iate ucraniano Hetman Sahaidachny, Eugene Platon, disse não estar decepcionado com o 8º lugar na classe: «Não tínhamos nenhuma ilusão de vitória, mas sabíamos que completaríamos essa circum-navegação apesar de todas as dificuldades financeiras do projecto, cujo orçamento não chegava a dez por cento dos outros sindicatos. Agora já estamos a pensar na próxima regata, em 1997-98.»</P>
<P>
Dia de Portugal no mar</P>
<P>
O 10 de Junho, Dia de Portugal, será festejado no mar com as Regatas dos Descobrimentos, um evento que integra as Comemorações do Mar, instituídas pelas Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, com apoio da Federação Portuguesa de Vela, clubes e associações navais. De norte a sul do país -- Matosinhos, Lisboa, Lagos, e também a Madeira e os Açores --, as frotas de vela ligeira, embarcações de cruzeiro e barcos tradicionais tomarão parte em várias provas náuticas.</P>
<P>
Nysse Arruda</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-88751">
<P>
Acidente com petroleiro põe Turquia em alerta</P>
<P>
A colisão entre um petroleiro e um navio de carga, à passagem do pequeno estreito do Bósforo, que separa as duas margens de Istambul, provocou mais de duas dezenas de mortos e vários feridos. Evitou-se a maré negra mas o desastre, ocorrido num dos locais do mundo mais atravessados por navios com cargas perigosas, reavivou o medo turco de um grande desastre. A Turquia quer ter mais controlo sobre este canal, fronteira entre a Ásia e a Europa e passagem estratégica dos países da antiga União Soviética: do Mar Negro para o Egeu, têm no Bósforo o único meio de levar o seu petróleo para o Ocidente.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-20623">
<P>
Opinião</P>
<P>
Eleições num cenário de guerra</P>
<P>
Na Argélia realizam-se hoje as primeiras eleições presidenciais pluralistas desde a independência de 1962. É o que não se cansam de dizer os quatro candidatos à Presidência, citação abundantemente retomada pela quase totalidade dos media. Observadores internacionais enviados pela Liga Árabe e pela Organização de Unidade Africana e uma missão da ONU composta por sete membros, asseguram ao regime uma certa caução internacional para o escrutínio fortemente contestado pela oposição.</P>
<P>
Desde a anulação das eleições legislativas de Dezembro de 92, em que a Frente Islâmica de Salvação (FIS) tinha sido a grande vencedora ao lado da Frente das Forças Socialistas (FFS) e da Frente de Libertação Nacional (FLN), que a Argélia se encontra em guerra.</P>
<P>
Uma guerra sem imagens que já fez mais de 50 mil mortos, uma guerra em que um regime militar pouco preocupado com o respeito dos direitos humanos e das liberdades, se rege por um terrorismo bárbaro. Assassínios, raptos, violações, tortura, tribunais de excepção e carros armadilhados constituem o dia a dia de um povo refém de dois radicalismos mortíferos.</P>
<P>
Desde Janeiro deste ano, a oposição saída das eleições de Dezembro de 91 (FIS-FFS-FLN), juntamente com outras três organizações políticas e a Liga Argelina de Defesa dos Direitos do Homem, celebrou um acordo em Roma sob a égide da comunidade de Santo Egídio. O acordo, denominado «Contrato nacional para uma solução política pacífica para a crise argelina», apelando à democracia, à rejeição da violência, ao respeito dos direitos do homem e à alternância no poder, foi recusado «globalmente e em detalhe», segundo os seus próprios termos, por Liamine Zéroual, Presidente da Argélia, ministro da Defesa e, actualmente, candidato à sua própria sucessão.</P>
<P>
A esta «oferta de paz» da oposição, Liamine Zéroual preferiu a organização de eleições presidenciais com um cenário de guerra e de uma gravíssima crise social, económica e política, com o apoio dos partidos vencidos nas eleições de Dezembro de 91 [União para a Cultura e Democracia (RCD), Hamas e Partido da Renovação Argelina (PRA)] e que evoluem na periferia imediata do regime.</P>
<P>
Por seu lado, a oposição boicota as eleições. O que lhe valeu a interdição de qualquer manifestação pública a partir de Junho passado. Alguns opositores foram presos a dois dias do escrutínio, o semanário da oposição «La Nation» foi proibido por três vezes no espaço de um mês e um impressionante dispositivo de segurança foi montado nas cidades e, sobretudo, na capital. E os grupos armados fizeram circular ameaças de morte a todos os que fossem votar.</P>
<P>
Prisioneira das pressões da Administração, da propaganda do poder e das ameaças dos grupos armados, uma parte da população irá votar na esperança de acabar com esta guerra, como promete o discurso do regime. Mas uma parte não negligenciável dessa mesma população que sofreu em cheio a repressão do Estado vive estas eleições como uma violência suplementar. Se não é certo que os que vão votar na esperança de que a paz regresse fiquem satisfeitos, nas semanas seguintes ao escrutínio, aqueles que não vão votar encontram-se já descontentes.</P>
<P>
Salima Ghezali, directora do semanário de oposição argelino «La Nation»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70782">
<P>
Mais bombas em Paris e Argel e julgamento do GIA em Bruxelas</P>
<P>
A psicose dos extremistas islâmicos</P>
<P>
A França, a Bélgica e a Argélia reforçaram ontem as medidas de segurança para se defenderem dos extremistas islâmicos. Em Paris, eles são suspeitos de ter colocado mais uma bomba no centro da cidade; em Bruxelas, 13 presumíveis membros do GIA estão a ser julgados por vários crimes; e em Argel acusam-nos da escalada de terror vivida nas últimas 48 horas.</P>
<P>
A polícia francesa revelou ter desactivado ontem uma bomba de forte potência colocada no centro de Paris, a 50 metros de uma escola, no dia em que centenas de milhares de estudantes recomeçaram as aulas. As autoridades seguem a pista dos extremistas islâmicos, já suspeitos de um atentado falhado que no domingo causou três feridos.</P>
<P>
O engenho explosivo ontem descoberto -- uma botija de gás de 25 quilos com um sistema de detonação formado por um despertador e pilhas -- estava escondido numa casa de banho pública, à entrada da estação de metro de Convention, numa zona comercial e de animação. A polícia, segundo um porta-voz, foi alertada por um empregado de limpeza dos sanitários.</P>
<P>
O facto de a bomba ter sido encontrada próximo de uma escola fez aumentar os receios de que crianças podem ser os próximos alvos, por isso, as medidas de segurança foram redobradas. Tratou-se da quinta acção terrorista em França desde o início do Verão, embora só três engenhos tivessem deflagrado causando um total de sete mortos e 101 feridos. Ninguém reivindicou a responsabilidade, mas a polícia e as autoridades judiciais privilegiam a pista dos extremistas argelinos, sobretudo a do Grupo Islâmico Armado (GIA).</P>
<P>
Réus na Bélgica e terror na Argélia</P>
<P>
É também o GIA que está no banco dos reús em Bruxelas, onde começou ontem o julgamento de 13 dos seus presumíveis membros, acusados de várias ofensas, desde posse ilegal de armas e explosivos até falsificação e aquisição de bens roubados.</P>
<P>
Os acusados, relatou a France Presse, chegaram ao tribunal rodeados de um «impressionante serviço de segurança», sobretudo porque o GIA ameaçou exercer represálias contra a Bélgica se não libertar Ahmed Zaoui, considerado o seu chefe na Europa.</P>
<P>
Na Argélia, o GIA é igualmente suspeito da escalada de terror das últimas 48 horas. Ontem à tarde, mais um carro armadilhado explodiu nos arredores de Argel, em Birkhadem, causando «uma dezena de feridos», segundo um repórter da France Presse.</P>
<P>
No domingo, três residentes estrangeiros e dois jornalistas argelinos foram encontrados assassinados, uma ponte foi destruída, o motorista de um ministro escapou a um atentado e um camião carregado com 500 quilos de TNT não foi pelos ares porque os sapadores chegaram a tempo.</P>
<P>
No sábado, a explosão de um outro veículo armadilhado deixou em estado de choque os habitantes de Meftah, nos arredores de Argel. Mais do que as vítimas (seis mortos e 83 feridos), o que abalou os espíritos foram os danos materiais: um bairro onde viviam polícias naquela pequena povoação ficou quase destruído como se tivesse sido bombardeado. «Parecia Beirute», comentou um jornal local.</P>
<P>
Na sexta-feira, nove mortos e 104 feridos foi o balanço de um ataque suicida -- também com um carro armadilhado -- que visou o comissariado da polícia em Argel.</P>
<P>
Todos estes actos de violência surgem a menos de dez semanas das eleições presidenciais, marcadas para 16 de Novembro. E o objectivo, crêem os analistas, é exactamente impedir o escrutínio rejeitado pela maioria dos partidos da oposição, incluindo a ilegalizada FIS.</P>
<P>
De momento, os únicos candidatos de envergadura são o xeque Mahfoud Nahnah, presidente do Movimento da Sociedade Islâmica (MSI-Hamas), grupo que prega um Islão «tolerante e moderno», e o antigo primeiro-ministro Redha Malek, que prometeu «combater o terrorismo por todos os meios».</P>
<P>
O jornal privado «La Tribune» crê que os atentados tornam absurda a campanha presidencial, mas os que defendem o processo exprimem a confiança de que, pelo contrário, os cidadãos sentir-se-ão encorajados a votar, para pôr fim a um conflito iniciado com a anulação de uma vitória eleitoral dos islamistas em 1991 e que, em três anos, já causou mais de 40 mil mortos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59439">
<P>
As vendas de carros novos na Europa Ocidental caíram 15,2% em 1993. É a maior queda desde 1945, segundo o "Financial Times". Citando estimativas do setor, o jornal britânico afirma que foram vendidos 11,45 milhões de carros em 1993, pelo menos 2 milhões a menos do que em 1992.</P>
<P>
Quatro das seis grandes montadores –VW, Fiat, Peugeot, Citro-en e Ford da Europa– sofreram pesadas perdas. As vendas caíram em 15 dos 17 mercados. Reino Unido e Noruega foram as exceções.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-73889">
<P>
Apesar da chuva ter diminuído na Europa Central</P>
<P>
O pior pode estar para vir</P>
<P>
Luís Miguel Viana*</P>
<P>
A intensidade das chuvadas abrandou no centro e no norte da Europa durante a noite de sábado para domingo. Mas os rios continuam a transbordar e, para além de centenas de vilas e aldeias, o centro histórico de Colónia já está com água pelo primeiro andar. As inundações podem piorar nos próximos dias, avisam as autoridades.</P>
<P>
As tempestades ainda devastam as regiões mais populosas do centro e do norte da Europa, que ontem continuavam a sofrer os efeitos de chuvadas violentas, quedas de neve e ventos destruidores. Já morreram dezenas de pessoas e milhares de casas ficaram destruídas. Principalmente a Holanda, a Bélgica e o nordeste da França continuavam a braços com devastadoras inundações.</P>
<P>
Embora os níveis de queda de água tenham estabilizado durante a noite de sábado para ontem na Alemanha ocidental e no sul da Bélgica e da Holanda, as autoridades prevêm que as cheias venham a ser muito piores nos próximos dias. Esta previsão não poderia ser mais assustadora, dado que os grandes rios da Europa central já saltaram dos seus leitos, inundado várias aldeias, vilas e cidades.</P>
<P>
Apesar da chuva mais grossa ter começado a abrandar, continuava ontem a ser necessário evacuar muitas pessoas das suas casas, sobretudo na Holanda e França e no sul da Bélgica, onde a Cruz Vermelha já distribuiu mais de mil refeições a desalojados.</P>
<P>
Na Alemanha, a temida inundação do centro histórico de Colónia pelo rio Reno ocorreu sábado, sucedendo pela segunda vez em pouco mais de um ano. Batendo todos os recordes, a água atingia ontem o nível do primeiro andar das habitações -- e continuava a subir. Para além do Reno e dos seus afluentes, verificaram-se subidas acentuadas dos rios Meno, Danúbio, Fulda, Sar e Weser, as quais, tal como os meteriologistas previam antes do fim-de-semana, ultrapassaram as inundações de Dezembro de 1993, que então bateram o recorde do século.</P>
<P>
Em Koblenz, Alemanha, onde os rios Reno e Mosa convergem, já foi necessário recorrer a cortes no fornecimento de energia eléctrica às regiões vizinhas. As águas que galgaram o Mosa agravaram também a situação nas Ardenas francesa e belga. Algumas centenas de quilómetros mais à frente, na Holanda, o mesmo Mosa prosseguiu a inundação de aldeias do sudeste do país e da região de Maastricht. Segundo as autoridades, ontem de manhã já tinham sido evacuadas da zona 6.500 pessoas, num raio de 90 quilómetros (em Dezembro de 1993 foram 8 mil os evacuados). A maior parte das pessoas têm-se recolhido em casas de familiares e amigos, mas algumas centenas continuam a aguardar o fim do dilúvio em centros de acolhimento.</P>
<P>
Na pior tempestade que nos últimos últimos 150 anos assolou a França, as águas do Sena mantiveram-se durante o fim de semana mais de quatro metros acima do normal. No nordeste regressou a inquietação, com o medo e a descrença a instalar-se na populações da Bretanha. Nas Ardenas os serviços de protecção civil procederam na noite de sábado para domingo a mais de quinhentas evacuações, numa zona em que mais de meia centena de estradas estão intrasitáveis.</P>
<P>
Onde a situação parece estar a melhorar é em Franche-Comté, junto à fronteira Suíça, dado o fluxo do rio Doubs continuar a baixar. As autoridades, porém, continuam a recear novas chuvadas e a recomendar prudência às populações. Mas o mau tempo não estragou a disposição a toda a gente e, na Normandia, um jovem foi detectado sábado a fazer windsurf no hipódromo da cidade de Caen. Por essa «contravenção» foi multado em 300 francos.</P>
<P>
Na Grã-Bretanha continua o caos provocado pela neve nas estradas do norte, mas não há notícias de catástrofes ou vítimas como no continente. Já na Itália, no noroeste, dois esquiadores ficaram sábado soterrados por uma avalanche de neve.</P>
<P>
O trânsito ferroviário tendo vindo a sofrer paralizações de várias horas-- e até de dias -- na Suíça, na França e na Áustria. Ontem, no sul da Bélgica, as inundações provocaram um desabamento de terras que levou atrás de si os carris. Previa-se que a via férrea estivesse reposta ao princípio da noite ontem mas, em qualquer caso, os comboios internacionais ficaram suspensos.</P>
<P>
*com APF e Reuter</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-96408">
<P>
GP Brasil: Raikkonen campeão do Mundo</P>
<P>
FINLANDÊS DA FERRARI ARREBATOU TÍTULO CONTRA FAVORITISMO DA MCLAREN </P>
<P>
O finlandês Kimi Raikkonen sagrou-se campeão do Mundo de F1 vencendo o GP do Brasil, à frente do companheiro de equipa na Ferrari Filipe Massa e do espanhol Fernando Alonso.</P>
<P>
Lewis Hamilton, colega de Alonso na McLaren, não passou da 7.ª posição, depois de partir em vantagem pontual no Campeonato do Mundo, e teve de contentar-se com o segundo lugar, com 109 pontos, a apenas um do novo campeão, mas os mesmos que Alonso, embora com mais vitórias. </P>
<P>
Emoção</P>
<P>
Não faltou emoção em Interlagos no Circuito José Carlos Pace desde a primeira volta da corrida decisiva do Mundial, incluindo alguns acidentes entre actores secundários... e deslizes dos protagonistas.</P>
<P>
O Ferrari de Raikkonnen partiu que nem um cavallino rampante e juntou-se ao companheiro de equipa tapando Alonso, que por sua vez ganhara uma posição colega Lewis Hamilton. </P>
<P>
O líder do campeonato, que podia muito bem esperar para ver como decorria a prova, tentou passar o bicampeão e cometeu um erro de trajectória na 4.ª curva da primeira volta, saindo de pista e descendo para a 8.ª posição, atrás dos Toyota.</P>
<P>
Quando já recuperara para o quinto posto, eis que o britânico abranda com problemas na electrónica, acabando na 18.ª posição, o que o obriga a fazer uma corrida de trás para a frente na busca do título!</P>
<P>
A 8 voltas do fim, Raikkonen liderava e já era campeão virtual, atrás de Alonso (3.º na prova) e Hamilton (8.º): o domínio da Ferrari era total na corrida, e só destinatário do título era incerto...</P>
<P>
Mas a 5 voltas do fim o finlandês fez a melhor volta do dia, enquanto Hamilton era apenas 7.º... a 15 segundos de Heidfeld, e muito longe do 5.º lugar que lhe daria o título. Festa à brasileira para Raikkonen com dobradinha de Massa bem saborosa para a Ferrari: GP do Brasil e Mundiais de pilotos e construtores... </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-63957">
<P>
Falta de água</P>
<P>
O Alentejo procura de soluções</P>
<P>
As assembleias distritais de Évora, Beja, Setúbal e Portalegre aprovaram esta semana, em Montemor-o-Novo uma moção onde pedem "a declaração da situação de calamidade pública para as zonas mais afectadas" pela seca que assola o Alentejo há quase cinco anos.</P>
<P>
No encontro realizado em Montemor-o-Novo, os colectivos distritais lançaram alguns elementos que consideram essenciais para uma nova política de recursos hídricos, a sua gestão e combate à seca. Entre elas está a a elaboração de uma Lei da Água e de um Plano Hidrológico Nacional. A assinatura de novos convénios com o país vizinho que garantam uma partilha equilibrada das águas dos rios internacionais foi outro dos aspectos considerados importantes para a resolução dos problemas alentejanos. Outro factor diz respeito à identificação de fontes de poluição dos cursos de água do Alentejo e sua irradicação.</P>
<P>
A questão mais grave coloca-se ao nível da qualidade da água. Francisco Cabanillas, investigador do Instituto Zurbairan, sediado em Badajoz, considera "delicado" o actual estado do Guadiana. Segundo aquele técnico, o "insuficiente número de estações de tratamento de águas residuais existentes em Espanha" pode causar danos na qualidade da água proveniente daquele país.</P>
<P>
Mário Lino, presidente da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos, referiu que "não interessa só encher Alqueva, interessa que a água não venha poluída".</P>
<P>
Uma parte importante da poluição tem a sua origem nas explorações agrícolas, diz Mário Lino. "Nós não temos conhecimento dos níveis de qualidade da água que provém de Espanha, dado que os convénios assinados nos anos 50 e 60 não contemplavam esse factores. Portugal tem de exigir que os níveis mínimos de qualidade sejam satisfeitos à entrada da água no país", disse.</P>
<P>
Por seu turno, Faria Ferreira, um dos "pais" do projecto Alqueva, acha necessário começar por avançar com a construção da barragem. "Os espanhóis têm tanto interesse no Alqueva como nós. Eles dão-nos a água que depois nós lhes facultamos, em termos de valorização para aproveitamentos que eles querem fazer na zona costeira entre Huelva e Cadiz".</P>
<P>
Para Faria Ferreira, esta é a grande vantagem para negociar com os espanhóis. "Isso dá-nos uma força negocial bastante grande , mas para isso temos de fazer Alqueva».</P>
<P>
Alentejo feito "num passador"</P>
<P>
Em Beja também se discute a falta de água e as suas consequências imprevisíveis, preocupações que ficaram bem patentes num fórum sobre a Água realizado na Biblioteca Municipal daquela cidade alentejana.</P>
<P>
António Chambel, da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos, levantou algumas aqui dúvidas sobre a forma como o Estado impôe uma gestão de água que quase sempre causa fortes polémicas. Chamou a atenção para algum laxismo das autarquias alentejanas quanto ao uso que neste momento é feito das reservas existentes e focou o exemplo de algumas aldeias do distrito de Évora onde cada habitante consome diáriamente 200 litros de água, média que as coloca ao nível das cidades industrializadas.</P>
<P>
Falando sobre os furos artesianos, que se fazem cada vez mais de forma indiscriminada, o especialista sublinhou a total ausência de critérios e de empresas especializadas nesta actividade. Há furos que são mal feitos e de uma forma aleatória em zonas que não terem aquíferos. A ausência de fiscalização e de um levantamento sobre os lençóis freáticos contribui para a indiscriminada abertura de furos que "está a transformar o Alentejo num passador".</P>
<P>
António Chambel propõe que a reposição dos aquíferos se faça através da água da chuva, que seria canalizada durante o Inverno para os furos e utilizada durante o Verão.</P>
<P>
A qualidade da água foi outra das questões abordadas e a suscitar alguma polémica, nomeadamente no caso de Beja. Segundo Luísa Gouveia, professora na Escola de Saúde Pública que durante dois anos realizou um estudo sobre a contaminação química da água, Beja está a enfrentar cada vez mais dificuldades no abastecimento das populações: se por um lado a água escasseia, por outro as reservas que ainda mantém na albufeira do Roxo apresentam valores anormais de cloreto de sódio, cerca de 400 miligramas por litro.</P>
<P>
A autoridade sanitária do distrito, Francisco George, revelou, por seu turno, a apreensão quanto às consequências que daqui poderão advir para a saúde pública, sobretudo numa população que tem elevadas percentagens de hipertensos. P.N./C.D.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-44595"> 
<P> Tour: Procura-se candidato </P>
 <P> PAULINHO EM PROVA DESFALCADA DE VEDETAS </P>
 <P> Pelo segundo ano consecutivo e após a era de Lance Armstrong, o Tour está desfalcado de grandes candidatos à vitória. Sem a presença do norte-americano, do alemão Jan Ullrich e do italiano Ivan Basso, e até de outro transalpino, Alessandro Petacchi, a « Grand Boucle » inicia-se amanhã em Londres sem grandes expectativas. Procura-se candidato, é este o ponto fulcral da prova, que também não terá o dorsal n.º 1. </P>
 <P> Ainda está por definir quem será declarado vencedor de 2006, depois do caso de doping de Floyd Landis. Daí a organização ter decidido suspender os dorsais entre o 1 e o 1, começando o Tour no 11. </P>
 <P> Face então às ausências de vulto acima referidas, todas devido a ligações ao doping -- à excepção naturalmente de Armstrong, que se retirou após a sétima vitória em 2005 --, três ou quatro nomes surgem ainda assim mais destacados na corrida pela vitória. </P>
 <P> São eles o cazaque Alexandre Vinokourov (Astana), os espanhóis Alberto Contador (Discovery) e Alejandro Valverde (Caisse), e o norte-americano Levy Leipheimer (Discovery). Nós, portugueses, teremos em atenção a estreia de Sérgio Paulinho. </P>
 <P>Cinco mil polícias</P>
 <P> Cerca de 5 mil polícias foram destacados para estarem de serviço em Londres por ocasião da passagem do Tour por Inglaterra. A segurança foi reforçada depois dos atentados terroristas verificados a semana passada na capital inglesa e em Glasgow. E, para além do Tour, há ainda o Torneio de Ténis de Wimbledon, e o GP de F1 de Silverstone. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-58907">
<P>
Temporal no baixo Vouga</P>
<P>
Duzentas cabeças de gado e milhares de contos de prejuízo</P>
<P>
Os efeitos do temporal que no último fim-de-semana assolou toda a região Centro estão ainda por apurar. Autarcas, serviços de protecção civil e associações de produtores de leite estão a proceder a um levantamento exaustivo dos danos provocados pelo mau tempo em toda a região do baixo Vouga lagunar.</P>
<P>
A visita do secretário de Estado da Administração Interna, Armando Vara, na tarde de anteontem, às zonas mais afectadas pelas cheias contribuiu para acalmar os ânimos exaltados. Armando Vara incumbiu o governador civil de Aveiro, Antero Gaspar, de efectuar uma avaliação dos prejuízos e deixou a promessa de serem disponibilizadas verbas de auxílio às populações mais afectadas.</P>
<P>
 Na tarde de ontem, mantinha-se inoperacional a linha ferroviária do Vale do Vouga, entre Aveiro e Águeda, devido ao abatimento dos terrenos. A EN 230 e o IP5 foram já reabertos ao trânsito; no Casal de Álvaro e Fontinha, as estradas municipais estão ainda impedidas, mas a situação está a normalizar-se na zona de Águeda, com o retorno das águas ao Vouga.</P>
<P>
A Associação de Produtores de Leite do Norte e Centro aponta para cerca de 200 cabeças de gado já perdidas e prejuízos na ordem dos 25 mil contos, contabilizados em perdas de máquinas e alfaias agrícolas. Mais difícil de averiguar são os danos no património rústico, ou seja, os estragos que a erosão da água vai causar nos terrenos alagados. A evacuação dos bovinos obriga também a um custo acrescido com a sua alimentação, prevendo-se um dispêndio de cerca de 70 mil contos, se o gado for alimentado em manjedoura durante dez dias.</P>
<P>
Na zona ribeirinha de Angeja, concelho de Albergaria-a-Velha, várias casas foram submersas e dez famílias ficaram desalojadas. Na zona de Canelas, diversas cabeças de gado ficaram retidas na ilha do Monte Farinha e outras foram levadas pela corrente. A protecção civil mantém em curso operações de salvamento de gado nas áreas inundadas.</P>
<P>
 Uma vacaria evacuada em Ois da Ribeira, cujo equipamento de ordenha e refrigeração se encontra gravemente danificado, estando ainda três silos submersos, é, de momento, a única informação de prejuízos avançada pela Lacticoop, que está também a proceder ao levantamento dos danos causados pelas cheias nos terrenos dos membros dessa cooperativa.</P>
<P>
A extensão dos danos causados pelo mau tempo só poderá, no entanto, ser analisada no final da semana, quando se esperam os primeiros resultados da contabilização dos estragos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-7398">
<P>
SÉRGIO MALBERGIER</P>
<P>
De Londres</P>
<P>
O presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Max Mosley, disse ontem que "há uma grande suspeita" de que a morte de Ayrton Senna foi causada após a roda e a suspensão dianteiras de seu Williams terem atingido a sua cabeça e não pelo impacto direto da cabeça contra o muro de concreto.</P>
<P>
Mosley respondeu, em carta ao jornal britânico "The Times", a uma carta de um leitor publicada anteontem, criticando as medidas de segurança da FIA.</P>
<P>
"Há uma forte suspeita de que Ayrton Senna foi morto por um golpe na cabeça da roda e suspensão dianteiras e, se não fosse por isso, ele teria sobrevivido sem ferimentos sérios", escreveu ele.</P>
<P>
Outro dirigente da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, presidente da Foca (Associação dos Construtores da Fórmula 1), apoiou a teoria.</P>
<P>
"Se aquela roda (do carro de Senna) tivesse ido dez centímetros para o lado ou para cima ele teria simplesmente aberto o cinto de segurança e saído do carro muito chateado. Foi um grande azar", disse Ecclestone.</P>
<P>
Após a morte de Senna e do piloto austríaco Roland Ratzenberg no circuito de Imola, os dois dirigentes e suas organizações foram criticados por causa da falta de segurança no autódromo italiano, principalmente pela falta de proteção contra os muros de concreto cercando a pista.</P>
<P>
Mosley disse na carta ao "Times" que os muros de concreto são permitidos, em casos onde um eventual choque do carro contra a parede tenha remotas chances de ser frontal.</P>
<P>
"Os principais pilotos e a FIA estavam satisfeitos com os muros de Imola porque a experiência de muitos acidentes mostrou que eles tinham a angulação correta. Não houve ferimentos", disse Mosley.</P>
<P>
"Nós saberemos mais quando os resultados do inquérito italiano (sobre os acidentes) estiverem disponíveis. Até aqui parece improvável que surjam dúvidas sobre um princípio que funcionou bem durante anos e do qual todos os circuitos ovais americanos dependem", concluiu Mosley.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71161">
<P>
A PLACA de sinalização já não aponta para locais que nos transportam para a magia. Antes torna tragicamente real a situação que se vive na Riviera francesa e no Piemonte (Noroeste) italiano. Nesta última região, havia ontem, ao fim da tarde, dez mortes confirmadas e dez pessoas estão desaparecidas, segundo números da protecção civil citados pela Reuter. Mas a France Presse apontava para um total de 27 mortos ou desaparecidos nos últimos três dias, em consequência do mau tempo e das chuvas torrenciais que se abateram sobre toda a região. E estes são apenas balanços provisórios da protecção civil, que receiam o agravamento da situação e o aumento das vítimas. Há várias localidades ainda isoladas -- em Asti, por exemplo, são três mil pessoas -- pelas inundações. Milhares de pessoas estão sem abrigo, enquanto mais de mil bombeiros apoiados por centenas de voluntários participam nas operações de socorro. Em França, o aeroporto de Nice-Côte d'Azur teve que encerrar: as salas de embarque estavam cobertas com 30 centímetros de lama. Ali próximo, o rio Var inundou a auto-estrada que dá acesso ao aeroporto e cortou-a numa extensão de 200 metros.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-38280">
<P>
Campanha à escala europeia durante o Verão</P>
<P>
Associações dão apoio jurídico a turistas</P>
<P>
Associações de consumidores de quatro países europeus, entre os quais Portugal, decidiram organizar de novo este ano um serviço gratuito de assistência jurídica a turistas que façam férias no Sul da Europa. A iniciativa, que é apoiada pela Comissão Europeia, decorre em Espanha, Itália, Grécia e Portugal.</P>
<P>
Nas principais cidades turísticas daqueles países são criados centros especializados, onde especialistas em questões de consumo responderão às dúvidas e darão apoio jurídico aos turistas em férias. As questões sobre as quais se registe uma maior incidência de reclamações e pedidos de informação serão registadas para serem posteriormente estudadas de forma mais aprofundada. O objectivo é identificar os pontos fracos em matéria de defesa e protecção dos consumidores, que serão depois comunicados aos governos nacionais e à Comissão Europeia.</P>
<P>
É a seguinte a lista das associações envolvidas nesta campanha nos diversos países: Ekpizo (Grécia), com centros em Atenas (Valtetsiou, 43-45 -- tel. 330.06.73), Iraklion e Kavala; Comitato Difesa Consumatori (CDC, Itália), com centros em Roma (Via Borgo San Lazzaro, 17 -- tel. 397.25.765), Milão, Nápoles, Génova, Forli, Firenze, Matera, Bolzano e Cosenza; Confederación Estatal de Consumidores y Usuários (CECU, Espanha), com centros em Madrid (Campomanes 6, 1ª planta -- tel. 542.27.00), Barcelona, Sevilha, Valência, Palma de Maiorca e Las Palmas de Gran Canaria; Organización de Consumidores y Usuarios (OCU, Espanha), com centro em Madrid (Villafranca 22, bajo -- tel. 355.82.05); e Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco, Portugal), com centros em Lisboa (Av. Defensores de Chaves, 22- 1º dtº -- tel. 57.12.92), Porto e Coimbra.</P>
<P>
Os centros estão abertos durante os meses de Julho e Agosto. O horário de funcionamento nas cidades gregas é entre as 10 e as 14 horas. Em Itália e Espanha a abertura ao público decorre entre as 9 e as 13 horas. Finalmente, os centros da responsabilidade da Deco abrem às 9h30 e encerram às 12h30. C.P.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68044">
<P>
África do Sul a 10 semanas das eleições</P>
<P>
Dezanove grupos vão às urnas</P>
<P>
Jorge Heitor*</P>
<P>
Desde o ANC ao Partido Realista, passando pelo Partido Islâmico, são 19 as forças que se inscreveram para as primeiras eleições abertas a todos os sul-africanos, mas a grande questão está naquelas que não aceitaram inscrever-se e que poderão vir a fazer correr muito sangue.</P>
<P>
Só seis partidos é que vão tanto às eleições sul-africanas do fim de Abril para a Assembleia Nacional como a todas as que na mesma data se efectuam para as assembleias das nove regiões que passam a constituir o país, depois de ultrapassada a velha divisão entre Cabo, Natal, Orange e Transvaal, que vigorou durante cerca de 140 anos.</P>
<P>
No entanto, há outros 13 grupos em liça, com candidatos só para uma ou algumas das eleições, como é o caso do Partido do Mérito, que apenas se apresenta no Cabo Ocidental, do Partido Islâmico, na mesma circunscrição, e do Partido Realista, que concorre na zona Pretória/Witwatersrand/Vereeniging (PWV).</P>
<P>
Na corrida para os 400 lugares da Assembleia Nacional estão 13 formações: ANC, Partido Nacional, PAC, Partido Democrático, Partido Africano Democrata-Cristão, Movimento Democrático Africano, Partido Dikwankwetla, Frente da Minoria, Partido Progressista Ximoko, Partido da Paz e dos Direitos da Mulher, Keep it Strait and Simple (KISS), Democratas do Noroeste e Lista dos Trabalhadores.</P>
<P>
Depois, de entre os que só concorrem às assembleias de uma ou duas regiões, temos ainda a Internacional dos Trabalhadores para Reconstruir a IV Internacional, no Cabo Ocidental, o Partido Sul-Africano das Mulheres, na mesma província, e a Frente Popular Unida, na região PWV e no Transvaal Setentrional.</P>
<P>
O dramático da questão, porém, é que a política sul-africana não se esgota neste emaranhado de formações políticas e que, para além delas, com um peso muito próprio, estão as que não aceitam a Constituição provisória do país e que portanto não se registam para ir às eleições, tendo preferido aglutinar-se numa Aliança da Liberdade.</P>
<P>
A oposição extra-parlamentar</P>
<P>
São elas, designadamente, o Partido Inkatha, do príncipe zulu Mangosuthu Buthelezi, e a Frente Popular Afrikaner, que congrega o Partido Conservador de Ferdi Hartzenberg e uma série de outros grupos da extrema-direita branca, como o AWB de Eugène Terre'Blanche. No seu conjunto, virão a formar a partir do fim de Abril uma aguerrida oposição extra-parlamentar susceptível de mobilizar para actos de violência mais de um décimo da população.</P>
<P>
De tudo o que aqui fica dito, de dezanove grupos que querem ir às urnas e de mais uns quantos que não querem ir, se pode ter uma pálida ideia da vasta complexidade do panorama político da África do Sul neste ano de 1994, em que mais de 25 milhões de cidadãos são potenciais eleitores: 22,3 no território directamente dependente de Pretória e 3,1 nos quatro bantustões teoricamente independentes e que se tentará reintegrar após as eleições.</P>
<P>
Como a grande maioria deste eleitorado potencial nunca teve qualquer hipótese de exercer o seu direito de voto, é na verdade muito difícil de dizer se serão 13 ou 15 ou 18 milhões os sul-africanos que de 26 a 28 de Abril aproveitarão a oportunidade de expressar a sua vontade nas urnas.</P>
<P>
Como não existem cartões de eleitor no sentido em que são conhecidos na Europa, para se votar na África do Sul basta ter um bilhete de identidade, mas acontece que ele não existe para milhões de cidadãos, nomeadamente negros, que o estão agora a pedir à razão de 13.000 por dia.</P>
<P>
Por outro lado, é muito difícil explicar a toda a gente que o voto é universal e como é que se pode exercer, pois que uma elevada percentagem da maioria negra da população sul-africana é analfabeta; e que não se consegue transformar facilmente em três ou quatro anos os comportamentos cívicos e políticos de vastas massas nem sempre habituadas a algumas das práticas mais correntes do século XX.</P>
<P>
Num subúrbio negro foi notado que elementos da direita branca andavam a dizer à população que deveria marcar a cruz do voto ao lado do partido que mais detestasse! E observa-se também que, apesar de toda a sofisticação de cidades como Joanesburgo, Durban e o Cabo, há ainda no enorme país regiões remotas onde não se faz a mínima ideia do que seja uma assembleia de voto e onde jamais se ouviu falar de Nelson Mandela.</P>
<P>
No entanto, o presidente do ANC é o herói de quase dois terços dos sul-africanos, que o desejam eleger como chefe do Estado e que estão dispostos a impôr a sua vontade a todos os que não concordarem com os princípios que pretendem implementar.</P>
<P>
Um dos perigos hoje em dia existentes na África do Sul é o de a uma ditadura exercida pela minoria branca se suceder uma certa ditadura de um Congresso Nacional Africano, que em associação com o Partido Comunista tem a esperança de arrebatar mais de 65 por cento dos lugares na Assembleia Nacional.</P>
<P>
Para o tentar impedir é que o Partido Nacional, de Frederik de Klerk, anda a dar tudo por tudo e a percorrer de lés a lés o país, pedindo encarecidamente a brancos, negros, mestiços e indianos que votem nele, para ver se consegue ao menos uns 16 por cento dos deputados; e se assim as estruturas estatais não se confundirão a médio prazo com as do próprio ANC, como por exemplo em Angola aconteceu com o MPLA.</P>
<P>
*Com Steven Lang, em Joanesburgo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-1942">
<P>
Ausência de ontem foi de 7,07%, uma das mais baixas dos últimos anos</P>
<P>
LUÍS PEREZ</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A segunda fase da Fuvest começou ontem com uma ausência de 7,07% –dos 38.457 inscritos (incluindo os treineiros), 2.717 faltaram à prova de ontem, que teve questões de português, língua estrangeira e uma redação. O índice é o menor dos últimos anos –no ano passado, a abstenção fo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-90799">
<P>
Roberto Rollemberg vai ser o responsável pelas conclusões sobre Fiuza e mais três parlamentares dessa bancada</P>
<P>
Da Sucursal de Brasília</P>
<P>
O deputado Roberto Rollemberg (PMDB-SP) vai ser o relator do caso de todos os parlamentares de Pernambuco investigados pela CPI do Orçamento. A decisão foi tomada ontem, depois que o relator-geral Roberto Magalhães (PFL-PE) declarou "estar constrangido" para fazer o relatório sobre as investigações do deputado Ricardo Fiuza (PFL-PE). Magalhães é amigo de Fiuza e foi consultor jurídico de suas empresas.</P>
<P>
Inicialmente, a CPI tinha decidido que Rollemberg relataria apenas o caso de Fiuza. Foi o próprio Rollemberg quem defendeu que Magalhães se afastasse também do julgamento dos outros pernambucanos. A decisão final foi tomada ontem à noite.</P>
<P>
Quatro parlamentares de Pernambuco estão sendo investigados: o senador Mansueto de Lavor (PMDB) e os deputados José Carlos Vasconcellos (PRN), Sérgio Guerra (PSB) e Fiuza. A CPI decide hoje se investiga o deputado Miguel Arraes (PSB), que aparece nos documentos apreendidos na casa de Ailton Reis, diretor da empreiteira Odebrecht. Segundo estes papéis, Arraes teria pedido ajuda financeira da Odebrecht para sua campanha. Ele nega a acusação.</P>
<P>
Antes de se declarar impedido, Magalhães já havia decidido pedir a cassação de Fiuza em seu relatório final. A parte do relatório referente a Fiuza estava praticamente pronta. Com cerca de dez páginas, o texto tem duas denúncias principais contra o parlamentar.</P>
<P>
Ele foi relator-geral do Orçamento de 1992. É acusado de ter inserido emendas ao texto após o prazo legal. Segundo as denúncias da CPI, estas emendas favoreceriam as empreiteiras envolvidas em irregularidades no Orçamento.</P>
<P>
A segunda acusação é com relação a um empréstimo efetuado pelo deputado na Caixa Econômica Federal em 21 de janeiro de 1991, no valor de US$ 1,5 milhão. O financiamento foi concedido mesmo com parecer contrário dos técnicos do banco. Ele nunca foi pago e hoje a dívida já soma US$ 3,7 milhões.</P>
<P>
Todos os documentos referentes a parlamentares de Pernambuco serão enviados hoje a Rollemberg. O novo relator afirmou que não descarta a hipótese de ouvir novamente o depoimento de Fiuza.</P>
<P>
Complô</P>
<P>
O ex-ministro da Ação Social se reuniu ontem com o presidente da CPI, senador Jarbas Passarinho (PPR-PA). "Se ele (Magalhães) não tem capacidade, o problema é dele. Para mim não importa, quero apenas que a CPI se atenha aos fatos", disse Fiuza. Ele chegou a afirmar que há um complô contra ele. "O jogo político na CPI é evidente e isto só serve para desvirtuar os fatos." (Gabriela Wolthers</P>
<P>
e Rudolfo Lago)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99489">
<P>
SÉRGIO MALBERGIER</P>
<P>
De Londres</P>
<P>
O piloto português de Fórmula 1 Pedro Lamy, 22, sofreu ferimentos nas pernas e braços ontem após bater a sua Lotus a 240 quilômetros por hora durante treino no circuito de Silverstone (centro da Inglaterra).</P>
<P>
Segundo a Lotus e a direção do autódromo, Lamy "aparentemente" perdeu o controle do carro no meio de uma reta e bateu contra um muro de proteção.</P>
<P>
Não havia pneus no muro nem caixa de brita ao lado da pista para reduzir a velocidade do carro e absorver o choque em caso de acidente.</P>
<P>
O acidente de Lamy é o último de uma série que em menos de quatro semanas causou a morte dos pilotos Roland Ratzenberger (austríaco) e Ayrton Senna no GP de Imola (nos dias 30 de abril e 1º de maio) e deixou Karl Wendlinger (também austríaco) em estado de coma nos treinos para a corrida de Mônaco, em 12 de maio (leia texto nesta página).</P>
<P>
Os acidentes levantaram dúvidas sobre a segurança dos pilotos na Fórmula 1 e causou mudanças nos carros e nos circuitos para diminuir a velocidade nas pistas e os riscos para os pilotos.</P>
<P>
A Lotus estava testando seus carros em Silverstone ontem após as mudanças feitas para atender as exigências da FIA (Federação Internacional de Automobilismo).</P>
<P>
O carro de Lamy ficou quase totalmente destruído após o choque com o muro, mas o cockpit do piloto ficou intacto.</P>
<P>
Segundo um comunicado da Lotus e de Silverstone, Lamy permaneceu consciente durante sua remoção do carro e transferência de helicóptero para o hospital, na localidade de Northampton.</P>
<P>
Os pais de Lamy voaram imediatamente de Portugal para Londres ao saberem do acidente do filho, que, segundo o comunicado oficial, sofreu cirurgia e não corre perigo de vida.</P>
<P>
O circuito de Silverstone abriga, no próximo dia 10 de Julho, a oitava etapa do Mundial de Fórmula 1, o GP da Inglaterra.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80120">
<P>
Diagnóstico genético para a infertilidade masculina?</P>
<P>
Um grupo de cientistas britânicos anunciou que tinha conseguido isolar um conjunto de genes que controla a produção de espermatozóides, uma descoberta que pode dar origem a novos tratamentos contra a infertilidade e a novas técnicas de contracepção masculina.</P>
<P>
Os cientistas desenvolveram este trabalho no âmbito de um projecto financiado pelo Medical Research Council (MRC) e pela Universidade de Edimburgo.</P>
<P>
«A descoberta desta `família' de genes pode ser o primeiro passo para o diagnóstico da infertilidade masculina através da análise do ADN», disse a investigadora Anne Chandley num depoimento divulgado pelo MRC.</P>
<P>
Os genes parecem estar relacionados com uma quantidade significativa de casos de infertilidade masculina. Um rastreio em homens com problemas de infertilidade num hospital britânico permitiu descobrir que cerca de 15 por cento dos que apresentavam problemas graves na produção de esperma revelavam uma anomalia neste complexo de genes.</P>
<P>
«Esta pode ser a causa imediata da produção defeituosa de esperma numa quantidade significativa de homens sem outra razão aparente de infertilidade», consta do mesmo depoimento. Estudos realizados nos últimos 20 anos já haviam identificado genes que se pensa serem responsáveis pela produção de esperma, conhecidos como «factor de azoospermia».</P>
<P>
Reuter</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-6892">
<P>
Maratona de reuniões da UE, UEO, NATO, CSCE e COCON</P>
<P>
Diplomatas, ao trabalho!</P>
<P>
Guerra na ex-Jugoslávia, relançamento da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa (CSCE), alargamento económico da União Europeia (UE) e defensivo da NATO para leste, além da afinação do papel da União Europeia Ocidental (UEO) face à estratégia diferente dos Estados Unidos, são temas a abordar a partir desta semana em importantes reuniões em Bruxelas, Paris, Budapeste e Essen. No fundo, trata-se de definir a Europa do pós-guerra fria.</P>
<P>
Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Doze debatem a partir de hoje na capital belga a estratégia de pré-adesão dos países da Europa do Leste à União Europeia e o reforço dos laços com os países do arco mediterrânico, as duas prioridades da próxima cimeira de Essen, Alemanha.</P>
<P>
Pressionados pela presidência alemã da UE, os chefes de Estado e de Governo dos Doze querem adoptar solenemente a 9 e 10 de Dezembro em Essen a estratégia de aproximação aos seis países da Europa do Leste, o que lhes permitiria em princípio a adesão à UE a partir do ano 2000.</P>
<P>
Mas o chanceler Helmut Kohl não convidou os chefes de governo húngaro, checo, eslovaco, polaco, romeno e búlgaro para um encontro à margem da cimeira de Essen, o que desapontou mais uma vez o grupo do Leste.</P>
<P>
Vários países dos Doze, como Portugal, França, Itália, Espanha e Grécia querem que o alargamento a leste siga a par do reforço das relações com os países da bacia do Mediterrâneo, nomeadamente Israel, Marrocos, Chipre, Síria, Tunísia e Malta.</P>
<P>
Mas a reunião ministerial da UE em Bruxelas, há muito prevista, deverá ser também dominada pelos acontecimento na antiga Jugoslávia. Segundo fontes diplomáticas, a guerra na Bósnia deverá ser tratada depois de almoço. O que poderão os representantes das diplomacias dos Doze dizer ou fazer, dada a incapacidade de forças combinadas das Nações Unidas e da NATO em proteger Bihac, no noroeste da Bósnia, é uma questão em aberto.</P>
<P>
A guerra na antiga Jugoslávia deverá no entanto, segundo alguns observadores, sublinhar a urgência dos planos da UE para estabilizar o seu flanco oriental, forjando laços irreversíveis com os países do antigo bloco comunista. A UE deverá ser alargada a partir de 1 de Janeiro a pelo menos mais três Estados, Áustria, Finlândia e Suécia, sendo ainda incerta a adesão norueguesa. Estónia, Letónia e Lituânia estão num processo de adesão mais atrasado, enquanto a Itália, por diferendos territoriais, tem boicotado o processo da Eslovénia, antiga república jugoslava e uma das economias mais desenvolvidas do Leste.</P>
<P>
Em Paris, as tensões entre europeus e americanos no seio da NATO a propósito da Bósnia e o futuro da «arquitectura» da segurança na Europa estarão no centro da 40ª sessão da Assembleia parlamentar da União da Europa Ocidental (UEO), que decorre a partir de hoje e até quinta-feira.</P>
<P>
O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Andrei Kozirev, o primeiro-ministro francês, Edouard Balladur, os Presidentes romeno, Ion Iliescu, e esloveno, Milan Kucan, deverão intervir, bem como o novo secretário-geral da UEO, o português João Cutileiro.</P>
<P>
A UEO, que reúne os países da UE à excepção da Dinamarca e da Irlanda, constitui a única organização exclusivamente europeia em matéria de defesa. A sua assembleia, composta por deputados cooptados, tem poderes apenas consultivos.</P>
<P>
Esta reunião ocorre depois da decisão americana de não participar mais no controlo do embargo de armas com destino à Bósnia, o que abriu uma crise entre Washington e os seus aliados europeus. Este controlo do embargo é assegurado pela operação naval comum da UEO e da NATO no Adriático.</P>
<P>
E ocorre também a dias da reunião da NATO, quinta-feira, em Bruxelas, e da cimeira da CSCE, a 5 e 6 de Dezembro, em Budapeste. Na reunião da NATO, sob a presidência dos Estados Unidos, os 16 ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança vão pela primeira vez lançar um debate aprofundado sobre o alargamento a Leste. Este dossier esteve bloqueado até agora, devido à hostilidade russa em ver os seus antigos satélites juntarem-se ao antigo inimigo a Ocidente.</P>
<P>
Para vencer as reticências de Moscovo, o Presidente americano, Bill Clinton, vai propor na reunião da CSCE, perante chefes de Estado e de Governo de 53 países, a «musculação» do organismo, a fim de o tornar mais eficaz.</P>
<P>
Clinton vai sugerir o reforço dos instrumentos de prevenção de conflitos, a definição das regras de supervisão a usar pela CSCE em futuras operações de manutenção de paz e o envio de uma missão para o Nagorno-Karabakh, enclave onde azeris e arménios estão em guerra.</P>
<P>
Ainda na quinta-feira, em Bruxelas, ocorre uma reunião do Conselho de Cooperação do Atlântico Norte, que associa os países da NATO e os do antigo Pacto de Varsóvia. Uma reunião ministerial do grupo de contacto sobre a Bósnia (Estados Unidos, Rússia, França, Grã-Bretanha, Alemanha) está prevista para sexta-feira, também na capital belga.</P>
<P>
Como actuar na Bósnia, sem demonstrar uma confrangedora impotência ou uma incómoda divisão com os Estados Unidos, ou como alargar o manto de segurança económica e militar aos antigos satélites de Moscovo, sem dar à Rússia uma perigosa sensação de cerco e isolamento, são os desafios que nos próximos dias se colocam aos diplomatas do Velho Continente.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-12428">
<P>
JOSÉ FERNANDO BOUCINHAS</P>
<P>
As chuvas de verão, que há décadas representam um grande pesadelo aos habitantes da nossa metrópole, serviram para testar a importância do Projeto Tietê e de inúmeras outras iniciativas do governo Fleury no combate às inundações.</P>
<P>
Por mais de um século, São Paulo vem sendo acometido por enchentes nos meses de calor. Neste ano, as águas do mais importante rio paulista não saíram do seu leito, um comportamento que não se pode atribuir ao acaso. Isto se deve ao trabalho realizado pelo Projeto Tietê, empreendimento que já reduziu em quase 50% a poluição industrial despejada.</P>
<P>
Apesar da normalidade com que fluiu o Tietê, o mesmo não se passou em outros rios de nossa capital, sob incumbência da administração municipal. O rio Cabuçu de Cima, entre a capital e Guarulhos transbordou com consequências que beiraram a tragédia.</P>
<P>
Desde a criação do Projeto Tietê, em 91, até hoje, muitas ações foram desenvolvidas, como a instalação de redes de esgotos e programas de combate às enchentes.</P>
<P>
Um gigantesco canteiro de obras foi montado às margens do rio para o aprofundamento do leito, o que facilitou a acomodação das águas das chuvas e sua fluidez. Futuramente, este rebaixamento aumentará a vazão dos 800 metros cúbicos por segundo atuais para 1.700 metros cúbicos, reduzindo ainda mais os transbordamentos.</P>
<P>
Outro trabalho que contribuiu para a melhoria dos níveis de escoamento foi a mudança no processo de desassoreamento. Desde abril de 93, a limpeza vem sendo processada pelo sistema de Dragagem a Longa Distância (DLD), um método que apresenta custos 25% mais baixos que o sistema anterior.</P>
<P>
Duas outras iniciativas contribuíram para que o Tietê se mantivesse dentro do leito: o Programa de Combate às Enchentes, promovido por secretarias, empresas e órgãos do Estado, e a instalação, em dezembro de 1993, pela Eletropaulo, de uma máquina na usina de Pedreira, no rio Pinheiros, com capacidade de bombeamento de 75 metros cúbicos por segundo, colocada para prevenir o transbordamento nas marginais.</P>
<P>
Por fim, temos a participação da comunidade, conscientizada através das campanhas do Programa de Educação Ambiental, com trabalhos educativos para inibir o despejo de lixo nos cursos d'água.</P>
<P>
Hoje, o maior rio do Estado já está bem mais limpo. Esta conquista servirá de resposta aos incrédulos, que há dois anos viram no Projeto Tietê apenas mais um sonho de uma noite de verão.</P>
<P>
JOSÉ FERNANDO BOUCINHAS, 51, economista, é secretário de Planejamento e Gestão e coordenador do Projeto Tietê do governo do Estado de São Paulo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-76608">
<P>
IRA faz terceiro atentado contra o aeroporto de Heathrow</P>
<P>
No espaço de uma semana, o IRA lançou 13 morteiros sobre as pistas do aeroporto de Heathrow, em Londres. Os três atentados, todos contra um alvo sujeito a fortes medidas de segurança, são uma manobra de chantagem para com o Governo de Londres. Se o primeiro ataque foi uma surpresa, o terceiro deixou todos perplexos sobre o que o IRA pode fazer ou o que a segurança britânica não faz.</P>
<P>
O Terminal Sul do aeroporto de Heathrow, em Londres, voltou ontem a ser evacuado quando nas suas pistas caíram mais três morteiros do Exército Republicano Irlandês (IRA). Mais uma vez, nenhum dos engenhos explodiu, e o seu lançamento coincidiu com um período em que não havia tráfico naquela zona do mais movimentado aeroporto do mundo. Um quarto projéctil «aterrou» no tecto do Terminal Sul, de onde partem os vôos de longo curso.</P>
<P>
Apesar da confusão gerada, não houve pânico e os milhares de passageiros mantiveram-se calmos. A sua preocupação era saber quantas horas teriam que esperar pelo avião, e o facto de o IRA poder atacar de novo não os parecia incomodar, relata o jornalista da Agência France Presse.</P>
<P>
Independentemente do impacto que causou entre os passageiros, este novo atentado do IRA em Heathrow, o terceiro numa semana, constituiu uma humilhação e um gigantesco embaraço para as autoridades britânicas.</P>
<P>
Desde quarta-feira, quando o IRA lançou cinco morteiros sobre o Terminal Norte, que a brigada anti-terrorista da Scotland Yard anunciara ter montado um apertado esquema de segurança no aeroporto e sua periferia. Mas, logo na quinta-feira, mais quatro morteiros foram disparados contra o Terminal Sul, e ontem a cena repetiu-se. Para aumentar a perplexidade das forças de segurança, os três ataques foram como que repetidos a papel químico.</P>
<P>
Os morteiros -- uma arma difícil de manejar, transportar e dissimular -- foram disparados de uma rampa de lançamento montada junto a uma estrada de acesso ao Terminal, apesar de toda a área estar a ser patrulhada por unidades especiais. Para a opinião pública, esta série de atentados contra o mesmo alvo vem provar que, para o IRA, todos os alvos são vulneráveis, inclusive aqueles que a organização republicana considera serem «alvos preferenciais» e que por isso têm segurança reforçada: Heathrow, a residência oficial do primeiro-ministro em Downing Street e a City, já todos sujeitos à acção do IRA.</P>
<P>
«Estávamos em estado de alerta máximo e isto foi uma grande desilusão», afirmou o porta-voz da administração do aeroporto, Roger Cato, admitindo ter ficado provado que é completamente impossível proteger o aeroporto de ataques com estas características. Apesar disso, a polícia opôs-se já à tomada de medidas de segurança mais drásticas, como o envio de unidades do Exército para patrulhar toda a vasta área por onde o aeroporto se estende (e equiparada a uma pequena cidade). O recurso ao Exército, tal como aconteceu durante a Guerra do Golfo em 1991, chegou a ser anunciado por alguns jornais britânicos, mas foi logo desmentido pelo Ministério da Defesa.</P>
<P>
A presença do Exército poderia transmitir a ideia de insegurança, com o risco de isso ter efeitos negativos no sector económico -- Heathrow é uma gigantesca fonte de receitas. Mas, segundo as declarações de um funcionário da Defesa à Reuter, adoptar medidas drásticas de segurança seria reconhecer a vitória do IRA no que considerou ser uma «manobra de propaganda». Além disso, confessou a mesma fonte, ficou provado que o IRA pode atacar onde quiser, e «nada garante que a seguir não acontecesse o mesmo noutro aeroporto».</P>
<P>
Entre a chantagem e a negociação</P>
<P>
Logo no primeiro atentado ficou claro que a intenção não era fazer vítimas ou danos materiais. E os analistas começam agora a debruçar-se sobre o facto de nenhum dos morteiros, 13 ao todo, ter explodido. Com pouca convicção, a Scotland Yard avançou a hipótese de se tratarem de armas com defeito. Mas, a ter havido erro, dizem os especialistas em armamento, tratou-se de uma má manipulação no momento da instalação dos dispositivos. O IRA, por seu lado, refutou já esta ideia afirmando, num comunicado distribuído em Belfast, que a instalação foi feita por unidades especiais de engenharia.</P>
<P>
Outros consideram que só por uma estranha coincidência terá havido erro e defendem que se trataram de três atentados que obtiveram o máximo efeito porque, sem fazer vítimas, provaram do que é capaz o IRA.</P>
<P>
«O IRA está a tentar levar os britânicos a dizer ao primeiro-ministro John Major: não queremos mais chatices destas na Grã-Bretanha. Dêem ao IRA o que eles querem, e larguem a Irlanda do Norte», afirmou uma fonte republicana. Uma estratégia de chantagem, implícita nas declarações do dirigente do Sinn Fein (o braço político legal do IRA), Gerry Adams, para obrigar Londres a negociar com os republicanos os termos da Declaração de Downing Street, assinada em Dezembro passado entre os governos britânico e da República da Irlanda.</P>
<P>
Major garante que o documento é inalterável. A Declaração apresenta as bases para o fim do conflito na Irlanda do Norte, mas concede garantias à maioria unionista protestante (que recusa a reunificação da Irlanda) consideradas inaceitáveis pelos republicanos católicos. Adams afirmara quarta-feira que se iam seguir mais «atentados espectaculares» se Major não aceitasse negociar a Declaração.</P>
<P>
«O conflito [na Irlanda do Norte] não acabou. É preciso que estas coisas aconteçam para lembrar isso às pessoas. Chegámos a um impasse e peço a John Major que o quebre».</P>
<P>
Quanto ao primeiro-ministro irlandês, Albert Reynolds, ele admitiu, pela primeira vez, que a iniciativa de paz pode ter chegado ao fim. Pelo que, os atentados de Heathrow deverão obrigar Londres e Dublin a rediscutir os seus pontos de vista. Até porque, como sublinha o jornal «The Guardian», a política de apaziguamento proposta pela Declaração de Downing Street já se revelou um fracasso e, apesar de ter apenas três meses, «está velha».</P>
<P>
Os ataques a Heathrow parecem, por outro lado, fazer parte de um novo jogo de manipulação por parte do IRA, e, por outro, confirmam que a organização está comprometida com o processo de paz. Talvez mais do que em qualquer período anterior. Os analistas consideram relevante o facto de, pela primeira vez, o IRA ter feito coincidir as suas acções com acontecimentos políticos. Na quarta-feira, o dia do primeiro atentado ao aeroporto, o parlamento de Londres revia a legislação anti-terrorismo e, em Downing Street, Reynolds analisava os «progressos» da iniciativa de paz.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-89954">
<P>
António Arnaldo Mesquita e Paula Torres de Carvalho</P>
<P>
Chegam notícias de quase todo o país. Há grupos de cidadãos prontos para «limpar» o crime dos bairros onde habitam. Organizam-se movimentos, «milícias populares», «comissões de segurança». Fazem-se abaixo-assinados, como o que foi entregue, em Abril, pela Junta de Freguesia da Costa da Caparica ao ministro da Administração Interna, avisando: «Se não forem tomadas medidas urgentes para resolver o problema da falta de segurança, terão de ser os habitantes a encontrar `soluções'.»</P>
<P>
Os casos de justiça por conta própria ocupam as primeiras páginas dos jornais e abrem os principais serviços noticiosos das televisões. O último data de 7 de Junho, no bairro de São Tomé, no Porto. Um grupo de populares persegue e agride, disparando mesmo alguns tiros, alegados traficantes e consumidores de droga que se encontravam no local. É a reacção descontrolada das populações à insegurança que afecta os vários sectores da vida social -- dizem os magistrados ouvidos pelo PÚBLICO. É, na sua opinião, o efeito da ampliação dada pela comunicação social a estas situações pontuais, transformando-as em acontecimentos nacionais, e a consequência do discurso exagerado do poder político, em vésperas de eleições, sobre a criminalidade e a falta de segurança.</P>
<P>
Os actos de justiça privada são inaceitáveis num Estado de direito, consideram unanimemente os magistrados. Mas são, sobretudo, um sinal de que «é preciso agir depressa», como diz Denis Szabo, professor húngaro de criminologia em entrevista ao PÚBLICO (ver pág. 10).</P>
<P>
Transformada quase numa psicose, a ideia da insegurança foi reforçada, no último fim-de-semana, com a situação extrema que levou ao assassinato de um jovem de origem africana por um grupo de «skinheads», no Bairro Alto, em Lisboa. E com a notícia das reacções de grupos de negros que agrediram passageiros de um autocarro e um grupo de militares, em Oeiras.</P>
<P>
O clima de desconfiança nas polícias e a descrença na eficácia do poder judicial vão contribuindo para a criação de um terreno fértil para o medo, em que já ninguém distingue ninguém.</P>
<P>
É uma realidade da qual não é possível excluir a responsabilidade do poder político, segundo Gonçalves da Costa, magistrado, professor do Centro de Estudos Judiciários. «Da parte do poder político, há uma tentativa para a criação de condições que servem de reforço da necessidade de um poder autoritário», considera. «Do lado do poder, é útil e oportuno explorar esta angústia, este sentimento de insegurança, porque permite desviar a atenção de problemas não resolvidos, como a droga», afirma.</P>
<P>
Neste período de crise encontram-se, por um lado, os que estão «paralisados de angústia, sem perspectivas»; por outro, não falta «quem aproveite o clima de insegurança para dar vazão às suas frustrações», diz Gonçalves da Costa.</P>
<P>
No seu entender, «é fácil iludir esta problemática, lançando as culpas sobre o seu rosto visível: o aparelho judicial». Contudo, «a justiça não pode ser responsabilizada». Não é com a defesa da pena de morte nem com o agravamento das penas que se combate o crime. Porque a pena -- afirma Gonçalves da Costa -- «não é profiláctica, mas um remédio tardio». O crime combate-se «na raiz, na instauração de um sistema social justo».</P>
<P>
É precisamente «na questão económica, no aprofundamento das desigualdades sociais, que está a raiz do problema», na sua perspectiva. «Os movimentos descontrolados, o desrespeito pelos direitos fundamentais dos cidadãos, acontecem quando algo está mal ao nível do sistema económico», defende. Numa época de grande dificuldade de luta pela subsistência, de constituição de minorias, de crise do desemprego, perante o esbatimento das fronteiras em consequência do acordo de Shengen, que torna mais fácil a movimentação das organizações criminosas.</P>
<P>
Os actos de justiça por conta própria são, para Gonçalves da Costa, o «resultado de uma desregulação da responsabilidade do poder e de um desfasamento dos serviços do Estado». «Quando os cidadãos se organizam em grupos de autodefesa, é porque o Estado deixou de servir a sociedade», diz.</P>
<P>
«É de pôr em evidência que os movimentos da sociedade no sentido da violência podem ser testados como que laboratorialmente tendo como `dado' o desarmamento das convicções humanistas», considera Santos Carvalho, juiz do Tribunal da Relação de Lisboa. Uma das explicações que encontra para «a abertura do campo para reivindicações ferozmente egoístas que apagam o outro, a solidariedade», encontra-se, na sua perspectiva, na organização crescente do combate político «em volta do conforto, seguindo uma táctica de estreito imediatismo que deixa passar as palavras de ordem da cultura da morte».</P>
<P>
Através desta brecha, defende o magistrado, «é relativamente fácil fazer emergir uma espécie de feudalismo contemporâneo que não só destruirá qualquer projecto nacional, como a coordenação na diversidade de todos eles em soluções supra-estaduais em que adquiram sentido o cântico final da nona sinfonia ou a bandeira da UE». Para Santos Carvalho, «fracturadas as naturais comunidades, só restará a violência imperial sustentada por políticas usurpadoras, através de aparelhos paramilitares».</P>
<P>
As «culpas» dos «media»</P>
<P>
A influência dos órgãos de informação assume especial importância nestes actos de violência popular, para Isabel Valongo, magistrada que presidiu ao julgamento do caso «Aveiro Connection». «A comunicação social e as televisões dramatizam muito as situações», considera.</P>
<P>
Cândida Almeida, procuradora-geral adjunta, partilha da mesma opinião: «A televisão e os jornais mostram situações semelhantes e as pessoas, como sabem que os seus actos têm cobertura mediática e alguma impunidade, são induzidas a agir.»</P>
<P>
«A tudo isto chama-se medo. No fundo, é um medo catalisado pela insegurança ao nível criminal. E tudo se agrava porque as pessoas já têm imensas inseguranças a todos os níveis. E o que fazem? Canalizam todos os seus medos para um alvo imediato: o traficante-consumidor», afirma Isabel Valongo. Os grandes responsáveis ficam, contudo, «impunes», na sua perspectiva. «As grandes redes não temem as milícias, não é de fisgas que eles têm medo. Os actos das milícias podem ser usados como manobras de diversão, e enquanto assim estiverem entretidas, muito se pode passar», afirma.</P>
<P>
O clima que de desconfiança na polícia se gerou contribuiu também para estes movimentos populares. «E agora as pessoas têm confiança em quem?» -- pergunta Isabel Valongo. «Nesses bandos? Os polícias foram muito maltratados. Exagerou-se, e agora a fragilização da sua imagem justifica a actuação das pessoas», considera.</P>
<P>
Na opinião desta magistrada, «estamos a viver uma fase parecida com a que se registou nos anos 30, antes da II Guerra Mundial. Uns divertem-se futilmente, porque sonhar é bom. Outros superam angústias perseguindo e batendo em traficantes-consumidores».</P>
<P>
O sentimento de insegurança é também, segundo Cândida Almeida, a explicação que está na origem da formação das milícias populares. «As motivações traduzem situações esporádicas de tremenda insegurança assumida ou induzida. As pessoas estão inseguras e querem resolver as angústias e preocupações de forma primária, através da violência.» No seu entender, as milícias são contudo uma «falsa solução» e um «indicador de um país atrasado».</P>
<P>
Para Rodrigues Maximiano, procurador-geral adjunto, as milícias apresentam-se como «uma espécie de exorcismo de medos e fantasmas» e são uma reacção das populações a situações de «extrema insegurança».</P>
<P>
Joana Salinas, juíza do Tribunal de Matosinhos, afirma não acreditar em que «são as pessoas dos bairros ou de certos aglomerados populacionais a agir por iniciativa própria». Considera que estas acções partem de «alguém de fora das comunidades que anda a fazer isso, e não é com objectivos inocentes...»</P>
<P>
«Pergunto-me se alguma mão invisível não terá ambição neste momento de poder vir a tornar-se um espúrio estado-maior da condução das políticas futuras que neguem a justiça e o verdadeiro conforto que é olharmo-nos todos como homens, isto é, como livres projectos individuais de acrescentamento da beleza ao mundo», interroga-se Santos Carvalho. Na sua opinião, uma das «primeiras frentes de batalha» passa assim «por um julgamento rigorosamente isento dos acontecimentos e dos acusados de neles estarem envolvidos, que exige um prévio aprofundamento das investigações no sentido de se encontrar quem quer que sejam os mandantes e os seus verdadeiros objectivos». Contudo, diz este magistrado, «não é seguro que no aparelho de Estado não se sufraguem, ainda que de certo modo na clandestinidade, teses que privilegiem a necessidade irracional da violência».</P>
<P>
Criou-se um clima psicológico de insegurança que não corresponde à realidade e tem de ser ultrapassado», defende Rui Bastos, procurador do Tribunal de Sintra. Classifica de «arruaça» a agressão indiscriminada por parte de populares a toxicodependentes e a cidadãos anónimos e diz que «ninguém pode pactuar com estas manifestações de sentimentos populares à solta e em bando». Porque «são perigosos e podem criar um clima de verdadeira insegurança».</P>
<P>
Os «homens das leis» são assim unânimes em condenar os actos de justiça privada, que consideram «inadmissíveis» num Estado de direito e «típicos dos países terceiro-mundistas». Não arriscam contudo receitas para resolver uma situação que -- dizem -- os ultrapassa largamente, já que é produto de um conjunto de factores sociais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-822"> 
<P> Euro segue em alta face ao dólar </P>
<P> O euro segue a reforçar os ganhos em relação à divisa dos Estados Unidos esta segunda-feira, cotando sobre 1,474 dólares, seis cêntimos acima dos máximos da sessão anterior. </P>
 <P> A tendência reflecte as perspectivas do mercado de uma nova descida nas taxas de juro da
Reserva Federal dos EUA com o objectivo de inverter o cenário de abrandamento da economia. </P>
 <P> Por outro lado, números do Fundo Monetário Internacional divulgados na passada sexta-feira indicam que a divisa europeia já pesa 26,4% do total das reservas externas em todo mundo no terceiro trimestre, mais do que no trimestre anterior e a comparar com 24,4% um ano antes. </P>
 <P> Na passada sexta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) fixou a taxa de câmbio oficial a 1,4692 dólares, um valor que corresponde a mais 17% face ao câmbio média calculado para 2006, quando a moeda única europeia se fixou em 1,2556 dólares, segundo dados do BCE para a média anual. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-33230">
<P>
A Secretaria da Saúde de Araçatuba (532 km a noroeste de SP) teme uma epidemia de hepatite tipo A, transmitida por vírus. Há um surto da doença, com 8 casos confirmados e 2 suspeitos, todos no bairro Abílio Mendes, na periferia. A escola municipal Deodato Isique (foto), no bairro, ficará fechada por 30 dias para evitar a disseminação do vírus.</P>
<P>
O NÚMERO 1 </P>
<P>
42 ... pranchas de body boarding foram apreendidas por bombeiros na praia de Piedade, no litoral de Pernambuco, durante a fiscalização para evitar que surfistas ultrapassem áreas de risco de ataque de tubarões. Desde 92, 16 pessoas foram atacadas _2 morreram. Vereadores de Recife analisam projeto que cria multa de R$ 125 para quem ultrapassar as áreas de risco.</P>
<P>
Vítima de chacina em SP consumiria drogas </P>
<P>
A menor C.M.T., 14, que morava com o pedreiro Daniel Justo de Lima, 24, uma das três vítimas da chacina ocorrida domingo em Diadema (15 km ao sul de SP), disse ontem à polícia que Lima "costumava consumir maconha. A chacina, a 37ª deste ano na Grande SP, pode estar relacionada ao tráfico.</P>
<P>
Perseguição deixa 2 mortos na via Dutra </P>
<P>
Uma perseguição da polícia a 15 assaltantes de banco ontem na via Dutra (que liga SP ao Rio) acabou com dois supostos assaltantes mortos, quatro presos e um policial ferido. A perseguição começou após uma tentativa de assalto a um carro-forte da empresa Protege na altura do km 120 da Dutra.</P>
<P>
Polícia tem suspeito de assalto a carro-forte </P>
<P>
José Carlos Silvestre é o principal suspeito do assalto ao carro-forte da Transvalor, em Campinas (99 km a nordeste de SP), anteontem. Sete homens armados com metralhadoras e fuzis roubaram R$ 75 mil. O vigilante Gabriel Ribeiro do Prado Filho, que estava em seu primeiro dia de trabalho, foi morto.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-44163">
<P>
Vitória esmagadora de Nujoma</P>
<P>
SAM Nujoma e a SWAPO conseguiram mais de 70 por cento dos votos nas eleições presidenciais e legislativas que nos dias 7 e 8 se efectuaram na Namíbia, cinco anos após aquelas que precederam a proclamação da independência e que os levaram ao poder num território que durante décadas fora administrado pela África do Sul. Em segundo lugar, respectivamente com 25,5 e com 22 por cento, segundo resultados ainda provisórios, ficaram Mishake Muyongo e a Aliança Democrática de Turnhalle (DTA), esta última com menos votos do que os obtidos em Novembro de 1989. A SWAPO -- que se apoia principalmente no grupo étnico maioritário, os ovambos -- deve passar assim de 42 a mais de dois terços dos 72 lugares do Parlamento, confirmando-se entre os principais partidos da África Austral, ao lado do ANC, do MPLA e da Frelimo. E na terceira posição continua a estar a Frente Democrática Unida (UDF), com 2,81 por cento dos votos, metade dos conseguidos há cinco anos.</P>
<P>
Collor poderá não ser condenado</P>
<P>
DOIS JUÍZES do Supremo Tribunal brasileiro, Ilmar Galvão e José Moreira Alves, votaram sexta-feira contra a condenação do antigo Presidente Fernando Collor de Mello por corrupção, aumentando assim a probabilidade de ele ser absolvido. Os magistrados consideraram sem fundamento as acusações de corrupção passiva contra Collor, de 45 anos, e Paulo César Farias, o tesoureiro da sua campanha eleitoral de 1989, anunciou a emissora privada CBN. Foram os primeiros de oito juízes do Supremo a votarem neste caso, que prossegue amanhã. O Presidente tomou posse em 1990 e demitiu-se em Dezembro de 1992, quando estava a ser interrogado no Senado por suspeita de corrupção. Se vir a ser considerado culpado, sujeita-se a uma pena que poderá ir até aos oito anos de cadeia.</P>
<P>
Partido no poder na Índia humilhado</P>
<P>
O Partido do Congresso (i) do primeiro-ministro indiano, Narasimha Rao, sofreu uma derrota esmagadora, descrita por analistas como «humilhante», em eleições estaduais cujos resultados foram conhecidos ontem, e que deixam as piores perspectivas para as legislativas de 1996. O Congresso, que controlava os quatro estados que foram a votos, perdeu o poder em três deles e enfrentava ainda a possibilidade de mais um desaire no outro. No próprio estado natal de Rao, Andhra Pradesh, o partido não conseguiu suportar o desafio de um agrupamento de base local, o Telugu Desam, que conquistou 160 lugares; o Congresso, que no antigo parlamento regional dispunha de 182, não ficou com mais de 14. No estado de Karnataka, o Janata Dal, da oposição, triunfou com a maioria absulta de 115 lugares, e o Congresso foi só a terceira força mais votada. A terceira derrota aconteceu no pequeno Sikkim, e só em Goa, antiga possessão portuguesa, o Congresso ainda surgia ontem com possibilidades de triunfar, quando estavam a ser escrutinados os últimos votos.</P>
<P>
Oposição japonesa unida</P>
<P>
Dez partidos e grupos representando toda a oposição não-comunista japonesa fundiram-se ontem num só partido, o da Nova Fronteira, primeiro passo numa estratégia assumida para afastar do poder a coligação do primeiro-ministro socialista Tomiichi Murayama. «Temos de despir o velho casaco dos partidos que apenas trabalhavam para benefício de um pequeno grupo de pessoas» -- afirmou o líder do novo partido, o antigo primeiro-ministro Toshiki Kaifu, na gala de apresentação. Kaifu foi, entre 1989 e 1991, um dos mais populares chefes de Governo no Japão do pós-guerra, sendo afastado pelos «velhos senhores» da política nipónica quando procurava acabar com as ligações obscuras entre os interesses económicos e o jogo partidário. Kaifu tem como «número dois» Ichiro Ozawa, um dos mais poderosos políticos japoneses. O Partido da Nova Fronteira é, desde já, no parlamento, o segundo maior do Japão, com 180 deputados na Câmara Baixa, de 511 assentos. O maior é o Liberal Democrático, com 200 deputados, principal força da coligação com os socialistas. Tanto Kaifu como Ozawa foram dirigentes liberais-democratas, antes de abandonarem o partido.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-90956">
<P>
Presidente da Amadora denuncia «terrorismo informático»</P>
<P>
Moradores devolvem acusações</P>
<P>
«Terrorismo informático» foi como o presidente da Câmara da Amadora (CMA) se referiu a um comunicado de moradores do Casal de S. Brás, preocupados com a possível co-habitação com residentes do Casal Ventoso, por o texto não estar devidamente identificado. A acusação, anteontem proferida em sessão de Câmara, foi devolvida ao autarca por alguns moradores, visto que um posterior comunicado de resposta sem timbre da autarquia foi também divulgado sem qualquer assinatura.</P>
<P>
Perante a enchente de moradores na sessão pública de anteontem da CMA, Orlando de Almeida decidiu adiar a ordem de trabalhos e tecer algumas considerações sobre o receio -- e o modo como foi demonstrado -- dos residentes do Casal de S. Brás de que habitantes do Casal Ventoso sejam realojados nos terrenos situados junto à Serra da Mira (Ver PÚBLICO DE 20/10/95). Só que os mesmos não ficaram satisfeitos com as explicações do edil e esperaram pelo tempo destinado à intervenção do público.</P>
<P>
Segundo Orlando de Almeida, «o comunicado `Casal Ventoso vem para Cá!'», subscrito por «Um Grupo de Residentes» do Casal de S. Brás constitui «terrorismo informático, porque é totalmente falso que no Casal de S, Brás e Serra da Mira esteja previsto o realojamento de moradores do Casal Ventoso». Para sustentar a tese, disse ainda que um comunicado idêntico foi também «posto a circular em Almada e no Seixal». «São boatos, como, aliás, o comunicado anónimo refere», disse.</P>
<P>
Na intervenção do público, Francelina Costa, moradora no Casal de S. Brás, foi a primeira a alertar o presidente para acusação de anonimato, visto que o comunicado da autarquia «também não foi assinado pela Câmara». Ferreira Sebastião, outro morador, foi mais longe e ameaçou o presidente de que «caso não seja emitido um comunicado assinado e timbrado pela Câmara» será feita queixa à justiça.</P>
<P>
Um pouco constrangido, o presidente acabou por admitir a «falha dos serviços da Câmara», adiantando que um novo comunicado «devidamente timbrado e identificado»-- cujo teor pouco difere do anterior -- já foi elaborado pelo Gabinete de Imprensa para ser divulgado à comunicação social.</P>
<P>
Quanto às garantias solicitadas pelo público, o autarca adiantou: «Como é do conhecimento público, os moradores do Casal Ventoso serão realojados no mesmos local onde, actualmente, residem, no âmbito de um programa comunitário que a Câmara Municipal de Lisboa já apresentou». Tais garantias tornam-se pouco claras, a avaliar pelas declarações do vereador da Habitação da CMA, Fernando Pereira, à Agência Lusa, quando o comunicado dos moradores se tornou público. «A transferência dos moradores do Casal de S. Brás é praticamente impossível», disse na altura o vereador. E acrescentava: «Ainda não estão definidas as origens da população a habitar esses bairros, mas não está prevista a vinda da habitantes do Casal Ventoso», pelo que «a Câmara da Amadora garante que os novos habitantes não serão pessoas que provoquem problemas à vizinhança.</P>
<P>
No controverso comunicado da autarquia, o presidente afirmava que, para além dos cerca de 580 fogos de habitação social (50 por cento para cada município), a Câmara pretende reconverter a antiga lixeira da Boba no maior parque urbano do município, instalar diversos equipamentos sociais, ampliar a actual Escola C++S do Casal de S. Brás e construir um novo equipamento escolar, com outras valências. A instalação de um pequeno loteamento industrial, a criação de uma nova estrutura viária que estabeleça a ligação da rede local à CREL, são outras das propostas de intervenção para aquela zona da Amadora.</P>
<P>
No final do texto, a autarquia afirmava que «pretende clarificar uma situação que, através de falsas informações, procura suscitar atitudes alarmistas e xenófobas». Um dos moradores, numa exposição feita ao presidente, contrapôs: «O que está aqui em causa não é a habitação social, nem o realojamento de pessoas doutros concelhos, nem muito menos racismo e xenofobia, mas tão simplesmente transportar para a Amadora mais problemas de droga e criminalidade que não existiam até ao momento no Casal de S. Brás.</P>
<P>
O morador solicitou ainda ao presidente que «sejam encetadas negociações com a Câmara Municipal de Lisboa, no sentido de transferir a posse dos terrenos em causa para o município da Amadora, para que sejam realojados no referido bairro social apenas residentes do concelho.</P>
<P>
Diana Araújo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-37598">
<P>
Amadora aprova lançamento de consulta pública ao PER</P>
<P>
Em busca de terras e fogos</P>
<P>
Diana Araújo</P>
<P>
O concelho Amadora é o segundo «parente pobre» do Programa Especial de Realojamento. Ali existem 32 bairros de barracas, que, até ao ano 2009, têm de ser erradicadas e transformadas em 6400 casas. A falta de verbas e apoios é crítica constante, mas o grande problema, a avaliar pelos editais a ser lançados em breve, é a escassez de terrenos para habitação. Quanto a fogos, a autarquia aceita tudo: «novos ou usados devolutos».</P>
<P>
A proposta para consultas públicas do Programa Especial de Realojamento (PER) foi aprovada pela Câmara Municipal da Amadora na quarta-feira. Ao último município a subscrever o acordo urge agora adquirir fogos novos ou usados e terrenos para habitação social. A falta de solos disponíveis no concelho é um dos maiores entraves para a autarquia conseguir realojar as cerca de 6400 famílias do concelho, até ao ano 2009. Do investimento de cerca de 42 milhões de contos -- o mais dispendioso a seguir a Lisboa --, a edilidade suportará 9,5 milhões. Esse encargo é uma das críticas do vereador do pelouro que lidará com o PER, Fernando Pereira, à elaboração do Programa Especial de Realojamento.</P>
<P>
«O município precisa de 64 por cento de todos os terrenos aptos à construção de habitação social», disse ao PÚBLICO o vereador do pelouro do PER. «Temos pequenos `trocos' [terrenos]. Os maiores vamos ter que pagar ou, em último caso, expropriar», salienta como exemplo das graves dificuldades em adquirir espaços compatíveis com os projectos de realojamento. Assim, tornou-se urgente o lançamento de uma consulta pública para a compra de terrenos «com capacidade de construção de habitação prevista no Plano Director Municipal [PDM] e fogos novos ou usados devolutos», conforme edital a ser brevemente publicado.</P>
<P>
O concelho da Amadora é o segundo mais pequeno do país e, simultaneamente, o segundo maior em número de fogos previstos no PER, a seguir a Lisboa. Ao todo existem 32 bairros de barracas, onde vivem 6400 agregados familiares com cerca de 21 mil pessoas, que a câmara tem de realojar até ao ano 2009. Quanto à integração da totalidade das famílias no próprio concelho, o vereador admite ser «quase impossível, apesar de ainda nada estar decidido».</P>
<P>
Desse emaranhado de números, 5419 fogos irão ser construídos no âmbito do PER. Os outros cerca de 900 inserem-se num acordo de colaboração com a Junta Autónoma de Estradas, visto que se destinam a realojar famílias que residem na zona onde irá passar a CRIL e a radial da Pontinha. O acordo foi assinado em Junho de 1993, «mas ainda se arrasta pelo atraso das obras e pelas dificuldades económicas da autarquia», admite o vereador.</P>
<P>
Acordo por fases</P>
<P>
No âmbito do PER da Amadora, este ano vão ser investidos cerca de 1,5 milhões de contos em terrenos e em infra-estruturas. Até ao ano 2002, essas aquisições representam um investimento global de dez milhões de contos. Metade será financiado pelo Instituto Nacional de Habitação (INH) e o restante comparticipado pela câmara, acrescido de juros do empréstimo.</P>
<P>
A aquisição ou construção dos fogos faseada decorre entre o próximo ano e o termo do acordo (2009), daqui a 14 anos. Até ao fim do século espera-se que sejam comprados ou construídos 2800 fogos (51,5 por cento do total). Nos cinco anos seguintes 1269 e até ao fim do acordo serão adquiridos os últimos 1350 fogos, que perfazem a totalidade dos 5419 necessários.</P>
<P>
Em curso está a elaboração de um plano de pormenor para a construção de 700 fogos na Falagueira, «cujo processo de expropriação não está ainda consumado». O lançamento de um primeiro concurso de concepção/construção, para 64 lotes municipais dispersos na zona da Brandoa, está previsto até finais deste ano.</P>
<P>
Os planos de pormenor elaborados para o Alto da Damaia -- «praticamente concluídos» -- incluem a construção de 459 fogos para habitação social, 28 lojas, espaços verdes, zonas de equipamentos desportivos, entre outros. Esses solos ainda estão em negociações, «porque pertencem a vários proprietários», justifica o autarca. «Mas, logo que tudo esteja formalizado e os planos forem aprovados -- entre tantos outros, pelos serviços municipais, telefones, Assembleia Municipal --, arrancamos com a primeira fase do concurso», diz o vereador com um ar de enfado por todo o processo burocrático.</P>
<P>
Em Alfornelos vão existir 42 fogos, sujeitos também a um futuro plano de pormenor. As estruturas de 22 já estão edificadas, faltando os acabamentos e os trabalhos de arquitectura. Em fase de construção estão ainda 92 fogos da Santa Casa da Misericórdia, no Bairro do Zambujal. Neste bairro, existem 30 fogos «disponíveis», mas que precisam de recuperação. Na polémica zona da antiga lixeira da Bôba, no Casal de S. Brás -- onde o vereador reforçou a garantia de que «não vão ser realojados residentes do Casal Ventoso» --, estão previstos cerca de 300 fogos.</P>
<P>
De todas áreas em vista, o Bairro de Santa Filomena, onde está programada a construção de 950 fogos «para realojamento da população local, é o projecto que está mais atrasado, porque teve de ser dado prioridade às famílias que têm de ser deslocadas». Sob «observação» estão ainda terrenos da Estrada Militar da Damaia e da Encosta Nascente, na freguesia da Mina.</P>
<P>
A autarquia também já apresentou um processo de candidatura ao subprograma Integrar (Integração Económica e Social dos Grupos mais Desfavorecidos) do Fundo Social Europeu -- em vigência de 1994 a 1999 --, intitulado «Amadora -- Uma só Cidade». Segundo o vereador, «o objectivo é obter a comparticipação de 75 por cento nos custos (sendo a proposta global na ordem dos 80 mil contos), num projecto que compreende estudos sociológicos, recenseamento e acções de formação». Para já, foram escolhidas 4200 pessoas da Damaia (Portas de Benfica) e Paiã, na zona limítrofe da Pontinha, «por serem zonas prioritárias de realojamento, mas a autarquia pretende alargar as áreas de integração.»</P>
<P>
Críticas ao PER</P>
<P>
A autarquia da Amadora foi a última da Área Metropolitana de Lisboa a aderir ao PER, em Julho passado, num acordo com o Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado e o Instituto Nacional de Habitação. «Esse adiamento quebrou o tabu de o prazo terminar no ano 2000 e só veio beneficiar as nossas condições de adesão ao acordo», afirma o autarca. «Não só conseguimos protelar o prazo para mais nove anos, como obtivemos a exclusividade de inclusão de uma cláusula no nosso acordo que irá permitir ao município candidatar-se a fundos para construção de equipamentos sociais.»</P>
<P>
Para o vereador, «o alargamento do prazo vai também permitir à Amadora criar melhores infra-estruturas do que os restantes municípios». Por outro lado, espera que «o novo Governo possa apoiar o programa com meios de financiamento mais adequados, visto que os montantes acordados na altura estão ultrapassados por excesso». E justifica: «São pequenas aldeias e não apenas casas que vão ter de ser construídas para cerca de 10 por cento da população deste concelho.»</P>
<P>
Os custos deste PER, o mais caro dos 28, situam-se em cerca de 42 milhões de contos, dos quais 9,5 milhões serão autofinanciados pela autarquia. O Estado dá 40 por cento (a fundo perdido) e os restantes 60 por cento são financiados. «Ora, isto traduz-se num autofinanciamento de 80 por cento, dado que o empréstimo vai ter de ser pago. E bem pago!», sublinha o vereador. Acrescenta que «por cada habitante realojado na Amadora são desviados para o PER 135 contos que podiam ser aplicadas noutras acções».</P>
<P>
«As câmaras deveriam ter sido mais rigorosas nas condições subscritas no PER. Mas não. Todos apoiaram o `show-off' do antigo ministro inspirado na Presidência Aberta e, como tal, foram induzidos na urgência de resolverem os seus problemas habitacionais sem sólidas contrapartidas», afirma Fernando Pereira. E observa: «Ninguém [autarquia] está a conseguir cumprir o PER na íntegra, em parte pelos problemas burocráticos. Conforme se constata em Loures e Oeiras, que já estão a ter gravíssimos problemas.» Para já, apesar da dificuldade em arranjar terrenos, «está-se a cumprir a intenção de não defraudar as expectativas da população da Amadora».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-98665">
<P>
Podemos continuar lutando pelas bandeiras de 200 anos, com a ordem trocada: 'Liberdade, Fraternidade e Igualdade'</P>
<P>
MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES</P>
<P>
Especial para a Folha</P>
<P>
Gostaria de começar 1994 apontando fatos ou propondo mudanças que pudessem indicar caminhos novos para a economia brasileira. Infelizmente, as evidências são no sentido da permanência e agravamento das características estruturais mais perversas de uma sociedade profundamente desigual, que apenas toma consciência das suas "chagas" mais profundas, em arroubos de emoção periódica, para logo esquecê-las.</P>
<P>
Cheguei há 40 anos neste país, que era então o país do futuro. As questões que estavam sendo discutidas continuam sem solução. A escala dos velhos e novos problemas não fez senão aumentar.</P>
<P>
Na década de 50, a massa de pobreza representava cerca de 25% da população. Hoje também, só que em números absolutos multiplicou-se por quatro. As mudanças ocorridas na composição desta pobreza só fizeram piorar o problema. Antes, o corte fundamental era a diferença rural-urbana. Os mais pobres estavam no campo, sobretudo no Nordeste. A fronteira agrícola estava em expansão: norte do Paraná, Goiás e Mato Grosso, Maranhão. A Amazônica ainda era um "Eldorado" a conquistar e a capital do Brasil não tinha mudado para Brasília.</P>
<P>
Havia fundadas esperanças de que uma ocupação racional das terras da nova fronteira e uma reforma agrária poderiam alterar a situação atacando o mal pela raiz. Eram as propostas de reformas de base do início dos anos 60, que como se sabe foram abortadas pelo movimento de 64.</P>
<P>
Hoje, a fronteira está "ocupada" até os limites da Amazônia. A "grande empresa capitalista" continua usando o latifúndio e relações de trabalho supostamente "pré-capitalistas" para avançar nos grandes negócios de gado, extração de madeira, agrobusiness e finalmente, como sempre, valorização patrimonial das terras.</P>
<P>
Na franja do movimento do grande capital agrário (nacional e multinacional) continuam movendo-se milhões de párias, entre os "sem-terra" e os "bóias-frias" que agora têm apenas mais "liberdade" de ir e vir, num rotineiro "bye, bye Brasil". Mais da metade da pobreza contemporânea foi depositar-se nas grandes metrópoles, num movimento migratório espantoso que realizou em 40 anos uma mudança na demografia econômica que levou 80 anos para ocorrer nos EUA e mais de 200 nas antigas "civilizações camponesas" européias.</P>
<P>
Esta pobreza metropolitana está longe de ser arcaica. É moderníssima. Usou as brechas abertas por um "mercado" de trabalho urbano em expansão rápida, sobretudo nas décadas de 60 e 70, para encaixar-se nos interstícios da economia urbana. O setor de serviços cresceu desmesuradamente e é hoje onde mais se concentram a renda, a riqueza e a pobreza.</P>
<P>
A reprodução das desigualdades avançou no setor urbano para níveis inimagináveis e alcançou-se uma distribuição das "rendas do trabalho" que é a pior do mundo. Não por falta de novos "empregos", mas porque a estrutura ocupacional, formal e "informal", e o correspondente leque de rendimentos sofreram distorções profundas.</P>
<P>
Apesar de permitir a ascenção individual ou familiar de muitos grupos sociais, a famosa mobilidade vertical, associada a uma violenta mobilidade horizontal, rebaixou a base de referência da "pirâmide salarial": o valor do salário mínimo. Este, que serve de piso para a estrutura dos assalariados formais (com carteira assinada) e dos aposentados, serve também de farol para a remuneração dos que apenas lutam pela sobrevivência na franja do capitalismo urbano.</P>
<P>
Se o "mercado" vai bem, há crescimento e melhoram as rendas das "classes médias" (distribuídas nos 20% superiores da pirâmide de rendas), aumentam o emprego e as rendas derivadas, o salário de base cresce e diminui o número de pessoas ocupadas com remuneração abaixo do mínimo. Se há estagnação e superinflação, as perspectivas de emprego (formal e informal) diminuem, a renda da classe média cai, junto com o número de "agregados" que ela é capaz de sustentar.</P>
<P>
O número de pessoas com renda nominal abaixo do mínimo aumentou e o próprio salário mínimo é incapaz de sustentar-se no nível histórico, quer da sua origem (1942), quer dos seus valores máximos (1950-59). Assim, não apenas o valor dos salários cai brutalmente na distribuição funcional da renda (repartição entre assalariados e rendas de capital), mas a "pirâmide salarial", ou seja, a distribuição interna aos rendimentos do trabalho, torna-se monstruosamente desigual.</P>
<P>
Esta desigualdade se reproduz em todos os setores da vida nacional, modernos ou atrasados, legais ou ilegais, formais ou informais. A diferença é de cerca de 200 vezes (hoje: US$ 50 para o piso e cerca de US$ 10.000 para a cúpula "assalariada").</P>
<P>
Esta diferença foi primeiro detectada por Edmar Bacha, numa pesquisa que fez em meados da década de 70, embora já tivesse sido sugerida por mim e José Serra num ensaio que escrevemos a quatro mãos em Santiago do Chile: "Más allá del Estancamiento" (1969-70). Fazíamos todos (os progressistas de então) a crítica da "teoria do bolo", que pretendia justificar o "perverso milagre brasileiro" na base do slogan: "É preciso crescer para depois distribuir".</P>
<P>
Hoje o slogan mudou, mesmo para os "progressistas": é preciso estabilizar para depois crescer, para depois distribuir. Isto é: com a superinflação pioraram as condições reais da população e cresceram os obstáculos (objetivos e subjetivos) para melhorar a distribuição de renda.</P>
<P>
Não importa se o salário mínimo legal foi fixado em US$ 100, o seu valor real, quando se fizer o 13.º ajuste impossível, não pode superar a "média" de US$ 60 (metade do que era no final dos anos 70 e um quarto do valor alcançado na década de 50!!!).</P>
<P>
A atual distribuição salarial, na qual um "bagrinho" do serviço público ganha 200 vezes menos que um juiz do Supremo Tribunal (bons tempos em que a escala máxima era a "letra O"), só tem uma explicação plausível, que está na generalização dos "direitos" dos poderosos e na independência dos "poderes".</P>
<P>
Vale dizer, é o poder –e não a eficiência ou "a lógica da acumulação de capital"– que guia a distribuição dos rendimentos. Esta lógica do "poder" e do "direito", estabelecidos como uma tática de "ocupação e demarcação do território", vale para qualquer estrutura social neste país.</P>
<P>
Os "podres poderes" são legitimados tanto no mercado informal de produtos ilegais (por exemplo, a droga), quanto nos mercados formais de trabalho, onde os contratos tem níveis e regras de indexação arbitrárias, com vários períodos e formas de correção monetária.</P>
<P>
No sistema financeiro, um jovem universitário treinado em algum curso de pós-graduação, na boa técnica norte-americana, mesmo sem experiência, pode ingressar no mercado com um salário de US$ 10.000, enquanto o "boy" que o serve no escritório ou a faxineira de turno ganham salário mínimo e rodam mais do que pião nas "empreas" prestadoras de serviços de apoio (fenômeno que ganhou status com o nome pomposo de terceirização).</P>
<P>
Enquanto isto, velhos e novos liberais cosmopolitas dançam a ronda da modernidade, entre Rio, São Paulo e Brasília, como se estivessem todos em Berlim, Londres, Paris e Nova York, onde, aliás, os "novos tempos" também já estão chegando. É lá, nas grandes metrópoles cosmopolitas, que devem saudar o "ano novo" que se aproxima, já que, ao contrário do imaginado por um velho "profeta de barbas" do século passado, é olhando para nós (ao sul do Equador) que devem ver a imagem futura de si mesmos. Cabe a eles decifrar a sua própria imagem no "espelho de Próspero" invertido. Talvez algum americano se suicide em Paris pensando no Brasil –país do futuro.</P>
<P>
Aqui, como o futuro já chegou, podemos voltar à luta pela sobrevivência de cada um, até que as velhas "leis malthusianas" sejam aposentadas, supostamente lá pelo ano 2.030. Enquanto antigos esquemas de solidariedade revisitados não derem frutos maduros, podemos também continuar lutando, sobretudo os que ainda não desistiram, pelas bandeiras de 200 anos atrás, apenas agora com a "ordem" trocada: "Liberdade, Fraternidade e Igualdade!" Nada de "utopias realistas", busquemos forças no passado, para atravessar este futuro doloroso: feliz ano velho!</P>
<P>
MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES, 63, é economista, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora associada da Unicamp.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-78604">
<P>
Negócios obscuros nos transporte marítimos do arquipélago</P>
<P>
«A Mulher do gajo» confunde a Madeira</P>
<P>
José António Cerejo</P>
<P>
O Governo Regional da Madeira acaba de entregar as ligações marítimas Funchal-Porto Santo a um grupo privado que já detinha o controlo das operações portuárias da ilha. O processo decorreu em circunstâncias pouco claras e não falta quem ponha em causa a sua legalidade. Pouca gente dá a cara, mas há quem não hesite em falar em «polvo» e em «tentáculos». As condições em que o negócio foi adjudicado não têm nada a ver com o caderno de encargos que serviu de base ao concurso público. Os indícios de promiscuidade entre a administração regional e os privados são inúmeros: chegou-se ao ponto de colocar as estruturas e os funcionários públicos dos portos ao serviço da nova concessionária. Por trás da operação encontram-se dois familiares de um barão do PSD local. Mais uma originalidade madeirense.</P>
<P>
Madeirenses ligados ao sector dos transportes marítimos estão boquiabertos. E não é por não estarem habituados a situações que fazem arregalar os olhos. O caso é que, de um dia para o outro, os barcos do Governo Regional que faziam a ligação entre o Funchal e o Porto Santo foram retirados da circulação e o serviço foi entregue a um ferry boat privado.</P>
<P>
Os bilhetes, porém, continuam a ostentar o nome e a fotografia dos navios da Região Autónoma -- com os significativos nomes de «Pátria» e «Independência» -- e a venda das passagens continua a ser assegurada por funcionários públicos. Mais do que isso: as autoridades regionais ordenaram aos seus funcionários que passassem a trabalhar na empresa privada e cederam a essa sociedade o «Pátria» por uma quantia irrisória.</P>
<P>
Tudo em nome da melhoria da qualidade do serviço e da redução dos encargos do Governo Regional, que teria perdido, em 1994, 175 mil contos naquela linha. O pior é que os beneficiários destas medidas, com o apoio dos sindicatos de estivadores, já dominavam a actividade portuária da ilha e são acusados de ter asfixiado toda a concorrência [ver texto à parte]. Pormenor a ter em conta: pertencem a uma das famílias mais poderosas da Madeira e são primos direitos de Miguel Sousa, o homem que foi durante anos o número dois de Alberto João Jardim e ocupa actualmente uma das vice-presidências da Assembleia Regional. O Governo e os empresários negam a existência de quaisquer favores. «Falar em tal coisa é uma pulhice», diz Ricardo Sousa, o vice-presidente da sociedade concessionária.</P>
<P>
O carro à frente dos bois</P>
<P>
No dia 21 de Julho passado, o Governo Regional da Madeira e a Porto Santo Line, Lda (PSL) celebram um protocolo que concede a esta empresa dos irmãos Ricardo e Luis Miguel, por três meses, a exploração do serviço público de transporte de mercadorias e passageiros entre o Funchal e o Porto Santo. Terminado este prazo, se tudo correr bem, o Governo compromete-se a conceder aquele serviço, por dez anos e em exclusivo, a uma empresa mista em que a PSL terá 75 por cento do capital e o Estado 25.</P>
<P>
Na véspera da assinatura do protocolo, o Conselho do Governo aprovara a minuta do acordo e autorizara a Direcção Regional de Portos (DRP) a suspender, por 90 dias, o funcionamento dos seus navios «Pátria», «Independência» e «Pirata Azul». Até aí, eram eles que faziam o transporte de passageiros daquela linha. Para acorrer a eventuais necessidades, o acordo cedia o Pátria à PSL, mediante um pagamento diário de 33 contos e com a obrigação de a empresa pagar apenas o combustível do barco. Isto quando o catamaran chega a facturar, e já facturou depois de ter sido entregue à PSL, 2500 contos por dia.</P>
<P>
Entretanto, no próprio dia em que o protocolo foi firmado, João Jardim e comitiva visitam o ferry boat «Lady of Mann», acabado de chegar ao Funchal, e realiza-se a primeira viagem -- ao abrigo desse protocolo -- para Porto Santo. Com uma enorme confusão, aliás, porque os passageiros tinham comprado bilhetes para o «Pátria» e o «Independência»e os funcionários da DRP só nesse dia é que tinham recebido a controversa ordem que os obrigava a prestar serviço num barco privado...</P>
<P>
Muito antes, porém, já a PSL estava em negociações com os armadores do ferry -- a Isle of Man Steam Packet Company -- e já os peritos contratados pelo Governo o tinham inspeccionado em Inglaterra, a expensas da DRP.</P>
<P>
«Pelo menos puseram o carro à frente dos bois», comenta-se nos meios marítimos do Funchal, a propósito da contratação do «Lady of Mann» -- que os portossantenses já rebaptizaram com o nome «A mulher do gajo» -- antes da assinatura do protocolo. Mas este foi apenas um acto intercalar de uma peça particularmente obscura que há vários anos tem por cenário o porto do Funchal e as ligações marítimas com Porto Santo. O espanto maior viria depois, quando o protocolo foi tornado público e foi possível compará-lo com o caderno de encargos do concurso para a «concessão do serviço público de transporte marítimo regular de passageiros e mercadorias entre a Madeira e Porto Santo».</P>
<P>
Um concurso muito especial</P>
<P>
Lançado em Março de 1994 pelo Governo da Madeira, o concurso não se mostrava particularmente atraente para os potencias interessados. Mesmo assim, ainda chamou dois concorrentes potenciais: a PSL e a Portline. Ambas levantaram o caderno de encargos e ambas prepararam as suas propostas. A segunda , porém, acabou por desistir a poucas horas do prazo limite para a entrega dos processos.</P>
<P>
Na manhã desse dia, garantiram ao PÚBLICO diversas fontes, os responsáveis da PSL haviam-se encontrado com os homens da Portline. Esta empresa, sublinhe-se, é uma das quatro que operam no transporte de mercadorias entre o continente e a Madeira e, por isso, é cliente do Porto do Funchal, uma infra-estrutura controlada pela OPM, também dos irmãos Sousa.</P>
<P>
Meses depois, o Governo entendeu que as propostas da PSL, a única concorrente, «não foram inteiramente satisfatórias para a realização do interesse público», pelo que decide encetar negociações directas com aquele concorrente, «com vista à adequação da sua proposta ao interesse público». Para legitimar a evolução do concurso para uma negociação directa -- considerada muito pouco ortodoxa por alguns juristas ouvidos pelo PÚBLICO, mas aceitável, sob certas reservas, por outros -- o Governo invocou uma cláusula do programa do concurso que contemplava, formalmente, essa possibilidade. O programa de concurso e o caderno de encargos foram encomendados pelo Executivo madeirense a uma equipa da empresa Berin Lda, coordenada pelo anterior ministro dos Transportes, Oliveira Martins.</P>
<P>
O que sucedeu depois é que surpreende muita gente e faz falar em «violação das regras da concorrência», ou em «modificação ilegal das condições do concurso». Considerando a «impossibilidade de dar integral satisfação a todas as cláusulas do Caderno de Encargos da Concessão», o Governo Regional acaba por assinar um protocolo com a PSL que reduz significativamente as suas exigências e que, por isso mesmo -- como disse ao PÚBLICO um jurista de um gabinete ministerial de Lisboa -- poderá estar ferido de ilegalidade.</P>
<P>
Um contrato leonino</P>
<P>
Nesse documento, assinado a 21 de Julho, o Governo aceita alterar um conjunto de disposições do caderno de encargos e compromete-se a criar um regime de concessão, com base numa empresa mista a formar com a PSL, que nem sequer estava contemplado nas condições iniciais do concurso. Em resultado deste protocolo, que acaba por funcionar como um contrato temporário, mas que não foi submetido a visto do Tribunal de Contas, o executivo regional obriga a PSL a fretar um único dos seus navios, o «Pátria», e não o «Pátria» e o «Independência», como estipulava o caderno de encargos. Além disso, o afretamento passa a ser feito em regime de «charte time», por mil contos por mês, e não em «casco nú», uma solução que seria bem mais onerosa para a PSL.</P>
<P>
Igualmente nova e favorável à empresa concessionária é a obrigação assumida pelo concedente de a isentar das taxas portuárias. Finalmente, o Governo Regional concorda em comparticipar em 60 por cento dos encargos financeiros relativos à aquisição do «Lady of Mann», um compromisso que, de acordo a Secretaria Regional da Economia deverá implica um dispêndio de 55 mil contos no primeiro ano, montante que irá decrescendo até cerca de 4 mil contos no décimo ano.</P>
<P>
Esta última cláusula também não constava do caderno de encargos, uma vez que ele não previa qualquer participação estatal na aquisição de novos meios de transporte. O que o caderno de encargos admitia era o pagamento de indemnizações compensatórias de que a PSL prescindiu perante as restantes facilidades negociadas.</P>
<P>
Como renda de concessão a PSL e a futura empresa mista limitam-se a pagar os 12 mil contos anuais correspondentes ao frete do «Pátria», cedendo adicionalmente, ao Governo Regional, um crédito anual em passagens no valor de dez mil contos.</P>
<P>
Falta dizer que o protocolo foi assinado quase em segredo, que o Governo Regional começou por tentar ocultá-lo dos jornalistas e que o documento está cheio de contradições, ambiguidades e erros grosseiros. Desde trocas graves na enumeração das resoluções do Governo Regional relativas ao assunto, até à declaração de isenções de taxas que ninguém sabe quais são, há de tudo no acordo subscrito pela PSL e pela Secretaria Regional da Economia. Basta notar que o ponto 6 do texto fala na hipótese de constituição de uma sociedade mista, entre o Governo Regional e a PSL para explorar a concessão «numa fase intermédia» e Pereira Gouveia, o titular da pasta da Economia, assegura que a participação pública no negócio será «definitiva», para garantir o serviço público. «Isso tem a ver com a celeridade que foi preciso dar ao processo» para que o novo sistema começasse a vigorar já este Verão, diz o secretário regional, para justificar as fragilidades do protocolo.</P>
<P>
Em meios marítimos do Funchal, contudo, o acordo é visto como um «contrato leonino» para a PSL. Só nos três meses experimentais, garantem fontes bem colocadas na DRP, a empresa arrecadará um lucro da ordem dos 80 mil contos -- enquanto que a administração portuária deixará de facturar 178 mil contos com a imobilização dos seus navios, recebendo apenas três mil contos pelo afretamento do «Pátria». Até os 12 mil contos mensais que a PSL deveria pagar à DRP pela utilização dos trabalhadores dos seus serviços marítimos acabarão por ficar quase totalmente em casa. Isto porque, à excepção de dois contratados a prazo, nenhum dos 21 tripulantes dos barcos do Governo Regional acatou a ordem de se transferir para o «Lady of Mann».</P>
<P>
Na PSL, Ricardo Sousa rejeita todos estes números e todas as acusações de favoritismo. Segundo afirma, o envolvimento da PSL no projecto constitui um investimento de tamanho risco que esteve para desistir à última da hora. «Tanto podemos perder como ganhar quatro ou cinco mil contos nestes três meses. Quanto ao resto, prevemos que a empresa só sairá do vermelho no quarto ano de actividade.»</P>
<P>
Resta saber, dizem os críticos do processo, se este tipo de raciocínio não se destina apenas a preparar o terreno para que, mais tarde, o Governo venha em socorro do concessionário e reintroduza o princípio das indemnizações compensatórias.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-74492">
<P>
Relações Paris-Argel</P>
<P>
Política argelina, procura-se</P>
<P>
Ana Navarro Pedro, em Paris</P>
<P>
A Argélia realiza amanhã controversas eleições presidenciais e a França, antiga potência colonial, ainda não definiu a sua política para a região. Entalada entre a espada e a parede, Paris assistiu esta semana à inesperada afluência às urnas de milhares de imigrantes argelinos, que ignoraram as ameaças dos islamistas. Estes são olhados com uma desconfiança cada vez maior no Ocidente. EUA e Europa endureceram a sua posição face aos dirigentes integristas no exílio, em resposta aos apelos dos vizinhos árabes da Argélia.</P>
<P>
Com a primeira volta do escrutínio presidencial na Argélia, amanhã, aproxima-se a hora em que Paris terá de definir claramente uma política em relação a esta sua antiga colónia do Magrebe. Refugiada até agora numa fachada de «neutralidade» em relação à crise argelina, a França tem conseguido evitar o espinhoso dilema de tomar uma posição. Mas invocar sistematicamente princípios de «não-ingerência» e louvar as virtudes do «diálogo democrático» só lhe tem valido o descontentamento de todos os campos.</P>
<P>
O poder militar de Argel critica a «ambiguidade» de Paris, enquanto os adversários do regime -- sejam eles os islamistas ou as forças democráticas -- denunciam a «timidez» desta atitude. Na realidade, a França encontra-se metida entre a espada e a parede desde finais de 1991, começos de 1992, quando um golpe militar pôs termo à incipiente abertura democrática na Argélia.</P>
<P>
A vitória dos fundamentalistas da FIS (Frente Islâmica de Salvação) na primeira volta das legislativas, a 26 de Dezembro de 1991, dera suores frios a Paris: com as feridas de uma descolonização sangrenta ainda mal saradas, e os laços tensos que uniram durante tanto tempo Paris e o regime único da Frente de Libertação Nacional (FLN), o Islão puro e duro não tardaria a passar a «fronteira do Mediterrâneo»; mas, por outro lado, a «pátria dos direitos humanos» não podia apoiar abertamente um golpe de estado militar que, apesar de tudo, lhe trouxe algum alívio.</P>
<P>
Nem o começo da guerrilha na Argélia, com a entrada dos islamistas na clandestinidade, nem a derrota da esquerda e a chegada da direita ao poder em França, em 1993, alteraram significativamente esta situação. Alain Juppé, então no Ministério dos Negócios Estrangeiros, continuava a defender a «promoção do diálogo democrático», enquanto tentava combater as iniciativas «unilaterais» do seu colega do Interior, Charles Pasqua, que apoiou abertamente os partidários argelinos da «eliminação física» dos islamistas.</P>
<P>
O dilema agravou-se quando a violência da crise argelina chegou ao território francês com a vaga bombista do Verão, e os «ultimatos» contraditórios afluiam da outra margem do Mediterrâneo. «A crise argelina coloca-nos numa situação embaraçosa», confessam diplomatas franceses, «todos os campos querem implicar-nos no conflito, cada qual nos invoca como testemunha, todos nos dizem para escolhermos um campo». Embaraço tanto maior quanto existem dúvidas sérias sobre a autoria de alguns atentados. Seriam eles todos obra dos fundamentalistas do GIA (Grupo Islâmico Armado), para obrigarem Paris a cortar relações com o poder de Argel? Ou terá havido nalguns deles a «mão invisível» dos serviços secretos militares argelinos (que desde há muito infiltraram o GIA), para forçarem a França a tomar o partido do regime militar?</P>
<P>
As análises do Quai d'Orsay reforçam as hesitações políticas. Quase todos os diplomatas franceses estão convencidos da incapacidade do poder militar argelino para gerir a crise. Curiosamente, no início deste ano, a França pouco ou nada ligou à iniciativa de Sant'Egidio, que reuniu em Roma as diversas forças de oposição argelinas numa plataforma de diálogo. Mas, desde a eleição do Presidente Jacques Chirac, nota-se uma ligeira inflexão na política argelina da França, mesmo se Paris continua tão reticente como sempre em se exprimir sobre a crise na antiga colónia.</P>
<P>
Por um lado, a embaixada francesa em Argel tem intensificado encontros discretos com todas as personalidades do espectro político argelino. Por outro lado, a fachada de «neutralidade» não resistiu a certos actos. Assim, a França colocou todo o seu peso na balança para manter as ajudas financeiras internacionais à Argélia -- ou para bloquear iniciativas críticas europeias em relação ao regime militar. No capítulo da segurança, a França pediu aos seus parceiros europeus uma série de prisões nos meios islamistas que saíam do âmbito estrito do inquérito sobre a vaga bombista.</P>
<P>
No Quai d'Orsay invoca-se uma recusa «visceral» do Presidente Chirac a qualquer compromisso com os islamistas, que teria ficado ainda mais arreigada depois dos seus encontros com os presidentes egípcio e tunisino, no Verão. A versão já é outra, no que toca à ajuda financeira directa da França à Argélia (mais de 180 mil contos por ano): um bloqueio económico só precipitaria uma situação de caos total, com o perigo de uma vaga de imigração sem precedentes para a França.</P>
<P>
A polémica suscitada pelo anúncio de um encontro entre Jacques Chirac e o Presidente argelino Liamine Zéroual, em Outubro, veio travar a política pró-Argel do Eliseu. Chirac meteu os pés pelas mãos, explicando que ia condicionar a ajuda económica à promoção do diálogo democrático. E Zéroual pegou no primeiro pretexto para anular o encontro. O suspiro de alívio foi audível em Paris que, entretanto voltou à estaca zero na sua política argelina. «Isto vai dar-nos tempo para vermos como relançar o diálogo depois das eleições de 16 de Novembro», dizia então o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Hervé de Charette. Agora, Paris espera com curiosidade as consequências de um elemento inesperado: as longas filas às portas das mesas de voto abertas em França para os imigrantes argelinos, este fim-de-semana, terão servido de exemplo aos eleitores na Argélia -- ameaçados pelos islamistas de, se votarem, verem as «as urnas transformadas em caixões»?</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-48319">
<P>
Programa comunitário Urban para Odivelas</P>
<P>
Combate à cidade-dormitório</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
Em Odivelas, o programa Urban vai ajudar a combater os problemas típicos dos subúrbios das grandes cidades. A escassez de postos de trabalho e o baixo nível de qualidade de vida, associado à falta de espaços verdes e equipamentos sociais, são situações onde se pretende intervir. O apoio da União Europeia vai pouco além do meio milhão de contos, mas a Câmara de Loures espera a colaboração de organismos públicos e privados.</P>
<P>
A criação de novos espaços verdes, de mais postos de trabalho, sobretudo no sector dos serviços, e o reordenamento de áreas urbanas desequilibradas constituem os principais pontos de intervenção a apoiar pelo programa comunitário Urban em Odivelas. Uma cidade do concelho de Loures que quer deixar de ser dormitório e onde, explica Demétrio Alves, presidente do município, se pretende atacar «um certo tipo de depressão característica das zonas suburbanas» e prevenir o aparecimento de barracas e de novos desequilíbrios urbanísticos.</P>
<P>
Ao contrário do que se passa, por exemplo, com a Operação Integrada do Casal Ventoso, em Lisboa, que visa requalificar uma zona física e socialmente degradada, em Odivelas as acções a apoiar pelo Urban incidem sobre os problemas característicos das zonas-dormitório, onde os postos de trabalho são escassos relativamente à população activa residente. Além disso, no caso particular de Odivelas, a falta de espaços verdes e de equipamentos sociais são lacunas que a Câmara de Loures, através do programa comunitário, pretende colmatar.</P>
<P>
O projecto para Odivelas, apresentado a Bruxelas através dos serviços do Ministério do Planeamento e Administração do Território, prevê o lançamento de três tipos de medidas. No primeiro grupo, que integra acções de animação sócio-económica, a autarquia defende a criação de postos de trabalho através do apoio à instalação de novas actividades, da melhoria das infra-estruturas, do ambiente físico e equipamentos sociais. Como exemplo das actividades a apoiar, potencialmente geradoras de emprego, são adiantados os serviços de acolhimento de crianças, assistência a jovens deficientes e a adultos dependentes; o apoio domiciliário, como a distribuição de refeições; as artes e ofícios tradicionais.</P>
<P>
As acções -- grande parte a desenvolver em parceria entre a Câmara de Loures, a Junta de Freguesia de Odivelas e instituições e associações da cidade -- prevêem a recuperação dos recintos do Futebol Clube de Odivelas e do conjunto urbano vizinho, de modo a transformar a área num «espaço de encontro de âmbito social e cultural». Na calha está, igualmente, um projecto de reabilitação da Quinta da Memória, situada no núcleo antigo da cidade, que se encontra em ruínas.</P>
<P>
Feira sai das ruas de Odivelas</P>
<P>
Ainda no primeiro grupo de medidas, defende-se a criação de um espaço para a juventude, de estruturas de apoio à infância e de instalações para os serviços que irão lançar e gerir, sob a responsabilidade do município, as acções previstas para Odivelas. Num segundo grupo, integram-se as medidas de requalificação urbana. Estas visam, essencialmente, dar uma «identidade» à cidade e privilegiar a criação de espaços verdes.</P>
<P>
Assim, além do lançamento de espaços de lazer nas zonas residenciais, o programa Urban apoiará a construção de um parque verde urbano, para o qual será transferida a feira semanal do Silvado, que actualmente se realiza nas ruas de Odivelas, criando graves problemas de circulação. O referido parque deverá nascer na várzea sul da freguesia, situada numa das entradas da cidade, entre a CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa) e o núcleo urbano. Trata-se de uma zona abandonada e marcada pela existência de algumas barracas e construções ilegais, onde, além da feira, deverão surgir espaços de lazer e recreio.</P>
<P>
Aquela zona verde, que poderá tomar o nome de Parque Urbano do Silvado, será concretizada com verbas do Urban e da autarquia, em parceria com promotores privados, proprietários de terrenos integrados na área abrangida. Haverá também participação da Direcção-Geral do Ambiente, que terá a cargo a regularização da Ribeira de Odivelas e do Rio da Costa. Ainda no sector da requalificação urbana, está prevista a conclusão das infra-estruturas da urbanização da Quinta do Mendes, que até agora tem constituído «um grave problema ambiental», porque «confina com importantes equipamentos educativos».</P>
<P>
Um terceiro grupo de acções prende-se com o apoio à valorização dos recursos humanos. Nesta rubrica, defende-se «o apoio ao combate à exclusão social, à inserção na vida activa e à criação de emprego», segundo refere o estudo municipal que serviu de base à candidatura ao programa Urban. Para levar a cabo aquelas medidas, sublinha o mesmo documento, será necessária uma «acção articulada (...), envolvendo diversos organismos e estruturas de âmbito nacional e local». Como exemplo, é apontado o já existente Instituto Profissional de Transportes, nascido da colaboração entre a Câmara de Loures, o Ministério da Educação e estruturas sindicais e patronais.</P>
<P>
«Operação emblemática»</P>
<P>
O apoio a iniciativas de acção profissional, a criação de espaços equipados para a produção de artes plásticas e artesanato, o aperfeiçoamento técnico e humano de profissionais já no activo, a promoção de emprego para as mulheres, são algumas das medidas a levar a cabo na área da valorização dos recursos humanos. Quanto ao combate à exclusão social e à marginalidade, associada à toxicodependência, prevê-se o apoio a iniciativas culturais e desportivas, a desenvolver quer nas escolas quer na comunidade.</P>
<P>
Com todas as medidas enunciadas, «o que se pretende atacar é o crescimento desequilibrado [ao nível urbanístico e social] da cidade», diz Demétrio Alves, adiantando que os 600 mil contos -- a receber do Urban, que deverá ser aprovado por Bruxelas ainda este mês -- «são insuficientes». «Pouco mais dá do que para uma operação emblemática», acrescenta. Daí a necessidade de envolver no projecto as associações desportivas e recreativas locais, promotores imobiliários e instituições públicas e privadas que operam em Odivelas.</P>
<P>
«Encarámos a hipótese de avançar com a candidatura de zonas mais deprimidas do concelho. Mas tornava-se difícil, dada a dispersão da mancha geográfica onde se tinha de actuar. E o regulamento do Urban exige que as intervenções incidam sobre áreas delimitadas e geograficamente bem definidas», sublinha o presidente da Câmara de Loures. Por outro lado, adianta, «existe o PER [Programa Especial de Realojamentos], que vai levar à erradicação das barracas. E quanto aos bairros clandestinos [outro problema grave no concelho], nem sempre correspondem a situações de depressão económica, mas sim urbanística».</P>
<P>
Quanto ao arranque do programa para Odivelas, Demétrio Alves assegura que algumas das acções previstas vão avançar ainda este ano. A maior parte estará terminada dentro de quatro anos, segundo as previsões do próprio projecto.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa58069"> 
<P> Preço do barril de crude chegou ao nível histórico de 100 dólares </P>
 <P> 03.01.2008 - 08h46 </P>
 <P> Por Lurdes Ferreira </P>
 <P> Às 17h30 de ontem em Lisboa, a vaga especulativa do mercado do petróleo convergiu com as previsões dos últimos meses que davam como certa a chegada do preço do crude aos 100 dólares. As projecções tornaram-se realidade, ao fim de um ano em que o preço desta matéria subiu 58 por cento e que foi também o maior aumento anual da última década. </P>
 <P> O recorde histórico verificou-se na bolsa mercantil de Nova Iorque, com a transacção do crude de tipo leve, de referência para o mercado dos EUA, com entrega para Fevereiro, a pular mais de três dólares numa só sessão e a bater na marca histórica dos 100 dólares. Baixou pouco depois para os 99,17 dólares. Em Londres, o
Brent do Mar do Norte, também com entrega para Fevereiro, subiu igualmente mais de três dólares e passou pela primeira vez o patamar dos 97 dólares. O novo máximo histórico ficou em 97,74 dólares. </P>
 <P> A onda de violência na Nigéria e a instabilidade no Paquistão são apontadas como o curto-circuito que faltava ao conjunto de pressões acumuladas sobre os preços do crude nos últimos anos. Umas são estruturais: dificuldade da oferta responder a uma crescente procura, com dois países a liderarem a pressão consumista (China, que já é o segundo maior consumidor do mundo, e a Índia); escassez do sistema de refinação aliada à resistência do cartel dos países exportadores, a OPEP, em aumentar significativamente a sua produção. Outras são conjunturais: temperaturas frias do pico do Inverno ; e a descida das reservas dos EUA, o maior mercado consumidor do mundo. Outras são técnicas e com impacto que promete durar: depreciações do dólar face ao euro, quando esta matéria-prima é cotada na moeda norte-americana e as reservas dos países produtores também são em dólares, ao mesmo tempo que reforça o poder de compra dos investidores munidos de outras divisas. </P>
 <P> "Vamos aqui ficar [no patamar dos 100 dólares ], enquanto houver um desequilíbrio entre a oferta e a procura", afirmou à France Presse o analista do mercado de capitais da BMO, Bart Melek. </P>
 <P> Para este desequilíbrio contribui agora a nova vaga de violência da Nigéria, país que nos últimos anos já perdeu 25 por cento da sua produção, sendo o primeiro produtor africano, oitavo mundial e quinto fornecedor dos EUA. Para os analistas, o risco de ruptura de fornecimento neste país, com a morte de 12 pessoas na passagem de ano, é agora superior ao que foi nos últimos meses. E contribui também a situação geopolítica no Paquistão, uma semana depois do assassinado de Benazir Bhuto - não sendo um produtor importante, situa-se numa região estratégica para a produção de petróleo. </P>
 <P> A situação destes dois países "provocou o regresso de muito capital especulativo ao mercado", segundo o presidente da Ritterbusch &amp; Associates, Jim Ritterbusch, citado pela Reuters. </P>
 <P> Mas estes não são os únicos dois países em turbulência geopolítica. É também o Quénia, "ao lado da Nigéria, que se incendeia", diz Moncef Kaabi, da Natixis, é também a Turquia, com as operações contra os separatistas curdos no Norte, justificando que mercados como o do petróleo "traduzem a inquietação e a incerteza dos investidores". Por outro lado, os EUA deverão anunciar ainda hoje a situação dos seus stocks de crude, mas os dados disponíveis antecipam o anúncio de uma nova quebra, pela sétima semana consecutiva, desta vez em 1,8 milhões de barris, face ao aumento da actividade das refinarias, de acordo com um inquérito da Reuters. </P>
 <P> O preço actual do petróleo ficou agora mais próximo do pico de 100 dólares de 1980 provocado pela guerra entre o Irão e o Iraque, dois países-membros da OPEP. O preço de então ajustado à inflação representa hoje 101,7 dólares. </P>
 <P> A convicção dominante no mercado, a avaliar pelos analistas contactados pela Reuters, é a de que o preço desta matéria-prima continuará provavelmente a subir nos próximos cinco anos, a não ser que o crescimento económico abrande e abrande também a procura de combustível. A pressão para a subida de preços que se verifica desde 2002 continua a ter condições para manter o ritmo: algumas regiões fora da OPEP, nomeadamente o mar do Norte, têm a sua produção em declínio, a China mantém um intenso ritmo de procura de combustível e o sistema de refinação continua a enfrentar uma escassez de capacidade para os produtos de grande qualidade. </P>
 <P> Para analistas como Kris Voorspools, da Fortis, em Bruxelas, o "preço do petróleo pode continuar a subir", por se estar perante o "simples fundamento da oferta e da procura". </P>
 <P> Mas há quem defenda, embora em minoria, que os preços elevados podem levar a uma recessão global, uma opinião expressa por Nauman Barakat,
vice-presidente da Macquarie Futures dos EUA. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-44423">
<P>
Segurança urbana em debate no Porto</P>
<P>
A desagregação das metrópoles</P>
<P>
António Arnaldo Mesquita*</P>
<P>
O presidente da Câmara do Porto, Fernando Gomes, quis reflectir sobre o problema da segurança urbana. Convidou especialistas mundiais em criminologia, polícias, sociólogos, mas não solicitou a presença de membros do Governo. Foi um dia inteiro para fazer o diagnóstico da criminalidade nas grandes cidades, à margem das teses oficiais.</P>
<P>
Varrer o lixo para debaixo da carpete não compensa. O urbanismo não soube, não quis ou não pôde albergar legiões de excluídos. Não foi capaz de impedir a sua marginalização social, cultural e económica. A sedimentação nas zonas degradadas das grandes cidades não foi travada a tempo. As consequências estão à vista de todos. Ainda ontem, ao intervir no 1º Fórum sobre Segurança Urbana, que decorreu no Porto, o criminologista Moita Flores pôs o dedo na ferida: «A Sé, o bairro do Lagarteiro [no Porto], o Casal Ventoso, a Pedreira dos Húngaros [em Lisboa] são hoje um problema policial, do poder local, mas são sobretudo a evidência do poder desagregador das grandes metrópoles».</P>
<P>
A exclusão social persiste. Potencia fenómenos como a toxicodependência, que cataliza comportamentos à margem da lei para o financiamento do vício. Induz medos e preocupações. E, como lembrou Moita Flores, «no aumento da toxicodependência não há inocentes, sendo pouco relevante quem são os culpados». Moita Flores, que é assessor da direcção da Polícia Judiciária, não poupou ninguém (polícias, governantes, políticas sociais, institutos, autarcas, professores, pais, igrejas e até as universidades). Propôs um «diálogo despido de ideias prévias, de preconceitos tacanhos, abertos à solução para a retracção da toxicodependência». E afirmou ainda: «Todos são responsáveis e de todos é de exigir a intervenção cívica no sentido de retrair os níveis de riscos que assolam as duas grandes metrópoles» [Lisboa e o Porto].</P>
<P>
A gravidade do fenómeno é patente e latente. Por isso, segundo o presidente da Câmara do Porto, Fernando Gomes, no imaginário dos cidadãos portuenses a insegurança urbana é a principal preocupação, à frente do desemprego, da delinquência e da habitação. Gomes baseou a sua afirmação nas conclusões de um estudo de opinião recente que tinha as mesmas perguntas de um outro realizado em 1990. Há cinco anos, lembrou o autarca socialista, as questões que mais afligiam os portuenses eram a habitação, o ambiente e o trânsito.</P>
<P>
Organizado pela Câmara do Porto, numa conjuntura de conflito com o Ministério da Administração Interna sobre questões de segurança urbana, o debate de ontem contou com a participação de criminologistas, sociólogos, magistrados, psiquiatras e investigadores. O auditório estava cheio e na plateia viam-se estudiosos de várias áreas, além de uma numerosa delegação da Polícia Judiciária e de alguns responsáveis da PSP. Mas havia ausências notadas: o ministro da Adminstração Interna, Dias Loureiro, e o governador-civil do Porto, Leite Castro. Justificando o facto de Dias Loureiro não ter sido convidado, Fernando Gomes afirmou: «O fórum é uma discussão ao nível da cidade e não faz muito sentido convidar quem ainda por cima põe sérias dúvidas a este tipo de discussão». E acrescentou: «Trata-se de uma voz [Dias Loureiro] com opinião pré-formada ainda antes de se fazer o debate. Não faz sentido uma discussão política com pessoas que acham que estamos a interferir na esfera da sua competência».</P>
<P>
Dias Loureiro acusou o toque em declarações à TSF: «Não fui convidado, nem sequer me foi comunicado. O presidente da Câmara Municipal do Porto esteve aqui a falar comigo sobre alguns problemas de segurança, mas não me falou nem nos cães, nem nos privados, nem no fórum». Por seu turno, o governador civil reconheceu que a questão em debate «é um problema de Estado e transcende a conjuntura partidária e eleitoral». Nesta polémica radiofónica, Gomes também interveio, afirmando à Rádio Comercial: «Na versão municipal há, de facto, insegurança. Na versão governamental, há apenas sentimento de insegurança».</P>
<P>
Reconstruir a comunidade</P>
<P>
A vereadora portuense Maria José Azevedo fez uma detalhada intervenção sobre o Poder Local e a segurança urbana, sustentando a necessidade da existência de um espaço de concertação e de diálogo que ajude à reconstrução das comunidades. «Foi por isso -- explicou -- que criámos o primeiro Conselho Municipal de Segurança do país». E realçou que «a segurança é um bem público e, por isso, deve ser partilhada na sua concepção, na realização e controlo». A intervenção da autarca incluiu a defesa das polícias municipais e um alerta às polícias nacionais para que deixem de «considerar que partilhar soluções ou acertar estratégias lhes retira autonomia ou poder».</P>
<P>
Lembrando que ronda os 21 por cento a taxa de desemprego nos bairros camarários do Porto, Maria José Azevedo afirmou que «a maior parte das famílias subsiste graças à venda de drogas proibidas». A autarca conhece os meandros desta situação de exclusão social e tentou justificar a cumplicidade de moradores com os traficantes com as suas carências económicas. «Não se pode dizer a uma mulher reformada que recebe dez contos para guardar droga. Ela diz: `Tenho uma pensão de 16 contos e se me recusar como vou viver?»</P>
<P>
Baseado em cinco anos de investigações empíricas em bairros sociais do Porto, o psicólogo Luís Fernandes fez uma leitura multifacetada e serena da segurança urbana. O investigador citou as conclusões de um estudo realizado em Barcelona, segundo o qual «o mapa mental do medo (nas zonas tidas como perigosas pelos habitantes) não era sobreponível ao mapa real das taxas de vitimação». «A insegurança», acrescentou, «é antes do mais um fenómeno da esfera psicológica».</P>
<P>
António Bernardo Colaço, procurador-geral adjunto no Tribunal da Relação de Lisboa, deu no entanto a «expressão real» da insegurança. No espaço de um ano, a criminalidade registou um aumento global de 12 por cento. Mais de 60 por cento dos crimes são praticados na área da Grande Lisboa, e no Porto registam-se em média 43 furtos por dia. Estudos recentes atestam que 17,8 por cento dos portugueses «tem receio de ser assaltado» e que 74 por cento dos crimes não são participados. Esta cifra coloca «Portugal na cauda dos países europeus onde menos confiança se evidencia no sistema global da justiça criminal».</P>
<P>
Salientando que «a descrença de um povo na justiça do seu país é a perda do último valor em que assenta a razão de ser de uma comunidade moderna» e «é a essência de um Estado de Direito», Rodrigues Colaço realçou que a confiança «tudo abrange», desde a «capacitação dinâmica das instituições do país na solução dos problemas, até à sua realização como pessoa e como cidadão». E alertou: «Quando tal sucede, abre-se a válvula da solidariedade, tão necessária para o equilíbrio social. Quando tal não sucede, surgem os sensores sociais de alerta, como o são as `milícias populares' ou os estados emocionais de catarse social advogando a justiça por conta própria».</P>
<P>
Parquímetros móveis e desentupidores</P>
<P>
A recente eclosão em Portugal das chamadas «milícias populares» foi também analisada por Luís Fernandes, que recordou que o fenómeno surgiu em França há mais de dez anos. Explicando este tipo de movimento de auto-defesa, acentuou que, «mais do que traduzir um aumento real da insegurança, o que há hoje é um acréscimo da violência, seja na ficção, seja na notícia». Rejeitou definir como conceitos a insegurança, a violência e a marginalidade, sublinhando que «são categorias difusas de que todos falam». «São áreas temáticas, que fazem convergir sobre elas uma leitura catastrofista da realidade. Algo que parece ser um mal de fim de século».</P>
<P>
Assistente da Faculdade de Psicologia e de Ciências de Educação da Universidade do Porto, Luís Fernandes falou também de estereótipos como os arrumadores de automóveis. Deu deles uma curiosa definição: «São parquímetros ambulantes que fazem concorrência aos parquímetros da Câmara». E fez um balanço das recentes investidas policiais contra os traficantes de drogas proibidas que estavam instalados nos bairros da Sé e do Aleixo, no Porto, e que, sentindo-se acossados, se mudaram para outras zonas.</P>
<P>
A pressão policial motivou a transferência e foi equiparada por Luís Fernandes à acção dos «desentupidores de canos». Lembrou que, actualmente, os traficantes vendem «panfletos» de heroína «em movimento», para desespero dos habitantes dos novos locais deste negócio ilícito. «Os moradores que estavam aflitos com os traficantes puderam descansar à custa do desassosego de outros que começaram a ser incomodados».</P>
<P>
O exemplo de Liège</P>
<P>
A administração central e o poder local podem cooperar para prevenir e lutar contra a violência urbana. Esta foi a mensagem que Dominique Delhateur, especialista belga em segurança interna, trouxe ao Porto. Reponsável pelo Contrato de Segurança da cidade de Liège há cerca de quatro anos, Delhateur explicitou as potencialidades do programa que está em curso no seu país desde 1992 e até 1996, para reforçar a segurança pública. O governo estabeleceu protocolos de cooperação com as comunas [municípios] belgas para complementar a acção da polícia nacional e municipal e ainda da polícia judiciária.</P>
<P>
Segundo Delhateur, a colaboração tem tido resultados positivos. Em Liège, uma cidade com cerca de 200 mil habitantes, o número de pequenos delitos diminuiu de 28 mil para 20 mil nos primeiros dois anos do programa, que conta com um orçamento global de 1,8 mil milhões de francos belgas. A conjugação de esforços entre o poder central e o poder local engloba a segurança pública e social e inclui ainda um programa específico de fornecimento gratuito de metadona a duas centenas de heroinómanos. A receita é passada pelo médico de família e os toxicodependentes aviam-na na farmácia.</P>
<P>
O perito belga exprimiu a sua satisfação pelos resultados obtidos no domínio da segurança urbana por aquele programa, mas reconheceu, em declarações ao PÚBLICO, que o problema da toxidependência só terá uma solução adequada a prazo.</P>
<P>
«Angústia do nada»</P>
<P>
O tema do consumo e tráfico de drogas ilícitas foi quase dominante no fórum de ontem. «Quantos toxicómanos existem no distrito do Porto? Qual o tipo de equipas que actuam junto dos toxicodependentes? Como têm sido chamadas a intervir em matéria de prevenção polícias, autarquias e universidades? -- foram questões postas por Moita Flores a Júlio Machado Vaz, responsável da delegação do Norte do Projecto Vida, que fez uma comunicação sobre o «Risco em antropologia médica -- máxima segurança versus mínimo de liberdade?».</P>
<P>
Relativamente à primeira pergunta de Moita Flores, Machado Vaz disse que, para ser honesto, teria que dizer que «não sabe quantos toxicodenpendentes há no Porto». Quanto ao apoio aos toxicodependentes, o psiquiatra afirmou que se trata de uma questão que o ultrapassa. Sobre a prevenção primária, o responsável do Projecto Vida no Norte admitiu a existência de grandes assimetrias na participação dos diferentes ministérios. E citou ainda representantes de alguns departamentos governamentais envolvidos na prevenção que lhe terão confidenciados que, por eles, o seu ministério não devia ter qualquer responsabilidade nesta matéria...</P>
<P>
«Figuras do medo e tabus da realidade» foi o tema abordado pelo professor Cândido da Agra, catedrático de Psicologia da Universidade do Porto. O lente foi cáustico acerca dos esforços desenvolvidos no quadro da profilaxia das drogas: «O que foi gasto no folclore, ou melhor, na catequese da prevenção, era preciso gastá-lo em estudos de epidemiologia comparada». «É preciso saber o que são os toxicodependentes», frisou, lembrando que o último inventário neste domínio data de 1983. «As nossas originalidades ou já foram ditas ou são asneiras», acentuou ainda, criticando a classe política: «Os políticos servem-se da droga para dar espectáculo». Disse ainda que «a criminalidade é normal e os políticos portugueses não percebem que quando nos falam da UE também nos deveriam dar o `Dark side' [lado negro], porque o desenvolvimento paga-se, as sociedades desenvolvidas têm inerentes uma série de desordens».</P>
<P>
*com David Pontes</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-92221"> 
<P> Nas voltas que a Pampulha dá... </P>
 <P> Entre os quase 10 mil que correram os quase 18k da Volta Internacional da Pampulha no início do mês estava, havia um monte de... Índios !!! </P>
 <P> O Antonio Ricardo e mais uma turma da Araribóia Runners, trocou Nikiti por BH para suar ao redor do Lago da Pampulha. Bela paisagem, calor demais, esforço descomunal para alguns, exemplos de solidariedade que são para a gente seguir... Enfim, mais uma prova para colocar num lugar destacado na prateleira das boas memórias. Diz aí, Antonio... </P>
 <P> "Mais uma vez a prova foi fantástica! Testando resistência, o psicológico e outros bichos mais. Se você acha que a meia maratona é pesada, corra 18km na Pampulha onde a largada somente aconteceu às 10h, debaixo do maior sol e com muito calor. Isso é Pampulha ! O coração da Terra do Pão de Queijo... Muita gente caída nas calçadas recorrendo ao balão de oxigênio. Muita mesmo! </P>
 <P>"Esta prova realmente testa as condições do atleta e se ele se preparou adequadamente para enfrentá-la. Apesar da excelente estrutura de apoio, com muitos postos de hidratação (água a balde), o calor era muito forte. As motos espalhadas com médicos e ambulâncias trabalhando muito. Show.</P>
 <P> "O Alex aqui da Sulamerica, faltando 1 km, sentiu câimbras e foi para o hospital, ficando no soro... Mateus meu filho, faltando 3km, também sentiu câimbras nas duas pernas. Por sorte, o Edu parou e veio com ele devagar até a chegada. (Valeu Edu, obrigado por ajudar meu filho! Araribóia !!!) Continuei meu ritmo e dei uma força para o ' Chico Buarque ' (Israel), grande guerreiro araribóia, mandou muito bem! (1:40:00). Eu estava bem, minha passada dez, mais um índio amigo precisava de apoio pra chegar e, como somos uma família, fiz de tudo para ele cruzar a linha de chegada voando... </P>
 <P> "Os índios Araribóias que saíram de Niterói na maior expectativa, cruzaram a linha de chegada com louvor. Parabéns Família Araribóia pelo desempenho na Terra do Pão de Queijo !" </P>
 <P> Os arabibóias que deram a volta na Pampulha foram: Claudia Donelate, Jorge Américo, Mateus Silva, Antônio Ricardo, Israel Firmino e Luiz Eduardo Bustamante. </P>
 <P>Parabéns!!</P>
 <P>Para saber mais sobre a prova, é só clicar aqui.</P>
 <P> Receba este blog PermalinkEnvieComente Ler comentários (2) </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="hub-37295">
<P>
Lisboa-Dakar: Carlos Sousa ambiciona pódio</P>
<P>
PILOTO PORTUGUÊS NÃO ESCONDE DESEJO E ELOGIA ORGANIZAÇÃO</P>
<P>
O piloto português Carlos Sousa revelou que tem "capacidade para chegar ao pódio" dos automóveis na edição de 2008 do Lisboa-Dakar cujo percurso foi hoje apresentado em Lisboa.</P>
<P>
Carlos Sousa acredita que este ano o rali vai ser mais duro. "Vai ser um percurso para os mais resistentes. É mais difícil, mais exigente e as coisas entre os mais rápidos vão ser decididas ao segundo", afirmou o piloto da Lagos Team, que vai conduzir um Volkswagen Touareg idêntico aos de fábrica.</P>
<P>
Apesar de ambicionar um lugar nos três primeiros, o piloto sabe que a concorrência é apertada e que não vai ser fácil: "Há 15 ou mais pilotos com hipóteses de chegar à vitória e ao pódio. As coisas vão ficar mais interessantes para quem vir o rali em casa ou pela Internet, mas para os pilotos vai ser uma luta até ao último dia".</P>
<P>
O português, que nas últimas três edições foi sempre sétimo classificado, sofreu uma lesão cervical em Setembro. No entanto, já está a treinar a bom ritmo e garantiu que estará nas melhores condições dentro de mês e meio, quando começar o rali.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-58635">
<P>
JOSÉ GENOINO NETO</P>
<P>
Nenhum segmento da sociedade certamente está satisfeito com o desempenho das nossas instituições, particularmente, quando se sabe que setores políticos e empresariais adotam a prática de pilhagem do Estado. É justo, portanto, que todos manifestem suas preocupações e lutem para superar as dificuldades e combater a corrupção. O problema consiste em quais os caminhos que se aposta e quais os meios que devem ser utilizados. O Estado de Direito estabelece as regras do jogo político, as funções para cada organismo do Estado e os limites legais do comportamento político dos agentes sociais.</P>
<P>
Os problemas salariais, os problemas de equipamentos e as dificuldades orçamentárias das Forças Armadas são problemas comuns a toda a sociedade brasileira, são inerentes ao nosso atraso econômico e social e à precariedade do funcionamento das instituições democráticas. Não há solução para esses problemas fora da construção democrática, entendida no sentido amplo de democracia política, econômica e social. A solução dos problemas das Forças Armadas deve merecer a atenção dos poderes civis e deve ser pensada no bojo das soluções dos problemas da sociedade como um todo e a partir de uma visão ampla de uma política de defesa para o país.</P>
<P>
Os nossos problemas sociais, o nosso atraso econômico e tecnológico e os próprios problemas das Forças Armadas não são produtos da democracia. Pelo contrário, são produtos da forma autoritária do exercício do poder. Apesar do contexto e das peculiaridades históricas diferentes, as histórias recentes da América Latina e do Leste europeu guardam pontos de contato com esta afirmação: não há soluções autoritárias para os problemas do atraso econômico e tecnológico. Somente os países que optaram pela democracia no pós-guerra conseguiram enfrentar de forma equilibrada os problemas que são inerentes a qualquer sociedade.</P>
<P>
A história recente da América Latina, do Leste europeu e da ex-URSS constitui um testemunho cabal desta afirmação. Lá, desenvolveu-se uma tecnologia inteiramente voltada para a utilização militar na pressuposição de que a solução dos problemas internos e mundiais estava na força militar. O legado do autoritarismo de direita e de esquerda foi a estagnação econômica e graves crises sociais. Somente os países que optaram pela democracia, no pós-guerra, conseguiram enfrentar de forma equilibrada os problemas que são inerentes à qualquer sociedade.</P>
<P>
Os dilemas do nosso país, em larga medida, dizem respeito à ausência de um projeto de Estado e de um projeto de desenvolvimento para o país. O projeto de Estado é uma tarefa que deve ser comum à todas as forças democráticas e diz respeito à configuração institucional e constitucional do Estado.</P>
<P>
Se é verdade que a Constituição de 88 avançou nesse processo, o fato é que ele ainda está incompleto. A formulação de um projeto de desenvolvimento é de responsabilidade de cada partido político que pretenda ser governo. A sociedade, através das escolhas democráticas, através de erros e acertos, indicará qual o caminho que quer seguir. Em qualquer projeto que se pretenda sério, as Forças Armadas devem estar situadas como uma instituição importante, e a política de defesa como algo necessário e fundamental.</P>
<P>
Outra lição importante que a história recente nos deixa é que todo o processo de politização das Forças Armadas tem levado ao seu enfraquecimento. Isto porque a politização leva a um desvio funcional, leva ao desempenho de tarefas que não são específicas dos militares num Estado democrático. Se há um caminho que os militares devem seguir para o enfrentamento de seus problemas, ele implica na elaboração, junto com o Congresso, de uma política de defesa que situe qual a função das Forças Armadas, que intensifique a sua profissionalização e que estabeleça qual a sua participação no Orçamento.</P>
<P>
A valorização salarial e as exigências de sua equipagem tecnológica devem ser encontradas no interior do Estado de Direito democrático, e de acordo com as possibilidades e carências do país, com a eliminação dos resquícios de tutela e autonomia militar sobre o poder político legítimo e sem a pretensão salvacionista que frequentemente alguns militares expressam.</P>
<P>
As manifestações que tentam estimular caminhos antidemocráticos para as Forças Armadas buscam manter o status quo e usar a força para a defesa de privilégios. Temos que romper com essa tradição de setores das elites que não apostam na democracia e não assumem os riscos do jogo democrático.</P>
<P>
A necessidade de um diálogo democrático do Congresso, dos partidos políticos e de outros setores da sociedade com as Forças Armadas nada tem a ver com apelos a pronunciamentos políticos de militares ou à incitação da busca de atalhos autoritários e nem tampouco uma relação de aliança política. A neutralidade político-partidária e o respeito constitucional na função das Forças Armadas é um princípio para nossa construção democrática.</P>
<P>
JOSÉ GENOINO NETO, 47, é deputado federal pelo PT de São Paulo. Foi líder do partido na Câmara dos Deputados (1991).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-41376">
<P>
Cronometragem eletrônica*</P>
<P>
Marca</P>
<P>
9.95</P>
<P>
9.93</P>
<P>
9.92</P>
<P>
9.90</P>
<P>
9.86</P>
<P>
9.85</P>
<P>
Anulado por doping</P>
<P>
9.83</P>
<P>
Atleta</P>
<P>
Jim Hines (EUA)</P>
<P>
Calvin Smith (EUA)</P>
<P>
Carl Lewis (EUA)</P>
<P>
Leroy Burrell (EUA)</P>
<P>
Carl Lewis (EUA)</P>
<P>
Leroy Burrell (EUA)</P>
<P>
Ben Johnson (Canadá)</P>
<P>
Data</P>
<P>
14.10.68</P>
<P>
03.08.83</P>
<P>
24.09.88</P>
<P>
14.06.91</P>
<P>
25.08.91</P>
<P>
06.07.94</P>
<P>
30.08.87</P>
<P>
Local</P>
<P>
Cidade do México</P>
<P>
Colorado</P>
<P>
Seul</P>
<P>
Nova York</P>
<P>
Tóquio</P>
<P>
Lausanne</P>
<P>
Roma</P>
<P>
*Três atletas norte-americanos –Jim Hines, Ronnie Ray Smith e Charles Greene– foram os primeiros a superar a barreira dos 10s nos 100 m com cronometragem manual, com 9s9 na mesma prova, em 20 de junho de 1968, em Sacramento, nos EUA. Até 1976, ainda com cronometragem manual, também atingiram 9s.9 os norte-americanos Jim Hines (mais uma vez), Eddie Hart, Rey Robinson, Steve Williams (quatro vezes), o cubano Silvio Leonard e o canadense Don Quarrie (este em 22 de maio de 1976) fechando a fase das marcas manuais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-57970">
<P>
Artilharia flagela Áden</P>
<P>
A cidade de Áden, no sul do Iémen, foi fustigada ontem pela maior barragem de artilharia desde a eclosão da guerra civil no início de Maio, segundo o correspondente local da agência Reuter, que fala em 130 mortos e feridos admitidos nos hospitais durante a manhã. As forças do norte continuam a cercar a cidade, bastião dos separatistas que proclamaram a secessão e a independência do sul em 21 de Maio, e os últimos e violentos bombardeamentos parecem assinalar a disposição de preparar uma ofensiva final. Aliás, informações não confirmadas sugeriam que soldados do norte teriam já chegado a bairros periféricos de Áden, dos quais a população foi aconselhada a sair. A vida tornou-se praticamente insustentável para os 400 mil habitantes da cidade, enquanto os esforços de mediação desenvolvidos pelas Nações Unidas se revelam nulos no apaziguamento do conflito.</P>
<P>
Oposição polaca recupera</P>
<P>
TADEUSZ Mazowiecki, presidente da principal coligação da oposição da Polónia, a União para a Liberdade (UW), afirmou que o resultado das eleições municipais de domingo passado mostra que «foi travada a tendência perigosa do regresso dos ex-comunistas ao poder». As eleições, cujos resultados definitivos só serão conhecidos hoje, constituíram um teste à coligação de esquerda que venceu as legislativas de Setembro, formada pelos sociais-democratas (ex-comunistas) e agrários. Números provisórios indicam que a UW deverá vencer em muitas cidades, incluindo a capital, Varsóvia, e já anunciou que não está aberta a alianças com os partidos no poder. Mas a vitória dos sociais-democratas ou dos agrários ainda não foi afastada, uma vez que estão por apurar os resultados no resto do país.</P>
<P>
Acordo de Governo na Hungria</P>
<P>
O PARTIDO Socialista, ex-comunista, que venceu por maioria absoluta as eleições gerais do mês passado na Hungria, e a Aliança dos Democratas Livres (liberais), o segundo partido mais votado, chegaram a acordo sobre a formação de uma coligação governamental. Durante semanas decorreram negociações entre os dois partidos, que conseguiram chegar a consenso quanto a um programa de reformas económicas profundas. O acordo final será assinado hoje à tarde, anunciou o líder dos socialistas e próximo primeiro-ministro, Gyula Horn. Foram também divididos os cargos governamentais, cabendo aos democratas livres três dos nove ministérios: Interior, Cultura e Equipamentos.</P>
<P>
Abiola detido na Nigéria</P>
<P>
MOSHOOD Abiola, o milionário muçulmano que no dia 11 deste mês se proclamou Presidente da Nigéria, com base no resultado das eleições do ano passado que não chegaram a ser oficializados, foi detido ontem de madrugada e conduzido para Abuja, a capital. A detenção ocorreu um dia depois de ter feito uma intervenção pública. Ao falar a mais de dois mil partidários, Abiola disse que dentro de 30 dias apresentaria a lista dos membros do seu Governo «à aprovação do Senado», que foi dissolvido em Novembro pelo general Sani Abacha, pouco depois de haver assumido a chefia do Estado. O mais populoso país da África vive agora perante a estranha existência de dois presidentes, um militar e outro civil, tendo os Estados Unidos condenado já a detenção de Abiola.</P>
<P>
Candidatos colombianos sob suspeita</P>
<P>
A Procuradoria-Geral da Colômbia está a investigar alegações de que os dois candidatos às presidenciais de domingo -- o vencedor, Ernesto Samper, e o derrotado, Andrés Pastrana -- receberam dinheiro do cartel de narco-traficantes de Calí para financiar as suas campanhas. O escândalo foi provocado por uma gravação em que um suposto agente dos irmãos Rodríguez Orejuela, chefes do cartel, oferece milhões de dólares a representantes dos dois candidatos, em troca de poder político. Nem Samper nem Pastrana negaram a veracidade da gravação; mas dizem que ela foi montada, de forma a omitir o «não» rotundo que o enviado dos barões da droga de Calí terá recebido. Afirmação corroborada de resto pelo jornalista Alberto Giraldo, que foi afinal o mediador entre os narco-traficantes e as campanhas. O objectivo de Giraldo -- diz o próprio -- era jornalístico: queria investigar se seria possível financiar os candidatos com dinheiro «sujo».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="HAREM-445-00152">
<P>Um pouco de HISTÓRIA</P>
<P>  No passado dia 7 de Dezembro, os alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico da Escola de Codeçoso, sob a orientação da professora, no âmbito do concurso promovido pela Biblioteca Municipal de Montalegre, decidiram entrevistar um par de idosos do lugar de Codeçoso, fregueisa da Venda Nova, sobre o Natal  dos seus tempos de juventude, assim como algumas recordações que lhes deixaram saudade.</P>
<P> Trata-se da senhora Teresa Gonçalves Bastos, de 88 anos e do senhor António Gonçalves Bastos de 90 anos.</P>
<P>Mónica: - Será que podiam conversar um pouco connosco?Mónica: - Lembra-se como festejava o Natal antigamente?Mónica:- O que costumavam comer na noite de Consoada?D.Teresa:- Nós já o comíamos porque o senhor Domingos Afonso, que era muito nosso amigo e tinha uma loja de tudo em Braga, mandáva-nos sempre um caixote de mercearia, o bacalhau e o polvo seco.</P>
<P> Depois deitava-o de molho e ficava cá com uns olhosMónica:- E as pessoas cá da aldeia, como passavam elas a noite de Consoada?D.Teresa:- Para essa noite havia sempre.</P>
<P> Era uma noite diferençada, é que esse Domingos Afonso, na maré do Natal, dava a todos os pobres um quilo de bacalhau, alguma mercearia e cinco mil reis em dinheiro.</P>
<P>Mónica:- O que se fazia durante o serão da noite de Consoada?D.Teresa:- No fim de comer rezava-se o terço.</P>
<P> Depois, os vizinhos vinham até nossa casa.</P>
<P> Os homens jogavam às cartas, as crianças e as mulheres olhavam e também se contavam histórias.</P>
<P> Comia-se figos e bebia-se aguardente.</P>
<P>Mónica:- E  o dia de Natal como era passado?D.Teresa :- Íamos à missinha e no fim íamos ao cemitério beijar a campa da minha mãezinha que Deus tem.</P>
<P> Sabeis, é que eu fiquei sem mãe muito cedo e fui criada com o meu avô Manuel Fernandes Campos, que era um homem bom e farto.</P>
<P> Mónica:- E então como era o almoço no dia de Natal?D.Teresa :-Na nossa casa nunca faltava a vitela nesse dia porque o meu avô ia a Ruivães  a pé, buscá-la.</P>
<P> Mónica :- E vestiam roupa nova? D.Teresa :- Ai roupa nova! Às vezes remendada e nos pés umas socas de madeira.</P>
<P> Mónica :- E nesse dia recebiam prendas? D.Teresa :- Num havia prendas para ninguém .</P>
<P> O dinheiro era pouco.</P>
<P> Num havia cá pinheiros nem luzes a piscar, havia muita alegria, coisa que agora é rara.</P>
<P> Professora :- Tem saudades do seu tempo de juventude? D.Teresa  :- Se tenho! Antes me queria no tempo de "dantes".</P>
<P>Agora é tudo triste e só se ouvem desgraças.</P>
<P>  Professora :- Mas agora há mais fartura!  D.Teresa  :- Pois há, mas uma rachinha de bacalhau naquela altura sabia pela vida e agora nada sabe bem à gente.</P>
<P> Esses venenos que botam na terra estragam tudo.</P>
<P> Até as sardinhas sabiam melhor, e em minha casa, graças a  Deus, apanhávamos cada fartote! Dava-se seis ovos e em troca recebíamos meio cento de sardinhas.</P>
<P> Mónica :- Sabe ler e escrever? D.Teresa :- Eu não, mas o meu irmão António fez o exame da 4º classe na Venda Nova .</P>
<P> Aprendeu com a D.Maria da Conceição, mulher de um farmacêutico.</P>
<P> Professora :- Naquela altura, ter o exame da 4ª classe era bastante? Sr.António:- Ai era! Fui para a tropa para Braga em 1930 e fui 1º Cabo.</P>
<P> Quando acabei a tropa, vim a pé de Braga a Codeçoso e como as botas eram apertadas e pesadas, pu-las às costas.</P>
<P>Professora :- D.Teresa , ouvi dizer que lhe chamavam noutro tempo a " Mãe dos pobres ", é verdade? D.Teresa:- Dava o que podia aos mais pobres porque naquele tempo havia fome.</P>
<P> Todos queriam saber quando é que eu metia a fornada porque eu dava pão a quem precisava.</P>
<P> Cozia sempre um bolo para a criançada e uma broa era logo espatifada no forno.</P>
<P> E não estou arrependida, ainda cá fica muito.</P>
<P> Se as esmolas valerem, eu tenho lá algumas.</P>
<P>Professora : - D.Teresa foi muito bom conversar consigo, até um dia deste e obrigada.</P>
<P> D.Teresa :- Adeus senhora professora.</P>
<P> Adeus meus meninos azadinhos.</P>
<P> Até quando quiserem.</P>
<P> A D.Teresa deu à Mónica uma moeda de 20$00 para deitar nas Alminhas .</P>
<P> Regressámos à escola muito mais ricos e deveras entusiasmados com tão belo testemunho de vida.</P>
<P> Resolvemos então registar, fazendo HISTÓRIA!....</P>
<P>Este trabalho ficou classificado em terceiro lugar no concurso promovido pela Câmara Municipal de Montalegre , subordinado ao tema " Natal Barrosão ".</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-52475">
<P>
Temporais por todo o mundo</P>
<P>
Nevões nos Estados Unidos e melhoria na Europa</P>
<P>
Duas pessoas morreram ontem em consequência do violento temporal de neve e chuva gelada que se abateu sobre o noroeste dos Estados Unidos e transformou as estradas, aeroportos e ruas em perigosas pistas de patinagem.</P>
<P>
O mau tempo que, segundo os serviços meteorológicos, continuará durante os próximos dias, cortou o fornecimento de energia eléctrica a centenas de milhar de pessoas.</P>
<P>
A neve atingiu uma altura de 40 centímetros no estado de Massachussetts, Pensilvânia, no norte do estado de Nova Iorque, em Connecticut, Rhode Island e em outras zonas de Nova Inglaterra. Em Boston, o aeroporto internacional de Logan esteve fechado durante sete horas e, na zona de Filadélfia, mais de 400 mil casas ficaram sem electricidade quando as árvores derrubaram postes de transporte de energia eléctrica.</P>
<P>
Depois desta vaga de frio que matou 15 pessoas nos últimos cinco dias, uma nova tempestade está já em formação na costa Oeste.</P>
<P>
O mau tempo continua também por toda a Europa, embora registando ligeiras melhorias. Em Espanha, um sismo de 3,8 graus de magnitude na escala de Richter abalou, no sábado, a província de Granada, no sudeste do país, antecedendo o temporal de neve e vento frio que desde ontem assola todo o país. Esta nova frente fria entrou pelas costas da Galiza e pelo noroeste da Península Ibérica.</P>
<P>
A situação que se faz sentir em Espanha desde quinta-feira já provocou muitos cortes de estradas, principalmente nos locais montanhosos.</P>
<P>
A Xunta (governo regional) da Galiza apelou à população para tomar todas as precauções e não utilizar motas ou bicicletas. As previsões meteorológicas indicam que o vento poderá atingir os 115 quilómetros/hora nas províncias da Corunha e Pontevedra.</P>
<P>
Entretanto começou ontem a baixar, no sul da França, o nível das cheias, enquanto se intensificaram os trabalhos para reforçar os dispositivos de protecção dos arrozais e das zonas alagadiças. Em Camargue, no delta do Ródano, 700 homens continuam a esforçar-se para deter as inundações. Uma das principais brechas no sistema de diques foi colmatada devido à intervenção de helicópteros que ali largaram grande quantidade de sacos de areia. A brecha de Lauricet, próximo de Albaron, ficou entretanto acessível por via aérea, depois das árvores que impediam a aproximação dos helicópteros terem sido removidas. No departamento de Vaucluse, a descida do nível dos rios Ródano e Durance foi anunciada oficialmente. Em Avinhão, a altura das águas do Ródano passou, em poucas horas, de seis para cinco metros e meio, continuando a baixar.</P>
<P>
Na região Ródano-Alpes, contudo, cinco mil casas continuam privadas de energia eléctrica, devido aos nevões de sexta-feira.</P>
<P>
O mau tempo abateu-se também sobre as Filipinas, com cheias que provocaram 35 mortos. Helicópteros da Força Aérea recolheram, entretanto, dezenas de pessoas das zonas inundadas. O temporal provocou cheias em mais de 600 hectares de arrozais em Albay, uma das 14 províncias que Fidel Ramos considerou em estado de calamidade. Foi a primeira tempestade a abater-se sobre as Filipinas este ano. Um recorde de 32 ciclones foi registado no país, no ano passado, três deles em Dezembro, época em que a estação das chuvas já devia ter terminado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-5674">
<P>
Distrital põe em causa erradicação das barracas antes de 2000</P>
<P>
PSD critica «imobilismo» de Almada e Loures</P>
<P>
A COMISSÃO Política Distrital da Área Metropolitana de Lisboa do PSD reuniu ontem na Junqueira para fazer um ponto da situação no que diz respeito ao programa Especial de Realojamento (PER), a iniciativa governamental que visa acabar com as barracas até ao ano 2000. Os sociais-democratas teceram duras críticas aos municípios de Almada e Loures, que acusaram de ter «falta de vontade política», ou «falta de organização» para resolver aquele problema.</P>
<P>
Na base das acusações está o facto de Almada e Loures serem os únicos dois municípios -- segundo o PSD -- que ainda não fizeram o levantamento do número de barracas existentes nas suas áreas de actuação. Também as Câmaras recém-conquistadas ao PSD pelo PS, Sintra e Cascais, mereceram uma palavra amarga, já que, dizem os sociais-democratas, ainda não concretizaram os respectivos processos de execução do PER.</P>
<P>
Apenas oito câmaras das 18 da AML já assinaram com o Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) os respectivos acordos de adesão, quando já deviam estar assinados praticamente todos. Arlindo de Carvalho, presidente da distrital, definiu o atraso como « muito preocupante», uma vez que se trata de uma «questão de dignidade humana».</P>
<P>
«Seria um erro histórico, as autarquias não colaborarem na erradicação das construções abarracadas», referiu o ex-ministro da Saúde. «Vamos pedir aos nossos autarcas que levantem a questão nas câmaras, nas assembleias municipais, nos jornais regionais, nas rádios locais, por forma a pressionar os municípios atrasados», concluiu.</P>
<P>
Num comunicado, o PSD chega mesmo a afirmar que o «imobilismo gritante» daquelas e de outras autarquias «poderá impedir» um dos objectivos dos chamado «pacote da habitação»: a erradicação das barracas até ao final do século. Até agora , segundo disse ao PÚBLICO Arlindo de Carvalho, pensa-se que o programa para a AML venha a custar 234 milhões de contos, para acabar com 23 mil e 500 barracas, realojando 92 mil indivíduos pertencentes a 27 mil e 700 agregados familiares. Estes números não incluem Almada e Loures.</P>
<P>
João Dias Miguel</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-46136">
<P>
SÉRGIO MALBERGIER</P>
<P>
De Londres</P>
<P>
A escuderia Williams voltou a negar ontem, pelo segundo dia seguido, que tenha culpado o piloto Ayrton Senna pelo acidente que causou a sua morte.</P>
<P>
Tentando minimizar possíveis danos à sua imagem, desta vez a Williams acrescentou declarações textuais de seu diretor técnico, Patrick Head, que logo após a corrida em Imola disse que Senna havia "cometido um erro" ao entrar na curva do acidente.</P>
<P>
Na nota divulgada ontem, Head diz: "Nós ainda estamos estudando os dados e coletando informações e até este estágio não chegamos a nenhuma conclusão."</P>
<P>
"Nem todas as informações relevantes estão disponíveis no momento. Eu acredito que qualquer conversa inicial que eu tenha tido no circuito (de Imola) foi tirada do contexto e acrescentaria que, desde que deixei o circuito, não falei com nenhum jornalista sobre o assunto. Em nenhum momento eu falei que Ayrton Senna era culpado", termina a nota.</P>
<P>
A Williams disse ontem que ainda não sabe quando as autoridades italianas liberarão o carro de Senna para ser trazido à fábrica da empresa em Didcot (centro da Inglaterra), para ser analisado.</P>
<P>
Uma porta-voz disse à Folha também que a empresa, até ontem, não havia recebido nenhuma notificação da promotoria italiana, que está investigando a escuderia sob a acusação de assassinato, pela morte de Senna.</P>
<P>
A polêmica em relação à equipe surgiu no dia seguinte ao acidente. Patrick Head afirmou que Senna cometera um erro na curva Tamburello, onde bateu.</P>
<P>
Segundo Head, o brasileiro teria tirado o pé do acelerador no instante em que o carro passava sobre uma lombada da pista, perdendo o controle do Williams.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-43823"> 
<P> ONDE ESTÁ O PSD ? </P>
 <P> É só uma questão de tempo até os jornais começarem a perguntar onde está o PSD, onde está Menezes, onde está a oposição vinda do partido que é suposto "liderá-la", que não se vê em parte nenhuma. O PP, o PCP e o BE, nalguns casos mesmo alguns raros dissidentes do PS socrático, têm criticado o Governo, enquanto o PSD passa entre as sombras, ou ficando pura e simplesmente silencioso, ou murmurando umas críticas de circunstância que ninguém ouve, ou, em muitos casos, concordando com o Governo e o PS. O único "não" sonoro que se ouviu foi a recusa do empréstimo à Câmara de Lisboa, acompanhado por uma condução política que primou pela completa inépcia. Esse é daqueles que mais valia não se ter ouvido, sem com isso dizer que Costa tinha razão, que não a tinha. </P>
 <P> A pergunta do "onde está" é tradicional na comunicação social e nalguns casos foi feita com estragos consideráveis, como aconteceu com Vítor Constâncio à frente do PS. A pergunta em si é pouco relevante, porque o que a comunicação social quer é festa e, quando acha que não a tem, clama por actores no palco. Admito que os tempos agora não estarão como estavam no tempo de Constâncio, nem a dedicação carinhosa da comunicação social ao PSD é idêntica à que na época prodigalizava ao PS, cujo estado a preocupava. Mas, quando vier a pergunta, será mais para a coreografia do que para a substância, porque esta está há muito respondida: de há uns tempos a esta parte, o PSD está onde está o PS. </P>
 <P> A razão pela qual o PSD se ausentou para parte incerta foi explicada na pouco noticiada conferência de imprensa "oferecedora de pactos", antecedendo o debate parlamentar de "primeira oportunidade" entre Sócrates e Santana Lopes. Desde aí que se conhecem as razões de substância para este já longo silêncio: o PSD aproximou-se politicamente do PS como nunca esteve antes, ao ponto de se oferecer para co-governar em praticamente todas as áreas. Na conferência e em declarações avulsas - da política externa à política europeia, passando pela defesa, segurança interna e legislação eleitoral, e acabando no célebre "pacto das obras públicas", a que se soma o "pacto da justiça" vindo do tempo de Marques Mendes -, o PSD faz uma abdicação da diferença, da alteridade, da oposição. </P>
 <P> O que nos é dito é que em Janeiro tudo vai mudar, aparecerão propostas e tomadas de posição, vai começar a oposição "a sério", quando estiverem gabinetes e assessores a funcionar. É um pouco bizarro que se anuncie um tempo de adiamento da oposição, uma paragem para uma retoma anunciada, quando antes tudo era tempo urgente. Menezes criticava Marques Mendes por não fazer oposição dia a dia, minuto a minuto, fogosa, ardente, caso a caso, para o que, dizia, não faltavam temas nem razões e que "com ele" isso iria mudar radicalmente. Já não me refiro às idas às fábricas que encerraram - entretanto já encerraram várias -, mas a um estilo prometido de pathos oposicionista, comunhão com o povo e de entusiasmo militante, que, de todo, não se vê. Não é que o estilo prometido fosse bom, mas foi o que foi prometido, antes deste enorme esforço de respeitabilidade fabricado por agências de comunicação. Estas flutuações matam o flutuante, mas, infelizmente, são o que é normal, quando se actua para uma sociedade do espectáculo. </P>
 <P> Permitam-me por isso que duvide da ofensiva putativa de Janeiro, porque a diferença não se faz com mais ou menos "estudos", "porta-vozes" ou "governos-sombra". Faz-se em primeiro lugar com políticas e não faltaram ocasiões nos últimos meses para se ser firme e duro com a política de um governo que está a empobrecer-nos a todos em nome de um modelo "social" que não tem futuro. Isto, na hipótese de o PSD ter um modelo diferente, que só pode ser mais liberal, mesmo que só moderadamente liberal, o que já não era mau. </P>
 <P> Quando dois partidos se colam tanto que pouco se diferenciam, o que sobra para a luta política tende a ser incidental, conjuntural: esta nomeação, aquela opção por Ferreira de Cima em vez de ser por Ferreira de Baixo e várias variantes de questões "fracturantes", que em muitos casos são distracções dos problemas centrais de poder político e remetem para agendas em que nem sequer é líquido que o Estado e o poder político devam entrar. </P>
 <P> Este "bloco central" político esteve sempre dentro do PSD, como esteve e está no PS e é uma sobrevivência de laços de interesses profundos representados nos dois partidos e que, depois, encontra expressão no rastro salazarista antidemocrático dos consensos. Nos primeiros anos da democracia, este "bloco central" concentrava-se em exercer o poder através da economia nacionalizada pós-1975, daí poder ser representado simbolicamente na cena real de responsáveis dos dois partidos reunidos a distribuir os lugares de gestores públicos nas empresas: estes dois são para mim, este fica para ti, este vai para a TAP e dou-te dois na CP, mas este da EDP não pode ser comparado como este na Imprensa Nacional, etc., etc. Este tipo de partilhas que durou até há muito pouco tempo e em muitas áreas, a começar nas autarquias e nas empresas municipalizadas, ainda está longe de ter acabado. </P>
 <P> Mas o "bloco central de interesses" evoluiu com a economia, e adaptou-se às privatizações, deslocou-se para fora do Estado e foi para os grupos económicos, para os bancos, as seguradoras, as empresas de construção civil, etc., etc. Quase que se pode formular uma regra simples: quanto mais depender um grupo económico de decisões do governo para conduzir a sua actividade empresarial, tanto maior é a presença deste "bloco central de interesses" no seu seio. A deslocação do Estado para o privado significa que os mecanismos de influência tendem a deslocar-se de fora para dentro, a centrar-se na mediação de negócios, assentes em empresas de consultadoria e em grandes escritórios de advogados, que todos sabem serem as portas certas para chegar ao governo, este e os anteriores. Quando um partido político, ainda por cima na oposição, se demarca deste jogo de interesses instalado, as suas lideranças são sujeitas a um processo que começa pela descredibilização e acaba na tentativa de expulsar os incontroláveis. Marcelo Rebelo de Sousa, num momento da sua liderança, quando contestou alguns grandes negócios, foi sujeito a essa campanha. </P>
 <P> É verdade que no PSD há a presença deste "bloco central", mas há também uma tradição de ruptura que, no passado, tornou o partido na principal força reformista em Portugal. O PS foi crucial na defesa da democracia política em 1975, o PSD foi crucial na normalização democrática. Sem o PSD, na fórmula da AD de Sá Carneiro, não se iria tão longe e tão cedo no fim da presença militar na tutela da democracia. Sem Cavaco Silva não haveria uma cultura de "bom governo", o fim da Constituição socializante na economia, o retorno à economia de mercado, o boom de infra-estruturas, a democratização do ensino, uma modernização imperfeita mas real do país. Ambos associaram um programa de reformas à alteração das condições políticas dominantes em momentos desejados e sentidos como de ruptura: Sá Carneiro e Freitas do Amaral mostraram que outros partidos podiam governar Portugal que não apenas o PS, e Cavaco abriu caminho para as maiorias absolutas como condição de governabilidade. </P>
 <P> Se estamos no caminho do bonnet blanc, blanc bonnet, como dizem os franceses, esta é a melhor receita para matar o lado reformista do PSD, o de Sá Carneiro e Cavaco Silva. Sem esse lado reformista, o PSD ficará tão próximo do Governo e do PS que, à luz de um, não se vê a sombra do outro. E nem de holofote a laser, banhado no mais forte néon, Diógenes encontrará qualquer homem na cidade. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-80189">
<P>
RICARDO BONALUME NETO</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Só um enredo de filme de Indiana Jones chegaria perto. Um tesouro de ouro e prata acumulado por piratas é descoberto por um aventureiro alemão, que o retira do país onde foi descoberto sem dar a parte devida ao governo local. Ele doa o tesouro ao governo ao seu país, que o esconde durante a guerra mais feroz da história para evitar que seja destruído por bombas. Uma potência invasora saqueia o tesouro e o mantém escondido em um museu durante quase cinquenta anos. Agora, finalmente, o lendário tesouro troiano volta a ter seu destino decidido, por uma comissão de burocratas dos governos russo e alemão.</P>
<P>
As dezenas de peças de ouro e prata –milhares, se forem contadas todas as contas dos colares– foram descobertas pelo alemão Heinrich Schliemann (1822-1890) na colina de Hissarlik, na Turquia, local da até então mítica Tróia. Schliemann descobriu a cidade que antes era apenas conhecida nos livros pioneiros da literatura ocidental, a Ilíada e a Odisséia, atribuídas ao grego Homero. O alemão o batizou de "tesouro de Príamo", em homenagem ao rei troiano que, segundo Homero, governava a cidade quando ela foi destruída pelos gregos de Agamênon, que teriam encontrado ali dentro de um mítico cavalo de madeira (que nunca foi achado).</P>
<P>
Na verdade, as peças que Schliemann desenterrou pertenciam a uma Tróia ainda mais antiga que aquelas normalmente associadas com a guerra homérica. Os arqueólogos que vieram depois do alemão descobriram nove cidades construídas umas sobre as outras na colina. A povoação fica em um local estratégico para dominar a navegação pelo estreito de Dardanelos. Isso fez de Tróia uma espécie de "fortaleza pirata", que cobrava imposto e saqueava os navios que tinham de passar por ali. É por isso que os arqueólogos acreditam que houve bem mais que uma "Guerra de Tróia".</P>
<P>
Schiliemann encontrou diademas, contas de colar, cálices, braceletes. Refez os colares e fez sua mulher, Sofia Engastromenos, posar com eles. As peças agora no Museu Pushkin, em Moscou, e antes no Museu de Pré-História e História Antiga de Berlim, foram achadas na altura de Tróia 2, uma cidade com arquitetura imponente que floresceu de 2.500 a 2.200 a.C., na Idade do Bronze.</P>
<P>
Durante a Segunda Guerra Mundial os alemães saquearam sistematicamente os tesouros artísticos da parte da Europa que ocuparam. Os soviéticos retribuíram quando tiveram a chance de ocupar a Alemanha. Klaus Goldmann, um curador do museu berlinense, fez um trabalho de detetive durante anos tentando descobrir o paradeiro do tesouro. Entre seus achados está um microfilme feito durante a guerra com a descrição de todas as peças. O museu publicou em dezembro passado um catálogo descrevendo o tesouro.</P>
<P>
"Ninguém sabe qual será o resultado da reunião", disse Goldmann em entrevista por telefone à Folha, "por causa da mudança da situação política na Rússia". O avanço eleitoral de nacionalistas compromete negociações para restituir o que eles consideram legítimo butim de guerra. Goldmann espera que os russos façam uma exposição logo com os objetos. Ele tem medo que a máfia russa possa roubá-los.</P>
<P>
A comissão dos dois governos deverá se encontrar em março. Goldmann estará com os dedos cruzados. Se não houver uma decisão em março, outra chance será em junho, quando o encontro será entre ministros. O ministro russo de Cultura, Evguêni Sidorov, admitiu ter tocado no tesouro.</P>
<P>
Uma vez de posse das peças, técnicas modernas de análise permitirão compará-las com outros achados na região. Sempre existiram dúvidas sobre a autenticidade de parte do tesouro. Schliemann mentiu, por exemplo, ao dizer que sua mulher estava presente quando ele foi encontrado.</P>
<P>
O atual líder das novas escavações em Tróia, o arqueólogo Manfred Korfmann, da Universidade de Tuebingen, não liga tanto assim para quem fica com o tesouro. "Nós não somos caçadores de tesouros, somos escavadores", disse ele à Folha. "Essa é uma questão política. Como cientistas, nós estamos interessados em seu valor científico. Ele deve estar acessível aos pesquisadores". A equipe multinacional de Korfmann tem hoje 85 pessoas de dez países, e pesquisa desde 1990 uma área de Tróia dez vezes maior que aquela que Schliemann conheceu.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-53598">
<P>
Demolição tranquila</P>
<P>
Barracas abaixo no Olival Basto</P>
<P>
Nem choros, nem protestos, nenhum polícia à vista. A demolição de dez barracas, ontem, nas traseiras do Centro Cultural da Malaposta, no Olival Basto, processou-se de forma tranquila, sob o olhar desinteressado de alguns dos seus 39 anteriores habitantes.</P>
<P>
Afinal, casas novas estavam à sua espera na urbanização da Quinta das Sapateiras, em Loures, no âmbito de um acordo celebrado entre a Câmara de Loures e a Junta Autónoma de Estradas, anterior à assinatura do Programa Especial de Realojamento. Apenas a família mais numerosa teve como destino uma auto-construção na Pontinha.</P>
<P>
A demolição daquele núcleo de barracas é consequência directa das obras da Circular Regional Interna de Lisboa e destina-se a libertar os terrenos para a construção de um novo ramo que ligará o Olival Basto à Radial de Odivelas. A obra foi antecipada devido aos actuais congestionamentos à saída da Calçada de Carriche, na entrada para a auto-estrada Lisboa-Malveira. Segundo as previsões da JAE, em Agosto todo o nó da Radial de Odivelas deverá estar concluído.</P>
<P>
Ontem, nem todos os abarracados foram abaixo. Em pé ficaram ainda os armazéns de ferro-velho do Senhor Roubado, entre a EN8 e o acesso a Odivelas, cujo processo de expropriações ainda decorre.</P>
<P>
Após a construção do novo ramal, a área libertada será aterrada e ajardinada, tornando-se a Malaposta a referência arquitectónica daquela entrada do concelho de Loures.</P>
<P>
Demétrio Alves, o presidente de Loures, que assistiu à demolição com dois vereadores sociais-democratas, aproveitou a ocasião para uma pequena «palestra» às famílias a realojar (na sua maioria de etnia cigana) nas Sapateiras, onde já se encontram aquelas que viviam no Lar Panorâmico de Camarate, muitas delas de origem africana. O autarca apelou para o bom relacionamento com os que já lá se encontram e, dirigindo-se aos jornalistas, afirmou que «o grande problema dos realojamentos são as questões de ordem socio-cultural».</P>
<P>
Num tom descontraído, o presidente pergunta ao senhor Simão, que ali viveu durante nove anos, se «não costumavam vir uns carros, fazer umas manigâncias, à noite» -- uma alusão ao tráfico de droga no bairro de barracas, denunciado pela população vizinha.</P>
<P>
O velho Simão arrebita o bigode num ligeiro sorriso e responde: «Sabe, deito-me muito cedo e como não me meto na vida de ninguém, nunca vi nada». Sorrisos à volta, que o que lá vai lá vai. É preciso é evitar que se repita nas novas casas de renda social.</P>
<P>
De resto, a operação decorreu sem incidentes. Quando um dos ex-moradores saltou para a frente do «buldozer» camarário, pedindo que a máquina parasse com o derrube de uma barraca, a tensão surgiu. Mas tratava-se apenas de aproveitar a altura para salvar um velho quadro de uma parede esventrada. Depois, apenas os ratos causaram alguma agitação entre a comitiva camarária e os jornalistas.</P>
<P>
Na próxima semana é a vez da demolição de 19 barracas no bairro Falcão, na Pontinha, desta feita para fazer avançar as obras do Metropolitano de Lisboa.</P>
<P>
Vítor Faustino</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-92453">
<P>
Câmara avança na demolição de 300 barracas</P>
<P>
Os «pequenos golpes» dos realojamentos</P>
<P>
No bairro da Boavista, onde as máquinas da Câmara Municipal de Lisboa avançaram ontem, arrasando mais de 80 barracas, duas ficaram por deitar abaixo, por se encontrarem ainda ocupadas. Numa delas vivia um casal que até há pouco habitava uma outra barraca na margem sul e que se candidatara duplamente a uma nova casa, recenseando-se simultaneamente em Lisboa, através do PIMP (Programa de Intervenção a Médio Prazo) e no Programa de Erradicação de Barracas (PER) em Setúbal.</P>
<P>
«Este casal não vai ser realojado por nós», disse ao PÚBLICO o vereador Vasco Franco, ao mesmo tempo que exibia fotografias tiradas pelos seus serviços à habitação que o casal deixara em Setúbal. Aquele foi um dos pequenos golpes detectados nos realojamentos, actualmente mais difíceis de concretizar dados os recenseamentos que são feitos pelas autarquias e pelo Governo. Também no bairro do Relógio, onde durante a manhã prosseguiram as demolições, com a destruição de mais 161 barracas, houve uma habitação que não chegou a ser destruída, embora já tivesse sido dada como devoluta pela família que a ocupava. «Temos um visitante inesperado. Um familiar [do casal já realojado] que veio do Algarve, para tratar em Lisboa de uns assuntos, e que abusivamente se instalou aqui. Mas já foi avisado de que terá de abandonar a casa», acrescentou Vasco Franco.</P>
<P>
Donos de prédios pedem casa à câmara</P>
<P>
Cenas deste tipo são habituais e o vereador recordou, entre outros casos, o oportunismo de um proprietário de uma barraca no bairro Padre Cruz, que se candidatava a ser realojado numa casa da câmara, «quando se detectou que ele era dono de vários prédios em Lisboa e na Amadora».</P>
<P>
Mas na Boavista, junto a Monsanto, não houve ontem cenas de gritos, nem grandes manifestações de protesto contra a intervenção da autarquia, apenas pedidos de aceleração em futuros realojamentos, a maioria dos quais está a ser feita localmente, em novos fogos que vão ficando prontos no bairro, onde prossegue a construção de habitação social.</P>
<P>
As barracas que ainda não tinham sido desocupadas irão abaixo nos próximos dias, mas a câmara esperará que as pessoas tenham tempo de fazer os contratos de água e luz para as suas novas casas. «As famílias que ali vivem receberam as chaves um pouco mais tarde que as outras, uma vez que os seus processos tinham algumas complicações e por isso não tiveram tempo de fazer os contratos. Mas vamos dar-lhes tempo», garantiu Vasco Franco.</P>
<P>
Na mesma situação se encontravam cinco famílias residentes em barracas na Quinta do Pizany, o que reduziu a 58 o número das demolições para ali previstas ontem. «Já todas as famílias receberam as chaves, e os prédios onde estão a ser realojadas, no bairro Padre Cruz estão aptos a ser habitados, com as ligações às redes de abastecimento», sublinhou Vasco Franco.</P>
<P>
Mas se ontem não houve grandes problemas nos bairros onde entraram os buldozers da câmara, já em próximas intervenções da autarquia, a situação parece mais preocupante. «Temos um caso de um prédio nos Olivais, que ficou por acabar e que foi entretanto ocupado por 40 famílias que vamos ter de despejar, o que não vai ser fácil», previu o vereador.</P>
<P>
Até ao final do ano, a câmara espera ter conseguido demolir um total de mil barracas, das que fazem parte dos realojamentos previstos no PIMP, plano cujo prazo tem sido sucessivamente alargado. Quanto aos realojamentos do PER, Vasco Franco estimou para meados de 1996 a entrega das primeiras casas construídas em Lisboa para albergar os residentes em barracas que se recensearam naquele programa.</P>
<P>
Fernanda Ribeiro</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-Ren_ex5">
<P>  O presidente da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa , William Saad Hossne , disse ontem , na 52ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência , que a comunidade científica internacional pode alterar a Declaração de Helsinque , sobre ética em pesquisas com humanos.</P>

<P>
Em estudos no Terceiro Mundo , os cientistas se desobrigariam de fornecer aos doentes o melhor tratamento médico conhecido. A proposta, a ser discutida, dá aos pesquisados o direito de receber terapia dada pelo governo de seu país -- que pode ser nenhuma.</P>

<P>
O debate surgiu após estudos em Ruanda e na Tailândia em que cientistas deram a grávidas com HIV um regime de AZT mais breve do que o recomendado. Queriam saber se o regime curto era melhor que nada para impedir a contaminação do feto. Para isso, outro grupo de grávidas com HIV não recebeu remédio algum. Comprovou-se que o regime mais breve basta, na maioria dos casos, para impedir a contaminação.</P>

<P>
Os pesquisadores argumentaram que as mulheres que não receberam AZT não o teriam recebido, de qualquer forma, e que seria impossível obter resultados precisos sem esse grupo. Além disso, o resultado da pesquisa beneficia países pobres, onde o regime curto é o único acessível.</P>

<P>
Contra esse ponto de vista, Hossne defende a norma atual: em pesquisa de tratamentos, os doentes devem receber ao menos o remédio mais eficiente já descoberto para sua doença. Hossne citou o estudo de Tuskegee ( EUA ), em que negros com sífilis não foram tratados por 40 anos para que a evolução da doença fosse estudada. Os EUA , disse ele, foram um dos últimos países a assinar a Declaração de Helsinque . O texto, de 89 , traça diretrizes para ética em pesquisas. Seus termos são endossados pela OMS ( Organização Mundial da Saúde ). A proposta já faz parte de outras declarações, como a Declaração de Consenso de Atlanta , de 99 , assinadas por menos cientistas e sem endosso da OMS .</P>

 </DOC>

<DOC DOCID="cha-94878">
<P>
Fotos de Luísa Ferreira</P>
<P>
Nota: convinha sair antes de terça-feira. Pode ficar para depois, mas nesse caso poderá ter de ser alterado, devido a novos dados que deverão surgir nesse dia.</P>
<P>
Perto de 70 moradores da Quinta do Bom Nome em risco de ficar na rua</P>
<P>
Famílias africanas com «voz» de despejo</P>
<P>
Mais de 20 famílias, num total de 69 pessoas, residentes num bairro de barracas da Quinta do Bom Nome, em Carnide, Lisboa, estão na iminência de ficar na rua. A ordem de despejo já chegou pela voz da empresa intermediária dos proprietários do terreno, que se preparam para ali lançar um empreendimento imobiliário. A Câmara escusa-se a intervir e adianta que há situações mais urgentes.</P>
<P>
Vinte e duas famílias da Quinta do Bom Nome, na freguesia de Carnide, em Lisboa, na sua maioria originárias de Cabo Verde, à excepção de dois agregados portugueses, não sabem o que hão-de fazer à vida, desde que receberam, no início de 1994, uma ordem verbal de despejo da empresa que representa os proprietários do terreno, a Predial Coelho e Fonseca.</P>
<P>
Muitos instalaram-se ali há 14 anos, os mais recentes chegaram há sete anos. Dizem que nunca foram incomodados e que nem sequer sabiam que o terreno era privado. «Eu julgava que isto era da Câmara, até porque chegaram a vir aqui derrubar uma casa e ainda fizeram o construtor pagar uma multa de 50 contos», afirma Simão, um cabo-verdiano que veio para Portugal aos 17 anos, trabalhar na construção civil, tal como muitos dos seus conterrâneos, e que hoje tem 36 anos.</P>
<P>
À excepção do camartelo do município, os moradores, 69 no total, garantem que nunca foram incomodados, até que um dia, já este ano, ali chegou um elemento da Coelho e Fonseca que, em nome dos proprietários, lhes terá dado voz de despejo. Foi o pânico, misturado com a preocupação de poderem vir a ficar na rua. Mas o representante voltou e trouxe propostas de indemnização.</P>
<P>
«Já cá vieram três vezes e querem-nos dar quatro mil contos, mas isso não chega para nada. Onde é que vamos comprar uma casa com esse dinheiro, se nós não temos nada», questiona Simão, adiantando que alguns residentes aceitam a indemnização «desde que seja superior a seis mil contos». Mas nem todos querem o dinheiro e alguns preferem o realojamento directo numa casa. Algo que, dizem, já há muito aguardam da parte da Câmara de Lisboa.</P>
<P>
A verdade é que, independentemente da situação agora criada pela ordem de despejo, parte do bairro, próximo das traseiras do cemitério de Benfica, vai ser atravessado pela futura radial da Pontinha, que ligará esta zona à Segunda Circular. Uma situação que fazia esperar que, mais tarde ou mais cedo, o município realojasse os agregados familiares da Quinta do Bom Nome.</P>
<P>
«A situação não é urgente»</P>
<P>
A situação já chegou ao conhecimento do executivo da Junta de Freguesia de Carnide, que defende que a Câmara deveria receber as indemnizações que os proprietários pretendem dar aos moradores, em vez destes, e em troca realojá-los directamente «num dos bairros camarários, desde que não fossem criar problemas nesses mesmos bairros», salienta o presidente da Junta, Adão Barata.</P>
<P>
Seria a solução «mais lógica», até porque, sublinha uma fonte da Junta, que pediu o anonimato, o PIMP (Plano de Intervenção a Médio Prazo) contemplava cem realojamentos de famílias residentes em bairros de barracas da freguesia de Carnide e essa quota nunca foi preenchida. Assim, os agregados da Quinta do Bom Nome poderiam, agora, ser realojados, nesse âmbito, «no bairro social do Padre Cruz, em Carnide».</P>
<P>
O vereador da Habitação, Vasco Franco, contactado na última quinta-feira pelo PÚBLICO, garantiu que não chegou ao seu gabinete nenhuma nota da Junta de Freguesia sobre o assunto. No entanto, e independentemente disso, considerou que não se trata de uma situação urgente. «Os proprietários não podem despejar os moradores sem um processo judicial. A ordem verbal não os obriga a sair.» Assim, no seu entender, enquanto não houver ordem de um tribunal as famílias podem continuar na Quinta do Bom Nome, caso não cheguem a acordo.</P>
<P>
Não sendo, segundo Vasco Franco, um caso grave e imediato -- ao contrário de outros realojamentos de terrenos municipais e decorrentes de obras inadiáveis como o Eixo Norte-Sul --, os moradores da Quinta do Bom Nome, disse, não serão contemplados pelo PIMP, o que significa que não irão para os fogos em construção no Bairro do Padre Cruz. Porém, adiantou, estão já recenseados para serem realojados no quadro do PER (Plano Especial de Realojamentos), que tem «um universo de seis anos». O que talvez se venha a revelar demasiado tardio para responder a esta situação.</P>
<P>
Quanto às negociações entre os residentes e a empresa intermediária, Vasco Franco sublinha «que são livres de negociar» e que nesta fase «a Câmara não tem de intervir». Só interviria «junto dos proprietários se houvesse ordem de despejo do tribunal». O PÚBLICO tentou ouvir os donos do terreno sobre eventuais projectos imobiliários que, segundo alguns moradores, estarão previstos para a Quinta do Bom Nome, mas um elemento da Coelho e Fonseca, junto da qual se tentou obter o contacto dos proprietários, afirmou que só esta empresa «é que está autorizada a dar esclarecimentos». No entanto, não foi possível, até hoje, conseguir esclarecer aquela e outras questões.</P>
<P>
Medo de um novo Camarate</P>
<P>
Por enquanto, as negociações entre a Coelho e Fonseca e os moradores vão continuar sob a mediação da Junta de Freguesia. Na passada quinta-feira, a Junta enviou um fax para o gabinete do presidente da Câmara de Lisboa, Jorge Sampaio, dando conta da situação. Quando houver resposta ao documento -- que também terá sido dado a conhecer aos vereadores da Habitação, Reabilitação Urbana e Trânsito --, será marcada, diz Adão Barata, uma reunião com «as partes envolvidas».</P>
<P>
O espectro de ficarem na rua mantém-se entre os moradores. Conta Simão que o representante dos proprietários afirmou, numa das visitas, que se não houver acordo o caso irá para tribunal, as casas serão derrubadas e não haverá indemnizações para ninguém.</P>
<P>
Na melhor das hipóteses, e se o município não assumir os realojamentos em tempo oportuno, as famílias aceitarão o dinheiro dos proprietários e irão construir ou comprar uma nova barraca em qualquer outro lado. Um expediente que não é assim tão raro, e que tem contribuído para o crescimento do número de barracas na região de Lisboa. Mesmo na Quinta do Bom Nome isso já se passou. Foi o caso de Eduarda Monteiro, natural de Viseu, que há sete anos ali adquiriu uma casa abarracada por 150 contos, «era só paredes e telhado».</P>
<P>
Simão conta, também, que quando ali chegou, há 14 anos, já existiam algumas barracas, que foram sendo transformadas em casas de alvenaria, no entanto sem condições. Não têm água (existe apenas um fontanário no bairro) nem saneamento básico. «Mas, mesmo assim, pagamos esgotos à Câmara, sem os ter», sublinha.</P>
<P>
A falta de condições de habitabilidade e problemas ligados ao tráfico de droga, apontados por Eduarda Monteiro -- «isto nos últimos três anos tem sido de mais, a PSP sabe da situação e não actua» --, não cativam os moradores a ficar. «Eu estou aqui porque não posso estar noutro lado», garante Simão, retratando os condicionalismos de outras famílias. Estas, apesar de tudo, vêem na situação criada pela ordem de despejo uma oportunidade para alcançarem melhores habitações, ao mesmo tempo que temem uma «desgraça» semelhante à dos desalojados de Camarate.</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-94118">
<P>
AVALANCHA NA ISLÂNDIA JÁ PROVOCOU 17 MORTOS -- O corpo de uma mulher foi encontrado soterrado na neve, ontem à tarde, elevando para 17 o número de vítimas mortais de uma avalancha que se precipitou sobre uma aldeia costeira do nordeste da Islândia, segundo a Cruz Vermelha. Três pessoas, todas da mesma família, eram dadas como desaparecidas à hora do encerramento desta edição. As operações de salvamento continuaram durante a tarde no porto de Flateryi, a cerca de 250 quilómetros de Reykjavik, onde se deu o acidente, a catástrofe mais grave que ocorreu nesta ilha do Atlântico Norte desde 1919.</P>
<P>
CGT FRANCESA APELA À GREVE GERAL -- A Confederação Geral do Trabalho (CGT, próxima dos comunistas) apelou, ontem, a uma greve geral de 24 horas para 14 de Novembro para protestar contra os projectos de reforma do sistema de protecção social anunciados pelo Governo. Esta greve terá lugar na altura em que estará a ser debatida a reforma da Segurança Social na Assembleia Nacional, anunciou a CGT num comunicado. Uma outra grande central sindical, a Force Ouvrière (FO), anunciou que se vai reunir em assembleia confederal, no dia 13 de Novembro, extraordinária para decidir sobre «acções para defender a Segurança Social».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-74996">
<P>
Ana Barradas*</P>
<P>
Estado de graça para Mandela</P>
<P>
«Perante todos os presentes e na consciência plena da grande responsabilidade que assumo como Presidente ao serviço da República da África do Sul, eu, Nelson Rolihlala Mandela, juro solenemente manter-me fiel à República da África do Sul e prometo, sincera e solenemente, promover sempre tudo quanto favoreça e combater sempre tudo quanto prejudique a República; obedecer, fazer cumprir, defender e manter a Constituição e todas as leis da República; desempenhar os meus deveres com toda a energia e talento, empregando todo o meu saber e capacidades de acordo com o que me ditar a consciência; fazer justiça a todos; dedicar-me ao bem-estar da República e de toda a sua gente.»</P>
<P>
Depois de pronunciar estas palavras a 10 de Maio em Pretória, Mandela, com 75 anos, será oficialmente o Presidente da República da África do Sul. Dirigirá também o Governo que decidirá do destino de 40 milhões de negros, brancos, mestiços e indianos. E continuará a ser a figura tutelar do ANC, o Congresso Nacional Africano, que viu coroados os seus mais de 70 anos de resistência com uma vitória decisiva e incontestada, por muitos sentida como justa retribuição histórica.</P>
<P>
Entretanto, vai-se esvaindo a onda quase palpável de espírito de boa vontade, reconciliação e unidade nacional que avassalou até mesmo os mais aguerridos opositores de um processo eleitoral que a grande maioria considerou «free and fair», eleições livres e justas. Chega agora o momento em que, refeitos das fortes emoções de um sufrágio que marcou também o fim da servidão racial e o acesso à cidadania plena de 35 milhões de sul-africanos, estes se interrogam sobre o futuro.</P>
<P>
E as pessoas comuns colocam já, embora timidamente, questões que terão de ser respondidas pelo poder estabelecido, se quiser manter o elevado grau de apoio popular que lhe deu existência. Como resolver o problema terrível de, segundo estimativas que as autoridades deixaram de desmentir, quase 50 por cento da população activa estar desempregada, na sua esmagadora maioria negros, desdes sempre os mais desfavorecidos? Quando haverá «equal pay» para todos (salário igual para as mesmas funções, sem discriminação de raça)? Como se aplicará a «affirmative action» nos postos públicos e nos locais de trabalho, permitindo o acesso a gente de cor e de talentos ignorados, até hoje preterida por puro racismo? Como se fará a restituição das terras aos clãs, tribos e povos espoliados, que esperam hoje regressar ao solo onde enterraram os seus antepassados e ensaiam já, por enquanto sem êxito, as primeiras ocupações? Como acabar com os guetos desolados que têm servido de depósito e de moradia a mais de 22 milhões de sul-africanos, tratados como mão-de-obra seleccionada de acordo com o tom de pele e privados dos equipamentos sociais mais elementares? Como resolver o problema dos milhões de jovens negros -- denominados por alguns como a «geração perdida» -- que nos anos 60 e 70 abandonaram as escolas protestando contra o sistema educativo opressor e gerador de desigualdades e hoje se vêem impreparados para fazer face à vida? Como fazer diminuir o fosso entre dois países contidos num só: um claramente do Terceiro Mundo, pobre, carente e sem futuro à vista, e outro opulento, arrogante e parasita? Como corrigir as sequelas do «apartheid» que, desde há 40 anos, distorce monstruosamente as relações sociais?</P>
<P>
A lista de questões é impossível de enumerar até ao fim. São problemas que tocam a grande massa ignorada e que atravessam toda a nação, todas as classes, todas as etnias. São as contradições centrais que hoje se põem à nova África do Sul, bem mais graves e difíceis de resolver que as reivindicações autocráticas de Buthelezi-Goodwill, ou o sonho do Volkstaat branco.</P>
<P>
Muitos não estarão dispostos a esperar eternamente. A srª Mavis Moroke, que reside há muito em Kliptown, é das mais impacientes: «Só lhes dou dois meses para cumprirem as promessas que fizeram.» Tem razões para isso: vive numa «township» esquálida, de casas de tijolo e barracas de lata, muitas sem electricidade nem água corrente, visitada apenas uma vez por semana pelos carros do lixo.</P>
<P>
O ANC, que, há 40 anos, por sinal nessa mesma cidade de Kliptown, aprovou os seus princípios programáticos num documento que designou por «Carta da Liberdade», foi entretanto suavizando as suas profissões de fé no socialismo, até se transformar no que é hoje: um partido moderado, disposto a aceitar o jogo do mercado livre e firmemente apostado em dar garantias aos investidores e capitalistas nacionais e estrangeiros.</P>
<P>
Não admira, pois, que, embora a Carta da Liberdade afirmasse que «a riqueza nacional do país será restituída ao povo», os candidatos do ANC tenham apresentado aos eleitores um programa de reconstrução e desenvolvimento em que avisam claramente: «Fazer promessas é fácil, mas cumpri-las é muito mais difícil. Para alcançar os nossos objectivos, enfrentamos muitos obstáculos e colocamos a nós próprios um grande desafio. Não se realizarão todas as expectativas e não se satisfarão todas as necessidade de repente. Terão de ser tomadas duras opções.»</P>
<P>
Contudo, o dito programa promete como melhorias essenciais: nos próximos cinco anos, a escolaridade primária livre e obrigatória, a construção de pelo menos um milhão de casas de baixo custo e a electrificação de 2,5 milhões de fogos. E, para os próximos 10 anos, o lançamento de um programa de obras públicas que empregará dois milhões e meio dos sete milhões de sul-africanos oficialmente desempregados (número muitíssimo aquém da realidade, como todos reconhecem).</P>
<P>
Este programa terá um custo de 39 mil milhões de randes -- 30 por cento do orçamento anual da África do Sul -- nos primeiros cinco anos de aplicação. Resta saber se o próximo Governo estará na disposição de o aplicar na íntegra.</P>
<P>
Pense-se num caso muito simples, mas paradigmático: os trabalhadores das «farms» ganham um salário mensal de 65 randes em Giyani, um povoado perdido no extremo norte do país. Aubrey, um jovem de 18 anos cujos pais trabalharam toda a vida sem conseguir sair da mais completa pobreza, afirma, referindo-se às suas expectativas face às eleições: «Os meus pais não têm nada. Eu não quero sofrer como eles.» Mas será que o patrão branco para quem Aubrey trabalhará um dia está de acordo?</P>
<P>
Mandela, que conhece bem a via sacra das cedências face à fria realidade das forças políticas em confronto, já avisou, mais ou menos nestes termos: tudo levará o seu tempo. Não se pense que, depois das eleições, cada negro terá o seu Mercedes. Vai ser muito duro e há que ter paciência. Todos terão de fazer o esforço de se adaptar o melhor possível aos novos tempos.</P>
<P>
Quanto a isso, não há que enganar: embora algumas minorias mais massacradas por condições de vida extremamente penosas não estejam muito compreensivas acerca das dificuldades da governação por consenso, o certo é que a esmagadora maioria dos sul-africanos se tem deixado conquistar, ao longo dos quatro anos de transição, pela lógica aparentemente inapelável do «bom senso» proclamado pelo ANC. Por isso perdem terreno os partidos mais radicais (entre os brancos, o Afrikaner Resistance Movement, entre os negros, o PAC e a Azapo) e se alarga a margem de consenso entre os partidos que se entenderão em torno de um governo partilhado.</P>
<P>
Quer isto dizer que, nos próximos tempos, Mandela e os seus ministros beneficiarão de um «estado de graça» que será mais prolongado do que o deseja a cidadã de Kliptown, farta de esperar, ou Aubrey, que quer ter qualquer coisa na vida.</P>
<P>
* jornalista e observadora do processo eleitoral da África do Sul</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-60163">
<P>
TCHETCHÉNIA DISPOSTA AO DIÁLOGO -- As autoridades independentistas da Tchetchénia disseram-se ontem dispostas a negociar com a Rússia, anunciou, em Moscovo, Serguei Gryzunov, responsável pelo centro de informação provisório russo sobre o conflito que decorre na província, citado pela estação de televisão NTV. A disponibilidade para o diálogo dos tchetchenos rebelados ocorreu no mesmo dia em que o Presidente russo Boris Ieltsin chegou a Budapeste para participar, hoje e amanhã, na IX Cimeira da Conferência sobre a Segurança e Cooperação Europeia. A Federação Russa espera que o encontro sirva para limitar a influência da NATO na Europa Oriental e reforçar o papel russo nas antigas repúblicas soviéticas. Mas se espera concretamente um mandato para intervir em áreas como a Geórgia e o Tajiquistão, já recusa que a CSCE debata o problema da Tchetchénia por considerá-lo um assunto interno. Ieltsin, que chegou acompanhado pelo ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Andrei Kozirev, deverá intervir hoje de manhã na reunião participada pelos 52 líderes do países membros. Antes da sua partida, ontem, de Moscovo, o Presidente russo disse que vai propor em Budapeste a criação de um «sistema de segurança europeu para o século XXI».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-82915">
<P>
CRIS GUTKOSKI </P>
<P>
Da Agência Folha, em São Luís </P>
<P>
O ataque de tubarão ao estudante Carlos Adileno Magalhães, 19, pode ter sido o quarto caso fatal este ano em São Luís (MA). Seu corpo foi encontrado na semana-passada na praia do Caolho, dois dias após ter desaparecido.</P>
<P>
Segundo laudo do Instituto Médico Legal, o estudante estava vivo quando foi atacado pelo tubarão, afastando a hipótese que ele tenha se afogado.</P>
<P>
O salva-vidas Dionaldo da Silva, 29, e Pedro de Carvalho Dias, 24, do posto de saúde da praia do Calhau, afirmaram ontem à Agência Folha que nos meses de abril, agosto e setembro três corpos apareceram nas praias da capital com membros dilacerados ou arrancados, marcas características dos ataques de tubarões.</P>
<P>
"Com certeza ocorrem mais casos, os pescadores nos contam de ataques", afirmou a bióloga Márcia Fernandes Coura, 28, da Secretaria de Meio Ambiente.</P>
<P>
Segundo Márcia, os tubarões são atraídos para São Luís devido à grande quantidade de peixe e à temperatura da água morna, em torno de 28ºC.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-50361">
<P>
A invasão do pluralismo</P>
<P>
Depois de dois dias de viagem com escalas em três aeroportos e de várias horas em Pequim à procura de um quarto, Maria do Carmo Bueno, deputada estadual do Rio Grande do Sul, resolveu sentar-se em cima das malas, mesmo à porta do centro de acreditação das delegadas à IV Conferência Mundial sobre a Mulher e ao fórum das organizações não governamentais (ONG).</P>
<P>
Em Huairou, a vila onde vai decorrer o fórum, a cerca de 50 quilómetros do centro de Pequim, havia instalações reservadas para o grupo de Maria do Carmo Bueno, mas o seu nome não constava da lista. «Isto tá ficando complicado», dizia a deputada brasileira, enquanto uma compatriota que falava melhor inglês tentava encontrar uma solução.</P>
<P>
Para a professora Nani Chanishnili, da Geórgia, a viagem foi «fantástica» e só a oportunidade de ver «mulheres de países em conflito falarem, cantarem e rirem juntas» compensou largamente o cansaço dos oito dias que passou no comboio, desde Varsóvia até Pequim. Nani Chanishinili, presidente da Sociedade Internacional das Mulheres da Geórgia para a Paz, foi uma das 250 delegadas de 40 países que viajaram no Expresso de Pequim, um comboio especial organizado por uma agência da ONU.</P>
<P>
Maria do Carmo Bueno e Nani Chanishinili são dois casos extremos entre as cerca de 30 mil mulheres que já chegaram à capital chinesa para a maior conferência realizada pela ONU e que constitui, também, a maior aposta internacional do Governo chinês desde a frustrada candidatura de Pequim à organização dos Jogos Olímpicos em 1993.</P>
<P>
A realização da conferência no último grande bastião do comunismo foi criticada por algumas feministas e activistas dos direitos humanos, mas para a japonesa Sakika Fukuda-Parr, a questão não se põe assim. «A conferência é sobre igualdade, desenvolvimento e paz e não sobre a China», respondeu aquela delegada à reunião. A escritora moçambicana Lena Magaia manifestou idêntica posição: «Mesmo em países onde há problemas, o facto de muita gente se reunir pode ajudar à resolução desses problemas.»</P>
<P>
Um grupo composto por mulheres de 17 países, desde a Bolívia ao Cazaquistão, que viajou também no Expresso de Pequim aprovou mesmo um manifesto apelando a uma «nova abordagem da diplomacia internacional» e à «plena participação das mulheres em acções de manutenção de paz».</P>
<P>
«Queremos um correcto equilíbrio entre bem-estar social e economia de mercado. Nem o capitalismo nem o comunismo funcionaram bem para a maioria das mulheres do mundo», proclama o manifesto. Feita por um cidadão da China -- país onde o «papel dirigente» do partido comunista continua a ser um «princípio cardeal» --, a proclamação seria considerada um «incitamento à contra-revolução».</P>
<P>
A realização em Pequim da IV Conferência Mundial sobre a Mulher permitiu, ainda, que uma delegação da Amnistia Internacional (AI) se deslocasse pela primeira vez à China. E, como seria de esperar, a delegação da AI já criticou as recentes execuções feitas em Pequim para «preservar a segurança» da cidade durante a conferência e denunciou as restrições de circulação impostas à população de Huairou. «Nunca tivemos medo de falar e não negociaremos o nosso acesso à China com o silêncio», disse o secretário-geral da organização.</P>
<P>
Como o manifesto do Expresso de Pequim, as declarações dos responsáveis da AI não são das que mais agradam ao Governo chinês e também não serão consideradas politicamente correctas por boa parte das activistas das 2500 ONG representadas em Pequim. A própria secretária-geral do fórum, a tanzaniana Gerturde Mongella, elogiou o «extraordinário entusiasmo» das autoridades chinesas pela organização da conferência e apoiou a decisão do Governo chinês de mudar o local da reunião para Huairou, vista por muitos observadores como uma maneira de isolar as delegadas e de as afastar do centro da cidade.</P>
<P>
A heterogeneidade da multidão que invadiu Pequim é, contudo, um fenómeno inédito na China, e isso, só por si, parece dar razão ao optimismo de Lena Magaia.</P>
<P>
António Caeiro, em Pequim</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31916">
<P>
Lista e programa do PSD às europeias só na próxima semana</P>
<P>
Isabel mantém suspense</P>
<P>
A exclusão do nome de Isabel Mota da lista do PSD para as europeias é um dado praticamente certo, mas o facto de Cavaco Silva não ter tido uma conversa final com a secretária de Estado do Planeamento faz ainda acalentar as esperanças de quantos fazem finca-pé na sua presença em Estrasburgo. No entanto, tal hipótese é cada vez menos provável dados os problemas familiares que a aceitação do lugar acarretaria para Isabel Mota.</P>
<P>
Uma coisa é certa: Cavaco quer uma mulher em lugar elegível na lista concorrente ao Parlamento Europeu. Das indigitações das distritais consta apenas um único nome feminino, o da secretária de Estado da Justiça, Eduarda Azevedo, apontada como forte hipótese, caso Isabel recuse em definitivo.</P>
<P>
Na berlinda está também Helena Vaz da Silva, mas fontes sociais-democratas não acreditam nesta escolha. Em primeiro lugar porque dizem ser complicado incluir mais um independente - Lucas Pires tem assento garantido - num lugar de eleição segura, quando há tantos militantes em luta pelo passaporte para Estrasburgo. Depois, porque o próprio Cavaco fez saber que não aceitaria nenhuma candidatura que não tivesse apoio das distritais, excluindo o caso de Eurico de Melo, por razões óbvias, e para cuja escolha pediu, de resto, mandato à Comissão Política. Finalmente, a direcção social-democrata já foi alertada para o perfil das pessoas que fazem falta para o futuro grupo dos eurodeputados «laranja». Juristas e economistas precisam-se, o que não quadra com Helena Vaz da Silva. De resto, a directora do Centro Nacional de Cultura não foi até agora contactada por ninguém, designadamente, por Cavaco Silva.</P>
<P>
Todos os mistérios relacionados com a lista social-democrata só serão desvendados no final da próxima semana. Ao contrário do que é habitual a Comissão Política Nacional só deve reunir-se dia 24 ou 25 para aprovar o texto final do programa e o elenco de candidatos. Isto porque o Conselho Nacional, que ratificará o documento e os nomes, está marcado para dia 26 e a direcção do PSD pretende evitar que as decisões cheguem mais cedo aos jornais do que aos conselheiros.</P>
<P>
Arlindo critica</P>
<P>
câmaras</P>
<P>
Entretanto, ontem reuniu-se a assembleia distrital de Lisboa. O prato forte foi a presença de Valente de Oliveira que explicou e «enquadrou politicamente» o PDR para a região de Lisboa. Foi o primeiro debate de um ciclo a que se seguem discussões sobre iniciativas como «Lisboa capital da Cultura» e a «Expo 98», respectivamente, com as participações de Santana Lopes e Cardoso e Cunha.</P>
<P>
Quem fez um discurso inflamado foi Arlindo de Carvalho. Afirmando ser necessário uma viragem definitiva do PSD «para as questões sociais», o líder da distrital lisboeta fez um ataque cerrado às câmaras que ainda «não tiveram a coragem para assinar contratos com as diversas entidades para a erradicação das barracas». Depois de identificar as câmaras de Lisboa, Amadora, Loures e Almada por «algo de inaceitável e que nos envergonha», Arlindo disse não compreender porque é que «não houve avanços, nem sequer ao nível burocrático», quando já há instrumentos para isso. Um tema que, pelos vistos, não vai cair em saco roto e que promete animar o debate político nos meios da capital. Áurea Sampaio</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-19055">
<P>
Urbanização em Odivelas não quer pré-fabricados</P>
<P>
Arroja contra realojamentos</P>
<P>
Os moradores da urbanização da Arroja, em Odivelas, estão em pé de guerra contra a vinda de vizinhos que consideram «indesejados», e acusam a Câmara de Loures de construir mais barracas em vez de deitar abaixo as que já ali existem.</P>
<P>
Primeiro, viram as máquinas camarárias a preparar o terreno para a instalação de 12 monoblocos pré-fabricados, usados, junto ao velho bairro de realojamento da Arroja Velha. Depois, ouviram «muita coisa». Que as «barracas» eram para instalar «pessoas do Casal Ventoso, timorenses, enfim, gente com poucos recursos», conta António Sequeira, um dos promotores de um abaixo-assinado que circula pela urbanização e que pede a suspensão das obras.</P>
<P>
Afinal, segundo a Câmara de Loures, os monoblocos destinam-se a realojar, temporariamente, desalojados pelas obras da Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL) na Pontinha.</P>
<P>
«Temos já umas 800 assinaturas», garante Sequeira. «Não somos contra as pessoas virem para cá, mas sim contra as condições em que vêm viver, em barracas. Nem sei se são pretos ou brancos, isso a nós não nos interessa». Se até terça-feira a autarquia não atender aos pedidos dos moradores, alguns estão mesmo dispostos a ir para o terreno tentar parar as obras.</P>
<P>
Por toda a urbanização, relativamente bem cuidada, estão pequenos cartazes apelando ao protesto: «Queres mais barracas na Arroja? No ano 2000 diziam que acabavam com as barracas. Não chegarão as que temos?». Num outro texto, a postura até parece altruísta: «Os meus filhos, os teus, os deles merecem outra qualidade de vida».</P>
<P>
O centro comercial da Arroja é o «quartel» do protesto. Logo à entrada, uma banca com abaixo-assinados. Maria Helena, florista, foi das primeiras a rubricar o documento e tenta justificar, com um preconceito, a sua adesão à contestação: «Os que lá estavam já nós os conhecíamos, dos que vêm aí não sabemos nada». Mas não há benefício da dúvida: «Não se pode esperar coisa boa», conclui Helena.</P>
<P>
Apesar do seu descontentamento perante a intenção da Câmara de Loures, Maria Helena não vai participar em qualquer acção de impedimento da instalação dos monoblocos, porque «não adianta nada, se a Câmara quiser pára, se não quiser, eles vêm».</P>
<P>
Filomena Pereira, outra das subscritoras do documento, também não alinha em acções de rua, mas por outra razão: «Não, que tenho medo de fazer coisas ilegais, mas estou solidária com quem lá for protestar».</P>
<P>
Da parte da autarquia, a vereadora Zélia Amorim garante que os novos pré-fabricados serão usados por cerca de 27 «homens sós» (as famílias já foram instaladas em casas definitivas) apenas por alguns meses, numa solução de emergência motivada pelas obras da CRIL. Pelo menos até estar património construído no âmbito do Programa Especial de Realojamento (PER), acordado com o Governo.</P>
<P>
«Temos tido dificuldade em adquirir casas já prontas a habitar e temos que deitar mão a soluções como esta», diz a autarca, que compreende que as pessoas estejam «assustadas». «Mas não vamos trazer ninguém de fora do concelho», adianta. Segundo a vereadora de Loures, a filosofia é deslocar o menos possível as pessoas dos locais afectados pelas obras. E lembra que também Loures, Santo António dos Cavaleiros, Apelação, Pontinha, Guerreiros e Sacavém estão a receber famílias realojadas.</P>
<P>
«O pessoal está todo revoltado e já não acreditamos quando nos dizem que é uma situação provisória», diz, por seu turno, António Sequeira. Afinal, os moradores até têm razão para estar desconfiados com a precaridade da solução, já que o núcleo de 38 pré-fabricados logo abaixo da urbanização, na Arroja Velha, já ali está há duas décadas, quando deveria ter sido removido ao fim de seis anos.</P>
<P>
Muitos temem o aumento da criminalidade, associada à vinda dos desalojados, e a imagem do Casal Ventoso, que nunca visitaram, paira como um espectro sobre pessoas que classificam o seu bairro como «um sítio sossegado».</P>
<P>
Zélia Amorim contrapõe que a «Câmara está atenta a esse tipo de situações e aumentou o número de técnicos de serviço social: não estamos interessados em criar `ghettos'». E apresenta um argumento de peso para atestar da boa-fé da Câmara: a ocupação com os contentores não poderá ser muito prolongada, já que o terreno é necessário para construir 200 fogos de habitação social, no âmbito do PER.</P>
<P>
Vítor Faustino</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-94414">
<P>
Onze controladores transtornam tráfego áreo mediterrâneo</P>
<P>
Greve francesa desespera turistas</P>
<P>
Milhares de aborrecidos turistas esperavam ontem longas horas em vários aeroportos europeus, com a greve dos controladores de voo franceses de Aix-en-Provence a impedir quase totalmente o tráfego com as estâncias turísticas do Mediterrâneo. Ontem, último de três dias da greve dos apenas 11 especialistas, dezenas de voos foram cancelados e muitas centenas atrasavam-se, causando desespero em plenas férias num dos fins-de-semana anualmente mais movimentados.</P>
<P>
A maior vítima foi Palma de Maiorca, estância espanhola no arquipélago das Baleares, onde mais de cinco mil pessoas tiveram que passar a maior parte da noite de sábado deitadas nos sofás e corredores do aeroporto. «Nesta altura do ano voos de Inglaterra, da Escandinávia, tal como da Holanda, dirigem-se para Maiorca no domingo para desembarcar e embarcar passageiros -- chamamos-lhe o `Domingo de Palma'», disse à agência Reuter um dos porta-vozes da companhia holandesa Martinair.</P>
<P>
O aeroporto de Palma e as autoridades turísticas locais trabalharam sem descanso para darem refeições e conseguirem oferecer distracções aos mais de cem mil zangados passageiros afectados pelos grandes atrasos do fim-de-semana.</P>
<P>
Em Palma, os atrasos tiveram uma média de quatro horas, mas também nos aeroportos de Minorca e Ibiza, os outros dois do arquipélago, se registaram esperas médias de 80 minutos nas aterragens e de três horas nas descolagens.</P>
<P>
A Córsega foi outro destino popular nesta época do ano a sentir o crescimento dos ânimos e os nervos em franja de 50 mil passageiros que esperavam ter voado no fim-de-semana. «Eles estão a ver se nos põem malucos», disse um operador de viagens sobre os 11 controladores em greve em Aix-en-Provence, no sul de França. «Noutras regiões, há sempre comboios ou autocarros quando há uma greve dos transportes mas na Córsega, se perdermos aviões ou barcos, estamos feitos.»</P>
<P>
Os 11 controladores pedem 26 novos elementos para a equipa, horários de trabalho mais curtos e melhores salários, dizendo que já não conseguem enfrentar com segurança o rápido crescimento do tráfego. «As normas dizem que cada controlador toma conta de 12 aviões durante um tempo determinado. Mas com pessoal tão reduzido temos que manobrar mais de 20», disse um grevista.</P>
<P>
Aix-en-Provence é um dos cinco centros de controlo aéreo de França e normalmente trata 2.400 voos por dia nos períodos de pico dos aviões que atravessam os céus do sul do país. A greve estava prevista para terminar ontem às 21h00 (mesma hora em Portugal) mas vários responsáveis de navegação área avisaram que os efeitos se poderiam sentir ainda durante todo o dia de hoje.</P>
<P>
À espera de partir para o sul, os turistas do norte da Europa, onde as temperaturas têm atingido níveis mais elevados que o habitual, suavam ontem desconfortados nos aeroportos. Em certas regiões da Alemanha, por exemplo, tiveram que suportar 34 graus centígrados. O aeroporto de Frankfurt, um dos maiores da Europa, informou que dois voos se tinham adiado seis e sete horas, só no sábado à noite. Gatwick, em Londres, declarou que a maioria dos 625 voos «charter» se atrasava três horas e meia.</P>
<P>
Também o aeroporto de Genebra informou estar a sentir demoras médias de três horas, perturbando todos os voos com destino ou proveniência de Espanha, Portugal, África do Norte e ilhas ibéricas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99117">
<P>
PEN apela a Clinton</P>
<P>
A secção americana da associação internacional de defesa dos escritores PEN apelou esta semana a Bill Clinton para que, como Presidente «da única superpotência», utilize a sua «imensa influência sobre os mais intransigentes dos regimes» repressivos, entre os quais a Indonésia. «Clinton negoceia com a Indonésia, ainda que o regime de Suharto prenda os escritores e coloque os seus livros no index», afirma-se no relatório anual sobre a censura no mundo organizado pelo PEN, apresentado em Nova Iorque e citado pela France Presse. «Os esforços do PEN para que a administração Clinton coloque o respeito pelos Direitos Humanos mais acima na sua tabela de prioridades não foram muito bem sucedidos em 1994», diz o relatório, que faz uma comparação desfavorável com 1993, ano «que culminou com o encontro histórico e prometedor, na Casa Branca, entre o Presidente Clinton e Salman Rushdie». No entanto, embora o empenho americano seja menor, os casos de escritores perseguidos pelas ideias que exprimem não tem diminuído, muito antes pelo contrário. «Até os escritores de reputação mundial se tornaram vulneráveis», através de actos de violência física, de censura intelectual ou encarceramento, como está a acontecer com os Prémio Nobel Naghuib Mafhouz, no Egipto, Wole Soyinka, na Nigéria, ou Daw Aug Suu Kyi, na Birmânia. Para além de Taslima Nasreen, no Bangladesh, Adonis, na Síria, Yasar Kemal, na Turquia e Bei Dao, na China, que estão a ser perseguidos judicialmente, o PEN estima em cerca de um milhar os escritores e jornalistas que actualmente estão a ser vítimas de repressão pelos regimes dos seus países.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-78154">
<P>
Navio com resíduos nucleares ao largo da Galiza</P>
<P>
Domingo é «dia D» nas águas portuguesas</P>
<P>
Ana Fernandes</P>
<P>
Amanhã, o navio com resíduos nucleares entra nas imediações das águas portuguesas. Três unidades navais da Armada estão já a postos para o seguir. Uma perseguição que durará dois dias, o tempo que o Pacific Pintail demora para atravessar o oceano que separa o continente dos Açores e, mais tarde, entre os Açores e a Madeira. A Greenpeace navega no seu rastro até ao Japão.</P>
<P>
O navio Pacific Pintail, que saiu anteontem de Cherburgo, em França, com 14 toneladas de resíduos nucleares a bordo e com destino ao Japão, vai começar a ser vigiado pela corveta portuguesa Oliveira Carmo a partir das 6h00 de amanhã. Nesta altura, o navio entra no limite norte mais próximo da nossa Zona Económica Exclusiva, sem no entanto entrar em águas territoriais portuguesas.</P>
<P>
Segundo o comandante Brites Nunes, porta-voz da Armada, «o navio britânico vai passar entre as zonas económicas exclusivas do continente e dos Açores e, posteriormente, entre a dos Açores e a da Madeira». As zonas económicas estão demarcadas até 200 milhas da costa (370 quilómetros). Prevê-se que a embarcação inglesa deixa de ser seguida pelas forças navais portuguesas na terça-feira à tarde.</P>
<P>
O Pacific Mail está a navegar muito lentamente -- cerca de 10 a 11 nós (10 a 11 milhas por hora). Por esta razão, e também porque tem de navegar exclusivamente em águas internacionais para evitar as rotas comerciais e as zonas económicas exclusivas, o navio está a demorar muito tempo para chegar à costa portuguesa. Segundo a Greenpeace, ontem a meio da tarde estava ainda a sair do Canal da Mancha.</P>
<P>
O navio MV Solo, da associação ambientalista internacional, está a seguir o Pacific Pintail a cerca de duas a três milhas de distância. «Até agora não houve quaisquer incidentes com o Solo. O nosso navio está apenas a seguir o barco com resíduos para poder ir avisando as populações dos países por onde ele passe mas não nos vamos envolver directamente com o Pintail porque é muito perigoso», disse ao PÚBLICO Juan Lopes, da Greenpeace espanhola.</P>
<P>
Enquanto o governo espanhol se limitou a emitir uma nota de imprensa desdramatizando os perigos do transporte nuclear para o Japão, a Armada portuguesa decidiu acompanhar de perto a passagem do Pintail. Assim, na primeira parte do percurso, cabe à corveta Oliveira Carmo acompanhar o navio britânico. «A distância será a suficiente para o contacto radar», afirmou o comandante Brites Nunes ao PÚBLICO.</P>
<P>
Entretanto, a fragata Corte Real saiu ontem de Lisboa para acompanhar também as operações e, no Funchal, está já a postos a corveta Sacadura Cabral. «Penso que o navio britânico passará a umas 400 milhas da costa» (741 quilómetros), disse o porta-voz da Armada.</P>
<P>
Recorde-se que os resíduos nucleares estão a caminho do porto de Mutsu-Ogawara, no Japão, depois de terem sido reprocessados na Europa. A carga radioactiva está dividida em 28 blocos, com 500 quilos cada um, de lixo nuclear vitrificado.</P>
<P>
O transporte, que é o primeiro de um contrato assinado em 1976 para tratar na Europa cerca de 2800 toneladas de combustível irradiado -- estando já previstos dois repatriamentos por ano durante uma década -- tem suscitado protestos junto dos ambientalistas, dos países que poderão estar na rota do navio e das próprias populações japonesas onde será armazenada a carga nuclear. Há dois anos, o transporte de plutónio para o Japão a bordo do navio Akatsuki Maru já tinha sido alvo de uma campanha anti-nuclear semelhante a esta.</P>
<P>
A Greenpeace protestou contra este carregamento desde o início, tendo mobilizado para Cherburgo o seu navio Moby Dick com a finalidade de seguir o transporte. Mas, na madrugada de quinta-feira, as forças policiais francesas impediram que o navio bloqueasse a saída do porto, acabando por o rebocar. Os barcos insufláveis da associação foram também apanhados e removidos da área. Para substituir a embarcação bloqueada em Cherburgo, a Greenpeace enviou o MV Solo, que saiu de Inglaterra para esperar, em águas internacionais, pelo navio inglês de forma a segui-lo. O itinerário até ao Japão permanece secreto.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-19806"> 
<P>Doença de Chagas</P>
 <P>1. NOÇÕES GERAIS.</P>
 <P>Histórico Carlos Chagas: A doença de Chagas ou tripanosomíase americana foi descoberta pelo médico sanitarista Carlos Justiniano Ribeiro das Chagas - Carlos Chagas - em 1909. Este brasileiro descobriu a doença e descreveu praticamente todos os seus aspectos. Quando Carlos Chagas realizava uma campanha contra a malária que atingia operários na construção de um trecho da Estrada de Ferro Central do Brasil, ao norte de Minas Gerais, ao fazer exames de uma menina doente, encontrou tripanosomos em seu sangue. Ao examinar posteriormente as fezes de insetos existentes na região e o sangue de animais mamíferos, constatou também a presença dos mesmos parasitas.</P>
 <P>Desta forma, Carlos Chagas pode descrever o agente causador, o transmissor e o modo de transmissão da doença, como também comprovar a existência de vertebrados que são reservatórios silvestres e domésticos do parasita, esclarecendo assim os aspectos básicos da epidemiologia da doença.</P>
 <P>Definição da doença: A doença de Chagas é uma infecção transmissível causada por um parasita que circula no sangue e ataca o coração, bem como órgãos do aparelho digestivo (esôfago e intestino). Sua transmissão exige a participação de um vetor, o triatomíneo conhecido pelo nome de barbeiro, fincão, chupança entre outras dependendo da região. É uma doença do continente americano (sul dos Estados Unidos até a Argentina).</P>
 <P>Transmissores: São artrópodes da classe Insecta, ordem Hemiptera, família Reduviidae e subfamília Triatominae. Sugam sangue (hematofágos) em todas as fases de seu ciclo evolutivo. Vivem em média entre um a dois anos, com evolução de ovo, ninfa e adulto, com grande capacidade de reprodução e, dependendo da espécie, com intensa resistência ao jejum.</P>
 <P>Ecologia e distribuição.</P>
 <P>Os triatomíneos têm ampla distribuição geográfica no Novo Mundo, desde os Estados Unidos até o sul do Chile e Argentina, existindo espécies que são tipicamente silvestres; e das 118 espécies conhecidas, 105 são do Novo Mundo. Todas as espécies são vetoras em potencial para o Trypanosoma cruzi, mas seis têm importância epidemiológica na América do Sul: Triatoma infestans, T. brasiliensis, T. dimidiata, T. sordida, P. megistus e Rhodnius prolixus. A espécie vetora mais importante, devido ao seu hábito quase que estritamente doméstico e também com a mais extensa área de distribuição, é o T. infestans, encontrado na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai. Em algumas localidades do sul do Brasil (Rio Grande do Sul), sul do Peru, Bolívia e algumas localidades do noroeste da Argentina, T. infestans também tem hábito peridoméstico, ocupando galinheiros, currais etc. As colônias em ecótopos artificias têm tendência a se concentrarem nas partes mais altas da parede. Neste gênero, Triatoma, um exemplo típico é dado pelo T. arthurneivai que, habita fendas de pedras e está associado a lagartos e roedores. É encontrado no Brasil nos estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo. No estado de São Paulo, Rodrigues et al. (1992) encontraram adultos da referida espécie em ecótopos artificiais e com infecção natural pelo T. cruzi. Ainda no Brasil, no estado do Rio Grande do Sul, no Uruguai e no norte da Argentina encontra-se outra espécie T. rubrovaria, tipicamente silvestre que convive com roedores em ambientes pedregosos. Apresenta alto índice de infecção natural e invade os domicílios principalmente no verão. Na Argentina temos mais duas espécies deste grupo que são T. eratyrusiformis e T. patagonica: criam-se em lugares pedregosos e alimentam-se de pequenos roedores, mas atacam o homem e os animais domésticos à noite. T. brasiliensis com altas taxas de infecção pelo T. cruzi é o vetor mais importante no nordeste do Brasil, e pode ser encontrado com alguma freqüência em domicílios. Tem hábitos silvestres e peridomiciliares, onde está associado com abrigo de cabras, galinheiros e ecótopos rochosos; no peridomicílio e domicílio tem as aves como principal fonte alimentar, seguidas por humanos.</P>
 <P>A segunda espécie vetora é P. megistus, sendo domiciliada em algumas regiões, peridomiciliar e silvestre em outras. Também tem vasta distribuição geográfica, distribui-se desde as Guianas até a Argentina. É a espécie responsável pelos focos mais intensos da endemia chagásica em Minas Gerais e Bahia (Brasil). Tem hábito silvestre no centro do Brasil e leste do Paraguai e está associado a Didelpbideos, motivo pelo qual os índices de infecção para T. cruzi são elevados. Invadem ocasionalmente domicílios e peridomicílios onde se colonizam com facilidade. P. geniculatus, espécie silvestre que também invade ocasionalmente ecótopos artificiais e tem ampla distribuição geográfica, esta associada a animais com hábitos terrestres (buracos), como é o caso dos tatus. Pode-se citar ainda o P. diasi com distribuição na Bolívia e Brasil nos estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Bahia, ocorrendo neste último estado na região da caatinga. P lutzi no nordeste brasileiro e P. tupynambai no Rio Grande do Sul e Uruguai são espécies que nos últimos anos têm sido encontradas com freqüência nas habitações humanas.</P>
 <P>T. sordida geralmente é encontrada em ecótopos silvestres e no peridomicílio, invade com freqüência o domicílio, mas é considerada espécie secundária. Tem distribuição no Brasil Central (cerrado), partes do Paraguai. noroeste da Argentina, Uruguai e Bolívia. Tem sido encontrada com baixa taxa de infecção natural, a qual está associada a roedores. T. dimidiata freqüenta o domicílio e é encontrada em diversas tocas silvestres, tais como rocas, grutas ocupadas por morcegos e ocos de arvores, sendo um importante vetor da América Central, México, Colômbia, Equador e norte do Peru.</P>
 <P>Outro gênero que pertence a este grupo, cujos adultos invadem ecótopos artificiais, são algumas espécies de Rhodnius, principalmente R. domesticus, que é encontrado na região litorânea do Brasil, R. pictipes nas regiões norte e centro-oeste do Brasil e o R. brethesi, com distribuição no norte do Brasil e Venezuela, tem hábitos silvestres e habita palmeiras de piaçaba (Leopoldinia piassaba), ataca o homem com avidez e, nos últimos anos, tem invadido com freqüência ecótopos artificiais.</P>
 <P>R. prolixus é a espécie vetora mais importante da Colômbia e Venezuela, onde tem hábito doméstico, sendo responsável pela transmissão natural da Doença de Chagas. Também é importante em algumas partes da América Central, particularmente em El Salvador, Guatemala e Honduras. No ambiente domiciliar, R. prolixus alimenta-se principalmente de sangue humano e de aves, embora utilize também, como fonte alimentar, cães e gatos. No ambiente silvestre, faz uso de marsupiais e roedores como fonte de alimento. R. pallescens é importante vetora no Panamá, invade casas com freqüência formando colônias e é encontrada também no peridomicílio e em ambientes silvestres em palmeiras. As populações domésticas na área central do Panamá têm como fonte alimentar o homem (59%), seguido por marsupiais e aves domésticas.</P>
 <P>No Velho Mundo, são 13 as espécies descritas, necessitando de esclarecimentos epidemiológicos. Não se encontrou nenhuma infectada pelo T. cruzi. A espécie mais conhecida dentre estas é Triatoma rubrofasciata, que é cosmopolita e encontrada em regiões portuárias.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-17579">
<P>
Opinião</P>
<P>
Allister Sparks*, em Joanesburgo</P>
<P>
Dez razões para ter esperança</P>
<P>
O ano de 1994 vai ser o mais significativo da História da África do Sul, o ano que põe um ponto final ao longo período de domínio da minoria branca que teve início com a chegada do colononizador holandês Jan van Riebeeck, em 1652. O fim do poder branco e do apartheid. E o começo de... quê?</P>
<P>
Muitos sul-africanos brancos são pessimistas. O sentido da ocasião histórica é suplantado pelas ansiedades individuais. Os cenários catastróficos estão na moda.</P>
<P>
Podemos escolher a resposta cínica e dizer que tal visão é a resposta inevitável de uma aristocracia moribunda e que os brancos, ao sentirem que o poder lhes foge, reagem com a amarga convicção de que os mortais inferiores que tomarão o poder estão determinados a estragar tudo. Quase sem excepção, os regimes africanos deram cabo de tudo. E entre aqueles que formarão o novo Governo sul-africano depois das primeiras eleições livres, com o sistema uma-pessoa-um-voto, em 27 de Abril, alguns há que em toda a sua vida têm sido fiéis a uma ideologia espectacularmente falhada. Por isso, essa apreensão tem fundamento.</P>
<P>
Contudo, eu continuo optimista, tal como o tenho sido desde que o Presidente Frederick de Klerk fez o seu célebre discurso de Fevereiro de 1990, libertando Nelson Mandela e legalizando o Congresso Nacional Africano (ANC). Assim, apresento aqui dez razões para explicar porque é que penso que a nova África do Sul vai ter sucesso, apesar das muitas ameaças que enfrenta, desde o risco de insurreição dos extremistas brancos até uma taxa de desemprego de 43 por cento.</P>
<P>
1- Precisamente por ser o último país africano envolvido no processo de libertação, a África do Sul pode aprender com erros dos outros. A Namíbia já dá sinais de que muitos erros podem ser evitados, e a África do Sul está muito mais bem preparada do que a Namíbia para vencer.</P>
<P>
2 -- A ausência de ressentimento racial por parte da maioria dos negros sul-africanos, de que é exemplo Nelson Mandela após 27 anos de prisão, sugere que o apartheid não deixará um legado de «contra-racismo» e desejo de vingança contra a minoria branca.</P>
<P>
3 -- Brancos e negros sul-africanos podem continuar profundamente divididos, mas partilham um compromisso comum em relação ao país e uma dependência recíproca. Os brancos aprenderam que não podem governar o país sem o consentimento dos negros, enquanto estes últimos sabem que não podem construir um futuro próspero sem os brancos. É esta inevitável reciprocidade de interesses que acaba com o apartheid e torna o não-racismo na única opção viável para ambas as partes.</P>
<P>
4 -- O pragmatismo essencial da liderança do ANC, que deverá garantir políticas moderadas e sensatas, e a sólida credibilidade do movimento entre a maioria da população negra, deverão permitir ao ANC pôr em prática essas políticas, perante a crise de expectativas com que está condenado a defrontar-se.</P>
<P>
5 -- O facto de o ANC ser uma «Igreja aberta» em que coexistem muitos pontos de vista garante que dentro das suas próprias estruturas todos os temas serão largamente debatidos, inculcando assim uma cultura democrática e militando contra tendências autoritárias que possam de qualquer modo emergir uma vez no poder.</P>
<P>
6 -- A cultura de negociação que se constituiu durante quatro anos de duras conversações a todos os níveis da sociedade -- desde a convenção multipartidária, que redigiu a nova Constituição, passando por associações desportivas segregadas, que negociaram a unificação, até organizações de empresários e sindicatos, que elaboraram acordos de concertação -- significa que os sul-africanos desenvolveram uma nova perícia negocial e uma confiança na resolução dos assuntos mais difíceis à mesa das negociações.</P>
<P>
7 -- A força do país está nas suas instituições civis -- desde uma imprensa e uma justiça independentes, até fortes organizações -- sindicais, empresariais, profissionais, religiosas, desportivas, estudantis -- e uma miríade de associações culturais e cívicas, todas com as suas próprias comunidades e interesses a proteger e que nenhum governo poderá deixar de ter em consideração. Foi a falta desta força institucional que levou a muitas ditaduras unipartidárias em África: o movimento de libertação foi muitas vezes a única instituição consequente que preencheu o vazio da sociedade civil com o seu próprio pessoal.</P>
<P>
8 -- Uma nova Constituição, que, embora vista como imperfeita por alguns puritanos liberais, tem o mérito singular de ser um contrato nascido de um espírito de compromisso entre a maioria dos representantes do povo do país e, portanto, uma carta flexível para um futuro de cooperação.</P>
<P>
9 -- A cooperação será forçada, também, pelo facto de o novo regime ter de utilizar em grande parte a burocracia do antigo. Aspecto positivo é a inexistência de um funcionalismo público do ANC à espera de deitar mão aos empregos.</P>
<P>
10 -- A política negra na África do Sul não está estruturada em linhas tribais como na maior parte do continente africano, onde provocou batalhas tribais para a conquista do poder e ditaduras do partido-tribo dominante. À excepção do chefe zulu Mangosuthu Buthelezi, do Partido Inkatha, todos os grandes movimentos políticos negros são pan-tribais. Primeiro foi o ANC, constituído em 1912 como «movimento nacional» dos negros para resistir a uma lei que lhes roubava as suas terras. Os seus principais rivais, o Congresso Pan-Africano e a Organização dos Povos da Azânia, são igualmente multi-étnicos. Isto quer dizer que os líderes destes três «movimentos de libertação» rivais não podem mobilizar as suas forças de base com apelos tribais, o que lhes alienariam outros apoiantes.</P>
<P>
De facto, nenhum partido assente em princípios étnicos pode esperar conseguir o poder político na África do Sul, uma vez que aqui não existe um grupo étnico dominante. Qualquer partido que tenha raízes na etnicidade está limitado em si mesmo a um estatuto regional e não pode ter poder a nível nacional. Mesmo o Partido Nacional de De Klerk -- a mãe de todos os partidos étnicos, que inventou o apartheid em nome do etno-nacionalismo afrikaner -- teve de se converter em multi-racial para permanecer no jogo nacional.</P>
<P>
*Jornalista e escritor sul-africano</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80305">
<P>
Agindo corretamente, prefeitura e Estado poderão minorar um problema que é mundial  </P>
<P>
PAULO MALUF </P>
<P>
A quase totalidade das fotos publicadas nos jornais e as imagens transmitidas pela televisão após as fortes chuvas deste início de ano revelam que o problema mais agudo e mais sensível das enchentes em São Paulo localiza-se em torno das marginais, em especial do rio Tietê.</P>
<P>
Entretanto, quem for consultar as coleções dos jornais dos últimos dez ou 15 anos verá que o mapa das inundações era muito mais amplo. Toda a zona cerealista, incluindo o mercado central e passando pelos bairros do Cambuci e do Ipiranga, ficava em baixo d'água por causa das enchentes do rio Tamanduateí, causando enormes prejuízos aos comerciantes e atacadistas.</P>
<P>
As tradicionais enchentes do Tamanduateí foram eliminadas quando o rio foi canalizado, de maneira cientificamente correta, durante minha gestão como governador, sendo então Reynaldo de Barros prefeito da capital. Há anos que me dedico, não apenas como administrador, mas também como engenheiro, a buscar soluções sérias para este flagelo que a população sofre a cada época de chuvas.</P>
<P>
Desde que assumi a prefeitura, em janeiro de 93, esta administração municipal foi a que mais investiu para a solução deste problema, principalmente nas áreas da periferia.</P>
<P>
Canalizamos os córregos do Morro do S (atual avenida Carlos Caldeira Filho), Ipiranga (avenida Ricardo Jafet e Museu do Ipiranga), Zavuvus (avenida Alberto de Zagotis), Jaguaré (avenida Escola Politécnica), Uberaba, Uberabinha (avenidas Hélio Pelegrini e dos Bandeirantes) e Mongaguá (avenida Milene Elias), com sucesso total e sem mais inundações nessas áreas. Ainda neste ano de 95 estamos trabalhando nas obras dos córregos de Águas Espraiadas (Brooklyn-Campo Belo) e de Jacu-Pêssego (zona leste da cidade, que ligará Iguatemi-Itaquera-São Miguel Paulista à rodovia dos Trabalhadores). Com recursos próprios e do BID, num total de US$ 550 milhões, canalizaremos mais 13 dos maiores córregos da cidade, como o Mandaqui, Itaquera, dos Machados, da Paciência, Cabuçu de Baixo e Cabuçu de Cima, Aricanduva e outros.</P>
<P>
Até o final de meu mandato, a prefeitura investirá R$ 1 bilhão em obras contra enchentes, que será o maior investimento da história da cidade.</P>
<P>
Essas obras, porém, só surtirão o efeito desejado —o fim das enchentes— quando o governo do Estado concluir o rebaixamento da calha do rio Tietê.</P>
<P>
O paradoxo técnico explica-se da seguinte forma: quanto mais a prefeitura da capital for eficiente na canalização dos córregos, maior será a velocidade das águas que chegam aos rios Tietê e Pinheiros. Isto sempre foi assim nas épocas de chuva, mas acontece que o crescimento da cidade suprimiu as áreas de várzea: quem verificar fotos antigas de São Paulo, verá que áreas onde hoje estão o parque Anhembi e o Campo de Marte, por exemplo, faziam parte da região de retenção das águas.</P>
<P>
A cidade espremeu o rio, que hoje cobra seu preço, tornando as obras de canalização mais caras e complexas. A canalização do rio Aricanduva, por exemplo, exigirá quatro bacias de retenção de água, os chamados "piscinões", para que quando ocorrer um volume de chuvas como o dos últimos dias —o maior em 50 anos— a velocidade das águas em direção ao Tietê seja menor.</P>
<P>
É natural que para a população esta divisão administrativa entre "águas municipais" —as dos córregos— e "águas estaduais" —as do Tietê e Pinheiros—, não faça a menor diferença na hora em que se fica preso no congestionamento ou quando se tem que abandonar o carro no meio da inundação. Mas a realidade é esta. A prefeitura está fazendo tudo a seu alcance, na esfera de sua competência, efetivamente erradicando as enchentes como no Pacaembu, através do "piscinão", que já livrou aquela área de inundações que eram crônicas.</P>
<P>
O governador Mário Covas, ex-prefeito de São Paulo e também engenheiro da Escola Politécnica, conhece bem o problema e se propõe a solucioná-lo. Conseguiu do presidente da República o aval da União para um empréstimo destinado à conclusão do rebaixamento da calha do Tietê. Agindo corretamente, prefeitura e governo do Estado poderão minorar em muito um problema que é mundial. Veja-se o que aconteceu recentemente na Holanda e até nos Estados Unidos.</P>
<P>
Acredito plenamente nos projetos tecnologicamente aprovados e na ação do governo do Estado e da prefeitura para, em conjunto, tentar resolver a parte crucial deste problema.</P>
<P>
PAULO SALIM MALUF, 63, é prefeito de São Paulo. Foi deputado federal pelo PDS de São Paulo (1983-86), prefeito de São Paulo (1969-71) e governador do Estado de São Paulo (1979-82).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4478">
<P>
Sindicalista é morto com 2 tiros no ABCD</P>
<P>
O sindicalista Oswaldo Cruz Júnior, 40, foi morto com dois tiros. Ele era presidente do sindicato dos motoristas do ABCD. José Benedito de Souza, o Zezé, foi acusado pelo crime. Diretor do sindicato, Zezé faz oposição à atual gestão. Oswaldo vinha acusando o sindicato de colaborar com campanhas do PT. Ontem, antes do crime, motoristas de São Caetano protestaram contra decisão de Oswaldo de fechar sede na cidade. Canindé Pegado, da CGT, vê razões políticas no crime. A CUT nega envolvimento.</P>
<P>
Brasil</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-13447">
<P>
Há uma magia especial no Guadiana, algo que não encontramos em nenhum dos outros grandes rios portugueses. No Douro, a grandiosidade dos cenários e a delicadeza da intervenção humana contrasta com a placidez de um curso de água preso numa fiada de albufeiras. No Tejo, a imensidão da lezíria e a vastidão do horizonte quase que tiram dimensão a um curso de água que lentamente se esvai entre bancos de areia.</P>
<P>
Ao Guadiana, em contrapartida, quase falta a dimensão da intervenção humana. O rio corre entre margens xistosas, pobres agricolamente, a maior parte das vezes longe das povoações, e só quando toca Mértola lhe encontramos um verdadeiro porto. Não lhe construíram -- ainda -- qualquer barragem, pelo que mantém o seu leito escavado, as águas escassas saltando de açude em açude, um carácter ainda selvagem que quase todos os outros rios portugueses perderam.</P>
<P>
Mas não é só por isso que o Guadiana é único. É-o igualmente porque é o mais mediterrânico dos grandes rios portugueses, aquele onde a diferença entre os períodos de seca e estiagem e os períodos de chuvae invernia é mais marcada. Antes dos espanhóis terem regularizado o seu troço, a montante, as cheias do Guadiana eram ainda mais impressionantes e violentas do que as do Tejo, do Douro ou do Mondego. Em 1947, por exemplo, no pico da cheia, o rio escoou um caudal cinquenta vezes superior ao seu módulo anual (ou seja, ao valor do escoamento médio). Mesmo nas brutais cheias do Douro nunca esta relação ultrapassou as trinta e cinco vezes.</P>
<P>
Rio do sul, o Guadiana reflecte bem as condicionantes do clima mediterrânico, com inversos chuvosos e verões longos e secos. Também por isso o seu caudal médio é relativamente pequeno: no Pulo do Lobo, já no troço final, equivale a apenas metade do caudal médio do Tejo em... Vila Velha de Rodão. Pior: em anos de seca, devido aos represamentos em Espanha, o rio quase desaparece. Em 1982/82, por exemplo, o seu módulo anual foi trinta vezes inferior á média dos cinquenta anos anteriores. O Pulo do Lobo quase secou.</P>
<P>
Esta volubilidade do rio não se traduz aqui pelo alagamento das zonas ribeirinhas, já que o rio corre, praticamente até entrar no Algarve, num vale relativamente apertado. Mas reflecte-se, de forma marcante, na ocupação humana. É que, atravessando uma região cerialífera, o Guadiana viu nascerem no seu leito um tipo muito especial de moinhos que não encontramos em nenhum outro rio. São os moinhos de submersão, construções sólidas mas muito elegantes que ainda hoje podemos encontrar às dezenas, apesar de nenhum deles se manter em actividade.</P>
<P>
Estes moinhos possuem uma forma arredondada e poderosos contrafortes, todo um conjunto respirando solidez: é que, durante o Inverno, era suposto estes moinhos serem abandonados às cheias do rio. Nesse período as suas partes móveis eram desmontadas e os moleiros transferiam-se para pequenas azenhas tradicionais que funcionavam nas ribeiras afluentes. Estas azenhas, em contrapartida, não podiam funcionar de Verão, altura em que a maioria desses pequenos riachos seca completamente.</P>
<P>
Hoje em dia estes moinhos de submersão e os açudes que lhes estão associados constituem dos pontos mais aprazíveis do rio, pequenos oásis de frescura num Alentejo de verões escaldantes. Isolados, alguns deles de difícil acesso, geralmente possuindo nas proximidades a casa abandonada dos antigos moleiros, sugerem percursos de descoberta, seguindo ao longo das margens.</P>
<P>
A solidão e isolamento do rio só é verdadeiramente quebrada em Mértola, a mais árabe das vilas portuguesas. Aí estamos no limite superior das marés, no porto por onde fenícios e romanos escoavam as produções de trigo dos barros de Beja e os minérios cupríferos da região. Aí estamos na antiga capital de um dos vários reinos árabes que chegou a haver na península. Aí sentimo-nos a viajar no passado, fascinados pela beleza do local -- um morro encavalitado entre o Guadiana e a ribeira de Oeiras --, pela harmonia do casario, pela nobreza do pequeno castelo, pela estranheza da igreja matriz, que antes foi mesquita.</P>
<P>
O lugar singular que Mértola ocupa entre as vilas portugueses casa bem com a singularidade do Guadiana, o seu carácter ainda intocado, a aridez do vale que escavou, a sua beleza selvagem -- e ameaçada.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99316">
<P>
RICARDO BONALUME NETO</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
As temperaturas registradas neste mês de janeiro podem assustar as pessoas que fizeram planos para dias de sol e calor. Mas, para os meteorologistas, este é um janeiro normal.</P>
<P>
Ontem, a temperatura mínima registrada em São Paulo foi de 15,5 graus Celsius, um frio razoável para uma cidade situada na zona subtropical, embora não tão gelado quanto a menor mínima para um mês de janeiro nos últimos 32 anos, como foram os 11,9 graus registrados em 1.º de janeiro de 1962. A mínima em janeiro do ano passado foi registrada dia 20, quando a temperatura chegou a 16,5 graus.</P>
<P>
"Não é anormal. O pessoal é que associa calor com verão e frio com inverno", diz Ernesto Alvin, do 7.º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia. Segundo os especialistas, a "sensação de frio" que as pessoas estão sentindo ocorre porque o mês de novembro e o início do mês de dezembro do ano passado foram mais quentes que o habitual, e elas esperavam mais calor ainda com o início do verão.</P>
<P>
"O que acontece agora não é nada de excepcional. A memória das pessoas é curta", diz Carlos Nobre, chefe do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).</P>
<P>
O verão, porém, ainda promete surpresas climáticas, já que previsões a longo prazo não são confiáveis. Ironicamente, as previsões do tempo só tenderão a ser mais precisas depois do verão, quando o Inpe  receber seu supercomputador em abril próximo.</P>
<P>
"É um fenômeno comum ter essas chuvas extensas e prolongadas no mês de janeiro", diz Pedro Leite da Silva Dias, professor da USP que está hoje fazendo estágio no Centro Meteorológico Nacional dos EUA, em Washington, para aprender processos operacionais ligados ao uso de supercomputador em previsões climáticas. Segundo Dias, o fenômeno El Nino –que esquenta as águas do oceano Pacífico e aumenta a chuva no sul do Brasil– foi mais forte em 92 do que agora.</P>
<P>
A culpa pelas chuvas e pelas baixas temo do crime vem do suspeito de sempre: as "frentes frias", massas de ar mais frio que se originam ao sul (nem sempre tão ao sul que mereçam ser chamadas de "polares") e trazem mudanças bruscas de temperatura. O termo "frente" se refere justamente à essa ruptura. Quando chega uma massa de ar frio, não costuma ocorrer uma mistura gradual com o ar mais quente, e sim um conflito. Nessa fronteira frio/quente as chuvas se concentram. "É comum o tempo mudar dez graus em algumas horas, mesmo no verão", diz Nobre.</P>
<P>
O supercomputador do Inpe deverá ser instalado em abril e permitirá uma previsão mais precisa do tempo até cinco, no máximo sete dias adiante. Quanto mais distante no futuro, menos confiável a previsão.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22162">
<P>
Comerciante diz que movimento foi o melhor do ano; prefeito não acredita que garoto tenha sido mordido pelo animal</P>
<P>
ANDRÉ MUGGIATI</P>
<P>
Enviado especial a Itanhaém (SP) </P>
<P>
MARCUS FERNANDES </P>
<P>
Da Agência Folha, em Santos </P>
<P>
O movimento na praia do Loty, em Itanhaém (litoral sul de SP), onde um tubarão teria atacado um garoto anteontem, aumentou ontem, segundo comerciantes.</P>
<P>
O estudante Marco Aurélio Petinati, 14, a vítima, esteve no local ontem e era assediado: todos queriam ver o ferimento em sua mão direita. Para Maria Bernadete da Cunha, que tem um bar no local, "o movimento de hoje (ontem) foi o melhor do ano".</P>
<P>
Apesar da curiosidade, ninguém na praia acreditava que a mordida na mão de Petinati tenha sido provocada por tubarão. "Teria arrancado a mão dele", disse o banhista Antonio Erminio, 32. Erminio está há uma semana em Itanhaém em um grupo de seis adultos e sete crianças. Ontem, todos nadaram.</P>
<P>
Para Maria Bernadete, a repercussão da história "pode prejudicar muito o comércio nesta que é a melhor época do ano".</P>
<P>
O prefeito de Itanhaém, Edson Batista de Andrade (PSD), 64, espera uma publicidade positiva. "Estou oferecendo um prêmio de R$ 20 mil para quem conseguir encontrar um tubarão nas praias da cidade", disse em tom de brincadeira. Para o prefeito, o garoto foi mordido por algum peixe esfomeado, "talvez um caçonete (da família do cação)"</P>
<P>
Segundo o pesquisador do Instituto de Pesca de São Paulo, Alberto Amorim, 44, não há diferença entre cação, caçonete e tubarão. "Ele é tubarão quando come a gente e cação quando a gente come ele", disse. Amorim acredita que Petinati tenha sido mordido por um tubarão.</P>
<P>
As prefeituras das cidades da Baixada Santista e do Litoral Sul de SP não pretendem fechar praias em virtude do suposto ataque de tubarão de anteontem.</P>
<P>
Para o biólogo especialista em tubarões Otto Bismarck, 34, "providências como fechamento de praias só se justificam caso os ataques se repitam em curto espaço de tempo".</P>
<P>
Segundo o tenente do 18º Grupamento de Buscas do Corpo de Bombeiros, Ernesto Rizzeto, 32, "não existe 100% de certeza, da nossa parte, para dizer que foi um tubarão que atacou em Itanhaém".</P>
<P>
Rizzeto afirmou que outras espécies, como o peixe-espada, também mordem banhistas. "Não é só tubarão que morde no mar", disse.</P>
<P>
Bismarck, único representante brasileiro no Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões (Aiat) –ligado a Universidade da Flórida (EUA)– disse que o número de ataques de tubarões "está aumentando nos últimos dez anos".</P>
<P>
Segundo ele, dez anos atrás, entre 30 e 40 pessoas sofriam ataques da espécie anualmente. "Atualmente, são registrados entre 100 e 120 notificações mundiais de ataques contra seres humanos, anualmente", declarou.</P>
<P>
O biólogo disse que "por hipótese, pode-se sugerir que esse aumento se deva ao crescimento das populações litorâneas".</P>
<P>
Colaborou ORLANDO ROSSELLI Jr., do NP</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-72420">
<P>
Em São Paulo, 2 milhões ficam sem luz e 1,3 milhão, sem água; em Campinas, 240 casas são alagadas </P>
<P>
Da Reportagem Local e da Folha Sudeste </P>
<P>
Cerca de 2 milhões de pessoas ficaram sem luz em São Paulo devido às chuvas de sexta-feira e de sábado. Segundo a Eletropaulo, a chuva causou 4.875 defeitos na rede elétrica. Em algumas regiões a interrupção durou mais de 24 horas. O telefone 196, da Eletropaulo, recebeu 31 mil chamadas.</P>
<P>
Nas zonas norte e oeste da cidade e de três municípios da região metropolitana (Caieiras, Franco da Rocha e Francisco Morato), cerca de 1,3 milhão de moradores ficaram sem água a partir de sábado à noite. O abastecimento nessas regiões seria normalizado hoje.</P>
<P>
Ao todo choveu 48,2 milímetros em São Paulo na sexta-feira e no sábado. Isso corresponde a aproximadamente 20% da média histórica em janeiro, de 238,7 mm.</P>
<P>
De acordo com a Eletropaulo, apesar de a água não ser muita, veio acompanhada de ventos que provocaram um vendaval na zona oeste da cidade.</P>
<P>
"Os ventos dirigiam-se do Pacaembu no sentido do Butantã arrastando árvores e derrubando tudo o que estivesse à frente", disse Antoninho Borghi, da Eletropaulo.</P>
<P>
O muro que separa a Cidade Universitária da marginal Pinheiros foi derrubado e carregado pelo vento. No sábado, a chuva foi mais intensa e durou mais tempo. Das 15h30 às 22h choveu 37 mm.</P>
<P>
Houve enchentes na zona leste. As águas do córrego Aricanduva subiram, expulsando centenas de famílias de suas casas. As águas cobriram toda a avenida Aricanduva, parte da avenida do Estado e as ruas ao redor.</P>
<P>
Na casa de Maria José Alves foram inutilizados televisão, videocassete, geladeira, móveis e colchões. "É a terceira vez que a água sobe este verão", afirmou.</P>
<P>
O Corpo de Bombeiros atendeu 166 ocorrências durante as chuvas de sábado em São Paulo, movimento 30% acima do normal.</P>
<P>
Entre as 16h de sábado e a 0h de domingo, os bombeiros resgataram 15 pessoas ilhadas em casas e ruas, retiraram três automóveis de rios e desobstruíram oito ruas.</P>
<P>
Na zona norte, a falta d'água foi causada por um defeito provocadp pela falta de energia elétrica na estação elevatória de Vila Brasilândia, que abastece a região.</P>
<P>
Na zona oeste, 500 mil moradores de Higienópolis, Jardins, Cerqueira César, Sumaré, Alto de Pinheiros e Lapa ficaram sem água desde as 22 horas de sábado. O abastecimento na região só seria normalizado hoje pela manhã.</P>
<P>
Na região do ABCD, o jogo da equipe de vôlei feminino Cepacol/São Caetano contra o Nova Era/Datasul no sábado à tarde foi interrompido por uma hora por causa de uma chuva de granizo.</P>
<P>
O granizo quebrou o vidro que reveste o Ginásio Milton Feijão, em São Caetano, e os cacos caíram na quadra e nas arquibancadas.</P>
<P>
Campinas </P>
<P>
Duzentos e quarenta casas e barracos foram alagados anteontem à noite durante a pior chuva, em termos de estragos, nos últimos dez anos em Campinas (SP).</P>
<P>
A avaliação é da Defesa Civil do município, que registrou 2.500 chamados de pessoas sob risco –número duas vezes e meia maior que o normal.</P>
<P>
O temporal, uma chuva de verão com granizo, atingiu a cidade por volta das 18h30 de sábado e durou até as 20h30. A chuva, em menor intensidade, persistiu madrugada adentro.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-63023">
<P>
Avalanche mata pelo menos 26 pessoas -- Pelo menos 26 alpinistas, dos quais 13 japoneses, morreram ontem quando uma avalanche de neve soterrou o seu acampamento a nordeste de Katmandou, perto do Monte Evereste, anunciou a rádio estatal nepalesa. Segundo a rádio, os 13 japoneses integravam uma expedição de 53 alpinistas. As 13 outras vítimas serão os guias nepaleses, segundo informações da agência que organizou a expedição, a Trans Himalayan Travel and Tours. Os alpinistas, acrescentou a agência, terão morrido quando a tenda em que se abrigavam foi atingida pela avalanche ontem, manhã cedo. Desconhece-se a sorte dos outros elementos da expedição. Uma operação de socorro, integrando militares nepaleses, deverá partir hoje de manhã para o local à procura de eventuais sobreviventes.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80732">
<P>
A África do Sul iniciou ontem as suas primeiras eleições multirraciais</P>
<P>
Os dias mais longos</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Jorge Heitor, na Cidade do Cabo</P>
<P>
O primeiro dia das eleições foi marcado por alguma desorganização, mas, ao princípio da tarde, as coisas normalizaram-se e espera-se que hoje e amanhã já tudo corra da melhor maneira, com enorme afluência às urnas. Se necessário, admite-se até haver um quarto dia de votação. E o Inkatha pede mesmo mais. 124.934 dias após a chegada dos holandeses à Cidade do Cabo, os sul-africanos negros puderam votar lado a lado com brancos, mestiços ou indianos.</P>
<P>
Ao princípio da tarde de ontem, uma centena de pessoas idosas, quase todas brancas, aguardava a sua vez de entrar na assembleia de voto instalada no Seapoint Hall, frente ao restaurante português Caravela, nas imediações da Baía das Três Âncoras, a uns 60 quilómetros do cabo da Boa Esperança. As portas da assembleia, situada apenas a centena e meia de metros das águas do Atlântico, tinham-se aberto às sete da manhã e, a partir das dez horas, aumentara a afluência, de modo que umas 13 pessoas de muita idade e com dificuldades motoras se queixavam de estar ali em pé há que tempos, à espera de exercer o seu direito cívico.</P>
<P>
Um dos fiscais ao serviço da Comissão Eleitoral Independente (IEC), pessoa vinda de 20 quilómetros de distância para cumprir aquela missão, disse-nos que não contavam com tanta gente no primeiro dia de votação, até porque este dia era só para doentes e idosos, de modo a que os mesmos não tivessem, hoje e amanhã, de aguardar a sua vez em longas bichas.</P>
<P>
Na verdade, como, na África do Sul, cada um vai votar onde quer, não havendo uma assembleia pré-determinada para cada cidadão, nunca se poderá saber se irão aparecer apenas dois mil ou 12 mil indivíduos num determinado local. E, como também não há um recenseamento eleitoral, será impossível calcular a afluência dos eleitores até à última hora.</P>
<P>
A meio da tarde de ontem ainda se encontravam milhares de pessoas nos diferentes arquivos de identificação, a tentar obter os documentos necessários para votar; e algumas estavam ali desde as cinco horas da manhã. Nunca na vida haviam tido um bilhete de identidade ou um passaporte (ou, porventura, tinham-nos perdido) e por isso pretendiam na última oportunidade conseguir a prova indispensável de que eram sul-africanos, pois queriam exercer o seu direito de escolha.</P>
<P>
O oficial de serviço na assembleia de Seapoint, num dia nublado que não condizia com a alegria própria deste período eleitoral, admitiu a hipótese de a votação geral na África do Sul não ser só até amanhã à noite, como o previsto, mas ter de se prolongar ainda para sexta-feira, 29.</P>
<P>
Protesto do Inkatha</P>
<P>
Os problemas que se fizeram sentir durante a manhã de ontem em muitos pontos do país, com assembleias que não abriram a tempo e horas ou onde não havia os necessários boletins de voto, levam a admitir que seja preciso algum tempo extra. Também parece provável que não se possa saber nada de muito concreto sobre os resultados, mesmo que parciais, antes de sábado à noite.</P>
<P>
Da província do Kwazulu-Natal chegaram-nos notícias de pessoas idosas que desmaiaram de cansaço, ao fim de quatro e cinco horas à espera de votar, algumas em jejum, desde o nascer do Sol. Muitas assembleias abriram com horas de atraso, o que levou o líder do Inkatha, Mangosuthu Buthelezi, a pedir o prolongamento do acto eleitoral por mais três dias, medida que, pelo menos de momento, foi recusada pela Comissão Eleitoral Independente.</P>
<P>
Segundo a IEC, só nas primeiras horas foram registados 246 «incidentes» e o próprio presidente De Klerk manifestou a sua «preocupação» pelo modo como as coisas estavam a correr em muitos pontos do país. E isto num dia que era apenas para eleitores especiais, como pessoas que estivessem no estrangeiro, grávidas, doentes, idosos e presos a cumprir penas menores (já que os castigados por delitos maiores não tiveram direito a expressar a sua opinião).</P>
<P>
Sobrinha de Mandela</P>
<P>
Uma sobrinha de Nelson Mandela, Nomaza Paintin, vestida com as cores do ANC, foi a primeira pessoa a votar nas eleições multirraciais, valendo-se do facto de viver em Wellington, na Nova Zelândia, e de ali já ser 26 de manhã quando na África do Sul (com a hora igual à de Portugal) ainda se estava a 25.</P>
<P>
Entre as pessoas a quem Nomaza dedicou o seu voto estava a malograda Ruth First, mulher do dirigente comunista Joe Slovo, adjunto do professor Aquino de Bragança na direcção do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. Ruth foi, no início da década passada, vítima da explosão de uma carta armadilhada.</P>
<P>
Precisamente em Maputo, notou-se ontem, na abertura das assembleias, que os boletins de voto ainda não tinham colada a faixa com o nome e o símbolo do «Inkatha Freedom Party», pelo que quem desejasse votar em Buthelezi teria de inscrever o nome do partido no fim da lista ou no verso.</P>
<P>
A Bolsa já votou</P>
<P>
Entretanto, na Bolsa de Joanesburgo já é conhecido o resultado das apostas que ali se fizeram quanto ao resultado previsível destas eleições e o mesmo poderá dar uma ideia do que pensa a comunidade empresarial sul-africana sobre o que está a acontecer nestes dias mais longos da sua expectativa: ANC 57 por cento; Partido Nacional, 25,5; Inkatha, 7,5; Partido Democrático, 5,75; PAC, 3,5; Frente da Liberdade 4 e Organização Desportiva para as Contribuições Colectivas e Igualdade de Direitos (SOCCER), 0,5 por cento.</P>
<P>
Nas restantes 12 formações que se apresentam a nível nacional não pensaram aqueles que apostam na Bolsa. Assim, partidos como o Luso-Sul-Africano não devem ter grandes hipóteses, apenas contribuindo para evitar que haja uma clara maioria absoluta por parte da lista favorita.</P>
<P>
Se tudo correr bem com estas eleições, a Bolsa de Joanesburgo espera conhecer dias gloriosos, pois o país tem boas infra-estruturas, abundantes recursos minerais, mão-de-obra barata, vias comerciais importantes, bom clima, reservas de oiro, serviços financeiros bastante desenvolvidos, capacidade de encarar grandes projectos e um continente inteiro para onde lançar os seus produtos.</P>
<P>
Desde que nenhum grupo queira assumir poderes ditatoriais, por mais vasto que seja o seu eleitorado, e desde que ninguém se dedique a uma obstrução sistemática, a África do Sul tem condições para sobreviver às dificuldades por que tem passado na última dúzia de anos, em grande parte devidas às sanções com que foi punida por ter mantido de pé um sistema de segregação racial.</P>
<P>
Tal como há 200 anos os Estados Unidos encetaram a marcha que os levaria a serem a grande potência das Américas, assim a África do Sul está à beira de entrar na senda que a levará a controlar o continente africano a sul do Sara.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-19989">
<P>
Albânia</P>
<P>
As florestas de pinheiros, formações típicas mediterrânicas, e as 12 lagoas que na costa ocupam cerca de 11 mil hectares caracterizam a paisagem natural deste país. Tem entre 3200 e 3500 plantas indígenas. Existem, em particular, duas áreas montanhosas com uma grande biodiversidade: Bjeshket-Namuna e Lura.</P>
<P>
Alemanha</P>
<P>
A paisagem é muito variada, desde as montanhas às planícies de altitude, passando pelos lagos e planícies. A conservação é aqui muito difícil devido às pressões urbanas, rodoviárias e industriais. Mas muito está protegido: dois por cento do território são parques nacionais, 1,7 por cento reservas naturais, 3,3 por cento reservas de biosfera e 25,3 por cento são áreas de paisagem protegida. Ou seja, um terço do país está classificado.</P>
<P>
Andorra</P>
<P>
No coração dos Pirenéus, este principado possui todas as riquezas de uma zona montanhosa submetida às influências mediterrânicas. Conforme a altitude, encontra-se florestas de carvalhos e pinheiros bravos. Esta vegetação abriga todas as espécies animais dos Pirenéus, como a raposa, a lebre, o javali, a marmota, o lagópode e a cabra montês.</P>
<P>
Áustria</P>
<P>
Predominantemente alpino, o país tem montanhas que vão até aos 3798 metros. Possui centenas de lagos de montanha, glaciares, quedas de água e mais de 10 mil grutas. Tem várias espécies vegetais endémicas, entre as quais se conta a conhecida «edelweiss». A floresta cobre 42 por cento do território. Os parques nacionais de Neusedler See e de Seewinkel são conhecidos pelo sua riqueza em avifauna.</P>
<P>
Bélgica</P>
<P>
A região de dunas da Flandres, na costa do mar do Norte, oferece um mosaico de biótopos muito diversos. A região de «polders», onde domina a actividade agrícola, com as suas zonas húmidas, é de grande importância para a avifauna. Nos planaltos de Condroz, Famenne, Fagne e Calestienne existe uma grande variedade de flora. Finalmente, nas Ardenas subsiste floresta de coníferas e faias.</P>
<P>
Bielorrússia</P>
<P>
A abundância em água caracteriza este país, que conta com 10 mil lagos e 20 mil cursos de água. A floresta virgem, as pradarias e os pântanos estão ainda muito preservados. Um dos principais sistemas é o parque nacional Belovezhskaia Pushcha, onde se fez o repovoamento do bisonte de Belovezhski, contando-se hoje já com 300 efectivos. O desastre de Chernobil atingiu profundamente este país e 22 por cento do território continuam contaminados.</P>
<P>
Bulgária</P>
<P>
As planícies ocupam 55 por cento deste país da península balcânica. As florestas cobrem 30 por cento do território e a vegetação indígena conta com mil associações vegetais. Estão recenseadas 730 espécies de vertebrados. As primeiras reservas e parques nacionais foram criados em 1933. A rede de áreas protegidas cobre 380 mil hectares, 3,5 por cento do país, dos quais 80 mil são reservas naturais integrais.</P>
<P>
Chipre</P>
<P>
Esta ilha entre a Europa, a África e a Ásia, é caracterizada pela sua costa acidentada, intercalada com praias, e as regiões montanhosas cobertas de floresta. É o paraíso dos botânicos porque aqui se encontram 1800 espécies de flores, das quais 128 são endémicas. O maior animal selvagem é o argali, uma espécie de cabrito montês do Chipre. Tartarugas, focas, golfinhos, entre outras, são espécies protegidas, a par com inúmeras espécies de avifauna, de que se destaca a águia imperial e o falcão de Eleonora.</P>
<P>
Croácia</P>
<P>
Caracterizada pela proximidade do Mediterrâneo, a Croácia tem uma grande variedade de paisagens. Nas planícies estão as florestas de carvalho, os biótopos fluviais e pantanosos. As áreas de montanha albergam ainda o lobo, o urso e o lince. O litoral é um dos mais recortados do mundo. As áreas protegidas correspondem a 7,22 por cento do território e incluem sete parques nacionais e seis naturais, entre outros. Há 308 espécies animais e 44 vegetais protegidas.</P>
<P>
Dinamarca</P>
<P>
É um país sem montanhas e a sua paisagem foi transformada ao longo de anos pela agricultura e silvicultura, pelo que não resta muito do seu estado original. As suas paisagens são marcadas pelo mar, com sete mil quilómetros de costa e 300 ilhas. A parte dinamarquesa do Waddenzee, assim como outros cursos de água ou as marinhas de sal, são muito importantes para a avifauna aquática.</P>
<P>
Eslováquia</P>
<P>
No centro geográfico da Europa, o país tem diversas formações naturais, desde montanhas a vales estreitos, passando por florestas e pradarias. Os ecossistemas de florestas e das planícies abrigam ainda muitos animais e plantas raros: mais de 90 mamíferos, 300 aves, 12 anfíbios, 61 peixes e 250 espécies de invertebrados, muitos endémicos e raros. As áreas protegidas cobrem 13 por cento do território.</P>
<P>
Eslovénia</P>
<P>
A diversidade natural é atribuída à influência de três grandes sistemas biogeográficos: os Alpes, os Alpes dináricos e as planícies mediterrânicas e panonianas. Quase metade do país está coberta de florestas que quase não foram devassadas, albergando grandes carnívoros, como o urso, o lobo e o lince. A abundância de calcário traduziu-se numa imensidade de grutas. Apesar de oito por cento do território estarem protegidos, 15 por centos das espécies vegetais e 45 por cento das animais estão ameaçadas.</P>
<P>
Espanha</P>
<P>
As suas variações de relevo e clima proporcionam um grande leque de vida selvagem e de paisagens. É o segundo maior país montanhoso da Europa e sofre influências tanto do Mediterrâneo como do Atlântico. Os cereais e a agricultura intensiva, no planalto central, acabaram com as florestas. Mas, no Norte, subsistem espaços com uma flora variada, com faias, carvalhos e nogueiras, enquanto no Sul impera o sobreiro e a azinheira. Abetos e pinheiros abundam por todo o país. Há muitas espécies de águias, com destaque para a águia imperial.</P>
<P>
Estónia</P>
<P>
A região de norte e oeste do país foi submetida a uma grande erosão provocada pela calote glaciar continental, do que resultou um «alisamento» do terreno que ficou extremamente fino -- são os «alvars». Em contrapartida, a parte central e de sul da Estónia é caracterizada por serras, vales e lagos, devido às actividades de acumulação por acção do gelo. O país tem cinco parques naturais, quatro nacionais e mais 218 com diferentes tipos de protecção. A sua primeira área protegida foi criada em 1910.</P>
<P>
Finlândia</P>
<P>
Com parte da zona de coníferas do grande Norte, a paisagem é caracterizada por uma abundância de lagos, florestas e turfeiras. Tem mais de 100 mil lagos, que são geralmente oligotróficos e pouco profundos. As florestas, sobretudo de pinheiros, cobrem 65 por cento do território. A fauna e a flora contêm diversas espécies características da taiga oriental. As actividades humanas, sobretudo a silvicultura, ameaçam a protecção das espécies, pelo que a Finlândia está a apostar em programas de protecção e numa estratégia nacional para a exploração sustentada das suas florestas.</P>
<P>
França</P>
<P>
A posição geográfica deste país, entre as regiões atlântica, continental, alpina e mediterrânica, favorece a diversidade biológica. Tem 40 por cento das espécies de flora da Europa e, conforme os grupos, 30 a 70 por cento das espécies animais. Foi um dos primeiros países a ter Ministério do Ambiente, em 1971. O Acto de 1976 reconheceu a importância dos habitats, da preservação das espécies e da manutenção do equilíbrio ecológico.</P>
<P>
Grã-Bretanha</P>
<P>
É um dos países com mais diversidade na Europa, em parte devido ao seu tamanho. O mosaico de habitats, fruto das estruturas geológicas e de paisagens muito variadas, foi moldado durante séculos pela actividade humana. Era o país que mais charnecas tinha na Europa, mas já pouco resta. Nas terras mais altas, impera a urze, as florestas de coníferas e pastagens de altitude, que, entrecortadas pelas rochas, albergam a águia e plantas típicas dos Alpes. As maiores turfeiras da Europa subsistem no húmido Norte, abrigando inúmeros plantas, aves e insectos. As suas costas desempenham um importante papel na migração de aves.</P>
<P>
Grécia</P>
<P>
Um cenário fantástico, paisagens magníficas, águas límpidas e 4500 ilhas caracterizam este país que alberga seis mil espécies de flora e ecossistemas muito frágeis. Os seus estuários, lagos e lagoas são muito importantes para as aves migratórias. Nas florestas de Dadia-Soubli e no grande delta de Evros encontra-se uma colecção única de aves de rapina: 28 das 38 espécies de águias europeias estão aqui representadas.</P>
<P>
Holanda</P>
<P>
A maior parte deste país, situado nos estuários do Reno, Mosa e Escalda, é plano e húmido, com excepção para as colinas de Limburgo, no Sul. Apesar dos esforços, a Natureza continua em declínio, assim como a paisagem continua a degenerar. A lei de 1990 tenta recuperar a Natureza, através de um desenvolvimento sustentável. A rede de áreas que serão abrangidas por este programa de conservação, que engloba áreas restritas, parques naturais e corredores ecológicos, terá, quando completa, cerca de 700 mil hectares.</P>
<P>
Hungria</P>
<P>
O país é dividido em dois pelo Danúbio, sendo a parte ocidental caracterizada por serras e lagos. A parte oriental, chamada Grande Planície, é uma região plana, de estepe -- «puszta» -- e campos de agricultura atravessados pelo rio Tisza. A Hungria acolhe mais de duas mil espécies de flores e 450 espécies de vertebrados, três quartos dos quais são aves.</P>
<P>
Irlanda</P>
<P>
Tem uma história natural rica e diversificada, com montanhas, planícies de altitude, rios, lagos, sistemas costeiros, bosques, turfeiras, etc. Burren, no condado de Clare, é uma zona encastrada no calcário carbonífero que oferece um habitat a plantas que geralmente aparecem na zona mediterrânica. As turfeiras cobrem 17 por cento do território. A população de renas vermelhas no parque nacional de Killarney é das maiores do mundo.</P>
<P>
Islândia</P>
<P>
A ilha, localizada perto do Círculo Polar Ártico, está situada na junção das placas tectónicas americana e europeia e é atravessada por uma zona vulcânica activa. Apesar de ainda muito preservadas, sobretudo nas zonas de planalto, a flora e a fauna da ilha não são tão variadas como em países na mesma latitude. Tem apenas 485 espécies vegetais nativas e somente um por cento do país tem florestas. Existem 72 espécies de aves nidificantes e ali crescem algumas espécies norte-americanas.</P>
<P>
Itália</P>
<P>
Desde a região alpina até às ilhas da Sardenha e da Sicília, a Itália tem uma ampla variedade de climas, vegetação e fauna. A Sicília, sobretudo, é um importante microcosmos devido à sua vegetação subtropical na costa da Catânia, que depois se transforma em bosque até atingir a encosta do monte Etna, onde se passa a observar o vidoeiro, uma árvore de que só a quatro mil quilómetros de distância, na Lapónia, aparecem os exemplares mais próximos. Existem, em Itália, 6190 espécies de flora, das quais 1868 estão ameaçadas, e 50 mil espécies de animais, com 3357 em risco de extinção.</P>
<P>
Letónia</P>
<P>
Dos 500 quilómetros de costa, em que a maior parte são praias, 300 quase não são habitados. As pradarias e os canaviais ao longo do litoral, sobretudo nas bocas dos rios, são excelentes habitats para muitos espécies ameaçadas de avifauna, para anfíbios e invertebrados, além de diversas espécies de flora. Num futuro próximo, a costa pode estar seriamente em perigo, devido à intensificação da procura turística, da industrialização e poluição marítima e da eutrofização.</P>
<P>
Liechtenstein</P>
<P>
Apesar de pequeno, o país, que se estende do vale do Reno aos Alpes tem uma grande variedade natural. A planície do Reno, onde proliferam as actividades humanas, ocupa um quarto do território. Tem 1600 plantas vasculares e 145 espécies de aves nidificantes. Nos Alpes, há muitas espécies ameaçadas pela agricultura intensiva, a construção e o aumento da procura turística.</P>
<P>
Lituânia</P>
<P>
A cegonha negra, que antigamente povoava os céus da Lituânia, está hoje em vias de extinção devido à destruição dos seus habitats. O livro vermelho das espécies ameaçadas deste país inclui mais de 500 animais, plantas, fungos e líquenes, razão por que aqui foram criadas quatro reservas integrais, cinco parques nacionais, 30 regionais e 290 reservas específicas, num total de 700 mil hectares, o que representa 11 por cento do território.</P>
<P>
Luxemburgo</P>
<P>
Duas paisagens clássicas da Europa Central e Ocidental unem-se neste grão-ducado: o Oesling, no Norte, que faz parte do maciço de xisto Reno-Ardenas-Eifel, e o Gutland. A agricultura é muito intensiva, o que resulta numa uniformização das paisagens e das zonas húmidas. As florestas cobrem um terço do país.</P>
<P>
Macedónia</P>
<P>
Este país mediterrânico tem cerca de três mil espécies vegetais e seis mil espécies animais, das quais 108 plantas e 247 animais estão protegidos. Os três lagos ali existentes são dos espaços naturais mais preciosos neste país. O de Ohrid tem sido objecto de estudos por parte de mais de 600 cientistas. O Governo está a construir processos de purificação e de tratamento de esgotos nos três lagos, mas problemas financeiros têm atrasado o projecto.</P>
<P>
Malta</P>
<P>
As ilhas, constituídas por rochas sedimentares marítimas de diferentes tipos, têm uma topografia característica devido à erosão que sofreram. As falésias espectaculares, os vales estreitos, as colinas em socalcos, as praias e os braços de mar contribuem para uma paisagem fantástica. Devido à sua diversidade, as ilhas são conhecidas pelos seus contrastes. Além da flora e fauna marinha que as rodeia, os biótopos ali existentes são ricos e variados.</P>
<P>
Moldova</P>
<P>
Ligado ao baixo Danúbio e com a proximidade do mar Negro, este país caracteriza-se pela fertilidade das suas planícies, pouco sujeitas à erosão. As suas zonas naturais dividem-se em floresta, floresta-estepe e estepe. Tem cinco reservas naturais e 385 áreas protegidas, o que significa que 110 espécies animais e 131 vegetais estão sob protecção.</P>
<P>
Mónaco</P>
<P>
Esta pequena faixa costeira de 3,5 quilómetros está completamente rodeada de montanhas de onde correm cursos de água em torrente. Muitas das espécies indígenas estão protegidas, como a azinheira ou a oliveira. O Jardim Exótico do Mónaco, não só tem um grande valor educacional e científico como desempenha um papel fundamental na conservação, aclimatação e reprodução de espécies de flora ameaçadas. No museu oceanográfico, existe uma exposição variada sobre a biodiversidade dos oceanos. O principado tem ainda protegidas as reservas marinhas de Larvotto e dos Corais Vermelhos.</P>
<P>
Noruega</P>
<P>
Embora não tenha um número muito grande de espécies, o país apresenta alguma variedade de ecossistemas e habitats, desde as florestas do Sul até aos ambientes árcticos do Svalbard. Por causa do seu relevo montanhoso e com fiordes, as planícies são os locais escolhidos pelo homem, e portanto, mais ameaçados. Os cursos de água têm mais biodiversidade do que em muitos outros países europeus. Tem 455 mil lagos, 42 rios e 20 quedas de água. Desde os anos 70 que existe um protecção sistemática que cobre 6,38 por cento do território. Espera-se que, até ao ano 2010, atinja os 13 por cento.</P>
<P>
Polónia</P>
<P>
Os ecossistemas naturais estão aqui quase intactos. O relevo é muito variado devido aos avanços e recuos dos gelos continentais da Escandinávia. As florestas são de coníferas e a mais conhecida é a de Bialowieza, o maior habitat do bisonte na Europa, que ainda alberga o lobo e o lince. De grande interesse é também o Parque Nacional de Biebrzansky, nas zonas húmidas do Nordeste, e o de Slowinsky, nas dunas do Báltico. O rio Vístula tem uma grande importância para a avifauna. As áreas protegidas cobrem 23 por cento do território.</P>
<P>
Portugal</P>
<P>
O Tejo, o maior rio ibérico, é o grande símbolo natural de Portugal e, sobretudo o seu estuário, onde desaguam todos os nutrientes e microrganismos que o rio transporta, assume notável importância. Constitui uma das dez maiores zonas húmidas da Europa para aves aquáticas e foi classificado como reserva em 1976. A foca-monge, um dos vertebrados mais ameaçados em Portugal, está a ser protegida e recuperada nas ilhas Desertas, arquipélago da Madeira. A rede de áreas protegidas cobre cerca de seis por cento do território.</P>
<P>
República Checa</P>
<P>
A diversidade do substrato geológico e das paisagens e relevos asseguram a este país uma grande diversidade biológica. Nele se encontra quase todos os ecossistemas e habitats existentes na Europa Central, à excepção dos costeiros e dos de grande altitude. Existem três parques nacionais (Sumava, Krkonose, Dyje) e 23 paisagens protegidas. Os maiores problemas são sobretudo a poluição atmosférica, a exploração económica e o turismo.</P>
<P>
Roménia</P>
<P>
O Danúbio, o maior rio da Europa depois do Volga, tem o seu delta neste país. O território banhado pelos seus três braços, que desaguam no mar Negro, e as lagoas formadas pelo lago Razelm e Sinoe constituem uma reserva de biosfera única no mundo. Ali vivem 300 espécies de aves (por exemplo, pelicanos, cisnes e garças), muitas delas raras. O «Lotus de Petea», a relíquia da flora romena, herança do terciário, só se encontra também nos trópicos. Nas mais de 12 mil grutas da Roménia encontra-se inúmeros vestígios pré-históricos e espécies faunísticas raras. Na gruta de Movile, recentemente descoberta, existem 24 espécies ainda desconhecidas que vivem na água termal sulfurosa.</P>
<P>
Rússia</P>
<P>
Do Báltico ao Pacífico, do oceano Ártico à China, este país tem seis climas diferentes, com toda a biodiversidade que isso pressupõe. Ainda existem tigres, bisontes, ursos polares e cobras, só para referir alguns. Toda esta Natureza, que foi muito sacrificada à industrialização, tem de ser protegida. Com problemas ambientais gravíssimos, a Rússia está agora a tentar inverter o processo.</P>
<P>
San Marino</P>
<P>
Esta é a república mais pequena e mais antiga do mundo. Montanhosa, a região é atravessada por três cursos de água. O monte Titano eleva-se a 739 metros de altitude, a 15 quilómetros do Adriático. Aqui se encontra a raríssima «Ephedra», uma planta que só esporadicamente aparece no Mediterrâneo, e várias espécies de orquídeas. O sapo de barriga amarela, o tentilhão, a ave trepadeira e o ouriço são algumas das espécies que aqui se vê.</P>
<P>
Suécia</P>
<P>
O homem tem utilizado e moldado a paisagem sueca desde há centenas de anos. Os diferentes tipos de cultura, além de embelezarem a paisagem, constituem diversos habitats para inúmeras espécies. Muitas plantas e animais dependem destes prados e campos de feno. É importante, por isso, manter a agricultura tradicional, pois dela dependem importantes valores culturais e naturais.</P>
<P>
Suíça</P>
<P>
Dada a particularidade de o país contar com três regiões naturais diferentes (Jura, Planalto e Alpes), colonizadas por povos diversos, o Governo suíço já classificou mais de 100 paisagens únicas, ou típicas, conforme a região. Pelas mesmas razões, existem variados biótopos, com destaque para os Alpes e o lago Locarno, entre muitos outros.</P>
<P>
Turquia</P>
<P>
A Turquia é uma ponte natural entre a Ásia, a Europa e a África e também entre os mares Negro e Mediterrâneo. Conta com 90 zonas húmidas de importância internacional. Mais de 400 espécies de aves (sobretudo migratórias, pois por ali passam duas grandes rotas de migração intercontinentais), nove mil espécies de plantas, três mil das quais são endémicas, são razões suficientes para que existam 23 parques nacionais, 23 naturais, 12 com estatuto de protecção especial e mais de 100 reservas de vida selvagem. Mas a caça continua a ser um perigo.</P>
<P>
Ucrânia</P>
<P>
Este país está ainda a sofrer as consequências da utilização de tecnologia obsoleta que causou muita destruição. A vegetação natural diminuiu 70 a 80 por cento. Mais de 12 por cento da espécies estão ameaçadas. Na parte norte do país, existem ainda muitas florestas, que se transformam em estepes nos planaltos da Crimeia. A sua beleza natural reside sobretudo nos seus rios, como o Dniepre, o Ros, o Tiasmin, o Iatran e o Tikich.</P>
<P>
Fonte: Direcção de Ambiente e Poder Local, Secretariado do AECN/95 -- Conselho da Europa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-42664"> 
<P>Superflex lança cerveja "pública"</P>
 <P>29 de Novembro de 2007</P>
 <P>Matéria publicada originalmente na Folha online</P>
 <P>FABIO CYPRIANO</P>
 DA <P>REPORTAGEM LOCAL</P>
 <P>Uma nova marca de cerveja é lançada, hoje, na galeria Vermelho: a Free Beer. Entretanto, ao contrário das marcas tradicionais, que tratam como segredo de Estado a receita de suas bebidas, no próprio rótulo da Free Beer está estampada sua receita.</P>
 <P>A Free Beer é a nova ação do coletivo dinamarquês Superflex, composto por Bjornstjerne Reuter Christiansen, Jakob Fenger e Rasmus Nielsen. No ano passado, o grupo trouxe polêmica à 27ª Bienal de São Paulo com o Guaraná Power, censurado pela presidência da instituição, que afirmou que não se tratava de uma obra de arte. Apesar do veto, o Guaraná Power, feito em colaboração com a Cooperativa de Agricultores da Região de Maués, na Amazônia, chegou a ser distribuído em museus e na própria Vermelho, durante a Bienal.</P>
 <P>"Agora estamos propondo uma marca aberta e, nesse sentido, sugerimos um novo modelo econômico, que permite a qualquer um produzir e distribuir cerveja, a partir de uma receita que é pública, além de criar consumidores não obedientes, como gosta o mercado", conta Fenger.</P>
 <P>"Free software"</P>
 <P>A Free Beer surgiu em 2004, numa parceria com estudantes da Universidade de Copenhague. "Buscamos transferir os princípios do software livre para algo físico, e a cerveja se tornou um bom exemplo", conta Nielsen. "Por isso, a Free Beer tem sido comparada ao Linux [sistema operacional gratuito] e à Wikipedia", diz o artista.</P>
 <P>Quem quiser produzir e comercializar a Free Beer pode baixar do site www.freebeer.org a logomarca da cerveja, de forma gratuita. "Já há Free Beer sendo produzida na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Dinamarca e até na República Tcheca", afirma Fenger.</P>
 <P>No Brasil, a Free Beer está sendo produzida pela Cervejaria Germânia, que irá comercializar a bebida durante a exposição a partir da versão 3.4, desenvolvida pela empresa.</P>
 <P>"A única coisa que pedimos é que cada nova versão seja também tornada pública no site do Creative Commons", diz Christiansen.</P>
 <P>Na Vermelho, o Superflex apresenta o "Free Beer Kit", uma mesa com todos os ingredientes e instrumentos necessários para a produção da cerveja, o que será utilizado, aliás, no workshop "O Mundo da Cerveja", com os especialistas Cilene Saorin e Arnaldo Ribeiro, no próximo dia 15 de dezembro, às 14 h.</P>
 <P>O grupo exibe também nove máquinas "Counter-Game Strategies" (estratégias de contra-jogos), típicos brinquedos de quermesse, como jogo de argolas ou rodas giratórias, que, contudo, abordam de forma irônica o universo dos direitos autorais e da pirataria.</P>
 <P>"Mark Getty afirma que "a propriedade intelectual é o petróleo do século 21'", conta Christiansen, "portanto, estamos tratando de um tema muito sério. Afinal, quantas guerras não foram realizadas por conta do petróleo?".</P>
 <P>No próximo sábado, às 16h, Ronaldo Lemos, diretor do Creative Commons no Brasil, irá participar de um debate com os membros do Superflex, na Vermelho, e logo após será realizada uma gincana intitulada "Free Beer Pub Quiz", na qual participantes receberão prêmios ao responderem questões sobre propriedade intelectual e direitos autorais.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-32707">
<P>
BIA ABRAMO </P>
<P>
Da Reportagem Local </P>
<P>
Filme: O Último Trem Para Veneza</P>
<P>
Direção: Carlo U. Quinterio</P>
<P>
Produção: Alemanha, 93</P>
<P>
Elenco: Hugh Grant, Tahnee Welch, Malcolm McDowell</P>
<P>
Estréia: Liberty, Olido e Paulistano</P>
<P>
O incidente patético e pequeno-burguês que Hugh Grant protagonizou nas últimas semanas _flagrante de comportamento obsceno, prisão e arrependimento_ inspiraria um roteiro muito mais animado do que o de "O Último Trem Para Veneza".</P>
<P>
No filme, Grant interpreta (ou tenta, melhor dizendo) o jornalista Martin Gamble, que aparentemente prepara um trabalho sobre skinheads. Ele marca uma entrevista com um neonazista em Veneza.</P>
<P>
Vai de trem, daí o título, que, por acaso, é nada menos que o Orient Express, o lendário trem de luxo que fazia o percurso Londres-Istambul. Entre os passageiros que vão para Veneza assistir ao Carnaval, estão a bela atriz Vera (Tahnee Welch, filha de Rachel e tão linda quanto a mãe) e um estranho sem nome (Malcolm McDowell), além de um grupo de skins clandestinos.</P>
<P>
O que se segue é um imbróglio de pretensões "artísticas". A trama, fraquinha e confusa, é adornada por imagens encharcadas de símbolos rasteiros, para não dizer kitsch. O diretor emula o Fellini de "Satyricon", mas acaba por revelar um QI mais baixo do que o de Forrest Gump e sob efeito de um LSD vencido.</P>
<P>
McDowell, uma espécie de Fausto de quinta categoria, mantém relações enevoadas e suspeitas com boa parte dos passageiros do trem. A atriz, por um, assim, acaso, vai interpretar Julieta.</P>
<P>
O personagem de Grant parece o inglês de anedota: polido e insosso a não mais poder, ele passa o filme feito uma barata tonta, sem decidir se vai conquistar a atriz ou se vai descobrir o que os skins estão fazendo no trem.</P>
<P>
O lançamento do filme pretende aproveitar o interesse em torno de Grant causado pelo escândalo com a prostituta Divine Brown. Melhor ficar com os shows de constrangimento que Grant tem dado nos talk shows norte-americanos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-93257"> 
<P> Aristides de Sousa Mendes </P>
 <P> A Segunda Guerra Mundial </P>
 <P> Aristides de Sousa Mendes permanece ainda
cônsul de Bordéus quando tem início a Segunda Guerra Mundial, e as tropas de Adolf Hitler avançam rapidamente sobre a França. Salazar manteve a neutralidade de Portugal. </P>
 <P> Pela Circular 14, Salazar ordena aos cônsules portugueses espalhados pelo mundo que recusem conferir vistos às seguintes categorias de pessoas: "estrangeiros de nacionalidade indefinida, contestada ou em litígio; os apátridas; os judeus, quer tenham sido expulsos do seu país de origem ou do país de onde são cidadãos". </P>
 <P> Entretanto, em 1940, o governo francês refugiou-se temporariamente na cidade, fugindo de Paris antes da chegada das tropas alemãs. Dezenas de milhar de refugiados que fogem do avanço Nazi dirigiram-se a Bordéus. Muitos deles afluem ao consulado português desejando obter um visto de entrada para Portugal ou para os Estados Unidos, onde Sousa Mendes, o cônsul, caso seguisse as instruções do seu governo distribuiria vistos com parcimónia. </P>
 <P> Já no final de 1939, Sousa Mendes tinha desobedecido às instruções do seu governo e emitido alguns vistos. Entre as pessoas que ele tinha então decidido ajudar encontra-se o
Rabino de Antuérpia Jacob Kruger, que lhe faz compreender que há que salvar os refugiados judeus. </P>
 <P> A 16 de Junho de 1940, Aristides decide entregar um visto a todos os refugiados que o pedirem: "A partir de agora, darei vistos a toda a gente, já não há nacionalidades, raça ou religião". Com a ajuda dos seus filhos e sobrinhos e do rabino Kruger, ele carimba passaportes, assina vistos, usando todas as folhas de papel disponíveis. </P>
 <P> Confrontado com os primeiros avisos de Lisboa, ele terá dito: "Se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus ". </P>
 <P> Uma vez que Salazar tomara medidas contra o cônsul, Aristides continuou a sua actividade de 20 a 23 de Junho em Baiona (França), no escritório de um vice-cônsul estupefacto, e mesmo na presença de dois outros funcionários de Salazar. A 22 de Junho de 1940, a França pediu um armistício à Alemanha Nazi. Mesmo a caminho de Hendaye, Aristides continua a emitir vistos para os refugiados que cruzam com ele a caminho da fronteira, uma vez que a 23 de Junho, Salazar demitira-o de suas funções de cônsul. </P>
 <P> Apesar de terem sido enviados funcionários para trazer Aristides, este lidera com a sua viatura uma coluna de veículos de refugiados e guia-os em direcção à fronteira, onde do lado espanhol não existe qualquer telefone. Por isso mesmo, os guardas fronteiriços não tinham sido ainda avisados da decisão de Madrid de fechar as fronteiras com a França. Sousa Mendes impressiona os guardas aduaneiros, que acabariam por deixar passar todos os refugiados, que com os seus vistos puderam continuar viagem até Portugal. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="aa66435"> 
<P> A desforra de Granada </P>
 <P> Granada não enfrentou os Reis Católicos por razões de fé ou de religião. Pelo contrário, na corte de Boabdil conviviam muçulmanos, cristãos e judeus, e dessa convivência se fez a que era então, talvez, a mais brilhante civilização do seu tempo, no domínio da arquitectura, da física, da medicina, da matemática, da astrologia. Mas Granada foi sitiada e conquistada por isso mesmo e também pelo território e pela beleza demasiadamente humana do Alhambra. Quando Granada caiu e a reconquista cristã se impôs então a toda a Península, os dois reinos católicos, Portugal e Espanha, partiram à conquista do mundo e tornaram-se Impérios marítimos; do Novo Mundo e África ao extremo da Ásia. Inversamente, quando os vencidos de Granada se retiraram para lá do Estreito, de onde tinham vindo séculos antes, nunca mais a civilização árabe e muçulmana recuperou sombra sequer do seu antigo esplendor e liderança. Por isso é que o ano de 1492 (também o da descoberta da América, por Colombo) é um marco da história universal e um símbolo de derrota e descalabro que nunca mais foi esquecido e ultrapassado pelos crentes muçulmanos. </P>
 <P> Por mais inverosímil que nos possa parecer, mais de cinco séculos passados e quase quarenta anos depois do homem ter ido à lua, estamos perante uma nova guerra religiosa global, que é também uma guerra de civilizações. Quem disser que ela não existe, ou é ignorante ou diplomata --- em qualquer dos casos, perigoso para os tempos que correm. Estamos perante uma espécie de Cruzadas ao contrário, que o Islão lançou contra os «não crentes» --- sejam judeus, cristãos ou ateus. As Twin Towers, o metro de Londres, a estação de Atocha em Madrid ou a histeria lançada contra os cartonistas dinamarqueses e contra a Dinamarca, são formas modernas de cruzadas travadas em nome de Alá (o Misericordioso...) contra os valores em que nós, no Ocidente, acreditamos. Cinco séculos passados, o Islão tira a sua desforra de Granada, através das suas duas únicas e demolidoras armas: o petróleo e o terror. </P>
 <P> Sim, eu sei: não é --- julga-se --- todo o Islão. Mas é o que conta, o que lidera os crentes, o que se escuta na rua e nos jornais, o que doutrina os terroristas, o que prepara a arma nuclear. Em todo o mundo muçulmano houve apenas um jornal, na Jordânia, que ousou escrever que pior que as caricaturas «blasfemas» para o Islão eram os terroristas blasfemos. Mas no dia seguinte o jornal pediu desculpas pelo que escrevera e o director foi despedido. É verdade também que a rua é incendiada a mando da Síria, do Irão ou da Al-Qaeda, e que há sempre uns palestinianos desocupados para dispararem rajadas de metralhadora para o ar com cara feroz e multidões em estado de histeria induzida, para queimar Embaixadas e bandeiras e ameaçar de morte todos os ocidentais a vista. É possível até que o grosso dos muçulmanos não pense assim, que não acredite numa leitura literal e medieval do Corão e que não se reveja na intolerância nem no terror em nome de Deus que o clero radical ensina nas escolas corânicas e prega nas mesquitas. Mas, se assim é, não os escutamos porque eles têm medo: o terror começa dentro dos seus próprios países e sociedades. </P>
 <P>O medo é a outra face de uma moeda chamada liberdade. Onde não há liberdade, há medo; onde há medo, não há liberdade.</P>
 <P> É justamente isso que hoje nos distingue do Islão: nós temos a liberdade, eles têm o medo como sistema endémico de vida e como arma de arremesso contra «os infiéis». </P>
 <P>[...]</P>
 <P> E é pelo medo, também, que eles esperam ganhar esta batalha contra o Ocidente, destruindo o nosso amor à liberdade. Esperam que, aos poucos, sejamos obrigados a chegar ao ponto crucial em que a escolha terá de ser entre a vida ou o nosso modo de vida --- a liberdade, a democracia, a tolerância. Sem que isso possa representar qualquer desculpa para os autores materiais, as escutas telefónicas indiscriminadas, as prisões preventivas sem advogado, os interrogatórios secretos em prisões clandestinas, as leis de excepção, a tortura e Guantanamo, tudo isso, tem a autoria moral dos radicais islâmicos e obedece a um plano concertado de implosão das democracias. </P>
 <P> É preciso ser muito forte, e preciso perceber, como em 1939, que a liberdade é o mais absoluto dos nossos bens e o maior valor da nossa cultura e modo de vida, para ser capaz de lhes resistir. Mas é essencial resistir, porque a alternativa é o regresso à Idade Media e a barbárie. É por isso que o gesto dos Comuns, rejeitando a legislação de segurança interna proposta por Tony Blair, porque ela violava direitos e princípios em que se funda a democracia inglesa, é, apesar das consequências daí resultantes, o sinal de uma grande nação que não se rende nem ajoelha. </P>
 <P> Infelizmente, não foi o nosso caso. Pela mão do ministro Freitas do Amaral, e sem necessidade alguma, Portugal foi enxovalhado, coberto de vergonha e de cobardia, por um dos mais tristes textos políticos que já alguém escreveu. Devo dizer que não me espanta por ai além: a nossa «diplomacia» não tem feito mais nada nos últimos 25 anos que não rastejar perante os poderosos, em cada cena e em cada tempo: Angola, Indonésia (com a notável excepção de Guterres e Sampaio), Estados Unidos e, agora, perante os países islâmicos. [...] </P>
 <P> Miguel Sousa Tavares -
Jornal "Expresso" - 11.02.2006 </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-55538">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A chegada de escritores e cineastas asiáticos e hispânicos ao topo da indústria cultural é um dos sintomas do aumento da população de imigrantes recentes nos EUA. Cada vez mais, essa população produz e encontra canais para difusão de seus trabalhos e público disposto a consumi-los.</P>
<P>
Segundo Nellie Wong, professora de estudos asiático-americanos na Universidade da Califórnia em Berkeley, uma das universidades pioneiras em estudos étnicos, o boom da produção cultural de imigrantes nos EUA começou a se configurar no final dos anos 60. Um fator importante para isso foi a mudança das leis de imigração e a facilitação da entrada de imigrantes nos EUA nos anos 60. Desde então, a população asiático-americana (que inclui principalmente japoneses, chineses, coreanos e filipinos) tem dobrado a cada dez anos.</P>
<P>
Segundo Nellie Wong, "a formação de uma identidade entre os asiáticos e entre outras comunidades imigrantes nos EUA teve como modelo os movimentos negros dos anos 60". Para Shelley Wong, professora de literatura asiático-americana na Universidade de Cornell, na costa leste dos EUA, esses movimentos criaram uma polarização da sociedade norte-americana entre negros e brancos e começou a se pensar num modelo de minoria que, para os brancos, não era exatamente o modelo negro. Foi quando se prestou mais atenção aos asiáticos, que formavam um grupo em ascensão social e econômica.</P>
<P>
Nellie Wong considera que fenômenos como Amy Tan e Maxine Hong Kinston –outra escritora asiático-americana radicada na Califórnia– dão uma idéia distorcida do que sejam os asiáticos-americanos nos EUA hoje. "Há a tendência de pensá-las como representativas de todo o resto, ou de que são as melhores, o que não é verdade."</P>
<P>
Segundo Nellie, há uma imensa produção de asiáticos-americanos marginal à indústria cultural e com fortes características de militância étnica. Wong não poupa críticas à produção literária que chegou ao "mainstream". "Os livros de Amy Tan agradam especialmente aos brancos, interessados na China como algo exótico. Eles reforçam os estereótipos de atraso e irracionalidade associados à cultura oriental."</P>
<P>
Shelley Wong acha que o sucesso de Amy Tan, por exemplo, está relacionado a questões de gênero tanto quanto a questões étnicas. "Hoje há um mercado imenso e muito receptivo a histórias sobre mulheres e sobre relações entre mães e filhas. Isso não só entre asiático-americanos, mas em todos os grupos."</P>
<P>
Além da militância étnica ou feminista, Shelley destaca um autor de origem chinesa, David Wang Louie, que em 1991 publicou um volume de contos, "Pangs of Love", que ela aponta como sintoma de uma mudança do mercado em direção a questões mais universais. "Muitos dos personagens de suas histórias não são ostensivamente asiático-americanos. O livro foi recebido com um certo alívio, porque finalmente alguém publicou algumas coisa que não tratava da opressão sofrida pelos imigrantes asiático-americanos", diz Shelley. (HG)</P>
<P>
LEIA MAIS</P>
<P>
sobre o boom de artistas imigrantes nos EUA à pág. 5-3.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-48376">
<P>
«Onde poderá apreciar um menu digno de príncipes»</P>
<P>
Filipe Nunes Garrido</P>
<P>
Empresário</P>
<P>
No campo, na praia e na cidade, quais são, na sua opinião, os melhores restaurantes portugueses? E porquê?</P>
<P>
Ao referir o nome de alguns restaurantes, seguramente cometerei a injustiça de não mencionar tantos outros tão dignos como estes, alguns por desconhecimento, outros por já os ter visto aqui comentados, a grande maioria por falta de espaço em questionário (de férias) descontraído e despretensioso. As minhas desculpas.</P>
<P>
Na cidade: Restaurante Muni, em Lisboa -- onde se podem encontrar reminiscênias da excelente e saudosa restauração da Baixa lisboeta de há trinta anos. Santuário onde a chamada «comida de plástico» é considerada sacrilégio. Da meia-desfeita aos escalopes de vitela panados, tudo feito na altura, e bem. Se conselhos forem necessários, lá estará o sr. Aurélio Vidal para ajudar.</P>
<P>
Restaurante Quinta dos Frades, em Lisboa -- amplo e requintado --, onde a experiência gastronómica nunca se esgota. Garrafeira vasta e bem escolhida. A carne ou o peixe na grelha, sempre no ponto certo (parece fácil, mas não é). Vai ver que gosta. Suficientemente ecléctico para refeição de negócios ou jantar de aniversário. Magnífico serviço sob o comando do simpático anfitrião, sr. António Marques.</P>
<P>
Restaurante O Aleixo, no Porto. Mencionar O Aleixo como um dos melhores restaurantes do Porto não é novidade para ninguém. Embora corra o risco de repetir opinião anterior, não posso passar em branco tal facto. O meu amigo Ramiro bem o merece. Os filetes de polvo, a vitela assada e aquele creme queimado que, em final de repasto, nos adoça a boca, a tanto me obrigam.</P>
<P>
No campo: Restaurante Choupal dos Melros, em Gondomar -- bem pertinho do Porto --, onde a comida nortenha se impõe ao mais exigente paladar. Casa rural de antiga quinta, ambiente calmo, propício aos deleites da boa mesa. Para o conhecer, devidamente, vai ter que lá ir mais do que uma vez!</P>
<P>
Quinta das Torres, em Azeitão -- estalagem em casa de família, várias vezes centenária. Esmerada confecção dos mais diversos pratos (a não esquecer um magnífico bacalhau dourado), em ambiente agradavelmente bucólico. Escondida de olhares indiscretos, recatada como dama antiga, oferece iguarias que se perdem no tempo.</P>
<P>
Na praia: Restaurante Mar à Vista, na Ericeira -- se quer saber o que é bom marisco, não falte. Como um espaço tão pequeno, pode ser tão grande em qualidade. Telefone para o senhor Joaquim a marcar hora, pois a casa está sempre cheia. Mas vale o sacrifício de uma pequena espera.</P>
<P>
Qual é o seu prato favorito?</P>
<P>
Tantas e tão fabulosas iguarias compõem a riquíssima gastronomia portuguesa... Para hoje, talvez uma boa posta mirandesa.</P>
<P>
Sugira-nos uma viagem de férias ao estrangeiro. Não esquecendo as referências gastronómicas locais...</P>
<P>
Que tal dez dias no Norte de Itália? Percurso de Milão a Veneza. Em Milão, após calcorrear as principais avenidas, divagando pelas suas sumptuosas lojas, quando as pernas lhe doerem e o estômago protestar, não pense duas vezes: restaurante Vecchio Canneto, na Via Solferino. Mal nos sentamos à mesa, temos a primeira surpresa: não há menu. Após o ritual da imposição dos «aventais gastronómicos» -- que nos tornam de imediato «membros» desta confraria --, chega uma magnífica sopa de marisco. E a sopa não é senão o início. Os mais diversos pratos de peixe e marisco vão passando à nossa frente até dizermos basta! Tudo isto acompanhado de um muito apreciável vinho branco. Para terminar, nada como um requintado gelado de limão e um excepcional licor. A alegria e simpatia dos empregados de mesa, comparsas dos músicos que percorrem toda a sala, tornam ainda mais alegre e efervescente a atmosfera deste local.</P>
<P>
Depois de deixar Milão, dirija-se para Sirmione, junto do lago Di Garda, onde o Villa Cortine Pallace Hotel nos deslumbra pelo palácio onde se instala, pelos encantadores jardins e árvores seculares, pela incomparável vista sobre Sirmione e o lago Di Garda e, naturalmente, pela sua requintada sala de jantar, onde poderá apreciar um menu digno de príncipes.</P>
<P>
Prosseguindo viagem, que dizer de Verona? A arena romana e as suas sumptuosas óperas estivais, o balcão de Romeu e Julieta, toda a sua zona histórica medieval que nos transporta a épocas passadas...</P>
<P>
Não muito longe e já pertinho de Veneza, temos Pádua e a monumental basílica do «nosso» Santo António. Depois de retemperar o espírito na nave e claustros da basílica, sacie o apetite no restaurante Cavalca, onde confirmará que a comida italiana não é só esparguete ou pizza.</P>
<P>
Reserve, pelo menos, dois dias para terminar esta viagem em beleza. Veneza encanta. Deixe-se fascinar por tudo. Pelos canais, pelas gôndolas, pelos palácios, pelas ilhas que a rodeiam. Onde comer? Fuja dos restaurantes «para turistas». À beira dos canais não faltam pequenos restaurantes, onde pode apreciar, calmamente, as delícias da cozinha local.</P>
<P>
Boas férias!</P>
<P>
Qual é, para si, a bebida alcoólica que melhor combate o calor?</P>
<P>
O problema é que as bebidas alcoólicas que melhor combatem o calor a partir de certa altura aumentam-no. Mas voto num bom vinho verde branco, casta Alvarinho, bem frio.</P>
<P>
Imagine que era proprietário de um restaurante ou de um bar. Que nome lhe daria? E que especialidades teria para propor aos seus clientes?</P>
<P>
Restaurante Modéstia à Parte. Cozinha regional portuguesa. Carta organizada por regiões. Do Minho ao Algarve (sem esquecer as ilhas). Cada região com o seu prato mais característico.</P>
<P>
Quem são, habitualmente, os seus companheiros de mesa?</P>
<P>
A família. Alguns amigos mais íntimos, amigos da boa mesa.</P>
<P>
O que é que é capaz de lhe estragar uma refeição?</P>
<P>
Uma companhia indesejada.</P>
<P>
Uma derrota do Benfica.</P>
<P>
Uma companhia indesejada após uma derrota do Benfica.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-28858">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A polícia instaurou mais um inquérito contra Bruno César Pasini, 38. Pasini é suspeito de ter assassinado sua mulher Gisele Balesteiros Ribeiro Pasini em junho passado. Ele já é acusado de ser um falso médico endocrinologista e de traficar drogas. Entre os clientes de Pasini estava o governador Luiz Antônio Fleury Filho.</P>
<P>
Desta vez, Pasini é suspeito de estelionato, falsificação de documentos e uso de documentos falsos. Segundo o delegado Waldomiro Bueno Filho, 44, da Delegacia de Crimes Contra Fé Pública, ele pode ter aplicado um golpe para adquirir uma BMW 325i. O inquérito 181/93 foi aberto semana passada.</P>
<P>
O carro teria sido comprado em janeiro de 93.</P>
<P>
De acordo com o delegado, Pasini teria apresentado uma procuração com a assinatura falsificada. O carimbo do 1.º cartório de Notas de Santo André, também estaria falsificado.</P>
<P>
No começo de dezembro, a Justiça determinou que Pasini perdesse as mordomias que tinha no 91.º DP, delegacia reservada para presos que têm diploma universitário. Como Pasini não teria concluído o curso de medicina, ele foi transferido para o COC (Centro de Obeservação Criminológica). Ele ocupa uma cela individual em um pavilhão com traficantes, assassinos e ladrões. (Marcelo Godoy)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-97049">
<P>
Aliados de Oswaldo Cruz Júnior afirmam que seu opositor não vai assumir controle do sindicato dos condutores</P>
<P>
Da Folha ABCD e da Reportagem Local</P>
<P>
O enterro do presidente do Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABCD, Oswaldo Cruz Júnior, acirrou a disputa pelo controle da entidade. Sindicalistas ligados ao grupo de Cruz, os oswaldistas, afirmaram ontem que o secretário-geral, Cícero Bezerra da Silva, que liderava a oposição, não vai assumir a presidência do sindicato.</P>
<P>
Durante o enterro, os oswaldistas defenderam a posse do irmão de Cruz, Clodovil Aparecido de Carvalho, que é secretário de Relações Sindicais. Clodovil disse que vai assumir a presidência da entidade na segunda-feira. Ele usou o carro de som que carregava o corpo de Cruz para pedir apoio aos motoristas e cobradores que acompanhavam o enterro.</P>
<P>
"Precisamos de vocês para continuar administrando essa entidade", afirmou. Outros sindicalistas ligado a Cruz também pediram apoio contra o grupo liderado por Bezerra da Silva. Cruz foi enterrado na tarde de ontem, no cemitério da Colina, em São Bernardo. No final da cerimônia, começou o coro "Clodô, assume a luta", repetido várias vezes pelos oswaldistas.</P>
<P>
Cícero Bezerra da Silva disse ontem que assumirá a presidência do sindicato  na segunda-feira com o auxílio da Polícia Militar. A princípio, ele é o primeiro nome na linha sucessória do sindicato. Porém, há dois estatutos, aprovados em épocas diferentes, que estão sendo discutidos na Justiça. Um permitiria a posse de Bezerra da Silva e, outro, do irmão de Cruz. Clodovil pretende convocar uma assembléia para discutir o assunto.</P>
<P>
Denúncias</P>
<P>
Clodovil e outros irmãos de Cruz sustentam a tese de que o assassinato foi provocado pelas denúncias de utilização do sindicato para financiar campanhas eleitorais de candidatos do PT, PSDB e PTB. Entre as denúncias de Cruz, está o uso de um carro de som do sindicato pelo candidato do PT à Presidência da República nas eleições de 89, Luiz Inácio Lula da Silva.</P>
<P>
"Nós vamos dar continuidade a todas as denúncias que meu irmão disse que apresentaria", afirmou Clodovil. Segundo ele, os documentos que comprovam as acusações estão em lugar "seguro" e serão apresentados no momento oportuno. Os documentos, segundo ele, são recibos, notas fiscais, fitas de vídeo e fotos que comprovariam a utilização do sindicato em campannhas eleitorais.</P>
<P>
A tese dos irmãos de Cruz é defendida pelo presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros. "Foi queima de arquivo", disse durante o velório. Segundo ele, a CUT e o PT teriam interesse na morte do sindicalista.</P>
<P>
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, afirmou que Medeiros está explorando politicamente uma "tragédia". Em sua opinião, Medeiros é um dos "urubus" que estariam se aproveitando do episódio.</P>
<P>
O deputado estadual Arnaldo Chinaglia (PT-SP), que esteve no enterro, disse que "a responsabilidade pelo que acontece no sindicato é de toda a diretoria, inclusive de seu presidente". Clodovil concordou que "todas as deliberações eram tomadas em reunião de diretoria". Segundo ele, os recursos para campanha eram dados quando havia aprovação da maioria dos diretores. "As vezes, a colaboração era feita contra a vontade do presidente e, às vezes, com o seu aval", observou.</P>
<P>
Vicentinho disse que o PT e a CUT querem uma apuração rigorosa do crime. Medeiros estave no velório durante a manhã e dirigente cutista acompanhou o enterro. O presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), Canindé Pegado, esteve no velório durante a tarde.</P>
<P>
O enterro de Cruz foi acompanhado por uma carreata que congestionou as principais ruas dos centros de Santo André e São Bernardo. Acompanharam ainda o enterro o presidente do Sindicato dos Motoristas de São Paulo, Edvaldo Santiago, o tesoureiro da CUT nacional, Kjeld Jakobsen, o vereador Astrogildo de Souza (PMDB), de Santo André, e o ex-líder sindical e ex-vereador de Santo André, Miguel Rupp, que era amigo pessoal de Cruz.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="bob-37600"> 
<P> Educação Ambiental </P>
 <P> Este espaço se destina a divulgar os principais Programas, Projetos e Ações desenvolvidos pela Coordenação-Geral de Educação Ambiental que tem como eixos centrais: Fortalecimento da Política Nacional de Educação Ambiental - Lei 9795/99 ; Formação Continuada na Educação Básica ; Fomento a projetos de Educação Ambiental ; Educação Ambiental no Ensino Superior.Estas ações, em sua maior parte, estão em consonância com as ações procedidas no âmbito da Diretoria de Educação Ambiental - DEA, do Ministério do Meio Ambiente ; guardadas suas competências e atribuições específicas. </P>
 <P> Enraizamento da Educação Ambiental no Brasil </P>
 <P> Ações do Órgão Gestor desenvolvidas junto às Unidades da Federação, a fim de articular e fortalecer entidades, instituições e colegiados que trabalham com Educação Ambiental, incentivando a organicidade entre as ações, projetos e programas. </P>
 <P> Mapeamento da EA no Ensino Superior </P>
 <P> Contribuir para a ampliação do debate a respeito da Educação Ambiental (EA) em instituições de educação superior (IES) brasileiras, com vistas à reflexão sobre políticas públicas educacionais que considerem a dimensão ambiental na formação dos profissionais de nível superior das diferentes áreas do conhecimento. Ver síntese da pesquisa. </P>
 <P> O que fazem as escolas que dizem que fazem EA </P>
 <P> Quais são os caminhos utilizados pelas escolas em Educação Ambiental ? Para responder a essa pergunta, uma parceria entre a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade - SECAD/MEC, o INEP e a Associação Nacional de Pesquisa em Educação - ANPED possibilitou a elaboração de uma pesquisa para aprofundar os dados obtidos no Censo Escolar (2001-2004) e conhecer melhor como estas alternativas são processadas e significadas nos diferentes contextos escolares, possibilitando uma compreensão qualitativa dos caminhos de inserção da Educação Ambiental no ensino fundamental. </P>
 <P> Educação de Chico Mendes </P>
 <P>Programa de fomento a projetos de educação ambiental no ensino básico</P>
 <P> O Programa Educação de Chico Mendes surgiu para dar continuidade à construção permanente da educação ambiental e à promoção de um círculo virtuoso na busca do conhecimento, pesquisa e geração de saber e ações transformadoras a partir das escolas e das comunidades locais. [...] </P>
 <P> - Formação continuada de professores em Educação Ambiental </P>
 <P> A Resolução nº 13 do FNDE dá continuidade do Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas, estabelecendo normas para o apoio financeiro a projetos de formação de professores em Educação Ambiental. Tais projetos de formação envolverão professores do segundo ciclo do ensino fundamental (5a a 8a séries), de escolas públicas que participaram do processo da II Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente ; e à elaboração, aquisição, reimpressão ou reprodução do material didático empregado na formação. O objetivo desta ação, é estimular, em professores, alunos e gestores de educação, a leitura crítica da realidade a partir da diversidade e do meio ambiente e a participação no processo de construção de conhecimentos, pesquisa e intervenção cidadã com base em valores voltados à sustentabilidade da vida em suas múltiplas dimensões. Os projetos de formação devem aprimorar a qualidade da abordagem da educação ambiental que, segundo
Censo do INEP, encontra presente em 94,5% d </P>
 <P> as escolas do ensino fundamental do Brasil. </P>
 <P> Portfolio do Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental </P>
 <P> Reúne um resumo de todos os programas, projetos e ações do Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental. </P>
 <P> Programa Juventude e Meio Ambiente </P>
 <P> Este Programa se propõe a incentivar e a aprofundar o debate socioambiental com foco em políticas públicas, deflagrando um processo de formação de jovens e de fortalecimento dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente existentes em todo o país. A proposta dos Coletivos Jovens vem sendo construída e implementada desde 2003, a partir da realização da I Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente. (*acesse a proposta de identidade visual dos Coletivos Jovens para compreender melhor esses grupos*) </P>
 <P> O
Manual Orientador para Coletivos Jovens de Meio Ambiente é uma das publicações do Programa, e tem como objetivo contribuir para o fortalecimento dos Coletivos Jovens (CJs) já existentes e estimular a formação de novos Coletivos Jovens em municípios.A principal linha de ação do Programa é a formação de jovens na área socioambiental, em cinco temas principais: Educação Ambiental ; Fortalecimento Organizacional ; Educomunicação ; Empreendedorismo ; e Participação Política. Trata-se de um processo de formação presencial e a distância, e que envolverá jovens de todos os estados brasileiros. </P>
 <P>Orientações Curriculares</P>
 <P> Ensino Médio </P>
 <P> A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) foi convidada pelo
departamento de Ensino Médio da Secretaria de Educação Básica (SEB) a participar do processo de reelaboração dos
Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio, no intuito de produzir textos que contemplassem a perspectiva da diversidade.Nesse sentido, a SECAD fez uma oficina com a participação de suas coordenações-gerais onde foi trabalhada a questão da diversidade no currículo como forma de orientar as atividades pedagógicas, ou seja, definir qual a concepção de currículo e diversidade que se quer trabalhar, quais os objetivos e qual a melhor maneira de inserir as diferentes temáticas nas áreas e disciplinas do ensino médio. Cada coordenação produziu um texto procurando articular as várias temáticas, que resultará num Caderno de Diversidade para acompanhar os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio. </P>
 <P> Com-vida MEC </P>
 <P>
Programa Institucional de Gestão Ambiental do MEC que visa a melhor gestão dos recursos naturais e a diminuição dos impactos ambientais gerados pelas suas atividades. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-28532">
<P>
Ataques de tubarões levam à interdição de praias de Pernambuco e criam geração de surfistas 'sem-praia' </P>
<P>
FÁBIO GUIBU </P>
<P>
Da Agência Folha, em Recife </P>
<P>
A proibição do surfe em pontos do litoral de Pernambuco, por causa dos ataques de tubarões, deu origem no Estado a uma geração de surfistas "sem-praia".</P>
<P>
São adolescentes iniciantes e de baixo poder aquisitivo, que deixaram o esporte por falta de um lugar adequado.</P>
<P>
Sem experiência ou dinheiro, eles não podem se deslocar para praias mais distantes ou se aventurar nas grandes ondas de Maracaípe, no litoral sul.</P>
<P>
Ainda como consequência dos ataques, as etapas dos circuitos estadual e de clubes de surfe, que aconteceriam na praia de Boa Viagem, em Recife, foram transferidas.</P>
<P>
A escolinha que funcionava no mesmo local e ensinava o esporte para cerca de 20 crianças e adolescentes foi desativada.</P>
<P>
Um total de 11 surfistas foram atacados por tubarões no litoral de Pernambuco no período de janeiro de 94 a janeiro de 95.</P>
<P>
O maior número de ataques ocorreu no ano passado, quando foram registradas dez vítimas no Estado. Uma delas morreu.</P>
<P>
A proibição da prática do surfe, windsurfe, caiaque e bodyboard nas áreas de risco, porém, só foi decidida após novo ataque, já em 95. Surfistas e pesquisadores apoiaram a medida.</P>
<P>
Os irmãos Gustavo, 15, e Rodrigo Ribeiro, 13, tornaram-se surfistas "sem-praia" depois do fechamento da escolinha de surfe.</P>
<P>
"Temos três pranchas guardadas", diz Gustavo, que passou um ano praticando o esporte na praia de Boa Viagem.</P>
<P>
Segundo ele, seus amigos também foram obrigados a parar de pegar onda e muitos, como o próprio Gustavo, acabaram trocando o surfe pelo futebol.</P>
<P>
A situação dos "sem-praia" passou a preocupar tanto os surfistas mais experientes quanto a associação da categoria no Estado. "É uma ameaça à renovação", disse Gustavo Aguiar, 20, vice-campeão brasileiro amador e 13º colocado no mundial amador de 94.</P>
<P>
"Vamos sentir o problema em dois anos", previu ele, que disputa em 95, pela primeira vez, o mundial de surfe profissional. Aguiar foi um dos que aprenderam a profissão pegando onda em um trecho da praia de Boa Viagem hoje interditado.</P>
<P>
A Associação dos Surfistas de Pernambuco, que apoiou a proibição do esporte nas áreas de risco, busca agora alternativas para os "sem-praia". Segundo o presidente da entidade, Geraldo Cavalcanti, 33, dois projetos voltados para principiantes estão sendo elaborados.</P>
<P>
Um deles consiste em criar um circuito para iniciantes e mirins no litoral norte e sul, com transporte e premiações.</P>
<P>
Outro projeto da associação para este ano é cercar com redes um trecho em Boa Viagem.</P>
<P>
A medida, explica Cavalcanti, permitiria o acesso e ao mesmo tempo garantiria a segurança dos surfistas da região.</P>
<P>
Com cerca de 10 mil praticantes, segundo a associação da categoria no Estado, Pernambuco é considerado um dos três principais celeiros de surfistas do país.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4841">
<P>
Sete mortos e cem feridos na capital da Argélia</P>
<P>
Massacre em Bab el Oued</P>
<P>
A explosão de um carro armadilhado no bairro de Bab el Oued, em Argel, causou ontem sete mortos e cem feridos, horas depois de a imprensa local ter anunciado o assassínio de um dos mais importantes chefes do Grupo Islâmico Armado (GIA), Mohamed Said.</P>
<P>
Tratou-se de um dos mais sangrentos atentados na capital argelina desde 31 de Janeiro, quando um comando suicida do GIA fez rebentar uma viatura carregada de TNT contra o comissariado central da polícia, provocando 42 mortos e mais de 200 feridos. Ontem, a explosão na praça Ounouri visou aparentemente a sede da Direcção-Geral de Segurança Nacional (DGSN) e, segundo a rádio oficial, tratou-se também de uma acção suicida que vitimou sobretudo civis. Para o Presidente Liamine Zéroual foi um «acto bárbaro que revela as motivações exclusivamente criminosas da violência terrorista».</P>
<P>
Bab El-Oued é uma das áreas mais densamente povoadas de Argel e um reduto dos integristas muçulmanos. Foi aqui, em 1992, após o cancelamento da primeira volta das eleições legislativas que se travaram os mais violentos confrontos entre o Exército e a Frente Islâmica de Salvação Nacional (FIS), entretanto dissolvida. A FIS, que já tinha vencido as eleições municipais no ano anterior, esperava vencer o escrutínio, e não aceitou o fim de um processo ao qual aderiu para realizar o sonho de um Estado islâmico puritano.</P>
<P>
Desde então mais de 40 mil pessoas foram mortas, segundo estimativas de fontes ocidentais. O ataque de ontem surge numa altura em que Zéroual prepara eleições presidenciais, para Novembro, embora sem o apoio das principais forças políticas. A FIS, cujos líderes continuam presos, exilados ou activos na luta armada, rejeitou a iniciativa do chefe de Estado, o que inviabiliza uma solução do conflito.</P>
<P>
«Seria uma estupidez não esperar mais ataques nos próximos meses», comentou para a Reuter um diplomata em Argel quando foi anunciada a data das presidenciais. E a verdade é que, só este mês, já foram registados cinco atentados bombistas.</P>
<P>
Said morreu?</P>
<P>
A explosão em Bab el Oued surgiu no mesmo dia em que o jornal «La Tribune» anunciou a morte de Mohamed Said, responsável da comissão política do GIA e antigo dirigente da FIS. Said terá sido um dos 25 islamistas mortos durante uma rusga das forças de segurança na região berbere da Cabília. Outro activista local do GIA, Salah Ait Ziane, terá sido também assassinado no decurso desta operação</P>
<P>
Mohamed Said, de seu verdadeiro nome Lounis Belkacem, assumiu por breves instantes a liderança da FIS em Julho de 1991, após a prisão dos chefes da Frente, Abassi Madani e Ali Belhadj. Foi preso durante uma conferência de imprensa em Argel e quando saíu em liberdade, em 1992, juntou-se ao GIA, o mais radical dos grupos armados. No outono de 1994, foi nomeado «emir» (chefe), sucedendo a Chérif Gousmi, morto pelas forças de segurança. Posteriormente foi substituído por Dajamel Zitouni, aliás Abou Abderrahmane Amine.</P>
<P>
Em várias ocasiões, os jornais argelinos noticiaram a morte de Zitouni, mas estas notícias nunca foram confirmadas. Também ninguém confirmou a morte de Said.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54084">
<P>
FÁBIO GUIBU </P>
<P>
Da Agência Folha, em Recife </P>
<P>
A expedição que estuda as causas dos ataques de tubarões no litoral de Pernambuco retornou ontem a Recife com 16 animais capturados. Nenhum deles, porém, pertence às espécies suspeitas de estarem provocando os ataques nas praias do Estado.</P>
<P>
Segundo o especialista em tubarões Fábio Hazin, é provável que os dez ataques registrados neste ano tenham sido praticados por um tubarão-tigre ou um cabeça-chata. Os animais capturados não são destas espécies.</P>
<P>
Os tubarões que a expedição recolheu medem de um a três metros e foram fisgados a distâncias que variaram de 1 km a 40 km da costa. A expedição, que permaneceu 14 dias no mar, concentrou seus trabalhos numa faixa de 20 km, entre os municípios de Recife e Cabo, consideradas as áreas críticas de ataques de tubarões.</P>
<P>
Os tubarões capturados foram encaminhados para a Universidade Federal Rural do Estado, onde serão dissecados. O objetivo, disse Hazin, é estudar a biologia e os hábitos destes animais e o padrão de abundância e de distribuição das espécies no litoral.</P>
<P>
Segundo o pesquisador, não há ainda como avaliar as causas dos ataques com base apenas nessa primeira expedição. Até o final de 1995, outras 24 incursões ao mar serão feitas pelos peritos da universidade.</P>
<P>
Para a captura dos tubarões, os pesquisadores utilizaram uma linha de náilon com seis milímetros de diâmetro e três quilômetros de extensão, reforçada com cabos de aço. O artefato possui 200 anzóis e é capaz de suportar um tubarão de até quatro metros, segundo Fábio Hazin.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa94781"> 
<P>Uma foto para lá da verdade</P>
 <P> A fotografia mais famosa de guerra, o instante em que Federico Borrell, um miliciano republicano cai depois de atingido por uma bala franquista, está agora de novo em crise de autenticidade. Há anos que se discute se a fotografia da autoria do famoso fotojornalista Robert Capa é ou não encenada. Agora um documentário, " A Sombra do Iceberg ", premiado com o prémio Melhor documentário ibero-americano, no México, vem outra vez questionar a autenticidade da cena ocorrida em Cerro Muriano, povoação dos arredores de Córdoba, e feita em 1936, no dia 5 de Setembro. </P>
 <P> As dúvidas levantadas prendem-se com factos investigados. Hugo Doménech, professor da Universidade Jaume de Castellón e do jornalista Raul Riebenbaueur reuniram um especialista forense, um militar geodésico e um astrofísico e recolheram depoimentos locais. No filme prevalece a ideia de que o miliciano não foi morto às nove mas à uma da tarde, que há um relato local que diz Borrel ter sido morto atrás de uma árvore, que não existe na foto, e que o miliciano fotografado não é o que foi morto naquele dia. </P>
 <P> O facto de Capa viajar então com a namorada Gerda Taro (morta pouco depois) e de enviar para Paris os rolos todos misturados sem a designação a quem pertencia cada um, ainda lança mais confusão na história. Por outro lado o negativo original nunca mais apareceu, nem a tira com as fotos tiradas antes e depois. Apesar de se conhecer uma sequência de fotos feitas no mesmo local. </P>
 <P> O biógrafo de Capa, Richard Whelan - falecido há pouco - recusou depor para o documentário e Cornell Capa, o irmão de Robert, já de idade avançada, nada comenta, remetendo tudo para a sua filha, a fiel depositária do espólio de Robert Capa. </P>
 <P> A fotografia foi publicada pela primeira vez, em 1936, na revista VU - pioneira do fotojornalismo moderno e inspiradora de LIFE - e dois anos mais tarde (como andava devagar então a informação!) na LIFE. </P>
 <P> Na edição da VU Robert Capa era apresentado como o melhor fotógrafo de guerra do Mundo e a paginação da reportagem era feito num estilo então vanguardista de fotohistória. </P>
 <P>Esta polémica acaba por ser um pouco redundante.</P>
 <P> Capa era de uma coragem à prova de bala a trabalhar no cenário de guerra. </P>
 <P> Fotografou por dentro a Guerra Civil espanhola, sempre pelo lado republicano, estava no Dia D na Normandia e acabou por morrer ao pisar uma mina na Indochina a 25 de Maio de 1954. Como curiosidade passou por Portugal e foi visto no Café Palladium dos Restauradores pelo jornalista de O Século, Francisco Mata, já falecido, e que o contou numa crónica do antigo Sete. </P>
 <P>[...]</P>
 <P> Luiz Carvalho, fotojornalista do Expresso </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-28858a">
<P>
Itália, França, Espanha e Marrocos flageladas pelo mau tempo</P>
<P>
«Megadesastre» no Piemonte</P>
<P>
Carlos Abreu</P>
<P>
O Piemonte, no Noroeste italiano, foi a região mais atingida pelas chuvas torrenciais que caíram, nos últimos dias, sobre uma extensa área mediterrânica. Só ali, teme-se que o número de vítimas mortais possa vir a atingir a centena.</P>
<P>
O mau tempo que atingiu nos últimos dias a Itália, a França, Espanha e Marrocos já causou a morte a pelo menos 64 pessoas e o desaparecimento de outras 24. Em Itália, fontes não oficiais garantem que o número de mortos e desaparecidos poderá atingir a centena. As chuvas torrenciais que desde sexta-feira inundam o Sul da Europa e o Norte de África já se tornaram as mais mortíferas dos últimos 25 anos.</P>
<P>
A meteorologista Helina Lobo, do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, explica que, contudo, se trata de uma «situação normalíssima para esta altura do ano». É que o Mediterrâneo é um mar quente, pelo que é natural causar precipitações curtas mas extremamente intensas. Para Helina Lobo, o problema «está no homem», que «constrói no leito dos rios».</P>
<P>
A Itália é, sem dúvida, o país mais afectado pelo violento temporal que desde quinta-feira fustiga o Piemonte, no Noroeste, mas também o Centro e Sul, incluindo a Sicília. O último balanço oficial efectuado pelos Serviços de Protecção Civil, em Turim, noticiava a existência de 45 mortos e 15 desaparecidos. «Podemos afirmar com certeza que o número de vítimas será provavelmente mais elevado» disse anteontem o secretário de Estado italiano para a Protecção Civil, Ombretta Carulli. Segundo a televisão estatal, o número de vítimas pode atingir uma centena, entre mortos e desaparecidos.</P>
<P>
A região de Piemonte foi até ao momento a mais afectada, registando-se a morte de 43 pessoas e o desaparecimento de outras dez. Numa só localidade, Cuneo, morreram 27 pessoas. Um número que poderá crescer nas próximas horas, à medida que as equipas de socorro atingirem as 28 comunas que ontem ainda se encontravam completamente isoladas nos arredores de Turim. Entretanto foi necessário evacuar 3500 pessoas, encontrando-se ainda outras 5000 sem abrigo.</P>
<P>
A maioria das vítimas morreu em casas desmoronadas por desabamentos de terras causados pela chuva torrencial, ou em automóveis subitamente arrastados pelas águas. Alguns carros foram encontrados abandonados, desconhecendo-se o paradeiro dos seus ocupantes. Há ainda a registar algumas mortes entre os membros das equipas de socorro.</P>
<P>
Segundo o secretário de Estado italiano para a Protecção Civil, cerca de 15 mil homens -- entre polícias, bombeiros, militares e voluntários -- participam nas operações de socorro. Uma grande equipa para combater as piores inundações e desabamentos de terras dos últimos 80 anos. Em determinadas zonas do Piemonte, a chuva caiu incessantemente durante longas 63 horas.</P>
<P>
«Situação apocalíptica»</P>
<P>
A extensão dos danos materiais é impressionante: estradas e vias de caminho de ferro subterradas, inúmeras povoações sem electricidade, linhas telefónicas e condutas de água potável cortadas, habitantes refugiados nos telhados das casas à espera de socorro. Uma «situação apocalíptica» na opinião de um socorrista.</P>
<P>
Apesar das previsões apontarem para uma diminuição da pluviosidade, a chuva continuava ontem a cair sobre outras regiões do Norte da península itálica, esperando-se um aumento do caudal do rio Pó, que a acontecer, poderá afectar sobretudo a região de Piacenza, 150 quilómetros a leste de Turim. Recorde-se que o Pó, o maior rio italiano, já transbordou em alguns locais das suas margens, pelo que todas as cidades que ele atravessa estão em estado de alerta.</P>
<P>
No entanto, ontem à tarde uma das situações mais preocupantes encontrava-se 30 quilómetros de Turim, capital do Piemonte, onde o dique que segura as águas do lago Spina ameaçava ceder, tendo os 600 habitantes da zona sido evacuados. Para o ministro italiano do Ambiente, Altero Matteoli, estamos perante um «mega desastre». As associações patronais da agricultura e da indústria quantificaram em milhões de dólares a perdas materiais causada pela chuva. Segundo eles, metade dos terrenos cultiváveis encontram-se destruídos ou inundados.</P>
<P>
França: de volta à normalidade</P>
<P>
No Sudoeste de França, a descida das águas era ontem generalizada. As chuvas torrenciais que se abateram sobre esta região desde quinta-feira, causaram a morte a três pessoas, permanecendo desaparecidas outras quatro. Muitas aldeias e cidades desde os Alpes até à Córsega ainda estão isoladas pelas chuvas, sem telefone nem electricidade. O aeroporto internacional de Nice, na Côte d' Azur, permanecia ontem fechado. Os voos foram, até hoje de manhã, desviados para Marselha e Toulon.</P>
<P>
Os danos materiais são consideráveis mas estão ainda longe de estarem rigorosamente contabilizados. A Lozèrne, os Alpes-da-Alta-Provença e os Alpes-Marítimos foram os departamentos mais afectados. Uma das «prioridades absolutas» das equipas de socorro -- compostas actualmente por mais de dez mil homens -- passa agora pelo rápido restabelecimento das infra-estruturas rodoviárias e sanitárias.</P>
<P>
Em Espanha e Marrocos o mau tempo provocou igualmente prejuízos avultados. Em Marrocos, por exemplo, as chuvas torrenciais que caem há vários dias fizeram, pelo menos 15 mortos. Os rios transbordaram, destruindo casas, estradas e pontes.</P>
<P>
A região de Espanha mais afectada pelo temporal foi a Galiza, onde uma tromba de água acompanhada por ventos ciclónicos deixou sem casa 24 famílias residentes na localidade de Muros, na Corunha. Durante o fim-de-semana as autoridades das regiões de Valência e da Catalunha estiveram em alerta. Isto depois de sexta-feira, em Gerona, Catalunha, vários aluimentos de terras terem motivado a evacuação de dezenas de pessoas. Em Lérida, uma pessoa morreu e seis ficaram feridas no desmoronamento de uma casa. Tudo volta agora à normalidade.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-23412">
<P>
Navio de treino de vela alemão em Lisboa</P>
<P>
O navio de três mastros Alexander von Humboldt estará ancorado na doca do Jardim do Tabaco, na sede da Aporvela, representante portuguesa da Sailing Training Association, até à próxima terça-feira, em escala técnica na sua rota de treino de vela para jovens, entre a Alemanha, a Madeira e as Canárias.</P>
<P>
A estadia em Lisboa já se tornou um hábito para os oficiais e tripulação de jovens aprendizes, pois, como afirmam os próprios comandantes, Willi Schäfer e Paul Hömann, aqui têm «óptimas relações com o presidente da Aporvela, Guimarães Lobato», que lhes proporciona um bom local de ancoragem, além de que, assinalam, «a população local é muito simpática». Por este conjunto de razões, dizem, fazem escalas em Lisboa duas vezes por ano durante a rota de Inverno.</P>
<P>
O «tall ship» Alexander von Humboldt -- um navio do comité alemão da STA, com 63 metros de comprimento e três mastros revestidos por dezenas de tradicionais velas redondas na cor verde -- conta já com 88 anos de vida marítima desde que foi construído, em 1907, em alumínio, para ser utilizado como navio-farol no Mar do Norte e no Báltico.</P>
<P>
Sobrevivente de várias tempestades e das duas guerras mundiais, hoje, o Alexander von Humboldt -- cujo nome é uma homenagem ao naturalista alemão que no século passado descobriu o Canal Casiquiare que une as bacias dos rios Orinoco e Amazonas, na América do Sul -- leva a bordo jovens da associação de treino de vela DSST, da Alemanha, em viagens de treino, não só de navegação em alto mar, de estudo das ilhas atlânticas, mas também de convívio e desenvolvimento de capacidades individuais.</P>
<P>
«Esse projecto é o resultado de um sonho do capitão Manfred Hövener, que comprou por um marco o já antigo navio-farol, do Ministério dos Transportes Alemão e, com a ajuda de patrocinadores e voluntários, conseguiu reconvertê-lo para o treino de jovens», explica o capitão Willi Schäfer, dizendo que desde a primeira viagem, em 1988, o navio tem embarcado estudantes de todos os cantos da Alemanha.</P>
<P>
Com uma tripulação de 20 oficiais reformados ou em férias, que se dedicam à actividade de comandar o navio e treinar a equipa de 36 jovens a bordo, o Alexander von Humboldt seguirá de Lisboa para La Coruña, em Espanha, e daí para Bremehaven, seu porto de origem, na Alemanha.</P>
<P>
A bordo, os jovens terão muito que comentar da estadia em Lisboa, como as visitas aos museus e as soalheiras tardes à beira do Tejo. Dois jovens a bordo terão lembranças especiais dessa viagem, pois desde que se conheceram há um ano, no convés do navio, voltaram agora a bordo do Alexander von Humboltd para passar a lua-de-mel.</P>
<P>
Nysse Arruda</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83887">
<P>
Senador Gianfranco Miglio nega acusação de racismo e vincula fim da corrupção à redução do funcionalismo</P>
<P>
HUMBERTO SACCOMANDI</P>
<P>
Enviado especial a Milão</P>
<P>
Muitos brasileiros podem perder o direito de obter a nacionalidade italiana se a Liga Norte se tornar o maior partido da Itália nas próximas eleições. É o que diz o senador Gianfranco Miglio, 75, considerado o ideólogo do partido. Ele se opõe também à extensão do direito de voto aos italianos residentes no exterior.</P>
<P>
Segundo Miglio, a lei italiana que concede a cidadania a descendentes até a terceira geração é absurda. "Era parte de um plano para conquistar esses países sem guerra", diz o senador. Ele argumenta ainda que a Itália está em dificuldades econômicas e "não pode garantir aposentadoria a meio mundo".</P>
<P>
Miglio foi por 47 anos professor na Universidade Católica de Milão. Dirigiu por 30 anos a faculdade de Ciência Política, até se aposentar, em 1991. Em entrevista exclusiva à Folha, o senador defende a Liga Norte das acusações de racismo e xenofobia, explica a proposta federalista e alerta contra o perigo da hegemonia político-militar da Alemanha na Europa.</P>
<P>
*</P>
<P>
Folha - Como o sr. classifica a Liga Norte no espectro político?</P>
<P>
Gianfranco Miglio - Nem de direita, nem de esquerda. Somos liberal-democratas. Combatemos o Estado assistencial e defendemos a economia de mercado. Os demais partidos crêem que o problema italiano possa ser resolvido mudando os homens no poder, colocando pessoas honestas no lugar dos desonestos de agora. A Liga acredita que é preciso mudar profundamente as instituições. Se mantivermos o Estado centralizado, em poucos anos a Liga se tornará tão corrupta quanto os partidos hoje no poder.</P>
<P>
Folha - Por que houve essa ascensão rapidíssima da Liga?</P>
<P>
Miglio - As pessoas compreenderam que estavam sendo enganadas. Os italianos confiavam o mandato eleitoral ou à Democracia Cristã e seus aliados ou a um agrupamento de esquerda. Depois disso, se desinteressavam sobre como aquele mandato era usado. Eles perceberam, porém, que o sistema se tornou ineficiente e corrupto e decidiram mudar isso.</P>
<P>
Folha - A Liga é racista?</P>
<P>
Miglio - Não. Nós apenas constatamos que o nosso sistema político-administrativo tinha se degenerado e que 95% dos funcionários públicos são do sul do país. Isso é uma estatística oficial. Nós pedimos que quem produz mais e paga mais impostos tenha um papel determinante na gestão do país.</P>
<P>
Só as grandes empresas do norte, como a Fiat, tinham esse papel, por serem favorecidas financeiramente pela corrupção do Estado. São empresas meio privadas, meio estatais. Desde a sua fundação, no século passado, a Fiat vive nas costas do Estado, através de proteções alfandegárias e incentivos. É um capitalismo sem capital e sem risco. A Liga acha possível corrigir essas distorções.</P>
<P>
Folha - A Liga é contra os estrangeiros?</P>
<P>
Miglio - Não, pelo contrário. Temos boas relações com os estrangeiros. Estamos preparando uma convenção de grandes empresas internacionais, daquelas que não pedem dinheiro ao Estado, como a Fiat e a Olivetti. Acreditamos na integração européia e internacional.</P>
<P>
Folha - E quanto aos estrangeiros pobres, os imigrantes?</P>
<P>
Miglio - Defendemos uma imigração controlada. A Itália deixou entrar todo mundo até agora. Isso levou a uma situação preocupante, com imigrantes de cor limpando vidros dos carros nos cruzamentos. Isso é culpa dos socialistas, que pretendiam aumentar seus votos fazendo entrar imigrantes e dando a eles o direito de votar.</P>
<P>
Folha - A Itália tem uma das políticas mais liberais quanto à concessão de nacionalidade a descendentes de italianos. Vocês pretendem manter isso?</P>
<P>
Miglio - Não. Essa lei é uma loucura. Ela nasceu do Ministério do Exterior, que queria aproveitar os nossos muitíssimos "oriundos" para uma espécie de conquista sem guerra desses países. Isso poderá se tornar um grave problema financeiro. A carga dos gastos com a aposentadoria está desestabilizando a economia italiana. Nessas condições, não podemos garantir aposentadoria a meio mundo.</P>
<P>
Folha - E o direito de voto aos italianos no exterior?</P>
<P>
Miglio - Isso traria graves problemas. Se fosse aprovado, seria difícil excluir os cerca de 25 milhões de "oriundos". Isso criaria situações conflituosas. Não é admissível que um país tenha uma campanha eleitoral para um eleição num outro país, distante milhares de quilômetros.</P>
<P>
Folha - A Liga aceitaria formar uma coalizão?</P>
<P>
Miglio - Talvez, mas para isso será determinante que haja um repasse de poder para quem produz e paga impostos e que seja aceito o programa federalista da Liga. Eu pessoalmente penso que convém permanecer na oposição, especialmente se os ex-comunistas do PDS chegarem ao governo. Eles não poderão fazer uma política de austeridade e restaurarão o Estado assistencial. É melhor ficarmos de fora e nos prepararmos para o próximo assalto.</P>
<P>
Além disso, creio que o novo governo não terá vida longa, com o país dividido entre Liga, PDS e os neofascistas do MSI. Esta próxima eleição está sendo preparada "ad hoc" para salvar alguns políticos velhacos. Haverá novas eleições logo em seguida, com novas mudanças na lei eleitoral. A Segunda República só surgirá após duas ou três eleições, num breve intervalo.</P>
<P>
Folha - O que é o federalismo à italiana?</P>
<P>
Miglio - É um agrupamento de regiões em três grandes grupos: o norte, o centro e o sul. As ilhas Sardenha e Sicília já têm um status especial e manteriam a sua autonomia. As funções atuais do Estado seriam repassadas a esses agrupamentos. Acreditamos que uns seis anos depois de implementada essa reforma o aparato do Estado seria reduzido em 50%.</P>
<P>
Isso afetaria toda uma geração de universitários do sul que sonha se formar e trabalhar para o Estado. Precisamos acabar com o sonho do funcionalismo público.</P>
<P>
Folha - Qual é a política externa da Liga?</P>
<P>
Miglio - Temos uma forte simpatia pela integração européia, que não pode ser revertida. Mais difícil é a união política. Toda a Europa está se voltando para um perigoso nacionalismo. Isso põe a ameaça do retorno da hegemonia político-militar da Alemanha. Se os países se fecharem, como querem os nacionalistas, teremos uma Europa dominada por uma grande nação alemã, que em cinco anos terá digerido o problema da reunificação. Temos de intervir para que essa potência permaneça no campo econômico, e não no político-militar.</P>
<P>
A Liga defende o fim dos Estados nacionais e a criação da Europa das grandes regiões. Ao contrário dos neofascistas, não temos ambições territoriais. Quanto mais permeáveis as fronteiras, melhor.</P>
<P>
Folha - Como será a Itália pós-escândalos?</P>
<P>
Miglio - Espero que seja federalista e que as regras do Estado de Direito sejam restabelecidas. Contamos muito com o efeito pedagógico de se ver os chefes da Primeira República na cadeia, vestindo camisas listradas. Todos devem saber que quem faz política ou administra o país vai preso se sair da linha.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11498">
<P>
20 anos de guerras</P>
<P>
Verão de 1974 -- Portugal reconhece o direito de Angola à independência.</P>
<P>
15 de Janeiro de 1975 -- O MPLA, a UNITA e a FNLA assinam com Portugal o acordo do Alvor, pelo qual compartilham um governo de transição.</P>
<P>
29 de Agosto -- Malogra-se o governo de transição.</P>
<P>
11 de Novembro -- As últimas forças portuguesas retiram-se de Luanda, onde o MPLA proclama unilateralmente a independência e o seu líder, Agostinho Neto, assume a Presidência. A UNITA faz do Huambo a sua capital.</P>
<P>
1976 -- O MPLA, com o apoio de tropas cubanas, esmaga a guerrilha da FNLA, de Holden Roberto, e afasta a UNITA, que tentara aproximar-se de Luanda, ajudada por tropas sul-africanas.</P>
<P>
1979 -- Agostinho Neto morre num hospital de Moscovo e é substituído pelo ministro do Plano, o engenheiro de petróleos José Eduardo dos Santos.</P>
<P>
1987 -- Tropas sul-africanas voltam a entrar em Angola, no Sueste do país, para combater, nas terras do Cuando-Cubango ou do Fim do Mundo, uma ofensiva do MPLA e dos cubanos contra a UNITA.</P>
<P>
Agosto de 1988 -- Os sul-africanos retiram-se de Angola, após mediação norte-americana.</P>
<P>
Dezembro -- Angola, a África do Sul e Cuba assinam um acordo que liga a independência da Namíbia (até aí administrada pelos sul-africanos) à retirada dos 50 mil soldados cubanos que se encontravam em solo angolano.</P>
<P>
22 de Junho de 1989 -- Numa cimeira africana, realizada em Gbadolite, a terra natal do Presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko, José Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi aceitam um cessar-fogo, que se malogra, em Agosto.</P>
<P>
28 de Abril de 1990 -- Portugal anuncia os primeiros contactos directos, ainda exploratórios, entre a UNITA e o MPLA, realizados numa herdade do distrito de Évora.</P>
<P>
26 de Outubro -- O Comité Central do MPLA aprova o estabelecimento da democracia multipartidária, depois de 15 anos de regime de partido único.</P>
<P>
28 de Abril de 1991 -- O MPLA troca o marxismo-leninismo pela social-democracia, a fim de se preparar para a realização de eleições gerais.</P>
<P>
1 de Maio -- O MPLA e a UNITA concluem as conversações na escola hoteleira de Bicesse, junto ao Estoril, em Portugal, marcando o cessar-fogo para daí a 15 dias e eleições no segundo semestre de 1992.</P>
<P>
31 de Maio -- José Eduardo dos Santos e Jonas Malheiro Savimbi assinam o acordo de paz em Lisboa, tendo entre eles o primeiro-ministro português, Aníbal Cavaco Silva.</P>
<P>
29 e 30 de Setembro de 1992 -- Os angolanos votam pela primeira vez, em eleições pluripartidárias e fiscalizadas pela ONU, a fim de escolher um Presidente e um Parlamento.</P>
<P>
6 de Outubro -- A UNITA retira-se das Forças Armadas unificadas e acusa o Governo de fraude eleitoral.</P>
<P>
17 de Outubro -- Conhecidos os resultados, o MPLA obteve 53,7 por cento nas legislativas e a UNITA 34,1 por cento, enquanto nas presidenciais José Eduardo dos Santos conseguiu 49,6 e Savimbi 40,1, tornando-se necessária uma segunda volta. A ONU considera que as eleições foram, de um modo geral, livres e justas.</P>
<P>
Outubro-Novembro -- A luta reacende-se em vários pontos do país. Em Luanda, centenas de pessoas são mortas, incluindo o vice-presidente da UNITA, Jeremias Chitunda.</P>
<P>
Janeiro de 1993 -- Ofensiva do MPLA contra a UNITA nas principais cidades. A guerra arrasta-se ao longo do ano e os homens de Savimbi conquistam o Huambo.</P>
<P>
Novembro -- Começam as conversações de paz em Lusaca, depois de terem falhado tentativas anteriores em Adis Abeba e em Abidjã.</P>
<P>
18 de Outubro de 1994 -- O medianeiro das Nações Unidas, Alioune Blondin Beye, anuncia que já se chegou a acordo de princípio entre o Governo angolano e a UNITA para acabar com a guerra civil.</P>
<P>
31 de Outubro -- Rubrica do protocolo das conversações de Lusaca.</P>
<P>
2 de Fevereiro de 1995 -- reunião dos chefes militares de Luanda e da UNITA, em Waco Kungo, acorda na separação das forças e na aplicação do cessar-fogo.</P>
<P>
8 de Fevereiro -- O Conselho de Segurança da ONU aprova o envio de capacetes azuis para Angola (UNAVEM III)</P>
<P>
12 de Fevereiro -- Congresso da UNITA no Bailundo aprova, com algumas reticências, o processo de paz.</P>
<P>
5 de Maio -- Início da cimeira entre José Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi, em Lusaca</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99347">
<P>
Conspiração da direita sul-africana contra secretário-geral do ANC</P>
<P>
General branco salvou líder negro</P>
<P>
Jorge Heitor*</P>
<P>
Foi o próprio líder da Frente Popular Afrikaner quem avisou o ANC de que alguns dos seus correligionários se preparavam para matar o eventual sucessor de Mandela. Contradições de um processo extremamente complicado em que está em jogo o futuro de 40 milhões de sul-africanos.</P>
<P>
O Congresso Nacional Africano (ANC), que crê ter o apoio de mais de 60 por cento dos cidadãos da África do Sul, anunciou ontem ter aumentado as medidas de segurança à volta dos seus dirigentes, depois do maior jornal do país, «The Sowetan», dar a notícia de uma conspiração da direita para matar o secretário-geral daquele partido, Cyril Ramaphosa.</P>
<P>
Segundo a notícia, foi o próprio líder da Frente Popular Afrikaner (FPA), general Constand Viljoen, figura já contestada por alguns dos grupos da extrema-direita, quem informou o ANC de que elementos não identificados se estariam a preparar para abater o braço direito de Nelson Mandela, depois de o ano passado já ter sido assassinado o secretário-geral do Partido Comunista, Chris Hani.</P>
<P>
«The Sowetan» indicou que aquele general branco na reserva passara a informação à maior força política sul-africana por ter o receio de que o assassínio de mais um destacado dirigente negro viesse a mergulhar o país num banho de sangue, muito superior a todos os incidentes até agora verificados.</P>
<P>
A ser verídica a versão apresentada, estaríamos perante a confirmação de que a FPA não é mais do que uma imensa manta de retalhos, indo desde o Partido Conservador, de Ferdi Hartzenberg, a uma série de pequenos grupos situados à sua direita, como o Movimento de Resistência Afrikaner (AWB), de Eugène Terre'Blanche, e os Lobos Brancos. E enquanto alguns dos seus componentes pretendem defender a identidade boer dentro de uma certa legalidade, outros não hesitam em recorrer ao crime para atingir os seus fins.</P>
<P>
No conjunto, as forças da FPA -- associadas ao Inkatha e ao Bophutatswana na chamada Aliança da Liberdade -- não devem representar muito mais do que seis por cento da população total da África do Sul, mas são particularmente significativas porque algumas delas poderão recorrer a tácticas de terror, como a eliminação de Mandela, Ramaphosa ou outros dos principais dirigentes da África do Sul.</P>
<P>
Inkatha inscreve-se</P>
<P>
Ontem à tarde, a pouco mais de seis horas de expirar o prazo previsto para a inscrição dos partidos que aceitem participar nas eleições gerais de Abril, o líder do Inkatha, Mangosuthu Buthelezi, afirmou que tencionava fazer uma inscrição provisória, mas que isso não significava a certeza de ir às urnas.</P>
<P>
Para alguns observadores, era uma vez mais Buthelezi «a fazer Teatro» e a manter o suspense até ao fim, ele que tanto gosta de estar em cena e de dar a impressão de que tudo depende da sua última palavra, se bem que apenas represente, segundo as sondagens, uns oito por cento do eleitorado total.</P>
<P>
Entretanto, e apesar de ao fim da manhã o Presidente De Klerk haver dito que não, ao entardecer ainda se acreditava em Joanesburgo que o prazo de inscrição para as eleições viesse a ser uma vez mais prorrogado, de modo a que os renitentes ainda tivessem três ou quatro dias extra para apanhar o comboio.</P>
<P>
De Washington, Londres, Bruxelas e Lisboa surgiram ao longo da semana conselhos para que todas as sensibilidades políticas se apresentassem a sufrágio, como única forma de impedir o terror ou a guerra civil, potencializando antes as grandes perspectivas de recuperação económica da África do Sul, após um marasmo de 10 anos motivado pelas sanções internacionais.</P>
<P>
As atitudes de Mandela e De Klerk contra os excessos de reivindicação autonómica por parte de certas forças, como o Inkatha, contaram ontem com o apoio de uma sondagem segundo a qual a eventual independência de um reino zulu é rejeitada por 84 por cento da população negra da província do Natal, a mais directamente afectada por esse projecto.</P>
<P>
A maioria da população pretende, sim, que o rei Goodwill Zwelithini fique à frente de uma região que se poderá muito bem chamar Kwazulu-Natal, mas no âmbito da África do Sul e sem quaisquer veleidades de independência. E acha mal que o monarca tradicional dos zulus alinhe com muitas das posições de Buthelezi, que é seu tio e tem sido primeiro-ministro do bantustão reservado àquela etnia. *Com Steven Lang, em Joanesburgo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-65534">
<P>
Açores</P>
<P>
Desde ontem, 16 embarcações semi-rígidas estão a participar numa Volta aos Açores que irá percorrer 450 milhas marítimas, durante cinco dias. A prova chama-se «Rondar os Açores», partiu de Ponta Delgada, terá passagem pelas ilhas de São Miguel, Terceira, São Jorge e Graciosa e termina sexta-feira em São Jorge do Pico. Concorrem cinco equipas portuguesas e onze estrangeiras, em embarcações com motores de 50 cavalos.</P>
<P>
Jet ski</P>
<P>
Estiveram 66 pilotos no Grande Prémio Baía de Monte Gordo em jet ski, que se disputou no fim-de-semana passado na praia algarvia do Molhe Pequeno. Numa prova de mar, onde a ondulação dificulta a tarefa dos concorrentes, Álvaro Afonso venceu a prova de «free style». A competição disputou-se nas muitas categorias do jet ski -- modified, limited e por aí adiante. Houve também provas de juvenis e iniciados, ganhas respectivamente por Bashir Vakil e João Maio.</P>
<P>
Funboard</P>
<P>
Desta vez o vento soprou forte, na quarta etapa do Campeonato Nacional de funboard, disputada em Sagres, na Praia do Martinhal. Tanto que permitiu a realização de sete séries de slalom, número que é novo recorde em campeonatos nacionais. Quem ganhou a etapa foi Paulo Silva, que consolidou a liderança do «ranking» e voltou a assumir-se como o grande candidato ao título.</P>
<P>
Surf</P>
<P>
Começaram os Campeonatos Nacionais de Clubes de surf, após um ano de interrupção. Na Praia do Casino, em Espinho, disputaram-se os campeonatos femininos de surf e bodyboard, mais os de longboard e kneeboard e ainda os masters e seniores. A prova mais disputada, a de bodyboard feminino, foi ganha por Rita Pires, que bateu Dora Gomes. No surf venceu Vera Gonçalves, no longboard Manuel Mestre e no kneeboard Pedro Velhinho. O «ranking» absoluto por clubes é liderado pelo Surfing Clube de Portugal.</P>
<P>
Vólei de praia</P>
<P>
A moda pegou, decididamente. O vólei de praia já deixou de ser uma brincadeira para ocupar desportistas em férias. E as competições multiplicam-se. Agora, está a decorrer em Porto Santo o IV Torneio Internacional de Vólei de Praia, que conta com a participação de quatro dezenas de equipas, nas variantes de quatro e seis jogadores. Não começou lá muito bem, porque o tempo não ajudou. Mas a competição seguiu.</P>
<P>
Recorde</P>
<P>
Steve Fossett não pára. Desta vez, o aventureiro norte-americano que escala montanhas, atravessas mares e faz corridas de carros estabeleceu um recorde da travessia do Pacífico em trimarã. Fossett foi de Los Angeles a Honolulu, no Hawai, em 16h07m16s, deixando bem para trás o anterior máximo de 17h33m44s que pertencia desde 1989 a Rudy Choy. Fossett navegava no Lakota, novo nome do Pierre 1er, o barco que a francesa Florence Arthaud conduziu à vitória na Rota do Rum.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-94788">
<P>
FLAVIO GOMES</P>
<P>
Enviado especial ao Estoril</P>
<P>
A nova cara da Fórmula 1 é azul e branca com filetes vermelhos e dourados. Vestindo essas cores Ayrton Senna chegou ontem às 10h locais no circuito do Estoril, em Portugal.</P>
<P>
Foi meio esquisita a visão de um piloto que passou os últimos seis anos de vermelho, a bordo de um carro que parecia um maço de cigarros, com novo lay out.</P>
<P>
O Williams de 94 também é tabagista até exageradamente. O nome Rothmans, cigarro inglês que passou a patrocinar a equipe, aparece 21 vezes no carro, dez no macacão e três no capacete do brasileiro.</P>
<P>
Exagerado também é Senna. A Williams descobriu ontem com quem foi se meter. A programação era banal, apenas umas voltinhas para que uma multidão de jornalistas –só a Rothmans pagou a viagem de 412 deles– pudesse ver a máquina e fotografá-la.</P>
<P>
Mas Ayrton começou a trabalhar duro um dia antes. Na terça-feira, com o autódromo fechado, deu quatro voltas para a produção de um vídeo e de algumas fotos promocionais. Já saiu do carro reclamando que a posição de dirigir estava uma droga.</P>
<P>
Ontem, ao terminar sua primeira bateria de oito voltas, saiu do cockpit, chamou o engenheiro David Brown e ficou dez minutos falando sem parar sobre algumas reações do carro, aceleração, performance do motor e da suspensão passiva que o time vai usar em 94.</P>
<P>
A cinco metros de distância seu companheiro Damon Hill, calado, observava o pequeno grupo de mecânicos e técnicos ávidos por saber o que a nova estrela do pedaço achava de seu veloz brinquedinho.</P>
<P>
Senna ligou seu novo carro pela primeira vez em público às 11h21, 8h21 de Brasília. No total, foram 16 voltas sem a preocupação de cronometragem. "Acertamos a posição do banco e do volante e isso melhorou um pouco meu ajuste dentro do carro", descreveu o piloto no seu segundo dia de trabalho na Williams. "Dei poucas voltas e não posso fazer nenhuma avaliação técnica ainda, tenho muito que aprender. É como mudar de casa, você tem que se adaptar, fazer novos amigos, conhecer os vizinhos."</P>
<P>
Do dia em que anunciou seu contrato, 11 de outubro, até a estréia no time, foram três meses de expectativa. De hoje a domingo Senna não quer mais aborrecimentos extra-pista. Vai testar de manhã e de tarde, ao lado de outras equipes que já estão em Portugal, como Ligier, Lotus e Sauber.</P>
<P>
O novo carro da Williams, FW16, só anda no final de fevereiro. Senna já havia guiado para Frank antes, em 83, seu primeiro teste num carro de F-1. O reencontro com a Renault também foi marcante. Foi com esse motor, em Portugal, que Ayrton ganhou seu primeiro GP –em 85 pela Lotus.</P>
<P>
Se precisar, Senna diz que faz quantos testes forem necessários até a abertura do Mundial, dia 27 de março em Interlagos. "Não tenho ilusões sobre esse campeonato. Vai ser muito mais difícil do que se imagina", acredita.</P>
<P>
Pode ser. Na dúvida, bye bye Angra, sol e verão. Ayrton passa os próximos dias sob o gélido inverno europeu, que ontem brindou o Estoril com céu azul e cinco graus ao meio-dia. No sol.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30399">
<P>
Números &amp; Factos</P>
<P>
Sabia que...</P>
<P>
· A construtora aeronáutica europeia Airbus Industrie prevê conquistar 40 por cento do mercado mundial da aeronaves, que, até ao ano 2014, deverá atingir um valor de cerca de um bilião de dólares? A Airbus Industrie calcula que as companhias aéreas mundiais vão necessitar de 13.400 aviões de mais de cem lugares nos próximos vinte anos. Um terço dos aparelhos irá preencher as necessidades das companhias norte-americanas, enquanto 31 por cento serão destinados ao Sudoeste asiático. As previsões da construtora indicam também que as companhias aéreas europeias vão representar 24 por cento do mercado e que 41 por cento dos aparelhos serão adquiridos por 13 grandes transportadoras. Dos 8500 aviões em serviço no final de 1991, cerca de 83 por cento deverão ser substituídos até 2011, no âmbito de políticas de renovação das frotas -- estima a Airbus. Nos próximos 29 anos, o tráfego aéreo mundial deverá registar um crescimento anual médio de 5,4 por cento, que, no caso das companhias áreas africanas e da grande região Ásia-Pacífico, será de 4,1 e 7,4 por cento, respectivamente.</P>
<P>
A empresa considera também que o porte dos aparelhos deverá aumentar e que os «aviões do futuro» serão do tipo A3XX, com capacidade para transportar 850 passageiros em classe única. Actualmente o A3XX transporta apenas um máximo de 570 passageiros em três classes, mas a construtora está a estabelecer contactos com 12 grandes transportadoras aéreas e responsáveis dos aeroportos, tendo em conta o previsível aumento da capacidade de transporte.</P>
<P>
Quantas pessoas morreram em inundações na China entre Março e Agosto deste ano?</P>
<P>
· Mais de 4300 pessoas morreram em inundações na China entre Março e Agosto deste ano, as quais causaram ainda prejuízos materiais calculados em 150 mil milhões de yuan (2820 milhões de contos). As inundações afectaram as províncias de Guangdong, Guangxi e Hunan, no Sul da China, destruíram 17,34 milhões de hectares de terrenos agrícolas, sendo consideradas as mais graves dos últimos 45 anos. Desde o início do ano, as províncias do Sul da China foram atingidas por nove tempestades tropicais, contra uma média anual de cinco.</P>
<P>
Quantas pessoas visitaram Macau nos primeiros sete meses deste ano?</P>
<P>
· Mais de 4,5 milhões de pessoas visitaram Macau nos primeiros sete meses deste ano, o que representa uma diminuição de 2,8 por cento em relação a igual período do ano passado. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, 76,7 por cento dos visitantes que entraram em Macau fizeram-no por via marítima, procedentes de Hong Kong e dos portos da zona económica especial de Guangdong. Os visitantes chegados ao território por via marítima diminuíram 4,1 por cento, enquanto o número de turistas que entraram em Macau pelas Portas do Cerco registou um aumento de 4,9 por cento. Durante os primeiros sete meses de 1994, o território registou ainda um aumento de turistas oriundos do Japão, ou seja, mais 4,1 por cento em relação a igual período de 1993. As unidades hoteleiras de Macau registaram, nos primeiros sete meses de 1994, mais de 1,2 milhões de hóspedes, ou seja, mais de 8,3 por cento que em igual período de 1993. Segundo os Serviços de Estatística e Censos, os hotéis registam uma ocupação por hóspede de 1,26 noites, sendo 33 por cento provenientes de Hong Kong, 17,2 por cento da China, 3,1 por cento de Taiwan e três por cento do Japão.</P>
<P>
Quantos mortos provocaram as piores inundações dos últimos anos no Sul do Vietname?</P>
<P>
· As piores inundações dos últimos anos no delta do Rio Mekong, no Sul do Vietname, provocaram 94 mortos desde o início de Setembro, segundo um balanço oficial. As fortes cheias causaram ainda prejuízos avaliados em 100 milhões de dólares (16 milhões de contos). Mais de 30 mil famílias foram afectadas pelas inundações, das quais duas mil enfrentam uma séria escassez de alimentos. 173.600 casas foram destruídas e 840 escolas e 340 clínicas médicas foram desactivadas na região, que é considerada o celeiro de arroz do Vietname. Na província de An Giang, perto da fronteira com Cambodja -- a mais severamente atingida pelas cheias do Mekong --, os prejuízos ascendem a 15 milhões de dólares. Em várias regiões do Delta, particularmente na província de Tien Gian, as águas continuam a subir, com o caudal do rio engrossado por chuvas torrenciais associadas a tufões que atingiram o centro do Vietname.</P>
<P>
O número de concursos de obras no terceiro trimestre de 1994 cresceu ou diminuiu em Portugal?</P>
<P>
· Cresceu 40,7 por cento no terceiro trimestre de 1994 comparativamente ao primeiro trimestre, segundo a Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas do Norte (AICCOPN). Em termos de valor, o terceiro trimestre caiu para 46 milhões de contos, contra os 77 milhões do segundo e os 61 milhões do primeiro. No caso das obras públicas, a análise da AICCOPN revela que os valores adjudicados no terceiro trimestre são superiores em 17,4 por cento ao segundo e inferiores ao primeiro em 13 por cento. Relativamente ao trimestre homólogo de 1993, os valores do terceiro semestre de 1994 são superiores em 20 por cento, somando 27 milhões de contos. As perspectivas globais da AICCOPN para 1994 apontam, em termos de adjudicações, para valores inferiores em 30 por cento aos de 1993.</P>
<P>
Quantas pessoas visitaram o Palácio de Buckingham na sua reabertura, neste Verão?</P>
<P>
· Mais de 400.000 pessoas visitaram o Palácio de Buckingham na sua reabertura neste Verão, pelo segundo ano consecutivo. A abertura do palácio ao público, até ao início deste mês, permitiu arrecadar neste ano uma receita de 2,5 milhões de libras. No Verão passado, 379 mil britânicos e estrangeiros visitaram as instalações e a loja de recordações instalada no jardim. No total, a época trouxe cerca de 2,2 milhões de libras de lucros. Estes foram inteiramente dedicados ao restauro do Castelo de Windsor, o preferido da rainha, parcialmente destruído por um incêndio, em Novembro de 1992. A loja esteve recheada de uma grande variedade de produtos de gama alta, mais caros que os postos à venda em 1993.</P>
<P>
As loucuras dos ingleses</P>
<P>
· Um novo livro intitulado «Princesa Apaixonada», sobre o alegado caso amoroso de Diana com o major James Hewitt, foi posto à venda nesta semana na Grã-Bretanha e, só no primeiro dia, em poucas horas, vendeu mais de 75 mil cópias. Condenado já por um porta-voz da Rainha Isabel II, a obra põe em causa a reputação de Diana ao relatar o seu alegado envolvimento com o major Hewitt e, nomeadamente, o que terá sido a sua primeira noite de amor no Palácio de Kensington. Assinado por Anna Pasternak, uma jornalista de 27 anos que trabalhou no «Daily Express», o livro é escrito mais no estilo dos romances cor-de-rosa de Barbara Cartland que num registo jornalístico, sobretudo quanto ao relato dos alegados acontecimentos. Um porta-voz do palácio de Buckingham classificou o livro como «desprezível» e «sem qualquer valor», mas o editor justificou a sua saída declarando que «esta história de amor diz respeito a uma das maiores personalidades do fim do século XX».</P>
<P>
«Princesa Apaixonada» contém poucas citações directas, mas relata detalhadamente as confidências do major Hewitt, que, segundo a imprensa britânica, terá recebido três milhões de libras (750.000 contos) pela sua colaboração no livro. A capa é ilustrada por uma fotografia de Diana com uma tiara de diamantes e pérolas, e com a anotação de que o livro «conta a história de amor entre uma mulher e um homem, apaixonados e cheios de esperança, mas ao mesmo tempo sem esperança».</P>
<P>
Segundo o livro, a princesa de Gales e o major Hewitt tiveram um primeiro encontro em 1986, embora já se tivessem conhecido em 1981 durante uma partida de pólo, em que o major jogou contra o príncipe Carlos. Em finais de 1986, após uma lição de equitação em Hyde Park, Diana em lágrimas terá contado ao major os seus problemas conjugais. O major então apertou-lhe a mão carinhosamente e disse-lhe que poderia contar com ele. Após esta manifestação pública, terá acontecido a sua «primeira noite de amor» na sequência de um jantar no Palácio de Kensington. O romance entre os dois terá durado cinco anos.</P>
<P>
O casal, segundo a autora, passou longos fins-de-semana em Highgrove, a casa de campo do príncipe Carlos, no Oeste de Inglaterra. Anna Pasternak, sobrinha-neta do prémio Nobel da literatura russo Boris Pasternak, autor de «Doutor Jivago», afirma também no seu livro que as cartas de Diana ao major quando este participou na guerra do Golfo não tinham sido publicadas, mas apenas citadas, por se recear um processo por desrespeito dos direitos de autor. O major James Hewitt, filho de um oficial dos Royal Marines, frequentou a prestigiada academia militar de Sandhurst antes de ingressar nos Life Guards, a guarda pessoal da Rainha.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-41249">
<P>
África do Sul</P>
<P>
A intransigência zulu</P>
<P>
O CHEFE do partido Inkatha, Mangosuthu Buthelezi, nascido em 1928, associou-se ontem ao apelo do rei Goodwill Zwelithini a favor da restauração de um reino zulu na província sul-africana do Natal, situada à beira do Índico.</P>
<P>
Ao falar perante mais de 30.000 pessoas na região de Taylor Halt, perto de Pietermaritzburg, a capital provincial, Buthelezi reafirmou a decisão tomada pelo Inkatha de boicotar as eleições que se devem efectuar na África do Sul de 26 a 28 de Abril.</P>
<P>
No entanto, disse que continuará a negociar com o Governo e com o ANC, apesar de em princípio ter rejeitado as mais recentes propostas de compromisso apresentadas por Nelson Mandela e apadrinhadas pelo Presidente Frederik de Klerk.</P>
<P>
O primeiro-ministro do Kwazulu, bantustão criado pelo regime do apartheid para receber a maior parte dos quase nove milhões de zulus, reiterou o apelo a uma monarquia constitucional feito na semana passada pelo rei Goodwill; e disse que sem ela não será possível chegar a acordo com o ANC e com o Partido Nacional, que são as duas forças com mais apoio eleitoral na África do Sul.</P>
<P>
Buthelezi, que nos últimos dias tem assumido por vezes posições contraditórias umas com as outras, veio agora dizer que não pode aceitar a Constituição interina elaborada em 1993 e ir às urnas porque isso é contra o desejo do seu rei.</P>
<P>
Segundo ele, as últimas propostas de Mandela não escondem o facto de que o ANC conserva ainda uma «grande margem de manobra» para, após as eleições, modificar as constituições regionais da forma que mais lhe interessar, sem ter em conta os desejos de vasta autonomia que existem nessas mesmas regiões, designadamente na de Kwazulu/Natal.</P>
<P>
Receios do comunismo</P>
<P>
«Como sabemos que vamos pôr em causa os projectos da aliança formada pelo ANC e pelo Partido Comunista, a vitória deles vai-nos sair muito cara a todos. Mas mesmo nesta hora tardia evitamos o confronto e cremos no prosseguimento das negociações», prosseguiu o velho nobre zulu, cuja biografia oficial o apresenta como «o político mais experimentado da África do Sul».</P>
<P>
Para muitos observadores, porém, Buthelezi não passa de um megalómano que não aceita de modo algum a hipótese de apenas sete ou oito por cento do eleitorado total sul-africano estar disposto a apoiá-lo; e que por isso mesmo não quer ir às urnas, preferindo -- por outro lado -- conservar uma certa liderança a nível regional, já que em termos nacionais isso é de todo em todo impossível.</P>
<P>
O Inkatha foi fundado em 1975, depois da proibição do ANC e do Congresso Pan-Africano (PAC), tendo procurado surgir aos olhos de muitos como uma verdadeira alternativa àqueles movimentos, susceptível de lutar por que os negros da África do Sul alcançassem direitos de cidadania. Mas mais tarde, principalmente depois de ter começado a ser desmantelado o apartheid, verificou-se que estava a defender de forma muito especial as tradições da etnia zulu.</P>
<P>
Perante as reivindicações feitas durante a última semana pelo rei Goodwill e por Buthelezi, o ministro dos Assuntos Constitucionais, Roelf Meyer, esclareceu ontem à tarde que não é aceitável a idéia de uma província soberana, assuma ela a forma monárquica ou republicana.</P>
<P>
Tanto para o Partido Nacional como para o ANC, as províncias da África do Sul poderão gozar de vastos poderes autonómicos, mas de modo algum ser soberanas, pois que isso significaria o desmembramento do mais rico dos países africanos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77886">
<P>
Juiz ordena apreensão das gravações das conversas por rádio, das informações sobre o carro e de um vídeo</P>
<P>
Das agências internacionais*</P>
<P>
O juiz que investiga a morte de Ayrton Senna ordenou o confisco das gravações das conversas por rádio entre Senna e a Williams, durante o GP de San Marino, em Imola, domingo.</P>
<P>
O procurador Maurizio Passarino, que também investiga a morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger –ocorrida no sábado, durante o segundo treino oficial para o GP–, também pediu o confisco dos dados telemétricos do Williams.</P>
<P>
Esses dados são enviados, por rádio, do carro aos computadores da equipe, nos boxes, e contêm informações sobre o desempenho durante a prova.</P>
<P>
O procurador Passarini decidiu não ir a Mônaco, no próximo fim-de-semana, para interrogar os pilotos sobre os problemas de segurança em Imola.</P>
<P>
O próximo Grande Prêmio da temporada será disputado em Mônaco, no próximo dia 15.</P>
<P>
Durante a investigação, no entanto, ele deverá ouvir os seguintes pilotos: o austríaco Gerhard Berger (Ferrari), o alemão Michael Schumacher (Benetton), os italianos Michele Alboreto (Minardi), Andrea de Cesaris (Jordan) e Gianni Morbidelli (Arrows) e o brasileiro Rubens Barrichello (Jordan).</P>
<P>
A polícia italiana também confiscou uma fita de vídeo feita por um cinegrafista amador (veja o texto abaixo), que mostra Senna se queixando de problemas no asfalto de Tamburello, durante testes realizados em março.</P>
<P>
As duas mortes continuam a ser o assunto principal da imprensa esportiva italiana.</P>
<P>
O jornal esportivo de maior circulação na Itália, o "Corriere dello Sport", abriu ao público quatro aparelhos de fax, como parte de uma campanha chamada "Para não esquecer Senna".</P>
<P>
Mais de 4.000 fãs enviaram mensagens nos quatro dias da iniciativa.</P>
<P>
Vários rumores surgiram na imprensa italiana, como hipotéticas explicações para o acidente. Uma delas, de uma rádio de Bolonha, seria a de que o eixo principal da suspensão dianteira do Williams de Senna já teria pequenas fissuras, antes do acidente.</P>
<P>
Itamar</P>
<P>
O presidente Itamar Franco afirmou ontem, em Brasília, que está acompanhando com atenção a investigação sobre a morte de Senna.</P>
<P>
Itamar disse que ficou muito impressionado na última quarta-feira, durante o velório do piloto, quando Leonardo, irmão de Senna, explicou-lhe os riscos da curva Tamburello, onde o brasileiro bateu.</P>
<P>
"Quando Viviane, irmã de Senna, me abraçou e chorou, foi muito difícil para mim", acrescentou o presidente.</P>
<P>
*Colaborou RICARDO SETYON, especial para a Folha, de Bolonha</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-19545">
<P>
Ajuda para crianças de Malanje</P>
<P>
O Fundo das Nações Unidas para a Infância apelou, em Luanda, à comunidade internacional para contribuir com dois milhões de dólares para salvar da fome trinta mil crianças abandonadas em Malanje. Nesta cidade do centro norte de Angola concentram-se dezenas de milhar de refugiadose deslocados de guerra de províncias limítrofes. Joseph Christmas, representante da UNICEF em Angola, classificou de «desoladora e traumática» a sua recente visita a Malanje. Segundo afirmou, metade dessas trinta mil crianças sofrem de desnutrição grave.</P>
<P>
Médicos para Moçambique</P>
<P>
A Assistência Médica Internacional (AMI) vai participar em novas acções humanitárias em Moçambique, na sequência do acantonamento das tropas e da desmobilização militar. Esta organização humanitária anunciou ontem que vai enviar para Moçambique mais três missões constituídas por médicos, enfermeiros e pessoal logístico que deverão intervir em Muchene, na província de Tete, em Savane, no distrito de Sofala e em Sofala, no distrito de Muanza. Mais dois projectos para Moçambique foram entretanto apresentados à Secretaria de Estado da Cooperação, juntamente com outros três para Angola, no quadro da operação «Africamiga», lançada a 22 de Dezembro, por este departamento.</P>
<P>
Sismos em Itália e Espanha</P>
<P>
Um sismo de 4,9 graus da escala aberta de Richter foi ontem registado no Mediterrâneo, ao largo da Sicília (sudoeste de Itália), anunciaram os Serviços Sísmicos Regionais da Calábria. O abalo não provocou prejuízos. Também em Espanha foram registados, nos últimos dias, alguns sismos de pequena intensidade no sul de Espanha. Os especialistas prevêem mais abalos para os próximos dias. No passado dia 23 de Dezembro e anteontem, os abalos provocaram apenas nervosismo na população da província de Almeria.</P>
<P>
Responsável por chacina</P>
<P>
O presumível autor de uma chacina que provocou seis mortos e 19 feridos, a 7 de Dezembro, no Metro que fazia a ligação entre Nova Iorque a Long Island foi declarado responsável pelos seus actos pelos psiquiatras. Um psiquiatra e um psicólogo que examinaram Colin Ferguson, de 35 anos, afirmaram, na terça-feira, ao juiz do condado de Nassau, Ira Warshawsky, que o arguido compreendia as acusações existentes contra ele (mortes e apreensão de armas) e que estava em condições de participar na sua própria defesa. Ferguson, um desempregado residente em Brooklyn, armado com uma pistola semi-automática, disparou sobre os passageiros de um combóio, tendo recarregado a sua arma duas vezes e disparado entre 30 e 50 balas.</P>
<P>
«Maré branca» nas praias de França</P>
<P>
Depois de milhares de detonadores e de sacos de pesticidas espalhados pelas praias do norte ao sul da França, milhares de embarcações de leite de proveniência desconhecida encalharam ontem nas praias de Morbihan, provocando uma «maré branca». Esta está concentrada no Porto-Maria de Quiberon. O prefeito de Morbihan pediu já aos presidentes das câmaras das comunidades atingidas pela «maré branca» para que o conteúdo das embarcações seja fiscalizado pelos serviços veterinários. Se o leite proveniente do mar for considerado bom para consumo, será devolvido aos bancos alimentares.</P>
<P>
Pedidos de asilo baixam</P>
<P>
O número de pessoas que pediu asilo na Alemanha baixou de 26,4 por cento em 1993 em relação ao ano anterior, revelou o Ministério do Interior, ontem, em Bona. Os dados mais recentes indicam que foram registados 322.842 pedidos contra os 438.191 do ano anterior. No segundo semestre de 1993, durante o qual entrou em vigor uma nova lei limitando o direito de asilo, o número de pedidos diminuiu 60 por cento, (com 98.500) dos 251.317 referentes aos últimos seis meses de 1992. Dois terços dos pedidos de asilo feitos no ano passado vieram da Europa de leste e dos Balcãs, em especial da Roménia e da ex-Jugoslávia.</P>
<P>
Encontrados restos de naufrágio</P>
<P>
Um navio da guarda-costeira canadiana encontrou dois botes salva-vidas do cargueiro grego «Marika-7» que, supostamente, naufragou, no sábado, durante uma tempestade, a cerca de novecentos quilómetros a norte dos Açores. Ambos os botes estavam vazios -- informou um porta-voz da guarda costeira, adiantando que as buscas de possíveis sobreviventes e do barco naufragado continuam. A embarcação, de propriedade grega e de matrícula liberiana , com trinta marinheiros filipinos e seis oficiais gregos a bordo, transportava 150 mil toneladas de minério de ferro do Quebeque para a Holanda quando desapareceu dos sistemas de radar sem ter enviado qualquer sinal de perigo iminente.</P>
<P>
Temporal prejudica milhões de passageiros</P>
<P>
Uma tempestade de neve e uma acentuada descida de temperatura que provocou o congelamento da superfície das estradas e das vias férreas, afectaram, na terça-feira, milhões de passageiros no norte da costa leste dos Estados Unidos. O temporal assolou uma extensa zona entre a região de nova Inglaterra e o vale de Tennessee. Nos arredores de Washington, a acumulação de neve e de gelo obrigou ao encerramento de escolas em vários municípios. O aeroporto de Logan, em Boston, esteve encerrado durante mais de quatro horas, enquanto o terminal aéreo internacional de Pittsburg cancelou também as suas actividades. Diversos voos no corredor Nova Iorque-Connecticut foram suspensos e o tráfego ferroviário foi limitado ao mínimo no corredor do nordeste e fortemente alterado entre Newark, New Jersey e Nova Iorque. A tempestade acumulou entre 15 e 20 centímetros de neve nas zonas mais afectadas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-6988">
<P>
Opinião</P>
<P>
Jonathan Steele*, em Joanesburgo</P>
<P>
Tomar posse, não o poder</P>
<P>
A direcção do Congresso Nacional Africano tinha uma agenda secreta para as eleições do fim de semana na África do Sul. Segundo fontes próximas de Nelson Mandela, o objectivo era não ganhar de forma esmagadora.</P>
<P>
Levar o Partido Inkhata da Liberdade do chefe Buthelezi a uma expressão eleitoral de um dígito, a nível nacional, era também um objectivo não declarado, mas o mesmo já não se aplicava em relação ao Partido Nacional. Uma vitória em que o ANC obtenha 60 por cento e o PN 20 por cento seria muito melhor do que uma em que o ANC obtivesse 70 por cento e o PN 10.</P>
<P>
Os conselheiros de Mandela dizem que o presidente do ANC tornara claro muito antes da ida às urnas que não só espera, como deseja que F. W. de Klerk obtenha um naco importante no estranho e novo animal africano que está prestes a nascer. Foi decidido há meses que, segundo a Constituição interina, haverá durante os próximos cinco anos um governo multirracial de unidade nacional.</P>
<P>
Aquilo que não podia ser previsto era a divisão do poder dentro desse Governo. A partir de agora, à medida que as proporções exactas ganhas pelos vários partidos nas eleições forem sendo conhecidas, Nelson Mandela (a menos que alguma coisa venha ainda a correr dramaticamente mal) será o homem que vai começar a escolher os seus membros.</P>
<P>
Depois de décadas cruéis de apartheid, de um quarto de século na cadeia, pode parecer estranho que Mandela queira partilhar o poder com o PN. A razão é a mesma que o guiou, bem como aos seus principais colaboradores, durante os quatro anos de negociações. Eles continuam a ter ainda grande apreensão face ao poder da chamada «terceira força», a amálgama de funcionários superiores, brancos, do aparelho de segurança e da polícia, que poderia sabotar um novo governo multirracial.</P>
<P>
À medida que se aproxima do poder, o ANC também aumenta a consciência que tem da distância que vai entre a competência técnica dos profissionais brancos que serviram o apartheid e aquela dos seus próprios quadros. Como os bolcheviques, que descobriram ter que confiar na administração czarista depois de 1917 se queriam que a infraestrutura administrativa não se desmoronasse, o ANC precisa dos tecnocratas brancos, «porque eles tiveram as oportunidades que nos foram negadas», como Mandela costuma dizer.</P>
<P>
De Klerk é o homem que pode sossegar o primeiro grupo e evitar que o segundo fuja, como aconteceu com os portugueses em Angola e Moçambique. Mas não se trata apenas de manter de De Klerk como vice-Presidente de nome e de facto como fantoche. Ele tem que ser uma parte genuína no governo.</P>
<P>
Emocionalmente, isto não é sempre fácil de aceitar. «Vamos dar-lhe tarefas protocolares, como a inauguração de hospitais», disse um conselheiro de Mandela. O plano seria «empurrar» de Klerk para cima, na vice-Presidência, enquanto o poder real caberia ao governo.</P>
<P>
Em momentos de maior realismo, conselheiros do ANC argumentam que De Klerk deve ter um papel real no governo. Isso iria ao ponto de fazer concessões a ele e à comunidade branca que ele representa. «Ele deve poder ir ao seu eleitorado e dizer que nos fez mudar de objectivos», disse na semana passada um dos principais estrategos de Mandela.</P>
<P>
Mandela parece ter aceite esta linha. A bicicleta de dois lugares que Mandela e de Klerk têm conduzido nos últimos dois anos vai continuar a rodar, com a diferença de, a partir de agora, os dois homens mudarem de posição. Mandela será o homem com as mãos no guiador.</P>
<P>
No intuito de desarmar a direita branca, Mandela também está a pensar em dar um cargo governamental ao General Constand Viljoen, líder da Frente da Liberdade, e antigo comandante da Força de Defesa da África do Sul. O General Viljoen desempenhou um papel fundamental no caminho para as eleições, ao dividir a direita branca e ao decidir participar na consulta popular.</P>
<P>
[...] Outros conselheiros de Mandela dizem que o campo de batalha se mudou para a economia. O problema aqui, dizem eles, é ter a certeza sobre quem está a escolher quem para o novo governo. A «terceira força» não é nada, comparada com o poder invisível e difuso que a comunidade empresarial tem ao seu dispor.</P>
<P>
Com um pequeno grupo de conglomerados gigantescos a controlarem a maior parte da economia sul-africana, existe uma concentração de propriedade como não há em qualquer outro país desenvolvido.</P>
<P>
[...] Mandela não é economista, mas uma das suas principais tarefas será escolher quem ficará encarregado da política económica. Os dois principais candidatos para a chefia do governo são Cyril Ramaphosa e Thabo Mbeki. Embora Mbeki seja economista de formação, é considerado demasiado brando e, devido aos longos anos de exílio, menos preparado que Ramaphosa, que criou o primeiro sindicato mineiro negro e se tornou depois no secretário-geral do ANC e principal negociador com o governo.</P>
<P>
As eleições históricas da semana passada deram finalmente à maioria dos sul-africanos a hipótese de influenciarem a criação do governo que querem. Nas mentes mais sóbrias da direcção do ANC existe a consciência de que o partido está apenas a tomar posse, mas não está a tomar o poder.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-81143">
<P>
Da Agência Folha, em Fortaleza</P>
<P>
A chuva que atingiu Fortaleza (CE) nos últimos três dias deixou 18 famílias desabrigadas no bairro da Lagoa do Tijolo, zona sul da capital. As casas ficaram inundadas e desabaram com a força da água. Os moradores foram transferidos para as casas dos vizinhos.</P>
<P>
Na favela Ilha Dourada, na periferia, mais de 20 famílias tiveram as casas alagadas. O rio Maranguapinho transbordou e ameaça atingir outras 400 casas da favela.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22686">
<P>
O percussionista Jéferson Brás Teixeira, do grupo Negritude Jr. (foto), ficou ferido em um acidente de carro anteontem em Barueri (Grande SP). O carro que ele dirigia bateu em uma camionete que trafegava na contramão pela estrada dos Romeiros. O músico não teve ferimentos graves e deve receber alta hoje.</P>
<P>
O NÚMERO </P>
<P>
1 </P>
<P>
apostador acertou sozinho as seis dezenas do concurso 362 da Sena. O ganhador, de Luziânia (GO), vai receber o maior prêmio já pago pela Sena, de R$ 1.606.399,31. O valor equivale 203 carros Mille Eletronic, modelo "popular" fabricado pela Fiat. O carro custa R$ 7.899.</P>
<P>
Tubarão é capturado por pescadores em PE </P>
<P>
Um tubarão de 2,30 metros foi capturado ontem por pescadores na praia de Maria Farinha, litoral norte de Pernambuco. O animal foi retalhado e a carne, distribuída a moradores. De janeiro de 94 até ontem, 11 surfistas haviam sido atacados por tubarão no Estado. Um deles morreu.</P>
<P>
Pai espanca e mata bebê em São Luís </P>
<P>
O açougueiro José Jorge Carvalho, 35, foi preso em São Luís (MA) acusado de espancar e matar a filha Fernanda Cristina, de um ano e seis meses. Ele confessou o crime na sexta-feira. Segundo o Instituto Médico Legal, o bebê tinha sinais de espancamento na cabeça, no braço direito e na perna esquerda.</P>
<P>
Falta de água afeta bairros de São Paulo </P>
<P>
Pelo menos dez bairros das zonas sul e leste de São Paulo têm enfrentado problemas de falta de água. Segundo a Sabesp, o motivo é o aumento de 20% 20% no consumo, causado pelo calor. A cidade registrou nos últidos seis dias temperatura acima de 30oC.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-69182">
<P>
Tim Yeo, do Meio Ambiente, renuncia um dia depois de dizer que não deixaria o cargo</P>
<P>
HUMBERTO SACCOMANDI</P>
<P>
De Londres</P>
<P>
Um caso de adultério provocou ontem a renúncia do ministro do Meio Ambiente do Reino Unido, Tim Yeo. Há 11 dias ele lutava para se manter no cargo, após admitir ter tido uma filha numa relação extraconjugal. O escândalo causou embaraço para o governo do premiê John Major, que está realizando uma cruzada pelo retorno a valores tradicionais da sociedade.</P>
<P>
Yeo, 48, renunciou menos de 24 horas depois de anunciar que não deixaria o cargo por causa da pressão da imprensa. Ontem à tarde, porém, ficou claro que ele não tinha o apoio de seus colegas do Partido Conservador, nem dos membros do partido no seu distrito de origem, Suffolk (leste do país).</P>
<P>
O ministro, que é casado e tem dois filhos adultos, teve uma breve relação com Julia Stent, 34, vereadora num distrito de Londres. O caso aconteceu durante a convenção do Partido Conservador em 1982. Stent, que é solteira, ficou grávida e deu à luz uma menina em julho de 1993.</P>
<P>
Yeo admitiu ter agido "tolamente", mas afirmou que uma questão privada não deveria influenciar no destino de um ministro. "Minha vida privada jamais afetou meu tabalho como ministro", afirmou. Com o apoio de sua família e de Stent, que não se pronunciou nesse período, ele esperava poder manter seu cargo.</P>
<P>
Hipocrisia</P>
<P>
Apesar de adultério ser um problema grave para um ministro no Reino Unido, o que obrigou Yeo a renunciar foi a imagem de hipocrisia que ele transmitiu. Num momento em que o governo defende a volta a valores conservadores e ataca as mães solteiras como "um dos maiores problemas sociais de nossos tempos", espera-se que um ministro dê exemplo, não que se veja envolvido num escândalo como esse.</P>
<P>
"Estávamos preocupados com as críticas e a decepção expressadas por membros do partido e pedimos a Yeo que refletisse sobre essas opiniões", disse uma colega de partido do ministro. Em sua carta de renúncia, Yeo disse que renunciava "com profunda tristeza". O premiê Major respondeu que lamentava a perda do "talento de um eficiente ministro".</P>
<P>
Ironicamente, foi do Partido Tralhista, de oposição, que veio o maior apoio a Yeo. Os trabalhistas defendem que a vida privada de um político não deve ter repercussões na vida pública.</P>
<P>
Yeo se soma à lista de políticos conservadores vítimas de aventuras amorosas fora do casamento. O último caso ocorreu em 1992, quando David Mellor, então ministro da Cultura e amigo pessoal de Major, renunciou quando se descobriu que ele teve um caso com uma atriz.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33015">
<P>
Tricampeão da Fórmula 1bateu a quase 300 km/h em Imola</P>
<P>
Corpo do piloto deve serembarcado hoje para o Brasil</P>
<P>
FLAVIO GOMES</P>
<P>
Enviado especial a Imola</P>
<P>
O tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna morreu ontem aos 34 anos após sofrer acidente em Imola (Itália). O piloto brasileiro largou na frente e liderava o Grande Prêmio de San Marino quando, na sétima volta, perdeu o controle do carro, possivelmente devido a falha na suspensão. O Williams/Renault bateu contra o muro na curva Tamburello a quase 300 km/h.</P>
<P>
Inconsciente, Senna foi retirado dos destroços e recebeu atendimento de emergência estendido na pista. Foi levado de helicóptero ao hospital Maggiore (Bolonha). Tinha traumatismo craniano múltiplo e lesões cerebrais graves. Senna morreu às 13h42 (horário de Brasília, 18h42 locais).</P>
<P>
Na sexta, o brasileiro Rubens Barrichello bateu em Imola. No sábado, Roland Ratzenberger sofreu acidente fatal. Ontem, uma batida invalidou a primeira largada. Após o acidente com o piloto brasileiro, quatro mecânicos foram atropelados. A prova foi vencida por Michael Schumacher (Benetton), que dispara na liderança do campeonato. O piloto alemão disse que quer uma cruzada por mais segurança na F-1.</P>
<P>
Ayrton Senna da Silva foi o maior esportista brasileiro desde Pelé. Paulistano, solteiro, chegou à F-1 em 84 depois de acumular nove títulos nas categorias inferiores.</P>
<P>
Fez 65 poles e venceu 41 provas. Foi campeão em 88, 90 e 91 pela McLaren. O presidente Itamar Franco divulgou nota em que se solidarizou com os pais de Senna "nesta hora em que todos nós perdemos um ídolo e eles perdem o filho". O presidente decretou luto oficial em todo o país. O corpo do piloto deve embarcar para o Brasil hoje. Leia a cobertura no caderno Senna.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22355">
<P>
África do Sul vai ter mediação internacional</P>
<P>
Nem tudo está perdido</P>
<P>
O ANC, de Nelson Mandela, que tenta a todo o custo que o maior número possível de formações políticas vá às eleições gerais de 26 a 28 de Abril, formalizou ontem a sua aceitação de uma proposta da Aliança da Liberdade para que haja mediação internacional no conflito constitucional sul-africano.</P>
<P>
O líder do Partido Inkatha, principal força da Aliança, Mangosuthu Buthelezi, dissera pouco antes que entraria em campanha logo que começasse a mediação externa, mas ainda ninguém sabe muito bem qual a forma que esta irá assumir.</P>
<P>
As inscrições para o acto eleitoral devem terminar hoje à noite e Buthelezi gostaria que a ida às urnas ficasse para mais tarde, mas até agora o governo e o ANC não transigiram nesse ponto, pelo que tudo continua marcado para o fim de Abril, devendo os resultados ser conhecidos apenas 48 horas depois do encerramento das assembleias; ou seja, na noite de 30 de Abril, um sábado.</P>
<P>
O Presidente Frederik de Klerk ainda não comentara ontem à tarde a aceitação pelo ANC da proposta de mediação feita por aqueles que não aceitam a Constituição interina na sua forma actual, mas na véspera observara haver já pouco tempo para novos ajustamentos, antes das eleições.</P>
<P>
Reunidos ontem na Cidade do Cabo, durante perto de três horas, os dirigentes da Frente do Povo Afrikaner, do Inkatha e do Bophuthatswana, que constituem a Aliança da Liberdade, corroboraram a anterior proposta de Buthelezi no sentido de ainda poderem ir às urnas se acaso houver mediação internacional.</P>
<P>
Trata-se agora de conseguir que a ONU, os Estados Unidos, a União Europeia ou qualquer outra instância internacional ajudem a ultrapassar as divergências ainda em aberto entre os grupos que desde sempre aceitaram as eleições, como o ANC e o Partido Nacional, e os que se têm mostrado extremamente renitentes, por desejarem fortes poderes autonómicos para as diferentes regiões e grupos étnicos.</P>
<P>
O processo de transição da África do Sul para a plena democracia é um dos mais complicados jogos políticos a que o mundo assistiu na última década, pelo que tão depressa parece estar-se à beira da catástrofe como se admite que quase tudo possa ainda ser salvo.</P>
<P>
A menos de dois meses</P>
<P>
As enormes riquezas sul-africanas, a começar pelo ouro, fazem com que o mundo não seja de forma alguma indiferente ao que ali se passa e que as grandes potências se empenhem muito a sério na salvação daquele que poderá ser um autêntico motor do desenvolvimento económico de grande parte da África.</P>
<P>
Washington e Londres sabem que, no dia em que o processo democratizador patrocinado nos últimos anos por De Klerk fosse por água abaixo, degenerando em drama, se perderiam as últimas esperanças de desenvolver nos territórios africanos abaixo do Equador uma próspera sociedade multiracial.</P>
<P>
Por isso é que não faltará decerto quem se preste ao papel de medianeiro e de apaziguador das tensões existentes, de modo a que as primeiras eleições livres abertas a todo o povo da África do Sul não constituam de forma alguma pretexto para uma terrível carnificina.</P>
<P>
Os resultados só serão anunciados 48 horas depois de fecharem as assembleias de voto para que a Comissão Eleitoral Independente possa receber durante esse período quaisquer queixas que haja sobre tudo o que acontecer de 26 a 28 de Abril, não ficando as queixas dependentes dos partidos gostarem ou não dos resultados obtidos. E não se permitem sondagens à saída das urnas, nem sequer a divulgação de quaisquer sondagens nas três semanas anteriores ao acto eleitoral. J.H.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-18968">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Luiz Flávio Bertolucci Pignatari, 18, o "Gé", foi reconhecido ontem por duas testemunhas como o autor do tiro que matou a dona-de-casa Vilma de Souza Buran, 42. O crime aconteceu em 30 de novembro passado na rua Caiowáas, em Perdizes (zona oeste de São Paulo). Vilma havia ido buscar o filho Bruno, 11, na escola e foi morta por um ladrão que queria seu Santana.</P>
<P>
Pignatari foi preso em flagrante em 29 de dezembro de 93 sob a acusação de assaltar o apartamento do médico Arildo Lobo na rua Tabapuã, no Itaim Bibi (zona oeste). No 15.º DP, ele confessou ter participado três dias antes do assalto a um prédio da rua Jacurici em que foram mortos o empresário Jairo Ferreira, 46, e seu filho Alexandre, 19.</P>
<P>
Pignatari já era suspeito da morte de Vilma antes de ser detido. "Ele deveria depor nesse caso no dia em que foi preso no Itaim Bibi", afirmou o delegado Carlos Alberto Ferreira Sato, 38, da Divisão de Homicídios. Segundo o delegado, as duas testemunhas não tiveram dúvidas em apontar Pignatari. No dia do crime ele estaria vestindo chinelos de dedos, bermuda e camisa.</P>
<P>
Segundo a professora Miriam Bertolucci, 47, mãe do acusado, seu filho não estava em São Paulo no dia do crime. A polícia pretende ouvir o depoimento do acusado na próxima semana. Só então ele deverá ser indiciado. "Estamos investigando a possibilidade de um outro homem ter participado do crime de Perdizes", disse o delegado, que não revelou a identidade das testemunhas.</P>
<P>
O grupo do qual Pignatari fazia parte também é suspeito da morte do estudante Fernando Martins Veloso em dezembro passado. Além de Pignatari, estão presos Arnaldo Rogério Sena, 18, o "Buiu", e Fábio Teixeira, 23, o "Lalá". Esses dois também são acusados do crime da rua Jacurici.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71083">
<P>
De Londres</P>
<P>
Um atentado terrorista paralisou na noite de ontem o aeroporto de Heathrow, em Londres. Cinco obuses de morteiro foram disparados de um carro estacionado nas proximidades do aeroporto. Um telefonema para uma TV advertiu sobre o ataque, que não provocou vítimas. A polícia suspeita do Exército Republicano Irlandês (IRA, separatista).</P>
<P>
O principal aeroporto de Londres e um dos mais movimentados do mundo ficou algumas horas interditado ontem, sob alerta máximo de segurança contra terrorismo. A M4, uma das maiores rodovias do país, que passa ao lado do aeroporto, continuava interditada à noite.</P>
<P>
Os morteiros, acionados por controle remoto, foram disparados de um carro estacionado junto a um hotel ao lado do aeroporto. Os obuses destruíram pelo menos dois carros, mas não chegaram a causar danos importantes à estrutura do aeroporto ou às pistas. As granadas aparentemente não explodiram com o impacto.</P>
<P>
Até a noite de ontem ainda não havia sido estabelecida com precisão a autoria do atentado. A principal suspeita recai sobre o IRA, grupo que luta contra o domínio britânico na Irlanda do Norte.</P>
<P>
O IRA costuma atacar meios de transporte no Reino Unido, como parte de uma estratégia de provocar danos materiais e perturbar ao máximo a vida da população do país. O grupo também costuma advertir antes de seus ataques, para evitar vítimas civis. Os terroristas do IRA geralmente usam bombas e não morteiros.</P>
<P>
(HuSa)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-90977">
<P>
Novo acordo internacional para reduzir a chuva ácida</P>
<P>
Um pacto a cheirar a enxofre</P>
<P>
Vários países europeus e o Canadá assinaram ontem, em Oslo (Noruega), um novo acordo internacional para diminuir a chuva ácida através da redução das emissões de dióxido de enxofre. Dos 33 países representados na reunião, apenas sete não assinaram o pacto do enxofre mas, destes, Portugal, a Irlanda, a Bielorrússia e a Hungria manifestaram intenção de o fazer «em breve», segundo diz a Reuter.</P>
<P>
Em Oslo, em representação de Portugal, esteve Gabriela Borrego, directora do Instituto de Meteorologia (IM). O PÚBLICO, porém, não conseguiu saber junto do Ministério do Ambiente -- de quem o IM depende -- qual a posição defendida por Portugal, qual a redução nas emissões de dióxido de enxofre que o país tenciona fazer, nem a data na qual se compromete a atingir essa redução.</P>
<P>
O novo pacto do enxofre, elaborado no âmbito da Comissão Económica para a Europa das Nações Unidas, pretende reduzir drasticamente as emissões daquele poluente na maioria dos países europeus e na América do Norte. A chuva ácida resulta da combinação do dióxido de enxofre e dos óxidos de azoto com a água da chuva, do que resulta a formação de ácido sulfúrico e ácido nítrico. Ambos ameaçam a saúde humana, a vida animal e vegetal, os lagos, as florestas e os monumentos, mas dos dois o mais pernicioso é o dióxido de enxofre, produzido pela queima do carvão e do petróleo.</P>
<P>
Thorbjoern Berntsen, o ministro do Ambiente norueguês, que presidiu à reunião, considerou que ela tinha constituído «um importante passo na direcção certa, mas não o suficiente». Os delegados em Oslo comprometeram-se ainda a acelerar as conversações sobre novas medidas para reduzir as emissões de óxidos de azoto, libertados por fontes que vão dos tubos de escape dos automóveis às centrais termoeléctricas.</P>
<P>
O novo pacto do enxofre veio substituir um outro, assinado em 1985, ao abrigo do qual as nações europeias deveriam reduzir as emissões de dióxido de enxofre em 30 por cento até 1993. A novidade do novo acordo é que ele estabelece metas diferentes para cada país.</P>
<P>
À Alemanha caberá a maior redução: este país comprometeu-se a diminuir as emissões em 87 por cento até ao ano 2005, (em relação aos níveis de 1980). Seguem-se-lhe a Suécia, a Finlândia, a Dinamarca e a Áustria, que farão reduções de 80 por cento até à mesma data. Pela primeira vez, a Grã-Bretanha aceitou assinar o acordo e comprometeu-se a fazer reduções de 80 por cento até ao ano 2010. Quanto à Noruega, reduzirá as emissões em 76 por cento. A Grécia fará reduções de apenas quatro por cento, porque o seu solo rico em cálcio neutraliza a chuva ácida. Quanto ao Canadá, concordou numa redução de 30 por cento, mas os Estados Unidos não assinaram o novo pacto argumentando que já têm um plano que garante reduções semelhantes.</P>
<P>
Reuter e PÚBLICO</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-24891">
<P>
CDS alerta</P>
<P>
O «barril de pólvora» das grandes obras em Lisboa</P>
<P>
A comissão política distrital do CDS analisou ontem os previsíveis problemas que vão decorrer do enorme volume de obras a que Lisboa vai estar sujeita nos próximos anos, para as quais prevê que sejam necessários 100 mil trabalhadores, a maioria mão-de-obra importada, que não terá um tecto ou condições mínimas de integração social.</P>
<P>
«Isto é um autêntico barril de pólvora e um gigantesco problema em que desde já tem de se começar a pensar, porque as obras têm que se fazer. Mas é preciso assumir os problemas que elas vão levantar. Em que tecto vão dormir estas pessoas? Como vão comer e viver? Que condições sociais temos? É urgente encarar esta situação, porque ela irá por certo gerar desintegração social e arrastando com ela um aumento da marginalidade», disse ao PÚBLICO Pedro Feist, vereador do CDS-PP na Câmara de Lisboa e um dos membros da comissão distrital que participou na reunião.</P>
<P>
Além do extenso rol de grandes obras previstas, uma boa parte a promover pelo Estado e pelas autarquias, há que contar também com as obras particulares que «terão de continuar a ser feitas, até porque muitas centenas estão já licenciadas pela Câmara de Lisboa», salienta o centrista popular.</P>
<P>
Entre as grandes obras previstas para os próximos anos, Pedro Feist inclui as da Expo-98, as da nova ponte do Montijo e a da introdução do comboio na ponte 25 de Abril, as dos eixos viários da CRIL, CREL e Eixo Norte-Sul, as do Programa Especial de Realojamento, o PER, que terá de construir 30 mil fogos e as do PIMP».</P>
<P>
Mas a lista não fica por aqui e num rol não exaustivo Pedro Feist enumera ainda outras obras, como «a do aterro da Boavista, a do Centro Cívico dos Olivais, a da urbanização da zona do mercado 31 de Janeiro, nas Picoas, os projectos da EPUL, a recuperação do Chiado, outros 3 mil fogos a erguer por cooperativas, a urbanização, na Rua Artilharia Um, do quartel que pertencia ao Ministério da Defesa, a do bairro Nova Campolide, o terciário em torno do Hotel Hilton, ou ainda o Centro Colombo».</P>
<P>
«Isto é um diagnóstico diabólico e o que perguntamos é se não vale a pena desde já pensar nos problemas sociais que se vão desencadear. Há que equacionar a questão: que tecto haverá para as novas 100 mil pessoas que virão de fora, porque é sabido que em Lisboa não há capacidade, em mão-de-obra, para todas estas obras e elas são irreversíveis», salientou Pedro Feist.</P>
<P>
Na reunião foi também discutida a questão do Pozor, o Plano de Ordenamento da Zona Ribeirinha elaborado pela Administração do Porto de Lisboa, que, no entender do CDS-PP «não tem capacidade para ser urbanista e para poder retalhar o governo da cidade».</P>
<P>
«O Porto de Lisboa deve tratar do porto, mas não deve funcionar com planos feitos como se a cidade não existisse, criando dois governos e retalhando-a», afirmou o vereador do CDS-PP. F.R.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-79008">
<P>
FIA divulgou calendário da Fórmula 1</P>
<P>
Argentina manteve abertura</P>
<P>
O conselho mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA) anunciou ontem, em Londres, o calendário definitivo para a época de Fórmula 1 de 1995, que vai começar com o Grande Prémio da Argentina, a 12 de Março. Existem, contudo, algumas dúvidas quanto à aprovação do circuito de Buenos Aires, dependente de uma inspecção final a realizar no dia 22 de Janeiro. O GP de Portugal vai disputar-se a 24 de Setembro.</P>
<P>
O Presidente da Argentina, Carlos Menem, assegurou esta semana que o GP do seu país será disputado em 1995, acrescentando que a prova será a realização de um dos seus «sonhos mais queridos», mas os organizadores argentinos têm de convencer a FIA de que farão no circuito do Parque Almirante Brown as obras necessárias para o colocar de acordo com as normas internacionais. O regresso da F1 a Buenos Aires esteve previsto já para este ano, mas a falta de condições no circuito levou à sua substituição.</P>
<P>
De acordo com as decisões tomadas ontem pelo conselho mundial da FIA, os circuitos de Interlagos (Brasil), Ímola e Monza (estes dois em Itália) estão ainda sujeitos à aprovação da federação. No calendário ontem apresentado, destaca-se a inclusão do GP de San Marino, em Ímola -- onde, este ano, morreram os pilotos Ayrton Senna e Roland Ratzenberger --, ainda que os trabalhos para reforço das condições de segurança tenham de estar concluídos até ao próximo dia 31 de Janeiro.</P>
<P>
O GP da Europa foi marcado para o circuito alemão de Nurburgring, que a F1 não visita desde 1985. O GP da Hungria foi fixado para o dia 13 de Agosto, mas apenas como prova de reserva, para o caso de qualquer outra corrida não se realizar.</P>
<P>
O calendário para 1995 é o seguinte: GP da Argentina (Buenos Aires), 12 de Março; GP do Brasil (Interlagos), 26 de Março; GP do Pacífico (Aida, Japão), 16 de Abril; GP de San Marino (Ímola), 30 de Abril; GP de Espanha (Barcelona), 14 de Maio; GP do Mónaco, 28 de Maio; GP do Canadá (Montréal), 11 de Junho; GP de França (Magny Cours), 2 de Julho; GP de Inglaterra (Silverstone), 16 de Julho; GP da Alemanha (Hockenheim), 30 de Julho; GP da Bélgica (Spa-Francorchamps), 27 de Agosto; GP de Itália (Monza), 10 de Setembro; GP de Portugal (Estoril), 24 de Setembro; GP da Europa (Nurburgring, Alemanha), 8 de Outubro; GP do Japão (Suzuka), 29 de Outubro; GP da Austrália (Adelaide), 12 de Novembro.</P>
<P>
Lamy recuperado</P>
<P>
O português Pedro Lamy efectuou esta semana o primeiro teste com um Fórmula 1 desde o acidente, em Maio, que o afastou vários meses das pistas. Lamy completou 45 voltas ao circuito de Barcelona com um Sauber-Mercedes, considerando o teste de três dias muito positivo, embora se tenha ressentido do alargado período de inactividade forçada.</P>
<P>
Se os joelhos, a sua maior preocupação, não causaram quaisquer problemas ao jovem piloto português, o tempo que ficou afastado das pistas retiraram força aos músculos do pescoço, pelo que as últimas voltas de cada um dos três dias de testes foram sempre menos boas. Na quinta-feira, último dia da sessão promovida pela Sauber, Lamy cumpriu duas voltas em 1m24,57s, utilizando pneus novos, ficando ainda assim a cerca de dois segundos dos dois pilotos da equipa, Heinz-Harald Frentzen (já confirmado para a próxima época) e Karl Wendlinger (apostado em confirmar a sua completa recuperação, após o acidente no GP do Mónaco, para regressar à equipa suíça).</P>
<P>
O mais rápido nesta sessão de testes foi Frentzen (1m22,20s), seguido por Wendlinger (1m22,92s), Lamy (1m24,57s), Kris Nissen (1m24,80s) e Norberto Fontana (1m29,75s), todos em Sauber-Mercedes. A Jordan-Peugeot também esteve presente na pista de Barcelona, primeiro com Eddie Irvine (1m24,10s com o novo motor de 3 litros e 1m24,36s com o antigo motor de 3,5 litros) e depois com Laurent Aiello (1m26,65s).</P>
<P>
PÚBLICO/Reuter</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-63202">
<P>
Vulcão adormecido ameaça acordar a China</P>
<P>
Um vulcão situado nos montes Changbai, na província de Jilin, no nordeste da China, adormecido há quase 300 anos, mostrou recentemente sinais de actividade e os cientistas chineses estimam que o risco de erupção é «sério», noticiou a France-Presse citando a agência noticiosa Nova China. Os estudos das emanações de gás provenientes do vulcão Tianchi, assim como os vários pequenos tremores de terra que foram registados ao longo dos dois últimos anos na região, mostram que existe um grave perigo de erupção, segundo a Nova China, que refere estudos feitos por investigadores dos Estados Unidos, Alemanha e Japão que chegaram à mesma conclusão.</P>
<P>
Segundo reza a História, este vulcão, adormecido desde 1702, conheceu entre os anos de 750 e 960 violentas erupções. Actualmente, uma lenda diz que no lago que se encontra na sua cratera vive agora um monstro. A criatura, que faz tremer os habitantes da região desde o princípio do século, reapareceu no último verão e dois grupos de turistas, chineses e coreanos, afirmam tê-lo visto à superfície.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-10359">
<P>
CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA</P>
<P>
De Washington</P>
<P>
Na quarta-feira passada, durante o briefing diário do Departamento de Estado para jornalistas estrangeiros, era fácil perceber a dimensão do problema que os EUA têm pela frente hoje, quando começar a reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Otan.</P>
<P>
O discurso oficial dos EUA é de que a adesão à Otan de países da Europa oriental, os ex-inimigos que se alinhavam na Pacto de Varsóvia, é mais do que bem-vinda. Nem poderia ser diferente. Qual vencedor de qualquer guerra não gostaria de ter antigos adversários como aliados formais?</P>
<P>
Mas as coisas estão longe de ser tão simples. Primeiro, o ex-superinimigo, a atual Rússia, não gosta nem um pouco da idéia de suas ex-províncias, como a Lituânia, e de seus ex-satélites, como Hungria, Polônia, Eslováquia e República Tcheca, aderirem aos ex-adversários.</P>
<P>
Boris Ieltsin não poderia ter sido mais explícito do que foi em relação pelo menos à Lituânia, esta semana. O ex-superinimigo dos EUA é hoje um superaliado que não pode deixar de ser atendido. Por isso, Washington tem que ser cautelosa quando trata de assunto tão suscetível.</P>
<P>
Depois, há o problema dos ex-aliados. Os países da Europa ocidental, que ajudaram os EUA a ganhar a Guerra Fria, temem a perda de influência que terão na Otan com a chegada à agremiação de novos sócios. Por isso, querem garantir pelo menos maior autonomia em relação aos EUA.</P>
<P>
Todas essas sutilezas ficaram claras na quarta-feira, enquanto o porta-voz do Departamento de Estado, Michael McCurry, esgrimia eufemismos para contornar as perguntas dos jornalistas: "Qual o grau de compromisso que os EUA têm na Otan com as ex-repúblicas soviéticas?".</P>
<P>
"É o compromisso permitido pela artigo 4 da Carta da Otan, que autoriza a inclusão de parceiros na organização e abre a possibilidade de filiação à entidade", respondeu McCurry.</P>
<P>
"Se um membro da Otan é atacado, todos os outros membros têm que defendê-lo. O que acontece se um parceiro para a paz for atacado?", perguntou a Folha.</P>
<P>
"O parceiro para a paz, de acordo com o artigo 4, tem o direito de consultar os outros membros da Otan", respondeu McCurry. Jornalistas da Hungria e da antiga Tcheco-Eslováquia se perguntavam, depois do briefing, de que teria valido a seus países, em 1956 e 1968, quando foram invadidos pela URSS, ter sido na época "parceiros para a paz" da Otan.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-7953">
<P>
Primeira «pole-position» para piloto e equipa</P>
<P>
Chuva foi aliada de Barrichello</P>
<P>
Luís Vasconcelos em Spa-Francorchamps</P>
<P>
Beneficiando das condições da pista, muito molhada, Rubens Barrichello e a Jordan-Hart conseguiram manter-se na «pole-position» para o GP da Bélgica. É a primeira vez que o piloto paulista e a equipa irlandesa arrancam do primeiro lugar da grelha. Rubinho dedicou a «pole» a Ayrton Senna, o campeão brasileiro que morreu na pista de Ímola.</P>
<P>
Rubens Barrichello e a Jordan-Hart sofreram muito ontem à tarde, em Spa-Francorchamps, durante os decisivos 60 minutos da última sessão qualificativa para o Grande Prémio da Bélgica, que se disputa hoje a partir das 14h00 (transmissão em directo na TV2). Mas valeu a pena. Ninguém conseguiu retirar-lhes a primeira «pole-position» das suas carreiras, conquistada na tarde de sexta-feira, e o fim do treino marcou o início da festa nas boxes da equipa sediada em Silverstone.</P>
<P>
A ausência de chuva ao longo de todo o treino fez com que a expectativa durasse até ao último minuto, mas a pista continuava muito molhada, depois de uma chuvada durante a manhã ter aumentado as esperanças de Barrichello em manter a sua «pole-position», até então provisória. Poucos pilotos saíram para a pista quando o treino começou, pois era evidente que, com aquelas condições, os tempos da véspera não poderiam ser batidos. Só Christian Fittipaldi, que não registara qualquer tempo na primeira sessão, por ter partido o motor do seu Footwork-Ford, atacou a fundo, conseguindo substituir Bertrand Gachot no último lugar da grelha. Como habitualmente, os dois Pacific-Ilmor não se qualificaram.</P>
<P>
A meio do treino, chegou a parecer que a pista poderia ficar em melhores condições do que na véspera, mas um aguaceiro foi então providencial para Barrichello. Depois, todos os esforços feitos no final da sessão por Schumacher, Alesi e Hill não foram suficientes para retirar o paulista da «pole-position».</P>
<P>
Barrichello, de 22 anos, acabou mesmo por garantir a melhor posição da grelha de partida sem sequer ter saído para a pista, valendo-lhe o esforço feito na última volta do primeiro treino. No final do treino, mais calmo do que no dia anterior, o piloto brasileiro explicou a sua estratégia: «Se tivesse chovido durante a qualificação, iríamos treinar, para ver o comportamento do carro. Sem chuva, tivemos de ficar a ver os outros andar, porque não queríamos colaborar na eventual secagem da trajectória. Mesmo assim, estou bem mais cansado do que se tivesse tomado parte no treino.»</P>
<P>
«Pole» dedicada a Ayrton Senna</P>
<P>
Mas se tinha desaparecido a emoção demonstrada pelo piloto no dia anterior, Barrichello não deixou de se mostrar extremamente satisfeito com a sua privilegiada posição na grelha: «Quero saborear bem este momento, porque já há muito tempo que não estava numa `pole', mas isso não me pode distrair do principal, que é a corrida.» Neste momento de alegria, em parte proporcionado pela chuva, Rubinho não esqueceu o seu compatriota Ayrton Senna, que morreu durante o GP de S. Marino, no início de Maio: «Aproveito para dedicar esta `pole-position' a Ayrton Senna, cujo primeiro sucesso foi à chuva, mas também a todos aqueles que acreditaram que eu, um dia, estaria nesta posição. O Ayrton era um especialista em obter `pole-positions', e é bom estar num lugar que ele ocupou tantas vezes. Mas vou ter de ultrapassar isso e concentrar-me na minha corrida.»</P>
<P>
Rubens Barrichello sonhava já com a corrida, ainda que mantendo a sua habitual análise realista: «O nosso potencial permite-nos andar entre os seis primeiros, mas ganhar corridas é ainda muito, mas muito, difícil. No entanto, partindo da `pole-position', e havendo a possibilidade de chover -- e sabendo que ainda ninguém andou com piso seco, o que equilibra um pouco mais as coisas --, não posso deixar de pensar numa vitória. Realisticamente, penso é em terminar a corrida, preferencialmente no pódio, que é o meu objectivo para o Grande Prémio.»</P>
<P>
Atrás de Barrichello, os dois candidatos ao título, Schumacher e Hill, tiveram atitudes diferentes perante a sensacional prestação do paulista, apesar de, formalmente, ambos terem felicitado o jovem piloto e a sua equipa. Hill mostrou-se confiante para a corrida, enquanto Schumacher não escondeu a sua decepção por não arrancar à frente: «Não quero tirar mérito a Barrichello e à Jordan, que aproveito para felicitar, mas trata-se de uma `pole' fortuita, apesar de terem jogado bem no momento certo. Nós também o fizemos, mas, infelizmente, cometi um pequeno erro e saí da pista. Mesmo assim, sair da primeira linha já não é mau e a prioridade é ganhar a corrida.»</P>
<P>
A instabilidade do tempo na região do circuito faz prever novas emoções para a corrida: é que a meteorologia prevê para hoje tempo seco, e ainda nenhuma equipa rodou este ano em Spa-Francorchamps com a pista seca, o que colocará toda a gente a adivinhar as melhores afinações para a prova.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22631">
<P>
Tempestades deixaram milhares de pessoas presas em aeroportos e milhões de crianças sem aula na região</P>
<P>
CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA</P>
<P>
De Washington</P>
<P>
A segunda grande tempestade de neve em duas semanas nos EUA deixou 18 mortos, milhares de passageiros de avião parados em aeroportos e milhões de crianças sem aula em 17 Estados da região nordeste dos EUA. Houve acumulações de neve de até 90 cm de altura em algumas cidades.</P>
<P>
Os Estados que mais sofreram foram os de Ohio e Pensilvânia. A tempestade se moveu em direção ao Canadá e a maior parte dos EUA teve ontem dia de tempo bom e temperaturas acima de 0ºC. Mas institutos meteorológicos prevêem mais neve para hoje e o fim-de-semana.</P>
<P>
O maior número de mortes ocorreu, como na "Tempestade do Século" em 93, por ataques cardíacos provocados pelo esforço ao retirar neve da frente de casa: oito morreram assim.</P>
<P>
O maior número de mortes de uma só vez ocorreu por envenenamento por monóxido de carbono provocado por um aquecedor deficiente: cinco membros de uma família em Kentucky.</P>
<P>
Outros acidentes fatais: em Rhode Island, um menino escorregou na neve, caiu ladeira abaixo e foi atropelado por um carro; na Virgínia Ocidental, um homem foi atingido por uma árvore que caiu; em Nova York, um homem derrapou e bateu com a cabeça na sua máquina de limpar neve.</P>
<P>
Na Virgínia Ocidental e em Ohio, cerca de 212 mil pessoas ficaram 20 horas sem suprimento de energia elétrica porque a neve derrubou fios de alta tensão. Em Newark, Nova Jersey, linhas de trem caíram com os ventos e deixaram 15 mil passageiros na rota Washington-Boston parados durante cinco horas.</P>
<P>
As duas principais cidades da região nordeste, Nova York e Washington, não sofreram muito com neve nessa segunda tempestade da estação. Na capital do país, a acumulação foi de apenas 2 cm. Mas continuaram a ocorrer rompimentos nas tubulações de água da cidade, que comprometeram a qualidade do abastecimento de milhares de pessoas.</P>
<P>
O frio e a neve neste inverno têm sido muito superiores à média para esta época do ano na maior parte dos EUA. Segundo meteorologistas ouvidos pela Folha não há nada de anormal nisso, a não ser a coincidência de duas tempestades fortes terem ocorrido quase juntas no início do inverno.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-65423">
<P>
Velocidade na Disneylândia</P>
<P>
POR EXCESSO de velocidade, Katrina Laurent, de 35 anos, está proibida de entrar na Disneyland. McClintock, porta-voz do conhecido parque de diversões da Califórnia, anunciou com mágoa esta determinação, tomada, sublinhou, após várias advertências. Mas o incidente não lhe deu alternativa. Katrina, na sua cadeira de rodas, acelerou, não obedeceu às mínimas regras de prioridade e atravessou à velocidade de 7 quilómetros horários o espectáculo Pocahontas, de inspiração índia, até ser barrada na parada do Rei Leão. Katrina, que sofre de paralisia cerebral, era cliente diária do parque. Não questiona a sentença, apenas diz que se sentiu «subitamente mal» e a ânsia de procurar socorro, levou-a a acelerar.</P>
<P>
Tubarões em Barcelona?</P>
<P>
O ALARME era falso, mas pelo sim pelo não vedetas da polícia marítima continuam a patrulhar a costa. Um praticante de motonáutica chegou anteontem à praia de Castelldefels advertindo os banhistas do perigo que corriam. Fora perseguido por um tubarão com mais de dois metros de comprido. Ferran Alegre, director do Centro Catalão de Animais Marinhos foi o mais surpreendido pela notícia, pois nas águas da região não há tubarões. Depois de uma pesquisa, que revelou apenas a existência de atuns, nenhum ultrapassando os 90 centímetros, restabeleceu-se a calma. No entanto, não vá o diabo tecê-las e verificar-se na vida real o cenário do filme de Spielberg, as autoridades marítimas decidiram patrulhar a costa, vigiando eventuais tubarões -- mas só os de água.</P>
<P>
Tesouro de Aladino</P>
<P>
É UMA história das Arábias, onde só falta ao herói chamar-se Aladino. Foi no emirado do Barhein. Uma azougada criança de El Llad, aldeia a leste de Manamá, esgueirou-se para dentro de uma casa abandonada, na busca do seu cão. Encontrou-se na fabulosa gruta de Ali-Baba, com um tesouro escondido em notas de dólar: um milhão (150 mil contos). Conhecedora da descoberta, a família decidiu entregar o tesouro à polícia, receando pela sua proveniência. Mas o génio da lâmpada estava mesmo ao serviço da criança. Uma investigação sumária revelou que o dinheiro era «limpo». Pertencia ao velho dono da casa, falecido há seis anos, estranha personagem, no dizer dos vizinhos, que não confiava em ninguém, menos ainda na gente dos bancos, que desconhecia em absoluto.</P>
<P>
Príncipe William em Eton</P>
<P>
«O JOVEM que um dia será nosso rei» -- na fórmula do «News of the World» -- vai frequentar o aristocrático colégio britânico de Eton. É o filho mais velho de Carlos e Diana, o jovem William, de 13 anos. Foi notícia esta semana precisamente por causa da sua ida, em Setembro, para Eton. A família real está preocupada com a coscuvilhice cultivada pelos jornais de escândalos, e diligenciou junto dos que mais se vendem para que respeitassem o desenvolvimento natural do jovem William, que, sendo herdeiro real, não deixa de ser um jovem. O «News of the World», que lidera este tipo de jornalismo, tornou pública a sua posição, que diz ser a de respeito pelo «jovem que um dia será nosso rei». Mas... O «mas» tem a ver com o «fascínio de todo o país» por William, que «obriga» o semanário dominical a dar «conta de certos acontecimentos relevantes» que se passarem em Eton. Um «mas» que deixou francamente preocupados os reais pais de William, que se comprometeram a fornecer (ainda) mais informações do Palácio de Buckhingham, para que os bisbilhoteiros não tenham que deslocar-se a Eton.</P>
<P>
Fontanários informatizados</P>
<P>
O SOL, quando nasce, é para todos. O mesmo não pode dizer-se da água, de dia para dia um bem cada vez mais precioso. Há, por isso, quem queira evitar os abusos dos que aproveitam os fontanários para lavar carros e regar jardins. O exemplo vem do Sudeste da França, onde 14 municípios se associaram para instalar bebedouros públicos que só funcionam com cartão de crédito. «Queremos evitar que não venham, à socapa, encher os depósitos ou fazer regas com a água de todos» -- diz o André Pérollier, dinamizador da iniciativa.</P>
<P>
O avião errado</P>
<P>
MEKHMET BAS vive nos arredores de Istambul e queria ver os familiares que residem em Paris. Comprou o bilhete e dirigiu-se ao aeroporto para tomar o avião. Por um acaso não esclarecido, encaminhou-se, no aeroporto turco para um aparelho com destino a Nizhny Novgorod, em plena Rússia central. Por estranho que pareça, só quando chegou ao controle de passaportes é que percebeu que estava mais longe que nunca de Paris. Num acto de gentileza, as autoridades de Nizhny Novgorod contactaram a Air France, que ali faz escala. A companhia francesa aceitou transportar Mekhnet Bas, mas só o pode levar até Lyon, término da carreira. A partir daí foi encaminhado para as linhas internas e ignora-se se já chegou a Paris.</P>
<P>
O ladrão não foi longe</P>
<P>
«PARECIA UM filme cómico» -- assim resumiu a situação o inspector Albie Wilson, quando foi chamado para resolver o caso de um camião de leite roubado. O caso passou-se num dos bairros de Wellington, capital da Nova Zelândia, eram três da tarde de quinta-feira. Um jovem de 19 anos saltou para o lugar do condutor, que descarregava leite, manteiga, iogurtes e demais lacticínios. Sem mais, pôs o carro em marcha e disparou rua abaixo. Uma carrinha de distribuição do pão cruzou a esquina precisamente nesse momento. O embate foi inevitável, com pãezinhos e chantilly a escorregar por todo o lado. Parece que não houve feridos, mas entre as vítimas conta-se o motorista do camião, multado por excesso de carga.</P>
<P>
Condenado à morte</P>
<P>
LI XIUWU está perdoado, mas não o sabe. Já foi executado. O tribunal não teve dúvidas em considerá-lo culpado, apesar de ele clamar inocência. A sentença executou-se em Agosto de 1988. Foi em Daoku, na província de Liaoning, a cerca de 500 quilómetros de Pequim. Um camponês foi morto por um «pilha-galinhas» e Xiuwu tinha fama de o ser. Não tinha álibi para a noite do crime e os juízes não hesitaram. Tinham o «culpado». Em Julho de 1991, porém, o processo foi reaberto. O verdadeiro assassino do camponês fora Wei Liguang, como veio a apurar-se. Para que o verdadeiro culpado fosse condenado, foi preciso perdoar a Xiuwu. O que o tribunal fez agora, considerando o primeiro arguido em parte incerta.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31513">
<P>
CDS-PP quer esclarecimento de alegados favores imobiliários</P>
<P>
Suspeitas dividem PS na Amadora</P>
<P>
O ambiente entre os socialistas da Câmara da Amadora anda de cortar à faca. Andrade Neves, visado num alegado caso de pagamentos de empresários a um «grupo de influência» do PS e do PSD, considera que está a ser alvo de «terrorismo político» para a conquista da concelhia que dirige. Mas, à semelhança do CDS-PP local, o seu companheiro de partido Armando Vara quer ver o assunto esclarecido pelo Ministério Público.</P>
<P>
Tudo começou com uma carta enviada, no ano passado, pelo ex-vereador socialista Sobral de Sousa ao secretário-geral António Guterres. No documento, o autarca dava conta da sua participação, com os vereadores António Mira e Andrade Neves (também do PS) e Granja da Fonseca, José Branco e José Fernandes (do PSD), num «grupo de influência», que receberia verbas para os cofres dos dois partidos, a troco da rápida aprovação de projectos na autarquia. As empresas do sector da construção civil mencionadas teriam desembolsado cerca de 37 mil contos.</P>
<P>
No entanto, a maioria dos «doadores» negaram entretanto ao «Semanário» ter pago qualquer verba, assim como todos os vereadores refutaram as acusações da carta de Sobral de Sousa, que não chegou a integrar as listas do PS nas últimas autárquicas. Do alegado «grupo de influência», António Mira transitou para a Assembleia Municipal da Amadora -- mas não conseguiu sentar-se na cadeira da presidência --, e Andrade Neves e os três vereadores «laranja» foram novamente eleitos pelos respectivos partidos.</P>
<P>
Andrade Neves negou ao PÚBLICO que tenha recebido alguma verba e a existência de qualquer conluio com os sociais-democratas. «Fomos inquiridos num processo cuidadoso em relação a todas as acusações e daí resultou uma lista para as eleições e as pessoas saíram ilibadas», sustenta o autarca, para quem tudo resulta de «terrorismo político dentro da concelhia [ da Amadora], numa tentativa de conquista da comissão política». Questionado se Armando Vara, o cabeça-de-lista do PS, teria a ver com a alegada conspiração, limitou-se a dizer: «É possível».</P>
<P>
«O Ministério Público deve esclarecer toda essa questão, até porque é a credibilidade da Câmara da Amadora que sai fortemente afectada», respondeu, por seu lado, Armando Vara, sublinhando não ter nada a ver com o assunto por se tratar de acusações referentes ao mandato passado. Já sobre as afirmações de Neves contra-atacou: «Dizer que isto tem a ver com uma guerra no PS é um perfeito disparate. E se tivesse, isso não significa que o assunto fosse abafado. Antes pelo contrário».</P>
<P>
Reconhecendo existir uma «coabitação difícil» com os restantes vereadores socialistas -- numa recente reunião, Vara votou contra uma proposta do vereador Cumbre Tavares (PS), por num concelho com problemas sociais graves, se irem gastar «mais de 20 mil contos em festas e foguetes» --, o autarca só lamenta «não ter ido mais longe na remodelação da lista».</P>
<P>
Ontem, Ismael Pimentel, do CDS-PP da Amadora, apelou para que os dois partidos envolvidos nos «alegados casos de corrupção» esclareçam a opinião pública sobre a veracidade das acusações de Sobral de Sousa, e admitiu que, se fosse preciso, o seu partido analisaria um pedido de actuação judicial.</P>
<P>
A ausência, em férias, dos vereadores do PSD impossibilitou que fossem ouvidos sobre as acusações que também lhes são imputadas</P>
<P>
Luís Filipe Sebastião</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30718">
<P>
Vitória dos arménios de Nagorno-Karabakh parece definitiva</P>
<P>
O povo do Nagorno-Karabakh é tão rude e determinado como o território escarpado e montanhoso por que está a lutar. «Vamos ganhar, verão», declara Stepan Grigorian, uma figura pequena e seca, antes de saltar de novo para dentro de uma sepultura ainda não terminada, de pá na mão.</P>
<P>
Em Stepanakert, o cemitério está cheio de filas de sepulturas, cada uma ostentando uma tábua espetada, onde se lê o nome do soldado que a ocupa, numa floresta macabra que sobressai no nevoeiro matinal, que se foi derramando lentamente como leite pela encosta da montanha Karabakh.</P>
<P>
Grigorian, 35 anos, está a preparar a morada definitiva para «Liova» e «Komissar», dois camaradas mortos na frente do Agdam, uma das principais linhas da frente no confronto entre cristãos arménios e muçulmanos azeris.</P>
<P>
O Azerbaijão, ao qual tecnicamente pertence o Nagorno-Karabakh, acaba de assinar um novo acordo de cessar-fogo, patrocinado pela Rússia, num conflito que se arrasta e que já provocou 15 mil mortos e mais de um milhão de refugiados. As tréguas duraram apenas umas horas e os combates recomeçaram na terça-feira, com duelos de artilharia pesada. Não é provável que se consiga uma solução duradoura para o mais longo conflito na ex-URSS, onde antigas inimizades estão profundamente enraizadas.</P>
<P>
Grigorian, como a maioria dos arménios nesta comunidade endurecida pela guerra, demonstra dois tipos de emoções: um ódio exacerbado aos azeris, expulsos aos milhares do território nos seis anos do conflito, e uma crença absoluta e desafiadora de que aquilo que foi ganho pela força das armas não pode agora ser devolvido.Interrogado sobre se os refugiados azeris poderiam algum dia regressar às suas antigas casas, no âmbito de um acordo de paz, limitou-se a passar a mão na horizontal pela garganta, num gesto claro. E acrescentou amargamente: «Nunca os deixaremos regressar.»</P>
<P>
Até ao novo cessar-fogo, a luta vai continuar diariamente em várias frentes, com as forças azeris, apoiadas por guerrilheiros afegãos, a tentar recuperar o território perdido. Embora com menos armas e menos efectivos que os azeris, que podem contar com os recursos de um exército nacional, incluindo força aérea, os arménios do Karabakh parecem ser hoje os senhores no terreno.</P>
<P>
Depois de uma série de batalhas brutais, há dois anos, eles conseguiram expulsar as forças azeris do Sul e abriram uma linha de abastecimento através da cidade de Lachin. A instabilidade política e o caos económico no Azerbaijão, juntamente com uma apatia generalizada entre os jovens azeris, que estão muito relutantes em servir mais no Exército, são factores que jogam também a favor dos arménios do Karabakh.</P>
<P>
A questão do Karabakh é politicamente explosiva para o Azerbaijão. Pelo menos dois líderes azeris caíram devido a ela e o presidente Heidar Aliev não quer ser o terceiro.</P>
<P>
Os azeris têm lutado para se conseguir um acordo que permitira a devolução de Shushi, uma cidade bem no alto das montanhas a norte de Stepanakert e de onde 15 mil azeris fugiram depois de uma dura batalha, no início de 1992. Também estão relutantes em deixar que Lachin, fora do enclave, fique nas mãos dos arménios.</P>
<P>
Ambas as reivindicações são inaceitáveis para os arménios do Karabakh. Na semana passada, era claro que famílias arménias se estavam a instalar em Lachin, que nos últimos dois anos foi uma cidade fantasma. «Para eles (os azeris), a recuperação de Lachin é uma questão de prestígio. Para nós, é uma necessidade estratégica, porque ela nos liga à Arménia», afirma o líder do Karabakh, Robert Kocharian. «Tem de haver algum compromisso quanto a isto», acrescenta o presidente do comité de defesa do Karabakh, «talvez colocar a cidade sob controlo internacional».</P>
<P>
As relações entre o Karabakh e o seu patrono espiritual, a Arménia, são ambíguas. Com os arménios a sofrerem os efeitos de um devastador embargo energético imposto pelo Azerbaijão, a liderança em Ierevan, do presidente Levon Ter Petrossian, tem evitado enviar homens para a frente do Karabakh, embora não impeça que voluntários sigam para lá.</P>
<P>
Isto tem desagradado aos líderes do Karabakh, que almejam o dia em que o território se unirá à Arménia. «A ajuda [da Arménia] tem sido muito limitada», diz Kocharian, desiludido. «Para nós, isto é uma guerra de todos os arménios.»</P>
<P>
Os arménios do Karabakh estão claramente a contar com a Rússia, que quer aumentar a sua influência na região, para que pressione o Azerbaijão a aceitar um acordo que torne o Karabakh definitivamente arménio.</P>
<P>
As autoridades em Stepanakert já vivem um sentimento de Estado, depois da proclamação da independência, em Janeiro de 1992. Mas nenhum país, incluindo a Arménia, reconheceu ainda o Nagorno-Karabakh como um Estado independente.</P>
<P>
Richard Balmforth, da Reuter, em Stepanakert</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-51094">
<P>
Legendas Três grandes empresas internacionais de caça ao tesouro anseiam por iniciar a exploração dos mares dos Açores, onde, a grandes profundidades, estão afundadas navios presumivelmente intactos, como as Naus das Índias, com as suas cargas preciosas. Para atingir os grandes fundos submarinos, são necessários equipamentos sofisticados, descritos no mapa anexo.</P>
<P>
Câmara</P>
<P>
Accionada a partir do interior do capacete</P>
<P>
Capacete</P>
<P>
O mergulhador pode meter a mão dentro do fato para accionar os controlos no interior do capacete</P>
<P>
Equipamento propulsor</P>
<P>
Faz mover o mergulhador dentro de água</P>
<P>
Flutuador e lastros</P>
<P>
Montado na cintura</P>
<P>
Pinças</P>
<P>
Controladas manualmente através de um aro rotativo</P>
<P>
Fato de profundidade (fato tritão)</P>
<P>
O fato de mergulho atmosférico permite ao mergulhador atingir uma profundidade de mais de 300 metros mantendo-se no interior uma pressão igual à da superfície.</P>
<P>
Nível do mar</P>
<P>
Torre Eiffel</P>
<P>
300 metros</P>
<P>
(Desenho da Torre Eiffel)</P>
<P>
Mergulhador com o fato de profundidade (fato tritão)</P>
<P>
Içar os navios</P>
<P>
A maior parte dos navios naufragados não foram recuperados por causa das grandes profundidades do oceano em redor das ilhas. Novas ténicas de mergulho em águas profundas e novos equipamentos permitem agora a mergulhares e veículos atingirem essas profundidades</P>
<P>
Navio com estrutura frágil</P>
<P>
Espuma química será introduzida no navio para o solidificar e para lhe dar capacidade de flutuação</P>
<P>
Navio com estrutura saudável</P>
<P>
Mergulhadores e robots enrolam cabos à volta do casco do navio e erguem-no com um guindaste</P>
<P>
Sondas sonar mostram que os navios estão perfeitamente preservados a profundidades superiores a 150 metros em águas sem oxigénio</P>
<P>
Rotas comerciais portuguesas e espanholas</P>
<P>
Os Açores têm uma localização estratégica no meio do Atlântico. As frotas portuguesas e, mais tarde, espanholas carregadas de tesouros paravam ao largo das ilhas quando regressavam do Oriente, do Novo Mundo e do Brasil</P>
<P>
Baía de Angra</P>
<P>
A maior concentração de navios naufragados durante o período colonial estão afundados num círculo com três milhas de raio.</P>
<P>
Os navios mais importantes naufragados nos Açores</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-44236">
<P>
João Garcia trepou o Dhaulagiri</P>
<P>
O sonho mais alto do mundo</P>
<P>
Subiu a 8167 metros, a culminar uma aventura longa de dois meses. Mas já pensa em tentar chegar mais alto. João Garcia, o alpinista português que chegou ao cume do Dhaulagiri, nos Himalaias, regressou sexta-feira a Lisboa. Cansado, mas com novo sonho na bagagem. O maior sonho de todos -- a subida ao Evereste, o ponto mais alto do mundo.</P>
<P>
Garcia, integrado numa expedição onde estavam mais três alpinistas italianos, dois polacos e um norte-americano, chegou ao topo do Dhaulagiri sem utilizar oxigénio artificial e sem o auxílio dos sherpas, os naturais dos Himalaias que, melhor adaptados ao ar rarefeito, servem normalmente de guias aos aventureiros estrangeiros. Foi, naturalmente, difícil, disse Garcia à Lusa: «Tive um grande desgaste físico e perdi sete ou oito quilos. O ar é bastante rarefeito e temos de respirar fundo quatro vezes antes de dar uma passada. Agora estou a recuperar.»</P>
<P>
Após seis dias de escalada, que se seguiram a uma semana de adaptação e duas de instalação dos acampamentos, Garcia e o seu companheiro polaco atingiram o cimo do Dhaulagiri no dia 27 de Setembro. Mas a alegria de chegar depressa foi ensombrada pela notícia do desaparecimento de um dos guias suíços da expedição. As buscas foram infrutíferas.</P>
<P>
Para contar esta e as outras histórias da sua viagem, Garcia planeia agora fazer uma exposição, usando as 400 fotos que tirou. Depois, vai pensar em reunir cerca de mil contos em patrocínios para, com a mesma equipa, tentar atacar a face norte do Evereste e chegar ao topo do mundo, a 8848m de altura.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17593">
<P>
Qualidade de vida nas cidades europeias em debate na Dinamarca</P>
<P>
Compromisso entre o passado e o futuro para o ambiente urbano de Lisboa</P>
<P>
«Lisboa, cidade moderna, terá de ser o resultado de um compromisso entre a cidade histórica -- recuperada, reabilitada, respeitada, habitada e viva -- com a cidade nova, que se vai construindo e renovando todos os dias, por vezes com pouca vida própria, por vezes mesmo profundamente desequilibrada», sublinhou ontem Rui Godinho, vereador do Ambiente na Câmara de Lisboa, durante a Conferência Europeia sobre Cidades e Ambiente Sustentável, que está a decorrer, desde terça-feira, em Aalborg, na Dinamarca.</P>
<P>
Numa comunicação onde traçou as linhas de actuação do executivo lisboeta em matéria de ambiente urbano, o autarca pôs em causa o actual modelo de desenvolvimento das metrópoles: «vive-se mal em muitas cidades actuais, sendo urgente que se melhorem as condições e a qualidade de vida de toda população». Nesse sentido, defendeu a aplicação de um modelo alternativo, que passa pela gestão integrada de todos os factores presentes no quotidiano das urbes, como a habitação, transportes e acessibilidades, comércio e turismo, lazer e cultura, património histórico e espaços verdes, ciência e tecnologia, problemas sociais e outros.</P>
<P>
Para a concretização daquele modelo alternativo na capital portuguesa, Rui Godinho referiu o quadro de Objectivos Estratégicos, traçado pelo executivo alfacinha, que tem «como orientação global transformar Lisboa na Capital Atlântica da Europa, uma cidade desenvolvida, moderna, competitiva e ecologicamente equilibrada». Objectivos que passam, essencialmente, por fazer de Lisboa uma cidade sem desequilíbrios, «atractiva para viver e trabalhar» e competitiva face aos restantes centros urbanos europeus.</P>
<P>
«Lisboa é a nossa casa comum, de todos quanto residimos e trabalhamos no seu espaço físico. A responsabilidade por uma cidade mais bonita, mais equilibrada e mais habitável é, por isso, de todos nós», sustentou o responsável pelo Ambiente lisboeta. E, na perspectiva do envolvimento da população na melhoria do espaço urbano, Rui Godinho sublinhou a importância da Agenda Ambiental-Lisboa 2000. Um documento que «parte da apreciação realista sobre a actual situação ambiental da cidade», e que foi inspirado no Livro Verde sobre Ambiente Urbano da Comunidade Europeia e nos documentos aprovados pela Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento (CNUAD-92).</P>
<P>
A Agenda-Lisboa 2000, «um importante motor de arranque para alterações significativas no `modus vivendi' da cidade», contempla dez princípios fundamentais. Entre estes ressalta a adopção de medidas de animação urbana da frente ribeirinha e a despoluição do estuário do Tejo, o acompanhamento da instalação da infraestruturas da Expo-98, a redução do tráfego automóvel na cidade em favor da segurança da circulação pedestre, e a criação de uma rede de ruas «amigas do peão».</P>
<P>
A poupança de energia, a recolha selectiva e a reciclagem dos resíduos sólidos, a preservação da natureza e a melhoria da qualidade do ar, a redução do ruído e a valorização do património histórico, o combate contra a exclusão social, o racismo e a xenofobia, a promoção do convívio na cidade são, igualmente, objectivos consagrados na Agenda-2000.</P>
<P>
Na conferência de Aalborg, que amanhã termina, e cuja sessão inaugural foi presidida por Rui Godinho, os participantes vão aprovar uma Carta das Cidades e Vilas Europeias para um Ambiente Auto-Sustentável. Trata-se de um documento que constitui «uma tomada de posição sobre os problemas ambientais que hoje se sentem em todo o Continente Europeu», na sequência do qual será lançada uma campanha para que se estabeleça «um tipo de desenvolvimento sustentável, em contraponto ao actual modelo que vem representando a degradação dos recursos naturais e do meio ambiente em geral».</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-76259">
<P>
África do Sul</P>
<P>
Sorrisos teimosos em Durban</P>
<P>
Buthelezi reafirmou ontem a sua oposição às eleições de Abril, admitindo no entanto uma «mediação» para se conseguir um acordo constitucional global. Mandela considera impensável qualquer adiamento. Apesar de tudo, houve sorrisos e apertos de mão, em Durban, onde ambos se encontraram ontem, depois de um ano de costas voltadas.</P>
<P>
Com sorrisos estampados no rosto, um prolongado aperto de mão para as câmaras e algumas declarações de comedido optimismo, Nelson Mandela e Mangosuthu Buthelezi surpreenderam ontem, ao princípio da tarde, os jornalistas que esperavam pouco ou nada do encontro entre os dois líderes negros rivais sul-africanos.</P>
<P>
Os dirigentes do Congresso Nacional Africano (ANC) e do Partido da Liberdade Inkhata (zulu) iniciaram ontem, num hotel de Durban, negociações para evitar um boicote às eleições de Abril ou que estas venham a degenerar em confrontos entre simpatizantes das duas forças. Mas os analistas franziram o sobrolho de pessimismo.</P>
<P>
«Tudo está a correr muito bem, muito bem na verdade, não podia ser melhor», afirmou Buthelezi aos jornalistas, antes de se retirar, para almoçar. O «reacender da luz ao fundo do túnel» foi no entanto acautelado pela porta-voz do Inkhata, Suzanne de Vos, citada pela agência Lusa, ao afirmar que, apesar de ter sido, até ali, «cordial e positiva», aquela primeira ronda não deveria resolver divergências em assuntos constitucionais importantes.</P>
<P>
Era verdade. Os sorrisos tornaram-se amarelos quando Buthelezi -- que entretanto recebeu apelos do Presidente norte-americano, Bill Clinton, e do primeiro-ministro britânico, John Major, para que participe no sufrágio -- reafirmou a sua oposição às eleições, apelando no entanto a uma «mediação» para se conseguir um acordo constitucional global. Depois, agitou o fantasma de uma «secessão».</P>
<P>
Mandela promoveu o encontro para convencer Buthelezi -- com quem se encontrou a última vez em Junho do ano passado, quando ambos combinaram encontrar-se ciclicamente e em público -- a desistir do boicote às eleições do próximo mês, as primeiras livres e multirraciais da história do país, a que os zulus não querem concorrer enquanto não forem satisfeitas algumas reivindicações, evitando assim mais recontros sangrentos.</P>
<P>
Entre as exigências zulus encontra-se o reconhecimento do direito à soberania da província do Natal e do antigo bantustão do Kwazulu, cujos líderes pretendem o adiamento das eleições na província durante um ano, período em que a actual Constituição não se aplicaria na província, que entretanto prepararia um diploma próprio. Depois, seria a independência dos territórios sob o nome de Natal/Kwazulu.</P>
<P>
Aliás, o parlamento sul-africano está reunido na Cidade do Cabo, em sessão extraordinária, para apreciar uma proposta dos deputados do Inkhata de alteração da Constituição, visando conferir ao Natal e ao Kwazulu a possibilidade de se autodeterminarem. Mandela admitiu uma certa autonomia, mas Buthelezi acha a solução curta demais.</P>
<P>
Observadores na cidade, situada à beira do Índico, mostraram-se nos últimos dias pessimistas quanto ao resultado da ronda, sublinhando a diferença com que os dois líderes foram a Durban: Nelson Mandela disposto a «pôr-se de joelhos» para convencer Mangosuthu Buthelezi a acabar com a efusão de sangue, este a dizer que não faria nem esperava concessões e a mostrar-se «ofendido» com a sugestão de que é ele o único culpado da violência.</P>
<P>
«Espero que ele não perca o seu tempo a tentar convencer-me a aceitar esta Constituição falseada», disse Buthelezi. «Devolvo a Mandela a insinuação segundo a qual sou eu o responsável pela efusão de sangue», acrescentou, referindo-se à disposição do seu opositor em se ajoelhar.</P>
<P>
O único assunto que Buthelezi aceitara discutir era a violência política que causou, só o ano passado, mais de 4400 mortos, segundo números da agência France Presse. Confrontos entre simpatizantes do ANC e do Inkhata provocaram só no fim-de-semana 29 mortos, noticiou entretanto a Reuter.</P>
<P>
O facto, no entanto, do líder zulu ter cedido a encontrar-se com o líder do ANC, depois deste ter dito que poderia ceder em tudo menos quanto à data das eleições, agendadas para os dias 26 a 28 do próximo mês, e à forma unitária do estado, fez admitir aos analistas que nem tudo estava antecipadamente perdido.</P>
<P>
Indisposto, entretanto, a quaisquer conversações está Eugene Terre Blanche, líder do Movimento de Resistência Afrikaner, que afirmou segunda-feira comandar 60 mil «soldados de Deus» treinados e dispostos a defender a tiro uma terra só para si.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-88616">
<P>
Jardim Zoológico inaugura exposição marinha</P>
<P>
Tubarões nadam em Lisboa</P>
<P>
Anabela Mendes</P>
<P>
Tubarões aventureiros chegaram a Lisboa de avião e nem a pressão do aparelho ou a altitude os afectou. Como companheiro de viagem e "anjo da guarda" tiveram Mark Smith, um biólogo australiano do Aquário de Barcelona, que os instalou no Jardim Zoológico de Lisboa e garante que a sua saúde é perfeita e que já estão completamente refeitos do stress da viagem. Preparam-se para ser as vedetas de uma exposição que se prolongará por quatro meses e meio.</P>
<P>
O Jardim Zoológico de Lisboa inaugura hoje a exposição "Baleias, Tubarões &amp; Companhia", com a presença da ministra da Educação, Manuela Ferreira Leite e em que as principais atracções são um exótico casal de esqualos.</P>
<P>
A mostra, que ficará patente até 30 de Junho e instalada no local anteriormente ocupado pelos dinossauros, terá como grandes vedetas um casal de tubarões, com cerca de dois metros, da espécie "ragged-tooth shark", científicamente conhecidos como "Carcharias taurus".</P>
<P>
Mas, quem visitar a exposição e vir os tubarões a nadar preguiçosamente no aquário que lhes está destinado, nem desconfiará das peripécias porque passaram até chegar a Sete Rios, após uma viagem de 23 horas, no que provávelmente terá sido a maior de sempre enfrentada por dois tubarões fora do seu meio.</P>
<P>
Mark Smith, que acompanhou toda a operação, desde a captura dos animais na África do Sul até à sua colocação no aquário do Zoo de Lisboa, relata a aventura, como companheiro de viagem e responsável por todo o processo.</P>
<P>
Com apenas 29 anos, e nove de carreira, Mark Smith, actualmente biólogo consultor do Aquário de Barcelona, o maior da Europa, que será inaugurado em Abril, com os seus quatro milhões de litros de água e uma imensa fauna de tubarões, peixes mediterrânicos e ervas marinhas, que pretendem recriar na perfeição o mar mediterrânico, já tem reputação mundial. E foi ela que o levou a ser indicado como a pessoa ideal para fazer chegar a Lisboa, sãos e salvos, os tubarões encomendados pelo Jardim Zoológico de Lisboa.</P>
<P>
Louro, vermelho do sol, com um ar de jovem surfista a lembrar as praias australianas ou, mais precisamente, o parque "Sea World", na Gold Coast, perto de Brisbane, onde se especializou na captura de tubarões e trabalhou até há 13 meses, altura em que resolveu aceitar o desafio de Barcelona e rumar à Europa, Mark Smith relembra ao pormenor toda a odisseia dos "sharks" que agora nadam em Lisboa.</P>
<P>
"Foram capturados na localidade costeira de Straisbai, em Cape Town, famosa pela existência da maior variedade de tubarões. Não fui eu que os capturei, só supervisionei a operação, seleccionando os animais de acordo com o que fora encomendado e tendo em atenção o cuidado que é necessário ter para não afectar a população marinha com a captura dos animais".</P>
<P>
De Straisbai a Lisboa</P>
<P>
Depois de duas ou três tentativas e várias devoluções à água de tubarões que não correspondiam à espécie e ao tamanho solicitado por Manuel Bragança, director comercial do zoo de Lisboa, lá foram encontrados o macho e a fêmea que deveriam rumar a Portugal.</P>
<P>
"Depois de capturados, por anzol, foram transportados numa maca para um tanque, onde foi necessário remover de imediato as toxinas que lhes cobriam a pele e que resultaram do stress da captura. Essas toxinas, essencialmente ácido lácteo, que pode ser fatal para aos animais, assim como a amónia e o dióxido de carbono, são libertados pela pele devido ao choque da captura e por isso é necessário mantê-los em repouso entre três dias a uma semana, sem os alimentar, até recuperarem o equilíbrio biológico", esclarece o especialista. "Devido ao stress, o próprio sangue dos esqualos torna-se ácido, pelo que há necessidade de lhes injectar uma solução de glucose e bicarbonato de sódio para neutralizar o efeito do choque que, sem estes cuidados, lhes provocaria a morte".</P>
<P>
Mark Smith foi também o responsável pela supervisão da construção das caixas especiais para o transporte dos animais, de madeira e vidro, com um complexo mecanismo de filtragem e bombagem de água, onde são introduzidos, em quantidades precisas, oxigénio e bicarbonato.</P>
<P>
Ligadas a essas caixas, onde os tubarões foram postos ligeiramente anestesiados, mantendo a consciência, com os sentidos alerta e só com o sistema muscular relaxado, ficaram ligados uma bateria, um inversor de corrente, um filtro de múltiplo efeito e uma bomba.</P>
<P>
Mark Smith, relembra a viagem, de 23 horas, grande parte dela feita num avião de carga espanhol, tendo como companheiro de aventura um carregamento de peixe congelado destinado a Bilbao, responsável pela baixa temperatura que se registou durante parte do percurso aéreo.</P>
<P>
Carregado de medicamentos e preparado para tudo, o biólogo australiano manteve-se tão atento que transformou os vários precalços da viagem em simples contratempos, conseguindo aterrar em Lisboa com os seus "pupilos" agitados, mas de boa saúde.</P>
<P>
"A viagem decorreu de forma perfeita até metade, mas depois tudo começou a acontecer. Primeiro avariou um inversor de corrente, depois um filtro e finalmente uma bomba. As substituições tiveram de ser muito rápidas para não alterar em nada as condições da água e pôr em perigo a vida dos tubarões, sendo que até um deles deixou escapar a agulha com que lhe estava a ser injectada a solução de glucose e bicarbonato de sódio. Até uma peça para o filtro teve de ser construída em pleno vôo", relembra.</P>
<P>
Mas, tudo correu da melhor forma e apesar de as condições da água não serem as melhores à chegada a Lisboa, devido à proximidade do zoo não houve necessidade de proceder à sua substituição no aeroporto.</P>
<P>
"Quando chegámos ao jardim zoológico, o aquário estava pronto para receber os tubarões, com água a uma temperatura de 24.6 graus, devidamente tratada e filtrada, mas foi necessário esperar um pouco antes de os mudar, pois a temperatura da água das caixas de transporte tinha descido durante a viagem para os19 graus".</P>
<P>
E, como tudo corre bem quando acaba bem, os tubarões estão saudáveis e bonitos, perfeitamente aclimatados no novo aquário, só correndo o risco, meramente académido, de contrair alguma doença oportunista durante as próximas duas semanas, pois o seu sistema imunológico ficou fragilizado com os estados de stress a que estiveram sujeitos.</P>
<P>
Mais tarde, depois de serem alojados nas instalações que estão a ser construídas no zoo, perto do futuro delfinário, até talvez se possam reproduzir-se em cativeiro, se o cenário for semelhante ao do seu habitat natural, visto que só se reproduzem em grutas, longe dos olhares indiscretos. Mas, essas operações já não serão observadas por Mark Smith, que parte amanhã para Barcelona, prosseguindo o seu estudo sobre a manutenção de animais marinhos em cativeiro e deixa a substituí-lo um jovem biólogo português, João Correia, que com apenas 22 anos se mostra capaz de executar tarefa, cheio de energia e curiosidade.</P>
<P>
Quem a partir de amanhã visitar a exposição "Baleias, tubarões &amp; Companhia", por certo que não deixará de olhar com respeito e admiração os tubarões, logo à entrada da mostra, mas poderá fazer uma viagem interessante pelo mundo submarino, com uma larga exibição de fotografias, prototipos mecânicos de cetáceos, submarinos e muito mais. Mas, é preciso cautela com as crianças, que por certo perderão a cabeça na loja colocada estratégicamente à saída e fará o desespero de todos os pais, que não saberão como resistir à compra de lembranças relativas à mostra.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-91257">
<P>
Secretário de Estado visitou instalações policiais e escola com problemas</P>
<P>
Sintra com promessas de mais segurança</P>
<P>
Luís Filipe Sebastião</P>
<P>
Foi uma visita à situação real das infra-estruturas policiais de Sintra. Ou às deficiências de que padecem , e que afastam do município os polícias. Acenando com a promessa de melhores instalações e mais efectivos, o secretário de Estado da Administração Interna anunciou que a GNR vai sair de Sintra.</P>
<P>
A escola D. Fernando II, recentemente alvo de actos de exibicionismo sexual a várias alunas, vai passar a contar com um reforço de vigilância policial, segundo anunciou ontem o secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna, Carlos Encarnação, no decurso de uma visita às carenciadas infra-estruturas policiais da sede do município. E deixou a promessa de uma divisão da PSP para o concelho.</P>
<P>
A visita de Carlos Encarnação começou com uma reunião nos Paços do Concelho. «A situação em Sintra ainda não atingiu a gravidade que existe noutros concelhos, mas preferimos prevenir a ter que remediar», afirmou a propósito a presidente, Edite Estrela, para quem «é preciso uma conjugação de esforços para a resolução dos problemas».</P>
<P>
«O `produto' que vendemos no Ministério da Administração Interna é a segurança, mas temos várias `embalagens' que são a GNR e a PSP», ironizou o secretário de Estado para demonstrar a necessidade de uma melhor distribuição dos corpos de segurança. Tanto mais que, defendeu, «um concelho deveria ter um só tipo de forças de segurança». Por isso mesmo, os principais aglomerados populacionais sintrenses passarão a ser confiados à PSP, enquanto que a GNR deixará os postos de Sintra, Rio de Mouro, Mira Sintra e Colares para se ocupar apenas «da zona Norte do concelho, mais próximo de Mafra e Torres Vedras». Ou seja, de São João das Lampas, Montelavar, Terrugem, Pero Pinheiro e Almargem do Bispo.</P>
<P>
Pelo caminho, Carlos Encarnação deixou o recado da responsabilidade das autarquias no fomento da insegurança por não ligarem ao «desordenamento urbanístico» e proporcionarem a formação «de `ghettos'», e piscou o olho para a criação dos serviços municipais de polícia, que permitirá retirar, principalmente à PSP, muitas das «funções de natureza administrativa».</P>
<P>
Numa rápida visita às actuais, e reduzidas, instalações da PSP no edifício da Câmara, e às futuras, na antiga sede dos serviços municipalizados, junto à estação da CP de Sintra, o secretário de Estado ficou a saber o motivo da carência de efectivos na esquadra local -- com menos 15 agentes do que em 1991-- por um responsável policial: «os concelhos de Cascais e Sintra estão de costas voltadas e os polícias não querem vir para cá. E como a esquadra não em alojamento preferem a divisão da Amadora».</P>
<P>
Edite Estrela -- que aproveitou para oferecer ao visitante o seu recente livro sobre o acordo ortográfico -- não perdeu a oportunidade para puxar pelos galões da «importância, em termos da Área Metropolitana de Lisboa», do seu concelho face aos vizinhos, para que as duas esquadras de Cacém e Sintra estejam sujeitas, respectivamente, às divisões da Amadora e de Cascais. Sensível aos argumentos da autarca, o Encarnação reconheceu que a falta de efectivos «só se pode resolver com a criação da Divisão de Sintra», o que deverá acontecer no futuro.</P>
<P>
À porta da escola D. Fernando II, dirigentes da associação de pais e responsáveis do conselho directivo queixaram-se da falta de policiamento no acesso ao estabelecimento de ensino, proporcionando a ocorrência de vários casos de exibicionismo sexual perante algumas alunas, ao ponto de um dos últimos casos ter sido levado a tribunal, com a condenação do arguido. «Ele teve sorte porque foi agarrado pela polícia e não foi por um de nós...», advertiu Carlos Fernandes, da associação, numa alusão aos problemas que poderiam surgir caso se chegasse ao ponto de a vigilância ter que ser exercida pelos encarregados de educação. Mas, essa eventualidade já foi afastada pela associação, que prefere não deixar abrir a escola no próximo ano lectivo se não forem tomadas medidas.</P>
<P>
No entanto, o secretário de Estado esclareceu que o seu ministério possui um protocolo com o da Educação para a prestação de vigilância a escolas «de acordo com o grau de perigosidade», e que, segundo as contas respeitantes aos dois últimos anos, terá reduzido «os incidentes de cinco para um». A escola, sossegou, será incluída na lista policial até ao restabelecimento da normalidade.</P>
<P>
Por último, Carlos Encarnação visitou as exíguas instalações sintrenses da GNR -- alojada «temporariamente» desde 1912 em anexos do Palácio Nacional de Sintra --, e que têm sido melhoradas pelos próprios guardas, muitos deles «pedreiros e carpinteiros». E o responsável nem contestou o desabafo de Edite Estrela, frente a uma janela do aquartelamento, de que «a vista é fabulosa mas as instalações é que são mázitas».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93744">
<P>
Plataforma petrolífera Brent Spar vai ser desmantelada em terra</P>
<P>
Vaga de protestos afunda Shell</P>
<P>
A Shell recuou e anunciou ontem que já não irá afundar a plataforma petrolífera de Brent Spar. A empresa estava em má situação: por toda a Europa estava criada uma enorme e poderosa frente anti-Shell e na Alemanha as suas vendas desceram 50 por cento. Quem não se encontra em boa posição é John Major que apoiava incondicionalmente a Shell. O precedente está criado: há no Mar do Norte outras 400 plataformas em situação similar à Brent Spar.</P>
<P>
A companhia petrolífera Shell decidiu ontem à tarde abandonar o afundamento, em águas profundas, da plataforma petrolífera Brent Spar e vai pedir às autoridades da Grã-Bretanha que o desmantelamento seja efectuado em terra.</P>
<P>
A Shell comunicava ontem que continuava certa de que a solução do afundamento era a mais correcta, mas a reacção da sociedade civil europeia tinha colocado a empresa numa situação insustentável. Ora, se a Shell deu o braço a torcer (e irá tirar dividendos disso), já o primeiro-ministro britânico «perdeu a face». John Major disse à Câmara dos Comuns: «A Shell tem todo o meu apoio quanto ao afundamento (...) a outra proposta [desmantelamento em terra] é inacreditável».</P>
<P>
A Shell estava, de facto, numa posição insustentável: activistas «kamikaze» do Greenpeace tinham sido colocados de helicóptero na plataforma petrolífera, barcos da Shell disparavam absurdamente canhões de água para a Brent Spar para os desalojar, governos da Europa estavam unidos a defender o desmantelamento em terra, cartas armadilhadas começavam a ser enviadas a inocentes gasolineiros e as estações de serviço da poderosa companhia anglo-holandesa encontravam-se às moscas nas auto-estradas comunitárias. Na Alemanha, as vendas da Shell tinham caído 50 por cento.</P>
<P>
Os argumentos da Shell</P>
<P>
O boicote decretado à Shell teve o condão de contaminar diversas nações europeias. O governo dinamarquês apelou ao boicote, tentando levar o primeiro-ministro britânico John Major a «reconsiderar». O que Major não fez. O próprio ministro alemão da Economia dirigiu-se aos seus concidadãos para que não utilizassem as estações de serviço da Shell. Um apelo levado longe de mais por alguns activistas, que enviaram uma carta armadilhada a um gasolineiro, a qual apenas por defeito não explodiu. Empresas alemãs estavam a anunciar que as suas frotas já não se abasteceriam na Shell. Em Espanha, os ecologistas agitavam consciências, e em França o partido dos Verdes lançou um apelo idêntico. Tal como na Bélgica e na Áustria. Para mais, na Grã -Bretanha, o jornal «The Independent» garantia que peritos do governo de Major se tinham oposto vivamente à solução de afundamento, dados os riscos de contaminação.</P>
<P>
Mas para quem lesse o comunicado ainda ontem de manhã enviado às redacções pela Shell Portuguesa, tudo pareceria consensual, sem motivos para contestação e sem hipóteses de reconsiderar: o afundamento da estrutura na parte mais profunda do Atlântico era «a forma mais responsável de dar um destino final à estrutura em questão». E avançavam: três anos de «extensa investigação, incluindo estudos independentes» (com «custos superiores a um milhão de dólares») demonstraram que o desmantelamento em terra «não forneceria benefícios ambientais acrescidos» e, pelo contrário, «haveria um sério risco de quebra da plataforma durante a delicada operação da sua remoção para terra».</P>
<P>
O governo britânico, dizia a empresa, concordou que, «nas presentes circunstâncias», a opção do afundamento era a solução mais «equilibrada e atenta às diferentes considerações de ordem ambiental, de segurança, saúde ocupacional e económica».</P>
<P>
A Shell acenava com a Convenção de Oslo de 1992 (que regula a protecção do ambiente nos mares) e com decisão de que estes afundamentos deveriam ser considerados individualmente, «o que de facto aconteceu com a plataforma de Brent Spar».</P>
<P>
O governo britânico «notificou os outros governos interessados» quanto à opção e as licenças de afundamento foram concedidas em Maio, após «intensas consultas a todas as partes», desde «pescadores ecologistas à comunidade científica».</P>
<P>
As movimentações do Greenpeace</P>
<P>
A plataforma, com 15 anos de de vida e desactivada em 1991, parecia destinada a ficar discretamente sepultada no Atlântico. O movimento Greenpeace decidiu porém discordar da argumentação da empresa petrolífera e passou a defender o desmantelamento em terra. Iniciou uma campanha pelo boicote. Os resultados foram, no mínimo, espectaculares e ultrapassaram em muito o que o Greenpeace esperava.</P>
<P>
Tudo começou a ser organizado na Conferência do Mar do Norte, que decorreu na Dinamarca entre 8 e 9 de Junho, tendo o movimento ecologista conseguido ao apoio de cinco países -- Dinamarca, Suécia, Alemanha, Bélgica e Países Baixos -- bem como da Comissão Europeia, que também defendeu o desmantelamento em terra das plataformas.</P>
<P>
Os recursos petrolíferos do Mar do Norte encontram-se quase exaustos, arriscando-se a zona em transformar-se num imenso caixote do lixo, dado que existem no local mais de 400 outras gigantescas estruturas similares que brevemente terão de ser desactivadas.</P>
<P>
Mas se -- e quando a questão é colocada desta forma -- não se aceita a possibilidade de afundar 400 plataformas na mesma zona, já quando se pensa nos custos globais da operação tudo se reequaciona: desmantelar uma única plataforma em terra custa mais de 70 milhões de dólares contra os 13 milhões do afundamento. Uma diferença de 60 milhões de dólares a multiplicar por 400 plataformas...</P>
<P>
Na Alemanha foi criada uma verdadeira frente anti-Shell, que uniu Igreja Evangélica, partidos e sindicatos (mesmo o da polícia). O próprio chanceler Helmut Khol apoiou o boicote. As consequências da campanha forma desastrosas para a Shell e estenderam-se a diversos países, da Grã-Bretanha a todo o Norte europeu, à Espanha e a um tímido protesto em Portugal.</P>
<P>
Pimenta, PSR e Timor</P>
<P>
O eurodeputado Carlos Pimenta tinha desafiado efusivamente os consumidores portugueses a associarem-se ao boicote. «Vão ser afundadas milhares de toneladas de metal de resíduos, alguns dos quais poderão ser altamente cancerígenos e terem até radioactividade», dizia o ex-secretário de Estado do Ambiente do PSD. «Deixo à consciência de cada um a adesão ao boicote».</P>
<P>
Às redacções chegou também um comunicado do Sindicato da Energia (sinergia) apelando «a todos os portugueses» para que não adquirissem produtos Shell, dado estar a empresa a preparar «um atentado á vida humana». De resto, e por iniciativa própria, nenhum movimento ecologista português se manifestou. Nem tão pouco os movimentos pró-Timor decidiram aproveitar a onda, dado que a Shell é a mais destacada das empresas petrolíferas que, em coordenação com a Indonésia, explora petróleo do Mar de Timor. A Comissão para os direitos do Povo Maubere não tinha nada preparado ou pensado.</P>
<P>
Minutos antes da decisão da Shell, o PSR enviava um comunicado a apelar ao boicote e lembrava as razões específicas de Portugal: «O apoio da Shell à ditadura indonésia, legalizando a ocupação e rapina de Timor».</P>
<P>
Os números apresentados pelo Greenpeace não correspondem aos avançados pela Shell: o movimento ecologista garante que a plataforma contém 5.500 toneladas de petróleo e 130 toneladas de produtos tóxicos. Estes números estão incorrectos, diz a Shell; além disso, se bem que o afundamento seja de facto mais barato, os riscos de desastre ecológico são bem maiores se fôr efectuado o desmantelamento em terra.</P>
<P>
No fim, avaliadas as perdas e danos de toda a operação, a Shell percebeu que tinha os consumidores europeus contra si. Cedeu, esforçando-se por dar mostras de «fair-play». John Major está numa posição ainda mais desconfortável. O secretário de Estadop britânico da Energia, Tim Eggar, diz que Londres não autorizará automaticamente o desmantelamento em terra. «Se a Shell quer propor uma solução alternativa, nós teremos de examinar a questão».</P>
<P>
PÚBLICO com Reuter e France Presse</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-72241">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
O norte-americano Leroy Burrell, 27, recuperou o título de "homem mais rápido do mundo".</P>
<P>
Estabeleceu o novo recorde mundial dos 100 m rasos, com a marca de 9s85, ontem.</P>
<P>
Competindo no Athletissima'94, torneio do circuito do Grand Prix da Iaaf (Federação Internacional de Atletismo Amador), em Lausanne, Suíça, Burrell superou o recorde anterior do seu compatriota Carl Lewis, de 9s86.</P>
<P>
Burrell (1,83 m e aproximadamente 82 kg) já havia conquistado o recorde mundial em 1991, com 9s90, marca batida posteriormente por Lewis.</P>
<P>
"Conheci altos e baixos, porém agora vou converter-me no número um mundial", disse Burrell depois do recorde. A prova não contou com a participação de Carl Lewis e do campeão olímpico, o britânico Linford Christie, que não haviam chegado a um acordo financeiro com os organizadores do torneio.</P>
<P>
Na prova de ontem, Burrell teve uma partida correta. Foi muito rápido, logo passando do terceiro para o primeiro lugar.</P>
<P>
"Aos vinte metros, eu sabia que tinha a prova nas minhas mãos", disse o recordista.</P>
<P>
O vento a favor (que apanha os corredores pelas costas) estava a 1,20 m por segundo no momento da prova. O máximo permitido pelos regulamentos para homologação de recorde é 2,00 m/s.</P>
<P>
O nigeriano Davidson Ezinwa ficou em segundo e, em terceiro, o norte-americano Dennis Mitchell, ambos com 9s99 (desempate com análise da foto da chegada).</P>
<P>
Os outros colocados, pela ordem: John Drummond (EUA), com 10s03; André Cason (EUA), 10s04; Daniel Effiong (Nigéria), 10s09; Olapade Adeniken (Nigéria) 10s14; e Bruny Surin (Canadá), 10s15.</P>
<P>
O canadense Ben Johnson correu os 100 m rasos em 9s79 na Olimpíada de Seul-92, mas a marca não chegou a ser homologada, pois o teste de doping do corredor deu positivo. Imediatamente, a Iaaf cassou também o recorde anterior de Johnson (9s83), que já havia sido homologado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-31642"> 
<P> Restauração da Independência </P>
 <P> Guerra da Restauração </P>
 <P> Finalmente, um sentimento profundo de autonomia estava a crescer e foi consumado na revolta de 1640, na qual um grupo de conspiradores da nobreza aclamou o
duque de Bragança como
Rei de Portugal, com o título de D. João IV (1640-1656), dando início à
quarta Dinastia -- Dinastia de Bragança. </P>
 <P> O esforço nacional foi mantido durante vinte e oito anos, com o qual foi possível suster as sucessivas tentativas de invasão dos exércitos de Filipe III e vencê-los nas mais importantes batalhas, assinando o tratado de paz definitivo em 1668. Esses anos foram bem sucedidos devido à conjugação de diversas vertentes como a coincidência das revoltas na Catalunha, os esforços diplomáticos da Inglaterra, França, Holanda e Roma, a reorganização do exército português, a reconstrução de fortalezas e a consolidação política e administrativa. </P>
 <P> Paralelamente, as tropas portuguesas conseguiram expulsar os holandeses do Brasil, como também de Angola e de São Tomé e Príncipe (1641-1654), restabelecendo o poder atlântico português. No entanto, as perdas no Oriente tornaram-se irreversíveis e Ceuta ficaria na posse dos Habsburgo. Devido a estarem indisponíveis as mercadorias indianas, Portugal passou a só obter lucro com a cana-de-açúcar do Brasil. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="hub-51467">
<P>
2008: preços de bens e serviços sobem acima da inflação</P>
<P>
Os preços de diversos bens e serviços vão aumentar, no próximo ano, acima da inflação de 2,1% prevista pelo Governo para 2008, com destaque para o pão, com os industriais do sector a estimarem uma evolução de dois dígitos.</P>
<P>
A electricidade vai aumentar, de acordo com a proposta da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), aprovada pelo Conselho Tarifário, 2,9%, em média, em Portugal Continental, 2,6% nos Açores e 4,9% na Madeira.</P>
<P>
A maioria dos consumidores domésticos podem assim esperar uma subida da factura mensal de 1,08 euros no próximo ano, mas os clientes industriais sofrerão um aumento médio de 3,0%, com maior peso para os de muita alta tensão (MAT) e alta tensão (AT) que terão uma subida de 3,9%.</P>
<P>
Os clientes de média tensão (MT) terão um aumento de 2,7%, enquanto os de baixa tensão especial (BTE), normalmente pequenas empresas, terão um aumento de 2,5%.</P>
<P>
Um dos casos em que a subida dos preços mais ultrapassa o valor da inflação prevista pelo Governo é o do pão, que deverá aumentar 10 a 15% em Janeiro ou Fevereiro, segundo contas feitas pela direcção da Associação dos Industriais de Panificação, Pastelaria e Similares do Norte (AIPAN).</P>
<P>
Em declarações à agência Lusa, António Fontes, da AIPAN, disse que o preço do pão terá de aumentar para fazer face à subida de 92% registada ao longo de 2007 no preço da matéria-prima de base (farinha).</P>
<P>
Desde o último aumento do preço do pão, em Janeiro de 2004, o preço da farinha mais do que duplicou, o das leveduras subiu 40%, o da energia 25%, o do gás 32%, o do gasóleo 70% e os custos com pessoal 14%, explicou.</P>
<P>
O preço do arroz, cujo consumo per capita em Portugal é o mais alto da Europa, deverá igualmente aumentar, apesar de os industriais não conseguirem ainda prever o valor real a pagar pelos consumidores.</P>
<P>
A Associação Nacional dos Industriais de Arroz (ANIA) explicou que um conjunto de factores a nível do mercado internacional - aumento do preço das matérias-primas com parte da produção a ser desviada para o fabrico de biocombustíveis - provocou em Portugal um acréscimo do valor por tonelada de 200 a 230 euros em 2006 para 280 a 290 euros este ano.</P>
<P>
Nos transportes públicos, a subida é, em média, de 3,9%, e nas portagens das auto-estradas será de 2,6%, também, em média, seguindo o estipulado na lei, que obriga as concessionárias a apresentar "até 15 de Novembro as propostas de aumentos de portagens, tendo como por base a última inflação homóloga conhecida.</P>
<P>
Nem todas as portagens sofrerão alterações, uma vez que os contratos de concessão determinam que os aumentos sejam arredondados em múltiplos de 5 cêntimos.</P>
<P>
O tabaco também vai pesar mais na carteira: o Governo decidiu em 2005 que o Imposto sobre o Tabaco teria um aumento médio anual de 15% até 2009 e, a partir de Janeiro de 2008, um maço das marcas mais comercializadas poderá mesmo aumentar, em média, 30 cêntimos.</P>
<P>
Sem contas fechadas, os CTT adiantam que «os preços dos serviços de correios não vão aumentar já em Janeiro» e, na água, o Instituto Regulador das Águas e Resíduos (IRAR) diz que o procedimento para 2008 está actualmente em curso, prevendo-se a sua conclusão em Janeiro.</P>
<P>
Quanto às empresas concessionárias dos sistemas municipais, as tarifas são definidas no momento do estabelecimento da concessão e actualizadas de acordo com as regras constantes do respectivo contrato com aprovação pelo município.</P>
<P>
Mas nem tudo são más notícias, tendo em conta que o Salário Mínimo Nacional vai aumentar, a partir do dia 1 de Janeiro, 5,7%, para 426 euros.</P>
<P>
O valor fixado insere-se no acordo tripartido assinado no ano passado e que prevê uma evolução significativa do salário mínimo, de modo a atingir os 450 euros em 2009 e os 500 euros em 2011.</P>
<P>
O "Indexante de Apoios Sociais (IAS), o referencial de actualização e cálculo das prestações sociais, deverá situar-se nos 407,4 euros, o que traduz um crescimento de 2,4%, a partir de Janeiro do próximo ano, segundo as contas feitas pela agência Lusa.</P>
<P>
Em relação à actualização das pensões atribuídas pelo sistema de Segurança Social, as pensões de valor igual ou inferior a 1,5 IAS (611,10 euros) são actualizadas em 2,7%, as pensões entre 1,5 IAS e 6 IAS tem uma actualização de 2,17% e as pensões de valor superior a 6 IAS tem um aumento de 1,88%.</P>
<P>
Estes valores foram calculados com base na lei 53-B/2006, de 29 de Dezembro, que cria o indexante dos apoios sociais e novas regras de actualização das pensões e outras prestações sociais do sistema de Segurança Social. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54348">
<P>
Líder da oposição birmanesa libertada após quase seis anos de prisão domiciliária</P>
<P>
O estilhaço de vidro</P>
<P>
João Carlos Silva</P>
<P>
Frágil mas inflexível. Um estilhaço de vidro. Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz de 1991, apertada há seis anos entre as mãos dos generais da Birmânia, feriu-as. Os ditadores libertaram-na. Ela resistiu ao medo, a todos os medos. Porque afinal «o medo não é o estado natural do homem civilizado». E ela é civilizada, os generais não.</P>
<P>
«Podemos ser frios como esmeraldas / Como água na concha das mãos, / Mas pudéssemos nós ser / Estilhaços de vidro na concha das mãos.»</P>
<P>
A chave para explicar porque é que Aung San Suu Kyi, a líder da oposição democrática da Birmânia, presa na sua casa de Rangum ia fazer seis anos no dia 20, foi ontem libertada pela junta militar, pode estar aqui, neste poema que ela escreveu para um livro de ensaios no fim da década passada.</P>
<P>
É possível acreditar que ela, com a sua coragem, se tornou um estilhaço de vidro que fez sangrar as mãos dos generais birmaneses que tentaram asfixiá-la e silenciá-la com a prisão domiciliária.</P>
<P>
São escassos os pormenores da libertação, anunciada em primeiro lugar em Tóquio, e recebida em todo o mundo com declarações entre o regozijo e a cautela de quem está perante algo «demasiado bom para ser verdade». O coronel Kyaw Win, director-adjunto dos serviços de informação militares, disse que Aung San Suu Kyi, 50 anos recém-completados, fora «libertada incondicionalmente», mas que as medidas de segurança no exterior do seu domicílio tinham sido reforçadas, a seu pedido, para desencorajar visitas.</P>
<P>
Testemunhos citados pela agência Reuter disseram contudo que pequenos grupos de pessoas acorreram até junto da casa, que permanecia com os portões fechados. Havia automóveis estacionados e sabe-se que ela esteve com Tin Oo e Kyi Maung, dois activistas do movimento democrático libertados em Março. Havia a indicação não confirmada de que dará hoje uma conferência de imprensa.</P>
<P>
Não é de crer, pelo que aconteceu nos últimos seis anos, que ela tenha aceite a libertação em troca do que os militares lhe «ofereciam»: o exílio e o silêncio. Há quatro anos, o seu marido, o tibetólogo britânico Michael Aris, contava ao PÚBLICO qual fora a resposta dela a esta proposta: todos os presos políticos teriam de ser libertados, o poder devia ser entregue a um governo civil, teriam de dar-lhe quinze minutos na rádio e na televisão e ela iria a pé para o aeroporto.</P>
<P>
Passaram seis anos desde que ela foi confinada à sua vivenda com jardim em Rangum. Pelo meio recebeu vários prémios de Direitos Humanos, incluindo o Nobel da Paz em 1991. Os militares compreenderam provavelmente aquilo que Aris, nesse ano, jurava ao PÚBLICO: «Ela resistirá mais 20 anos!».</P>
<P>
Heroína por acaso</P>
<P>
Tanto quanto se sabe, Aung San Suu Kyi só se comprometeu a «respeitar a lei». Mas dificilmente a lei dos generais que ela desafiou em 1988. Uma lei que se rege por princípios como «É preciso esmagar todos os elementos destrutivos». Ela é o mais destrutivo dos elementos que o sistema já enfrentou.</P>
<P>
A ditadura militar que reprime a Birmânia desde 1962 terá enfim cedido às pressões internacionais. O regime pária, delapidador de um país que era a tigela de arroz do mundo e hoje é dos mais pobres do planeta, continua a ter na China o seu principal suporte. Mas a abertura ao investimento estrangeiro ensaiada nos últimos anos trouxe-lhes a cumplicidade de grandes multinacionais indiferentes aos apelos de boicote.</P>
<P>
Aung San Suu Kyi, filha do herói da independência Aung San, assassinado quando ela tinha dois anos, estudou quase sempre fora do seu país, principalmente em Inglaterra. Só regressou à Birmânia em Abril de 1988, quando a mãe morreu.</P>
<P>
Foi este acaso que fez dela a heroína da luta democrática. E também o facto de, como ela disse, «ser a filha do seu pai». É que desde finais de 1987 que a Junta birmanesa vinha sendo contestada nas ruas pelos estudantes, ao ponto de em Julho de 1988 o todo-poderoso general Ne Win ter achado por bem demitir-se da chefia do partido único. Uma forma de acalmar os protestos sem nada mudar. Homem forte era e homem forte continuou a ser, na sombra.</P>
<P>
Ne Win, hoje com 81 anos, é o arquitecto da «via birmanesa para o socialismo», a mistura de misticismo budista e comunismo que transformou o país, nas palavras de uma viajante, num «sonho lírico e num pesadelo político». O não muito que se sabe dele faz pensar num «big brother» orwelliano, um antigo trabalhador dos correios de quem se diz ser obcecado pelos astros e pelos números (com um fétiche pelo «9»), aos quais submete as suas decisões. O seu zelo de «refundação» chegou ao ponto de abandonar o «nome colonial» de Birmânia e de o substituir por Myanmar.</P>
<P>
Aung San Suu Kyi foi a primeira a ter a coragem de atacar publicamente Ne Win. Fê-lo em Agosto de 1988, quando, por ser «filha do seu pai» e não poder «ficar indiferente», lançou a «segunda guerra de independência». O seu carisma fez explodir uma revolta afogada nesse mesmo mês e no seguinte em sangue: possivelmente três mil mortos.</P>
<P>
Muitos milhares de pessoas exilaram-se. Ela foi colocada sob prisão domiciliária em Julho de 1989. Confiante, a Junta deixou ir por diante as eleições de 1990. Confiante demais. Teria sido fácil organizar uma fraude, mas os militares pensaram que a oposição estava vergada. A Liga Nacional para a Democracia conseguiu mais de 80 por cento dos votos. Claro que nem o parlamento alguma vez se reuniu nem os militares abandonaram o poder.</P>
<P>
Alguns analistas pensam que os militares não foram estúpidos, apenas fizeram de propósito: deixaram que a oposição se mostrasse para melhor a decapitar. A vaga de prisões que se seguiu às eleições mostra que o raciocínio não é absurdo.</P>
<P>
A libertação do medo</P>
<P>
Simplesmente, a oposição foi silenciada mas não decapitada, porque Aung San Suu Kyi não desistiu da sua auto-imposta missão: «Transformar os sonhos em realidade».</P>
<P>
Durante a reclusão definiu o inimigo dos 43 milhões de birmaneses de várias etnias: o medo. «Não é o poder que corrompe, mas o medo -- escreveu. O medo de perder o poder corrompe os que o exercem e o medo do flagelo do poder corrompe os que a ele estão sujeitos. [...] Não é fácil para um povo que vive condicionado pelo medo e sob o domínio férreo do princípio segundo o qual o poder tem sempre razão libertar-se do miasma enervante do medo. Ainda assim, mesmo sob a mais esmagadora engrenagem do Estado, a coragem ressurge sempre, pois o medo não é o estado natural do homem civilizado.»</P>
<P>
Em Setembro do ano passado, e depois em Outubro, soube-se que o duelo entre a obstinação assassina dos generais e a obstinação não-violenta de Aung San Suu Kyi começava a pender para o lado dela. A Junta chamou-a, para «dialogar». A «inimiga do Estado», «a estrangeira», tornara-se incontornável para a Junta poder sair do seu labirinto.</P>
<P>
O «velho ditador», Ne Win, está doente. Khin Nyunt, o «novo ditador», líder do Conselho de Restauração da Lei e da Ordem, parece ser cada vez mais quem puxa os cordelinhos em Rangum, quem percebeu que o oxigénio económico externo de que o país necessita só pode ser obtido com um mínimo de respeitabilidade internacional. A libertação de Aung San Suu Kyi era um passo essencial.</P>
<P>
Como num jogo, Khin Nyunt foi obrigado a correr o risco supremo. Nada garante que não tenha aberto uma caixa de Pandora de onde sairão, outra vez, milhares de estilhaços de vidro. Desta vez, por fim, capazes de cortar as amarras do medo e acabar com o pesadelo numa terra de sonho.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-9446">
<P>
Vila Nova de S. André</P>
<P>
Preso por tráfico de dogra</P>
<P>
Um presumível traficante de droga que operava no triângulo do litoral alentejano constituído por Sines, Vila Nova de Santo André e Santiago do Cacém foi esta semana detido, numa operação conjunta da Polícia Judiciária de Setúbal e da PSP e Brigada Fiscal de Vila Nova de Santo André.</P>
<P>
As forças policiais informaram que numa busca à residência do presumível traficante, local onde se deu a detenção, foram apreendidos 5,5 gramas de cocaína, 4,5 gramas de heroína e quatro gramas de haxixe.</P>
<P>
Presente ao magistrado do Ministério Público junto do Tribunal de Santiago do Cacém , o indivíduo foi levado para o Estabelecimento Prisional de Beja, onde fica a aguardar julgamento em regime de prisão preventiva.</P>
<P>
Anteriormente, o mesmo indivíduo, de pouco mais de 30 anos, fora várias vezes detido pela PSP local, junto da qual se assumiu apenas como consumidor de drogas. De acordo com a informação policial, o preso ostentava ultimamente sinais de enriquecimento súbito. R.O.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-38502">
<P>
Grandes Opções do Plano em 1995 nos transportes marítimos e portos</P>
<P>
Melhorar transportes e modernizar infra-estruturas</P>
<P>
Paulo Vilarinho</P>
<P>
Nas Grandes Opções do Plano para 1995, o Governo define claramente dois objectivos para os transportes marítimos e portos: melhorar os transportes e modernizar as infra-estruturas portuárias. Já publicadas, as GOP prometem mesmo um novo modelo orgânico do sistema portuário, a aposta no transporte marítimo de curta distância, a melhoria das acessibilidades com recurso a articulações multimodais e uma maior participação de agentes privados na actividade. Mas, não se fala expressamente em privatização, nem mesmo em concessão...</P>
<P>
As Grandes Opções do Plano (GOP) em 1995 no sector dos transportes marítimos e portos, recentemente publicadas em «Diário da República», prevêem a melhoria dos transportes marítimos e a modernização das infra-estruturas portuárias.</P>
<P>
Para a melhoria dos transportes marítimos, as GOP apontam a modernização do quadro legal aplicável aos transportes marítimos e às actividades afins e a continuação do apoio ao investimento na modernização e desenvolvimento da marinha do comércio, através da concessão de subsídios a fundo perdido à aquisição de navios de comércio por armadores nacionais. Também a «promoção da competitividade a nível dos registos (convencional e internacional de navios da Madeira -- MAR), para que o país possa vir a dispor de uma frota de razoável dimensão, eficiente, competitiva e tripulada, tanto quanto possível, por marítimos portugueses», a «criação de condições para a dinamização do transporte marítimo de curta distância» (o «sea-short-shipping» que a UE deseja) e para a «promoção do transporte combinado», bem como o «estímulo ao ensino e formação profissional marítima, salientando-se a ampliação das instalações da Escola de Marinhas de Comércio e Pescas e a modernização dos equipamentos de apoio à Escola Náutica Infante D. Henrique».</P>
<P>
Novo modelo orgânico para os portos</P>
<P>
Quanto à modernização das infra-estruturas portuárias, o Governo espera em 1995 ter um novo modelo orgânico do sistema portuário nacional e promover uma maior participação de agentes privados na gestão das actividades portuárias, simplificar a intervenção administrativa do Estado, criando condições objectivas para facilitar o tráfego marítimo e de despacho rápido de navios.</P>
<P>
Paralelamente, o Ministério do Mar acompanhará a aplicação do novo quadro legal do sector, modernizará as infra-estruturas interiores, equipamento e serviços portuários, «destacando-se a aquisição de equipamentos e a remodelação e construção de cais vocacionados, em particular, para a movimentação de contentores nos portos de Lisboa, Leixões e Setúbal», lê-se nas Grandes Opções do Plano.</P>
<P>
O Governo quer ainda este ano melhorar as acessibilidades marítimas e rodo-ferroviárias aos portos e as condições de articulação modal com as infra-estruturas portuárias, especialmente nos portos de Lisboa, Leixões, Setúbal, Viana do Castelo, Aveiro e Figueira da Foz.</P>
<P>
Nos objectivos do ministério liderado por Azevedo Soares continua ainda a melhoria das condições ambientais e de segurança portuária, o reordenamento e a gestão equilibrada das áreas de domínio público portuário e a dinamização e o apoio ao investimento em infra-estruturas de suporte às actividades náuticas de recreio, prevendo-se a entrada de 1345 novos postos de atracação.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-38054">
<P>
Já não há terra pura</P>
<P>
Na senda do «ready made» duchampiano, Fernando José Pereira expõe, na Galeria da Universidade do Minho, em Braga, uma série de materiais que poderiam ser designados pela expressão «already used». Usados em diversas escaladas -- Himalaias, Monte Branco e Monte McKinley --, os objectos mostrados constituem o testemunho físico do sublime, o conceito central de «The Cooling Effect of Wind and Temperature».</P>
<P>
A instalação procura, por um lado, desmascarar a facilidade com que determinadas noções são hoje usadas na arte contemporânea e, por outro, demonstra que apenas a experiência física do «absolutamente grande» aproxima o ser do vazio. O ideal de beleza romântico é, assim, ultrapassado por uma realidade concreta, à qual a dor não é alheia: a banda sonora da exposição relata dois acidentes graves ocorridos durante uma escalada ao Dhaulagiri. O efeito arrefecedor do vento é, aqui, causado por quatro ventoinhas pop, que produzem 152 metros cúbicos de vento por minuto.</P>
<P>
A mostra completa-se com a apresentação de um simulacro de um CD-rom de 620 megabytes, editado pela também fictícia Mega Graphics. O virtual ocupou o lugar do belo. Resta aceitar o convite de Laurie Anderson, inscrito na vitrina da galeria: «Já não há terra pura. Nem lugares seguros. Venham connosco para as montanhas. Hombres. Marinheiros. Camaradas».</P>
<P>
Óscar Faria</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-98976">
<P>
Detenções por droga no Montijo</P>
<P>
Um empregado de escritório, um motorista, um operário fabril, um corticeiro e um comerciante -- com idades entre os 32 e os 36 anos, todos residentes no Montijo -- foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ), sob a acusação de serem os líderes de uma rede de tráfico de droga "de grande importância local". As detenções, entretanto confirmadas pelo juiz, foram feitas na sequência de uma operação policial desencadeada no passado sábado, e que incluiu diversas buscas domiciliárias. A Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes da PJ apreendeu diversas porções de haxixe, num total de 1,3 quilos, e uma quantia não discriminada de dinheiro português.</P>
<P>
Também na margem sul do Tejo, a PSP do Barreiro deteve quinta-feira dez indivíduos acusados de tráfico de droga aos quais foram apreendidas dez gramas de cocaína, 23 de heroína e 200 contos em dinheiro.</P>
<P>
Heroína no Prior Velho</P>
<P>
Um telefonema anónimo levou as Brigadas de Justiça da 2ª Divisão da PSP de Lisboa a deter quinta-feira, no Prior Velho, um casal de guineenses, ambos com 25 anos, aos quais foram apreendidas 606 gramas de heroína. Quando os agentes interceptaram os detidos, estes tinham em sua posse 76 gramas de droga: a maior parte foi encontrada no forno do fogão da casa onde viviam. Além da heroína, os agentes apreenderam ouro avaliado em cerca de 700 contos, 80 contos em dinheiro português, uma balança de precisão, uma catana e uma pistola de pressão de ar.</P>
<P>
Busca no Casal Ventoso</P>
<P>
Elementos das Brigadas Anti-crime da 4ª Divisão da PSP de Lisboa efectuaram, na tarde de quinta-feira, uma busca domiciliária a uma casa do Casal Ventoso, tendo detido um homem de 25 anos com antecedentes criminais por tráfico de estupefacientes. A busca, efectuada com mandado judicial, resultou na apreensão de 83 gramas de heroína, 79 gramas de cocaína e cerca de 431 contos em moeda portuguesa. Segundo a PSP, o detido faz parte de uma família relacionada com o tráfico de droga e havia saído há pouco tempo da prisão pelo mesmo tipo de delito que o levou ontem de novo para trás das grades, após o juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa ter confirmado a detenção.</P>
<P>
Quatro dezenas de assaltos</P>
<P>
Três homens que nos últimos três meses efectuaram cerca de quatro dezenas de assaltos, na sua maioria em instalações industriais dos concelhos de Sintra e Mafra, foram detidos quinta-feira à noite numa operação da GNR de Sintra e de Pero Pinheiro. O montante exacto dos objectos e valores furtados nos assaltos ainda não foi contabilizado, mas rondará sete a oito mil contos. Os detidos, de 31, 22 e 23 anos, dos quais dois desempregados e um operário na indústria do mármore, residiam todos na zona de Lameiras. O mais velho ainda tentou, sem êxito, a fuga aos guardas. A GNR recuperou também diverso material furtado, nomeadamente ferramentas e cheques no valor de cerca de dois mil contos. Os assaltantes foram ontem presentes ao juiz do Tribunal de Sintra.</P>
<P>
Roubo de carro acaba na prisão</P>
<P>
O Tribunal de Vila Franca de Xira condenou dois indivíduos acusados dos crimes de furto qualificado, falsificação, roubo e detenção de arma proibida a penas de sete e cinco anos e meio de prisão.</P>
<P>
O colectivo de juízes considerou provado que, em Março de 1994, um dos condenados roubou uma viatura em Espanha e que, algumas semanas mais tarde, já com uma matrícula falsa, ambos a usaram para assaltar o posto de abastecimento de combustíveis da Galp na Castanheira do Ribatejo, de onde roubaram 115 contos. Os arguidos afirmaram ter feito o assalto por serem toxicodependentes e necessitarem de meios para comprar droga.</P>
<P>
Cozinheiras de Lisboa em luta</P>
<P>
"Cansadas de ver a sua carreira profissional votada ao esquecimento", as cozinheiras do município de Lisboa aprovaram ontem o seu caderno reivindicativo. O pagamento da totalidade das horas extraordinárias, as más condições de trabalho nos refeitórios municipais, a falta de pessoal, o não pagamento do subsídio de insalubridade e a ausência de formação profissional são alguns dos problemas que as cozinheiras municipais querem ver resolvidos. O documento vai ser entregue aos responsáveis da Câmara Municipal e aos secretários de Estado da Administração Pública e do Orçamento.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59194">
<P>
FERNANDA SCALZO</P>
<P>
De Paris</P>
<P>
Raí perdeu mais uma chance de dizer a que veio, ontem no estádio Parc de Prince, em Paris. O Paris Saint-Germain (PSG), time de Raí, Valdo e Ricardo e líder do Campeonato da França, empatou ontem com o vice-líder Olympique de Marseille (OM), time de Anderson, o brasileiro que está dando o que falar na França. O jogo mais esperado da temporada pelos torcedores dos dois principais times franceses acabou em 1 a 1, gols de Guérin (PSG) e Voeller (OM).</P>
<P>
Os comentaristas todos concordam: Raí ainda não achou seu ritmo ou seu lugar dentro do PSG. Anteontem, no "Libération", veio a pergunta: "o melhor jogador sul-americano de 1992 seria uma decepção?" O técnico do PSG, Arthur Jorge, saiu em defesa da estrela brasileira: "É normal, para ele tudo é diferente: o clima, o lugar, os jogadores... Ele é um rapaz muito discreto e reservado. É preciso lhe dar um tempo para se adaptar".</P>
<P>
No OM, a chegada de Anderson coincidiu com a virada do time. O atacante, "rápido como o diabo", como dizem os comentaristas franceses, marcou quatro gols em seus quatro jogos pelo OM.</P>
<P>
Ontem ele foi o responsável pelo passe que deu origem ao gol do OM. Segundo os comentaristas do Canal +, o técnico brasileiro Carlos Alberto Parreira teria hoje em suas mãos o videoteipe do jogo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33597">
<P>
Cabo Verde</P>
<P>
Legislativas em Dezembro, presidenciais em Fevereiro</P>
<P>
José Vicente Lopes na Cidade da Praia</P>
<P>
Cinco anos depois das primeiras eleições livres e pluralistas em Cabo Verde, o povo do arquipélago regressa às urnas em Dezembro e Fevereiro para eleger um novo parlamento e um Presidente da República. Terminam assim as especulações em redor do tema, restando apenas marcar o dia em que se realizarão as eleições autárquicas.</P>
<P>
O anúncio oficial das datas das próximas legislativas e presidenciais -- 17 de Dezembro e 18 de Fevereiro -- foi ontem feito através de um comunicado da Presidência da República, um dia depois de o Chefe de Estado cabo-verdiano, António Mascarenhas Monteiro, ter procedido à auscultação do Conselho da República, conforme estabelece a Constituição.</P>
<P>
A calendarização das datas das próximas eleições vinha dividindo o Governo e as forças da oposição, com cada um a procurar a solução mais adequada à sua estratégia. Resta agora saber qual será a data para as autárquicas, cuja marcação é da competência do Governo, escutadas também que foram as forças políticas.</P>
<P>
Uma fonte partidária avançou entretanto ao PÚBLICO que o executivo de Carlos Veiga pretende que as autárquicas se realizem a 28 de Janeiro, o que a acontecer contraria aqueles que afirmam que essas eleições devem ser convocadas até 17 de Dezembro, data em que termina o mandato dos actuais órgãos.</P>
<P>
O braço de ferro entre o Governo e a oposição deve-se sobretudo à ordem das eleições legislativas e autárquicas. O Movimento para a Democracia (MpD), partido governamental, defende a realização, em primeiro lugar, das legislativas, e só depois das autárquicas e presidenciais, no que conta com o apoio da União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID) que, por questões de ordem estratégica, elegeu as legislativas como a sua principal aposta.</P>
<P>
Os demais partidos da oposição (PAICV, PCD e PSD) entendem que primeiro devem ser realizadas as eleições autárquicas e depois as legislativas e as presidenciais, alegando condicionalismos constitucionais ou legais em defesa do seu ponto de vista.</P>
<P>
Os líderes dos quatro partidos da oposição foram recebidos ontem pelo Presidente Mascarenhas Monteiro, a quem pediram para exercer a sua influência junto do Governo, de modo a que a marcação das autárquicas tenha em conta a «lógica do fim dos mandatos» e «a racionalidade constitucional e legal» -- lê-se na nota de imprensa divulgada e após o encontro e subscrita por Aristides Lima (PAICV), Eurico Monteiro (PCD), Celso Celestino (UCID) e João Além (PSD).</P>
<P>
No encontro com o Chefe de Estado, os quatro partidos procuraram mostrar-lhe a necessidade de as próximas eleições decorrerem dentro dos preceitos políticos que caracterizam o jogo democrático. Basicamente, um dos aspectos que mais preocupam a oposição é a utilização, pelo partido governamental, da comunicação social do Estado, em especial a televisão.</P>
<P>
Nas legislativas devem participar os cinco partidos já legalizados: o MpD, o PAICV (que governou de 1975 a 1991 em regime de partido único), o PCD, saído de uma dissidência do MpD, a UCID, formada em 1977, e o PSD, a mais recente formação política nacional.</P>
<P>
A nível autárquico, a lei permite a apresentação de grupos de cidadãos e há câmaras presididas por figuras independentes. À semelhança de 1991, acredita-se que esses grupos podem exercer um papel relativamente importante se não se deixarem absorver pelos partidos políticos.</P>
<P>
Quanto às presidenciais, tudo indica que a próxima eleição será ainda menos concorrida que a de 1991, quando António Mascarenhas Monteiro não teve qualquer dificuldade em vencer o seu antecessor, Aristides Pereira. Os poucos interessados no cargo aguardam uma tomada de posição do Presidente, que ainda não revelou se vai ou não recandidatar-se a mais um mandato de cinco anos. Jogando no seguro, o MpD já fez saber que o apoiará no caso de ele se recandidatar.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-3416">
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
As testemunhas do assassinato do sindicalista Oswaldo Cruz Júnior se contradizem sobre as pessoas que estavam na sala da presidência do sindicato, onde ocorreu o crime, momentos antes dos disparos fatais.</P>
<P>
Todos porém, nas versões que apresentaram para a Folha e para a Polícia Civil de Santo André Todos, viram o principal acusado do assassinato, José Benedito de Souza, o Zezé, sair correndo da sala de Cruz com uma arma na mão depois dos tiros.</P>
<P>
O depoimento mais importante até ontem à tarde foi do diretor do sindicato José Carlos de Souza, o Carlinhos, prestado à Polícia Civil de Santo André. Souza foi a última pessoa a sair da sala antes dos disparos. Ele disse que discutia a demissão de dois cinegrafistas do sindicato quando foi interrompido por Zezé.</P>
<P>
Segundo Souza, Zezé iniciou uma discussão com Cruz sobre repasse de verbas de representação para os diretores, suspenso no final de setembro e passou a xingá-lo. Cruz mandou Zezé se retirar da sala.</P>
<P>
Irritado, Zezé disse que não sairia pois era diretor da entidade e tinha os mesmos direitos do presidente. Segundo Souza, Cruz se abaixou como se fosse pegar algo na gaveta e assustou Zezé que sacou a arma. Souza correu e ouviu os disparos. Ao se voltar para a sala, viu Zezé saindo com a arma na mão. Entrou no local e passou a pedir socorro.</P>
<P>
Outra testemunha, o funcionário do sindicato Robson Bezerra, que depôs à polícia anteontem, disse que o motivo do assassinato foi a divergência política interna. Bezerra, que apoiava Cruz, perseguiu Zezé depois dos disparos na rua Santo André, que fica em frente ao sindicato. Bezerra disse ter levado uma pancada na cabeça. "Não vi de quem", disse.</P>
<P>
Ele não descarta, porém, que tenha sido um suposto cúmplice de Zezé no crime. Bezerra viu Zezé, antes da pancada, correndo pela rua com a arma na mão. Segundo Bezerra, a arma estava descarregada.</P>
<P>
Além de Souza e Bezerra, os sindicalistas Luiza Carlos Gomes e Cícero Novaes confirmam ter visto Zezé deixar a sala.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-46315">
<P>
Religiosos temem erros nos processos de realojamento</P>
<P>
Secretismo do PER pode promover o racismo</P>
<P>
Os religiosos e religiosas que habitam ou trabalham nos bairros de barracas e de habitação social da Área Metropolitana de Lisboa denunciaram ontem, em conferência de imprensa, os efeitos perversos do secretismo com que a administração central e as autarquias locais estão a conduzir os processos relativos ao Programa Especial de Realojamentos (PER), criando «sofrimento e angústia» nas pessoas a realojar e «atitudes racistas e xenófobas» por parte das populações dos bairros de acolhimento.</P>
<P>
Considerando o PER uma «oportunidade histórica para melhorar as condições de habitação no país», os religiosos defenderam a necessidade de envolvimento e de preparação das pessoas as realojar e a preparação das populações que as vão receber, como forma de evitar eventuais situações de racismo e de tensão social. «As populações que vão acolher os desalojados deveriam ser preparadas, o que não está a acontecer, provocando o aparecimento de um clima de rejeição gerador de atitudes racistas e xenófobas», denunciaram.</P>
<P>
O que também não está a acontecer, adiantou o Padre Valentim Gonçalves, presente no encontro com a comunicação social, é a preparação e o acompanhamento das famílias realojadas ou a realojar. «Muitas vezes as pessoas são abordadas e questionadas por gente que não se identifica. A população fica, assim, sem saber por quem foi contactada, se pela Câmara ou outra entidade, e sem saber se vai ou não ser realojada. Esta situação é geradora de boatos, que por sua vez provocam angústias e sofrimentos desnecessário nas pessoas».</P>
<P>
Para os membros das comunidades religiosas há que evitar os erros do passado, receando que voltem a ser cometidos. Como exemplo a evitar, o padre Franco Ghazzi apontou o caso de Chelas: «Há muito cimento, mas faltam os espaços verdes e de convívio e os equipamentos sociais e depois há a violência, a droga e a marginalidade». Trata-se de «um caso elucidativo de um mundo que se deseja que não venha a acontecer com o PER», acrescentou o padre Valentim Gonçalves.</P>
<P>
E é em face da experiência e dos casos que os religiosos têm conhecido -- nomeadamente os realojamentos que estão a ser feitos pela Câmara de Lisboa na Quinta dos Machados, sem quaisquer equipamentos sociais ou para a infância, como revelou Fernanda Reis da Pastoral dos Ciganos -- que estes temem o fracasso do Programa Especial de Realojamentos. «Não receamos que o PER não venha a construir as casas. Acreditamos que sejam feitas. Mas, nestas situações não se pode pensar só na casa, mas também no espaço social. E é neste aspecto que tememos o fracasso do programa», sublinhou o padre Franco Ghazzi.</P>
<P>
Salientando a necessidade de «humanidade» nos processos de realojamento e de se encarar com «dignidade» as pessoas a realojar -- porque «o ter acesso a uma habitação condigna não é uma esmola» --, os religiosos defenderam que só «com envolvimento de todos (...) se poderá inverter o sentido da evolução das relações sociais no nosso país». Relações, sublinham, que têm sido marcadas «por um afastamento cada vez mais acentuado entre os grupos, onde o luxo habita ao lado da degradação, a abundância se cruza com a fome e a ostentação procura iludir uma pobreza envergonhada».</P>
<P>
No encontro -- que contou com a participação da Irmã Pilar, que opera na Musgueira Sul, do padre Henrique Scheepens, que trabalha na Pedreira dos Húngaros, e da Irmã Joana Perez, da Venda Nova -- ficou o apelo aos responsáveis do PER para que o programa «não seja o fim de um sonho», perdendo-se «uma oportunidade única de, com a participação das pessoas, melhorar verdadeiramente a qualidade de vida das populações». Um apelo irá chegar, através de um documento, ao Primeiro-Ministro, ao ministro das Obras Públicas e ao secretário de Estado da Habitação.</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-7509">
<P>
Açores</P>
<P>
Barcos para as ilhas</P>
<P>
A Associação de Municípios do Triângulo - S. Jorge, Faial e Pico - decidiu, no sábado, criar uma empresa de transportes marítimos para efectuar as ligações entre estas ilhas açorianas, de molde a aumentar a procura turística.</P>
<P>
A melhoria das condições de acessibilidade entre S. Jorge, Pico e Faial permitirá também aumentar o fluxo turístico interno e estreitar as relações entre as ilhas.</P>
<P>
A associação, que integra os municípios de Velas, Calheta (S. Jorge), S. Roque, Madalena, Lajes (Pico) e Horta (Faial), anunciou ainda a intenção de adquirir uma embarcação rápida para fazer a ligação inter-ilhas, recorrendo a fundos comunitários.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-82157">
<P>
Cheias na Europa continuam a devastar</P>
<P>
Centímetros catastróficos</P>
<P>
Centímetro após centímetro, a cidade alemã de Colónia continuava ontem a ser «engolida» pelas águas do Reno e durante a tarde atingiu o nível mais alto do século. À hora do almoço, a água chegou aos 10, 66 metros acima da escala fluvial do porto. Um centímetro acima das cheias do Natal de 1993, então baptizadas de «inundações do século». O anterior recorde era de 10,69 em 1926. Este máximo foi já ultrapassado.</P>
<P>
A zona da famosa catedral, cujos pináculos dominam a cidade industrial de Colónia, tem ares de uma Veneza do norte, segundo o jornalista da France Presse. As ruas da cidade têm mais de dois metros de altura de água do Reno. Durante o fim-de-semana, chegaram à cidade milhares de «turistas-catástrofe», com suas máquinas fotográficas e câmaras de vídeo que a polícia teve dificuldade em afastar da área sinistrada. Para mais, alguns destes "turistas" são conhecidos criminosos que costuma aproveitam a desgraça alheia para procederam a roubos. As televisões e rádios fazem constantes apelos para que os curiosos fiquem longe das zonas inundadas.</P>
<P>
A municipalidade de Colónia conta com grandes meios: mais de dois mil bombeiros e polícias já colocaram mais de 125 mil sacos de areia para travar a cheia.</P>
<P>
Mas a catástrofe estende-se a outros países. A situação continuava ontem bastante crítica e caótica por toda a Europa do Norte, onde as chuvas torrenciais, que continuaram a cair durante o fim-de-semana, fizeram subir ainda mais os níveis de diversos rios.</P>
<P>
Evacuação "monstra"</P>
<P>
Na Holanda procedeu-se à maior evacuação de civis em 40 anos. A ordem de abandonar a província de Gelderland foi dada de manhã a mais de 25 mil pessoas. De tarde chegou uma ordem idêntica para outras 40 mil. As estradas estavam apinhadas de carros, autocarros, camiões militares cheios de pessoas renitentes em abandonar as suas casas.</P>
<P>
Autoridades locais de diversas cidades estavam reunidas em gabinetes de crise para decidir se deveriam ordenar evacuações em massa das populações dado o perigo de cheias devastadoras.</P>
<P>
«Desde 1953, há mais de 40 anos, quando rebentaram os diques em Zeeland, que não tínhamos uma evacuação tão grande», disse Jan Meijer, o porta voz do Ministério do Interior, que está a coordenar a evacuação.</P>
<P>
Em Paris, o Sena deve ter ontem à noite galgado a cota dos cinco metros. Na capital francesa, após uma dezena de dias de inundações, a polícia já contabilizou 15 mortos e cinco desaparecidos. O rio Mosa já bateu todos os seus recordes anteriores de cheias registadas pelo departamento das Ardenas (noroeste), nomeadamente em Charleville-Mézières onde na noite de domingo para segunda-feira as águas estavam a mais de seis metros acima do nível do solo.</P>
<P>
As autoridades locais, decidiram na manhã de ontem, evacuar um quarteirão da cidade de Givet, ameaçado de inundação pela cheia do Mosa. A barragem improvisada para parar as águas ameaçava desfazer-se a qualquer momento.</P>
<P>
Na capital das Ardenas francesas, a cheia atingia os 6,06 metros contra o anterior recorde de 5, 78 registado em 1993. Só nesse departamento é estimado que as casas inundadas ultrapassem as duas mil.</P>
<P>
Para França, e num primeiro balanço material, aponta-se para 40 mil casas sinistradas, mais de cinco mil pessoas evacuadas, mais de 230 mil lares privados de água potável, dez mil de telefone e mais de oito mil assalariados no «desemprego técnico».</P>
<P>
Na Bélgica, as inundações causadas pelas cheias do Mosa e dos seus afluentes provocaram durante o fim-de-semana a morte de duas pessoas e outras duas continuam dadas como desaparecidas. As inundações atingiram essencialmente as cidades de Namur e Dinant (a 50 e 70 quilómetros de Bruxelas). Só na região de Namur, 3.500 famílias foram directamente atingidas por estas cheias.</P>
<P>
Os serviços meteorológicos não prevêem qualquer melhoria do estado do tempo até, pelo menos, ao próximo fim-de-semana, mas é de prever que o nível do Mosa comece a baixar, lentamente, a partir de hoje. Já na região de Couvin, perto da fronteira com a França, as águas deverão continua a subir. Outros rios do norte da Bélgica saíram dos leitos e Bruges, a "Veneza do Norte", começava ontem a ser tocada pelas inundações, com a subida do nível dos seus canais. A polícia e militares estão a guardar as casas e propriedades inundadas. «Muitas pessoas continuam a recusar abandonar os seus lares por temerem que criminosos lhes roubem os seus bens», dizem as autoridades.</P>
<P>
Reuter e France Presse</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30737">
<P>
Pelo menos um morto em colisão de petroleiro com cargueiro</P>
<P>
Marinha e Força Aérea em busca dos desaparecidos</P>
<P>
Confirmada a morte de um marinheiro, os sete tripulantes desaparecidos do petroleiro «New World», que à uma da madrugada de ontem colidiu com o cargueiro cipriota «Ya Mawlaya», a meio caminho entre a Madeira e o Continente, continuavam ao princípio da noite a ser procurados por um avião de patrulha da Força Aérea Portuguesa, duas fragatas da Armada e vários cargueiros.</P>
<P>
As buscas continuavam também no interior do navio, realizadas por uma equipa de homens de outra embarcação que vieram em seu socorro, confirmando não haver perigo de derrame de petróleo, apesar de o «New World», que transportava várias dezenas de toneladas de crude, ter sofrido um incêndio e um pequeno rombo no casco.</P>
<P>
Ao fim da manhã, fora já encontrado um tripulante morto dentro do petroleiro mas, várias horas depois, não se sabia ainda se os sete tripulantes estavam no interior do «New World»-- e em que estado -- ou se, pelo contrário, se atiraram à água sem os necessários meios de salvamento. Dezanove dos 29 tripulantes conseguiram saltar do navio por volta das 3h00, tendo sido recolhidos de manhã pelo cargueiro «News Wisdom», da mesma companhia do «News World», com base em Monte-Carlo (e que segundo as informações de ontem da Armada terá bandeira de Hong-Kong), e pelo cargueiro cipriota «Kapitan Dimitris».</P>
<P>
Ao princípio da noite, também, a Força Aérea Portuguesa enviou helicópteros Puma para o local do acidente -- 210 milhas a sudoeste do Cabo São Vicente -- na tentativa de evacuar de emergência quatro feridos que se encontravam em «estado muito grave» a bordo do «Kapitan Dimitris», soube o PÚBLICO junto do Estado-Maior da Força Aérea. Cinco outros homens sofreram ferimentos, mas de pouca gravidade. Médicos da Armada, que seguiam a bordo da fragata Sacadura Cabral e da corveta João Coutinho, prestaram socorro aos náufragos. Entre estes encontravam-se alguns filipinos, mas desconheciam-se todas as identidades e nacionalidades.</P>
<P>
As causas e os pormenores do acidente não foram ontem esclarecidas. O Estado-Maior da Armada informou que os dois navios colidiram num mar com vaga de três metros, que não coloca, em princípio, qualquer dificuldade a navios daquela envergadura. O «News World», o único que teve sérios problemas com o acidente, tem 80 mil toneladas. Segundo a companhia petrolífera francesa Total SA, contactada pela agência Reuter, o petroleiro transportava 130 mil toneladas de crude com origem no Gabão, com destino à sua refinaria de Dunquerque, no norte de França.</P>
<P>
O cargueiro «Ya Mawlaya», de 28.776 toneladas, que não sofreu qualquer dano grave nem feridos, tomou ainda ontem o rumo de Lisboa. No caso de os desaparecidos terem saltado para a água, com temperaturas entre os 12 e os 14 graus, é difícil a sobrevivência por muitas horas, admitiu o Estado Maior da Armada. R.C.M.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-10086">
<P>
Edison de Castro, em São Paulo</P>
<P>
O corpo do piloto Ayrton Senna da Silva chegou ao aeroporto internacional de São Paulo, no Brasil, às 11h13m (hora de Lisboa), num avião MD11 da Varig com 350 passageiros a bordo. Cerca de mil pessoas estavam à espera, para dar o último adeus ao tricampeão mundial de Fórmula 1, ainda no aeroporto.</P>
<P>
Ayrton Senna morreu no último domingo, no autódromo de Ímola, na Itália, depois de bater violentamente contra o muro da curva Tamborello, quando liderava, na sétima volta, o Grande Prémio de San Marino. O corpo do piloto foi levado para a Assembleia Legislativa de São Paulo, onde está a ser velado. O enterro está marcado para as 16h00 de hoje, com honras de chefe de Estado.</P>
<P>
Desde o dia do acidente, a população de São Paulo está mais triste. As pessoas nas ruas mostram de forma clara que sentiram profundamente a morte do maior representante brasileiro no automobilismo mundial.</P>
<P>
Desde as primeiras horas de ontem, uma multidão acorreu ao aeroporto internacional de São Paulo, para presenciar o desembarque do corpo de Senna. O avião pousou sob os olhares entristecidos dos fãs. O silêncio era quase que absoluto, apenas quebrado pelo ruído das turbinas do avião que trazia a decepção do povo brasileiro.</P>
<P>
O corpo de Senna foi retirado da aeronave às 11h44, carregado por seis cadetes da Força Aérea, e levado para um camião do Corpo de Bombeiros. Depois, o cortejo fúnebre atravessou as ruas da cidade, com o caixão coberto com a bandeira do Brasil. No trajecto de 30 km, milhares de pessoas acenavam, jogavam flores e choravam a morte do tricampeão. O percurso, que estava programado para ser feito em 45 minutos, durou duas horas e meia. A cidade parou praticamente. Até os comboios do metro -- que passa sobre uma ponte que o cortejo atravessou -- pararam para uma última homenagem a Ayrton Senna.</P>
<P>
Do alto dos prédios, à passagem do féretro, as pessoas lançavam papelinhos e aplaudiam. O trânsito em São Paulo ficou congestionado durante várias horas, mas toda a gente aguardou pacientemente. Até ao princípio da tarde tinham sido enviadas 68 coroas de flores de fãs de várias partes do mundo.</P>
<P>
Na Assembleia Legislativa, ontem cedo, já mais de quatro mil pessoas esperavam em fila para dar o adeus final ao piloto. Mas ninguém viu o corpo de Ayrton Senna da Silva, porque o caixão permaneceu lacrado. Quando hoje ele deixar o prédio da Assembleia Legislativa será saudado com 21 tiros de canhões e três salvas de tiros de fuzis, disparados por 30 militares do Exército.</P>
<P>
Já confirmaram presença no enterro em São Paulo, os pilotos Alain Prost, Gerhard Berger e Jackie Stewart. Pedro Lamy chegou à cidade na segunda-feira. Frank Williams e Ron Dennis também estarão presentes.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-91196">
<P>
Da Sucursal de Brasília</P>
<P>
O cerimonial do Planalto está recomendando o uso de calça comprida às mulheres que vão participar da cerimônia de despedida dos guardas-Marinha, amanhã, no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Itamar Franco. Todos vão subir a escada do navio escola "Brasil", onde embarcam os guardas-Marinha.</P>
<P>
Com a advertência contra o uso de saias, o Planalto afasta qualquer lembrança do episódio Lilian Ramos, a modelo sem calcinha que se encontrou com Itamar na sambódromo. Itamar viaja para o Rio, hoje à noite.</P>
<P>
Em outra cerimônia da Marinha, em novembro, o presidente Itamar assistiu ao lançamento ao mar do submarino Tamoio. Ao seu lado, a neta do primeiro comandante do submarino, Tatiana de Faro Orlando, participou da solenidade com um vestido justo e transparente, que fazia lembrar uma "sereia".</P>
<P>
O presidente chega ao Rio às 21h50 de hoje e se hospeda no Hotel Glória. O programa da viagem só prevê a cerimônia no navio escola, entre 11h50 e 12h40 de terça-feira. É a terceira viagem de Itamar ao Rio, para solenidades da Marinha. Em dezembro, ele assistiu à formatura da Escola Naval. (Silvana de Freitas)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-90705">
<P>
A Legião Brasileira de Assistência (LBA) atendeu no ano de 93 em Sergipe 44.787 pessoas carentes dentro dos programas de creches, apoio à pessoa idosa e reciclagem profissional.</P>
<P>
Sergipe 2</P>
<P>
A Coordenadoria do Programa Materno-Infantil e Assistência Integral da Secretaria de Estado da Saúde está alertando para o aumento no número de casos de diarréia, que ocorre no verão.</P>
<P>
Pernambuco 1</P>
<P>
Cerca de 70 mil alunos de 152 escolas da rede municipal de ensino de Recife vão receber merenda durante este mês, em dias alternados. As 68 toneladas de alimentos custaram CR$ 18 milhões.</P>
<P>
Pernambuco 2</P>
<P>
Os 212 mil carnês do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) começaram a ser entregues anteontem em Recife. O contribuinte que pagar a cota única terá desconto de 20%. Quem optar pelo parcelamento tem desconto de 10% se quitar a cota em dia.</P>
<P>
Paraíba 1</P>
<P>
A Delegacia Regional do Trabalho registrou em 1993, 607 acidentes de trabalho na Grande João Pessoa. Segundo o coordenador da fiscalização, Abelardo da Silva Júnior, 14 pessoas morreram.</P>
<P>
Paraíba 2</P>
<P>
A Comissão Permanente do Vestibular adiou por 30 dias a realização da segunda fase do vestibular 94 da Universidade Federal da Paraíba, que começaria ontem. O motivo foi uma liminar da Justiça Federal, determinando que 4.700 candidatos reprovados na primeira fase possam fazer a segunda etapa.</P>
<P>
Rio Grande do Norte 1</P>
<P>
A Delegacia de Acidentes de Trânsito em Natal registrou no ano passado 944 acidentes na cidade com uma média de 78 ocorrências por mês. Morreram no total 125 pessoas. A média foi de dez mortes por mês no trânsito. Os feridos somam 262.</P>
<P>
Rio Grande do Norte 2</P>
<P>
A Delegacia de Defesa da Mulher, em Natal, registrou em 93 um total de 2.628 ocorrências contra as mulheres. No ano anterior, o total foi de 1.714. Foram registrados 1.985 casos de agressões físicas, 201 ameaças, 97 estupros, 61 casos de sedução e 105 agressões morais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="wpt-1016797200209519613">
<P>
Indústria e Comércio: Informática:</P>
<P>
Consultoria e Sistemas RML - Sistema de faturamento e administração de academias com controle de catracas eletrônicas e desenvolvimento de sistemas.OperFit, Adm pro, R white e Life sport</P>
<P>
http://www.rml.com.br</P>
<P>
CooperSis Informática - Somos especializados em pequenas e medias empresas que nao possuem informatizacao ou estao descontentes com o que tem</P>
<P>
http://www.airtonmolena.com.br</P>
<P>
Credi-Telemática Eletro-Eletrônicos - Loja virtual que atende todo o território nacional com eletro-eletrônicos importados, material de informática e de telefonia. Configurações personalizadas e as últimas novidades são encontradas aqui.</P>
<P>
http://www.credi.com.br</P>
<P>
Croma Eletrônica Ltda. - Componentes eletrônicos antenas áudio vídeo som informática telefonia fios cabos conectores plugs garras adaptadores transformadores pilhas transistores diodos cis fones microfones caixas multímetros câmeras porteiros PABX(21)2233-0030</P>
<P>
http://www.divulgacao.com.br/croma</P>
<P>
Darun Informática - Comércio de produtos de informática como impressoras, softwares, equipamentos para automação comercial e suprimentos.</P>
<P>
http://www.darun.com.br</P>
<P>
Desenhos em Cad e serviços de informatica - Desenhos em CAD, desenhos elétricos, diagramas de força e comando, desenhos para engenharia, etc. Se seu Windows sempre trava ou não funciona direito mande um e-mail</P>
<P>
http://www.marckservice.cjb.net/</P>
<P>
Desenvolvimentos de projetos eletrônicos - Desenvolvemos projetos eletrônicos para automação de indústrias e Também venda de microcomputadores, cobrimos a oferta da concorrência</P>
<P>
http://www.projetoseletronicos.hpg.com.br</P>
<P>
DHCP Informática - Comércio de equipamentos de informática. Trabalha com placas mães, processadores, HDs, placas de vídeo, gravadores, CD-ROMs, DVDs, disquetes, monitores, placas aceleradoras, mémorias, cooler, drives,hubs, placas da rede, placa de som, fax.</P>
<P>
http://www.dhcp.com.br</P>
<P>
Di Bello Informática... seu Polo de Informática em MADUREIRA - A mais antiga loja de Informática em Madureira, são vinte anos de credibilidade...Hardware, software, suprimentos e manutenção</P>
<P>
http://www.webspace.com.br/dibello</P>
<P>
Diacon Informática - A Diacon presta serviços de consultoria, treinamento e desenvolvimento de sistemas.</P>
<P>
http://www.diacon.com.br</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-27010">
<P>
Portugueses no Natal aliviados com a entrada do Inkatha nas eleições</P>
<P>
A rede aberta de Durban</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Rui Cardoso Martins, em Durban</P>
<P>
Em Durban, um dos pólos dos portugueses na África do Sul, a violência chega-lhes à porta, mas não entra. O Natal -- baptizado assim por Vasco da Gama há quase cinco séculos -- do estado de emergência só começa ali a uns quilómetros. Aliviados com a entrada do Partido Inkatha nas eleições, esperam agora o benefício de se terem estabelecido numa zona onde o «apartheid» foi menos «apartheid» que noutras zonas da África do Sul.</P>
<P>
As redes ao largo de Durban, que protegem as praias dos grandes tubarões do Índico, permitem a passagem de alguns dos peixes carnívoros para a costa. Mas não é por isso que as praias deixam de se encher de banhistas e de rapazes do «surf», mesmo sendo um ataque mortal tão possível que os areais estão crivados de avisos. Aquele que puser o pé no mar, fá-lo «por sua própria conta e risco». Pois o sistema é engenhoso: as redes estão «partidas» em segmentos descontínuos -- abalados pelas marés e correntes -- e é assim que o tubarão que tenta entrar na praia fica preso e morre onde antes lhe abriram a porta.</P>
<P>
O centro e os subúrbios brancos de Durban ainda vivem em segurança, como se as cidades negras que os cercam se prendessem diariamente nas suas próprias redes de miséria e violência. O estado de emergência decretado no Natal-Kwazulu, depois de meses da maior mortandade de negros contra negros registada na História recente da África do Sul (331 mortos em Março no Natal, militantes do ANC contra os do Inkatha, em Abril vai-se ver), só começa verdadeiramente a três ou quatro quilómetros para o interior, nas zonas de fronteira rácica criadas pelo «apartheid».</P>
<P>
Estas não são morada para os cerca de 20 mil portugueses espalhados pelos quatro pólos de Durban, onde vivem bem, como seria difícil que vivessem em Portugal. E se, hoje, há muitos negros no centro, estes vendem bugigangas e peças de arte no passeio da marginal, ou trabalham na hotelaria e na contrução.</P>
<P>
Numa cidade situada tão perto da terra ancestral dos zulus, os receios são poucos e a notícia da participação do Partido Inkatha nas eleições livres caiu como uma bomba de oxigénio entre os que ficaram para o desfecho da votação.</P>
<P>
Não são apenas os últimos desenvolvimentos políticos o que os protege, defendem alguns, pois o «apartheid» do Natal e de Durban, foi sempre diferente do do Transvaal e de Joanesburgo. «Até as pessoas que vinham de férias do Transvaal nos olhavam com rancor, pela maneira como tratávamos o preto», diz José Fernandes, o novo dono do restaurante Coimbra, a dois passos da estrada da praia. O rancor vinha de tratarem o negro de forma diferente. De, por exemplo, depois de muitos anos em que branco e preto nem pensavam em sentar-se lado a lado, famílias de negros começaram finalmente a almoçar em restaurantes como o Coimbra, quando tal era ainda completamente impossível nas zonas de maior influência afrikaner.</P>
<P>
O Natal, além da predominância zulu, é também terra em que se estabeleceram muitos milhares de indianos e também brancos de língua inglesa, que, bastante menos, têm a ver com a rígida estratificação social que os «boers» impuseram no Sul de África.</P>
<P>
Apesar de tudo, «apartheid»</P>
<P>
Agora, que houve «apartheid», houve mesmo. Basta lembrar como os brancos têm forçosamente de ter medo de se deslocar para as imediações das «townships» de Umlazi Kwamashu e Inanda, a entre 10 e 30 minutos de carro, que é a melhor maneira de se contarem as distâncias num país grande como a África do Sul.</P>
<P>
«Há pessoas que são ainda muito racistas. Duvido que seja muito diferente de Joanesburgo», alvitra Alzira Morais, arquitecta luso-sul-africana, nascida há 31 anos em Angola, com passagem pela Rodésia, hoje Zimbabwe, filha de pais portugueses e que, à falta de melhor definição, se considera africana, sem deixar de ser portuguesa.</P>
<P>
Responsável pelo projecto de um grande prédio de habitação em Durban, Alzira ainda se lembra bem dos tempos em que era uma «bloody `pork and cheese'» (maldita queijo e porco, uma deformação muito cómica de «portuguesa»), do dia em que leu no jornal que os negros podiam finalmente ir ao cinema.</P>
<P>
E de como ainda tem de fazer peito ao silêncio hipócrita e aos olhares de esguelha sempre que vai a algum sítio com um seu amigo moçambicano, «que fala português como poucos portugueses aqui» e belíssimo inglês. Um rapaz negro que, quando resolveu que, à custa de trabalho intenso, ia mesmo fazer-se arquitecto na extensa Universidade de Durban, descobriu que na escola nunca lhe tinham falado que existiu uma coisa chamada Renascimento, que há colunas e templos gregos de pé, e que lhe tentaram impingir que, quando os brancos chegaram ao Sul de África, não havia lá preto nenhum.</P>
<P>
Os «descobridores» portugueses</P>
<P>
Os primeiros brancos que chegaram ao Sul de África falavam português. Mas, naqueles tempos em que se dobrou o Cabo das Tormentas, como em breve se dobraria o século XV, deixaram mais palavras que fundações. Numa região que se transformou, com os séculos, num empório da cana-de-açúcar, da banana e de alguns centros petrolíferos e de têxteis, lá está a Associação de Portugueses do Natal, que dá guarida a vários eventos desportivos e culturais. Onde se pode ouvir o novo presidente confessar profundos sentimentos anti-»apartheid», sabendo que o centro da cidade será provavelmente «tomado» pelos negros, como aconteceu em Joanesburgo. Mas onde, também, se pode ouvir um velho elemento da direcção perguntar espontaneamente por que estúpida razão «a Europa se convenceu de que o preto também é gente».</P>
<P>
Onde, numa praça do centro, um busto de Fernando Pessoa, que em Durban fez colégio inglês, interpela: «Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!»</P>
<P>
Onde o navegador Bartolomeu Dias tem estátua frente à praia e onde Vasco da Gama, porque num longínquo dia 25 de Dezembro ali fez escala natalícia, gostou das águas e das vistas e, como bom cristão, as baptizou de terras do Natal.</P>
<P>
Um local com certeza altamente simbólico para o português que, mesmo na praia principal da cidade, dirige o importante Instituto de Pesquisa Oceanográfica e o Aquário de Durban. «Nunca pensei nisso», confessa António de Freitas, surpreendido. O biólogo português, de 60 anos, é o principal responsável pelos melhores estudos científicos da costa africana do Índico, no que respeita aos habitates e bancos de camarões. É, muito a rigor, quem iniciou o crescimento controlado da pesca de crustáceos que permite que, ainda hoje, se aprecie nas cervejarias portuguesas o grande camarão tigre de Moçambique, onde ele também viveu.</P>
<P>
António de Freitas reconhece que, para chegar a um dos mais altos cargos de estudos e recursos oceânicos, a presidente da mais importante associação de África, se afastou um pouco dos seus compatriotas. «Parece-me que, na maior parte, os portugueses de cá são muito trabalhadores. Realmente, metem-se apenas a trabalhar...»</P>
<P>
Católico, membro da direcção do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, em Durban, onde, em 1976, já aceitavam raparigas negras, mulatas, indianas, totalmente contra as leis do «apartheid», António de Freitas explica como no instituto que hoje dirige se fez o estudo para parar com o ataque dos tubarões em Durban. O sistema australiano.</P>
<P>
Uma vez que uma rede uniforme se pode sempre romper com uma dentada dos esqualos, as redes abertas, porque os prendem, diminuem simplesmente o seu número.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-84261">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A mulher de Oswaldo de Carvalho Cruz Júnior, Valéria, recebeu pouco depois das 15h30 o telefonema de um dos diretores do sindicato, informando que o marido, baleado, dera entrada no Hospital Municipal de Santo André. Ela e o filho Lamec, ao chegarem, foram informados de que o sindicalista estava morto e seu corpo sendo transferido naquele momento para o necrotério.</P>
<P>
As duas outras filhas do casal, as adolescentes Flaviana e Flávia, ficaram em casa e só souberam que o pai morrera assassinado por volta das 16h30. Valéria e seus filhos, todos sob forte choque emocional, não quiseram conversar com os repórteres que os procuraram.</P>
<P>
Um dos irmãos do sindicalista, Antônio Carlos de Carvalho Cruz, preocupava-se em como dar a notícia à sua mãe, moradora no município de Suzano. Comovido, não contendo momentos de choro, ele disse que Oswaldo vinha seguidamente recebendo ameaças, e que "todos os que ameaçavam eram ligados ao sindicato", envolvido em acirrada disputa interna. "Nunca houve ameaça da CUT ou do PT", disse ele, ao ser indagado se o homicídio não estaria associado às denúncias feitas por seu irmão sobre o uso eleitoral do dinheiro e da máquina do sindicato.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31052">
<P>
As pessoas não são coisas que se metam em gavetas</P>
<P>
Roubei este título a um oportuno artigo da socióloga Isabel Guerra no número 20 da excelente revista «Sociedade e Território», que desde há dez anos se publica sob a direcção de António Fonseca Ferreira. O artigo é oportuno porque alerta para as condições em que não se devem fazer os realojamentos das populações residentes em bairros de lata previstos no PER -- Programa Especial de Realojamento -- mais conhecido por plano de erradicação das barracas, destinado às Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto.</P>
<P>
Anunciado há cerca de dois anos pelo ministro Ferreira do Amaral, no âmbito do programa já se estabeleceram protocolos com a grande maioria das câmaras previstas, com a participação do Instituto Nacional de Habitações e do IGAPHE (ex-Fundo de Fomento da Habitação). Mas os alertas lançados no referido número da revista têm fundamento porque os prazos são curtos e os problemas implicados no PER exigem especiais cuidados humanos que soluções de facilidade podem pôr em causa.</P>
<P>
A corroborar estes receios houve diligências de padres e religiosas que trabalham junto das populações a abranger pelo Município de Lisboa no sentido de evitar erros do passado (remoto e recente). Essas diligências, a que a Câmara parece ter dado resposta positiva, consideravam essencial a participação organizada das populações no processo de realojamento e chamavam a atenção para a excessiva concentração de realojamentos deste tipo numa mesma área, como tem acontecido com a zona de Chelas, e que tende à formação de novos guetos, não já de barracas, mas de prédios em altura. É esta aliás a tónica dos artigos publicados no nº 20 da revista atrás citada e das intervenções havidas em Novembro passado num encontro dedicado à comemoração dos dez anos da «Sociedade e Território».</P>
<P>
No último número da revista, agora saído a lume, Nuno Portas, que foi criador do SAAL após o 25 de Abril (em tempos recordado nesta mesma coluna), traça as conclusões do encontro e não deixa margem para receios mais do que justificados. É que as soluções urbanísticas e arquitectónicas adoptadas nos últimos anos pela Câmara de Lisboa têm-se pautado pela construção de projectos repetitivos, de concentração excessiva para o tipo de população que as vai habitar. Para as famílias habituadas desde há décadas a um contacto directo com o exterior nos bairros da lata, nada de menos indicado. Aconteceu até que no meio de um bairro SAAL cuidadosamente projectado pelo arquitecto Hestnes Ferreira na antiga Quinta das Fonsecas, junto à Segunda Circular, e que deu provas, tanto em termos de solução construtiva como de participação da população, foram erguidos há pouco prédios sem nenhuma relação com o plano de conjunto então elaborado e com o dobro da altura.</P>
<P>
Entretanto, um outro programa lançado na mesma data que o PER, mas destinado a estratos da classe média, o das «casas económicas», tem constituído um fracasso, devido a erros de metodologia na respectiva concretização. É que se baseia em concursos chamados de concepção-construção, nos quais os projectos são feitos pelo empreiteiro. Esta circunstância já levou a que dois dos projectos apresentados num concurso para Almada, que só contou com três propostas, tivessem sido chumbados por falta de qualidade. É que este sistema, que apresenta como vantagens a celeridade e a garantia de que os projectos não excedam os orçamentos, convida exactamente à deficiente qualidade dos projectos, já que estes não são objecto de uma apreciação prévia e autónoma.</P>
<P>
Este sistema inquinado ameaça o próprio PER, de acordo com indicações que transpiram de algumas Câmaras no sentido de que o estão adoptar para os seus programas de realojamento. Alguns exemplos como os da Câmara de Oeiras provam que concursos prévios de projectos bem organizados podem conduzir a excelentes resultados. E o Instituto Nacional de Habitação, que tem premiado anualmente as melhores realizações, sabe que isto é assim.</P>
<P>
Entretanto, um dado positivo a realçar é que o PER da Câmara de Lisboa vai ser disseminado por várias zonas da cidade. Mas esta circunstância pode não ser de todo favorável, já que, em várias destas zonas, vai ficar colado a programas de realojamento anteriores, não evitando assim a constituição dos tais guetos de habitação social. Porque a verdadeira solução seria a implantação das novas construções em zonas de habitação também «não social», como aconteceu com os verdadeiros sucessos neste domínio que constituíram os bairros de Alvalade e dos Olivais em Lisboa. Nestes casos, os programas de realojamento foram concretizados de uma forma integrada em áreas que foram objecto de outro tipo de promoção, também da iniciativa do Estado e mesmo de promoção privada.</P>
<P>
Havia assim que fazer convergir numa mesma zona o PER, as «casas económicas» e a promoção privada e cooperativa. Mas isso seria considerado demasiado complexo nos tempos que correm, muito dados às pressas e pouco ao planeamento integrado das expansões das cidades. Porque é aqui que se joga o futuro das zonas urbanas das áreas metropolitanas: ou se fazem planos integradores dos diversos estratos da população através de modos de promoção variados, ou irá acentuar-se a segregação social do espaço urbano com todas as consequências perversas que daí decorrem.</P>
<P>
A serem incorrectamente concretizados, os programas de Ferreira do Amaral, que se seguiram a anos de estagnação no domínio da habitação social, podem conduzir a um autêntico fracasso. Podem eliminar-se as barracas (embora isto não seja um dado seguro, pois o afluxo de populações, vindas do interior em vias de desertificação, ou mesmo dos PALOP, não vai cessar), mas os resultados em termos da criação de espaços urbanos humanizados não serão os melhores. Tudo o que tem a ver com a vida das pessoas deve ser cuidadosamente planeado e preparado, o que é incompatível com a pressa de mostrar obra feita. Os mecanismos que têm feito a estradização do país, como lhe chamou Boaventura de Sousa Santos, não se podem aplicar às pessoas, pois estas não são coisas que se metam em gavetas.</P>
<P>
Destaque: Tudo o que tem a ver com a vida das pessoas deve ser cuidadosamente planeado e preparado, o que é incompatível com a pressa de mostrar obra feita. Os mecanismos que têm feito a estradização do país (...) não se podem aplicar às pessoas, pois estas não são coisas que se metam em gavetas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99567">
<P>
Um processo não-democrático</P>
<P>
EM 13 de Junho de 1990, na Argélia, ninguém queria acreditar que a recém-legalizada Frente Islâmica de Salvação (FIS) tinha ganho as eleições municipais -- as primeiras livres e multipartidárias desde a independência. E o mais surpreendido com o resultado foi o próprio regime.</P>
<P>
Naquele dia, o ministro que haveria de anunciar os resultados oficiais do escrutínio apareceu com várias horas de atraso numa conferência de imprensa. O tempo de espera foi tanto que um jornalista comentou: «Devem estar a preparar alguma fraude.»</P>
<P>
As primeiras projecções apontavam para uma inesperada vitória da FIS, e quando o Governo despertou para essa realidade já era tarde demais. Estava tão seguro da sua própria vitória que nem sequer planeou irregularidades. Aliás, nenhum argelino acreditava que os islamistas pudessem vencer -- «Vou votar na FIS, como protesto, mas tenho a certeza de que vão ganhar os mesmos», dizia-nos então um residente de Argel.</P>
<P>
Face à esmagadora vitória da FIS em 1990, que conquistou municípios importantes como o de Argel, Orão, Constantine e Annaba, o Governo revelou-se indefeso. Restou-lhe apenas a esperança de que as populações locais se apercebessem da rigidez dos métodos dos islamistas e não votassem neles nas eleições legislativas marcadas para 1991.</P>
<P>
No entanto, o processo já era irreversível. Começou em Outubro de 1988, quando o ressentimento popular explodiu em várias cidades, com jovens a atacar edifícios governamentais, lojas de produtos de luxo e, sobretudo, instituições ligadas à Frente de Libertação Nacional (FLN), ex-partido único. A repressão foi enorme. As autoridades admitiram 280 vítimas, mas os jornalistas franceses calcularam em mais de 700 o número de mortos.</P>
<P>
Chadli, «o instigador?»</P>
<P>
O homem que respondeu aos tumultos foi o Presidente Chadli Bendjedid, que julgou poder tirar dividendos do descontentamento. Pessoalmente, nem sequer tinha sido visado pelos protestos. Chegou-se a especular que ele teria sido um dos «instigadores», sobretudo porque estava a ser criticado por alguns ideólogos da FLN pelos seus projectos de liberalização da agricultura e privatização da indústria. Além disso, Chadli ambicionava um terceiro mandato e queria assegurar que seria o único candidato nas eleições de Dezembro de 1988. A instabilidade obrigaria a FLN a cerrar fileiras à volta do Presidente.</P>
<P>
Logo que rebentaram os tumultos, Chadli propôs reformas políticas que foram aprovadas em referendo por 92 por cento dos argelinos. Após a sua reeleição, Chadli demitiu-se de secretário-geral da FLN e aprovou uma nova Constituição, separando o Estado do partido. Em Abril e Maio de 1989 a agitação social voltou às ruas e, em Julho, Chadli nomeou um novo primeiro-ministro, Mouloud Hamrouche.</P>
<P>
«Foi então que as portas da reforma se abriram completamente», salientou Michael Field, um antigo jornalista do «Financial Times», no seu livro «Inside the Arab World» (Ed. John Murray, Londres, 1995). «Hamrouche prometeu introduzir a democracia. Disse que mudaria o Governo de um sistema unipartidário para outro parlamentar. [...] O Ministério da Informação foi abolido -- uma decisão extraordinária. [...] As pessoas começaram a dizer em público o que lhes apetecia.» De todas as acções de Hamrouche, a mais importante foi a legalização de verdadeiros partidos políticos. Só que quando a FIS se tornou uma organização legal rapidamente escapou ao controlo do Governo.</P>
<P>
Democracia apressada</P>
<P>
«A `intelligentsia' argelina interroga-se agora sobre se Chadli e Hamrouche sabiam o que estavam a fazer em 1989», observou Michael Field num capítulo dedicado ao «Colapso da Argélia». É que Hamrouche era um idealista, mas Chadli não tinha passado de reformista ou de democrata. Supõe-se agora que Chadli não acreditava que a democracia mudasse radicalmente a sociedade argelina. Pelo contrário, via-a apenas como uma concessão para pacificar o povo revoltado com a corrupção do regime.</P>
<P>
«O facto inegável é que Chadli, e o seu primeiro-ministro, subestimaram o poder da política islamista», concluiu Field. «Eles introduziram a democracia de uma maneira muito apressada.» Quando a FIS foi legalizada, não era uma organização obscura. Já dominava as associações de caridade, as escolas, as mesquitas e gozava de grande popularidade entre os pobres.</P>
<P>
Assim, em Junho de 1990, depois da sua vitória nas municipais, a FIS começou a pôr em prática o seu programa político. Fechou jardins infantis para obrigar as mulheres trabalhadoras a ficar em casa. Transformou cinemas em mesquitas. Impôs a segregação sexual nos empregos e nos meios de transporte. Quando se aproximou a primeira volta das legislativas de Junho de 1991, fez tudo para que os seus opositores não recebessem cartões eleitorais ou não constassem das listas de recenseamento.</P>
<P>
Nas semanas que precederam as eleições, os partidários da FIS confrontaram-se com a polícia nas ruas e mais de 50 pessoas foram mortas. Em 4 de Junho, Chadli adiou o escrutínio e impôs a lei marcial. Hamrouche foi demitido e substituído pelo tecnocrata Sid Ahmed Ghozali, que entretanto marcou novas eleições, a primeira volta em Dezembro, e a segunda em Janeiro de 1992.</P>
<P>
Na primeira volta, e apesar de muitos dos seus dirigentes estarem na prisão, a FIS ganhou facilmente 188 deputados. Ou seja, precisava apenas de obter mais 28 na segunda volta para conquistar uma maioria absoluta.</P>
<P>
Inicialmente, Chadli ainda pensou coabitar com os integristas, mas o Governo perdeu a confiança nele e forçou-o a demitir-se. O Exército, chefiado pelo ministro da Defesa, general Khaled Nezzar, assumiu o controlo do país, cancelou a segunda volta das eleições e nomeou um Alto Conselho de Estado (ACE). Quatro dias depois do «golpe», um dos históricos da luta pela independência, Mohamed Boudiaf, regressou de 28 anos de exílio para presidir ao ACE, mas era demasiado incómodo e morreu assassinado.</P>
<P>
Em Março de 1992, a FIS foi ilegalizada e, em Abril, metade dos municípios ganhos nas eleições de 1990 foram dissolvidos. Desorientados, os islamistas começaram uma campanha de ataques bombistas e assassínios, a que o regime respondeu com mais repressão. E assim continua a Argélia.</P>
<P>
Margarida Santos Lopes</P>
</DOC>

<DOC DOCID="2ght33"> 
<P>A MÚSICA É A MENSAGEM</P>
 <P> Por Hari Kunzru </P>
 <P> A relação do tecno com o binômio homem-máquina, no diálogo com Jeff Mills, o legendário produtor de tecno de Detroit nos leva a impressionantes insights do impacto que a terceira onda tem causado na paisagem contemporânea. Detroit, essa "cidade portátil", virtualizada na minimalista batida de um sequenciador automático, profetiza em sua música - que já nos deu a Motown, Stooges, e MC5 - o zeitgeist deste início de milênio. </P>
 <P>Uma Cidade Difícil</P>
 <P> Detroit tem por longo tempo sido um lugar de referência na imaginação sônica. Com o fim da escravatura, ela se tornou, como Chicago, um das estações ferroviárias do êxodo negro na direção do norte. As ferrovias atuavam como artérias culturais, trasmitindo pessoas e formas culturais do profundo sul de New Orleans e o rural Delta do Mississipi, pelo centro-oeste e para o iluminado mundo novo urbano dos Grandes Lagos. No processo o som acústico do
Blues do Delta foi exposto ao ruído das linhas de produção industrial, e se transmutou no boogie de trem a vapor, de chão de fábrica do Rythm'n'Blues elétrico. O
Blues de Basin Street vira a Pegada da Cidade Motor (Motor City Stomp). Quando do boom dos anos sessenta, Detroit era sinônimo das esperançosas ficções-soul de três minutos da Motown, um selo cuja ética produtivista e apelo de mercado massificado foi sempre um irônico espelho da cultura da Ford e da General Motors que dominava as vidas de seu jovem público negro. O povo da Motown deu seus primeiros passos dançando nas ruas, mas, à medida que os 70 iam passando, eles foram gradualmente reduzidos a viver só para a cidade. Durante os desolados anos Reagan, Detroit parecia uma zona morta, um símbolo do fim da velha ordem industrial. Mas pelo começo dos noventa a decadente cidade, tendo absorvido o trauma da crise do petróleo e a recessão mundial, reinventou-se como o imaginário e sombrio coração de uma nova cultura urbana global. </P>
 <P> O tecno de Detroit é o som da cidade. Não das pessoas da cidade, mas da própria cidade. Os humanos, se eles ainda estão vivos mesmo, foram totalmente cooptados pela máquina urbana, absorvidos em seus processos, seus corpos disciplinados pelos ritmos implacáveis dela. Não é exagero dizer que este estilo, com seus frios tons sintéticos e batidas rápidas e rígidas de quatro-por-quatro teve provavelmente mais influencia no tipo de música que soa pelo mundo do que qualquer outro gênero desde o Blues. </P>
 <P>Transmissões do Futuro:</P>
 <P> A síntese de Detroit de grooves de trance funk e futurismo disco europeu foi realizada por um surpreendentemente pequeno círculo de produtores, que começaram seus experimentos em meados dos 80. As estórias de Cybotron, Model 500 e a transição da disco para o eletro-funk para o tecno foram muito bem contadas em outras paragens por escritores como Matthew Collin (Altered State) e Kodwo Eshun (More Brilliant Than The Sun: Adventures In Sonic Fiction). Um dos pioneiros foi Jeff Mills, que, como produtor e DJ, tem semeado o som de Durban a Tóquio, e a ele não se deveria atribuir pouca responsabilidade pelo fato de que seres urbanos de todo o mundo agora vivam numa paisagem midiática onde enxutas batidas eletrônicas servem como trilha sonora para tudo, desde idas ao shopping e suas experiências com drogas, a noites em casa em frente da tv. </P>
 <P> Mills é um homem calmo, um tipo parecido com um pássaro, com uma cara ossuda e longos dedos. Quando está na cabine ele usa três picapes, raramente tocando um vinil por mais de um minuto, e frequentemente abrindo todos os três canais ao mesmo tempo; filtrando o som, logo uma picape toca a linha de baixo, o segundo a linha do meio e o terceiro a linha principal. Seu envolvimento com as máquinas é tão intenso, tão concentrado que, como ele se lança do mixer para a picape, Mills o DJ parece evidentemente um componente de uma assemblage homem-máquina, um sistema que inclui público, PA, o aparato completo da produção de vinis, e o Stylus de cartucho, cuja sensibilidade ele aprimorou de forma que o cartucho produza um triplo zumbido raivoso e metálico. Não é surpreendente que quando Mills descreve a experiencia de fazer música num estúdio, ele está preocupado com a frustração que sente quando "a mensagem" (para Mills música é sempre "a mensagem", ou "comunicação") é perdida ou degradada na transmissão da mente para o DAT. </P>
 <P> "O produtor tem de transferir o que ele está pensando para suas mãos e então para a máquina," ele explica. "Quanto melhor o produtor, mais clara será a imagem. É uma tradução de minhas mãos para a máquina. E é aí normalmente onde ela [a máquina], se perde." De certa forma este é um sentimento padrão, um anseio expresso por todo artista desde que os românticos começaram a lamentar a lacuna entre a inspiração e o artefato. Mas o anseio de Mills por uma simbiose mais próxima com seus instrumentos deriva para um desejo pela cyborguização, pela integração física. "O que eu tenho esperança", ele diz, "é de que alguém crie um sequenciador que traduza o que você está pensando para um teclado ou gerador de som. Muitas idéias ficam perdidas porque não podemos fazer com que nossas máquinas realizem exatamente o que nós pensamos." </P>
 <P> Para uma cultura musical dominante que está acostumada a tratar álbuns como "obras", objetos invioláveis que contém algum tipo de essência artística, a concepção de Mills sobre música pode parecer estranha. "Depois que faz o álbum", ele diz, "você põe a idéia nas mãos do DJ e é ele quem decide remodelar essa mensagem no momento mais oportuno ou da melhor forma." Ele parece pensar a obra musical como processo, como fluxo de informação, abrindo um canal entre produtor e público dançante. </P>
 <P> A linguagem de mensagens, comunicações e comunicados oficiais e oficiosos de Mills é parte da teologia que guia o tecno de Detroit: a estória do circuito informacional que corre do futuro para o presente, do Claro Amanhã dos cruzadores pesados drexciyanos, de OVNIs ('você provavelmente verá um voando...') e dos anéis de Saturno, diretamente de volta para as rôtas rotas de hoje. É um circuito que canaliza energia através do corpo do produtor para seu estúdio, energia que posteriormente sai pelo PA e se distribui sobre a pista de dança. Detroit mesma é uma picape satélite, coletando e amplificando o futuro-potencial, transmitindo-o perpassando carros enferrujados nas ruas da cidade...Mills: "Para mim, [minha música é] sobre fazer as pesoas sentirem que elas estão num tempo à frente deste tempo presente. Como se você estivesse ouvindo alguém falar numa língua que você não entende, ou se encontrasse numa vizinhança desconhecida. Isso quer dizer tirar você da sua base, deixando o ouvinte desarmado." </P>
 <P> Ao contrário de alguns outros produtores, o futuro criado por Mills não é um sonho em ficção científica de puro cromo. É um "verfremdungseffekt", a desorientação do potencial puro. O ataque das batidas de Detroit é apenas um assalto pra tirar as defesas, forçando os ouvintes a se abrirem para a mensagem. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="hub-63156"> 
<P> Biografia de Dead Fish </P>
 <P> Dead Fish é uma banda de Hardcore de Vitória, cidade do estado do Espírito Santo, Brasil. </P>
 <P>História</P>
 <P> Tudo começou em 1991 com um grupo de amigos que andavam de Skate em Vitória. Mesmo sem saber tocar instrumento algum, resolveram montar uma banda e tocar músicas para andar de skate, principalmente Hardcore. Em 1995 lançam a demo-tape " Re-Progresso " e três anos depois, seu primeiro CD Full-Lenght, chamado " Sirva-se " pelo selo capixaba Lona Records. Após o " Sirva-se ", lançaram " Sonho Médio " em 1999 e " Afasia " em 2001. Giuliano, até então guitarrista, resolveu deixar a banda, em 2002 lançam o Projeto Peixe Morto e no mesmo ano também lançam o EP 2002, mas que foi gravado em 2000. Alguns guitarristas de bandas amigas do Dead Fish foram chamados para quebrar um galho, entre eles:
Alexandre "Capilé" (Sugar Kane), Philippe Fargnoli (Reffer) e
Tiago "Hóspede" (Aditive). Em 2003 gravaram um
CD Ao Vivo no Hangar 110 em São Paulo. Murilo, o outro guitarrista do Dead Fish, deixa a banda que ameaça acabar. No fim do mesmo ano, eles recebem uma proposta de uma gravadora, a Deckdisc. A banda aceita a proposta, chama Philippe e Hóspede para assumir as guitarras e entram em estúdio para gravar o quarto disco de inéditas, o " Zero e Um ". Em 2004, o Dead Fish ganha projeção nacional ao receber o prêmio Video Music Brasil de artista revelação, lançando seu primeiro DVD, o " MTV Apresenta: Dead Fish ". Em 2006, lançam mais um disco pela mesma gravadora, chamado " Um Homem Só " e tem relançadas sua primeiras demo-tapes pelo selo Laja Records, sob o título de " Dead Fish - Demo Tapes ". " Demo Tapes " ainda conta com diversos vídeos da banda, além de flyers e cartazes de shows do início da carreira. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="hub-24360"> 
<P> CONGRESSOS DO PSD, VOLTEM QUE ESTÃO PERDOADOS </P>
 <P> Há poucas coisas que me entristecem tanto como esta história das directas do PSD. É que eu sempre fui um aficcionado dos congressos do PSD. Trata-se do evento político onde é mais provável que, de repente, se levante uma dúzia de militantes, salte para o palco e desate aos pontapés a tudo e a todos, inclusive a um cartaz com a mensagem: « PSD: Responsabilidade e sentido de Estado. » </P>
 <P> Habituei-me, ao longo dos anos, a assistir às transmissões televisivas dos congressos social-democratas, madrugada adentro, enquanto comia pipocas. Menos quando Santana Lopes fazia aqueles discursos improvisados, que me provocavam um nó na garganta. Lembro-me de a minha mãe uma vez entrar na sala, ver-me lavado em lágrimas, perguntar o que é que se passava e de eu dizer, a soluçar: «Ele vai apresentar uma moção de estratégia ao congresso, mesmo depois de tudo o que o Conselho Nacional lhe fez... Cafagestes!» </P>
 <P> É certo que, agora que já não há intervenções pungentes de Santana Lopes, os congressos do PSD ficariam demasiado dependentes das gaffes de Luís Filipe Menezes. Na minha opinião, acho perigoso que se dê assim tanto poder a um só homem. </P>
 <P> Costuma-se dizer -- e com razão - que o PSD é o Sport Lisboa e Benfica da política, uma vez que se trata do partido com a maior diversidade de classes sociais. O que explica, ao mesmo tempo a existência de tantos barões no partido: desde que se mastigue com a boca fechada e não se diga «treuze», é-se barão. </P>
 <P> Segundo Pacheco Pereira, é esta diversidade social que começa a estar seriamente ameaçada. Há uns tempos, escreveu no PÚBLICO que «o problema do PSD é começar a ter só um Portugal ou dois dentro de si». Não podia estar mais em desacordo com esta afirmação. Para mim, é precisamente esse o problema do partido. Se, em vez de « Portugais », o PSD tivesse uma Finlândia ou duas Dinamarcas dentro dele, aí sim podia ser que o partido fosse a algum lado. </P>
 <P> De resto, fico já satisfeito por ter conseguido escrever um post sobre o PSD, sem uma única referência à baixa estatura de Marques Mendes. (O quê? Isto conta como referência?) </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-80633">
<P>
Governo de Unidade Nacional</P>
<P>
É A SEGUINTE a formação total do Governo de Unidade Nacional que deverá administrar a África do Sul até às eleições de 1999:</P>
<P>
Presidente - Nelson Mandela (ANC)</P>
<P>
Primeiro vice-presidente -- Thabo Mbeki (ANC)</P>
<P>
Segundo vice-presidente -- Frederik de Klerk (Partido Nacional)</P>
<P>
Ministros</P>
<P>
Justiça -- Dullah Omar (ANC)</P>
<P>
Defesa -- Joe Modise (ANC)</P>
<P>
Segurança -- Sydney Mufamadi (ANC)</P>
<P>
Educação -- Sibusiso Bhengu (ANC)</P>
<P>
Comércio e Indústria -- Trevor Manuel (ANC)</P>
<P>
Negócios Estrangeiros -- Alfred Nzo (ANC)</P>
<P>
Trabalho -- Tito Mboweni (ANC)</P>
<P>
Correios, Telecomunicações, Rádio e TV -- Pallo Jordan (ANC)</P>
<P>
Saúde -- Nkosazana Zuma (ANC)</P>
<P>
Transportes -- Mac Maharaj (ANC)</P>
<P>
Assuntos Provinciais e Desenvolvimento Constitucional -- Roelf Meyer (Partido Nacional)</P>
<P>
Terras -- Derek Hanekom (ANC)</P>
<P>
Empresas Públicas -- Stella Sigcau (ANC)</P>
<P>
Serviços Públicos e Administração -- Zola Skweyiya (ANC)</P>
<P>
Habitação -- Joe Slovo (ANC)</P>
<P>
Obras Públicas -- Jeff Radefe (ANC)</P>
<P>
Serviços Correccionais -- Sipho Mzimela (Inkatha)</P>
<P>
Finanças -- Derek Keys (Partido Nacional)</P>
<P>
Agricultura -- Kraai van Niekerk (Partido Nacional)</P>
<P>
Desporto e Tempos Livres -- Steve Tshwete (ANC)</P>
<P>
Interior -- Mangosuthu Buthelezi (Inkatha)</P>
<P>
Águas e Florestas -- Kader Asmal (ANC)</P>
<P>
Ambiente e Turismo -- Dawie de Villiers (Partido Nacional)</P>
<P>
Minas e Energia -- Roelof «Pik» Botha (Partido Nacional)</P>
<P>
Assistência Social e Desenvolvimento Populacional -- Abe Williams (Partido Nacional)</P>
<P>
Ministro sem pasta -- Jay Naidoo (ANC)</P>
<P>
Artes, Cultura, Ciência e Tecnologia -- Ben Ngubane (Inkatha)</P>
<P>
Vice-ministros</P>
<P>
Negócios Estrangeiros -- Aziz Pahad (ANC)</P>
<P>
Assuntos Provinciais -- Mohammed Vali Moosa (ANC)</P>
<P>
Justiça -- Chris Fismer (Partido Nacional)</P>
<P>
Interior -- Penuell Maduna (ANC)</P>
<P>
Artes, Cultura, Ciência e Tecnologia -- Winnie Mandela (ANC)</P>
<P>
Finanças -- Alec Erwin (ANC)</P>
<P>
Assistência Social -- Sankie Nkondo (ANC)</P>
<P>
Ambiente -- Bantu Holomisa (ANC)</P>
<P>
Terras -- Tobie Meyer (Partido Nacional)</P>
<P>
Educação -- Renier Schoeman (Partido Nacional)</P>
<P>
Segurança -- Joe Matthews (Inkatha)</P>
<P>
Agricultura -- Thoko Msane (ANC)</P>
<P>
Ao todo, são 42 figuras: 28 saídas das listas do ANC, que englobavam militantes do Partido Comunista e da central sindical Cosatu, 10 provenientes do Partido Nacional e quatro do Inkatha, em proporção com os votos obtidos por cada uma destas forças nas eleições gerais do mês passado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-96301">
<P>
RICARDO BONALUME NETO</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Amanhã e depois os 16 países da mais poderosa aliança militar do planeta tentarão chegar a um acordo sobre o futuro desse clube fechado, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Existem pelo menos cinco países querendo entrar para o clube: Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia e Lituânia. Tudo indica que não vai ser agora ou em um futuro próximo que chegarão a sócios plenos. A própria Otan não sabe direito para que serve. O encontro em Bruxelas é mais uma tentativa de a organização definir seu papel, agora que o motivo de sua existência desapareceu.</P>
<P>
A Otan surgiu em 1949 para fazer frente à ameaça comunista. Durante quase meio século a Europa Ocidental esperou uma Blitzkrieg soviética, uma guerra-relâmpago de uma massa descomunal de tanques apoiados por aviões que esmagaria tudo pela frente e forçaria os americanos a usarem seu arsenal nuclear.</P>
<P>
Ano após ano os generais da aliança argumentavam com estatísticas mostrando o crescimento do poder soviético e pedindo mais verbas para a defesa. Foram atendidos na década de 80, principalmente por gente como o ex-presidente americano Ronald Reagan. Ironicamente, depois de uma década de aumento acelerado nos gastos militares, o comunismo ruiu e a Otan se vê hoje na posição inversa, muito mais poderosa que os países do leste que antes eram a ameaça. No auge desse festival de gastos militares, os 16 países chegaram a gastar perto de US$ 500 bilhões por ano com as forças armadas (três quintos dos gastos foram, e ainda são, feitos pelos EUA).</P>
<P>
Hoje a Otan gasta 10% menos com armas do que em 1987, enquanto que nos países do leste os gastos despencaram de modo muito mais abrupto em função da crise econômica e da difícil adaptação ao mundo capitalista. A Rússia gasta provavelmente metade do que a URSS gastava com seu arsenal.</P>
<P>
Os cinco países que querem entrar para o clube ocidental antes jogavam no time soviético. Querem entrar porque ainda temem a Rússia. O último a pedir, a Lituânia, declarou expressamente que o avanço eleitoral do ultra-nacionalista russo Vladimir Jirinovski mostra que ainda existe uma ameaça militar às novas nações. O governo de Boris Ieltsin não gosta da idéia de ver os antigos aliados virarem casaca. A expansão da Otan aumentaria o complexo de perseguição dos russos, uma paranóia com base bem real nas invasões tentadas por suecos, franceses e alemães.</P>
<P>
Apesar do entusiasmo dos alemães em expandir a Otan para o leste, a posição mais conservadora dos EUA, Reino Unido e França deve prevalecer. Transformar os cinco candidatos e outros eventuais em "parceiros para a paz" provoca bem menos os russos.</P>
<P>
O pilar da Otan é a relação especial entre os EUA e os países da Europa Ocidental. Os EUA cumpriram neste século o papel que antes era do Reino Unido, de evitar que uma potência tomasse conta do continente. Os americanos impediram que a Alemanha ficasse dona da Europa em duas guerras mundiais assim como os britânicos atrapalharam as ambições da França de Luís 14 e de Napoleão. Durante quase 50 anos, a aliança transatlântica brecou por meio de uma guerra "fria" que a URSS ampliasse seu império.</P>
<P>
Sem a ameaça militar, a Otan tenta entrar no ramo da "manutenção da paz", até agora sem muito sucesso. O fracasso em intervir na Bósnia é uma prova de que a Otan não se transformou no policial da Europa. A guerra contra o Iraque, um lugar fora da área de ação legal da Otan, ao norte do trópico de Câncer, foi um espetáculo praticamente americano. Soldados foram enviados apenas pelos britânicos e franceses. Canadenses e italianos mandaram alguns aviões. Outros países da Otan colaboraram com navios, uma método bem menos arriscado de guerrear quando o inimigo não tem como revidar contra forças navais.</P>
<P>
Durante toda a história da Otan os Estados Unidos reclamaram que os europeus não faziam o suficiente para a própria defesa, se limitando a ficar debaixo do guarda-chuva nuclear americano. O futuro da organização vai depender de os europeus decidirem o que fazer com suas caras orças armadas agora que a Blitzkrieg soviética virou miragem.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45432">
<P>
Morte de Senna não levará</P>
<P>
Frank Williams à prisão</P>
<P>
Max Mosley, o presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), afirmou ontem em Londres que Frank Williams não precisa de se preocupar com a possibilidade de ir para a cadeia ou de ver a sua equipa afastada da Fórmula 1, como consequência do inquérito levado a cabo pela justiça italiana sobre a morte de Ayrton Senna.</P>
<P>
Frank Williams tinha afirmado na quinta-feira aguardar «com ansiedade» o resultado do inquérito promovido pela justiça italiana, por esperar ser apontado como responsável pela quebra da coluna de direcção do Williams-Renault pilotado por Senna no Grande Prémio de S. Marino, a 1 de Maio do ano passado. O piloto brasileiro morreu durante a prova, após um despiste na curva Tamburello.</P>
<P>
Falando ontem com um grupo de jornalistas britânicos, Max Mosley disse esperar que o relatório do inquérito, que deve ser brevemente divulgado, aponte «as causas do acidente e diga que a coluna de direcção se partiu»: Provavelmente, vai também mencionar as irregularidades da pista e pouco mais. Espero que eles culpem alguém, mas penso que ninguém fez nada no carro de Senna que possa ser visto como deliberado ou negligente. Tudo foi feito com as melhores das intenções e ninguém deve ser acusado apenas numa base moral.»</P>
<P>
Mosley acrescentou que «não há possibilidade de [Frank] Williams ir para a cadeia ou de a equipa Williams ser colocada fora do negócio». Porém, o presidente da FIA disse ser possível que as duas provas de F1 disputadas em Itália (Ímola e Monza) estejam em risco, caso a família de Senna decida colocar uma acção num tribunal civil italiano, após a publicação do relatório. As corridas em outros países com sistemas legais similares ao italiano poderiam também estar em risco. Mosley afirmou que as equipas estão a pensar em requerer uma lei que as proteja de acções civis em circunstâncias similares.</P>
<P>
Quando lhe perguntaram se pensava que a Fórmula 1 poderia sobreviver a outro ano de catástrofe em 1995, o presidente da FIA respondeu: «Espero que isso não aconteça, mas se acontecer penso que que sim. A última época foi trágica, olhando para os acidentes -- mas tudo o resto, como os problemas electrónicos, não foi pior do que no futebol.»</P>
<P>
Reuter</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26230">
<P>
África do Sul tem hoje as suas primeiras autárquicas multi-raciais</P>
<P>
Sob o signo do crime e dos fantasmas do passado</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
A República da África do Sul efectua as suas primeiras eleições autárquicas sem distinção entre os diferentes grupos étnicos. Mas as atenções do povo estão essencialmente concentradas na criminalidade crescente e na chamada a tribunal de generais do antigo regime.</P>
<P>
Mais de 12 milhões de sul-africanos estão inscritos para ir hoje votar em 460 municípios urbanos e 241 rurais, 18 meses depois das primeiras eleições multi-raciais que se efectuaram no país, dessa vez para uma Assembleia Constituinte, que funciona na Cidade do Cabo, a capital legislativa de um vasto e rico território cujo executivo funciona em Pretória.</P>
<P>
São as primeiras autárquicas que se realizam desde que se começaram a desmantelar as fronteiras entre municípios brancos e municípios destinados a outros grupos étnicos, mas mesmo assim ainda não se podem realizar em toda a África do Sul. Só mais tarde, em data ou datas ainda a definir, é que irão às urnas um milhão e meio de eleitores da zona metropolitana do Cabo e 3,2 milhões em toda a província do Kwazulu/Natal.</P>
<P>
Estas discrepâncias verificadas na consolidação do Poder Local dizem bem das dificuldades de democratização de um povo feito de tantos povos, de um povo que se preocupa essencialmente com o desemprego e com a criminalidade crescente, nem sempre conseguindo enterrar com facilidade os fantasmas de um passado recente, dominado pela descriminação racial.</P>
<P>
Nos últimos dias, muito do noticiário que se fez no país não foi propriamente sobre o fecho da campanha eleitoral mas sim sobre a chamada a prestar contas à Justiça do general Magnus Malan, de 65 anos, e de uma série de outros oficiais do antigo regime, do apartheid, acusados de responsabilidade pelo assassínio, em 1987, de 13 negros, em terra zulu.</P>
<P>
Distribuir água e recolher o lixo</P>
<P>
Todos os partidos têm falado da criminalidade que não cessa de crescer, mas a função das autarquias vai ser essencialmente fazer coisas básicas como a distribuição da água potável, a recolha de lixo e a construção de novos fogos, não lhes sendo talvez possível desempenhar de forma directa um grande papel no combate ao desemprego.</P>
<P>
Aparentemente, o Governo de Unidade Nacional, formado pelos partidos do Presidente Mandela, de Frederik de Klerk e de Mangosuthu Buthelezi, é que tem de criar as condições necessárias a que o capital sul-africano e estrangeiro invista grandemente na criação de novos postos de trabalho, acabando assim com legiões de jovens desesperados, que enveredam pela criminalidade.</P>
<P>
Só que, este Governo nem sempre tem conseguido demonstrar a unidade necessária, andando os seus três componentes muitas vezes a digladiar-se, demonstrando como é bem difícil levar por diante o projecto grandioso a que meteram ombros para um período de cinco anos: a coesão de um executivo representativo de mais de 90 por cento do eleitorado e que deve firmar as raízes de uma sociedade democrática.</P>
<P>
O caso do general Malan e de outros antigos oficiais das Forças de Defesa da África do Sul (SADC) é apenas o mais recente dos episódios que têm oposto o ANC de Mandela, maioritário, umas vezes ao Partido Nacional, do vice-presidente De Klerk, e outras ao Inkatha, do ministro da Administração Interna, o zulu Buthelezi.</P>
<P>
Armas nucleares</P>
<P>
Acontece, porém, que este conflito com alguns dos próceres sul-africanos de há sete ou oito anos é particularmente grave se nos lembrarmos do livro «A Conspiração Mini-Nuclear», saído há duas semanas em diversos países.</P>
<P>
Nele, o jornalista britânico Peter Hounam e o sul-africano Steve McQuillan dizem que a África do Sul possui ainda uma parte das suas armas nucleares oficialmente destruídas e que algumas estarão precisamente nas mãos da extrema-direita, graças a militares «no activo ou na reserva», enquanto as outras teriam sido «escondidas por um país amigo, provavelmente Israel».</P>
<P>
Foi em 1993 que De Klerk, então Presidente da República, surpreendeu o mundo ao anunciar que Pretória construíra em segredo seis bombas atómicas e iniciara a construção de uma sétima, mas que depois as destruíra.</P>
<P>
Em sequência disso, a África do Sul veio a ser apresentada pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) como o único país a desembaraçar-se unilateralmente do seu arsenal nuclear.</P>
<P>
Contudo, se acreditarmos em Hounan e McQuillan, a extrema-direita sul-africana conservará no norte do país armas altamente sofisticadas, com as quais poderia fazer chantagem sobre o Presidente Mandela e exercer pressão a favor de um Volkstaat, um Estado branco separado.</P>
<P>
Esse é que seria o grande assunto a investigar a fundo na África do Sul, nos dias que correm, pois que de certeza teria muito mais impacto do que o destas autárquicas em dois ou três tempos, para as quais se sabe desde já que a afluência às urnas não vai ser de forma alguma comparável à das históricas eleições de Abril de 1994.</P>
<P>
Além do mais, os cidadãos mostram-se perplexos com a complexidade do voto, que nas grandes aglomerações chega a envolver três boletins, para a câmara municipal, a assembleia municipal e a junta de freguesia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-48862">
<P>
Opinião</P>
<P>
Jorge Gonçalves*</P>
<P>
Da desresponsabilização em urbanismo</P>
<P>
«Fazer cidade» é uma expressão que definitivamente fez escala no léxico político-urbanístico, demonstrando aparentemente a existência de uma nova postura, ao encarar o facto urbano e toda a panóplia de aspectos que encerra. Pretende levar os cidadãos a acreditar que é possível produzir um tecido urbano com uma significativa espessura social e cultural como acontecia na cidade pré-capitalista.</P>
<P>
Parece-me que, na essência, nem o discurso nem a prática se alteraram significativamente, pois iriam em direcção oposta à evolução do nosso modelo de sociedade hoje sentido.</P>
<P>
O problema é vasto de mais para ser exposto aqui em toda a sua dimensão, mas em face aos excessos verbais (e não mais que isso, pois seria inimaginável levá-los à prática sem estruturais mudanças societais) parece-me oportuno chamar a atenção para apenas dois aspectos que integram esta questão: construção de cidades à escala humana e participação dos cidadãos.</P>
<P>
O urbanismo é uma disciplina reconhecidamente plurifacetada onde se deseja ardentemente a colaboração das ciências sociais como forma de legitimar uma proposta final composta invariavelmente por uma ou mais plantas e um regulamento, sendo estes apenas os elementos do plano com força legal. Assim, e relativamente ao primeiro aspecto citado, começamos a vislumbrar as primeiras sombras ou, se quisermos, a inconsequência da oratória. Os exemplos sucedem-se e são chocantes: Chelas, bairros de realojamento (como o que ainda se vai construindo junto a Moscavide, às portas da Expo 98)...</P>
<P>
Apesar de já terem sido construídos sob a filosofia «fazer cidade» e de contarem com a profusa participação de eleitos, cientistas sociais e arquitectos, muitos arquitectos, aí se encontram os grandes males das cidades, como a segregação, violência, marginalidade. A justificação mais pertinente é a de que a prática do urbanismo, definido à semelhança e imagem da arquitectura, nunca deixou de estar sujeita às modas, à criatividade sem limites, à submissão a interesses económicos, a uma evolução por tentativa-erro cujo laboratório é o território e as cobaias e os seus utilizadores.</P>
<P>
Por isso, «fazer cidade» hoje não só é possível apenas num contexto romântico ou filosófico, como seria curioso observar a coexistência de uma privacidade, formada por condomínios residenciais fechados, com segurança 24 horas/dia, que garantem a oferta de alguns equipamentos e espaços livres no seu interior; por parques de escritórios de extensão assinalável que se auto-excluem do tecido urbano envolvente por motivos de imagem e prestígio; por espaços residenciais segregados ocupados por uma população de baixos rendimentos; por uma supressão dos espaços públicos e abertos; por uma diminuição dos contactos interpessoais e de diferente nível social, tudo isto substituído por um outro tecido urbano que seria o «negativo» do existente.</P>
<P>
É claro que não se vislumbra sequer uma remota possibilidade de tal suceder. A cidade da tolerância, da integração e assimilação das diferenças (sociais, económicas e culturais), do exercício da cidadania, é mais uma imagem destinada a ser vendida regularmente em momentos políticos precisos. Veja-se o caso de Lisboa, onde a um discurso impregnado de solidariedade e fraternidade tem correspondido uma decadência urbana efectiva, medida, por exemplo, a partir da sangria demográfica que levou na última década cerca de 150 mil habitantes a mudarem-se para as periferias, deixando uma cidade «oca», isto é, albergando apenas os mais ricos e os mais pobres; medida, por exemplo, pela proliferação dos sem-abrigo, pela insegurança, pela aposta em megaprojectos urbanísticos e económicos descurando as intervenções cirúrgicas no tecido social e urbano, infinitamente mais delicadas, mas mais de acordo com os princípios de solidariedade e fraternidade.</P>
<P>
Finalmente, referência para a questão da participação pública ou, se quisermos, da mobilização da sociedade civil. Mais uma vez se trata de palavras que surgem com grande frequência mas desprovidas de efectivos canais formais por onde se possam expressar. Por isso não custou ao presidente da Associação dos Arquitectos Portugueses anunciar (PÚBLICO, 20/7/95) alto e bom som que a arquitectura deve ser orientada para o cidadão e para o interesse público, passando «de fininho» por cima dum passado, em grande medida da responsabilidade da classe, que nos legou uma paisagem urbana medíocre, atrofiando ou fazendo desaparecer os espaços construídos através dos verdadeiros processos de «fazer cidade», hoje pelos vistos desconhecidos.</P>
<P>
A qualidade da arquitectura e do urbanismo não pode ser reivindicada verdadeiramente porque o quadro legal confere ao envolvimento dos cidadãos em urbanismo um papel marginal e puramente simbólico. No caso dos loteamentos urbanos -- processo através do qual se foi alargando a mancha urbana de Lisboa --, não se prevê sequer a apresentação pública dos projectos.</P>
<P>
Mas como exercício mental vamos supor que sim, que os cidadãos passavam a dispor dos instrumentos e mecanismos legais para assumirem um verdadeiro poder na responsabilização, discussão e aprovação das intervenções territoriais, num arremesso de democracia participativa. Como se apuraria a responsabilidade pela intervenção urbana em Chelas que, após uma abordagem científica e pluridisciplinar, resultou em projectos arquitectónicos, desenho urbano e composição do tecido social que foram catalisadores duma situação dramática (a expressão é pobre para ilustrar a verdadeira dimensão da realidade)?</P>
<P>
Quem seriam os responsáveis pela privatização de largas fatias do espaço urbano -- condomínios fechados --, estimulantes dum sentimento de desigualdade sócio-económica? Como se determinaria a culpa pela inexistência de espaços públicos, insuficiência dos transportes, melancólicos espaços residenciais num subúrbio que assim vê aparecer subculturas, domínio dum profundo individualismo e, no fundo, a docilização política das pessoas com um quotidiano onde não sobra tempo nem disposição para mais nada que seja trabalho, transportes e família, envolvidas também como estão em exageradas responsabilidades financeiras decorrentes da compra da casa própria e dum consumismo exacerbado por uma publicidade manipuladora das vontades individuais?</P>
<P>
É fácil e é moda pedir aos cidadãos uma participação substantiva e construtiva nos meios de comunicação social. O que é grave é que quem pede já sabe de antemão que na verdade ela não é possível nem sequer desejável. Isto não é sério.</P>
<P>
*geógrafo</P>
<P>
Destaque: A cidade da tolerância, da integração e assimilação das diferenças (sociais, económicas e culturais), do exercício da cidadania, é mais uma imagem destinada a ser vendida regularmente em momentos políticos precisos. Veja-se o caso de Lisboa, onde a um discurso impregnado de solidariedade e fraternidade tem correspondido uma decadência urbana efectiva.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-20297">
<P>
Moçambique repleta de sul-africanos é sinal de que a guerra acabou</P>
<P>
Regresso ao passado à beira do Índico</P>
<P>
José Pinto de Sá, em Maputo</P>
<P>
O recenseamento para as primeiras eleições livres moçambicanas começa a 1 de Junho, foi anunciado este fim de semana. Numa altura em que o país está a ser «invadido» por dezenas de milhares de sul-africanos. Não trazem armas, mas sim sorrisos e muitos randes.</P>
<P>
Num dos indícios mais claros até à data de que a guerra civil acabou mesmo em Moçambique e de que este território poderá enfim reassumir a sua vocação de enorme campo de férias à beira do Índico, 60 mil cidadãos da África do Sul pediram visto para este mês viajar até Maputo. Muitos ainda guardam gratas recordações da antiga Lourenço Marques.</P>
<P>
Antes de 1975, data da proclamação da independência, os «bifes», como então eram chamados localmente os sul-africanos, invadiam regularmente as praias e cidades do Sul do país, injectando anualmente milhões de randes na economia. Ponta do Ouro, Ponta Malongane, ilha da Inhaca, São Martinho do Bilene, Tofo e outras instâncias eram nomes de sonho para os fazendeiros do Transvaal e para tantos outros cidadãos da África do Sul.</P>
<P>
Depois, porém, com o radicalismo de muitos quadros da Frelimo, os «bifes» passaram a ser acintosamente designados de «boers» e a ser vistos como um inimigo, que patrocinava a desestabilização do regime e estava por trás da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo). De modo que as fronteiras se fecharam e o país viveu no isolamento durante quase duas décadas, chegando ao ponto de ocupar o top negro da ONU como país com maior índice de sofrimento do mundo.</P>
<P>
O reverso da medalha</P>
<P>
O regresso dos turistas já se esboçava nos dois últimos anos, desde que em Roma se negociou um acordo de paz para Moçambique. Mas, desta vez, a insegurança no seu próprio país é que contribuiu para que muitos sul-africanos esquecessem as reservas que ainda mantinham em relação aos resquícios do Poder Popular e viessem em força até à terra onde nos anos vinte haviam ajudado a erguer uma instituição tão inesquecível como o Hotel Polana, decerto um dos mais encantadores de toda a África.</P>
<P>
A vontade de estar longe de eventuais surtos de violência que possam assinalar as próximas eleições na África do Sul (ver pág. 13) foi uma das causas da «invasão» que principiou durante a Semana Santa e que tende a prolongar-se pelo resto de Abril.</P>
<P>
Da nova e alegre horda que percorre agora as estradas do Sul de Moçambique faz parte um razoável número de portugueses que outrora viveu em Lourenço Marques, João Belo (Xai-Xai), Inhambane e outras terras do vasto território, tendo-se transferido após a descolonização para as diversas províncias sul-africanas, nomeadamente Natal e Transvaal.</P>
<P>
Nas longas filas de carros que avançaram durante o fim de semana a partir da fronteira, alguns não deixaram de tecer críticas às autoridades moçambicanas, que lhes pediram até 140 randes por cada visto (cerca de seis mil escudos), quando um cidadão de Moçambique nada paga para entrar na África do Sul. E no consulado em Joanesburgo as esperas têm sido desesperantes, pelo que Maputo vai abrir novos consulados em Durban, Cidade do Cabo e Nelspruit.</P>
<P>
Apesar de tudo, casos de corrupção incluídos, é de crer que a tendência se amplie e que as terras calmas de Moçambique passem a ser um escape para as muitas tensões que se adivinham nos primeiros anos da nascente democracia multiracial sul-africana.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-24730">
<P>
Mário Soares na rota dos baleeiros</P>
<P>
"Deixe-nos caçar, senhor Presidente"</P>
<P>
Ricardo Garcia</P>
<P>
Num dia da Presidência Aberta dedicado aos oceanos, Mário Soares ouviu um apelo para que fosse permitida a caça de alguns cachalotes no Pico. A sua resposta foi a de que os cientistas é que deveriam decidir se se deve ou não caçar baleias. Durante mais de três horas no mar, nenhuma veio saudá-lo.</P>
<P>
Um grupo de canoas e lanchas baleeiras cercava, ontem à tarde, a corveta Jacinto Cândido, ao largo da ilha do Pico. O Presidente Mário Soares, a bordo do navio de guerra, fazia as reverências de praxe às embarcações que o vieram saudar no passeio marítimo pela rota dos baleeiros. "Meus caros amigos, muito obrigado por terem vindo cá", dizia Soares, com a voz amplificada pela providencial aparelhagem de som que o acompanha nesta Presidência Aberta. Mas dentro da corveta, o Presidente ouviu o apelo inevitável de um armador, Francisco Machado, conhecido como o senhor Barbeiro. "Há uma coisa que está na minha garganta, desde que nos cortaram as pernas", disse o armador, referindo-se à interdição da caça à baleia nos Açores. O senhor Barbeiro explicou que a caça artesanal do cachalote no arquipélago não contribuía para a extinção da espécie e pediu: "A gente gostaria que o senhor Presidente, se fosse possível, nos desse uma pequena quota. Com quatro ou cinco cachalotes a menos, o mar não ficava mais pobre".</P>
<P>
Soares não fez uma defesa intransigente da interdição à caça de cetáceos.</P>
<P>
Disse, antes, que tomou conhecimento, na Islândia e no Japão, de que o crescimento das populações de baleias, desde a proibição da sua caça</P>
<P>
comercial, estava a ter já um impacto negativo sobre determinadas espécies de peixes, quebrando o equilíbrio natural do ecossistema. Mas, questionado pelo PÚBLICO se pessoalmente era a favor da suspensão da interdição, respondeu: "Sou, em princípio, favorável a que se preserve este mamífero, mas está a haver problemas. Sou favorável às posições dos cientistas nesta matéria e serão eles que dirão se se deve ou não caçar baleias".</P>
<P>
Protesto contra poluição das lagoas</P>
<P>
A questão das baleias foi um dos pontos altos de um dia que começou com o tema dos oceanos, no Faial, e terminou com um protesto contra a poluição das lagoas, em Ponta Delgada. Ao chegar à ilha sede da Presidência do Governo Regional, Soares foi recebido por uma manifestação ruidosa do grupo «SOS Lagoas», que expôs ao Presidente a necessidade de se tomarem medidas urgentes para controlar o processo de "eutrofização" das lagoas. "O lixo não é fixe", gritavam os manifestantes.</P>
<P>
Pela manhã, o oceanógrafo Mário Ruivo aproveitou um debate sobre os oceanos na Assembleia Regional, na cidade da Horta, para salientar o facto de o Ministro do Mar, Azevedo Soares, não ter acompanhado o Presidente da República em momentos importantes do seu périplo pelo ambiente do país. "Penso que foi o grande ausente desta Presidência Aberta", afirmou Mário Ruivo.</P>
<P>
Na sua área de competência específica, o Governo Regional dos Açores voltou a ser criticado pela falta de controlo do que se passa sobre as zonas de interesse natural. "A ausência de sistemas de vigilância vota as áreas protegidas ao abandono ou mesmo a depredações", salientou Frias Martins, investigador da Universidade dos Açores.</P>
<P>
A riqueza do mar dos Açores não se esgota nas baleias e golfinhos, de que tanto se fala. Até hoje, foram identificadas pelo menos 433 espécies de peixes, um número significativo, tendo em conta que as águas que banham as ilhas atlânticas são geralmente pobres em termos de vida subaquática, comparadas com as águas costeiras continentais. Mas o fundo do mar nos Açores comporta formações singulares, apenas descobertas no ano passado, que são verdadeiros laboratórios de estudo sobre a própria evolução da vida na terra.</P>
<P>
São as chamadas fontes termais, ou seja, jorros de água quente que brotam do fundo do mar, a 1700 metros, uma profundidade onde a baixa temperatura e a ausência de luz limitam as formas de vida. As fontes termais, ao contrário, formam cones minerais de onde brota água a 20 graus centígrados. A riqueza mineral da água permite a sintetização de matéria orgânica pelas bactérias, e a partir daí tem início toda uma cadeia de vida. Os cones estão cobertos de mexilhões e à sua volta encontram-se nuvens de camarões e alguns peixes, "como se fosse a baixa profundidade", de acordo com o professor Luís Saldanha, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Mas este investigador alertou para o facto de nem as grandes profundidades estarem a salvo da poluição. Ele próprio, em expedições na bacia abissal do Tejo, encontrou já garrafas de plástico, embalagens de leite e até peças de vestuário.</P>
<P>
À tarde, na corveta da Marinha, o Presidente não ouviu uma única palavra sobre a eventual caça ilegal de golfinhos nos Açores, mas inteirou-se do novo negócio turístico da observação de cetáceos na ilha do Pico. Na sua viagem, porém, não teve sorte. Apesar da vigilância constante de um experiente "vigia" da ilha do Pico, instalado numa pequena casinha na Ponta da Queimada, não foi detectado nenhum animal e a comitiva foi e voltou a ver navios. Manuel Fula, um velho baleeiro que estava na corveta do Presidente, sabia que, com os barcos de guerra no mar, as baleias não iriam aparecer. "Elas ouvem o barulho e metem-se para o fundo".</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-95012">
<P>
Justiça descarta investigar Clinton</P>
<P>
A secretária da Justiça dos EUA, Janet Reno, descartou nomear uma comissão de inquérito independente para investigar o possível envolvimento do presidente Bill Clinton (foto) em irregularidades cometidas pela construtora Whitewater, de Arkansas, de que ele e sua mulher, Hillary, foram sócios. A investigação independente foi pedida pelo Partido Republicano.</P>
<P>
Governo afegão anuncia vitória</P>
<P>
Tropas leais ao presidente do Afeganistão, Burhanuddin Rabbani (considerado moderado), registraram vitórias contra forças rebeldes em Cabul, a capital, e em Mazar-i-Sharif, no norte do país, em combates que deixaram pelo menos 70 mortos e 700 feridos em três dias. Os inimigos são o premiê Gulbuddin Hekmatyar (fundamentalista islâmico) e o general Abdul Rashid Dostum (ex-comunista).</P>
<P>
China liberta dissidente democrata</P>
<P>
O governo chinês libertou ontem o dissidente Yang Zhu, 49, um dos signatários da "Carta pela Paz", documento pró-democracia divulgado em novembro.</P>
<P>
Iraque executa ex-chefe militar</P>
<P>
A rádio de oposição Voz do Povo Iraquiano informou que o ex-vice-comandante da Força Aérea, general Salem al-Basar, foi executado na forca. Ele foi preso em agosto por ordem do presidente Saddam Hussein, acusado de conspiração.</P>
<P>
Filipinas combatem corrupção policial</P>
<P>
O governo das Filipinas anunciou a prisão de 621 policiais acusados de sequestros, assaltos, assassinatos, violações dos direitos humanos e outros crimes cometidos em 1993. Outros 5.000 estão sendo investigados.</P>
<P>
Narcotráfico 'lavou' US$ 14 mi em Caracas</P>
<P>
A juíza Mildred Camero afirmou que a "lavagem" de dinheiro ilegal por parte do narcotráfico na Venezuela passou de US$ 14 milhões em 1993. Em novembro, Camero comandou uma operação que levou à prisão 20 operadores de câmbio de San Cristóbal (fronteira colombiana) acusados de "lavar" dinheiro para o Cartel de Cali.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54770">
<P>
Os portugueses na contagem decrescente para as eleições sul-africanas</P>
<P>
O medo cresce em Joanesburgo</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Rui Cardoso Martins, em Joanesburgo</P>
<P>
A hora aproxima-se, o receio cresce. Em Joanesburgo, a grande metrópole sul-africana, onde a violência urbana aumenta dia a dia, espera-se que a batalha política não derrape dramaticamente para o conflito armado. Pela primeira vez os portugueses são chamados a mexer-se e «a assinar uma cruz de voto». E logo para uma mudança que pode ser radical. Uns ficaram, outros voam para Portugal.</P>
<P>
À hora em que as vendedoras negras começam o turno da tarde do seu negócio frente à sede do Congresso Nacional Africano -- uns pratinhos com cebolas, pêras e bananas alinhados no cosmopolita passeio do centro de Joanesburgo, no sítio exacto em que dezenas de manifestantes zulus caíram mortos há dias -- algumas travessas de feijoada à portuguesa esvaziam-se nas mesas do Grupo Folclórico Terras do Norte.</P>
<P>
O Grupo Folclórico Terras do Norte fica num arrabalde a sul da grande cidade, como a maior parte das casas dos milhares de portugueses em Joanesburgo, e está hoje a festejar o seu aniversário. Mas o «apartheid» está oficialmente extinto, o dia das eleições livres aproxima-se, ninguém sabe ainda para que bom ou mau destino, as vendedoras negras vendem onde dantes só pisavam os pés branquinhos, a política e a insegurança saltam de todas as ruas e de todas as bocas e esta festa dos portugueses acabará com amargura.</P>
<P>
«Cada vez sedes [sic] menos, tendes que dançar por dois», pede o cantador, em voz tremida, aos rapazes e raparigas que bailam e suam nos fatos minhotos, uns que namoram entre si -- filhos de portugueses para filhos de portugueses, como os pais gostam -- e outros que ainda não têm idade para isso. Dançam o vira «Hei-de cantar, hei-de rir, hei-de mandar a tristeza prò diabo que a leve».</P>
<P>
Se o diabo meter de mais o dedo, o Terras do Norte pode nem atingir uma década: aos que já partiram para Portugal vão juntar-se muito em breve, por via aérea, dois dançadores, a cantadora, que é a própria mulher do presidente do grupo folclórico, o ensaiador, que é o filho do mesmo presidente e, talvez -- ainda não decidiu que acorde vai tocar --, o acordeonista, um dos melhores do folclore português na África do Sul.</P>
<P>
Assim, em termos de família, o presidente José Ferreira fica orgulhosamente só, numa cidade ainda cercada de guetos miseráveis de negros, como o Soweto, e de prósperos guetos para brancos, que progressivamente se têm afastado do centro. Uma Joanesburgo onde cresce o crime violento como crescem as montanhas de areia amarela -- as lixeiras das minas de ouro -- que se vêem a partir de quilómetros de distância como borbulhas que rebentaram na pele da metrópole.</P>
<P>
Dedicado a um projecto cultural que se esboroa e ao seu negócio pessoal que tantos anos (uns 30, pelo menos) lhe levou de trabalho, José Ferreira não quer vir a perder tudo numa temida guerra civil.</P>
<P>
Nada de previsões</P>
<P>
A ver vai o presidente que, em desabafo, lembra como as mesas do almoço se enchiam ainda há poucos meses, mas que, quando fala ao microfone, se mostra corajoso: «As extremas dificuldades que se vivem neste país que nos acolhe não nos permitem fazer previsões para o futuro. Mas prometemos no Terras do Norte fazer todos os possíveis para manter viva a chama da cultura portuguesa na África do Sul.»</P>
<P>
Felizmente salta para o palco o cônsul português, que, além do treino que ganhou como sistemático convidado de honra das mais de duas dezenas e meia de associações portuguesas de Joanesburgo -- peritas em guerrilhazitas umas com as outras --, é um optimista. «Estas eleições vão com certeza decorrer em grande segurança», diz João Brito Câmara, lembrando que há milhares de observadores internacionais e que as forças armadas estão preparadas.</P>
<P>
E brinca com todos aqueles que estão a encher as despensas de comida e água, pois isso só terá sentido porque nos dias das eleições -- de 26 a 28 deste mês -- «as lojas vão estar fechadas». E, termina o cônsul, «se as pessoas não puderem participar de outra maneira, pelo menos que votem. Porque a África do Sul também é nossa». Mas o que o cônsul não disse de negativo no palco vai confessá-lo à mesa.</P>
<P>
Acredita que uma verdadeira debandada dos portugueses só será possível «se houver uma catástrofe muito grande» e que muitos do que partiram de férias para a Madeira, Continente ou Moçambique voltarão em paz para as suas lojas e para as seus empregos e indústrias de construção, se a crise económica e o desemprego galopantes no país o permitirem. Além disso, em Portugal também podem votar. Mas também que, apesar do fim da bizarria do «desenvolvimento separado» entre as raças criada pelos africaners se ter processado com tempo e sem grandes saltos e de pensar que a nova geração de portugueses «estará perfeitamente integrada dentro de cinco a dez anos», há um «problema» de base a ensombrar o futuro: o tribalismo.</P>
<P>
Os zulus, como o demonstra a recusa do partido Inkhata, de Mangosuthu Buthelesi, de participar nas eleições, não querem ser politicamente dominados pelos xhosas, a maioria da população e a base de uma possível vitória esmagadora do ANC, de Nelson Mandela. «Eles têm ligações ao chefe tribal e o chefe político é também o chefe religioso», diz João Brito Câmara, antropologicamente. «Cada membro de uma tribo acredita no espírito dos seus antepassados. Eles acreditam na lei dos espíritos como nós, os europeus, acreditamos na lei da física.»</P>
<P>
Quase como nós</P>
<P>
«Os pretos são pessoas como nós... talvez um pouco mais estúpidos.» Alzira, de 21 anos, que está lá fora vestida de dama-de-noiva minhota, diz isto, mas com cara de quem não está, verdadeiramente, a querer ofender ninguém. Talvez seja o receio de «as coisas darem para o torto» e de ter que ir para Portugal. País em que, como se sabe -- ela comprovou-o em duas diferentes estadias --, «o que se ganha não dá para encher a geleira». Ou talvez fosse empurrada pelo que diz a amiga Wendy, também filha de portugueses, orgulhosa e elegante dançadeira loura.</P>
<P>
Parte dos do grupo, alguns dos quais só arranham o português ou não o falam mesmo quase nada, juntou-se no passeio, onde de vez em quando passam negros. «A grande diferença é que se nós vamos lá para o bairro deles, eles matam-nos. E eles podem vir aqui, que nós não lhes fazemos mal nenhum.» Nenhum contesta, o namorado de Wendy até sussurra um «eles agem como uns animais», mas aqui parece que já se foi longe de mais.</P>
<P>
Outra rapariga nega completamente e, confessa, desde que as escolas se abriram sem distinção a todas as raças, e que quem não tinha praticamente direito a educação passou a tê-la, ganhou bastantes amigos que não são brancos. Agora, quanto ao resto, lembra que todos eles tiveram de se habituar a viver numa cidade onde é muito perigoso sair à noite e onde insegurança significa que um simples assalto termina, com frequência, na morte.</P>
<P>
Tempos houve, recentes, em que um negro na África do Sul não tinha que pensar muito, nem sequer tentar adivinhar o que é que ia fazer da sua vida. Tudo lhe estava predeterminado pela política racista do «apartheid», o «desenvolvimento separado» do último grande regime branco de África: onde nascia, onde podia viver, onde podia trabalhar, que elevador tinha que tomar ao entrar num prédio, com quem podia ter relações sexuais (proibidas entre raças diferentes) e, por último, em que cemitério seria enterrado.</P>
<P>
Imagem negativa</P>
<P>
Os portugueses adaptaram-se a este regime no sentido da mínima participação política, como todos admitem. Há, no entanto, várias histórias que guardam como exemplos da «moderação» lusitana numa África do Sul em que sempre foram olhados com desconfiança, tanto pela elite branca como pelas populações segregadas. Como a do industrial português que andou mais de ano e meio a pagar uma multa elevadíssima porque a polícia descobriu que ensinara um negro a trabalhar com uma serra mecânica.</P>
<P>
«Realmente, os portugueses têm uma imagem negativa», confessa Manuel Moutinho, de 36 anos, empresário e presidente do recém-formado -- e concorrente nas eleições -- Partido Luso-Sul-Africano (LUSAP), que se propõe entrar no parlamento nacional e regional como defensor dos interesses da comunidade lusófona. Terão que atingir a difícil meta de entre 30 mil e 50 mil votos e, à falta de estatísticas sérias sobre o número de portugueses -- tido normalmente como de cerca de 600 mil pessoas na África do Sul, quando o último censo, de 1991, indicou apenas que cerca de 350 mil cidadãos falam português «dentro de casa» --, esperam conseguir também votantes entre, por exemplo, os eleitores de origem moçambicana.</P>
<P>
Mas é um partido que, dizem muitos, apareceu sobretudo para baralhar a comunidade portuguesa. E, acusam outros, de objectivamente poder favorecer uma eventual maioria absoluta do ANC, em detrimento do Partido Nacionalista de Frederick de Klerk, que tem contado com o apoio tácito de grande parte dos portugueses.</P>
<P>
Manuel Moutinho e o vice-presidente do LUSAP, António de Gouveia, professor de Psicologia na Universidade do Soweto, respondem que chegou a hora de os portugueses assumirem também responsabilidades na política. «Se temos uma integração económica e social tão forte, e uma cultura tão forte, temos não só o direito, mas o dever de participar no processo político.»</P>
<P>
Até que ponto, ver-se-á pelo índice de participação nas eleições. Diz um empresário em Joanesburgo, inconformado com o número de portugueses que estão a sair do país, que estes se comportaram como «galinhas» e que poderão sofrer «a vingança» dos vencedores: «Acha que está certo viver aqui e fugir? Isso não mostra que estão aqui simplesmente para `sacar' à África do Sul?»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-84763">
<P>
Menos navios e menos mercadorias transportadas em 1993</P>
<P>
Actividade portuária em quebra</P>
<P>
Paulo Vilarinho</P>
<P>
As estatísticas de 1993 dos transportes marítimos revelam uma quebra a todos os níveis, especialmente sensíveis no número de embarcações entradas e nas mercadorias movimentadas. Por portos, Sines e Lisboa mantêm as respectivas lideranças, logo seguidos de Leixões. Em próximas edições, o PÚBLICO revelará os números dos transportes ferroviários, rodoviários e aéreos, bem como do transporte internacional de mercadorias.</P>
<P>
Em 1993 entraram nos portos nacionais 13946 embarcações de comércio, o que traduz uma diminuição de 6 por cento em relação a 1992. Os navios entrados foram metade nacionais e metade provenientes do estrangeiro. A maioria tinha bandeira de registo internacional, principalmente alemã (13 por cento), panamiana (12 por cento) e cipriota (9 por cento). Curioso é constatar que das embarcações entradas em tráfego internacional, 4 por cento tinam bandeira nacional e asseguraram 9 por cento das descargas de mercadorias, e 35 por cento tinham bandeira comunitária, responsáveis por 28 por cento das mercadorias descarregadas.</P>
<P>
Por portos de entrada, Lisboa continua à frente, com 25 por cento , seguindo-se Leixões com 18 por cento, Setúbal (8 por cento), Funchal (8 por cento) e Aveiro (7 por cento), entre outros. Mas, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de embarcações entradas nos principais portos portugueses diminuiu, relativamente ao ano anterior: Lisboa perdeu 9 por cento, Leixões 6 por cento, Setúbal 7 por cento, Aveiro 12 por cento e Sines 10 por cento. Apenas o porto do Funchal, na Madeira, aumentou o número de navios entrados, em cerca de 5 por cento.</P>
<P>
Também o tráfego de mercadorias nos portos do continente sofreu uma diminuição: 12 por cento na tonelagem de mercadorias carregadas e 8 por cento nas descarregadas, comparando com 1992. Por portos, e em mercadorias, Setúbal decresceu 16 por cento, Sines 15 por cento e Lisboa 10 por cento. Comparando os principais portos no movimento de mercadorias, continua Sines a destacar-se, com 33 por cento do total, graças aos produtos petrolíferos, seguido do porto de Lisboa, com 25 por cento, Leixões com 24 por cento e Setúbal com 7 por cento.</P>
<P>
Por grupos de mercadorias carregadas em Portugal em 1993, salientam-se os «produtos petrolíferos». Mas, comparando com o ano anterior, estes produtos tiveram uma quebra de 15 por cento. Contrariamente, os «cimentos, cal e materiais de construção manufacturados» viram a sua importância muito reforçada, em 67 por cento, enquanto a «madeira e cortiça» teve um decréscimo de 10 por cento. Nas descargas, não se verificaram alterações significativas, continuando a preponderância do «petróleo bruto» e «produtos petrolíferos», embora também com diminuições de 7 e 12 por cento, respectivamente.</P>
<P>
Ainda em 1993, as estatísticas provam a utilização pelos portos de 450 mil passageiros, embarcados, desembarcados e em trânsito nos portos portugueses, o que significa uma manutenção dos números de 1992.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-84826">
<P>
Famosa por suas celebridades, como o cirurgião Ivo Pitanguy, Angra tem 365 ilhas, muitas com mais de um dono</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Famosa por abrigar casas de personalidades, Angra dos Reis tem 365 ilhas. Muitas delas são ilhotas particulares com mais de um dono e é comum existir mais de uma casa –mesmo que isoladas entre si. Mas quem não abre mão de privacidade, tem US$ 1.000 para a diária e quer exclusividade, pode alugar a ilha dos Porcos Pequena –e ter como vizinho, em outra ilha, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy.</P>
<P>
A ilha dos Porcos Pequena tem um único imóvel, com quatro quartos, que acomoda até 12 pessoas. Os ocupantes têm à disposição uma ilha inteira com piscina, bar, quadra de tênis e uso de lancha e eletricidade. Os ocupantes podem contratar os serviços dos empregados que vivem no local, como cozinheira e marinheiro.</P>
<P>
A Classi Produções e Turismo, empresa localizada em Angra, intermedia esse negócio com o proprietário. Segundo Cláudia Maria Morcerf, sócia da Classi, o cliente ainda pode solicitar a compra da relação de alimentos e bebidas necessários para o período da estadia. "Tudo o que for pedido será entregue na própria ilha", diz. O serviço tem taxa de 15% sobre o valor da compra.</P>
<P>
Cláudia afirma que tanto as compras, como o aluguel de lanchas e jet-ski podem ser combinados junto com o negócio de qualquer imóvel que a empresa disponha em ilhas particulares. A diária de uma lancha pequena, de 18 pés, sai por US$ 200. O aluguel de uma maior, com 66 pés, chega a US$ 1.700 por dia. A diária de um jet-ski custa US$ 300 ou US$ 70 por hora.</P>
<P>
Serviço</P>
<P>
"É muito difícil alguém fechar negócio com alguma casa, sem alugar também uma embarcação para passear no local", diz Cláudia. Segundo ela, outro procedimento comum é a família ou grupo de ocupantes combinarem com os caseiros do local o preparo das refeições.</P>
<P>
Para os interessados que moram em São Paulo, a Classi pode mandar fotos da ilha escolhida. Com a confirmação, envia o contrato de locação por temporada por fax ou correio. 50% do valor do negócio deve ser pago no ato da reserva e o restante no dia da ocupação. (Telma Figueiredo)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-85465">
<P>
O médico José Martins Filho toma posse hoje como reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Martins vai administrar por quatro anos um orçamento estimado em US$ 238 milhões (CR$ 261,8 bilhões) –US$ 8 milhões a mais do que o de Campinas (SP) para este ano. A solenidade de posse está marcada para 20h no auditório do Centro de Convenções da Unicamp.</P>
<P>
O NÚMERO</P>
<P>
17... casos de meningite e 21 de leptospirose foram registrados este ano pela Divisão Epidemiológica da Secretaria da Saúde de Sergipe, que iniciou campanha educativa sobre os sintomas das duas doenças. Dos casos registrados, há três mortes por meningite.</P>
<P>
Chuvas provocam inundação na PB</P>
<P>
Choveu forte durante toda a noite de anteontem e madrugada de ontem em João Pessoa (PB). Muitas favelas ficaram alagadas. O rio Jaguaribe transbordou e invadiu casas nas favelas São Rafael e Artur Borges. Uma barreira deslizou abrindo uma cratera com três metros de diâmetro na favela Saturnino de Brito.</P>
<P>
Polícia procura estudante por atropelar 3 crianças</P>
<P>
A polícia de Minas Gerais procura o estudante Dalmo Ary Siqueira, 18, acusado de atropelar três crianças em Betim (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele teria subido com seu carro sobre a calçada da av. Metano. Segundo a PM, o motorista estava dirigindo embriagado e não tinha carteira de habilitação.</P>
<P>
SENA</P>
<P>
CONCURSO 318</P>
<P>
Dezenas sorteadas</P>
<P>
03, 06, 12, 23, 39 e 45</P>
<P>
Prêmio da sena principal</P>
<P>
CR$ 558.191.711,00</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-84704">
<P>
A Divisão de Homicídios e a Corregedoria da PM prenderam anteontem três homens acusados de roubar e matar o coronel Estevam Nikoluk, 48, então comandante da Polícia Militar no ABC. O crime aconteceu em 13 de agosto de 93, no Ipiranga (zona sul). Antônio Carlos Camargo, 34, e Edison Roberto Neves, 26, confessaram o crime. Nilton Teixeira, 30, negou a acusação. Eles teriam tentado roubar o Monza do policial, que teria reagido.</P>
<P>
Marido é acusado de matar mulher a pancadas </P>
<P>
O programador de computadores Celso Franco dos Reis, 40, foi indiciado em inquérito anteontem sob a acusação de ter espancado até a morte sua mulher, Maria Dolores Preissler, 39. O crime aconteceu quinta-feira, às 22h, no apartamento do casal na Água Funda (zona sul). Reis socorreu a mulher e se apresentou ao 35º DP. Ele responderá a acusação em liberdade.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31581">
<P>
PAULO MOTA</P>
<P>
Da Agência Folha, em Fortaleza</P>
<P>
Uma embarcação, tipo veleiro, de bandeira francesa foi encontrada, sem tripulantes, por cinco pescadores na praia de Almofala (240 km ao norte de Fortaleza), às 11h20 do último sábado. A Capitania dos Portos do Ceará abre hoje inquérito para apurar o destino da tripulação do barco, denominado Lune. Até ontem, a Capitania dos Portos não tinha pistas sobre o que aconteceu com a tripulação.</P>
<P>
O proprietário do veleiro foi identificado como o francês Jean-Gilbert Gerard Brondoit, residente na cidade de Nice, França. O passaporte de Brondoit registra que o barco saiu de Gibraltar (Espanha) em 21 de setembro de 1993. No dia 25 de setembro, a embarcação chegou a Vila Moura (Portugal), onde permaneceu até o dia 11 de novembro. A última parada de Brondoit foi na Ilha de Cabo Verde, em 3 de dezembro. Ali, Brondoit teria declarado que zarparia com destino a Montevidéu e Rio de Janeiro.</P>
<P>
Segundo Brandão, a embarcação tem 8,5 m de comprimento por 2,5 m de largura. Foi encontrada sem nenhum dano e apresentava perfeitas condições de navegabilidade. Estava com as velas içadas e o piloto automático ligado.</P>
<P>
Na embarcação foram encontrados vários álbuns de fotografias onde aparecem três homens e duas mulheres, máquinas para fotografia aquática, equipamentos de pesca, fitas cassetes, filmadoras e alimentos.</P>
<P>
Segundo delegado de Acaraú (233 km ao norte de Fortaleza), José Airton da Silva, foram encontradas roupas suficientes para vestir um homem, uma mulher e duas crianças. Em sua passagem por Vila Moura, Brondoit declarou na Capitania dos Portos que viajava em companhia de uma pessoa identificada apenas como "Chopiu.</P>
<P>
Ontem, um navio da Capitania dos Portos iniciou o reboque do barco Lune para Fortaleza. Segundo Brandão, o inquérito será aberto depois da chegada do barco a Fortaleza, hoje à tarde.</P>
<P>
Marinha</P>
<P>
O Comando da Marinha solicitou a todas as embarcações em território brasileiro que estejam alertas para a possível localização dos tripulantes do barco Lune. O comandante da Capitania dos Portos do Ceará, Pelágio Brandão, só vai organizar operações de busca depois de ter informações detalhadas sobre o trajeto da embarcação.</P>
<P>
Segundo Brandão, a hipótese mais provável para o desaparecimento da tripulação seria um "fato de navegação" que os teria jogado para o mar. "Como a embarcação era muito estreita, é provável que, se eles não estavam amarrados ao barco, uma onda mais forte os tenha jogado no mar", disse Brandão.</P>
<P>
O comandante da Capitania disse que, apesar da embarcação possuir sofisticados equipamentos de comunicação, como computadores, bússolas eletrônicas e radares, a Marinha brasileira não registrou pedidos de socorro. O barco foi encontrado sem que os seus equipamentos salva-vidas tenham sido usados e com reserva de combustível.</P>
<P>
Mistério</P>
<P>
A vila de Almofala tem história repleta de mitos e lendas. Ali, no ano de 1945, a população viu ressurgir da areia das dunas a Igreja de Nossa Senhora de Almofala, que permaneceu soterrada por mais de 49 anos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54247">
<P>
O Vietnã entrou para a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), grupo econômico dos países asiáticos. O Vietnã foi o primeiro país comunista e o sétimo a entrar na associação.</P>
<P>
França defende testes em jornal australiano </P>
<P>
O ministro das Relações Exteriores da França, Hervé de Charette, defendeu em um jornal australiano os testes nucleares que o país pretende fazer no atol de Mururoa (oceano Pacífico). O fato é considerado incomum em política internacional.</P>
<P>
China liberta líder dissidente</P>
<P>
O líder dissidente Yang Zhou foi libertado de um campo de trabalho pela China por causa de um tumor na garganta. Ele disse que planeja viajar aos EUA. Yang fundou a Associação pelos Direitos Humanos, em Xangai.</P>
<P>
Ministro japonês deixa liderança partidária </P>
<P>
O ministro das Finanças do Japão ofereceu sua renúncia à liderança do partido Sakigake, o menor da coalizão governista japonesa. O partido não aceitou sua desistência. O ministro decide hoje se mantém a renúncia.</P>
<P>
Ieltsin diz estar bem em ligação a Clinton </P>
<P>
O presidente dos EUA, Bill Clinton, falou por 45 minutos ontem por telefone com Boris Ieltsin. O presidente russo disse que está bem e que sua recuperação do ataque cardíaco sofrido há cerca de 20 dias é rápida. Ieltsin está em casa de repouso próximo a Moscou.</P>
<P>
Desabamento mata 2 na Índia</P>
<P>
Pelo menos duas pessoas morreram devido ao desabamento de um edifício na cidade de Calcutá, no leste da Índia. Segundo a prefeitura da cidade, a chuva forte fez a estrutura do edifício ceder. Há ainda 20 pessoas soterradas pelos escombros.</P>
<P>
O NÚMERO</P>
<P>
122 são os impostos que podem ser eliminados em reforma fiscal na Itália.</P>
<P>
Ataque no Sri Lanka falha e 200 morrem</P>
<P>
Guerrilheiros da etnia tâmil lançaram um ataque contra quatro bases do governo do Sri Lanka e fracassaram na madrugada de ontem. Cerca de 200 guerrilheiros acabaram sendo mortos. Os tâmeis querem formar um Estado independente no noroeste do Sri Lanka e no sul da Índia.</P>
<P>
Grunhido é ouvido no lago Ness</P>
<P>
Os cinco ocupantes de um submarino que navegava nas águas do lago Ness disseram ter ouvido um grunhido no local. Segundo lendas, existe um monstro escondido no lago Ness, chamado Nessie.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-2539">
<P>
Ainda há regiões isoladas pela pior tempestade do país desde 1913 e vítimas fatais podem ser mais de cem </P>
<P>
Das agências internacionais </P>
<P>
Já são 43 as mortes causadas pelas chuvas no norte da Itália, segundo balanço oficial. Cerca de 3.500 pessoas foram retiradas de suas casas, 212 municípios foram afetados e 28 deles estão isolados.</P>
<P>
Foram medidos 600 mm de chuva no fim-de-semana no Estado do Piemonte. Chove por ano, em São Paulo, cerca de 1.500 mm em média. Segundo os serviços de meteorologia italianos foi o pior temporal no país desde 1913.</P>
<P>
O rio Pó inundou, derrubando e inundando casas, arrastando veículos e provocando dezenas de desmoronamentos. A região mais atingida é Cuneo, onde morreram pelo menos 27 pessoas. Uma represa em Turim, capital do Piemonte, ameaça romper-se.</P>
<P>
Embora o tempo tenha melhorado na região, ainda havia previsão de chuvas para os próximos dias. Há cerca de 20 pessoas desaparecidas e autoridades temem que o número de mortos seja bem maior.</P>
<P>
A agência  Reuter, citando funcionários do Ministério do Interior italiano, disse que há 59 mortos e pode-se chegar a 100.</P>
<P>
Houve dois mortos na região de Veneza. A cidade foi inundada mas autoridades locais dizem que a situação não é grave.</P>
<P>
O premiê Silvio Berlusconi foi vaiado na cidade de Alba, na região atingida, que ele visitou para verificar a situação. Uma reunião extraordinária do gabinete de governo convocada para hoje.</P>
<P>
O ministro do Meio Ambiente, Alterio Matteoli, classificou o acontecido como um  megadesastre.  Nós ainda nem sabemos quantas pessoas morreram, disse.</P>
<P>
Parlamentares do Partido Popular convocaram Berlusconi a explicar  se as autoridades competentes subestimaram os acontecimentos, a despeito de avisos de meteorologistas de que haveria um desastre.  Chega. Vamos parar de discutir e trabalhar e estabelecer quem são os culpados depois, disse Berlusconi em Alba.</P>
<P>
Ambientalistas disseram que o acidente foi agravado por desmatamento de colinas e montanhas para uso agrícola e construção de casas e instalações turísticas. A TV estatal disse que ocorrem atualmente 4.000 desmoronamentos por ano no país, o dobro das cifras registradas anos 50.</P>
<P>
As chuvas do fim-de-semana causaram a morte de sete pessoas também na França. No Marrocos, 15 pessoas morreram, segundo a imprensa local. Uma pessoas morreu na Espanha.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75998">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A editora Knopf, baseada em Nova York, é a de mais longa tradição na publicação do que a revista "Times" chamou de "world literature" ou "literatura pós-colonial", produzida por imigrantes radicados nos EUA. Foi a Knopf quem lançou a escritora asiático-americana Maxine Hong Kingston nos anos 80, um das figuras-chave para a chegada da literatura asiático-americana ao "mainstream".</P>
<P>
Nos últimos anos, grandes editoras como a Penguin e a Vintage Books também passaram a publicar livros de escritores imigrantes, sobretudo hispânicos e asiáticos.</P>
<P>
Em Boston, no nordeste dos EUA, duas editoras têm séries dedicadas à produção literária e/ou a estudos sobre a cultura asiático-oriental, a Beacon Press e a South End Press. Esta última acaba de publicar uma antologia de ensaios sobre a cultura asiático-americana intitulado "The State of Asian America", editado e organizado por Karin Aguilar-San Juan.</P>
<P>
Algumas universidades norte-americanas, como a Universidade da Califórnia e a Universidade de Washington, ambas na costa oeste dos EUA, tem uma longa tradição na publicação de estudos sobre a literatura imigrante, especialmente a produzida por asiático-americanos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-34637">
<P>
Da Agência Folha, em Recife </P>
<P>
O tráfego de navios no porto de Suape (a 30 km de Recife-PE) pode ser uma das principais causas para os ataques de tubarões no litoral de Pernambuco.</P>
<P>
É o que revela pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco.</P>
<P>
Os tubarões seguiriam os navios até o porto e, acompanhando as correntes marítimas, entrariam em um canal profundo, paralelo ao litoral, a cerca de 400 metros das praias. ``Eventualmente, os tubarões deixam esse local. Atraídos pelos movimento dos surfistas, atacam pensando se tratar de uma presa em dificuldades", disse o coordenador do trabalho e especialista em tubarões, Fábio Hazin.</P>
<P>
De setembro de 92 até ontem, 16 ataques de tubarões foram confirmados. Duas pessoas morreram. O último ataque ocorreu domingo, na praia de Boa Viagem. A vítima foi o estudante Aluísio Francisco da Silva Filho, 18.</P>
<P>
Segundo o médico Carlos Figueiredo, do Hospital da Restauração, Silva Filho levou três mordidas (na coxa, no braço e na mão esquerda). Ele passa bem, mas será operado novamente.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-27901">
<P>
-- Até que o prazer acabou. Ficou um buraco negro, o inferno.</P>
<P>
-- O que é o inferno?</P>
<P>
-- Só eles me percebem -- diz, apontando para os dois amigos. -- Você não, não esteve lá.</P>
<P>
-- Acho que posso imaginar. É o vazio, o desespero, a solidão...</P>
<P>
-- São os medos. A solidão, porque nos sentimos mal por estarmos sozinhos e não queremos estar com ninguém. É o limbo. Não se está nem de um lado nem de outro. Não se vive e não se morre.</P>
<P>
(Gonçalves, 30 anos, toxicodependente até há dois anos.)</P>
<P>
Como ele, a tentar deixar as toxicodependências, não se sabe ao certo quantas pessoas existem em Portugal. Muito menos se conhece o número real ou aproximado de toxicodependentes. Os números oficiais variam entre os 25 mil e os cem mil. Há, além disso, o peso significativo das cifras negras, que impede o entendimento da dimensão real do problema e a sua correcta avaliação.</P>
<P>
Sabe-se que a situação é mais grave nos centros urbanos, mas que se vai estendendo ao mundo rural, que há muitos mais homens do que mulheres envolvidos, que as faixas etárias mais atingidas se situam entre os 24 e os 37 anos, embora esteja a aumentar o número de jovens que pedem apoio médico. Sabe-se que a heroína é, de longe, a principal droga consumida, e que o medo da sida está a fazer com que seja cada vez mais fumada («chinesas»), em vez de injectada.</P>
<P>
Mesmo os que continuam a optar por se injectar têm agora mais cuidado, a avaliar pelos resultados do projecto «Diz não a uma seringa em segunda mão», lançado em 1993 pela Associação Nacional de Farmácias em colaboração com a Comissão Nacional de Luta contra a Sida, em todo o país. O objectivo é motivar os toxicodependentes por via endovenosa a adoptarem comportamentos seguros, como prevenção da sida. A farmácia recolhe a seringa utilizada e fornece uma outra, estéril, ao toxicodependente.</P>
<P>
Os resultados desta campanha são um dos únicos indicadores que permitem calcular com algum rigor a evolução dos consumos, no que respeita à heroína. Em 15 meses, revelam as informações mais recentes, foram recolhidas pelas farmácias cerca de 2.733.125 seringas, a maior parte no distrito de Lisboa (56,3 por cento). Só no Casal Ventoso foram trocadas, entre 15 de Dezembro de 1993 e 30 de Janeiro de 1995, 470.871 seringas. A Lisboa seguem-se os distritos do Porto (21,9 por cento), Setúbal (12,8 por cento), Faro (3,9 por cento) e Braga (1,6 por cento). Vila Real foi a região onde se trocaram menos seringas (0,2 por cento).</P>
<P>
A maioria dos dados disponíveis ilustra, contudo, apenas a «ponta do icebergue» a que têm acesso os técnicos dos Centros de Atendimento aos Toxicodependentes (CAT), procurados só por uma minoria de um universo que se sabe ser muito mais vasto. É a segunda geração de toxicodependentes que se senta nas salas de espera, os filhos dos anos 60. Mas os médicos começam também a assistir os netos, a terceira geração, bebés de pais dependentes que já nascem com o síndroma de privação e outras graves alterações biológicas. Muitos já são seropositivos.</P>
<P>
A opinião de que a toxicodependência é um problema essencialmente de saúde é praticamente unânime entre médicos, magistrados, polícias e políticos. Mas há também quem pense que se trata de uma questão predominantemente social. Os estudos indicam, porém, que é falsa a ideia inicialmente difundida de que o fenómeno se circunscreve aos membros das classes sociais desfavorecidas, que vivem em meios degradados e possuem baixos níveis de instrução. Hoje, dizem aqueles que trabalham no terreno, a toxicodependência é um «fenómeno democrático» e «epidémico», que atinge gente de todos os estratos sociais e de todas as idades.</P>
<P>
Revelam os números, no entanto, que os que se encontram em maior risco estão entre as pessoas de meios sociais degradados, filhos de pais ausentes e de famílias desagregadas.</P>
<P>
Gonçalves veio de uma família muito pobre. O pai nunca o conheceu. A mãe veio de uma aldeia do Norte e «levou com tudo isto», com a violência da cidade, em cima. Teve seis filhos, cinco rapazes e uma rapariga. Alugava quartos, aceitava comida e roupa de fora, «não tinha dinheiro para nada».</P>
<P>
Desde menino que Gonçalves sentia que ninguém o «respeitava» porque andava «sujo e roto». No bairro em que vivia, as outras crianças estavam proibidas, pelos pais, de brincar com ele. O mesmo acontecia na escola, que frequentou até ao nono ano.</P>
<P>
«Sempre senti que, na vida, não iria a lado nenhum, que não seria capaz de fazer o que quer que fosse», diz Gonçalves.</P>
<P>
No seu caso, começou por falhar o primeiro dos objectivos do combate à toxicodependência: a prevenção primária, cuja prioridade é a «educação e sensibilização para estilos de vida saudáveis», segundo o Projecto Vida. E porque de educação, sobretudo, se trata, começa em casa, com um bom ambiente familiar, e continua na escola, que deve visar mais as competências do que as incompetências e implica o envolvimento de toda a sociedade civil (autarquias, organizações não governamentais, associações recreativas, juntas de freguesia, etc.). Para desenvolver todas estas acções, o Projecto Vida nunca dispôs de um orçamento global tão elevado: quase sete milhões e meio de contos para este ano.</P>
<P>
O envolvimento em vários tipos de actividades desportivas e artísticas contribui para que os jovens desenvolvam a sua auto-estima e ganhem novos interesses, afastando-os da droga. Diminuem assim os factores de risco e aumentam os de protecção. Nesta ideia, que reúne, hoje, a unanimidade dos técnicos que trabalham nesta área a nível internacional, se baseia o discurso oficial.</P>
<P>
Em Portugal, esta é contudo a área à qual os especialistas apontam mais críticas, embora muitos considerem que, nos últimos anos, se registou uma «evolução positiva.»</P>
<P>
O alto-comissário do Projecto Vida, padre Feytor Pinto, sustenta que, no que respeita à prevenção primária, a instituição de que é responsável «tem feito tudo o que é possível, com um salto de qualidade muito grande». E avança com números: a lista de instituições que começou por apoiar (58) é, hoje, de 590, desde associações de jovens e de pais, a associações recreativas e bandas que realizam as mais diversas actividades.</P>
<P>
Essa ideia de qualidade é contestada por Nuno da Silva Miguel, médico psiquiatra da direcção das Taipas e do Serviço de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência (SPTT). «Embora o Projecto Vida afirme repetidamente que considera prioritária a prevenção primária, a verdade é que não se descortina na sua acção, com excepção do projecto Viva a Escola, do Ministério da Educação, nenhuma orientação», escreve num documento que foi distribuído numa sessão dos Estados Gerais do PS, sobre o problema da toxicodependência. Lembra que muitas das intervenções que foram anunciadas para as áreas urbanas do Porto e Lisboa «nunca foram concretizadas» e que as acções das organizações estatais ou das ONG são «esforços meritórios mas desenquadrados e desarticulados.»</P>
<P>
Além disso, considera Nuno Miguel, muitas das actividades desenvolvidas «atingem fundamentalmente jovens já relativamente protegidos em relação à toxicodependência, deixando entregue ao seu destino a população mais marginalizada dos jovens em risco».</P>
<P>
A forma como tem sido feita a prevenção também é alvo de críticas. Pedro Cabrita, advogado, ex-conselheiro do Projecto Vida, diz que a política de prevenção primária tem sido conduzida «no campo da filosofia, da moral», o que é «completamente errado». Na sua perspectiva, «há pelo país fora muita gente disposta a colaborar, simplesmente não percebe patavina do assunto». E sem saber «o que é o fenómeno da droga, o que são os produtos, quais são os seus efeitos, ninguém pode fazer prevenção primária».</P>
<P>
Para Feytor Pinto essa é uma preparação «desnecessária», a não ser nos grupos de risco. O importante é «educar as pessoas, transmitir-lhes alegria de viver», afirma, acrescentando: «No campo da prevenção primária, não quero especialistas, quero educadores.»</P>
<P>
O magistrado Armando Leandro, director do Centro de Estudos Judiciários, é da mesma opinião. «A prevenção primária não tem de ser específica, mas geral», defende. Na sua perspectiva, é nela que é necessário apostar para que o problema da toxicodependência se torne «solúvel». A prevenção primária «é quase uma cultura», através da qual se deve «transmitir uma ideia da liberdade, da responsabilidade», refere. É uma ideia que não exclui a necessidade do sentido crítico em relação à vida por parte dos jovens, o que por sua vez só se desenvolve com o afecto dos pais, na opinião de Armando Leandro. «Os jovens têm de confrontar valores, não importa que os recusem, têm é de os confrontar para crescer», afirma. Sobretudo, «é preciso que gostem de si próprios, que tenham modelos de referência para que desenvolvam a sua criatividade e a sua diferença».</P>
<P>
Gonçalves nunca gostou de si próprio. Foi sobretudo este sentimento, diz ele, que fez com que, aos 15 anos, se tornasse prostituto. À espera de encontrar algum homem que o sustentasse. E que fez com que começasse a roubar e a tomar drogas. Iniciou-se com o haxixe, continuou com comprimidos e «pó». Mas já há muitos anos que bebia álcool.</P>
<P>
Discretamente, no Parque Eduardo VII, procuravam-no homens de elevado estatuto económico, chefes de família respeitáveis. «Comecei a ter muito dinheiro e a não saber o que fazer com ele.» Um dia, finalmente, encontrou um que o sustentou durante cinco anos. «Até que se fartou de mim e deixou-me.» Foi então que decidiu entrar no «mundo da violência».</P>
<P>
A ligação da toxicodependência à criminalidade aumenta de forma cada vez mais significativa, revelam os dados disponíveis. As estatísticas dos Serviços Prisionais indicam que, nos últimos seis anos, a percentagem de condenados por «crimes de droga» aumentou consideravelmente. No ano passado, 27,6 por cento dos 6208 reclusos a cumprir pena nas prisões portuguesas eram condenados por «crimes de droga» -- um aumento de sete por cento em relação a 1993 e de 10,2 por cento em relação a 1989. E o problema prossegue no universo prisional: a droga continua a entrar nas cadeias das mais diversas formas, circula entre os reclusos e é trocada pelos mais variados objectos.</P>
<P>
Aos crimes directamente relacionados com a droga associa-se, entretanto, um número importante de outros delitos cometidos em desespero por consumidores em carência. É essa pequena delinquência colateral que tem levado as autoridades a afirmar que, hoje, a esmagadora maioria dos crimes cometidos nas grandes concentrações urbanas está ligada à droga. E esse é também um dos argumentos esgrimidos pelos que insistem na necessidade de repensar a actual política proibicionista.</P>
<P>
Deve-se ou não punir o tráfico e o consumo de droga? A lei portuguesa é inequívoca: sim. O alastramento do fenómeno e da sua gravidade suscita, contudo, cada vez mais dúvidas sobre a eficácia do proibicionismo para resolver o problema. Entre técnicos e políticos, várias vozes se levantaram já a favor da liberalização das chamadas «drogas leves». Há também os defensores da descriminalização, a desqualificação de uma conduta como crime, e da despenalização, a redução das penas de prisão ou a sua transformação em outras sanções criminais não detentivas.</P>
<P>
Notícias da criação de milícias populares em várias localidades do país, decididas a correr com os toxicodependentes das zonas onde habitam, indicam que a hipótese da despenalização não é vista com bons olhos por parte de algumas populações. No fim-de-semana passado, dezenas de habitantes de Serém, Águeda, armados com caçadeiras, forquilhas e varapaus, perseguiram consumidores de droga das redondezas. São respostas emocionais que revelam, simultaneamente, um descontentamento no que respeita à actuação da justiça.</P>
<P>
«A Justiça pode fazer alguma coisa, é capaz de o fazer, mas nunca terá, por si mesma, uma resposta suficiente», afirmava o procurador-geral da República numa comunicação apresentada em 1991, no Governo Civil de Lisboa. Frisando a diferença entre o problema do tráfico (cuja punição deve ser severa) e o do consumo, defendeu, no que respeita aos toxicodependentes, que «ao encerrar em prisões pessoas com estes condicionamentos, o Estado potencia a sua tendência para a delinquência e impede um tratamento eficaz, sabido como é que a terapia em reclusão é de resultados muito duvidosos». «A prisão pode agravar a situação dos toxicodependentes», considera também Feytor Pinto.</P>
<P>
A Gonçalves, por exemplo, nem os julgamentos, nem as sanções, o afastaram da droga.</P>
<P>
Ao fim de 12 anos de consumo entrou no «inferno.»</P>
<P>
-- As forças começaram-me a faltar, já não ia comprar pó, pedia para irem. Não sabia para onde me virar.</P>
<P>
E começou a querer deixar...</P>
<P>
-- Um dia tomou uma decisão, disse que ia parar?</P>
<P>
-- Não, disse isso muitos dias, muitas vezes.</P>
<P>
-- E porquê, depois de 12 anos?</P>
<P>
-- Na volta, foi quando me chateei comigo.</P>
<P>
Gonçalves ouviu falar nas Taipas, foi lá, fez desintoxicações, voltou a «chutar», tornou a fazer desintoxicações. Pode dizer-se que seguiu o percurso habitual nestes casos. Há dois anos foi internado.</P>
<P>
-- A primeira coisa que fiz quando saí foi comprar uma dose de heroína.</P>
<P>
Em todo o país foram realizadas, no ano passado, quase cem mil consultas nos 25 Centros de Atendimento aos Toxicodependentes (CAT), aos quais compete o seu acompanhamento médico e psicoterapêutico. São números do Serviço de Prevenção e Tratamento de Toxicodependência (SPTT), um organismo do Ministério da Saúde, que indicam um aumento significativo em relação aos 22.620 atendimentos do ano anterior. Lisboa e Vale do Tejo foi a zona onde se registou maior procura, seguida das regiões Norte, Centro e Sul.</P>
<P>
O CAT de Setúbal, a terceira cidade do país na escala de gravidade do problema, atende diariamente uma média de 35 a 40 pessoas, a maioria do sexo masculino, entre os 24 e os 35 anos, consumidores, sobretudo, de heroína -- «a domesticadora de consciências», como lhe chama a directora do centro, a psiquiatra Emília Leitão. Aparecem, no entanto, cada vez mais jovens de 14 e 15 anos.</P>
<P>
Nos primeiros três meses deste ano foram registados 200 pedidos de primeiras consultas, a que o CAT de Setúbal não tem capacidade de responder, problema aliás comum à generalidade dos outros centros. «Há dezenas de pessoas à espera», diz Emília Leitão, considerando que, para melhorar a situação, seria necessário «aumentar os recursos humanos e o orçamento global do SPTT».</P>
<P>
No que respeita à oferta de meios terapêuticos, o balanço «é francamente positivo até 1992», na opinião de Luís Patrício, médico da direcção do Centro das Taipas, verificando-se, depois, «uma falta de investimento». De 1987 a 1992, foram criados 18 locais de atendimento na rede do Ministério da Saúde, que se juntaram a três já existentes desde 1977. Em 1992, face à necessidade de abertura de mais centros de atendimento, o Projecto Vida estabeleceu para o ano seguinte a entrada em funcionamento de novos CAT -- que, até hoje, não abriram -- em Évora, Aveiro e Viseu. Em 1993, entra apenas em funcionamento o centro da Covilhã. Em Outubro do ano seguinte, Feytor Pinto e o ministro-adjunto Marques Mendes anunciam que, até final de 1994, existirão CAT em todos os distritos do país, mas abrem apenas os de Castelo Branco (por iniciativa política local), de Viana do Castelo e da Guarda. Segundo Luís Patrício, esta situação resulta da falta de actualização das verbas do SPTT desde 1991. Para este ano, o orçamento previsto é de 1.688.892 contos.</P>
<P>
As dificuldades vão sendo enfrentadas «à portuguesa», com o voluntarismo e a boa vontade dos técnicos. O CAT de Olhão, no Algarve, por exemplo, foi mobilado por empresas que lhe cederam gentilmente alguns móveis, cerca de dois mil contos em equipamento informático e até ventoinhas.</P>
<P>
Este centro, o único que dá cobertura à região do Algarve (em Tavira há também uma consulta por semana), só tem um psiquiatra há três meses. Por dia, recebe 28 pessoas -- mais do que o centro de Leiria, que atende 23; menos do que os centros de Coimbra e das Taipas, onde se deslocam respectivamente 52 e 57 toxicodependentes.</P>
<P>
A assistência no Algarve vai, no entanto, melhorar em breve, com a inauguração de uma nova unidade em Olhão, prevista para Julho, e de uma outra em Portimão, em Setembro, o que atenuará o problema das distâncias, que desmotiva os toxicodependentes de outros pontos do distrito a deslocarem-se a Olhão.</P>
<P>
No que se refere ao internamento e à desabituação, a situação é mais difícil. Há apenas três centros com condições para receber doentes, qualquer deles com longas listas de espera. Dizem os dados do SPTT que, no ano ano passado, foram admitidas nas unidades de internamento de Lisboa (Taipas) 393 pessoas, 291 em Coimbra e 32 na do Porto (Cedofeita), inaugurada em Novembro do ano passado.</P>
<P>
Segundo afirma Nuno Miguel no texto que apresentou nos Estados Gerais, estes centros «estão subdimensionados em relação às necessidades e os toxicodependentes que se querem tratar têm que esperar semanas por uma consulta e meses por um internamento».</P>
<P>
Tempo igual têm também de aguardar para serem internados em comunidades terapêuticas, hoje num total de 41, entre privadas, instituições privadas de solidariedade social (IPSS) e estatais. As estatísticas do SPTT referem apenas duas, a de Coimbra e a do Restelo, onde, em 1994, foram admitidas respectivamente 25 e 10 toxicodependentes. Nas duas unidades, 22 pessoas abandonaram o tratamento.</P>
<P>
No ano passado, o Projecto Vida aumentou o seu apoio financeiro às comunidades terapêuticas, cujo número subiu significativamente. As receitas do «joker», de quase um milhão de contos, foram-lhes destinadas. Muitas delas não incluem, porém, terapeutas. O tratamento de toxicodependentes tornou-se, aliás, para grande número destas instituições, um próspero negócio. A verba atribuída pelo Estado para pagar as estadias nas comunidades terapêuticas, fixada em 90 contos, não foi actualizada e têm sido os utentes a fazê-lo. Por outro lado, o Projecto Vida tem também subsidiado pessoas internadas em comunidades de fins lucrativos em que, por vezes, os preços são da ordem dos 300 contos.</P>
<P>
É uma questão que, para Luís Patrício, levanta «problemas éticos complicados, porque é como se o Estado tivesse duas atitudes: por um lado, compromete-se a compartilhar a responsabilidade das comunidades terapêuticas sem fins lucrativos e, por outro, faculta às pessoas que não têm entrada nessas comunidades a permanência noutras, cujos interesses não são de solidariedade social».</P>
<P>
Em muitos casos, os tratamentos revelam-se ineficazes. Mas, diz Luís Patrício, há pessoas curadas, ou seja, que conseguem voltar a gerir a sua vida «de forma adequada». É um processo que «não se faz em 15 dias, não se faz num mês, leva anos». Até que a pessoa «viva bem consigo sem as drogas».</P>
<P>
Para Emília Leitão, «o tratamento de um toxicodependente é sobretudo um percurso», que tem de demorar, no mínimo, dois anos, e no qual o papel do técnico é essencial. Ele deve ser, na perspectiva da psiquiatra, alguém que «valoriza avanços, tenta perceber e dar significado a recuos e desafia a reinvenção da clínica na humildade do que se sabe e não se sabe».</P>
<P>
O internamento não resultara. Gonçalves estava de rastos. Um médico falou-lhe então nos Narcóticos Anónimos (NA). Ele resolveu ir a uma reunião. E ficou.</P>
<P>
-- Cheguei lá sujo e ressacado e houve um tipo que me sorriu e me disse que eu era bem-vindo, numa altura em que não era bem-vindo em lugar nenhum.</P>
<P>
Foi esse ambiente caloroso, de pessoas que sabiam do que ele falava, que o fez passar a ir a outras reuniões.</P>
<P>
-- Depois, nunca mais me tenho drogado...</P>
<P>
Já passaram dois anos... Gonçalves afirma que continua a manter muitos comportamentos do passado.</P>
<P>
-- Muitas inseguranças, uma certa tendência para roubar, para mentir, é a minha luta do dia-a-dia.</P>
<P>
Nunca teve emprego. Agora está entusiasmado com a ideia de montar uma empresa sua. Uma empresa de vendas. Alugou uma casa que está a acabar de pintar e para onde vai viver com uma companheira.</P>
<P>
A reinserção social dos toxicodependentes é uma das maiores dificuldades que enfrentam. Da parte da sociedade, há «o medo, a rejeição, a preferência pelo `forte'», diz Emília Leitão.</P>
<P>
O Projecto Vida recebeu 14 pedidos de financiamento para apartamentos de reinserção, uma espécie de unidades de transição para os toxicodependentes dispostos a integrarem-se no mercado de trabalho. Estes apartamentos, cuja abertura foi proposta para este ano, juntar-se-ão aos oito já existentes.</P>
<P>
O trabalho de sensibilização para a inserção socio-profissional do toxicodependente é feito junto das famílias e das várias estruturas da sociedade civil. Como incentivo às empresas que aceitem admitir ex-toxicodependentes, o Estado oferece contrapartidas. Mas não há receptividade por parte dessas entidades, na esmagadora maioria dos casos.</P>
<P>
Mais problemas têm ainda os toxicodependentes com cadastro, uma grande percentagem, aliás. O seu acompanhamento é entregue ao Instituto de Reinserção Social (IRS), cujos técnicos assistem os que se encontram em fase pré-sentencial (a aguardar julgamento) ou pós-sentencial ou numa situação de pena suspensa, bem como os que estão detidos.</P>
<P>
Além das dificuldades colocadas pelos próprios toxicodependentes que recusam comparecer nas consultas dos CAT, os técnicos do IRS têm também de enfrentar a rejeição por parte das famílias e das entidades empregadoras que, na maior parte das vezes, não querem pôr em risco a imagem da empresa e têm medo de arranjar problemas.</P>
<P>
Sem família, sem emprego e sem apoios, mais sós do que nunca, é difícil para os toxicodependentes que acabaram de sair da cadeia ou de um processo de tratamento terem uma perspectiva optimista do futuro.</P>
<P>
E o futuro, Gonçalves?</P>
<P>
Faz uma pausa. E depois, no mesmo tom banal com que contou o resto da sua história: «Sou seropositivo...»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68737">
<P>
A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) pode aumentar o período de racionamento de água em Recife caso não chova até meados deste mês. A população, que hoje recebe água 20 horas e fica sem o produto por 52 horas, poderá ter de conviver com cortes de até 72 horas.</P>
<P>
Pernambuco 2</P>
<P>
A família do técnico em informática Sergei Queiroz de Souza, morto há um ano supostamente após ter sido torturado em uma delegacia, pretende realizar amanhã em Recife um ato público em protesto contra a violência.</P>
<P>
Piauí</P>
<P>
Em 93, 42 pessoas contraíram Aids no Piauí e 20 morreram, segundo dados do Programa Estadual da Aids. Entre os doentes, nove mulheres foram contaminadas por via sexual. Segundo a coordenadora Ana Cavalcante, a porcentagem de mortes no Piauí é 15% maior que no Brasil.</P>
<P>
Bahia</P>
<P>
A Secretaria da Saúde de Salvador deve concluir até 15 de janeiro uma pesquisa em convênio com o Unicef em quatro grandes áreas do município. Ela visa avaliar a situação real de imunização de crianças de até 1 ano e de mulheres na idade fértil.</P>
<P>
Paraíba 1</P>
<P>
O Sine (Sistema Nacional de Emprego) da Paraíba ofereceu 3.508 vagas em 1993 para cerca de 10 mil trabalhadores que procuraram emprego no Estado, segundo a coordenadora do órgão, Maria Freitas.</P>
<P>
Paraíba 2</P>
<P>
A maior procura por emprego no Estado aconteceu nas áreas de serviços gerais, auxiliares de serviço, balconistas de comércio e auxiliares de produção. Entre 150 e 200 pessoas vão ao Sine todos os dias em João Pessoa, à procura de uma vaga.</P>
<P>
Paraíba 3</P>
<P>
A Secretaria da Saúde da Paraíba registrou 6.719 casos de cólera em 1993. A doença atingiu 123 dos 171 municípios do Estado, segundo o presidente da Comissão Estadual de Prevenção e Combate ao Cólera, Romildo Domingues de Melo.</P>
<P>
Paraíba 4</P>
<P>
O agravamento da seca no Estado contribuiu para espalhar o vibrião colérico, devido à má qualidade da água distribuída à população por carros-pipa. Em 93, 45 pessoas morreram vítimas do cólera na Paraíba.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55105">
<P>
O despertar da vocação atlântica de Lisboa</P>
<P>
António Quina*</P>
<P>
Nos últimos cinco anos, Portugal e, em particular, Lisboa sentiram a necessidade de criar uma nova dinâmica na náutica de recreio. Um número crescente de utilizadores optou pelo barco como forma alternativa de lazer, pressionando as autoridades oficiais para que fossem criadas as necessárias infra-estruturas especialmente vocacionadas para a náutica.</P>
<P>
Seguindo uma nova estratégia de orientação, preconizada pelo Ministério do Mar, a Administração do Porto de Lisboa (APL) lançou uma grande reforma com o objectivo de devolver o Tejo a Lisboa, começando por um ambicioso projecto de reocupação da frente ribeirinha. A todo este processo não é estranha obviamente a realização da Expo em 1998.</P>
<P>
Outros gabinetes do Ministério do Mar estão igualmente a promover de forma acelerada estudos e planos directores, com o objectivo de viabilizar a construção de novas infra-estruturas de apoio à náutica de recreio. Exemplo disso é não só a recente construção ou reconversão de mais de dois mil postos de amarração (Viana do Castelo; Leixões; Lisboa-doca de Belém, Santo Amaro e Bom Sucesso; Lagos; Vila Real de Santo António; e Ponta Delgada), como também o Plano Orientador da Costa Portuguesa pela Direcção-Geral de Portos, recentemente adjudicado. Em fase de pré-construção encontram-se também outras tantas marinas ou portos de recreio, dos quais se salientam os de Sines, Figueira da Foz e Esposende.</P>
<P>
Com a viragem preconizada pela APL, actividades turísticas, comerciais e de lazer vão coexistir, num futuro próximo, com as tradicionais de um porto comercial. Para isso a nova direcção do Porto de Lisboa lançou em simultâneo uma série de acções concertadas, visando uma rápida ocupação de áreas até agora abandonadas ou subaproveitadas.</P>
<P>
Só três meses após a sua nomeação, Albano Figueiredo e Sousa, o actual presidente da APL, promete mudar a face de Lisboa. Apoiado numa forte campanha mediática, abriu as portas para a iniciativa privada poder candidatar-se à ocupação de zonas litorais.</P>
<P>
Mas, apesar da forte divulgação, se não for suficientemente esclarecido, este processo pode redundar num infindável número de projectos que fiquem, como tantos outros, adormecidos nos arquivos do Porto de Lisboa, à espera da desburocratização efectiva dos serviços.</P>
<P>
Conforme declarou ao PÚBLICO Brito Neto -- um dos homens-chave da nova administração, que transitou directamente do Porto de Sines com Figueiredo e Sousa --, as mudanças serão visíveis já a partir do segundo trimestre de 1994. Para já, prevê-se a dotação, na Doca do Espanhol, em Lisboa, de cem novos lugares com equipamento flutuante.</P>
<P>
Também para breve está prometido um posto de atendimento para a náutica de recreio, sob a responsabilidade de Pereira Coutinho, recém-chegado à APL com o pelouro específico da Náutica de Recreio. Este novo serviço pretende servir de elo de ligação, directo, entre o utilizador e a administração portuária, dimensionando-se para dar resposta profissional e efectiva às necessidades dos nautas.</P>
<P>
Para acabar com o excesso de burocracia, a APL irá promover a criação de um Centro de Despacho de Navios, através do qual as embarcações, ainda no mar, poderão ter acesso a um vasto leque de informações preparatórias da sua chegada a terra. Este centro irá reduzir significativamente o tempo de espera e as formalidades necessárias impostas neste momento pelos serviços portuários.</P>
<P>
Ainda segundo Brito Neto, a criação de condições para um sistema nacional de náutica de recreio é uma das imposições imediatas da tutela. Com a criação desta nova dinâmica, pretende-se que as docas e marinas deixem de ser simples garagens de barcos, para passarem a ser lugares aprazíveis de lazer e turismo.</P>
<P>
Para resolver o problema da falta de lugares e descomprimir a procura (mais de 300 barcos na actual lista de espera da APL), prevê-se para breve a possibilidade de parqueamento em terra (hangares cobertos), nomeadamente no Poço do Bispo e nos espaços junto às docas. A promessa é ambiciosa. Mais de 400 novos lugares no espaço de um ano. Para já, o objectivo é rentabilizar as construções já existentes. Num futuro próximo, a APL propõe-se criar as condições para adjudicar a investidores privados os já célebres projectos da Marina do Jamor, de Alcochete e do Seixal.</P>
<P>
Os interessados em desenvolver projectos nas áreas agora libertadas pela APL têm à sua disposição Júlio Campos, responsável pelo património do Porto de Lisboa. O tipo de adjudicação será processualmente simples, através do ajuste directo das condições com os investidores.</P>
<P>
A todo este processo não é estranho o trabalho desenvolvido nos últimos oito anos por Fernando Morgado, responsável pelo sector do planeamento, que até agora não teve oportunidade de ver realizada a maior parte dos projectos que desde então concebeu. Quem sabe se é desta que se muda a face ribeirinha de Lisboa... Duarte Pacheco já o preconizou. A vontade política só agora chegou.</P>
<P>
Tendo sido até agora um negócio marginal, de pouca importância política e económica, as infra-estruturas para a náutica de recreio escondem sectores de actividades de muitas centenas de milhões de contos. A promoção e construção imobiliária é talvez o mais evidente. Este novo vector potencial de actividade económica poderá, num futuro próximo, criar alguns milhares de postos de trabalho, directos e indirectos, dinamizando o turismo de alta qualidade.</P>
<P>
Uma das principais preocupações que urge precaver é, assim, a especulação, que facilmente se pode gerar em torno destes negócios milionários. Os «lobbies» começam a movimentar-se. Grandes grupos económicos lutam na sombra pela liderança neste novo negócio emergente. Esperemos que a megalomania tradicional em Portugal não vença projectos de dimensão adequada ao nosso mercado.</P>
<P>
* director da revista «Vela e Náutica»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-65266">
<P>
Tabaco: Associação lamenta exemplo de presidente da ASAE </P>
<P>
O presidente da Confederação Portuguesa para a Prevenção do Tabagismo (CPPT) considerou hoje «um exemplo lamentável» o facto de o presidente da Confederação Portuguesa para a Prevenção do Tabagismo ter sido fotografado a fumar num casino depois da entrada em vigor da lei do Tabaco.</P>
<P>
António Nunes, presidente da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), uma das entidades que irá fiscalizar a aplicação da lei que proibe o fumo em espaços fechados de utilização pública, foi fotografado pelo Diário de Notícias (DN) a fumar uma cigarrilha no Casino do Estoril às 02.30 da manhã do dia 01 de Janeiro.</P>
<P>
Em explicações ao DN, António Nunes considerou que a nova lei «não proíbe expressamente o tabaco nos casinos e nas salas de jogos», justificando com a existência de um conflito de interesses com a lei do jogo, que contudo, não faz qualquer referência ao consumo de tabaco.</P>
<P>
No entanto, um parecer da Direcção Geral de Saúde a que a Lusa teve acesso sexta-feira indica que os casinos e salas de jogo «sendo locais fechados não podem deixar de se incluir no âmbito da aplicação a lei», além de estarem abrangidos na lei por «serem locais de trabalho».</P>
<P>
«Trata-se de uma daquelas situações inoportunas e um exemplo lamentável que nos mostra que estamos em face de uma dependência grave», disse à Lusa o presidente da Confederação Portuguesa para a Prevenção do Tabagismo, Luís Rebelo.</P>
<P>
Luís Rebelo desvalorizou contudo o impacto desta situação na aplicação da nova lei e atribuiu a atitude de António Nunes a «um automatismo» inconsciente.</P>
<P>
Sobre as dúvidas manifestadas pelo máximo responsável da ASAE relativamente ao âmbito de aplicação da nova lei, Luís Rebelo considerou que a legislação «é clara» quanto à proibição de fumar nos casinos e salas de jogos.</P>
<P>
«Não pode haver dúvidas quanto à aplicação da lei sobretudo ao nível das entidades responsáveis pela sua fiscalização», disse.</P>
<P>
Sobre os primeiros dias da vigência da proibição de fumar em espaços de uso colectivo fechados, Luís Rebelo considerou que a lei está a ter «uma óptima» aplicação com «a generalidade dos fumadores a compreender a proibição».</P>
<P>
A lei do Tabaco, que proíbe o fumo nos serviços da administração pública, restaurantes, bares, discotecas ou centros comerciais, entrou em vigor às 00:00 do dia 01 de Janeiro.</P>
<P>
A Lusa tentou contactar o porta-voz da ASAE para obter esclarecimentos adicionais mas tal foi impossível até ao momento. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-76534">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Os meteorologistas têm um culpado para as aparentes e momentâneas anomalias no clima brasileiro: a primavera passada. A estação que antecede o verão foi bem mais seca do que deveria, resultado de mudanças no regime dos ventos que trazem as chuvas do Sul. Mas, lembram os especialistas, está tudo dentro do normalmente esperado para o verão.</P>
<P>
"No fundo, existe uma variabilidade muito grande em meteorologia", diz Paulo Etchichury, meteorologista do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). "Mas, quando se olha a série histórica, se vê que a mudança é pequena", diz.</P>
<P>
Dezembro, janeiro e fevereiro constituem o trimestre mais chuvoso na região Sudeste. As frentes frias que vêm do sul são o principal sistema físico responsável pelas chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e também têm papel no sul do Nordeste.</P>
<P>
Durante a primavera passada, as frentes frias terminavam indo para o Atlântico ao invés de continuarem na direção norte, o que contribuiu para a estiagem em regiões como o Pantanal. São Paulo teve uma primavera quente também. O período maior de sol também ajudou a seca. A ausência de nuvens que bloqueassem a radiação solar também teve seu papel no aquecimento.</P>
<P>
"Nós estamos no ano o mais normal possível", diz outro meteorologista, Hilton Silveira Pinto, diretor do Centro de Pesquisas em Agricultura da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). O centro se ocupa da previsão de tempo no Estado de São Paulo. Segundo Silveira Pinto, 1989, 1990 e 1991 foram anos de estiagem de modo geral em São Paulo, mas agora o clima está dentro dos padrões históricos mais razoáveis.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="rica-474415"> 
<P>Paquistão após o assassinato</P>
 <P>de Benazir Bhutto</P>
 <P>28/Dezembro/2007 · 0:01 · 147 Comentários</P>
 <P>É sempre chocante assistir à decomposição de um país. Mas, após o assassinato de Benazir Bhutto, é o que está acontecendo com o Paquistão. O momento é tenso. Uma revolta popular pode estourar. Agora, que faria sentido declarar Estado de Emergência e impor a Lei Marcial, o presidente Pervez Musharraf está desautorizado. Afinal, há coisa de dois meses, aplicou um golpe contra a Suprema Corte utilizando-se justamente desta tática.</P>
 <P>Será que ousaria um novo Estado de Emergência? Será que sobreviveria a tal decreto? Será que o Exército se manterá fiel a ele? Será que o Serviço de Inteligência, tão ligado ao norte islâmico, ainda o respeita minimamente?</P>
 <P>O que acontecerá não é possível prever. Eleições estão marcadas para 8 de janeiro, Bhutto era favorita. O partido mais votado do parlamento eleito fará o primeiro ministro. Num país estável, o assassinato de um dos principais candidatos a essa altura seria justificativa para suspender o pleito e realizá-lo adiante, quando o partido vitimado tivesse chances de apresentar novo candidato. Mas, se já foi um dia, o Paquistão deixou de ser um país normal, quanto mais estável. O ideal seria que eleições ocorressem. É preciso manter a mínima aparência de democracia sob o risco de que ela desapareça de vez.</P>
 <P>Os partidários de Bhutto, ontem, acusavam Musharraf do assassinato. Mas será?</P>
 <P>Em campanha, a ex-primeira-ministra mostrava-se particularmente agressiva contra o Talibã, o radicalismo islâmico e sua cria, a al-Qaeda, alojados ao norte. Benazir Bhutto contava com a simpatia dos EUA por conta. Não há dúvidas de que, como premiê, Bhutto forçaria o presidente Musharraf a ampliar sua ofensiva. A conversa da experiente política com o presidente afegão Hamid Karzai, o outro chefe de Estado preocupado com esta briga, faz poucos dias, é indício de qual sua prioridade no governo.</P>
 <P>Após seu assassinato, o presidente, que acaba de abandonar a farda de general, não tem como garantir sequer sua sobrevivência política. Se o conflito entre ambos era aberto, ausência de Bhutto piora a situação. Se a lógica ainda prevalecer no país em frangalhos, parece evidente que os maiores interessados em sua morte são justamente o Talibã e a al-Qaeda.</P>
 <P>Isto, é claro, se a lógica valer de algo.</P>
 <P>A al-Qaeda às vezes assume seus atentados. Outras vezes, não. No Onze de Setembro, ficou em silêncio por mais de mês enquanto a comunidade internacional cobrava provas de seu envolvimento antes de autorizar um ataque dos EUA ao Afeganistão. Neste caso, a falta de autoria clara favorece o caos. O caos interessa à turma de bin-Laden.</P>
 <P>Com Bhutto de fora, os olhos voltam-se para outro ex-premiê, também candidato, Nawaz Sharif. Mal se passara uma hora da morte de Bhutto quando ele entrou no Hospital Geral de Rawalpindi para as condolências. Dada a confusão que imperava, foi um feito. É arte política, sujeito hábil. Embora os dois ensaiassem uma aliança, Sharif não poderia ser mais diferente de Bhutto. Se ela era pró-EUA, ele não esconde seus laços com a Arábia Saudita. E se acaso sauditas e norte-americanos são oficialmente aliados, na realidade da política local a ação é diferente.</P>
 <P>A al-Qaeda é um grupo saudita. A Arábia Saudita era um dos três países do mundo que reconheciam, no Afeganistão, o governo Talibã. A vertente de islamismo radical que impera no norte do Paquistão é profundamente semelhante à que a Arábia Saudita espalha pelo mundo. Sharif não é fundamentalista. Mas a geopolítica que o sustenta e financia é tão atada aos sauditas que um gabinete liderado por ele é marcado por uma interrogação. O que vai imperar? A Arábia Saudita interessada em regimes islâmicos como os defendidos pelos radicais? Ou a Arábia Saudita interessada em combater o terrorismo? No Paquistão, as duas opções são incompatíveis.</P>
 <P>Enterros no Paquistão acontecem rápido. Provavelmente hoje, talvez amanhã. Se demorar mais, escaparam à tradição - coisa sempre perigosa - para evitar as multidões. A multidão é incontrolável. Se o país rachar. Se houver um golpe de Estado. Se radicais islâmicos conseguirem um atalho para o poder. O mundo respira fundo.</P>
 <P>O "Paquistão é uma potência nuclear.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-67870">
<P>
Os três ataques ao aeroporto de Heathrow</P>
<P>
O aeroporto londrino de Heathrow, um dos mais movimentados do mundo, sofreu três ataques de morteiro em menos de uma semana, mas os projécteis não explodiram em qualquer dos incidentes. Os observadores dizem que o IRA, autor dos atentados, fez exactamente para que isso acontecesse.</P>
<P>
Grande Londres</P>
<P>
Aeroporto de Heathrow</P>
<P>
1- Hotel Excelsior</P>
<P>
Quarta-feira, 9 de Março, 18h05 TMG</P>
<P>
O IRA dispara quatro bombas de morteiro contra a pista norte, a partir do parque de estacionamento do hotel</P>
<P>
2- Cains Lane</P>
<P>
Sexta-feira, 11 de Março, 12h07 TMG</P>
<P>
Três morteiros disparados para a pista perto do terminal 4</P>
<P>
Aeroporto de Heathrow</P>
<P>
Pista norte terminais 1,2 e 3</P>
<P>
Proposto terminal 5</P>
<P>
Pista sul</P>
<P>
Pista de atravessamento</P>
<P>
Área de carga</P>
<P>
Estrada do perímetro sul</P>
<P>
Todos os lança-morteiros usados nos ataques são do mesmo tipo -- tubos de metal, soldados uns nos outros, em conjuntos de cinco</P>
<P>
3 - Perímetro sudoeste</P>
<P>
Domingo, 13 de Março, 08h00 TMG</P>
<P>
Quatro morteiros disparados a partir de baldios ao sul da rede do perímetro. Um atingiu o telhado do terminal 4, que tinha sido anteriormente evacuado, depois de uma série de avisos do IRA</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-62688">
<P>
Jogadores romperam neutralidade e poderão ser punidos</P>
<P>
Um gesto muito pouco suíço</P>
<P>
Os jogadores da selecção suíça de futebol, que romperam com a tradicional neutralidade do seu país e assumiram uma atitude política contra os testes nucleares da França quando participavam numa competição internacional, poderão ser punidos pela Associação Suíça de Futebol e pela UEFA, que se reunirá no próximo dia 5 de Outubro para examinar o relatório do delegado ao jogo, o belga Alexis Ponnet.</P>
<P>
De acordo com o atacante suíço Alain Sutter, o gesto não foi político, mas sim movido por um sentimento de solidariedade humanitária. «Quisemos expressar a nossa reprovação perante o reinício dos testes nucleares franceses. Quisemos utilizar a mediatização do jogo para transmitir a nossa mensagem.» Mas há quem não pense assim. Ontem, em declarações à televisão, o «capitão» de equipa, Alain Geiger, condenou o acto, considerando que nada o justifica.</P>
<P>
A decisão dos jogadores suíços foi tomada entre eles, sem consultar o técnico Roy Hogdson (que, segundo afirmou em Estocolmo, desconhecia a intenção dos seus atletas) e sem pedir autorização ao presidente da Associação Suíça de Futebol, pertencente a um partido político conservador e que já condenou o gesto dos futebolistas.</P>
<P>
Os internacionais helvéticos, antes do jogo contra a Suécia, enquanto tocavam os hinos nacionais, em protesto contra os testes nucleares franceses desfraldaram um cartaz de fundo branco, no qual estava escrito «Stop it Chirac» («Pare com isso Chirac»). Este acto político-futebolístico é inédito na história das competições de futebol e lembra o gesto silencioso do punho cerrado dos Panteras Negras, nos Jogos Olímpicos do México, em 1968.</P>
<P>
A atitude, que está a dividir os suíços, acostumados a evitar tomadas de posição, é proibida pela legislação futebolística e cai na alçada da UEFA. A Comissão Disciplinar da entidade que tutela o futebol europeu deverá pronunciar-se a esse respeito, sendo previsível uma multa, para evitar que outras selecções queiram repetir o militantismo ecologista dos futebolistas helvéticos. Não se sabe se a Associação Suíça de Futebol punirá os seus jogadores imediatamente ou se esperará pela decisão da UEFA. Mas já deixou claro que aplicará um multa aos manifestantes.</P>
<P>
O rompimento da neutralidade suíça pelos representantes mais populares do país, os jogadores de futebol, embora punível pela UEFA, tem o seu significado, pois revela um clima de desobediência aos rígidos padrões helvéticos. Tem também as suas consequências, pois, os atletas, ao envolverem-se numa questão de solidariedade internacional -- quando a Suíça, por voto popular, se recusa a entrar na ONU e na Comunidade Europeia --, poderão ser objecto de uma reprovação pública nos próximos dias. E, evidentemente, abriram uma brecha para que os países vizinhos critiquem a política de isolamento suíço, principalmente agora, quando está programada uma grande manifestação anti-europeia, promovida pela direita, dia 23, em Zurique.</P>
<P>
A política teve ainda mais interferências no encontro de quarta-feira. No Estádio Ullevi, um painel publicitário do Partido Radical Democrata suíço colocou em sarilhos a Federação sueca. A publicidade a partidos políticos é proibida pelos estatutos da UEFA e agora, na mesma reunião de Outubro que irá analisar o protesto dos atletas suíços, os suecos deverão receber notícias pouco agradáveis.</P>
<P>
P.M., em Genebra</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71063">
<P>
Recuperação de bairros degradados</P>
<P>
Bruxelas desbloqueia Urban</P>
<P>
A Comissão Europeia acaba de dar «luz verde» à proposta do Governo português para a aplicação de apoios comunitários em bairros degradados de Lisboa e Porto, o que acontece oito meses e meio após o início das negociações.</P>
<P>
Os bairros do Casal Ventoso, em Lisboa, com um apoio aprovado de 3,6 milhões de contos e do Vale de Campanhã, no Porto, com 2,5 milhões de contos constituem as principais acções da iniciativa comunitária Urban, divulgou ontem a Secretaria de Estado de Planeamento e Desenvolvimento Regional, segundo a qual o Governo está também a preparar um novo programa de renovação urbana, alargado a novos concelhos das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e a candidatar aos apoios do Mecanismo Financeiro do EEE-Espaço Económico Europeu. Ao abrigo do Urban, a Comissão Europeia destina a Portugal cerca de 8,6 milhões de contos de ajudas totais para as áreas mais problemáticas das duas áreas metropolitanas do país.</P>
<P>
Os outros bairros a apoiar, tal como estava previsto, são a Venda Nova/Damaia de Baixo, na Amadora, para onde se destinam 900 mil contos, o Vale de Algés e Outurela/Portela em Oeiras, com 500 mil contos, Odivelas (Loures), com outro tanto, bem como S. Pedro da Cova, em Gondomar.</P>
<P>
Com apoios a conceder através do Feder, para o desenvolvimento regional, e do FSE, para a formação e emprego, o Urban terá um custo total de 12 milhões de contos. Face aos largos meses em que se negociou a aplicação destas verbas, a Secretaria de Estado é sucinta a referir ter-se tratado de um «intenso processo negocial».</P>
<P>
À luz dos projectos tradicionalmente elegíveis aos apoios comunitários, o Urban é visto como inovador por duas vias: por um lado, pela sua incidência, por outro, pelo apelo à parceria, através de acções coordenadas entre autoridades nacionais e municipais.</P>
<P>
Objectivos concretos desta iniciativa são a melhoria de infra-estruturas de habitação, saneamento básico e serviços básicos de saúde, a criação de emprego através de novas empresas locais ou modernização das existentes, como as pequenas oficinas manufactureiras e estabelecimentos de comércio e serviços e a melhoria dos níveis de ensino e de qualificação. São também considerados elegíveis projectos de associativismo existentes ou a criar, apontado como»elemento-chave para o sucesso destas intervenções», segundo o documento que serviu de base à negociação das pretensões portuguesas.</P>
<P>
A selecção das zonas ora abrangidas pelo Urban e que constituem as «operações-piloto» destas acções teve em conta problemas graves comuns, partilhando os níveis mais negativos de densidade populacional, de taxa de urbanização, de padrões de alojamentos, através da concentração de barracas, de emprego, de apoio social e de escolaridade. No diagnóstico social pesam também os índices de toxicodependência, criminalidade, actividades ilícitas, como o tráfico de droga, e insegurança.</P>
<P>
Para as zonas urbanas degradadas, destina-se também a intervenção operacional de renovação urbana. Tem como principal programa a erradicação de barracas e tem um custo estimado de 487 milhões de ecus (94 milhões de contos ao câmbio actual), até 1999. Lurdes Ferreira</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-81474">
<P>
Das agências internacionais </P>
<P>
A entrada dos países do Leste Europeu na aliança militar ocidental provocou controvérsia entre os presidentes Boris Ieltsin (Rússia) e Bill Clinton (EUA).</P>
<P>
O americano foi o primeiro a discursar em Budapeste, Hungria, onde participou da nona reunião da CSCE (Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa). A cúpula termina hoje.</P>
<P>
Clinton defendeu "uma Otan forte" e capaz de se adaptar aos "novos desafios como  o fundamento da segurança da Europa".</P>
<P>
Sobre a reivindicação de países do Leste Europeu de entrarem para a Otan, Clinton disse que a aliança "não excluirá automaticamente a nenhum país" e não permitirá a  "nenhum Estado alheio" o veto à expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte.</P>
<P>
Na semana passada, a Otan fixou em até 12 meses os critérios para admissão de novos integrantes na aliança liderada pelos EUA.</P>
<P>
Em retaliação, o chanceler Andrei Kozirev recusou-se a assinar a adesão da Rússia à Parceria pela Paz, associação proposta pela Otan como primeiro passo para integração na organização.</P>
<P>
Depois de lembrar que 23 países já aderiram à Parceria pela Paz, Clinton deu por certa a ampliação da aliança para o leste ao afirmar que "conforme se expanda a Otan, aumentará a segurança para todos os Estados europeus, porque ela não é uma organização agressiva".</P>
<P>
Ieltsin disse ter ouvido que a  "expansão da estabilidade" advogada por Clinton se justificaria pela  "previsão de que ocorrerão na Rússia fatos não desejados".</P>
<P>
"Se essa é a razão dos que querem levar as fronteiras da Otan até a Rússia, eu lhes digo uma coisa: é muito cedo para enterrar a democracia na Rússia." Para o presidente russo, " os erros do passado não devem ser cometidos de novo. Nenhum país deveria viver isolado".</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-2025">
<P>
Obstáculos ao crescimento dos transportes marítimos</P>
<P>
O peso dos encargos portuários</P>
<P>
A. B. Henriques*</P>
<P>
O transporte marítimo é muito mais económico do que qualquer outro. Mas se não for aliviado dos encargos portuários, alguns totalmente inúteis, não se consegue viabilizar o tráfego costeiro nacional e o «short sea» europeu, nem baixar os elevados fretes para e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, nem atraír as grandes linhas regulares.</P>
<P>
Nesta fase da reforma portuária, constata-se que os custos da mão-de-obra baixaram em resultado da forte racionalização das equipas de estiva. O número total de trabalhadores foi reduzido e o aumento de salários foi moderado de acordo com o Pacto de Concertação Social assinado no sector, embora tenha sido superior aos aumentos ocorridos noutras actividades.</P>
<P>
Os efeitos desta racionalização fizeram-se sentir nos graneis sólidos movimentados nos cais concessionados, nos serviços de superintendência de cargas e nos de fornecimentos a navios. Na carga geral e nos contentores apenas se sentiu a redução resultante do desaparecimento do EPCR -- Esquema Portuário Complementar de Reforma.</P>
<P>
Após tantas cedências dos trabalhadores bem compensados com fortes sacrifícios das autoridades portuárias, é pertinente perguntar, que se passa? Porque é que os ganhos só em parte chegam aos destinatários? Não há coragem política ou não há conhecimentos para resolver totalmente o problema?</P>
<P>
Ocorre um facto que, no mínimo, é estranho. Alguns intermediários prestadores de serviços não apresentam aos seus clientes, os documentos comprovativos das despesas pagas às empresas de estiva, como determina o artigo 25 do decreto-lei 298/93 de 28 de Agosto. Apresentar o justificativo de qualquer pagamento feito por conta de outrem é a forma correcta de facturar.</P>
<P>
Suspeitas sobre as despesas</P>
<P>
A não apresentação destes justificativos permite: suspeitar que as despesas pagas por conta são empoladas, suspeitar que as empresas de estiva estão a reter os ganhos da redução das equipas de estiva, aumentando indevidamente os seus lucros, suspeitar que as duas hipóteses se somam, ou ainda suspeitar que o armador de linha consegue lucros adicionais, pagando à empresa de estiva um valor e incorporando no frete outro mais elevado.</P>
<P>
A falta dos justificativos das despesas da estiva e o empolamento dessas despesas, se cumulativas, têm dois inconvenientes: o carregador paga mais pelo serviço e, no final do ano, se o fiscal das finanças detectar a irregularidade, paga mais IRC. Para o cliente da carga geral e da carga contentorizada, o porto continua quase tão caro como era. Esta situação é inaceitável após o esforço feito.</P>
<P>
Os interessados em resolver esta situação são os carregadores e as autoridades portuárias porque os portos se mantêm caros. A solução é só uma: carregador que não receba os justificativos não paga o serviço e queixa-se à autoridade portuária respectiva ou a um tribunal.</P>
<P>
Os prestadores de serviços relacionados com a movimentação de cargas nos portos enfrentam problemas decorrentes não só da reforma portuária como da evolução mundial do comércio marítimo. O prejuízo mais importante trazido pela reforma portuária consiste no menor custo das operações resultante da redução do número de trabalhadores de cada equipa de estiva.</P>
<P>
Racionalização das empresas</P>
<P>
Um serviço de dois mil contos, sobre o qual se aplica uma margem de 30 por cento, por exemplo, rende 600 contos. Baixando os custos de mão-de-obra, o mesmo serviço de dois mil contos passa para mil contos. Evidentemente, os mesmos 30 por cento só permitem uma margem de 300 contos.</P>
<P>
Em segundo lugar, há que atender que o porte do navio médio tem crescido sempre, embora ligeiramente, conduzindo a menos navios. Finalmente, a velocidade de movimentação de cargas é cada vez mais rápida, conduzindo a muito menos tempo em porto. Resumo: menos navios e menos tempo em porto.</P>
<P>
Dois navios pagam dois primeiros dias de «fee» de agência e um paga um só primeiro dia e como o «fee» da agência só numa pequena parcela se baseia na arqueação bruta, logo a receita é inferior. O mesmo acontece, mas em menor escala, com os segundos e demais dias.</P>
<P>
Estes valores pesam nas receitas de um agente de navegação. A solução preconizada é a fusão e racionalização das empresas. A alternativa lógica é a falência. O mercado assim obriga.</P>
<P>
Caso se confirme que as facturas da movimentação das cargas, como a de qualquer outro serviço, são empoladas, as autoridades portuárias também são grandemente prejudicadas porque, tendo suportado a redução de mão-de-obra para níveis aceitáveis, continuam a não tirar rendimento dos seus portos. Não atraem cargas, elas até fogem.</P>
<P>
Também sofrem os efeitos do navio médio maior e da redução de estadias cobrando menos taxas de estacionamento tanto ao largo, como ao cais. As autoridades portuárias têm que contactar directamente com os carregadores que utilizam os seus portos e não através da parede opaca que os serviços interpõem.</P>
<P>
Muita burocracia mais despesa</P>
<P>
Os sistemas burocraticamente complicados geram enormes despesas. Nos portos há muita tradição burocratizante que coloca o navio em situação de inferioridade perante o avião, o comboio e o camião. Os intervenientes portuários que mais agravam os custos do transporte marítimo são:</P>
<P>
Agente de Navegação -- Só é possível baixar os seus custos que são elevados, se for reduzida a burocracia portuária. A solução pode ser que seja implementada com a criação dos «Centros de Despacho de Navios e Serviços do Porto» -- CDN. O custo dos agenciamentos baixam se os CDN centralizarem todos os serviços oficiais: alfândega, autoridades marítima, portuária e sanitária, pilotos e polícias.</P>
<P>
Os serviços do agente devem ser feitos sem deslocações de pessoal, para isso há que utilizar rádio, fax, telex, modem ou telefone, para todos os contactos, incluindo com o navio. As demais actividades do agente, tais como, angariação de cargas, também necessitam ser racionalizadas, principalmente reduzindo a documentação.</P>
<P>
Alfândega -- Deve limitar-se a actuar de acordo com a prática internacional. Não deve continuar a ser um Estado dentro de outro.</P>
<P>
Autoridade Marítima e a sua Polícia -- É um serviço do Estado portanto deve ser suportado por este e não pelo navio.</P>
<P>
Por analogia com a polícia de estrada, visita e inspecciona os navios, seus tripulantes e documentos, nos termos das convenções e regulamentos internacionais sem exigir que os documentos saiam de bordo. Vistos, só se pedidos. Matrículas, fazem-se a bordo entre o Comandante e o tripulante. Listas de passageiros podem ser substituídas por canhotos de bilhetes.</P>
<P>
Autoridade Portuária -- Deve actuar sempre através do CDN. Toda a actividade do CDN deve ser feita pelas vias de comunicação mais adequadas, evitando a deslocação de funcionários.</P>
<P>
Autoridade Sanitária -- A livre prática pedida por rádio é um anacronismo, uma vez que só em casos de excepção é recusada. Se é que já aconteceu alguma recusa. A livre prática tem de ser automaticamente concedida a todos os navios que demandem o porto, com excepção dos provenientes de portos infestados.</P>
<P>
Basta publicar uma lista de portos infestados e impor visita só aos navios que os escalaram. Naturalmente inspecciona, quando entender. Nada têm a cobrar, são serviços do Estado.</P>
<P>
Empresa de Estiva -- A solução é simples, utiliza-se se for necessária, não se utiliza se não for. As tripulações têm o direito de movimentar as cargas dos seus navios.</P>
<P>
Fornecedor -- Só tem que apresentar, via CDN, uma lista dos fornecimentos que vai realizar, para eventual pagamento de taxas.</P>
<P>
Guarda Fiscal/Polícia de Fronteiras -- São serviços do Estado, portanto devem ser pagos por este. Não há razão nenhuma para que se passem cartões especiais de identificação aos passageiros e tripulantes que chegam por via marítima, uma vez que pela via aérea e terrestre chegam ao país muitos mais visitantes que circulam livremente e apenas se identificam pelos seus documentos normais.</P>
<P>
Visitam e inspeccionam os navios, quando quiserem, para combate à droga e ao terrorismo e na busca de clandestinos ou contrabando.</P>
<P>
Pilotagem -- Forçoso criar, em cada porto, um «Centro de Controlo de Tráfego», devidamente equipado, de modo a dispensar, em certos percursos e manobras, os comandantes qualificados da utilização de pilotagem.</P>
<P>
Rebocadores, Lanchas e Amarradores -- Só devem ser pagos se requisitados e utilizados.</P>
<P>
Reparador -- Formaliza todos os assuntos referentes às reparações que executa em navios, através do CDN.</P>
<P>
Inspectores das Sociedades de Classificação, Peritos, Superintendentes de Carga e outros Técnicos -- A credêncial para entrada a bordo é uma simples carta passada por quem os nomeou.</P>
<P>
Em conclusão: o transporte marítimo é muito mais económico do que qualquer outro, mas se não for aliviado dos encargos portuários, alguns totalmente inúteis, não se consegue viabilizar o tráfego costeiro nacional e o «short sea» europeu, nem baixar os elevados fretes para e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, nem atraír as grandes linhas regulares.</P>
<P>
* Capitão da Marinha Mercante</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-5564">
<P>
Quarta conferência internacional sobre o mar do Norte</P>
<P>
Plataformas afundadas no mar ou destruídas em terra?</P>
<P>
Seis países europeus opuseram-se ao afundamento no mar de plataformas petrolíferas -- uma resolução adoptada na quarta conferência internacional sobre a protecção do mar do Norte, que decorreu esta semana na Dinamarca. Este país propôs que fossem antes destruídas em terra. A declaração final da conferência surgiu no exacto momento em que a companhia de petróleo Shell se prepara para afundar uma plataforma ao largo da Escócia.</P>
<P>
Contra a posição da Grã-Bretanha e da Noruega, a Dinamarca, Alemanha, Bélgica, Suécia, Holanda, Suíça e a própria União Europeia declararam-se a favor da destruição em terra das plataformas desactivadas. Sendo a proposta da Dinamarca, o ministro do Ambiente daquele país, Svend Auken, relembrou que «cerca de 400 plataformas petrolíferas e de gás estão disseminadas no mar do Norte e que um número crescente se aproxima do momento em que serão desactivadas». Para o ministro dinamarquês, «a solução mais aceitável para o ambiente é assegurar a sua destruição em terra, sem perigo, em condições controladas e reciclando os materiais recicláveis».</P>
<P>
Esta resolução, embora sem um valor jurídico, surge numa altura em que a Shell se prepara para rebocar a plataforma Brent Spar para 240 quilómetros da costa ocidental da Escócia, para a afundar aí a dois mil metros de profundidade. O ministro do Ambiente britânico, John Gummer, diz que essas operações autorizadas pelo seu país estão absolutamente de acordo com as regras internacionais em vigor. Segundo John Gummer, não é a Brent Spar que ameaça os recursos do mar do Norte, mas a pesca intensiva. E denuncia a política de pesca da Dinamarca.</P>
<P>
A França, por seu lado, manifestou fortes reservas à resolução da conferência, enquanto a Noruega alinhava na feroz oposição da Grã-Bretanha à mesma. O ministro do Ambiente norueguês,Thorbjoern Bernsten, justificou: «Temos 50 plataformas e custar-nos-ia 50 mil milhões de coroas [1180 milhões de contos] trazê-las para terra e eliminá-las. Nessas condições mais vale usar esse dinheiro para assegurar a limpeza de efluentes líquidos da China.»</P>
<P>
Em mais uma tentativa contra o desmantelamento da plataforma, no sábado ocorreram incidentes entre militantes da Greenpeace e empregados da Shell, que iniciaram as operações para rebocar a plataforma. Três militantes prenderam-se às correntes de uma das âncoras, mas caíram ao mar durante as manobras de um navio da Shell.</P>
<P>
Ainda no âmbito da conferência sobre o mar do Norte, a maioria dos países também concordou com a proibição do despejo de substâncias químicas dentro de 25 anos. As companhias químicas vão ter de fasear as descargas de substâncias sintéticas no ar, no mar e em terra, como os bifenilos policlorados (PCB), usados no fabrico de óleos e tintas, e as dioxinas. A Grã-Bretanha, único país que se recusou a assinar tal resolução, alega não existirem ainda soluções tecnicamente exequíveis para resolver tais problemas ambientais.</P>
<P>
AFP e Reuter</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-22961"> 
<P>"ATAQUES GRÁFICOS CONTRA O IMPÉRIO</P>
 <P> Iansã Negrão e Flanie Ziéme </P>
 <P> Pacifistas protestam com tinta vermelha atirada na logomarca de instituições americanas e inglesa, em Salvador (BA) </P>
 <P>...........................................</P>
 <P> A terça-feira em Salvador amanheceu diferente. As logomarcas nos totens dos bancos de Boston e Citibank, Clube Banco dos Ingleses e lanchonete McDonalds estavam manchadas de sangue. Pelo menos é o que parecia numa olhada rápida. O primeiro pensamento: mais uma onda de protestos atingiu os símbolos dos impérios britânico e americano. É vermelho, embora não seja sangue. </P>
 <P> Mas a imagem é tão forte quanto: sobre o verdinho do BankBoston, escorria uma gosmenta tinta vermelha impregnada, difícil de limpar. "Só outro, algum transeunte pode ter balbuciado na ida para o ponto de ônibus de mais uma segunda-feira, dessa vez surpreendente e politizada. A mensagem é assim: "Estamos devolvendo simbolicamente o sangue derramado às empresas que representam entre nós o predomínio do Império, as quais serão consideradas cúmplices deste projeto macabro até que tomem publicamente posição contra (1). E veio de um coletivo organizado e anônimo de "cidadãos de boa índole indignados com essa nova fase do imperialismo, com o nome de " Operação Sangue Quente. Gente pacífica, mas não passiva. </P>
 <P> A inspiração veio das ruas: há três semanas, um outdoor do McDonald's na Avenida Jorge Amado havia recebido uma interferência gráfica. Estava lá em cima da mensagem publicitária da promoção McNight (sanduíches mais baratos durante a madrugada) um texto em tinta neon: "Lixo dos EUA. Não financie a guerra. Boicote os produtos americanos. É o que está todo mundo fazendo, não é? Então eles decidiram ir além: um ataque cromático em emblemas do " Império. Bombas de tinta seriam o arsenal bélico usado no atentado. </P>
 <P> Foram 20 pessoas no planejamento. Oito partiram para o ataque. Foi na madrugada de segunda para terça-feira, entre 3 e 4 horas, cronometradas, aproveitando a calmaria das ruas do primeiro dia da semana. Duas "viaturas de ataque com quatro ativistas cada e um carro de cobertura. Eles se definem: "São três gerações de homens e mulheres desobedientes civis e militares com diferentes graus de envolvimento em questões e ações sociais. O mais novo 20, o mais velho 59. "Não deixe seu sangue esfriar, proteste é só o começo. Ainda que o efeito vermelho das bombas tenha sido efêmero, a adrenalina continua em alta. </P>
 <P> SANGUE QUENTE - Pelo menos a ocupação sinistra de Bush no Iraque serviu para mobilizar os glóbulos vermelhos de muita gente. O grupo da " Operação Sangue Quente garante: "O sangue não vai esfriar tão cedo. Eles estão em alerta. A idéia é que outras intervenções surpreendam os cidadãos soteropolitanos, autoridades e o que estiver no alvo dos "guerreiros. </P>
 <P>O incômodo com questões sociais não se bastará com o fim da guerra. Para eles, a pulsão coletiva capaz de intervenções plástico-ideológicas na cidade são mais poderosas, por exemplo, do que a maioria das caminhadas em favor da paz, que costumam atrair toda a mídia local.</P>
 <P> O símbolo universal da paz, a pomba branca, aparece na logomarca da " Operação Sangue Quente bicando a cabeça de uma ave, que lembra o cruzamento de um urubu com uma águia: uma remissão às forças armadas norte-americanas sendo detonada por uma força que, embora pareça inofensiva, é propositiva, intervém. "Nessa ação específica, queríamos atingir os cidadãos médios, para que eles associassem os alvos com o capital que financia a guerra, explicam. </P>
 <P> Agora, qualquer questão, a qualquer momento, em qualquer lugar poderá ser o próximo alvo do fervilhar sanguíneo dos coligados anônimos da " Operação Sangue Quente. Motivos por aqui não faltam. Mas o grupo ambiciona mais: quer instigar os cidadãos a ações semelhantes. Ou, no mínimo a um exercício de pensamento. Um dia desses uma estátua de gente importante pode aparecer ensacada (como fizeram os três artistas do grupo "3Nós3, no início da década de 80, tempos em que São Paulo amanhecia mais surpreendente) ou algo do gênero. </P>
 <P>Permanecer no anonimato é, segundo dizem, muito mais uma questão ligada à estratégia do que ao temor de autoridades. Ou da confusão que estas fazem quando não distinguem vândalos de manifestantes. Numa guerra sem armas de fogo, o anonimato pode ser a melhor estratégia.</P>
 <P> AÇÃO ENTRE AMIGOS - O plano foi discutido, a estratégia de ação muito bem pensada. Reuniões de cúpula na Toca dos Carcarás - nome dado ao local que abrigou os latinos de sangue quente - levantavam questões ideológicas e operacionais. Mapa do itinerário pronto, tinta fresca na bagagem. Alguns, tomados pela "síndrome do amarelismo, abortaram antes do ataque. "Melhor assim, disseram alguns. </P>
 <P> Aquela madrugada pertenceu ao deserto. No céu cinza, uma semi-lua era a única em vigília. O clima era protetor porque não tinha olhos, mas a calma das ruas sem gente provocava uma sensação de vulnerabilidade. O medo veio porque havia também outras viaturas: policiais federais e militares estavam em atividade. </P>
 <P> A primeira bomba que atingiu o Citibank da Rua Miguel Calmon, no Comércio, e que deveria ser silenciosa como planejado fez um estrondo alto. Pernas bambas titubearam. Sorte a ronda da Polícia Federal que estava na área ter mais o que fazer naquele momento. Da mesma forma com os homens da viatura da Polícia Militar ocupados em espancar dois homens em outra esquina e nada viram. Uma prostituta entretia a guarda de outra viatura na Manoel Dias e o coletivo pôde agir sem problemas no BankBoston, último banco-alvo da ação. </P>
 <P>Enquanto cumpriam a missão, um advogado aguardava o pior, preparado. Eles alegariam protesto e desobediência civil, mas por estar dentro de uma ação política integrada, provavelmente seriam enquadrados em crime de vandalismo e formação de quadrilha. O plantão insone foi dispensado quando todos se reencontraram ainda com bombas armadas-não detonadas e com todos os alvos atingidos.</P>
 <P> Aliviados, alguém do grupo levantou o fato de nenhum deles nunca ter participado de uma ação clandestina. Só naquele momento, eles avaliaram o perigo de uma bala ter sido disparada ou um policial ter perseguido os carros. As moças acharam melhor não irem direto para casa: voltaram à cena do crime como boas criminosas para fotografar e flagrar dois vigias e dois cães, todos de guarda dormindo relaxados, bem de frente para a fachada iluminada do
Citibank da Barra, tingida de tinta ainda quente. </P>
 <P>(1) Esta matéria foi escrita com base em relatos dos participantes que preferiram não se identificar.</P>
 <P> 16 de abril de 2003 </P>
 <P> Fontes: Centro de Mídia Independente (www.midiaindependente.org). </P>
 <P>
Jornal A Tarde (www.atarde.com.br). </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-33312">
<P>
Casas degradadas, ruído, caos no trânsito e insegurança à espera de solução</P>
<P>
Os martírios do Bairro Alto</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
O brilho do Bairro Alto, em Lisboa, anda ensombrado. São os carros que atafulham os passeios e impedem a circulação de peões. É o ruído que dá cabo da cabeça aos moradores. São os prédios em ruína. É a insegurança, o desemprego e o tráfico de droga. Um conjunto de martírios. Da Câmara chegam as promessas de acelerar a reabilitação urbana e de disciplinar o trânsito. Quanto ao resto, esperam-se soluções.</P>
<P>
A criação de zonas pedonais e o ordenamento do trânsito, o fomento de um comércio «de vanguarda» ligado à moda e ao «design», a valorização dos restaurantes e pequenos bares em detrimento das «boîtes» e discotecas, a aceleração da reabilitação urbana e o apoio a iniciativas locais de emprego e formação profissional serão, para já, os caminhos para a requalificação do Bairro Alto, em Lisboa. São as respostas possíveis para os problemas daquela zona da cidade, que se traduzem no envelhecimento da população, desertificação humana, degradação do parque habitacional, desequilíbrio entre a vida nocturna e a tranquilidade reclamada pelos moradores, no estacionamento caótico e na insegurança associada ao tráfico de droga, ao desemprego e à falta de policiamento.</P>
<P>
Das muitas queixas que chegam até à sede da Junta de Freguesia da Encarnação -- abrangida pela área de intervenção do Gabinete Técnico do Bairro Alto (GTBA), juntamente com as freguesias de Santa Catarina, Mercês e parte da de São Paulo --, as relacionadas com a habitação são de longe as mais numerosas, de acordo com um elemento do executivo da autarquia. No total, na área de influência do GTBA já foram reabilitados ou estão em recuperação 1132 fogos, correspondentes a 3,2 milhões de contos em investimento da Câmara de Lisboa. No entanto, ainda há 7609 fogos para recuperar, 30 dos quais se encontram em risco de ruína iminente. Trata-se de um problema que exige, pelo menos, um esforço de mais 25 milhões de contos para ser ultrapassado.</P>
<P>
As verbas e os mecanismos de que o município dispõe, e que se traduz quase exclusivamente no Recria (Regime Especial de Recuperação de Imóveis Arrendados, participado pelas autarquias, Estado e proprietários), são manifestamente insuficientes para acudir às necessidades do Bairro Alto. E para acelerar a reabilitação urbana, ali e em todos os bairros históricos, a Câmara de Lisboa vai propor ao Governo um conjunto de medidas, que integram o chamado PERU (Plano de Emergência para a Reabilitação Urbana). Trata-se de um programa onde se pretende um maior apoio do poder central à recuperação de edifícios degradados e com o qual a autarquia lisboeta pretende reduzir para sete anos a reabilitação dos fogos alfacinhas, que ao ritmo actual levaria 25 anos a fazer.</P>
<P>
Realojamentos temporários</P>
<P>
«Nós já temos experiência, sabemos como fazer, precisamos é de novos mecanismos financeiros. Com eles é possível resolver o problema em sete anos. Não é uma meta impossível», garante Vítor Costa, vereador responsável pelo pelouro da Reabilitação Urbana. Resta esperar pelo acolhimento do PERU pelo Governo. «Ainda recentemente, o ministro do Planeamento, Valente de Oliveira, referiu a necessidade da recuperação dos centros urbanos das regiões de Lisboa e Porto, o que indicia alguma sensibilidade para a situação», referiu.</P>
<P>
Um dos obstáculos ao andamento da reabilitação urbana no Bairro Alto, além do pouco dinheiro, é a falta de fogos para realojar provisoriamente os moradores dos imóveis nos quais é necessário fazer obras. No Alto do Longo, já próximo do Príncipe Real, a autarquia está a concluir a recuperação de um edifício com 10 fogos. Aí vai instalar os cinco inquilinos que o habitavam, e as restantes residências servirão para os referido realojamentos temporários.</P>
<P>
Outra medida que a Câmara vai lançar naquele sector são os acordos com proprietários. «Nós fazemos as obras de recuperação e em contrapartida servimo-nos dos edifícios para realojamentos durante um período equivalente ao investimento feito pelo município», adianta Vítor Costa. Os proprietários, aliás, têm aderido, segundo o vereador, com entusiasmo à reabilitação do Bairro Alto. Este interesse conheceu um especial incremento com a iniciativa da Sétima Colina, que promoveu a pintura de uma série de prédios da zona. «Apareceram muitas pessoas a quererem recuperar as casas».</P>
<P>
Desertificação e insegurança</P>
<P>
À reabilitação urbana não deixa de estar associada a reabilitação social e económica. Propostas nesse sentido integram um plano para o Bairro Alto, elaborado pelo GTBA, dirigido por Pedro Graça, e que em breve será posto em discussão pública. As grandes linhas do plano passam pela fixação dos jovens nascidos no bairro, como forma de combater a desertificação ali iniciada nos anos sessenta, pela reconversão do comércio e pela promoção dos aspectos culturais do bairro. A criação de condições de atractividade de novos moradores é também um dos objectivos. Essa é, aliás, uma tendência que se tem verificado nos últimos anos, segundo refere Pedro Graça. No entanto, o número de novos residentes ainda não é suficiente para compensar o número dos que saíram. Espelho disso são os «mais de mil» fogos devolutos existentes na área do GTBA.</P>
<P>
A falta de segurança tem sido, igualmente, um problema crescente do Bairro Alto. Enquanto uns reclamam mais policiamento, outros, como Vítor Costa, defendem medidas de ataque ao desemprego, que afecta seis por cento da população activa da zona, como forma de combate à toxicodependência, que constitui um dos factores de insegurança do bairro. Nessa linha, a instalação do Grupo de Toxicodependência da Freguesia da Encarnação no mercado local, em pleno coração do Bairro Alto, poderá ter um papel importante na redução do problema.</P>
<P>
Este aspecto constitui apenas uma das muitas questões sociais que afectam aquela área da capital, entre as quais sobressai o isolamento dos idosos, que constituem uma importante fatia dos 15 mil habitantes abrangidos pelo GTBA. Para coordenar o combate aos problemas sociais foi criado, há alguns anos, o PIBA (Projecto Integrado do Bairro Alto), que envolve quase todas as entidades do bairro e onde tem papel de relevo a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que tem assegurado um serviço de apoio domiciliário aos mais velhos. Mas, o Bairro Alto não é apenas gente idosa e pobre. «Há também jovens e gente de todos os estratos sociais», diz Pedro Graça.</P>
<P>
A criação de novos empregos e a renovação do tecido económico local passa, também, por encontrar uma nova vocação para o Bairro Alto. Depois da saída de grande parte dos jornais ali instalados, dos quais restam apenas a «Bola» e o «Record», veio a depressão. Hoje, as soluções apontam para dar prioridade à instalação do chamado comércio de vanguarda, ligado à moda, ao mobiliário e ao «design». «São sectores em que a Câmara quer apostar, nomeadamente através da facilitação do licenciamento», avança o vereador.</P>
<P>
Carros e ruído: as pragas do Bairro Alto</P>
<P>
Por resolver continua, entretanto, o eterno conflito entre os moradores e os estabelecimentos nocturnos. Enquanto os primeiros reclamam sossego, os segundos querem continuar a responder às necessidades dos milhares de pessoas que acorrem às noites do Bairro Alto. Para Vítor Costa, o problema não está nos estabelecimentos, porque estão todos insonorizados, mas no ruído que os transuentes fazem quando saem dos bares. Assim, diz, a solução está em dar prioridade aos restaurantes e pequenos bares, evitando-se as discotecas. Desta forma, o Bairro Alto passaria a ser, e tem sido essa a tendência, um local para jantar, estar e tomar uns copos a caminho de outros espaços nocturnos situados em zonas mais desafogadas da cidade, evitando-se as grandes concentrações a altas horas da noite.</P>
<P>
Conflituosa é, também, a relação do Bairro Alto com os automóveis. O estacionamento é caótico. E situação não agrada a moradores, visitantes, nem aos comerciantes. Com os passeios constantemente atulhados de veículos, a circulação de peões é quase sempre um penoso calvário. Para os proprietários de restaurantes, os carros são uma praga que afastam os clientes e que lhes barram as portas. E, pior do que isto, é a impossibilidade de, com a actual indisciplina, ali passarem viaturas de bombeiros. «Se houver um incêndio no Bairro Alto vai ser uma desgraça», ouve-se de várias bocas.</P>
<P>
As promessas de reordenamento do trânsito na zona já são antigas. Agora, parece que desta vez é que vai ser, diz Pedro Graça. Segundo este, está já concluído no pelouro do Trânsito, do vereador Machado Rodrigues, um plano que prevê o encerramento aos veículos do primeiro e último troço da Rua da Rosa e de algumas transversais e a criação de estacionamento tarifado à superfície. Estas medidas, porém, só darão resultados visíveis quando estiverem concluídos os parques subterrâneos do Largo do Camões, Coração de Jesus e Alto de Santa Catarina, previstos no referido plano. Só então será possível proibir de vez a paragem de viaturas no interior do bairro.</P>
<P>
Além daqueles parques, deverão aparecer mais dois na zona. Um será da iniciativa da Caixa Geral de Depósitos, ao Largo do Calhariz, e terá cerca de 80 lugares; o outro deverá ser criado no âmbito de um empreendimento habitacional e de escritórios a erguer no quarteirão do Trombeta, ao fundo da Rua da Rosa, e onde existe actualmente uma série de construções em ruína.</P>
<P>
O que vai ser o Bairro Alto do futuro depende de imensos factores. Se com a reabilitação do Chiado não forem aqui criadas, e em toda a Baixa, pólos alternativos de carácter lúdico, a pressão sobre o Bairro Alto continuará a crescer, com o consequente agravamento dos problemas já existentes, alerta Vítor Costa. Aconteça o que acontecer, certo é que o bairro dificilmente perderá o seu lugar nas noites de Lisboa, mesmo que seja um lugar mais moderado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-63757">
<P>
Ex-dançarina é nova prefeita de La Paz</P>
<P>
A ex-dançarina de flamenco Monica de Palenque (foto), 29, foi empossada nova prefeita de La Paz, capital da Bolívia. É a primeira mulher a ser eleita para o cargo.</P>
<P>
MIT diz que radiação foi "trivial'</P>
<P>
Robley Evans, cientista do MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts), que aprovou os testes com radiação feitos em crianças deficientes mentais, disse que as doses que elas receberam foram "triviais". Os testes foram realizados nas décadas de 40 e 50.</P>
<P>
EUA mandam mais soldados à Colômbia</P>
<P>
Mais 150 soldados norte-americanos foram deslocados para a costa oeste da Colômbia para ajudar no combate a guerrilhas. O Congresso colombiano não foi consultado. As tropas vão construir uma base naval na região. A informação foi confirmada pelo comando da Marinha colombiana.</P>
<P>
Juiz uruguaio manda prender Menem Jr.</P>
<P>
Um juiz uruguaio expediu ontem mandado de prisão contra Carlos Menen Jr., filho do presidente da Argentina, Carlos Menem, e dois seguranças. Eles são acusados de espancar um fotógrafo no balneário de Punta del Este. O presidente chegou hoje para passar o fim-de-semana no balneário.</P>
<P>
Suíça quer novas explicações da França</P>
<P>
O ministro suíço da Justiça, Arnold Koller, classificou de "totalmente inadequadas" as explicações que a França deu para justificar a deportação de dois iranianos suspeitos de assassinato na Suíça. O ministro do Exterior da França, Alain Juppé, disse que seu país não cedeu a "pressão alguma".</P>
<P>
Situação no Togo volta à normalidade</P>
<P>
Os combates em Lomé, capital do Togo, diminuíram ontem. As forças de segurança do governo prenderam três pessoas acusadas de planejar o assassinato do presidente militar Gnassingbe Eyadema. As autoridades afirmam ter prendido 35 suspeitos e 30, incluindo um pastor brasileiro, foram mortos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-2389">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
A explosão de um obus de artilharia num hospital deixou ontem 11 mortos e 40 feridos em Maglaj, cidade muçulmana sitiada por sérvios e croatas no norte da Bósnia. O número de vítimas foi divulgado por Aida Smajic, prefeito de Maglaj. A um dia da entrada em vigor de um cessar-fogo entre muçulmanos e croatas na Bósnia central, as duas forças travaram combates na região de Vitez. Em Sarajevo, dois soldados muçulmanos foram mortos por franco-atiradores sérvios.</P>
<P>
Smajic disse que os sérvios que sitiam Maglaj receberam muitas armas pesadas nos últimos dias. Isso reforça as afirmações do governo (muçulmano) da Bósnia, de que os armamentos que os sérvios foram obrigados a retirar de Sarajevo após a ameaça de ataques aéreos da Otan estariam sendo deslocados para outras frentes. Sem receber comboios de ajuda humanitária desde outubro de 1993, Maglaj é uma das áreas que a ONU quer desmilitarizar depois de consolidar a trégua em Sarajevo.</P>
<P>
O presidente da Croácia, Franjo Tudjman, disse que apóia a iniciativa da liderança dos croatas-bósnios, divulgada quarta-feira, de formar uma confederação com a Bósnia muçulmana para evitar a divisão da ex-república iugoslava em três. A reaproximação entre croatas e muçulmanos –que no início da guerra eram aliados contra os sérvios– tem sido mediada por EUA e Espanha.</P>
<P>
A iniciativa foi acompanhada pela assinatura de um cessar-fogo entre muçulmanos e croatas-bósnios, para valer a partir de hoje. Todos os armamentos pesados das duas forças na Bósnia central seriam retirados ou passados ao controle das tropas de paz da ONU até 7 de março. Ontem, porém, houve informes de novos combates.</P>
<P>
Em Sarajevo, Yasushi Akashi, enviado especial do secretário-geral da ONU, disse que pretende estender a outros pontos da Bósnia o modelo de iniciativa que levou os sérvios que sitiam a capital a entregar ou retirar a maior parte de seu armamento. As áreas prioritárias seriam as cidades muçulmanas de Mostar (sul, sitiada por croatas), e Tuzla (norte, sitiada pelos sérvios). Oficiais das forças de paz, porém, disseram que seria necessário aumentar bastante o número de "capacetes azuis" na Bósnia.</P>
<P>
O ministro alemão do Exterior, Klaus Kinkel, disse que seu governo vai perseguir suspeitos de crimes de guerra. Ele pediu ao órgão do governo bósnio que investiga violações dos direitos humanos informações sobre cerca de 50 supostos criminosos de guerra sérvios que estariam na Alemanha.</P>
<P>
Mais unidades das forças de paz foram deslocadas ontem para a ponte sobre o rio Sava, entre Stara Gradiska (Croácia) e Bosanska Gradiska (Bósnia), tomada dos "capacetes azuis" pelos sérvios há oito dias. Batalhões do Nepal, Jordânia, Argentina e França estão em alerta na região.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-36083">
<P>
Sociais-democratas arrancaram com pré-campanha em Lisboa</P>
<P>
Um arraial à PSD</P>
<P>
Áurea Sampaio</P>
<P>
Um arraial marcou o arranque da campanha do PSD em Lisboa. Os organizadores estavam mais do que felizes. Casa cheia. A militância mostrou-se empenhada e talvez até nem fossem precisos os balões, as sardinhas e a música para provar que as eleições estão longe de estar decididas. Durão Barroso percebeu isso e tratou de avisar o principal opositor: «isto não vão ser favas contadas».</P>
<P>
Bastaram 35 minutos para concluir os discursos e, consequentemente, para se perceber a mensagem: «para o PS isto não vão ser favas contadas», «está tudo em aberto», «agora, é preciso o trabalho de todos e de cada um para convencer os indecisos». Falaram Isaltino Morais, Arlindo de Carvalho e Durão Barroso, nesta ordem. O primeiro nitidamente pouco inspirado; o segundo a fazer a sua melhor intervenção pública de sempre; o último a provar ter aprendido bem a lição do Norte. Foi vigoroso e, sobretudo, pedagógico. Resistiu de tal forma à facilidade populista que não fulanizou sequer o discurso, quanto mais pronunciar o nome de qualquer líder da oposição, como o fez, há poucas semanas, no comício de Amarante, ao elevar Monteiro e Guterres à categoria de figuras rupestres.</P>
<P>
Pecou apenas por terminar abruptamente, quando tudo indicava ter galvanizado a militância para sair do recinto, bandeira em punho, e tomar a rua à maneira dos bons velhos tempos em que o tom laranja parecia ter sido adoptado como cor nacional. Não obstante, ficou provada a popularidade do ex-candidato a líder. «Durão, Durão, estás no nosso coração», gritava, entusiasmado, um grupinho juvenil quando o orador apareceu à boca de cena. Num assomo de modéstia, o ministro optou pelo «PSD, PSD» da praxe, fazendo prevalecer os apelos à unidade interna. Unidade sem rosto, pelo menos nos enfeites do palco, um pano de fundo branco com a famosa seta a apontar para cima e o «slogan» de campanha «Mais e melhor para Portugal». O rosto de Nogueira, nem vê-lo... ali ou em qualquer ponto do grande pátio do palácio de Ribamar, local da festa que marcou o arranque da pré-campanha eleitoral dos sociais-democratas.</P>
<P>
Uns e outros</P>
<P>
Eram nove da noite e alguns dos organizadores preocupavam-se: «Parece que vão faltar as sardinhas». De facto, estava muita gente e a fila de espera para o petisco era estranhíssima. Tinha muitas caudas e, olhando bem, parecia tudo uma grande trapalhada. Mas não. Nada como a cumplicidade militante para saber encarar com um sorriso aquelas situações que no dia-a- dia banalizaram a falta de civismo. No arraial do PSD, pelo menos aparentemente, reinava a concórdia e a paz universal, famílias inteiras de prato de sardinha na mão esfuziantes com a certeza de pertencerem a uma família maior, cheia de gente importante no Governo e tudo. Só esta sensação de proximidade do poder consegue explicar a razão pela qual a esmagadora maioria dos homens presentes optou por comparecer de fato e gravata num arraial com balões e sardinhada.</P>
<P>
Imagina-se a confusão dos mirones que de vez em quando se detinham a apreciar, por entre as grades do pátio, aquela estranha mistura onde pululavam ministros de agora e de antes, deputados da nação e até figuras mediáticas. Numa zona lateral da entrada, o deputado Luís Nobre, responsável pela campanha eleitoral em Lisboa, rejubilava. Mais alto que a média, a sua visão sobrevoava o recinto, literalmente cheio, exceptuando a zona de baile junto ao palco. Perto dele um grupinho animado. «O PSD vai ganhar com maioria absoluta», garantia Vieira de Castro, ex-secretário de Estado da Segurança Social. Menos eufórico, mas ainda assim animador, o deputado João Matos prognosticava: «Na hora da verdade as pessoas vão lá». Entre gargalhadas, Isaltino respondia com outra pergunta à interrogação sobre as razões que o levaram a atirar-se ao líder da distrital do Porto numa entrevista publicada no último número do semanário «O Diabo». «O quê? Eu chamei burgesso ao Menezes?». Mesmo a seu lado perfilava-se, sério, mas convicto, o presidente da distrital. Arlindo de Carvalho parecia a isolada ilha nogueirista rodeada de ex-barrosistas por todos os lados. Por isso nada de ceder às graçolas.</P>
<P>
Ao subir ao palco, deu a chamada bofetada de luva branca. Saudou Isaltino como «autarca modelo», contrapondo a sua acção à dos [da oposição] que «só prometem e nada fazem». «Nos outros sítios o que vemos são autarcas a fazerem política nacional em vez de se preocuparem com o bem-estar das populações». Um recado óbvio para os socialistas e, em particular, para Jorge Sampaio e José Luís Judas, logo de seguida visados. «Em Lisboa há cada vez mais escuridão, cada vez mais barracas, cada vez mais buracos (...) e em Cascais não se tem feito mais nada senão festas e foguetes. Isto prova o que é o PS, o que seria o PS no Governo nacional».</P>
<P>
Durão Barroso também tocou nesta tecla, no fundo aquilo que chamou de «grande irresponsabilidade do maior partido da oposição». O mote eram as propostas socialistas que o MNE enumerou, desde a do rendimento mínimo garantido, passando pelo reforço de verbas para a Saúde e a Educação, até à diminuição da publicidade na televisão do Estado. Para perguntar: «Onde vai o PS buscar 500 milhões de contos? Às classes médias com novos impostos?»</P>
<P>
Na plateia, a indignação crescia. «Uh, Uh, Uh», vociferavam ante o cenário em que a «nova maioria» travestida agora de «velha maioria de esquerda tantas e tantas vezes derrotada pelo povo português» regressava com as cores de uma inflação galopante, do aumento do défice e o cenário do país de mão estendida a pedir empréstimos ao FMI. Arrebatado, Durão reconhecia «problemas» no passado e as «dificuldades» do futuro, mas a urgência, exortou, «é mostrar o trabalho feito, a existência de uma linha de rumo» cujo objectivo é conseguir «juntar, em 1999, a nossa economia às mais evoluídas da Europa». É o discurso da dramatização, do nós ou o caos, a prenunciar uma campanha alegre.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59130">
<P>
Lisboa vista de trás, ou aquilo que fizeram das terras saloias</P>
<P>
Tristes visões da CREL</P>
<P>
José António Cerejo</P>
<P>
Ontem inaugurada por políticos e automobilistas, a CREL traz reconhecidas vantagens a quem, da periferia norte de Lisboa, se dirige para o norte de Portugal. O que ela traz de inesperado, porém, é uma visão realista e cruel do crime que tem sido a ocupação do território em torno da capital.</P>
<P>
A Circular Regional Exterior de Lisboa (CREL), que liga a zona do Estádio Nacional a Alverca e ontem aberta ao tráfego, veio pôr a nu uma realidade muitas vezes esquecida e insuficientemente conhecida dos portugueses: o caos e a desordem urbanística, o mau gosto e a falta de qualidade que rodeiam Lisboa.</P>
<P>
Não será propriamente uma novidade para os automobilistas, uma vez que a auto-estrada de Cascais já tinha escancarado as misérias da paisagem construída nos concelhos de Cascais e Oeiras, o troço inicial da auto-estrada do Norte já há muito que evidenciara as chagas da construção clandestina e das barracas do Prior Velho e a entrada pela Ponte 25 de Abril desde sempre que trouxe o Casal Ventoso para primeiro plano. Isto para não falar do desastre que é a aproximação aérea ao aeroporto da Portela, com as lixeiras e bairros degradados a entrarem pelos olhos dentro de quem quer ver Lisboa de cima.</P>
<P>
Mesmo assim, a CREL vai constituir uma surpresa e um choque para quem estava a pensar que só ia atravessar as terras saloias e os vinhedos de Bucelas ou guardava uma qualquer memória das bucólicas quintas de Caneças.</P>
<P>
O pesadelo dos bairros clandestinos</P>
<P>
Para quem entra no nó do Estádio Nacional, aquele em que a nova via nasce da auto-estrada de Cascais, na zona de Linda-a-Velha, tudo se passa normalmente até às proximidades de Carenque, logo a seguir a Queluz. A chegada ao túnel de Carenque -- onde duas estruturas metálicas cor de mostarda evocam a cabeça e a cauda dos dinossauros que obrigaram a Brisa a perfurar a serra -- sofre-se o primeiro embate. Pela direita, encosta acima e encosta abaixo, avultam as casas disformes, as cores berrantes, as ruas labirínticas. Os painéis de protecção acústica, espalhados ao longo dos 34 quilómetros da auto-estrada, nas zonas onde ela mais se abeira dos núcleos habitacionais, distraem a atenção com as suas cores alternadas e modelos diferenciados, mas não constituem (nem tinham que constituir) uma protecção para os olhos mais sensíveis.</P>
<P>
Ultrapassada a terra dos dinossauros e o nó de Belas/Pontinha -- que só será aberto ao tráfego depois da conclusão da via radial que o unirá à CRIL, na Pontinha, mas que se apresenta como um oásis visual, com os viveiros de plantas ornamentais que o cercam --, cai-se de novo no pesadelo. Uma selva de milhares de casas construídas sem rei nem roque, umas em cima das outras e todas mais feias que a do lado, surge pela frente, à esquerda e à direita, já a caminho de Caneças. A pista rodoviária trespassa um bairro pelo meio, Casal de Cambra de seu nome, uma terra de raiz clandestina e a maior do género na Europa. Desde há vários anos, com a colaboração dos moradores, a Câmara de Sintra tenta reparar o irreparável, minimizar as consequências da loucura que foi assistir impávida à destruição da paisagem, a esta verdadeira minagem do território, muitas vezes sem meios jurídicos e financeiros para reagir, mas também sem vontade para o fazer.</P>
<P>
E não há governamental Plano de Erradicação de Barracas que valha a tudo o que vai desfilando perante os nossos olhos, CREL adiante. É que aqui não há barracas, há casas de cimento e tijolo, de todas as cores e feitios, umas por pintar, outras à espera do reboco. Muitas delas inviabilizam desde logo as tentativas de reabilitação urbana, pela sua localização, pelo desrespeito de todas as normas urbanísticas, pelo desprezo das regras de construção. Mesmo assim, há-as que custaram muito mais que um apartamento de luxo, enormes em tamanho e em horror visual.</P>
<P>
Onde houve quintas e fontes</P>
<P>
Para descansar os olhos, passado o susto de Casal de Cambra, corre pela esquerda o verde dos cabeços, tingido aqui e ali pela marca negra dos fogos. Mas logo surgem novos aglomerados incaracterísticos, com casas clandestinas e urbanizações recentes e bem legais à mistura, velhas aldeias pelo meio, tudo sem se perceber onde começa e acaba o quê. Das terras de Caneças, de onde partiam, ainda há poucas dezenas de anos, os carros de bois e camionetas carregadas de bilhas de água fresca para Lisboa, solta-se uma outra visão amarga: afogadas pela confusão urbana que as envolve, ressaltam velhas palmeiras, vestígios das antigas quintas, restos da harmonia e do verde que já ali existiu.</P>
<P>
Logo após o viaduto da ribeira de Caneças, com algumas casas e armazéns a menos de um metro da margem direita da auto-estrada, ergueu-se mais um carrossel de moradias de quem não pôde ou não quis submeter-se às regras e aos planos urbanísticos. Mais uma vez, serra acima, os clandestinos e ex-clandestinos ferem a paisagem, reduzem a periferia de Lisboa à condição suburbana das grandes metrópoles africanas e sul-americanas.</P>
<P>
O que vale é que o túnel de Montemor já está no horizonte e, depois dele, a largueza do vale de Loures oferece uma panorâmica, do alto dos 70 metros do maior viaduto da CREL, onde as desgraças se atenuam entre as hortas e a distância.</P>
<P>
Já a chegar ao nó de Loures, onde a nova circular se cruza com a auto-estrada da Malveira, a proximidade dos bairros traz de volta a ausência de qualquer sentido estético em quem constrói, a falta de qualidade e a tristeza da periferia que vai quase até ao nó do Zambujal.</P>
<P>
Daí para diante, com a auto-estrada propriamente dita a acusar a pressa com que foi feita, a paisagem rural de Bucelas e as serras ainda por destruir que a antecedem reconciliam o viajante com os seus olhos. Pela direita e pela esquerda, desenvolvem-se os vinhedos do célebre arinto de Bucelas, parte dos quais foram condenados pela passagem da nova via. Mais abaixo, destacam-se, inúteis mas promissores, os três viadutos que hão-de ligar a CREL à futura auto-estrada a construir dali até ao Carregado.</P>
<P>
Falta a recompensa, a consolação de quem não esperava por coisa alguma do que viu. A descer para Alverca, onde a CREL morre na auto-estrada do Norte, espraia-se o azul do Tejo e o verde dos seus mouchões. Um final feliz para quem já conseguiu ganhar alguns quilómetros e escapar aos engarrafamentos da Segunda Circular.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-39548">
<P>
Derrota da Williams em Interlagos não tira seu favoritismo, mas mostra a importância da estratégia nos pit stops</P>
<P>
FLAVIO GOMES</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Procuram-se respostas. Sobram perguntas. Ao final do GP Brasil de Fórmula 1, anteontem, havia no ar em Interlagos uma sensação de incredulidade. Quem esteve lá viu. Quem não esteve, não viu. Por que Senna não ganhou? Por que o mundo apostou num favoritismo da Williams e caiu do cavalo? A imprensa é "sennista" e entrou no clima de já-ganhou? A Williams não é mais aquela?</P>
<P>
Dá para responder uma por uma, sem correr o risco de resvalar num nacionalismo barato. A mídia acha que Senna vai ser campeão não porque ele é brasileiro. Existem duas constatações, fatos, nada mais do que isso, que embasam a idéia de que Senna é o maior candidato ao título deste ano. Vamos a eles.</P>
<P>
Um: Senna é o melhor piloto do mundo. Ganhou três títulos, fez 63 pole-positions, é o unico campeão em atividade, tem 41 vitórias. Que se faça uma comparação com Schumacher, de um dia para o outro alçado à condição de rival imbatível. O alemão disputou 39 GPs em sua carreira. Marcou 119 pontos, ganhou três corridas e nunca largou na pole.</P>
<P>
Com o mesmo tempo de F-1, o desempenho de Ayrton foi melhor em dois itens básicos: vitórias (4 a 3) e poles (12 a 0). Ele perde para o alemão em pontos (90 a 119) e melhores voltas (4 a 8). Vale o detalhe: de 84 a 86, período que comporta essas 39 corridas, o brasileiro era piloto da Toleman (uma "Jordan" da época) e da Lotus (então a quarta força, atrás de McLaren, Williams e Ferrari). Schumacher, desde 91, dirige para a Benetton, que disputa com a McLaren a condição de segunda melhor equipe do planeta.</P>
<P>
Dois: a Williams tem o melhor carro. Nos testes do inverno europeu, mesmo quando confrontada com a Benetton em Imola, foi sempre mais rápida –a rigor, Schumacher só fez uma volta melhor que Senna no último dia dos testes, quando a Williams preparava seu carro em configuração de corrida, com o tanque cheio. Detalhe: o modelo FW16, que Ayrton usa este ano, tinha duas semanas de vida. O B194, de Schumacher, três meses.</P>
<P>
Só isso bastaria para justificar o favoritismo de Senna. Pode-se acrescentar que no ano passado, com uma McLaren inferior à Benetton (a equipe usou motores Ford de uma versão anterior), ele venceu cinco GPs e Schumacher, um.</P>
<P>
Aí Senna perde em Interlagos. Por quê? Porque ele e sua equipe cometeram erros. O piloto, ao rodar sozinho na Junção. O time, ao determinar que Senna fizesse dois reabastecimentos quando o ideal era apenas um, por duas razões: o carro tinha melhor rendimento quando estava mais pesado e Schumacher teria que parar duas vezes de qualquer jeito porque andou o tempo todo com pouco combustível no tanque. A diferença do alemão para o brasileiro após o segundo pit stop era de 5s013. Schumacher gastou 28 segundos nessa parada, do momento da entrada nos boxes até a volta à pista. Se Ayrton parasse apenas uma vez, ganharia quase meio minuto sobre seu concorrente e assumiria a liderança.</P>
<P>
O que se conclui do GP Brasil não é a débâcle da Williams, apesar de o próprio Senna ter dito que sua equipe não é favorita ao título. É, sim. Só que agora, com a volta do reabastecimento, uma corrida de F-1 é mais sensível a erros. Eles determinam resultados. Schumacher pode ser campeão do mundo? Pode, como a Nigéria pode ganhar a Copa. Foge da lógica, mas é possível. A Williams vai ter que aprender a jogar com um negócio chamado estratégia, que necessariamente inclui as paradas para combustível. Quase ninguém se deu conta, mas o pit stop decidiu o GP Brasil. Schumacher passou Senna quando ele estava parado. Não errou e ganhou. Parabéns. Felicidades.</P>
<P>
Hoje excepcionalmente deixamos de publicar o texto de Matinas Suzuki Jr., que escreve às terças quintas e sábados nesta coluna.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-32531">
<P>
Das agências internacionais </P>
<P>
Aung San Suu Kyi é o mais expressivo símbolo da oposição birmanesa ao regime militar.</P>
<P>
Ela surgiu na vida política do país em 1988, quando milhões de pessoas tomaram as ruas exigindo o fim de uma ditadura, iniciada em 1962, que havia arruinado financeiramente uma das economias mais ricas da Ásia.</P>
<P>
O Exército promoveu então um massacre que deixou milhares de mortos. Aquela ditadura caiu, mas uma nova tomou posse.</P>
<P>
A campanha popular pelo fim do regime militar coincidiu com a volta de Suu Kyi ao país, após ter passado a maior parte de sua vida no Reino Unido.</P>
<P>
A militante nasceu em 19 de junho de 1945, na capital da então colônia britânica, Rangum (cujo nome foi trocado pelos militares para Yangon).</P>
<P>
Seu pai, Aung San, um dos heróis nacionais, foi morto quando fazia campanha pela independência, meses antes de ela acontecer, em 1948.</P>
<P>
Ela viveu em Myanma até que, em 1960, sua mãe, Khin Kyi, foi nomeada embaixadora para a Índia. No período de 1964 a 1967, ela estudou filosofia, política e economia na Universidade de Oxford (Reino Unido).</P>
<P>
Casou-se em 1972 com o professor britânico Michael Aris. Tem dois filhos, de 22 e 18 anos.</P>
<P>
Sun Kyi voltou a Myanma em abril de 1988, para cuidar de sua mãe, que estava doente.</P>
<P>
Em agosto, ela escreveu uma carta aberta à junta militar, oferecendo-se como mediadora entre os líderes oposicionistas estudantes e o governo.</P>
<P>
Em setembro, ela fundou a Liga Nacional pela Democracia, grupo com 105 opositores ao regime, e começou a viajar pelo país.</P>
<P>
"Quero chegar ao maior número possível de vilarejos, pois é neles que as pessoas estão mais assustadas", dizia. Essa campanha levou a sua prisão, em 1989.</P>
<P>
Durante quase três anos, foi impedida de ver o marido e os filhos. Em 1994, o governo permitiu que ela recebesse a visita do congressista norte-americano Bill Richardson e do monge budista Rewatta Dhamma. Na época, o governo ofereceu sua libertação, com a condição de que ela deixasse o país. Ela rejeitou.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49619">
<P>
Vila Franca de Xira</P>
<P>
Detectados 160 casos de menores em risco</P>
<P>
Mais de centena e meia de crianças da comarca de Vila Franca de Xira encontram-se em situação de risco, segundo o balanço do primeiro ano de trabalho da Comissão de Protecção de Menores (CPM) da circunscrição, recentemente concluído. O documento traça, também, as perspectivas de actuação futura deste organismo de apoio à administração de justiça.</P>
<P>
Ao longo de 12 meses de actividade, concluídos em Maio último, chegaram ao conhecimento da CPM cerca de 160 casos de crianças em situação de risco. Para 126 destas situações foram abertos processos que resultaram em decisões de entrega dos menores a membros da família de origem mediante acompanhamento adequado, entrega a famílias de acolhimento, encaminhamento para adopção ou colocação institucional.</P>
<P>
Em casos mais complicados de menores em grave risco de formação moral, de saúde e segurança -- situações de repúdio ou abandono por parte dos pais, inexistência de família, morte dos pais ou desconhecimento do seu paradeiro --, a CPM tem procurado colocar as crianças em famílias de acolhimento ou instituições de solidariedade social.</P>
<P>
Reconhece, contudo, que têm surgido grandes dificuldades na colocação dos menores, por falta de respostas imediatas. «Há casos em que se aguarda, por mais de três meses, a colocação dos menores», salientam.</P>
<P>
Em lista de espera encontram-se, presentemente, cerca de 35 menores em eventual situação de risco, facto que a CPM vila-franquense atribui ao elevado número de solicitações com que se tem defrontado e à escassez dos meios humanos e técnicos de que dispõe.</P>
<P>
Esta estrutura integra representantes do Ministério Público, autarquias, serviços locais da Segurança Social e do Ministério da Educação, Instituto da Juventude, instituições de solidariedade social, instituto de reinserção social, centro de saúde, hospital, GNR, PSP e associações de pais.</P>
<P>
A Comissão de Protecção de Menores da Comarca de Vila Franca de Xira aponta, também, as dificuldades que tem sentido na busca de soluções, a nível local e nacional, para os menores desprovidos de família ou cuja família não está apta a recebê-los.</P>
<P>
Centros de emergência</P>
<P>
Em casos de emergência, relacionados com maus tratos físicos, abusos sexuais, perigo de marginalidade ou de exclusão social, a CPM entende que se tornaria necessária a colocação temporária dos menores em centros de acolhimento (emergência infantil) até que seja decidido o seu destino.</P>
<P>
Considera, assim, «urgente» a entrada em funcionamento do centro de emergência social construído em Alverca. Trata-se de um projecto do Cebi local, que concluiu a obra em Setembro do ano passado, mas ainda não colocou o centro a funcionar por não ter conseguido apoio das tutelas da Segurança Social e da Justiça.</P>
<P>
«Este centro tem capacidade para alojar, enquadrar e integrar cerca de 30 crianças, o que se torna de todo urgente face às situações surgidas na área da competência desta comissão», refere o relatório.</P>
<P>
Para o próximo ano de actividade, a CPM vila-franquense, que tem vindo a ser dirigida por Rui de Matos Cavaco, delegado do Ministério Público na comarca, traçou objectivos que passam pelo reforço de meios e pela criação de respostas, ao nível local, que possibilitem a integração apropriada e real de menores em situação de abandono ou de inexistência de meio familiar.</P>
<P>
A concretização deste segundo objectivo passaria não só pelo funcionamento do centro de emergência infantil, mas também pela reformulação de todo o processo de selecção, enquadramento e acompanhamento da colocação de menores em famílias de acolhimento e pela possibilidade de detecção e encaminhamento célere de menores com vista à adopção.</P>
<P>
A CPM vila-franquense propõe, finalmente, o desenvolvimento de três programas específicos que incluem: a constituição de um «centro de estudos e de reflexão sobre a protecção de menores», a instalação de um gabinete de atendimento público e o fomento de acções de prevenção e apoio a crianças/jovens em risco.</P>
<P>
Jorge Talixa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-25870">
<P>
Aluimentos cortaram circulação viária</P>
<P>
Estradas não resistiram ao mau tempo</P>
<P>
Dezenas de estradas, nacionais e municipais, ficaram na madrugada de ontem cortadas, ou com acesso condicionado, devido a aluimentos verificados na sequência das chuvas que afectaram quase todo o país, ainda que com maior intensidade de precipitação na região de Lisboa.</P>
<P>
Segundo o Serviço Nacional de Protecção Civil, «a pluviosidade registada no resto do país [entre as zero horas e as seis de ontem], foi de 10 milímetros, ou inferior» -- contra os 32 milímetros na zona de Lisboa -- mas este valor bastou para que muitas estradas e pontes tivessem ficado danificadas e com acesso interdito.</P>
<P>
Foi o caso da EN 10, junto à estalagem «Gado Bravo» e da estrada municipal que liga a Benavente, que ficaram submersas, tal como a ponte de Palhais, em Santarém, e a ponte do Alviela, interdita aos automóveis, na EN 365, onde a água atingiu quase um metro de altura.</P>
<P>
Segundo dados fornecidos pela BT da GNR, interdita devido à cheia ficou também a estrada municipal 1338, entre o Sobral e Pernes, cortada pelo rio Alviela que alagou ainda a estrada municipal 133, entre Almejões e Sobral. Na EN 113, a cedência do piso obrigou a fechar o trânsito entre a ponte de Pousos e Leiria, situação que «só dentro de alguns dias deverá ficar reparada», enquanto aluimentos, de terras e até das próprias faixas de rodagem, interromperam o trânsito na EN 350, na Caranguejeira.</P>
<P>
Dentro da cidade de Leiria, no centro histórico, a Rua Ernesto Korrodi ficou cortada à circulação, dado o abatimento de um muro.</P>
<P>
 Aluimentos verificaram-se também na EN 230, junto a Aveiro, onde a circulação ficou limitada a uma faixa, e ainda na EN 341, na área de Coimbra, entre Formoselha e Igreja do Ulmeiro, também com trânsito condicionado. O IP-5 ficou transitável às 21h00 de terça-feira, mas entre o nó de Feira-Nova e Angeja, a circulação faz-se apenas por uma faixa, dado o risco de aluimento de terras.</P>
<P>
A sul, o mau tempo afectou também a cidade de Évora, onde ruiu a abobadilha de um casa, usada como arquivo dos serviços locais do Ministério das Finanças, e onde se registaram inundações em várias residências, nos bairros dos Canaviais, Almeirim e na Praça do Giraldo. Também a estrada que liga Évora a Montemor-o-Novo, a EN 114, ficou com circulação condicionada em Foros de Vale Figueira, onde o caudal de uma ribeira submergiu a estrada.</P>
<P>
Pouco pródigo em informações sobre a situação vivida no dia de ontem, e mais virado para previsões futuras, o Serviço Nacional de Protecção Civil adiantava que as perspectivas eram de «uma certa tranquilidade», face «às previsões meteorológicas, apontando para melhorias no estado do tempo».</P>
<P>
Por outro lado, sublinhava a mesma fonte, «os serviços de protecção civil espanhóis afirmaram que não deveria ser preciso fazer descargas de barragens que afectassem rios portugueses -- como sucedeu nos últimos dias, afectando o rio Tejo, sobretudo na zona de Almourol e Santarém -- pelos que o nível das águas deverá estabilizar».</P>
<P>
Citando os serviços meteorológicos, o SNPC previa reduções da precipitação até ao próximo dia 31, embora as ameaças de cheias e os problemas ontem verificados em consequência das chuvas pudessem tornar-se de novo «preocupantes na passagem do ano», na madrugada de 31 para dia 1 de Janeiro de 1996, data para a qual é esperado um agravamento do estado do tempo.</P>
<P>
Estas previsões poderão levar ao adiamento do tradicional espectáculo de fogo de artifício na Madeira, região que foi também assolada por temporais nos últimos dias.</P>
<P>
«Se a chuva e o vento continuarem com a intensidade dos últimos dias, o rebentamento dos cerca de dois mil quilos de fogo de artifício poderá ser adiado para outra data», disse à agência Lusa fonte da empresa responsável pelos festejos.</P>
<P>
Ontem, o mau tempo que fustigou a Região Autónoma, com chuva e nevoeiro, levou ao encerramento temporário do aeroporto, e à interrupção das carreiras marítimas feitas pelo catamaran «Pátria», entre o Funchal e o Porto Santo, que aguardavam a melhoria das condições climatéricas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-52288">
<P>
O delegado Nélson Guimarães, que apura a morte do sindicalista Oswaldo Cruz Júnior, não descarta "motivações políticas" para o crime. O enterro foi marcado pela disputa da sucessão. Um grupo apoiou o irmão de Oswaldo. Outro quer Cícero Bezerra da Silva, ligado a José Benedito de Souza, suspeito do crime que está foragido. Brasil</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-57016">
<P>
Área Metropolitana de Lisboa</P>
<P>
Com as casas na garganta</P>
<P>
Quase todas as câmaras da Área Metropolitana de Lisboa aderiram ao Programa Especial de Realojamento, lançado no ano passado pelo Governo. Agora, começam as preocupações: os encargos a suportar pelos cofres municipais atingem milhões e o financiamento do Estado, afinal, parece não ser tão bonificado como se esperava. O arranque das obras também tarda.</P>
<P>
Sintra, Mafra, Vila Franca de Xira, Azambuja, Oeiras, Setúbal, Alcochete e Cascais são as câmaras da AML que já assinaram o acordo de adesão -- tal como Matosinhos, na Área Metropolitana do Porto. Prontos a celebrar acordos «até ao fim do mês», segundo Carlos Botelho, presidente do Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado, IGAPHE, encontram-se as autarquias de Lisboa, Moita, Montijo e Barreiro -- mais Porto e Maia, na AMP --, enquanto em fase de instrução dos processos estão os municípios de Amadora, Palmela, Seixal e Sesimbra.</P>
<P>
Das oito autarquias que ainda faltam, considerando os 27 municípios das duas áreas, o IGAPHE manteve já contactos com os presidentes de câmaras de Almada, na AML, e ainda Gondomar, Valongo e Espinho, na AMP. Esses municípios «estão já a trabalhar» no levantamento das suas carências e «deverão também aderir ao PER».</P>
<P>
Loures, que não consta sequer da listagem feita pela Junta Metropolitana, poderá também -- segundo o PÚBLICO apurou -- juntar-se aos demais, apesar de ter em curso um plano de 2100 realojamentos assinado pouco antes do lançamento do PER. A confirmar-se a adesão de todas as autarquias, o valor de investimentos estimado pelo IGAPHE deverá atingir 280 milhões de contos. Mas neste valor, as necessárias comparticipações das câmaras atingem somas que começam a preocupar os autarcas, em particular num ano de recessão.</P>
<P>
Lisboa, o município com maior número de barracas e alojamentos precários contabilizados, irá gastar a maior fatia do PER: 80 milhões de contos até ao ano 2001 para construir 11.129 fogos. Mas, para o realojamento de cerca de 37 mil pessoas terá de investir, ela própria, 14 milhões, acrescidos dos juros dos empréstimos a fazer ao INH, no valor estimado de mais um milhão.</P>
<P>
Imediatamente a seguir vem a Amadora, que estima em 5419 o número de barracas a demolir e em 32 milhões de contos a verba necessária para os realojamentos. Este é, de resto, um município onde a participação no programa poderá criar dificuldades. «Vai pesar muito sobre as estruturas municipais», admitiu ao PÚBLICO o vereador Fernando Pereira.</P>
<P>
A este propósito, o Partido Socialista já acusou o Governo de estar a «tirar com uma mão o que está a dar com a outra», ao conceder menos financiamento a fundo perdido do que inicialmente anunciado -- os «até 50 por cento» previstos no decreto-lei ficaram-se por 40 por cento. As denúncias abrangem também os empréstimos bonificados do Instituto Nacional de Habitação, que estaria a cobrar taxas bem mais altas (18,7 por cento) do que as praticadas pelos bancos comerciais.</P>
<P>
Oeiras, candidata a 3165 fogos; Cascais, a 2051; Setúbal, a 1272, Sintra, a 1591, Vila Franca de Xira, a 765; Seixal, a 635; Barreiro, a 360; Montijo, a 302; Moita, a 160; Sesimbra, a 128; Palmela, a 104; Azambuja, a 80; Mafra, a 62; e Alcochete, a 44 -- são os outros municípios com projectos. Restam Loures, mais atrasado, e Almada. Esta última autarquia será, porém, a primeira a ser bafejada com a outra forma de apoio à habitação.</P>
<P>
Casas económicas e realojamentos</P>
<P>
O programa das casas económicas tem tido resultados praticamente nulos. Dos três concursos abertos, um ficou deserto e outro não apurou qualquer candidato, por alegada falta de qualidade da proposta apresentada. Só ontem foi assinado o primeiro contrato, para a construção de 340 fogos em terrenos do Estado, naquele concelho da margem sul, a vender a preços tabelados.</P>
<P>
O êxito deste concurso é, entretanto, contestado judicialmente por uma empresa preterida, que lançou suspeitas sobre o júri. E o Governo parece não ter perdido a fé. Na cerimónia de ontem, o ministro Ferreira do Amaral manifestou-se convencido de que, até ao fim deste ano, serão adjudicados um total de 16 mil fogos na AML.</P>
<P>
Outra modalidade anunciada pelo Governo está em vias de traduzir-se com a transferência de 1904 casas do IGAPHE para a Câmara de Setúbal, operação que se formalizará em princípios de Abril.</P>
<P>
Mas além dos realojamentos previstos no PER, que apenas abrange as barracas, milhares de outros serão necessários, nos próximos anos, por via das grandes obras. A CREL não exigirá um número significativo de deslocações de pessoas e sobre a futura ponte sobre o Tejo não há ainda dados conhecidos. Mas a CRIL implicará este ano realojar 600 pessoas, sabendo-se que, ao longo do seu percurso nos municípios de Oeiras, Lisboa, Amadora e Loures, esse número ascende a mais de três mil, alguns dos quais já concretizados, segundo a Junta Autónoma de Estradas.</P>
<P>
Por outro lado, o eixo Norte-Sul obriga, em Lisboa, 750 famílias a fazerem as malas -- em particular no troço a concluir este ano -- e a Expo levará também à deslocação de cerca de 250 famílias. O número de realojamentos necessários não se esgota aqui: vários bairros clandestinos da região de Lisboa podem conhecer este ano desfechos dramáticos. Só em Loures, prevê-se que 500 famílias precisem em breve de novo lar.</P>
<P>
Fernanda Ribeiro e João Manuel Rocha</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-15425"> 
<P> Tratado de Lisboa (2007) </P>
 <P> O Tratado de Lisboa ou Tratado de Reforma, é o acordo ratificado pelo Conselho da União Europeia em Lisboa, a 19 de Outubro de 2007, e que substitui a
Constituição europeia de 2004.[1] </P>
 <P> O Tratado de Lisboa confere à União Europeia, personalidade jurídica própria para assinar acordos internacionais a nível comunitário. O termo « Comunidade » será substituído por « União », nomeia o Alto Representante para a Política Exterior e de Segurança Comum da União Europeia e estabelece a aplicação formal da dupla maioria a partir de 2014. </P>
 <P>História</P>
 <P> A emenda proposta pela
Presidência alemã do Conselho da União Europeia (2007) a 19 de Maio de 2007 incluiu a "essência da Constituição ". A proposta foi apresentada após as reuniões de trabalho entre a presidência e os delegados dos 27 estados membros durante o primeiro semestre de 2007. Decidiu-se abandonar o formato do ' Tratado constitucional ' e, em alternativa, dar impulso a um tratado clássico que introduza emendas nos dois tratados actualmente em vigor, o Tratado da União Europeia e o Tratado da Comunidade Europeia, que passaria a chamar-se Tratado sobre o funcionamento da União. </P>
 <P> Portugal, que assumiu a presidência da UE durante o segundo semestre de 2007, lançou uma conferência intergovernamental (CIG) nos dias 23 e 24 de Julho, para acabar a redação do texto, coincidindo com a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros. O novo Tratado foi apresentado na cimeira de 18 de Outubro, em Lisboa, tendo sido assinado pelos representantes dos vários governos no dia 13 de Dezembro de 2007, no Mosteiro dos Jerónimos. Dar-se-á agora início ao processo de ratificação com o objectivo de que o texto entre em vigor em 2009. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-77007">
<P>
Cinco morteiros contra aeroporto de Londres</P>
<P>
Cinco morteiros foram disparados ontem da parte de trás de um veículo contra o aeroporto de Heathrow, em Londres, sem explodir, nem causar aparentemente vítimas ou danos importantes. A notícia foi dada pelo ministro do Interior, Michael Howard, no meio de um debate parlamentar que discutia precisamente o terrorismo.</P>
<P>
Para Howard, o Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta pelo fim da administração britânica na Irlanda do Norte, tem à partida de ser considerado «o principal suspeito», exactamente pelo facto de o atentado ter coincidido com o debate sobre terrorismo nos Comuns.</P>
<P>
O parlamento tinha agendado para depois do debate um voto sobre a renovação da lei anti-terrorista, que visa restringir as actividades do IRA.</P>
<P>
Uma primeira informação policial indicou que uma das pistas de Heathrow foi encerrada.</P>
<P>
Minutos antes do anúncio feito pelo ministro, a polícia provocara «uma explosão controlada» no hotel perto do aeroporto. Shahin Aziz, trabalhador de uma estação de gasolina próxima, afirmou ter ouvido um grande estrondo, e a seguir dois mais pequenos, vindos do parque de estacionamento do hotel. Três carros incendiaram-se.</P>
<P>
A estação de televisão Sky recebeu um aviso dez minutos antes da explosão, e polícia e bombeiros precipitaram-se para o Excelsior Hotel, em West Drayton.</P>
<P>
Não foi possível estabelecer de imediato uma relação entre este incidente e o atentado de Heathrow.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-7547">
<P>
Trinta estabelecimentos assaltados em Lisboa</P>
<P>
Larápios vão à escola</P>
<P>
Mal as obras de beneficiação da escola primária da Charneca do Lumiar tinham terminado e já o edifício era novamente assaltado. Janelas partidas e armários arrombados indicavam o trajecto seguido pelos assaltantes. Para Manuel Vicente, o director da escola da Charneca, o espectáculo não é novidade: «Basta sonharem que há um vídeo, é logo `visitada'», conta. Depois dos vários assaltos ao seu gabinete, o director passou a levar para casa o material de escritório e os livros de registo. Agora, anda intrigado com o roubo sistemático de caixas de giz para ardósia.</P>
<P>
As histórias de Manuel Vicente são idênticas a 30 outras escolas primárias de Lisboa que, durante os dois últimos anos lectivos foram assaltadas e vandalizadas, muitas delas repetidamente. O vereador da câmara lisboeta do pelouro da educação, António Abreu, que ontem visitou algumas das 119 escolas do ensino básico da responsabilidade da autarquia, não tem dúvidas quanto à solução para a segurança nos estabelecimentos de ensino: «Podemos manter barreiras físicas que as escolas continuarão a ser assaltadas. As razões têm que ver com as condições sociais das populações e, nesta situação, fazer desaparecer o policiamento das ruas é um crime». Nem mesmo as escolas com guarda próprio estão a salvo, tendo-se registado casos de vigilantes manietados e espancados pelos assaltantes, relata ainda o autarca.</P>
<P>
Manuel Vicente secunda as palavras do vereador, afirmando que «foi péssimo terem tirado a esquadra da Charneca daqui», e recorda um caso emblemático de como as coisas se passavam alguns anos atrás. Uma das escolas vizinhas, nas Galinheiras, tinha acabado de receber computadores no âmbito do programa Minerva. Nessa mesma noite, o equipamento informático «levantou voo». Chamada a PSP, os polícias foram bater à porta dos jovens gatunos, que já se entretinham em jogos de computador. Conhecedores do terreno, das pessoas e dos modos de vida, a relação de proximidade que os polícias da zona mantinham com a população desapareceu, queixa-se o director da escola da Charneca, com 440 alunos, metade deles de origem africana e provenientes dos bairros degradados das redondezas.</P>
<P>
Casos em que os próprios alunos roubam e destroem equipamentos são referenciados em muitas das escolas. Insucesso escolar, integração difícil, escola desajustada das expectativas, tudo causas a remeter para uma explicação sociológica da revolta. Na escola da Horta Nova, na estrada do Paço do Lumiar, Carnide, os professores optaram por deixar o frigorífico aberto, com os comestíveis bem visíveis. É que, neste ano lectivo, 92 por cento dos 150 alunos foram considerados «carenciados». A envolvente da escola, um baldio onde cresce o mato e o lixo, também não ajuda e um novo edifício para a substituir deverá estar concluído dentro de seis meses, duas centenas de metros mais abaixo, na periferia do bairro social da Horta Nova. Apesar de tudo, Manuela Silva, directora da escola, encontra sinais positivos: «Ajudou muito o bairro ter um Centro de Apoio Infantil Comunitário, que veio dar resposta à falta do pré-escolar e ter sido feita aqui uma ludoteca», porque, afinal, «o mais importante é envolver a população e os pais», conclui.</P>
<P>
Mas a própria autarquia nem sempre acautela os tão apregoados «equipamentos sociais». Um dos problemas com que o pelouro de António Abreu se debate é a falta de terreno para construir uma nova escola no Casal dos Machados, na zona oriental de Lisboa, junto a Moscavide, onde a Câmara construiu um gigantesco bairro de realojamento para milhares de famílias e se «esqueceu» do estabelecimento de ensino. Segundo as contas da autarquia, em Lisboa faltam 12 novas escolas do primeiro ciclo, com jardins de infância integrados. Na Posidónio da Silva, Vila Catió e Benfica trata-se de substituir outras escolas, em Telheiras o objectivo é responder à construção de urbanizações e nas zonas N1, M e L de Chelas, Casal dos Machados e Horta Nova ao crescimento dos bairros sociais. Também em Quinta Flor, Vale de Alcântara e Alto do Lumiar novas escolas serão necessárias. No total, são precisos 3 milhões de contos de investimento.</P>
<P>
António Abreu reconhece que «por si só, a Câmara de Lisboa não consegue fazer tudo» e anunciou que vai propor ao Ministério da Educação que este comparticipe no esforço financeiro. Internamente, António Abreu defende que a autarquia «duplique ou triplique» as verbas destinadas à educação -- o vereador quer ver o próximo orçamento do seu pelouro chegar aos dois milhões de contos, o dobro deste ano.</P>
<P>
Vítor Faustino</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-EFin"> 
<P>P: Então tu passaste uma infância muito sozinha?</P>
 <P> Bem, na província, às vezes brincava com outros meninos filhos do... ou doutras pessoas do tribunal, ou da rua, até. Brincava... Ali, em Alenquer. Porque depois viemos, voltámos para Lisboa, o meu pai esteve então, se não me engano, como... chefe de gabinete do Ministro da Justiça, por isso, voltámos, que era o dr. Catanho de Meneses. Voltámos para Lisboa e foi quando saímos de Santa Quitéria para a Rua Sampaio Pina. E na Rua Sampaio Pina, que era ao lado do Rádio Clube Português, a casa que ainda existe hoje e faz esquina para a rua Castilho, no primeiro andar, então alugámos essa casa, e aí então é que eu comecei foi a aprender o alemão com uma preceptora alemã, que era... que vinha três vezes por semana, dar-me lição de alemão. Não estava lá em casa, havia preceptoras internas, que estavam dentro, que eram internas, estavam lá, nas casas dos respectivos alunos, mas aquela senhora, a Kaethe Goethe, não. Vinha três vezes por semana dar-me a lição de alemão. </P>
 <P>D: E tu gostavas?</P>
 <P> Gostava! Tinha uns livros assim muito engraçados, que ainda hoje conheces, que conservo. </P>
 <P>D: E ela era professora? Ela era professora mesmo, ou?</P>
 <P> Era professora, quero dizer ela veio para Portugal dar aulas. Não sei se veio interna para uma casa e depois deixou, estava... </P>
 <P>D: Mas enfim, não é uma senhora alemã que dava umas aulinhas para... para</P>
 <P> Não, ela era uma senhora que tinha vindo da Alemanha só para ser professora, e tinha... tinha-se instalado numa casa que era o lar das... das professoras de alemão, que havia nessa altura, na Avenida, perto da Praça da Alegria. Lembro-me de ela lá me ter levado e tenho aí até fotografias de um cão, desse dito lar, a querer abraçar-me, coisa que eu não gostei nada, como continuo a não gostar de abraços de cão. </P>
 <P> D: Mas já tinhas o Sirius... </P>
 <P> Não, o Sirius veio muitíssimo mais tarde. Não, na Sampaio Pina não tinha o Sirius, não tinha cão nenhum. </P>
 <P>D: Então tinhas a tua mãe, como professora de tudo o resto e a senhora</P>
 <P> Pois, o resto, tinha grandes amigas sempre. Constante, até era, mais até que as minhas primas... tinha as minhas primas, e tinha a Joaninha Sampaio e Melo, que era filha da maior amiga da minha mãe, da Lourinhã. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-98997">
<P>
Dois alpinistas franceses desaparecidos nos Himalaias -- Os alpinistas franceses Benoît Chamoux e Pierre Royer têm muito poucas possibilidades de terem sobrevivido a cinco dias passados a oito mil metros no monte Kanchenjunga, nos Himalaiais, afirmaram ontem, em Paris, especialistas de montanhismo. Os dois homens foram obrigados a desistir da escalada muito próximo do terceiro pico mais alto do mundo (8.586 metros), devido às péssimas condições meteorológicas. Pierre Royer, um guia de 43 anos foi o primeiro a dar meia-volta. O líder da expedição Benoît Chamoux, de 34 anos, ainda porfiou, mas, a menos de 40 metros do cume, teve que voltar para trás. Oficialmente, os dois alpinistas são dados como desaparecidos desde sábado, mas não há notícias de ambos desde quinta-feira passada.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-98942">
<P>
Moscovo suspende combates na Tchetchénia</P>
<P>
Cessar-fogo ou ultimato?</P>
<P>
O cessar-fogo anunciado unilateralmente pelos russos na Tchetchénia assemelha-se em tudo a um ultimato, porque exige a rendição incondicional dos combatentes independentistas. Estes, que não acreditam que a guerra tenha acabado, aproveitaram a trégua para se aproximar das linhas de frente.</P>
<P>
O cessar-fogo proclamado unilateralmente pelos russos na Tchetchénia não é mais do que um ultimato feito às forças independentistas, e quando o seu prazo expirar, às 8h00 de amanhã, os combates deverão continuar, denunciou ontem o deputado Serguei Kovaliov, da comissão dos direitos humanos do parlamento de Moscovo. De facto, o comunicado do Kremlin é bastante claro, considerando que esta trégua se destina a permitir que as «formações armadas ilegais [...] cessem os combates, abandonem as suas posições e os blindados e entreguem os prisioneiros de guerra».</P>
<P>
Ou seja, o que Moscovo está a propor aos combatentes tchetchenos é a rendição incondicional. «As formações tchetchenas viram ser-lhes proposto, sob a forma de ultimato, que deponham as armas», disse Kovaliov, que se encontra há cerca de um mês em Grozni, a capital da Tchetchénia, república separatista da Federação Russa situada no Cáucaso do Norte.</P>
<P>
Este deputado, que tem vindo a denunciar a violação dos direitos humanos na Tchetchénia e tomou a iniciativa de pedir ao primeiro-ministro, Viktor Tchernomirdine, uma trégua de dois dias, sublinhou ainda que na mensagem de Moscovo não há qualquer sinal sobre a hipótese de se iniciar um processo negocial, ou de tentativa de diálogo com o presidente independentista, Djokhar Dudaiev.</P>
<P>
A tese de Kovaliov foi confirmada por Oleg Lobov, o secretário do poderoso Conselho de Segurança russo, órgão que apesar de ser por lei meramente consultivo assumiu de facto o poder de decisão desde o início da guerra. Lobov disse que Dudaiev foi confrontado com «uma oportunidade histórica», e se não a aceitar «o processo de desarmamento» dos combatentes tchetchenos continuará.</P>
<P>
Optimismo inicial</P>
<P>
O cessar-fogo unilateral de 48 horas, anunciado por Moscovo na noite de segunda para terça-feira -- entrou em vigor às 8h00 de ontem (6h00 em Portugal) --, gerou algum optimismo entre a comunidade internacional. A brutalidade da guerra que começou no dia 12 de Dezembro -- um dia depois da chegada das tropas russas à Tchetchénia -- provocou sérios danos na imagem de Boris Ieltsin e dos dirigentes russos. E, tanto os países ocidentais como o mundo muçulmano (os tchetchenos são muçulmanos sunitas), têm vindo a pressionar Moscovo para que ponha fim ao conflito e encontre uma solução pacífica para a questão tchetchena.</P>
<P>
À partida, havia uma justificação a sustentar este optimismo inicial -- num primeiro comunicado, o Kremlin afirmava que o cessar-fogo ia ser implementado para «travar o derramamento de sangue e tentar solucionar o conflito tchetcheno através de meios pacíficos». A trégua permitiria ainda que ambas as partes evacuassem os feridos e recolhessem os seus mortos -- nas ruas de Grozni há centenas de corpos de soldados russos que não podiam ser recolhidos devido aos combates; quanto aos tchetchenos, esses são imediatamente enterrados porque dita a tradição sunita que o funeral se realize antes do pôr do sol do dia da morte.</P>
<P>
Em Washington, um porta-voz da Casa Branca considerou que Ieltsin tinha dado um passo «encorajador», e que os Estados Unidos esperavam que o cessar-fogo se transformasse em «paz permanente».</P>
<P>
Só que, pouco depois do primeiro comunicado, surgia um segundo concedendo 48 horas aos tchetchenos para se renderem. Pelo que, o chefe do estado-maior das forças tchetchenas, Aslan Moslhadov, considerou o cessar-fogo «um embuste».</P>
<P>
Os combatentes independentistas aproveitaram a trégua para descansar e evacuar os feridos. A meio da tarde, um carro blindado saiu do palácio presidencial, no centro da cidade -- a zona mais atingida pelos combates --, e num tiroteio com as forças russas antes de conseguir sair da praça para evacuar os feridos que transportava.</P>
<P>
O cessar-fogo foi ontem relativamente respeitado. Os jornalistas em Grozni ouviram o som de tiros de artilharia na zona norte da cidade, e no centro registaram-se tiroteios esporádicos.</P>
<P>
«Bicadas» a Moscovo</P>
<P>
Perante a ameaça de os combates recomeçarem em força amanhã, os EUA, a Alemanha e a Turquia voltaram a apelar à «reconciliação» entre russos e tchetchenos.</P>
<P>
O Presidente alemão, Roman Herzog, pediu que ambas as partes respeitem os princípios da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (ex-CSCE), uma «bicada» na Rússia que defendeu veementemente esses princípios na cimeira de Budapeste, em Dezembro -- um dos quais obriga qualquer país membro a informar os restantes, com seis semanas de antecedência, das operações militares que pretenda realizar no seu território quando estejam envolvidos mais de nove mil soldados (na Tchetchénia estão entre 20 a 40 mil).</P>
<P>
Mas além de estar a desrespeitar as determinações da OSCE -- que Moscovo pretendia tornar no primeiro organismo de segurança na Europa, secundarizando a NATO a que não pertence --, o número de tropas e armamento na república do Cáucaso viola ainda o tratado de redução de armas convencionais. Há muito que Moscovo pretende alterar este tratado alegando necessitar de mais homens e mais material bélico no seu instável flanco sul, mas esta pretensão foi denunciada como sendo uma tentativa de Moscovo encontrar uma forma de pressão sobre aquilo a que designa por «estrangeiro próximo».</P>
<P>
O tom de ultimato deste cessar-fogo significa que a liderança russa decidiu lançar um terceiro assalto a Grozni. Os tchetchenos estão também convencidos que o cessar-fogo não trará o fim das hostilidades. E, ontem, aproveitaram ainda a pausa nos combates para se posicionarem o mais próximo possível das linhas de frente.</P>
<P>
«Ambos os lados estão a descansar, e em breve regressarão os combates violentos. Os russos terão que destruir Grozni para nos derrotar», disse Musa, um combatente tchetcheno de 29 anos, ao enviado da Reuter.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-12632">
<P>
A polícia francesa encontrou ontem os corpos de três pessoas, incluindo o de um menino de 12 anos, mortas nas enchentes que atingem o país. Em La Salle-en-Beaumont (sul), uma desmoronamento foi o pior incidente no país desde o início das chuvas, há um mês. Na Inglaterra, as autoridades declararam que 129 rios podem transbordar.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-62601">
<P>
Unesco pede explicações sobre legislação portuguesa do património subaquático</P>
<P>
Lei mete água</P>
<P>
Isabel Braga</P>
<P>
A Unesco torce o nariz à lei do património cultural subaquático, considerando que ela poderá violar disposições internacionais, e pediu explicações ao Governo português. O Governo Regional dos Açores não quer abrir mão do seu património submerso e remeteu o diploma para o Tribunal Constitucional, alegando que este viola o Estatuto Político-Administrativo da região. Nas águas dos Açores, há 429 vestígios de naufrágios. Em seu redor, muitas histórias obscuras.</P>
<P>
A Unesco pediu explicações ao Governo português sobre a lei 289/93 que regulamenta o património cultural subaquático para apurar se o diploma viola ou não as disposições da Recomendação que define os princípios internacionais a aplicar em matéria de pesquisas arqueológicas, adoptada pela Conferência geral da organização em 1956, em Nova Delhi. O pedido de esclarecimentos foi remetido à Comissão Nacional da Unesco a 8 de Julho, e enviado já por este organismo ao subsecretário de Estado da Cultura, Manuel Frexes.</P>
<P>
A lei do património cultural subaquático, regulamentada em Junho passado, legaliza a concessão de áreas marítimas a empresas privadas com fins lucrativos e autoriza o concessionário a receber uma «remuneração constituída por uma parte dos bens recuperados, ainda que classificados, ou do respectivo valor, quando o pagamento em espécie seja considerado inconveniente para a salvaguarda do património cultural português».</P>
<P>
Esta disposição contraria a carta da Unesco, segundo a qual a entrega ao achador de objectos provenientes das suas pesquisas «só poderá ocorrer na condição daquele os afectar, dentro de um determinado prazo, a centros científicos abertos ao público». Caso essa condição não for cumprida ou respeitada, «os objectos deverão regressar à autoridade que os cedeu».</P>
<P>
O pedido de esclarecimentos dirigido ao Governo português teve origem na Divisão do Património Cultural da Unesco. Segundo uma fonte desta organização internacional com sede em Paris, a lei portuguesa do património cultural subaquático está «a suscitar preocupações».</P>
<P>
A Região Autónoma dos Açores também já tomou posição contra a lei 289/93: a 31 de Maio, a Assembleia Regional dos Açores emitiu um parecer à Assembleia da República em que sublinha a discrepância entre o diploma, que considera todo o património cultural subaquático propriedade do Estado central, e as disposições [com maior força legal] do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, segundo o qual os bens situados no espaço marítimo territorial da região integram o seu domínio privado.</P>
<P>
O director regional dos Assuntos Culturais dos Açores, Vitor Duarte, anexou às actas das reuniões um parecer segundo o qual a lei do património cultural subaquático teria que ser revogada. O Governo Regional dos Açores apelou entretanto ao Tribunal Constitucional para que declare a lei inconstitucional, não aceitando perder o controlo do seu importante património subaquático. Sobretudo porque é obrigado a custear as despesas com o património em geral existente na região.</P>
<P>
Caça ao tesouro</P>
<P>
As preocupações da Região Autónoma dos Açores são fundamentadas: desde o início dos anos 70 que os fundos marítimos do arquipélago -- onde há registos de 429 naufrágios, 138 dos quais na Ilha Terceira -- são alvo dos apetites dos grandes caçadores de tesouros internacionais. A Associação dos Amigos do Museu de Angra do Heroísmo divulgou um documento em que recorda alguns episódios da história do saque desses vestígios.</P>
<P>
Em 1972, o inglês Signey Wignall desembarcou no aeroporto das Lages, anunciando que tencionava encontrar o navio «Revenge», com o patrocínio do Departamento de Arqueologia Náutica de Londres e o financiamento de entidades privadas. A sua expedição chamava-se Azores International Marine Archaeological Expedition. Em meados desse ano, chega a Angra segunda expedição comandada por outro britânico, Michael Stewart, ex-mergulhador da Royal Navy e ex-braço direito de Wignall. Da tripulação desta segunda expedição, fazia parte o comandante da Roal Navy John Grattan e três irmãos de apelido McCormack, um deles com seis anos de pena cumprida em Hong Kong por crime violento e processado por Wignall por tentar apoderar-se dos locais que este pesquisara na Irlanda.</P>
<P>
Esta equipa, que se auto-denominava Expedição Arqueológica Submarina Britânica, assaltou -- conta o documento do Grupo de Amigos do Museu de Angra do Heroísmo -- «na própria noite da sua chegada, a Quinta Jesus Maria José, sede da expedição de Wignall, cujos membros foram ameaçados e apresentaram queixa em tribunal». Grattan defendeu-se dizendo que ia só cumprimentar um velho amigo, Peter Dick.</P>
<P>
As duas equipas acabaram por trabalhar em zonas diferentes da Ilha Terceira: Wignall a Norte e Grattan a Sul. O General Aldridge, comandante do Destacamento Norte-Americano na Terceira, recusa-se a ajudar qualquer das duas. A 11, 12 e 13 de Maio, um cargueiro de quatro mil toneladas permaneceu frente aos Biscoitos, sem que se saiba porquê. Um cargueiro de cor negra foi abordado pela vedeta de John Grattan um mês depois, tendo as duas embarcações permanecido lado a lado durante algum tempo.</P>
<P>
A 28 de Maio, Wignall denuncia que a expedição de Grattan tem como fim a caça ao tesouro e é financiada por investidores de Liverpool. O director do Museu de Angra do Heroísmo requer às autoridades marítimas que considerem a Baía de Angra área reservada. A equipa de Grattan apenas fica autorizada a permanecer 60 dias e a fazer apenas mergulho amador.</P>
<P>
Ilhas douradas</P>
<P>
A 16 de Junho, alguns mergulhadores desta equipa içaram para um barco pneumático um volume aparentemente pesado. A 17 de Junho, a imprensa local levanta suspeitas sobre estas operações. A 21 de Junho, um crucifixo de ouro da época filipina é vendido em Madrid. As suspeitas da sua proveniência dirigiram-se para a equipa de Grattan, cujo barco foi revistado, mas não revelou nada de suspeito. A 13 de Setembro, Wignall informa que Grattan terá posto a circular em Inglaterra uma carta informando os seus investidores de que durante a expedição na Ilha Terceira descobriu onze destroços e que um deles poderá conter materiais no valor de seis milhões de libras, relata o citado documento.</P>
<P>
O arquipélago da Madeira também foi alvo da cobiça dos caçadores de tesouros: em 1974, o belga Robert Sténuit, aproveitando a efervescência revolucionária da época, conseguiu autorização da capitania do porto do Funchal para proceder ao desmantelamento do navio holandês «Slot den Hooge», afundado no Porto Santo, de onde retirou apenas as peças de valor: armamento e lingotes de prata. Sténuit acabou por entrar em litígio com o Estado português mas ganhou a causa no Tribunal Internacional.</P>
<P>
Os caçadores de tesouros foram evoluindo. «De uma fase de garimpagem pura e simples, passaram à arqueologia (...) Mas, enquanto para o arqueólogo um naufrágio é uma verdadeira cápsula no tempo» que é preciso respeitar, para o caçador de tesouros «há que minimizar ao máximo o custo da exploração, enquanto recupera o ouro, a prata ou outros artefactos com o máximo valor de mercado», afirma a Associação dos Amigos do Museu de Angra.</P>
<P>
Hoje, os Açores são pretendidos pelas maiores empresas mundiais de exploração do fundo dos mares, afirma aquela associação: a Arqueonautas SA, presidida pelo contra-almirante Gomes Teixeira e de que faz parte o famoso John Grattan, Herbert Humphrey, empresário americano que vive nas Bahamas, e Robert Marx, dono da Phoenician Explorations. Mas este, contactado pelo PÚBLICO, declarou que «só irá trabalhar para os Açores se conseguir obter licença dentro de 30 dias», por causa do estado do mar, «a partir dos finais de Setembro». «Se não conseguir autorização dentro desse prazo, não irei», sublinhou.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-62214">
<P>
Mosteiro de Santa Clara-a-Velha</P>
<P>
O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha situa-se na margem esquerda do Mondego em frente à cidade de Coimbra, e foi mandado construir por D. Isabel de Aragão, em 1314, no local do primitivo núcleo de monjas clarissas fundado em 1283 por D. Mor Dias.</P>
<P>
História</P>
<P>
Um curioso exemplar, óbvio momento de experimentação portuguesa do gótico, o Convento de Santa Clara de Coimbra, melhor conhecido por Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. A fundação é posterior a 1286, mas só com o auxílio de D. Isabel de Aragão, as obras do edifício actual tiveram início. Respeita, em termos de planta e alçados, a disposição dos templos de Clarissas - três naves de sete tramos sem transepto, e cabeceira com três capelas (as dos extremos quadrangulares, poligonal a capela-mor).</P>
<P>
Ao mestre Domingos Domingues devem-se as primeiras campanhas que decorreram de 1316 até 1325, sendo depois sucedido por Estevão Domingues. Estevão cobriu a nave central de uma abóbada de berço quebrado sustentada em arcos torais de grande porte, desistindo, ao que parece, de a cobrir com cruzaria de ogivas. Mas nas colaterais optou claramente por este sistema, apesar de grandes imperfeições técnicas a que não serão estranhas dificuldades de implantação do templo, que muito cedo se afundaria nos campos alagados do rio Mondego. Não podemos esquecer que o objectivo do mestre foi conseguido: o de construir um templo vertical, (ainda que hoje o afundamento e o piso intermédio construído nos impeça de perceber as proporções esguias do conjunto), bem iluminado por frestas laterais de grande altura.</P>
<P>
Este templo inscreve-se pela sua importância enquanto estaleiro-escola, numa conjuntura de gradual influência e aceitação dos Franciscanos na corte e na sociedade em geral: a rainha D. Isabel era particularmente dedicada à Ordem, ingressando depois de viúva na Ordem Terceira de São Francisco e fazendo-se sepultar numa magnífica arca feral neste mesmo Mosteiro. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-86805">
<P>
MÁRIO MAGALHÃES</P>
<P>
Da Sucursal do Rio</P>
<P>
O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, já não descarta sua candidatura à Presidência da República. "Não posso descartar algo que até agora não encartei", disse na noite do Réveillon. "Até abril vou decidir."</P>
<P>
FHC afirmou que se opõe a uma aliança do seu partido, o PSDB, com o PT no primeiro turno da eleição. "Precisamos ter candidatura própria". Propõe uma lista de quatro candidatos: Tasso Jereissati, Ciro Gomes, José Serra e Mário Covas.</P>
<P>
Na casa do seu filho, em São Conrado (zona sul do Rio) e em passeio na Avenida Atlântica (Copacabana, zona sul) na noite de passagem do ano, o ministro disse que a recessão acabou no Brasil em 93. A seguir, os principais trechos da entrevista:</P>
<P>
*</P>
<P>
CANDIDATURA</P>
<P>
"Não encarto nem descarto. Jamais assumi a posição de ser candidato a presidente. Não posso tomar uma decisão nesse momento, porque tudo está muito longe. Tenho até abril para decidir. Agora tenho de cogitar outros problemas, da economia brasileira."</P>
<P>
JUSTIÇA</P>
<P>
"Respeito a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre salários das estatais, mas muitas vezes o ritmo da Justiça não é o que se espera. A crítica deve ser feita sobre funcionamento da Justiça e não sobre decisão de juiz."</P>
<P>
RECESSÃO</P>
<P>
"A recessão acabou em 93. Quem diz que o plano do governo é recessivo, é gente que não sabe economia. O que está embutido no plano é uma taxa de crescimento entre 4% e 5% do PIB. O ministro Domingo Cavallo, da Argentina, nos disse que se nós fizermos o que está proposto o crescimento pode chegar a 8% porque pode haver um "boom" na economia no segundo semestre."</P>
<P>
1993</P>
<P>
"Marca o fim da recessão. Há muito tempo o Brasil não via a expansão da economia numa taxa razoável como em 93, expansão no emprego e aumento da massa salarial. Tivemos alguns problemas: seca do Nordeste, fome, inflação."</P>
<P>
1994</P>
<P>
"Vai ser melhor que 93. O brasileiro deve acreditar de novo nele mesmo. O Brasil é um país viável. Depois, que vote bem no ano eleitoral."</P>
<P>
INFLAÇÃO</P>
<P>
"Podemos acabar com ela. Precisamos ter um Orçamento equilibrado. O governo não pode gastar mais do que ganha. Peço aos congressistas que cada um, em vez de de pensar em termos eleitoreiros, que vote com sua consciência."</P>
<P>
ORÇAMENTO</P>
<P>
"O deputado federal Marcelo Barbieri, relator da Comissão de Orçamento –que questiona a constitucionalidade da proposta–, tem uma obrigação: dizer de que maneira se evita o déficit. Espero que tenha uma solução melhor do que nós propusemos. No ano de 93 nós transferimos para Estados e municípios US$ 8,3 bilhões. Estamos prevendo, apesar dos 15% de retenção em 94, transferir mais de US$ 11 bilhões."</P>
<P>
IMPOSTOS</P>
<P>
"Esperamos conseguir recursos para equilibrar o Orçamento com o aumento do Imposto de Renda de pessoas jurídicas. Procuramos orientação para não penalizar os trabalhadores e os assalariados de mais baixa renda. O sistema financeiro não deve estar feliz, porque desse negócio de imposto ninguém gosta."</P>
<P>
LEIA MAIS</P>
<P>
sobre eleições à pág. 1-11 e sobre plano FHC às págs. 1-12 e 1-13</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-60609">
<P>
Da Agência Folha, em Recife </P>
<P>
As mutilações causadas por ataques de tubarão só são comparáveis às provocadas por graves acidentes automobilísticos, constatou um estudo do cirurgião Carlos Alberto Figueiredo, 39.</P>
<P>
Figueiredo é coordenador do setor de emergência do Hospital da Restauração, em Recife (PE), onde foram tratadas nove das 16 pessoas atacadas por tubarões em Pernambuco nos últimos três anos.</P>
<P>
As vítimas eram surfistas, de 14 a 19 anos. Dois morreram. Todos foram atingidos nos pés e alguns também nas mãos.</P>
<P>
O estudo será apresentado em novembro no Congresso Pan-Americano de Traumatologia, em Salvador (BA).</P>
<P>
Nos dois primeiros dias de tratamento no hospital, as vítimas passam por um certo estado de euforia, constatou Figueiredo. "Eles se sentem valentes, protagonistas de um fato heróico", disse.</P>
<P>
Mas depois, a sequela física deixada pelos ataques provoca um estado profundo de depressão, diz o estudo. "Estamos numa região tropical, onde a cultura do corpo é muito forte. Uma pessoa que de repente fica sem a musculatura da perna se deprime bastante", disse.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-43808">
<P>
O verdadeiro critério</P>
<P>
Francisco Melro</P>
<P>
A taxa de desemprego de 7,1 por cento no continente resultante do inquérito ao emprego realizado pelo INE no quarto trimestre de 1994 transforma-se, magicamente, em 10,1 por cento, logo que são também considerados como desempregados os inactivos que, embora pretendendo trabalhar, procuraram emprego há mais de quatro semanas ou nunca o fizeram, ou, ainda, se sentem já desencorajados para o procurar. Obtém-se, assim, uma taxa de desemprego em sentido «lato», comparável com as popularizadas no nosso país durante o período de forte desemprego de meados da década de 80.</P>
<P>
O inquérito do INE detectou ainda cerca de 54 mil pessoas subempregadas, ou seja, que trabalham abaixo do horário normal de trabalho mas desejariam fazê-lo por mais horas. Se nos restringíssemos à zona de Lisboa e vale do Tejo, o panorama seria relativamente bem mais gravoso.</P>
<P>
De facto, a taxa de desemprego em sentido «restrito» nesta região era já de nove por cento no quarto trimestre do ano passado e, em sentido «lato», chegava aos 12 por cento. Foi, aliás, em torno de Lisboa que se registou também a maior subida da taxa de desemprego ao longo de 1994. Existem também aqui alguns milhares de subempregados.</P>
<P>
A região de Lisboa revelase uma feira dos problemas gerados durante os últimos anos no país. É natural que aqui os problemas sociais e urbanos assumam uma grande gravidade. Os próprios empregados vivem estes problemas com uma «angústia» relativamente maior do que os de outros pontos do país. Só o salário gerado pelo emprego lhes assegura uma fatia do rendimento nacional e um modo de existência com um mínimo de dignidade. O conjunto dos fenómenos sociais associados a esta realidade constitui uma mistura explosiva muito perigosa, como demonstram os recentes episódios de «justiça popular».</P>
<P>
Parece, assim, haver todo o interesse em seguir de perto os indicadores económicos e sociais que retratam com o máximo de fidelidade a realidade em que estamos inseridos.</P>
<P>
No entanto, a nível internacional, desde o início da década de 80 passou a observar-se a realidade através de um número reduzido de indicadores, retirando mesmo conteúdo a alguns deles, caso da famosa definição da taxa de desemprego em sentido «restrito». Com esta taxa artificialmente controlada, a saúde da economia passou a ser aferida a partir do nível da inflação e dos défices públicos.</P>
<P>
No caso português, a inflação até já está a um nível relativamente aceitável e o próprio défice público poderá ser reduzido, caso houvesse a «coragem» de cortar numas quantas despesas sociais, o que significa que estaríamos à beira do paraíso. No entanto, como todos vemos e sentimos, o nosso país, tal como a generalidade dos Estados industrializados que têm a sua inflação e défices controlados, está actualmente mais doente e a economia revela-se cada vez menos capaz de responder às suas necessidades.</P>
<P>
Perante o crescimento estrutural dos sectores marginalizados da sociedade e a degradação da qualidade de vida da generalidade dos cidadãos, torna-se necessário fazer uso intensivo dos indicadores sociais que permitem avaliar devidamente a dimensão e a profundidade dos problemas surgidos.</P>
<P>
O bem-estar dos cidadãos constitui o verdadeiro critério para avaliar a justeza de uma política económica. Por isso, ao lado dos indicadores da inflação e dos défices públicos cujo controlo é indispensável para o bom funcionamento dos negócios, é necessário colocar outros indicadores relevantes, como o número de desempregados, o rendimento das famílias, o número de horas de descanso, os indicadores de conforto, o número de médicos por habitante, o número de crimes, etc. São eles que, no seu conjunto, nos dirão se estamos a ir por um bom caminho.</P>
<P>
Andar feliz ao longo da semana porque o controlo da inflação e do défice facilitam os negócios e rezar ao domingo pelos desprotegidos é que não parece constituir solução.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-14137">
<P>
O atual presidente, Liamine Zéroual, é favorito na primeira eleição presidencial do país </P>
<P>
VINICIUS TORRES FREIRE</P>
<P>
De Paris</P>
<P>
O general da reserva e atual presidente da Argélia, Liamine Zéroual, deve vencer a primeira eleição presidencial realizada neste país do norte da África, que foi colônia da França até 1962.</P>
<P>
Argelinos no exterior estão votando desde a semana passada. Em território argelino, a votação começou na segunda-feira.</P>
<P>
Tiveram prioridade os membros das Forças Armadas e policiais, que estarão assim liberados para garantir a segurança da votação geral, que começa amanhã.</P>
<P>
Urnas itinerantes foram enviadas também na segunda-feira para o sul do país, para as pequenas vilas e ao encontro de caravanas nômades do Saara.</P>
<P>
Os cinco partidos mais votados no primeiro turno da eleição legislativa de 1991 convocaram a população a boicotar a votação. Para eles, a eleição presidencial foi armada para dar a vitória a Zéroual. Há outros três candidatos.</P>
<P>
O país está em guerra civil desde janeiro de 1992, quando um golpe dissolveu o Parlamento, cancelou a eleição em curso e colocou no poder uma junta militar.</P>
<P>
O novo Parlamento seria dominado pela FIS (Frente Islâmica de Salvação), de tendência fundamentalista. Desde meados de 1991, seus principais líderes estão na prisão. Depois do golpe, o partido foi dissolvido.</P>
<P>
Cerca de 40 mil pessoas morreram no conflito que opõe o governo aos guerrilheiros do GIA (Grupo Islâmico Armado) e do EIS (Exército Islâmico de Salvação). Há cerca de 23 mil presos políticos, e a imprensa é censurada.</P>
<P>
Por causa do suposto apoio francês ao regime argelino, o GIA teria cometido atentados terroristas na França neste ano. Desde domingo, medidas extras de segurança foram tomadas para evitar ataques terroristas durante a votação.</P>
<P>
As estradas na saída da capital, Argel, estão vigiadas por barricadas de homens armados protegidas por sacos de areia. Todos os ônibus e caminhões que chegam à cidade são revistados.</P>
<P>
Escolas e feiras livres foram fechadas nesta semana. As competições esportivas foram adiadas.</P>
<P>
A campanha acabou na segunda-feira. No último comício, o general Zéroual disse que a guerra civil é um "complô tramado no exterior, com apoio no país". Zéroual disse que os guerrilheiros são, na maioria, filhos de argelinos que serviram no Exército colonial francês.</P>
<P>
Ontem, uma bomba explodiu em frente a uma delegacia de polícia em Souk el Tenine, 90 km a leste da capital Argel, deixando três mortos e sete feridos. O GIA é o principal suspeito.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-36107">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O relatório do infectologista Edson Abdala sobre as mortes de seis recém-nascidos no Hospital Maternidade Escola de Vila Nova Cachoeirinha (zona norte), entre os dias 23 e 26 de dezembro, não vai apontar responsabilidades pelo ocorrido. O relatório foi solicitado pelo secretário municipal de Saúde, Silvano Raia, no dia 24, após as três primeiras mortes.</P>
<P>
O infectologista trabalha no Hospital das Clínicas, no setor de transplante de fígado, o mesmo em que atua o secretário. Segundo Abdala, é "internacionalmente comum" a dificuldade de se apontar as causas e as responsabilidades por um surto de infecção em um berçário de alto risco, como o de Cachoeirinha. "Todas as crianças eram precoces e nasceram com 1.460 gramas de peso em média. Seus mecanismos de defesa eram muito precários."</P>
<P>
Abdala afirma que a principal dificuldade é que bactérias diferentes causaram a enterocolite necrotizante aguda (grave infecção intestinal) que matou as seis crianças. "Se fosse a mesma bactéria, seria mais fácil identificar as casuas."</P>
<P>
O médico também levou em conta a falta de pessoal e de alguns materiais básicos, mas ele afirma não acreditar que um desses fatores tenha causado a infecção: "Estas deficiências se arrastam há mais de um ano e está é a primeira vez que o problema acontece". Para Abdala, "alguma coisa aconteceu no procedimento normal do berçário e causou as mortes".</P>
<P>
Ontem, o médico que denunciou as mortes, Rubens Calvo, e o vereador Adriano Diogo (PT) entregaram requerimento ao promotor Waldo Favveo Júnior, do Ministério Público, solicitando instauração de inquérito para apurar responsabilidades pela mortes dos bebês. (Luis Henrique Amaral)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-69616">
<P>
Rachid Yefsah, analista político argelino, ao PÚBLICO:</P>
<P>
«Os islamistas ainda podem ter a maioria»</P>
<P>
Rabah Izri e Alexandra Prado Coelho</P>
<P>
Numas presidenciais em que todos os candidatos eram «do sistema», os argelinos não votaram pelo general Zéroual, mas pela paz, afirma Rachid Yefsah. Para este politólogo argelino, «o eleitorado da FIS continua a existir» e é possível que os islamistas conquistem a maioria em futuras eleições.</P>
<P>
Rachid Yefsah é um politólogo argelino a residir em França, professor de Ciências Políticas e autor do livro «A Questão do Poder na Argélia». Falou ao PÚBLICO, pelo telefone, sobre a situação no seu país após a vitória do general Liamine Zéroual, nas eleições presidenciais, e sobre o que os argelinos esperam do futuro.</P>
<P>
PÚBLICO -- Como é que explica a participação maciça dos argelinos nas presidenciais, apesar do boicote da Frente de Libertação Nacional (FLN), da Frente das Forças Socialistas (FFS) e da Frente Islâmica de Salvação (FIS) e das ameaças de morte do Grupo Islâmico Armado (GIA)?</P>
<P>
RACHID YEFSAH -- É o poder que classifica a participação como maciça. Pelas informações que tenho, ela esteve longe de ser maciça. Mas, quando se coloca nas ruas 300 mil homens armados, não me parece que o cidadão possa escolher se deve ter medo daquele que o ameaça com o caixão ou daquele que lhe diz para ir votar. Penso que a maior parte das pessoas não votou por Zéroual, mas pela paz. É uma mensagem muito clara ao regime militar: damo-vos a nossa «confiança» na condição de nos devolverem a paz.</P>
<P>
P. -- O fracasso do boicote diminui a legitimidade popular dos partidos signatários da plataforma de Roma (FLN, FFS e FIS)?</P>
<P>
R. -- A FIS não teve voto na matéria, foi-lhe proibida a participação nas eleições. Os outros boicotaram-nas. Penso que têm toda a razão. Se algum deles quisesse participar, estou convencido de que teria a mesma sorte que Redha Malek, que era um candidato sério, apoiado por uma parte do aparelho militar. Com Malek, o regime usou uma pirueta jurídica, pedindo ao Conselho Constitucional para recusar a sua participação. Os partidos de Roma só pedem uma coisa: as regras do jogo. Só nas próximas semanas saberemos se o general Zéroual, «plebiscitado» com 61 por cento dos votos, vai ou não abrir o campo político a todas as formações partidárias que existem na Argélia.</P>
<P>
Todos os candidatos eram do sistema</P>
<P>
P. -- Como é que explica que os argelinos tenham votado pelo candidato do sistema, o mesmo sistema que rejeitaram durante tanto tempo?</P>
<P>
R. -- Não havia escolha. Todos os que participaram nestas eleições eram do sistema. De um lado, havia um peso-pesado que era o general e, do outro, três pesos-pluma. Antes de organizar as eleições, o regime balizou tudo. Toda a gente sabia que Zéroual ficaria em primeiro, Nahnah [islamista] em segundo e Saadi [anti-islamista, erradicador] em terceiro. O resultado de Said Saadi surpreendeu-me: pensei que ele chegaria aos 12 ou 15 por cento, mas não ultrapassou os nove por cento. Isto significa que os argelinos rejeitam de forma maciça a política de erradicação.</P>
<P>
P. -- E o que é que aconteceu ao eleitorado da FIS?</P>
<P>
R. -- Continua a existir. Não é porque a FIS não pôde participar que o seu eleitorado se volatilizou. Mas, para saber o que lhe aconteceu, era preciso organizar legislativas livres. Uma parte dos eleitores da FIS votou certamente em Nahnah, que, nas legislativas de 1991, teve 300 mil votos, cerca de três ou quatro por cento, e agora teve praticamente 26 por cento. Quando se fala nos islamistas é preciso distinguir entre o Exército Islâmico de Salvação, o braço armado da FIS, e os GIA, que ninguém conhece. GIA é um nome genérico que muitas vezes cobre outras acções que não têm nada a ver com o Islão nem com a política. O banditismo desenvolve-se muito bem na Argélia, neste momento.</P>
<P>
P. -- As eleições deram a vitória a um general e o segundo lugar a um islamista. O campo dos democratas está ameaçado?</P>
<P>
R. -- O que é que quer dizer com «o campo dos democratas»? São as urnas que decidem se há ou não democratas. Democratas que chamam o Exército quando perdem as eleições... pessoalmente, não os considero democratas. Se houver uma eleição aberta a toda a gente, então saberemos quem são os democratas.</P>
<P>
P. -- Os islamistas podem ainda vencer eleições futuras?</P>
<P>
R. -- Se juntarmos o resultado obtido agora por Nahnah (perto de 26 por cento) aos votos que a FIS poderia obter, penso que o movimento islamista conseguiria a maioria ou ficaria muito próximo dela.</P>
<P>
P. -- Que estratégia aconselharia ao Presidente eleito?</P>
<P>
R. -- Não tenho nada a aconselhar, foi ele que foi eleito. A única saída da crise para a Argélia é abrir o campo político o mais amplamente possível, permitir que todas as outras formações políticas participem.</P>
<P>
P. -- Sem condições?</P>
<P>
R. -- Sem outra condição para além da rejeição da violência.</P>
<P>
P. -- Qual é a sua opinião sobre a declaração do Presidente francês, Jacques Chirac, de que estaria disposto a fazer depender do avanço do processo democrático a ajuda económica à Argélia?</P>
<P>
R. -- Eu gostaria que a ajuda fosse condicionada. Mas as autoridades francesas preocupam-se, em primeiro lugar, com os seus próprios interesses relativamente à Argélia. É preciso ver se essas declarações são seguidas por acções concretas ou não.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-47914">
<P>
COISAS DA SÁBADO: NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE, NEM BEM QUE NUNCA ACABE</P>
<P>
1. Acabou para Sócrates o alibi dos governos anteriores. Com excepcionais condições de governação, com maioria absoluta, com o show europeu para dar dimensão internacional, sem «forças de bloqueio» na Presidência, com uma oposição nos dois primeiros anos muito mais responsável do que alguma vez o PS foi, gozando de muitas simpatias e ainda de mais cumplicidades, mas agora são os resultados que se esperam.</P>
<P>
Os primeiros resultados que se conhecem são todos maus com excepção do controlo do défice e mesmo aí parece (ao Tribunal de Contas) que as coisas também não são tão boas como se pensava. O empobrecimento dos portugueses continua e é um empobrecimento sem esperança. Como se todos fossem, a seu modo, um desempregado com quarenta anos.</P>
<P>
2. A propaganda governamental está a esgotar-se. PowerPoint, simulações de computador, assistências reverendas ou de casting, já só sobrevivem na RTP e nos «momentos-"Chávez » do Primeiro-ministro. Os especialistas, as agências, os assessores, bem podem estudar novas fórmulas para «comunicar», que a teimosia dos factos erodiu as técnicas de propaganda que o governo e o Primeiro-ministro tem usado até à exaustâo.</P>
<P>
3. As reformas estilo Sócrates não passaram na maioria dos casos de medidas de contenção orçamental e, só em raros casos, foram medidas de verdadeira reforma. Mas quer as verdadeiras quer as falsas reformas foram sempre acompanhadas de um discurso de agressividade populista contra as classes e grupos profissionais destinatários -- funcionários públicos, professores, agentes da justiça, jornalistas -- que motivaram respostas corporativas. Este estilo agressivo colocou os grupos profissionais inteiros contra o governo em vez de os dividir entre sectores conservadores e «modernizadores», o que retirou eficácia às poucas reformas genuínas que se esboçaram.</P>
<P>
4. Três programas emblemáticos caracterizaram este governo: o Plano Tecnológico, o Simplex e as «Novas Oportunidades». O que de melhor o governo Sócrates fez, passou por aqui. Talvez, de todos, o Simplex tenha sido o que melhores resultados trouxe. Ainda é cedo para se fazer uma avaliação global, mas a simplificação burocrática conheceu um impulso sério.</P>
<P>
5. O Plano Tecnológico traduz muito do deslumbramento de Sócrates e da sua geração pelo poder das tecnologias, e pela crença que as tecnologias tem efeitos sociais de per si. Não tem. São instrumentos que só actuam em contextos sociais próprios e muitos milhares de euros de material avariado, computadores, gadgets, estão por essas escolas e instituições públicas onde depois das belas sessões públicas de ofertas e inaugurações não se cuidou, por exemplo, da manutenção. Para além disso, ter banda larga em Ferreira do Alentejo é excelente se ela servir para alguma coisa, se as literacias para a usar existirem para além da ida à Internet para ver os sítios de futebol, pornografia e as fotografias da turma no Hi5. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-58460">
<P>
Estratégia do prefeito para salvar imagem da pista inclui troca do nome da curva Tamburello para Ayrton Senna</P>
<P>
RICARDO SETYON</P>
<P>
Especial para a Folha, de Roma</P>
<P>
A cidade de Imola, a 35 km de Roma, capital da Itália, decidiu ontem sair em defesa de sua imagem e de seu autódromo, que foi sede do GP de San Marino.</P>
<P>
A prefeitura e conselho da cidade italiana se reuniram ontem e resolveram contratar imediatamente uma equipe de advogados.</P>
<P>
Os profissionais vão defender os interesses da cidade e de seus dirigentes no caso de um eventual envolvimento no inquérito aberto na Justiça após os acidentes, no último final de semana, do brasileiro Ayrton Senna e do austríaco Roland Ratzenberger.</P>
<P>
O prefeito de Imola, Raffaele De Brasi, também decidiu nomear unilateralmente uma comissão de especialistas internacionais de alto nível em Fórmula 1.</P>
<P>
O objetivo da prefeitura é poder contrapor as conclusões dessa comissão a uma perícia da Procuradoria Geral da República italiana. Ele teme que as conclusões do inquérito podem vir a ser desfavoráveis à cidade de Imola.</P>
<P>
"Imola", disse o prefeito da cidade, "fará de tudo para continuar mantendo a atividade esportiva mundial na nossa pista".</P>
<P>
A comissão municipal de Imola decidiu também votar "em breve" a proposta de um dos conselheiros locais, de modificar o nome da curva de Tamburello, onde morreu o piloto brasileiro, para curva Ayrton Senna.</P>
<P>
A comissão votou ontem por colocar no local do acidente uma lápide com o nome do piloto brasileiro.</P>
<P>
Estão em estudo dois projetos de modificação para o circuito de Imola. A intenção é manter a pista no calendário de eventos do automobilismo internacional e voltar a colocá-la no circuito de motociclismo de velocidade.</P>
<P>
Há nove anos, não se realizam competições de motociclismo na pista de Imola por falta de segurança.</P>
<P>
Mas mesmo as autoridades e habitantes de Imola temem todas as medidas que venham a ser tomadas pelas autoridades de Imola, que teve a honra de ver históricos grandes prêmios no passado, não serão suficientes.</P>
<P>
"Por muitos anos, os habitantes daqui serão reconhecidos como residentes da cidade onde Senna morreu", disse Renzo Chieti, um dos homens mais ocupados na limpeza da pista de Enzo e Dino Ferrari.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49129">
<P>
Da Reportagem Local e</P>
<P>
da Sucursal de Brasília</P>
<P>
O vice-presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que o assassinato de Oswaldo Cruz Júnior "tem motivação óbvia na luta interna, de disputa pelo aparelho sindical". Falcão lamentou a morte de Cruz e disse que cabe agora à polícia apurar e prender os responsáveis pelo crime.</P>
<P>
"É lastimável a morte de um dirigente sindical de forma tão violenta e temos que esperar que os criminosos sejam punidos de acordo com a lei", afirmou Falcão. Para o dirigente petista, não há como alguém tentar ligar o assassinato de Cruz a uma eventual vingança contra denúncias de que o seu sindicato teria financiado campanhas políticas do PT. "Se alguém estabelecer essa ilação, o fará de má fé', declarou.</P>
<P>
Para o deputado federal José Dirceu, virtual candidato do PT ao governo paulista, o crime tem origem na "disputa interna do sindicato". Segundo Dirceu, Cruz estava afastado do PT e da CUT por causa de denúncias de irregularidades que teriam ocorrido durante sua gestão no sindicato. "É notório que o Oswaldo era violento e por isso responde a vários processos. Mas condeno o assassinato porque é inadmissível que os problemas sejam resolvidos dessa maneira'.</P>
<P>
O assessor de imprensa de Luiz Inácio Lula da Silva, Ricardo Kotscho, afirmou que o presidente do PT estava viajando ontem e não haveria possibilidade de encontrá-lo para comentar o crime.</P>
<P>
O deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) defendeu que a polícia de São Paulo investigue "até o fim" o assassinato. "Não tenho nenhuma informação sobre o crime, não sei se foi briga de sindicato, mas acho que tem que ser apurado. Não é o primeiro condutor que morre", disse.</P>
<P>
Mercadante afirmou que sua primeira providência seria telefonar para a mulher de Cruz, Valéria, de quem é amigo. "É inaceitável que em uma sociedade democrática a violência prospere".</P>
<P>
O deputado José Genoíno (PT-SP) não quis avaliar a situação porque disse não ter "elementos" para fazê-lo. "Só quero que se apure tudo e rapidamente", disse.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55247">
<P>
SÍLVIO LANCELLOTTI</P>
<P>
Da equipe de articulistas</P>
<P>
No dia 23/06/90, à saída do estádio de San Paolo, em Nápoles, Francisco Maturana, o treinador da Colômbia, viu-se cercado por furiosos jornalistas e de torcedores. A Colômbia perdera para Camarões, 1 x 2, nas oitavas-de-final da Copa da Itália. Culpa do arqueiro René Higuita que, na prorrogação, amalucadamente, entregara uma pelota dominada a Roger Milla, de Camarões. Maturana não culpou seu goleiro: "Tivesse driblado Milla, vocês o considerariam genial."</P>
<P>
Quatro anos depois, a seleção da Colômbia se aproxima de uma nova Copa, mais experiente, amadurecida –e unida– do que em 1990. A atitude de Maturana impediu que o elenco se esfacelasse. A Colômbia não passou da quarta colocação na Copa América de 91, do 3.º lugar em 93. Dominou, porém, sua chave nas eliminatórias dos EUA-94: quebrou uma série de 33 pelejas invictas da Argentina, 2 x 1 em Bogotá, e dilapidou a mesma Argentina em Buenos Aires, 5 x 0.</P>
<P>
Qual o segredo do sucesso? Primeiro, Maturana, paciente na psicologia, rigoroso nos treinos físicos e táticos. Liberal na aparência, capaz de se desmoralizar para não depreciar um jogador, na intimidade das concentrações, age como um ditador. Por indisciplina, já congelou promessas como Albéiro Uzuriaga e Tino Asprilla e até seu indispensável mastim de meio-campo, Leonel Alvarez.</P>
<P>
A maioria dos atletas de Maturana provém do Nacional de Medellín, clube que o mister conduziu ao título da Libertadores da América em 89. O seu estilo é inspirado no Milan de Arrigo Sacchi, de quem só perdeu a Toyota Cup daquele ano no fim da prorrogação. Maturana adora a pressão na retaguarda, graças ao fôlego dos seus laterais, Luís Herrera e Wílson Perez, e dos volantes Alvarez e Alexis Garcia. A italiana, no meio da retaguarda a Colômbia usa um stopper, o fogoso Alexis Mendoza, e um líbero, o principesco Luís Carlos Perea.</P>
<P>
Na armação de lances, Carlos "El Pibe" Valderrama representa o paradoxo das escalações de Maturana. De pernas curtas em relação ao tronco, Valderrama sugere preguiça e lentidão. Nos passes, exagera na precisão e sugere uma categoria ainda não cristalizada.</P>
<P>
Cercam Valderrama, à frente, avantes imprevisíveis no temperamento e na disposição em campo. O técnico pode escolher entre Asprilla, Johnny Lozano, Jairo Tréllez, Tony Avila, Ivan Valenciano, Víctor Hugo Aristizábal, Freddy Rincón e Adolfo "El Tren" Valencia. O mister, aliás, reveza os seus fustigadores, de maneira a não deixar ninguém insatisfeito. Resta a questão inevitável: dentro desse cenário, quais as chances da Colômbia na Copa?</P>
<P>
Na chave A, dos rudes anfitriões, da vistosa Romênia e da sólida Suíça, a Colômbia batalhará pelo primeiro posto. Romênia e Suíça disputarão as vagas de números dois e três. Nas oitavas-de-final, caberá a seleção de Maturana enfrentar um inimigo mais fraco –entre Bolívia, Nigéria e Marrocos. Só nas quartas-de-final o nível dos combates se exacerbará, Bélgica ou Holanda. Enfim, o trajeto este ano parece mais confortável do que na Itália-90. Desde que Higuita não se suicide...</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-43265">
<P>
OTTO BISMARCK FAZZANO GADIG </P>
<P>
Ataques de tubarões estão aumentando em todo o mundo devido ao crescimento demográfico nas áreas litorâneas. Mais pessoas no mar, maior probabilidade de encontro com esses animais. Essa é a explicação em nível global. No Brasil, esses acidentes sempre ocorreram, mas eram negligenciados pelas autoridades, imprensa, público e até pesquisadores.</P>
<P>
Em julho de 1992, esse patético quadro desabou, quando dois surfistas foram feridos por tubarões no Maranhão, com repercussão nacional. Era possível prever o que viria pela frente. A ampla divulgação estimulou a notificação de outros ataques, como se fosse novidade.</P>
<P>
Não há dúvidas de que houve um notório aumento de acidentes na costa brasileira, e isso se deve a três principais razões:</P>
<P>
1) como no resto do mundo, o crescimento populacional humano é o fator básico, sendo que, no último verão brasileiro, tivemos número recorde de usuários da faixa litorânea, com tendência a crescer ainda mais;</P>
<P>
2) com a ampla divulgação dos ataques, o público ficou alerta a qualquer tipo de acidente na praia, de forma que os casos de menor gravidade _que sempre ocorreram_ também passaram a ser veiculados;</P>
<P>
3) a sequência de ataques contra surfistas registrados em Pernambuco, cuja causa ainda não é completamente conhecida, engrossou as estatísticas.</P>
<P>
Dos 76 casos de ataques de tubarões registrados no Brasil entre 1927 e julho de 1995, a grande maioria se deu no Nordeste (51 casos). Nessa área, o segundo semestre é, estatisticamente, a época de maior risco, principalmente nos meses de julho e dezembro (férias).</P>
<P>
Além disso, com a diminuição das chuvas, a salinidade da água do mar aumenta, criando um ambiente favorável à presença de várias espécies de tubarões. Resta saber o que acontece em Pernambuco, pois parece claro que lá existe mais um fator agindo (certamente causado pelo homem).</P>
<P>
Pesquisadores da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), coordenados pelo Dr. Fábio Nazin, estão trabalhando há meses visando explicar as causas dos acidentes.</P>
<P>
Enquanto isso, as praias da zona sul estão proibidas para o surfe. Tanto a pesquisa quanto a proibição do surfe me parecem atitudes bastante adequadas. Porém, é preciso ressaltar que isso não basta. Está sendo negligenciado um trabalho sério de educação junto ao público.</P>
<P>
Ainda que tenhamos todo o conhecimento científico e as autoridades sejam bem-intencionadas, sem a educação os ataques continuarão ocorrendo.</P>
<P>
Quem é o responsável e quanto? O que cada parte envolvida pode fazer para colaborar? Respondendo a essas questões e planejando uma linha de trabalho educacional, talvez possamos começar a obter as outras respostas.</P>
<P>
Ao contrário do que se pensa, não é muito educativo dizer que estatisticamente os ataques são insignificantes, porque, mesmo sendo verdade, não é a opinião dos familiares das vítimas. É preciso sensibilidade para lidar com as pessoas. Os pesquisadores não podem permanecer distantes do público.</P>
<P>
A imprensa deve informar de maneira mais equilibrada e não histérica. Às autoridades cabe viabilizar o trabalho dos pesquisadores. E o público, sobretudo os surfistas, deve cobrar informações e assumir comportamentos de menor risco.</P>
<P>
Sem educação e sensibilidade o problema não vai ser minimizado satisfatoriamente. Clério, Albano, Laurenílson, entre outros, não são estatística. São histórias de vidas... e de mortes.</P>
<P>
OTTO BISMARCK FAZZANO GADIG, 33, é zoólogo do Aquário Municipal de Santos (SP) e representante no Brasil do Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões (EUA).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-37819">
<P>
Camacho ganhou sempre a Jesualdo mas não ao FC Porto</P>
<P>
AS ESTATÍSTICAS DO CLÁSSICO DE SÁBADO QUANTO À LIGA	</P>
<P>
Se as estatísticas quiserem dizer alguma coisa, Camacho pode encarar o clássico de sábado com optimismo. O espanhol soma por vitórias os 3 jogos frente a Jesualdo Ferreira, técnico ao qual sucedeu no comando do Benfica, em 2002/2003.</P>
<P>
No entanto, há outra leitura que tem de ser feita: o espanhol jamais venceu o FC Porto para o campeonato.</P>
<P>
Em três "duelos", face a Jesualdo, então ao comando do Sp.Braga, Camacho venceu por duas vezes como visitante (3-1 em 2002/2003 e 3-0 em 2003/2004) e uma como anfitrião (2-0 em 2003/2004).</P>
<P>
O espanhol está 100 por cento vitorioso face a Jesualdo, mas nunca enceu o FC Porto para o campeonato, tendo como melhor registo o empate na Luz, em 2003/2004 (1-1).</P>
<P>
Na mesma temporada, Camacho perdeu no FC Porto por 2-0 e, na anterior, já tinha perdido em casa por 1-0.</P>
<P>
No entanto, pesar de não ter qualquer triunfo no campeonato, o espanhol conquistou frente aos "dragões" o único título da sua carreira.</P>
<P>
A 16 de Maio de 2004, na final da Taça de Portugal, o FC Porto adiantou-se, por Derlei, mas o grego Fyssas empatou e, no prolongamento, Simão derrotou o "onze" de José Mourinho, que, 10 dias depois, viria a vencer a Liga dos Campeões (3-0 ao AS Mónaco).</P>
<P>
Por seu lado, Jesualdo Ferreira tem um balanço negativo nos confrontos com o Benfica, com quatro vitórias, três empates e cinco derrotas (13-19 em golos), mas nunca perdeu ao comando do FC Porto: "a época passada, venceu no Dragão (3-2) e empatou na Luz (1-1). </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-50571">
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
A ex-gerente financeira do Sindicato dos Condutores do ABCD, Sônia Aparecida de Carvalho, seu marido, Erwin Pestl, e o administrador da entidade, Miguel Davi Filho, foram indiciados ontem por furto qualificado acusados de terem retirado da sede do sindicato o cofre do presidente assassinado da entidade, Oswaldo Cruz Júnior.</P>
<P>
Pestl disse ontem em depoimento que tem informações que do cofre teria sido retirado um revólver pertencente a Cruz, além de documentos que comprometeriam Cícero Bezerra da Silva, seu sucessor na entidade. Se confirmada, a informação de Pestl confirma a tese de defesa do assassino de Cruz, José Benedito de Carvalho, o Zezé, que disse ter matado o sindicalista em legítima defesa.</P>
<P>
Os três disseram que retiraram o cofre da entidade dois dias após a morte do sindicalista e levado o móvel para a casa de Antonio Carlos da Cruz, irmão de Oswaldo. A polícia constatou que o cofre foi arrombado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71241">
<P>
OSCE em maltês</P>
<P>
Uma das poucas deliberações da reunião de Budapeste foi mudar o nome da Conferência de Segurança e Cooperação na Europa para Organização de Segurança e Cooperação na Europa. Em inglês, em francês, em português, etc., as iniciais passam pois a ser OSCE.</P>
<P>
Em maltês também, e isso revelou-se embaraçoso para os representantes da ilha do Mediterrâneo na cimeira. Tão embaraçoso que os delegados malteses chegaram a objectar à proposta de alteração de nome.</P>
<P>
Os representantes de Malta bem explicaram aos seus parceiros que «osce», em maltês, é uma designação em calão para o sexo feminino -- uma asneira. Mas os outros 52 países da organização não entenderam que isso fosse suficiente para os levar ao trabalho de procurar outro nome.</P>
<P>
A delegação de Malta acabou por ceder. As novas iniciais da CSCE são mesmo OSCE. Aguarda-se a reacção dos leitores malteses a futuros títulos da imprensa de La Valetta.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-44758">
<P>
Sampaio recebe distrital do CDS-PP</P>
<P>
Centristas preocupados com grandes obras de Lisboa</P>
<P>
A comissão distrital de Lisboa do CDS-PP manifestou ontem a Jorge Sampaio, presidente do município alfacinha, a preocupação dos centristas sobre os impactos económicos e sociais que deverão ser provocados pelos grandes empreendimentos previstos para região, nomeadamente pela Expo-98, cuja gestão os populares consideram «pouco transparente», defendendo, por isso, mecanismos em que «os gastos [do projecto] sejam conhecidos e controlados».</P>
<P>
As grandes obras previstas para a Área Metropolitana de Lisboa -- Expo-98, expansão da rede do metro, a nova ponte, a instalação do combóio na Ponte 25 de Abril, entre outras -- «vão trazer graves problemas sociais, sobretudo habitacionais, a Lisboa, que neste momento não tem condições de acolhimento para os cerca de 30 mil trabalhadores necessários a esses empreendimentos», alertou Celeste Cardona, presidente da distrital do CDS-PP. Quanto a este ponto, a delegação dos centristas obteve de Sampaio -- após uma reunião de duas horas, ao fim da tarde de ontem -- a promessa de que a Câmara vai estudar o problema e de que «está consciente de que é necessário analisá-lo».</P>
<P>
Antes do encontro, Celeste Cardona afirmava aos jornalistas que o CDS ia pedir a Sampaio um maior intervenção da Câmara de Lisboa nos projectos que envolvem a região. «A Câmara tem sido marginalizada pelo Governo, mas também não tem tido energia para exigir maior participação nos empreendimentos que mexem com a capital». No final da reunião, porém, estava convicta de que «o município tem tido uma intervenção muito discreta, mas eficaz».</P>
<P>
Para a distrital do CDS, que se diz empenhada em acompanhar todas as questões que afectam o Distrito, «é essencial que as grandes obras que aí vêm se articulem com o restante tecido urbano da capital». Por isso, os populares defendem uma maior participação da Câmara de Lisboa nos planos de urbanização da zona da Expo e, a propósito do Plano de Ordenamento da Zona Ribeirinha, apoiam o município na reivindicação da gestão dos terrenos do Porto de Lisboa não afectos à actividade portuária. G. P.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-46572">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Entre as consultorias especializadas em cenários, a Macrométrica, de Francisco Lopes, é a que apresenta visão mais positiva, ainda que com diversas ressalvas. Supondo que o Congresso votará o ajuste fiscal necessário, Lopes acha que o Plano FHC, por ele definido como "de conversão monetária", tem boa chance de emplacar, mas num período relativamente longo. A economia estaria pronta, trabalhando com inflação anual abaixo dos 10% e com taxa de câmbio estabilizada no segundo semestre de 1995.</P>
<P>
Isso supõe uma condição política especial –a de que o presidente a ser eleito neste ano esteja comprometido com o programa de estabilização, diga isto na campanha e mantenha a promessa depois da posse.</P>
<P>
Dadas estas condições, Francisco Lopes considera plenamente factível a introdução da URV logo no início do ano, seguindo-se a transição gradual e controlada para uma moeda nova, conversível em dólar. A sequência seria:</P>
<P>
Inflação - crescente em cruzeiros reais, chegando a 65% em junho de 95, quando a moeda seria extinta; inflação perto de zero ou negativa em URV, ao longo do período de transição e também depois, como moeda.</P>
<P>
Atividade econômica - crescimento em 1994 menor do que em 1993. Eliminada a inflação, o PIB volta a crescer forte, com 5,68% em 1995 e 8,84% em 96.</P>
<P>
Taxa de câmbio - sem variações ao longo de 94; desvalorização do cruzeiro e da URV em 95, estabilização nos anos seguintes.</P>
<P>
Comércio externo - saldo "bem comportado", nos níveis atuais.</P>
<P>
Salário real - cresce em 94, cai pouco em 95, volta a subir em 96. (CAS)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70643">
<P>
Mau tempo assola a Islândia</P>
<P>
Os habitantes da capital da Islândia, Reykjavik, foram ontem aconselhados pela polícia a ficarem dentro de casa, por causa da falta de visibilidade provocada por fortes rajadas de vento, que chegaram a atingir os 130 quilómetros por hora.</P>
<P>
A polícia declarou que mais de mil pessoas fugiram das suas casas nos fiordes do noroeste da Islândia e cerca de 200 casas foram evacuadas por causa do perigo de avalanches, como aquela que, na segunda-feira, provocou a morte de 14 pessoas na aldeia piscatória de Sudavik.</P>
<P>
Dos mortos, oito eram crianças, com idades entre 18 meses e 14 anos, que ficaram encurraladas nas suas camas soterradas por centenas de tooneladas de neve e gelo que resvalaram de uma montanha das redondezas.</P>
<P>
Um rapaz de 12 anos foi encontrado na terça-feira, soterrado, de boa saúde mas fisicamente debilitado, depois de ter passado mais de 24 horas debaixo da neve, protegendo-se do frio com um colchão. «Onde é que eu estou?», foram as primeiras palavras que disse na altura do salvamento. Foi a segunda pessoa a ser desenterrada da neve ainda com vida, um dia depois da avalanche.</P>
<P>
Fortes quedas de neve e violentas rajadas de vento dificultaram, durante dois dias, as operações de salvamento. As equipas de salvadores foram obrigadas a remover cuidadosamente a neve com pás, para evitar ferir os eventuais sobreviventes.</P>
<P>
A avalanche, que soterrou 26 pessoas, destruiu 14 casas na pequena aldeia de pescadores que conta com 230 habitantes e está situado no sopé de uma montanha na região dos fiordes. O comité islandês de prevenção de avalanches já tinha recomendado que não fossem autorizadas mais construções naquela área, mas as autoridades municipais não quiseram obdecer a essas recomendações.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="dav-844651">
<P>Que país declarou a independência em 1291? </P>
<P>O que se passou a 4 de Julho de 1776? </P>
<P>De quem trata o filme "2 filhos de Francisco"? </P>
<P>Quais são as sete colinas de Roma? Qual é a mais pequena delas? Quem é o dono delas? Em qual delas fica a residência do presidente? </P>
<P>De que estado foi governador Adhemar de Barros? </P>
<P>Quem eram os almóadas? </P>
<P>Quem fabrica os foguetões Ariane? </P>
<P>Quantas pessoas morreram no atentado na estação de Bolonha? </P>
<P>Quem é Boaventura Kloppenburg? </P>
<P>Quando é que a baleia azul foi extinta? </P>
<P>O que está escrito na bandeira do Brasil? </P>
<P>Que árvore está na bandeira do Líbano? </P>
<P>Por que estado é senador Barack Obama? </P>
<P>O que é um barrete frígio? </P>
<P>Quantos jogadores tem um time de basquete? </P>
<P>Quem disse "Ao vencedor, as batatas!" ? </P>
<P>Que princesa portuguesa foi rainha da Dinamarca ? </P>
<P>Que inglês foi treinador do Porto ? </P>
<P>Que mar banha Braga? </P>
<P>O que é a navegação de cabotagem? </P>
<P>Caen é a capital de que departamento? </P>
<P>O que é um caiaque? </P>
<P>Como se chama Cayenne em português? </P>
<P>Quem viajava no avião que se despenhou em Camarate? </P>
<P>Que cidade era capital do Brasil antes do governo ser transferido para Brasília? </P>
<P>Que rei morreu em 1718? </P>
<P>O que eram cartas de alforria? </P>
<P>Que cidade francesa foi residência dos Papas? </P>
<P>Quando foi fundado o Nacional da Madeira? Onde? </P>
<P>Qual o diâmetro de Ceres? </P>
<P>Diga o nome de um chá branco. </P>
<P>Em que distrito fica Chaves? Quantas freguesias tem o concelho? Que municípios ficam a oeste? Quantos habitantes tinha em 2006? </P>
<P>Quais são as cidades-estado da Alemanha? </P>
<P>De onde é nativo o cisne branco? </P>
<P>A quem pertence o Cisne Branco? </P>
<P>Quando foi registado pela primeira vez o cometa Halley? Em que famosa obra aparece o cometa? Que batalha aparece nessa obra? </P>
<P>Quem venceu o Campeonato do Mundo de Contra-Relógio em 1995? Em que país se disputou a prova? Qual o tempo do vencedor? E quem venceu em 1994? </P>
<P>Com quem se casou a rainha Cristina? Que idade tinha ela quando morreu? </P>
<P>Quem foi o 13º rei de Portugal ? </P>
<P>O que é a defesa siciliana? </P>
<P>Que empresa editou a Diciopédia? </P>
<P>Que dinastia reinava em Portugal em 1500? </P>
<P>O que são os DOM franceses? Quantos são eles? Qual deles fica na Europa? </P>
<P>Em que zona de Espanha nasce o rio Douro? </P>
<P>Onde fica o parque Eduardo VII? </P>
<P>Quantos focos tem uma elipse? </P>
<P>Quantos pontos vale um ensaio no râguebi? </P>
<P>O que é o enxaimel? </P>
<P>Diga uma escritora sarda. </P>
<P>Como se chamava o sabre dos samurai? </P>
<P>Quem foi Ésquilo? </P>
<P>Em que constelação fica Vega? E Régulo? </P>
<P>Qual a freguesia mais populosa de Évora? </P>
<P>Que equipa é treinada por Fernando Santos? </P>
<P>Que equipa era treinada por Fernando Santos em 1994? </P>
<P>Em que estado brasileiro fica Faro? </P>
<P>Em que época é que o FC Porto ganhou a Liga dos Campeões? </P>
<P>Que pássaro renascia das próprias cinzas? </P>
<P>Que percentagem dos finlandeses fala sueco? </P>
<P>Quando é que F.H. Cardoso tomou posse como presidente? </P>
<P>O que é a FIDE? </P>
<P>Que profundidade atinge a Fossa das Marianas? Onde fica? Quando se atingiu o seu fundo? Por que veículo? </P>
<P>Quantas horas há de diferença entre Nova Iorque e São Francisco? </P>
<P>Além da girafa, que outro animal pertence à família Giraffidae? </P>
<P>Que espada usavam as legiões romanas? </P>
<P>Quando caíu Granada? </P>
<P>O que é a Granja do Torto? </P>
<P>Qual é a latitude e longitude da Guarda? </P>
<P>De que estado foi Hans Modrow primeiro-ministro? </P>
<P>Quem foi Henrik Ibsen? </P>
<P>Quem matou Philipe Henriot? </P>
<P>O que é o ICBAS? </P>
<P>Qual a população da Ilha de Moçambique? </P>
<P>Qual o estado mais populoso da Índia? </P>
<P>O que é o jagartee? </P>
<P>Quem é James Baker? </P>
<P>Como se chamam os filhos de Jimmy Carter? </P>
<P>Quando se realizaram os Jogos Olímpicos de Munique ? </P>
<P>Que senador americano foi prisioneiro no Vietname? </P>
<P>Em que dia ocorreu a batalha de La Lys? </P>
<P>Em que ilha dos Açores fica a Lagoa? </P>
<P>Quem é o Lampadinha? </P>
<P>O lehendakari é presidente de quê? </P>
<P>Quando é que foi assinada a Lei Áurea? Por quem? </P>
<P>Que é o que Arafat usava na cabeça? </P>
<P>Em que ano foi fundada a Bertrand? </P>
<P>Quem era a locomotiva humana? </P>
<P>Em que concelho fica Loivos do Monte? </P>
<P>Quem abriu os Jogos Olímpicos de 1948 ? </P>
<P>O que é M31? </P>
<P>Quando nasceu Machado de Assis? </P>
<P>O que é a Igreja Maronita? </P>
<P>Quanto custou a Mars Observer? </P>
<P>O que é o mascarpone? De que região provêm? Em que sobremesa se usa? </P>
<P>Quando foi inaugurado o metropolitano de Lisboa? Quantas estações tem agora? </P>
<P>Qual o verdadeiro nome de Michael Caine? </P>
<P>A que altitude está Miguel Pereira? </P>
<P>O que é que Jean Valjean roubou? </P>
<P>Qual era a divisa austríaca antes de 2002? </P>
<P>Quem foi Monteiro Lobato? Em que instituição estudou? O que é que ele estudou? Quando é que ele criou a Emília? </P>
<P>Quantos municípios tem o distrito do Porto? </P>
<P>Quem ganhou a NBA em 1995? </P>
<P>O que é a constante de Néper? </P>
<P>O que são os números E? </P>
<P>Qual o período de gestação de ocapi? Qual o seu peso? </P>
<P>Que concelho fica a leste de Oeiras? </P>
<P>Que cidades realizaram Jogos Olímpicos antes de 1900? </P>
<P>Diga um recipiente da Grande Cruz do Mérito. </P>
<P>Quando começa o outono no hemisfério sul? </P>
<P>Quem é José Eduardo Pinto da Costa? Onde é que ele nasceu? </P>
<P>Quantos centímetros há num pé? </P>
<P>Quem era rei de Portugal em 1860? </P>
<P>Qual a área do Parque Nacional da Peneda-Gerês? </P>
<P>Em que anos foi Nelson Piquet campeão do mundo? </P>
<P>Quem foi Pirro? </P>
<P>Qual o primeiro nome do presidente Trovoada? </P>
<P>Quantas regiões tem Marrocos? Qual é a maior delas? </P>
<P>Onde é estão sepultados Fernando e Isabel? </P>
<P>Qual é a principal indústria da República Dominicana? </P>
<P>Em que período existiu a República de Veneza? </P>
<P>Onde é que desagua o Ural? Qual é o seu comprimento? </P>
<P>Qual o comprimento total da rodovia Dom Pedro I? </P>
<P>Quem comandou os gregos em Salamina? </P>
<P>Quem se tornou rei após a morte de D. Afonso Henriques? </P>
<P>Que ordem foi fundada por Santa Clara? </P>
<P>O que é o Saquê ? </P>
<P>Quantos senadores tem o Senado brasileiro actualmente? Quantos anos tem os seus mandatos? Quantos senadores tem cada estado? Quantos senadores havia em 1972? </P>
<P>Quem foi o último rei da Bulgária ? </P>
<P>Diga uma catedral de Sófia. </P>
<P>Em que jornal escreve o Miguel Sousa Tavares? </P>
<P>A que partido pertencia Spadolini? </P>
<P>Quais são as línguas oficiais da Suíça? E quantos cantões tem? Quando é que Berna aderiu à Confederação? </P>
<P>Que selecções disputaram a final da Taça América de 1995? </P>
<P>Quantos espartanos lutaram na Batalha das Termópilas? </P>
<P>Quem sucedeu a Augusto? </P>
<P>Qual é a capital de Timor Ocidental? </P>
<P>Qual o estilo arquitectónico da Torre dos Clérigos? Quantos degraus tem a torre? Qual á a altura dela? Quando foi erigida? </P>
<P>O que era uma trirreme? </P>
<P>Como se chamava o avião supersónico russo? </P>
<P>Qual o túnel ferroviário mais comprido do mundo? E qual o seu comprimento? Em que país fica? </P>
<P>O que é o Tux? Que animal é? Quem o criou? Quando? </P>
<P>Diga uma emissora de televisão brasileira que tenha iniciado as suas actividades antes de 1970. </P>
<P>O que é a TVI? </P>
<P>O que é a Union Jack? </P>
<P>Onde é que nasceu o Vítor Baía? Onde é que começou a jogar futebol? Quantos golos é que marcou na sua carreira? Que idade tinha ele quando se mudou para o FC Porto? </P>
<P>Quem é George Vassiliou? </P>
<P>Quero o nome de um vinho húngaro. </P>
<P>Que clube foi campeão português de voleibol em 1995? E quem venceu a Taça de Portugal nesse ano? </P>
<P>Quais são os signos do Zodíaco? </P>
<P>Quantas ilhas tem Cabo Verde? Quantas são habitadas? Em qual delas nasceu Eugénio Tavares? E em qual deles fica a Praia?</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-52099">
<P>
Programa de realojamento aprovado</P>
<P>
Todos com o PER</P>
<P>
O presidente da Câmara de Lisboa manifestou ontem o seu regozijo face ao «grande progresso» registado nos últimos anos em torno do problema da habitação e que se traduz agora no acordo de adesão do município ao PER, programa especial de realojamento lançado pelo Governo e ontem unanimemente aprovado pela Assembleia Municipal.</P>
<P>
Jorge Sampaio destacou, no entanto, que não é suficiente construir: «todos os dias ouço pessoas a dizer que vivem em prédios arruinados, em casas a cairem sem casas de banho». O autarca disse ser essencial tornar o PER mais eficaz, mas quer ir mais longe: «há que o assinar mas há que melhorar o RECRIA [programa de apoio à conservação de edifícios] e as leis da República. Porque para resolver o problema dos devolutos, não há arcaboiço legislativo».</P>
<P>
«Não vale a pena iludirmo-nos. Este desafio é crucial mas estamos a jusante das políticas nacionais. E há uma nova necessidade: a de ultrapassar as fronteiras municipais. Para resolver os problemas da AML [Assembleia Municipal de Lisboa] só se a iniciativa for metropolitana», acrescentou.</P>
<P>
Sampaio salientou que «a reconversão não pode ser uma mera operação de loteamento» e recordou «o exemplo paradigmático da torre Instituto Superior Técnico, que só foi possível construir porque o Ministério da Saúde não quis ceder o Hospital de Arroios ao Técnico e pedia-lhe oito milhões de contos pelo imóvel». F.R.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-85541">
<P>
Jaques Delors</P>
<P>
Abertura da NATO ao Leste é «prematura» e ineficaz</P>
<P>
Jacques Delors apelou ontem aos líderes da União Europeia (UE) para desenvolverem durante a Cimeira de Essen, sexta-feira e sábado, as relações políticas e económicas com os países de Leste, como forma de reforçar o seu sentimento de segurança interna e externa.</P>
<P>
Durante a conferência de imprensa que ontem precedeu a última reunião de chefes de Estado e de governo do total de 28 a que assistiu enquanto presidente da Comissão Europeia, Delors considerou que a Cimeira da CSCE (Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa) em Budapeste revelou a importância da componente política da estratégia de aproximação entre a UE e os vizinhos do Leste.</P>
<P>
A Cimeira de Budapeste saldou-se por um fiasco resultante do desacordo entre os 53 membros da CSCE em torno de uma declaração que apelava a um cessar-fogo entre os beligerantes na Bósnia e à garantia de passagem dos camiões humanitários para aliviar as populações muçulmanas cercadas em Bihac.</P>
<P>
Os países de Leste «precisam de garantias de que é possível escapar aos riscos de insegurança e instabilidade», afirmou o presidente da Comissão que terminará funções em Janeiro, considerando que a UE os pode ajudar.</P>
<P>
Em contrapartida, Delors considerou «prematura», e mesmo «um erro», a tentativa dos Estados Unidos em acelerar o alargamento da NATO aos mesmos países, duvidando da capacidade da Aliança Atlântica em resolver o novo tipo de problemas que se lhes deparam e que, em sua opinião, têm essencialmente a ver com minorias, etnias e ultra-nacionalismos.</P>
<P>
«Não vejo em que é que a NATO possa ajudar esses países a resolverem as suas questões de fronteiras ou os difíceis problemas de minorias. A abordagem da União Europeia é a boa. Ela é totalmente aceite pela Rússia, que está satisfeita com o acordo de parceria e cooperação assinado com a UE em Corfu», disse.</P>
<P>
Pelo contrário, um passo destes só viria complicar o processo de consolidação das relações entre os Estados Unidos, a União Europeia e a Rússia, afirmou, numa referência ao golpe de teatro que acompanhou, na semana passada, a recusa firma de Moscovo relativamente ao alargamento da Aliança.</P>
<P>
Em sua opinião, a Cimeira de Essen deverá emitir um sinal de solidariedade face ao Leste, nomeadamente através da aprovação da estratégia de aproximação entre a UE e os seis países que se encontram mais próximos dos Doze (Polónia, Hungria, República Checa, Eslováquia, Bulgária e Roménia). Esta estratégia, que constitui um dos temas centrais da Cimeira, assenta num «diálogo estruturado» sob a forma de reuniões ministeriais conjuntas para discutir temas de interesse comum, a par de um longo processo de adaptação da legislação económica destes países ao mercado único dos Doze, devendo culminar com a sua adesão no horizonte do ano 2000.</P>
<P>
Ao mesmo tempo, o presidente da Comissão apelou aos Doze para adoptarem um novo modelo de desenvolvimento capaz de combinar o aumento da competitividade da Europa com o pleno emprego, em conjunto com a aprovação de 14 projectos de redes transeuropeias de transportes para completar o mercado único e apoiar o crescimento.</P>
<P>
Em contrapartida, Delors manteve o segredo sobre a eventualidade de se candidatar à Presidência da República francesa, embora tenha confirmado que a sua decisão já está tomada. E, negando que o facto de ainda não a ter revelado resulta de uma mera questão táctica, o presidente da Comissão deixou claro que será ele a decidir o momento em que a tornará pública, o que acontecerá de qualquer modo antes do Natal.</P>
<P>
Isabel Arriaga e Cunha, em Bruxelas</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93980">
<P>
Queda de avião russo entre contradições</P>
<P>
Onde está o Tupolev?</P>
<P>
O misterioso desaparecimento, há uma semana, na Sibéria, de um avião Tupolev 154, com 97 pessoas a bordo, continuava ontem por esclarecer, entre notícias contraditórias segundo as quais os restos do avião continuavam por encontrar ou que os destroços teriam sido localizados, via satélite, numa estepe gelada a cerca de 150 quilómetros de Khabarovsk, no Extremo Oriente russo.</P>
<P>
Uma porta-voz do Ministério russo das Situações de Emergência disse ontem que, depois de pilotos terem voado sobre «o alegado local do despenhamento informaram, com um bom grau de certeza, que aquilo que poderia assemelhar-se a destroços, visto do espaço, seriam provavelmente depressões no terreno.» As buscas, deste modo, vão continuar.</P>
<P>
O caso começa a parecer um folhetim de mistério. Ainda ontem, depois de um primeiro desmentido, o Ministério anunciava que os primeiros elementos de socorro tinham conseguido aterrar perto do local. Supostamente, segundo as anteriores informações de um porta-voz militar, citado pela agência de notícias Itar-Tass, as imagens do satélite eram claras: mostravam um aparelho calcinado, sobre o leito do rio Polnovodnaia, com a traseira separada em cerca de 120 metros do resto da fuselagem, já coberto de neve.</P>
<P>
Adiantou-se mesmo que para a manhã de hoje se previa a chegada de mais equipas de socorro, num total de 90 homens. Mas, esteja onde estiver o aparelho, é muito pouco provável que alguém seja encontrado vivo. A região é muito hostil, com uma temperatura média de 15 graus abaixo de zero. E já passou uma semana sobre o acidente.</P>
<P>
Ao aparelho faltava um sinal electrónico para busca automática. Três aviões, 14 helicópteros e três navios da esquadra russa do Pacífico têm patrulhado centenas de quilómetros de céu e de mar, sem resultados.</P>
<P>
O Tupolev, que efectuava uma ligação interna entre Ioujno-Sakhalinsk (Ilha de Sacalina) e Novossibirsk, desapareceu do radar na noite de 6 para 7 de Dezembro. O avião descolara há 40 minutos e tinha atravessado o estreito dos Tatars, no mar de Okhotsk, que separa Sacalina do continente.</P>
<P>
Levava a bordo 89 passageiros (incluindo 31 mulheres e cinco crianças) e oito tripulantes, todos russos. Cinco minutos antes de desaparecer do radar, altura da última comunicação rádio, os pilotos não mencionaram problemas.</P>
<P>
O estado de «velhice» da maior parte dos aviões da frota russa, as graves lacunas de manutenção e um estado de «deixa-andar» em tudo o que toca a segurança têm sido os erros apontados para um estado calamitoso: só entre 1993 e 1994 triplicaram as vítimas de acidentes aéreos (302 mortos no ano passado). Mas desta vez não há indícios de falha técnica, segundo as autoridades locais. O Tupolev, apesar de construído em 1976 e de ter 30 mil horas de voo, tinha sido revisto recentemente, era dirigido por pilotos experimentados e não levava carga a mais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-9489">
<P>
A primeira entrevista com António Guterres depois dos Estados Gerais</P>
<P>
«O PSD é a espuma, nós somos a verdadeira corrente»</P>
<P>
Entrevista de José Manuel Fernandes, Jerónimo Pimentel e Raul Vaz</P>
<P>
A segurança com que apresenta as propostas é uma das marcas dominantes do discurso de António Guterres. Raramente lhe faltam os argumentos para defender as suas posições e justificar como é possível fazer diferente. É com entusiasmo que fala da educação como prioridade de um seu governo. Passa para a reforma fiscal, prometendo rever o IRS para, tendencialmente, chegar a um imposto único. Não se alarga em promessas, a cautela tempera-lhe as palavras. Diz ser chegado o momento de ascender ao poder perante um PSD que não se renovou, que é a «espuma», enquanto o PS é a «verdadeira corrente». Assume-se liberal na economia, mas exorta aos valores da solidariedade social. Para si, a preocupação com a cidadania, a sensibilidade às questões sociais, a valorização da cultura e a educação são as questões que distinguem, no mundo de hoje, a esquerda da direita. É com tudo isto que se apresenta ao eleitorado para ganhar o seu voto. E só espera que o país não mergulhe em «polémicas serôdias» para que a sua mensagem passe.</P>
<P>
Não podia estar mais confiante no final daquela manhã. Aberta sobre a grande mesa do gabinete do líder do PS no Largo do Rato, a última edição da «American Economic Review». Um estudo referente a um inquérito estatístico a pares de gémeos americanos confirmava que, por cada ano adicional de escolaridade, há um ganho no vencimento auferido de 12 a 16 por cento. António Guterres rejubilava perante aquela confirmação da justeza da sua aposta na educação, a «paixão» do seu governo como gosta de afirmar. Bandeira do PS para o próximo combate eleitoral, combate que é o único que lhe interessa, desvalorizando todos os outros, inclusive o que agora opõe o PSD ao Presidente da República.</P>
<P>
PÚBLICO -- O país está preso ao conflito, real e público, entre o Presidente da República e o líder do PSD. Qual é, na sua opinião, o papel do líder da oposição nesse conflito?</P>
<P>
ANTÓNIO GUTERRES -- Não pretendo ter qualquer papel nesse conflito, porque o considero artificial. É gerado pelo PSD de acordo com a teoria da anormalidade, explicada por Pacheco Pereira. Para o PSD ganhar eleições, tem de criar uma situação política anormal com uma forte carga emotiva, que esconda os problemas reais do país e os erros da governação. Daí que, em meu entender, o PSD o provoque esse conflito com o Presidente da República. Isso é negativo para o país, por isso não desejo ter qualquer papel nesse conflito.</P>
<P>
P. -- Porém, não foi o PSD que foi visitar Bettino Craxi...</P>
<P>
R. -- Essa visita não foi dirigida contra o PSD. Foi um acto pessoal, do qual o Ministério dos Negócios Estrangeiros tinha conhecimento e que o PSD aproveitou para lançar mais achas para a fogueira.</P>
<P>
P. -- Muitos socialistas criticaram «off the record» o acto do Presidente, embora o seu partido tenha acabado a defendê-lo publicamente. Não seria altura de o PS se emancipar?</P>
<P>
R. -- O PS não tem posições «off the record», o PS tem posições «on the record». O PS tem, em relação ao Presidente da República, uma posição de independência institucional que é evidente para todos os observadores políticos. Nem o PS é um instrumento do Presidente, nem o Presidente é um instrumento do PS.</P>
<P>
P. -- E não acha que a última resposta do Presidente ao secretário-geral do PSD é mais um degrau nessa confrontação e, assim, favorece a estratégia dos sociais-democratas?</P>
<P>
R. -- As declarações do secretário-geral do PSD foram objectivamente injuriosas e o Presidente da República tem o mesmo direito de legítima defesa que qualquer outro cidadão.</P>
<P>
P. -- O PS não preferiria que o Presidente optasse por um comportamento mais discreto?</P>
<P>
R. -- O PS não tem conselhos a dar ao Presidente da República. Ele é o árbitro da vida institucional e o PS respeita a forma como exerce essa arbitragem. Não é da nossa parte que surgirão polémicas com o Presidente, essas polémicas não servem o país, isso é um peditório para o qual não estou disposto a dar nada.</P>
<P>
P. -- Mas a actual situação não serve a sua afirmação estratégica...</P>
<P>
R. -- Muita gente me tem dito que, uma vez que inevitavelmente o conflito institucional agitado pelo PSD ocupa as primeiras páginas dos jornais, o PS devia fazer qualquer coisa para disputar esse espaço. Mas, se isso se entende como querendo obrigar o PS a adoptar uma estratégia de anormalidade, recuso liminarmente essa lógica. O nosso objectivo não é fazer espectáculo, é estudar seriamente os problemas, apresentar as nossas propostas e discuti-las com o país. Apesar de tudo, tenho consciência de que as pessoas vão distinguindo o que é a espuma da verdadeira corrente. O PSD é espuma, nós somos a verdadeira corrente.</P>
<P>
P. -- O PS está sempre de acordo com o Presidente da República?</P>
<P>
R. -- Não. Já houve várias ocasiões em que exprimimos o nosso desacordo, e é até um facto óbvio para todos que houve solicitações do PS para intervenções presidenciais que o Presidente da República não atendeu. Uma coisa é haver desacordo, o que é legítimo, outra coisa o insulto, a injúria, a criação de um clima artificial de confronto. Nisso não entramos.</P>
<P>
P. -- Havendo esse clima de confronto, não seria melhor a dissolução?</P>
<P>
R. -- Já o disse.</P>
<P>
P. -- Mas, neste momento, depois de Mário Soares ter dito o que disse...</P>
<P>
R. -- Ao sr. Presidente da República eu não faço o mesmo pedido mais do que uma vez. Já o fiz. O Presidente entendeu agir de outra maneira, eu respeito. Não vou insistir, não vou alimentar uma polémica serôdia.</P>
<P>
P. -- Há quem diga que o Presidente tem alguma dificuldade em conter-se porque não acredita que o PS, sozinho, consiga derrotar o PSD. Isto é, não acredita na competência de António Guterres para derrotar...</P>
<P>
R. -- Essa é uma questão que deve ser posta ao Presidente da República.</P>
<P>
P. -- Nestes Estados Gerais houve mais independentes de esquerda do que pessoas do centro-direita. Isso não quer dizer que as pessoas que, contrariando a sua estratégia de não-coligações, diziam que o PS devia abrir-se à esquerda tinham razão?</P>
<P>
R. -- A grande maioria dos independentes que trabalharam nos Estados Gerais não tem uma conotação nem à esquerda, nem à direita, nem tem um passado de colaboração com outros partidos políticos. São pessoas muito qualificadas, no plano técnico, cultural ou político, que nos quiseram dar o seu contributo numa lógica que é muito menos a do primado das ideologias e muito mais a do primado da procura de soluções para um país que enfrenta um desafio muito complexo neste fim de século.</P>
<P>
P. -- Esperava-se, no entanto, mais gente do centro-direita...</P>
<P>
R. -- Não estou de acordo. Inclusivamente tivemos nos Estados Gerais muita gente que colaborou com o Governo nos primeiros anos de Cavaco Silva, naquilo que lhes parecia ser um projecto renovador, e que depois chegaram à conclusão de que, afinal, era um projecto arcaico e que rapidamente se esgotou. Não faz sentido dizer que estes foram os Estados Gerais da esquerda, estes foram os Estados Gerais de uma Nova Maioria que se assume na esquerda democrática e no centro político em Portugal.</P>
<P>
P. -- As conclusões dos Estados Gerais são a espinha dorsal do futuro programa de governo?</P>
<P>
R. -- As conclusões dos Estados Gerais são um conjunto de orientações, princípios e valores que serão totalmente tidos em conta na elaboração do programa de governo.</P>
<P>
P. -- E as pessoas que participaram neles são o embrião de um futuro governo socialista?</P>
<P>
P. -- Seguramente que, na equipa que agora vou constituir para a elaboração do programa de governo, estarão, na sua esmagadora maioria, elementos que participaram nos conselhos coordenadores. É também minha intenção que esses conselhos se mantenham em funções e possam ser câmaras de diálogo permanente para a aferição e debate em torno da concretização detalhada das políticas sectoriais do programa de governo.</P>
<P>
P. -- As pessoas que assinaram o contrato de legislatura são os pontas-de-lança do PS para um governo?</P>
<P>
R. -- Não deve tirar-se nenhuma ilação directa entre a participação das pessoas nos Estados Gerais e a presença nesta ou naquela pasta ministerial. Essas pessoas foram escolhidas de acordo com critérios que têm que ver com a sua própria representatividade na sociedade portuguesa. Não necessariamente com o exercício de funções governativas.</P>
<P>
P. -- Nesse grupo de pessoas havia, incontestavelmente, nomes de peso, mas também surgiram pelo menos dois que pareciam estar ali por razões eleitoralistas, casos de Carlos Lopes e Rosa Mota...</P>
<P>
R. -- Não se trata de razões eleitoralistas. Em primeiro lugar, porque houve um fórum muito importante para tratar das questões do desporto. Em segundo lugar, a sua presença tem um significado simbólico fundamental: nós queremos um país vencedor; e, para todos nós, Carlos Lopes e Rosa Mota representam a vitória de Portugal. A sua presença nos Estados Gerais é a presença de um Portugal vencedor, não a de um Portugal que fica para trás, que perde terreno em relação ao resto da Europa. É o Portugal que ganha a maratona, e não o Portugal que está a perder a maratona.</P>
<P>
P. -- Mas esse parece ser mais o terreno dos tempos de antena, não o de um fórum de discussão...</P>
<P>
R. -- Não é o terreno dos tempos de antena, é um terreno simbólico fundamental. Os Estados Gerais não foram um desfile de ministeriáveis, foram a criação de condições para criar um Portugal vencedor, e isso também passa pelos símbolos e pela vivência das emoções.</P>
<P>
P. -- Então, para quando a equipa de elaboração do programa de governo?</P>
<P>
R. -- Será concretizada nas próximas semanas.</P>
<P>
P. -- Nessa altura vai, certamente, ter um enorme problema para conciliar as expectativas de um Barros Moura e de um Victor Sá Machado...</P>
<P>
R. -- O que há de mais notável nos textos que foi possível reunir no contrato de legislatura é que eles representam um consenso muito grande em relação ao essencial das estratégias e das políticas, assim como uma muito significativa compatibilização de pontos de vista. Saímos dali com uma prioridade clara, assumida por todos, que é a da valorização das pessoas, do conjunto educação-formação-ciência-cultura. Isso foi assumido por todos, mesmo aqueles que se preocuparam com as questões da saúde, da agricultura ou da indústria. Como prioridade fundamental, será a grande condicionante das próprias prioridades orçamentais. Quando é possível obter este tão importante consenso, não é de esperar que haja agora dificuldades na concretização do detalhe dos programas sectoriais.</P>
<P>
P. -- Os documentos dos Estados Gerais contêm sobretudo declarações de intenções -- e muitas delas até poderiam ser subscritas por gente de outros partidos --, e tem poucas medidas concretas, ficando a sensação de que relativamente a estas, que são as mais difíceis, já nem todos estarão de acordo. Não houve decisões porque não houve consensos?</P>
<P>
R. -- Comecemos pelas questões fulcrais. Questão central da política económica é a compatibilização dos objectivos de desenvolvimento com a União Económica e Monetária: há total consenso e total clareza, espelhada, aliás, em dois textos provenientes de dois conselhos diferentes e que são inteiramente compatíveis.</P>
<P>
P. -- Nessa matéria também não há diferenças importantes em relação à actual maioria...</P>
<P>
R. -- Há divergências profundas relativamente à forma como foi conduzida a política económica no passado.</P>
<P>
P. -- Não foi isso que se depreendeu da entrevista de Daniel Bessa à SIC...</P>
<P>
R. -- Há divergências profundas. A forma como se conseguiu a desinflação da economia portuguesa foi, do meu ponto de vista, trágica, na medida em que foi feita à custa do sector produtivo, das empresas e do emprego. Isso não quer dizer que nós sejamos favoráveis a que, agora, se reinflacione a economia. Nós consideramos que é muito importante manter uma política de estabilidade cambial e uma inflação baixa, o que não quer dizer que tenhamos estado de acordo com a estratégia que foi seguida para alcançar esses objectivos.</P>
<P>
P. -- Então concorda com a estratégia que está a ser seguida agora?</P>
<P>
R. -- Em muitos aspectos sim. Noutros, sobretudo naqueles que têm que ver com as prioridades orçamentais, há divergências profundas que estão explicitadas no contrato de legislatura Mas passemos à segunda questão fulcral: a prioridade fundamental.</P>
<P>
Ela foi assumida e é a prioridade na qualificação das pessoas, na educação, na formação profissional, na ciência e na cultura. É uma prioridade que contrasta com as do Governo anterior -- este foi o grande fracasso da acção governativa de Cavaco Silva, o grande sector esquecido. A tal ponto que um ex-secretário de Estado, Joaquim Azevedo, disse que a educação tinha deixado de ser uma prioridade para os governos de Cavaco Silva, nomeadamente depois de Roberto Carneiro ter perdido as batalhas que perdeu e ter sido obrigado a sair...</P>
<P>
P. -- A sensação com que se fica é a de que as vossas propostas são o programa de Roberto Carneiro retomado dez anos depois...</P>
<P>
R. -- ... e a prova é que nesta legislatura, a partir de 1992, o peso da despesa em educação no conjunto da despesa pública tem uma quebra de cerca de dois por cento. Além disso, houve uma total desorientação no sector educativo e um gigantesco desperdício na formação profissional. Quatro ministros, quatro políticas, o que quer dizer que nem Cavaco Silva nem o PSD tinham qualquer estratégia para a educação.</P>
<P>
Neste momento, há uma estratégia e dentro da educação há prioridades muito claras. As nossas duas prioridades fundamentais são a generalização da educação pré-escolar e uma aposta fundamental no ensino básico, para que num intervalo de tempo o mais curto possível haja um ensino básico humanizado, com escolas de um único turno, em que as crianças passem o dia inteiro na escola. Hoje passam metade do dia na escola da rua, o que nas zonas suburbanas é uma verdadeira tragédia.</P>
<P>
P. -- E quatro anos chegam para pôr isso em prática?</P>
<P>
R. -- Com certeza que não chegam, mas chegam para tornar irreversível o caminho nesse sentido. E está quantificado o esforço que vamos realizar nesses quatro anos. Em 1999, este sector terá um aumento de percentagem no PIB de cerca de um por cento; ou seja, tendo em conta as expectativas de crescimento económico até 1999 e a necessidade de redução do défice orçamental que nós próprios advogamos, isso representará cerca de um quarto do aumento da despesa pública previsível desde agora até então.</P>
<P>
É um objectivo perfeitamente viável, não é despesista, o que é despesista é a prática do Governo de Cavaco Silva. Em 1985, o Estado gastava cerca de 44 escudos em cada 100 escudos gastos no nosso país; em 1995 gasta 53 escudos. Se algum governo fez crescer a despesa pública, foram os de Cavaco Silva; se alguém não tem nenhuma autoridade moral para criticar como despesistas e demagógicas propostas quantificadas, viáveis e que se dirigem a uma necessidade vital do país, é o PSD.</P>
<P>
P. -- Antes do despesismo, retomemos a questão da educação: o que o seu governo pretende fazer é a política de Roberto Carneiro com mais dinheiro?</P>
<P>
R. -- Não. Há o reconhecimento do que o dr. Roberto Carneiro fez há dez anos e que o Governo não cumpriu, tendo ele de ser sacrificado. Mas há algumas divergências de orientação relativamente à prática política de Roberto Carneiro, nomeadamente na ênfase das prioridades. A prioridade ao pré-escolar não era uma prioridade de Roberto Carneiro, é nossa.</P>
<P>
P. -- Qual é o objectivo do PS relativamente ao pré-escolar?</P>
<P>
R. -- O nosso objectivo é conseguir que o mais rapidamente possível exista uma cobertura nacional do pré-escolar, embora não como um sistema estatal.</P>
<P>
P. -- O primeiro-ministro disse que o objectivo do seu Governo é conseguir 85 a 95 por cento até ao fim do século. Não se está a ver a diferença...</P>
<P>
R. -- Esse objectivo é totalmente incompatível com as suas prioridades orçamentais e com o facto de o Governo ter renunciado, em sede de negociação do Quadro Comunitário de Apoio, ao financiamento europeu para o pré-escolar. As afirmações de Cavaco Silva não passam de demagogia.</P>
<P>
Mas por que é que o pré-escolar é essencial? Porque é uma condição decisiva para a igualdade de oportunidades. Eu próprio, quando era estudante universitário, trabalhei num bairro de lata de Lisboa onde tínhamos jardins-escola. Fizemos um estudo estatístico do comportamento dos alunos do nosso jardim-escola no ensino primário e verificámos que tinham um sucesso escolar muitíssimo superior ao das outras crianças do bairro. É, por isso, uma condição para um ensino básico muito mais eficaz, com muito menos perdas, com menos situações de abandono e insucesso.</P>
<P>
P. -- Porquê esta obsessão com a educação?</P>
<P>
R. -- A primeira razão desta prioridade total à educação decorre do facto de o modelo de desenvolvimento cavaquista, que assentou na mão-de-obra barata, estar esgotado com a dissolução do bloco de Leste e com a abertura dos mercados internacionais. Não somos mais a reserva de mão-de-obra barata do mercado europeu fechado. A segunda razão é que a educação é uma condição fundamental para a igualdade de oportunidades. O nosso sistema, infelizmente, reproduz as injustiças de geração para geração e, por isso, agrava a pobreza e a exclusão social.</P>
<P>
P. -- Essa aposta no básico é uma atitude nova dos partidos socialistas e da esquerda democrática na Europa. Será devido a ela que mantêm as propinas no ensino superior?</P>
<P>
R. -- É justo que as famílias de maiores recursos possam comparticipar nas despesas de educação superior dos seus filhos. O único problema é que isso assenta nas declarações do IRS e nós temos um sistema fiscal em que só pagam impostos directos os que vivem dos rendimentos do seu trabalho, as classes médias.</P>
<P>
P. -- Como é que fazem para ultrapassar este problema? Não vão pedir atestados de riqueza às juntas de freguesia...</P>
<P>
R. -- Queremos conduzir uma reforma fiscal, que é uma necessidade tão evidente para o país que o próprio Governo a reconhece e até convidou um socialista para dirigir a comissão da reforma. O que é necessário é que o IRS seja um imposto único sobre o rendimento, e não um imposto fundamentalmente sobre os rendimentos do trabalho.</P>
<P>
P. -- Mas, enquanto não há novo IRS, o que é que faz com as propinas?</P>
<P>
R. -- Nós pretendemos reformular o decreto-lei das propinas em simultâneo com a revisão do IRS, para conseguir este objectivo.</P>
<P>
P. -- Quantos anos?</P>
<P>
R. -- Espero que possa ser concretizado na primeira metade da legislatura. As questões da reforma fiscal não podem ser feitas de ânimo leve, mas temos ideias bastante concretas sobre o que é desejável fazer.</P>
<P>
P. -- Uma das pessoas fundamentais no painel da educação foi o prof. Mariano Gago, que ao longo de anos a fio se manifestou contra as propinas. Ele mudou de opinião?</P>
<P>
R. -- A conclusão a que chegámos todos em conjunto é que esta lei das propinas é injusta e por isso deve ser revista. Mas o princípio de que as famílias mais ricas devem poder suportar uma parte do custo da educação superior é um princípio justo. Para além de que há uma alteração que não pode ser esquecida: é que, neste momento, o número de alunos que entram no superior privado já é superior ao dos que entram para o público.</P>
<P>
P. -- Isso é precisamente um dos argumentos do Governo a favor das propinas e que, na altura, o PS combateu...</P>
<P>
R. -- O Partido Socialista sempre disse o que estou a dizer agora relativamente às propinas...</P>
<P>
P. -- Não foi isso que aconteceu no início, antes do seu mandato como secretário-geral...</P>
<P>
R. -- Eu sou responsável pelas posições do PS desde que sou dirigente, embora assuma gostosamente o passado do Partido Socialista.</P>
<P>
P. -- Voltemos às reformas fiscais: todos estão de acordo, o IRS é injusto, mas como é que resolve o problema?</P>
<P>
R. -- O caminho foi apontado desde logo por muitos dos que votaram vencidos, na altura em que o IRS foi estabelecido. O IRS permite cinco taxas liberatórias, o que quer dizer que há seis formas diferentes de taxar o rendimento, sendo que a mais pesada é a que cai sobre os rendimentos de trabalho, por um lado, e sobre os depósitos bancários, por outro. O que é indispensável é fazer um esforço no sentido de que, qualquer que seja a origem do rendimento, ele seja taxado da mesma maneira, isto é, um esforço de redução, se possível de anulação, do número de taxas liberatórias, criando condições para um verdadeiro imposto único. Esta orientação tem limites, tem dificuldades, mas será feita de forma responsável.</P>
<P>
P. -- E o problema dos impostos sobre o património?</P>
<P>
R. -- Esse problema é mais complexo porque são três: a sisa, a contribuição autárquica e o imposto sucessório. A sisa é um imposto particularmente antieconómico. Porquê? Porque, numa sociedade onde a mobilidade e a flexibilidade são cada vez mais desejáveis, a sisa penaliza a transmissão da propriedade. Por isso é desejável que ela seja abolida. Agora, não podemos esquecer que a sisa tem um rendimento significativo, pelo que não vamos aboli-la se não encontrarmos uma solução do mesmo tipo mais racional e que assegure um nível de receitas equivalente.</P>
<P>
O segundo domínio em que há profundas injustiças é o da contribuição autárquica. Se existirem duas casas ao lado uma da outra, uma com avaliação matricial antiga e outra com uma avaliação actualizada, a primeira praticamente não paga nada e a segunda sofre um processo que é verdadeiramente expropriatório. Se fosse feita uma reavaliação de todos os patrimónios e fossem aplicadas as taxas actuais, criaríamos um sistema de expropriação global da economia. O que nos parece desejável é fixar o montante que o Estado deseja cobrar e iniciar um processo de transição que permita uma reavaliação do património e conduza, simultaneamente, a uma redução drástica da taxa.</P>
<P>
O imposto sucessório tem um problema semelhante. As grandes fortunas não o pagam e há certos patrimónios, nomeadamente imobiliários, que também sofrem penalizações quase expropriatórias. A nossa intenção é criar condições que permitam, com a igualização, um imposto sucessório cujas taxas sejam muitíssimo mais baixas do que as actuais.</P>
<P>
P. -- E isso não leva a uma perda de receitas?</P>
<P>
R. -- Não, não. O que eu pretendo obter é a mesma receita, mas garantindo justiça e equidade na sua aplicação.</P>
<P>
P. -- Alarga então a base?</P>
<P>
R. -- Alargando a base de tributação, baixo as taxas.</P>
<P>
P. -- Mas esse é exactamente o objectivo da reforma fiscal que está em curso...</P>
<P>
R. -- Se esse é o objectivo, isso dá-me uma enorme vontade de rir, porque o que eu vejo é que estamos cada vez pior nesse domínio. Se estão satisfeitos com a situação actual, continuem a pagar os seus impostos, votem no PSD e vivam felizes. Eu estou tão insatisfeito com os impostos, acho que o que se está a passar é de uma injustiça tão gritante e as pessoas sentem-no tanto que muitos se julgam legitimados para fugir ao fisco. Ora, um dos mais graves dramas da sociedade portuguesa é a generalização da ideia de que só os parvos têm que pagar impostos. Com justiça fiscal, o normal seria que as pessoas sentissem o dever cívico de pagar os seus impostos.</P>
<P>
P. -- A observação tem em conta o que está escrito como objectivo da reforma fiscal...</P>
<P>
R. -- Não está escrito nem está aplicado. E devo dizer-lhe que o prof. Cavaco Silva está no poder há dez anos, já teve tempo para aplicar tudo quanto era necessário para resolver este problema. Não tem nenhuma autoridade moral para pedir um crédito de confiança para continuar a não fazer aquilo que nunca fez.</P>
<P>
P. -- Ele não pediu, vai-se embora...</P>
<P>
R. -- ... pede para o dr. Fernando Nogueira que é uma emanação sua, sem qualquer novidade ou inovação.</P>
<P>
P. -- Toda essa reforma fiscal, vai fazê-la no mesmo prazo de dois anos?</P>
<P>
R. -- Não. Considero que os ajustamentos no IRS são, apesar de tudo, mais simples do que os outros. Os ajustamentos em relação à riqueza exigem períodos de transição bastante dilatados no tempo. As alterações ao IRS serão uma prioridade, até para nos permitir introduzir um outro princípio importante: o da selectividade nas políticas sociais. Para isso são necessárias ideias inovadoras. Vou dar um exemplo: a habitação social tem tido como princípio a construção de casas pelo Estado e a bonificação de juros para a sua compra; em vez disso, o que nos parece fundamental é reabilitar o mercado de arrendamento e que o esforço do Estado se destine a apoiar as famílias no seu rendimento, para que elas tenham acesso a esse mercado.</P>
<P>
P. -- Isso não é, à partida, muito parecido com o já existente subsídio de renda?</P>
<P>
R. -- O subsídio de renda foi uma ideia do Governo do bloco central que nunca foi aplicada a sério.</P>
<P>
P. -- A par da educação, a criação do rendimento mínimo garantido é a sua única promessa quantificada. Não teme que essa medida não só gere uma enorme burocracia, como acabe por constituir um estímulo ao não-trabalho?</P>
<P>
R. -- Se o rendimento mínimo garantido fosse muito elevado, poderia eventualmente funcionar como estímulo ao não-trabalho. Mas, como fomos muitos cautelosos e a base de cálculo é a pensão social (17.50000), o rendimento mínimo destina-se a assegurar apenas aquilo a que eu chamaria as condições mínimas de dignidade humana e de sobrevivência. Para além disso, a atribuição do rendimento mínimo pressupõe o acompanhamento das famílias no sentido de as apoiar na formação profissional ou na procura de postos de trabalho.</P>
<P>
Por outro lado, se o rendimento mínimo garantido fosse gerido pela burocracia central do Estado, teria esses inconvenientes. Mas as experiências dos países da UE onde ele existe -- e são todos menos Portugal e a Grécia -- revelam que a sua aplicação é tanto mais eficaz quanto mais descentralizada. A nossa proposta é que seja gerido a nível local e com a participação das organizações de solidariedade social mais envolvidas no tratamento das questões da pobreza. Queremos fazer participar a sociedade e evitar o alargamento de uma burocracia de Estado.</P>
<P>
P. -- E quanto custa isso?</P>
<P>
R. -- Com o grau de cautela que tivemos, o esforço é de apenas 0,3 por cento do PIB. É um preço muito baixo para a dignidade das pessoas, sobretudo quando há em Portugal cada vez mais famílias que não têm nenhum rendimento legal. E ajudará a eliminar causas que são hoje geradores da criminalidade nas ruas, geradoras de uma profunda intranquilidade. Ao assumir, pela primeira vez em Portugal, o combate à pobreza como uma prioridade...</P>
<P>
P. -- Já está a falar de outra prioridade, para além da educação...</P>
<P>
R. -- É com um nível de afectação de recursos muito menor, são níveis diferentes de aposta. Ao assumir este combate à pobreza, estamos a dar um contributo para resolver um dos problemas mais graves da sociedade portuguesa, que é o aumento da criminalidade e tráfico de droga.</P>
<P>
P. -- Vejamos um caso concreto: aplicando essa lei, iria acontecer que todos os arrumadores de carros que enxameiam as cidades portuguesas e tenham mais de 25 anos passariam a receber o rendimento mínimo garantido. E isso não parece nada que os tirasse da rua, antes seria mais provável que fosse alimentar o consumo de droga...</P>
<P>
R. -- Não estou nada de acordo com isso. Quem ler o projecto de lei vê que há outras medidas, de acompanhamento social. Foram escolher um exemplo... Mas a situação que mais me preocupa ainda é a daquelas famílias em que marido e mulher, com 45 anos, sem habilitação escolar e profissional, ficam desempregados. Quando terminam os prazos dos subsídios de desemprego, ficam sem nada. Para essas situações é irrecusável moralmente o rendimento mínimo garantido. Será pouco, não chegará, mas é qualquer coisa.</P>
<P>
P. -- Mas na situação dessa família bastaria prolongar os subsídios de desemprego «ad eternum»...</P>
<P>
R. -- Ora bem, mas isso sairia muitíssimo mais caro e é hoje reconhecido nos países da Comunidade que assim procedem como sendo um elemento fortemente dissuasor da procura de novos postos de trabalho, porque permite manter sem limite o rendimento da família sem ela trabalhar.</P>
<P>
P. -- Voltando aos custos: em Setembro de 1993, numa entrevista falava de 20 a 30 milhões de contos. O projecto do PS, de Maio de 1994, fala de 35 a 40 milhões. O dr. Daniel Bessa, na SIC, disse que seriam 50 milhões de contos. Onde é que vamos parar? Não receia que se isto transforme numa caixa de pandora?</P>
<P>
R. -- O problema da quantificação exacta é que não existem em Portugal estatísticas de rendimento, só existem estatísticas de consumo. Por isso, o trabalho técnico foi complicado para se poder ter uma estimativa sólida sobre o custo efectivo da medida. A nossa estimativa final no projecto-lei é de 35 a 40 milhões de contos no imediato, sendo de 50 o limite para 1999.</P>
<P>
P. -- E os imigrantes estrangeiros desempregados têm direito a esse rendimento mínimo?</P>
<P>
R. -- Têm, é para todas as famílias residentes em Portugal. Essa é uma questão de filosofia humanista de que não abdicamos, seja impopular ou não. Aliás, a nossa escolha da educação não é uma questão de popularidade. Há um estudo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, de 1990, onde se vê que a maioria dos portugueses desvaloriza o papel da educação como vector essencial do desenvolvimento. Mas, para nós, o facto de não haver essa consciência não nos faz desistir, antes nos faz ser ainda mais enfáticos na explicação da importância vital da aposta na educação.</P>
<P>
P. -- Assim ainda perde as eleições...</P>
<P>
R. -- Eu confio no esforço pedagógico que estamos a fazer e confio que os portugueses vão perceber que temos propostas sérias e não eleitoralistas.</P>
<P>
P. -- Apesar do que disse o Presidente da República recentemente, o seu objectivo é a maioria absoluta...</P>
<P>
R. -- Ora aí tem um ponto em que não estamos de acordo...</P>
<P>
P. -- Sim, mas, mesmo deixando de lado a estratégia da «anormalidade» e da criação artificial de conflitos, temos de concordar, como diz Pacheco Pereira, que o sistema político português não favorece a formação de maiorias absolutas...</P>
<P>
R. -- Há maiorias absolutas há oito anos...</P>
<P>
P. -- Isso não altera o essencial. Em Espanha, com 37-38 por cento obtém-se uma maioria absoluta, enquanto em Portugal são necessários 43-45 por cento. Para obter este tipo de votação, sobretudo um partido de esquerda como o PS, que tem à sua esquerda um osso tão duro de roer como o PCP, mais difícil de esvaziar do que o CDS, não será necessário dramatizar as opções como, de alguma forma, foi feito nas presidenciais de 1986 ou aquando das maiorias de Cavaco Silva?</P>
<P>
R. -- Referiu duas coisas diferentes: uma é o sistema político -- eu desejo que o PS tenha uma maioria, não quero ter essa maioria sem ter a confiança dos portugueses e, para mim, a proporcionalidade é um valor no qual acredito. A outra é a dramatização -- eu sou defensor da dramatização da vida política, mas em torno de questões reais; sou contrário à dramatização em torno de questões artificiais. Não contem comigo para dramatizar a vida política abrindo polémicas estéreis entre órgãos de soberania. A dramatização da vida política para defender as minhas ideias fá-la-ei de forma tão forte e tão audível quanto for possível.</P>
<P>
P. -- Não é isso que ressalta para a opinião pública...</P>
<P>
R. -- ... porque a própria lógica de funcionamento da relação entre a sociedade política e a sociedade mediática funciona mais no sentido de valorizar a dramatização das questões do político puro e, às vezes, do politiqueiro. É um dado de facto que eu aceito, porque a vida é o que é.</P>
<P>
P. -- Mas o que ressalta também dos Estados Gerais é que, afinal de contas, em termos de política macroeconómica e política europeia continua tudo na mesma. Há, sobretudo, alguém que oferece mais investimento na educação e o rendimento mínimo garantido. Isso não é pouco para clarificar as opções?</P>
<P>
R. -- Tive ocasião de dizer no encerramento dos Estados Gerais que a alternância democrática é um valor. E, por isso, o PS não estará no poder para sempre. Até é bom para a democracia que assim aconteça. Agora, há governos que passam e não deixam marcas, e eu gostaria de deixar três marcas. A primeira, a da transparência e da cultura democrática no exercício do poder, da dessacralização do poder -- e isso é muito importante porque tem que ver com a cidadania e a participação. A segunda marca será assumir como prioridade essencial a valorização das pessoas e tornar isto de alguma forma irreversível. A terceira tem que ver com uma sensibilidade às questões sociais, com uma cultura de solidariedade a que a vida portuguesa tem sido muitas vezes avessa. É aqui que estará o essencial da diferença.</P>
<P>
Hoje, todos devemos reconhecer que a margem de manobra das políticas económicas é limitada. Pertencemos à UE, isso tem regras, e essas regras serão cumpridas. Não há nenhuma corrente política com futuro que não reconheça que é ao mercado que compete o essencial na afectação dos recursos na economia e que não reconheça que o Estado deve ter sobretudo um papel regulador e reequilibrador no plano da justiça e da solidariedade.</P>
<P>
P. -- A esquerda mais próxima da direita?</P>
<P>
R. -- Aquilo que cada vez mais distingue esquerda e direita numa perspectiva moderna prende-se com as questões da cidadania, com a sensibilidade às questões sociais, com a valorização da cultura e com a educação. Quem ache que para ser de esquerda é preciso ser a favor das nacionalizações ou que o mercado não deve ser respeitado está, pelo menos, 20 anos atrasado. É algum saudosismo desse tipo de esquerda que envenena muitas das análises sobre as diferenças entre o PS e o PSD. Não é por acaso que o principal intérprete da tese da não-diferença entre o PS e o PSD e o dr. Álvaro Cunhal.</P>
<P>
P. -- Ainda há um eleitorado afecto às teses de Álvaro Cunhal que pode ajudar a decidir a vitória do PS. O que é que tem a dizer a esse eleitorado?</P>
<P>
R. -- Terão de escolher se querem ter um governo do PSD ou um do PS. Se querem ter um governo do PS, têm de votar no PS.</P>
<P>
P. -- O que lhes diz é para votarem útil, mais nada?</P>
<P>
R. -- Com certeza. Um dos critérios fundamentais da motivação do eleitorado é a utilidade do voto. Para eu conseguir o voto dos comunistas, basta que eles compreendam que, do ponto de vista da justiça social e das garantias democráticas, do ponto de vista do combate ao abuso do poder, ao clientelismo e à corrupção, há muito a ganhar em votar PS. Não preciso de parecer comunista.</P>
<P>
P. -- A educação e o rendimento mínimo garantido serão, assim, as únicas diferenças quantificadas na vossa proposta eleitoral?</P>
<P>
R. -- Essas duas medidas correspondem a dois objectivos inamovíveis que nós entendemos que deviam já ser quantificados. Em relação a todos os outros sectores, a possibilidade de ir mais ou menos longe depende da própria evolução da economia. E naturalmente que se poderá ir mais longe na saúde, na habitação, se for mais rápido e mais forte o crescimento da riqueza. Definimos estratégias, definimos orientações, nalguns casos profundamente inovadoras. O que dizemos sobre saúde, por exemplo, é profundamente inovador, mas não se assume um objectivo quantificado porque vai depender do que for o crescimento da economia.</P>
<P>
P. -- Não teme que haja depois algumas desilusões? Por exemplo: na área da cultura, há zonas que parecem ter alguma continuidade e outras de ruptura, mas, em muitos aspectos, mais uma vez parece estar-se perante um regresso a uma política anterior. Muitas daquelas políticas, de alguma forma, eram do tempo de Teresa Patrício Gouveia...</P>
<P>
R. -- Mas qual é o mal disso?</P>
<P>
P. -- Não tem mal nenhum...</P>
<P>
R. -- Eu não sou pelo pecado original das políticas. O facto de o PSD ter tomado uma medida certa não quer dizer que a gente a não tome. Só é pena que tenha abandonado algumas das medidas certas que tomou no princípio.</P>
<P>
P. -- Algumas delas foram abandonadas por razões orçamentais...</P>
<P>
R. -- As medidas culturais não foram abandonadas por razões orçamentais, foram abandonadas pela lógica de terra queimada do dr. Santana Lopes.</P>
<P>
P. -- E recuperam muitos dos colaboradores da ex-secretária de Estado...</P>
<P>
R. -- Com certeza, é mais uma prova de que, afinal de contas, nem tudo foram ex-militantes do PCP nos Estados Gerais. É que o PSD deu uma ilusão de abertura há dez anos e, depois, fechou-se sobre si próprio. E o PS foi no passado um partido fechado e, hoje, está aberto à sociedade portuguesa. É por isso que eu acho que o PS é hoje um partido portador de futuro e que o PSD é hoje um partido esgotado. E é para mim profundamente positivo ter comigo muitos técnicos qualificados que, há dez anos, apostaram em apoiar o Governo do PSD porque acreditaram nele.</P>
<P>
P. -- Voltando ao painel da cultura, nomeadamente à política da televisão pública, o que lá é proposto não implica uma duplicação do investimento do Estado?</P>
<P>
R. -- Porventura não, se aceitarmos que a televisão pública não pode disputar audiências a qualquer preço, mas sim aceitar alguma modéstia no seu funcionamento. Eu penso que a actual situação na televisão é de desperdício, de gasto absolutamente inacreditável, de total falta de controlo nas despesas, o que configura, para além de uma manipulação política intolerável, sobretudo na informação do primeiro canal, a maior incompetência de gestão. Se há conselho de gestão que tem revelado a maior incompetência, para além de total subserviência na lógica do comissariado político em relação ao PSD, tem sido o da televisão pública dos últimos anos.</P>
<P>
P. -- Não reconhece que a gestão de Freitas Cruz modificou a política despesista anterior?</P>
<P>
R. -- Alguns dos contratos celebrados ou mantidos pelo dr. Freitas Cruz são ruinosos.</P>
<P>
P. -- Tais como?</P>
<P>
R. -- Por exemplo, os que respeitam ao futebol.</P>
<P>
P. -- Admitiria um governo socialista a privatização de um dos canais públicos?</P>
<P>
R. -- A estratégia que está configurada nos Estados Gerais e que assumo neste momento é a da existência de um segundo canal destinado apenas a públicos minoritários e de um primeiro canal generalista, embora com uma lógica que não seja a da disputa frenética das audiências. A evolução futura do audiovisual é imprevisível.</P>
<P>
P. -- O PSD tem disposto da vantagem de conseguir ser, por vezes, poder e oposição ao mesmo tempo, uma espécie de alternância a si próprio. Por vezes, a contestação no seio da maioria foi superior à protagonizada pelo PS...</P>
<P>
R. -- Penso que uma das vantagens que teve o último congresso do PSD foi a de deixar claro que quem ganhou foi o aparelho e que qualquer impulso renovador foi completamente inviabilizado. Com a actual solução, parece-me óbvio que o PSD não está em condições de assegurar a alternância a si próprio, quem ganhou foi o mesmo PSD. Agora, a questão da alternância deve ser colocada em relação às maiorias. Eu sou defensor da estabilidade política e reconheço que esta se consegue mais facilmente com maiorias de governo. Por isso, entendo que a uma maioria do PSD deve seguir-se uma maioria do PS.</P>
<P>
P. -- Afirmou que Fernando Nogueira seria o Carvalhas de Cavaco Silva. Mantém essa ideia, mesmo depois de ele ter saído do Governo contra a opinião de Cavaco?</P>
<P>
R. -- O problema é que o dr. Fernando Nogueira afirmou primeiro que queria sair do Governo, depois o primeiro-ministro não deixou, e ele submeteu-se à sua vontade e só veio a sair tarde de mais, quando devia ter saído no início. Afirmou recentemente que o PSD é dirigido por uma «troika» composta por ele próprio, pelo primeiro-ministro e pelo dr. Pacheco Pereira. Logo, eu diria que há hoje três PSD, o que revela que o dr. Fernando Nogueira atribui a si próprio uma situação de subalternidade.</P>
<P>
P. -- Não acha que, alterando o estatuto dos titulares dos cargos políticos, mexendo nos seus direitos e obrigando à transparência, afunila o recrutamento de pessoas para a actividade política?</P>
<P>
R. -- Penso que cada vez mais ficaremos restritos a recrutar gente séria.</P>
<P>
P. -- Nem todos os sérios são competentes e nem todos os competentes são sérios...</P>
<P>
R. -- ... não estou de acordo que haja uma relação inversa entre a competência e a seriedade da classe política...</P>
<P>
P. -- ... a questão é saber se não considera que, com estas restrições, terá de haver compensações, pagando melhor a quem se dispõe a exercer cargos dessa natureza?</P>
<P>
R. -- Poderá não ser das mais bem pagas do mundo, mas não creio que esse seja o problema decisivo da qualidade da classe política.</P>
<P>
P. -- Mas a questão do vencimento não é importante?</P>
<P>
R. -- Não considero que essa seja uma questão essencial. O essencial é a existência de regras de transparência e de incompatibilidades que permitam acabar com a promiscuidade entre o interesse público e os privados e que permitam garantir o restabelecimento da confiança da população naqueles que governam. E não creio que isso afaste gente competente. Penso, sim, que afastará -- e é bom que afaste -- aqueles que pretendem ir para a política para auferir benefícios ilegítimos. Eu não acho que haja qualquer vantagem em ter um deputado cujo objectivo seja servir-se dessa sua condição para vender mais caro o seu serviço a empresas nas negociações com o Estado. Isso é o que existe hoje. Afastar esses deputados não é afastar a competência, é afastar a falta de seriedade.</P>
<P>
P. -- E essa situação é muito comum?</P>
<P>
R. -- Devo dizer-lhe que essa situação é hoje muito frequente, nomeadamente no partido do Governo. Até porque é legal.</P>
<P>
P. -- Uma das propostas de reforma é a do acesso de independentes às eleições para a Assembleia da República. Tendo em conta a recente criação de um partido confessional, não o preocupa que esta sua proposta possa favorecer a ocorrência de mais casos destes sem terem de passar por qualquer crivo, nomeadamente pelo Tribunal Constitucional?</P>
<P>
R. -- A minha posição é de princípio: o poder reside nos cidadãos e os partidos apresentam candidaturas em nome dos cidadãos. Não há nenhuma razão para que esse direito não seja dado aos próprios cidadãos e tenha de passar obrigatoriamente pela mediação dos partidos. A questão que me põe é uma questão real, há sempre riscos de perversão no sistema democrático, mas eles tanto existem pela possibilidade de apresentação de candidaturas independentes como pela de criação de partidos realizando a forma de perversão que referiu, visto que já hoje com cinco mil assinaturas se pode criar um partido político. É extremamente fácil em Portugal a um qualquer tipo de interesses criar um partido político para prosseguir esses fins.</P>
<P>
P. -- É mais fácil fazer um partido do que promover um referendo local...</P>
<P>
R. -- Uma das coisas que desejamos é criar condições que facilitem os referendos locais, que hoje são praticamente inviáveis, e ao mesmo tempo dar a iniciativa popular aos cidadãos para o referendo nacional.</P>
<P>
P. -- Antes da saída de cena de Cavaco Silva, a grande derrota para si seria o PSD repetir a maioria absoluta, mas agora toda a gente considera Nogueira um candidato mais fraco, logo o seu desafio aumentou substancialmente -- será sempre um derrotado se não conquistar a maioria. Se não a alcançar, o que é que faz?</P>
<P>
R. -- O que vou fazer di-lo-ei na altura, de acordo com a minha consciência. O meu objectivo antes e depois é o mesmo: ganhar as eleições.</P>
<P>
P. -- Ganhar as eleições ou ganhá-las com maioria?</P>
<P>
R. -- Ganhar as eleições com maioria absoluta, porque considero que a estabilidade é um valor. Mas também disse que, se não tiver maioria absoluta, aceitarei o veredicto dos portugueses, governando com maioria relativa.</P>
<P>
P. -- Fernando Nogueira não tem o carisma de Cavaco Silva, mas também não concentra sobre si tantos ódios. No seu entender, ele é um adversário mais fácil ou mais difícil?</P>
<P>
R. -- Não sei, nem isso me preocupa, o que me preocupa é a força das nossas ideias, das nossas convicções e dos nossos valores. Nós não lutamos contra o PSD, lutamos a favor daquilo que pensamos para o país.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-77558">
<P>
Bibliografia de Censurados</P>
<P>
Os Censurados nasceram em Lisboa " no ano de 1988, pelo antigo vocalista da banda Ku de Judas, João Ribas, juntando-se-lhe Orlando Cohen, o ex-membro dos Peste &amp; Sida, Samuel Palitos e ainda Fred Valsassina.</P>
<P>
Os Censurados começaram por tocar ao vivo. Muito. As letras, em português, eram simples e directas, refrões fortes que traduziam o sentimento da juventude da era Cavaquista. O primeiro registo em vinil, na compilação "Feedback" incluiu os temas "Senhores Politicos", Não Vales Nada" e "Está a andar de Mota" (um instrumental). "Tu ò Bófia", "Não Vales Nada", "Angústia", "Senhores Politicos" eram temas fortíssimos que foram passando de cassete em cassete e eram entoados em coro nos concertos muito antes do lançamento do álbum "Censurados"1990. Este disco é um album histórico que foi aclamado pela mais importante fanzine dedicada ao Punk e Hardore "na altura, a Maximum Rockn'Roll(EUA) apesar das letras em português, o que mostra a qualidade das composições e sobretudo das prestações dos músicos.</P>
<P>
Em 1991 editam o 2º album "Confusão" e passam o anos seguintes na estrada. Em 1993 sai o "Sopa" com o single de mesmo nome e uma participação de Jorge Palma na música "Estou agarrado a ti". O ano de 1994 é o ano da despedida, mas antes participam no tributo a Zeca Afonso, "Filhos da Madrugada" com a reedição do tema "O que faz falta".</P>
<P>
Em 1998 a editora "El Tatu" de Tim reedita os albuns "Censurados" e "Sopa".</P>
<P>
Em 1999 os Censurados reaparecem, para rejubilo dos fãns, participando no tributo de Xutos &amp; Pontapés, "XX Anos XX Bandas". Participaram na tourné de promoção desse disco com os Xutos, mas ao contrário do que se esperava os Censurados ficaram por aí, não voltando nunca mais.</P>
<P>
Em 2006 é lançado a biografia da banda, "Censurados Até Morrer", escrita por Augusto Figueira e Renato Conteiro.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40350">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
O Conselho de Segurança da ONU reuniu-se ontem à noite em Nova York para debater a chacina de palestinos em Hebron e esperava-se uma declaração condenando o massacre e destacando a necessidade de que continue o diálogo entre Israel e a OLP. O secretário-geral das Nações Unidas, Boutros Boutros-Ghali, condenou " nos termos mais fortes possíveis esse desprezível ato de violência" e exigiu que Israel garanta que os colonos nos territórios ocupados "evitarão esses atos criminosos".</P>
<P>
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia defendeu medidas que "assegurem a continuidade produtiva das conversações e que impeçam que extremistas tenham a chance de torpedear o processo de paz". Para Moscou, a condenação do massacre pelo governo israelense "não exime a liderança de Israel de sua responsabilidade nem remove a necessidade de agir para evitar uma escalada de violência".</P>
<P>
A Cruz Vermelha exortou as Forças Armadas israelenses e os palestinos a respeitarem a população civil. O Organismo de Socorro da ONU aos Refugiados Palestinos expressou "consternação pela magnitude da matança". O recém-criado Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos disse que Israel deve "assumir sua responsabilidade para evitar crimes como esse e punir seus autores". O governo da França condenou o "crime hediondo cometido num local de oração" e anunciou o envio imediato de 3 toneladas de medicamentos para Hebron.</P>
<P>
O líder líbio, Muammar Gaddafi, comparou o autor da chacina a líderes terroristas conhecidos: "Abu Nidal, Ahmed Jibril e outros combatentes palestinos são anjos em comparação com os selvagens israelenses que cometeram esse ato escandaloso contra fiéis inocentes". O governo da Jordânia decretou três dias de luto oficial.</P>
<P>
O chanceler do Líbano, Faris Bouez, disse que "essa chacina lembra o Holocausto" (o massacre de judeus pelos nazistas). O governo do Irã decretou um dia de luto e disse que "o massacre foi uma consequência previsível do apoio dado pelo imperialismo norte-americano à política do ilegal e ilegítimo regime sionista".</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-74122"> 
<P>TERROR, POP ART E CONTRACULTURA</P>
 <P> A história dos quadrinhos, de Bill Gaines a Roy Lichtenstein </P>
 <P> Por Vladimir Cunha (yoyodine@hotmail.com) </P>
 <P> Até 1947, o jovem William M.Gaines não passava de um bon-vivant dedicado única e exclusivamente às coisas boas do mundo. Mas só até 1947, pois naquele mesmo ano sua vida mudaria drasticamente após a morte de sua mãe num acidente de barco. Profundamente abatido com a tragédia, seu pai, Max Gaines, resolveu retirar-se dos negócios e passou para o filho a missão de tocar adiante a empresa da família, a editora de quadrinhos religiosos Educational Comics. O único problema é que quadrinhos religiosos não eram exatamente um gênero de sucesso entre a molecada, que preferia as aventuras do Capitão América às adaptações carolas de passagens do Novo Testamento, daí ser compreensível que a Educational Comics estivesse em sérias dificuldades financeiras. Entretanto, o destino de Gaines tomaria um rumo inesperado quando ele cruzou o caminho de Al Feldstein, um talentoso artista freelancer em começo de carreira e que, assim como o ex-playboy, adorava aventuras de terror e mistério. Descobertas as afinidades, a dupla juntou as forças e criou duas histórias: A Cripta do Terror e A Câmara do Horror. E já que pior do que estava não podia ficar, Gaines aproveitou a editora que herdara do pai e lançou os dois títulos no mercado. Nasciam aí os quadrinhos de terror e a lendária EC Comics. </P>
 <P> A publicação bolada por Gaines e Feldstein, batizada com o apropriado título de Tales From the Crypt, tornou-se um sucesso espetacular entre crianças e adolescentes e motivo de choque para os norte-americanos adultos. Jamais o cidadão comum - classe média, branco, suburbano e fiel defensor do American Way of Life como o caminho mais curto para o Paraíso - iria permitir que seus filhos passassem o tempo lendo histórias sobre aberrações, trapaças, assassinatos, bruxaria, exorcismo e magia-negra. O mundo permitido era aquele idealizado nas pinturas de Norman Rockwell, do garoto loiro de cabelo escovinha, das ceias do Dia de Ação de Graças e das bandeirantes de rosto corado. A América mergulhava no sonho da prosperidade capitalista, numa vida melhor através da química e no seu estabelecimento como superpotência econômica e militar. Encarar o lado feio e bizarro da vida não estava nos planos de ninguém. Exceto da molecada, que, dos cafundós do Arkansas ao centro de Nova Iorque, fazia a fortuna de Gaines comprando qualquer coisa que tivesse o selo EC Comics estampado na capa. </P>
 <P> Isso aconteceu porque Bill Gaines criou uma identificação imediata com o público ao se apropriar da linguagem radiofônica - todas as histórias eram apresentadas por um narrador, geralmente o Zelador da Cripta, a Bruxa Velha ou o Guardião da Câmara - e também porque arrebanhou um time de artistas de primeira para atingir, nas páginas da revista, o clima de demência que as histórias pediam. Assim como Will Eisner, os desenhistas Jack Davis, Frank Frazetta, Johnny Craig e
Graham "Ghastly" Ingels tinham um traço sombrio e carregado de dramaticidade. Houve também tendência em distorcer certas expressões faciais na tentativa de transpor para o papel a loucura interna de cada personagem. Tales From The Crypt impressionava também por sua logomarca ao mostrar a palavra " Crypt " grafada de tal forma que dava a impressão de estar apodrecendo. </P>
 <P> O sucesso da EC Comics nas bancas, levou Gaines a ampliar sua linha de "produtos". Na esteira do sucesso de Tales From The Crypt, foram lançados The Vault Of Horror, Crime SuspenStories, The Haunt of Fear e Shock SuspenStories. Aproveitando a maré boa, Gaines adaptou as histórias do conhecido autor Ray Bradbury e jogou no mercado Weird Science e Weird Fantasy, publicações que misturavam suspense e terror a uma ficção científica um pouco mais pessimista, semelhante a de escritores como Phillip K.Dick e William Gibson. Não contente em se tornar o novo rei dos quadrinhos - desbancado as HQs de super-hérois, que, depois de Tales From The Crypt, entraram em decadência - Gaines aventurou-se pelo campo do humor. Em 1952 chegava às bancas a MAD Magazine, o mais novo empreendimento da EC Comics, editada pelo escritor e desenhista Harvey Kurtzman. </P>
 <P> O grande mérito da MAD Magazine trazer para as HQs um humor anárquico, satírico e, principalmente, judeu. Ainda em sua primeira fase - reconhecidamente a melhor de todas - ela destruiu sem dó nem piedade todo e qualquer ícone da cultura de massa norte-americana. Flash Gordon virou Flesh Garden (Jardim de Carne), um brutamontes com zero de QI, e Batman foi transformando em um anão vampiro que vivia tentando agarrar a Mulher Maravilha. São notáveis também as sátiras feitas ao Superman (Superduperman e a
charge Supermarket, sobre um supermercado exclusivo para heróis) e as adaptações de contos de fadas, todas elas temperadas por uma certa dosa de perversão sexual. A MAD merece ainda um capítulo à parte sobre sua produção gráfica, pois foi nela que floresceu o talento de Wallace Wood ; Basil Wolverton, especialista em desenhar monstros deformados, e Bill Elder, os responsáveis pela "cara" da fase clássica da revista. Para se ter uma idéia de como a coisa era pesada para época, o slogan da MAD era uma provocação absurda: " MAD Magazine: Humor In a Jugular Vein!! ", frase que, nos anúncios da revista, aparecia escrita sob uma Monalisa deformada criada por Basil Wolverton. </P>
 <P> A festa duraria pouco e, logo, a década de 50 seria conhecida como um dos períodos mais sem-graça da história das HQs. Apesar de algumas coisas maravilhosas, como Pogo, de Walt Kelly, e Ferdinando, as histórias em quadrinhos sofreram um duro golpe com o surgimento do macarthismo, da paranóia anti-comunista e com a publicação de A Seducao dos Inocentes - livro do psiquiatra Frederic Werthan sobre os "malefícios" das HQs. Entre outras coisas, Dr. Werthan, "provava" que Batman e Robin mantinham um ardoroso caso homossexual: </P>
 <P> " Constantemente eles se salvam um ao outro de ataques violentos de um número sem-fim de inimigos. Transmite-se a sensação de que nós, homens, devemos nos manter juntos porque há muitas criaturas malvadas que têm que ser exterminadas... Às vezes, Batman acaba numa cama, ferido, e mostra-se o jovem Robin sentado ao seu lado. Em casa, levam uma vida idílica. São Bruce Wayne e Dick Grayson. Bruce é descrito como um grã-fino e o relacionamento oficial é que Dick é pupilo de Bruce. Vivem em aposentos suntuosos com lindas flores em grandes vasos... Batman é, às vezes, mostrado num robe de chambre...é como um sonho de dois homossexuais vivendo juntos". </P>
 <P> Dr. Frederick Werthan - The Seduction of the Inocents </P>
 <P> Impelido pela caça às bruxas do Senador Joseph MacCarthy - cujo alvo foi, principalmente, atores, roteiristas e diretores de Hollywood acusados de comunismo - e o livro do Dr. Werthan, o governo norte-americano tentou acabar com todo o tipo de publicação cujo conteúdo fosse considerado "imoral" ou "impróprio". A primeira a dançar foi a EC Comics. Todos seus títulos foram proibidos e a MAD passou a pegar menos pesado em suas sátiras e mudou de formato para poder continuar nas bancas. Outro caso célebre foi a perseguição que o criador de Ferdinando, All Capp, sofreu por causa de uma história sobre os schmoos, um bichinho fictício semelhante a uma foca que se proliferava à velocidade da luz e tinha uma carne deliciosa, além de dar leite e pôr ovos. Na história, os Estados Unidos entram em polvorosa porque ninguém mais queria trabalhar, já que todo mundo tinha um schmoo em casa e não passava mais fome. Por isso, o schmoos foram considerados pelo governo como uma apologia ao comunismo e All Capp teve que tirá-los das
aventuras de Ferdinando. </P>
 <P> O resultado mais triste da paranóia do Senador MacCarthy e do chefe do FBI, J Edgar Hoover, foi a criação do Comics Code, aquele selinho encontrado em todas as revistas comercializadas nos EUA. Sem ele, as publicações de quadrinhos não poderiam ser vendidas, o que levou as editoras a implantar a censura interna, acabando assim com a liberdade de criação de seus artistas. </P>
 <P> Apesar de algumas coisas legais aqui e ali, as HQs só saíram do marasmo no começo dos anos 60 após o surgimento da literatura beat e das primeiras manifestações da contracultura. Criado em São Francisco, o movimento dos Comix deu um novo impulso criativo aos quadrinhos. Primeiro porque seus integrantes estavam num desbunde total e não estavam nem aí para a rígida moral norte-americana. Segundo porque as revistas dos Comix não eram vendidas em bancas e sim em lojinhas hippies, cujos donos não queriam nem saber se as ditas-cujas tinham ou não o famigerado Comics Code Aproval. </P>
 <P> É um período marcado pela negação à linguagem formal das HQs. Nos comix, por muitas vezes não havia uma seqüência lógica na narrativa. Uma historia poderia ser interrompida para dar vazão a algum experimentalismo gráfico ou não ter exatamente um roteiro. Poderiam ainda ser ácidas e demolidoras - como as notórias edições de Air Pirates, de Dan O'Neil e Ted Richards, nas quais Mickey e Minie Mouse apareciam fazendo toda espécie de loucuras sexuais - ou simplesmente desagradáveis, principalmente em alguns momentos mais escatológicos da Zap Comix, a primeira publicação underground do planeta. Entre os nomes do quadrinho underground, destacam-se Robert Crumb, Gilbert Shelton, Robert Williams, Skip Williamson e Ricky Griffin, litografista que fez a cabeça de toda uma geração com sua arte psicodélica e posters de Carlos Santana, The Doors e Gratefull Dead. </P>
 <P> Os comix atraíram também uma parcela considerável de artistas da velha guarda. Cansado da censura do Comics Code e empolgado com o movimento, Will Eisner lança um gênero inédito: as novelas gráficas (Um Contrato com Deus e O Edifício), uma mistura de literatura e quadrinhos com uma linguagem mais madura e bem mais experimental do que a usada na HQ tradicional. Outro veterano a pedir uma vaga no porão do quadrinho underground foi Harvey Kurtzman. À margem da indústria desde a instituição do Comics Code, ele voltou à cena com a revista Help, uma versão ainda mais pirada da MAD Magazine. Junto com ele vieram os bons companheiros de EC Comics Bill Elder e Wallace Wood, que, nesse período, deu ao mundo a memorável My World, uma fábula pessoal sobre a decadência moral dos Estados Unidos. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-9039">
<P>
Votos sob ameaça</P>
<P>
Alexandra Prado Coelho e Margarida Santos Lopes</P>
<P>
Dezasseis milhões de argelinos são hoje chamados a votar em eleições presidenciais boicotadas pelos três principais partidos da oposição. Irão eles desafiar os islamistas que os ameaçaram de morte e seguir o exemplo dos milhares de imigrantes que, em França, acorreram às urnas? Se isso acontecer será uma vitória para o chefe de Estado, Liamine Zéroual, principal candidato à sua sucessão. Ele conquistará a legitimidade que lhe falta e ficará com o caminho aberto para um eventual compromisso com os integristas «moderados». Resta saber se a FIS estará disposta a trair os seus parceiros, a FLN e a FFS, para obter uma fatia de poder.</P>
<P>
Mais importante do que saber quem vai vencer as eleições argelinas, é saber quantas pessoas vão desafiar os islamistas e sair hoje à rua, por todo o país, para escolher um novo Presidente. Votar, na Argélia, não é tanto o exercício de um direito de escolha, mas é, acima de tudo, um acto de coragem e uma tomada de posição. Os integristas apelaram ao boicote e os grupos armados ameaçaram de morte quem se atrever a votar. Uma ameaça recordada, de forma macabra, por um cartaz que mostra uma urna de voto e, ao lado, um caixão.</P>
<P>
Em Argel foi montado um impressionante dispositivo de segurança, com 300 mil homens em armas mobilizados para proteger os eleitores e barricadas nas ruas, permanentemente percorridas por blindados. As autoridades decidiram transferir vários centros de voto para fora dos bairros «quentes» como Bab el-Oued ou a Casbah, bastiões dos islamistas e palco de violência diária. Os jornalistas estrangeiros são transportados em veículos especiais, do aeroporto para o hotel, e mantidos sob rigorosa vigilância, porque os cidadãos estrangeiros são desde há muito alvos favoritos dos grupos armados.</P>
<P>
E, para que ninguém se esqueça das circunstâncias «especiais» em que se realiza este escrutínio, um carro armadilhado explodiu terça-feira na Cabília, causando três mortos e sete feridos. Foram as mais recentes vítimas de um conflito iniciado em 1992, depois da anulação das legislativas, e que já causou entre 30 e 50 mil vítimas, segundo várias fontes.</P>
<P>
É, portanto, num clima de tensão que 16 milhões de argelinos se preparam para retomar um processo democrático interrompido há quatro anos. Retomar um processo democrático? Bom, não exactamente: é que os quatro homens que disputam a Presidência são, de uma forma ou outra, candidatos do regime, ou, pelo menos, aceites pelo regime. As principais forças da oposição -- a Frente de Libertação Nacional (FLN, ex-partido único), a Frente das Forças Socialistas (FFS) e a ilegalizada Frente Islâmica de Salvação (FIS) -- boicotam estas eleições.</P>
<P>
O primeiro-ministro, Mokdad Sifi, anunciou que se espera uma taxa de afluência às urnas de 60 por cento. Os candidatos mostraram-se optimistas com a mobilização sem precedentes entre a comunidade argelina em França, que começou a votar no passado fim-de-semana, e que, literalmente, invadiu os locais de voto. A participação nestas eleições é, para os argelinos, uma forma de dizer «basta» à violência e procurar uma saída para a crise, mesmo que, por enquanto, esta ainda não seja clara.</P>
<P>
Para muitos analistas, as presidenciais são mais um referendo do que um verdadeiro escrutínio. E, embora ninguém tenha dúvidas de que Zéroual será o vencedor, o facto é que não se trata de uma simples operação de cosmética para impressionar o Ocidente. O general procura, é verdade, uma legitimidade que até aqui não possuía -- foi colocado na Presidência, em Janeiro do ano passado, pelos militares. Mas quer mais do que legitimidade, quer o caminho aberto para clarificar posições.</P>
<P>
Yahia Zoubir, um professor argelino na American Graduate School of International Management (Arizona) crê que o chefe de Estado argelino não tinha outra alternativa a não ser realizar eleições, mesmo que boicotadas. Zéroual, explicou Zoubir num recente seminário organizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais (IEEI) em Lisboa, precisa de definir a sua política e para isso necessita de saber qual o campo dominante, se o erradicador se o conciliador.</P>
<P>
Em Setembro, Zéroual criou o consenso na hierarquia militar para se apresentar como candidato. Segundo Zoubir, havia quem se opusesse à sua candidatura porque, «se for eleito, terá as mãos livres para chegar a um compromisso com a facção moderada da FIS e assim criar divisões entre os signatários do acordo de Roma [a plataforma para a paz, acordada em Janeiro pela FLN, FFS e FIS]». Resta saber, concluiu o professor, se a FIS está disposta a trair os seus parceiros para obter uma fatia de poder».</P>
<P>
O facto é que, com uma autoridade reforçada nas urnas, Zéroual poderá fazer frente à ala erradicadora no Exército -- aqueles que defendem uma política de repressão total contra os islamistas -- e avançar com o diálogo com a FIS, prometido desde Janeiro de 94. Mas será que o quer fazer? Estará disposto a libertar os dois líderes islamistas, Abassi Madani e Ali Belhadj, detidos desde 1991? Que exigências lhes fará, para além de um apelo para que os grupos armados ponham fim à violência? E que impacto terá um apelo destes sobre os radicais? Significará efectivamente o fim da violência? As incógnitas multiplicam-se.</P>
<P>
Para começar, a Argélia pós-eleitoral encontrar-se-á perante uma paisagem política nova. Até aqui, Zéroual era obrigado a confrontar-se com a legitimidade -- conquistada nas eleições de Dezembro de 1991, apesar da sua posterior anulação -- dos três principais partidos da oposição: a FIS, a FLN e a FFS. Quando, em Janeiro deste ano, estes três movimentos se reuniram em Roma para elaborar uma plataforma de paz, criaram um enorme embaraço ao regime. Afinal, juntos, os três partidos representam a maioria do povo argelino. Depois destas eleições, boicotadas pelos três, esse argumento perde validade.</P>
<P>
É por isso que a escolha dos adversários de Zéroual é perfeita: Said Saadi deverá mobilizar o eleitorado berbere, secular e anti-islamista (atraindo grande parte dos eleitores da FFS); Mahfoud Nahnah é um islamista moderado, ideal para mobilizar uma parte significativa dos eleitores da FIS, partilhando-a, eventualmente, com Noureddine Boukrouh; e o próprio Zéroual atrairá muitos dos que, se pudessem, votariam na FLN.</P>
<P>
Mas, ao apostarem na abstenção (a FIS não poderia, de qualquer forma, participar porque foi ilegalizada em 1992), os partidos da oposição sabiam que corriam o risco de se ver «esvaziados» da sua legitimidade. Uma alta taxa de afluência às urnas será, para todos eles, uma derrota. Alain Bommenel, enviado da AFP a Argel, sublinha no entanto que será difícil calcular o impacto real do boicote da oposição devido às ameaças dos grupos islâmicos armados. Como saber se os eleitores se abstiveram de livre vontade ou por medo de represálias?</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31991">
<P>
Da Agência Folha </P>
<P>
O prefeito de Curitiba (PR), Rafael Greca (PDT), decretou ontem estado de calamidade pública no município devido às chuvas dos últimos três dias.</P>
<P>
Greca informou que o número de desabrigados subiu de 800 para 2.000 em Curitiba e os prejuízos atingiram o valor de R$ 30 milhões com a destruição de obras públicas e de saneamento.</P>
<P>
Em Curitiba, o hospital Geral do Portão teve o centro cirúrgico invadido pelas águas anteontem.</P>
<P>
De acordo com os bombeiros, o centro ficou com um metro de água. Segundo funcionários, 30 cirurgias foram canceladas.</P>
<P>
Contando com Pinhais e São José dos Pinhais (região metropolitana), há 5.000 desabrigados.</P>
<P>
O governador do Paraná, Jaime Lerner (PDT), 57, deve viajar hoje a Brasília. Ele deverá pedir R$ 20 milhões ao ministro José Serra.</P>
<P>
Em Santa Catarina, sete municípios estão em situação de emergência devido às chuvas dos últimos três dias.</P>
<P>
Os municípios de Presidente Nereu, Apiúna, Vidal Ramos, Indaial e Benedito Novo, no Vale do itajaí, e Anitápolis, no Planalto Serrano, entraram ontem em situação de emergência. Em Blumenau, os prejuízos iniciais foram estimados ontem em R$ 2,5 milhões.</P>
<P>
O transporte ferroviário de cargas e passageiros entre Campo Grande (MS) e a Bolívia está interrompido por causa das chuvas, que arrastaram o aterro e pedras dos trilhos. Vinte mil toneladas de grãos, combustíveis, cimento, minérios e farelo de soja estão parados no Estado.</P>
<P>
Em Mato Grosso, a cheia do rio Cuiabá deixou cerca de 5.000 desabrigados em sete cidades. Em Cuiabá e Várzea Grande foi decretado estado de emergência.</P>
<P>
O nível do rio Iguape, que corta a cidade de Eldorado (SP), voltou a subir ontem. Mais de 1.600 pessoas continuam desabrigadas. O nível do rio, que havia baixado de 10,4 metros acima do nível normal para 7,3 metros de madrugada, subiu para 8,1 metros acima do nível normal. Cerca de 70% das casas de Eldorado estão inundadas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-77889"> 
<P> China vai desenvolver nova geração de telemóveis em 2008 </P>
 <P> A China vai desenvolver telemóveis de banda larga «de nova geração» em 2008, informa hoje a imprensa estatal. </P>
 <P> O Conselho de Estado aprovou o plano de pesquisa da tecnologia de terceira geração, usando os padrões de redes nacionais TD-SCDMA. A estreia poderá acontecer durante os Jogos Olímpicos de 2008. </P>
 <P> O programa de desenvolvimento «estará de acordo com as tendências da tecnologia da informação e ajudará a melhorar a inovação e competitividade mundial das empresas chinesas», disse o ministro da Indústria da Informação, Wang Xundong, citado pela agência Xinhua. </P>
 <P> Segundo Wang, este será um dos principais temas da pesquisa tecnológica chinesa em 2008, juntamente com o desenvolvimento de microprocessadores e circuitos integrados, entre outros. </P>
 <P> A tecnologia TD-SCDMA é desenvolvida integralmente pela China, em oposição aos padrões norte-americanos (CDMA 2000) e europeus (WCDMA). </P>
 <P> Ainda não há data para a concessão de licenças para telemóveis 3G, que serão disputadas entre as quatro grandes operadoras de comunicações fixas e móveis do país: China Telecom, China Netcom, China Mobile e China Unicom. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-64899">
<P>
Ter ou não ter marinha mercante</P>
<P>
A. B. Henriques *</P>
<P>
Portugal tem condições para dar a uma indústria de transportes marítimos sob sua bandeira a credibilidade que os empresários das bandeiras de conveniência não conseguem dar às suas frotas.</P>
<P>
Alguns países comunitários, entre eles Portugal, abandonaram de facto a indústria de transportes marítimos. Falta-lhes é coragem para o dizerem.</P>
<P>
A realidade, nestes países, é simples. Os armadores, submetidos às regras dos registos tradicionais, não conseguem concorrer com os navios sob registos paralelos ou de conveniência, porque estes não pagam impostos, segurança social e outros encargos que as sugadoras governamentais inventam para, através de um sistema burocrático e confuso, arranjarem o dinheiro com que os políticos cumulam de benesses o votante.</P>
<P>
Argumentam os governantes destes países não ser possível isentar de impostos e segurança social uma indústria e os seus trabalhadores, como a marinha mercante, sem isentar outras indústrias como os têxteis, o calçado e o mobiliário. Além do mais, acrescentam, precisam das contribuições dos armadores e dos tripulantes.</P>
<P>
Por outro lado, a livre concorrência que os governos institucionalizaram não permite reservas de tráfego nem proteccionismos. Isso nunca. As contrapartidas desta política são negativas e francamente hilariantes.</P>
<P>
Os armadores e tripulantes não pagam impostos nem contribuem para a segurança social porque ou emigram ou abandonam a actividade. Os fretes das mercadorias transportadas por mar são pagos a navios estrangeiros. Curiosamente, as receitas fiscais cada vez são mais insuficientes para as despesas públicas, apesar das elevadas taxas dos impostos, enquanto a segurança social, por todo o lado, ameaça entrar em bancarrota, depois de absorver anos de contribuições para constituir reservas matemáticas. Há qualquer coisa de errado em tudo isto.</P>
<P>
Contradições</P>
<P>
Os governos de muitos países, Portugal incluído, incentivam de todas as formas, e fortemente, os empresários que queiram instalar dentro das suas fronteiras as mais variadas indústrias, mas recusam sistematicamente incentivar frotas marítimas, tanto próprias como alheias.</P>
<P>
Os armadores nacionais, repita-se de novo e quantas vezes forem necessárias, ou abrem falência ou transferem-se para bandeiras paralelas ou de conveniência. O país não só perde as receitas fiscais como as contribuições para a segurança social das empresas e dos trabalhadores. Os carregadores passam a pagar fretes às frotas estrangeiras. É inacreditável, mas é o procedimento actual de muitos países. Obviamente, Portugal incluído.</P>
<P>
Os sindicatos lutam sempre e valentemente por melhores salários e menos horas de trabalho, mas não se preocupam minimamente com as condicionantes dos armadores que têm de satisfazer estas exigências. Inacreditavelmente, ignoram tudo sobre as empresas de navegação. Apenas, repita-se, exigem mais dinheiro e menos trabalho.</P>
<P>
Os sindicatos não são capazes de tomar em consideração que as tripulações oriundas do Extremo Oriente que substituem as europeias, sendo muito mais baratas, só temporariamente são tecnicamente menos qualificadas. Estas tripulações, graças aos enormes investimentos na formação que as organizações internacionais oferecem aos seus países, com o passar dos anos, melhorarão as suas qualificações e os seus salários subirão exactamente como aconteceu aos japoneses.</P>
<P>
Quando chegar esse dia, as tripulações europeias, altamente qualificadas, terão desaparecido e com elas, exactamente como acontece com muitas outras classes profissionais, muito saber consuetudinário também desaparecerá.</P>
<P>
Abstraindo as tripulações do Extremo Oriente, os sindicatos também não podem ignorar a entrada no mercado de trabalho mundial dos marítimos oriundos dos países do Leste, aceitando salários muito baixos e oferecendo uma preparação técnica bastante elevada. Não são só os marítimos europeus que tripulam os navios dos novos Estados em vias de desenvolvimento. Estão lá alguns, mas são uma minoria. São caros demais. Os governos e sindicatos não podem ou não devem ignorar estas realidades, mas ignoram.</P>
<P>
Competição comercial</P>
<P>
Os baixos salários têm um peso significativo na competição comercial, mas não tanto como a qualidade. Compra-se um automóvel caro e de marca porque tem qualidade.</P>
<P>
A marinha mercante não foge a esta regra. Só que na marinha mercante os baixos salários, pedidos pelos marinheiros do Extremo Oriente e dos países de Leste, são tão baixos que compensam o desnível técnico existente em relação aos primeiros e são um ganho significativo em relação aos segundos.</P>
<P>
Na indústria automóvel, ingleses, alemães, italianos e franceses conseguem competir e são ajudados a competir com os japoneses. Na marinha mercante parece não haver interesse em competir. À superfície, pelo menos em Portugal, o desinteresse é total.</P>
<P>
Se, por absurdo, se concluísse que era preferível abandonar, sem luta, todas as actividades que outros conseguem realizar por um custo mais baixo, sem atender à qualidade, rapidamente se chegaria à situação caricata de ter de comprar tudo sem ter com quê.</P>
<P>
A frota marítima europeia é hoje menos de metade do que era em 1980, tanto em número de navios como em tonelagem de arqueação bruta. Emprega também menos de metade dos marítimos. A marinha mercante é uma arma estratégica importante na competição internacional. Cria empregos directos e indirectos, fomenta grandes negócios, principalmente nos sectores da banca e dos seguros. Em tempo de guerra, o seu valor não é quantificável.</P>
<P>
A política europeia conduziu ao aparecimento das tripulações «sub-standard», donde resultou o aumento significativo das grandes catástrofes marítimas ocorridas nos últimos anos, muitas com efeitos ecológicos mais do que significativos.</P>
<P>
Não vale a pena esperar que as inspecções portuárias, de acordo com as regras do Memorandum of Understanding, resolvam alguma coisa. Todos os navios são classificados e todos os tripulantes são certificados. Todos os navios exibem documentação que atesta que foram bem construídos e tudo está em ordem a bordo, embora realmente não esteja. Todos os tripulantes têm um documento que comprova os conhecimentos que deviam ter e não têm.</P>
<P>
Será que os governos não sentem quanto pagam directa ou indirectamente pelos abalroamentos, encalhes e poluições? E pelas deficientes operações de movimentação de mercadorias? É difícil contabilizar a qualidade.</P>
<P>
Duas faces da marinha mercante</P>
<P>
Em Portugal, desde a Primeira Guerra Mundial que se olha, quando se olha, para a frota mercante nacional como um instrumento político que até muito recentemente tinha por objectivo consolidar o império. Convinha a todos que fosse assim. O frete calculava-se em função dos gastos. Mais alto ou mais baixo, era sempre compensador. Não havia competição.</P>
<P>
O facto é que, sendo um instrumento político, a marinha mercante também é uma indústria capaz de ganhar milhões no mercado mundial de transportes marítimos. São exemplos elucidativos as frotas da Noruega, da Grécia e dos armadores de bandeiras de conveniência.</P>
<P>
A visão da marinha mercante como instrumento político era tão grande em Portugal que, após o 25 de Abril, ninguém se apercebeu de que era preciso passar do espaço fechado chamado «ultramar», acrescido das importações de petróleo, cereais, algum carvão e minério, para o mercado aberto do «tramping» e do «liner».</P>
<P>
O bem sucedido despacho 100 dos anos 40 estava na memória de todos e ninguém sabia pensar fora do seu conteúdo. Era tanto assim que um dos muitos governos que há uns anos passou por aí publicou uma boa réplica do despacho 100, monumento de saudosa memória. Só que os tempos eram e são outros e a réplica, sem qualquer enquadramento, não fez sonhar ninguém mas fez rir muitos.</P>
<P>
Um facto também é certo, não apareceram políticos, gestores e operacionais que soubessem o suficiente sobre o mercado internacional para consubstanciarem a mudança. Legislando sem conhecimentos, os governos deixaram os navios envelhecer sem atinarem com o que fazer, a não ser naturalmente legislar mais e mais, com cada vez menos realismo. Ainda hoje os homens do dinheiro e do Governo não se apercebem das potencialidades do transporte marítimo, para um país como Portugal, geograficamente marítimo.</P>
<P>
O resultado, no dia 1 de Janeiro de 1994, resumia-se à existência de 28 navios no registo tradicional português, com 113.075 toneladas de porte bruto e 15 anos de idade média, oferecendo 306 postos de trabalho. Esta frota ainda existe porque ainda existe a reserva de tráfego para as regiões autónomas dos Açores e da Madeira e a do tráfego costeiro de produtos de petróleo. Em 1 de Janeiro de 1999, estas reservas acabam e o que ainda restar dos 28 navios voa para os registos paralelos ou de conveniência.</P>
<P>
No registo convencional ficam as embarcações de tráfego local. Nada mau. É preciso olhar para a marinha mercante como uma actividade ganhadora de dinheiro no mercado internacional e não apenas como um serviço necessário ao mercado nacional, que, no caso português, é pequeno, com origens e destinos muito diversificados, para sustentar uma frota.</P>
<P>
Pelos portos portugueses passam menos de 50 milhões de toneladas/ano de mercadorias, predominantemente granéis líquidos e mercadorias provenientes e destinadas à UE. Tomando em consideração a tonelada/milha e as origens e destinos, não há mercado nacional para sustentar uma frota, o que não quer dizer que o país não precise de uma frota.</P>
<P>
A solução é pensar em termos de exportação, como se faz com o vinho do Porto e a cortiça, e vender transportes marítimos no mercado internacional. Portugal tem condições para dar a uma indústria de transportes marítimos sob a sua bandeira a credibilidade que os empresários das bandeiras de conveniência não conseguem dar às suas frotas.</P>
<P>
* Capitão da marinha mercante</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-91945">
<P>
O cardeal arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns (foto), celebra a missa de Natal às 18h de hoje na catedral da Sé, no centro de São Paulo. Ontem, no mesmo horário, ele celebrou a "Missa do Galo".</P>
<P>
O NÚMERO</P>
<P>
3,9</P>
<P>
...refeições devem ser servidas hoje em um almoço de Natal na Vila dos Remédios (zona oeste de SP), organizado há 14 anos pelo comerciante Dino Alves, 48, ao lado da Igreja Nossa Senhora dos Remédios. Além das refeições, serão distribuídas 3.000 sacolas com alimentos.</P>
<P>
Sindicância contra delegado é arquivada</P>
<P>
O Conselho da Polícia Civil de São Paulo decidiu arquivar, por falta de qualquer indício de crime, a sindicância que apurava a conduta do delegado Hélio Bernarde Cabral havia sido acusado pelo ex-informante José Gonzaga Moreira,  o "Zezinho de Ouro".</P>
<P>
Jovens são presos em SP após matar taxista</P>
<P>
Estevão Faustino de Camargo Júnior, 18, e R.A.O., 15, foram presos ontem de madrugada depois de assaltar e matar o taxista Antoniel Pereira do Nascimento, 44. O crime aconteceu na Chácara Santa Maria (extremo sul de São Paulo). Os dois confessaram vários assaltos a taxistas.</P>
<P>
Sorteio de loteria é adiado para amanhã</P>
<P>
Os sorteios da Quina, da Sena e da Supersena acontecem amanhã, às 9h, no auditório da Caixa Econômica Federal, em Brasília. O concurso 167 da Quina vai pagar R$ 370 mil para quem fizer a quina. A Sena (concurso 405) pagará R$ 800 mil para os acertadores da sena principal. A Supersena, que está acumulada, deve pagar cerca de R$ 8,5 milhões.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-8736">
<P>
Casal Ventoso já tem gabinete</P>
<P>
O Governo aprovou ontem o quadro legal do Gabinete de Reconversão do Casal Ventoso que será instituído pelo Estado e pelo município de Lisboa como pessoa colectiva dotada de autonomia administrativa e financeira.</P>
<P>
A reconversão do Casal Ventoso, que faz parte da intervenção operacional do programa «Urban», com verbas comunitárias, terá também contribuições municipais, assumindo o Governo a obrigação de optimizar o financiamento que negociou com a Comissão Europeia.</P>
<P>
No âmbito deste gabinete, o município de Lisboa exercerá os poderes de superintendência e tutela legalmente previstos para as empresas públicas, enquanto o Estado terá os poderes e tutela previstos para os municípios. «A magnitude dos problemas sociais envolvidos, as exigências de ordenamento urbano e de requalificação das condições sociais são simultaneamente uma responsabilidade municipal e nacional», justifica o Governo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-56266"> 
<P> Novidades na
Macworld 2007 </P>
 <P> Apple lançou o iPhone, o telemóvel mais esperado dos últimos tempos </P>
 <P> Sempre é o iPhone, dirão os que acompanharam as especulações e palpites dos últimos meses. A Apple, empresa de tecnologias que tem nos leitores multimédia iPod e nos computadores Macintosh a sua bandeira, acaba de entrar na área das telecomunicações. </P>
 <P> O novo telemóvel junta as capacidades de um telefone às de um leitor multimédia portátil. Funciona com o sistema operativo MacOS X, serve para comunicar e para trazer no bolso as músicas, o e-mail, as fotos ou os vídeos preferidos. </P>
 <P> O anúncio foi feito ontem, em São Francisco, nos EUA, onde decorre a Macworld, feira que a Apple organiza todos os anos para apresentar as suas novidades. Como de costume, a conferência de Steve Jobs, o director-geral da empresa, foi o ponto alto para os fãs da Apple. </P>
 <P> " De vez em quando chega um produto revolucionário que muda tudo. É sorte se pudermos trabalhar num ao longo da carreira... e a Apple é sortuda por já ter lançado vários", disse Steve Jobs. </P>
 <P> O novo telefone vai estar disponível em Junho, nos EUA, em duas versões: uma com 8 gigabytes (GB) de capacidade de armazenamento, que custará 600 dólares, e outra com 4 GB, a cerca de 500 dólares. À Europa chegará no final do ano, e na Ásia só em 2008. Tem uma câmara fotográfica com 2 megapixels de resolução e um ecrã táctil com 8,8 centímetros de diagonal. </P>
 <P> Nos EUA, o telemóvel da Apple funcionará na rede Cingular Wireless. O seu desenvolvimento levou ao registo de mais de 200 patentes, o que o torna numa das maiores inovações da empresa. </P>
 <P> O facto de ter o sistema operativo OS X - usado nos computadores da Apple - significa que o iPhone terá muitas das funções habituais naquelas máquinas. Permitirá aceder ao correio electrónico de forma automática ou ver os mapas do Google. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="hub-78051"> 
<P> Lobos recebidos em apoteose </P>
 <P> SELECÇÃO DE REGRESSO APÓS BOA PRESTAÇÃO NO MUNDIAL </P>
 <P> Centenas de pessoas recepcionaram no Aeroporto da Portela, num clima de enorme entusiasmo e euforia, a selecção portuguesa de râguebi. A boa prestação global da equipa no Mundial da modalidade, que ainda decorre em França, não passou despercebida em Portugal, embora "
Os Lobos " não tenham conseguido vencer um único jogo. </P>
 <P> Quando a comitiva portuguesa saiu na área de chegadas, por volta das 16.30 horas, a agitação cresceu de tom, com a maioria dos adeptos a gritar o nome de Portugal de forma entusiasmada. </P>
 <P> Vasco Uva: «Honrámos o país» </P>
 <P> Um dos jogadores mais acarinhados pelos adeptos na chegada a Lisboa, o capitão Vasco Uva explicou por que houve uma empatia tão grande entre a selecção e uma fatia considerável do público português. "Foi a maneira como nos batemos, a maneira como fizemos honrar o País ", considerou, acrescentando que o momento mais emotivo que sentiu foi quando ouviu o hino nacional português no jogo de estreia dos " Lobos ", contra a Escócia, em St. Etienne. "Foi muito bom." </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-95293">
<P>
O piloto norte-americano aumenta sua vantagem na F-Indy; Emerson fica em segundo e Boesel em oitavo</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A equipe Penske levou ontem seus três pilotos ao pódio das 200 Milhas de Milwaukee, quinta etapa do Campeonato Mundial de Fórmula Indy de 1994.</P>
<P>
O norte-americano Al Unser Jr. foi o vencedor da prova, interrompida a apenas oito voltas para o final devido à chuva, que tornou a pista do circuito oval muito escorregadia. O brasileiro Emerson Fittipaldi ficou em segundo lugar, seguido de Paul Tracy.</P>
<P>
Com o resultado obtido na corrida, Unser Jr. manteve a liderança do torneio e soma agora 79 pontos. Emerson está na vice-liderança, com 54 pontos, seguido de Michael Andretti, com 49 pontos. Dos outros brasileiros que disputaram a prova, Raul Boesel terminou em 8º lugar, Maurício Gugelmin em 17º e Marco Greco em 20º.</P>
<P>
Emerson considerou acertada a decisão de interromper a prova devido à chuva, que poderia tornar a corrida perigosa. Segundo o piloto, a corrida para ele "foi fantástica, apesar de no começo o carro estar saindo muito de frente".</P>
<P>
O campeão do ano passado, o inglês Nigel Mansell, terminou a prova na 5ª posição. Um resultado ruim para quem esperava vencer pela primeira vez nesta temporada.</P>
<P>
Quarto colocado no campeonato, com 45 pontos, Mansell ontem teve um grupo inglês especial entre os espectadores que foram ao circuito de Milwaukee.</P>
<P>
Alguns mecânicos e engenheiros da equipe Williams, além de David Coulthard, o segundo piloto da equipe, acompanharam a corrida e tiveram contato com Mansell.</P>
<P>
Nas últimas semanas, cresceram as especulações em torno da transferência de Mansell para a F-1, que voltaria a ocupar o cockpit na escuderia com a qual ganhou o Mundial de F-1 em 92, e que ficou órfã com a morte do piloto Ayrton Senna, ocorrida em maio último no circuito de Imola, Itália, durante o GP de San Marino.</P>
<P>
Mansell não esconde sua decepção com a F-Indy, que aumentou após os diversos incidentes ocorridos com ele durante as 500 Milhas de Indianápolis, disputada há duas semanas.</P>
<P>
Naquela prova, o inglês foi penalizado, abalroado por um piloto novato e ainda teve que pagar uma multa de US$ 1 mil. Na última quinta-feira, o piloto se disse "enojado e desgostoso" com a F-Indy e fez severas críticas aos organizadores das 500 Milhas.</P>
<P>
A próxima etapa do Campeonato Mundial de F-Indy acontece no próximo domingo, com a realização do Grande Prêmio de Detroit, que será disputado em um circuito de rua. (Sérgio Kraselis)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-56803">
<P>
Campanha a todo o vapor no Kwazulu-Natal</P>
<P>
O Inkatha não dorme</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Jorge Heitor, em Durban</P>
<P>
Os militantes do Inkatha dizem nem sequer ter tempo para dormir, pois é preciso recuperar o tempo perdido. Os ingleses do Natal exultam com a notícia de que o príncipe Filipe vem à tomada de posse do novo Presidente. Mas, para já, Durban vive, apesar de tudo, um tempo suave de Outono.</P>
<P>
Catadupas de cartazes iam ontem à noite, a toda a pressa, ser distribuídos por toda a África do Sul, mas muito em especial pelas terras do Kwazulu-Natal, numa altura em que o Partido Inkatha da Liberdade quer recuperar da melhor maneira possível o tempo que, de algum modo, perdeu até se decidir a ir às eleições gerais de 26 a 28 deste mês.</P>
<P>
«Agora só vamos dormir depois de, no dia 29, serem conhecidos os resultados», disse um dos funcionários que, nas instalações do partido, em Albany Grove, perto da Câmara Municipal de Durban, ontem, ao fim da tarde, se afadigava na expedição dos cartazes com a cara de Buthelezi. Cartazes que, desde há dias, começavam a ser vistos em vários pontos. Mesmo antes de ter sido conhecida a decisão do grupo de ir às urnas.</P>
<P>
Quem já não vai ter hipótese de se apresentar de forma autónoma é o Partido Conservador, de Ferdinand Hartzenberg, que, há dois dias, começou a dar sinais de, afinal de contas, também querer concorrer, para não ser dos muito poucos que ficam de fora. A Comissão Eleitoral Independente disse-lhe que deveria ter acordado mais cedo, pois, agora, já não vai ser possível arranjar mais autocolantes, depois dos 80 milhões que estão a ser feitos para o Inkatha. Nem o boletim tem espaço suficiente para nele se incluir mais nada.</P>
<P>
Agora, a hipótese de Hartzenberg, de 58 anos, é juntar-se à Frente da Liberdade, do general Constand Viljoen -- a quem há umas semanas os conservadores chamavam «traidor», por ele ir às urnas -- e deixar que o AWB de Eugene Terre'Blanche seja das raras organizações da extrema-direita a não querer participar nas mais importantes eleições a que o continente africano tem assistido desde há muitos anos.</P>
<P>
O triunfo dos dois grandes</P>
<P>
Ao longo da extensa avenida marginal da cidade de Durban, à beira do Índico, vêem-se os cartazes dos líderes do ANC, Nelson Mandela, do Partido Nacional, de Frederik de Klerk, do Partido Democrático, de Zach de Beer, de Viljoen e de Buthelezi, mas o PAC e outras forças pouca propaganda têm feito.</P>
<P>
De qualquer modo, o presidente De Klerk triunfou em toda a linha quando, há pouco mais de dois anos, solicitou e conseguiu um mandato da maioria dos brancos sul-africanos para prosseguir as negociações sobre a transferência do poder para um regime mais representativo. E Mandela triunfou com ele ao insistir, ao longo dos últimos meses, em que as eleições multirraciais não poderiam ser adiadas por mais tempo, pois isso só iria ajudar a prolongar a violência.</P>
<P>
Pelo menos por enquanto, De Klerk e Mandela levam vantagem, uma vez que conseguiram arrastar até às urnas o mui teimoso príncipe zulu Mangosuthu Buthelezi, o general boer Viljoen e agora até o «ultra» Hartzenberg, que apanha possivelmente uma boleia nas listas de quem acordou um pouco mais cedo. Há, deste modo, condições para que a abstenção não seja muito elevada e para que a Assembleia Nacional e o Senado a eleger na próxima semana sejam o mais representativos possível.</P>
<P>
A súmula das diversas sondagens é que o ANC poderá conseguir qualquer coisa como 49 a 62 por cento, ficando o Partido Nacional entre os 19 e os 23 por cento e havendo quatro hipóteses para o terceiro lugar: Inkatha, PAC, Partido Democrático e Frente da Liberdade. Os outros 13 grupos candidatos a nível nacional são quase todos susceptíveis de ficar em menos de três por cento dos votos.</P>
<P>
Filipe de Edimburgo</P>
<P>
Aqui, no Natal, território que os ingleses chamaram seu em 1843, causou hoje grande alegria entre a comunidade britânica a notícia de que a rainha Isabel II se fará representar na tomada de posse do próximo Presidente da África do Sul, em 10 de Maio, pelo marido, Filipe de Edimburgo.</P>
<P>
Isabel esteve uma vez em terras sul-africanas, ainda princesa, poucos anos depois do fim da II Grande Guerra, a acompanhar o pai, o rei Jorge VI, durante cujo reinado se tornaram independentes a Índia e o Paquistão.</P>
<P>
Desses territórios asiáticos há agora muita gente a viver no Natal, onde, aliás, o jovem advogado Mahatma Gandhi iniciou a sua carreira, entre as famílias orientais que há 130 anos começaram a chegar a Durban, o antigo Porto Natal, a que os portugueses haviam dado o nome.</P>
<P>
Os indianos, mais de 11 por cento da população do Kwazulu-Natal, não têm hoje em dia nenhum grande partido que vá disputar as eleições a nível nacional e muitos deles tencionam responder ao apelo de De Klerk para que vote no seu grupo o maior número possível de todos aqueles que têm medo das influências comunistas denunciadas no ANC.</P>
<P>
O Partido Nacional, que há 20 anos era o porta-voz da superioridade branca, apresenta-se hoje como verdadeiramente multirracial e espera conseguir o voto de negros, mestiços, indianos e brancos. Pretende ficar, desse modo, com mais do que um quinto do eleitorado total, a fim de lhe ser possível travar algumas tendências dos fiéis de Mandela para se inclinarem mais para a esquerda, o que se traduziria, na opinião das forças mais moderadas, em encaminhar o país para um desastre previsível.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-14905">
<P>
«Para uma parceria autêntica...»</P>
<P>
Eis os principais pontos da declaração final da conferência de Budapeste, intitulada «Para uma parceria autêntica numa era nova» (a partir de uma tradução da France Presse):</P>
<P>
Reforço da CSCE: Para permitir à CSCE «desempenhar um papel essencial face aos desafios do século XXI», decide-se rebaptizá-la como Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).</P>
<P>
Direitos do Homem: «Os direitos do Homem e as liberdades fundamentais continuam a ser espezinhadas, a intolerância persiste e a discriminação contra as minorias continua a ser praticada. As pragas do nacionalismo agressivo, do racismo, do chauvinismo, da xenofobia, do antisemitismo e das tensões étnicas (...) estão entre as principais fontes de crises, de perdas de vidas humanas e de miséria. (...) Devemos trabalhar juntos para assegurar um pleno respeito por estes princípios e compromissos, bem como por uma solidariedade e uma cooperação efectivas para aliviar o sofrimento».</P>
<P>
Parceria de segurança: Por intermédio da CSCE, construiremos uma autêntica parceria de segurança entre todos os Estados participantes, sejam ou não membros de outras organizações de segurança. (...) Os valores democráticos da CSCE são um elemento fundamental para atingir o nosso objectivo de uma comunidade de nações sem divisões, antigas ou novas, na qual a igualdade soberana e a independência de todos os Estados sejam plenamente respeitadas, na qual não haja esferas de influência e na qual os direitos do Homem e as liberdades fundamentais de todos os indivíduos (...) sejam vigorosamente protegidas.</P>
<P>
Código de bom comportamento: É estabelecido um «código de comportamento sobre os aspectos político militares de segurança» que, entre outros pontos, «contém os princípios que devem guiar o papel das forças armadas nas sociedades democráticas».</P>
<P>
Controlo de armamentos: O forum de segurança da CSCE é convidado a «ultimar um novo quadro para o controlo de armamentos». É igualmente «mandatado para se ocupar dos problemas de segurança regionais específicos, dando enfase especial à estabilidade a longo prazo na Europa do Sudeste».</P>
<P>
Modelo de segurança: Considera-se «importante abrir a discussão sobre um modelo de segurança comum e global para a Europa para o século XXI», na zona abrangida pela CSCE, «na base dos (seus) princípios e dos (seus) compromissos».</P>
<P>
Cooperação económica: «A CSCE apostará numa cooperação internacional mais eficaz dando a sua ajuda à transição para uma economia de mercado e encorajará um desenvolvimento económico sustentado».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-2249">
<P>
Da Agência Folha, em Manaus</P>
<P>
A violência contra as mulheres aumentou 33% em Manaus (AM) nos últimos três anos. Segundo dados da Delegacia de Crimes contra a Mulher de Manaus, em 93 foram registrados 6.115 casos de agressões, contra 4.603 em 90.</P>
<P>
No ano passado, o maior número de casos foi registrado nos meses de maio, junho e julho. "É de se surpreender que em maio, o mês em que se comemora o Dia das Mães, o mês das noivas, portanto um período da mulher, tenha sido registrado o maior número de ocorrências", disse a delegada-titular da Delegacia da Mulher, Catarina Toledo. Em maio, a delegacia registrou 677 casos. (André Lozano)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-25560">
<P>
Chemwoyo volta a correr no Uruguai</P>
<P>
O queniano Simon Chemwoyo, bicampeão da São Silvestre, vai competir hoje na corrida de San Fernando, Uruguai. Outro queniano, William Sigei, e o mexicano Arturo Barrios também correrão na prova que é considerada a revanche da corrida do último dia do ano. Chemwoyo também correrá na Maratona de Manaus, no próximo domingo.</P>
<P>
FUTEBOL 1</P>
<P>
Copa sub-23 já tem calendário definido</P>
<P>
A primeira Copa das Américas para jogadores com menos de 23 anos, que acontecerá na Colômbia a partir de 4 de fevereiro, já tem datas e grupos definidos. Na chave brasileira, –uma das três da competição–, estarão México, Chile e Peru. A final será em Bogotá no dia 20 de fevereiro.</P>
<P>
FUTEBOL 2</P>
<P>
Cruzeiro se reforça com Dida e Catê</P>
<P>
O Cruzeiro contratou ontem, por empréstimo, o ponta Catê, do São Paulo, e, em definitivo, o goleiro Dida, do Vitória da Bahia. Para ter o passe dos jogadores, a diretoria gastou US$ 600 mil mais o passe do meia Ramon.</P>
<P>
AUSÊNCIA</P>
<P>
Bruguera não deve jogar na Austrália</P>
<P>
O tenista espanhol, quarto colocado no ranking mundial, não deve jogar no Aberto da Austrália, por estar machucado. Já o ucraniano Andrei Medvedev, sexto colocado no ranking, que já anunciara que não jogaria, devido a uma contusão no joelho, brigou com os seus médicos e disse que vai jogar.</P>
<P>
AUTOMOBILISMO</P>
<P>
Lamborghini não vai participar da F-1</P>
<P>
A fábrica de motores italiana Lamborghini não vai mais participar da Fórmula 1 por questões jurídicas. A escuderia Larrousse, que vinha utilizando os motores, é a principal prejudicada.</P>
<P>
Hoje, excepcionalmente, não publicamos a coluna 'Tênis Internacional'.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-18671">
<P>
A Fórmula 1 perdeu a graça no dia 1º de maio. Às 9h13, durante o GP de San Marino, no circuito de Imola, na Itália, a Williams do tricampeão Ayrton Senna da Silva, 34, saiu da curva Taburello a 300 km/h e chocou-se contra o muro. Transmitida ao vivo pela TV, a cena traumatizou o país. Ayrton Senna foi o terceiro atleta mais bem pago do planeta em 1993: ganhou US$ 18,5 milhões</P>
<P>
Dias de horror</P>
<P>
Depois de 1º de maio, Imola virou um circuito chamado tragédia. Já no primeiro treino oficial, dia 29 de abril, Rubens Barrichello perdeu o controle, decolou com sua Jordan e capotou duas vezes. Safou-se com arranhões. No dia 30, o austríaco Roland Ratzemberger escapou da curva Villeneuve e bateu no muro. Morreu horas depois. A corrida começou mal: Pedro Lamy, da Lotus, e J.J. Lehto, da Benetton, bateram na largada e dois pneus de Lamy caíram sobre quatro espectadores. Nos boxes, um pneu da Minardi de Michele Alboreto se soltou e atingiu seis pessoas.</P>
<P>
Medo na pista</P>
<P>
Três coisas preocupavam Senna antes de San Marino: o desempenho de seu carro, a segurança da pista e os riscos criados pela proibição de equipamentos eletrônicos, como a suspensão ativa, na F-1. Sua morte acirrou a discussão sobre a segurança nos circuitos. No GP seguinte, em Mônaco, dia 15 de maio, o austríaco Karl Wendlinger sofreu acidente grave. Recuperou-se, mas continua fora das pistas. Desde o GP de Barcelona, dia 29 de maio, estão em vigor medidas que visam a limitar a velocidade dos carros.</P>
<P>
Funeral de herói</P>
<P>
Ayrton Senna foi velado e enterrado em São Paulo, na presença de multidões e com honras de chefe de Estado (acima). Alain Prost, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Gerhard Berger e outros 11 pilotos conduziram o caixão no cemitério. Políticos também aproveitaram para aparecer - Itamar, FHC, Covas, Serra, Brizola, Fleury, Maluf e Erundina. A sessão fofoca ficou a cargo de Xuxa, ex-namorada, e Adriane Galisteu, última namorada. A primeira ficou ao lado da família; a segunda, isolada.</P>
<P>
Caminho das borboletas</P>
<P>
"Sou capaz de jurar que Béco chamou os grilos, encomendou o pio das aves noturnas, solicitou a presença das ondas, convidou a Lua e todas as estrelas do zodíaco para servirem de testemunha daquele momento mágico. (...) A natureza de Angra colheu os primeiros sussurros de dois enamorados."</P>
<P>
Adriane Galisteu fala de Senna no livro "Caminho das Borboletas" (ed. Caras, 220 págs., R$ 19,90)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-85396">
<P>
Cinco morteiros contra aeroporto de Londres</P>
<P>
Cinco morteiros foram disparados ontem da parte de trás de um veículo contra o aeroporto de Heathrow, em Londres, sem causar aparentemente vítimas ou danos importantes. A notícia foi dada pelo ministro do Interior, Michael Howard, no meio de um debate parlamentar que discutia precisamente o terrorismo.</P>
<P>
Para Howard, o Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta pelo fim da administração britânica na Irlanda do Norte, tem à partida de ser considerado «o principal suspeito», exactamente pelo facto de o atentado ter coincidido com o debate sobre terrorismo nos Comuns.</P>
<P>
O parlamento tinha agendado para depois do debate um voto sobre a renovação da lei anti-terrorista, que visa restringir as actividades do IRA.</P>
<P>
Uma primeira informação policial indicou que uma das pistas de Heathrow foi encerrada.</P>
<P>
Minutos antes do anúncio feito pelo ministro, a polícia provocara «uma explosão controlada» no hotel perto do aeroporto. Shahin Aziz, trabalhador de uma estação de gasolina próxima, afirmou ter ouvido um grande estrondo, e a seguir dois mais pequenos, vindos do parque de estacionamento do hotel. Três carros incendiaram-se.</P>
<P>
A estação de televisão Sky recebeu um aviso dez minutos antes da explosão, e polícia e bombeiros precipitaram-se para o Excelsior Hotel, em West Drayton.</P>
<P>
Não foi possível estabelecer de imediato uma relação entre este incidente e o atentado de Heathrow.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-12926">
<P>
PSP de Santo André sem viatura própria</P>
<P>
Dois crimes consecutivos preocupam população</P>
<P>
Um homem de 26 anos foi morto na madrugada de sexta-feira em Santo André, no decorrer de uma rixa entre grupos de jovens presumivelmente ligados ao tráfico de estupefacientes.</P>
<P>
Do que se supõe ter sido um acerto de contas resultou a detenção pela PSP local de sete jovens, com idades compreendidas entre os 16 e os 17 anos, seis dos quais viram a prisão confirmada pelo Ministério Público de Santiago do Cacém, que solicitou a presença da brigada de homicídios da PJ de Setúbal. Os detidos aguardam julgamento no estabelecimento prisional de Beja.</P>
<P>
Em dificuldades para cumprir a sua missão viu-se a PSP de Santo André, dado que a esquadra local está desprovida de viatura própria, desde que há muito se avariou a que lhe estava distribuída. Por isso, a PSP foi obrigada a solicitar o apoio das esquadras de Sines e de Santiago do Cacém, bem como da brigada Fiscal de Santo André e até dos bombeiros locais, que facultaram as viaturas necessárias àquela intervenção.</P>
<P>
O grupo agora detido já na noite anterior tinha provocado o pânico no bairro de Atalaia Norte, na vila de Santo André, quando os jovens agrediram à facada um vigilante da central térmica da EDP, que tentou pôr termo aos desacatos. O vigilante, atingido por três facadas, foi internado no Hospital de Santiago do Cacém, onde se encontrava ontem livre de perigo. A população da vila de Santo André tem-se mostrado preocupada com o aumento da criminalidade na zona, não só devido á escassez de meios da PSP local, mas, sobretudo, porque foi já anunciado para dentro de poucos meses a desactivação das esquadras da área: Sines, Santiago do Cacém e Santo André.</P>
<P>
Raul Oliveira</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-57137">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
Pelo menos 135 presos morreram e 45 ficaram feridos em uma rebelião seguida de incêndio no presídio Sabaneta, na cidade de Maracaibo, noroeste da Venezuela. Um oficial da Guarda Nacional venezuelana disse que o número de mortos pode chegar a 150. O presídio foi construído para abrigar 800 presos. Na hora da rebelião, havia mais de 3.000. Vários presos morreram queimados e pelo menos um foi degolado. Em uma fuga no presídio da cidade de Tocorón, centro do país, mais dez presos morreram (leia texto nesta página).</P>
<P>
A rebelião começou na noite de segunda-feira e só foi controlada quatro horas depois, na madrugada de ontem. Cerca de 400 índios guajiras fugiram de seu pavilhão e atacaram os presos não-índigenas com coquetéis Molotov. Os guajiras formam a tribo mais numerosa da Venezuela. Havia cerca de 800 deles no presídio. A briga envolveu armas de fogo, estiletes e pedaços de pau.</P>
<P>
A Guarda Nacional (polícia militar venezuelana) invadiu o presídio para controlar a situação. Os presos se rebelaram, tomaram controle de três pavilhões e começaram um incêndio. A energia elétrica foi cortada e muitos detentos não tiveram como escapar do fogo. Alguns morreram afogados em tanques-de água, na tentativa de evitar as chamas.</P>
<P>
"Mutilaram, degolaram e lincharam. Em alguns casos, só encontramos fragmentos dos cadáveres", disse o médico legista Nélson Bonilla. A perícia constatou que vários presos morreram asfixiados, por causa da fumaça do incêndio. Vários sofreram queimaduras de terceiro grau. Até a manhã de ontem, apenas 54 corpos haviam sido identificados. "Nunca vi coisa igual", disse o general Jesus Rojas Salazar, da Guarda Nacional.</P>
<P>
O número de mortos pode aumentar. Um oficial da Guarda Nacional que se identificou com Ortis Torres disse que os mortos podem ser 150. O diário "Panorama", da capital Caracas, chegou a contar 200 mortos.</P>
<P>
O arcebispo de Maracaibo, monsenhor Ovidio Perez Morales, chorou ao entrar no presídio Sabaneta. "Vimos mais de cem mortos hoje (ontem). Mas este tipo de violência ocorreu durante todo o ano passado. Eu peço a Deus para que acabe com a vingança e com a violência."</P>
<P>
O procurador-geral da Venezuela, Ramon Escovar Salom, disse que as 135 mortes no presídio se devem a "anos de inércia e irresponsabilidade  governamental". O presidente Ramon Velásquez se comprometeu a tomar medidas "categóricas e imediatas para evitar a repetição desses sangrentos episódios". Ele atribuiu a tragédia à grave crise econômica que o país atravessa.</P>
<P>
O ministro da Justiça, Fermin Marmol Leon, deveria viajar ontem mesmo para Maracaibo para conduzir uma invetigação sobre as causas da rebelião.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4117">
<P>
Da Agência Folha, em Florianópolis</P>
<P>
A região de Florianópolis (SC) foi castigada por uma forte chuva na madrugada de ontem. Três pessoas morreram e 300 ficaram desabrigadas em quatro cidades. Os municípios mais atingidos foram São José e Biguaçu, onde vários bairros ficaram inundados. A Prefeitura de Biguaçu decretou estado de calamidade pública. São José, Florianópolis e Palhoça estão em situação de emergência.</P>
<P>
Em Biguaçu, os bombeiros registraram a morte do PM Célio Oliveira, 28, de Ari Osvaldo Jerônimo, 41, e de seu filho de apenas 15 dias, que ainda não tinha certidão de nascimento. De acordo com José Cordeiro Neto, 40, técnico da Defesa Civil do Estado, o PM Oliveira foi arrastado pela correnteza do rio Caveiras, que transbordou.</P>
<P>
"Depois de ajudar várias pessoas, o soldado socorreu o pai e a mulher. Ele voltou para casa pensando que poderia salvar algum bem, mas acabou sendo arrastado", disse Neto. Ari Jerônimo e o filho morreram quando sua casa desabou. Sua mulher ficou ferida.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-67370">
<P>
Segundo José Carlos de Souza, diretor do sindicato e integrante do grupo de oposição a Cruz, em depoimento prestado ontem no 1.º DP de Santo André</P>
<P>
1) Souza estava com Cruz na sala da presidência quando José Benedito de Souza, o Zezé, entrou e passou a cobrar o pagamento de verba de representação (de 4,5 salários mínimos) para os diretores do sindicato.</P>
<P>
2) Cruz pediu para Zezé sair da sala. Ambos começaram a discutir e a se xingar. Cruz se abaixou para pegar algo na gaveta e Zezé sacou a arma.</P>
<P>
3) Neste momento, Souza saiu da sala correndo e ouviu os disparos.</P>
<P>
Segundo Robson Bezerra, filiado ao sindicato e do grupo de apoio a Cruz</P>
<P>
1) Cruz e o sindicalista Cícero Novaes, o Cição, conversavam na sala da presidência da entidade. Eles discutiam quem poderia ter quebrado a divisória da sala de Cruz horas antes, quando José Carlos de Souza e José Benedito de Souza, o Zezé, chegaram.</P>
<P>
2) Cruz pediu para que Bezerra e Novaes saíssem da sala. Ao sair, Bezerra ouviu quatro tiros e viu Zezé deixar a sala com a arma na mão.</P>
<P>
3) Bezerra correu atrás de Zezé. Já na rua leva uma pancada na cabeça, fica zonzo e desiste da perseguição. Ele não soube identificar quem desferiu o golpe em sua cabeça.</P>
<P>
Segundo Luiz Carlos Gomes, ex-diretor do sindicato e ligado ao grupo de apoio a Cruz</P>
<P>
1) Gomes e o sindicalista Cícero Novaes, o Cição, estavam na sala da presidência do sindicato conversando com Cruz Júnior sobre os danos na divisória.</P>
<P>
2) A conversa foi interrompida por José Carlos de Souza e José Benedito de Souza, o Zezé, que disse que não chutaria a divisória e sim a cara (sic) de Cruz. Este pediu para Gomes e Cição deixarem a sala.</P>
<P>
3) Ao saírem, os dois ouviram quatro disparos. Em seguida Zezé saiu na sala e, com a arma em punho, ameaçou Gomes e fugiu. José Carlos de Souza sai da sala empurrando o corpo de Cruz.</P>
<P>
Segundo Cícero Novaes, sindicalista e do grupo de apoio a Cruz</P>
<P>
1) Novaes estava na sala da presidência do sindicato com Cruz e Luiz Carlos Gomes quando José Carlos de Souza e José Benedito de Souza entraram no local.</P>
<P>
2) Começou uma discussão sobre a divisória quebrada. Cruz pediu para Novaes e Gomes saírem.</P>
<P>
3) Depois de deixar a sala, Novaes viu Zezé sair e entrar na sala três vezes. Na terceira, ele ouviu os disparos e viu Zezé sair da sala com a arma na mão.</P>
<P>
Fonte: Reportagem Local</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83926">
<P>
Robert Marx, polémico investigador norte-americano de tesouros submarinos, em entrevista ao PÚBLICO</P>
<P>
«Os meus críticos em Portugal têm cérebro de formiga»</P>
<P>
Isabel Braga</P>
<P>
Há quem considere Robert Marx um caçador de tesouros e não um arqueólogo subaquático. Veio a Lisboa para lançar um novo livro e, entrevistado pelo PÚBLICO, defendeu a sua qualidade de cientista. Se não o fosse, explica, não quereria trabalhar em Portugal, onde há uma lei que tutela o património subaquático e jornalistas que lhe fazem perguntas. Mas Robert Marx ajudou a fazer a lei cujo autor, o deputado do PSD, Rui Gomes da Silva, contratou como seu advogado. O objectivo de Marx é, agora, obter a autorização que aguarda há 34 anos para pesquisar os mares dos Açores.</P>
<P>
Este homem alto e forte, de 58 anos, está marcado por cicatrizes das muitas lutas que travou no mar. Veio a Lisboa para apresentar o livro «Em Busca dos Tesouros Submersos- A Exploração dos Maiores Naufrágios do Mundo», editado pela Bertrand, de que é autor juntamente com a sua mulher, Jennifer Marx. O seu currículo apresenta-o como antigo fuzileiro naval, licenciado em antropologia e arqueologia, e arqueólogo marítimo, especializado no período colonial espanhol nas Caraíbas. É autor de 45 livros sobre as 67 explorações e recuperações arqueológicas que fez em mares de todo o mundo. Marx reivindica, entre outras descobertas, ter encontrado o espólio do galeão espanhol Nuestra Señora de Los Milagros, afundado em 1741 no México, localizado 13 navios naufragados do século XVII ao XIX na Baía, Brasil, e muitos outros despojos, entre eles os de um navio fenício e outro romano, no porto de Portimão. Dirigiu a escavação da cidade afundada de Port Royal, na Jamaica, foi o consultor arqueológico e histórico da escavação do galeão português Flor de La Mar, nau-almirante de Afonso de Albuquerque, afundada junto da Ilha de Sumatra em 1511. Apesar deste extensíssimo currículo, Robert Marx, que fala sem papas na língua, é acusado pelo director do Serviço de Documentação Geral da Marinha do Brasil, Comandante Max Justo Guedes, de ser um homem «muito competente mas com pouca ética», e, por causa disso, «proibido» pelo Governo brasileiro de trabalhar naquele país.</P>
<P>
PÚBLICO -- O navio Flor de La Mar nunca foi encontrado. Como demonstra que ele está efectivamente no local indicado por si?</P>
<P>
Robert Marx -- Jesus Cristo! Que provas têm as pessoas que dizem isso? Eu tenho provas de que encontrei o navio. Tenho 150 mergulhadores da marinha indonésia por conta de um museu do país, a trabalhar nele há seis meses. Tenho muitas peças do navio. O Flor de la Mar bateu num recife e partiu-se. Está afundado debaixo de 15 pés de lodo muito duro e aí começaram os problemas. Há até uma controvérsia a propósito da propriedade do navio. A Indonésia diz que lhe pertence e a Malásia também, mas isso já veio tudo nos grandes jornais do mundo. Foi preciso parar as escavações porque o caso está a ser decidido no Tribunal Internacional de Haia. Vim muitas vezes a Lisboa e o facto de haver aqui alguns idiotas que dizem que eu não encontrei o Flor de La Mar mostra que têm um cérebro de formiga.</P>
<P>
P. --ÊO Comandante Max Justo Guedes, da Marinha do Brasil, disse ao PÚBLICO que o senhor afirmou que encontrara umas ânforas romanas na Baía de Guanabara, mas, segundo ele, as ânforas tinham sido mandadas fazer por si e colocadas num local proibido à navegação e à pesca, para envelhecerem depressa. O que tem a dizer a isso?</P>
<P>
R. -- A história é muito complicada. Eu encontrei as ânforas romanas, eram de um navio romano naufragado, e o Governo do Brasil pediu-me para dizer, em vez disso, que as ânforas eram fenícias. Ao princípio tentei provar que eram romanas e a revista Manchete publicou uma notícia a dizer que eram gregas. Há três anos voltei ao Brasil, a Baía, e encontrei pessoas do Instituto do Património Histórico e Arqueológico Nacional que tinham as ânforas que eu identifiquei como romanas. Eles disseram-me que eram objectos da macumba, mas eu neguei, é a minha especialidade. Ao princípio tentei provar que alguém tinha levado as ânforas do Mediterrâneo para o Brasil, que era o que eu pensava, mas quando vi o navio romano afundado na Baía da Guanabara, fiquei convencido de que eram mesmo romanas. Isso significava que os romanos tinham chegado antes dos portugueses ao Brasil e, por isso, os italianos tinham que ter os mesmos direitos legais que os portugueses naquele país. Por causa disso, queriam que eu mudasse a identificação das ânforas de romanas para fenícias. Eu seria um idiota se confundisse ânforas romanas com ânforas fenícias e recusei, por isso negaram-me autorização para permanecer no país.</P>
<P>
P. -- Acha então que foram os romanos a descobrir o Brasil?</P>
<P>
R. -- Chegaram lá por acaso, mas qual é o problema? Tenho a certeza que muita gente chegou à América antes de Colombo.</P>
<P>
P. -- Mas porque é que alguém ia inventar uma história destas a seu respeito?</P>
<P>
R. -- Neste negócio, quanto mais sucesso uma pessoa tem mais pessoas há com inveja dela. Aqui, em Portugal, tenho tido mais problemas desses do que em qualquer outra parte do mundo.</P>
<P>
O papel de Rui Gomes da Silva</P>
<P>
P. -- Que relações tem com o autor da nova lei portuguesa sobre património subaquático, Rui Gomes da Silva. Ele é seu sócio?</P>
<P>
R. -- Ele não é meu sócio, é meu advogado. Eu sou um dos fundadores do Conselho Internacional de Arqueologia Subaquática, uma organização internacional que aconselha os governos sobre leis do património subaquático. Vim cá muitas vezes e tenho muitos amigos, alguns deles são os que agora dizem mal de mim, como Francisco Alves (o director do Museu Nacional de Arqueologia). Eu ajudei as pessoas que estavam a fazer a lei portuguesa, Rui Gomes da Silva e Maria do Carmo Pinto Basto. Mandei-lhes cópias das leis dos vários países e disse quais eram as boas e as más e as pessoas que deviam contactar na Unesco. Portugal é o único país da Europa que tem uma lei do património subaquático e é uma boa lei. Em Inglaterra, quem encontra um tesouro fica com ele, guarda 100 por cento do achado. Quando a lei foi publicada, eu pedi a Rui Gomes da Silva que fosse meu advogado porque queria ter uma pessoa que conhecesse a lei e ninguém melhor do que ele a conhece.</P>
<P>
P. -- Pensa que vai conseguir, finalmente, a autorização para trabalhar nos Açores, por que espera há 30 anos?</P>
<P>
R. -- Não estaria a perder tempo se não esperasse consegui-la. Há cinco semanas tive um ataque de coração muito violento. Há 34 anos que estou à espera e tornei-me paciente.</P>
<P>
P. -- Mas o que espera encontrar lá?</P>
<P>
R. -- Se eu quisesse apenas achar tesouros não vinha para os Açores, nem para Portugal. É o último sítio do mundo onde eu viria procurá-los. Sabe porquê? Porque há outros lugares onde eu posso fazê-lo e ficar com 100 por cento daquilo que encontrar, sem ter que pagar uma comissão, sem ter uma lei e sem ter que falar com jornalistas. O.K? Nos Estados Unidos, onde eu vivo, pertence ao Governo o que se encontrar até três milhas da costa, e a partir daí até 300 milhas, tudo o que se achar é nosso. Há muitos sítios do mundo onde é assim.</P>
<P>
P. -- O que o traz cá, então?</P>
<P>
R. -- Quero encontrar navios inteiros. Em águas com 10 ou 15 metros de profundidade só há bocados de navios, nos Açores, onde as águas são muito profundas, a 500 metros, mil metros de profundidade, há navios inteiros. Pelos Açores, passavam todos os navios que regressavam do Novo Mundo. As ilhas estão espalhadas por uma grande distância e há picos que se vêem ao longe. Os astrolábios não eram muito fiáveis, toda a gente se orientava passando pelos Açores. Não há mais lugar nenhum assim, com tantos navios afundados e intactos.</P>
<P>
«Faço um trabalho científico»</P>
<P>
P. -- Fala como um cientista, mas há muita violência no meio em que vive. Há notícia de lutas, até trocas de tiros entre as pessoas que pesquisam o fundo do mar. Como explica isso?</P>
<P>
R. -- É verdade, acontece, há muita gente louca neste meio, é um mundo violento. Se alguém obtém autorização para pesquisar, o governo do país protege-o. Se não tem autorização, arranja problemas. Mas eu faço um trabalho científico, tenho tecnologia para isso, um barco, um submarino e o ROV (Remote Operator Vehicle) de que necessito para pesquisar águas profundas, como as dos Açores, custam-me 40 mil dólares por dia. Tudo é feito de maneira científica. Estou farto de críticas aqui, de pessoas como o director do Museu Nacional de Arqueologia [Robert Marx abre uma caixinha de remédios] Vou tomar as minhas pílulas para a maluquice.</P>
<P>
P. --ÊNão destrói os sítios arqueológicos que pesquisa?</P>
<P>
R. -- Não, absolutamente, não sou um pirata. Eu financio actividades científicas, pago exposições, fiz um museu em Singapura com o meu dinheiro.</P>
<P>
P. -- Não lhe interessa investigar outros lugares da costa portuguesa, além dos Açores?</P>
<P>
R. -- Há outras pessoas que podem trabalhar em águas menos profundas, há muitos lugares onde não é preciso usar as qualificações que eu tenho. Há 500 navios afundados em águas portuguesas e qualquer pessoa pode investigá-los. Mas estaria interessado em pesquisar cidades inteiras submersas, que existem no Algarve, perto da Praia da Salema, segundo me disseram alguns mergulhadores, que viram edificações debaixo de água.</P>
<P>
P. -- O problema aqui é que o Estado não fornece meios suficientes para as entidades oficiais habilitadas, como o director do Museu Nacional de Arqueologia, fazer arqueologia subaquática. Não é injusto criticá-lo?</P>
<P>
R. -- Mas o director do Museu Nacional de Arqueologia, Francisco Alves, que até foi um dos meus melhores amigos -- e só deixou de o ser por causa da lei do património subaquático --, já provou alguma coisa, já escreveu algum livro? Ele não pode dizer que quer fazer arqueologia subaquática sem provar que tem créditos para isso. Ele é um arqueólogo, mas de terra.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-94890">
<P>
Lisboa-Dakar'2008 começa a 5 de Janeiro</P>
<P>
PROVA TERÁ PERTO DE 6.000 QUILÓMETROS</P>
<P>
A 30.ª edição do Dakar vai partir de Lisboa no dia 5 de Janeiro com a chegada ao Senegal marcada para 20, numa competição que terá no próximo ano perto de 6.000 quilómetros de provas especiais.</P>
<P>
"Os itinerários provisórios indiciam uma quilometragem de especiais significante mais importante que nos anos anteriores. Em 2006 e 2007 ficámos nos 4.000, 5.000 quilómetros. Em 2008, queremos mais especiais e menos ligações", afirmou o director do Lisboa-Dakar, Etienne Lavigne, durante a apresentação da prova.</P>
<P>
A partida da edição de 2008 está marcada para a Praça do Império, em Lisboa. O Centro Cultural de Belém será o quartel-general para os carros, motos e camiões.</P>
<P>
De fora do percurso ficou o Mali, depois dos problemas de segurança ocorridos na prova deste ano, o que levou ao cancelamento de uma etapa.</P>
<P>
"Existe muita instabilidade neste momento em alguns países africanos. São zonas de risco onde não poderíamos a 100 por cento garantir a segurança, não só dos pilotos, mas de todo o staff que está envolvido na prova", justificou Etienne Lavigne, revelando que o Plano de Segurança Rodoviária que tinha sido criado para a última edição foi reformulado.</P>
<P>
Lisboa e Portimão deverão receber as primeiras especiais, estando ainda em estudo os percursos exactos para as duas etapas iniciais.</P>
<P>
"Estamos muito perto dos desenhos finais dos percursos. Não podemos tornar público, mas temos trabalhado intensamente nesse sentido. Não há muito para mud ar. Os padrões estão de tal maneira elevados que é difícil fazer melhor", afirmou João Lagos, empresário responsável pela parte portuguesa do Lisboa-Dakar.</P>
<P>
De acordo com os números revelados hoje pela organização, na edição 2007 do rali mais de um milhão de pessoas assistiram à passagem por Portugal.</P>
<P>
"Nestes últimos dois anos, Portugal, Lisboa e Portimão deixaram uma marca muito forte no Dakar. Foram anos fantásticos, com uma adesão fantástica e um ambiente extraordinário", sublinhou João Lagos. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-57597">
<P>
Da Agência Folha, em Curitiba </P>
<P>
Sobe para 1.500 o número de desabrigados em União da Vitória (236 km a sudoeste de Curitiba-PR), segundo informou ontem a Defesa Civil do Paraná.</P>
<P>
No município vizinho de Porto União (SC), a prefeitura decretou estado de emergência. Na cidade, 350 pessoas estão desabrigadas.</P>
<P>
Além das casas que ficam às margens do rio Iguaçu, os pátios de algumas madeireiras de União da Vitória foram inundados na madrugada de ontem.</P>
<P>
O coordenador da Defesa Civil na cidade, Rubens Konnel Filho, disse que o trabalho não foi suspenso nas madeireiras.</P>
<P>
Segundo ele, o rio Iguaçu está 4 m acima do normal. Às 14h de ontem, o nível do rio era de 6,36 m. "Estamos prevendo que o rio suba ainda nas próximas 20 horas e depois se estabilize."</P>
<P>
Em Porto União (SC), o chefe de gabinete da prefeitura, Ivo Dolinski, disse que apenas o bairro de Santa Rosa havia sido atingido pela enchente. Segundo ele, se o nível do rio subir mais meio metro será decretado estado de calamidade pública no município.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-41694">
<P>
Governo decreta emergência em 4 cidades; em Belo Horizonte, carro é 'engolido' por buraco </P>
<P>
Da Agência Folha e das Regionais </P>
<P>
As chuvas que atingem o Mato Grosso desde a semana passada já deixaram 25 mil desabrigados.</P>
<P>
O governador Dante de Oliveira decretou estado de emergência por 20 dias nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antônio do Leverger e Barão de Melgaço. Ainda não há registro de desabamentos, mortos ou feridos.</P>
<P>
Mato Grosso deve enfrentar este ano a pior cheia desde 1974. Naquele ano, o rio Cuiabá chegou a 10,87 metros acima do normal, desabrigando 24 mil pessoas.</P>
<P>
Segundo a Defesa Civil, às 10h de ontem o nível do rio Cuiabá estava em 10,44 metros.</P>
<P>
Santo Antônio do Leverger (28 km ao sul de Cuiabá) e Barão do Melgaço (132 km sul de Cuiabá) estão isoladas pelas águas. O acesso só é possível por barco.</P>
<P>
Minas </P>
<P>
As chuvas que atingiram ontem Belo Horizonte (MG) provocaram a ruptura do asfalto da rua Luther King, no bairro Cidade Nova, formando um buraco de três metros de profundidade e quatro metros de largura. Um Escort, dirigido por Élder Sampaio, foi "engolido" pelo buraco. Sampaio foi socorrido pelos moradores do bairro. Ele não ficou ferido.</P>
<P>
Estado de São Paulo </P>
<P>
A Prefeitura de São Luiz do Paraitinga estimou em R$ 300 mil o prejuízo causado pelas chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias.</P>
<P>
Cerca de 900 pessoas estão desabrigadas. Mais de 200 casas foram inundadas com a cheia do rio Paraitinga.</P>
<P>
Três prefeituras da região de Campinas decretaram estado de emergência ontem devido às chuvas. Em cinco cidades da região há 2.802 desabrigados.</P>
<P>
O prejuízo com as chuvas que atingiram a região de Matão e Araraquara nas últimas 24 horas chegou a R$ 3 milhões, segundo as duas prefeituras.</P>
<P>
O número de desabrigados em Araraquara é de 150 e todos estão alojados em creches municipais.</P>
<P>
A Defesa Civil de São Carlos decretou estado de alerta na cidade. No final da tarde de ontem, um prédio de dois andares afundou cerca de dez centímetros e foi interditado. O tráfego na avenida Sallun com travessa Dois, onde fica o edifício, foi interditado.</P>
<P>
A Prefeitura de Mauá decretou estado de calamidade pública ontem pela manhã por causa das chuvas. O número de desabrigados triplicou ontem, passando para 160 famílias (670 pessoas).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68527">
<P>
Protagonista</P>
<P>
O grande ausente</P>
<P>
FARDADO de verde azeitona, de pistola à cintura, ou talvez à civil, como apareceu vestido para a assinatura dos acordos de Bicesse, em 1991, houve quem esperasse, até ao último momento, que o líder da UNITA fosse mesmo a Lusaca para caucionar um ano de morosas negociações de paz. Mas nem as garantias de segurança do Governo angolano nem a promessa dos americanos em o irem buscar, onde quer que estivesse, foram suficientes para convencer Jonas Savimbi a aparecer e a mostrar-se aos angolanos e ao mundo. Finalmente a paz foi feita por procuradores com assinatura reconhecida e com o Presidente José Eduardo dos Santos a deixar nas entrelinhas de um discurso marcado pelo cepticismo a possibilidade de tudo ter sido em vão.</P>
<P>
Assim, Jonas Savimbi foi, pela sua ausência, o verdadeiro protagonista da cerimónia de ontem da capital da Zâmbia, onde as delegações da UNITA e do Governo negociaram durante mais de 11 meses uma paz que continua a parecer frágil. Esteve com o mediador da ONU, Blondin Beye, falou ao telefone com Mário Soares, com a embaixadora americana nas Nações Unidas, Madeleine Albright, e com o vice-Presidente sul-africano Thabo Mbeki. Mas de resto há mais de três meses que ninguém o vê ou lhe ouve a voz. Não se fez ouvir nem apareceu na recta final do processo de paz, nem por ocasião da rubrica do protocolo, nem na perda do Huambo, nem na assinatura da paz, levando os analistas a interrogarem-se sobre a sua saúde, a unidade e a força da organização.</P>
<P>
Nascido no dia 3 de Agosto de 1934, em Munhango, algures entre as províncias do Bié e do Moxico, Jonas Malheiro Savimbi foi desde muito cedo marcado pela forte personalidade do pai, um pastor protestante que cedo inculcou no filho uma moral muito rígida. Os Savimbi pertencem à etnia dos ovimbundos, que representam cerca de 40 por cento da população e são maioritários no Planalto Central. Depois de ter feito grande parte da guerra contra o MPLA a partir da Jamba, na província setentrional do Cuando Cubango, e rejeitado os resultados das eleições do Outono de 1991, foi para o Planalto Central que a UNITA apontou os canhões ocupando Huambo (antiga Nova Lisboa) e fazendo aí a sua sede administrativa.</P>
<P>
Brilhante aluno de uma missão protestante e, depois, do colégio dos Maristas em Silva Porto (actual Cuíto), Savimbi foi um dos raros angolanos negros da época colonial a fazer estudos superiores. Algumas tentativas biográficas apontam-lhe a frequência de Medicina em Lisboa ou a de Ciências Políticas em Lausanne. Foram as nascentes ideias independentistas que o levaram a sair de Portugal para a Suíça, em 1960, e a alinhar com a FNLA, de Holden Roberto, que abandonou seis anos mais tarde para fundar a sua própria organização, a UNITA, depois de passar alguns meses na China e de aí receber formação política e militar.</P>
<P>
Após o derrube da ditadura em Portugal, seguido em 1975 da tomada do poder pelo MPLA, a seguir aos Acordos do Alvor, a UNITA regressou às matas, onde ficou até à assinatura dos acordos de Bicesse. Foi então efémera a sua passagem pelas cidades; haveria de contestar os resultados das eleições gerais de 1991, consideradas pela ONU como «geralmente livres e justas», e prometer vingança do massacre de Luanda desse mesmo Outono.</P>
<P>
Considerado um homem autoritário e intransigente, Jonas Savimbi, cuja ideologia se diz que oscila entre um socialismo africano e a economia de mercado, fez muitos inimigos no interior do seu próprio partido. A morte dos dissidentes Pedro «Tito» Chingunji e Fernando Wilson Santos, executados no segundo semestre de 1991, na Jamba, com pelo menos outros três membros das suas famílias, e as perseguições de que foram alvo Nelson Malaquias e as suas filhas, Germana «Tita» e Bela Malaquias, ficaram a atestar o nível das divisões internas do partido.</P>
<P>
O desaparecimento, há mais de três meses, de Jonas Savimbi da cena pública, e as derrotas políticas e militares da UNITA levam alguns analistas a oscilar entre a hipótese de um recuo estratégico e o declínio da sua influência. A perda dos antigos amigos, sul-africanos e americanos, o embargo de armas e a hostilidade da comunidade internacional foram golpes demasiado fortes para a organização. E nem o petróleo nem os diamantes das zonas conquistadas, nem o reforço das amizades tradicionais, da Costa do Marfim ao Zaire, passando por Marrocos, nem a alta disciplina das FALA (exército da UNITA) foram suficientes para conter a derrocada. Finalmente, com a troca das matas pelas cidades, a guerrilha perdeu mobilidade e desviou as suas energias para a administração de coisas que não estava habituada a gerir.</P>
<P>
Com a investida das forças governamentais em vários pontos do território, principalmente contra o Huambo, a «Jerusalém» da UNITA, a coberto da inexistência de um cessar-fogo efectivo, um argumento afinal de contas inatacável, o que Luanda fez foi provar que o inimigo, pelo menos de momento, já não tinha força.</P>
<P>
Se a força residual da UNITA está hoje, mais do que nunca, em Jonas Malheiro Savimbi, onde quer que ele esteja, também o futuro do frágil acordo de Lusaca está em boa parte nas suas mãos, por mais enfraquecido que ele esteja.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-51092">
<P>
ESTANISLAU MARIA </P>
<P>
Da Agência Folha </P>
<P>
Oito barcos saíram ontem de Eldorado, no Vale do Ribeira (SP), à procura de desabrigados às margens do rio Ribeira. A prefeitura estima que há 400 desabrigados na zona rural.</P>
<P>
O prefeito Donizete Antônio de Oliveira (PFL), 34, disse que os barcos foram buscar feridos e doentes e fazer o levantamento do número de pessoas ilhadas. Até as 16h de ontem, os barcos não tinham retornado.</P>
<P>
Com as chuvas da madrugada de ontem, o nível do rio chegou a 11,9 m acima do normal. Durante o dia, o nível baixou para 11,02 m. Segundo o prefeito, há 400 famílias desabrigadas na cidade (cerca de 2.500 pessoas). Houve um morto e não há registro de feridos.</P>
<P>
O prefeito disse que há preocupação com surtos de leptospirose e tifo. Anteontem foi decretado estado de calamidade pública no município. Metade da cidade está alagada e cerca de 30% das casas estão sem fornecimento de água.</P>
<P>
As três estradas que dão acesso a Eldorado estão alagadas. O acesso está sendo feito por barcos ou helicópteros.</P>
<P>
O ginásio municipal de esportes, duas escolas e o clube municipal também estão submersos. O posto de saúde está isolado pela enchente. Só a Santa Casa está funcionando.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-7574">
<P>
Forças rebeldes sérvias atacaram com granadas o centro e a periferia do encrave muçulmano de Gorazde, na Bósnia, apesar das negociações de cessar-fogo. Dez pessoas ficaram feridas, a maioria de civis, segundo a ONU. As negociações de cessar-fogo devem prosseguir hoje. Ontem, os sérvios impediram a visita do comandante militar da ONU a Gorazde.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33182">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Começam hoje em São Paulo as festas de comemoração dos 170 anos de imigração alemã.</P>
<P>
Às 19h30 haverá sessão solene no Clube Transatlântico, na rua José Guerra, em Santo Amaro (zona sul).</P>
<P>
Na ocasião será lançado um carimbo comemorativo pela ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), com alusão à data.</P>
<P>
Os interessados em utilizar o carimbo deverão levar, durante a próxima semana, sua correspondência à agência central dos Correios, na avenida São João.</P>
<P>
Hoje haverá apresentação da banda da Polícia Militar de São Paulo e dos coros Lyra (fundado em 1884) e Scala (de 1972).</P>
<P>
Amanhã será celebrado culto ecumênico na catedral da Sé, às 16h, com o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, o pastor regional da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, Martin Hiltel, e o rabino-mor da Congregação Israelita Paulista, Michael Leipziger.</P>
<P>
O ano de 1824 foi convencionado como o da chegada dos primeiros alemães. Naquele ano, colonos trazidos por d. Pedro I se estabeleceram em São Leopoldo (RS).</P>
<P>
No Estado de São Paulo, entretanto, já havia alemães desde 1811, vindos para trabalhar na fábrica de ferro de Sorocaba.</P>
<P>
Em 1827, outro grupo de colonos chegou a São Paulo. Nos dois anos seguintes, vieram para São Paulo cerca de 900 alemães.</P>
<P>
No final do século passado, a prosperidade das lavouras de café fez com que muitos imigrantes alemães fossem para São Paulo.</P>
<P>
Eles representavam mão-de-obra especializada. Se estabeleceram como comerciantes, ourives, cervejeiros e chapeleiros, entre outras profissões.</P>
<P>
Estima-se que entre 1840 e 1940 o Brasil recebeu 5 milhões de alemães.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-86606">
<P>
Conferência sobre bairros degradados</P>
<P>
Sampaio reclama políticas urbanas</P>
<P>
A necessidade de a União Europeia adoptar «políticas integradas» para as áreas urbanas -- prolongando experiências como a do programa Urban -- foi ontem defendido pelo presidente da Câmara de Lisboa, na abertura da conferência internacional sobre o desenvolvimento económico dos bairros degradados promovida pela associação europeia «Quartiers en crise».</P>
<P>
«A questão é saber como a União Europeia vai responder aos problemas urbanos», disse Jorge Sampaio. O autarca pensa que deveriam ser criados programas específicos como os existentes para sectores de actividade como a indústria ou a agricultura. «Os problemas urbanos são os problemas do futuro», acrescentou.</P>
<P>
As políticas «integradas» a adoptar deveriam promover a criação de emprego, a formação profissional, o apoio à habitação e o combate à toxicodependência, a exemplo do que se espera do Urban, um programa que em Lisboa visa reabilitar o Casal Ventoso, onde deverão ser investidos cerca de oito milhões de contos, 3,5 milhões dos quais provenientes de fundos comunitários.</P>
<P>
No entender do autarca, o Estado deve «rever» o seu papel e tem uma palavra a dizer na procura de respostas para os problemas mais prementes que se tem vindo a colocar às sociedades modernas «Como manter o esforço de desenvolvimento, contendo os custos sociais que são a outra face da moeda?», perguntou.</P>
<P>
«O desequilíbrio urbano com que estamos confrontados coloca-nos perante o problema central de como organizarmos as relações sociais e espaciais urbanas», referiu o presidente do maior município do país, que está convicto da necessidade de «conter o desenvolvimento das grandes metrópoles», criando-se, em alternativa, aquilo a que chamou «sistemas urbanos polinucleados». Dito de outra forma: núcleos urbanos com relações entre si.</P>
<P>
Em matéria habitacional, Sampaio lembrou os três tipos de necessidades de Lisboa: para a erradicação de barracas foi criado o PER, Programa Especial de Realojamento, e a reabilitação urbana dos bairros históricos é o objectivo do PERU, Programa Especial de Reabilitação Urbana. A recuperação do parque edificado é que não tem ainda nenhum programa especial.</P>
<P>
A conferência dos «Quartiers en Crise», que termina domingo, tem entre os principais temas em discussão o acesso ao emprego pelos residentes dos bairros degradados, o desenvolvimento e rentabilização dos recursos económicos locais e a colaboração entre sector público e privado como meio de desenvolvimento económico.</P>
<P>
«Quartiers em crise» é o nome dado a um programa comunitário iniciado em 1989 e que, quatro anos depois, deu origem a uma associação. Actualmente é integrada por 30 cidades de 11 países europeus, entre as quais Lisboa e Matosinhos. Ao longo da sua existência, a associação tem privilegiado o estudo do desenvolvimento económico e urbano, envolvendo residentes, investigadores e políticos. J.M.R.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-21881">
<P>
2008: novas entradas em bolsa após recuperação confiança</P>
<P>
A recuperação da confiança nos mercados de capitais deverá estimular a entrada de novas empresas em bolsa, quer através de privatizações, como ANA, TAP e Aquapor, quer através de capital privado, segundo gestores de activos contactados pela Lusa.</P>
<P>
O Santander Gestão de Activos considera que "o início de 2008 não deverá ter muitas novidades em termos de novas entradas em bolsa, face ao aumento de aversão ao risco verificado nas últimas semanas e a redução de liquidez verificada nos mercados financeiros».</P>
<P>
No entanto, salienta, «à medida que os níveis de confiança forem recuperando é de esperar novas entradas de empresas na bolsa portuguesa».</P>
<P>
O Santander Gestão de Activos aponta para que as novas listagens no próximo ano na Euronext Lisboa aconteçam quer através de privatizações, dando como exemplos os casos da ANA e da TAP, quer através de sociedades de capital privado como o grupo Visabeira.</P>
<P>
Opinião idêntica tem o gestor do Banif Gestão de Activos, Pedro Castro, para quem a expectativa é que se estreiem na bolsa portuguesa, além da ANA e da TAP, também a Aquapor, a Sonae Capital e a Neo.</P>
<P>
 No ano que agora termina houve duas entradas na bolsa portuguesa, concretamente da REN (através da privatização de 24% do capital) e da Martifer. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93375">
<P>
Em Campinas, 240 casas e barracos são alagados; em São Paulo, 2 milhões de pessoas ficam sem luz </P>
<P>
Da Folha Sudeste, da Folha ABCD e da Reportagem Local </P>
<P>
Duzentos e quarenta casas e barracos foram alagados anteontem à noite durante a pior chuva, em termos de estragos, nos últimos dez anos em Campinas (99 km noroeste de São Paulo). Em São Paulo, cerca de 2 milhões de pessoas ficaram sem luz por causa das chuvas de sexta-feira e sábado.</P>
<P>
A avaliação em Campinas é da Defesa Civil do município, que registrou 2.500 chamados de pessoas sob risco –número duas vezes e meia maior que o normal.</P>
<P>
O temporal, uma chuva de verão com granizo, atingiu a cidade por volta das 18h30 de sábado e durou até as 20h30. A chuva, em menor intensidade, persistiu madrugada adentro.</P>
<P>
Segundo o diretor da Defesa Civil, Sidnei Furtado, 32, a chuva foi localizada. "Ela atingiu uma faixa que integra bairros das zonas norte, sul e leste da cidade."</P>
<P>
O Corpo de Bombeiros registrou oito quedas de árvores e quatro ocorrências de carros arrastados pelas águas.</P>
<P>
Os córregos Piçarrão, Proença e Anhumas, que acompanham as principais avenidas da cidade, tansbordaram.</P>
<P>
Quatro casas desabaram parcialmente. Cinquenta árvores caíram e nove muros desabaram.</P>
<P>
Onze carros ficaram alagados, segundo os bombeiros. Os bairros de Barão Geraldo, Cidade Universitária 1 e Cidade Universitária 2 ficaram sem luz das 18h30 de anteontem às 11h30 de ontem. O abastecimento de água em alguns bairros também foi afetado.</P>
<P>
São Paulo </P>
<P>
Ao todo choveu 48,2 milímetros em São Paulo, no sábado e na sexta-feira. Isso corresponde a aproximadamente 20% da média histórica em janeiro, de 238,7 mm.</P>
<P>
De acordo com a Eletropaulo, apesar de a água não ser muita, veio acompanhada de ventos que provocaram um vendaval na zona oeste da cidade.</P>
<P>
"Os ventos dirigiam-se do Pacaembu no sentido do Butantã arrastando árvores e derrubando tudo o que estivesse à frente", disse Antoninho Borghi, da Eletropaulo.</P>
<P>
O muro que separa a Cidade Universitária da marginal Pinheiros foi derrubado e carregado pelo vento. Segundo a Eletropaulo, a chuva causou 4.875 defeitos na rede elétrica. Cerca de 2 milhões de pessoas ficaram sem luz. Em algumas regiões a interrupção durou mais de 24 horas..O telefone 196, da Eletropaulo, recebeu 31 mil telefonemas.</P>
<P>
No sábado o vendaval não se repetiu, mas a chuva foi mais intensa e durou mais tempo. Entre as 15h30 e as 22h choveu 37 mm.</P>
<P>
Houve enchentes na zona leste. As águas do córrego Aricanduva subiram, expulsando centenas de famílias de suas casas. As águas cobriram toda a avenida Aricanduva, parte da avenida do Estado e as ruas ao redor.</P>
<P>
O Corpo de Bombeiros atendeu 166 ocorrências durante as chuvas de sábado em São Paulo, movimento 30% acima do normal.</P>
<P>
Entre as 16h de sábado e a 0h de domingo, os bombeiros resgataram 15 pessoas ilhadas em casas e ruas, retiraram três automóveis de rios e desobstruíram oito ruas bloqueadas por árvores. Uma casa desabou, sem deixar feridos.</P>
<P>
ABCD </P>
<P>
O jogo da equipe de vôlei feminino Cepacol/São Caetano contra o Nova Era/Datasul no sábado à tarde foi interrompido por uma hora por causa de uma chuva de granizo. O granizo quebrou o vidro que reveste o Ginásio Milton Feijão, em São Caetano, e os cacos caíram na quadra e arquibancadas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30239">
<P>
Na capital, dois homens morrem em acidentes causados pela chuva; no litoral, criança de 2 anos cai em córego</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Pelo menos três pessoas morreram entre a noite de anteontem e ontem em consequência das chuvas que atingiram o Estado de São Paulo. Com essas mortes e o resgate de 12 corpos em Santa Catarina, sobe para 60 o número de pessoas mortas na região Sul e Sudeste nos últimos oito dias (leia abaixo).</P>
<P>
Em São Paulo, duas mortes ocorreram anteontem na capital, e uma ontem no litoral sul.</P>
<P>
No Campo Limpo (zona sul), o córrego Pirajussara transbordou em dois dias seguidos. A água chegou a 1,5 m em alguns pontos.</P>
<P>
Os bairros da Água Fria e Tucuruvi (zona norte), Aricanduva (zona leste) e a marginal Tietê, na altura da ponte da Freguesia do Ó, também tiveram alagamentos provocados pelas chuvas. Em Santana (zona norte), 16 pessoas ficaram desabrigadas e foram recolhidas para abrigos pela prefeitura.</P>
<P>
No Tucuruvi, o vendedor autônomo Waldir Hipólito, 45, foi levado pela correnteza em uma viela anteontem à noite, e di encontrado morto ontem de manhã no quintal de uma fábrica de sacos.</P>
<P>
Ele estaca com mais duas pessoas em um carro, quando o veículo começou e ser levado pela enxurrada. Os três saíram do carro e tentaram se segurar, mas Waldir foi levado pelas águas. Os outros dois escaparam. O motorista do carro, Sergio Carlos Prestes Ascencio, disse que a água chegava a quase 2 m e que conseguiu se segurar em um muro.</P>
<P>
Segundo Luis Carlos Nascimento, 27, que trabalha na fábrica e encontrou o corpo de Hipólito, ele estava no meio do entulho trazido pela chuva. A água acumulada no local ultrapassou 1m de altura.</P>
<P>
O irmão de Waldir, o comerciante Adoniram Hipólito, 51, disse que foi avisado de seu desaparecimento ontem de manhã.</P>
<P>
No Itaim Paulista (zona leste), um muro desabou numa construção, matando o ajudante de pedreiro Roberto Chagas, 22, que trabalhava na obra.</P>
<P>
Entre a tarde e a noite de anteontem, a Defesa Civil do município recebeu cerca de 70 chamados para ocorrências como desabamentos, queda de árvore e alagamentos.</P>
<P>
Litoral</P>
<P>
Uma criança de 2 anos morreu afogada, às 16h, ao cair no canal de Sambaiatuba, em São Vicente (46 km de SP). Os bombeiros não souberam informar nem o nome nem o sexo da xriança. Segundo o Corpo de Bombeiros, ela se perdeu dos pais e caiu no canal.</P>
<P>
As coordenadorias da Defesa Civil de Caraguatatuba (a 190 km de SP) e São Sebastião (a 215 km de SP) decretaram estado de alerta. Há 80 desabrigados nas cidades.</P>
<P>
* Colaboraram Agência Folha e Folha Vale</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-91631">
<P>
E agora?</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Luís Pedro Nunes, em Maputo</P>
<P>
A Renamo decidiu não participar nas eleições legislativas e presidenciais de ontem e hoje. Fraudes em massa estavam a ser preparadas e a comunidade internacional ia obrigar-nos a aceitar os resultados, justificou Afonso Dhlakama. Ninguém estava verdadeiramente preparado para esta tomada de posição. E ninguém está preparado para prever nenhum cenário. Vive-se verdadeiramente o «tudo é possível». Mesmo a guerra que a Renamo diz estar fora de causa a não ser... a não ser se for atacada. Mesmo assim as pessoas acorreram às urnas (50 por cento, disse a Comissão Nacional de Eleições), Joaquim Chissano fez-se desapercebido, e a televisão moçambicana tratou o caso como se fosse um pormenor. Maputo viveu um dia de ruas desertas. O dia, esse foi alucinante, como se estivéssemos a viver a total improbabilidade.</P>
<P>
Durante todo o dia de ontem esperou-se sempre um volte-face na posição do líder da Renamo no sentido de anunciar o regresso do seu partido às eleições legislativas e presidenciais de Moçambique. Ontem à noite, à sua chegada a Maputo, vindo da Beira, enquanto os seus seguranças empurravam violentamente os jornalistas, Afonso Dhlakama, irritado e brutal, prestou ali uma única declaração: «Não regressamos porque estas eleições são falsas! Acabou!». De seguida ele próprio ameaçou e esbracejou para abrir caminho. Ruíam as esperanças das primeiras eleições democráticas de Moçambique decorrerem dentro da normalidade.</P>
<P>
Ao jornalista da Reuter que se encontra na Beira, Afonso Dhlakama declarou que a decisão de boicotar as eleições era definitiva, mas que não regressará à guerra. «Tomámos esta decisão porque temos provas de que vão ocorrer fraudes em massa nestas eleições. Isto não são eleições, são um piquenique, queremos novas eleições». Dhlakama disse ainda que já apresentou provas à Onumoz. Qualquer pessoa pode votar sem cartão de eleitor, disse.</P>
<P>
Aos enviados do Presidente português à Cidade da Beira Dhlakama disse estar «disposto a correr todos os riscos... mesmo a morte». Vítor Ramalho, o assessor de Mário Soares para os Assuntos Económicos e Sociais, e Homem Gouveia, o chefe da Casa Militar, dizem que Dhlakama se encontrava então «cansado mas sereno». Guerra está «completamente fora de questão». Só em caso de «ataque da Frelimo». Por outro lado, o líder da Renamo prometeu que iria explicar tudo à comunidade internacional e adiantou que telefonaria a Mário Soares.</P>
<P>
Madrugada alucinante</P>
<P>
Foi uma noite alucinante, a de quarta para quinta-feira. De repente, por volta da meia-noite, surgiu o «boato» de que a Renamo iria abandonar as eleições. Perplexidade e incredulidade. Só podia ser «bluff». Numa Maputo deserta, carros do corpo diplomático e de jornalistas corriam na madrugada de um lado para o outro à procura de uma explicação plausível e de um desmentido.</P>
<P>
Nada parecia verosímil e o facto de Afonso Dhlakama se encontrar fora da capital moçambicana permitia todas as teses, até as de «coup» militar dentro da Renamo. Às cinco da manhã, num hotel, a duas horas da abertura das urnas, Rahil Khan, o urbano porta-voz da Renamo, conversava com o PÚBLICO numa aparente calma, bebendo uma cerveja sem pressas.</P>
<P>
Não se tratava apenas da Renamo, dizia, mas sim de uma decisão «dos partidos da oposição, após reunião de emergência. (Unamo, PCN e União Democrática acabaram por dar o dito por não dito e afirmaram posteriormente que estavam a participar).</P>
<P>
Khan continuava a discorrer sobre as causas do boicote. Que tinham avisado, que não lhes importava a reacção da comunidade internacional, que o presidente da Comissão Nacional de Eleições, Brazão Mazula, estava a pensar que andava «a lidar com garotos», que não existia segurança para se efectuarem eleições, que se estavam a preparar fraudes, que a CNE «está a brincar com coisas sérias», que a Renamo está unida, que Dhlakama dera luz verde para tomar esta posição, que queriam um adiamento.</P>
<P>
«Para já, eleições it's over!». Despediu-se com um aperto de mão e com um esperançoso «Vamos a ver o que isto dá...». Tudo em aberto?</P>
<P>
Hipocrisia política</P>
<P>
De manhã foi a espera ao Presidente Joaquim Chissano. De repente, as histórias jornalísticas das bichas de voto, das pessoas que estavam ali desde as quatro da manhã, da demora que o acto de votar levava, tudo se tornava secundário. Muitos dos que estavam ali para votar nem sabiam da decisão da Renamo, os que sabiam estavam verdadeiramente desapontados e havia mesmo pessoas da Renamo que mesmo assim estavam decididas a votar.</P>
<P>
Chissano demorava-se. Chegou às 09h30 e efectuou um verdadeiro exercício de hipocrisia política. Antes ainda aparecera o embaixador Dennis Jett. Um enorme ponto de interrogação saiu das suas palavras. «Vamos aguardar, não é possível informar 6,5 milhões de pessoas neste país, as eleições são legítimas». O «amigo americano» parecia tirar o tapete à Renamo. «A democracia também é a escolha de não participar», disse, tolhido.</P>
<P>
O Presidente dormiu bem, disse com um sorriso forçado. Pelo menos por uma dezena de vezes, em inglês, português e numa língua moçambicana repetiu, umas vezes sério outras sarcástico: «Eu não sei de nada disso, a CNE ainda não me disse nada. O que vocês jornalistas dizem não me interessa. Eu não reajo sobre `ses'. Mas se for verdade vou reagir. Isso de Angola não vai acontecer aqui... Não sei nada de armas. Os resultados das eleições serão aceites por mim e pela Frelimo, pois são eleições justas e livres».</P>
<P>
Apenas uma alusão aos que podem perder «por falta de comparência». «Em qualquer competição há regras de jogo e várias formas de perder». Depois avançou com o que planeara dizer, caso tudo estivesse na normalidade, e que mesmo assim disse. «Em quem voto só digo à minha mulher, eu não sou um novato a votar... na Frelimo votava-se muito».</P>
<P>
À noite fez uma breve declaração ao país na qualidade de Presidente da República. «É do interesse nacional que nenhuma formação política conteste os resultados das eleições. (...) Moçambique quer a paz».</P>
<P>
Mas a meio da manhã de ontem a Renamo estava reunida num complexo turístico de luxo. Foram horas e horas de espera. Vicente Ululu, secretário-geral da Renamo e o todo-poderoso Raul Domingos, o número dois, começaram por ser afáveis. Foram-se tornando ríspidos. Primeiro deram a entender que tudo se iria resolver. Depois terminaram com um arrogante «não temos declarações».</P>
<P>
Sinais da crise</P>
<P>
A génese desta crise remonta a segunda-feira, quando a Renamo deu a conhecer que alertara o presidente da CNE para a existência de irregularidades que poderiam pôr em causa o escrutínio. Mas nesse mesmo dia o porta-voz do partido de Dhlakama garantia, em conferência de imprensa, que não abandonariam as eleições e que estavam prontos para participar no processo.</P>
<P>
No dia seguinte, Dhlakama viaja para Harare onde se reúne com o Presidente zimbabweano, Robert Mugabe. Nada foi divulgado sobre o encontro. Na quarta-feira à noite é anunciado que a Renamo e três outros partidos da «oposição não armada» se «reservam o direito de se retirarem do acto eleitoral e de não reconhecerem qualquer resultado».</P>
<P>
«Nós não vamos para as eleições quando sabemos perfeitamente que vão ocorrer fraudes e a comunidade internacional acabaria por obrigar-nos a aceitar os resultados. O povo moçambicano é que nos deve julgar» -- declarou ontem Dhlakama.</P>
<P>
«Isto não foi uma decisão de última hora. Nós apresentámos o nosso caso há cinco dias à Onumoz e à CNE. Eles ignoraram». E continuou. «Se quiséssemos a guerra já o podíamos ter feito porque a Frelimo tem estado a provocar-nos».</P>
<P>
Ninguém arrisca prognósticos sobre o que irá acontecer. Fontes diplomáticas especulam «off the record», mas nem assim as teorias surgem como razoáveis, dada a experiência recente. A Renamo quer obter o quê? Saiu porque pressentiu que iria perder? Se tal não acontecer ocupará os lugares no Parlamento? E se, por ironia, ganhar as eleições?</P>
<P>
Durante todo o dia foram-se multiplicando as reuniões e as conferências de imprensa que pouco ou nada adiantaram. Na África do Sul, a notícia gelou os líderes do país, dado o receio do recomeço da guerra. Aliás, foi a África do Sul que, na conferência de chefes de Estado da Linha da Frente em Harare, alertou para que tomaria «as medidas apropriadas», possivelmente (deduz-se) militares, para assegurar a paz em Moçambique.</P>
<P>
Também o Presidente da Namíbia, Sam Nujoma, declarou que a retirada da Renamo constitui «um sério retrocesso no estabelecimento da democracia em Moçambique e na reconciliação de um país destruído pela guerra».</P>
<P>
A cidade de Maputo esteve ontem semi-deserta mas os locais de votação estiveram apinhados de pessoas. Segundo se foi sabendo, mesmo em zonas de grande influência da Renamo, como no mítico distrito de Maringué, na província central de Sofala, houve grande número de eleitores. Em Maringué, onde nos últimos anos se localizava o quartel-general da Renamo, ou se desconhecia ou se contrariava a decisão de Dhlakama.</P>
<P>
Segundo a TVM, por todo o país a cena repetia-se, como se as pessoas estivessem decididas a contrariar o boicote. Aliás o noticiário, em 25 longos minutos, ignorou totalmente o boicote. «Foi um dia calmo e sem incidentes, apenas com algumas dificuldades organizativas».</P>
<P>
No maior círculo eleitoral, Nampula, até há dois dias a «pérola desejada» pela Renamo, as pessoas invadiram algumas mesas de assembleia de voto «na ânsia de votar».</P>
<P>
Na Zambézia, o segundo maior círculo eleitoral, registou-se um caso de epilepsia. Na Matola, perto de Maputo, a Renamo garantiu que foi descoberta uma urna cheia de votos já preenchidos. O presidente da assembleia em causa desmentiu. «Não temos qualquer informação de qualquer delegado, qualquer denúncia».</P>
<P>
Na Beira, outra das peças-chave da Renamo, poucos eleitores, quando questionados pelos jornalistas, sabiam do boicote. E adeptos de Dhlakama votavam normalmente.</P>
<P>
Um balanço feito pela Comissão Nacional de Eleições referia que no primeiro dia tinham votado cerca de metade dos eleitores.</P>
<P>
Máximo Dias, o tal candidato didáctico, «que não concorre nem para perder nem para ganhar», considerou que as críticas da Renamo eram válidas, mas que a Renamo não devia ter tomado esta posição radical. «No fundo são as eleições possíveis neste Moçambique».</P>
<P>
Em Maputo, no Tribunal Eleitoral, nada havia para ser feito. Não tinham recebido nenhum recurso da Renamo para poderem deliberar, do ponto de vista jurídico nada podiam dizer, pois «o tribunal não faz análise». «Estamos preocupados e expectantes». Tal e qual os restantes 14 milhões de moçambicanos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-15938">
<P>
Programação para janeiro e fevereiro inclui atrações internacionais, bandas nacionais e música regional</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
É a vez das praias serem palco e platéia da temporada de shows que começa este fim-de-semana em todo o Brasil. O M2.000 Summer Festival, uma iniciativa inédita de levar artistas sem cobrar ingressos aonde o povo está no verão, já definiu o elenco dos shows em Florianópolis (praia da Joaquina, dia 23 de janeiro) e Capão da Canoa (140 km a nordeste de Porto Alegre, no dia 21 de janeiro).</P>
<P>
Nos dois dias, apresentam-se Cidadão Quem, Dr. Sin, Anything Box, Deborah Blando, Robin S e o tango-rock argentino de Fito Paez. A programação para a segunda etapa de shows em Santos (dia 5 de fevereiro) e Rio (dia 6 de fevereiro) ainda não está fechada.</P>
<P>
Em Salvador, começa depois de amanhã o projeto Pôr-do-Sol, com a comemoração dos 20 anos do Ilê Aiyê, com participações de Daniela Mercury, Lazzo e Margareth Menezes. O projeto faz parte do Projeto Verão, um conjunto de eventos que inclui também a Caminhada Axé, marco oficial do início do verão baiano, realizada em dezembro.</P>
<P>
Dentro do mesmo projeto, acontece todas as sextas, às 12h30, o Projeto 12 e Meia. Inspirado em iniciativa semelhante desenvolvida no vão livre do Masp (hoje Esplanada Lina Bo Bardi), a idéia é apresentar novos nomes da música baiana, como Jussara Silveira, a banda de rock Diário Oficial e o grupo de afro-jazz Agbeokuta, na praça do Mercado Modelo.</P>
<P>
Recife também investe nos valores regionais. No Circo Maluco Beleza e na praia de Boa Viagem, as atrações do mês são, entre outras, Alceu Valença e Dominguinhos, Quinteto Violado, Grupo Raça e os baianos do Olodum, para provar o caráter "ecumênino" do evento.</P>
<P>
Quem não tiver a felicidade da vista imediata para o mar e estiver em São Paulo, o refresco é o Hollywood Rock (dias 14, 15 e 16 em São Paulo, e dias 21, 22 e 23 no Rio). A edição deste ano apostou numa programação eclética. Vai ter até Whitney Houston. É sair do escritório, afrouxar a gravata e se deixar levar por "I Will Always Love You".</P>
<P>
Colaborou Agência Folha em Fortaleza, Recife, Porto Alegre e Santos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-39714">
<P>
Cimeira socialista reuniu Narciso Miranda e Jorge Coelho</P>
<P>
Menezes envergonha a classe política</P>
<P>
Os líderes das federações socialistas do Porto e de Lisboa, Narciso Miranda e Jorge Coelho, saíram ontem a público num desagravo ao Presidente da República, reagindo violentamente às declarações do líder distrital do PSD-Porto, Luís Filipe Menezes, que, na véspera, num jantar de homenagem a Sá Carneiro, lançara uma sentença de morte «aos velhos do Restelo».</P>
<P>
Afirmações «trauliteiras, desesperadas, que não dignificam a classe política», acusa Narciso Miranda. «O PSD não está a saber assumir as suas responsabilidades. Actua de forma vergonhosa, como quando se referiu ao mais alto magistrado da Nação. É uma vergonha esse senhor ser membro do Governo de Portugal», insistia Jorge Coelho. Esta tomada de posição conjunta surgiu no fim de uma reunião que, ontem, pela primeira vez na história do Partido Socialista, juntou à mesma mesa de trabalho dirigentes do Porto e de Lisboa, para concertarem posições sectoriais quanto às áreas metropolitanas e delinearem estratégias políticas tendo em vista os próximos actos eleitorais.</P>
<P>
Dando como adquirido que as declarações de Menezes -- que, falando do PPD-PSD, desafiou os sociais-democratas do Porto «a enterrar a faca» nos velhos do Restelo que semeiam a angústia, o pessimismo -- tinham como destinatário o Presidente da República, Narciso Miranda e Jorge Coelho foram unânimes ao atribui-las «à desorientação e instabilidade que se instalou no interior do PSD». Sobretudo, sustentam, depois de Cavaco Silva ter dado sinais de que poderia abandonar a liderança do partido.</P>
<P>
«Nas intervenções políticas, o PSD já só ameaça matar pessoas. São os efeitos de um partido que está a caminho do fim e que não se convence que este país não pode ser tratado como uma coutada», defendeu Jorge Coelho, na conferência de imprensa que se seguiu à cimeira federativa, que passará a ocorrer de dois em dois meses. E é precisamente no contraste com a denunciada instabilidade no interior do PSD, a qual, no entender do PS, mina já o terreno do próprio Governo, que os socialistas pretendem apostar.</P>
<P>
O encontro de ontem é, pois, apenas o pontapé de saída de uma ofensiva política, cujo motor será accionado pelas duas maiores federações, mas que tanto Narciso Miranda como Jorge Coelho dizem pretender que se estenda a todas as estruturas do resto do país. «Para vencer as próximas eleições, o PS tem de obter uma vitória folgada nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa e será aqui que vamos fazer incidir a actividade política em interacção com o secretário-geral, António Guterres, e os vários dirigentes socialistas», explicou Jorge Coelho, anunciando que muito em breve terá lugar um plenário de todos os presidentes das distritais, previsivelmente em Coimbra.</P>
<P>
O compromisso da regionalização</P>
<P>
Da cimeira de ontem saiu um diagnóstico negro dos problemas que enfrentam as áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa e a denúncia do «aumento de fenómenos de exclusão social, de pobreza, de criminalidade». Um conjunto de problemas que, ainda esta semana, o presidente da Câmara do Porto, Fernando Gomes, pretendia debater numa reunião com o governador civil, mas que este acabaria inesperadamente por cancelar em cima da hora, com a justificação de que os temas que iriam ser tratados haviam sido antecipados pelo PÚBLICO. Estranhamente, o caso não mereceu qualquer comentário dos dois dirigentes e só depois de interpelado é que Narciso Miranda explicou: «O dr. Fernando Gomes tomou, na altura, uma posição de grande eficácia. Não vale a pena desperdiçarmos energias, multiplicando posições que outros, com a oportunidade devida, já assumiram.»</P>
<P>
Desperdício de energias à parte, os socialistas convergem em que só com a regionalização se poderá inverter aquilo que Narciso Miranda designou como «a estratégia suicida deste Governo, de construir cidades a duas velocidades», em consequência de «uma política concentracionista e de estrangulamentos financeiro das duas áreas metropolitanas». Acusam mesmo o Governo de ter «um firme propósito de punir os cidadãos que elegeram os autarcas integrados nas listas do PS». E a regionalização é o «compromisso que o PS assume fazer com o país», garantiu Jorge Coelho, que se confessou «tão adversário do Terreiro do Paço como o Porto». Tudo porque, sustentou, «a política deste Governo está assente num homem só, que está a abafar o resto do país, incluindo a região de Lisboa».</P>
<P>
Filomena Fontes</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-52581">
<P>
LUIZ MALAVOLTA </P>
<P>
Da Agência Folha, em Bauru </P>
<P>
O prefeito de Cafelândia (433 km a noroeste de SP), Orival Gazotto (PMDB), 45, decretou ontem estado de emergência na cidade por causa das chuvas.</P>
<P>
Gazotto disse que os prejuízos com as chuvas chegam a R$ 500 mil, quantia que a prefeitura não dipõe para recuperar a cidade, com 20 mil habitantes.</P>
<P>
A chuva do último final de semana inundou 40 casas, lojas, a estação rodoviária, destruiu ruas, estradas rurais e causou erosão.</P>
<P>
Na região central da cidade, segundo o prefeito, o córrego Saltinho transbordou e as águas chegaram a cobrir algumas casas.</P>
<P>
A avenida da Saudade, que dá acesso à Vila Belém e ao Cemitério Municipal, teve o asfalto destruído pelas enxurradas.</P>
<P>
A água abriu no local uma cratera com 30 metros de largura por 15 de profundidade. O prefeito disse que é impossível chegar ao cemitério. "Os 4.000 moradores desse bairro de Cafelândia estão isolados. Não dá para sair do bairro nem a pé, por causa da erosão."</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-34576">
<P>
«Que Deus abençoe a África!»</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
Que a liberdade reine para sempre nas terras da África do Sul foi o voto ontem formulado por Nelson Mandela ao tomar posse como primeiro Presidente negro do país, na presença de políticos e príncipes dos quatro cantos da terra. Uma nova esperança nascia para toda a África Austral, simbolizada -- entre outras coisas -- no facto de Moçambique ter sido representado na cerimónia tanto por Joaquim Chissano como por Afonso Dhlakama. A chegada de Mandela à Presidência é, aparentemente, o que de melhor acontece aos africanos desde há muitos anos a esta parte.</P>
<P>
«Que nunca, nunca, nunca mais, esta bela terra volte a experimentar a opressão de uns pelos outros e a sofrer a indignidade de ser o vilão do mundo. Que reine a liberdade; e que o Sol jamais se ponha sobre tão gloriosa obra humana. Que Deus abençoe a África!», assim terminou Nelson Mandela o seu discurso de 1200 palavras, ao assumir, ao princípio da tarde de ontem, a Presidência da República, em Pretória.</P>
<P>
«Hoje, todos nós damos glória e esperança à liberdade renascida», começara por dizer o líder do ANC, cuja tomada de posse foi transmitida pela televisão para grande parte do Mundo, como um dos acontecimentos mais marcantes da última década do século XX, testemunhado pessoalmente por presidentes como Mário Soares, José Eduardo dos Santos e Joaquim Chissano, bem como pelo secretário-geral das Nações Unidas, Butros Butros-Ghali.</P>
<P>
«Da experiência de uma catástrofe humana extraordinária que durou demasiado tempo, deve nascer agora uma sociedade de que toda a humanidade se orgulhe», defendeu o homem cujos 27 anos na cadeia transformaram num mito e na encarnação da maioria negra do Estado sul-africano, que foi criado por brancos e administrado até agora exclusivamente por eles.</P>
<P>
«A nova realidade sul-africana deve reforçar a crença da humanidade na justiça, fortalecer a sua confiança na nobreza da alma humana e apoiar todas as esperanças quanto a uma vida gloriosa para todos», disse Mandela, num autêntico texto programático, que poderá ficar como um documento para a História.</P>
<P>
Os jacarandás de Pretória</P>
<P>
«Cada um de nós está tão intimamente ligado ao solo deste belo país como os famosos jacarandás de Pretória e as mimosas da savana», prosseguiu o novo Presidente, perante um auditório em que se encontravam todos os principais políticos do país, incluindo o general Constand Viljoen, hoje em dia símbolo supremo dos que desejam preservar a individualidade afrikaner.</P>
<P>
«Nós, o povo da África do Sul, sentimo-nos realizados por a humanidade nos ter voltado a aceitar no seu seio e por nos ser dado hoje o raro privilégio de acolher no nosso solo as nações do Mundo. Agradecemos a todos os nossos distintos convidados internacionais terem vindo tomar posse com o povo do nosso país do que é, acima de tudo, uma vitória comum da justiça, da paz e da dignidade humana», acrescentou Mandela.</P>
<P>
«Apreciamos profundamente o papel das massas do nosso povo e dos seus dirigentes políticos, religiosos, tradicionais e outros, sem nunca esquecer entre eles o meu segundo vice-presidente, o honorável F. W. de Klerk», sublinhou aquele que ainda há cinco anos era o mais célebre preso do mundo e agora é o chefe do mais rico dos Estados de África.</P>
<P>
Depois, prestou homenagem às forças de segurança, por haverem garantido a realização das eleições e a transição para a democracia; disse ser chegado o tempo de sarar as feridas e de ultrapassar os abismos ainda existentes entre os sul-africanos: «Devemos construir uma sociedade em que todos, negros e brancos, possam andar de cabeça erguida, sem receio, certos do seu direito inalienável à dignidade humana. Uma nação do arco-íris, em paz consigo própria e com o mundo.»</P>
<P>
Como exemplo desse compromisso, anunciou que o Governo de Unidade Nacional vai, com urgência, tratar de uma amnistia para diversas categorias de pessoas que se encontram detidas. E continuou: «É uma honra e um privilégio conduzir o nosso país para fora do vale da escuridão. Compreendemos que não há uma via fácil para a liberdade e sabemos muito bem que nenhum de nós, só por si, pode alcançar êxito. Devemos, portanto, actuar em conjunto, como um povo unido, para a reconciliação nacional, a construção da nação e o nascimento de um mundo novo.»</P>
<P>
Água e sal para todos</P>
<P>
«Que haja justiça, paz, trabalho, pão, água e sal para todos», pediu Mandela, que algum tempo depois, já depois de terminada a cerimónia da tomada de posse, se voltou a referir a Frederik de Klerk como «um dos maiores filhos da África do Sul e um dos seus maiores reformadores».</P>
<P>
Veículos blindados de transporte de tropas tinham sido dispostos ao longo da auto-estrada de Joanesburgo para Pretória, enquanto as principais ruas da capital eram encerradas ao tráfego por rolos de arame farpado e guardadas por tropas e polícias.</P>
<P>
O novo Presidente chegou ao local da cerimónia pouco passava do meio-dia (a mesma hora de Lisboa), com mais de 60 minutos de atraso, e ficou separado da multidão por um vidro à prova de bala.</P>
<P>
Entre os mais de 100 mil convidados, nacionais e estrangeiros, encontravam-se os presidentes de Cuba, Fidel Castro, de Israel, Ezer Weizman, e da OLP, Yasser Arafat, o vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, as senhoras de Clinton e de Mitterrand, o príncipe Filipe de Edimburgo, marido da rainha Isabel II da Grã-Bretanha, e o príncipe das Astúrias, filho do rei Juan Carlos da Espanha.</P>
<P>
Ouviu-se gritos de «Viva Castro» quando Fidel, uniformizado, tomou lugar nas filas destinadas aos hóspedes mais ilustres, para assistir ao longo cerimonial, durante o qual começaram por tomar posse os vice-presidentes Thabo Mbeki, do ANC, e Frederik de Klerk, do Partido Nacional, que foram as duas forças mais votadas nas eleições realizadas de 26 a 29 de Abril. Entoaram-se os dois hinos nacionais: o afrikaner «Die Stem» (O apelo) e o negro «Nkosi Sikelele Africa» (Que Deus abençoe a África); enquanto a nova bandeira era hasteada por um marinheiro negro e um branco.</P>
<P>
Mais tarde, houve um gigantesco banquete ao ar livre, com crocodilo fumado, filete de avestruz e pratos especialmente preparados de acordo com as tradições judaica, muçulmana, budista e hindu. Para aqueles cuja religião o permite, havia 1500 garrafas das melhores colheitas sul-africanas.</P>
<P>
Mandela dançou lentamente ao som de uma banda de jazz e teve uma vez mais palavras de reconciliação, em inglês e em afrikaner: «Vamos esquecer o passado. O que é do passado pertence ao passado.»</P>
<P>
Agora, é só esperar que o Inkatha indique os nomes dos três ministros que lhe estão reservados para que o Governo completo possa, hoje, entrar em funções.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-88952">
<P>
Leia o trecho final da sentença que condenou PC Farias:</P>
<P>
Assim visto, e considerado o que mais dos autos consta julgo procedente a ação penal para condenar os réus Paulo César Cavalcante Farias, Jorge Waldério Tenório Bandeira de Melo, Ricardo Campos da Costa Barros e Rosinete Silva de Carvalho Melanias, pela prática de crimes subsumidos na Lei n.º 8.137, de 27.12.90 (Lei de Sonegação Fiscal), de acordo com a tipicidade apontada na denúncia de fls., e retroelencada, como segue:</P>
<P>
a) Paulo César Cavalcante Farias, art. 1.º, I, III e IV, da Lei n.º 8.137/90, combinado com o art. 29 do Código Penal, aplicando-se o art. 69 deste mesmo Diploma Legal (em concurso material);</P>
<P>
b) Jorge Waldério Tenório Bandeira de Melo, art. 1.º, III e IV, da Lei 8.137/90, combinado com o artigo 29 do Código Penal, aplicando-se o art. 69 deste mesmo Diploma Legal (em concurso material);</P>
<P>
c) Ricardo Campos da Costa Barros, art. 1.º, I e III, da Lei 8.137/90, c/c o art. 29 do Código Penal; e,</P>
<P>
d) Rosinete Silva de Carvalho Melanias, art. 1.º, III e IV, da Lei 8.137/90; c/c o art. 29 do Código Penal.</P>
<P>
Quanto aos acusados Paulo César Cavalcante Farias e Jorge Waldério Tenório Bandeira de Melo, em razão de suas culpabilidades, à inexistência de antecedentes criminais, às circunstâncias e consequências do crime, fixo-lhes a pena-base em três (03) anos de reclusão, acrescida de mais um (01) ano, no total de quatro (04) anos para cada um, tornando-a definitiva, acréscimo esse em razão da agravante pelo concurso de pessoas (art. 62, do CP) no caso in specie, os demais denunciados, que recebiam ordens para a prática dos ilícitos, emanadas dos dois primeiros denunciados, além do concurso material (art. 69, caput, do CP), e pena de multa de 90 (noventa) dias-multa, para cada um, correspondendo cada dia-multa a 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo (art. 49, do CP). A pena de reclusão deverá ser cumprida em regime aberto, na forma do artigo 33, Parágrafo 2.º, letra "c", do CP.</P>
<P>
Com relação aos réus Ricardo Campos da Costa Barros e Rosinete Silva de Carvalho Melanias, igualmente considerando a inexistência de antecedentes criminais, as circunstâncias e consequências do crime, fixo-lhes a pena-base em dois (02) anos de reclusão, com o acréscimo de um terço em face do concurso de agentes, tornando a pena em definitivo para cada um em dois (02) anos e oito (08) mesesde reclusão, que deverá ser cumprida em regime aberto, na forma do artigo 33, Parágrafo 2.º, letra "c", do Código Penal, além da pena de multa de 60 (sessenta) dias-multa, também para cada um, correspondendo cada dia-multa a 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo (art. 49, do CP).</P>
<P>
Retifico a decisão de hipoteca legal dos bens dos acusados, exarada nos Autos de Pedido de Hipoteca Legal (proc. n.º 93.92158-4), em favor do Erário Público, cuja decisão deverá ser certificada naqueles autos, e regularmente registrada em cartório, após traslado.</P>
<P>
Indefiro o pedido de prisão preventiva feito pelo MPF, em autos apensados a este processo-crime, por desnecessário, tornando-o extinto e determinando seu arquivamento após ser desapensado dos presentes autos, em vista da decretação de prisão preventiva nos autos do processo-crime n.º 93.0092163-0, como incurso no artigo 21, Parágrafo Unico, da Lei 7.492/90. Traslade-se cópia desta sentença para os autos do pedido de prisão preventiva.</P>
<P>
Procedem-se as anotações cartorárias, e as comunicações de estilo.</P>
<P>
Após o trânsito em julgado, lancem-se os nomes dos réus no Rol dos Culpados Expeçam-se os respectivos mandados de prisão, com a extração da carta de guia, de forma individual, aplicando-se ainda a detração referida pelo artigo 42, do Código Penal se for o caso.</P>
<P>
Determino a extração de cópias dos documentos pertinentes às contas-correntes abertas no Banco Rural S.A., Agência de Brasília (DF), em nome das pessoas fictícias, cuja documentação deverá ser encaminhada, por ofício, ao Departamento de Polícia Federal para instauração de IPL, com a participação  auxílio do Banco Central do Brasil, objetivando apurar a responsabilidade penal (Lei 7.492/86) do gerente da agência, ou do diretor responsável da área dessa Instituição Financeira que determinou a abertura dessas contas fictícias abaixo, de tudo dando conta a este Juízo no prazo legal.</P>
<P>
a) José Carlos Bomfim e/ou Regina Silva Bomfim, conta corrente n.º 01.006101-2, cuja movimentação era feita por Paulo César Cavalcante Farias, ou pessoas a ele ligadas: e,</P>
<P>
b) Manoel Dantas Araújo, conta corrente n.º 01.000185-7, cuja movimentação era feita por Paulo César Cavalcante Farias, ou pessoas a ele ligadas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-34548">
<P>
Janeiro</P>
<P>
-- A 6 de Janeiro, Sousa Cintra é reeleito presidente do Sporting Clube de Portugal para o biénio 1994/95, iniciando o seu terceiro mandato consecutivo. Cintra foi o único candidato a submeter-se a votos. Nos Estados Unidos, a patinadora Nancy Kerrigan é agredida por um homem, que terá actuado por ordem da sua rival Tonya Harding.</P>
<P>
-- Quatro dias depois, é a vez do Sport Lisboa e Benfica conhecer o novo presidente, após a saída de Jorge de Brito. Manuel Damásio é escolhido pelos sócios para resolver a crise do clube, com 87 por cento dos votos. José Capristano foi o candidato derrotado.</P>
<P>
-- A 11, Nelo Vingada é confirmado pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) como seleccionador interino da selecção A, sucedendo a Carlos Queiroz, que no mês anterior assumira o cargo de treinador do Sporting.</P>
<P>
-- O Verdy Kawasaki vence a «J-League», primeiro campeonato japonês de futebol (dia 15).</P>
<P>
-- Depois de alguma especulação e muito «suspense», Bobby Robson, ex-técnico do Sporting, é apresentado no dia 26 como o novo treinador do FC Porto, substituindo o croata Tomislav Ivic.</P>
<P>
-- Realiza-se, a 29, mais uma assembleia geral da FPF, onde se determina que a final da Taça de Portugal continue a ser disputada num jogo e no Estádio Nacional, em Lisboa, derrotando outras propostas, como a que pretendia levar a partida para o Norte.</P>
<P>
Fevereiro</P>
<P>
-- O Parma conquista a Supertaça Europeia de futebol, ao derrotar o AC Milan em San Siro por 2-0, após prolongamento.</P>
<P>
-- No dia 6, o atletismo português «cumpre a sua obrigação». Domingos Castro, individual, e o Sporting, colectivamente, asseguram mais um título da Taça dos Campeões Europeus de corta-mato, o 14º na história do clube. No sector feminino, o troféu vai para Albertina Dias e o Maratona Clube da Maia. No Masters de Grenoble (França), o russo Leonid Voloshin bate o recorde do mundo de triplo salto em recinto coberto, com 17,77m.</P>
<P>
-- A 7, os benfiquistas João Pinto e Rui Costa recebem os galardões de ouro e bronze, respectivamente para o melhor jogador do ano e para a revelação do ano, no decurso da gala do jornal «A Bola». A Bola de Prata vai para o «leão» Jorge Cadete, melhor marcador do campeonato anterior. Toni, treinador do Benfica, recebe o prémio RTP pelos serviços prestados ao futebol português.</P>
<P>
-- Iniciam-se os Jogos Olímpicos de Inverno, em Lillehammer, na Noruega, os primeiros a decorrerem sob a divisa ecológica (dia 12).</P>
<P>
-- Conceição Ferreira, do Sporting de Braga, sagra-se campeã nacional de corta-mato, em Évora. Por equipas, o Maratona assegura o título. Terminam os Jogos de Lillehammer 94 (dia 27).</P>
<P>
Março</P>
<P>
-- O finlandês Juha Kankkunen, em Toyota Celica GT4, vence pela segunda vez o Rali de Portugal, segunda prova pontuável para os «Mundiais» de pilotos e de marcas (dia 3).</P>
<P>
-- O sportinguista Domingos Castro é o novo campeão nacional de corta-mato, embora o Maratona Clube da Maia mantenha o título colectivo. A prova realizou-se em Coimbra no dia 6.</P>
<P>
-- Vasco Lynce toma posse como presidente do Conselho Superior do Desporto (dia 9).</P>
<P>
-- Estoira mais uma «bomba». Numa decisão inesperada, a Direcção-Geral de Contribuições e Impostos penhora, no dia 7, o Estádio das Antas, por dívidas do FC Porto ao fisco.</P>
<P>
-- Em bom momento de forma, Fernanda Ribeiro é a nova campeã europeia dos 3000m em pista coberta, ao vencer a final em Paris com o tempo de 8m50,47s, recorde nacional estabelecido no dia 11. Nos 800m, Carla Sacramento chega ao bronze, com 2m01,12s, também recorde português.</P>
<P>
-- O País de Gales ganhou o Torneio das Cinco Nações em râguebi (dia 19).</P>
<P>
-- O Belenenses é o novo campeão nacional de andebol masculino (dia 20).</P>
<P>
-- Os atletas quenianos William Sigei (masculinos) e Helen Chepgneno (femininos) ganham os «Mundiais» de crosse, em Budapeste (Hungria). A Noruega conquista o primeiro Mundialito de futebol feminino (dia 24).</P>
<P>
-- Março é um mês em cheio para o atletismo português. No dia 26, a selecção feminina conquista o seu primeiro campeonato do mundo de corta-mato feminino por equipas, realizado em Budapeste. Conceição Ferreira termina no terceiro lugar. O Benfica goleia o FC Porto nas Antas, por 7-1, e sagra-se campeão nacional de hóquei em patins pela 17ª vez.</P>
<P>
-- No ténis masculino, Portugal vence a Grã-Bretanha no Porto, por 4-1, e consegue pela primeira vez o apuramento para a fase de qualificação do Grupo Mundial da Taça Davis. Earwin «Magic» Johnson estreia-se como treinador dos Los Angeles Lakers, equipa de basquetebol que abandonou por ser portador do vírus da sida (dia 27).</P>
<P>
-- O Benfica vence o Parma (Itália) na Luz, por 2-1, na primeira mão da meia-final da Taça das Taças de futebol (dia 29).</P>
<P>
-- Vinte e quatro horas depois, é a vez de o FC Porto garantir a qualificação para as meias-finais da Liga dos Campeões, com uma esmagadora vitória (5-0) no terreno do Werder Bremen.</P>
<P>
Abril</P>
<P>
-- O espanhol Carlos Costa vence o Estoril Open em ténis (dia 3).</P>
<P>
-- Desta vez é mesmo verdade. Após várias ameaças, Laureano Gonçalves demite-se, no dia 5, do cargo de presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, para «não pactuar com indignidades».</P>
<P>
-- No dia 10, o Benfica expressa o seu domínio no basquetebol masculino, ao vencer a Taça de Portugal. Em voleibol masculino, o Sporting sagra-se tricampeão. A Nigéria de Yekini e Amunike torna-se campeã de África de futebol ao vencer a Taça das Nações.</P>
<P>
-- Pedro Lamy, em Lotus Mugen-Honda, termina pela primeira vez um Grande Prémio de Fórmula 1. Lamy garante o 8º posto do GP do Pacífico, disputado em Aida (Japão). O motociclista Alex Vieira, em Honda, consegue o segundo lugar na 17ª edição das 24 horas de Le Mans (França), a contar para o «Mundial» de resistência. O AC Milan vence pela terceira vez consecutiva o campeonato italiano de futebol (dia 17).</P>
<P>
-- O Brasil ascende ao primeiro lugar do «ranking» da FIFA, destronando a Alemanha (dia 19).</P>
<P>
-- Na final do «Europeu» de Esperanças, em Montpellier (dia 20), a selecção nacional de futebol não resiste à Itália e perde no prolongamento por 1-0.</P>
<P>
-- O Olympique de Marselha é despromovido à II Divisão francesa e ao seu presidente Bernard Tapie é retirada a licença desportiva na sequência do caso de corrupção que envolveu aquele clube (dia 22).</P>
<P>
-- No dia 24, o Castelo da Maia conquista o seu primeiro título nacional de voleibol feminino.</P>
<P>
-- O sueco Lennart Johansson é reeleito por aclamação como presidente da União Europeia de Futebol (UEFA), por mais quatro anos.</P>
<P>
-- O ABC perde 23-21 no recinto do Teka Santander (Espanha), que renova o título de campeão europeu de andebol masculino. Roland Ratzenberger, piloto da Jordan-Hart, morre durante os treinos oficiais para o GP de F1 de San Marino (dia 30).</P>
<P>
Maio</P>
<P>
-- Ayrton Senna, tricampeão de F1, morre num acidente durante o GP de San Marino, realizado no circuito de Ímola. Senna embateu num muro e sofreu traumatismo craniano mortal (dia 1).</P>
<P>
-- O Manchester United renova o título de campeão inglês de futebol (dia 2).</P>
<P>
-- O Arsenal vence a Taça dos Vencedores das Taças de futebol ao bater o Parma, que afastara o Benfica, em Copenhaga, Dinamarca, por 1-0.</P>
<P>
-- Eusébio é condecorado com a Ordem de Mérito da Federação Internacional de Futebol (FIFA), no dia 10.</P>
<P>
-- O Inter de Milão conquista a Taça UEFA de futebol (dia 11).</P>
<P>
-- O Barcelona sagra-se tetracampeão de Espanha em futebol (dia 14).</P>
<P>
-- O suíço Tony Rominger vence a Volta à Espanha em bicicleta pela terceira vez consecutiva (dia 15).</P>
<P>
-- O AC Milan bate o Barcelona na final da Liga dos Campeões, disputada em Atenas (Grécia), por 4-0. O FC Porto ficara pelo caminho, eliminado pelos espanhóis.</P>
<P>
-- Ao bater o Gil Vicente (3-0) em Braga, no dia 25, o Benfica sagra-se campeão nacional de futebol pela 30ª vez.</P>
<P>
-- Novo troféu nacional para o Benfica, desta vez no basquetebol masculino e pela sexta vez consecutiva, no dia 28.</P>
<P>
-- No dia 30, António Antunes é o primeiro português a ser designado grande mestre de xadrez, categoria máxima da federação internacional (FIDE).</P>
<P>
Junho</P>
<P>
-- O etíope Haile Gebresilasie bate o recorde do mundo dos 5000m, com 12m56,96s, na reunião de Hengelo, Holanda (dia 3).</P>
<P>
-- O Estrelas da Avenida conquista, a 4, o título nacional de basquetebol feminino. O Castelo da Maia surpreende o Sporting e ganha a sua primeira Taça de Portugal de voleibol masculino.</P>
<P>
-- No dia 7, João Pinto (Benfica) recebe os troféus PÚBLICO/Diadora para o melhor jogador e melhor ponta-de-lança do «Nacional» de futebol de 1993/94. Toni, também do Benfica, recebeu o prémio para melhor treinador do ano.</P>
<P>
-- António Oliveira é designado, no dia 9, novo seleccionador nacional de futebol.</P>
<P>
-- No dia seguinte, o FC Porto bate o Sporting por 2-1, após prolongamento, na finalíssima da Taça de Portugal em futebol, disputada no Estádio Nacional, a comemorar os seus 50 anos. A Suécia vence o primeiro «Europeu» de andebol masculino, que se realizou em Portugal (Almada e Porto).</P>
<P>
-- Toni, ex-técnico do Benfica, assina, a 16, um contrato válido por duas épocas com o Bordéus, da I Divisão francesa. Na véspera fora conhecido o árbitro do ano, escolhido pelo Conselho de Arbitragem da FPF: Jorge Coroado.</P>
<P>
-- Começa o «Mundial» de futebol dos Estados Unidos, com a Alemanha a vencer a Bolívia, por 1-0, no jogo inaugural (dia 17).</P>
<P>
-- Os Houston Rockets vencem a Liga Norte-Americana de Basquetebol profissional (NBA), batendo os New York Knicks na final (dia 22).</P>
<P>
-- A 26, o Benfica faz a dobradinha no hóquei em patins, ao conquistar a Taça de Portugal. Em andebol masculino, a taça vai para o FC Porto.</P>
<P>
-- O russo Oleg Salenko estabelece um novo recorde de golos (5) num só jogo de fases finais de «Mundiais» de futebol. A vítima foi a selecção dos Camarões, goleada por 5-1.</P>
<P>
-- O árbitro José Guímaro é detido preventivamente, a 29, no âmbito de uma operação da Polícia Judiciária, que averigua a corrupção na arbitragem do futebol português.</P>
<P>
-- Diego Maradona é novamente apanhado no controlo anti-«doping», realizado após o Argentina-Nigéria do «Mundial» 94, e é suspenso preventivamente pela FIFA (dia 30).</P>
<P>
Julho</P>
<P>
-- No dia 4, Jorge Nuno Pinto da Costa é reeleito como presidente do FC Porto para o triénio 1994/96.</P>
<P>
-- O norte-americano Leroy Burrell bate o recorde do mundo dos 100m, com o registo de 9,85s, durante o Meeting de Lausanne, Suíça, (dia 6).</P>
<P>
-- Valentim Loureiro, presidente da Liga de Clubes, entrega no dia 7 um cheque de cerca de 22 mil contos no primeiro bairro fiscal do Porto para pagar as prestações em atraso da dívida do FC Porto à Segurança Social.</P>
<P>
-- No dia 9, os portistas conquistam a taça CERS de hóquei em patins, ao baterem os espanhóis do Club Patí Vic por 7-1 nas Antas (na primeira mão o Porto havia perdido por 5-2).</P>
<P>
-- A Suécia termina o «Mundial» dos EUA no terceiro posto, após golear a Bulgária por 4-0 (dia 16). No dia seguinte, o Brasil torna-se o primeiro país a vencer o «Mundial» de futebol por quatro vezes, ao bater a Itália na final por 3-2, no desempate por grandes penalidades.</P>
<P>
-- Realiza-se no Estádio Universitário de Lisboa a abertura oficial da V edição do «Mundial» júnior de atletismo. Quatro dias depois, Susana Feitor conquistou a medalha de prata nos 5000m marcha desta competição (dia 19).</P>
<P>
-- O queniano William Sigei bate o recorde do mundo dos 10.000m, em Oslo (Noruega), com 26m52,23s (dia 22).</P>
<P>
-- Miguel Indurain vence pela quarta vez consecutiva a Volta à França em bicicleta (dia 24).</P>
<P>
-- O futebol jovem português regressa aos êxitos, a 31, com uma vitória no «Europeu» de futebol de sub-18. Na final, Portugal venceu a Alemanha por 5-2, no desempate por grandes penalidades. O ucraniano Serguei Bubka bate o seu próprio recorde do mundo do salto com vara, ao passar 6,14m no Meeting de Sestrières (Itália).</P>
<P>
Agosto</P>
<P>
-- Manuela Machado conquista, no dia 7, a medalha de ouro na maratona dos «Europeus» de atletismo, em Helsínquia (Finlândia). As três anteriores edições (1982, 1986 e 1990) foram vencidas por Rosa Mota. No dia 13, é a vez de Fernanda Ribeiro (ouro) e Conceição Ferreira (prata) terminarem, respectivamente, no primeiro e segundo lugares nos 10.000m do mesmo evento. Em masculinos é o deserto, apesar de a 14 Portugal garantir o segundo lugar na Taça da Europa da Maratona, disputada em simultâneo com a prova do «Europeu».</P>
<P>
-- Orlando Rodrigues, da Artiach, venceu, a 14, a 56ª edição da Volta a Portugal em bicicleta. O «Dream Team II» assegura o título mundial de basquetebol masculino para os EUA.</P>
<P>
-- O FC Porto vence a edição da supertaça Cândido de Oliveira da época 1992/92, ao bater o Benfica por 4-3 no desempate por grandes penalidades (dia 17).</P>
<P>
-- O «Nacional» de futebol da I Divisão da temporada 1994/95 começa, no dia 20, com uma vitória do Sporting em Faro, por 2-0.</P>
<P>
-- No dia 21, a dupla Miguel Maia/João Brenha conquista para Portugal o título europeu de voleibol de praia, ao vencer a Espanha na final.</P>
<P>
-- A FIFA suspende Maradona por 15 meses por controlo positivo (dia 24).</P>
<P>
-- O futebolista do FC Porto Rui Filipe morre num acidente de viação na madrugada do dia 28, perto de Santa Maria da Feira.</P>
<P>
Setembro</P>
<P>
-- O ciclista espanhol Miguel Indurain bate o recorde da hora, percorrendo 53,040km no velódromo de Bordéus, França (dia 2).</P>
<P>
-- Fernanda Ribeiro é segunda classificada e bate o recorde nacional dos 10.000m femininos, com 31m04,24s, na Taça do Mundo de atletismo em Londres (dia 10).</P>
<P>
-- António Pinto vence a maratona de Berlim, em atletismo, com o tempo de 2h08,30s, a sua melhor marca na distância. Portugal perde no Porto com a Croácia, por 4-0, e falha o apuramento para o grupo mundial da Taça Davis, em ténis. O britânico Damon Hill, em Williams/Renault, venceu o Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, disputado no Estoril (dia 25).</P>
<P>
Outubro</P>
<P>
-- O Maratona CP vence no Porto a Taça dos Clubes Campeões Europeus de estrada em atletismo masculino, ao colocar quatro atletas nas primeiras posições da prova, ganha por Paulo Guerra (dia 2).</P>
<P>
-- O Benfica vence os húngaros do Honved, por 96-89, e qualifica-se pela segunda vez consecutiva para as meias-finais do Campeonato da Europa de clubes de basquetebol masculino (dia 6).</P>
<P>
-- O suíço Tony Rominger bate, igualmente em Bordéus, o recorde do mundo da hora, ao fazer 53,832 km (dia 22).</P>
<P>
-- Manuel Damásio, dirigente máximo do Benfica, é eleito presidente da Liga de Clubes, sucedendo a Valentim Loureiro (dia 28).</P>
<P>
Novembro</P>
<P>
-- Tony Rominger melhora, ainda em Bordéus, o recorde mundial da hora, ao percorrer 55,291km, mais 1459 metros que o seu anterior máximo (dia 5).</P>
<P>
-- O alemão Michael Shumacher, Benetton-Ford, sagra-se pela primeira vez campeão do mundo de Fórmula 1, ao vencer o GP da Austrália (dia 13).</P>
<P>
-- Portugal revalida o título de campeão europeu de juniores, em hóquei em patins, ao bater a Espanha, por 1-0, na final realizada em Wuppertal, na Alemanha (dia 19).</P>
<P>
-- Rosa Mota regressa às provas internacionais e desiste no 25º quilómetro da maratona de Tóquio (dia 20).</P>
<P>
-- O francês Didier Auriol (Toyota) é o campeão mundial de ralis (dia 23).</P>
<P>
Dezembro</P>
<P>
-- O Velez Sarsfield (Argentina) conquista a sua primeira Taça Intercontinental de futebol, ao derrotar o AC Milan, por 2-0, na final de Tóquio (dia 1).</P>
<P>
-- Portugal revalida o título de campeão europeu de hóquei em patins de seniores, ao bater a Espanha, por 3-1, na final realizada no Funchal, Madeira (dia 4).</P>
<P>
-- Paulo Guerra, individual, e Portugal, por equipas, vencem a primeira edição do Campeonato da Europa de corta-mato, disputado em Alnwick, Inglaterra (dia 10). A selecção feminina fica no terceiro lugar.</P>
<P>
-- José Augusto, antigo seleccionador nacional, é o novo treinador do Logroñes, último classificado da I Divisão espanhola (dia 15).</P>
<P>
-- Num negócio que envolve a compra dos direitos televisivos dos «Nacionais» de futebol, a Olivedesportos assume o papel de fiador do empréstimo a contrair pela Liga para regularizar as dívidas de 1994 dos clubes ao fisco.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-2587">
<P>
UL Desaparecido</P>
<P>
Maquinista de bacalhoeiro desparece na Horta</P>
<P>
O tripulante do navio bacalhoeiro Viana, que se afundou, sábado, no porto da Horta, nos Açores, continuava, ao fim da tarde de ontem, dado como desaparecido, apesar das buscas realizadas por mergulhadores da Armada portuguesa.</P>
<P>
Segundo um elemento da Junta Autónoma daquele porto, citado pela Lusa, os mergulhadores entraram no interior do navio sem que tenham encontrado o corpo do tripulante, identificado com Carlos Bata Novo, terceiro maquinista. De acordo com a mesma fonte, presume-se que o desaparecido se encontrava a dormir na altura em que as chamas deflagraram na embarcação, antes de esta ter naufragado.</P>
<P>
Ainda ontem, as autoridades marítimas aguardavam a chegada de materiais absorventes provenientes de Ponta Delgada e de Lisboa, para serem utilizados como meio de evitar as consequências poluidoras do acidente, já que no navio se encontravam cerca de 400 toneladas de combustível, tendo-se verificado alguns derrames.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-39763">
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Luis Pedro Nunes, em Maputo</P>
<P>
Se anteontem Dhlakama parecia um insensato que brincava com o destino, ontem era um estratego elogiado à posteriori. Por um lado, conseguiu tudo o que pretendia, apagou a imagem de candidato secundário e eclipsou Chissano. «Bluff» ou decisão genial ?. As hipóteses em Moçambique são sempre duas, e antagónicas.</P>
<P>
Afonso Dhlakama venceu aparentemente em todas as frentes. O que parecia ser uma estratégia suicida, uma chantagem absurda, é agora avaliado como golpe de mestre: o líder da Renamo humilhou o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE); teve ao telefone, suplicantes, chefes de Estado de todo o mundo; conseguiu que os representantes diplomáticos em Maputo avalizassem, em documento assinado, as suas suspeitas de irregularidades; obrigou Joaquim Chissano a ficar silencioso. No fim teve um enorme tempo de antena fora de época e proclamou: «Eu salvei a Nação, eu salvei as eleições, eu sou inteligente».</P>
<P>
Para já as eleições legislativas e presidenciais de Moçambique foram prolongadas mais um dia, o de hoje, (o que estava previsto na lei para eventualidades como o mau tempo) e nada garante que não se possa estender até à manhã. Em Moçambique respirou-se de alívio e agora há, em princípio, mais duas semanas de tranquilidade, isto é, até à publicação dos resultados finais.</P>
<P>
De toda a maneira este poderá ter sido um factor de descompressão: que alibis, num campo meramente lógico (o que por vezes não impera) terá Dhlakama agora para contestar os resultados, sejam eles quais forem?</P>
<P>
Mas mesmo que perca a guerra eleitoral, Dhlakama venceu esta batalha. Conseguiu mesmo pôr Aldo Ajello, o representante da ONU em Moçambique, a dizer que as preocupações da Renamo eram legítimas. Ajello, por justiça ou convicção de que teimar era perder, aceitou ou cedeu, depende da perspectiva.</P>
<P>
Dhlakama conseguiu que Ajello, que os embaixadores de Portugal, Alemanha, Estados Unidas, França, Itália, Reino Unido e da Organização da Unidade Africana assinassem um documento onde se lê que reconhecem que «até ao momento, a CNE não foi capaz de satisfazer a Renamo e outros partidos da oposição no referente às questões suscitadas»; «notam que um número elevado de potenciais irregularidades graves foram identificadas pela Renamo»; e comprometem-se «a levar a cabo todos os esforços no sentido de assegurar que essas queixas sejam completamente investigadas». Aconselharam ainda a que a CNE prolongasse as eleições. E a Onumoz vai, portanto, criar uma comissão para atender aonde o dedo de Dhlakama apontar.</P>
<P>
Brazão Mazula, o presidente da CNE, até há pouco tido como sendo um homem sério e ponderado, saiu desacreditado desta crise -- não só com os termos menos corteses com que Dhlakama definiu a sua suposta incompetência como pela forma passiva como viu a comunidade internacional passar-lhe a «batata quente» para as mãos.</P>
<P>
«A festa de Dhlakama»</P>
<P>
Durante toda a madrugada de quinta para sexta-feira os jornalistas fizeram plantão à porta de Dhlakama. Se há lei que resulta nestes casos é a de que quanto mais jornalistas mais dramática é a situação. «Eu recebi nessa noite dezenas de telefonemas de estadistas de todo o mundo e também do vosso Durão Barroso e tenho que telefonar a Mário Soares», disse ao PÚBLICO.</P>
<P>
A crise terminou «oficialmente» às 11 horas da manhã de ontem quando se apresentou rodeado de embaixadores, centro de atenções só dadas aos que detêm o poder de guerra ou de paz, para anunciar o regresso às eleições. «As nossas queixas foram aceites, vão investigar as irregularidades que apontámos». «Faço um apelo à população de Moçambique, aos antigos guerrilheiros, aos desmobilizados para que vão votar». «A Renamo e Dhlakama nunca quiseram boicotar as eleições mas esta é a festa de Dhlakama, está é a festa do povo».</P>
<P>
No final, o embaixador de Portugal, Lopes da Costa, confidenciava-nos que teria havido alguma precipitação ou má informação de Dhlakama na sua posição de força inicial. «Nada até ao momento indicou que estas eleições não sejam livres ou justas». O embaixador britânico relatava que o Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, tinha provavelmente desempenhado o papel decisivo nesta crise. Ele e talvez o vice-Presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, que se deslocou pessoalmente a Moçambique.</P>
<P>
Na conferência da Linha da Frente, há poucos dias em Harare, Pretória ameaçara tomar medidas para assegurar a paz na região. Ontem terão sido efectuadas, do lado sul-africano, «movimentações de tropas preventivas de um cenário negativo», o que é credível dada a nova realidade política daquele país, para evitar um hipotético fluxo de refugiados em caso de catástrofe.</P>
<P>
Ao anoitecer, a beber um sumo em convívio, Dhlakama sorridente minimizava a «ameaça exterior». «Já houve países que entraram aqui e quiseram interferir e levaram uma lição».</P>
<P>
O dia de ontem foi de desanuviamento progressivo. De manhã o anúncio do regresso ao bom senso desejado por todos; depois do almoço o anúncio do prolongamento das eleições; ao lanche o voto colocado na urna por Dhlakama, ao jantar a conferência de imprensa bem disposta, do líder da Renamo, contrastando com a rispidez gestual e oral dos dias anteriores.</P>
<P>
O candidato da Renamo está, portanto, satisfeito com as garantias da comunidade internacional. Só que, como se tem visto, o termo «garantias» é amplo e difuso. Comenta-se, por exemplo, nos «mentideros» do bar da CNE, uma total ausência de dinheiro nos cofres da Renamo. Pergunta: «Garantias também é dinheiro?» A questão terá sido mal ouvida, ou então embargada, digamos, dado que não houve resposta concreta. «Raul Domingos (o número dois da Renamo) está a fazer uma lista que é muito extensa». Mas o tom foi o de «que não, isso seria descabido».</P>
<P>
Afinal qual foi o finca-pé de Afonso Dhlakama? Ontem ao fim da tarde, perante largas dezenas de jornalistas, um Dhlakama de novo sereno lembrou as irregularidades que o levaram a «retirar-se» durante um dia das eleições: faltou ser apresentado e verificado todo o material excedentário de recenseamento e votação, o que, na óptica da Renamo, facilitaria uma possível fraude. Faltava também a apresentação das listas definitivas das mesas de voto, que deveriam, segundo a lei, ter sido apresentadas há 30 dias. Existe um vazio legal quanto ao acompanhamento e distribuição de boletins de voto e das urnas. E depois há as facilidades de votação, uma «aberração» legal de permissão de voto, tentativa de adaptar a prática ocidental à realidade moçambicana, para uns, ou a abertura descarada a irregularidades, tais como poder votar sem cartão de eleitor. (Ver PÚBLICO de ontem).</P>
<P>
«Podem vir a existir irregularidades, coisas pequenas que também acontecem na Europa e na América, mas nós estávamos a falar da programação de fraudes sistemáticas», disse Dhlakama, em jeito de pessoa ponderada, que aproveitou a ocasião para dizer que Chissano tem medo dele porque «o Dhlakama é muito inteligente».</P>
<P>
E perante 15 ou 20 jornalistas moçambicanos e 50 ou 60 estrangeiros declarou: «Claro que era preciso prolongar as eleições. Moçambique não é como nos vossos países, em que para ir votar se estende a mão e se apanha um machimbombo ou um táxi. Aqui, a pé, uma mamã leva cinco ou seis horas de tempo». É verdade, sim senhor.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-82951">
<P>
Praias europeias</P>
<P>
Dez por cento têm bandeira azul</P>
<P>
Mil quatrocentas e cinquenta e cinco praias e 350 portos de recreio da União Europeia, Estónia e Turquia poderão içar a Bandeira Azul este ano. Esta distinção abrange assim 10 por cento do total de praias existentes na União Europeia, segundo foi anunciado na sexta-feira pelo júri da Fundação para a Educação Ambiental da Europa (FEEE), que recompensa a boa qualidade das águas balneares e respectivo ambiente. Candidataram-se este ano à Bandeira Azul 1906 locais.</P>
<P>
A Espanha encabeça a lista dos galardoados, com 306 praias e 60 portos de recreio, seguida da França, Grécia, Itália e Dinamarca. Portugal tem 96 bandeiras, nenhuma delas atribuída a qualquer porto.</P>
<P>
Em França, 302 praias de 76 comunas, assim como 54 portos, vão hastear, este Verão, o galardão ambiental. Cento e setenta e quatro comunas e 87 portos candidataram-se ao palmarés em 1994, o que foi considerado pela FEEE como «muito satisfatório». Os principais critérios para a atribuição da bandeira são o ambiente geral na comuna, a educação ambiental, o grau de saneamento e a qualidade das águas balneares.</P>
<P>
A FEEE sublinhou a coincidência, em 1993, entre a atribuição da bandeira e a carta nacional da qualidade das águas balneares do Ministério do Ambiente francês. Este resultado repetiu-se este ano.</P>
<P>
Tal como o ministério, a FEEE lembrou que a principal causa da poluição do litoral é a falta de saneamento. A fundação acrescenta ainda que verificou que há «grandes esforços em curso para resolver a situação». Segundo esta entidade, os investimentos previstos no âmbito do sexto programa dos organismos da Bandeira Azul serão consagrados para o saneamento básico.</P>
<P>
Segundo os ministérios de Ambiente e da Saúde franceses, em 1993 havia 15 departamentos com praias que não estavam conforme as normas europeias (eram 24 em 1992).</P>
<P>
AFP e PÚBLICO</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-89182">
<P>
Meados do séc.XVIII -- Baleeiras vindas da América (ainda antes da independência dos Estados Unidos) visitam os Açores com frequência, contratando tripulantes entre a população das ilhas.</P>
<P>
Meados do séc.XIX -- Introdução da pesca da baleia a partir de pequenos portos açorianos, com métodos artesanais e equipamento inicialmente importado dos Estados Unidos.</P>
<P>
1900-40 -- No princípio do século, surgem equipamentos mais modernos de caça à baleia, como os lança-arpões e os barcos a motor. O primeiro navio-fábrica é de 1923. Nos Açores, porém, mantêm-se os métodos tradicionais, adoptando-se apenas as lanchas motorizadas para apoio às canoas.</P>
<P>
1940-50 -- Apogeu da actividade baleeira nos Açores, inicialmente devido à II Guerra Mundial. Quatro fábricas industriais para a produção de óleo e outros derivados dos cachalotes são instaladas e as capturas aumentam. Entre 1896 e 1949, foram caçados 12 mil cachalotes no arquipélago.</P>
<P>
1949 -- Dezassete nações criam a Comissão Baleeira Internacional (IWC), para regular a caça à baleia. Portugal não está representado.</P>
<P>
1950-70 -- A quebra no mercado do óleo de baleia, associado à concorrência internacional e à emigração açoriana ditam o início da decadência da actividade baleeira. A frota baleeira vai aos poucos sendo reduzida, desparecendo na maior parte das ilhas.</P>
<P>
1980 -- Apenas uma quinzena de canoas ainda se dedica à caça à baleia no Pico, Flores, Graciosa e Faial. Neste ano, são apanhados 133 cachalotes nos Açores, enquanto, no Pacífico, um único navio-fábrica japonês captura 2750 baleias, em apenas seis meses.</P>
<P>
1981 -- Portugal ratifica a Convenção para a Protecção da Vida Selvagem e dos Habitats Naturais da Europa (Convenção de Berna), assinada em 1979. Nos seus anexos, todos os cetáceos são considerados como espécies protegidas ou estritamente protegidas. No ano anterior entrara em vigor a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Selvagens (CITES), a que Portugal também aderira.</P>
<P>
1982 -- A Comunidade Europeia proíbe o comércio de produtos derivados de baleias entre os países-membros.</P>
<P>
1984 -- Encerra a fábrica das Armações Baleeiras Reunidas, em São Roque do Pico, a última ainda em laboração.</P>
<P>
1986 -- Entrada de Portugal na Comunidade Europeia, obrigando ao cumprimento das suas directivas. No mesmo ano, entra em vigor uma moratória para a caça comercial da baleia, estabelecida pelo IWC, que ainda está em vigor.</P>
<P>
1987 -- Os últimos três cachalotes são capturados nas Lajes, sob uma autorização especial do Governo Regional. É o fim da caça à baleia nos Açores.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-19239">
<P>
Plutónio aproxima-se</P>
<P>
O navio britânico Pacific Pintail, transportando cerca de 14 toneladas de plutónio a bordo, entra hoje nas proximidades de águas territoriais portuguesas, onde deverá permanecer dois dias. Procedente da central de reprocessamento de resíduos de La Hague, na província francesa da Normandia, a embarcação -- cuja «viagem» tem sido objecto de acesa polémica -- dirige-se para o porto de Mutsu-Ogaware, no Japão.</P>
<P>
A população japonesa da região de Rokkasho, onde o lixo nuclear vai ser armazenado, manifestou-se já contra este facto, e o Brasil, o Chile e as Filipinas opuseram-se à passagem do navio britânico pelas suas águas. O Governo sueco, por seu lado, contestou a exportação de resíduos tóxicos por países da Comunidade Europeia.</P>
<P>
«Encontramo-nos [16h20m] no Norte da Corunha e prevemos que o Pacific Pintail entre nos limites da Zona Económica Exclusiva portuguesa ao início da madrugada de domingo.» A informação foi obtida pelo PÚBLICO junto do holandês B. Bruijne, uma das 17 pessoas pertencentes à organização ecologista Greenpeace que, a bordo do antigo rebocador Solo, seguem o navio britânico a uma distância de duas a três milhas.</P>
<P>
Segundo Bruijne, «a viagem está a decorrer dentro do que é normal», não se tendo ainda registado contactos com as autoridades portuguesas.</P>
<P>
O Solo substituiu uma outra embarcação da Greenpeace, Moby Dick, rebocada pelas autoridades francesas quando se preparava, na quinta-feira, data do início da viagem do Pacific Pintail, para bloquear a sua saída do porto de Brest, na Bretanha.</P>
<P>
Os ambientalistas da Greenpeace espanhóis chamaram ontem a atenção para o facto de a carga transportada pela embarcação britânica equivaler «a dez vezes o valor de radioactividade libertada no acidente da central nuclear de Chernobyl». Além disso, denunciaram a existência de estudos indicando que os contentores onde está armazenado o plutónio, matéria-prima de fabrico da bomba autómica, não se encontrarem preparados para resistir a uma submersão em águas profundas ou a um incêndio.</P>
<P>
Na sua rota pelas imediações de águas territoriais de Portugal -- entre o continente e os Açores e entre este arquipélago e o da Madeira --, o navio britânico será vigiado por três unidades das forças navais portuguesas. Assim, a entrada do Pacific Pintail no limite norte da Zona Económica Exclusiva de Portugal será acompanhada pela corveta Oliveira Carmo, a quem cabe seguir a embarcação numa fase inicial. Posteriormente, entrará em acção a fragata Corte Real, que será substituída, na última etapa, pela corveta Sacadura Cabral.</P>
<P>
Segundo a Lusa, fonte próxima do gabinete do chefe de Estado-Maior da Armada disse ontem que o navio britânico se encontrava já, naquele momento, «a ser acompanhado» por uma embarcação portuguesa. Apesar do silêncio que envolve o itinerário do Pacific Pintail, não está previsto que o navio entre em águas territoriais portuguesas.</P>
<P>
«É inadmissível que os países industrializados continuem a exportar resíduos perigosos, do ponto de vista ecológico», em direcção aos países em vias de desenvolvimento e da antiga Europa de Leste, afirmou ontem a ministra do Ambiente sueca, Anna Lindh.</P>
<P>
Num comunicado tornado público, a ministra escandinava foi bastante clara: «É evidente que a União Europeia deveria impedir que isto acontecesse.» E aproveitou para lembrar a assinatura o ano passado, em Basileia, de uma convenção sobre esta matéria.</P>
<P>
Depois das Filipinas, da África do Sul e do Chile, foi a vez de o Brasil tomar posição oficial: «As zonas costeiras marítimas sob jurisdição brasileira não podem ser expostas a riscos decorrentes de acidentes que envolvam cargas desta natureza. O Governo do Brasil opõe-se, sejam quais forem as circunstâncias, à entrada nas suas áreas de cargas deste tipo.»</P>
<P>
A organização Greenpeace, que já se congratulou com esta decisão, aproveitou para apelar aos restantes países latino-americanos para que sigam os exemplos do Brasil e do Chile.</P>
<P>
Navegando lentamente, entre as dez e as 11 milhas por hora, o navio britânico vê-se obrigado a manter-se em águas internacionais, a fim de evitar as rotas comercias e as Zonas Económicas Especiais, demarcadas até 370 quilómetros da costa.</P>
<P>
A carga de plutónio a bordo do Pacific Pintail é a primeira de um contrato assinado em 1976 para reprocessar, em centrais europeias, 2800 toneladas de combustível tóxico irradiado, prevendo-se que durante uma década sejam efectuadas duas viagens anuais para devolver à origem os resíduos nucleares. Cristina Ferreira</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-54609"> 
<P> Na internet, no cinema, na TV, na Locadora </P>
 <P> Carlos Gerbase faz parte de uma geração de cineastas que apareceu em Porto Alegre nos anos 90, com a intenção de colocar o Rio Grande do Sul no mapa nacional da Sétima Arte. Através da Casa de Cinema de Porto Alegre, esse grupo produziu obras-primas como o curta-metragem Ilha das Flores e apresentou para o país cineastas como Jorge Furtado, considerado um dos mais interessantes realizadores do cinema brasileiro atual. Gerbase faz parte desse grupo e, mantendo a tradição, coloca mais uma questão para a produção nacional ao lançar seu novo filme 3 Efes simultaneamente no cinema, na TV, na internet e em DVD. "Só faltou a versão rádio", brincou ele, bem-humorado, com a reportagem do jornal fluminense O Globo. </P>
 <P> Segundo a sinopse oferecida pela produção do filme, " 3 Efes é uma comédia dramática que aborda as dificuldades - afetivas, financeiras e culturais - enfrentadas por um grupo de personagens que circula em torno de Sissi, uma jovem universitária que sustenta, a duras penas, o pai viúvo e o irmão pequeno. Nessa situação de dificuldade, Sissi recorre aos conselhos de sua tia, Martina, uma dona-de-casa entediada que, em meio a uma crise no seu casamento com o publicitário Rogério, fica irresistivelmente atraída por William, um simples catador de papel. Rogério também está em apuros: sua última campanha publicitária deu errado, e agora ele precisa dar um jeito de salvar seu emprego - de qualquer jeito. Assim, sob todas essas pressões do cotidiano, os personagens acabam tomando importantes decisões que vão mudar muita coisa entre eles - e também provocar algumas situações inusitadas". </P>
 <P> O filme, que chegou ao público no dia 7 de dezembro, já pode ser visto pelo site www.3efes.com.br. Confira a entrevista exclusiva com o diretor Carlos Gerbase: </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-22700">
<P>
General Constand Viljoen em entrevista ao PÚBLICO</P>
<P>
Os boers vão do Congo ao Niassa</P>
<P>
O GENERAL Constand Viljoen, de 62 anos, líder da Frente da Liberdade, que tem nove deputados na Assembleia Nacional da África do Sul, disse ao PÚBLICO que outros países do continente normalmente considerado negro já convidaram os boers -- descendentes de holandeses, franceses e alemães -- para ali se estabelecerem, em zonas menos desenvolvidas.</P>
<P>
«Até o Governo angolano entrou em contacto connosco, para discutir tal possibilidade», afirmou o antigo Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Sul-Africanas, agora transformado em político da extrema-direita parlamentar e em promotor da ida de agricultores africaners (ou boers) para zonas que incluem a República do Congo e a província moçambicana do Niassa.</P>
<P>
«Os nossos fazendeiros não vão tirar nada aos moçambicanos. Vão utilizar terras que estão virgens, no norte de Moçambique. Não há ninguém a explorar as áreas que nós já visitámos. Aliás, a província do Niassa é uma das menos exploradas do país; e, ao estabelecermos um sector agrícola local, vamos dar um novo impulso ao desenvolvimento nacional. Os agricultores sul-africanos vão abrir terras novas e vão oferecer trabalho numa província moçambicana com uma altíssima taxa de desemprego», declarou o velho general, que tem conseguido manter uma boa relação de trabalho com o Presidente Nelson Mandela.</P>
<P>
«Comprometemo-nos a treinar os moçambicanos em tecnologias agrícolas. Os camponeses [de outros países] que trabalham com os boers vão naturalmente aprender os métodos utilizados pelos sul-africanos», prosseguiu o líder do partido que está empenhado em preservar a cultura africaner e que, ao mesmo tempo, patrocina esta nova forma de expansão do homem branco pela África acima.</P>
<P>
Não haverá apartheid</P>
<P>
«Os boers não vão para Moçambique para transferir o sistema do apartheid de um país para outro. Não pretendemos impor-nos aos moçambicanos. Este projecto, centrado no Niassa, tem o apoio do Governo de Maputo e é óbvio que as autoridades jamais nos abririam o caminho se o nosso plano fosse para explorar os seus cidadãos», explicou-se Constand Viljoen, cuja Frente da Liberdade conseguiu 2,17 por cento dos votos nas eleições gerais sul-africanas de Abril do ano passado.</P>
<P>
«Também não é nosso plano estabelecer em Moçambique um Volkstaat, um estado isolado do resto do país e reservado à população africaner. Isso não é viável», disse o homem que na África do Sul muito tem lutado nos últimos dois anos pela preservação das tradições próprias de um grupo populacional cuja língua deriva do holandês antigo, tal como se falava no século XVII.</P>
<P>
«Os boers, por outro lado, não pretendem participar da vida política em Moçambique, nem abandonar a sua cidadania sul-africana. Manterão [os que partirem para o estrangeiro] a sua cidadania sul-africana e o arrendamento das terras do Niassa apenas é válido por 50 anos», prosseguiu o nosso entrevistado.</P>
<P>
Quanto ao Congo, por outro lado, os africaners estão particularmente a radicar-se no vale do rio Niari, situado a sudoeste de Brazzaville, já perto da fronteira com Cabinda. Mas o seu projecto vai muito para além do simples estabelecimento de umas quantas fazendas, pois que pretendem construir uma central hidro-eléctrica, renovar toda a rede de distribuição de energia e melhorar diversos aeroportos, bem como assegurar a manutenção de veículos militares.</P>
<P>
São estes alguns dos planos actuais de pessoas afectas ao partido de Viljoen, o general que a partir de 1976 participou em diversas operações militares em Angola, onde o Exército da África do Sul então tanto entrava em perseguição de guerrilheiros da SWAPO, que lutavam pela independência da Namíbia, como para ajudar a UNITA na sua guerra contra as autoridades de Luanda.</P>
<P>
Entretanto, no plano interno, a Frente da Liberdade pretende vir a atrair votos de africaners que até agora se mantiveram ao lado de Frederik de Klerk e do Partido Nacional, mas que poderão começar a estar um pouco desiludidos com a falta de peso dos mesmos, face à preponderância do ANC. Steven Lang, em Joanesburgo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-67747">
<P>
A (ir)relevância da «nova direita» sul-africana</P>
<P>
José Gonçalves*</P>
<P>
A matança de Plein Street, em Joanesburgo, e o estado de emergência na província do Kwazulu-Natal revelam como a transição sul-africana está a ser -- e assim vai continuar por algum tempo -- campo de confronto entre as três forças principais do país: o nacionalismo tipo linha da frente, a nova direita africana e o Partido Nacional.</P>
<P>
O nacionalismo tipo linha da frente tem no ANC o seu principal expoente e, tal como os demais partidos do mesmo tipo, não é homogéneo: apresenta sinais de forte influência marxista e as suas origens radicais são, com frequência, temperadas pelas imposições da realidade e da correlação de forças. A sua heterogeneidade interna revela a existência de quase todas as tendências da esquerda clássica, do nacionalismo negro radical e de sectores do centro-esquerda.</P>
<P>
Outra característica, à imagem, de resto, de outros casos desta sub-região, é a rebelião frequente de segmentos importantes das bases contra os compromissos assumidos pela cúpula. Uma rebelião que conduz quase sempre a comportamentos agressivos, fonte generalizada de problemas para os dirigentes.</P>
<P>
A impressão de que Mandela é, neste momento, o grande elemento aglutinador de todo este mosaico parece confirmar-se a cada dia. E só como mosaico pode pretender, se as sondagens estiverem certas, alcançar ou mesmo ultrapassar os 60 por cento dos votos na África do Sul.</P>
<P>
Uma diferença importante entre o ANC e os outros partidos africanos de nacionalismo tipo linha da frente é, entretanto, a grande influência dos comunistas. O PC conta pelo menos com 20 candidatos, entre os primeiros 50 nomes da lista nacional do ANC, facto que muito tem alimentado os discursos dos seus adversários políticos, na presente campanha eleitoral.</P>
<P>
Seja como for, tudo se conjuga para que mais um partido tipo linha da frente ganhe as eleições nesta parte do continente africano. Como antes já tinha ocorrido, com a ZANU-PF, no Zimbabwe, a SWAPO, na Namíbia, e o MPLA, em Angola. Se a Frelimo ganhar em Moçambique, a maior parte da África Austral será governada por esta mesma «família» política.</P>
<P>
O problema é que as mesmas origens dão lugar a diferentes e imprevisíveis evoluções quando se chega ao poder: ou em virtude dos acordos que regularam os períodos de transição, por causa dos fracassos de percurso ou pela própria resposta da oposição. É um factor a tomar em conta, apesar de o ANC representar um bloco fortemente solidário.</P>
<P>
Quanto à segunda força sul-africana, diga-se desde já que a chamada «nova direita africana» é hoje uma presença activa em vários países limítrofes. E também reciprocamente solidária, às vezes através de «lobbies» comuns.</P>
<P>
Nas suas grandes características gerais, revelam pormenores importantes. O primeiro é a importância fundamental do líder na acção geral do partido. Bem maior do que na corrente nacionalista tipo linha da frente, onde o líder, se bem que com muito poder, é um produto de compromissos intertendências. Por outro lado, a nova direita africana continua a revelar, de um modo geral, pouca ou nenhuma preocupação com a natureza dos seus aliados. Veja-se o caso do Inkhata, integrado numa aliança com a extrema-direita racista sul-africana.</P>
<P>
Mas é um erro crasso de análise considerar toda a nova direita africana dirigida por simples marionetas do poder branco. Pelo contrário, os seus líderes negros assumem cada vez maior importância e autonomia em detrimento dos velhos segregacionistas. São eles, os negros, quem de facto determina a estratégia desta nova direita africana. Ainda assim, certas alianças internas e a influência dos «lobbies» externos, associada à facilidade com que recorrem à violência (ou, no mínimo, ameaçam recorrer à violência), concorrem abertamente para uma manifesta erosão do seu potencial eleitoral.</P>
<P>
Uma erosão que redunda noutro indicador desta nova direita africana: o apelo étnico. No caso sul-africano, surge a particularidade da considerável população branca do país. Daí a importância do etno-nacionalismo afrikaner que apresenta um leque alargado que começa nos neonazis do AWB e acaba na Frente da Liberdade (FF), dirigida pelo general Constant Viljoen, que concorre às eleições com hipóteses de apreciável votação .</P>
<P>
A verdade, porém, é que a reivindicação do Estado boer não faz unanimidade entre os afrikaners, parte dos quais (veremos depois quantos) continua a apostar em De Klerk. E além deste sector dos afrikaners, De Klerk e o seu Partido Nacional (PN) contam com a grande maioria dos brancos de língua inglesa.</P>
<P>
Mas o PN -- que faz campanha sob o «slogan» «nós fizemos a mudança» -- não mobiliza só os brancos . No imediato, começa a ganhar contornos claros do «partido das minorias», a ponto de a sua implantação entre os mestiços (eles próprios também de língua afrikaans) lhe abrir amplas perspectivas de vitória no Cabo Ocidental e no Cabo do Norte, as zonas de maioria mestiça. São os mestiços, mas não só. Todas as análises admitem que também possa ser importante a votação dos indianos no PN, bem como franjas de negros da classe média ou próximos de algumas chefias tradicionais. Por outras palavras, não é de excluir (a ironia de) ver daqui a um mês o PN com uma maioria de eleitores «não brancos»...</P>
<P>
Por tudo isto se percebe a razão do acordo entre o ANC, de Nelson Mandela, e o PN, de De Klerk, com vista à garantia das normas fundamentais para uma vida política normal na África do Sul, em que as eleições regulares sejam a sua pedra angular. Ao não conseguir inserir-se neste novo contexto, a nova direita sul-africana só arrisca, afinal, a sua própria existência como factor político relevante.</P>
<P>
* jornalista angolano residente na África do Sul</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-63204">
<P>
O mais populoso dos países africanos continua a ser uma ditadura militar</P>
<P>
A Nigéria presa ao passado</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
O mais importante dos países da África Ocidental -- e o mais populoso de todo o continente -- continua a ser a coutada de uns quantos oficiais generais e dos empresários seus aliados, aparentemente incapaz de se converter numa sociedade democrática. É este um dos dramas da negritude.</P>
<P>
O mundo está a assistir sem grande interesse ao julgamento de umas quantas dezenas de pessoas que foram acusadas de conspirar contra o regime militar nigeriano e que portanto estão sujeitas a penas que incluem a morte e a prisão perpétua. A Commonwealth enviou uma missão a investigar as arbitrariedades que estão a ser cometidas no mais populoso dos países da África, com os seus bons 120 milhões de habitantes, mas a generalidade da comunidade internacional já não liga muito ao que está a acontecer na Nigéria, um quarto de século depois do aniquilamento da efémera República do Biafra.</P>
<P>
Os militares perpetuaram-se de tal forma no poder, em quase 26 dos 35 anos que o país leva de independência, que -- fora das chancelarias anglófonas -- quase já ninguém liga ao que ali se passa, como se fosse um território perfeitamente à margem do evoluir da humanidade, nesta recta final do século XX. Um pouco ao jeito do que acontece em relação ao Zaire, outro Estado negro incapaz de se democratizar.</P>
<P>
O regime de Abuja, desde 1993 dirigido pelo general Sani Abacha, que surgiu na sucessão de outros dois oficiais da mesma patente, Mohammadu Buhari e Ibrahim Babangida, mantém nesta altura detidos tanto o homem que aparentemente ganhou as eleições presidenciais de há dois anos, logo anuladas, como um antigo Presidente de grande prestígio internacional, Olusegun Obasanjo.</P>
<P>
O caso Obasanjo</P>
<P>
Apesar de general, que em 1976 assumiu o poder por haver sido assassinado Murtala Mohammed, de quem era adjunto, Obasanjo tratou de devolver a administração aos civis, por meio das eleições de 1979, que levaram à chefia do Estado Shehu Shagari, do Partido Nacional.</P>
<P>
Desde então, tem-se consagrado à agricultura, como empresário privado, ao mesmo tempo que vai de vez em quando proferindo conferências em diversos países, sempre a chamar a atenção para os problemas mais prementes do continente africano.</P>
<P>
Se bem que nada se saiba de concreto quanto a um julgamento que tem estado a decorrer nas últimas cinco semanas, de pessoas acusadas de haverem participado numa conjura contra o regime, existem algumas indicações de que teriam sido pedidos 25 anos de cadeia para o general Obasanjo e prisão perpétua para o seu antigo adjunto Shuhu Musa Yar'Adua.</P>
<P>
O jornal «Thisday», citado pela agência Reuter, afirmava domingo que as mais altas patentes das Forças Armadas se iriam reunir esta semana a fim de debaterem as sentenças prestes a serem homologadas no caso da alegada conspiração, incluindo algumas penas capitais. Mas o porta-voz da junta, brigadeiro Fred Chijuka, não o confirmou.</P>
<P>
Uma missão da Commonwealth, sob a direcção de Flora MacDonald, antiga ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, encontra-se actualmente na Nigéria, procurando falar aos generais Obasanjo e Yar'Adua, ao multimilionário Abiola e a um quarto detido, o escritor Ken Saro-Wiwa, líder do movimento para a sobrevivência do povo ogoni, que vive no sueste do país, a fim de saber exactamente em que situação se encontram.</P>
<P>
Ostracismo</P>
<P>
A Grã-Bretanha tem ameaçado que a Nigéria poderá ser impedida de ir este ano à cimeira da Commonwealth, a realizar em Novembro na cidade neo-zelandesa de Auckland, se não fizer um esforço para se democratizar e acabar com muitas das arbitrariedades que aparentemente estarão a ser cometidas pelos militares no poder.</P>
<P>
Trata-se de um país que tem mais de 10 vezes a superfície de Portugal, que é rico em petróleo e que em 1 de Outubro de 1960 se tornou independente da colonização britânica, para logo em Janeiro de 1966 vir a sofrer um golpe de Estado em que foram assassinados o primeiro-ministro Tafawa Balewa e uma série de outras personalidades.</P>
<P>
Em Maio de 1967 o sueste da Nigéria proclamou-se unilateralmente República do Biafra, dando origem a mais de dois anos e meio de guerra civil, no fim da qual os territórios separatistas se reintegraram. Mas, graças ao conflito, os militares arranjaram mais trunfos para se ir entrincheirando cada vez mais fortemente no poder.</P>
<P>
Só de 1979 a 1983 é que se voltaria a assistir a uma administração civil, a de Shehu Shagari, para logo a seguir os generais voltarem à ditadura, que até hoje continua, mercê do recurso a uma grande diversidade de manobras. Entre elas, a das pretensas eleições presidenciais livres de 1993, logo anuladas quando se verificou que quem as ia ganhar era o menos simpático para os militares dos dois únicos candidatos que eles próprios haviam permitido.</P>
<P>
Legenda: o general Sani Abacha é o actual ditador nigeriano</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-46003">
<P>
De Londres </P>
<P>
A Anistia Internacional divulgou ontem em Londres o relatório anual da entidade, que documenta violações aos direitos humanos em 151 países durante o ano de 1994.</P>
<P>
O documento, de 353 páginas, dedica-se especialmente a alertar para o crescimento da violência contra mulheres e crianças.</P>
<P>
Segundo o relatório, a violação deliberada dos direitos da mulher tem se tornado cada vez mais um componente central nas estratégias militares.</P>
<P>
As mulheres, que têm maiores dificuldades de se mover por causa de suas famílias, seriam vítimas indefesas de atos de vingança, de acordo com o relatório.</P>
<P>
Para a Anistia, o estupro de mulheres na Bósnia-Herzegóvina ou em Ruanda não é um acidente de percurso nas guerras que atingem esses países, mas um instrumento para difundir o terror entre as populações civis.</P>
<P>
O relatório também afirma que 80% dos 20 milhões de refugiados hoje no mundo são mulheres e crianças. A entidade também acusa diversos governos pela violação dos direitos das mulheres.</P>
<P>
Cita o exemplo de Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz de 1991, há cinco anos presa em Myanma, no sudeste da Ásia, por fazer oposição ao governo.</P>
<P>
Finalmente, o documento afirma que a discriminação contra a mulher é algo ainda muito presente no mundo.</P>
<P>
Segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), mais de 1 milhão de bebês morrem ao ano por serem do sexo feminino.</P>
<P>
No relatório, a Anistia faz um apelo para que os governos reconheçam o trabalho das organizações de defesa dos direitos das mulheres e participem da Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, que acontece em setembro próximo, em Pequim (China).</P>
<P>
Segundo a Anistia, a violação aos direitos humanos no mundo está mostrando uma nova face.</P>
<P>
Guerras civis e fim de governos têm provocado assassinatos em massa, desaparecimentos e aumento da tortura. O genocídio em Ruanda seria a confirmação mais chocante da tese.</P>
<P>
``A Anistia Internacional documentou neste relatório uma mudança no padrão das violações aos direitos humanos", afirma Pierre Sané, secretário-geral da entidade.</P>
<P>
``Em 1994, o que nós vimos foram maciças violações acontecendo nas ruas mais do que nas celas das prisões", completa Sané.</P>
<P>
Além dos casos citados acima, o relatório critica especificamente o desrespeito aos direitos humanos ocorridos na Tchetchênia, na Turquia e em Israel. Também são alvo de crítica as violações contra opositores do governo na Argélia, China, Paquistão e Indonésia.</P>
<P>
Na América, o relatório destaca as violações ocorridas em Chiapas (México), na Guatemala, na Colômbia e nos EUA.</P>
<P>
(OD)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-97223">
<P>
PEDRO MIGUEL</P>
<P>
Do "La Jornada"</P>
<P>
Chú Castanon é um cosmopolita nascido em Chiapas. Há uns dez anos assisti ao seu casamento, com uma polonesa de olhos tristíssimos, em uma casa do 16.º distrito parisiense. Já embalado pelo licor de "cassis royale", descreveu-me sua infância enfadonha na fazenda de café do pai. Um dia, estava aborrecido. O pai lhe deu de presente um menino indígena para brincar. "Cuida dele! É seu", disse.</P>
<P>
Chú, hoje cineasta famoso, nasceu nos anos 50, e o episódio deve ter acontecido na década seguinte. Na época o mundo vibrava com a beatlemania, soviéticos e norte-americanos se empenhavam na corrida para chegar à Lua. Na capital germinava o movimento estudantil de 68.</P>
<P>
Não posso evitar um paralelo entre esse caso e a situação que começou há poucos dias: enquanto se trocavam os protocolos do Nafta (Acordo Norte-Americano de Livre Comércio) –através do qual o México deve entrar no Primeiro Mundo–, milhares de índios de Chiapas, armados, tomaram os seis povoados principais da região conhecida como Los Altos, altiplano frio, uma espécie de "parque dos dinossauros" humano e econômico.</P>
<P>
Lá, a posse da terra impõe uma servidão virtual aos camponeses. Lá, "criollos", mestiços e colonos de origem alemã herdaram o empenho conquistador de Pedro de Alvarado sobre os nativos. Lá, o universo social se divide de maneira nítida entre uma próspera sociedade ocidental agroexportadora e uma população miserável e marginalizada de aldeias milenares. Para muitos deles, o espanhol não chega sequer a ser a língua predominante.</P>
<P>
Muitos telespectadores mexicanos não conseguem distinguir, entre as imagens do momento, as que chegam do Peru ou Nicarágua das que vêm de uma região de seu próprio país. Talvez se trate de mais uma "vinganças da história", no dizer de Hermann Tertsch, por ter tentado ignorar, durante mais de 150 anos, a origem centro-americana de Chiapas.</P>
<P>
Agora, quando os movimentos de insurreição centro-americanos se dissolvem em um desespero regional e se enfatiza a construção de instituições democráticas e governáveis, as cenas de revoltas armadas ressurgem do lado de cá do rio Suchiate, que separa o México dos vizinhos ao sul.</P>
<P>
O certo é que as transformações sociais provocadas pela Revolução Mexicana e pelos governos posteriores não foram perceptíveis em Chiapas. Entre outros motivos, porque a Revolução Mexicana não passou por lá.</P>
<P>
A Reforma Agrária deixou intocados os latifúndios da região. As obras no setor de educação e saúde, desenvolvidas pelo Estado ao longo do século em quase todo o território nacional, foram freadas pela muralha cultural entre o México mestiço e os redutos indígenas, pelo próprio relevo e porque, uma vez estabelecido o regime central, seus aliados locais foram os caciques de sempre.</P>
<P>
Mas essa revolta de fim de milênio responde a uma tradição profundamente mexicana, que não foi possível erradicar em mais de sete décadas de regimes revolucionários e institucionais. As revoltas camponesas, confundidas entre 1930 e 1950 com motins caudilhescos, tiveram expressão mais clara nos anos 60, em Morelos, com o movimento de Rubén Jaramillo e, nos 70, com as guerrilhas de Genaro Vázquez e Lucio Cabanas em Guerrero.</P>
<P>
Além disso, a gênese nacional e local do confronto que se instalou em Chiapas era evidente, no ano passado, para quem quisesse ver. Em 1993, grupos de camponeses de várias regiões do país organizaram protestos por causa das dívidas com os bancos, que haviam dado crédito fácil a qualquer um. Depois o crédito encareceu e ficou impagável.</P>
<P>
Adicionando a isso a queda dos preços mínimos, estabelecidos pelo Estado para os principais produtos agrícolas, centenas de milhares de homens do campo ficaram desesperados. A indignação rural diante dos abusos das autoridades policiais e judiciais federais provocou ondas de violência em Guerrero, Michoacán e Morelos –além de Chiapas.</P>
<P>
Ao longo do ano, pelo menos quatro aldeias da região pegaram em armas, lincharam ou enforcaram representantes governamentais prepotentes e abusivos, fazendo justiça com as próprias mãos. Em Chiapas, correram versões, boatos e informações nos meios de comunicação sobre lutas entre camponeses e o Exército. O bispo de San Cristóbal de las Casas, Don Samuel Ruiz, denunciou abusos cometidos pelos militares.</P>
<P>
Não quero terminar este artigo sem mencionar dois outros fatores. Primeiro, o descontentamento dos povos indígenas do México –assim como do Canadá e dos Estados Unidos– por não serem mencionados uma única vez no texto definitivo do Nafta, instrumento comercial visto com temor e desconfiança pelos setores sociais mais desprotegidos.</P>
<P>
Segundo, os ultra-esquerdistas residuais –nem tantos quanto se imagina– que se negam a participar da difícil e incerta transição democrática e institucional do país. Eles parecem inspirar esta nova guerra por terra, trabalho, educação e saúde, em uma sociedade incapaz de oferecer tais direitos à população. De modo primário, os camponeses que hoje atraem a atenção nacional e internacional lutam para que suas crianças não sejam mais dadas de presente ao filho do fazendeiro.</P>
<P>
Tradução de Lise Aron</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-86568">
<P>
Para além de um filme</P>
<P>
João Carlos Silva</P>
<P>
Uma coincidência faz com que se estreie em Portugal um filme sobre a Birmânia apenas dias depois de ser libertada aquela que é a sua «protagonista invisível», a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. Mais uma ajuda para que «Rangoon» cumpra a função de revelar um drama esquecido.</P>
<P>
Os críticos de cinema vão provavelmente classificar como apenas tolerável ou desinteressante «tout court» o último filme de John Boorman. E, no entanto, se «Rangoon» conseguir despertar algum interesse para com o drama de um dos povos mais brutalmente reprimidos hoje, o da Birmânia, terá cumprido uma missão. O que não é para desprezar.</P>
<P>
«Rangoon» («Beyond Rangoon») tem à partida uma história banal desde que se generalizou a receita de «pessoas comuns em situações fora do comum». Há uma jovem turista norte-americana recém-saída de um drama pessoal que passeia pela Birmânia sem a ver, até que fica sem querer mergulhada noutro drama -- o de uma nação. E passa a ver.</P>
<P>
Isto acontece em Rangoon e, sobretudo, «beyond Rangoon», na província, longe de uma capital que os generais que asfixiam a nação há décadas rebaptizaram como Yangon -- depois de adoptarem a designação Myanmar para um país que era, e continua a ser, conhecido como Birmânia.</P>
<P>
Se John Boorman quis assumir uma posição «engagé», de denúncia da natureza repressiva do regime, escolheu o veículo ideal (e é isso, entre outros pontos, que lhe custará o voltar de costas dos críticos). O filme é simples, tem acção, ritmo, drama, está magnificamente fotografado em cenários belíssimos -- na Malásia, que a Birmânia é um dos países mais fechados do mundo.</P>
<P>
Esta simplicidade torna as personagens «finas», sem espessura, e disso nem se salva o símbolo da Birmânia democrática, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, presa na sua casa de Rangum desde 20 de Julho de 1989 e libertada na segunda-feira. Boorman inclui-a numa cena em que o confronto entre símbolos (a força tranquila de Suu Kyi versus as metralhadoras dos militares) é óbvio em demasia. O enorme retrato de Aung San Suu Kyi a encher o ecrã, com que o filme encerra, acaba por ser mais poderoso.</P>
<P>
Seja como for: se através de «Rangoon» se «ficar a saber» o que está a passar-se na Birmânia, se se recordar a luta pela democracia da heroína de Rangum, que não terminou com a sua libertação, o filme vale a pena.</P>
<P>
É impossível não estabelecer um paralelo com outro filme sobre um drama indochinês: «The Killing Fields»/ «Terra Sangrenta». Em boa parte através dele o mundo ficou a conhecer o que fora o drama do Camboja durante o regime dos Khmer Vermelhos (um milhão de mortos, no mínimo, num processo insane de auto-genocídio).</P>
<P>
No material publicitário de «Rangoon», a frase-lema que serve de subtítulo ao filme é «A verdade tem uma testemunha». O que quer isto dizer?</P>
<P>
Em 1989, a repressão na Praça Tiananmen em Pequim foi quase transmitida em directo e o mundo indignou-se imediatamente, multiplicando-se em campanhas de condenação do regime chinês e de solidariedade com os estudantes que tinham erguido a estátua da Deusa da Democracia no centro da capital. Houve milhões de testemunhas.</P>
<P>
Um ano antes, numa situação com muito de idêntico, o movimento pró-democracia tinha inundado as ruas de Rangum (a acção do filme decorre nesse momento). Houve um banho de sangue incomparavelmente maior do que em Tiananmen. Calcula-se que três mil pessoas -- na maioria estudantes, mas também muitos monges budistas -- tenham sido massacradas, houve um êxodo de dezenas de milhares de refugiados na direcção da Tailândia. As testemunhas foram poucas.</P>
<P>
Sete anos depois, pelos olhos da personagem interpretada por Patricia Arquette, o mundo vai poder ver esse massacre. É como se só depois de «a verdade» ter uma testemunha o acontecimento ganhasse a capacidade de se tornar verdadeiro. O drama birmanês torna-se finalmente real -- no sentido em que o conhecimento dele é massificado.</P>
<P>
De volta a «Killing Fields». Quando o filme de Roland Joffé foi lançado, em 1984, já o reinado de terror dos Khmer Vermelhos (1975-79) tinha conhecido o seu apogeu e queda. Mas é inegável que as poderosas imagens dos campos da morte reacenderam o interesse no Camboja, deram-lhe um estatuto de «estrelato» na actualidade internacional.</P>
<P>
«The Killing Fields» era só marginalmente a história de um jornalista norte-americano, Sydney Schanberg. Era, acima de tudo, a história de um sobrevivente cambojano, Dith Pran, e a loucura do massacre do seu povo.</P>
<P>
«Rangoon» não consegue ser tão «documental». A figura de Patricia Arquette é sempre mais dominante do que a do seu co-protagonista birmanês, U Aung Ko, e isso é às vezes irritante. Mas tem a inegável vantagem de sair para as salas quando o auge do terror dos generais da Birmânia ainda não passou. Pelo contrário. Como sucede nestes casos, a «natureza má» dos regimes tende a ser esquecida por causa dos interesses económicos; e os negócios vão-se multiplicando com a junta birmanesa, a brutalidade desta é «branqueada».</P>
<P>
O que os olhos de Aung San Suu Kyi parecem dizer no final é que, naquilo que acabámos de ver, tudo é ficção e tudo se passou na realidade. E é impossível não recordar que ela esteve presa em sua casa quase seis anos, depois de ter ganho eleições democráticas anuladas porque os generais não querem pura e simplesmente prescindir do seu poder de oprimir os birmaneses e as muitas comunidades étnicas do país (como os karen que, no fim, surgem como salvadores).</P>
<P>
«Beyond Rangoon», para além de Rangum, está assim para além de um filme. Revela uma atrocidade até agora invisível. É uma testemunha, mesmo que tardia. Torna-nos testemunhas, aquela condição em que não se pode alegar desconhecimento para justificar a indiferença.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-89900">
<P>
Passageiros olham sem surpresa o painel do aeroporto londrino de Heathrow, que indica os horários de chegada de aviões e também de morteiros. A charge do "Orlando Sentinel", da Flórida (EUA), ironiza os ataques do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra o aeroporto, na semana passada. Foram quatro ataques com morteiros em dois dias, sem vítimas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75594">
<P>
Os dias da ira na África do Sul</P>
<P>
Jorge Heitor*</P>
<P>
Três militantes da extrema-direita branca sul-africana foram ontem mortos ao intervir no Bophuthatswana, para tentar manter no poder o Presidente Mangope. A comunidade de origem europeia ficou visivelmente assustada, mesmo aqueles sectores que normalmente não se identificam com a direita. As imagens da populaça a saquear as lojas de um grande centro comercial fizeram recear o pior. O pessimismo está a ganhar terreno, pois o que aconteceu poderá ser apenas um sério aviso para o muito sangue que ainda estará por derramar.</P>
<P>
A morte de três dos militantes da Frente do Povo Afrikaner (AVF) que haviam entrado no Bophuthatswana para defender, de armas na mão, aquele resquício do apartheid precipitou ontem as coisas na África do Sul, onde os brancos começam a temer o pior, mesmo aqueles que até agora manifestavam grande esperança na possibilidade de uma transição moderada.</P>
<P>
Um dos elementos foi morto em tiroteio com as tropas locais e os outros dois executados depois de terem pedido piedade. Foi esta atitude de um soldado do bantustão, aliado ao povo que se erguera há dias contra o Presidente Lucas Mangope, que caiu particularmente mal em muitas famílias brancas, mesmo naquelas que até agora têm evitado entrar em pânico com a ideia de uma África do Sul governada por negros. Horas depois, antes de se retirarem, os invasores abatiam a tiro três negros.</P>
<P>
O general Constand Viljoen, antigo Chefe do Estado-Maior General das Forças de Defesa Sul-Africanas, mobilizou aparentemente uns 5.000 civis armados, brancos, para ir salvar Mangope, que não queria desistir da pseudo-independência do Bophutatswana nem permitir o funcionamento de assembleias de voto no seu território. A maior parte dos legionários pertenceria ao Movimento de Resistência Afrikaner (AWB), o grupo mais activo de entre os que compõem a AVF, e que tem vindo a acusar Viljoen de «traidor», por haver defendido a ido às urnas.</P>
<P>
Intervenção «autorizada» por Mandela</P>
<P>
Horas depois da intervenção da extrema-direita e da perda por esta de três dos seus homens, na cidade de Mafikeng, vizinha de Mmabatho, a capital regional, perto da fronteira com o Botswana, foi a vez de o Presidente Frederik de Klerk enviar para a região dezenas de carros blindados com tropas, numa tentativa de restabelecer a ordem e de impedir o triunfo do caos.</P>
<P>
De acordo com informações oficiosas, Pretória só concretizou a intervenção no Bophuthatswana depois de consultas efectuadas ao líder do ANC, Nelson Mandela, segundo o qual o governo sul-africano e o Conselho Executivo de Transição (TEC) devem agora assumir em conjunto a administração do território, a fim de impedir que a situação se agrave.</P>
<P>
Ao fim da tarde de ontem a situação parecia ter estabilizado, mas no ar haviam ficado muitas dúvidas, tanto quanto àquela região específica como em relação ao conjunto de toda a África do Sul, onde as primeiras eleições multiraciais estão marcadas para o período de 26 a 28 de Abril. Por seu lado, o primeiro-ministro do bantustão Kwazulu e líder do Partido Inkatha, Mangosuthu Buthelezi, dizia que os seus apaniguados preferem morrer a aceitar uma Constituição que não respeita as particularidades de cada grupo étnico.</P>
<P>
Um fotógrafo da Reuter, Kevin Carter, viu um pára-quedista do bantustão ignorar os protestos dos seus camaradas e abater a frio os dois afrikaners feridos, que pediam clemência. A televisão levou a imagem a numerosos países e o medo aumentou de súbito entre os sul-africanos brancos, muitos dos quais têm querido acreditar até agora que a violência é algo de circunstancial e que, na sua generalidade, será possível instaurar sem grande dificuldade um bom sistema parlamentar.</P>
<P>
Tarde de mais</P>
<P>
Entretanto, o contestado Lucas Mangope, que esta semana precipitara os acontecimentos ao recusar registar o seu Partido Democrata Cristão para a ida às urnas, conforme o desejado pela maioria da etnia tswana, dizia estar pronto a aceitar o processo eleitoral.</P>
<P>
Tarde de mais, consideraram muitos observadores, pois já quase ninguém estaria disposto a dar-lhe crédito, para além dos seus aliados Inkatha e Frente do Povo Afrikaner. Mas ao fim do dia nada estava muito bem esclarecido, nem o paradeiro de Mangope nem a eventualidade de as eleições gerais sul-africanas ainda terem de ser adiadas por algumas semanas ou meses.</P>
<P>
Tanto o governo como o ANC têm vindo sempre a dizer que o adiamento está fora de questão, mas alguns analistas sublinham que na África do Sul nada é definitivo, pelo que é pelo menos de esperar a mediação internacional que o Inkatha sugerira e que Nelson Mandela aceitara. O processo de transição em curso, do apartheid de há cinco anos para uma sociedade razoavelmente democrática, é um dos mais complicados que actualmente se verificam em qualquer zona do globo, pelo que os dias de esperança vão necessariamente alternando com os de desalento.</P>
<P>
Não se sabe ainda quem irão ser os medianeiros, que terão obviamente de ter a concordância de todas as partes envolvidas no processo, mas nota-se desde já a presença no país de Lord Carrington, antigo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros.</P>
<P>
Representantes da ONU, da Commonwealth, da Organização de Unidade Africana (OUA) e da União Europeia poderiam ser hipóteses para tentar um compromisso entre os defensores intransigentes das eleições e os que só as aceitam se a Constituição sul-africana vier a assumir um tom claramente federalista, com lugar para um reino zulu e para um Volkstaat, um Estado administrado por afrikaners.</P>
<P>
Cabeça fria é urgente</P>
<P>
O que aconteceu nas últimas 48 horas não foi algo de verdadeiramente trágico, se o restringirmos a seis ou sete mortos, algumas dezenas de feridos e umas quantas lojas e automóveis destruídos. Mas sim um aviso muito sério de todo o drama que poderá estar no horizonte se os diversos sectores da África do Sul não mantiverem a cabeça suficientemente fria para tentar salvar o país.</P>
<P>
Até ontem, muitos quadros do ANC e do Partido Nacional, as duas principais forças políticas sul-africanas, acreditavam ser possível concretizar as eleições sem muito sangue e formar um Governo de Unidade que constituísse um autêntico marco numa África tantas vezes condenada ao desaire. Mas agora as dúvidas começam a surgir, ou pelo menos este vai ser um fim de semana caracterizado pelo pessimismo, enquanto não for possível avaliar melhor a situação.</P>
<P>
Tem havido um grande debate sobre se a extrema-direita branca representa mesmo uma realidade ou se é apenas um mito; e os acontecimentos destes últimos dias testemunharam que é decerto uma realidade, mesmo que não extraordinariamente forte em termos quantitativos.</P>
<P>
Na matemática eleitoral, não deverá significar grande coisa, mas ao meter-se em acções aventureiristas como a de ir salvar um líder negro desacreditado poderá precipitar as coisas, levando a uma série de incidentes em cadeia. O que já aconteceu no Bophuthatswana é susceptível de se repetir no Kwazulu; e aí com aspectos muito mais graves, pois que o embate das forças conjuntas dos boers e do Inkatha com o Umkhonto we Sizwe, milícia do ANC, faria correr autênticos rios de sangue.</P>
<P>
*Com Steven Lang, na África do Sul</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-91776">
<P>
Comunidade cigana apresenta a taxa mais elevada de fracasso escolar</P>
<P>
Minorias na pauta do insucesso</P>
<P>
Diana Araújo</P>
<P>
Continuam a ser as minorias étnicas, pesem embora algumas (poucas) excepções, as detentoras dos recordes de desistência, absentismo e insucesso escolar em Portugal. De entre elas, destacam-se a comunidade cigana e as oriundas dos PALOP. Uma situação para cuja resolução ainda não há consenso.</P>
<P>
A taxa mais elevada de insucesso escolar em Portugal -- 37 por cento, no ano lectivo de 1993-94 -- continua a registar-se entre a comunidade cigana, segundo um estudo divulgado este ano pelo Secretariado Entreculturas e Secretariado Diocesano de Lisboa. Os alunos dos PALOP também apresentam dificuldades, embora haja minorias, nomeadamente do Brasil e de Macau, com taxas de sucesso acima da média.</P>
<P>
 Luís Souta, do Centro para Igualdade de Oportunidades em Educação (CIOE) da Escola Superior de Educação de Setúbal, ao apresentar o trabalho num seminário recente que decorreu na Amadora, disse que «continua a ser preocupante a manutenção de certos padrões de desigualdade no sistema educativo português, tendo por base a diversidade étnico-cultural». E exemplificou: dos 13 grupos «étnico-culturais» abrangidos pelo Entreculturas, a comunidade cigana é, em termos numéricos, a terceira minoria no 1º ciclo, com 3778 alunos, a décima primeira no 2º ciclo (com 114) e a décima terceira no 3º ciclo, com 38.</P>
<P>
As altas taxas de desistência -- «sempre mais elevada nas minorias étnicas», frisou -- e absentismo encontram-se na «génese dos números de insucesso escolar». Das crianças e jovens que se matricularam nos 21 concelhos da diocese de Lisboa, por exemplo, 8,2 por cento abandonaram a escola. Dos que a frequentaram, 8,6 por cento afirmam fazê-lo um a dois dias por semana.</P>
<P>
Trata-se de valores que, de acordo com o estudo, atingem sobretudo as raparigas, que, «como dizem, `fazem falta em casa'». Para os rapazes, o abandono e o absentismo justificam-se porque «não gostam da escola». A gravidade da situação aumenta com os dados de analfabetismo: 29,1 por cento entre os jovens ciganos até aos 15 anos.</P>
<P>
Quanto aos alunos oriundos dos PALOP, a generalidade apresenta taxas de insucesso abaixo da média nacional, com particular incidência nos cabo-verdianos (16,1 por cento). «No sentido contrário», sublinhou o docente, «encontramos minorias com valores superiores à média», como, por exemplo, os alunos originários de Macau, Brasil, países da União Europeia e ex-emigrantes.</P>
<P>
Após uma exposição de dados, relativos a 1990 e 1993, que dão um panorama positivo da evolução do insucesso escolar -- tanto a nível global como no caso das minorias étnicas --, o docente criticou o «júbilo» do presidente do Secretariado Entreculturas, padre Feytor Pinto, numa entrevista ao jornal «Notícias da Educação», onde afirmou que «o aproveitamento escolar subiu de uma maneira notável nas escolas com multicultura».</P>
<P>
Para Luís Souta, «o que mudou não foi a realidade, foi o modelo administrativo de contabilizar o insucesso».</P>
<P>
A escola que é casa</P>
<P>
A nível de concelhos, cabe a «Lisboa e à Amadora a triste `bandeira' de estar à frente dos grupos de insucesso», revelou Ana Guerra, do Centro de Estudos Territoriais. Essa realidade é sobretudo reflexo das condições sociais dos alunos (filhos de emigrantes e pertencentes a outras etnias), que vivem, maioritariamente, em bairros degradados.</P>
<P>
São exemplo disso, entre os 45 estabelecimentos de ensino da Amadora -- que ocupa o terceiro lugar entre os 21 concelhos com mais população de etnia cigana --, a quase totalidade dos cerca de 140 alunos da Escola nº 3 da Falagueira e de 30 por cento dos 225 alunos da Escola nº 4, também da Falagueira. Segundo Isabel Antunes, presidente do Conselho Directivo da Escola B 2++++3 de Alfornelos, «a maioria dos 23 por cento de alunos [930] que são minorias étnicas passa todo o tempo na escola por falta de condições em casa».</P>
<P>
Para Manuel Barroso, do Instituto de Inovação Educacional, «seria de todo o interesse que se estabelecessem protocolos de colaboração com os Estados de origem das comunidades inseridas no concelho, no sentido de poder receber professores nativos». Uma «estratégia semelhante à utilizada por outros países de emigrantes, nos quais Portugal se inclui, poderia contribuir de forma muito importante para o sucesso escolar».</P>
<P>
Manuel Correia, da Federação das Associações de Cabo Verde em Portugal, considera que não seria necessário ir tão longe, pois no país «há muitos professores e pessoas capazes que estão no desemprego e não são aproveitados».</P>
<P>
Por seu lado, Henri Campagnolo, do Centre National des Recherches Scientifiques, de Paris, que trabalhou já com estudantes timorenses, sugeriu que a avaliação dos alunos cuja língua materna não é o português seja feita para além dos seus conhecimentos linguísticos, pois «a comunicação não tem apenas suportes verbais». O desporto, por exemplo, é também, em sua opinião, «um código de comunicação».</P>
<P>
Uma outra sugestão foi deixada por João Vivaldo, da Associação dos Amigos da Encosta Nascente, um dos bairros degradados da Amadora: «Os manuais escolares para essas crianças devem conter dados sobre o passado das origens das comunidades étnicas, para que as mesmas não se sintam diminuídas ao pensarem que não têm história.»</P>
<P>
A Câmara da Amadora -- no âmbito do programa comunitário Urban, a realizar até 1999 -- pretende criar um Espaço Intercultural, que virá a ser a primeira «escola» multicultural no país, aberta a professores e educadores que queiram especializar-se em questões ligadas às comunidades étnicas e de emigrantes.</P>
<P>
Um projecto que Isabel Antunes classificou de «megalómano» e que «tende a dar origem à criação de guetos». A docente apresentou, em alternativa -- no que foi apoiada pela Federação Nacional de Professores --, a instituição de um Conselho Local de Educação, «onde todas as escolas do município poderão realizar um trabalho mais concertado».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-72415">
<P>
Mau tempo prejudica o treino oficial e impede o tira-teima dos dois pilotos mais rápidos da Fórmula 1</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Choveu e acabou. O treino que definiu o grid de largada para o GP Brasil, ontem em Interlagos, durou meia hora. Foi o tempo suficiente para Ayrton Senna confirmar a pole-position para a corrida de hoje.</P>
<P>
Não houve disputa. Michael Schumacher, da Benetton, esteve com a pole provisória por dois minutos. Fez duas voltas bem rápidas, a melhor em 1min16s290.</P>
<P>
Logo em seguida Senna foi para a pista e baixou a marca do alemão duas vezes: 1min16s129 e 1min15s962. Ponto final.</P>
<P>
Quando o toró desabou, Schumacher tinha deixado os boxes pela segunda vez. Até aquele momento, quem saiu, saiu. Quem não saiu, não saía mais. Com pista molhada, ninguém pode melhorar os tempos. A água pegou muita gente de surpresa.</P>
<P>
Rubens Barrichello, por exemplo, tinha melhorado seu tempo e ia tentar nova volta rápida quando teve um problema de alimentação de combustível no motor. Acabou ficando com a 14ª posição. "A chuva veio na pior hora. Mas na corrida, só ela pode ajudar a gente agora", disse o brasileiro.</P>
<P>
Christian Fittipaldi, da Arrows, sai na 11ª colocação. No treino livre, pela manhã, ele havia feito um tempo melhor e ficou na quarta posição. A chuva também atrapalhou os planos do sobrinho de Emerson, que recebeu a visita do tio famoso ontem em Interlagos. Além de "Emmo", outros velhos conhecidos da F-1 foram ao autódromo assistir ao treino: Nélson Piquet, Maurício Gugelmin, Carlos Reutemann e Raul Boesel.</P>
<P>
Com a pista inundada, alguns pilotos ainda deram algumas voltas para se prevenir e descobrir alguns acertos para o caso de a corrida de hoje acontecer no molhado. Senna foi o primeiro, presenteando os torcedores que se ensoparam nas arquibancadas. Para se ter uma idéia da diferença de tempos no seco e no molhado, as voltas de Ayrton debaixo d'água foram completadas em torno de 1min45s.</P>
<P>
Depois de Senna e Schumacher, na primeira fila, aparecem Jean Alesi, da Ferrari, e Damon Hill, da Williams. Depois vêm duas boas surpresas: o Sauber de Heinz-Harald Frentzen e o Arrows de Gianni Morbidelli. Ficaram fora da corrida o estreante Roland Ratzenberger, da novata Simtek, e Paul Belmondo, da Pacific, que nem treinou. A Ferrari, que comemorou o terceiro lugar de Alesi, amargou uma péssima 17ª colocação de seu primeiro piloto, Gerhard Berger.(FG)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="wpt-1011130529557294176">
<P>
São admitidos à candidatura à matrícula no curso de formação n.o 25 680/2000, publicado no Diário da República, 2.a série, 2.a série, especializada candidatos com o grau de licenciatura em Enfermagem, de 15 de Dezembro de 2000, e na sequência do despacho de 22 de de acordo com de acordo com o Regulamento dos Cursos de Formação Especializada Novembro de 2004 da reitora da Universidade de Aveiro, que aprovou da Universidade de Aveiro. a criação do curso de formação especializada em Enfermagem, deter- mino o seguinte: 7.o 1.o Frequência Criação O curso de formação especializada apenas poderá ser frequentado O curso de formação especializada em Enfermagem, de curta dura- em regime de tempo integral. ção, é criado de acordo com o Regulamento sobre a Criação de Cursos de Formação Especializada na Universidade de Aveiro. A criação deste curso de formação especializada pretende responder 8.o a necessidades de formação de carácter específico para licenciados em Enfermagem. A sua estrutura modular, estando orientada para Recursos necessários profissionais ou futuros profissionais que procuram formações com- A Secção Autónoma de Ciências da Saúde disponibilizará o corpo plementares específicas ou actualização de competências, permite uma docente necessário à leccionação deste curso, em articulação com gestão flexível do tempo compatível com percursos individuais de colaborações externas pontuais. formação. Os objectivos deste curso de formação especializada enquadram-se ainda nos objectivos da Universidade de Aveiro para a formação pós- 9.o -graduada, proporcionando uma oferta formativa diversificada que Propinas responda a necessidades de formação contínua profissional para além da tradicional formação orientada para percursos académicos. As propinas mínimas correspondentes à frequência do curso de formação especializada serão fixadas anualmente, de acordo com o estipulado no artigo 15.o do Regulamento sobre a Criação de Cursos 2.o de Formação Especializada na Universidade de Aveiro, tendo em Organização curricular consideração os factores multiplicativos por área científica fixados pela Secção de Planeamento e Gestão do Senado. O curso de formação especializada em Enfermagem, de curta dura- ção, corresponde à obtenção de um mínimo de quatro unidades de 29 de Novembro de 2004. - A Vice-Reitora, Isabel P. Martins. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-24142">
<P>
Ex-vice dos EUA aparece em comercial</P>
<P>
O ex-vice-presidente dos EUA, Dan Quayle (foto), vai aparecer amanhã em anúncio de TV das batatas fritas Frito-Lay. A peça faz referência ao célebre erro de Quayle, que na campanha eleitoral de 1992 ensinou errado a um estudante primário como soletrar a palavra "batata". Quayle doou seu cachê à caridade.</P>
<P>
Somalis atiram em unidade da ONU</P>
<P>
Somalis armados atacaram ontem uma unidade da ONU na cidade de Belet Huen (perto da fronteira com a Etiópia). Uma entidade britânica de apoio a crianças deixou a cidade ontem por causa dos tiroteios, que vêm se repetindo há dois dias.</P>
<P>
Conservador é novo presidente da Belarus</P>
<P>
O Parlamento da ex-república soviética de Belarus elegeu ontem um conservador para a presidência do país. Mechislav Grib, 55, disse que a "amizade com a Rússia" será a prioridade de seu governo. Ele derrotou um ex-comunista na votação.</P>
<P>
Coréia do Norte protesta contra EUA</P>
<P>
A Coréia do Norte disse que a decisão dos EUA de enviar mísseis de defesa Patriot à Coréia do Sul é "um imperdoável e grave desafio militar". "A tentativa de conter a Coréia do Norte foi além da linha de perigo", segundo informe da agência oficial de notícias norte-coreana.</P>
<P>
Brigitte Bardot sofre ameaças de morte</P>
<P>
A ex-atriz francesa Brigitte Bardot tem sofrido ameaças de morte por causa de sua campanha para banir o consumo de carne de cavalo. As ameaças foram feitas depois que ela apareceu em um programa de TV pedindo boiocote ao produto.</P>
<P>
Rússia e Otan assinam cooperação</P>
<P>
Rússia e Otan assinaram ontem cooperação pela qual a aliança militar ocidental irá ajudar a treinar soldados, informou a agência "Itar-Tass". A Rússia quer que seus soldados nas zonas de conflito da ex-URSS sejam considerados pela ONU "capacetes azuis".</P>
<P>
Mitterrand é favorito das francesas</P>
<P>
O presidente da França, François Mitterrand, 77, é o homem com quem 11% das mulheres francesas sonham passar uma noite, segundo uma pesquisa divulgada ontem. Em segundo lugar, vem o ator Alain Delon, com 9% das preferências.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77803">
<P>
Em Essen, o tema é... a Europa</P>
<P>
Teresa de Sousa</P>
<P>
A agenda é quase de rotina. Não se esperam decisões dignas de ficar na história ou momentos particularmente empolgantes. Mas os chefes de Estado e de Governo que hoje se encontram na velha cidade industrial de Essen, no Ruhr, não podem manter-se à margem dos problemas que se adensam sobre a Europa e sobre as suas próprias cabeças. Bihac estará presente do primeiro ao último instante desta cimeira.</P>
<P>
Talvez por isso, se a agenda é pobre, se as divisões prevalecem e se o momento é de indecisão, o debate ainda pode vir a ser rico. Delors deixa o seu testemunho de dez anos à frente da Comissão. Mitterrand o de 14 anos no Palácio do Eliseu. À mesa dos líderes estará sentado, com certeza, o futuro Presidente da França. O chanceler, anfitrião da cimeira, promete continuar a ter muita paciência... mesmo quando os seus parceiros tentam colocar pedras na engrenagem do alargamento da União Europeia ao Leste. E é sempre boa altura para se discutir o futuro.</P>
<P>
Com uma agenda quase de rotina, sem perspectivas de que venha a ser tomada qualquer decisão importante sobre os próprios assuntos agendados, o Conselho Europeu que hoje tem início em Essen, Alemanha, arrisca-se a só ficar para a história como o último em que participou Jaques Delors... como presidente da Comissão de uma Europa a Doze cujo destino ele marcou mais do que ninguém.</P>
<P>
Na quarta-feira, Delors deixou três recados para a cimeira: apesar de todos os problemas que levanta, o alargamento ao Leste torna-se imperioso; a UE não pode continuar a deixar que o clima interno entre os seus membros se degrade com o permanente bloqueio das decisões que é preciso tomar; o esforço para combater o desemprego tem de continuar de forma concertada. Um bom guião para o que pode vir a ser este Conselho Europeu que marca o fim da presidência alemã.</P>
<P>
Os chefes de Estado e de Governo chegam certamente à pequena cidade industrial do Ruhr trazendo ainda intactas na bagagem as enormes preocupações com que saíram da cimeira da CSCE, que terminou na terça-feira deixando a pairar sobre a Europa uma sombra de redobrada incerteza. O colapso do processo de paz na Bósnia conduzido pela União Europeia, a ameaça de «paz fria» na Europa feita por Moscovo em Budapeste, as profundas divisões com os Estados Unidos no quadro da Aliança Atlântica, que já ninguém consegue disfarçar e que vão direitas ao coração da segurança europeia nos últimos 45 anos, vão pesar inexoravelmente sobre o ambiente desta cimeira, à mesa da qual já estarão sentados os três novos países-membros da UE que entram oficialmente no clube a 1 de Janeiro.</P>
<P>
A sombra de Budapeste cairá certamente sobre os debates que os Quinze terão oportunidade de fazer sobre o futuro da União e sobre aquela que poderá ser a questão mais interessante do Conselho -- o alargamento aos países do Centro e do Leste europeus. Mesmo que esta cimeira, como quase todas as outras cimeiras europeias, procure ser mais um exercício de optimismo (que a retoma económica pode alimentar), ou mesmo que se limite a querer mostrar mais uma vez que, apesar de tudo, a União se move.</P>
<P>
Agenda de rotina</P>
<P>
O encontro dos líderes, que começa hoje às 10 horas da manhã, abre com o incontornável balanço das medidas de aplicação do Livro Branco de Delors sobre crescimento, competitividade e emprego -- forma de mostrar aos cidadãos europeus que «a Comunidade se preocupa com eles» -- e que inclui os projectos prioritários de lançamento da construção de 14 redes transeuropeias já aprovados na Cimeira de Corfu, em Junho passado, mas ainda à espera que os ministros das Finanças se disponham a desbloquear financiamentos (ver artigo na página ).</P>
<P>
As estratégias de preparação dos alargamentos ao Leste e de «parceria» com os países do Mediterrâneo vão constituir porventura um dos poucos «pratos fortes» da reunião, até porque as duas questões e a relação entre elas não são pacíficas. Países como Portugal, a Espanha e mesmo a França continuam a não encarar de forma totalmente positiva os esforços alemães para dar garantias sérias às novas democracias do Centro e do Leste da Europa sobre um programa detalhado e um calendário para a sua adesão.</P>
<P>
O mal-estar ficou bem patente no desaguisado (já ultrapassado) entre Bona e Paris sobre a iniciativa de Kohl em convidar os chefes de Governo dos seis países com os quais a UE já estabeleceu acordos de associação (Polónia, Hungria, República Checa, Eslováquia, Roménia e Bulgária) para um encontro formal seguido de almoço que está marcado para amanhã. O Governo português é dos que não vêem com bons olhos esta iniciativa, considerando que o chanceler «não consultou todos os Estados-membros» antes de tomá-la (ver notícia na página ). A «vingança» estará no ponto seguinte da agenda -- as relações de parceria com o Mediterrâneo, nas quais os países do Sul querem pôr ênfase suficiente para contrabalançar a pressa alemã em abrir as portas às novas democracias europeias.</P>
<P>
Mais um gesto simbólico</P>
<P>
Neste clima de pouca clareza, é bem possível que o encontro com os seis convidados chegados do Leste acabe por ser mais um acto simbólico destinado a testemunhar a vontade de abertura da União, insuficiente no entanto para criar grandes ilusões em Praga, Budapeste ou Varsóvia. Os Doze (que já são quinze) sabem que, antes de alargar, terão de reformar as suas instituições, rever o Tratado de Maastricht e, sobretudo, fazer algumas contas, porque alguém há-de ter de pagar a factura da ajuda a prestar a esses países, traduzida em fundos comunitários. A ideia de encomendar à Comissão um Livro Branco sobre as implicações e o impacto orçamental da adesão dos países de Leste poderá ser concretizada em Essen.</P>
<P>
São escassas também as expectativas quanto a outra das prioridades da presidência alemã -- a cooperação em matéria de Assuntos Internos (Justiça e polícia), que constitui o III Pilar de Maastricht. As mais recentes divergências franco-alemãs sobre a constituição da Europol (uma espécie de FBI europeu, através da coordenação das informações da várias polícias nacionais) chegam para demonstrar que, também nesta matéria, se avança com imensa lentidão. Mais uma desilusão que o paciente chanceler terá de levar para casa, apesar dos esforços postos por Bona numa política coordenada de fronteiras comunitárias (vistos, asilo, imigração), directamente proporcional ao número de refugiados e de imigrantes que a Alemanha recebe do Leste desde a queda do Muro de Berlim.</P>
<P>
Como é da praxe desde 1992, a aplicação do princípio da subsidiariedade será passada em revista através do habitual relatório da Comissão. Mas há sempre quem vá também recordando, de cimeira em cimeira, que convém não abusar deste princípio, sob pena de se estar a renacionalizar as políticas comuns em vez de combater a burocracia de Bruxelas.</P>
<P>
Olhar para o futuro</P>
<P>
Uma das curiosidades deste Conselho Europeu -- e há sempre coisas inesperadas em todas as cimeiras -- está no jantar privado dos primeiros-ministros, do Presidente Mitterrand e do presidente da Comissão no fim do primeiro dia dos trabalhos.</P>
<P>
Helmut Kohl convidou Jacques Delors a falar sobre a sua visão do futuro da Europa, uma espécie de testemunho e testamento final do homem que presidiu aos destinos da Comunidade nos últimos dez anos. O chanceler (e certamente outros líderes presentes) gostaria de aproveitar a ocasião para coordenar ideias sobre a preparação da Conferência Intergovernamental de 1996, marcada para proceder à revisão do Tratado da União Europeia e à reforma das suas instituições. Desde a última cimeira ordinária, em Corfu, muita água já correu sob as pontes nesta matéria. O célebre documento da CDU de Kohl sobre as posições da Alemanha para o futuro da União (a proposta de um «núcleo duro» de países dispostos a avançar mais depressa na UEM, a ênfase na necessidade de uma defesa comum, a generalização das decisões por maioria e o caminho para instituições de natureza federal), tornado público em Setembro passado, provocou ondas de choque nas capitais europeias e lançou definitivamente o debate preparatório da Conferência Intergovernamental de 1996.</P>
<P>
Mesmo que se insista que o debate é prematuro até que esteja resolvida a questão da substituição de Mitterrand no Eliseu (em Maio de 95), a verdade é que à mesa dos líderes, em Essen, estará muito provavelmente sentado o futuro Presidente francês -- tenha ele o nome de Edouard Balladur ou de Jacques Delors. E os líderes europeus terão ainda demasiado presente o fracasso ocidental da Cimeira da CSCE, em Budapeste, a tragédia de Bihac ou o fundado receio de que aumente o fosso entre os EUA e a União no seio da NATO e o sentimento de orfandade que isso lhes cria, para deixar passar uma oportunidade de reflectir sobre o futuro da União.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa64686"> 
<P> THANKSGIVING COM MINE DE RIEN </P>
 <P>
Na noite de Acção de Graças apresento-vos um blogue escrito dos EUA, da cidade onde eu várias vezes passei este feriado. Evidentemente, é mais um blogue de um LEFTista (embora neste caso não vá insistir muito no aspecto LEFT porque o rapaz nem é muito disso...). O autor, para além de um velho amigo - conheço-o desde caloiro -, é uma pessoa interessantíssima, e tem com certeza uma perspectiva muito sua a acrescentar ao assunto para mim fascinante das relações entre a Europa e a América, o Velho e o Novo Continente. Antes de eu ir para os EUA falava-me entusiasmadíssimo do american way of life e de como era boa a comida nas universidades americanas - a escolha de pizzas! os hot-dogs! os hamburgers! - sem se aperceber de como me estava a deixar horrorizado. Depois da LEFT o Pedro veio para Paris fazer Teoria de Cordas. Na Cité Universitaire arranjou maneira de não ficar muito tempo na Residência André de Gouveia, indo antes para uma casa que era a cara dele - a Deutsche de la Meurthe, a mais antiga, a mais clássica, aquela onde Simone de Beauvoir ia visitar o estudante Jean-Paul Sartre. Quando eu cheguei, deu-me a conhecer a área de Montparnasse e do Port Royal. Nessa altura era um parisiense com uma costela americana, português q.b. e vagamente judeu. Agora é um americano parisiense, um verdadeiro mangeur de fromage. Pôs a Europa e a Teoria das Cordas de parte e foi para a melhor cidade da América do Norte mostrar que um físico matemático é pau para toda a obra - nem que seja para mostrar que a Biologia Celular é só "quebra de simetria" e que não há nada como o outono na Nova Inglaterra. Que rica prenda de Thanksgiving. Bem vindo, Pedro. </P>
 <P>EFEMÉRIDE</P>
 <P> A 24 de Novembro de 1960, no restaurante Le Vrai Gascon (n.º 82 da rue du Bac, Paris), em torno dessas figuras majestáticas que eram Raymond Queneau e François Le Lionnais, nasceu uma das mais heterodoxas correntes literárias do século XX. Desafio intelectual e brincadeira de literatos apaixonados pela sua língua, explosiva mistura de cérebros moldados pelas leis da gramática e mentes científicas habituadas a todo o tipo de operações lógicas, o OuLiPo (Ouvroir de Littérature Potentiel) veio libertar a literatura da forma mais radical: acorrentando-a. Isto é, inventando um sem número de constrangimentos que estimulam a imaginação e a perícia verbal de quem escreve. </P>
 <P> Na definição sucinta de Queneau, um autor oulipiano é um «rato que constrói o labirinto do qual se propõe sair». Um labirinto de palavras, claro; um labirinto textual. E se grande parte da produção destes autores auto-espartilhados não sobrevive fora do contexto em que surgiu, enquanto mecanismo lúdico ou exercício de estilo, o certo é que os processos do OuLiPo estão inscritos na estrutura de algumas obras-primas de autores como Italo Calvino (Se Numa Noite de Inverno um Viajante) ou Georges Perec (A Vida Modo de Usar ; La Disparition ; etc). Quanto mais não fosse por isso, já valeria a pena celebrar os 45 anos de um movimento que continua activo e em expansão (investigar aqui). </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-37995">
<P>
Incêndio em navio no porto da Horta</P>
<P>
Um navio pesqueiro incendiou-se ontem, no porto da Horta, na ilha do Faial, onde Mário Soares passará na próxima terça-feira. O bacalhoeiro "Viana", pertencente a uma empresa de pesca de Aveiro, ardeu desde a madrugada até ao meio da tarde, num fogo incontrolável que cobriu de fumo parte da cidade da Horta. As chamas só se extinguiram quando a embarcação se virou, ficando apenas uma parte do casco fora da água. Pelo menos um tripulante é dado como desaparecido, supondo-se que tenha ficado preso a bordo.</P>
<P>
O "Viana", uma embarcação com cerca de 70 metros e 1500 toneladas de arqueação bruta, atracara na Horta há três dias, para reparação de uma avaria num gerador, e deveria partir ontem de manhã rumo à Terra Nova. Pouco antes da meia-noite e meia, a Capitania do Porto da Horta recebeu um pedido de socorro, do comandante do navio, devido à deflagração de um incêndio na zona dos camarotes.</P>
<P>
Durante toda a madrugada, bombeiros e pessoal da capitania e da Marinha combateram o fogo, tornado incontrolável pelo vento forte que tem assolado os Açores. Devido ao calor e ao fumo espesso, os bombeiros não podiam aproximar-se e o barco acabou por ser abandonado em chamas, enquanto outros navios atracados no porto tiveram de sair do local, incluindo a corveta Jacinto Cândido, que levará Mário Soares a um passeio pela rota dos baleeiros.</P>
<P>
A tripulação do "Viana" abandonou o barco à pressa, mas um dos homens terá ficado aprisionado na sua cabina. Às 14h30, um aviocar da Força Aérea, proveniente de Ponta Delgada, trouxe para o Faial barreiras oceânicas, dispersantes, bombas de sucção e pessoal especializado no combate à poluição marítima. O material não chegou a ser utilizado uma vez que, a meio da tarde, o navio tombou sobre o seu lado direito e afundou parcialmente junto ao cais, extinguindo-se o incêndio sem que se verificasse qualquer derrame.</P>
<P>
Ricardo Garcia</P>
</DOC>

<DOC DOCID="2ght33-2">
<P> Da Bauhaus para... a House: </P>
 <P> "Eu estou tentando mostrar minha idéia de como será a vida no século vinte e um. A tecnologia vai moldar a maneira como pensamos. Por exemplo, à medida que as coisas ficam mais caras, o espaço se torna uma coisa rarefeita. Posso ver isso já acontecendo em Londres. Logo, a tecnologia vai criar espaços de outras formas. Espaços virtuais. Espaços sonoros." </P>
 <P> O tecno de Detroit é arquitetura. É por isso que não há progressão narrativa, mudanças de acordes, desdobramentos temáticos, nem contraponto. Espaços sonoros, não som viajando através do tempo. "Tão poucas pessoas entendem isso", diz Mills, falando em minimalismo, "Como só deixar a coisa tocar..." </P>
 <P> Os carros e edifícios se desmaterializaram em resposta à tração do futuro. "Nós estamos quase fora da fase do territorial", diz Mills. Detroit, a primeira cidade portátil. Seus habitantes a virtualizaram muito tempo atrás. "Isto é o que muitas pessoas costumavam fazer em Detroit. Nós poderíamos criar uma canção só para a ambiência, só para o local onde você mora, e deixá-la rolar por todo o dia. Esta não é a música que você vai eventualmente colocar num DAT e vender. É música habitável." </P>
 <P>Evolução da Máquina:</P>
 <P> É perceptível, quando se escuta Mills, que apesar dele pensar sua música em termos concretos (cordas "se liquefazem no corpo" como "ao ligar um aquecedor"), o som frequentemente parece ser só sinal para ele, só um veículo para a mensagem. Então tem essa mensagem um conteúdo? O inovador selo de Detroit Underground Resistance (UR), que Mills fundou com Mike Banks, costumava emplastrar suas capas com linguagem tipo-manifesto, preparando seu público para alguma indefinida revolução sônica. Logo eu quis saber se "a mensagem" é política. </P>
 <P> "Oh, não", diz Mills. "É abstrata. É o que você está tentando dizer." Bem, isso me esclareceu. Mills é totalmente inacessível sobre conteúdo ou inspiração para os sons de seus álbuns. Não parece haver uma clara agenda estética ou social. Mas ele tem alguns princípios organizativos pouco usuais. "Eu penso num conceito e provavelmente o ponho em algum tipo de escala de cor," ele me conta em certo momento. "Preciso de uma sensação muito clara com algum tanto de drama, então talvez eu pegue verde. Em minha mente tenho esta idéia de como soa o verde. Verde é as frequências que são mais baixas, não subsônicas, mas de médio alcance." Então ele confusamente glosa isso dizendo "é como se você pegasse um teclado e começasse do branco e fosse por todo o caminho até o negro." </P>
 <P> A maior parte das vezes Mills fala de si mesmo como o originador da mensagem, usando o usual e romântico vocabulário do artista, do criador. Mas ele é um criador com uma relação peculiar com seus instrumentos. "Geralmente eu dou início numa sequência e então deixo ela tocar. Eu saio e deixo-a tocando por cerca de vinte e quatro horas. As máquinas flutuam. Com o passar do tempo a sequência muda ligeiramente. As máquinas moldam a si mesmas, dando seu próprio caráter a uma faixa. Nós fizemos muito disso com o UR. Algumas vezes nós deixamos o som rolar por vários dias. Ele evoluia para um estado muito fixo. </P>
 <P> "O tecno, obviamente, é música da e sobre a tecnologia." Os produtores estão familiarizados com seu kit de estúdio e o imaginário de cabine de vôos, painéis de controle e instrumentação ("e agora...Eu aperto esse switch"), que tem desde sempre temperado samplers e títulos de canções, sinalizando sua afinidade com tecnicistas de outros tipos. Detroit, como o lugar imaginário onde uma velha geração de máquinas industriais está dando lugar a máquinas de informação, fluxos se acelerando e desmaterializando, é onde relações humanas com a tecnologia estão sendo reconfiguradas. </P>
 <P> Jeff Mills sai para o cinema e deixa as máquinas evoluirem sua sequência no estúdio, e ao fazê-lo assim faz o comentário talvez mais eloquente que nós temos de uma mudança cultural em todos os tipos de produção, artística e de outro tipo. É uma tensão que tem sido há muito tempo sentida na música pop, bem expressa no slogan mal intensionado de camiseta de garotada indie de alguns anos atrás: 'os escrotos sem cara do tecno.' (Por todo lugar outras camisetas respondiam "foda-se o Britpop "). Nestes dias o ídolo de rock, Liam Oásis da Vida, em cada polegada o artista tradicional, solitário e romanticamente sofrendo no palco, está em combate mortal com alguma coisa distribuída, cambiante (Mills é x102, UR, Axis...) e não de todo humana. Algumas vezes Mills se auto denomina ' Criador de propósitos' e o ouvinte encontra a seguinte afirmação (não-assinada) numa capa: "só a consciência de um propósito que é maior que qualquer homem pode semear e fortificar as almas dos homens." É muito fácil identificar o criador de propósitos como o artista e o poder como Deus. Em Detroit o poder que é maior que o homem, que está semeando e fertilizando sua alma, é inorgânico, sem nome, baseado em silício. </P>
 <P>Medo</P>
 <P> " Algumas vezes quando eu penso em um ritmo", diz Mills, "eu penso numa máquina que está - caminhando em algum lugar, algum tipo de movimento, e eu tento vividamente criar esse tipo de progressão melódica." Tanques robôs, linhas de montagem, colonizando a imaginação, articuladas como vias permanentes de batidas pesadas bombando os corpos do público dançante. Quem origina esse ritmo? Nós ou eles? Reconstitua o processo de volta. Quem veio primeiro? Artista ou máquina? A idéia da máquina na mente do artista? O que pôs a idéia ali? Eterno retorno... </P>
 <P> O tecno de Detroit é também música assustadora, assustadora precisamente por que sua implacável repetição nos lembra de nossa imersão em sistemas mecanizados, computadorizados. Detroit fetichiza esta relação: tome drogas, conecte seu corpo ao ritmo das máquinas - não é nada diferente do que você faz no escritório todo dia. Talvez você se sinta como um rato de laboratório pressionando uma alavanca por doses de endorfinas. Ao menos às três da manhã num galpão (warehouse, pra raves) quando embarca numa outra pastilha, você sabe que é um honesto rato de laboratório. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="ric-12366"> 
<P>TECNOLOGIA E TRADIÇÃO TRIBAL A SERVIÇO DA NATUREZA</P>
 <P>Deck Cowboy (deckcowboy@riseup.net)</P>
 <P>NORDHOEK, África do Sul - Com o olhar fixo na tela de seu laptop, Louis Liebenberg compara dois mapas da mesma região. Enquanto um deles está densamente preenchido por pontos amarelos, o outro está bem mais vazio.</P>
 <P>As marcas indicam avistamentos de gorilas das planícies registradas por rastreadores tribais antes e depois de um surto do vírus ebola no santuário de Lossi, na República Federativa do Congo. Usando o CyberTracker, um software com o qual os ecologistas podem registrar suas observações em campo usando computadores portáteis conectados a aparelhos de posicionamento global (GPS), os rastreadores puderam reunir dados que comprovam a degradação da população local da espécie. Inicialmente céticos, os cientistas mais tarde confirmaram suas constatações de que o vírus estava matando os gorilas e outros animais, e publicaram um artigo numa edição recente da revista Science.</P>
 <P>"Este é um exemplo incrível de como a coleta regular de dados pode nos ajudar", disse Liebenberg. Para ele, fundador sul-africano da CyberTracker Conservation, as constatações não apenas ilustram a capacidade do dispositivo de melhorar o monitoramento e a interpretação de ecossistemas, mas também comprovam que rastreadores analfabetos podem recolher informações com tanta eficiência quanto cientistas com Ph.D.</P>
 <P>O CyberTracker é apenas mais uma das modernas tecnologias atualmente à disposição dos ecologistas, que cada vez mais recorrem a ferramentas como análises de DNA e imagens de satélite para obter uma maior compreensão da natureza. Liebenberg teve a idéia de criar o sistema CyberTracker enquanto acompanhava caçadores bosquímanos no deserto do Kalahari.</P>
 <P>Fascinado desde pequeno pela arte tribal de seguir rastros, Liebenberg desenvolveu a teoria de que as atividades ancestrais de caça e coleta representam nada menos do que a própria origem da ciência. Rastrear um animal, argumenta o pesquisador, exige um processo de observação e confrontação de hipóteses muito semelhante ao método científico.</P>
 <P>O que um dia foi necessário à sobrevivência, no entanto, é hoje uma prática em extinção. Atualmente, Liebenberg afirma conhecer apenas seis caçadores tribais que usam suas habilidades para subsistência. A maioria dos jovens das tribos da região hoje freqüentam a escola - ao contrário de seus pais e avós, que eram analfabetos - mas raramente chegam a aprender as técnicas e o conhecimento de mundo necessários para caçar como as gerações anteriores.</P>
 <P>Se fosse possível encontrar um meio de colocar o conhecimento dos bosquímanos a serviço da preservação ambiental, tanto a natureza quanto as comunidades desse povo poderiam se beneficiar. Em 1996, Liebenberg e o cientista da computação Lindsey Steventon lançaram o primeiro modelo do CyberTracker, com o objetivo de transformar o rastreamento tradicional numa profissão moderna. No mesmo ano, os rastreadores Karel Benadie e James Minye usaram o CyberTracker para estudar o rinoceronte negro, uma espécie ameaçada de extinção, no Parque Nacional de Karoo, na África do Sul. Eles recolheram dados sobre os padrões de alimentação dos animais e sua vulnerabilidade à caça clandestina. Em 1999, Liebenberg, Steventon e os dois rastreadores, que não possuem educação formal, publicaram um artigo na revista acadêmica Pachyderm. "Ao incluir os rastreadores em nossas atividades de monitoramento ambiental, estamos expandindo eficientemente a própria ciência", disse Liebenberg.</P>
 <P>Mas não são apenas os rastreadores tribais que usam o CyberTracker. Estudantes e observadores de aves também aproveitam as vantagens do sistema. Ele já foi usado até por equipes de cientistas em expedições no Ártico, no monitoramento de lobos no estado norte-americano de Idaho, da poluição dos rios na Tanzânia e do raríssimo rinoceronte de Sumatra, em Bornéu. O software pode ser personalizado, e é oferecido gratuitamente na Web. Cerca de 400 projetos em 30 países estão usando o sistema, afirma Liebenberg.</P>
 <P>O software consiste em uma série de camadas contendo menus baseados em figuras nos quais os pesquisadores registram suas observações. Eles selecionam ícones para representar as plantas e animais que observam, e para descrever seu comportamento e suas características. O GPS registra o local e a hora de cada observação. Rastreadores experientes normalmente podem identificar um único indivíduo de determinada espécie, ou pelo menos saber seu sexo, idade e estado de saúde, apenas observando suas pegadas.</P>
 <P>Com cada rastreador registrando até 300 observações por dia, o dispositivo permite a coleta de quantidades imensas de informação, que pode ser analisada em mapas e bancos de dados quase imediatamente. "É aí que novos padrões vêm à tona: correlações entre espécies diferentes, características da paisagem e outros fatores que não poderiam ser descobertos de outra maneira", afirma Jason Knight, instrutor da Wilderness Awareness School em Duvall, Washington.</P>
 <P>No entanto, Christina Eisenberg, uma bióloga que estuda os lobos e trabalha para o Serviço Americano de Vida Selvagem e Aquática conta que parou de usar o sistema porque ele travava inesperadamente. "Perdi os dados de um dia inteiro de trabalho, depois de me embrenhar milhas e milhas sobre terreno acidentado mato adentro", lembra. "Não foi nada agradável".</P>
 <P>Vários projetos usando o CyberTracker em áreas de preservação da África do Sul também estão interrompidos, em parte devido ao preconceito contra rastreadores analfabetos e a falta de entusiasmo por parte dos administradores, diz Liebenberg. Mesmo assim, ele pretende desenvolver o CyberTracker, transformando-o num sistema para monitorar mudanças ambientais e compartilhar informações pelo mundo todo. "No momento, faltam cientistas para reunir informação em campo", disse. "Se pudermos contar com a ajuda das pessoas que vivem nesses lugares, poderemos, teoricamente, monitorar todo o ecossistema global.</P>
 <P>Fonte: Centro de Mídia Independente (www.midiaindependente.org).</P>
 <P>Link: Cybertracker (www.cybertracker.co.za).</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-65298">
<P>
Programa Especial de Realojamento</P>
<P>
Sintra entrega os primeiros fogos</P>
<P>
A Câmara de Sintra vai entregar amanhã os primeiros fogos do Programa Especial de Realojamento (PER) a famílias do concelho, com a presença do ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral. Uma parte das novas habitações destinam-se ao parque transitório do município, onde algumas famílias residirão temporariamente sob acompanhamento de assistentes sociais.</P>
<P>
Dos primeiros 45 fogos a serem entregues no âmbito do PER em todo o país, 15 localizam-se em Queluz e 30 em Casal de Cambra. Segundo adiantou ao PÚBLICO o vereador da Habitação, Lino Paulo, os fogos de Casal de Cambra foram adquiridos pela autarquia ao Instituto Nacional de Habitação, que os havia recebido em consequência da falência da União de Cooperativas daquele bairro clandestino do concelho de Sintra. As 15 habitações de Queluz fazem parte de um conjunto de 35 fogos construídos para a autarquia, dos quais 20 destinados à venda apoiada às famílias a realojar.</P>
<P>
No regime de venda apoiada, as famílias beneficiam de uma comparticipação a fundo perdido de 40 por cento do valor das habitações. «Há pessoas que estão a pagar mais em casas abarracadas do que pagam pelas casas compradas à Câmara», explicou o autarca, salientando que o município também beneficia deste sistema porque «um parque habitacional público se degrada muito mais». Daí que o vereador espere que pelo menos metade dos 1600 fogos a construir ao abrigo do PER até 1997 sejam vendidos aos munícipes a realojar, de modo a aliviar a autarquia nos nove milhões de contos que tem que comparticipar para o investimento global do programa no concelho, estimado em 15 milhões de contos.</P>
<P>
Lino Paulo mostrou-se confiante que durante este ano poderão ser entregues à volta de 300 fogos a famílias necessitadas. Pelo menos estão já em construção 332, dos quais 177 estão em fase de conclusão. Outros 368 estão em negociação financeira, encontrando-se 153 em fase avançada. O vereador visitará amanhã, com a presidente da autarquia, Edite Estrela, os fogos em construção em Mem Martins, Algueirão e Serra das Minas, onde, neste último bairro, serão ainda demolidas várias barracas.</P>
<P>
Durante a tarde, os autarcas vão guiar o ministro das Obras Públicas pelas construções em Casal de Cambra e em Queluz. Ferreira do Amaral presidirá depois à entrega dos fogos do PER -- Sintra foi também o primeiro município a celebrar a adesão ao programa governamental --, juntamente com outras dez casas do parque transitório da autarquia. Instalado em Belas, o parque será onde, segundo Lino Paulo, «algumas famílias irão estagiar com acompanhamento de assistentes sociais antes de ocuparem as casas que lhes estão destinadas».</P>
<P>
Após a entrega das chaves às famílias realojadas, a autarquia divulgará o plano de recuperação do Bairro Almeida Araújo, aglomerado situado em frente ao Palácio Nacional de Queluz, para o qual uma equipa formada por técnicos municipais e do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico estabeleceu um conjunto de normas regulamentares destinadas a preservar a identidade e as características tradicionais das habitações.</P>
<P>
Luís Filipe Sebastião</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-35894">
<P>
tira dúvidas</P>
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
Os delegados Marco Tesgualdo e Jurandir de Sant'ana, assessores do delegado Nelson Guimarães do DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), estiveram ontem na sede do Sindicato dos Condutores do ABCD, em Santo André, para realizar uma perícia na sala do ex-presidente Oswaldo Cruz Júnior, assassinado no último dia 6. Eles estavam acompanhados pelo promotor de Santo André, Pedro Baracat, e pelo delegado seccional Walter Antonio César.</P>
<P>
Baracat saiu do sindicato por volta de 12h e se recusou a falar com a imprensa. Disse apenas que existiam algumas dúvidas sobre a cena do crime e que essas dúvidas não existiam mais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17922">
<P>
ANTONIO CARLOS CARUSO</P>
<P>
Rubem Fonseca, em um dos melhores contos do seu censurado "Feliz Ano Novo", narrava o cotidiano de um sujeito bem de vida, trabalhador e bom marido que tinha o hábito de, após o jantar, atropelar até a morte um desconhecido que escolhia aleatoriamente na rua. Infelizmente, essa fantasia mórbida do escritor extrapolou para a realidade. Grande parte dos motoristas de São Paulo –ainda que pessoas normais– parecem embuídas de um instinto homicida.</P>
<P>
O trânsito de São Paulo tornou-se uma guerra. Não apenas em função da estrutura viária atrasada em pelo menos 15 anos em relação às suas reais necessidades, resultado  de um processo lento de desrespeito pelos motoristas às regras básicas.</P>
<P>
Burlar leis e qualquer outra norma social num país de "espertos" tornou-se praxe e, mesmo cidadãos que se crêem corretos, tomam atitudes que beiram a selvageria. No trânsito, um exemplo cruel comoveu a cidade: Em 21 de outubro, após uma colisão, Maurício Copiano, 18, matou com um tiro Roberto Morais, 19. Graças a Deus o presidente Itamar vetou o direito de dirigir para menores de idade.</P>
<P>
Fatos como esse demonstram que é preciso que se tomem medidas urgentes e enérgicas. Como não pode haver impunidade para os envolvidos na CPI do Orçamento, também os motoristas imprudentes devem pagar por seus delitos, seja através de multas que realmente doam no bolso ou, nos casos que se configurem como homicídio, cadeia. Obviamente, é preciso um amplo processo que começa por regras mais rigorosas para concessão de carteiras de motoristas e pela reeducação dos atuais motoristas.</P>
<P>
São medidas consideradas impopulares, porém essa é a única forma de se coibir os abusos. As multas deveriam ser proporcionais ao valor do veículo. Alguns estacionam em qualquer lugar, semáforos somente são obedecidos nos horários de rush e em relação ao outro motorista, pois o pedestre é considerado um subcidadão pelos motorizados.</P>
<P>
As faixas de segurança são o melhor exemplo para que se estabeleça a relação leonina entre motorista e pedestre. Ultimamente, quase pode-se considerar inútil a verba gasta em tinta e mão de obra para executá-las. Com sinal verde ou vermelho, o pedestre tem de se curvar ao desejo soberano do motorista e, se não houver semáforo, a travessia só é possível quando o fluxo de trânsito cessa. O fato de que os motoristas têm, em geral, situação econômica superior a dos pedestres, reproduz e reforça as desigualdades brutais da nossa sociedade.</P>
<P>
ANTONIO CARLOS CARUSO, 52 é vereador pelo PMDB em São Paulo. Foi presidente da Subseção Santo Amaro da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33025">
<P>
JANEIRO dia 5 -- Às 00h00, 13 detidos na penitenciária de Coimbra iniciam uma greve de fome, chamando a atenção para o «verdadeiro inferno» que vivem «por obra e graça das arbitrariedades e prepotências» do director da prisão, Victor Brito. dia 11-- O tribunal que julgava o caso «Aveiro Connection» meteu-se numa lancha e, guiado por «arrependidos», foi ver os locais onde eram feitas as descargas ilegais de tabaco. dia 12 -- No julgamento do caso «Aveiro Connection» o cabo Arnaldo Pereira lança o pânico entre os advogados de defesa. Num depoimento arrasador, incriminou arguidos militares, ilibou outros, lançou a confusão. dia 13 -- Uma sentença «histórica». Os homens da Emaudio são condenados por corrupção activa, num processo gémeo do de Carlos Melancia. Quatro anos e meio de prisão para Rui Mateus e para João Tito de Morais, quatro anos para Menano do Amaral. dia 17 -- Costa Feire, antigo secretário de Estado de Leonor Beleza, é condenado a sete anos de prisão. José Manuel Beleza, irmão da ex-ministra, apanha quatro anos. Ambos burlaram o Estado, considerou o tribunal. dia 19 -- Começa em Coimbra o julgamento dos 16 arguidos acusados de violar e espancar prostitutas. Os acusados negam ter praticado tais actos. dia 20 -- O Tribunal Administrativo do Porto declara a nulidade da segunda versão da decisão da Câmara de Ponte de Lima, a qual declarava a expulsão de um grupo de ciganos do concelho.</P>
<P>
FEVEREIRO dia 1 -- Dos 16 rapazes acusados de violentar sete prostitutas de Coimbra, só três foram penalizados pela sentença do colectivo de juízes. Vítor Rodrigues, considerado o «mentor» da maioria das acções, foi condenado em 15 anos. dia 9 -- A angolana Vuvu Nsimb Grace fica desde a manhã retida no Aeroporto da Portela juntamente com a filha de três anos, Benedicte, apesar de estar na posse de um visto passado pela embaixada portuguesa em Brazzaville. Ao impedir a sua entrada em Portugal e ao marcar o voo de saída de ambas para o Congo, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras inicia o caso do mês. dia 10 -- O Supremo Tribunal decide anular o julgamento que absolveu, em primeira instância, o antigo Governador de Macau, Carlos Melancia, do crime de «corrupção passiva». dia 12 -- No concelho alentejano de Fronteira extingue-se a história das duas crianças seropositivas. Depois de um período em que os pais das outras crianças não as deixavam ir à escola, tudo termina com toda a gente a frequentar as aulas. dia 15 -- A juíza Graça Araújo faz o Governo perder a batalha do caso Vuvu. O Tribunal de Instrução Criminal considera a área internacional do aeroporto território sob alçada dos tribunais portugueses e, assim, acaba com a detenção de mãe e filha aceitando o pedido de «habeas corpus». dia 19 -- Torna-se público que, durante três dias, uma mulher com sida presa na cadeia de Tires não recebeu os dois comprimidos diários de AZT prescritos pelo médico.</P>
<P>
MARÇO dia 1 -- O PÚBLICO noticia que a Farma APS, pequeno laboratório farmacêutico português, vai lançar AZT a preços mais baratos. dia 2 -- A portuguesa Alexandra Pinheiro, acusada por actos cometidos enquanto membro do Exército Guerrilheiro do Povo Galego Ceive, foi condenada em Madrid a 56 anos de prisão. dia 5 -- Cumprem-se neste dia 50 anos do nascimento do jornal dos «maltrapilhos da rua». «O Gaiato», fundado por Padre Américo, o mesmo da Obra da Rua, dedicou-se desde então a rapazes abandonados ou a viver em situações familiares muito difíceis. dia 17 -- Governo assina primeiro contrato do Programa de Habitações Económicas, dando o primeiro passo para a cosntrução de uma urbanização em Almada. dia 19 -- Crime do Marão. A polícia de Copenhaga revela que a Polícia Judiciária emitiu um mandato de captura internacional contra um dinamarquês de 25 anos, presumível autor do homicídio de Erik Christensen, cuja metade do cadáver apareceu em Julho de 93 no lugar da Calhoeira, Amarante. dia 22 -- Francisco Nunes, o agente funerário a quem foi adjudicada a Casa Mortuária do Hospital de Évora, afirma que pagou 8 mil contos para que lhe fosse mantida a concessão, três mil dos quais ao deputado social-democrata Branco Malveiro. dia 24 -- Numa nota sobre o resultado do inquérito às mortes na Unidade de Diálise do Hospital de Évora, o Ministério Público entendeu «deduzir acusação, pela prática de 20 crimes de homícídio por negligência, contra três médicos do hospital. dia 28 -- Os jornalistas madeirenses decidem apresentar queixa-crime contra Alberto João Jardim por abuso de autoridade e violação dos direitos à informação e à liberdade de imprensa.</P>
<P>
ABRIL dia 1 -- A empresa de construção Engil é uma vez mais suspeita de fraude fiscal. Buscas efectuadas pela Judiciária e pela Direcção Distrital de Finanças permitiram descobrir que duas empresas algarvias, ambas propriedade do mesmo empresário, «recolhiam» facturas falsas, avaliadas em 500 mil contos, que se destinavam à firma lisboeta. dia 8 -- O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado desengana quem supunha que, embora mínimo, tinha existido um aumento para a função pública. Fica-se a saber que, sem enormes abatimentos ao IRS, se receberá menos do que em 94. dia 12 -- A apresentação das viaturas de serviço à inspecção automóvel, a entrega das pistolas até à resolução de problemas relacionados com a atribuição de subsídios de risco e a realização de um congresso nacional de investigadores, foram as três decisões tomadas por 70 por cento dos agentes da Polícia Judiciária, reunidos no Porto. dia 15 -- Um seminário sobre Hepatite B, na Universidade Católica de Lisboa, revela que esta doença mata três vezes mais do que a sida em Portugal. dia 20 -- A Inspecção-Geral de Saúde decidiu penas para os funcionários envolvidos nas mortes dos hemodialisados de Évora. A pena maior coube ao médico João Aniceto, punido com dois anos de suspensão. dia 25 -- Mário Franco, secretário-geral do Conselho Nacional da Juventude, produz duríssimas críticas à política do Governo em matéria de juventude, acusando Marques Mendes de fazer um controlo político da atribuição de subsídios. dia 26 -- O Governo anuncia que foi descoberto um microfone de escuta ambiente no gabinete do Procurador-Geral da República, Cunha Rodrigues, e que deu instruções à PJ para descobrir quem lá o colocou e com que fins.</P>
<P>
MAIO dia 3 -- O Tribunal de Vila Franca de Xira inicia o julgamento de 13 indivíduos acusados de envolvimento numa quadrilha responsável por 28 assaltos à mão armada a instituições bancárias. dia 5 -- Milhares de alunos manifestam-se por todo o país contra a realização das provas globais no 10º ano de escolaridade. Um êxito em termos de mobilização, os protestos são dominados pela obscenidade. Vicente Jorge Silva, director do PÚBLICO, interroga-se se o país não estará perante uma «geração rasca». dia 6 -- O II Encontro de Saúde Mental, em Loures, revela quão cara se paga a depressão em Portugal. Pela primeira vez são conhecidos números: 246 milhões de contos foi quanto as depressões custaram à sociedade portuguesa em 1992, mais de 50 por cento do orçamento do Serviço Nacional de Saúde. dia 7 -- Entra em vigor a polémica Lei do Segredo de Estado, «a mãe de todas as rolhas». A partir deste dia começam a existir em Portugal documentos a que só terão acesso totalmente livre o Presidente da República e o primeiro-ministro. dia 10 -- Os três homens acusados do rapto dos filhos da família Meirinho começam a ser julgados no Tribunal de Oeiras. A acusação considera que os arguidos agiram mediante acordo prévio e com plena consciência dos efeitos das suas condutas. dia 18 -- O Instituto Nacional de Estatística revela que a taxa de mortalidade infantil voltou a descer em Portugal em 1993. A região da Madeira foi a única excepção a esta tendência naional. dia 22 -- O PÚBLICO revela a acusação de que pilotos dos portos portugueses recebem «luvas» para escolher rebocadores. Neste grave caso de corrupção generalizada pelos portos do país estão envolvidos dezenas de funcionários do Instituto Nacional de Pilotagem.</P>
<P>
JUNHO dia 1 -- São apresentados os números do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que voltam a arrasar Portugal: entre 173 países, Portugal surge este ano em 42º lugar no «ranking» do «desenvolvimento humano» (estava em 36º há três anos). A Grécia, o país seguinte da União Europeia, está em 25º lugar. dia 7 -- No dia da leitura da sentença da «Aveiro Connection», sabe-se que a amnistia aprovada pela Assembleia da República para comemorar os 20 anos do 25 de Abril perdoou 2,5 milhões de contos de multas e livrou os arguidos da cadeia. Estes, em número de 55, não esconderam a satisfação. dia 8 -- São reveladas as alterações ao Código Cooperativo que o Governo entende como determinantes para o reforço da capacidade empresarial das cooperativas: aumento do capital social mínimo, reinvestimento dos excedentes financeiros, possibilidade de emissão de títulos que possam ser subscritos por não-cooperantes e facilidades à constituição de uniões cooperativas. dia 18 -- A Ordem dos Médicos exige o pagamento de indemnizações a todos os cidadãos infectados com o vírus da sida em unidades de saúde públicas. dia 21 -- Julgamento do rapto dos filhos da família Meirinho termina em Oeiras. Dos três arguidos do processo, apenas um foi condenado, não por rapto ou sequestro, mas por tentativa de extorsão. dia 25 -- Continua a aumentar a vaga de violações em Barcelos. Nos últimos 15 dias, mais três denúncias foram feitas, aumentando para 16 o número de inquéritos instruídos desde Janeiro pelo Ministério Público.</P>
<P>
JULHO dia 3 -- O núcleo de Serpa inicia uma operação de distribuição de quatro toneladas de alimentos a famílias carenciadas de sete povoações do concelho. Tudo tem de ser discreto, pois, apesar de nos concelhos da margem esquerda do Guadiana serem já mais os pensionistas, os desempregados e as pessoas a cargo das famílias que os activos, o orgulho alentejano mantem-se puro e intacto. dia 5 -- O PÚBLICO revela que a Somague, empresa que faz parte do consórcio Lusoponte que obteve a concessão da nova ponte sobre o Tejo, tem o seu alvará com recurso interposto pela Procuradoria-Geral da República. dia 7 -- O relatório de 1994 da Amnistia Internacional segue, em relação a Portugal, a tradição de três décadas de queixas. Casos de abusos da Polícia de Segurança Pública (PSP), da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia Judiciária (PJ) ilustram o relatório sobre um país onde há tortura e impunidade. dia 9 -- Britânicos confirmam casos de «vacas loucas» em Portugal, reiterando assim os resultados apurados por um laboratório do Porto que, durante cinco meses, manteve o seu diagnóstico confidencial. dia 14 -- O PSD, valendo-se da maioria absoluta que possui na Assembleia da República, aprovou as alterações ao Código Penal e à Lei de Imprensa. Os outros partidos votaram contra. dia 20 -- É revelada a lista dos locais possíveis para a instalação do primeiro icinerador em Portugal: Palmela, Setúbal (dois locais em análise), Sines e Estarreja. dia 31-- O bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves, explica em Vilar de Perdizes a razões que o levaram a proibir o pároco da aldeia, Lourenço Fontes, de continuar a organizar o Congresso de Medicina Popular.</P>
<P>
AGOSTO dia 3 -- No aeroporto de Pedras Rubras, no Porto, realiza-se a maior exportação de sempre de cavalos portugueses, puros-sangue lusitanos. Tendo o México como destino, os garanhões e éguas representam um negócio que ultrapassa os 2 milhões e 800 mil dólares. dia 6 -- O Forum Médico, estrutura integrada na Ordem dos Médicos, decide «recusar liminarmente» o projecto de alteração das carreiras médicas apresentado pelo ministro Paulo Mendo, alegando que tal projecto é «despropositado e inoportuno». dia 10 -- A TSF é finalmente da Lusomundo. O grupo do coronel Luís Silva obteve, um ano depois da fusão entre a TSF e a Rádio Press, a maioria da participação da Rádio Jornal, que gere, para além daquela estação, a XFM e a Energia. A posição de Luís Silva é conquistada pela compra das quotas de Emídio Rangel. dia 12 -- Melgaço acorda sobressaltada com cerca de 200 pessoas a impedirem a abertura da agência local da União de Bancos Portugueses. Em causa estão mais de 300 mil contos, alegadamente desviados por um funcionário. Pouco depois, a UBP assegura o pagamento dos depósitos devidamente documentados. dia 16 -- O programa governamental Prosiurb revela as primeiras seis cidades médias que receberão milhões de Bruxelas para valorizar os seus sistemas urbanos. As cidades são Évora, Guarda, Beja, Castelo Branco, Tomar e o eixo Vila Real-Régua-Lamego. dia 30 -- Quatro meses depois da saída de José Eduardo Moniz, a RTP escancara a grelha à MMM, a nova produtora do seu ex-director de informação. Serão 700 mil contos por cinco novos programas, ganhos com a ajuda de Nicolau Breyner, de Carlos Cruz e dos antigos patrões.</P>
<P>
SETEMBRO -- dia 4 -- Incêndios deflagram a um ritmo alucinante do distrito de Bragança. As dezasseis coorporações do nordeste veêm-se obrigadas a recorrer a todos os seus efectivos. Nas três semanas anteriores o número de incêndios diários nunca foi inferior a 30. dia 5 -- A maioria dos hospitais portugueses enfrenta uma enorme crise de falta de sangue. A região Norte é a menos afectada. No Centro e no Sul os hospitais estão, positivamente, sem pinga de sangue. O alerta vem da Associação de Defesa dos Utentes de Sangue. dia 9 -- Na semana Pastoral de Fátima reafirmou-se a necessidade de de o Governo reabrir o processo de legalização dos imigrantes clandestinos. «A Igreja deve continuar a pressionar o Governo», declara D. António Francisco Marques, bispo de Santarém. dia 15 -- O início do ano judicial é marcado pelo recomeçar dos processos que marcam a nova vocação da Procuradoria-Geral da República: a luta contra a corrupção. Sob a batuta do PGR, Cunha Rodrigues, preparam-se processos de associação criminosa, tráfico de droga, branqueamento de capitais e corrupção pura e simples, envolvendo os universos da política, das finanças, do ambiente, da música e do futebol. dia 25 -- O Plano Hidrológico Espanhol encheu de técnicos um barco que viajou Douro acima. Em causa, o impacto negativo que tal plano pode vir a ter no sensível ecossistema da região. O plano espanhol é, então, considerado «uma questão de cidadania». Portuguesa, evidentemente.</P>
<P>
OUTUBRO dia 1 -- Alterações ao Código entram em vigor, com as novas leis da estrada a embaraçarem juristas e condutores. A polícia recebe instruções para não ser complacente com os infractores. dia 5 -- Cobertura do hipermercado Continente desaba no Fogueteiro, Seixal, no dia da inauguração. À noite, o presidente da Sonae, Belmiro de Azevedo, promete em conferência de imprensa ser generoso com os feridos. dia 7 -- Abre a época de caça com caçadores e ecologistas do mesmo lado da barricada. Esta inédita união sucede depois do Procurador-Geral da República ter enviado a nova Lei da Caça para Tribunal Constitucional. dia 10 -- A UGT abre o jogo sobre a concertação social: ou cinco por cento ou nada. Depois de estarem juntas na luta da TAP, UGT e CGTP não conseguem convergir nestas negociações. A CGTP lamenta que haja quem se disponha a aceitar aumentos de cinco por cento. dia 11 -- Os critérios de morte cerebral, definidos pela Ordem dos Médicos dada a necessidade de regular as transplantações de orgãos e tecidos humanos em Portugal, são publicados em Diário da República. dia 17 -- A família de uma jovem de 17 anos contaminada com o vírus da sida no Hospital Maria Pia, no Porto, decide processar o Estado português por negligência legislativa. dia 25 -- O Navio-Transporte São Miguel, da Marinha portuguesa, que teve a sua última missão durante a guerra do Golfo, é mandado ao fundo a 200 milhas da costa, carregado de munições obsoletas. A não provada inocuidade da explosão e a controversa potência desta, viriam a colocar em xeque o ministro da Defesa, Fernando Nogueira.</P>
<P>
NOVEMBRO dia 3 -- Começa a ser julgado no 2º Juízo Correccional do Porto o grupo de 12 «skinheads» acusado de, em 18 de Novembro de 1989, ter agredido barbaramente o cidadão angolano Francisco Faustino e de o ter deixado, inanimado, sobre as linhas da via férrea. dia 8 -- Um alegado bando internacional de 44 narcotraficantes começa a ser julgado em Monsanto. Os arguidos respondem por associação criminosa, detenção de armas proibidas, falsas declarações e contrafacção de documentos. No centro do pleito estão 17 quilos de heroína apreendidos à rede, a maior captura já feita em Portugal. dia 15 -- Oito organizações reúnem com o ministro Marques Mendes para o ajudar a reflectir. Em cima da mesa está o tema «Violência televisiva: que fazer?». Maria Barroso, mulher do Presidente da República, acompanha Marques Mendes nesta cruzada contra a «cultura da violência». dia 17 -- Delegações ao mais alto nível da UGT e da CGTP chegam a «posições comuns» sobre a contractação colectiva e as formas de acção reivindicativa para o ano de 1995. dia 18 -- «O Independente» começa a publicar a série de reportagens que marcará o final de 1994, o seu ano de ouro como o orgão de comunicação social capaz de fazer tremer o Governo. Neste dia divulga um estudo em que é clara «a intenção de mudar o sistema de pensões da Função Pública», com recurso a «mais anos de trabalho», «reformas mais baixas» e «mais impostos». dia 21 -- Técnicos reunidos em «workshop» aconselham Governo a conceber o plano de rega do Alqueva de modo a levar água também à margem esquerda do Guadiana e a Évora.</P>
<P>
DEZEMBRO dia 4 -- No encerramento da Semana Social católica, em Coimbra, são feitas sugestões e apelos «a quem tem o poder». No cerne das conclusões está um rol de críticas às nefastas consequências do modelo económico hiperliberal sobre a vida das famílias. dia 7 -- Escudado em números, na Assembleia da República o Partido Socialista acusa o Governo de favorecer o desenvolvimento da actividade criminosa. Os ministros da Justiça e da Administração Interna defenderam-se igualmente com números e classificaram o discurso da oposição de «demagógico». dia 12 -- Com 17 anos, o violador-homicida de Penafiel é condenado a 18 anos de prisão. O tribunal considera que «a sua psicopatia não é susceptível de levar a uma atenuação especial da pena». dia 13 -- O Procurador-Geral da república, Cunha Rodrigues, e o director-geral da Polícia Judiciária, Mário Mendes, encontram-se para combinar a forma mais eficaz de combater a corrupção em Portugal. Cunha Rodrigues anuncia que coordenará pessoalmente as actividades de recolha de informação. dia 15 -- Cunha Rodrigues sanciona a divulgação das conclusões sumárias do inquérito sobre o sangue contaminado com o vírus da sida. Na base deste processo estão 128 hemofílicos que, entre 1985 e 87, se tornaram seropositivos ao receber sangue infectado em hospitais do Estado. dia 22 -- O Conselho Ambiental da EDP produz, três meses depois de começarem as obras, o primeiro debate sobre a barragem do Rio Côa. Desde a avalição da rentabilidade energética da barragem, até ao valor agrícola dos terrenos marcados para ficar submersos, passando pela incontornável questão das gravuras paleolíticas, tudo parece transformar este empreendimento numa barragem dos equívocos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-52367">
<P>
Susto sobre o Atlântico</P>
<P>
Com nódoas negras ou em estado de choque, 43 passageiros de um avião DC-10 da companhia aérea venezuelana Viasa foram, ontem de manhã, assistidos num hospital de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, depois de o aparelho, com 154 pessoas a bordo, ter feito uma aterragem não prevista para poderem ser assistidos das maleitas provocadas por uma forte turbulência que atingiu o aparelho sobre o Oceano Atlântico, quando seguia a duas horas de voo das Canárias. Seis passageiros ficaram internados para observação em unidades hospitalares do arquipélago espanhol e 18 recusaram-se a voltar a embarcar no avião Via-722 que, algumas horas depois, retomou o voo iniciado em Caracas com destino a Roma. A maior parte dos passageiros é de origem italiana.</P>
<P>
Tupolev sem sobreviventes</P>
<P>
Os destroços do avião encontrado segunda-feira no extremo-oriente russo são do Tupolev-154 desaparecido há treze dias (noite de 6 para 7 de Dezembro) na Sibéria, quando seguia 20 quilómetros fora da rota prevista. De acordo com as equipas de socorro enviadas para o local, nenhuma das 97 pessoas que seguiam a bordo sobreviveu nem poderá ser identificada. O maior destroço encontrado tem cerca de 80 centímetros de comprimento. Uma das caixas negras do avião foi encontrada, mas não são ainda conhecidas as razões porque o aparelho chocou contra a montanha de Bo-Djaous, 50 quilómetros a oeste de Grossevitchi, perto da ilha de Sakalina. O embate terá sido o motivo que provocou a explosão do aparelho, abrindo uma cratera de 30 metros de diâmetro e dois metros de profundidade. As buscas foram atrasadas pelas condições climatéricas muito rigorosas que se têm feito sentir na região.</P>
<P>
Milionário suíço raptado</P>
<P>
Um dos homens mais ricos da Suíça, Geo Mantegazza, foi raptado. O rapto foi confirmado depois de, anteontem, o milionário ter desaparecido dos seus escritórios, na cidade de Paradiso, no cantão suíço de língua italiana de Ticino. «Infelizmente, posso confirmar que foi de facto um rapto», disse o comandante da polícia. Mantegazza, 67 anos, dono de uma parte da companhia de voos «charter» Monarch Airlines, integra -- tal como o irmão, Sérgio -- a lista dos 200 mais ricos da Suíça divulgada no número deste mês da revista de negócios Bilanz, que estimou os seus bens em mais de 391 milhões de contos. O chefe da polícia escusou-se a dizer se foi feito algum pedido de resgate.</P>
<P>
Aum pode perder estatuto religioso</P>
<P>
O Supremo Tribunal de Tóquio confirmou uma decisão de um tribunal distrital que abre caminho à perda do estatuto religioso pela seita Verdade Suprema de Aum, organização acusada de ter lançado no metropolitano da capital japonesa sarin -- um gás que ataca o sistema nervoso. A seita tinha recorrido de uma sentença que considerava o envolvimento de membros seus na produção de sarin um acto anti-social, o que coloca a Aum fora da protecção prevista na lei japonesa das organizações religiosas. O líder da seita, Shoko Asahara, está a aguardar julgamento, mas alguns dos seus seguidores começaram já a ser ouvidos pelos tribunais japoneses sobre o seu envolvimento no ataque com gás sarin que, a 20 de Março deste ano, provocou a morte de 11 pessoas e danos em cerca de cinco mil. A Aum conseguiu o estatuto de organização religiosa -- que lhe dá, entre outros, privilégios fiscais -- em 1989. Numa outra iniciativa visando a seita, o primeiro-ministro, Tomiichki Murayama, aprovou na semana passada um pedido do ministro da Justiça que visa dissolver a seita ao abrigo de uma lei anti-subversão datada de 1952.</P>
<P>
Navio com antiguidades retido no Djibuti</P>
<P>
Um navio pertencente a um armador dinamarquês e transportando uma carga de antiguidades recuperadas ao largo da Somália está apresado pela justiça de Djibuti desde o passado dia 4. A bordo do «Scorpio», que ostenta pavilhão maltês, uma equipa de mergulhadores e caçadores de tesouros de diferentes nacionalidades aguardam o veredicto das autoridades locais para saber se podem transferir um carregamento de estatuetas, vasos de porcelana e diversos outros objectos de arte do extremo-oriente para um navio porta-contentores com destino a Antuérpia, na Bélgica. Desconhece-se o valor real dos objectos, retirados de um navio francês que, em 1890, naufragou no Oceano Índico, quando regressava à Europa, vindo do extremo-oriente. As autoridades portuárias do Djibuti interrogam-se sobre a titularidade dos direitos sobre os bens.</P>
<P>
SMos 1804</P>
<P>
Nascimento a duas velocidades</P>
<P>
Uma mulher americana de 24 anos deu à luz um rapaz no dia 23 de Novembro. Nada de estranho neste acontecimento, não fosse o facto de 22 dias depois ter dado à luz mais duas meninas. Estes trigémeos, nascidos a dois tempos, vieram a terra desta maneira graças a um medicamento. Trata-se de uma estreia mundial. A obstetra Anne Graham, que acompanhou a jovem mãe no Centro Médico do Bom Samaritano, em Palm Beach, na Florida, explicou que «em onze casos idênticos anteriores, em que um dos trigémeos nasceu primeiro e o nascimento dos outros dois foi retardado, um dos três morreu, geralmente o primeiro a nascer». Depois do nascimento de Kenard, o primeiro bebé, a mãe, Delvonda Boldin, recebeu um tratamento médico para parar as contracções, permitindo que o processo de gravidez voltasse ao normal. Mas acabou por ter que ser submetida a uma cesariana para dar à luz a Bernita e a Berneta. Os três ainda ficarão no hospital até Março, mês em deveriam ter nascido, para ganharem peso e coragem para enfrentar o mundo.</P>
<P>
Os votos de Natal de Simpson</P>
<P>
O.J. Simpson enviou os seus votos de Feliz Natal e Bom Ano Novo em cassete vídeo às pessoas que mais contam para ele: o júri e os advogados que tornaram possível a sua ilibação das acusações de duplo homicídio. É por causa deles que Simpson é um homem livre e não um condenado a fazer graffitis numa cela de prisão algures nos EUA. «Feliz Natal. Gostaria de poder estar com todos vós, mas estou em casa com a minha família... Vós trabalhastes positivamente a favor da justiça», diz Simpson rodeado dos seus quatro filhos. A cassete foi projectada num ecrã gigante durante uma festa de Natal organizada pelo advogado Johnnie Cochran (que defendeu Simpson), que reuniu cerca de 200 convidados em Beverly Hills, na Califórnia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-34828">
<P>
Abandono e maus tratos em Setúbal</P>
<P>
Crianças pagam o regresso da crise</P>
<P>
Luís Filipe Sebastião</P>
<P>
Os meninos do distrito de Setúbal não são diferentes dos de outros pontos do país. Mas, na região outrora tristemente célebre pela crise industrial, começam-se a desenhar novos sinais de problemas económicos, que poderão aumentar o número de crianças abandonadas e maltratadas. A Cáritas e uma nova associação de reinserção social fazem o que podem.</P>
<P>
A democracia de sucesso passou-lhes ao lado. No distrito de Setúbal, a vida não tem sido fácil para muitas crianças e jovens fora da família e de agregados que, por uma razão ou outra, entraram em colapso. A esperança de um futuro diferente passa, muitas vezes, por instituições de solidariedade social. Na cidade do Sado, um centro de acolhimento de crianças em risco, da Cáritas, e uma nova associação de reinserção de jovens tentam remar contra a maré.</P>
<P>
O dia amanheceu com um céu cor de chumbo em Setúbal. Na doca, pescadores entregam-se à reparação de embarcações ou à preparação de mais um dia de faina, sob o esvoaçar das gaivotas, à espreita do pequeno-almoço. A cidade desperta, insinuando sinais de crise, embora longe dos de tempos passados e menos aparatosos do que os constantes assédios dos pedintes nos comboios suburbanos de Lisboa ou da intimidação dos arrumadores em cada esquina da capital.</P>
<P>
Um pescador, enquanto prepara as redes, queixa-se sobretudo dos «muitos drogados» que, durante a noite, cirandam entre as construções degradadas dos cais virados para Tróia. Mas é em particular para as crianças e jovens da região que a vida não anda nada fácil. Mário Lisboa, do Tribunal de Família e de Menores de Setúbal, dá conta da dimensão do problema ao apontar para os 158 processos tratados em 1994 pela Comissão de Protecção de Menores (CPM) local, mais 43 do que no ano anterior.</P>
<P>
O magistrado, que é também presidente da CPM acrescenta que existem «cerca de 100 crianças em situação de abandono», embora saliente que muitas vezes se trata mais de negligência familiar e «os miúdos estão 15 dias sem ir a casa e ninguém se preocupa». Ainda assim, Mário Lisboa adianta que muitos dos casos têm sido resolvidos com a ajuda da família e da escola. Assegura, porém, que continuam a existir «problemas de homossexualidade infantil» na cidade, principalmente junto à Avenida Luísa Todi.</P>
<P>
A situação melhorou com a actuação policial na zona, sobre os que procurem aliciar os jovens, mas a existência de redes de prostituição infantil parece cada vez mais comprovada com a descoberta em Lisboa, pela Polícia Judiciária, de uma criança setubalense de 12 anos a viver em casa de um estrangeiro. «As crianças prostituem-se apenas para ganhar dinheiro para a droga», afirma Mário Lisboa, que chama a atenção para muitas das crianças serem «presa fácil» da tentação de conseguir dinheiro através do sexo ou pequenos furtos por se encontrarem «em famílias no desemprego, a quem cortaram a água e a luz por falta de pagamento».</P>
<P>
No sentido de responder aos problemas de abandono juvenil, foi criada, em Novembro passado, a Questão de Equilíbrio -- Associação de Educação e Inserção de Jovens. Mário Lisboa, presidente da direcção, adianta que a associação tem a seu cargo quatro jovens, com idades entre os 11 e os 13 anos, que pernoitavam em barcos desactivados ou casas abandonadas. A tenda do parque de campismo onde actualmente dormem será trocada, nas próximas semanas, pelo centro de acolhimento para uma dezena de jovens, de ambos os sexos, que a Questão de Equilíbrio vai instalar num andar cedido pela Câmara de Setúbal.</P>
<P>
Racismo na adopção</P>
<P>
Mas os dramas das crianças do distrito não se ficam por aqui. «Os maus tratos não são exclusivo das famílias de menores recursos, apesar do pico se atingir em famílias com escassos meios económicos», salienta, por seu lado, Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas diocesana de Setúbal, que possui um centro de acolhimento de crianças em risco no problemático bairro da Bela Vista, nos arredores da cidade sadina.</P>
<P>
O centro, que recebeu a designação de Nossa Senhora do Amparo, abriu em 1989 com seis irmãos abandonados temporariamente pela mãe na estação da CP de Santa Apolónia, em Lisboa. Num espaço de dois apartamentos, a psicóloga Conceição Gonzaga, a educadora de infância Sofia Ribeiro e a assistente social Conceição Ferreira acompanham 12 crianças que, por este ou aquele motivo, deixaram de poder contar com a família (ver texto nestas páginas). Um acordo com o Centro Regional de Segurança Social garante a maior parte dos meios financeiros.</P>
<P>
Segundo um levantamento de Setembro do ano passado, passaram pelo centro de acolhimento uma centena de crianças, na maioria encaminhadas pelos centros regionais de Segurança Social de Setúbal e Almada, pelo hospital e pelo tribunal de Setúbal, e ainda por instituições de solidariedade social e pela PSP. Os motivos que levaram à admissão foram, entre outros, abandono (22 por cento), negligência (18), maus tratos (13), família desorganizada (13), doença mental (12), hospitalização da mãe (8), orfandade (6), detenção (4) e violação sexual (2).</P>
<P>
A permanência no centro está prevista para seis meses apenas. A directora técnica, Conceição Gonzaga, esclarece que «50 por cento das crianças regressam à família natural», se bem que tenham de continuar a ser acompanhadas durante um ou dois anos. Outras são encaminhadas para famílias de acolhimento, por um período temporário ou prolongado, quando a família não aceita o afastamento definitivo do menor, ou então para adopção.</P>
<P>
Mas os seis meses também passam, por vezes, a um período indeterminado. Tal é, aliás, a situação de algumas crianças que, por serem de cor, continuam à espera de famílias de acolhimento e adoptivas, impedindo o auxílio a outras. «Todos dizem `não sou racista', mas...», desabafa a psicóloga, que, contudo, percebe que as famílias procurem crianças da sua raça para evitar a curiosidade alheia. E depois, como sublinha Sofia Ribeiro, «a adopção internacional é muito complicada», pelo que apenas um menino do centro foi adoptado por um casal suíço.</P>
<P>
«Cada vez mais as pessoas que procuram os serviços sociais vêm de famílias que tinham uma situação estável e que, de um momento para o outro, um dos seus membros ficou sem ordenado», diz Conceição Ferreira, que integrou a comissão de luta contra a pobreza, numa explicação para a crise da região. «O distrito de Setúbal está a ser vítima dos problemas económicas que afectam todo o país», considera, por seu turno, Mário Lisboa, que faz notar que o empreendimento da Ford-Volkswagen já demonstrou não ser a «panaceia» esperada por muitos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31240">
<P>
É difícil mudar a Fórmula 1</P>
<P>
Rui Freire*</P>
<P>
Com a habitual atenção que me merecem os artigos jornalísticos do PÚBLICO, li, atentamente, o editorial publicado na edição de 3 de Maio, intitulado «Parar para pensar» e que se reportava aos graves acidentes verificados no Grande Prémio de San Marino. Esse mesmo editorial contestava algumas afirmações que tive a oportunidade de produzir na edição do «AutoSport» de segunda-feira e que agora gostaria de fundamentar.</P>
<P>
Ao escrever que, durante e após o acidente que vitimou Ayrton Senna, foram feitos comentários e análises mais ou menos desgarradas e com falta de fundamento, queria destacar, pela sua importância, a afirmação, avançada por alguns jornalistas, imputando uma quota-parte da responsabilidade do sucedido ao piloto brasileiro e a Roland Ratzenberger, à nova regra técnica da FIA que obrigou as equipas concorrentes ao Mundial de Fórmula 1 a utilizarem suspensões ditas convencionais, em detrimento das suspensões controladas electronicamente.</P>
<P>
De facto, ao implementar esta medida (entre outras), a entidade federativa do desporto automóvel mundial pretendeu, tão-só e apenas, evitar os enormes riscos inerentes a um dispositivo que permitia velocidades cada vez mais elevadas em curva e que, pela sua complexidade, escapava totalmente ao controlo do piloto. Vide o caso de Gerhard Berger no GP de Portugal de 1993, que poderia ter resultado num acidente gravíssimo.</P>
<P>
Sobre este mesmo assunto torna-se pertinente a seguinte constatação: com a febril actividade que caracteriza a Fórmula 1, na procura incessante de obter carros cada vez mais rápidos, não sei a que velocidade passariam nas curvas de Imola, este ano, se ainda utilizassem as ditas suspensões «electrónicas».</P>
<P>
É óbvio que o facto de ter sido introduzida uma norma que permite os reabastecimentos em corrida (com a qual também discordo em absoluto) tornou os carros mais rápidos durante todo um Grande Prémio. Agora, do princípio ao fim de uma corrida, os pilotos dispõem da possibilidade de manter uma afinação-padrão quase constante, o que, aliado a um peso inferior do monolugar (menos combustível nos depósitos), lhes permite andar, sempre, a velocidades médias mais elevadas do que anteriormente, um factor de risco acrescido, que também é necessário contabilizar.</P>
<P>
Escrevi, também, que não queria crucificar a Fórmula 1 e as actuais leis por que se rege, devido ao sucedido no Autódromo Enzo e Dino Ferrari e o fundamento desta afirmação é simples. Os pilotos que participam no Campeonato Mundial de Fórmula 1 (bem como em todas as provas de desporto automóvel) e todos aqueles que têm como meta única lá chegar, sabem, antecipadamente, que correm enormes riscos. Alguns calculados, outros, tão-só e apenas produto das circunstâncias e do «tal» azar, de nada nos servindo, neste caso, o recurso à frieza das estatísticas. Os regulamentos técnicos e desportivos da FIA servem para enquadrar, de forma aceitável, esses riscos, mas é sempre extraordinariamente difícil prever, com rigor, onde estão as arestas que precisam de ser limadas, pese embora o compromisso entre a entidade federativa e outros intervenientes na Fórmula 1, que permite a imediata alteração do articulado legal que rege o desporto automóvel, desde que se verifiquem graves problemas de segurança.</P>
<P>
Agora, não é necessário morrer um piloto para se compreender que determinada situação deve ser revista. Mas, e à guisa de exemplo, são inúmeros os casos em que, na época de defeso, as equipas que preparam a próxima temporada escondem, literalmente, as potencialidades dos seus carros e só quando se disputa o primeiro Grande Prémio é possível perceber se uma determinada alteração regulamentar produziu os efeitos desejados.</P>
<P>
Ao longo dos últimos anos e durante o «reinado» do controverso presidente da FIA e da FISA, Jean-Marie Balestre, e agora com o actual presidente, Max Mosley, foram dados passos fundamentais em matéria de segurança (muitos outros estão previstos a curto prazo) e só assim se compreende que a maior parte dos mais recentes acidentes registados na Fórmula 1, não tenham tido consequências nefastas. Assim sendo, não me parece curial crucificar a Fórmula 1 e as suas leis, que têm defeitos, por todos reconhecidos, mas também muitas virtudes.</P>
<P>
É particularmente difícil conseguir soluções práticas para a segurança da Fórmula 1, que agradem a gregos e a troianos e que sejam exequíveis. Claro está que é fácil, para a FIA, determinar um conjunto de regras que tornem os monolugares mais lentos. Basta aumentar o peso mínimo, tentar controlar (através de um qualquer dispositivo) a potência do motor, actuar sobre a composição dos pneus, reduzir os apêndices aerodinâmicos, obrigar à utilização de outro tipo de combustível e tantos outros. Quanto aos circuitos, pode-se alargar as pistas, criar escapatórias seguras, substituir os muros por qualquer outro dispositivo mais eficaz, construir «chicanes» para reduzir a velocidade em locais mais sensíveis, melhorar as condições de trabalho dos mecânicos, colocar os espectadores mais protegidos e por aí adiante. Por outro lado, pode-se melhorar o equipamento dos pilotos, nomeadamente criando um novo tipo de capacetes de protecção mais eficaz.</P>
<P>
Ou seja, tudo é possível de se fazer... resta saber se assim é entendido pela generalidade dos intervenientes. Por exemplo, se a FIA implementar regras rígidas de oposição à escalada de potências, quantos construtores mundiais de automóveis estarão interessados em apresentar propulsores cuja evolução está condicionada, se não mesmo impedida, por normas severas?</P>
<P>
No caso dos circuitos, quais as organizações que poderão suportar os custos do «traçado ideal»? E ao introduzir alterações nesse mesmo traçado, visando diminuir a velocidade média por volta, não se estará a «matar» o interesse da Fórmula 1, conhecendo-se, antecipadamente, a dificuldade hoje em dia existente para se efectuarem ultrapassagens, discutirem posições na corrida, no fim de contas «o sal e pimenta» da competição automóvel?</P>
<P>
Por último, não podemos esquecer os pilotos e a sua forma de estar e viver a competição automóvel. Que pensar de um homem como Ayrton Senna, que «precisava» de ganhar este Grande Prémio de San Marino, já que estava a 20 pontos de Schumacher? Que pensar do facto de Ayrton ter de vencer a todo o custo, já que conduzia o «tal» Williams que tinha permitido a Alain Prost ser um campeão, como tantos afirmaram, mais à custa do binómio Williams-Renault do que por méritos próprios?</P>
<P>
Senna tinha de vencer em Ímola. Apesar de tudo, estou convencido que a morte do piloto brasileiro não se ficou a dever a nenhum excesso de condução, ou a uma eventual afinação de «garra», mas a um problema na suspensão traseira do seu carro, apesar de ser particularmente difícil ultrapassar o mero estádio da especulação.</P>
<P>
E Ayrton Senna é um exemplo, entre tantos. Reafirmo que qualquer piloto sabe os riscos que corre, quando opta por uma carreira profissional, na generalidade, e em particular na Fórmula 1. Os jovens lobos desta disciplina, aos quais Ayrton se referiu com algumas reticências após o GP do Pacífico, estão, quer se queira quer não, dispostos a tudo para conquistar um lugar ao sol.</P>
<P>
Se alguém questionar um piloto, perguntando-lhe se tem medo de morrer num acidente, a maior parte esquivar-se-á a uma resposta concreta. Como afirmava Berger, no dia em que um piloto sentir medo das consequências de um acidente e viver cada Grande Prémio com este fantasma, é melhor mudar de profissão.</P>
<P>
A reactivação da extinta GPDA (Associação de Pilotos de Fórmula 1) torna-se cada vez mais difícil, já que nem todos os seus membros têm o que se poderá denominar como «consciência de classe». Não é fácil tentar juntar no mesmo «bolo» pilotos de créditos firmados com contratos astronómicos, capazes de impor condições à sua participação em provas, com jovens praticantes, que dão os primeiros passos na Fórmula 1 e que, acima de tudo, pretendem dar nas vistas, por vezes a qualquer preço, de molde a conseguirem um bom lugar numa grande equipa.</P>
<P>
A Fórmula 1 é assim, plena de riscos (que nunca se conseguirão evitar) e emoções tão variadas. Graças à intervenção da FIA, criaram-se as condições para que durante anos o fantasma da morte não assolasse os circuitos de Grande Prémio e esta situação talvez tenha criado algum conforto excessivo nos que têm por missão guiar nos limites. Quem, na situação dos que partilham a sua existência quotidiana com o perigo, não se agarra a todas as hipóteses e mais uma, para exorcizar a possibilidade de perder a vida?</P>
<P>
Estou plenamente convencido de que, quaisquer que venham a ser as alterações apresentadas pela FIA, não será esta a última vez que a Fórmula 1 irá perder alguns dos seus pilotos. Não concebo o desporto automóvel na sua maior expressão como uma arena romana onde os cristão são lançados às feras, mas também não acredito numa Fórmula 1 convertida em super Fórmula 3000.</P>
<P>
Este é um desporto que nos transporta de um extremo ao outro numa mesma relação de amor e ódio! De amor pelos grandes momentos de emoção que se vivem durante as corridas, pelas ultrapassagens nos limites, pela capacidade dos pilotos em enfrentarem um constante desafio, sempre mais exigente, pelo fascínio dos sobredotados e dos super-homens. De ódio, profundo ódio, quando a morte marca encontro com um Grande Prémio.</P>
<P>
* Director do «Auto Sport»</P>
<P>
Destaque:</P>
<P>
Não concebo o desporto automóvel na sua maior expressão como uma arena romana onde os cristão são lançados às feras, mas também não acredito numa Fórmula 1 convertida em super Fórmula 3000. Qualquer piloto sabe os riscos que corre, quando opta por uma carreira profissional, em particular na F1.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-66220">
<P>
Catorze anos após a independência do Zimbabwe</P>
<P>
Tribo branca da Rodésia mantém privilégios</P>
<P>
Ben Laurance *</P>
<P>
É grande, entre os brancos da África do Sul, o medo de um governo da maioria negra, como está iminente. No Zimbabwe, do outro lado do Limpopo, isso aconteceu há 14 anos. Para os brancos que ficaram depois da independência, a atmosfera colonial, afinal, manteve-se.</P>
<P>
Os sinais enferrujados a avisar «Proibida a passagem» na cerca em redor do campo de golfe de Harare ainda têm as iniciais RSGC -- Royal Salisbury Golf Club, Real Clube de Golfe de Salisbúria. Do lado de lá, a cena é previsível: duas mulheres brancas de meia idade conversam enquanto os carregadores de tacos, negros, olham.</P>
<P>
Em Bulawayo, 400 quilómetros a sudoeste, Michel, 39 anos, o bem sucedido proprietário de uma pequena empresa, discute a sua nova parabólica com amigos, num almoço de domingo, enquanto as suas três irrequietas crianças louras se atiram para a piscina.</P>
<P>
A alguns quilómetros de Harare, no final de uma picada de quatro quilómetros em terra vermelha, entre campos de milho e de tabaco, Es Micklen, um agricultor, regressa à casa de telhado de colmo que construiu há quatro décadas. Pouco passa da uma da tarde. Senta-se num terraço à sombra, para comer um bife com puré de batata e legumes, refeição servida por um criado vestido de branco, com um fez e uma faixa colorida.</P>
<P>
Mudança lenta</P>
<P>
Estamos no Zimbabwe, onde as coisas mudam devagar. E há aqui uma lição para os membros da tribo branca sul-africana que vivem do outro lado do rio Limpopo.</P>
<P>
Claro que a posição da África do Sul neste momento é muito diferente da da Rodésia em 1980. Mas, a julgar pela experiência do Zimbabwe, os sul-africanos brancos sofrerão provavelmente muito menos do que receiam, em consequência de uma vitória do ANC nas primeiras eleições livres, no fim deste mês.</P>
<P>
Catorze anos após a independência, quando a promessa de Robert Mugabe, de substituir uma Rodésia dominada pelos brancos por um Zimbabwe novo, democrático e mais igualitário, o atirou para o poder com 63 por cento do voto popular, o estilo de vida dos rodesianos brancos que ficaram continua notavelmente pouco alterado.</P>
<P>
Poucas casas de brancos não possuem criada. Embora os brancos representem agora somente um por cento da população -- cerca de cem mil pessoas num país de 10 milhões -- uma grande parte dos automóveis particulares que circulam em Harare têm brancos ao volante.</P>
<P>
Michael, o empresário de Bulawayo, admite que, quando ouviu os resultados eleitorais, na manhã de 4 de Março de 1980 -- resultados que, para muitos brancos, significavam a instauração de um estado comunista --, nunca sonhou que, 14 anos depois, estaria no pátio de uma grande casa suburbana, a olhar para um relvado perfeitamente tratado, enquanto os filhos, que frequentam uma escola particular, brincam na piscina, ao sol.</P>
<P>
«De um ponto de vista pessoal, não posso honestamente queixar-me do que aconteceu aqui», afirma. «Se alguém deve queixar-se são os negros pobres dos campos. É deles que tenho realmente pena.»</P>
<P>
Depois de acabar o bife e se voltar para as maçãs assadas, Es Micklem queixa-se de que o Governo impõe um salário mínimo para os 150 empregados que mantêm em actividade a sua propriedade de mais de dez mil hectares. Mas é uma queixa feita sem convicção. Para os patrões, o salário mínimo dificilmente pode ser considerado um fardo muito pesado: 193 dólares do Zimbabwe por mês, o equivalente a 800 escudos por semana, mais alojamento, electricidade e água de graça.</P>
<P>
A pagar salários destes, não é surpreendente que Micklem possa dar-se ao luxo de ter uma equipa de jardineiros que mantém os relvados regados e as roseiras imaculadas. Passando das maçãs para o café instantâneo, Micklem vê um enxame de abelhas que voa do jacarandá para uma chaminé. É um problema com que não precisa de se preocupar pessoalmente; chama um criado e diz-lhe que acenda o lume na lareira da sala de estar para afugentar as abelhas.</P>
<P>
Cada um dos zimbabweanos brancos que ficou parece lembrar-se do dia em soube que Mugabe fora eleito. Micklem era deputado pela Frente Rodesiana, de Ian Smith. Mas, assinala, as suas informações mais fidedignas não vinham dos seus contactos políticos. «Lembro-me de um dos rapazes do jardim me dizer que todos iam votar em Mugabe. Pensei que era inevitável. Mas o rodesiano médio não acreditou que a Frente Patriótica Zanu ganhasse. Aconteceram coisas divertidas. Comunidades inteiras entraram em pânico. No dia a seguir à independência tive de ir a correr para o Norte, porque um civil tinha roubado um helicóptero à Força Aérea. Acreditavam mesmo que iam de ter de abrir caminho até à fronteira, a combater, para conseguir sair do país.»</P>
<P>
Muitos saíram do país. Por cada dez brancos que viviam na Rodésia em 1977, há agora quatro. Jean partiu em 1979: na sua expressão, ela e o marido «deram o salto» com a família para a África do Sul. Agora, divorciada, dirige uma pousada em Margate, na costa do Natal. No mês passado, regressou ao Zimbabwe, de férias. Foi a primeira visita desde que partiu, há 15 anos.</P>
<P>
Jean não é radical. Ainda chama Rodésia ao país e Salisbúria à capital. Quando sabe que um visitante branco optou por usar o serviço de autocarro, enganadoramente chamado «local», para fazer a viagem de sete horas de Harare a Kariba, na fronteira com a Zâmbia, faz um ar horrorizado. «Quer dizer que usou o autocarro africano? Aposto que era o único branco que lá ia.»</P>
<P>
Sim, Jean, na verdade havia muitos africanos no autocarro -- mas isso dificilmente é uma surpresa, num país onde 99 por cento da população é não branca.</P>
<P>
Mas quando os zimbabweanos brancos que ainda vivem no país ouvem falar da viagem, a sua reacção é muito diferente: só fazem notar questões práticas, como a duração da viagem e a má reputação dos autocarros, com avarias constantes.</P>
<P>
Ficaram com muita coisa</P>
<P>
A atitude de Jean é reveladora. Entre a maior parte dos zimbabweanos brancos pode existir uma solidariedade silenciosa. Jogam ténis e bridge juntos. Ainda são donos de muitos dos principais negócios do país -- em especial as grandes herdades que produzem o tabaco, os cereais, a fruta, a carne e a madeira que asseguram preciosas divisas estrangeiras. E, aos fins-de-semana, vê-se Mercedes com grupos de brancos acelerarem na direcção do lago Kariba, para a pesca, ou para as cataratas de Vitória, para a canoagem, nas águas agitadas do Zambeze.</P>
<P>
Mas o racismo mais explícito de Jean -- a crença de que os negros são preguiçosos, a convicção de que um governo da maioria na África do Sul confiscará tudo o que os brancos acumularam -- é muito mais raro entre os zimbabweanos.</P>
<P>
Bastante mais representativo é o espanto tranquilo por lhes ter sido permitido ficar com tanta coisa. Até Es Micklen o admite: «Algumas das pessoas do Governo [actual] estiveram presas durante 19 anos. Se me prendessem 19 anos havia de ficar com um ressentimento bastante grande.» E isto é dito por um homem que apoiou o Governo que prendia. Há uma notável ausência de ressentimento inter-racial, dadas as detenções e atrocidades tremendas que aconteceram durante a guerra, nos anos 70.</P>
<P>
Nos anos 60 e 70, Judy Todd esteve à frente da campanha para tentar impedir que Ian Smith transformasse a Rodésia noutra África do Sul. Agitou, organizou reuniões, escreveu livros militantes, publicou panfletos, esteve presa pelo Governo Smith, entrou em greve da fome, sofreu a indignidade e a dor de ser alimentada à força e passou oito anos no exílio. Resumiu com simplicidade a sua filosofia em palavras de desafio: «Não sou uma liberal, sou uma nacionalista.»</P>
<P>
Judy Todd é hoje uma encantadora mulher de meia-idade, de óculos e sorriso constante. A voz é uma surpresa total: é fina e tão, tão tranquila. Será ela capaz de explicar a falta de rancor depois da guerra? «Tem de reparar numa coisa: a maioria da nossa população atingiu a idade adulta depois da independência. E penso que temos tido sorte com Mugabe. Ele tem sido pragmático.»</P>
<P>
* exclusivo PÚBLICO/«The Guardian»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-88451">
<P>
A Liga Nacional pela Democracia, partido de Aung San Suu Kyi, retirou-se de uma reunião que estuda mudanças constitucionais em Myanma (ex-Birmânia). Aung, Nobel da Paz, disse que a reunião não representa o "desejo do povo". Ela ficou em prisão domiciliar seis anos por opor-se ao governo. A maioria dos delegados da reunião foi indicada pelo governo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4243">
<P>
Opinião por M. de Magalhães Ramalho (*)</P>
<P>
Reflexões à margem da CREL</P>
<P>
É indispensável a concretização de um plano de ordenamento de emergência para a área da Grande Lisboa e que se actue em conformidade, com rigor e sem delongas.</P>
<P>
É que, quanto mais cedo se actuar, mais fácil será do ponto de vista técnico, mais justo do ponto de vista social e muito menos oneroso economicamente</P>
<P>
A recente inauguração da CREL veio, mais uma vez, reavivar receios e suscitar velhas questões que, de vez em quando, venho abordando publicamente.</P>
<P>
Antes de mais e para que não haja dúvidas, considero que a CREL é uma obra que, apesar de ter sido "oportunamente" inaugurada em período pré-eleitoral, é de utilidade manifesta, podendo tornar-se uma importante infraestrutura no correcto desenvolvimento da área de Lisboa.</P>
<P>
Em primeiro lugar, a CREL vem, mais uma vez, testemunhar a completa falta de preocupações, por parte da Junta Autónoma das Estradas/Brisa, quanto ao enquadramento paisagístico das estradas construídas nestes últimos anos. Separadores de cimento, sem possibilidade de incluirem os belos loendros e outros arbustos que se vêm nas autoestradas mais antigas, taludes cimentados de alto a baixo ou, então, sinistramente revestidos de geotexteis de desastroso efeito visual, a completa ausência de árvores ou outras plantas nas vastas áreas dos nós de ligação, são frequentes nessas vias. É a "engenheirite lusitana" em todo o seu esplendor!</P>
<P>
Aliás, o que se passa na CREL é a repetição do que, ultimamente, vem acontecendo e que o arqº Ribeiro Telles considera, com toda a razão, como as "estradas mais feias da Europa". De facto, acontece muitas vezes transitarmos em troços que mais parecem "canos de escoamento" de tráfego do que estradas feitas para o séc. XX. Mas, o ministro que as tutela não cora ao afirmar-se "ecologista não-ortodoxo" e as acha "lindas", talvez, afinal, não haja razão para se estar insatisfeito.</P>
<P>
Mas todos estes aspectos, com um pouco mais de sensibilidade e não muito dinheiro, poderão ser facilmente corrigidos. O que é indubitavelmente mais grave são as consequências negativas que uma tal infraestrutura poderá causar a toda a área da Grande Lisboa se não se tomarem, desde já, (e não será cedo!) as indispensáveis medidas para não aumentar o caos urbanísticos dos subúrbios, o que, aliás, a própria CREL nos vem agora revelar numa pequena parte. Vejamos o que aconteceu em casos semelhantes e, infelizmente, bem concertados:</P>
<P>
-Quando se construiu a ponte Salazar/25 de Abril, tinham-se previsto medidas de ordenamento para a margem sul, as quais, nunca foram concretizadas. O "lobby" da especulação imobiliária funcionou em pleno e hoje os resultados estão dramaticamente à vista de todos.</P>
<P>
- Há um bom par de anos, quando se iniciou o prolongamento da autoestrada Estádio-Cascais, a Liga para a Protecção da Natureza entregou uma petição ao primeiro-ministro pedindo, entre outras coisas, a imediata concretização de um plano de ordenamento para toda a área de influência daquela via. Até hoje, não houve qualquer resposta, nem tentativa de ordenamento. Os resultados estão, também, à vista. A nova via, não só passou a desvendar os deploráveis interiores dos concelhos de Oeiras, Cascais e Sintra, até porque cortaram todas as árvores das bermas, como, igualmente, permite seguir, dia a dia, o crescimento imparável da construção desordenada. São casas de todos os tamanhos e feitios, implantadas sem qualquer respeito pela inserção na topografia, barracões-armazéns, depósitos de sucata ou de materiais de construção, à mistura com aterros e crateras de extracção de pedra e de, cada vez mais, painéis publicitários.</P>
<P>
Este é o cenário habitual da intervenção urbana "à portuguesa" para aproveitar as facilidades de novas estruturas de acesso, o qual, aliás, se estende igualmente aos concelhos da Amadora, Loures e Vila Franca, para grande gáudio dos empreiteiros que fizeram fortuna à custa de quem lá tem de viver. Claro está que nada disto teria sido possível sem a "colaboração" de diversos autarcas e técnicos daquelas câmaras e a indiferença do poder central.</P>
<P>
Por aquilo que se lê nas linhas e entrelinhas da imprensa, ninguém tem mão no sector da construção e são os seus interesses que fazem "correr" o país e "lubrificam" as suas estruturas.</P>
<P>
O poder central e as autarquias têm-se revelado misteriosamente impotentes com esta, tão nossa, maneira boçal de "estar no mundo", que se manifesta igualmente em qualquer ponto do país, desde que aí se possam fazer negociatas. A Grande Lisboa, no entanto, é, quanto a mim, o paradigma destas situações, que devia envergonhar todos os seus responsáveis pelo deprimente espectáculo de degradação urbana que oferece e pelas condições de vida terceiro-mundistas que impõe às pessoas que lá vivem.</P>
<P>
Voltando à CREL, não hesitaremos em afirmar que, a não se tomarem já sérias medidas de ordenamento urbanístico e territorial para a sua área de influência, aquilo que já hoje salta à vista, será uma pálida amostra do que se verá dentro de 5 anos.</P>
<P>
A famigerada ponte do Montijo, decidida contra o bom senso e ordenamento regional, ao longo de um obsceno processo crivado de mentiras e de má-fé, irá completar o cerco do desordenamento e de degradação urbana à nossa capital. O século XXI advinha-se, assim, "risonho" para Lisboa e seus habitantes e que belo imbróglio vamos deixar aos vindouros!</P>
<P>
Será que os responsáveis do nosso país se apercebem que estão a comprometer irremediavelmente o futuro e a qualidade de vida de milhões de pessoas (presentes e futuras), habitantes da Grande Lisboa, para não falar da imagem de Portugal como país civilizado e europeu?</P>
<P>
Em minha opinião, a situação corresponde já a um grave desastre urbanístico e adivinhando-se o que poderá acontecer a curto prazo, se não se tomarem medidas imediatas, julgo indispensável a concretização de um plano de ordenamento de emergência para a área da Grande Lisboa e que se actue em conformidade, com rigor e sem delongas.</P>
<P>
É que, quanto mais cedo se actuar, mais fácil será do ponto de vista técnico, mais justo do ponto de vista social e, o que não é pouco importante, muito menos oneroso economicamente do que nada se fizer.</P>
<P>
(*)ex-presidente da Liga para a Protecção da Natureza e professor da Faculdade de Ciências de Lisboa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-14107">
<P>
República da Irlanda vence facilmente a Irlanda do Norte</P>
<P>
Tudo mais fácil para Portugal</P>
<P>
Ao vencer a Irlanda do Norte em Belfast por 4-0, a República da Irlanda ajudou a tornar mais clara a situação do Grupo 6 de apuramento para a fase final do Europeu 96 em futebol, onde está incluído Portugal. Com este resultado, aumentou ainda mais o fosso entre os primeiros, a República da Irlanda e Portugal, e as restantes equipas. E como são dois os apurados, é cada vez mais provável que estes venham a ser os actuais líderes, aos quais bastará vencer os jogos em casa e impor-se nas partidas contra as selecções mais débeis, como o Liechtenstein e a Letónia.</P>
<P>
Como a Áustria e a Irlanda do Norte registam já duas derrotas, Portugal, desde que some às três vitórias alcançadas outras quatro nos jogos em casa (Irlanda do Norte, Letónia, Liechtenstein e República da Irlanda) e uma oitava na deslocação ao Liechtenstein, poderá celebrar desde logo a qualificação. Mesmo perdendo os jogos na Áustria e na República da Irlanda. Os portugueses passaram, a partir de ontem, a ter o direito a errar duas vezes. Não o podem fazer nas tarefas restantes, mas a mais difícil de todas (República da Irlanda em casa) será facilitada porque os irlandeses também não necessitarão de fazer qualquer resultado em Portugal. No jogo de ontem, que completava a terceira jornada do Grupo 6, foram enormes as facilidades da República da Irlanda. Ao intervalo, já vencia por 3-0, com golos de Aldridge, Keane e Sheridan. Na segunda parte Andy Townsend fixou o resultado em 4-0.</P>
<P>
Gales e Itália humilhados</P>
<P>
De todos os jogos de ontem, as maiores surpresas vieram de Tbilissi e Palermo. A Geórgia goleou o País de Gales por 5-0, infligindo-lhe a pior derrota desde os 6-1 com a França em 1953, e a Itália perdeu em casa com a Croácia por 2-1, colocando-se em situação muito difícil para chegar à fase final. Um resultado que Tomislav Ivic, agora director técnico nacional da Croácia, dedicou a «todos os que morreram para libertar a pátria».</P>
<P>
Mas comecemos pelo Grupo 1. A França foi alcançar o terceiro empate a zero consecutivo a Zabrze, contra a Polónia. Durante o fim-de-semana, a Roménia já havia ganho à Eslováquia por 3-2 e, ontem, Israel derrotou o Azerbaijão por 2-0 em Trabzon (Turquia), num jogo, transferido devido à guerra, onde os golos pertenceram a Harazi e Rosenthal. Já no Grupo 2, a surpresa veio do empate cedido pela Bélgica à Macedónia. Os belgas ainda marcaram primeiro, por Verheyen, mas sofreram o empate na segunda parte, quando Preud'Homme deixou escapar uma bola contra Boskovski, permitindo que ela entrasse lentamente na baliza. Nos outros jogos, Chipre ganhou em casa à Arménia por 2-0 (golos de Soteriou e Fassouliotis) e à Espanha SABE-SE LÁ POR QUANTOS????????</P>
<P>
Tudo normal no Grupo 3, com duas vitórias das equipas que jogavam em casa. A Suíça ganhou em Lausanne à Islândia por 1-0, com golo de Bickel no final da primeira parte, e a Suécia impôs-se em Solna à Hungria por 2-0, sendo os golos marcados pela dupla Brolin-Dahlin. Um jogo que foi marcado pela lesão grave sofrida por Brolin no momento em que fez o passe para o segundo golo. No Grupo 4 houve surpresa: a Itália perdeu em Palermo com a Croácia por 2-1: Suker marcou os tentos croatas e, no último minuto, Dino Baggio reduziu para 1-2. Tudo complicado para a Itália e para Arrigo Sacchi, cujo futuro à frente da selecção é cada vez mais sombrio. A jornada deste grupo havia começado com os 3-0 da Ucrânia à Estónia, e contemplou ainda um Eslovénia-Lituânia, onde os lituanos viraram o marcador. O vimaranense Zahovic marcou primeiro para a Eslovénia, mas Zuta e Sukristovas fizeram os dois golos com que a Lituânia se impôs.</P>
<P>
No Grupo 5, a Holanda foi incapaz de marcar qualquer golo à República Checa, permitindo que a Noruega assumisse o comando. Os noruegueses foram ganhar facilmente à Bielorrússia por 4-0, com golos de Berg, Leonhardsen, Bohinen e Rekdal. A jornada do Grupo 6 foi marcada pela goleada da Geórgia a Gales: 5-0, com dois golos de Ketsbaya, vindo os restantes de Kinkladze, Goglichigani e Arveladze. Depois da derrota com a Moldova, o resultado acabou com as esperanças galesas. Esperanças que a Geórgia também não tem, pois perdera os primeiros jogos sem marcar um único golo. «Acho que vou beber uns brandies», disse o seleccionador galês Mike Smith quando lhe perguntaram o que iria fazer. Nos outros jogos do Grupo 7, a Alemanha foi derrotar a Albânia a Tirana por difíceis 2-1 (golos de Klinsmann e Kirsten contra Zmijani), e a Bulgária ganhou à Moldova por 4-1. Stoichkov marcou primeiro, mas a Moldova empatou por Chleshenko. Um livre directo de Balakov e dois golos de Kostadinov deram aos búlgaros um fácil 4-1.</P>
<P>
Finalmente, no Grupo 8, Finlândia e Grécia impuseram-se sem qualquer dificuldade às Ilhas Faroé e a São Marino. Os finlandeses ganharam por 5-0 às Faroé, com golos de Sumiala, Litmanen (dois) e Patelainen (dois). Mahlas e Frantzeskos deram a vitória por 2-0 da Grécia sobre a equipa amadora de São Marino. No outro jogo, a Escócia empatou em casa com a Rússia: marcou primeiro, pelo jovem Booth, mas cedeu o empate poucos minutos mais tarde, após golo de Radchenko.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-18099">
<P>
1 - O lago mais famoso - Loch Ness é o lago mais famoso do mundo, além de ser o mais extenso e volumoso da Grã-Bretanha. É uma das maiores atrações turísticas da Escócia devido às famosas aparições de Nessie, o monstro do lago, que teria sido visto pela primeira vez por um monge irlândes no ano de 565. Recentemente, expedições científicas munidas de sonar registraram um ser vivo de mais de seis metros de comprimento que pode se mover em alta velocidade. A lenda atrai ao lago cerca de 160 mil turistas por ano</P>
<P>
2 - Mergulho arriscado - O recorde de profundidade para a desaconselhável e perigosa atividade de mergulho sem equipamento é de 107 m obtido por Angela Bandini da Itália, em um cabo marcado próximo à ilha de Elba (Itália) a 3 de outubro de 1989. Ela ficou dois minutos e 46 segundos sob a água</P>
<P>
ÁFRICA</P>
<P>
3 - Rio - O Nilo disputa o título de mais longo do mundo com o Amazonas. Nasce no Burundi (região central da África) e segue em direção norte até desaguar no mar Mediterrâneo na costa do Egito. Este percurso tem 6.670 km</P>
<P>
4 - Deserto - O maior deserto do mundo é o Saara. Em seu comprimento máximo, o Saara mede 5.150 km de leste a oeste. A área coberta pelo deserto é de aproximadamente 9.269.000 km quadrados. Durante o dia a temperatura pode atingir mais de 45C</P>
<P>
5 - Dunas - As dunas de areia mais altas do mundo são as do areal Isaouane-N-Tifernine, no Saara, no cntro-leste da Argélia. Atingem um comprimento de 5 km e altura de 465 m</P>
<P>
6 - Água sob a terra - Acredita-se que o maior lago subterrâneo do mundo seja o da caverna Drachenhauchloch, na Namíbia (sudoeste da África), descoberto em 1986 e pesquisado em 1991, quando sua área de de superfície media 26.100 metros   quadrados, a cerca de 66 m sob a terra (algo como olhar para baixo a partir do 22o. andar do prédio)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-91831">
<P>
Escultora expôs com Mondrian em 43, participou da mostra dos surrealistas em 47 e foi esquecida no Brasil</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Maria Martins foi a única brasileira escolhida por André Breton para participar da Exposição Internacional dos Surrealistas de 1947 em Paris. O movimento já degringolava, mas havia representantes históricos na exposição: Max Ernst, Miró e Yves Tanguy. Foi neste ano que Breton escreveu um texto sobre a escultora, até hoje inédito em português. Vinte anos depois Maria já havia sido esquecida no Brasil.</P>
<P>
A mostra surrealista não foi sua única façanha como escultora. Expôs com Mondrian em 1943 e no ano seguinte foi elogiada pelo sumo-sacerdote da crítica norte-americana –Clement Greenberg.</P>
<P>
O circuito de museus dos EUA dava urras a Maria. Suas obras foram parar no acervo do Metropolitan e do Brooklyn Museum de Nova York, da Corcoran Gallery de Washington, do Art Institute de Chicago e dos museus de arte moderna da Filadélfia, de San Francisco e de Boston.</P>
<P>
O Brasil talvez tenha sido a caveira de burro enterrada na carreira de Maria. Ao voltar para o país no final de 1949, depois de viver em Paris, passou a aliar uma nova atividade à carreira de escultora: a de agitadora cultural. Foi Maria quem ajudou a criar dois museus que hoje abrigam duas de suas obras: o MAM do Rio e o de São Paulo (leia texto abaixo). Junto com Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccilo, levantou as duas primeiras Bienais.</P>
<P>
"A Maria fez a Bienal. A Yolanda Penteado era a inteligência por traz do Ciccilo e a Maria Martins era a inteligência por trás da Yolanda", diz Fernando Milan, 69, que participou da Comissão do 4.º Centenário, encarregada de realizar a 2.ª Bienal (1953-1954), entre outras coisas. "Foi ela quem fez os contatos com os artistas da Europa e dos EUA. Era amiga de quase todos".</P>
<P>
Nos anos 50, Maria continuou a ter prestígio junto às instituições. Ficou com o segundo prêmio de escultura na 2.ª Bienal, sua exposição de 1956 no MAM do Rio tinha textos do poeta e crítico Murilo Mendes, do poeta francês Benjamin Péret e o então presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) foi à abertura.</P>
<P>
Mas era malhada pela crítica. "Da exposição de Maria Martins o melhor é a lírica introdução de Murilo Mendes", escreveu Pedro Manuel em 1956 no "Correio da Manhã", o jornal mais influente da época. "Tudo quanto é espiritual e elevado em Murilo se transforma em obsceno lascivo em Maria. O mistério da fecundação é repetidas vezes representado com satânicas alegorias infra-reais. O conteúdo da mensagem é sujo", sentenciava.</P>
<P>
Maria foi condenada sem julgamento pela crítica brasileira por ser "embaixatriz, rica, grã-fina e só andar com ministros e embaixadores", segundo Milan. "Ela sofreu muito preconceito porque o chique na época era o artista passar fome. Era um esquerdismo meio bobo", diz Jayme Maurício, 67, colunista de artes plásticas do "Correio da Manhã".</P>
<P>
Nos anos 60, quando a abstração tomou conta do mercado e o surrealismo virou mera curiosidade, Maria só tinha prestígio no meio artístico, segundo o marchand Jean Boghici, 65. Os artistas ficavam embasbacados com a coleção de Maria: dois óleos de Picasso, cinco trabalhos de Duchamp, um Matisse, um Modigliani, telas de Léger, Magritte, Matta, uma escultura de Brancusi, quase todos vendidos pela família.</P>
<P>
Maria já foi incluída em quatro mostras da Bienal entre os anos 60 e 80, mas o melhor indicador de sua reputação é o mercado de arte. Roberto Marinho, presidente da Organizações Globo, comprou no ano passado uma escultura de Maria de dois metros de altura por cerca de US$ 25 mil. O valor mal dá para pagar o bronze e a fundição. (MCC)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-7768">
<P>
O grupo separatista IRA (Exército Republicano Irlandês) assumiu a responsabilidade pelo atentado a bomba que fechou por algumas horas o aeroporto de Heathrow, em Londres, anteontem. O grupo disse ter avisado a polícia. }Foi um ataque injustificável, mas não fará diferença quanto à busca da paz na Irlanda do Norte, disse o premiê britânico, John Major.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21227">
<P>
O governador da Califórnia, Pete Wilson, aprovou uma lei segundo a qual presos condenados por crimes sexuais que forem considerados perigosos terão de ficar detidos por pelo menos dois anos depois de cumprida a pena. Eles ficarão presos até um juiz considerá-los capazes de sair. A lei entra em vigor em 1º de janeiro de 1996.</P>
<P>
França vai fazer novo aeroporto em Paris </P>
<P>
A França anunciou ontem que vai construir um terceiro aeroporto na região de Paris (capital). O país pretende diminuir o congestionamento de vôos no aeroporto internacional Roissy-Charles de Gaulle. O outro aeroporto da região, Orly, é usado principalmente para vôos domésticos. O plano prevê a construção de duas novas pistas no Charles de Gaulle, mas proíbe a construção de uma terceira.</P>
<P>
Japão pede desculpas por sangue com HIV </P>
<P>
O Japão pediu desculpas formais aos hemofílicos que contraíram o vírus da Aids (HIV) por causa de sangue contaminado que foi importado no início dos anos 80. Cerca de 310 hemofílicos contraíram o HIV na época, dos quais 91 já morreram. Os contaminados pedem indenização.</P>
<P>
A FRASE </P>
<P>
``Se vêem tantas coisas estranhas hoje em dia. Quem imaginaria que o primeiro-ministro apareceria aqui?"</P>
<P>
(José Manana, porteiro do hospital do Faro, de Lisboa, que impediu a entrada do premiê Aníbal Cavaco Silva para visitar seu filho. Manana alegou que Cavaco não tinha documento de identidade. O porteiro foi demitido.)</P>
<P>
Nobel da Paz volta a liderar partido </P>
<P>
Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, reassumiu a liderança da Liga Nacional para a Democracia de Myanma (ex-Birmânia). Ela foi posta em liberdade em julho, após seis anos de prisão. Pela lei birmanesa, o governo deve referendar a decisão.</P>
<P>
Demissão pode ter causado ataque a trem </P>
<P>
Agentes do FBI (a polícia federal dos EUA) disseram que pistas sugerem que um empregado demitido pela empresa Amtrak pode ter sido o responsável pelo descarrilamento de um trem no Arizona (sudoeste dos EUA) ocorrido na segunda-feira. Uma pessoa morreu no incidente. A informação é do jornal ``The Los Angeles Times". O FBI investiga a possibilidade de um atentado cometido por um grupo radical de direita.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-29049">
<P>
O juiz Maurício Valala, de Sorocaba (87 km a oeste de SP), condenou à prisão três rapazes acusados de vender cocaína ao estudante de engenharia C.R., 22, que morreu de overdose em abril deste ano. As penas variam de cinco anos e cinco meses a nove anos e nove meses de prisão. Eles não poderão recorrer da sentença em liberdade.</P>
<P>
Ibama inicia retirada de garimpeiros no AM </P>
<P>
O Ibama iniciou ontem a retirada de 3.000 garimpeiros da região de Maués (AM), próxima à fronteira com o Pará. A operação está sendo feita em conjunto com a Polícia Federal. Segundo o Ibama, os garimpos estão provocando um grande dano ambiental devido ao uso de máquinas na extração do minério e ao derrame de mercúrio nos rios.</P>
<P>
Polícia busca acusados de matar adolescente </P>
<P>
O delegado Fábio de Carvalho Joaquim disse suspeitar que os agressores do bicampeão paulista de bicicross Luciano Bruni, 13, sejam moradores de Caraguatatuba (190 km a leste de SP). Bruni foi morto na última sexta, na praia Martin de Sá, durante tentativa de furto de seu boné por uma gangue. Ninguém foi identificado até agora.</P>
<P>
32% das crianças são desnutridas no RN </P>
<P>
O Departamento de Nutrição da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) realizou um estudo com 40.323 crianças de 56 municípios do Estado e constatou que 32% apresentam desnutrição. Segundo a UFRN, o resultado mostra que um terço das crianças entre zero e cinco anos do Estado (cerca de 350 mil) sofre de carência alimentar.</P>
<P>
Chuva deixa 350 sem casa no Mato Grosso </P>
<P>
As chuvas que atingiram Cuiabá (MT) e Várzea Grande (MT) no último domingo deixaram cerca de 350 pessoas desabrigadas. Suas casas foram atingidas pelo transbordamento do rio Cuiabá. As águas do rio chegaram a atingir 8,27 metros acima do nível normal.</P>
<P>
Moradores ficam sem água no interior do PR </P>
<P>
O governador do Paraná, Jaime Lerner (PDT), decretou anteontem estado de calamidade pública em Laranjeiras do Sul e e em Nova Laranjeiras, atingidas pelas chuvas. Em Laranjeiras do Sul, os moradores estão sem água desde domingo. A chuva deixou 230 famílias desabrigadas na cidade.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93154">
<P>
Despedimentos em S. Tomé</P>
<P>
O governo de S. Tomé vai despedir, nos próximos dias, mais de 200 trabalhadores da função pública. Esta medida é uma consequência directa do cumprimento das exigências do Banco Mundial no quadro da aplicação do programa de ajustamento estrutural. Um documento aprovado em conselho de ministros refere o despedimento e passagem à reforma de 234 trabalhadores pertencentes a categorias inferiores, nomeadamente jardineiros, serventes, encarregados de limpeza e contínuos. No quadro do projecto de dimensão social do ajustamento, estes trabalhadores receberão o salário completo durante 18 meses e beneficiarão de facilidades para encontrarem outras fontes de rendimentos. A redução do sector público atingirá posteriormente outras categorias da administração.</P>
<P>
Papa prepara jubileu do ano 2000</P>
<P>
O Papa João Paulo II decidiu convocar um conselho extraordinário de cardeais, nos dias 9 e 10 de Maio, para preparar o jubileu do ano 2000. João Paulo II referiu várias vezes, ao longo dos 15 anos do seu pontifício, a importância do final do milénio para a evangelização ou re-evangelização do mundo e para a promoção do regresso ao respeito dos valores morais fundamentais. Jubileu significa «anunciar a festa» em hebraico.</P>
<P>
Suicídios em prisão de mulheres</P>
<P>
Uma detida da prisão de Fleury-Mérogis (região parisiense) enforcou-se na sua cela, na passada quinta-feira. Este é o quarto suicídio feminino depois de 22 de Fevereiro, revelou uma fonte da penitenciária. Francis Lintanff, director da prisão, considera que se trata de um «fenómeno de contágio, de arrastamento» e afirma que estes suicídios são «manifestações de depressões individuais relacionadas com problemas exteriores à prisão».</P>
<P>
Prostituição infantil em Espanha</P>
<P>
A polícia espanhola descobriu uma rede de prostituição infantil que operava na região de Valência. Oito crianças estavam envolvidas nesta rede e, pelo menos, 10 pessoas foram presas sendo algumas delas familiares das crianças. A polícia diz que as investigações começaram quando uma rapariga deficiente mental de 16 anos, revelou aos seus patrões que a sua família, durante cinco anos, vendeu-a para serviços sexuais a pessoas ricas da costa leste de Espanha.</P>
<P>
Greenpeace contra «barcos da morte»</P>
<P>
Quatro activistas do movimento ecológico Greenpeace pendurados em cordas na ponte de Bosphorus em Istambul desfraldaram, ontem, um pano gigante onde se podia ler a frase «parem os barcos da morte já». Esta foi uma acção de protesto contra o transporte de resíduos tóxicos nas águas turcas por onde passam, regularmente, carregamentos de petróleo e de todo o tipo de matérias toxicas e radioactivas.</P>
<P>
Croatas querem proibir Benetton</P>
<P>
O exército croata iniciou, na quinta-feira, um processo judicial para obter a interdição, na Croácia, da publicidade «mórbida» da Benetton que mostra as roupas ensanguentadas de um soldado morto na Bósnia. O coronel Drago Krpina, chefe do departamento político do exército croata afirmou que «o comportamento necrófilo da Benetton chocou e perturbou a opinião pública croata». Este anúncio já foi proibido em Itália e vários jornais ocidentais recusaram a sua publicação.</P>
<P>
Belgas pela união linguística</P>
<P>
Um novo partido belga ergueu, na quinta-feira, um poste de fronteira perto de Bruxelas como forma de protesto contra a divisão linguística existente entre valões e flamengos. Olivier Coene, um dos presidentes do partido «A União», disse que «o separatismo não nos fará bem nenhum. Só vai piorar os nossos problemas...e a Bélgica já é um país tão pequeno». A polícia ordenou a remoção da «fronteira» mas como disse Coene, «agora foi só a brincar mas um dia pode ser que seja a sério».</P>
<P>
IG Metall desconvoca greve</P>
<P>
Os metalúrgicos alemães da Baixa Saxónia votaram, ontem, a favor (com uma maioria de 63,3 por cento) do compromisso negociado pelo sindicato IG Metall e o patronato e desconvocaram a greve anteriormente marcada. O compromisso acordado prevê aumentos salariais de dois por cento a partir de Junho e a manutenção do subsídio de férias sem reduções até 1996 para os 3,5 milhões de trabalhadores metalúrgicos.</P>
<P>
«Media» contra a sida</P>
<P>
Os sete canais de televisão francesa vão associar-se para transmitir, na noite de 7 de Abril, um espectáculo destinado a apoiar a luta contra a sida e a angariar fundos para a pesquisa médica. O espectáculo que terá lugar no Zénith em Paris, também será transmitido na Alemanha e Bélgica bem como via satélite (TV5). Este acontecimento, «todos contra a sida» contará com a presença de vários artistas internacionais e com testemunhos de doentes, médicos e membros de associações que abordarão os grandes temas da sida: «O que é a sida, como se apanha, como se fala dela, como se vive com ela e, finalmente, onde é que está a cura.» Antes do espectáculo, as rádios e os jornais franceses vão encarregar-se de promover uma angariação de fundos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-61965">
<P>
Birmânia</P>
<P>
Suu Kyi falou com os generais</P>
<P>
Os líderes militares da Birmânia reuniram-se ontem com a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, naquele que foi o seu primeiro encontro de alto nível com a Junta no poder em Rangoon desde que foi colocada sob prisão domiciliária, há cinco anos.</P>
<P>
A televisão estatal birmanesa mostrou fotografias de Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz de 1991, no encontro que manteve com o líder da Junta, general Than Shwe, e com o chefe dos serviços de espionagem militar, general Khin Nyunt, numa instalação do exército, na capital.</P>
<P>
Suu Kyi, filha do herói da independência birmanesa general Aung San e líder da Liga Nacional para a Democracia, a frente unida da oposição, está em prisão domiciliária em Rangoon desde Julho de 1989.</P>
<P>
Em conversações no início deste ano com o congressista norte-americano Bill Richardson, ela disse estar disposta a encontrar-se a qualquer momento com os dirigentes da junta que tomou o poder em 1988, depois de um golpe de estado sangrento, em que foram mortos milhares de manifestantes pró-democracia.</P>
<P>
A televisão birmanesa, que classificou de «cordiais» as conversações, sem dar mais pormenores, mostrou fotografias dos três, sentados à volta de uma mesa decorada com flores, a sorrirem.</P>
<P>
Suu Kyi, 49 anos, estava vestida com o tradicional «saarong» birmanês e parecia saudável e descontraída.</P>
<P>
Membros do Conselho Estatal de Restauração da Lei e da Ordem (SLORC, o acrónimo em inglês, nome porque é conhecida internacionalmente a junta) disseram por várias vezes no passado que Suu Kyi seria libertada, desde que concordasse em abandonar a Birmânia.</P>
<P>
Suu Kyi, que é casada com o académico britânico Michael Aris e tem dois filhos, pôs de parte qualquer hipótese de abandonar o país voluntariamente, mas disse que estava disposta a discutir tudo o resto.</P>
<P>
Apesar da sua detenção, o partido que dirige conseguiu uma vitória esmagadora nas eleições gerais de 1990, que foram ignoradas pelo SLORC.</P>
<P>
Em 18 de Setembro de 1988, soldados mataram milhares de manifestantes nas ruas de Rangoon, terminando com meses de acções públicas a favor da democracia.</P>
<P>
Os dirigentes militares constituíram-se então no SLORC, iniciando uma campanha de repressão sobre quaisquer formas de dissidência.</P>
<P>
No contacto que teve em Fevereiro com Richardson, Suu Kyi denunciou uma convenção constitucional que a junta promoveu, para a feitura da nova lei básica do país, como «uma farsa absoluta», sem representar os desejos do povo.</P>
<P>
O SLORC pretende que a nova Constituição reserve aos militares «um papel dirigente» no regime e introduza cláusulas que, na prática, impedirão Suu Kyi de alguma vez se tornar dirigente da Birmânia. Os militares birmaneses têm governado o país, de várias formas, desde 1962.</P>
<P>
Depois de décadas de isolamento auto-imposto, a Birmânia tentou nos últimos anos melhorar a sua imagem no exterior e promover laços económicos regionais e internacionais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-78465">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A idéia de que os zoológicos servem para exibir animais ferozes ou exóticos vindos de todas as partes da Terra está para cair. Hoje os melhores zoológicos do mundo apresentam a dupla preocupação com mostrar aos visitantes as espécies que possuem e com melhorar cada vez mais as condições de sobrevivência e reprodução desses animais. Entre esses parques estão os de San Diego (EUA), Berlim (Alemanha), Londres (Inglaterra) e Madri (Espanha).</P>
<P>
Desenvolvendo pesquisas fundamentais para a existência dos animais, os zoológicos querem contribuir para evitar um eventual desaparecimento deles.</P>
<P>
No Brasil, alguns zoológicos mudaram seus animais de celas minúsculas para outras mais sofisticadas que chegam até a simular seu habitat. Foi o que aconteceu com os leões e tigres de São Paulo, por exemplo, que em 89 ganharam uma ilha de 500 metros quadrados. No Rio, algumas espécies não predadoras entre si foram reunidas para conviverem em áreas comuns.</P>
<P>
As espécies vivas existentes hoje na Terra são apenas 10% das que já existiram. As outras foram vencidas pelo processo de seleção natural, mas o homem está acelerando esse desenvolvimento, que duraria milhões de anos. Colocar animais em cativeiro foi uma das formas que encontrou para salvar, entre outros, a baleia azul, o tamanduá-bandeira, o mico-leão dourado, o elefante, o panda e o gorila.</P>
<P>
Um caso comprovado foi o retorno do rinoceronte branco às savanas da Africa, de onde havia praticamente desaparecido. O sucesso se deveu a uma coligação de zoológicos de todo o mundo, inclusive do de Porto Alegre. Durante dez anos, os cientistas realizaram cruzamentos a partir dos dados armazenados em bancos internacionais de informações e que levaram à completa recuperação da espécie.</P>
<P>
A procriação em cativeiro do panda também tem sido um êxito. Pesquisadores do zoológico de Washington (EUA) conseguiram devolver casais de micos-leões dourados à região do Poço das Antas, no Rio de Janeiro.</P>
<P>
Outras espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, como o jacaré-de-papo-amarelo e as tartarugas da Amazônia, estão sendo estudadas para a coleta de dados que vão permitir sua procriação regular em cativeiro.</P>
<P>
O Parque Nacional Kruger, na África do Sul, é um dos mais avançados do mundo na manutenção artificial da vida dos animais selvagens. Com uma área 13 vezes maior que a cidade de São Paulo, o parque é um verdadeiro zoológico a céu aberto, onde os bichos vivem soltos, mas com sua alimentação sob controle.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30205">
<P>
Ingeborg Lippman</P>
<P>
Istambul, nem Oriente nem Ocidente</P>
<P>
Encontra-se ali desde há 2500 anos. Anteriormente Constantinopla e antes disso Bizâncio, Istambul ergue-se numa península triangular, uma cunha entre a Europa e a Ásia. A cidade murada foi a capital do império bizantino, do império otomano e, até 1923, da república turca. Istambul serviu de ponte e, por vezes, de barreira, e esteve no centro de vagas antagónicas nas lutas pelo poder religioso, cultural e imperial. Mas será ela ainda a metrópole onde o Oriente e o Ocidente se fundem? Ou será, antes, a tecedura que, unindo Ocidente e Oriente, está furtivamente a ser despedaçada por forças em litígio? Após uma ausência de seis anos, encontramos a cidade mudada, questionando-se dolorosamente sobre para qual dos dois mundos se voltará.</P>
<P>
A velha Istambul continuará a existir, imponente, com os seus monumentos e vistas magníficas. Os subúrbios das classes altas continuam a estender-se ao longo da margem europeia do Bósforo. Nas zonas mais modernas de Istambul, arranha-céus projectam impertinentes as suas sombras sobre edifícios de tempos recuados que a idade e a ruína tornaram decadentes. Hotéis de luxo anónimos, novos e resplandecentes centros comerciais abastecidos de artigos de costureiros famosos, discotecas com equipamentos sonoros de tecnologia de ponta, restaurantes de luxo e «nightclubs» competem entre si para atrair clientes. No entanto, a despeito de toda a cintilação europeia, o garbo cosmopolita de Istambul estiolou.</P>
<P>
Istambul rebenta pelas costuras. Em 1995, a cidade mais populosa da Turquia alberga uma população de mais de 11 milhões de pessoas (dos quais 3 a 3,5 milhões são curdos), e todos os anos 500.000 novos migrantes vêm engrossar as suas fileiras. O afluxo de camponeses pobres da Anatólia e curdos fugidos das insurreições e perseguições no Sudeste há muito que ultrapassou as capacidades de acolhimento das instituições governamentais. Só em Istambul a taxa de desemprego atinge já os 20 por cento. Não há casas para alojar as contínuas vagas de pessoas que chegam, e faltam escolas, clínicas e serviços sociais públicos básicos. A grande maioria de anatolianos e curdos acaba no Geçekondu, literalmente «estabelecido à noite», uma cintura cada vez mais vasta de habitações sombrias que circundam Istambul e onde subsiste cerca de 60 por cento da população da cidade.</P>
<P>
Um delicado véu de orientalismo cobre agora a urbe cosmopolita que recordamos do passado. Em qualquer parte se vêem mulheres vestidas com o traje islâmico e envoltas no «çarsaf», o vestuário feminino muçulmano mais austero, manchas de negro na multidão; outras usam casacos largos de cor azul vivo que as cobrem da cabeça aos pés, com lenços de cabeça a condizer, ou gabardines até aos tornozelos, encimadas por lenços grandes de padrões floridos. Há adolescentes de calças de ganga sob camisas longas e largas, com o cabelo oculto sob lenços multicolores.</P>
<P>
Na Istiklal Caddesi, a avenida principal orlada de lojas e restaurantes na zona Tepebasi da Istambul mais moderna, cruzam-se a Turquia islâmica e a secular. Uma carrinha da polícia patrulha incansavelmente a rua de um extremo ao outro. Uma rapariga que veste calças de ganga pretas justas e tem o cabelo descoberto está sentada com o braço em torno do seu namorado. Um islamista, com a barba e o gorro característicos, vende flores de plástico junto a um «hippie», com calças de ganga rasgadas à moda, que enfia contas em colares. Na entrada de um centro comercial, um homem de idade, impecavelmente vestido, toca violino a troco de esmolas. Três criancinhas, sem os pais por perto, montaram negócio e vendem maços de lenços de papel.</P>
<P>
Na Praça Taksin, no extremo oposto da Istiklal, vêem-se homens sentados em bancos de pedra, dedilhando contas e imersos em sérias conversas. Jovens casais, a maioria trajando calças de ganga, passa por mulheres cobertas por rigorosos trajes islâmicos, acompanhadas pelos maridos ou por um elemento masculino da família que usa gorro e ostenta a barba cortada de forma típica. Não se vê casais islâmicos jovens a passear juntos. O único casal de namorados que encontrámos procurava privacidade no canto mais escuro do vastíssimo subterrâneo Yerebatan Saray -- o Palácio Subterrâneo --, a Basílica Cisterna construída por Justiniano em 532.</P>
<P>
Já Ortakoy apresenta um cenário muito diferente, um local no Bósforo que poderíamos igualmente encontrar em qualquer outro ponto do Mediterrâneo. Aqui reúnem-se os artistas, e podemos esquadrinhar as suas lojas de antiguidades, maravilharmo-nos com pitorescas casas de madeira, algumas das quais ainda ocupadas por velhos inquilinos; muitas foram já restauradas e melhoradas, transformadas em residências para turcos endinheirados. Existem restaurantes ao ar livre e quiosques onde se podem comer deliciosas batatas cozidas ou panquecas quadradas gigantes com uma enorme variedade de recheios; para coroar a refeição, pode-se tomar um café turco e observar -- isto mais para os ocidentais -- o mundo a passar.</P>
<P>
Na nova ponte Galata que atravessa o Corno de Ouro, pescadores amadores deixam o mundo passar enquanto esperam por uma boa pescaria. A grandiosa Mesquita de Solimão domina, em pano de fundo, à direita e a Mesquita Yeni à esquerda. No extremo mais afastado da ponte, o odor tantalizante de peixe a ser grelhado abre o apetite. Um barco aqui ancorado vende deliciosos filetes, acabados de cozinhar, envoltos em meio pão estaladiço pelo equivalente a cem escudos. Os frequentadores habituais da estação de «ferry boat» de Eminou são os melhores clientes do peixe grelhado. Os «ferry boats» apressam-se de um lado para o outro do Corno de Ouro como besouros-de-água brilhantes e enérgicos. Nuvens macias nadam através do céu azul onde revoluteiam gaivotas que se precipitam sobre quaisquer restos que vejam a flutuar na água.</P>
<P>
Um pouco mais adiante acha-se a Mesquita Yeni e, defronte dela, o exótico mercado de especiarias egípcias. Aqui encontramos todos os tipos de frutos secos e condimentos que se possa imaginar, gaiolas de pássaros e produtos de plástico, fatos ocidentais para homem, calças Levis falsas, lenços de pescoço para mulheres -- e ainda um homem que vende cachorrinhos adoráveis.</P>
<P>
Em Fener Balat, mais longe da margem do Corno de Ouro, foram implantadas zonas verdes onde outrora se erguiam velhas casas. Relvados, sebes e baloiços tornam-na um atraente local de passeio. Em Ferner Balat predominam as vestimentas islâmicas e até as raparigas pequenas têm o cabelo escondido sob lenços volumosos.</P>
<P>
Tanto os estrangeiros como muitos turcos de visita a Istambul acorrem ao Haghia Sophia, outrora uma igreja, em seguida mesquita e agora museu, e ainda à gigantesca Mesquita Ahmet I, conhecida pelos turistas como Mesquita Azul. Na zona compreendida entre a Mesquita Azul e o Haghia Sophia encontrava-se antigamente o Augustaeum, a principal praça da antiga Constantinopla. Agora vêem-se jardins com filas de bancos. Podem comprar-se aqui os chapéus turcos pré-kemalianos, os fez, colocados em grandes pilhas contra a parede. Os vendedores propõem castanhas assadas, lenços, «t-shirts» e algodão doce aos inúmeros visitantes.</P>
<P>
Mesmo no sopé do monte onde se erguem o Haghia Sophia e a Mesquita Azul fica o bazar coberto albergando mais de quatro mil lojas que vendem tudo aquilo que esperaríamos encontrar num bazar oriental -- e mais.</P>
<P>
Na oração do meio-dia de sexta-feira na Mesquita Bayazit, as mulheres têm que esperar a sua vez de entrar. Elas só oram após os homens terem terminado. O interior da mesquita está a transbordar e há fiéis que rezam no pátio construído em torno da fonte das abluções. A polícia está em todo o sítio, no exterior e no interior da mesquita, mantendo uma apertada vigilância. A seguir à oração, a maior parte dos frequentadores da mesquita vai até ao mercado contíguo. Aí encontram «kilims», livros novos e antigos, artigos domésticos, recordações, flores frescas, pão de sésamo e tapetes de oração; rapazes desembaraçados vendem seis frascos de perfumes franceses de marcas famosas (falsas) em embalagens que são cópias fiéis dos verdadeiros pelo equivalente a 600 escudos.</P>
<P>
Perto da Mesquita Bayazit encontra-se a Universidade de Istambul, o mais antigo e maior estabelecimento de ensino da Turquia, que remonta praticamente à conquista de Constantinopla em 1453 por Mehmet II, ou Fatih, o Conquistador, como veio a ser conhecido. Entre a Mesquita Beyazit e o «campus» universitário há uma praça empedrada coberta de postes de sinalização proibindo a venda de artigos na rua. Ignorando a proibição, dezenas de vendedores ambulantes, na sua maioria camponeses da Anatólia, continuam a fazer o seu negócio tentando ganhar umas tantas liras -- enquanto a polícia os deixa. Os artigos estão expostos sobre lonas ou fixados em painéis de cartão, fáceis de arrastar pela ladeira que confina com a portaria da universidade, sempre que os persistentes carros da polícia fazem a sua ronda para os expulsar, o que sucede de dez em dez minutos. A maioria dos vendedores ambulantes riem enquanto transportam as suas mercadorias ladeira acima e ladeira abaixo.</P>
<P>
Os polícias estão aqui sobretudo para vigiar a universidade, oficialmente para impedir o recrutamento de estudantes por grupos radicais islâmicos ou terroristas de esquerda. Encontram-se no interior da universidade com escudos protectores e viseiras, para grande descontentamento dos estudantes, que os quereriam ver fora dali. Uma carrinha da polícia, de onde partem os agentes que se revezam nos turnos de patrulha, está permanentemente estacionada na praça.</P>
<P>
O extenso «campus» universitário, com os edifícios das faculdades dispersos, é um microcosmo da Turquia dos nossos dias. Estudantes de ambos os sexos vestem calças de ganga esfarrapadas ou de marca, «t-shirts», têm cabelos compridos ou curtos, ou usam todo e qualquer estilo de roupa que se possa conceber, tal como em qualquer universidade do mundo ocidental. Só que também aqui se vê o omnipresente lenço de cabeça, o casaco que cobre o corpo da cabeça aos pés e o sinistro manto negro, o «çarsaf».</P>
<P>
Após passarmos pelo controlo de segurança à entrada da universidade, caminhamos ao longo de uma avenida orlada de árvores, no topo da qual se encontra, numa plataforma, uma estátua de ferro fundido, maior do que o tamanho natural, de Kemal Atatürk flanqueado por um rapaz vestindo apenas uma tanga e por uma rapariga com um reduzido vestido sem mangas que termina acima do joelho. A estátua tem como título «Libertação».</P>
<P>
Após as eleições de Março de 1994, presidentes das câmaras municipais afectos ao Partido Refah (Partido da Prosperidade) passaram a dirigir Istambul, Ancara, 29 grandes cidades e aproximadamente 400 mais pequenas. Estima-se que cerca de dois terços da população do país vive em áreas sob o controlo local dos fundamentalistas. A fenomenal ascensão do Refah é atribuída não só ao muito real ressurgimento islâmico -- em média, são construídas cerca de 1000-1500 novas mesquitas anualmente --, mas também ao desencanto do povo com o actual Governo envolvido em lutas internas e à aversão à primeira-ministra, Tansu Çiller (única mulher no poder desde sempre), que de início era bastante popular. Contudo, actualmente é tida como incompetente, a economia anda pelas ruas da amargura, as lutas laborais e as greves são cada vez mais sérias, a corrupção elevada, a inflação atinge uma taxa anual de 150 por cento e a dívida 62 mil milhões de dólares (9,178 mil milhões de contos).</P>
<P>
Entre os turcos islâmicos observa-se uma rejeição crescente da cultura e dos valores europeus, e repugnância pela decadência ocidental, representada pela pornografia importada que passa na televisão pública e pelas formas de arte ocidentais, que incluem o «ballet» -- onde as pernas e os braços das mulheres estão a descoberto -- e a escultura que revela o corpo humano desnudado, algo que é considerado indecente e anti-islâmico. Este sentimento de rejeição do Ocidente é alimentado pela constante exibição, na televisão, de documentários sobre a guerra na Bósnia onde a população muçulmana está a ser aniquilada.</P>
<P>
O Refah tenta cativar a população mais carenciada, responsabilizando a influência ocidental pela economia em ruínas. Os pobres já olham para o partido fundamentalista como limpo e não corrupto, um partido que, caso estivesse no poder, acabaria com todas as injustiças sociais e problemas económicos.</P>
<P>
O Refah vangloria-se de ter três milhões de filiados, 710.000 dos quais em Istambul e, desses, 250.000 mulheres. Parece que nenhum outro partido consegue igualar a sua proficiência recrutadora. O Refah fundou clínicas, dirige pensões para estudantes, subsidia a compra de pão e de carne e, no caso dos mais necessitados, chega a pagar as contas de electricidade e gás. Asli, a nossa guia (que estudou nos Estados Unidos), pergunta: «Qual é o pobre que consegue resistir a este tipo de auxílio?» Asli também nos conta que ofereceram ao irmão 400 dólares para se tornar membro do Refah e outros 200 dólares se arranjasse outra pessoa que quisesse aderir.</P>
<P>
Nos bairros pobres, local de eleição para angariar votos, vêem-se mulheres do partido, de lenço na cabeça, a ir de porta em porta. Elas também estão nos terminais dos autocarros que chegam da Anatólia e do Sudeste para ajudar os migrantes desamparados a encontrar alojamento e emprego.</P>
<P>
Mas mais até do que os seus pares masculinos, as mulheres instruídas desejam preservar uma Turquia laica. A 17 de Fevereiro de 1995, o aniversário da passagem do código civil suíço a lei na Turquia, houve uma grande manifestação feminina. As mulheres turcas defensoras do secularismo pretendem que o código seja alargado e querem igualdade nas leis relativas às heranças e à propriedade. Posto que a câmara municipal de Istambul é dominada por um islamista, as mulheres adeptas do laicismo, particularmente as que exercem uma profissão, temem pelos seus direitos e estatuto.</P>
<P>
Gençay Gürin, licenciada pela London School of Economics, uma antiga diplomata que se virou para a produção teatral e que ocupou durante dez anos o cargo de directora de produção dos teatros de Istambul, foi demitida por alegada «falta de profissionalismo». O presidente da câmara acusou-a de não levar à cena peças de autores turcos. Mas Gençay Gürin afirma que, no geral, a sua selecção de peças e «ballets» nunca agradou ao presidente da câmara.</P>
<P>
Para além da organização estatal Projectos para as Mulheres, da responsabilidade do Ministério da Condição Feminina, existe pelo menos um grupo secular que tenta contrabalançar a actividade caritativa do Refah. Trata-se da Associação para a Protecção da Vida Contemporânea, fundada pela professora Neçla Arat, que ministra Filosofia Política na Universidade de Istambul. Este movimento organiza acções de alfabetização destinadas a mulheres. É que 30 por cento das mulheres turcas são analfabetas, a despeito da instrução feminina ter feito enormes progressos sob o regime secular -- sendo 20 por cento dos professores universitários mulheres.</P>
<P>
A associação de Neçla Arat tem actualmente 21 dependências na Turquia e 10.000 membros. Três mil mulheres beneficiam já dos esforços da associação, mas a meta que esta se propôs é a de atrair 500.000 alunas. O Ministério da Educação disponibilizou-lhe espaço para o ensino. Nas aulas, para além da leitura e da escrita, são igualmente ensinadas outras matérias passíveis de serem praticadas em casa, como o uso de máquinas de coser. Os cursos são maioritariamente frequentados por mulheres curdas que fugiram das zonas de Diyarbakir, Sivas e Kars.</P>
<P>
Mas, em comparação com a esfera de influência cada vez mais alargada do Refah, o desenvolvimento das actividades da Associação para a Protecção da Vida Contemporânea e o seu apoio -- e recrutamento -- aos pobres e desprotegidos não passa de uma gota de água no oceano.</P>
<P>
Devido às suas diligências para manter as mulheres livres, tal como Kemal Atatürk pretendia quando a Turquia foi oficialmente declarada secular em 1937, Neçla Arat tem recebido ameaças de morte. Recusou-se a admitir uma estudante a exame porque esta trajava o «çarsaf», o manto negro que não deixa sequer o rosto visível. A professora Arat enviou a rapariga ao reitor da universidade para que este tomasse uma decisão sobre o seu vestuário, e a estudante voltou para a aula com o «çarsaf». A interdição de cobrir a cabeça nas universidades só foi levantada em 1991, embora as professoras e as alunas das escolas do Estado não possam ocultar o cabelo ao estilo islâmico. Mas as funcionárias do Governo e de empresas estatais estão sujeitas a não poder usar calças ou a cobrir a cabeça.</P>
<P>
Mehmet Ali Sahin, o líder do Partido Refah na Grande Istambul, declarou, numa entrevista ao PÚBLICO em 1994, que uma empresa japonesa efectuara uma sondagem sobre as dez melhores municipalidades do mundo e que Konya, que sempre fora uma cidade intensamente islâmica (e que era já dirigida por um presidente da câmara afecto ao Refah antes das eleições de Março de 1995), ficara em primeiro lugar na Turquia e em oitavo no mundo.</P>
<P>
Sahin afirma que os anteriores conselhos municipais de muitas cidades eram corruptos, roubavam dinheiro dos cofres do Estado e que alguns presidentes da câmara acabaram na prisão. «É por esta razão que a população procurou um partido em que pudesse confiar. Nós falamos uma linguagem que o povo consegue entender. O Refah defende o pensamento popular. Queremos a nossa própria lei e não o código suíço.»</P>
<P>
A actual legislação turca proíbe a existência de partidos religiosos. Por isso, o líder do Refah acrescenta: «Gostaríamos de alterar a Constituição, de modo a poder existir um partido religioso. Queremos mais democracia do que as democracias ocidentais!» Inquirido sobre a possibilidade de uma «Turquia Refah» vir a representar um papel modelo entre os países islâmicos, responde que, presentemente, nenhum no mundo o desempenha.</P>
<P>
Sahin parece bastante moderado quando diz que, há um ano atrás, muitos turcos pensavam que o Refah proibiria as pessoas de se vestirem ou comportarem da forma como o fazem ou querem fazer. «Somos de diferentes raças e terras, somos muito tolerantes. O senhor Erdogan [o presidente da câmara de Istambul desde as eleições de Março] foi visitar igrejas e sinagogas para dizer aos sacerdotes: `Venham a mim, sou o vosso presidente da câmara!'»</P>
<P>
A propósito dos inúmeros migrantes que chegam a Istambul e a Ancara, Sahin observa: «Se as pessoas conseguissem sobreviver na Anatólia, não abandonariam as suas casas. Eles vêm com a esperança de melhorar as suas vidas. O problema curdo é uma consequência dos erros cometidos por todos os partidos políticos nos últimos cem anos. As aldeias do Sudeste foram despovoadas à força devido a questões de segurança. O problema dos direitos humanos na Turquia chamou ao mesmo tempo a atenção geral para a questão curda.»</P>
<P>
No que respeita ao acordo de união aduaneira entre a Turquia e a União Europeia, Sahin afirma: «O Refah gostaria que a Turquia não fosse admitida. A Turquia não iria beneficiar com isso. A Turquia recebe empréstimos da CE, não subsídios. Não somos membros da CE e não participamos nas cimeiras, mas ficaríamos obrigados a fazer o que eles [a CE] mandam. Só daqui a 25 anos seríamos membros de pleno direito da CE. A Europa não é o mundo, podemos negociar tratados económicos com os países islâmicos.»</P>
<P>
Instado a comentar as acusações proferidas pelos adversários do Refah sobre o facto de o partido estar a ser grandemente subsidiado pela Arábia Saudita, pelo Irão e pela Líbia, o dirigente do Refah declara: «Não nos é permitido aceitar financiamentos do exterior, apenas de fundações religiosas e sociais.» Refira-se que orçamento anual da Turquia atribui ao Ministério dos Assuntos Religiosos mais dinheiro do que é gasto com o ambiente e quase tanto como o que é concedido ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.</P>
<P>
O líder do Refah nega também que o partido pague um bónus aos novos membros ou às mulheres para que usem o traje islâmico. «As mulheres usam vestuário islâmico por respeito pela sua religião.»</P>
<P>
A ameaça ao Estado secular instituído por Kemal Atatürk tornou-se alarmantemente visível com o vigoroso ressurgimento islâmico na década de 80. Ficou de repente claro que o fervor islâmico nunca deixara de existir entre a população turca, a despeito da propagação do kemalismo e que este não constituía alternativa ao islão e às suas leis divinas. Os turcos ocidentalizados mal podiam acreditar.</P>
<P>
Atatürk abandonou a «sharia» islâmica em 1924, introduziu os chapéus e o vestuário ocidental em 1927, apagou o islão da Constituição em 1928 e adoptou o alfabeto latino. A questão da instrução islâmica foi resolvida por Atatürk em 1924 com a Lei da Unificação da Educação. A espinhosa questão voltou porém à superfície com a introdução de um sistema político multipartidário na década de 40. Entre 1946 e 1949, o Partido da República do Povo debateu a educação dos imãs (sacerdotes muçulmanos) e dos «hatips» (pregadores). Em 1949 foram criados dez cursos de imã-«hatip» em diversas capitais de província e a Faculdade de Teologia em Ancara.</P>
<P>
Por todo o país, o rápido aumento do número de escolas imã-«hatip», surgidas no começo da década de 50, sob tutela do Ministério da Educação, faz com que os turcos partidários do secularismo se sintam apreensivos. Nos anos 60, deixaram de ser escolas puramente vocacionais-religiosas para passarem a constituir um sistema educativo alternativo. Entre 10 e 12 por cento da população escolar frequenta esses estabelecimentos. Os seus diplomados têm sido admitidos em universidades, recrutados para o exército -- embora lhes esteja vedado o ingresso na Academia Militar, que forma oficiais -- e estão em quase todos os sectores do Governo e nos ministérios. Um funcionário do Governo que deseja manter o anonimato considera que «o Governo cometeu um erro ao instituir e apoiar as escolas imã-`hatip'!»</P>
<P>
Tanto Asli, a nossa guia e intérprete, como a sua família e amigos são adeptos do secularismo, embora sejam turcos tradicionais. Temem um domínio islamista do país e só revelam desprezo pelo Refah: «Se o Refah vencer as eleições em Outubro de 1996, as famílias seculares turcas que tenham posses abandonarão o país. Já há muitas cujos filhos estão a estudar no estrangeiro. Se o Refah vencer, alterarão a Constituição e instituirão a lei da `sharia'. Não serão moderados. Mas mesmo que isso aconteça, não ficarão no poder por muito tempo! O exército não o permitirá!»</P>
<P>
Com efeito, o general Kenan Evren, antigo Presidente da Turquia, declarou numa entrevista à revista «Meydan» no Outono de 1994: «Se eles [o Refah] tentarem instituir a `sharia', o exército intervirá.» Um funcionário do Governo que não deseja ser identificado afirma: «Os oficiais do exército nunca permitirão que o exército seja prejudicado por extremistas. Há uma pequena minoria de islamistas infiltrada ao nível dos soldados. No exército há uma estrita disciplina e adesão ao kemalismo. As forças armadas não tomarão partido, pois não desejam ser conotadas com um regime pró-militar. Irão esperar. Existem vários grupos terroristas islâmicos que há que tomar a sério. Se a agitação no Sudeste não cessar e se a economia não melhorar, há o perigo do islamismo vencer.»</P>
<P>
Muitos turistas estrangeiros parecem ditosamente alheios aos conflitos religiosos, políticos e sociais de Istambul (e da Turquia), provavelmente porque tendem a movimentar-se nas zonas históricas da Istambul na margem europeia do Bósforo.</P>
<P>
O Expresso do Oriente, epítome da sedução e do luxo e, para muitos, associado a uma Istambul exótica, já não vem até aqui. As razões avançadas para a interrupção desta forma romântica de chegar a Istambul prendem-se com o custo exorbitante da viagem e -- isto dito com receio -- a ameaça do terrorismo islâmico. Até à data, apenas dois turistas foram mortos em Istambul por extremistas islâmicos, ambos no bazar coberto. Em finais de Agosto de 1995, explodiram cinco bombas na Istiklal, a principal zona turística, matando duas pessoas e ferindo 40. Uma sexta bomba foi encontrada e desactivada pelas forças de segurança. Os ataques foram reivindicados pelo Partido da União Islâmica Curda.</P>
<P>
Apesar de tudo, Istambul continua a ser a mais bela cidade portuária do mundo. Visitantes afluem dos quatro cantos do mundo para ver os monumentos do passado bizantino e otomano que adornam as sete colinas. Se tiverem sorte e se se encontrarem no local certo à hora certa, verão o sol iluminar o Corno de Ouro e transformá-lo num rio de ouro.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-47895">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
A Anistia Internacional divulgou ontem um relatório em que acusa o Exército mexicano de torturas, assassinatos, detenções arbitrárias, bombardeios indiscriminados contra civis e outras violações dos direitos humanos durante a tentativa de reprimir a rebelião da guerrilha indígena Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), iniciada dia 1º no Estado de Chiapas (sudeste do país).</P>
<P>
O relatório diz que uma equipe da AI visitou Chiapas entre os dias 18 e 22 e constatou "dezenas de casos de tortura, pelo menos nove execuções extrajudiciais, dois estupros, 15 supostos assassinatos, 11 'desaparecimentos' e dezenas de prisões arbitrárias".</P>
<P>
A equipe da Anistia entrevistou 70 índios e camponeses presos na penitenciária de Cerro Hueco, em Tuxla Gutiérrez, a capital de Chiapas. "A maioria havia sido mantida incomunicável e sem tratamento médico por vários dias, depois de submetida a torturas e maus-tratos para revelar informações sobre a guerrilha", diz o relatório.</P>
<P>
Segundo o governo, 105 pessoas morreram nos combates que se seguiram à tomada de seis cidades da região pelo EZLN. A Comissão Nacional de Direitos Humanos diz que 127 pessoas estão "desaparecidas" e que encontrou 11 corpos numa vala comum.</P>
<P>
O presidente Carlos Salinas de Gortari, que na sexta-feira passada anunciou anistia aos rebeldes que depuserem as armas, esteve ontem em Tuxla Gutiérrez e encontrou-se com líderes indígenas.</P>
<P>
Através do ex-chanceler Manuel Camacho Solís, enviado especial de Salinas para negociar com o EZLN, a guerrilha divulgou ontem uma agenda de quatro pontos para o diálogo: reivindicações políticas, econômicas e sociais em benefício dos índios de Chiapas (Estado mais pobre do México) e garantias de cessação das hostilidades.</P>
<P>
Em San Cristóbal de las Casas, uma das cidades tomadas pela guerrilha no Ano Novo, comerciantes e militantes do Partido Revolucionário Institucional (PRI, no poder há 65 anos) fizeram um protesto contra o bispo Samuel Ruiz, a quem chamam de "bispo guerrilheiro". Alguns comerciantes disseram que autoridades locais tentaram coagi-los a participar.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-28149">
<P>
Gil y Gil quer Artur e Futre</P>
<P>
O Atlético de Madrid pretende o regresso de Paulo Futre e a contratação de Artur Jorge, revela hoje o jornal espanhol «El País», mas o «ABC» e o «Diário 16» apontam colombiano «Pacho» Maturana para o lugar de treinador do clube após o «Mundial»-94. O «El País» escreve ainda que o polémico presidente dos madrilenos pretende investir mais 1,6 milhões de contos para reestruturar a equipa, que este ano esteve perto da descida de divisão. Artur Jorge é desejado pela sua experiência e a movimentação que a sua presença a orientar a equipa pode despertar na massa associativa. Quanto a Futre, Jesus Gil está convencido que o declínio do Atlético começou com a sua saída. O presidente do Atlético de Madrid pensa ainda despedir sete jogadores e contratar outros sete, três dos quais estrangeiros. David Ginola, do Paris Saint-Germain, está entre os preferidos.</P>
<P>
Golfe: Ladies à chuva</P>
<P>
A primeira volta do Ladies Open Costa Azul em golfe, segunda prova do calendário do circuito europeu feminino de profissionais, foi ontem cancelada, no Clube de Golf do Montado, perto de Setúbal, devido a más condições climatéricas. A prova, que decorrerá até domingo alternadamente naquele percurso e no da Aroeira, na Fonte da Telha, e que distribui cerca de 13 mil contos de prémios monetários, será agora disputada em apenas 54 buracos (três rondas), havendo um corte ao segundo dia, no final do qual serão apuradas as 60 primeiras profissionais entre as 91 presentes no evento.</P>
<P>
Knicks em vantagem na NBA</P>
<P>
Ao vencer os tricampeões Chicago Bulls, por um ponto de diferença (87-86), os New York Knicks estão agora mais próximos de alcançar a final da Conferência oriental da Liga Norte-Americana de Basquetebol profissional (NBA). Os Knicks lideram a meia-final por 3-2 e caso vençam hoje à noite em Chicago garantem o apuramento, discutido à melhor de sete partidas. A jogar no Madison Square Garden, os Knicks sentiram grandes dificuldades para superar o seu adversário, que esteve em vantagem até 2,1s do termo da partida. Nesse momento, Hubert Davis tentou um triplo, mas falhou o cesto. Nas suas costas, Scottie Pippen não evitou o contacto e na marcação dos lançamentos livres, Davis estabeleceu o resultado final. Pippen foi o melhor marcador do jogo, com 23 pontos, mais três que Pat Ewing (Knicks).</P>
<P>
Sofia afastada em Roland Garros</P>
<P>
A tenista portuguesa Sofia Prazeres foi ontem eliminada na primeira ronda do torneio de qualificação para os Internacionais de França, a decorrer em Roland Garros. Prazeres, número 176 do «ranking» mundial, perdeu por 6-2 e 6-0 com a eslovena Tina Krizan (178º), nesta sua primeira presença numa fase de qualificação para um torneio do «Grand Slam». O quadro principal começa a disputar-se na próxima segunda-feira.</P>
<P>
Mortes de Ímola na justiça</P>
<P>
Dezassete pessoas foram notificadas pelos magistrados italianos encarregues de estudar as mortes de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger, no Grande Prémio de Fórmula 1 de Ímola, para prestar depoimentos. Segundo a televisão italiana, três oficiais da companhia Sagis, que explora o circuito, estavam entre as pessoas sujeitas a investigações. Elementos da Williams/Renault, equipa de Senna, e da Simtek, de Ratzenberger, completam a lista.</P>
<P>
Itália bate recorde no râguebi</P>
<P>
A Itália bateu o recorde galês do resultado mais volumoso na Taça do Mundo de râguebi ao vencer, quarta-feira, a República Checa por 104-8 na zona de qualificação da Europa Central. O País de Gales derrotara Portugal, por 102-11, em jogo da zona da Europa Ocidental, realizado terça-feira.</P>
<P>
Ryder Cup esgota bilhetes</P>
<P>
Dois dias depois de terem sido colocados à venda, os 25 mil bilhetes para a Ryder Cup'95, em golfe -- competição que opõe as selecções da Europa e dos EUA -- já estavam esgotados, revelou quarta-feira a Associação dos Profissionais de Golfe (PGA) dos Estados Unidos. A prova bienal vai ter lugar no Oak Hill Country Club em Rochester, Nova Iorque, entre 22 e 24 de Setembro de 1995, e realiza-se desde 1927.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70613">
<P>
Daqui fala o Jonas</P>
<P>
Carlos Marinheiro</P>
<P>
Um telefonema de Jonas Savimbi para Mário Soares não passaria de um acontecimento banal, se não existissem implicações demasiado graves, se o mundo não assistisse, em Angola, a uma das guerras mais mortíferas dos tempos modernos.</P>
<P>
Porém, essa guerra infelizmente existe, apesar de umas eleições que as Nações Unidas declararam «livres e justas», com o silêncio de Mário Soares, que nunca pôs em causa as declarações dos observadores internacionais, considerados pelas formações partidárias que se apresentaram ao acto eleitoral suficientemente idóneos para a difícil função de «árbitros» do conflito.</P>
<P>
A guerra existe também perante a passividade do Presidente da República de Portugal, que foi incapaz de aconselhar o seu amigo Jonas Savimbi a aceitar os resultados das eleições, quando ele, depois de perder nas urnas, resolveu conquistar, cidade após cidade, pela força das armas; em suma, decidiu tomar o poder político em Angola, sem o mínimo respeito pela vontade das populações. Segundo afirmaram responsáveis da própria UNITA, chegaram a dominar mais de dois terços do território angolano.</P>
<P>
Contudo, quando o MPLA resolveu reconquistar pela força o poder de governar o país na sua totalidade, como tinha sido decidido nas eleições, Mário Soares abandona os silêncios para falar em «hipocrisias».</P>
<P>
Estranha palavra na boca de um homem que é campeão da democracia, que é olhado no mundo inteiro como o símbolo da liberdade, que guardou silêncio quando os observadores internacionais ao serviço da ONU declararam que as eleições foram «livres e justas» e que, por outro lado, sempre primou pela coragem e frontalidade com que expôs as suas opiniões.</P>
<P>
Que pensar do estranho comportamento do Presidente de todos os portugueses nesta delicada questão?</P>
<P>
Em Outubro de 1995, vamos ter eleições legislativas em Portugal. A vitória pertencerá, muito provavelmente, ao PS ou ao PSD. O segundo lugar caberá, muito provavelmente, ao PS ou ao PSD. Assim, um destes partidos poderá considerar que houve fraude -- mais a mais não temos cá as Nações Unidas para fiscalizar o acto eleitoral -- e resolve tomar o poder pela força, começando por ocupar a cidade do Porto. Depois Braga, Aveiro, Coimbra, talvez todo o Norte e parte do Centro do país.</P>
<P>
O Presidente de todos os portugueses, presume-se, assistirá em silêncio a esta forma peculiar de encarar a democracia e só reagirá quando o PS ou o PSD -- as probabilidades apontam para um deles -- resolver reconquistar, pelas armas, a parte ocupada do país que lhe deu a vitória eleitoral. Nessa altura, Mário Soares desabafará, tal como em relação a Angola (quem sabe?...), com a palavra sacramental: «hipocrisias».</P>
<P>
Angola é diferente -- dirão alguns analistas políticos, na sua imensa sabedoria. Contudo, as eleições angolanas devem ser encaradas com a mesma seriedade das eleições de qualquer país europeu. Se realmente houve fraude, os responsáveis políticos mundiais, como o dr. Mário Soares, deviam declará-lo frontalmente, primeiro, e só depois agirem, como se não se tivesse realizado qualquer acto eleitoral. A não procederam assim, alguém poderá, com alguma propriedade, falar em «hipocrisias».</P>
<P>
Não se fazem juízos de valor sobre os dois antagonistas -- MPLA e UNITA --, mas o povo angolano, que participou com tanto entusiasmo nas suas primeiras eleições livres, merece um mínimo de respeito de dirigentes políticos que têm responsabilidades na defesa da democracia e da liberdade.</P>
<P>
José Eduardo dos Santos pode ser igual ou pior do que Jonas Savimbi, mas quem tem o direito de o decidir, nas urnas, são os cidadãos da República de Angola. Mesmo que dêem uma cabeçada aprendem sempre qualquer coisa, e talvez nas próximas eleições votem, finalmente, no amigo da família presidencial. Claro, se ele tiver paciência de esperar até ao próximo acto eleitoral.</P>
<P>
A importância das relações de Portugal com os países de expressão portuguesa é inquestionável para todos os cidadãos deste país que não estão aprisionados nas teias de «lobbies», cujos interesses particulares colidem com o interesse geral do povo português. O cidadão comum tem a percepção clara dessa realidade. O cidadão mais conhecedor dos meandros da política internacional possui uma responsabilidade acrescida, em relação à necessidade de preservarmos um relacionamento privilegiado com os povos das ex-colónias.</P>
<P>
Dir-se-á que os governos não são propriamente os povos, o que até certo ponto constitui uma verdade. Mas como pode um cidadão que toda a vida defendeu as virtualidades da democracia apoiar um agrupamento político que saiu claramente derrotado de umas eleições «livres e justas», sem o assumir perante a opinião pública mundial? Só se declarar, sem subterfúgios, que o acto eleitoral, sancionado por um organismo que esse cidadão nunca pôs em causa, foi uma autêntica farsa. E então sim, o cidadão Mário Soares fica de mal com as Nações Unidas, mas fica de bem com a coerência que se exige a um homem de Estado com a sua craveira internacional.</P>
<P>
O prestígio de Presidente português no mundo encontra-se, naturalmente, em queda, devido à sua teimosia em defender a causa pouco credível do seu amigo Jonas Savimbi. Mesmo que se contraponha que a causa dos opositores da UNITA não é mais credível, estes têm a seu favor, neste momento, umas eleições «livres e justas», sancionadas por diversos observadores internacionais, cuja credibilidade lhes advém da sua presença no terreno eleitoral. O que naturalmente não acontece com o presidente Mário Soares, nem com a primeira dama do nosso país.</P>
<P>
O Governo português tem mantido, neste caso, um comportamento exemplar, respeitando o povo angolano e os árbitros internacionais do conflito, sem se deixar enredar em contradições prejudiciais às nossas relações, não só com Angola, mas também com toda a África Austral. Há, sem dúvida, algum mérito do ministro Durão Barroso, bem como do primeiro-ministro, Cavaco Silva, que parece ter em relação à política externa uma distanciação e um pragmatismo que, de todo em todo, não consegue na política interna.</P>
<P>
Quando Mário Soares recebeu um telefonema de algures em Angola, talvez as primeiras palavras proferidas do outro lado tivessem sido: Daqui fala o Jonas. Sem pretender ser conselheiro presidencial, mas tão-só traduzir a perplexidade da maioria da população portuguesa, a resposta que se impunha ao «mon ami Jonas» -- para bem do nosso futuro relacionamento com toda a África Austral -- deveria consistir, por exemplo, em algo como: Daqui fala o Presidente da República de Portugal.</P>
<P>
Destaque: As eleições angolanas devem ser encaradas com a mesma seriedade das eleições de qualquer país europeu. Se realmente houve fraude, os responsáveis políticos mundiais, como o dr. Mário Soares, deviam declará-lo frontalmente, primeiro, e só depois agirem, como se não se tivesse realizado qualquer acto eleitoral. A não procederam assim, alguém poderá, com alguma propriedade, falar em «hipocrisias».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-85256">
<P>
Torcida faz 'arrastão' em estádios</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A violência ronda os estádios que sediam os jogos da Copa São Paulo de Juniores. Uma série de ocorrências policiais foram registradas ontem pelo Copom (Comando de Policiamento Metropolitano). A mais grave envolveu torcedores do Palmeiras e do Corinthians (uma triste tradição do futebol paulista) e deixou dois feridos graves.</P>
<P>
Um ônibus que ia para o Pacaembu e levava torcedores corintianos foi atacado nas proximidades da praça Cornélia por aproximadamente 30 torcedores do Palmeiras, que, naquele momento, deixavam o Parque Antarctica. Ao verem os corintianos, os palmeirenses começaram a atirar pedras e garrafas.</P>
<P>
Atiraram também um rojão que explodiu no interior do ônibus, ferindo com queimaduras graves Roseli Ramos Luz, 24, e Antonio Pinheiro da Silva, 30, que sequer eram torcedores. Silva estava indo encontrar a namorada e Roseli saía do trabalho. Ela foi internada no hospital São Camilo, na Pompéia, e Silva, no Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas.</P>
<P>
Um ônibus teria sido atingido na porta por uma bala de revólver disparada por um torcedor não identificado pela PM.</P>
<P>
A exemplo do que fizeram torcedores do Palmeiras à tarde, no Parque Antarctica, alguns torcedores corintianos também praticaram "arrastões" dentro do estádio do Pacaembu, no jogo disputado à noite. Agrediram vendedores de salgados e de sorvetes, roubando todos os seus produtos. O policiamento escasso não conseguiu evitar as agressões. (ME)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30347">
<P>
A diretoria do Hospital das Clínicas de Aracaju suspendeu o atendimento seletivo em seu pronto-socorro. A seleção de doentes, que durou 60 dias, era feita como forma de reduzir os gastos e em protesto contra o atraso do Inamps nos pagamentos mensais.</P>
<P>
Paraíba 1</P>
<P>
O Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) divulgou um balanço das ocorrências registradas no ano passado em João Pessoa. Entre os casos mais violentos estão 76 assassinatos, 74 assaltos a residências, 24 estupros, dois sequestros, três assaltos a bancos e 29 suicídios.</P>
<P>
Paraíba 2</P>
<P>
O secretário de Educação da Paraíba, Sebastião Vieira, afirmou que os quatro Caics (Centros de Atendimentos Integral à Criança) construídos pelo governo federal na Paraíba começam a funcionar em março. Segundo o secretário, cerca de 4.000 estudantes passarão o dia na escola.</P>
<P>
Paraíba 3</P>
<P>
A Secretaria de Saúde da Paraíba registrou 63 casos de Aids no Estado em 93, o dobro de 92. O maior número aconteceu em João Pessoa: 44.</P>
<P>
Natal 1</P>
<P>
O navio Odessa, de bandeira ucraniana, com 350 turistas alemães, chegou anteontem a Natal. Os turistas, da cidade de Bremen, visitaram pontos turísticos e conheceram as dunas de Genipabu.</P>
<P>
Natal 2</P>
<P>
O Forte dos Reis Magos, em Natal, completa hoje 396 anos de fundação. As 7h30 acontece uma missa na capela do forte, localizada no estuário do rio Potengi.</P>
<P>
Fortaleza 1</P>
<P>
A Fundação Cearense de Meteorologia registrou ontem chuvas em 122 municípios cearenses. Na maioria deles, a chegada das chuvas foi comemorada pela população com palmas e fogos de artifício. O Ceará sofre a pior seca dos últimos 50 anos.</P>
<P>
Piauí</P>
<P>
Os Correios e Telégrafos entregam esta semana um relatório sobre um roubo na agência central à Polícia Federal. Segundo a diretoria dos Correios, o roubo de CR$ 1,35 milhão, aconteceu em novembro. Um funcionário do Servisan (empresa que cuida da manutenção) é o acusado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-42788">
<P>
Princípio da livre circulação</P>
<P>
Pescas com fronteiras invisíveis</P>
<P>
Com a abertura das fronteiras marítimas, Portugal opta pela sobrevivência do peixe fresco da costa. Com os vizinhos longe. É a posição que o Governo vai defender hoje em Bruxelas.</P>
<P>
Daniel Deusdado</P>
<P>
Finalmente, Portugal e Espanha assustam os restantes parceiros comunitários: na pesca. Os barcos espanhóis e portugueses de médio e longo curso preparam-se para aderir livremente às águas da União Europeia no dia 1 de Janeiro de 1996, altura em que expiram as «fronteiras marítimas». Hoje, em Bruxelas, o ministros das Pescas reúnem-se para estabelecer o princípio formal da livre circulação nos mares, mas todos parecem ter conseguido estabelecer desde já uma estratégia de defesa face aos 300 barcos espanhóis. Incluindo Portugal.</P>
<P>
Os espanhóis têm, grosso modo, metade da frota comunitária (em tonelagem) e dois dramas: águas próprias exauridas e grandes comunidades locais dependentes do mar. Vigo, por exemplo, é o maior porto de pesca europeu, e os barcos e as empresas transformadoras de peixe da Galiza atravessam uma crise de dimensão quase catastrófica para a economia regional.</P>
<P>
Portugal também tem os seus problemas. De 1990 para este ano, reduziu de 50 para 16 o número de barcos de pesca longínqua, por força da incapacidade de obter locais para pescar bacalhau. Segundo Pedro França, presidente da associação dos armadores da pesca longínqua (ADAPI), «o país está a perder capacidade de ser competitivo num sector onde tem 500 anos de história». «Se nos derem quotas, não tememos ninguém, porque somos os melhores a pescar e sabemos ganhar dinheiro.»</P>
<P>
Os tempos não são, no entanto, fáceis para arranjar locais de pesca. Depois do «não» norueguês à União Europeia, as empresas de pesca longínqua perderam a quota de 3500 toneladas por ano de bacalhau com que já contavam. Os armadores nacionais estão reduzidos a uma escassa quota nas águas da Nafo (junto ao Canadá) e a 1850 toneladas nas águas do arquipélago Svalbard (junto à Noruega). Todos estes dados apontariam para que, politicamente, Portugal conseguisse mais locais de pesca e se unisse à Espanha, num esforço não só para poder pescar nas águas dos parceiros comunitários mas também noutras paragens.</P>
<P>
Só que as estratégias dos governos português e espanhol são quase opostas. Por um lado, os barcos portugueses parecem não ter interesse em pescar nas águas comunitárias -- não têm tradição de o fazer e, por essa razão, deixam mesmo livres 3000 toneladas de verdinho disponíveis para barcos portugueses. Depois, porque se Portugal apostar na defesa da livre circulação em águas internacionais, vai defender pior as águas nacionais. E o objectivo de Azevedo Soares é proteger as águas internas, incluindo as dos Açores e da Madeira.</P>
<P>
O ministro do Mar afirmou ao PÚBLICO que a posição portuguesa na reunião de Bruxelas é baseada nos três princípios que gradualmente os Estados foram acordando entre si: «Manutenção do equilíbrio de pesca; não aumento do número de embarcações; defesa de zonas sensíveis de pesca.» Esta linguagem oficial pressupõe a defesa intransigente da protecção das espécies, com a fixação de quotas máximas, e a continuação da política de abates -- sobretudo de embarcações antigas que acabam por estragar a bordo percentagens significativas de peixe.</P>
<P>
Escolha entre grandes e pequenos</P>
<P>
Se é verdade que um navio do bacalhau pode capturar 800 toneladas da espécie numa viagem de três ou quatro meses, gerando com isso negócios que podem atingir meio milhão de contos, as pequenas traineiras e barcos de arrasto que pescam ao largo de Portugal geram também uma facturação que, no conjunto, equivalerá a um grande navio de pesca longínqua.</P>
<P>
Do ponto de vista social, as oportunidades perdidas pela pesca longínqua estão a liquidar progressivamente comunidades em redor de Aveiro ou Viana. As grandes empresas da pesca longínqua têm feito, ainda assim, um esforço intenso para aproveitar os barcos, os pescadores e as fábricas que tratam e comercializam o peixe, dedicando-se à captura de outras espécies que não o bacalhau, casos da palmeta (vendida para o Japão), do espadarte (Estados Unidos) e do «red-fish».</P>
<P>
Se os espanhóis e outros barcos comunitários passassem a pescar nas águas portuguesas, sofreriam então as embarcações costeiras, pois, ao contrário do que se pensa, as águas nacionais não são ricas em recursos marinhos. Foi, aliás, essa realidade que empurrou os portugueses para ás águas frias do Árctico à pesca do bacalhau. A pressão comunitária nas nossas águas faria diminuir significativamente os recursos nacionais de peixe e traria repercussões sociais que afectariam o já de si precário equilíbrio das comunidades litorais de Portugal, algumas das quais sobrevivem apenas à custa do mar.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="wpt-1014517543841152414">
<P>
Agora já pode chegar ao seu pesqueiro preferido do modo mais rápido possível e sem possibilidade de enganos no caminho!</P>
<P>
-Sistema de Navegação automóvel, pronto a usar, com indicações de mudança de direcção (turn-by-turn) de voz e visuais a 3 dimensões (True view 3d navigation exclusiva da Magellan), e ecrã táctil com 32.000 côres.</P>
<P>
Aplicação na viatura muito simples.</P>
<P>
Pode ser facilmente removido e aplicado noutras viaturas.</P>
<P>
Só tem que escolher o seu destino e o magellan roadmate calcula automaticamente a sua rota,caso mude a sua rota, para tomar um atalho o RoadMate recalcula a sua rota.</P>
<P>
-Base de dados com mapas de Portugal, Espanha e sul de França incorporados</P>
<P>
-Inclui cartão SD de 512Mb para importação de mapas,waypoints ou rotas criadas em casa.</P>
<P>
Pontos de interesse, organizados em mais de 40 categorias incluíndo, restaurantes, parques, estações de serviço, hotéis, escolas etc.</P>
<P>
Grava até 600 endereços pessoais.(ou 200 endereços por cada utilizador, permitindo um máximo de 3 utilizadores.)</P>
<P>
O planeamento de rota pode ser feito das seguintes maneiras:</P>
<P>
-O caminho mais rápido.</P>
<P>
-Distância mais curta.</P>
<P>
-O menor uso de auto-estradas</P>
<P>
Alimentação de 10-18V DC</P>
<P>
Fornecido com suporte universal, suporte com ventosa para fixação do vidro,cabo de alimentação exterior de 220V AC, cabo USB para ligação ao computador e CD-ROM com manual de instruções em português.</P>
<P>
Menus e indicações de voz, a partir de Setembro 2005 (unidades vendidas agora terão actualização grátis nessa altura.)</P>
<P>
-Encomenda sujeita a confirmação.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75628a">
<P>
Cabo Verde está a três meses de novo ciclo eleitoral</P>
<P>
PAICV renova-se e tenta regresso</P>
<P>
José Vicente Lopes, na Cidade da Praia</P>
<P>
A velha bandeira de Aristides Pereira e de Pedro Pires continua a ser agitada com orgulho pelos seus correlegionários, que gostariam de a resgatar da derrota sofrida há quatro anos e meio, quando ela própria foi vítima do multipartidarismo que aprovara.</P>
<P>
Os dirigentes do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que dirigiu o país durante os primeiros 15 anos e meio da independência e que foi derrotado nas eleições de 1991, dizem-se prontos a regressar ao poder, tendo para o efeito realizado, durante este último fim de semana, o seu VII Congresso.</P>
<P>
Sob o lema «Para um país vencedor», os cerca de 300 delegados de todas as ilhas do arquipélago e, ainda, da emigração em Portugal e nos Estados Unidos deram o primeiro passo nesse sentido ao reelegerem Pedro Pires para a presidência partidária e Aristides Lima para o lugar de secretário-geral. Ao mesmo tempo que ampliavam a Comissão Política de 12 para 17 elementos e que a tornavam integralmente constituída por pessoas que só aderiram ao partido após a proclamação da independência, em 1975. De fora ficaram os históricos Silvino da Luz e Olívio Pires, sob a alegação de que não residem na Cidade da Praia (Santiago), mas sim na ilha de São Vicente, não estando portanto disponíveis para um trabalho contínuo daquela equipa ou para quaisquer reuniões de emergência.</P>
<P>
A decisão demonstra que o PAICV -- derivado há 14 anos do antigo braço cabo-verdeano do PAIGC criado em Bissau por Amílcar Cabral e Aristides Pereira -- conseguiu arrumar a casa e rejuvenescer-se, passada que foi a agitação verificada em 1991, após a pesada derrota sofrida tanto nas legislativas como nas presidenciais. Na altura, alguns rostos históricos começaram a ser afastados ou tiveram que dar a primazia aos novos. Aristides Lima, até então figura sem grande expressão, acabou por ser eleito secretário-geral, em substituição do antigo primeiro-ministro Pedro Pires, remetido para o cargo honorífico de presidente.</P>
<P>
Passados mais de três anos sobre o reajustamento, alguns observadores na Cidade da Praia chegaram a prever que esta bicefalia fosse agora posta em causa, pois era voz corrente que Aristides Lima não se sentia à vontade sob a sombra tutelar de um homem que se destacara na luta pela independência travada em solo guineense. Por outro lado, certos sectores do próprio PAICV manifestavam-se insatisfeitos com o desempenho do seu actual líder, cuja maneira de ser calma, honesta e demasiado intelectual pouco se coaduna com a ferocidade dos adversários.</P>
<P>
Contudo, tais questões passaram ao largo deste congresso, que decorreu com as portas abertas à imprensa e ao público, contando ainda com a presença de convidados estrangeiros, entre eles Carlos Costa, do Partido Comunista Português. O próprio Aristides Lima acabou por se manifestar favorável ao esquema em vigor, garantindo que Pedro Pires -- que não faz parte da Comissão Política -- goza da sua inteira confiança política e que é um quadro que, pelo seu valor, nem o PAICV nem Cabo Verde se podem dar ao luxo de dispensar.</P>
<P>
Por sua vez, ao discursar sexta-feira na abertura do Congresso, Pires colocou a tónica na unidade, unidade essa que, segundo ele, permitiu que o PAICV resistisse às tentativas aniquiladoras vindas do único rival que tivera nas primeiras legislativas multipartidárias, o Movimento para a Democracia (MpD), de Carlos Veiga, primeiro-ministro há quase quatro anos e meio. «O PAICV não pode ser destruído», sublinhou o respectivo presidente. «Tem raízes profundas nas terras áridas de Cabo Verde. Resiste às secas mais prolongadas e mal caiam as primeiras chuvas começa a `beninar'» [florir].</P>
<P>
Moção de estratégia</P>
<P>
A pensar nas próximas eleições autárquicas, legislativas e presidenciais, os congressistas procederam igualmente à aprovação de uma moção de estratégia. Numa altura em que o MpD procura convencer a sociedade de que não há uma alternativa credível ao seu programa de governação, o Congresso da Praia procurou demonstrar o contrário, tendo para isso contado com a colaboração de 100 quadros, militantes ou não, que elaboraram as «Bases gerais do Governo do PAICV».</P>
<P>
Segundo Aristides Lima, o partido prepara-se para devolver aos cabo-verdeanos a esperança; e ao país a credibilidade e o respeito de que outrora gozava no plano internacional. Nos campos político e económico, o PAICV diz-se a favor da democracia e de uma «economia de mercado com justiça social e mais investimento no capital humano, como alternativa ao liberalismo selvagem e retrógrado adoptado pelo MpD e que conduziu o país à situação de crise económica e social em que está, com resultados visíveis para todos, como o agravamento do desemprego, da pobreza, da marginalização e exclusão sociais».</P>
<P>
Em termos institucionais, defende a revalorização da figura do Presidente da República, para além de maior autonomia dos deputados, mais transparência na condução da vida pública e uma maior participação cívica, pelo que é a favor de um sistema que permita a grupos de cidadãos concorrer às legislativas, lado a lado com os partidos.</P>
<P>
Por assim dizer, este Congresso foi uma oportunidade para os dirigentes do PAICV reiterarem as críticas que vêm fazendo ao Governo de Veiga, inclusive à sua honestidade, enquanto organizador das próximas eleições. O PAICV exige a presença de observadores internacionais, no que é apoiado por outras forças da oposição, nomeadamente pelo recém-criado Partido da Convergência Democrática (PCD), de Eurico Monteiro.</P>
<P>
O novo ciclo eleitoral cabo-verdeano deverá começar em Outubro, com as autárquicas, seguindo-se em Dezembro as legislativas e em Janeiro as presidenciais. Para além do MpD, do PAICV e do PCD, também poderão estar em liça a velha mas pequena União Cabo-Verdeana Independente e Democrática (UCID) e o Partido Social Democrático (PSD), legalizado há duas semanas e dirigido por João Além.</P>
<P>
Legenda: A bandeira do PAICV faz parte do património das ilhas crioulas</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26573">
<P>
Da Folha Vale</P>
<P>
A Polícia Rodoviária Federal registrou um aumento de 20% no número de mortes ocorridas na via Dutra, em São Paulo, em 1993 em relação a 1992. Os dados se referem ao período entre janeiro e outubro dos dois anos –a polícia ainda não fez o balanço dos meses de novembro e dezembro de 93. São 276 mortes no período, contra 230 mortes de janeiro a outubro de 1992.</P>
<P>
Já o número de acidentes cresceu 3,5% –saltou de 3.711 nos dez primeiros meses de 1992 para 3.854 no mesmo período de 93.</P>
<P>
O número de feridos também teve crescimento, embora pequeno. Foram 1.504 feridos em 92 contra 1.530 em 93. Em apenas dois acidentes em 93, ocorridos no km 59 da via Dutra, em Guaratinguetá, morreram 46 pessoas em menos de 30 dias.</P>
<P>
No maior acidente da história da via Dutra, 29 pessoas morreram em uma batida que envolveu um ônibus e três caminhões. O acidente ocorreu no dia 18 de junho. O outro acidente ocorreu no dia 16 de julho a menos de um quilômetro do primeiro, causando 17 mortes.</P>
<P>
A violência também cresceu na rodovia dos Tamoios, que liga o litoral norte ao Vale do Paraíba: houve 38% mais mortes nessa estrada durante todo o ano passado em relação a 1992. Até a quarta-feira passada, ocorreram 62 mortes na estrada, contra 45 registrados em 1992.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75580">
<P>
A Secretaria da Saúde de Araçatuba (532 km a noroeste de SP) teme uma epidemia de hepatite tipo A, transmitida por vírus. Há um surto da doença, com 8 casos confirmados e 2 suspeitos, todos no bairro Abílio Mendes, na periferia. A escola municipal Deodato Isique (foto), no bairro, ficará fechada por 30 dias para evitar a disseminação do vírus.</P>
<P>
O NÚMERO 1 </P>
<P>
42 ... pranchas de body boarding foram apreendidas por bombeiros na praia de Piedade, no litoral de Pernambuco, durante a fiscalização para evitar que surfistas ultrapassem áreas de risco de ataque de tubarões. Nos últimos três anos, 16 pessoas foram atacadas _2 delas morreram.</P>
<P>
O NÚMERO 2 </P>
<P>
3.800 ... hectares de vegetação nativa na "Gruta do Lago Azul", um dos pontos turísticos de Bonito (MS), foram destruídos por um incêndio iniciado anteontem. A área atingida equivale a 5.322 campos de futebol. Três equipes de bombeiros trabalhavam no local, próximo ao rio Formoso.</P>
<P>
Vítima de chacina em SP consumiria drogas </P>
<P>
A menor C.M.T., 14, que morava com o pedreiro Daniel Justo de Lima, 24, uma das três vítimas da chacina ocorrida domingo em Diadema (15 km ao sul de SP), disse ontem à polícia que Lima "costumava consumir maconha. A chacina, a 37ª deste ano na Grande SP, pode estar relacionada ao tráfico.</P>
<P>
Delegacia investiga invasão em manancial </P>
<P>
A Delegacia do Meio Ambiente abriu 18 inquéritos para apurar invasões irregulares em área de manancial próxima à represa Billings, no ABCD. Essas áreas não podem ser ocupadas sob risco de acabar com a formação de água. Os invasores podem ser presos por até três anos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-2312"> 
<P> Sistema de Posicionamento Global </P>
 <P> O Sistema de Posicionamento Global, vulgarmente conhecido por GPS (do acrónimo do inglês Global Positioning System), é um sistema de posicionamento por satélite americano, por vezes incorrectamente designado de sistema de navegação, utilizado para determinação da posição de um receptor na superfície da Terra ou em órbita. Existem atualmente dois sistemas efetivos de posicionamento por satélite; o GPS americano e o Glonass russo; também existem mais dois sistemas em implantação; o Galileo europeu e o Compass chinês. </P>
 <P> O sistema GPS foi criado e é controlado pelo
Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América, DoD, e pode ser utilizado por qualquer pessoa, gratuitamente, necessitando apenas de um receptor que capte o sinal emitido pelos satélites. O DoD fornece dois tipos de serviços GPS: Standard e Precision. Contrariamente ao que inicialmente acontecia, actualmente os dois serviços estão disponíveis em regime aberto em qualquer parte do mundo. O sistema está dividido em três partes: espacial, de controlo e utilizador. O segmento espacial é composto pela constelação de satélites. O segmento de controlo é formado pelas estações terrestres dispersas pelo mundo ao longo da Zona Equatorial, responsáveis pela monitorização das órbitas dos satélites, sincronização dos relógios atómicos de bordo dos satélites e actualização dos dados de almanaque que os satélites transmitem. O segmento do utilizador consiste num receptor que capta os sinais emitidos pelos satélites. Um receptor GPS (GPSR) descodifica as transmissões do sinal de código e fase de múltiplos satélites e calcula a sua posição com base nas distâncias a estes. A posição é dada por latitude, longitude e altitude, coordenadas geodésicas referentes ao sistema WGS84. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="hub-49343">
<P>
Afonso de Albuquerque</P>
<P>
Biografia</P>
<P>
Foi educado na corte de D. Afonso V. Partiu na esquadra mandada em 1480 em socorro do rei D. Fernando de Nápoles, «para reprimir o furor dos turcos». Esteve na expedição de 1489 para defender a fortaleza da Graciosa, situada da ilha que o rio Luco forma junto da cidade de Larache. Foi estribeiro-mor do rei D. João II, a quem em 1476 acompanhou nas guerras com Castela. Esteve assim nas praças-fortes de Arzila e Larache (Marrocos) em 1489, e em 1490 faz parte da guarda de D. João II, tendo voltado novamente a Arzila em 1495.</P>
<P>
Em 6 de abril de 1503 partiu para a Índia com o primo Francisco de Albuquerque, comandando cada qual três naus, tendo participado em várias batalhas, erguido a fortaleza em Cochim e estabelecido relações comerciais com Coulão.</P>
<P>
De regresso ao reino de Portugal, «mais cheio de glórias que de despojos», foi bem acolhido por D. Manuel que em 1506 o tornou a enviar ao Oriente em companhia de Tristão da Cunha e nomeando-o governador da Índia na sucessão do vice-Rei D. Francisco de Almeida. Neste posto, conquistou vários portos em Omã acabando por chegar à riquíssima cidade de Ormuz, que se tornou tributária de Portugal. Em 1510 toma Goa ao turco Hidalcão e em 1511 toma Malaca, abrindo aos portugueses o acesso às especiarias das Molucas e ao comércio com a China.</P>
<P>
Em Fevereiro de 1513 Albuquerque parte para o estreito de Bab-el-Mandebe, tentando tomar Áden sem êxito. Com a construção da fortaleza de Ormuz em 1515 concluiu o seu plano de domínio dos pontos estratégicos que permitiam o controlo marítimo e o monopólio comercial da Índia.</P>
<P>
Em 1514 na Índia dedicou-se à administração e diplomacia, a concluir a paz com Calecute, a receber embaixadas de reis indianos e a consolidar e embelezar Goa, onde, por meio do casamento de portugueses com mulheres indígenas procura criar uma raça luso-indiana. O seu prestígio chegara ao auge criando as bases do Império Português no Oriente.</P>
<P>
Jaz em local desconhecido em Goa, na India? Ora, quando morreu, conta Diogo Barbosa Machado na Bibliotheca Lusitana (Tomo I, página 23) que «foi amortalhado com o manto da Ordem militar de Santiago, de que era comendador, sepultado na igreja de Nossa Senhora da Serra em Goa, que edificara em agradecimento do feliz sucesso da conquista de Malaca. Passados 51 anos, foi trasladado, como dispusera seu testamento, ao convento de Nossa Senhora da Graça dos Religiosos Eremitas de Santo Agostinho da corte, para onde foi conduzido em 19 de maio de 1566 com pompa». </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-2775">
<P>
Mortos à queima-roupa</P>
<P>
Dezoito pessoas foram mortas na noite de domingo para segunda-feira, em dois massacres, um no sul e outro a este de São Paulo, no Brasil. Um grupo de indivíduos não identificados irrompeu , no domingo, às três horas da manhã, numa casa de Taboao, no sul, para executar, com uma bala na cabeça, 12 pessoas entre os 20 e os 75 anos. Em Itabacoroia, no este, três desconhecidos abriram fogo sobre seis ocupantes de uma casa, assassinando-os. A polícia ignorava ontem as razões desta matança.</P>
<P>
A favor das drogas duras</P>
<P>
Os cidadãos de Basileia, na Suíça, votaram no fim de semana por maioria a favor de um projecto de distribuição de drogas duras sob controlo médico, recusando, em simultâneo, conceder o direito de voto aos estrangeiros. Num referendo realizado por iniciativa do governo federal helvético, os habitantes de Basileia, apoiaram por uma maioria de 65,5 por cento um projecto para que 150 toxicodependentes da cidade recebam heroína, morfina ou metadona sob controlo médico. Pelo contrário, os habitantes da capital federal suíça rejeitaram -- com 73,8 por cento dos votos -- uma iniciativa proposta pelos movimentos de esquerda que tinha como objectivo outorgar o direito de voto aos estrangeiros no âmbito cantonal e comunal.</P>
<P>
Incendiado autocarro de neonazis</P>
<P>
Desconhecidos incendiaram, no sábado à tarde, um autocarro de neonazis alemães que se tinham deslocado à Dinamarca para participar numa festa de simpatizantes de extrema-direita. Dois condutores alemães, que dormiam no veículo estacionado na praça do mercado de Gladsaxe (noroeste de Copenhaga), acordados pelo fumo, conseguiram deixar o autocarro a tempo. O chefe do movimento nacional-socialista dinamarquês, organizador desta festa, Jonni Hansen, acusou um grupo de extrema-esquerda de ser o responsável por este atentado.</P>
<P>
Manifestação atrasa voo</P>
<P>
Os aviões da British Airways sofreram um atraso de meia-hora, ontem de manhã, à partida de Paris-Orly para os seus voos inaugurais para Londres-Heathrow, devido a uma manifestação de operários de uma companhia de «charters» francesa, a Air Liberté, que contestavam as condições de abertura desta ligação aérea. Os operários desviaram vários passageiros da companhia britânica para os «guichets» da Air France, abertos, mesmo ao lado, para a mesma ligação. Desejando a abertura das ligações entre Paris e Londres, os funcionários da Air Liberté reivindicam o acesso ao aeroporto londrino de Heathrow, onde esta companhia não obteve direitos de aterragem «comercialmente explorável» apesar dos vários pedidos apresentados desde 1989.</P>
<P>
Caça ao homem</P>
<P>
A caça ao homem continuava, ontem, na África do Sul, visando a captura de 87 prisioneiros que fugiram durante as manifestações para a redução das penas. As autoridades disseram, contudo, que a situação já está quase sob controlo. Os reclusos andam a monte desde sexta-feira de manhã. Distúrbios em cerca de dez cadeias com presos comuns reivindicando amnistias constituem um dos maiores desafios do novo Governo de Nelson Mandela.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-57673">
<P>
Habitação: as políticas necessárias</P>
<P>
António Fonseca Ferreira*</P>
<P>
As questões habitacionais foram olvidadas na última campanha eleitoral. Outras prioridades -- Europa, desemprego, educação, segurança -- e a escassez de recursos financeiros explicarão o sucedido.</P>
<P>
Mas a habitação não pode ser esquecida: 1º, é, indiscutivelmente, um sector de grandes carências sociais e humanas, razões pelas quais um governo do Partido Socialista não a pode tratar (mal) como fez o último Governo do PSD; 2º, a sua dimensão económica vocaciona o sector para a sustentação do emprego e da actividade económica em geral; 3º, a sua dimensão territorial aponta-a como instrumento estratégico de ordenamento do território; 4º, não há justificação para o imobilismo. Os condicionalismos financeiros são uma realidade. Mas também é certo que a resolução dos problemas habitacionais carece mais de imaginação e de «saber fazer» a mobilização de vontades e recursos dos agentes económicos e das famílias do que de volumosas dotações orçamentais.</P>
<P>
Eis a grande responsabilidade -- e oportunidade -- com que está confrontado o próximo Governo. Este pode contar com a expectativa e cooperação dos agentes do sector. Disponibilidade para o diálogo bem demonstrada por todos os parceiros sociais no processo do Encontro Nacional da Habitação, realizado em 1992/93.</P>
<P>
Estas energias são, seguramente, o mais precioso capital para impulsionar as mudanças e soluções habitacionais. Um domínio onde não será difícil ao próximo Governo «fazer a diferença», pela positiva, relativamente ao anterior Executivo.</P>
<P>
Uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.</P>
<P>
A reabilitação do parque habitacional e a revitalização dos centros históricos são prioridades estratégicas da política de habitação e do reordenamento do território.</P>
<P>
O património habitacional do país ultrapassa quatro milhões de alojamentos, excedendo, em cerca de 960 mil unidades, o número de famílias recenseadas (3,06 milhões).</P>
<P>
As cidades de província expandiram-se, de forma acentuada, nos anos 80. Condicionada a emigração para a região de Lisboa e para o estrangeiro, as populações rurais emigraram para os principais aglomerados regionais e, sobretudo, para as capitais de distrito.</P>
<P>
As nossas cidades padecem, hoje, de uma dupla irracionalidade: de um lado, centros históricos em desertificação, património em degradação, habitações vazias ou ocupadas por serviços; do outro, expansões periféricas desordenadas e desqualificadas, sem serviços nem equipamentos.</P>
<P>
De fenómenos característicos de Lisboa, desde a década de 60, a terciarização e desertificação do Centro, o crescimento caótico das periferias, o aumento dos movimentos pendulares e o congestionamento dos acessos alastraram, nos anos 80, a todas as cidades situadas a norte do Tejo.</P>
<P>
Os fundos comunitários e as remessas dos emigrantes (nos anos 80, transferiram-se da construção de casas na aldeia para a construção ou aquisição de habitações nas cidades, como investimento e apoio à escolarização dos filhos) aumentaram os rendimentos de alguns estratos urbanos e incentivaram o imobiliário. Famílias residentes nas áreas centrais, com falta de espaço, de conforto e de «status» habitacional, adquiriram a sua moradia ou andar nas novas expansões urbanas, tornando-se os principais adquirentes do excedente de habitações construídas (relativamente ao crescimento demográfico):</P>
<P>
É fundamental suster este processo de desqualificação e de desperdício habitacional, definindo estratégias e medidas para o (re)uso da cidade existente; revitalizando os centros urbanos dotados de equipamentos, serviços e empregos; revalorizando a função habitacional e preservando a multifuncionalidade. Desta forma se resolverá uma parte significativa das carências habitacionais e de outros problemas (congestionamento, segurança, desenraizamento das periferias).</P>
<P>
Realojamento: dos bairros sociais a uma política social de habitação</P>
<P>
Muitas vozes vêm defendendo uma profunda mudança nos processos de concepção, construção e gestão da habitação social pública. E, particularmente, nos processos de realojamento das populações vivendo em alojamentos precários.</P>
<P>
Os bairros sociais têm sido um desastre: nas soluções urbanísticas e arquitectónicas, no (não) tratamento dos espaços exteriores, na degradação rápida dos edifícios e frequentes conflitos de vizinhança. Tornando-se, não raras vezes, guetos sociais e sede de insegurança, toxicodependência e delinquência.</P>
<P>
Na apreciação destas situações não se poderá esquecer que os bairros degradados albergam populações que, por regra, concentram, para além do problema habitacional, outras graves carências económicas, humanas e culturais. Carências que as soluções habitacionais poderão ajudar a minorar ou a agravar, mas não a resolver.</P>
<P>
O Programa Especial de Realojamento (PER), criado em 1993 para o realojamento de famílias vivendo em barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, é uma prioridade incontornável da política de habitação. Mas o PER carece de uma profunda reformulação de conceitos e de processos de realização. É um programa com uma concepção monolítica e «pesada». Um «desastre anunciado».</P>
<P>
As mudanças não são fáceis. Mas as soluções são conhecidas. E, dado que em causa estão valores sociais, humanos e económicos fundamentais, teremos que mudar concepções, atitudes e processos relativamente ao realojamento social.</P>
<P>
Essas soluções, passam:</P>
<P>
-- Por a promoção pública directa, em regime de arrendamento, não ser a solução única para o realojamento. Há que diversificar as modalidades de promoção (privada de custos moderados, cooperativa) e de acesso (renda resolúvel, aquisição, propriedade);</P>
<P>
-- Por conhecer melhor as populações a realojar e, particularmente, por implicá-las nos processos de realojamento;</P>
<P>
-- Pela concepção e construção de um modelo diferente de «habitat» ao nível da integração urbanística e ambiental, das morfologias arquitectónicas (diversificadas) do atempado tratamento dos espaços exteriores e dos equipamentos;</P>
<P>
-- Por uma adequada gestão dos bairros com responsabilização conjunta dos moradores e dos municípios (ou empresas municipais);</P>
<P>
--Pela reconversão urbanística dos bairros sociais existentes e a reabilitação de zonas históricas degradadas.</P>
<P>
O fomento da produção de solo urbanizado pelas autarquias é outra das vertentes estratégicas da política de habitação.</P>
<P>
A escassez habitacional e o desordenamento do território são, em grande medida, o resultado da falta de uma adequada política de solos. É um sector que entregue às livres forças do mercado tem provocado uma evidente especulação e desperdício: delapidação de recursos naturais, do património arquitectónico, da qualidade ambiental e do espaço natural.</P>
<P>
O enquadramento legal dos solos urbanos é uma «manta de retalhos»: disperso, desconexo, ineficaz.</P>
<P>
Se a elaboração dos Planos Directores Municipais foi um passo necessário e positivo, haverá, agora, que passar dos planos à produção de solo urbanizado. Para tal é necessário:</P>
<P>
-- Revisão da legislação, uniformizando conceitos e operacionalizando os institutos de intervenção (associação, direito de preferência, expropriação);</P>
<P>
-- Adopção da figura de «solo programado»;</P>
<P>
-- Criação de linhas de crédito para os municípios adquirirem e infra-estruturarem terrenos, com a obrigatoriedade de os colocar no mercado;</P>
<P>
-- Adaptação dos instrumentos fiscais às necessidades das políticas de solos, estimulando a produção habitacional, particularmente a de custos controlados, e penalizando os terrenos expectantes.</P>
<P>
A sistematização e modernização da legislação sobre solos deverá ser feita no âmbito da Lei de Bases do Urbanismo e do Ordenamento do Território, uma das prioridades do próximo Governo após a falhada intenção do último Executivo em aprovar um (mau) diploma.</P>
<P>
A reactivação do mercado do arrendamento é uma condição essencial para o acesso à habitação e para a mobilidade residencial.</P>
<P>
No início dos anos 50, o parque habitacional em regime de arrendamento representava 49 por cento do total. Com a inversão de tendências verificada em 1971, o surgimento de modalidades mais cómodas e atractivas de aplicação de poupanças e os traumas criados a seguir ao 25 de Abril, o arrendamento habitacional caiu, de forma abrupta, nas últimas décadas.</P>
<P>
A produção privada de novas habitações para arrendamento tem sido insignificante (menos de um por cento); a promoção pública escassa (cerca de cinco por cento); a legislação para novos arrendamentos só lenta e timidamente veio a ser actualizada, mantendo-se desajustada para contratos em constância de arrendamento.</P>
<P>
Não surpreende que a quota do parque arrendado tenha caído para 42 por cento, em 1970; 39,5 por cento, em 1981; e 18,1 por cento, em 1991. Mantendo-se a situação, chegaremos ao final do século com menos de 15 por cento do parque em regime de aluguer. Em todos os países europeus essa quota é superior a 20 por cento, limiar mínimo para manter uma oferta acessível aos jovens e aos estratos economicamente desfavorecidos, e uma condições de mobilidade residencial.</P>
<P>
Entretanto, mudaram os tempos e os agentes do investimento em prédios de rendimento. Temos aí os novos investidores institucionais: fundos de pensões e de investimento, imobiliário, companhias de seguros, cooperativas em regime de inquilinato, talvez os emigrantes.</P>
<P>
Duas condições se torna necessário assegurar para o relançamento do arrendamento habitacional:</P>
<P>
-- Criação dos incentivos fiscais e financeiros para investimento institucional no arrendamento habitacional, designadamente no que se refere ao inquilinato cooperador e à competitividade com as condições de aquisição de casa própria;</P>
<P>
-- Actualização progressiva, para níveis de mercado, das rendas «em constância de arrendamento».</P>
<P>
Esta é uma medida de grande delicadeza política e social. Mas é indispensável para fazer entrar no mercado e reabilitar dezenas de milhares de fogos, hoje devolutos; e para uma adequada conservação do parque habitacional. E até poderá ser feita com vantagens políticas se:</P>
<P>
-- For antecedida da criação do «subsídio familiar à habitação» que permita às famílias de fracos recursos suportar os aumentos das rendas;</P>
<P>
- As actualizações forem escalonadas ao longo de 5/8 anos;</P>
<P>
-- A medida for bem explicada à opinião pública.</P>
<P>
* Coordenador do «Livro Branco sobre a Política da Habitação em Portugal».</P>
<P>
Insert</P>
<P>
Os condicionalismos financeiros são uma realidade. Mas também é certo que a resolução dos problemas habitacionais carece mais de imaginação e de «saber fazer» a mobilização de vontades e recursos dos agentes económicos e das famílias do que de volumosas dotações orçamentais</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-85981">
<P>
Judeu lituano, estalinista, estratego do ANC</P>
<P>
NASCIDO em 23 de Maio de 1926 numa família judaica da aldeia de Obelai, na Lituânia, quando o anti-semitismo estava a crescer nas margens do Báltico, Joe Slovo foi aos nove anos levado para a África do Sul, onde aos 16 -- já órfão de mãe -- aderiu ao Partido Comunista, numa altura em que a guerra devastava a Europa.</P>
<P>
Durante décadas conhecido como um estalinista e como uma figura básica da ligação entre a África Austral e o movimento comunista mundial, foi visto como o inimigo público número um por bastantes africaners para os quais o Kremlin era uma espécie de quartel-general do Mal.</P>
<P>
No entanto, entre a maioria da população sul-africana, negra e mestiça, chegou a ter uma popularidade quase tão grande como a de Nelson Mandela, que conheceu na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, onde ambos se licenciaram em Direito.</P>
<P>
Para além de secretário-geral do Partido Comunista da África do Sul, foi comandante do Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação), o braço armado do ANC, depois de ter sido detido em 1956 e em 1960, por actividades contra o monopólio do poder então exercido pela comunidade branca, minoritária.</P>
<P>
Espírito repartido entre as suas raízes europeias e a luta pela transformação do Terceiro Mundo, tinha como compositor preferido Gustav Mahler e deleitava-se com a leitura de Nicolau Gogol.</P>
<P>
Fora do país quando a polícia deitou a mão a muitos dos outros quadros daquele grupo de combate activo ao apartheid, em 1963, por aí ficou até 1990, data em que o então Presidente Frederik de Klerk libertou Mandela e autorizou uma série de formações políticas que se encontravam na clandestinidade.</P>
<P>
Uma parte do exílio foi passada em Moçambique, onde a mulher, Ruth First, directora adjunta de Aquino de Bragança no Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, acabou por ser vítima de uma carta armadilhada, aparentemente enviada pelos serviços secretos do apartheid.</P>
<P>
Pouco depois de ter regressado à sua pátria de adopção, foi-lhe diagnosticado um cancro da medula óssea, tendo deixado em Dezembro de 1991 o espinhoso lugar de secretário-geral do PC, para assumir o cargo mais protocolar de presidente. Mas como o seu sucessor, Chris Hani, veio a ser assassinado, coube-lhe a ele continuar até ao fim como a figura mais emblemática de um partido pequeno mas muito influente.</P>
<P>
Só que, como tantas vezes acontece a pessoas que sabem ou pressentem que a morte se aproxima, registou nos últimos anos algumas alterações na sua postura política, tendo-se tornado porventura mais maleável e dado um grande contributo para a ideia da formação de um Governo de Unidade Nacional, essencial à solidificação da democracia pós-apartheid.</P>
<P>
Uma vez ganhas pelo ANC as eleições gerais do ano passado, em aliança com os comunistas e com a central sindical Cosatu, Joe Slovo ficou como ministro da Habitação -- num executivo em que também estão representados o Partido Nacional e o Inkatha -- e prometeu um milhão de novas casas até ao fim do século; mas terá agora de ser outro a cumprir a promessa. J.H.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4895">
<P>
Moçambique repleta de sul-africanos é sinal de que a guerra acabou</P>
<P>
Regresso ao passado à beira do Índico</P>
<P>
José Pinto de Sá, em Maputo</P>
<P>
O recenseamento para as primeiras eleições livres moçambicanas começa a 1 de Junho, foi anunciado este fim de semana. Numa altura em que o país está a ser «invadido» por dezenas de milhares de sul-africanos. Não trazem armas, mas sim sorrisos e muitos randes.</P>
<P>
Num dos indícios mais claros até à data de que a guerra civil acabou mesmo em Moçambique e de que este território poderá enfim reassumir a sua vocação de enorme campo de férias à beira do Índico, 60 mil cidadãos da África do Sul pediram visto para este mês viajar até Maputo. Muitos ainda guardam gratas recordações da antiga Lourenço Marques.</P>
<P>
Antes de 1975, data da proclamação da independência, os «bifes», como então eram chamados localmente os sul-africanos, invadiam regularmente as praias e cidades do Sul do país, injectando anualmente milhões de randes na economia. Ponta do Ouro, Ponta Malongane, ilha da Inhaca, São Martinho do Bilene, Tofo e outras instâncias eram nomes de sonho para os fazendeiros do Transvaal e para tantos outros cidadãos da África do Sul.</P>
<P>
Depois, porém, com o radicalismo de muitos quadros da Frelimo, os «bifes» passaram a ser acintosamente designados de «boers» e a ser vistos como um inimigo, que patrocinava a desestabilização do regime e estava por trás da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo). De modo que as fronteiras se fecharam e o país viveu no isolamento durante quase duas décadas, chegando ao ponto de ocupar o top negro da ONU como país com maior índice de sofrimento do mundo.</P>
<P>
O reverso da medalha</P>
<P>
O regresso dos turistas já se esboçava nos dois últimos anos, desde que em Roma se negociou um acordo de paz para Moçambique. Mas, desta vez, a insegurança no seu próprio país é que contribuiu para que muitos sul-africanos esquecessem as reservas que ainda mantinham em relação aos resquícios do Poder Popular e viessem em força até à terra onde nos anos vinte haviam ajudado a erguer uma instituição tão inesquecível como o Hotel Polana, decerto um dos mais encantadores de toda a África.</P>
<P>
A vontade de estar longe de eventuais surtos de violência que possam assinalar as próximas eleições na África do Sul (ver pág. 13) foi uma das causas da «invasão» que principiou durante a Semana Santa e que tende a prolongar-se pelo resto de Abril.</P>
<P>
Da nova e alegre horda que percorre agora as estradas do Sul de Moçambique faz parte um razoável número de portugueses que outrora viveu em Lourenço Marques, João Belo (Xai-Xai), Inhambane e outras terras do vasto território, tendo-se transferido após a descolonização para as diversas províncias sul-africanas, nomeadamente Natal e Transvaal.</P>
<P>
Nas longas filas de carros que avançaram durante o fim de semana a partir da fronteira, alguns não deixaram de tecer críticas às autoridades moçambicanas, que lhes pediram até 140 randes por cada visto (cerca de seis mil escudos), quando um cidadão de Moçambique nada paga para entrar na África do Sul. E no consulado em Joanesburgo as esperas têm sido desesperantes, pelo que Maputo vai abrir novos consulados em Durban, Cidade do Cabo e Nelspruit.</P>
<P>
Apesar de tudo, casos de corrupção incluídos, é de crer que a tendência se amplie e que as terras calmas de Moçambique passem a ser um escape para as muitas tensões que se adivinham nos primeiros anos da nascente democracia multiracial sul-africana.</P>
<P>
Durante o fim-de-semana, os visitantes compraram artesanato no Bazar de Maputo, comeram camarões regados com vinho português, conviveram com as beldades locais na rua de Bagamoyo (a velha rua Araújo dos tempos coloniais, espécie de Rua Nova do Carvalho, ao Cais do Sodré, em Lisboa) e aplaudiram ruidosamente shows de strip-tease executados por loiras sul-africanas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-65160">
<P>
Polícia diz que autores do crime são traficantes e que objetivo foi fazer 'demonstração de força' em favela de Mauá</P>
<P>
Da Folha ABCD </P>
<P>
Três homens foram mortos a tiros anteontem à noite em uma chacina em Mauá (29 km a sudeste de São Paulo). É a sexta chacina na região do ABCD e a 43ª na Grande São Paulo em 95.</P>
<P>
O crime ocorreu às 20h50 em favela do Jardim Oratório. Segundo a polícia, uma quadrilha formada por mais de dez traficantes foi a responsável pela chacina.</P>
<P>
Edcarlos Souza de Jesus, 19, Washington dos Santos Quatorze Voltas, 18, e Edmundo Lopes, 18, teriam sido abordados na rua Sete, a dez metros de um bar.</P>
<P>
De acordo com Silvan Pereira, investigador chefe da delegacia sede de Mauá, Voltas e Jesus correram em direção ao bar, enquanto Lopes ficou parado.</P>
<P>
"A quadrilha estava separada em vários grupos", disse Pereira. "Uma parte ficou com Lopes, e o restante foi para o bar." Lopes foi morto na rua.</P>
<P>
Segundo o investigador, Voltas e Jesus foram encurralados dentro do bar, onde morreram. Pereira afirmou que Jesus estava armado com um revólver calibre 38 e teria reagido à aproximação da quadrilha. "Ele descarregou a arma mas, aparentemente, não atingiu ninguém", afirmou.</P>
<P>
Para o investigador, o objetivo da quadrilha foi fazer uma "demonstração de força" na região. Segundo Pereira, outros moradores da favela haviam sido abordados pelo grupo pouco antes do crime e obrigados a deitar no chão.</P>
<P>
O investigador não acredita que a chacina tenha sido resultado de disputa entre traficantes. Segundo ele, as evidências indicam que as vítimas não eram envolvidas com entorpecentes.</P>
<P>
João Lopes Quatorze Voltas, pai de Washington dos Santos, disse que o filho trabalhava com ele como servente de pedreiro e "nunca se meteu em confusão".</P>
<P>
O investigador afirmou que a polícia tem dois suspeitos de participação no crime. Um dos integrantes da quadrilha teria saído da Casa de Detenção há 20 dias.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-60596">
<P>
O atual presidente, Liamine Zéroual, é favorito na primeira eleição presidencial do país</P>
<P>
VINICIUS TORRES FREIRE</P>
<P>
De Paris</P>
<P>
O general da reserva e atual presidente da Argélia, Liamine Zéroual, deve vencer a primeira eleição presidencial realizada neste país do norte da África, que foi colônia da França até 1962.</P>
<P>
Argelinos no exterior estão votando desde a semana passada. Em território argelino, a votação começou na segunda-feira.</P>
<P>
Tiveram prioridade os membros das Forças Armadas e policiais, que estarão assim liberados para garantir a segurança da votação geral, que começa amanhã.</P>
<P>
Urnas itinerantes foram enviadas também na segunda-feira para o sul do país, para as pequenas vilas e ao encontro de caravanas nômades do Saara.</P>
<P>
Os cinco partidos mais votados no primeiro turno da eleição legislativa de 1991 convocaram a população a boicotar a votação. Para eles, a eleição presidencial foi armada para dar a vitória a Zéroual. Há outros três candidatos.</P>
<P>
O país está em guerra civil desde janeiro de 1992, quando um golpe dissolveu o Parlamento, cancelou a eleição em curso e colocou no poder uma junta militar.</P>
<P>
O novo Parlamento seria dominado pela FIS (Frente Islâmica de Salvação), de tendência fundamentalista. Desde meados de 1991, seus principais líderes estão na prisão. Depois do golpe, o partido foi dissolvido.</P>
<P>
Cerca de 40 mil pessoas morreram no conflito que opõe o governo aos guerrilheiros do GIA (Grupo Islâmico Armado) e do EIS (Exército Islâmico de Salvação). Há cerca de 23 mil presos políticos, e a imprensa é censurada.</P>
<P>
Por causa do suposto apoio francês ao regime argelino, o GIA teria cometido atentados terroristas na França neste ano. Desde domingo, medidas extras de segurança foram tomadas para evitar ataques terroristas durante a votação.</P>
<P>
As estradas na saída da capital, Argel, estão vigiadas por barricadas de homens armados protegidas por sacos de areia. Todos os ônibus e caminhões que chegam à cidade são revistados.</P>
<P>
Escolas e feiras livres foram fechadas nesta semana. As competições esportivas foram adiadas.</P>
<P>
A campanha acabou na segunda-feira. No último comício, o general Zéroual disse que a guerra civil é um "complô tramado no exterior, com apoio no interior do país". Zéroual disse que os guerrilheiros são, na maioria, filhos de argelinos que serviram no Exército colonial francês.</P>
<P>
O favorito recebeu apoio de esportistas do país, como Habiba Bulbaker, que neste ano se tornou campeã mundial dos 1.500 m e é tida como heroína no país (ela é execrada pelos fundamentalistas).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-3394">
<P>
Relatório 1994 da Amnistia Internacional retrata crescimento das violações aos direitos humanos</P>
<P>
Quando o Estado é o criminoso</P>
<P>
António Marujo</P>
<P>
Crescem os atropelos aos direitos humanos, constata a Amnistia Internacional. Apesar dos discursos oficiais a querer provar o contrário. O Estado também é criminoso e os activistas dos direitos humanos tornaram-se também um alvo privilegiado. É o relatório de 1994. O retrato é idêntico aos anteriores.</P>
<P>
Os activistas dos direitos humanos tornaram-se, o ano passado, as primeiras vítimas da acção de muitos governos contra os direitos humanos. Esta é uma das mais importantes conclusões do relatório de 1994 da Amnistia Internacional (AI), que cobre as situações investigadas pela AI durante todo o ano passado. O resto é o que mais ou menos se sabe, sem deixar de ser preocupante: não há melhoras na Europa, onde continuam os conflitos violentos e cresce a intolerância racista; em África, milhares de pessoas são executadas por forças governamentais ou policiais; nas Américas, falha a acção dos governos para travar as «endémicas» violações de direitos fundamentais; na Ásia, as forças de segurança continuam a ser exímias executoras do sistemático desprezo governamental pelos mesmos direitos; no Médio Oriente, aumentou muito o recurso à pena de morte e há «graves violações» de direitos fundamentais.</P>
<P>
No caso de Portugal, que é de novo citado no relatório, como aconteceu quase sempre desde a fundação da AI, o relatório fala de relatos de tortura e maus tratos por parte de agentes das forças policiais, e da «grande lentidão» dos processos (ver textos nesta página e pág. 16).</P>
<P>
A organização internacional de defesa dos direitos humanos não tem dúvidas sobre a situação mundial: há muita parra e pouca uva, muito discurso e pouco respeito pelos direitos humanos. Logo na introdução do relatório de 1994 pode ler-se o pessimismo: «Houve muita conversa oficial sobre direitos humanos em 1993. O barulho atingiu um ponto alto em Junho, quando representantes de governos se encontraram na Conferência Mundial da ONU sobre Direitos Humanos [em Viena]. Mas, mesmo quando eles estavam a proferir declarações importantes, as pessoas no fio da navalha -- os activistas que defendem os direitos humanos -- estavam a ser metralhados, encarcerados, torturados ou ameaçados».</P>
<P>
O coreano Noh Tae-hun e a alegria do ministro</P>
<P>
A história de Noh Tae-hun, da Coreia do Sul, é exemplar. Poucas semanas depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros do seu país ter afirmado «com alegria», na Conferência de Viena, que «os direitos humanos chegaram finalmente à Coreia», Noh Tae-hun, um dos mais importantes activistas das organizações sul-coreanas de direitos humanos, foi preso e interrogado. Durante dez dias, conta a AI, Noh foi ameaçado e submetido à tortura do sono. Esteve na prisão até Outubro, de onde saiu com um ano de pena suspensa, acusado de distribuir panfletos e livros que, segundo as autoridades, tomam partido pela Coreia do Norte -- mas que «circulam livremente pela Coreia do Sul».</P>
<P>
Um «enorme fosso entre a retórica e a realidade -- o que os governos dizem acerca dos direitos humanos e o que realmente fazem», acusa a AI. Para demonstrar que «as acções falam mais alto que as palavras», a Amnistia recorda que mais de 25 mil faxes foram enviados de uma banca montada no centro de Viena, durante as duas semanas que durou a mesma Conferência da ONU, a governos responsáveis por torturas, maus tratos, execuções extra-judiciais ou «desaparecimentos».</P>
<P>
Fustrada está também a Amnistia com a situação dos refugiados, cujo número continuou a crescer. Além das guerras, que provocam ondas de milhares de pessoas em busca de segurança, a AI cita os Estados Unidos, onde a nova administração de Clinton «manteve a política do anterior governo», fazendo regressao ao Haiti todos os candidatos a asilo, apanhados no mar fora das águas territoriais dos EUA, «sem qualquer apreciação dos seus pedidos de asilo».</P>
<P>
Preocupações ainda, neste capítulo, com o que se passa na Europa, «particularmente» na União Europeia, cujas regras comuns em relação ao asilo estão «a conduzir a políticas que ficam aquém dos padrões estabelecidos» pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.</P>
<P>
A esperança da</P>
<P>
humanidade</P>
<P>
A volta ao mundo feita pela Amnistia ao estado dos direitos humanos conta-se com atitudes repetidas por muitos países, governos ou mesmo gruspos de oposição armada: execuções extra-judiciais, desaparecimentos, massacres, tortura e maus tratos, prisões arbitrárias, julgamentos parciais, pena de morte.</P>
<P>
Ruanda, Nigéria e Sudão são três casos paradigmáticos recolhidos pela AI sobre o continente africano. A situação continuava grave na Guiné-Bissau e em Angola (Governo e UNITA são acusados do mesmo tipo de violações), houve «grandes melhoras» em Moçambique. Cabo Verde e São Tomé não são citados no relatório -- o que, segundo as regras da AI, só quer dizer qie não houve queixas à organização.</P>
<P>
Esquadrões da morte, forças paramilitares e desaparecimentos continuam a ser a epidemia latino-americana -- como exemplifica o Brasil, com as mortes dos miúdos da rua. As populações indígenas são, entre as minorias desta região -- mas também na África, na Ásia, Estados Unidos, Canadá e Austrália -- uma das mais sacrificadas.</P>
<P>
Assassínios políticos são uma das marcas da Ásia, em países como a China, Indonésia (largas referências para as violações aos direitos humanos em Timor-Leste e no Aceh) ou Myanmar.</P>
<P>
Na Europa, citam-se as situações de guerras civis ou inter-étnicas, mas também os abusos das forças policiais e o crescimento da intolerância em países da Europa Ocidental: França, Alemanha, Itália, Portugal.</P>
<P>
No Médio Oriente, cresceu o recurso á pena de morte -- tal como aconteceu nos Estados Unidos e na China, ao lado dos países do Terceiro Mundo, neste capítulo. Os governos da região não toleram qualquer crítica e a liberdade religiosa é inexistente.</P>
<P>
Conclui a AI: «A esperança da humanidade reside nos milhões de homens e mulheres que se empenham de uma forma ou de outra em defender os direitos humanos. Temos de fazer tudo o que pudermos para os proteger agora e os manter vivos».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-35605">
<P>
Sugestões</P>
<P>
Para todas as bolsas e estados de espírito</P>
<P>
É uma lista, entre mil e uma sugestões possíveis, de opções ou sugestões para a passagem de ano, cá dentro ou mais lá por fora. Para uma decisão mais fácil, ou para que cada pessoa possa já orientar-se para o próximo ano, organizamo-las por diferentes preços.</P>
<P>
Até 50 contos</P>
<P>
Ovar -- Alojamento na Pousada da Juventude da cidade. Inclui refeições, entradas na discoteca e um passeio de barco na ria de Aveiro (se o tempo o permitir). Se chover muito, o que é vulgar nesta altura do ano na região Norte, haverá «karaoke» na pousada. Tudo isto mais a ceia de fim de ano e ainda cacau quente de madrugada por 8.500 escudos. É uma proposta da Movijovem (telefone de Lisboa: 3534570)</P>
<P>
Trás-os-Montes -- Dois dias de viagem de autocarro entre Lisboa ou Porto e Chaves. Alojamento num hotel de quatro estrelas nesta cidade, visita à localidade espanhola de Verin, ceia e «réveillon». Por 29.500 escudos. (Terra Nova, tel. (01) 808064 e (02) 313297)</P>
<P>
Gerês -- Alojamento de uma noite num hotel de três estrelas bem no centro da localidade. Inclui ceia de fim de ano, programa de animação e «réveillon». 21.250 escudos por pessoa. Sem transporte incluído. (Companhia das Viagens (02) 6007083)</P>
<P>
Serra da Estrela -- Viagem de três dias e meio, com alojamento num hotel de três estrelas em Belmonte, em pleno coração da Cova da Beira e com paisagem do Vale do Zêzere. Inclui meia pensão, programa especial de animação e ceia de fim de ano. Transporte por conta própria. Tudo por 26.700 escudos, ou 11.350 escudos para crianças até 11 anos. (Viagens Mapa Mundo)</P>
<P>
Castelo Branco -- Viagem de três dias, sem transporte incluído, alojamento em hotel de três estrelas, com circuito turístico pela zona (fica perto da serra da Estrela, das Termas de Monfortinho e de Idanha-a-Nova). «Cocktail» de ano velho e jantar de fim de ano com bar aberto. Inclui fogo de artifício e custa 26 contos e 500. (Embaixador Tours)</P>
<P>
Rias Bajas (Galiza) -- Viagem de dois dias e meio. Partida do Porto de autocarro para Pontevedra, alojamento num hotel de quatro estrelas. Circuito nas Rias Bajas, viagem por Armenteira, visita ao mosteiro e a Cambados, vila declarada de conjunto histórico artístico, visita às torres de Oeste e Pazo de Catoira. Visita a Padrón. Ceia de fim de ano e «réveillon». 36.600 escudos.</P>
<P>
Entre 50 e 100 contos</P>
<P>
Algarve -- Quatro dias de viagem, alojamento em regime de meia pensão num hotel de quatro estrelas em Vilamoura, visita ao barlavento algarvio, circuito turístico por Olhão, Faro, Loulé, Almancil e Quarteira. No regresso, viagem pela planície alentejana com paragem em Évora. Gala de fim de ano e almoço de ano novo. 55 contos.</P>
<P>
Madeira -- Na ilha verdejante que há 35 milhões de anos uma erupção vulcânica fez emergir no Atlântico, o fim de ano é um «must», com o tradicional festival de fogo de artifício e o espectáculo proporcionado pelos barcos iluminados na baía, a preços que podem oscilar (uma semana) entre os 56 contos numa residencial de duas estrelas até 156 num hotel de cinco estrelas, com pequeno-almoço. Alguns hotéis têm suplementos obrigatórios no fim de ano que variam entre os 17 e os 28 contos. O melhor é contactar as agências de viagens.</P>
<P>
Madrid -- 5 dias de viagem, viagem de autocarro, com alojamento num hotel de quatro estrelas, seis refeições, ceia de gala e reveillon, visita nocturna às iluminações de Madrid e um opcional «show» internacional no Scala (mais 5 contos) - 75 contos (Avitur - (01) 3151117)</P>
<P>
De 100 a 150 contos</P>
<P>
Açores -- Oito dias de viagem com passagem pelas ilhas de S. Miguel, Faial e Terceira, um circuito que existe para todo o ano. Partida a 28 de Dezembro. Os preços variam consoante os hotéis sejam de três ou quatro estrelas, oscilando entre os 101 contos e os 118 contos, só com pequeno-almoço.</P>
<P>
Palma de Maiorca -- Viagem de uma semana, de avião, desde Lisboa. Preços entre os 82.300 num hotel de três estrelas em regime de meia pensão até 124.600 num de quatro estrelas, também em meia pensão. Suplementos entre os dez e os 14 contos previstos para o fim de ano.</P>
<P>
Roma -- Alojamento num hotel de quatro estrelas situado perto da Praça de S. Pedro e perto do Tibre, com pequeno-almoço. Viagem de avião mais «transfers», visita à cidade, 95 contos em quarto duplo. «Réveillon» não incluído. (Embaixador Tours)</P>
<P>
Marrocos -- Circuito das cidades imperiais: Tânger, Meknes, Fez, Beni Mellal, Marraqueche, Rabat, Casablanca. São oito dias. Viagem de avião de Lisboa a Casablanca, circuito em «autopullman», estadia em quarto duplo em regime de meia pensão. Preços entre 91.800 (hotel três estrelas), 100.700 (quatro estrelas) e 132.400 escudos (cinco estrelas). Suplementos obrigatórios de fim de ano que oscilam entre os 10 contos e os 19 contos. (Viagens Mapa Mundo)</P>
<P>
De 150 a 200 contos</P>
<P>
Cabo Verde -- Nove dias na Ilha do Sal e a sensação única que os astronautas devem ter sentido quando alunaram. A Ilha do Sal é pouco mais do que terra e crateras, mas tem praias magníficas e paz, muita paz. O preço por uma viagem de oito dias num quatro duplo com vista para o mar fica por cerca de 170 contos.</P>
<P>
Cuba -- Estava na moda no Verão e volta a estar na moda no Inverno. Em Cuba o calor é uma constante, os agasalhos não são necessários. Os diversos operadores turísticos oferecem várias opções, mas sugerimos, para quem quer conhecer o máximo possível da ilha, em apenas uma semana, o circuito Havana, Guama, Trinidad, Cienfuegos e Varadero, que lhe poderá custar, em quatro duplo de um hotel de quatro estrelas 177.500, mais um suplemento de 5.500 para a gala de fim de ano. Se só está interessado em praia, uma semana em Varadero (uma espécie de Algarve lá do sítio) é o ideal, a preços que rondam os 200 contos, consoante os hotéis e o regime escolhido.</P>
<P>
Tunísia -- Viagem de oito dias, com um passeio a pé pelo deserto em caravana de camelos. O ano passa-se à volta de uma fogueira, dorme-se ao relento ou numa tenda. A viagem pelo deserto acaba num oásis que tem um forte romano. Partida de Lisboa no dia 28. 176 contos por pessoa. (Rotas do Vento (01) 3649852)</P>
<P>
De 200 a 300 contos</P>
<P>
Nova Iorque -- Viagem de nove dias. Partidas de Porto, Lisboa ou Faro com destino a Nova Iorque. Vista à cidade com passagem pela Broadway, Times Square, Central Park, Quinta Avenida, Greenwich Village, Chinatown e Nações Unidas. Jantar a bordo do World Yatch e jantar no «The View»), o único restaurante giratório de Manhattan. Assistência a um espectáculo na Broadway. Num hotel de duas estrelas fica-lhe por 209.200 escudos (177.200 para jovens até 17 anos) e, num de cinco estrelas, até 295 contos (205 para os mais novos). Proposta do Clube Vip.</P>
<P>
Disneyworld e Miami -- Nove dias de viagem, com partida de Porto ou Lisboa com destino a Orlando, via Nova Iorque. Visitas ao reino mágico de Walt Disney, visita ao Epcot Center, também criado pelo desenhador do Rato Mickey, com exposição de ideias e tecnologias futuristas e história de várias nações. Visita aos estúdios da MGM (sentir-se-á como em Hollywood). Visita ao Sea World (Mundo Aquático), com golfinhos, baleias, focas e orcas. Dia e meio em Nova Iorque. Os preços variam consoante os hotéis -- 228.500 num de categoria superior, 247.500 num de categoria superior. As crianças pagam menos cerca de 20 contos. (Viagens Mapa Mundo)</P>
<P>
Mais de 300 contos</P>
<P>
Guiné-Bissau -- Cruzeiro ao arquipélago dos Bijagós, a bordo do «África Queen», um iate com um comandante francês que sabe falar um pouco de português. Durante os oito dias de viagem, estão previstas visitas a algumas das ilhas -- Bubaque, Rubane, João Vieira, Bolama, entre outras. Haverá ainda piqueniques na praia, pesca, esqui e «windsurf», à escolha. O preço por pessoa em cabine dupla é de 300 contos. (Viagens Abreu, tel. (01) 3476441 ou (02) 324524)</P>
<P>
Moçambique -- Pode viajar integrando um grupo excursionista durante oito dias pela Ilha de Inhaca. A aventura inclui um passeio pela ilha com visita ao Museu de Biologia Marítima e uma viagem de barco até à ilha dos portugueses. O preço é de 283 contos. Se está disposto a gastar um pouco mais, pode optar pela ilha de Bazaruto, viagem também de oito dias e que inclui um passeio de jipe pela ilha e um passeio ao recife de corais. Tudo por 335 contos. (Soltrópico (01) 7581040)</P>
<P>
Índia e Nepal -- Onze dias de viagem. Partidas de Lisboa ou Porto para Delhi com escala em Londres. Passagem por Kathmandu, com visita a bazares e locais sagrados budistas e hinduístas. Visita a Varanasi, antiga Benares, cidade santa do hinduísmo situada nas margens do rio sagrado Ganges, com excursão de barco no rio. Visitas ainda a Khajuraho, passagem pelo Taj Mahal, construído no século XVII por um imperador para servir de mausoléu à sua esposa. Para Delhi, capital da União Indiana, onde, entre muitas outras coisas, poderá visitar a citadela interior no dorso de um elefante. Alojamento em quarto duplo, com pequeno-almoço incluído. 350 contos. (Club Vip)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80553">
<P>
Um médico apontado pela Justiça americana considerou Collin Ferguson (foto) apto a ir a julgamento. Ele é acusado pelo assassinato de seis pessoas dentro de um trem em Nova Jersey (EUA), ocorrido em 7 de dezembro do ano passado.</P>
<P>
Lituânia quer ingressar na Otan</P>
<P>
A Lituânia quer ser a primeira república da ex-URSS a ingressar na Otan, aliança militar dos países ocidentais. O presidente do país, Alqirdas Brazauskas, disse ontem que já fez o pedido formal de entrada ao secretário-geral da aliança, que tem reunião de líderes na semana que vem.</P>
<P>
Jirinovski é convidado para ir à Alemanha</P>
<P>
O líder nacionalista russo Vladimir Jirinovski foi convidado a participar de uma convenção dos partidos europeus de extrema-direita em fevereiro na Alemanha. O presidente do encontro será o líder extremista francês Jean Marie Le Pen. O convite desafia recusa de Bonn a conceder visto a Jirinovski na semana passada.</P>
<P>
Incêndio mata dois no leste da Austrália</P>
<P>
Bombeiros e mais de 3 mil voluntários tentam apagar um incêndio na costa leste da Austrália. Um bombeiro e um homem de 74 anos morreram. Autoridades acreditam que um terço dos mais de 50 focos do incêndio foram iniciados propositalmente.</P>
<P>
Dissidentes do PLD apoiarão Hosokawa</P>
<P>
Cinco parlamentares do PLD (Partido Liberal Democrático, de oposição) deixaram ontem o partido para apoiar o governo do premiê Morihiro Hosokawa. O grupo, no entanto, não vai fazer parte da coalizão governamental no Parlamento.</P>
<P>
Tempestade fecha aeroportos nos EUA</P>
<P>
Ventos, chuvas e tempestades de neve varreram ontem todo o nordeste dos EUA, atrasando milhares de viagens de avião e trem. As cidades mais atingidas foram Boston, Pittsburgh, Nova York e Filadélfia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-65796">
<P>
Tapie liquidado</P>
<P>
O Supremo Tribunal francês confirmou ontem a sentença de liquidação judicial dos bens pessoais do político e empresário Bernard Tapie, assim como a sua inelegibilidade para cargos públicos durante cinco anos, o que o afasta definitivamente da corrida ao município de Marselha. A primeira sentença havia sido pronunciada pelo Tribunal do Comércio de Paris, em Dezembro. As dívidas de Tapie ascendem a cerca de 45 milhões de contos. Tapie, 52 anos, está também ameaçado de uma pena de seis meses de cadeia por tentativa de corrupção de jogadores do Valenciennes, no campeonato francês de futebol, quando era presidente do Olympique de Marselha.</P>
<P>
Morre jornalista argelina</P>
<P>
Uma das mais célebres jornalistas da televisão argelina, Rachida Hammadi, 32 anos, gravemente ferida num atentado em Argel há dez dias, morreu ontem num hospital de Paris. É o 31º jornalista assassinado por grupos islamistas, que a acusavam de «colaboração» com o poder. Um dos chefes do Grupo Armado Islâmico (GIA) prometeu aos que o «combatem pela pena», a morte «pela espada». Cerca de 200 jornalistas argelinos refugiaram-se já no estrangeiro. Ontem, um atentado com carro armadilhado matou uma pessoa e feriu duas na cidade de Tizi-Ouzou, capital da Cabília.</P>
<P>
Espanha expulsa islamista</P>
<P>
O chefe do movimento islamista tunisino (An-nahda, Renascença) Rachid Al Gannouchi, foi expulso quinta-feira de Espanha, quando participava em Córdova no colóquio internacional «O Islão perante a modernidade». Condenado, à revelia, a prisão perpétua na Tunísia, Al Gannouchi vive exilado em Londres desde 1991. As autoridades espanholas acusaram-no de ser titular de três passaportes sudaneses e de um iraniano, mas expulsaram-no oficialmente «por razões de segurança e ordem pública». À chegada a Londres, o líder islamista negou as acusações espanholas e afirmou ser apenas titular de um passaporte das Nações Unidas, na qualidade de refugiado político. Na sua intervenção no debate de Córdova, disse que «o regime de Franco em Espanha foi mais democrático que o actual [regime] de Tunis» e que o conflito ana Argélia devia ser rapidamente resolvido de modo a não alastrar aos países vizinhos.</P>
<P>
Tanzânia fecha porta a ruandeses</P>
<P>
O Governo da Tanzânia decidiu ontem fechar as fronteiras perante uma nova vaga de refugiados ruandaeses, anunciou a organização Médicos Sem Fonteiras. Cerca de 45 mil hutus ruandeses encaminhavam-se ontem do norte do Burundi para a Tanzânia, abandonando os acampamentos onde estavam por recearem uma nova explosão de violência, como a que há perto de um ano ocorreu no seu país. Admitiu-se que perto de 100 mil ruandeses refugiados no Burundi tentassem agora passar para a Tanzânia, onde consta que está uma parte do antigo Exército do Ruanda, derrotado o ano passado pela Frente Patriótica, onde predomina a elite tutsi, tal como acontece nas Forças Armadas do Burundi.</P>
<P>
Guerrilha monárquica no Uganda</P>
<P>
O PRESIDENTE do Uganda, Yoweri Museveni, disse que não aceita conversações com um novo grupo de guerrilha que pretende restaurar todas as prerrogativas do antigo reino do Buganda, que já tem mais de dois séculos de existência e cujo soberano Mutesa II foi o primeiro chefe do Estado ugandês após a descolonização britânica, em 1962. Museveni, que tomou o poder em Janeiro de 1986, afirmou à imprensa que os homens do Exército Democrático Nacional, em acção na zona de Lwero, no centro do país, são criminosos que terão de responder perante os tribunais. Há dois anos, o Presidente reconheceu a existência dos antigos reinos tradicionais, mas partiu do princípio de que se contentariam com um estatuto meramente protocolar.</P>
<P>
Inkatha volta a subir de tom</P>
<P>
O PARTIDO Inkatha, que teve 10 por cento dos votos nas eleições sul-africanas do ano passado, voltou ontem a erguer a voz, para dizer que o país se encaminhará para uma «tirania catastrófica» se o ANC continuar a adiar a mediação internacional para a definição de certos aspectos constitucionais. O Inkatha, chefiado por Mangosuthu Buthelezi, ministro do Interior, ameaça deixar a Assembleia Constituinte se o ANC, de Nelson Mandela, e o Partido Nacional, de Frederik de Klerk, não avançarem até ao meio da próxima semana para a desejada mediação. O seu objectivo é essencialmente conseguir uma Constituição de tom federalista, com vastos poderes para as autoridades provinciais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68946">
<P>
Thabo Mbeki chefia o Governo</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Jorge Heitor, em Joanesburgo</P>
<P>
Depois de uma semana de longa espera, a África do Sul soube finalmente os resultados finais das suas primeiras eleições multirraciais. Todos ficaram aliviados por o ANC não ter chegado aos dois terços, que lhe permitiriam mudar a Constituição. Para chefiar o governo, Mandela escolheu Thabo Mbeki. De Klerk será o segundo vice-Presidente. Entre os novos ministros saídos do ANC, figura o comunista histórico Joe Slovo, com a pasta da Habitação. Um ex-guerrilheiro ocupará a Defesa, mas o actual ministro das Finanças, Derek Keys conserva o seu lugar. Para os Estrangeiros, Mandela reservou uma surpresa.</P>
<P>
Minutos antes de se conhecerem os resultados finais das eleições, o Presidente Mandela anunciou que o seu primeiro vice-presidente seria o até agora presidente nacional do ANC, Thabo Mbeki, resolvendo assim o grande despique que havia entre este e o secretário-geral do partido, Ciryl Ramaphosa, que é um homem mais novo e que poderá ficar reservado para a presidência da Assembleia Nacional. O segundo vice-Presidente, já designado pelo Partido Nacional, será Frederik de Klerk.</P>
<P>
Mbeki, 51 anos, é um «histórico» do ANC, ao qual aderiu com 14 anos. Formado em economia na Universidade do Sussex, em Inglaterra, militou na clandestinidade e foi durante anos o representante do ANC no estrangeiro.</P>
<P>
A grande surpresa foi a nomeação de Alfred Nzo para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, área em que Mbeki é especialista e na qual decerto ficaria se não fosse escolhido para primeiro vice-presidente e virtual primeiro-ministro da África do Sul. Nzo é um velho dirigente histórico do ANC e já quase ninguém se lembrava dele nem o considerava ministeriável.</P>
<P>
Na Defesa foi colocado Joe Modise, 64 anos, que desde 1965 é comandante do Umkhonto we Sizwe, o exército do ANC, desfazendo assim algumas especulações de que a pasta poderia ser oferecida ao general Constand Viljoen ou ao Partido Nacional. Este deverá ainda designar os seus ministros, sendo certa a permanência de Derek Keys nas Finanças, de modo a tranquilizar os investidores.</P>
<P>
A Justiça fica nas mãos do advogado Dullah Omar, que era o número 15 nas listas dos candidatos do ANC, enquanto como ministro sem pasta vemos outro indiano, Jay (endra) Naidoo, que nas negociações sobre o futuro constitucional do país representou a central sindical Cosatu; a Polícia irá para o comunista Sydney Mufamadi e os Serviços Correccionais para Ahmed Kathrada, enquanto o Comércio e a Indústria ficam para Trevor Manuel, de 37 anos, que os grandes empresários consideram um homem pouco experiente.</P>
<P>
De entre as pastas que já foram anunciadas, todas elas para pessoas da aliança encabeçada pelo ANC, pode-se mencionar ainda a da Habitação e Assistência, entregue ao presidente do Partido Comunista, Joe Slovo, de 67 anos. No elenco figuram ainda duas mulheres, Nkosazana Dlamini Zuma, de origem zulu, ocupará a Saúde, enquanto Stella Sigcavu, originária do Transkei, ficará responsável pelas empresas públicas.</P>
<P>
Ao princípio da noite, De Klerk considerou prematura a divulgação dos nomes pelo ANC, manifestando o interesse do seu partido em ocupar alguns dos ministérios já atribuídos. Na Cidade do Cabo, Mandela respondeu que em princípio a lista era «definitiva» mas que estava aberto a discutir o assunto: «Temos de ter em conta as preocupações das partes com quem vamos trabalhar», disse aos jornalistas.</P>
<P>
Enquanto assim se conhecia a primeira parte do Executivo, as eleições acabavam ontem à tarde de fazer a sua primeira vítima: Zach de Beer, que já esta semana estivera no hospital com uma arritmia cardíaca, demitia-se da liderança do Partido Democrático, face aos humilhantes 338.426 votos conseguidos, menos de dois por cento do eleitorado total. Ele que durante décadas lutara contra o Partido Nacional, por uma África do Sul livre da discriminação racial.</P>
<P>
O alívio de Mandela</P>
<P>
O Congresso Nacional Africano ganhou as primeiras eleições sul-africanas abertas a todos os cidadãos maiores de 18 anos com mais de 12 milhões de votos, 62,65 por cento de todos os que foram expressos, confirmando-se assim como o grande movimento aglutinador das aspirações da maioria dos negros do país.</P>
<P>
Mas a melhor notícia foi o facto do ANC não ter alcançado os dois terços dos votos, o que criaria naturais inquietações. O próprio Mandela o reconheceu: «Estou aliviado por não termos atingido os dois terços, pois já surgia o temor de que iríamos reescrever a Constituição».</P>
<P>
De acordo com os resultados finais, divulgados pelas 15 horas de ontem, uma semana depois do fecho das últimas urnas, que em algumas zonas da África do Sul chegaram a estar abertas durante quatro dias, de 26 a 29 de Abril, o Partido Nacional, de Frederik de Klerk, conseguiu quase quatro milhões de votos, 20,39 por cento, que lhe dão direito a 82 lugares numa Assembleia de 400, face aos 252 do ANC.</P>
<P>
Em terceiro lugar ficou o Partido Inkatha da Liberdade, do chefe tradicional zulu Mangosuthu Buthelezi, que conseguiu 10,54 por cento do total de mais de 19 milhões de votos expressos em todo o país e que ficou com a maioria na assembleia legislativa do Kwazulu-Natal, uma das nove províncias em que de ora em diante a África do Sul fica dividida, para efeitos administrativos, gozando cada uma delas de uma certa autonomia. Satisfeito com o resultado, Buthelezi felicitou, finalmente, Nelson Mandela.</P>
<P>
A quarta posição na grande corrida foi para a Frente da Liberdade, do general Constand Viljoen, que conseguiu 2,17 por cento do voto total e nove lugares na Assembleia Nacional para os que defendem a ideia de um Volkstaat, uma região especial só para a preservação dos valores da cultura africaner, desenvolvida ao longo dos últimos três séculos por cidadãos de origem holandesa, huguenote francesa e alemã.</P>
<P>
O quinto posto, com menos de 340 mil votos, 1,7 por cento do total e sete deputados, coube ao Partido Democrático, do liberal branco Zach de Beer. O sexto, com 1,25 por cento e cinco deputados, o Congresso Pan Africano (PAC), da extrema-esquerda. E o sétimo, e último com representação parlamentar, o Partido Democrata Cristão Africano, com meio por cento dos votos e dois deputados.</P>
<P>
Quanto ao Partido Luso-Sul-Africano (Lusap), de Manuel Moutinho, couberam a nível nacional 3.293 votos, 0,02 por cento, pois que a maioria dos portugueses preferiu aparentemente o Partido Nacional, que foi o grande agregador do grosso da comunidade branca, tendo ainda atraído a si muitos votos mestiços e indianos.</P>
<P>
Para além de ter chegado perto dos dois terços do conjunto de votos expressos para a Assembleia Nacional, o ANC cometeu também a proeza de assegurar o controlo de sete das nove províncias, deixando apenas o Kwazulu-Natal nas mãos do Inkatha, com 50,32 por cento, e o Cabo Ocidental nas do Partido Nacional, com 56,2.</P>
<P>
Um grande evento histórico</P>
<P>
De um modo geral, pode-se dizer que estas eleições correram bem, apesar de uma série de problemas organizacionais e de umas quantas tentativas de fraude e de sabotagem, que não conseguiram manchar o brilho geral do acto. A violência de cariz tribal e político, que tantos milhares de mortos fez ao longo da última dúzia de anos, abrandou substancialmente desde que o Inkatha aceitou ir às urnas, mas a polémica surgida quanto à forma como a votação e a contagem decorreram no Kwazulu-Natal deixa admitir que uma parte dessa violência não esteja definitivamente enterrada e que continue a dar sinal de si.</P>
<P>
Os quadros do Inkatha já admitiram não esperar pelo período de cinco anos, previsto na Constituição para as novas eleições gerais, para que se promovam eleições para a assembleia daquela província, no fito de acabar com quaisquer suspeitas de fraude e de eventualmente aumentar até o peso regional do partido, que teve como ponto de partida a tradição zulu.</P>
<P>
De qualquer modo, no próximo ano já haverá eleições autárquicas, de modo a aprofundar a democracia que a África do Sul está agora a começar a viver e que decerto ainda terá de enfrentar muitos obstáculos, dada a imensa diversidade dos povos e das culturas que existem neste país, de enormes potencialidades. Mas, de momento, o quadro parece mais risonho: «Cheira-me a alta ... já vejo as acções a subir», disse em Joanesburgo um corrector da Bolsa.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-74208">
<P>
A fama do Prius</P>
<P>
Durante o ano passado o nome Toyota Prius esteve nas bocas de todo o mundo e foi alvo de notícia e reportagem por vários meios de comunicação, a maioria deles sem estarem sequer relacionamos com o mundo automóvel.</P>
<P>
Com toda esta atenção e o sucesso nas vendas por todo o mundo o nome Prius tornou-se um sinónimo de híbrido Nos Estados Unidos da America foram vendidos em 2004 mais de 50 mil unidades deste modelo e as listas de espera têm sido grandes, de tal forma grandes que existem casos de Prius a serem vendidos em segunda mão ao mesmo preço que um novo.</P>
<P>
Um habitáculo simples, confortável e espaçoso.</P>
<P>
Além de ser um híbrido, o que proporciona consumos mais moderados e menos poluição, é também um carro conduzido pelas estrelas de Hollywood. Cameron Diaz, Leonardo DiCaprio ou Will Ferrell são três dos muitos nomes famosos que possuem um Toyota Prius.</P>
<P>
Economia e performance</P>
<P>
Em cidade o Prius consome apenas 4,3 litros a cada 100km, tornando-o num dos automóveis mais económicos do mercado. Estamos claro a falar dum motor 1.5 VVT-i com apenas 78cv, que aliado ao sistema HSD (Hybrid Synergy Drive) aumenta a sua potência para 110cv. Dos 0 aos 100km/h o Prius demora cerca de 11 segundos.</P>
<P>
A Toyota afirma que, apesar destas prestações conseguiram reduzir em 89% as emissões libertadas, comparando a um veículo novo a gasolina. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="exp-76321"> 
<P> « PolivalênciaVacas - Para o BCE somos vacas!! </P>
 <P> Para o Banco Central Europeu somos gado!! </P>
 <P> Os politicos comprados por Bruxelas gerem as manadas nacionais. </P>
 <P>Se somos mais caros do que produzimos, mais vale abater.</P>
 <P>Esta é a politica de saude deste admiravel mundo novo.</P>
 <P>- -</P>
 <P> Fui ontem (terça) às urgencias pediátricas de cascais com a minmha filhiha de 4 anos e... </P>
 <P> "Vai ter que voltar, porque só funciona das 08h00 às 09h00 " </P>
 <P>Desculpem??</P>
 <P>Que M... é esta??!</P>
 <P>Que grande M... é esta??!</P>
 <P>Este é o país real, mas a situação é surreal.</P>
 <P>Não aconteceu com um amigo, conhecido, ou familiar.</P>
 <P>Aconteceu COMIGO!!</P>
 <P>Em primeira mão.</P>
 <P>Que é que eles querem?</P>
 <P>Vamos reagir eficaz e eficientemente.</P>
 <P> 1º - Assinar a petição contra o desmembramento, só possivel pela cegueira provocada pela rentabilidade que enche os bolsos de alguns e lixa todos, dos cuidados INDISPENSAVEIS de saude em Portugal. </P>
 <P>Petição contra esta abominavel realidade</P>
 <P> 2º - Arranjar uma petição de cidadãos a exigir a extinção do BCE. </P>
 <P>Quero lá saber se é impossível, retrógrado, ou excessivo.</P>
 <P>Eles que se cuidem. Tem que ser possível domesticá-los, e se não for, exterminá-los.</P>
 <P>Que se vão encher para outro planeta.</P>
 <P>Quem paga os ordenados exorbitantes que eles ganham? Nós!! Para quê!??</P>
 <P>Só que não somos gado. Somos cidadão e temos que nos saber fazer respeitar.</P>
 <P>Portanto, toca a fazer esta petição, para os por em sentido e sentirem cagufa no rabinho!</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-54046">
<P>
Senado</P>
<P>
investiga</P>
<P>
Whitewater</P>
<P>
O Senado dos Estados Unidos autorizou ontem a abertura de um inquérito parlamentar sobre o escândalo Whitewater, sem fixar uma data para o começo das audiências, numa decisão que acaba por ser um revés para o Presidente Bill Clinton e para os democratas, que sempre se lhe opuseram. Clinton chegou mesmo a afirmar que quaisquer audiências no Congresso seriam um desperdício de dinheiro. Mas a autorização acabou por ser tomada por unanimidade, após acordo entre a minoria republicana e a maioria democrata, que considerou impossível travar por mais tempo a pretensão da oposição de realizar um inquérito. Os democratas conseguiram porém que quaisquer audiências do Congresso não interfiram com a investigação que está a ser conduzida pelo procurador especial nomeado para o caso, Robert Fiske. Esta investigação ao caso que envolve o casal Clinton em alegadas irregularidades financeiras cometidas na década passada no Arkansas aprofunda-se entretanto, com a convocação, para depor, de um dos mais próximos conselheiros presidenciais. George Stephanoupoulos, de 33 anos, um dos homens-chave na campanha eleitoral que levou Clinton à Presidência, declarou-se «encantado pela ocasião de apresentar os factos». Foi o sétimo funcionário da Casa Branca chamado a depor.</P>
<P>
Avião</P>
<P>
iraniano</P>
<P>
abatido</P>
<P>
O Azerbaijão acusou ontem forças arménias do enclave de Nagorno-Karabakh de terem derrubado um avião de transporte iraniano que caiu na quinta-feira, matando as 32 pessoas a bordo. O ministério azerbaijano dos Negócios Estrangeiros garantiu possuir a prova da responsabilidade arménia: a gravação de uma conversa em que militares arménios se felicitam por ter derrubado um avião, que supunham azerbaijano. O aparelho transportava 13 tripulantes e 19 familiares de diplomatas iranianos em Moscovo que se dirigiam a Teerão para festejar o ano novo iraniano. O Irão ainda não reagiu, mas a confirmar-se a hipótese de derrube é de prever um incidente diplomático grave com a Arménia. O aparelho, um Hercules C-130, despenhou-se junto de Stepanakert, a capital do enclave de Nagorno, território azerbaijano onde a maioria da população é arménia e onde as duas comunidades combatem ferozmente há seis anos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71972">
<P>
Moradores da Quinta da Calçada cansados de esperar pelas novas casas</P>
<P>
Realojamento acidentado</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
Os moradores continuam à espera. O Estádio Universitário vai pressionando. E a Câmara de Lisboa tarda em realojar as famílias da Quinta da Calçada, junto à Segunda Circular. A construção dos prédios destinados à habitação social foi abandonada e a autarquia teve de lançar novos concursos. Um processo acidentado, com acusações ao município de ter separado a comunidade. A Câmara desmente.</P>
<P>
Os residentes da Quinta da Calçada -- um bairro de lusalite construído pela Câmara de Lisboa em 1938, por um prazo de cinco anos que se prolongou por mais de meio século -- estão indignados com a forma como se tem desenrolado o seu processo de realojamento. Em causa está, segundo Honorato Borges, presidente da Associação de Moradores de Telheiras Sul (que apesar da designação representa aquele bairro), uma tentativa levada a cabo pelo município lisboeta, em meados deste ano, de desmembrar a comunidade ali residente.</P>
<P>
«Começaram a transferir as pessoas para outros bairros de habitação social, quando devíamos era de ficar todos juntos. Mal por mal já nos conhecemos todos», diz Honorato Borges, sublinhando que as famílias que saíram para outras zonas da cidade «podem vir a enfrentar problemas de integração». Ao todo, dos 146 agregados recenseados a Quinta da Calçada -- implantada em terrenos do Estádio Universitário -- cerca de 30 foram realojados no Casal dos Machados, no Bairro Padre Cruz e na Zona M de Chelas.</P>
<P>
Segundo o representante da associação, as pessoas que saíram foram aliciadas pela ideia de terem rapidamente uma nova casa. Mas, acrescenta, o verdadeiro desejo era de ficarem todos nos prédios de realojameto que a autarquia está a fazer nas Fonsecas, a escassas centenas de metros da Quinta da Calçada, ambas separadas apenas pela estrada da Azinhaga das Galhardas, que desemboca a Segunda Circular.</P>
<P>
Existe, no entanto, outra questão que não é muito bem vista pelos moradores. É que dos 240 fogos de habitação social planeados para a zona das Fonsecas, 120 são para venda e são exactamente estes os que já estão praticamente concluídos. Para o presidente da associação de moradores, não faz sentido ter-se avançado primeiro com a construção das casas para venda, quando a esmagadora maioria dos agregados não tem condições financeiras para comprar. E uma das reivindicações das famílias é serem realojadas nos fogos que primeiro ficarem disponíveis e com condições de habitabilidade.</P>
<P>
Vasco Franco, vereador da Habitação, reconhece que há poucos agregados interessados em comprar os fogos, apenas cerca de 10 por cento. Foi por isso, conta o autarca, que foram consultadas todas as famílias para saber quem é queria ir para outros bairros. «Não obrigámos ninguém a sair. Não é verdade que estamos a desmembrar a comunidade. Estamos a tratar com pessoas normais que sabem o que querem. Quem saiu, foi porque assim o escolheu», salienta o vereador.</P>
<P>
No entanto, Vasco Franco não garante vir a disponibilizar para arrendamento os fogos destinados a venda, a única garantia que dá é de que «todas as famílias da Quinta da Calçada e da Quinta das Fonsecas [um bairro de barracas existente a mesma zona] serão realojadas nos novos prédios» das Fonsecas. E adianta que «gostaria de entregar as chaves ainda antes do final deste ano às famílias que optaram por comprar».</P>
<P>
Empreiteiros abandonam as obras</P>
<P>
«A Câmara está obrigada, no âmbito do PIMP [Plano Integrado a Médio Prazo], a fazer parte dos fogos de habitação social no regime de venda. São fogos cujo financiamento a autarquia tem de pagar em três anos, portanto temos mesmo de vender as casas», explica Vasco Franco. E quanto aos atrasos que se têm vindo a registar no realojamento dos moradores da Quinta da Calçada, o vereador diz que se devem a problemas com os construtores. «Começámos duas empreitadas, de 120 fogos cada, [nas Fonsecas]. Mas, as obras foram abandonadas por dificuldades financeiras das empresas».</P>
<P>
Vasco Franco, nega ainda a existência de casas já acabadas. «Não há fogos prontos, estão apenas aparentemente concluídos os 120 de uma das empreitadas que estava mais adiantada. Foi feita uma vistoria, depois do abandono da obra, que detectou várias anomalias nas habitações. Tivemos, por isso, de lançar, recentemente, um concurso por ajuste directo para trabalhos de correcção das obras, orçados em 24 mil contos». Trabalhos que poderão estar terminados até ao fim do ano.</P>
<P>
Os 120 fogos mais atrasados, cuja construção foi deixada a meio, têm já um novo empreiteiro. Também já estão adjudicados os arranjos exteriores dos edifícios que ficaram quase prontos, diz o vereador. Embora rejeite as acusações do representante das famílias da Quinta da Calçada, Vasco Franco admite que os moradores estejam descontentes com a Câmara. «Há razões para estarem, porque lhes foram criadas expectativas que não se concretizaram. Eu próprio, em tempos, disse às pessoas que não passariam ali mais nenhum Inverno».</P>
<P>
Aliás, qualquer época do ano é má para viver na Quinta da Calçada, onde as casas abarracadas chegaram ao limite da degradação, o lixo abunda e as inundações são frequentes na parte baixa do bairro. As condições de higiene e salubridade são tão más, que não terão sido alheias a um surto de hepatite que, no ano passado, atingiu uma boa parte das crianças em idade escolar que residem na zona. São, pois, mais que muitos os motivos que as famílias têm para quererem dali sair rapidamente.</P>
<P>
Quem, igualmente, tem pressa no realojamento da Quinta da Calçada é a direcção do Estádio Universitário. Esta instituição há muito que quer ver os terrenos libertos para levar a cabo o seu programa de expansão e espera pela demolição do bairro para ali construir residências desportivas universitárias e para, finalmente, vedar o território do complexo desportivo do lado da estrada da Azinhaga das Galhardas.</P>
<P>
«Estamos em condições para arrancar com as obras, logo que as famílias sejam realojadas», diz Vasco Lynce de Faria, director do Estádio Universitário, adiantando que tem «pressionado a Câmara de Lisboa para acelerar os realojamentos». Mas com ou sem pressões, os realojamentos não estarão concluídos antes de Março ou Abril, segundo as previsões de Vasco Franco.</P>
<P>
O vereador, ou outros responsáveis municipais, irão ainda deparar-se com outras reivindicações dos moradores. Uma delas prende-se com a toponímia da zona das Fonsecas onde irão residir, e que querem que passe a designar-se Telheiras Sul, por se encontrar a sul da Segunda Circular, em cuja margem norte se encontra já o vasto bairro de Telheiras. Os moradores pretendem ainda um centro cívico polivalente, para crianças, jovens e idosos, à semelhança do que tem sido feito ou projectado pela Câmara noutros bairros sociais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-78831">
<P>
Terra de «djagacida» e «vinho di Fogo»</P>
<P>
Primeiro foram os padres que ali apareceram, para viver em solidão. Acharam uma mina de ouro, deixaram-se ficar, conta a tradição oral. Juntaram grande quantidade do valioso metal e decidiram regressar à Europa. A um deles coube a maior parte, o que causou uma luta tão renhida entre os dois que fez entrar em acção todos os feitiços, que puseram a ilha em fogo. O incêndio apagou-se, mas no centro ficou o elemento destruidor -- o vulcão. É esta a história oral da ilha do Fogo, em Cabo Verde.</P>
<P>
Em Chã das Caldeiras, a 1800 metros de altitude, numa imensidão de terra negra, vê-se algumas abóboras e muitas pedras. Lá no cimo, o ponto de paragem, já se sabe, é a taberna, também mercearia e casa de habitação, onde está sempre ligado o rádio de pilhas e não se pode deixar de beber o «vinho di Fogo», que nasce na cratera do vulcão. Sem luz (só com gerador e gás) e sem água, ali vive uma família. «Não podiam tirar uma fotografia à minha filha que nasceu há dois dias e depois mandar por correio?», pergunta o dono, que fala português perfeitamente. Na parte de trás da casa, deitadas no chão, entre cobertores, está a mãe e a recém-nascida, prontas para a fotografia. Entretanto, já os miúdos, de várias idades, uns mais tímidos do que outros, se tinham aproximado e pediam também «fotografia».</P>
<P>
Na subida até Chã das Caldeiras não se pode deixar de reparar nalgumas construções enormes que contrastam com as tradicionais casas cinzentas dos habitantes. São as igrejas «alternativas», que abundam. Seis ou sete diferentes, entre as quais a Igreja Adventista, a Igreja dos Santos dos Últimos Dias, a Igreja Universal do Reino de Deus. Mais à frente, ao chegar-se a Monte Velha, a paisagem muda de repente, cheia de árvores, com cheiro a Sintra -- é o local por onde fugiram os habitantes quando o vulcão entrou em erupção, pois ali existe um caminho que desce a encosta até Mosteiros.</P>
<P>
Chico Barbosa, com muitos filhos, é talvez a personagem mais querida da ilha e também Malaquias, tocador de violino. Mais estranho é o senhor Osvaldo, um português que, em tempos, foi o mais rico da ilha. É um homem já de uma certa idade, com um tumor na cabeça, sempre de pijama e sem tomar banho há muitos meses. Em São Filipe, onde vive no seu sobrado degradado, só há água duas horas por dia e a luz acaba à meia-noite. Em sua casa quase que não se pode entrar, tal é a confusão e a lixeira. Móveis por cima de móveis, sacos e caixas cheias de coisas, só a porta entreaberta do quarto já dá vómitos, tal o cheiro que de lá sai. Esta casa contrasta com a de D. Ana Vicente, também dona de um sobrado, mas muito bem arranjado, onde vive sozinha com a sua empregada.</P>
<P>
No Fogo, ilha de areia negra, praias de tartarugas e tubarões, existe uma biblioteca. Ali podem ir as crianças, de sandálias ou pés descalços, mas quem mais a aproveita são os «mormons», que todas as tardes aí recebem os interessados em estudar o evangelho. E são muitos os que por lá passam e que dão 10 por cento do seu mísero salário todos os meses.</P>
<P>
Os miúdos andam vestidos «à americana»; é ver a alegria quando chega o «contentor da América» com os ténis, as calças de ganga e as camisolas coloridas. Sabem de cor os nomes dos jogadores de futebol portugueses e são benfiquistas e portistas ferrenhos. Alguns têm equipamento que vestem ao domingo. Vêem a televisão RTP Internacional, sabem os nomes dos artistas das telenovelas.</P>
<P>
Entre os mais velhos de São Filipe duas personagens não passam despercebidas. O primeiro, um homem sem dentes, sempre descalço e a pedir cigarros, sentado na soleira da taberna, é um farrapo do senhor de outros tempos. Quando era mais novo, foi um distinto cozinheiro do Ernestina, veleiro que fazia a travessia entre Cabo Verde e os EUA. O outro, endoidecido pela guerra colonial na Guiné, onde lutou pelo lado português, recita ao longo do dia o sinal de abertura da rádio portuguesa, com a enunciação dos locais com emissores e retransmissores.</P>
<P>
«Fogo ê nha nome botismo. Ê Fogo laba burcan. Ê Fogo sangue na beia. Fogo amor na coraçam», canta-se na terra de cantadeiras, enquanto se come «djagacida», feijão com farinha de pilão e carne de porco.</P>
<P>
Isabel Coutinho</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-44709">
<P>
Objetivo é descobrir a causa de ataques a banhistas no litoral do Estado, que este ano chegaram a 8 </P>
<P>
FÁBIO GUIBU </P>
<P>
Da Agência Folha, em Recife </P>
<P>
Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (PE) iniciaram ontem uma expedição para a captura de tubarões no litoral do Estado.</P>
<P>
O objetivo do grupo é descobrir a causa dos ataques frequentes destes animais nas praias de Pernambuco.</P>
<P>
Só este ano, oito pessoas foram atacadas por tubarões no Estado. A última vítima, Claudemilson Lima, 21, morreu na quinta-feira passada. Lima, que surfava na praia do Paiva, no Cabo (41 km ao sul de Recife), teve a coxa esquerda dilacerada e morreu por hemorragia.</P>
<P>
No barco "Sinuelo", os três pesquisadores e quatro tripulantes levam 600 kg de iscas e quatro toneladas de gelo para conservar os animais capturados.</P>
<P>
A pesca será feita a cerca de 20 km da costa. Além de uma rede especial, uma linha com 200 anzóis será usada na captura.</P>
<P>
Os trabalhos vão se concentrar numa faixa da orla considerada "crítica" para ataques de tubarões, que vai do Cabo à praia de Boa Viagem, em Recife, a mais frequentada do Estado.</P>
<P>
Os tubarões capturados serão levados ao laboratório da universidade para análise. Os pesquisadores querem conhecer os hábitos e as espécies que vivem no litoral.</P>
<P>
Um ano</P>
<P>
Segundo um dos integrantes do grupo de pesquisa, Fábio Hazin, as expedições para captura deverão se repetir duas vezes por mês num período de um ano.</P>
<P>
A operação no mar foi precedida por estudos técnicos sobre a topografia do litoral. Os trabalhos começaram em setembro. Até agora, disse Hazin, a pesquisa concluiu que o relevo submarino em determinados pontos é "ideal" para os ataques.</P>
<P>
"Existe um canal profundo ao longo de algumas praias, entre elas a de Boa Viagem, que favorece a presença de tubarões", afirmou.</P>
<P>
Sobre as espécies que estariam atacando no litoral, Hazin disse que as mais prováveis são o tubarão-tigre e o cabeça-chata. Os dois, afirmou, "têm hábitos agressivos e habitam a costa pernambucana".</P>
<P>
O tubarão-tigre, segundo Hazin, pode medir até 6 metros e o cabeça-chata, 4,5 metros.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-14995">
<P>
CSCE reunida em Budapeste</P>
<P>
A Rússia não quer ficar à margem</P>
<P>
A RÚSSIA vai lançar uma ofensiva diplomática na reunião da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa (CSCE) que hoje principia em Budapeste, pois quer evitar o isolamento e manter um papel destacado na definição da vida neste continente.</P>
<P>
A CSCE, que congrega todos os países europeus mais os Estados Unidos e o Canadá, num total de 53 membros, prepara nesta reunião a cimeira que deverá efectuar em Dezembro.</P>
<P>
Está em causa saber se a instituição criada para a cooperação e a paz do Atlântico aos Urais consegue ou não atingir os seus objectivos.</P>
<P>
Tal como a NATO e a União Europeia, a CSCE também não conseguiu evitar ou acabar com novos conflitos surgidos após a queda do Muro de Berlim, designadamente a guerra na Bósnia. Alguns críticos consideram-na pouco mais do que uma tertúlia onde se fala de direitos humanos.</P>
<P>
A Hungria, que serve de anfitriã, afirma que a conferência ainda é necessária porque inclui todos os estados europeus e tem uma visão mais realista sobre o seu próprio futuro.</P>
<P>
«Chegámos provavelmente a um ponto em que conseguimos avaliar sem ilusões as nossas possibilidades e seremos capazes de ultrapassar o traumatismo causado pela crise jugoslava», disse na sexta-feira o chefe da delegação húngara à CSCE, Istvan Gyarmati.</P>
<P>
O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Andrei Kozyrev, avançou com propostas que, se fossem aceites em Budapeste, transformariam a instituição na primeira organização europeia de segurança.</P>
<P>
Moscovo propôs estabelecer um novo Conselho de Segurança no estilo do das Nações Unidas, com poder de veto sobre as acções de outras entidades viradas para a Europa, como a NATO.</P>
<P>
Ao estabelecer uma hierarquia, com a CSCE no topo, a Rússia manteria uma poderosa voz na segurança europeia.</P>
<P>
O irmão esquecido</P>
<P>
Diplomatas que têm vindo a seguir estas questões dizem que a Rússia está preocupada com a hipótese de, se não for assim, ficar à margem das grandes decisões sobre o continente, uma vez que tem poucas hipóteses de entrar na NATO ou na União Europeia.</P>
<P>
Os receios russos de isolamento foram reforçados na semana passada, quando um grupo internacional de peritos divulgou uma opinião muito desfavorável do seu sistema jurídico e da protecção que (não) concede aos direitos humanos e das minorias.</P>
<P>
O grupo concluiu que Moscovo não está em condições de ser aceite no Conselho da Europa, de 32 países, entidade que promove a democracia e os direitos humanos e que muitas vezes serve de antecâmara para que chegue à União Europeia.</P>
<P>
Em tal contexto, as propostas russas que vão ser debatidas esta semana em Budapeste não deverão ser aceites, uma vez que a CSCE funciona apenas por consenso, algo que muitos diplomatas dizem que é uma das grandes fraquezas do sistema, pois que é bastante difícil ter 53 países a concordarem sobre determinado assunto.</P>
<P>
As grandes potências ocidentais não querem subordinar a NATO à CSCE, porque isso lhes coarctaria a liberdade de acção.</P>
<P>
Os antigos satélites de Moscovo no Leste Europeu desconfiam também dos seus objectivos. Apoiaram inicialmente a CSCE como a melhor para a segurança deste continente, mas estão agora mais interessados em aderir à NATO e à União Europeia logo que possível.</P>
<P>
Além disso, a Rússia quer que a reunião de Budapeste encarregue formalmente Moscovo de manter a paz nas antigas repúblicas soviéticas, como a Geórgia e o Tadjiquistão.</P>
<P>
No entanto, muitos dos membros da CSCE pretendem um estricto controlo de qualquer missão que nesses territórios caiba a Moscovo, ideia a que a Rússia evidentemente se tem oposto.</P>
<P>
Resolução de conflitos</P>
<P>
A Alemanha e a Holanda também apresentaram uma proposta para fortalecer a CSCE, fazendo com que os países membros usem os seus mecanismos de resolução de conflitos antes de se virarem para as Nações Unidas ou para outros organismos.</P>
<P>
A CSCE, que surgiu de uma reunião Ocidente-Leste efectuada em Helsínquia no ano de 1975, essencialmente sobre os direitos humanos, tem a sede em Viena e escritórios em Praga, Varsóvia e Haia.</P>
<P>
No entanto, quase que não está dotada de pessoal permanente, não tem estruturas militares e o seu orçamento anual é de uns meros 18 milhões de dólares.</P>
<P>
Quem defende a organização diz que a mesma nunca foi verdadeiramente apoiada pelos principais governos ocidentais e que o seu papel, mesmo limitado, tem sido importante para reduzir a tensão, ao enviar missões de diplomatas e observadores a zonas de potencial conflito.</P>
<P>
Pequenas missões de fiscalização têm sido enviadas à província sérvia de Kosovo, à antiga república jugoslava da Macedónia, à Estónia, à Letónia, à Geórgia e ao Nagorno-Karabakh., a fim de ajudarem a diminuir a tensão nessas zonas.</P>
<P>
Nicholas Doughty, da Reuter, em Budapeste</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-96542">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
O presidente da Rússia, Boris Ieltsin, afirmou ontem que seu país se opõe à entrada das nações do Leste Europeu na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar ocidental liderada pelos EUA). Essa foi a primeira reação da Rússia ao pedido de entrada na organização feito anteontem pela Lituânia.</P>
<P>
Uma eventual adesão dos países do Leste Europeu à Otan "provocaria uma reação negativa da opinião pública russa" e nos "círculos militares e civis", afirma nota divulgada pela Presidência da Rússia. A adesão poderá gerar uma "desetabilização político-militar em uma região chave para o destino do mundo".</P>
<P>
O ingresso dos países do Leste Europeu na Otan será o principal tema da reunião de cúpula da aliança militar no início da semana que vem em Bruxelas.</P>
<P>
O governo americano, temeroso da reação dos nacionalistas russos, é contrário à entrada dos países do Leste Europeu na Otan e defende a criação de um status de associação para os países da região.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-92188">
<P>
O outro lado do paraíso</P>
<P>
A descida ao Algar do Carvão, na ilha Terceira, é uma experiência inesquecível. Antiga chaminé vulcânica, por onde a luz se coa muito brevemente, engolida pela pedra negra, constitui um verdadeiro santuário. Os primeiros níveis, onde ainda há insolação, abrigam uma flora rica na sua especificidade e que se arruma em andares sucessivos, cada vez mais sombreados. Depois, à medida que mergulhamos no seu interior, descendo a escadaria sem fim até ao lago verde que lhe enche o fundo, o algar despe-se de vida, progressivamente resumida aos raros seres que se habituaram a viver na total obscuridade.</P>
<P>
Quem pela primeira vez penetra neste estranho mundo sente-se perante uma revelação, a descoberta de mais uma maravilha destas ilhas maravilhosas que, a meio do Atlântico, parecem brotar do mais profundo das entranhas da Terra.</P>
<P>
Ilhas telúricas, filhas do movimento do Planeta -- estão na fronteira de duas das grandes placas que formam a crusta terrestre, num dos pontos em que essa crusta se está a formar -- as ilhas do Açores constituem, no nosso imaginário, um dos raros paraísos naturais que nos restam. E, no entanto, já bem pouco possuem de natural, já em quase nada se assemelham às ilhas desertas e selvagens que os navegadores portugueses descobriram há perto de 600 anos.</P>
<P>
Nove ilhas espalhadas no centro do oceano, os Açores possuíam uma riqueza natural ímpar. As suas encostas estavam cobertas por densas matas, não muito altas, de um tipo de floresta que os biólogos designam por laurissilva. Tendo ficado imunes, devido ao efeito moderador do oceano, à passagem das glaciações, as ilhas atlânticas haviam conservado um tipo de floresta pré-glaciar que, no continente europeu, fora completamente varrida pelos gelos polares. Porém, como ilhas isoladas, os Açores possuíam uma fauna relativamente pobre, constituída sobretudo por aves -- algumas hoje em risco de extinção -- e quase sem mamíferos. Esta sua originalidade permitiu-lhes mesmo possuírem uma raridade, um morcego diurno.</P>
<P>
A colonização das ilhas, se não lhes roubou a grandiosidade cenográfica e paisagística, alterou-lhes profundamente os habitates. A floresta original foi quase completamente destruída, substituída primeiro por culturas variadas, em ciclos sucessivos de fortuna e crise, que finalmente deram lugar a pastagens sem fim. Dessa floresta primitiva apenas restam pequenos pedaços, escondidos no fundo de ravinas ou protegidos no interior de algumas caldeiras vulcânicas.</P>
<P>
E mesmo nestes seus refúgios corre perigo, já que o engenho humano não se contenta com as pastagens e lhes acrescentou florestas de espécies exóticas, verdadeiras invasoras. As matas de criptoméria japónica, uma árvore importada do Japão, se bem que mais bonitas e simpáticas que as continentais matas de eucaliptos, são igualmente antinaturais e agressivas. Para as implantar realiza-se grotescos trabalhos com máquinas pesadas, que deixam o terreno solto e propício à erosão, um dos dramas destas ilhas, onde o solo é um bem escasso e raro. Pior, se possível: estas matas são ainda mais monoespecíficas do que as de eucalipto, não abrigando praticamente nenhuma outra espécie, de tal forma que lhes chamam «florestas do silêncio», pois nem o chilrear das aves se escuta, já que nenhuma ave nelas se abriga.</P>
<P>
Para além desta acção deliberada de arroteamento florestal, a ocupação humana das ilhas acarretou outras pragas. Algumas espécies vegetais, muito vistosas e «turísticas», como as hortênsias e as roca-de-velha, são igualmente muito agressivas do ponto de vista ecológico, estando neste momento a invadir as áreas em que ainda resistiam núcleos de floresta original.</P>
<P>
A estes factos há ainda a juntar o terrível impacto das pastagens sobre as lagoas interiores, fenómeno sobretudo evidente em São Miguel. O uso e abuso de pesticidas e fertilizantes está a contribuir para a eutrofização das lagoas, não surpreendendo que dentro de alguns anos dois dos ex-libris das ilhas -- a lagoa das Furnas e a lagoa das Sete Cidades estejam reduzidas a pântanos.</P>
<P>
Esta realidade não surge com evidência aos olhos do visitante. A beleza da paisagem humanizada dos Açores -- será possível encontrar um panorama mais belo do que o dos campos divididos por muros de pedra no planalto central da Terceira -- e a grandiosidade das formas naturais -- as lagoas de São Miguel, o cone do Pico, a caldeira do Faial -- embalam-nos facilmente e fazem-nos crer estarmos no Paraíso. Mais: o equilíbrio e o bom gosto que domina nas zonas urbanas e rurais, a preservação, amíude exemplar, do património construído, tudo contribui para nos fazer esquecer os terríveis dilemas ambientais. Por surpreendente que pareça, a verdade é que existem na Madeira melhores e mais bem preservados pedaços de laurissilva e que o regime legal conservacionista é também mais antigo e rigoroso.</P>
<P>
É bom, pois, que não nos deixemos enganar pelas aparências. Se os Açores constituem, do ponto de vista paisagístico e do património construído, uma das nossas jóias mais preciosas, é bom termos a consciência clara de que, ambientalmente, o rei vai nu. Os problemas são graves -- problemas de resíduos urbanos, problemas de conservação das espécies, problemas de poluição e eutrofização -- e a consciência ambiental nem sempre é especialmente forte. Ou será que já nos esquecemos -- como se esqueceu o roteiro desta Presidência Aberta -- das lamentáveis reacções que provocou o programa da RTP sobre a caça ao golfinho e sua utilização como isco na pesca do atum? É que é em momentos como esse que se vê realmente se as autoridades se preocupam sinceramente com o ambiente ou se só pensam na pose para televisão -- e Presidente -- ver.</P>
<P>
José Manuel Fernandes</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4206">
<P>
Gastos com vale-alimentação e vale-transporte podem ser abatidos do Imposto de Renda</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Dar benefícios aos funcionários não significa apenas aumentar as despesas de uma empresa. Além de elevar indiretamente os salários, os chamados benefícios podem ser usados como uma estratégia para melhorar as condições de trabalho, diminuir a rotatividade da mão-de-obra e aumentar a qualidade dos serviços prestados.</P>
<P>
Vale-transporte, vale-refeição, assistência médica, cesta-básica e prêmio produtividade são os benefícios mais comuns entre as pequenas e micro empresas (veja quadro ao lado). A exceção do vale-transporte, não há lei que obrigue a concessão de benefícios. Mas as empresas podem se beneficiar de "vantagens" fiscais se oferecerem algum subsídio ao funcionário.</P>
<P>
É o caso do vale-refeição e vale-transporte, que podem ser deduzidos diretamente do Imposto de Renda. Além disso, os gastos com esses benefícios podem ser lançados na contabilidade da empresa como despesa, o que reduz o lucro e, consequentemente, o imposto a pagar. Esse procedimento pode ser adotado também em relação aos convênios médicos e seguros-saúde, caso todos os funcionários sejam incluídos no programa. Os dois benefícios, no entanto, não dão direito à abatimento direto no IR.</P>
<P>
Antonio Teixeira Bacalhau, consultor da IOB Informações Objetivas, diz que as empresas de pequeno porte, que optem pagar Imposto de Renda com base no lucro presumido ou estimado, podem deduzir mensalmente 5% dos gastos com alimentação ou 8% da despesa com transporte de empregado no valor do imposto a pagar. "Se a empresa mantiver os dois benefícios, só pode abater 8%", afirma.</P>
<P>
O vale-transporte foi instituído em 1987 e prevê que o empregado pague até 6% do seu salário com condução. O que exceder esse percentual é de responsabilidade da empresa.</P>
<P>
Vale-refeição, cesta-básica, refeições em restaurante próprio ou de terceiros são regulamentados pelo PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), do Ministério do Trabalho, desde 1976. Para aproveitar as deduções, a empresa precisa se inscrever no programa e subsidiar a alimentação dos funcionários que ganham até cinco salários mínimos. O trabalhador não deve pagar mais que 20% do gasto total.</P>
<P>
As refeições menores, como lanches e café da manhã, de acordo com o programa, devem conter o mínimo de 300 calorias e também são dedutíveis de imposto. Para o almoço ou jantar são necessárias 1.400 calorias. O PAT não determina a quantidade dos itens que compõem a cesta-básica. Em muitos casos, os acordos coletivos entre empregados e empregadores é que fazem essa determinação.</P>
<P>
As microempresas, no entanto, não têm como aproveitar as deduções proporcionadas pelo PAT, vale-transporte ou as despesas com convênios médicos, já que são isentas do pagamento de Imposto de Renda. (Nelson Rocco)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-6282">
<P>
De Lisboa para Cascais e de novo para Lisboa, a mulher do Presidente da República Francesa, Danielle Mitterrand, passou ontem um dia ocupado na divulgação da versão portuguesa do «Passaporte Europeu contra o Racismo», um documento pessoal em que cada um se compromete simbolicamente a «resistir a qualquer acto de racismo». Recebida de manhã por Maria Barroso, que deu o seu patrocínio a esta iniciativa da Civitas, associação portuguesa de defesa dos direitos humanos que pegou na ideia da fundação de Danielle Mitterrand, a mulher do Presidente francês visitou depois o «Bairro do Fim do Mundo»(na foto), no concelho de Cascais, um bairro multiétnico com graves problemas sociais e de tráfico de droga. Daí, onde fora recebida pelos responsáveis de um centro de apoio social, Danielle Mitterrand foi depois almoçar com o presidente da câmara de Cascais, José Luís Judas. Seguiu-se, à tarde, um encontro nos Paços do Concelho de Lisboa com Jorge Sampaio, a quem explicou como funciona o passaporte: «Não é um prospecto que nós damos. É um documento, não oficial, que é preciso pedir e registar pessoalmente». O passaporte, apresentado oficialmente num espectáculo na Aula Magna, ao fim da tarde, é um livrinho de oito páginas dirigido especialmente a jovens estudantes que assumem publicamente lutar contra todas as formas de discriminação baseadas em raça, nacionalidade, religião ou cor.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-24896">
<P>
Da Reportagem Local </P>
<P>
A uruguaia Maria Rosa Ruiz Colman, 49, morreu ontem com um tiro no rosto ao tentar reagir a um assalto num ponto de ônibus da avenida João Dias, no Morumbi (zona sul de São Paulo).</P>
<P>
O assalto aconteceu por volta das 10h50, minutos depois de Maria Rosa ter retirado cerca de R$ 2.900,00 numa agência do Bradesco que fica em frente ao ponto de ônibus.</P>
<P>
Os assaltantes —Luís Fernando Ambrósio, 20, e Walkier Gomes da Silva, 25— foram presos logo após o crime e levados para o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais). </P>
<P>
Nenhum dos dois tinha passagem anterior pela polícia.</P>
<P>
Maria Rosa era casada e tinha dois filhos, Andreas, 19, e Maurício, 12. Ela morava no Morumbi.</P>
<P>
Segundo testemunhas, Silva estava dentro do banco e seguiu Maria Rosa até o ponto de ônibus. Lá, o outro assaltante apontou a arma para a uruguaia e puxou sua bolsa.</P>
<P>
Como ela se recusou a entregar o dinheiro, Ambrósio sacou a arma e atirou. Em seguida, entrou num ônibus e fugiu. Silva não conseguiu escapar e foi agarrado pelas pessoas que presenciaram a cena até a chegada da PM.</P>
<P>
Ambrósio foi preso pouco depois, por um carro da PM que passava pelo local e que interceptou o ônibus indicado pelas testemunhas como o que ele havia entrado. Os policiais identificaram Ambrósio porque ele ainda estava sujo de sangue e carregava a bolsa de Maria Rosa.</P>
<P>
Até às 19h de ontem, a família da uruguaia ainda não havia sido localizada.</P>
<P>
Banespa </P>
<P>
Três homens não identificados assaltaram uma agência do Banespa na avenida presidente Kennedy (em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo). Os assalto aconteceu por volta das 9h45 e foram levados aproximadamente R$ 12 mil. Não houve feridos.</P>
<P>
Os três fugiram num Monza cinza. O carro foi achado perto do banco no início da tarde. A polícia não tem pista dos assaltantes.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-43473">
<P>
O navio português Nossa Senhora da Piedade que regressava do Oriente</P>
<P>
Navios espanhóis Santiago e Nuestra Señora del Rosario, vindos do Novo Mundo</P>
<P>
14 navios espanhóis vindos do México</P>
<P>
Mais de 88 navios que regressavam do Novo Mundo</P>
<P>
Seis navios espanhóis naufragaram na Ilha Terceira e mais cinco no litoral de S. Miguel, quando regressavam do Novo Mundo.</P>
<P>
Mais de 20 navios vindos do Oriente e do Novo Mundo naufragaram durante um violento terramoto em S. Miguel.</P>
<P>
Tesouros afundados nos mares dos Açores</P>
<P>
A aflição do explorador</P>
<P>
Isabel Braga</P>
<P>
O Governo ainda não abriu os concursos públicos obrigatórios por lei para a concessão de licenças de exploração dos numerosos tesouros afundados em águas territoriais portuguesas. Talvez porque o assunto exige as maiores cautelas. Os exploradores dão sinais de impaciência, como Robert Marx, um dos grandes «tubarões» da arqueologia subaquática, que sonha há 40 anos recuperar os navios do século XVI e XVII afundados nos Açores.</P>
<P>
Há várias empresas internacionais candidatas à exploração dos navios carregados de tesouros afundados nos mares portugueses, mas nenhuma obteve ainda licença do Governo para iniciar as suas campanhas: os concursos públicos obrigatórios por lei para a concessão dessas licenças não abriram, confirmou o PÚBLICO junto da Comissão do Património Cultural Subaquático.</P>
<P>
O autor do mapa anexo, divulgado pela agência Reuter, é o arqueólogo americano Robert Marx, dono da Phoenician Exploration, LDA, uma das empresas interessadas em trabalhar na Ilha Terceira. Marx anuncia num pequeno texto incluído no mapa que projecta começar «este mês a recuperar os galeões portugueses e espanhóis carregados de tesouros afundados nos Açores durante os séculos XVI e XVII». Mas a informação está errada: «O sr. presidente [da Comissão do Património Cultural Subaquático, Marques Guedes] desmente, não tem conhecimento de nada. Os concursos não abriram portanto não foram concedidas licenças», informou Helena Salema, da referida comissão.</P>
<P>
O mar dos Açores e principalmente a baía de Angra do Heroísmo, no fundo da qual há dezenas de navios naufragados, alguns intactos com as suas cargas preciosas, como as Naus das Índias, são os lugares mais apetecidos pelas grandes empresas internacionais de caça ao tesouro: candidatas a explorá-la está não apenas Marx mas ainda a Arqueonautas SA e a empresa de Ben Marish, com sede nas Ilhas Caimão, dirigida por um antigo mergulhador de Marx.</P>
<P>
Os montantes envolvidos nesse tipo de pesquisas são elevadíssimos: só um navio equipado para uma escavação a profundidades superiores a 100 metros custa cinco mil contos por dia. Daí que as empresas habilitadas para recuperar destroços a grandes profundidades sejam poucas, a nível mundial, e financiadas por accionistas, interessados em reaver os seus investimentos.</P>
<P>
A lei do património subaquático português é favorável a quem explora os fundos submarinos para obter lucros: embora considere que todos os bens achados no mar pertençam ao Estado, permite que os achadores sejam remunerados em espécie, ou seja, através de uma parte desses achados. O seu artigo 16º prevê que a remuneração do achador se faça através de uma parte (30 a 70 por cento) dos bens recuperados, «ainda que classificados», ou do «respectivo valor, quando o pagamento em espécie for considerado inconveniente para o património cultural português».</P>
<P>
Os candidatos à exploração dos tesouros marítimos necessitam de obter concessões para a exploração e recuperação dos achados, passadas pela Comissão do Património Cultural Subaquático -- que funciona na dependência da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) --, mediante concursos públicos. Os obstáculos legais à realização desses concursos desapareceram com a publicação, a 16 de Junho, da regulamentação da lei do património cultural subaquático, publicada em 1993.</P>
<P>
A burocracia portuguesa é lenta, sem dúvida, mas em causa, está um património muito valioso cuja exploração obriga às maiores cautelas sob pena de, dentro de poucos meses, peças únicas do património português venham a ter como destino não os museus portugueses, mas a dispersão internacional através de leilões da Sotheby's ou da Christie's, onde são depois adquiridas a peso de ouro.</P>
<P>
A demora na abertura dos concursos começa a tornar impacientes os grandes exploradores, com destaque para Robert Marx, que há meses desenvolve incansáveis esforços para apressar o passo à instituições portuguesas, através de todas as influências de que dispõe interna e externamente. Internamente, através do seu advogado, o deputado do PSD, Rui Gomes da Silva -- um dos autores da lei do património subaquático -- e externamente, tentando exercer pressões sobre o Governo português através da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa.</P>
<P>
Explorar os mares dos Açores é, para o dono da Phoenician Exploration LTD, «um sonho com quase quarenta anos» (ver PÚBLICO de 5/4/95). Mas a operação tem, obrigatoriamente, que realizar-se nos meses de Verão, por causa das condições do mar. A publicação do mapa e do texto pode interpretar-se como uma tentativa de Marx para acalmar os seus investidores e para acelerar os trâmites legais que lhe permitam realizar o seu sonho.</P>
<P>
Isabel Braga</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-63032">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
Diego Maradona deve chegar ao Brasil hoje para se integrar à seleção argentina. O jogador deveria se submeter a diversos exames médicos antes de viajar e sua presença na partida contra o Brasil ainda é dúvida. Maradona afirmou que quer estar ao lado dos jogadores em Recife mesmo se não tiver condições de jogo.</P>
<P>
A primeira parte do elenco que veio ao Brasil, partindo de Buenos Aires, inclui 12 nomes: Goycochea, Islas, Craviotto, Hernan Diaz, Jorge Borelli, Ruggeri, Monserrat, Perez, Gorosito, Cagna, Garcia e Ortega. Sete outros jogadores, que atuam em equipes do exterior, iriam se incorporar à equipe.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-92367">
<P>
Helena Duarte, de 36 anos, e os seus dois filhos, um deles sofrendo de problemas cardíacos e psíquicos, foram ontem de manhã despejados do número 219 da Praceta D. Dinis, no Bairro Mário Madeira, na Pontinha, por funcionários da comissão de assistência e habitação do Governo Civil de Lisboa, que gere aquele e outros dois bairros sociais do concelho de Loures, anteriormente na posse da extinta Assembleia Distrital de Lisboa. Foi o ponto final na ocupação de uma casa desabitada, levada a cabo no último sábado por Helena Duarte, depois desta ter passado quatro anos a tentar obter uma habitação social e de o vice-governador civil, Machado Lourenço, lhe dizer que não tinha direito a ser realojada nas casas da antiga ADL. Durante a operação, que, segundo os vizinhos, decorreu na presença de 30 agentes da PSP, a ocupante foi retirada à força e sem que lhe tenha sido mostrado qualquer documento comprovativo da ordem de despejo. «Vieram aqui com um aparato policial desproporcionado para desalojar apenas uma mulher. Até parecia que eu era uma criminosa. Compreendo o trabalho dos agentes, mas fiquei chocada», contava Helena Duarte, poucas horas após o despejo. «Violei a lei, mas não vivo fora da lei», sublinhava, justificando a ocupação com a necessidade de uma casa para o filho doente, para o qual todos os relatórios médicos recomendam uma residência condigna como essencial à estabilidade psíquica. Helena, alegando a situação do filho, de 15 anos, prometia ontem voltar a ocupar a casa. «Assim que a PSP saia volto a entrar, mesmo que me prendam, como já me avisaram». Helena, que vivia num quarto com os pais, no mesmo bairro, não se conforma que lhe neguem uma habitação, até porque, dizem os vizinhos, existem 25 vazias no bairro. Machado Lourenço diz que é mentira: «Casas vagas, se as há entre os 1300 fogos do Mário Madeira, não são do Governo Civil, serão sim algumas das 400 que já foram vendidas aos moradores, que terão ido viver para longe de Lisboa deixando-as fechadas». Aliás, acrescentou, a casa ocupada por Helena terá sido recentemente remodelada e estaria já atribuída a uma das famílias que ainda vivem nos pré-fabricados do Bairro da Urmeira, às quais se destinam os fogos do Mário Madeira e do Bairro de Santa Maria. A Junta de Freguesia da Pontinha desmente e diz que a casa foi atribuída a uma família que já tem uma habitação de alvenaria e adianta que a atitude do vice-governador não passa de um estratégia para «pôr moradores contra moradores». Seja como for, tudo aponta para que Helena volte a uma casa, ao número 219 ou a uma outra das devolutas. G. P.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-65923">
<P>
Angola</P>
<P>
UNITA queixa-se de napalm</P>
<P>
A UNITA disse ontem que nos últimos dias a aviação governamental angolana lançou 112 bombas de napalm, fósforo e fragmentação sobre Huambo, Caála, Léuá e outras áreas.</P>
<P>
Em comunicado assinado pelo chefe do respectivo Estado-Maior, general Arlindo Chenda Pena, «Ben-Ben», aquele partido alegou que durante o fim de semana o bombardeamento governamental causou 103 mortos e 341 feridos.</P>
<P>
Numa altura em que as conversações de Lusaca vão já em oito meses e em que alguns admitiam a paz para a primeira quinzena de Junho, o Estado-Maior da UNITA fala ainda de «escalada da violência», da qual responsabiliza Luanda.</P>
<P>
Por seu turno, a enviada da agência Lusa à Zâmbia, Luísa Ribeiro, escrevia ontem que «o espírito de reconciliação à mesa negocial parece dia a dia cada vez mais difícil de obter».</P>
<P>
Nem as conversações do primeiro semestre do ano passado em Abidjã nem as que desde Novembro decorrem em Lusaca foram até agora capazes de repor o espírito de entendimento que de Abril de 1990 a Maio de 1991 se procurara criar em Portugal, durante sucessivos contactos.</P>
<P>
Os incidentes verificados nas cinco semanas após as eleições presidenciais e legislativas de Setembro de 1992 prejudicaram de tal modo toda a dinâmica da paz que houve um verdadeiro retrocesso aos tempos anteriores a 90, quando as duas forças maioritárias da sociedade angolana se digladiavam uma à outra a iam destruindo o país.</P>
<P>
Hoje em dia Angola encontra-se num estado caótico, onde as receitas do petróleo e dos diamantes quase só servem para financiar a guerra, não havendo recuperação de estradas nem de cidades e vilas afectadas pelos combates, não havendo novas escolas e hospitais nem muitas outras infra-estruturas essenciais a qualquer país minimamente desenvolvido.</P>
<P>
O receio de alguns observadores é que a paz desde há tanto desejada ainda demore largos meses a consolidar-se e que as sequelas de um longo conflito só possam ser ultrapassadas daqui a muitos anos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-6422">
<P>
Como medida de retaliação</P>
<P>
Argélia encerra fronteira com Marrocos</P>
<P>
A Argélia decidiu ontem fechar «temporariamente» a sua fronteira com Marrocos, depois de as autoridades de Rabat terem decidido impor vistos de entrada aos cidadãos argelinos. Segundo um comunicado do Governo argelino, citado pela agência oficial APS, no futuro Argel irá também exigir vistos aos marroquinos que queiram entrar no país.</P>
<P>
A crise entre os dois países do Norte de África surge na sequência da prisão de dois membros de um grupo armado, composto na maior parte por argelinos, ao qual as autoridades marroquinas atribuem a responsabilidade do atentado de quarta-feira num hotel de luxo em Marraquexe, no qual morreram dois turistas espanhóis. O Ministério marroquino do Interior revelou ainda que o grupo, que inclui também «alguns marroquinos», se preparava para realizar «ataques contra estabelecimentos bancários e elementos dos serviços de segurança».</P>
<P>
O Ministério argelino dos Negócios Estrangeiros protestou imediatamente junto da Embaixada de Marrocos, classificando as prisões e a imposição de vistos como práticas «inaceitáveis», que «não servem os interesses de dois países irmãos». Os observadores consideram que esta crise vai contribuir para piorar as já tensas relações entre Rabat e Argel. Há poucos dias, o Presidente argelino declarara publicamente que existe ainda em África «um país ilegalmente ocupado», referindo-se ao Sara Ocidental -- um comentário que, obviamente, não foi bem recebido em Marrocos.</P>
<P>
Segundo a France Presse, a Embaixada argelina em Rabat afirmou ter sido contactada desde a passada sexta-feira por dezenas de argelinos queixando-se de que tinham sido obrigados a deixar os seus hotéis e aconselhados a regressar imediatamente ao seu país.</P>
<P>
Governo do GIA</P>
<P>
Este aumento da tensão entre os dois países coincide com novos desenvolvimentos na crise argelina. Na sexta-feira, o Grupo Islâmico Armado (GIA), o mais radical dos movimentos fundamentalistas argelinos e responsável por muitos dos recentes assassínios de estrangeiros no país, anunciou a formação de um governo paralelo -- a que chamou «governo do califado».</P>
<P>
Com onze «ministérios», este governo deverá integrar o número dois da ilegalizada Frente Islâmica de Salvação (FIS), Ali Belhadj, actualmente detido. O cargo de «primeiro-ministro» será ocupado por Mohamed Said, responsável pela «célula de crise» da FIS, criada em 1992 depois da anulação das eleições legislativas onde se esperava uma vitória do movimento fundamentalista. Anwar Haddam, presidente da delegação parlamentar da FIS no exterior, desmentiu entretanto as informações que o davam também como membro deste governo do GIA. «Não estou a par de nada disso», declarou Haddam, que vive nos Estados Unidos, sublinhando que nem ele próprio nem Said pertencem ao GIA.</P>
<P>
Entretanto, dois dirigentes da FIS manifestaram a sua esperança de que o diálogo iniciado no passado dia 21 entre o Governo e a oposição não seja mais uma desilusão. Numa entrevista publicada pelo jornal «El Hiwar», Ali Djeddi e Abdelkader Bukhamkham afirmaram que a FIS não pretende impor na Argélia «um modelo de sociedade ou exigir pastas ministeriais que não mereça, sem passar por eleições livres».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-16974">
<P>
Ayrton Senna</P>
<P>
Grande Prémio de S. Marino, 1 de Maio de 1994. À sétima volta, a segunda depois do «safety car» abandonar a pista de Ímola, o Williams-Renault nº 2 passa a fundo na recta da meta mas não completa a curva Tamburello, despistando-se a cerca de 300 km/h. Do violento choque quase frontal resultou a morte do piloto Ayrton Senna da Silva, 34 anos, brasileiro, tricampeão mundial de Fórmula 1.</P>
<P>
Ayrton Senna era um ídolo, e a sua morte foi chorada em todo o mundo. O Brasil perdeu uma das suas bandeiras e saiu à rua para se despedir do melhor piloto da última geração, um dos maiores de todos os tempos. Os brasileiros reviam-se no homem tímido e com cara de menino que não dava tréguas na pista, sempre em busca de mais uma vitória, de menos um décimo de segundo. O deus dos circuitos. Especialista em andar nos limites, as suas 65 «pole-positions» ficarão por vários anos como um dos recordes a bater -- a última conseguiu-a no GP mais negro dos últimos anos da F1.</P>
<P>
Entrou para a Fórmula 1 em 1984, depois de uma carreira vertiginosa e vitoriosa nas Fórmulas de promoção. Nesse ano teve a sua pior classificação no «Mundial», um nono lugar com a equipa Toleman. Depois, na Lotus e na McLaren, nunca deixou de estar entre os quatro primeiros. Ganhou três títulos mundiais e 41 Grandes Prémios, teve 24 acidentes em corrida -- o último foi fatal.</P>
<P>
Legendas</P>
<P>
1 -- 21 de Abril de 1985. Debaixo de chuva intensa, o Lotus-Renault corta a linha de chegada, marcando a primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1. Tinha partido da «pole-position», também a primeira da sua carreira. Ao seu lado na primeira linha estava Alain Prost, que se tornaria num dos seus maiores rivais e que nesse ano ganhou o primeiro dos seus quatro «Mundiais».</P>
<P>
2 -- Pela primeira vez no lugar mais alto do pódio, no Estoril. Uma imagem repetida 41 vezes, a última das quais em Novembro do ano passado, na Austrália.</P>
<P>
3 -- A última vitória no Brasil, em 1993. Só duas vezes Senna ofereceu aos seus compatriotas a alegria máxima de ganhar em casa. Mas a bandeira verde-amarela era uma das suas imagens de marca.</P>
<P>
4 -- O outro lado do campeão, abatido pela derrota. Em 1990, na Austrália, não terminou a última corrida da época, mas ganhou o seu segundo título mundial.</P>
<P>
5 -- Os acidentes fazem parte da vida dos pilotos. Nos treinos para o GP do México de 1991, Senna despistou-se e capotou. Voltou para a pista, participou na corrida e terminou no terceiro lugar. No fim da época conquistou o seu terceiro título mundial.</P>
<P>
6 -- Juan Manuel Fangio, o argentino que é uma das lendas vivas da Fórmula 1, estimava-o como um filho e considerava que Senna era o único que poderia bater o seu recorde de cinco títulos mundiais. Esta semana, também Fangio chorou.</P>
<P>
7 -- A cor do seu fato de competição mudou de acordo com as equipas que representou, mas o capacete verde-amarelo permaneceu.</P>
<P>
8 -- No Estoril, para mais uma sessão de testes -- sempre a mesma concentração antes de entrar no carro.</P>
<P>
9 -- Figura pública, Senna não era muito visto em festas. Mas nenhum brasileiro resiste ao Carnaval.</P>
<P>
10 -- Imagens como esta fazem parte da história de Ayrton Senna. Mãos erguidas como numa oração, olhar fixo na pista ou no quadro dos tempos. O deus dos circuitos, que uma vez rezou pela chuva para ganhar mais uma corrida.</P>
<P>
11 -- Perfeccionista, Senna não deixava nada ao acaso. Os seus conhecimentos de mecânica e dos carros que pilotava sobrepunham-se aos dos próprios mecânicos. Num pequeno detalhe podia estar a fracção de segundo que procurava ganhar na pista.</P>
<P>
12 -- Para além de piloto, Ayrton Senna era também um empresário, com um volume de negócios estimados para 1994 em quase 150 milhões de dólares (mais de 25 milhões de contos). Senninha, uma personagem de banda desenhada inspirada na sua vida, é a última imagem do mundo de «marketing» que o envolvia. No Brasil, Senna tinha uma rede de revendedores Ford e começara este ano a importar carros Audi, entre uma série de actividades que se estendia até aos electrodomésticos.</P>
<P>
13 -- Um casamento falhado, muitas namoradas famosas, muitas dúvidas e boatos sobre a sua sexualidade. Senna sofria com a exposição da sua vida privada. Com Adriane tinha uma relação estável.</P>
<P>
14 -- GP de Itália de 1993, circuito de Monza. Ayrton Senna tenta colar-se aos carros da frente e acaba por passar por cima. Mais à frente, Prost prosseguia o caminho para o seu quarto título mundial. Estava a chegar ao fim a longa ligação do piloto brasileiro com a McLaren.</P>
<P>
15 -- Ayrton Senna queria pilotar um Williams-Renault, o carro mais vitorioso das últimas épocas na F1. Conseguiu-o este ano, graças ao lugar deixado em aberto com o abandono de Alain Prost. Com a equipa anglo-francesa queria bater os recordes que lhe escapavam, conseguir o maior número de vitórias e de pontos, ganhar mais títulos. A morte dissipou-lhe os sonhos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-398"> 
<P> História protege Briosa </P>
 <P> CONIMBRICENSES VENCEU NA FIGUEIRA DA FOZ NAS DUAS ÚLTIMAS ÉPOCAS </P>
 <P> Naval e Académica não podem deixar amanhã de olhar para a tradição. É que a Briosa venceu sempre na Figueira da Foz (2005/06: 1-0 e 2006/07: 1-0) mas, por outro lado, a Naval também costuma brilhar em Coimbra -- 2005/06: 2-2 e 2006/07: 2-1) e, neste momento, até está mais bem posicionada na Liga. </P>
 <P> No ano passado, Joeano marcou o golo do triunfo na Figueira da Foz, mas Domingos desvaloriza tudo isso. «A história nem sempre se repete e não há jogos iguais. Aliás, a Naval fez uma boa recuperação e vamos encontrar um adversário forte.» Para facilitar os índices de motivação, o técnico pede, na Figueira da Foz, «mais adeptos da Académica do que da Naval ». </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-61433">
<P>
África do Sul</P>
<P>
Buthelezi e Winnie no Governo</P>
<P>
A África do Sul já tem Governo de Unidade Nacional, que ontem tomou posse, em mais uma cerimónia histórica, num país onde tudo o que está a acontecer parece um sonho. As surpresas do dia foram as nomeações do líder zulu, Mangosuthu Buthelezi, para a pasta do Interior, e da ex-srª Mandela, a aguerrida Winnie, para secretária de Estado da Cultura. Sinal dos tempos, um juiz branco condenou à morte seis brancos que, em Dezembro, mataram quatro negros. E sublinhou que a sentença é um aviso. Os tempos mudaram.</P>
<P>
O líder zulu Mangosuthu Buthelezi tornou-se ontem no ministro sul-africano do Interior, no âmbito das nomeações e tomada de posse do primeiro governo multirracial do país. Buthelezi, principal rival negro do presidente Nelson Mandela, e líder do Partido Inkatha da Liberdade, era um dos 27 ministros empossados no executivo de unidade nacional, dominado pelo Congresso Nacional Africano.</P>
<P>
Há, a partir de agora, três ministros do Inkatha. Os outros dois são Ben Ngubane, na pasta das Artes, Cultura, Ciência e Tecnologia, e Sipho Mzimela, nos Assuntos Correcionais.</P>
<P>
O resto do executivo é formado por membros do ANC, o partido liderado por Mandela, que obteve uma vitória esmagadora nas eleições multirraciais de 26 a 29 de Abril, e por elementos do Partido Nacional, do antigo presidente branco F. W. de Klerk, que foi a segunda formação mais votada. A lista de 27 nomes não inclui Mandela nem o presidente do ANC, Thabo Mbeki, seu primeiro vice-Presidente, nem De Klerk, o segundo vice-Presidente.</P>
<P>
A luta entre apoiantes do ANC e do Inkatha, que ficou em terceiro lugar nas eleições, mas ganhou o controlo do Kwazulu-Natal, tem sido marcada por confrontos generalizados, responsáveis por mais de 15 mil mortos em quatro anos, desde que de Klerk começou a desmantelar o sistema de «apartheid», em 1990. Segundo os observadores, com Buthelezi no Interior, Mandela investe de responsabilidade governamental uma figura-chave na política de estabilização do país.</P>
<P>
Uma surpresa nas nomeações de ontem é o nome de Winnie Mandela. O Presidente deu-lhe posse como vice-ministra para a Arte, Cultura, Ciência e Tecnologia.</P>
<P>
O casal Mandela está separado desde Abril de 1992, por «razões pessoais». Menos de 48 horas antes da escolha, Mandela tinha publicamente embaraçado a ex-mulher, quando a ignorou, na cerimónia no Parlamento da Cidade do Cabo onde foi eleito Presidente. Winnie, deputada, sentou-se ao seu lado, os fotógrafos registaram todos os movimentos do casal, mas o primeiro Presidente negro da África do Sul recusou-se sequer a olhar para a mulher.</P>
<P>
Para os mesmos observadores, a escolha de Winnie, uma figura aguerrida e controversa nos meios moderados negros ou brancos, foi uma surpresa, mesmo sabendo-se o peso que detém nas bases mais jovens e radicais do ANC. Ela teve de retroceder numa carreira política que, se tudo tivesse corrido bem, lhe daria hoje em dia o estatuto de «primeira-dama». Desde a separação que foi obrigada a regressar ao trabalho militante nas «townships», manchada por escândalos legais e pessoais.</P>
<P>
Um tribunal condenou-a pelo rapto de jovens e por cumplicidade em assalto, quando Mandela ainda era um preso político. A sentença está suspensa, a aguardar recurso, mas não está fora de hipótese a prisão. Acusações de infidelidade conjugal ajudaram a dar-lhe uma imagem pouco agradável aos olhos de muitos.</P>
<P>
Brancos condenados à morte</P>
<P>
Entretanto, um juiz branco condenou ontem à morte seis extremistas brancos de direita, por assassinato de quatro negros numa barragem ilegal, perto de Joanesburgo. Os seis réus, membros do movimento neonazi Movimento de Resistência Afrikaner (AWB), foram condenados à forca por decisão do Supremo Tribunal, numa sentença em que se sublinha que a África do Sul entrou numa era completamente nova, de democracia e liderança da maioria negra.</P>
<P>
O AWB é um grupo paramilitar supremacista branco, liderado por Eugene Terre'Blanche, que pretende um território governado só por sul-africanos de origem europeia.</P>
<P>
Além da pena de morte -- as execuções estão temporariamente suspensas no país --, um dos réus foi condenado a 15 anos de prisão e os outros cinco a 18, por tentativa de assassinato, assalto e posse ilegal de armas. O juiz Dirk Marais, ao ler as sentenças, disse que elas devem funcionar como elemento dissuasor para aqueles que pretendem fazer lei pelas próprias mãos. Os quatro negros foram mortos a 12 de Dezembro, na estrada que liga Krugersworp a Ventersdorp, nos arredores ocidentais de Joanesburgo.</P>
<P>
Marais recusou no mês passado argumentos da defesa de que os condenados tinham construído a barragem para passar revista a veículos de negros, à procura de armamento ilegal, para o entregar posteriormente à Polícia. Segundo o juiz, depois de se embebedarem, os homens, todos armados, assaltaram e alvejaram dois pedestres negros, interceptando em seguida dois carros. Fizeram sair os ocupantes e dispararam sobre eles. Uma das vítimas foi um rapaz de 13 anos. A orelha de uma outra vítima foi cortada.</P>
<P>
A África do Sul vive actualmente uma moratória em relação às execuções, mas o Governo de Mandela tem de legislar ainda sobre a nova política quanto à pena de morte. O ANC disse no passado ser contra a pena capital.</P>
<P>
Incidentes no Kwazulu</P>
<P>
Embora a África do Sul continue a viver em «estado de graça», sem grandes cenas de violência, como temiam os menos optimistas, os incidentes por motivos políticos continuam a ocorrer esporadicamente.</P>
<P>
Uma multidão em fúria, no sempre tenso Kwazulu-Natal, espancou e incendiou o condutor de um carro que ia a caminho das celebrações da tomada de posse de Mandela, disse a Polícia. A morte ocorreu na terça-feira à noite, na «township» de Esikhawini, no Norte da província. O condutor terá perdido o controlo do veículo, matando quatro pessoas, e a multidão virou-se contra ele.</P>
<P>
Segundo os observadores internacionais no Kwazulu-Natal, a violência política tem abrandado, mas continua a provocar uma média chocante de dez mortos por dia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45287">
<P>
Novo atentado do IRA no aeroporto de Heathrow</P>
<P>
Morteiros para obter concessões</P>
<P>
Ana Gomes Ferreira</P>
<P>
Os nove morteiros do IRA lançados sobre as pistas do aeroporto de Heathrow, em Londres, não se destinavam a fazer vítimas. Os atentados foram uma manobra política para pressionar Londres a fazer concessões nas negociações de paz para a Irlanda do Norte. Prova disso é o facto de nenhum dos morteiros ter explodido, apesar de ser uma arma em que o IRA é especialista.</P>
<P>
Quatro morteiros caíram poucos minutos passavam da meia-noite de ontem no Terminal Sul do aeroporto de Heathrow, em Londres, menos de 36 horas depois de cinco engenhos idênticos terem sido lançados sobre uma pista a Norte, num atentado reivindicado pelo Exército Republicano Irlandês (IRA). Em ambos os casos os morteiros não rebentaram e não houve vítimas, e, segundo fontes republicanas, os dois ataques visaram pressionar o Governo britânico a fazer concessões sobre o plano de paz anglo-irlandês para a Irlanda do Norte.</P>
<P>
O plano de paz, assinado em Dezembro pelos governos britânico e da República da Irlanda, oferece uma remota possibilidade de reunificação política da ilha, uma vez que concede o direito de decisão à maioria protestante do Ulster, favorável à permanência do território como província britânica. Pelo que, sublinharam as mesmas fontes em declarações ao correspondente da Reuter em Belfast, os atentados foram uma forma de testar a «flexibilidade» de Londres, em especial depois de o primeiro-ministro John Major ter assumido publicamente que não pressionará o sector protestante norte-irlandês.</P>
<P>
O lançamento dos morteiros veio ainda relançar a discussão sobre o facto de as chefias militares do IRA continuarem divididas quanto à aprovação ou rejeição do plano de paz. Desde Dezembro, quando foi assinado em Downing Street, que o documento está a ser analisado pelo movimento republicano, que tem adiado sucessivamente o anuncio da sua posição oficial em relação à iniciativa anglo-irlandesa (ver caixa). A última data avançada foi a Páscoa.</P>
<P>
De acordo com a Reuter, a ala moderada do IRA terá já reconhecido na Declaração de Downing Street um «grande avanço» para a resolução do conflito no Ulster que, em 25 anos, fez mais de três mil mortos. Mas, por outro lado, a ala radical insiste em que o documento não basta para encerrar a luta armada para pôr fim ao domínio britânico no território.</P>
<P>
Para os analistas, os atentados no mais movimentado aeroporto do mundo foi precisamente uma forma dos radicais testarem a reacção do Governo de Londres, e perceberem até que ponto este estará pronto a iniciar conversações directas com os republicanos, antes destes pronunciarem o seu veredicto sobre a iniciativa de paz. «Do ponto de vista do IRA, atacar alvos em Londres não prejudica o debate interno que está a decorrer entre as chefias. E ao mesmo tempo mostra que há entre eles quem pense ser necessário algo de mais concreto para que ponham fim à violência», comentou o especialista do Centro de Resolução de Conflitos das Nações Unidas, Johnatan Darby.</P>
<P>
Nos círculos políticos de Londres comentava-se que os nove morteiros foram fabricados de forma a não rebentarem. Até porque, a tecnologia usada pelo IRA no fabrico deste tipo de armas é bastante avançada. E, como sublinhava o jornal «The Independent», a mensagem parece ser que o IRA está comprometido com o processo de paz, mas exige, no imediato, um sinal conciliatório: a reabertura do canal privado de comunicação com os republicanos.</P>
<P>
Por seu lado, o primeiro-ministro britânico, John Major, afirmou que os que «usam a violência com fins políticos estão a fazer um erro de cálculo». Mas garantiu que o curso do processo de paz vai prosseguir.</P>
<P>
Heathrow é, na terminologia do IRA, um «alvo de prestígio» em solo da Grã-Bretanha. Oitenta companhias aéreas operam neste aeroporto que movimenta 370 mil aviões por ano e é uma gigantesca fonte de receitas. Por exemplo, em cada hora vendem-se 325 garrafas de whisky e 160 de perfume. O factor segurança poderá abalar o turismo, tal como aconteceu durante a Guerra do Golfo, ou fazer as companhias deslocar para outros países as rotas internacionais que usam Heathrow como rampa.</P>
<P>
Os ataques vieram mostrar a vulnerabilidade de um aeroporto que dá prioridade, em termos de segurança, ao interior das instalações. Os atentados foram antecedidos de telefonemas de aviso, mas em ambos os casos a busca de engenhos explosivos limitou-se ao interior do aeroporto.</P>
<P>
Na quarta-feira, os cinco morteiros foram disparados de um Nissan Micra vermelho estacionado no parque de um hotel situado a cerca de 300 metros do aeroporto. Ontem, os morteiros saíram de uma rampa de lançamento montada numa estrada de acesso ao Terminal Sul, a um quilómetro da portas de embarque. Um quinto morteiro destruiu a rampa, a justificação apontada pela brigada anti-terrorismo da Scotland Yard para o tempo que demorou a sua descoberta.</P>
<P>
Segundo a Scotland Yard, havia indicações de que o IRA poderia estar a preparar uma grande operação na Inglaterra. Os serviços secretos transmitiram relatórios afirmando que, nas últimas semanas, se registaram grandes movimentações nas bases do IRA na Irlanda. «A demonstração de força do IRA teve o objectivo de abalar a confiança na polícia», afirmou o chefe da brigada anti-terrorismo, David Tucker. E provou ainda a operacionalidade das células do IRA na Grã-Bretanha.</P>
<P>
Ontem, na Irlanda do Norte, o IRA reivindicou a responsabilidade pela morte, quarta-feira, de um polícia britânico, de 33 anos. Ontem, a Força de Voluntários do Ulster, um grupo armado protestante, retaliou, fazendo rebentar uma bomba em Portdown, a Sul, que matou um católico de 38 anos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-90077">
<P>
PSD debate</P>
<P>
habitação</P>
<P>
social</P>
<P>
O Programa governamental de Erradicação de Barracas (PER) vai ser hoje objecto de análise num encontro que reunirá na sede nacional do PSD autarcas sociais-democratas, representantes da Santa Casa da Misericórdia, os governadores civis de Lisboa e Porto e ao qual também deverá estar presente Marques Mendes. Trata-se de um grupo de reflexão que vai reunir pela primeira e que se propõe debater as consequências do PER à luz dos novos problemas que se colocam nos grande núcleos urbanos, sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, como a segurança e a exclusão social. Subjacente está uma aposta diversa da que foi seguida até agora pelo Ministério de Ferreira do Amaral. «O mercado não pode resolver tudo. Se o PER foi bom em 93, deve ser repensado em 95, ponderando-se as consequências da sua aplicação». No encontro deverá ser ainda estabelecido um calendário de debates sob o lema «Um tecto ou um lar», que os sociais-democratas pretendem promover um pouco por todo o país.</P>
<P>
PCP critica</P>
<P>
política</P>
<P>
fiscal</P>
<P>
O secretário-geral do PCP fez ontem duras críticas á política fiscal e laboral do Governo, desafiando Cavaco Silva e Fernando Nogueira a esclarecer quem tem sido beneficiado com a actual gestão orçamental. Carlos Carvalhas referia-se nomeadamente aos «benefícios fiscais concedidos quase exclusivamente aos rendimentos de capitais e às aplicações financeiras», que estimou em «cerca de 100 milhões de contos». Dirigindo-se a um auditório de sindicalistas durante a apresentação dos «compromissos do PCP na defesa dos Direitos sociais dos trabalhadores», em Lisboa, Carvalhas classificou como «pura demagogia» declarações do primeiro-ministro e do presidente do PSD que ligam a elevação das condições de vida da população e a «melhoria das funções sociais do Estado» ao aumento dos impostos. Sobre o inevitável tema do desemprego, o dirigente comunista defendeu que o problema deve ser atacado com a utilização de «todos os instrumentos de políticas económicas e sociais», nomeadamente as políticas monetária e cambial, bem como uma «selectiva e eficaz aplicação de fundos estruturais fiscalizada pelos trabalhadores».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="dav-100932">
<P>Onde ficam as Ilhas Marquesas? </P>
<P>De que organização é que Javier Solana era secretário-geral? </P>
<P>O que é a EFTA? Quando é que foi criada? Que cinco países da EFTA se juntaram ao EEE"EEE quando este entrou em vigor? </P>
<P>Qual é o maior banco do Japão? </P>
<P>A que companhia pertencia o Airbus atacado pelo GIA em Dezembro de 1994? </P>
<P>Quem é Michael Jackson? Diga um dos grandes sucessos de Michael Jackson? Com quem é que ele se casou em Maio de 1994? </P>
<P>Qual era a nacionalidade de Ayrton Senna? Quantas vezes é que ele foi campeão do mundo? Quando é que ele morreu? Em que circuito de F1 é que ele morreu? </P>
<P>Quando é que caiu o regime comunista do Afeganistão? Quem era o presidente do regime comunista do Afeganistão antes dessa queda? </P>
<P>Quantos casamentos ocurreram na Grã-Bretanha em 1993? </P>
<P>O que é o IRA? Contra que aeroporto londrino o IRA lançou um ataque de morteiro em 1994? </P>
<P>Quando é que foi inaugurada a Ponte da Normandia? </P>
<P>Quando ocorreu o tremor de terra em Los Angeles? </P>
<P>Quem é Paul Touvier? Quando é que começou o julgamento de Paul Touvier? </P>
<P>Quando é que foi criado o Tribunal Internacional Penal para o Ruanda? </P>
<P>Quando é que Liamine Zéroul foi eleito para a presidência da Argélia? </P>
<P>Quando é que a Organização Mundial do Comércio entrou em vigor? </P>
<P>Em que ano nasceu Richard Nixon? </P>
<P>Quando é que o antigo Parlamento da Bretanha foi destruído por um incêndio? </P>
<P>Onde fica Lillehammer? </P>
<P>Quando é que Eduardo Frei se tornou presidente do Chile? </P>
<P>Em que ano é que Eugène Ionesco entrou na Academia Francesa? </P>
<P>Que bispo foi suspenso pelo Vaticano a 13 de Fevereiro de 1995? </P>
<P>Em França, quem foi nomeado Primeiro Ministro a 17 de Maio de 1995? </P>
<P>Onde fica Balcarce? </P>
<P>Que famoso condutor argentino se retirou em 1958? </P>
<P>Quem ganhou o Torneio das Cinco Nações em 1994? </P>
<P>Quem ganhou o Óscar de melhor filme por "Forrest Gump"? </P>
<P>Quem ganhou o Prémio Goncourt em 1995? </P>
<P>Quem ganhou o Óscar de melhor actor em 1994? </P>
<P>Quem se suicidou a 8 de Abril de 1994? </P>
<P>Que duas personalidades famosas presidiram ao júri do Festival de Cannes de 1994? </P>
<P>Quantos habitantes tem Catmandu? </P>
<P>A que partido político pertence Thérèse Aillaud? Ela é deputada por que região? </P>
<P>Quem foi eleito presidente da África do Sul a 9 de Maio de 1994? </P>
<P>Quem se tornou líder do Partido Trabalhista britânico a 21 de Julho de 1994? </P>
<P>Quais as cinco praias do desembarque das quais um industrial comprou 200 toneladas de areia para comemorar o 50º aniversário do Dia-D? </P>
<P>Quem era presidente da Comissão Europeia em 1995? </P>
<P>Onde é que Stephanie do Mónaco e Daniel Ducruet se casaram? </P>
<P>Quantas pessoas estavam presentes na cerimónia em memória do escritor Elias Canetti? </P>
<P>Qual o endereço da Delegação de Turismo do Sri Lanka ? </P>
<P>Que aconteceu na Argélia na noite de 17 para 18 de Agosto de 1994? Quantas pessoas morreram no terramoto? Quantos quilómetros são de Orão a Macara? </P>
<P>Um míssil ASMP é quantas vezes mais rápido do que a velocidade do som? </P>
<P>O que é a FPLP? Quem era considerado chefe do grupo? Em que país fica Beit Liqya? </P>
<P>A que cidade chinesa foi Warren Christopher enviado por Bill Clinton para apreciar os eventuais progressos relativos aos direitos humanos? </P>
<P>Quem é Sir Winston Churchill? </P>
<P>Que prémio ganhou o filme "Pulp Fiction" no Festival de Cannes? Quem realizou esse filme? Quem é o actor principal? </P>
<P>Quantos habitantes tem a União Soviética? </P>
<P>Quantos poços tiveram que ser encerrados após a ruptura de um oleoduto na Sibéria? </P>
<P>Onde é que fica o aeroporto de Irkutsk? </P>
<P>Que dois bancos se fundiram para formar o banco Tokyo-Mitsubishi? </P>
<P>Quantos quilómetros separam Kikwit de Kinshasa? </P>
<P>Em que filme de André Cayatte participou Annie Girardot em 1971? De que doença é que ela sofre desde 2006? Onde é que ela nasceu? </P>
<P>O que é a aceleração centrífuga? </P>
<P>O que significa a sigla WIA? </P>
<P>Em que ano foi realizado o filme "Ace Ventura em África"? </P>
<P>Que vírus atingiu o Zaire? </P>
<P>O que é Geographos? </P>
<P>Que avião civil efectuou o voo mais longo sem escalas? Onde é que o A340 levou a cabo o voo mais longo sem escalas por um avião civil? Quando é que este feito foi levado a cabo? </P>
<P>Que nome se dá a uma inflamação dos gânglios? </P>
<P>Quais são os outros três nomes do Arsenal Football Club? Quando é que este clube foi fundado? Em que estádio é que os jogadores do Arsenal têm estado a treinar desde Agosto de 2006? Quantos lugares tem o estádio? </P>
<P>Com que Prémio Nobel é que Seamus Heaney foi galardoado? </P>
<P>Quantos estados ratificaram a convenção adoptada pela Assembleia Geral da ONU em 20 de Novembro de 1989? </P>
<P>Quem é Arsène Wenger? De que equipa é que ele se tornou treinador em 1987? </P>
<P>Em que ano foi fundada a firma Adidas Group AG? Qual é a sua área de trabalho? </P>
<P>Qual é a altitude do Monte Rosa? </P>
<P>Quantos litros de azeite são comercializados por ano pela EBS? </P>
<P>De que país é Kim Il Sung presidente? </P>
<P>As amêndoas são o fruto de que árvore? De onde é que ela é originária? </P>
<P>Quem é Charles-Ange Ginésy? De que município é que ele também é presidente? Em que grupo político é que ele tem assento? </P>
<P>O que é a febre-amarela? </P>
<P>Que ferry-boat famoso naufragou no Mar Báltico? </P>
<P>Em que país teve lugar a cimeira dos G7 em Julho de 1994? </P>
<P>A que horas ocorreu o acidente no metro de Valência a 3 de Julho de 2006? Quantos mortos causou esse acidente? A que velocidade circulava o metro? </P>
<P>Quando é que a Tanzânia fechou as fronteiras aos refugiados do Ruanda? </P>
<P>Que slalom é que Alberto Tomba ganhou a 6 de Fevereiro de 1994? </P>
<P>O que é "Ace of Base"? De que cidade é este grupo? Quem são os quatro membros que compõem o grupo? </P>
<P>Qual é o arranha-céus mais alto do mundo? </P>
<P>O que é Asandros? Quem é o irmão dele? </P>
<P>Onde é que Danny Barker morreu? </P>
<P>Quem foi nomeado presidente da SNCF em 20 de Dezembro de 1995? </P>
<P>Que quatro planetas do sistema solar são compostos principalmente de gás? Diga um corpo celeste. De que é que é composta a atmosfera da Lua? </P>
<P>Em informática, o que é Alien? </P>
<P>Qual é a principal companhia de aviação em França? Que cinco companhias de aviação que se fundiram em 1933 para criar a Air France? Em quantos países os aviões da Air France fazem os seus 1800 voos diários? Que companhia detém 100% do capital da Air France? </P>
<P>Que conto célebre de Hans Christian Andersen é a adaptação do conto "Aladino e a Lâmpada Mágica"? </P>
<P>O que é a AIEA? Que prémio é recebeu em 2005? Em que cidade podemos encontrar essa agência? Qual foi o seu orçamento para o ano de 2004? </P>
<P>Quando é que Thierry Henry ganhou o campeonato do mundo de râguebi? </P>
<P>O que é a MNEF? Quando é que chegou ao fim o último julgamento sobre o escândalo da MNEF? Segundo Jean Michel Grosz, que organização foi criada no seu escritório? </P>
<P>Qual era a altura de Marylin Monroe? </P>
<P>Que vaivém pôs a sonda espacial Ulisses em órbita? </P>
<P>Que idade tinha Grégory Villemin quando o seu corpo foi encontrado? Quem era Bernard Laroche? Que juiz acusou Christine Villemin? </P>
<P>O que é Alcatel? Que companhia foi criada por Pierre Azaria em 1898? Com que grupo a Alcatel anunciou a fusão em Março de 2006? Quem era o director-geral da Alcatel de 1986 a 1995? </P>
<P>O que é Assédic? </P>
<P>Quando é que saiu o rimeiro Álbum da cantora americana Anastacia? Desde a saída do seu primeiro álbum, quantos discos é que Anastacia vendeu? </P>
<P>Quando é que Jacques Chirac foi assassinado? </P>
<P>Que jogador espanhol ganhou Roland Garros em 1994? </P>
<P>Quantos habitantes tem a Alemanha? Quantos quilómetros de ferrovia tinha a Alemanha em 1998? Em Novembro de 2005, qual a taxa de desemprego na Alemanha? Qual era a moeda da Alemanha antes do euro? </P>
<P>Num relógio, qual o ponteiro que aponta para as horas? </P>
<P>O que é o amianto? Qual a primeira causa de morte das pessoas expostas ao amianto? </P>
<P>O que é um administrador de rede? </P>
<P>Quem é Allan Frederick Jacobsen? Por que clube joga? Quanto é que ele pesa? </P>
<P>Em que árvore crescem os morangos? </P>
<P>Quem é Amira Casar? Onde é que ela nasceu? Em que filme é que ela entrou com Richard Anconina? </P>
<P>Como se chama o presidente das Filipinas? </P>
<P>Que barragem seria a maior do mundo se tivesse sido construída? Qual era o custo estimado do projecto? </P>
<P>Quantos meses tem numa semana? </P>
<P>Que agência está encarregada de centralizar as ofertas e pedidos de emprego em França? Quantos colaboradores tem a ANPE? Quem é que dirige essa agência desde 2005? </P>
<P>O que é um afixo? </P>
<P>Quem foi assassinado a 4 de Novembro de 1995, aos 73 anos? </P>
<P>Qual é a primeira região francesa em população? Quantos habitantes tem essa região? </P>
<P>O que é o Filival? </P>
<P>Em quantas províncias está dividido o Afeganistão? Que língua é falada pela maioria da população afegã? Quantas escolas havia no Afeganistão em 2003? </P>
<P>O que é o ácido desoxirribonucleico? Que sigla se usa para designar essa molécula? </P>
<P>Qual é o antigo nome do Alabama? Quantos condados tem o Alabama? Que estado fica a norte do Alabama? </P>
<P>Que organismo gere os subsídios de desemprego em França? </P>
<P>Que organização se dedica especificamente à sobrevivência dos patos? </P>
<P>Quem é que derrotou Michael Moorer no 10º round em Las Vegas? </P>
<P>O que é uma árvore coral? Que altura pode esta árvore atingir? </P>
<P>Quanto é que pesa uma maçã? </P>
<P>O que á AFNOR? Qual é o equivalente da AFNOR nos Estados Unidos? </P>
<P>O que é uma alergia? Que outro nome se dá a uma alergia? Em 1980, que percentagem da população tinha sido atingida por elas? Que alergia afecta cerca de 8% das crianças? </P>
<P>Qual é a altura do Monte Claro? </P>
<P>Quais eram os primeiros nomes dos dois irmãos Piccard? Qual deles descobriu o urânio 235? Que duas profissões teve este último? </P>
<P>Que personagem é que César Romero representava na famosa série televisiva "Batman"? Onde é que ele morreu? Que idade tinha ele? </P>
<P>A que movimento político pertence a Arlette Laguiller?</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-67111">
<P>
Simpósio sobre a Margem Continental Ibérica Atlântica termina hoje em Lisboa</P>
<P>
Monumentos no fundo do mar</P>
<P>
Teresa Firmino</P>
<P>
Foram descobertas em 1992 e desde aí têm-se sucedido missões ao fundo do mar dos Açores para as estudar. São as espectaculares fontes hidrotermais, um fenómeno de origem vulcânica que se esconde a milhares de metros de profundidade. As fotografias de uma das últimas missões estiveram em exposição no primeiro Simpósio sobre a Margem Continental Ibérica Atlântica, em Lisboa.</P>
<P>
À medida que o submergível Nautile desce às profundezas do mar dos Açores, os três ocupantes vêem o azul transformar-se em tons mais escuros. A 300 metros de profundidade, ao som da banda sonora do filme «O Piano», tudo se torna negro. A 300 milhas náuticas a sudoeste de São Miguel, o submergível amarelo atinge, algum tempo depois, os 1700 metros. É esta a profundidade a que existem as famosas fontes hidrotermais -- uma mistura de água, metais e gases que pode atingir uma temperatura superior a 300 graus centígrados. Fontes a que os cientistas que participaram em missões como esta à Dorsal Média Atlântica deram nomes como «Estátua da Liberdade» ou «Torre Eiffel».</P>
<P>
«Tem-se a sensação de que se chegou mesmo ao fundo do mar. É fabuloso», conta Nuno Lourenço, que frequenta o mestrado de Geodinâmica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. De 5 e 29 de Maio passado, Nuno Lourenço participou na missão científica Diva 1 às fontes hidrotermais dos Açores, situadas na Dorsal Média Atlântica -- uma linha de cumes no fundo do mar, situada na confluência das placas tectónicas americana, euroasiática e africana, e marcada por inúmeras fracturas transversais.</P>
<P>
As fontes hidrotermais surgem associadas a fenómenos vulcânicos e tectónicos. A água do mar infiltra-se nas fracturas existentes na crusta terrestre e penetra até à zona onde se forma a lava dos vulcões -- as câmaras de magma. Aí sofre um brutal aquecimento, sendo expelida a temperaturas muito elevadas e trazendo, então, metano, enxofre e metais, como o cobre, o ferro ou o manganésio. É exactamente a combinação do enxofre com estes metais que dá origem à formação das espectaculares chaminés das fontes hidrotermais -- uma mistura que resulta na precipitação em forma cilíndrica de sulfuretos de metais.</P>
<P>
De facto, algumas fontes expelem fluidos que fazem lembrar nuvens de fumo negro e, por isso, se designam por «black smokers». Outras expelem o que parece serem nuvens de fumo branco -- com a presença do mineral anidrite, menores concentrações metalíferas e temperaturas na ordem dos 100 graus --, às quais se chama «white smokers».</P>
<P>
O objectivo da missão Diva 1 -- sigla derivada da expressão inglesa «Diving in Vents at Azores» -- era explorar novos locais onde poderiam existir outras fontes hidrotermais, bem como recolher novos dados de um campo hidrotermal descoberto em 1992 e novamente observado em 1993. Os resultados da Diva 1 foram agora expostos num «poster» durante o primeiro Simpósio sobre a Margem Continental Ibérica Atlântica, que termina hoje no Museu Nacional de História Natural, em Lisboa.</P>
<P>
Oásis submarinos</P>
<P>
Usando o navio oceanográfico francês Nadir e o seu submergível Nautile, os investigadores portugueses, franceses e norte-americanos da Diva 1 mergulharam em locais distintos da Dorsal Médio Atlântica.</P>
<P>
Os primeiros mergulhos foram realizados num local chamado «Lucky Strike» (golpe de sorte), situado a 300 milhas a sudoeste de São Miguel -- um nome que presta homenagem à primeira missão que descobriu fonte hidrotermais nos Açores. Estava-se em 1992, tendo uma equipa norte-americana e francesa conseguido recolher, a grande profundidade, pedaços de rochas com mexilhões colados. Numa zona onde a luz solar nunca chega e as formas de vida não se baseiam na fotossíntese, os mexilhões constituíam um forte indício da presença de fontes hidrotermais.</P>
<P>
O «Lucky Strike» voltou a ser estudado numa missão posterior (a Alvin 93) pelo navio norte-americano Atlantis II e o seu submergível Alvin. Seis mergulhos permitiram a localização exacta das fontes e uma descrição sumária das suas geologia e biologia. «No primeiro dia, não se descobriu literalmente nada. Mas, no fim do segundo mergulho, encontrámos as fontes todas cercadas de mexilhões e uma fauna exuberante», conta Luís Saldanha, do Laboratório Marítimo da Guia, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa -- um dos portugueses que participou na Alvin 93 e na Diva 2 , a missão que, em Junho passado, se seguiu à Diva 1. As missões Diva forma financiadas pelo Instituto Francês de Pesquisa e Exploração do Mar (Ifremer), em que participaram as universidades de Lisboa e dos Açores, e o Museu Municipal do Funchal.</P>
<P>
Os microrganismos que estão na base da cadeia alimentar destes oásis marinhos são bactérias que vivem a altas temperaturas e não dependem da fotossíntese. Ao contrário das algas microscópicas que se encontram geralmente na base da cadeia alimentar marinha -- que usam a energia solar para sintetizar os seus elementos --, estas bactérias sintetizam os elementos que necessitam para viver utilizando apenas a energia química, num processo que tem por base o enxofre. Nos campos hidrotermais, há animais que comem estas bactérias e outros que vivem em simbiose com elas.</P>
<P>
Nos Açores, encontraram-se mexilhões, anelídeos poliquetas, camarões, caranguejos e peixes em redor destas fontes -- conta Luís Saldanha. Nas brânquias dos mexilhões e nas cavidades bucais dos camarões detectaram-se bactérias mas não se sabe ainda se estes vivem em simbiose com elas ou as comem. E os peixes, embora não dependam directamente dos campos hidrotermais, alimentam-se dos camarões e dos moluscos.</P>
<P>
Lagos de lava</P>
<P>
No «Lucky Strike», a Diva 1 descobriu mais chaminés hidrotermais. E um quilómetro a norte das chaminés -- num vale interior da Dorsal Médio Atlântica --, a missão observou um fenómeno inédito da dorsal: um lago de lava de formação recente, o que, na escala geológica, significa centenas ou poucos milhares de anos. «É uma descoberta inédita, que nunca foi vista na Dorsal Médio Atlântica», nota Isabel Costa, a frequentar o mestrado de Geodinâmica, da Faculdade de Ciências de Lisboa, e participante na Diva 1 e na Alvin 93. De facto, ao contrário do Pacífico, a reduzida velocidade a que se afastam as placas tectónicas do Atlântico não tem facilitado a observação de lagos de lava.</P>
<P>
De resto, o lago de lava e os campos hidrotermais são sinais da actividade vulcânica associada à Dorsal Médio Atlântica. A Diva 1 conseguiu também descobrir um lago de lava, noutro local da dorsal, mais a norte do «Lucky Strike», e novas fontes hidrotermais a partir da análise de dois compostos químicos presentes na água (metano e ácido sulfídrico). Desta vez, estavam apenas a 800 metros de profundidade e as chaminés pertenciam ao grupo das «white smokers». Foi assim que o local foi baptizado com o nome «Menez Gwen» -- a expressão bretã para Monte Branco.</P>
<P>
O baptismo das chaminés</P>
<P>
Mas os nomes não são distribuídos ao acaso. Apesar de todas as chaminés serem baptizadas, só aquelas que ultrapassam os 20 metros de altura recebem nomes de monumentos. É assim que há uma «Torre Eiffel» no fundo do mar dos Açores: a sua estrutura tem várias emanações de fluidos com formas rendilhadas idênticas às da torre. A outra, os americanos chamaram «Estátua da Liberdade». Luís Saldanha deu o nome de «Sintra» a uma outra: «Tinha uma série de cristas que pareciam o Palácio da Pena». E, na Diva 1, uma chaminé recebeu o nome de «El Dorado», conta Nuno Lourenço. É que expelia pirite -- um mineral parecido com o ouro mas sem o seu valor económico, a que se chama «o ouro dos tolos».</P>
<P>
As descobertas da Diva 1 e 2 só foram possíveis com os mergulhos, de cinco a seis horas, do Nautile. Este tem dois braços mecanizados, que recolhem amostras de rochas para um cesto e captam, com garrafas de titânio, água das chaminés. Um aspirador, por sua vez, «suga» animais para um aquário.</P>
<P>
Com capacidade para transportar apenas três pessoas -- o piloto, o co-piloto e um cientista --, o submergível proporcionou recordações inesquecíveis da paisagem marinha. Deitados ao lado do piloto, junto a uma janela, Nuno e Isabel descreveram para um microfone, cada um de sua vez, a paisagem ao mesmo tempo que esta era filmada. «Vimos um polvo -- foi a imagem mais bonita -- completamente transparente e as ventosas pareciam luminosas. Vê-se o sistema interno dele, a aspirar e expirar água para se mover. Os olhos dos peixes são fluorescentes e os peixes e os outros animais são muito lentos.» O pior, brincam ambos, é quando alguém precisa de ir à casa de banho...</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-33939"> 
<P> EUA MANTÉM EM SEGREDO ARMAS NÃO-LETAIS </P>
 <P> Debora MacKenzie, da New Scientist (www.newscientist.com) </P>
 <P> Bactérias que comem estradas e edifícios. Biocatalizadores que decompõem combustíveis e plásticos. Dispositivos que corroem secretamente o alumínio e outros metais. Estes são apenas uns poucos exemplos de armas não letais que os EUA tentaram, ou estão a tentar, desenvolver. Mas quão próximas estas armas estarão da realidade nunca poderemos saber. A US National Academy of Sciences (NAS) recusa-se a liberar dúzias de relatórios que propõem ou descrevem seu desenvolvimento, embora os documentos devam estar nos registRos públicos. </P>
 <P>A academia justifica sua reticência sem precedentes mencionando preocupações com segurança após o 11 de Setembro. Mas pessoas experientes pensam que a razão real é que as investigações violam tanto a lei dos EUA como tratados internacionais sobre armas químicas e bacteriológicas.</P>
 <P>Os documentos em causa foram colecionados no ano passado por um painel de cientistas acadêmicos e industriais organizado pela NAS para avaliar recentes investigações de armas não letais para o Joint Non-Lethal Weapons Program (JNLWP), do Pentágono. Os EUA ganharam um interesse acrescido pelas armas não letais após a sua desastrosa missão pacificadora na Somália, em 1993, quando civis amotinados mataram soldados americanos.</P>
 <P> O painel, cujo relatório deve sair até ao fim deste ano, colecionou 147 relatórios e propostas de investigadores, muitos deles financiados pelo JNLWP. Um grupo no Oak Ridge National Laboratory, no Tennessee, por exemplo, propõe utilizar campos eletromagnéticos intensos a fim de produzir efeitos que vão "desde a interrupção da memória de curto prazo à total perda de controlo voluntário das funções corporais". Outros propõem armas de energia dirigida. </P>
 <P> Em Março, como é habitual com estudos não-classificados da NAS, eles foram depositados no Public Access Records Office da academia, e os seus títulos foram divulgados (ver abaixo). "Estes documentos são supostos serem públicos", afirma Ed Hammond do Sunshine Project, um grupo que faz campanha contra armas biológicas. Quando ele pediu ao serviço de registros para ver 77 dos documentos, este concordou em cedê-los. </P>
 <P> "Mas dois dias depois a NAS retirou os documentos", conta Hammond. " Kevin Hale, o responsável de segurança da NAS, disse-me que era porque alguém havia exprimido preocupação". Quem o fez não é claro. A pressão restritiva não parece ter vindo da própria JNLWP, porque na semana passada esta enviou a Hammond oito documentos que ele havia requerido, incluindo três que estavam na lista da NAS. </P>
 <P> New Scientist não pode contatar Hale. "Ainda estamos a formular a nossa resposta às pessoas da Sunshine ", foi tudo que um assistente disse. Mas os poucos relatórios que Hammond obteve constituem uma leitura interessante. </P>
 <P> Mais de um ano atrás, New Scientist revelou que responsáveis superiores da JNLWP pretendiam reescrever os tratados de armas químicas e biológicas a fim de terem mais liberdade para desenvolverem armas não letais (16 Dezembro 2000, pg. 4). Os relatórios tornavam claro que investigações que violam os tratados foram efetuadas desde os anos 1990. </P>
 <P> Um pedido de financiamento feito em 1998 pelo Office of Naval Research propõe a criação de micro-organismos geneticamente projetados que corroeriam estradas e pistas de decolagem, e produziriam "deterioração de partes metálicas, revestimentos e lubrificantes de armas, veículos e equipamento de apoio, bem como combustíveis. </P>
 <P> O plano era isolar genes para enzimas que atacam materiais como Kevlar, asfalto, cimentos, pinturas ou lubrificantes, e colocá-los dentro de micróbios que os expulsariam em grandes quantidades. As bactérias deveriam ser projetadas para se auto-destruírem depois de despejarem a sua carga de destruição. </P>
 <P>Não é claro quantas destas idéias foram realmente realizadas. Mas o grupo já patenteou um microorganismo que decomporia poliuretano, "um componente vulgar das tintas de navios e aviões", incluindo revestimentos anti-radar secretos.</P>
 <P> Outra proposta de 1998, de um laboratório de biotecnologia da base de Brooks da Força Aérea, próxima de San Antonio no Texas, era refinar "biocatalizadores anti-material" já em desenvolvimento. Um deles envolvia uma bactéria derivada que decompunha moléculas orgânicas como combustíveis e plásticos. </P>
 <P> As propostas afirmam que tais substâncias estão isentas das restrições relativas à guerra biológica. Mas isso não é verdade, argumenta Mark Wheelis da Universidade da California, Davis. A Convenção das Armas Biológicas e Tóxicas de 1972 proíbe o "desenvolvimento, produção, armazenagem ou aquisição de agentes biológicos ou toxinas" se não forem para finalidades pacíficas. Além disso, no ano passado os próprios EUA introduziram uma lei banindo a posse de bio-armas, inclusive micróbios concebidos para atacarem materiais. </P>
 <P> Os documentos retidos também incluem propostas para usar bombas fétidas, sedativos e derivados do ópio como armas, os quais Wheelis considera que transgrediriam a Convenção das Armas Químicas de 1992. </P>
 <P>Esta convenção proíbe "qualquer produto químico... que possa causar morte, incapacidade temporária ou dano permanente".</P>
 <P>_______________</P>
 <P> Copyright © New Scientist 2002. For fair use only. </P>
 <P>A URL deste artigo é: www.globalresearch.ca/.</P>
 <P> Texto extraído do site português Resistir (www.resistir.info). </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-907">
<P>
79ª Volta à Itália em bicicleta</P>
<P>
Encontro com a História</P>
<P>
A comemoração dos 100 anos do nascimento do jornal «Gazzetta dello Sport» e do centenário dos Jogos Olímpicos da era moderna marcarão a 79ª edição da Volta a Itália em bicicleta, uma edição que tem encontro marcado com a História e início previsto para Atenas a 18 de Maio. As 22 etapas levarão os ciclistas até Milão, onde a prova se conclui no dia 9 de Junho.</P>
<P>
A Volta a Itália terá um total de 22 etapas e 3951 quilómetros, num percurso que levará os corredores a quatro países: começam com três etapas na Grécia, entram em Itália pelo Sul (em Ostuni), vão subindo para norte pela costa ocidental, até entrarem em França (etapas de Santuario di Vicoforte-Briançon e Briançon-Aosta), passando ainda pela Suíça (etapas Aosta-Lausanne e Lausanne-Biella), numa visita à cidade-sede do Comité Olímpico Internacional.</P>
<P>
Este Giro estará mais próximo da Volta à França do que é habitual, uma vez que a prova francesa será antecipada uma semana, de forma a não coincidir com os Jogos Olímpicos de Atlanta. Isso e a dureza desta corrida, a que regressam algumas das mais históricas chegadas em alta montanha, pode levar a que não haja uma grande repetição nos nomes dos favoritos.</P>
<P>
A Volta à Itália terá a animá-la 20 equipas de nove ciclistas cada (as 18 primeiras na classificação da União Ciclística Internacional, mais outras duas equipas italianas, desde que apareçam antes do 25º lugar). Nas 22 etapas, seis serão de alta montanha e há apenas um contra-relógio (19ª etapa, Vicenza-Marostica, 60 quilómetros). Novidade será também a mudança de operador televisivo na cobertura da prova: depois de três anos com os canais da Finninvest de Silvio Berlusconi, desta vez será a RAI estatal a ter o exclusivo das imagens para Itália.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-28505">
<P>
Só os ingênuos poderão supor que o Brasil passa a ser outro depois da CPI; talvez fique pior</P>
<P>
GERARDO MELLO MOURÃO</P>
<P>
A corrupção política é velha como a sé de Braga. Mais do que a sé de Braga. E os anos 93 e 94 estão marcados, parece, pela paixão cívica de depurações democráticas, que acabaram destruindo a democracia. Foi em 493 e 494, antes de Cristo, conta Tucídides, que a exemplar democracia da polis grega foi submetida ao furor inquisitorial de um partido de minorias enérgicas que queria salvá-la da corrupção. Não salvou. O resultado, a curto prazo, foi uma ditadura, fundada sobre a morte física e a morte civil de milhares de cidadãos. Entre inocentes e culpados, salvaram-se poucos.</P>
<P>
Para não ir muito longe, em 1793 e 1794, os Comitês de Salvação Pública levaram a França ao jacobinismo e ao terror. Chamava-se de "terror salutar" o estabelecimento de uma "Justiça do povo", para substituir a Justiça dos tribunais, segundo a ordem de Marat: "Não precisamos de tribunais, precisamos de guilhotinas". Em nome da moralidade republicana, Baudot pedia o extermínio de metade da população francesa. Saint-André achava que era preciso liquidar mais de metade. E Jouffroy propunha a amputação de 21 milhões de vidas, numa população de 26 milhões. "Transformaremos a França num cemitério, se a não regenerarmos a nosso modo".</P>
<P>
Mais perto de nós, em 1893 e 1894, a truculência de Floriano Peixoto também promoveu prisões em massa, perdas de direitos, exílios e massacres, para salvar a República. Não salvou.</P>
<P>
Como se vê, as dezenas históricas de 93 e 94 são fatídicas. Foi sob o signo dessas dezenas que nosso Lula sentenciou que há pelos menos 300 picaretas no Congresso Nacional. Parece que a CPI do Orçamento foi gerada no útero dessa declaração puritana e radical. E acabou nascendo da manobra bastarda de um uxoricida hediondo, que encontrou na delação de si próprio e de cúmplices rea s e imaginários a grande cortina de lama com que supunha poder ocultar seu delito maior.</P>
<P>
Há políticos corruptos? Há. É preciso puni-los? É. Não sei se são as duas dezenas dos relatórios da CPI ou os 300 da delirante denúncia do Lula.</P>
<P>
Mas a liçâo que deve ficar é a de que aqui, como na velha invectiva de Lênin, os furores éticos e cívicos de regeneração, episódicos e intermitentes, são uma espécie de brotoeja, de sarampo, de doença infantil dos salvadores da pátria, em todos os tempos.</P>
<P>
É preciso não ter ilusões: qualquer que seja o alcance da CPI, só os ingênuos poderão supor que o Brasil passa a ser um antes, e outro, depois dela. Talvez fique pior.</P>
<P>
Corremos o risco de ver a Justiça provida não pelos tribunais que, bons ou maus, são do ofício, para vê-la entregue aos juízes de ocasião. De ocasião e facciosos, no sentido literal da palavra, porque pertencentes a facções políticas, empenhadas em destruir as facções opostas.</P>
<P>
Não se queixem, se depois disso vier o dilúvio. Isto é, os tanques, para os quais os picaretas não serão apenas 300, mas 600. O Brasil poderia ser outro se, em vez de CPIs, pudéssemos confiar em tribunais. Afinal, elegemos deputados e senadores. Não juízes de pequenas causas ou tiras de polícia –vocação surpreendentemente revelada por alguns cepeístas desvairados.</P>
<P>
GERARDO MELLO MOURÃO, 75, poeta e escritor, é presidente da Academia Brasileira de Filosofia e membro do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura. Foi correspondente da Folha em Pequim (China).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26742">
<P>
S-Mosaico</P>
<P>
Marilyn para filatelistas</P>
<P>
Marilyn Monroe vai estar acessível aos filatelistas a partir do próximo ano, anunciaram os Correios norte-americanos. O ícone da «star» incontestada do cinema de Hollywood está a ser preparado no segredo dos deuses. Os responsáveis pela edição consideraram que a escolha da imagem da intérprete de «Quanto Mais Quente Melhor» não podia ficar ao critério de uma sondagem popular, como fizeram o ano passado, a propósito de uma edição idêntica sobre Elvis Presley. Mas prometeram ser breves e divulgar em Novembro o rosto escolhido.</P>
<P>
Ser banqueiro...</P>
<P>
Longe vão os tempos, pelos nossos lados, em que o agiota que cobrava juros de sangue e pagava interesses miseráveis se confundia com o banqueiro, assente no seu tripé, à sombra da tenda de feirante. Hoje os balcões faíscam e a entrada está sujeita a minuciosos controles electrónicos. Em certos países, porém, essa transformação histórica ainda não se operou. Foi o caso do cliente que na quinta-feira foi à agência do Lombard NatWest em Nicósia, capital cipriota, pedir explicações sobre a taxa de juros prometida pelo banco. O gerente ainda tentou ir buscar os papéis para lhe explicar que as contas estavam certas. Mas, mal virou costas o cliente não esteve com meias medidas. Enfiou-lhe tão grande marretada que teve que vir uma ambulância para o levar ao hospital. Acompanhava-a um carro policial para levar o exaltado cliente.</P>
<P>
Motorista «honoris causa»</P>
<P>
`É mais que justo', garantem os milhares de passageiros que o cuidadoso Christo S., de 57 anos, transportou ao longo de 40 anos na Bulgária e por toda a Europa . Na semana passada conduzia um autocarro pela estrada que leva a Gabrovo (centro da Bulgária) quando um controle de polícia o mandou parar e lhe pediu os documentos. Ficou a saber-se que Christo nunca tivera tempo para tirar a carta nem achara que isso fosse necessário para garantir a segurança dos passageiros. Diante do dilema de o prender ou de o louvar por uma carreira de motorista exemplar, a polícia optou pela segunda alternativa e vai conceder-lhe a carta de condução «honoris causa».</P>
<P>
Japão, país de anciões</P>
<P>
O Japão conta com mais de 124 milhões de habitantes, mas não é esse número que faz dele um país recorde. São os 5593 cidadãos com mais de cem anos, confirmando uma longevidade sem par. A expectativa de vida é, de acordo com o último censo, de 82,2 anos para as mulheres e de 76 anos para os homens. Há 24 anos consecutivos que o Japão detém o recorde da longevidade e a matriarca nipónica, revela o censo, é Tane Ikai, uma anciã de Nagoya, cidade do centro do Japão, com 115 anos.</P>
<P>
Seduções italianas</P>
<P>
O italiano médio está convencido que para seduzir uma mulher a melhor receita é um jantar, mas ignora que para a mulher o mais importante não é a refeição, mas o modo como ele se conduz durante o jantar. É o que ele diz que a encantará (ou não) a ela. A conclusão resulta de um estudo feito pelo psicólogo Willy Pasini e publicado ontem pelo «Corriere della Sera». Outra conclusão deste estudo é que os italianos, mais do que um cigarrinho, preferem um bom prato de esparguete, depois de terem feito amor. Outra diferença em relação às mulheres, que, embora aceitem fazer-lhes companhia, não comem.</P>
<P>
O monstro do lago Tianchi</P>
<P>
Os escocessês têm no lago Tianchi, situado no nordestes da China, na província de Jilin, um rival temível do seu celebrado «monstro do loch Ness». Além de ser mais volumoso e ter aparência mais exótica, apareceu já duas vezes este ano, enquanto o émulo escocês não se vê há décadas. As mais recentes aparições do monstro chinês de cabeça de touro aloirada, que deixa atrás de si vagas que engolem um homem, verificaram-se nos dias 20 de Agosto e 2 de Setembro,. Quem o diz é a agência Nova China, que dá por testemunhas um numeroso grupo de turistas de visita ao lago, que terão fixado a aparição do estranho ser nas suas fotos de viagem.</P>
<P>
Sonhou ser disc-jockey</P>
<P>
Incompreendido pelos vizinhos, Michael Higgins vai estar impossibilitado nos próximo três meses de dar livre curso à sua vocação: ser disc-jockey. Todas os dias, até às três da madrugada, altura em fechava a emissão, ele praticava no seu apartamento. As críticas dos vizinhos não vão tanto para a selecção musical, que incluía Sting, Diana Ross, Lisa Stansfield, nem tão pouco para os comentários com que Higgins apresentava os seus «hits», mas para a potência da sua aparelhagem que, sempre com o volume de som no máximo, fazia tremer o prédio e tornava as noites difíceis de dormir. Por duas vezes o juiz ordenou a confiscação da aparelhagem, mas o esforçado Higgins conseguir sempre encontrar outra. Na quinta-feira o juiz decidiu-se por uma pena radical: três meses de prisão. Parece que o frustrado disc-jockey nem pode despedir-se com o tradicional: `o programa segue dentro de momentos'.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45920">
<P>
Estudo pioneiro em Vila Franca de Xira</P>
<P>
Crianças mal tratadas</P>
<P>
Perto de Doze por cento das 5 906 crianças que frequentam as escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico (antigas primárias) na área do concelho de Vila Franca de Xira sofrem problemas de negligência e de maus tratos e são consideradas em situação de risco.</P>
<P>
Estes dados foram, ontem, revelados durante a apresentação das conclusões de um trabalho elaborado pelo gabinete de estudos do Departamento de Acção Sócio-Cultural da Câmara vila-franquense. De acordo com os responsáveis pelo estudo, a situação detectada deverá ser idêntica à que se verifica no resto da área metropolitana de Lisboa, embora esta realidade seja praticamente desconhecida, devido à escassez de investigações rigorosas sobre o problema.</P>
<P>
As únicas estimativas nacionais conhecidas datam de 1987 e são da responsabilidade do Centro de Estudos Judiciários. Nessa altura, com base em inquéritos efectuados a párocos e presidentes de juntas de freguesia, calculou-se que haveria cerca de 30 mil crianças sujeitas a maus tratos ou negligência em Portugal, o que corresponde a 3,2 crianças em risco por mil habitantes. no ano passado, a autarquia vila-franquense decidiu elaborar um levantamento deste tipo de situações, baseado em inquéritos aos 300 professores das 41 escolas do primeiro ciclo do ensino básico em actividade no concelho.</P>
<P>
Após a definição do conceito em estudo -- "Criança em situação de risco" --, com 54 factores distintos de avaliação, distribuídos por 7 grandes áreas de negligência e maus tratos, foram identificadas 687 crianças (dos 6 aos 15 anos) que sofriam, pelo menos, um dos 54 problemas apontados. Números que correspondem a 6,5 crianças em risco por mil habitantes. A partir desse universo foi definida uma amostra constituída por 341 crianças que serviu de base para a elaboração das conclusões finais do estudo.</P>
<P>
Assim, foi possível concluir que 11,6 por cento da população escolar do 1º ciclo do Ensino Básico vive em situação de risco. Em termos relativos sente-se mais o problema nas zonas rurais (17,3 por cento), do que nas urbanas (11 por cento).</P>
<P>
As freguesias com maior índice de risco no concelho são Vialonga (39 por cento), Vila Franca (20,7 por cento) e Alverca (11,6 por cento). Entre as escolas destacam-se as primárias da Grinja (com 71,7 por cento das suas crianças em risco) e do Monte Gordo (60 por cento) - ambas situadas na freguesia da sede de concelho e próximo de bairros degradados. Das 341 crianças estudadas, 7,7 por cento estão abrangidas pelo trabalho infantil - exercem trabalho clandestino, mendicidade ou trabalho perigoso para a idade - e 0,6 por cento sofrem abusos sexuais.</P>
<P>
Concluiu-se que 51 por cento das situações de risco - que podem ir dos simples parasitas à violência sexual - têm gravidade média, 40 por cento são graves e 9 por cento muito graves.</P>
<P>
São os rapazes (64 por cento) que mais sofrem este tipo de problemas, comparativamente com as raparigas (36 por cento). Setenta e cinco por cento dos casos analisados são naturais do nosso país e os restantes de outras origens (12 por cento de Cabo Verde, cinco por cento da Guiné e crianças de etnia cigana).</P>
<P>
Em 80 por cento das famílias envolvidas detectaram-se problemas que induzem "stress" no agregado, designadamente pobreza (50 por cento), desemprego, desentendimento familiar, alcoolismo, toxicodependência e reformas. Conclui-se, todavia, que nem todas as situações de risco estão associadas a carências de natureza económica.</P>
<P>
Em jeito de conclusão a equipa responsável pela elaboração do estudo - dirigida pelos psicólogos Manuela Calheiros e Carlos Lopes (campeão olímpico em diversas provas de atletismo para deficientes visuais) - defende que as escolas têm de trabalhar mais com os pais. "É necessário envolver mais a nossa escola e a família. Pôr as restantes instituições locais a trabalhar mais com a família. Não tanto ao nível dos apoios económicos e paliativos, mas no acompanhamento em termos educacionais", sugerem.</P>
<P>
Jorge Talixa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70110">
<P>
Moraes de Souza sofreu lesões no pé, mas estado é 'bom', segundo médica </P>
<P>
FÁBIO GUIBU </P>
<P>
Da Agência Folha, em Recife </P>
<P>
Um tubarão atacou anteontem Humberto Moraes de Souza, 17, que surfava na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes (18 km de Recife).</P>
<P>
Foi o primeiro ataque de tubarão registrado em 95 no Estado e o 11º em um ano. Quatro desses acidentes ocorreram nos últimos 33 dias. Uma das vítimas morreu.</P>
<P>
Souza sofreu lesões no tendão, nervos e vasos do tornozelo e pé esquerdos. Ele perdeu parte da musculatura, pele e gordura da região.</P>
<P>
A chefe do serviço de cirurgia vascular do Hospital da Restauração, Maria José Freitas, disse que Souza poderá ser submetido a uma operação de reconstrução da parte atingida.</P>
<P>
Segundo ela, ainda não é possível avaliar se Souza corre o risco de ter o pé amputado. Maria José disse que o estado de saúde dele é "bom". O surfista deve permanecer pelo menos uma semana internado.</P>
<P>
Em entrevista à Agência Folha, Souza disse que foi atacado quando remava para pegar uma onda e sair do mar.</P>
<P>
"Estava a mais ou menos um metro e meio de profundidade. O tubarão mordeu meu pé e eu vi a barbatana dele."</P>
<P>
Souza disse que deu três chutes no animal, mas que só se livrou dele quando já estava muito próximo à areia. "Ele soltou meu pé, deu a volta e foi para o fundo."</P>
<P>
O ataque foi presenciado por mais quatro surfistas, que o socorreram.</P>
<P>
O ataque de anteontem é o terceiro sofrido por Souza nos últimos dois meses. Da primeira vez, ele foi derrubado da prancha, que ficou com marcas da mordida do animal. O segundo ataque ocorreu no sábado, quando "ele bateu duas vezes embaixo da prancha".</P>
<P>
"Sou teimoso, persistente, mas agora vou parar", afirmou o surfista à Agência Folha.</P>
<P>
Segundo o especialista em tubarões da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Fábio Hazin, o tubarão deve ter cerca de dois metros. A espécie não foi identificada.</P>
<P>
Hazin prevê que novos ataques poderão ocorrer entre os dias 14 e 15 deste mês. "Quase todos os ataques ocorreram nas luas nova e cheia, quando a maré sobe", afirmou.</P>
<P>
O secretário estadual de Turismo, Álvaro Jucá, disse que vai se reunir com Hazin e os surfistas para estudar eventuais medidas a serem tomadas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="wpt-101306633536471708">
<P>
Questões Frequentemente Perguntadas - Frequently Asked Questions (FAQ)</P>
<P>
Instituto Brasileiro de Advocacia Pública</P>
<P>
Questões frequentemente perguntadas (FAQ)</P>
<P>
(Atenção: página em construção, atualizada até 28 de abril de 2000. Algumas respostas ainda não foram redigidas. Participe desta construção, enviando outras perguntas que ache pertinentes, via e-mail - ibap@ibap.org).</P>
<P>
1 - APOSENTADOS/AS</P>
<P>
2 - ESTAGIÁRIOS/AS</P>
<P>
3 - ADVOGADOS/AS PÚBLICOS/AS EM ATIVIDADE</P>
<P>
4 - ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO IBAP</P>
<P>
5 - ATIVIDADES DO IBAP VIA INTERNET</P>
<P>
6 - PUBLICAÇÕES DO IBAP</P>
<P>
7 - EVENTOS REALIZADOS/APOIADOS PELO IBAP</P>
<P>
8 - IBAP EM AÇÃO: NOSSAS LUTAS E CAMPANHAS</P>
<P>
1 - APOSENTADOS/AS</P>
<P>
1.1. Já estou aposentado/a. Posso associar-me ao IBAP?</P>
<P>
Sim, desde que tenha se aposentado na condição de Advogado/a Público/a.</P>
<P>
1.2. Posso continuar associado/a mesmo quando me aposentar?</P>
<P>
Sim. O associado não perde essa condição no caso de aposentaria (art. 4, inc. IV, do Estatuto Social). Lembramos que diversos associados, inclusive integrantes de nossa diretoria, encontram-se aposentados.</P>
<P>
1.3. Associados aposentados pagam mensalidades?</P>
<P>
Sim. A situação do associado aposentado não difere em nada da situação do associado em exercício. Pode ele candidatar-se a cargo de diretor, participar de todos os eventos, escrever nas publicações do IBAP, participar da Lista de Debates da Internet, enfim, exercer plenamente os seus direitos associativos. Eventualmente, se o associado aposentado estiver enfrentando dificuldades financeiras, poderá requerer a isenção temporária do pagamento de mensalidades à Coordenadoria Financeira do IBAP.</P>
<P>
2 - ESTAGIÁRIOS/AS</P>
<P>
2.1. Estagiário/a de Direito pode associar-se?</P>
<P>
Sim. O art. 3, inciso II, letra "b", do Estatuto Social do IBAP, estabelece que os acadêmicos de Direito em estágio nos órgãos de Advocacia Pública, enquanto perdurar tal situação, podem integrar o IBAP, na qualidade de associados estagiários.</P>
<P>
2.2. Estagiários/as pagam mensalidades?</P>
<P>
Não. Não obstante inexista a previsão de isenção no Estatuto Social do IBAP, a Coordenadoria Geral do IBAP, acolhendo a parecer de sua Coordenadoria Financeira, tem adotado desde agosto de 1996 o entendimento de que os acadêmicos de Direito não devem pagar mensalidades, visto que não podem votar ou se candidatar a cargo de membro da Coordenadoria Geral ou do Conselho Assessor (art. 11 do Estatuto Social).</P>
<P>
2.3. Existem estagiários a serviço do próprio IBAP?</P>
<P>
Atualmente, não (abril/2000). Todavia, nada impede a alteração deste quadro, na hipótese do crescimento da atuação do IBAP em juízo justificar a contratação de um corpo de estagiários.</P>
<P>
3 - ADVOGADOS/AS PÚBLICOS/AS EM ATIVIDADE</P>
<P>
3.1. Qual é o conceito de "Advogado Público" adotado pelo IBAP?</P>
<P>
São Advogados Públicos, para efeito de inscrição nos quadros do IBAP os integrantes da Advocacia-Geral da União, da Procuradoria da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e das respectivas entidades da administração indireta (autarquias, sociedades de economia mista e empresas públicas) e fundacional (Art. 3°, § 1°, da Lei Federal 8.906, de 4 de julho de 1994 - Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil).</P>
<P>
3.2. Qual é o valor das mensalidades?</P>
<P>
Desde o dia 1° de junho de 1999 o valor da mensalidade é de R$ 20,00 (vinte reais). Nos débitos automáticos e boletos é acrescido o valor de R$ 2,00 (dois reais), relativo a taxa bancária.</P>
<P>
4 - ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO IBAP</P>
<P>
4.1. Onde é a sede do IBAP?</P>
<P>
A sede do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública é na Avenida da Liberdade, 21 - 10° Andar - Salas 1008 a 1012 - Bairro da Liberdade - CEP 01503-000 - São Paulo/SP.</P>
<P>
4.2. Os diretores do IBAP têm afastamento da carreira para o exercício de seu mandato?</P>
<P>
Não. Todos os diretores do IBAP exercem as suas atividades estatutárias sem prejuízo de suas funções como Advogados Públicos.</P>
<P>
4.3. Quem é o presidente do IBAP ?</P>
<P>
A Diretoria do IBAP tem estrutura colegiada. A Diretoria Nacional é formada por oito coordenadores gerais e um conselho assessor formado por seis associados eleitos em Assembléia Geral.</P>
<P>
4.4. Qual é a destinação da verba obtida com o pagamento das mensalidades?</P>
<P>
Os associados regulares do IBAP contribuem mensalmente com o pagamento de taxa de R$22,00 (vinte e dois reais). Desse total, R$2,00 (dois reais) constituem taxa bancária pelo serviço de confecção de boletos ou de débito automático em conta. A verba destina-se ao pagamento de locação da sede social do IBAP, salários de dois funcionários, despesas com telefone, hospedagem de home-page, acesso a provedor de Internet, impressão de livros, revistas e boletins, organização de congressos e outras despesas diretamente relacionadas com os objetivos estatutários.</P>
<P>
4.5. Onde se acha registrado o Estatuto Social do IBAP ?</P>
<P>
O Estatuto Social do IBAP está registrado no Estatuto Social do IBAP.</P>
<P>
4.6. Como posso obter cópia do Estatuto Social do IBAP ?</P>
<P>
A íntegra do Estatuto Social do IBAP encontra-se disponível nesta home-page: http://www.ibap.org/estatuto.htm</P>
<P>
5 - ATIVIDADES DO IBAP VIA INTERNET</P>
<P>
5.1. Preciso estar conectado/a à Internet para participar do IBAP?</P>
<P>
Não obstante seja intensa a atividade do IBAP desenvolvida no âmbito da Internet (home-page, conferência eletrônica e lista de debates), aproximadamente 50% dos associados não tem acesso a essa facilidade. Não há absolutamente nenhuma necessidade de conectar-se à Internet para participar das atividades desenvolvidas pelo IBAP.</P>
<P>
5.2. O que é a Lista de Debates do IBAP ?</P>
<P>
Listas de debates funcionam como um jornal onde todos podem ler e escrever sobre determinado assunto. Os associados inscritos na lista de debates podem enviar através de um único e-mail qualquer mensagem a centenas de outros associados também inscritos na mesma lista. Eventualmente, o associado poderá participar da lista apenas como leitor.</P>
<P>
5.3. Como faço para participar da Lista de Debates do IBAP ?</P>
<P>
As informações básicas para acesso às listas encontram-se em nossa home-page: http://www.ibap.org/listas/insc_listas.htm</P>
<P>
6 - PUBLICAÇÕES DO IBAP</P>
<P>
6.1. Quais são as publicações editadas pelo IBAP?</P>
<P>
O IBAP já editou três volumes da Série Advocacia Pública e Sociedade: "Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência", "Primeiro Congresso Brasileiro de Advocacia Pública" e "Temas de Direito Ambiental e Urbanístico", todos pela Editora Max Limonad e distribuídos gratuitamente aos associados regulares. No mês de maio de 2000 estará sendo lançado o livro "Temas de Direito Constitucional - Estudos em Homenagem ao Advogado Público André Franco Montoro", pela Editora Esplanada, também com distribuição gratuita para associados regulares. Além de livros, o IBAP também publica trimestralmente a Revista Advocacia Pública que, no mês de abril de 2000 já se encontrava em sua nona edição. A partir de maio de 2000 estará sendo lançada a Revista de Direitos Difusos, com mais de 100 páginas e periodicidade bimestral, distribuída também gratuitamente aos associados regulares. O IBAP também publicou a Série Advocacia Pública em Debate, consiscia Internet.</P>
<P>
6.2. Como faço para publicar meu artigo numa edição do IBAP?</P>
<P>
Todas as colaborações de associados são submetidas a exame prévio da Comissão Editorial. Os associados poderão remeter sua colaboração, em arquivo word, via e-mail (ibap@ibap.org) ou diretamente, na sede do IBAP, em disquete.</P>
<P>
7 - EVENTOS REALIZADOS/APOIADOS PELO IBAP</P>
<P>
7.1. Que eventos já realizou o IBAP até hoje?</P>
<P>
Estamos arquivando em nossa home-page todos os eventos já realizados. Neste endereço, você poderá conhecer alguns deles: Cursos, Seminários e Coongressos já realizados</P>
<P>
7.2. Quais eventos planeja o IBAP realizar?</P>
<P>
Estamos inserindo em nossa home-page a programação dos próximos eventos. Aqui, você poderá obter algumas informações: Próximos Cursos, Semiinários e Congressos</P>
<P>
7.3. O IBAP realiza eventos fora do Estado de São Paulo?</P>
<P>
Os eventos promovidos pelo IBAP são realizados em todo o território nacional e não apenas na cidade onde se localiza sua sede social. O I Congresso Brasileiro de Advocacia Pública foi promovido em 1997 na cidade de Campos do Jordão/SP. O II Congresso foi promovido em 1998 em São Lourenço/MG. O III Congresso foi promovido em junho de 1999 em Salvador/BA. O IV Congresso Brasileiro de Advocacia Pública será realizado em 2000, em Teresópolis, no Estado do Rio de Janeiro. As atividades desenvolvidas nos diversos Estados Federados são organizadas pelos Coordenadores Regionais.</P>
<P>
8 - IBAP EM AÇÃO: NOSSAS LUTAS E CAMPANHAS</P>
<P>
8.1. O IBAP é vinculado a algum partido político?</P>
<P>
R: Não. O IBAP não tem vinculação partidária alguma. Não há, porém, que se confundir apartidarismo político com neutralidade política. Para a implementação dos princípios fundamentais e objetivos estatutários, o IBAP sempre haverá de manifestar-se publicamente em prol de um modelo de sociedade no qual prevaleça a valorização do ser humano e o repúdio a todas as formas de opressão ou aviltamento da dignidade humana; na defesa da manutenção da ordem constitucional dentro de um Estado Democrático de Direito cuja ordem social tenha como base o primado do trabalho e como objetivo o bem estar e a justiça sociais; na defesa intransigente dos princípios da moralidade, da impessoalidade, da publicidade, da indisponibilidade do interesse público e da legalidade no âmbito da Administração Pública. O IBAP atua concretamente, através de propostas ou denúncias, na defesa da consolidação democrática do Brasil e na defesa das prerrogativas do Advogado Público.</P>
<P>
8.2. O IBAP é associado a alguma entidade internacional?</P>
<P>
R: Não, a despeito de atuar em harmonia com as diretrizes de determinadas Organizações Internacionais, como a Anistia Internacional, o IBAP não mantém nenhum vínculo com entidades internacionais.</P>
<P>
8.3. O que o IBAP fez e faz pela institucionalização dos órgãos de Advocacia Pública?</P>
<P>
R: A luta pela institucionalização dos órgãos de Advocacia Pública constitui uma das principais bandeiras do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública e está, na realidade, presente em praticamente todas as manifestações públicas do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública. O editorial do Boletim Advocacia Pública n. 1, intitulado "Institucionalização dos Órgãos de Advocacia Pública", oferece as diretrizes básicas de nossa linha de atuação.</P>
<P>
Esse tema abriu o primeiro evento cultural realizado pelo IBAP, o Primeiro Seminário Estadual "Advocacia Pública e Sociedade", realizado em São Paulo/SP, no ano de 1995. No dia 25 de outubro de 1995, no Auditório Pedroso Horta, da Câmara Municipal de São Paulo, aproximadamente 150 operadores do Direito assistiram as palestras de Cláudia Aparecida de Souza Trindade (Procuradoria da Fazenda Nacional), Márcio Cammarosano (Procuradoria do Município de Santo André), Paulo Francisco Von Bruck Lacerda (Procuradoria Geral do do Estado de São Paulo) e Walkure Lopes Ribeiro da Silva (Professora da Faculdade de Direito da USP). O evento encontra-se disponível em fita cassete para os associados regulares do IBAP. A palestra da Professora Walkure Lopes Ribeiro da Silva encontra-se transcrita no volume 4 dos cadernos "Advocacia Pública em Debate", também disponíveis para associados regulares.</P>
<P>
Em 1997, por ocasião do Primeiro Congresso Brasileiro de Advocacia Pública, realizado em Campos do Jordão/SP, a abertura do evento também privilegiou o debate sobre esse tema, ocasião em que Guilherme José Purvin de Figueiredo (PGE/SP) expôs sobre o tema "Advocacia Pública: Tendências e Desafios" e o Deputado Estadual José Eduardo Ferreira Neto, sobre o tema "Independência das Procuradorias dos Estados e Municípios frente ao Poder Público".</P>
<P>
No âmbito judicial, o IBAP requereu o seu ingresso na qualidade de assistente, em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal, na Justiça Federal de São Paulo, na defesa das prerrogativas do Procurador da Fazenda Nacional.</P>
<P>
8.4. O IBAP na luta pela cidadania plena para a Pessoa Portadora de Deficiência </P>
<P>
Além de publicar o livro "Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência" e promover o Seminário "Ordem Constitucional e os Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência", o IBAP mantém uma página exclusivamente dedicada ao tema, onde se encontram veiculados cursos, publicações, links e legislação.</P>
<P>
8.5. O IBAP na luta pela defesa do Meio Ambiente</P>
<P>
8.6. O IBAP e a Questão de Gênero (Mulher)</P>
<P>
8.7. O IBAP na luta pela erradicação do trabalho infantil</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45130">
<P>
Da Agência Folha, em Santos</P>
<P>
Mais de 800 pessoas estão desabrigadas em Peruíbe (135 km ao sul de São Paulo). Por causa das chuvas e dos alagamentos, que atingiram metade dos bairros da cidade, a prefeitura decretou estado de calamidade pública. Dos 21 bairros, 12 ficaram ficaram cobertos pela água.</P>
<P>
"Nos bairros afetados, o nível da água chegou a 1,5 metro", disse o chefe da Defesa Civil, José Ignácio Monte Oliva, 56.</P>
<P>
O rio Negro, que corta a cidade, transbordou na madrugada de ontem. A Defesa Civil passou o dia monitorando a situação das cerca de 2.300 pessoas que moram em áreas ribeirinhas. "Muitas delas, mesmo com as casas alagadas, não querem se transferir para abrigos", disse Oliva.</P>
<P>
Ele explicou que o alagamento de mais de 50% da área do município foi causado pela alta do mar –a maré alta que se verifica no litoral da cidade desde as 12h30 de ontem. Segundo o chefe da defesa civil, a maré alta "represou o rio Negro, que não pode escoar para o mar o aumento do seu nível, provocado pelas fortes chuvas".</P>
<P>
Os 12 bairros alagados abrigam cerca de 60% da população de Peruíbe, que é de 45 mil pessoas. Nesses bairros, segundo a Prefeitura, o abastecimento de água não é regular. Os desabrigados estão alojados em creches, escolas e no ginásio municipal.</P>
<P>
Os olhos vermelhos do funcionário público Sebastião da Silva, 30, denunciavam três noites sem dormir. "Desde sexta-feira não consigo dormir por causa da chuva", disse. Ele perdeu quase tudo que havia em sua casa.</P>
<P>
A família de Silva está abrigada em uma escola, mas ele não abandona a casa, temendo saques de ladrões. "Tentei dormir em cima de uma mesa, mas não consegui. Ladrão foi lá em casa na madrugada de hoje (ontem)", afirmou. Os ladrões que tentaram saquear o que restou foram expulsos por tiros de um vizinho.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-14529">
<P>
SÍLVIO LANCELLOTTI</P>
<P>
Quase recesso no futebol da Europa, entressafra no Hemisfério Sul. Consequência: falta de assunto para comentários opulentos. Por isso eu hoje opto por uma alternativa divertida.</P>
<P>
Na base do recortar e guardar, publico a relação dos recordes mais curiosos da história da Copa, as marcas a se baterem, talvez, durante a Copa dos EUA.</P>
<P>
*</P>
<P>
* O jogador mais jovem a disputar um cotejo foi Norman Whiteside, da Irlanda do Norte, 17 anos, um mês e dez dias, contra a Iugoslávia, 0 x 0 na Espanha/82.</P>
<P>
* O jogador mais velho a disputar uma peleja foi Pat Jennings, também da Irlanda do Norte, 41 anos completados diante do Brasil, 0 x 3, no México/86.</P>
<P>
* O mais jovem arqueiro foi Lee Chang Hyung, da Coréia do Norte, 19 anos, seis meses e dez dias, contra a União Soviética, na Inglaterra/66.</P>
<P>
* O mais jovem anotador de um tento foi Édson Arantes do Nascimento, o Pelé do Brasil, 17 anos, sete meses e 27 dias diante do País de Gales, 1 x 0, na Suécia/58.</P>
<P>
* O mais velho artilheiro foi Roger Milla, de Camarões, 38 anos e 29 dias, contra a seleção da Colômbia, 2 x 1, na Itália/90.</P>
<P>
* O mais jovem campeão do planeta foi Pelé, 17 anos, oito meses e seis dias na data da finalíssima diante da equipe hospedeira, 5 x 2, na Suécia/58.</P>
<P>
* O mais velho campeão do universo foi o italiano Dino Zoff, 40 anos, quatro meses e 13 dias na data da decisão contra a Alemanha, 3 x 1, na Espanha/82.</P>
<P>
* O arqueiro com a mais longa invencibilidade em sua meta ainda é o italiano Walter Zenga, 517 minutos sem conceder um gol no torneio da sua pátria, em 1990.</P>
<P>
* O campeão com menos minutos de jogo efetivo numa fase final de Copa foi o argentino Trobbiani, apenas 93 segundos de fato travados contra a Alemanha, 3 x 2, na finalíssima do México/86. Trobbiani substituiu o jogador Jorge Burruchaga.</P>
<P>
* O jogador mais velozmente expulso do gramado durante uma partida de Copa do Mundo foi o uruguaio José Batista, meros 55 segundos diante da Escócia, 0 x 0, no México/86. Responsável pelo cartão vermelho fulminante: o árbitro francês Joel Quiniou – que apitou o combate entre o São Paulo e o Milan, 3 x 2, pela Copa Toyota, no Japão, no último dezembro.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-60873">
<P>
Mais incidentes na «guerra do atum»</P>
<P>
Frota britânica abandona a faina</P>
<P>
Os 11 pesqueiros britânicos dedicados à pesca do atum que nos últimos dias tiveram incidentes com traineiras espanholas ao largo do golfo da Biscaia abandonaram a faina, segundo informação de ontem da tripulação do Rainbow Warrior, o navio da Greenpeace que esta semana se juntou à frota do Cantábrico, a longa costa entre o País Basco e a Galiza.</P>
<P>
Após os incidentes de há duas semanas entre pescadores espanhóis e franceses, nas passadas quarta e quinta-feira a tensão voltou ao mar, quando os pesqueiros de Espanha detectaram a presença de barcos britânicos e irlandeses pescando atum utilizando redes com comprimento superior aos 2,5 quilómetros permitidos pela União Europeia. De imediato, traineiras galegas romperam e afundaram as artes de pesca dos barcos Ar-Bageergea e Pilot Star, bem como de um pesqueiro irlandês, no que parecia uma reedição da autêntica batalha naval travada há duas semanas com os franceses ao largo dos Açores.</P>
<P>
Apesar da presença de uma corveta da armada britânica cujo comandante, segundo os pescadores galegos, ameaçou intervir, tudo se ficou por duras trocas de palavras e na apresentação pela diplomacia de Londres de um protesto formal junto das autoridades de Madrid. De acordo com o comunicado do Foreign Office, é intolerável que os pescadores espanhóis «façam justiça pelas suas próprias mãos», mas o texto não se pronuncia sobre a utilização pelos pesqueiros britânicos das denominadas «redes assassinas». A presença destas artes ilegais também foi confirmada pelos ecologistas do Raibow Warrior, mas apesar da concentração numa tão estreita área de barcos de pesca britânicos, irlandeses, franceses e espanhóis e de navios de guerra de Espanha, França e Grã-Bretanha, cabe agora a vez à diplomacia de actuar.</P>
<P>
Os britânicos pretendem indemnizações pelos prejuízos, mas os pescadores espanhóis encaram a sua acção como justificada pelo incumprimento das normas de pesca comunitárias, alegando que só após a sua enérgica reacção, os franceses deixaram as redes ilegais. No entanto, está-se na antecâmara de uma guerra comercial, com as autoridades de Madrid a reforçarem o controlo higiénico-sanitário ao atum estrangeiro que entra no mercado espanhol e na indústria conserveira, e com o anúncio da adopção de um distintivo para o atum fresco pescado com as artes tradicionais.</P>
<P>
Nuno Ribeiro, em Madrid</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-73558">
<P>
Turquia quer maior controlo da navegação no estreito do Bósforo</P>
<P>
Desastre com petroleiro acorda medo de Istambul</P>
<P>
A colisão de domingo à noite entre um petroleiro e um cargueiro no pequeno estreito do Bósforo -- que liga o Mar Negro ao Mar Egeu e atravessa as duas margens de Istambul -- tinha já ontem provocado 24 mortos confirmados, 26 feridos e dez desaparecidos, o que reanimou um dos piores medos dos dez milhões de habitantes da capital da Turquia.</P>
<P>
O petroleiro «Nassia» e o cargueiro «Shipbroker», ambos navios gregos com bandeira cipriota, colidiram às 22h20 locais (21h20 em Portugal) e, depois de o petroleiro ter perdido petróleo em chamas, as duas embarcações acabaram por encalhar na boca mais próxima do Mar Negro. O estreito ficará fechado até se decidir que não há mais perigos para a navegação.</P>
<P>
Não deverá haver poluição grave na costa e o vento afastou os fumos do incêndio para fora de Istambul, pelo que a única precaução tomada pelas autoridades, além de fechar o estreito, noticia a Agência Reuter, foi um apelo para ninguém comer marisco e peixe por alguns dias, à espera das análises químicas.</P>
<P>
Mas o acidente veio dar um novo fôlego aos argumentos de Istambul contra o intenso tráfego de navios pesados dos vários países que, no estreito -- considerado como fronteira entre a Ásia e a Europa -- têm a única saída para o Mediterrâneo.</P>
<P>
Ontem, o governador da capital turca, Hayri Kozakcioglu, declarou que o desastre mostrava o perigo real do tráfico de grandes petroleiros naquele estreito canal de cerca de 30 quilómetros de comprimento: «Nenhum crescimento futuro do tráfego de petroleiros deve ser autorizado».</P>
<P>
Há mais de um ano que a Turquia tem levantado alarmantes argumentos ambientais para tentar bloquear quaisquer novos planos de aumento de exportações de petróleo e gás das ex-repúblicas soviéticas. Além da própria Turquia, da Bulgária e da Roménia, também a Rússia, a Ucrânia, a Geórgia e a Moldova (esta última com um pequeníssimo braço colado à Ucrânia) têm saída para o Mar Negro.</P>
<P>
Alguns especialistas turcos em direito marítimo reclamaram mesmo uma revisão da Convenção de Montreal de 1936, que dá liberdade de navegação internacional naquele caminho marítimo, excepto em tempo de guerra.</P>
<P>
Este pedido alarmou sobretudo a Rússia, que considera o estreito fundamental para as suas exportações de crude através dos seus portos, como o de Novorossiisk, de onde o «Nassia» partira com 95 mil toneladas rumo a Itália. Todos os dias passam no Bósforo cerca de 800 mil barris de petróleo russo destinado aos mercados de moeda forte do Ocidente.</P>
<P>
O governo turco diz que não pretende a revisão da Convenção de Montreal, mas ainda este ano instaurou novas regras de segurança para a passagem no estreito, um dos mais difíceis de navegar do mundo, pois é cruzado tanto por navios comerciais como por embarcações privadas. Dos 45 mil navios que atravessam por ano o Bósforo, 60 por cento levam cargas inflamáveis ou contaminantes.</P>
<P>
Os navios com petróleo ou cargas perigosas têm que avisar a entrada com 24 horas de antecedência, os navios de propulsão nuclear ou carregando resíduos radioactivos precisam de uma autorização especial e todas as embarcações com 150 metros, ou mais, terão que deixar entrar um piloto turco a bordo. A partir de Julho, a Turquia pretende mesmo impedir a passagem de petróleo bruto, medida totalmente contestada pela Rússia.</P>
<P>
Para os habitantes de Istambul, o acidente do «Nassia» veio recordar o que aconteceu em 1979, quando um petroleiro romeno e um cargueiro grego colidiram no local. A explosão matou 43 tripulantes, projectando bolas de fogo para cima das casas costeiras e partindo vidros a quilómetros de distância. O petróleo derramado ardeu durante um mês.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-38589">
<P>
De Washington</P>
<P>
Haiti, Cuba, Peru, Guatemala e México são os países da América Latina com os casos mais graves de violações dos direitos humanos, segundo o relatório anual do Departamento de Estado dos EUA sobre o assunto, entregue ontem ao Congresso norte-americano.</P>
<P>
O capítulo sobre o Brasil, com 20 páginas de extensão, enfatiza a violência contra menores e as execuções sumárias de suspeitos de crimes por policiais. Agressões contra mulheres, trabalhadores rurais e índios também são citadas na seção do Brasil, que não foi divulgada ao público ontem.</P>
<P>
O relatório faz rápida referência à rebelião indígena no Estado mexicano de Chiapas e não menciona as denúncias de que teriam ocorrido bombardeios de populações civis pelo Exército.</P>
<P>
No caso do Peru, o Departamento de Estado diz que o presidente Alberto Fujimori "incorporou gradualmente preocupações com os direitos humanos" a seu combate ao Sendero Luminoso, mas que ainda assim militares e policiais continuam a cometer abusos impunemente. (CELS)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-32353">
<P>
«Portugal: que futuro?» com nomes confirmados</P>
<P>
Mattoso preside ao congresso</P>
<P>
O historiador José Mattoso está confirmado como presidente do Congresso «Portugal: que futuro?», que se realiza em Lisboa entre 8 e 10 de Maio, em espaço ainda a determinar.</P>
<P>
Por seu lado, o reitor da Universidade Clássica de Coimbra, Rui Alarcão, preside à Comissão de Honra da iniciativa, totalmente composta por figuras da sociedade civil.</P>
<P>
O ponto da situação do andamento da organização do congresso será feito em conferência de imprensa no final deste mês, mas até agora inscreveram-se já, ao que o PÚBLICO apurou, cerca de 2300 pessoas. Destas, perto de três centenas participaram no acto da inscrição que pretendem apresentar intervenções perante a assembleia. Entre as personalidades que vão ao Congresso, destaque-se o antigo provedor de Justiça, Mário Raposo. As inscrições distribuem-se por todos os distritos, incluindo as regiões autónomas, mas 62 por cento são de residentes em Lisboa, nove por cento no Porto e cinco por cento em Setúbal.</P>
<P>
Entre os participantes, o maior peso vai para as profissões liberais. Já inscritos estão os magistrados Orlando Afonso, António Cluny e José Duarte e os advogados Sérvulo Correia, Vieira de Almeida e Ana Vale, presidente do «lobby» europeu das mulheres. Além de Rui Alarcão, participam também os reitores das Universidades Clássicas de Lisboa e Porto, Meira Soares e Alberto Amaral. Das três academias há também uma elevada participação de jovens, só de Coimbra existem já cerca de 200 universitários inscritos.</P>
<P>
Siza Vieira, João Cutileiro, Manuel Tainha e Lídia Jorge inscreveram-se igualmente. Da investigação histórica, além de José Mattoso, participam Oliveira Martins, Henrique de Barros, Eduarda Gonçalves e Cecília Barreira. Os economistas Elisa Guimarães, Francisco Avillez e Manuela Silva também vão ao Congresso. Assim como os empresários Luís Alves Costa e Sobral Costa. E diversos dirigentes sindicais.</P>
<P>
O presidente da Obra Católica das Migrações, o padre Manuel Soares, já está inscrito, bem como as cientistas Dora Iva Rita e Dulce Ribeiro e os médicos Caldeira Fradique e Afonso de Albuquerque. s breves internacionais 4504</P>
<P>
Sida é real em África</P>
<P>
A sida não é um mito em África e relatórios que dizem que outras doenças merecem mais atenção e fundos «são perigosos», consideram médicos internacionais a trabalhar na Zâmbia, num artigo publicados na revista científica «Nature». O grupo de especialistas exige relatórios mais precisos, porque informações que dão a doença como pouco significativa só encorajaram as pessoas a ignorar conselhos e medidas de prevenção da sida, causa de grande número de mortes no continente.</P>
<P>
Novas greves na Polónia</P>
<P>
Operários dos transportes levaram a cabo greves de aviso em cidades do sul da Polónia, numa série de protestos organizados pelo Solidariedade e iniciados no dia sete deste mês, contra a política económica do Governo, por meio de greves pontuais e localizadas. Segundo o Solidariedade, que diz só parar os protestos após chegar a acordo com o Governo e quando ele seja implementado, os transportes terão sido bastante perturbados.</P>
<P>
Indemnizações para seropositivos</P>
<P>
Mais de 800 canadianos infectados com o vírus da sida por transfusões de sangue contaminado aceitaram a oferta, que expirava anteontem, de compensações financeiras do Governo. São cerca de 90 por cento dos contaminados que vão receber quase três mil contos, mais uma pensão anual de cerca de quatro mil contos, em troca da cessação dos processos contra o Governo, a Cruz Vermelha ou as empresas farmacêuticas canadianas que lhes deram os produtos infectados. O programa prevê ainda uma indemnização durante cinco anos de dois mil e 500 contos para os cônjuges de pessoas falecidas e 500 contos para os seus filhos.</P>
<P>
Egipto e Israel fora de rota</P>
<P>
A agência de viagens dinamarquesa Tjaereborg Rejser, filial da Spies, número um na Escandinávia, anunciou ontem que decidiu anular as viagens deste ano para o Egipto e Israel por causa do clima de insegurança. O destino de Israel tinha sido inserido nos programas apenas este ano e para o Egipto permanece cancelado há já um ano.</P>
<P>
Jornais japoneses sob suspeitas</P>
<P>
A Comissão Anti-monopólio do Japão ordenou às empresas que publicam os mais importantes jornais do país que expliquem por escrito as razões que estiveram na base do recente aumento dos preços das assinaturas. Esta comissão suspeita que os quatro grandes diários japoneses entraram em conluio quando procederam ao aumento, dois deles em Dezembro e outro em Janeiro, todos em 200 ienes (pouco mais de 300 escudos).</P>
<P>
Preservativos nas secundárias</P>
<P>
Máquinas de preservativos vão ser instaladas próximo da entrada de todos os escolas secundárias de Genebra, frequentadas por adolescentes de 15 a 19 anos, por decisão do chefe do Departamento de Instrução Médica da capital da Suíça, país onde a taxa de sida por milhar de habitantes é a mais importante da Europa. Ele garante que a instalação das máquinas é decidida pelas escolas e que a medida não pretende «encorajar ninguém a fazer seja o que for, só se pretende ajudar os jovens a estarem mais protegidos».</P>
<P>
Jornalistas italianos páram</P>
<P>
Uma greve de dois dias dos jornalistas deixou ontem os italianos quase sem jornais, numa paralisação contra o ritmo lento a que dizem estar a ser privatizado o seu plano de reforma (INPGI), dado que os planos foram já aprovados pelo Parlamento mas ainda não regulamentados pelo Governo. A greve surge duas semanas antes de eleições gerais chave no país, numa altura em que decorriam negociações entre jornalistas e Governo e em que os publicitários procuram ter maior acesso aos media italianos, devido às eleições.</P>
<P>
Sete mortos num incêndio em Estugarda</P>
<P>
Sete pessoas morreram, entre elas duas crianças, e 15 ficaram feridas, algumas com gravidade, em consequência de um incêndio, ontem de manhã, num edifício de cinco andares, no sul da Alemanha, habitado essencialmente por estrangeiros. O fogo surgiu por motivos ainda desconhecidos no rés-do-chão, onde funciona um restaurante, e as chamas alastraram rapidamente a todo o edifício, de construção antiga, no qual viveriam, segundo números oficiais, 27 pessoas ou, segundo vizinhos, cerca de 50 habitantes.</P>
<P>
Acidente no Bósforo: 18 mortos</P>
<P>
A colisão de sábado entre um petroleiro e um cargueiro no Bósforo causou pelo menos 18 mortos, 19 feridos e 10 desaparecidos. Responsáveis turcos tentaram ontem acalmar receios de poluição em larga escala no estreito, dizendo que a vida marinha do local não corre risco, mas pescadores ameaçaram bloqueá-lo se o Governo não impedisse os petroleiros de o usarem.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-73317">
<P>
Novas actividades sucedem a 150 anos de caça ao cachalote nos Açores</P>
<P>
O novo culto da baleia</P>
<P>
Ricardo Garcia</P>
<P>
Durante um século e meio, a caça ao cachalote ocupou um lugar de destaque na vida das ilhas açorianas, até ser inviabilizada por restrições internacionais e pela própria decadência da actividade. Resta agora a memória dos museus e dos antigos baleeiros; o artesanato, valorizado pela raridade da matéria;</P>
<P>
prima; e o negócio turístico da observação de cetáceos -- numa nova relação, mais pacífica, entre o homem e o maior animal do mundo.</P>
<P>
Todos as manhãs, durante os meses de Verão, João "Vigia" dirige-se para uma pequena construção de dois andares, numa encosta da Ponta da Queimada, na ilha do Pico. Munido de um potente binóculo, passa a observar o mar, num raio de até vinte milhas, e quando avista uma baleia ou um grupo</P>
<P>
delas, dá o aviso, às vezes soltando um foguete. Os estalidos da pólvora certamente provocam um frémito involuntário de ansiedade em cada um dos habitantes da pequena vila das Lajes do Pico, onde, até há dez anos, este era o sinal que dava início a mais uma jornada de caça à baleia.</P>
<P>
Agora, porém, já ninguém sai a correr para arrear as longas canoas a remo e vela com que se perseguiam e matavam os cachalotes. Para o mar, vai apenas um bote semi-rígido motorizado, com um grupo de curiosos que, em vez de arpões, levam máquinas fotográficas. É um hábito recente, neste caso com apenas dois anos, desde que um jovem casal começou a promover passeios turísticos para a observação de baleias e golfinhos nas águas que banham a ilha do Pico.</P>
<P>
A ideia floresceu sobre o terreno fértil da tradição baleeira da ilha: não só havia baleias, como havia quem lhes conhecesse profundamente os hábitos, como João "Vigia", que durante 35 anos orientou as canoas na caça ao cachalote.</P>
<P>
"Estava tudo pronto", afirma Alexandra Teles, 29 anos, que ao lado do marido, o francês Serge Valelle, orienta turistas na observação de cetáceos.</P>
<P>
Este tipo de actividade, que começa a dar os primeiros passos nos Açores, é um signo de um novo culto das baleias, que começa a tomar forma para preencher o vazio deixado pelo fim de uma actividade secular no arquipélago.</P>
<P>
Desde meados do século XIX até à década passada, a caça à baleia ocupou um lugar de destaque ou mesmo central na vida de várias ilhas açorianas. Durante alguns períodos, foi o motor da economia de muitas localidades, não só pelo proveito retirado com a venda do óleo da baleia e de outros derivados, mas também pelas actividades paralelas que fomentava.</P>
<P>
Os açorianos importaram a técnica da caça dos americanos, cujas embarcações baleeiras costumavam arregimentar tripulantes entre a população do arquipélago, ainda no século XVIII. Salvo algumas adaptações, a forma original</P>
<P>
manteve-se até ao último cachalote morto nos Açores, em 1987, sob um arpão arremessado manualmente por um homem, a bordo de uma canoa com mais seis tripulantes. Os baleeiros sempre recusaram a tecnologia dos lança-arpões ou,</P>
<P>
posteriormente, dos sonares para detecção de cardumes. Mas adoptaram as lanchas motorizadas para apoio às canoas e instalaram unidades industriais para o processamento dos produtos derivados da baleia. Ficaram, assim, num ponto intermediário entre o primarismo e a modernidade, que acabou por acelerar a própria decadência da sua actividade, a partir da década de 60.</P>
<P>
Incapaz de competir com os navios-fábrica, num mercado já saturado devido à concorrência dos óleos minerais, a caça à baleia no arquipélago, foi perdendo importância, mantendo-se mais como uma espécie de vício remunerado. As sucessivas restrições que foram sendo impostas nos últimos vinte anos, quando se constatou que a caça, a nível mundial, estava a ameaçar a preservação da generalidade das espécies de cetáceos, não foram mais do que um golpe de misericórdia numa actividade que hoje, nos Açores, sobreviveria apenas de forma residual, como um testemunho antropológico.</P>
<P>
Mas desde que se parou de caçar baleias, ficou um certo vazio existencial na vida de algumas ilhas, que se nota no discurso saudosista dos antigos baleeiros.</P>
<P>
"A baleia faz muita falta aqui. Carpinteiros, ferreiros, mecânicos, ficou tudo desempregado", lamenta José Fula, 65 anos, membro de uma família tradicional de baleeiros. Ao seu pai, Manuel Fula, é atribuído o mérito de ter matado mil baleias. Ele, José, vangloria-se de, só em 1973, ter caçado 52 cachalotes - um número quase insuperado. Montado sobre uma canoa, nas instalações do Clube Naval de São Roque do Pico, o antigo baleeiro simula a posição de ataque com que se "trancava" a baleia, com um arpão na mão e um evidente semblante de satisfação. Mas há vinte anos, desde que tentou emigrar para os Estados Unidos, em 1974, que não experimenta esta sensação na prática.</P>
<P>
A primeira tentativa de preservar formalmente a tradição da caça à baleia nos Açores cabe ao Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico, cuja exposição pioneira, em instalações provisórias, data de 1979. "Há muitos museus das baleias, este é um museu dos baleeiros", salienta o seu director, Francisco Medeiros. Grande parte do seu acervo procura ressaltar justamente as características únicas que a caça à baleia assumia nos Açores. Com cerca de 15 mil visitantes no ano passado, é o segundo museu mais movimentado de todo o arquipélago.</P>
<P>
Ninguém acredita na possibilidade do regresso á caça à baleia nos Açores, o que abre espaço para outras iniciativas museológicas. O Governo Regional adquiriu, há poucos anos, a fábrica das Armações Baleeiras Reunidas, em</P>
<P>
São Roque do Pico, uma das principais indústrias de transformação de produtos de baleia, que funcionou entre 1946 e 1984. Os animais caçados sobretudo no</P>
<P>
Pico eram para lá levados pelas lanchas. O toucinho era derretido para a produção de óleo, o fígado servia à confecção de vitaminas, a carne transformava-se em adubo e parte dos ossos, em farinha. "Houve um dia em que amanheceram aqui 38 baleias, e depois ainda trouxeram mais duas", conta Duarte da Rosa, 70 anos, que sempre trabalhou na fábrica e agora auxilia na sua reconversão em museu -- num projecto conjunto com a Câmara de São Roque.</P>
<P>
Por outro lado, o fim da caça comercial ao cachalote estimulou um novo tipo de negócio. O osso de baleia, que antes era pouco valorizado, passou a ser vendido a um preço cinco vezes maior, saltando de 200 escudos para mil escudos o quilo. O dente de cachalote -- que contém uma percentagem de marfim -- vale hoje entre 100 a 120 mil escudos o quilo. Há uma semana, Camilo Costa, um artesão com 26 anos de idade e 14 de prática, comprou, por 45 contos, metade de um maxilar de cachalote, sem os dentes, que até então um cidadão mantinha espetado no solo, como trave para a sustentação de vinhas. Este osso servirá para a produção de dezenas, senão centenas, de pequenas recordações, sob a forma, por exemplo, de baleias e golfinhos, que são vendidas a dois mil escudos.</P>
<P>
Muitas pessoas guardam quantidades de osso em casa, em estado bruto, para vendê-los mais tarde. "Há alguns anos ninguém ligava, agora é como ouro", afirma o taxista Nelson, 22 anos, que tem na sua garagem quase meia tonelada de ossos de cachalote, comprados a um emigrante e que, à primeira vista, parecem pedaços de madeira podre.</P>
<P>
A observação de cetáceos também começa a surgir como um negócio atraente, numa nova relação, mais pacífica, entre o homem e o animal. "Há quem diga que elas estão mais ou menos 'sociáveis', conforme o dia", diz Alexandra Teles, que, só ano passado, promoveu 86 observações. Nos últimos três anos, foram avistadas 14 das 21 espécies de cetáceos que passam pelos Açores, entre baleias e golfinhos.</P>
<P>
O Clube Naval de São Roque também pensa em iniciar este ano,</P>
<P>
experimentalmente, passeios para a observação de baleias, neste caso a partir das mesmas lanchas e canoas que serviam á caça nos Açores, e que estão a ser recuperadas no cais do Pico. A volta dos barcos para junto das baleias, apenas para vê-las, talvez seja a melhor forma de prestar uma homenagem ao maior animal do mundo, que nos Açores foi caçado até 1987. Neste ano, uma autorização especial permitiu que fossem capturadas seis baleias, mas só três acabaram por ser mortas. Uma quarta chegou a ser "trancada", mas resistiu às tentativas de a matar, desde as nove da manhã até às oito da noite. No final, os caçadores desistiram e cortaram a corda, deixando que o cachalote levasse consigo o último arpão oficialmente lançado sobre uma baleia nos Açores.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-74880">
<P>
PER e Urban na reconversão da Outurela/Portela, em Oeiras</P>
<P>
Uma metamorfose de vinte milhões de contos</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
O plano da Câmara de Oeiras para a Outurela/Portela, em Carnaxide, é ambicioso. São 42 acções que vão custar 20 milhões de contos. Até 1999, serão construídos, na área abrangida, escolas, campos desportivos, habitação social, jardins, centros de saúde. E até uma igreja e uma rede de transportes com energias alternativas. O grosso do dinheiro vem do PER e do programa Urban. Só que o município está a contar com uma segunda fase do Urban, que ainda não existe.</P>
<P>
A Câmara de Oeiras está a desenvolver um pacote de 42 acções para reaquilificar uma área de 10,6 quilómetros quadrados, que se estende ao longo do Vale de Algés até ao bairro da Outurela-Portela, na freguesia de Carnaxide. Trata-se de um programa de 20 milhões de contos, onde ressalta a criação de espaços verdes, equipamentos sociais e desportivos, a instalação de iluminação pública, a erradicação de barracas e construção de habitação social. A grande fatia do financiamento vem do PER (Plano Especial de Realojamentos), uma parte muito menor virá do programa comunitário Urban, pelo meio haverá investimento municipal e de outras entidades públicas e privadas.</P>
<P>
O pacote de medidas destina-se a uma área do concelho de Oeiras, na fronteira com o município de Lisboa, onde residem cerca de 74 mil pessoas. Destas, mais de 10 mil vivem em barracas distribuídas por diversos núcleos situados em torno da zona de Outurela-Portela, nomeadamente o Alto do Montijo e o Alto dos Barronhos. Para o realojamento destas famílias e de outras que habitam em casas de alvenaria degradadas, sobretudo na Portela, a Câmara de Oeiras conta com seis milhões de contos do PER e mais seis milhões a que terá de recorrer através de empréstimos do Instituto Nacional da Habitação e do Instituto de Gestão e Alienação do Património do Estado.</P>
<P>
Segundo Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, o investimento na zona abrangida pelas 42 medidas já arrancou. «Na Outurela-Portela está já andar um projecto de 600 fogos, dos quais estão construídos 300, no valor de 2,5 milhões de contos. Está, também, em preparação um plano para a construção de mais mil fogos. Ao todo serão 1600 fogos de habitação social e mais mil de promotores privados», assegura o autarca. E será essencialmente no bairro Outurela-Portela, que com os realojamentos receberá mais 12 mil habitantes, que incidirão a maior parte das medidas.</P>
<P>
«No projecto para Outurela/Portela, os 800 mil contos do Urban destinam-se particularmente a apoiar a construção de equipamentos sociais, ou a promoção da qualidade de vida, nomeadamente através da criação de espaços verdes, arranjo dos arruamentos ou a instalação de iluminação pública», sublinha Isaltino Morais. Apesar da existência de outras zonas fisicamente degradadas no concelho, como a Pedreira dos Húngaros ou o Alto de Santa Catarina, a autarquia escolheu a Outurela/Portela «devido à carga de habitação social que tem e que vai ter, além de ser uma zona onde predominam estratos sociais abaixo do nível médio do concelho de Oeiras», explica o presidente do município.</P>
<P>
Substituir barracas por espaços verdes</P>
<P>
O objectivo do projecto para a Outurela/Portela, diz o autarca, é prevenir situações de tensão social entre os que já ali vivem e as populações que lá vão ser realojadas. Nesse sentido, vão ser criados equipamentos que propiciem a integração dos actuais e dos novos moradores, tendo em conta as diferenças culturais dos grupos a realojar, uma boa parte pertencentes a minorias étnicas.</P>
<P>
«A diferença do que se vai fazer na Outurela/Portela relativamente a outras áreas do município é que ali vamos avançar com um projecto integrado, que contempla todas as vertentes, desde o ambiente à cultura, do desporto ao apoio social, passando pela habitação e segurança» salienta Isaltino de Morais. Assim, o que se vai passar é que os equipamentos vão aparecer à medida que as pessoas forem sendo instaladas, ao contrário do que ocorrido noutras urbanizações, onde as estruturas sociais só são criadas, quando o são, muito depois da habitação ter sido construída.</P>
<P>
Entre as medidas previstas para a recuperação do ambiente conta-se a construção de um parque urbano na Quinta de Santo António, a criação de uma vasta zona verde ao longo do Vale de Algés, com a despoluição da respectiva ribeira e a florestação da encosta da CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa), que passa junto ao vale. Ainda no âmbito das intervenções ambientais, é contemplada a substituição do bairro de barracas do Alto do Montijo por uma zona verde, a criação de um grande parque urbano na Outurela e de um jardim na Quinta do Sales. «A Outurela terá um dos melhores jardins de Oeiras», diz Isaltino Morais.</P>
<P>
Quanto a equipamentos sociais, culturais e desportivos a lista integra 19 propostas de novas estruturas, todas destinadas à integração social e à melhoria da qualidade de vida das populações. O pacote camarário prevê a construção de duas escolas básicas integradas, em Barronhos e na Outurela, duas creches e um jardim de infância, um centro e um posto médico, um centro de saúde mental e um outro de atendimento à toxicodependência. Há ainda projectos para a construção de um centro comunitário em Barronhos, um clube para a juventude e de uma sede para uma associação local, um centro multicultural, um outro para acolhimento de crianças em risco e de um para os idosos, vários núcleos desportivos, entre os quais um campo de futebol na Outurela. Não vai faltar, também, um posto de seguranaça, uma igreja e centro paroquial.</P>
<P>
Energias alternativas nos transportes</P>
<P>
Mas o pacote das 42 acções, talvez demasiado ambicioso, não se fica por aqui. Assim, com vista à dinamização e promoção do emprego local, vai ser recuperada a Quinta do Sales, para a instalação de «ateliers» e de núcleos de apoio a empresas. Na Outurela/Portela, além de «ateliers», serão lançadas acções de formação profissional. Quanto à rede viária e transportes, o programa defende o prolongamento da Avenida dos Bombeiros Voluntários, uma ligação à CRIL, a reperfilagem e arranjo dos passeios da Estrada da Outurela.</P>
<P>
É, também, defendida pela Câmara de Oeiras a criação de uma rede de transportes públicos entre a Outurela e o interface de Algés, na Praça D. Manuel I. A novidade será a utilização de pequenos autocarros usando energias alternativas, como o gás. A autarquia, segundo Isaltino Morais, assumirá a exploração experimental da rede caso não apareçam operadores privados interessados na sua gestão. Por fim, e encarado como factor de incremento da segurança, a Câmara vai avançar, ainda este ano, com a instalação da iluminação pública na Outurela/Portela.</P>
<P>
Sobre a dimensão global do projecto e as garantias da sua concretização, Isaltino Morais assegura que os munícipes podem ficar descansados. Além dos dinheiros do PER e do Urban, a autarquia diz que vai contar com a ajuda de agentes privados e de organismos públicos, nomeadamente da Segurança Social, para a construção de alguns dos equipamentos. Por outro lado, adianta o autarca, Oeiras vai recorrer a uma segunda fase do Urban, que já foi requerida pelo Comité das Regiões da União Europeia. O problema é que essa segunda fase ainda não existe e nada garante que venha ser criada.</P>
<P>
No entanto, mesmo que todas as acções se concretizem, o perigo de se criar um novo gueto -- onde a população, tendo à mão todos os equipamentos, pode perder os laços com os bairros envolventes -- estará sempre presente. Isaltino Morais diz que não. «Isso é exactamente o que pretendemos evitar. Muito do que vai ser feito na Outurela-Portela beneficiará e será usado pela população de toda a freguesia de Carnaxide. O futuro campo de futebol da Outurela, por exemplo, será o único na freguesia. O jardim da Quinta de Sales, onde agora estão os viveiros municipais, será com certeza visitado pelo resto dos habitantes de Carnaxide».</P>
<P>
«O projecto da Outurela/Portela vai ser a demonstração de que é possível dar qualidade a uma zona degradada. Terá mais qualidade que muitos bairros dormitório construídos no concelho na década de 60», sublinha o autarca. O programa de 20 milhões de contos tem um prazo de execução de cinco anos, até 1999. Mas, assegura Isaltino Morais, «a partir do próximo ano as pessoas já vão ver algumas melhorias, com o arranjo dos arruamentos e a iluminação pública, e em 1997 será inaugurado jardim da Outurela».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49756">
<P>
Imuno-supressor contra trombose</P>
<P>
Investigadores britânicos descobriram que um conhecido medicamento imuno-supressor, que dá pelo nome de FK506, pode ser benéfico no tratamento imediato dos acidentes vasculares cerebrais. O FK506 é um dos medicamentos utilizados para «deprimir» o sistema imunitário das pessoas submetidas a transplantações, de modo a evitar a rejeição dos órgãos transplantados, sendo um dos medicamentos concorrentes da famosa ciclosporina.</P>
<P>
Steven Butcher e John Sharkey, da Universidade de Edimburgo (Grã-Bretanha), revelam hoje na revista britânica «Nature» que, surpreendentemente -- pelo menos no rato --, o FK506 também parece ser capaz de reduzir de modo significativo os danos causados no cérebro pelos acidentes vasculares cerebrais (tromboses cerebrais) quando administrado na hora que se segue ao ataque. O resultado, segundo os investigadores, poderá ser transponível para o ser humano.</P>
<P>
Sabe-se que o efeito imuno-supressor do FK506 se deve à sua acção sobre umas substâncias, chamadas imunofilinas, que se encontram à superfície dos linfócitos T (as células imunitárias responsáveis pela rejeição dos órgãos transplantados). Normalmente, as imunofilinas ligam-se a hormonas envolvidas na activação dos linfócitos T -- ou seja, servem de intermediários na transmissão das mensagens químicas que conduzem os linfócitos T a reagirem contra um agressor potencial. Daí que o FK506, ao ocupar esses locais de fixação hormonal, bloqueie o processo e «deprima» o sistema imunitário.</P>
<P>
No caso das tromboses, Butcher e Sharkey pensam que o FK506 também poderá surtir o seu efeito protector ligando-se às imunofilinas que se sabe existirem à superfície das células cerebrais. Embora ainda desconheçam o mecanismo exacto, os cientistas propõem diversas explicações alternativas. Uma delas é que o FK506 talvez impeça a produção, no local da trombose, de «radicais livres» -- substâncias extremamente tóxicas para as células.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-95605">
<P>
PER atrasado em Sintra</P>
<P>
Um atraso na conclusão das infra-estruturas eléctricas do bairro camarário de Casal de Cambra adiou a transferência de várias famílias para os novos fogos construídos no âmbito do Programa Especial de Realojamento (PER), apesar de alguns pais terem já mudado os filhos para estabelecimentos de ensino da área da nova residência. O vereador da Habitação da Câmara de Sintra atribui o atraso a dificuldades financeiras do empreiteiro e espera ter os realojamentos concluídos em meados deste mês.</P>
<P>
Sintra foi a primeira autarquia a aderir ao PER e a entregar novos fogos a famílias carenciadas a viverem em barracas. Em Junho deste ano, os serviços municipais comunicaram a um novo grupo de famílias a atribuição de novas habitações no bairro de Casal de Cambra, fornecendo esclarecimentos sobre o procedimento a seguir e aconselhando desde logo os pais contemplados a inscreverem os filhos nos estabelecimentos de ensino da nova localidade.</P>
<P>
Para além das três dezenas de novos fogos na urbanização cooperativa de Casal de Cambra, serão instaladas na primeira fase da urbanização camarária 83 famílias provenientes de habitações degradadas das freguesias de Agualva-Cacém (14), Algueirão-Mem Martins (5), Almargem do Bispo (4), Belas (25), Colares (1), Queluz (30), Rio de Mouro (2).</P>
<P>
O problema é que, passado o Verão, apenas cerca de 20 famílias receberam as chaves das novas habitações. Segundo o vereador da Habitação, Lino Paulo (CDU), a falta de entrega dos restantes fogos deveu-se à impossibilidade de o construtor pagar as infra-estruturas eléctricas à LTE (empresa do grupo EDP), o que só terá comunicado à autarquia em Agosto. A solução para o problema passou por um compromisso assumido pela Câmara de Sintra junto da LTE de que se responsabilizaria pelo pagamento dos trabalhos caso a empresa não o fizesse (a factura em causa ascenderá a 25 mil contos, ao passo que a autarquia terá a pagar ao empreiteiro 1600 mil contos).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-10441">
<P>
Ímola no centro da polémica</P>
<P>
«Estamos a correr a velocidades do futuro, em carros do presente, com circuitos do passado.» As palavras são do argentino pentacampeão da Fórmula 1 Juan Manuel Fangio e servem para lançar o debate sobre o circuito que vitimou Ayrton Senna e Roland Ratzenberger. Ímola está no centro das críticas, mas também há quem lembre que reduzir a questão a um circuito de Fórmula 1 é contornar o problema.</P>
<P>
Uma das primeiras consequências dos acontecimentos deste fim-de-semana foi a instauração de uma acusação de homicídio por negligência a Federico Bendinelli, administrador da sociedade que explora o Circuito de Ímola. Uma decisão que o próprio caracterizou de um acto judicial necessário, na sequência da interdição do circuito e das autópsias dos pilotos. A de Senna demonstrou que a morte foi provocada por traumatismos vários, portanto não por qualquer problema do piloto anterior ao despiste.</P>
<P>
Em curso estão, por enquanto, investigações de «natureza técnica», como disse o procurador de Bolonha, que lembrara já que os especialistas consideraram insuficientes as condições de segurança do circuito de Ímola, tendo em conta a velocidade actual dos monolugares de Fórmula 1.</P>
<P>
«Ímola é um circuito velho. Foi renovado, mas mantém alguns defeitos. Devia ser revisto por técnicos e engenheiros», disse Fangio. Uma opinião partilhada por pilotos jovens, como o brasileiro Rubens Barrichello, que este fim-de-semana sofreu também um aparatoso acidente na pista italiana. «É necessário redesenhar ou retirar algumas curvas», disse Barrichello, que acrescentou: «É necessário aprender estas coisas. A organização que promove a F1 deve investir em medidas de segurança.»</P>
<P>
O próprio Presidente italiano, Oscar Scalfaro, aproveitou para criticar a decisão da organização de ter prosseguido o Grande Prémio apesar de todos os acidentes que a precederam: «Reprovo vivamente que, depois de tanta tragédia, a corrida não tenha sido interrompida, como devia.»</P>
<P>
Uma opinião diferente sobre este assunto manifestou-a o brasileiro Nelson Piquet, que sofreu também um grave despiste em Ímola, há alguns anos: «Houve três ou quatro acidentes, todos por razões diferentes. Não se pode culpar a pista ou as regras por isso.»</P>
<P>
Para Piquet, anular o circuito italiano não é solução: «Para eliminar Ímola do campeonato do mundo, era preciso eliminar também Adelaide, o Mónaco, Montréal e várias outras pistas.»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-12521">
<P>
ANTONIO KANDIR</P>
<P>
Salvo uma minoria, já não há quem duvide que a superação da crise brasileira implique alterar a forma de inserção do Estado na economia. Apesar dos pesares, este processo já vem ocorrendo, graças à continuidade do programa de privatização iniciado em 1990. Há, no entanto, instrumento não menos importante para a redefinição do papel do Estado, a concessão de serviços públicos à iniciativa privada, que permanece sem a eficácia prática que deveria ter.</P>
<P>
Projeto regulamentando a matéria está no Congresso desde 1991. Em seu processo de elaboração, pude participar ativamente, como secretário de Política Econômica, negociando os termos do projeto com o então senador Fernando Henrique Cardoso. Inexplicavelmente, porém, o projeto não mereceu a atenção da equipe que nos substituiu e assim emperrou em algum ponto da tramitação legislativa.</P>
<P>
A concessão à iniciativa privada da exploração de serviços públicos é essencialmente complementar ao processo de privatização. A privatização visa a retirada total do Estado de determinadas atividades, que já tiveram importância estratégica no passado, mas que hoje não têm mais.</P>
<P>
No caso da concessão de serviço público, a mudança consiste em alterar o caráter da presença do Estado: mantém-se seu poder regulatório em determinado setor de atividade, transferindo-se a gestão para a iniciativa privada.</P>
<P>
Por que a concessão é, em alguns casos, mais adequada que a privatização? A importância da regulação estatal sobre determinados setores de atividade prende-se sobretudo à necessidade de conferir sinergia às redes de infra-estrutura espalhadas pelo país e garantir acesso adequado a estes serviços em todo o território nacional, mantendo a unidade federativa.</P>
<P>
A transferência mediante concessão para a iniciativa privada é uma forma de aumentar a eficiência na gestão, minimizando os riscos de ocorrer desarticulação e verificarem-se "brancos" nas redes de infra-estrutura. É razoável supor-se aumento de eficiência na gestão, tanto por causa da comprovada capacidade empresarial da iniciativa privada quanto das pressões a que está submetida a administração estatal, principalmente no contexto de um sistema político e partidário em que as empresas públicas são, não raro, moeda de troca na obtenção de apoio social e parlamentar.</P>
<P>
Deslanchar uma onda de concessões é também uma forma de interromper o ciclo de desinvestimento que se tem verificado nos anos de crise, em particular na área de infra-estrutura, e ajudar a criar um vetor dinâmico para a retomada sustentada do crescimento.</P>
<P>
Como se sabe, a economia brasileira vive num círculo vicioso: o crescimento econômico é espasmódico porque não se sustenta no processo de investimento; o processo de investimento não deslancha porque há grande incerteza quanto ao futuro, resultado da alta inflação crônica, que se alimenta da fragilidade financeira do Estado. Esta, por sua vez, tem sua solução dificultada pela própria estagnação econômica. Por fim, a fragilidade financeira do Estado afeta sua capacidade de endividamento, prejudicando a expansão dos serviços de infra-estrutura, o que reduz a produtividade sistêmica e afeta, direta e indiretamente, o próprio investimento privado.</P>
<P>
Se houver um processo consistente e intenso de concessão de serviços públicos será possível melhorar a produtividade sistêmica, com a recuperação e expansão das redes de infra-estrutura, e impulsionar a retomada pela via do investimento.</P>
<P>
Por estas razões, a concessão de serviços públicos, embora não baste para transformar o círculo vicioso da economia brasileira em círculo virtuoso, constitui-se, sem a menor dúvida, em um dos ingredientes importantes da superação de nossas dificuldades.</P>
<P>
ANTONIO KANDIR, 40, engenheiro, doutor em Economia, foi secretário de Política Econômica do então Ministério da Economia (governo Collor). É autor de "A Dinâmica da Inflação" (ed. Nobel) e coordenador de "Um projeto para o Brasil - A proposta da Força Sindical" (ed. Geração).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4436">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Segundo o pesquisador Otto Bismarck Gadig –que deu uma palestra sobre tubarões na reunião do ano passado da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência– os ataques de tubarão são mais um fenômeno de mídia. "No Brasil, todos os anos, cerca de 33 mil pessoas são picadas por serpentes peçonhentas e aranhas venenosas e isso não tem tanta divulgação. De 1927 até 1993, foram registrados 54 ataques de tubarão no litoral brasileiro", diz o pesquisador da Universidade Federal da Paraíba. "O tubarão deve ser a última coisa com que as pessoas devem se preocupar ao entrarem na água", disse.</P>
<P>
Até o ano passado, Pernambuco era o campeão dos registros, com nove ataques no Brasil. Maranhão e São Paulo vinham em segundo, com oito. Austrália, EUA e África do Sul concentram mais da metade dos casos no mundo, com 54% do total. O Brasil tem menos de 1% dos casos anuais. A África do Sul tem os melhores centros de pesquisa e de cirurgia para reparar mordidas do peixe.</P>
<P>
No mundo inteiro ocorrem entre 50 a 70 ataques registrados de tubarões. O tubarão ataca, em cerca de 80% dos casos, em águas quentes, acima de 21ºC, perto de praias, embocaduras de rios e lagos de água salgada. Os horários preferenciais para as mordidas são aqueles em que as praias estão mais cheias. Entre 10h e 12h e entre 14h e 16h.</P>
<P>
Um acidente com tubarão tão perto da praia não espanta o biólogo Cláudio Gonçalves Tiago, do Cebimar (Centro de Biologia Marinha da USP), de São Sebastião. "Eu mesmo já vi um tubarão desses na praia aqui em frente". Ele afirma que esse tipo de acidente ocorre por confusão do animal, que de algum modo confunde a pessoa com uma presa.</P>
<P>
"Já se mostrou que os surfistas atacados sobre a prancha tem o mesmo desenho de sombra que lembra a presa do tubarão", diz o biólogo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77345">
<P>
FINAIS -- O Comité Executivo da UEFA confirmou em Genebra (Suíça) que as cidades de Viena e Paris acolherão as finais da Liga dos Campeões e da Taça das Taças, respectivamente. O Estádio do Prater, agora chamado EDrnst Happel, será palco da final da Liga dos Campeões a 24 de Maio, o que acontece pela quarta vez (duas delas, em 87 e 90, com FC Porto e Benfica). Quanto ao Parque dos Príncipes, receberá a Taça dos Vencedores das Taças em 10 de Maio, «mesmo que a equipa francesa do Auxerre seja um dos finalistas», precisa a UEFA. Paris não tinha uma final europeia desde 1975, quando o Bayern bateu o Leeds por 2-0 na decisão da Taça dos Campeões Europeus.</P>
<P>
SUB-20 A Selecção portuguesa sub-20, que prepara a sua participação no Mundial da Nigéria, em Março, empatou sexta-feira à noite nas Canárias com a Espanha (1-1) e classificou-se em segundo lugar na Copa del Atlântico. Portugal precisava de vencer o jogo para ganhar o torneio, mas foi a Espanha que se adiantou no marcador por Michel, aos 24' Dani empatou, fixando o resultado final. Dani, jogador do Sporting, foi eleito o melhor jogador do torneio.</P>
<P>
ROMÁRIO -- Romário foi uma desilusão no seu regresso ao futebol sul-americano, saindo do campo com vaias dos adeptos aos 75' de um jogo em que o seu novo clube, o Flamengo, empatou 1-1 com o Uruguai em jogo amigável. Romário não conseguiu qualquer oportunidade de golo e desiludiu os 47 mil espectadores que assistiram ao jogo em Goiânia. Nélio deu vantagem ao Flamengo, Dorta empatou para o Uruguai. O Flamengo faz amanhã o primeiro jogo do campeonato estadual do Rio, mas Romário só se deve estrear na competição no dia 12, frente ao Fluminense no Maracanã.</P>
<P>
MATHAEUS -- O internacional alemão Lothar Mathaeus tem esperanças de poder regressar ao futebol de top depois de ter rompido o tendão de Aquiles num jogo amigável na quarta-feira. Mathaeus, 33 anos, foi operado sexta-feira e pode estar pronto a jogar antes do final da época. «Conhecendo Lothar, é certo que regresará ao futebol. A dúvida é se regressará à sua melhor forma» disse Eike Van Alste, médico da Federação alemã. A lesão de Mathaeus é mais um grande golpe nas aspirações do seu clube, o Bayern, para a segunda volta do campeonato que começa em meados de Fevereiro: Papin foi operado à perna esquerda e estará de fora oito semanas; Kostadinov foi operado e tem para seis semanas.</P>
<P>
GUERRERO -- O médio ofensivo internacional espanhol Julen Guerrero, 21 anos, renovou o seu contrato com o Atlético de Bilbau por dez anos suplementares, ou seja, até 2007. Recentemente a Imprensa espanhola anunciou o interesse do Barcelona nos serviços do jogador.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-41899">
<P>
Sebastião de Portugal</P>
<P>
Desaparecimento e lenda</P>
<P>
Na subsequente batalha de Alcácer-Quibir, o campo dos três reis, os portugueses sofreram uma derrota humilhante às mãos do sultão Ahmed Mohammed de Fez e perderam uma boa parte do seu exército. Quanto a Sebastião, provavelmente morreu na batalha ou foi morto depois desta terminar. Mas para o povo português de então o rei havia apenas desaparecido. Este desastre teria as piores consequências para o país, colocando em perigo a sua independência. O resgate dos sobreviventes ainda mais agravou as dificuldades financeiras do país.</P>
<P>
Em 1581, Filipe I de Portugal, mandou transladar para o Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa um corpo que alegava ser o do rei desaparecido, na esperança de acabar com o sebastianismo, o que não resultou, nem se pôde comprovar ser o corpo realmente o de Sebastião I. O Túmulo de Mármore que repousa sobre dois elefantes, pode ainda hoje ser observado em Lisboa. A dúvida que persiste há mais de 425 anos poderia provavelmente hoje ser resolvida com um simples teste de ADN (DNA).</P>
<P>
Tornou-se então numa lenda do grande patriota português - o "rei dormente" (ou um Messias) que iria regressar para ajudar Portugal nas suas horas mais sombrias, uma imagem semelhante à que o Rei Artur tem em Inglaterra ou Frederico Barbarossa na Alemanha.</P>
<P>
Durante o subsequente domínio espanhol (1580-1640) da coroa portuguesa, três pretendentes afirmaram ser o rei D. Sebastião, tendo o último deles - um italiano - sido enforcado em 1619.</P>
<P>
Mesmo no século XIX, lavradores Sebastianistas no sertão brasileiro acreditavam que o rei iria regressar para ajuda-los na luta contra a República ateia Brasileira " (Ver Revolta dos Canudos).</P>
<P>
Em conclusão, a Dinastia de Avis, popular entre o povo após ter guiado Portugal à sua época de ouro, acabou por submergir na busca de um sonho: a União Peninsular. As mesmas complicações causadas pela procriação consanguínea causou as mortes das crianças de D. João III e Catarina de Áustria e a loucura e desespero dos seus netos (Sebastião e Carlos), os últimos príncipes de Avis-Habsburgo. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-38967">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, delegado Nélson Guimarães, que assumiu ontem as investigações sobre o assassinato de Oswaldo Cruz Júnior, presidente do Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABCD, não descarta que "motivações políticas" estejam por trás do crime.</P>
<P>
O delegado destaca, entre as razões a serem investigadas, "a briga interna do sindicato, as denúncias de Oswaldo sobre dinheiro que estaria sendo desviado para campanhas políticas e as ameaças de morte que a vítima vinha sofrendo". "Não esqueceremos nenhuma hipótese", disse Guimarães, que pediu a prisão preventiva de José Benedito de Souza, o Zezé, acusado do crime.</P>
<P>
Guimarães, que estava em férias, foi designado para o caso pelo secretário de Segurança Pública, Odyr Porto. A escolha, segundo Odyr, "partiu do governador Fleury, devido à gravidade e grande repercussão do caso". "Vamos esclarecer as razões do crime, já que seu autor foi o Zezé", disse o delegado.</P>
<P>
Ontem, na Secretaria de Segurança Pública, Odyr e Guimarãs receberam o sindicalista Luiz Antônio de Medeiros, presidente da Força Sindical. Medeiros se colocou à disposição de Guimarães para prestar depoimento. "Não vamos recusar uma contribuição preciosa como essa", respondeu o delegado.</P>
<P>
A carreira de Nélson Guimarães é marcada por dois casos com grande repercussão política: o sequestro do empresário Abílio Diniz, em dezembro de 89, e o assassinato do governador do Acre, Edmundo Pinto, em maio de 92.</P>
<P>
No caso Diniz, Guimarães foi acusado por membros do PT de ter tentado vincular os sequestradores ao partido. Ele teria, segundo o PT, obrigado os sequestradores a vestir camisetas de apoio a Lula e colocado adesivos do PT no ônibus que os transportou. O fato ocorreu no dia da votação do segundo turno da eleição presidencial entre Lula e Collor. O secretário de Segurança Pública, à época, era o hoje governador Luiz Antonio Fleury Filho.</P>
<P>
Enquanto aguarda o laudo do IML (Instituto Médico Legal), a polícia pretende ouvir novas testemunhas, começando pela família da vítima. Guimarães disse que vai usar uma fita de vídeo, gravada por um cinegrafista do sindicato segundos após os tiros, para identificar novas testemunhas. A fita registra, em poucos segundos, o corpo de Oswaldo sendo carregado num corredor do sindicato e mostra o chão da sala em que foi baleado cheio de sangue.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-60506">
<P>
É o ano em que uma nova cidade vai por fim começar a nascer na zona oriental de Lisboa e em que, pela primeira vez, na área metropolitana se enfrentam alguns problemas há muito adiados: os realojamentos dos que vivem em barracas prometidos no PER e o tratamento dos lixos por incineração. Mas o que mais vamos ver ao longo do ano são obras, que, por bem ou por mal, arrastarão consigo questões sociais e ambientais.</P>
<P>
Expo-98 - A primeira aparição da Expo-98 surgirá este ano na Doca dos Olivais, onde se começa a erguer o Oceanário, um aquário gigante que custará 10 milhões de contos. Desaparecidos os contentores e as instalações petrolíferas, há agora que descontaminar os solos e os lençóis de água subterrâneos, uma operação em estreia em Portugal, a realizar entre Fevereiro e Junho. Muitas outras obras vão começar, desde a construção da linha de Metro Alameda-Expo e dos acessos viários à zona oriental, até aos novos edifícios com projectos aprovados, como o Pavilhão Multi-Usos. As árvores vão finalmente começar a crescer em plantações experimentais, mas na arquitectura há ainda que definir ao detalhe algumas áreas.</P>
<P>
Incineradora - Será a primeira central de queima de lixos urbanos a ser construída em Portugal e o arranque da obra, previsto para Setembro, leva quase um ano de atraso -- o tempo que a administração central e a local demoraram a chegar a acordo quanto à localização: a zona ribeirinha de Loures, onde começará a funcionar em fins de 1997. Nela vão arder anualmente 600 mil toneladas de lixos de Lisboa, Loures, Amadora e Vila Franca de Xira.</P>
<P>
CRIL - Ainda não será este ano que a Circular Regional Interior a Lisboa vai efectivamente circular a cidade, mas é de esperar que em 1995, a CRIL se estenda de Algés até à Buraca -- ainda que o Nó de Algés não tenha ainda construção prevista. O troço da Buraca até à Pontinha será lançado, mas até que toda a via esteja pronta há que esperar por 1997, já que a meta imposta pela JAE é tê-la concluída «antes da Expo-98».</P>
<P>
CREL - Já contornar a cidade pela periferia será possível este ano a partir de Agosto, com a conclusão prevista da Circular Regional Exterior a Lisboa. Nessa data entrará em serviço o troço Queluz-Alverca, completando a via, que nos seus 33 quilómetros de extensão tem dois túneis, o de Carenque e o de Montemor, e nove viadutos, sendo o maior o de Loures.</P>
<P>
Eixo Norte-Sul - Ainda não é garantido que este ano esteja concluído mas estará por pouco, na parte que compete à câmara, o que significa que, o mais tardar em princípio de 96 será transitável desde a Ponte 25 de Abril até à Avenida Padre Cruz. Os troços até à Ameixoeira e a ligação à CRIL, em Camarate, a executar pela Junta Autónoma de Estradas, só em 97.</P>
<P>
Barracas - Das 20 mil barracas contabilizadas em 13 municípios da Área Metropolitana de Lisboa que já assinaram os acordos do Plano Especial de Realojamento (PER) só 368 foram em 94 substituídas por casas. Para este ano, o dinheiro disponível são 40 milhões de contos, o que permitiria a entrega de mais seis mil fogos, se o ciclo de produção fosse de um ano. Mas a construção de uma casa demora mais do que isso e o IGAPHE estima que em 95 será possível iniciar a construção de três mil fogos, mil em Lisboa e os restantes em Sintra, Oeiras, Cascais, Vila Franca de Xira e Sesimbra. Loures, Amadora, Barreiro, Palmela e Seixal só este ano vão assinar contratos do PER.</P>
<P>
Estacionamento -- Em 94 Lisboa ganhou dois parques de estacionamento com um total de 910 lugares: Valbom e Berna. Para 95, a Câmara prevê o início da construção de mais 12 parques, com capacidade para parqueamento de 7.785 viaturas, que deverão estar prontos entre 96 e 97. Alguns já foram adjudicados, outros estão em fase final de apreciação e, outros ainda, em regime de negociação directa. Eles vão surgir no Marquês de Pombal, Avª de Roma, Avª 5 de Outubro, Campolide, Rua Padre Francisco, Campo dos Mártires da Pátria, Praça de Londres, Praça Paiva Couceiro, Avª Infante Santo, Campo Pequeno, Parque São Carlos, ampliação dos Restauradores e Praça da Figueira.</P>
<P>
Túneis e viadutos - Os desnivelamentos das vias continuarão em Lisboa em 1995. A Câmara prevê a entrada em funcionamento do viaduto Olaias/Chelas, o fim das obras do viaduto terminal do eixo Norte/Sul em Campolide, a reformulação do Nó de Alcântara, finalmente o início do túnel da Avenida João XXI sobre a Avenida de Roma, que deveria ter arrancado em 94, a implantação de corredores bus nas Avª Padre Cruz e Calçada de Carriche, o prolongamento da Avª Estados Unidos da América e a ligação da CRIL no Nó da Buraca à Segunda Circular.</P>
<P>
Grandes obras na cidade - É um rol extenso o das obras que vão surgir este ano, ou concluir-se, como o Teatro Taborda e Centro Cívico dos Olivais (1ª fase) aprazados para Setembro. No PIMP, o grande objectivo da Câmara é acabar com o Bairro do Relógio, realojando as 800 famílias que faltam, enquanto no PER haverá mais mil fogos em construção. O Chiado, à excepção dos Grandes Armazéns, estará na generalidade pronto. Grandes urbanizações deverão arrancar na Rua da Artilharia Um, e nas Picoas, onde será lançado o novo mercado 31 de Janeiro. Hilton no Alto do Parque, Nova Campolide e Centro Colombo, em Benfica, são outras das obras que deverão avançar em 95.</P>
<P>
Nova ponte - Ainda envolta em alguns «ses», muitos deles relacionados com os protestos de organizações ambientalistas que culminaram na apresentação de queixas, em 1993 e 94, contra o Governo português junto da União Europeia, a construção da nova travessia do Tejo entre Sacavém e o Montijo deverá arrancar em Fevereiro. Esta é quase a única certeza que a Lusoponte, consórcio que vai construir e explorar a ponte, se atrevia a adiantar no fim de 94. Com um comprimento de 18 quilómetros, incluindo viadutos de ligação e os seis quilómetros do tabuleiro central, e com perto de 180 pilares, espera-se que a estrutura da nova travessia só comece a ser visível em 1996.</P>
<P>
Modernização de Linha de Sintra - Depois de três décadas sem investimentos, a principal linha suburbana da capital deverá ver concluídas em 95 uma parte das obras em curso. A remodelação da estação do Rossio e a sua ligação subterrânea com a estação do Metro dos Restauradores ficará pronta, mais de dois anos após o previsto. A nova estação de Benfica abrirá em pleno já em Janeiro, enquanto a de Queluz-Massamá só no último trimestre receberá utentes, mas ainda sem o interface rodoviário concluído. A quadruplicação da via só em 1999 estará pronta entre Cruz da Pedra e Cacém, mas ao longo do ano já haverá duas vias adicionais em Benfica, Amadora e Massamá.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-66526"> 
<P> Mosteiro de Santa Cruz </P>
 <P>História</P>
 <P> A
Igreja de Santa Cruz de Coimbra foi fundada em 1131 por D. Telo (São Teotónio) e 11 outros religiosos, que adotaram a regra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. A nova Igreja recebeu muitos privilégios papais e doações dos primeiros reis de Portugal, tornando-se a mais importante casa monástica do reino. Sua escola foi uma das melhores instituições de ensino do Portugal medieval, tendo uma grande biblioteca (agora na
Biblioteca Pública Municipal do Porto) e um activo scriptorium. Nos tempos de D. Afonso Henriques, primeiro monarca português, o scriptorium de Santa Cruz foi usado como máquina de consolidação do poder real. A importância da Igreja é evidenciada pelo fato de que D. Afonso Henriques e seu sucessor, D. Sancho I, foram sepultados lá. </P>
 <P> Na Idade Média, o mais famoso estudante da Igreja de Santa Cruz foi Fernando Martins de Bulhões, o futuro Santo António de Lisboa (ou Santo António de Pádua). Em 1220, o religioso assiste à chegada à Igreja dos restos mortais de cinco frades franciscanos martirizados no Marrocos (os Mártires do Marrocos), e decide fazer-se missionário e partir de Portugal. </P>
 <P> No início do século XVI, o rei D. Manuel I ordena uma grande reforma, reconstruindo e redecorando a igreja e o mosteiro. Nessa época são transladados os restos de Afonso Henriques e Sancho I dos seus sarcófagos originais para novos túmulos decorados em estilo manuelino. </P>
 <P> Entre 1530 e 1577 funcionou uma imprensa no claustro. É possível que o poeta Luís de Camões tenha estudado em Santa Cruz, uma vez que um parente seu (D. Bento de Camões) era prior do mosteiro na época, e há evidências em sua poesia de uma estadia em Coimbra. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-60933">
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Manuel Abreu, em Ímola</P>
<P>
Dois mortos, nove feridos. Este é o único balanço possível do GP de S. Marino em Fórmula 1, num fim-de-semana marcado pela tragédia e que veio relançar dramaticamente o debate sobre a segurança no desporto automóvel. Nos treinos morreu Roland Ratzenberger e ficou ferido Rubens Barrichello; na corrida foi Ayrton Senna a perder a vida. Ficaram ainda feridos quatro mecânicos, três espectadores e um polícia, em mais dois acidentes, um deles envolvendo o português Pedro Lamy. A corrida continuou e o vencedor foi Michael Schumacher.</P>
<P>
Ayrton Senna, o piloto brasileiro tricampeão mundial de Fórmula 1, morreu ontem na sequência de um violento despiste na curva Tamburello do circuito Enzo e Dino Ferrari (Ímola, Itália), quando o seu Williams-Renault de Fórmula 1 curvava a mais de 250 km/h. Passavam poucos minutos das 18h00 quando uma fonte do hospital Maggiore de Bolonha anunciou a morte clínica de Senna, após a interrupção da actividade cerebral. O piloto continuava ligado às máquinas de reanimação que mantinham o seu coração em funcionamento.</P>
<P>
Um comunicado da Federação Internacional do Automóvel, divulgado às 19h30, anunciava que Ayrton Senna se encontrava em «coma profundo», que os exames revelavam que o seu cérebro estava morto e que as condições gerais estavam a deteriorar-se. Às 19h55 foi anunciada oficialmente a sua morte, que de acordo com o hospital ocorreu às 18h40.</P>
<P>
Pela segunda vez em dois dias, um monolugar de F1 conduziu o seu piloto para a morte. Nos treinos de qualificação de sábado, o austríaco Roland Ratzenberger não resistiu aos ferimentos provocados pelo despiste do seu Simtek-Ford; ontem, na sétima volta de uma corrida que já tinha sido interrompida devido ao acidente que envolveu Pedro Lamy e JJ Lehto (ambos sem ferimentos), Senna não conseguiu fazer uma das curvas mais rápidas do circuito, logo após a recta da meta, batendo violentamente no muro de protecção.</P>
<P>
O piloto brasileiro foi imediatamente assistido pelos médicos presentes na pista, começando desde logo a desenhar-se a gravidade da sua situação. Retirado do «cockpit», aparentemente inconsciente, Senna foi sujeito a uma traqueotomia para poder respirar, mas as lesões sofridas no cérebro seriam já irreversíveis. A mancha de sangue visível no asfalto deixou todo o «circo» suspenso, enquanto o piloto era transportado para o hospital Maggiore de Bolonha no helicóptero que tinha parado em plena pista.</P>
<P>
Um piloto no auge</P>
<P>
Aos 34 anos, Ayrton Senna era um piloto no auge da sua forma desportiva. Apesar do seu feitio difícil e da fixação nas vitórias, Senna era adorado pelos adeptos e respeitado pelos companheiros. Um profissional do desporto automóvel, um dos pilotos mais experientes ainda em actividade na Fórmula 1.</P>
<P>
As suas preocupações com as condições de segurança fizeram com que, logo após o acidente de Ratzenberger, entrasse num carro da organização para ir ao local do despiste avaliar a possibilidade de retomar os treinos. A sua equipa decidiu não voltar à pista no sábado, mas a sua atitude valeu-lhe um «cartão amarelo» por parte dos comissários do circuito, que pretendiam uma explicação para o seu comportamento, pouco habitual entre os pilotos. Ainda ontem de manhã, após a «warm up», tomou a iniciativa de se reunir com alguns dos outros pilotos para que pudessem tomar uma posição conjunta que os levasse a obter melhores condições de segurança. Algo de que já não vai beneficiar.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68674">
<P>
O mediador russo para o conflito entre azerbaijanos e armênios pelo controle do encrave de Nagorno-Karabakh, Vladimir Kazimirov, disse que a guerra deve prosseguir até o século 21. Todas as propostas de paz para a região fracassaram. Mais de 15 mil pessoas morreram na guerra, que dura seis anos e é a mais longa em território da ex-URSS.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-95380">
<P>
INÁCIO ARAUJO</P>
<P>
Crítico de Cinema</P>
<P>
Na Inglaterra, o trauma é completo. Em novembro passado, os dois assassinos-mirins de Liverpool, Robert Thomson e Jon Venables, 11, foram condenados à prisão por tempo indeterminado. Em dezembro, a censura britânica pôs em quarentena o filme "The Good Son", de Joseph Ruben, lançado este ano nos EUA. Ali, Macaulay Culkin, 13, trama para matar a mãe e a irmã, entre outras atrocidades.</P>
<P>
Em outros países, a criminalidade infantil já está deixando os especialistas de cabelo em pé (leia texto nesta página). A idéia da infância como espaço de inocência –em xeque desde Freud, pelo menos– é a primeira que vai por água abaixo.</P>
<P>
O cinema é um espaço em que as ambiguidades da infância se manifestam com frequência. Vamos deixar de lado os casos de jovens possessos ou anticristos em geral ("Damien", "O Exorcista" etc.). Em "Quando Fala o Coração", Hitchcock deu o exemplo mais claro de suas dúvidas em relação à inocência infantil: ali, o jovem Edwardes empurra outro garoto, que vai de encontro a uma grade e morre empalado.</P>
<P>
Não existiu, no caso, vontade consciente de matar, mas isso muda pouca coisa. O inconsciente desconhece esses detalhes, e o dr. Edwardes carregará sua culpa até a idade adulta. Em Hitchcock, a idéia da infância culpada decorre do catolicismo. A vida é balizada pelo pecado original. O caso de Thomson e Venables –que mataram o pequeno James Bulger, 2, em fevereiro de 1993– está mais próximo do "Mouchette" do francês Robert Bresson. Ali, Bresson conta a história de uma menina num universo em que miséria e violência coexistem com necessidade de ser amado e uma inexorável atração pelo mal.</P>
<P>
Thomson e Venables eram também produto de um meio pobre e desagregado, coisa que em Bresson, o jansenista, é circunstancial: para ele, a natureza do homem é intrinsecamente decaída. Mas a exposição da criança ao mal não é a negligenciar em "Meu Odio Será Sua Herança", de Sam Peckimpah. O grosso da violência corre, ali, por conta dos adultos. Mas, como esquecer a cena logo no início, em que um grupo de crianças imola alegremente insetos –formigas e escorpiões, salvo engano– em uma fogueira? Peckimpah está olhando para o futuro: aquilo que os adultos dão como formação às crianças.</P>
<P>
Também nesse registro está o "Bloody Kids", filme feito por Stephen Frears em 1979, antes de ficar famoso, onde um grupo de garotos de 11 anos, que se envolve em uma luta de facas; um deles vai parar no hospital.</P>
<P>
Frears procura mostrar a situação de canalhice da Inglaterra na era Thatcher e antecipa em 13 anos os acontecimentos de Liverpool, ou ao menos sua circunstância social (perto do crime real, sua história é cor-de-rosa).</P>
<P>
O Brasil também entra nessa galeria de menores infratores, via "Pixote", de Hector Babenco. Aí, no entanto, as circunstâncias servem mais para desculpar a infância.</P>
<P>
Independente de circunstâncias sociais, também é verdade que o imaginário infantil nunca foi flor que se cheire. Na França, o psiquiatra Boris Cyrulnik disse à revista "Le Nouvel Observateur" que a criança não é boa por natureza: "Quando se pede a crianças que inventem histórias, com frequência elas são de uma crueldade insustentável".</P>
<P>
Se o mundo das crianças torna-se, subitamente, a incógnita do fim de século, o mesmo caso Thomson/Venables não deixa de ser inquietante a respeito do mundo dos adultos: 38 pessoas viram o menino ser arrastado ao longo de de 5 quilômetros, em 13 de fevereiro passado. Nenhuma se sentiu concernida pelo que via.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-95580">
<P>
Birmânia</P>
<P>
Suu Kyi ainda em casa</P>
<P>
A recém-libertada líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, apelou ontem aos seus apoiantes para que sejam pacientes, pois a democracia, embora esteja a caminho, não fica ao virar da esquina neste país asiático onde os militares continuam a mandar.</P>
<P>
Falando através de um megafone e dentro do jardim da sua casa, Suu Kyi agradeceu aos cerca de 200 adeptos que a aguardavam na rua, dizendo-se grata pelo apoio e encorajamento que lhe têm dado.</P>
<P>
A multidão gritou várias vezes «longa vida a Aung San Suu Kyi» depois do seu breve e improvisado discurso.</P>
<P>
O governo militar birmanês revogou na segunda-feira uma ordem que a mantinha confinada à sua residência desde há seis anos.</P>
<P>
A multidão, que foi crescendo ao longo do dia, dispersou calmamente depois do discurso de Suu Kyi, em que ela também apelou a que os populares saíssem do local e desimpedissem o trânsito, «como bom sinal para a nossa causa».</P>
<P>
De manhã, no interior da sua casa aprazível e à beira de um lago, perto da Universidade de Rangoon, Suu Kyi deu a sua segunda conferência de imprensa desde que saiu de detenção domiciliária.</P>
<P>
«Gostava de aproveitar esta oportunidade para avisar toda a gente para que não espere demasiado, demasiado depressa», disse quando lhe perguntaram se estava preocupada por a expectativa ter crescido muito quanto à sua capacidade para fazer regressar rapidamente a Birmânia à democracia.</P>
<P>
«Penso que ainda temos um longo caminho à nossa frente, e a jornada não vai ser fácil. Mas desde que mantenhamos a vontade e usemos a inteligência, penso que chegaremos lá», acrescentou.</P>
<P>
Suu Kyi, que ganhou o Prémio Nóbel da Paz em 1991, disse que expectativas demasiado grandes levam sempre ao desapontamento, e recusou-se a marcar um calendário para a democratização do país.</P>
<P>
«Se eu mencionar um determinado período, então as pessoas iriam agarrar-se a isso e não penso que seja saudável», disse.</P>
<P>
Pelo segundo dia consecutivo desde a sua libertação incondicional, Suu Kyi não se aventurou a sair de casa.</P>
<P>
Ainda ontem, recebeu um grupo de dirigentes oposicionistas, mas também nos jardins da vivenda onde vive.</P>
<P>
Até ontem à noite, o Conselho para a Restauração da Lei e da Ordem (a junta militar que governa a Birmânia) ainda não tinha emitido qualquer nota oficial sobre a libertação de Suu Kyi e a imprensa local mantinha também silêncio sobre o facto. «Nada me surpreende. Depois de tudo o que passei nos últimos seis anos, seria muito tonta se me deixasse surpreender por alguma coisa», comentou a líder da oposição birmanesa.</P>
<P>
Fontes diplomáticas em Rangoon dizem que a atitude de silêncio das autoridades era uma tentativa de diminuir a importância da carismática Suu Kyi aos olhos dos seus 45 milhões de compatriotas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93111">
<P>
Futuro de Delors e a Bósnia dominam bastidores do Conselho Europeu</P>
<P>
Até breve, Jacques?</P>
<P>
Da nossa enviada Teresa de Sousa em Essen</P>
<P>
Nem o fiasco ocidental na Bósnia e as ameaças de retirada das tropas francesas da Força de Paz conseguem agitar tanto o Conselho Europeu de Essen. Delors ocupa o lugar central nos bastidores de uma cimeira onde as divisões e a falta de vontade política se abatem sobre uma agenda de rotina, cheia de assuntos recorrentes. Depois de um primeiro dia sem novidades, para hoje espera-se, ao menos, o encontro simbólico com os líderes do leste europeu candidatos à União e uma declaração sobre a Bósnia que disfarce o fracasso.</P>
<P>
Não é caso inédito, mas as duas únicas questões suficientemente dramáticas para mobilizar os bastidores do Conselho Europeu que decorre em Essen, Alemanha, sob a presidência do chanceler Helmut Kohl, não constam da agenda das sessões.</P>
<P>
Uma resume-se ao simples "sim" ou "não" de um homem que muita gente, em nome da Europa, parece querer ver no Eliseu depois de Mitterrand. A outra chama-se Bósnia, representa o maior fracasso diplomático da Comunidade e foi, com toda a certeza, um dos assuntos mais debatidos no jantar que ontem à noite reuniu à porta fechada os primeiros-ministros, o Presidente Mitterrand e Jacques Delors. Em clima de "retirada" geral, a preocupação dos líderes europeus parece ser, sobretudo, convencer a França de que a retirada das tropas europeias da Força de Paz não deve sequer constar das conclusões da cimeira. Porventura, para evitar o fiasco final.</P>
<P>
Ontem, ao abrir os trabalhos, Kohl exortou os seus pares a combater o eterno pessimismo europeu, recordando-lhes que a União sempre foi capaz de superar os seus piores momentos. Mesmo assim, o clima da cimeira evoca mais as hesitações, as divisões e a ausência de vontade política para decidir seja o que for, do que a determinação de enfrentar os imensos desafios de ordem externa que a União tem pela frente e que a Bósnia e a recentíssima cimeira da CSCE, em Budapeste, tornaram ainda mais prementes.</P>
<P>
Salvar as próprias cabeças</P>
<P>
Preocupados com os seus problemas internos e com a respectiva fragilidade política, cada um dos líderes parece sobretudo disposto a bater na tecla que mais lhe convém para consumo nacional.</P>
<P>
John Major, cuja popularidade atinge os níveis mais baixos de sempre, elegeu como tema favorito o combate à fraude na aplicação dos fundos estruturais e dos dinheiros da Comunidade, propondo um rol de medidas que -- espanto dos espantos -- chegam a implicar o reforço dos poderes da "pérfida" Comissão de Bruxelas.</P>
<P>
Felipe González ameaça bloquear a entrada oficial dos três novos membros (Áustria, Suécia e Finlândia) que já participam nos trabalhos deste Conselho, prevista para 1 de Janeiro, para obter o que quer em matéria de pescas.</P>
<P>
A França põe toda a gente nervosa com a ameaça de retirar da Bósnia.</P>
<P>
Cavaco Silva quer ver os financiamentos das redes transeuropeias rapidamente aprovados (das prioritárias, cabe a Portugal Lisboa-Valladolid) e arvora-se em grande defensor dos países da orla sul do Mediterrâneo, discriminados relativamente às novas democracias do Leste.</P>
<P>
Helmut Kohl, apesar das hesitações e recriminações de alguns dos seus parceiros, insiste em fazer do encontro que hoje o Conselho terá com os primeiros-ministros dos seis países da Europa Central e Oriental um acontecimento "histórico". Uma "desorganização" de intenções em flagrante contraste com a mais que perfeita organização da cimeira, à qual ainda por cima a Alemanha quis dar o ambiente festivo do Natal.</P>
<P>
Economia, economia...</P>
<P>
Os trabalhos do Conselho começaram com 25 minutos de atraso, à espera de Mitterrand, e prolongaram-se muito mais do que o previsto na discussão do balanço da aplicação do Livro Branco de Delors para o crescimento, a competitividade e o emprego, incluindo a questão dos financiamentos aos catorze projectos de redes transeuropeias aprovados como prioritários na Cimeira de Junho, em Corfu, que continuam bloqueados por divergências entre os ministros das Finanças (ver texto ao lado). Aliás, se não servir para mais nada, este Conselho pode registar uma "estreia" -- a presença dos ministros das Finanças na reunião, até agora reservada aos chefes de governo e aos ministros dos Negócios Estrangeiros. Uma velha exigência do Reino Unido que os restantes países sempre olharam com muita desconfiança.</P>
<P>
Só ao fim da tarde de ontem, os lideres começaram a debater a questão supostamente mais relevante -- a estratégia de alargamento ao Leste, à qual a Alemanha se apressou a acrescentar as relações com o Mediterrâneo para satisfazer as previsíveis "reivindicações" francesas, portuguesas e espanholas. Para os países do Sul trata-se de encontrar um "equilíbrio" entre o Leste e os países não europeus da orla mediterrânica que se traduza, por exemplo, no reforço das ajudas financeiras e no estabelecimento de acordos de associação tão ambiciosos como aqueles que já foram negociados com as novas democracias do Leste, à excepção da promessa de adesão à Comunidade. Portugal fez saber, de resto, que "não entendia" porque que razões os três acordos já negociados com Marrocos, a Tunísia e Israel ainda não tinham sido ratificados e pressionou nesse sentido.</P>
<P>
Na verdade, esta é uma questão recorrente da Cimeira de Corfu, onde a necessidade de equilibrar os vectores Leste e Sul já constava das conclusões do Conselho, e que tem sobretudo o valor simbólico de pôr água na fervura da locomotiva alemã na sua pressa de abraçar as novas democracias europeias.Infelizmente, a realidade parece dar cada vez mais razões e argumentos ao chanceler.</P>
<P>
Mais um sinal para Leste</P>
<P>
Ontem, o presidente do Parlamento Europeu, o alemão Klaus Haensch, na sua tradicional comunicação ao Conselho, insistiu na necessidade e na urgência de encarar algumas modalidades originais (que implicariam uma ligeira alteração a Maastricht) no sentido de permitir uma adesão mais rápida desses países ao II e III Pilares do Tratado da União -- respeitantes à Política Externa e de Segurança Comum e à cooperação em matéria de Assuntos Internos --, remetendo para um período mais longo a possibilidade de integrarem o "acquis" comunitário em todas as outras áreas. Uma solução desta natureza transmitiria às democracias do Leste o sentimento de segurança e de estabilidade que continua a faltar-lhes e dar-lhes -ia mais tempo para prepararem as respectivas economias para o embate comunitário.</P>
<P>
Apesar do contra-vapor de alguns e das reservas escondidas de outros, o chanceler Kohl terá, todavia, o seu grande momento de glória quando ao fim da manhã de hoje o Conselho abrir as suas portas aos seis primeiros ministros da Polónia, Hungria, Republica Checa, Eslováquia, Roménia e Bulgária, para informá-los das conclusões e das boas intenções dos líderes europeus.</P>
<P>
O momento da verdade</P>
<P>
Os líderes europeus terão dedicado boa parte do seu jantar de ontem, a sós, à questão da Bósnia, enquanto os ministros dos Negócios Estrangeiros faziam exactamente o mesmo, num encontro à parte. Hoje, naturalmente, o Conselho não pode encerrar os seus trabalhos sem uma declaração especial e verbalmente dura sobre a questão, embora não pareça haver grande coisa para dizer de novo.</P>
<P>
Nessa declaração, a maioria dos países deseja que figure a garantia de que as tropas europeias da Força de Paz vão continuar "enquanto forem úteis e o risco for suportável", bem como a ideia de que uma retirada deve ser planeada, concertada e apoiada pela NATO. Mas a grande preocupação do chanceler parece ser travar o recrudescimento das divisões entre os principais protagonistas europeus do Grupo de Contacto e entre a Europa e os Estados Unidos. Um assunto para o jantar de ontem que foi certamente o grande momento da verdade deste Conselho Europeu.</P>
<P>
Com a Bósnia em cima de mesa e o convite a Delors para que desse o seu testemunho pessoal sobre o que deve ser o futuro da União (incluindo os objectivos da Conferencia Intergovernamental de 1996 para rever Maastricht), foi provavelmente triste a imagem de si próprios que os Quinze tiveram à sobremesa.</P>
<P>
Fica por saber se os chefes de Estado e de governo, reunidos na velha mansão da família Krupp ainda plena de memórias sobre as tragédias europeias deste século,encontraram o início da resposta à questão que vale um milhão de ecus. Jacques Delors vai ou não candidatar-se ao Eliseu? Vários dos presentes já disseram alto e bom som que desejam vivamente uma resposta positiva. A bem da Europa... Ou, como disse González, "esperamos que seja até breve, Jacques".</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-96215">
<P>
O objetivo seria obter provas sobre o motivo que levou ao assassinato do sindicalista Oswaldo Cruz Júnior</P>
<P>
MARCELO GODOY</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A DH (Divisão de Homicídios da Polícia Civil) vai investigar as operações financeiras do Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABCD. A informação é do delegado Nélson Silveira Guimarães, 47, diretor da DH. O objetivo da polícia é ter provas do motivo do assassinato do sindicalista Oswaldo Cruz Junior, presidente do sindicato.</P>
<P>
Cruz Junior foi morto a tiros na última quinta-feira por um dos diretores do sindicato, José Benedito de Souza, o "Zezé". Hoje à tarde, a polícia deverá ouvir os depoimentos de dois diretores da área financeira do sindicato. Segundo Guimarães, eles deverão responder perguntas sobre a denúncia que provocou o racha na entidade: o desvio de verbas do sindicato para campanhas eleitorais.</P>
<P>
"Todas as provas que reunirmos sobre crimes fiscais e eleitorais serão enviadas para a Polícia Federal, no caso de crime fiscal, e para a Delegacia Seccional de Santo André, se forem de crime eleitoral", afirmou Guimarães.</P>
<P>
Antes de ouvir os diretores do sindicato, o delegado deverá tomar os depoimentos de um amigo de Cruz Junior (cujo nome não foi revelado) e de um irmão do sindicalista morto, Antônio Carlos Cruz. Todos os depoimentos na DH estão sendo acompanhados pelo promotor Pedro Baracat, que foi designado para o caso.</P>
<P>
Na tarde de hoje, a DH poderá comecar as buscas para prender Zezé. Guimarães disse que tentou conversar com membros da família do acusado, mas isso "foi impossível". Ele afirmou que pedirá ao juiz-corregedor de Santo André (ABCD) a prisão temporária por cinco dias de Zezé caso ele não se apresente à polícia até as 12h de hoje.</P>
<P>
O delegado disse também que não marcou data para receber de Clodovil Cruz, um dos irmãos do sindicalista morto, documentos sobre o desvio de verbas. Esses documentos seriam notas fiscais que comprovariam que o sindicato fez pagamentos à empresas que prestaram serviços para o PT. "Não marquei data para não por em risco a segurança da testemunha", afirmou.</P>
<P>
A questão do desvio de verbas teria sido levantada por Cruz Junior para responder às acusações feitas por seus adversários internos no sindicato de que ele teria enriquecido ilicitamente. Clodovil Cruz teria se comprometido a entregar nesta semana os documentos. Ele pediu à polícia alguns dias de prazo para reuni-los, pois eles estariam nas mãos de várias pessoas.</P>
<P>
O delegado disse, ainda, que não descarta a hipótese de que a morte de Cruz Junior tenha um mandante. "Não posso afirmar que houve mandante, mas não descarto essa possibilidade", disse. Guimarães afirmou que pretende ouvir novamente o depoimento do diretor do sindicato José Carlos da Silva, o Carlinhos, que testemunhou o crime.</P>
<P>
Para o delegado, o motivo do crime pode ter ligação com questões internas dos rodoviários ou com questões de política externa –as denúnicas feitas por Cruz Junior sobre o desvio de verbas do sindicato para partidos políticos. "Não posso acreditar que o crime aconteceu por causa de uma simples discussão no sindicato."</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-40040">
<P>
É nós na fita! A arte como espaço de reflexão.</P>
<P>
Juliaura · Porto Alegre (RS)</P>
<P>
Não creio que se deva dizer mais "A obra de arte como espaço de reflexão e não como retrato de um gueto, isolado, à parte do contexto geral da sociedade."</P>
<P>
Com a citação dessa frase de Jessé Oliveira, Fabio Gomes iniciou matéria de cobertura do 2º Encontro de Arte de Matriz Africana, realizado de 12 a 16 de dezembro de 2007 no Teatro de Arena em Porto Alegre.</P>
<P>
Bem baixinho, só aqui pra nós do Overmundo, a cobertura é um espetáculo a mais, embora não fizesse parte da programação. Um estouro, como diz vovó Marinalva. </P>
<P>
Fabio (ele não acentua o nome e que eu vou fazer com a proparoxítona relativa, a quebra de ditongo, o escambáu), pois o homem diz que Jessé Oliveira escreveu a frase "a propósito de justificar a escolha do texto Transegun, de Cuti, como primeira peça montada pelo grupo CaixaPreta, criado em 2002 a partir da reunião de artistas negros atuantes em Porto Alegre. </P>
<P>
Aí eu me derreti toda, por que tenho paixnão pelo Cuti desde que sentei no colo dele. Calma pessoal, calminha aí. Eu tinha dois aninhos de idade, quando ele participou em um encontro em Porto, na Câmara de Vereadores, e "Papá estava lá comigo e eu só queria saber do colo do moço lindão, conforme a resenha da época. Não vamos desviar do assunto que quer tratar é da presença nossa, humana, nos palcos da vida.</P>
<P>
É disso mesmo, de diálogo e reflexão que se falou um tantão da abertura ao encerramento do encontro. Fabio diz que foi assim no monólogo Madrugada, me Proteja, também de Cuti, interpretado no sábado, 15, pelo ator Sílvio Ramão; na única atração musical do Encontro, o show Epahei!, da cantora e compositora Karine Cunha, na quinta, 13, de quem nem vou falar muito porque vira prosa de fã e não tô aqui pra torrar vocês com meu gostinho particular e sim pra reportar as coisas como foram vistas pelo Fabio, né?</P>
<P>
Diz ele:</P>
<P>
Em Madrugada..., Sílvio vive um negro de alta classe média que, julgando-se inalcançável pela insegurança que (infelizmente) tem sido a marca das noites nas grandes cidades, é humilhado durante um assalto. Já o show de Karine se apoiou nas canções em homenagem a diversos orixás que estruturam seu segundo CD, Epahei!, lançado em agosto. (Palhinha dela no linque, di grátis)</P>
<P>
O Fabio contou que um destaque do Encontro foi a apresentação na sexta, 14, da peça Taba-Taba, texto do francês Bernard Koltès, que marca a estréia da atriz Renata de Lélis na direção. </P>
<P>
Teve também "Sortilégio Negro, de Abdias do Nascimento, fundador do Teatro Experimental do Negro (TEN), referência histórica assumida pelo CaixaPreta já na época do lançamento de Transegun. E recital de poemas de Oliveira Silveira que já nos foi muito bem apresentado aqui nas nossas overmundanas paragens pelo meu poeta querido dos mais mais.</P>
<P>
Aquela história da presença nossa nos palcos, nós na cena, nós brilhando, nós dirigindo, nós na fita foi assunto a partir da trajetória de Abdias e do TEN, temas abordados na única palestra do Encontro, feita pela atriz Vera Lopes.</P>
<P>
Uma das fundadoras do CaixaPreta, Vera falou, segundo Fabio, que não consegue entender porque alguns consideram a arte européia como superior, dando como exemplo que o teatro grego surgiu a partir de ritos - em que animais sacrificados eram oferecidos Dionísio - muito semelhantes às oferendas dos cultos afro-brasileiros para os orixás.</P>
<P>
Vera Lopes deixou o povo presente acabrunhado quando protestou firme porque não consta imagem alguma do teatro africano num dos raros livros brasileiros que falam do assunto - História do Teatro (1978), de Nélson Araújo. </P>
<P>
Eu, meio miolo mole até nem sei porque um estudo sério, em profundidade sobre a questão esqueceu esse detalhezinho. Vai ver que... Ah! Não pode ser por...</P>
<P>
Será?</P>
<P>
Deixemos esse outro assunto sério para lá, amizades.</P>
<P>
O final do 2º Encontro de Arte de Matriz Africana teve a apresentação de Hamlet Sincrético. Golaço da produção, conforme Fábio Gomes. </P>
<P>
Para ele a peça dirigida por Jessé Oliveira é "primorosa; a montagem relê o clássico a partir de uma estética negra, com elementos da cultura afro-brasileira ajudando a contar a história imortalizada por William Shakespeare. É notável o equilíbrio que Jessé conseguiu ao mesclar todos estes elementos". </P>
<P>
E segue:</P>
<P>
- Cada personagem encarna um tipo ou um mito da cultura negra, em especial das religiões afro-brasileiras: Hamlet é Xangô; o rei Cláudio, Zé Pelintra; e Polônio, um ex-babalorixá que se tornou pastor evangélico. A música ao vivo (o próprio elenco manda ver em cânticos de umbanda, sambas, hip-hop, ladainhas de capoeira e até cantos evangélicos), além de ajudar a contar a história, torna o nível de comunicação do espetáculo com a platéia algo digno de nota. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-13464">
<P>
Chuva ácida, caracóis e aves</P>
<P>
A chuva ácida está a matar os caracóis e a causar um declínio do número de aves na Europa ocidental, alertam cientistas holandeses num artigo publicado na revista «Nature». Van Noordwijk e os seus colegas, do Instituto de Ecologia Holandês, em Heteren, dizem que a acidez crescente da chuva está a reduzir a quantidade de cálcio no solo. Ora os caracóis precisam de cálcio para crescer e desenvolver as suas cascas e muitas aves alimentam-se de caracóis, que constituem a sua principal fonte de cálcio -- de que precisam, por sua vez, para fabricar as cascas dos seus ovos. É esta cascata de acontecimentos que a chuva ácida vem prejudicar. «Conseguimos provar que os defeitos nas cascas dos ovos e a sua relação com a diminuição do número de aves se devem a deficiências de cálcio. As cascas dos caracóis são a principal fonte de cálcio para as aves em fase de choco, mas os caracóis são escassos em solos pobres», escrevem os investigadores, citados pela Reuter. «O número de caracóis decresceu devido à diminuição de cálcio no solo. E a chuva ácida é a causa principal da redução dos níveis de cálcio em tais solos».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-79584">
<P>
Câmara de Lisboa apoia os excluídos com estudo</P>
<P>
Os sem abrigo no Hotel Zurique</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
Sabia que os sem abrigo da capital são, maioritariamente, homens, solteiros e desempregados ? Este é apenas um dos muitos resultados de um estudo feito pela Câmara de Lisboa. Foi um trabalho de três anos, agora traduzido em números, percentagens e interpretações. Tudo para bem dos quase 3000 excluídos que continuam nas ruas da cidade. E que talvez nunca venham a entrar no conforto do hotel onde o estudo foi apresentado.</P>
<P>
A população sem abrigo de Lisboa, estimada entre 2500 a 3000 pessoas, foi o motivo de mais um encontro de técnicos e entidades com responsabilidades na área da acção social. Durante todo dia de ontem, no Hotel Zurique, debateu-se e apresentaram-se os resultados de mais um estudo sobre os excluídos da sociedade, desta vez realizado por uma equipa da Câmara de Lisboa, que ao longo dos três últimos anos contactou, questionou e acompanhou 134 indivíduos. O objectivo, dizem, foi «contribuir para a promoção da inserção socio-profissional do cidadão sem abrigo, oferecendo-lhes quadros alternativos de vida».</P>
<P>
Através dos técnicos do Departamento de Acção Social do município -- que constituiram a unidade móvel que várias vezes por semana, durante dois anos e meio, foi aos locais de permanência dos sem abrigo -- ficou-se ontem a saber que estes são, na cidade de Lisboa, predominantemente homens, na sua maioria solteiros, desempregados, sem ligações familiares, com habilitações ao nível do ensino básico ou mesmo analfabetos.</P>
<P>
Segundo o estudo, apresentado em jeito de tese académica, 76 por cento dos sem abrigo são do sexo masculino, 43 por cento têm mais de 55 anos e mais de metade são solteiros. No entanto, 42 por cento disseram ter filhos, embora uns nunca os tenham conhecido e outros raramente os vejam. Da população estudada, 64 por cento são desempregados, 27 por cento vive da mendicidade, sobretudo idosos com pensões muito baixas, e 26 por cento sobrevive de subsídios de instituições.</P>
<P>
Homem, solteiro e maior de idade</P>
<P>
Diz ainda o estudo -- que adoptou o nome de Projecto «Apoio aos sem abrigo da cidade de Lisboa» -- que 26 por cento dos excluídos vêm de outros concelhos do distrito de Lisboa, sendo naturais dos distritos de Braga e de Bragança respectivamente nove e sete por cento. Mas, o projecto foi muito mais exaustivo, e entre um extenso rol de números e percentagens ficou-se também a saber que as mulheres chegam mais tarde que os homens a uma situação de sem abrigo: a idade média destas ronda os 54 anos e a do sexo masculino os 48 anos. Também elas apresentam maiores indícios de doenças mentais do que os homens.</P>
<P>
Dos indivíduos «analisados» pelo estudo, que abrangeu um leque etário dos 15 aos 89 anos, os mais jovens casam menos, preferindo as uniões de facto, os da faixa entre os 40 e 64 anos são maioritariamente divorciados ou separados, enquanto os mais idosos são sobretudo viúvos ou casados. É igualmente entre os mais jovens que se encontram os casos de toxicodependência, e são estes que geralmente procuram vãos de escada ou átrios de prédios para se abrigar. Isto, enquanto outros buscam carros ou prédios abandonados, camaratas ou arcadas, como toda a gente sabe.</P>
<P>
Com o estudo concluído, e com pelo menos 100 mil contos gastos de fundos comunitários do Programa Horizon, o resultado mais palpável, em termos apoio aos socialmente excluídos, foi o internamento em instituições de nove das pessoas contactadas, sete das quais ainda se mantêm internadas. Não são, no entanto, casos de sucesso em termos de reinserção social, mas sim de idosos que deixaram a rua e passaram a viver em lares.</P>
<P>
Vêm aí os albergues ?</P>
<P>
E agora? Depois de mais um estudo, que teve a colaboração da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a juntar a outros tantos já realizados por outras instituições, embora talvez de forma menos sistemática, o que falta para se passar de vez à prática? Isto, porque passados pelo menos cinco anos sobre a altura em que os sem abrigo começaram a ser mais intensamente motivo de atenção social, as respostas concretas para os excluídos, em Lisboa, são praticamente as mesmas.</P>
<P>
A solução para o problema -- que encontra as suas origens no desemprego, desenraizamento familiar e carências de realojamento e agravado pela falta de políticas de habitação, emprego e saúde -- terá de passar, segundo Jorge Sampaio, presidente da Câmara de Lisboa, pela elaboração de um programa em parceria com as entidades públicas e Organizações Não Governamentais. Um programa de respostas continuadas, que contaria com a participação da Segurança Social, Instituições Privadas de Solidariedade Social, Santa Casa e outras entidades, e para o qual a autarquia, segundo Sampaio, se mostra disponível.</P>
<P>
Isto porque, segundo o autarca, resolver os problemas dos sem abrigo não pode passar só por intervenções sociais imediatas, embora estas sejam «necessárias e insubstituíveis em circunstâncias dramáticas». Sampaio defendeu ainda, como prioridade, a criação de «albergues nocturnos, como resposta rápida, transitória e flexível, que não deve implicar construções definitivas e afastadas do centro das cidades». Para o autarca «poderão os poderes públicos, centrais e locais ceder espaços do seu património (...) ou recorrer a espaços privados negociando a sua cedência ou aluguer temporário, com garantia de devolução».</P>
<P>
Pese embora o facto desta não ser uma área da responsabilidade das autarquias, mas sim do Estado, resta esperar pela concretização daquela ideia. Pois, recorde-se, no primeiro mandato da coligação PS-PCP (1990-94), a Câmara de Lisboa anunciou a construção de um grande albergue nocturno, cujo projecto ficou pelo caminho. Diz agora Sara Amâncio, actual vereadora da Acção Social, que era excessivamente dispendioso e que a sua «filosofia» - ser construído fora do centro da cidade e concentrar demasiados sem abrigo num mesmo local -- era desadequada. Segundo argumenta, é mais adequado criar pequenos albergues, o que torna mais fácil um trabalho personalizado. «Small is beautifull», citou.</P>
<P>
Os sem abrigo devem estar a fazer figas para que não voltem a mudar as «filosofias», nem a avolumarem-se os estudos e projectos. Afinal, e segundo relataram os técnicos que os contactaram directamente, sempre que sabiam que estavam a falar com gente da Câmara todos pediam, invariavelmente, uma casa.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-85310">
<P>
CARLOS SARLI</P>
<P>
Cinco da tarde de uma quinta-feira chuvosa. Uma das maiores autoridades em direitos autorais e uso de imagem sai do Fórum ansiosa para analisar com calma a sentença proferida pelo juíz.</P>
<P>
Dez horas de quinta-feira. Lado norte da ilha de Oahu, no arquipélago havaiano. Um fotógrafo da Califórnia detona o vigésimo rolo de filme de um dia clássico. Ondas de dez pés batem firme sobre os corais de Pipeline. Enquanto isso, a advogada folheia atentamente os dez volumes do processo. Aparentemente nada pode haver em comum entre os dois personagens.</P>
<P>
Errado. Para entender a ligação entre o fotógrafo Aaron Chang e a dra. Eliane Abrão é preciso retroceder três décadas, quando um fotógrafo amador que gostava de documentar suas viagens ao Havaí resolveu criar a primeira mola propulsora da história do surfe como fenômeno de massa. Naquela época o embrião da revista 'Surfer' contava com apenas algumas páginas preto e branco com fotos granuladas que mostravam com pouca nitidez as performances dos amigos do autor.</P>
<P>
Em alguns anos, milhares de garotos sonhavam em cavalgar as ondas gigantes. Surgiram novos designs de pranchas, calções, camisetas, outras revistas e os primeiros milionários.</P>
<P>
Mudou muita coisa, mas surfista e fotógrafo continuam sendo o núcleo da célula principal desse processo. O que era uma ação entre amigos virou uma indústria processadora de tecnologia de ponta. O fotógrafo que produzia por hobbie e entregava suas fotos pelo simples prazer de vê-las publicadas, o surfista que vibrava ao ver sua foto num anúncio de prancha ou o editor que remunerava seus colaboradores com duas cervejas pertencem ao passado.</P>
<P>
Hoje, uma lente auto focus Canon de 800mm, indispensável a um fotógrafo, tem seu preço cotado entre US$ 5.000 e US$ 10.000. Um bom profissional carrega consigo algo em torno de US$ 30 mil por mês entre patrimônio e contas a pagar.</P>
<P>
O surfista tem que conseguir bons patrocinadores que lhe paguem um bônus por foto publicada em revistas e uma soma ainda maior para utilizar sua imagem em anúncios. Tudo isso para que possa ter um bom técnico, um preparador físico, 10 a 15 pranchas de alta performance, seguro-saúde etc.</P>
<P>
Na ponta do processo, as revistas de surfe passaram a movimenta milhões de dólares, milhares de exemplares–inclusive no Brasil.</P>
<P>
O curioso porém é que a cada dia aumentam os litígios entre as três partes e uma quarta recentemente incorporada: anunciantes.</P>
<P>
Em geral a causa dessas pendências é a ignorância de alguns conceitos básicos que definem quem pode o quê. O fotógrafo é autor da obra artística. O surfista é um atleta profissional exercendo sua atividade. Sua imagem só poderá ser usada para fins comprovadamente jornalísticos. A relação entre editores e anunciantes deve ser administrada com tato, atenção, clareza e tendo em mente um preceito fundamental: o direito –como gosta de frisar a dra. Eliane– como não sendo uma ciência exata. Seu cliente Chang aprendeu isso vivenciando dezenas de utilizações ilícitas de suas obras ao longo de 20 anos.</P>
<P>
Qualquer outro membro desta rede de relações que não dedicar algumas boas horas a esse assunto corre o risco de enfrentar um advogado hábil e bem preparado e um fotógrafo competente e bem assessorado que vão ensiná-lo pelo método mais dolorido.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-62689">
<P>
RONI LIMA</P>
<P>
Da Sucursal do Rio</P>
<P>
Fortes chuvas castigaram na madrugada de ontem boa parte da cidade e do Estado do Rio. Uma barreira caiu no km 205 da Rio-Santos, entre as cidades de Paraty e Angra dos Reis, bloqueando meia pista. Não houve feridos.</P>
<P>
Na cidade do Rio, no bairro de Higienópolis (zona norte), o rio Faria-Timbó transbordou e as águas invadiram casas.</P>
<P>
Moradores tiraram seus móveis às pressas, empilhando-os na rua, para evitar que estragassem. Em outros bairros do Rio, ruas ficaram inundadas.</P>
<P>
Na praça da Bandeira (zona norte), que ficou alagada, os lojistas demoraram a abrir suas portas ontem pela manhã. A rua São Miguel _um dos acessos do morro do Borel, na Tijuca (zona norte)_ ficou cheia de lama.</P>
<P>
14 jibóias do zoológico municipal de Niterói (a 15 km do Rio) conseguiram fugir. O nível da água dentro do cercado subiu tanto que as cobras escalaram a tela gradeada, sumindo na correnteza.</P>
<P>
Os jacarés também sofreram com as chuvas. O lago de sua jaula ficou inundado de esgoto. A presidente do zoológico, Giselda Candiotto, acredita que, se não forem encontradas a tempo, as cobras vão morrer, porque são domesticadas e terão dificuldades para caçar pequenos roedores.</P>
<P>
Segundo Candiotto, as jibóias não são venenosas, e podem morrer de infecção se forem atacadas com paus, por exemplo. Ela pediu para quem encontrá-las ligar para o zoológico (tel. 021/625-6024).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55398">
<P>
VANDECK SANTIAGO</P>
<P>
Da Agência Folha, em Recife</P>
<P>
O biólogo norte-americano George Burgess disse ontem em Recife (PE) que o número de ataque de tubarões triplicou nos últimos dez anos em todo o mundo.</P>
<P>
Segundo Burgess, presidente do Arquivo Internacional de Ataque de Tubarões, nos Estados Unidos acontecem atualmente cerca de cem ataques por ano. "Há dez anos, esse número ficava entre 30 e, no máximo, 40", afirmou.</P>
<P>
Esse aumento se relacionaria, segundo ele, com o crescimento populacional e consequente "invasão" das praias pelas pessoas.</P>
<P>
Burgess está em Recife participando do seminário "Ataque de Tubarões". O seminário começou na última quarta-feira e está previsto para terminar amanhã.</P>
<P>
O seminário, promovido pelo governo do Estado e UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), reúne especialistas em tubarões dos Estados Unidos, África do Sul, Austrália e Brasil.</P>
<P>
As conclusões do seminário servirão de base para a sugestão de medidas que possam diminuir os ataques em Pernambuco.</P>
<P>
De setembro de 1992 até ontem, 16 surfistas foram atacados por tubarões no litoral pernambucano. Três deles morreram.</P>
<P>
O último caso aconteceu em julho passado. No ataque, o surfista Clélio Falcão foi morto na praia de Candeias (região metropolitana de Recife). Ele teve mãos e braços dilacerados pelas mordidas de um tubarão. "A população precisa se conscientizar de que nenhuma medida será capaz de acabar com os ataques. Teremos que conviver com eles", afirmou o zoólogo da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Otto Bismarck, que também participa do seminário.</P>
<P>
Para ele, campanhas educativas que orientem banhistas e surfistas são o meio mais "eficiente" para diminuir o número de ataques.</P>
<P>
Bismarck disse que o tubarão-tigre e o cabeça-chata são as principais espécies que atacam no litoral do Brasil.</P>
<P>
Segundo estatísticas apresentadas por George Burgess no seminário, os Estados Unidos são o país campeão em ataques de tubarões: 109 no ano passado. Em segundo lugar está o Brasil, que, no mesmo período, teve 34 ataques de tubarões.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-13107">
<P>
Terror na África do Sul</P>
<P>
OS EXTREMISTAS brancos do Exército Republicano Boer (BRA) ameaçaram de morte três ministros sul-africanos e o próprio general na reserva Constand Viljoen, dirigente da Frente Popular Afrikaner, que consideraram muito moderado, noticiou ontem o «Sunday Times» de Joanesburgo.</P>
<P>
Os ministros da Lei e da Ordem, Hernus Kriel, do Trabalho, Leon Wessels, e do Desenvolvimento Constitucional, Rolph Meyer, receberam uma carta do BRA e um saco com um pedaço de plástico e um fósforo, como que a avisar que poderão vir a ser alvo de atentados.</P>
<P>
Aquele grupo extremista já na quinta-feira ameaçara matar os observadores estrangeiros aguardados para as eleições gerais de 27 de Abril, que devem ser boicotadas pelos brancos mais radicais, em cujo entender o Partido Nacional, de Frederik de Klerk, «vendeu» a África do Sul à maioria negra amiga dos comunistas.</P>
<P>
Enquanto isto, o Congresso Pan-Africano (PAC), da extrema-esquerda, anunciou ontem suspender a luta armada, enquanto as sondagens continuam a dizer que o Congresso Nacional Africano (ANC), de Nelson Mandela, poderá conseguir nas eleições a maioria de dois terços necessária para elaborar uma nova Constituição como melhor entender.</P>
<P>
O presidente do PAC, Clarence Makwetu, informou em conferência de imprensa que os comandantes do Exército Azaniano de Libertação Popular, ramo militar daquela formação política, começaram a dizer aos seus homens para depor as armas.</P>
<P>
«Queremos demonstrar o nosso compromisso com a paz, que é essencial para assegurar eleições livres e justas», disse Makwetu, cujo partido é creditado com 1,7 por cento dos votos, enquanto a última sondagem publicada dá 65 por cento ao ANC, 15,8 ao Partido Nacional e 5,2 ao Inkatha, de Mangosuthu Buthelezi, admitindo-se cerca de sete por cento para a extrema-direita branca.</P>
<P>
De acordo com o trabalho ontem publicado pelo «Sunday Times», o ANC terá uma maioria convincente em sete das novas regiões administrativas em que fica dividida a África do Sul, incluindo a província do Natal, bastião do Inkatha. E o Partido Nacional conseguirá uma votação particularmente boa no Cabo Ocidental, em redor da Cidade do Cabo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33000">
<P>
Sanções europeias à Nigéria</P>
<P>
OS MINISTROS dos Negócios Estrangeiros da União Europeia decidiram ontem, em Bruxelas, colocar em vigor um embargo de armas e outras sanções à Nigéria, como a restrição de vistos para os seus generais e famílias e o congelamento do auxílio; e disseram haver ainda a hipótese de outros castigos para um país que entrou na lista dos párias. Horas antes, o secretário-geral do ANC, Cyril Ramaphosa, anunciara em Joanesburgo, ao regressar de Londres, que a Grã-Bretanha tenciona congelar os bens dos dirigentes militares nigerianos, de modo a pressioná-los no sentido de efectuarem a democratização. Por seu turno, Carl Niehaus, do mesmo partido, disse que o Presidente Mandela convocou o administrador-geral da Shell na África do Sul, John Drake, para lhe manifestar a sua desilusão pelo facto de aquela multinacional não estar a exercer pressão sobre os dirigentes da Nigéria, que sancionaram o enforcamento de nove activistas dos direitos da minoria ogoni. Mandela está agora a desempenhar um papel destacado na campanha internacional para se conseguir isolar os generais nigerianos; e pediu inclusive à Shell para cancelar um projecto de exploração do gás natural da Nigéria, no valor de 4 mil milhões de dólares (perto de 600 milhões de contos).</P>
<P>
Outro suspeito preso em Israel</P>
<P>
A POLÍCIA israelita anunciou ontem a prisão de um novo suspeito no âmbito das investigações sobre o assassínio do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, no dia 4, em Telavive. O detido é Abshalom Weinberg, 24 anos, um estudante da universidade de Bar Ilan, perto de Telavive, onde o autor do assassínio, Yigal Amir, estudava direito. Weinberg, que segundo os investigadores conhecia a intenção de Amir, é hoje presente a tribunal para que este autorize a sua detenção preventiva. O confesso assassino do chefe do Governo israelita disse entretanto ontem aos magistrados, por quem voltou a ser ouvido, que não está arrependido do seu gesto e que todo o país está consigo.</P>
<P>
Bruxelas condena integrista</P>
<P>
UM TRIBUNAL de segunda instância condenou ontem, em Bruxelas, a quatro anos de prisão com pena suspensa o argelino Ahmed Zaoui, que as autoridades belgas suspeitam ser o «número dois», ou pelo menos um dos principais responsáveis da rede dos fundamentalistas argelinos do Grupo Islâmico Armado na Europa. Professor de Direito Corânico e eleito autarca nas listas da Frente Islâmica de Salvação (dissolvida), Zaoui, condenado à morte na Argélia, à revelia, foi considerado culpado de ser chefe de uma associação de malfeitores. Entretanto, dois dias depois de Liamine Zeroual ter sido eleito para a Presidência da República argelina, a FIS anunciou estar pronta para discutir a paz com o novo chefe de Estado. A proposta foi feita por Rabah Kebir, o líder da organização exilado na Europa, em entrevista à Reuter, por escrito, onde considera que Liamine Zeroual representa, afinal, o poder «de facto» no país.</P>
<P>
Atentado contra Zavgaiev</P>
<P>
O CHEFE do Governo pró-russo da Tchetchénia, Doku Zavgaiev, escapou ontem a um atentado à bomba, quando seguia de automóvel, integrado numa caravana, na estrada que leva ao aeroporto de Grozni. Seis elementos da sua escolta ficaram feridos na sequência do rebentamento, que danificou várias viaturas. «O atentado foi perpetrado pelos que estão interessados em prosseguir a guerra e numa escalada de tensão na república», disse o primeiro-ministro tchetcheno, que sofreu apenas ligeiras escoriações. Pouco depois, muito perto do mesmo local, dois veículos blindados transportando colaboradores próximos do representante especial do Presidente russo Boris Ieltsin na Tchetchénia eram alvo do fogo de armas automáticas, durante cerca de dez minutos. Em Moscovo, o chefe de Estado russo considerou o atentado contra Zavgaiev uma tentativa de impedir a realização da eleição do «Chefe da República» da Tchetchénia, cargo idêntico ao de Presidente, marcadas para o dia 17 de Dezembro, dia em que todos os russos vão também às urnas em eleições legislativas.</P>
<P>
Londres responde a Dublin</P>
<P>
O GOVERNO britânico manifestou ontem, através de um porta-voz, o desejo da realização de uma cimeira anglo-irlandesa «logo que possível» e apelou a Dublin para fazer prova da sua «coragem e imaginação» para desbloquear o processo de paz no Ulster. O primeiro-ministro irlandês John Bruton -- que inesperadamente se encontrou ontem, em Dublin, com os líderes nacionalistas Gerry Adams, do Sinn Fein, o braço político do Exército Republicano Irlandês, e John Hume, como quem responde ao convite -- pedira antes a Londres que mostrasse «coragem e generosidade» e andasse com as negociações.</P>
<P>
ICAI02- Peres¨ CDv 1706</P>
<P>
Xxxxxxxxx</P>
<P>
«Não há qualquer possibilidade de desenvolvimento económico sem desenvolvimento regional», disse ontem, em Bruxelas, o primeiro-ministro israelita Shimon Peres, depois de ter assinado um Acordo de Associação entre Israel e a União Europeia e de ter reafirmado a sua determinação de prosseguir o processo de Paz no Médio Oriente. A única nota extraordinária verificada, numa cerimónia ainda marcada pela evocação de Yitzhak Rabin, foi o impressionante dispositivo de segurança preparado para a sede do Conselho de Ministros da UE.</P>
<P>
Este Acordo de Associação -- idêntico ao que a UE já firmou com a Tunísia e ao que firmará nos próximos dias com Marrocos -- estabelece um diálogo político permanente entre as duas entidades, inclui concessões comerciais e agrícolas mútuas, a livre circulação de capitais e a cooperação científica e tecnológica, tendo como meta a criação de uma área de comércio livre em 2010.</P>
<P>
Javier Solana, o presidente em exercício do Conselho de Ministros da UE, considerou o Acordo não só um instrumento de apoio à consolidação da paz no Médio Oriente, como «uma das primeiras e significativas contribuições para a construção de um espaço euromediterrânico de paz, estabilidade e prosperidade». Este será o grande objectivo da próxima Conferência Euromediterrânica, que juntará em Barcelona, a 27 e 28 deste mês, os Quinze mais 12 países da região.</P>
<P>
A UE tem também previstas ajudas financeiras ao processo de autodeterminação da Palestina, para o período 1994-98, no valor de 250 milhões de ecus (cerca de 48 milhões de contos) de ajuda directa, mais outro tanto sob a forma de empréstimos do BEI (Banco Europeu de Investimento).</P>
<P>
Icom01-pol-JAF 5285</P>
<P>
Comentário</P>
<P>
Jorge Almeida Fernandes</P>
<P>
Quem vai ser a oposição?</P>
<P>
Fechou-se domingo na Polónia o ciclo político aberto pela transição para a democracia, iniciado em 1989. Disse alguém que a passagem dos comunistas pelo purgatório acabou por ser bem mais efémera do que o previsto. A sociedade polaca terá optado pelo «esquecimento». Em boa parte graças a Lech Walesa.</P>
<P>
Primeira consequência: a dinâmica política -- que desde 1990 tem sido marcada pelo permanente confronto de Walesa com todos os seus governos e os seus rivais -- passará agora a desenvolver-se num novo quadro, que poderá favorecer a criação de um novo mapa partidário.</P>
<P>
É um resultado que provocou surpresa e cuja novidade deve ser realçada.</P>
<P>
1. O primeiro sinal é o facto do «pós-comunista» Aleksander Kwasniewski ter vencido entre os jovens. A maioria dos eleitores com menos de 30 anos votou a seu favor, o que infirma a tese duma simples vitória dos nostálgicos do comunismo. Os jovens, designadamente os estudantes, terão visto em Kwasniewski não a encarnação da «teia de aranha vermelha», como dizia a propaganda de Walesa, mas a imagem dum político moderno e cosmopolita, com um programa social-democrata, que veste bem e fala inglês fluentemente, e que, sobretudo, prefere discutir o futuro da Polónia e passar uma esponja sobre o passado.</P>
<P>
Correlativamente, o Presidente cessante, Lech Walesa, não conseguiu fazer passar a sua mensagem, ao mesmo tempo agressiva e defensiva: o medo do regresso do comunismo e do «poder absoluto» dos ex-comunistas, que detêm o Governo desde as legislativas de Setembro de 1993.</P>
<P>
Quanto aos intelectuais e operários que fizeram a revolução de Gdansk de 1980 e forçaram a democratização de 1989, esses já há muito fizeram o seu luto. Neste segunda volta, os antigos herois do Solidariedade limitaram-se a apelar ao voto contra Kwasniewski: «Voto Walesa, mas apertando o nariz», lamentou-se o historiador Bronislav Geremek.</P>
<P>
Grave derrota sofre também a Igreja Católica, que uma vez mais se empenhou a fundo na vitória de Walesa e, depois duma mobilização nacional contra «contra os inimigos dos valores cristãos», viu uma grande parte dos fiéis votar Kwasniewski -- num país onde 95 por cento da população se identifica como católica. Neste sentido, há uma reafirmação da Polónia laica, já veementemente manifestada nas legislativas de Setembro de 1993.</P>
<P>
2. Quando os ex-comunistas do SLD (União da Esquerda Democrática, dirigida por Kwasniewski) ganharam as eleições de 1993, os analistas, polacos e estrangeiros, explicaram o acontecimento essencialmente por um factor: o preço social das reformas económicas.</P>
<P>
O resultado de domingo pede que se vá mais longe. O governo tem gerido com dificuldade a repartição dos sacrifícios e, apesar da economia apresentar uma boa taxa de crescimento (5,5 por cento em 1994 e 6,5 no primeiro semestre deste ano), o descontentamento social permanece muito vincado -- com o alargamento das desigualdades sociais ou com o escandaloso exibicionismo dos novos ricos, grande parte deles ex-quadros comunistas que se tornaram a «vanguarda» do novo mundo dos negócios.</P>
<P>
A maioria dos eleitores terão sobretudo recusado a dramatização, o autoritarismo e a permanente conflitualidade de Walesa, menosprezando o perigo de os ex-comunistas acumularem um excesso de poder. Ou seja, consideraram que a democratização do Estado e a ancoragem do país na Europa são dados irreversíveis e que não estão em risco. Análogo sentimento foi ontem partilhado por responsáveis da União Europeia e da NATO.</P>
<P>
A Polónia quer ser «normal», mesmo à custa do «esquecimento».</P>
<P>
3. Para chegar à presidência, em 1990, Lech Walesa não hesitou em «partir» o movimento Solidariedade, a vasta frente político social que forçou o fim do antigo regime. Opôs-se também por todos os meios à formação de qualquer partido forte de centro-esquerda ou centro-direita. A permanente guerrilha que manteve com os seus vários governos polarizou sempre a luta política. No meio dum leque político estilhaçado, emergiu um único partido forte -- o SLD.</P>
<P>
A derrota de Walesa abre por isso possibilidades de recompor o quadro político, com uma nova formação de oposição, do centro-direita ao centro-esquerda, alternativa a nacionalistas e a ex-comunistas.</P>
<P>
Mas o percurso não será fácil, já que se admite que Walesa -- «ele nunca se rende» -- venha a querer assumir a direcção duma crispada mobilização nacional contra o «poder comunista». Os seus aliados do sindicato Solidariedade já anunciaram veladamente uma campanha de greves e manifestações pela «descomunização» do país e pela «justiça contra os criminosos estalinistas e a teia de aranha vermelha».</P>
<P>
O «milagre económico» polaco tem sido muito saudado mas é precário e a imprensa financeira internacional tem alertado contra o risco de «politização e estagnação da economia». Há regiões em que a taxa de desemprego se aproxima dos 30 por cento. E um dos dossiers mais espinhosos vai ser o da reconversão das grandes empresas industriais, como os estaleiros de Gdansk, altamente deficitários, e onde se situa exactamente uma das bases de apoio de Walesa.</P>
<P>
A principal questão que estas eleições deixam em aberto é esta: quem vai ser a nova oposição aos ex-comunistas? Walesa ou, finalmente, os outros?</P>
<P>
IPRO01-Perfil Kwa-K CDv 3045</P>
<P>
Perfil</P>
<P>
O homem que venceu o mito</P>
<P>
Tem apenas 41 anos, é louro, de olhos azuis, e gosta de dar-se ares de JFK. Fala inglês fluentemente, é simpático, educado, cativante, e entende perfeitamente o que é uma campanha de «marketing» político à americana.</P>
<P>
Aleksander Kwasniewski, o homem que ficará na História por ter derrotado o mítico herói do Solidariedade 15 anos depois da revolta dos operários de Gdansk contra o regime comunista, e seis anos passados sobre as negociações da Mesa Redonda que ditaram o seu fim, disse aos polacos aquilo que eles queriam ouvir: que é um amante da democracia, que acredita nas reformas económicas e na economia de mercado, mas que quer, também, o bem-estar dos que trabalham e que deseja a progressiva integração do país na União Europeia e na NATO. E propõe-lhes que «olhem para o futuro».</P>
<P>
Do passado, o novo Presidente traz uma ascensão meteórica na hierarquia do POUS (o antigo Partido Comunista da Polónia), que o levou directamente dos bancos da Universidade de Gdansk -- onde estudou Economia -- para os jornais da Juventude Comunista e, mais tarde, para ministro encarregado dos jovens.</P>
<P>
A sua fama de «liberal» nas fileiras do antigo regime concedeu-lhe um lugar na Mesa Redonda que negociou a partilha do poder entre o regime do general Jaruzelski e o Solidariedade de Lech Walesa.</P>
<P>
Pouca gente notou que, num belo dia de 1990, sobre as ruínas do velho aparelho comunista, um jovem enérgico e habilidoso construía uma nova formação política, que se anunciava como social-democrata. Três anos depois, o Partido Social-Democrata de Kwasniewski, aliado ao Partido Agrário -- velho «compagnon de route» dos antigos comunistas polacos -- vencia por larga margem as eleições legislativas de Setembro de 1993. A Polónia voltava a ser pioneira -- desta vez, do regresso dos ex-comunistas ao poder.</P>
<P>
Desde aquele dia histórico de Setembro, Aleksander Kwasniewski não mais descurou um pormenor do caminho que devia levá-lo a desafiar Walesa, nas segundas eleições presidenciais da Polónia democrática. E a vencê-lo.</P>
<P>
A sua campanha eleitoral foi considerada «uma obra-prima» de «marketing» político. O jovem pós-comunista apurou o gosto dos seus fatos do melhor corte italiano, sujeitou-se a um regime vegetariano para perder peso, abandonou o vodka, cultivou a figura desportiva, bronzeada e vigorosa, capaz de agradar às mulheres, atrair os jovens que não viveram os tempos heróicos do Solidariedade, convencer o eleitorado de que já era tempo de pôr fim ao mito e ao medo de um regresso ao passado.</P>
<P>
Há quem diga que, por detrás da sua fachada de jovem brilhante e da profissão de fé democrática dos seus discursos, está apenas um hábil oportunista, que sabe vender o produto que mais rende em cada momento. E há quem diga o contrário.</P>
<P>
A resposta não se fará esperar. Basta aguardar a sua entrada no Palácio Belveder, em Varsóvia, e ver como resiste à vertigem do «poder absoluto» e à tentação do revanchismo. Este será o teste final à sua reconversão.</P>
<P>
T.deS.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4874">
<P>
Trezentas famílias à espera de casa há mais de três décadas</P>
<P>
Casal do Pinto farto de promessas</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
No Casal do Pinto, para os lados da Picheleira, em Lisboa, os moradores vivem na eterna expectativa de uma casa nova. Trezentas famílias vivem há mais de 30 anos em habitações degradadas. Ao longo dos anos chovem promessas de realojamento. A última remonta a 1991. Mas tudo está na mesma. E na semana passada a Câmara veio outra vez prometer um bairro novo.</P>
<P>
Os moradores do Casal do Pinto, um núcleo de casas abarracadas junto à Calçada da Picheleira, na freguesia do Beato, em Lisboa, estão fartos de promessas. Muitos vivem ali há mais de trinta anos, entre cobras, ratos, lixo e as nunca concretizadas ofertas de novas habitações. Em 1991, a Câmara lisboeta prometeu realojamentos no prazo de ano e meio. Passados três anos, tudo está na mesma. Solidária com a população, a autarquia local convocou uma assembleia de freguesia extraordinária, que decorreu na colectividade do bairro e onde apareceram representantes do município com mais e novas promessas. Mas, a desconfiança permanece porque «nunca mais se vê obra feita».</P>
<P>
O Casal do Pinto é um dos muitos bairros de habitação degradada que nasceram em Lisboa na década de sessenta, a partir dos núcleos de barracas que albergaram centenas de operários da Ponte 25 de Abril que se deslocaram do interior do país, com as respectivas famílias, para a capital. Grande parte desses agregados familiares foram já realojados, alguns até antes da revolução de 1974. Os do Casal do Pinto, porém, foram ficando para trás.</P>
<P>
Os moradores, cerca de 300 famílias, ouviram, em 1991, Vasco Franco, vereador da Habitação da Câmara de Lisboa, prometer uma rápida solução. Em contrapartida, a população ficou proibida de fazer melhoramentos ou ampliações nas suas casas, de forma a evitar um eventual aumento do núcleo de barracas. Entretanto, como as casas novas não apareceram, o bairro foi-se degradando cada vez mais, ao ponto de existirem hoje habitações em risco de derrocada.</P>
<P>
Foi para analisar esta «situação insustentável» e pedir explicações à Câmara de Lisboa que a Assembleia de Freguesia do Beato se reuniu no Real Olímpico da Picheleira, sexta-feira à noite, com os moradores. Para a reunião foram convidados os vereadores Vasco Franco e João Soares, responsável pelo pelouro da Conservação de Edifícios. Nenhum deles esteve presente. O primeiro fez-se representar pelo seu chefe de gabinete, enquanto o segundo «nem se dignou a responder ao convite», lamenta António Pereira, presidente da Junta, eleito pela mesma coligação que o vereador socialista.</P>
<P>
Muitas palavras e poucas obras</P>
<P>
No Real Olímpico, apinhado de gente, os moradores ouviram novas promessas do representante de Vasco Franco, e sobre as quais o PÚBLICO interrogou, posteriormente, o vereador. O realojamento do Casal do Pinto, assegurou, «vai ser o primeiro realizar-se no âmbito do PER (Programa Especial de Reajomentos)». O concurso para a construção de 300 fogos vai ser lançado ainda este ano e «as obras deverão arrancar em 1995», adiantou o autarca, rejeitando as acusações de não ter cumprido o que havia sido prometido em 1991.</P>
<P>
«A promessa foi cumprida, porque em 1992 a Câmara lançou um concurso, em que se exigia que a empresa vencedora construísse os 300 fogos necessários ao realojamento do Casal do Pinto. Só que o concurso decorreu numa fase de baixa do mercado imobiliário. Apareceu um único concorrente que se comprometia a construir apenas 150 fogos», explica Vasco Franco. O município optou por esta solução, adianta o autarca, porque o bairro não estava abrangido pelo programa de realojamentos do PIMP (Plano de Intervenção a Médio Prazo).</P>
<P>
Estas explicações foram também ouvidas pela população, sexta-feira, através do representante do vereador. «As pessoas escutaram, mas o sentimento é de que já estão fartas de muitas palavras bonitas e nenhumas obras», conta António Pereira, sublinhando que até que as novas casas estejam construídas, o que não acontecerá antes de 1997, é preciso intervir no bairro. Nesse sentido, «a assembleia de freguesia aprovou uma recomendação à Câmara de Lisboa para a constituição de um grupo de trabalho formado por técnicos municipais, representantes dos moradores e da Junta de Freguesia para analisar a situação de cada uma das famílias».</P>
<P>
Aquele grupo, refere o presidente da Junta de Freguesia do Beato, deverá estudar o estado em que se encontram as casas abarracadas. Isto porque, explica, há habitações que não vão aguentar até 1997 e que precisam de melhoramentos urgentes, os quais a Câmara terá de autorizar. Por outro lado, a nova comissão, caso venha a ser constituída, vai ter de actualizar o levantamento das famílias. «Há uns anos eram 300, só que hoje serão mais, porque os filhos dos que para aqui vieram de início já formaram as suas famílias e continuam a viver no Casal do Pinto junto dos pais».</P>
<P>
«Este ano não há dinheiro»</P>
<P>
Para a realização dos melhoramentos é necessário dinheiro. Algumas das verbas com que as freguesias trabalham na área da conservação de imóveis são cedidas através do pelouro de João Soares. «Mas, este ano não veio dinheiro nenhum. O vereador nem fez novos protocolos de transferência de verbas para as freguesias, nem renovou os que já existiam», acusa António Pereira. «A Câmara não nos dá dinheiro, dessa forma não podemos ajudar as pessoas e depois as freguesias é que ficam com o odioso da questão».</P>
<P>
Os novos fogos vão ser construídos na Rua Nascimento Costa, não muito longe do actual núcleo. «Houve a preocupação de não levar as pessoas para muito longe da zona onde normalmente fazem a sua vida», diz o presidente do Beato. O futuro bairro vai ter como referência obrigatória o vizinho cemitério do Alto de São João, o que gera alguma ironia entre os moradores: «Vamos para o Alto de São João? Isso é com certeza um destino mais certo do que as casas novas». Um sinal de desconfiança relativamente às novas promessas de Vasco Franco.</P>
<P>
Enquanto o novo bairro não chega, os moradores vão fazendo o que podem para viver melhor no Casal do Pinto. Uma das medidas que todos tomaram foi levar, mesmo de forma menos legal, a rede de abastecimento de água a cada uma das casas. «Nós temos os chafarizes públicos, mas desde que começámos a ver os drogados a irem lavar as seringas e os braços cheios de sangue tivemos de arranjar maneira de puxar a água para as casas», conta uma moradora. O tráfico de droga e a toxicodependência são, aliás, alguns dos grandes problemas sociais do Casal do Pinto, aos quais não serão alheios os vários casos de hepatite B já ali detectados.</P>
<P>
«Quando é que nos tiram daqui?» é a pergunta constante dos moradores, sempre que António Pereira atravessa o labirinto de ruas estreitíssimas do Casal do Pinto. A última resposta aponta para 1997. Resta esperar para ver se nesse ano não terá de haver uma nova assembleia de freguesia extraordinária no Real Olímpico da Picheleira.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70910">
<P>
Mau tempo afectou abastecimento de água...</P>
<P>
O abastecimento público de água no Alto de Oeiras, Caxias e Cruz Quebrada, interrompido durante a noite de quarta-feira devido a problemas nas condutas provocados pela chuva, foi ontem retomado durante a tarde.</P>
<P>
A situação mais grave, segundo os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Oeiras, verificou-se na zona industrial de Alfragide, onde as fortes chuvadas provocaram a ruptura de uma grande conduta. Sem água ficaram também Queluz de Baixo e Tercena.</P>
<P>
...Interrompeu estradas</P>
<P>
A estrada nacional 116, ao Vale de S. Gião, Venda do Pinheiro, Malveira, encontrava-se ontem cortada ao trânsito, devido ao mau tempo que se fez sentir na noite de quarta-feira.</P>
<P>
Os bombeiros removeram durante o dia os obstáculos existentes, permitindo a reabertura ao trânsito.</P>
<P>
Entretanto, também em Queluz de Baixo, os bombeiros durante o dia de ontem tiveram de desobstruir algumas ruas, afectadas por lençóis de água que subiram acima da média devido à intempérie.</P>
<P>
..e não deu tréguas aos bombeiros</P>
<P>
As inundações que ocorreram, na quarta-feira, nos concelhos de Loures e Cascais provocaram, no seu conjunto, mais de cem saídas dos respectivos corpos de bombeiros.</P>
<P>
Com mais de 60 chamadas, metade das quais feitas num período de hora e meia, devido à obstrução do tráfego provocada pelas chuvadas, os bombeiros voluntários de Cascais normalizaram o trânsito a partir da meia-noite.</P>
<P>
Em Loures, que compreende a zona crítica da baixa de Odivelas, os bombeiros locais saíram mais de 40 vezes por causa da altura da água que transbordou do leito do rio Trancão.</P>
<P>
Foram ainda solicitados para 10 desabamentos provocados pela chuva, que originaram cortes no trânsito, tendo conseguido normalizar a circulação viária a partir da madrugada.</P>
<P>
Venda de Natal para conseguir hospital</P>
<P>
A Associação dos Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer (APFADA) inaugurou na quarta-feira uma venda de Natal para recolha de fundos destinados à construção de um lar e de um centro de dia para pacientes com a doença.</P>
<P>
Desde peças de porcelana da Oficina Real, dois quadros a óleo, a toalhas de mesa ou simples saquinhos de cheiro, a venda da APFADA reune um variado leque de artigos, angariados junto de associados e amigos, que estão à disposição do público, até ao Natal, numa loja da Rua Rosa Damasceno, em Lisboa.</P>
<P>
A AFPADA tenta já há algum tempo conseguir um terreno para construção de um Hospital/Centro de Dia e um lar para doentes mas, apesar de "algumas promessas da Câmara Municipal de Lisboa", não conseguiu ainda concretizar o projecto.</P>
<P>
Em Portugal, onde a doença de Alzheimer atinge 50 mil pessoas, não existe nenhuma unidade de internamento e tratamento.</P>
<P>
Articulados chegam a Algés</P>
<P>
A partir de hoje os eléctricos articulados da Carris passam a circular entre a Praça da Figueira e Algés.</P>
<P>
A curto prazo, este serviço será complementado com a criação da carreira 16 de eléctricos que fará o trajecto entre a Cruz Quebrada e Belém.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59169">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
A Rússia anunciou ontem que vai entrar para a "Parceria pela Paz", plano da Otan (aliança militar ocidental) para os países do antigo Pacto de Varsóvia. A mudança de posição foi anunciada em Moscou pelo vice-chanceler Vitali Tchurkin, em reunião com embaixadores dos 16 países da Otan. Nenhuma data foi fixada.</P>
<P>
Após dois anos de cooperação informal com o Ocidente, os russos disseram em janeiro deste ano que qualquer expansão da aliança liderada pelos EUA seria um perigo para a estabilidade na Europa.</P>
<P>
A "Parceria pela Paz" prevê treinamento militar, manobras e planejamento de defesa em conjunto. O plano não prevê garantias de defesa mútua em caso de ataque. Diversos países da Europa Oriental já anunciaram sua adesão.</P>
<P>
O gesto vem num momento de tensão, devido à prisão de um ex-agente da CIA acusado de espionar para os russos. Rússia e EUA também têm iniciativas opostas na Bósnia, com aquela alinhando-se aos sérvios e este favorecendo croatas e muçulmanos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-27309">
<P>
Regularização e navegabilidade do Tejo dividem opiniões</P>
<P>
A eterna «culpa» dos espanhóis</P>
<P>
Manuel Fernandes Vicente</P>
<P>
No Ribatejo o debate sobre a regularização e navegabilidade do Tejo, catalisado pela ameaça dos transvases de água em Espanha, que lhe subtrairão anualmente centenas de hectómetros cúbicos de água, e pela campanha eleitoral que o elegeu tema-chave, deverá prolongar-se na sequência dos compromisso assumidos pelos candidatos da região. Mas não é preciso ser-se político ou especialista para ter uma ideia da situação do rio. Raimundo Fernandes, com 84 anos de contacto diário com o Tejo, diagnostica à sua maneira os grandes males desta estrada de água. De forma mais crua que a visão numérica e simplificada dos que têm responsabilidades.</P>
<P>
À beira Tejo, Raimundo Fernandes dá os últimos cuidados ao barco a remos com que ainda hoje sulca o rio na zona do Cais do vapor, perto das extintas instalações da Hidráulica do Tejo de Vila Nova da barquinha. Para ele, o rio corre-lhe nas veias, se é que não entrou já no ADN. O pai e o avô foram guarda-rios, quando guarda-rios era vocação e profissão para a vida inteira. Depois, sobre, apoiado num pau tosco a pequena encosta que o conduz a habitação humilde onde nasceu há 84 anos e onde permaneceu, ali amarrado tal como a pequena embarcação.</P>
<P>
«Nasci aqui, quase a tocar no Tejo e as minhas primeiras lembranças são de quando saia com o meu pai de barco para pescar por esse rio fora. O tejo era então uma riqueza, vinha pescadores da Praia do Ribatejo, Golegã, Tancos e outras terras. Lançavam as redes varinas, redes de arrasto que depois foram proibidas. Normalmente eram aos seis pescadores -- o arrais, o ajudante e mais quatro homens para puxarem a rede de margem a margem», diz Raimundo Fernandes, recordando uma vez em que «só num lanço» pescou «73 sáveis, dois cabazes de saboga, lampreias, fataças e enguias das grandes, que pesavam dois quilos». Hoje, «o sável e a lampreia desapareceram do Tejo, as sabogas este ano só apareceram meia dúzia delas, o barbo e a enguia e a boga são cada vez em menor quantidade, só resta a fataça», sumariza o homem do rio, frisando que foi depois da Companhia da Celulose do Caima se ter instalado em Constância - Sul, quatro quilómetros a montante da Barquinha, que começou o empobrecimento piscícola no local.</P>
<P>
Memória de um rio navegável</P>
<P>
Ao contrário do pai, Raimundo não seguiu a vida de guarda-rios. Foi ferroviário 38 anos e esteve ao serviço da Escola de Páraquedistas mais 19. Com um barco a motor acompanhava os exercícios de saltos dos páraquedistas de Tancos: «Salvei muita gente de morrer afogada no Tejo. Quando os páraquedistas saltavam, avisavam-me para preparar o barco, para o caso de alguém cair no rio. Eu assim fazia, era um trabalho de muita responsabilidade».</P>
<P>
Da sua juventude, lembra-se de ouvir contar ao avô que em meados do século passado a actividade fluvial era de tal modo intensa e envolvia tantos interesses -- comércio de sal, peixe, cortiça, carvão, lenha, madeiras -- que os «marítimos» fizeram um abaixo-assinado contra a prevista instalação de uma grande estação ferroviária na Barquinha, que acabou por ser afastada para o Entroncamento.</P>
<P>
Mas hoje, a pequena vila ribeirinha que rechaçou o caminho-de-ferro tem elos muito débeis com o rio. «Ainda me lembro de virem aqui dois vapores, mas hoje era impossível essas barcos chegarem aqui, o Tejo está todo assoreado e as margens -- que dantes eram arranjadas de quatro em quatro anos, colocando-se esporões, estacas e longarinas de madeira para suster as terras -- estão agora abandonadas».</P>
<P>
Na sua casa ainda está a marca que pintou para assinalar a cheia de 11 de Fevereiro de 1979. «Fiquei sem muita coisa. Ainda fiz uma parede de tijolo e cimento, à pressa, frente á porta, mas a água subia muito depressa. Fiz uma fogueira junto à parede para o cimento pegar, mas não eu tempo, a cheia levou tudo e entrou em casa», recorda. «Depois de feitas a barragens de Castelo de Bode e do Fratel houve quem dissesse que não haveria mais cheias, mas eu respondi logo que estavam enganados, que ainda haveria outras. Hoje todos me dão razão. Eles não sabem orientar as descargas nas barragens e nós não temos segurança nenhuma. Depois, quando há descargas e cheias, lançam a culpa para cima dos espanhóis», diz o veterano do Tejo. Quando tinha dez anos, diz, o rio era bem mais estimado que agora, «que se encontra ao desprezo e que, quando vier um cheia a sério, arrancará as marachas e levará a terra toda à frente».</P>
<P>
Quando lhe dizem que António Guterres, num passeio recente num pequeno barco pelo Tejo, comentou que as margens do rio eram muito bonitas, Raimundo Fernandes ironiza: «Mal empregado eu lá não ir dizer meia dúzia de coisas ao Guterres». Além do mais, a organização do passeio socialista teve que pedir uma descarga de água aos responsáveis da barragem de Belver para que barquito não ficasse retido na areia do rio, quase todo assoreado.</P>
<P>
«Cada vez mais Riba, cada vez menos Tejo»</P>
<P>
Os problemas do Tejo registados por Raimundo Fernandes no seu microcosmos fluvial são exactamente os problemas de fundo que afectam as populações ribeirinhas de um rio cuja bacia portuguesa abrange 88 municípios, 25 mil Km2 e quase quatro milhões de habitantes.</P>
<P>
O assoreamento e necessidade de regularização do caudal, a protecção das margens, a criação de condições de navegabilidade do troço português, a poluição e extinção de espécies piscícolas, a par da criação de praias fluviais e a instalação de canais de irrigação ao longo da bacia hidrográfica colocam, o Tejo no centro do debate actual no Ribatejo - estando previsto para breve uma discussão na Assembleia Distrital de Santarém para análise da prioridade que o rio deverá merecer até ao final do milénio e a sua eventual integração no segundo Quadro Comunitário de Apoio, depois de revisto.</P>
<P>
A "avaliação de curto prazo, com intervenção selectiva, das situações mais críticas do rio e dos seus afluentes, na perspectiva da preservação ecológica e também da defesa das populações, do território e dos bens contra os riscos de cheia" é defendida pelo deputado socialista Jorge Lacão, que acusa os sucessivos governos de Cavaco Silva de terem ignorado o potencial de desenvolvimento do Tejo.</P>
<P>
Apesar de esporadicamente algumas associações regionais promoverem debates sobre a necessidade de regularizar o rio, nos últimos tempos foi a divulgação da intenção do governo espanhol em proceder a importantes transvases de água do Tejo para as regiões de Múrcia/Levante e Andaluzia, que catalizou a discussão e tem tornado o rio no centro das atenções do Ribatejo que, segundo António Guterres, "é cada vez mais Riba e cada vez menos Tejo". Para além da proverbial culpa, sempre atribuída aos espanhóis, em causa está o convénio sobre rios internacionais celebrado em 1968 por Portugal e Espanha. A associação ambientalista Quercus denuncia os governos de Espanha, que nunca cumpriram o acordo, por "manifesta incompetência dos governos portugueses" - mas Sérgio Ribeiro, deputado da CDU no Parlamento Europeu, onde apresentou uma proposta de resolução e um manifesto onde se defende a importância da negociação entre os dois governos, apela para o bom senso na gestão dos recursos hídricos comuns. "E o facto é que, por parte de Espanha, foi concretizado praticamente tudo o que estava estabelecido nesses convénios como seu direito enquanto que, por Portugal, muito foi adiado", afirma Sérgio Ribeiro.</P>
<P>
Enquanto algumas associações regionais defendem a regularização e navegabilidade do Tejo até à sua entrada plena em Espanha, Jorge Lacão defende a regularização e afasta-se da navegabilidade, em contraste com Mira Amaral que, na sua qualidade de cabeça de lista do PSD por Santarém, se distanciou dos dois projectos que, segundo um estudo concluído há três anos, custariam 200 milhões de contos.</P>
<P>
"O convénio de 1968 atribui a Espanha o aproveitamento hidroeléctrico do troço internacional do Tejo e a possibilidade de transvasar mil hectómetros cúbicos por ano nas cabeceiras do Tejo e, na realidade nunca foram ultrapassados 320 Hm3/ano, isto é, três por cento do caudal integral anual médio do Tejo espanhol", argumenta Mira Amaral, acrescentando que este ano apenas foram transvasados, até agora, 31Hm3. O líder do PSD defende que "a navegabilidade e regularização fluvial do Tejo, pelos elevados investimentos que exigem e grandes impactes ambientais que acarretam, deverão ser objecto de profunda reflexão. O mesmo se pode dizer do projecto hidroeléctrico de Almourol, que emparedaria Constância, e do aproveitamento hidroeléctrico de Santarém", mas não evita severas críticas de Jorge Lacão, para quem "o Tejo esteve ao abandono nos últimos 10 anos, as obras de defesa dos diques foram deixadas para trás, as obras de regularização não foram feitas e as obras de desassoreamento não aconteceram".</P>
<P>
Os socialistas dizem que é reflexão a mais e, coma prioridade dada pelos últimos governos à rede rodoviária há quem comente que se está à espera que o Tejo seque por completo para "ser revestido com uma camada betuminosa e transformado numa auto-estrada ligando Lisboa a Madrid".</P>
<P>
No fundo, muitos parecem temer a navegabilidade do Tejo por causas ancestrais ligadas a uma eventual penetração das tropas castelhanas pelo rio abaixo. Foram realmente os reinados dos Filipes aqueles em que o interesse pela navegabilidade do Tejo foi mais acentuado, como modo de dar consistência à união de Portugal com os outros reinos ibéricos.</P>
<P>
Seja pelos transvases seja pelo receio oculto duma invasão espanhola, o Tejo parece marcado de mitos que cultivam o seu abandono. Como diz Raimundo Fernandes: "Parece que os espanhóis é que têm culpa de tudo. E os governos portugueses que nunca fizeram nada ?!".</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70520">
<P>
Instituições debatem em Lisboa</P>
<P>
Como integrar os jovens que vivem à margem</P>
<P>
No Bairro do Zambujal, na fronteira entre Lisboa e a Amadora, onde impera o analfabetismo, as condições precárias e a degradação ambiental, o Cesis (Centro de Estudos para a Intervenção Social) pegou em algumas dezenas de jovens sem escolaridade obrigatória e organizou, para eles, cursos de alfabetização, uma biblioteca, grupos de dança, desporto e montanhismo. O objectivo era levar os jovens a ganhar os valores da auto-confiança, da persistência no estudo e no trabalho, da capacidade de resolução dos seus problemas.</P>
<P>
O «Projecto Futuro», foi um programas apresentados ontem, no primeiro dia de trabalho do «atelier» sobre «A inserção social e económica dos jovens em Portugal», uma iniciativa que tem como objectivo debater os problemas da exclusão social e da pobreza. Ao mesmo tempo, procuram-se soluções para uma maior participação e responsabilização dos cidadãos em relação aqueles problemas -- que atingem 20 milhões de desempregados e mais de 50 milhões de pobres na Europa.</P>
<P>
São estes os horizontes da campanha «Construir a Europa da Grande Solidariedade» que conta com o apoio da Comissão Europeia e terá o seu encontro final em Bruxelas, no próximo mês, depois de dois anos de iniciativas.</P>
<P>
O fenómeno da pobreza e da exclusão social -- incluindo a marginalidade, os sem-abrigo e os desempregados -- foi considerado mesmo por Luís Capucho, sociólogo do ISCTE, como uma ameaça para o modelo da democracia. Merecem, por isso, uma cada vez mais cuidada reflexão e um debate alargado. Para ele, o acesso ao emprego é um direito de cidadania, enquanto a sua ausência -- as mulheres e os jovens são os grupos sociais mais vulneráveis -- constitui um «problema dramático» que choca com a «realização pessoal de um projecto de vida».</P>
<P>
O acesso à educação e a formação profissional vocacionada para as necessidades directas das empresas, como garantia de inserção social e combate à frustração de expectativas dos jovens, foram os pontos sublinhados com mais insistência pelos intervenientes, durante o primeiro dia do encontro.</P>
<P>
Apesar dos esforços empreendidos no sentido de combater o insucesso escolar, a taxa de insucesso é ainda de 20 por cento. A taxa de abandono do sistema de ensino, tal como os números do analfabetismo, continuam a ser elevados. Ao contrário, o baixo nível de qualificação tende a tornar-se tanto mais preocupante quanto maior é a modernização económica e tecnológica da sociedade.</P>
<P>
É nesta linha de preocupação que se inserem os projectos ontem apresentados no «atelier» -- além do Cesis e do «Projecto Futuro», também o Instituto de Apoio à Criança (IAC) e a Confederação Nacional de Acção Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI).</P>
<P>
O projecto «Crianças de Rua», do IAC, desde 1989 que se desenvolve em duas zonas de Lisboa (Baixa e Chelas) e Amadora. O seu grande objectivo é incutir às crianças que vagueiam pela cidade um sentimento de auto-estima e um quadro de valores para que estabeleçam um projecto de vida que passe pela escolarização e pela formação profissional.</P>
<P>
A «desmarginalização» da criança passa por três fases. A abordagem das crianças é a primeira, feita por animadores de rua que estabelecem o contacto inicial, incutindo confiança e camaradagem. Depois há a fase da transição, para criar na criança uma motivação. Se tudo correr bem, verificar-se-á a integração, com o retorno das crianças à sua casa, o interiorizar das regras de socialização, alfabetização e aprendizagem de uma actividade sócio-profissional. Através da colaboração com entidades empregadoras já foi possível, no âmbito do projecto, colocar jovens no mundo do trabalho.</P>
<P>
Características comuns aos três projectos são a informação, sensibilização e intervenção directa junto das zonas mais carenciadas e vulneráveis à marginalidade e pobreza. Sempre com o objectivo de integrar os jovens na comunidade, ajudando-os a alcançar uma posição económica e social estável e a regressarem ao meio familiar, com o qual entram frequentemente em ruptura.</P>
<P>
Noélia Fernandes</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77703">
<P>
Africanos intervêm no Ruanda</P>
<P>
OS DIRIGENTES de 14 países africanos ontem reunidos no Zimbabwe, sob a presidência de Robert Mugabe e com a presença de Nelson Mandela, Joaquim Chissano, Sam Nujoma e José Eduardo dos Santos, decidiram ontem enviar tropas para o Ruanda e por outras formas ajudar a que termine a carnificina nesse pequeno território do interior do continente. Depois dessa conferência, destinada a combater a pobreza na generalidade dos estados africanos, efectuou-se uma especialmente dedicada à reformulação da Linha da Frente, que passa a englobar a África do Sul e que se deverá transformar num complemento político da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).</P>
<P>
Oito candidaturas na Guiné</P>
<P>
O SUPREMO Tribunal de Justiça confirmou ontem que são oito as candidaturas às eleições que dia 3 de Julho se efectuam na Guiné-Bissau, tanto as presidenciais como as legislativas. Às primeiras vão o actual chefe de Estado, João Bernardo Vieira, o líder da Liga de Protecção Ecológica, Bubacar Djaló, o presidente do Movimento Bafatá, Domingos Fernandes Gomes, o antigo primeiro-ministro Victor Saúde Maria, o empresário Carlos Domingos Gomes, a advogada Antonieta Rosa Gomes e os dirigentes da FLING, François Kankoilá, e do Partido da Renovação Social (PRS), Kumba Ialá. Às segundas concorrem o PAIGC, o Bafatá, a União para a Mudança, a FLING, o Partido da Convergência Democrática, o PRS, o Partido Unido Social Democrata e o Forum Cívico Guineense.</P>
<P>
Conferência nacional em Angola</P>
<P>
SETE partidos da oposição civil angolana, entre eles a FNLA de Holden Roberto, pediram ontem uma conferência nacional sobre a paz e a reconciliação, enquanto em Lusaca as delegações de Luanda e da UNITA assentaram que a Voz da Resistência do Galo Negro (Vorgan) continuará por enquanto ao serviço do grupo de Jonas Savimbi, passando mais tarde a emissora apartidária. Num texto entregue ao PÚBLICO, António Kimusi, antigo secretário-geral do Partido Social Democrata Angolano, defende que Holden Roberto, Daniel Chipenda e o cardeal Alexandre Nascimento deveriam aconselhar o MPLA e a UNITA a promoverem a desejável conferência nacional.</P>
<P>
Tensão política na Nigéria</P>
<P>
A CÃMARA dos Representantes dissolvida pelas autoridades militares da Nigéria tenciona desafiar o regime do general Sani Abacha, reunir-se e defender a tomada de posse do vencedor das eleições de há um ano, Moshood Abiola, como Presidente da República. O antigo presidente do Senado, Ameh Ebute, foi detido quinta-feira por haver pedido a demissão de Abacha e a formação por Abiola de um governo de larga base. A Coligação Democrática Nacional, formada por políticos e por militares na reserva, está a levar a cabo uma campanha para a instituição da legalidade.</P>
<P>
Kohl continua em alta</P>
<P>
O APOIO do eleitorado alemão ao chanceler Helmut Kohl e à Democracia Cristã continua a crescer, indicou ontem o Instituto Forsa, segundo o qual se verifica entretanto uma quebra para o parceiro menor da coligação governamental, o Partido Democrata Livre, liberal, que está a realizar em Rostock um congresso destinado a preparar as legislativas de Outubro. Kohl, que de qualquer modo tenciona retirar-se no próximo ano da chefia dos democratas cristãos, é agora o chanceler preferido por 35 por cento dos alemães, enquanto 32 por cento gostariam de o ver substituído pelo social democrata Rudolf Scharping. A União Democrata Cristã (CDU), que o mês passado colocou Roman Herzog na Presidência da República, está agora com as preferências de 42 por cento do eleitorado, o SPD com 39 e os liberais apenas com quatro.</P>
<P>
Alerta máximo na Espanha</P>
<P>
AS FORÇAS espanholas de segurança foram ontem colocadas em estado de alerta máximo, perante o risco de novos atentados da organização separatista basca ETA, que as autoridades responsabilizaram pelo assassínio -- quarta-feira, em Madrid -- de um general. Na noite de quinta para ontem, o político basco Joseba Camio Fuentes, de 26 anos, candidato ao Parlamento Europeu nas listas do Herri Batasuna, braço político da ETA, foi detido em San Sebastian, acusado de ligação a alguns atentados e sabotagens.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa56088"> 
<P>Direitos Fundamentais</P>
 <P> Pöttering, Sócrates e Barroso assinam Carta dos Direitos Fundamentais da UE </P>
 <P> Os Presidentes do Parlamento Europeu, do Conselho e da Comissão assinaram, a 12 de Dezembro de 2007, em Estrasburgo, a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, um dia antes da assinatura do Tratado de Lisboa, na capital portuguesa. Os três salientaram o "dia histórico" para os cidadãos europeus e também o "desafio quotidiano" e o "compromisso das instituições europeias" de respeitar e promover os direitos e valores fundamentais. </P>
 <P> "Trata-se de um dia feliz para as cidadãs e os cidadãos da União Europeia ", em que se festejam "os nossos valores comuns", afirmou o Presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert PÖTTERING, no discurso que antecedeu a assinatura da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. </P>
 <P> Relembrando o "caminho significativo" que foi necessário percorrer até chegar a este momento, afirmou que "os ensinamentos da história da Europa foram tomados em consideração", num documento que garante "valores como a liberdade e a segurança". </P>
 <P> "Com a proclamação da Carta, temos a obrigação e a oportunidade de dar aos quase 500 milhões de cidadãos a ideia de uma Europa unida. Somos essencialmente uma comunidade de valores -- são estes valores comuns que constituem o fundamento da União Europeia ", declarou. </P>
 <P> Hans-Gert PÖTTERING destacou ainda a importância, para o PE, de ver reconhecido o valor juridicamente vinculativo da Carta, um passo "essencial no quadro de reforma dos Tratados e essencial para a identidade europeia". </P>
 <P> "Sem estes valores, a União Europeia não teria futuro". Dentro e fora da Europa, "temos o dever de sempre defender a dignidade e os direitos humanos", concluiu. </P>
 <P> Também o
Presidente em exercício do Conselho da UE, José SÓCRATES, destacou o dia de hoje como "uma data fundamental na história da integração europeia". </P>
 <P> " A partir de hoje, e talvez para incómodo de alguns, os direitos fundamentais passam formalmente, e de forma irreversível, a fazer parte do património comum da UE. Um património ético, de cidadania e do melhor que há na civilização europeia!", afirmou o Primeiro-Ministro português. </P>
 <P> Manifestando-se "muito honrado como europeu e como português" por participar na cerimónia de proclamação da Carta dos Direitos Fundamentais da UE -- que definiu como "a mais importante de toda a carreira política" -- SÓCRATES salientou ainda o compromisso assumido pelas três instituições -- PE, Conselho e Comissão -- de que "os valores fundamentais serão respeitados e aplicados". </P>
 <P> A Carta "representa um compromisso das instituições da União de a respeitarem e aplicarem quotidianamente. Só assim seremos dignos herdeiros do que há de melhor na nossa identidade colectiva e tradição comum de uma Europa que honra os direitos e as garantias dos cidadãos". </P>
 <P> Para SÓCRATES, esta Carta "vai para além" dos cidadãos da UE, representando "um esteio fundamental da convicção de um mundo melhor e de que os direitos são universalmente respeitados". </P>
 <P> Expressando ainda a "honra" por Portugal ficar associado a "uma importante etapa da cidadania europeia" -- foi durante a Presidência em 2000 que se iniciou a Convenção que deu origem à Carta e é durante a actual Presidência que a Carta é proclamada -- SÓCRATES alertou, no entanto, para o facto de a tarefa ainda não estar acabada. </P>
 <P> "O combate pelos direitos fundamentais é uma tarefa quotidiana, uma tarefa sem fim, dos Estados, das sociedades civis, das empresas, dos sindicatos, dos cidadãos. A sua defesa é o reconhecimento de um valor essencial à identidade europeia, faz parte do nosso código genético, e esta é a Europa a que eu quero pertencer", concluiu. </P>
 <P> Também o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão BARROSO, declarou que, com a Carta dos Direitos Fundamentais, a Europa está "mais equipada para levar a cabo o seu combate pela liberdade, democracia e paz". </P>
 <P> "A Carta encorajará a UE numa verdadeira cultura dos direitos fundamentais. Comprometemo-nos, sobretudo, a respeitar os nossos próprios direitos. Pode parecer fácil de assumir, mas é, na verdade, um verdadeiro desafio quotidiano", salientou BARROSO. </P>
 <P> "Trata-se de um êxito extraordinário de que a UE se deve sentir orgulhosa. É particularmente importante que aconteça numa Europa alargada que esteve dividia por regimes ditatoriais. Se conjugarmos esforços para estimular esta cultura de direitos humanos, daremos um contributo essencial para uma Europa de valores", concluiu. </P>
 <P> Depois de a Carta ser assinada pelos Presidentes das três instituições, ouviu-se o hino europeu no hemiciclo de Estrasburgo. </P>
 <P> A cerimónia de proclamação foi interrompida em diversas ocasiões por uma minoria de deputados que protestaram nas últimas bancadas do hemiciclo, exigindo a realização de um referendo ao Tratado de Lisboa. Os protestos foram calados pelos aplausos da maioria dos eurodeputados e pelo próprio Presidente do Conselho, no início do seu discurso: "Por mais que muitos gritem tentando impedir os outros de falar, esta é uma data fundamental da história europeia", afirmou José SÓCRATES. </P>
 <P> O líder do PPE/DE, Joseph DAUL, criticou os protestos, afirmando que o PE é "um hemiciclo onde reina a democracia" não sendo, por isso, "digno actuar desta maneira". </P>
 <P> No mesmo registo, Martin SCHULZ (PSE, DE), líder do PSE, recordou que, na República de Weimar, se queria acabar com os inimigos em forma de coro e quem dirigia esse coro era Hitler ". </P>
 <P> Do grupo ALDE, Graham WATSON lançou uma petição para que a Presidência do PE use os poderes que lhe confere o regimento "para mandar embora um deputado que se comporte de maneira indigna": "Uma atitude como esta não se pode tolerar e traz-nos o pior de um estádio de futebol", afirmou. </P>
 <P> Francis WURTZ, da CEUE/EVN, condenou "de maneira absoluta as declarações antieuropeias e indignas" que se ouviram no hemiciclo: "O meu grupo está a favor de um referendo, mas opõe-se a acções como esta", afirmou. </P>
 <P> Também o co-presidente dos Verdes/ALE, Daniel COHN-BENDIT, se mostrou "consternado" com o ocorrido, mas pediu que não se dramatize a situação: "Há 50 loucos mas há 700 sãos"; "não peçamos a expulsão destes loucos porque um Parlamento livre é aquele que aguenta os loucos que lhe são desagradáveis". </P>
 <P> Da mesma forma, para Brian CROWLEY, da UEN, o ocorrido "superou o permissível". </P>
 <P> Do grupo IND/DEM, Jens-Peter BONDE assinalou que, pessoalmente, não participou nos protestos mas que vestiu a camisola com a referência à realização de um referendo, que faz parte da vida democrática. </P>
 <P>Consultar</P>
 <P>http://www.eu2007.pt/UE/vPT/Noticias_Documentos/20071212DiscursoPM.htm</P>
 <P> Discurso de José Sócrates na cerimónia de Proclamação da Carta dos Direitos Fundamentais </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-83299">
<P>
Governo promete compensar vítimas das cheias</P>
<P>
Depois do medo, o desespero</P>
<P>
Amílcar Correia e Rui Baptista *</P>
<P>
O pior já passou e as previsões meterológicas, embora não sejam as melhores, parecem afastar o risco de novo temporal. Ontem, nas regiões do Norte e Centro, foi tempo de avaliar prejuízos, proceder a limpezas e garantir realojamentos. Em Águeda, um dos concelhos mais afectados pelo mau tempo do Natal, ficou a promessa de que o Governo vai compensar as vítimas das cheias.</P>
<P>
Os comerciantes da baixa de Águeda, que no dia de Natal tiveram os seus estabelecimentos inundados pelas maiores cheias de que há memória neste concelho, receberam com cepticismo a notícia de que o Governo vai disponibilizar verbas para compensar os prejuízos causados pelas águas.</P>
<P>
«Só acredito nessa história quando vir o dinheiro», resumiu o comerciante José Augusto Lopes, mais conhecido pela alcunha do «Zé da Louça», proprietário de uma loja na zona mais afectada pelas inundações. Ontem, na mesma altura em que o secretário de Estado da Administração Interna, Armando Vara, visitava a zona mais atingida pelas cheias na companhia do presidente da Câmara local e do governador civil de Aveiro, o «Zé da Louça» rondava a porta do seu estabelecimento, de vassoura e esfregão nas mãos, sem coragem para entrar. «Logo de manhã abri a porta da loja e vi logo que estava tudo num pandemónio, com caixotes a boiar por todo o lado e água até ao balcão», contou o comerciante, escondendo a cara por onde escorriam lágrimas grossas.</P>
<P>
Vinte e quatro horas após o momento mais crítico da inundação, numa altura em as águas do Águeda recuaram para o seu leito normal, o pânico deu lugar à ira e à indignação. Os moradores da zona afectada querem que alguém assuma as responsabilidades pelo sucedido. Os únicos louvores vão para o trabalho dos bombeiros locais, que passaram o dia de Natal a evacuar pessoas presas nas suas residências pela subida das águas. A maioria dos moradores atira as culpas para a Câmara e para a Junta Autónoma das Estradas (JAE) que construiram a montante da baixa da cidade um troço da EN333 (conhecida como a barragem dos Abadinhos) que liga as duas margens do rio. Os moradores garantem que a estrada funciona como uma barragem, represando as águas e provocando a inundação dos lugares vizinhos, em especial a povoação de Sardão. No entanto, apesar de todas as tentativas, ainda ninguém conseguiu explicar como é que as águas represadas a montante podem ter contribuido para a inundação do centro histórico de Águeda, situado centenas de metros mais abaixo.</P>
<P>
Tudo aponta, no entanto, que as inundações que afectaram quase todos os concelhos do Baixo Vouga Lagunar se tenham ficado a dever uma fatídica conjugação de factores. À chuva persistente que caíu sobre a região somou-se o assoreamento da ria de Aveiro e a eutrofização da vizinha Pateira de Fermentelos. O escoamento das águas foi ainda dificultado pela junção na zona da Ponte da Rata dos rios Águeda e Vouga e pelas marés vivas na ria de Aveiro. «Toda esta água não teve por onde saír, por isso estendeu-se pela região», explicou fonte dos serviços distritais de protecção civil. Ontem , Armando Vara defendeu publicamente a necessidade de efectuar obras a montante e a jusante da zona afectada para evitar que as inundações se repitam.</P>
<P>
 Armando Vara incumbiu o governador civil de Aveiro, Antero Gaspar, de efectuar no prazo de uma semana uma avaliação dos prejuízos. O governante não especificou os montantes que vão ser disponibilzados através de uma conta especial de emergência do Serviço Nacional de Protecção Civil, alegando não ser intenção do Governo antecipar-se às avaliações das companhias de seguros. Porém, numa primeira estimativa feita pela Associação Comercial de Águeda (ACOAG), os prejuízos em estabelecimentos comerciais devem rondar os 250 mil contos. No total, foram afectadas pelas inundações cerca de 120 lojas e algumas dezenas de habitações.</P>
<P>
Em Matosinhos, outro dos concelhos mais afectados pelo mau tempo, 4 das 17 famílias que anteontem foram evacuadas de habitações inundadas devido à subida do caudal do rio Leça foram realojadas numa residencial a expensas da autarquia. As restantes regressaram aos lares para tentar salvar os poucos haveres que resistiram à enxurrada. O nível das águas do rio entretanto baixou, mas deixou um rasto de lama e destruição com prejuízos incalculáveis.</P>
<P>
Maria Teresa, Álvaro Laroca e uma filha do casal fugiram de casa, no lugar da Lomba, em Guifões, na madrugada de terça-feira. Ontem, regressaram à habitação e encontraram todo o recheio destruído. «Mobílias, electrodomésticos, roupas e até documentos estão estragados», diz Maria Teresa. Este casal e a filha de dois anos foram realojados pela autarquia. Outros três agregados familiares, moradores na zona da Ponte do Carro, em Santa Cruz do Bispo, que ficaram com as habitações completamente inundadas, foram também provisoriamente realojados pela autarquia. Embora com menor gravidade, os estragos eram visíveis em muitas outras casas junto à margem do Leça. Durante todo o dia de ontem, os moradores trataram de limpar as lamas do chão e dos móveis, lavar e secar as roupas, reparar os elecrodoméstios e «voltar a colocar a casa em ordem».</P>
<P>
Segundo o presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, «será apresentada ainda hoje uma candidatura ao Ministério da Administração Interna com vista a accionar os mecanismos legais para prestar auxílio às famílias desalojadas e às que sofreram elevados prejuízos».</P>
<P>
Douro contido</P>
<P>
Quanto ao Douro, durante todo o dia de ontem manteve-se no seu leito, sem causar motivos de grande preocupação. A quase ausência de precipitação -- que permitiu estabilizar o caudal proveniente da albufeira de Crestuma -- e o facto de o mar estar a receber bem as águas do rio foram determinantes para que as populações ribeirinhas pudessem ter um dia relativamente sossegado, embora com a água muito perto das suas casas. Mesmo na Régua, o nível do Douro acabou por descer significativamente, embora se mantenha ainda cerca de seis metros e meio acima dos valores normais.</P>
<P>
Passada a situação de alguma aflição do início da madrugada de ontem, que coincidiu com uma descarga mais violenta em Crestuma, na ordem dos seis mil metros cúbicos por segundo, os valores do caudal que estava a ser despejado estabilizaram nos 4900 metros cúbicos, permitindo um escoamento relativamente folgado para o mar. A descarga da madrugada motivou, aliás, a difusão de um alerta para a margem sul do Douro (Avintes, Areinho e Afurada). Um novo período crítico, entre as 19h00 e as 20h00, coincidindo com a enchente da maré, acabou igualmente por ser ultrapassado sem incidentes graves.</P>
<P>
Por resolver ficou o problema da estrada que liga o Porto a Entre-os-Rios, com o trânsito condicionado numa extensão de 20 quilómetros. São vários os troços daquela via que evidenciam perigos de desmoronamento ou que aluíram mesmo, sem que se tivesse verificado qualquer intervenção por parte da Junta Autónoma de Estradas, cujos serviços estiveram incomunicáveis.</P>
<P>
Ponte ruiu</P>
<P>
Um pouco por todo o Norte e Centro, e depois da intempérie natalícia, ontem foi o dia do rescaldo. Os bombeiros não tiveram mãos a medir para fazer face a todas as solicitações: cheias, inundações, queda de árvores. Em S. Pedro do Sul, por exemplo, a subida de nível do rio Vouga, próximo das conhecidas termas daquela localidade, esteve na origem da derrocada, no início da noite de anteontem, de uma ponte de madeira para peões. O caudal e a forte corrente fizeram com que a ponte, instalada no local há três anos, se partisse em duas partes. Os bocados de madeira foram arrastados até 100 metros do local e imobilizaram-se junto a uma outra ponte, por onde passa o tráfego rodoviário das termas de S. Pedro do Sul.</P>
<P>
Outro dos concelhos do distrito de Viseu mais afectados pelas fortes chuvas dos últimos dias foi Cinfães, onde um desabamento de terras provocou o corte da Estrada Nacional nº 222, durante todo o dia de ontem, entre as localidades de Porto Antigo e Oliveira.</P>
<P>
Em Barcelinhos, no concelho de Barcelos, uma família teve a felicidade de não se encontrar em casa quando esta ruiu, ao fim da tarde de anteontem. Tratava-se de um edifício antigo, em avançado estado de degradação, que as chuvas intensas fizeram desmoronar. Em Silveiros e Rio Covo, a queda de árvores de grandes dimensões destruíram postes de alta tensão e, em Esposende, os bombeiros locais tiveram que ajudar os homens da EDP, em Forjães, para repor o fornecimento de energia na zona, também devido ao derrube de árvores.</P>
<P>
As fortes chuvadas dos últimos dias alagaram, também na região de Leiria, algumas empresas industriais e os campos do Vale do Lis. Em Tomar, na Rua de Everard (conhecida por Rua da Levada), a água do Nabão correu intensamente pela estrada e os comerciantes temeram o pior. A artéria esteve fechada ao trânsito desde as 17h00 até às 19h00, para limpeza das comportas, de onde os serviços municipais, além do lixo, retiraram um choupo com mais de 1500 quilos, que teve de ser retalhado. Várias famílias ciganas residentes na zona do Flecheiro, nas margens do rio, passaram a noite nos pavilhões da Feira Agro-Industrial, transportadas pelos bombeiros e por um camião da Câmara de Tomar.</P>
<P>
No distrito de Portalegre, os prejuízos causados pelo mau tempo resumiram-se a uma quantidade anormal de inundações: mais de meia centena, só entre a noite de segunda-feira e a madrugada de ontem.</P>
<P>
Curiosamente, Braga debateu-se ontem com a dupla situação de excesso e falta de água. Enquanto a chuva continuou a provocar, durante a madrugada e manhã, algumas inundações, nas torneiras de grande parte da cidade nem pinga de água caía, desde as 11h00, devido a uma quebra no fornecimento provocada por um corte de energia eléctrica.</P>
<P>
Chuva e vento até quinta</P>
<P>
O Instituto de Meteorologia prevê chuva intensa em todo o país, sobretudo nas regiões do Norte e do Centro, durante a madrugada e manhã de hoje. As previsões apontam para uma redução da pluviosidade no início da tarde, mas o regime de aguaceiros irá manter-se amanhã, embora com pouca frequência no Sul do país. Ainda segundo informações do instituto, a chuva vai ser uma constante até 4 de Janeiro, a próxima quinta-feira. Contudo, os índices de pluviosidade no continente irão descer nos primeiros dias de 1996.</P>
<P>
A velocidade média do vento prevista para hoje irá oscilar entre os 25 e os 45 quilómetros horários, enquanto as ondas na costa ocidental do continente vão atingir, nas próximas horas, uma altura de quatro a cinco metros. Sempre que as ondas do mar chegam aos quatro metros de altura, o Instituto de Meteorologia aconselha as capitanias a fechar as respectivas barras. Assim, no Norte do país todas as barras estavam fechadas durante a tarde de ontem.</P>
<P>
*com António Soares e Manuela Teixeira</P>
</DOC>

<DOC DOCID="wpt-101789548982731354">
<P>
Telemoveis.com TV</P>
<P>
Escolher outra notícia</P>
<P>
Telemóveis vão ter domínio na Net</P>
<P>
2005-07-13</P>
<P>
A decisão vem na sequência de vários pedidos de um grupo de operadores móveis e fabricantes de telemóveis, que criaram uma joint-venture» para estimular o aparecimento de sites destinados exclusivamente a estes equipamentos. E o ICANN assincou já o acordo nesse sentido com a mTLD Top Level Domain, que congrega a GSM Association, a Microsoft, fabricantes como a Nokia, a Samsung e a Ericsson e operadores como a Vodafone, a Telefónica Móviles, a Hutchison 3 e a T-Mobile.</P>
<P>
O objectivo desta iniciativa é fazer aumentar a utilização da Internet no telemóvel, funcionalidade ainda pouco utilizada, devido à escassez de sites e conteúdos adaptados aos equipamentos.</P>
<P>
Em princípio, o sufixo.mobi deverá ser integrado automaticamente nos endereços logo que o sistema detecte que o acesso está a ser efectuado via telemóvel.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-60395">
<P>
Londres rejeita diálogo com o IRA</P>
<P>
A Grã-Bretanha rejeitou ontem uma proposta do IRA para conversações directas sobre um plano de paz para a Irlanda do Norte e avisou a organização armada de que o ataque com morteiros contra o Aeroporto de Heathrow, em Londres, apenas fortaleceu a determinação britânica.</P>
<P>
Fontes oficiais britânicas, citadas pela agência Reuter, disseram que o Governo não irá sequer considerar a hipótese de conversações com o IRA ou com a sua ala política, o Sinn Fein, até que os guerrilheiros renunciem, definitivamente, às acções daquele tipo: «Não haverá quaisquer negociações com o Sinn Fein antes do fim permanente da violência do IRA. Encaramos isso como um princípio fundamental e não vamos alterar este ponto de vista.»</P>
<P>
«É profundamente ofensivo para os povos na Irlanda e na Grã-Bretanha que o IRA reclame estar interessado na paz, quando, ao mesmo tempo, continua a matar a sangue-frio e a montar actos de terror», precisaram as mesmas fontes.</P>
<P>
No domingo, 12 horas depois de ter lançado o seu terceiro ataque em quatro dias contra o Aeroporto de Heathrow, o IRA emitiu a sua primeira resposta oficial à declaração anglo-irlandesa sobre a Irlanda do Norte, assinada em Dezembro pelo primeiro-ministro britânico, John Major, e pelo homólogo irlandês, Albert Reynolds.</P>
<P>
O movimento irlandês disse estar interessado em alcançar a paz, mas exigiu novas conversações directas com Londres sobre o plano. Major tem repetidamente recusado quaisquer «clarificações» adicionais à declaração, que ele espera que possa acabar com duas décadas de violência na Irlanda do Norte.</P>
<P>
Os Governos de Londres e Dublin condenaram os ataques contra Heathrow, que provocaram o caos no tráfego aéreo. Doze granadas de morteiro caíram em edifícios, pistas e zonas de estacionamento, mas não chegaram a explodir. Observadores citados pela Reuter disseram que o objectivo do IRA foi, acima de tudo, assustar, e não matar pessoas. A publicidade internacional dada pelos atentados voltou a colocar o movimento nas primeiras páginas dos jornais, sem que a sua imagem estivesse associada a derramamento de sangue, fizeram notar os observadores.</P>
<P>
Londres, no entanto, considera que os ataques «apenas reforçaram a determinação do Executivo em se manter no rumo escolhido».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-64260"> 
<P> COISAS DA SÁBADO: A DIFERENÇA ENTRE O JORNAL DE NOTÍCIAS E O DIÁRIO DE NOTÍCIAS </P>
 <P> No dia em que a operação « Noite Branca » começou a prender suspeitos de serem responsáveis pelo clima de violência no Porto, a comparação entre um jornal de Lisboa, o Diário de Notícias, e um do Porto, o Jornal de Notícias, no mesmo dia 17 de Dezembro, não podia ser mais significativa. O Diário de Notícias falava das biografias e do background dos detidos, fazendo nota, como é óbvio, do seu profundo envolvimento com a claque do FCP, os Super Dragões. Na verdade nenhum destes homens se tornou conhecido por ser segurança na noite, nem por frequentar ginásios e mesmo as suas páginas e vídeos guerreiros (*) nunca tinham merecido muita atenção. Onde eles apareciam era à frente da claque em filmes (a SIC mostrou-os) e em fotos de segurança aos dirigentes do clube. No Jornal de Notícias tudo isto é cuidadosamente omitido e os presos aparecem sem biografia, ou apenas com uma referência casual e singular a essa pertença. De facto, o Jornal de Notícias parece ser um jornal do Casaquistão tal é a ignorância do que se passa à sua volta. Mas não é, é mesmo do Porto e esse é que é o problema: é do Porto e cala. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-12337">
<P>
1994 é o «annus horribilis» da Fórmula 1. Depois de 12 anos sem acidentes mortais, a disciplina mais importante do desporto automóvel mundial perdeu nas pistas o tricampeão Senna e o estreante Ratzenberger, confrontando-se ainda com os graves acidentes de Wendlinger, Lehto, Alesi e Lamy. As alterações aos regulamentos técnicos e nas pistas aumentaram a vantagem das equipas grandes, fazendo diminuir o interesse desportivo. É uma Fórmula 1 em renovação que hoje começa a rodar no circuito do Estoril, em mais um GP de Portugal.</P>
<P>
Quase nada a ganhar, quase tudo a perder. É com esta estreita margem de segurança que a Fórmula 1 chega este ano ao Estoril, para o 14º Grande Prémio de Portugal. Os nomes de campeões como Senna, Prost ou Mansell já não fazem parte da lista de inscritos; o novo «príncipe das pistas», o alemão Michael Schumacher, favorito para ganhar o «Mundial» deste ano, não estará em Portugal, cumprindo a segunda corrida de suspensão que lhe foi imposta pela Federação Internacional do Automóvel (FIA); mesmo o único piloto português nesta disciplina, Pedro Lamy, está afastado das pistas, ainda a recuperar de um grave acidente ocorrido há quatro meses, quando testava as modificações impostas pela FIA nos monolugares de F1. Em nome da segurança.</P>
<P>
1994 será, para sempre, o ano da morte de Ayrton Senna, o tricampeão brasileiro que encantava os adeptos com a sua ousadia na pista e a irreverência fora dela. Frio e calculista para uns, emocional e de coração aberto para outros, Senna era a imagem mais fiel da F1, sempre à procura do máximo que podia retirar do seu conjunto e dos seus limites como piloto. No ano em que conseguira um lugar na Williams-Renault, em que aparecia como favorito incontestado para ganhar o tetracampeonato, o piloto brasileiro encontrou a morte na curva Tamburello do circuito de Ímola, quando comandava o GP de San Marino (1 de Maio). No dia anterior, o estreante austríaco Roland Ratzenberger perdera a vida noutro ponto do mesmo circuito, interrompendo um longo período de 12 anos sem acidentes mortais na F1. A disciplina maior do desporto automóvel entrava em luto.</P>
<P>
A segurança passou então a ser a palavra de ordem. Max Mosley, presidente da FIA, tomou a iniciativa e anunciou uma série de medidas destinadas a aumentar a segurança dos monolugares, diminuindo a sua velocidade. Os pilotos voltaram a agrupar-se em torno da sua associação, a GPDA, exigindo alterações nos pontos críticos de quase todos os circuitos que integram o calendário. Mas também as equipas fizeram valer a sua força, exigindo maior intervenção nas modificações técnicas que viessem a ser introduzidas e prazos mais alargados para a sua adopção. Semana após semana, o ambiente foi-se tornando mais calmo -- até que os tribunais desportivos entraram em acção.</P>
<P>
O GP de Inglaterra foi o ponto de viragem, numa temporada até então completamente dominada pela Benetton. Em Silverstone, ganhou Damon Hill e Schumacher ficou em segundo, sendo posteriormente desclassificado por não ter obedecido a uma bandeira preta. Mais, o piloto alemão foi ainda suspenso por duas corridas, uma decisão confirmada após recurso. Começavam os tempos negros para a equipa de Flavio Briatore: primeiro com o incêndio durante o reabastecimento de Verstappen no GP da Alemanha; depois com a desclassificação de Schumacher no GP da Bélgica, que o alemão tinha ganho, ainda com as suspeitas de utilização de um sistema de controlo de tracção, proibido desde o início da temporada.</P>
<P>
A Benetton arriscava-se então a ser excluída do «Mundial» (por ter retirado um filtro do sistema de reabastecimento, o que não é permitido), no mesmo Conselho Mundial da FIA que julgava a utilização de uma caixa de velocidades automática (outro sistema proibido este ano) pela McLaren. Uma vez mais, os dirigentes desportivos tomaram nas suas mãos a condução do «Mundial» e decidiram não penalizar as duas equipas, mesmo reconhecendo que ambas foram culpadas.</P>
<P>
Enquanto Flavio Briatore e Schumacher corriam entre julgamentos, Frank Williams e Jean Todt (Ferrari) encontravam a tranquilidade necessária para desenvolver os seus monolugares. Sem Schumacher, o «Mundial» ganhou outra competitividade, novas incertezas quanto ao vencedor de cada corrida. A Ferrari venceu o seu primeiro GP, depois de quatro anos sem sucessos; aproveitando todos os pontos possíveis, Damon Hill colocou-se em posição de discutir o título e, se vencer no GP de Portugal, ficará a apenas um ponto de Schumacher, quando faltarem três provas para o fim do campeonato.</P>
<P>
É assim que a F1 chega este ano ao circuito do Estoril, uma pista habituada a consagrar campeões e que agora se encontra à procura de um ídolo. Jean Alesi (Ferrari) e Rubens Barrichello (Jordan), dois pilotos de diferentes gerações à procura da primeira vitória na F1, são os favoritos dos adeptos, mas Damon Hill e a Williams não devem deixar escapar a possibilidade de pressionar o ausente Schumacher. Se alguém encontrar no Estoril um futuro campeão de F1, essa descoberta deve acontecer no «paddock», com a assinatura de um contrato para 1995.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55402">
<P>
Da Reportagem Local </P>
<P>
Uma chuva fina e ininterrupta, que atingiu São Paulo durante todo o fim-de-semana, continuou provocando estragos na cidade, além dos danos já registrados na semana passada.</P>
<P>
Apesar da quantidade de água ter sido bem menor, muitas regiões tiveram casos de desabamento e deslizamento de terra, reflexos das chuvas da semana.</P>
<P>
Na Vila Gustavo (zona norte), uma casa desabou na madrugada de ontem, ferindo uma menina de 8 anos. Gisele Aparecida Machado ficou presa sob a parede da casa e foi salva pelo pai, Aparecido Machado, 44.</P>
<P>
No Campo Limpo (zona sul), uma das áreas mais afetadas pelas chuvas de quinta e sexta-feira, duas ruas foram interditadas ontem por perigo de abertura das pistas.</P>
<P>
Na madrugada de quinta para sexta, choveu na região do Campo Limpo 119 mm em três horas. Foi a maior quantidade de chuvas na região em 50 anos. Segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica da prefeitura, 45 mm de chuva nas marginais já são suficientes para provocar transbordamentos dos rios Pinheiros e Tietê.</P>
<P>
O córrego Pirajuçara, afluente do rio Pinheiros e que corta vários bairros da zona oeste e sul, transbordou, deixando algumas regiões sob alagamentos de até três metros na noite de quinta-feira.</P>
<P>
Segundo a administração regional do Campo Limpo, 57 famílias desabrigadas estão alojadas em abrigo improvisado em escola.</P>
<P>
No Butantã (zona oeste), a prefeitura passou todo o fim-de-semana realizando trabalhos de limpeza e retirada de lama das ruas.</P>
<P>
A região do Butantã tem cerca de 90 famílias desabrigadas. A favela do Jardim de Abril teve que ser desocupada parcialmente por causa de deslizamentos ocorridos ontem e anteontem.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-47005">
<P>
Grande crescimento da emigração africana</P>
<P>
Só os portugueses regressam à África do Sul</P>
<P>
DE TODAS as comunidades estrangeiras da África do Sul, só a portuguesa está a regressar ao país após o «êxodo» durante os meses que antecederam as primeiras eleições democráticas, em Abril. Os emigrantes portugueses que passaram a campanha eleitoral em Portugal, mas que deixaram bons negócios no país, já estão a encher os voos da TAP de Lisboa para Joanesburgo.</P>
<P>
Antes das eleições, milhares de pessoas, principalmente brancos, abandonaram o país. A África do Sul assistiu a uma verdadeira «fuga de quadros», pois só os profissionais qualificados ou os mais ricos podiam instalar-se facilmente noutro país.</P>
<P>
E muitos recém-chegados, imigrantes ingleses, alemães e portugueses, e um grande número de refugiados de Moçambique e Angola, voltaram para os seus países de origem. Os portugueses que fugiram de Moçambique na altura da independência diziam «não vou passar por aquilo outra vez», fizeram as malas e apanharam o primeiro voo para Portugal.</P>
<P>
A comunidade judaica, radicada principalmente em Joanesburgo e na Cidade do Cabo, foi uma das mais seriamente atingidas pela insegurança durante a campanha eleitoral. Tendo um elevado padrão de vida, os judeus sentiam-se ameaçados. Alguns emigraram para Israel e muitos mais optaram pela Austrália, Canadá e Estados Unidos.</P>
<P>
Agora, passadas as eleições e feita a passagem do «apartheid» para a democracia multi-racial sem uma guerra civil, a instabilidade política passou, a maior parte da população apoia o actual governo e a popularidade do Presidente Nelson Mandela está a crescer não só entre os negros e mestiços, mas também entre os brancos.</P>
<P>
Mas a sociedade sul-africana continua a ser muito violenta. O homicídio é um crime comum. Ladrões matam pessoas para roubar 20 dólares (cerca de três contos). Sequestradores matam a tiro condutores de carros que resistem a entregar as chaves. Grupos de jovens violam menores de dez anos para se divertirem aos sábados à noite.</P>
<P>
E por isso as pessoas não estão a regressar. A persistente violência convenceu muitos profissionais a emigrarem, mesmo depois da transformação política equilibrada. Os ricos e uma sensível percentagem da classe média continuam a sair da África do Sul, levando capitais e saber.</P>
<P>
Ao mesmo tempo que os profissionais brancos se vão embora, o país está a receber uma onda de imigrantes africanos sem precedentes. Os intelectuais e profissionais de quase todos os países africanos ao sul do Saara estão a convergir nos centros urbanos da África do Sul. Os que antigamente preferiam estudar na Europa ou na América do Norte optam agora por um país irmão, um país africano. Joanesburgo está agora cheia de médicos do Zaire, Gabão e Camarões, empresários da Nigéria, Quénia e Uganda, e de muitos políticos, estudantes e intelectuais. Já se conta uma anedota: Qual é a capital do Zaire? Kinshasa! Errado. Joanesburgo é a capital do Zaire.</P>
<P>
Há também anedotas sobre os «kwerekwere» (palavra ofensiva usada para descrever os estrangeiros africanos) que reflectem a crescente xenofobia na África do Sul, principalmente entre a população negra. Em Julho, cerca de 300 vendedores ambulantes protestaram à frente do quartel general da polícia contra a presença dos estrangeiros porque estes «aceitam qualquer coisa dos seus clientes» e por isso estão a destruir os negócios já estabelecidos.</P>
<P>
Não são só as elites que estão a vir para a África do Sul. Nos últimos anos muitos milhares de moçambicanos atravessaram a fronteira à procura de uma vida melhor. Alguns chegam aos centros urbanos e estabelecem pequenos negócios bem sucedidos, outros são detidos e deportados, mas milhares são contratados para trabalhar sob condições desumanas nas fazendas do Transval do Leste, onde são tratados como escravos. Recebem salários entre os 25 e os 40 dólares por mês, comem milho moído («mealie meal») com cebola, dormem no chão e as mulheres são molestadas sexualmente.</P>
<P>
Nos últimos meses, a onda de imigrantes pobres cresceu sensivelmente com refugiados económicos de Angola, Zâmbia, Malawi e principalmente do Zimbabwe. Atravessam o rio Limpopo, arriscando encontros fatais com crocodilos ou hipopótamos, e no norte do Transval nas reservas de caça são facilmente atacados por búfalos e leões. Os que encontram empregos nas fazendas têm de trabalhar 12 horas por dia, seis dias por semana.</P>
<P>
Perante este novo cenário, o ministro do Interior, Mangosuthu Buthelezi, está a formular uma nova política para conter a imigração africana. Nas capitais dos países vizinhos argumenta-se já que o governo dominado pelo Congresso Nacional Africano não tem o direito de expulsar cidadãos dos países que receberam exilados sul-africanos durante os anos de luta pela libertação.</P>
<P>
Steven Lang, em Joanesburgo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4540">
<P>
Forte da Casa</P>
<P>
Famílias bósnias passam dificuldades</P>
<P>
Seis famílias bósnias vivem, há cerca de um ano, no número 8 da Praça 5 de Outubro, no Forte da Casa (concelho de Vila Franca de Xira), nalguns casos completamente entregues a si próprias, esgotados que estão os apoios do Fórum Estudante e da Comunidade Islâmica de Lisboa.</P>
<P>
A barreira linguística e o contexto económico recessivo que encontraram criam-lhes grandes dificuldades de integração no mercado de trabalho e a segurança social portuguesa nunca os terá ajudado. Um relatório de uma assistente social da câmara vila-franquense lança o alerta: poderá haver fome entre as famílias bósnias do Forte da Casa.</P>
<P>
Junto delas pode confirmar-se as imensas dificuldades com que se defrontam, embora revelem alguma humildade e o sentimento de que não podem exigir nada a quem os acolheu. Quanto à alimentação, dizem que «não tem muita, mas vai chegando».</P>
<P>
Enver Mujdzic, de 17 anos, foi dos que sentiu menos dificuldades de adaptação. Veio com a mãe, Fikreta Mujdzic (41 anos), e com a irmã mais nova, da cidade de Prijedor, no Norte da Bósnia, próximo da fronteira com a Croácia. Há cerca de 16 meses, o Fórum Estudante trouxe-os para Portugal, colocou-os no Estoril e, posteriormente, em Oeiras. Três meses depois, passaram a ficar à responsabilidade da Comunidade Islâmica que os trouxe para o Forte da Casa.</P>
<P>
No último Verão, Enver conseguiu um contrato de seis meses num armazém de electrónica que expirou em Dezembro, voltando a ficar sem trabalho. Em Portugal o jovem bósnio nunca frequentou qualquer escola, mas já se consegue expressar e compreender o português com algum à-vontade. A mãe trabalha em «part-time», numa lavandaria lisboeta, mas praticamente não fala português. A irmã frequenta a escola primária do Forte da Casa, mas Enver não duvida que «é muito difícil mandar as crianças andar na escola sem saberem falar a língua».</P>
<P>
Caso evidente de desadaptação é o de Djevad Blazevic, jovem vinte e poucos anos que divide o quarto com Enver. Não fala uma palavra de português e não tem perspectivas de emprego. Os seus familiares trabalham numa lavandaria e na pavimentação de estradas. Nas restantes famílias as opções de emprego distribuem-se pelas obras e pela lavandaria.</P>
<P>
De acordo com o relatório dos serviços sociais da Câmara de Vila Franca, são seis as crianças bósnias que frequentam a primária local. O director da escola, citado no documento, pensa que, «apesar da Comunidade Islâmica lhes dar apoio, estas famílias passam fome. As crianças, quando não comem, faltam à escola». A assistente social que elaborou o relatório detectou uma criança deficiente de 3 anos que vive com uma tia, de 33 anos, regularmente ausente a trabalhar.</P>
<P>
Segurança social indecisa?</P>
<P>
Junto da delegação de Vila Franca de Xira do CRSSL, a técnica municipal dos serviços sociais apurou que os serviços centrais do centro regional «solicitaram informações sobre estas famílias, porque irão efectuar um levantamento, mas não se sabe muito bem quando, devido à falta de recursos». A Câmara proporciona, entretanto, almoços gratuitos às seis crianças, nas instalações do Instituto de Apoio à Comunidade do Forte da Casa.</P>
<P>
A família de Enver, segundo ele, deixou de receber apoio da Comunidade Islâmica no final do ano passado e prepara o «salto» para a Suécia, logo que possa. Naquele país escandinavo está o pai que «diz que está a ser mais ajudado. Tem casa, tem trabalho, até tem um carro, tem tudo». «A Suécia aceita-nos, falta só ir à embaixada tirar alguns papéis e depois vamos», conta o jovem bósnio.</P>
<P>
Enver não se mostra, porém, muito interessado na evolução dos acontecimentos da sua terra natal, apesar do escudo bósnio desenhado na parede do seu quarto. Talvez sinta que o seu futuro já não passa pelos Balcãs. Diferente é o brilho nos olhos da mãe, Fikreta, quando se fala na esperança de que a guerra acabe de vez.</P>
<P>
Dos portugueses, diz Enver: «Alguns são amigos, gostam de nós, falam connosco, procuram ajudar, não ajudam muito, mas ajudam como podem. A Igreja do Forte da Casa ajuda muito quer a nós, quer aos timorenses.» O Centro Regional de Segurança Social de Lisboa (CRSSL) colocou, no passado dia 14, dez refugiados timorenses no mesmo prédio em que vivem as famílias bósnias, sem patentes dificuldades de relacionamento.</P>
<P>
No nosso país trabalham algumas dezenas de futebolistas oriundos da antiga Jugoslávia que não desconhecem certamente a presença destas famílias. «Que eu saiba nunca ajudaram. Só o senhor Ivic deu 30 mil escudos para dividirmos por todos», observa o jovem bósnio.</P>
<P>
Jorge Talixa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17590">
<P>
MARCUS FERNANDES</P>
<P>
Da Agência Folha, em Santos</P>
<P>
A cidade de Peruíbe (135 km ao sul de São Paulo) contabilizou até as 17h de ontem mais de mil desabrigados, segundo a Defesa Civil. Em São Vicente, a prefeitura decretou estado de alerta na cidade, diante da previsão de ocorrência de chuvas na madrugada de hoje. Em toda a região, o número de desabrigados passou de 900 para 1.200 pessoas.</P>
<P>
Durante a madrugada de ontem e até as 17h não choveu, à exceção de chuvas esparsas em Peruíbe. Na cidade, começa a faltar comida para os desabrigados, alojados em abrigos da prefeitura. Dos 21 bairros do município, 12 continuam alagados –com mais de um metro de água nas ruas.</P>
<P>
A maré alta no litoral de Peruíbe impede que baixem as águas do rio Preto, que atravessa a cidade. Segundo a Defesa Civil, o acesso a 60% das ruas desses bairros só é possível de barco. O trânsito de carros na cidade está restrito a três bairros.</P>
<P>
Em São Vicente, técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) estudam a possibilidade de dinamitar duas rochas -cada uma pesando mais de uma tonelada- que ameaçam residências nos morros do Itararé e do Barbosa. As famílias que moram nessas casas foram retiradas pela prefeitura, que decretou estado de alerta nas áreas.</P>
<P>
Santos</P>
<P>
Em Santos, técnicos do Grupo de Morros monitoram diversos locais de risco. Caso volte a chover, a prefeitura cogita decretar estado de alerta máximo nos 13 morros da cidade. Nesse caso, 1.500 famílias que moram em áreas de risco seriam retiradas. O número de desabrigados subiu para cem pessoas. Na madrugada de ontem, aconteceram cinco novos deslizamentos de terra. Não havia registro de mortos ou feridos até as 17h de ontem.</P>
<P>
Cubatão</P>
<P>
Em Cubatão, a prefeitura manteve o estado de alerta. Segundo a Defesa Civil, mais de 30 mil pessoas moram em áreas de risco. A refinaria Presidente Bernardes continuou parada ontem. O prejuízo diário da Petrobrás com a paralisação é de US$ 7 milhões.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99346">
<P>
Entrevista a Durão Barroso</P>
<P>
PÚBLICO -- Concluiu o seu primeiro ano à frente do Ministério com o anúncio da sua reestruturação. Trata-se apenas de uma rearrumação da casa ou representa uma tentativa de o apetrechar para exercer uma diplomacia diferente?</P>
<P>
DURÃO BARROSO -- Representa a segunda hipótese. Trata-se de uma reorganização orgânica e funcional, sem dúvida, mas gostaria que a reestruturação fosse vista como sendo muito mais do que isso -- como a verdadeira reforma até do modo de funcionamento da casa. Estou a investir bastante na vida interna do Ministério. Nunca, por exemplo, na história deste ministério, que se saiba, tinha havido uma reunião dos chefes de missão ou de todos os cônsules. Já fizemos um seminário sobre questões europeias. Na semana passada, houve um outro sobre as questões africanas. Estamos a investir nos recursos humanos que esta casa tem e que são de grande valia.</P>
<P>
P. -- 1994 vai ser um ano de agenda carregada para a União Europeia, que se estreia, por assim dizer, tendo de enfrentar inúmeros e complicados problemas de natureza interna e externa. Quais são, no seu entender, as grandes prioridades da UE para este ano?</P>
<P>
R. -- Julgo que se devem ver as prioridades à luz daquela que tem sido a dialéctica da construção europeia: alargamento e aprofundamento. É importante, sobretudo, que a UE -- que está a desenvolver agora um processo de alargamento a quatro países candidatos -- não veja sacrificado o essencial do que representaram alguns avanços consagrados em Maastricht. Achamos fundamental que se aplique Maastricht, nem mais nem menos do que Maastricht. Por isso, temos procurado assegurar que os primeiros passos da UE sejam dados com cuidado, de forma a pôr à prova as instituições e a não permitirmos que se entre num processo de deriva institucional...</P>
<P>
P. -- Pôr à prova as instituições? Isso significa plicar a Política Externa e de Segurança Comum (PESC)?</P>
<P>
R. -- Aplicar a PESC, por exemplo, mas tendo em atenção a necessidade de não criarmos expectativas demasiadamente elevadas, que poderiam ser defraudadas. Neste capítulo, temos sido das vozes mais prudentes. Foi já ambicioso o âmbito escolhido para as acções comuns. Seria contraproducente que a UE transmitisse aos cidadãos a ideia de que, agora, vai resolver problemas que, em muitos casos, estão fora do seu alcance...</P>
<P>
P. -- Não lhe parece que tem de haver uma relação entre os objectivos da PESC e a própria realidade? E esta coloca muitos problemas: questões de segurança, conflito jugoslavo, uma Rússia altamente instável. Não é a esta realidade a que a UE deve dar respostas?</P>
<P>
R. -- É essa, obviamente, a realidade que a PESC tem de enfrentar. Mas repito -- porque é essa a posição que temos defendido -- que é preciso chamar a atenção para os limites do «neo-intervencionismo». Depois da guerra fria, gerou-se em muitos espíritos a ideia de que se criaria espontaneamente uma nova ordem internacional ou que a acção determinada da grande potência americana poderia resolver os conflitos. Alguns podem agora ser tentados a ver na União Europeia um substituto para essa nova ordem. A meu ver, há que rodear de todas as cautelas a ideia de que poderá existir para o conflito jugoslavo, por exemplo, uma solução imposta do exterior...</P>
<P>
P. -- Sobretudo porque já é tarde. Talvez noutra altura não fosse...</P>
<P>
R. -- Talvez. Neste momento, não há a possibilidade de uma solução imposta do exterior. A situação da Rússia é, de facto, a meu ver, a situação mais preocupante com que se vê confrontada a Europa. Não podemos desviar daí as nossas atenções.</P>
<P>
P. -- O investimento diplomático da UE nos Balcãs não fica comprometido com factos como o recente estabelecimento de relações diplomáticas com a Macedónia apenas por parte de alguns Estados-membros?</P>
<P>
R. -- Não. Até porque essa questão tinha ficado fora das acções comuns. Portugal, por uma questão de solidariedade com um Estado-membro que sente uma dificuldade específica, decidiu que não seria dos primeiros a estabelecer relações diplomáticas com a Macedónia, embora seja uma questão que se vá colocar, mais cedo ou tarde. Prezamos muito esse princípio de solidariedade e a coesão comunitária. Mas estou convencido de que, se não fosse a União Europeia, os principais Estados europeus estariam profundamente divididos perante o conflito jugoslavo -- até por sensibilidades históricas diferentes.</P>
<P>
P. -- A Macedónia levanta outras questões, para além da tese da solidariedade entre os Estados-membros. É justamente uma das zonas onde a Comunidade poderia ajudar a criar condições para impedir o alastramento do conflito. Como sabe, a desestabilização do Kosovo, que não está fora de questão, teria consequências certamente dramáticas sobre a Macedónia. Por outro lado, repare que a ausência de uma decisão dos Doze levou directamente à «política do facto consumado»: os três «grandes» estabeleceram relações diplomáticas com Skopje.</P>
<P>
R. -- Permita-me discordar. Penso que o «timing» do estabelecimento das relações diplomáticas não colocava um problema maior de segurança à Macedónia. Foi um juízo de oportunidade. Houve perspectivas diferentes. Lá porque há uma PESC, não precisamos de tomar decisões comuns sobre tudo o que se passa no planeta.</P>
<P>
P. -- Não é do planeta, é de uma guerra na Europa que se trata.</P>
<P>
R. -- Não vejo porque é que havíamos de tomar uma posição comum sobre todas as questões europeias, embora, em muitas questões, seja desejável que tal aconteça.</P>
<P>
P. -- E quanto aos «grandes»?</P>
<P>
R. -- Nós fomos, de facto, consultados, não houve facto consumado.</P>
<P>
P. -- A Cimeira da NATO que amanhã começa é de grande importância na perspectiva da segurança europeia. Ao que parece, vão estar em cima da mesa duas questões fundamentais: que estratégia adoptar face ao Leste e face à Rússia, sob o ponto de vista do próprio futuro da NATO; qual é ou vai ser o real grau de empenhamento dos EUA na segurança europeia. Qual é a posição portuguesa em relação a cada uma delas?</P>
<P>
R. -- Começando pela segunda: somos adeptos incondicionais da afirmação do comprometimento dos EUA na segurança da Europa, não apenas de forma simbólica mas de forma operacional e concreta. Eu próprio já tive a ocasião de colocar expressamente esta posição no último conselho ministerial da NATO.</P>
<P>
Quanto à primeira questão, desde já ficou explícita uma posição portuguesa de apoio à proposta norte-americana, conhecida como «Partnership for Peace». É uma forma de aceitar o princípio do alargamento da NATO sem nos comprometermos desde já com o ritmo e os critérios desse alargamento. Compreendemos as necessidades de segurança dos países de Leste mas não achamos conveniente criar uma nova cortina de ferro, que iria estabelecer-se mais a Leste. De facto, a questão da cooperação bilateral no domínio da defesa com os países que estiverem interessados, sem estabelecer uma muralha que divida os europeus, vai ser extremamente difícil de gerir nos próximos tempos.</P>
<P>
P. -- Voltando ao empenhamento norte-americano na Europa, deu essa questão como resolvida. Acha que o está efectivamente?</P>
<P>
R. -- Quero ser completamente honesto na reposta. Julgo que existe, em alguns círculos dos EUA, o desejo de um maior descomprometimento americano na segurança europeia. Essa tentação foi expressa em algumas declarações. Mas esta cimeira visa justamente esclarecer as dúvidas que possam existir.</P>
<P>
P. -- Espera algum sinal dos EUA nesse sentido?</P>
<P>
R. -- Espero um sinal muito claro do Presidente Clinton nesse sentido. Há aqui também uma questão de civilização. É errado pensar que a nossa relação com os EUA tinha apenas a ver com um inimigo comum, a ex-URSS. Há uma comunidade de valores e de civilização.</P>
<P>
P. -- Uma das condições em que os EUA mais insistem -- aparentemente -- para o futuro da NATO é, precisamente, o reforço do pilar europeu da Aliança. Ou seja, o aumento da responsabilidade dos países da UE (ou da UEO, se quiser) na garantia efectiva da segurança. Portugal está de acordo com isso e preparado para esse esforço?</P>
<P>
R. -- Está. Foi, entre outras, por essa razão que aderimos à UEO.</P>
<P>
P. -- Mas, ao contrário da Bélgica, da Espanha e de outros, não vamos participar no Eurocorpo...</P>
<P>
R. -- Para já, não se coloca essa questão.</P>
<P>
P. -- Acha que poderemos participar numa força de intervenção rápida, da NATO ou da UEO, que se venha a criar no Mediterrâneo, por exemplo?</P>
<P>
R. -- É uma possibilidade, mas não está ainda tomada uma decisão.</P>
<P>
P. -- Qual seria a tradução concreta do empenhamento norte-americano, em número de homens, em terreno europeu?</P>
<P>
R. -- Mantém-se em vigor o Tratado do Atlântico Norte, com tudo o que ele implica em matéria de defesa mútua. Essa presença deve ser efectiva e não apenas simbólica. Mas, na actual situação, admito que os EUA queiram rever, em baixa, a presença dos seus efectivos na Europa.</P>
<P>
P. -- Com o desaparecimento da ameaça soviética, não lhe parece que a NATO apenas pode ter sentido se conseguir garantir não só a segurança dos seus membros como a dos outros países democráticos do continente europeu?</P>
<P>
R. -- A prazo, acho que sim.</P>
<P>
P. -- Como é que a NATO vai, então, evitar ferir as susceptibilidades da Rússia e garantir, ao mesmo tempo, a segurança das novas democracias do Leste?</P>
<P>
R. -- Esse dilema existe, de facto, e a maneira de enfrentar este tipo de problemas é sempre a mesma: temporalizando e segmentando.</P>
<P>
P. -- Ou seja, adiando...</P>
<P>
R. -- Adiando no sentido de que há situações diferentes nos países que batem à porta da NATO. As decisões terão de ser casuísticas e faseadas no tempo. Por isso é que a proposta do Partnership for Peace é interessante...</P>
<P>
P. -- Os checos ou os polacos não acham a mesma coisa: ouviu as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, apenas para dar um exemplo.</P>
<P>
R. -- Ouvi e falei detalhadamente com eles, com total franqueza. A verdade é esta: a NATO e os seus Estados-membros não estão actualmente disponíveis para assumir a responsabilidade de assegurar a defesa desses países.</P>
<P>
P. -- Então para que é que serve?</P>
<P>
R. -- Serve para assegurar a defesa dos países que fazem parte da NATO. Para já, neste momento, aceitamos o princípio do alargamento da NATO; mas qualquer novo compromisso em termos de defesa colectiva terá que ser analisado e avaliado ponderadamente, à luz da situação.</P>
<P>
P. -- Disse que o que o preocupava mais era a Rússia. Qual é o grau de gravidade que atribui à situação?</P>
<P>
R. -- Em primeiro lugar, temos que procurar uma análise equilibrada do que se passou: houve aspectos positivos e aspectos negativos. Os primeiros têm a ver com a aprovação da Constituição. Em períodos de transição, os problemas de legitimidade são aqueles que, se não forem resolvidos, podem criar mais perturbação. Estão criadas as condições para que estes problemas de legitimidade terminem. O lado negativo foi a expressiva votação em forças não democráticas.</P>
<P>
P. -- Qual deve ser a atitude do Ocidente -- depois do susto -- face à Rússia?</P>
<P>
R. -- A ideia de que o problema russo se resolve com a ajuda externa é falsa. Claro que temos de mostrar solidariedade para com um país que dá os primeiros passos na instalação da sua democracia. Mas a Rússia é um continente, mesmo depois do desmembramento da União Soviética. Não é a ajuda que resolve...</P>
<P>
P. -- Mas acha que a ajuda económica ocidental à Rússia deve continuar a ser dada segundo os critérios tecnocráticos do FMI ou segundo critérios políticos de outra natureza?</P>
<P>
R. -- Penso que deve ser segundo critérios políticos mas estes critérios não podem ser irrealistas. Sobretudo, não se pode criar a ideia de que a ajuda ocidental pode resolver o problema. Em termos de mensagem política, ela tem de ser: apoio às reformas, quer no campo político quer económico. Mas tem de se evitar alguma sobranceria. A Rússia, mesmo com as maiores dificuldades, continua a ser uma grande potência. Julgo que parte da sua crise actual se deve a um orgulho nacional ferido. É a exploração desse sentimento que pode levar a tentativas desesperadas.</P>
<P>
Há tempos, um dos amigos que tenho no Governo da Rússia mandou-me um editorial de um importante jornal americano que dizia mais ou menos isto: «Agora que a Rússia não conta, agora que a Rússia não tem qualquer espécie de influência, etc.» Dizia-me ele: como é que nós, os reformistas, com este tipo de «ajuda» que vocês nos dão, podemos consolidar as reformas?!</P>
<P>
Estamos na UE também para dar</P>
<P>
P. -- Onde é que os interesses portugueses se defendem em primeiro lugar: na Bósnia ou em África?</P>
<P>
R. -- Respondo-lhe que os nossos interesses prioritários estão, em primeiro lugar e sem qualquer espécie de dúvida, na Europa e na União Europeia. Um país da nossa dimensão seria dos que mais sofreriam se, porventura, o projecto europeu entrasse em colapso. Temos de ser decidida e inequivocamente a favor da União Europeia, sendo claro que o Tratado de Maastricht é um texto de compromisso e representa um equilíbrio entre visões por vezes contraditórias acerca da Europa. Nós próprios temos de trabalhar muito para que ela se consolide o mais possível e o mais próximo do que nós vemos que deve ser o seu modelo.</P>
<P>
P. -- Qual é esse modelo? Ninguém sabe exactamente o que é, neste momento, a União Europeia...</P>
<P>
R. -- Porque é um compromisso entre modelos -- e digo que ainda bem que assim acontece. Não tiro daí a conclusão pessimista que alguns extraem. Somos a favor de um modelo aberto e de um avanço pragmático, sempre com o favor das opiniões públicas. Avanço para uma cada vez maior integração, mas sem vermos a União Europeia nem como uma pura organização de tipo intergovernamental nem como um super-Estado em construção. Trata-se de uma construção original e é neste equilíbrio que nos interesse manter a Comunidade -- evitando quer a tentação federalista, quer a pura visão intergovernamental e de espaço livre-cambista.</P>
<P>
P. -- Qual é a sua ideia geral da reforma do Tratado prevista para 1996, a qual terá estado na base da recente defesa portuguesa de meros ajustes institucionais para a entrada de quatro novos membros na UE?</P>
<P>
R. -- Queremos que se cumpra o que ficou decidido em Lisboa: que qualquer reforma institucional só deve ter lugar após a Conferência Intergovernamental de 1996. Isto tem a ver com a nossa percepção do interesse nacional e do que deve ser a construção europeia. Achamos que um país com a nossa dimensão tem todo o interesse em evitar uma evolução no sentido supranacional, onde, de alguma maneira, se dilua o peso de Estados como Portugal. Em segundo lugar, porque entendemos que, se não forem mantidos certos equilíbrios, pode haver um risco quanto ao aprofundamento da nossa própria união.</P>
<P>
P. -- Como sabe, há a tese exactamente contrária, segundo a qual as vantagens dos «pequenos» são maiores numa estrutura supranacional.</P>
<P>
R. -- Penso que seríamos dos mais prejudicados se, porventura, a União Europeia entrasse em crise. Até agora, o projecto da União Europeia tem sido de tal modo que, quando o todo ganha, todos ganham -- e não, como algumas análises simplistas tendem a fazer crer, um jogo de soma nula em que, se alguém ganha, alguém tem de perder. A entrada destes novos países vai ser um reforço na boa direcção. São países de dimensão equivalente ou inferior à nossa, que estarão, sem dúvida, do lado daqueles que não quererão a constituição de um directório dos «grandes».</P>
<P>
P. -- Não lhe parece que um pequeno país como o nosso só pode pesar no jogo desse equilíbrio de que fala tendo uma posição muito afirmativa sobre os destinos da Europa e prontificando-se a assumir as suas responsabilidades e a pagar o preço correspondente?</P>
<P>
R. -- Exacto.</P>
<P>
P. -- Os belgas têm, na Bósnia, uma força militar que, proporcionalmente à população, é a maior de todas. A Dinamarca também. Portugal não age assim. Não paga o preço.</P>
<P>
R. -- Em primeiro lugar, Portugal tem feito um esforço não dispiciendo em relação à ex-Jugoslávia. Tenho-me batido pela ideia de de que não estamos na Comunidade apenas para receber, estamos também para dar. E julgo que é importantíssimo que a nossa opinião pública entenda isso. Às vezes, existe a ideia, absolutamente errada, de que apenas temos de nos aproveitar. Pessoalmente, choca-me essa perspectiva. Dito isto, estamos em democracia e temos uma opinião pública.</P>
<P>
P. -- Os outros países também, até mais forte do que a nossa.</P>
<P>
R. -- O problema da Bósnia -- vamos ser honestos -- é muito menos sentido em Portugal do que na maior parte dos países europeus. Em compensação, o problema moçambicano ou angolano é muito mais sentido em Portugal -- mesmo os problemas africanos em geral.</P>
<P>
P. -- Mas acha que a opinião pública espanhola é muito mais sensível à Bósnia? E, no entanto, já morreram na Bósnia bastantes «capacetes azuis» espanhóis.</P>
<P>
R. -- Penso que sim. Mas também penso que o nosso comprometimento psicológico em África é maior. Não posso, de forma alguma, defender um envolvimento muito maior do nosso país quando, às Forças Armadas portuguesas, está a ser solicitado um esforço importante com as operações em Moçambique e com outras que eventualmente poderão vir a colocar-se. Em política externa, por vezes, temos de ir contra a opinião pública e não devemos ter medo de o fazer; mas também há que assegurar uma certa congruência.</P>
<P>
Timor só a longo prazo</P>
<P>
P. -- Disse que, por vezes, os governos são forçados a ir contra as respectivas opiniões públicas. Timor pode ser uma situação desse género, a prazo?</P>
<P>
R. -- Não estou a ver como. Até penso que é um daqueles casos em que há um grande consenso nacional, envolvendo os sectores mais diferenciados. E tem havido um consenso muito grande na acção entre o Presidente da República e o Governo. Não vejo, neste momento, razões para essa sua previsão.</P>
<P>
P. -- Nota-se, contudo, em vários sectores que cresce a ideia de que Portugal deve flexibilizar a sua posição em relação à questão da autodeterminação e deve concentrar esforços em assegurar os direitos humanos.</P>
<P>
R. -- Penso é que há dois planos e a luta num não deve prejudicar os nossos objectivos no outro. Existe um problema de fundo -- que tem a ver com o direito à autodeterminação e com o estatuto do território -- e existe um problema geral de direitos humanos. Temos de desenvolver a nossa acção nas duas frentes. Por exemplo, a libertação destes sete timorenses foi, em si mesma, uma coisa boa; devemos valorizá-la, mas não podemos criar a ideia de que a nossa luta se limita ao campo dos direitos humanos.</P>
<P>
O que tem acontecido é que, como se tem conseguido resultados importantes -- quer na Comissão dos Direitos Humanos na ONU, quer na própria visibilidade do processo de negociação --, esse facto levou a uma maior discussão do tema e é natural que se exprimam algumas vozes em sentido divergente. Não vejo nisso um problema. Em democracia, não há assuntos-tabu.</P>
<P>
P. -- Esse avanços a que fez referência são todos numa das frentes -- na dos direitos humanos. Porque, sobre a questão de fundo, parece que estamos encalhados.</P>
<P>
R. -- Há uma divergência total e absoluta entre os dois governos -- o português e o de Jacarta. É por isso que tenho sido extremamente prudente, para não criar na opinião publica ilusões sobre uma solução rápida. Só vejo uma solução possível a longo prazo e através de uma politica de pequenos passos.</P>
<P>
P. -- A libertação dos sete jovens não representa uma alteração na política de Jacarta...</P>
<P>
R. -- Não penso que represente uma alteração fundamental. É um sinal positivo que saúdo, ao mesmo tempo que advirto quanto aos limites deste gesto.</P>
<P>
P. -- Em relação ao próximo encontro de Genebra, mantém o seu cepticismo?</P>
<P>
R. -- Sim, acho que é sempre prudente manter um certo cepticismo, ainda que construtivo. Estamos um pouco distantes desse encontro, que é em Maio, e vai haver algumas iniciativas do secretário-geral da ONU até lá.</P>
<P>
P. -- Em Roma, ficou decidido que os dois países se empenhariam na construção de medidas de confiança. Esta libertação foi apresenta por Jacarta como um exemplo de uma medida de confiança. O Governo português reconheceu esse acto como tal. Portugal vai dar alguma contrapartida?</P>
<P>
R. -- Já foi um excelente gesto da nossa parte termos reconhecido esse acto de Jacarta como gesto de boa vontade. Na verdade, a questão pôs-se na reunião que tive com o ministro Alatas em Setembro passado. Desafiei-o a dar sinais positivos e sugeri-lhe, como um terreno possível, a libertação destes sete timorenses. Ele perguntou-me que garantias poderia ter, se concretizasse este gesto, de que não seria utilizado como mais um pretexto para uma campanha anti-indonésia. Eu disse que, se era essa a sua preocupação, desde já lhe garantia que o receberíamos como um sinal positivo da parte dele.</P>
<P>
Mas o facto é que a situação neste processo não é, por assim dizer, simétrica. O problema está em criar condições de confiança no próprio território. O esforço tem de ser -- sobretudo, se não exclusivamente -- da parte indonésia.</P>
<P>
A paz em Angola e a África do Sul</P>
<P>
P. -- Recomeçaram as negociações de Lusaca entre a UNITA e o Governo do MPLA. Quais as suas perspectivas e quais os esforços que vai desenvolver para não haver nova frustração?</P>
<P>
R. -- Começa a tornar-se claro, para alguns analistas , que não haverá uma solução para o problema de Angola antes de se encontrar uma solução para o problema da África do Sul. Continuo pouco optimista quanto a um desenlace rápido do problema.</P>
<P>
P. -- Pode particularizar mais claramente essa tese da dependência do processo de paz angolano face à situação na África do Sul?</P>
<P>
R. -- Como sabe, há analistas que sustentaram isso.</P>
<P>
P. -- Pelos vistos, está de acordo com eles.</P>
<P>
R. -- Não tenho, francamente, uma posição definitiva sobre essa matéria.</P>
<P>
P. -- Mencioná-la é, contudo, uma novidade em si.</P>
<P>
R. -- Em termos públicos, é. Mas sempre houve o factor sul-africano do processo angolano. Embora nós acreditemos inteiramente na boa fé do Presidente De Klerk, a verdade é que elementos radicais de direita branca sempre viram a desestabilização regional como uma forma de assegurar alguma influência sobre o próprio processo na África do Sul e até, eventualmente, como uma reserva para actividades futuras.</P>
<P>
P. -- O que está a dizer é que essa desejada desestabilização é conseguida em Angola através da UNITA.</P>
<P>
R. -- Que houve obviamente ligações, elas são inegáveis...</P>
<P>
P. -- Mas está a estabelecer uma relação de causa e efeito entre essa minoria branca radical e a UNITA.</P>
<P>
R. -- Não. O que eu disse é que muitos analistas estabeleceram esta dependência dos dois processos. E expressamente vos disse que ainda não tenho todos os elementos que me permitam julgar. Hoje, a UNITA não tem apoio de nenhum país, oficialmente.</P>
<P>
P. -- Tem informações sobre esse apoio de sectores sul-africanos à UNITA ou é apenas uma suposição?</P>
<P>
R. -- Se tivesse provas sobre a actualidade desse apoio, não hesitaria em exibi-las.</P>
<P>
P. -- Como é que se sente e que reflexões é que faz uma pessoa que teve um papel determinante nas negociações de paz em Angola e na conclusão dos acordos de Bicesse, quando vê na televisão as imagens de horror e de morte, de fome e de miséria que nos chegam todos os dias?</P>
<P>
R. -- Sinto-me muito triste, naturalmente, visto que tive um envolvimento pessoal muito grande e conheço muitos dos intervenientes, quer de um lado quer do outro, alguns dos quais até já morreram. Mas digo-lhe uma coisa: estou absolutamente convencido de que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Promovemos um acordo que foi o que as partes quiseram e livremente assinaram. Chamámos para o acordo as grandes potências, envolvemos as Nações Unidas, demos um contributo financeiro e de recursos humanos importantíssimo, através do esforço para a formação das Forças Armadas angolanas. Penso que Portugal não tem nada de que se envergonhar, fez tudo o que estava ao seu alcance e actuámos de boa fé.</P>
<P>
R. -- Não acha, portanto, que, sob o ponto de vista político, tivemos ambição demais para os meios de que dispúnhamos e para as condições em que o acordo foi aplicado? Um exemplo: aceitámos patrocinar um acordo de paz em que a presença dos «capacetes azuis» da ONU não estava prevista -- ao contrário do que aconteceu nas eleições da Namíbia, nomeadamente, e vai acontecer em Moçambique.</P>
<P>
R. -- Penso que não tivemos ambições demasiadas. Talvez um dia possa desenvolver alguns aspectos que, por enquanto, convém manter em confidencialidade. Mas houve muitas propostas que não se concretizaram porque as partes recusaram. A nossa alternativa era: ou ter este acordo ou não ter acordo nenhum. Lembro-me que, na altura, os que mais reclamavam pelo acordo eram os que hoje mais criticam alguns dos seus termos. Por reconhecermos que Portugal não tinha, por si só, todos os meios é que, a partir de determinada altura, solicitámos aos EUA e à então União Soviética que se juntassem a nós.</P>
<P>
P. -- Acha, portanto, que não houve da vossa parte alguma ingenuidade ou precipitação sobre a avaliação das condições para resolver uma guerra civil que tinha durado mais de quinze anos?</P>
<P>
R. -- Se houve ingenuidade nossa, então teremos de dizer que houve ingenuidade das Nações Unidas, dos norte-americanos, dos soviéticos, do Governo de Luanda e da UNITA.</P>
<P>
P. -- Trata-se da sua responsabilidade política, não a de outros.</P>
<P>
R. -- É por isso que estou a responder com veemência, porque tenho posto essa questão a mim próprio. Quando julgamos uma decisão política, temos de julgá-la no momento em que foi tomada e de acordo com a informação disponível na altura. Se agora me perguntar se voltava a fazer tudo exactamente da mesma maneira, eu respondo: com certeza que não.</P>
<P>
P. -- Porque é que um país como os EUA -- igualmente mediador -- é capaz de fazer uma intervenção militar na Somália, onde nem sequer há acordo entre as partes para essa intervenção, e, em Angola, essa hipótese nem sequer se pôs?</P>
<P>
R. -- O melhor é perguntar aos norte-americanos. De qualquer modo, como pista a explorar, o que posso dizer-lhe é que talvez os norte-americanos pensassem e pensem que o problema angolano era ainda mais difícil que o da Somália. E eu penso que é. Não deixa de ser revelador que mesmo um problema que muitos analistas consideraram como relativamente fácil -- o da Somália -- desse o resultado que deu. O que vem confirmar a ideia, que tenho procurado defender, dos limites do intervencionismo, mesmo que humanitário. Penso que os americanos estavam convencidos de que isso não resolvia o problema [angolano].</P>
<P>
P. -- Então, pelos vistos, Angola estava condenada à partida. Porque é que não se empenharam mais na participação dos capacetes azuis?</P>
<P>
R. -- Posso dizer-lhe que não foram os norte-americanos que não quiseram a intervenção dos capacetes azuis. As partes é que não quiseram, na altura. Não queira saber a dificuldade que foi (sem entrar muito no detalhe, porque ainda é cedo) aceitar-se o próprio princípio da presença das Nações Unidas no processo angolano das negociações de paz. Mas acrescento que, mesmo com capacetes azuis, o fundamental seria sempre a boa fé das partes.</P>
<P>
P. -- Fátima Roque faz-lhe acusações duríssimas, que o PÚBLICO reproduziu, num livro recentemente editado em Lisboa, sobretudo em torno do seu comportamento por ocasião dos massacres de Luanda, a 31 de Outubro...</P>
<P>
R. -- Em primeiro lugar, quero dizer que, se Fátima Roque ainda hoje está viva, deve-o em parte a mim próprio, para além do embaixador António Monteiro, no terreno, e do próprio primeiro-ministro, que fez uma intervenção excepcional junto do Presidente da República de Angola...</P>
<P>
P. -- Não acha que só fez a sua obrigação?</P>
<P>
R. -- Só queria que ficasse claro, porque é importante para analisar o comportamento das pessoas. Aliás, o marido de Fátima Roque veio agradecer-me pessoalmente e a própria parece que fez o mesmo perante o primeiro-ministro. Se não fosse a protecção que nós demos e os esforços que fizemos para a retirar de lá, seguramente já não podíamos ouvir as críticas de Fátima Roque. Mas é normal que, em situações deste tipo, um mediador seja atacado ou por uma ou por ambas as partes.</P>
<P>
P. -- Neste caso, só por uma...</P>
<P>
R. -- São acusações sem fundamento nenhum: já demos as maiores provas de que estamos empenhados profundamente no processo de paz em Angola.</P>
<P>
P. -- Atendo-nos aos factos e a propósito da protecção a Fátima Roque, em Luanda, é de deduzir que não lhe foi possível ter idêntica atitude em relação a outros dirigentes da UNITA que foram mortos nessa altura?</P>
<P>
R. -- Não foi possível fazê-lo. Não se podia acorrer a todas as situações. Eu próprio, no dia seguinte aos massacres, referi -- quando muita gente se mantinha prudentemente calada sobre o que viria a suceder -- que a UNITA seria sempre indispensável à solução do problema angolano. O que não posso é desculpabilizar a UNITA relativamente às gravíssimas responsabilidades que tem no processo. Porque foi a UNITA que declarou que as eleições -- que foram consideradas justas por todas as entidades internacionais envolvidas -- não eram válidas e que, bem antes dos acontecimentos de Luanda, abandonou o exército em formação e tomou, pela força, parte do território angolano. Não podemos ser coniventes com estas situações.</P>
<P>
P. -- E acha que os três factos que enumerou justificam, em sua opinião, os massacres de Luanda e outras cidades de Angola, a partir de 31 de Outubro?</P>
<P>
R. -- De forma nenhuma. Lamento em absoluto as mortes que ocorreram, todas e cada uma delas. Visitei Luanda poucos dias antes dos acontecimentos e já se vivia uma situação de pré-guerra, com a UNITA a controlar grande parte da cidade.</P>
<P>
P. -- Essa é a teoria da «tentativa de golpe de Estado» por parte da UNITA.</P>
<P>
R. -- Eu próprio fui impedido pela UNITA de chegar à embaixada portuguesa pelo caminho normal. Houve uma situação de guerra generalizada e penso que, depois, o desenrolar dos acontecimentos ficou, a certa altura, incontrolável para o próprio lado do Governo.</P>
<P>
P. -- Ou seja, o Governo não conseguiu controlar as massas populares e foram elas as responsáveis pela morte dos dirigentes da UNITA?</P>
<P>
R. -- Até hoje, não há uma prova de que tenha havido a intenção deliberada do Governo de eliminar fisicamente os dirigentes da UNITA. E, se houvesse, tinha sido um erro, porque alguns dos dirigentes da UNITA que morreram eram dos elementos mais moderados.</P>
<P>
P. -- Portanto, a sua versão é a de que se tratou apenas de uma situação descontrolada, em que o povo decapita uma organização que estava a negociar, sem qualquer intencionalidade política por parte do Governo.</P>
<P>
R. -- Não, não. A partir de certa altura, é obvio que houve uma situação de guerra em Luanda, nessa noite. Não vou discutir quem deu o primeiro tiro. Mas não estou a dizer que o Governo de Luanda tenha sido inocente e não tenha tido qualquer intenção naquilo que fez. O que estou a dizer é que, a partir de certa altura, houve um descontrolo generalizado.</P>
<P>
P. -- Ainda sobre o livro de Fátima Roque, há algumas afirmações que mereceram alguma atenção...</P>
<P>
R. -- Pode fazer as perguntas que quiser, mas o Governo não está no banco dos réus em relação a Angola...</P>
<P>
P. -- Mas está sujeito às perguntas que lhe queiram fazer.</P>
<P>
R. -- Aceito todas as perguntas que me queira fazer, mas queria dizer que não reconheço a Fátima Roque qualquer credibilidade para fazer acusações ao Governo português.</P>
<P>
P. -- É natural que uma alta dirigente da UNITA tenha o direito de fazer acusações ao Governo português.</P>
<P>
R. -- Uma alta dirigente da UNITA que, por vezes, aparece como portuguesa, outras como angolana.</P>
<P>
P. -- Para todos os efeitos, é dirigente da UNITA -- e o sr. ministro tem que ouvir os dirigentes da UNITA. Ou não?</P>
<P>
R. -- Nós ainda agora ouvimos Savimbi dizer que quer as melhores relações com o Governo português...</P>
<P>
P. -- Mas, às vezes, também não quer ouvir Jonas Savimbi...</P>
<P>
R. -- Não dou a todas as intervenções a mesma importância e, às de Fátima Roque, não dou importância nenhuma.</P>
<P>
P. -- Ponho a questão de outra maneira: há muita gente que observa que o Executivo português tem uma capacidade de relacionamento mais fácil com o Governo de Luanda que com a UNITA. A que é que isto se deve?</P>
<P>
R. -- A ser assim, isso dever-se-ia ao facto de a responsabilidade principal pelo rompimento dos acordos de paz se ter ficado a dever, na nossa opinião -- e, também, em resoluções das Nações Unidas aprovadas por unanimidade --, à UNITA. A dificuldade de relacionamento existe por parte de todos os elementos do Conselho de Segurança. Só em Portugal é que se tende a politizar esta questão, em alguns casos para condicionar a nossa opinião. E até por questões de política interna -- e essas lamento-as profundamente.</P>
<P>
Está tudo em aberto para 1995</P>
<P>
P. -- Numa entrevista ao «Expresso», disse que o Presidente da República devia ter mais contenção em matéria de política externa. De então para cá, lembro-lhe alguns episódios: o Presidente recebeu o general Ben-Ben e o Governo não o quis receber; a polémica em relação à visita do Presidente chinês...</P>
<P>
R. -- Nesse caso, não houve polémica nenhuma. Peço desculpa, mas tratou-se apenas de especulações. Houve concertação total entre o Presidente e o primeiro-ministro.</P>
<P>
P. -- Considera que, do Verão até hoje, o Presidente também não se tem «contido»?</P>
<P>
R. -- A condução da política externa compete ao Governo. O Presidente tem obviamente todo o direito de ter opiniões sobre as questões de política externa, mas exige-se-lhe um grande esforço de contenção para que o nosso país não surja com duas vozes. É, em termos programáticos, o que gostaria de declarar sobre a matéria. É verdade que já houve algumas situações em que declarações ou comportamentos do Presidente da República nos colocaram perante situações embaraçosas.</P>
<P>
P. -- Quer especificar?</P>
<P>
R. -- Esse caso, que referiu, foi, a meu ver, um comportamento menos feliz do Presidente da República, na medida em que tinha havido acusações gravíssimas do próprio general Ben-Ben contra o primeiro-ministro e o Governo português. Quanto mais não fosse, por uma questão de solidariedade institucional, eu esperaria que o Presidente não recebesse a UNITA. Era um momento em que tínhamos de fazer, sobretudo, pressão. Às vezes, insiste-se na demagogia do diálogo pelo diálogo nas questões da diplomacia -- é demagogia pura. Há momentos em que o diálogo tem de ser equilibrado com pressão. Naquele momento, ao nível do Conselho de Segurança, o sinal que se estava a pretender dar à UNITA era um sinal de firmeza. O Presidente entendeu dar um sinal diferente. Foi uma situação menos feliz, mas espero que não seja mal entendida a minha observação, pois sou um adepto da cooperação institucional entre órgãos de soberania.</P>
<P>
P. -- Também é dirigente nacional do PSD, com responsabilidades partidárias. Qual é a sua leitura do resultado das últimas autárquicas?</P>
<P>
R. -- Acho que não atingimos os nossos objectivos mas que, nas circunstâncias actuais, foi um resultado razoável. Mas é bom que fique claro que perdemos, porque, a julgar por determinadas análises, até pareceria que tínhamos ganho. Muitos meios da oposição parece até que entraram em depressão, vá lá saber-se porquê. Para 1995, que é a minha preocupação fundamental como dirigente nacional que sou do PSD, julgo que está tudo em aberto. Podemos ter uma maioria, mas é possível que a percamos se cometermos erros.</P>
<P>
O nacionalismo não rende</P>
<P>
P. -- Como é que olha para as eleições europeias de Junho?</P>
<P>
R. -- São extremamente importantes e, do ponto de vista partidário, olho-as com alguma esperança. Penso que poderemos fazer passar a nossa mensagem essencial: sermos favoráveis à Europa mas, ao mesmo tempo, afirmando os interesses específicos de Portugal.</P>
<P>
Mas estou preocupado com o discurso do PS. É curioso que o PS ultimamente esteja a afirmar uma posição de chauvinismo e uma tentação para um certo nacionalismo estreito, que me parece em contradição com a sua própria história. Isso é errado do ponto de vista do próprio PS -- se é que pensa que esse discurso rende eleitoralmente.</P>
<P>
P. -- Quer dizer que o PSD não está disposto a fazer qualquer cedência às vozes que vão surgindo, sobretudo à direita, contra a Europa?</P>
<P>
R. -- Espero que não. Mas entenda-se bem a nossa posição, que sempre foi muito equilibrada e até criticada, por estar a ser algo nacionalista.</P>
<P>
P. -- Era assim até Maastricht. Depois, o Governo converteu-se subitamente também à Europa política.</P>
<P>
R. -- Não vejo quando é que isso foi... A posição do PSD é de defesa intransigente da União Europeia mas também dos interesses específicos de Portugal no quadro da UE, refutando quer as posições federalistas, quer as posições de redução da Comunidade a um mero espeço de livre câmbio e de intergovernamentalidade.</P>
<P>
P. -- Acha que há novas condições para um discurso nacionalista antieuropeu, por exemplo, com a nova questão dos «pequenos» e dos «grandes», com a Espanha a desempenhar o papel de «grande», com a penetração económica espanhola, etc.?</P>
<P>
R. -- Acho que sim e que é revelador o facto de o PS, que sempre foi tradicionalmente um partido mais internacionalista que o PSD, estar a ir buscar alguns desses temas à agenda dos chauvinistas.</P>
<P>
P. -- O primeiro-ministro recandidatar-se-á nas legislativas de 1995?</P>
<P>
R. -- Gostaria muito que o professor Cavaco Silva, neste momento um dos mais experientes chefes de governo europeus, se disponibilizasse para conduzir o partido a um novo mandato com ele como primeiro-ministro. Mas isso é uma decisão do seu foro pessoal.</P>
<P>
P. -- Preferia, portanto, que se recandidatasse ao governo do que vê-lo concorrer a Belém?</P>
<P>
R. -- Sobre a questão presidencial, lamento não poder sair desta posição -- não vamos antecipar essa discussão. Mas digo que a minha preferência pessoal é ver Cavaco Silva à frente do PSD por mais um mandato legislativo. Está provado que grande parte do valor eleitoral do PSD se deve à personalidade política do primeiro-ministro. Há um capital próprio de Cavaco Silva e esse factor pode ser decisivo na escolha que os portugueses vierem a fazer em 1995.</P>
<P>
P. -- É saudável, para o PSD, a imagem que está a ser dada publicamente na questão das eleições para a distrital de Lisboa?</P>
<P>
R. -- Confesso que não gostei muito deste episódio, mas o PSD é um partido muito vivo. Ao mesmo tempo, é curiosa a importância nacional que se deu a algo...</P>
<P>
P. -- Quando o próprio líder do partido interfere no processo, está a dar-lhe importância, não acha?</P>
<P>
R. -- ... a algo que só tem uma importância relativa. Em termos de destaque da informação, achei um pouco desproporcionado.</P>
<P>
P. -- Acha que é a antecipação do cenário do pós-cavaquismo?</P>
<P>
R. -- Acho que não. Quando se quer organizar um funeral, é preciso um defunto e penso que alguns tomaram os seus desejos por realidades.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40776">
<P>
Incêndio em navio</P>
<P>
A Força Aérea Portuguesa evacuou ontem para o Hospital de Ponta Delgada um tripulante do navio Nissos-Limo que sofreu queimaduras de terceiro grau num incêndio que se registou a bordo.</P>
<P>
O incêndio ocorreu na casa das máquinas do navio, com bandeira das ilhas Vanuatu, quando este navegava a 40 milhas a nordeste da ilha do Faial, numa viagem entre a Rússia e a Costa Rica.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-13977">
<P>
Estados Unidos acusados de esquecer direitos humanos</P>
<P>
O comércio da ética</P>
<P>
Como os tempos estão mudados. Os Estados Unidos, sentados á mesma mesa, com o Vietname, a China ou o Laos, a discutir com eles um esquema comum de segurança. Sim, porque ter ao lado a Rússia, herdeira da defunta URSS, a defender pontos de vista semelhantes aos de Washington ou Tóquio, já deixou de espantar.</P>
<P>
Os Estados Unidos e a China deverão dar hoje início a um novo tipo de relacionamento, quando o subsecretário de Estado Strobe Talbott se encontrar em Banguecoque, à margem do ARF, com o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Qian Qichen, admitiu na semana passada o secretário de Estado adjunto para os assuntos da Ásia e Pacífico na Administração Clinton, Winston Lord, um antigo embaixador em Pequim.</P>
<P>
O encontro Talbott-Qian será o primeiro de alto nível sino-americano desde que o Presidente Clinton decidiu em Maio prorrogar o estatuto de «nação mais favorecida» (MFN) à China e desligar o problema dos direitos humanos de futuras prorrogações.</P>
<P>
O secretário de Estado Warren Christopher deveria ser, em circunstâncias normais, a figura da Administração americana a encontrar-se com Qian e a assistir ao Fórum Regional da ASEAN, mas tem que estar hoje em Washington para a cimeira entre o primeiro-ministro israelita, Yitzhak Rabin, e o rei Hussein da Jordânia. Daí a presença de Talbott em Banguecoque.</P>
<P>
«Este será o primeiro encontro político de alto nível desde a decisão MFN», disse Lord aos jornalistas. Talbott e Qian, acrescentou, debaterão à margem dos trabalhos do ARF, os novos arranjos de segurança regionais na Ásia e a situação na Coreia do Norte desde a morte, há duas semanas, do Presidente Kim Il Sung.</P>
<P>
No que respeita a Pyongyang, que conta actualmente apenas com a China como aliado político e económico, Lord disse que os Estados Unidos «esperam reiniciar o mais depressa possível o diálogo» de Genebra, através do qual o regime estalinista de Kim Jong Il, filho e herdeiro de Kim Il Sung, deverá reafirmar a intenção de congelar o seu programa nuclear, em troca de reconhecimento diplomático e ajuda económica. Washington quer que Pequim pressione ainda mais os amigos do Norte à desnuclearização.</P>
<P>
Mas outro ponto importante do encontro, referiu Lord, «será estudar até onde poderemos ir, nas nossas relações bilaterais, a partir da decisão MFN», nomeadamente na consulta mútua em questões de segurança regional, problemas globais, comércio e direitos humanos.</P>
<P>
Ao renovar o MFN, Clinton prometeu levar a cabo onze novas iniciativas, indo ao encontro das preocupações americanas no capítulo dos direitos humanos, incluindo a elaboração «voluntária de um conjunto de princípios a que os agentes económicos americanos a operar na China se devem obrigar».</P>
<P>
Fontes citadas pela Reuter referem que a promessa de Clinton de criar um código de conduta para os homens de negócios a operar na China pode ser alargada, num ponto de vista global do respeito dos direitos humanos a nível mundial, o que está a irritar alguns activistas da causa das garantias fundamentais dos indivíduos. Segundo estes últimos, a Casa Branca está cada vez mais disposta a pôr os negócios à frente da ética, evitando mais uma vez o confronto com Pequim.</P>
<P>
E parece que esses activistas até têm razão. Washington já tem um contencioso quase nulo com o Vietname, país cujo governo comunista está na «via chinesa» para o capitalismo e se prepara mesmo para aderir aos ex-inimigos da ASEAN. Mas as questões do Laos, sob regime torcionário e ligado ao tráfico da droga, ou da Birmânia, cuja junta militar continua surda aos protestos de todo o mundo, são «elefantes» que Washington vai engolindo.</P>
<P>
Os Estados Unidos bem que tentaram resistir à inclusão da Birmânia no fórum ARF, que se realiza dias depois do quinto aniversário da prisão domiciliária da líder da oposição local, Daw Aung San Suu Kyi. Mas os países ASEAN bateram o pé ao poderoso aliado da guerra fria e insistiram numa «abordagem construtiva» que inclui «o não envolvimento nos assuntos internos dos vizinhos».</P>
<P>
Prática que a Indonésia tem conseguido ver aplicada a si, quanto ao problema de Timor-Leste, e que os Estados Unidos deverão «esquecer», mais uma vez, na reunião de Banguecoque. É a força dos negócios.</P>
<P>
Fernando Correia de Oliveira</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-18449">
<P>
A Companhia Energética de Pernambuco localizou 1.400 ligações clandestinas de eletricidade até agosto no Estado. O número representa 22% dos consumidores no período. Segundo a empresa, em 93 o desvio de energia deu um prejuízo superior a R$ 20 milhões.</P>
<P>
Pernambuco 2</P>
<P>
A Prefeitura de Recife começou a instalar na praia de Boa Viagem 14 placas alertando banhistas e surfistas a não nadar em mar aberto. A decisão de instalar as placas, escritas em inglês e português, foi tomada após o quarto ataque de tubarão contra surfistas neste ano. </P>
<P>
Paraíba 1</P>
<P>
O Sine (Sistema Nacional de Empregos) inaugurou um posto de atendimento em Patos (300 km de João Pessoa). Segundo coordenadora do Sine, Maria Freitas, o posto vai atender pedidos de seguro-desemprego e encaminhar mão-de-obra ao mercado local.</P>
<P>
Paraíba 2</P>
<P>
Freitas disse que os trabalhadores desempregados de Patos e de vários municípios próximos serão treinados em cursos profissionalizantes. O Sine de Patos formará ainda um cadastro de mão-de-obra não-qualificada para a formação profissional através dos cursos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-39099">
<P>
Da Redação</P>
<P>
A Inglaterra, pragmática, tenta banir qualquer imagem que lembre o assassinato de James Bulger. A França, racionalista, tenta entender o que acontece.</P>
<P>
A primeira hipótese em circulação remete ao filósofo Michel Foucault: uma pena dessa natureza pretenderia criar a imagem de monstros para os criminosos e fingir que, à parte eles, tudo segue normal.</P>
<P>
O psiquiatra Bruno Gravier diz, no jornal "Libération", que o problema central é descobrir "como nossas crianças tornaram-se assassinas". Janet Reibstein, psicóloga da Universidade de Cambridge, entende que está face "a um quebra-cabeças que talvez não tenha peça central".</P>
<P>
A psicóloga Liliane Lurçat, do Centre National de Recherches Scientifiques, acredita que a TV seja a principal responsável pela mudança do comportamento infantil, por gerar o "contágio emocional imediato" num  espectador, que já não diferencia real e imaginário.</P>
<P>
Todas essas poderiam coincidir num ponto: o modelo Disney (da pureza infantil) e mesmo o modelo Pinocchio (a angústia do crescimento) estão subitamente atropelados pelas imagens de "Parque dos Dinossauros": a brutalidade arcaica explode nos monstros pré-históricos. As crianças vêem e adoram. O quebra-cabeça está de pé. (Inácio Araujo)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-25450">
<P>
Khin Zaw Win foi detido no dia 4 de julho de 1994 no aeroporto internacional de Yangon (ex-Rangum), capital de Myanma (ex-Birmânia), quando embarcava com destino a Cingapura.</P>
<P>
Em junho de 1993, após formar-se em Odontologia, ele recebeu uma bolsa do governo cingapuriano para fazer mestrado na Universidade de Cingapura. Sua tese versava sobre a situação política em Myanma e Khin tinha regressado ao seu país para fazer investigações acadêmicas.</P>
<P>
Khin foi condenado a 15 anos de prisão por ``gerar ou difundir notícias falsas", ``filiação ou contato com organização ilegal" e ``posse ou controle de informações secretas".</P>
<P>
Por favor, peçam a imediata e incondicional libertação de Khin Zaw Win. Remetam suas cartas para: General Than Shwe _ Chairman / State Law and Order Restoration Council / c/o Ministry of Defense / Signal Pagoda Road / Yangón / Unión de Myanmar.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93893">
<P>
Conversações angolanas de Lusaca recomeçaram ontem</P>
<P>
Um jogo para longas semanas</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
Não irá ser porventura ainda este mês que os dois grandes partidos de Angola se reconciliam e acabam com uma guerra que vem de há mais de 20 anos. Aos 39 dias de negociações da primeira fase de Lusaca talvez se tenham agora de juntar, pelo menos, outros tantos.</P>
<P>
O oficioso «Jornal de Angola» dizia ontem, em editorial, que a nova fase das conversações na capital zambiana vai ser ainda mais dura do que a anterior, que decorreu de 15 de Novembro a 24 de Dezembro; e vaticinava que haverá ainda mais desacordos. O que poderá ser um sinal muito claro de como os trabalhos se irão arrastar, com a perene desconfiança entre um e outro lado.</P>
<P>
«O fim das negociações poderá demorar ainda algumas semanas», declarava o jornal do regime, no dia em que representantes do governo e da UNITA voltaram a sentar-se à mesa em Lusaca para tentar o que desde há mais de um ano não conseguem: restabelecer a paz que em 1991 fora combinada em Portugal e no último trimestre de 92 ferida de morte em Angola, após a realização das eleições legislativas e da primeira volta das presidenciais.</P>
<P>
O facto de nos últimos tempos se terem continuado a verificar acções armadas entre uma e outra parte poderá ser um sério obstáculo ao êxito das negociações, advertia entretanto Alioune Blondin Beye, o maliano que neste processo representa o secretário-geral das Nações Unidas, Butros Butros-Ghali.</P>
<P>
Numa declaração muito enérgica feita na sessão plenária de ontem, segundo fonte diplomática que a ela assistiu, Beye insistiu com o governo angolano e com a UNITA em que se devem abster terminantemente de prosseguir com as hostilidades.</P>
<P>
O delegado da ONU recordou aos beligerantes que já no dia 10 do mês passado foram aprovados os princípios gerais e específicos do restabelecimento do cessar-fogo quebrado em finais de 92, pelo que poderá muito bem haver agora um cessar-fogo de facto, mesmo antes de o mesmo ser formalmente assinado.</P>
<P>
Partilha do poder</P>
<P>
Enquanto isto, num comunicado da respectiva Comissão Política, a UNITA desmentia ter atacado quarta-feira o aeroporto de Malanje, quando para lá se dirigia uma delegação chefiada pelo presidente da sub-comissão parlamentar norte-americana de Assuntos Africanos, o democrata Harry Johnston.</P>
<P>
O partido chefiado por Jonas Malheiro Savimbi pretende agora que a parte governamental faça concessões no campo político, no qual se deve centrar a nova fase das negociações, com reestruturação das forças da polícia, reforço da Missão de Verificação das Nações Unidas (Unavem), reconciliação nacional e organização da segunda volta das presidenciais.</P>
<P>
A UNITA entende que já cedeu ao máximo no campo militar, de modo a possibilitar um cessar-fogo global, e que cabe agora a vez ao governo consentir numa partilha do poder, entregando-lhe uns quantos ministérios significativos, cargos de chefia a nível militar e policial, algumas representações diplomáticas e a administração das províncias onde tem maior base eleitoral.</P>
<P>
Isso mesmo deverá dizer aos representantes norte-americanos que dentro de dias vai receber em Lusaca, os mesmos que não conseguiram visitar Malanje devido aos controversos tiros no aeroporto daquela cidade, desde há perto de um ano cercada pelos homens de Savimbi.</P>
<P>
Quando a parte política estiver praticamente terminada na Zâmbia, os estados-maiores dos militares de um e outro lado deverão ir a São Tomé e Príncipe tratar de alguns pormenores do acantonamento, desarmamento e desmobilização das tropas que não ficarem integradas nas Forças Armadas Angolanas, quando estas voltarem a ser uma estrutura integrada e apartidária. Pelo menos, é isso o que está actualmente previsto. Mas no caso angolano tem havido sempre um grande fosso entre o que se espera e o que de facto se verifica, com uma nítida tendência para as situações de conflito se arrastarem ad eternum.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31745">
<P>
Milagre na África do Sul?</P>
<P>
Na data em que escrevo ignoram-se ainda os resultados das primeiras eleições multirraciais na África do Sul. No entanto, e apesar da extraordinária incompetência revelada pela organização eleitoral, parece possível dizer que a era pós-«apartheid» começou com sinais encorajadores: a população acorreu em massa às urnas e o acto eleitoral decorreu num ambiente invulgarmente pacífico.</P>
<P>
É obviamente muito cedo para lançar foguetes, mas dificilmente pode ser negada a extraordinária dimensão das proezas até aqui alcançadas pela dupla Mandela-De Klerk. Este último teve o mérito indiscutível de liderar a transição do poder branco para uma democracia multirracial em que a esmagadora maioria é composta por negros. Nelson Mandela, por seu turno, revelou-se um líder político e homem de Estado de rara audácia e maturidade.</P>
<P>
Depois de ter sido perseguido e encarcerado pelo poder branco, Mandela recusou a política tribal de vingança e deu todos os passos certos para tentar reconstruir uma África do Sul sem dominações raciais. Ninguém pode saber se vai ou não ter sucesso. Mas ninguém pode contestar que Mandela fez tudo o que estava ao seu alcance para o conseguir.</P>
<P>
As eleições recém-realizadas marcam o fim do «apartheid». Contudo, assinalam apenas o início da era democrática. É discutível que as dificuldades vindouras possam ser superiores às que já foram enfrentadas. Mas são certamente comparáveis. Prendem-se sobretudo com o problema das minorias e com o não menos explosivo problema das expectativas ultra-inflacionadas da população negra.</P>
<P>
Mandela tem repetido sabiamente que não quer repetir o desastre de Angola e Moçambique, onde as minorias e oposições não foram respeitadas. Mas os problemas que tem pela frente são particularmente complicados. A África do Sul compreende 11 minorias, e o país dificilmente pode sobreviver se reconhecer a cada uma o direito de se organizar autonomamente.</P>
<P>
Em contrapartida, a forte identidade de zulus e afrikaners não pode ser ignorada, e alguma forma de autogoverno tem de ser encontrada para evitar tensões que podem tornar-se fatais. Os resultados eleitorais no Natal, e a correspondente reacção do chefe Buthelezi, serão a este respeito particularmente esclarecedores. Nelson Mandela sabe melhor do que qualquer outro que as 13 mil mortes ocorridas nos últimos quatro anos foram sobretudo devidas ao conflito entre negros, e não entre negros e brancos.</P>
<P>
Mas um outro, e não menor, problema residirá na capacidade do novo governo para lidar com as elevadíssimas expectativas que a população negra deposita na democracia. Essas expectativas são inteiramente compreensíveis. Como recordava recentemente «The Economist», de Londres, o rendimento médio dos negros é apenas um décimo do dos brancos; cerca de metade da população negra não tem emprego formal; três quintos vivem em zonas rurais, onde 80 por cento não têm electricidade e 90 por cento não têm esgotos; e apenas um em cada três negros passou o exame final da escola primária no ano passado.</P>
<P>
Mas Mandela também sabe, e tem-lo dito, que a população negra da África do Sul é relativamente afortunada por comparação com os seus pares nos restantes países africanos. O rendimento «per capita» na África do Sul é de 2670 dólares, cerca de sete vezes mais do que nas outras economias africanas. E, se o problema na África do Sul é a discriminação e a pobreza relativa, no resto do continente o problema é a miséria absoluta, a fome, as epidemias e a ignorância generalizada.</P>
<P>
Mandela conseguiu essa proeza extraordinária que foi conseguir convencer o ANC de que o grande responsável pelas relativas vantagens económicas dos negros sul-africanos é essa notável entidade, ausente dos outros países africanos, que dá pelo nome de capitalismo. Esta proeza é tanto mais admirável quanto é sabido que o Partido Comunista sul-africano tem forte presença na estrutura dirigente e intermédia do ANC, chegando mesmo a deter 16 elementos entre os 50 primeiros candidatos nacionais do Congresso Nacional Africano. Mas, ao que parece, este partido comunista também já elogia as economias de mercado -- nunca fiando, no entanto.</P>
<P>
Numa notável intervenção na BBC no sábado passado, o líder do ANC Thabo Mbeki explicou com toda a clareza que a primeira prioridade do novo governo será restabelecer a confiança empresarial. O entrevistador insistia em que os negros querem empregos, não entidades abstractas como «confiança empresarial». Sorrindo, num tom didáctico, Mbeki retorquiu que «empregos» quer dizer empresas e «empresas» quer dizer investimento. Logo, se os investidores, nacionais e estrangeiros, não tiverem confiança, não haverá investimento nem empresas, nem empregos.</P>
<P>
Se o primeiro governo multirracial da África do Sul seguir estas sábias palavras de Thabo Mbeki, Nelson Mandela e os seus homens candidatam-se seriamente a ficar na história da África negra como os seus verdadeiros libertadores. Não só porque lideraram, juntamente com De Klerk, a transição pacifica do «apartheid» para a democracia, mas também porque terão conseguido preservar uma poderosa economia de mercado e empresa livre.</P>
<P>
Esse seria o verdadeiro milagre sul-africano, um exemplo para um continente em que a transição para o poder negro representou apenas mais subdesenvolvimento. Mas o milagre sul-africano ainda não se verificou. Façamos votos para que se verifique.</P>
<P>
Destaque:</P>
<P>
Mandela conseguiu essa proeza extraordinária que foi conseguir convencer o ANC de que o grande responsável pelas relativas vantagens económicas dos negros sul-africanos é essa notável entidade, ausente dos outros países africanos, que dá pelo nome de capitalismo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="gtqqq"> 
<P>NOME: COLETIVOS, SENHA: COLABORAÇÃO</P>
 <P> Ricardo Rosas </P>
 <P> A recente onda dos coletivos artísticos e ativistas (ou "artivistas") no Brasil tem chamado a atenção da mídia mainstream para um fenômeno de proporções bem maiores e razões mais profundas que a vã filosofia dos cadernos culturais poderia imaginar. Pouco compreendida, a dinâmica destas articulações chega assim maquiada com um verniz espetaculoso e superficial que, ao que parece, tenta esconder o pano de fundo crítico e instrumental desses grupos. Muitas vezes passageiros como um casual flashmob, outras vezes organizados e duradouros como uma associação, tais ajuntamentos são na verdade indícios de uma mutação maior que está se dando tanto na esfera tecnológica quanto na social. </P>
 <P> Coletivos, em si, nada têm de novo. Já são uma tradição na arte, na literatura, que percorreu todo o século vinte, aqui como lá fora. Segundo o historiador de coletivos artísticos Alan Moore (1), seu ponto de partida foi
logo após a Revolução Francesa, com os estudantes de Jacques-Louis David, os barbados, ou " Barbu ", que formaram uma comunidade criativa que viria a ser chamada de Boêmia, espécie de nação imaginária espiritual de artistas -cujo nome provinha de uma nação de verdade e geraria a idealização do estilo de vida "boêmio"-, compondo um contraponto à academia oficial. Desde então, o fenômeno tem ocasionalmente se repetido ao longo da história da arte, como o Arts and Crafts na Inglaterra vitoriana, dadaístas, situacionistas, Fluxus, numa lista quase infinita de grupos dos mais diversos tipos. No Brasil, eles remontam ao século dezenove, com o grupo dos românticos em São Paulo, os grupelhos de poetas simbolistas, os modernistas da década de 1920, o grupo antropofágico, os concretistas nos anos 1950, o coletivo Rex de artistas na década seguinte, 3Nós3 e Manga Rosa na década de 1970, Tupi Não Dá, ou os mais recentes Neo-Tao e Mico, entre inúmeros outros. </P>
 <P> O que diferencia a atual voga de movimentações coletivas no Brasil são o caráter político de boa parte delas, assim como o uso que muitas fazem da internet, seja via listas de discussão, websites, fotologs e blogs ou simplesmente comunicação e ações planejadas por e-mail. </P>
 <P> Na Europa e nos EUA, a fusão de arte e política já estava presente nos dadaístas e surrealistas, e representou o ponto fundamental dos situacionistas no pós-guerra, e desde então essa mescla tem se dado em vários grupos que atuam na fronteira ativismo/arte, como o Arte &amp; Linguagem, Art Workers Coalition, Black Mask, neoístas, Gran Fury, Group Material, PAD/D, Guerrilla Girls, ou os mais recentes Luther Blissett Project, RTmark, Etoy, Critical Art Ensemble, boa parte destes últimos atuando diretamente com alta tecnologia, no que se tem atualmente denominado de mídia tática. </P>
 <P> Se essa junção sempre esteve presente lá fora, o atual beco sem saída do neoliberalismo parece haver despertado a consciência de vários grupos no Brasil, que passaram a criar fora das instituições estabelecidas com performances, intervenções urbanas, festas, tortadas, filmagens in loco de protestos e manifestações, ocupações, trabalhos com movimentos sociais, culture jamming e ativismo de mídia. À diferença dos coletivos high tech europeus e americanos, os coletivos brasileiros atuam nos interstícios das práticas tradicionais da cultura instituída, em ações até agora de um víes mais low tech. </P>
 <P> Mesmo assim, a maioria deles surgem ou agem graças à internet. Alguns, como o Expressão Sarcástica, Vitoriamario, Poro, TEMP, BaseV, ou Cocadaboa, possuem seus próprios sites. Outros, como o CORO, um grupo que pretende mapear todos os coletivos em ação no Brasil, ou a Universidade do Fora, entre outros, funcionam com lista de discussão. Blogs também hospedam grupos com identidade virtual à Luther Blissett, como o Ari Almeida ou Timóteo Pinto, enquanto os fotologs tem servido como meio de divulgação de coletivos como o Radioatividade, ou grupos do stencil e do sticker (adesivo) como Faca, Coletivo Rua, SHN, entre dezenas de outros. </P>
 <P>Se a tecnologia não é fundamento básico destes grupos para ações tipo hacktivismo, net arte ou similares, é por meio dela, contudo, que se dá a dinâmica de ação e propagação das atividades destes grupos na vida real. Pois uma palavra-chave de todos estes coletivos é a colaboração. Espécie de buzzword atualmente, a colaboração, bem como termos irmãos como livre cooperação, comunidade, interação e rede são senhas para uma transformação que está se dando em escala global.</P>
 <P> Foi a colaboração que permitiu o surgimento de movimentos massivos como os protestos "anti-globalização", bem como a organização de festas-protesto como as do Reclaim the Streets, ou ainda a publicação aberta da rede Indymedia. A divisão de tarefas, o compartilhamento de valores e a liderança coletiva caracterizam em grande parte essas organizações cuja tradução mais exata é a filosofia do open source. </P>
 <P> Inicialmente restrita ao círculo de programadores e geeks, a idéia da criação coletiva e distribuída que caracteriza as comunidades Linux e software livre tem virado fonte de inspiração para grupos os mais diversos que estão se voltando para este modo de trabalho como um modelo viável e menos restritivo, não-hierárquico. </P>
 <P> Tive recentemente a oportunidade de participar de uma conferência sobre o tema na
universidade de Buffalo, NY. Chamada " Redes, arte e colaboração " (" Networks, art and collaboration "), e organizada pelo artista e professor de novas mídias Trebor Scholz e por Geert Lovink, net crítico e teórico de mídia tática, a conferência teve o mérito de reunir diversos ativistas, teóricos e artistas que trabalham colaborativamente, e pautou por abordar diversas facetas da questão, como o conflito com os interesses financeiros das grandes instituições do capitalismo, os conflitos internos dentro da dinâmica coletiva, ou as diversas iniciativas em áreas que vão das artes à educação, da criação em rede à distribuição livre de conhecimento. </P>
 <P> O tema é quente o bastante para gerar semanas de debates acalorados, mas aqui se limitou a um final de semana onde se sucederam mesas abertas, performances e apresentações de projetos. Teóricos e historiadores de arte ativista em coletivos como Gregory Sholette, Alan Moore e Brian Holmes, grupos como Critical Art Ensemble e Guerrilla Girls, net críticos como McKenzie Wark, ou o teórico maior da colaboração online, o alemão Cristoph Spehr, estiveram presentes. Spehr, autor do cultuado livro Die Aliens sind unter uns! (" "Os alienígenas estão entre nós! "), tem servido como o melhor tradutor da mecânica funcional do código aberto (open source) para o campo da política, da organização social, e da economia. </P>
 <P> Entre alguns pontos fundamentais, Spehr defende a noção de que as relações devem se basear na liberdade e igualdade de uns para com os outros e com a cooperação; que regras devem ser estabelecidas, negociadas (e cumpridas) para que a cooperação funcione; que conflitos que surjam ao longo dessas negociações podem construir o respeito mútuo, a independência na cooperação e nos tornar mais fortes; e que organização, lealdade para com as pessoas, não com as instituições, e auto-confiança, são elementos essenciais. </P>
 <P> Em seu livro, num estilo que remixa ensaio e ficção científica, grupos colaborativos independentes e autônomos seriam os grandes monstros que ameaçam o atual estágio do neo-liberalismo corporativo. Espécie de alienígenas no meio da lógica capitalista da competitividade e das redes de "cooperação forçada", os coletivos colaborativos autônomos atuam numa esfera que transcende a mercantilização e podem efetuar uma troca auto-sustentável que, se aplicada em larga escala - o que para muitos é pura utopia -, correria o risco de transformar totalmente a paisagem social, econômica e política do planeta. Comunismo open source? Talvez, pelo menos é o que Spehr acredita, com um otimismo desafiante, o mesmo que o faz organizar a conferência anual " Out of This World em Bremen, onde junta programadores, ativistas, escritores de ficção científica, filósofos e teóricos para debater a aplicação do código aberto à transformação social visando o futuro. </P>
 <P> Por outro lado, o capitalismo há muito já aprendeu a trabalhar em rede. O fenômeno dos coletivos de livre cooperação na esfera artístico-ativista encontra seu paralelo nos grupos criativos de trabalho descentralizado e flexível produzindo para o mercado. Como diz o teórico Brian Holmes num ensaio sobre a questão (2), esse tipo de organização característica da produção imaterial no atual estágio capitalista do pós-fordismo, seria o da "personalidade flexível", adaptativa e versátil em sua atuação profissional, a qual, obviamente não excluiria sob hipótese alguma a competição ou o controle pela vigilância, ainda que à distância. Para combatê-la, só um ativismo "flexível" que, mesmo por sua característica cooperativa e autônoma, se adaptasse à configuração de um mundo cada vez mais baseado em redes, distribuído em setores terceirizados, "aparentemente" independentes. </P>
 <P> Em se tratando da internet, o crescente uso das redes de compartilhamento peer-to-peer, weblogs, software livre, listas de discussão, publicações abertas tipo slashdot, wiki ou Indymedia, as bibliotecas online de livre acesso, foruns e todas as outras formas operacionais das comunidades na rede estariam abrindo o caminho para essa transformação pelo trabalho colaborativo que os ativistas e coletivos de hoje usam como tática de resistência e cuja disseminação compartilhada podem ter consequências ainda imprevisíveis. </P>
 <P> Como diz Geert Lovink em seu último livro, My First Recession, a cultura da internet "é um meio global no qual redes sociais são moldadas por uma mistura de regras implícitas, redes informais, conhecimento, convenções e rituais coletivos" (3). Procurar entender o atual fenômeno dos coletivos ignorando essa dinâmica de código e cultura, ou seja, modus operandi, instrumentos, ativismos e lutas democráticas face a uma crescente repressão na guerra global do capital, equivaleria a esquecer por completo a senha na hora de logar. Esqueceu sua senha? </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-81019">
<P>
FLAVIO GOMES</P>
<P>
Todo começo de ano é a mesma coisa. A Fórmula 1 deixa no ar uma pergunta cuja resposta todos querem conhecer e entrega a nós, astutos especialistas no assunto, a obrigação de responder. Na temporada passada, você deve se lembrar, o dilema era: Senna corre ou não corre? Correu. Agora é: Prost corre ou não corre? Para que as pessoas parem de me atazanar com tal questiúncula, vou responder. Corre também.</P>
<P>
Posso até cair do cavalo, mas dane-se. Tenho que apostar em alguma coisa e há algumas semanas dediquei esse espaço a uma torcida descarada pela volta do baixinho. Não tem problema se ele já se despediu das pistas. Está cheio de gente que volta atrás. Sílvio Caldas encerrou a carreira dezenas de vezes. Pelé, duas. Eu mesmo, ao final de cada temporada, prometo que a próxima é a última e entra ano, sai ano, estou lá, ouvindo barulho de carro e aguentando mau humor de piloto. Esse negócio de dizer que vai parar é um charme.</P>
<P>
Claro que Prost está valorizando seu retorno. Ele também não é bobo. Se o novo carro da McLaren for um calhambeque ele vai usar o velho recurso de que tem palavra para não pilotá-lo. Foi só brincadeirinha, eu queria só ajudar o pessoal, vai dizer. Mas não creio que o MP4/9 seja essa bomba. Depois, se a McLaren tivesse outra opção, já teria dado alguma pista concreta sobre quem será o companheiro de Mika Hakkinen. Está sobrando pouca gente boa no mercado. Por incrível que pareça, se Alain decidir não correr, o lugar deve cair nas mãos do incansável Patrese. As alternativas de Ron Dennis não são as melhores.</P>
<P>
A presença de Prost, porém, não altera em um milímetro meus prognósticos para 94. Em que pese o fato de a Ferrari ter feito um carro com cara de gente grande, de a McLaren ter renascido com o acordo com a Peugeot e de a Benetton estar andando barbaridade nos testes em Barcelona, a Williams continua favoritaça ao título porque tem a Renault e Senna.</P>
<P>
Pode-se argumentar que a nova equipe de Ayrton vai colocar algumas pedras no caminho do francês, já que ele ainda tem contrato com a Williams. A quem acredita nessa possibilidade, um lembrete: Prost na McLaren é economia para Frank. Em vez de desembolsar US$ 7 milhões para o nanico ficar em casa, ele coloca essa grana na conta de Senna. Até ele, Ayrton, está torcendo por Alain nessa altura do campeonato. Esse mundo dá voltas, mesmo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45221">
<P>
s-Centro.perigo</P>
<P>
Alenquer</P>
<P>
População: 34. 098</P>
<P>
Desemprego: 5,5% (1991)</P>
<P>
Urbanização da Barrada, Carregado</P>
<P>
Problemas: Esta é uma extensa urbanização deixada a meio por falência da empresa promotora. Famílias de etnia cigana ocupam uma das torres. São frequentes os conflitos e troca de tiros e há acusações de tráfico de droga. Os vendedores do mercado do Carregado denunciam o uso, à noite, das suas bancas para actos sexuais. «Isto é uma miséria autêntica. Tenho que lavar e desinfectar isto todas as manhãs. A praça devia estar vedada», disse ao PÚBLICO um dos vendedores.</P>
<P>
Almada</P>
<P>
População: 151.783</P>
<P>
Desemprego: 10.8%</P>
<P>
Zonas escuras do Bairro do Pica Pau Amarelo</P>
<P>
Problemas: Junto às traseiras do Hospital Garcia de Orta são comuns as desavenças, talvez por ser um local de tráfico de droga.</P>
<P>
Trocatas e Pragal</P>
<P>
Problemas: Local de concentração de consumidores de droga. Zona de assaltos também, onde os taxistas, por exemplo, não gostam de ir.</P>
<P>
Mata de S. António, Costa da Caparica</P>
<P>
Problemas: Zona clandestina densamente aglomerada. A própria polícia tem medo de lá entrar. Não raras vezes, embora sem eco público, verificam-se confrontos entre «gangs» de negros e cabeças rapadas.</P>
<P>
Jardim da Cova da Piedade</P>
<P>
Problemas: Local de concentração de toxicodependentes.</P>
<P>
Barrocas, Cova da Piedade</P>
<P>
Problemas: Local de concentração de toxicodependentes. Assaltos. Os taxistas sentem-se inseguros.</P>
<P>
Quinta do Rato e Bairro da Fundação, Laranjeiro</P>
<P>
Problemas: Idem.</P>
<P>
Quinta de Stº António e Bairro de S. João, Feijó</P>
<P>
Problemas: Idem.</P>
<P>
Bairro Fundo Fomento, Vale Figueira</P>
<P>
Problemas: Idem.</P>
<P>
Charneca e Vila Nova da Caparica</P>
<P>
Problemas: Assaltos a carros e vivendas. Os taxistas sentem-se inseguros.</P>
<P>
Bairro Campo da Bola na Costa da Caparica, zonas de praia na própria vila, Marisol e zona da Fonte da Telha</P>
<P>
Problemas: Local de concentração de toxicodependentes. Assaltos à mão armada. Os taxistas sentem-se inseguros.</P>
<P>
S. Pedro da Trafaria, zona 2º Torrão</P>
<P>
Problemas: Droga e assaltos. Os taxistas sentem-se inseguros.</P>
<P>
Ruelas de acesso ao cais de embarque, Cacilhas</P>
<P>
Problemas: Entreposto fluvial. Zona de chegada e partida de «mulheres do alterno» e «utentes» do «bas-fond».</P>
<P>
Imediações do Asilo 28 de Maio, Porto Brandão</P>
<P>
Problemas: Criminalidade de todo o tipo, com predominância para o tráfico de droga.</P>
<P>
Cova do Vapor, Trafaria</P>
<P>
Problemas: Os taxistas receiam trabalhar nesta zona.</P>
<P>
Bairro Amarelo, Monte da Caparica táxis</P>
<P>
Problemas: Local de concentração de toxicodependentes. Assaltos.</P>
<P>
Amadora</P>
<P>
População: 177.167</P>
<P>
Desemprego: 6,7% (1991)</P>
<P>
Alto da Cova da Moura, Buraca</P>
<P>
Problemas: É um dos bairros onde há maior número de homicídios e ofensas corporais, «sobretudo por causa do álcool», segundo o inspector João de Sousa, da Polícia Judiciária. Um bairro de lata onde «entramos com algum cuidado», admitiu também ao PÚBLICO Francisco Pereira Calvão, coordenador da PJ para a área dos furtos e roubos. «Começou por ser mal conotado por questões racistas, a população é sobretudo caboverdiana, o que levou à estigmatização do bairro. Mas não temos registos de muitos problemas. Não vou dizer que não haja tráfico de droga...». Mas lá dentro, médicos e taxistas não se sentem nada à vontade.</P>
<P>
Zona dos hipermercados Continente, Jumbo e Aki, Alfragide</P>
<P>
Problemas: Segundo a PJ, esta é uma área de grande incidência de furtos e assaltos, a pessoas e carros estacionados nos parques. A PSP apenas realça assaltos dentro dos estabelecimentos.</P>
<P>
Bairro das Fontaínhas e 6 de Maio, Venda Nova</P>
<P>
Problemas: Zona de suspeição para os taxistas e para a PJ.</P>
<P>
Bairro de Stª Filomena</P>
<P>
Problemas: Bairro degradado com ruas muito estreitas, onde as pessoas de fora se sentem ameaçadas. A maioria da população da Amadora conhece este bairro maioritariamente africano apenas da janela do comboio. Zona de suspeição.</P>
<P>
Alfornelos, perto da Brandoa</P>
<P>
Problemas: Centro da prostituição da Amadora, onde pára a famosa «Cicciolina».</P>
<P>
Barreiro</P>
<P>
População: 85.768</P>
<P>
Desemprego: 13,7%</P>
<P>
Imediações do Estádio Alfredo da Silva, Lavradio</P>
<P>
Problemas: Concentração de consumidores de droga.</P>
<P>
Caldas da Rainha</P>
<P>
População: 43.205</P>
<P>
Desemprego: 15%</P>
<P>
Triângulo dos Espreitas (Estrada Atlântica), Foz do Arelho</P>
<P>
Problemas: Um local ermo a 200 metros do mar. Encontros de namorados e amantes foram aos milhares até ser tornado público um caso de tentativa de violação e homicídio de um casal. Os espreitas e «voyeurs» continuam a marcar presença no local, mas só os menos informados para lá vão. Os que conhecem as histórias têm medo do Triângulo dos Espreitas.</P>
<P>
Edifício da Estação, Av. 1º de Maio</P>
<P>
Problemas: Junto à Estação da CP das Caldas da Rainha, um prédio de 11 pisos está abandonado há mais de uma década. É um local de concentração de marginais. «Quanto mais para o topo da construção mais degradação», disse ao PÚBLICO um vendedor ambulante que costuma parar naquela zona «por causa dos passageiros dos comboios», justificou. Durante a noite ninguém se aproxima do seu interior e «até a polícia tem medo de passar por ali», admitiu o comissário Costa, comandante da PSP das Caldas da Rainha.</P>
<P>
Cascais</P>
<P>
População: 153.294</P>
<P>
Desemprego: 6,9% (1991)</P>
<P>
Bairro das Marianas</P>
<P>
Problemas: Os taxistas consideram este bairro como um local de perigosidade de tomada e largada de passageiros. Não entram.</P>
<P>
Bairros do Fim do Mundo e da Galiza, S. João do Estoril</P>
<P>
Problemas: Idem.</P>
<P>
Bairro do Manique, São João do Estoril</P>
<P>
Problemas: Zona de suspeição para os taxistas.</P>
<P>
Coimbra</P>
<P>
População: 139.093</P>
<P>
Desemprego: 6,2%</P>
<P>
Jardim da Sereia</P>
<P>
Problemas: Jardim junto à Praça da República frequentado durante o dia por crianças e namorados que, à noite, se transforma em local privilegiado para o consumo e tráfico de droga. A estas horas, só lá vai quem quer, e quem o faz não tem por hábito apresentar queixas na PSP.</P>
<P>
Avenida Cidade Aeminium, conhecida por Marginal do Mondego</P>
<P>
Problemas: Separada do centro de Coimbra pela linha férrea, esta avenida é apenas utilizada durante o dia por quem procura estacionamento e por condutores em fuga ao trânsito da Avenida Fernão de Magalhães. Durante a noite torna-se palco de encontros homossexuais. A PSP considera-a um dos locais menos seguros de Coimbra.</P>
<P>
Bota Abaixo e zona envolvente à Estação Nova</P>
<P>
Problemas: Em pleno centro de Coimbra, a Avenida Fernão de Magalhães é uma das mais movimentadas ruas da cidade, durante o dia. Mas à noite é quase exclusivamente utilizada por prostitutas e respectivos clientes. Não é, no entanto, considerado um local perigoso, a não ser para as próprias prostitutas que, por vezes, são agredidas e maltratadas.</P>
<P>
Leiria</P>
<P>
População: 102.762</P>
<P>
Marachão</P>
<P>
Problemas: Uma zona de passagem situada ao longo da margem esquerda do Rio Liz. As situações de insegurança referidas verificam-se sobretudo à noite. Trata-se de um espaço de passeio e de lazer durante o dia e com um ambiente social radicalmente diferente à noite, frequentado por prostitutas e proxenetas.</P>
<P>
Bairro Francisco Sá Carneiro, freguesia dos Marrazes</P>
<P>
Problemas: As opiniões dividem-se entre os que afirmam recear frequentar o local e os que adiantam ser mais uma questão de preconceito. Trata-se de um local onde foram realojadas muitas famílias provenientes das ex-colónias e que estiveram, numa primeira fase, no antigo RAL 4 (Regimento de Artilharia de Leiria). Urbanização tradicionalmente referenciada por situações de tráfico, consumo de droga e prostituição. São conhecidas algumas dificuldades de convivência entre a população dos Marrazes e os residentes deste bairro social.</P>
<P>
Quinta do Alçada, freguesia dos Marrazes</P>
<P>
Problemas: Zona residencial construída na segunda metade da década de 70, considerada na altura como uma das grandes urbanizações da cidade. Trata-se de uma das áreas suburbanas com mais casas para alugar e com rendas mais baixas. A má fama do local, devido aos fenómenos de prostituição e droga, é considerada factor dissuasor para novos residentes que pretendam aqui instalar-se.</P>
<P>
Loures</P>
<P>
População: 322.158</P>
<P>
Desemprego: 6,2% (1991)</P>
<P>
Póvoa de Santa Iria</P>
<P>
Problemas: São frequentes os furtos em residências das pessoas que vão trabalhar para Lisboa.</P>
<P>
Santo António dos Cavaleiros</P>
<P>
Problemas: Idem.</P>
<P>
Bairro da Torre, Camarate</P>
<P>
Problemas: Zona de suspeição para os taxistas.</P>
<P>
Bairro da Sacor, Bobadela</P>
<P>
Problemas: Idem.</P>
<P>
Casal da Câmbra</P>
<P>
Problemas: Idem.</P>
<P>
Estrada Militar, Catujal</P>
<P>
Problemas: É uma estrada com barracas dos dois lados. Os taxistas consideram este bairro como um local de perigosidade de tomada e largada de passageiros.</P>
<P>
Quinta do Mocho, Sacavém</P>
<P>
Problemas: Os taxistas consideram este bairro como um local de perigosidade de tomada e largada de passageiros.</P>
<P>
Serra da Luz</P>
<P>
Problemas: Os taxistas consideram este bairro como um local de perigosidade de tomada e largada de passageiros.</P>
<P>
Vale do Forno</P>
<P>
Problemas: Idem.</P>
<P>
Marinha Grande</P>
<P>
População: 32.234</P>
<P>
Casal do Malta</P>
<P>
Problemas: Bairro social construído no início da década de 70, onde foram alojadas algumas famílias da região com condições sociais degradadas. Prostituição e droga são considerados os motivos principais da insegurança vivida nesta zona residencial, situada nas proximidades de uma escola secundária. É um local conhecido por algumas rusgas da polícia que envolvem por vezes tiroteios. Mesmo assim a situação melhorou substancialmente nos últimos anos.</P>
<P>
Moita</P>
<P>
População: 65.086</P>
<P>
Desemprego: 13.9% (1991)</P>
<P>
Vale da Amoreira e Alhos Vedros</P>
<P>
Problemas: Assaltos diários aos estabelecimentos de ensino e assaltos a menores na via pública, bem como «vandalismo sobre os equipamentos colectivos [no concelho] , com especial incidência» nestas duas freguesias, «gerando um sentimento generalizado de insegurança na população», denunciou recentemente a Câmara Municipal da Moita.</P>
<P>
Oeiras</P>
<P>
População: 151. 342</P>
<P>
Desemprego: 6,9% (1991)</P>
<P>
Pedreira dos Húngaros, Linda-a-Velha</P>
<P>
Problemas: Bairro de barracas habitado maioritariamente por caboverdianos e ciganos e referenciado como o local de tráfico de droga por excelência da região. Quase colado a Linda-a-Velha (que nos últimos anos se transformou num local de residência da classe média e média alta) é talvez a zona de maior suspeição desta área suburbana. Oa taxistas não entram. Esperam o passageiro fora do bairro.</P>
<P>
Alto de Stª Catarina, Cruz Quebrada</P>
<P>
Problemas: O término das carreiras da Carris para o Dafundo e Cruz Quebrada (eléctrico nº 15) é considerado um dos mais perigosos da rede. São frequentes os furtos ao guarda-freio. Também os taxistas consideram este bairro um local perigoso quer para tomar quer para deixar passageiros. Normalmente não entram.</P>
<P>
Bairro Sá Carneiro, Laveiras, Caxias</P>
<P>
Problemas: Os taxistas consideram este bairro como um local perigoso para tomar e deixar passageiros.</P>
<P>
Casal da Choca, Porto Salvo</P>
<P>
Problemas: Idem.</P>
<P>
Peniche</P>
<P>
População: 25.880</P>
<P>
Desemprego: 18%</P>
<P>
Ribeira Velha</P>
<P>
Problemas: A antiga praça de recepção de visitantes de Peniche transformou-se no ponto de encontro para todo o tipo de negócios. Traficantes de droga ou contrabandistas de tabaco passeiam-se por ali com um à vontade tão grande que quase ninguém percebe o que se passa. Mas quem sabe escolhe outros locais para circular. «É verdade que quando os negócios correm mal, tudo pode acontecer», queixa-se um taxista que já por várias vezes se arrependeu de andar na Ribeira Velha. É uma das zonas mais bonitas de Peniche.</P>
<P>
Vila Maria</P>
<P>
Problemas: É um dos maiores bairros de Peniche, a cerca de um quilómetro do centro da cidade, e está a crescer. Depois da saída de muitos jovens da prisão os problemas têm-se multiplicado. «O problema é a lei da amnistia» queixa-se um agente da PSP que acredita que «a criminalidade vai aumentar». Os esfaqueamentos por tudo e por nada são já uma rotina. «Ainda outro dia um vizinho passou por um grupo de gandis e disse-lhes para se portarem bem, a resposta foi uma série de facadas», disse ao PÚBLICO um morador preocupado. As grandes concentrações de jovens são à porta de um café e «a maior parte nem mora nesta zona, é gente cigana e desempregados ou então marginais que todos sabemos o que fazem», concluiu outro morador.</P>
<P>
Bairro Peniche 3</P>
<P>
Problemas: Depois de algumas detenções no início do ano, o Bairro Peniche 3 ficou mais desafogado de problemas. A polícia com os poucos meios que tem acredita que a situação vai voltar a ser regra. «Ali dentro ninguém entra sem ser olhado do pés à cabeça», explicou ao PÚBLICO um agente da PSP. É uma construção tipo gueto com três grandes edifícios que formam um «U» e um pátio enorme. À sua frente há um grande muro e no meio um portão. Um local escondido onde se faz de tudo. «Isto já era de imaginar», disse um autarca próximo do presidente da Câmara que acusa a forma como o Fundo de Fomento da Habitação planeou este tipo de bairros sociais.</P>
<P>
Santarém</P>
<P>
População: 62.621</P>
<P>
Desemprego: 5,5% (1991)</P>
<P>
Freguesia de Marvila</P>
<P>
População local: 9812</P>
<P>
Problemas: Sucessivos assaltos ao comércio, na área que é a principal zona comercial da cidade. Os pontos mais críticos são a Calçada das Figueiras, onde existe uma decadente prostituição feminina; o Salão de Jogos, centro de tráfico de droga; o Largo de Sá da Bandeira, largo do Seminário contíguo ao Jardim da República, dois centros de tráfico de droga e prostituição dos dois sexos. A droga também afasta -- ou aproxima -- as pessoas do bairro do Alfange, na zona ribeirinha, local de tráfico e consumo.</P>
<P>
Rodoviária do Tejo, São Nicolau</P>
<P>
População local: 7133</P>
<P>
Problemas: Tráfico de droga.</P>
<P>
Planalto da Escola Secundária Sá da Bandeira, freguesia S.Salvador</P>
<P>
População local: 8082</P>
<P>
Problemas: Neste espaço junto do antigo Liceu de Santarém há prostituição masculina, local onde a PSP identifica regularmente homens frequentadores de «todas as idades, classes sociais e profissões».</P>
<P>
Bairro Suíço</P>
<P>
Problemas: Um dos bairros mais pobres do concelho, onde vivem sobretudo ciganos, conhecido como local de tráfico de droga e objectos.</P>
<P>
Seixal</P>
<P>
População: 116.912</P>
<P>
Desemprego: 13%</P>
<P>
Jardim junto ao coreto, Paio Pires</P>
<P>
Problemas: Consumo e pequeno tráfico de droga. Rixas com ciganos.</P>
<P>
Sesimbra</P>
<P>
População: 27.246</P>
<P>
Desemprego: 10,8%</P>
<P>
Área junto ao cemitério de Sesimbra</P>
<P>
Problemas: Refúgio de toxicodependentes.</P>
<P>
Areais da Califórnia e antigo Macorrilho</P>
<P>
Problemas: Zonas de consumo de droga.</P>
<P>
Sintra</P>
<P>
População: 260.951</P>
<P>
Desemprego: 6,6% (1991)</P>
<P>
Ferro de Engomar</P>
<P>
Problemas: Também conhecido como o «lugar do Ferrinho», é o ponto -- ermo, de acesso ao bairro da Estefânia -- de paragem das prostitutas de Sintra.</P>
<P>
Vila Franca de Xira</P>
<P>
População: 103.571</P>
<P>
Desemprego: 8,9% (1991)</P>
<P>
Parque Nacional da Vialonga</P>
<P>
População local: 16.000 (freguesia de Vialonga).</P>
<P>
Problemas: É uma extensa urbanização lançada pela Icesa, que faliu e não terminou a construção. Cerca de 950 fogos pertencem agora ao IGAPNE, que os atribuiu sobretudo a famílias de imigrantes dos PALOP. Parte das torres (com um máximo de 10 andares) não foi acabada. «Pela estrutura habitacional e estado de degradação em que se encontram, é um risco ir a uma torre daquelas, sem elevador, sem luz. Nunca sabemos o que vamos encontrar. Por vezes tropeçamos em corpos de pessoas alcoolizadas», disse ao PÚBLICO uma assistente social que trabalha na região. «Cheguei a encontrar grades a meio da escadaria de um dos prédios. Parecia que os habitantes da parte de cima tinham medo dos de baixo. As pessoas deixam de ir de férias com receio de, no regresso, encontrarem a casa ocupada». São muito frequentes situações de assalto e de tráfico de droga.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-90107">
<P>
Sem-abrigo</P>
<P>
Personagem marginal das grandes cidades, o sem-abrigo tornou-se, nos anos 80, num novo e grave problema social, com maior incidência em Lisboa, onde o seu número já ultrapassa, segundo estimativas, as 3000 pessoas, com tendência para aumentar. Fruto de rupturas sociais e familiares, o sem-abrigo deixou de ser o tradicional mendigo, para se transformar numa figura heterogénea, que hoje integra uma vasta camada etária, desde jovens até aos mais idosos, e gente de diferentes origens sociais. Comungam todos da mesma situação de extrema pobreza e, curiosamente, o seu crescimento verificou-se em meados dos anos 80, numa altura em que o país entrava numa fase de retoma económica, o que prova que esta não foi acompanhada das devidas políticas sociais. Com a crise de novo instalada, todos os dias aparecem caras novas no Refeitório dos Anjos e nos locais onde, à noite, a Comunidade Vida e Paz distribui alimentos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77581">
<P>
Brasil</P>
<P>
Assassínio «atinge» Lula</P>
<P>
João Bosco Jardim, no Rio de Janeiro</P>
<P>
A popularidade de Lula poderá ficar seriamente afectada depois do assassínio de um dirigente sindical que ameaçara apresentar provas de um suposto desvio de verbas sindicais para o Partido dos Trabalhadores.</P>
<P>
O assassínio de um dirigente sindical, a dez meses das eleições presidenciais brasileiras, pode abalar seriamente a liderança de Luis Inácio Lula da Silva na corrida sucessória.</P>
<P>
Lula foi atingido «por tabela» pelos disparos que mataram, na quinta-feira, um desafecto do Partido dos Trabalhadores (PT), Oswaldo Cruz Junior, presidente do Sindicato dos Condutores Rodoviários da região industrial conhecida como "ABCD", no interior do Estado de São Paulo. O sindicalista assassinado prometera provar denúncias de um suposto desvio de verbas sindicais para o PT.</P>
<P>
Explorado politicamente pelos adversários de Lula, o crime acelerou a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito aos recursos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a mais actuante central sindical do Brasil. Aprovada em Novembro, para apurar «factos e denúncias relacionados com a regularidade da origem e destino dos recursos financeiros nacionais e internacionais transferidos para a CUT e repassados ou tornados disponíveis ao PT", a comissão parlamentar de inquérito (conhecida como CPI da CUT) será formada na sexta-feira, conforme anunciou ontem o presidente do Parlamento, Humberto Lucena.</P>
<P>
Oswaldo Cruz Junior, de 40 anos, foi baleado no seu gabinete, na cidade de Santo André, pelo director-suplente do Conselho Fiscal do Sindicato dos Condutores Rodoviários, José Benedito de Souza, depois de uma discussão entre ambos. No começo de Dezembro, Cruz havia denunciado o PT pela utilização de um camião do Sindicato durante a campanha eleitoral de Lula à Presidência do Brasil, em 1989.</P>
<P>
Na ocasião, prometera fornecer à CPI provas do desvio de recursos da CUT para o PT. Ontem, o autor do requerimento de criação da CPI da CUT, senador Espiridião Amin, anunciou que pedirá uma auditoria internacional para analisar o fluxo de dinheiro externo recebido pela central sindical, "a começar pela Itália", tida como uma das fontes supridoras de recursos a diversos sindicatos brasileiros. Segundo denúncia da revista "Isto É", o orçamento do PT foi engordado com contribuições da CUT e dos sindicatos a ela filiados que somaram 50 milhões de dólares, em 1992.</P>
<P>
Lula, que está à frente de outros presidenciáveis nas sondagens eleitorais, com 32 por cento das intenções de voto, anunciou a disposição do seu partido de levar à barra dos tribunais o empresário Paulo Maluf, prefeito (presidente da Câmara) de São Paulo, que acusou o PT de cumplicidade no assassínio do sindicalista. Segundo o virtual candidato do PT nas eleições de 3 de Outubro, a morte de Cruz resultou de uma "disputa sindical resolvida à bala", sem qualquer motivação política.</P>
<P>
Não é isto, porém, o que alardeia Paulo Maluf, até agora o mais definido dos adversários de Lula à sucessão presidencial, com cerca de 12 por cento das intenções de voto. Segundo Maluf, o crime foi uma "queima de arquivo", interpretação partilhada pelo presidente da Força Sindical, Luiz António Medeiros, que contesta a liderança da CUT e do PT nos sectores trabalhistas. Como em ano eleitoral no Brasil costuma importar mais a versão do facto do que a realidade, as afirmações de Maluf e Medeiros ganharam a primeira página dos jornais.</P>
<P>
"Se eu tivesse três por cento nas sondagens, esse crime passaria despercebido", disse Lula numa conferência de imprensa, em São Paulo, na segunda-feira. O presidente do PT denunciou a existência de uma campanha difamatória contra o partido e a sua candidatura, a exemplo do que aconteceu na campanha de 1989, quando Fernando Collor de Mello acusou militantes do Partido dos Trabalhadores de envolvimento no sequestro do empresário Abilio Diniz, então dirigente do grupo Pão de Açucar.</P>
<P>
Antevendo novas ameaças à sua vitória, Lula também colocou sob suspeição o inquérito policial ao assassínio do sindicalista. "Conhecia as divergências internas do Sindicato, mas nunca participei em qualquer negociação entre as duas facções", disse, acrescentando desconhecer o desvio de verbas sindicais para a sua campanha. "Duvido que isso tenha acontecido", afirmou.</P>
<P>
Passional ou político, o assassínio de Cruz pode, de facto, manchar a reputação do PT, partido que atravessou incólume a onda de denúncias de corrupção que envolve a elite dos políticos brasileiros. Não deve ser outra a intenção de Maluf, que tem contra si uma história de escândalos de malversação das verbas públicas e um inquérito policial sobre a origem dos recursos que financiaram a sua candidatura à Prefeitura de São Paulo, em 1992.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59861">
<P>
País ganha opções em equipamentos e títulos; tecnologia explodiu nos EUA em 93</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
e Free-Lance para a Folha</P>
<P>
A tecnologia multimídia, que reúne textos, sons e imagens animadas no computador, está deixando de ser produto exclusivo de profissionais e fica mais acessível aos consumidores brasileiros. A indústria vem preparando terreno para esse mercado com micros que saem de fábrica com toca-CD.</P>
<P>
Para quem já tem computador, as opções começam em US$ 400, preço no Brasil de um leitor interno de CD-ROM. Solução mais atraente são os kits multimídia, que além do leitor de CD-ROM vêm com placa de som, alto-falantes e programas. Custam a partir de US$ 1.000 no Brasil.</P>
<P>
A grande vantagem do CD-ROM é guardar grandes volumes de dados, uma vez que imagens e sons consomem muito espaço do disco rígido dos micros. A maior parte dos programas best sellers de mercado também está disponível em CD-ROM: processadores de texto, planilhas, bancos de dados e desenhadores ficam mais fáceis de usar e têm help (ajuda) multimídia. Custam o mesmo que as versões em disquetes.</P>
<P>
A explosão da multimídia no país é reflexo do mercado norte-americano, onde foram vendidos 1 milhão de computadores com CD-ROM em 1992 e 5,3 milhões de toca-CDs, segundo o instituto de pesquisas Dataquest, dos EUA. A pesquisa mostra ainda que, no mesmo ano, foram lançados 5.000 títulos em CD-ROM contra 2.500 programas em 1990. (Sonia Romério e  Marijô Zilveti)</P>
<P>
LEIA MAIS</P>
<P>
sobre multimídia nas págs. 6-3 e 6-4</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-87361">
<P>
Cirurgiões de várias especialidades fundam hoje em São Paulo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial. A cerimônia será às 20h no salão nobre do Hospital Beneficiência Portuguesa, considerado centro de referência na especialidade.</P>
<P>
Surfistas pedem proteção contra tubarões em PE </P>
<P>
Cerca de 50 surfistas, segundo avaliação da associação da categoria, reivindicaram ontem em Recife (PE) a adoção de medidas de segurança contra os ataques de tubarão no litoral. O protesto ocorreu na praia de Boa Viagem, onde ocorreram dois dos oito ataques do animal este ano. Um surfista morreu.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-dhy6432"> 
<P> Lápis-lazúli, conhecido também como lápis, é uma rocha metamórfica de cor azul utilizada como gema ou como rocha ornamental utilizada desde antes de 7000 a.C. em Mehrgarh na Índia, situado nos dias de hoje no Paquistão. A sua azul-escura e opaca, fez com que esta gema fosse altamente apreciada pelos faraós egípcios, como pode ser visto por seu uso proeminente em muitos dos tesouros recuperados dos túmulos faraônicos. É ainda extremamente popular hoje. Trata-se de uma rocha e não de um mineral porque é composto de vários minerais. A primeira parte do nome, lápis, em latim significa pedra. A segunda parte, lazúli, é a forma genitiva no latim, lazulum, que veio do árabe (al)- lazward, que veio do persa lazhward, que veio do sânscrito Raja Warta significando anel, vida do rei. Lazúli era originalmente um nome, mas logo veio a significar azul por causa de sua associação com a pedra. A palavra em inglês azure, do azul espanhol e português, e o azzurro italiano são cognatos. </P>
 <P>História</P>
 <P> No
antigo Egito o lápis-lazúli era a pedra favorita para amuletos e ornamentos; foi usado também pelos assírios e pelos babilônicos nos selos cilíndricos (locais onde se gravavam pinturas contando a historia do povo). As escavações egípcias que datam de 3000 a.C. continham milhares de artigos como jóia, muitos feitos de lápis. Os lápis pulverizados foram usados por senhoras egípcias como uma sombra cosmética para o olho. </P>
 <P> Como inscrito no capítulo 140 do Livro dos Mortos egípcio, o lápis lazúli, na forma de um olho ajustado no ouro, foi considerado um amuleto de grande poder. No último dia do mês, oferecia-se este olho simbólico, porque se acreditava que, nesse dia, um ser supremo colocou tal imagem em sua cabeça. Os antigos túmulos reais sumérios de Ur, situados perto do rio Eufrates no baixo Iraque, continham mais de 6000 estatuetas belamente executadas, de lápis-lazúli, de pássaros, cervos, e roedores bem como pratos, grânulos, e selos de cilindro. Estes artefatos vieram indubitavelmente do material minado em Badakhshan no norte do Afeganistão. </P>
 <P>Curiosidades</P>
 <P> É a pedra oficial do anel de formatura dos psicologos, assim considerada a partir de 31 de março de 2006, pela resolução Nº 002/2006, do Conselho Federal de Psicologia brasileiro. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-84808">
<P>
Conflitos europeus</P>
<P>
A cimeira da CSCE que amanhã começa, em Budapeste, vai discutir muitos dos novos conflitos que deflagraram desde o final da guerra fria, das rivalidades étnicas e nacionalistas às disputas fronteiriças.</P>
<P>
BÓSNIA -- Os combates começaram em Abril de 1992, após os sérvios se terem rebelado contra a independência da Bósnia da Federação Jugoslava. O mais grave conflito europeu desde a II Guerra Mundial já causou centenas de milhares de mortos e milhões de refugiados. O Governo muçulmano aliou-se aos croatas contra os sérvios, que controlam cerca de 70 por cento da Bósnia, uma república onde estão mais de 20 mil forças da ONU, apoiadas por aviões da NATO.</P>
<P>
TCHETCHÉNIA -- Uma região do Cáucaso que proclamou a sua independência da Federação Russa, em 1991. Moscovo não aceitou a separação e lançou uma campanha contra o Presidente tchetcheno, Djokhar Dudaiev, apoiando os rebeldes que lutam contra o seu governo e enviando tropas para as proximidades da Tchetchénia.</P>
<P>
NAGORNO-KARABAKH -- Dezenas de milhares de pessoas foram mortas em sete anos de combates neste enclave, de maioria arménia, teoricamente ainda integrado na antiga república soviética do Azerbaijão. Forças arménias, que reclamam a independência, assumiram o controlo não só do enclave como de uma parte do território azeri. Ainda não foi encontrada uma solução, apesar de vigorar desde Abril um cessar-fogo mediado pela Rússia.</P>
<P>
TAJIQUISTÃO -- Rebeldes pró-islâmicos desta antiga república soviética da Ásia Central fugiram para o Afeganistão, depois de terem sido derrotados por forças ex-comunistas numa guerra civil em 1992. Continuam, porém, a lançar ataques ao longo da fronteira. Os antigos comunistas no poder realizaram eleições presidenciais e um referendo constitucional, mas a oposição preferiu o boicote. São tropas russas que mantêm a estabilidade.</P>
<P>
MOLDOVA -- Dniestr, região separatista da Moldova, continua sob controlo de forças pró-russas, mas não se têm registado combates desde o final de 1992, quando morreram centenas de pessoas. A Rússia aceitou retirar os seus militares num prazo de três anos, mas o futuro estatuto político de Dniestr é incerto.</P>
<P>
ABKHAZIA -- Mais de 5000 pára-quedistas russos estão estacionados na fronteira entre a ex-república soviética da Geórgia e a Abkhazia, uma província separatista do mar Negro, que expulsou as tropas governamentais, em Setembro de 1993, após um ano de combates. A ONU serve de mediadora e os seus observadores juntaram-se a uma força russa de manutenção da paz.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40393">
<P>
Os africanos em Portugal não cabem nos censos</P>
<P>
António Marujo</P>
<P>
O número certo dos africanos residentes em Portugal é um mistério. Legalizados em todo o país até Dezembro de 1993, segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, eram 55.752. Mas um levantamento sistemático feito apenas em 86 bairros degradados de sete concelhos da Grande Lisboa pelo Centro Padre Alves Correia contou 52 mil. Faltam ainda apurar os dados de mais sete concelhos e do resto do País. Há muitos mais africanos a viver em Portugal do que os censos oficiais registam. E há quem diga que muitos mais chegarão nos próximos tempos: as obras da Expo 98 precisam de muita mão-de-obra. Nem que seja clandestina.</P>
<P>
Só em 86 bairros degradados de sete concelhos da área da Grande Lisboa vivem 52 mil africanos. Quase tantos como os 55.752 legalizados em todo o país (dos quais 52.883 de origem lusófona) pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) até Dezembro de 93 -- os últimos dados ali disponíveis, fornecidos a uma universidade privada de Lisboa há três semanas. Os 52 mil significam, ainda, que naqueles bairros há mais 24 mil africanos que os recenseados pelo Censo de 1991 em todo o território nacional.</P>
<P>
Estes números são revelados por um levantamento, a cujos dados essenciais o PÚBLICO teve acesso, que está a ser ultimado pelo Centro Padre Alves Correia (Cepac), ligado aos Missionários Espiritanos, e constitui o trabalho mais completo até hoje feito no país, neste âmbito.</P>
<P>
Os números referem-se a realidades ligeiramente diferenciadas. Ou seja: enquanto o Censo 91 e os dados do SEF identificam africanos com passaporte estrangeiro, o levantamento do Cepac engloba também os africanos que possuem nacionalidade portuguesa. Só que estes são uma minoria, sobretudo se tivermos em conta que os números já apurados pelo estudo do Cepac apenas incluem 86 bairros degradados de sete concelhos da área da capital: Almada, Amadora, Barreiro, Lisboa, Loures, Oeiras e Seixal.</P>
<P>
Há ainda outros sete concelhos da mesma região (Cascais, Moita, Montijo, Palmela, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira) cujos dados estão por apurar. Fica de fora, portanto, o resto do país (nas áreas do Porto e Faro também há importantes grupos de africanos). Como ficam excluídos igualmente os que residem em pensões, bairros de habitação social ou estaleiros de obras -- locais onde mora grande número de imigrantes africanos, incluindo muitos cuja situação continua por regularizar.</P>
<P>
À falta de um levantamento rigoroso da realidade da imigração africana em Portugal -- e, nesta, da percentagem de clandestinos não legalizados -- os números do Cepac indiciam claramente o grande desconhecimento geral da dimensão do fenómeno no nosso país. Aliás, um dos objectivos deste trabalho é a criação de uma base de dados sobre imigração em Portugal que permita uma definição mais exacta dos contornos do fenómeno e seja, ao mesmo tempo, acessível à consulta de eventuais interessados -- estudantes, investigadores ou organismos diversos.</P>
<P>
Levantamento sistemático</P>
<P>
Com uma equipa que, no terreno, tem feito o levantamento sistemático das barracas e das pessoas que lá residem, os números mais importantes do Cepac revelam a inutilidade dos dados apurados pelo Recenseamento Geral da População, de 1991. Basta comparar: segundo o Censo, os concelhos de Lisboa e Amadora são, no país, os que têm maior número de africanos residentes: 4544 e 4137, respectivamente. Contudo, segundo o levantamento do Centro Padre Alves Correia os dois concelhos em que residiriam mais africanos seriam o da Amadora (15 mil) e o de Oeiras (14 mil) -- sempre referindo-se apenas a bairros degradados.</P>
<P>
O estudo revela já também o grande número de associações -- 53 -- que agrupam os africanos de origem lusófona. Destas, apenas uma se situa no distrito de Setúbal.</P>
<P>
Esta investigação demográfica está a ser realizada com o apoio de fundos comunitários no âmbito do Programa Horizon e foi iniciada em Dezembro de 1993. Depois de um levantamento dos (poucos) estudos que existem sobre a imigração em Portugal, o Cepac contactou todas as câmaras municipais da região e todas as juntas de freguesia do concelho de Lisboa. Também nas autarquias a inexistência de dados -- ou de números actualizados -- era dominante.</P>
<P>
Com este levantamento, o Centro Padre Alves Correia tem a percepção de que há «um número significativo» de imigrantes africanos por legalizar, na expressão do padre Firmino Cachada, responsável do Cepac -- a maior parte dos africanos e dos indocumentados procura precisamente as zonas de habitação degradada.</P>
<P>
De qualquer modo, o Centro não pode, para já, avançar com números exactos, uma vez que esse não era o objecto prioritário da investigação. Talvez numa segunda fase se faça um levantamento mais concreto dessa situação, embora «nunca ninguém saiba ao certo quantos são os clandestinos, pela sua própria definição». Só quando as pessoas sentirem confiança nas instituições é que a situação poderá ser resolvida, acrescenta o responsável do Cepac.</P>
<P>
Há, aliás, quem diga -- empresários da construção civil, nomeadamente -- que, perante a grande vaga de obras que a região de Lisboa vai sofrer nos próximos anos (Expo 98, nova ponte sobre o Tejo, comboio na Ponte 25 de Abril, autoestradas e circulares), será impossível ao próprio Estado manter uma posição de grande rigor face à entrada no país de novos contingentes de imigrantes africanos. Nos últimos anos eles têm constituído a bolsa de mão-de-obra barata a que as empresas de construção civil têm sistematicamente recorrido.</P>
<P>
O Centro Padre Alves Correia, fundado em Março de 1992, está vocacionado para apoiar as minorias étnicas, principalmente as africanas, e a sua primeira intervenção decorreu durante o processo de regularização extraordinária de imigrantes, que teve lugar há dois anos. Actualmente, além da investigação demográfica, o Centro tem a funcionar um serviço de acolhimento onde são atendidos os imigrantes que procuram emprego, casa ou documentação -- «o nosso trabalho diário de acolhimento revela que há muita gente indocumentada», diz Firmino Cachada.</P>
<P>
Ligado ao Cepac, funciona ainda um trabalho de animação social em três bairros da periferia de Lisboa, correspondentes a três diferentes gerações de imigrantes: Quinta da Serra, no Prior Velho (Loures), Bairro 6 de Maio, na Venda Nova (Amadora) e Zona J de Chelas (Lisboa).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-63539">
<P>
Das agências internacionais </P>
<P>
Apesar de ter sido o palco das mortes do austríaco Roland Ratzenberger e o do brasileiro Ayrton Senna em 1994, o GP de San Marino deste ano promete ser um sucesso de público.</P>
<P>
Nada menos do que 200 mil pessoas, público recorde, são esperadas nos quatro dias do evento, celebrado no circuito de Imola, na Itália.</P>
<P>
Além da programação normal _treinos livres e oficiais na sexta-feira e no sábado, e corrida no domingo_, na próxima quinta-feira haverá treinos extras para que os pilotos façam um reconhecimento da pista, que foi totalmente reformulada.</P>
<P>
A venda dos ingressos também foi realizada em tempo recorde: um mês e meio, contra um período de quatro meses, prazo gasto em edições anteriores.</P>
<P>
E para que as tragédias de 94 permaneçam apenas como uma amarga recordação, os organizadores do GP de San Marino, terceira etapa do Mundial de F-1, fizeram um enorme esforço para completar as reformas do autódromo Enzo e Dino Ferrari em apenas dois meses.</P>
<P>
Para este ano, foi montado um inédito esquema de segurança, que inclui dois helicópteros equipados com aparelhos de reanimação e de monitoramento de acidentados.</P>
<P>
Seis ambulâncias especiais, 28 médicos, 46 paramédicos e 26 guindastes complementam o aparato.</P>
<P>
Foram gastos 32 mil pneus, dois terços a mais do que em 94, nas barreiras de proteção instaladas em diversos pontos do circuito.</P>
<P>
A pista ficou mais curta. Dos 5.040 metros que tinha até o ano passado, restaram 4.895 metros.</P>
<P>
A curva Tamburello, onde Senna se acidentou, e a curva Villeneuve foram desfiguradas, perdendo suas características de setores de alta velocidade.</P>
<P>
Segundo o francês Jean Alesi, piloto da Ferrari, a edição deste ano será muito mais segura.</P>
<P>
"No ano passado, corremos condicionados pelos acidentes. Este ano, o regulamento mudou e o máximo foi feito para diminuir o perigo", declarou.</P>
<P>
"De qualquer modo, temos um trabalho de risco e não é possível disputar corridas sentindo medo", afirmou Alesi, sobre o fato de voltar a correr no circuito de Imola.</P>
<P>
Tanta movimentação, porém, não deve ofuscar as homenagens ao tricampeão brasileiro morto.</P>
<P>
Um centro multimídia, que será inaugurado em Imola, promete aos visitantes todo o tipo de informação sobre o piloto.</P>
<P>
Além disso, diversos outros eventos, promovidos por fãs-clubes, estão programados.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-96397">
<P>
Governo Regional põe barcos à disposição de concessionário privado</P>
<P>
Lady of Mann deixa a Madeira</P>
<P>
O Lady of Mann, o polémico navio que nos últimos quatro meses assegurou, em condições privilegiadas, a ligação entre o Funchal e o Porto Santo, deixa a Madeira na próxima semana, para retomar a linha Liverpool-Isle of Mann. Ainda sem outra alternativa, o também controverso catamarã Pátria está condenado, quando as condições o permitirem, a navegar no tumultuoso mar da Travessa.</P>
<P>
O regresso do «ferry» à Grã-Bretanha foi decidido pela companhia britânica sua proprietária, depois de malogradas as negociações entre a Porto Santo Line (PSL) e o Governo Regional para a constituição de uma sociedade mista que, nos termos de um protocolo assinado a 21 de Julho, deveria adquirir o navio.</P>
<P>
A indisponibilidade do Governo da República, manifestada em vésperas das eleições legislativas, para garantir ao executivo madeirense os meios financeiros necessários à transacção, envolvendo uma verba próxima dos 700 mil contos, obrigou o governo de Alberto João Jardim a desistir do projecto de sociedade mista, embora persistisse na decisão de conceder à PSL a exploração das ligações marítimas entre as duas ilhas, por um período de dez anos.</P>
<P>
A constituição de uma sociedade por quotas, de cujo capital a Região Autónoma da Madeira teria 25 por cento e a Porto Santo Line 75 por cento, fora desaconselhada pela Direcção Regional dos Portos (DRP) num relatório confidencial divulgado pelo PÚBLICO (22/9/95), a cuja publicação Jardim reagiu reduzindo a polémica, uma das maiores ultimamente registadas no Funchal, a uma «briga de comadres que, neste caso, são grupos económicos, um dos quais é o grupo Sousa». Ignorando as conclusões do relatório, pouco abonatórias para o navio, o governante garantiu então a manutenção do Lady of Mann, decisão que, diria mais tarde, não poderá ser entendida como qualquer forma de proteccionismo do seu governo em relação ao grupo controlado pela família de Miguel de Sousa, vice-presidente da Assembleia Regional e da comissão política do PSD-Madeira.</P>
<P>
«É incompreensível que, detendo o Governo Regional apenas 25 por cento do capital da sociedade, venha a ser responsável por 60 por cento dos encargos financeiros» relativos à aquisição da embarcação -- num montante «totalmente desconhecido, dada a inexistência de dados referentes às condições do financiamento deste negócio»--, contestava o relatório. Os técnicos da DRP advertiam ainda que os encargos, atendendo às taxas correntes de mercado para este tipo de negócio, não seriam de «pequena monta» e que a embarcação, avaliada em 700 mil contos, «não oferece condições» para o pretendido transporte misto de passageiros e carga.</P>
<P>
Sociedade abortada</P>
<P>
Em contraste com as conclusões do relatório, o armador e o Governo Regional mostravam-se optimistas -- particularmente através do secretário da Economia, interlocutor noutros não menos polémicos negócios públicos, como o da marina, Praia Formosa, operações portuárias e cimentos -- e, com a assinatura do protocolo, confiantes na continuidade da operação. Mas o negócio, atendendo aos elevados encargos financeiros em causa, acabou, tal como previa o incómodo relatório, por não ser concretizado, embora por motivos oficialmente imputados à Isle of Mann Steam Packet Company.</P>
<P>
A sociedade concessionária deveria estar constituída até 21 de Outubro, data em que, conforme assegurava o contestado protocolo, se celebraria o contrato de concessão, nos termos do qual seria «definitivamente transferida para sociedade a responsabilidade da exploração do serviço público», ficando isenta das taxas portuárias cobradas no Funchal e Porto Santo e autorizada a exercer «actividades comerciais» quando o navio se encontrar estacionado nos portos.</P>
<P>
Passando por cima das condições impostas no original caderno de encargos do «concurso público para a concessão do serviço de transportes regulares de passageiros e mercadorias por via marítima» -- assim como das cláusulas estabelecidas no protocolo que se lhe seguiu --, o Governo Regional, sem abrir novo concurso público e por simples deliberação tomada no conselho de 12 de Outubro, acabaria por conceder a exploração das referidas ligações ao grupo que, através da constituição de duas dezenas de empresas, domina o sector dos transportes marítimos e as operações portuárias na região. Agora, sem sociedade mista e com o Lady of Mann de regresso à ilha de origem, previsto para o próximo dia 12, resta à Porto Santo Line procurar uma alternativa para garantir a frequência e regularidade das viagens, não só de passageiros como de mercadorias, entre o Funchal e o Porto Santo. Até lá, navegará o Pátria ou, enquanto não surgiram os tão desejados compradores, os velhos Independência e Pirata Azul -- colocados pelo Governo à disposição de um concessionário privado.</P>
<P>
Tolentino de Nóbrega</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59390">
<P>
MANUEL MACEDO VERSUS RAMIRO MOREIRA- Manuel Macedo, presidente da Associação Portugal-Indonésia, anunciou, ontem, em declarações à agência Lusa, a intenção de comparecer, amanhã, no Tribunal de Vila Real, onde decorrerá mais uma diligência de instrução do processo relativo ao assassinato do padre Max. Macedo negou ter indicado o nome de Ramiro Moreira para a acareação para a qual o ex- operacional do MDLP foi convocado, e acusa-o de estar «a procurar fugir ao esclarecimento da verdade, em relação às acusações feitas a arguidos no processo». Ramiro Moreira, por seu lado, desmentiu ontem a intenção que lhe fora atribuída em notícia divulgada pela Lusa, de que pretenderia «fazer sangue» na acareação prevista para amanhã com o ex-oficial do exército Pinto da Silva. Quanto à eventual disponibilidade de Macedo para participar na acareação, Ramiro considera «que seria uma boa oportunidade para, de uma vez por todas, se esclarecer perante o juiz que, efectivamente, não conhece Pinto da Silva».</P>
<P>
w-25 Abril entrada¨ CDb 2089</P>
<P>
Em 20 anos mudou quase tudo. O passado próximo tornou-se estranho. Os factos e os dados (históricos, políticos, etc.) são aqueles de que nos lembramos melhor, mas há os outros, os que produziram pequenas rupturas decisivas para termos mudado assim. Deixámos de comprar a pílula como «tratamento hormonal». A praia tornou-se o acontecimento democrático do nosso Verão. Temos casas com «design» e comemos comida micro-ondulada. Vamos conviver para o hipermercado ou para o centro comercial e pagamos com Multibanco. Regressámos a uma «natureza» onde nunca tínhamos estado. Praticamos desporto para termos uma relação «harmoniosa» com o corpo, e pensamos seriamente em deixar de fumar.</P>
<P>
Os heterossexuais descobrem outros mundos, e redescobrem o dos preservativos por causa da sida, como os homossexuais (que ainda não formam um «lobby» mas mostraram que existem). Os pobres tornam-se «um problema social», as sondagens permitem-nos pensar que alguém quer saber qual é a nossa opinião sobre marcas de iogurte ou sobre políticos e que isso vai servir para alguma coisa. Passámos a ter novas categorias e ainda hesitamos em chamar-lhes grupos sociais, como os toxicodependentes. As mulheres passaram a ter um princípio de protagonismo. Sair à noite desenvolveu a sua mística particular. A preocupação com «a moda» generalizou-se.</P>
<P>
Parqueamos nos passeios, atravessamos na diagonal e dizemos que não há «uma política de habitação». O «assédio sexual» substituiu a ideia de que havia um «natural» comportamento dos homens. A moral da Igreja católica parece-nos mais liberal quando comparamos com as outras religiões. O telecomando e a parabólica dão-nos entre outras a alegria de ficarmos com uma ideia de tudo o que não teremos de gramar nos nossos quatro canais de televisão.</P>
<P>
Claro que este inventário de 20 passagens de uma época para outra é incompleto, forçosamente aproximativo e parcial. Não tem uma ordem específica. Serve como sugestão de método para repararmos naquilo em que nos tornámos, além de visivelmente mais velhos.</P>
<P>
w-25 Abril/Valores¨ CDb 18839</P>
<P>
Inventário, ou 20 passagens para 20 anos</P>
<P>
Tereza Coelho*</P>
<P>
1. A família</P>
<P>
O casamento aumentou entre 1950 e 1970, desceu desde essa época até agora. O maior número de divórcios (entre 1950 e 1970 foram os casamentos civis os que aumentaram mais; o divórcio perdeu o lado de «estigma social») contribuiu para «novas famílias» monoparentais e para as crianças com famílias e casas que se duplicam, uma para a semana, outra para o fim-de-semana. Nos meios urbanos surgiu outro género de «famílias» formadas por grupos de amigos (e foi assim que as pessoas que vivem sozinhas substituíram as antigas famílias numerosas).</P>
<P>
A dissociação casamento/sexualidade, com a liberalização da venda dos métodos anticoncepcionais (para a pílula deixou de ser obrigatória a receita mencionando «tratamento hormonal»), por um lado, e por outro a liberalização dos costumes e das leis marcando a tolerância pela «união de facto» e pelos filhos extracasamento concorreram para o casamento perder a mais-valia que tinha (sexo legal, estatuto para as crianças). O adultério, a antiga cereja em cima do bolo da noiva, perdeu um pouco da clandestinidade (já ninguém diz «enganar»). O casamento instituição aproximou-se da união de facto: passaram a ser duas modalidades possíveis para a mesma coisa, um contrato entre duas pessoas. Casar deixou de ser a única maneira de caucionar uma coisa que sem papéis era falsa.</P>
<P>
2. As férias</P>
<P>
O hábito das férias mudou a paisagem. Agora as férias são o acontecimento democrático do nosso Verão. As melhores frases são de Joaquim Manuel Magalhães: «Entre o mar e as pessoas que pretendem usufruí-lo erguem-se tendas e tendas a ver quem consegue ficar mais perto da rebentação; diante das casas param os atrelados; nos quintais alugam-se pedaços para encher de carroças albergantes de rurais em férias; vive-se semanas dentro de um tractor (...).» As praias «são hoje bairros da lata de verão, consentidos senão mesmo promovidos pelas chamadas autarquias». Esta espécie de vingança social sem nenhum fito permite às pessoas mais cívicas, geralmente embaraçadas, terem conversas sobre o que se fez ao Portinho da Arrábida, ou o que se fez ao Algarve, ou o que se está a fazer à costa alentejana em geral. Instituiu-se o campismo sem parques, instituíram-se as camionetas mais as mantas à beira-mar. O «país rural» vai a banhos. Mais ou menos constrangido, no entanto: à beira-mar, as mulheres do campo, de saia e blusa, fazem «crochet» como lá em casa.</P>
<P>
3. As casas</P>
<P>
As casas nas cidades mudaram por dentro. Mais do que uma vez. Primeiro as pessoas inundaram a sala de almofadas, deixou de haver «O Maple». E luz do tecto também; era preciso procurar o interruptor do candeeiro debaixo de uma das múltiplas mesinhas anãs e de bambu com tampo de vidro. As plantas da varanda/«marquise», como a fecharam para «arranjar mais uma divisão que nos deu muito jeito», invadiram tudo em vasos e penduradas no tecto mediante sistema de cordas. Um valor que se perdeu nos quartos foi o de um lençol branco bem esticado, mas entretanto apareceram no mercado os «édredons» (que se punham sobre camas sem pés).</P>
<P>
Depois veio o «design», as salas ficaram mais vazias mas com muito mais cantos, os dos móveis bicudos e pretos, e as cozinhas passaram a ser mostruários de utensílios (em destaque o micro-ondas. O resto vai deixando de servir. Por exemplo, para que serve um liquidificador se há pacotes de sumos que já vêm com uma palhinha? Se puséssemos aquelas coisas numa vitrina na sala ficavam tão pouco deslocadas como as caixas de laca da Birmânia. O micro-ondas sim, porque a comida em casa passou a ser micro-ondulada).</P>
<P>
4. A comida</P>
<P>
Primeiro havia restaurantes tradicionais (os normais). Ia-se lá jantar uma vez por semana. Depois apareceram os «hamburgers», uma carne quimicamente interessante; as pizzarias; as croissanterias; as lojas do pão. Numa fase inicial as pessoas atrapalhavam-se por terem de pagar antes, comer e sair, tudo ao mesmo tempo. Também apareceram os restaurantes «nouvelle cuisine» -- a ideia é expor a comida, em evidência por cima do molho, sem a hipocrisia de a disfarçar «en croûte»; eventualmente misturar fruta, e dar um ar Zen ao prato. Apareceram ainda os restaurante de nome-com-conceito, tipo «Atira-te ao Rio». Multiplicaram-se os serviços de «catering» e de «take-away». Para remediar tudo isto, temos mais nutricionistas do que tínhamos dantes.</P>
<P>
5. As compras</P>
<P>
Os centros comerciais e os hipermercados passaram a marcar as relações familiares de fim-de-semana, e as pessoas fizeram deles a mesma apropriação festiva que dantes marcava as feiras, as praças e os mercados, contentes que ficam a encher os «caddies», a provar que somos um povo sociável, investindo como espaços de sociabilidade mesmo os que não pareciam ser para isso (a continuação da «feira» como ela é está em lugares como a Feira de Carcavelos, a Feira do Relógio em Lisboa, a Feira de Sintra, ou a Feira de Espinho). Os pais, que antigamente levavam os filhos ao museu e ao jardim aos domingos, agora levam-nos ao «shopping», o que, favorecendo a integração social, não parece favorecer a sofisticação cultural. Num hipermercado, uma empregada falou do aspecto daquilo quando fecha: há as pessoas que enchem o «caddie», mas já sabem que não têm dinheiro e depois deixam-no ali cheio, abandonado ao fim do dia. Embora o Multibanco seja provavelmente o novo serviço que mais alterou os hábitos do cidadão, antes da generalização dos cartões de crédito lhe alterarem a relação com o real, a noção «consumo de massas» tem desenlaces menos felizes como este.</P>
<P>
6. Os alternativos</P>
<P>
Principalmente depois dos anos 80 e da «new age», as pessoas «regressaram» à natureza onde de resto nunca tinham estado, compraram um jipe e um monte no Alentejo. Outras passaram a interessar-se por artesanato, aqueles objectos que as comunidades rurais, quando deixaram de os utilizar para seu uso quotidiano, passaram a fabricar para os citadinos, que costumam encher os porta-bagagens com toda a tralha de barro, madeira entalhada e cordames que conseguem reunir num passeio de domingo. «Cultura alternativa» nunca chegou a ter o sentido de «contra-cultura» que teve nos EUA. Tem este, adaptado, com sonhos de comunidades tanto quanto possível agrárias, defesa das drogas leves, simbiose com a natureza (embora os portugueses pareçam gostar realmente de mar, não é inteiramente claro que gostem do campo).</P>
<P>
7. O corpo</P>
<P>
Antes do 25 de Abril o «topless» foi proibido. Deixou de ser. Os fatos de banho dos homens também se reduziram. Fora da praia a roupa tapava todo o corpo, deixou de tapar (e os homens passaram a usar mais vezes calções, embora nunca se tenham «libertado» ao ponto de andar em tronco nu). Rapidamente a causa do corpo «libertado» se tornou uma forma de repressão, com as pessoas a pensarem no corpo que iam mostrar. O número de praticantes de um desporto qualquer aumentou. Para aquela fracção social a que os sociólogos não sabem muito bem se hão-de chamar «nova burguesia urbana», o desporto deixou de ser uma actividade embrutecedora para se tornar um item de uma «relação harmoniosa» com o corpo. Importaram-se alguns desportos (surf, asa delta), instalaram-se os novos (aeróbica). As pessoas esforçaram-se, como nos outros países, por deixar de fumar: o cigarro começou, também em Portugal, a ser associado a vínculo terceiro-mundista e impeditivo da «relação harmoniosa» que temos de ter com o corpo.</P>
<P>
8. O sexo</P>
<P>
Dantes dizia-se «maricas», agora diz-se «homossexual». As minorias passaram a ter uma visibilidade maior e alguns lugares específicos. A televisão inaugurou os programas sobre sexo. Os «travestis» deram os seus primeiros passos nas ruas da cidade. Nem por isso deixaram de ouvir em fundo «olha aquele gajo é travesti». Surgiram «sex shops» e vendas por catálogos através de imprensa especializada (ainda não há livrarias). E «shows» de sexo «ao vivo». E «strip-tease» feito por homens para mulheres. E massagens. E «escort-girls». E inquéritos sobre a sexualidade dos portugueses. Entretanto desapareceu o único «peep-show» que havia em Lisboa. As ditas «minorias» ainda estão por formar o seu primeiro «lobby».</P>
<P>
Quanto aos heterossexuais, começaram a suspeitar de que há mais mundos. Sem a estrutura dos sólidos antigos suportes -- «namoro», tendo como objectivo o casamento, com «sentimentos» separados da sexualidade -- libertou-se a «sexualidade». As relações amorosas chamam-se, embora sejam sempre as mesmas, «experiências». A sida popularizou (não é bem este o termo) o uso dos preservativos.</P>
<P>
9. A exclusão</P>
<P>
Dizia-se «os pobres». Diz-se «pessoas que vivem situações de carência extrema», fala-se em «limiar de pobreza», em «desigualdade social». As pessoas da «desigualdade social» recrutam-se, por exemplo, entre os reformados com pensões miseráveis, os migrantes mal sucedidos das zonas rurais para as zonas urbanas; e entre os «novos pobres»: as minorias étnicas, os desempregados, os empregados com salários muito baixos, os jovens pouco escolarizados e à procura de primeiro emprego. Entre os sem-abrigo encontram-se todos estes grupos. E nos bairros de barracas, nos bairros degradados, nos bairros sociais. A Misericórdia e algumas instituições religiosas continuam a ser, como dantes, os recursos específicos de umas vidas em que se perde progressivamente a ideia de estratégia de vida que não seja a de sobrevivência (apesar de periodicamente se falar na necessidade de tomar medidas, como a reforma dos esquemas de segurança social). Esperou-se, na década de 70 e no princípio da de 80, que os «mais desfavorecidos» tivessem a sua situação melhorada. Mas aos cronicamente pobres juntaram-se os «novos pobres». O aumento teve como resultado passarem a ser considerados «um problema social».</P>
<P>
10. A noite</P>
<P>
Em finais dos anos 70 em Lisboa os bares do Cais do Sodré foram frequentados por uma população «de esquerda» que não era a habitual (Tokyo, Jamaica; como o Big Ben no Porto). No circuito Avenida de Roma-Alvalade houve outro pólo (Yes, Brown's) mais «londrino» e menos «esquerda». Ou o 2001, na Linha, para dançar. Nos anos 80, com uma nova geração que tinha vinte anos na época a descobrir o «look», a «pose» e «sair à noite» como referências dominantes, desenvolveu-se em Lisboa uma «cultura Bairro Alto», com paragens obrigatórias (Frágil, Rock House, Trump's; como no Porto, na Ribeira, o Aniki-Bobó, a Meia Cave; o Labirintho, na Boavista, por exemplo). A «mística nocturna» deixou de estar associada a uma convivialidade feita de ir beber copos e ter conversas neuróticas; as pessoas saíam fundamentalmente para ser vistas nos lugares, equipadas com roupas negras, óculos escuros e gel. Seguiram-se as discotecas da 24 de Julho, muito recentemente as «rave parties». A moda londrina e parisiense das «festas» particulares mas abertas a todas as pessoas que saibam onde elas são nunca pegou.</P>
<P>
11. A moda</P>
<P>
Depois de os «retornados» terem contribuído para introduzir a noção de cor nas roupas portuguesas (até aí um grupo de pessoas era uma mancha castanha), os anos 80 (que reintroduziram o negro) foram a década em que as pessoas tomaram consciência do que era «a moda». Começaram a discutir marcas. Ana Salazar, ou Manuela Gonçalves tornaram-se referências comuns. As marcas de grande difusão -- Benetton, Stefanel, Kookaï -- instalaram-se. As revistas femininas também. Multiplicaram-se os estilistas nacionais. Passaram a ser vendidas em toda a parte as revistas estrangeiras «com um estilo»: Face, ID, etc. Muito recentemente, o grupo Zara contribuiu para dar um novo «look» aos portugueses: roupa com «design» de moda e muito barata, uma espécie de Maconde-com-um-«look». No entanto, os portugueses continuam a seguir o calendário para escolher o que vão vestir (a roupa de Verão usa-se a partir de Junho, por exemplo), uma característica de sociedades pouco modernas. Das ruas tendem a desaparecer as fardas: os marinheiros, os motoristas de táxi, que deixaram de usar «casquette», etc.</P>
<P>
12. A língua</P>
<P>
O acordo ortográfico, sim ou não, foi um debate que apaixonou os portugueses, que desenvolveram nessa altura uma relação mística com a sua própria língua. A língua, entretanto, foi mudando: primeiro com o vocabulário trazido pelos retornados («meu», «minha», «bué», «mata-bicho», etc.); depois com as telenovelas brasileiras (mães a chamarem «filhotes» aos filhos, «não estou nem aí», «eu disse a eles», etc.); finalmente, através das importações do inglês (nos anúncios de emprego é notório) e nos atropelos de sempre. As segundas pessoas com «s» («já lá fostes»); a particular conjugação do verbo «haver» («há-des», ou «houveram muitas razões para») e «usufruir» («assim não usufre»), ou «ver» («se eu o ver» em vez de «se eu o vir»). Temos expressões como «controlar uma placa», «rezistar uma carta». Apreciações como «verosímel». E «pronto» a acabar as frases.</P>
<P>
13. A cidade</P>
<P>
Passámos a atravessar nas diagonais e a parquear nos passeios. Lisboa, Porto, Coimbra, passaram estar sempre em obras e a ter um ar de barba de três dias por fazer. Os bairros também mudaram. Os de barracas (dantes dizia-se «habitação precária») continuam. Em Lisboa Chelas ainda não acabaram de fazer. Os Olivais foram sucessivamente depreciados, valorizados, etc., conforme o momento em que estavam a ser discutidos. Nos anos 70 surgiu, também em Lisboa, um novo tipo de bairro, Telheiras, valorizado pelas seus habitantes enquanto bairro. Trata-se de um grupo homogéneo, com predominância dos estratos sociais superior e médio alto, e de uma faixa etária entre os 25 e os 40 anos. Mas também surgiu a valorização do conceito da heterogeneidade interna dos bairros, misturando os grupos sociais, o que dá mais ou menos a ideia de que a ascensão social é uma coisa que se pega. Normalmente, os grupos sociais tendem a embirrar uns com os outros.</P>
<P>
Habituámo-nos a protestar dizendo que nunca existiu uma política de habitação.</P>
<P>
14. A sondagem</P>
<P>
A opinião pública (novo conceito) passou a ser regularmente «sondada» para dar a sua opinião, sobre iogurtes ou sobre políticos. As sondagens servem fundamentalmente para ficarmos com ideia de que há uma opinião independente e que ela se exprime assim, quando é sondada, por oposição ao autoritarismo (uma elite a exprimir-se como se fosse «todos»; a maioria a ser a totalidade). As sondagens também servem para contra-argumentar com os intelectuais, com os políticos, etc. Eventualmente, com os sindicatos.</P>
<P>
15. O segundo sexo</P>
<P>
Embora não se possa dizer que seja muito agora, o protagonismo das mulheres ainda era menos. Já se fez um estudo sobre «mulheres empresárias» e a participação das mulheres na vida económica, ou sobre «as mulheres e o poder» (sempre temos, por exemplo, quatro mulheres que são presidentes de câmara). Mais mulheres passaram a ser autónomas, as actividades diversificaram-se, é um dado. Em 1990 17 por cento das mulheres maiores de 15 anos eram analfabetas. Mas são uma maioria em algumas áreas do ensino superior. Das reivindicações que fizeram ninguém se lembra (a única coisa de que as pessoas se lembram é de que «elas queimaram `soutiens'»). Apareceu, como novo conceito, «o assédio sexual» (quer dizer que começou a ser timidamente posto em causa o «natural» comportamento dos homens). Uma questão que atinge essencialmente as mulheres, a interrupção voluntária da gravidez, continua por ter legislação adequada.</P>
<P>
16. A droga</P>
<P>
Nos anos 60 o uso de drogas era circunscrito em Portugal. Aumentou em finais dos anos 70, depois dos célebre cartazes «Droga-Loucura-Morte», e diversificou-se. É costume dizer que foi por influência dos «retornados», mas aumentou em Portugal como em todos os países. Com a explosão do consumo de «heroína (sniffar cocaína e tomar «ecstasy» são práticas de grupos restritos, essencialmente urbanos) surgiram as considerações sobre delinquência, «problemas» sócio-sanitários, economia, instituições. O mercado da droga criou bairros específicos, profissões específicas, terapias específicas, modos de vida específicos. Já este ano, surgiu em Portugal a Liga Anti-Proibicionista.</P>
<P>
17. A religião</P>
<P>
Fundamentalmente por causa do sentido da transcendência, sempre houve seitas (uma seita: um grupo contratual de indivíduos que partilham a mesma crença) em todas as culturas, mas em Portugal multiplicaram-se nos últimos anos. Conhecíamos as Testemunhas de Jeová e os Mórmones; passámos a conviver também com as Igrejas Maná e Universal do Reino de Deus, com a Nova Acrópole, com os Moonies, com os Meninos de Deus (actual Família do Amor), entre outros. Dantes falavam mais no caos e no fim do mundo, agora as questões dominantes parecem ser (é um sinal dos tempos, as pessoas já não estão para se ralar com grandes temas) a saúde, o bem-estar, o êxito. O Secretariado do Vaticano preconizou a informação para todos os fiéis.</P>
<P>
18. A comunicação</P>
<P>
Se falarmos em «media», em vinte anos mudou tudo: televisão, jornais, rádio. Passou a haver parabólicas generalizadas. Permitem escolher qualquer outra coisa, fazendo antes um «zapping» rápido para nos sentirmos contentes por não termos de gramar nem o concurso, nem a telenovela, nem o «talk-show» nos quatro canais nacionais. Se falarmos em estradas, passámos a ter a auto-estrada Lisboa-Porto. Se falarmos em serviços, temos as linhas telefónicas para vítimas, crianças, grávidas, solitários, etc. Se falarmos em equipamentos em sentido amplo, os gravadores de chamadas, os telemóveis e a informatização ligaram os indivíduos ao mundo (e ao mesmo tempo fazem um discreto trabalho de sapa da vida privada).</P>
<P>
19. A educação</P>
<P>
Acabou o modelo diferenciado liceu (socialmente prestigiado)/escola comercial (não prestigiado), e por isso começámos a ouvir falar em «massificação». A escolaridade obrigatória aumentou. O acesso ao ensino superior e o ensino superior são discutidos. Como nunca conseguimos o apuro do modelo alemão, que liga o ensino e a vida activa, com períodos de formação nas empresas, por exemplo, passámos a ter o grupo social dos «jovens à procura do primeiro emprego».</P>
<P>
20. A normalidade</P>
<P>
Doenças mentais há em todas as sociedades, e os relatórios da Organização Mundial de Saúde já mostraram que as sociedades ditas primitivas nem por isso são poupadas. Também podemos mencionar, para os casos das sociedades ditas desenvolvidas, a «falta de inserção» social e familiar, porque é hábito. Como quer que seja, «estar deprimido», «perturbado», «descompensado», popularizou-se. A psicoterapia, a psiquiatria, a psicanálise também. O uso de ansiolíticos, os euforizantes e os antidepressivos está a «normalizar-se». Dantes pensávamos em doenças mentais, agora é em pessoas «com problemas».</P>
<P>
* Dados extraídos das actas do colóquio «Viver (n)a Cidade», LNEC-ISCTE, 1990; da revista «Povos e Culturas», da Universidade Católica Portuguesa; Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres; jornais e revistas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31528">
<P>
Ainda antes de terminada a contagem dos votos na África do Sul</P>
<P>
prepara-se novo Governo</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Jorge Heitor, em Joanesburgo</P>
<P>
A contagem dos votos das eleições gerais sul-africanas da semana passada ainda não acabara ao princípio da noite de ontem, mas já todas as atenções se concentravam na composição que virá a ter o Governo de unidade nacional a anunciar na próxima semana, bem como nos preparativos para a tomada de posse de Mandela, no dia 10, depois de ser formalmente eleito na véspera.</P>
<P>
Ontem à noite ainda não se conhecia o resultado final das eleições gerais sul-africanas, efectuadas de 26 a 29 de Abril, mas o presidente De Klerk e o homem que lhe sucede na próxima semana já estiveram reunidos para tratar da passagem do testemunho e da formação de um governo de unidade nacional, a vigorar até 1999.</P>
<P>
De Klerk e Mandela reuniram-se durante cerca de cinco horas, em Pretória, naquilo que um porta-voz descreveu como um encontro em atmosfera «muito quente, amigável e construtiva».</P>
<P>
Segundo as indicações existentes até agora, o Congresso Nacional Africano (ANC) fica com mais de 62 por cento dos lugares, numa Assembleia de 400, o Partido Nacional sensivelmente com 22 e o Inkatha com oito, sendo estes três grupos os únicos com direito a representação no executivo. Mas o futuro Presidente, a eleger formalmente pelos deputados e pelos senadores na próxima sexta-feira, já deu a entender que poderá ser suficientemente generoso e estender a mão mesmo a outras forças.</P>
<P>
A votação conseguida pelo ANC foi praticamente a que alguns observadores vinham a admitir nos últimos meses, a do Partido Nacional um tanto ou quanto superior ao que se vaticinara e a do Inkatha também ligeiramente acima do que há pouco se pensava, sobretudo tendo em conta que o partido de Mangosuthu Buthelezi só quase à última hora aceitou participar no acto eleitoral.</P>
<P>
De um modo geral, pode-se dizer que não houve grandes surpresas, pois as três listas mais votadas foram as previstas e nos três lugares imediatos também se colocaram aqueles que se esperava: Frente da Liberdade, Partido Democrático e Congresso Pan-Africano (PAC), respectivamente com votações de 2,7, 1,7 e 1,3 por cento. Na sétima posição, o Partido Democrata Cristão Africano ficou-se por 0,5 por cento, o que lhe poderá dar direito a um ou dois deputados. Mas só hoje é que o juiz Johan Kriegler, presidente da Comissão Eleitoral Independente, irá dizer se as eleições foram na verdade «substancialmente livres e justas».</P>
<P>
Entretanto, a primeira sessão do novo Parlamento, para eleição formal do Presidente da República, já não vai ser na sexta-feira dia 6, conforme estava previsto, mas apenas na segunda-feira, dia 9, véspera da anunciada tomada de posse de Mandela, a que comparecerão numerosos chefes de Estado e de Governo, incluindo os de Portugal e de Angola.</P>
<P>
Quatro centenas de novos deputados, na sua maioria negros, são esperados a partir de amanhã na Cidade do Cabo, para a sessão de um dia, convocada expressamente para confirmar Mandela como Presidente.</P>
<P>
O secretário do parlamento, Robin Douglas, disse que o programa de sexta-feira, incluindo um discurso à Nação, de Mandela, na Grand Parade da Cidade do Cabo, será transferido, intacto, para segunda-feira.</P>
<P>
Buthelezi conciliador</P>
<P>
Uma das surpresas de ontem à tarde foi Mangosuthu Buthelezi ter dito que será mais fácil trabalhar com o ANC do que com o Partido Nacional. Ou seja, que, afinal, sempre poderá vir a aceitar um lugar no Governo de unidade nacional, depois de, na semana passada, haver dito o contrário. E esclareceu que, na véspera à tarde, telefonara ao líder da formação vencedora, a felicitá-lo, apesar de o futuro Presidente não ter mencionado essa mensagem entre as que recebera. «Esquecimento» porventura significativo das más relações que desde há muito existem entre as duas partes e que já causaram milhares de mortos.</P>
<P>
Sobre a possibilidade de vir a integrar pessoalmente o futuro governo de unidade nacional, Buthelezi respondeu: «Não decido as coisas sozinho», acrescentando que, para isso, teria de ser sancionado pelo comité central do Inkhata.</P>
<P>
Interrogado sobre o futuro que via para si na nova África do Sul, o líder zulu referiu: «Quando chegar a essa ponte, atravesso-a. Gostaria de me sentar com os meus colegas e ver como enfrentar esse futuro.»</P>
<P>
Mandela terá como vice-Presidentes um dos seus principais colaboradores, Thabo Mbeki ou Ciryl Ramaphosa, e Frederik de Klerk, sendo o elenco governamental constituído por uma maioria de ministros saídos das listas do ANC, uns cinco do Partido Nacional, um do Inkatha e eventualmente mais alguns de outras forças políticas, como gesto extraordinário de boa vontade.</P>
<P>
Da parte do ANC são ministeriáveis, além dos dois candidatos à vice-presidência, o presidente do Partido Comunista, Joe Slovo, natural da Lituânia, o intelectual da esquerda não comunista Pallo Jordan, os indianos Jay Naidoo e Ahmed Kathrada, o comunista branco Ronnie Kasrils e Albertina Sisulu, mulher do vice-presidente do Congresso Nacional Africano, Walter Sisulu.</P>
<P>
Pelo Partido Nacional, além da certeza de uma vice-presidência para De Klerk, surgem as candidaturas de Roelf Meyer, Leon Wessels, Kobie Coetsee, Dawie de Villiers, Derek Keyes e Roelof «Pik» Botha, mas seria para o regime cessante pedir de mais que todos eles passassem para o novo executivo.</P>
<P>
Uma das grandes jogadas que Mandela já deu vagamente a entender que poderia fazer seria o convite ao líder da Frente da Liberdade, general Constand Viljoen, antigo chefe do Estado-Maior General dos tempos do «apartheid», para ser o ministro da Defesa da nova África do Sul.</P>
<P>
Do outro lado do espectro político, para contrabalançar, convidaria entretanto o líder do PAC, Clarence Makwetu, e até mesmo um representante da Azapo, organização da extrema-esquerda que não aceitou ir às urnas e que provavelmente também não iria agora aceitar nenhum lugar no Governo.</P>
<P>
No entanto, mesmo que acabe por não os fazer, só ao levantar a simples hipótese de tais convites, Mandela já está a fortalecer a sua imagem de homem moderado e generoso, em quem o grande capital poderá confiar.</P>
<P>
Entretanto, e apesar de ontem à noite ainda estarem por contar perto de um terço dos votos, confirma-se a tendência inicial para que o ANC fique com o controlo de sete das nove províncias da África do Sul, o Partido Nacional com a maioria no Cabo Ocidental e o Inkatha com a supremacia no Kwazulu-Natal.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-53646"> 
<P>Coletivo dinamarquês acusa Fundação Bienal de censura</P>
 <P>16 de Outubro de 2006</P>
 <P>Apresentada na Bienal de Veneza em 2003, a obra "Guaraná Power", do coletivo dinamarquês Superflex, foi selecionada pela curadoria da 27ª Bienal de São Paulo mas teve sua exibição vetada pela Fundação realizadora da mostra.</P>
 <P>Tônico de sabor concentrado e propriedades energéticas, de grande sucesso na Europa, o Guaraná Power tem como função primeira a crítica ao monopólio do mercado e a suas conseqüências nas comunidades agricultoras. A partir de um estudo econômico da cidade de Maués, no Amazonas, detectou-se o impacto econômico da redução do preço das sementes de guaraná por parte das grandes indústrias. "Estabelecemos o valor de R$ 15 para o quilo de sementes, enquanto as indústrias pagam R$ 7", afirmou Bjornstjerne Christiansen, membro do Superflex, em entrevista à Folha de São Paulo. O projeto conta com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Governo do Estado do Amazonas.</P>
 <P>Impedidos de apresentar a obra - e tendo suas páginas do catálogo da mostra cobertas por tarjas pretas -, os dinamarqueses distribuíram o Guaraná Power, sem rótulo, em vernissages na Galeria Vermelho e Instituto Tomie Ohtake, além de pontos espalhados pela capital paulista. O coletivo Superflex já recebeu elogios do Ministro da Cultura Gilberto Gil em junho deste ano, ao apresentar no Brasil o projeto Free Beer ("cerveja livre"), cerveja cuja fórmula é licenciada em Creative Commons e permite que qualquer pessoa interessada possa fabricá-la ou aprimorá-la.</P>
 <P>Na entrevista coletiva dos organizadores da Bienal, o presidente da Fundação Bienal, Manuel Francisco Pires da Costa, optou por, além de responsabilizar a assessoria jurídica, emitir sua opinião pessoal acerca da obra polêmica: "Eu jamais interferi no mérito das obras selecionadas. Aliás, a acho de muito mau gosto e, se não julguei, estou julgando agora. Foi o departamento jurídico da Bienal quem informou que essa obra não estava de acordo com as regras da legislação brasileira".</P>
 <P>"O que eles sempre nos disseram é que isso [a referência à marca do guaraná Antarctica] poderia ser um problema, mas o presidente nunca nos deu respostas claras. Nossas obras sempre envolvem negociação, mas com ele tivemos as portas fechadas. Se eles olhassem como ficou a lata [diferente da criação original], não haveria problema legal", afirmou Jakob Fenger, um dos membros do coletivo, em entrevista para a Folha de São Paulo, em matéria que informa ainda: "Por meio de sua assessoria, a AmBev [fabricante do guaraná Antarctica] declarou não ver problema na obra. Diz não ter tido nenhum contato com o grupo".</P>
 <P>O Superflex ainda distribuiu à imprensa, no dia da coletiva, o documento "A obra de arte que os brasileiros não terão permissão de ver na Bienal". Nele, afirma-se que o "presidente da Fundação Bienal censurou um trabalho com reconhecimento internacional para o público brasileiro", que, segundo o texto divulgado, teria sido recusado "por não ser considerada uma 'atividade artística'".</P>
 <P>A polêmica gerada pela Fundação Bienal fortaleceu a ação política do coletivo dinamarquês, tendo a censura gerado uma reação oposta à desejada. Foi grande o interesse público pelo modelo econômico e social do projeto Guaraná Power -- baseado no colaborativismo do software livre -- e positiva a repercussão do tema, exatamente onde interessa: no país fornecedor da matéria-prima de uma das bebidas estrangeiras mais famosas no exterior.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-94914a">
<P>
Fim da campanha eleitoral na África do Sul</P>
<P>
O receio das minorias</P>
<P>
Do nosso enviado Jorge Heitor, em Durban</P>
<P>
As diversas minorias sul-africanas, incluindo os indianos e os mestiços, estão assustadas com a possibilidade de os novos tempos não lhes serem muito mais favoráveis do que os anteriores. Nas igrejas de todo o país, em todos os credos, reza-se para que a violência não tome conta do país.</P>
<P>
Enquanto o líder do ANC, Nelson Mandela, ia ontem à noite ao encontro do Presidente De Klerk, para uma reunião especial na sequência da acção bombista que ontem vitimou oito pessoas em Joanesburgo, as minorias sul-africanas continuam assustadas com o rumo que as coisas estão a tomar.</P>
<P>
Muitos indianos da província do Kwazulu-Natal têm estado a receber estranhas cartas em que lhes oferecem 12 cêntimos pelas lojas, casas e automóveis, dizendo que o resto será pago com «uma AK-47», o que parece aumentar o receio de que as próximas semanas tragam mais complicações.</P>
<P>
Crê-se que as ameaças são obra da extrema-direita branca, pois ocorreram essencialmente numa zona onde é conhecida a actividade da Frente Popular Africaner. Mas, mesmo assim, um taxista indiano disse ao PÚBLICO, em Durban, que «o homem branco é um autêntico Deus» e que, se os seus antepassados não tivessem vindo para a África do Sul, estaria hoje muito provavelmente a morrer à fome, nessa Índia que nunca viu, nem ele nem os seus pais.</P>
<P>
Por toda a cidade de Durban encontrámos os «indianos», tanto cristãos como muçulmanos, que não mantêm actualmente qualquer ligação com a Índia ou com o Paquistão, sendo meros descendentes dos trabalhadores que os ingleses para aqui trouxeram nas últimas décadas do século passado. E as simpatias dessa gente divide-se por diversos partidos, mas tendem muito mais a alinhar com o Partido Nacional que com o ANC.</P>
<P>
Muçulmanos pluralistas</P>
<P>
Em todas as igrejas cristãs da África do Sul se rezou ontem muito, como nunca, pois todos temem que as eleições possam não correr bem, apesar da calma tensa que, durante os últimos dias, se tem verificado pelo país fora, apenas com alguns actos de excepção, como o atentado de Joanesburgo.</P>
<P>
Sintoma da violência habitual, vingança dos acontecimentos de 28 de Março ou sinal de partida para uma onda de instabilidade sem precedentes, um carro armadilhado explodiu ontem, em Joanesburgo, à porta da sede regional do ANC: oito mortos, incluindo um candidato da organização às eleições, e uma centena de feridos, balanço ao fim da tarde.</P>
<P>
A explosão abanou edifícios situados a cerca de um quilómetro e deixou um cenário de destruição poucas vezes visto na capital económica sul-africana: carros destruídos, janelas estilhaçadas nos edifícios próximos e grades de protecção atiradas para dentro da sede do ANC, entretanto pasto de chamas. Um porta-voz da polícia, citado pela Reuter, calculou a carga da bomba entre 80 a 90 quilos de dinamite, colocada dentro ou debaixo do carro, mas recusou especular sobre a autoria do atentado.</P>
<P>
Fontes do ANC e do PAC (Congresso Pan-Africano, radical, que também tem ali as suas instalações) concordaram em que o objectivo foi desmobilizar os eleitores na véspera do primeiro sufrágio livre em 342 anos de história da África do Sul. «Estou convencido de que foi um ataque directo à democracia e às eleições. Espero que as pessoas não se deixem intimidar com isto e que acorram às urnas para votar», disse o porta-voz do ANC, Carl Niehaus. «É claramente uma forma de assustar as pessoas na véspera da ida às urnas», disse, por sua vez, o secretário-geral do PAC, Benny Alexander.</P>
<P>
Um porta-voz do PAC disse ter recebido, pouco antes da explosão, um telefonema hostil, de alguém falando em africaner (o idioma utilizado pela maioria dos brancos conservadores sul-africanos), avisando-o de que iria deflagrar uma bomba. O rebentamento só não causou mais vítimas, segundo uma fonte da organização de Nelson Mandela, por o condutor ter certamente contado com as medidas excepcionais de segurança tomadas pelo ANC desde os trágicos acontecimentos que marcaram a manifestação do Partido da Liberdade Inkhata (de base zulu) há cerca de um mês. A Reuter recordou, entretanto, que a polícia relacionou a extrema-direita branca ao atentado à bomba e ao ataque à sede da Comissão Eleitoral Independente, na semana passada.</P>
<P>
Já na sexta-feira, aliás, se orara pelo mesmo objectivo na mesquita de Durban, a maior do hemisfério sul; e se distribuíra pela comunidade islâmica um número especial do boletim «Muslim Today», onde se diz que os muçulmanos sul-africanos são pluralistas, com liberdade de consciência para escolher entre os diversos partidos.</P>
<P>
Muito longe dos fundamentalismos de uma Argélia ou de um Egipto, os muçulmanos sul-africanos, que não chegam a ser muitas centenas de milhares, afirmam que se deverá ir às urnas no dia das eleições e entregar o voto, como um primeiro passo para construir uma sociedade democrática. Por quem votar já é uma questão de consciência pessoal.</P>
<P>
Quanto aos judeus, que têm grande importância no mundo empresarial sul-africano, estando normalmente associados a empresas como a AngloAmerican e a De Beers, afirma-se que têm estado a levar bastante dinheiro para fora, não vá o diabo tecê-las. E muitos brancos de várias confissões religiosas andam bastante nervosos, pois teme-se que as coisas possam não correr muito bem, apesar de todas as orações que vão sendo feitas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa55968"> 
<P>New York, New York </P>
 <P> No mês passado, o
presidente da Câmara de Nova Iorque, Michael Bloomberg, decidiu entregar o cartão de militante do Partido Conservador. O gesto foi entendido como o arregaçar de mangas para entrar na corrida presidencial numa candidatura independente. </P>
 <P> E se ele avançar, as mais recentes sondagens indicam que o boletim de voto das eleições de 2008 podem ter três rostos ligados à " Big Apple ": Hillary Clinton, senadora pelo estado de Nova Iorque, Rudy Giuliani, o republicano que já foi presidente da Câmara da cidade, e Michael Bloomberg, o homem que sucedeu a Giuliani no cargo. </P>
 <P> Este cenário deverá irritar solenemente a classe política de cidades como Boston, St. Louis, Chicago, ou Los Angeles, que nunca viram com agrado a intromissão de políticos nova-iorquinos nos assuntos presidenciais. Aliás, os últimos sete presidentes eleitos vieram de regiões no Sul ou do Oeste, e ser oriundo do Nordeste americano passou a ser quase considerado uma garantia de derrota eleitoral (que o digam Dukakis ou Kerry). </P>
 <P> Como recordava um artigo num recente número da revista New Yorker, Nova Iorque já não via uma coisa assim desde 1951, quando, no campeonato de basebol, as equipas de Brooklin Dodgers e dos New York Giants disputaram o "play off" para decidir quem iria à final com os New York Yankees (que acabaram vencedores da " World Séries "). </P>
 <P> Para uma eventual candidatura, Bloomberg nem sequer está preocupado com o facto de arrancar tarde, numas eleições em que as primárias servem para angariar fundos (em anteriores eleições, o também magnata dos "media" já gastou mais de 160 milhões de dólares do seu bolso, e tem muitos mais para gastar). Além disso, Bloomberg conta com o efeito de subida de popularidade dos independentes nos EUA. Os estudos dizem que cerca de 40% dos eleitores não tem simpatia por nenhum dos partidos. E este dado torna o estatuto de independente muito atraente -- um fenómeno semelhante ao verificado com a candidatura de Manuel Alegre, nas últimas presidenciais portuguesas, ou com aquilo que esperam conseguir Helena Roseta e Carmona Rodrigues nas próximas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="hub-2701"> 
<P> Terá ainda que se esperar para ver outros resultados do Plano Tecnológico, mas este perdeu dinâmica no último ano. </P>
 <P> 6. Quanto às « Novas Oportunidades » foram no seu início um sucesso naquilo que era mais difícil: revalorizar o papel do ensino, da educação, da aprendizagem, do saber, em sectores da população que na sua vida tinham voltado as costas a esses valores, ou por necessidade, ou por facilidade. Porém o programa entra agora numa fase crucial: após os momentos de arranque incial, é suposto que se começe agora a aprender e a ser avaliado. Esta é a parte difícil, mas a que justifica o projecto. E aqui as intenções iniciais começam a esmorecer, os atrasos a somarem-se, a perplexidade dos formadores a aumentar e o anúncio regular pelo governo da outorga de mais uns milhares de diplomas faz suspeitar de facilitismo. Vamos ver. </P>
 <P> 7. No PSD deu-se mais um passo para a irrelevância, ou ainda pior, para tornar o partido um mero gestor alternativo das políticas do PS. Ora, para fazer a mesma política, os eleitores preferem o PS como mais eficaz e mais credível. </P>
 <P> Com Marques Mendes, o PSD esboçou um ruptura com o período negro anterior, mas como quando se fazem «revoluções pela metade cava-se o seu próprio túmulo» (dizia Saint Just), perdeu-se o pouco que se tinha adquirido voltando o partido ao dia anterior da derrota de 2005. Mendes não conseguiu impor-se, mas os seus esforços foram no sentido certo. Menezes também não está a conseguir impor-se, mas todos os seus esforços vão no sentido errado. O governo está verdadeiramente à solta, a oposição numa crise maior do que alguma vez esteve desde 2005. </P>
 <P> 8. O PP já atingiu o equilibrio dos pequenos partidos, que atingem uma «stasis» interna onde que tudo o que acontece, não acontece. E no entanto, a retirada do PSD da oposição poderia ser uma oportunidade e o PP tem aproveitado os vazios para ocupar o terreno de algumas questões importantes como a dos direitos dos contribuintes e a omnipotência do fisco. Mas não chega. Portas reduziu o partido a si próprio, e dar atenção ao PP é dar atenção a Portas e cada vez menos pessoas o fazem. </P>
 <P> 9. O PCP teve um bom ano, o problema do PCP é que ninguém dá por ela disso. O PCP é o único partido cuja força é «civil», mesmo que se tenha em conta o processo de estatização dos sindicatos, maior na UGT do que na CGTP. Conseguiu com autonomia uma capacidade de mobilização que já tinha perdido e pôs na rua muitas dezenas, senão centenas de milhares de pessoas. O problema do PCP é que passou de moda mediática, a sua contestação parece um arcaísmo social e por isso parece ser inútil. </P>
 <P> 10. O BE está em crise. Deixou-se enredar com o PS em Lisboa, o pior sítio para alguém se enredar com o PS. Deixou-se reduzir a Louçã e Louçã fixou-se num discurso cujo esgotamento irrita mais do que cansa. Para a contestação social o PCP é mais eficaz, e as causas "fracturantes" são na maioria dos casos ou inócuas, ou tão vanguardistas que ficam na marginalidade e no radical chic. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-68264">
<P>
Do enviado especial</P>
<P>
Uma simulação do futuro do Campeonato Mundial de Fórmula 1, baseada nas características das pistas onde serão disputadas 13 das próximas 14 etapas, mostra que a temporada tem boas chances de ser decidida nos últimos GPs.</P>
<P>
As duas vitórias de Michael Schumacher este ano, em Interlagos e Aida (Japão), reverteram o favoritismo da equipe bicampeã mundial. O piloto da Benetton jogou areia nos planos do maior candidato ao título, Ayrton Senna.~</P>
<P>
O maior problema do brasileiro não foi deixar de ganhar duas corridas. Após o primeiro contato que teve com um carro da Williams, em janeiro, ele já esperava dificuldades em pistas onduladas e de média para baixa velocidade –casos dos circuitos onde aconteceram os GPs do Brasil e do Pacífico.~</P>
<P>
Pior para ele foi não terminado nenhuma das provas. Não marcou pontos e viu o alemão abrir 20 pontos de vantagem.</P>
<P>
Considerando a hipótese de que apenas Senna e Schumacher vão se revezar na primeira e segunda colocações das próximas corridas, é de se imaginar que o título será disputado palmo a palmo.</P>
<P>
Faltam 14 corridas para o fim do campeonato. O GP da Argentina deve ser substituído por outra corrida na Europa. </P>
<P>
Nos 13 circuitos já definidos, Senna leva vantagem em nove. Schumacher, em quatro. Isso levando em conta o tipo de pista.</P>
<P>
Com os dois alternando vitórias e segundos lugares, o cálculo lógico indica um empate em pontos depois do GP da Austrália: 114 x 114. O local da prova que vai substituir a Argentina pode ser decisivo para as pretensões da dupla.</P>
<P>
Se Senna tivesse chegado em segundo nas duas primeiras etapas, sua situação seria menos incômoda. O Mundial ganhou cores novas graças à Benetton.(FG)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-42012">
<P>
Imprensa mundial contra a perversão da F1</P>
<P>
«Acabem com a loucura»</P>
<P>
A imprensa de todo o mundo descarregou ontem toda a sua ira contra aquilo que não hesitou em qualificar de «assassínio» de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger, no fim-de-semana mais negro da Fórmula 1, em Ímola, Itália.</P>
<P>
A morte de Senna teve uma repercussão ímpar e ganhou direito ao obituário reservado apenas a um restrito grupo de individualidades. Excepção feita ao Brasil, país natal de Ayrton, a onda de choque foi mais forte na Alemanha, onde se criticou os pilotos por terem alinhado para a nova largada, com uma grave nota de repúdio ao alemão Michael Schumacher, vencedor da prova, «sem brilho nem glória». O «Süddeutsche Zeitung», de Munique, é um espelho fiel desse sentimento: «[...] a ética deixou de ter importância na F1: após o acidente de Senna, todos os que tinham um carro intacto apresentaram-se na grelha de partida e o vencedor, Michael Schumacher, sorriu feliz no pódio dos vencedores.»</P>
<P>
Também o «Express», de Colónia, condena a retoma da corrida de uma forma assaz dura: «O sangue de Senna ainda não tinha secado...»</P>
<P>
Os austríacos levaram muito a peito o infortúnio do seu compatriota, Ratzenberger. Sem esquecer Senna, a imprensa vienense falou em «cinismo» dos responsáveis pela competição no circuito do «horror» e fez um apelo: «Acabem com a loucura!»</P>
<P>
Em Itália, alguns jornais abriram uma excepção no dia de ontem, pós-1º de Maio, imprimindo edições especiais. O «Corriere dello Sport», diário desportivo de Milão de grande tiragem, acusa a toda a largura da primeira página: «Eles mataram Senna.» Acentua também os graves problemas de segurança do circuito, revelando que Ayrton denunciara os riscos inerentes às novas regras da F1 e consagra ao brasileiro a maior homenagem: «Um dos maiores pilotos de todos os tempos morreu em Ímola.» Até o jornal do Vaticano, o «Osservatore Romano», criticou a decisão de prosseguir a prova de San Marino, a despeito das duas mortes ali ocorridas: «Em perversa dimensão, a morte em directo na televisão pode representar a meta suprema.»</P>
<P>
Em França, o popular diário desportivo «L'Équipe» faz o maior elogio a Ayrton: «Lá em cima, no paraíso dos pilotos, Senna reencontrou Clark, Hill e Villeneuve.» Para «Le Figaro», o título foi «A trajectória quebrada», enquanto no «Infomatin» podia ler-se «Mortos pelo espectáculo».</P>
<P>
Em Inglaterra, todos os jornais fustigam a «miopia» do mundo dos grandes prémios, destacando-se o «Times», ao denunciar a vulnerabilidade do pescoço e da cabeça dos pilotos.</P>
<P>
Nos EUA, as principais publicações de Washington e Nova Iorque não esqueceram o sucedido. O mesmo aconteceu no Japão, com realce para o depoimento do presidente da construtora de automóveis Honda, Kawamoto, ao lembrar que Senna proporcionou à sua empresa três títulos mundiais de F1.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71271">
<P>
Junta Metropolitana de Lisboa quer revisão do PER</P>
<P>
Os municípios que integram a Área Metropolitana de Lisboa decidiram pedir ao Governo para rever o enquadramento jurídico e financeiro da habitação social, em particular o programa destinado à erradicação das barracas, o PER. Para os municípios, o PER «é insuficiente», sendo «imprescindível» rever os acordos anteriores ao programa destinados à promoção de habitação social por parte das autarquias. O objectivo é dotar os programas mais antigos de financiamentos semelhantes ao do PER. Os municípios pretendem também a anulação da parcela mínima de 20 por cento de auto-financiamento por parte dos municípios aderentes ao PER, recomendando ainda a criação de linhas de financiamento para equipamento social complementar. De resto, as acções de realojamento não deverão limitar-se a transferir as populações das barracas para prédios novos. Os municípios da Área Metropolitana de Lisboa salientam «a urgência de serem implantadas políticas e medidas sociais» complementares ao realojamento que «promovam a integração quer das famílias a realojar quer das famílias residentes ou receptoras».</P>
<P>
No âmbito do PER, que tem como objectivo erguer 33 mil fogos até ao ano 2000, estão em construção «ou em vias disso» duas mil habitações na Área Metropolitana de Lisboa.</P>
<P>
As sugestões que os municípios vão apresentar ao Governo não se ficam, contudo, pelo PER. Além de velhas reivindicações, como a alteração da lei dos solos e das finanças locais, e da alteração das condições do Recria, as autarquias lançam outras questões. Há que criar um subsídio de renda para as famílias de baixa capacidade económica, dizem. E que aumentar o valor das classes de bonificação para compra de casas a custos controlados.</P>
<P>
Os bairros de habitação dos municípios, esses devem ser objecto de reabilitação urbana. Tudo isto a par de «uma ponderação profunda das políticas de imigração, emprego e residência».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45038">
<P>
Pra Xuxa passar despercebida no Ceará só a Marlene mudando de nome pra Anoni. Anoni Mattos! Rarará</P>
<P>
JOSÉ SIMÃO</P>
<P>
Da Equipe de Articulistas</P>
<P>
Bomba! Bomba! Ceará Gomes Urgente! Pegaram a Xuxa passando férias no Ceará! Na casa do empresário Capelo. Diz que é seu novo namorado. Aspeia o namorado! Rarará. E o "namorado" da Xuxa é dono sabe de quê? De uma rede de sapatarias. Rarará! Grandes ironias do destino: o "namorado" é dono de sapataria e a praia onde ela tá hospedada se chama Pecém. O que? Pé cem?! Rarará. E o nome da rede de sapataria: Sapataria Belém!</P>
<P>
E adorei a foto da Xuxa passeando de bugue com a Marlene Mattos. A gente não sabe onde termina o bugue e onde começa a Marlene Mattos. São idênticos! Rarará! Tá no ar mais uma calúnia do Macaco Simão!</P>
<P>
Guatemala Urgente! Ops, Guatemala Sem Alça Urgente! Um amigo chega da Guatemala e me conta que num dos principais jornais de lá existe uma seção que é a versão do "Erramos" da Folha. Que se chama "Errar És Humano". Rarará. Nào é ótimo? A candura da língua hispânica. Errar é humano. E perdoar é divino! E guatematelca quando é muito chata é Guatemala sem alça!</P>
<P>
Denilma Bilhões Urgente Urgentíssimo! Reprise da entrevista da dona Denilma ao Jabaury Jr. Do tempo em que ela ainda era apaixonada pelo marido. Antes de ela vestir peruca de touro, chapéu de viking! E ela: "Geraldo é um intelectual. As peruas dão em cima mas ele é muito tímido." Geraldo Bulhões: intelectual e tímido. Rarará. Agora conta aquela do papagaio que passa trote em chifruda! Rarará.</P>
<P>
E como o FHC diz que 42 é número de sapato e não de inflação, a inflação de janeiro ja+ ta+sendo chamada de inflação sapatão!</P>
<P>
IPVA, IPTU, IPMF. Ih, me fudí. Rarará. Nóis sofre mas nóis goza. Quem fica parado é poste!</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11732">
<P>
Da Agência Folha, em Belo Horizonte</P>
<P>
A família do pecuarista Carlos Larica, 48, é uma das beneficiadas pela "seca verde" no Pantanal Mato-Grossense. Segundo Larica, 20 mil dos 43 mil hectares da fazenda da família, localizada na região do Paiguás, estavam alagados e agora poderão ser utilizados para pastagens.</P>
<P>
"Se considerarmos que cada hectare vale o preço de meia vaca (cerca de CR$ 15 mil em dezembro), teremos um lucro razoável", disse Larica. Para ele, os fazendeiros somente poderão usufruir dos frutos da seca mais tarde. "Agora é hora de investir. As novas áreas de pastagens estarão cheias de gado somente daqui a cinco anos", disse.</P>
<P>
O Pantanal ocupa uma área de 140 mil km2 nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e é considerado o maior santuário ecológico do mundo. O Pantanal se estende ainda para as áreas de planície da Bolívia, onde é conhecido como chaco boliviano.</P>
<P>
O ciclo da cheia acontece anualmente entre janeiro e maio, quando o rebanho bovino é retirado das partes mais baixas para a região mais alta. Segundo o vice-presidente da Sociedade de Defesa do Pantanal (Sodepan), Nilson de Barros, as enchentes são benéficas à flora e à fauna da região. "Há uma renovação na fauna", diz Barros, fazendeiro da região.</P>
<P>
"O pantaneiro tem um instinto de preservação. O dia em que a pecuária acabar, o Pantanal vira deserto", diz Barros.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-4522">
<P>
CLÁUDIA TREVISAN</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Doze dias depois do assassinato do sindicalista Oswaldo Cruz Júnior, a polícia tem mais dúvidas que certezas sobre o caso. Os principais pontos não esclarecidos são a eventual existência de mandante, a atuação de José Carlos de Souza, o Carlinhos, e as razões do assassinato. Uma das únicas certezas é a autoria do crime, atribuída a José Benedito de Souza, o Zezé, que está foragido.</P>
<P>
"A cada depoimento temos a impressão de que o crime é outro", afirmou ontem o delegado Nelson Guimarães, que preside as investigações. "Alguém está faltando com a verdade", acrescentou. Em sua opinião, não é possível que "todos tenham visto o mesmo fato de formas tão diferentes". Até agora foram tomados 11 depoimentos.</P>
<P>
Para agravar a situação, as investigações deverão sofrer um atraso de uma semana. Os depoimentos previstos para ontem não foram realizados porque as pessoas intimadas pediram para ser ouvidas em Santo André, onde residem. Guimarães acredita que o mesmo pedido será apresentado pelas outras pessoas que deveriam ser ouvidas até sexta-feira, a maioria ligada ao novo presidente do Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABC, Cícero Bezerra da Silva.</P>
<P>
Em razão disso, o delegado decidiu apresentar novas intimações na segunda-feira e se transferir para Santo André a partir da próxima quarta-feira.</P>
<P>
Contradições</P>
<P>
Uma das principais contradições diz respeito à participação de Carlinhos, que estava com Zezé na sala de Cruz no momento do crime. Ele passou a ser suspeito de cúmplice do assassinato após o depoimento de José Basílio dos Santos, que afirma ter assistido o assassinato. Basílio sustenta que Carlinhos impediu Cruz de fugir antes de Zezé começar a atirar.</P>
<P>
Na terça-feira, o diretor do sindicato Cícero Novaes disse que Carlinhos saiu da sala logo depois de Zezé. No mesmo dia, o outro diretor Luiz Carlos Torres afirmou que Carlinhos tentou socorrer Cruz após Zezé ter abandonado a sala.</P>
<P>
O motivo do crime também não está esclarecido. O grupo ligado ao sindicalista morto insinua a existência de razões políticas e acusa os partidários de Cícero Bezerra da Silva. O grupo do novo presidente sustenta que o assassinato foi provocado por desentendimentos pessoais entre Cruz e Zezé. Guimarães já afirmou que acredita na existência de um mandante do crime. Porém, até o momento a suspeita não foi comprovada.</P>
<P>
O pedido para que os depoimentos de ontem fossem realizados em Santo André foi apresentado pelo advogado José Wilmar da Silva, que representa o sindicato. Deveriam ser ouvidos Lourival Aparecido Lima de Resende, Erivan Vicente Moura e José Wagner. Também deveriam depor até sexta José Carlos dos Santos, o Zezinho, Alexandre dos Santos Jarilde, Carlos Roberto Pinto da Silva e Benício da Silva Araújo. Os quatro estariam no sindicato no dia do crime.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-50019">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
As primeiras delegadas de dois eventos sobre a mulher que acontecerão na China chegaram ao país e descobriram que os alojamentos para elas não estavam prontos, que não existia programação de atividades e que as pessoas que iriam recebê-las no aeroporto não estavam lá.</P>
<P>
Na quarta-feira, dia 30 de agosto, começa em Huairou (a 56 km de Pequim) o Fórum das Organizações Não-Governamentais, que deve ir até o dia 8 de setembro.</P>
<P>
A ONU promove, de 4 a 15 de setembro, em Pequim, a 4ª Conferência Mundial da Mulher.</P>
<P>
Um grupo de 40 delegadas argentinas teve que esperar três horas para ser recebido.</P>
<P>
Depois de chegar a Huairou, o grupo descobriu que o prédio no qual seria alojado não estava pronto. Elas foram levadas pela organização do evento para uma pensão, onde vão ficar por alguns dias.</P>
<P>
Várias ONGs cancelaram sua viagem à China por não conseguir visto para o país. Os grupos ainda não tinham recebido confirmação de reserva de hotéis chineses, exigida pelo governo do país.</P>
<P>
Muitos chineses descrevem a situação em Pequim como ``caótica". Eles esperam confusão no trânsito e conduta desordenada das cerca de 40 mil estrangeiras.</P>
<P>
Em Wuxi (leste), um casal de dissidentes chineses foi preso. A polícia suspeita que eles queiram participar da conferência da ONU.</P>
<P>
Ding Zilin e seu marido, Jiang Peikun, foram acusados de irregularidades econômicas.</P>
<P>
Os dois são professores da Universidade de Pequim e pais de um estudante de 17 anos morto durante protesto na praça da Paz Celestial, em 4 de junho de 1989.</P>
<P>
Uma mensagem da líder da oposição em Myanma (ex-Birmânia), Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz em 1991, será mostrada durante o Fórum das ONGs. Ela foi posta em liberdade em 10 de julho, após seis anos presa.</P>
<P>
O papa João Paulo 2º nomeou uma mulher para chefiar a delegação do Vaticano na conferência da ONU. Mary Ann Glendon, contrária ao aborto, chefiará oito homens e doze mulheres.</P>
<P>
A parlamentar de Taiwan Annette Lu condenou a China por negar a ela visto para a conferência. Segundo ela, o visto foi negado porque ela é contrária ao regime comunista chinês.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-47320">
<P>
Tchetchénia</P>
<P>
Catástrofe humanitária em Grozni</P>
<P>
O Governo russo anunciou ontem que as suas tropas estão a preparar o «assalto final» a Grozni, a capital na Tchetchénia, o que coincidiu com a conferência de imprensa dos membros da Organização sobre a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) que visitaram a república e que afirmaram que se vive uma «catástrofe humanitária» na cidade.</P>
<P>
Os membros da missão que se deslocou durante três dias à Tchetchénia, numa viagem organizada por Moscovo, afirmaram ter ficado «chocados» com o que viram. Compararam Grozni à cidade alemã de Dresden, arrasada pelos aliados em Fevereiro de 1945 -- a capital tchetchena, depois de quase dois meses de bombardeamentos, não passa de um gigantesco monte de escombros.</P>
<P>
A delegação considerou que os direitos humanos foram «gravemente violados» nesta república separatista da Federação Russa, mas não quiseram criticar directamente o Governo russo.</P>
<P>
Assim, perante os jornalistas, o chefe da missão, o húngaro Istvan Giarmati, reafirmou a necessidade de se «restaurar a ordem constitucional» na Tchetchénia -- principal argumento de Moscovo para justificar a intervenção armada. O chefe do gabinete dos direitos humanos da OSCE, Audrey Glover, foi mais agressivo: «Nunca vi nada de semelhante, a não ser nas fotografias de Dresden depois da guerra».</P>
<P>
A delegação defendeu a entrada em vigor de um «cessar-fogo humanitário para que se possa auxiliar as pessoas que ainda se encontram nas caves de Grozni», disse Giarmati. Dos 400 mil habitantes que Grozni tinha antes de começar a guerra, restam, segundo dados de Moscovo, cerca de 150 mil, que vivem em caves e abrigos subterrâneos uma vez que os bombardeamentos russos destruíram quase todas as habitações. As que ainda estão de pé ameaçam ruir, e há ainda o risco de voltarem a ser atingidas uma vez que os ataques prosseguem com grande intensidade depois da chegada de mais reforços russos.</P>
<P>
Os elementos da OSCE denunciaram ainda a forma como são tratados os prisioneiros de guerra tchetchenos. Viram cerca de 50 prisioneiros encerrados em vagões junto à base militar de Mozdok, na Ossétia do Norte. «A maior parte tinham sido espancados e necessitavam de assistência médica», disse Rene Nyberg, embaixador da Finlândia na OSCE. «Tinham os olhos negros», precisou.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-81463">
<P>
Presidente Carlos Salinas oferece anistia para tentar esvaziar rebelião camponesa no sul</P>
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
Em uma tentativa de esvaziar a rebelião camponesa iniciada no dia 1.º de janeiro, o governo mexicano ofereceu anistia a alguns dos rebelados. Em discurso transmitido em cadeia nacional de televisão, o presidente Carlos Salinas de Gortari descreveu a rebelião liderada pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional como um "choque doloroso para (o Estado de) Chiapas e o coração de todos os mexicanos".</P>
<P>
Os combates prosseguiam nas montanhas e florestas de Chiapas (sul). Nas cidades, soldados realizavam buscas de casa em casa. Em San Cristóbal de las Casas, a Artilharia instalou morteiros na praça central da cidade e disparou foguetes contra montanhas próximas. Aviões bombardearam a área rural em torno de San Cristóbal, forçando os habitantes a buscar refúgio na cidade.</P>
<P>
Ontem, duas torres de eletricidade foram dinamitadas na região central do México. Em nota enviada ao diário "La Jornada", os zapatistas assumiram a autoria dos atentados nas cidades de Tehuacán (Estado de Puebla) e Uruapan (Estado de Michoacán).</P>
<P>
Eles também ameaçaram estender as suas atividades até a capital federal, Cidade do México. "Esta missão (as explosões) está cumprida. A ordem é: avançar para a Cidade do México." Pouco antes da rebelião, os guerrilheiros roubaram cerca de 3.000 toneladas de dinamite e 1.400 detonadores.</P>
<P>
O Aeroporto Internacional da Cidade do México foi colocado ontem em estado de alerta máximo por causa das ameaças. "Nós estamos em alerta constante e patrulhamos a área de cada terminal. Existe comunicação constante entre forças de segurança federais, polícia local e outras unidades", afirmou o porta-voz do Departamento de Aviação.</P>
<P>
O governo mexicano, confrontado pela primeira vez em 20 anos com uma insurreição, acusou "profissionais da violência" de manipularem a pobreza do Estado de Chiapas. Segundo o governo, guerrilheiros guatemaltecos e salvadorenhos têm postos importantes na liderança do movimento zapatista.</P>
<P>
Ontem foi a primeira vez que o governo falou em anistia. Antes, havia tentado iniciar negociações com os rebeldes, que recusaram as condições do governo: cessar-fogo, entrega das armas, libertação dos reféns e identificação dos líderes zapatistas.</P>
<P>
Dados oficiais indicam que 102 pessoas morreram na insurreição. Mas a Igreja Católica fala em 400 mortos. Os zapatistas, nome escolhido em homenagem ao líder camponês Emiliano Zapata, tomaram seis cidades do Estado sulino de Chiapas no dia de Ano Novo. Descendentes dos maias, eles foram repelidos pelo Exército e se refugiaram nas montanhas.</P>
<P>
Cerca de 12 mil soldados, um quinto do Exército mexicano, participa da repressão. Informações não confirmadas dão conta de violações de direitos humanos por parte de tropas do governo. Médicos legistas chegaram a levantar a hipótese de que rebeldes teriam sido executados à queima-roupa.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-10483">
<P>
Novo regime de rendas sociais em Oeiras</P>
<P>
Quem mais tem, mais paga</P>
<P>
Diana Araújo</P>
<P>
O diploma tem dois anos, mas só agora a Câmara de Oeiras vai aplicá-lo. A maioria das rendas dos bairros sociais do concelho vai ter aumentos significativos e alguns moradores não sabem como pagar, mas para quase metade deles esse encargo, segundo os novos cálculos, até diminuirá. As sanções, para quem não cumpra as regras, atingem os valores máximos de arrendamento.</P>
<P>
A maioria das rendas dos bairros sociais do concelho de Oeiras vai sofrer aumentos significativos, a partir do próximo dia 1 de Setembro. As contas feitas pela divisão de Habitação da Câmara Municipal pretendem provar que os ajustamentos vêm pôr termo a «situações irregulares» e beneficiar famílias mais carenciadas, porque «os bairros sociais são para pessoas pobres», segundo declarou o vereador daquele pelouro, David Justino.</P>
<P>
«A filosofia» do recente diploma -- o decreto-lei 166/93, cuja aplicação foi adiada porque os serviços de Habitação da Câmara Municipal de Oeiras (CMO) procederam durante um ano a estudos sobre as suas consequências -- «vem favorecer claramente os agregados familiares com baixos rendimentos e onerar os que ultrapassam dois a três ordenados mínimos», afirma David Justino.</P>
<P>
O diploma estabelece que para achar o valor da renda se deve considerar os rendimentos anuais brutos das famílias divididos por 14. As horas extraordinárias e subsídios de Natal, férias, refeição e de trabalho nocturno são incluídos nos cálculos. Nas situações excepcionais, os moradores devem informar a CMO, de forma a que sejam efectuados acertos.</P>
<P>
No entanto, «à revelia da lei», a CMO tomou a iniciativa de considerar as deduções para a segurança social, IVA, IRS e imposto de selo, «porque [senão] esses cálculos iriam onerar determinados estratos da população», afirma o vereador.</P>
<P>
Para além dessas deduções, David Justino garante que apenas são considerados 50 por cento dos rendimentos dos filhos menores de 25 anos, que façam parte do agregado familiar. E os deficientes, os idosos com pensões inferiores a 30 contos e os filhos sem rendimentos são considerados dependentes. O vereador sublinha, porém, que tanto uma situação como outra são «casos já bonificados pela lei».</P>
<P>
As famílias que infringem as condições estipuladas nos contratos de arrendamento das habitações sociais vão ser penalizadas com a aplicação da renda máxima, cerca de 54 contos. A recusa de entrega de documentos comprovativos dos rendimentos auferidos pelos membros do agregado familiar, prestação de falsas declarações e o acolhimento de pessoas não declaradas nos serviços de Habitação da Câmara são as principais razões para essa medida. A recusa de uma família de mudar para uma casa de tipologia adequada, quando alterações no seu agregado já não justifiquem a ocupação da actual morada, é outra das situações previstas.</P>
<P>
Mesmo com as «bonificações», com a entrada em vigor do novo regime de rendas sociais, 55 por cento dos moradores de nove bairros sociais do concelho vão sofrer aumentos que vão desde os 100 por cento aos 300 por cento. Para os restantes 45 por cento, os novos cálculos resultaram a seu favor.</P>
<P>
Litígio na Portela</P>
<P>
As dezenas de famílias que se têm dirigido aos serviços da CMO consideram os aumentos uma injustiça e há mesmo quem não saiba como fazer face ao novo preço das rendas. Para dialogar com a autarquia, está prevista a criação de uma comissão de moradores dos bairros sociais daquele concelho.</P>
<P>
As queixas sucedem-se e o PÚBLICO ouviu algumas pessoas que se mostram aflitas ou revoltadas. O rendimento familiar de Daniel Marques, por exemplo, é de 122 contos. A seu cargo, conforme nos contou, tem o pai, 78 anos, a mulher, desempregada, e dois filhos, de 21 e oito anos. A partir do próximo mês, este morador do Bairro do Moinho da Portela, em Carnaxide, que até agora pagava oito contos de renda, vai pagar uma mensalidade de 21.500 escudos.</P>
<P>
«Se o que a minha família ganha, para comer e pagar água, luz e gás, não a coloca na categoria de pobre, então o que é ser pobre?, pergunta Daniel Marques, a mesmo tempo que recorda os «cerca de 100 mil contos» com que a Brisa queria indemnizar os moradores das barracas, na altura em que foi construída a auto-estrada entre Cascais e a Portela: «A Câmara ficou com o dinheiro e nós agora ainda temos de pagar rendas altas», diz o morador.</P>
<P>
David Justino afirma que «o dinheiro que foi dado à Câmara serviu para pagar as despesas de prioridade», pois a Brisa solicitou-lhe que o alojamento daquelas famílias fosse resolvido antes do de outras que já estavam à espera de casa há mais tempo. Por outro lado, o vereador garante que o problema social dessas famílias não seria solucionado, «porque a maioria ficava com a indemnização e ia construir a barraca para outro lado, como já aconteceu com centenas de famílias há cerca de três anos».</P>
<P>
«Os moradores do Bairro do Moinho da Portela têm sido tratados abaixo de cão», diz Daniel Marques, que justifica a razão da sua ira: «Somos os únicos que não temos opção de compra, porque o terreno não pertence à Câmara.»</P>
<P>
Apesar da CMO ter a posse administrativa daquele terreno, assim como de parte da área do Bairro da Encosta da Portela -- porque estava desabitado e foi considerado de utilidade pública --, o vereador esclarece: «Devido a problemas de partilhas entre os proprietários, a autarquia não pode ainda fazer escrituras.» No entanto, já existem moradores que efectuaram contratos de promessa de compra e venda, com o pagamento de cinco por cento do valor da casa. «Para além da não pagarem juros, o custo do imóvel não sobe e os moradores têm a garantia de que a casa será deles, quando o tribunal julgar este processo», garante David Justino.</P>
<P>
Outro dos casos que virão a ser reanalisados e acertados será decerto o de Paula Albuquerque, moradora do Bairro do Pombal, em Oeiras, que, há cinco anos, ficou a pagar 7580 escudos. Agora, a renda foi aumentada para 23 contos. Mas o seu rendimento ronda os 56 contos mensais e nem sempre é tanto, porque há alturas em que não recebe subsídio de trabalho nocturno. «Não sei como é que vou pagar a rendas e as contas de casa, além de sustentar a minha filha de três anos», diz em tom nervoso.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-66139">
<P>
Eleições na Arménia</P>
<P>
A Arménia tem hoje as suas primeiras eleições parlamentares da era pós-soviética, referendando ao mesmo tempo uma nova Constituição que aumenta os poderes do Presidente Levon Ter-Petrosian mapa principal</P>
<P>
Geórgia</P>
<P>
Rússia</P>
<P>
Arménia</P>
<P>
Ierevan</P>
<P>
Azerbaijão</P>
<P>
Nagorno-Karabakh</P>
<P>
Turquia</P>
<P>
Nachievan</P>
<P>
Irão</P>
<P>
População: 3,7 milhões.</P>
<P>
Área: 29.800 km2.</P>
<P>
Religião: cristã.</P>
<P>
Economia</P>
<P>
A indústria principal é a química (borracha sintética e fertilizantes). A agricultura está centrada no algodão, orquídeas e vinha.</P>
<P>
História</P>
<P>
1920 | A Arménia proclamada República soviética.</P>
<P>
1988 | Os arménios do enclave de Nagorno-Karabakh iniciam uma guerra com o Azerbaijão muçulmano. Milhares de mortos, embora um cessar-fogo esteja em vigor desde Maio de 1994.</P>
<P>
Dezembro de 1988 | Um sismo de grande intensidade mata 25 mil pessoas.</P>
<P>
Setembro de 1991 | É declarada a independência, na sequência do colapso do comunismo no bloco soviético.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-24506">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Começam hoje em São Paulo as festas de comemoração dos 170 anos de imigração alemã.</P>
<P>
Às 19h30, haverá sessão solene no Clube Transatlântico, na rua José Guerra, em Santo Amaro (zona sul).</P>
<P>
A seguir, haverá apresentação da banda da Polícia Militar de São Paulo e dos coros Lyra (fundado em 1884) e Scala (criado em 1972).</P>
<P>
Na ocasião também será lançado um carimbo comemorativo pela ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), com alusão à data.</P>
<P>
Os interessados em utilizar o carimbo deverão levar, durante a próxima semana, sua correspondência à agência central dos Correios, na avenida São João (região central de São Paulo).</P>
<P>
Amanhã será celebrado culto ecumênico na catedral da Sé, às 16h, com o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns, o pastor regional da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, Martin Hiltel, e o rabino-mor da Congregação Israelita Paulista, Michael Leipziger.</P>
<P>
O ano de 1824 foi convencionado como o da chegada dos primeiros alemães. Naquele ano, colonos trazidos por d. Pedro I se estabeleceram em São Leopoldo (RS).</P>
<P>
No Estado de São Paulo, entretanto, já havia alemães desde 1811, vindos para trabalhar na fábrica de ferro de Sorocaba.</P>
<P>
Em 1827, outro grupo de colonos chegou a São Paulo. Nos dois anos seguintes, vieram para São Paulo cerca de 900 alemães.</P>
<P>
No final do século passado, a prosperidade das lavouras de café fez com que muitos imigrantes alemães fossem para São Paulo.</P>
<P>
Eles representavam mão-de-obra especializada. Se estabeleceram como comerciantes, marceneiros, ourives, cervejeiros e chapeleiros, entre outras profissões.</P>
<P>
Estima-se que entre 1818 e 1968 o Brasil recebeu 300 mil alemães.</P>
<P>
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o último dado disponível sobre população alemã no Brasil é de 1980.</P>
<P>
Até esta data, havia 53.764 alemães residentes no país, sendo 25.651 no Estado de São Paulo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-86008">
<P>
GP do Pacífico em Fórmula 1</P>
<P>
Senna aumenta recorde</P>
<P>
Manuel Abreu*</P>
<P>
O recorde de «pole-positions» já pertencia a Ayrton Senna, que agora lhe juntou mais uma. Partir à frente pode ser meio caminho andado para vencer no circuito japonês de Aida. O brasileiro tem sobre si a sombra de Michael Schumacher, que espreita mais uma oportunidade para acumular pontos.</P>
<P>
Ayrton Senna (Williams-Renault) garantiu ontem a 64ª «pole-position» da sua carreira na Fórmula 1 e parte hoje do primeiro lugar da grelha para o Grande Prémio do Pacífico, o segundo da temporada de 1994, no circuito de Aida (Japão). A corrida começa às 12h30 locais (5h30 de Lisboa) e será transmitida em diferido na TV2 (17h45). Na primeira linha, ao lado de Senna, estará o alemão Michael Schumacher (Benetton-Ford), o que faz prever um novo duelo entre os dois pilotos que se apresentaram como os mais rápidos na prova inaugural -- o GP do Brasil.</P>
<P>
Ontem, o dia no circuito de Aida ficou marcado pela temperatura alta e por um acidente do australiano David Brabham (Simtek-Ford), que espalhou óleo na pista, tornando-a ainda mais escorregadia, o que impediu a maior parte dos pilotos de melhorar os tempos conseguidos na sexta-feira. Assim, ficou adiado mais um duelo entre o brasileiro e o alemão -- Schumacher apenas assistiu das «boxes» ao treino dos seus adversários, enquanto Senna e Hill (que manteve a terceira posição) fizeram piões sem consequências, comprovando as más condições de aderência da pista. Também os McLaren-Peugeot de Hakkinen (4º) e Brundle (6º) ficaram nas «boxes» durante o treino.</P>
<P>
A melhor recuperação coube ao brasileiro Christian Fittipaldi (Footwork-Ford), que passou do 15º para o 9º lugar -- foi a única alteração entre os dez primeiros, com a consequente descida de Verstappen (Benetton-Ford) para o décimo lugar. Nas primeiras cinco linhas da grelha encontram-se ainda os Ferrari de Berger (5º) e Larini (7º) e o Jordan-Hart de Barrichello (8º). Um bom resultado para os três pilotos brasileiros a competir na F 1.</P>
<P>
À procura da táctica</P>
<P>
Os pilotos têm sido unânimes em afirmar que a pista de Aida quase não tem pontos de ultrapassagem, o que dificultará o trabalho dos pilotos mais rápidos durante grande parte das 83 voltas da corrida. Ayrton Senna não espera uma prova fácil: «A corrida vai ser muito competitiva e tudo vai ser uma questão de conseguirmos as melhores afinações nos nossos carros. Tudo vai depender da estratégia de corrida.»</P>
<P>
As condições do asfalto são penalizantes para os pneus, pelo que algumas equipas poderão optar por efectuar mais de uma paragem nas «boxes» para reabastecimento e troca de pneus. Quantas vezes e quando o vão fazer é o grande segredo até à hora da prova.</P>
<P>
Os técnicos da Williams-Renault não se encontram satisfeitos com as prestações do seu monolugar e queixaram-se de problemas de aderência que estarão a ser provocados pela suspensão dianteira. Segundo eles, só a categoria do piloto brasileiro lhe permitiu chegar à primeira posição da grelha. «Com este carro, será impossível manter aquele andamento durante a corrida», referem.</P>
<P>
Uma vantagem para Schumacher, que continua confiante nas suas «chances» de vitória: «Vai ser uma corrida muito dura e será muito difícil ultrapassar. Espero que todos olhem cuidadosamente para os retrovisores. Em condições de corrida, o nosso carro mostra-se eficaz e estou bastante optimista.»</P>
<P>
*com AFP e Reuter</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-6850">
<P>
Opinião</P>
<P>
Sarkis Istanbulyan*</P>
<P>
Não esquecer a Birmânia</P>
<P>
A História ensina que é sempre por pressão diplomática e económica e com um equilíbrio de forças no terreno que os governos repressivos poderão vir a aceitar o princípio de uma paz negociada.</P>
<P>
A situação das minorias étnicas na Birmânia tem paralelos com a situação em Timor-Leste, onde, graças à intervenção incansável do Estado português, se conseguiu pelo menos consciencializar os governos e a opinião pública em alguns países, obrigando o Governo indonésio a moderar a sua actuação repressiva no território.</P>
<P>
O mundo «ocidental», pelo seu poderio económico, político e militar e impregnado de quase dois mil anos de cristianismo e desenvolvimento cultural, tem mais do que ninguém a responsabilidade de actuar com firmeza e com o sacrifício necessário quando outros povos estão a ser exterminados.</P>
<P>
Mas a intervenção dos Estados ou organizações internacionais faz-se muitas das vezes com a pouca determinação própria do cinismo da «realpolitik» pela qual se rege o mundo ocidental, cujo grau de atenção e actuação se move fundamentalmente por interesses da sua própria segurança e pelos seus interesses económicos, sem sacrificar um tostão que seja nem dar uma gota de sangue para evitar os piores genocídios, mesmo quando estão em causa centenas de milhares de vidas humanas.</P>
<P>
Torna-se assim crucial o empenhamento dos cidadãos, à margem dos Estados. Para que as situações dramáticas não sejam esquecidas.</P>
<P>
Recordar a Birmânia é recordar um país onde a oposição, a Liga Nacional para a Democracia, que reúne todas as forças democráticas de etnia birmanesa, minorias étnicas e organizações estudantis e religiosas e é liderada pela Nobel da Paz de 1992 Aung San Suu Kyi, triunfou nas eleições de 1990 com cerca de 80 por cento dos votos, para ver a junta no poder anular o seu escrutínio e colocar sob prisão domiciliária a sua chefe.</P>
<P>
Não deixar esquecer a causa deste povo oprimido, que luta pela sua sobrevivência física e cultural, é:</P>
<P>
-- denunciar as práticas cometidas pelo regime birmanês contra as minorias étnicas e contra todos, pessoas, organizações, instituições, que aspiram a um regime democrático;</P>
<P>
-- denunciar os crimes cometidos pela junta militar birmanesa, ao institucionalizar a cultura da papoila, a sua transformação em ópio e heroína e o consequente tráfico, cujos proveitos não são apenas do barão da droga Khun Sa e de alguns oficiais corruptos do Exército, mas também incorporados escandalosamente no «saco azul» do Governo, para financiar a sua estrutura militar e policial, que representa cerca de 60 por cento do seu produto interno bruto;</P>
<P>
-- notar que nenhum governo ou organização internacional (à excepção da Amnistia Internacional) tem denunciado ou pressionado sequer, pela via diplomática, a junta militar no poder;</P>
<P>
-- assinalar a insignificância da cobertura da questão pelos «media»;</P>
<P>
-- e, finalmente, salientar que as oposições são apenas motivadas para a sobrevivência do seu povo, em particular a resistência armada da minoria étnica karen: primeiro, por ser apolítica no sentido estritamente ideológico e, depois, pela sua conduta militar, que poderá dar lições de ética que superam em muitos casos as normas definidas na Convenção de Genebra. Os karen defendem que, por mais justa e legítima que seja a sua causa e por mais dramática que possa ser a sua situação, os meios não justificam os fins.</P>
<P>
Só isto seria bastante para não esquecer os karen, nem a Birmânia.</P>
<P>
* empresário holandês radicado em Portugal, que tem acompanhado as questões de violação dos direitos humanos na Birmânia e está ligado em particular ao apoio aos refugiados da minoria étnica karen.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-89562">
<P>
Leia a parte final da sentença</P>
<P>
Leia o trecho final da sentença que condenou PC Farias:</P>
<P>
Assim visto, e considerado o que mais dos autos consta julgo procedente a ação penal para condenar os réus Paulo César Cavalcante Farias, Jorge Waldério Tenório Bandeira de Melo, Ricardo Campos da Costa Barros e Rosinete Silva e Carvalho Melanias, pela prática de crimes subsumidos na Lei n.º 8.137, de 27.12.90 (Lei de Sonegação Fiscal), de acordo com a tipicidade apontada na denúncia de fls., e retroelencada, como segue:</P>
<P>
a) Paulo César Cavalcante Farias, art. 1.º, I, III e IV, da Lei n.º 8.137/90, combinado com o art. 29 do Código Penal, aplicando-se o art. 69 deste mesmo Diploma Legal (em concurso material);</P>
<P>
b) Jorge Waldério Tenório Bandeira de Melo, art. 1.º, III e IV, da Lei 8.137/90, combinado com o artigo 29 do Código Penal, aplicando-se o art. 69 deste mesmo Diploma Legal (em concurso material);</P>
<P>
c) Ricardo Campos da Costa Barros, art. 1.º, I e III, da Lei 8.137/90, c/c o art. 29 do Código Penal; e,</P>
<P>
d) Rosinete Silva de Carvalho Melanias, art. 1.º, III e IV, da Lei 8.137/90; c/c o art. 29 do Código Penal.</P>
<P>
Quanto aos acusados Paulo César Cavalcante Farias e Jorge Waldério Tenório Bandeira de Melo, em razão de suas culpabilidades, à inexistência de antecedentes criminais, às circunstâncias e consequências do crime, fixo-lhes a pena-base em três (03) anos de reclusão, acrescida de mais um (01) ano, no total de quatro (04) anos para cada um, tornando-a definitiva, acréscimo esse em razão da agravante pelo concurso de pessoas (art. 62, do CP) no caso in specie, os demais denunciados, que recebiam ordens para a prática dos ilícitos, emanadas dos dois primeiros denunciados, além do concurso material (art. 69, caput, do CP), e pena de multa de 90 (noventa) dias-multa, para cada um, correspondendo cada dia-multa a 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo (art. 49, do CP). A pena de reclusão deverá ser cumprida em regime aberto, na forma do artigo 33, Parágrafo 2.º, letra "c", do CP.</P>
<P>
Com relação aos réus Ricardo Campos da Costa Barros e Rosinete Silva de Carvalho Melanias, igualmente considerando a inexistência de antecedentes criminais, as circunstâncias e consequências do crime, fixo-lhes a pena-base em dois (02) anos de reclusão, com o acréscimo de um terço em face do concurso de agentes, tornando a pena em definitivo para cada um em dois (02) anos e oito (08) meses de reclusão, que deverá ser cumprida em regime aberto, na forma do artigo 33, Parágrafo 2.º, letra "c", do Código Penal, além da pena de multa de 60 (sessenta) dias-multa, também para cada um, correspondendo cada dia-multa a 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo (art. 49, do CP).</P>
<P>
Retifico a decisão de hipoteca legal dos bens dos acusados, exarada nos Autos de Pedido de Hipoteca Legal (proc. n.º 93.92158-4), em favor do Erário Público, cuja decisão deverá ser certificada naqueles autos, e regularmente registrada em cartório, após traslado.</P>
<P>
Indefiro o pedido de prisão preventiva feito pelo MPF, em autos apensados a este processo-crime, por desnecessário, tornando-o extinto e determinando seu arquivamento após ser desapensado dos presentes autos, em vista da decretação de prisão preventiva nos autos do processo-crime n.º 93.0092163-0, como incurso no artigo 21, Parágrafo Unico, da Lei 7.492/90. Traslade-se cópia desta sentença para os autos do pedido de prisão preventiva.</P>
<P>
Procedem-se as anotações cartorárias, e as comunicações de estilo.</P>
<P>
Após o trânsito em julgado, lancem-se os nomes dos réus no Rol dos Culpados Expeçam-se os respectivos mandados de prisão, com a extração da carta de guia, de forma individual, aplicando-se ainda a detração referida pelo artigo 42, do Código Penal se for o caso.</P>
<P>
Determino a extração de cópias dos documentos pertinentes às contas-correntes abertas no Banco Rural S.A., Agência de Brasília (DF), em nome das pessoas fictícias, cuja documentação deverá ser encaminhada, por ofício, ao Departamento de Polícia Federal para instauração de IPL, com a participação  auxílio do Banco Central do Brasil, objetivando apurar a responsabilidade penal (Lei 7.492/86) do gerente da agência, ou do diretor responsável da área dessa Instituição Financeira que determinou a abertura dessas contas fictícias abaixo, de tudo dando conta a este Juízo no prazo legal.</P>
<P>
a) José Carlos Bomfim e/ou Regina Silva Bomfim conta corrente n.º 01.006101-2, cuja movimentação era feita por Paulo César Cavalcante Farias, ou pessoas a ele ligadas: e,</P>
<P>
b) Manoel Dantas Araújo, conta corrente n.º 01.000185-7, cuja movimentação era feita por Paulo César Cavalcante Farias, ou pessoas a ele ligadas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22445">
<P>
Bandas de nomes exóticos misturam sanfona e guitarra elétrica para animar noites cearenses</P>
<P>
PAULO MOTA</P>
<P>
Da Agência Folha, em Fortaleza</P>
<P>
O trinômio "sol, forró e mar" deverá ser a principal atração desta temorada de férias em Fortaleza. Apostando em conquistar a liderança do turismo nordestino, o governo cearense investiu US$ 2 milhões na promoção da imagem do Estado e estima que 300 mil turistas devam visitar o Ceará nesta temporada.</P>
<P>
A "oxente-music" –um ritmo variante do forró que mistura sanfona e guitarras elétricas– é a nova mania entre os cearenses. Animadas por bandas de nomes exóticos como "Mastruz com Leite", "Mel com Terra" ou "Calango Aceso", milhares de pessoas participam das festas que acontecem de segunda a segunda-feira nas cerca de cem casas de forró existentes em Fortaleza.</P>
<P>
Todas as semanas, a animação da noite cearense começa às segundas-feiras na praia de Iracema com o já tradicional Forró do Pirata, considerado o preferido dos turistas estrangeiros. O Clube dos Vaqueiros, nas quartas, e o Chico do Carangueijo, nas quintas, são outros pontos de encontro dos forrozeiros.</P>
<P>
Nos finais de semana, o arrasta-pé acontece nas barracas da praia do Futuro. A partir das 10h, é comum ver pessoas dançando em plena beira-mar o "puladinho", dança criada pelos apreciadores da "oxente-music". As barracas Subindo ao Céu e Olodum são as mais frequentadas.</P>
<P>
Para quem não gosta de agitação, um passeio pelo Parque Ecológico do Cocó –considerado o maior parque urbano da América Latina– é uma boa pedida. Os barzinhos do calçadão da praia de Iracema são ótimos para acompanhar o pôr-do-sol e "points" para paqueras e encontros.</P>
<P>
Quem tem mais tempo e dinheiro pode aproveitar e conhecer as praias ainda consideradas "selvagens". Nessa categoria, Jericoacoara, Baleia e Icapuí estão entre as mais belas.</P>
<P>
Quem desejar visitar o Ceará deve fazer reservas com antecedência. A rede hoteleira, que dispõe de 12 mil leitos, prevê ocupação total na temporada. As empresas aéreas nacionais devem colocar vôos extras semanais para o sul do país.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="DR-PT5"> 
<P> MINISTÉRIOS DO AMBIENTE, DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL E DA AGRICULTURA, DO DESENVOLVIMENTO RURAL E DAS PESCAS. </P>
 <P> Portaria n.º 1/2008 de 2 de Janeiro </P>
 <P> Com fundamento no disposto na
alínea a) do artigo 40.º e no
n.º 1 do artigo 118.º do Decreto-Lei n.º 202/2004, de 18 de Agosto, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 201/2005, de 24 de Novembro ; </P>
 <P> Ouvido o
Conselho Cinegético Municipal de Montemor-o-Novo: </P>
 <P> Manda o Governo, pelos Ministros do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional e da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, o seguinte: </P>
 <P> 1.º Pela presente portaria é concessionada, pelo período de 12 anos, à Associação de Caçadores da Ajuda, com o número de identificação fiscal 502302569 e sede na Rua de D. Vasco, 7, 7050 Montemor-o-Novo, a zona de caça associativa da Herdade da Casa Branca e outras (processo n.º 4799-DGRF), englobando vários prédios rústicos cujos limites constam da planta anexa à presente portaria e que dela faz parte integrante, sitos na freguesia de Cabrela, município de Montemor-o-Novo, com a área de 545 ha. </P>
 <P> 2.º A concessão de alguns terrenos incluídos em áreas classificadas poderá terminar, sem direito a indemnização, sempre que sejam introduzidas novas condicionantes por planos especiais de ordenamento do território ou obtidos dados científicos que comprovem a incompatibilidade da actividade cinegética com a conservação da natureza, até um máximo de 10 % da área total da zona de caça. </P>
 <P>3.º A zona de caça concessionada pela presente portaria produz efeitos relativamente a terceiros com a instalação da respectiva sinalização.</P>
 <P> Pelo Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Humberto Delgado Ubach Chaves Rosa, Secretário de Estado do Ambiente, em 23 de Novembro de 2007. --- O Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Jaime de Jesus Lopes Silva, em 30 de Novembro de 2007. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-73461">
<P>
Etiópia elege hoje Assembleia Constituinte</P>
<P>
Jovem democracia sob a ameaça da desintegração</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
Após largos séculos de feudalismo, mais de uma década de administração marxista e três anos de uma transição de contornos pouco claros, a Etiópia vai ter finalmente deputados livremente eleitos; mas poderá acontecer que a médio prazo se desintegre, como aconteceu à vizinha Somália.</P>
<P>
CERCA de 15 milhões de cidadãos etíopes, em grande parte herdeiros de uma tradição copta que tanto cativou os portugueses do século XV, elegem hoje uma Assembleia Constituinte de 547 lugares que poderá aprovar o direito dos diversos povos do país de se separarem do Estado a que pertenceram durante séculos e que na década de 70 passou de um regime feudal para uma ditadura marxista.</P>
<P>
Os 1.476 candidatos terminaram ontem a campanha, num espectáculo de democracia raramente visto na Etiópia, espaço de mais de um milhão de quilómetros quadrados onde vivem 55 milhões de africanos, entre o Sudão e a Somália, no Nordeste do continente.</P>
<P>
Na capital, Adis Abeba, situada praticamente no centro do país, a uma latitude equiparável à de Bissau, os candidatos cruzaram as ruas em camiões decorados com a bandeira nacional, verde, vermelha e amarela, e gritaram por megafones a sua propaganda.</P>
<P>
Só uns 600 mil eleitores se inscreveram na cidade, que tem uma população de três milhões, enquanto em todo o território o eleitorado é de 15 milhões. E isso diz bem que grande parte da população adulta da antiga Abissínia ainda se mantém à margem de quaisquer práticas políticas, 20 anos após o golpe de Estado que destronou o imperador Hailé Selassié. Ou que, pelo menos, não acredita minimamente no processo de democratização tal como está a ser dirigido pelo Presidente Meles Zenawi.</P>
<P>
Estas eleições para a Constituinte são o auge de três anos de preparativos do governo transitório que assumiu o poder depois de os guerrilheiros da Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (FDRPE), dirigida por Zenawi, haverem derrotado o ditador Mengistu Hailé Mariam, que assumira o poder em 1977.</P>
<P>
Uns 130 mil funcionários foram distribuídos por 26.865 assembleias de voto, muitas delas situadas em zonas bastante remotas daquele enorme país de montanhas, florestas e desertos, que Camões referiu no Canto X dos Lusíadas com o nome de Abassia, derivado do árabe Habasch ou Habasa, o «povo mesclado», que não é branco nem é verdadeiramente negro.</P>
<P>
No coração de Portugal</P>
<P>
As terras do Preste João, onde se reconhecia a natureza humana de Jesus Cristo mas não propriamente o seu carácter divino, defendido pelos católicos, estão desde há muito no imaginário português. O Infante D. Henrique recebeu um enviado do «negus», nome localmente dado ao imperador; Afonso de Paiva, delegado de D. João II, faleceu na Abissínia em 1515, numa altura em que a imperatriz Helena enviara à Península Ibérica um embaixador com cartas para o rei D. Manuel; um filho de Vasco da Gama morreu ali em 1542, enquanto defendia o império etíope das investidas muçulmanas; e ainda há três décadas o próprio Hailé Selassié desfilou triunfalmente pela rua Augusta, em Lisboa, ao lado do Presidente Américo Thomaz.</P>
<P>
Hailé tornara-se imperador em 1930, após a morte de sua prima a imperatriz Judite, mas anos depois tivera de partir para o exílio, quando os fascistas italianos ocuparam a Etiópia, havendo regressado triunfalmente em 1941, com apoio britânico.</P>
<P>
Em 1952 as Nações Unidas aceitaram uma federação entre os etíopes e os eritreus, que vivem mais a Norte, junto ao Mar Vermelho, e que haviam estado sob colonização italiana. No entanto, a Eritreia nunca se resignou com a situação de dependência em relação a Adis Abeba e o ano passado veio a conseguir a sua legalização como país independente, numa superfície ligeiramente superior à de Portugal.</P>
<P>
O que está agora em jogo, quando a Assembleia Constituinte iniciar os seus trabalhos, é saber se -- a exemplo dos eritreus -- outros povos do que tem sido até agora o espaço etíope terão direito a seguir um caminho próprio, dado que ali existem as etnias tigré, oromo, somali e afar, entre muitas outras. Mais exactamente, há quem pormenorize a existência de 80 tribos e de 286 dialectos, no que constitui uma autêntica Torre de Babel.</P>
<P>
Federalismo ou desintegração</P>
<P>
Alguns grupos da oposição afirmam que Zenawi deseja perpetuar no poder a FDRPE, de que o ramo principal é a Frente de Libertação do Povo Tigré, enquanto o Presidente responde que o seu intuito é organizar um sistema federal em que «as nacionalidades e os povos tenham o direito de dispor de si próprios». Para isso, preconiza o direito de autodeterminação para as 14 províncias etíopes, direito esse que poderá mesmo ir até ao ponto da proclamação de novas independências.</P>
<P>
No pior dos cenários imagináveis, a Etiópia, onde ainda há quase sete milhões de pessoas ameaçadas pela fome que tantas vezes tem flagelado o país, poderá vir a desintegrar-se como o Estado forte que tem vindo a ser desde há seculos e a cair eventualmente numa anarquia comparável à da vizinha Etiópia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-56513">
<P>
Sintra cria comissão de acompanhamento ao PER</P>
<P>
Dar as «boas-vindas» aos realojados</P>
<P>
A Câmara de Sintra chegou ontem a acordo com várias instituições para a constituição de uma comissão de acompanhamento do Programa Especial de Realojamento (PER) no bairro cooperativo de Casal de Cambra. Os objectivos da comissão, que deverá funcionar como comité «de boas vindas» às famílias realojadas é prevenir a existência de factores de exclusão social -- salientou o vereador da Habitação, Lino Paulo.</P>
<P>
A comissão de acompanhamento aos realojamentos é constituída pela Câmara de Sintra e por outras nove entidades com intervenção no concelho, designadamente a Junta de Freguesia de Belas, o Centro Regional de Segurança Social, estabelecimentos de ensino básico e secundário e associações de proprietários e moradores.</P>
<P>
O protocolo ontem assinado tem por objectivo proporcionar apoio à «inserção social» dos grupos mais desfavorecidos, a acções sócio-educativas -- principalmente «na área da educação para a saúde» -- e a actividades de «animação sócio-cultural e de convivência interpessoal e interétnica».</P>
<P>
Segundo o vereador da Habitação, o bairro de Casal de Cambra acolherá o maior número de realojamentos no âmbito do PER -- cerca de 380 -- e a comissão de acompanhamento agora formalizada é a primeira a ser criada para apoiar aquele programa de erradicação de barracas. «Teremos um observatório social de acompanhamento de como as pessoas que estão no bairro vão reagir e de como as pessoas a realojar vão ser recebidas», afirmou ao PÚBLICO Lino Paulo, acrescentando que «todos os parceiros sociais alertarão para algumas coisas que corram menos bem e procurarão ajudar a limar esses problemas».</P>
<P>
Adiantando que as acções necessitarão de alguns meios financeiros municipais -- para as actividades mais imediatas -- e comunitários -- no caso de projectos integrados de valorização das zonas urbanas -- o vereador apontou como exemplo do aproveitamento dos recursos disponíveis ao nível local a disponibilização dos equipamentos desportivos das escolas existentes para a ocupação dos jovens fora dos períodos lectivos.</P>
<P>
O autarca previu que até ao final de 1997 estejam concluídos 75 por cento dos 1600 fogos programados no PER para Sintra, devendo ser constituída em Outubro próximo a comissão de acompanhamento aos realojamentos em Mem Martins. Numa visita também ontem efectuada com a presidente da autarquia, Edite Estrela, aos bairros clandestinos de Quarteiras, Olival Santíssimo e Serra Helena, o vereador assegurou aos moradores a conclusão das obras de recuperação até ao final do ano. Tal promessa foi feita em resposta à reclamação da associação de proprietários de falta de electricidade e saneamento básico.</P>
<P>
Entretanto, a Divisão de Habitação da autarquia divulgou um relatório sobre a proveniência das famílias realojadas no âmbito do PER onde se dá conta de que se trata de agregados a residir exclusivamente no município. Em Casal de Cambra, por exemplo, a maior parte é oriunda das freguesias de Belas (de onde faz parte o bairro), Queluz e Agualva-Cacém. No Pendão (Queluz) as famílias foram principalmente deslocadas de outras zonas das freguesias de Belas e Queluz.</P>
<P>
Luís Filipe Sebastião</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33755">
<P>
Da Agência Folha, em Florianópolis</P>
<P>
Um deslizamento de terra na madrugada de ontem em Antônio Carlos, na Grande Florianópolis, matou os irmãos Eliane, 14, Clarice, 7, e Diego Schmitz, 2. Eles foram soterrados pela lama e pedras de um morro que ficava nos fundos da casa onde moravam com os pais José Salésio, 36, e Elma, 32, que nada sofreram. A outra filha do casal, Cleolice, 12, foi retirada com vida dos escombros e depois internada no Hospital Regional de São José. Ela está fora de perigo.</P>
<P>
Em outras regiões do Estado onde há enchentes a situação se manteve estável ontem. Em Joinville, cidade mais atingida pelas cheias, a Defesa Civil da cidade registrou o primeiro caso de leptospirose em um menino de 15 anos.</P>
<P>
A Prefeitura de Marabá (420 km ao sul de Belém) iniciou anteontem campanha de vacinação em massa nos bairros atingidos pelas enchentes dos rios Itacaiúnas e Tocantins. O nível das águas deve baixar nos próximos dias. A cidade já tem de 3.750 desabrigados.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-18601">
<P>
Mosley analisa acidente de Senna</P>
<P>
A roda assassina</P>
<P>
Ayrton Senna foi certamente morto pela roda dianteira esquerda do seu Williams-Renault, que lhe acertou na cabeça após o despiste e embate no muro da pista de Ímola, no dia 1 de Maio, durante o Grande Prémio de San Marino de Fórmula 1. Essa é a convicção de Max Mosley, presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), expressa numa carta publicada no jornal londrino «The Times». E é também a tese defendida, no mesmo jornal, por Bernie Ecclestone, presidente da Associação de Construtores de F1 (FOCA).</P>
<P>
Mosley, respondendo a uma carta publicada na véspera no «Times» por Simon Powis, um médico que considera que as lesões provocadas pela súbita desaceleração são um ponto negligenciado pela FIA, escreve que esse é um «assunto merecedor de grande preocupação desde há muitos anos».</P>
<P>
O presidente da FIA considera, sobre o acidente do tricampeão mundial, que «existem fortes suposições de que Senna morreu em consequência do embate da roda e da suspensão na sua cabeça e que, se tal não tivesse acontecido, o piloto teria sobrevivido». «Só saberemos mais quando conhecermos os resultados do inquérito italiano», acrescenta Mosley.</P>
<P>
O presidente da FIA rejeita igualmente os potenciais riscos dos muros de cimento ao longo da pista, como o que foi atingido por Senna na curva Tamburello. «Os muros de betão estão autorizados quando o ângulo de um eventual choque é menor», precisa Mosley. «Quando o carro sai da pista, perde velocidade depois de embater no muro e a desaceleração é ligeira. Um muro só é perigoso quando o ângulo do eventual embate é agudo.»</P>
<P>
«Os melhores pilotos e a FIA estavam satisfeitos com os muros de Ímola, porque a experiência de vários acidentes já demonstrara que o ângulo de choque era mínimo», explica Mosley, que recorda o caso dos circuitos ovais norte-americanos, onde nunca se colocaram problemas.</P>
<P>
Ecclestone considera igualmente que Senna foi morto pela roda e suspensão do seu monolugar. «Quando a roda bateu no muro, ressaltou e o conjunto (pneu mais suspensão) bateu-lhe na cabeça e matou-o. Tratou-se de uma questão de dez centímetros», afirma no «The Times».</P>
<P>
Por alguns centímetros, Ecclestone está convencido de que o acidente poderia não ter assumido consequências dramáticas para o piloto. «Ele teria desapertado o cinto de segurança e abandonaria o `cockpit' muito irritado. O que se passou deveu-se, realmente, a um golpe de azar», sublinha o presidente da FOCA.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-62575">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
Apenas cerca de 250 pessoas compareceram à cremação do piloto austríaco Roland Ratzenberger, ontem, na Áustria.</P>
<P>
Ratzenberger foi cremado no cemitério de sua cidade natal, Salzburgo.</P>
<P>
O piloto da equipe Simtek morreu no último sábado, um dia antes de Senna, em um acidente durante o último treino oficial para o GP de San Marino, em Imola.</P>
<P>
Compareceram à cerimônia o britânico Max Mosley, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), os pilotos austríacos Gerhard Berger, da Ferrari, e Karl Wendlinger, da Sauber-Mercedes, e o também austríaco Niki Lauda, campeão mundial em 75 e 77 e diretor da Ferrari.</P>
<P>
Berger, visivelmente cansado –assistira na véspera ao enterro de Senna, em São Paulo–, afirmou que, "em princípio", não deixará as pistas, apesar de estar abalado pelas duas mortes.</P>
<P>
Ele disse que descansará alguns dias em Capri (Itália), antes do GP de Mônaco, em 15 de maio, próxima etapa do Mundial de F-1.</P>
<P>
"Roland tinha um sonho e, para realizá-lo, não hesitou em deixar de lado os riscos que sabia correr", disse Niki Lauda.</P>
<P>
O próprio Lauda sofreu um grave acidente durante o GP da Alemanha de 1976, em Nurburgring. Ficou tão seriamente queimado que chegou a receber a extrema-unção, mas se recuperou e voltou às pistas 42 dias depois.</P>
<P>
Ratzenberger tinha 31 anos e era engenheiro mecânico. Tinha estreado na Fórmula 1 este ano. Disputou apenas um Grande Prêmio, no autódromo de Aida, no Japão, este ano.</P>
<P>
A equipe Simtek decidiu na última quarta-feira, em homenagem ao piloto, correr com apenas um carro no Grande Prêmio de Mônaco.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55388">
<P>
A justiça italiana tudo quer investigar: desde as condições de segurança do circuito de Ímola até às condições do piso nos locais dos acidentes, e ordenou que os carros acidentados no Grande Prémio de S. Marino de Fórmula 1 ficassem à sua custódia. As verdadeiras causas das mortes de Ratzenberger e Senna, por mais que óbvias, serão apuradas mediante a autópsia dos seus cadáveres, ainda depositados no Instituto de Medicina Legal de Bolonha, e dos quais ninguém está autorizado a aproximar-se.</P>
<P>
Isto, apesar dos esforços da diplomacia brasileira acreditada em Roma, que tentava ainda ontem (em vão) conseguir a autorização para a transladação do corpo de Senna para São Paulo. Segundo a Perfeitura de Polícia de Bolonha, as autópsias só deverão efectuar-se hoje de manhã.</P>
<P>
Estes e outros factos, tais como os conducentes aos ferimentos provocados em nove pessoas, entre público e mecânicos, serão alvo das investigações judiciárias, iniciadas por Francesco Pintor, da Procuradoria de Bolonha, sob supervisão do juiz Maurizio Passarini, que já requisitou a totalidade das imagens recolhidas pelas câmaras de televisão durante a prova.</P>
<P>
Ímola vai, portanto, a tribunal. E há muita gente envolvida. As averiguações passam pela audição de testemunhas, incluindo parte dos pilotos envolvidos na prova. Não se contentando com isto, a justiça vai mais longe: também as rodas que terminaram a sua corrida na bancada, depois de se soltarem dos carros do português Pedro Lamy e do finlandês JJ Lehto, que colidiram logo após a largada, foram arrestadas pela polícia. É que, como se já não tivessem bastado as mortes de dois pilotos, nove pessoas ficaram feridas na sequência de outros incidentes.</P>
<P>
Uma delas, um jovem espectador de 28 anos de idade, Antonio Maino, sofreu um grave traumatismo craniano, atingido por uma das rodas projectadas para a bancada. O seu estado clínico, segundo o boletim médico ontem divulgado, é estacionário. O recurso a intervenção cirúrgica no Hospital Maggiore de Bolonha foi inevitável, embora a sua vida, por ora, não corra perigo, como anunciaram os médicos.</P>
<P>
Do plano judicial ao nível político, também o Governo italiano expressou ontem todo o seu pesar e preocupação pelos graves e fatais acontecimentos de Ímola. Antonio Maccanico, sub-secretário de estado da Presidência do Conselho italiano, exprimiu junto da Federação Internacional do Automóvel (FIA) o lamento do seu Governo por não ter suspendido o Grande Prémio de San Marino, no domingo, após o acidente mortal de Ayrton Senna.</P>
<P>
Ainda de acordo com um comunicado tornado público ontem de manhã, Maccanico reuniu com o presidente do Automóvel Clube de Itália (ACI), Rosario Alessi, a respeito dos acontecimentos do fim-de-semana em Ímola. Alessi, refere ainda o comunicado, decidiu enviar a Paris -- onde a FIA reunirá amanhã -- o presidente da comissão desportiva do ACI.</P>
<P>
Mosley ao ataque</P>
<P>
A reunião da Praça da Concórdia (onde está sediada a FIA) foi requerida pela associação automobilística italiana a fim de rever a totalidade dos acontecimentos de Ímola, estudar todos os relatórios disponíveis e tomar, se necessário, quaisquer medidas para o futuro da F1. Isto é, se as medidas de segurança adoptadas em 1993 e 1994 devem ser ampliadas, ou se é preciso antecipar as previstas para 1995. O presidente da FIA, o britânico Max Mosley, deverá pronunciar-se em conferência de imprensa após a reunião.</P>
<P>
O que é certo é que a FIA continua a defender a sua dama: os novos regulamentos da F1. Em Londres, Mosley já refutou mesmo que as novas alterações técnicas tivessem papel determinante nos acidentes. Em declarações à agência Reuter, Max Mosley refere: «Há uma grande probabilidade de que o acidente de Ratzenberger tenha sido provocado por uma falha mecânica. O de Senna é um pouco mais complexo, mas está a ser alvo de análise e ninguém está em posição de fornecer uma opinião mais esclarecida.»</P>
<P>
O presidente da FIA recusou igualmente as acusações dos pilotos e, com particular ênfase, as de Alain Prost, segundos os quais sempre se negou a escutar as suas sugestões sobre medidas de segurança: «Eu nunca me escusei a falar com os pilotos, nem mesmo um telefonema. O único piloto que se preocupou em vir ter comigo para falar de segurança foi Gerhard Berger. Quando Prost se retirou quis então falar sobre a matéria. Eu disse-lhe `quando quiser'. Cheguei mesmo a telefonar-lhe, mas nunca fui retribuído. A verdade é esta: não é engraçado e não dá lucro. No passado tivemos uma comissão de segurança de pilotos. Na primeira reunião vieram quase todos, na segunda, só metade, e na terceira e quarta já ninguém quis saber do assunto.»</P>
<P>
Mosley passa ao ataque: «É mais engraçado fazer uma promoção, ou fazer esqui ou nadar. Até podemos compreender, já que o verdadeiro papel do piloto é conduzir, pelo que é nosso dever zelar pela sua segurança. Acho até que há muita gente que diz que eu me preocupo demais com o assunto.»</P>
<P>
A FIA vai agora esperar que a «caixa negra» do carro de Senna possa esclarecer minimamente as razões do acidente. Segundo o porta-voz do organismo, Martin Whitaker, a «caixa negra» do Williams vai ser aberta em Inglaterra para ser submetida a exames detalhados nos próximos dias. E a própria escuderia de Senna anunciou já que está a planear a abertura do seu próprio inquérito, negando ao mesmo tempo que esteja nos seus planos abandonar a competição. «The show must go on» (o espectáculo deve continuar)...</P>
<P>
Curiosa, no mínimo, é a opinião do presidente da câmara da vila de Ímola, Raffaello de Brasi. Em suma, o edil qualificou ontem de infundadas as acusações formuladas contra o circuito local: «Não temos censuras a fazer no nosso autódromo. Alguns comentaristas apontam a qualidade do asfalto e os muros de protecção como principais causas dos sinistros. Mas posso garantir que tais acusações são gratuitas e desprovidas de fundamentação técnica.»</P>
<P>
Pilotos acusam</P>
<P>
Quem em parte partilha desta opinião são os pilotos. Do Brasil surgiram imediatamente algumas contestações à política da FIA. Ingo Hoffmann e Roberto Moreno, afastados actualmente da F1, responsabilizaram os novos regulamentos da FIA pela morte de Ayrton Senna. Para Hoffmann, «o novo regulamento afectou a segurança dos carros, e isso provou-se numa pista rápida como é Ímola». Moreno assegurou que, sem o auxílio da electrónica, «é difícil controlar o carro à velocidade a que se deu o embate fatal de Ayrton».</P>
<P>
O antigo piloto suíço de F1 Clay Regazzoni engrossou o coro de críticas: «É inútil responsabilizar o circuito de Ímola quando o problema está nas viaturas. Enquanto continuarmos a fazer rodar nas pistas veículos que se assemelham mais a aviões do que a carros, os riscos serão sempre maiores. É preciso repensar e reestruturar a F1 somente para termos desportivos.»</P>
<P>
O vencedor da prova de San Marino, o alemão Michael Schumacher, afirmou que os pilotos, agora, já aprenderam: «O que temos de fazer é assegurarmo-nos de que todos nós aprendemos algo com isto. Há coisas que podem e devem ser melhoradas. Mas, devem ser feitas antes, e não depois dos acidentes.»</P>
<P>
O líder do «Mundial» de 94 confirmou que os pilotos haviam discutido o assunto depois do acidente de Ratzenberger: «Eu, Ayrton, Gerhard e Alboreto planeávamos organizar uma reunião no Mónaco na próxima semana. Agora vamos pressionar todos para fazer o melhor possível em termos de segurança.»</P>
<P>
Na noite de sábado, Niki Lauda havia falado com Senna, instando-o a aceitar a liderança de um grupo de pilotos em cruzada pela segurança. Tarde de mais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-82502">
<P>
Relatório do CEJ sobre crianças vitimizadas na Área Metropolitana de Lisboa</P>
<P>
Todos maltratam</P>
<P>
Amílcar Correia</P>
<P>
Os maus tratos infantis são comuns a todos os grupos sociais, mas também são socialmente diversificados: cada um «maltrata como pode, isto é, como foi ensinado». As crianças mais vitimizadas -- sujeitas, sobretudo, a agressões físicas -- pertencem a famílias tradicionais. O Centro de Estudos Judiciários efectuou um relatório sobre maus tratos na Área Metropolitana de Lisboa e as suas conclusões revelam apenas «a ponta do iceberg».</P>
<P>
Os maus tratos infligidos a crianças estão directamente relacionados com os seus contextos familiares. Mesmo assim, a violência que as vitima é inerente a todos os grupos sociais, embora com características específicas a cada um dos estratos. Estas são algumas das ilações de um relatório, ao qual o PÚBLICO teve acesso, produzido pelo Centro de Estudos Judiciários (CEJ) e encomendado pela Assembleia da República. O estudo, intitulado «Os Maus Tratos às Crianças em Portugal», restringe-se por enquanto à Área Metropolitana de Lisboa (AML), mas insere-se num trabalho mais vasto, que incluirá, numa segunda fase, um relatório similar sobre os maus tratos em outras regiões do país.</P>
<P>
A equipa do CEJ -- composta por Ana e Helena Nunes de Almeida e Isabel Margarida André -- efectuou uma série de inquéritos a profissionais de várias especialidades, que lidam com os problemas da infância nas instituições que representam. Estes inquéritos possibilitaram o apuramento de uma amostra de 224 casos de crianças maltratadas, até aos 14 anos, durante os meses de Junho e Outubro do ano anterior.</P>
<P>
Segundo os dados recolhidos, a agressão física é o mau trato mais frequente na Grande Lisboa: 42 por cento dos casos estudados. A falta de vigilância médica, o abandono temporário e a alimentação inadequada -- outras modalidades de maus tratos consideradas no presente estudo -- situam-se logo a seguir. Em 22 por cento dos casos analisados, o mau trato deixou lesões físicas, e 41 por cento das crianças ficaram com sequelas do foro psicológico. Há ainda a registar que oito menores faleceram ou ficaram em estado vegetativo em consequência de maus tratos.</P>
<P>
A maior parte das vítimas pertence, curiosamente, a famílias nucleares, isto é, constituídas pelos seus pais biológicos, podendo ou não existir irmãos. No caso dos agressores, a maioria dos adultos considerados na amostra em questão é de cor branca e possui «baixos níveis de instrução». O estudo notou ainda a existência de afinidades entre alguns tipos de maus tratos e as profissões dos seus autores. Assim, enquanto a negligência afectiva e o abuso emocional estão relacionados com «grupos sócio-profissionais do topo: técnicos médios e superiores», a rejeição «in utero» e o abandono são característicos das «franjas da marginalidade e precariedade: desempregados, prostitutas, praticantes de outras actividades ilícitas».</P>
<P>
A clausura e o abuso físico dos menores -- outro tipo de mau trato observado no relatório -- está, por seu turno, associado aos «empregados do comércio e da hotelaria, operários da indústria e da construção civil», ao passo que o abuso sexual «mantém uma ligação preferencial com o universo das domésticas e dos reformados».</P>
<P>
Violência</P>
<P>
transversal</P>
<P>
«Os maus tratos infantis devem ser considerados na sua dupla faceta de factos transversais (à generalidade dos grupos no interior de uma dada sociedade) mas também socialmente situados e diversificados». Cada um, sublinham os autores deste estudo, «maltrata como pode, isto é, como foi ensinado».</P>
<P>
A autoria do maior número de agressões é atribuída à mãe, e as crianças vitimizadas concentram-se nos escalões etários dos dois aos três anos e dos seis aos nove anos (sem qualquer relação entre o tipo de mau trato e o sexo da vítima). O estudo acrescenta que 80 por cento destas crianças são de cor branca, ressaltando não ter sido detectada uma relação «entre a raça e o tipo de mau trato».</P>
<P>
O trabalho do CEJ partiu, todavia, de uma amostra com «uma sobrerrepresentação» dos estratos sociais mais desfavorecidos, uma vez que há maior «dificuldade em captar e denunciar a realidade dos maus tratos junto das classes favorecidas». Mas, como observam os investigadores no final do relatório, «nos 224 casos analisados sobressaem quadros de extrema violência; esta é, provavelmente, a `ponta do iceberg': do lado de fora da porta ouvem-se melhor os gritos do que os sussurros».</P>
<P>
Este relatório foi o primeiro do género a ser encomendado pela Assembleia da República e o seu custo ascendeu a dez mil contos. «A ideia é estender o estudo a outras regiões do país», diz Julieta Sampaio, ex-deputada do PS e autora do projecto de resolução que conduziu à elaboração do relatório, aprovado por unanimidade no Parlamento. A continuação do estudo permitirá comparar a vida das crianças nas principais cidades com a realidade dos meios mais pequenos: «Estou convencida de que as crianças têm mais qualidade de vida no interior do que nos principais centros urbanos.»</P>
<P>
Julieta Sampaio aguarda agora pelo cumprimento do segundo ponto da resolução, que faz referência à urgência de um debate com base neste estudo, com «o objectivo de tomar todas as medidas» para assegurar os direitos previstos nos artigos 69º da Constituição e 19º da Carta dos Direitos da Criança (que asseguram a protecção das crianças).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-chaPex1">
<P>  Eleições à vista no PSD / Vila Real </P>
<P>
 O deputado social-democrata Fernando Pereira anunciou ontem a sua candidatura à presidência da Comissão Política Distrital de Vila Real do PSD , cujas eleições irão ter lugar em Fevereiro . O presidente em exercício, Mascarenhas Ferreira , havia já confirmado a sua recandidatura, pelo que é de esperar uma disputa renhida entre duas personalidades que estiveram do mesmo lado na altura da eleição da actual Distrital . Tudo indica que não surja mais nenhum concorrente.</P>

<P>
Ao contrário do que seria legítimo pensar, a candidatura de Fernando Pereira não aparece como resposta aos maus resultados obtidos pelo PSD nas eleições autárquicas de Dezembro , quando perdeu para o PS as Câmaras de Alijó e Vila Pouca de Aguiar , mas sim por desinteligências quanto à forma de actuar de Mascarenhas Ferreira , a quem alguns dirigentes acusam de tomar decisões importantes «nas costas» da Distrital . Como exemplo é-lhe apontado o caso da comissão administrativa nomeada pela Secretaria de Estado do Turismo para a Região de Turismo da Serra do Marão , cuja composição foi acordada secretamente entre Mascarenhas e um dos vice-presidentes da Distrital , Miguel Rodrigues , chefe dos Serviços Administrativos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro ( UTAD ), onde o primeiro é vice-reitor. Para surpresa de todos, a escolha para presidente daquela comissão veio a recair na esposa do segundo, Lucinda Rodrigues , chefe dos Serviços Académicos da UTAD .</P>

<P>
O crescente protagonismo do chamado «grupo da universidade» vinha, de resto, causando um certo mal-estar junto de alguns dirigentes sociais-democratas, a maioria dos quais integrantes do intitulado «grupo da Jota », liderado por Fernando Pereira , que, além de deputado, é o presidente da Assembleia Municipal de Ribeira de Pena . Este grupo, pelo seu peso eleitoral, tem tido um papel preponderente na escolha dos elencos distritais, pelo que não chega a ser uma surpresa a candidatura do seu mentor. P. G.</P>

 </DOC>

<DOC DOCID="cha-86857">
<P>
DENISE ABADE</P>
<P>
Enviada especial ao Guarujá</P>
<P>
O primeiro fim-de-semana do ano atraiu mais de um milhão de pessoas ao Guarujá (litoral de São Paulo), segundo a Secretaria de Turismo da cidade. Apesar do grande número de pessoas, não houve nenhum incidente sério. Em um domingo com sol e temperatura perto dos 30.º, a maior reclamação do turista era na hora de se deslocar entre a multidão que se aglomerava nas praias.</P>
<P>
"Realmente acho que a praia está cheia demais. Mas não tem problema, gosto de lugares mais agitados mesmo. E com dias como os que têm feito, 1994 não poderia começar melhor", disse a estudante de Medicina Mônica Costa, 20, paulistana, na praia de Pitangueiras. Mônica chegou ao Guarujá na sexta-feira e iria embora ontem à noite, "bem tarde, para não pegar trânsito".</P>
<P>
O comerciante Fernando Jabur, 27, namorado de Mônica, reclamou que ontem a praia estava "lotada demais". "Não dá nem para andar direito. Nas ruas, estamos pegando trânsito para ir a todos os lugares. Parece São Paulo", disse.</P>
<P>
Quem não reclamava do movimento eram os vendedores e ambulantes. Luís Pereira Duarte, 46, proprietário de um carrinho de bebidas, afirmou que esse foi "o melhor fim-de-semana" desde que comprou o carrinho, há seis meses. "Comecei o ano bem. O dia está bonito, a praia está cheia e o dinheiro está entrando. Espero que continue assim."</P>
<P>
Os preços cobrados na praia estavam em muitos casos 150% acima dos preços encontrados nos supermercados. Uma lata de cerveja ou um coco verde eram vendidos por CR$ 500. Nas barraquinhas de peixe, uma porção com seis sardinhas custava CR$ 1.000. A porção com meia dúzia de camarões estava sendo vendida por CR$ 5.000.</P>
<P>
"Venho sempre aqui e estou acostumada com os preços. Nunca compro nada. Também me habituei à praia cheia. A única diferença é que não dá para se esticar muito na esteira; não tem lugar", disse a psicóloga paulistana Susi Sendik, 36.</P>
<P>
Segundo o secretário de Turismo do Guarujá, Caride Bernardino, 47, o número de pessoas que veio passar o feriado nesse final de ano na cidade foi maior do que em 92.</P>
<P>
"Todo ano há um aumento de turistas no Guarujá", diz. "Estamos esperando um número grande de turistas nesta temporada de verão. Para isso, gastamos mais de US$ 500 mil em equipamentos de segurança e contratamos mais 1.000 homens para fazer a fiscalização de roubos na praia."</P>
<P>
De acordo com Bernardino, as praias não ficarão sujas nem com a superpopulação de turistas. Em dezembro, a Prefeitura do Guarujá começou uma campanha junto à população para manter as praias limpas. "Colocamos uma cesta de lixo a cada 100 metros nas praias de Pitangueiras e Enseada. Além disso, a equipe de limpeza das praias foi reforçada."</P>
<P>
No feriado do Ano Novo, fizeram apresentações na praia da Enseada o cantor de reggae Jimmy Cliff, o conjunto baiano Banda Mel e Jorge Ben Jor.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-52332">
<P>
Africanos vêm trabalhar para Portugal como portugueses vão para a Alemanha</P>
<P>
João Serra*</P>
<P>
Em Portugal vivem actualmente cerca de 170 mil estrangeiros com residência legal, dos quais 81.228 são africanos dos Países de Língua Oficial Portuguesa, mas o número de ilegais é ainda elevado. Não existem estatísticas oficiais sobre o número de estrangeiros em situação irregular, mas estimativas de várias fontes admitem que possa ascender a vários milhares, na sua maioria esmagadora africanos e maioritariamente cabo-verdianos.</P>
<P>
Estes ilegais, fragilizados por essa condição, constituem um remanescente de mão-de-obra barata que se traduz por salários muito inferiores às tabelas remuneratórias legais, horários de trabalho elevadíssimos, ausência completa de assistência de saúde, deficiente habitação e de segurança laboral.</P>
<P>
«Estamos solidários com estes trabalhadores, sem qualquer tipo de dúvida ou tibieza, mas a verdade é que eles prejudicam o mercado de trabalho em Portugal ao serem instrumentos de exploração pelos engajadores de mão-de-obra e pelas empresas», diz o responsável pelo Departamento das Imigrações da Confederação-Geral dos Trabalhadores Portugueses-Intersindical Nacional (CGTP-IN), Carlos Trindade.</P>
<P>
O Governo português aprovou em 1993 uma nova lei com o objectivo de facilitar a legalização dos estrangeiros, mas algumas das exigências -- a obrigatoriedade de prova de meios de subsistência e de habitação -- tornaram-se obstáculos difíceis de ultrapassar pela grande maioria dos ilegais.</P>
<P>
Estes, na sua maioria africanos, em geral vivem em barracas (sobretudo nos concelhos de Lisboa, Amadora, Oeiras e Almada) por falta de meios financeiros suficientes e, ao terem de aceitar emprego mal remunerado devido à situação de clandestinos, dificilmente obtêm as declarações remuneratórias indispensáveis ao processo.</P>
<P>
Mesmo assim, alguns milhares de estrangeiros dos PALOP conseguiram regularizar em 1993 o seu estatuto de residentes em Portugal. Números fornecidos pelos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) indicam que nesse ano foram deferidos 28.345 pedidos de africanos, contra apenas 3824 em 1993.</P>
<P>
Por alegada morosidade no processo de elaboração de estatísticas, o SEF ainda não dispõe dos índices oficiais relativos à concessão do direito de residência a estrangeiros em Portugal no ano de 1994.</P>
<P>
No entanto, em 1993 viviam legalmente no país 170.449 cidadãos estrangeiros de várias nacionalidades com residência regularizada -- cerca de 1,7 por cento da população -- dos quais 81.228 eram africanos originários dos PALOP.</P>
<P>
Destes, destacava-se como grupo maioritário os cabo-verdianos, com 38.814 cidadãos, os angolanos em número de 20.160, 13.415 da Guiné-Bissau, 4536 são-tomenses -- números que não representam fielmente a realidade, sabendo-se que os ilegais, sobretudo cabo-verdianos, são muitos mais.</P>
<P>
O que parece preocupar especialmente as autoridades são os estrangeiros em situação de residência ilegal, e nesse sentido a maioria destes é constituída por cidadãos de Cabo-Verde -- paradoxalmente o país dos PALOP com melhor relacionamento a nível institucional com Portugal.</P>
<P>
Em 1991, a Embaixada de Cabo Verde iniciou um processo de ajuda aos membros da sua comunidade que vivem ilegalmente em Portugal, através da organização dos respectivos processos para regularização de residência, já na expectativa das medidas de excepção que viriam a ser concedidas pelo Governo português em 1993.</P>
<P>
A elaboração dos primeiros 1500 processos serviu de base a um estudo sobre as características da comunidade cabo-verdiana residente em Portugal, cujas conclusões permitem identificar as particularidades e tipologias desse grupo.</P>
<P>
Assim, 74 por cento dos requerentes eram homens, 58,5 por cento tinha entre 15 e 30 anos de idade e 60 por cento destas pessoas chegaram a Portugal entre 1985 e 1989, altura que coincidiu com um crescimento notável da construção civil no país.</P>
<P>
Pedreiros</P>
<P>
Não é por isso estranho que 68,9 por cento destes imigrantes sejam pedreiros e os restantes constituam igualmente uma mão-de-obra sem grande qualificação profissional, ou seja 13,9 por cento são mulheres a trabalhar como empregadas domésticas, dez por cento domésticas e apenas 1,2 por cento eram estudantes.</P>
<P>
Os estrangeiros africanos, tanto os ilegais como os outros, acabam por constituir minorias cujo simples factos da diferença, aliado com frequência à falta de instrução e a modestos recursos económicos, ocasiona situações de racismo e de xenofobia que tendem a crescer na sociedade portuguesa.</P>
<P>
«Começam a nascer na sociedade portuguesa alguns problemas de tensão étnica que podem vir a ser preocupantes, apesar de estes sentimentos não serem comuns aos nossos hábitos», admite um professor do Instituto Superior de Ciência Sociais e Políticas de Lisboa, numa palestra recente sobre a temática.</P>
<P>
O fenómeno ganha corpo devido aos conflitos facilitados pelo aumento da vizinhança, pelos hábitos culturais diferentes e pela suposta -- mas dificilmente comprovável, a não ser em sectores de trabalho como a construção civil -- concorrência de oportunidades, num país onde estas já rareiam.</P>
<P>
Ao aceitarem trabalho mal remunerado em Portugal, os estrangeiros fazem aumentar a oferta de mão-de-obra barata e desvalorizam o mercado de trabalho. E, ao que tudo indica, esse trabalho mal pago nem sequer se traduz como factor de significativa redução de preços.</P>
<P>
Esta é, segundo a CGTP, uma das causas que levam trabalhadores portugueses a procurar emprego no estrangeiro, especialmente na Alemanha e França, ganhando ali melhor do que em Portugal, mas protagonizando situações semelhantes àquelas que aqui são criadas pelos africanos ilegais.</P>
<P>
"Há racismo em Portugal"</P>
<P>
«Há racismo em Portugal, e a tendência para os próximos anos aponta para um fenómeno de explosão social, devido aos problemas de exclusão rácica e étnica», afirma a académica Lina Albuquerque, dirigente da organização SOS-Racismo, defendendo que o combate à tendência tem de envolver a própria sociedade civil.</P>
<P>
Para Arnaldo Andrade, jurista e dirigente da Associação de Cabo-verdianos, «o racismo é como uma rampa deslizante: depois de ganhar velocidade já não pára», sendo imprescindível organizar desde já um movimento de resposta capaz de contrariar a tendência.</P>
<P>
Uma coisa parece certa: a integração social dos estrangeiros que vivem em Portugal, fundada na igualdade de direitos e de oportunidades, é a condição para evitar bolsas de marginalidade social e para não alimentar o trabalho ilegal, duplamente prejudicial aos próprios e ao mercado de trabalho.</P>
<P>
Estes objectivo, obviamente, só poderá ser atingido por decisão política que facilite e despenalize as condições para a legalização voluntária de estrangeiros -- uma mão-de-obra indiscutivelmente necessária ao país até para projectos a curto prazo, como a nova ponte sobre o Tejo e a EXPO-98.</P>
<P>
*Agência Lusa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-27367">
<P>
Tempestade tropical varre os Açores e causa um morto e um ferido grave</P>
<P>
Quando a Tanya deu à costa</P>
<P>
António Vaz, em Ponta Delgada</P>
<P>
A tempestade tropical Tanya já abandonou o arquipélago dos Açores. Não sem antes deixar para trás uma recordação devastadora. Entre as 23 horas de quarta-feira e o princípio da manhã de ontem, registaram-se rajadas de vento na ordem dos 170km por hora. Agora, o rescaldo da situação aponta para um morto e avultados prejuízos materiais. A ilha de São Jorge parece ser a mais afectada.</P>
<P>
«Portas e janelas bem fechadas e cautela com todos os objectos expostos possíveis de serem levados pela força do vento. Aos homens do mar, aconselha-se a permanecerem em terra...» Eram estas as advertências do Serviço Regional de Protecção Civil dos Açores (SRPCA), que desde as 18 horas do dia 31 até às 18 horas do dia 1 de Novembro, não se cansou de divulgar a aproximação da tempestade tropical Tanya, utilizando as estações de rádio, que por sua vez transmitiam o «recado» de três em três horas. Era o estado máximo de alerta no arquipélago dos Açores. Uma situação inédita para a região autónoma.</P>
<P>
Na tarde do dia 1, quanto ao Grupo Ocidental do arquipélago, as previsões eram já de vento sueste muito forte, com rajadas que poderiam atingir os 110km por hora. Quanto ao Grupo Central, esperavam-se rajadas um pouco mais fortes, na média dos 120km horários, com ondulação do mar de sete a dez metros.</P>
<P>
Cerca das 23 horas locais, a tempestade tropical começou a dar os primeiros sinais da sua chegada, com um gradual e rápido aumento do vento, acompanhado por fortes chuvadas. A população, na generalidade, seguiu praticamente à risca todos os conselhos divulgados até então pelo SRPCA.</P>
<P>
A madrugada de ontem foi de pura devastação, em especial no Grupo Central. Durante a manhã, nas ilhas do Pico, Faial, Terceira e São Jorge, o vento e a chuva ainda se faziam sentir com alguma intensidade.</P>
<P>
Na ilha do Pico, mais concretamente em Vila das Lajes, verificou-se o que já é usual nesta zona: a penetração do mar em várias artérias, alcançando mesmo o rés-do-chão da escola secundária local. Ainda no Pico, os primeiros raios de sol faziam transparecer um quadro de destruição um pouco por toda a parte, com as ruas forradas de lama e obstruídas pelas árvores e postes que não resistiram à força do vento.</P>
<P>
Por enquanto, a ilha do Pico permanece sem comunicações telefónicas em algumas localidades. A juntar à lista de estragos há, também, a rede de abastecimento de água, que falha constantemente, o que já obrigou a Câmara Municipal das Lajes a recorrer aos geradores dos furos de captação. O mesmo acontece em Vila da Madalena e em São Roque do Pico.</P>
<P>
Faial o mais atingido, pescador espanhol morto</P>
<P>
Quanto à ilha do Faial, a mais assolada pela Tanya e onde se chegaram a registar rajadas na ordem dos 170km por hora, procedia-se ontem à recuperação de algumas embarcações afundadas. A única morte a registar é a de um pescador espanhol que se encontrava numa das 14 traineiras que pescavam a sudoeste da ilha e que terá sido apanhado por uma onda que `varreu' a embarcação em que se encontrava. Apesar de recuperado pouco depois, o corpo já não pôde ser reanimado.</P>
<P>
Na ilha Terceira, o quadro não é diferente, com estradas obstruídas, telhados danificados e portas e janelas literalmente arrancados pelo vento. O maior estrago a assinalar nesta ilha será, com certeza, o registado na central termoeléctrica e que levou a que, durante toda a manhã de ontem, faltasse a luz e a água, já que o abastecimento se processa (à excepção da cidade de Angra) com recurso a motores eléctricos. De acordo com informações da EDA (Electricidade dos Açores), tudo deverá voltar à normalidade dentro de uma semana.</P>
<P>
Ainda na Terceira, em Santa Rita, na freguesia de Praia da Vitória, um contentor que servia de residência a uma idosa tombou, causando ferimentos graves na sua ocupante. Esta foi pouco depois recolhida pelos bombeiros locais, que a conduziram para o hospital da cidade, onde ainda se encontra.</P>
<P>
A ilha de São Jorge é porventura aquela em que os danos são maiores, em termos de infra-estruturas, encontrando-se sem electricidade, telefones, rádio e televisão. Quanto às ilhas de São Miguel, Corvo e Flores, foram as menos afectadas. Em São Miguel, por exemplo, a rajada máxima registada foi de 100km horários.</P>
<P>
Na Base Aérea das Lajes, por seu lado, os prejuízos materiais «poderão atingir os 250 mil contos», anunciou ontem o Ministério da Defesa, citado pela agência Lusa.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70434">
<P>
União Europeia disponibiliza 600 milhões de contos</P>
<P>
Porto e Lisboa querem renovar zonas degradadas</P>
<P>
Margarida Gomes *</P>
<P>
A União Europeia criou um programa denominado URBAN, no valor de 600 milhões de contos, para reabilitação urbana de cidades deprimidas com mais de 100 mil habitantes. É o primeiro programa comunitário virado exclusivamente para o tecido urbano. Ao todo, só podem candidatar-se 50 cidades e Portugal já formalizou a adesão do Vale de Campanhã (Porto) e estuda agora a candidatura do Casal Ventoso (Lisboa) ao projecto.</P>
<P>
A Câmara Municipal do Porto formalizou há dias, junto da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional, a pré-candidatura do Vale de Campanhã, uma zona deprimida, económica e socialmente, na parte oriental da cidade, ao programa comunitário de recuperação urbana, denominado URBAN, e ao qual só se podem candidatar cidades com mais de 100 mil habitantes. A Câmara de Lisboa tem em estudo uma eventual adesão ao projecto.</P>
<P>
São 600 milhões de contos que a União Europeia vai pôr à disposição dos países-membros para desenvolver, de uma forma integrada, a abordagem das debilidades de ordem física, económica e social, próprias de áreas degradadas com alguma densidade populacional. Em concreto, trata-se de uma nova forma de a União Europeia olhar para os problemas do tecido urbano e de tentar encontrar, para cada uma das situações, um esquema integrado e multidisciplinar que obrigará à adopção de metodologias inovadoras.</P>
<P>
No Porto, pretende-se com o apoio deste programa, válido por cinco anos, encontrar mecanismos de resposta globais aos principais problemas do Vale de Campanhã, uma zona desenraizada onde estão concentrados oito bairros sociais, construídos a partir da década de sessenta e onde os equipamentos de utilização colectiva e de utilidade pública são manifestamente insuficientes. A área a eleger é maioritariamente ocupada pela função residencial, verificando-se que a densificação de equipamentos e serviços se dá particularmente nos quarteirões mais próximos do centro da cidade.</P>
<P>
Vale de Campanhã</P>
<P>
A vereadora da Acção Social e Protecção Civil da Câmara do Porto, Maria José Azevedo, que estudou pormenorizadamente esta zona para a formalização da candidatura, afirmou ao PÚBLICO que se torna urgente uma intervenção no Vale de Campanhã que conheceu nas últimas duas décadas uma contínua desqualificação funcional, apesar da grande degradação da zona ter começado a partir da década de 60, com a desafectação das grandes unidades industriais, acompanhada pelo realojamento de grupos oriundos do centro e da zona da Boavista -- então um dos novos pólos emergentes da cidade -- em bairros sociais.</P>
<P>
Actualmente, observou Maria José Azevedo, esta área não desempenha, funcionalmente, qualquer papel superior na cidade, excepção feita para o sistema de transportes através da estação ferroviária, terminal das linhas do Norte, do Minho e do Douro. Trata-se de uma zona que integra duas unidades de ordenamento do Plano de Desenvolvimento Regional (PDM), onde alternam grandes espaços verdes, nos quais ainda se pratica alguma agricultura de subsistência, com manchas habitacionais de elevada concentração.</P>
<P>
Segundo a vereadora da Acção Social, que formalizou juntamente com o presidente da Câmara do Porto a pré- candidatura do Vale de Campanhã ao URBAN, esta zona tem ainda reminiscências do sector primário. Quanto ao sector secundário, que chegou a estar significativamente representado por grandes unidades industriais junto da via férrea, em sectores como a metalomecânica e as indústrias gráficas, foi decaindo a pouco e pouco, sendo hoje em dia pouco expressiva.</P>
<P>
No que concerne a espaços públicos (jardins, logradouros, parques infantis e mobiliário urbano) existentes nos bairros sociais -- disse --, eles denotam uma progressiva degradação. Por outro lado, os bairros sociais onde é gerada 90 por cento da actividade criminal, segundo dados policiais, funcionam como espaços fechados onde não há atravessamentos viários e pedonais estruturantes, tornando estes espaços frequentados apenas pelos moradores.</P>
<P>
A nível de caracterização social, a população activa é vítima da crescente proliferação de modalidades precárias de emprego, marginais e até clandestinas, que afectam certos sectores de actividade (os de menor produtividade e que não carecem de mão-de-obra qualificada). De um modo geral, os empregos dividem-se em operários industriais e domésticas, numa percentagem que rondam os 35 por cento. Existem cerca de 10 por cento de desempregados e mais de 40 por cento das pessoas que residem nestes bairros zona estão reformadas.</P>
<P>
Desemprego cada vez mais longo</P>
<P>
Paralelamente, o baixo rendimento da população aqui residente não favorece o fácil acesso a bens de consumo corrente e a deficiente formação escolar (são elevadas as taxas de analfabetismo), bem como a falta de formação profissional são geradoras de desemprego cada vez de mais longa duração. A sobreocupação em alguns fogos, onde vivem várias gerações, gera violência e promiscuidade, e a toxicodependência, aliada ou não a outras dependências, das quais o álcool é a mais frequente, a par da pequena traficância, são realidades que a cidade associa a bairros sociais, de que não estão excluídos os do Vale de Campanhã, nomeadamente os do Cerco e do Lagarteiro.</P>
<P>
Os padrões de qualidade de vida dos residentes nesta zona ressentem-se das carências em matéria de infra-estruturas básicas. A situação é considerada preocupante ao nível da rede pública de esgotos e uma parte significativa da rede de abastecimento de água carece de renovação rápida, sob o risco de ruptura. No entanto, no que se refere a espaços verdes, o Vale de Campanhã apresenta potencialidades ainda por explorar, que são reminiscências do passado rural daquela zona.</P>
<P>
Maria José Azevedo afirma que é preciso acrescentar para o Vale de Campanhã outras valências urbanas ligadas ao comércio e ao turismo, ao recreio, ao lazer e à cultura. Em seu entender, esta diversificação irá permitir, seguramente, sustentar melhor a base económica, por um lado, e, por outro, promover a animação social como ponto de partida para um entrosamento cada vez maior por parte da população ali residente, que passará assim a ser também sujeito de uma cidadania activa.</P>
<P>
Por isso -- argumenta --, há que concentrar esforços de planeamento, ordenamento, financeiros e outros que permitam a criação de sinergias e uma gestão integrada de espaços e equipamentos, tendo em conta as respectivas especificidades. No caso do Vale de Campanhã -- com 374 hectares --, importa reabilitar o parque habitacional degradado no que se refere aos espaços de uso colectivo, bem como promover a recuperação e criação de zonas comuns de fruição colectiva, nomeadamente jardins, parques e espelhos de água.</P>
<P>
Ao abrigo do programa URBAN, a Câmara do Porto considera que será possível fazer o aproveitamento do património ecológico existente, visando, nomeadamente, a valorização dos rios Tinto e Torto, a confluência com o rio Douro, e a manutenção da actividade rural complementar. São formas de humanizar o Parque Oriental da cidade, permitindo, por outro lado, que a integração no parque facilite a diversificação para outro tipo de actividades, como, por exemplo, o turismo rural.</P>
<P>
A vereadora da Acção Social disse que a secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Mota, reagiu bem à candidatura e que o processo seria formalizado dentro de algum tempo junto da Direcção-Geral das Políticas Regionais.</P>
<P>
Casal Ventoso na calha</P>
<P>
A Câmara de Lisboa tem também pensadas algumas acções no sentido de uma eventual candidatura ao URBAN. Aliás, referiu António Furtado, responsável pela divisão de Assuntos Comunitários da autarquia, «já foi inclusivamente feita uma primeira experiência, através dos denominados `urban pilot projects' para avaliar a viabilidade de avançar com uma candidatura de Lisboa a este novo programa».</P>
<P>
A zona do Casal Ventoso, pelas suas características particulares, seria, em caso de adesão, um local a considerar. Trata-se de uma zona que tem vindo a ser alvo, «de há dois anos a esta parte», de um estudo exaustivo, quer a nível das condições sociais quer no que diz respeito aos aspectos urbanísticos, o que permitiu identificar a inúmera quantidade de problemas ali vividos.</P>
<P>
O facto de ser uma zona altamente degradada, em que os problemas de toxicodependência e de desemprego são uma constante, dando origem a situações de carência e de exclusão social, faz com que, na opinião de António Furtado, este possa ser apontado como um local «em que a Câmara considera imprescindível actuar» e que vai totalmente de encontro aos objectivos do URBAN.</P>
<P>
É que, explicou, torna-se cada vez mais necessária uma intervenção de fundo no Casal Ventoso, que consiga criar novos espaços de lazer para os jovens e para os idosos, recuperar habitações, combater a toxicodependência, reestruturar as vias de acesso ao bairro e intervir no meio envolvente. Exactamente o tipo de intervenção integrada possível através do URBAN.</P>
<P>
António Furtado considera, porém, ainda cedo para falar de uma adesão de Lisboa ao programa: «A Câmara está a estudar o assunto. Seria prematuro avançar que nos vamos candidatar».</P>
<P>
Segundo o PÚBLICO apurou, o Governo pretende ainda alargar este programa, ao qual se podem candidatar no máximo 50 cidades, dos doze países-membros, a Coimbra e a Braga. Esta disposição do Governo parece, no entanto, não agradar muito à Câmara do Porto, que argumenta que em Portugal existem apenas duas cidades com 100 mil habitantes: Porto e Lisboa, que têm no seu seio zonas com sérios problemas do foro social e económico.</P>
<P>
* Com Margarida Rodrigues</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-16268"> 
<P> AdC dá aprovação à compra da Carrefour Portugal pela Sonae </P>
 <P> A Autoridade da Concorrência formalizou hoje a decisão de não oposição à compra da Carrefour Portugal pela Sonae Distribuição, que fica obrigada à alienação, de pelo menos, dois supermercados Modelo. </P>
 <P> Além da alienação das lojas Modelo de Eiras, no distrito de Coimbra e de Lagoa, no concelho de Portimão, a Sonae Distribuição comprometeu-se à desafectação de áreas de vendas do retalho alimentar em Paços de Ferreira, Penafiel e de Valongo, Porto, de acordo com o comunicado hoje divulgado no site da Autoridade da Concorrência. </P>
 <P> A entidade liderada por Abel Mateus tinha já comunicado, a 10 de Dezembro, à Sonae Distribuição, a «decisão provável de não oposição», que se tornou agora efectiva. </P>
 <P> A Sonae Distribuição comprometeu-se a cumprir algumas condições para manter uma concorrência efectiva em todos os mercados relevantes analisados pela Autoridade da Concorrência, nomeadamente, Montijo, Seixal, Barreiro, Paços de Ferreira, Penafiel, Grande Porto, Viana do Castelo, Coimbra e Portimão. </P>
 <P> Entre os compromissos assumidos pela Sonae Distribuição, conta-se ainda o de não apresentar pedidos de novas licenças para retalho de base alimentar nos mercados relevantes Montijo, Seixal, Barreiro, Paços de Ferreira, Penafiel, Viana do Castelo, coimbra e Portimão. </P>
 <P> No mercado relevante de Viana do Castelo, a Sonae terá que alienar o projecto da loja Carrefour e, se não existir comprador para o projecto, não poderá utilizar a licença num prazo de cinco anos a contar da decisão da Autoridade, salvo se, entretanto, tiver aberto ao público algum hipermercado concorrente na região, segundo o comunicado da AdC. </P>
 <P> No Grande Porto, a Sonae terá que converter o projecto Carrefour para o Campo 24 de Agosto em supermercado Modelo, o que equivale a uma redução da área afecta à actividade de base alimentar em, pelo menos, 1.500 metros quadrados. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-86662">
<P>
Guiné-Bissau céptica quanto à data das eleições</P>
<P>
A luta pela sobrevivência</P>
<P>
António Soares Lopes, em Bissau</P>
<P>
O PAIGC, que há 20 anos proclamou a independência guineense, está agora a lutar pela sua sobrevivência no poder, enquanto o povo luta em especial pela sua sobrevivência física, face ao constante aumento do custo de vida. As primeiras eleições pluralistas talvez sejam no primeiro semestre de 94, mas não há certezas.</P>
<P>
A Guiné-Bissau teima em ser um caso singular no processo da democratização. A menos de três meses da data prevista para as primeiras eleições multipartidárias, poucas são as pessoas que acreditam na sua realização na data prevista -- 27 de Março.</P>
<P>
O processo decorre com muita lentidão, desencontros e alguns sobressaltos, como que a crer testar os nervos do cidadão comum, mais preocupado com a sua sobrevivência diária, constantemente ameaçada pelo aumento do custo de vida.</P>
<P>
O recenseamento eleitoral ainda não foi feito, aspecto que tem vindo a preocupar a oposição, que já deixou bem claro não estar disposta a participar nas eleições caso a sua preparação enferme de falta de transparência e de respeito às leis.</P>
<P>
A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) queixa-se de falta de meios e atraso no desbloqueamento das verbas prometidas pela comunidade internacional. Dispondo de uma sede em Bissau, a CNE pretende instalar representações nas restantes regiões do país, «para assim dominar todo o panorama e evitar casos dúbios que possam desacreditar o acto eleitoral», disse ao PÚBLICO um membro daquele órgão. Entretanto, o porta-voz da CNE foi à televisão denunciar «pessoas não autorizadas» que têm vindo a levar a cabo recenseamento em certas regiões do país.</P>
<P>
Embora toda a gente saiba que os trabalhos estão atrasados em cerca de três meses, o regime continua a dizer que as eleições vão ser realizadas na data prevista, mesmo reconhecendo que o orçamento de cinco milhões e meio de dólares ainda não foi totalmente coberto. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), entidade que gere os fundos concedidos pela comunidade internacional, garante que só libertará o dinheiro quando lhe for apresentado um plano de actividades a desenvolver e os respectivos custos. Tudo isto faz crer que, havendo eleições, elas só terão lugar em Maio-Junho ou depois da época das chuvas; ou seja, em Novembro.</P>
<P>
Oposição dividida</P>
<P>
Outro pormenor que continua a marcar a vida política guineense é a falta de entendimento que atinge e divide as forças da oposição. Para além do PAIGC, estão legalizados 11 partidos, como sua alternativa. Nas vésperas do Natal foi anunciada uma coligação de três partidos denominada Força do Povo, constituída pela Frente Democrática Social, do decano da política guineense Rafael Barbosa, o Movimento Unido Democrático (Mude), chefiado por Filinto Vaz Martins, e o Partido da Renovação e Desenvolvimento (PRD), liderado por João da Costa, e constituído pela antiga ala renovadora do PAIGC, que abandonou este partido após a realização do seu último congresso. De registar que os três políticos foram dirigentes do PAIGC: Barbosa seu primeiro presidente, Martins e João da Costa membros do governo do antigo Presidente Luís Cabral.</P>
<P>
Existe outra coligação, a UNIDO, integrando quatro outras forças da oposição, o Partido da Convergência Democrática, a FLING, o Partido da Democracia e Progresso e o Partido da Renovação Social, cujo líder, Kumba Yalá, já manifestou interesse em se candidatar às eleições presidenciais. Fora das alianças ficam quatro partidos, a Frente Democrática, o Movimento Bafatá, a Liga Guineense de Protecção Ecológica e o Partido Unido Social Democrata, do antigo primeiro-ministro Vitor Saúde Maria, também eventual candidato às presidenciais.</P>
<P>
Julgamento de João da Costa</P>
<P>
Mas no mosaico político só o julgamento do «caso 17 de Março» prende a atenção dos cidadãos e cria uma certa celeuma. Entre os implicados na alegada tentativa de golpe de Estado figura João da Costa, líder do PRD e candidato anunciado às eleições presidenciais. Nos meios políticos em Bissau, a ideia de que João da Costa nada tem a ver com o chamado caso 17 de Março ganha cada vez mais consistência, embora paradoxalmente se acredite que venha a ser condenado. O seu advogado, Carlos Pinto Pereira, veio a público rejeitar a realização do julgamento por um tribunal militar, evocando a revisão constitucional efectuada no ano passado, que coloca os crimes da natureza de que são acusados os arguidos neste processo no âmbito das competências da vara cível.</P>
<P>
A Amnistia Internacional fez deslocar a Bissau um advogado português, João Araújo, para acompanhar o julgamento como observador. A forma como este processo tem sido conduzido pelas autoridades militares e pela segurança do Estado provocou fortes controvérsias, ao ponto de o tribunal militar se ter recusado a acatar uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça. que pretendia passar o caso para a alçada do tribunal cível.</P>
<P>
João da Costa é acusado de ter instigado a tentativa de golpe de Estado que alegadamente esteve na origem da morte de um major e como tal pode ser sentenciado de 12 a 16 anos de prisão. O assassino confesso do crime, alferes Amadu Mané, acusa Costa de o ter aliciado, mas como provas só apresentou as suas próprias palavras, numa história que é totalmente repudiada e desmontada pelo visado. Preso duas vezes no âmbito deste caso, num total de dois meses, o líder do PRD detém o recorde das prisões durante a vigência do actual regime. Em 1980, logo a seguir ao golpe de Estado de «Nino» Vieira, foi preso durante 27 dias sob suspeita de simpatia pelo regime derrubado . Dois anos mais tarde, foi colocado de novo atrás das grades durante 17 meses por alegado envolvimento numa tentativa golpista. Das duas vezes não chegou a haver julgamento.</P>
<P>
Ontem João da Costa afirmou ao PÚBLICO, em Bissau, que o seu julgamento é eminentemente político, tendo por fim afastá-lo das eleições presidenciais, de modo a facilitar a reeleição de «Nino».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77429">
<P>
Orçamento aprovado na Assembleia Municipal do Porto</P>
<P>
Oposição votou contra</P>
<P>
A maioria socialista na Assembleia Municipal do Porto aprovou anteontem o Plano de Actividades e Orçamento da Câmara para 1996. O PSD e a CDU votaram contra e o CDS-PP absteve-se. Foram cerca de seis horas de aceso debate, com os deputados da oposição a criticar o documento e a bancada do PS a defender as opções para a cidade e a política seguida por Fernando Gomes.</P>
<P>
Apesar de o Plano e Orçamento estar, à partida, aprovado com a maioria dos votos do PS na Assembleia, a oposição não baixou a voz contra o documento -- nem os socialistas engoliram as críticas. Foi uma «desgarrada» política, protagonizada, sobretudo, pelos deputados Pedro da Vinha Costa, do PSD e José Saraiva e Pedro Baptista, do PS.</P>
<P>
Aparentemente indiferente à guerra de palavras entre as duas bancadas, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Fernando Gomes, apresentou o Plano e o Orçamento para o próximo ano, que, no seu entender, têm a marca do «rigor e da continuidade». Gomes começou por responder às críticas tecidas pela vereadora comunista Ilda Figueiredo -- que não compareceu na assembleia --, negando que as receitas municipais estejam inflacionadas. Explicou depois que os 8,9 milhões de contos de despesas com pessoal, a maior fatia dos 33 milhões do orçamento, incluem 1,1 milhões referentes à dívida herdada com a retenção de descontos da Segurança Social e gastos em investimentos. «Continuam inflacionadas as despesas com o pessoal por causa de um erro das gestões anteriores; eles gastaram e nós agora estamos a pagar», disse Gomes. Salientou ainda que, nesta verba, está também incluído um milhão de contos para os Bombeiros Sapadores do Porto.</P>
<P>
Quando às grandes opções para o próximo ano, o edil elegeu como uma delas a habitação, que recebe 38 por cento do orçamento, o correspondente a cerca de seis milhões de contos. Segue-se o sector das comunicações e transportes, a cultura, o desporto e tempos livres. Outras rubricas, como a educação e a segurança, ficam à espera da aprovação do Orçamento de Estado, porque, para Gomes, «seria irreal e irresponsável incluir acções e verbas que ainda não estão definidas no documento do Governo».</P>
<P>
E o ataque do PSD e da CDU centrou-se precisamente nesta «espera», bem como nas obras que «transitam de orçamento em orçamento». O social-democrata Pedro da Vinha Costa não poupou os socialistas: «A paixão de Guterres é a educação e o pesadelo de Fernando Gomes é a polícia municipal -- duas áreas em que tudo fica adiado, à espera das posições do Governo». E rematou: «Até agora, eram os malandros do PSD; agora, são as indecisões do Governo -- e o portuense é o mexilhão». Como, para Vinha Costa, o Plano e o Orçamento para 1996 são quase uma «cópia» dos documentos anteriores, à excepção da apresentação, que, este ano, aparece sob a forma de um livro ilustrado, o deputado optou por reler as análises que fez na discussão dos orçamentos dos últimos anos. «Não original, cheio de meras intenções, demagógico», é a avaliação «standard» de Pedro da Vinha Costa.</P>
<P>
Pela CDU, Rui Sá justificou o voto contra com as obras que «surgem nos orçamentos anteriores com taxa de execução `0' e que estão novamente inscritas». «Das 524 medidas de investimentos, 48 por cento transitaram de anos anteriores», afirmou Rui Sá. Aos comunistas, respondeu o socialista José Saraiva, mas o alvo acabou por ser a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, por esta denunciar que o orçamento está inflacionado. «A vossa porta-voz no município do Porto é mentirosa», acusou Saraiva. Da bancada comunista, Lusitano Correia veio em defesa da sua dama e Vinha Costa voltou também à carga com um protesto contra José Saraiva, por o socialista dizer que não percebeu uma palavra da intervenção do deputado do PSD Francisco Carrapatoso. Curiosamente, nem a bancada social-democrata prestou muita atenção ao longo discurso de Carrapatoso.</P>
<P>
No final do debate, a votação esperada: o plano e orçamento da Câmara para 1996 foi aprovado com os votos da maioria PS, onze votos contra dos deputados do PSD e da CDU e a abstenção dos dois representantes do CDS-PP.</P>
<P>
Manuela Teixeira</P>
<P>
Aveiro</P>
<P>
Tromba de água e tornado</P>
<P>
Um tornado e uma tromba de água muito localizados e de curta duração provocaram estragos avultados nas freguesias de Salreu e Avanca, em Aveiro, durante o dia de ontem. Casas destalhadas, árvores arrancadas pela raiz, estabelecimentos comerciais inundados e perigo de alagamento de estradas foram algumas das suas consequências. O tornado afectou sobretudo a região de Salreu, onde ascendem a duas dezenas o número de casas destalhadas, para além de diversas arrecadações terem sido destruidas.</P>
<P>
O fornecimento de electricidade e as ligações telefónicas foram igualmente afectados, mas os prejuízos estão ainda por quantificar. Pelo menos uma família ficou desalojada e recolheu a uma habitação muncipal. O tornado durou apenas alguns segundos, tempo suficiente para deixar um rasto de destruição na sua passagem.</P>
<P>
Em Avanca foram as chuvas fortes a provocar estragos, designadamente algumas inundações em casas e estabelecimentos comerciais, para além do corte temporário da Estrada Nacional 109, obrigando ainda a redobradas precauções na circulação automóvel, já de si difícil em consequência do mau estado do piso.</P>
<P>
Entretanto, a possibilidade de grandes cheias no rio Tejo durante o dia de ontem, as quais afectariam com alguma gravidade a região entre Santarém e a Azambuja, e na zona da lezíria, não se tinha concretizado até ao fecho desta edição. De facto, o alerta anteontem à noite lançado pelo Serviço Nacional de Protecção Civil (SNPC) sugerindo às populações a salvaguarda dos gados, alfaias e outros bens, surgiu num altura em que as previsões metereológicas apontavam para uma pluviosidade de 20 milímetros em apenas seis horas, durante a madrugada e manhã, a qual, de facto, não ultrapassou a metade.</P>
<P>
Os diversos serviços de prevenção, que contavam ainda com o apoio de pessoal e de material do Exército e da Marinha, mantiveram-se no entanto de prevenção durante todo o dia, vigiando uma série de ocorrências consideradas perfeitamente normais em anos de fortes chuvadas na região e sem nada de comparável às últimas grandes inundações, em 1989. Ao fim da manhã confirmava-se o isolamento das povoações de Reguengos do Alviela e de Caneiras, habitual sempre que há cheias. Permaneceram também cortadas as estradas que ligavam Vale Figueira ao Pombalinho, toda a zona de Palhais, na Ribeira de Santarém, e a estrada que liga a Ribeira a Alcanhões, nas Assacaias. Também continuou impossível de atravessar um troço de estrada entre Valada e Vale de Santarém.</P>
<P>
Ao fim da tarde de ontem, o porta-voz do SNPC, Evónio Vasconcelos, declarou ao PÚBLICO que estavam «sob controlo» tanto as regiões ribeirinhas do Tejo como as do Douro e do Mondego, estando também «normal» a situação de Águeda, cuja baixa sofreu grandes inundações na véspera do dia de Natal.</P>
<P>
Para hoje, o SNPC vai manter o estado de alerta. As últimas previsões metereológicas de ontem apontavam para alguns aguaceiros durante a manhã e uma forte precipitação ao fim da tarde.</P>
<P>
Ferro Rodrigues reconhece esforço social de Narciso Miranda</P>
<P>
Governo apoia Urban de Matosinhos</P>
<P>
O ministro da Solidariedade, Ferro Rodrigues, afirmou ontem que a segunda fase do programa comunitário Urban -- destinado a apoiar projectos de recuperação de zonas urbanas degradadas -- deverá contemplar a candidatura da Câmara Municipal de Matosinhos, que ficou excluída na primeira selecção. As declarações do Governante foram proferidas durante a cerimónia de entrega de 24 novos fogos de habitação social da autarquia matosinhense.</P>
<P>
Perante o presidente da Câmara, Narciso Miranda, o titular da pasta da solidariedade reconheceu que «há já muitos anos que na edilidade de Matosinhos há uma grande preocupação pelas questões sociais e pela sua resolução». Ferro Rodrigues referiu que «as necessidades da Câmara de Matosinhos «merecem ser acompanhadas correctamente» e prometeu «uma resposta positiva por parte do Governo», salientando que o seu ministério vai ter em linha de conta uma «avaliação concreta de todas as experiências que estão no terreno e dar apoio a quem o merece», .</P>
<P>
O compromisso ficou assumido em relação à segunda fase do programa URBAN, já em desenvolvimento e cuja execução compete ao ministério da Solidariedade. Narciso viu, assim, a candidatura de Matosinhos bem encaminhada e pediu ainda ao ministro que faça cumprir as promessas feitas pelo PS, fazendo votos para que «a solidariedade esteja sempre à frente da política do asfalto».</P>
<P>
A presença de Ferro Rodrigues valorizou a cerimónia de entrega das chaves de 24 novos fogos de habitação social, em S. Mamede de Infesta. Destas, duas foram destinadas a famílias vítimas das cheias do rio Leça no passado fim de semana, que ficaram desalojadas devido às inundações nas suas residências. «Foi a resposta mais rápida que a Câmara de Matosinhos conseguiu dar a estas duas famílias carênciadas que não tinham onde viver», disse Narciso.</P>
<P>
Manuela Teixeira</P>
<P>
Passagem de ano no Grande Porto</P>
<P>
Escolher um «réveillon»</P>
<P>
A Mike James Sound &amp; Singers, antiga orquestra privativa do maior paquete do mundo, o «Queen Elizabeth II», é uma das atracções dos diversos «réveillons» que vão animar a noite de fim de ano no Porto. Aquela orquestra, composta por dez elementos, vem directamente de Manchester, Inglaterra, para actuar na festa de passagem de ano promovida pelo Clube de Jornalistas do Porto, que se vai realizar no Novo Aviz Trade Center, onde está instalada a sua nova sede, informou a agência Lusa.</P>
<P>
O «réveillon» do Clube de Jornalistas do Porto, que terá um local próprio onde educadoras podem tomar conta das crianças mais novas, incluirá ainda um sorteio de várias viagens, como, por exemplo, a Cartagena das Índias, na Colômbia, ou a Nova Iorque, nos EUA, e dois fins-de-semana no Algarve.</P>
<P>
Ainda no Porto, o Coliseu pode também ser uma opção para a passagem de ano, prometendo a organização «um grande `réveillon' com baile até à madrugada». O programa proposto inclui a actuação de toda a companhia do Circo Wonderland, estando a animação musical a cargo do grupo Nova Banda e dos cantores Fátima Dinis, Américo Carvalho e Mirita Santiago.</P>
<P>
Diferente pode ser a passagem de ano na Quinta da Paradela, nos Carvalhos, Gaia, onde está previsto um «arraial à Portuguesa» para assinalar a entrada no novo ano.</P>
<P>
A «superfesta ibérica» que se vai realizar no Europarque, em Santa Maria da Feira, conta com animação permanente, com quatro «disc-jockeys», vídeo, realidade virtual, 30 mil watts de som e 100 mil de luz, entre outros ingredientes. E é uma festa tão ibérica que a organização nem se deu ao trabalho de traduzir os cartazes para português: «Noche fin de año 95-96, España en Oporto, no Europarque, A1 salida Feira, una superfiesta iberica... con macro decor galactico». Enfim...</P>
<P>
Os principais hotéis do Porto também promovem, como é habitual todos os anos, as suas festas de passagem de ano, com programas que incluem jantar, ceia e uma refeição ligeira durante a madrugada do primeiro dia do novo ano.</P>
<P>
No Sheraton Hotel, a festa vai ser animada pelo Quarteto de Cristina Roque e pelo Quarteto Abeas Corpus, enquanto a Orquestra da Felicidade, do Brilho da Glória actua na passagem de ano do Hotel Meridien, que contará ainda com a presença da Hamlin's Banda.</P>
<P>
A passagem de ano no Ipanema Park Hotel também vai ser animada com música, estando prevista a actuação ininterrupta da Orquestra Resende Dias e do Quarteto de Prata, liderado por Luís Portugal. O programa inclui um jantar de gala, um «buffet» frio, cerca das 2h00, e uma ceia, com chocolate quente, no final da festa. Esta unidade hoteleira promove ainda outra festa de passagem de ano, num local de dimensões mais pequenas, o bar Twin Trees, que contará com a participação do teclista e vocalista Rodrigo d'Orey.</P>
<P>
No Grande Hotel do Porto, a última noite do ano pode começar com um jantar-dançante, animado pelo quarteto Gota d'Água, terminando já de madrugada com um «buffet» e chocolate quente.</P>
<P>
Em Esposende, a Estalagem Zende organiza aquele que uma fonte da unidade hoteleira considera ser «o melhor `réveillon' da Costa Verde». O programa inclui a actuação da cantora Alexandra e da Banda do Galo de Barcelos para garantir a animação dos presentes.</P>
<P>
A passagem do ano pode ainda ser assinalada com programas especiais nas estalagens Via Norte, na Maia, e Santiago, em Gondomar, que promove um baile com Tony Meireles e os Samambaia.</P>
<P>
Os dois casinos da Região Norte, na Póvoa de Varzim e em Espinho, também organizam na noite de domingo as suas festas de passagem de ano. No Casino da Póvoa de Varzim, o programa inclui jantar, champanhe à meia-noite e chocolate quente de madrugada, estando a animação a cargo da Orquestra de Frank Torres, da escola de samba Rio Samba Show e do conjunto musical Contratempo. Em Espinho, a passagem de ano no casino local inclui um espectáculo da «ballet» russo e a actuação de quatro grupos de música, além da tradicional ceia.</P>
<P>
A discoteca Twins, no Porto, também vai ter o seu «réveillon», prometendo uma fonte da organização «a música mais animada, champanhe e passas à meia-noite e chocolate quente e bolo-rei de madrugada».</P>
<P>
Outros programas especiais são oferecidos pelas discotecas Dezassete, em Paços de Ferreira, Pachá, em Ofir, e Sardinha Biba, em Braga; pelas piscinas de Lourosa (Santa Naria da Feira) e da Granja (Gaia), com a tradicional ceia e música para dançar.</P>
<P>
Para quem pretender entrar em 1996 fora de Portugal, sugere-se o Hotel Louxo, em La Toja, na Galiza, Espanha, com jantar e ceia, tudo animado por uma «grande orquestra» e pelo teclista Carlos Otero, segundo uma fonte ligada à iniciativa.</P>
<P>
Arrábida Shopping</P>
<P>
O jornal [PÚBLICO] publicou, no dia 13 de Dezembro de 1995, na secção Local/Porto, uma notícia da autoria de Amílcar Correia com o título «Críticas ao Arrábida Shopping», na qual se revela que «o empreendimento do Grupo Amorim está a ser contestado pelos moradores da urbanização Simopre».</P>
<P>
O Grupo Amorim não põe, obviamente, em causa o direito dos moradores da urbanização Simopre em contestar a construção do Centro Comercial Arrábida Shopping. Pensamos, no entanto, que também temos o direito de apresentar o nosso ponto de vista sobre este assunto. O jornal PÚBLICO não nos concedeu esse direito. Não é, de resto, a primeira vez que isso acontece. Noutras notícias divulgadas pelo PÚBLICO sobre o Arrábida Shopping, o jornal também não ouviu a entidade responsável pelo referido centro comercial. Pensamos que seria jornalisticamente compreensível e aconselhável que o PÚBLICO, ao dar notícias sobre o Arrábida Shopping, se disponibilize para ouvir os pontos de vista das partes nelas envolvidas, nomeadamente a responsável pelo centro comercial.</P>
<P>
Fazemos notar que a fotografia publicada com a notícia em causa não diz respeito ao centro comercial, mas, sim, a um outro empreendimento do Grupo Amorim em construção numa área próxima do Arrábida Shopping. Os moradores contestam, não o Arrábida Shopping, mas sim esse outro empreendimento do Grupo Amorim.</P>
<P>
Ficamos à espera que o PÚBLICO nos conceda esse direito quando voltar a dar notícias sobre um assunto que também nos diz respeito, como é o caso do Arrábida Shopping.</P>
<P>
N. R. -- O objecto da notícia em causa é o teor de uma reunião entre moradores da Urbanização Simopre e autarcas do concelho de Gaia. Só isso. O Grupo Amorim tem sido ouvido sempre que as circunstâncias o exigem e sempre que a vontade de Nélson de Almeida o permite. A fotografia que acompanha o texto refere-se à urbanização contígua ao centro comercial, que o Grupo Amorim anunciou desde o início como fazendo parte do mesmo empreendimento. O próprio Américo Amorim o afirmou na conferência de imprensa de apresentação do projecto, noticiada pelo PÚBLICO a 8 de Março de 1995.</P>
<P>
Nelson de Almeida (administrador), Amorim &amp; Moya, S.A. - V. N. de Gaia</P>
<P>
A derrocada esquecida</P>
<P>
O jornalista Sr. António Soares que, em Junho passado, aquando do desabamento ocorrido na Rua Alferes Malheiro, procurou saber a posição da Ordem dos Engenheiros a esse respeito, voltou a contactar este Conselho Directivo para se informar sobre o resultado do inquérito, nessa altura iniciado, acerca das presumíveis responsabilidades do Engº Sérgio Gomes da Silva, registado no processo camarário como responsável técnico da obra. (...)</P>
<P>
Tendo aproveitado a carta que dirigi a V. Exa. sobre este assunto em 21/6/95 para saudar a qualidade da informação oferecida pelo jornal PÚBLICO, só posso renovar agora, com dobradas razões, as minhas felicitações, ao verificar o cuidado posto em dar sequência a um assunto que outros terão já esquecido.</P>
<P>
Elevados padrões de qualidade, no entanto, fazem desejar outros ainda mais elevados, numa procura incessante que não duvido que seja prática diária do PÚBLICO.</P>
<P>
Assim, se os tribunais, como esperamos, vierem também a ilibar o Engº Sérgio Gomes da Silva de responsabilidades no caso, não deixará de ser de lamentar o prejuízo que em termos profissionais lhe terá causado a repetida imputação de responsabilidades pela Comunicação Social em geral, mesmo se se reconhecer a precaução com que o PÚBLICO atribui às respectivas fontes as informações em causa.</P>
<P>
Permita-me ainda, complementarmente, anexar o programa de um recente seminário sobre Riscos de Soterramento na Construção (...) e que é um dos vários exemplos que poderia detalhar-lhe da actuação da Ordem para não só punir eventuais culpados de acidentes quando for o caso, como, sobretudo, prevenir a sua ocorrência, tanto quanto possível, como já assinalava na carta de Junho acima referida.</P>
<P>
José Manuel Guerra de Sousa Pinto, Presidente do Conselho Directivo da Ordem dos Engenheiros da Região Norte</P>
<P>
Acidentes no IP5</P>
<P>
Muito antes de se tornar público o caso dos acidentes no troço do IP5 Sever do Vouga-S. Pedro do Sul, e a sua relação com a empresa de reboques Fadigas, já estava instalado nessa região, o sistema de segurança do Projecto Pórtico.</P>
<P>
Este troço tem caraterísticas únicas, que fazem dele um dos mais perigosos do IP5. Portanto, a escolha deste troço para instalação do sistema de segurança não foi gratuita -- a estrada já era perigosa antes dos reboques Fadigas se instalarem.</P>
<P>
Nevoeiros constantes, zonas sombrias, muitas curvas, fortes rajadas de vento, e sobretudo a ausência da 3ª via que permita a ultrapassagem aos veículos de grande tonelagem, com nítidas dificuldades em troços de subidas e descidas rápidas, originam grandes filas de trânsito, rodando-se a velocidades reduzidas, criando enorme nervosismo nos condutores que por vezes arriscam tudo em ultrapassagens suicidas. Acreditem que se dão poucos acidentes naquele troço para a proporção de manobras perigosas executadas.</P>
<P>
Acho muito bem que se esclareça a actuação dos reboques Fadigas nos acidentes, mas não se deve desviar a atenção daquilo que era mais fácil de provar: saber como foi possível a empresa Fadigas usar e abusar de um parque da IP5, sem concurso público.</P>
<P>
Claro que isto iria mexer com as cúpulas da JAE.</P>
<P>
Henrique Gomes, Ovar</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-87381">
<P>
Mas afinal quem inventou as mentiras do 1 de Abril?</P>
<P>
Paula Torres de Carvalho</P>
<P>
No dia 1 de Abril de 1943, um jornal diário português publicava uma notícia fantástica: num prédio em ruínas, no Campo Grande, fora descoberto um precioso tesouro do século XVII. Curiosos, os lisboetas acorreram às centenas ao local. Ninguém então se lembrou que era o «dia das mentiras», uma data habitualmente aproveitada pela comunicação social para inventar acontecimentos.</P>
<P>
Não se conhecem ao certo as razões que levaram à institucionalização desta data na Europa. Os poucos dados disponíveis revelam que a sua origem esteve na mudança do ano natural, pagão, que se iniciava com a Primavera, para o chamado ano comum que começa a 1 de Janeiro. Esta alteração teria sido feita, por decreto, por Catarina de Médicis, regente em nome do rei Carlos IX então com 14 anos, no ano de 1564, em França. A troca de presentes para assinalar a passagem do ano ter-se-à, contudo, mantido no primeiro de Abril mas, para não sobrecarregar os orçamentos familiares, as prendas passaram a ser mais pequenas, transformaram-se em «falsas lembranças», «falsos presentes» ou «falsas mensagens de felicitações». Designavam-se esses presentes como «poissons d'avril», em referência ao signo do zoodíaco «Peixes» (poissons, em francês) que termina pouco antes de Abril. Daí às mentiras permitidas, foi um passo. A cultura francesa estava em expansão e o «dia das mentiras» tornou-se universal. Era uma forma de violar, sem a ameaça de castigo, o dever da verdade dos bons costumes.</P>
<P>
Há também quem explique a origem deste dia numa antiga celebração romana chamada «Hilaria» e nas festividades de «Holi» na Índia. Ou quem a relacione com o equinócio de Março quando a Natureza engana com as mudanças súbitas do tempo.</P>
<P>
Apesar das dúvidas existentes sobre a origem deste hábito, é certo que ele está intimamente relacionado com a comemoração do princípio da Primavera, segundo o antropólogo Moisés Espírito Santo. E como todos os costumes desta estação do ano, integra-se numa ideia de «ruptura com o passado, de renascer, de começar tudo de novo.» Nesse sentido se entende o espírito para «inverter o que é considerado normal, a tendência para as brincadeiras e as mentiras», diz o antropólogo. «No dia seguinte, depois do caos e da confusão, vem a harmonia.»</P>
<P>
Este costume tem muitas semelhanças com os hábitos carnavalescos e com a «vontade de fazer o contrário» do que está socialmente estabelecido, segundo Moisés Espírito Santo. É uma espécie de continuidade dos «três dias da mentira», no Carnaval, em que, na maioria das aldeias portuguesas, as pessoas se recusam a atender o telefone porque já sabem que, do telefone, só vêm brincadeiras.</P>
<P>
O "primeiro de Abril" é um hábito essencialmente urbano, como já refere, o etnólogo Leite Vasconcelos, na sua obra «Etnografia Portuguesa». O facto de o «dia das mentiras» ser, em Portugal, um hábito, sobretudo, das cidades parece ser também extensivo a outros países europeus. O autor fala, por exemplo, de Roma, onde a data era também uma festa à deusa mãe das Graças em que predominavam os jogos amorosos.</P>
<P>
Em Inglaterra, o dia 1 de Abril é também chamado «dia das maluqueiras» ( dia das partidas, das brincadeiras). «Cuco» é o nome que se dá à pessoa enganada. Em França, pendura-se um peixe nas costas daqueles que caíram na esparrela e diz-se «poisson d'Avril».</P>
<P>
O «dia das mentiras» é tradicionalmente assinalado na comunicação social portuguesa com a publicação de notícias inventadas. Nos anos 40, um diário publicou uma fotomontagem que mostrava a estátua de D. Pedro V inclinada, o que convenceu e confundiu muita gente. Houve logo quem fosse ao local e admitisse que, na realidade, a estátua estava mesmo inclinada.</P>
<P>
Os espanhóis compraram o Terreiro do Paço, Saddam Hussein pediu asilo político a Portugal, o cantor Paco Bandeira foi preso, o novo aeroporto de Lisboa vai ser construído em plataforma do estuário do Tejo, o campeonato mundial de juniores passa a ser realizado em Espanha e o Banco Comercial Português vai admitir mulheres nos seus quadros, foram algumas das mentiras publicadas nos jornais, rádios e televisões em que muito boa gente acreditou. s mosaico 1/4 4614</P>
<P>
A boémia natural dos checos</P>
<P>
Os checos não são só boémios de nome (a Boémia é uma região da República Checa) mas também boémios de natureza, pelo menos assim parece. É que as sondagens de opinião dizem que eles têm um grande apetite por sexo e que mais de metade, uns 60 por cento, se dedica a ligações extra-matrimoniais. Além de apenas 15 por cento achar que «casos de uma só noite» são moralmente errados. Um caso de fraqueza, diz uma jornalista, «porque quando se trata de sexo, os checos não conseguem dizer não». Só que, com poucos homens a usar preservativo e o aborto como a melhor alternativa possível para a contracepção, quem não acha muito entusiasmante isto tudo, dizem os especialistas, é a mulher. E são as mulheres também quem mais defende que a prostituição seja banida. Mesmo o presidente do país, Vaclav Havel, conhecido pelas suas posições firmes em questões morais, já admitiu publicamente ter tido vários casos. O que o levou mesmo a comentar, quando das conferências de imprensa da mulher que dizia ter sido seduzida por Bill Clinton, que o presidente norteamericano não sabia lidar com mulheres. E justificou-se afirmando que «Nenhuma mulher alguma vez deu uma conferência de imprensa por minha causa». O negócio de sexo cresceu vertiginosamente após a «revolução de veludo», em 1989, com um florescer repentino de «salões de massagens». Uma explicação viável para esta «libertinagem» dos checos pode resultar do tempo do domínio soviético, em que o sexo e ter vários parceiros surgia como uma boa forma de sentir liberdade.</P>
<P>
Lilian para o Congresso</P>
<P>
A mulher conhecida por ter aparecido no Carnaval junto ao Presidente do Brasil só com uma camisola e sem cuequinhas, Lilian Ramos, agora em tournée europeia, prepara-se para voos mais altos. A modelo, que tem aparecido em várias televisões, numa sessão fotográfica em Roma para a «Playboy» italiana, lembrou-se de a interromper, para anunciar à comunicação social, que generosamente a segue por todo o lado, que se candidatava ao Congresso brasileiro, pelo seu estado natal de Ceará.</P>
<P>
Desejos com susto</P>
<P>
Quase todos os alunos desejaram um dia que certo exame não viesse a ter lugar devido a alguma benfazeja catástrofe - veja-se o Calvin - mas os alunos indianos que viram o desejo realizado não devem ter ganho para o susto. Decorria a aula na escola de Tamil Nadu, quando, de trás do quadro, começaram a sair cobras, invadindo a sala e lançando o pânico geral. Alguns, mais destemidos, mataram quatro cobras, mas acabaram todos por sair, enquanto os répteis continuavam a surgir. A polícia apareceu, mas acabou por bater em retirada. Ficou a dúvida sobre a origem daquelas cobras todas.</P>
<P>
Casa sobre carris</P>
<P>
Para os passageiros que têm que fazer viagens constantes de comboio de um lado para o outro, os Caminhos de Ferro austríacos lembraram-se de lhes dar todo o conforto possível e satisfazer as suas necessidades. Assim, vão instalar nas carruagens todo o tipo de comodidades domésticas, desde louça, fogões, máquinas de lavar roupa e pratos, ferros de engomar. Verdadeiras casas ambulantes, onde se une o útil ao agradável, porque são também um meio de manter certos empregos, em risco de desaparecer.</P>
<P>
Monstros brincalhões</P>
<P>
Estava George Thain, um operário inglês, atarefado a acabar um serviço no complexo turístico de Lands End quando a atracção mecânica do parque o agarrou entre os seus tentáculos. O monstro marinho de um metro, destinado a assustar turistas, descontrolou-se por uma avaria no computador e durante um minuto prendeu George, que saiu do incidente com algumas nódoas negras (e um grande susto).</P>
<P>
BB contra Seul</P>
<P>
A estrela dos anos 60, Brigitte Bardot, conhecida pelas suas campanhas em defesa dos animais, decidiu agora colocar entre a espada e a parede o regime sul-coreano. É que, caso não acabe o consumo e tráfico de carne de cão, que, apesar de ter sido proibido em 1983 continua, porque é algo muito apreciado naquela zona, Brigitte e os milhares de apoiantes que diz ter em França vão boicotar os produtos do país asiático.</P>
<P>
Uma gripe e tanto</P>
<P>
A China, país criador de cavalos há séculos, está a braços com uma epidemia de gripe que já causou cerca de 30 mil vítimas, uma das piores desde 1949. Começou em Maio do ano passado mas não se fez rogada nos seus efeitos, já que, além dos cavalos mortos, deixou ainda cerca de um milhão e meio gravemente doentes, o que tem deixado os chineses de mãos na cabeça, sem soluções para situação tão crítica. É caso para um cavalo se perguntar sobre o que teria feito para merecer tal sorte.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-46546"> 
<P>Antônio Houaiss: influências e afinidades no seu labor lingüístico-filológico</P>
 <P>(Evanildo Bechara UERJ/ UFF)</P>
 <P>Vem-se, a pouco e pouco, compondo o quadro da história das idéias e das atividades dos lingüistas, filólogos e gramáticos brasileiros. A partir de um primeiro e fragmentário levantamento, por falta de informações, de José Leite de Vasconcelos, e do bem mais circunstanciado Breve retrospecto sobre o ensino da Língua Portuguesa, redigido por Maximino Maciel em novembro de 1910 e que vem como apêndice à sua Gramática Descritiva, vem-se avolumando, em vários centros universitários brasileiros, a pesquisa de informações sobre o tema, de modo que, dentro de pouco, já se pode elaborar um manual bastante rico e informativo sobre essas idéias e atividades.</P>
 <P>Circunscrevendo-se, pela facilidade de informações diretas, ao que se vem fazendo no Rio de Janeiro, cabe menção a um ou dois capítulos da 1.ª série dos Estudos Filológicos de Antenor Nascentes, saídos em 1939, e, mais recentemente, os levantamentos de Sílvio Elia, nos Ensaios de Filologia e Lingüística.</P>
 <P>Depois de um primeiro momento de visão panorâmica, surgem os estudos especiais de autor: M. Said Ali (de Evanildo Bechara), J. Mattoso Câmara Jr. (de Carlos Eduardo Falcão Uchôa), Clóvis Monteiro (de Jayr Calhau), Olmar Guterres da Silveira (de Horácio Rolim de Freitas), o exaustivo estudo sobre Sousa da Silveira (de Maximiano de Carvalho e Silva), sem contar as análises percucientes de Joaquim Mattoso Câmara Jr. acerca da obra de M. Said Ali e João Ribeiro, reunidos nos Dispersos.</P>
 <P>Só para a referência de uma importante contribuição de São Paulo (USP - 1998), cabe menção a recente tese de livre-docência de Valter Kehdi A Morfologia e a Sintaxe Portuguesas na Obra de J. Mattoso Câmara Jr.</P>
 <P>Em linhas gerais, depois que os estudos lingüísticos no Brasil se puderam beneficiar da contribuição mais moderna da Europa e da América, traçam-se cinco gerações de representantes bem delineadas das quais só trataremos das três primeiras, porque na última delas se inserem a atividade e a produção de Antônio Houaiss, sobre quem queremos hoje vos falar. Na primeira, inserem-se, entre outros, M. Said Ali, João Ribeiro, Pacheco da Silva Júnior, Maximino Maciel. Uma segunda, com Mário Barreto, Sousa da Silveira, Antenor Nascentes, José Oiticica, Clóvis Monteiro; uma terceira, com J. Mattoso Câmara Jr., Serafim da Silva Neto, Sílvio Elia, Gladstone Chaves de Melo, Celso Cunha, Antônio Houaiss.</P>
 <P>Antônio Houaiss, nascido no Rio de Janeiro a 15 de outubro de 1915 e, nesta mesma cidade, falecido a 7 de março de 1999, conheceu um amplo quadro de atividades como filólogo, diplomata, político, acadêmico, enciclopedista, dicionarista, bibliólogo, ensaísta, crítico literário, teórico da literatura, tradutor, jornalista, perito em gastronomia: numa palavra, um humanista.</P>
 <P>Um universo tão multifacetado quanto este permite a execução de um livro de macroscopia de vida, como esse dedicado, com muita justiça, aos 80 anos de Antônio Houaiss, cuja trajetória triunfal pode ser resumida nesse título feliz do depoimento do diplomata e musicólogo Vasco Mariz: um processo administrativo-ideológico. É o que foi a vida de Houaiss: nada se fez de improviso ou por acaso. Operário disciplinado, cada degrau de sua ascensão era impulsionado pela força do seu projeto ideológico de bem servir a quem dele precisasse, e, na ponta última desse projeto, bem servir a seu país.</P>
 <P>Mas de toda esta trajetória, de todo esse processo administrativo-ideológico nos dão conta os estudos e depoimentos sobre o homem e sobre suas obras enfeixados na miscelânea em honra aos 80 anos de Houaiss. Temos aí um retrato de corpo inteiro levantado na visão macroscópica do objeto estudado. Todavia, é hora de descermos às minúncias e de percorrer as estradas vicinais que vão desembocar na grande avenida, na grande estrada percorrida pelos ilustres colaboradores de Uma Vida. E esses fragmentos, aparentemente desinteressantes e desprovidos de valor, nos permitem juntar certos dados menores para melhor conhecer o gigante retratado Antônio Houaiss.</P>
 <P>Sinto-me em condições favoráveis para fazer esse exercício de crítica construtiva na reunião de alguns dados fragmentários que julgo importantes para uma visão aprofundada do nosso Houaiss, porque convivi - para pouca alegria e regozijo meu - porque convivi, repito, pouco com ele, se por convivência queremos aludir à proximidade da presença física. Permanentemente estava eu com Houaiss na sua produção lingüístico-filológica refletida e plasmada nos seus livros, nos seus artigos, nas suas conferências. E, como éramos joeiradores da mesma seara, percebia com mais nitidez as afinidades com suas fontes de formação e informações, percebendo suas ligações intelectuais mais próximas - percebendo ou supondo perceber -, ainda que se manifestassem, quase sempre, mais elaboradas e mais contundentes do que suas fontes originais, detectava matrizes que honravam os mestres e dignificavam o discípulo.</P>
 <P>Nessa pesquisa de recolher as peças soltas para compor o quadro definitivo, há questões que se impõem pela sua curiosidade. Uma delas, por exemplo, está na opção de Houaiss de matricular-se, na Faculdade Nacional de Filosofia, no Curso de Letras Clássicas, para licenciar-se em disciplinas, como Grego e o Latim, disciplinas que durante toda a sua vida de produção científica não ocuparam o lugar que normalmente seria esperado. É certo que Houaiss lecionou Latim, ao lado da Língua Portuguesa; é certo também que o conhecimento dos idiomas clássicos esteve na raiz de seu trabalho lexicográfico, dicionarístico e enciclopédístico, mas não tivemos o nosso homenageado a editar textos de grego e latim ou a tratar especificamente de questões de língua ou de literatura clássicas.</P>
 <P>Um interessante episódio de sua vida, narrada por Maximiano de Carvalho e Silva no livro sobre Sousa da Silveira, revela-nos o quanto já estudava e conhecia de latim, mesmo antes de ingressar na Faculdade. Abrira a Prefeitura do Distrito Federal, em 1936, concurso para preenchimento de uma vaga de Português no seu quadro de magistério. Inscreveram-se 23 candidatos, entre os quais Antônio Houaiss. Ponto sorteado: a ortografia portuguesa e seus fundamentos históricos. Na comissão examinadora estavam Sousa da Silveira (presidente), Daltro Santos e Marieta Castagnino da Mota. Corrigidas as provas, foram selecionados 6 candidatos, e de um sétimo, porque escrevera mais de trinta péginas sobre ortografia latina; se pensou em não aprová-lo, sob o pretexto de ter fugido do assunto. Aí interveio em favor do candidato o presidente Sousa da Silveira, argumentando que, quem escreveu tanto sobre ortografia latina, se lhe sobrasse tempo, teria feito outra boa exposição acerca da ortografia portuguesa e seus fundamentos históricos. E assim foram 7 os candidatos aprovados, tendo alcançado o 1.º lugar no concurso o nosso saudoso Sílvio Elia.</P>
 <P>Pensando no tema e conversando com pessoas bem informadas, podemos propor umas tantas razões da matrícula nesse Curso de Letras Clássicas. Mas são meras conjecturas, uma vez que Houaiss, segundo me parece, nunca o explicitou, nem clara nem implicitamente.</P>
 <P>A primeira proposta aponta a influência de seu professor Ernesto Faria na Escola Amaro Cavalcanti, onde concluiu seu curso de perito-contador. Como sabemos, Ernesto Faria foi excelente professor de latim, entusiasta do ensino clássico, autor de livros na suas especialidade e um grande propagandista do magistério do latim entre seus alunos, quer no curso secundário, quer no curso superior.</P>
 <P>Mas há duas fortes objeções a essa primeira tentativa de explicação: Houaiss freqüentou uma escola pública secundária no tempo em que ela atraía verdadeiros mestres de nível universitário, e na Amaro Cavalcanti Houaiss tivera professores dessa estirpe, como Clóvis Monteiro e Mattoso Câmara Jr., que, a prevalecer e explicação por influência de seus mestres, melhor o iriam levar a matricular-se no Curso de Letras Neolatinas.</P>
 <P>A segunda objeção é que à turma de Houaiss na FNF pertenciam Celso Cunha e Olavo Nascentes, que não tinham podido sofrer a influência de Ernesto Faria na Escola Amaro Cavalcanti. Como Houaiss, Celso Cunha também não se dedicou especificamente à pesquisa e à produção na área clássica, a competir com sua importante elaboração de obras no domínio da Língua Portuguesa. Olavo Nascentes, filho de nosso mestre e saudoso amigo Antenor Nascentes, excetuando a tradução da Gramática Latina do notável lingüista e filólogo chileno Rodolfo Oroz, também nada produziu relativo ao grego e ao latim. À semelhança de Houaiss e Celso, sua participação nessa área limitou-se ao magistério do latim.</P>
 <P>Não custa lembrar que, por essa fase inicial da FNF, e antes dela, na Universidade do Distrito Federal (UDF), brilhavam nela os nomes de Sousa da Silveira, José Oiticica e Antenor Nascentes, que, sem dúvida, constituiriam mais uma razão para que Houaiss, Celso e Olavo fizessem o Curso de Letras Neolatinas.</P>
 <P>Outra plausível explicação para a matrícula em Letras Clássicas se deve ao fato de se tratar de um curso de largo e profundo prestígio cultural dentro das universidades do mundo inteiro e por um aspecto especial de nele, àquela época inicial dos estudos superiores no Brasil, contar com uma plêiade de mestres europeus, de renome internacional, que vieram ao Brasil, convidados por Afrânio Peixoto em nome do nosso Governo, para lançar as raízes nessa área de estudos universitários: Jean Bourciez, Jacques Perret, Eugène Albertini, Georges Millardet.</P>
 <P>Por aí se vê o que de interessante comportam as indagações dessas pequenas facetas, dessa análise microscópica necessária e importante para se fixarem, com maior detalhe, os traços do retrato de corpo inteiro de um talento como Antônio Houaiss, e mesmo de boa parte da história cultural dos intelectuais e artistas do Brasil.</P>
 <P>Neste exercício de investigação microscópica das vertentes e fontes que impulsionaram Antônio Houaiss, ao largo de sua atividade como lingüista e filólogo - atividade desdobrada no labor lexicográfico, dicionarístico, enciclopédico, ecdótico e de crítica literária -, além, está claro, de seus dotes natos e inclinações pessoais, desejo agora trazer à luz e à consideração dos meus benévolos ouvintes a figura de José Oiticica que, dentre a trindade que reinava na fase inicial de nossos cursos superiores de letras, poderia ser o menos indicado para, à primeira vista, estabelecer tantos pontos de contacto com Houaiss. E, quiçá, não só pontos de contactos, mas evidentes afinidades, que não se devem reduzir, a meu ver, ao plano do ideal político, pois que, neste aspecto, por informação do irmão Maurício Houaiss, este ideal deriva da influência do Professor Pascoal Leme que "tinha "idéias" que logo o apaixonaram, acrescidas do influxo de um colega seu pouco mais velho, Reinaldo Machado, cujo pai, José Alves Machado, foi por longo tempo mestre de ambos em matéria de anarquismo"1.</P>
 <P>Sílvio Elia, na sua contribuição ao livro acima citado, levanta a ponta desta afinidade a que me refiro, mas, como não era propósito seu, ficou apenas no seguinte pormenor:</P>
 <P>"Foi nessa oportunidade que três amigos seus [de Houaiss], que também haviam participado e sido aprovados no referido concurso [para preencher vagas de Professor da antiga Prefeitura do Distrito Federal, em 1935], Rocha Lima, Matos Peixoto e o autor destas linhas, se reuniram para alugarem uma sala no centro da cidade, com o fito de atenderem a alunos particulares (...) Aí não só cumpríamos os nossos deveres profissionais, mas ainda nos reuníamos para trocar idéias sobre problemas do ensino, indagar das novas tendências da filosofia e da lingüística e, last but not least, perdermos em alguns dedos de amenidades e questões de momento. Foi então que se aproximou de nós um mestre que todos admirávamos e respeitávamos: José Oiticica. Veio trazer-nos a experiência do seu trabalho didático, de sua larga cultura, a vivência do seu amor ao estudo e aos estudantes. José Oiticica, numa época em que os estudos lingüísticos estavam engolfados nas águas do historicismo, volta-se, em bases mentalistas, para a investigação dos fatos da língua portuguesa, antecipando-se assim ao que viria a ser apanágio da lingüística moderna: a perspectiva sincrônica nos estudos da linguagem. Tome-se para exemplo o seu inovador Manual de Análise, infelizmente e injustamente esquecido em nossos cursos universitários.</P>
 <P>Para vaidade nossa, mestre Oiticica preparava nova edição desse seu livro e queria ouvir a voz crítica da nossa geração sobre o que fizera e o que seria passível de correção e aperfeiçoamento. Imagine-se o nosso desvanecimento por sermos assim contemplados por um dos mais autorizados catedráticos do tradicional baluarte da cultura humanística em nosso país, o Colégio Pedro II. Oiticica foi generoso conosco. Deixou estas palavras inscritas na "Advertência desta edição", que reproduzo da 5.ª ed. refundida:</P>
 <P>E apresso-me em consignar aqui meu profundo reconhecimento aos jovens professores Almir Câmara de Matos Peixoto, Antônio Houaiss, Sílvio Elia e Rocha Lima, por muitas preciosas sugestões, levando-me a emendas sérias, modificações de quadros e acuramento na disposição geral.2</P>
 <P>A citação é de caso pensado longa pela importância de dados biográficos que encerra e por me ensejar partir daí para levantar alguns véus da trama de influências e afinidades que se podem estabelecer entre o nosso Houaiss e José Oiticica, restringindo-me, como anunciara antes, ao campo das atividades lingüístico-filológicas de ambos.</P>
 <P>Da confluência de características inatas de Antônio Houaiss com a possível participação da presença de Oiticica, aponto em primeiro lugar, como traço comum a ambos, a preocupação da sistematização dos fatos estudados. Oiticica era um sistematizador por excelência; suas análises em geral confluíam para quadros sinóticos ou esquemas. Daí é o próprio mestre do Pedro II que estabelece, neste sentido, sua relação com outro sistematizador nesses estudos de linguagem que foi Maximino Maciel, catedrático de Língua Portuguesa do Colégio Militar, autor de uma Gramática Descritiva, muito em voga no ensino entre 1887 a 1930, mais ou menos, depois caída injustamente no esquecimento e hoje objeto de teses de pós-graduação em nossas universidades, pelo que apresentava de intuições transformadas em lições da lingüística moderna. Nos prefácios e em notas de rodapé, entre outras oportunidades, José Oiticica ressalta essa contribuição de Maximino. Na última palestra de uma série proferida em São Paulo, na Rádio Cruzeiro do Sul, na década de 40, refere-se à contribuição do gramático sergipano e a importância da sistematização do desenvolvimento dos programas escolares e de sua aplicação na experiência pedagógica desenvolvida no Colégio Latino-Americano de propriedade de Oiticica, entre 1905 e 1908.</P>
 <P>Foi a característica de sistematização na vida e na obra de Antônio Houaiss que me fez considerar atrás uma síntese feliz dessa atividade o título do depoimento de Vasco Mariz: "Um processo administrativo-ideológico".</P>
 <P>Vale recordar que, na referência aos jovens professores que colaboraram na revisão do Manual de Análise, Oiticica alude a "modificações de quadros" e ao "acuramento na disposição geral", duas facetas de uma qualidade central que se chama "sistematização".</P>
 <P>O segundo elo entre Oiticica e Houaiss está no interesse da descrição do sistema fonético do português, especialmente do português do Brasil. José Oiticica, depois de trabalhar para uma tese de concurso ao Colégio Pedro II acerca da língua de Camões, apresenta à Congregação, em 1916, a 1.ª série de seu Estudos de Fonologia que, incontestavelmente, abre novo caminho nesse domínio da descrição lingüística entre nós.</P>
 <P>Houaiss sempre cultivou a preocupação da descrição fonética, tanto ligado ao Oiticica quanto a Nascentes - outro notável cultor dos estudos fonéticos -, e o ponto mais alto dessa atividade está consubstanciado na exaustiva elaboração da Tentativa de Descrição do Sistema Vocálico do Português Culto na Área Dita Carioca, em 1959 e das Normas da pronúncia normal do Brasil, aprovadas pelo Primeiro Congresso Brasileiro de Língua Falada no Teatro, realizado em 1956, em Salvador (Bahia).</P>
 <P>Só um sistematizador empreende, como empreendeu Houaiss, o caminho para o dicionário, para a enciclopédia, para a crítica textual. Sem alusões pejorativas, tivemos, no campo da erudição dicionarística, quatro gigantes na seara: o Padre Augusto Magne, Antenor Nascentes, Aurélio Buarque de Holanda e Antônio Houaiss. O sonhador entre eles, o Padre Magne, deixou-nos inacabados excelentes dicionários no âmbito do português e do latim; os sistematizadores, e disciplinados, os demais, chegaram com sucesso ao fim de seus projetos lexicográficos.</P>
 <P>Também Oiticica empreendeu a elaboração de um Novo Dicionário Popular da Língua Portuguesa Prosódico e Ortográfico que, apesar dos seus 16 fascículos, ficou incompleto, por falta de recursos para prossegui-lo.</P>
 <P>O trato com a língua e seu léxico está presente em Oiticica e em Houaiss, o que leva os dois a defender a necessidade da riqueza vocabular. As seguintes palavras são do velho mestre do Colégio Pedro II, mas Houaiss poderia subscrevê-las com prazer e com assentimento:</P>
 <P>O primeiro mister do escritor é apreender o sistema vocabular de sua língua. Tal apreensão há de fazer-se em dois sentidos: extensão e profundidade. Ora, o vocabulário das línguas civilizadas cresce todo dia, rapidamente em extensão, quase inteira, no setor técnico, industrial principalmente. Novas cousas, novos produtos; novas máquinas, novos nomes.3</P>
 <P>Ou mais adiante:</P>
 <P>O estudo penetrante do vocabulário nos dois sentidos apontados capacita o escritor de exprimir tudo com a máxima propriedade. Potência vocabular e riqueza de dicção constituem os dois tesouros essenciais do escritor. Foi esse o alforje de um Camilo Castelo Branco, singular milagre literário.4</P>
 <P>Dos grandes mestres do idioma com quem Houaiss conviveu como aluno e discípulo - Oiticica, Sousa da Silveira e Antenor Nascentes - só o primeiro possuía esse desvanecimento pela riqueza vocabular, como também o praticava nos seus escritos, em prosa ou poesia. Oiticica debruçou-se nos escritores de léxico pujante, fichando seu arsenal vocabular, como, segundo suas declarações, fez de autores portugueses (Camilo e Aquilino Ribeiro) e brasileiros (Rui, Euclides e Coelho Neto). Defende este último de maneira veemente: «Houve quem acoimasse Coelho Neto de maníaco nesse ponto, glosando-se que inventava as histórias para empregar certos vocábulos. Não me parece real a coima. O que reconheço é serem seus vocábulos empregados com perfeita precisão».5</P>
 <P>Léxico extenso e profundo não se há de confundir com exuberância desenfreada, catadupa lexical que camba para a verborragia. Oiticica condena-o, ainda que venha sob a chancela de um bom autor:</P>
 <P>Finalmente, há também, o vocabulário destrambelhado, sem regra nem medida, felizmente raro ou ímpar. É o de Fialho de Almeida. Nem sua centelha inconfundível logrou salvá-lo.6</P>
 <P>Outra estreita afinidade entre essas duas inteligências - Houaiss e Oiticica ou Oiticica e Houaiss - é o respeito à língua padrão, à norma culta, apanágio da Cultura, que, longe de ser entendida como antiliberal e aprofundadora das diferenças sociais, é tida como um ponto ideal a ser atingido pela ação da escola e das diversas agências de cultura de que dispõe a sociedade. Ambos eram devotos da disciplina gramatical.</P>
 <P>Tal orientação coincide com a de um dos maiores teóricos da linguagem dos nossos dias. Eugenio Coseriu, em resumo de uma conferência no Liceu Literário Português, assim se manifesta:</P>
 <P>Na lingüística atual considera-se com freqüência só a língua falada 'primária' (espontânea ou 'usual') como 'natural' e 'livre', ao mesmo tempo que a língua exemplar (ou 'língua padrão') e a forma literária desta se consideram como 'artificiais' e 'impostas'. Por conseguinte, consideram-se também só a gramática descritiva 'objetivista' como realmente científica e a gramática normativa como expressão sem fundamento científico duma atitude antiliberal e dogmática. Trata de erros e confusões teóricas que procedem da concepção positivista vulgar da linguagem e da Lingüística. Na realidade e, portanto, na boa teoria, a língua literária representa o grau mais alto da dimensão deôntica (o 'dever ser') da língua; e a gramática normativa é a manifestação metalingüística explícita desta dimensão.7</P>
 <P>Sem compará-lo a Oiticica, Sílvio Elia, no seu estudo sobre Houaiss, chamou-nos a atenção para este aspecto do pensamento lingüístico-pedagógico-político do nosso homenageado.</P>
 <P>Como Oiticica, Houaiss não perfilhou a tese populista para quem, no dizer de Sílvio, "a língua errada do povo" era a forma autêntica da fala brasileira. Nisto, Oiticica enquanto anarquista, e Houaiss enquanto socialista, tocam numa e mesma tecla. Como bem resumiu Sílvio Elia, «Pode, por conseguinte, o homem, ser racional e livre que é, melhorar, aperfeiçoar o seu comportamento por um processo chamado "educação" (...) A escola, no que tange ao ensino da língua portuguesa, ministrará, portanto, ao aluno os conhecimentos necessários para o domínio satisfatório do padrão culto do idioma pátrio».8</P>
 <P>Neste particular, Oiticica, tão fiel à sua noção de ordem e de perfeição idiomática, não aceitou os "futuristas".</P>
 <P>Houaiss, mais jovem e mais bem aparelhado para receber as mudanças, soube melhor compreender o modernismo e futurismo, sem renegar - como fizera Oiticica - seu partidarismo de uma sociedade baseada na ordem, no belo, na estética.</P>
 <P>Também Houaiss se aproximava das atividades de Oiticica no que toca a uma permanente e intensa atuação como crítico literário, labor que não praticavam, com regularidade, Nascentes nem Sousa da Silveira. Curioso é que até neste domínio Houaiss se aproxima de Oiticica, pois que a crítica literária entre eles assinala o domínio de menor relevo e importância de suas atividades.</P>
 <P>Eis aqui uma pálida amostra do que se pode fazer de análise microscópica na obra lingüístico-filológica de Antônio Houaiss, nas suas aproximações com seus mestres e contemporâneos. A Houaiss se podem bem aplicar as palavras com que Oiticica se definia a si mesmo, no seu último livro de sonetos Fonte Perene (1954):</P>
 <P>sou da raça pagã dos Prometeus...</P>
 <P>guardo em mim as grandezas do indescrito,</P>
 <P>e a vontade divina de ser Deus.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-80998">
<P>
A cultura da democracia é universal</P>
<P>
Aung San Suu Kyi*</P>
<P>
Os problemas que existiram durante muitos anos até os primeiros governos democráticos se desenvolverem no Ocidente não são uma desculpa aceitável para os países da Ásia e de África arrastarem o início de reformas democráticas. A História mostra que os povos e as sociedades não precisam de passar por uma série fixa de fases ao longo do seu desenvolvimento.</P>
<P>
Os últimos a chegar deverão ser capazes de capitalizar as experiências dos pioneiros e evitar os erros e obstáculos que impediram o progresso inicial. A ideia de que «devagar se vai ao longe» é por vezes usada para dar a aparência de progresso. Mas no mundo em desenvolvimento, dar demasiada ênfase ao «devagar» pode ser a receita do desastre.</P>
<P>
Quanto mais totalitário for um sistema político, mais poder será concentrado nas mãos de uma elite que manda e mais cultura e desenvolvimento serão usados para interesses que servem muito poucos.</P>
<P>
Muitos governos autoritários querem surgir na primeira linha do progresso moderno, mas têm relutância em instituir mudanças genuínas. Esses governos tendem a dizer que são os únicos que estão a caminhar em direcção a um sistema político actualizado. Muitas vezes é em nome da integridade cultural e da estabilidade social, e da segurança nacional, que os governos autoritários resistem às reformas democráticas que têm os direitos humanos como base. Insinuam que os piores males das sociedades ocidentais são fruto da democracia, vista como a mãe da liberdade desenfreada e do individualismo egoísta.</P>
<P>
Dizem que os valores democráticos e os direitos humanos vão contra a cultura nacional. Que o povo ainda não está preparado para a democracia, e por isso é necessário esperar um tempo indefinido antes de as reformas democráticas serem instituídas.</P>
<P>
A primeira forma de ataque é muitas vezes baseada na premissa -- tão universalmente aceite que raramente é posta em causa -- de que os Estados Unidos são o exemplo supremo da cultura democrática. Tende-se a dizer sobretudo que os Estados Unidos são o mais importante representante da cultura democrática, mas os Estados Unidos representam também muitas outras culturas.</P>
<P>
Representam a cultura consumista do «quero tudo», a cultura de superpotência, a cultura de fronteira, e a cultura do imigrante. Há também a cultura dos «media», poderosos, que expõem, constantemente, a miríade de problemas da sociedade norte-americana.</P>
<P>
Muitos dos piores males da sociedade americana são cada vez mais comuns noutros países desenvolvidos. São, não um legado da democracia, mas um legado das exigências do materialismo moderno.</P>
<P>
O individualismo em massa e a moralidade cruel surgem quando as liberdades políticas e intelectuais são restringidas, por um lado, e há, por outro, uma forte competitividade económica movida pelo princípio de que o sucesso do material significa prestígio e progresso. O resultado disto é uma sociedade onde os valores culturais e humanos são postos de lado e os valores do dinheiro reinam.</P>
<P>
Não existe um sistema político ou social perfeito. Mas poderia uma nação tão poderosa e diversificada como os Estados Unidos ter evitado a desintegração se não tivesse sido sustentada pelas instituições democráticas, por sua vez garantidas por uma Constituição baseada na assunção de que a capacidade do homem para a razão e a justiça é que torna possível a existência de um governo livre?</P>
<P>
É precisamente por causa da diversidade cultural do mundo que é necessário, para diferentes nações e povos, chegar a acordo em relação aos valores básicos dos direitos humanos, que funcionaria como factor de unificação.</P>
<P>
Quando se diz que a democracia e os direitos humanos vão contra as culturas não-ocidentais, essa cultura é normalmente definida de uma forma estreita e apresentada como sendo monolítica.</P>
<P>
De facto, os valores que a democracia e os direitos humanos pretendem promover existem em vários países. Todos os seres humanos precisam de liberdade e de segurança para concretizarem os seus potenciais.</P>
<P>
O apoio a governos autoritários e ditatoriais também existe em várias culturas, tanto no ocidente como no oriente. O desejo de dominar e a tendência para adular o poder são traços comuns no homem, que nascem do desejo de segurança.</P>
<P>
Uma nação pode escolher um sistema que faz depender a protecção da liberdade e da segurança da sua população das vontades dos poucos que têm poder. Ou pode escolher instituições e práticas que dão aos indivíduos e às organizações poder suficiente para protegerem a sua própria liberdade e segurança. É esta escolha que decidirá até onde uma nação avançará em direcção à paz e ao desenvolvimento humano.</P>
<P>
* Líder da oposição na Birmânia, Nobel da Paz em 1991 e em prisão domiciliária em Rangum desde 1989</P>
<P>
Texto adaptado pelo «International Herald Tribune» de uma intervenção preparada por Aung San Suu Kyi para uma recente conferência da Unesco em Manila, apresentada, a pedido da autora, pela ex-Presidente das Filipinas, Corazon Aquino.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-36176">
<P>
Estudo revela carência no ensino básico</P>
<P>
A pobreza nas escolas de Lisboa</P>
<P>
Christiana Martins</P>
<P>
Há mais de 17 mil alunos em Lisboa que necessitam da acção social da Câmara Municipal para estudarem. Pobreza e assaltos compõem o cenário da realidade diária das crianças do primeiro ciclo do ensino básico na capital. Um número que cresce, depois de vencidas a vergonha e o desconhecimento da existência do auxílio.</P>
<P>
Em Lisboa há 21 estabelecimentos de ensino com cem por cento de alunos carenciados, de acordo com um estudo da Câmara Municipal realizado nas escolas de intervenção prioritária dos programas sócio-educativos. E das 117 escolas tuteladas pela Câmara, 69 têm mais de 50 por cento de alunos dependentes da acção social para poderem estudar, de acordo com dados relativos ao ano lectivo de 1995.</P>
<P>
No ano passado havia em Lisboa mais de 20 mil crianças entre os seis e os nove anos, das quais cerca de 18 mil inscreveram-se nas escolas oficiais. O próximo ano lectivo, já se sabe, terá cerca de menos mil alunos, e assim o número de crianças carenciadas também diminui. Há também os estabelecimentos do ensino particular: são 119 para cerca de nove mil alunos. Ou seja, para uma quantidade quase idêntica de escolas, as oficiais têm o dobro dos alunos do ensino particular.</P>
<P>
No pré-escolar a situação é diferente. Para os 31 jardins de infância da rede oficial, que atendem 1252 crianças, há mais de 95 particulares. Somando a estes os das instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e da Segurança Social, a taxa bruta de cobertura da população dos três aos cinco anos na capital é de apenas 66 por cento.</P>
<P>
No estudo da CML, a zona da Charneca-Lumiar -- classificada administrativamente como quinta delegação -- aparece como uma área particularmente afectada pelo fenómeno das escolas com cem por cento de alunos carenciados. Das suas oito escolas, apenas duas fogem à regra. No Lumiar há três escolas em que a totalidade das crianças precisam de acção social escolar, e duas na Charneca. Estes números revelam uma zona da cidade onde as disparidades sociais se manifestam claramente, e ao lado de habitações de classe média encontra-se uma população com graves problemas financeiros.</P>
<P>
A Baixa lisboeta também está fortemente marcada por escolas em que todos os alunos são carenciados. Freguesias como as do Castelo, Santa Justa ou a da Sé são exemplos desta situação.</P>
<P>
O quotidiano de pobreza surge acompanhado por problemas de segurança. No ano passado, foram assaltadas 31 escolas. Os motivos não diferem muito: normalmente o objectivo é roubar o equipamento audiovisual. O vandalismo, a marginalidade e a toxicodependência são frequentemente apontados como razões para a depredação das instalações escolares. E, mais uma vez, a quinta delegação aparece fortemente afectada. Em muitos casos, repetem-se os nomes. Os estabelecimentos onde todos os alunos são carenciados são os que aparecem vitimados pelos assaltos.</P>
<P>
A acção social fornecida pela Câmara de Lisboa cobre as despesas do suplemento alimentar, os manuais escolares e o chamado material de desgaste (lápis, canetas, borrachas). As verbas despendidas no ano passado com esta rubrica totalizaram perto de 171 mil contos apenas para o suplemento alimentar; o orçamento deste ano ainda não foi aprovado, mas há indicações de que este montante diminua.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80021">
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
José Benedito de Souza, 33, apontado como o autor dos disparos que matou o sindicalista e presidente do Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABCD, Oswaldo Cruz Júnior, era cobrador da empresa de transportes Viação Alpina, de Santo André, até março do ano passado, quando passou a ocupar a suplência do conselho fiscal da diretoria do sindicato dos condutores do ABCD. Souza foi afastado da empresa para assumir o cargo na entidade.</P>
<P>
Segundo o motorista da EPT (Empresa Pública de Transportes), de Santo André, e militante do sindicato Carlos Roberto Pinto, Souza é casado com a sobrinha de Cícero Bezerra da Silva, secretário-geral do sindicato dos condutores e opositor de Oswaldo Cruz Júnior. Pinto não soube informar o nome da mulher de Souza.</P>
<P>
"Zezé era um jagunço que andava armado dentro do sindicato e não fazia nada lá", disse o motorista Carlos Roberto Pinto.</P>
<P>
Natural de Bodocó, no Estado de Pernambuco, Souza tem passagem registrada na polícia por porte ilegal de arma em 1991. Além da fama de violento, Souza também costumava se embriagar, disseram seus conhecidos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-82006">
<P>
Sindicalistas ligados a Oswaldo Cruz Júnior dizem que opositor não vai assumir; viúva duvida de crime político</P>
<P>
Da Folha ABCD e da Reportagem Local</P>
<P>
O enterro do presidente do Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABC, Oswaldo Cruz Júnior, acirrou a disputa pelo controle da entidade. Sindicalistas ligados ao grupo de Cruz afirmaram ontem que o secretário-geral da entidade, Cícero Bezerra da Silva, que liderava o grupo de oposição, não vai assumir a presidência da entidade.</P>
<P>
Durante o enterro, os sindicalistas defenderam a posse do irmão de Cruz, Clodovil Aparecido de Carvalho, que é secretário de Relações Sindicais do Sindicato. Carvalho disse que vai assumir a presidência da entidade na segunda-feira. Ele usou o carro de som que carregava o corpo de Cruz para pedir apoio aos motoristas e cobradores que acompanhavam o enterro.</P>
<P>
"Precisamos de vocês para continuar administrando essa entidade", afirmou Clodovil. Outros sindicalistas também pediram apoio contra o grupo liderado por Bezerra da Silva. Cruz foi enterrado na tarde de ontem, no cemitério da Colina, em São Bernardo.</P>
<P>
Há uma disputa judicial em torno da sucessão de Cruz Júnior. A vigência de dois estatutos diferentes está sendo discutida judicialmente. Um prevê a posse de Bezerra da Silva e, outro, de Clodovil. Bezerra da Silva disse ontem assumirá o cargo na segunda-feira com o auxílio da PM.</P>
<P>
Denúncias</P>
<P>
Clodovil e outros irmãos de Cruz sustentam a tese de que o assassinato foi provocado pelas denúncias de utilização do sindicato para financiar campanhas eleitorais de candidatos do PT, PSDB e PTB. A viúva de Cruz, Valéria Cristina Cruz, acredita que o assassinato foi causado por disputas internas no sindicato. "Era uma divergência política que degenerou numa briga pessoal".</P>
<P>
A tese dos irmãos de Cruz é defendida pelo presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros. "Foi queima de arquivo", disse durante o velório. Segundo ele, a CUT e o PT teriam interesse na morte do sindicalista. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Vicente Paulo da Silva –o Vicentinho–, Medeiros está explorando politicamente uma "tragédia".</P>
<P>
Vicentinho disse que o PT e a CUT querem uma apuração rigorosa do crime. Medeiros estave no velório durante a manhã e Paulo da Silva acompanhou o enterro. O presidente da CGT, Canindé Pegado, também estave no velório.</P>
<P>
O enterro de Cruz foi acompanhado por uma carreata de protesto que congestionou as principais ruas dos centros de Santo André e São Bernardo. Acompanharam o enterro o presidente do Sindicato dos Motoristas de São Paulo, Edvaldo Santiago, o tesoureiro da CUT nacional, Kjeld Jakobsen, o deputado estadual Arlindo Chinaglia (PT), o vereador Astrogildo de Souza (PMDB), de Santo André, o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABCD, Carlos Alberto Grana, e o ex-líder sindical e ex-vereador de Santo André, Miguel Rupp, que era amigo pessoal de Cruz.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93745">
<P>
Festival de música da Baía das Gatas</P>
<P>
Elba Ramalho será a maior atracção internacional do festival de música da Baía das Gatas, que neste fim-de-semana se realiza no Mindelo e que se espera reúna 40 mil espectadores na praia do mesmo nome. Este é o décimo ano de realização de um festival inspirado a alguns jovens da ilha de São Vicente, uma ilha de Cabo Verde com apenas 50 mil habitantes, pela projecção de um filme sobre Woodstock. Em 1985 organizaram uma primeira «tocatina» de mornas e coladeras nessa baía delimitada por uma barreira de corais a 12 quilómetros de Mindelo e que recebe o seu nome de uma espécie inofensiva de tubarões que abunda nas suas águas. Do país actuam os conjuntos musicais Os Tubarões, Pentágono e Granada. Tabanka de Jazz, da Guiné-Bissau, Solo Jazz Owunt, grupo «reggae» de França, e outros completam o programa. Os Heróis do Mar, em 1987, e Sérgio Godinho, Rui veloso e Vitorino nos anos seguintes estiveram já presentes neste festival.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-29590">
<P>
Dirigente da oposição liberal branca sul-africana em entrevista ao PÚBLICO</P>
<P>
«Choca-me que indianos e mestiços prefiram o Partido Nacional»</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Jorge Heitor, na Cidade do Cabo</P>
<P>
O homem que esta semana chefiava a oposição a De Klerk, quando o Parlamento sul-africano que excluía os negros se reuniu pela última vez, disse ontem ao PÚBLICO estar chocado por, aparentemente, os mestiços e indianos preferirem votar no Partido Nacional. Por outro lado, não crê que vá haver muita violência nos tempos mais próximos e mostra-se tranquilo quanto ao futuro da África do Sul, onde, destaca, há muitos empresários portugueses a fazer carreira.</P>
<P>
Zach de Beer, um afrikaner de 65 anos que toda a sua vida tem sido um liberal e que, desde 1989, dirige o Partido Democrático, recebeu o PÚBLICO no edifício do Parlamento, na Cidade do Cabo, onde desempenhava ultimamente as funções de chefe da oposição branca, indiana e mestiça ao Governo de Frederik de Klerk, depois de esse papel ter fugido ao Partido Conservador, por deserção de alguns dos seus deputados para a Frente da Liberdade, do general Viljoen.</P>
<P>
De Beer, embora obviamente cansado por uma carreira política de mais de quatro décadas, no fim da qual vê outros colherem os louros da sua luta por uma sociedade mais justa e sem discriminação, confia no futuro, faz os maiores elogios a De Klerk e Mandela e não vê razão para que muitos portugueses ou outros brancos pensem agora em deixar a África do Sul.</P>
<P>
PÚBLICO -- Houve muita confusão nestas eleições.</P>
<P>
ZACH DE BEER -- O trabalho administrativo não foi muito bem feito. Não tínhamos cadernos eleitorais, porque demorariam anos a elaborar e, assim, não sabíamos ao certo quantas pessoas iriam aparecer em cada assembleia.</P>
<P>
P. -- A participação é, aparentemente, bastante elevada.</P>
<P>
R. -- Como não há cadernos eleitorais, não se pode dar uma percentagem certa dos participantes nestas primeiras eleições multirraciais sul-africanas, mas estou em crer que os que vão às urnas são perto de 80 por cento dos que teoricamente poderiam votar.</P>
<P>
P. -- Tem já alguma ideia dos resultados prováveis?</P>
<P>
R. -- Não posso ter ideias muito precisas a esse respeito, para além de toda a gente saber que o ANC deve ser o vencedor. Creio que não chegará aos dois terços, ficando em segundo lugar o Partido Nacional, com 20 a 25 por cento.</P>
<P>
P. -- E para o Partido Democrático?</P>
<P>
R. -- Se conseguisse alcançar entre sete e dez por cento, já ficaria razoavelmente satisfeito, mas as sondagens deram-nos menos do que isso.</P>
<P>
P. -- Dizem que o seu partido é um pouco antiquado e que não conseguiu chegar aos negros.</P>
<P>
R. -- Nunca pensámos em conquistar o eleitorado negro; quando muito, que conseguiríamos três ou quatro por cento desse eleitorado, o que já era bastante. Sempre soubemos que os negros iriam na sua grande maioria votar no ANC, como movimento de libertação. O que me choca muito é que, aparentemente, a maioria dos mestiços e dos indianos prefira agora o Partido Nacional, que tanto os discriminou.</P>
<P>
A tragédia de Buthelezi</P>
<P>
P. -- Quanto ao Inkatha?</P>
<P>
R. -- Não vai ficar muito bem colocado. Aceitou demasiado tarde participar nas eleições. A vida de Buthelezi é uma tragédia. Trata-se de uma boa pessoa, da minha geração, e conheço-o há 30 anos. Cristão e liberal, defrontou-se no fim dos anos 50 com o dilema de trabalhar ou não com o sistema. Foi contra o «apartheid» e contra os bantustões, não aceitou a independência do Kwazulu. Mas o ANC tratou-o mal e mais tarde foi o Governo que o abandonou, de modo que se tornou muito azedo, muito ressentido. Lamento-o muito, pois o resultado do seu ressentimento pode ser um perigo para o país. Ninguém tem nada a ganhar com isso. O perigo do radicalismo zulu é muito maior que o da extrema-direita branca.</P>
<P>
P. -- Receia que haja muita violência depois destas eleições?</P>
<P>
R. -- Não creio que haja agora grande violência política. O que continuaremos é a assistir a uma série de «vendettas» por motivos mais pessoais do que ideológicos. Mata-se um elemento de uma família, porque alguém daquela família insultou um membro da nossa, e assim por diante. Mas espero que abrande o nível geral da violência no Kwazulu-Natal, tal como não acredito que se vá prolongar agora a violência da extrema-direita. Já se malogrou o seu objectivo de impedir as eleições ou afastar o eleitorado das urnas. Há 31 pessoas detidas por causa das bombas e não me parece que isso vá continuar.</P>
<P>
Entrar ou não entrar</P>
<P>
P. -- O Partido Democrático vai para o Governo de unidade nacional, se conseguir alcançar pelo menos cinco por cento dos votos?</P>
<P>
R. --ÊDepende da liberdade que tivermos para criticar as decisões do Governo. Se enveredarem pela doutrina da responsabilidade conjunta do gabinete, não aceitamos. Quanto às assembleias regionais, a posição vai depender dos resultados, mas parece que aqui, no Cabo Ocidental, teremos a balança do poder entre o ANC e o Partido Nacional. Tudo depende do lado para que nos inclinarmos. Mas em caso algum iremos formar aliança permanente com ninguém. Uma vezes estaremos com uns e outras vezes com outros, conforme as circunstâncias. Não haverá fusão do Partido Democrático com nenhuma outra força.</P>
<P>
P. -- O seu partido está mais próximo do ANC ou do Partido Nacional?</P>
<P>
R. -- Depende das circunstâncias. No campo económico, estamos mais próximo dos «nacionais», por exemplo, e na política dos direitos humanos mais próximos do ANC.</P>
<P>
P. -- Que espera do novo Governo?</P>
<P>
R. -- Se a violência realmente abrandar, teremos um influxo de capital estrangeiro e será possível melhorar os padrões de vida. Havendo investimento, cria-se postos de trabalho. Mas, se o Governo for gastar muito dinheiro em casas e outras obras sociais, então teremos uma inflação elevada. Com um governo que saiba restringir as despesas, aumenta a prosperidade.</P>
<P>
Economia</P>
<P>
P. -- Crê que se manterá o actual ministro das Finanças?</P>
<P>
R. -- Derek Keys é muito mais um técnico do que um político. Seria muito generoso da parte de Mandela mantê-lo no lugar que actualmente desempenha, pois que o ANC até nem tem ninguém realmente preparado para o lugar. Trevor Manuel não está em condições de arcar com tal responsabilidade.</P>
<P>
P. -- E o dr. Zach de Beer, que pasta poderia ter, se o Partido Democrático entrasse no Governo? A Indústria?</P>
<P>
R. -- Não me oferecem nada como isso. Quando muito, o Turismo, as Águas ou o Meio Ambiente...</P>
<P>
P. -- Tem ido muito dinheiro para fora do país?</P>
<P>
R. -- Sim, tem ido, se bem que eu não disponha de números sobre isso. Está a ser mau para a balança de pagamentos.</P>
<P>
P. -- Crê que a situação vai ser má para as companhias de grande envergadura, designadamente para multinacionais como a Anglo-American ou a De Beers.</P>
<P>
R. -- Julgo que se poderão aguentar muito bem. Tenho a experiência, dos tempos em que trabalhei na Zâmbia como administrador da Anglo-American, que uma coisa é a retórica utilizada e outra o que na realidade se passa. E aqui até nem se deverá avançar muito no campo das nacionalizações.</P>
<P>
P. -- Está hoje mais optimista, ou não, do que há uns anos, quanto ao futuro da África do Sul?</P>
<P>
R. -- Estou muito mais, pois que com o «apartheid» não havia futuro possível. Claro que a transição é extremamente difícil, mas estamos a avançar.</P>
<P>
P. -- A extrema-direita está particularmente preocupada com a presença comunista nas listas do ANC?</P>
<P>
R. -- Detesto o comunismo. Porém, neste momento, não creio que os comunistas controlem o ANC.</P>
<P>
Sociedade civil forte</P>
<P>
P. -- Não vão ter nenhum regime que se assemelhe aos que foram criados em Angola e Moçambique após a descolonização?</P>
<P>
R. -- Nada do género. Aqui, a sociedade civil é muito mais forte. Temos infra-estruturas financeiras, companhias de seguros, um mundo empresarial em pleno funcionamento, estradas, caminhos de ferro, Ordem dos Advogados, Ordem dos Médico e uma série de outras associações profissionais. Estamos muito mais perto do Primeiro Mundo do que o resto de África. Temos mais de cinco milhões de brancos.</P>
<P>
P. -- Em Portugal receia-se um grande afluxo de retornados.</P>
<P>
R. -- Não há grande motivo para que uma parte significativa da comunidade branca tenha de deixar a África do Sul. Temos aqui jovens empresários portugueses a fazerem uma boa carreira. Há razões para acreditar que as coisas corram razoavelmente bem.</P>
<P>
P. -- O que pensa do presidente De Klerk?</P>
<P>
R. -- Fez uma coisa muito boa, provavelmente a mais importante da África do Sul: acabar com o «apartheid». Mas é uma pessoa de truques, que não tem querido desmascarar muitos militares e polícias implicados em acções sujas.</P>
<P>
P. -- E de Mandela?</P>
<P>
R. -- Um homem maravilhoso, com muito carisma. Muito bom político, em óptima forma para a sua idade; chega a telefonar-me quando ainda estou a dormir. Mas tem poucos conhecimentos de Economia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-10987">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
McLaren e Benetton fecharam o ano de 93 com suas vagas de segundo piloto abertas, apesar das promessas de Ron Dennis e Flavio Briatore de que os anúncios seriam feitos antes do Réveillon. O motivo da demora, para a McLaren, é a relutância de Alain Prost em adiar a aposentadoria anunciada em setembro do ano passado. No caso da Benetton, Briatore espera apenas que subam os lances do leilão aberto pelo segundo cockpit de seu time.</P>
<P>
A estratégia da McLaren deve ser a mesma utilizada em 93. Inscreve qualquer um como segundo piloto e mantém aberta a possibilidade de Prost correr ate as vésperas da abertura do campeonato, dia 27 de março, em Interlagos. Alain já deu sinais de que pode voltar atrás na decisão de parar, mas só vai colocar de novo o pescoço a prêmio depois de um teste com o novo carro, equipado com motor Peugeot. Se o francês sentir algum potencial na máquina –para, no mínimo, derrotar Ayrton Senna em alguns GPs–, volta a dirigir. Se não, o companheiro de Mika Hakkinen, já confirmado como primeiro piloto, deve ser Mark Blundell.</P>
<P>
A disputa pelo lugar na Benetton é financeira. Michele Alboreto tem US$ 6 milhões para oferecer. É um bom dinheiro, contra o qual luta o finlandês J.J. Lehto, apadrinhado de Keke Rosberg. Se perder o lugar para o italiano, J.J. é forte candidato a parceiro de Rubens Barrichello na Jordan.</P>
<P>
Alboreto, 37, que nunca tinha guiado um carro com câmbio semi-automático em sua vida, ficou encantado com o B193B, o mesmo Benetton do ano passado sem suspensão ativa e controle de tração. "Depois de testar esse carro, decidi que se não ficar na Benetton deixo a Fórmula 1", disse. "Não vejo mais sentido, com a minha idade, em correr por uma equipe pouco competitiva como fiz na Scuderia Italia."</P>
<P>
Ao lado de Lehto e do espanhol Jordi Gene, Alboreto participou da última sessão de testes coletivos de 93, em Barcelona, de 13 a 17 de dezembro. Foi o 9.º mais rápido entre 16 pilotos, marcando 1min19s750 na melhor das 214 voltas que completou. J.J. foi o 4.º, com 1min18s650, e Gene –que só fez o teste porque é catalão– ficou em 13.º. O mais rápido de todos foi Mika Hakkinen, com 1min18s290, ainda com McLaren-Ford, seguido por Gerhard Berger (Ferrari) e Damon Hill (Williams). (FG)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-9745">
<P>
Atual presidente teve 61,34% dos votos; 74,94%; do eleitorado compareceu, segundo o governo</P>
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
O general Liamine Zéroual foi proclamado oficialmente vencedor das eleições presidenciais da Argélia. Segundo um comunicado do Ministério do Interior, o atual presidente obteve 61,34% dos votos.</P>
<P>
O comparecimento às urnas, segundo o governo, foi de 74,92%. O partido de oposição FIS (Frente Islâmica de Salvação), que está na ilegalidade, disse em um comunicado emitido em Paris que menos de 37% do eleitorado votou.</P>
<P>
A eleição foi realizada sob um forte esquema de segurança. A FIS pediu um boicote à votação, e extremistas islâmicos ameaçaram matar eleitores.</P>
<P>
Cerca de 200 mil policiais e soldados do Exército garantiram que a eleição no país transcorresse sem incidentes.</P>
<P>
Policiais uniformizados e à paisana e milhares de civis comemoraram a vitória de Zéroual com salvas de tiros e caravanas nas ruas da capital, Argel.</P>
<P>
A TV estatal colocou no ar durante o dia imagens semelhantes em diversas partes do país.</P>
<P>
Uma mulher que celebrava a vitória disse que ela e colegas de trabalho saíram às ruas por solicitação de seu superior. "Como posso comemorar? Meu filho de 26 anos foi morto no ano passado e deixou dois filhos pequenos. Eu tenho que fingir. Você entende, não?"</P>
<P>
Um homem disse que as eleições parecem ter rompido uma tradição no mundo árabe.</P>
<P>
"Apesar de tudo, é a primeira vez que em um país árabe que há quatro candidatos e o vencedor obtém uma porcentagem que é bem inferior a 99%", disse ele.</P>
<P>
O candidato do partido islâmico Hamas, Mahfoud Nahnah, segundo colocado (veja quadro abaixo) contestou o resultado da eleição.</P>
<P>
"Nós dormiremos bem, enquanto aqueles que trabalharam para fraudar e adulterar terão sua punição", disse em um encontro com simpatizantes.</P>
<P>
Apesar do protesto, ele pediu que seus partidários permaneçam calmos e mantenham o compromisso com a paz.</P>
<P>
O governo espera que o resultado e o alto índice de comparecimento às urnas dê legitimidade a Zéroual no confronto contra grupos radicais islâmicos. Ele foi conduzido ao poder pelos militares.</P>
<P>
"As eleições foram uma vitória da soberania do povo e da verdadeira democracia em nosso país e uma lição aos seus inimigos dentro e fora da Argélia", afirmou o presidente Zéroual.</P>
<P>
Desde a anulação, em janeiro de 1992, da eleição parlamentar supostamente vencida pela FIS, 50 mil pessoas morreram assassinadas e em atentados a bomba atribuídos a radicais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-90292">
<P>
O sobrevivente do mar</P>
<P>
Durante a noite, o filho mais novo de Maria do Alívio, homem feito, mãos calejadas pela faina no mar, não consegue dormir. «Fecho os olhos e vejo aquele turbilhão todo e tudo a balouçar. Só lá para as 9h00 é que me vem o sono», diz Joaquim Leite Cruz, de 30 anos de idade, um dos sobreviventes do navio pesqueiro Bouleman III, naufragado na madrugada da passada terça-feira, na barra do Tejo, com vinte homens a bordo e porões a abarrotar de peixe apanhado nas costas marroquinas.</P>
<P>
Mas o pesadelo deste pescador poveiro, com cédula de pescador passada há 16 anos, náufrago pela quarta vez em dois anos, não é irreal. Pelo contrário, é uma recordação avassaladora e amarga de momentos em que a morte o acossou. Durante longas horas, na madrugada de segunda-feira, esteve agarrado com quantas forças tinha, fustigado por ondas alterosas, aos ferros da ponte da embarcação em que havia trabalhado vinte dias, à vista do porto de onde havia zarpado em vésperas de Natal. «Antes de sermos atirados para o mar, ficámos todos lá em baixo, no rancho do barco, a sentir o perigo crescer. Uns rezavam, outros chamavam pelo pai ou pela mãe. O mestre começou aos gritos, a dizer que já não tinha embraiagem». A escassa meia hora de navegação da Docapesca, o Bouleman III havia lançado ferro, imobilizado com uma avaria nas máquinas, em plena zona de rebentação. A ordem mais temida veio depois, quando o mestre gritou para todos vestirem os coletes salva-vidas. A tripulação já havia saltado para o convés, ancorado o barco, ouvido os insistentes apelos de socorro lançados pela rádio e visto, com desespero, o rebocador afastar-se e desistir do salvamento. Entregues a si próprios, em plena tempestade, vinte homens enfrentavam as investidas indómitas do mar. «Estava tudo aos gritos, a tentar virar a balsa na água, quando uma vaga enorme nos varreu do convés. Nunca mais os vi. A minha sorte foi mergulhar, que ela levava-me. Depois nadei para o barco e ainda consegui agarrar o contramestre». Sete homens ficaram mais de duas horas agarrados ao barco, varrido pelas ondas, quando o helicóptero os foi resgatar. Joaquim Cruz foi um deles.</P>
<P>
Mas estes não foram os únicos momentos em que o mar, o ganha-pão deste homem calmo e determinado, esteve prestes a ser o seu algoz. Por quatro vezes ali ia deixando a vida. Em outros tantos naufrágios. O primeiro foi há cerca de dois anos, quando navegava ao sul de Agadir no Tantan, um navio pesqueiro semelhante ao .Bouleman. «Nessa madrugada, eu ainda estava acordado, na cozinha, a fritar uns ovos, quando fomos contra o cabo Dacla. O barco abriu logo. Mas conseguimos retirar o bote e o motor pequeno para rebocar a balsa para terra».</P>
<P>
No Tantan seguiam 13 homens do Norte e cinco marroquinos, entre os quais um sargento e um cabo, porque a empresa proprietária era luso-marroquina. «Foi sorte no mar e azar em terra», lembra o pescador da Póvoa, «pois durante 25 dias andámos sempre com a mesma roupa, toda salgada. Não tínhamos água, nem sequer papel higiénico, e a comida era uma peste».</P>
<P>
Poucos meses depois, o pescador voltava a naufragar. Uma vaga virou a embarcação de madeira Deus Verdadeiro, com oito tripulantes a bordo, quando navegava a quatro horas a sul de Leixões. «Dessa vez não foi nada. Vieram logo outros barcos para nos recolher». Ao outro naufrágio que teve tempos depois Joaquim Cruz também não atribui significado especial. Andava na faina da amêijoa com três outros companheiros quando a água começou a entrar pelo casco de madeira do Vicente José e inundou a casa das máquinas. «Este até nem conta, porque veio outro barco que também andava na amêijoa e fomos lá para dentro».</P>
<P>
Joaquim Cruz nasceu em Leça da Palmeira, começou a pescar na Póvoa com o pai, «que tinha um barco que andava à sardinha». Aos 14 anos, tornou-se independente e foi trabalhar no Vagabundo, uma embarcação de pesca artesanal com cinco tripulantes. Depois nunca mais parou: andou embarcado por Espanha, Açores, Serra Leoa e fez campanhas de sete meses na safra do bacalhau, pela Gronelândia. Entretanto, nasceram-lhe três filhos, que agora vivem com a mãe. A Susana tem agora nove anos, o Rogério sete e a Maximina cinco anos de idade. Era a eles que queria ver quando chegou são e salvo a terra no helicóptero, e não ao batalhão de jornalistas que o assediaram. «Nem conseguia ouvir o que eles perguntavam. Nos ouvidos só tinha o barulho do helicóptero e do mar».</P>
<P>
Dois dias depois do seu último naufrágio, o mais novo dos sete filhos de Maria do Alívio -- uma viúva com 18 netos e um bisneto -- sente ainda as marcas de recordações aterradoras. «Mas agora», confessa, «já ando melhor, por causa das pessoas. Elas vêm ter comigo, para saber de mim». Os amigos de café, das breves escalas de três ou quatro dias em terra, procuram-no. Para o ouvir, para o ver. A mãe, preocupada com a sorte de dois outros filhos, por notícias de naufrágios na Galiza, dedica-lhe especiais atenções. Na rua, até desconhecidos se abeiram para o saudar. A vida nestes dias ganhou novos contornos. Parece mais leve e colorida. Mas as imagens dantescas dos companheiros tragados para sempre pelo oceano encrespado persistem e emergem durante a noite.</P>
<P>
Aos poucos, Joaquim Cruz vai diluindo as recordações mais cruéis: a embarcação a ser desmantelada pelo fragor das vagas, o rugido do temporal e, sobretudo, a memória dos companheiros arrastados pelo mar em fúria.</P>
<P>
«Não quero pensar mais nisso», repete. Sabe que tem uma profissão e poucas alternativas para recomeçar outra qualquer. E acaba por dar razão aos amigos, quando o esgar se transforma num encolher de ombros. Num abandono distante, reflecte sobre os perigos e as dificuldades que a vida ainda lhe reserva e desabafa: «Não vale a pena preocuparmo-nos».</P>
<P>
António Lage</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-95891">
<P>
O Estado social e a violência privada</P>
<P>
Ivan Nunes</P>
<P>
O que é que o ataque «skin» na noite do Bairro Alto tem que ver com as milícias antidroga em Serém de Cima? Pelo menos uma coisa: num caso e noutro, o Estado desapareceu. Durante duas horas no coração de Lisboa e durante cinco noites consecutivas naquela aldeia de Águeda, a lei foi ditada por bandos de cidadãos armados. Os indivíduos, que deviam ser protegidos pela lei, viram-se de repente no meio da selva. E um deles, Alcindo Monteiro, saiu de lá sem vida.</P>
<P>
Há uma lengalenga muito conhecida segundo a qual estas formas de violência estão associadas às más condições de vida das populações. Por razões bastante obscuras, esta lengalenga é conotada com a esquerda -- talvez pela simples razão de se referir às «más condições de vida». Mas a convicção que lhe está subjacente é profundamente de direita: a ideia de que os pobres são tendencialmente mais criminosos que os ricos.</P>
<P>
Tirando os roubos motivados por estado de necessidade, esta ideia não tem qualquer fundamento. A violência não tem nada que ver com a pobreza. A violência tem que ver com outra coisa: com o desrespeito pela dignidade do outro. E esse desrespeito aparece quando as formas básicas de solidariedade social são postas em causa. A violência que aparece hoje, em Portugal, tanto é dos que vivem bem contra os que vivem mal -- o povo de Serém contra os drogados, os ciganos e os jovens --, como dos que vivem mal contra os que vivem bem -- jovens das periferias adoptando a violência como estilo de vida. O problema é o aparecimento de novas fracturas sociais que esfrangalham o sentimento de pertença colectiva.</P>
<P>
A violência assenta na ausência do Estado. Quer dizer: ausência de polícia, de controlo, de fronteira? Não, muito mais grave do que isso. O «slogan» «mais polícia» é duas vezes estúpido: é estúpido porque o que se trata, muitas vezes, não é de mais, mas de melhor polícia; e é estúpido porque é ilimitado. Quanta polícia é mais polícia? Sempre mais. A fabulosa solução da direita, afinal, não é solução nenhuma.</P>
<P>
O problema é o do desaparecimento das fontes de legitimidade do Estado. O Estado moderno assentou sempre na força, sem dúvida; mas também no consentimento. O Estado tinha autoridade, não apenas porque metia medo, mas sobretudo por ser capaz de engendrar nas pessoas sentimentos de pertença colectiva. Por isso, aliás, é que os Estados tiveram que criar a sua forma de ideologia específica, o nacionalismo.</P>
<P>
Hoje, a autoridade do Estado esvai-se porque o princípio de solidariedade social que a tem sustentado, nos países avançados dos últimos 50 anos, desaparece. O que desaparece é o Estado-providência: uma ideia tão simples como a de que todos têm, através do pleno emprego, a sua oportunidade na ordem social, ou a de que aqueles que não podem trabalhar (por desemprego, por doença, ou por velhice) têm as suas condições de vida asseguradas.</P>
<P>
Num período histórico em que 20 por cento (para mais) da população está no desemprego e é conduzida para serviços públicos (escolas, hospitais, transportes) cada vez mais degradados, a solidariedade social desaparece. Não são só os que estão marginalizados que sentem o subsídio de desemprego como uma esmola hipócrita e se revoltam; são os 80 por cento que, a viver cada vez melhor, não percebem por que razão hão-de continuar a sustentar marginais que nunca serão ninguém na vida. Esses, os que já têm tudo privado -- das escolas, aos hospitais e aos transportes --, só lhes falta privatizar a polícia.</P>
<P>
Pois bem: não se queixem se o povo, na sua imensa sabedoria, não faz diferente.</P>
<P>
Nestas condições, caminhamos para autênticas formas de guerra civil. Os defensores da ideologia securitária preparam-se para ela. Uma sociedade fracturada é uma sociedade de intolerância e o caldo de cultura de todos os fundamentalismos. A cor da pele é um pretexto como outro qualquer: toda a diferença será segregada.</P>
<P>
Mas para os que não querem viver nesse mundo, vai ser preciso reinventar um princípio de solidariedade social e de legitimidade do Estado. Para o Bairro Alto não ser como é, não é precisa uma nova esquadra -- mas uma nova forma de Estado-providência. Numa era de desemprego estrutural, a reinvenção do Estado-providência já não poderá assentar em mais crescimento económico e mais impostos, mas tem que abandonar a centralidade do trabalho e ser pós-produtivista.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59262">
<P>
Allister Sparks*, em Joanesburgo</P>
<P>
Um acto fundador</P>
<P>
As eleições gerais na África do Sul representam para o racismo aquilo que a queda do Muro de Berlim representou para o comunismo. Assinalam o fim da última oligarquia racial no mundo.</P>
<P>
Em termos históricos, pode-se mesmo dizer que encerram uma era que começou quando o navegador português, Bartolomeu Dias, levou nervosamente a sua pequena caravela a navegar para lá do Equador, há 500 anos, para atingir o Cabo da Boa Esperança. Abria assim ao mundo ocidental o caminho marítimo para o Oriente e, com isso, a época do colonialismo, com todos os seus conceitos de supremacia do homem branco.</P>
<P>
A época colonial terminou, na esmagadora maioria dos casos, depois da II Guerra Mundial, quando os excessos do nazismo provocaram uma onda de reacções contra as noções de superioridade rácica e as potências imperiais começaram uma rápida retirada das suas colónias, enquanto nos Estados Unidos o Supremo Tribunal se pronunciava contra a segregação, considerando-a inconstitucional.</P>
<P>
Perversamente, a África do Sul escolheu exactamente esse momento para tomar a direcção oposta. O Governo nacionalista afrikaner, que chegou ao poder em 1948, respondeu à emancipação à escala mundial dos povos indígenas com a ideologia do «apartheid», mergulhando o país numa forma ainda mais extrema de dominação racial.</P>
<P>
Isso fez da África do Sul um pária. Para as pessoas de cor em todo o Mundo, o «apartheid» era um insulto intolerável que encerrava em si todas as velhas queixas, enquanto, para os brancos ocidentais, se tornava uma questão moral que oferecia o alvo conveniente para o seu próprio e deslocado sentimento de culpa.</P>
<P>
Tudo isso acabou agora. A velha bandeira da África do Sul foi arriada e uma nova hasteada. A velha Constituição do «apartheid» acabou e uma nova toma o seu lugar, sublinhando a igualdade de todos os sul-africanos. O velho país e a velha era de desigualdade racial, que ele conseguiu fazer sobreviver por um período extra de meio século, morrerá e um novo nascerá em seu lugar. E as pessoas de todas as cores, em todo o Mundo, sentir-se-ão livres de um estigma intolerável.</P>
<P>
Trata-se de um grande momento, de um marco na História do Mundo, mas, curiosamente, na própria África do Sul há pouca percepção de que assim seja. Isso deve-se, em parte, a um certo sentimento de irrealidade, como se ninguém conseguisse acreditar que as coisas se estão a passar de verdade.</P>
<P>
Mas também provém de uma espécie de paragem no tempo. Os brancos estão ansiosos: não sabem o que esperar e a velocidade e âmbito da mudança são assustadoras para muitos. Os negros, condicionados por hábitos de autoprotecção, que adquiriram ao longo de gerações, poupam as suas emoções e mostram relativamente poucos sinais de excitação quanto ao futuro.</P>
<P>
Acima de tudo, no entanto, a contenção de sentimentos explica-se por uma certa precaução política. A África do Sul passou, nos últimos quatro anos, por intensas negociações, com crises frequentes e muitas mortes, seguidas de quatro meses de campanha eleitoral caracterizada por mais crises e mais mortes, ao ponto de o país estar agora saturado e exausto. O sentimento dominante é de «graças a Deus, tudo acabará dentro de poucos dias».</P>
<P>
Suspeito, no entanto, que haverá uma explosão de alegria na comunidade negra quando os resultados começarem a ser conhecidos e a percepção de mudança se tornar mais imediata e real.</P>
<P>
Quais serão esses resultados? Claro que o Congresso Nacional Africano, de Nelson Mandela, emergirá como o maior partido e o Partido Nacional, de Frederik de Klerk, como segunda formação. Mas, com 27 partidos a concorrer, e as sondagens à opinião pública proibidas durante as últimas três semanas da campanha, são difíceis previsões mais rigorosas.</P>
<P>
Tudo isto é complicado ainda mais pelo boicote, quase até ao dia da votação, que o Partido da Liberdade Inkatha, de Mangosuthu Buthelezi, fez, acedendo a participar nas eleições depois de meses de inflexibilidade. A questão agora é saber em que medida a presença do Inkatha alterará as previsões das últimas sondagens conhecidas.</P>
<P>
De qualquer modo, o resultado é menos importante que o acontecimento em si. Trata-se de um acto eleitoral pioneiro naquele que será efectivamente um país novo, o que significa que estamos a lidar com actos fundadores e com simbolismo.</P>
<P>
As divergências políticas interessam menos nesta altura: haverá um governo multipartidário de unidade nacional, o que significa que nos próximos cinco anos a África do Sul será governada largamente numa base de consenso. O que interessa agora é que o povo deste país profundamente dividido e etnicamente diverso faça os gestos de conciliação necessários para o estabelecimento de um espírito fundador de uma nova sociedade.</P>
<P>
Nelson Mandela deu o exemplo. Depois de ter sido encarcerado durante 27 anos, emergiu sem um traço de amargura, para oferecer uma mão de reconciliação em nome das vítimas do «apartheid» àqueles que as fizeram sofrer. Amanhã, este homem notável será saudado como o primeiro Presidente sul-africano negro e uma nova era nas relações raciais a nível mundial terá nascido.</P>
<P>
* Jornalista e escritor sul-africano, correspondente do «Washington Post» e candidato pelo ANC.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54524">
<P>
Universidade aumenta em 25% o total arrecadado com venda de tecnologia a empresas privadas</P>
<P>
EDSON FRANCO</P>
<P>
Da Folha Sudeste</P>
<P>
O Escritório de Transferência de Tecnologia (ETT) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas encerrou o ano passado com um faturamento aproximado de US$ 20 milhões. Esse valor representa crescimento de 25% sobre a arrecadação de 92 e resulta de acordos com empresas privadas e governamentais. Essa verba tem ajudado a tirar o orçamento da Unicamp do vermelho.</P>
<P>
Segundo o diretor-técnico do ETT, Jadson da Silva Freitas, 34, o dinheiro que a universidade recebe do governo estadual cobre apenas os gastos com pessoal. "Sem o dinheiro arrecadado pelo ETT, a manutenção e as pesquisas seriam prejudicadas", afirma Freitas.</P>
<P>
O ETT foi criado em 1990 para fazer a ponte entre empresa e universidade. Antes de seu surgimento, as negociações eram feitas diretamente com os diversos departamentos da Unicamp. Hoje, o escritório possui um cadastro com 1.200 empresas que mantêm convênios ou que já adquiriram tecnologias produzidas pela Unicamp.</P>
<P>
Empresas</P>
<P>
Entre as empresas conveniadas estão IBM, Rhodia e Petrobrás. As três são responsáveis pelas maiores fatias do orçamento gerenciado pelo ETT.</P>
<P>
As consultas feitas ao ETT são cobradas por tempo. O preço da hora fica entre US$ 50 e US$ 100, variando conforme o assunto e sua complexidade. Qualquer pessoa física ou jurídica pode encomendar um trabalho ao ETT.</P>
<P>
A maioria das consultas é feita ao ETT por micro e pequenas empresas. Geralmente, os pedidos de informação são encaminhados pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que paga até a segunda hora de consulta. As horas excedentes são pagas pelo empresário.</P>
<P>
O processo para a assinatura de um convênio com a Unicamp leva de 15 a 20 dias, em média. Esse prazo é necessário para que o ETT receba o pedido e inicie um processo interno para verificar qual departamento da Unicamp pode resolver o problema. Encontrado o departamento, o ETT chama o usuário para uma reunião onde serão discutidos os custos.</P>
<P>
Falta tecnologia</P>
<P>
Apesar de solucionar a maioria dos casos que recebe, a Unicamp já perdeu clientes por falta de algumas tecnologias. Como exemplo, Freitas lembra o caso de um empresário interessado em tecnologia para reciclagem de papel, plástico e vidro. A Unicamp ainda não desenvolveu tecnologias nessa área. Já houve casos em que  a universidade desenvolveu pesquisas para atender demanda. A Unicamp montou um Centro de Tecnologia de Plástico, depois de receber pedidos de 80 empresas.</P>
<P>
O ETT assinou convênios recentemente com a IBM e a Usina da Barra, de Barra Bonita (SP). Junto com a IBM, a Unicamp vai desenvolver novos 'softwares' (programas de computador). Como pagamento, a empresa está enviando para a universidade os equipamentos para o laboratório onde serão feitas as pesquisas. O custo do equipamento é de US$ 4 milhões.</P>
<P>
Com a Usina da Barra, o convênio se refere ao "new sugar", tipo de açúcar que não engorda (leia texto abaixo). Por essa tecnologia, a usina vai pagar US$ 100 mil.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26084">
<P>
Descubro uma solução óbvia para o jumento adquirido no governo de Orestes Quércia </P>
<P>
Marcos Augusto Gonçalves</P>
<P>
Morava em Milão e, numa tarde primaveril, fui visitar a feira do Naviglio. Os "navigli" são canais que ainda permanecem na cidade. No passado chegavam ao centro. Ajudaram a transportar as pedras que ergueram o Duomo.</P>
<P>
Hoje, a área dos "navigli" é um bairro boêmio. Lembra um pouco o clima de Santa Teresa, no Rio, com toques do Embu, de São Paulo. Ateliês, gente de barba, artesanato duvidoso, restaurantes bonitinhos, muitos para turistas, e uma ou outra coisa realmente interessante.</P>
<P>
A feira é um acontecimento. Um mercado à la Portobello. Peças cobiçáveis, antiquidades, roupa e bugigangas em geral. Pois bem, passeio pela feira e, a todo instante, recebo um panfleto. Era época de eleições municipais. Milano ia eleger sua nova junta e seu novo prefeito.</P>
<P>
Muito ativos na cidade, os partidos verdes se multiplicavam. Divididos em correntes, brigavam entre si e tentavam disputar seus eleitores. Uma das correntes mais curiosas chamava-se —talvez já esteja em extinção— "animalista". Os animalistas eram, como o nome indica, ferrenhos defensores dos animais. Gente que entra num jardim zoológico como se estivesse pisando em Auschwitz.</P>
<P>
Aproximava-me do final da feira quando avistei um ruidoso grupo desses animalistas panfletando. Um deles, vestindo máscara de jumento e mortalha, aproximou-se, papelzinho em punho. Disse que era estrangeiro e não votava. "Di dove sei?" "Brasiliano". Pronto. Perguntas sobre a Amazônia, a queima de florestas, os esquadrões da morte. Pacientemente, respondi sobre os problemas do país, mas não sem deixar de revelar minha —insincera— surpresa pelas dificuldades que os italianos têm de controlar a Máfia e de plantar árvores em Milão.</P>
<P>
E, olhando aquela ridícula máscara de jumento, perguntei do que se tratava. Veio a explicação: estavam preocupados com a extinção dos jumentos. Havia pouquíssimos na Europa. Ainda me refazia da consternação quando veio a pergunta: "Há muitos jumentos soltos no Brasil?"</P>
<P>
Bem... O que dizer? "Muitos, muitos. Soltos, presos e até no governo". Soltei a blague e saí andando.</P>
<P>
Agora descubro —e que felicidade não traria tal notícia para o animalista lombardo— que, efetivamente, há um jumento no governo de São Paulo. Claro que não me refiro a nenhum político: falo do jumento mesmo, aquele que, segundo a Folha do último domingo, foi adquirido no período Quércia como reprodutor —mas nunca deu conta da tarefa.</P>
<P>
O coitado acabou abandonado e foi parar num certo Sítio Pardal, onde causa transtornos ao agrônomo José Roberto Vita.</P>
<P>
Ora, tenho uma solução óbvia para o caso. Com o intuito de estreitar os laços ítalo-brasileiros que unem São Paulo e Milão e reafirmando as relações de cidades gêmeas, o governo paulista deveria doar o jumento para a capital da Lombardia. Ficariam todos felicíssimos —do animalista ao animal.</P>
<P>
Marcos Augusto Gonçalves é editor da Revista da Folha</P>
<P>
Ilustração: Jumento comprado em 90 pelo governo do Estado de São Paulo; foto de Pierre Duarte.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-1071">
<P>
Desesperadas, pessoas usam água contaminada pelo cólera numa região que em 93 teve menos chuva que o Saara</P>
<P>
ADELSON BARBOSA</P>
<P>
Da Agência Folha, no Cariri (PB)</P>
<P>
Há pelo menos dois anos não chove com regularidade no Cariri Ocidental da Paraíba, a região mais seca e miserável do país, segundo pesquisa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Este ano, a média pluviométrica do Cariri foi inferior a 50 mm, informou a Secretaria de Agricultura do Estado. A média pluviométrica do deserto do Saara oscila em torno de 200 mm. A do deserto de Atacama, no Chile, em 75 mm.</P>
<P>
Em condições normais, a média pluviométrica do sertão nordestino varia em torno de 800 mm anuais. O agravamento da seca amplia a miséria e a fome na região. A agricultura foi totalmente dizimada. Não houve aproveitamento nem das culturas de feijão e milho. Os açudes estão quase todos secos. Em apenas cinco ainda há água. Estão com menos de 10% da capacidade. Nos 12 municípios da região, vivem cerca de 111 mil pessoas. Há também uma região do Cariri no Ceará.</P>
<P>
Água contaminada</P>
<P>
A população das cidades está sendo abastecida por carros-pipas, que distribuem água de má qualidade, de poços e açudes que também estão secando. Em Monteiro, a maior cidade da região, com 30 mil habitantes, a população utiliza água contaminada pelo vibrião colérico, segundo a Secretaria Estadual da Saúde, porque não existe outra opção. Na cidade, pelo menos 500 pessoas foram internadas nos últimos dois meses com cólera, hepatite e febre tifóide, informou o Núcleo Regional da Secretaria de Saúde.</P>
<P>
A economia da região gira hoje em torno dos recursos provenientes do pagamento dos aposentados, dos alistados nas frentes de emergência e dos funcionários municipais. Os aposentados da Previdência Social são os mais beneficiados, porque não ganham menos que o salário mínimo e têm seus benefícios reajustados mensalmente, o que não ocorre com os trabalhadores das frentes de emergência e dos funcionários municipais.</P>
<P>
O comércio das cidades só tem movimento nos dias de pagamento. Mesmo assim, apenas a cesta básica da região é vendida pelos pequenos comerciantes. A cesta é composta por feijão, fubá, café, açúcar, rapadura e farinha. "O que eu mais vendo é feijão, açúcar, café e fubá", disse José Inaldo Neves, 42, dono de um pequeno armazém no município de São Sebastião do Umbuzeiro.</P>
<P>
Na zona rural, a situação é mais grave. Muitas pessoas percorrem até 4 km para conseguir uma lata d'água para beber. No último dia 2, a Folha encontrou Quitéria Maria Francisca, 52. Ela percorreu 4 km entre uma cacimba (poço raso no leito de um rio seco) e sua casa, no sítio Lagoa, em Monteiro, com uma lata d'água na cabeça. "A nossa situação é muito feia e tem gente que não acredita. A gente não tem nem água para beber. Hoje, é mais um dia em que não tenho nada em casa para comer com meus filhos e netos", disse Quitéria.</P>
<P>
O trabalhador rural José Genival Ferreira, 45, teve mais sorte que Quitéria. Ele percorreu os mesmos quatro quilômetros com uma lata d'água numa bicicleta. Tinha saído de casa pela manhã para conseguir água e alimentos para os cinco filhos menores. Retornou no final da tarde, com uma lata d'água, duas mangas e dez goiabas. Disse que aguardava receber "o pagamento da emergência" (frentes de trabalho) para comprar feijão e fubá e alimentar a família. O pagamento está atrasado há um mês.</P>
<P>
Ferreira ganha CR$ 3 mil por quinzena para sustentar sete pessoas. O único dinheiro que ganhou em 93 foi o equivalente a US$ 80 do pagamento da emergência, de junho a outubro. "Viver aqui é um milagre", disse. Manoel Francisco, 54, cinco filhos e quatro netos, também voltou para casa no final da tarde do dia 2 com algumas goiabas, para a primeira –e única– refeição do dia.</P>
<P>
"Bicho duro de morrer é gente pobre", disse. Segundo ele, "a fome é tão grande que já estamos acostumados". Francisco afirmou que na vegetação seca da caatinga não existem mais preás (roedor) e arribações (um tipo de ave nativa do Nordeste), animais utilizados na alimentação nas épocas de seca.</P>
<P>
Alguns fazendeiros estão alimentando o gado com palma forrageira, um tipo de cacto cultivado, resistente à seca, e mandacaru, cacto nativo encontrado em abundância na caatinga. Muitos pequenos proprietários rurais estão investindo o que têm na criação de cabras e ovelhas, animais muito resistentes à seca, que se alimentam com pasto ressecado e bebem pouca água.</P>
<P>
Pesquisa</P>
<P>
A pesquisa da Universidade Federal da Paraíba se apóia em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Os pesquisadores estão desenvolvendo um trabalho de campo, com aplicação de questionários para as lideranças dos trabalhadores rurais, prefeitos e líderes comunitários e políticos, além de promoverem reuniões com essas pessoas nas zonas urbana e rural para colher depoimentos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17067">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O quarto fascículo do atlas Folha das sextas-feira circula com os jornais do dia 14 de outubro. O fascículo traz a segunda parte do mapa com os países da Europa, Inglaterra e País de Gales, Escócia, Irlanda, as Ilhas Britânicas e o mar do Norte e a Escandinávia e o mar Báltico.</P>
<P>
Um dos mapas detalhados do fascículo mostra a Irlanda. A ilha é dividida: 26 condados ao sul compõe a República da Irlanda, cuja capital é Dublin. Os 25 distritos do norte da ilha fazem parte do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. A capital é Belfast.</P>
<P>
As províncias do norte estão divididas por uma guerra civil entre católicos e protestantes que dura mais de quinze anos. Há cerca de um mês, o governo britânico teria feito um acordo com o Exército Republicano Irlandês, conhecido por sua sigla em inglês, IRA.</P>
<P>
Os católicos do IRA declararam um cessar-fogo unilateral por três meses, condição imposta pelo governo de Londres para iniciar as negociações formais de paz. Os católicos são minoria no norte e maioria absoluta no sul.</P>
<P>
Lago Ness</P>
<P>
A Escócia, que também integra o Reino Unido, está em outro mapa. O famoso Loch (lago) Ness aparece no mapa, próximo à cidade de Inverness. A lenda da existência de um ``monstro'' no lago durou décadas, até ser desmascarada recentemente. O monstro, que alguns diziam ser um dinossauro, era na verdade uma montagem fotográfica.</P>
<P>
O mapa da Escandinávia e mar Báltico mostra a região entre Tallin, capital da Estônia, e Estocolmo, capital sueca, onde naufragou semana passada a ``Estonia''. O naufrágio causou cerca de 900 mortes, e teria sido provocado pela ruptura de uma das portas dianteiras do navio, uma balsa usada na travessia do Báltico.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-61975">
<P>
Da Agência Folha, em São Luís </P>
<P>
O corpo do estudante Eugênio Rodrigues dos Santos Filho, 17, foi encontrado ontem pela manhã na praia do Caolho, em São Luís (MA), com a barriga e a perna direita dilaceradas. Os ferimentos indicam que ele foi atacado possivelmente por um tubarão.</P>
<P>
"Pelo tamanho das lesões, foi tubarão", afirmou o auxiliar de enfermagem Luiz Carlos Martins Ferreira, que fez a autópsia no Instituto Médico Legal com o médico Edilson Soares Constantino.</P>
<P>
Ferreira disse que o corpo do estudante tinha marcas de dentadas na barriga, na nádega e na perna direitas. O laudo do médico Constantino cita "ausência de toda a parede abdominal, com exposição de todas as vísceras" e "ausência de partes moles da coxa direita".</P>
<P>
No atestado de óbito, consta que a causa da morte foi "asfixia por afogamento".</P>
<P>
Eugênio estava desaparecido desde a tarde do último domingo. Ele tomava banho com dois amigos na praia do Olho D'Água (a 2 km da praia do Caolho), próximo à arrebentação, quando os três começaram a se afogar.</P>
<P>
Um banhista conseguiu salvar Sérgio Savala, 15, e André Bezerra, 15. Segundo relato dos amigos da vítima, o banhista tentou puxar Eugênio pela mão, mas pressentiu que ele estava sendo atacado por um tubarão e desistiu.</P>
<P>
Savala disse ontem que a água batia na altura da barriga e que Eugênio submergiu, voltou à tona pedindo socorro, submergiu de novo e não foi mais visto. Desde 92, foram registrados seis ataques de tubarão na cidade.</P>
<P>
(Cris Gutkoski)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-39721">
<P>
Obra do italiano, inicialmente marcada pelo engajamento político, sofre mudança radical na última fase</P>
<P>
AUGUSTO DE CAMPOS</P>
<P>
Especial para a Folha</P>
<P>
Na década de 50, causaram grande impacto nos meios artísticos a imprevista conversão de Stravinski ao serialismo e a revelação de seu devotamento a Anton Webern, ao qual ele então proclamou "o justo da música". A polarização entre Schoenberg e Stravinski dividira, na primeira metade do século, a música moderna em dois partidos antagônicos, a tal ponto que John Cage chegaria a afirmar que, ao iniciar-se como compositor, viu-se na contingência de escolher entre os dois grandes mestres (ele optou por Schoenberg, de quem veio a ser aluno).</P>
<P>
Não importa aqui aferir o valor das composições seriais de Stravinski, para alguns meros exercícios de estilo, elegantes e rigorosos; para outros, um novo salto qualitativo na obra caleidoscópica do inquieto compositor russo-franco-americano. No mínimo, a derradeira guinada stravinskiana foi uma leitura crítica que lhe permitiu digerir a evolução da linguagem centro-européia e dialogar com a renovação operada nos anos 50 por alguns dos maiores compositores da geração afluente, como Stockhausen e Boulez. Superando dialeticamente a antinomia que outros (como Adorno) haviam sido incapazes de resolver, Boulez, de resto, num ensaio memorável –"Strawinsky Demeure" (Stravinski Permanece), de 1953–, colocara o conflito sob novo enfoque, perfazendo a necessária síntese dialética, ao localizar na complexidade das células rítmicas de Stravinski (o da "Sagração" e da fase russa especialmente) a contraparte revolucionária da renovação morfológica e sintática do vocabulário musical efetivada pelo Grupo de Viena (Schoenberg, Webern, Berg).</P>
<P>
De qualquer forma, peças como "Septeto", "3 Songs from Shakespeare", "In Memoriam Dylan Thomas", "Agon", "Movements", "Threni", todas da década de 50, atestam a incrível capacidade de renovação do compositor. Sobrevivente físico da batalha estética da sua geração (Alban Berg, Webern e Schoenberg já haviam morrido, este em 1951), Stravinski aturdiu a todos com a lição de humildade que o levou a situar-se "sob a proteção da arte de Webern", cuja memória cultuou, a ponto de deslocar-se, já idoso, com o maestro Robert Craft, em peregrinação, para ir visitar em Mittersil, uma pequena aldeia da Áustria, o túmulo modesto do "herói desconhecido" da música moderna.</P>
<P>
Anton Webern, como se sabe, morrera em 1945, no pós-guerra, assassinado pelo tiro afoito de um soldado norte-americano, sob a indiferença universal. Através do estudo da obra de Webern –aquele, dentre os vienenses, cuja obra, pela clareza e distanciamento, mais se afeiçoava às concepções musicais de Stravinski– pôde este redirecionar o seu caminho e, afastando-se definitivamente das piruetas regressivas do neoclassicismo, reencontrar, com nova metodologia e nova liberdade de linguagem, o que havia de melhor em sua própria obra.</P>
<P>
Não sei de nenhum outro caso de virada tão radical e consequente de direções artísticas como o de Stravinski, salvo talvez o que me foi dado recentemente identificar na obra do compositor italiano Luigi Nono (1925-1990), que figurou na primeira linha dos protagonistas da Música Nova, em Darmstadt, ao lado de Boulez e Stockhausen e dos seus compatriotas Bruno Maderna e Luciano Berio.</P>
<P>
O caso de Nono, sem dúvida menos espetacular, devido à menor repercussão do compositor fora dos círculos especializados, tem características únicas no cenário da música moderna. Muitos compositores de formação elaborada, até dodecafônica, como aquele medíocre discípulo de Schoenberg, Hans Eisler, que a má-consciência tentou inutilmente promover a primeiro time, sentiram-se tocados pela vontade de expressar em obras musicais o seu engajamento político, geralmente em prejuízo da qualidade estética.</P>
<P>
Nenhum, como Nono, membro do Comitê Central do Partido Comunista Italiano desde 1952, foi capaz de equilibrar a tal ponto a consciência política e o rigor estético. Em se tratando de música, o mais abstrato dos gêneros artísticos, a receita do engajamento termina invariavelmente por impor duas condicionantes: o apelo à retórica verbal para dar conta da "mensagem" (que nunca está na música); e a simplificação da linguagem para viabilizar a suposta comunicação com as audiências (supostamente largas). Duas imposições que, em raros casos, deixam de afetar a integridade do trabalho artístico. O rigor compositivo de Nono, porém, jamais lhe permitiu fazer concessões estéticas ou vulgarizar a sua música. Mesmo quando recorria a slogans ou textos políticos, não se pode dizer que tenha barateado o discurso, pois o radical tratamento musical ou eletrônico a que submetia as palavras, neutralizava, por assim dizer, o seu apelo retórico e muitas vezes perturbava até mesmo o seu entendimento imediato.</P>
<P>
É o caso de "Il Canto Sospeso" (1956), para três solos vocais, coro misto e orquestra, obra que mereceu minuciosa análise de Stockhausen na histórica revista "Die Reihe" (n.º 6, 1960) e na qual Nono utiliza fragmentos de cartas escritas por membros da Resistência antes de serem executados. Da "ópera" "Intolleranza 1960", com um libreto de Angelo Ripellino misturando citações de Eluard, Maiakóvski, Sartre e Brecht e slogans históricos. De "A Floresta é Jovem e Cheia de Vida" (1966), para soprano, vozes, clarineta, pratos de cobre e fita magnética, em que Nono colageia textos de um guerrilheiro do MPLA, de Lumumba, Fidel Castro, operários norte-americanos e italianos. Ou de "Non Consumiamo Marx", música eletrônica atravessada por slogans encontrados nos muros de Paris (como o próprio título) e ruídos dos combates de rua gravados por ocasião da rebelião estudantil de maio de 1968.</P>
<P>
Certamente por causa da intransigência do tratamento sonoro que deu às suas músicas vocais, apesar da solidariedade dos temas e dos textos que as caracterizaram, Luigi Nono não logrou aumentar a sua comunicabilidade, e elas acabaram se tornando até menos conhecidas e divulgadas que as dos seus pares, Berio, Boulez, Stockhausen. Ele ficou identificado, no entanto, como protótipo do compositor exemplarmente engajado, ao longo de toda uma vida de composição dentro das correntes musicais mais avançadas do nosso tempo. Como escreveu Paul Mefano ("Musique en Jeu", n.º 2, 1971) sua obra explicita o paradoxo de "dar consciência à tragédia humana a partir de uma arte sem concessão alguma, em seu mais alto nível."</P>
<P>
Nada mais surpreendente, portanto, que travar contato com as últimas criações de Nono, que não parecem guardar qualquer afinidade com seu ideário anterior. Refiro-me às composições "A Carlo Scarpa, Architetto, ai Suoi Infiniti Possibili" (1984), "No Hay Caminos, Hay que Caminar...", "Andrej Tarkovskij" (1987), "La Lontananza Nostálgica Utópica Futura" (1988-89), "Madrigal para Mais 'Caminantes"' com Gidon Kremer, violino solo, oito fitas magnéticas, de oito a dez estantes e "Hay que Caminar So¤ando" (1989), para dois violinos, todas elas registradas em disco após a morte do compositor, ocorrida em 1990. As duas primeiras com a Orquestra Sinfônica de Baden-Baden, sob a direção de Michael Gielen (CD Audivis Astrée E 8741, de 1990). As demais, integrantes do CD 435 870-2, da Deutsche Grammophon, editado no ano passado, tendo como intérpretes os violinistas Gidon Kramer e Tatiana Grindenko.</P>
<P>
Há 20 ou 30 anos atrás, era muito diverso em nosso país o repertório das casas de disco. Em algumas delas encontravam-se as últimas novidades em matéria de música contemporâea. Em 1952, eu, Haroldo e Décio compramos na loja Stradivarius, na av. Ipiranga, em São Paulo, as primeiras gravações em LP de Webern, Schoenberg, Varése, Cage. O sofisticado proprietário da Stradivarius, Nagib Elchmer, acentuava, à época, no número 1 (e talvez o único) da revista de mesmo nome, por ele editada, que o Brasil era o segundo importador de LPs dos EUA e o quarto país a fabricá-los no mundo. Podia-se até mesmo, com alguma facilidade, importar discos individuais nessas casas.</P>
<P>
Assim obtive os registros, hoje raros, de momentos mágicos como a ópera "Villon" de Ezra Pound e "Four Saints in Three Acts" de Virgil Thomson e Gertrude Stein. Hoje, é como se um furacão tivesse varrido as estantes de música erudita das casas de discos. Além de ópera italiana e do mais surrado repertório do legado romântico e clássico, só escombros erráticos da grande música medieval e renascentista e migalhas do presente, a despeito de os catálogos internacionais estarem repletos de novos registros da música do nosso tempo.</P>
<P>
Tal situação coloca o Brasil na posição de um dos países mais atrasados do mundo em informação musical. Nesse quadro, fica difícil a avaliação de uma obra complexa como a de Luigi Nono, quase toda ela ausente das prateleiras nacionais e mesmo escassa nos catálogos internacionais, nos quais não se vêem disponíveis obras relevantes como "Il Canto Sospeso" (1956) e as óperas "Intolleranza 1960", "Al Gran Sole Carico d'Amore" (1975) e a mais recente "Prometeo" (1984).</P>
<P>
Contudo, mesmo com esse "handicap", faltando-me acesso a alguns ítens importantes da musicografia de Nono, arrisco-me a estas conjecturas, movido pela funda impressão que me causaram as suas últimas obras e pelo desejo de dar notícia delas. Agradeço a Aldo Brizzi, jovem maestro e compositor italiano, especialista na música de Giacinto Scelsi, e ao crítico J.Jota de Moraes, a ajuda que me deram, suprindo as omissões da minha discoteca, quanto a outros ítens.</P>
<P>
Chama logo a atenção o fato de tais obras serem apenas instrumentais, notabilizando-se pela ausência (a não ser em mínimos fragmentos reelaborados em estúdio) da fala ou do canto. Estes ocupam lugar proeminente na criação de Nono, um "obcecado pela voz humana", como notou Mefano.</P>
<P>
Na verdade, essa retomada da música pura, fazendo lembrar as primeiras especulações de Nono como as "Variazioni Canoniche" (1950) e "Polifonica- Monodia-Rítmica" (1951), surge logo após um dos mais notáveis experimentos vocais do compositor, a ópera "Al Gran Sole Carico d'Amore" (1975), cujo título provém significativamente do poema de Rimbaud, "Les Mains de Jeanne Marie" e que Nono propôs como "o repensar ideal de um fato fundamental da luta de libertação da classe operária e do movimento de libertação em geral –a Comuna de Paris". Um ano depois, ele veio a criar "...Sofferte Onde Serene...", para piano e fita magnética, interpretada por Maurizio Pollini –estranhíssima composição, a começar pelo título reticente, e que se revelaria um marco na reviravolta musical do compositor veneziano.</P>
<P>
Diga-se desde logo, que as "óperas" de Nono pouco têm a ver com a ópera tradicional ou con as facilidades do "bel canto". Nono é, antes, um autor de "antióperas", peças vocais que incorporam a teatralidade, mas onde a severidade compositiva, a manipulação não-ortodoxa dos textos, em colagens fragmentárias, e a desconstrução da fala e do canto, pulverizados pelas técnicas eletrônicas, afastam qualquer aproximação com as convenções do gênero.</P>
<P>
Mas o fato é que num autor para o qual a palavra e voz tiveram tanto significado e se tornaram, além de vetores da composição, um campo tão fértil de especulação sonora, causa espécie esse radical abandono, que assume as proporções de uma verdadeira renúncia, ainda mais acentuada pela natureza dessas últimas peças instrumentais. É que todas elas têm em comum a extrema abstração, a ausência de referentes, mesmo compositivos, como o modalismo ou a série, e o direcionamento para as perquirições ligadas à microestrutura, ou seja, à materialidade do som em si mesmo, representada antes pelas formas inusitadas de ataque e produção do som e pela exploração da dinâmica e da timbrística, espectralizadas pela filtragem eletrônica, do que pelas articulações melódicas, harmônicas e rítmicas da sua macroestrutura.</P>
<P>
"...Sofferte Onde Serene..." (1976) se desenvolve como um diálogo entre o piano ao vivo de Maurizio Pollini e a sua reelaboração em fita magnética, explorando-lhe as ressonâncias percussivas, da dinâmica da digitação e dos diferentes ataques de som até as vibrações dos pedais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26248">
<P>
As inundações na Europa setentrional, consideradas as piores do século nalgumas áreas, obrigaram à evacuação de cerca de 100 mil pessoas. O mapa mostra as áreas mais afectadas</P>
<P>
Maas:</P>
<P>
8000 pessoas evacuadas</P>
<P>
Bruges:</P>
<P>
Suspensa a navegação em todos os canais</P>
<P>
Dinant:</P>
<P>
50 pessoas evacuadas e outras 250 do vale de Lesse, a sul do Namur; morreram 6 pessoas</P>
<P>
Leste da Holanda:</P>
<P>
Ao longo do Reno, 85.000 pessoas receberam ordens para deixar as suas casas. Em Lobith, onde o Reno deixa a Alemanha, espera-se</P>
<P>
que, hoje, as águas atinjam o nível-recorde de 16,45 metros acima do nível do mar</P>
<P>
Charleville-Mezières:</P>
<P>
Alerta máximo quando o Mosa chegou ao nível-recorde de 6 metros acima do nível do mar</P>
<P>
Colónia:</P>
<P>
As águas do Reno atingiram o nível-recorde de 10,64 metros acima do mar, inundando o centro histórico</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77275">
<P>
Loures</P>
<P>
Realojados podem comprar casa</P>
<P>
A Câmara de Loures propôs às famílias realojadas nas casas de habitação social da Quinta das Sapateiras, em Loures, a compra dos fogos onde habitam. Numa circular enviada aos moradores, em que é pedida a prova anual de rendimentos -- destinada a actualizar as rendas sociais de acordo com a descida, subida ou manutenção dos mesmos --, a autarquia refere a hipótese de compra das casas.</P>
<P>
A quem optar por essa solução, os apartamentos de três assoalhadas serão vendidos ao preço de quatro mil contos e os de quatro assoalhadas por cinco mil contos. O que representa um terço do preço de mercado e metade do valor pago pela autarquia pelas habitações.</P>
<P>
Fonte da autarquia disse à Agência Lusa que «a compra de casa própria é vantajosa para os inquilinos e para autarquia», uma vez que «os habitantes passariam a tratar as suas habitações de uma forma diferente». O município propôs a compra de casa aos habitantes da Quinta das Sapateiras por estes já estarem ali a viver há mais de um ano e, por isso, se sentirem «minimamente realojados», disse a mesma fonte. A Quinta das Sapateiras tem cerca de 250 habitações de renda económica, integradas no Programa Especial de Realojamento (PER), e onde se incluem os realojados do Lar Panorâmico, de Camarate.</P>
<P>
A autarquia está a adquirir fogos já construídos e andares em segunda mão para realojar as famílias que ainda habitam as 3600 barracas existentes no concelho de Loures. Esta medida, adiantou a mesma fonte citada pela Lusa, proporciona «uma melhor integração dos seus habitantes», uma vez que as famílias são integradas em prédios com uma situação estável. «Esta política de realojamento irá evitar exemplos trágicos como o de Chelas, onde se desenvolveram autênticos guetos», adiantou, acrescentando que «o PER só se preocupa com o betão», referindo-se à «questão estética de acabar com as barracas». O realojamento destas famílias implica «um grande esforço das autarquias» no acompanhamento dos novos inquilinos, que se confrontam com uma situação completamente nova, como a transferência para novas escolas e centros de saúde.</P>
<P>
A prioridade do município de Loures, em termos de realojamento, é encontrar habitações para as 700 famílias que vivem no traçado da CRIL, nomeadamente no bairro do Prior Velho, obras que têm de estar concluídas dentro de pouco mais de um ano.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-78251">
<P>
Plano de reabilitação avança este ano</P>
<P>
Câmara discute Casal Ventoso</P>
<P>
A Operação Integrada de Reconversão do Casal Ventoso, que aguarda o apoio da União Europeia, no âmbito do programa Urban, poderá avançar já este ano com algumas acções, nomeadamente com a preparação do próximo ano escolar dentro do espírito daquele plano, segundo disse ao PÚBLICO Eduardo Graça, coordenador do grupo de trabalho criado por Jorge Sampaio, presidente da Câmara de Lisboa, para acompanhar a operação.</P>
<P>
O plano, já aprovado pelo Governo português e que é candidato aos fundos comunitários do programa Urban, é apresentado, terça-feira, por Jorge Sampaio aos representantes dos moradores e técnicos da área social e urbanismo, que o vão discutir ao longo de todo o dia. Presente vai estar, também, o ministro do Planeamento e Administração do Território, Valente de Oliveira, em representação da administração central, que apresentou o projecto à apreciação de Bruxelas e que deverá participar na sua gestão.</P>
<P>
«O programa deve ser assumido por uma partilha de responsabilidades entre a Câmara de Lisboa e a administração central», sublinha Eduardo Graça. Porém, a fórmula organizativa dessa partilha ainda está a ser estudada. No caso do Porto, onde se vai desenvolver um plano idêntico, já se optou pela criação de uma fundação que irá gerir o programa Urban naquela cidade.</P>
<P>
A operação, que deverá ser aprovada pela União Europeia no próximo mês de Abril, visa combater a degradação física e social do Casal Ventoso. As medidas a desenvolver para a reconversão daquele bairro vão passar pela protecção aos idosos, formação profissional dos jovens, criação de equipamentos escolares, saúde e desporto, reinserção social dos marginalizados e excluídos. O projecto aposta, igualmente, na criação de postos de trabalho, recuperação de edifícios (65 por cento das habitações do bairro encontram-se bastante degradadas), construção de novos fogos, melhoria da rede viária, com abertura de novas artérias, além de outras intervenções.</P>
<P>
Para a concretizar a operação de reconversão, que terá de contar com a participação dos moradores e das colectividades do bairro, a Câmara de Lisboa, além do Urban, espera recorrer a financiamentos de outros programas previstos no Plano de Desenvolvimento Regional. É o caso do PER (Plano Especial de Realojamentos) para a substituição das barracas que é preciso demolir; do Recria, para a reabilitação de prédios particulares degradados; do Horizon, para as acções de apoio aos socialmente desfavorecidos; ou do programa Pessoa, para fazer face aos problemas de emprego e formação dos jovens com mais de 20 anos de idade.</P>
<P>
Reconhecendo que os moradores e a opinião pública em geral têm-se habituado a ouvir falar em projectos para o Casal Ventoso que nunca se concretizaram, Eduardo Graça sublinha que esta operação integrada «é mesmo para se fazer». «Há gente que pensa que isto é só mais um projecto. Uma das condições para o sucesso do plano é mesmo superar essa ideia e, assim, levar as pessoas a acreditarem e a participar». Seguindo a filosofia do Urban, explica o adjunto de Sampaio, vai-se partir, primeiro, das estruturas e equipamentos que já existem, «dando-lhes meios e condições para que trabalhem melhor». Depois virão a estruturas novas.</P>
<P>
Talvez para provar que agora a dinâmica é outra, e que o projecto vai para a frente, a Câmara criou já um logotipo para a Operação Integrada do Casal Ventoso, onde o nome do bairro surge em dois tons de verde, junto de um pequeno boneco, que dá pelo nome de «Ventosinho».</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33341">
<P>
Problemas de habitação na origem de supostos maus tratos</P>
<P>
Cinco pessoas entre ruínas</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
Entre as ruínas daquilo que deveria ter sido um convento mora, há mais de 10 anos, uma família. Com condições bem piores do que muitas barracas. Sem água, sem luz, nem casa de banho. São pessoas que ali vão ter de continuar. É que os planos de realojamento só proporcionam habitação a quem vive em barracas. O resto não interessa, mesmo que se durma na rua. Pelo meio deste caso, os rumores de supostos maus tratos sobre uma menor.</P>
<P>
Nos restos de uma estrutura daquilo que era para ser um convento freiras que nunca chegou a sê-lo, no concelho de Loures, em condições que nem lembraria ao diabo, vive uma família há mais de dez anos. Em chão de terra batida, sem electricidade, sem água nem saneamento básico. Ali nasceu e mora a Rita, a mais nova de seis irmãos, que há cinco anos -- tinha então três anos de idade -- foi encontrada à porta de «casa» abandonada dentro de uma cama de grades, com uma tigela de leite e pedaços de pão. A mãe estava a trabalhar no campo. Um caso social, onde a miséria humana convive com o problema generalizado da escassez de habitação social.</P>
<P>
O caso foi detectado pela Segurança Social e a Rita foi encaminhada para uma instituição. Mas, o problema da habitação permanece e todos os dias a Rita regressa ao pardieiro, na zona de Guerreiros, que, à noite e aos fins-de-semana, partilha com a mãe e três irmãos. A Câmara Municipal de Loures diz que não tem respostas imediatas para a situação. Estefânia, de 46 anos de idade, mãe de Rita, ocupa os restos do convento com autorização do proprietário, por isso, diz a autarquia, «legalmente não pode ser abrangida pelo PER (Programa Especial de Realojamentos), porque não habita numa barraca e, além disso, está num terreno privado», explica Zélia Amorim, vereadora da Habitação do município.</P>
<P>
É o lado caricato e ao mesmo tempo injusto dos planos bem intencionados. Cria-se um PER para resolver o problema da habitação e, no final, ficam de fora casos porventura mais graves do que o de muitas famílias que vivem em barracas, onde normalmente existe água e luz, o que nem sequer acontece nas ruínas onde vivem os familiares da Rita. Conclusão: sem barraca não há casa, mesmo que se viva na rua. Um puro convite ao aparecimento de mais e mais barracas, porque sempre poderá aparecer um novo PER.</P>
<P>
O azar de não viver numa barraca</P>
<P>
Seja como for, a mãe de Rita bem pode esperar. Antes do realojamento das 700 famílias que vão ser desalojadas pelas obras da Circular Regional Interna de Lisboa e da concretização do Programa Especial de Realojamentos, será difícil que o caso de Estefânia seja resolvido. «Os realojamentos da CRIL e o PER estão a exigir um grande esforço ao município e são acções prioritárias. Não temos capacidade de resposta, agora, para casos como os dessa família. Há muitas situações idênticas no concelho, que não estão abrangidas pelos programas existentes. Vamos quantificá-las e estudar soluções em articulação com a administração central», diz a vereadora. Só que as soluções, se chegarem, dificilmente virão antes dos próximos dez anos.</P>
<P>
Para os técnicos de acção social o caso apresenta dois grandes problemas: as condições infra-humanas onde vive aquela família e o futuro de Rita, que sofre de «uma ligeira deficiência mental». Quando foi detectada, a Segurança Social encaminhou a Rita para a Associação Pereira da Mota. «Chegou aqui com três anos, sem desenvolvimento nenhum. Não falava nem coordenava os movimentos. Era como um bebé», conta José Maria, responsável daquela instituição.</P>
<P>
«Estava num estado de degradação tão grande, que a Segurança Social arranjou uma técnica que esteve aqui três meses a trabalhar só com ela. Porque a Rita não sabia conviver. Apertava tanto os outros miúdos que eles fugiam assustados», sublinha José Maria. O comportamento de Rita era, então, o reflexo de ficar dias a fio sozinha e, segundo rumores, provavelmente presa. Mesmo recentemente, segundo algumas educadoras, a criança terá aparecido com marcas no pescoço atribuídas ao facto de ter estado presa com uma corda. Mas, até agora não passou de uma suspeita.</P>
<P>
«Nesta situação não se pode culpar ninguém, somos todos culpados. A mãe até nem é uma pessoa violenta. Sempre que a chamamos para tratar de assuntos da Rita ela vem. O problema é, sobretudo, a falta de condições do sítio onde vivem. A Rita é muito irrequieta, a mãe tem que sair para trabalhar nas hortas e não a pode levar atrás. Se tivessem uma casa como deve ser, seria mais fácil à mãe deixá-la sem perigo dela fugir. Mas, não sabemos como é que a mãe resolve o problema aos fins-de-semana», salienta uma assistente social da Associação Pereira da Mota.</P>
<P>
«A culpa é de todos nós»</P>
<P>
Para José Maria, a criança precisa sobretudo de outro ambiente familiar. «Ela tem evoluído bastante, e se tivesse apoio familiar podia vir a ser uma pessoa sem grandes dependências. Por muito que nós façamos por ela, nunca conseguiremos substituir aquilo que uma família pode dar. Nas actuais condições, a Rita vai acabar nas hortas como a mãe», diz.</P>
<P>
Há dois anos, conta o responsável da associação, a Pereira da Mota deixou de ter capacidade para responder às necessidades de desenvolvimento da Rita. Passou então a frequentar, durante a manhã, um estabelecimento de ensino especial do concelho de Loures, onde está sujeita a cuidados especiais, nomeadamente terapia da fala. À tarde continua a frequentar o ATL (actividades de tempos livres) da Associação Pereira da Mota. «O seu futuro é o que agora nos preocupa, porque dentro de poucos anos vai deixar de ter idade para frequentar a instituição», sublinha José Maria.</P>
<P>
A mãe de Rita -- separada do pai dos quatro filhos mais velhos e viúva do pai das duas crianças mais novas -- está ansiosa por sair do convento. «Mas, não quero ir para muito longe. É aqui que tenho o meu trabalho [como trabalhadora rural e mulher a dias]», diz Estefânia de Jesus. Por outro lado, a vizinhança já conhece a situação e tem sido solidária, sobretudo dando roupas. «Do meu serviço trago hortaliças, o resto tenho de comprar. A água vou buscá-la a casa de uma vizinha. À noite uso velas ou candeeiro a petróleo. E tomamos banho em alguidares», conta.</P>
<P>
Quem conhece esta família tem procurado uma solução definitiva, que passará sempre pela resolução do problema habitacional. É o caso de Isabel Vieira, da Associação Dr. João dos Santos, que recentemente se deslocou ao local para fazer um levantamento da situação para remeter à Cruz Vermelha, Câmara de Loures, Centro de Emprego de Loures, e outras entidades com competência para actuar.</P>
<P>
Porém, a intervenção dessas entidades poucas esperanças já inspiram à família de Rita. É que sendo o caso conhecido da Segurança Social há já cinco anos, sabendo a autarquia de Loures da existência desta situação desde 1991, a verdade é nada foi feito para tirar cinco pessoas do meio de um pardieiro. Como sempre, acaba por imperar o jogo de empurra em que a responsabilidade é sempre do outro. No entanto, como diz a assistente social da Pereira da Mota, «a culpa é de todos nós».</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-1175">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
As chuvas que atingiram a cidade na manhã de ontem provocaram congestionamentos de até 104 km de extensão entre as 9h e 9h30. Muitas ruas tiveram pontos de alagamento. O trânsito somente se normalizou por volta das 11h30.</P>
<P>
Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a média normal de congestionamentos no pico da manhã, entre as 7h e as 9h30 da manhã, costuma ficar por volta de 75km de extensão.</P>
<P>
A coincidência entre o horário do início da chuva e o final do horário de pico do movimento da manhã foi apontada pela CET como principal causa dos congestionamentos.</P>
<P>
Desabamento</P>
<P>
No Jardim Monte Líbano (zona sul), perto da divisa com Diadema, uma casa desabou durante o temporal, por volta das 9h30.</P>
<P>
A garota Liliane Rodrigues Bonfim, 11, estava sozinha na casa na hora do desabamento e ficou soterrada por cerca de meia hora, sendo resgatada pelos bombeiros apenas com ferimentos leves.</P>
<P>
Na zona leste, o elevado Aricanduva ficou alagado no seu início, no sentido Itaquera-marginal. A avenida Inajar de Souza ficou alagada na altura do número 2.500, no sentido bairro-centro.</P>
<P>
Na zona oeste, o transbordamento do córrego Pirajussara provocou o alagamento da avenida Francisco Morato. Houve ainda cerca de 15 pontos de alagamento na cidade que, segundo a CET, não afetaram o trânsito.</P>
<P>
A marginal Tietê ficou alagada nos dois sentidos na altura da ponte Anhanguera. Na ponte da Freguesia do Ó, no sentido Penha-Lapa, também houve alagamento de pista. Na altura da ponte do Limão, também no sentido Penha-Lapa, houve alagamento da pista local.</P>
<P>
Na marginal Pinheiros, os principais pontos de alagamento aconteceram na ponte da Cidade Jardim (nos dois sentidos), na ponte do Morumbi (no sentido Jaguaré-Santo Amaro) e na ponte João Dias (sentido Santo-Amaro-Jaguaré).</P>
<P>
A rodovia Dutra também apresentou alguns pontos de alagamento na altura do km 235, no sentido Rio-São Paulo, provocando um congestionamento de cerca de 3km de extensão.</P>
<P>
Previsão</P>
<P>
A estação metereológica de Santana (zona norte) mediu ontem pela manhã 38mm de chuvas em menos de uma hora, índice considerado alto.</P>
<P>
Segundo o Inmet (Instituto Naccional de Metereologia), as chuvas ocorreram devido a uma frente fria sobre São Paulo, que hoje começa a se deslocar na direção do Rio de Janeiro.</P>
<P>
A previsão do Inmet para hoje é de tempo parcialmente nublado pela manhã, com possibilidades de chuvas à tarde.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21974">
<P>
Lisboa: a requalificação da área metropolitana</P>
<P>
Nuno Teotónio Pereira</P>
<P>
Com o forte dinamismo que tem mostrado o poder local e a ajuda dos fundos comunitários e do Governo central, o ambiente urbano da Área Metropolitana de Lisboa [AML] tem vindo a sofrer um processo de requalificação que deve ser assinalado. De um amontoado desarticulado de subúrbios desumanizados que se foi construindo ao longo da últimas décadas, assiste-se a um esforço de reestruturação e de construção de equipamentos que nos dá a esperança de melhorias substanciais nos próximos anos.</P>
<P>
Efectivamente, a herança dos últimos 40 anos é pesada: quase dois milhões de pessoas vivendo em tecidos construídos dispersos, à custa de urbanizações com base em quintas divididas em loteamentos especulativos, sem os mínimos equipamentos de saneamento básico, de rede viária ou de equipamentos sócio-culturais, formando uma mancha de óleo esfarrapada à volta da capital, com grandes bolsas de miséria constituídas por bairros de lata e ainda extensíssimos bairros clandestinos.</P>
<P>
Desfrutando de autonomia, assumindo as suas responsabilidades face às populações, dispondo de aparelhos competentes e devotados, as câmaras municipais têm desenvolvido uma série de acções que vão humanizando esses espaços caóticos na intenção de fazer cidade. Não disponho de informação, nem caberia isso neste artigo, para fazer uma lista exaustiva de tais empreendimentos, mas alguns exemplos dão ideia do alcance das obras em curso ou planeadas. Neste elenco deixo de fora Setúbal, por ser já uma cidade com dimensão e identidade, embora integrada na AML.</P>
<P>
Em matéria de saneamento básico, há que assinalar a importância da despoluição do litoral da Costa do Estoril, com a construção de um interceptor geral e de uma ETAR [estação de tratamento de águas residuais] na Guia, e do qual falta ainda construir um troço, mas que se traduziu já num benefício sensível na qualidade da água nas praias. Há, por outro lado, a despoluição do Trancão, com a construção de uma grande ETAR, que está em fase de arranque.</P>
<P>
Na margem sul, a construção da ETAR na Quinta da Bomba, intermunicipal, vai despoluir a baía do Seixal, abrangendo grande parte deste concelho e do de Almada. E, quanto aos resíduos sólidos urbanos, está em construção a unidade de compostagem de Trajouce e em adjudicação a grande central incineradora de Loures, para a parte central e oriental da AML.</P>
<P>
No que toca a zonas verdes, refira-se a construção, já há anos, dos parques centrais da Amadora e da Moita, que vieram introduzir áreas de frescura e de lazer nos aglomerados populacionais. Há ainda o parque marginal da Baixa da Banheira, na Moita, e está em projecto o Parque da Paz em Almada. Refira-se neste concelho o modelar cemitério do Feijó. Na serra de Carnaxide está em projecto um grande parque urbano. Ainda neste campo, destaque para o arranjo da faixa marginal de Oeiras, com equipamentos lúdico-desportivos. A somar a isto, registe-se a arborização de arruamentos, de que Almada é um bom exemplo.</P>
<P>
Quanto à reabilitação de edifícios e espaços para usos culturais, assinale-se o Solar dos Zagalos e a Casa da Cerca de Almada e a Igreja da Misericórdia de Alcochete, bem como o antigo casino de Sintra e o Teatro Carlos Manuel na mesma vila, em fase de reabilitação, o Palácio do Sobralinho em Vila Franca de Xira e o Palácio dos Ciprestes em Linda-a-Velha. Realce-se o Museu de Loures, o núcleo museológico de Odrinhas, em Sintra, e o interessante Eco-Museu do Seixal, constituído por vários núcleos, e os equipamentos desportivos tais como piscinas e os pavilhões de Loures e de Almada. E ainda o Teatro da Malaposta em Olival Basto, iniciativa intermunicipal, e a nova biblioteca municipal do Barreiro. E, no concelho de Oeiras, a Escola de Música e a construção de um teatro de bolso em Linda-a-Velha.</P>
<P>
Estão ainda em curso planos de reabilitação da vila antiga em Almada e dos centros de Vila Franca, Paço d'Arcos e Oeiras. Lugar de destaque merecem as antigas instalações da Fábrica de Pólvora de Bracarena, em Oeiras, vasto complexo que irá albergar diversas instituições e uma área verde. E existem empreendimentos em projecto de vasto alcance: a valorização da frente marginal do Seixal, objecto de um concurso público, e a beneficiação da vila de Sintra.</P>
<P>
As grandes manchas de clandestinos têm sido objecto de obras de reabilitação, com particular destaque nos concelhos de Loures, Amadora, Sintra e Sesimbra (Quinta do Conde). Há ainda as obras nas redes viárias que têm sido feitas a nível de municípios apoiadas nos grandes eixos de iniciativa governamental em curso ou em projecto -- CRIL, CREL e anel de Coina. E, a nível de projectos, o metropolitanos de superfície na margem sul e a rede de eléctricos rápidos em Loures, os quais, juntamente com o comboio na ponte, irão melhorar substancialmente as condições do transporte pendular em direcção a Lisboa.</P>
<P>
Poder-se-ia falar ainda nas actividades culturais que as próprias câmaras promovem ou a que dão apoio: a Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, o Colóquio sobre a Utopia em Cascais, os festivais de música de Sintra, do Estoril e dos Capuchos, a Companhia de Teatro de Almada e a Trienal da Arquitectura de Sintra.</P>
<P>
No campo da habitação social, destaque para a Câmara de Oeiras, que vem desenvolvendo desde há anos programas bem delineados. Mas agora está-se perante o PER (mais conhecido por erradicação de barracas). Vai exigir áreas muito grandes destinadas ao realojamento e será decisivo para o ambiente urbano da AML que não sejam concentradas, antes enquadradas entre urbanizações de habitação corrente e dotadas dos necessários equipamentos. Neste aspecto, têm-se construído centros de dia, infantários e escolas, mas o seu número é de certeza ainda insuficiente.</P>
<P>
Haverá que ter todos os cuidados no planeamento do PER, apesar da grande dificuldade que consiste na disponibilização de terrenos bem localizados e nos problemas de rejeição que pode provocar o realojamento de população das barracas. Este é um dos grandes desafios que desde já se apresentam.</P>
<P>
Mas um outro desafio se coloca para a requalificação da AML: a criação de novas centralidades, de que é exemplo o Taguspark, em Oeiras. Sem isso não se poderá falar de cidades nem do equilíbrio interno da região. É natural que estejam já previstas nos planos directores municipais entretanto em vigor ou no Plano da Área Metropolitana, em fase de conclusão.</P>
<P>
Pouco do que fica descrito se poderia fazer não fosse a criação do poder local, a transferência de competências e fundos para as câmaras e os investimentos da Administração central. A obra feita e o que está a ser planeado criam, assim, perspectivas favoráveis a que os insípidos subúrbios da capital deixem de ser os desagradáveis e informes dormitórios que as últimas décadas nos legaram, para ser lugares onde será mais aprazível viver. Mas a herança é, de facto, pesada: muitas das situações são irreversíveis, afectando grandes manchas de território caótico e desordenado, atestando o desleixo que perdurou durante demasiado tempo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-50494">
<P>
PS e PCP divergem sobre PER em Lisboa</P>
<P>
Globalmente bom, globalmente mau</P>
<P>
Um programa «globalmente muito positivo, que veio corresponder em grande medida àquilo que a Câmara Municipal de Lisboa reclamava desde 1990», disse o vereador do PS Vasco Franco, responsável pelo pelouro da Habitação. «Tenho um optimismo aquém do do vereador Vasco Franco», afirmou logo a seguir o titular da Educação, António Abreu, seu parceiro de executivo mas eleito pelo PCP.</P>
<P>
O diferente entendimento foi, depois, confirmado pelas bancadas dos dois partidos na Assembleia Municipal, órgão que, ontem à tarde, discutiu o Programa Especial de Realojamento (PER), que agora começará a ser discutido com freguesias e outras entidades interessadas. José Leitão, em nome dos socialistas, referiu que «não há alternativa ao PER». Jorge Cordeiro, em nome dos comunistas, considerou o programa uma «resposta atamancada a dez anos de falta de política de habitação do Governo» de cujo êxito duvida, a menos que seja acompanhado de outras políticas sociais.</P>
<P>
Não quer isto dizer que os socialistas não tenham feito críticas ao programa que, no caso de Lisboa, foi assinado entre a autarquia e o Governo em Maio do ano passado. Vasco Franco apontou «indefinições relevantes» e defendeu a necessidade de «correcções e afinações»: a garantia de que o Governo financiará as infra-estruturas, arranjos exteriores, equipamentos e áreas de estacionamento dos edifícios dos mais de 11 mil fogos a construir no concelho.</P>
<P>
Uma proposta que o Governo teria encarado com interesse, mas a que ainda não deu a resposta que a autarquia deseja é ao pedido de «apoio financeiro» às famílias que queiram optar pela compra de casa própria fora dos bairros de realojamento do PER, programa que pretende acabar com as barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.</P>
<P>
Só com financiamento governamental, defendeu a generalidade dos grupos representados na assembleia, ficará assegurada a «qualidade do espaço urbano». A título de exemplo, António Abreu estimou em cerca de 3,4 milhões de contos o investimento previsto para a construção e adaptação de jardins de infância e escolas que será preciso criar para servir os realojados. A necessidade desse apoio foi defendida com o argumento do «endividamento muito grande» que o município terá de fazer para pagar os 50 por cento de custos deste programa orçado em 70 milhões de contos.</P>
<P>
Vítor Reis, ex-vereador do PSD, alto responsável do Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE), reiterou o «total e indefectível» apoio do seu partido à concretização do PER em Lisboa e lamentou que «alguns, em vez de procurarem arranjar soluções só arranjem complicações». Adiantou que estão previstos apoios na área dos equipamentos sociais e referiu que um dos grandes méritos do programa é o seu «carácter metropolitano»: ao abranger toda a região, trava o afluxo de residentes de concelhos onde não havia uma política de habitação social a Lisboa, onde ela já existia.</P>
<P>
O PER, recorde-se, prevê que metade do custo das habitações seja suportado pela administração central -- através do IGAPHE e do Instituto Nacional de Habitação. O financiamento da outra metade cabe aos municípios que podem recorrer a empréstimos daquelas entidades, feitos a uma taxa de juro líquida de 3,5 por cento. Além de Lisboa, o programa abrange 27 concelhos, num total de 48 mil pessoas. O investimento total previsto é da ordem dos 332 milhões de contos</P>
<P>
João Manuel Rocha</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30957">
<P>
Corveta portuguesa observa plutónio fora de águas nacionais</P>
<P>
O cargueiro britânico Pacific Pintail, transportando a bordo 14 toneladas de plutónio provenientes de uma central de reprocessamento de resíduos da Normândia entrou, ontem, ao princípio da tarde, nas proximidades das águas territoriais portuguesas onde se deverá manter até amanhã. "A nossa postura é a de acompanhar o navio, não o deixando entrar em águas territoriais portuguesas" disse, ontem, ao PÚBLICO o capitão Brites Nunes, do gabinete do Almirante Chefe do Estado Maior da Armada.</P>
<P>
Navegando lentamente, entre os 12 e os 13 nós, o Pacific Pintail saiu de Cherburgo, no passado dia 23 de Fevereiro com destino a Mutsu-Ogaware, no Japão. Ontem, pelas 15h00, algumas horas depois do planeado devido ao mau tempo que se fez sentir, entrou no limite Norte da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal.</P>
<P>
Ao contrário do que aconteceu em Espanha, em que foi autorizado a navegar dentro da ZEE, o cargueiro deverá manter-se durante o seu trajecto entre o continente e os Açores e entre este arquipélago e o da Madeira, sempre em águas internacionais, evitando as rotas comercias e a ZEE portuguesa, demarcada até 370 quilómetros da costa. Neste período será vigiado pela corveta "Oliveira e Carmo", prevendo-se que deixe as imediações da ZEE portuguesa cerca das 15h00 de amanhã. Colocam-se duas opções ao Pacific Pintail para prosseguir viagem: a rota do Cabo, passando a sul do Cabo da Boa Esperança; o trajecto pelo sul da América do Sul.</P>
<P>
Às 16h30 de domingo o cargueiro encontrava-se no paralelo de Viana do Castelo, vigiado a uma distância de duas a três milhas, pelo Solo, o navio do movimento ecologista Greenpeace, que leva a bordo 18 pessoas, e pela corveta portuguesa "Oliveira e Carmo".</P>
<P>
O capitão Brites Nunes lembrou que a posição do Estado Maior da Armada relativamente ao Pacific Pintail é idêntica "à que foi tomada, em 1992, quando o Akatsuki Maru passou nas imediações da costa de Portugal". A embarcação cumpria o primeiro carregamento de um contrato assinado em 1976 para reprocessar, em centrais europeias, 2800 toneladas de combustível tóxico irradiado do Japão, prevendo-se que durante uma década fossem efectuadas duas viagens anuais para devolver à origem os resíduos nucleares.</P>
<P>
A população japonesa da região de Rokkasho, onde o lixo nuclear vai ser armazenado, opos-se a este facto. O Brasil, o Chile, as Filipinas e a África do Sul recusaram a passagem do navio britânico. Em Espanha a Greenpeace denunciou o facto de a carga transportada pelo navio britânico equivaler «a dez vezes o valor de radioactividade libertada no acidente da central nuclear de Chernobyl». Cristina Ferreira</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75992">
<P>
Japoneses no ar</P>
<P>
Um sonho de Da Vinci foi realizado pelos japoneses, que, se nos habituaram às mais incríveis maravilhas electrónicas, escolheram desta vez algo mais humano. Puseram um estudante de 20 anos a pedalar com toda a força e lá levantou voo o «Yuri», um helicóptero com propulsão humana, que se ergueu a 60 centímetros do chão durante 20 segundos (ou, para falar em termos de precisão, muito estimada pelos japoneses, 19 segundos e 46 centésimos), o que dizem ser recorde mundial. O «Yuri», no entanto, já não aguentou a terceira tentativa e estatelou-se com os seus 38 quilos, após outros 11 segundos no ar.</P>
<P>
O ladrão que saiu do frio</P>
<P>
Para quem se dedica ao crime, torna-se uma necessidade encontrar formas de escapar à lei e aos seus agentes. Ora, o que é que faltava arranjar? Um espanhol de 29 anos, habitante de Córdova e que já tinha sido preso umas 20 vezes por vários assaltos, decidiu tirar as prateleiras do frigorífico e esconder-se lá dentro. E foi mesmo aí que a polícia foi dar com ele, com um ar pouco saudável, anteontem, quando ia em busca de um suspeito.</P>
<P>
Ladrões de "lingerie"</P>
<P>
Cuecas de senhora, soutiens, «bodies» e outras peças de lingerie, num valor de 200 mil marcos (cerca de 20 mil e 400 contos), foi o resultado de um estranho, assalto durante a noite de domingo para segunda, a uma loja de roupas em Bona, Alemanha. De gosto determinado, os assaltantes, de sexo ainda não apurado, percorreram a zona de roupa interior feminina e, à vontade, escolheram as marcas mais caras, sem se saber se para presente ou uso próprio.</P>
<P>
Ter peso ou não, eis a questão</P>
<P>
Para os lutadores de «sumo» é essencial o peso e a camada de gordura que ajuda a evitar ferimentos, mas o problema é quando depois se quer perder alguma dessa defesa, como sucede agora ao famoso Konishiki, o mais pesado na história deste desporto milenar japonês. Com 30 anos, a contas com 262 quilos para 1 metro e 87 de altura e com problemas de gota, de joelhos e possíveis perigos para o coração, pensa reformar-se das lutas e tornar-se treinador, agente, confidente e figura modelo para outros lutadores. A questão está em desistir da comida farta (cerca de 10 mil calorias por dia, três vezes mais que o adulto médio).</P>
<P>
Cura milagrosa</P>
<P>
33 ingleses regressaram a casa após terem passado 10 dias numa ilha para não fumadores afirmando que este "exílio" voluntário os curou do hábito de fumar. Bill Moir, o homem que idealizou este retiro para fumadores na ilha de Lundy situada a 20 Km da costa do sudoeste inglês, afirmou que este primeiro grupo de pessoas que se submeteu ao tratamento de choque conseguiu deixar de pensar em nicotina através de um programa de cura que inclui passeios ao longo dos 4,8 Km da ilha, viagens de barco, discussões "anti-tabaco" e sessões de meditação.</P>
<P>
É proibido fumar</P>
<P>
A partir do dia 8 de Abril será proibido fumar em todos os locais de trabalho que estejam sob a alçada do Departamento de Defesa norte-americano. Cerca de 2,6 milhões de pessoas são directamente afectadas por esta medida oficial do Pentágono que procura proteger os seus empregados da exposição involuntária ao tabaco. Todas as instalações militares americanas, tanto nos EUA como no estrangeiro, vão ser atingidas por esta "saudável" interdição.</P>
<P>
Submarino para ver o monstro</P>
<P>
Centenas de pessoas reservaram bilhetes para visitas de submarino ao famoso Loch Ness na esperança de vislumbrarem o temível monstro que supostamente habita este lago escocês. As visitas serão feitas num pequeno submarino de pesquisa canadiano que tem capacidade para levar cinco passageiros e o custo de cada bilhete é de 70 libras (cerca de 18 contos). Por tanto dinheiro, talvez o monstro decida aparecer.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-30452">
<P>
Filhos da droga</P>
<P>
Paula Torres de Carvalho</P>
<P>
Nascem, quase todos, com baixo peso, e apresentam o «síndrome de privação», resultante da falta de droga. São algumas das características dos bebés, filhos de mães toxicodependentes cujo número tende a aumentar em Portugal. Um novo «grupo de risco» que está a surgir, alertam os pediatras. Não só pelos problemas de saúde que apresentam mas pelas condições do meio social e familiar em que se inserem, onde, na maior parte dos casos, a avó é a figura central.</P>
<P>
Uma das consequências mais preocupantes do consumo habitual de drogas tem vindo a observar-se nos bebés recém-nascidos, filhos de mães toxicodependentes. Um estudo recentemente publicado, coordenado pelo pediatra José Martins Palminha, director do serviço de pediatria do Hospital São Francisco Xavier, revela que 110 novos casos surgem, por ano, no distrito de Lisboa. Por extrapolação para o país, admite-se o aparecimento, todos os anos, de 500 a 600 casos novos. Na opinião dos autores, está a assistir-se ao surgimento de «um novo grupo de risco nos planos biológico, social e psíquico».</P>
<P>
Esta investigação pluridisciplinar, que ganhou o prémio Bial de medicina de 1992, conclui que o uso abusivo de drogas durante a gravidez afecta o crescimento fetal e provoca alterações neurocomportamentais no período perinatal, podendo mesmo prolongar-se muito para além dos primeiros meses de vida.</P>
<P>
A maioria dos bebés observados tinha baixo peso (inferior a 2500 gramas) e o muito baixo peso (inferior a 1500 gramas), e apresentava sinais típicos da «síndrome de privação», que se pode traduzir, entre outras manifestações, em irritabilidade, tremores, diarreia ou vómitos. Habitualmente, têm uma fome voraz, o padrão do sono alterado (que se pode prolongar vários meses após o nascimento) e escoriações dos pés provocadas pela agitação dos membros.</P>
<P>
Parte destes recém-nascidos foram sujeitos a manobras de reanimação ao nascer. A mortalidade foi de 1,5 por cento. O número de casos de morte súbita do lactente é significativo nos filhos de mães heroinodependentes.</P>
<P>
Tanto o consumo de drogas pela mãe durante a gravidez como a «síndrome de privação» influenciam, segundo os autores desta investigação, as capacidades de adaptação precoce do recém-nascido, consideradas fundamentais no estabelecimento da relação precoce mãe-criança. Por outro lado, os internamentos prolongados, que obrigam à separação entre a mãe e o bebé, contribuem igualmente para atrasar o processo de vinculação.</P>
<P>
O estudo abrangeu um universo de 63 mães e de 66 recém-nascidos, observados ao longo de cinco anos (de 1987 a 1991). O seu objectivo consistiu em obter resposta a sete questões essenciais: qual a clínica e enquadramento sócio-familiar da grávida toxicodependente; quais os principais problemas dos recém-nascidos filhos de toxicodependentes; como se processa a interacção mãe-filho durante o internamento deste na unidade de cuidados intensivos; qual a estrutura das famílias em que o filho da toxicodependente está inserido; qual o desenvolvimento psicomotor, crescimento e vigilância de saúde destas crianças; quais os dados principais da avaliação pedopsiquiátrica e qual o perfil psicológico do toxicodependente.</P>
<P>
No período em análise, foi encontrada uma relação de uma mãe toxicodependente para 217 parturientes -- valor que cresceu para 1/200 casos nos últimos dois anos da investigação. A heroína foi a droga mais consumida na gravidez (60,3 por cento), seguida do álcool (17, 4 por cento). A maior distância, seguem-se a marijuana e a cocaína. Em 14 por cento dos casos, há politoxicodependência.</P>
<P>
A maioria das mulheres, cuja média de idades é de 26 anos, pertence a estratos sociais baixos, não tendo vigiado a gravidez. Dezasseis por cento das mães vivem em bairros da lata e 11 por cento em quartos alugados ou anexos. O estudo da interacção mãe-filho durante o internamento dos recém-nascidos nos cuidados intensivos revelou «sinais preocupantes e sugestivos de uma síndrome de desapego». Apenas um terço das mães visitou os filhos com regularidade e três por cento abandonou os bebés no hospital. Segundo o estudo, só oito por cento das mulheres participou com regularidade e de forma disciplinada na alimentação e higiene dos filhos.</P>
<P>
Mas não é só a saúde destas crianças que as coloca num grupo de risco. São, sobretudo, as condições do meio sócio-familiar em que vão viver. Para as analisar, a mesma equipa elaborou um estudo-piloto na área da Grande Lisboa.</P>
<P>
As avós-mães</P>
<P>
Uma das principais conclusões deste trabalho de campo desenvolvido junto de 22 famílias de mães toxicodependentes concluiu que, na maioria destas, a avó materna é a peça central. Em 72,7 por cento dos agregados, a avó está presente, encontrando-se como prestadora isolada de cuidados com o recém-nascido em metade das famílias.</P>
<P>
Em 90 por cento dos casos, contribui para a subsistência dos netos, ou isoladamente (31,8 por cento das situações) ou com outros familiares (59 por cento). Esta realidade justifica-se também pelo facto de 22,7 por cento das mães estarem ausentes por abandono ou por prisão.</P>
<P>
Quanto aos pais, 13 por cento estão presos, nove por cento abandonaram os filhos em conjunto com a mãe e 40,9 por cento estão separados das mães -- o que significa que, na maioria destas famílias, a figura masculina está ausente. É, segundo os investigadores, «a distorção do anel familiar, com eventual risco de alteração da socialização da criança».</P>
<P>
As avós substituem assim, muitas vezes, as mães e os pais, tornando-se numa figura central, sobre a qual recai um peso bastante elevado. Trabalham para a sobrevivência dos netos, cuidam deles, habitam em condições, na maioria dos casos, não satisfatórias, têm um salário de médio ou baixo nível e, além disso, têm ainda que se preocupar com os problemas de saúde (frequentemente graves) dos seus filhos, quando não delas próprias.</P>
<P>
A criança reduz a relação afectiva à linha materna, muitas vezes intensa e exclusivamente com a avó, o que pode perturbar o seu processo de socialização.</P>
<P>
São histórias de crianças que não constam das estatísticas da Santa Casa da Misericórdia. Os números mais recentes desta instituição dizem que, no ano passado, foram ali admitidas 20 crianças filhas de toxicodependentes. O futuro de onze delas está ainda em estudo. Seis já foram encaminhadas para adopção e três transferidas para lares.</P>
<P>
Até 26 deste mês, a Misericórdia acolheu sete crianças cujos pais são toxicodependentes, tendo apenas uma sido entregue aos avós. As restantes permanecem em centros de acolhimento. Segundo informação da Santa Casa, normalmente, os avós destas crianças não as assumem por não quererem continuar envolvidos no problema da droga. Esta é, segundo os autores do estudo, a primeira geração de filhos de toxicodependentes.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77220">
<P>
JAIME SPITZCOVSKY </P>
<P>
De Pequim </P>
<P>
O governo chinês, acostumado a reinar absoluto, queria que as manifestações no encontro das ONGs se confinassem a uma escola, um "protestódromo". Mas as mulheres não aceitaram a ordem e promoveram pequenos protestos nas ruas de Huairou.</P>
<P>
Ontem houve protestos da Anistia Internacional contra violações dos direitos humanos das mulheres e uma manifestação de japonesas contra testes nucleares.</P>
<P>
Também foi mostrado vídeo contrabandeado de Myanma (ex-Birmânia) com pronunciamento de Aung San Suu Kyi, a líder do movimento pró-democracia.</P>
<P>
Ela, Prêmio Nobel da Paz, foi libertada em julho passado, depois de seis anos em prisão domiciliar. Não tentou viajar a Pequim com medo de que o governo militar de Myanma impedisse sua volta.</P>
<P>
Aung San Suu Kyi pediu às mulheres que se mobilizem contra a intolerância e que busquem trazer "mais luz ao mundo".</P>
<P>
Enquanto o vídeo era mostrado, havia fora do prédio uma manifestação de cerca de 20 militantes da Anistia Internacional, entidade pró-direitos humanos e não-governamental com sede em Londres. Mostravam 12 casos de violações de direitos humanos de mulheres.</P>
<P>
Citavam o caso de duas chinesas presas. A jornalista Gao Yu foi acusada de revelar "segredos de Estado" em reportagens sobre corrupção no governo.</P>
<P>
Contra a religiosa budista Phuntsog Niydro pesa a acusação de defender a independência do Tibete, região ocupada por tropas chinesas.</P>
<P>
Hoje pela manhã, um grupo de nove exiladas tibetanas, amordaçadas, fez um protesto contra a China. Mulheres à volta gritaram: "Liberdade, liberdade". Policiais vigiaram o ato sem interferir.</P>
<P>
No vídeo também foi mencionado o caso da brasileira Edméia da Silva Eugênio. Ela e sua amiga Sheila da Conceição foram assassinadas no Rio de Janeiro no início de 1994. A Anistia suspeita que policiais sejam os responsáveis.</P>
<P>
Edméia foi uma das líderes do movimento de mães que exigia investigação para o caso de 11 crianças sequestradas em uma fazenda em Magé (RJ) em julho de 1990, desaparecidas até hoje. Entre os sequestrados estava seu filho.</P>
<P>
A polícia chinesa não interveio para dissolver a manifestação da Anistia. Uma chinesa com um megafone disse em inglês que o ato deveria ser realizado no "protestódromo". Foi ignorada.</P>
<P>
A polícia, no entanto, filmou a ação da Anistia. Essa tem sido uma de suas tentativas de intimidar os ativistas. Num seminário sobre direitos humanos, dois fotógrafos e dois cinegrafistas registraram imagens dos participantes.</P>
<P>
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Chen Jian, admitiu ontem que as leis da ONU prevalecem nos locais do encontro de ONGs e da conferência.</P>
<P>
Portanto, há em Huairou liberdade de expressão, e a polícia não pode exigir a limitação das manifestações ao "protestódromo".</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-19181">
<P>
US Open: Federer campeão</P>
<P>
PELO QUARTO ANO CONSECUTIVO		</P>
<P>
Roger Federer conquistou este domingo pela quarta vez consecutiva o US Open, ao bater na final o sérvio Novak Djokovic por 7-6(4), 7-6(2) e 6-4.</P>
<P>
Com este triunfo, o suíço contabiliza 12 vitórias em torneios do Grand Slam, aproximando-se do recorde de 14, que pertence a Pete Sampras.</P>
<P>
A final demorou 2.26 horas e o líder mundial fez 11 ases contra apenas 5 do sérvio. Ao helvético apenas lhe falta o título no Open de França, em Roland Garros.</P>
<P>
Entretanto, a francesa Nathalie Dechy conquistou o seu segundo título consecutivo em pares femininos. Dechy e a russa Dinara Safina bateram Chan Yung-jan e Chuang Chia-jung (Taiwan), por 6-4 e 6-2.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-50104">
<P>
O mais moderno paquete do mundo faz escala em Lisboa</P>
<P>
Super-luxo flutuante</P>
<P>
O paquete britânico Oriana, o mais recente e sofisticado navio de cruzeiros do mundo, é esperado hoje em Lisboa, o terceiro porto da sua viagem inaugural. Na sua primeira escala, o Oriana foi recebido festivamente no porto do Funchal, tendo as autoridades regionais participado na recepção oficial oferecida pelo comandante Ian Gibb.</P>
<P>
"O navio é magnífico, comporta-se muito bem no alto mar e os passageiros estão encantados com a viagem", disse o veterano oficial da marinha que considera o seu novo paquete "centenas de vezes melhor" do que o Canberra, do mesmo armador, em cujos comandos permaneceu durante vários anos. A partida da capital madeirense para as Canárias, onde passou antes de rumar até Lisboa, foi acompanhada até ao largo por inúmeras embarcações de recreio, mobilizadas pelo Clube de Entusiastas de Navios e Associação Regional de Vela, Canoagem e Remo da Madeira.</P>
<P>
O Oriana -- que no decurso do corrente ano voltará a escalar a Madeira por quatro vezes, a última para assistir à tradicional noite de São Silvestre -- transportava nesta viagem inaugural 2600 garrafas de champanhe e de vinho branco, 33 mil garrafas de cerveja, 10.500 litros de leite e 14.600 quilos de carne.</P>
<P>
O navio-almirante da britânica Peninsular and Oriental Steam Navigation Company (P&amp;O) envolveu um investimento de 200 milhões de libras. Dotado dos mais avanços meios tecnológicos de navegação, tem 260 metros de comprimento, 32,2 de boca e uma arqueação bruta na ordem de 69 mil toneladas, transportando 1.975 passageiros e cerca de 760 tripulantes. Os interiores apresentam uma decoração exuberante, com mais de três mil obras de arte originais, concebida com a intenção de agradar a todo o tipo de passageiros aos quais proporciona diversificados espaços e zonas sociais, desde cinemas a discotecas e jardins de infância. Na viagem de três dias entre Southampton e o Funchal, o navio construído nos estaleiros alemães da Meyer Werft, atingiu, com os seus 54 mil cavalos de potência, a velocidade máxima de 25 nós.</P>
<P>
O Oriana deve chegar esta manhã ao cais do Jardim do Tabaco.</P>
<P>
T. de N.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-97297"> 
<P> George Steiner - holocausto ou holocaustos? </P>
 <P> George Steiner esteve recentemente em Portugal e de acordo com notícia no Ciência Hoje o ensaísta vem proferir um discurso que a Europa é uma civilização decadente e que aparecerão outros locais do planeta como a China e a Índia ?. Esta afirmação levantou-me uma série de inquitações: </P>
 <P> Ora a Índia e a China já têm o seu espaço, as suas incongruências e cometendo os piores atentados ecológicos de sempre enquanto hoje há uma Europa que tem feito da sustentabilidade um exemplo a este planeta...exigir mais é possível, concerteza. </P>
 <P> Mas George Steiner (G.S.), proferiu uma outra barbaridade ainda mais grave uma civilização que mata os seus judeus não recupera...Não visitou o memorial em Berlim, concerteza...ou tão aplaudido sábio terá esquecido de Aristides Sousa Mendes ou de Oskar Schindler ? </P>
 <P> Por mim G.S. que fique pela América e ataque outros holocaustos que não criticou: Guantanamo, o muro internacional no México, que ataque a
administração Bush que ainda não assinou o Protocolo de Quioto, que ataque um país que mantem a pena de morte, que ataque um país onde é constitucional o uso de armas...e lembrar-lhe que há muitos holocaustos no mundo... </P>
 <P> G.S., enquanto aufere uns bons milhões de dólares e estará num gabinete provavelmente nada ecológico, com ar condicionado, podia sair um pouco da sua aura de eterna vítima de anti-semitismo e demonstar mais solidariedade com estas irracionalidades no Mundo de hoje como Angola e que são também holocautos tão ou mais graves que Kosovo e/ou Israel-Palestina: Darfur, Birmânia, Congo, Ruanda, Singapura, Indonésia, Tibete, povos da Amazónia, Curdos e Nações sem Estado. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-13114">
<P>
Números da PSP contrariam comerciantes e moradores</P>
<P>
PSD nega aumento da insegurança na Baixa</P>
<P>
Os vereadores do PSD na Câmara de Lisboa responsabilizam, em comunicado emitido quarta-feira, a gestão municipal, «nos seus sucessivos mandatos», pela desertificação humana da Baixa pombalina e o consequente aumento da insegurança, apesar de, sublinham, «o número de incidentes» ali registados não estar a aumentar, contrariando, assim, os relatos dos próprios comerciantes e moradores vítimas de assaltos nos últimos meses.</P>
<P>
No documento, os sociais-democratas referem que «nos últimos 20 anos a população da Baixa teve uma redução de dois terços», atribuindo a culpa da situação à Câmara de Lisboa. Os eleitos do PSD propõem, assim, que naquela zona histórica da cidade «se promovam medidas conducentes à fixação de mais residentes, por um lado, e, por outro, se incentivem actividades que lhe dêem vida à noite».</P>
<P>
Ao mesmo tempo, os autarcas do PSD sublinham que, existindo Polícia Municipal, a autarquia está «em condições de destacar para ali um maior número de agentes, o que já devia ter feito». Trata-se de uma sugestão que Vasco Franco, vereador responsável pela Polícia Municipal, considera «ridícula e da maior ignorância» vindo «de quem (do vereador social-democrata Macário Correia) tem defendido a extinção da das polícias municipais».</P>
<P>
«Quem tem defendido o reforço das polícias municipais é o PS e não o PSD, pois foi o Governo social-democrata quem retirou competências às polícias das cidades, alterando-lhes os estatutos para meros funcionários autárquicos», sublinha Vasco Franco, referindo-se ao diploma regulador das atribuições e competências das polícias municipais, de Agosto do ano passado, veio transformar os elementos daquelas forças em «funcionários dos serviços municipais de polícia», sem capacidade para intervirem em situações de perturbação da ordem pública.</P>
<P>
Vasco Franco considera, ainda, o comunicado do PSD como um acto «de oportunismo desenvergonhado». Isto porque o documento terá surgido na sequência de uma proposta do vereador do CDS-PP, Pedro Feist, apresentada na reunião de Câmara de quarta-feira, e na qual se defendia o reforço policial nas zonas mais desertas da cidade, como a Baixa, e a revogação do novo regime das policias municipais. A proposta, cuja votação foi adiada para reformulação, terá sido considerada alarmista por Macário Correia.</P>
<P>
O comunicado -- onde o PSD se insurge contra «alguns partidos» que nas últimas semanas «agitaram a bandeira da insegurança, tendo por atenção geral as áreas urbanas e em particular a Baixa de Lisboa» -- afirma que na Baixa «o número de agentes [da PSP] fardados e à civil em vigilância permanente é superior ao difundido por alguns partidos». No entanto, o documento laranja não refere quantos guardas da Polícia de Segurança Pública vigiam regularmente o centro histórico da cidade.</P>
<P>
Os vereadores apontam dados fornecidos pela PSP para referir que a insegurança na Baixa não está a aumentar. Na realidade PÚBLICO também recebeu os números daquela força policial, que indicam apenas 14 assaltos a pessoas e dois a estabelecimentos naquela zona, durante o último trimestre de 1994, e apenas cinco assaltos a pessoas em Janeiro e zero a casas comerciais.</P>
<P>
Aqueles são, no entanto, números que contrariam a versão comerciantes, alguns dos quais foram já assaltados sete vezes, como é o caso da Loja Sol, ou o da Casa Polycarpo, que foi alvo de três furtos só este ano. Mas, a acreditar nos relatos dos proprietários das lojas, os furtos, nos primeiros meses de 1995, ascendem já às dezenas. Um morador, em carta ao PÚBLICO, conta que foi assaltado várias vezes, tal como a sua viatura, e que já este mês a sua casa e a de um vizinho foram também arrombadas.</P>
<P>
Com aquele panorama é difícil negar a insegurança na Baixa. Aliás, Vasco Franco, citando informações da polícia, o ano passado houve um aumento de 15 por cento no crimes registados na zona do comando distrital de Lisboa da PSP, relativamente a 1993. «Não devemos ser alarmistas, ao ponto de se dizer que Lisboa é uma cidade com muita insegurança, mas também não podemos enfiar a cabeça na areia», remata o vereador. Guilherme Paixão</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-97122">
<P>
Comunidade lusófona procura saída</P>
<P>
Fernando Dacosta</P>
<P>
Os embaixadores de Portugal, Brasil e PALOP vão, se nada de imprevisto suceder, reunir-se esta tarde no Palácio das Necessidades, para tentarem desbloquear o projecto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CLPC). A sua formalização, marcada para 28 de Junho, ficou suspensa devido à recusa dos chefes de Estado de Angola, São Tomé, Guiné e Moçambique virem a Lisboa, após a desistência de Itamar Franco. É provável que ao fim do dia o Grupo de Trabalho de Concertação Permanente da CPLP chegue a consenso sobre futuros calendários e compromissos. Itamar Franco, que recebeu novo convite de Mário Soares, afirmou já a sua disponibilidade para se deslocar a Portugal.</P>
<P>
Susceptibilidades, frustrações e interesses vários estiveram na origem do adiamento. «Uma conspiração de circunstâncias», no dizer do embaixador brasileiro, José Aparecido, ter-se-ia abatido sobre a cimeira.</P>
<P>
A morte do sobrinho do Presidente do Brasil, as eleições na Guiné, a campanha eleitoral em Moçambique, o recrudescimento da guerra em Angola, o temor por manifestações (em Lisboa) hostis ao regime de Luanda e o receio por parte de José Eduardo dos Santos de um protagonismo excessivo, sem Itamar Franco, de Mário Soares foram causas apontadas; a que, segundo alguns sectores, se teriam juntado pressões feitas em Corfu sobre Cavaco Silva por países europeus de língua francesa e inglesa com interesses em África, no sentido do seu adiamento.</P>
<P>
Pouco entusiasmo</P>
<P>
Sinais de pouco entusiasmo pela assinatura da Comunidade, nas circunstâncias propostas, eram entretanto perceptíveis. Mário Soares detectou-os, aliás, quando na posse de Mandela contactou com os presidentes dos PALOP.</P>
<P>
Nos tempos que correm, a concretização da Comunidade apenas interessa aos africanos se ela lhes garantir créditos folgados e acessos livres ao espaço português -- isto é, europeu.</P>
<P>
Os seus representantes foram sempre explícitos nisso. Na proposta de texto que apresentaram para a declaração final, reivindicaram facilidades de «circulação dos cidadãos dos países membros no espaço comunitário», «políticas de formação de quadros», «medidas visando a resolução dos problemas enfrentados pelas comunidades emigradas nos países membros, bem como a harmonização e o reforço da cooperação no domínio das políticas de emigração».</P>
<P>
Semelhantes compromissos dificilmente poderão ser cumpridos pelo actual Governo. Condicionada por Bruxelas, que está a endurecer as medias anti-imigração (veja-se a violência da luta agora aberta pela CE contra os dentistas brasileiros), Lisboa refugia-se, dados os acordos que tem com as antigas colónias -- mais de 200 tratados só com o Brasil --, na retórica, na duplicidade, na indefinição.</P>
<P>
No relatório que recentemente fez sobre os portugueses, Porter aconselha-nos mesmo a trocar de vez África pela Europa. Diversos tecnocratas, políticos, intelectuais, investidores vêem, com efeito, a Comunidade como uma fantasia -- que importa a língua portuguesa ser falada por 200 milhões de pessoas, se 90 por cento delas vivem de subsídios e 60 por cento são analfabetas? Que poder económico e consumista representa, afinal, o bloco luso-afro-brasileiro?</P>
<P>
Petróleo do séc. XXI</P>
<P>
Apesar dessa realidade, a defesa da língua é-nos uma batalha decisiva. Foi o que compreenderam o Brasil e os PALOP. Ao escolherem o português como idioma oficial, salvaram-no. Hoje ele pertence a todos os que o falam, o recriam, o rejuvenescem, o universalizam. As jovens nações africanas «fizeram mais por ele em 16 anos de independência do que nós em 500», lembra Manuel Ferreira. É essa riqueza patrimonial -- poderá ser no século XXI o nosso petróleoÊ-- que alguns têm, ao longo das últimas décadas, tentado preservar.</P>
<P>
A ideia da comunidade dos povos de língua portuguesa surge em 1912 com Sílvio Romero, que preconiza, no Rio, o lançamento de uma Confederação Luso-Brasileira. A Sociedade de Geografia de Lisboa apoia-o. Mais tarde, Agostinho da Silva abre o projecto a África e apresenta-o a Jânio Quadros, quando este sobe ao poder. Percebendo o seu alcance, o Presidente brasileiro desbloqueia-lhe espaços próprios.</P>
<P>
Em África, os líderes independentistas (caso de Amílcar Cabral) inflectem a seu favor. Em Portugal, Salazar mostra-se curioso -- e manda o ministro dos Estrangeiros, Franco Nogueira, convidar Agostinho da Silva a deslocar-se a Lisboa. Ele vem e é preso. Adriano Moreira tem de interromper um banquete no Palácio da Ajuda, para, vestido de fraque, ir buscá-lo de madrugada ao aeroporto.</P>
<P>
Pouco depois, Jânio cai, os dirigentes africanos afastam-se, Salazar atola-se na guerra colonial. Agostinho da Silva e Aparecido de Oliveira, que o projecto juntara, não mostram, porém, pressa. Sabem que a Comunidade só é possível em liberdade. Escritores, intelectuais, artistas, jornalistas, políticos ficam, em número crescente, do seu lado.</P>
<P>
O império desfaz-se, as ditaduras tombam. O processo de paz e democratização solta-se nos três continentes. O Instituto Internacional da Língua Portuguesa é lançado em S. Luís do Maranhão, no Brasil, com a presença dos chefes de Estado dos sete. Aparecido de Oliveira é o seu motor.</P>
<P>
Abóbada comum</P>
<P>
São anunciados planos de um Parlamento dos Povos de Língua Portuguesa para Angola, de uma Universidade dos Sete para Cabo Verde, de uma cadeia audiovisual para a Guiné-Bissau, de um Instituto Internacional de Língua Portuguesa para Moçambique, de um complexo económico e empresarial para São Tomé e Príncipe, faces de uma Comunidade de Países de Língua Portuguesa, a ser sediada, de dois anos, em cada estado membro. Timor-Leste, Macau e Galiza são prolongamentos da sua abóbada.</P>
<P>
As mudanças na África do Sul favorecem, pela influência que projectam nas transições de Moçambique e Angola, o projecto. «Não há especiarias orientais, nem ouros do Brasil, nem milhões europeus que o possam substituir», comenta Fernando dos Santos Neves, reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, cooperativa com extensões nos PALOP, Brasil, Portugal e zonas de emigração. «Já se fizeram todos os discursos possíveis sobre o espaço lusófono», acrescenta. «O que interessa agora é transformá-lo e realizá-lo.»</P>
<P>
A história dos países de língua portuguesa irá, seja qual for o desfecho dos esforços dos que tentam construir a Comunidade, guardar os passos agora dados em Lisboa.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49492">
<P>
Hélio Alves, preso anteontem, diz que padeiro detido na quinta teria planejado com outras 2 pessoas morte de menores </P>
<P>
Da FT e da Reportagem Local </P>
<P>
Helio Ferreira Alves, 25, preso anteontem pela polícia em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), sob acusação de participar da chacina de três adolescentes na última quinta-feira em Suzano, disse à polícia que o crime foi planejado e executado por comerciantes da região.</P>
<P>
O delegado seccional de Mogi, Alcides Singilo, disse que Alves negou envolvimento na chacina, mas teria apontado o comerciante Francisco José Druri, 21, e os mecânicos Paulo Sérgio dos Santos Ruiz, 21, e Edilson Pinto da Silva, 20, como os responsáveis pelos assassinatos.</P>
<P>
Segundo Singilo, Alves teria dito que Ruiz e Silva pegaram com Druri as armas usadas para atirar nos garotos.</P>
<P>
Druri está preso desde quinta-feira à noite em Mogi. Até ontem, a polícia tentava encontrar Ruiz e Silva, que estão foragidos desde o dia do crime.</P>
<P>
Druri, dono da padaria Padre Cícero, próxima ao local da chacina, nega envolvimento. Ele afirmou à polícia que sabia que Silva e Ruiz, dono de uma oficina vizinha à padaria, planejavam matar os meninos, mas negou ser o mandante do crime.</P>
<P>
Segundo Singilo, a hipótese de Alves ter participado da chacina é reforçada porque o acusado é cunhado do dono de uma casa de material de construção assaltada um dia antes da chacina. Os garotos eram acusados de praticar furtos na região.</P>
<P>
O delegado Marcelo Damas, da Divisão de Homicídios de Mogi, disse que Alves e Ruiz foram reconhecidos como autores do crime por M.S.F., 16, que sobreviveu à chacina.</P>
<P>
Segundo o depoimento de M.S.F, no dia anterior ao crime Druri conversou longamente com os assassinos. O comerciante teria ainda dado voltas de carro pela praça e apontado os garotos.</P>
<P>
Na chacina, três homens mataram a tiros João Henrique da Silva Oliveira, 15, André César Valdo, 14, e Romério Silva Alves, 16.</P>
<P>
Além de M.S.F., o garoto F.M., 13, baleado na barriga, sobreviveu. Ele está internado na Santa Casa de Suzano. Os dois sobreviventes estão sob proteção policial.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93499">
<P>
Da Folha Vale e ABCD</P>
<P>
Duas pessoas morreram e duas ficaram feridas em um acidente com um avião monomotor prefixo PTDEV anteontem à tarde em Atibaia (SP). O avião decolou da fazenda Vale El Dorado, por volta de 16h, e caiu um minuto depois. O juiz Bruno Boschetti Júnior e Thomas Mursymowski, estudante e sobrinho de Bruno,  morreram carbonizados. O enterro foi ontem às 15h30 em Santo André.</P>
<P>
Alexandre Rodrigues Duarte e Sofia Boschetti Duarte ficaram feridos e foram socorridos por moradores da fazenda. Os quatro ocupantes do avião moravam na região do ABC paulista. O Corpo de Bombeiros de Bragança Paulista foi acionado para ir até o local.</P>
<P>
Quando chegou, por volta de 16h40, os feridos já haviam sido socorridos. Segundo os bombeiros, o avião caiu menos de um minuto após a decolagem, que aconteceu da pista da fazenda, onde acontecem torneios aéreos.</P>
<P>
O Serviço Regional de Aviação Civil de São Paulo esteve no local para investigar as causas do acidente, mas não soube informar ontem o motivo da queda.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-37998">
<P>
Cascais terá 15,6 milhões para acabar com barracas</P>
<P>
A Câmara de Cascais prevê demolir 1.371 barracas e erguer 2.051 fogos nos próximos quatro anos, para o que se candidata a uma verba de 15,6 milhões do Programa Especial de Realojamento (PER), segundo o acordo de adesão a assinar sexta-feira com o Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.</P>
<P>
Ferreira do Amaral desloca-se sexta-feira aos paços do concelho de Cascais, para assinar com Francisco Ceia -- presidente da Câmara cessante, mas ainda em funções -- o acordo de adesão ao PER, que naquele município abrangerá um total de 5.138 pessoas a viver em barracas.</P>
<P>
O realojamento abrangerá diferentes zonas do concelho, estando aptas a avançar em primeiro lugar as que estão já infra-estruturadas, como é o caso de Cascais, Conceição da Abóboda e Galiza». Trajouce, Manique, Sassoeiros e Alapraia serão também abrangidas pelo PER.</P>
<P>
Para o acto da assinatura do acordo, Ferreira do Amaral convidou também o novo presidente da Câmara, José Luis Judas, eleito pelo PS, [que só dia 13 tomará posse do cargo], já que será durante o seu mandato que o programa de realojamento se concretizará.</P>
<P>
O PÚBLICO não conseguiu apurar ontem se o convite foi ou não aceite, mas o PS não está lá muito contente com o PSD, que recentemente aprovou na Assembleia Municipal de Cascais uma redução da taxa autárquica, o que levou a comissão política concelhia do PS a acusar o PSD de estar a boicotar o futuro da gestão autárquica encabeçada por por Judas.</P>
<P>
O novo presidente da Câmara de Cascais disse à agência Lusa que com a redução da taxa para 1,1 por cento, a Câmara vai dispor de menos 307 mil contos de financiamentos, o que torna ainda mais difícil a gestão do próximo executivo, já penalizada pela quebra de financiamento decorrente da redução do FEF.</P>
<P>
Segundo Judas, o PSD ao tomar a decisão na Assembleia Municipal, com a conivência do CDS e do PCP, veio mostrar que tem mau perder, já que sempre geriu a autarquia com uma taxa autárquica de 1,3 por cento.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31019">
<P>
Uma outra Lisboa</P>
<P>
Nuno Ferreira</P>
<P>
Por detrás de supermercados, debaixo de viadutos, nas arcadas de centros comerciais, em Santa Apolónia, existe uma Lisboa feita de gente sem casa para dormir cujo número não pára de aumentar. Entre os cerca de três mil sem abrigo, há cada vez mais jovens toxicodependentes, idosos sem dinheiro para ter uma casa e desempregados, muitos desempregados.</P>
<P>
«Não, não. Não tirem fotografias à gente, senão é que ninguém nos dá trabalho», grita Ramiro, um dos dois homens que todas as noite dormem, enrolados numas mantas, por debaixo de um viaduto junto à Praça de Espanha. Os silvos incessantes dos automóveis e o vento que circula por debaixo da ponte, tornam difícil ouvir o que diz Ramiro. «Tenho 61 anos. Quem é que dá emprego a um homem de 61 anos? Já fiz de tudo; fui cozinheiro no Hotel Estoril-Sol e em muitos outros sítios; estive em França, no Luxemburgo. Esfalfei-me a trabalhar para estar agora aqui na merda. O que nos vale é que qualquer dia começa a época da fruta e nós abalamos para o Bombarral e para as Caldas da Rainha.» E dormem onde? «Nos barracões dos lavradores. Sempre dão comida à gente...»</P>
<P>
Praça de Espanha, Campo Grande, Avenidas Novas, jardim da Casa da Moeda, Praça da Alegria, nas traseiras do Centro Comercial da Mouraria, nos Anjos, no Rossio, em Santa Apolónia, na Avenida 24 de Julho, em prédios abandonados, existe uma outra Lisboa que pernoita na rua.</P>
<P>
As Avenidas Novas são conhecidas por serem zonas respeitáveis e bem abonadas. Porém, por detrás de edifícios bem iluminados de supermercados, debaixo de viadutos, em frente de hotéis de cinco estrelas, por detrás de cinemas outrora muito concorridos, na entrada de multinacionais, existe gente a dormir.</P>
<P>
Na Mouraria, são os idosos que se acoitam, perto da esquadra do Martim Moniz, para se sentirem mais seguros. O número dos que dormem aí é tão grande que a Junta de Freguesia do Socorro passou a abrir o seu Balneário às seis da manhã, para que eles tenham aonde ir fazer as suas necessidades. Nos prédios abandonados, ficam os mais fortes, os toxicodependentes, os que conseguem defender-se.</P>
<P>
Simão, 67 anos, que dorme numa reentrância da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na Rua Camilo Castelo Branco, recebe uma pensão de invalidez de 17 contos, por conta de uma queda que deu num prédio abandonado. «Foi em São Sebastião da Pedreira. Um amigo meu ficou no sótão, eu fiquei no segundo andar. No dia seguinte, tropecei numa merda qualquer, caí dez degraus, parti a bacia.»</P>
<P>
Sobreviver na rua não é fácil e, para resistir ao frio e à solidão, consome-se muito álcool. «Têm de ser realistas! Não aldrabem!», grita António, 47 anos, que dorme com um amigo numa reentrância de um prédio do Largo das Palmeiras. Tem os olhos inchados e exala um hálito a vinho. «Senão», e abre muito os braços, «mando já o PÚBLICO à merda! Os jornais só querem é encher páginas com a nossa desgraça.»</P>
<P>
Muitos inventam histórias fantasistas para sensibilizar as assistentes sociais. Neste universo, inveja-se quem consegue mais um cobertor ou umas calças e rouba-se. «É um mundo onde não há nada, um mundo onde até um couto de uma vela tem de se defender», define Helena Rebelo, da Porta Amiga, um ramo da Assistência Médica Internacional (AMI). «Na rua, nunca fiz amigos», conta um ex-sem abrigo. «Só há amizades por interesse. De resto, rouba-se tudo: relógios, sapatos. Tem de se trazer connosco, senão roubam.»</P>
<P>
Na rua, há de tudo: os sem abrigo com problemas psíquicos e consumo de álcool, aqueles que saem de casa por problemas familiares, os toxicodependentes, os ex-reclusos, os desempregados e os que pura e simplesmente não ganham para ter uma casa.</P>
<P>
«Sou pintor», explica-nos Rogério, um homem sorridente e simpático que encontramos por volta da meia-noite, com a cabeça envolta num pano, sentado num banco da Avenida da Liberdade. «Aí chegando às 6h00 da manhã, vou até ao Cais do Sodré, tomo um galãozinho e pego o comboio para Paço de Arcos. Estou lá a trabalhar.» Abre a sacola e mostra uma espátula.</P>
<P>
Levantamentos feitos quer pela Câmara Municipal de Lisboa quer pela Divisão de Emergência Social da Santa Casa da Misericórdia apontam para uma baixa escolaridade, a existência de muitas doenças e de graves rupturas familiares. «As famílias de um modo geral fazem um corte muito radical com eles e muitas vezes é impossível reatar a ligação», explica Celeste Brissos, chefe da Divisão de Emergência Social da Santa Casa.</P>
<P>
O consumo de estupefacientes criou um contingente cada vez maior de jovens que vivem na rua. «Cerca de 75 por cento dos jovens que andam na rua é por causa da droga», explica a Irmã Maria Gonçalves, da Comunidade Vida e Paz.</P>
<P>
Jordão, 26 anos, vivia em Corroios com a família, mas o consumo da droga tornou impossível ficar em casa. «Menti, roubei, aldrabei, o meu descontrolo era tão grande que vendia tudo o que encontrava à mão.» Depois de um ano em Sines, para onde partiu como pintor da construção civil e acabou como intermediário na venda de droga, Jordão passou a recorrer a todos os expedientes para arranjar dinheiro para a meia grama de heroína diária.</P>
<P>
«Cravava toda a gente que estava num café; arranjei uma receita falsa; cheguei a encher uma seringa cheia de sangue e dizer que era seropositivo. À noite, ou dormia no albergue ou ia para o Parque Eduardo VII prostituir-me. Nunca pensei descer a um poço tão fundo.» Agora, procura reabilitar-se, mas, por cada um a fazê-lo, há mais uns tantos que fogem de casa.</P>
<P>
Outro fenómeno emergente é o da nova pobreza. «De repente, o próprio tipo de pobre está a mudar. Há cada vez mais gente com sérias dificuldades em sobreviver, vítimas súbitas do desemprego», explica Matilde Cardoso, da Cais. Esta associação começou por pretender ajudar os sem abrigo, mas viu-se logo surpreendida por um leque de pessoas em dificuldades que não são estritamente sem abrigo, como os ex-toxicodependentes, ex-reclusos ou imigrantes.</P>
<P>
Ao fim de três revistas, a Cais tem sido um sucesso. «Temos tido êxito por não existirem regras nem horários. Os sem abrigo não estão habituados a cumpri-los nem a obedecer a disciplina. Eles gerem o seu tempo, vendendo a revista quando querem.»</P>
<P>
O processo que leva a que uma pessoa fique na rua é mais lento e gradual do que possamos julgar a princípio. «Para alguém chegar a sem abrigo», explica João Silva, da associação «O Companheiro», «vão-se verificando rupturas sucessivas e cumulativas, que os levam àquele isolamento em que estão. Perdem o emprego, ficam em casa sem dinheiro, geram-se tensões que levam a uma ruptura completa, acompanhada de alcoolismo...»</P>
<P>
Um grande passo para cair na rua é a desagregação familiar, divórcios, discussões, rupturas definitivas, como a de Silvino. «A minha mãe faleceu», conta, «e o meu pai passou a viver com outra mulher. Vim-me embora de Aveiro para não me chatear com ela.»</P>
<P>
Silvino conseguiu emprego na área de serviço de Palmela, onde trabalhou sucessivamente como jardineiro, como funcionário de bomba de gasolina e por fim, no «self-service». O patrão assegurava-lhe dormida num anexo, em Azeitão.</P>
<P>
Ao fim de cinco anos, problemas legais levaram ao fecho da área de serviço de Palmela. Silvino ficou sem emprego e sem dormida. Ainda tentou a construção civil em Grândola, onde trabalhou três meses, a dormir numa pensão. O patrão pagava de 15 em 15 dias, ao fim dos três meses falhou o pagamento. «Comecei a ficar com conta na pensão e, além do mais, detestava o Alentejo. Vim-me embora para Lisboa.»</P>
<P>
Percorreu a cidade toda à procura de emprego. «Fui a armazéns, fui às obras, respondi a ajudante de camionista, a servente...» Dormia em pensões e passava os dias a ler os jornais, a ver os anúncios. Até que o dinheiro acabou. «Fui à Santa Casa da Misericórdia e acabaram por me mandar para a Câmara. Passei a recolher entulho, a escolher a chapa, o ferro, o papelão.»</P>
<P>
O problema principal de Silvino é que não tem dinheiro suficiente para alugar um quarto. Acabou por recorrer à associação «O Companheiro», onde dorme numa camarata. «Já tive vidas boas. Nunca roubei nada a ninguém. Estou a ver se consigo ter uma vida melhor.»</P>
<P>
Outro contingente de risco, que muitas vezes acaba na rua, é o dos ex-reclusos. Quem sai da prisão, tem dificuldade em conseguir um emprego. Simão, 39 anos, por exemplo, é um ex-presidiário que sofre de perturbações psíquicas. Operário da construção civil, perturbado pela morte do pai e no fim de uma discussão com o senhorio, pegou fogo à casa onde vivia, na Baixa da Banheira. Foi preso e cumpriu uma pena de cinco anos em Alcoentre. Ao fim desse tempo, foi libertado, mas acabou por se envolver numa rixa com um homem à porta de uma taberna. Deu-lhe duas facadas. «'tava a fazer pouco da minha mãe.» Mais dois anos na cadeia e Simão está de novo em liberdade. A mãe morreu entretanto e os dois irmãos não o querem em casa. «O Companheiro» deu-lhe abrigo, mas o pior é arranjar emprego. «Os meus irmãos têm filhos e mulheres. Dizem: `Tu desenrasca-te para aí.' Vim para aqui. Agora, tenho de ver se abalo. Quero arranjar um trabalho certo nas obras, para poder alugar um quarto. Neste momento, não há nada.»</P>
<P>
As mudanças na política de Saúde Mental, com a subalternização dos internamentos, trouxe muitos doentes do foro psiquiátrico para a rua. «Com a agravante», explica Genoveva Borges, socióloga da Santa Casa da Misericórdia, «de precisarem de medicação e não a terem». Enquanto, apesar de todas as deficiências, os sem abrigo alcoólicos ou toxicodependentes conseguem obter alguma ajuda, não existe ainda qualquer apoio a nível de psiquiatria para os sem abrigo doentes mentais. «Não existem psiquiatras a trabalhar com os sem abrigo», afirma Sara Amâncio, vereadora da Acção Social da Câmara, «e este grupo é muito difícil de abordar. Já tivemos um caso de uma senhora para quem tínhamos lugar numa instituição, mas com a qual era impossível estabelecer qualquer diálogo. O que é que se pode fazer quando a pessoa diz que é filha do Rei D. Carlos? Não a podemos internar à força.»</P>
<P>
Trabalhar na área do apoio aos sem abrigo é uma tarefa nada fácil. «Estamos a actuar numa área», explica João Silva, da associação «O Companheiro», «que é uma área limite. Alguns conseguem reconstruir a sua vida, outros não.»</P>
<P>
A maioria dos sem abrigo perdeu a noção de conceitos como «trabalho» e «disciplina laboral», «dignidade pessoal. «O problema aqui», explica Maria do Céu, da Quinta das Lages, dos Companheiros de Emaús, «é que os sem abrigo perderam o hábito de trabalhar. Temos `companheiros' que nunca trabalharam, outros com problemas psíquicos.»</P>
<P>
Há oito anos, Maria do Céu tinha um colégio em Caxias. Foi então que teve conhecimento da obra do Abbée Pierre e dos Emaús. Foi a França fazer um estágio e frequentou várias comunidades Emaús antes de ajudar a lançar a quinta dos Emaús de Caneças. Trabalha ali unicamente em regime de voluntariado -- «por ordenado não trabalhava aqui» -- há oito anos. «Isto aqui não é nenhuma pêra doce», explica Maria do Céu. «Cada dia, há coisas novas; cada dia, tudo aqui dentro é posto em questão.»</P>
<P>
A Quinta das Lajes, em Caneças, foi cedida há oito anos pela Obra de Nossa Senhora do Amparo. «A comunidade é dos `companheiros', eles é que se acolhem uns aos outros», explica António, responsável juntamente com Maria do Céu, pelo bom funcionamento da quinta. «Aqui, cada um tem de ser igual ao outro. A regra principal é a da amizade. Nenhum deve ocupar o espaço dos outros.»</P>
<P>
A duração da estadia na quinta de Caneças varia. «O companheiro pode estar cansado e ficar apenas uns dias, ou fazer da Comunidade Emaús uma opção de vida. O companheiro chega e parte quando entende. Não lhe perguntamos nada. Ele, se quiser, pede ajuda. O passado de cada um só a ele diz respeito.»</P>
<P>
O dia-a-dia na quinta dos Emaús é feito de imprevisibilidade. «Na semana passada, houve um que se embebedou de tal forma que teve de se ir embora. Com os toxicodependentes, passa-se o mesmo. Nunca sabemos quando poderão ter a próxima recaída.»</P>
<P>
Em todas as instituições contactadas, a resposta é a mesma: o número de casos novos de sem abrigo não pára de aumentar. São os jovens toxicodependentes, são os desempregados, são todos aqueles que vêm da província à espera de conseguir trabalho em Lisboa e acabam a deambular pelas ruas. «O número de casos novos chegados à Porta Amiga em Março triplicou em relação ao de Janeiro», informa Helena Rebelo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99198">
<P>
Das agências internacionais </P>
<P>
Empresários do Peru e do Equador reuniram-se ontem na ponte internacional que une a cidade peruana de Aguas Verdes à equatoriana de Huanquillas e divulgaram um manifesto conjunto pela paz.</P>
<P>
O documento foi assinado pelos presidentes da Confiep (Confederação de Instituições Empresariais Privadas do Peru), Arturo Woodman Pollit, da Confederação de Câmaras de Comércio do Peru, Guillermo Arguedas, e da FIE (Federação das Indústrias do Equador), Gustavo Pinedo.</P>
<P>
Pollit disse que o manifesto não faz alusão a temas políticos ou militares e apenas pede que o conflito na fronteira seja resolvido pela via diplomática.</P>
<P>
Além dos prejuízos causados aos dois países beligerantes, o conflito atrapalhou as negociações de integração comercial entre o Pacto Andino (Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela) e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), suspensas esta semana em Caracas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-43792">
<P>
África do Sul, um ano depois</P>
<P>
Dez pessoas mortas num ataque em zonas rurais do Kwazulu/Natal</P>
<P>
A normalidade possível</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
A África do Sul, país de múltiplos contrastes, vive hoje em dia a normalidade possível para quem desde o século passado se encontra dilacerado por profundos conflitos, entre brancos e negros, entre ingleses e boers, entre zulus e outras etnias bantas. As 10 mortes ontem anunciadas no Kwazulu/Natal podem indicar o fim da lua-de-mel iniciada há um ano, quando Mandela tomou posse como Presidente da República.</P>
<P>
A conclusão de uma reportagem de três semanas efectuada pelo PÚBLICO na África Austral é a de que esta região do globo é decerto dominada pela personalidade de Nelson Mandela e pelo peso desmesurado que nela tem a República aqui talhada a partir do século XIX pelos interesses, ora antagónicos ora complementares, da Grã-Bretanha e do povo boer. Mas as últimas notícias, referentes a 10 mortes ocorridas ontem no interior do Kwazulu/Natal, fazem temer que esteja a terminar uma espécie de lua-de-mel vivida pelos sul-africanos desde que Mandela tomou posse como Presidente, há um ano.</P>
<P>
Do Zaire, da Zâmbia, do Zimbabwe, de Moçambique e de outras terras, legiões de deserdados afluem à África do Sul, em busca do Eldorado; mas muitas vezes só encontram a perseguição aos imigrantes clandestinos, as multas, o desemprego e a violência. Pois acontece que um país traumatizado por quase meio século de apartheid institucionalizado e por uma economia ainda relativamente débil mal consegue sustentar os seus 40 milhões de habitantes, quanto mais alguns milhões de estrangeiros.</P>
<P>
As sanções impostas pela comunidade internacional para que se acabasse coma segregação racial travaram nitidamente o desenvolvimento que a República da África do Sul conhecera durante os anos 70; e agora ainda vai demorar muito tempo para que o grau de crescimento económico consiga acompanhar a forte taxa de natalidade, que em cada 12 meses dá mais um milhão de habitantes.</P>
<P>
Se não houver um forte planeamento familiar, no fim deste século os sul-africanos e os que a eles se juntaram serão perto de 50 milhões, num território que é vasto e rico mas que não está preparado para dar trabalho e alimentação a tanta gente.</P>
<P>
Violência política</P>
<P>
Os grandes problemas dos últimos meses na África do Sul têm sido o forte índice de desemprego e a deliquência normalmente gerada pelas situações de miséria, mas nestas últimas semanas voltou a surgir o perigo de se voltar à violência de carácter político que tantas vezes caracterizou o país antes de o partido Inkatha se ter resolvido a ir às eleições gerais do ano passado.</P>
<P>
Um oficial do Exército admitiu motivações políticas para as mortes de ontem 90 quilómetros a norte da cidade de Durban, mas a polícia disse não haver grandes certezas quanto a isso. E acontece até que nem sempre é fácil distinguir entre as rivalidades partidárias e as questões pessoais, ou entre famílias.</P>
<P>
As organizações de direitos humanos atribuem o aumento de violência na província do Kwazulu/Natal, durante os últimos dois meses, à decisão tomada pelo Inkatha, do ministro do Interior, Mangosutuhu Buthelezi, de boicotar a Assembleia Constituinte como forma de exigir a mediação internacional que lhe foi prometida para que aceitasse ir às urnas.</P>
<P>
Buthelezi afirmou ainda ontem que a violência diminuirá uma vez que o ANC e o Partido Nacional aceitem convidar medianeiros internacionais para definir alguns aspectos da futura Constituição sul-africana, mormente no que diz respeito a uma maior descentralização e ao reconhecimento de uma monarquia zulu como parte integrante da República.</P>
<P>
No entanto, o ANC, força dominante da nação, com 62 por cento dos votos, declara que só aceita recorrer à desejada mediação de figuras como Henry Kissinger depois de terminar toda a violência e de deixar de existir qualquer tipo de chantagem, como o boicote da Constituinte. E aqui entra-se num círculo vicioso.</P>
<P>
Deus e a reconstrução</P>
<P>
Para além do desemprego, da deliquência e das reivindicações do Inkatha, o Governo de Unidade Nacional constituído em Maio de 1994 enfrenta o profundo desafio de ter de dar uma sólida base económica ao país e de colaborar na reconstrução de outros estados africanos ainda bastante subdesenvolvidos.</P>
<P>
Amanhã à noite começa no Midrand, entre Joanesburgo e Pretória, uma reunião sobre o assunto em que participam o comissário europeu João de Deus Pinheiro e os presidentes da África do Sul, do Zimbabwe, da Zâmbia, de Moçambique e do Botswana. De modo a que o Hemisfério Norte se possa comprometer de uma forma mais clara no combate conjunto da África Austral pelo desenvolvimento e pela estabilidade política.</P>
<P>
Só na medida em que alguns dos países da região deixem de viver na miséria é que grande parte da sua população desistirá de emigrar para a África do Sul, que é o menos pobre que conhecem e que aos olhos de alguns surge quase como que um Eldorado, apesar de todos os seus problemas internos.</P>
<P>
Brancos acomodados</P>
<P>
Outro aspecto a salientar na presente fase da vida sul-africana é que a grande maioria dos cinco milhões de cidadãos brancos, um oitavo da população total, se acomodou de forma extraordinariamente razoável à nova situação, enquadrada principalmente pelo Partido Nacional, de Frederik de Klerk, e pela Frente da Liberdade, do general Constand Viljoen. Entre si, essas duas formações políticas ocupam um quarto dos lugares na Assembleia Constituinte e ajudam a garantir que, pelo menos para já, os antigos senhores do país não têm muito a recear dos novos tempos, numa África do Sul presidida pelo moderado Nelson Mandela, que à sua volta tem conseguido reunir neste primeiro ano de mandato os mais variados consensos.</P>
<P>
Grupos de extrema-direita como o AWB, de Eugéne Terre'Blanche, são muito mais uma manifestação de folclore do que uma ameaça real à estabilidade política do país. Bem podem os seus chefes vociferar contra a actual ordem política, defender intransigentemente a língua africaans e proclamar que defenderão até à morte os valores herdados dos antepassados, que na altura da passagem à prática e da organização de qualquer comício ou sessão de esclarecimento não reúnem mais do que algumas centenas de saudosistas.</P>
<P>
O grosso da nação branca sul-africana soube escutar nos últimos anos os ventos da mudança e compreender que o melhor que teria a fazer seria procurar fórmulas de compromisso com o ANC, movimento claramente representativo da grande maioria da população e contra o qual nada se conseguirá fazer no país, pelo menos até ao fim deste século.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45866">
<P>
Moçambique: de Angola à contracosta?</P>
<P>
Fernando Jorge Cardoso*</P>
<P>
«-- Queres dizer que as urnas de voto são enchidas antes das eleições?</P>
<P>
-- Sim, mas depois atiramo-las ao mar sem as abrir e quem ganha é o mais forte.»</P>
<P>
Foi um velho amigo, Luís Azambujo, que, a propósito do recomeço da guerra em Angola no rescaldo das eleições de 1992, me chamou a atenção para esta passagem do diálogo entre Astérix e um chefe de clã, em Goscinny &amp; Uderzo, «Astérix na Córsega». Vem isto a propósito das eleições em Moçambique e do inevitável paralelismo que tem sido feito com a situação de Angola.</P>
<P>
De uma maneira geral, as análises centram-se nos perigos de uma «angolanização» do caso moçambicano, nas divisões entre alas «moderadas» e «duras» da Frelimo e da Renamo e nas questões de partilha do poder, incluindo a formação de um governo de unidade nacional. As considerações de alguns analistas políticos sobre possíveis dissensões -- típicas da usual luta política nas democracias ocidentais -- entre alas moderadas e radicais da Renamo demonstram algum desconhecimento das relações de poder no interior de movimentos guerrilheiros que se transmutam em partidos políticos.</P>
<P>
Na realidade, quer a Renamo quer a UNITA e, de certa forma, o MPLA e a Frelimo (estes apesar de uma certa erosão provocada pelo exercício de consensos exigidos pela governação) são movimentos cuja estrutura de poder se organiza em pirâmide, em que as dissensões ou são fachada ou resultam no afastamento dos dissidentes. O equívoco do analista menos avisado é o de tomar o aparente pelo real, interpretando da mesma forma sinais políticos cujo significado é outro em ambientes democráticos.</P>
<P>
É interessante, aliás, notar o aproveitamento que alguns líderes africanos têm feito deste usual equívoco de análise -- um dos maiores especialistas neste jogo tem sido Jonas Savimbi, que, quando pretende vestir a roupagem de pomba, adverte para pressões sobre ele exercidas por parte dos «duros» do seu movimento. Em Moçambique, a crise eleitoral desencadeada pela Renamo foi decidida ao nível de topo, tal como foi decidido ao nível de topo o protagonismo da própria crise.</P>
<P>
Esta jogada política da Renamo deve-se, em parte, à persistente recusa da Frelimo em aceitar a formação de um governo de unidade nacional ou em assinar um compromisso pré-eleitoral, propostas estas feitas pela Renamo e, velada ou abertamente, apoiadas pela esmagadora maioria dos observadores e governos vizinhos, incluindo, como é natural, o Governo sul-africano. Essa recusa, com o argumento de que o poder deve ser conferido ao vencedor das eleições, radica na convicção dominante no interior da elite dirigente de que Joaquim Chissano e a Frelimo vão sair claramente vencedores da disputa eleitoral e de que a Renamo, desarmada, não tem hipóteses de regressar à guerra e de colocar em cheque equilíbrios estabelecidos no interior da própria Frelimo. Para quê, então, partilhar o poder?</P>
<P>
Por seu turno, o movimento de Afonso Dhlakama e os seus conselheiros políticos jogaram fortemente no próprio dia das eleições, na suposição -- correcta, aliás -- de que a comunidade internacional e os países vizinhos não poderiam arriscar um fracasso em Moçambique. Perante a hipótese de uma derrota eleitoral, a Renamo conseguiu, sem dúvida, garantias adicionais para a sua futura sobrevivência política.</P>
<P>
Será que as coincidências entre a situação em Angola e Moçambique poderão levar a uma repetição na «contracosta» da tragédia angolana? Julgo que não, dadas as diferenças entre os processos e os contextos dos dois países.</P>
<P>
O factor étnico da guerra em Angola é mais evidente e mais influente do que em Moçambique, não obstante em Angola a guerra ser mais resultante da luta pelo poder entre diferentes elites políticas do que da expressão de conflitos tribais -- aliás, não só a componente ovimbundu do exército governamental é significativa, mas também a UNITA integra elementos de outras etnias angolanas. Nestas circunstâncias, a valorização do factor étnico advém essencialmente do seu aproveitamento político, com a propaganda e mobilização para a guerra a utilizar argumentos de ordem étnica, aspecto este cultivado essencialmente pela UNITA.</P>
<P>
Em Moçambique, onde as clivagens regionais são tanto ou mais acentuadas do que em Angola, o factor étnico é menos visível como factor explicativo da guerra. Os exércitos da Frelimo e da Renamo não eram compostos por uma etnia dominante e, não obstante a predominância na chefia da Renamo de elementos N'Dau, da região centro, e na chefia da Frelimo de elementos Changane e Maconde, das zonas sul e norte, nenhum destes movimentos reivindicou ou reivindica representatividades de ordem tribal.</P>
<P>
O facto de os candidatos poderem colher maiores apoios nas respectivas zonas de origem e implantação é um fenómeno comummente observado em países ocidentais, e não uma «especificidade» das sociedades africanas -- o que não quer dizer que não haja clivagens sociais e regionais. De qualquer modo, a situação em Moçambique é diferente da de Angola, com o factor étnico a ter menor influência, quer política, quer quanto à mobilização de forças para um eventual recomeço do conflito.</P>
<P>
Um outro motivo para a não repetição do caso angolano reside nas capacidades bélicas e de sustentação logística e financeira dos movimentos em confronto, que, em Moçambique, são completamente distintas de Angola. Na realidade, em Angola, para além de existirem capacidades financeiras para sustentar o esforço de guerra (petróleo, diamantes), existem -- como a escalada recente da guerra, mesmo após a rubrica do acordo de Lusaca, se tem encarregado de demonstrar -- dois exércitos, dispondo de armamento sofisticado e com elevada capacidade operacional e de destruição.</P>
<P>
Em Moçambique, para além da inexistência de recursos próprios para um esforço de guerra continuado, a situação militar é bem diferente. Existe uma quantidade não especificada de armamento, maioritariamente de armas ligeiras, que permitiria eventualmente o recomeço de hostilidades e as alimentaria durante algum tempo. Porém, a capacidade destrutiva desse material bélico é incomensuravelmente menor -- por um lado, a Renamo efectuou uma guerra baseada em armamento ligeiro, por outro lado, da parte governamental, os aviões e helicópteros de combate estão inoperacionais, a artilharia e os carros de combate são reduzidos, quer em número quer em qualidade.</P>
<P>
Na realidade, neste momento, após a desmobilização de ambos os lados, a capacidade de reagrupamento de forças militares significativas é claramente diminuta. A recomeçar, o conflito entre os beligerantes moçambicanos seria, porventura, mais disperso e menos destrutivo -- aliás, as conflitualidades latentes na sociedade moçambicana tornam mais factível um cenário de violência pós-eleitoral errática, menos provocada pela Renamo ou pela Frelimo e mais decorrente da acção de grupos organizados de ex-militares ou mesmo de grupos de bandidos com motivações mais económicas do que políticas.</P>
<P>
Uma outra razão para o não retorno à guerra entre os antigos beligerantes diz respeito às diferenças no papel dos observadores e das Nações Unidas. O recomeço da guerra em Angola tem origem numa situação pré-eleitoral de não desmobilização efectiva dos exércitos. Em Moçambique, esta desmobilização foi de facto realizada no essencial -- não obstante a existência de esconderijos de armamentos ou da possível (embora pouco provável) existência de unidades militares significativas não enquadradas pelo novo exército ou pela polícia moçambicana. Por outro lado, o papel dos observadores internacionais e, em particular, o papel das Nações Unidas é mais significativo em Moçambique do que foi em Angola, inclusive nas estruturas responsáveis pela supervisão e garantia dos acordos de Roma.</P>
<P>
Um último aspecto a focar refere-se às mutações na situação política regional. Os apoios à UNITA provenientes do território da África do Sul eram reais e mantiveram-se, pelo menos, até às eleições neste país em Abril de 1994. Após a vitória eleitoral do MPLA (e mesmo antes da vitória do ANC), a parte governamental começa também a procurar apoios em território sul-africano, designadamente sob a forma de recrutamento de mercenários para a protecção de objectivos económicos públicos e privados. Por outro lado, a extensa fronteira de Angola com o Zaire proporciona santuários e zonas para infiltração de homens e material de guerra -- e contrabando de diamantes.</P>
<P>
Em Moçambique, o ambiente na região em finais de 1994 é claramente hostil à continuação da guerra e, em particular, a um apoio a movimentos de guerrilha antigovernamentais -- seja a Renamo ou qualquer outro movimento eventualmente criado a partir de antigos soldados ou guerrilheiros descontentes com o curso dos acontecimentos ou o resultado das eleições. Reveladora desta situação foi a recente cimeira regional, na qual os chefes de Estado de países vizinhos alertaram as partes moçambicanas -- leia-se Renamo -- para uma possível intervenção armada, em caso de recomeço da guerra.</P>
<P>
* investigador do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-36109">
<P>
Acordo de adesão de Lisboa ao PER a celebrar até fins de Maio</P>
<P>
Fim das barracas não esgota carências habitacionais</P>
<P>
Fernanda Ribeiro*</P>
<P>
Jorge Sampaio divulgou ontem o plano para a erradicação das 10.030 barracas recenseadas em Lisboa. Considerou o Programa Especial de Realojamentos, lançado pelo Governo, de «grande fôlego» mas insuficiente para resolver os problemas habitacionais da capital.</P>
<P>
O presidente da Câmara de Lisboa destacou ontem a importância e «as vantagens significativas» na assinatura do acordo de adesão entre a autarquia e o Governo para a erradicação de barracas, o que deverá acontecer ainda este mês, mas considerou que o Programa Especial de Realojamentos (PER), lançado pela administração central, não esgota as carências habitacionais do concelho.</P>
<P>
A minuta do protocolo de adesão ao PER está pronta e prevê a abertura de 30 frentes de trabalho, disseminadas pela cidade -- entrando até no vizinho concelho da Amadora, onde a Câmara detém alguns terrenos --, para a construção de 11.129 fogos, número que resulta do levantamento feito pela autarquia na sequência do lançamento do PER.</P>
<P>
De acordo com esse recenseamento, foram detectadas em Lisboa 37.299 pessoas a viver em 10.030 barracas, «uma pequena cidade» que se distribui por 92 núcleos na cidade. Para as eliminar, a Câmara não vai porém concentrar em áreas exclusivas a construção dos 11.129 fogos destinados à habitação social, no âmbito do PER.</P>
<P>
A concentração seria «um erro» -- já antes cometido no Plano de Intervenção a Médio Prazo (PIMP), lançado pela Câmara em 1989 para a construção de cerca de 10 mil fogos. E para que não se repita esse erro, como salientou Vasco Franco, o vereador responsável pela Habitação -- o plano elaborado agora pela autarquia prevê erguer as novas casas em diversos bairros, numa tentativa de evitar confrontos entre classes oriundas de diferentes extractos sociais.</P>
<P>
O Programa Especial de Realojamentos em Lisboa traduz, segundo Jorge Sampaio, «um enquadramento de grande fôlego», que «não tem qualquer comparação com outro município» do país. Mas, salientou Sampaio, «a Câmara não é caloira» e é até «precursora» nesta matéria, dada a experiência do PIMP, que apesar dos atrasos registados desde 1989 atinge actualmente «quatro mil fogos -- três mil em construção e os restantes para serem lançados», como sublinhou.</P>
<P>
PIMP volta atrás mas «avança»</P>
<P>
Estes dados não conferem com um pretenso avanço alcançado no primeiro mandato da coligação, em que, no Livro da Habitação publicado em 1992 pela autarquia, se falava já então num número superior de casas construídas e com lançamento de obra previsto até final desse ano, num total de cinco mil fogos. Posteriormente, o vereador Vasco Franco admitiu ter cometido um «lapsus linguae», corrigindo esse número, mas assim mesmo ele era superior ao que ontem foi divulgado por Jorge Sampaio.</P>
<P>
Também é certo que os montantes a despender pela Câmara nesse plano representam um maior esforço e a realizar exclusivamente pela autarquia, já que as taxas de juro dos empréstimos contraídos para o PIMP são muito maiores do que as obtidas agora para o PER, de apenas 3,5 por cento, como disse ontem Jorge Sampaio, destacando a diferença de critérios financeiros entre o plano autárquico e o da administração central.</P>
<P>
As verbas a afectar ao PER lisboeta traduzem-se num investimento de 72 milhões de contos -- 36 milhões a financiar a fundo perdido pelo Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE), outros 36 milhões por via de empréstimos ao Instituto Nacional da Habitação (INH), com juro bonificado a uma taxa de 3,5 por cento -- além do valor dos terrenos municipais que serão cedidos pela autarquia para os realojamentos.</P>
<P>
Eles vão realizar-se em 22 áreas, nenhuma delas situada em Chelas, onde, segundo a autarquia, se construiu já demasiada habitação social. O Alto do Lumiar, onde já se está a construir há vários anos, será uma das áreas onde haverá maior número de realojamentos do PER (4500), apesar da reformulação do plano de urbanização inicial, concebido no tempo de Nuno Abecasis, que destinava quase exclusivamente à habitação social esta nova área da cidade.</P>
<P>
O Vale de Chelas, com 1500 fogos, o Vale Escuro (ou Vale de Santo António) com 435, a Quinta do Ourives, 40, a Av. Cidade Luanda, 240, Av. de Berlim, 145, as Olaias, 125, o Rego, 530, a Av. do Brasil/Campo Grande, 184, Calçada de Carriche, 140, Quinta das Lavadeiras, 120, a Quinta dos Barros, 190, Carnide 40, Benfica, 147, Av. de Ceuta/Alcântara/Alvito, 730, Alto de Santo Amaro, 50, Pedrouços, 66, Alto dos Moinhos, 430, Quinta José Pinto, 550, Quinta da Bela Flor, 440, Quinta da Casquilha, 50 e, finalmente, Boba/Amadora, 477.</P>
<P>
Viver em automóveis com 32 mil devolutos</P>
<P>
Apesar do enorme esforço que até ao ano 2000 será desenvolvido na construção de casas, nem o PER nem mesmo o PIMP resolverão as carências habitacionais existentes e as que se avizinham com a previsível chegada de milhares de trabalhadores à capital para executar as grandes obras, como as da nova ponte, as da Expo-98, entre outras.</P>
<P>
Além disso, sublinhou Vasco Franco, «há situações que de todo em todo não controlamos. Quem passe na Praça de Espanha ou na zona do Instituto Português de Oncologia pode ver várias famílias a dormir em automóveis». São pessoas exiladas, com o estatuto de refugiados, em relação às quais a Câmara «nada pode fazer» e nem sequer sabe quantificar.</P>
<P>
Jorge Sampaio considerou também necessário «um acicate legislativo» para resolver a questão dos milhares de fogos devolutos em Lisboa, que poderiam ajudar a reduzir o problema habitacional, uma vez que, salientou, a legislação actual não permite à Câmara actuar nesse domínio.</P>
<P>
Disse também estar a desenvolver esforços para que o Governo acabe com a distinção entre as taxas aplicadas no PIMP e no PER. Talvez essa questão seja ultrapassável, já que como ontem o ministro Ferreira do Amaral salientou ao PÚBLICO, quando no Montijo assinou o acordo de adesão com aquela autarquia, presentemente não há «nenhum problema» entre o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e a câmara lisboeta.</P>
<P>
Ferreira do Amaral disse estar «preparado» para celebrar «logo que possível» o acordo de adesão ao PER com o município alfacinha e salientou o «árduo trabalho» desenvolvido pelos técnicos da Câmara de Lisboa.</P>
<P>
O ministro acrescentou que não faz sentido «estar a lançar germes de dissidência política» numa questão que passa pela participação do governo, das autarquias e da sociedade civil. Este último parceiro é porém o único que, segundo Ferreira do Amaral, não tem respondido com a mesma força. «O único ponto fraco é a sociedade civil, que não tem correspondido à chamada», disse o ministro.</P>
<P>
* com Raul Tavares</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-56332">
<P>
Morre ex-presidente da Câmara dos EUA</P>
<P>
Thomas "Tip" O'Neill Jr., um dos mais influentes políticos dos EUA após a Segunda Guerra Mundial, morreu no fim da noite de anteontem em Washington, aos 81 anos, vítima de parada cardíaca. O'Neill, do Partido Democrata (o mesmo do presidente Bill Clinton), foi presidente da Câmara dos Deputados, o terceiro na linha sucessória presidencial, de 1976 a 1986.</P>
<P>
Geórgia investiga suposto suicídio</P>
<P>
O presidente da Geórgia, Eduard Chevardnadze, enviou ontem uma equipe de investigação para o oeste do país para determinar se o ex-presidente e líder rebelde Zviad Gamsakhúrdia se suicidou, como anunciou anteontem sua mulher, Manana. O jornal espanhol "El País", citando o representante de Gamsakhúrdia em Moscou, disse que ele está vivo, em estado grave devido a um ferimento de bala.</P>
<P>
Ataque a presidente mata 40 no Togo</P>
<P>
Pelo menos 40 pessoas morreram em Lome, capital do Togo, após mais de cem homens terem atacado o carro e a residência militar do presidente Gnassingbe Eyadema. Entre os mortos estão três civis e sete soldados do governo. As eleições legislativas marcadas para 23 de janeiro foram adiadas por duas semanas. Eyadema, que assumiu o poder em golpe militar em 1967, não estava no local do ataque.</P>
<P>
AI denuncia violência contra as crianças</P>
<P>
A Anistia Internacional disse ontem em Londres que as crianças em todos os continentes sofrem tortura, estupros e assassinatos, apesar da introdução há quatro anos da Convenção dos Direitos da Criança da ONU, ratificada por mais de 140 países. O grupo de direitos humanos disse que alguns países, apesar de serem signatários da convenção, permitem que os abusos continuem.</P>
<P>
Sendero ataca em Lima e no oeste</P>
<P>
Terroristas do grupo maoísta peruano Sendero Luminoso assassinaram a tiros um homem de 70 anos e duas mulheres durante ataque contra a aldeia de Huamanguilla (oeste). Em Lima, a explosão de um carro-bomba deixou nove pessoas feridas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-92046">
<P>
A líder oposicionista de Myanma (ex-Birmânia), Aung San Suu Kyi, libertada anteontem depois de seis anos de prisão, pediu à junta militar do país uma reconciliação, como disse existir na África do Sul. Segundo ela, inimigos devem trabalhar juntos para melhorar a condição do país. Ela pediu a libertação de outros presos políticos e a volta da democracia ao país.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93899">
<P>
A África do Sul celebrou em tranquilidade o primeiro aniversário das eleições</P>
<P>
«Os brancos sentem-se livres»</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Jorge Heitor, em Durban</P>
<P>
Um ministro que é do Inkatha organizou as celebrações nacionais do primeiro aniversário das eleições que deram à África do Sul um Governo de Unidade Nacional, apesar de oficialmente o seu partido não estar satisfeito com os parceiros de governação. Entretanto, o ex-Presidente De Klerk disse que «os brancos sentem-se tão libertados como todos os outros» cidadãos do país.</P>
<P>
A «marcha de protesto» que o Inkatha organizou nas ruas de Durban enquanto toda a África do Sul celebrava o primeiro aniversário das eleições que lhe deram uma Assembleia Constituinte e um Governo verdadeiramente representativos foi apenas um pequeno ponto de discordância no vasto clima de relativo consenso que, de um modo geral, predomina no país.</P>
<P>
O desfile terminou antes das 15h00 de quinta-feira, feriado nacional, «Dia da Libertação», nas proximidades da estátua a Victoria Queen and Empress, junto ao imponente edifício da Câmara Municipal e a outras evocações de uma presença britânica no Natal, iniciada oficialmente em 1843. Era uma forma de o Inkatha insistir em que quer mesmo a prometida mediação internacional quanto a certos aspectos do articulado constitucional e ao estatuto da monarquia zulu.</P>
<P>
Acontece porém que, apesar de ter conseguido 50,3 por cento dos votos no conjunto da nova província do Kwazulu-Natal -- que é praticamente do tamanho de Portugal e tem oito milhões de habitantes--, o partido liderado pelo aristocrata zulu Mangosuthu Buthelezi ficou em minoria nas principais zonas urbanas: Durban e Pietermaritzburgo, ganhas pelo ANC.</P>
<P>
«Eles só conseguiram triunfar porque na maior parte da província ainda se vive em regime feudal; e em novas eleições, verdadeiramente livres, o Inkatha não chegaria, ao nível nacional, aos dez por cento que alcançou em 1994», disse ao PÚBLICO um diplomata estrangeiro.</P>
<P>
Entretanto, numa bofetada de luva branca dada em Buthelezi, ministro do Interior, que mantém os seus deputados e senadores afastados da Assembleia Constituinte, o Presidente Nelson Mandela encarregou de todas as celebrações nacionais do primeiro aniversário das eleições outra figura do Inkatha, muito mais moderada do que o respectivo líder: o ministro das Artes, Cultura, Ciência e Tecnologia, Baldwin Sipho Ngubane, de 53 anos.</P>
<P>
Mandela falou na quinta-feira ao povo que se concentrara junto à sede do Governo, em Pretória, e vai passar o Primeiro de Maio à região de Durban, a fim de presidir às celebrações no estádio Rei Zwelithini, em Umlazi, perto da zona onde na quinta-feira à noite alguns incidentes causaram pelo menos quatro mortos. É mais uma forma de tentar isolar o controverso Buthelezi e de tirar força às suas reivindicações federalistas, que se baseiam em grande parte na importância assumida durante o século passado pelo soberano zulu Chaka, que usurpou o trono em 1815 e foi assassinado em 1828.</P>
<P>
O apartheid já não é desculpa</P>
<P>
As festas do 27 de Abril na Cidade do Cabo foram dirigidas pelo segundo-vice-presidente, Frederik de Klerk, segundo o qual «os brancos sentem-se agora tão libertados como todos os outros sul-africanos», pois viram-se livres de um enorme peso na consciência, ao deixarem de oprimir os outros cidadãos.</P>
<P>
Ao lado do antigo Presidente, na varanda da Câmara Municipal do Cabo, frente à estátua de Eduardo VII, filho da imperatriz das Índias, estava o sempre animado arcebispo Desmond Tutu, que teve o cuidado de sublinhar que já vai sendo tempo de se deixar de culpar o «apartheid» por todos os problemas ou dificuldades registados na África do Sul.</P>
<P>
O clima geral é de compromisso e de normalidade, apesar de uma inflação na casa dos dez por cento e do défice da balança comercial, esperando-se que o esforço de concertação entre as principais forças políticas possa durar pelo menos até 1999, o ano previsto para as próximas eleições gerais. Mas em 1 de Novembro já deverá haver eleições autárquicas, para se tentar aprofundar a experiência democrática.</P>
<P>
Numa entrevista dada nos últimos dias, o primeiro-vice-presidente, Thabo Mbeki, visto cada vez mais como o chefe de Estado que em 1999 sucederá a Mandela -- este terá então 80 anos -- admitiu que o papel histórico do ANC poderá estar esgotado dentro de uma década, tendendo nessa altura o movimento a cindir-se em diversos partidos, segundo as diferentes «escolas de pensamento político».</P>
<P>
Thabo Mbeki obteve seis pontos num «exame», com escala de um a dez, que o influente semanário «Mail and Guardian» fez ao primeiro ano de actividade de todos os membros do Governo, tendo o primeiro lugar sido indiscutivelmente obtido pelo próprio Presidente Mandela, com 9,5, seguido por três ministros com nove pontos cada: o da Justiça, Abdullah Omar, o do Trabalho, Tito Mboweni, e o das Terras, Derek Hanekom, todos do ANC, mas respectivamente um indiano, um negro e um branco...</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83999">
<P>
Arame farpado dificulta ataque a incêndio</P>
<P>
O ataque ao incêndio que deflagrou terça-feira em Monte Grande, perto de Monforte da Beira, concelho de Castelo Branco, foi dificultado pelo arame farpado que delimita várias propriedades, que obrigou as viaturas dos bombeiros a grandes percursos para chegarem próximo das chamas.</P>
<P>
O sinistro consumiu três hectares de azinho e mato, apesar da intervenção de um helicóptero e das corporações dos bombeiros de Castelo Branco, Idanha-a-Nova e Vila Velha de Ródão e, ainda, da Portucel.</P>
<P>
Fogo congestiona trânsito na EN-17</P>
<P>
Um incêndio, que deflagrou terça-feira numa fábrica de aglomerados de madeira, no concelho de Oliveira do Hospital, causando prejuízos ainda por calcular, provocou o congestionamento do trânsito na Estrada Nacional nº 17, que liga Coimbra à Guarda.</P>
<P>
O fogo começou cerca das 16h30 e foi considerado extinto às 18h, devido à rápida intervenção de seis corporações de bombeiros da região, que mobilizaram 23 viaturas e dezenas de homens.</P>
<P>
De acordo com uma fonte do Centro Coordenador Operacional sediado em Coimbra, desconhecem-se ainda as causas do sinistro que atingiu as instalações daquela unidade fabril, uma das mais importantes do concelho.</P>
<P>
Incêndio de Silves controlado</P>
<P>
O incêndio florestal que desde a madrugada de ontem lavrava na zona da ribeira de Benafatima, concelho de Silves, foi controlado durante a tarde, segundo fonte dos bombeiros.</P>
<P>
Depois de circunscreverem o sinistro, a preocupação dos bombeiros passou a ser a possibilidade de se reacenderem pequenos focos isolados, trabalho dificultado pelos maus acessos.</P>
<P>
O fogo, que deflagrou cerca das 2h de quarta-feira, chegou a ter duas frentes, tendo consumido alguns hectares de pasto e mato, numa área de vales e ravinas. Combateram as chamas bombeiros e viaturas das corporações de Silves, São Bartolomeu de Messines, Monchique e Portimão, apoiados por dois helicópteros.</P>
<P>
Lajes quer barco intermunicipal</P>
<P>
A Câmara Municipal das Lajes, na ilha das Flores, propôs aos outros 18 municípios do arquipélago açoriano a aquisição ou o aluguer conjunto de um barco para o transporte de turistas entre as nove ilhas.</P>
<P>
Perante a falta de uma política de transportes marítimos na região, os autarcas defendem a ideia da aquisição ou aluguer de uma embarcação capaz de efectuar cruzeiros turísticos, bem como transportar produtos açorianos entre ilhas, reduzindo deste modo as importações regionais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93366">
<P>
Os ausentes</P>
<P>
Frente Islâmica de Salvação (FIS)</P>
<P>
A FIS é a grande ausente destas eleições. Foi a perspectiva da vitória deste movimento islamista nas legislativas de 1991 que levou os militares a anularem o escrutínio, interrompendo, praticamente no seu início, o processo democrático na Argélia.</P>
<P>
O nascimento oficial da FIS aconteceu a 10 de Março de 1989 na mesquita de Ibn Badis, no bairro de Kuba. Aí, perante numerosos fiéis e jornalistas, foi anunciada a criação de um partido islamista, decidida na véspera num minicongresso realizado na mesquita de Es-Souna, em Bab el Oued.</P>
<P>
No livro «La Poudrière Algérienne», Pierre Dévoluy e Mireille Duteil contam as divergências que estiveram por detrás deste acontecimento: alguns velhos imãs que defendiam a criação de um movimento religioso com um carácter político, em vez do oposto, acabaram em minoria; os mais jovens, impacientes, queriam apenas saber qual era a forma mais rápida de chegar ao poder.</P>
<P>
Quando os líderes do novo movimento, Abassi Madani e Ali Belhadj, decidiram pedir a legalização, a maioria dos responsáveis governamentais garantiam que a FIS não seria reconhecida. Mas o Presidente Chadli Bendjedid viu no movimento islamista um meio de evitar que a Frente de Libertação Nacional (antigo partido único) conquistasse a maioria nas futuras eleições. E decidiu reconhecer a FIS como partido político. A partir daí tornou-se impossível deter os islamistas.</P>
<P>
A FIS começou a organizar comícios cada vez maiores, marchas gigantescas, reunindo milhares de apoiantes em estádios de futebol. Os jovens aderiram ao novo movimento, «descobriram» o Islão, deixaram crescer as barbas. Mas as divisões já existiam: dentro da FIS começavam a surgir divergências entre os partidários de um «Islão à argelina» e os que defendiam a internacionalização do movimento, entre os que pretendiam o poder total para impor um Estado islâmico e os que acreditavam numa tomada do poder mais gradual e a partir de baixo.</P>
<P>
Mas a dinâmica estava lançada e era imparável. Nas eleições municipais de 1990, a vitória da FIS foi tão esmagadora que deixou a Argélia em estado de choque. No ano seguinte, Madani lançou um apelo à greve geral para reivindicar eleições presidenciais antecipadas e os islamistas ocuparam as ruas de Argel, paralisando a capital durante vários dias. O regime conseguiu finalmente reagir e, no Verão de 1991, Madani, Belhadj e oito mil militantes islamistas foram presos.</P>
<P>
Foi neste ambiente de tensão insuportável que a Argélia chegou às célebres eleições legislativas de Dezembro de 1991. Depois da anulação do escrutínio para evitar nova vitória da FIS, os militares ilegalizaram o movimento e os dirigentes que restavam foram detidos ou fugiram do país.</P>
<P>
Grupo Islâmico Armado (GIA)</P>
<P>
Decapitada a FIS, começam a surgir os grupos armados. A partir daí torna-se muito difícil traçar um quadro do movimento islamista argelino. Ninguém sabe até que ponto é que Madani e Belhadj controlam estes grupos armados que atacam por todo o país, escolhendo como alvos os estrangeiros, as mulheres, os artistas, os intelectuais, os jornalistas.</P>
<P>
Os atentados são geralmente reivindicados pelo GIA (Grupo Islâmico Armado), mas ao fim de algum tempo torna-se evidente que, sob este nome, existem centenas de grupos islâmicos armados, bastante autónomos entre si, e chefiados por jovens «emires» que sonham com a guerra do Afeganistão e querem ser heróis. Os líderes «históricos» sucedem-se: Tayeb El Afghani, Abdelkader Chebouti, Cherif Gousmi, Djamel Zitouni.</P>
<P>
É o nome deste último que aparece a reivindicar os recentes atentados em França, através do boletim «El Ansar», editado semanalmente a partir de Estocolmo. Sem que as polícias europeias percebam como, o GIA instalou as suas redes na Europa. Zitouni chegou mesmo ao ponto de escrever directamente ao Presidente francês, Jacques Chirac, aconselhando-o a converter-se ao Islão e avisando-o de que os ataques contra cidadãos franceses e em solo francês vão prosseguir. Mas os investigadores duvidam de que seja realmente Zitouni, um jovem de 27 anos filho de comerciantes, o cérebro por detrás de toda a estratégia do GIA, e parecem cada vez mais convencidos de que o verdadeiro líder é Mohamed Said, um antigo dirigente da FIS dado como morto por Argel -- mas que poderá afinal estar bem vivo e activo.</P>
<P>
Quanto à FIS, a situação parece ter fugido de qualquer controlo, apesar de Belhadj continuar a ser a figura de referência para muitos destes radicais. Madani, visto pelo poder como o representante da tendência moderada, perde nitidamente margem de manobra e não tem qualquer influência sobre estes grupos armados.</P>
<P>
O regime lança-se numa política de repressão feroz, decidido a «erradicar» o(s) GIA, mas por cada novo chefe morto um outro surge, e o carácter pouco estruturado do movimento permite a sua renovação permanente sem que o Exército consiga desferir um golpe fatal.</P>
<P>
É assim que se chega à situação descrita recentemente pelo «Le Nouvel Observateur»: «Tudo se passa hoje como se o desaparecimento dos políticos por detrás dos `militares' tivesse feito a FIS recuar cinco anos, para a época em que o movimento islamista argelino não passava de um conjunto de grupos dispersos, dirigidos por chefes religiosos. A diferença é que hoje estes grupos estão armados [...]. Entre o FIS e o GIA, já ninguém sabe onde acaba um e onde começam os outros.»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-23286">
<P>
Teotónio Pereira no Casal Ventoso</P>
<P>
O arquitecto Nuno Teotónio Pereira foi convidado pelo novo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, João Soares, para colaborar com a comissão de reabilitação do Casal Ventoso, em Lisboa. A autarquia convidou ainda o engenheiro Carlos Capela para exercer as funções de presidente do Conselho Fiscal daquele gabinete. O Casal Ventoso, um dos principais pontos do país de tráfico de estupefacientes, situado entre a Avenida de Ceuta e as zonas de Campolide e de Campo de Ourique, é considerado o bairro mais degradado da Europa do ponto de vista social.</P>
<P>
«É verdade que aceitei colaborar no projecto, como arquitecto», afirmou Teotónio Pereira. De acordo com a CML, Teotónio Pereira apoiará o grupo de trabalho nas questões ligadas à área urbanística. A Operação Integrada de Reconversão do Casal Ventoso envolverá um investimento de 9,750 milhões de contos. A União Europeia disponibilizará 3,5 milhões e a autarquia lisboeta 1,250 milhões, o que fará no âmbito do plano de erradicação das barracas. Desconhece-se ainda a proveniência da verba que falta.</P>
<P>
A comissão de reabilitação do Casal Ventoso, presidida por Lurdes Alvarez, que se prepara para deixar o lugar de directora do departamento de Construção e Obras da autarquia lisboeta, substituindo Eduardo Graça (nomeado por Jorge Sampaio), que transitou para o Ministério da Solidariedade e Segurança Social, conta entre os seus membros com os nomes de Judite Lopes, que esteve ligada anteriormente ao Museu Vieira da Silva, Cipriano Oliveira, Ana Maria Gouveia e Norton Brandão. O projecto deverá ter início já no próximo ano, com a edificação de 420 habitações, na zona sul do bairro, onde serão realojadas algumas das famílias ali residentes enquanto decorrem as obras de recuperação.</P>
<P>
De acordo com o último Censo, vivem naquele bairro cerca de 4200 mil pessoas. Dados do Centro Social do Casal Ventoso indicam outro número: 10 mil habitantes, 40 por cento dos quais são idosos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-65774">
<P>
Birmanesa Nobel da Paz não cede aos militares</P>
<P>
Mais ano e meio de prisão para Aung</P>
<P>
Apesar de isolada na comunidade internacional e carente de auxílio económico urgente, a junta militar birmanesa não quer perder a cara: Aung San Suu Kyi vai continuar detida mais um ano e meio, a menos que abandone o país. «Jamais!» -- responde a líder da oposição democrática e Nobel da Paz, visitada por um congressista americano.</P>
<P>
Apesar do prestígio internacional de que goza a sua incómoda prisioneira, a junta militar birmanesa não recua quanto à libertação da líder da oposição Aung San Suu Kyi, detida há cinco anos, e anunciou ontem que ela vai continuar em residência vigiada pelo menos até meados de 1995.</P>
<P>
A vontade em não ceder aos protestos da comunidade internacional sobre a continuada detenção da dirigente da Liga Nacional para a Democracia (NLD), também Prémio Nobel da Paz de 1991, foi reafirmada ontem, em Rangun, pelo segundo responsável dos serviços de Informação a um jornalista japonês que acompanhou um parlamentar americano autorizado a encontrar-se com ela na sua residência.</P>
<P>
Segundo aquele porta-voz, coronel Kyaw Win, a lei birmanesa autoriza a detenção de uma pessoa naquelas condições durante cinco anos, o que, considerando que o acto que «legitimou» a prisão de San Suu Kyi foi assinado em 20 de Julho de 1990, afasta a fasquia da libertação para mais um ano e meio.</P>
<P>
A notícia cortou pela raíz a esperança que muitos alimentavam sobre uma próxima libertação da dirigente, cuja prisão não vai, na verdade, a caminho de quatro mas de cinco anos, pois já se encontrava presa há um ano quando a lei foi assinada. Só que as autoridades consideram esse ano como um mero «período de detenção», tempo que não conta para a sua libertação.</P>
<P>
Aung San Suu Kyi foi colocada em residência vigiada em Julho de 1989, no ano seguinte à tomada do poder pelos militares. Mas, mesmo detida, foi a grande vitoriosa das eleições gerais de Maio 1990, quando a oposição arrecadou 80 por cento dos votos. Os generais birmaneses recusaram-se, no entanto, a entregar o poder à oposição democrática, ou a libertar a sua dirigente.</P>
<P>
«Exílio? Nunca!»</P>
<P>
Autorizada durante todo este tempo a receber apenas os seus familiares, Aung San Suu Kyi acaba no entanto de ser visitada por um congressista norte-americano, Bill Richardson, democrata do Novo México, acompanhado por um representante das Nações Unidas e um jornalista nipónico, facto que alguns observadores interpretam como um sinal de liberalização do regime militar.</P>
<P>
Na entrevista concedida àquele jornalista, publicada na edição de ontem do «New York Times», Aung San Suu Kyi, que os visitantes encontraram «saudável, embora mais magra» e aparentemente «feliz», é clara quanto à liberdade que lhe tem sido oferecida pelos generais, desde que ela opte pelo exílio: «A ideia de expulsão de quem quer que seja do seu próprio país é absolutamente inaceitável para mim», afirmou, garantindo que «isso jamais acontecerá».</P>
<P>
«Façam-me o que me fizerem, isso será sempre uma questão entre mim e eles, e isso eu posso aceitar. Mas, o que é mais importante, é o que eles estão em vias de fazer ao país», declarou a dirigente do NLD e filha do líder da independência birmanesa.</P>
<P>
Para Aung San Suu Kyi, laureada com o Nobel da Paz pela sua oposição não-violenta, toda a questão se resume ao desrespeito pelos resultados das eleições de 1990: «O povo foi enganado», disse.</P>
<P>
Bill Richardson, que já escreveu uma carta ao Presidente Bill Clinton, cujo conteúdo se recusou especificar, considerou, em declarações à Reuter, que Aung San Suu Kyi é a «chave» da reabilitação da Birmânia perante a comunidade internacional, admitindo que negociações possam ocorrer em breve.</P>
<P>
Diplomatas em Rangun interpretam o gesto da junta como demonstrativo da crise económica que o país atravessa: o regime precisa de dinheiro e, do estrangeiro, a resposta tem sido a mesma: sem abertura política, a libertação de Aung San Suu Kyi e respeito pelos direitos humanos, não há auxílio económico nem investimentos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-36596">
<P>
Primeiro contacto do Porto Santo com um pesqueiro na Terra Nova</P>
<P>
Canadianos abrandam pressão</P>
<P>
«Tem estado tudo calmo. Anormalmente calmo». Assim falou o interlocutor do arrastão Santa Joana no início do diálogo com o comandante do Porto Santo, João Mário. No primeiro contacto que o pesqueiro que transporta os jornalistas do PÚBLICO conseguiu estabelecer com um navio a sulcar águas da Terra Nova, as novidades indicam um abrandamento da pressão da guarda costeira canadiana. «Desde a semana mais complicada que as vedetas [do Canadá] não aparecem. Só passa um avião de vez em quando».</P>
<P>
O Santa Joana -- propriedade do armador Silva Vieira, tal como o Porto Santo e, como este, a navegar sob bandeira de conveniência --, estava pelo meio-dia de ontem na latitude de 45º e 30' Norte, longitude 45º e 40' Oeste. Andava a Sudoeste do Flemish Cap e a Nordeste do «Tail of the Bank» -- que é como quem diz, em linguagem maruja, «do cu do banco» --, numa rota prudente, evitando as áreas de conflito da zona NAFO (Organização de Pescas do Noroeste Atlântico), por sinal as mais ricas em pescado.</P>
<P>
Junto ao Santa Joana estavam mais quatro navios portugueses, todos com a bandeira das quinas a ondular por cima da ponte e, por conseguinte, com a legalidade acrescida de pescarem com pavilhão de um país da U.E. Segundo o comandante do Santa Joana, outro navio português tinha acabado de abandonar aquelas águas. Trata-se do Calvão, da EPA (Empresa de Pesca de Aveiro), que com um doente a bordo vai de rota batida para a cidade da Horta, nos Açores.</P>
<P>
Enquanto os navios portugueses se acautelam a Leste do meridiano 46º e 30' Oeste, os arrastões galegos arriscam outras longitudes. «A espanholada está mais para os 'noses' (o nariz do grande banco)», informa o Santa Joana. Navegando entre os ricos mares do 'nariz' e do Flemish Cap, aparentemente os barcos de Vigo estão agora a arrastar também nas águas profundas que separam ambos os bancos, no «Flemish Pass», uma das áreas ideais para a captura da palmeta,</P>
<P>
«Se na próxima semana, nas negociações em Bruxelas, conseguirem acabar com esta guerra, nós também iremos na onda», vai ponderando João Mário. A reforçar esses planos de seguir a esteira dos espanhóis -- «Eles não são como nós, têm quem os defenda ...» --, vêm as informações do Santa Joana: «Isto por aqui está muito fraco de peixe. Só se apanha uma porcaria de `red' [`red-fish'] que não se aproveita nada ...». Da Gafanha da Nazaré, Silva Vieira já tinha mandado o Porto Santo transmitir instruções ao Santa Joana. «'Comunista' pequeno não interessa para nada, tentem apanhar camarão». O «camarão boreal» é uma das poucas espécies da zona NAFO que não está contingentada nem sujeita a TAC's (Total de Capturas Autorizadas).</P>
<P>
Neste intervalo forçado da pesca do bacalhau, quando a localização prudente e temerosa dos navios tripulados por portugueses os remete para «stocks» pequenos e de baixa qualidade, há tempo para se ouvir comunicações entre outros navios e saber, por exemplo, que o recém-apresado e depois libertado Estai está a navegar em direcção aos bancos, para a zona a Noroeste do Flemish. Se é para continuar a pescaria interrompida pelos canadianos ou para recolher aos canais da empresa «Pereiras» no porto pesqueiro de Vigo, isso é que ainda não se sabe no alto mar.</P>
<P>
Antes da despedida, e de marcar nova comunicação para as 23h30 TMG, o comandante do Santa Joana faz uma risonha alusão à derrota do FC Porto na véspera, e à do Benfica no dia anterior, para concluir com um viva a este último. «Foi o que fez estarem todos confiantes demais...», remata, conformado, o Porto Santo. Fechada a comunicação, o Santa Joana entra de imediato em conversa com o Austral na mesma frequência. Este outro navio de Silva Vieira regressa aos mares da Noruega e conta atracar na Gafanha da Nazaré na próxima segunda-feira, às 7h30, se o mar ajudar e não sobrevier nenhuma avaria.</P>
<P>
Ontem, pela manhã, o Porto Santo esteve parado um par de horas a Norte dos Açores, não por causa das baixas pressões do arquipélago, mas devido a uma pressão excessiva nos cilindros do motor principal da casa da máquinas. Problema resolvido, apontou-se de novo a proa a Terra Nova, por um mar que cada vez vai ficando mais alteroso, com a brisa a carregar-se de humidade e de nuvens.</P>
<P>
Dos nossos enviados</P>
<P>
Adelino Meireles e Luís Miguel Viana a bordo do Porto Santo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21290">
<P>
DJALMA WEFFORT</P>
<P>
Os peixes de piracema, que procuram a cabeceira dos rios para a desova, estão impedidos de se reproduzir no rio Paraná. O governo do Estado de São Paulo concluiu as obras civis da usina hidrelétrica de Porto Primavera, no Pontal do Paranapanema, mas não proviu a barragem de dispositivos para transposição de peixes.</P>
<P>
Dourados, pintados e jaús, peixes com até mais de 60 quilos, não conseguem vencer a força das águas turbulentas que passam pelos 16 vertedouros desse imenso paredão de concreto que secciona o rio em mais de 10 quilômetros de largura.</P>
<P>
Na tentativa de concluírem o seu ciclo natural de reprodução, os peixes investem contra a correnteza, saltam, chocam-se contra os pilares da obra, até que, estressados e feridos, avolumam-se em enormes cardumes, nas alças de proteção da represa. Ali perdem a desova ou são presas fáceis de pescadores de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná atraídos pela falta de fiscalização e facilidade com que abastecem os seus barcos. A impressão que se tem é que Porto Primavera funciona como uma perfeita armadilha onde os peixes, não conseguindo fugir, são vítimas das redes e tarrafas dos predadores.</P>
<P>
A Cesp, responsável pela construção da hidrelétrica, precisa tomar providências imediatas, sob pena de colocar em risco a sobrevivência das espécies nobres do rio Paraná e comprometer a sua imagem de empresa preocupada com o meio ambiente. Até que se encontre a solução definitiva, é possível que a alternativa mais viável seja hoje a demolição temporária das alças dos vertedouros ou a transposição manual dos peixes a montante da barragem.</P>
<P>
Quando for inaugurada, em 1996, a hidrelétrica de Porto Primavera inundará extensas áreas de Mata Atlântica, lagoas, várzeas e varjões entre os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. A primeira vítima será a Reserva Lagoa São Paulo, única unidade de conservação do governo estadual nas margens do rio Paraná. As matas e os "pantaninhos" da região abrigam animais em extinção como a onça-preta, o cervo-do-pantanal, jacaré-de-papo-amarelo e o mico-leão-preto; e outros que sequer foram estudados pela ciência, como o putrião –uma ave de hábitos exóticos que habita as margens dos rios do Peixe e Aguapeí (SP) e rios Verde e Pardo (MS).</P>
<P>
A falta de dispositivo para transposição de peixe, escada, elevador ou canal de reprodução, é um preocupante indício do que pode vir a ser Porto Primavera quando formar esse imenso lago de mais de 2.000 km2 de área. Acreditamos, no entanto, que ainda há tempo para se evitar o desastre maior, caso o governo de São Paulo decida efetivamente investir em projetos e programas ambientais na área de influência do reservatório.</P>
<P>
DJALMA WEFFORT, 43, jornalista, é presidente da Apoena (Associação em Defesa do rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17521">
<P>
"Paris Match" afirma que o piloto brasileiro, que morreu em maio de 94, foi o mais talentoso de sua geração </P>
<P>
De Paris </P>
<P>
A uma semana do primeiro aniversário da morte de Ayrton Senna, a revista francesa "Paris Match" dedicou sua capa ao brasileiro.</P>
<P>
O semanário francês publica fotos da bagagem que ele levara à Itália para o Grande Prêmio de San Marino.</P>
<P>
Naquela corrida, Senna sofreu o acidente que o matou no circuito de Imola, em 1º de maio de 1994.</P>
<P>
As fotos, de Gianni Giansanti, mostram o conteúdo de uma mala e uma maleta 007 _guardadas por Leonardo Senna, irmão de Ayrton, tal como o piloto as deixara_ e objetos pessoais (veja quadro).</P>
<P>
"Da extraordinária aventura do piloto mais talentoso de sua geração, restaram apenas algumas lembranças, que um país inteiro vela cuidadosamente", afirma o texto que acompanha as fotos na revista francesa.</P>
<P>
Dentro da Bíblia que pertencia a Senna, há uma flor seca. Vários versículos são marcados com tinta amarela fluorescente.</P>
<P>
Entre esses versículos, vários do Livro de Isaías, como:</P>
<P>
"Porém, os que esperam no Senhor adquirirão sempre novas forças, tomarão asas como de águia, correrão, e não se fatigarão, caminharão, e não desfalecerão." (capítulo 40, versículo 31).</P>
<P>
Colados do lado interno da capa da Bíblia, dois adesivos _um representando o capacete do piloto e outro com a frase "Sorria _ Jesus te ama", sobre fundo florido.</P>
<P>
Na casa do piloto em Tatuí (135 km a oeste de São Paulo) também há uma foto autografada do ex-piloto argentino Juan Manuel Fangio, cinco vezes campeão mundial.</P>
<P>
No retrato autografado, Fangio escreveu em 14 de novembro de 1993: "Ao meu amigo Ayrton Senna, com afeto e admiração".</P>
<P>
Ao lado, a foto de Senna ilustra o calendário "de um ano cujo fim ele não veria jamais", relata a revista, melodramática.</P>
<P>
Vídeo </P>
<P>
A popularidade do piloto Ayrton Senna na França era comparável à de seu maior rival, Alain Prost, quatro vezes campeão mundial.</P>
<P>
Um exemplo disso é o fato de que uma produtora de vídeo francesa está realizando um documentário sobre a vida do piloto brasileiro.</P>
<P>
A mesma produtora fizera outro vídeo sobre ele, "Ayrton Senna, o automobilismo no sangue".</P>
<P>
O vídeo foi realizado após o terceiro título mundial conquistado pelo brasileiro, em 1991.</P>
<P>
Nele, Senna falava dos acidentes que sofrera:</P>
<P>
"Você vê o quanto é frágil. Não tem qualquer poder para fazer alguma coisa. Pode desaparecer em uma fração de segundo. Aí você percebe que não é nada e que sua vida pode ter um fim repentino", admite o piloto.</P>
<P>
"Isso te faz perguntar: 'Vale mesmo à pena fazer isso? Por quanto tempo continuar?' Você sabe que pode encarar situações inesperadas, mas isso é parte de sua vida. Você as encara ou abandona. E eu gosto demais do que faço para abandonar", acrescenta.</P>
<P>
(André Fontenelle)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-88342">
<P>
Jantar - O jantar de hoje do presidente será tipicamente britânico. O embaixador Rubens Barbosa levará a comitiva para o Mark's, clube privado do qual é sócio. Antes, FHC vai ao concerto da violinista Anne-Sophie Mutter, no Royal Festival Hall.</P>
<P>
Dia da Vitória - FHC estará presente aos quatro grandes atos oficiais dos 50 anos do Dia da Vitória. Um é amanhã, a recepção no Guildhall, sede do governo londrino. Os outros três são no domingo: missa de ação de graças na Catedral de São Paulo, banquete oferecido pela rainha Elizabeth 2ª no Palácio de Buckingham, e a cerimônia no Hyde Park.</P>
<P>
Ministros - A comitiva oficial de FHC em Londres inclui apenas dois ministros, o chanceler Luiz Felipe Lampreia e o ministro-chefe do Gabinete Militar, general Alberto Cardoso.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-42124">
<P>
Fernando Rodrigues</P>
<P>
Enquanto políticos, ministros e outros profissionais do otimismo ficam enganando a população, é bom que se diga logo, para o bem dos leitores, que este ano vai ser apenas uma réplica piorada de 1989. Não se trata de previsão pessimista fácil, mas 1994 é um ano perdido antecipadamente por força da conjuntura e da incompetência dos políticos nacionais. O espaço aqui é pequeno, mas precioso para se prestar um serviço público, pois os leitores podem se prevenir melhor para o ano que não vai existir.</P>
<P>
Nas rodas de pessoas bem-informadas do país já se dá como certo as seguintes catástrofes para os próximos 12 meses: 1) o governo não vai conseguir aprovar um ajuste fiscal perfeito para sanar as contas do país no longo prazo; 2) o déficit público vai continuar a existir; 3) a privatização ficará no mesmo "ritmo Itamar" de 93, durante o qual apenas seis empresas foram vendidas; 4) o Congresso deve receber uma limpeza nas eleições, mas o sistema eleitoral viciado continuará a impor desigualdade na representação dos eleitores. Para completar, Carnaval em fevereiro e clima de Copa do Mundo em maio, junho e julho.</P>
<P>
As previsões acima são incontestáveis. Não é à toa que a revista inglesa "The Economist" começa o verbete sobre Brasil em 94 com a frase "caos e mais caos". Ocorre agora mais ou menos o que aconteceu em 1989, quando o ex-presidente José Sarney disse que sua maior missão era conduzir o país até as eleições.</P>
<P>
Itamar Franco não fez essa afirmação, mas já deixou de pegar duro no batente faz tempo. É claro que o presidente não pode admitir o catatonismo ao qual impinge ao país. O ministro Fernando Henrique Cardoso vai continuar dando entrevistas dizendo estar tentanto um acordo democrático com o Congresso. "E la nave và."</P>
<P>
O mais impressionante disso tudo é que o país nunca teve um ministro da Fazenda com tanto apoio na mídia. Anteontem, o "Jornal Nacional" anunciou em manchete uma "queda nos preços" dos produtos da cesta básica. Uma tremenda ficção, obviamente, porque os preços com a inflação atual podem subir menos, ter baixas momentâneas, mas qualquer analfabeto sabe que isso não dura 15 dias. Ou seja, não serve para nada.</P>
<P>
FHC tem tudo a seu favor. Alguém se lembra, por exemplo, os infernos que foram as gestões de Funaro, Bresser, Mailson e Zélia, para não citar a dupla caipira Haddad e Krause?</P>
<P>
FHC deve ficar constrangido quando ouve seu chefe, Itamar, dizer que é favorável à readmissão de mais de 50 mil funcionários públicos demitidos por Collor. Se isso ocorrer, não há dúvida que 94 terá sido pior do que 89. A única vantagem do ano é que Itamar deixa sua cadeira no último dia de dezembro. Não será preciso esperar até março de 95 para a posse do novo presidente.</P>
<P>
Enquanto isso, tal como em 89, quem tem dinheiro vai ganhar muito mais. Depósitos na poupança dia 11 dão juro real próximo de 4% em 30 dias. Juro real alto assim, em dólar, nem na Alemanha.</P>
<P>
Fernando Rodrigues é repórter da Folha. Hoje, excepcionalmente, deixamos de publicar o artigo de  Tasso Jereissati, que escreve às quintas-feiras nesta coluna.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68689">
<P>
Porto do Funchal e transportes marítimos entre as ilhas controlados pelas mesmas pessoas</P>
<P>
A «estratégia do polvo»</P>
<P>
Antes de conseguirem o exclusivo das ligações marítimas entre a Madeira e Porto Santo, os irmãos Ricardo e Luis Miguel Sousa apostaram no controlo do porto do Funchal. Já operavam no transporte de mercadorias entre as ilhas e o Continente e ficaram a dominar uma actividade estratégica para toda a economia do arquipélago. Para o mais importante sindicato dos trabalhadores do porto, trata-se do «aparecimento de um polvo que estende os seus tentáculos sobre tudo o que é marítimo no Funchal».</P>
<P>
Detentora de importantes interesses económicos na Madeira, a família Sousa está desde há muito ligada à navegação. Em 1979, com o objectivo declarado de evitar que a economia da Região ficasse «exclusivamente nas mãos do Continente», João Jardim subscreveu uma resolução que concedia à Empresa de Navegação Madeirense (ENM) «um subsídio no montante de 849 escudos por tonelada transportada». Ao longo de dez anos, até à sua revogação em 1989, este subsídio, que deverá ter ultrapassado os três milhões de contos, revelou-se essencial para a sobrevivência e afirmação da principal empresa dos Sousas nos transportes marítimos.</P>
<P>
Uma aliança com a estiva</P>
<P>
Na fase seguinte, já com Ricardo Sousa à frente da ENM, a estratégia do grupo virou-se para as operações portuárias do Funchal, uma área crucial para o controlo do sector e para o abastecimento do arquipélago. Através dos acordos estabelecidos com os sindicatos dos carregadores e dos estivadores e com o Governo Regional, a sociedade Operações Portuárias da Madeira, Lda tornou-se, em 1990, a única empresa privada a trabalhar no porto.</P>
<P>
Paulatinamente, e sempre com o apoio do Governo Regional e daqueles dois sindicatos --Êcujos presidentes se deslocam de BMWs e Mercedes, apesar de as suas organizações terem apenas escassas dezenas de filiados --, a OPM ascendeu, desde logo, a um estatuto contestado pelos utilizadores do porto e pelos funcionários da Direcção Regional de Portos (DRP). Um estatuto que lhe atribuía um privilégio único e particularmente atraente: a possibilidade de gerir o trabalho portuário de acordo com os seus interesses na área dos transportes marítimos.</P>
<P>
Na prática, acusam antigos e actuais concorrentes da OPM e dos irmãos Sousa, o controlo das operações portuárias permite-lhes «ter na mão» todos aqueles que manifestem interesse em entrar no mercado e «esmagar» quem lhes faça sombra. «Isto aqui está tudo minado por gente muito influente. O melhor é não fazermos ondas. Só me falta perceber se estou na Calábria ou na América do Sul», afirma um alto funcionário de uma das três empresas que concorrem com a ENM no transporte de mercadorias entre o Continente e a Madeira.</P>
<P>
«Estamos a assistir ao aparecimento de um polvo que estende os seus tentáculos sobre tudo o que é porto e sobre tudo o que é marítimo no Funchal», garante Fernando Oliveira, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações e Juntas Portuárias, com sede em Lisboa.</P>
<P>
«À revelia da lei e dos interesses públicos, o porto está a ser explorado de uma forma muito pouco clara, que privilegia uma empresa privada e os sindicatos da estiva», adianta o mesmo sindicalista. Segundo afirma, o «equipamento horizontal» da DRP, para movimentação de cargas, e os seus trabalhadores «estão encostados para favorecer a parte privada». A situação já foi exposta a João Jardim e o sindicato está-se a preparar para a guerra. «Se isto não mudar rapidamente, vamos paralisar parte do porto do Funchal e vamos deixar de carregar e descarregar os navios da Madeira nos portos do Continente», ameaça Fernando Oliveira.</P>
<P>
No campo adversário está José Manuel Freitas, o influente e carismático presidente do sindicato dos Carregadores. «O mercado está aberto e os Sousas são as pessoas que, neste momento, estão mais viradas para o sector marítimo. E honra lhes seja feita porque se não fossem eles ainda se trabalhava aqui sem horários e sem garantia de salários. São homens de visão.» Quanto à sua ligação com a OPM e o Governo Regional, na Empresa de Trabalho Portuário, José Manuel Freitas contesta aqueles que o acusam de estar nas mãos dos irmãos Sousa. «Nem pense nisso. Com a OPM só discutimos os horários de trabalho». E resume a situação do porto com uma máxima que os antigos estivadores usavam para com os jovens mais fogosos: «Isto é uma vaca que dá leite para todos. É preciso é que todos lhe deitem erva.»</P>
<P>
O esmagamento da concorrência</P>
<P>
Ricardo Sousa, por seu turno, nega todas as acusações e contrapõe que se está sozinho no porto é porque não há mais ninguém interessado em investir. Na secretaria Regional da Economia, Pereira Gouveia, o titular da pasta, confirma e reforça esta tese: «Ainda no mês de Fevereiro publiquei um anúncio no Diário de Notícias do Funchal a convidar os agentes económicos para que se candidatassem à figura de operadores portuários. O que sucedeu foi que não apareceu ninguém...» Segundo aquele membro do Governo Regional não há qualquer espécie de promiscuidade entre a administração portuária e a OPM. «O que é preciso é explicar às pessoas aquilo que, nas taxas portuárias, é para a OPM e aquilo que é para a Direcção Regional dos Portos», reconhece Pereira Gouveia. Quanto à ausência de respostas ao anúncio, um quadro superior de um dos armadores potencialmente interessados, limita-se a sorrir e a perguntar: «Como é que é possível concorrer com eles?»</P>
<P>
Uma das empresas mais frequentemente apontada como vítima das especificidades do porto do Funchal tem sido a João Silvério Pires -- que até fins de 1992 operou no transporte de mercadorias e passageiros entre o Funchal e Porto Santo. Os métodos alegadamente utilizados contra ela , referem vários funcionários do porto, iam desde o «massacre» por parte das entidades fiscalizadoras, à cobrança de taxas e alcavalas «absolutamente disparatadas», passando por «entraves de toda a ordem» no desembarque das mercadorias no Funchal.</P>
<P>
Na Polícia Judiciária chegou a ser apresentada uma queixa documentada com fotografias, relativa à instalação de um sistema de escutas telefónicas no escritório da João Silvério Pires, em Porto Santo. O processo acabou por ser arquivado pelo Ministério Público. Não havia provas suficientes.</P>
<P>
A última tentativa da empresa -- cujos sócios se escusaram a prestar qualquer declarações ao PÚBLICO -- consistiu na montagem de uma carreira de passageiros entre o Funchal e Porto Santo. Nesta operação, durante o verão de 1992, foi utilizado o navio «Lusitânia Expresso», da sociedade Contramar, sem qualquer espécie de apoio das autoridades regionais.</P>
<P>
No termo deste processo, a João Silvério Pires «capitulou» e a Porto Santo Line, dos irmãos Sousa, ficou sem concorrência na área das mercadorias, onde começara a operar com o navio»Madeirense».</P>
<P>
Faltava-lhe apenas obter o exclusivo do transporte de passageiros, livrando-se da concorrência do próprio Governo Regional e obtendo as maiores facilidades possíveis para rentabilizar a linha. A maneira como este objectivo foi alcançado [ver texto principal] revoltou, contudo, os funcionários do serviço dos portos, os trabalhadores dos barcos governamentais que operavam entre as duas ilhas e as empresas potencialmente interessadas nesse negócio. Uma revolta surda e anónima, como sempre acontece na Madeira.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-70574">
<P>
Passageiros clandestinos em navios mercantes</P>
<P>
Portugal</P>
<P>
Alexandra Campos</P>
<P>
Os portos de Leixões e de Lisboa são, para os passageiros clandestinos que viajam dias a fio escondidos nos porões dos navios mercantes, apenas a primeira paragem. Vêm quase todos de países africanos. Só nos primeiros seis meses deste ano, foram detectados 73 clandestinos nos principais portos portugueses.</P>
<P>
No final de Junho, a chegada de dez passageiros clandestinos a bordo do navio Irene provocou grande alvoroço no porto de Leixões. Provenientes da Costa do Marfim, do Gana e dos Camarões, os jovens ameaçavam suicidar-se se Portugal não lhes concedesse asilo político. Os seus rostos, que se entreviam pelas janelas com grades dos camarotes onde permaneciam desde que a tripulação os descobrira, dias depois de terem partido do porto de Abidjan, na Costa do Marfim, apareceram em todos os telejornais. Apesar do aparato, tudo se passou como habitualmente: o único que trazia passaporte foi repatriado e os outros nove seguiram para o porto de destino, em França.</P>
<P>
Na semana passada, mais 12 clandestinos passaram pelo porto de Leixões, desta vez sem grande espectáculo mediático. Estavam detidos no interior do navio Ebony e o comandante não permitiu a entrada de jornalistas nem prestou declarações. Um dia depois, o Ebony partia para o porto alemão de Nordheim.</P>
<P>
É sobretudo quando se aproximam os meses quentes que estes passageiros sem título de transporte começam a chegar em maior número a bordo de navios mercantes, individualmente ou em grupos. Vêm, na maioria, de países africanos e escondem-se quase sempre em navios que transportam madeira. Portugal é, na maioria dos casos, um ponto de passagem.</P>
<P>
Só nos primeiros seis meses deste ano, a Brigada Fiscal (BF) da GNR -- autoridade ainda responsável pelas fronteiras marítimas portuguesas, competência que em breve passará para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras -- registou 73 clandestinos em embarcações atracadas em diversos portos nacionais.</P>
<P>
Destes, 33 passaram por Leixões, 25 por Lisboa, dez por Viana do Castelo e cinco por Setúbal. Do total, 15 eram de nacionalidade liberiana, nove dos Camarões e oito de Marrocos. Havia também clandestinos do Zaire, do Gana, do Senegal, da Costa do Marfim, do Mali. E, pelo porto de Lisboa, passaram ainda dois cidadãos da Albânia e um da Roménia.</P>
<P>
No ano passado, a BF havia detectado 140, dos quais 64 a bordo de navios atracados no porto de Leixões (em 1993, o seu número ascendera a 187).</P>
<P>
Condições de asilo cada vez mais severas</P>
<P>
A lei do asilo -- Lei 70/93 -- refere, no seu artigo 9º, que «o estrangeiro ou apátrida que entre irregularmente no território nacional a fim de obter asilo deve apresentar imediatamente o seu pedido às autoridades, podendo fazê-lo verbalmente ou por escrito». Daqui se infere que é necessária a permanência em território nacional para que alguém possa pedir asilo.</P>
<P>
Para um clandestino a bordo de um navio mercante, é pois praticamente impossível formular um pedido de asilo. Ele está em território estrangeiro. Só em casos excepcionais -- «quando se trata, por exemplo, de um governante de um país onde acaba de acontecer um golpe de Estado», nas palavras do major Esteves, comandante do Grupo Fiscal do Porto da BF -- os responsáveis darão, em teoria, seguimento ao pedido.</P>
<P>
A nossa lei de emigração prevê que seja o armador da embarcação a custear o repatriamento do passageiro e, desde que Portugal aderiu à Comunidade, as regras são cada vez mais severas.</P>
<P>
Mal é informado pelo comandante do navio -- em regra, ainda em alto mar -- da presença de clandestinos a bordo, o responsável da Brigada Fiscal organiza um dispositivo de segurança no local onde a embarcação vai atracar. A «primeira segurança» é montada à porta dos camarotes onde os clandestinos vêm encerrados, enquanto a segunda, «a vigilância à vista», fica a cargo de um guarda ao volante de um jipe, no cais. O último filtro é constituído pelos guardas que são colocados nos portões das docas.</P>
<P>
Nestas condições, qualquer fuga se torna quase impossível de concretizar. «São homens determinados e desesperados», explica o major Esteves, relatando casos de clandestinos que agrediram os homens que os guardavam e outros que chegaram a partir a cozinha da embarcação.</P>
<P>
Fugas que ficaram para a história</P>
<P>
Os seguranças do porto de Leixões recordam-se de tentativas de fuga que ficaram para a história. «Uma vez apanhei um já em Santa Cruz do Bispo, quase ao pé do aeroporto de Pedras Rubras», conta um guarda. E outros recordam-se daquele clandestino que chegou doente, há já alguns anos, e conseguiu ficar a trabalhar no nosso país.</P>
<P>
Mas são quase sempre recapturados e repatriados de avião, se trazem documentos, ou regressam no próprio navio onde se esconderam, trabalhando a par com a tripulação. As autoridades acreditam que sejam poucos os comandantes que se arriscam a encobrir a presença de clandestinos a bordo quando os detectam, porque estão sujeitos a coimas, segundo a lei marítima.</P>
<P>
Os clandestinos, esses, arriscam-se até a perder a vida se forem descobertos. Há quase três anos, em Janeiro de 1993, os tripulantes do barco panamense M. N. Laad lançaram nove clandestinos marroquinos aos mares da Madeira. Os jovens haviam embarcado ilegalmente no navio, no porto de Casablanca, com o objectivo de viajarem até Espanha, onde tencionavam arranjar trabalho. Só que a embarcação seguia para a Nova Zelândia, pormenor que desconheciam.</P>
<P>
Segundo declarações prestadas na altura por quatro sobreviventes, que com uma jangada improvisada conseguiram chegar ao ilhéu de Cima, no Porto Santo, o comandante do navio agrediu-os a soco e amarrou-os. Cinco morreram e os sobreviventes foram repatriados para Marrocos por decisão do Tribunal do Funchal.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-48614">
<P>
Do enviado especial a Curitiba</P>
<P>
Basta cruzar o Portal de Santa Felicidade para se entrar na "Little Italy" curitibana. O bairro italiano da cidade –e não poderia ser diferente– é um dos redutos da gastronomia local e traz, ao longo da avenida Manoel Ribas, a 7 km do centro, restaurantes que cobrem de norte a sul a culinária peninsular. Do parque do Cascatinha ao correto Porta Romana, são vários endereços –Casa dos Arcos, Castello Trevizzo, Dom Antônio, Famiglia Fadanelli, Madalosso, Veneza etc.</P>
<P>
O vinho paranense é uma das revelações de Santa Felicidade –e poderia haver nome mais adequado para esse território de odores e sabores? Ninguém espere por fermentados que prometem abalar a enologia. Limite a expectativa e fique com o jeito honesto e sem truques do produto. Na Viti-Vinícola Romani Durigan (avenida Manoel Ribas, 6.189), fundada em 1873, além de informações sobre a produção vinícola, podem-se comprar garrrafas de vinho branco, rosê ou tinto.</P>
<P>
Depois da "pasta &amp; vino", saia pelo bairro devagar, entre nas lojas de artesanato e confira um pouco da história da imigração italiana através de algumas casas de época que ainda sobrevivem. Se quiser, dê uma esticada até o Parque Barigui, nas proximidades. E "arrivederci"! (Federico Mengozzi)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93133">
<P>
A África do Sul iniciou ontem as suas primeiras eleições multirraciais</P>
<P>
Os dias mais longos</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
Jorge Heitor, na Cidade do Cabo</P>
<P>
O primeiro dia das eleições foi marcado por uma enorme desorganização, mas, ao princípio da tarde, as coisas pareciam normalizar-se, esperando-se que hoje e amanhã já tudo corra melhor, com uma maciça afluência às urnas. Se necessário, admite-se até a possibilidade de um quarto dia de votação. E o Inkatha pede mesmo mais.</P>
<P>
Ao princípio da tarde de ontem, uma centena de pessoas idosas, quase todas brancas, aguardava a sua vez de entrar na assembleia de voto instalada no Seapoint Hall, frente ao restaurante português Caravela, nas imediações da Baía das Três Âncoras, a uns 60 quilómetros do cabo da Boa Esperança. As portas da assembleia, situada apenas a centena e meia de metros das águas do Atlântico, tinham-se aberto às sete da manhã e, a partir das dez horas, aumentara a afluência, de modo que umas 13 pessoas de muita idade e com dificuldades motoras se queixavam de estar ali em pé há que tempos, à espera de exercer o seu direito cívico.</P>
<P>
Um dos fiscais ao serviço da Comissão Eleitoral Independente (IEC), pessoa vinda de 20 quilómetros de distância para cumprir aquela missão, disse-nos que não contavam com tanta gente no primeiro dia de votação, até porque este dia era só para doentes e idosos, de modo a que os mesmos não tivessem, hoje e amanhã, de aguardar a sua vez em longas bichas.</P>
<P>
Na verdade, como, na África do Sul, cada um vai votar onde quer, não havendo uma assembleia pré-determinada para cada cidadão, nunca se poderá saber se irão aparecer apenas dois mil ou 12 mil indivíduos num determinado local. E, como também não há um recenseamento eleitoral, será impossível calcular a afluência dos eleitores até à última hora.</P>
<P>
A meio da tarde de ontem ainda se encontravam milhares de pessoas nos diferentes arquivos de identificação, a tentar obter os documentos necessários para votar; e algumas estavam ali desde as cinco horas da manhã. Nunca na vida haviam tido um bilhete de identidade ou um passaporte (ou, porventura, tinham-nos perdido) e por isso pretendiam na última oportunidade conseguir a prova indispensável de que eram sul-africanos, pois queriam exercer o seu direito de escolha.</P>
<P>
O oficial de serviço na assembleia de Seapoint, num dia nublado que não condizia com a alegria própria deste período eleitoral, admitiu a hipótese de a votação geral na África do Sul não ser só até amanhã à noite, como o previsto, mas ter de se prolongar ainda para sexta-feira, 29.</P>
<P>
Os problemas que se fizeram sentir durante a manhã de ontem em muitos pontos do país, com assembleias que não abriram a tempo e horas ou onde não havia os necessários boletins de voto, levam a admitir que seja preciso algum tempo extra.</P>
<P>
Segundo a IEC, só nas primeiras horas foram registados 246 «incidentes», e o próprio Presidente De Klerk manifestou a sua «preocupação» pelo modo como as coisas estavam a correr em muitos pontos do país. E isto num dia que era apenas para eleitores especiais, como pessoas que estivessem no estrangeiro, grávidas, doentes, idosos e presos a cumprir penas menores (já que os castigados por delitos maiores não tiveram direito a expressar a sua opinião).</P>
<P>
Da província do Kwazulu-Natal, onde os problemas logísticos são mais graves, chegaram-nos notícias de pessoas idosas que desmaiaram de cansaço, ao fim de quatro e cinco horas à espera de votar, algumas em jejum, desde o nascer do Sol. O líder do Inkatha, Mangosuthu Buthelezi, pediu o prolongamento do acto eleitoral por mais três dias. A IEC recusou de imediato tal ideia, mas aguardava-se uma conferência de imprensa do seu presidente, o juiz Johann Kriegler, para saber a decisão final.</P>
<P>
Sobrinha de Mandela</P>
<P>
Uma sobrinha de Nelson Mandela, Nomaza Paintin, vestida com as cores do ANC, foi a primeira pessoa a votar nas eleições multirraciais, valendo-se do facto de viver em Wellington, na Nova Zelândia, e de ali já ser 26 de manhã quando na África do Sul (com a hora igual à de Portugal) ainda se estava a 25.</P>
<P>
Entre as pessoas a quem Nomaza dedicou o seu voto estava a malograda Ruth First, mulher do dirigente comunista Joe Slovo, adjunto do professor Aquino de Bragança na direcção do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. Ruth foi, no início da década passada, vítima da explosão de uma carta armadilhada.</P>
<P>
Precisamente em Maputo, notou-se ontem, na abertura das assembleias, que os boletins de voto ainda não tinham colada a faixa com o nome e o símbolo do «Inkatha Freedom Party», pelo que quem desejasse votar em Buthelezi teria de inscrever o nome do partido no fim da lista ou no verso.</P>
<P>
A Bolsa já votou</P>
<P>
Entretanto, na Bolsa de Joanesburgo já é conhecido o resultado das apostas que ali se fizeram quanto ao resultado previsível destas eleições e o mesmo poderá dar uma ideia do que pensa a comunidade empresarial sul-africana sobre o que está a acontecer nestes dias mais longos da sua expectativa: ANC 57 por cento; Partido Nacional, 25,5; Inkatha, 7,5; Partido Democrático, 5,75; PAC, 3,5; Frente da Liberdade 4 e Organização Desportiva para as Contribuições Colectivas e Igualdade de Direitos (SOCCER), 0,5 por cento.</P>
<P>
Nas restantes 12 formações que se apresentam a nível nacional não pensaram aqueles que apostam na Bolsa. Assim, partidos como o Luso-Sul-Africano não devem ter grandes hipóteses, apenas contribuindo para evitar que haja uma clara maioria absoluta por parte da lista favorita.</P>
<P>
Se tudo correr bem com estas eleições, a Bolsa de Joanesburgo espera conhecer dias gloriosos, pois o país tem boas infra-estruturas, abundantes recursos minerais, mão-de-obra barata, vias comerciais importantes, bom clima, reservas de oiro, serviços financeiros bastante desenvolvidos, capacidade de encarar grandes projectos e um continente inteiro para onde lançar os seus produtos.</P>
<P>
Desde que nenhum grupo queira assumir poderes ditatoriais, por mais vasto que seja o seu eleitorado, e desde que ninguém se dedique a uma obstrução sistemática, a África do Sul tem condições para sobreviver às dificuldades por que tem passado na última dúzia de anos, em grande parte devidas às sanções com que foi punida por ter mantido de pé um sistema de segregação racial.</P>
<P>
Tal como há 200 anos os Estados Unidos encetaram a marcha que os levaria a serem a grande potência das Américas, assim a África do Sul está à beira de entrar na senda que a levará a controlar o continente africano a sul do Sara.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-66521">
<P>
GP do Brasil</P>
<P>
Interlagos</P>
<P>
1º Schumacher (Benetton-Ford)</P>
<P>
2º Hill (Williams-Renault)</P>
<P>
3º Alesi (Ferrari)</P>
<P>
Primeira vitória para Schumacher, que já comandava quando Senna abandonou. A Benetton mostrava os seus trunfos, a Williams as suas dificuldades -- Schumacher ganhou uma volta a todos os adversários. Eddie Irvine provocou um acidente que levou a quatro abandonos, sendo sancionado com uma corrida de suspensão; a Jordan recorreu e viu a pena agravada para três corridas com Irvine fora das pistas. Pedro Lamy terminou em décimo lugar.</P>
<P>
GP do Pacífico</P>
<P>
Aida -- Japão</P>
<P>
1º Schumacher (Benetton-Ford)</P>
<P>
2º Berger (Ferrari)</P>
<P>
3º Barrichello (Jordan-Hart)</P>
<P>
Tudo fácil para Schumacher, que arrancou melhor e ficou sem o principal adversário logo na primeira curva, quando Hakkinen bateu em Senna. Um passeio para o alemão, que terminou com mais de um minuto de vantagem sobre Berger e uma volta sobre Barrichello, neste circuito «inventado» por um homem de negócios japonês, perdido no meio das montanhas e sem acessos à altura, onde a F1 foi pagar o seu tributo aos patrocinadores orientais. Lamy acabou em oitavo.</P>
<P>
GP de S. Marino</P>
<P>
Ímola -- Itália</P>
<P>
1º Schumacher (Benetton-Ford)</P>
<P>
2º Larini (Ferrari)</P>
<P>
3º Hakkinen (McLaren-Peugeot)</P>
<P>
O fim-de-semana mais negro do automobilismo moderno. Barrichello voou contra as barreiras de pneus, escapando com ligeiras escoriações; Ratzenberger morreu quando bateu com o seu Simtek contra um muro, a cerca de 300 km/h; Senna morreu na curva Tamburello quando seguia a mais de 250 km/h e comandava a prova. Lamy abandonou à partida, após bater violentamente no carro de Lehto, imobilizado na grelha. Alboreto atropelou vários mecânicos nas boxes. Um GP para nunca mais esquecer.</P>
<P>
GP do Mónaco</P>
<P>
Monte Carlo</P>
<P>
1º Schumacher (Benetton-Ford)</P>
<P>
2º Brundle (McLaren-Peugeot)</P>
<P>
3º Berger (Ferrari)</P>
<P>
A Federação Internacional do Automóvel (FIA) anuncia alterações aos regulamentos, para diminuir a velocidade e aumentar a segurança dos monolugares de F1. Nos treinos, Wendlinger sofre um acidente grave, que o deixou em coma várias semanas (já está recuperado). Na pista, Schumacher assume-se definitivamente como o herdeiro de Senna -- «pole-position» e quarta vitória consecutiva. Lamy foi o 11º e último. Regressa a GPDA, a associação de pilotos de F1, para fazer valer as suas opiniões em questões de segurança.</P>
<P>
GP de Espanha</P>
<P>
Barcelona</P>
<P>
1º Hill (Williams-Renault)</P>
<P>
2º Schumacher (Benetton-Ford)</P>
<P>
3º Blundell (Tyrrell-Yamaha)</P>
<P>
A primeira vitória do ano para a Williams-Renault, aproveitando um problema na caixa de velocidades que atrasou Schumacher. Nesta corrida foram introduzidas as primeiras alterações nos carros e apareceu a primeira «chicane» artificial, por exigência dos pilotos. Perante a pressão das equipas, a FIA recuou na alteração aos regulamentos, alargando os prazos. Lamy não participou, depois do grave acidente sofrido durante uma sessão de treinos em Silverstone (Inglaterra), que o mantém afastado das pistas.</P>
<P>
GP do Canadá</P>
<P>
Montreal</P>
<P>
1º Schumacher (Benetton-Ford)</P>
<P>
2º Hill (Williams-Renault)</P>
<P>
3º Alesi (Ferrari)</P>
<P>
Quinta vitória do ano para Schumacher, que conseguiu também a «pole-position» e a volta mais rápida, dominando completamente a corrida. A Ferrari começou a evidenciar os seus progressos, principalmente em qualificação, mas nem Alesi nem Berger conseguiram evitar que Hill chegasse ao segundo lugar. Fittipaldi (6º) foi desclassificado porque o seu carro não atingia o peso mínimo estabelecido. Começava a desenhar-se o regresso de Mansell à F1.</P>
<P>
GP de França</P>
<P>
Magny-Cours</P>
<P>
1º Schumacher (Benetton-Ford)</P>
<P>
2º Hill (Williams-Renault)</P>
<P>
3º Berger (Ferrari)</P>
<P>
Nigel Mansell voltou à F1 para dar um novo ânimo à Williams -- e também para provar que ainda é competitivo nesta disciplina. Os dois Williams-Renault partiram da primeira linha, mas Schumacher arrancou melhor e a sua vitória nunca esteve em causa. O «velho leão» britânico não chegou ao fim (falha mecânica), mas captou a atenção dos «media» e entusiasmou Hill, antes de regressar aos EUA para cumprir as últimas corridas na F. Indy. A Ferrari ganhava fiabilidade.</P>
<P>
GP de Inglaterra</P>
<P>
Silverstone</P>
<P>
1º Hill (Williams-Renault)</P>
<P>
2º Alesi (Ferrari)</P>
<P>
3º Hakkinen (McLaren-Peugeot)</P>
<P>
Foi a corrida da bandeira preta. Schumacher, que acabou no segundo lugar, deveria ter parado nas «boxes» para uma penalização «stop and go», mas demorou para o fazer e acabou por ser posteriormente desclassificado pelo Conselho Mundial da FIA, que também o suspendeu por duas corridas. Hakkinen e Barrichello foram repreendidos por se terem envolvido num acidente na última curva da prova. A vitória foi muito comemorada por Damon Hill, que venceu uma prova que o seu pai nunca tinha conseguido ganhar.</P>
<P>
GP da Alemanha</P>
<P>
Hockenheim</P>
<P>
1º Berger (Ferrari)</P>
<P>
2º Panis (Ligier)</P>
<P>
3º Bernard (Ligier)</P>
<P>
O pódio mais surpreendente do ano, depois de uma corrida em que 11 dos 26 participantes desistiram logo na primeira volta. Foi também o primeiro abandono de Schumacher (que tinha recorrido da sentença do Conselho Mundial), com problemas de motor. Nas «boxes», o seu companheiro de equipa Verstappen viu-se envolvido por uma bola de fogo, após uma fuga de gasolina durante o reabastecimento. Mais problemas para a Benetton. Depois de um jejum de quase quatro anos, a Ferrari venceu uma prova.</P>
<P>
GP da Hungria</P>
<P>
Hungaroring</P>
<P>
1º Schumacher (Benetton-Ford)</P>
<P>
2º Hill (Williams-Renault)</P>
<P>
3º Verstappen (Benetton-Ford)</P>
<P>
O regresso às vitórias de Schumacher, que se preparava para as duas corridas de suspensão. Foi também o primeiro pódio com os dois Benetton -- uma excepção numa equipa onde só um carro parece em condições de discutir os primeiros lugares --, graças à paragem de Brundle já na última volta e às características favoráveis do circuito. Hill continuava a pontuar e a apostar no futuro, vendo uma possibilidade de alcançar Schumacher.</P>
<P>
GP da Bélgica</P>
<P>
Spa-Francorchamps</P>
<P>
1º Hill (Williams-Renault)</P>
<P>
2º Hakkinen (McLaren-Peugeot)</P>
<P>
3º Verstappen (Benetton-Ford)</P>
<P>
A primeira surpresa foi a «pole-position» conquistada à chuva por Barrichello, aproveitando os últimos minutos do treino de sexta-feira, quando a pista estava em melhores condições. Na corrida, domínio absoluto de Schumacher, posteriormente desclassificado porque o «patim» colocado no fundo plano do seu monolugar não tinha as medidas regulamentares. Era o início de uma semana negra para o alemão, que dias depois viu confirmada a sua suspensão por duas corridas.</P>
<P>
GP de Itália</P>
<P>
Monza</P>
<P>
1º Hill (Williams-Renault)</P>
<P>
2º Berger (Ferrari)</P>
<P>
3º Hakkinen (McLaren-Peugeot)</P>
<P>
O primeiro GP do ano sem Schumacher, a maior desilusão do campeonato para a Ferrari. Perante os seus «tiffosi», Alesi e Berger monopolizaram a primeira linha da grelha. O francês foi obrigado a abandonar na primeira paragem nas «boxes» (caixa de velocidades), quando comandava, e o austríaco só chegou ao segundo lugar na última volta, quando Coulthard parou. Hill venceu e ficou a apenas 11 pontos de Schumacher no «Mundial». Voltaram as preocupações com a segurança, após o violento acidente de Berger na «warm-up».</P>
<P>
Classificações</P>
<P>
Pilotos</P>
<P>
1º Schumacher 76</P>
<P>
2º Hill 65</P>
<P>
3º Berger 33</P>
<P>
4º Alesi 19</P>
<P>
5º Hakkinen 18</P>
<P>
6º Barrichello 13</P>
<P>
7º Brundle 11</P>
<P>
Construtores</P>
<P>
1º Benetton-Ford 85</P>
<P>
2º Williams-Renault 73</P>
<P>
3º Ferrari 58</P>
<P>
4º McLaren-Peugeot 29</P>
<P>
5º Jordan-Hart 17</P>
<P>
6º Tyrrell-Yamaha 13</P>
<P>
7º Ligier-Renault 11</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-16159">
<P>
Oito milhões até ao fim do século</P>
<P>
O programa Urban vai disponibilizar para o Casal Ventoso cerca de 3,5 milhões de contos. Mas esta verba será apenas uma parte de um extenso programa de investimentos na recuperação do degradado bairro da capital, cujo total necessário a CML estima em cerca de oito milhões de contos. Um desafio para dar uma nova imagem e qualidade de vida aquele espaço até ao fim do século.</P>
<P>
Segundo afirmou ao PÚBLICO António Furtado, responsável pela Divisão de Assuntos Comunitários, organismo municipal que coordenou o projecto de candidatura ao Urban, a recuperação do Casal Ventoso visa «dignificar uma zona da cidade carenciada em todos os níveis». A intervenção será em termos urbanísticos e sociais, pois, acrescenta, «nenhuma intervenção física podia ter sucesso no Casal Ventoso sem que tivesse atrás de si uma forte componente social».</P>
<P>
Assim, serão desenvolvidas iniciativas de acompanhamento social e escolar das crianças e jovens, programas de prevenção e apoio da toxicodependência, e formação profissional para mulheres e operários residentes no bairro. Além da dinamização das actividades culturais e recreativas, o plano aposta na criação de incentivos ao emprego e na abertura de pequenas empresas especializadas. Exemplo disso poderá ser a instalação no aglomerado de uma escola de calceteiros. Uma extensão do centro de saúde do Santo Condestável é outra das apostas.</P>
<P>
Paralelamente, as alterações urbanísticas passarão pela «abertura do Casal Ventoso à comunidade para inverter a situação actual», declara Furtado. Para tanto, na actual Rua Costa Pimenta -- a «zona pesada» da toxicodependência -- será rasgada uma nova artéria que ligará a Av. de Ceuta à Dona Maria Pia, no Alto de Carvalhão. Com a renovação das redes de saneamento básico e de comunicações, serão também demolidas as barracas e as recuperadas as casas passíveis desse tipo de intervenção, sendo cerca de 400 famílias realojadas num terreno junto à Av. de Ceuta. Nas zonas libertas serão criados parques urbanos e três novos espaços públicos, para centro de dia, apoio de tempos livres para crianças e um polidesportivo.</P>
<P>
A juntar aos 3,5 milhões de contos do Urban, a autarquia conta com mais 1,2 milhões do Programa Especial de Realojamento, e espera conseguir o resto no âmbito do segundo Quadro Comunitário de Apoio, para a conclusão do projecto até ao ano 2000. E, para que no próximo ano já possa arrancar a construção de novas casas e que as outras iniciativas também não fiquem no papel, Jorge Sampaio alerta para a necessidade de, em relação os terrenos privados, a autarquia passar a dispor de «mecanismos rápidos e eficazes de intervenção urbanística».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-25414">
<P>
JAIRO BOUER</P>
<P>
Especial para a Folha</P>
<P>
O que fazer quando você acorda com aquela maldita ressaca? Além de se arrepender do "porre" tomado, alguns truques podem ser úteis.</P>
<P>
O "dia-seguinte" começa com sensação de mal-estar, dor de cabeça, tontura, náuseas, sensibilidade à luz e boca amarga. Nada animador! Esses sintomas são resultado da ação nociva do álcool sobre estômago, fígado e sistema nervoso.</P>
<P>
O melhor jeito de enfrentar a barra é um bom repouso, bolsas de gelo na cabeça, óculos escuros, beber bastante água (para hidratar o organismo), uso de plasil (para as náuseas) e de medicações como aspirina (para as dores). Baldes de café (com a substância cafeína) reduzem a dilatação dos vasos sanguíneos que irrigam a cabeça e melhoram os sintomas.</P>
<P>
Beber apenas após estar com estômago cheio, não misturar tipos diferentes de bebida, evitar aquelas com teor alcoólico elevado (vodka, pinga e uísque) e conhecer seus próprios limites com relação ao álcool diminuem a intensidade da sua ressaca.</P>
<P>
JAIRO BOUER, 28, é médico. Se você tem dúvidas sobre saúde, escreva para o Folhateen.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-89949">
<P>
Do enviado especial</P>
<P>
Aida foi uma má surpresa para Ayrton Senna. Depois de dar algumas voltas com um carro de rua pela pista, na quarta-feira, o piloto foi dormir menos intranquilo.</P>
<P>
O circuito parecia ser liso o bastante para que os problemas que ele enfrentou com as ondulações de Interlagos não se repetissem.</P>
<P>
Na madrugada de ontem, seu Williams voltou a saltitar como um cabrito contente, perdendo aderência e "escorregando" nas curvas lentas do traçado do circuito japonês.</P>
<P>
"Na verdade, essa pista é ondulada em vários pontos críticos. A gente sabe que tem problemas com o carro e também sabe que não vai ter solução aqui. Talvez em Imola. Talvez", disse Senna.</P>
<P>
As modificações testadas em Jerez de la Frontera (Espanha), na semana passada, estão sendo analisadas e preparadas na sede da equipe em Didcot, Inglaterra. Em Aida, segundo Ayrton, "o negócio é dar um jeitinho e empurrar como for".</P>
<P>
Seu discurso depois do primeiro treino extra-oficial para o GP do Pacífico foi um festival de pessimismo.</P>
<P>
Eis algumas de suas frases: "O carro é inconstante e de repente a aderência some." "Nas curvas de baixa velocidade não tem aderência, nem tração." "O carro não está de acordo." "A gente não está com o carro na mão'." "Ainda estou brigando com o carro." "Ele é muito sensível e difícil de controlar." "Essa pista é o oposto do que nosso carro tem de bom."</P>
<P>
Senna disse que tem ainda "tempo disponível", porque andou com o carro pesado, com quase cem litros de gasolina no tanque.</P>
<P>
A única voz destoante do clima de velório que rondou o piloto brasileiro veio de seu engenheiro, David Brown. Ele foi categórico.</P>
<P>
"Em pistas velozes nós somos melhores. Vamos ganhar. Temos que ter calma. Esta é só a segunda corrida do ano."</P>
<P>
Ponto final. A Williams não parece assustada com a Benetton, apesar dos temores de Senna. Dá a impressão de que tudo é uma mera questão de tempo.(FG)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-5009">
<P>
Debate sobre património subaquático</P>
<P>
Lei de Santana Lopes no banco dos réus</P>
<P>
A situação da arqueologia e do património subaquáticos em Portugal na sequência da publicação do decreto-lei nº 289/93 de 21 de Agosto será debatida hoje, às 21h00, numa sessão pública no Grande Anfiteatro do Centro de Congressos do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, promovida pela associação Arqueonáutica -- Centro de Estudos.</P>
<P>
A presidir à sessão estarão o professor da Universidade de Coimbra, Jorge Alarcão, o arquitecto Lixa Filgueiras e representantes das seguintes entidades: Federação Portuguesa das Associações e Sociedades Científicas, Associação Profissional de Arqueologia, Associação dos Arqueólogos Portugueses e Associação dos Amigos do Museu de Angra do Heroísmo.</P>
<P>
A abrir e a encerrar o encontro estará o director do Museu Nacional de Arqueologia (MNA), Francisco Alves, que vai propor a criação pelo próximo Governo de um centro experimental de arqueologia subaquática, organismo «flexível» para regular esta área da arqueologia. O director do MNA vai ainda, afirmou ele ao PÚBLICO, explicar que abolir o decreto-lei 289/93, elaborado pelo ex-deputado do PSD Rui Gomes da Silva, entre outros, «não significaria um vazio legislativo», uma vez que, para organizar juridicamente o sector «basta a lei de bases do património -- a lei 13/85 -- e o regulamento dos trabalhos arqueológicos».</P>
<P>
O debate agendado para o Instituto Superior Técnico ocorre uma semana antes da reunião da Comissão do Património Cultural Subaquático, marcada para o dia 31, cuja ordem de trabalhos inclui a apreciação dos «dossiers» de candidaturas a concessões de prospecção e recuperação em várias zonas dos mares portugueses por parte de várias grandes multinacionais de caça ao tesouro subaquático, elaborados de acordo com o texto da lei. Uma das zonas mais pretendidas é os Açores, dado o elevadíssimo número de naufrágios ali recenseados: só na baía de Angra há 120 navios afundados desde o século XVI.</P>
<P>
Mas a lei 289/93 é controversa. Segundo Francisco Alves, «veio permitir a caça aos tesouros submersos em águas portuguesas» uma vez que, entre outras coisas, prevê que os achadores de património subaquático sejam remunerados com uma parte dos próprios achados, permitindo assim a sua venda e consequente dispersão do património submerso pelo circuito das galerias internacionais.</P>
<P>
Até ao momento, nenhuma concessão de áreas marítimas para prospecção e recuperação de bens arqueológicos submersos foi aprovada pela Comissão. Esta apenas reuniu cinco vezes em sessão plenária desde que, em Julho, saíu a regulamentação da lei 289/93, fazendo desaparecer o último obstáculo à abertura de concursos para a atribuição de concessões.</P>
<P>
A única autorização atribuída até agora para pesquisas no fundo do mar foi dada pelo Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (Ippar) em Setembro ao arqueólogo Jean-Yves Blot para lhe permitir continuar as pesquisas dos destroços do navio San Pedro de Alcantara, afundado em Peniche.</P>
<P>
Isabel Braga</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-94956">
<P>
AML discute Programa Especial de Realojamento</P>
<P>
Câmaras enfrentam desafios imprevistos</P>
<P>
Anabela Mendes</P>
<P>
Construir casas parece não ser suficiente para resolver o problema da erradicação de barracas. O PER começa agora a ser repensado, tendo em conta todos os problemas que foram surgindo, como os constrangimentos burocráticos e financeiros e os de ordem social. Uma tarefa «titânica» que parece começar a fazer esmorecer as autarquias envolvidas no processo.</P>
<P>
Na terça-feira, durante todo o dia, estiveram reunidos, em Algés, presidentes de câmara, vereadores e técnicos autárquicos, no 2º Encontro sobre Habitação na Área Metropolitana de Lisboa (AML), onde em discussão esteve o Programa Especial de Realojamento (PER).</P>
<P>
Um encontro, morno, que se pautou pela apresentação de várias experiências que se vivem nas diversas câmaras, tendo como nota dominante o levantar de problemas que, quando foi tomado o compromisso de erradicar as barracas da AML, não foram tomados em conta.</P>
<P>
«Muito poucos poderão levar por diante o PER», foi a declaração do vereador José Lourenço, do pelouro da Habitação da Câmara de Almada, que no testemunho que prestou perante a assembleia falou no problema dos guetos, em que os realojados correm o perigo de passar a viver depois de realojados.</P>
<P>
«Criar fogos, para depois tirar de barracas pessoas que sempre viveram à beira-mar, em zonas como a Trafaria, Costa da Caparica, em pequenas comunidades onde todos se conhecem, têm a sua hortazinha e os seus coelhos, é muito complicado. Principalmente quando na zona onde vão ser realojados se deparam à partida com a hostilidade dos que ali moram", afirmou José Lourenço.</P>
<P>
«Uma questão de cultura», é assim que este responsável autárquico define o problema social. «Há determinado tipo de pessoas que neste momento, estando instaladas em barracas, têm um tipo de cultura diferente das que sempre habitaram áreas urbanas, e encaram com naturalidade todos os benefícios e obrigações que implica viver num andar. Para os que agora vão pela primeira vez na vida habitar um T1, a mudança, no seu entender, pode não significar uma melhoria de vida, muito pelo contrário. As questões de salubridade não têm nenhuma relevância face à perda da liberdade com que viveram até aqui, assim como podem estar habituados a gastar muito dinheiro em futebol, por exemplo, mas encararem muito mal a responsabilidade de pagar uma renda mensal pela casa. Por outro lado, há a questão das pessoas que já habitam as zonas onde vão ser colocados esses realojados que não gostam da ideia e não os recebem bem."</P>
<P>
Todas essas questões implicam a montagem de uma máquina própria, que inclua assistentes sociais e vários técnicos, que tornem possível fazer o acompanhamento das famílias que vão ser realojadas, bem como o das que já habitam os locais, para que não haja hostilidades de parte a parte e não se criem os tão temidos guetos.</P>
<P>
Mas, aqui, também José Lourenço reconhece a impotência da autarquia, em termos financeiros. «Estamos a tentar sensibilizar as pessoas para o problema, a fim de conseguir acordos e protocolos com instituições privadas de solidariedade social, como a Santa Casa da Misericórdia, paróquias e juntas de freguesia. Só com o esforço de todos podemos conseguir que a inserção social dos realojados seja plena».</P>
<P>
Virtudes e pecados</P>
<P>
«Se o PER tem virtualidades, a principal foi ter permitido durante estes dois anos fazer o levantamento de dificuldades e problemas que, apesar de já existirem, não lhes tinha sido dada suficiente importância", afirma José Lourenço.</P>
<P>
Mas, os problemas económicos também estão a asfixiar as autarquias, como o confirma o vereador de Almada. «Por um lado, tínhamos um programa anterior que era manifestamente desfavorável em termos económicos, o que nos leva a ter neste momento em construção 579 fogos em condições francamente piores que as oferecidas pelo PER para os restantes 112 fogos que vamos construir, já ao seu abrigo. O que estamos a tentar negociar, com o IGAPHE e o INH, é até que ponto se podem alargar estes contratos anteriores ao PER, equiparando-os às condições agora oferecidas, nomeadamente as taxas de juro mais baixas e o serviço de dívida ser calculado de uma forma mais favorável para os municípios».</P>
<P>
O facto de o PER obrigar a um auto-financiamento de 20 por cento por parte dos municípios é outra questão levantada, sendo do consenso das câmaras da AML que a comparticipação do PER deveria ser a 100 por cento. «O valor com que a autarquia tem de comparticipar leva a que o ritmo de construção de fogos seja muito lento, devido à manifesta insuficiência económica com que nos deparamos. Não temos dinheiro suficiente», afirma José Lourenço.</P>
<P>
Por outro lado, «os contratos de financiamento não contemplam os espaços exteriores nem os equipamentos sociais, o que torna ainda mais complicada a construção. Nós achamos que também isso devia ser financiado pelo PER a uma taxa de juro inferior à do mercado, à semelhança do que acontece com a habitação", diz o vereador de Almada.</P>
<P>
A concluir, afirma que, «nestas condições, e se estes problemas não forem resolvidos a breve trecho, é irrealista pensar que as autarquias consigam cumprir os prazos do PER, que, salvo uma ou duas excepções, põe como data limite o ano 2000».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-76632"> 
<P>Software livre, cultura livre, palco livre...</P>
 <P> Eduardo EGS · Porto Alegre (RS) · 20/4/2007 15:38 · 153 votos </P>
 <P> Num imenso galpão com estruturas metálicas, acontece todo ano um evento que prima pela liberdade. É o Fórum Internacional Software Livre, o fisl, que chega a sua oitava edição cada vez maior. E mais diversificado. Diferentes tipos circulam pelo local em harmonia. E não haveria por que ser diferente. Todos estão lá por um motivo em comum: o uso de ferramentas livres, baseadas na colaboração. E dentro desse evento, ocorre outra manifestação de liberdade: o Criei, Tive Como!, Festival Multimídia de Cultura Livre do Brasil, que acontece pela segunda vez. Se no ano passado o festival tinha um estande acanhado, num dos cantos do
Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre, agora as coisas foram bem diferentes. E Como! </P>
 <P> Um estande central foi montado, com direito a banquinhos brancos e cortinas feitas com tubo de plástico, o que garantiu o resultado mais bonito entre todos os estandes, sem dúvida. Mas não ficou só por aí (e não mesmo!). O espaço contou com um estúdio de rádio e um estúdio de TV em pleno estande, que projetou vídeos o tempo inteiro, chamando a atenção dos participantes. Comandadas por Gabriel Menotti, do Cine Falcatrua, as projeções não seguiam uma programação prévia. " Ano passado a gente preparou um mote especial pra cá, que passava num horário determinado. Nesse ano, a gente tá controlando a transmissão 24 horas, conta. Foi feita uma grade de programação de 36 horas, com materiais da internet e enviados através de uma convocação especial para o festival, mas o que se viu por lá foram pessoas levando seus vídeos para passar sem marcar hora, bem no espírito colaborativo da cultura livre. "Naturalmente, você fazendo a programação do lado do espaço de exibição, as pessoas têm acesso não só a tela como ao dispositivo de controle e também a nós, que estamos controlando a estrutura. Então você tem um diálogo muito maior entre os projecionistas e o público, completa. </P>
 <P> Sem dúvida, houve uma evolução no comparativo com o ano anterior. Quem confirma isso é o Vj pixel, que viu o festival crescer: " Esse ano a gente tem uma estrutura bem maior, que não atinge só o público que tá circulando pelo fisl, mas atinge as pessoas que acessam o site do fisl na internet também, porque a gente tem uma TV e uma rádio que tão sendo exibidas aqui internamente. A gente tem um telão e uma caixa de som com a programação da rádio, mas tem também streaming desse material que a gente tá produzindo, que é onde tá a maior parte do público. Mas a evolução não ficou só na estrutura do estande e dos conteúdos. O famoso show de abertura do festival também cresceu e se diversificou. </P>
 <P> Realizada no Teatro do Sesi, local ao lado do espaço do fisl, a noite começou com os gaúchos da Bataclã FC, que entraram no palco com uniformes do DMLU, o
Departamento Municipal de Limpeza Urbana de Porto Alegre e abriram o show com o clássico Amigo Punk. A certa altura, o vocalista Richard Serraria chamou o público que dançava na fila do gargarejo a subir ao palco, com o comentário "É software livre, é palco livre, mas acho que a cara feia dos seguranças não motivou o pessoal a se arriscar. Não que isso tenha sido problema: Richard acabou o show no meio da massa, cantando com as mãos pra cima, pra alegria de todos. A segunda atração foi o
DJ Dolores, que antes de tocar comentou que muita gente considerava que fazer música no computador era como enviar um e-mail, uma atividade burocrática e sem vida. Pra fechar o seu discurso, largou um "Então me dêem licença que eu vou ali passar um e-mail, sob os aplausos do público. O ponto alto foi o dueto com a rabeca do Maciel Salustiano, filho do Mestre Salustiano, que fizeram uma performance de arrepiar. </P>
 <P> Na seqüência, vieram os DJs Lucio K e JC, ganhadores do Overmixter, Concurso de Remixes Brasil-África do Sul. O sul-africano JC abriu os trabalhos com o seu remix vencedor e convidou o público a bater palma enquanto a mistura sonora invadia o recinto. Em seguida, foi a vez do Lucio K, com o seu remix vencedor Tudo Vem da África e com uma faixa do seu último disco, que mistura carimbó com música eletrônica, agitando a platéia. Pra valer: " No final, ainda recebi de um espectador um dos melhores elogios possíveis: "fiquei impressionado com o groove que você tem, mesmo sendo branco assim!, diverte-se o Lucio. Encerrando a noite, os pernambucanos do Mombojó fizeram um ótimo show, com o público cantando junto e dançando. No final, o vocalista Felipe S. convidou o povo pra subir ao palco, e ao contrário do show da Bataclã, o convite foi aceito, com uma galera invadindo o palco e pulando muito, pelo menos até a hora em que os seguranças começaram a tirar todo mundo de lá. Mas foi uma bela forma de terminar a festa, com alegria e empolgação, características que marcaram não só os shows como os três dias de Criei, Tive Como!. </P>
 <P> E no que depender do Vj pixel, que pela segunda vez fez a ambientação visual do show (esse ano ao lado do inglês Salsaman), o Criei tem tudo para melhorar cada vez mais empolgante: "A gente gostou muito da estrutura que tem aqui, todo mundo tá adorando fazer. Nossa intenção é, terminando o evento, refletir sobre isso e escrever um relatório sobre o que foi bom e o que foi ruim, pra no ano que vem fazer uma estrutura semelhante, mas ainda melhor". </P>
 <P>Pelo que vi nos três dias de evento, tenho certeza que esse objetivo vai ser alcançado.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-28061">
<P>
Maré negra evitada no Bósforo</P>
<P>
O petroleiro grego de pavilhão cipriota Nassya, que colidiu domingo à noite com um cargueiro no pequeno estreito do Bósforo, entre o Mar Negro e o Egeu, continuava ontem a arder na boca do Mar Negro. Mas apesar de se encontrar carregado com 98,5 mil toneladas de petróleo bruto russo, e de parte da carga se ter derramado em chamas, parecia estar ontem totalmente posta de parte a hipótese de uma grande maré negra na região de Istambul.</P>
<P>
Segundo o gabinete de crise instalada na cidade pelas autoridades turcas, o incêndio continuava a ser combatido por vários barcos-bombas e deverá ser extinto em «alguns dias», ao mesmo tempo que se colocavam barreiras para impedir o alastramento do crude. O balanço final de mortos nas tripulações dos dois navios ainda não está completamente estabelecido, apesar de ontem se ter adiantado 24 vítimas. Foram já repescados 15 cadáveres e socorrido 28 feridos, mas a esperança de salvamento de outra quinzena de desaparecidos acabou.</P>
<P>
Depois de uma primeira fase em foi rebocado para longe de Istambul -- o estreito atravessa a cidade de dez milhões de habitantes e tem apenas 31 quilómetros de comprimento e entre 700 a 1.200 metros de largura -- procedia-se a nova deslocação para dentro do Mar Negro, no sentido de desanuviar a zona.</P>
<P>
Não se sabia ainda ontem quantos dias ficará completamente fechado o estreito, enquanto ao largo numerosos navios esperavam a reabertura do Bósforo, a passagem estratégica entre o petróleo de vários países da ex-União Soviética para o Mediterrâneo e os mercados de moeda forte do Ocidente.</P>
<P>
Sem resultados finais do inquérito oficial, quando se acredita que foi o cargueiro vazio, também de pavilhão cipriota, que albarroou o Nassya, as autoridades turcas ganham pontos na sua vontade de obter um muito maior controlo deste estreito, navegado por cerca de 50 mil navios anualmente, mais de metade destes com cargas inflamáveis ou poluentes.</P>
<P>
Historicamente a zona, pela sua extraordinária importância estratégica (mais a sudoeste fica o estreito dos Dardanelos, última porta entre o Mar negro e o Egeu) tem sido ao longo dos séculos palco de grandes conflitos pelos direitos de passagem, de que os maiores exemplos foram a Guerra da Crimeia, em 1854-56, e o fracasso do desembarque das forças aliadas na pequena ilha de Gallipoli, em 1915.</P>
<P>
Ao abrigo do tratado de Montreux de 1936 (não Montreal, como ontem se referiu no PÚBLICO), a Turquia é obrigada a dar liberdade de navegação internacional pelo estreito, excepto em tempos de guerra. Mas desde o ano passado que, com fortes argumentos ambientais e de segurança para a população e Instambul, a Turquia tem tentado impor regras muitos restritas à passagem de navios de carga -- como, a partir de Julho, o aviso prévio de 24 horas e navegação com piloto turco -- medida contestada principalmente pela Rússia. Ontem, a organização ecologista Greepeace deu o seu apoio público às pretensões do Governo de Ancara.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-50713">
<P>
A guerra da distrital de Lisboa do PSD</P>
<P>
Isaltino vetou nomes fortes de Santana</P>
<P>
A negociação da «lista de consenso» presidida por Arlindo de Carvalho está feita. Ontem de manhã, o ex-ministro da Saúde reuniu-se com Isaltino de Morais e ficou tudo acertado. Pelo meio ficaram alguns telefonemas a Santana Lopes. Agora é aguardar pela votação de amanhã.</P>
<P>
Mas o secretário de Estado da Cultura não tem razões para estar muito contente. Na reunião de segunda-feira entre os três negociadores, Santana viu vetados os quatro nomes mais fortes por si apresentados e ontem mesmo acabou por cair o nome de Manuel Frexes, seu subsecretário de Estado no Palácio da Ajuda. Rui Gomes da Silva, Pedro Campilho, João Granja da Fonseca e Machado Lourenço não foram aceites por Isaltino por razões quase sempre ligadas a declarações num ou noutro momento produzidas contra o presidente da distrital. Isaltino não perdoa «os ataques políticos » de Gomes da Silva e Pedro Campilho; a «língua viperina» de Machado Lourenço, vice-governador civil de Lisboa, que lhe faz «acusações pessoais desagradáveis»; e a intervenção de Granja da Fonseca «contra um militante do PSD» num caso ligado às eleições locais em Funcheiro dos Moinhos, concelho da Amadora.</P>
<P>
Quanto à entrada de Manuel Frexes, tida como assente na segunda-feira, acabou por se gorar devido «à necessidade de incluir mais um nome dos TSD», no caso, Jacinto Pereira. Pudera, o apoio desta estrutura revela-se vital para o êxito desta lista, acossada agora com a presença de Mota Veiga. De resto, a explicação oficial para a exclusão dos nomes das «personalidades» é a necessidade de incluir «o máximo de pessoas das bases».</P>
<P>
Foi esta, de resto, a estratégia seguida por Isaltino desde a primeira hora, que apostou quase exclusivamente em figuras que são ou presidentes ou vice-presidentes de secções. O que desde logo manietou Santana, porque qualquer veto sobre um destes nomes seria considerado um acto de hostilidade a toda a secção. Daí que o secretário de Estado tenha tido espaço apenas para dizer não ao nome de Roque da Cunha, mesmo assim com os probemas que trouxe a nível da JSD.</P>
<P>
Note-se que Arlindo de Carvalho, o cabeça de lista, assistiu mudo e quedo a estas jogadas tendo-se limitado apenas a incluir quatro nomes da sua confiança e mesmo assim como suplentes: João David Nunes, Aura Mateus, José Augusto Fernandes e Bernardino Silva.</P>
<P>
A segunda lista</P>
<P>
Entretanto a segunda lista já é uma realidade. Mota Veiga é o candidato à presidência e tem como vices Freire Antunes e Virgínia Estorninho. José Luís Ramos é proposto para encabeçar o Conselho de Jurisdição. A decisão foi tomada numa reunião que terminou na madrugada de ontem. Presentes estiveram cerca de quatro dezenas de pessoas da maioria das secções, que preparam agora activamente o elenco final. «Renovar o partido para continuar a mudar Portugal» é a sigla escolhida por esta lista que ontem mesmo apresentou o seu manifesto, em conferência de imprensa.</P>
<P>
Justificam o seu aparecimento na «vontade das bases» e no apelo feito por Cavaco Silva no sentido de o PSD «não deixar de ser um partido com alma, vivo plural e democrático, um partido preparado para vencer as batalhas políticas do presente e do futuro de Portugal». Entendem ser «indispensável e urgente incentivar a participação política dinâmica e o debate renovador nas estruturas» do partido em Lisboa e propõem-se convocar «de forma sistemática» os militantes para a discussão das «grandes questões nacionais e, particularmente, dos graves problemas humanos e sociais» das populações da AML. Áurea Sampaio</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-51416">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Para Carlos Antonio Luque, presidente da Ordem dos Economistas de São Paulo, o governo "não tem capacidade, por enquanto, de desenvolver o crescimento auto-sustentado". Segundo ele, o país perdeu a capacidade de investir. Nos anos 70, empregava-se na produção o equivalente a 25% do PIB. Hoje a taxa não ultrapassa 16%.</P>
<P>
Luque entende que a expansão sólida da economia não virá "enquanto não se recuperarem as poupanças pública e privada e a expectativa do empresariado quanto aos rumos da economia". Fora disso, o país vai continuar vivendo ciclos alternados de crescimento e recessão, ao sabor das variações conjunturais, diz.</P>
<P>
"Desde abril a economia está em declínio e não se observa nenhuma expectaiva melhor nem capacidade do governo de rearticular e capacitar investimentos", afirma Luque.</P>
<P>
Os números da Confederação Nacional da Indústria também mostram o compasso de espera. A produção cresceu 8%, mas as as horas trabalhadas caíram 2,4%. O economista Flávio Castelo Branco acredita que os juros elevados e o impacto  o Plano FHC devem proporcionar um primeiro trimestre morno, muito diferente dos superaquecidos três primeiros meses de 1993. (EBe)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-60160">
<P>
O rio Ceará transbordou alagando a vila onde moram os descendentes dos índios Tapebas, em Caucaia. Cerca de 600 pessoas ficaram desabrigadas. A enchente foi causada pelas chuvas do último fim-de-semana. Os índios querem ir para área demarcada pela Funai.</P>
<P>
Ceará 2</P>
<P>
O Instituto dos Cegos do Ceará comprou um computador que imprime em código braile. O equipamento vai permitir que os cegos leiam jornais, livros e outros artigos em linguagem escrita. Os textos são digitados no computador e impressos em código braile.</P>
<P>
Bahia 1</P>
<P>
A Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial decidiu reajustar os preços das multas de apreensão de animais nas estradas. A multa agora é de CR$ 15.000,00. A medida visa reduzir a presença de animais nas pistas, motivo de vários acidentes.</P>
<P>
Bahia 2</P>
<P>
O governador Antonio Imbassahy assinou decreto garantindo isenção de ICMS na compra de carros para táxi no Estado. A medida beneficia o taxista que exercia a atividade até 29 de março em veículo próprio. Com a isenção, o preço dos carros cai 10.65%.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-85593">
<P>
Atentado de Heathrow atribuído ao IRA</P>
<P>
Um espectacular golpe de propaganda</P>
<P>
Os cinco morteiros lançados na quarta-feira contra o aeroporto de Heathrow, em Londres, um atentado que a polícia atribuíu ao Exército Republicano Irlandês (IRA), levantam novas dúvidas quanto ao sucesso do processo de paz para a Irlanda do Norte iniciado há três meses.</P>
<P>
Os morteiros, que não rebentaram, foram disparados do porta-bagagem de uma carrinha estacionada junto ao aeroporto. Segundo os analistas, que também não têm dúvidas sobre a origem do atentado, tratou-se de um espectacular golpe de propaganda da parte do IRA para demonstrar que continua a ser uma força com que é preciso contar.</P>
<P>
O «timing» do atentado parece ser uma prova disso. Os morteiros foram accionados, por controlo remoto, ao fim da tarde, no preciso momento em que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Irlanda, Dick Spring, se encontrava reunido com representantes do Governo britânico para rever o processo de paz para a Irlanda do Norte iniciado em Dezembro passado com a assinatura, pelos governos de Londres e Dublin, da Declaração de Downing Street.</P>
<P>
Na mesma altura, o parlamento de Londres dedicava-se à revisão anual da legislação contra o terrorismo. O ministro do Interior, Michael Howard, interrompeu o debate na Câmara dos Comuns, para anunciar o atentado, quando se discutia o endurecimento da lei que impede os suspeitos de pertencerem ao IRA de permanecer no território da Grã-Bretanha e de outra prevendo a prisão sem culpa formada desses suspeitos durante uma semana.</P>
<P>
A Declaração de Downing Street, onde pela primeira vez Londres reconhece o princípio da reunificação da Irlanda, oferece ao ramo político do IRA, o Sinn Fein, um lugar à mesa das negociações sobre o futuro da Irlanda do Norte na condição de o IRA pôr fim à campanha armada para expulsar os britânicos do Ulster. Uma cláusula já rejeitada pelos partidos unionistas irlandeses (que defendem a permanência da Irlanda do Norte como uma província britânica), que recusam regressar às negociações se o Sinn Fein estiver presente.</P>
<P>
Segundo os observadores, o ataque a Heathrow pode ser um indicador de que o IRA estará a preparar-se para rejeitar a Declaração de Downing Street. No entanto, esta tese foi rejeitada tanto pelos políticos britânicos como irlandeses, que sublinharam que a Declaração continua válida.</P>
<P>
O líder do Sinn Fein, Gerry Adams, assinalou ontem que o atentado não constitui «um revés para o processo de paz», apenas recorda «que as causas do conflito não foram eliminadas».</P>
<P>
O ministro Michael Howard, comentando o atentado, referiu que o Governo «não se vai deixar derrotar por terroristas». Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros irlandês, condenou o ataque -- «uma acção calculada que demonstra um total desrespeito pelas vidas humanas» --, mas sublinhou que ainda há optimismo quanto à iniciativa de paz porque «o que aconteceu é contrário às notícias que temos tido sobre o debate da questão nas fileiras do IRA». Spring disse ainda que, apesar da demora dos republicanos em decidir se aceitam ou rejeitam a Declaração, «há esperanças em que o IRA assine a Declaração a breve prazo».</P>
<P>
Os morteiros são uma arma habitualmente utilizada pelo IRA contra alvos britânicos no Ulster. No entanto, foram poucas as vezes em que esta arma foi usada na Grã-Bretanha. Aconteceu pela última vez em Fevereiro de 1991 quando um morteiro foi lançado contra a residência oficial do primeiro-ministro, em Downing Street, explodindo numa sala próxima do local onde estava reunido o Conselho de Ministros. Tal como em Heathrow, não houve vítimas.</P>
<P>
O atentado de quarta-feira levantou ainda um debate quanto à segurança nos aeroportos. Os morteiros caíram na principal pista do aeroporto, o mais movimentado do país, onde chega a aterrar um avião em cada 45 segundos. Minutos antes tinha aterrado na pista um avião Concorde, e o tráfico continuou a fazer-se por mais meia hora, o tempo que as autoridades demoraram a encerrar a pista.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-3070">
<P>
Piloto não mede seus atos para alcançar vitórias; o acidente no Brasil foi um castigo para essa voracidade</P>
<P>
FERNANDO RODRIGUES</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Não passa de mito o bom-mocismo de Ayrton Senna. Fruto do imaginário popular, essa suposta veia altruista do piloto brasileiro não tem relação com a verdade. Sua derrota no GP do Brasil foi uma espécie de castigo para sua desmedida voracidade por destruir adversários sem se importar com os meios.</P>
<P>
Quando a Willians pilotada pelo brasileiro rodou na pista de Interlagos, um fato de quatro anos atrás me veio à memória para ilustrar o caráter desse adorado piloto de Fórmula 1. O cenário era a bucólica Suzuka, no sul do Japão, onde é disputado o GP daquele país. O ano era 1990. Para Senna sagrar-se campeão por antecipação, bastava que o francês Alain Prost não pontuasse. Antes da corrida, esse era o assunto que dominava as rodinhas de jornalistas e pilotos nos boxes.</P>
<P>
Ninguém ousava perguntar para sua majestade Senna se ele considerava a possibilidade de forçar a saída de Prost da prova. Mas era exatamente isso que o brasileiro queria.</P>
<P>
Para complicar, o circuito de Suzuka tinha uma peculiaridade: era melhor sair em segundo do que em primeiro: o lado da pista onde ficava o pole position era menos emborrachado que o do segundo colocado no grid de largada. Burramente, Senna conquistou a pole e Prost ficou em segundo. O francês teria muito mais arranque na hora de largar. De uma maneira estúpida, fazendo pressão nos bastidores, o brasileiro tentou inverter o lado da saída. Não deu certo, é claro. Prost também não é flor que se cheire. Era quase certo que o brasileiro perderia a dianteira logo na primeira curva. E ele não estava disposto a isso.</P>
<P>
Pouco antes da largada, um repórter perguntou diretamente a Senna sobre seus planos. "Você considera a possibilidade de um acidente para tirar Prost do GP?", foi a pergunta. O piloto brasileiro se irritou e disse que não responderia. Diante da insistência do repórter, Senna ameaçou agredi-lo. O jornalista, impassível, repetiu a pergunta. Chegou a turma do deixa-disso e não houve briga.</P>
<P>
Para quem acompanha Fórmula 1, o final dessa história é conhecido. Segundos depois da largada do GP do Japão em 1990, Senna forçou uma ultrapassagem sobre Prost na primeira curva. Não deu. Bateram. Os dois pilotos ficaram fora da corrida. E Senna foi campeão.</P>
<P>
Esse é o Ayrton Senna verdadeiro. Uma praga quando quer conquistar alguma coisa. No Brasil, ele rodou sozinho. Sorte de Michael Schumacher, que não estava por perto.</P>
<P>
Os adversários que se cuidem.</P>
<P>
Futebol</P>
<P>
A histeria em torno da escalação da seleção brasileira de futebol acabou relegando a segundo plano uma discussão mais importante: a falta de calendário. O assunto é chato, quase insuportável, mas fundamental para que o país volte a ser vencedor em nível internacional com sua seleção, um time perdedor desde 1970.</P>
<P>
Por causa do calendário destrambelhado da CBF, é virtualmente impossível dizer no momento se jogadores como Edmundo e Palhinha devem ou não ser convocados. Os dois passam por uma má fase profunda. Submetidos à maratona de jogos em seus clubes, alternam duas situações: 1) ficam fora da partida porque estão machucados ou 2) jogam mal. Quem já viu esses dois jogadores atuando sabe que fazem parte da constelação de primeira grandeza do futebol brasileiro.</P>
<P>
O ano está passando e ninguém da CBF fala no assunto. Tudo bem que a Copa do Mundo esteja aí. Pelo jeito é preciso mais um fracasso para que os dirigentes do futebol dêem mais atenção para o planejamento do esporte.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-13244">
<P>
Europeus morrem nos Himalaias</P>
<P>
Trinta montanhistas italianos e quatro franceses foram ontem dados como desaparecidos, fazendo ascender a cerca de 100 o total de pessoas mortas ou desaparecidas em várias avalanches nos Himalaias no último fim de semana, segundo informações recolhidas pela agência France Presse junto de associações de montanhismo. Trinta italianos, repartidos em três grupos, e os quatro franceses, desapareceram no vale de Khumbu, a nordeste de Katmandu, perto do Monte Evereste. Um diplomata italiano confirmou o desaparecimento de nove italianos. Mas um responsável da organização de montanhismo Sherpa Alpine Trekking, instalada em Katmandu, revelou a falta dos restantes. Antes, já 65 montanhistas tinham desaparecido ou a sua morte foi confirmada no vale de Gokyo, desde sexta-feira, na mais grave catástrofe humana registada na história do Nepal.</P>
<P>
Tráfico de bebés na Moldóvia</P>
<P>
As forças especiais da Moldóvia desmantelaram uma rede de tráfico de recém-nascidos que eram vendidos no estrangeiro, anunciou ontem o ministério moldovo da Segurança, citado pela agência Interfax. A rede compreendia funcionários e até pessoal médico dos hospitais do Estado, que eram encarregados de recrutar raparigas que queriam abortar, convencendo-as a dar à luz os bebés para depois os venderem. As jovens, que pariam clandestinamente em apartamentos, sob a vigilância de médicos vindos do estrangeiro, recebiam 1000 dólares (cerca de 150 contos). O salário médio mensal na Moldóvia é de 30 dólares. Os bebés eram então revendidos no estrangeiro por somas que podiam atingir os 26 mil dólares, acrescentou o porta-voz do Ministério, tanto para adopção como para lhes ser retirado um órgão. A organização, que possuía sete apartamentos em Chisinau equipados com material de obstetrícia, nos quais 25 mulheres deram à luz nos últimos dois meses, agia sob a cobertura de uma empresa mista moldova e israelita.</P>
<P>
Avião mata 50 na Nigéria</P>
<P>
Pelo menos 50 pessoas morreram e 42 ficaram feridas no acidente de um avião da companhia nacional nigeriana que se despenhou ontem ao aterrar na pista do aeroporto de Kaduna (no norte da Nigéria), informaram fontes aeroportuárias citadas pela France Presse. Um porta-voz do departamento de segurança dos aeroportos civis do país, Sylvester Oputa, confirmou o acidente mas recusou-se a avançar um balanço oficial do número de vítimas. Os 42 feridos, entre os quais alguns em estado grave, foram transportados para o hospital geral de Kaduna. O aparelho, um Boeing 737, que tinha mais de uma centena de passageiros a bordo, incendiou-se após ter tocado no solo. O avião efectuava um voo regular entre Yola, capital do estado de Adamawa, no nordeste do país, e Kaduna, capital do estado com o mesmo nome.</P>
<P>
West: mais vinte mortos?</P>
<P>
Frederick West afirmou ter enterrado outros 20 cadáveres, além dos 12 já encontrados pela polícia em Gloucester, afirmou ontem em tribunal uma testemunha, no recomeço do julgamento de Rosemary West, a dona da «casa do horror» acusada da morte de dez raparigas. Janet Leach, uma assistente social de 39 anos, que realizou várias entrevistas frente-a-frente com Frederick West, antes do seu suicídio na prisão a 1 de Janeiro, afirmou que este lhe tinha contado que os corpos de outras 20 pessoas tinham sido enterrados numa quinta e que estas tinham sido assassinadas «com a cumplicidade de Rosemary e de outras pessoas». Mas que não sabe se o homem estava a falar verdade ou a mentir. Na semana passada, a testemunha tinha já dito que Frederick lhe confidenciara ter-se confessado à polícia como único autor dos homicídios para ilibar a mulher. Leach fora inicialmente chamada como «observadora independente» para assistir aos interrogatórios de Frederick na prisão de Birmingham. Na última terça-feira, a assistente social foi atacada de paralisia dos membros e da boca no instante em que ia começar a ser interrogada pela defesa de Rosemary. Passou seis noites num hospital de Winchester e chegou ao tribunal em ambulância, ocupando o seu lugar de testemunha sentada numa cadeira de rodas, acompanhada de um médico. Admitiu, também, ter vendido a sua história a um jornal popular por 100 mil libras esterlinas (cerca de 24 mil contos).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59400">
<P>
Avalanches mortíferas atingem alpinistas no Nepal</P>
<P>
Dezenas de mortos e desaparecidos sob as neves eternas dos Himalaias</P>
<P>
Pelo menos 52 alpinistas e expedicionários estrangeiros e carregadores nepaleses são dados como desaparecidos e presumivelmente mortos, vítimas de avalanches nos Himalaias do Nepal, anunciou ontem fonte da polícia em Katmandu, a capital do país.</P>
<P>
Os desaparecidos são designadamente britânicos, canadianos, franceses, alemães e japoneses, de acordo com as raras informações provenientes das regiões inóspitas onde os acidentes tiveram lugar, informou a polícia nepalesa.</P>
<P>
Após o falhanço das buscas terrestres, as autoridades decidiram ontem enviar helicópteros para fazerem reconhecimento aéreo. A polícia e o exército participam nas operações de socorro.</P>
<P>
Pelo menos 26 pessoas, 13 alpinistas japoneses (12 homens e uma mulher, cujos nomes foram comunicados pela empresa que lhes organizou a viagem) e 13 carregadores nepaleses são dados como mortos na avalanche que atingiu ontem de manhã o refúgio de Gokyo, situado 22 quilómetros a noroeste de Namche Bazar nas proximidades do Evereste. Segundo a polícia, havia 52 pessoas acampadas em Gokyo no momento da avalanche. Ignora-se a sorte das outras 28 pessoas.</P>
<P>
Entretanto, os corpos de 10 expediconários japoneses e de oito carregadores nepaleses, mortos sábado pela avalanche que atingiu o respectivo acampamento em Gokyo, foram ontem encontrados, informaram as autoridades. Além disso, os socorristas encontraram vivo um carregador nepalês de 26 anos.</P>
<P>
Outros 18 alpinistas são dados como desaparecidos após terem sido apanhados sexta-feira por uma avalanche a norte de Gokyo. Segundo as autoridades nepalesas, este grupo era constituído por britânicos, franceses e alemães. No entanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês disse, em Paris, que não havia cidadãos franceses entre os alpinistas e expedicionários.</P>
<P>
Finalmente, oito alpinistas, entre os quais um canadiano, terão encontrado provavelmente a morte sob a neve que os submergiu, também na sexta-feira na região de Mustang, a 375 quilómetros a noroeste de Katmandu, segundo fontes policiais.</P>
<P>
Entre a noite de sábado e a manhã de ontem, 78 pessoas, sendo 43 estrangeiros, foram evacuados da região de Gokyo pelas companhias aéreas Asian Airlines e Nepal Airways, a partir do aeroporto de Syangboche.</P>
<P>
«Um outro grupo de 150 expedicionários e carregadores nepaleses foi assinalado por um helicóptero quando se dirigiam para o vale de Gokyo progredindo através de uma camada de neve com 2,5 metros de altura, informou a polícia. «Os expedicionários na região do Evereste estão com falta de comida e de roupa quente, porque o que tinham nas mochilas ficou soterrado pelas avalanches», acrescentou a polícia.</P>
<P>
Segundo o guia nepalês Ang Gyalzen, as avalanches mortíferas fazem parte dos riscos das expedições, «mas a morte de tantos expedicionários num local como o vale de Gokyo é completamente excepcional». Fortes nevões e ventos violentos estão na origem da catástrofe.</P>
<P>
Em 1972, o Nepal tinha conhecido o mais grave acidente com a morte de 14 alpinistas, coreanos na sua maioria, que foram atingidos por uma avalanche no monte de Manaslu (8.163 metros), o oitavo mais alto em todo o mundo.</P>
<P>
O ano passado, também em Novembro, 11 alpinistas -- nove alemães, um suíço e um guia nepalês -- morreram quando escalavam o monte Pisang.</P>
<P>
O mês de Novembro é considerado como perigoso pelos expedicionários e pelos alpinistas por causa dos grandes nevões e dos ventos fortes que podem originar avalanches, mas é a época do ano em que os estrangeiros mais visitam o Nepal. Todo o maciço himalaiano do Nepal está sob uma vaga de frio e intensos nevões há vários dias, segundo os meteorologistas.</P>
<P>
Ontem o dia esteve claro, o que deu algumas esperanças às equipas de socorro de poderem encontrar alguns expedicionários bloqueados pela neve, segundo Ram Bikram Thapa, representante da Asian Airlines.</P>
<P>
Gokyo situa-se a 4,876 metros de altitude. É um dos lugares de viagem mais célebres do Nepal. Metade dos 10 mil expedicionários que anualmente visitam o país chegam ao vale de Gokyo, partindo de Namche Bazar, a 22 quilómetros, após dois a três dias de marcha por terrenos acidentados.</P>
<P>
Man Singh, France-Presse</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-99438">
<P>
O príncipe Edward, do Reino Unido, que também tem o título de duque de Kent, chega ao Brasil na terça-feira para uma visita de três dias. Ele dirige o Escritório de Comércio Exterior Britânico e deve se reunir com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o com o chanceler Luiz Felipe Lampreia.</P>
<P>
México confirma prisão de zapatista</P>
<P>
Fernando Yáñez Muñoz, suposto líder do grupo mexicano Exército Zapatista de Libertação Nacional, foi declarado formalmente preso pela Justiça federal, por posse de arma reservada das Forças Armadas. Ele foi preso no sábado e diz ter sido torturado na prisão.</P>
<P>
Avalanche mata 16 na Islândia</P>
<P>
Pelo menos 16 pessoas morreram por causa de uma avalanche que atingiu a vila de Flateyri (noroeste da Islândia, país insular próximo ao Ártico). Há quatro desaparecidos. Há 17 casas soterradas pela neve.</P>
<P>
Corte espanhola quer investigar ministro</P>
<P>
A Suprema Corte da Espanha pediu ao Parlamento licença para investigar o ex-ministro do Interior José Barrionuevo, suspeito de participação no escândalo GAL (Grupos Antiterroristas de Libertação, acusados da morte de separatistas bascos). Barrionuevo é membro do Parlamento.</P>
<P>
EUA acusam mãe de pôr filha em forno</P>
<P>
Veronica Russell, 25, foi indiciada ontem pela polícia de Columbus (Ohio, EUA) por ter supostamente posto sua filha de dois anos no forno do bar de uma escola. A criança foi retirada a salvo por funcionários da escola, que prenderam a mulher.</P>
<P>
França volta a vender armas a Taiwan</P>
<P>
O governo da França enviou 550 mísseis antiaéreos a Taiwan, rompendo promessa feita à República Popular da China de que não armaria o governo da ilha. Taiwan (capitalista) e a China (comunista) são inimigos. A China disse que as boas relações com a França dependem da manutenção do acordo.</P>
<P>
Rebeldes chacinam 30 em Serra Leoa</P>
<P>
Ataque atribuídos a guerrilheiros deixaram 30 mortos em Serra Leoa (oeste da África), incluindo mulheres e crianças. Os civis foram queimados vivos ou decapitados, nas cidades de Bo e Moyamba (sul).</P>
<P>
Assassina de Selena pega prisão perpétua</P>
<P>
Yolanda Saldívar, ex-presidente do fã-clube da cantora Selena, foi sentenciada à prisão perpétua, pela morte da sua artista preferida. Na segunda-feira, o júri havia anunciado que ela era culpada. Ontem saiu sua pena. O crime aconteceu em março. Ela matou a cantora após uma discussão sobre dinheiro. Yolanda chorou ao ouvir a pena.</P>
<P>
Barco afunda em rio da Índia e mata 26</P>
<P>
Pelo menos 26 pessoas morreram quando um barco de passageiros afundou no rio Ganges (leste da Índia). Viajavam no barco 80 pessoas. A polícia indiana acredita que todas as pessoas a bordo podem ter se afogado. O navio ia de Calcutá para Puri, um trajeto de 200 km.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-19473">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Morreu na noite de anteontem a primeira vítima de raiva no Estado de São Paulo nos últimos dois anos. O bancário Toshio Tomito, 35, de Araçatuba (532 km a noroeste de SP), foi mordido por um cachorro da família há cerca de 40 dias. Ele estava internado havia uma semana no Hospital Emílio Ribas de São Paulo.</P>
<P>
O último caso de raiva humana no Estado foi registrado em 92 na cidade de Araras (170 km a noroeste de SP). Nos últimos oito anos, dez pessoas morreram em cidades do interior.</P>
<P>
Araçatuba é uma das quatro regiões do Estado onde o número de cães atacados pela raiva vem crescendo muito. Ontem, mais um cão doente foi diagnosticado na cidade, passando para 21 o número de cachorros loucos identificados no último ano.</P>
<P>
A situação é mais preocupante na região de Andradina (680 km a noroeste de SP), onde 50 cães doentes foram diagnosticados no ano passado. As cidades de Mirandópolis (vizinha a Andradina) e Leme (190 km a noroeste de SP) também apresentam casos. Em todas essas cidades estão sendo feitos os "arrastões da raiva". Sempre que um cachorro é identificado, todos os cãs e gatos daquele bairro são vacinados.</P>
<P>
Por causa da vacinação, o último caso de raiva humana na cidade de São Paulo foi registrado em 81. O último caso de cachorro louco ocorreu em 83.</P>
<P>
Giselda Katz, diretora da Divisão de Zoonoses do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde (CVE), disse que o caso de Toshio Tomito está mobilizando as cidades do interior. Segundo a médica, a raiva só será contida com a vacinação e a captura de animais sem donos.</P>
<P>
Os proprietários de cães e gatos devem vaciná-los uma vez por ano e evitar que tenham contato com animais de rua. Pessoas vítimas de arranhões ou mordidas de cães desconhecidos ou que não foram vacinados devem procurar os serviços da Saúde.</P>
<P>
Medicada a tempo, a pessoa não corre riscos. A preocupação no momento é com dois outros familiares de Tomito que teriam sido mordidos pelo mesmo cão. Segundo os médicos, uma vez infectada, a pessoa demora em média de 30 a 45 dias para manifestar a doença. Em todos os casos, a raiva é fatal.</P>
<P>
O corpo de Tomito foi transportado de São Paulo para Araçatuba ontem à tarde. A família ainda não tinha decidido se seria enterrado na cidade ou retornaria para São Paulo para ser cremado. (Aureliano Biancarelli)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-28985">
<P>
São Tomé em pré-campanha</P>
<P>
Oposição junta forças</P>
<P>
Conceição Lima, em São Tomé</P>
<P>
O TERCEIRO aniversário das primeiras eleições livres em São Tomé e Príncipe, reencontra o país político tão dividido como há três anos, quando o PCD/GR (Partido de Convergência Democrática) infligiu ao MLSTP/PSD (Partido Social-Democrata), movimento de libertação e ex-partido único, uma derrota que, de tão contundente, acabou por ser algo inesperada.</P>
<P>
O ano de 1994, que assinala o início da contagem decrescente em direcção às urnas, promete ser renhido em disputas partidárias, prevendo-se da parte dos protagonistas do jogo político toda uma meticulosa afinação de trunfos, manhas e artifícios. O ano transacto indiciou isso mesmo.</P>
<P>
Em Novembro, após tentativas falhadas para assumir a iniciativa política, através por exemplo da convocação de uma manifestação de rua, que redundou em fiasco, as forças da oposição anunciaram, em conferência de imprensa, a constituição de uma aliança «para concertar e articular posições, visando antecipar o fim do mandato do PCD/GR».</P>
<P>
O objectivo de provocar a queda do Governo a cerca de um ano das eleições -- injustificável para alguns analistas -- foi reafirmado pelo líder do MLSTP/PSD, Carlos Graça, numa entrevista recente, durante a qual anunciou a intenção do seu partido de vir a formar um Governo de coligação com o Partido da Acção Democrática Independente (ADI), definido como sendo a base de sustentação do presidente Miguel Trovoada.</P>
<P>
Na prática, a pré-campanha já começou. A oposição e o PCD endurecem o tom de voz nos tempos de antena na rádio e na televisão, as sensibilidades estão à flor da pele e a divulgação de qualquer iniciativa do executivo é prontamente denunciada como «manobra eleitoralista».</P>
<P>
Ao longo do ano, não faltarão matérias «de denúncia». Por coincidência ou não (é óbvio que o Governo diz que sim), a agenda do executivo prevê para este ano a inauguração de uma série de obras, quer feitas de raiz quer de reconstrução: escolas, estradas, centrais hidroeléctricas. Nitidamente embalado numa dinâmica ascendente, o Governo de Costa Alegre procura convencer a população de que os sacrifícios impostos pela aplicação do severo Programa de Ajustamento Estrutural, acordado com o FMI e o Banco Mundial nos últimos anos da I República, começou finalmente a dar frutos. Se a população se deixa convencer, é outra questão.</P>
<P>
Os parceiros internacionais, em particular o FMI, têm reconhecido os esforços empreendidos para inverter o ciclo regressivo da economia, facto que foi destacado pelo chefe de Estado na sua mensagem de fim de ano. A taxa de inflação baixou para 22 por cento, as taxas de juro foram reduzidas e registou-se um aumento das receitas fiscais. Estes indicadores, associados à redução do défice orçamental e à relativa estabilidade cambial, permitiram ao Governo aumentar em cerca de 30 por cento a massa salarial.</P>
<P>
Mas os efeitos práticos destas melhorias no dia-a-dia da população são duvidosos. As medidas anteriormente adoptadas pelo Governo, tais como a desvalorização sucessiva da dobra, o aumento dos preços dos bens de consumo corrente, inclusive do combustível, e a crónica magreza de salários reduzem drasticamente o impacto destes indicadores de melhoria global.</P>
<P>
A grande aposta do executivo tem sido a distribuição de parcelas de terras a agregados familiares e a grupos que reconhecidamente as queiram trabalhar. Esta política já está a dar frutos: o mercado de hortaliças regista um excesso de oferta, estando a ser encarada a hipótese de escoamento para os países da costa africana, tradicionalmente deficitários neste domínio.</P>
<P>
Na sua alocução de fim de ano, Miguel Trovoada enumerou estes indicadores de melhoria económica, embora também não omitisse falhas e lacunas. A oposição, habituada à justaposição de discursos com o chefe de Estado, não gostou e considerou a mensagem como um beneplácito e uma caução à política económica do Governo. Alguns círculos sugerem mesmo que Trovoada poderá ter pretendido fazer um aceno à possibilidade de reaproximação, em vésperas do II Congresso do PCD/GR.</P>
<P>
O partido do Governo realizará a sua assembleia magna em Fevereiro, para afinar a máquina emperrada e que tem sobrevivido à sombra do executivo. Pouco depois, em meados do ano, será a vez de o MLSTP/PSD realizar o seu congresso. O objectivo é preparar a participação nas próximas eleições e evitar ao máximo a repetição do desaire de 1991, do qual o MLSTP/PSD, apesar da vitória nas autárquicas, parece não se ter ainda recomposto cabalmente. Excluindo o período imediatamente posterior às autárquicas, em que grassou o atordoamento nas hostes da maioria, a iniciativa do jogo político tem estado do lado do Governo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-64754">
<P>
Acordo internacional vai ser assinado em Oslo na próxima semana</P>
<P>
Contra a acidez da chuva</P>
<P>
Nos países do sul da Europa, o maior risco que as florestas correm são os fogos. Mas na Escandinávia os medos são outros. As árvores receiam que o céu lhes caia em cima da cabeça sob a forma de uma chuva de ácido sulfúrico. Algumas dezenas de países vão discutir um acordo para reduzir a poluição que dá origem à chuva ácida.</P>
<P>
Representantes de mais de trinta países da Europa e da América do Norte vão reunir-se na próxima semana em Oslo para assinar um acordo internacional que tem por objectivo reduzir as emissões de óxidos de enxofre para a atmosfera. Estes vapores encontram-se na origem do aparecimento da chuva ácida, responsável pela destruição de plantas e animais e pela degradação de edifícios.</P>
<P>
A chuva ácida resulta da combinação de certos poluentes como o dióxido de enxofre e os óxidos de azoto com a água da chuva: o resultado é a formação de ácido sulfúrico e ácido nítrico que podem transformar uma chuvada num banho mortal para uma floresta ou para uma escultura ao ar livre. O mais importante dos poluentes é porém o dióxido de enxofre, produzido principalmente através da queima de carvão e de petróleo, e a concentração em ácido sulfúrico na chuva ácida costuma ser mais do dobro do seu teor em ácido nítrico.</P>
<P>
Apesar das reduções que serão impostas por este acordo, é de esperar que os danos causados pelos óxidos de enxofre e de azoto continuem a aumentar ao longo das próximas décadas, devido à acumulação dos ácidos na terra e na água.</P>
<P>
A Noruega, anfitriã deste encontro, é um dos países mais atingidos pela chuva ácida, e tem criticado duramente a Grã-Bretanha devido aos elevados índices de dióxido de enxofre que lança para os ares, através das suas fronteiras e para os países vizinhos.</P>
<P>
«Este protocolo não vai resolver os problemas, mas é um passo na direcção certa», diz Thorbjoern Berntsen, ministro do Ambiente da Noruega. Berntsen é um campeão da luta contra a chuva ácida que afecta o seu país e o seu nome correu mundo há alguns meses, quando chamou «saco de merda» ao seu homólogo britânico, John Gummer, precisamente devido à posição deste sobre a chuva ácida (ver «Chuva ácida provoca discussão azeda», PÚBLICO de 19.8.93).</P>
<P>
O protocolo deverá ser assinado na próxima terça-feira, depois de uma discussão que terá lugar durante dois dias num hotel da capital norueguesa. A reunião conta com a participação de 16 ministros e Berntsen e Gummer estarão entre eles.</P>
<P>
Este acordo vem substituir um outro assinado em 1985 onde os estados signatários se tinham comprometido a reduzir as emissões de enxofre em 30 por cento (considerando como base as emissões de 1980) até 1993. O novo acordo, que não define quaisquer sanções para os prevaricadores, contém a novidade de aceitar objectivos diferentes para cada país.</P>
<P>
A Alemanha, também muito afectada pela chuva ácida, é o país que está disposto a ir mais longe nos seus compromissos de redução: um corte de 87 por cento das suas emissões até ao ano 2005. De facto, as emissões de dióxido de enxofre na ex-Alemanha oriental são de tal forma elevadas que a medida é simultaneamente uma necessidade urgente e um alvo realista. A Grécia encontra-se no extremo oposto: propõe-se realizar uma redução de apenas quatro por cento. O problema não é tão grave neste país porque os seus solos são riscos em cálcio, que neutraliza a acidez da chuva. Os Estados Unidos vão estar presentes na reunião mas não vão assinar o acordo e a Grã-Bretanha vai reduzir a emissão em 80 por cento mas só no ano 2010 -- devido à substituição de centrais termoeléctricas a carvão por centrais a gás.</P>
<P>
Os países onde a chuva ácida constitui um problema mais graves são os escandinavos, pois o solo é aí muito fino e pobre em cálcio, o que dá origem à sua rápida acidificação. Quanto aos maiores produtores de poluição eles são a Alemanha, a Rússia e a Grã-Bretanha. Apenas cinco por cento do enxofre que atinge as floresta norueguesas provém da Noruega, por exemplo. O conjunto dos países europeus produz 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre por ano.</P>
<P>
Alister Doyle (Reuter), em Oslo, e PÚBLICO</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17507">
<P>
ANDRÉ FONTENELLE </P>
<P>
De Paris </P>
<P>
A Holanda espera que os diques dos rios Waal e Meuse resistam à ascensão das águas, que ameaçam provocar a pior enchente no país em quatro décadas.</P>
<P>
Até o final do dia de hoje, 250 mil pessoas deverão ter sido evacuadas de zonas de risco. Soldados e mergulhadores foram convocados para reforçar os diques. Caso estes se rompam, cidades abaixo do nível dos rios podem ficar sob até 5 metros de água.</P>
<P>
Áreas que haviam sido evacuadas dias antes permanecem inundadas. A rainha Beatriz visitou a região para examinar os estragos.</P>
<P>
As auto-estradas holandesas foram congestionadas pela população em fuga, que deixou para trás verdadeiras cidades-fantasmas.</P>
<P>
O governo anunciou leis excepcionais, que prevêem julgamento sumário de eventuais saqueadores.</P>
<P>
O corpo da segunda vítima das enchentes na Holanda foi encontrado ontem.</P>
<P>
Nos outros países atingidos —principalmente França, Bélgica e Alemanha—, as águas continuam a baixar.</P>
<P>
Na França, a situação melhorou no oeste, mas continua preocupante em Charleville (nordeste), onde o rio Meuse baixa lentamente.</P>
<P>
Na Alemanha, o rio Reno começou a baixar. Ele atingira 11 metros, nível mais alto desde 1926, inundando Colônia.</P>
<P>
No norte da Inglaterra, um homem morreu afogado após ter se recusado a abandonar sua casa.</P>
<P>
Os mortos pelas chuvas no continente somam 29. A França, país mais atingido, tem 16 vítimas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-5053">
<P>
PSD em campanha de «esclarecimento» na Baixa</P>
<P>
Os lisboetas «foram iludidos»</P>
<P>
Macário Correia, vereador social-democrata no município lisboeta, e o presidente da comissão política distrital do PSD da Área Metropolitana de Lisboa, Arlindo de Carvalho, juntaram-se ontem no Rossio, em plena Baixa pombalina, para «ajudar» os alfacinhas a perceber que «foram iludidos» pela coligação PS-PCP, que «não cumpriu» muitas das promessas feitas em 1990. Pelo meio, aproveitaram para acusar Jorge Sampaio, presidente da Câmara, de colagem às obras de iniciativa governamental que decorrem na região e de usar a autarquia como «trampolim» para o Palácio de Belém.</P>
<P>
Para mostrar o que a coligação prometeu e «não cumpriu», os sociais-democratas chegaram ao Rossio munidos com uma lista de projectos, quase todos da área do trânsito, que a gestão PS-PCP divulgou na imprensa, em 1991. «Há cerca de cinco anos, a coligação anunciou o lançamento de um conjunto de obras a concluir em 1993. Passados estes anos, muitas delas não estão construídas e outras nem se quer começaram», sublinhou Macário Correia.</P>
<P>
Num folheto, elaborado pelo PSD para distribuir aos munícipes, vinha a prova fotográfica de oito situações em que as obras prometidas ou estão atrasadas ou nem sequer começaram. É o caso, entre outros apresentados na brochura, do atraso do Eixo Norte-Sul, que deverá ligar a auto-estrada do Norte à Ponte 25 de Abril; do desnivelamento da Rotunda de Alcântara, que está por enquanto na gaveta; a Avenida Central de Chelas, que «acaba num funil»; do desnivelamento da Rua Joaquim António de Aguiar, que ficou no papel; ou do túnel do Areeiro, que embora já esteja concluído só poderá funcionar quando estiver feito o túnel sob a Avenida João XXI.</P>
<P>
Mas, segundo Arlindo de Carvalho, não é só em Lisboa que as promessas não se cumprem. «Em Sintra e Cascais as gestões socialistas também não fizeram nada do que prometeram às populações. Além das festas e dos foguetes, nada foi feito. O que só prova que o PS não serve para governar as cidades, nem serve para governar o país». Porém, não é só o incumprimento dos compromissos eleitorais que preocupa os sociais-democratas. Para estes é preciso que as pessoas saibam quem faz o quê na região de Lisboa.</P>
<P>
Assim, fizeram questão de sublinhar que são da responsabilidade do Governo as obras de expansão do Metro, a Expo-98, a nova ponte sobre o Tejo, a futura ligação ferroviária Alcântara -Almada, a CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa), a CREL (Circular Regional Exterior de Lisboa), o plano de erradicação de barracas, entre outros. São projectos que «a Câmara de Lisboa tomou como seus» por altura da Expo-Lisboa, na FIL, denunciou Macário Correia, acusando Sampaio de tentativa colagem às obras de iniciativa da Administração Central.</P>
<P>
Aliás, o actual presidente da Câmara e candidato à Presidência da República foi um dos alvos preferidos das críticas «laranja». Arlindo Carvalho classificou a decisão de Sampaio em deixar a autarquia como «uma grande fraude perante o eleitorado», a quem o candidato socialista a Belém teria prometido levar o mandato autárquico até ao fim. E Macário Correia foi mais longe, dizendo que agora «na Câmara de Lisboa pensa-se mais nas eleições presidenciais do que na gestão da cidade».</P>
<P>
O presidente da distrital do PSD pintou ainda mais negro o futuro da autarquia alfacinha, acenando com o velho papão comunista. «Sampaio vai-se embora e a Câmara está, neste momento, nas mãos dos comunistas, que vão fazer dela o que quiserem», disse. E como não querem que os alfacinhas fiquem à mercê de «intenções golpistas e estalinistas», os sociais-democratas lá andaram pela Baixa distribuindo as suas brochuras aos lisboetas «iludidos». Para que não voltem a deixar-se enganar nas próximas eleições. Porque, segundo as palavras de Macário, «quem cai uma ou duas vezes, não volta a cair à terceira».</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-55847"> 
<P> Pêro da Covilhã </P>
 <P> Pedro ou Pêro da Covilhã (Covilhã ?, 1450? --- 1530?) foi um diplomata e explorador português. </P>
 <P> Com cerca de 18 anos cativa um espanhol que visitava a Covilhã para comprar tecidos que o convida a servir o seu amo, D. Juan de Guzman, irmão do
Duque de Medina-Sidónia, um dos mais conceituados fidalgos de Sevilha ; Pêro aceita a proposta e parte para Sevilha onde lhe é atribuído o papel de espadachim. Impressionado com a desenvoltura de Pêro de Covilhã, convida-o D. Juan de Gusman a participar nas embarcações do seu irmão, o Duque conhecido também como o Pirata Espanhol ; Pêro recusa a oferta e, em 1474, acompanha D. Juan a Lisboa a uma entrevista com
Afonso V de Portugal. </P>
 <P> D. Afonso simpatiza com Pêro também pelo seu domínio de línguas, nomeadamente a língua árabe e D. Juan cede a el-Rei os serviços do português. É assim que Pêro da Covilhã, aos seus 24 anos, é admitido como moço de esporas de D. Afonso V. Passado pouco tempo, decide el-Rei elevá-lo a escudeiro, com direito a armas e cavalo. </P>
 <P> Em 1476 acompanha D. Afonso V na
batalha de Toro, a tentativa fracassada de D. João de reclamar o trono de Castela, já que era cunhado de
Henrique IV de Castela. Mais tarde, em iria acompanhar D. Afonso na jornada a França para pedir auxílio ao
rei Luís XI de França na luta pelo trono de Castela, que seria rejeitado. Entretanto, D. Afonso abdica do trono, para D. João II. </P>
 <P> Após a execução do
Duque de Bragança pelas próprias mãos do rei, Pêro da Covilhã foi designado para investigar quais os nobres que conspiravam contra D. João II, conseguindo identificar o D. Diogo,
duque de Viseu e D. Garcia de Meneses,
bispo de Évora. </P>
 <P> Na sequência do desejo de el-Rei continuar a obra iniciada pelo
infante D. Henrique dos Descobrimentos, escolhe novamente Pêro da Covilhã para embaixador nos tratados de paz com os berberes do Magrebe (como o
rei de Fez e o de Tremecém), que convinham ao reino para convergir os esforços na odisseia marítima. </P>
 <P> Pêro da Covilhã torna-se, entretanto, escudeiro da guarda real e casa com Catarina que em poucos meses engravida. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-91010">
<P>
Free-lance para a Folhinha </P>
<P>
Os cientistas dizem que os tubarões só atacam por vingança nas histórias de faz-de-conta, como em "Tubarão", de Steven Spielberg.</P>
<P>
Fábio Hazin estuda por que os tubarões estão atacando surfistas em Recife há quase um ano.</P>
<P>
Segundo ele, os tubarões, que têm o hábito de seguir navios, gostaram da idéia de comer a comida jogada pelos barcos perto do porto. Seguindo os navios, eles ficam mais perto das praias.</P>
<P>
O porto de Suape é diferente do de Recife porque suas águas são mais fundas e mais salgadas. Tubarões gostam de águas assim.</P>
<P>
No porto também existe uma corrente marinha que sai do sul do país em direção ao norte. A corrente leva os tubarões para perto das praias, onde eles encontram mais "comida": os surfistas.</P>
<P>
Alguns cientistas dizem que o tubarão é um bicho muito curioso, mas como não tem mãos, "pesquisa" com boca o que acha que pode virar um bom almoço.</P>
<P>
Quando percebe que não mordeu um peixe, o tubarão solta sua presa. Muitas vezes, os surfistas morrem porque a mordida do bicho é muito forte e, sem querer, o tubarão acaba arrancando um pedaço. Quase sempre, os surfistas entram sozinhos na água e não há ninguém para socorrê-los.</P>
<P>
Os cientistas da universidade de Pernambuco dizem que não há como resolver o problema, porque o porto não pode fechar.</P>
<P>
Eles pensam em colocar redes nas praias perigosas até o final do ano, para impedir que os tubarões cheguem perto das pessoas.</P>
<P>
Mas Gadig diz que isso não vai resolver o problema. "Na África do Sul, onde há muitos tubarões, isso não deu certo." Para ele, o que funciona é aprender a conviver com os tubarões.</P>
<P>
"O governo deve fazer campanhas para ensinar as pessoas a não entrar na água sozinhas e nos horários em que os tubarões se alimentam, pela manhã e à tardinha."</P>
<P>
Gadig diz que isso já foi feito na Califórnia (EUA) e deu certo. Lá, havia muitos ataques de tubarões brancos, um dos mais perigosos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="HAREM-641-00368">
<P>BuBix.net</P>
<P>   BuBix.net - Revista Online http://www.bubix.net</P>
<P>  Governo chinês quer alternativa ao Windows</P>
<P>  Colocado em Net&amp;amp;Tek por Miguel Silva Costa em Quarta, Julho 31 2002 @ 11:21 WEST</P>
<P>  Informação sobre Internet e Tecnologia De acordo com um jornal chinês, o governo daquele país planeia criar um sistema operativo que concorra com o Windows, da Microsoft.</P>
<P> Especialistas acreditam que o sistema poderia ser criado a partir de programas já disponíveis gratuitamente na internet.</P>
<P>O " Diário do Povo ", que está relacionado com o governo chinês, deu a conhecer que um grupo de 18 empresas e universidades chinesas começaram a trabalhar no projecto.</P>
<P> Segundo a publicação, o sistema imitará o Windows 98 e será compatível com os programas do Office ( Word , Excel , PowerPoint etc.).</P>
<P> Segundo o texto, os criadores do programa desejam enfraquecer o domínio da Microsoft no mercado chinês.</P>
<P> A reportagem enfatiza: "O monopólio dos programas de escritório será rompido".</P>
<P> Uma versão de testes, que se chama Yangfan , supostamente já estaria em uso em algumas repartições públicas da China .</P>
<P> Segundo a empresa de análises IDC , o sistema operacional chinês poderá ser baseado no Linux .</P>
<P> Já existe uma versão chinesa para o Linux : a Red Flag .</P>
<P> O programa Wine , que permite instalar programas do Windows no Linux , poderia ser empregado pelo governo chinês.</P>
<P> Criar uma cópia exacta do Windows 98 seria demorado, complexo, com muitos custos e cheio de problemas a nível legal.</P>
<P> Mesmo se os programadores conseguissem fazer um clone a partir do zero, não conseguiriam saber ao certo quais os programas que iriam funcionar no sistema.</P>
<P> Isto acotnece porque a Microsoft não publica todas as características internas do Windows .</P>
<P> Tim Harris , que é especialista em sistemas operativos na Universidade de Cambridge  , acredita que fazer uma réplica de um sistema inteiro seria muito difícil.</P>
<P> "Chegar a algo que fosse estável e fiável o bastante para os utilizadores seria uma tarefa gigantesca", diz.</P>
<P> Versão para Impressora Enviar Noticia a um Amigo </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83842">
<P>
NOVO ALARME EM HEATHROW -- O aeroporto de Heathrow, em Londres, foi encerrado ontem à noite após um novo alerta de segurança, anunciaram as autoridades aeroportuárias. Todos os voos foram suspensos «até nova ordem». Este alerta verifica-se doze horas após o IRA ter disparado mais quatro morteiros sobre o Terminal Sul, no terceiro atentado consecutivo contra um dos mais movimentados aeroportos do mundo. Ver pag. 8</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26675">
<P>
* Deslizamento mata três irmãos em SC</P>
<P>
* Joinville tem primeiro caso de leptospirose</P>
<P>
* Marabá tem mais de 3.700 desabrigados</P>
<P>
* SP tem chuva recorde em março desde 1930</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
As chuvas já causam transtornos neste final de verão. Desde o início do mês, os temporais castigam várias regiões do país, de norte a sul. Em Florianópolis (Santa Catarina), três crianças morreram e uma ficou gravemente ferida devido ao um deslizamento de terra. Joinville, que também sofre com as enchentes, registrou o primeiro caso de leptospirose do Estado, doença que já matou 19 pessoas em São Paulo este ano.</P>
<P>
A Prefeitura de Marabá (420 km ao sul de Belém-PA) iniciou campanha de vacinação em massa nos bairros atingidos pelas enchentes dos rios Itacaiúnas e Tocantins. A cidade já tem mais de 3.700 desabrigados.</P>
<P>
Já São Paulo ainda vivia ontem os efeitos da chuva recorde que atingiu a cidade na noite de quinta-feira. Entre 21h e 23h, choveu 106 mm, índice mais alto no mês de março desde 1930. O temporal causou acidentes e congestionamentos em todas as regiões da cidade.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa87333"> 
<P> Juventude em Durban </P>
 <P>
Às três horas e vinte minutos da tarde de 13 de Junho de 1888 nascia em Lisboa, capital portuguesa, Fernando Pessoa. O parto ocorreu no quarto andar esquerdo do nº 4 do Largo de São Carlos, em frente da ópera de Lisboa (Teatro de São Carlos). O seu pai era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do « Diário de Notícias », Joaquim de Seabra Pessoa (38), natural de Lisboa ; e a sua mãe D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa (26), natural da Ilha Terceira (Açores). Viviam com eles a avó Dionísia, doente mental e duas criadas velhas, Joana e Emília. </P>
 <P> É baptizado em 21 de Julho na Igreja dos Mártires, no Chiado. Os padrinhos são a sua Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, sua tia materna) e o General Chaby. A razão por detrás do nome Fernando António encontra-se relacionada com Santo António: a sua família reclamava uma ligação genealógica com Fernando de Bulhões, nome de baptismo de Santo António, cujo dia tradicionalmente consagrado em Lisboa é 13 de Junho, dia em que Fernando Pessoa nasceu. </P>
 <P> A sua infância e adolescência foram marcadas por factos que o influenciariam posteriormente. Às cinco horas da manhã de 24 de Julho de 1893, o seu pai morre com 43 anos vítima de tuberculose. A morte é reportada no Diário de Notícias do dia. Joaquim de Seabra Pessoa deixou-o com apenas cinco anos, a mãe e o seu irmão Jorge que viria a falecer no outro ano sem chegar a completar um ano. A mãe então vê-se obrigada a leiloar parte da mobília e mudam-se para uma casa mais modesta, o terceiro andar do n.º 104 da Rua de São Marçal. É também nesse período que surge o seu primeiro heterónimo, Chevalier de Pas, facto relatado pelo próprio Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, numa carta de 1935 em que fala extensamente sobre a origem dos heterónimos. Ainda no mesmo ano cria seu primeiro poema, um verso curto com a infantil epígrafe de À Minha Querida Mamã. Sua mãe casa-se pela segunda vez em 1895 por procuração, na Igreja de São Mamede em Lisboa, com o Comandante João Miguel Rosa,
cônsul de Portugal em Durban (África do Sul), o qual havia conhecido um ano antes. Em África, Pessoa viria a demonstrar possuir desde cedo habilidades para a literatura. </P>
 <P> Em razão do casamento, muda-se com a mãe e um tio-avô, Manuel Gualdino da Cunha, para Durban, onde passa a maior parte da sua juventude. Viajam no navio Funchal até à Madeira e depois no paquete Inglês Hawarden Castle até ao Cabo da Boa Esperança. Tendo que dividir a atenção da mãe com os filhos do casamento e com o padrasto, Pessoa isola-se, o que lhe propiciava momentos de reflexão. Em Durban recebe uma educação britânica, o que lhe proporciona um profundo contacto com a língua inglesa. Os seus primeiros textos e estudos são feitos em inglês. Mantém contato com a literatura inglesa através de autores como Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, Percy Shelley, Alfred Tennyson, entre outros. O inglês teve grande destaque na sua vida, trabalhando com o idioma quando, mais tarde, se torna correspondente comercial em Lisboa, além de utilizar o idioma em alguns dos seus textos e traduzir trabalhos de poetas ingleses, como O Corvo e Annabel Lee de Edgar Allan Poe. Com excepção de Mensagem, os únicos livros publicados em vida são os das colectâneas dos seus poemas ingleses: Antinous e 35 Sonnets e English Poems I - II e III, escritos entre 1918 e 1921. </P>
 <P> Faz o curso primário na escola de freiras irlandesas da West Street, onde realiza a sua primeira comunhão e percorre em três anos o equivalente a cinco. Em 1899 ingressa na Durban High School, onde permanecerá durante três anos e será um dos primeiros alunos da turma, no mesmo ano cria o pseudónimo Alexander Search, no qual envia cartas a si mesmo utilizando esse nome. No ano de 1901 é aprovado com distinção no seu primeiro exame da Cape Scholl High Examination, escreve os primeiros poemas em inglês. Na mesma época morre sua irmã Madalena Henriqueta, de dois anos. De férias, parte em 1901 com a família para Portugal. No navio em que viajam, o paquete König, vem o corpo da sua irmã falecida. Em Lisboa mora com a família em Pedrouços e depois na Avenida de D. Carlos I, n.º. 109, 3º. Esquerdo. Na capital portuguesa nasce João Maria, quarto filho do segundo casamento da mãe de Pessoa. Viaja com o padrasto, a mãe e os irmãos à Ilha Terceira, nos Açores, onde vive a família materna. Também partem para Tavira onde para visitar os parentes paternos. Nessa época escreve a poesia Quando ela passa. </P>
 <P> Fernando Pessoa permanece em Lisboa enquanto todos regressam para Durban: a mãe, o padrasto, os irmãos e a criada Paciência que viera com eles. Volta sozinho para a África no vapor Herzog. Na mesma época, tenta escrever romances em inglês e matricula-se na Commercial School. Lá estuda à noite enquanto de dia se ocupa com disciplinas humanísticas. Em 1903, candidata-se à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Na prova de exame para a admissão, não obtém uma boa classificação, mas tira a melhor nota entre os 899 candidatos no ensaio de estilo inglês. Recebe por isso o Queen Victoria Memorial Prize (« Prémio Rainha Vitória »). Um ano depois novamente ingressa na Durban High School onde frequenta o equivalente a um primeiro ano universitário, Aprofunda a sua cultura, lendo clássicos ingleses e latinos; escreve poesia e prosa em inglês e surgem os heterónimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher ; nasce z sua irmã Maria Clara e publica o jornal do liceu um ensaio crítico intitulado Macaulay. Por fim, encerra os seus bem sucedidos estudos na África do Sul após realizar na Universidade o « Intermediate Examination in Arts », adquirindo bons resultados. </P>
 <P> Volta definitiva a Portugal e início de carreira </P>
 <P> Deixando a família em Durban, regressou definitivamente à capital portuguesa, sozinho, em 1905. Passa a viver com a avó Dionísia e as duas tias na Rua da Bela Vista, 17. A mãe e o padrasto também retornam a Lisboa, durante um período de férias de um ano em que Pessoa volta a morar com eles. Continua a produção de poemas em inglês e em 1906 matricula-se no Curso Superior de Letras (actual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), que abandona sem sequer completar o primeiro ano. É nesta época que entra em contacto com importantes escritores de literatura da língua portuguesa. Interessa-se pela obra de Cesário Verde e pelos sermões do Padre Antônio Vieira. </P>
 <P> Em Agosto de 1907, morre a sua avó Dionísia, deixando-lhe uma pequena herança. Com esse dinheiro, monta uma pequena tipografia, que rapidamente faliu, na Rua da Conceição da Glória, 38-4.º, sob o nome de « Empresa Íbis --- Tipografia Editora --- Oficinas a Vapor ». A partir de 1908, dedica-se à tradução de correspondência comercial, um trabalho que poderíamos chamar de "correspondente estrangeiro". Nessa profissão trabalha a vida toda, tendo uma modesta vida pública. </P>
 <P> Inicia a sua actividade de ensaista e crítico literário com a publicação, em 1912, na revista « Águia », do artigo « A nova poesia portuguesa sociologicamente considerada », a que se seguiriam outros. </P>
 <P> Pessoa é internado no dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de São Luís dos Franceses, com diagnóstico de "cólica hepática" (provavelmente uma colangite aguda causada por cálculo biliar), falecendo de suas complicações, possivelmente associada a uma cirrose hepática provocada pelo óbvio excesso de álcool ao longo da sua vida (a título de curiosidade acredita-se que era muito fiel à aguardente " Águia Real "). No dia 30 de Novembro morre aos 47 anos. Nos últimos momentos da sua vida pede os óculos e clama pelos seus heterónimos. A sua última frase é escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: I know not what tomorrow will bring ("Eu não sei o que o amanhã trará"). </P>
 <P>Legado</P>
 <P>[...]</P>
 <P> Analogamente a Pompeu que disse que "navegar é preciso; viver não é preciso", Pessoa diz, no poema Navegar é Preciso, que "viver não é necessário; o que é necessário é criar". Outra interpretação comum deste poema diz respeito ao fato de que a navegação foi resultado de uma atitude racionalista do mundo ocidental (a navegação exigiria precisão) enquanto a vida poderia dispensar tal precisão. </P>
 <P> Sobre Fernando Pessoa, o poeta mexicano ganhador do Nobel de Literatura Octavio Paz diz que "os poetas não têm biografia. Sua obra é sua biografia" e que, no caso do poeta português, "nada em sua vida é surpreendente --- nada, exceto seus poemas". O crítico literário estadunidense Harold Bloom considerou-o, no seu livro The Western Canon (" O Cânone Ocidental "), o mais representativo poeta do século XX, ao lado do chileno Pablo Neruda.[3] </P>
 <P> Na comemoração do centenário do seu nascimento em 1988, seu corpo foi transladado para o Mosteiro dos Jerónimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida. </P>
 <P> [editar] Pessoa e o ocultismo </P>
 <P> Fernando Pessoa possuía ligações com o ocultismo e o misticismo, salientando-se a Maçonaria e a Rosa-Cruz (embora não se conheça qualquer filiação concreta em Loja ou Fraternidade destas escolas de pensamento), havendo inclusive defendido publicamente as organizações iniciáticas, no Diário de Lisboa, de 4 de fevereiro de 1935, contra ataques por parte da ditadura do Estado Novo. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se " No Túmulo de Christian Rosenkreutz ". Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo (de acordo com a sua certidão de nascimento, nasceu às 15h20 ; tinha ascendente Escorpião e o Sol em Gémeos). Realizou mais de mil horóscopos. </P>
 <P> Certa vez, lendo uma publicação inglesa do famoso ocultista Aleister Crowley, Fernando encontrou erros no horóscopo e escreveu ao inglês para corrigi-lo, já que era um conhecedor e praticante da astrologia, conhecimentos estes que impressionaram Crowley e, como gostava de viagens, o fizeram ir até Portugal para conhecer o poeta. Junto com ele veio a maga alemã Miss Jaeger, que passou a escrever cartas a Fernando assinando com um pseudônimo ocultista. O encontro não foi muito amigável, dados os graves desequilíbrios psíquico e espiritual que Crowley sofria e --- apesar disso --- ensinava. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-96668">
<P>
*</P>
<P>
Em entrevista à TV canadense, o piloto da F-Indy Jacques Villeneuve, filho do lendário Gilles, afirmou que não foi sondado por nenhuma equipe da F-1 para a temporada de 1995. "A F-1 é totalmente diferente. Mas reconheço que me atrai", disse Villeneuve.</P>
<P>
*</P>
<P>
A segunda curva após a reta dos boxes do circuito canadense será batizada com o nome do piloto brasileiro Ayrton Senna, que morreu no circuito de Imola, durante o GP de San Marino. Para a corrida de hoje, os organizadores prometeram pintar no asfalto da curva a mensagem "Salut Ayrton!", além de uma bandeira do Brasil.</P>
<P>
*</P>
<P>
Na linha de chegada, já existe uma inscrição no asfalto: "Salut Gilles!", homenagem ao canadense morto em 1982, que também dá nome ao circuito.</P>
<P>
*</P>
<P>
O mais veterano em GPs do Canadá é o italiano Andrea de Cesaris. Desde 1980, o piloto participou de todas as edições da corrida, sendo seu melhor resultado um 3º lugar em 89, pela extinta Dallara.</P>
<P>
*</P>
<P>
De Cesaris, este ano, defende a Sauber, na vaga deixada pelo piloto austríaco Karl Wendlinger, que se recupera de acidente sofrido nos treinos para o Grande Prêmio de Mônaco. Seu contrato vale pelo resto da temporada.</P>
<P>
*</P>
<P>
Wendlinger foi transferido há uma semana para a Unidade de Tratamento Intensivo da Clínica Universitária Innsbruck, em Viena, e deverá ficar internado nos próximos quatros meses para se recuperar do acidente, que o deixou em coma profundo durante três semanas. Em sua edição de sexta-feira, o jornal austríaco "Tiroler Tageseintun" garante que Wendlinger terá "100% de recuperação e retornará às pistas da F-1". </P>
<P>
*</P>
<P>
"Acredito que exista uma chance real de Wendlinger voltar às corridas de Fórmula 1, mas não posso prometer isso. Afinal, ele hoje não é o mesmo de antes do acidente", disse o dr. Erich Schmutzhard. O boletim oficial dos exames neurológicos realizados em Wendlinger revelaram que ele não ficará paralítico e nem terá dificuldades para falar, como os médicos temiam.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-5290">
<P>
Opinião</P>
<P>
Rodney Pinder, em Joanesburgo</P>
<P>
Riscos e esperanças na África do Sul</P>
<P>
Os radicais brancos e os membros do movimento zulu Inkatha, que se opõem à realização das eleições multipartidárias marcadas para Abril na África do Sul, poderão provocar o aumento da violência, mas não deverão pôr em causa nem a votação nem os seus resultados, afirmam os analistas.</P>
<P>
A direita branca poderá atacar locais de voto, eleitores ou o Governo liderado por negros que deverá sair do escrutínio, e poderá haver uma revolta alargada dos zulus na província do Natal e nos bairros e albergues para trabalhadores temporários noutros locais.</P>
<P>
Mas observadores diplomáticos e políticos prevêem que as forças de segurança, com o apoio do Congresso Nacional Africano (ANC) de Nelson Mandela, e do Partido Nacional do Presidente F.W. De Klerk, vão conseguir manter o controlo a nível nacional, garantindo que as eleições serão vistas como livres e justas pelo resto do mundo. «A comunidade internacional quer estas eleições. A África do Sul só tem uma saída e esta é a saída», afirma um diplomata ocidental.</P>
<P>
Embora muito provavelmente controlável em termos políticos, a violência poderá ter um impacto grave na economia, segundo as mesmas fontes. Há o risco da violência desviar o novo Governo de unidade nacional -- que, tudo indica, será liderado pelo ANC -- das prioridades económicas destinadas a criar as bases de um desenvolvimento estável e a corrigir os desequilíbrios provocados pelo «apartheid», além de poder manter à distância os vitais investimentos externos.</P>
<P>
«Se as coisas correrem mal, por exemplo, se se atingir um nível de violência que lance o país no caminho de guerra civil, o dinheiro que entretanto entrou poderá voltar a sair», afirma o gestor Rob Lee, dum fundo de investimentos.</P>
<P>
Os investidores estrangeiros compraram cerca de mil milhões de dólares de acções em 1993 e 265 milhões nas primeiras três semanas deste ano. A rápida reconstrução e desenvolvimento e a criação de postos de trabalho em larga escala são considerados essenciais para pacificar as comunidades negras afectadas pelo desemprego, crime e a violência política que provocou a morte de 14 mil pessoas nos últimos quatro anos -- e para garantir a sobrevivência a longo termo dos novos dirigentes do país.</P>
<P>
Os analistas alertam, contudo, contra os excessos de optimismo perante os recentes progressos nas negociações constitucionais entre o Governo e o ANC, por um lado, e a Aliança para Liberdade, que inclui brancos conservadores e o partido zulu Inkatha do chefe Mangosuthu Buthelezi.</P>
<P>
Apesar das perspectivas de uma eleição ideal com a participação de todos pareçam cada vez mais ténues, os contactos nos bastidores vão continuar. O Presidente De Klerk tem vindo a repetir que os partidos que não estão a participar no processo poderão mudar de opinião até 27 de Abril, o primeiro dia das eleições.</P>
<P>
Fontes próximas das negociações afirmam que os esforços do Governo e do ANC se vão centrar na posição do rei zulu Goodwill Zwelithini e de outros dirigentes zulus, em detrimento de Buthelezi, e em eventuais divisões nas forças de direita, aproveitando as fissuras entre os neo-nazis, com um discurso bélico, e aqueles que mantêm uma cabeça mais fria.</P>
<P>
Alguns analistas perguntam-se, no entanto, se o Partido Nacional (PN) e o ANC não terão um desejo secreto de que a Aliança para a Liberdade boicote o escrutínio. O ANC conquistaria o Natal, a província-bastião do Inkatha, e o PN recolheria o totalidade do voto conservador. As sondagens mostram que 80 por cento dos eleitores da direita votarão independentemente das posições adoptadas pelos seus dirigentes.</P>
<P>
E se a irresponsabilidade provocar um fracasso final, «não há a menor dúvida de que a violência crescerá em espiral», diz o analista de riscos Wim Booyse.</P>
<P>
Grandes «fogos» poderão acender-se no Natal, onde zulos Inkatha e zulus do ANC se têm vindo a combater desde 1984, e nos albergues para trabalhadores nas «townships» de Joanesburgo, o coração comercial do país, para onde o conflito alastrou em 1990.</P>
<P>
Mesmo que os líderes como Buthelezi defendam a resistência passiva à nova ordem, os analistas receiam que os seus seguidores, inflamados pela retórica e por décadas de ódio racial, possam perder a cabeça.</P>
<P>
Ataques de brancos a instalações importantes, como centrais eléctricas e estações de voto poderão ser um teste à lealdade à nova ordem por parte das forças de segurança, dirigidas por brancos. Mas os analistas pensam que os sectores altamente profissionais das Forças Armadas conseguirão manter a situação controlada. «A grande questão é saber se irá acontecer alguma coisa simbólica, como o assassínio de Mandela, o único acontecimento imaginável que poderia fazer parar o processo eleitoral», afirma Jakkie Cilliers, do influente Instituto para a Política de Defesa.</P>
<P>
*Jornalista da Reuter</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-15475">
<P>
Mais de cem praias, trilhas e visibilidade de até trinta metros para mergulho atraem ecoturistas para o local</P>
<P>
RODRIGO LEITE</P>
<P>
Enviado especial à Ilha Grande (RJ)</P>
<P>
Não há carros, não há badalação, há poucos turistas –em algumas partes, nenhum–, há colônias de pescadores, há praias limpas e águas transparentes. E o mais legal: a Ilha Grande (RJ), que abriga toda esta maravilha, não fica muito longe.</P>
<P>
São mais de cem praias, algumas minúsculas. O acesso é só por barco, a partir de Angra dos Reis (cidade à qual a ilha está ligada administrativamente) ou de Mangaratiba. Em seis horas de ônibus a partir de São Paulo e mais uma hora e meia de barco chega-se lá.</P>
<P>
Já para andar no interior da ilha são outros quinhentos. Por medida de segurança, devido ao presídio instalado por lá, não há carros no local. Assim, para ir de uma praia a outra é necessário recorrer a trilhas ou barco.</P>
<P>
As trilhas, é verdade, exigem um preparo físico razoável. A Ilha Grande é muito montanhosa, e assim, para ir de uma praia a outra, há uma sucessão de sobes e desces aparentemente interminável. Leve água –não há garantia de achar uma fonte–, vá calçado e procure andar com alguém que já conheça o lugar.</P>
<P>
A outra grande atração são os mergulhos. As águas são claríssimas e a visiblidade pode chegar a trinta metros. Só com máscara e snorkel, dá para ver cardumes multicoloridos.</P>
<P>
Na ponta da praia Vermelha, um navio afundado faz a festa dos mergulhadores. Dali, a meia hora de barco, fica o Saco Grande, habitat de lulas, raias e outros bichos.</P>
<P>
Próximo à praia Vermelha fica um dos pontos mais exóticos da ilha, a gruta do Acaiá. Ela tem duas entradas: uma por terra, descendo uma precária escada de madeira e arrastando-se por um estreito túnel de cerca de vinte metros; e outra pelo mar, mergulhando e passando sob a entrada na rocha junto ao costão. Mas cuidado, é praticamente impossível entrar pelo mar sem equipamento de mergulho autônomo!</P>
<P>
Dentro da gruta, a sensação estranha fica por conta de só conseguir ver qualquer coisa que estiver na água. Isso acontece por que a única entrada de luz para a gruta acontece pela água.</P>
<P>
Próximo à ilha –no máximo uma hora de barco– ficam outras ilhas encantadoras: a Gipóia, com belas praias, as Botinas, boas para mergulho, e as próprias praias de Angra. Esses passeios são quase obrigatórios para quem fica na praia Vermelha, no oeste da ilha.</P>
<P>
Outras atrações ficam no lado da ilha que se abre para o oceano. Nesta parte, o sul da ilha Grande, sucedem-se as praias do Aventureiro, do Sul e do Leste (estas duas são uma reserva ambiental, e para ficar nelas é necessário ter autorização dos fiscais que ficam no Aventureiro), da Parnaioca, do Presídio (use o bom senso e nem tente desembarcar nela) e de Lopes Mendes.</P>
<P>
Por fim, o programa "cabeça". Próximo à vila do Abraão, há as ruínas do antigo presídio, onde ficaram presos Luis Carlos Prestes e Graciliano Ramos, por exemplo. Se você leu "Memórias do Cárcere" (ou assistiu ao filme), há de ficar emocionado andando por lá.</P>
<P>
O jornalista RODRIGO LEITE viajou a convite da Radama Ecoturismo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-5136">
<P>
Piloto admite que não esperava perder para Schumacher em Interlagos e promete recuperação no próximo GP</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Nem Ayrton Senna, nem a Williams esperavam ser derrotados na abertura do Mundial de Fórmula 1, domingo passado em Interlagos. O piloto brasileiro admitiu que o resultado foi "uma ducha d'água fria" no time. A corrida foi vencida pelo alemão Michael Schumacher, da Benetton.</P>
<P>
Senna usou a expressão num breve diálogo que travou com o humorista e apresentador de TV Jô Soares diante de 2.000 convidados anteontem à noite na festa de lançamento da marca alemã de carros Audi.</P>
<P>
O evento aconteceu num hangar da Varig no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) e contou com a presença de vips de todos os matizes. Estiveram lá Francisco Cuoco, Chiquinho Scarpa, Angélica, Marta Rocha, Romeu Tuma, Tom Cavalcante e Wilson Fittipaldi Jr., entre muitos outros.</P>
<P>
Jô foi contratado para fazer o show que encerrou a festa, regada a uísque e vinho branco importados, salgadinhos e frios preparados pelo bufê do restaurante The Place. O humorista chegou às 22h30, desembarcando de um Boeing de carga da Varig que "estacionou" diante do hangar convertido em teatro. Desceu num Audi conversível e dirigiu o carro até o palco.</P>
<P>
O show durou 20 minutos. Senna evitou falar muito de Fórmula 1. Recebeu com bom-humor as brincadeiras de Jô sobre a rodada que o tirou do GP Brasil, na 56ª volta da corrida, e prometeu se recuperar na próxima etapa –o GP do Pacífico, marcado para o dia 17 de abril em Aida, no Japão.</P>
<P>
Ontem foi completado o lançamento dos carros Audi, que Ayrton passa a importar com exclusividade para o Brasil através de sua empresa Senna Import. O piloto reuniu a imprensa especializada em Interlagos para apresentar os quatro modelos que estarão à venda nos próximos dias com preços entre US$ 55 mil e US$ 92 mil.</P>
<P>
Senna deve passar o feriado da Páscoa em sua casa de praia, em Angra dos Reis (RJ), e na segunda-feira embarca para a Espanha para uma sessão de três dias de testes a partir de quarta. A Williams vai levar seus carros até o autódromo de Jerez de La Frontera –que promovia o GP espanhol até 90. A pista, estreita, travada e ondulada, tem características semelhantes às de Aida, o que vai ajudar na preparação da equipe para o GP do Pacífico.(Flavio Gomes)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-59730">
<P>
Pedreira dos Húngaros</P>
<P>
1. Conheci em Fátima, no Curso de Verão de Teologia, Bernard Rivière, padre capuchinho francês que, durante 27 anos, prestou assistência religiosa aos emigrantes portugueses e os acompanhou nas suas actividades sindicais e culturais. Não se considerou reformado com o fim da emigração portuguesa. Sentiu-se desafiado pela nova realidade que ela engendrou: muitos luso-descendentes não conhecem Portugal. Nasceram e foram à escola em França. As férias servem aos pais para fortalecer os laços com um passado imaginário que os acompanhou no estrangeiro e é recriado de forma artificial durante o Verão ou nas grandes datas festivas, mas não corresponde à experiência dos filhos nem à situação actual do país.</P>
<P>
Portugal mudou e está a morrer nas terras do interior. Está cada vez mais estreito, mais encostado ao mar. Segundo Augusto Santos Silva [economista], aquilo a que se chama «o país real» está destruído: «Mais do que a emigração, destruíram-no as migrações internas, a deslocação maciça de gentes para os subúrbios litorais. Mais do que a pobreza, que sempre soube controlar, pior ou melhor, destruiu-o a marginalização face aos eixos nacionais de crescimento. Destruiu-o a carência de jovens-adultos, de pessoas qualificadas, de recursos, destruiu-o a crise estrutural da agricultura. Mas destruiu-o, sobretudo, a nossa profunda insensibilidade, social e política, face aos seus problemas, aos seus estrangulamentos e às suas potencialidades.» (PÚBLICO, 17/2/94, p.17.)</P>
<P>
Nem os pais nem os filhos de emigrantes viveram as mudanças políticas, culturais, económicas, sociais e religiosas que estão a redefinir a «identidade nacional» nas encruzilhadas do mundo de hoje. Portugal, até 1974, vivia na fronteira de muitos povos de um império que acabou e na periferia de uma Europa em que agora se integra. Quando, hoje, aparecem jovens a desejar assumir e alimentar a dupla pertença de franceses e portugueses e quando uma sondagem revela que 28 por cento dos nascidos e escolarizados em França desejavam vir estudar para Portugal e construir aqui a sua vida, a pergunta inevitável é esta: em que Portugal estarão a pensar?</P>
<P>
Através das informações do Pe. Bernard Rivière, acompanho, desde há vários anos, não só o seu trabalho em França, mas o projecto de estágios de «Descoberta de Portugal», destinado a filhos de emigrantes, organizado por La Fédération des Associations Franco-Portugaises d'Aquitaine. O primeiro foi realizado no Porto, sobre «A comunicação» -- um olhar sobre o Portugal de hoje; o segundo, em Aveiro, sobre os problemas do «desenvolvimento» português. O terceiro, ainda está fresco, foi em Setúbal, de 14-20 deste mês: «O 25 de Abril», 20 anos depois. Pude participar neste último e pediram-me para abrir um debate sobre «Mudanças na religião dos portugueses» desde 1974.</P>
<P>
2. As mudanças na religião dos portugueses não podem ser interpretadas só através dos índices fornecidos pelo recenseamento da prática dominical, pela concorrência das seitas e pelas dificuldades dos agentes da pastoral da Igreja em perceber o alcance das alterações sócio-culturais da sociedade portuguesa. Raramente se pensa e pouco se valoriza o esforço de alguns segmentos de várias congregações religiosas, em simbiose com outros grupos de cristãos militantes, que fizeram a opção preferencial pelos pobres e foram viver, em pequenas comunidades, para as zonas mais carenciadas, nomeadamente nos bairros de barracas dos subúrbios das grandes cidades e nas mesmas condições do seus habitantes. Durante anos e anos, a única ajuda e defesa desse mundo explorado e humilhado foram essas comunidades. Contribuíram para que, pouco a pouco, fosse levedando uma nova sensibilidade social na Igreja portuguesa, que hoje já se exprime abertamente nos gestos e na voz de alguns bispos.</P>
<P>
3. Os religiosos da Congregação dos Sagrados Corações foram viver para o Bairro Pedreira dos Húngaros a 18 de Julho de 1983 e em 1986 foram as religiosas da mesma congregação para o Bairro Trás-da-Quinta, Santas Martas (Algés). A população, constituída na sua grande maioria por imigrantes cabo-verdianos, a partir de bairros de lata ou de locais degradados, foi no decorrer do tempo melhorando as suas condições de habitação. Com a ajuda dos religiosos e religiosas e de outras associações, foram conseguindo o aperfeiçoamento dos serviços sociais e escolares e de formação cristã, de modo a reconstituir laços comunitários muito abalados. É um trabalho longo, sobretudo devido à instabilidade familiar e dos locais de trabalho. As religiosas e religiosos pelos créditos de confiança acumulados, pelo carinho com que são acolhidos, representam os pontos vivos de referência no meio da precariedade dessas condições de vida: não só a garantia da continuidade dos muitos projectos e serviços. São a ponte, a religação de todos os aspectos de percursos humanos tão dispersos e inseguros.</P>
<P>
No entanto, segundo consta da acta da reunião ordinária da Câmara de Oeiras de 3/11/93, «os padres e as freiras da Pedreira dos Húngaros, quando aquela população for realojada, poderão ir para outros bairros de lata da zona de Lisboa ou de qualquer outra, ou mesmo para África, visto que há muitos sítios onde poderão prestar solidariedade, além de que essas pessoas ao serem realojadas ficarão dependentes das paróquias onde ocorrer o realojamento e já não necessitam do seu apoio, dado que a situação que justificou a sua permanência naquele bairro é eliminada».</P>
<P>
O bispo, D. António dos Reis Rodrigues já manifestou em carta ao dr. Isaltino de Morais, presidente da Câmara de Oeiras, «a mágoa do Patriarcado de Lisboa» por ver privadas as populações de uma presença que «continuaria a ser, como foi sempre, de um grande alcance, não apenas espiritual, mas social». A Federação das Associações Cabo-Verdianas em Portugal já exprimiu oficialmente ao presidente da Câmara de Oeiras que estes religiosos devem continuar a acompanhar, como até aqui, a sorte dos bairros em que estão inseridos, para ajudar «a integração social das minorias étnicas na sociedade portuguesa».</P>
<P>
É estranho que a Câmara, na hora do realojamento de uma população, faça discriminações baseada em critérios de ordem religiosa. Parece-me um processo anticonstitucional. É impensável que uma Câmara se arrogue o papel de destinar a missão de uma congregação religiosa e de indicar os seus locais de trabalho, aqui ou em África, e que estabeleça o enquadramento religioso dos cabo-verdianos nas paróquias. Desconhecia a presença de uma delegação da Congregação dos Religiosos e do Patriarcado na Câmara de Oeiras.</P>
<P>
Há quem adiante que se poupam assim duas casas para os pobres. Conta-se no Evangelho de S. João que, em Betânia, foi Judas -- mas esse era ladrão -- que descobriu esse brilhante argumento dos pobres contra Jesus de Nazaré (Jo 12, 1-8).</P>
<P>
Seria preferível que fossem os religiosos e as religiosas, a decidir, com os cabo-verdianos, o caminho a seguir no planeamento e execução dos novos projectos sociais e religiosos, nesta nova fase de uma longa caminhada, que se anuncia bem difícil. Como fez o Pe. Jacques Rivière com os filhos de emigrantes portugueses.</P>
<P>
As mudanças na religião dos portugueses não podem ser interpretadas só através dos índices fornecidos pelo recenseamento da prática dominical, pela concorrência das seitas e pelas dificuldades dos agentes da pastoral da Igreja em perceber o alcance das alterações sócio-culturais da sociedade portuguesa.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-7648">
<P>
Conferências sobre a Bósnia em Londres e Budapeste</P>
<P>
«Que as armas se calem»</P>
<P>
Paula Campos, em Budapeste</P>
<P>
A conferência para a aplicação do acordo de paz na Bósnia começou em Londres com um apelo de John Major ao «silêncio das armas». Esta reunião segue-se a outra terminou em Budapeste e onde ficou definida a participação da OSCE no processo de reconciliação nos Balcãs.</P>
<P>
O primeiro-ministro britânico, John Major, inaugurou ontem no palácio de Lancaster House, em Londres, a conferência internacional sobre a reconstrução da Bósnia-Herzegovina, na qual participam representantes de mais de 50 países e de organizações. «A nossa tarefa hoje é a de garantir que as armas se calem», disse o chefe do governo de Londres.</P>
<P>
No seu discurso de boas-vindas, Major reiterou os compromissos assumidos pela comunidade internacional na sequência dos acordos de Dayton: unificação de Sarajevo no interior da federação bósnia; segurança e protecção para todos os habitantes da cidade; respeito pelos direitos humanos e ajuda humanitária; apoio à construção das instituições políticas da Bósnia-Herzegovina; marcação de eleições livres no próximo Verão; regresso dos refugiados.</P>
<P>
Uma tarefa imensa e recheada de escolhos. Prevê-se que, no imediato, esta conferência, que termina hoje, emita um sinal de tranquilidade aos cerca de 100 mil sérvios de Sarajevo, que rejeitam a unificação da cidade prevista por Dayton e a futura administração dos bairros que controlam por responsáveis muçulmanos bósnios. A resolução deste contencioso constituiu um dos principais motivos da deslocação ontem efectuada à capital bósnia pelo mediador norte-americano Richard Holbrooke, arquitecto dos acordos rubricados nos EUA.</P>
<P>
OSCE define prioridades</P>
<P>
Entretanto, em Budapeste, terminou ontem à tarde a conferência da Organização sobre a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), na qual os ministros dos Negócios Estrangeiros de 54 países debateram os problemas relativos à realização de eleições livres na república, um dos pilares dos acordos, e a elaboração de um esquema para o controlo dos armamentos. Muitos dos responsáveis políticos presentes na capital húngara seguiram depois para a cimeira de Londres.</P>
<P>
A aplicação do plano de paz para a Bósnia e a escolha de uma liderança europeia ou americana para este processo foram dois dos temas principais da reunião ministerial da OSCE. Esta instituição conseguiu definir o seu papel para o cumprimento do acordo de Dayton, o que significa que terá responsabilidades na supervisão das eleições na Bósnia e situação dos direitos humanos na região, assim como participará no processo de desarmamento.</P>
<P>
A questão dos direitos humanos na Bósnia, onde a OSCE vai colocar 250 observadores, será um dos pontos altos da missão da organização, que inclui também a identificação e julgamento de criminosos de guerra. O MNE bósnio, Muhamed Sacirbey, fez de resto questão em deixar bem claro que «é preciso que desta vez a comunidade internacional não esqueça nem perdoe quem cometeu atrocidades neste conflito».</P>
<P>
Em Budapeste não se decidiu nada sobre quem vai liderar a missão da OSCE, e a resposta parece ter sido adiada para a cimeira de Londres. O que está em causa é saber se depois do protagonismo dos americanos em Dayton lhes caberá a chefia da missão, ou se pelo contrário a Europa saberá impor a sua posição num conflito que não conseguiu resolver mas que lhe diz mais directamente respeito. Um dos nomes que circula é o do diplomata americano Robert Frowick, dado quase como certo na quinta-feira mas cuja nomeação acabou por não ser confirmada.</P>
<P>
O vice-secretário de Estado norte-americano, Strobe Talbott, parecia ter o nome de Frowick em mente quando ontem disse que «os EUA têm um embaixador que consideram altamente qualificado para dirigir a missão da OSCE na Bósnia», mas não foi possível confirmar as verdadeiras intenções do representante de Washington. Este não escondeu, no entanto, que o seu país investiu muito neste acordo de paz para agora deixar que sejam os europeus a assumi-lo.</P>
<P>
O chefe da diplomacia portuguesa Jaime Gama, em declarações ao PÚBLICO, preferiu também não fazer previsões quanto a este aspecto, optando antes por sublinhar que o mais importante do encontro de Budapeste terá sido «finalmente a definição do papel da OSCE face à NATO e ONU».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-20004">
<P>
Sindicatos europeus reunem em Lisboa</P>
<P>
Juntos contra a exclusão social</P>
<P>
O problema da «exclusão social é demasiado complexo para ser resolvido através de medidas pontuais», referiu a economista Manuela Silva durante o primeiro dia da Reunião Nacional da rede CES (Confederação Europeia de Sindicatos) de Luta Contra a Exclusão Social, a decorrer num hotel de Lisboa. Uma reunião que ficou marcada pelo facto de as duas centrais sindicais (CGTP e UGT) se reunirem para debaterem o problema da exclusão social e criarem uma rede nacional de combate ao fenómeno.</P>
<P>
Manuela Silva considera, no entanto, que apesar de ser complexo, o fenómeno da exclusão social «é evitável» através da conjugação das forças tanto governativas e institucionais como as da própria sociedade civil. Esta não pode continuar a desresponsabilizar-se, devendo agir conscientemente para resolver os problemas.</P>
<P>
É aqui que entram as organizações sindicais. Para a secretária confederal do CES, Maria Helena André, os sindicatos já perceberam que que o seu papel não pode limitar-se a defender aqueles que já tem emprego: têm de defender igualmente os que o perderem e os que procuram o primeiro emprego.</P>
<P>
«Os sindicatos devem ter uma papel cada vez mais activo no combate à exclusão social porque ela representa uma ameaça, não só à coesão social, como à própria democracia na Europa», referiu Maria Helena André. E a CES, numa resolução datada de Junho 1994, define que o papel fundamental dos sindicatos se situa a nível da prevenção da exclusão social e económica. Isto seria feito através de uma política europeia de formação adaptada ao desenvolvimento da sociedade, de um gestão concertada do emprego, de redução negociada dos horários de trabalho e, também, através da criação de medidas para lutar contra as discriminações e os preconceitos em relação a grupos sociais particularmente sensíveis à exclusão económica e social.</P>
<P>
Júlio Fernandes, da UGT, defendeu a importância do aparecimento de «projectos assentes nos princípios fundamentais da multidimensionalidade e da participação» de toda a sociedade civil para combater a pobreza e a exclusão social. Mas a UGT considera que só será possível tornar efectiva essa vontade se «o Governo adoptar um programa de emergência de combate à exclusão social». Em Portugal existem quase dois milhões de pessoas atingidas por este problema, daí a a necessidade do Governo ter de considerar medidas de «emergência».</P>
<P>
Na qualidade de coordenador do departamento de exclusão social daquela central sindical, Júlio Fernandes disse que a UGT deseja «contribuir para a luta por políticas sectoriais de emprego e de protecção social» e prometeu que o combate à exclusão social vai ser uma prioridade daquela central sindical em sede de concertação social.</P>
<P>
«Rendimentos baixíssimos»</P>
<P>
Depois foi a vez de Maria do Carmo Tavares, da comissão executiva da CGTP, referir que o «desemprego massivo de trabalhadores» é a primeira causa da exclusão social e do empobrecimento da população. Segundo a CGTP, são milhões os portugueses atingidos pela exclusão social e pelo empobrecimento, «porque é preciso não esquecer que há homens e mulheres que trabalham mas os seus rendimentos são baixíssimos». Estes portugueses debatem-se com inúmeros problemas para ter acesso aos bens elementares -- seja a habitação, a educação dos filhos ou os medicamentos.</P>
<P>
«Temos de ter uma acção continua para combater as desigualdades e exigir justiça social», afirmou a representante da CGTP. Se tal não acontecer, estar-se-á a «institucionalizar e a gerir a exclusão social».</P>
<P>
Cristina Louro, representante da D.G. 5 da União Europeia fez, ainda da parte da manhã, uma apresentação da política comunitária, no quadro da luta contra o desemprego e exclusão social. E na sessão da tarde, José Manuel Henriques centrou-se na apresentação do Programa Pobreza III em Portugal (ao todo são 41 projectos espalhados pela UE). Trata-se de «um programa experimental baseado em projectos locais» com o objectivo de inovar as políticas de luta contra a pobreza e a exclusão social.</P>
<P>
Em Portugal foram quatro os projectos desenvolvidos no âmbito do Pobreza III. No Porto, o projecto da Zona Histórica da Sé e São Nicolau, «mostrou a possibilidade de associar os processos de reabilitação física e de renovação urbana num centro histórico». Em Lisboa, o projecto Trabalho com Crianças da Rua «mostrou que é possível introduzir mudanças nas vidas destas crianças». O projecto Mundo Rural em Transformação», em Almeida, «mostrou a possibilidade de construir futuros possíveis num meio rural pobre». Finalmente, o projecto Aldeias de Montanha Apostam no Desenvolvimento», levado a cabo na Covilhã, «mostrou como é possível lutar contra a pobreza» valorizando recursos humanos e naturais.</P>
<P>
Joana Amado</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-97859">
<P>
Do enviado a Imola </P>
<P>
Max Mosley, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), afirmou ontem em Imola, Itália, que a F-1 é "útil" e deveria ser utilizada pela indústria automobilística como laboratório para pesquisa de itens de segurança dos veículos.</P>
<P>
"Depois de tudo o que aconteceu aqui (em Imola) no ano passado, conseguimos fazer com que os carros ficassem mais seguros", disse o advogado inglês, se referindo às mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna.</P>
<P>
Segundo o dirigente, a preocupação da FIA com a segurança extrapola o campo esportivo. Citando estatísticas, disse que a segurança ainda é um campo pouco explorado pelos fabricantes e pouco cobrado pelos governos.</P>
<P>
"A F-1 pode, como já fez em outros setores de pesquisa, auxiliar a indústria no desenvolvimento de dispositivos de proteção."</P>
<P>
Quanto às queixas da Ferrari sobre a polêmica da gasolina no Brasil, Mosley disse que a decisão foi do tribunal de apelações da FIA e não sua.</P>
<P>
(JHM)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-32695">
<P>
Da Agência Folha, em Belém</P>
<P>
O prefeito Haroldo Bezerra (PSDB) deverá decretar, hoje, estado de emergência no município de Marabá (420 km ao sul de Belém/PA) devido à elevação do nível das águas dos rios Itacaiúnas e Tocantins. Há 3.750 desabrigados em Marabá. As enchentes estão desabrigando moradores nas cidades do sudeste do Pará, sul do Maranhão e norte de Tocantins.</P>
<P>
O assessor de Comunicação Social da Prefeitura, João Salame Neto, informou, ontem, que o nível dos rios deve aumentar hoje por causa das chuvas que atingem as cidades maranhenses e tocantinenses banhadados pelos rios e seus afluentes. "O sol até que apareceu, mas vamos sofrer o repiquete que vem das águas que caíram nessas cidades", disse ele. O nível das águas estava, ontem, em 11,75 metros acima do nível normal. Quando atinge 12 metros é decretado o estado de emergência.</P>
<P>
A Defesa Civil de Marabá informou que a rodovia PA-150, que liga o sul ao norte do Estado, está interrompida em dois pontos, a 630 km de Belém. Os rios tomaram conta do leito da rodovia e as pontes estão em estado precário.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-67910">
<P>
«Alaaf» inundações!</P>
<P>
Maria Ermelinda Pedrosa</P>
<P>
Colónia</P>
<P>
A última vez que Colónia meteu tanta água foi em Dezembro de 1993. Ainda os muros e as paredes de muitas casas não tinham secado da chamada «inundação do século» e já a seguinte estava à porta. Desta vez ampliada a largas regiões situadas não só nas margens do Reno mas também do Meno, do Neckar e de outros rios.</P>
<P>
Em Colónia estiveram inundados 35 hectares e a culpa foi do «alter Vater Rhein» -- o paizinho Reno, como os renanos chamam carinhosamente ao seu rio, que, em vez de se ficar pelo seu leito, resolveu visitar outras paragens.</P>
<P>
Um fenómeno que os especialistas climáticos e os ecologistas explicam. Estes últimos não se têm cansado de referir que a catástrofe natural foi auxiliada pelas «manipulações genéticas» da natureza, ao roubar-se espaço vital do leito dos rios para urbanizações.</P>
<P>
A situação foi das mais desoladoras. As ruelas medievais da Baixa da cidade, pejadas de restaurantes e cervejarias, transformaram-se num mar de água barrenta. Quatrocentos e cinquenta polícias e 240 auxiliares da Protecção Civil, mais os inúmeros voluntários, controlaram a situação: os primeiros impedindo que as habitações e estabelecimentos, em parte abandonados, fossem pilhados, e os segundos tentando suavizar o quotidiano dos cidadãos sitiados.</P>
<P>
Os motores ronronantes dos barcos, o único veículo a circular nas regiões alagadas da cidade, interrompiam o silêncio aquático. Entregavam-se géneros alimentares e o correio, transportavam-se os habitantes e animais domésticos para as regiões mais secas da cidade, numa azáfama observada diariamente por milhares de basbaques postados na ponte que atravessa a Baixa da cidade.</P>
<P>
Ninguém queria perder esse espectáculo inédito, quase melhor que qualquer programa de «reality TV». E a polícia lá ia vigiando o melhor possível este turismo de catástrofe, aplicando multas aos incorrigíveis que empecilhavam o trabalho dos auxiliares.</P>
<P>
Em Rodenkirchen, no outro extremo da cidade, bairro muito cobiçado por estar geralmente nas margens do Reno, a situação não foi melhor. De Verão, Rodenkirchen é o picadeiro preferido dos colonianos que por aí deambulam, de Biergarten em Biergarten, passeando as crianças e os cães, descansando os turistas de fim-de-semana nos barcos-cafés atracados nas margens. Agora os únicos que por lá andavam de barco eram os residentes da área. Ou os proprietários dos restaurantes que diariamente se atormentavam com a contemplação dos seus estabelecimentos alagados pelas águas barrentas.</P>
<P>
Mas a catástrofe natural não conseguiu abalar nem o humor, nem o espírito de negócio dos colonianos. Desde há anos que a cidade dispõe de vários navios-hotel (cerca de 1600 camas), que, juntamente com os hotéis convencionais, acolhem os visitantes das feiras e exposições. E como as instalações da recente Feira de Doces e Guloseimas não sofreram com a inundação, muitos visitantes continuaram a preferir instalar-se nos navios-hotel, achando provavelmente graça a terem de percorrer com armas e bagagens mais de 200 metros de placas de madeira flutuantes que os separavam de terra firme.</P>
<P>
E visto que já se entrara na época carnavalesca (o Carnaval em Colónia começa pontualmente no dia 11, pelas 11 da manhã), os colunistas dos principais jornais da cidade tentaram superar-se a si mesmos em humor. Um deles escrevia há dias, num artigo intitulado «Alaaf [salvé] Köln, a inundação vem aí!», que o burgomestre da cidade, personagem muito conhecida e sempre à procura de publicidade, deveria convidar a actriz Meryl Streep para apresentar em Colónia o seu filme «Rio Selvagem»... Os autores de canções carnavalescas readaptaram os seus textos, de modo a glosarem adequadamente a situação. Estão na crista da onda canções com os títulos: «Porque é que se está tão bem nas margens do Reno», «Tu, Reno maravilhoso» ou ainda «A água de Colónia é boa»...</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11279">
<P>
s-caixa método</P>
<P>
O método do Atlas</P>
<P>
O PÚBLICO fez uma pergunta -- «Quais são os locais mais perigosos em termos de crime na região em que trabalha?» -- a um grupo de profissões de Norte a Sul de Portugal, Madeira e Açores. Polícias (PJ, PSP e GNR), carteiros, médicos de serviço nocturno ao domicílio, assistentes sociais, bombeiros, funcionários dos telefones, transportes (públicos e taxistas) e serviços camarários foram as profissões escolhidas por serem aquelas que mais directamente fazem deslocações, constantes, aos vários pontos das cidades e vilas portuguesas, independentemente de eles serem ou não receados.</P>
<P>
As respostas destes profissionais a 28 correspondentes do PÚBLICO e às redacções de Lisboa e Porto foram organizadas por regiões e são a base dos mapas destas páginas.</P>
<P>
O objectivo foi chegar, quando possível, ao nome da rua ou área onde os profissionais sentem receio de entrar ou não entram de todo. As informações foram depois cruzadas e discriminado o tipo específico de problemas e causa do medo. E no caso dos dados prestados pelas polícias, incluem-se também os locais onde qualquer cidadão, indepentemente da sua actividade, tem mais hipóteses de ser vítima de roubo à mão armada ou de sofrer um assalto no seu carro, casa ou loja.</P>
<P>
Os locais referidos nestas páginas não pretendem representar a totalidade dos lugares considerados perigosos em Portugal. Por outro lado, poderá haver alguns em relação aos quais os moradores da região considerem a sua inclusão despropositada. Mas praticamente todos foram referenciados por mais de uma das profissões escolhidas.</P>
<P>
Feito o inquérito, mais de metade dos concelhos contactados acabou por não encontrar locais dignos de referência neste Atlas, pelo que são regiões onde, aparentemente, a criminalidade não é localizada e é só sentida pontualmente.</P>
<P>
Nas cidades, principalmente em toda a cintura urbana de Lisboa, houve alguma dificuldade em distinguir com precisão as ruas ou bairros onde há reais e constantes situações de perigo -- roubos, assaltos, ofensas corporais e homicídios -- daqueles onde há sobretudo uma sensação exterior de insegurança, o que a Polícia Judiciária descreve como «zonas de suspeição». Na Grande Lisboa, um bom exemplo será o Bairro de Santa Filomena, visto com muita desconfiança pela população da Amadora, mas cuja má fama suplanta em muito o papel relativo que ocupa nas estatísticas criminais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-38397">
<P>
Cheias devastam a China</P>
<P>
As cheias que desde há duas semanas atingem o sul da China já isolaram a capital da província de Fujian. Guangdong prepara-se, entretanto, para as marés vivas que poderão causar fortes prejuízos no delta do rio das Pérolas.</P>
<P>
Segundo números oficiais, as cheias já provocaram 719 mortos e centenas de pessoas foram consideradas desaparecidas. Em Fujian, onde há registo de 20 mortos, a capital provincial, Fuzhou, encontra-se isolada depois de chuvas torrenciais terem provocado a subida das águas do rio Minjiang, que inundaram quase completamente as ruas da cidade. O balanço oficial indica que em duas semanas de inundações, 14.400 pessoas ficaram feridas, 585.600 casas foram destruídas e 1,98 milhões danificadas, enquanto 3,2 milhões de terrenos agrícolas ficaram submersos.</P>
<P>
Milhares de residentes mudaram-se para os andares mais altos ou para os telhados dos edifícios , tendo praticamente cessado a vida da cidade. Fábricas e escolas estão encerradas.</P>
<P>
Em Guangdong, a província mais danificada pelas cheias, as mais violentas dos últimos cem anos, registou-se a morte de 215 pessoas e ferimentos em cerca de quatro mil. Com o início das marés vivas sazonais, na sexta-feira, as autoridades temem um agravamento da situação. As autoridades centrais calculam que os prejuízos imediatos resultantes destas cheias atingem 30,54 mil milhões de yuan, 596,7 milhões de contos.</P>
<P>
Os trabalhos de salvamento e assistência às vítimas das inundações envolvem unidades do Exército, Polícia e voluntários num total calculado e dois milhões de pessoas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22805">
<P>
O piloto alemão conquista a primeira pole position de sua carreira e supera marca do inglês Nigel Mansell</P>
<P>
Do enviado especial a Mônaco</P>
<P>
O alemão Michael Schumacher, folgado líder do Mundial de Pilotos, teve ontem mais um dia luminoso nas ruas de Mônaco, transformadas em autódromo.</P>
<P>
Quebrou o recorde do circuito e, com isso, obteve a primeira pole position de sua carreira de 41 GPs, 5 vitórias, 139 pontos marcados.</P>
<P>
Apesar de conquistar a pole, Schumacher largará da segunda fila, ao lado de Mika Hakkinen. Os dois lugares da primeira fila não serão ocupados em homenagem aos pilotos Ayrton Senna e Roland Ratzenberger, que morreram no circuito de Imola há duas semanas.</P>
<P>
Schumacher cravou 1min18s560, quase um segundo menos do que o 1min19s495 do inglês Nigel Mansell, titular do recorde anterior, obtido em 92.</P>
<P>
O brasileiro Christian Fittipaldi largará em 6º lugar, atrás de Hakkinen (MacLaren), Gerhard Berger (Ferrari), Damon Hill (Williams) e Jean Alesi (Ferrari).</P>
<P>
Christian festejou: "O carro é competitivo". O piloto da Footwork marcou 1min21s053, dois e meio segundos menos do que na primeira sessão de qualificação, na quinta-feira.</P>
<P>
O outro brasileiro, Rubens Barrichello, ficou com a 15ª posição, com o tempo de 1min22s359, igualmente quase 2,5 segundos menos do que na quinta-feira.</P>
<P>
Rubinho, embora diga que está "mais satisfeito", continua sofrendo os efeitos de seu acidente em Imola, há duas semanas. "Não estou dando tudo o que sei que posso, porque ainda estou me recuperando do acidente", afirmou.</P>
<P>
Schumacher é o único piloto que não tem do que se queixar. Depois de obter sua primeira pole, disse o óbvio: "Estou confiante para amanhã (hoje), porque o carro trabalhou bem a semana toda".</P>
<P>
O finlandês Hakkinen disse que o motor ainda tem que melhorar. "Precisamos de mais força", queixou-se, apesar de ter feito um bom tempo (1min19s488), igualmente abaixo do recorde anterior.</P>
<P>
Já Berger reconhecia que fôra ao limite permitido pelo carro e que os problemas ainda existentes levarão "duas ou três corridas" para serem inteiramente resolvidos. O austríaco marcou 1min19s958.</P>
<P>
O 52º GP de Mônaco começa às 15h30 (10h30 em Brasília) e será o último com a atual aerodinâmica dos carros. Para o GP de Barcelona, dia 29, começam a entrar em vigor as alterações anunciadas anteontem pela FIA.</P>
<P>
Os três pilotos que melhor posição obtiveram ontem não quiseram comentar as alterações. Schumacher alegou, em nome deles, que estiveram muito ocupados com a preparação para a corrida e só depois dela e de discutir as alterações com os técnicos se sentiriam em condições de opinar.</P>
<P>
(Clóvis Rossi)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11498a">
<P>
«Excursões» parlamentares: socialistas respondem ao PSD</P>
<P>
PS recupera a Lisboa da Presidência Aberta</P>
<P>
O Parlamento agita-se com as excursões dos deputados do PS e do PSD: agora, é a vez dos socialistas deambularem pela Grande Lisboa dos bairros degradados e da falta de segurança, que o PSD, na semana passada, não mostrou. Em causa, os temas desviados do «tour» de Duarte Lima e seus pares: habitação e falta de segurança.</P>
<P>
Os deputados do PS vão deslocar-se, na segunda e terça-feira próximas, a bairros degradados de Loures e da Amadora e ainda à zona da CRIL (Circular Rodoviária Interna de Lisboa) entre Loures e a Pontinha, para reavivarem o quadro que Mário Soares, na Presidência Aberta, mostrou ao país, e que o PSD, na semana passada, «dourou», ao circunscrever-se às obras de vulto.</P>
<P>
A tónica desta «excursão» socialista, uma semana depois de Duarte Lima e seus pares terem cruzado a mesma geografia, vai enfatizar precisamente aquilo a que o PSD não se dedicou nos seus dias «ao ar livre» na Grande Lisboa: a habitação degradada, a insegurança e o desenraizamento dos habitantes das periferias, os problemas das grandes infra-estruturas rodoviárias. O PS justifica esta iniciativa como decorrente das jornadas parlamentares de segunda e terça-feira em Bragança, onde se discutiram os problemas do interior transmontano: é que, segundo aliás foi aflorado no debate (curiosamente, pelo transmontano Armando Vara, deputado por Bragança e candidato socialista à câmara da Amadora nas eleições de Dezembro), os dramas da interioridade reflectem-se no êxodo das populações para as periferias das grandes cidades. Onde, insistira Vara, se vive pior que em Bragança.</P>
<P>
Mas uma justificação talvez mais premente para esta urgência do PS em fazer a ronda pela Grande Lisboa é o efeito mediático conseguido pelas deslocações do PSD. Na segunda e terça-feira, os sociais-democratas vão estar no Vale do Ave, e o PS procura fazer marcação cerrada: é que os socialistas estão a sentir o efeito negativo da iniciativa do PSD e, desta vez, procuram desviar as atenções para um lado que lhes possa ser mais favorável.</P>
<P>
Até a questão da visita ao Vale do Ave correu mal ao PS. É verdade que os deputados socialistas decidiram-se por uma deslocação à zona da crise no início de Janeiro. Só que, quinze dias depois, Duarte Lima anuncia a «sua» visita ao Vale do Ave e desafia os socialistas a acompanhá-lo. Almeida Santos, em conferência de imprensa, diz que o PS vai ao Vale do Ave, mas sozinho. E Duarte Lima sugere que os socialistas «copiaram» o PSD. Mas a verdade é que Lima foi mais expedito: e, enquanto o PS agendou a sua excursão à crise para 7 e 8 de Fevereiro, Lima e seus pares anteciparam-se para segunda e terça-feira próximas. Uma «corrida» em que o PS, à partida, se deixou ultrapassar.</P>
<P>
O CDS vive alguma hesitação no meio disto: Lobo Xavier gostaria de se associar à viagem do PSD ao Vale do Ave, mas tudo depende das suas reais possibilidades de ainda conseguir colaborar na preparação do programa. Para os centristas seria ponto de honra incluir no itinerário algumas empresas admnistradas por sociais-democratas que receberam fundos comunitários e estão de porta fechada.</P>
<P>
Entretanto, o PS elaborou um esboço de programa que anuncia a visita a uma empresa em Fafe, encontros com parceiros sociais, visita local a Guimarães, deslocação a uma empresa, também não nomeada, em Riba d'Ave, com «900 trabalhadores em dificuldades», uma deslocação à via intermunicipal «feita pelas câmaras sem apoios do governo» e ainda uma empresa «em boas condições e sem nenhum subsídio».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26079">
<P>
Barragens abertas sem dizer «água vai»</P>
<P>
Culturas ribatejanas destruídas</P>
<P>
Os agricultores do Ribatejo aguardam que o primeiro-ministro ou o ministro da Agricultura lhes digam quem vai suportar os prejuízos da destruição das suas culturas, devido a centenas de hectares de campos onde crescia tomate, melão, girassol e milho, ao longo do Tejo, terem sido inesperadamente inundados. As associações de agricultores dizem que isso se deve a descargas de barragens portuguesas e espanholas, feitas sem aviso prévio.</P>
<P>
Para os seareiros e pequenos agricultores instalados entre a Golegã e Vila Franca de Xira, a época parece irremediavelmente perdida. Os subsídios comunitários, que só são concedidos na condição de as culturas serem feitas até ao final do mês, já não serão dados, uma vez que até lá não há hipóteses de o nível das águas baixar e, portanto, se poder replantar.</P>
<P>
Os agricultores que puderem recomeçar, para além da perda dos subsídios, debatem-se também com a mais que provável diminuição das colheitas, uma vez que as sementes irão ser lançadas à terra fora de época.</P>
<P>
O presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo, Manuel Campilho, disse ontem que «alguém terá de explicar por que razão foram abertas as barragens sem dizer `água vai'». Desde quinta-feira que o nível das águas do Tejo começou a subir e a alagar culturas. No entanto, segundo o mesmo responsável, «só ontem é que as delegações regionais do Ministério da Agricultura começaram a contactar os agricultores». Aos grupos parlamentares irá, entretanto, chegar um pedido de inquérito.</P>
<P>
A única explicação que os agricultores admitem para as descargas de água é o risco de rebentamento das barragens. Manuel Campilho não acredita, no entanto, que tal situação estivesse eminente, nem tão-pouco aceita a explicação que um responsável da Direcção Regional do Ambiente e Recursos Naturais (DRARN) de Lisboa deu ao PÚBLICO, salientando que o alagamento de terrenos agrícolas se tenha ficado a dever ao assoreamento de alguns trechos do leito do Tejo.</P>
<P>
Na DRARN a explicação para as descargas prende-se, sobretudo, com as diferentes capacidades de armazenamento de água e turbinagem (produção de energia eléctrica) das barragens portuguesas -- Fratel e Belver -- quando comparadas com as existentes em Espanha (Alcântara). Enquanto as barragens portuguesas turbinam 700 metros cúbicos de água por segundo, as espanholas têm um produção de 1200 a 1400, para além de conseguirem reter por mais tempo caudais superiores.</P>
<P>
O mesmo responsável adiantou ainda que não houve necessidade de alertar os serviços de Protecção Civil -- «o que quer dizer que não houve cheias» -- e que o assoreamento de algumas zonas do Tejo, nomeadamente junto ao Alviela e Ribeira de Santarém, gera quase sempre alagamentos de terrenos.</P>
<P>
Para a Associação de Agricultores de Santarém, a situação é bem diferente e, ontem à tarde, já havia notícia de terras inundadas na Golegã, Alpiarça, Azambuja, Vale de Figueira e outras localidades ribeirinhas.</P>
<P>
O PÚBLICO tentou recolher os depoimentos dos responsáveis pela Direcção Regional do Ribatejo e Oeste do Ministério da Agricultura. Segundo informação de uma funcionária, o director-geral está ausente no estrangeiro e o sub-director encontrava-se numa reunião em Lisboa e, portanto, sem hipóteses de se pronunciar.</P>
<P>
José Bento Amaro</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33009">
<P>
TM-VL-Aung</P>
<P>
Presa em sua casa desde 20 de Julho de 1989 até segunda-feira, quase seis anos, sem ter sido julgada ou condenada, apenas acusada de «inimiga do Estado», a líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, deu provas de uma determinação paciente no seu duelo, para já ganho, com os generais que governam o país. Tudo indica que vai continuar com a mesma receita para prosseguir a sua luta pela democracia: determinação e paciência. Apesar de a Birmânia (rebaptizada pelos ditadores militares como Myanmar) ser um dos países mais controlados e fechados do mundo, claro que a notícia da libertação da Nobel da Paz de 1991 se espalhou rapidamente. Prova de que o carisma da líder não diminuiu com o cativeiro, centenas de pessoas correram o risco de dar a cara e juntaram-se à porta da vivenda de Suu Kyi. Dela ouviram palavras de determinação em prosseguir a campanha pela democracia e um conselho: não devem esperar demais, demasiado depressa. Aung San Suu Kyi, de 50 anos, perdeu os últimos seis presa em casa, mas «sabe» que a democracia há-de chegar. Porque -- diz ela -- é o que o povo quer.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-13801">
<P>
África do Sul a dois meses das eleições</P>
<P>
Ao tiro e à pedrada</P>
<P>
O PRESIDENTE Frederik de Klerk anunciou ontem que o líder do ANC, Nelson Mandela, lhe telefonara e se manifestara preocupado com a violência que se está a verificar na campanha eleitoral, durante a qual uma mulher negra de 39 anos fora na véspera morta a tiro por ocasião de um comício do Partido Nacional, em Roodepan, subúrbios de Kimberley.</P>
<P>
De Klerk, ele próprio atingido por uma pedra durante outro comício, afirmou ter apreciado o telefonema do seu provável sucessor à frente do Estado, mas também disse que as chamadas telefónicas não são o suficiente para evitar a violência durante a caminhada para as eleições de Abril.</P>
<P>
O chefe do Partido Nacional informou que Mandela lhe telefonara ainda para Kimberley, a «cidade dos diamantes», onde passara a noite depois de haver sido obrigado a interromper a campanha eleitoral devido à contestação de que estava a ser alvo na região, que fica na fronteira da província do Cabo com a de Orange.</P>
<P>
A vítima de quarta-feira foi morta no pátio de sua casa, junto ao local onde decorria um caótico comício do Partido Nacional. Um homem chamado Isghak Adams, genro e guarda-costa do deputado governamental Howard Isaacs, despejara um revólver sobre uma multidão de partidários do ANC que contestavam a presença ali do Presidente da República.</P>
<P>
«Parece que a mulher nada tinha a ver directamente com a situação e que teve apenas o azar de se encontrar nas proximidades», contou um porta-voz da polícia.</P>
<P>
Frederik de Klerk ia falar naquele comício, mas cancelou a sua presença depois de haver sido atingido no pescoço por uma pedra, durante uma anterior paragem, na sua viagem de dois dias pelos territórios setentrionais da província do Cabo. Foi a primeira vez que o Presidente da África do Sul foi atacado fisicamente durante a actual campanha, que deverá culminar com as eleições gerais de 26 a 28 de Abril.</P>
<P>
Acusação de assassínio</P>
<P>
O director da campanha presidencial, Chris Fismer, esclareceu que Adams foi detido e acusado de assassínio, mas De Klerk não pormenorizou se abordara os tiros na sua conversa telefónica com Mandela, tendo-se limitado a afirmar que o ANC é culpado pela violência que se está a verificar na campanha.</P>
<P>
«Os dirigentes do ANC, a todos os níveis, devem tomar medidas específicas para controlarem os seus partidários, de modo a que não se perca esta oportunidade única que ora temos na África do Sul», disse ontem o Presidente a uns 500 trabalhadores agrícolas, na sua maioria negros, ontem reunidos num recinto desportivo de Hopetown.</P>
<P>
Frederik de Klerk contou que Mandela se manifestara profundamente preocupado com aquilo que os seus seguidores andavam a fazer e com a falta de tolerância que muita gente no ANC ainda demonstra.</P>
<P>
«O nosso é o partido da paz», sublinhou o líder dos reformistas brancos sul-africanos, que fora atingido pela pedra logo abaixo da orelha esquerda quando tentava falar a uns quantos simpatizantes negros, por entre os gritos contestatários de manifestantes do ANC que se encontravam em Postdene, junto ao centro mineiro e agrícola de Postmasburg.</P>
<P>
Os serviços de segurança levaram-no para um carro blindado, enquanto jovens negros e mestiços gritavam: «De Klerk, vai para o Inferno!».</P>
<P>
Brendan Boyle, da Reuter, em Hopetown</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-5196">
<P>
Expo-98 vai patrocinar cruzeiro à vela</P>
<P>
Pela Rota do Sol</P>
<P>
Nysse Arruda</P>
<P>
A terceira edição do Round the World Rally, em 1997-98 -- um cruzeiro à vela a volta do mundo para equipas amadoras --, será patrocinada pela Expo-98 e terá largada e chegada em Lisboa, além de escalas na Madeira, nos Açores e no Porto.</P>
<P>
Jimmy Cornell, presidente da World Cruising, a direcção da Associação Naval de Lisboa e o director do Departamento de Programação Cultural da Expo-98 reuniram-se ontem para formalizar um acordo de patrocínio, que será assinado em Maio, para a terceira edição do Round the World Rally. A intenção do projecto é divulgar a Expo-98 nas dezenas de portos turísticos da rota a tempo de atrair visitantes de todo o mundo para a abertura do evento, em Maio de 1998.</P>
<P>
A largada será dada em Lisboa, no dia 4 de Janeiro de 1997, para uma frota de cerca de 30 veleiros monocascos e catamarãs, propriedade de velejadores amadores -- divididos nas categorias cruzeiro e regata --, que assim têm a oportunidade de navegar à volta do mundo sem o «stress» das verdadeiras competições náuticas.</P>
<P>
A rota seguirá por dezenas de portos ensolarados de Madeira, Canárias, Caraíbas, canal do Panamá, Equador, Galápagos, ilhas do Oceano Pacífico -- Marquesas, Polinésia Francesa, Tahiti, Sociedade, Tonga, Fiji, Vanuatu --, Austrália, ilhas Cocos Keeling, Maurícias, África do Sul, Ilha de Santa Helena, Senegal, Cabo Verde, Açores, Porto e finalmente Lisboa, onde as embarcações atracarão em 23 de Maio de 1995, a tempo da abertura da Expo-98.</P>
<P>
A nova rota excluiu o porto de Bali, na Indonésia, por razões políticas e diplomáticas, e aumentou o número de escalas em território português, o que incentivará os veleiros nacionais a integrarem a frota, pelo menos nos troços domésticos da circum-navegação. Com a presença da Associação Naval de Lisboa na coordenação do evento, o director Carlos Ribeiro Ferreira acredita que esse incentivo seja significativo para a frota nacional.</P>
<P>
«Estou muito contente por poder contar com a participação da Expo-98 na terceira edição do Round the World Rally. Há sete anos, tive um contacto com o Rui Moreira, do Iate Clube do Porto, interessado em marcar uma escala do Atlantic Rally for Cruisers, uma travessia do Atlântico das Canárias a Santa Lucia, que hoje já está na nona edição. Infelizmente, não conseguimos apoios para o projecto», diz Jimmy Cornell lembrando que, em 1990, também manteve contactos com autoridades locais a fim de já trazer a circum-navegação a algum porto português em 1991.</P>
<P>
Cornell -- que há dez anos organiza cruzeiros náuticos pelo mundo, com destaque para a realização do America 500 e a preparação do Hong Kong Challenge 1996-97, outra volta ao mundo pelas águas quentes dos oceanos, que também fará escala em Portugal, na cidade do Porto -- é um apaixonado pela história marítima mundial e sempre quis incluir nas suas rotas portos portugueses, geralmente não considerados por organizadores de circuitos internacionais.</P>
<P>
Autor de alguns «best sellers» na área náutica -- especialmente o «World Cruising Routes» -- e ex-jornalista da rádio BBC, na Inglaterra, Cornell é um «expert» em navegação de cruzeiro, tendo feito uma volta ao mundo durante seis anos, de 1975 a 1981, com toda a família. Foi nessa época que escreveu um artigo para a revista «Yachting World» sobre pessoas que atravessam o Atlântico em cruzeiro. «A ideia de organizar e promover esses cruzeiros nasceu aí», explica ele.</P>
<P>
A sua actual actividade profissional -- organizador de provas naúticas acessíveis a velejadores amadores -- afastou-o do jornalismo. E revela ser também um exímio negociador com autoridades de vários países onde planeia as suas rotas. «Garantir a segurança da frota e assegurar uma passagem tranquila por vários portos estrangeiros é um trabalho complexo», diz, ressaltando porém a gratificação de já poder contar mais de três mil embarcações participantes nos eventos e cursos práticos da World Cruising.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-20730">
<P>
GP do Pacífico em Fórmula 1</P>
<P>
Jovens ao ataque</P>
<P>
Manuel Abreu</P>
<P>
Dos seis pilotos que pontuaram no GP do Pacífico, só Gerhard Berger tem mais de trinta anos (34). No pódio, Schumacher (25) e Rubens Barrichello (21), os dois primeiros no «Mundial», não esconderam a sua enorme satisfação. Os jovens que invadiram a Fórmula 1 lutam por um lugar ao sol.</P>
<P>
A experiência de Ayrton Senna é uma das características que reforçam a sua condição de favorito ao título mundial de Fórmula 1 de 1994. Aos 34 anos, o piloto brasileiro é tri-campeão mundial (1988, 90 e 91), tendo ganho 41 dos 160 GP disputados em dez anos de carreira nesta disciplina, onde detém o recorde de «pole-positions»: 64. Com o sucessivo abandono de pilotos como Nelson Piquet, Nigel Mansell, Riccardo Patrese e Alain Prost, Senna é um dos poucos pilotos da anterior geração ainda em actividade e integrado numa equipa com aspirações à vitória. Mas os pilotos mais jovens estão a fazer valer o seu peso logo nas primeiras corridas deste campeonato.</P>
<P>
Schumacher começou logo por vencer o GP do Brasil, onde jovens como Barrichello ou Wendlinger (25) também terminaram nos pontos. Senna esqueceu-se da sua inegável experiência -- ao preferir atacar o primeiro lugar a manter o segundo posto, o brasileiro hipotecou as suas hipóteses de pontuar. Um erro que o próprio Senna reconheceu, uma raridade num piloto que se considera quase infalível, a ponto de ser conhecido entre os jornalistas brasileiros como «Deus».</P>
<P>
No segundo GP da temporada, disputado este fim-de-semana no Japão, a hierarquia das equipas mais fortes e dos pilotos mais experientes voltou a ditar leis na formação da grelha de partida. Contando com as condições do circuito de Aida, lento, sinuoso e estreito, os técnicos da Williams contavam já com algumas dificuldades para a corrida, perante o maior equilíbrio dos chassis Benetton e da dificuldade em colocar no chão a reconhecida potência do motor Renault. Só ninguém esperava que Senna «entregasse os pontos» logo na primeira curva, nem que a corrida terminasse sem nenhum Williams em pista. E a Benetton só não reforçou a sua pontuação devido a um erro do jovem Jos Verstappen, que se despistou à saída das «boxes» por não contar com o necessário aquecimento dos pneus.</P>
<P>
Na luta entre mais e menos jovens, os primeiros têm levado vantagem neste início de época. Com a entrada na temporada europeia (GP de S. Marino, dia 1 de Maio), a experiência pode voltar a render pontos, talvez em número suficiente para que Senna possa ainda pensar em obter este ano o seu quarto título mundial, igualando o seu rival Alain Prost e iniciando o ataque ao recorde de Juan Manuel Fangio (cinco títulos). Ayrton Senna vai certamente exigir de si mesmo maior concentração e estará muito atento aos retrovisores. Schumacher e os outros jovens continuarão a aguardar os erros alheios para chegaram mais facilmente aos pontos, numa temporada de profunda renovação na Fórmula 1.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17300">
<P>
200 MORTOS EM NAGORNO-KARABAKH -- Violentos combates na região de Nagorno-Karabakh causaram no fim-de-semana pelo menos 200 mortos, anunciou ontem o Ministério da Defesa do Azerbaijão, citado pela agência russa Interfax. A mesma fonte, as forças separatistas arménias de Karabakh lançaram sábado uma ofensiva na direcção da cidade de Agdam, situada em território azerbaijano, a alguns quilómetros a ocidente do enclave, maioritariamente habitado por arménios, disputado pela Arménia e o Azerbaijão. Duzentos soldados foram mortos e um tanque e dois camiões destruídos, mas a distribuição exacta das perdas entre os dois lados não era, ao fim da tarde, conhecida. Ainda segundo a mesma fonte, as forças de Karabakh lançaram ontem uma ofensiva a nordeste do enclave arménio. Violentos combates registam-se há uma semana entre os dois lados, que se atribuem, mutuamente, as responsabilidades. O conflito causou mais de 20 mil mortos desde que começou, em 1988.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-57195">
<P>
Menos barracas no Bairro do Relógio</P>
<P>
Foram ontem demolidas no Bairro do Relógio, em Lisboa, 132 barracas. Uma operação que decorreu pacificamente, até porque todos os fogos a destruir estavam já desocupados. Os terrenos desimpedidos destinam-se agora a uma zona verde, parte integrante do Parque Oriental de Lisboa.</P>
<P>
As demolições, que tiveram início no lote 146 da Rua H, compreenderam 88 fogos naquela rua e 44 dispersos pelo resto do bairro. Os antigos moradores tinham já sido realojados em novas casas, localizadas na zona N1 de Chelas, próximo do Colégio Valssassina, e no Casal dos Machados, nos Olivais, ao longo das últimas semanas.</P>
<P>
Uma operação «importante», que, segundo Vasco Franco, vereador da Câmara de Lisboa, «não é a primeira no Relógio». As demolições na zona começaram, há já algum tempo, junto à feira. «Agora estamos a demolir onde as casas se apresentam mais degradadas», explicou o autarca.</P>
<P>
Uma asserção que não é, porém, partilhada por todos. Alguns moradores do bairro, presentes no local desde o início dos trabalhos, queixavam-se precisamente de as suas casas, «em piores condições», não estarem ainda incluídas no plano de realojamento.</P>
<P>
«Já temos os papéis metidos há três meses. Dizem que é hoje, que é hoje, mas nunca mais saímos daqui», queixou-se Arminda Nunes Gaspar, residente na Rua H, há 23 anos.</P>
<P>
Uma situação que Vasco Franco garantiu, no entanto, ser temporária: «Para as próximas semanas está já prevista a saída de mais moradores e, no prazo de um mês, a Rua H deverá estar completamente limpa.»</P>
<P>
No decorrer da manhã, viria ainda a registar-se um pequeno incidente. Vítor Manuel Campos Gonçalves, residente na Rua H há cerca de três meses, vira também a sua casa selada na véspera, sem que nem ele nem a sua família estivessem integrados no plano de realojamento da Câmara.</P>
<P>
«Ontem tive que partir o selo para não ter que dormir na rua, e hoje não sei como vai ser. Já falei várias vezes com as assistentes sociais, que dizem que não me dão casa. Tenho dois filhos e a minha mulher grávida de nove meses e não sei onde vou dormir», disse Vítor Gonçalves.</P>
<P>
Confrontado com a situação, Vasco Franco explicou de imediato tratar-se «sem dúvida, de uma situação de ocupação recente» e acrescentou: «O senhor Vítor Gonçalves foi já hoje convocado aos serviços. Vamos ver o que podemos fazer.»</P>
<P>
Quanto aos terrenos agora desocupados, destinam-se a uma zona verde que fará parte do Parque Oriental de Lisboa, um parque urbano que se estende das Olaias à Rotunda do Relógio e que se encontra já em fase de construção. Margarida Rodrigues</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-13737">
<P>
EUGÊNIO NASCIMENTO </P>
<P>
Da Agência Folha, em Aracaju </P>
<P>
A reprodução de tartarugas marinhas deverá ser recorde neste ano na costa brasileira.</P>
<P>
O projeto Tamar (Tartarugas marinhas) pretende levar ao mar até abril 300 mil filhotes de tartarugas marinhas em todo o país.</P>
<P>
Vinculado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o projeto colocou no mar 240 mil filhotes de tartarugas na temporada 93-94.</P>
<P>
Apesar do aumento da população de tartarugas na costa brasileira, o risco de extinção da espécie não está definitivamente afastado.</P>
<P>
Até o ano 2.000, segundo avaliação do Tamar, as pequenas tartarugas ainda estarão sujeitas à ação de tubarões e pescadores.</P>
<P>
As que sobreviverem, se tornando adultas, consolidarão o processo de preservação da espécie.</P>
<P>
A presidente da Fundação Pró-Tamar (entidade não-governamental que atua junto com o Ibama), Maria Ângela Morcovalde, disse que são positivos os resultados alcançados pelo projeto.</P>
<P>
"O Tamar realiza no Brasil um trabalho vitorioso, mas falta apoio da iniciativa privada. Precisamos de patrocinadores. Contamos com apoio apenas da Petrobrás", disse.</P>
<P>
Segundo o engenheiro de pesca César Coelho, coordenador do Tamar em Sergipe e Alagoas, as tartarugas necessitam de proteção, apesar da alta taxa de reprodução.</P>
<P>
A proteção, segundo ele, consiste em evitar que os filhotes fiquem presos em redes de pesca ou sejam capturados para consumo.</P>
<P>
Segundo o engenheiro, somente agora as primeiras tartarugas levadas ao mar em 1982 pelo projeto estão atingindo a fase adulta. Em 82 foram produzidas apenas 2.000 tartarugas.</P>
<P>
"Agora há tendência de estabilização do projeto", disse Coelho.</P>
<P>
Em Sergipe, onde funcionam três bases do Tamar —Pirambu, Ponta dos Mangues e Abaís— a previsão é de que em 95 pelo menos 36 mil tartarugas sejam lançadas ao mar. Em 93-94, a reprodução atingiu 26 mil. Em 13 anos do projeto no Estado, foram produzidos 200 mil filhotes. No Brasil, a reprodução atingiu 1,5 milhão. O Tamar tem bases em Sergipe, Alagoas, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará.</P>
<P>
A Bahia, que conta hoje com cerca de 500 tartarugas marinhas desovando sob proteção do Ibama, responde por 45% da reprodução no país. O segundo colocado é o Espírito Santo, com 20% e em seguida vem Sergipe, com 18%.</P>
<P>
Pernambuco tem 5% da reprodução, em Fernando de Noronha. Os 12% restantes estão espalhados nos Estados com bases do Tamar. </P>
<P>
Adoção </P>
<P>
Técnicos do Ibama realizam em todo o país uma campanha de adoção de tartarugas para obter recursos para a preservação.</P>
<P>
Quem adotar uma tartaruga paga uma taxa anual de R$ 45,00.</P>
<P>
Em troca, recebe uma camiseta, um "botton", um certificado e concorre a uma passagem para Fernando de Noronha ou praia do Forte, em Salvador, e passa a ter o direito de acompanhamento das ações do dia-a-dia do Ibama na preservação do animal. Os recursos vão para as bases do Tamar, clubes ecológicos, hortas comunitárias e na conquista de aliados na proteção da tartaruga.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-48969">
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
O corpo do sindicalista Oswaldo Cruz Júnior, assassinado no dia 6 de janeiro pelo cobrador José Benedito de Souza, o Zezé, foi exumado na manhã de ontem no cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo. A exumação, solicitada pelo promotor de Santo André, Marcelo Milani, foi coordenada pelo médico-legista Fortunato Badan Palhares.</P>
<P>
Palhares chegou ao cemitério às 8h acompanhado do médico-legista Antônio Noel Ribeiro. Após a exumação, o corpo foi levado para o pronto-socorro de São Bernardo, onde foram feitas várias radiografias. Em seguida o corpo foi transferido para o IML (Instituto Médico Legal) de São Bernardo.</P>
<P>
Segundo Palhares, as primeiras impressões são de que existe fratura no crânio do corpo de Cruz e fragmentos metálicos nos arcos costais (região do tórax). Após uma análise preliminar de três horas, Palhares disse que levaria para Campinas fragmentos ósseos do corpo para determinar a trajetória dos disparos e o número de balas que Cruz teria recebido."Não tenho condições de adiantar nenhuma conclusão. Só vou poder fazer isso daqui a 25 dias."</P>
<P>
Reconstituição</P>
<P>
A Polícia Civil de Santo André realizou ontem a reconstituição da morte de Cruz. O exame pericial contou com a presença de Zezé, José Carlos de Souza, o Carlinhos, única testemunha ocular do assassinato, e José Basílio dos Santos, que afirma ter visto Carlinhos barrar a fuga de Cruz.</P>
<P>
Zezé também foi interrogado ontem no Fórum de Santo André pelo juiz Luis Fernando Camargo de Barros Vidal pela morte do desempregado Maurílio Nunes, morto com quatro tiros em maio do ano passado em Santo André.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-21277">
<P>
Para ex-companheiro de Senna, resultado `é como um remédio para o que aconteceu nos últimos tempos'</P>
<P>
Do enviado especial</P>
<P>
"Essa vitória eu quero dedicar aos brasileiros que queriam ver Ayrton Senna vencendo na Williams", disse Damon Hill após a corrida de ontem.</P>
<P>
O piloto inglês foi o companheiro de equipe de Senna neste ano, até a corrida de Imola, onde o brasileiro morreu.</P>
<P>
"É triste saber que os brasileiros nunca viram seu ídolo ganhando pela Williamns, e nunca mais poderão ver", disse Hill, que ontem ganhou sua quarta prova na Fórmula 1.</P>
<P>
O piloto inglês esteve no Brasil para o enterro de Senna. "As pessoas que eu encontrei lá me disseram que queriam me ver vencendo, então eu mando essa vitória para os fãs de Ayrton, embora eu saiba que ninguém nunca poderá substituir Senna"', disse Hill.</P>
<P>
"Essa vitória é como um remédio para tudo o que aconteceu na equipe nos últimos tempos. Acho que precisávamos todos disso: uma prova realmente sensacional", continuou Hill.</P>
<P>
"Nós não vamos nos esquecer de Ayrton por muito tempo", disse ontem Frank Williams, o dono da escuderia que leva seu nome.</P>
<P>
"Essa vitória apenas ajuda a tornar as coisas menos difíceis para nós todos que trabalhamos com ele", afirmou ele.</P>
<P>
"Esse é um dia que estávamos todos querendo", disse Williams. Após reinar absoluta no mundo da F-1 nos últimos anos, a equipe não teve um bom começo de ano, obtendo ontem sua primeira vitória.</P>
<P>
Até agora, vinha sendo fraca a participação de Damon Hill na temporada. Depois de um segundo lugar no GP do Brasil, o piloto inglês não marcou pontos no GP do Pacífico.</P>
<P>
Em Imola, conseguiu um magro sexto lugar e não marcou pontos em Monaco. Com a vitória de ontem, passou ao segundo lugar no campeonato, com 17 pontos.</P>
<P>
A equipe pôde ainda comemorar a boa corrida de David Coulthard, o substituto de Senna. Apesar de um problema elétrico ter tirado o piloto da prova, ele conseguiu "mostrar serviço" em Barcelona.</P>
<P>
Na sua primeira prova, com um carro que não conhecia bem após as mudanças impostas pela FIA, largou em nono e esteve entre os seis primeiros enquanto participou da corrida.</P>
<P>
A vaga de Coulthard foi cogitada para ser entregue a Rubens Barrichello. O contrato do brasileiro com a Jordan inviabilizou o negócio, que seria excelente para Barrichello.</P>
<P>
Coulthard, ex-rival do brasileiro nas pistas, ajudou a tornar mais distante o sonho de Rubinho.</P>
<P>
Ainda ontem corria a informação de que Nélson Piquet poderia ir para a Williams. A notícia chegou a Frank Williams, que apenas deu uma risada.</P>
<P>
O caso não foi levado muito a sério pela maioria das pessoas, inclusive pilotos. </P>
<P>
(André Lahoz)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-19059">
<P>
A MacWorld, maior feira mundial para usuários Macintosh, consolida a tecnologia de escrita a mão da Apple</P>
<P>
SONIA ROMÉRIO</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Os críticos torceram o nariz, mas o Newton MessagePad, da Apple, conquistou o público e está na lista dos itens mais vendidos no final do ano nos EUA. Por ter problemas para "entender" as palavras escritas na tela, o Newton parecia destinado a engrossar a lista de tecnologias sem funcionalidade. Não é o que vem acontecendo.</P>
<P>
Os novos programas para Newton dividiram com os software para o chip PowerPC a atenção dos visitantes da MacWorld, maior feira mundial para usuários Macintosh, que aconteceu na semana passada nos EUA.</P>
<P>
Do tamanho de um bloco de anotações, o Newton integra a categoria dos PDA (assistentes pessoais digitais). Essas máquinas não só transformam o que você escreve na tela em letras tipográficas, como desempenham outras funções: arquivam telefones, notas, recados, podem ter programas de tradução, mapas e correio eletrônico, entre outros. São verdadeiros assistentes, só que digitais.</P>
<P>
Vendido por US$ 700, nos EUA, o Newton acaba de ganhar uma série de programas. "MobileCalc" (US$ 110, nos EUA) é uma planilha eletrônica que permite fazer análises financeiras, estatísticas, cálculos de engenharia e de matemática.</P>
<P>
"PresenterPad" (US$ 80, nos EUA) é um software que permite criar e monitorar encontros, apresentações e rascunhos de textos. Transforma o Newton em um teleprompter de mão.</P>
<P>
"Slate Daytimer" (US$ 100, nos EUA) funciona como uma lousa: organiza automaticamente todas as suas despesas com viagens, jantares, encontros, estacionamentos etc.</P>
<P>
"Money Magazine Business Forms" (US$ 30, nos EUA) vem com 12 modelos de formulários financeiros e permite o acesso a informações de planilhas eletrônicas instaladas no Newton. "Expense It" (US$ 119,98, nos EUA) cuida de todas as despesas pessoais e de negócios.</P>
<P>
"Fodor's '94 Travel Manager: Top U.S. Cities" (US$ 80, nos EUA) tem mapas e rotas de mais de 500 lugares por cidade, como aeroportos, shoppings, centros de informação e restaurantes.</P>
<P>
"Fortune 500 Guide to American Business" (US$ 70, nos EUA) tem dados das 500 maiores empresas segundo a revista "Fortune". Faz análise comparativa com dados até cinco anos da data.</P>
<P>
Para quem quer usar dados do computador do escritório, o "PocketCall" (US$ 129,98, nos EUA) cuida da conexão. Funciona como correio eletrônico e traz para o Newton as informações guardadas no micro da empresa.</P>
<P>
Na linha diversão há os programas "Dell Crossword Puzzles" (US$ 40, nos EUA), para os malucos por palavras cruzadas; "Mystery Capers" (US$ 60), com 40 jogos ilustrados com as cenas dos crimes; e "Fingertip for Golf" (US$ 135, nos EUA), para jogar golfe no computador.</P>
<P>
No Brasil, o Newton é vendido pela CompuSource, distribuidora Apple no país, por US$ 1.300. Os programas podem ser comprados por cartão de crédito internacional direto das lojas.</P>
<P>
ONDE ENCONTRAR</P>
<P>
COMPUSOURCE: tel. (011) 253-6711; MACCONNECTION: tel. (001-603) 446-3333, fax (001-603) 446-7791; MAC'S PLACE: fax (001-406) 758-8080; THE MAC ZONE: tel. (001-206) 883-3088, fax (001-206) 881-3421</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-93706">
<P>
Da Agência Folha e da Folha Vale </P>
<P>
As três estradas que dão acesso ao município de Eldorado (235 km de SP) foram interditadas às 14h de ontem devido às chuvas. A cidade está ilhada. O acesso passou ontem a ser feito por barcos.</P>
<P>
O prefeito, Donizete Antônio de Oliveira, 34, decretou estado de calamidade pública na última segunda. O rio Iguape, que corta a cidade, chegou ontem a 11,1 m acima do normal. As chuvas atingem a região há uma semana. Uma pessoa morreu afogada no sábado.</P>
<P>
Na maior enchente registrada em Eldorado, ocorrida em janeiro de 83, o nível do rio Iguape atingiu 11,4 metros acima do normal.</P>
<P>
A Defesa Civil do município informou que 1.600 dos 18 mil habitantes estão desabrigadas. Cerca de 30% das casas estão sem água potável. Os bairros mais atingidos, segundo o órgão, são da periferia.</P>
<P>
No Paraná, a cidade de Porto Amazonas, a 70 km de Curitiba, foi atingido durante a madrugada de ontem pelas águas do rio Iguaçu, deixando 400 desabrigados.</P>
<P>
O nível do rio era de 7,31 m, quase 3 m acima da cota de alerta. Três municípios estão desde ontem em estado de alerta. Em Curitiba e região metropolitana, a situação permaneceu inalterada. Desde as 5h da manhã de ontem não chove.</P>
<P>
Os 6.200 desabrigados da capital, de Pinhais e São José dos Pinhais não voltaram às suas casas.</P>
<P>
Em Santa Catarina, a cidade de Presidente Nereu (164 km de Florianópolis) decretou estado de calamidade pública por causa das chuvas. Outros sete municípios já declararam estado de emergência.</P>
<P>
Em Blumenau (140 km de Florianópolis), a prefeitura manteve o estado de alerta, após o nível da água do rio Itajaí-Açu começar a baixar. A cidade registrou duas mortes e 450 desabrigados. O prejuízo pode ser de R$ 2,5 milhões.</P>
<P>
Em Cuiabá, no Mato Grosso, três bairros deixaram ontem de receber fornecimento de água devido à enchente. Segundo o coordenador da Defesa Civil do Estado, Domingos Iglésias Valério, há 6.000 desabrigados em sete municípios banhados pelo rio Cuiabá.</P>
<P>
Em Mato Grosso do Sul, 695 pessoas estão desabrigadas nos municípios de Miranda, Anastácio e Bela Vista. Em Porto Murtinho, o prefeito disse que se o nível do rio Paraguai, que ontem atingiu 6,66, chegar a 9,50 m, vai decretar estado de calamidade pública.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71929">
<P>
Candidatura ao Plano Especial de Realojamento</P>
<P>
Loures quer renegociar acordo anterior</P>
<P>
A Câmara Municipal de Loures formalizou na quinta-feira, junto do Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE), a sua candidatura ao Programa Especial de Realojamento. O município pretende assim construir 4279 fogos, destinados a albergar a «totalidade» das famílias que, no concelho, vivem em barracas ou «similares».</P>
<P>
O programa proposto pela autarquia tem um prazo de execução de dez anos e representará um investimento da ordem dos 40 milhões de contos, qualquer coisa como 30 por cento dos orçamentos municipais. Porém, o montante a aplicar pela edilidade será muito superior se o Governo não aceitar a renegociação de um outro acordo, celebrado em Março do ano passado, entre a Câmara de Loures, a Junta Autónoma das Estradas, o Instituto Nacional da Habitação e o IGAPHE para erigir 2100 fogos.</P>
<P>
É que o enquadramento legal desse protocolo é anterior à publicação do Decreto-Lei 163/93, mais conhecido pela lei da erradicação total das barracas, e «as condições de financiamento são ainda mais penosas para as autarquias», na opinião de Demétrio Alves, presidente da Câmara de Loures. Enquanto a legislação anterior, ao abrigo da qual a autarquia celebrou o acordo para os 2100 fogos, prevê uma taxa de juro contratual de 17,85 por cento, as novas normas estabelecem uma taxa de 10,5. Também a bonificação é agora «mais simpática»: 10,5 por cento, contra os anteriores 7,8.</P>
<P>
Com o novo regime, o número de anos com prestações constantes passou de dez para 20 e o montante do financiamento, que conta para efeitos de taxa de endividamento, foi fixado em metade do anterior.</P>
<P>
Oposição renitente</P>
<P>
«Vamos insistir na convertibilidade do primeiro protocolo, porque não faz sentido estarmos condenados ao inferno da legislação antiga quando, pelo menos, temos a hipótese do purgatório da nova», adianta Demétrio Alves, na sequência de uma proposta da Junta Metropolitana de Lisboa que pretende a sobreposição de protocolos de acordo e adesão.</P>
<P>
Este órgão refere que os municípios que celebraram protocolos antes foram exactamente os que procuraram resolver os problemas de habitação social de forma mais célere, pelo que não serem abrangidos pelo novo regime, mais favorável, seria penalizar a sua maior eficácia.</P>
<P>
Também a oposição socialista tem dúvidas sobre o regime em que ficarão enquadrados os 2100 fogos anteriores. Sem saber se o contrato caduca ou é renegociado nem qual foi o critério de calendarização das construções, os vereadores do PS abstiveram-se na aprovação da candidatura ao Programa Especial de Realojamento e querem voltar a discutir, na câmara, o plano de pormenor. O socialista António Costa diz não compreender, por exemplo, por que é que o bairro de barracas do Talude Militar será objecto de realojamentos parcelares, primeiro em 1995 e, depois, em 2002.</P>
<P>
Demétrio Alves defende a sua proposta e sublinha que as prioridades de realojamento vão para as situações resultantes das grandes obras públicas, como é o caso da CRIL -- para este ano estão previstos apenas 36 realojamentos, situando-se o ritmo de construções e aquisições, a partir de 1995, numa média anual de 470 casas. O presidente da Câmara de Loures adverte ainda para o facto de este programa não admitir casos de realojamentos excepcionais: «As casas que serão construídas até ao ano 2004 já têm endereço e o levantamento já fechou.»</P>
<P>
Conhecendo a existência, em tribunal, de acções de despejo que abrangem cerca de mil famílias no concelho, o município vai passar a enviar notificações aos proprietários de terrenos e imóveis abandonados das situações de ocupação aí verificadas. Em estudo está, ainda, a possibilidade legal de a factura do realojamento ser enviada aos proprietários que consentirem a construção de barracas nos seus terrenos. Segundo o levantamento efectuado pela autarquia, 50 por cento das barracas existentes no município situam-se em terrenos do Estado e de empresas públicas.</P>
<P>
Vítor Faustino</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-42036">
<P>
Mais salvamentos no Nepal</P>
<P>
Equipas de salvamento evacuaram ontem no Nepal mais 56 «trekkers» (caminhantes de montanha), entre os quais 28 estrangeiros, que se encontravam presos na neve, e as autoridades garantem que outros, que se encontram ainda encurralados devido ao nevão, estão a salvo. Até à tarde foram já salvas 497 pessoas, entre as quais 221 estrangeiros, devido à forte tempestade de neve que atingiu a zona matando mais de 50 montanhistas. Entre os mortos há 20 estrangeiros, 16 japoneses, uma irlandesa, um alemão e dois outros corpos não identificados mas que serão europeus e se encontram na embaixada alemã em Katmandu.</P>
<P>
Execução no Missouri</P>
<P>
Foi ontem executado no estado norte-americano do Missouri, Robert Sidebottom, que há uma década espancara até à morte a sua própria avó de 74 anos. Sidebottom, 33 anos, foi executado com uma injecção letal após o Tribunal Supremo dos Estados Unidos ter recusado um derradeiro apelo. Numa declaração final, Sidebottom, que estava no corredor da morte há mais de oito anos, expressou o seu amor pelos pais e agradeceu a uma pessoa com quem se correspondia. «Obrigado por me fazeres sorrir. Vejo-te do outro lado.» Sidebottom foi o terceiro condenado a ser executado este ano no estado do Missouri.</P>
<P>
Haxixe apreendido em Málaga</P>
<P>
O Serviço de Vigilância Aduaneira (SVA) de Espanha deteve ontem, em Málaga, três tripulantes de uma lancha voadora suspeitos de envolvimento numa operação de tráfico de droga. Pouco tempo antes, o SVA havia confiscado cerca de três toneladas de resina de haxixe a bordo da traineira «Alberto». As autoridades suspeitam que a droga iria ser recolhida, na melhor oportunidade, pelos tripulantes (dois espanhóis e um marroquino) da lancha voadora.</P>
<P>
Defensor dos pobres preside bispos</P>
<P>
O bispo de Cleveland, Anthony Pilla, foi eleito para a presidência da Conferência Episcopal católica americana durante a assembleia plenária de Outono daquela estrutura. O bispo, com 63 anos e até agora vice-presidente da Conferência, é conhecido pelo seu compromisso em favor dos mais pobres e pela sua moderação num contexto eclesial fortemente dividido. O novo presidente dos bispos americanos foi eleito por 170 em 238 votos possíveis. Além da definição de uma estratégia nacional para as vocações sacerdotais, a agenda da reunião, que termina amanhã, prevê também o debate sobre o lugar da comunidade hispânica, que representa um terço da Igreja Católica. Os abusos sexuais do clero sobre as crianças, o «desmantelamento» que o Congresso americano pretende fazer do sistema de protecção social, a imigração e a questão racial são outros dos temas em agenda na reunião dos bispos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-779">
<P>
Schumacher elogia sua equipe e revela que aproveitou o pit stop porque não conseguia ultrapassar Senna</P>
<P>
JOSÉ HENRIQUE MARIANTE</P>
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Ele conseguiu. O alemão voador, Michael Schumacher, mostrou ontem, antes do esperado, que será de fato o rival de Ayrton Senna em 1994. Seu carro foi bem, sua equipe foi melhor e ele, o que sempre achou de si mesmo: perfeito. Venceu o GP Brasil, a primeira prova de um temporada que, depois do que aconteceu ontem em Interlagos, promete muito.</P>
<P>
Schumacher afirmou após a prova que a vitória não foi "surpresa". "Desde os testes do começo do ano, o carro prometia. Os treinos de sexta-feira e sábado também foram sinais de que poderíamos vencer", disse.</P>
<P>
Segundo o alemão, sua estratégia previa mesmo duas paradas. Na 21ª volta, quando ele e Ayrton entraram nos boxes, Schumacher disse que sua intenção era evitar o tráfego. Ele garantiu que não foi por causa de Senna. "Tivemos o mesmo pensamento", afirmou.</P>
<P>
Parado no pit, Schumacher diz que percebeu pelo espelho retrovisor de seu Benetton que poderia sair na frente de Senna. Quando o chefe de equipe o liberou, Schumacher deixou Senna para trás.</P>
<P>
Segundo o piloto, era essa sua única chance de ganhar. "Após a segunda ou terceira volta, percebi que a regulagem da minha asa não permitiria lutar na pista com a Williams. Tinha que dar um jeito de ficar na frente com os pits."</P>
<P>
"Ficando na frente, eu tinha condições de administrar a corrida", afirmou. Estava mais do que certo, pois Senna, ao contrário de encher seu tanque e ter o carro mais pesado, compensando os problemas de estabilidade da Williams, preferiu não deixar Schumacher sair muito na frente.</P>
<P>
Na 45ª volta, Schumacher abriu 9,2 segundos sobre Senna, que parou para fazer seu segundo pit. Schumacher aproveitou e fez o seu também, uma volta depois. Mas com o abandono de Senna, na 56ª volta, Schumacher não precisava mais se preocupar.</P>
<P>
"Naquela hora só pensei que poderia relaxar", disse sorrindo. "Não que eu estivesse sendo muito pressionado por Senna. Mas poderia, a partir deste momento, poupar carro, pneus e gasolina."</P>
<P>
Na volta final, quando só a maior das fatalidades poderia tirar sua terceira vitória na Fórmula 1, Schumacher foi cuidadoso ao ponto de não levantar as mãos para acenar para o público. "Fiquei com medo de tocar na chave geral, como aconteceu com o Nigel Mansell", brincou. Schumacher se referiu a besteira do piloto inglês que perdeu o GP do Canadá, em 91, por este motivo insólito.</P>
<P>
Schumacher fez questão de elogiar o motor Ford e sua equipe, "pelo excelente trabalho nos boxes". O próprio piloto, dias atrás, confiava que o trabalho nos boxes poderia ser crucial na corrida. "Em 93 fomos mais rápidos que a Williams. Isso pode nos beneficiar este ano", disse na ocasião.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="dav-522210">
<P>Como se chama o vocalista do grupo U2? </P>
<P>Com que idade morreu Elvis Presley? </P>
<P>Onde está a Estátua da Liberdade? </P>
<P>Em que cidade italiana fica o Coliseu? Em que cidade fica a Praça Navona? Onde é que foi construída em Itália a Villa Medici? </P>
<P>Que companhia britânica foi absorvida pela BMW em 1994? Quantos milhões de libras pagou a BMW pela Rover? Em que país foi construída a primeira fábrica da BMW no estrangeiro? </P>
<P>Quem foi eleito como primeiro presidente negro da África do Sul? </P>
<P>Como se chamava o vocalista dos Nirvana? </P>
<P>Que presidente dos Estados Unidos é que Francisco Durán tentou matar? </P>
<P>Que filho de um ex-presidente dos EUA foi eleito governador do Texas em 1994? </P>
<P>Para quantos Óscares foi nomeado "A Lista de Schindler"? </P>
<P>Quem recebeu o Óscar de Melhor Actor por «Forrest Gump»? </P>
<P>Como se chamava o autor de «Romeu e Julieta"? </P>
<P>Quantos pisos tem o Empire State Building? </P>
<P>Como se chama o patrão da Microsoft ? </P>
<P>Em que ano foi assassinado John F. Kennedy? </P>
 
<P>Com que actriz era casado Arthur Miller? </P>
<P>Que político era chanceler da Alemanha antes de Helmut Kohl? </P>
<P>Em que ano caiu o Muro de Berlim? </P>
<P>Qual a altura do Evereste? </P>
<P>Em que cidade francesa fica o Moulin Rouge? </P>
<P>Quando é que nasceu Franz Kafka? </P>
<P>Quando é que foi construída a Esfinge? </P>
<P>Quem escreveu o romance não-publicado "Cruz sem Amor"? </P>
<P>Em que cidade bávara fica a sede da Adidas AG? </P>
<P>O que é o Titanic? </P>
<P>Quem é o desenhador de Astérix e Obélix? </P>
<P>Quem é Albert Einstein? </P>
<P>Quem é o Godfather of Soul? </P>
<P>Quem é o marido da rainha Isabel II? </P>
<P>Quem é o chefe de estado da Austrália ? </P>
<P>Qual o verdadeiro nome de Romy Schneider? </P>
<P>Quando é que nasceu Aldous Huxley? </P>
<P>Como se chama o pai de Steffi Graf? Contra quem é que ela não jogou nas meias-finais de Roland Garros em 1994? </P>
<P>Quando é que Goethe fundou a Sociedade das Sextas? Em que ano assistiu ele à coroação do Imperador José II? Em que ano nasceu ele? Em que cidade é que ele morreu? </P>
<P>Quando foi criado o Prémio Schiller? </P>
<P>Que filme ganhou o Óscar em 1992 na categoria de Melhor Filme? </P>
<P>Quem foi o realizador de «E tudo o vento levou»? Em que ano recebeu ele o Óscar por «E tudo o vento levou»? Como se chamava a autora de "E tudo o vento levou"? </P>
<P>O que significa a sigla IRA? </P>
<P>Qual o significado da sigla NSUK? </P>
<P>De que grupo era vocalista Freddy Mercury? Em que ano morreu ele? </P>
<P>Quem foi o inventor da Coca Cola? Quando foi criada a Coca Cola? </P>
<P>Quem abriu o Baile da Opera de Viena? </P>
<P>Quantos estados membros tinha a UE em 1994? Em que cidade teve lugar a cimeira da UE que começou a 26 de Junho de 1995? Quantos estados membros tinha a UE em 1995? Que estados europeus aderiram à UE em 1995? </P>
<P>Rudy Giuliani era o presidente da câmara de que cidade americana? </P>
<P>Quando é que terá lugar a estreia de «O Fantasma da Ópera» de Andrew Lloyd Webber em Basileia? Que musical dele foi interpretado pelo coro ecuménico juvenil de Friedrichsdorf de 1994? Quanto dinheiro pagou ele por uma pintura de Picasso num leilão? Que musical de Andrew Llyod Webber foi interpretado em Essen em 1996? </P>
<P>Em que ano nasceu Christian von Holst em Gdansk? </P>
<P>Quem é Werner Herzog? </P>
<P>Em que cidade fica o Passeio da Fama? </P>
<P>Em quantos países foram transmitidas as Olimpíadas de Albertville ? </P>
<P>Qual era a alcunha de Al Capone? Quem era ele? Quando é que ele foi alvejado? Que idade tinha ele quando levou a sua família para Chicago? </P>
<P>Desde quando é que a Suíça é membro da UNESCO? Quem era a presidente do comité suíço da UNESCO em 1995? Quantos estados-membros tinha a organização em 1995? O prémio UNESCO da Paz é de quantos dólares? </P>
<P>Quem era o presidente do júri do 47º Festival Cinematográfico de Cannes? Que filme recebeu a Palma de Ouro no 47º Festival de Cannes? Quantos filmes competiam pela Palma de Ouro do 47º Festival de Cannes? Quem recebeu o prémio de melhor actriz no 47º Festival de Cannes? </P>
<P>Quantos golos é que o Pelé marcou na sua carreira? </P>
<P>Em que três categorias é que Whitney Houston ganhou o prémio Single por "I will always love you"? </P>
<P>O que é o Grammy? </P>
<P>Que autor foi o primeiro árabe galardoado com o Nobel da Literatura? </P>
<P>O que são os "Estudos sobre a Histeria"? </P>
<P>Quem foi o fundador da psicoanálise? </P>
<P>De que cidade é Friedensreich Hundertwasser? </P>
<P>Quando é que acabou a Guerra do Vietname? Quantos soldados é que os EUA tinham estacionados no Vietname durante a Guerra nos anos 60? Quantas pessoas morreram na Guerra do Vietname? Quem era presidente dos EUA quando a guerra chegou ao fim? </P>
<P>O que era Napola? </P>
<P>O que é Madame Tussaud? </P>
<P>O que é a Mona Lisa? </P>
<P>Quanto dinheiro ganhou «Parque Jurássico» de Steven Spielberg? </P>
<P>Quem escreveu "Mein Kampf"? </P>
<P>Quem é Helmut Newton? </P>
<P>Quando é que os japoneses atacaram Pearl Harbor? Quantos americanos morreram no ataque a Pearl Harbor a 7 de dezembro de 1941? </P>
<P>Que grupo ganhou o Festival da Eurovisão em Brighton em 1974? Quando é que teve lugar o primeiro Festival da Eurovisão? Onde é que teve lugar o primeiro Festival da Eurovisão? </P>
<P>Qual o significado da sigla UNICEF? Quando é que foi criada a UNICEF? Onde é que é a sede da UNICEF? </P>
<P>De que banda rock é vocalista Anthony Kiedis? O que é Stadium Arcadium? Diga três albuns da banda. </P>
<P>Quando é que teve lugar a primeira Love Parade? </P>
<P>Quando é que Audrey Hepburn e Mel Ferrer se casaram? Onde é que mora hoje o filho de Audrey Hepburn? De que organização é que ela foi nomeada embaixadora extraordinária? </P>
<P>Quem é que falou em Setembro de 1939 no 17º Congresso Internacional do PEN-clube sobre o problema da liberdade? </P>
<P>Diga três filmes de Martin Scorsese. Em que universidade é que ele estudou Cinematografia em 1960? Para quantos Óscares é que ele já foi nomeado? Quem é o autor da obra «A Última Tentação de Cristo»? </P>
<P>Quando é que foi fundada a Universidade de Santiago de Compostela? De que região espanhola é que Santiago é capital? Que organização nomeou Santiago de Compsotela Património Mundial em 1995? O que é a «Rota da Prata»? </P>
<P>Onde fica Hiroxima? Diga os oito bairros de Hiroxima. Qual a área total de Hiroxima? </P>
<P>O que é a CeBIT? Quantos exibidores tinha a CeBIT em 2005? </P>
<P>Quem realizou o filme «Morte em Veneza»? </P>
<P>Onde é que tem lugar a Semana Verde? </P>
<P>Quem era Herbert Erhardt? Quando foi construído o estádio do Malmö? Onde é que teve lugar o Campeonato do Mundo de Futebol de 1970? </P>
<P>Quando é que teve lugar a primeira Oktoberfest? Quantas pessoas morreram no atentado na Oktoberfest? </P>
<P>Quem é Henning Mankell? Como se chama o inspector da polícia no seu livro «Assassino sem rosto»? </P>
<P>Diga duas afiliadas da Volvo. Quando foi criada a Volvo Car Corporation? Quem foram os fundadores da Volvo? </P>
<P>Qual é a área do Pentâgono? Quantos lados têm o Pentâgono? </P>
<P>Que significa a sigla RAF? Quem era Rolf Heissler? Diga três membros da RAF. </P>
<P>Onde fica a Galeria dos Ofícios? O que é a Galeria dos Ofícios? </P>
<P>Qual é a altura do Monte Branco? Quando é que o Monte Branco foi escalado pela primeira vez? De que consiste o Monte Branco? </P>
<P>Qual o comprimento da alameda principal do Prater? O que e o "Wurstelprater"? Onde fica o Calafati? </P>
<P>Quando foi publicada a API Web do Google </P>
<P>Qual é o objectivo do Protocolo de Quioto? Diga três estados signatários do Protocolo. Quantos estados aderiram ao Protocolo de Quioto? </P>
<P>Quem é o líder da organização Pro Familia? Quantos membros têm a organização? </P>
<P>Qual é o pico mais alto de África? Quando é que foi criado o Parque Nacional do Kilimanjaro? De que material é feito o Kilimanjaro? </P>
<P>A que partido pertence Angela Merkel? Como se chama o irmão dela? Quem disse "Die multikulturelle Gegelllschaft ist gescheitert"?. </P>
<P>O que é uma Okiya? O que são hanamachi? Em que cidades japonesas ainda existem? </P>
<P>Quanto custou a construção da Torre Eiffel? </P>
<P>Quem é Samuel Hahnemann? Em homeopatia, como se que chama o processo de diluição? </P>
<P>Em quantos livros está dividido «O Senhor dos Anéis»? </P>
<P>Onde fica o Alhambra? </P>
<P>Onde fica a sede da Warner Bros.? Com que companhia se fundiu a Warner Bros. em 2000? </P>
<P>Que profissão praticou Gerhard Schröder e 1978 a 1990? Em que encontro ele foi representado por Chirac? Como se chama a quarta mulher dele? </P>
<P>Qual a profundidade do Grand Canyon? Como se chamam as três cataratas do Canyon? </P>
<P>Que marca fez Benetton famoso? </P>
<P>Onde fica o Carlton Center? </P>
<P>O que é Putuo? </P>
<P>Quando foi fundada a SEAT? A que companhia alemã pertence hoje a SEAT? </P>
<P>Em que concerto participaram os Coldplay a 2 de Julho de 2005? </P>
<P>Que idade tinha Cate Blanchett quando lhe morreu o pai? Qual foi o primeiro filme dela? </P>
<P>De que país é Peter Jackson? </P>
<P>O que significa viquingue? </P>
<P>O que é o Santo Ofício? Até quando existiu a Inquisição em França? </P>
<P>Como se chamava a mãe de Nero? </P>
<P>Isabel Allende é parente de que antigo presidente do Chile ? </P>
<P>Onde ficam as universidades de Yale e Harvard ? Qual é o maior estado da Nova Inglaterra? </P>
<P>Porque é que foi construída a Coluna da Vitória em Berlim? Como se chama a escultura de bronze que existe na Coluna da Vitória? </P>
<P>Quando é que morreu Alfred Hitchcock? Para onde é que ele emigrou em 1939? Como é que se chamava o seu primeiro filme americano? </P>
<P>Quem organiza o Carnaval do Rio? Qual é o comprimento da arena do Sambódromo?</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-47582">
<P>
Eis o que acontece quando os «ferries» de Istambul decidem fazer greve. O Bósforo, que separa a cidade em zona europeia e zona asiática, fica mais vazio e algumas embarcações privadas de recurso ficam muito mais cheias. Milhares de de trabalhadores da função pública fizeram esta semana greve em protesto contra insuficientes aumentos. Alheio à agitação nas águas mantém-se o museu Ayasofya (Santa Sofia), a maior catedral bizantina do mundo, construída pele Imperador Justiniano, e que mais tarde foi convertida em mesquita pelos Otomanos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-27996">
<P>
São Tomé e Príncipe</P>
<P>
O triunfo indiscutível de Carlos Graça</P>
<P>
Conceição Lima, em São Tomé</P>
<P>
Carlos Graça obteve uma grande vitória pessoal nas legislativas são-tomenses de domingo e o Presidente Miguel Trovoada saiu derrotado, dado que a formação a ele afecta não conseguiu mais do que 13 lugares numa Assembleia Nacional de 55.</P>
<P>
O secretário-geral do MLSTP/Partido Social Democrata, Carlos Graça, de 62 anos, admirador de Eça e de Pessoa, foi o vencedor incontestável das eleições antecipadas que há dois dias se realizaram em São Tomé e Príncipe, pois cumpriu em pleno aquilo que desde há três anos vinha a dizer: a sua formação voltaria a ser maioritária logo que o eleitorado tivesse uma nova oportunidade de ir às urnas.</P>
<P>
Segundo as projecções que ontem à tarde eram feitas tanto por aquele partido como pelo da Convergência Democrática (PCD), que o afastara do poder em Janeiro de 1991, o MLSTP/PSD deverá vir agora a ocupar 27 dos 55 lugares de deputado, indo 14 para o grupo que o Presidente Trovoada exonerou e 13 para a Acção Democrática Independente (ADI), trovoadista. A Coligação Democrática de Oposição (Codo) manteve o único lugar que tinha.</P>
<P>
Graça, um dos homens que lutaram pela independência de São Tomé e Príncipe, tal como Manuel Pinto da Costa e Miguel Trovoada, tem vindo a defender um Governo de Unidade Nacional, mas em face dos resultados obtidos (43 por cento dos votos expressos, aproximadamente) é de crer que o MLSTP fique com a parte de leão no futuro executivo, que poderá ter 10 ministérios.</P>
<P>
A ADI, com a qual os amigos de Miguel Trovoada conseguiram afastar do poder o PCD, que o ajudara a conquistar a chefia do Estado, manifestou-se já disponível para ocupar algumas pastas -- ministérios ou secretarias de Estado -- num previsível governo de Carlos Graça, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas a mesma condescendência não está a ser revelada pelos homens da Convergência Democrática, que durante três anos e meio procuraram protagonizar a Mudança que se seguiu ao regime de partido único. E que desta feita tendem a ficar como líderes da oposição.</P>
<P>
Os ministeriáveis</P>
<P>
Embora só depois da publicação oficial dos resultados finais das eleições de domingo, que tiveram uma abstenção a rondar os 50 por cento, é que o Presidente da República deva indigitar Graça para formar governo, começam já a aparecer os nomes de alguns ministeriáveis.</P>
<P>
Joaquim Rafael Branco, que foi ministro da Educação e embaixador tanto na ONU como em Washington, durante a I República, poderá muito bem ser agora o responsável pela política externa, num executivo basicamente MLSTP. Enquanto para a Defesa se alvitra Raul Bragança, que tinha esse pelouro antes das eleições gerais de 1991.</P>
<P>
Carlos Alberto Monteiro Dias da Graça, médico que assumiu há quatro anos a direcção do partido, quando o então Presidente Manuel Pinto da Costa decidiu retirar-se da política activa, pretende a aceleração do processo de privatizações, designadamente das grandes propriedades agrícolas, as roças, dinamização do sector produtivo e desenvolvimento do turismo e das pescas.</P>
<P>
Desde há largas décadas, as ilhas de São Tomé e do Príncipe têm vivido predominantemente da produção e exportação de cacau, mas as plantações estão velhas e esta matéria-prima perdeu grande parte do valor que antigamente tinha no mercado internacional. Por isso, desde há muito que se fala da necessidade de uma profunda reconversão económica, mas ainda ninguém foi capaz de a fazer, desde que o pequeno país se tornou independente, em 1975.</P>
<P>
[Entretanto, numa carta enviada ao PÚBLICO, o catedrático Armindo de Ceita, militante da Aliança Popular, partido que não conseguiu obter representatividade parlamentar, defende que a Assembleia Nacional deveria ter apenas 18 deputados, uma vez que a população do país não chega sequer aos 150 mil habitantes. E que houvesse somente três ministros, para se reduzir as despesas públicas: Assuntos Exteriores, Assuntos Económicos e Assuntos Sociais...].</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-36470">
<P>
Violada e queimada viva</P>
<P>
Uma auxiliar de saúde francesa, de 25 anos, viveu este fim de semana uma noite de horror : raptada na sexta-feira à noite perto de Estrasburgo, foi violada e queimada viva a 300 quilómetros de distância. A custo, conseguiu chegar a uma quinta e pedir socorro. Com sessenta por cento do corpo queimado, a jovem encontrava-se, ontem, no hospital, entre a vida e a morte. Segundo os primeiros elementos do inquérito, os agressores foram três homens que, chegados às proximidades de uma floresta, borrifaram a rapariga com uma essência, fizeram fogo e lançaram-se em fuga, depois de a terem violado. A polícia está agora a seguir todas as pistas para encontrar os agressores.</P>
<P>
Homicídios «em família»</P>
<P>
Oitenta por cento das vítimas de homicídio nos Estados Unidos são mortas pelos seus familiares ou por pessoas dos seus conhecimentos, segundo um estudo do departamento de Justiça intitulado «Morte em Família», publicado no domingo. Em 16 por cento dos casos, as vítimas são parentes do assassino. Em 64 por cento dos casos, conhecem o seu agressor. São sobretudo os casais, os protagonistas dos homicídios cometido no interior da família. Este estudo aponta para 41 por cento de casos. Os números revelam que os maridos matam mais as mulheres do que o contrário. Os homicídios em família são cometidos sobretudo à noite, em casa e, em 48 por cento dos casos, o autor da morte encontrava-se sob o efeito do álcool. Em 57 por cento dos casos, os autores da morte de crianças com menos de 12 anos, são os seus próprios pais. Estas conclusões baseiam-se num estudo de 8.063 homicídios cometidos nas cidades e julgados em 1988.</P>
<P>
Cheias matam nos Estados Unidos</P>
<P>
As inundações que já causaram a morte de 28 pessoas no sul dos Estados Unidos, ameaçavam ontem uma fábrica de adubos, contendo produtos químicos, em Bainbridge, no sudoeste da Georgia, de onde foram retiradas três mil pessoas. O número de vítimas aumentou com com a descoberta dos corpos de um homem e de uma criança de três anos, no domingo à tarde, a cerca de 150 quilómetros ao norte de Americus onde as inundações provocaram 15 mortos. Entre sexta-feira e domingo, o nível do Flint, um dos principais rios da região, aumentou três metros em Bainbridge e deverá aumentar outros três metros até quarta-feira.</P>
<P>
Presos em greve na Grécia</P>
<P>
Cerca de 500 reclusos da prisão de Atenas, Korydallos, iniciaram, no domingo, uma greve da fome, depois de vários dias de agitação em protesto contra as condições de detenção. Os presos, um terço dos detidos de Korydallos, que se manifestaram durante várias horas no pátio antes de regressarem às suas celas, recusavam desde a segunda-feira passada, comer no refeitório da cadeia. Protestam contra a lentidão das autoridades judiciárias e penitenciárias de aplicarem uma lei recente que reduz o regime das concessões de liberdade condicional e limita a aplicação da prisão preventiva. Protestam também contra as condições de vida na cadeia e contra o comportamento dos guardas.</P>
<P>
Radares escondidos nas estradas</P>
<P>
As estradas espanholas começaram ontem a ser vigiadas por radares escondidos em automóveis da polícia não identificados. A Direcção-Geral de Trânsito anunciou ter colocado em circulação, numa primeira fase, 75 radares. Os polícias de trânsito advertiram que, a partir de agora, qualquer veículo que circule pelas estradas do país pode estar a fiscalizar o tráfego. Os novos radares permitem também detectar e fotografar os excessos de velocidade dos automóveis que circulam em sentido contrário.</P>
<P>
EUA descriminam imigrantes</P>
<P>
O conselheiro especial do Presidente Bill Clinton para o Haiti, William Gray, admitiu, no domingo, que a diferença de tratamento entre os refugiados haitianos e cubanos, podendo apenas estes últimos pedir asilo directamente em território americano, pode atribuír-se, pelo menos em parte, à sua cor. «Não vou combater esse argumento já que penso que há algo de verdade nestas afirmações», respondeu Gray a um jornalista da cadeia de televisão ABC que o entrevistava. «Sempre houve uma distinção em relação aos grupos de imigrantes admitidos neste país», disse. Os Estados Unidos recebem os directamente os imigrantes cubanos mas exigem que os haitianos peçam asilo político através de um terceiro país.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-81136">
<P>
Estudante de 14 anos é mordido no pé no litoral paulista e especialista afirma que 'todas as características são de tubarão'</P>
<P>
MARCUS FERNANDES</P>
<P>
Da Agência Folha</P>
<P>
O estudante Alexandre Nascimento Martins, 14, diz ter sido mordido por um animal que julga ser um tubarão às 14h de terça-feira, na praia do José Menino, em Santos (SP). Segundo o biólogo Otto Bismarck Gadig, 32, especialista em tubarões da Universidade Federal da Paraíba, "a mordida no pé esquerdo do menino tem todas as características de ter sido feita por um tubarão".</P>
<P>
Gadig está de férias em Santos e visitou a vítima, que mora no bairro de Campo Grande. Ele é representante no Brasil do Museu Estadual da Flórida (EUA), que cataloga ataques de tubarões no mundo. "Na região da Baixada Santista, temos registrados quatro ataques de tubarões desde 1976, incluindo uma morte", disse o biólogo.</P>
<P>
Segundo Gadig, Martins teria sido a quinta vítima na região a sofrer ferimentos provocados por tubarões. O adolescente levou 14 pontos no pé esquerdo. Ele foi atendido no Pronto-Socorro Central de Santos, pelo médico Valter Nakagawa Makoto, 40.</P>
<P>
"A possibilidade de o ferimento ter sido provocado por um animal marinho é grande. Mas não posso ter certeza absoluta", afirmou Makoto. De acordo com o salva-vidas Marcos Antonio Xavier da Silva, 28, que retirou Martins da água, "um surfista que estava no local na hora do acidente disse ter visto tubarões. Eu não vi nada,"</P>
<P>
Martins, que foi liberado pelos médicos e se recupera em sua casa, disse que foi mordido por um "peixe cinza, que tinha uma barbatana na parte de cima do corpo". Ele afirmou que estava a uma profundidade de 1,5 m quando sentiu "uma dor aguda no pé esquerdo".</P>
<P>
Nesse momento, o menino afirma que levantou o pé para ver o que tinha ocorrido. "O peixe ainda estava preso ao meu pé. Parecia ser um tubarão. Ele tinha a pele muito áspera", disse. Com as mãos, Martins "empurrou" o animal e nadou até a beira d'água.</P>
<P>
Gadig diz que "foi um tubarão de pequeno porte" -cerca de 1,5 metro- que atacou MArtins. Às 19h de ontem, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Santos informou que irá designar um médico e um biólogo para visitar Martins. Após a análise dos profissionais, a prefeitura divulgará as medidas a serem tomadas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-7066">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
O presidente deposto e líder rebelde da Geórgia, Zviad Gamsakhúrdia, 54, teria cometido suicídio ao ser cercado por inimigos, disse ontem a agência russa "Interfax". Segundo a mulher do líder georgiano, Manana, ele se matou no dia 31 de dezembro, no oeste da ex-república soviética. Não há confirmação independete da morte.</P>
<P>
A assessoria de Gamsakhúrdia divulgou uma declaração que ele teria feito pouco antes de morrer. "(Eu) cometo esse ato com a mente sã, como um protesto contra o atual regime da Geórgia."</P>
<P>
O governo da Geórgia disse que Gamsakhúrdia teria sido baleado em 30 de dezembro e poderia ter morrido ontem, mas o "serviço de inteligência suspeita que os rumores foram iniciados para levantar sua causa".</P>
<P>
Gamsakhúrdia, o mais importante líder oposicionista da Geórgia durante o regime soviético, foi eleito presidente em maio de 91. Em janeiro de 92 foi derrubado por uma coalizão militar. Pouco depois, assumiu o ex-chanceler da URSS Eduard Chevardnadze.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55279">
<P>
Causas do acidente ainda são desconhecidas; Ministério dos Transportes fala em bomba</P>
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
Todos os 75 passageiros que viajavam a bordo de um Airbus da companhia russa Aeroflot morreram quando o avião caiu nas montanhas próximas a Novokuznetsk (3.750 km a leste de Moscou), na Sibéria, abrindo uma clareira de 80 metros na floresta.</P>
<P>
O aparelho voava entre Moscou e Hong Kong quando desapareceu de repente das telas do radar da companhia às 23h49 (14h49 de Brasília) de anteontem, depois de quatro horas de vôo.</P>
<P>
Ainda não existem pistas da causa do acidente. Equipes de resgate, que só conseguiram chegar ao local de helicóptero ou de esqui, encontraram destroços do avião e nenhum sobrevivente, segundo o Ministério da Defesa. As buscas foram suspensas no início da noite de ontem.</P>
<P>
Imagens de uma emissora de TV russa mostraram a área, coberta por destroços e objetos pessoais das vítimas. Vários corpos podiam ser vistos sobre a neve.</P>
<P>
Um alto funcionário do Ministério dos Transportes disse à TV que o acidente só pode ter acontecido por causa de uma despressurização súbita devida a uma possível explosão a bordo ou a uma colisão com um objeto fora do avião.</P>
<P>
"Especialistas consideram altamente suspeito o silêncio da tripulação por 19 minutos quando o avião caiu vertiginosamente de uma altura de mais de 10 mil metros", disse a emissora.</P>
<P>
O chefe do sistema de controle de tráfico aéreo da Rússia, Dimitri Polkanov, descartou a possibilidade de uma bomba ter causado o acidente. "Nossa primeira suposição é um defeito no sistema do avião ", disse.</P>
<P>
Segundo Alexander Banov, funcionário do comitê de Situações de Emergência, as causas do acidente só serão conhecidas dentro de dez dias, quando terminarem os trabalhos da equipe de investigação.</P>
<P>
Foi o segundo desastre aéreo do ano na região siberiana. No dia 3 de janeiro, a queda de um Tupolev Tu-154 de uma companhia doméstica deixou 120 mortos. Foi também o primeiro desastre da Aeroflot em linhas internacionais desde 1986, quando 70 pessoas morreram na queda de um avião em Berlim. A tragédia reacendeu temores sobre a segurança aérea na Rússia. O controle da segurança no aeroporto internacional de Moscou foi mais rigoroso ontem.</P>
<P>
A Airbus Industrie, consórcio que construiu o avião, disse ontem na França que vai enviar uma equipe de escpecialistas à Sibéria para investigar o acidente. Dentro do Airbus, com capacidade para 185 pessoas, viajavam 17 chineses, 4 britânicos, 1 norte-americano e 1 indiano.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33115">
<P>
Ulster</P>
<P>
Uma carta «construtiva» para Major</P>
<P>
O PRESIDENTE norte-americano, Bill Clinton, enviou uma carta «construtiva» a John Major, em resposta ao protesto do primeiro-ministro britânico pela concessão de um visto de entrada nos EUA a Gerry Adams, dirigente do Sinn Fein, partido que representa o Exército Republicano Irlandês (IRA).</P>
<P>
Major pediu a Clinton que pressione Adams a avançar com o plano de desarmamento do IRA. Um processo que, tem insistido, é crucial para a presença do Sinn Fein nas futuras negociações multipartidárias sobre o futuro da Irlanda do Norte.</P>
<P>
Não foi revelado o conteúdo da carta, mas fontes próximas de Major garantem que Clinton acedeu ao pedido, ao apoiar os comentários a favor do desarmamento feitos por membros do Departamento de Estado. O secretário de Estado-adjunto, Richard Holbrook, defendeu no Congresso que o IRA deve começar a entregar as armas. E, ontem, o conselheiro da Casa Branca para a Segurança Nacional, Anthony Lake, num encontro de meia hora com Adams, pressionou o líder do Sinn Fein para que avance rapidamente para a discussão do desarmamento do IRA com as autoridades britânicas.</P>
<P>
A carta de Clinton poderá ter normalizado os laços entre Londres e Washington, que azedaram com a concessão de mais um visto de entrada nos EUA a Adams. Mas o caso denunciou que as relações bilaterais são agora bastante mais formais e frias do que na época da «relação especial» entre Ronald Reagan e Margaret Thatcher.</P>
<P>
Ex-Jugoslávia</P>
<P>
NATO prepara «Esforço Determinado»</P>
<P>
A NATO poderá enviar cerca de 70 mil soldados para os Balcãs, no âmbito de uma operação denominada «Esforço Determinado», caso seja necessário proceder à retirada dos 24 mil capacetes azuis estacionados na ex-Jugoslávia. Este plano, que, pela primeira vez, poderá incluir o envio de tropas alemãs para um território ocupado pelos exércitos nazis durante a II Guerra Mundial, foi ontem analisado em Bruxelas pelos dirigentes políticos da Aliança Atlântica.</P>
<P>
Para chefiar a Operação «Esforço Determinado» foi designado o almirante norte-americano Leighton Smith, responsável pelo comando sul da NATO em Nápoles, coadjuvado pelo general francês Bernard Janvier, responsável pelas tropas da ONU na ex-Jugoslávia.</P>
<P>
Entretanto, chegou ontem aos EUA o Presidente croata, Franjo Tudjman, para conversações com a Administração americana e as Nações Unidas sobre o novo mandato dos capacetes azuis no seu país. O gabinete de Tudjman informou que o Presidente vai também participar numa cerimónia que assinala o primeiro aniversário da federação croato-muçulmana na Bósnia, um acordo efectuado com o patrocínio político de Washington.</P>
<P>
Cazaquistão</P>
<P>
Deputados em greve de fome</P>
<P>
OS DEPUTADOS do Cazaquistão entraram em greve de fome para obrigar o Presidente Nursultan Nazarbaiev a anular a dissolução do Parlamento, decidida no sábado depois de o Tribunal Constitucional ter anulado as eleições de 1994, considerando que houve fraudes.</P>
<P>
Desafiando o Presidente -- que concentrou em si todos os poderes até às eleições, ainda sem data marcada --, os deputados formaram um parlamento rebelde, a Assembleia dos Deputados e do Povo, presidido por Suleimanov. Os grevistas consideraram a dissolução uma manobra de Nazarbaiev para se livrar dos que contestam cada vez mais o seu regime «ditatorial». «Nazarbaiev quer ser o Xá do Cazaquistão», acusou Oljas Suleimanov, poeta e fundador do movimento ecologista Nevada.</P>
<P>
Inicialmente, quase todos os 177 deputados do Parlamento dissolvido permaneceram dentro do edifício, em Almati, a capital. Mas ontem, já só eram 130, depois de alguns terem «desertado» temendo uma possível reacção do Presidente. Segundo a France-Presse, os deputados não têm meios de resistência e a ocupação do imóvel poderá terminar a qualquer momento.</P>
<P>
Os deputados garantem que usaram apenas meios legais para defender o Parlamento. Pelo que, para endurecer a sua luta, optaram pela greve da fome, explicou Marat Inachevitch, do Congresso do Povo, o maior partido da oposição democrática. Cem deles vão jejuar durante três dias, mas sete afirmam estar dispostos a «ir até ao fim». Suleimanov, por exemplo, garantiu que vai jejuar até morrer se Nazarbaiev não anular a dissolução.</P>
<P>
Azerbaijão</P>
<P>
Polícias de elite contra o Presidente</P>
<P>
A MAIS poderosa força de elite da Polícia do Azerbaijão, a OPON, ameaçou ontem ocupar a capital do país, Baku, e forçar o Presidente Gaidar Aliev a demitir-se, caso não seja anulada a ordem de extinção da unidade.</P>
<P>
A OPON constituía a grande força policial de apoio ao regime de Aliev, mas foi oficialmente extinta na terça-feira pelo ministro do Interior, Ramil Oussubov. Este argumentou que a unidade se tornou «incontrolável» e uma ameaça à estabilidade interna, além de que tinha relações com organizações criminosas e se especializara no tráfego de matérias-primas «estratégicas» para a economia.</P>
<P>
A crise eclodiu, aparentemente, devido à forte rivalidade entre as unidades de elite da Polícia azerbaijana. Uma delas terá denunciado que a OPON se preparava para vender ao estrangeiro várias toneladas de cobre.</P>
<P>
Desde a independência do país, em 1991, que o Azerbaijão vive uma situação de instabilidade permanente, devido a sucessivos golpes de Estado, à guerra no Nagorno-Karabakh (um enclave arménio no seu território), onde o cessar-fogo é débil, e ainda por causa dos frequentes motins entre unidades de elite da Polícia, constantemente em guerra nas ruas de Baku e de outras cidades.</P>
<P>
O comando da OPON recusou entregar as armas e, na terça-feira, ocupou os edifícios administrativos em duas cidades do Noroeste, Kazakh e Akstafa, não longe da fronteira com a Arménia. O Exército foi chamado a intervir e, nos confrontos, morreram duas pessoas. Ontem, o Exército cercou o edifício do estado-maior da OPON, em Baku, mas a situação era calma.</P>
<P>
Receando que esta insurreição possa atingir contornos de golpe de Estado, Aliev desistiu de participar numa cimeira de países muçulmanos em Islamabad. A situação actual assemelha-se à vivida em Outubro de 1994, quando unidades de elite da Polícia se amotinaram depois de terem sido acusadas de envolvimento na morte de três colaboradores de Aliev. Durante a crise, o então primeiro-ministro, Surrat Gusseinov, tentou um golpe de Estado que fracassou.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-63250">
<P>
VANESSA DE SÁ</P>
<P>
Free-lance para a Folha </P>
<P>
Mais de 110 horas embaixo da água, 204 "encontros com tubarões de 21 espécies. A viagem que levou o brasileiro Lawrence Wahba, 26, a mergulhar nos três oceanos (veja quadro abaixo) durante quatro meses foi mais do que uma grande aventura que muita gente chamaria de "maluquice.</P>
<P>
Wahba partiu em busca dos grandes tubarões do planeta para documentar de perto o comportamento desses animais.</P>
<P>
O resultado desse trabalho são filmes que chegam à televisão em breve.</P>
<P>
"Quis mostrar que eles têm enorme importância para o ecossistema marinho e que estão integrados a seu meio, diz.</P>
<P>
Uma das mais arriscadas etapas da viagem foi o encontro com o tubarão branco.</P>
<P>
A espécie, que ganhou fama de "assassina desde o filme "Tubarão, de Steven Spielberg, em 1975, é chamada pelos australianos de "white death (morte branca).</P>
<P>
"Mas os ataques não acontecem à toa. Como não têm mãos, eles exploram tudo com a boca, além de confundirem um mergulhador com leões marinhos, seu alimento, diz Wahba, que os filmou abrigado em uma gaiola.</P>
<P>
Wahba foi o primeiro brasileiro a participar de uma expedição no Falie, barco que o ex-campeão de mergulho australiano Rodney Fox usa para expedições, para documentá-lo na Austrália.</P>
<P>
Fox, 56, tinha 23 anos quando foi atacado pelo animal. Depois de ter levado mais de cem pontos, dirigindo as sequências submarinas do filme de Spielberg, hoje é um dos maiores defensores da espécie, ameaçada de extinção.</P>
<P>
Mas nem todas as etapas da viagem poderiam ser chamadas de perigosas.</P>
<P>
Prova disso é que em Cape Range (golfo de Exmouth, no oceano Índico), Wahba foi "salvo por um tubarão baleia.</P>
<P>
"Mergulhei para vê-los, quando percebi que um `silver-tip' (tubarão ponta de prata) vinha do fundo em minha direção. Quando segurei a cauda de um tubarão baleia, o outro acabou se `assustando'. Acabei pegando carona com o baleia por quase dez minutos.</P>
<P>
Espírito de tubarão </P>
<P>
Em Kontu (Papua Nova Guiné), tubarões são mais do que um animais que impõem respeito. Diz a tradição que eles guardam o espírito dos ancestrais.</P>
<P>
"Alguns homens da aldeia têm a função de `chamadores' de tubarão, diz Wahba.</P>
<P>
Saem sozinhos, sem falar com ninguém, em uma pequena canoa para mar aberto. Lá, jogam um pedra para acordar o espírito do tubarão e mexem um chocalho que lembra o som de uma lagosta.</P>
<P>
"Quando o tubarão se aproxima, o pegam pelo rabo e matam com um porrete. A carne é repartida por todos da tribo, que comem também os órgãos internos."</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83945">
<P>
Ilha do Pico</P>
<P>
A vizinha protegida e a montanha</P>
<P>
Estamos na cidade da Horta, ilha do Faial, e a vizinhança das ilhas do Pico e de São Jorge -- sobretudo da primeira -- atenua a sensação de isolamento. O que aqui se vive tem um outro nome. Insularidade. Palavrão, percebe-se agora, que não é um álibi para extorquir dinheiro aos cofres do Estado. Todos os dias vemos desembarcarem na Horta pessoas que moram no Pico, para cumprir um horário de trabalho. Dir-se-ia que entre Montijo ou Almada e Lisboa se passa exactamente o mesmo. Mas, não desfazendo, este mar não é o Tejo e os milhares de pessoas que se dirigem à capital permitem investimentos que na travessia do canal não seriam rentáveis.</P>
<P>
Não é, no entanto, para nos metermos nestas tramas que viemos aqui parar. A proposta é bem mais prosaica: conhecer em três ou quatro dias o que de mais fascinante têm as gentes e as paisagens desta zona do arquipélago.</P>
<P>
O nosso ponto de partida é a cidade da Horta, cosmopolita, na aparência colorida e poliglota que lhe emprestam muitas centenas de iates. O Café do Peter retém mensagens que meses, senão anos, depois chegam ao seu destinatário, a esplanada do Clube Naval regista histórias que nenhum romancista desdenharia ter imaginado, os passeios pela longa marginal dão a relações de poucas horas uma cumplicidade e uma consistência que muitos anos de convívio não atingem. Isto não acontece apenas porque o promontório do Monte da Guia e a sólida ponta da Espalamaca amestram o mar que mais adiante se insurge contra os barcos, permitindo nesta enseada o descanso e o reabastecimento aos navegadores solitários. O Pico, ilha feita montanha, observa cada passo de cada pessoa, como que fazendo o papel de um avô complacente perante as aventuras dos seus netos.</P>
<P>
Nestes dias, neste ambiente, recomenda-nos alguém que já o fez, deve ler-se a obra de Vitorino Nemésio, particularmente o «Mau Tempo no Canal». Os cheiros, as expressões populares, os comportamentos, o cruzamento de nacionalidades, a intriga forjada numa porosidade social natural contra a qual lutam algumas famílias, a Margarida, essa enorme figura que Nemésio eleva a símbolo universal da mulher e do amor, tudo isto se transpõe das páginas do livro para as sensações e diálogos que no dia-a-dia nos esperam.</P>
<P>
Chega de pistas quanto à Horta e ao Faial. Partamos para o Pico, onde mais tarde alcançaremos o objectivo de estar no ponto mais alto do Atlântico. É sabido que ao longo de décadas o desafio da baleia (vale a pena reler «O Velho e o Mar» de Ernest Hemingway) talhou na carne e no carácter os picarotos. É comum ouvir aqui a expressão do orgulho desta gente: «Temos mais medo de um cão que duma baleia.» Mas o traço de carácter deste povo define-o ainda Nemésio no seu «O Mistério do Paço do Milhafre»: «A nata do insulano, que extrai das lavas e das plagas uma existência digna e alegre.» Uma gente sempre pronta «para uma cana de leme como para um báculo de bispo no Padroado do Oriente».</P>
<P>
O vetusto Pico ali está, à nossa espera: «Aquela Terra Santa, aproada a sueste e carregada de vinhas, de baldios, de barcos de boca aberta, de bofage e de escalho de baleia, com gente ainda a pé, mães ainda firmes e belas, para lá do oitavo filho, velhos com barba de metro (...) tudo isto debaixo de 3000 metros de `mistério' coroados de uma agulha de neve.»</P>
</DOC>

<DOC DOCID="dav-833351">
<P>Que percentagem do orçamento da União Europeia se destina à agricultura? </P>
<P>Quantos países são oficialmente candidatos à adesão à Otan? </P>
<P>Que sinfonia compôs Beethoven em 1824? </P>
<P>Que país não é membro da ONU? </P>
<P>Quem se pensa ter participado na tentativa de assassínio de Juan Carlos em 1995? </P>
<P>Quem era o pai de Isabel II? </P>
<P>Quem foi chanceler da Alemanha de 1974 a 1982? </P>
<P>Quando ocorreu a coroação oficial de Isabel II? </P>
<P>Em que ano foi proposta pela primeira vez a "Parceria para a Paz"? </P>
<P>Quem comandou a Insurreição de Varsóvia? </P>
<P>Quem escreveu a epopeia fantástica "O Senhor dos Anéis"? </P>
<P>Como se chama a mulher de George H. W. Bush? </P>
<P>Como se chama a primeira mulher a escalar o Evereste sem máscara de oxigénio? </P>
<P>Quem ficou conhecido como o "chanceler de ferro"? </P>
<P>Em que ano foi assassinado Martin Luther King? </P>
<P>Em que cidade nasceu Wolfgang Amadeus Mozart? </P>
<P>Quantos estados tem a Alemanha? </P>
<P>Quem é Stephen Hawking? </P>
<P>O que é o hapkido? </P>
<P>Quem se tornou chanceler após ter sido ministro-presidente da Renânia-Palatinado ? </P>
<P>Que rei morreu em 1718? </P>
<P>Em que ano morreu Charles de Gaulle? </P>
<P>Qual é a altura da Torre Eiffel? </P>
<P>O que é o top quark? </P>
<P>De acordo com o modelo "standard", quais são as três partículas elementares da física? </P>
<P>Que proporção do leite vendido é usado com cereais ao pequeno-almoço? </P>
<P>Em que ano teve lugar o Desembarque da Normandia? </P>
<P>Quando foi assinada a "Convenção de Basileia sobre o Controlo de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos"? </P>
<P>A que se refere o termo "Les Six" em música? </P>
<P>A quem pertencia Nice de 1814 a 1860? </P>
<P>Qual é a sigla da Administração Federal de Aviação? </P>
<P>O que é o GI Joe? </P>
<P>Qual a estrutura cujo afundamento causou controvérsia na cimeira dos G7 em Halifax? </P>
<P>Quem foi Alexander Graham Bell? </P>
<P>Quem é Danuta Walesa? </P>
<P>Quem é Vigdís Finnbogadóttir? </P>
<P>Quem eram os cossacos? </P>
<P>O que é o ECU verde? </P>
<P>O que é o dracma? </P>
<P>Quem preside à RAI? </P>
<P>Quem é o director de operações da NASA? </P>
<P>Em que ano se afundou o Titanic? </P>
<P>Em que data é que os Estados Unidos invadiram o Haiti? </P>
<P>Em que ano foi a Revolução de Outubro? </P>
<P>Em que ano ocorreu a retirada de Dunquerque? </P>
<P>Onde é a sede da Interpol? </P>
<P>Onde é que Braque e Picasso trabalharam juntos? </P>
<P>De que organização era Sergio Balanzino secretário-geral? </P>
<P>De que estúdio cinematográfico foi Cedric Gibbons director artístico? </P>
<P>Quantos habitantes tem Longyearbyen? </P>
<P>Qual o principal componente da aspirina? </P>
<P>Com que bicicleta bateu Miguel Induráin o recorde da hora? </P>
<P>Quem venceu a Volta a França em 1988? </P>
<P>A que organização aderiu a Grécia em 1952? </P>
<P>Quantos países visitou Nixon entre 1953 e 1959? </P>
<P>Que cargo ocupava François Mitterrand ao ingressar no hospital de Cochin ? </P>
<P>Quais são as três repúblicas bálticas? </P>
<P>Quais são as três repúblicas soviéticas eslavas? </P>
<P>O que é o Challenger? </P>
<P>Quem é Ernesto Zedillo Ponce de León? </P>
<P>Quem era primeiro-ministro britânico antes de John Major? </P>
<P>Quem é Boris Becker? </P>
<P>Em que filme de Kevin Reynolds actuou Kevin Costner? </P>
<P>Onde se realizaram os Jogos Olímpicos de 1993 ? </P>
<P>Que tipo de bombas foram usadas pelo IRA no ataque a Heathrow em 1994? </P>
<P>O que é um Chinook? </P>
<P>Quem é o presidente do Egipto ? </P>
<P>Onde morreu Kurt Cobain? </P>
<P>Quantos telespectadores seguiram a final do Campeonato do Mundo de Futebol de 1994 ? </P>
<P>O que é o KMT? </P>
<P>Que cromossoma está na origem do mongolismo? </P>
<P>Quem era presidente da Chechénia em 1994? </P>
<P>Quem foi o primeiro homem na Lua? </P>
<P>A que partido pertence Mahfoudh Nahnah? </P>
<P>Diga o nome de um filme realizado por Claude Lanzmann? </P>
<P>Onde fica a cidadezinha de Neftegorsk? </P>
<P>De que grupo é presidente Claude Bébéar? </P>
<P>Quem é Jacques Diouf? </P>
<P>O que significa NLW? </P>
<P>O que é a Parceria para a Paz? </P>
<P>A que partido pertence Petru Luchinski? </P>
<P>Que festival de cinema atribui o "Urso de Ouro"? </P>
<P>Quem é o diretor do filme "Caro Diário"? </P>
<P>O que é a UNHCR? </P>
<P>Que valor adjudicou o Canadá para a remoção das armas atómicas ucranianas? </P>
<P>Onde é que morreu Ayrton Senna? </P>
<P>Em que país foi aprovada uma lei que proíbe a publicidade ao tabaco? </P>
<P>Onde ocorreram casos de febre aftosa? </P>
<P>Quando aderirão à  União Europeia a Áustria, a Suécia e a Finlândia? </P>
<P>Que estúdio produziu o filme "Toy Story"? </P>
<P>Qual é a terceira maior cidade da Baviera? </P>
<P>Quem era o capitão do Ajax em 1994? </P>
<P>O que são os otakus? </P>
<P>O que é o CD-i? </P>
<P>Em que cidade é que Nietzsche escreveu "Ecce Homo"? </P>
<P>Quando viveu Ludwig Wittgenstein? </P>
<P>Quem foi votado o futebolista do ano na Bélgica em 1995? </P>
<P>Onde é a nova sede da Nederlandse Gasunie? </P>
<P>Em que museu foi exibida em 1994 uma exposição sobre Mondriaan? </P>
<P>Quando foram as Antilhas Holandesas legalmente equiparadas aos Países Baixos? </P>
<P>Descreva o World Trade Center. </P>
<P>O que é um samovar? </P>
<P>O que é a Bundesgrenzschutz? </P>
<P>O que é a Generalitat? </P>
<P>O que é a Iaaf? </P>
<P>Quem eram os pictos? </P>
<P>O que era o Granma? </P>
<P>O que é "Margarita e o Mestre"? </P>
<P>O que é Nauru? </P>
<P>O que é Roque Santeiro? </P>
<P>O que é a Mona Lisa? </P>
<P>O que é a cachupa? </P>
<P>O que é a Marselhesa? </P>
<P>O que é kabuki? </P>
<P>O que é o comunismo gulash? </P>
<P>O que é o cirílico? </P>
<P>O que é o efeito de estufa? </P>
<P>O que é o fauvismo? </P>
<P>O que é o xelim? </P>
<P>O que é um mujique? </P>
<P>O que é um ornitorrinco? </P>
<P>O que é um sátrapa? </P>
<P>Que sabe sobre o aikido? </P>
<P>Quem foi Amílcar Cabral? </P>
<P>Quem foi Qin Shi Huang? </P>
<P>Que país foi abalado por um terramoto em Agosto de 94? </P>
<P>O que é que foi anexado após a Guerra dos Seis Dias? </P>
<P>Em que cidade é que fica o Roque Santeiro? </P>
<P>Em que estado fica Porto Alegre? </P>
<P>Onde fica Beslan? </P>
<P>Onde fica a Grande Hanish? </P>
<P>Onde fica o Banat? </P>
<P>Onde ganharam os Abba o Festival da Eurovisão? </P>
<P>Onde naufragou o Marika-7? </P>
<P>Onde é que fica a represa Ataturk? </P>
<P>Qual a capital do Estado Livre de Orange? </P>
<P>Qual é a cidade santa xiita? </P>
<P>Que país tomou a Grande Hanish? </P>
<P>Onde foi apunhalado Naguib Mahfouz? </P>
<P>Em quanto é que foi multado John Fashanu? </P>
<P>Em que lugar ficou Paulo de Carvalho no Festival da Eurovisão? </P>
<P>Qual é a duração do filme "Heimat"? </P>
<P>Qual é a área do Oceano Pacífico? </P>
<P>Qual é o recorde mundial do salto em altura? </P>
<P>Quanta cerveja bebe um brasileiro anualmente? </P>
<P>Quanto mede Sergei Yuran? </P>
<P>Quanto pesa Romário? </P>
<P>Quantos estados tem o Brasil? </P>
<P>Quantos é que eram os Beatles? </P>
<P>Que percentagem da população do Québec fala francês? </P>
<P>Que população tem Amiens? </P>
<P>A que dinastia pertencia Gengis Khan? </P>
<P>Como se chama a companhia ferroviária francesa? </P>
<P>A quem foi conquistada Lisboa em 1147? </P>
<P>Contra que clube jogou o Marítimo a 2 de Abril de 1995? </P>
<P>De que equipa é treinador Johann Cruyff? </P>
<P>De que selecção é Ravelli é o guarda-redes? </P>
<P>Quem foram os adversários do Boavista na Taça UEFA de 1994? </P>
<P>Diga um jornal norueguês. </P>
<P>Onde trabalha José Rodrigues Filho? </P>
<P>Que povo foi convertido Ã  ortodoxia durante a Idade Média? </P>
<P>Que hospital fica em Matosinhos? </P>
<P>Ravelli é o goleiro de que seleção? </P>
<P>Qual o actual nome do Ceilão? </P>
<P>Que competição se realizou pela primeira vez em 1896? </P>
<P>Qual foi o resultado do Itália-Nigéria no Campeonato do Mundo de 1994 ? </P>
<P>Em que desporto é Torneio das Cinco Nações? </P>
<P>Em que língua está escrito o Alcorão? </P>
<P>Em que telenovela aparece o prefeito Odorico? </P>
<P>Diga um livro de Júlio Verne. </P>
<P>Que edifício foi erigido no século 12? </P>
<P>Que guerra durou de 1865 a 1870? </P>
<P>Para que instrumento são os concertos de Chopin? </P>
<P>Qual a língua mais falada no Québec? </P>
<P>Qual a nacionalidade de Geoffrey Oryema? </P>
<P>Qual a religião oficial da Tailândia? </P>
<P>Qual é o planeta vermelho? </P>
<P>Que corpo celeste é Toutatis? </P>
<P>Que ensina Vital do Rego? </P>
<P>Quem venceu o open da Austrália em 1995? </P>
<P>De quem é "O Capital"? </P>
<P>Diga um jogador francês do Manchester United. </P>
<P>Quem salvou judeus durante a Segunda Guerra Mundial? </P>
<P>Diga um escritor chinês. </P>
<P>Diga um Herói da União Soviética. </P>
<P>Mencione um membro da Academia Francesa. </P>
<P>Quem foi presidente da Suíça no ano de 1995? </P>
<P>Quem criou Spirou? </P>
<P>Quem escreveu "A Capital"? </P>
<P>Quem escreveu "O Idiota"? </P>
<P>Quem é "Toninho Malvadeza"? </P>
<P>Quem é o sogro de Mohammad Khalifa? </P>
<P>Quem é que escreveu "Os Persas"? </P>
<P>Desde quando é Portugal uma república? </P>
<P>Quando houve uma erupção do Vesúvio? </P>
<P>Quando reinou Isabel I? </P>
<P>Quando teve lugar a primeira edição da Taça Davis? </P>
<P>Quando viveu Franz Liszt? </P>
<P>Quando é que Cleópatra se suicidou? </P>
<P>Quando é que a URSS invadiu a Manchúria?</P>
</DOC>

<DOC DOCID="dav-188222">
<P>Quantas pessoas tiverem que abandonar as sus casas durante as cheias de 1995 na Holanda? Que percentagem da Holanda está abaixo do nível do mar? Que altura atingiram as águas em Lobith durante as cheias? Quem era o primeiro-ministro holandês na altura? </P>
<P>Quais os nomes completos de Flanders e Swann? Em que ano é que eles se tornaram famosos? Em que línguas é que Flanders e Swann cantavam? Em que ano morreu Flanders? </P>
<P>No duo "Flanders e Swann", que instrumento tocava Swann? Em que país é que Swann nasceu? Em que cidade morreu Swann? Como se chamava a mulher de Swann? </P>
<P>De que país é que Pierre Beregovoy era primeiro-ministro? Em que ano é que Beregovoy se suicidou? A que partido político pertencia? </P>
<P>Quantos fogos florestais ocorreram perto de Sydney em Janeiro de 1994? Quantas casas foram destruídas nos subúrbios de Sydney? Que área de prados e florestas ardeu na Nova Gales do Sul? Qual a velocidade do vento durante os incêndios? </P>
<P>Como se chamava a barcaça que afundou em Porto Rico a 7 de Janeiro de 1994? Em que é que a barcaça bateu? Que quantidade de óleo para aquecimento foi derramada na água? Quantas milhas de praia tem Porto Rico? </P>
<P>O que é o Síndroma da Guerra do Golfo? Quantas pessoas é que afectou? </P>
<P>A que horas é que caiu o telhado do supermercado Casino em Nice? De que material era feito o telhado do supermercado? Quantas pessoas morreram no acidente? Em que país ficava o supermercado? </P>
<P>Quando é que foram ordenadas as primeiras mulheres pela Igreja de Inglaterra ? Quantas mulheres foram ordenadas? Quem é que era então Arcebispo de Cantuária? Em que catedral é que se realizaram as ordenações? </P>
<P>Diga marcas de azeite. Diga países onde se produz azeite. Que quantidade de azeite foi importada pelos Estados Unidos em 1994? Quantas variedades de azeitona são utilizadas para fazer azeite? </P>
<P>De que grupo faz parte a Skoda? Que tipo de Skoda tinha o motor à retaguarda? Em que país se produzem os Skodas? Em que século foi fundada a Skoda? </P>
<P>O que é que Alister McRae faz? De onde é que ele é? Que idade é que ele tinha em 1995? Em que tipo de carro é que Alister McRae competiu no Rali dos Mil Lagos, na Finlândia, em 1995? </P>
<P>Qual a profissão de Billy Connolly? Qual a sua nacionalidade? Que filme com Connolly ganhou o prémio de melhor drama nos Prémios Bafta escoceses em 1995? </P>
<P>Qual a profissão de Kiri Te Kanawa? Para que companhia discográfica é que ela gravou La Boheme em 1994? </P>
<P>Qual a profissão de Michael Barrymore? Diga um programa de televisão apresentado por Michael Barrymore. Quanto tempo é que durou o casamento dele? Como é que se chamava a mulher dele? </P>
<P>Qual a profissão de John Barbirolli? Quem foi o solista de violoncelo no "Concerto para Violoncelo" de Elgar que ele gravou em 1965? Diga uma orquestra de Manchester que Barbirolli tenha dirigido. Diga uma orquestra americana dirigida por Barbirolli. </P>
<P>Em que país do Reino Unido fica Perth? Que rua é conhecida como a \"Milha motorizada de Perth\"? Diga empresas de Perth. Diga um rio que banhe Perth. </P>
<P>Quantos locais pertencem ao sistema de Parques Nacionais dos Estados Unidos? Quantos acres têm os parques nacionais no seu conjunto? Qual foi o primeiro parque? Diga os dois parques criados a 31 de Outubro de 1994. </P>
<P>Que espécie de animal é que Victor Bernal tentou comprar a 25 de Janeiro de 1993? Em que tipo de avião estava o animal? Quem estava a fazer-se passar pelo animal? Em quanto foi Bernal multado? </P>
<P>Que oceano é que Steve Fosset tentou atravessar em balão em Fevereiro de 1995? Que idade é que ele tinha na altura? O que é que ele fazia? Que distância é que Richard Branson viajou em balão em 1991? </P>
<P>Em que aeroporto é que Carol Ann Timmel perdeu o seu gato? Como é que se chamava o gato? Em que tipo de avião é que o gato foi perdido? Quanto é que avião se atrasou enquanto prosseguia a busca? </P>
<P>Quem nacionalizou as ferrovias argentinas em 1947? Que proporção das linhas era considerada insegura em 1989? Quem era o presidente da comissão nacional de caminhos-de-ferro argentina em 1994? Quantas pessoas trabalhavam para os caminhos-de-ferro argentinos em 1994? </P>
<P>Onde é que é o museu do Hermitage? Quem era o director do museu em 1994? Em que palácio é que fica o museu? Quantos quartos há nesse palácio? </P>
<P>O que é um organofostato? Diga pesticidas que contenham organofosfatos. </P>
<P>Quantos lugares tem um carro eléctrico Impact da General Motors? Qual a autonomia do carro, em milhas? Quanto tempo demora a acelerar das 0 às 60 milhas por hora? Qual é a sua velocidade de topo? </P>
<P>Como se chamavam os dois navios que colidiram no Estreito do Bósforo em 1994? Quantos morreram na colisão? Qual o pavilhão de ambos os navios? Qual o comprimento do Estreito do Bósforo? </P>
<P>Em que parte da Rússia é a Catedral de Santa Sofia? Quem era o arcipreste em 1995? Que escocês é que construiu a catedral? Que imperatriz russa é que lhe encomendou a construção? </P>
<P>O que são a salsa, o mambo e o samba? </P>
<P>O que era o "Brilliant Invader '95"? Além do Reino Unido, que outros países participaram? De que horas a que horas é que ocorreu o evento? Diga um tipo de avião que tenha participado. </P>
<P>Quem é Thom Rotella? De onde é que ele é? Diga um tipo de viola que Rotella toque. Diga um clube onde ele tenha tocado. </P>
<P>O que é a KORG onde Niky Orellana é comentador de futebol? Onde é que tem a sua sede? </P>
<P>O que é Kia? Quem é o americano que foi nomeado para a direcção em Setembro de 1994? Diga um modelo da Kia. Quantos carros é que a Kia produz por ano? </P>
<P>O que é Zanussi? Onde é que fica a sede? </P>
<P>Quem é Will Carling? </P>
<P>Quem é Lester Piggott? Quantos vencedores do British Classic é que ele montou? Quanto tempo é que ele passou na prisão por crimes fiscais? </P>
<P>Quem é Jonathan Edwards? </P>
<P>Quem são os "All Blacks"? Quem é o seu capitão? </P>
<P>O que é arnica? </P>
<P>Que companhia produz Ribena? </P>
<P>O que é Glaxo? </P>
<P>O que é Zantac? </P>
<P>O que é Flexoset? </P>
<P>O que é a Lakeland Plastics? </P>
<P>Dá-me informação sobre o iate "Geronimo". </P>
<P>Quem é Keith Musto? </P>
<P>O que é o HSBC? </P>
<P>Quem é sir Denys Henderson? </P>
<P>Quem é Nguyen Chi Thien? Quando é que ele desapareceu? </P>
<P>O que é o Eurofighter? </P>
<P>Quem escreveu a canção "Dancing Queen"? Quantas pessoas tinha esse grupo? </P>
<P>O que é um polígrafo? Quando é que foi inventado? Quem é que o inventou? Em que universidade é que o inventor estudava então? </P>
<P>Para que organização nos EUA trabalhava Aldrich H. Ames? A que país é que Ames vendia informação? Como é que se chamava a mulher dele? Quando é que ele foi preso? </P>
<P>Quando é que nasceu Yitzhak Rabin? Quando é que ele morreu? Qual era a sua profissão quando morreu? Quantas pessoas foram a Jerusálem prestar homenagem a Rabin quando ele morreu? </P>
<P>O que são "Frosties"? Que companhia é que os produz? Quando é que eles foram lançados? Qual é a mascote dos Frosties? </P>
<P>O que é Sky Europe? Quando é que foi fundada? Quantas pessoas é que emprega? Quantas linhas opera? </P>
<P>Que presidente americano organizou o Acordo de Camp David? Em que ano tiveram lugar as negociações? Quantos acordos foram assinados? Em que data foi assinado posteriormente o tratado de paz entre Israel e o Egipto? </P>
<P>O que é o efeito de estufa? Em que ano é que o efeito de estufa foi descoberto? Quem é que o descobriu? Menciona um gás que contribua para o aquecimento global. </P>
<P>Quem foi Stu Sutcliffe? Quando é que ele se juntou aos Beatles? Que instrumento é que ele tocava? O que é que ele vendeu ao homem de negócios John Moores para comprar uma viola? </P>
<P>O que é um iPod? Quem é que o faz? Quando é que foi lançado? Quem fez o disco duro para os iPod de primeira geração? </P>
<P>O que é uma gripe azul? Diz uma profissão cujos membros podem dizer sofrer de "gripe azul". </P>
<P>Em que país nasceu Edouard Balladur? Quando é que ele se tornou presidente de França ? A que partido político pertencia? De 1968 a 1980, ele foi presidente de que companhia? </P>
<P>Qual é o aperitivo mais popular na Grã-Bretanha? Quantas pessoas na Grã-Bretanha comem os "Walkers" desta marca todos os dias? Qual é o sabor de batata frita de pacote mais popular na Grã-Bretanha? Que companhia britânica faz batata frita de pacote à mão? </P>
<P>Diz uma madeira que se use para construir barcos. Diz uma madeira que se use para fazer contraplacado. Diz uma madeira que se use para produzir violinos. Diz uma madeira usada para fazer papel. </P>
<P>Diz um alimento que seja parte da alimentação básica no Sudeste Asiático. Diz um alimento que seja parte da alimentação básica na Europa. </P>
<P>Diz um tipo de plástico usado para fazer plástico reforçado com fibra de carbono. Diz uma ponte que tenha sido reforçada com fibra de carbono. Diz um consumível que pode ser feito com fibra de carbono. </P>
<P>Que sistema de pensões diz ser "o segundo maior do Reino Unido pelo montante do fundo"? A que companhia comprou o Centro Comercial Forestside em Belfast por 50 milhões de libras em 1998? Que organismo administra o Sistema de Pensões do SNS britânico? </P>
<P>A quantas pessoas foi até agora atribuída a Medalha Olímpica Nobre Guedes? Quem é que a recebeu em 1951 em vela? Quem é que a recebeu em 2005 em judo?</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-90521">
<P>
Polícia conclui que assassinato de Oswaldo Cruz Júnior foi provocado por briga pessoal e nega participação da CUT</P>
<P>
RODRIGO VERGARA</P>
<P>
Da Folha ABCD</P>
<P>
O inquérito que investiga o assassinato do presidente do Sindicato dos Condutores do ABCD, Oswaldo Cruz Júnior, foi concluído ontem e aponta para um crime de motivação pessoal. Cruz foi morto em sua sala na sede do sindicato no último dia 6 de janeiro por José Benedito de Souza, o Zezé.</P>
<P>
No início das investigações, o delegado Nélson Guimarães, do DHPP de São Paulo, disse que não descartava a hipótese de um crime político, já que Cruz vinha fazendo denúncias contra a CUT e o PT. A Polícia Civil pediu a prisão preventiva de Zezé pelo crime.</P>
<P>
"Havia um clima de disputa interna dentro do sindicato, mas Zezé matou Cruz por causa de uma briga pessoal entre eles. A CUT e o PT não têm relação com o caso", afirmou ontem Fernão de Oliveira Santos, delegado-seccional de Santo André. Santos substituiu Guimarães nas investigações a pedido da promotoria de Santo André. Segundo o delegado, Cruz humilhava Zezé constantemente com insultos e havia cortado o salário do acusado, que é diretor do sindicato.</P>
<P>
Ao inquérito ainda serão anexados os resultados da exumação do corpo de Cruz e da reconstituição do crime. Ele foi divulgado antes para evitar que o Tribunal de Justiça de São Paulo concedesse o habeas corpus pedido por Zezé. O acusado está preso desde o da 10 do mês passado suspeito da morte de Maurílio Nunes, assassinado em maio do ano passado após uma briga de bar. O resultado da exumação do corpo de Cruz e da reconstituição do crime devem ficar prontos em uma semana.</P>
<P>
A conclusão da Polícia Civil desautoriza as versões de legítima defesa apresentada pelos advogados de Zezé, e de crime político, defendida por Clodovil Aparecido de Carvalho, irmão do sindicalista morto. Clodovil afirma que seu irmão foi morto porque vinha fazendo denúncias contra a CUT, denunciou um suposto complô que teria tramado a morte de Cruz, mas não apresentou qualquer documento que comprovasse suas afirmações.</P>
<P>
PT</P>
<P>
O deputado estadual e presidente do PT de São Paulo, Arlindo Chinaglia, afirmou que a conclusão da polícia de Santo André sobre a morte de Oswaldo Cruz Júnior "mostrou mais uma vez que o PT foi vítima de manobras sórdidas". Segundo ele, o partido sempre soube que o crime não tinha motivação política.</P>
<P>
"Acredito que houve preciptação de algumas pessoas em dar conotações políticas ao caso. Agora, é bom que a sociedade analise o comportamento de algumas pessoas, como Medeiros e Maluf, que estão sendo processadas pelas bobagens que falaram", afirmou.</P>
<P>
O prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PPR), foi procurado ontem, às 17h25, em seu gabinete. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que ele estava em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Luiz Antônio Medeiros, presidente da Força Sindical, passou o dia em Brasília. Sua assessoria disse que não havia como localizá-lo.</P>
<P>
O presidente nacional da CUT, Jair Meneguelli, disse que nunca teve dúvidas de que a morte de Oswaldo Cruz Júnior não teve envolvimento político. Segundo ele, a conclusão do inquérito prova que muita gente tentou se aproveitar politicamente da morte.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-86821">
<P>
Butros-Ghali</P>
<P>
Do Burundi à Etiópia</P>
<P>
O SECRETÁRIO-GERAL da ONU partiu ontem para a Etiópia, depois de o único resultado concreto da sua visita ao Burundi haver sido o anúncio da criação de uma comissão internacional de inquérito a 22 meses de violência no país, onde entretanto foram mortas muitas dezenas de milhares de pessoas.</P>
<P>
O inquérito ao assassínio do primeiro Presidente hutu do Burundi, livremente eleito, Melchior Ndadaye, em Outubro de 1993, e a mortes posteriores tem vindo desde há muito a ser pedido por diplomatas, grupos de direitos humanos e dirigentes políticos do pequeno território, que fica a sul do Ruanda e cuja composição étnica é semelhante.</P>
<P>
«Todos devem dominar as forças maléficas da escuridão, para que as forças da luz possam triunfar. Este combate deve ser travado por cada burundinês dentro de si próprio, pois que o principal inimigo dos burundineses é hoje o medo», disse Butros Butros-Ghali perante o Parlamento de Bujumbura, depois de nos dias anteriores haver estado no Ruanda, em Angola e no Zaire.</P>
<P>
«O inimigo dos tutsis não são os hutus, mas sim o medo. O inimigo dos tutsis não são os hutus, mas sim o medo. Devereis compreender que a segurança de uns depende dos outros», acrescentou o secretário-geral das Nações Unidas, que da Etiópia já não vai à Turquia por causa da crise na Bósnia.</P>
<P>
É precisamente para a capital etíope, Adis Abeba, que a a Organização da Unidade Africana (OUA) convocou uma reunião de todas as forças políticas burundinesas, mas sete partidos que se encontram na oposição disseram não estar dispostos a fazer a viagem, por entenderem que a conferência da reconciliação nacional deveria ser dentro do próprio Burundi.</P>
<P>
Entretanto, o ministro da Defesa, Firmin Sinzoyiheba, anunciou que de há dois anos para cá já foram neutralizadas três tentativas de golpe de Estado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-39806">
<P>
A família do estudante de medicina, Albano Gomes Dias Filho (foto), 25, quer responsabilizar judicialmente a Prefeitura de Recife pelo ataque que o rapaz afirma ter sofrido de um tubarão, anteontem, na praia de Boa Viagem. A secretária municipal de imprensa, Terezinha Nunes, disse que a prefeitura "não tem nenhuma ingerência sobre o mar" e que colocar avisos na praia é "inviável, pois não há estudo técnico que comprove a presença constante de tubarões".</P>
<P>
O NÚMERO</P>
<P>
2</P>
<P>
... mil transplantes de rim foram completados ontem pelo Hospital das Clínicas de São Paulo. O garoto Leonardo Henrique Lopes, de 2 anos e 8 meses, que tinha ineficiência renal congênita, recebeu o rim de sua mãe, Regina Lopes. O primeiro transplante de rim da América Latina foi realizado no HC em 1965.</P>
<P>
Chuva em Fortaleza deixa desabrigados</P>
<P>
Vinte e cinco famílias que moravam às margens das lagoas do Tijolo e da Zeza, no bairro Tancredo Neves, em Fortaleza, tiveram seus barracos destruídos pelas chuvas. Elas foram abrigadas no Campo do Santa Ruth, também próximo às lagoas. Elas não aceitaram ser transferidas para o Centro Social de Tancredo Neves, como queria a Defesa Civil, por temerem perder seus terrenos.</P>
<P>
Médico canadense é acusado de abuso sexual</P>
<P>
Maurice Genereux, 47, médico de Toronto conhecido por ter tratado um grande número de portadores do vírus da Aids no Canadá, foi suspenso por nove meses do exercício da profissão. Ele é acusado de cometer abuso sexual contra seus pacientes. Genereux admitiu ter praticado o abuso.</P>
<P>
Estudantes abandonam curso por causa de trote</P>
<P>
Três alunos do curso de medicina da PUC de Botucatu estiveram ontem com seus pais em São Paulo para comunicar à reitoria da universidade a decisão de abandonar o curso depois de um ano. Eles disseram que não aguentavam a violência praticada durante o trote. Os estudantes, que não querem ser identificados, afirmam que foram obrigados a se arrastar pelo chão, receberam tapas e tiveram bebida jogada no rosto, além de terem sido ofendidos moralmente.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71037">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
Ayrton Senna dirige hoje pela primeira vez o carro com o qual espera ganhar o Mundial de Fórmula 1. Ele e seu companheiro Damon Hill iniciam os testes com o modelo FW16 da Williams, projetado por Adrian Newey com supervisão técnica de Patrick Head. Em sua nova equipe, o brasileiro até agora só guiou a máquina que venceu o campeonato de 93, mas sem suspensão ativa.</P>
<P>
Os testes vão acontecer no circuito inglês de Silverstone até amanhã. Senna fica na Europa para mais duas sessões: de 28 de fevereiro a 3 de março em Paul Ricard, na França, e de 7 a 11 em Barcelona, na Espanha.</P>
<P>
Antes de embarcar para a Inglaterra, na madrugada de ontem, Ayrton disse que o novo Williams "será um carro muito diferente do modelo atual". Segundo ele, o ponto forte do FW16 será a aerodinâmica, que sofreu "mudanças radicais". Ainda de acordo com o piloto, o FW16 terá recursos "nunca vistos antes na F-1".</P>
<P>
Rubens Barrichello se junta hoje a Eddie Irvine em Barcelona nos testes com o Jordan 194. A Ferrari, até o final da semana, deve andar também na pista espanhola, colocando a revolucionária 412T1 de John Barnard pela primeira vez na pista ao lado de outros carros.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-85016">
<P>
PSP defende que os «bandos» de jovens negros são tão preocupantes como as claques de futebol</P>
<P>
Os «gangs» entre a ficção e a realidade</P>
<P>
José António Cerejo</P>
<P>
Os «gangs» que o SIS celebrizou em Setembro de 1993 existem ou são uma ficção? Para a PSP, não sobram dúvidas: os bandos de jovens negros não existem pura e simplesmente. O que há são «agregados» não organizados, que levantam tantos problemas como as claques do futebol. O resto é uma «psicose» colectiva que atinge alguns meios e o desejo de afirmação de jovens com dificuldades de integração. Dificuldades que, a não serem ultrapassadas, poderão dar razão a quem fala no barril de pólvora das periferias e no risco de confrontos com uma forte componente racial. Seja como for, tudo indica que a responsabilidade efectiva destes «agregados» na insegurança dos cidadãos é pouco mais que simbólica: 15 casos de violência envolvendo grupos de mais de dez pessoas num ano, em todo o distrito de Setúbal. Nem um morto, nem uma arma de fogo apreendida. Mas muito espalhafato.</P>
<P>
Na madrugada do passado dia 11, um sábado, cerca de 200 jovens, quase todos negros, saem de um concerto na Sociedade Musical 5 de Outubro, em Paio Pires, concelho do Seixal. Muitos deles residem nos bairros sociais da Arrentela e da Quinta da Princesa, a poucos quilómetros dali. Àquela hora já não têm transporte para casa, mas, bem perto, está estacionado um autocarro da Rodoviária do Sul. Momentos depois, ajudados pela simplicidade do sistema de ignição, os jovens apoderam-se do veículo e dirigem-se para a Arrentela. Pelo caminho embatem num poste, ficam sem luz, e são notados por um guarda-noturno.</P>
<P>
Alertado pelo facto de o carro ir às escuras e estar a abarrotar de jovens negros, o vigilante telefona à PSP do Seixal. Pouco depois, nas Cavadas, a três quilómetros de Paio Pires, o autocarro é interceptado pela PSP e pela GNR, enquanto os ocupantes fogem em todas as direcções. Na memória de alguns deles, confirmada por funcionários da Rodoviária, este terá sido, nos últimos anos, o terceiro incidente do género.</P>
<P>
Observado no seu contexto, o do agravamento da criminalidade e do avolumar dos sentimentos de insegurança nas zonas urbanas, este caso pode servir para tudo.</P>
<P>
Para uns, ele será uma «ocorrência pontual» e pouco mais. Um fruto lamentável de vulgares excessos juvenis, alguma coisa comparável às «patifarias» dos «teddy-boys» dos anos 60 -- como a entende o superintendente Amaro, comandante da PSP no distrito de Setúbal. Ou mesmo «um episódio insignificante», no quadro de um concelho, o Seixal, com um crescimento demográfico elevadíssimo, com 10 a 15 por cento da sua população composta por minorias étnicas e -- como sublinha Alfredo Monteiro, o vereador responsável pelos pelouros da Juventude, Cultura e Educação -- com uma situação controlada em termos de relações entre as diferentes comunidades.</P>
<P>
Para outros, e muitas vezes para o cidadão anónimo, o roubo de um autocarro corresponde, porém, a mais um degrau na escalada que está a envolver toda a Grande Lisboa e que está no cerne de um mal-estar cada vez mais colectivo. Um desconforto que parece generalizar-se a todos os meios sociais e que vem das periferias até ao coração das cidades. Uma crispação que tende a enraizar-se e que ameaça, nalguns casos, transformar-se em conflito aberto. Casos como o de Paio Pires, ainda que excepcionais, vêm engrossar um rol de pequenos crimes individuais, como os furtos com navalhas e seringas, já banalizados pela explosão da toxicodependência, e que são, eles sim, os verdadeiros motores da tão falada insegurança.</P>
<P>
Episódios como o do autocarro dão porém alguma credibilidade à ideia de que os «gangs» juvenis não são apenas uma ficção.Trazidos à luz do dia pela mão do Serviço de Informações de Segurança -- num relatório que se tornou um monumento ao ridículo nacional --, os bandos surgem regularmente nos jornais e nos relatórios de polícia, mas a sua natureza e, sobretudo, o seu contributo para a insegurança das populações continuam por esclarecer.</P>
<P>
Uma psicose colectiva</P>
<P>
Tanto na margem norte como na margem sul do Tejo, as notícias referem com frequência a participação de grandes grupos de negros em recontros e actos de violência que quase nunca chegam a ser testemunhados pelos jornalistas. À excepção de um ou outro caso em que são arrebanhados -- com recurso à técnica do arrasto -- objectos de valor transportados pelos ocupantes de um autocarro ou de uma carruagem de comboio, os incidentes relatados têm a ver com actos de vandalismo cometidos à saída de espectáculos ou com guerras entre grupos de adolescentes.</P>
<P>
E as consequências, para lá do espalhafato inerente ao grande número de pessoas envolvidas, raramente vão além de umas cabeças partidas, de um grande susto para quem está de fora e de alguns prejuízos materiais, quando tudo se passa no interior de estabelecimentos comerciais ou em transportes públicos.</P>
<P>
Aquilo que realmente acontece e que não é possível quantificar e qualificar em concreto poderá, porém, ser o menos grave. O pior parece ser a conjugação da realidade com os efeitos devastadores do «diz-se que disse» e do medo provocado pela incapacidade de perceber e de aceitar comportamentos diferentes dos da maioria. Aquilo que o comandante da PSP do distrito de Setúbal identifica como uma «psicose», que algumas pessoas manifestam em relação aos jovens negros, e que tem a ver com o facto de «estar latente uma questão racial».</P>
<P>
Sintomático desta psicose é o receio cada vez mais comum de viajar em certas carreiras de autocarros, a certas horas, e até o facto de os brancos evitarem as zonas dos autocarros e dos comboios mais frequentadas pelos jovens negros. «O problema», afirma Meloman, um jovem de 17 anos e de origem cabo-verdiana, que se intitula a ele próprio como o líder do «gang» da Arrentela, «é que os brancos não podem ver um preto com ténis, brincos, boné virado ao contrário e casaco comprido com um capuz que não seja logo um `gangster', um bandido, um ladrão, tudo aquilo que a gente não gosta.»</P>
<P>
Igualmente significativo do ambiente de pânico que se tem instalado em alguns meios são as ameaças de motoristas da Rodoviária, particularmente na margem Sul, de não trabalharem com o autocarro cheio de negros sem um carro da PSP atrás. Em casos muito particulares, a polícia já aceitou esta exigência, mas a verdade, sublinham-no os responsáveis da polícia, é que nos seus registos não há agressões colectivas contra esses trabalhadores.</P>
<P>
Para Sapito -- segunda alcunha de Meloman --, as explicações de todos estes temores, «independentemente de os pretos roubarem como roubam os brancos», têm a ver com dois fenómenos só explicáveis pela «ignorância» e pelo racismo. «Um é que se vão dois pretos a fazer merda, a polícia diz logo que era um `gang' organizado de 20 ou 30. Outra é que se um grupo de brancos entra num autocarro para ir curtir ao Bairro Alto não acontece nada; mas se é um grupo de pretos toda a gente muda a carteira para o bolso da frente.»</P>
<P>
Quinze casos num ano</P>
<P>
Em termos estatísticos, a realidade parece dar razão ao jovem da Arrentela. Nos últimos meses, em todo o distrito de Setúbal, aquele em que mais se houve falar em bandos e em «gangs», a PSP registou apenas 15 incidentes em que estiveram envolvidos «conjuntos» de mais de 10 pessoas de origem africana. Nalguns casos esse número ultrapassou a centena de indivíduos, mas tratou-se quase sempre de «confusões» verificadas à saída da discoteca Visage, na Costa da Caparica, um estabelecimento que aos sábados reúne centenas de jovens negros de ambas as margens. Além disso, o balanço dessas ocorrências não inclui nenhum morto nem apreensões de armas de fogo. «Só feridos, armas brancas e paus», explica o superintendente Amaro.</P>
<P>
Os casos mais graves que foram contabilizados respeitam ao lançamento de gases numa discoteca e num autocarro e a assaltos colectivos em dois estabelecimentos. «Mesmo nestes casos, são grupos de miúdos que bebem umas cervejas sem terem dinheiro para pagar e depois fazem alguns distúrbios», adianta aquele oficial da PSP.</P>
<P>
Colocada directamente, a questão da existência de bandos na margem sul obtém uma resposta inequívoca: «Não temos conhecimento da existência de grupos ou de bandos desse tipo. O que há são conjuntos de jovens que se reúnem em locais em que têm atractivos de interesse comum e que, às vezes, levados pelo anonimato e pela impunidade que essas situações propiciam, têm comportamentos idênticos aos das claques à saída dos jogos de futebol.» Para o superintendente Amaro, «o espírito gregário dos africanos e as dificuldades de integração social que ressentem podem levá-los a criar as suas conchazinhas de protecção», mas o seu comportamento «não difere das patifarias que faziam os `teddy-boys' dos anos 60 e que fazem os jovens de todos os tempos».</P>
<P>
O perigo que existe, e aqui o comandante da PSP usa praticamente as mesmas palavras do vereador Alfredo Monteiro, «está num eventual agravamento das dificuldades de integração social» das minorias étnicas. Então poderá falar-se em barris de pólvora e em riscos de explosão. Por agora, salienta, «as dificuldades criadas por essas reuniões de jovens negros são as mesmas que criam os No Name Boys ou a Juve Leo quando há jogos em Setúbal».</P>
<P>
Igualmente conhecedor dos problemas das comunidades de origem africana do distrito, o comandante da esquadra do bairro da Bela Vista, comissário Ribeiro, confirma que não há bandos nem «gangs», no sentido que geralmente lhes é atribuído. «O que há são agregados sem objectivos específicos e sem líderes, mas com interesses comuns e com pessoas carismáticas.»</P>
<P>
«Gangs» na primeira pessoa</P>
<P>
Fortemente influenciados pelo cinema americano e motivados por uma ânsia de protagonismo bem compreensível em quem se sente marginalizado, os jovens negros é que não subscrevem esta análise do comando da PSP de Setúbal. O que não admira, porque, a seguir aos «skinheads», é a polícia que eles mais acusam de segregação. «Tratam-nos como cães. Dão-nos porrada por tudo e por nada», acusa Clay, o auto-intitulado leader do «`gang' do Monte» (Caparica), papel que outros atribuem a Jimmy (Alvarenga), um gigante de 23 anos, poucas palavras e um vasto currículo feito de pequenos delitos e muitas passagens pelos postos da GNR e da PSP.</P>
<P>
Um pouco por todo o lado, em Chelas, na Amadora, ou na margem sul, a palavra «gang» aparece nos «graffitis» das paredes e solta-se com orgulho em todas as conversas. Com o mesmo orgulho com que os seus supostos membros se dizem «violentos, mas não drogados».</P>
<P>
Ressalvando sempre que não se trata de grupos de bandidos -- embora admitam a prática individual do roubo de roupas de marca ou da exigência de «trocos» aos «betinhos» --, mas apenas de grupos de amigos que residem na mesma zona, os seus membros reivindicam um objectivo essencial: enfrentar os «skinheads» racistas, que os perseguem e atacam. «O nosso mal é não estarmos organizados, senão dávamos cabo deles», lamenta Meloman, garantindo que os grupos de «skinheads» da margem sul estão novamente activos desde há uns seis meses, ao contrário do que afirma a polícia.</P>
<P>
Na sua versão sobre o fenómeno dos «gangs», a margem sul terá agora cinco grupos: Arrentela, Miratejo, Monte da Caparica, Vale da Amoreira, Bela Vista (Setúbal) e Quinta do Conde. São rapazes entre os 14 e os 18 anos -- quase sempre nascidos em Portugal, mas filhos de imigrantes das antigas colónias portuguesas --, na sua maioria cordeiros que vestem (e a quem vestem) a pele de lobos. Vê-los de dia no Monte da Caparica ou na Quinta da Princesa (Arrentela), sozinhos ou em pequenos grupos, é ver jovens iguaizinhos a todos os outros, simpáticos e atenciosos, irreverentes e agressivos.</P>
<P>
Vê-los à noite, no interior de um autocarro, ou a beber cerveja no largo de Cacilhas, é um desafio à lucidez e à tolerância.</P>
<P>
Uma batalha que a Câmara do Seixal vai vencendo graças a uma aposta decidida na integração das minorias, mas que Alfredo Monteiro considera extremamente difícil se o Governo não assumir a parte que lhe compete, nas políticas de juventude, educação, formação e emprego.</P>
<P>
Uma desafio que um «velho» de 30 anos, branco, com uma barbicha preta, sorriso aberto e olhos brilhantes, venceu no passado sábado à noite, num autocarro de Cacilhas para a Amora. Sentou-se lá atrás, no meio dos «gangsters», conversou com eles, e ouviu-os gritarem uns para os outros: «Este cota [velho] é fixe!».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11048">
<P>
TAP paga Lockheed</P>
<P>
A TAP contraíu um empréstimo a cinco anos de 17 milhões de contos junto do ABN Amro Bank, para a aquisição dos cinco aviões Lockheed que ainda utiliza na sua frota, em regime de «leasing». A taxa de juro será equivalente à Lisbor (taxa de referência do mercado menotário interbancário) a três meses, acrescida de 0,1 pontos percentuais. Com esta medida a companhia, que, entretanto, anunciou ter vendido um Lockheed à Tadjikistan International Airlines, conta poupar 400 mil contos anualmente, resultantes da diferença entre o que pagaria pelo «leasing» dos aviões e o que irá pagar pelo empréstimo.</P>
<P>
Unidades de negócio nos CTT</P>
<P>
A actividade dos CTT passa a estar estruturada em unidades de negócio, unidades de serviço e unidades de apoio ao conselho de administração. Cada unidade de negócio será responsável pela gestão de uma carteira de clientes respeitante à prestação de um ou mais serviços. A reformulação em curso, ontem anunciada pela empresa, visa aumentar a qualidade e a eficiência dos serviços prestados, a obtenção da liderança em serviços que se revelem rentáveis e flexibilização das unidades centrais da empresa.</P>
<P>
Novas regras no registo de navios</P>
<P>
O registo de embarcações de recreio no Registo Internacional de Navios da Madeira (RIN-MAR) passa a ter novas regras, aprovadas na semana passada por Monteiro de Morais, secretário de Estado adjunto das Pescas. A partir de agora, passará a ser aceite o registo de embarcações de todo o Mundo, sempre que as entidades proprietárias tenham representação legal na Zona Franca da Madeira. As alterações agora introduzidas aproximam o RIN-MAR de outros Registos Internacionais do mesmo tipo, nomeadamente o das Ilhas britânicas do Canal, abrindo novas perspectivas para a captação de turismo na região.</P>
<P>
BFE financia comércio em Setúbal</P>
<P>
O BFE abriu uma linha de crédito, no montante de meio milhão de contos, com a duração de três anos, destinada a apoiar o investimento dos sócios da Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal. O acordo prevê a atribuição de crédito à aquisição de instalações, trespasses, equipamento mobiliário e informático, viaturas comerciais, realização de obras nas instalações e fundo de maneio. Cada operação de crédito atingirá no máximo 50 mil contos, correspondentes ao financiamento de 70 por cento dos custos dos bens e serviços.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-12506">
<P>
Edite Estrela: das 10 às 19</P>
<P>
O Volvo cinzento estaciona à frente dos Paços do Concelho. Antes que o motorista consiga dar a volta ao carro, já a presidente da autarquia abriu a porta traseira e sai envergando um vistoso casaco de peles. Passam poucos minutos das dez da manhã, e Edite Estrela, a eleita socialista que conquistou um dos redutos «laranja», prepara-se para enfrentar mais um dia de gestão camarária.</P>
<P>
A vila está banhada por um inesperado e resplandecente sol, depois de a chuva ter prognosticado outras condições atmosféricas. E embora o maior movimento de tráfego se faça no sentido de Lisboa, o intenso nevoeiro na capital e as obras em curso naquele que a Junta Autónoma das Estradas baptizou de Itinerário Complementar 19 terão contribuído para o atraso de meia hora em relação ao combinado. «Costumo chegar mais cedo, mas há dias que chego a esta hora, e também não queria dar a entender que vim antes porque tinha a comunicação social à espera», explica Edite já dentro do gabinete, acrescentando que a sua situação domiciliária no concelho estará resolvida «dentro de dois meses». Até lá, esclarece, «quando é preciso fico cá, em regime de empréstimo».</P>
<P>
Enquanto as audiências desse dia não começam, a autarca reconhece que, em comparação com o desempenho parlamentar, a experiência autárquica «é bastante diferente», e «com aspectos mais pragmáticos e de maior contacto com a realidade», em suma, de «maior intervenção». Mas nem tudo são rosas na autarquia: «Tem aspectos mais negativos do que eu esperava. Estava à espera de uma organização mais eficaz e uma situação financeira mais folgada», diz, numa alusão aos dois milhões de contos a que poderá ascender o buraco de tesouraria.</P>
<P>
Apesar de se mostrar descontente com a «descoordenação entre serviços», que dificultará uma resposta imediata a alguns dos muitos problemas do concelho, Estrela não poupa elogios a muitas pessoas que dentro da Câmara são «funcionários dedicados» e que «não regateiam ficar para além do horário de trabalho». Para quem franza o sobrolho, a autarca responde que dá o exemplo: «Pertenço à espécie rara que gosta de trabalhar, e por essa razão sempre tive uma vida bastante agitada». Dúvidas? «Na Assembleia da República, se não era a última, era das últimas a sair». Ponto final.</P>
<P>
Tempo de vacas magras</P>
<P>
Os pedidos de audiência já antes passaram pelo crivo da urgência do assunto. Os que não chegam ao gabinete presidencial, tanto podem receber uma resposta por escrito, como ser entregues ao secretariado ou ao vereador substituto da presidente. Teresa Gião, que secretaria Estrela desde outras e antigas lutas, recebe os inúmeros pedidos de reunião. Seja para falar deste ou daquele processo encravado na burocracia ou para um pedido de emprego por conveniências de residência. Tudo a paciente secretária escuta e a tudo promete resposta. Com excepção para a embaixada de quatro indivíduos que transpõe a porta da presidência, mas que logo faz meia volta, porque antes tentará «resolver» a questão com um arquitecto responsável pelo urbanismo.</P>
<P>
Nessa manhã, a eleita socialista recebe Miguel Barbosa, pintor e paleontólogo amador que doou ao município um vasto acervo de fósseis para o futuro Museu de História Natural. Que sai mais uma vez dos Paços do Concelho com a promessa renovada da criação do espaço. Os representantes da Escola de Música Leal da Câmara, na Rinchoa, e da Liga dos Amigos de Queluz, instituição também ligada ao ensino musical, já não terão tanta certeza de um grande apoio camarário em ano de vacas magras, mas ficou o compromisso de se fazer o possível.</P>
<P>
Antes, porém, tem que ser superada a falta de estratégia municipal para o sector. «O tronco tem que ser definido pela Câmara, e as folhas e os ramos têm que ser o contributo da sociedade», avança Estrela, a sonhar com a construção do Conservatório Regional de Sintra, que poderá servir aos interesses dos vários grupos concelhios.</P>
<P>
A autarca acha que a conjugação de esforços e a dinâmica inter-institucional poderão ser o motor de transformação da adormecida realidade cultural do município. Essa conclusão terá justificado o encontro com a conservadora do Palácio Nacional de Sintra, onde, no Dia dos Namorados, decorreu um muito concorrido concerto pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, promovido pela autarquia. Com direito a distribuição de camélias e bombons embrulhados em tule aos parzinhos amorosos, e a que nem sequer a tentativa de repetição dos mais gulosos terá retirado o brilho...</P>
<P>
O atraso na agenda -- «não gosto de cortar a conversa às pessoas» -- leva a que as três jovens entusiastas da associação Olho Vivo, que ajudaram o director do Museu Nacional de História Natural, Galopim de Carvalho, a salvar a pista de pegadas de dinossauros de Carenque, sejam atendidas pelo vereador Álvaro de Carvalho. Numa pausa para café na Sapa -- contrariando a rotina de o tomar no gabinete entre duas reuniões --, Edite aproveita para saborear um pastel de laranja, à falta dos preferidos pudins de queijada, ainda no forno. Entre duas dentadas no bolo, recebe os cumprimentos de dois munícipes, que aproveitam logo a oportunidade para se queixarem do estado dos passeios e dos pavimentos nas suas ruas. É o resultado imediato da carta que a autarca enviou a todos os habitantes, pedindo para identificarem o «`pequeno' problema que não exige estudos prévios nem grandes investimentos». Perante a avalanche da volta do correio, Estrela admite estar com medo de ter criado «muitas expectativas» e não ter depois capacidade para dar resposta a todos os pedidos.</P>
<P>
Sinais de fome</P>
<P>
De qualquer forma, mostra-se confiante em conseguir «levar a carta a Garcia». Tanto mais que agora, acredita, «a maneira como o país olha para Sintra é diferente». Como argumento demolidor esgrime «as vantagens» da sua eleição para vice-presidente da comissão permanente da Junta Metropolitana de Lisboa. Os restantes membros que se acautelem, porque a autarca promete que tudo fará para que o seu município tenha direito a uma boa parte dos fundos comunitários. E se alguém pretender usar o facto de o Plano Director Municipal não estar ainda em vigor é melhor tirar daí a ideia. «Em Março o PDM estará aprovado», sentencia.</P>
<P>
Os principais problemas não são, de maneira alguma, idênticos aos de outros municípios, desertificados ou a braços com falências industriais e comerciais. Mesmo assim, Edite Estrela alerta para que começam a surgir «algumas situações de claros sinais de fome no concelho», segundo lhe foi relatado por presidentes de juntas de freguesia num encontro recente. E ao seu gabinete também bate quem -- como, nesse dia, a mãe de duas crianças deficientes -- reside em condições sub-humanas. «Não dispomos de meios para uma intervenção directa, mas não deixamos de pressionar as entidades competentes», assegura.</P>
<P>
Antes do almoço, ainda há tempo para receber cumprimentos dos organizadores do torneiro de ténis Open de Portugal, e explicar que os tempos não estão para apoios financeiros. Ou para responder a um telefonema da ministra do Ambiente e Recursos Naturais, Teresa Gouveia. A sua adversária indirecta pelo PSD nas últimas eleições autárquicas -- à Assembleia Municipal -- pretende discutir com ela a adesão de Sintra à sociedade de gestão do sistema de saneamento básico da Costa do Estoril. No mandato passado, socialistas e comunistas recusaram, com a Amadora, seguir o exemplo de Oeiras e Cascais e ajudarem a pagar os cerca de 30 milhões de contos a mais do que a obra estava previsto custar. Mas, actualmente, nem que seja apenas por solidariedade para com José Luís Judas, pelo PS à frente dos destinos de Cascais, o assunto poderá levar uma reviravolta, caso o Governo avance com algumas contrapartidas. Monetárias, de preferência.</P>
<P>
Durante um repasto rápido num restaurante próximo da Câmara, acompanhada pelo responsável pelo PDM, a temática cultural domina e passa pela alusão à amizade e ao poder de comunicação de Miguel Torga, sempre pronto a criticar «sem rodeios» aquilo de que discorda. Após um arroz doce e do inevitável café, a autarca já está a entrar no Volvo e a rumar para a capital. Carlos Fernandes fornece alguns detalhes sobre o PDM, para o caso de serem precisos na reunião que essa tarde juntará 51 autarcas da região de Lisboa e Vale do Tejo com o ministro Valente de Oliveira, à volta dos fundos do próximo Quadro Comunitário de Apoio.</P>
<P>
À velocidade de 80 a 100 quilómetros horários no IC 19, aproveita ainda para atender as chamadas passadas do seu gabinete para o telemóvel. Seja para felicitar pelo aniversário um jornal regional, ou para adiantar a um matutino nacional que as respostas à sua carta versam, predominantemente, buracos nas estradas e a falta de segurança e de higiene pública.</P>
<P>
Nas instalações da Comissão de Coordenação Regional, muitos autarcas esgotaram já, com Valente de Oliveira, todos os argumentos ao seu dispor para recusarem algumas das metodologias de acesso aos fundos comunitários, e, por isso, Edite Estrela apenas trocou impressões com o técnico do PDM. Como são quase 19h00, e nesse dia não está previsto serão, saiu da Artilharia Um em direcção à Costa da Caparica, porque voltar a Sintra já «não valia a pena». Até porque, ao fim de pouco mais de um mês de exercício, ainda está «no estado de graça» dos munícipes e da oposição...</P>
<P>
Luís Filipe Sebastião</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-58012">
<P>
Depois da RDPi e da Radio France International, BBC também em Cabo Verde</P>
<P>
Em Português nos (des)entendemos</P>
<P>
José Vicente Lopes, na Cidade da Praia</P>
<P>
Depois da RDP Internacional e da Rádio France International, a BBC passou a ouvir-se também em Cabo-Verde -- mas em FM, em cooperação com uma emissora local. Sempre em português mas veiculando interesses culturais divergentes. Um pouco o que se passa, cada vez, mais, na restante África lusófona.</P>
<P>
Os ouvintes cabo-verdianos passaram a partir de ontem a poder sintonizar, em frequência modulada, as emissões em língua portuguesa da BBC através da Rádio Nova, propriedade dos irmãos Capuchinhos, que também possuem um jornal -- o mensário «Terra Nova», outrora baluarte contra o regime de partido único. Após um curto período experimental, o arranque oficial foi ontem, com um «especial» sobre Cabo Verde.</P>
<P>
A par da Rádio France Internacional (RFI) e da Radiodifusão Portuguesa (RDP), a BBC torna-se, assim, a terceira emissora radiofónica estrangeira captável em Cabo Verde sem os característicos ruídos das ondas curtas -- o retomar de um modelo de cooperação experimentado vários anos em Portugal entre a estação britânica e a Rádio Renascença.</P>
<P>
A experiência com a Rádio Nova é a primeira com os países africanos de língua oficial portuguesa, tornada possível por um acordo recente entre as duas estações, devendo seguir-se em Moçambique e na Guiné-Bissau, onde a BBC já escolheu os seus parceiros locais. «Orgulhamo-nos deste acordo com a Rádio Nova, estação de rádio independente com uma abordagem digna, responsável e corajosa», declarou Manuel Santana, editor-chefe dos programas da BBC em língua portuguesa para África.</P>
<P>
Vista ainda hoje em África como alternativa aos meios estatais de informação, a BBC procura adaptar-se aos novos tempos, depois de, no caso cabo-verdiano, algumas das suas concorrentes -- como a RDP e a RFI -- já se terem instalado no arquipélago através de acordos com o Governo da cidade da Praia. Difundem todos em língua portuguesa, com a informação no comando das suas emissões, mas com propostas culturais distintas -- e concorrentes, como já acontece nos restantes PALOP.</P>
<P>
Assinalando o início oficial das suas emissões via Rádio Nova, a BBC começou a divulgar uma série de trabalhos jornalísticos sobre a situação política em Cabo Verde, que em breve irá as urnas, terminando o mandato eleitoral dos actuais governantes em Janeiro de 1995. António Espírito Santo, secretário executivo do MPD, foi o primeiro dirigente a ser entrevistado sobre as próximas lutas eleitorais, seguindo-se, hoje e amanhã, outras figuras do xadrez partidário.</P>
<P>
A Rádio Nova, que teve de aumentar ligeiramente o seu tempo de emissão para poder adaptar-se a esta nova face da sua vida, passou a transmitir o jornal da manhã, o jornal da tarde e o Londres última hora, que são os mais importantes serviços noticiosos da BBC. Para que isso fosse possível, a estação londrina pôs a disposição do seu parceiro cabo-verdiano uma antena parabólica, para além de uma vasta gama de meios técnicos e humanos. Além de participar na formação dos quadros cabo-verdianos, a BBC porá à sua disposição vários programas e novidades musicais, científicas, etc.</P>
<P>
Com sede em S. Vicente e dirigida pelo frei António Fidalgo Barros, como o é também o jornal «Terra Nova», a Rádio Nova surgiu em 1992, logo se impondo como alternativa a informação oficial ou oficiosa da estatal Rádio Nacional de Cabo Verde (RNCV). Ao contrário desta, que transmite 24 horas por dia, o seu período de emissão era de apenas 12 horas, cobrindo praticamente todas as ilhas de Cabo Verde.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-91301">
<P>
Viagem inaugural partiu sexta-feira</P>
<P>
Novo navio liga Açores a Leixões</P>
<P>
O navio porta-contentores «Monte da Guia» partiu sexta-feira, na sua viagem inaugural, do porto de Leixões para os Açores, construindo assim «mais um troço da auto-estrada que liga os Açores à Europa». Com este transporte regular, a agência de navegação Transinsular dá também «mais um passo na renovação da frota da Transinsular».</P>
<P>
Este porta-contentores é o «irmão-gémeo» do navio «Monte Brasil», que entrou ao serviço em Julho de 1994, para se conseguir o serviço regular «Açores Expresso», através do qual são oferecidas ligações semanais para a Região Autónoma dos Açores. O «Monte da Guia» foi construído no estaleiro alemão J. J. Sietas, de Hamburgo, num investimento superior a três milhões de contos, ficará no registo convencional português e navegará com tripulação totalmente portuguesa. O nome deste navio porta-contentores é devido ao «monte da Guia» ser um dos montes de origem vulcânica sobranceiro à cidade da Horta, na ilha do Faial, à semelhança do monte Brasil que se debruça sobre a cidade de Angra do Heroismo, na ilha Terceira.</P>
<P>
Com 126,50 metros de comprimento, 19,40 m de boca, duas gruas de 40 toneladas e com a capacidade de 621 TEU, este navio porta-contentores «proporcionará melhorias significativas na rapidez, segurança, qualidade e eficiência da operação de transporte para os Açores.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26191">
<P>
No rescaldo de Hockenheim</P>
<P>
O dilema da interrupção</P>
<P>
Interromper ou não uma corrida de Fórmula 1, no seguimento dum acidente em pista, é um dilema que repetidamente se coloca. E este ano mais que nunca. No Grande Prémio do último domingo, em Hockenheim (Alemanha), havia razões para repetir a partida, mas isso não foi feito. Tudo em nome do espectáculo e do público. Os acidentes e os incêndios nas «boxes» são mais um bónus que os adeptos recebem... e gostam.</P>
<P>
Os 11 carros acidentados logo na partida, o impressionante incêndio quando do reabastecimento no monolugar de Verstappen -- nada fez interromper a prova no domingo. Hoje, a regra é só fazer parar um GP em casos extremos. Um exemplo recente mostra-o bem: em Maio, no circuito italiano de Ímola, foi preciso o despiste mortal de Ayrton Senna para que a corrida fosse interrompida. Em 1987, só para se referir um caso oposto, o GP da Áustria teve nada menos que três partidas!</P>
<P>
Na Alemanha, no último domingo, só a sorte terá evitado uma catástrofe. Os pedaços soltos dos carros, libertados depois das várias carambolas iniciais, poderiam ter sido a causa de outros acidentes. Mas, ironicamente, o «carro de segurança» nem chegou a intervir. Desculpa: uma paragem naquela altura faria descer a pressão dos pneus dos bólides concorrentes e isso seria igualmente perigoso.</P>
<P>
Na «box» da Benetton-Ford, o pânico também foi grande. A bola de fogo que envolveu o carro do piloto holandês Verstappen, na sequência de um derramamento de gasolina, poderia ter tido outras consequências, não fora a pronta intervenção dos mecânicos. O «incidente» saldou-se unicamente por ferimentos ligeiros no piloto e em mais cinco elementos que combateram as chamas. «Fiquei aterrorizado, pensei que ia tudo pelos ares. Pela primeira vez na minha vida entrei em pânico.» As palavras são do piloto Mika Hakkinen, que se encontrava a poucos metros do acontecido.</P>
<P>
Os reabastecimentos em prova foram reintroduzidos este ano na Fórmula 1. E desde o início se temeu um acidente destes. Só que... «Os reabastecimentos não se podem pôr em causa. Eles continuarão até no ano que vem», declarou de imediato Max Mosley, presidente da Federação Internacional do Automóvel, cortando cerce toda a especulação. Todos esperam que não seja preciso um azar para se voltar atrás. Ou uma morte.</P>
<P>
Patrice Burchkalter, da France Press</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-46913"> 
<P>O vírus na maçã.</P>
 <P>A chamada Cultura Pop sempre foi gerada no caldeirão fervente das periferias. Obvio ululante. Mesmo a cultura HipHop, este emaranhado de atitudes sócio culturais atribuído à juventude desvalida das grandes metrópoles norte americanas, pode ser descrita, coerentemente, como o ôvo do futuro, gerado no mais remoto e desprezado dos passados. Pura relatividade, portanto.</P>
 <P>Sejamos francos: Não há 'modernidade', 'novidade' possível (pelo menos em se tratando de música e dança populares) fora do contexto efervescente das periferias. Fora dos guetos e favelas nada se cria. Tudo se copia. Sempre foi assim e, talvez, sempre será. O eixo irradiador de toda esta fervura é o mesmo eixo de um centro econômico de cada época, cada ocasião, no caso, em nossos dias, Nova York, onde vicejaram o Rap, o Street Dance, o Grafitti, manifestações criadas nas periferias da grande maçã podre, a Big Apple sem Beatles, sem MacIntosh, sem nada.</P>
 <P>Cultura popular orgânica, com potência de vírus (benigno?), estas manifestações são, em ultima análise, o antídoto humanizador para o veneno intrínseco a um sistema arcaico e carcomido (pelo menos do ponto de vista cultural), totalmente 'out' e 'nada a ver'.</P>
 <P>Se duvidam, experimentem traçar uma linha de tempo e enxerguem (em preto &amp; branco, é claro), lá longe, nos idos dos anos 50, um grupo de negros marcando o tempo com o estalar dos dedos, criando vocais em contraponto, nas esquinas de conjuntos habitacionais infectos ou cantos de quadras de basqueteball suburbanas. Soul e Funk básicos (e ainda o velho Rock and Roll), rolando já ali naquelas manifestações atávicas, quase ancestrais.</P>
 <P>Firmem a vista e vejam o que se dança nestas esquinas. Andem para trás, um pouco mais, e vejam o som das plaquetas metálicas do sapateado ecoando no paralelepípedos das ruas. Isto mesmo! É aquele mesmo sapateado do Gregory Heynes, do Sammy Davis Junior, antes mal assimilado pelos Fred Astaires de ocasião, usufruidores dos lucros do mainstream, este ambiente insípido, onde tudo que uns criam os outros copiam.</P>
 <P>Saiam da Broadway, rápido, e vejam mais longe ainda o som vibrante do bate-enxadas e do baticum ritmado das botas dos trabalhadores das estradas de ferro que cruzaram os States de leste á oeste, unificando as distancias, antes, sofridamente, percorridas à cavalo ou pelas empoeiradas diligências que conhecemos nos filmes de Far West (e bota Far nisto). Escutem o que eles cantam.</P>
 <P>Há work songs, Gospels, Spirituals, Rhytm'n'Blues, Soul e Funk ainda rolando por ali. Querem regredir um pouco mais? Não? Ok. Já sabemos muito bem onde isto vai dar.</P>
 <P>Mas, vejam bem, são cruzamentos entre vias as mais diversas, os mais inusitados caminhos. Não importa muito se são negros ou brancos os criadores dos elementos básicos desta cultura urbanopop, que nos apaixona a todos. Afinal, são meros seres humanos os criadores desta força emocional que nos mantém, a todos, unidos, vivos e felizes.</P>
 <P>Os criadores são o que são - ocorre que, no caso deste nosso estranho mundo 'moderno', eles têm sido negros (ou não brancos, tanto faz) desde há muito tempo - É que o universo capitalista é mesmo este insano criador de periferias, pústulas urbanas, lixo debaixo do tapete, encruzilhadas e guerras. Mundo extremista, cruel, que ainda morre disto um dia.</P>
 <P>Mas, e o Kuduro? Brasileiros que somos, se focarmos mais ainda a nossa lente, vamos encontrar no Kuduro, a mais pura essência (os tonalistas também odeiam este conceito) de nossa tão ambígua e fugidia brasilidade. Duvidam?</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-40350a">
<P>
A equipe do programa "Pesca e Companhia" _exibido semanalmente pela Rede Bandeirantes_ foi a Miami (EUA) para mostrar a pesca do tubarão, que é realizada em águas rasas (com aproximadamente 1,5m de profundidade). Para fisgar o predador, são utilizados peixes como isca. A equipe do programa _comandada por Rubens Almeida Prado_ conseguiu pescar tubarões de até 40 kg. Também são mostrados outros peixes abundantes na região, como o robalo.</P>
<P>
PESCA E COMPANHIA  Bandeirantes, 8h.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-74443">
<P>
A pesquisa feita por Fábio Hazin mostra que o trânsito de navios no porto de Suape é um dos responsáveis pelos ataques de tubarões.</P>
<P>
Não se sabe o motivo, mas os tubarões gostam de seguir navios. Talvez o barulho produzido pelas hélices atraia esses bichos.</P>
<P>
Quando o movimento de navios no porto de Suape foi muito grande, aconteceram mais acidentes. Entre janeiro de 92 e dezembro de 94, ou seja, em 36 meses, aconteceram 14 ataques de tubarões.</P>
<P>
Desses 14, 12 aconteceram em um período de dez meses. Nesse período, o movimento do porto foi superior a 30 navios por mês.</P>
<P>
Quando o movimento de navios no porto ficou entre 25 e 30 navios por mês, aconteceram dois ataques. Isso durou um ano.</P>
<P>
Finalmente, por 14 meses, não houve registro de ataques. Nesses meses, o movimento no porto foi inferior a 25 navios por mês.</P>
<P>
Antonio Dourado, 42, presidente do porto, disse que respeita muito o trabalho de Hazin, mas acha que "a pesquisa precisa ser mais profunda". Ele diz que Suape vai continuar funcionando, "mas não gostaria que o porto fosse visto como um vilão, que presta um serviço ruim à população e ao país". </P>
<P>
Dourado acha que é preciso educar a população e os surfistas para o perigo dos ataques. Hazin diz que vai ser possível aprender a conviver com os tubarões.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-28306">
<P>
Panda elege os vírus mais curiosos de 2007</P>
<P>
O laboratório anti-malware da Panda Security, revelou um relatório onde agrupa os "mais curiosos" exemplos de malware que emergiram no último semestre de 2007.</P>
<P>
Alguns exemplos da lista:</P>
<P>
-O código malicioso "mais pontual" detectado nos últimos tempos, revela a Panda, foi o Trojan Aifone.A. O nome não engana: é um malware associado ao iPhone da Apple. Mal tinha acabado de ser lançado, já este malware o promovia, mas com o objectivo de propagar cópias de si mesmo entre utilizadores...</P>
<P>
-"O worm mais travesso" foi o RogueMario.A, destinado a entreteter os utilizadores enquanto os infecta. Tem uma vertente generosa, já que foi desenhado para instalar a versão do jogo Mario Bros de cada vez que infecta um computador.</P>
<P>
-A categoria Lost in Translation" vai para worms como os MSNFunny.B, Mimbot.A ou MsnSend.A, que conseguem enviar mensagens em vários idiomas, ainda que em frases não muito bem construídas.</P>
<P>
-O Voter.A é um worm com "consciência cívica", conta a Panda. Convida os cidadãos do Quénia a participarem em eleições e a votarem num dos candidatos. Uma ideia de aplaudir, não fosse a técnica mostrar uma imagem do candidato de nove a nove segundos.</P>
<P>
-O Trojan LiveDeath.A tem associado a si a curiosidade. Sempre que infecta um computador, abre uma consola de comandos e força os utilizadores a responderem a uma série de perguntas, como "Qual a sua cor favorita?". O esforço de responder será sempre inglório: qualquer que seja a resposta o computador encerrar-se-á.</P>
<P>
Ainda que algumas destas ameaças lhe possam parecer interessantes, a Panda recomenda o afastamento face a estes exemplos de malware.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-69726">
<P>
Protagonista</P>
<P>
O cavaleiro negro</P>
<P>
«Não posso vender os meus direitos. Só os homens livres podem negociar. Regressarei». Foi assim que Nelson Mandela se dirigiu numa mensagem ao povo do Soweto, em 1985, respondendo a uma proposta de liberdade condicional que lhe foi feita pelo antigo Presidente da África do Sul, P. W. Botha.</P>
<P>
Nove anos mais tarde, ele regressou e negociou, e hoje exerce plenamente os seus direitos de cidadania, nomeadamente após se ter tornado no mais famoso «eleitor estreante» do mundo. Segui Mandela durante as últimas semanas, durante a parte final da sua longa marcha até à presidência sul-africana, vendo-o dirigir-se às massas nos comícios e aos jornalistas nas conferências de imprensa, nos encontros informais com o povo e nas cerimónias oficiais.</P>
<P>
Milhares de pessoas, apinhadas em camiões de gado ou em mini-autocarros, viajaram centenas e centenas de quilómetros e esperaram durante horas, ao sol ou à chuva, ao calor ou ao frio, nos estádios de futebol, para terem a oportunidade de ver de relance o seu líder, Mandela. Alguns, que não têm acesso à televisão, só tinham anteriormente visto a sua cara em cartazes e folhetos de propaganda.</P>
<P>
[...] Todos eles, dos velhos e desdentados aos novos e descalços, dançam até vislumbrarem o primeiro carro da caravana automóvel. A visão provoca uma vaga de energia que atravessa a multidão. As mulheres gritam em crescendo, as crianças batem palmas. Todos acenam freneticamente com bandeiras e cartazes, criando vagas de excitação num mar de negro, amarelo e verde.</P>
<P>
Mandela regressou... na caixa de uma carrinha. Surge altaneiro, digno; o cavaleiro negro no cavalo branco, carrasco do apartheid e pioneiro do poder da maioria. Com uma face rígida e o punho erguido. Insiste em dar uma volta de honra, mesmo se isso não está no programa, para que ninguém volte desapontado para casa.</P>
<P>
Se foi pela excitação e pelo ambiente que as pessoas ali acorreram, então podem ir-se agora embora. No momento em que Mandela toma o seu lugar no palco, o orgasmo terminou.</P>
<P>
[...] As qualidades de Mandela são vastas, mas falar em público deixou há muito de ser uma delas. Os seus guarda-costas dirão que durante os seus julgamentos, quando como advogado ele se representou a ele próprio e aos seus camaradas co-réus, os negros costumavam vir de quilómetros em redor para o ouvirem reduzir o homem branco à sua insignificância, com o seu poder analítico e raciocínio fino. Os seus poderes de análise continuam a ser fortes mas o estilo de oratória lento que hoje utiliza parece trabalhado e rígido.</P>
<P>
[...] Nos seus assuntos pessoais, Mandela é um fanático da pontualidade, mas em campanha ele andou invariavelmente atrasado. Os que lhe são próximos dizem que a insistência em apertar a mão a todos os que lha estendem, por cima da muralha de guarda-costas, e um genuíno desejo de contacto humano são a causa dos atrasos. «Ele adora falar com as pessoas, e é muito delicado. Despede de imediato os guarda-costas se os vê tratar de forma minimamente rude alguém que se aproxime», diz Barbara Masakela, chefe de gabinete de Mandela.</P>
<P>
[...] Não é acidental o facto de Mandela não se ter referido ao longo de toda a campanha às memórias dolorosas do passado, como os tempos da prisão, o massacre de Sharpeville ou o levantamento do Soweto. Isto porque, dando como certo que o ANC ganharia as eleições por larga margem, a campanha teria que ser conduzida pela positiva.</P>
<P>
«Seria condescendente dizer aos negros sul-africanos que tiveram uma vida difícil durante o apartheid», refere Ken Modise, que está encarregado da imagem do ANC. «Todos sabem que o partido foi um movimento de libertação altamente eficiente. Mas será ele tão eficiente no governo? Os sul-africanos encaram o ANC como o partido novato. Tivemos que demonstrar às pessoas que tínhamos a predisposição para governar».</P>
<P>
[...] Para alguém com 75 anos, Mandela tem uma aparência física invejável. Não bebe nem fuma. Não come manteiga, ovos, doces ou quaisquer outros alimentos que possam agravar a sua pressão arterial alta. Costumava levantar-se todas as manhãs pelas 04h30, um hábito adquirido na prisão. Mas a idade atrasou o seu relógio biológico, acertando-lhe o despertar para as 05h00. A primeira coisa que fazia era correr, mas isso é considerado hoje demasiado arriscado, do ponto de vista de segurança, usando antes uma bicicleta fixa. Depois, toma um pequeno-almoço ligeiro de frutas frescas ou de cereais com leite quente, antes de começar a trabalhar pelas 06h30.</P>
<P>
É um homem extraordinariamente introvertido. Ahmed Kathrada, que com Mandela partilhou durante sete anos a mesma cela, diz que ele e Walter Sisulu tinham por vezes de o forçar a parar de ler e a falar com eles. Também o impediam de correr à volta da cela, às 04h30 da manhã, quando eles tentavam dormir. Hoje, o pouco tempo de descontracção que Mandela se permite passa-o a ver desporto, especialmente boxe, e a ler biografias.</P>
<P>
Raramente vai para a cama depois das 22h00, mas durante a campanha os seus dias foram muito mais longos. No final do mês passado, quando teve laringite, houve a ideia de que ele estava a puxar demasiado pelo físico. Foi posto durante uma semana a descansar, fora do alcance do público.</P>
<P>
O homem dos consensos</P>
<P>
[...] Nascido na família real Tembu, é descendente de uma linhagem que pode ser seguida até 20 gerações atrás, no séc. XV. De vez em quando, Mandela ainda dá o seu ar de nobreza, quase imperial, traduzindo a natureza de um homem convencido de que está geneticamente equipado para governar.</P>
<P>
Claro que foi um lutador pela liberdade, mas nunca foi um revolucionário no sentido que geralmente se atribui a esse conceito. Se ele é alguma coisa é um conservador convicto. Durante o início dos anos 60, quando os restantes lutadores pela liberdade na África do Sul abraçavam o socialismo ou desenvolviam as suas próprias teorias pan-africanistas, Mandela defendia a antiga potência colonial do seu país. «Tenho grande respeito pelas instituições políticas britânicas e pelo sistema judicial desse país. Vejo o parlamento britânico como o mais democrático do mundo», disse ele no Supremo Tribunal de Pretória, durante o julgamento de Rivonia. O grande trunfo de Mandela é a sua capacidade para gerar consensos. Ele não é um ideólogo mas um democrata de centro-esquerda preocupado com os interesses de «uma Nação». Para ele quase todas as questões, desde a criação dum Volkstaat (um território para os africaners) ao envolvimento do FMI na elaboração das opções políticas, merecem ser tomadas em consideração, na medida em que contribuam para o esforço de reconciliação nacional.</P>
<P>
[...] Fontes no ANC asseguram que o seu papel como Presidente se confinará essencialmente a sarar as feridas do apartheid, com o vice-presidente do partido a mergulhar as mãos na política suja do dia-a-dia. Mas se o seu novo papel lhe vai decerto dar o título de Pai da Nação, isso deve-se quase inteiramente à devoção sem limites ao ANC, que tem sempre estado acima de tudo em toda a sua vida.</P>
<P>
A pressão do seu activismo político destruiu-lhe o primeiro casamento com Eveline Ntoko Mase, de quem tem três filhos. E sabe-se que a sua separação de Winnie foi resultado das pressões do ANC, que viam as suas condenações em tribunal e posições políticas radicais como prejudiciais à imagem do partido. Interrogado sobre se Mandela gostaria de se reconciliar com Winnie, o arcebispo Desmond Tutu disse: «Ele não diz nada directamente, mas suspeito que não quereria fazer nada que fosse prejudicial para o partido ou para a causa».</P>
<P>
Winnie diz que desde que ele assumiu a liderança do ANC, nunca teve uma vida própria. «No momento em que saiu da prisão, passou a ser propriedade nacional e tínhamos muita sorte se estávamos com ele 10 minutos por dia. Penso que a família ainda está à espera dele. Psicologicamente, ainda não saiu da prisão, no sentido de que agora ele regressou para o povo. Foi a continuação do género de vida em que a família não tinha acesso a ele».</P>
<P>
Muito pouca gente tem acesso a Nelson Mandela. Os seus amigos dizem que, embora não o consigam imaginar a fazer outra coisa diferente, a sua natureza não está à vontade com as restrições do cargo. Gostaria de passar mais tempo com os netos, de viajar e ler, mas simplesmente não tem tempo para isso.</P>
<P>
Tirem o ANC de Mandela e terão um homem muito quente e generoso, mas sozinho, que passou o último Natal sem companhia, numa ilha das Índias Ocidentais. Um homem que raramente tem tempo para falar com os amigos e mesmo assim só pelo telefone.</P>
<P>
Tirem Mandela ao ANC e privam a organização do seu mais importante trunfo, no momento mais crucial da sua história. Um dos poucos homens capazes de ajudar a levar a bom termo a transição do movimento de resistência clandestina para a fase de partido político legal e, finalmente, partido do poder.</P>
<P>
Gary Younge</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-71248"> 
<P> Primeiro bebé de 2008 nasceu em Lisboa às 00:00:30 segundos </P>
 <P> O provável primeiro bebé português do ano é do sexo masculino e nasceu aos 30 segundos de hoje na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, disse à agência Lusa uma fonte daquele hospital. </P>
 <P> Com 3,520 quilos, o bebé nasceu de parto normal e encontra-se bem, tal como a sua mãe, Mariana, de 16 anos. </P>
 <P> O provável segundo bebé do ano nasceu no Hospital de São João, no Porto ao primeiro minuto do dia, de parto normal. Chama-se Francisco e é o terceiro filho de um casal residente no Porto, disse à Lusa fonte hospitalar. </P>
 <P> Ao quinto minuto do dia, novamente na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa,nasceu um rapaz, de parto assistido por ventosa, com 3,360 quilos. O bebé encontra-se bem, tal como a mãe, Cristina, de 30 anos, disse à Lusa a fonte do hospital. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-36717">
<P>
Comentário</P>
<P>
Teresa de Sousa</P>
<P>
Da guerra e da paz na Europa</P>
<P>
Ninguém se atreverá a dizer que 1994 acaba da melhor maneira para a União Europeia.</P>
<P>
É verdade que a crise económica deu lugar à retoma, afastando algumas nuvens do horizonte, mas deixando, também, o aviso, expresso em Essen por Jacques Delors: mesmo com um ritmo de crescimento anual de 3,4 por cento, a Comunidade chega ao fim do século com uma taxa de desemprego de sete por cento da sua força de trabalho.</P>
<P>
É verdade que a União conseguiu concluir o seu novo ciclo de alargamento aos países da ex-EFTA, apenas com o dissabor norueguês, preparando-se para integrar 15 membros a partir do dia 1 de Janeiro de 1995.</P>
<P>
É verdade, também, que o Conselho Europeu de Essen, culminando a presidência alemã da UE, abriu as suas portas pela primeira vez aos representantes de mais seis novas democracias do Centro e do Leste europeu, dando algumas garantias suplementares de que o caminho para a respectiva integração, mesmo que lento e difícil, não será posto em causa.</P>
<P>
O simples facto de estar já lançado em força o debate sobre a reforma do Tratado de Maastricht -- prevista para a Conferência Intergovernamental de 1996 e destinada a levar a União a um aprofundamento institucional e a uma clarificação de objectivos políticos e estratégicos que lhe permita funcionar a 21 ou a 27 -- é, porventura, o sinal mais evidente de que, apesar de tudo, o caminho da unificação europeia prossegue. E, no entanto, a União respira incerteza, melancolia, desânimo, preocupação.</P>
<P>
Na origem deste sentimento mais ou menos difuso está, com certeza, a chocante desproporção entre a complexidade e gravidade dos problemas, desafios e perigos com que se defronta a nível externo e a ausência quase total de visão, capacidade e determinação para os vencer a nível interno.</P>
<P>
Em muitos aspectos, pode dizer-se que 1994 deixa como herança para o novo ano perspectivas e cenários que nem os mais pessimistas se atreviam, talvez, a imaginar há cinco anos, quando o mundo festejava a queda do Muro de Berlim e a libertação dos povos europeus do comunismo.</P>
<P>
O conflito bósnio continua a ceifar milhares de vidas, a semear o horror da «limpeza étnica» e dos «campos de trabalho», a permitir aos agressores ganhar terreno nos tabuleiros diplomático e militar, tornando ainda mais cruel e assustadora a impotência ocidental.</P>
<P>
Mas as consequências da guerra nos Balcãs foram bem mais longe, conduzindo àquilo que, para muitos responsáveis, seria o verdadeiro cenário de pesadelo: a divisão entre a Europa Ocidental e os Estados Unidos, o agravamento dos desentendimentos no seio da Aliança Atlântica com a manifestação aberta da divergência de interesses e de propósitos entre ambos os lados, no continente europeu.</P>
<P>
Espelhando fielmente esta situação, a UE e a NATO chegam ao fim de 1994 reduzidas à confrangedora circunstância de fazerem complexos e dispendiosos planos militares para a rápida e segura evacuação das tropas da Força de Paz da Bósnia a qualquer momento.</P>
<P>
Na Tchetchénia, a União Europeia e os Estados Unidos assistem silenciosos e comprometidos à miragem daquilo que pode ser uma Bósnia em dimensões gigantescas. Quatro anos depois do fim da União Soviética e da derrocada do comunismo na sua própria pátria, Boris Ieltsin e o Governo da Rússia parecem dispostos a deixar de considerar o seu entendimento e a sua convergência com o mundo ocidental como um vector fundamental da política externa pós-guerra fria.</P>
<P>
Em Budapeste, na cimeira da CSCE (crismada, agora, de OSCE), o Presidente russo conseguiu impedir brutalmente qualquer entendimento mínimo em torno de uma solução política para a Bósnia, ou mesmo uma simples declaração condenatória dos sérvios. O amigo de Washington e Bruxelas não hesitou em ameaçar a Europa com uma nova «paz fria» de consequências imprevisíveis.</P>
<P>
E, mesmo que os observadores se apressem a encontrar explicações desculpabilizadoras para a mudança de comportamento de Moscovo na relação de forças interna entre democratas pró-ocidentais e totalitaristas eslavófonos -- justificando a tendência manifesta do Ocidente para uma política de apaziguamento face a Moscovo --, isso não chega para dissipar as sombras pesadas que os últimos acontecimentos e as mais recentes posições do Governo da Federação Russa lançaram sobre a Europa.</P>
<P>
Ao vetar o alargamento da NATO aos seus antigos domínios da Europa Central e Oriental e ao recusar-se, à ultima hora, a assinar a Parceria para a Paz, proposta pela Aliança aos seus parceiros do antigo Pacto de Varsóvia, Moscovo conseguiu deixar o Ocidente momentaneamente paralisado e a Aliança Atlântica sem objectivos compatíveis e adequados à nova situação estratégica do continente.</P>
<P>
Em simultâneo, a Rússia dispõe-se a praticar nas antigas repúblicas soviéticas que denomina, significativamente, de «estrangeiro próximo» uma política de potência regional que dispensa qualquer «agrément» ocidental.</P>
<P>
Quatro anos após o acordo dos Doze em torno do Tratado de Maastricht, as previsões dos mais pessimistas correm o risco de se verem confirmadas. A União Europeia confronta-se com o ressurgimento de um nacionalismo agressivo à sua volta, com o qual não parece estar preparada para lidar, ao mesmo tempo que assiste impotente e receosa aos primeiros sintomas sérios da progressiva desresponsabilização dos Estados Unidos pela sua segurança.</P>
<P>
Incapaz de ter uma política diplomática e militar efectiva e credível para os Balcãs (tal como Washington não parece em condições de adoptar uma política externa clara e adequada à nova situação internacional), a UE vê-se sozinha diante de todas as suas fraquezas, perplexidade e incapacidades.</P>
<P>
A questão que se põe com uma acuidade dramática, no início de 1995, é a de saber onde irá a União Europeia buscar a visão, a força e os instrumentos para enfrentar o mundo turbulento e perigoso que parece emergir da «guerra fria».</P>
<P>
Internamente, parecem conjugar-se diversos factores preocupantes.</P>
<P>
O afastamento voluntário de Jacques Delors da corrida ao Eliseu, em França, vem deixar de mãos vazias os que ainda acreditavam nas potencialidades do voluntarismo de dois homens -- o presidente da Comissão Europeia e o chanceler alemão Helmut Kohl -- para liderar as mudanças de que a Comunidade precisa urgentemente.</P>
<P>
Hoje, talvez mais ainda do que nos primeiros 30 anos de vida, a aliança franco-alemã é indispensável para o projecto de integração económica e política da Europa. E, se Bona parece continuar com a determinação e a boa vontade necessárias para impulsionar o processo de revisão do Tratado, sem Delors, Paris arrisca-se a continuar mergulhada num período de profundas incertezas sobre o seu papel no mundo.</P>
<P>
Um rápido olhar sobre as restantes capitais apenas nos mostra mais sinais de crise, de fraqueza política, de imediatismo eleitoral. Jonh Major continua a lutar desesperadamente pela sobrevivência política à tona de um partido porventura já irremediavelmente dividido pela questão europeia. A Itália prossegue de crise em crise, tentando reconstituir novas instituições políticas a partir das cinzas deixadas pelos velhos partidos do pós-guerra, destruídos pela usura e pela corrupção. González está já em fase de declínio acentuado, que dificilmente conseguirá inverter até às eleições de 1997. Cabe-lhe ainda a tarefa de ordenar e impulsionar o debate preparatório da Conferência Intergovernamental de 1996, quando Madrid presidir à União no segundo semestre de 1995.</P>
<P>
Em toda a parte, mesmo que com graus de intensidade diversos, manifestam-se sinais do ressurgimento de forças nacionalistas e fechadas, desejosas de tirar partido do sentimento de insegurança e de medo do futuro que a nova situação europeia e internacional alimenta e preparadas para ocupar o vazio deixado pela inépcia e falta de coragem política dos governos e das elites democráticas dos países da UE. Portugal, naturalmente, não foge à regra.</P>
<P>
O contágio nacionalista ameaça, aliás, não respeitar nem aquelas fronteiras que pensávamos que a democracia tivesse tornado inexpugnáveis. Manifesta-se em Atenas, fazendo da Grécia um parceiro cada vez mais incómodo da UE, na recusa em reconhecer a República da Macedónia, nos conflitos fronteiriços com a Albânia, no apoio implícito a Belgrado, na susceptibilidade relativamente à Turquia. Ou em Roma, cujo Governo bloqueia o início das negociações entre Bruxelas e a Eslovénia para a assinatura de um Acordo Europeu idêntico aos que a Comunidade já tem com seis das novas democracias de Leste.</P>
<P>
Depois da alegria de 1989, do optimismo de 1990, da estrondosa vitória das democracias ocidentais sobre o totalitarismo soviético e do fim do equilíbrio do terror, abre-se à nossa frente um período de uma ou duas décadas que se arrisca a ser de forte turbulência. Os Estados Unidos e a União Europeia não vão ser os dois únicos poderes deste novo sistema mundial multipolar (onde a Rússia continua a ser uma incógnita e onde emergirão a China e, provavelmente, potências do mundo islâmico), nem o seu desejo de espalhar a democracia parece poder alcançar um amplo e rápido sucesso.</P>
<P>
São, fundamentalmente, as fraquezas, as divisões e a ausência de objectivos comuns da União Europeia, somadas à desorientação e ao regresso da velha e cíclica tendência norte-americana para o isolacionismo (ameaçando seriamente a solidez da Aliança Atlântica), que geram e alimentam este difuso sentimento de impotência, de perplexidade e de receio com que a Europa se prepara para entrar no novo ano.</P>
<P>
Por isso, 1995 será certamente, para os políticos e para os cidadãos da Europa, um ano de escolhas muito difíceis. Porque, afinal, no velho continente europeu, onde há cinco anos a História foi «descongelada», é outra vez da paz e da guerra que se trata.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa25258"> 
<P> Salgado, o fotógrafo da África perdida </P>
 <P> " África " do fotojornalista Sebastião Salgado é um murro na alma, um livro que consegue ainda surpreender os nossos olhos tão viciados que estão na catadupa de imagens que invadem o nosso quotidiano. É também o carimbo que autentica a vitalidade do fotojornalismo de referência, no tempo em que num ápice de 5 anos a fotografia digital e toda ferramenta que permite uma nova linguagem multimédia, pareciam condenar o preto-e-branco como a última sessão fotográfica. </P>
 <P> Conheci o Sebastião Salgado em Fátima no ano de 1979. Ao meu lado apareceu um fotógrafo estrangeiro, de ar cansado e que começou a comentar como era louco um velhote com as pernas entrapadas que teimava em iniciar de joelhos mais uma dolorosa promessa. O António Pedro Ferreira, outro fotógrafo peregrino, reconheceu-o logo como sendo o Sebastião Salgado. Na época ele ainda não era muito conhecido, tinha iniciado a carreira de fotógrafo em 1975, em Angola, fotografando a aventura portuguesa na hora da descolonização. Mandara às urtigas uma profissão respeitável de economista e descobrira que a fotografia era o meio ideal para mostrar ao Mundo a saga do sofrimento humano. </P>
 <P> As suas fotos tinham sido publicadas na Photo e no Paris-Match, que eu me lembre, e tinham-me marcado pela capacidade de testemunharem momentos únicos, aliando o olhar jornalístico, ao apuro técnico, a sensibilidade social ao rigor estético. Sempre me intrigou, e hoje de novo ao ver o " África " onde estão também essas fotos, como é que um fotógrafo sem experiência já conseguia enquadrar de uma forma tão rigorosa e com um carácter tão forte. Só os mestres o conseguem com muita maturidade mas ele já alinhava na grelha de partida em primeiro para aquela que acabaria por ser uma carreira fulgurante. </P>
 <P> Em Fátima, no dia seguinte pela manhã voltei a encontrá-lo, sempre com o António Pedro Ferreira ao lado, e ele acabou por confessar (o lugar prestava-se a isso!) que tinha adormecido na véspera no quarto do hotel, depois de um jantar reconfortante falhando assim as fotografias da Procissão das Velas. Eu já contei esta história mas gosto de a repetir porque ela desmistifica a ideia de que os grandes repórteres são infalíveis. Não são. </P>
 <P> Falar das fotografias do Sebastião Salgado é redundante. Elas falam, dizem, explicam, sugerem, escondem, denunciam, por si, a visão grandiosa do fotojornalista-autor. </P>
 <P> Interessante é o método de Salgado para concretizar as suas reportagens. Trabalha com uma equipa reduzida. A mulher, arquitecta, dá-lhe apoio na produção, no design que transporta as fotografias. Depois conta com mais duas ou três pessoas num pequeno apartamento em Paris. Por detrás das suas imagens uma ideia, um projecto, uma produção, um fim. Salgado não fotografa à solta, não dispara sem objectivo. Por isso as suas fotografias demoram anos a fazer, editar, imprimir, mostrar. </P>
 <P> Durante muitos anos o fotógrafo trabalhou nas agências Sygma e Gamma e mais tarde foi membro da Magnum. Para ter fundo de maneio para poder realizar muitas das fotografias que agora aparecem no " África ", trabalhava nove meses em Paris a fazer conselhos de ministros, política, faits-divers, para poder financiar os seus projectos especiais a preto-e-branco com cariz de autor, durante os restantes três meses do ano. </P>
 <P> O trabalho mais bem pago como fotojornalista foram as fotografias que fez por mero acaso do atentado a Ronald Reagen. A revista Time tinha-lhe pedido para seguir o Presidente durante um mês, ele fê-lo com alguma contrariedade e acabou por estar no sítio certo, à hora exacta, no instante decisivo. Havia mais dois fotógrafos a seu lado, um deles da Associated Press que fez fotos muito melhores, mais nítidas e mais perto, do que as dele, mas Salgado conseguiu mesmo assim com a venda dessas imagens, um pouco tremidas, comprar um pequeno apartamento em Paris. </P>
 <P> A obra de Salgado supera muito do que tem sido em geral nos últimos 30 anos a fotografia documental. Não há outro fotógrafo na arte de testemunhar com uma tão extensa foto-galeria. </P>
 <P> Mas se o público enche aos milhares as suas exposições e corre a comprar os seus foto-álbuns, há uma elite da fotografia que questiona o sucesso comercial assente no testemunho da tragédia alheia, mesmo que haja no seu discurso visual e falado uma obsessão de esquerda pelo estado das coisas e pelos desígnios da Humanidade. </P>
 <P>É um fotógrafo que ainda atravessa o tempo da película para o digital, que permanece um artesão, e que está angustiado porque duvida conseguir no mercado a tempo película a preto e branco para poder acabar o seu novo projecto.</P>
 <P> Com " África " regressamos ao tempo perdido e com Salgado revivemos o melhor que há na essência do fotojornalismo documental. </P>
 <P> Luiz Carvalho, fotojornalista do Expresso </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-95243">
<P>
Bebés viciados em «crack»</P>
<P>
Médicos britânicos têm vindo a descobrir um número crescente de «crack babies» («bebés do crack») que nascem viciados neste derivado da cocaína. «O problema explodiu nos últimos seis meses e está a piorar», disse o professor de pediatria da Universidade de Bristol, Peter Fleming, ao «The Sunday Times». O jornal informou que 160 «crack babies» nasceram no ano passado e que os médicos receiam que muitos outros casos estão a sair dos hospitais sem serem diagnosticados porque o corpo clínico não reconhece os sintomas de uma criança que sofre de carência de droga. «Um hospital de Londres que realizou o primeiro estudo de despistagem de droga acredita que mais de 15 por cento das suas mães estão a usar «crack» e outras drogas», escreveu o jornal. Os bebés viciados por vezes sofrem de tremuras e convulsões, nascem com pouco peso e precisam de tratamento de desintoxicação. Quando as mães fumam o muito viciante «crack», caem os fornecimentos de oxigénio ao feto, danificando para sempre os vasos sanguíneos do cérebro e causando problemas de desenvolvimento e aprendizagem.</P>
<P>
Mais feridos em Pamplona</P>
<P>
Duas pessoas foram gravemente feridas nas pernas por um touro no quarto dia das «fiestas» de San Fermín, em Pamplona, informou ontem um porta-voz do hospital local. Um californiano de 40 anos, Mitchel Sobolesk e um natural da cidade, de 26, sofreram graves lesões. Um outro homem de 23 anos foi tratado a ferimentos ligeiros após ter sido encurralado pelos touros na primeira corrida da manhã. Os organizadores disseram que as multidões do fim-de-semana, e o facto de seis dos animais se terem separado na corrida de três minutos e meio pelas ruas de Pamplona, complicaram as festividades de domingo. Já na quinta-feira, primeiro dia do festival, se registaram dois feridos.</P>
<P>
Tubarão ataca surfistas</P>
<P>
Na África do Sul, um tubarão arrancou a perna direita de um surfista e mordeu gravemente um outro na anca, forçando as autoridades a fecharem as praias da cidade portuária de East London, informaram as autoridades. Os surfistas locais suspeitam que um grande tubarão branco, tido como a espécie mais selvagem e perigosa de esqualos, atacau os desportistas, de 22 e de 31 anos, no zona da praia conhecida por Nahoon. «Um surfista continua ainda em estado crítico nos cuidados intensivos. Perdeu a perna direita», disse o responsável médico do hospital Frere, Esme Erasmus. O segundo surfista ficou numa situação considerada ontem satisfatória.</P>
<P>
Evadidos entregam-se no Brasil</P>
<P>
Os dois evadidos da prisão central de Porto Alegre que mantinham três mulheres como reféns num hotel da cidade brasileira entregaram-se às autoridades. O balanço final do motim, quando nove evadidos armados fugiram em vários carros que tinham exigido à força, acabou por saldar-se em quatro mortes -- três presos e um guarda -- segundo divulgou ontem a polícia militar. Um balanço provisório tinha dado conta de cinco mortos (ver PÚBLICO de ontem).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17365">
<P>
As «guerras» da água</P>
<P>
Margarida Santos Lopes</P>
<P>
A água substituiu o petróleo como o bem mais valioso do Médio Oriente e, temem os políticos, poderá ser a causa da próxima guerra. A escassez é apenas um elemento da crise. A ineficácia é outro, assim como a incapacidade de alguns países de mudarem as suas prioridades, da agricultura para outros empreendimentos que necessitam menos de água.</P>
<P>
Alguns peritos sugerem que a partilha de tecnologia e de recursos poderia satisfazer as necessidades dos 159 milhões de habitantes da região. Mas, como escreveu Priit J. Vesilind, da «National Geographic», neste mosaico de rivalidades étnicas e religiosas, a água «está enredada na política que impede as pessoas de confiarem e procurarem ajuda mútua». Numa região «onde a água, como a verdade, é preciosa, cada nação tende a encontrar a sua própria água e a fornecer a sua própria verdade».</P>
<P>
No Médio Oriente, a chuva só cai no Inverno -- «Inshallah» (se Deus quiser), como dizem os árabes -- e é absorvida rapidamente pelas terras semi-áridas, deixando o solo sequioso até ao ano seguinte. Em 1990, os Estados Unidos tiveram um potencial de água potável para cada um dos seus cidadãos de 10 mil metros cúbicos/ano, mas o Iraque só teve 5500, a Turquia 4000, a Síria 2800, o Egipto 1100, Israel 460 e a Jordânia 260.</P>
<P>
São três as principais áreas, no Médio Oriente e no Norte de África, em que a partilha da água entre Estados pode conduzir a disputas: a bacia do rio Jordão, que envolve Israel, a Jordânia, a Síria e os territórios ocupados; a bacia dos rios Tigre e Eufrates, que envolve a Turquia, a Síria e o Iraque; e a bacia do rio Nilo, que envolve o Egipto, o Sudão, a Etiópia, o Uganda e outros Estados da África Oriental.</P>
<P>
A bacia do Jordão é o mais sério problema de água no Médio Oriente, porque está na área de maior potencial de conflito político. O rio Jordão, embora muito menos impressionante, em termos de caudal, do que o Eufrates ou o Nilo, serve um pequeno triângulo que inclui a Síria, o Sul do Líbano, a Jordânia, Israel e a Cisjordânia, Gaza e os montes Golã.</P>
<P>
As duas principais fontes de água de Israel são o Mar da Galileia, alimentado pelo rio Jordão e seus afluentes, e os aquíferos subterrâneos da Cisjordânia e da planície costeira (incluindo a Faixa de Gaza). Uma das primeiras medidas do Estado judaico após a ocupação destes territórios árabes, em 1967, foi declarar a água «recurso estratégico sob controlo militar».</P>
<P>
Foi a partir do Mar da Galileia que Israel construiu o seu aqueduto «nacional», uma gigantesca rede de três metros de diâmetro que se estende até ao deserto do Negev. Esta canalização estratégica -- contra a qual a Fatah, de Yasser Arafat, lançou com êxito a sua primeira operação de guerrilha, em 1965 -- retira a maior quantidade de água do rio Jordão, abastecendo a população a um ritmo de um milhão de metros cúbicos por dia, para irrigação e uso doméstico e industrial.</P>
<P>
Depois da Guerra dos Seis Dias, os israelitas negaram aos palestinianos da Cisjordânia a abertura de poços e a superfície de terras irrigadas exploradas pelos árabes baixou de 27 por cento, antes de 1967, para 3,7 por cento, actualmente. Os cerca de 100 mil colonos judeus na Cisjordânia utilizam hoje quase tanta água como um milhão de palestinianos -- aproximadamente 100 milhões de metros cúbicos contra 137. Crê-se que 83 por cento da água da montanha aquífera da Cisjordânia é utilizada por Israel. Alguns técnicos e engenheiros admitem que a extracção aos níveis actuais poderá esgotar este aquífero ainda antes do virar do século.</P>
<P>
A situação em Gaza, onde vivem cerca de 650 mil palestinianos numa estreita faixa de 360 quilómetros quadrados, ao longo do Mediterrâneo, é ainda mais explosiva. Explorada até à exaustão, quer pela população árabe quer pelos dez mil colonos judeus, o lençol freático esgotou-se de tal modo (está a ser consumido 50 vezes mais depressa do que é resposto) que a água do mar e as descargas dos esgotos já o infiltraram, tornando-o salobro. «Dentro de três anos, a água doce terá desaparecido de Gaza», disse um perito ao diário francês «Le Monde», salientando que «a quantidade de cloro já ultrapassa as normas sanitárias».</P>
<P>
Situação alarmante</P>
<P>
Por seu turno, a Jordânia regista actualmente um défice de água de 40 por cento, que poderá subir para 65 por cento no ano 2005, enquanto a população (3,4 milhões de habitantes) terá aumentado mais de 70 por cento. O consumo médio por habitante é da ordem dos 250 metros cúbicos por ano, contra uma média mundial de mil metros cúbicos. Os 730 milhões de metros cúbicos consumidos anualmente na Jordânia (dois mil milhões de metros cúbicos para Israel) provêm de lençóis freáticos ou de águas da chuva, muito irregulares e mal repartidas. A situação é considerada alarmante.</P>
<P>
Ainda antes da guerra de 1967, a Jordânia começou a construir uma barragem para reter as água do rio Yarmuk, cujo nível depende das chuvas de Inverno. O Yarmuk, que nasce na Síria, volta a juntar-se ao Jordão, do qual é principal afluente, dez quilómetros a sul do lago de Tiberíades.</P>
<P>
As instalações da primeira barragem foram destruídas pelo Exército israelita na Guerra dos Seis Dias. Um segundo projecto, fruto de um acordo entre Amã e Damasco e denominado «barragem da unidade», deveria ser construído na fronteira jordano-síria, com uma capacidade de armazenamento de água de 220 milhões de metros cúbicos por ano. Além de permitir a irrigação de vários milhares de hectares no vale do Jordão, forneceria também 50 milhões de metros cúbicos de água a Amã e Zarqa e produziria 75 por cento das necessidades energéticas da Síria. O financiamento prometido pelo Banco Mundial está dependente do acordo de Israel, que continua a negá-lo.</P>
<P>
O privilegiado</P>
<P>
Quanto aos Golã, contribuem com 22 por cento para o aprovisionamento de água de Israel. A sua posse permitiria também aos sírios o controlo sobre o nível do lago de Tiberíades (o maior reservatório de água de Israel, alimentado pelo rio Jordão), ou seja, sobre o funcionamento do aqueduto «nacional». São estas considerações, mais do que razões de segurança, que levam o Estado hebraico a querer manter sob o seu domínio o planalto anexado em 1981. Os sírios, que dispõem actualmente de 18 mil milhões de metros cúbicos de água por ano, precisam de uma parte dos recursos dos Golã para desenvolver o Sul, que sofre de uma grave escassez, e para fazer face às insuficiências noutras regiões.</P>
<P>
Ao ocupar os montes sírios, onde a pluviosidade é abundante, assim como uma parte do Líbano, Israel passou a controlar efectivamente os três elementos que formam o curso superior do Jordão, ou seja, os rios Hasbani (Líbano), Banias (Síria) e a fonte do Dan (em território israelita, depois da anexação de sete aldeias libanesas em 1949).</P>
<P>
O Líbano, comparado com os seus vizinhos, é, teoricamente, privilegiado. Tem suficientes recursos de água, rios e nascentes subterrâneas, alimentados por ampla precipitação e pela neve nas montanhas. É o único país da região que possui no seu território um rio na totalidade, o Litani. Os israelitas cobiçam o Litani, mas os libaneses querem-no para irrigar o Sul do país, privado de água potável e electricidade, e dizem que não podem partilhá-lo. Antes pelo contrário, reclamam os 320 milhões de metros cúbicos que Israel «rouba» ao rio Hasbani e seus afluentes, ou ao lençol freático desta zona ocupada, onde os libaneses não têm direito de abrir poços.</P>
<P>
Aqueduto da paz</P>
<P>
Outra bacia problemática é a do Tigre e Eufrates, que complica as relações políticas entre a Turquia e os vizinhos Iraque e Síria. Porque aqueles rios nascem na Anatólia, os turcos argumentam que têm direito a usar as suas águas, mas os sírios e os iraquianos insistem na necessidade de um acordo internacional para uma partilha mais equitativa.</P>
<P>
A utilização das águas do Eufrates complica também as relações entre Damasco e Bagdad. Em 1975, a Síria e o Iraque estiveram à beira de uma guerra por causa da barragem síria de Tabqa, que Bagdad acusava de prejudicar cerca de três milhões de agricultores iraquianos.</P>
<P>
Síria e Iraque estão particularmente preocupados com o Projecto da Grande Anatólia (GAP), da Turquia, um gigantesco plano hidroeléctrico e de irrigação, que envolve a construção de mais de 20 barragens no Tigre e no Eufrates, até ao final deste século. Se o projecto for concluído, vai satisfazer todas as necessidades energéticas da Turquia e permitir a irrigação de uma área de 1,6 milhões de hectares de terrenos agrícolas.</P>
<P>
O maior dos subprojectos, a barragem de Ataturk, ficou pronto em 1989 e, um ano depois, a Turquia reduziu o caudal da água do Eufrates durante um mês, para encher a albufeira da barragem. Em resultado disso, as estações hidroeléctricas e os projectos de irrigação da Síria e do Iraque não puderam funcionar em plena capacidade. Peritos prevêem que o GAP terá um forte impacto sobre o caudal dos rios na Síria e no Iraque. A qualidade da água diminuirá porque a água usada para irrigação na Turquia levará de volta aos rios sais, fertilizantes e pesticidas.</P>
<P>
Para a Síria, o Eufrates é a principal fonte de água, não só potável, mas também para irrigação, para a indústria e, em parte, para a produção de electricidade. Mesmo sem o GAP turco, os sírios já registariam, até ao fim do século, escassez de água, devido ao crescimento populacional (3,7 por cento/ano).</P>
<P>
Ao contrário da Síria, o Iraque tem acesso ao Tigre e seus afluentes, menos explorados, e pode compensar o Eufrates com a água daquele rio. Antes da crise Iraque-Kuwait, Bagdad planeava um enorme investimento no Tigre, com projectos hidroeléctricos, de abastecimento de água e irrigação. Um dos planos era desviar a água do Tigre para o lago Tharthar e depois para o Eufrates, se o caudal deste rio fosse insuficiente para irrigar as terras agrícolas iraquianas.</P>
<P>
Nem a Síria nem o Iraque podem impedir os planos de Ancara. A Turquia ocupa uma posição geomilitar estratégica e não depende de financiamento e peritos externos. Em conversações ministeriais com sírios e iraquianos, os turcos têm conseguido conter disputas.</P>
<P>
Quando Damasco protestou, pela primeira vez, contra o GAP, em meados dos anos 80, a Turquia propôs um «aqueduto da paz», que serviria os países do Golfo e do Próximo Oriente. Segundo este projecto, seria retirada água de dois rios turcos -- o Seyhan e o Ceyhan, que são pouco utilizados e desaguam no Mediterrâneo --, que seria levada por dois aquedutos em duas rotas diferentes: a ocidental, desde a Anatólia, passando pela Síria e Jordânia, até às margens do mar Vermelho, na Arábia Saudita; a oriental, passando pelo Iraque, até ao Kuwait, ao Leste da Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos. Estudos que se realizou mostraram que o projecto é viável, mas demoraria oito a dez anos a concluir.</P>
<P>
O Nilo da discórdia</P>
<P>
Outra área de disputa é a bacia do Nilo, partilhada por nove países: o Egipto, o Sudão, a Etiópia, o Uganda, o Quénia, a Tanzânia, o Zaire, o Ruanda e o Burundi. O Egipto está completamente dependente da água do Nilo, sem, no entanto, controlar nenhuma das fontes do rio.</P>
<P>
Nunca foi assinado, nem se prevê, nenhum acordo global entre todos os Estados da bacia do Nilo. Têm sido assinados, contudo, acordos bilaterais, sobretudo entre o Egipto e o Sudão (em 1959) e entre o Egipto e o Uganda. As águas no Nilo provêm das chuvas que caem nas terras altas da Etiópia e nos lagos equatoriais.</P>
<P>
Noventa e sete por cento do Egipto é deserto, estando 35 milhões de habitantes concentrados em três por cento do território. Prevê-se que, até ao final do século, o país vá precisar de mais 10 por cento de água do que a de que actualmente dispõe. As tentativas para obter um maior abastecimento do Nilo Branco fracassaram, devido à guerra no Sul do Sudão, que interrompeu os trabalhos no Canal de Jonglei, construído para facilitar o fluxo do rio.</P>
<P>
A Etiópia, que é fonte de 85 por cento da água do Egipto, sofre frequentes secas e fome e já várias vezes manifestou intenção de usar mais a água do Nilo para irrigação. Por sinal, projectos hidroeléctricos na Etiópia podem, a longo prazo, ser benéficos para o Egipto. A vasta superfície do lago Nasser (um dos grandes projectos egípcios, juntamente com a barragem de Assuão) encontra-se numa área de evaporação, perdendo cerca de 10 mil milhões de metros cúbicos de água em cada ano. Seria benéfico, do ponto de vista técnico, mudar o armazenamento do Lago Nasser para o Lago Tana, fonte do Nilo Azul, nas terras altas da Etiópia.</P>
<P>
O lago Tana situa-se numa área de densas nuvens e chuvas frequentes, onde se perde menos água por evaporação. A água extra poderia ser partilhada pela Etiópia, o Sudão e o Egipto. Mas esses projectos de partilha requerem acordos políticos e vontade da parte do Egipto e do Sudão de ver o controlo do Nilo Azul passar para as mãos da Etiópia, o que é improvável.</P>
<P>
Há outros problemas relacionados com a água no Médio Oriente. Um deles é a vulnerabilidade dos abastecimentos. Sessenta por cento da capacidade de dessalinização do mundo encontra-se nos Estados árabes do Golfo. Só a água dessalinizada da Arábia Saudita excede 30 por cento da produção global, enquanto o Kuwait e os outros países do Golfo estão quase totalmente dependentes das centrais de dessalinização para os seus fornecimentos de água potável.</P>
<P>
Receia-se que as enormes centrais sauditas sejam alvo de agressão, além de que todos os Estados da região são estrategicamente vulneráveis a ataques ou sabotagem à sua capacidade de dessalinização.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22306">
<P>
Nogueira mal recebido na Feira da Ladra</P>
<P>
Cavaco regressa à campanha</P>
<P>
Áurea Sampaio</P>
<P>
Cavaco regressa hoje à campanha «laranja» com uma intervenção no tempo de antena do partido. Uma mensagem curta, na qual nunca se apela directamente ao voto no PSD. Mas está lá tudo: ataques à esquerda e à direita e a sugestão de nada melhor do que «um homem de confiança» para governar o país. Entretanto, ontem, Nogueira atreveu-se a entrar na Feira da Ladra. E foi vaiado.</P>
<P>
Está decidido: Cavaco Silva não participa no comício de encerramento da campanha do PSD a realizar, sexta-feira à noite, na Alameda D. Afonso Henriques, mas tem ainda duas participações na corrida eleitoral. Uma, hoje, no tempo de antena da televisão, outra quinta-feira, no comício em Setúbal, onde discursará depois de Carlos Pimenta e antes de Fernando Nogueira.</P>
<P>
A intervenção de Cavaco no tempo de antena do PSD é curta, feita de frases secas e simples, sem nunca apelar directamente ao voto no partido que liderou. «Peço-lhe que vá votar. E que vote bem», é o máximo que o primeiro-ministro se permite num texto que parece feito de subentendidos, mas onde está contida toda a mensagem dos sociais-democratas. Isto sem nunca pronunciar o nome do PSD ou de qualquer outro partido, numa deliberada intenção de falar por cima dos partidos. Numa postura que faz lembrar o discurso do Pontal -- quando afirmou que podia ter ficado em casa, mas se deu ao «incómodo» de ir ali por uma questão de consciência --, Cavaco vem também agora justificar esta sua tomada de posição. «É minha obrigação dizer uma palavra aos portugueses sobre a eleição do próximo domingo». Fica a dúvida sobre se esta «obrigação» se deve à sua qualidade de ex-líder do PSD, ou à sua condição de primeiro-ministro. A frase logo a seguir faz mais pensar no Cavaco Silva governante, ciente de que a sua obra também estará em julgamento no próximo domingo. «Ninguém honestamente pode deixar de reconhecer que Portugal nos últimos anos andou para a frente. Portugal é hoje um país mais moderno e desenvolvido. Um país respeitado».</P>
<P>
Depois vêm frases em catadupa, as frases em que há uma clara identificação com o discurso eleitoral dos sociais-democratas lançando mensagens de dúvida e medo sobre o eleitorado: «No futuro dos países, tal como no futuro das pessoas, nada está garantido», «As coisas podem voltar para trás». Passa depois às indirectas aos adversários, quer à esquerda, quer à direita, mas não sem antes se permitir um toque de condescendência. «O país tem com certeza problemas». Seguem-se pequeníssimas frases com palavras-chave ou conceitos que em geral servem aos sociais-democratas para identificar negativamente António Guterres: «Eles [os problemas] não se resolvem com truques de magia», «Não acreditem em promessas milagrosas». Vêm então os conselhos -- «Comparem e escolham o caminho mais seguro»; e as advertências -- «Não é tempo de apostar no desconhecido», «Jogar no escuro é correr um grande risco».</P>
<P>
O Partido Popular e as suas críticas antieuropeístas também são chamadas à colacção. «Posso garantir-vos que a política de isolamento de Portugal em relação aos outros países da Europa é muito perigosa». Cavaco desenha a negro as consequências dessa política: «Traz mais falências de empresas, mais desemprego, queda do poder de compra. Perderíamos voz em África».</P>
<P>
A mensagem está a chegar ao fim e com ela o desvendar do «caminho estreito» para a felicidade, ou seja, «a continuação do desenvolvimento e da melhoria da situação de cada um de vós, um caminho para a criação de mais emprego». A saber: a necessidade de «Portugal ser governado por alguém com experiência (...), alguém competente e sério. Alguém que não faz promessas irrealistas e perigosas». Enfim, «um homem de confiança». Nada mais claro.</P>
<P>
Hostilidade na feira</P>
<P>
Ontem, Fernando Nogueira passou o dia em Lisboa. Com Durão Barroso ausente em Nova Iorque, onde apresentou a candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, o líder do PSD fez uma volta por algumas zonas da capital e concelhos limítrofes, um terreno bem mais difícil para o candidato social-democrata. Como, de resto, ficou bem visível logo de manhã, ao entrar na Feira da Ladra, onde foi vaiado e recebeu mais críticas e queixas do que palavras de estímulo. Antes mesmo de a comitiva chegar percebia-se que o clima não era dos melhores. Um vendedor exibia uma bandeira do PSD junto a um retrato de Salazar, numa associação óbvia, enquanto dava vivas ao PS. Há quem faça gestos obscenos ou lance os quase esquecidos nesta campanha «Vai gamar» ou «Vai trabalhar, malandro». A hostilidade não surpreendeu Fernando Nogueira, que disse mesmo aos jornalistas já a esperar. «É uma zona socialmente complexa, um espaço de pessoas que muitas vezes estão no desemprego e aqui procuram algum rendimento. Há aqui muitos desempregados», afirmou. «Mas nem por isso quis deixar de vir aqui. É uma forma simbólica de dizer aos desempregados que eles são a minha prioridade». Foi a primeira vez que um líder do PSD visitou aquela feira. Nogueira seguiu depois, a pé, pela Morais Soares até ao Largo da Estefânia, onde foi muito mais receptivo o acolhimento.</P>
<P>
O mesmo aconteceu à tarde, nos arredores de Lisboa, onde, segundo a Agência Lusa, a caravana de Nogueira provocou engarrafamentos em Algés e o «caos» no trânsito de Algés a Cascais. Quanto às declarações de Eurico de Melo ao PÚBLICO (ver edição de ontem), o líder do PSD desdramatiza: «Todo o partido tem feito um discurso de estabilidade política. Os cenários que se fazem sobre o pós-eleições não significam que não haja no PSD o entendimento da necessidade de maioria absoluta».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="gtpppp"> 
<P> Biografia de Fitacola </P>
 <P> Os Fitacola são um grupo de amigos, que um dia, em 2003 em Coimbra, se lembraram de formar uma banda na garagem e brincar aos músicos, imitando os ídolos que admiravam. O projecto foi continuando nesta toada de brincadeira e divertimento até 2005, altura em que a banda fixou a formação actual. </P>
 <P> Desde então, aquilo que começou por ser uma brincadeira de amigos, saiu para fora da garagem. Começaram a surgir concertos e reacções, bastante positivas, ao seu desempenho. </P>
 <P> Os Fitacola caracterizam-se por um som jovem. Uma atitude rebelde e inconformista perante a vida, e uma postura enérgica em palco. As letras, sempre em português, contêm sempre uma mensagem de acção, positiva, procurando combater o que consideram estar mal na sociedade, representando a juventude e uma geração que usa a voz dos Fitacola para provar que não é a tal «geração rasca», tendo objectivos, valor e vontade de agir e mudar o que está mal. </P>
 <P>Esta característica de humildade e carisma da banda explica a grande popularidade que a banda atinge entre as camadas mais jovens e faixas etárias estudantes pré-universitárias. A banda é tida como um modelo e exemplo de atitude saudável e activa perante a vida por parte de um número cada vez maior de fãs da banda, que nela se revê e nas suas letras, músicas e atitude.</P>
 <P>Concertos de maior destaque:</P>
 <P> Em dois anos a banda já superou a marca dos 75 concertos, entre os quais se destacam: </P>
 <P>
Cercal Rock 9ª edição </P>
 <P>
Festival Acção Directa 2005 (Açores Ilha Terceira) </P>
 <P>
Recepção ao Caloiro 2005 (Covilhã) com Squeeze theeze pleeze e Fonzie </P>
 <P>
Queima das Fitas de Coimbra 2006 com Hands on Approach e Boss AC </P>
 <P> Semana Académica da Universidade de Aveiro (2006) com Pluto e Expensive Soul </P>
 <P>
Semana Académica 2006 (Castelo Branco) com Tara Perdida </P>
 <P> Hardclub (V.N. Gaia.) - com Twenty Toon </P>
 <P>
Recepção ao Caloiro 2006 (IPC) Coimbra com Peste &amp; Sida e Asher Lane (Alemanha) </P>
 <P>
RockOff 2006 VI edição (Cantanhede) </P>
 <P>
Março Jovem 2006 (C.M. Seixal) com Triplet </P>
 <P>
Vans/Eastpak Club Tour 2007 (Almada) com SK6, Humble, Devil in Me, Tara Perdida e Strike Anywhere </P>
 <P>
Sesimbra Xtream Beach Fest 2007 (Sesimbra) </P>
 <P>Discografia:</P>
 <P> Os Fitacola contam para já, apenas com um EP, edição de autor, com 6 musicas, intitulado « Rebobina e Pensa ». </P>
 <P>Notícias recentes/projectos:</P>
 <P> Neste nomento os Fitacola estiveram três semanas em estúdio a gravar aquele que será o seu primeiro álbum. Será composto por 12 temas e o seu lançamento está previsto para os primeiros meses de 2008. </P>
 <P>Elementos:</P>
 <P> Diogo Guitarra </P>
 <P> Libelinha Baixo/coros </P>
 <P> Besugo Guitarra </P>
 <P> Xico Bateria/coros </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="H2-Ren_ex6">
<P>  Astrônomos brasileiros esperam fotografar os primeiros planetas fora do Sistema Solar com a ajuda do maior telescópio do mundo, o Gemini , a partir do ano que vem .</P>

<P>
A informação foi dada na conferência "Da Origem do Universo aos Grandes Telescópios" , ministrada ontem por João Steiner , astrofísico da USP , durante a 52ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência . A reunião começou anteontem no campus da UnB ( Universidade de Brasília ).</P>

<P>
O planeta mais distante até hoje fotografado é Plutão . "Imagine alguém de fora da nossa galáxia que tente fotografar o Sol . Essa pessoa não perceberia a Terra , que seria ofuscada pela luminosidade solar", explicou Steiner . O mesmo acontece atualmente com os astrônomos que fotografam estrelas muito distantes.</P>

<P>
No entanto, o Gemini poderá "enxergar" planetas. Isso porque, além de medir luz, o telescópio mede calor, por meio de radiação infravermelha. E, embora não emitam luz, planetas geram calor.</P>

<P>
O projeto Gemini , resultado de um consórcio de sete países, envolve a construção de dois telescópios com um espelho de oito metros de diâmetro.</P>

<P>
Um dos telescópios já está pronto e em funcionamento no Havaí , EUA . O outro entrará em operação no ano que vem , em Atacama , Chile , e o Brasil terá direito a usá-lo 14 noites por ano .</P>

<P>
Segundo Steiner , os telescópios Gemini têm capacidade científica de observação e qualidade de imagem dez vezes superiores às de um telescópio espacial.</P>

 </DOC>

<DOC DOCID="cha-9725">
<P>
Artistas e intelectuais debatem a reabilitação urbana nos bairros históricos de Lisboa</P>
<P>
Prédios em ruína têm os dias contados</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
Vem aí um novo programa de realojamentos. Desta vez, com a promessa de dar uma machadada final nos edifícios moribundos que ainda servem de tecto a muitas famílias. É um plano nacional, mas será sobretudo nos centros urbanos como Lisboa que terá mais efeitos. Enquanto isto, artistas e intelectuais preparam-se para dizer o que pensam dos bairros históricos da capital. Esperam-se ideias novas para reabilitar «a alma» alfacinha.</P>
<P>
A Secretaria de Estado da Habitação vai lançar um novo programa de realojamentos destinado às famílias residentes em edifícios em risco de ruína. É uma medida com aplicação a nível nacional, mas que vem sobretudo acudir às situações extremas de habitação precária existentes nos bairros antigos dos grandes centros urbanos, nomeadamente em Lisboa, cuja autarquia promove hoje um debate com especialistas, intelectuais e artistas sobre a importância social e cultural dos bairros históricos. É o pontapé de saída para o envolvimento da sociedade civil na reabilitação da imagem da Lisboa antiga.</P>
<P>
O novo programa, que consta de um diploma que está a ser preparado pelo IGAPHE (Instituto da Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado), visa financiar em 50 por cento a fundo perdido a reconstrução de imóveis arrendados que se encontrem em avançado estado de degradação. Os restantes 50 por cento deverão ser suportados pelas autarquias, através do recurso a uma linha crédito com juros bonificados do Instituto Nacional de Habitação (INH). Para os edifícios situados em zonas declaradas como áreas críticas de reabilitação e reconstrução, o apoio a fundo perdido é acrescido em 10 por cento, à semelhança do que está previsto no Recria (um programa de reabilitação de imóveis arrendados, comparticipado pelo Estado, autarquias e proprietários).</P>
<P>
Vítor Reis, do IGAPHE, salienta que, apesar das semelhanças com o PER (Programa Especial de Realojamentos), trata-se de um plano novo, «onde se tenta cruzar os programas do IGAPHE e do INH de apoio à construção -- acordos de colaboração para os realojamentos -- com o Recria». No fundo, trata-se de uma adaptação dos mecanismos já existentes à situação específica dos edifícios em risco de queda iminente. O novo programa, no entanto, não será aplicado à reabilitação de imóveis, mas apenas à reconstrução, já que se destina a edifícios arrendados cujo mau estado implique obras profundas, nomeadamente a demolição e nova construção. «Com a demolição caducam os arrendamentos, e as famílias que aí habitam ficam em situação de desalojados. E é para as realojar, no mesmo local ou noutro, que surge o programa», explica aquele responsável.</P>
<P>
Porém, de fora voltam a ficar os prédios devolutos, que em Lisboa se estima serem perto de dez mil. Vítor Reis diz que qualquer medida com vista à ocupação daqueles imóveis seria inconstitucional. A única solução seria, afirma, a Câmara negociar com os proprietários possíveis ocupações ou trabalhos de recuperação naqueles que se encontrem degradados. A expropriação nestes casos, uma possibilidade, não é defendida nem pelo IGAPHE, nem pela Câmara de Lisboa, que não está interessada em aumentar o património municipal.</P>
<P>
Para as obras de reabilitação continuará a vigorar o Recria. Em Novembro do ano passado, a Câmara de Lisboa elaborou um programa, o PERU (Programa de Emergência para a Reabilitação Urbana), onde, entre outras medidas, solicitava ao Governo que fosse aumentada a comparticipação do Estado no Recria, isto para permitir à autarquia a conclusão do processo de renovação dos fogos degradados dos núcleos históricos em sete anos. O aumento foi recusado. Agora, procurando esquemas que permitam acelerar a reabilitação, a Câmara e o IGHAPE estão a preparar um protocolo global para a cidade.</P>
<P>
Câmara e Governo perto do entendimento</P>
<P>
À luz das alterações ao Recria, de 1992, o documento deverá modificar os esquemas de pagamento em vigor. Assim, e para tornar o Recria mais atractivo para os proprietários, o IGAPHE passa a pagar metade da sua comparticipação a um terço da obra, a parte restante no segundo terço e o município na fase final dos trabalhos. Até aqui a comparticipação era distribuída por dois pagamentos e o primeiro era entregue já numa fase avançada dos trabalhos, o que se tornava incomportável para a maioria dos proprietários.</P>
<P>
Outra medida, também já consignada em 1992, é a possibilidade de a comparticipação, que pode atingir os 65 por cento do valor das obras, ser aumentada em dez por cento nos fogos situados dentro de centros urbanos antigos. Só que para isso é preciso que as autarquias solicitem essa classificação, o que, diz Vítor Reis, só agora é que a Câmara de Lisboa vai fazer. Está igualmente a ser negociada a alteração do tecto limite do Recria, que se encontra estabelecido em portaria. Segundo o actual regime, o valor das comparticipações depende da relação entre o custo das obras e o nível das rendas pagas pelos inquilinos, o que na prática, segundo a Câmara de Lisboa, faz com que os financiamentos raramente ultrapassem os 40 por cento. Vítor Reis diz que o IGAPHE está aberto a encontrar novas fórmulas.</P>
<P>
O vereador responsável pela Reabilitação Urbana no município lisboeta, Vítor Costa, vai, por sua vez, propor à Secretaria de Estado da Habitação um plano a nove anos, até 2003, para acabar de vez com os prédios degradados da cidade. É um plano de 60 milhões de contos (a comparticipar pela Câmara, Governo e proprietários) para reabilitar perto de 17 mil fogos só nas oito zonas históricas delineadas na cidade -- Alfama, Mouraria, Bairro Alto, Madragoa, Carnide-Luz/Paço do Lumiar, Rua do Lumiar-Ameixoeira, pátios e vilas.</P>
<P>
E apesar de nem todas as medidas propostas no PERU terem sido aceites, Vítor Costa reconhece que a parte habitacional da reabilitação urbana já está encaminhada. E como -- sublinha o vereador -- reabilitar os bairros históricos não é só recuperar prédios, o município está agora a atacar noutra vertente: a requalificação do espaço urbano. Uma expressão que significa criar e melhorar as zonas verdes e os espaços públicos, resolver o problema do estacionamento e da circulação automóvel, instalar equipamentos sociais, culturais e de lazer, preservar a identidade dos bairros como parte significativa da «alma lisboeta» e dotá-los de infra-estruturas.</P>
<P>
À conquista dos empresários</P>
<P>
«Existem problemas graves e sérios nos bairros que é urgente resolver. Há uma degradação acelerada do ambiente urbano que é preciso travar», diz Vítor Costa. Para encontrar mecanismos de apoio financeiro para as intervenções urbanas nos bairros históricos, o vereador pediu recentemente uma audiência ao secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território. Entre as acções para as quais a autarquia procura apoio encontram-se dois grandes projectos, orçados em 12 milhões de contos, para as áreas Bairro Alto-Madragoa e Alfama-Mouraria.</P>
<P>
O primeiro prevê que se destinem várias ruas da Bica, Bairro Alto e Madragoa exclusivamente a peões, a melhoria dos poucos espaços verdes existentes, o reordenamento do trânsito e do estacionamento e ainda a reabilitação do Convento das Bernardas, na Rua da Esperança, e do Palácio Marim Olhão, na Calçada do Combro, para os quais a Câmara tem em mãos projectos integrados, que visam a reactivação dos dois imóveis com comércio, habitação e espaços culturais.</P>
<P>
Para a zona Alfama-Mouraria, a autarquia prevê a criação de vários parques de estacionamento subterrâneos e de novos espaços verdes, a ligação por elevador da Baixa ao Castelo de São Jorge, a ligação entre este e o Teatro Taborda por ascensor, a reactivação da linha de eléctrico em torno da Colina do Castelo e ainda os projectos integrados do Taborda e do edifício do Recinto da Praia. Uma primeira candidatura dos dois planos às verbas comunitárias do Fundo de Coesão falhou. Aguardam-se agora os novos caminhos que o Governo possa abrir.</P>
<P>
A estratégia do pelouro da Reabilitação Urbana é fazer da recuperação do bairros históricos um grande projecto para a cidade, à semelhança do que aconteceu em Barcelona, por altura do Jogos Olímpicos, em 1992. E para falar da experiência daquela cidade catalã, onde ainda decorre a operação «Barcelona põe-te bonita», vão estar amanhã em Lisboa, num seminário marcado para o Teatro Taborda, na Rua da Costa do Castelo, autarcas, especialistas em reabilitação e empresários que estiveram ou estão ligados à reabilitação das zonas históricas da capital da Catalunha.</P>
<P>
O encontro, onde vão estar cerca de uma centena de empresários, visa sensibilizar as empresas para a questão da reabilitação urbana e apelar ao seu envolvimento. «A participação das empresas nos projectos integrados, por exemplo, pode trazer-lhes benefícios em termos de imagem», sublinha Vítor Costa.</P>
<P>
Hoje, e também no Teatro Taborda, a reabilitação urbana e os núcleos históricos vão igualmente estar no centro de um debate que vai reunir escritores, artistas plásticos, arqueólogos, proprietários de bares e discotecas, autarcas, estilistas, arquitectos e jornalistas, gente da música e do teatro, entre outros. «O que queremos é que a cidade se debruce os bairros», diz o vereador. Por isso, garante, não se vai falar da política da Câmara, «nem vai ser feita nenhuma propaganda do trabalho que tem sido realizado na reabilitação». O que se espera são «pistas e ideias» para potenciar «a alma de Lisboa», guardada nos velhos bairros da cidade.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-47523">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
A Organização Odebrecht divulgou ontem uma nota contestando as informações fornecidas pela Polícia Federal sobre a CPI do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). A PF investiga a possibilidade dea empreiteira ter participado da confecção do documento oficial da CPI, que apurava possíveis irregularidades no Canal da Maternidade, obra da Odebrecht em Rio Branco (AC).</P>
<P>
Segundo a nota, a construtora "é alvo de exploração e sensacionalismo em torno de um fato irrelevante." A Odebrecht alega que "o documento encontrado entre os apreendidos de forma irregular e apresentado ontem como possível prova de envolvimento da empresa nas deliberações da CPI do FGTS não tem a menor importância".</P>
<P>
Quando cita o documento, a direção da Odebrecht se refere a papéis encontrados pela PF na casa de Ailton Reis, diretor da construtora, apreendidos por solicitação da CPI do Orçamento.</P>
<P>
A nota da Odebrecht define o documento apreendido sobre a CPI do FGTS:  "Nada mais é do que um bilhete, de um funcionário de uma outra empresa da própria Organização, encaminhando a seu companheiro um documento de nosso interesse vazado daquela CPI."</P>
<P>
Segundo a PF, foram encontrados na casa de Reis dois documentos sobre o assunto. Um deles era a cópia de um ofício, assinado por Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), então presidente da CPI do FGTS, encaminhando à Procuradoria Geral da República o resultado da comissão. Junto com o ofício havia um bilhete, indicando que alguém da comissão teria elaborado o texto com o resultado final da CPI.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-12859">
<P>
Proteger a Basílica dos turistas</P>
<P>
A partir de agora, as visitas à Basílica de São Marcos, em Veneza, estão estritamente regulamentadas, de forma a pôr termo à agitação que os cerca de três milhões de visitantes anuais provocam naquele lugar de culto. Os grupos de visita não devem ultrapassar as 20 pessoas e só podem entrar de cinco em cinco minutos, só sendo admitido um único percurso e nenhuma paragem. A exigência de silêncio impõe a interdição das explicações dos guias turísticos, substituindo-as por aparelhos auriculares. É também proibido tirar fotografias e aceder ao espaço situado em frente da «Madonne Nicopeia», com outra finalidade que não a da oração. As novas condições de visita já suscitaram as críticas de alguns operadores turísticos que se lamentam de terem sido avisados demasiado tarde, visto que a época já começou.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-64049">
<P>
Da Folha ABCD </P>
<P>
Uma rebelião de presos destruiu ontem 14 das 18 celas da Cadeia Pública de São Bernardo, no ABCD (Grande SP), que fica ao lado do 1º Distrito Policial.</P>
<P>
O motim começou por volta das 11h, durante uma revista de PMs nas alas A e B.</P>
<P>
Nas três alas da cadeia, estão 335 presos, distribuídos em 18 celas. A capacidade do presídio é para 108 detentos. Os 32 presos que ocupam as quatro celas da ala C não participaram do motim.</P>
<P>
Os 303 presos das 14 celas das alas A e B só se acalmaram às 13h, após negociar com o juiz-corregedor Roberto Solimene a transferência de 110 detentos para cadeias de São Paulo e do ABCD.</P>
<P>
A transferência começou às 15h40, quando 50 presos foram para a cadeia de Santo André (ABCD). Até o final da tarde, estava prevista a transferência de mais 60, dos quais 25 iriam para a Casa de Detenção de São Paulo e, 35, para o Cadeião de Pinheiros.</P>
<P>
O delegado-titular Adalberto Barbosa tentaria, até o final da noite de ontem, a transferência dos outros presos rebelados.</P>
<P>
O 6º Batalhão da PM e a tropa de choque de São Bernardo cercaram o presídio. Foi a segunda grande rebelião no local em um ano. Em setembro de 94, duas pessoas morreram em um motim.</P>
<P>
Segundo Barbosa, um telefonema anônimo denunciou que haveria fuga de presos no feriado de 7 de Setembro. "Fomos procurar indícios quando começou o motim."</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-38012">
<P>
Não há como não dizer que as providências do "Estado" foram tão minúsculas como sua Nota da Redação. O jornal, que não tem por hábito corrigir as informações eventualmente erradas que publica, colocou nas ruas uma manchete -manchete!- a respeito de um homem público e, na hora de retificá-la, achou que bastava uma Nota da Redação perdida dentro da edição de quinta-feira. Ou bem a imprensa, toda ela, discute seu comportamento ético diante de erros, especialmente erros desse tamanho e natureza (política, quem pode dizer o contrário?), ou o leitor continuará sendo obrigado a engolir essas Notas da Redação, hipócritas como providências para restaurar a verdade.</P>
<P>
Na coluna de Janio de Freitas da última quinta-feira, apareceu a notícia de que o Movimento pela Ética na Política está montando uma comissão de ombudsmen para "identificar os comportamentos antiéticos capazes de influir no eleitorado". A comissão vai divulgar boletins com análises dos meios de comunicação. Será, sem dúvida, providência inédita e muito necessária para enquadrar a cobertura das eleições em padrões mais elevados. Mesmo porque, na grande imprensa, só a Folha segue tendo o seu ombudsman há mais de quatro anos.</P>
<P>
E já que toquei no assunto no texto lá de cima, o pior título da semana saiu em Esporte, na edição de sexta-feira: "Novo piloto da Williams deve sair em 6 dias". Perguntei na crítica interna: "Mas ele não vai exatamente entrar na equipe, no lugar de Senna?"</P>
<P>
E já que o assunto é Senna, a imprensa brasileira até agora não apresentou as conclusões finais das investigações que estariam sendo feitas sobre as condições da morte do piloto. Até hoje, não se sabe se Senna bateu a cabeça no muro em Imola, ou se uma peça do carro atingiu seu capacete. O assunto sumiu dos jornais. Assim como sumiram informações sobre Karl Wendlinger, o austríaco que saiu da pista em Mônaco em estado de coma. A tragédia da Fórmula 1 não interessa mais aos jornalistas e, por extensão, aos leitores. É o que deve imaginar a imprensa, e se engana: na semana passada, recebi mais 32 manifestações sobre a cobertura da morte de Senna. No total, elas já são 85.</P>
<P>
Na quinta e sexta-feira, a ombudsman estará fora do jornal, participando do seminário "Ombudsman, jornalismo e a volta da democracia" organizado pelo jornal "Hoy", editado em Assunción, no Paraguai, que tem seu primeiro ombudsman há sete meses. O seminário deve reunir outros ombudsmen que atuam na América Latina (presenças ainda não estavam confirmadas até ontem). Nesses dois dias, os leitores podem deixar recados na secretária eletrônica, que serão respondidos na volta.</P>
<P>
JUNIA NOGUEIRA DE SÁ é a ombudsman da Folha. A ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais um ano. Ela não pode ser demitida durante o exercício do cargo e tem estabilidade por um ano após o exercício da função. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva do leitor –recebendo e checando as reclamações que ele encaminha à Redação– e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação. Cartas devem ser enviadas para a al. Barão de Limeira, 425, 8º andar, São Paulo (SP), CEP 01202-001, a.c. Junia Nogueira de Sá/Ombudsman. Para contatos telefônicos, ligue (011) 224-3896 entre 14h e 18h, de segunda a sexta-feira.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54648">
<P>
Patricia Arquette protagoniza 'Muito Além de Rangun', filme do cineasta inglês sobre repressão na ex-Birmânia </P>
<P>
ELAINE GUERINI </P>
<P>
Especial para a Folha </P>
<P>
Dez anos depois das filmagens de ``A Floresta de Esmeraldas", o inglês John Boorman, 62, retoma o gosto pela aventura e pelo cinema-denúncia. Desta vez, a câmera do diretor passa longe do Brasil _mais precisamente da selva amazônica_ e mostra o que acontece ``Muito Além de Rangun". </P>
<P>
Seu novo filme, com estréia no Brasil prevista para 15 de setembro, revela o lado sangrento da ditadura militar de Myanma (ex-Birmânia, Sudeste Asiático). Baseado em fatos reais, o roteiro registra acontecimentos de 1988, logo depois que as Forças Armadas retomaram o poder no país.</P>
<P>
Boorman estrutura a história a partir das aventuras de uma americana que participou dos protestos contra o regime, e assistiu ao massacre de manifestantes _mais de mil pessoas morreram, principalmente estudantes e monges budistas. Quem vive a protagonista na tela é a atriz Patricia Arquette.</P>
<P>
Por motivos de segurança, a equipe rodou o filme na Malásia. ``Gosto de trabalhar em campo desconhecido, principalmente em lugares exóticos", disse Boorman, em entrevista por telefone de sua casa em Wicklow, na Irlanda.</P>
<P>
Definindo cinema como uma ``forma de exploração", o diretor (de ``Amargo Pesadelo", ``Excalibur" e ``Esperança e Glória") aproveitou para dizer que está com saudades do Brasil. ``Filmar na Amazônia foi uma aventura." Leia a seguir trechos da entrevista.</P>
<P>
Folha - Você dirigiu ``A Floresta de Esmeraldas" na Amazônia depois de assistir a um documentário sobre a agonia dos índios brasileiros. Em ``Muito Além de Rangun", o que mais o motivou a filmar a história?</P>
<P>
Boorman - Desta vez, o que me instigou foi a história de Aung San Suu Kyi, a líder pacifista birmanesa que tentou impedir a ditadura e passou seis anos sob prisão domiciliar (ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1991, mas só foi libertada no mês passado).</P>
<P>
Essa mulher é uma figura heróica que representa a esperança de seu povo. Ela só aparece uma vez no filme, mas sua determinação está presente o tempo todo.</P>
<P>
Folha - Até que ponto você foi fiel aos fatos? É possível manter a fidelidade e fazer a história funcionar como filme?</P>
<P>
Boorman - O filme é baseado em fatos reais, com doses de ficção. Tentei reproduzir os principais acontecimentos do jeito que eles aconteceram. A única coisa que eu inventei foi Laura Bowman, a médica americana.</P>
<P>
Existiu realmente uma americana que presenciou o massacre, mas ela não era como eu mostro no filme e não estava viajando para esquecer o assassinato do marido e do filho. Esses elementos dramáticos foram criados para deixar a história mais interessante.</P>
<P>
Folha - Você acha que o filme-denúncia pode ajudar os países envolvidos?</P>
<P>
Boorman -Eu acho que sim. ``A Floresta de Esmeraldas", por exemplo, influenciou positivamente a atitude das pessoas com relação à Amazônia e aos índios. É claro que o filme não impediu a devastação da floresta, mas ajudou em termos de conscientização.</P>
<P>
``Muito Além de Rangun" contribui na medida em que tira Myanma do isolamento. Até agora, como poucos jornalistas estrangeiros tiveram acesso ao país, os ditadores estavam conseguindo esconder muitas coisas. </P>
<P>
E até onde eu sei, eles estão muito nervosos, preocupados com o efeito que o filme pode ter. A recente libertação de Aung San Suu Kyi pode ter sido um reflexo. Folha - Você enfrentou algum tipo de problema quando esteve pesquisando em Myanma antes das filmagens?</P>
<P>
Boorman - Eu visitei o país antes de divulgar a minha intenção de fazer o filme. Vindo da Tailândia, cruzei a fronteira ilegalmente e passei um tempo com os guerrilheiros. Mas isso não foi um problema. As dificuldades só apareceram quando as filmagens já estavam adiantadas na Malásia.</P>
<P>
Quando os ditadores de Myanma descobriram, eles contataram o governo da Malásia exigindo explicações. Eles se recusaram a fazer acordos e pediram a nossa expulsão. Nós tivemos que deixar o país o mais rápido possível.</P>
<P>
Folha - O filme não foi muito bem recebido em Cannes. Qual o motivo, na sua opinião?</P>
<P>
Boorman - Eu acho que a reação foi mista. Metade do público adorou e a outra metade o rejeitou totalmente. O que eu pude perceber foi que algumas pessoas não gostaram de Laura, a protagonista. Eu não sei bem a razão. Mas acho que os homens não gostam de ver mulheres como protagonistas de histórias em ritmo de aventura. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-22763">
<P>
Das agências internacionais</P>
<P>
Corpos de camponeses rebelados no sul do México foram encontrados com tiros na cabeça. A revelação, feita por médicos encarregados das necrópsias, levantou a possibilidade de execução dos rebelados por parte do Exército.</P>
<P>
Ontem, aviões da Força Aérea continuaram o bombardeio contra posições dos rebeldes no Estado de Chiapas (sul do país). Milhares de soldados ocuparam a região e fecharam os acessos.</P>
<P>
Médicos legistas encarregados dos exames em Tuxtla Gutiérrez (capital estadual) disseram que 8 de 26 corpos examinados apresentavam perfurações na cabeça que pareciam tiros a queima-roupa. Um grupo denominado "Frente Urbana" do Exército Zapatista de Libertação Nacional divulgou comunicado afirmando que o Exército estaria "tomando prisioneiros e executando-os depois de torturá-los".</P>
<P>
O presidente Carlos Salinas de Gortari enviou Jorge Madrazo, diretor da Comissão Nacional de Direitos Humanos, para investigar as denúncias de violações cometidas por soldados e rebeldes.</P>
<P>
Os rebeldes zapatistas teriam recusado as exigências do governo para negociações de paz, segundo emissão de rádio captada na Cidade do México. O governo exigia cessar-fogo, entrega das armas pelos rebeldes, libertação dos reféns e identificação dos líderes zapatistas.</P>
<P>
Ontem, o governo admitiu que tinha conhecimento dos preparativos da rebelião há um ano. Um porta-voz disse que a informação não foi divulgada, porque a "extrema pobreza e uma história de repressão obrigaram o governo a ser prudente".</P>
<P>
Os rebeldes zapatistas iniciaram o levante no dia de Ano Novo, chegando a conquistar seis cidades em Chiapas. Eles acusaram o governo de práticas "genocidas" e exigiram terras. A rebelião foi sufocada pelas Forças Armadas e os zapatistas fugiram para as montanhas. Dados do governo indicam que pelo menos 105 pessoas morreram na rebelião.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68044a">
<P>
Amadora deve ficar sem barracas em 2009</P>
<P>
O último acordo do PER</P>
<P>
O último dos acordos de adesão ao Programa Especial de Realojamento (PER), um pacote de iniciativa governamental que pretende acabar com as barracas em Portugal, será hoje assinado entre a Câmara Municipal da Amadora, o Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) e o Instituto Nacional de Habitação (INH). O acordo geral de adesão, assim se chama o documento-tipo que é assinado, envolve uma verba de cerca de 40 milhões de contos e a sua execução só estará concluída em 2009.</P>
<P>
O protocolo foi aprovado por unanimidade na Assembleia Municipal e teve apenas um voto negativo na sessão de Câmara. A demora nesta aprovação foi criticada pelos vereadores do PSD, que lamentam «profundamente o facto de a Câmara Municipal da Amadora ter sido a última a aderir ao PER, quando no concelho existem cerca de seis mil barracas a erradicar».</P>
<P>
Da parte da Câmara Municipal, a justificação é a de que «as especificidades da Amadora no quadro nacional» -- o município é o segundo mais pequeno do pais com apenas 24 quilómetros quadrados de área mas tem, simultaneamente, o segundo maior número fogos a construir no âmbito do PER -- «levaram a que só agora o acordo pudesse ser assinado».</P>
<P>
«A Amadora é o único concelho nacional criado após o 25 de Abril e não tem praticamente solos próprios como acontece noutros concelhos», disse o vereador da Habitação Social, Fernando Pereira. «A execução conjunta do PER e dos realojamentos por causa da CRIL [Circular Regional Interior de Lisboa] significa que o concelho terá de construir cerca de 6400 fogos, quando, de acordo com o Plano Director Municipal, apenas há espaço para um total de dez mil».</P>
<P>
Significa isto que serão necessários 64 por cento da área total disponível para construção na Amadora para acabar com as barracas do concelho, razão para Fernando Pereira dizer que «este problema devia ser encarado numa óptica metropolitana», envolvendo mesmo transferências da Amadora para outras câmaras, nomeadamente para Lisboa. O resultado de o não ser é que a Amadora, admite o vereador, será obrigada a optar por um esquema de realojamentos concentrados, ao invés de dispersos, que seriam, julgam hoje saber os técnicos, os ideais</P>
<P>
A Câmara tinha exigido à Administração Central alterações ao programa e terá sido a negociação dessas alterações que veio a atrasar a assinatura. A Amadora obteve algumas condições únicas, como por exemplo a de pode recorrer aos fundos da Segurança Social para a construção de equipamentos urbanos, e viu contemplada a possibilidade de poder adquirir fogos já existentes a terceiros, ao invés de ser obrigada a optar tão só pela construção de raiz.</P>
<P>
A data final de erradicação das barracas neste município, onde virão a ser feitos 5419 fogos no âmbito do PER para um número semelhante de famílias com carências habitacionais, é o ano de 2009, em vez do ano de 2000 inicialmente previsto pelo Governo. Para além deste programa serão ainda feitos cerca de 950 fogos, segundo acordo anterior firmado com a Junta Autónoma de Estradas, relacionados com a construção da CRIL. A cerimónia de assinatura, que se realiza no Auditório Municipal, conta com a presença do Ministro das Obras Públicas.</P>
<P>
João Dias Miguel</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-18965">
<P>
Em tempos, um dos artistas que assinam esta exposição foi para o Tibete. Aí permaneceu durante uns tempos, até que a certa altura convidou o outro artista a juntar-se-lhe. Do que experimentou durante esse período surgiu primeiro uma exposição, no Boqueirão da Praia da Galé, intitulada «Nove dias, cento e quarenta quilómetros» (Rui C. Bastos, Janeiro de 1994); referia-se concretamente a uma viagem a pé feita pelas montanhas, uma viagem iniciática como as que fazem os jovens monges budistas depois da sua primeira fase de formação. Terminada a viagem, Rui Bastos e Edgar Massul realizaram esta exposição, primeiro em Macau e agora em Lisboa.</P>
<P>
A arquitectura da galeria foi completamente transformada com cortinas brancas. O chão foi também coberto com um tecido da mesma cor, sobre o qual se vai imprimindo a sujidade que cada visitante traz da rua. As pegadas avançam por um corredor em direcção ao pátio, no centro do qual se colocaram três objectos que servem de suporte à viagem e à meditação: uma fiada de contas, um par de sandálias, um par de cilindros para ajoelhar. Durante o percurso até ao pátio, o visitante vai descobrindo imagens e objectos: fotografias retocadas, pratos suspensos envoltos em gazes, séries de diapositivos com as imagens da viagem efectivamente feita, um vídeo com imagens de água, objectos assentes no chão que efectuam movimentos de rotação. A água, o ar, a luz e o escuro, a leveza e a gravidade são dualidades que se vão impondo ao espectador enquanto ele é implicitamente convidado a tornar-se viajante. Como é dito no catálogo: «A natureza das coisas fascina-te, sem saberes que o nosso eu, ele também, se renova constantemente.»</P>
<P>
Os objectos expostos, sempre pequenos, têm uma história. As fotografias, por exemplo, representam mapas de fortalezas chinesas num livro antigo. Em todas elas, dois cursos de água cruzam-se no centro, segundo uma estratégica paisagística simultaneamente «realista» (para evitar a seca em caso de cerco), simbólica (a água como fonte da vida) e plástica (a água como centro do espaço), que se pode transpor metaforicamente para toda a exposição. É que, à intenção óbvia de apresentar uma exposição de artes plásticas, se justapõe a importância concedida à capacidade simbólica do objecto artístico e do objecto comum: o lugar, o percurso, a coisa, a imagem. À escala do espaço disponível, partindo de um lugar paradigmático, com os materiais pequenos e humildes que, não sem ironia, contrariam a denominação monumental da galeria, Edgar Massul e Rui Calçada Bastos recriam o mundo exterior e interior, a viagem física e mental. A Galeria Monumental recusa de novo a facilidade comercial.</P>
<P>
«Já não há terra pura. Nem lugares seguros. Venham connosco para as montanhas. `Hombres'. Marinheiros. Camaradas.» Retiradas da letra de uma canção de Laurie Anderson, as frases transcritas introduzem os espectadores à instalação. O artista procura abordar criticamente a noção de sublime, hoje tantas vezes utilizada para justificar obras que -- em virtude do meio de expressão usado, i. e., a pintura -- estão nos antípodas do conceito em questão.</P>
<P>
Num primeiro expositor, uma série de livros técnicos, revistas de divulgação e catálogos de agências especializadas na organização de expedições à montanha. Desmascarar a mediatização e o comércio do indizível é aqui a intenção. No sentido de emprestar alguma veracidade à reflexão proposta, o autor colocou, em cima de um plinto, quatro ventoinhas que produzem 152 metros cúbicos de vento por minuto.</P>
<P>
Com o objectivo de ilustrar as asserções kantianas sobre o sublime, Fernando Pereira apresenta, num segundo momento, três expositores com materiais usados -- «already used» -- em expedições aos Himalaias, no Nepal, ao monte McKinley, no Alasca, e ao Monte Branco, em França -- as duas primeiras subidas foram realizadas por João Garcia, a outra por Pedro Pimentel. Estes testemunhos físicos traduzem o «absolutamente grande da natureza». De resto, a instalação tem uma banda sonora formada pelas comunicações realizadas no decurso de uma subida ao Dhaulagiri (8167m). Nela escutam-se os relatos de dois acidentes: o desaparecimento de um guia e uma queda de 700 metros de um alpinista japonês. A relação prazer/dor colocada pelo filósofo alemão está aqui presente.</P>
<P>
A instalação termina com o simulacro de um CD-rom de 620 megabytes editado pela fictícia Mega Graphics. A empresa propõe, com este seu novo produto, proporcionar uma viagem interactiva ao problema do sublime na arte contemporânea. A ampliação da capa, colocada na parede -- uma pintura que não o é --, provoca uma sensação de estranheza: o virtual assume-se, na imagem, como a nova dimensão do belo. Já não existem moradas infalíveis.</P>
<P>
Charrua e Santiago Solano desenvolvem uma pintura informal, contida por uma grelha geométrica, no caso do primeiro, submetendo-se voluntariamente a ritmos de gesto e de intensidade, no caso de Solano. De Pedro Chorão, mostram-se duas obras vindas da sua última individual, quadros que retomam memórias esparsas de episódios autobiográficos. De Jorge Vieira, finalmente, expõe-se uma escultura em terracota, uma das obras mais recentes do escultor, já realizada depois da grande retrospectiva de que foi objecto na temporada passada. A escultura, que representa um casal abraçado, trabalha ao mesmo tempo na ironia e no peso que a representação da relação amorosa tem merecido ao escultor.</P>
<P>
O interesse deste trabalho não é tanto o da subversão da imagem fotográfica tradicional, desafiando o seu estatuto referencial, mas o de conseguir reforçar a capacidade da fotografia como estratégia de «trouvaille». E reforça ainda a mobilidade da impressão fotográfica, isto é, a possibilidade de a fotografia existir em suportes (quase poderíamos dizer em «mobiliário») domésticos. A autora tem visitado regularmente Portugal, nomeadamente ao abrigo do intercâmbio entre o AR.CO e o Royal College de Londres.</P>
<P>
Neste projecto, aqui exposto e concretizado em Vila Velha de Ródão, Rui Moreira desenvolve essa linha de trabalho. O trabalho final, documentado por fotografias, consiste na construção de um pequeno anfiteatro de dois gradins numa colina sobreposta ao rio Tejo. Nas traseiras de uma loja do Bairro Alto, num anexo degradado, mostra os desenhos preparatórios do projecto: poucos desenhos, um projecto longe do desenho técnico e elaborado da arquitectura. Trata-se de um documento, como o foram documentos os projectos do ano passado. E, como documento, substitui o original; e enuncia a questão de saber quem sabe mais: se quem estuda, se quem vê.</P>
<P>
Em Faro, nas galerias municipais Trem e Arco, inaugura-se hoje uma extensa mostra sobre o Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha.</P>
<P>
Em Loures no Centro Cultural da Mala Posta (Olival Basto), Catarina Câmara Pereira.</P>
<P>
No Porto, uma colectiva reinicia a época da galeria Fernando Santos, recordando alguns dos nomes da passada temporada.</P>
<P>
Em Guimarães, na J. Gomes Alves, estreou-se ontem (até 11 de Outubro) pintura de Pires Vieira.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-14279">
<P>
Os problemas sociais dos habitantes de Lisboa foram a razão que ontem os juntou. Jorge Sampaio, presidente da Câmara e anfitrião, e Fernanda Mota Pinto, Provedora da Santa Casa da Misericórdia, lançaram o dia de discussões entre técnicos das duas partes e prometerem cooperação futura. A ideia partiu do município e visa conseguir a articulação entre a acção de uma e outra entidade, com vista ao melhor aproveitamento de equipamentos e meios humanos de uma e outra. O autarca falou da gravidade da situação, mas também deixou a sua visão optimista de futuro. A provedora considerou "muito importante" a reunião e disse ser essencial que "as duas entidades se entendam". Para o presidente, a toxicodependência é "o principal problema social" da cidade mas em cima da mesa estiveram também, durante o dia, assuntos como o envelhecimento da população residente, a transferência de jovens para a periferia, o desemprego, as carências de habitação, a falta de formação profissional e de actividades de tempos livres. Um primeiro resultado do encontro será a manutenção de "um canal institucional permanente» sobretudo para acções na área do realojamento, do equipamento social e actividades desportivas e socio-culturais.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-43887">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O boom da literatura étnica e do multiculturalismo também produz seus efeitos nos meios acadêmicos norte-americanos. Os departamentos da chamada literatura e cultura asiático-americana (referente a chineses, japoneses, coreanos e filipinos, principalmente) e hispânica (referente aos mexicanos residentes nos EUA) proliferam pelas universidades de todo o país.</P>
<P>
Desde os anos 60 os estudos étnicos são comuns nas universidades da costa Oeste dos EUA, historicamente mais permeáveis à imigração oriental e mexicana devido à proximidade geográfica da Asia e do México. Mas hoje os departamentos de estudos asiáticos-americanos chegam a universidades mais "sisudas" do Leste americano, como a Universidade de Cornell.</P>
<P>
"Hoje há departamentos de estudos asiático-americanos até em Utah (capital mórmon dos EUA e com pequena população oriental)", diz Nellie Wong, que dá aulas na Universidade da Califórnia em Berkeley, onde a disciplina foi criada em 1969.</P>
<P>
Toronto, no Canadá, é outro centro de editoras e estudos sobre literatura produzida por imigrantes, principalmente asiáticos, que representam um grande contingente dos estrangeiros que chegam ao país como imigrantes.</P>
<P>
Os asiático-americanos são apenas o grupo em maior evidência –em parte relacionada à ascensão econômica do Japão e da China– dentro da compartimentação crescente da produção cultural e acadêmica nos EUA. Filipinos, hispânicos, latinos e afro-americanos são outros grupos que se tornam palatáveis aos estudos acadêmicos.</P>
<P>
Os caprichos da correção política não param de criar novos rótulos. Hoje, por exemplo, não se pode mais falar de "latino writer" (escritor latino) para se referir a uma escritora do sexo feminino. É considerado politicamente incorreto por ser uma forma de discriminação contra a mulher. Uma escritora de origem latina deve ser chamada de "latina writer", criando uma regra de concordância de gênero que não faz parte da língua inglesa.</P>
<P>
O avanço dos grupos étnicos na produção cultural e acadêmica é tão rápido que cada vez se torna mais difícil encontrar nos departamento de literatura norte-americana cursos sobre "clássicos" ingleses ou americanos.</P>
<P>
Os próprios departamentos de literatura norte-americana e inglesa têm oferecido cursos específicos sobre a produção literária de grupos étnicos, como os filipinos, os hispânicos e os latinos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-23367">
<P>
Comunistas debatem o problema da insegurança</P>
<P>
O secretário-geral do PCP acusou ontem o Governo de «subvalorizar» a dimensão do problema» da insegurança dos cidadãos e o seu «crescimento exponencial», argumentando que é o resultado das «injustiças sociais herdadas das políticas de direita».</P>
<P>
Numa intervenção no decurso de um colóquio sobre «Segurança e Tranquilidade dos Cidadãos», que decorreu nas instalações da Assembleia da República, Carlos Carvalhas sublinhou que «sem resposta aos problemas sociais, não há efectivo combate à insegurança».</P>
<P>
O líder comunista argumentou que as «campanhas populistas» sobre esta matéria «atestam apenas que a direita mais conservadora procura instrumentalizar, sem quaisquer escrúpulos, as pulsões mais primárias que se manifestam na sociedade».</P>
<P>
«O Governo do PSD e toda a direita procuram aproveitar-se do desespero que se instalou em populações das áreas metropolitanas mais causticadas pela criminalidade, para levar a água ao seu moinho de soluções meramente securitárias, autoritárias e repressivas», acusou.</P>
<P>
Neste contexto, Carvalhas acentuou que «a direita defende o reforço do SIS e das suas actividades de polícia política e dos corpos de intervenção e a policialização da sociedade, aproveitando para atacar a independência das magistraturas».</P>
<P>
«A direita em geral, ao abordar os problemas da insegurança e intranquilidade públicas, procura colocá-los fora do terreno social, porque não lhe interessa assumir as suas responsabilidades profundas nesta matérias», salientou.</P>
<P>
O líder comunista aproveitou para anunciar a apresentação, na Assembleia da República, de dois projectos de lei que, em sua opinião, constituem «uma contribuição para adequar a resposta das forças de segurança, em articulação com a sociedade, à gravidade da situação».</P>
<P>
Um dos diplomas visa a criação de «Conselhos Municipais de Segurança dos Cidadãos». Pretende-se com esta lei «impedir no imediato o encerramento das esquadras ou postos policiais e assegurar a abertura das unidades encerradas», uma das preocupações mais vezes manifestadas durante o colóquio.</P>
<P>
Por exemplo, o presidente da Junta de Freguesia do Socorro, em Lisboa, afirmou que na sua zona «as pessoas têm medo de sair à rua durante a noite», até porque a polícia apenas faz as rondas de automóvel, situação apontada, com preocupação, por muitos dos participantes.</P>
<P>
Um dos membros do executivo da Junta da Freguesia de Queluz afirmou que a vila se transformou num «gueto», apontando o problema da droga como o mais aflitivo para os moradores.</P>
<P>
Também um dos membros da Comissão de Utentes da Linha de Sintra expressou as suas preocupações pela insegurança naquela linha ferroviária, recordando um inquérito feito, em 1993, sobre aquela via, segundo o qual 15 por cento dos inquiridos já tinham sido vítimas de agressões ou roubos.</P>
<P>
Lusa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-37064">
<P>
Mau tempo em Itália mata 58 pessoas</P>
<P>
Cinquenta e oito mortos, 26 desaparecidos, 63 feridos, mais de nove mil desalojados, 241 comunas inundadas pelas águas das chuvas, 11 das quais, terça-feira à tarde, ainda não tinham recebido a visita de uma equipa de socorro, é o último balanço oficial da catástrofe provocada pelas chuvas intensas que desde sábado fustigam o Norte de Itália.</P>
<P>
O mau tempo, segundo uma previsão ontem divulgada pela Protecção Civil, deverá continuar a assolar o país. As previsões apontam para a continuação das chuvas e de fortes rajadas de vento nas regiões de Piemonte, Vale de Aosta, Liguria e Lombardia, esperando-se que afectem também a Toscania e outras zonas do Norte de país.</P>
<P>
Subavaliada num primeiro momento pelas autoridades, a tragédia entra agora em casa de todos os italianos através da cobertura televisiva em directo, motivando já uma onda de solidariedade para com as populações afectadas.</P>
<P>
Assim, centenas de voluntários ofereceram-se para colaborarem nas operações de limpeza e reconstrução. Entre numerosas iniciativas o diário de Turim «La Stampa» iniciou uma subscrição pública que em apenas dois dias recolheu cerca de mil milhões de liras.</P>
<P>
Recorde-se que, terça-feira em Roma, durante a reunião de Conselho de Ministros, o Governo de Silvio Berlusconi desbloqueou 3000 milhões de liras (2,7 milhões contos) para ajudar à reconstrução das regiões mais afectadas. Foi ainda proclamado o estado de emergência até ao fim de 1995 nas regiões mais afectadas.</P>
<P>
A imprensa italiana estimou entre os 5500 e dez mil milhões de liras os prejuízos materiais provocados pelo mau tempo. Metade dos terrenos cultiváveis das regiões mais ricas da Itália agrícola estão arrasados.</P>
<P>
Entretanto, as autoridades continuam debaixo de uma chuva de críticas em relação aos atrasos e descoordenação na intervenção das equipas de socorro. Um comerciante de Alessandria, recorda que «os bombeiros e os socorristas só começaram a agir no domingo quando, já no sábado à tarde, as águas do rio Tanaro tinham saltado das suas margens». AFP</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17555">
<P>
Aung San Suu Kyi desmente</P>
<P>
A DISSIDENTE birmanesa Aung San Suu Kyi desmentiu ontem ter aceite tornar-se conselheira especial do director da UNESCO para as questões da democracia e dos direitos humanos, argumentando que as suas obrigações não lhe permitem actualmente trabalhar fora do país. A UNESCO anunciara sexta-feira em Paris, num comunicado, que Aung aceitara em princípio ser conselheira especial do director-geral, Federico Mayor. Mas ela disse mesmo que nem sequer aceitará convites para fazer viagens ao estrangeiro, pois entende que o seu trabalho é na Birmânia, onde só no dia 10 deste mês deixou de estar sob prisão domiciliária.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-94388">
<P>
Tapar o sol com uma peneira</P>
<P>
Em Ímola ocorreram cinco acidentes gravíssimos, de que resultaram duas mortes: três despistes violentos, o último dos quais matou Ayrton Senna; um acidente na largada, que envolveu Pedro Lamy; e um atropelamento nas «boxes». A FIA, organismo internacional responsável pelo desporto automóvel, reuniu-se ontem de emergência e decidiu tomar medidas para... evitar acidentes nas «boxes».</P>
<P>
A vacuidade geral das medidas anunciadas contrasta com a indignação que, um pouco por todo o mundo, está a causar o conhecimento de que tanto Ratzenberger como Senna morreram ainda dentro do próprio circuito de Ímola e que tal facto foi ocultado na altura porque a sua revelação provocaria o fim imediato da prova. E contrasta igualmente com o que tem sido sugerido por pilotos que estiveram ou continuam ligados à Fórmula 1.</P>
<P>
No entanto, a razão das mortes em Ímola é bem conhecida -- os carros bateram em muros de pedra a velocidades demasiado elevadas, tão elevadas que o corpo dos malogrados pilotos não resistiu à desaceleração negativa. Esta constatação deveria levar a federação internacional a debruçar-se sobre dois problemas: a segurança dos circuitos e a velocidade dos carros. E, se não é possível, por decreto, tornar seguros todos os circuitos (introduzindo «chicanes» que encurtem as rectas mais longas, alargando as escapatórias, etc.), é possível actuar desde já sobre as «performances» dos bólides do «circo».</P>
<P>
Ontem mesmo, aos microfones da TSF, o piloto português Pedro Matos Chaves, ao mesmo tempo que lamentava o facto de as autoridades desportivas terem ido copiar ao Estados Unidos apenas regras que conduzem a uma maior espectacularidade e esquecido os normativos de segurança, apresentava algumas sugestões simples. Propunha -- tal como faz Patrick Tambay nestas páginas -- que se alterasse as regras aerodinâmicas; que se determinasse o aumento do peso das viaturas (um Fórmula 1 pesa 500 quilos, um Fórmula Indy cerca de 750); e que se impusesse uma diminuição de potência, reduzindo, por exemplo, a cilindrada dos motores. E acrescentava o piloto português, com razão, que se tratava de medidas simples, não muito caras, mas que dificilmente seriam aceites porque implicam a unanimidade dos construtores, e cada construtor possui os seus interesses próprios.</P>
<P>
Resta a esperança de que possam ser impostas pela unanimidade dos pilotos, associados, como também sugere Tambay. Mas, depois do abandono de Prost e de Mansel e da morte de Senna, ninguém no mundo do «circo» possui autoridade e carisma para se poder afirmar como um líder natural. Para além de que, como pudemos ver ao assistir à triste festa do pódio de Ímola, a actual geração de «jovens lobos» que domina a Fórmula 1 parece ter a cabeça noutro lado.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-65336">
<P>
Da Reportagem Local </P>
<P>
Se estiver em Pernambuco, não hesite. Fuja do movimento de Boa Viagem, que chega a ser insuportável nos finais de semana, alugue um bugue e vá ao litoral sul.</P>
<P>
Apenas 58 quilômetros separam Recife de Porto de Galinhas, um dos trechos mais bonitos –e concorridos– da costa pernambucana.</P>
<P>
São 14 quilômetros de praias, piscinas naturais e jangadas. A antiga vila de pescadores, que há oito anos não tinha sequer um hotel, hoje já conta com seis, mais de 40 pousadas e 500 casas de veraneio.</P>
<P>
No vilarejo, ainda rústico, proliferam barzinhos de comida típica à beira-mar e barracas de artesanato.</P>
<P>
Na maré baixa, jangadas levam turistas às inúmeras piscinas naturais. É possível ainda sobrevoar o litoral de ultraleve. Vale a pena.</P>
<P>
A 4 km da vila de pescadores, está o Pontal de Maracaípe, lugar quase deserto.</P>
<P>
Braços do rio Maracaípe formam manguezais cheios de caranguejinhos amarelos, que se encontram com o mar, formando pequenas lagoas quando baixa a maré.</P>
<P>
Para mergulhar, escolha a praia do Muro Alto, a 8 km do vilarejo. Um grande arrecife faz com que o visitante, de "snorkell" se sinta dentro de um aquário natural. E o que é melhor, protegido dos ataques dos tubarões que andam atacando surfistas. </P>
<P>
(Simone Galib)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-Wikex3">
<P>  A Concessão de Évora Monte ou Capitulação de Évora Monte (depois impropriamente chamada de Convenção de Évora Monte ) foi um acordo assinado entre liberais e miguelistas na pacata vila alentejana de Évora Monte ( hoje concelho de Estremoz ), em 26 de Maio de 1834 , o qual pôs termo à guerra civil de 1832-34 , que vinha dilacerando a nação portuguesa havia cerca de dois anos .</P>

<P>
Antecedentes</P>

<P>
 D. Miguel I , considerado soberano usurpador do trono de sua sobrinha D. Maria da Glória pelos liberais, havia perdido as grandes batalhas da guerra civil no Ribatejo ( Pernes , Almoster e Asseiceira ) nos primeiros meses de 1834 , e refugiara-se com o seu quartel-general no Alentejo , a única região do Reino que lhe continuava formalmente fiel.</P>

<P>
Com um exércio pouco motivado para continuar a sua luta por uma causa já perdida, com inúmeras baixas e outras tantas deserções para o lado que acabaria por sair vencedor, D. Miguel instalou-se no então concelho de Évora-Monte com o seu Conselho de Guerra . Ponderando a hipótese de uma derradeira e decisiva batalha às portas de Évora , a manutenção de uma guerra de guerrilha no Baixo Alentejo e Algarve , a retirada para Espanha para auxiliar a causa carlista de seu primo Don Carlos (pretendente absolutista ao trono da Espanha , que o disputava à sua sobrinha Isabel II - situação, de resto, similar à que se vivia em Portugal ), ou a rendição pura e simples, acabou o Conselho de Guerra por deliberar, no dia 23 de Maio , pedir um armistício aos chefes liberais, para que cessassem imediatamente as hostilidades.</P>

 </DOC>

<DOC DOCID="cha-97454">
<P>
Africanos em Portugal vivem em «aldeias» de barracas</P>
<P>
Só em Lisboa e Setúbal existem nove «aldeias» de africanos com mais de 2000 pessoas e vinte com mais de mil. As condições de vida são as piores. Um estudo ontem divulgado confirma ainda que, em Lisboa, reside a maioria de africanos que imigraram para Portugal e que os cabo-verdianos constituem a maior comunidade de imigrantes residente em Portugal. Os números do estudo não contradizem os oficiais, mas revelam que estes são pouco exactos.</P>
<P>
O alojamento tipo barraca é a habitação mais frequentemente encontrada em 44 de 106 bairros degradados das áreas metropolitanas de Lisboa e Setúbal, habitados em grande parte por população africana.</P>
<P>
Em outros 20 bairros, a habitação social aparece como forma predominante de alojamento. Estes números, apresentados ontem em conferência de imprensa, em Lisboa, resultam de um estudo do Centro Padre Alves Correia (Cepac), realizado durante todo o ano de 1994 e nos primeiros meses de 1995, e que pretendia recensear as pessoas de origem africana residentes nas zonas de Lisboa e Setúbal.</P>
<P>
O estudo «Os Números da Imigração Africana» define africano como «todo o cidadão filho de pais de origem africana até à segunda ou terceira geração», mesmo que já nascido em território nacional, mas que tenha em África as suas referências sociais, «os vulgarmente chamados `pretos' ou `mestiços'». Não pretendia, portanto, o Cepac contabilizar quantos imigrantes clandestinos residem em Portugal, mesmo depois do período de legalização extraordinária de há dois anos. Mas os números agora divulgados por aquela instituição ligada aos Missionários Espiritanos indiciam que os números oficiais existentes -- Recenseamento da População e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras -- também não são exactos, conforme o PÚBLICO já fizera notar (ver edição de 17/11/1994), quando divulgou em primeira mão os resultados preliminares deste estudo.</P>
<P>
O Censo de 1991 indica que há, em Portugal, um total de 28.326 africanos mas o estudo do Cepac contabilizou, só em 106 bairros de Lisboa e Setúbal, 40.904 cabo-verdianos e um total de 66.513 africanos. O padre Firmino Cachada disse ontem, na conferência de imprensa, que não é sua intenção provocar «guerras de números», embora chamasse a atenção para a incorrecção de alguns dos dados oficiais.</P>
<P>
As inexactidões chegam ao ponto de, num relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), haver contas mal feitas: ao contabilizar residentes estrangeiros autorizados, somam-se 16 naturais de Trinidad e Tobago quando a soma das parcelas por distritos dá 15.</P>
<P>
Partindo do estudo realizado pela instituição que dirige e no confronto com os restantes dados disponíveis, Firmino Cachada calcula em cerca de 160 mil o número de africanos que residirão em Portugal. Destes, metade deverá ser cabo-verdiana. O Governo, via SEF, aponta para 68.945 o número de africanos de expressão portuguesa legalizados em Portugal, à data de 31 de Dezembro de 1994.</P>
<P>
Não pretendendo determinar o verdadeiro número de clandestinos, o padre Cachada pensa que quem conhece a situação no terreno pode falar de «largos milhares», já que todas as sistematizações feitas se revelam deficitárias. As pessoas nessa situação, diz Firmino Cachada, revelam-se sempre «esquivas a qualquer abordagem de tipo recenseatório», preferindo estar empregados, ainda que explorados e mal pagos, a correr o risco de ser detectada a sua ilegalidade.</P>
<P>
Quantos, quem, onde</P>
<P>
Salta à evidência dos números revelados por este estudo a identificação que existe, em grande parte dos casos, entre imigrantes, africanos, e residentes em bairros degradados, sem quaisquer infraestruturas. Desde os bairros de barracas até aos de habitação precária, habitação social ou outros aglomerados mais ou menos híbridos. Em todos eles, falta a luz doméstica, a água canalizada, o saneamento, o comércio, ou mesmo as escolas ou a creche.</P>
<P>
A geografia africana de Lisboa e Setúbal mostra que os cabo-verdianos são a comunidade mais numerosa, com mais de 40 mil pessoas. Há, depois, 12 mil angolanos, sete mil guineenses, três mil são-tomenses e quase dois mil e 500 moçambicanos. A distribuição por concelhos varia e notam-se mesmo significativos «vaivéns de um lado para o outro do Tejo». Os cabo-verdianos são, de novo, os que apresentam uma maior diversidade na distribuição por concelhos, embora se concentrem essencialmente na Amadora (13052) e em Oeiras (9787). Em termos distritais, estão mais em Lisboa (33275), sendo, a grande distância, a maior comunidade residente na capital.</P>
<P>
Os angolanos e moçambicanos, «imigração que teve lugar, sobretudo, nos anos que se seguiram à independência dos respectivos países, fixaram-se sobretudo no concelho da Moita (3380 e 1020, respectivamente) e, mais concretamente, no Vale da Amoreira». Os guineenses concentram-se essencialmente no concelho de Loures (Quinta da Serra, com 1500 pessoas daquela origem). Os são-Tomenses distribuem-se «quase equitativamente por quatro concelhos (Loures, Amadora, Almada e Lisboa).</P>
<P>
O Centro de Estudos Padre Alves Correia é uma instituição de solidariedade social dos Missionários do Espírito Santo que acompanha e apoia as minorias étnicas em Portugal. Para a realização deste estudo sociológico-demográfico, contou com o apoio do Programa Horizon, ca União Europeia. O levantamento realizado diz respeito a cerca de 80 por cento da imigração africana em Portugal. Os trabalhos de campo decorreram em 106 bairros de barracas, habitação social e habitação degradada. De fora ficaram ainda os africanos alojados nos contentores da construção civil, nas pensões baratas («muitas delas clandestinas») e ainda os «integrados», africanos que habitam «os apartamentos disseminados pelo tecido habitacional urbano e suburbano do espaço geográfico em questão».</P>
<P>
Luís Gouveia Monteiro</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54792">
<P>
MARCUS FERNANDES</P>
<P>
Da Agência Folha, em Santos</P>
<P>
A Prefeitura de Santos (SP) recomenda aos banhistas que evitem profundidades superiores a 1,8 m nos próximos dois dias nas praias do município. A medida é preventiva, segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, e está relacionada com a possível aparição de tubarões na baía de Santos.</P>
<P>
Na última terça-feira, o estudante Alexandre Nascimento Martins, 14, disse ter sido ferido por um tubarão. O acidente aconteceu às 14h, na praia de José Menino, próximo ao canal 2. Martins nadava a uma profundidade de 1,5 m quando sentiu uma dor no pé esquerdo.</P>
<P>
Segundo os biólogos Otto Bismarck Gadig e Luiz Alonso Ferreira, que examinaram o ferimento no pé do estudante, a marca deixada pode ter sido produzida por um tubarão. "É um ferimento característico da espécie, produzido por um animal com provavelmente 1 m de comprimento", disse Gadig. Representante do Museu Estadual da Flórida, que cataloga ataques de tubarões no mundo, Gadig afirmou que o último registro envolvendo seres humanos no Brasil aconteceu há poucos dias em Pernambuco. Foi em 31 de janeiro deste ano. A vítima foi um menino, também de 14 anos, que teve ferimentos na perna e no pé.</P>
<P>
Gadig acredita que não há motivo para pânico. "Ataques de tubarões a pessoas são casos raros. No Brasil, só temos conhecimento de 50 notificações dessa natureza", afirmou. Para o biólogo Ferreira, chefe do Museu do Mar de Santos, "o que aconteceu com Martins é um fato isolado, muito raro de se repetir".</P>
<P>
Gadig, que faz tese de mestrado sobre tubarões na Universidade Federal da Paraíba, disse que o primeiro ataque de tubarões a pessoas na Baixada Santista aconteceu em março de 1976. "Foi uma mulher de 34 anos, atacada na praia do Boqueirão, em Praia Grande. Ele teve parte do tronco arrancado e morreu". "Não existe um local específico no litoral brasileiro onde esses ataques sejam mais frequentes. Eles acontecem de forma aleatória", disse Gadig.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-64762">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O trânsito esteve intenso ontem durante todo o dia no sistema Anchieta-Imigrantes. Segundo o Dersa (Desenvolvimento Rodoviário), até ontem, 405.361 veículos já haviam retornado para a capital. O período de maior movimento foi entre 17h e 18h, quando 17 mil carros passaram pelo sistema, com 79 carros por minuto.</P>
<P>
Do quinta a domingo houve 533 acidentes nas rodovias de São Paulo. O número de acidentes foi maior do que o registrado no mesmo período no ano passado, quando aconteceram 515 acidentes. Mas houve menos mortos este ano. Foram 348 feridos e 31 mortes. Em 93, 422 pessoas ficaram feridas e 38 morreram.</P>
<P>
Nas rodovias federais, a polícia registrou entre o dia 30, quinta-feira, até ontem de manhã, 87 acidentes, envolvendo 141 veículos,. Os acidentes deixaram 72 feridos e sete mortos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-92643">
<P>
Amordaçado até à morte</P>
<P>
Um homem, de 63 anos de idade, perdeu a vida depois de ter sido violentamente agredido e amordaçado no interior da sua residência, no lugar de Cerca, próximo de Maceira, na zona de Leiria.</P>
<P>
A ocorrência foi detectada à 1h45 de quinta-feira, altura em que a vítima foi transportada ao Hospital de Leiria, onde chegou já sem vida. Presume-se que o homem foi encontrado amordaçado pela própria mulher, desconhecendo-se, no entanto os autores e o motivo do crime.</P>
<P>
Tanto a Polícia Judiciária de Coimbra, que está a investigar o caso, como a GNR de Leira, que tomou nota da ocorrência, se escusaram a adiantar pormenores sobre o crime, nomeadamente se na casa da vítima havia ou não vestígios de luta ou objectos furtados.</P>
<P>
Suicídio frustrado</P>
<P>
Um homem, de 74 anos de idade, residente no lugar de Junceira, concelho de Tomar, tentou, na manhã de quinta-feira, pôr termo à vida com uma arma caçadeira calibre 12 de dois canos, tendo ficado gravemente ferido.</P>
<P>
O suicida, que tentou matar-se eram 9h45, foi transportado ao hospital de Tomar, onde foi assistido. No entanto, devido ao seu estado de saúde foi transferido para o Hospital de São José, em Lisboa, onde se encontra internado. A arma foi entregue ao tribunal local, que deverá decidir pela sua retenção ou pela devolução ao idoso, caso este venha a recuperar dos ferimentos.</P>
<P>
Presidente de Ourém no Parlamento</P>
<P>
O presidente da Câmara Municipal de Ourém, Mário Albuquerque, renunciou ontem ao mandato para , a partir de Janeiro, substituir na Assembleia da República o deputado do PSD e ex-ministro Mira Amaral.</P>
<P>
Amaral vai abandonar o Parlamento, para onde foi eleito em Outubro, à frente da lista do PSD pelo distrito de Santarém. Mário de Albuquerque, quarto da lista de candidatos, é a figura que «sobe» para ocupar o lugar daquele deputado.</P>
<P>
Na Câmara de Ourém, Albuquerque é substituído pelo vereador David Catarino, que exercia funções de vereador-substituto.</P>
<P>
Mário de Albuquerque, professor do ensino básico, exerceu funções autárquicas em Ourém durante 16 anos, 13 dos quais como presidente da Câmara. llpt01 4280</P>
<P>
Inundações levantam dúvidas sobre localização da futura central de lixos</P>
<P>
Rio Leça ameaça Lipor II?</P>
<P>
Manuela Teixeira</P>
<P>
A subida do caudal do rio Leça poderá atingir a futura central de tratamento de lixos da Lipor, projectada para a margem direita do rio, em Crestins? E quais seriam as consequências ambientais? As duas questões suscitam opiniões divergentes. O estudo de impacte ambiental garante poucos riscos, apesar de algumas das propostas preteridas no concurso terem alertado para a ocorrência de eventuais inundações.</P>
<P>
A futura central de tratamento de lixos da Lipor -- Sistema Intermunicipalizado de Tratamento de Lixos da Região do Porto --, conhecida por Lipor 2, e que corresponde a um investimento aproximado de 25 milhões de contos, ficará localizada na margem do rio Leça, em Crestins, Maia, uma zona crítica em caso de subida do caudal do rio.</P>
<P>
As inundações do período natalício voltaram a levantar dúvidas sobre o local escolhido, mas o estudo de impacte ambiental, embora proponha a deslocação do projecto para cerca de vinte metros a poente, não considera que existam grandes riscos ambientais. No entanto, a cheia serviu para pôr à prova os possíveis efeitos ambientais, caso a central já estivesse em funcionamento.</P>
<P>
Afinal, futuras inundações provocadas pela subida do caudal do rio poderão ou não afectar as instalações da futura central incineradora de resíduos sólidos da Lipor, em Crestins, no concelho da Maia? O presidente do Conselho de Administração da Lipor, Fernando Melo (também presidente da Câmara de Valongo), assegura que «a situação estava prevista na elaboração do projecto» e que «estão em estudo as soluções técnicas para combater eventuais inundações». Melo salienta que dos cerca de 25 milhões de contos de investimento orçamentado, cinco milhões estão destinados para infra-estruturas e vias de acesso.</P>
<P>
Também Miguel Coutinho, do Instituto do Ambiente e Desenvolvimento (Idad) da Universidade de Aveiro, que lidera o trabalho do estudo de impacte ambiental da Lipor II, atesta que «o risco é aceitável e não põe em causa o projecto». Miguel Coutinho foi verificar os efeitos da subida do caudal do Leça no local onde a central será instalada e, de acordo com o seu parecer técnico, «o rio transbordou na área do terreno em causa, mas apenas na parte destinada aos depósitos de gás propano, sem afectar directamente a zona de recepção de resíduos e de laboração da central».</P>
<P>
Mesmo assim, a equipa de Coutinho equacionou a possibilidade do leito do rio atingir cheia máxima. Neste caso, o mesmo responsável assegura que «o problema pode ser facilmente resolvido com a ligeira alteração do desenho da central». É neste caso que o estudo de impacte ambiental propõe transferir uma parte da instalação, mais exposta às inundações, para cerca de vinte metros a poente da localização actual. Na opinião de Miguel Coutinho, esta alteração não coloca grandes problemas ao projecto global nem a situação é encarada como um problema ambiental.</P>
<P>
Há, no entanto, opiniões divergentes das dos responsáveis pelo estudo de impacte ambiental. Armando Miranda, técnico de um gabinete que prestou serviços para duas empresas preteridas no concurso público para a construção, concepção e exploração da Lipor II (adjudicada entretanto ao consórcio CNIM/Esys Montenay), afirma que o terreno escolhido não foi a melhor opção. E umas das razões apontadas é precisamente o forte risco de inundações, em caso do leito do rio atingir níveis elevados.</P>
<P>
O técnico, que esteve, na altura das cheias, no local onde a central será instalada, na margem direita do Leça e a poucos metros da ponte das Carvalhas, alertou: «A zona de implantação da Lipor ficou inundada e, se a central estivesse já instalada, as consequências seriam graves». Quanto aos pareceres do estudo de impacte ambiental relativos a esta questão, disse que «ninguém pode garantir que as águas do Leça não possam subir oito ou doze metros em 1999», o prazo previsto para a conclusão da central. «Os especialistas da Universidade de Aveiro vão para as bibliotecas fazer estudos com base em estatísticas», criticou Armando Miranda, que, por este e por outros motivos, continua a defender a zona industrial da Maia como a melhor localização para a Lipor II. «Foi uma escolha política», concluiu. llpt02 2230</P>
<P>
Circulação hoje à tarde</P>
<P>
Uma variante provisória na Linha da Póvoa</P>
<P>
A circulação ferroviária na Linha da Póvoa deverá ser reposta até ao fim da tarde de hoje, dentro dos prazos incialmente apontados pela CP. Os trabalhos têm vindo a realizar-se no ritmo previsto e somente um agravamento das condições do tempo pode dilatar o tempo da reparação necessária, após o descarrilamento ocorrido no dia de Natal, junto à Ponte das Carvalhas, entre Custóias e Crestins, em Matosinhos.</P>
<P>
Os técnicos da CP optaram por uma solução povisória de passagem naquele local, que consiste no desvio do trajecto inicial da linha, afastando-a do limite do morro de sustentação cujo aluimento esteve na origem do acidente. Este expediente permitirá à CP manter a linha em funcionamento, enquanto são efectuados estudos aprofundados do local que determinarão quais as obras necessárias à consolidação daquele troço de linha, antes da sua reposição no trajecto inicial. O tempo de duração destes trabalhos, segundo os técnicos da companhia, não pode ainda ser antecipado.</P>
<P>
Durante a tarde de ontem, a linha ficou praticamente desimpedida dos destroços da automotora sinistrada na manhã da passada segunda-feira, um acidente aparatoso que, recorde-se, provocou apenas seis feridos, dado o escasso número de passageiros que viajava no comboio. Em consequência da derrocada das terras, a linha ficou suspensa e as carruagens da automotora acabaram por tombar na direcção do rio Leça, cujos limites se tinham alargado até junto à linha.</P>
<P>
O acidente coincidiu com as cheias do rio -- que passa a menos de 50 metros da via -- mas as primeiras observações técnicas atribuem à falta de drenagem a causa do aluimento das terras, uma vez que a água tende a juntar-se em grandes quantidades naquele local, vinda de um caminho público e de um morro. Por este motivo, uma das primeiras preocupações dos técnicos que estão a reparar os estragos foi garantir um eficaz escoamentos das águas pluviais, o que fizeram através da abertura de canais e da instalação de um conduta improvisada que encaminha a água directamente para o rio. A fase seguinte consiste na consolidação e nivelamento do solo no local onde a «variante» da via-férrea vai ser instalada.</P>
<P>
António Soares llpt03 791</P>
<P>
Vale do Ave «especial» por mais três meses</P>
<P>
O conjunto de medidas especiais de protecção social consagradas no âmbito da Operação Integrada de Desenvolvimento do Vale do Ave vai continuar em vigor, pelo menos no primeiro trimestre de 1996. A prorrogação da vigência da portaria que regulamenta aquelas medidas (365/94), e que expirava no fim deste ano, foi determinada pelos Ministérios da Solidariedade e Segurança Social e da Qualificação e Emprego, na sequência de diligências do governador civil de Braga. O titular deste cargo, Pedro Vasconcelos, informou ainda que, conforme resolução do Conselho de Ministros de quinta-feira passada, os municípios de Barcelos, Braga e Guimarães vão ser objecto de medidas de apoio às explorações afectadas pela seca e pela geada ocorridas em 1995. llpt04 672</P>
<P>
Motorista agredido</P>
<P>
Encontra-se internado no Hospital de Santo António, no Porto, após ter sido submetido a uma intervenção cirúrgica, um motorista de 32 anos, residente na Maia, que anteontem, cerca das 23h00, foi agredido com uma arma branca. De acordo com a PSP, o homem foi socorrido por um automobilista não identificado que o recolheu na Avenida de Vasco da Gama, em Aldoar, e o transportou ao hospital. O motorista sofreu ferimentos na mão direita, no tórax, no abdómen e num testículo. Desconhece-se o autor, os motivos e qual a arma da agressão. Alegadamente, a polícia espera pela recuperação do agredido para averiguar acerca das circunstâncias do incidente. lp01 4280</P>
<P>
Inundações levantam dúvidas sobre localização da futura central de lixos</P>
<P>
Rio Leça ameaça Lipor II?</P>
<P>
Manuela Teixeira</P>
<P>
A subida do caudal do rio Leça poderá atingir a futura central de tratamento de lixos da Lipor, projectada para a margem direita do rio, em Crestins? E quais seriam as consequências ambientais? As duas questões suscitam opiniões divergentes. O estudo de impacte ambiental garante poucos riscos, apesar de algumas das propostas preteridas no concurso terem alertado para a ocorrência de eventuais inundações.</P>
<P>
A futura central de tratamento de lixos da Lipor -- Sistema Intermunicipalizado de Tratamento de Lixos da Região do Porto --, conhecida por Lipor 2, e que corresponde a um investimento aproximado de 25 milhões de contos, ficará localizada na margem do rio Leça, em Crestins, Maia, uma zona crítica em caso de subida do caudal do rio.</P>
<P>
As inundações do período natalício voltaram a levantar dúvidas sobre o local escolhido, mas o estudo de impacte ambiental, embora proponha a deslocação do projecto para cerca de vinte metros a poente, não considera que existam grandes riscos ambientais. No entanto, a cheia serviu para pôr à prova os possíveis efeitos ambientais, caso a central já estivesse em funcionamento.</P>
<P>
Afinal, futuras inundações provocadas pela subida do caudal do rio poderão ou não afectar as instalações da futura central incineradora de resíduos sólidos da Lipor, em Crestins, no concelho da Maia? O presidente do Conselho de Administração da Lipor, Fernando Melo (também presidente da Câmara de Valongo), assegura que «a situação estava prevista na elaboração do projecto» e que «estão em estudo as soluções técnicas para combater eventuais inundações». Melo salienta que dos cerca de 25 milhões de contos de investimento orçamentado, cinco milhões estão destinados para infra-estruturas e vias de acesso.</P>
<P>
Também Miguel Coutinho, do Instituto do Ambiente e Desenvolvimento (Idad) da Universidade de Aveiro, que lidera o trabalho do estudo de impacte ambiental da Lipor II, atesta que «o risco é aceitável e não põe em causa o projecto». Miguel Coutinho foi verificar os efeitos da subida do caudal do Leça no local onde a central será instalada e, de acordo com o seu parecer técnico, «o rio transbordou na área do terreno em causa, mas apenas na parte destinada aos depósitos de gás propano, sem afectar directamente a zona de recepção de resíduos e de laboração da central».</P>
<P>
Mesmo assim, a equipa de Coutinho equacionou a possibilidade do leito do rio atingir cheia máxima. Neste caso, o mesmo responsável assegura que «o problema pode ser facilmente resolvido com a ligeira alteração do desenho da central». É neste caso que o estudo de impacte ambiental propõe transferir uma parte da instalação, mais exposta às inundações, para cerca de vinte metros a poente da localização actual. Na opinião de Miguel Coutinho, esta alteração não coloca grandes problemas ao projecto global nem a situação é encarada como um problema ambiental.</P>
<P>
Há, no entanto, opiniões divergentes das dos responsáveis pelo estudo de impacte ambiental. Armando Miranda, técnico de um gabinete que prestou serviços para duas empresas preteridas no concurso público para a construção, concepção e exploração da Lipor II (adjudicada entretanto ao consórcio CNIM/Esys Montenay), afirma que o terreno escolhido não foi a melhor opção. E umas das razões apontadas é precisamente o forte risco de inundações, em caso do leito do rio atingir níveis elevados.</P>
<P>
O técnico, que esteve, na altura das cheias, no local onde a central será instalada, na margem direita do Leça e a poucos metros da ponte das Carvalhas, alertou: «A zona de implantação da Lipor ficou inundada e, se a central estivesse já instalada, as consequências seriam graves». Quanto aos pareceres do estudo de impacte ambiental relativos a esta questão, disse que «ninguém pode garantir que as águas do Leça não possam subir oito ou doze metros em 1999», o prazo previsto para a conclusão da central. «Os especialistas da Universidade de Aveiro vão para as bibliotecas fazer estudos com base em estatísticas», criticou Armando Miranda, que, por este e por outros motivos, continua a defender a zona industrial da Maia como a melhor localização para a Lipor II. «Foi uma escolha política», concluiu.</P>
<P>
Circulação hoje à tarde</P>
<P>
Uma variante provisória na Linha da Póvoa</P>
<P>
A circulação ferroviária na Linha da Póvoa deverá ser reposta até ao fim da tarde de hoje, dentro dos prazos incialmente apontados pela CP. Os trabalhos têm vindo a realizar-se no ritmo previsto e somente um agravamento das condições do tempo pode dilatar o tempo da reparação necessária, após o descarrilamento ocorrido no dia de Natal, junto à Ponte das Carvalhas, entre Custóias e Crestins, em Matosinhos.</P>
<P>
Os técnicos da CP optaram por uma solução povisória de passagem naquele local, que consiste no desvio do trajecto inicial da linha, afastando-a do limite do morro de sustentação cujo aluimento esteve na origem do acidente. Este expediente permitirá à CP manter a linha em funcionamento, enquanto são efectuados estudos aprofundados do local que determinarão quais as obras necessárias à consolidação daquele troço de linha, antes da sua reposição no trajecto inicial. O tempo de duração destes trabalhos, segundo os técnicos da companhia, não pode ainda ser antecipado.</P>
<P>
Durante a tarde de ontem, a linha ficou praticamente desimpedida dos destroços da automotora sinistrada na manhã da passada segunda-feira, um acidente aparatoso que, recorde-se, provocou apenas seis feridos, dado o escasso número de passageiros que viajava no comboio. Em consequência da derrocada das terras, a linha ficou suspensa e as carruagens da automotora acabaram por tombar na direcção do rio Leça, cujos limites se tinham alargado até junto à linha.</P>
<P>
O acidente coincidiu com as cheias do rio -- que passa a menos de 50 metros da via -- mas as primeiras observações técnicas atribuem à falta de drenagem a causa do aluimento das terras, uma vez que a água tende a juntar-se em grandes quantidades naquele local, vinda de um caminho público e de um morro. Por este motivo, uma das primeiras preocupações dos técnicos que estão a reparar os estragos foi garantir um eficaz escoamentos das águas pluviais, o que fizeram através da abertura de canais e da instalação de um conduta improvisada que encaminha a água directamente para o rio. A fase seguinte consiste na consolidação e nivelamento do solo no local onde a «variante» da via-férrea vai ser instalada.</P>
<P>
António Soares</P>
<P>
Água submergiu sete mil hectares de terrenos e afectou 3500 agricultores</P>
<P>
Prejuízos na bacia do Vouga rondam os 200 mil contos</P>
<P>
Rui Baptista e Susana Borges</P>
<P>
As cheias no Baixo Vouga provocaram danos no sector agrícola a rondar os 200 mil contos e a água submergiu sete mil hectares de terrenos, causando prejuízos substanciais a 3500 agricultores. O Governo admite vir a disponibilizar verbas para compensar as vítimas do mau tempo.</P>
<P>
O Governo poderá vir a disponibilizar verbas para compensar os agricultores e produtores de leite da bacia do Vouga pelos prejuízos causados nesta região pelo mau tempo dos últimos dias. A revelação foi feita ontem, na Gafanha da Nazaré (Ílhavo), pelo secretário de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Capoulas dos Santos, durante uma reunião de trabalho com autarcas e representantes das vítimas das cheias.</P>
<P>
«Não excluo que alguns dos apoios por parte do Governo venham a ser de natureza financeira», disse Capoulas dos Santos, que se escusou a avançar com mais explicações sobre esta matéria, alegando que não pretende «criar falsas expectativas». Entretanto, os serviços de protecção civil do distrito de Aveiro preparam-se para enfrentar os efeitos do agravamento das condições meteorológicas, previsto para o fim-de-semana.</P>
<P>
Numa primeira avaliação, feita pelas autarquias do Baixo Vouga e pelas associações da lavoura, a água da chuva somada às marés vivas da ria de Aveiro provocaram danos no sector agrícola a rondar os 200 mil contos. No total, a água submergiu sete mil hectares de terrenos e causou prejuízos substanciais a 3500 agricultores. As principais vítimas das cheias foram as cabeças de gado leiteiro que, habitualmente, pastam em liberdade nos terrenos e ilhas alagadiças do Baixo Vouga. Segundo dados fornecidos pelos serviços distritais de protecção civil, terão perecido nas cheias 36 animais, tendo sido salvos mais de 160. Capoulas dos Santos garante que foram arrastados pelas águas cerca de meia centena de reses. Porém, os agricultores e produtores da região garantem que as perdas de animais foram bem mais elevadas. Há ainda a lamentar o desaparecimento de diversas infra-estruturas de apoio e prejuízos em forragens e culturas.</P>
<P>
Por iniciativa da Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral (DRABL), cada agricultor atingido pelas cheias terá que fazer um levantamento, o mais preciso possível, dos danos emergentes nas respectivas propriedades. Os serviços da DRABL verificarão depois, caso a caso, a veracidade dos relatórios, que irão ser apreciados numa reunião marcada para os primeiros dias do próximo ano.</P>
<P>
Na reunião que ontem manteve com os agricultores, o secretário de Estado foi especialmente alertado para a urgência das obras de regularização dos caudais do rio Vouga e afluentes, há muito prometidas, mas nunca concretizadas. A opinião generalizada dos agricultores é a de que o Governo deve avançar rapidamente com a construção do polémico dique do Baixo Vouga, que tem como objectivo impedir a entrada de águas salgadas, permitindo a recuperação para fins agrícolas de milhares de hectares de terrenos alagadiços.</P>
<P>
Os agricultores criticaram duramente a posição dos ecologistas do Fapas (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens) e do Geota, que recentemente recorreram às instâncias europeias para travarem a construção do dique. «Que as pessoas de fora não venham estragar a vida aos que cá vivem -- se o dique não for feito, o Baixo Vouga vai desaparecer debaixo de água salgada», resumiu um agricultor. O presidente da Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro, Joaquim Cunha, foi ainda mais duro para com os ecologistas, a quem definiu como «uns passarões que querem proteger passarinhos».</P>
<P>
Capoulas dos Santos prometeu que o Governo vai ter em conta as reclamações dos agricultores. «Penso que parte dos equívocos nesta matéria ficam a dever-se à falta de diálogo», disse o governante.</P>
<P>
Militares de prevenção</P>
<P>
Também ontem decorreu em Aveiro um encontro entre autarcas, serviço de protecção civil, bombeiros e autoridades policiais, destinada a fazer o ponto da situação sobre os efeitos do mau tempo na região. Ficou acordado que, até à próxima terça-feira, cada autarquia apresentará um levantamento global sobre a extensão dos prejuízos nos respectivos concelhos. Os serviços de protecção civil vão continuar em situação de alerta nos próximos dias, uma vez que é esperado o agravamento das condições meteorológicas. Outros factores de preocupação são as marés cheias na ria de Aveiro nos dois últimos dias do ano, somadas ao facto de a bolsa lagunar da pateira de Fermentelos e da ria não estarem ainda em condições para absorver toda a água acumulada nos últimos dias. O equipamento de socorro à vítimas das cheias foi, entretanto, reforçado com mais duas embarcações insufláveis cedidas pelo Exército. Uma equipa de membros da Brigada Aerotransportada Independente -- que partirá para a Bósnia nos primeiros dias de Janeiro -- estará pronta a intervir em caso de necessidade. Também a Junta Autónoma de Estradas manterá em serviço permanente uma brigada de emergência.</P>
<P>
Mais 5000 metros quadrados custam 450 mil contos</P>
<P>
Mercado abastecedor cresce</P>
<P>
O Promab (Programa de Apoio aos Mercados Abastecedores) irá comparticipar em 50 por cento as obras de infraestruturação e construção de uma «zona de expansão» de 5000 metros quadrados no Mercado Abastecedor do Porto (MAP). O valor inicial da candidatura do mercado portuense aos meios financeiros co-financiados pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) era de 750 mil contos, mas para facilitar o financiamento e a prossecução das obras, o projecto foi dividido em duas fases, sendo que a primeira foi orçada em cerca de 450 mil contos.</P>
<P>
Oliveira Dias, vereador do pelouro dos Serviços Técnicos e Apoio às Actividades Económicas da Câmara Municipal do Porto, e presidente do Conselho de Administração do MAP, afirmou ao PÚBLICO que, após reuniões com o Conselho de Administração da Simab (Sociedade Instaladora de Mercados Abastecedores, S.A.) -- a quem compete a gestão corrente do Promab, bem como a apreciação dos projectos na perspectiva da sua implantação, dimensionamento e viabilidade -- na passada semana, e ontem com o Secretário de Estado do Comércio, foram dadas «garantias absolutas de que haveria uma comparticipação de 50 por cento [cerca de 225 mil contos] para a concretização do projecto». As verbas deverão ser atribuídas em 1996 e «para que isso aconteça é preciso que haja obra», frisou o vereador.</P>
<P>
Armazenamento frigorífico</P>
<P>
A candidatura do MAP prevê a construção de uma área coberta de 5000 metros quadrados, denominada «zona de expansão» -- «a única zona onde havia possibilidade de crescimento» --, para a qual está prevista a instalação de três linhas: uma zona de armazenamento frigorífico («um complemento natural que ainda nos falta»), uma área de venda grossista por grupagem e uma terceira zona de produção e recuperação de taras que, no entender de Oliveira Dias, «envolve quantias elevadas e problemas delicados». A redução do montante da candidatura de 750 mil para 450 mil contos e a sua divisão em duas fases surgiu no âmbito de uma proposta do Conselho de Administração da Simab. «O que se verificou foi que dentro do rateio de verbas previstas o valor máximo teria que se restringir aos 450 mil contos, ficando o restante necessário para a conclusão do projecto adiado para uma segunda fase», declarou Oliveira Dias. Assim, e como o processo de candidatura prevê que a entidade beneficiária desembolse uma determinada quantia, a reestruturação do MAP será custeada em 50% por dinheiros investidos pelo próprio mercado (desde 1989 uma sociedade por acções que integra a Câmara Municipal do Porto, o IROMA, operadores e comerciantes grossistas e organizações de produtores), sendo os restantes 50% obtidos a fundo perdido através do Promab.</P>
<P>
Na reunião de ontem com o Secretário de Estado do Comércio, Manuel dos Santos, o assunto foi discutido e «a proposta da Simab foi confirmada». Como Manuel dos Santos é o presidente da Assembleia Geral da Simab, o processo, já aprovado, não deverá sofrer nenhum percalço.</P>
<P>
O vereador adiantou ao PÚBLICO que todos os projectos -- de infraestruturas e de construção -- estão feitos, mas ainda não foi lançado o concurso público necessário para o início das obras. Para que a comparticipação seja obtida, falta também estabelecer um protocolo entre o MAP e a autarquia, onde esta reconhece que o MAP presta um serviço público, como pressupõe o regulamento comunitário. No entanto, Oliveira Dias considera a assinatura do protocolo uma «formalidade» que não atrasará o processo nem constituirá qualquer dificuldade, «dadas as boas relações que o MAP mantém com a Câmara».</P>
<P>
Entretanto, um outro mercado abastecedor, o de Coimbra, que abriu há seis meses, aproveitou para fazer um balanço da sua recente existência, concluindo que foram excedidas as expectativas mais optimistas (ver texto na p. 51).</P>
<P>
Rita Siza</P>
<P>
Vale do Ave «especial» por mais três meses</P>
<P>
O conjunto de medidas especiais de protecção social consagradas no âmbito da Operação Integrada de Desenvolvimento do Vale do Ave vai continuar em vigor, pelo menos no primeiro trimestre de 1996. A prorrogação da vigência da portaria que regulamenta aquelas medidas (365/94), e que expirava no fim deste ano, foi determinada pelos Ministérios da Solidariedade e Segurança Social e da Qualificação e Emprego, na sequência de diligências do governador civil de Braga. O titular deste cargo, Pedro Vasconcelos, informou ainda que, conforme resolução do Conselho de Ministros de quinta-feira passada, os municípios de Barcelos, Braga e Guimarães vão ser objecto de medidas de apoio às explorações afectadas pela seca e pela geada ocorridas em 1995.</P>
<P>
Motorista agredido</P>
<P>
Encontra-se internado no Hospital de Santo António, no Porto, após ter sido submetido a uma intervenção cirúrgica, um motorista de 32 anos, residente na Maia, que anteontem, cerca das 23h00, foi agredido com uma arma branca. De acordo com a PSP, o homem foi socorrido por um automobilista não identificado que o recolheu na Avenida de Vasco da Gama, em Aldoar, e o transportou ao hospital. O motorista sofreu ferimentos na mão direita, no tórax, no abdómen e num testículo. Desconhece-se o autor, os motivos e qual a arma da agressão. Alegadamente, a polícia espera pela recuperação do agredido para averiguar acerca das circunstâncias do incidente.</P>
<P>
LPbreves 2101</P>
<P>
Rio Douro a descer</P>
<P>
O nível das águas no rio Douro manteve a tendência para descer durante todo o dia de ontem, cifrando-se em valores próximos dos normais. Para o facto muito contribuiu a diminuição do volume das descargas da Barragem de Crestuma/Lever que se situava, a meio da tarde, nos 2674 metros cúbicos por segundo, bem longe, por isso, dos mais de seis mil assinalados na noite de Natal. Níveis semelhantes foram registados também nas barragens interiores. Esta tendência leva as autoridades a encararem com algum optimismo o período de passagem de ano, para o qual se prevê um agravamento do estado do tempo que justificou já, inclusivamente, uma alerta nacional do Serviço Nacional de Protecção Civil. Apesar de não se terem ainda verificado estragos de monta ao longo da costa, o mau tempo no mar mantém fechadas as barras do Norte do país, situação que deverá continuar nos próximos dias.</P>
<P>
Baleado pela PSP</P>
<P>
Um maqueiro do Hospital de S. João de 29 anos, residente em Matosinhos, foi detido pela PSP na passada quarta-feira por posse de arma ilegal e tentativa de agressão aos agentes captores, momentos depois de, numa troca de tiros, ter sido ferido numa perna. De acordo com a polícia, existia a informação de que este indivíduo tentava vender uma arma de fogo, de calibre 6,35 mm, não legalizada. Na altura da detenção, em Matosinhos, cerca das 22h30, o homem fugiu aos agentes, que alegadamente efectuaram um tiro de intimidação. Só que o maqueiro não se deteve e terá disparado contra os polícias que, ao ripostarem, o atingiram numa perna.</P>
<P>
Morte na EN 13</P>
<P>
Daniel Costa Pires, de 60 anos, faleceu quinta-feira à noite, vítima de atropelamento, na EN 13. O acidente ocorreu às 21h00, no lugar da Estela, Póvoa de Varzim, quando o sexagenário foi colhido no meio da faixa de rodagem por um automóvel conduzido por Catulo da Silva Morais e Castro. Nesta mesma viatura seguiam ainda a esposa do condutor e as duas filhas do casal. Os quatro ocupantes do veículo sofreram ferimentos que os obrigaram a receber tratamento no Hospital de S. João, no Porto, cidade onde reside a família.</P>
<P>
Oportunidades raras a não perder</P>
<P>
O Canto Nono tem andado um pouco escondido, infelizmente arredado dos nossos ouvidos. Pausa? Cansaço? Reflexão? Se calhar nada disso: como o PÚBLICO contou há dias, por aquelas bandas trabalha-se neste momento na preparação de um disco. O primeiro, que já tardava. E com elevada expectativa, pois é nada menos que o próprio Ward Swingle (fundador dos célebres Swingle Singers, precursores deste género de grupos vocais que cantam tudo, desde a melodia ao acompanhamento instrumental) quem está a trabalhar com o grupo na produção e gravação do almejado CD. Portanto, daqui até Março não deverá haver muitas oportunidades para ouvir o octeto portuense formado actualmente (houve pequenas alterações à composição incial, datada de Fevereiro de 1992) por Amélia Lopes, Luísa Rodrigues, Elisabete Moura, Ana Luísa Carvalho, António Paulo Silva, Rui Barros Silva, Fernando Pinheiro e Guilhermino Monteiro. Porque as oportunidades serão poucas, convém aos amadores não desperdiçarem as que se aproximam: hoje mesmo, dia 30, às 22h00, o Canto Nono apresenta-se no Salão Nobre da Câmara Municipal de Espinho, numa organização conjunta da edilidade e da Cooperativa Nascente; nos próximos dias 5 e 6 de Janeiro, às 21h30, poderemos ouvi-los no Porto, no Ballet Teatro Auditório (Praça 9 de Abril, 76). Com a qualidade e o rigor de interpretação a que o grupo nos habituou, são espectáculos a marcar decididamente na agenda. Ouvir Bach e Mozart, mas também os Beatles ou temas populares da tradição norte-americana, com algum jazz à mistura, tudo apenas com recurso à voz, esse instrumento primeiro, é experiência que vale.</P>
<P>
Exposição na Alfândega</P>
<P>
Um espaço de demonstrações</P>
<P>
A exposição «Portugal e as Comunicações na Europa», patente até amanhã no edifício da Alfândega do Porto, apresenta e documenta a história e evolução das mais diferentes técnicas de transmissão de mensagens. Dos pombos correios aos selos postais, passando pela construção das grandes redes ferroviárias e, mais recentemente, a invasão teconógica de faxes, telemóveis e satélites, além das possibilidades quase ilimitadas da fibra óptica.</P>
<P>
Associando-se a esta iniciativa, o Centro de Estudos de Telecomunicações da Direcção Central de Investigação e Desenvolvimento da Portugal Telecom S.A., em Aveiro, instalou um espaço de demonstração interactivo denominado «Sonhar é criar... 45 anos ao serviço das telecomunicações». Aí se apresentam alguns dos contributos tecnológicos, sistemas e serviços de telecomunicações desenvolvidos por aquele centro de estudos (passe a publicidade...), que constituem um marco importante na evolução e desenvolvimento do sector em Portugal.</P>
<P>
R.S. lplx01 2993</P>
<P>
Lisboa</P>
<P>
Hospital de Santa Maria com problemas</P>
<P>
O bloco operatório de Ortopedia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, está encerrado há 22 dias devido a uma avaria no ar condicionado. Neste serviço de cirurgia programada existe já uma lista de espera com dezenas de nomes e pelo menos 35 doentes aguardam internados uma vaga. As urgências não têm sido afectadas.</P>
<P>
O encerramento, que está a desesperar funcionários e doentes, ocorreu no passado dia 9. A falta de ar condicionado, segundo o pessoal do bloco, aumenta o risco de infecções, podendo obrigar a amputações. Perante a situação de crise que se foi agravando, o conselho de administração do hospital resolveu actuar: no dia 27, ou seja, 19 dias depois do incidente, emitiu um despacho para disponibilizar três salas operatórias no sentido de responder às necessidades da ortopedia.</P>
<P>
As salas de cirurgia geral indicadas pela administração só estão disponíveis durante a tarde e a noite, porque de manhã servem os restantes serviços hospitalares em regime normal. A medida está a obrigar as equipas a adaptarem os seus horários a estas limitações e enquanto o problema se mantiver as listas de espera continuam a aumentar, desorganizando a prestação do serviço ortopédico.</P>
<P>
João Alberto Saavedra, adjunto da direcção clínica do Hospital de Santa Maria, confirmou ao PÚBLICO a existência da avaria no ar condicionado e o encerramento do bloco de ortopedia. «Infelizmente, a firma encarregue de o fazer avariou ainda mais o que já estava mal...», disse, reconhecendo tratar-se de «uma situação de crise, embora esteja em vias de ser solucionada».</P>
<P>
O médico acrescentou ter sido instaurado um inquérito destinado a apurar as responsabilidades da empresa neste prolongamento da situação de avaria. «Quando os seus técnicos se encontraram no local verificou-se um curto-circuito seguido de incêndio no bloco da ortopedia, o que agravou profundamente a situação», adiantou.</P>
<P>
Casos como este não são novos. Ainda recentemente, outro incidente perturbou o Santa Maria. O bloco cirúrgico cardio-toráxico esteve encerrado em Outubro, durante mais de duas semanas, pelo mesmo motivo: uma avaria no ar condicionado. A origem das avarias reside no facto da maioria do equipamento das unidades de saúde pública estar obsoleta, uma situação denunciada diversas vezes pelos sindicatos do sector e pela Ordem dos Médicos.</P>
<P>
No passado mês de Abril, a sala de cesarianas da Maternidade Magalhães Coutinho, no Hospital da Estefânea, em Lisboa, foi obrigada a fechar «por tempo indeterminado», devido a infiltrações de água provocadas por uma rotura na canalização. O problema levou 15 dias a ser resolvido. Dois meses depois, foi notícia o Hospital Distrital da Covilhã. Esta unidade corria o risco de encerrar ou diminuir a actividade dos blocos operatórios devido à poluição tóxica provocada pela fuga de gases do equipamento de anestesia. Neste caso, o alarme foi dado depois de algum pessoal médico, de enfermagem e auxiliar se ter sentido indisposto.</P>
<P>
Desalojados na Madeira, muita água no centro e sul do país</P>
<P>
Mau tempo poupa o Norte</P>
<P>
O nível das águas no rio Douro manteve ontem a tendência para descer, cifrando-se em valores próximos dos normais (ver notícia na p. 48), com os efeitos do mau tempo a sentirem-se sobretudo nas regiões centro e sul e também nas ilhas. Na serra da Estrela houve estradas cortadas, na Madeira 42 pessoas foram realojadas, em consequência de deslizamentos de terras nas encostas do Funchal, e em Leiria o hospital recorreu a geradores, devido a inundações. No Vale do Tejo, temem-se as descargas das barragens espanholas.</P>
<P>
Na serra da Estrela, choveu torrencialmente, obrigando o centro de limpeza de neve das Penhas da Saúde a encerrar, de manhã, a estrada Nave-Piornos-Sabugueiro, coberta por uma espessa camada de neve, caída durante a madrugada. Na Torre, o ponto mais alto da serra, a neve tinha sido derretida pela chuva.</P>
<P>
Em Leiria, nos últimos dias, o Hospital Distrital teve de recorrer a dois geradores de corrente, devido a infiltrações de água na zona dos transformadores eléctricos. Foram tomadas medidas especiais para reduzir o consumo de energia, e as unidades consideradas essenciais -- caso do bloco operatório -- funcionaram normalmente, segundo Correia dos Santos, da comissão instaladora.</P>
<P>
Os Serviços Distritais da Protecção Civil alertaram as autarquias para a necessidade de terem meios e pessoas disponíveis até dia 1 de Janeiro, devido ao agravamento previsível das condições meteorológicas. Segundo António Morais, da Protecção Civil, a zona mais crítica é a da confluência dos rios Lis e Lena, perto de Leiria. Alvo de atenção especial estão a ser também as bacias hidrográficas do Alcoa e do Baça, na região de Alcobaça e Nazaré, bem como as de Óbidos e Caldas da Rainha.</P>
<P>
Na região do Vale do Tejo, temem-se os efeitos das descargas das barragens espanholas. O secretário de Estado da Administração Interna, Armando Vara, esteve ontem reunido em Santarém com a Protecção Civil local e governador civil, para acertar medidas preventivas, nas próximas noites. Segundo o delegado do Serviço Nacional de Protecção Civil em Santarém, Pombo Mendes, neste momento a situação ainda é considerada «normal para a época do ano», sendo a barragem espanhola de Alcântara a que inspira maiores cuidados. A sul do Tejo, as albufeiras de Monte Miguéis (Sado) e Monte Novo (Guadiana) estão na máxima capacidade útil, tendo já obrigado a várias descargas, revelou, por sua vez, fonte do Instituto da Água.</P>
<P>
A norte do Mondego, os factores de preocupação centram-se nas marés cheias na ria de Aveiro, nos dois últimos dias do ano, somadas ao facto de a bolsa lagunar da pateira de Fermentelos e da ria não estarem ainda em condições para absorver toda a água acumulada nos últimos dias. Uma equipa de membros da Brigada Aerotransportada Independente -- que partirá para a Bósnia nos primeiros dias de Janeiro -- estará pronta a intervir em caso de necessidade (ver texto na p. 49).</P>
<P>
No Funchal, Madeira, os deslizamentos de terras obrigaram já ao realojamento de 41 pessoas na freguesia de São Roque. Apesar do perigo nas encostas do Funchal, o tradicional espectáculo pirotécnico da noite de fim de ano vai realizar-se, independentemente das condições atmosféricas.</P>
<P>
Em Ponte de Lima</P>
<P>
Obra à margem do Ippar</P>
<P>
Em visita feita anteontem ao local, o PÚBLICO verificou que está pronta a ser betonada (embora não decorram quaisquer trabalhos) a placa de tecto do primeiro piso de um edifício em construção em terreno anexo à Casa da Garrida, em Ponte de Lima, um imóvel de interesse público classificado em 1982 e edificado na segunda metade do século XVIII. Apesar da necessidade de um parecer, prévio e favorável, do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (Ippar), que até à data não foi emitido, a Câmara Municipal aprovou condicionalmente o projecto de arquitectura no passado dia 18 de Dezembro.</P>
<P>
O alerta para a ilegitimidade da situação foi dado no passado dia 11 de Dezembro pela Limici -- Associação para a Defesa do Ambiente e do Património Cultural de Ponte de Lima, que comunicou à Câmara Municipal e ao Ippar a sua indignação por estarem a decorrer terraplenagens e início de edificação de um prédio a menos de 50 metros dos limites exteriores da Casa da Garrida. Só no dia 14 de Dezembro (três dias após a denúncia e no dia imediato à entrada do processo de obras na Câmara) o presidente da edilidade, Daniel Campelo (PP), ordenou a suspensão das obras. No entanto, uma semana depois, os trabalhos ainda decorriam, como salientou António Matos (independente eleito pela CDU) numa intervenção que fez na sessão da Assembleia Municipal da passada terça-feira.</P>
<P>
A deliberação camarária do passado dia 18, tomada por maioria (os dois vereadores do PSD presentes abstiveram-se, por não existir parecer prévio do Ippar), teve por base o processo 530/95 apresentado nos serviços técnicos camarários no anterior dia 13 -- três dias úteis separam estas duas datas -- pelo requerente, a Fundação Ensino e Cultura Fernando Pessoa. Esta fundação foi a entidade criadora do Instituto Erasmus, instituição que estabeleceu, há dois anos, um contrato de comodato com a Câmara Muncipal para a utilização gratuita da Casa da Garrida. Por sua vez, segundo apurámos, o respectivo processo que a Câmara de Ponte de Lima enviou ao Ippar continha várias falhas, entre as quais a falta de implantação do novo edifício no quintal da Casa da Garrida. Agora o Ippar vai enviar técnicos seus ao local, para observarem a polémica construção.</P>
<P>
António Gonçalves</P>
<P>
Mercado abastecedor de Coimbra</P>
<P>
Balanço positivo ao fim de meio ano</P>
<P>
O Mercado Abastecedor de Coimbra (MAC) abriu há seis meses, mas já excedeu as expectativas mais optimistas em relação à entrada diária de viaturas, calculando-se que as transacções que ali são feitas atinjam já os 50 mil contos por dia. Mas no MAC, sociedade anónima em que a Câmara apostou, aguarda-se ainda uma resposta positiva do Estado, tanto na aprovação dos fundos estruturais, como na participação da empresa pública Simab no aumento de capital.</P>
<P>
Inaugurado no passado dia 4 de Julho, o Mercado Abastecedor de Coimbra -- o segundo em funcionamento no país, depois do do Porto -- conseguiu ultrapassar grande parte das dificuldades que rodearam a construção e instalação do novo equipamento e faz um balanço «francamente positivo» destes seis meses de actividade. «Estão a entrar mais de 800 viaturas por dia no mercado -- quando as previsões mais optimistas apontavam para um máximo de 500 --, existem muito mais produtos transaccionados do que os inicialmente esperados e quase todos os lugares de venda estão ocupados», afirma Pereira da Silva, presidente do Conselho de Administração.</P>
<P>
Frequentado por compradores «que vêm do Norte e do Sul, de Vila Real ao Algarve», o MAC é apresentado pelos administradores como bem sucedido, graças aos «bons produtos que vende, aos preços competitivos e aos horários atractivos». Ali são transaccionadas cerca de 1500 toneladas de hortícolas e 270 toneladas de batatas por mês, sendo a fruta e o bacalhau outros dos produtos mais fortes.</P>
<P>
Numa segunda fase, que a administração perspectiva arrancar em 1997, serão construídos os pavilhões de pescado, de carnes e de flores e os armazéns de bananas, de grandes e de pequenos grossistas. O que deverá implicar um investimento na ordem dos 1,3 milhões de contos, a somar ao milhão e seiscentos mil contos já investidos na primeira fase.</P>
<P>
A resposta que tarda</P>
<P>
É, naturalmente, em matéria de investimento que parece residir o «senão» do MAC, que continua à espera de resposta do Estado, tanto no que diz respeito à participação da Simab no aumento de capital social, como na concessão de fundos estruturais, através do programa de apoio aos mercados abastecedores (Promab). Tanto mais que o MAC, SA teve de recorrer a empréstimos financeiros para finalizar o equipamento, e sempre contou com a atribuição, via Promab, dos cerca de 800 mil contos que constituem metade do investimento já realizado.</P>
<P>
Sendo um projecto de iniciativa autárquica que remonta a 1992, antecipou-se à legislação relativa aos mercados abastecedores e à criação, em 1993, da empresa pública Simab (Sociedade Instaladora de Mercados Abastecedores), e chegou a correr o risco de ser prejudicada pelo seu pioneirismo. Isto porque a Simab, a quem cabe gerir o Promab, cedo impôs condições para participar no investimento então já em curso em Coimbra (ver PÚBLICO de 12/10/93 e 18/9/94).</P>
<P>
A composição social da MAC, SA tinha já uma participação importante de capital estritamente privado, estando na altura estatutariamente dividido entre Câmara, comerciantes e produtores, de forma a que nenhum dos grupos tivesse mais de um terço das acções. Ora, a Simab sempre exigiu que o capital público fosse maioritário, mesmo quando, em Março último, assinou o protocolo de cooperação com o MAC, onde reconhecia finalmente o interesse público e estratégico do equipamento de Coimbra. Os accionistas do mercado nunca aceitaram essa exigência e, em assembleia geral recente, apenas admitiram a entrada da Simab, durante o aumento de capital em curso (de 204 para 500 mil contos), com um máximo de 148 mil contos -- cerca de 29 por cento do capital social.</P>
<P>
A mudança de Governo trouxe novas esperanças para os administradores do Mercado Abastecedor de Coimbra, que acreditam que «o Estado apoiará, através dos fundos estruturais, a iniciativa privada em que o próprio Estado foi convidado a participar». Pereira da Silva afirma mesmo estar convencido de que a Simab, «que nunca construiu nenhum mercado, não terá a mesma posição que tinha quando foi constituída», e que «não será `pau na roda', antes estará interessada a rodar connosco». Um «recado» enviado em altura própria, já que a decisão da unidade de gestão do programa de apoio deverá ser tomada nos próximos dias, tal como a decisão da entrada da Simab no MAC.</P>
<P>
Leonete Botelho</P>
<P>
Plano e orçamento de Vila Real para 1996</P>
<P>
Socialistas isolados na oposição à maioria</P>
<P>
A Assembleia Municipal de Vila Real aprovou já na madrugada de anteontem, com o voto contra de apenas dez deputados do PS e uma abstenção, o Plano de Actividades e o Orçamento para 1996. Os presidentes de Junta de Freguesia socialistas votaram favoravelmente, por considerarem que as verbas pretendidas estão contempladas no Orçamento. O montante das acções previstas no plano de actividades é de três milhões e trinta mil contos, num orçamento que atinge os quatro milhões de contos.</P>
<P>
Ao contrário dos últimos dois anos, a estratégia do plano para o próximo ano privilegia os investimentos na zona rural do concelho. Entre os projectos e acções previstos destacam-se a construção de um museu de numismática e de arqueologia, uma promessa antiga e que tarda em ser cumprida (120 mil contos), a recuperação da lixeira-aterro sanitário intermunicipal (153 mil contos), a terceira fase da variante interior ao circuito automobilístico (152 mil contos), o arranjo urbanístico da zona envolvente da Senhora da Conceição (70 mil contos) e a reabilitação da rede viária municipal (310 mil contos).</P>
<P>
Apesar da pouca convicção com que os deputados socialistas questionaram na Assembleia Municipal o plano e o orçamento para 1996, os vereadores do PS -- que votaram contra os dois documentos -- promoveram anteontem uma conferência de imprensa, durante a qual criticaram duramente a estratégia do executivo camarário, presidido pelo social-democrata Manuel Martins. Os vereadores lamentam que os dois documentos tenham sido elaborados «sem que tivesse havido uma ampla discussão no seio do executivo municipal». Consideram que, com este plano e orçamento, o executivo «não apresenta uma estratégia para o desenvolvimento do concelho», mostra que «o município continua a viver acima das suas possibilidades» e que caminha «a passos largos para a falência técnica».</P>
<P>
A ameaça do Porto</P>
<P>
Os socialistas acusam a Câmara de ser «gerida como uma mercearia em que o importante é o saldo». «O presidente da Câmara faz-me lembrar aqueles merceeiros que têm a loja muito limpinha, que têm cada vez menos produtos, que caminham rapidamente para a falência, mas que continuam a pagar todas as contas. Na Câmara, nós temos tudo muito limpinho, muito certinho, vendemos cada vez menos produtos, mas continuamos a rir-nos. Não conseguimos ver que um dia haverá um grande supermercado que nos vai comer a todos. E esse supermercado é o Porto, que está a menos de 100 quilómetros», frisava o vereador Ascenso Simões.</P>
<P>
Os representantes do PS não compreendem como num orçamento de quatro milhões de contos apenas 39 por cento desse montante (1.575.000 contos) se destine a novos investimentos, enquanto «as despesas correntes, as despesas fixas com subsídios, comparticipações e manutenção de equipamentos e infra-estruturas ascendem a 2.425.000 contos, ou seja a 60,62 por cento do orçamento global». E alertam para a possibilidade de, a continuar a desaceleração registada nos últimos dois anos em termos de investimentos próprios, se chegar no final do século «à lamentável situação de não ser possível a realização de qualquer obra nova».</P>
<P>
Para os socialistas, a situação seria menos «aflitiva se a Câmara Municipal não tivesse tido um comportamento irresponsável nos últimos anos». Como exemplo, recordam «a perda de importância no capital social da Hidrocorgo (...), o lamentável negócio dos parcómetros, altamente rentável para a empresa concessionária e vergonhoso para o município, o obscuro processo da Dourogáz (..) e o negócio ruinoso da construção do Terminal Tir».</P>
<P>
Manuel Martins confiante</P>
<P>
Confrontado ontem com as críticas dos vereadores do PS, o presidente da edilidade vila-realense prometeu discutir todos os números da autarquia em Março, na altura da apresentação da conta de gerência do município. «Vou-lhes provar que esta Câmara está de boa saúde, direi mesmo como nunca esteve», afirmou Manuel Martins.</P>
<P>
O autarca reconhece que foram cometidos «erros crassos» no passado, sob a gestão de Armando Moreira, mas desafia que lhe apresentem «exemplos negativos» do actual executivo.</P>
<P>
Pedro Garcias</P>
<P>
Em autocarros da Póvoa de Lanhoso</P>
<P>
Porta-moedas electrónico</P>
<P>
Uma empresa de transportes com sede na Póvoa de Lanhoso vai adoptar, a partir do próximo mês, um sistema de pagamento através do porta-moedas electrónico. A medida foi anunciada por Manuel de Oliveira, da AMI - Amândio &amp; Irmão, SA, uma empresa cujos autocarros e bilheteiras vão passar a funcionar com aquele sistema, apresentado como pioneiro ao nível dos transportes, em colaboração com o Banco Nacional Ultramarino. A empresa vai concentrar a sua actividade na zona de Guimarães e poderá também estendê-la à zona do Porto. A AMI poderá tornar-se numa «holding», com uma sub-«holding» no sector dos transportes.</P>
<P>
O espírito manga de alpaca</P>
<P>
Já em Outubro do ano passado tinha ocorrido um episódio de natureza semelhante. Uma descarga poluente matou centenas de sardos, bogas e enguias no causticado rio Vouga. Gozava-se o feriado da implantação da República e, por isso, as autoridades competentes na matéria não se dignaram interromper a fruição desse dia de descanso. Assim, a resolução do problema ficou adiada para o dia seguinte, comprometendo-se definitivamente a recolha de amostras que pudessem incriminar os causadores da mortandade. Ainda houve alguém que tentou telefonar a alguém, mas esse alguém não atendeu, ou não estava em casa, ou o número de telefone não era esse, ou... não interessa. O que interessa é a evidência dos factos: em caso de catástrofe, seja ela de que tipo for, corremos sempre o sério risco -- sobretudo fora dos dias úteis da semana -- de não estar ninguém do outro lado da linha. O caso da intempérie natalícia é, a este nível, um paradigma do laxismo e da incompetência reinante.</P>
<P>
É óbvio que ninguém pode prever com rigor científico uma cheia avassaladora, um aluimento de terras que faz descarrilar comboios, ou fortes chuvadas batidas pelo vento que tudo levam à sua passagem. Mas é elementar que tais ocorrências não distinguem domingos ou feriados dos restantes dias da semana. Acontecem quando acontecem -- o que obriga os serviços de emergência a estarem permanentemente disponíveis para actuar.</P>
<P>
Todavia, o que se passou nestes dias com o Serviço Nacional de Protecção Civil é anedótico (embora dê muito pouca vontade de rir). À escala nacional, existia apenas um piquete em funcionamento durante as 24 horas do dia. Em Lisboa, claro está, e com um número telefónico que nem sequer consta da página dos serviços de urgência da lista do Porto. Evidentemente que o funcionário escalado para esse bendito telefone estava por lá à espera que ele tocasse (uma espécie de agente passivo da catástrofe). Não ouviu rádio, não viu televisão, não sabia de nada. Águeda, Matosinhos ou o Baixo Vouga Lagunar ficam demasiado longe (e a distância, já se sabe, encurta a dimensão das tragédias...).</P>
<P>
Por mero acaso, uma das vítimas mais incomodadas pelas cheias foi um deputado socialista da Nação, que tratou de telefonar ao primeiro-ministro para que fosse accionada a protecção civil. Atente-se nas razões invocadas para não ter sido ao contrário, ou seja, ser o próprio serviço a antecipar-se, alertando o Governo para a dimensão do problema: a informação meteorológica daquele dia «não parecia prenunciar uma situação grave». Pois. Se o cenário não era pessimista, dava-se primazia às rabanadas, ao bolo-rei e ao vinho fino, no alegre remanso do lar. Sem preocupações de maior. E se fosse um terramoto, uma daquelas coisas que não se podem prever, nem sequer aproximadamente? Provavelmente, também ninguém se mexia, a menos que o epicentro do abalo telúrico se localizasse no «guichet» lisboeta da protecção civil.</P>
<P>
A complexa (e, talvez por isso, inoperante) orgânica dos serviços também não ajuda. Primeiro são accionados os bombeiros (que na sua esmagadora maioria são voluntários, estão sempre disponíveis e fazem o que fazem -- para nosso bem e sossego -- sem exigirem nada em troca); simultaneamente, e se for caso disso, vão para o terreno as forças de segurança e as instituições de saúde. Nesta fase, os próprios cidadãos estão em condições de accionar tais mecanismos. Basta telefonar-lhes (directamente ou via 115) e, muitas vezes, nem é preciso discar o número. Eles já sabem antecipadamente o que se passa.</P>
<P>
É aqui, se as coisas se tornam incontroláveis, que entra a pesada máquina da protecção civil. À cabeça, os presidentes das autarquias, que tocam a sirene no respectivo departamento municipal (quando ele existe...); de seguida, chamam-se os delegados distritais da protecção civil (em caso de rotina) e os governadores civis (em caso de emergência). Por fim, acredite-se que a rede privativa de rádio ao dispor da protecção civil está efectivamente a funcionar (o que não foi certamente o caso deste Natal para esquecer).</P>
<P>
O complicado processo gera, naturalmente, conflitos de competência. Junte-se a isto o facto do serviço, criado em 1975, só ter conhecido uma Lei de Bases em 1991 (dezasseis anos depois...) e só metade dos mais de 300 municípios portugueses terem em funcionamento serviços de protecção civil.</P>
<P>
Parece, assim, que o espírito manga de alpaca dos mais limitados amanuenses se instalou nos serviços estatais de emergência. E é à luz de tudo isto que deve entender-se o aviso especial difundido anteontem pelo Serviço Nacional de Protecção Civil, alertando governos civis e câmaras municipais das zonas ribeirinhas para o perigo de cheias, neste fim-de-semana prolongado, nas principais bacias hidrográficas do país. Um aviso formulado por quem lhe pesa a consciência, quer mostrar serviço a destempo e admite, implicitamente, que já o deveria ter feito uma semana antes.</P>
<P>
P.S. - Não é apenas nos serviços estatais de emergência que os domingos e feriados paralisam meios e pessoas. Pelas mesmíssimas razões, os bombeiros queixam-se que a empresa regional da EDP não cortou atempadamente a energia eléctrica na rua do centro histórico feirense onde ocorreu um perigoso incêndio (foi às cinco da manhã, fora do horário normal de expediente...) e a Junta Autónoma das Estradas não se dignou remendar e desobstruir, em tempo útil, a marginal Porto/Entre-os-Rios afectada pela chuva e pelas derrocadas. Será preciso aderir às teses mais liberalistas (alegadamente menos solidárias...) e privatizar tudo isto para que alguma coisa funcione?</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa40383"> 
<P>A hora da verdade</P>
 <P> 1. Hoje à noite o Benfica tem um teste elucidativo sobre o seu verdadeiro valor. Teve-o também antes contra o Manchester United, onde passou com distinção, é facto, mas o Manchester desta época e, sobretudo, o de Dezembro passado, é uma pálida imitação dos «red devils» de um passado recente, que tudo atemorizavam. O Liverpool, para além de campeão europeu em título, é melhor equipa e mais calculista. Contra ele, o Benfica tem de jogar o seu máximo e então se verá se o seu máximo está ou não ao mais alto nível europeu. Ao iniciar com uma derrota inapelável este terrível ciclo de nove dias em que tudo se pode sonhar e tudo se pode perder, o
Benfica de Ronald Koeman parece ter lançado a descrença entre os seus --- adeptos e jornalistas. De repente, a tão louvada equipa de há três semanas atrás parece já não inspirar confiança a ninguém e o seu treinador virou um saco de pancada ao alcance de todas as frustrações. Acusa-se Koeman de mudar constantemente a equipa, como se ele fosse responsável pelas lesões e castigos ou pela chegada de uma mini-enxurrada de reforços em Dezembro, anunciados pela Direcção como o suplemento que faltava para a conquista da Liga dos Campeões e que ele, logicamente, tinha de experimentar e utilizar. E esquecendo-se até de que foi uma dessas inesperadas «revoluções» na formação da equipa que conduziu à também inesperada vitória contra o Manchester. Até se acusa Koeman de já ter experimentado quatro guarda-redes, como se fosse ele o culpado pelas lesões de Quim e de Moreira, pela manifesta impreparação de Nereu, ou pela «épica» contratação de Moretto, delirantemente saudada pela massa associativa e afins. Embora não me motive muito perceber o que se passa em casa alheia, a mim parece-me que, mais prosaicamente, a questão das esperanças traídas no Benfica tem sobretudo a ver com a ilusão criada sobre o valor real da equipa. Tudo começou na época passada, com um Campeonato e uma Taça ganhos de forma que foi tudo menos convincente mas que, por temor ou reverência, ninguém se atreveu a questionar. Por isso, quando Luís Filipe Vieira disse que esta era uma equipa de campeões, toda a gente fingiu que sim, e, quando, reforços acrescentados, ele passou a dizer que esta era uma equipa capaz de chegar à final e talvez ganhar a Champions, continuaram todos a fingir que acreditavam. Depois, houve a vitória sobre o Manchester e a série de sete triunfos consecutivos na Liga portuguesa e foi ver o José Veiga, de peito feito, a anunciar a inevitável revalidação do título e a Europa ao virar da esquina. Mas ninguém se deteve a pensar quantos, desses sete jogos, foram ganhos sem dúvidas de arbitragem e através de exibições convincentes, porque é um crime de lesa-majestade questionar o mérito dos triunfos benfiquistas. E assim se criou a verdade oficial de que estava aí um grande Benfica, que nada nem ninguém conseguiriam parar. Agora, três súbitas derrotas depois, cai-se no extremo oposto. E na pior altura, quando a equipa mais precisava da confiança dos seus. Mas, se entre hoje e domingo, tudo correr mal para os benfiquistas, é certo e sabido que quem semeou os ventos de ilusão não colherá as tempestades de desilusão. Isso está guardado para um bode expiatório mais conveniente. </P>
 <P> 2. O Benfica jogava em Guimarães sob o peso de ter três jogadores ameaçados de não poderem defrontar o FC Porto caso vissem um cartão amarelo. Lucílio Baptista foi a escolha adequada para a ocasião (mas digo desde já que nenhum daqueles três mereceu um amarelo). Mas, no resto, Lucílio não deixou os seus predicados por mãos alheias: num jogo sem dureza nem indisciplina, com faltas distribuídas por igual por ambas as equipas, Lucílio Batista conseguiu marcar o dobro de faltas ao Vitória, deixando inúmeras por assinalar contra o Benfica, e mostrar sete cartões amarelos a jogadores do Guimarães contra apenas um aos benfiquistas. </P>
 <P> 3. E, a propósito do « Apito Dourado », essa mega investigação judicial, que parece ter o condão de vir a arrastar-se durante anos, tornando alguns eternamente suspeitos (ou até mesmo já condenados, a quem isso convém) e outros estranhamente imunes às suspeitas, aguardei com alguma curiosidade o despacho de pronúncia, no que se refere ao presidente do FC Porto. Mas, afinal e como aqui antecipei desde o início, a montanha pariu um rato, ou pior ainda, pariu a insustentável continuação das suspeitas por confirmar. Mais de um ano de investigações decorrido, depois daquele imenso aparato policial-mediático para ouvir o «suspeitíssimo» Pinto da Costa, depois de dezenas ou centenas de milhares de contos gastos aos contribuintes, depois de não sei quantas prorrogações de prazo a favor do Ministério Público, depois do reforço extraordinário dos meios de investigação, a «task force » judicial de Gondomar conclui apenas em extrair certidões do processo para que outros continuem a investigar Pinto da Costa. E, quanto a factos novos, indícios novos, provas recolhidas, nada. A suspeita «gravíssima» mantém-se rigorosamente a mesma de há um ano atrás: em 2004, o
FC Porto de José Mourinho, já virtual campeão nacional, com alguns onze pontos de avanço sobre o segundo classificado, o Benfica, a semanas de se tornar campeão europeu, terá subornado, com recurso a «meninas» o árbitro do encontro no Dragão contra o E. Amadora, em vias de despromoção, como forma de garantir a vitória no jogo --- parece que, de outra maneira, não conseguiriam ganhar. E é nisto que se gasta o tempo e o dinheiro dos contribuintes: não fazendo justiça, mas mantendo eternas as suspeitas que a tantos convém. Mas também a verdade é que, à luz do que está em causa---e é apenas isto--- só acredita, ou finge acreditar, quem quer. </P>
 <P> 4. E, pé ante pé, o Sporting está a cinco pontos do FC Porto e poderá ficar a dois se, domingo na Luz, a equipa de Adriaanse falhar mais uma vez num jogo decisivo. Dou-me conta, já há um tempo, que muito pouco ou quase nada tenho escrito sobre o Sporting esta época. A razão é simples e vai parecer escandalosa aos olhos dos indefectíveis sportinguistas, mas acarreto as consequências de porventura vir a ter de engolir o que vou escrever: não vejo que o Sporting tenha futebol para ser campeão nacional, esta época. Estão em segundo lugar, já só a cinco pontos e ainda vão receber o FC Porto em Alvalade ? Pois, é facto. Mas, mesmo assim, não me convencem. Ainda esta semana o que vi, contra o Paços de Ferreira e em Alvalade, foi uma equipa que chegou ao golo num penalty duvidoso e caído dos céus, que dele viveu toda a segunda parte, sem criar uma só oportunidade de golo e que, já próximo do final, marcou o segundo golo numa jogada precedida de falta e ainda um terceiro depois da hora. Um 3-0 absolutamente enganador, num jogo que não mereceu sequer ganhar. Como disse, é possível que ainda tenha de engolir esta opinião. Mas, se isso acontecer, é porque o FC Porto entregou o ouro ao bandido. </P>
 <P> © Miguel Sousa Tavares -
Jornal "A Bola" - 21.02.2006 </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-37789">
<P>
Da Agência Folha, em São Luís e em Bauru </P>
<P>
O corpo do estudante Eugênio Rodrigues dos Santos Filho, 17, foi encontrado ontem pela manhã na praia do Caolho, em São Luís (MA), com a barriga e a perna direita dilaceradas. Os ferimentos indicam que ele foi atacado possivelmente por um tubarão.</P>
<P>
"Pelo tamanho das lesões, foi tubarão", afirmou o auxiliar de enfermagem Luiz Carlos Ferreira, que fez a autópsia no IML (Instituto Médico Legal). Ferreira disse que o corpo do estudante tinha marcas de dentadas na barriga, na nádega e na perna direitas.</P>
<P>
O laudo cita "ausência de toda a parede abdominal, com exposição das vísceras" e "ausência de partes moles da coxa direita". No atestado de óbito, consta que a causa da morte foi "asfixia por afogamento".</P>
<P>
Santos Filho estava desaparecido desde a tarde do último domingo. Ele tomava banho com dois amigos na praia do Olho D'Água (a 2 km da praia do Caolho), próximo à arrebentação, quando os três começaram a se afogar.</P>
<P>
Um banhista conseguiu salvar Sérgio Savala, 15, e André Bezerra, 15. Segundo relato dos amigos da vítima, o banhista tentou puxar Santos Filho pela mão, mas pressentiu que ele estava sendo atacado por um tubarão e desistiu.</P>
<P>
Savala disse ontem que a água batia na altura da barriga e que Santos Filho submergiu, voltou à tona pedindo socorro, submergiu de novo e não foi mais visto.</P>
<P>
Para o especialista em tubarões Otto Bismarck Gadig, 32, que pesquisou o litoral maranhense, a existência de tubarões nas praias de São Luís pode ser explicada por dois fatores.</P>
<P>
Um deles é a grande quantidade de peixes com mais de 20 cm, que atraem grandes predadores.</P>
<P>
O outro fator é a característica da orla: o canal do porto de Itaqui (o segundo mais profundo do mundo) se ramifica e passa junto às praias de São Marcos e Caolho, facilitando o acesso dos tubarões às áreas pouco profundas, próximas à beira da praia.</P>
<P>
Desde 1992, foram registrados seis ataques de tubarão em São Luís. O último foi em novembro de 94 e causou a morte de um banhista.</P>
<P>
Piranhas </P>
<P>
Em Itapuí (330 km de SP), um desequilíbrio no meio ambiente seria a provável causa da proliferação de piranhas no rio Tietê.</P>
<P>
Segundo Wilson Sakai, 40, do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), por causa provavelmente da poluição, o predador da piranha sumiu da região e por isso as pirambebas (tipo de piranha) estão se proliferando.</P>
<P>
Na última sexta-feira, o prefeito de Itapuí, Antônio César Simão (PMDB), 39, interditou a prainha da cidade por causa de ataques de piranhas a banhistas.</P>
<P>
Houve quatro ataques. O mais grave foi com o estudante André Gonçalves, 11, que teve 3 cm do calcanhar direito decepados.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17418">
<P>
Portugueses em Pádua</P>
<P>
Maria Amélia Álvares pega no braço do jornalista e, com os seus 90 anos, faz questão de deixar um recado: «Escreva lá que o Santo António merece tudo e que ele é muito importante, porque foi o braço direito de São Francisco, que é o maior do mundo.» Ao fim da manhã de dia 13, em Pádua, um grupo de 48 portugueses -- a maioria é de Lisboa e Porto -- está emocionado por pisar a terra onde Santo António morreu. E ligeiramente zangado também. «O bispo [de Pádua] saudou os franceses e os espanhóis, só não falou dos portugueses. Mas já passou», desabafa, entre o lamento patriótico e a resignação, uma outra participante do grupo.</P>
<P>
Maria Arminda Pinho, vinda do Porto, está feliz por se encontrar em Pádua. «É como Lourdes, há muita paz, muita harmonia, vê-se que as pessoas têm princípios religiosos.» E sustenta a sua afirmação citando os lugares, ligados a Santo António ou ao franciscanismo, que o grupo já visitara desde o dia 6 -- Roma, Assis, Rimini, entre outros.</P>
<P>
Mais comparações: Felícia Trindade, de Lisboa, que está em Pádua pela terceira vez, gosta «sempre» de cá vir e diz que em Fátima «há mais superstição -- isso aqui não acontece».</P>
<P>
Esta é, de facto, a terra de Santo António. Por mais que os portugueses se esforcem por lhe vincar a origem lisboeta do nascimento.</P>
<P>
Jorge Sampaio, por exemplo, tentou contornar o problema, na abertura das comemorações dos 800 anos do nascimento de Santo António. Em Fevereiro, em Pádua, disse o presidente da Câmara de Lisboa: «Este homem genial que a memória colectiva tirou ao esquecimento dos séculos, mais que português ou italiano, é universal.»</P>
<P>
Talvez Sampaio tenha razão. Vera e Maria José, bandeirinha do Brasil na mão, guias turísticas à procura dos 107 compatriotas que lhes estavam confiados, explicavam que Santo António é muito popular também do lado de lá do Atlântico. No grupo, havia mesmo quem distinguisse: haveria um Santo António de Pádua e um outro, diferente, de Lisboa. E à tarde, na missa solene antes da procissão que culminou o dia, lá estavam 18 bispos brasileiros, vindos do Vaticano, onde foram para encontros com o Papa, a manifestar o carinho brasileiro pelo santo.</P>
<P>
É aqui, em Pádua, que «o Santo» -- como é denominado em Itália -- é venerado, adorado. É ele, que aqui morreu em 1231, o centro de tudo o que se passa na cidade. Como acontece em Fátima, com a respectiva aparição de Nossa Senhora. É a mesma multidão, a mesma romaria, as mesmas velas. Mas já as promessas são «pagas» mais pela oferta de dinheiro, objectos de devoção, de arte ou de estimação do que por sacrifícios pessoais, como no santuário português (ver texto principal).</P>
<P>
Até 8 de Dezembro, multiplicar-se-ão iniciativas para assinalar a data de aniversário: percursos culturais para reconhecer a arte ligada a Santo António, concertos musicais, ciclos de cinema, jornadas religiosas, peregrinações. Além de continuarem abertas ao público, nas renovadas instalações do Museu Antoniano, as duas exposições do centenário: «Obras-primas para Santo António» -- uma mostra de 21 obras excepcionais da iconografia antoniana, entre as quais se contam sete de autores portugueses -- e «Santo António na devoção popular» -- exposição de ex-votos, objectos devocionais e peças de arte relacionados com a religiosidade ligada ao santo.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa46996"> 
<P>Prioridades</P>
 <P>1. Revisão do mecanismo comunitário de protecção civil</P>
 <P> Desde 2005, na sequência de uma proposta da Comissão Europeia, o Mecanismo Comunitário de Protecção Civil foi alvo de uma profunda revisão, a qual decorre também do enquadramento motivado pelo novo Instrumento Financeiro para a Protecção Civil recentemente aprovado. </P>
 <P> O acordo político quanto à revisão foi obtido
durante a Presidência Alemã, tendo cabido a Portugal concluir o processo de revisão. Com a adopção da revisão do Mecanismo no Conselho de Justiça e Assuntos Internos de 8 de Novembro, este processo ficou concluído, passando a União a ficar dotado de um Mecanismo mais expedito para resposta a emergências graves. As principais novidades do Mecanismo são a clarificação de competências entre a Comissão e a Presidência no quadro de intervenções em países terceiros, a existência de competências comunitárias ao nível do transporte e a criação, numa base voluntária, de módulos de protecção civil. </P>
 <P> 2. Sistemas de Alerta Precoce </P>
 <P> A necessidade de melhorar os actuais ou de estabelecer novos Sistemas de Alerta Precoce na União Europeia foi reconhecida pelo Conselho em diversas ocasiões. Em particular, o Conselho adoptou, em 2005, o Programa de Acção para Tsunamis e afirmou que «A Comissão é convidada a fazer propostas [envolvendo] a criação de um sistema de detecção e alerta precoce (...) para o Mediterrâneo e o Atlântico ». Mais recentemente, o Instrumento Financeiro para a Protecção Civil definiu que a criação de um sistema de detecção e alerta precoce é elegível para assistência financeira através de acções como estudos, avaliações e estabelecimento de interligações. </P>
 <P> Para contribuir para este debate, a ANPC realizou, de 15 a 18 de Julho, em Albufeira, um seminário sobre Sistemas de Alerta Precoce, o qual reuniu cerca de 120 especialistas da maior parte dos Estados-Membros e no qual se procurou: </P>
 <P>-	discutir o estado da arte quanto a sistemas de alerta;</P>
 <P> -	identificar lacunas existentes no espaço da União Europeia (ex: sistema de alerta precoce para tsunamis) e delinear as bases para um Plano de Acção destinado a suprir as lacunas identificadas; </P>
 <P>-	debater assuntos transversais, tais como o desenvolvimento de directrizes para o estabelecimento de sinais comuns de alerta a nível europeu.</P>
 <P> Com base nas conclusões do seminário e nos resultados dos trabalhos desenvolvidos pela Comissão, ao nível de grupo de peritos, foi possível obter acordo sobre dois documentos de Conclusões do Conselho adoptados no Conselho JAI de 5/6 de Dezembro. Um desses documentos (Conclusões do Conselho sobre o desenvolvimento e estabelecimento de sistemas de alerta precoce na UE) segue uma abordagem global multi-riscos, enquanto o outro (Conclusões do Conselho sobre o desenvolvimento de um sistema de alerta precoce para tsunamis no Atlântico Nordeste e no Mediterrâneo) direcciona as atenções para o risco de tsunamis. Ambos os documentos contêm diversas propostas de actuação futura por parte da Comissão e dos Estados-Membros. </P>
 <P> 3. Cooperação com
Países do Mediterrâneo Sul </P>
 <P> No campo da Protecção Civil, UE e África partilham uma série de preocupações e riscos comuns, maioritariamente na região Euro-Mediterrânica. Estes riscos estão particularmente relacionados com os incêndios florestais, sismos e tsunamis, acidentes químicos e, também, ameaças terroristas. </P>
 <P> Por outro lado, é também importante sublinhar o facto de que o Mecanismo Comunitário de Protecção Civil já interveio por diversas vezes nesta região (ex: sismos da Argélia e de Marrocos) e diversos Estados-Membros mantêm acordos bilaterais de cooperação com os Países do Mediterrâneo Sul, que conduziram a missões de assistência mútua durante emergências passadas. </P>
 <P> Existe, pois, espaço mais do que suficiente e vontade comum para uma cooperação mais profunda e forte entre a UE e África no campo da protecção civil, nomeadamente com os parceiros do Mediterrâneo. Assim, pretendeu-se reforçar a cooperação com os países do Mediterrâneo Sul, através de acções tais como a partilha de boas práticas e informação sobre riscos comuns, cooperação nos sistemas de alerta precoce ou exercícios conjuntos. </P>
 <P> De forma a permitir uma mais abrangente troca de pontos de vista neste campo, realizou-se no dia 24 de Outubro, no Porto, uma reunião informal entre os
Directores-Gerais de Protecção Civil dos Países do Mediterrâneo e os
Directores-Gerais de Protecção Civil da União Europeia. Essa reunião permitiu concluir da existência de abertura para um trabalho comum futuro, o qual, numa primeira fase, deverá estar integrado do Programa para a Prevenção e Redução de Desastres do Projecto Euromed e, numa segunda fase, deverá visar a inclusão de países do Mediterrâneo no Mecanismo Comunitário de Protecção Civil. </P>
 <P>4. Consenso Europeu sobre Ajuda Humanitária</P>
 <P> Na sequência de uma Comunicação da Comissão, o Conselho discutiu, no seu grupo de Trabalho de Cooperação e Desenvolvimento (CODEV) uma proposta de Consenso Europeu sobre Ajuda Humanitária. Tal documento contém referências à actuação da protecção civil nos contextos de crises humanitárias, pelo que foi também discutido no
Grupo de Trabalho PROCIV, tendo sido produzido um aconselhamento em Julho. </P>
 <P> Após intensas negociações, o Consenso Europeu foi adoptado pelo CAGRE em 20 de Novembro, tendo-se conseguido que, na sua versão final, o Consenso não imponha limitações ao uso de recursos de protecção civil nos cenários de desastres naturais, tecnológicos e ambientais em tempo de paz. No entanto, para situações de emergências complexas (conflitos ou situações de fragilidade) o uso de meios de protecção civil acabou por ser considerado como excepcional. </P>
 <P> 5. Revisão das Directrizes de Oslo </P>
 <P> As Directrizes de Oslo são um documento das Nações Unidas, destinado a orientar o uso de meios militares e da defesa civil nos cenários de emergências naturais, tecnológicas ou ambientais em tempo de paz. Aquando da última revisão destas directrizes, em 2006, os recursos de protecção civil foram englobados no mesmo grupo dos recursos militares, implicando que apenas poderiam ser utilizados como «último recurso», após esgotamento de outras alternativas civis. </P>
 <P> Conscientes de que tal regra contradiria o princípio básico de actuação da protecção civil (resposta rápida e imediata após uma emergência), os Estados-Membros e a Comissão Europeia desenvolveram diversas diligências procurando obter uma clarificação/revisão de tais Directrizes junto da UN/OCHA. Em particular, foi obtido acordo no
Grupo de Trabalho PROCIV quanto a uma abordagem global dos Estados-Membros sobre esta matéria. </P>
 <P> Nesta sequência, foi realizada uma reunião com a UN/OCHA a 28 e 29 de Novembro, a qual permitiu adoptar uma revisão das Directrizes que clarifica o princípio do último recurso, garantindo um tratamento diferenciado para os recursos de Protecção Civil. </P>
 <P>6. Infra-estruturas críticas</P>
 <P> As conclusões do Conselho em matéria «de prevenção, de preparação para intervir e de resposta a atentados terroristas» e o «programa de solidariedade da União Europeia respeitante às consequências das ameaças e dos atentados terroristas", adoptado pelo Conselho em Dezembro de 2004, apoiaram a elaboração de um Programa Europeu para a Protecção das Infra-Estruturas Críticas e a criação de uma Rede de Alerta para as Infra-estruturas Críticas. </P>
 <P> Neste sentido, em Dezembro de 2006, a Comissão apresentou uma proposta de Directiva do Conselho, na qual se propõem medidas para a identificação e designação das infra estruturas críticas europeias e para a avaliação da necessidade de melhorar a sua protecção, sendo que são abrangidas aquelas cuja perturbação ou destruição afectaria dois ou mais Estados-Membros, ou um único Estado-Membro se a infra-estrutura crítica estiver localizada em outro Estado-Membro. </P>
 <P> Na sequência dos trabalhos desenvolvidos pela Presidência Alemã neste âmbito, foi dada continuidade à negociação da proposta de Directiva, tendo-se analisado o parecer do Parlamento Europeu e discutido as reservas introduzidas pelas diversas delegações. O balanço final é positivo, uma vez que se conseguiu eliminar a maior parte das reservas existentes. Embora exista consenso em relação a cerca de 70% da proposta de Directiva, subsistem reservas de fundo de diversos Estados-Membros que se relacionam, por exemplo, com a natureza legal do instrumento a adoptar, a inclusão do sector do «nuclear» no âmbito da Directiva, a definição de Infra-estrutura Crítica Europeia e a obrigatoriedade de estabelecimento de Planos de Segurança e Oficiais de Ligação. </P>
 <P> Neste contexto foi obtido acordo sobre um Relatório de Progresso adoptado no Conselho JAI de 5/6 Dezembro. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-32375">
<P>
Moradores querem ver para crer</P>
<P>
Recuperar o Casal Ventoso para as pessoas</P>
<P>
A Operação Integrada de Reconversão do Casal Ventoso (OIRCV) «é desencadeada por causa das pessoas do bairro e não por causa dos toxicodependentes do Casal Ventoso,» sublinhou ontem Jorge Sampaio, durante o debate sobre aquela iniciativa, que reuniu nos Paços de Concelho representantes dos moradores, técnicos das áreas social e urbanismo do município e de outros organismos públicos e privados, além de membros do clero lisboeta. Presente esteve, também, Valente de Oliveira, ministro do Planeamento e da Administração do Território, que aproveitou para revelar que a União Europeia vai financiar seis projectos portugueses no âmbito do programa Urban, com 8,5 milhões de contos, dos 12 previstos.</P>
<P>
Entre aqueles projectos encontra-se o do Casal Ventoso, que receberá 3,5 milhões de contos. A candidatura foi aprovada pelo Governo português, que a apresentou a Bruxelas, aguardando-se para Abril a aprovação formal pela Comissão Europeia. Na Área Metropolitana de Lisboa, revelou Valente de Oliveira, os financiamentos deverão ir para o Casal Ventoso, no concelho de Lisboa, Venda Nova, na Amadora, Vale de Algés e Outurela, no concelho de Oeiras, e Odivelas, no de Loures, num total de 7,4 milhões de contos, 5,4 no âmbito do Urban e o restante do Fundo Social Europeu. Para a região do Porto vai um fatia de 4,3 milhões de contos, para financiar os projectos de reabilitação do Vale de Campanhã, na capital nortenha, e de São Pedro da Cova, em Gondomar.</P>
<P>
Aliás, as verbas previstas para o Casal Ventoso foram consideradas por Jorge Sampaio, no seu discurso de abertura do encontro, «distantes dos cerca de dez milhões» considerados necessários para a «concretização da totalidade» da Operação Integrada de Reconversão. «Só o incremento das necessárias parcerias com a administração central poderá garantir a articulação com um conjunto de outros programas e acções existentes no Quadro Comunitário de Apoio», defendeu.</P>
<P>
Assim, para levar a cabo a reabilitação social e física do Casal Ventoso, que terá de contar com a participação dos moradores e das colectividades, a Câmara de Lisboa, além do Urban, recorrerá financiamentos de outros programas, nomeadamente ao PER (Plano Especial de Realojamentos) para a substituição das barracas que é preciso demolir; do Recria, para a reabilitação de prédios particulares degradados; do Horizon, para as acções de apoio aos socialmente desfavorecidos; ou do programa Pessoa, para fazer face aos problemas de emprego e formação dos jovens com mais de 20 anos de idade.</P>
<P>
As medidas previstas para a reconversão do bairro, situado na Freguesia de Santo Condestável, passam por acções de promoção do emprego, da educação e da formação profissional. Na área social, pretende-se promover a protecção dos idosos, o emprego das mulheres e, ainda, o desenvolvimento de programas de prevenção da toxicodependência e o acompanhamento da população toxicodependente. O plano prevê a melhoria dos equipamentos de educação, saúde e desporto existentes e a criação de novos.</P>
<P>
A OIRCV aponta, também, para a remodelação da rede viária local, a recuperação ambiental do bairro e zona envolvente, o reforço das redes de saneamento, abastecimento de água e de energia eléctrica, a criação de jardins, praças e de ligações pedonais. Na área da habitação, está prevista a reabilitação dos fogos que ainda disponham de algumas condições de habitabilidade e a construção, faseada, de uma nova zona residencial, junto à Avenida de Ceuta.</P>
<P>
Ao longo do dia de ontem, algumas intervenções de representantes dos moradores sublinharam a descrença da população relativamente ao projecto. «Ainda eu andava na barriga da minha mãe e já se falava que o Casal Ventoso ia abaixo», afirmou um residente, de 51 anos de idade. Um outro, membro da comissão de de moradores, falou da necessidade de respostas concretas: «Vim aqui e esperava algumas respostas. Saio sem saber exactamente o que vou dizer aos habitantes quando me perguntarem quando é que isto começa».</P>
<P>
«Se Bruxelas fosse aqui ao virar da esquina, podíamos marchar todos juntos e pedir o `Urban já!'», respondeu Jorge Sampaio, pedindo confiança ao seu interlocutor. Aliás, Jorge Sampaio, sublinhando a vontande da autarquia em levar o projecto em frente, havia referenciado, logo de manhã, uma lista de acções já realizadas no âmbito do operação de reconversão. Assim, referiu a conclusão do Plano Geral do Vale de Alcântara, a ser submetido ao executivo municipal no próximo mês, a constituição de um grupo de trabalho, a realização de encontros com moradores e junta de freguesia e a preparação de uma proposta de declaração de Área Crítica de Recuperação e Reconversão Urbanística, para que se «possa intervir de forma mais expedita».</P>
<P>
Sampaio, no final do encontro, referiu um conjunto de conclusões, nas quais defendeu, entre outras coisas, que a operação do Casal Ventoso deve ser supra-partidária, sendo «crucial, para o seu êxito», que haja consensos alargados. O autarca referiu, ainda, a necessidade de criação de uma estrutura de gestão partilhada para OIRCV. Estrutura que está a ser estuda pela Câmara de Lisboa e pela Secretaria de Estado do Planeamento. Sampaio pediu, também, flexibilidade para as normas de gestão dos fundos comunitários e o envolvimento, no âmbito de um princípio de contratualização, de todas as partes evolvidas: autarquias, moradores, associações e colectividades e a administração central.</P>
<P>
Por fim, Jorge Sampaio voltou a defender que na operação é preciso «garantir a predominância das pessoas». «Acredito na identidade da comunidade do Casal Ventoso e essa identidade deve ser acentuada» ao longo da execução plano. Aliás, a identidade do bairro foi, igualmente sublinhada por Valente de Oliveira, ao dizer que ali «sobrevive um sentimento de identidade em relação ao bairro e até algum orgulho de ser habitante dele».</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11378">
<P>
MORTE DE ALPINISTA NO K2 -- A alpinista britânica Allison Hargreaves morreu ontem numa avalancha ao tentar escalar o K2, o segundo pico dos Himalaias (8475m). Em Maio deste ano, Hargreaves, de 33 anos, tinha-se tornado na primeira mulher a escalar o Evereste, sozinha e sem a ajuda de oxigénio. Antes dela, só uma pessoa tinha subido à montanha mais alta do mundo pelo lado que ela subiu, o pico norte, e naquelas condições. A notícia da sua morte foi avançada pelas autoridades do Paquistão, que acrescentaram ser ainda desconhecido o paradeiro de pelo menos mais quatro alpinistas apanhados pela avalancha, um norte-americano, um canadiano e dois espanhóis.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17607">
<P>
Ele revelaria desvio de dinheiro que italianos deram à central para criar um departamento de saúde</P>
<P>
GILBERTO DIMENSTEIN</P>
<P>
Diretor da Sucursal de Brasília</P>
<P>
Um mês antes de ser assassinado, o presidente do Sindicato dos Rodoviários do ABC, Oswaldo de Carvalho Cruz Júnior, revelou diretamente a pelo menos três pessoas sua disposição de fazer denúncias em "conta-gotas" envolvendo o PT e a CUT em supostas irregularidades.</P>
<P>
Ele fez essa confidência a três assessores da Prefeitura de São Bernardo do Campo, todos ex-militantes sindicais: Miguel Rupp, Esmeraldo Benedito e Francisco Paulo da Silva. Eles estavam acompanhando os bastidores da briga entre Cruz e a CUT, acompanhados pelo presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros.</P>
<P>
No próximo dia 11, Cruz teria um encontro com deputados em Brasília. Nesse encontro, ele deveria dar munição para a CPI destinada a apurar a transfusão de recursos da CUT para o PT.</P>
<P>
Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e ex-vereador do PT Miguel Rupp disse ontem à Folha que Oswaldo tinha arquitetado uma estratégia para enfrentar os setores da CUT que queriam expulsá-lo da presidência do sindicato. "Ele disse várias vezes que tinha muita coisa para falar e iria falar em conta-gotas". Rupp saiu rompido do PT.</P>
<P>
Ex-integrante da cúpula da CUT paulista, Cruz fez essa mesma declaração diante de Esmeraldo e Francisco Paulo. Esmeraldo disse ter conhecimento de pelo menos uma denúncia que seria, em breve, lançada –um suposto desvio de recursos provenientes de sindicatos e do governo italiano para a criação de um departamento de saúde da CUT.</P>
<P>
Esmeraldino contou que, em 1988, esteve na Itália junto com Cruz para a assinatura do convênio. "O dinheiro saiu, chegou ao Brasil, mas até hoje não se sabe como foi utilizado. Esse departamento nunca foi criado".</P>
<P>
Oswaldo estava se sentindo inseguro e enviou pedido de ajuda a Luiz Antônio de Medeiros. Eles tinham uma reunião marcada ontem de manhã. Mas Medeiros postergou-a para a próxima terça-feira, porque fora convidado a comparecer a uma cerimônia de filiação do PP em Minas. "O Oswaldo queria apoio de advogados e até ajuda em sua segurança particular. Não apenas dele, mas de sua familia", diz Medeiros.</P>
<P>
Desde o início, Oswaldo fez passar a Medeiros, pelos bastidores, informações sobre o PT – inclusive a de que parte dos recursos do Sindicato dos Rodoviários chegou à Articulação, facção política do PT. O dinheiro ia através de uma conta da Articulação Sindical, destinado a campanhas eleitorais.</P>
<P>
Os dirigentes da CUT negaram que houvesse qualquer apoio financeiro ao PT. Atribuem as afirmações de Oswaldo às acusações de enriquecimento ilícito, sua expulsão da CUT e sua frustrada tentativa de sair candidato a deputado pelo PT. Ele foi barrado porque grupos feministas do partido o acusaram de estupro.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-2838">
<P>
O susto foi maior do que os danos. Ainda assim, o choque entre dois comboios suburbanos ocorrido ontem de manhã a algumas centenas de metros da estação de Braço de Prata, perto de Cabo Ruivo, obrigou 23 pessoas a receberem tratamento a ferimentos ligeiros no Hospital de S. José, em Lisboa. A colisão, pouco violenta, deu-se quando um comboio de passageiros que seguia de Vila Franca de Xira para Alcântara bateu num que saíra de Alverca a caminho de Santa Apolónia e que, aparentemente, parou num sinal vermelho do sistema automático de sinalização. Ambas as composições seguiam quase completamente lotadas pelos muitos passageiros que se dirigiam para o trabalho. Ao local acorreram de imediato mais de uma dezena de ambulâncias e a via descendente do caminho-de-ferro ficou temporariamente bloqueada. A circulação foi restabelecida pouco mais de uma hora após o acidente. A CP nomeou uma comissão de inquérito para investigar as causas do sucedido Aliás, um preceito habitual neste tipo de casos.</P>
<P>
LL01-incineradora¨ CDi 6881</P>
<P>
Loures exige que governo do PS garanta condições</P>
<P>
Luz amarela à incineradora</P>
<P>
Fernanda Ribeiro e Ricardo Garcia</P>
<P>
Os aspectos técnicos e ambientais que podem suscitar dúvidas quanto à decisão da Valorsul de adjudicar a construção da incineradora de S. João da Talha à empresa norte-americana Foster Wheeler, embora vindos a lume, não são, por enquanto, os mais impeditivos da concretização do projecto. Mas uma «luz amarela» surgiu ontem, lançada pela Câmara de Loures.</P>
<P>
O anúncio, ontem, pela Valorsul, da intenção de adjudicar à empresa norte-americana Foster Wheeler a concepção e construção da incineradora de S. João da Talha foi acompanhado por um alerta lançado pela Câmara Municipal de Loures ao futuro governo do PS. Demétrio Alves, presidente da Câmara, e José Manuel Abrantes, administrador da Valorsul em representação de Loures, avisaram que o município não deixará erguer a estação de tratamento de resíduos sólidos urbanos em S. João da Talha, «se o novo executivo não der garantias de cumprir as condições já antes impostas pela autarquia em matéria de ordenamento do território».</P>
<P>
Três cenários podem ainda impedir o sim de Loures, sendo um deles de carácter político: «Uma decisão sobre esta matéria tem de merecer o consenso de todas as forças partidárias», disse José Manuel Abrantes, recordando que na última sessão de câmara os eleitos socialistas se abstiveram de votar favoravelmente a adjudicação à Foster Wheeler, alegando «haver ainda dúvidas quanto ao cumprimento das condições impostas» pela autarquia quando esta aprovou a localização da incineradora em S. João da Talha.</P>
<P>
Entre estas condições -- anteriormente aceites pelo ministro Ferreira do Amaral -- constavam a necessária «redução da área a ocupar na Bobadela pelo terminal de mercadorias da CP, dando lugar a que naquela área pudessem surgir também espaços verdes e terciário», e que o traçado da JAE para «a variante à EN 10 fosse concebido como o de uma avenida marginal e não como uma via rápida».</P>
<P>
Nada levava a crer que estes aspectos não fossem agora considerados pela CP e JAE, entidades tuteladas pelo Ministério das Obras Públicas, até que os vereadores eleitos pelo PS suscitaram dúvidas a esse respeito.</P>
<P>
«Nós não temos elementos específicos que nos permitam supor que as condições que impuséramos tenham sido postas de parte. Mas uma vez que foram os próprios vereadores socialistas que afirmaram haver dúvidas quanto ao seu cumprimento, exigimos que o novo governo socialista reafirme a aceitação destas cláusulas», salientou, por seu turno, Demétrio Alves.</P>
<P>
Além destas exigências, Loures reclama também, para aprovar a construção da incineradora em S. João da Talha, que sejam observados «os mais rigorosos critérios» no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que agora poderá ser concluído face ao projecto concreto da Foster Wheeler.</P>
<P>
A Câmara de Loures está disposta a usar todas as suas armas e entre elas consta um eventual chumbo ao EIA, o que poderia ter efeitos negativos, já que o financiamento comunitário solicitado para este projecto, que custará 25,5 milhões de contos, não está ainda garantido, uma vez que a União Europeia só tomará essa decisão depois de ter sido aprovado o respectivo EIA.</P>
<P>
E desse financiamento depende a concretização da incineradora, como ontem admitiu António Branco, presidente da comissão executiva da Valorsul, segundo o qual o prazo limite para se iniciar a construção da estação de tratamento é de «seis meses».</P>
<P>
Para já, será dado conhecimento do projecto da Foster Wheeler ao consórcio que está a elaborar o EIA, que vai ter um prazo de 30 dias para concluir a sua avaliação.</P>
<P>
A Valorsul está no entanto optimista quanto às hipóteses de financiamento pelos Fundos de Coesão, sublinhou António Branco, segundo o qual é também improvável que eventuais contestações à decisão de adjudicar à Foster Wheeler possam travar a obra.</P>
<P>
Desconhece-se ainda se os outros quatro consórcios candidatos à construção da incineradora vão interpor recurso da decisão da Valorsul, mas, caso isso aconteça, «a contestação não tem efeitos suspensivos», sublinhou António Branco.</P>
<P>
Entre os argumentos invocados pelos consórcios perdedores para pôr em causa a adjudicação à Foster Wheeler constam um alegado incumprimento de cláusulas estabelecidas no caderno de encargos, entre elas os níveis máximos de ruído, definido pela Valorsul em 45 decibéis.</P>
<P>
Erros e contras</P>
<P>
E embora até tenha surgido um concorrente que garantia esse nível, a realidade veio a provar ser ele uma meta inatingível, uma vez que as actuais emissões de ruído naquela área são já em valores mais elevados.</P>
<P>
«Houve um erro no caderno de encargos, que nós assumimos», disse António Branco.</P>
<P>
Apontados têm sido também alegados problemas de mau funcionamento de outras incineradoras da empresa norte-americana. O nome da empresa Foster Wheeler aparece com frequência na publicação semanal «Waste Not» («Lixo Não») editada por Paul Connet, um investigador norte-americano associado às campanhas da Greenpeace contra a incineração de resíduos. A central de incineração instalada pela Foster Wheeler em Hudson Falls, no estado de Nova Iorque, é a mais citada, sendo considerado pela «Waste Not» como «o caso mais litigioso dos Estados Unidos».</P>
<P>
Um leque variado de processos judiciais tem acompanhado este projecto, movidos por quase todas as partes envolvidas, desde os promotores da incineradora até às populações por ela abrangidas, passando pelas próprias autarquias.</P>
<P>
Esta incineradora foi planeada em meados dos anos oitenta para servir três concelhos, mas com a saída de um deles a sua capacidade, de 400 toneladas por dia, acabou por ficar excedentária. A partir daí, a central de incineração passou a receber também lixos industriais.</P>
<P>
A incineradora está em funcionamento desde finais de 1991. A falta de lixos para queimar foi também um problema enfrentado pela incineradora de Camden, em New Jersey. Uma das soluções potenciais, discutidas no princípio de 1994, era a queima do lixo escavado de um aterro sanitário de Pennsauken.</P>
<P>
A «Waste Not» cita ainda pelo menos cinco projectos da Foster Wheeler nos Estados Unidos que não foram adiante, desde 1990, por razões várias, desde o alegado não cumprimento contratual por parte das autarquias, até à oposição da população local e das autoridades ambientais.</P>
<P>
Mas para a Valorsul -- cujos técnicos, ainda antes da abertura do concurso, haviam visitado uma das estações de tratamento da empresa norte-americana --, para a decisão de adjudicação à empresa norte-americana foram suficientes as informações prestadas pelo dono da obra, que «deram boas referências».</P>
<P>
Apesar disso, e antes de qualquer obra se iniciar, os técnicos da Valorsul deverão visitar a central na Califórnia, uma das mais criticadas e a que mais se aproxima, em termos de dimensão, à que se pretende construir em S. João da Talha.</P>
<P>
LL02- Vila Expo 2206</P>
<P>
EPUL e A. Silva &amp; Silva assinam contrato para construção e venda</P>
<P>
Vila Expo arranca em Janeiro de 96</P>
<P>
As primeiras 500 habitações da Vila Expo, onde durante a Expo-98 ficarão albergados os funcionários internacionais dos países representados na Exposição, vão começar em breve a ser construídos e comercializados pela EPUL e pela empresa A. Silva &amp; Silva, que ontem assinaram um contrato com a Parque Expo.</P>
<P>
Os projectos de vários sectores desta urbanização -- que o comissário Cardoso e Cunha comparou ontem à Vila Olímpica de Barcelona, construída em 1992 para albergar os participantes nos Jogos Olímpicos -- são da autoria de diversos gabinetes de arquitectura, entre eles o de Francisco Silva Dias, Leopoldo Criner, João Paciência e Daniel Santa Rita.</P>
<P>
Os trabalhos preliminares de preparação dos terrenos deverão iniciar-se em Novembro e a construção dois meses depois, ou seja em Janeiro de 1996, prevendo-se que os primeiros 500 fogos -- dos mais de 700 que ali hão-de ser construídos numa primeira fase -- fiquem concluídos um ano depois, a tempo de alojar as missões e delegações dos países participantes na Expo-98, que abrirá as suas portas em Maio.</P>
<P>
O contrato ontem assinado representa para a EPUL e a A. Silva &amp; Silva um investimento da ordem dos 13 milhões de contos [o que se traduz num custo médio de 26 mil contos por fogo, para o promotor] e envolve receitas para a Parque Expo estimadas em 3,5 milhões de contos.</P>
<P>
Além de beneficiar da rede de infra-estruturas gerais da zona de intervenção da Expo -- rede centralizada de frio e calor, telecomunicações em fibra óptica, recolha pneumática do lixo e rede de galerias técnicas -- a Vila Expo, onde vão predominar apartamentos T2 e T3, irá dispor de um «club house», de zonas comerciais e parques de estacionamento subterrâneos.</P>
<P>
Mas as habitações que agora começam a construir-se só após 1998, finda a Expo, deverão ser ocupadas pelos seus verdadeiros proprietários, que terão nas imediações o Parque Urbano do Tejo e do Trancão. Nessa altura, espera-se, aí existirá já, além de uma vasta zona verde, um centro hípico e uma academia de golfe, entre outras instalações desportivas.</P>
<P>
LL02-Pontinha-VF 2561</P>
<P>
Machado Lourenço remete decisões para futuro Governo</P>
<P>
Pontinha propõe comissão para gerir bairros</P>
<P>
A presidente da Junta de Freguesia da Pontinha, Fátima Amaral, propôs, ontem, ao Governo Civil de Lisboa, à Assembleia Distrital de Lisboa (ADL) e à Câmara de Loures que formem uma comissão de gestão que administre os bairros sociais da Pontinha. A autarca defende que essa comissão exerça funções apenas até à conclusão de um conjunto de medidas que incluem a anulação do regulamento em vigor, a conclusão do processo de venda de casas e o realojamento dos moradores dos pré-fabricados do bairro da Capela e Casas Desmontáveis. Machado Lourenço, vice-governador civil, responde que esse é um caso para o próximo ministro da Administração Interna resolver.</P>
<P>
Fátima Amaral propõe ainda que sejam «definidos os critérios de atribuição de casas» e tornadas públicas as listagens de moradores a alojar. Numa fase posterior, a presidente da Pontinha defende que os bairros sociais de Mário Madeira e Urmeira, actualmente geridos pelo vice-governador civil de Lisboa, sejam entregues ao município de Loures, depois de definidas as áreas de cedência, o enquadramento urbanístico das arrecadações, a delimitação dos quintais e a conclusão das infra-estruturas -- tudo actuais motivos de conflito entre a autarquia e o vice-governador, e que originaram o pedido, feito em 1992 pela ADL, de suspensão da eficácia do despacho ministerial que transferiu para o Governo Civil os referidos bairros. Fátima Amaral quer ainda ver considerada a realização de um protocolo de cedência do Pinhal da Paiã, também sob gestão do Governo Civil, dado, justifica, «constituir a maior área verde da zona ocidental do concelho de Loures».</P>
<P>
Machado Lourenço já reagiu à proposta de Fátima Amaral, considerando que «não tem qualquer cabimento, porque esse é um assunto que o futuro Governo tem que resolver». E segundo aquele responsável, que conta sair do cargo de nomeação política «dentro de uma ou duas semanas», o Governo só tem duas possibilidades: «ou espera pela decisão do pleno do Supremo Tribunal Administrativo para tomar uma decisão ou faz legislação própria» sobre o património à guarda do Governo Civil.</P>
<P>
«Isto não é uma questão de vontades individuais, é a legislação em vigor», diz Machado Lourenço, salientando que, no actual quadro jurídico, quem entregasse as urbanizações à Câmara «ia para a cadeia». Para o vice-governador de saída, «a Junta de Freguesia continua a imiscuir-se num assunto com o qual não tem nada a ver».</P>
<P>
LL02-Setubal-RT¨ CDi 3277</P>
<P>
Tribunal de Setúbal julga homicida de Vendas do Alcaide</P>
<P>
«Não tive intenção de matar»</P>
<P>
Franklin Escada, que no dia 11 de Maio deste ano, em Vendas do Alcaide, Pinhal Novo, matou a mulher, grávida de três meses, por motivos passionais, assumiu, anteontem, no tribunal de Setúbal, a autoria dos disparos, mas afirmou não ter tido intenção de a atingir. «Não a queria matar, apenas amedrontá-la», disse.</P>
<P>
Durante o seu depoimento, o homicida, de 37 anos de idade, reafirmou a tese de que «andava tresloucado», após ter tomado conhecimento de que a sua mulher, Elisabete, de 21 anos, mantinha uma relação amorosa com um amigo do casal.</P>
<P>
Franklin Escada contou ao colectivo de juízes, presidido por Casebres Latas, que na noite anterior ao incidente a mulher se recusara a «fazer sexo», alegando ter feito um aborto, durante uma ausência prolongada da casa onde ambos viviam.</P>
<P>
O próprio confirmou que na manhã do dia 11 travou acesa discussão com a mulher, que chegou a vias de facto, o que originou a fuga de Elisabete para as imediações da casa. No seu encalce, Franklin disparou dois tiros e agarrou-a pelo braço, levando-a para o interior da habitação. «Ela ficou num sofá e eu noutro e voltámos a discutir. Quando ela se levanta de novo, tive um impulso para a sentar de novo, mas como tinha a arma na mão, acabei por disparar ocasionalmente», contou.</P>
<P>
O réu afirma que os dois primeiros projécteis, disparados na rua, não terão atingido a mulher, mas, de acordo com a acusação, baseada na autópsia, Elisabete terá sido atingida no braço esquerdo e no tórax. O tiro mortal, o terceiro, à queima-roupa, atingiu-a na cabeça, originando uma hemorragia no encéfalo.</P>
<P>
Embora recuse ter gizado o crime, Franklin Escada admitiu no tribunal ter guardado debaixo da sua mesa de cabeceira, durante a semana que antecedeu o crime, o revólver que usou na manhã do homicídio. «Por uma questão de segurança, pois o homem que andava com ela já me havia ameaçado se eu a maltratasse», explicou.</P>
<P>
Durante o julgamento, que continuou ontem, com a audição de testemunhas, foi referido que Franklin Escada, até ter conhecimento do alegado caso amoroso da mulher, tinha uma «boa relação» com a vítima, da qual havia tido um filho e assumido dois outros filhos do primeiro casamento da mulher. «Ele era bom pai e um excelente marido. Foi uma desgraça que lhe bateu à porta», testemunhou a avô da vítima.</P>
<P>
Franklin Escada disse também ao tribunal que fora o último a saber que a mulher estava grávida e não admitiu que «ela desmanchasse» uma coisa que lhe pertencia.</P>
<P>
Uma questão que ficou ainda por esclarecer prende-se com a alegada actividade de tráfico de droga por parte da vítima. Após o incidente, Franklin Escada manteve-se em casa até à chegada da GNR. Um cabo da corporação de Palmela, que tomou conta da ocorrência, afirmou aos juízes que o homicida disse ter «feito aquilo por desconfiar do caso amoroso e de ela traficar heroína». E para o provar levou o agente aos sítios onde, alegadamente, Elisabete tinha escondidas 34 doses de heroína.</P>
<P>
O arguido incorre numa pena que pode ir até 16 anos de reclusão e a acusação pede uma indemnização de cerca de 16 mil contos. As alegações finais serão feitas na próxima segunda-feira.</P>
<P>
Raul Tavares</P>
<P>
LL03-Feirantes-VF 1486</P>
<P>
Feirantes apresentam caderno reivindicativo</P>
<P>
Taxas únicas e de baixo valor, licenciamento uniforme para todo o país e fiscalização apenas através da factura de compra, foram algumas das reivindicações reafirmadas quinta-feira, numa reunião na Brandoa, pelos feirantes de Lisboa.</P>
<P>
Os feirantes querem ainda que o Governo cumpra a legislação em vigor sobre o comércio grossista, já que, disse Ramiro Machado da Confederação Nacional de Associações de Feirantes, os revendedores fazem concorrência aos feirantes (retalhistas) porque nãos se confinam aos recintos vedados e vendem também nos espaços abertos. Segundo aquele dirigente dos feirantes, também a intenção do Ministério das Finanças em impor a passagem de guias de transporte de mercadoria à ida e volta «é incompatível» com a actividade e acaba por facilitar a fraude, porque possibilita a falsificação de guias. Ramiro Machado defende, como alternativa, a fiscalização através da factura de compra dos produtos comercializados.</P>
<P>
Os feirantes de Lisboa aproveitaram para manifestar o seu descontentamento por ainda estarem à espera de um local alternativo para a feira de Santa Maria dos Olivais, encerrada devido às obras da Expo 98. Na Brandoa, onde estiveram ainda representantes das associações das Beiras e do Centro, foi divulgada a assinatura, em breve, de um protocolo com instituições bancárias para «melhores condições para o acesso ao crédito» por parte dos feirantes. V.F.</P>
<P>
LL03-Iluminações-GP 2461</P>
<P>
Iluminações de Natal chegam este ano a Campo de Ourique</P>
<P>
Centenas de arcos e milhares de lâmpadas</P>
<P>
Sessenta mil metros de fio, 250 mil lâmpadas, 200 arcos aéreos, 25 mil equipamentos de néon e 200 estruturas decorativas laterais são apenas alguns dos números das iluminações de Natal, que já estão a ser montadas nas ruas de Lisboa. Vão ser gastos, pelo menos, 60 mil contos e, pela primeira vez, as luzes natalícias vão chegar ao bairro de Campo de Ourique.</P>
<P>
No dia 11 de Novembro as estruturas decorativas vão estar todas montadas para, uma vez mais, iluminarem o Natal lisboeta, até meados de Janeiro. A iniciativa é da União das Associações de Comerciantes do Distrito de Lisboa (UACDL) e conta com a colaboração do município alfacinha, que contribui com um subsídio de 50 mil contos, além de suportar os gastos com a energia eléctrica que vai ser consumida pelas decorações.</P>
<P>
À semelhança dos anos anteriores, as iluminações vão ser instaladas nas principais áreas comerciais da cidade: Baixa, Chiado, avenidas de Roma, Igreja, João XXI e Guerra Junqueiro, Praça de Londres e Areeiro. E, pela primeira vez, vão ser estendidas à Rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique. Aliás, segundo Armando Aparício, da UACDL, a União de Comerciantes tinha apresentado um plano para este ano que previa a iluminação de outras artérias daquele bairro. Porém, o plano teve de ser reduzido porque atingia uma verba --100 mil contos -- que nem a União conseguiu angariar, nem a Câmara de Lisboa podia disponibilizar.</P>
<P>
No entanto, diz Armando Aparício, com a iluminação da Rua Ferreira Borges fica já dado um primeiro passo para estender, nos próximos anos, a animação de Natal a outras artérias do bairro de Campo de Ourique. Entretanto, vão ser instalados três grandes cartazes -- em Santa Apolónia, Areeiro e nas Amoreiras -- anunciando que «O comércio anima Lisboa». A ideia é trazer mais consumidores às lojas da cidade. O que, segundo aquele dirigente da UACDL, começa já a acontecer. «As pessoas estão a dar sinais de saturação relativamente às grandes superfícies comerciais da periferia», explica.</P>
<P>
O período natalício em Lisboa -- durante o qual meia centena de árvores estarão, também, iluminadas -- vai ser igualmente marcada com um concurso de montras. Uma iniciativa que deverá ter a participação de cerca de 200 comerciantes. O Natal do comércio arranca com uma cerimónia na Praça da Figueira. Em Novembro.</P>
<P>
Guilherme Paixão</P>
<P>
LL03-Reabilitação-GP 1585</P>
<P>
Portugueses e brasileiros debatem reabilitação urbana</P>
<P>
O Teatro Taborda, na Rua da Costa do Castelo, em Lisboa, vai abrir as portas para a realização do I Encontro Luso-Brasileiro de Reabilitação Urbana e Centros Históricos. Uma iniciativa que começa amanhã e que conta com a participação de mais de 150 técnicos e responsáveis de seis municípios brasileiros que debaterão com os colegas portugueses os problemas da reabilitação urbana.</P>
<P>
O encontro, que termina no dia 25, é organizado pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Comissão do Património do Rio de Janeiro. Além desta cidade, estarão presentes representantes dos municípios brasileiros de Olinda, Santos, Ouro Preto, Salvador da Bahia e Santana de Parnaíba. O lado português conta com a participação de técnicos de Lisboa e Porto. Este primeiro encontro é o resultado da presença de uma exposição da Direcção Municipal de Reabilitação Urbana de Lisboa na bienal de São Paulo, em 1993, e de uma segunda presença do responsável daquela estrutura, arquitecto Filipe Lopes, num encontro de técnicos brasileiros no Rio de Janeiro, em 1994.</P>
<P>
«A identidade dos núcleos históricos», «A prática da reabilitação urbana» e os «Meios e parceiros da reabilitação urbana» são os grandes temas deste encontro, que inclui de 25 a 27 deste mês, uma visita dos participantes a várias cidades do país. Entretanto, na segunda-feira, é inaugurada no castelo de São Jorge uma exposição sobre os temas em debate. E na quarta-feira serão apresentadas à comunicação social as conclusões dos técnicos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11134">
<P>
Afundamento da estrutura petrolífera em causa</P>
<P>
Greenpeace reocupou plataforma da Shell</P>
<P>
Militantes da organização ecologista Greenpeace voltaram a ocupar, quarta-feira de manhã, uma plataforma petrolífera da Shell no Mar do Norte, a Brent Spar, a qual já tinha sido ocupada pelos ambientalistas em Maio durante três semanas.</P>
<P>
Os militantes da Greenpeace tinham sido expulsos há quinze dias pelas forças policiais e por representantes da empresa petrolífera mas voltaram à plataforma -- um colosso que se ergue a 40 metros de altura acima das águas e que servia de posto de abastecimento para petroleiros -- para tentar impedir que esta seja afundada no Atlântico a dois mil metros de profundidade, como pretendem os seus proprietários. A plataforma está 177 quilómetros a nordeste das Ilhas Shetland.</P>
<P>
A Shell afirma que os ecologistas correram perigo por terem voltado à plataforma depois de os explosivos já terem sido colocados e acusou-os de «irresponsáveis».</P>
<P>
Os ambientalistas argumentam que a estrutura contém ainda 130 toneladas de resíduos tóxicos como arsénico, cádmio, chumbo e outros produtos que a convenção sobre poluição marítima proíbe sejam deitados ao mar. Para a Greenpeace, o afundamento da plataforma abre um precedente para as outras plataformas petrolíferas. É que, depois de mais de 20 anos de exploração de petróleo e de gás no Mar do Norte, cerca de 400 plataformas estão a chegar ao fim da sua vida útil.</P>
<P>
A Shell argumenta que os contaminantes estão em quantidades insignificantes na plataforma e que serão rapidamente diluídos. E o Governo britânico, que autorizou as operações de afundamento, garante que não irão provocar poluição alguma, pois a Shell deve limpar completamente a plataforma das substâncias nocivas.</P>
<P>
Entretanto, a ministra sueca do Ambiente, Anna Lindh, pediu ao seu homólogo britânico, John Gummer, que se opusesse ao afundamento, pois receia as consequências para o ambiente marinho.</P>
<P>
A Greenpeace alemã anunciou, por seu lado, que 85 por cento dos automobilistas daquele país estão prontos a boicotar as estações de gasolina da Shell se a empresa quiser levar avante o afundamento.</P>
<P>
Também a comissária do Ambiente da União Europeia, Ritt Bjerregaard, defende que é preciso parar com o afundamento de plataformas petrolíferas no Mar do Norte. «Como vamos explicar aos cidadãos da Europa que é importante levar vidro usado para contentores especiais, se ao mesmo tempo permitimos às companhias petrolíferas afundar grandes instalações nos oceanos?», disse a comissária, citada pela Reuter.</P>
<P>
Reuter e AFP</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-67820">
<P>
Troca de acusações sobre os bairros da Pontinha</P>
<P>
Machado Lourenço contra-ataca</P>
<P>
Vitor Faustino</P>
<P>
A polémica em torno da gestão e da propriedade dos bairros sociais da Pontinha subiu ontem de tom. Depois das acusaçãos dos autarcas do distrito de Lisboa contra o vice-governador Civil foi agora a vez de este vir ameaçar com os tribunais. Para ele, tudo não passa de um processo político em altura de eleições.</P>
<P>
O vice-governador civil de Lisboa, Machado Lourenço, devolveu ontem, em conferência de imprensa, as acusações feitas pela Assembleia Distrital de Lisboa (ADL), Junta de Freguesia da Pontinha e Câmara de Loures, a propósito da gestão dos bairros sociais da Pontinha. «Um processo político» contra si, é como Machado Lourenço classifica a «campanha de calúnias» de que se sente alvo e refere que são aquelas entidades a praticar «irregularidades acumuladas, abuso de poder, invasão de propriedade do Estado e intromissão constante».</P>
<P>
O vice-governador, que desde 1985 gere os bairros de Mário Madeira, Menino Deus, S. José, S. António, S. João e Urmeira, anunciou ainda que vai processar judicialmente a presidente da Junta da Pontinha, Fátima Amaral, e uma técnica da ADL, Hermelinda Toscano, por «mentira e difamação». Também uma queixa à Inspecção Geral da Administração do Território, contra a Câmara de Loures -- esta por alegada protecção à construção clandestina -- é outra das medidas de retaliação tomadas por Machado Lourenço, na sua qualidade de presidente Comissão de Assistência e Habitação Social do Governo Civil de Lisboa.</P>
<P>
Recentemente, os autarcas da ADL (que reune presidentes de câmara e juntas) consideraram «ilegal» a posse e administração dos bairros pelo Governo Civil, e disseram estar vários processos judiciais em curso, visando a devolução daquele património à assembleia distrital. Na ocasião, o deputado João Amaral (PCP), presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, acusou Machado Lourenço de fazer «atribuições e reparações de casas numa lógica de chantagem».</P>
<P>
A lista de acusações feita pelos autarcas à gestão dos bairros incluia a chantagem em passagens de escrituras, demolições arbitrárias e «guerras» com a Câmara de Loures -- não a deixando fazer melhoramentos nos espaços públicos. Por sua vez, o presidente da ADL, o socialista Alberto Avelino, acusou Machado Lourenço de ter aberto correspondência da ADL, assinado cheques em nome daquele orgão e vendido ilegalmente lotes de terreno. Também Hermelinda Toscano afirmou à Agência Lusa que um dos casos de violação de correspondência dirigida ao presidente da ADL levou à contracção de uma divida de oito mil contos à Caixa Geral de Aposentações.</P>
<P>
À espera do Tribunal</P>
<P>
Tudo negado pelo vice-governador civil, que diz que só não foram ainda feitas 330 escrituras -- que já tinham sido objecto de contrato de promessa de compra e venda -- porque aguarda uma decisão do plenário do Supremo Tribunal Administrativo sobre a legalidade da alienação do património. «As pessoas que já pagaram não perdem o direito mas têm que esperar até que isto fique resolvido», prometeu, referindo que foi por decisão da própria ADL, tomada em 1985, e dando cumprimento ao Decreto-Lei 288/85 que os bairros sociais foram entregues ao Governo Civil.</P>
<P>
Machado Lourenço queixa-se de que a Junta da Pontinha se tem furtado ao diálogo e apenas reconhece razão a Fátima Amaral a propósito da inconstitucionalidade de um dos artigos do regulamento dos bairros -- aquele que admite a expulsão dos casais que não sejam formalmente casados. «Mas nunca aplicámos esse artigo, pusemos-lhe um risco por cima», garante. O número dois do Governo Civil adianta que não está a pensar rever o regulamento, datado de 1973, porque «é altamente favorável aos utentes», já que, se fosse alterado, em vez de uma taxa social baixa, passariam a um regime de arrendamento em que «iriam pagar mais».</P>
<P>
Também a atribuição de casas a agregados familiares a viver em situação de sobrelotação não faz parte das prioridades do responsável pela gestão dos bairros: «Não há desdobramentos enquanto não forem realojadas as famílias dos pré-fabricados», disse Machado Lourenço, que reconhece a alta densidade populacional -- em 1300 fogos vivem 6000 pessoas (os autarcas falam em 8000).</P>
<P>
Quanto aos pré-fabricados onde foram realojadas as vítimas das cheias de1967, subsistem ainda 44 barracas cujos habitantes estão à espera de uma nova casa, mas Machado Lourenço remete essa responsabilidade para a Câmara de Loures, que, segundo ele, deveria incluir esses realojamentos no PER. Também as ruas e espaços públicos -- onde o vice-governador não autorizava obras municipais sem o seu consentimento -- são agora consideradas, por ele, da responsabilidade do município. A Câmara de Loures já tinha reagido a esta pretensão, em comunicado, onde, depois de referir o «calamitoso estado de conservação», se opunha «à desresponsabilização imediata daquela entidade governamental» e lamentava a «forma pouco séria como este assunto está a ser tratado» pelo Governo Civil.</P>
<P>
Vítor Faustino</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71715">
<P>
Antigas colónias portuguesas avançam a ritmos diferentes</P>
<P>
Os Cinco em busca da Democracia</P>
<P>
Jorge Heitor</P>
<P>
As eleições legislativas de hoje em São Tomé e Príncipe chamam a atenção para os ritmos bem diversos a que as antigas colónias portuguesas na África têm estado, desde finais de 1989, a procurar avançar no caminho da democratização.</P>
<P>
Os sãotomenses já vão nas suas segundas legislativas em regime pluralista, enquanto os moçambicanos só no fim deste mês é que vão pela primeira vez às urnas, em eleições livres, e os angolanos ainda não sabem quando é que terminam umas presidenciais iniciadas em Setembro de 1992.</P>
<P>
Este simples retrato mostra bem o quão diferentes têm sido os ritmos com que os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) avançam para uma prática democrática, «à ocidental», depois de cerca de duas décadas em que o poder se legitimava na luta (armada ou não) que fora travada pela conquista da independência.</P>
<P>
São Tomé e Príncipe, o mais pequeno dos Cinco, ainda com menos de 140 mil habitantes, foi o precursor da abertura a uma prática multipartidária, consagrada constitucionalmente em Agosto de1990, um mês antes de Cabo Verde. E o Presidente que tinha desde a proclamação da independência, em 1975, Manuel Pinto da Costa, decidiu então retirar-se da vida política activa, não tendo apresentado candidatura às presidenciais de 1991, ganhas por Miguel Trovoada.</P>
<P>
Regresso ao passado</P>
<P>
São Tomé poderá ser também, agora, o primeiro dos PALOP onde um dos partidos fundadores da independência e perdedores das eleições realizadas logo após a abertura ao pluralismo, o MLSTP, regressa ao poder por vontade popular.</P>
<P>
Quanto a Cabo Verde, que enveredou pela democracia multipartidária logo a seguir a São Tomé e Príncipe e que foi o primeiro a ter eleições legislativas e presidenciais com esse sistema, logo em Janeiro e Fevereiro de 1991, tem sido o politicamente menos agitado dos cinco, apesar de uma cisão que já houve na actual força governamental, o Movimento para a Democracia (MpD). O Presidente António Mascarenhas Monteiro nem sempre concorda com o executivo chefiado por Carlos Veiga, mas os caboverdeanos não estão a curto prazo perante a hipótese de dissolução da Assembleia e de convocação de eleições gerais antecipadas.</P>
<P>
Terceiro caso a ter em conta, no campo das antigas colónias lusófonas, é o de Angola, onde em Setembro de 1992 se efectuaram em simultâneo presidenciais e legislativas, mas sem grandes resultados práticos, no sentido da democratização, dado que daí a semanas a guerra se reacendeu e que ainda hoje está por terminar.</P>
<P>
O Presidente José Eduardo dos Santos foi o mais bem classificado na primeira volta das presidenciais, só que não atingiu os 50 por cento, pelo que ainda terá de ir a uma segunda volta, com o político que ficou a seguir, Jonas Malheiro Savimbi, líder da UNITA. Entretanto, o MPLA, desde 1975 no poder, domina claramente o Parlamento, que é boicotado pela principal força da oposição.</P>
<P>
Expectativa guineense</P>
<P>
Quarto dos PALOP a ir às urnas, em Julho e Agosto últimos, a Guiné-Bissau manteve na Presidência o homem que a conquistara pelas armas em Novembro de 1980, João Bernardo Vieira, Nino, e deu a maioria na Assembleia Nacional ao PAIGC, o partido que logo em Setembro de 1973 proclamara unilateralmente a independência, sem esperar pela queda do regime colonialista português.</P>
<P>
Resta agora ver como é que Nino Vieira e o PAIGC irão lidar com os 38 deputados da oposição: 19 do Movimento Bafatá e outros tantos de uma série de forças que escolheram como seu líder parlamentar comum o chefe do Partido da Renovação Social, Kumba Ialá.</P>
<P>
Por fim, na ida às urnas, simultaneamente em presidenciais e em legislativas, no fim deste mês, está Moçambique, o mais populoso dos Cinco, com perto de 17 milhões de habitantes, que terão de escolher basicamente entre Joaquim Chissano e Afonso Dhlakhama, entre a Frelimo e a Renamo.</P>
<P>
O primeiro chefe da Frelimo, Eduardo Mondlane, foi assassinado em Fevereiro de 1969 e o segundo, Samora Machel, Presidente da República a partir da proclamação da independência, morreu num desastre de avião em Outubro de 1986, tendo-lhe sucedido Chissano, que espera agora a consagração eleitoral.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83799">
<P>
HUMBERTO SACCOMANDI</P>
<P>
De Londres</P>
<P>
O governo britânico afirmou ontem que não vai permitir o uso de óvulos extraídos de fetos abortados no tratamento da infertilidade. O anúncio deve encerrar a polêmica que tomou conta do país desde que pesquisadores escoceses divulgaram, no início da semana, a nova técnica.</P>
<P>
Segundo a ministra britânica da Saúde, Virginia Bottomley, a atual legislação britânica é muito cuidadosa quanto a questões éticas. "Ficaria surpresa se houvesse brechas", afirmou ontem à televisão.</P>
<P>
A técnica, desenvolvida por cientistas da Universidade de Edimburgo, possibilita o uso em inseminação artificial de células de fetos femininos abortados. Os óvulos são extraídos e "amadurecidos". Em seguida, eles são fertilizados com o sêmen do doador e colocados no útero da paciente.</P>
<P>
Essa técnica poderia acabar com a constante falta de doadoras de óvulos para tratamento de infertilidade no Reino Unido. As pesquisas, no entanto, estão suspensas desde o início da polêmica. A técnica foi testada com sucesso em camundongos, mas os cientistas não pretendem testá-la em seres humanos se o uso não for permitido.</P>
<P>
Há dois obstáculos para esse tipo de tratamento. Primeiro, a criança gerada pode ter dificuldade em lidar com o fato de sua mãe biológica nunca ter nascido.</P>
<P>
Segundo, o uso crescente de tecido fetal pode incentivar o surgimento de um mercado negro de abortos. Mulheres poderiam engravidar com o único objetivo de abortar e vender o feto.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26138">
<P>
Dos estreitos ao Cáucaso</P>
<P>
Rússia e Turquia disputam influências</P>
<P>
Pedro Caldeira Rodrigues</P>
<P>
A Rússia recusou-se na passada semana a adoptar as novas regras de Ancara para a navegação no estreito do Bósforo. Sob a capa de argumentos vários, está em causa a hegemonia numa região estratégica atravessada diariamente por dezenas de petroleiros. Do Bósforo ao Cáucaso, os gigantes russo, turco e iraniano travam uma guerra surda na qual estão já envolvidos os pequenos Estados recém-independentes da região. A partir de ontem em Ancara, um responsável russo tenta apaziguar tensões.</P>
<P>
À frente de uma importante delegação, onde se incluem políticos e homens de negócios, o primeiro vice ministro-russo, Oleg Soskovets, iniciou ontem uma visita oficial de seis dias à Turquia para discutir o desenvolvimento das relações bilaterais nos domínios económico, comercial, energético e petrolífero, sobretudo no que diz respeito à construção de oleodutos e gasodutos.</P>
<P>
Um dos temas quentes das negociações será o empréstimo pelo banco turco «Eximbank» de 599,4 milhões de dólares à Rússia entre 1989 e 1991, e as dificuldades que está a conhecer a devolução do empréstimo. Ancara poderá propor em troca da devolução dos créditos a entrega de material militar russo, mas certamente que outra das questões prioritárias a abordar são as recentes medidas introduzidas pela Turquia sobre a circulação de navios no Mar Negro.</P>
<P>
Um alto responsável pelo ministério dos Negócios Estrangeiros considerou em Moscovo há cerca de uma semana que o conjunto de regras, introduzidas no dia 1 de Julho pela Turquia após um desastre ecológico provocado pelo derramamento de petróleo, viola as leis internacionais e é inaceitável. No entanto, precisou que as restantes medidas, enquadradas nas leis internacionais, serão aceites.</P>
<P>
«A Rússia concorda com algumas das novas disposições destinadas a salvaguardar a segurança dos navios e que não entrem em contradição com as obrigações internacionais da Turquia», afirmou à Reuter por telefone um responsável russo do ministério. «Mas algumas regras não podem ser aceites como legais», acrescentou.</P>
<P>
De acordo com as novas directrizes de segurança, a Turquia considera que os navios que transportem petróleo ou cargas perigosas deverão informar as autoridades locais sobre a sua intenção de atravessar os estreitos do Bósforo e de Dardanelos. Os grandes navios serão multados, caso naveguem sem autorização.</P>
<P>
A decisão da Turquia em apertar as regras de navegação na região surgiu na sequência da colisão de um petroleiro no Bósforo, no passado mês de Março, que provocou a morte de 30 marinheiros e incendiou as poluídas águas da região.</P>
<P>
O estreito do Bósforo, que liga a Ásia à Europa, é diariamente atravessado por 60 navios estrangeiros, sem contar com o tráfego interno turco. O movimento sofreu um aumento substancial após a abertura para o Mar Negro dos sistemas fluviais dos rios Danúbio e Volga-Don. A Turquia receia que os estreitos se tornem impraticáveis quando as ricas ex-repúblicas soviéticas produtoras de petróleo iniciarem o escoamento por mar da sua matéria-prima.</P>
<P>
O responsável ministerial russo referiu no entanto que as novas regras admitem a possibilidade de um encerramento temporário dos estreitos e obrigam os navios estrangeiros a admitir pilotos locais, por questões de segurança. «Isto é uma violação da liberdade do transporte marítimo, da Convenção de Montreux», sustenta em Moscovo o funcionário ministerial.</P>
<P>
Os estreitos estão abrangidos pela Convenção de Montreux, adoptada em 1936, que garante a livre passagem em tempo de paz para todos os navios. Ancara defende que estas restrições não violam a Convenção.</P>
<P>
Zona vital</P>
<P>
O Bósforo é uma estrada marítima vital para a Bulgária, Roménia, Moldova, Ucrânia, Rússia e Geórgia, sobretudo em relação ao escoamento de petróleo. A Rússia, que pretendia há muito iniciar conversações sobre a questão, afirma para já que a Turquia vai ter de pagar por eventuais perdas materiais, no caso de encerramento dos estreitos, apesar de não ter fornecido pormenores sobre a forma de receber as contrapartidas que exige.</P>
<P>
Em causa está também uma grande jogada estratégica da Turquia, que pretende controlar os futuros oleodutos da Ásia central,Cazaquistão, Azerbaijão, ou mesmo da Rússia. Ancara pretende que os oleodutos da região que se vão dirigir para o Golfo e Rússia sejam instalados na Turquia, em detrimento do Irão.</P>
<P>
«A decisão da Turquia é uma retaliação pelos planos russos de ultrapassar a Turquia na exportação de petróleo do Mar Cáspio», considerou na quinta-feira o semanário «Notícias de Moscovo». «Reflecte a competição [...] pelas fontes de energia das ex-repúblicas soviéticas do sul», concluía o jornal moscovita.</P>
<P>
Do Negro ao Cáspio</P>
<P>
A crescente influência da Turquia nas ex-repúblicas soviéticas com maioria de população muçulmana -- uma competição titânica que trava com o Irão -- também não está a agradar a Moscovo. O ministro russo da Defesa, general Pavel Gratchev, considerou recentemente que Ancara «não pode introduzir unilateralmente as suas tropas» no enclave arménio do Nagorno-Karabakh, situado em pleno território do Azerbaijão e onde Moscovo tenta impor o seu plano de paz.</P>
<P>
Uma resposta ao chefe de estado-maior das Forças Armadas turcas, general Dogan Gures, que defendeu o envio «dos soldados [turcos] que forem necessários» para o território independentista arménio, no âmbito de uma eventual força de interposição sob a bandeira da Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa (CSCE).</P>
<P>
O general turco acrescentou durante uma visita a Baku, a capital azeri, que uma eventual força de interposição nessa região «deveria ser internacional e submetida ao controlo da ONU e da CSCE». Em reposta, o general russo limitou-se a afirmar que o seu país «tem os seus interesses próprios no Cáucaso, não menos que os da Turquia e provavelmente até mais» e considerou que em caso de envio de tropas russas e turcas para o Cáucaso -- recorde-se que soldados destes dois países estão colocados na Bósnia, sob a égide da ONU --, Moscovo proporia igualmente a introdução de forças de outros países.</P>
<P>
A Rússia tem vindo a propor desde Fevereiro o seu próprio plano de paz, que prevê o envio de uma força de interposição no conflito que há seis anos opõe o Azerbaijão aos arménios do Nagorno-Karabakh. Baku tem recusado este plano e privilegia uma mediação sob a égide da CSCE. O Presidente azeri, Gueïdar Aliev, efectuou no mês passado uma visita à Turquia que foi interpretada como a vontade de encontrar aliados face à pressão da Rússia para impor o seu plano de paz.</P>
<P>
O sentimento de que os Estados Unidos e a Europa decidiram abandonar todo o Cáucaso e a Ásia central à hegemonia russa parece estar a impedir a diplomacia turca de descansar. Há cerca de um ano, Moscovo solicitou um aumento do limite de armamentos fixados para o Cáucaso pelo Tratado sobre a redução de forças convencionais na Europa (CFE), e o primeiro país a reagir a este pedido foi a Turquia.</P>
<P>
Sujeita a fortes pressões de Ancara, a NATO acabou por manifestar a necessidade de permanecer fiel aos termos do acordo. Esta posição irritou os russos, que pela voz do general Gratchev ameaçaram transgredir o Tratado CFE caso não fosse revisto o limite de armamentos permitido para a região.</P>
<P>
Em simultâneo, o Kremlin assinou com a Geórgia e a Arménia acordos denominados «Cooperação para a Defesa» e começou a concentrar tropas nestes países às quais chamou «forças de paz». Em nome da tese que defende o Cáspio como um «mar comum», socorreu-se do artigo 5º do Tratado CFE, que prevê um «estacionamento provisório» das suas tropas, para iniciar a concentração de uma poderosa força militar no Cáucaso.</P>
<P>
O único país que ainda parece resistir aos desígnios da Rússia é o Azerbaijão, apesar de o Presidente Aliev se encontrar numa posição difícil. Numa autêntica manobra de pressão, Gratchev chamou há algumas semanas a Moscovo os seus homólogos azeri e arménio, para lhes anunciar que o Azerbaijão também tinha aceite a presença de «forças de paz» russas no território. Se o Kremlin conseguir os seus intentos no Azerbaijão, o número de tanques russos concentrados no Cáucaso poderá ascender em breve a 1.800 e a hegemonia russa nesta região vital continuará assegurada, apesar do desespero de Ancara.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-83689">
<P>
Fernão de Magalhães</P>
<P>
Fernão de Magalhães, algumas vezes referenciado como Fernando de Magalhães, (primavera de 1480 --- 27 de abril de 1521) foi um navegador português que, ao serviço do rei de Espanha, comandou a expedição marítima que efectuou a primeira viagem de circum-navegação ao globo. Foi o primeiro a dobrar estreito hoje conhecido pelo seu nome (o Estreito de Magalhães) e o primeiro europeu a navegar no Oceano Pacífico. Fernão de Magalhães morre nas Filipinas no curso daquela expedição, posteriormente chefiada por Juan Sebastián Elcano 1522.</P>
<P>
Alista-se com 25 anos na armada que foi à Índia, comandada por Francisco de Almeida, embora o seu nome não figure nas crónicas; sabe-se no entanto que ali permaneceu oito anos, que esteve em Goa, Cochim, Quíloa, que acompanhou Diogo Lopes de Sequeira a Malaca, viagem que acabou em naufrágio. No Oriente, Magalhães estabeleceu estreitas relações de amizade com Francisco Serrão, que veio a ser feitor nas Molucas; dele teria tido informações quanto à situação dos lugares produtores de especiarias.</P>
<P>
Tendo-se distinguido na defesa de Azamor, em que acompanhara o duque de Bragança, pediu a D. Manuel uma recompensa para seus feitos; mas os boatos que corriam sobre a maneira pouco escrupulosa como dividira as presas de uma incursão tinham chegado aos ouvidos do Rei. Este, apesar das suas justificações, e não o considerando culpado, não lhe concedeu as mercês pedidas.</P>
<P>
Em 1517 foi a Sevilha com Rui Faleiro, tendo encontrado no feitor da Casa de la Contratación da cidade um adepto do projecto que entretanto concebera: dar a Espanha a possibilidade de atingir as Molucas pelo Ocidente, por mares não reservados aos portugueses no Tratado de Tordesilhas e, além disso, segundo Faleiro, provar que as ilhas das especiarias se situavam no hemisfério castelhano. Com a influência do bispo de Burgos conseguiram a aprovação do projecto por parte de Carlos V, e começaram os morosos preparativos para a viagem, cheios de incidentes; depois da ruptura com Rui Faleiro, Magalhães continuou a aparelhagem dos cinco navios que, com 256 homens de tripulação, partiram de Sanlúcar de Barrameda em 20 de Setembro de 1519. A esquadra tinha cinco navios e era tripulada por 250 homens. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-43785">
<P>
Subida das águas dos rios e ventos fortes</P>
<P>
A Europa do avesso</P>
<P>
Rui Cardoso Martins*</P>
<P>
A maioria dos grandes rios da Europa Central -- Sena, Danúbio, Reno, Mosela --, alimentados por afluentes a subir hora a hora, ameaçavam ontem saltar dos seus leitos, inundando aldeias, vilas e cidades. As atenções viravam-se sobretudo para Colónia, na Alemanha, que esperava a inundação do centro histórico. A chuva e a neve, auxiliadas por ventos fortíssimos, fazem crescer as vítimas mortais em vários países.</P>
<P>
Regiões inteiras do Centro e do Norte da Europa continuavam ontem sob os efeitos devastadores das chuvas, quedas de neve e ventanias que já mataram pelo menos 14 pessoas e destruíram milhares de casas. À tarde, a água dos rios atingiu níveis críticos um pouco por toda a parte, com destaque para a cidade alemã de Colónia, cujo centro histórico estava prestes a ser invadido pelo Reno.</P>
<P>
O balanço provisório do desastre era já possível em vários países, sem que os meteorologistas conseguissem adiantar boas notícias. Em França, a passar pela pior tempestade dos últimos 150 anos, violentos golpes de vento mataram quinta-feira seis estudantes, entre os 17 e os 18 anos, e fizeram dois feridos, ao provocarem a queda de uma grua sobre uma escola de Toul, no Leste do país.</P>
<P>
Foram também encontrados três corpos no porto de Concarneau (Oeste), dentro de um carro que caiu à água. As rajadas atingiram os 108 quilómetros/hora. Às seis da manhã de ontem, em Paris, a água do Sena subira aos 4,17 metros, prevendo-se que não baixasse no fim-de-semana. A Alsácia foi duramente atingida, em particular nos arredores de Mulhouse. Os comboios ficaram paralisados. Na zona montanhosa dos Vosges, a chuva começara finalmente a ser substituída por neve, criando a hipótese de uma ligeira descida das águas.</P>
<P>
A tempestade varreu com extrema violência a Suíça, com rajadas que atingiram uma velocidade de ponta de 118 quilómetros horários. No cantão de Jura, o rio Doubs saiu do seu leito. Em Zurique, os golpes de vento chegaram aos 120 quilómetros, fazendo com que dois aviões Boeing 737 colidiram no aeroporto. Um Airbus A-310 da Swissair foi atirado contra um edifício, com prejuízos de vários milhões de francos suíços. Em Lucerna, a temperatura desceu aos dez graus negativos em apenas 15 minutos e várias zonas do país ficaram bloqueadas pela queda de árvores.</P>
<P>
Também a Áustria se encontrava numa situação difícil. Um cidadão alemão morreu e um bombeiro sapador austríaco ficou gravemente ferido na noite de anteontem para ontem, durante uma forte tempestade que causou importantes danos materiais no Noroeste do país. O tráfego ferroviário foi interrompido durante várias horas nos arredores a sul de Viena e perto de Salzburgo.</P>
<P>
Na Alemanha eram grandes a expectativa e o receio. Depois da morte de duas pessoas em acidentes ocorridos nas intempéries, os serviços de meteorologia previam para ontem à noite a inundação, pelo Reno, da zona histórica de Colónia, caso este galgasse os muros de protecção de dez metros de altura. A inundação chegou a ser dada como inevitável, mas a água mantinha-se a 26 centímetros do parapeito.</P>
<P>
Lenços de aviso</P>
<P>
Além do Reno, registaram subidas acentuadas durante o dia o Mosela (afluente do Reno), Meno, Danúbio, Fulda, Sar e Weser. Os meteorologistas esperavam para hoje e amanhã uma subida que irá ultrapassar as inundações de 1993, que tinham batido o recorde do século.</P>
<P>
Em Coblença, onde o Mosela encontra o Reno, cerca de sete mil pessoas estavam «encurraladas» em casa, cercadas pela água. Equipas de socorro utilizaram botes no transporte de residentes de e para as suas casas. De acordo com a polícia, muitos idosos recusavam-se a sair, optando por procurar abrigo nos pisos superiores das habitações.</P>
<P>
As equipas de socorro do estado federal da Renânia-Palatinado encontraram o corpo de um reformado, de 81 anos, afogado. No Land da Baixa Saxónia recuperaram quinta-feira o cadáver de uma criança de dez anos que foi arrastada pela corrente de um rio de encontro às rochas. Em Bona, o edifício do Parlamento está cercado por sacos de areia, colocados na tentativa de travar o avanço das águas do Reno.</P>
<P>
Aviões militares sobrevoavam as áreas inundadas para recolher informações sobre as proporções do desastre e poder dar o alerta em tempo oportuno às povoações em risco.</P>
<P>
Na Bélgica, um habitante da região de Alost (Centro) morreu na noite de quinta-feira quando lhe caiu o telhado do pombal em cima, com o vento. A situação em toda a frente de inundações também se agravou, em particular nas Ardenas, onde o rio Mosa continuava a subir a um ritmo de dois centímetros por hora, isolando completamente a cidade de Dinant.</P>
<P>
As autoridades da região pediram também aos habitantes que desejassem ser evacuados para colocar um lenço vermelho na fachada da habitação. Aqueles que precisassem de ser reabastecidos de víveres teriam que colocar um pano branco. Segundo informações do Ministério do Interior, a situação ainda não tinha chegado ao ponto catastrófico das enxurradas de Dezembro de 1993, mas poderá deteriorar-se bastante se a chuva continuar a cair nos próximos dias.</P>
<P>
Na Holanda, o mesmo Mosa, de 950 quilómetros, prosseguia a inundação de aldeias do Sudeste situadas nas suas margens. Em Maastricht, a garagem subterrânea do «Governo», a sede das autoridades provinciais onde foi assinado o Tratado da União Europeia, foi evacuada. A inundação estava prevista para ontem.</P>
<P>
Uma pessoa morreu e cerca de uma dezena ficaram feridas, algumas com gravidade, num choque colectivo de 20 viaturas numa estrada da Dinamarca, coberta de uma película de gelo, a leste da Jutlândia.</P>
<P>
Também na Grã-Bretanha, depois da neve que provocou o caos nas estradas do Norte e levou à morte de quatro pessoas, estavam a ser localizadas inundações em zonas do Sul do país.</P>
<P>
*com AFP, Reuter e Lusa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-28189">
<P>
Trinta fogos cooperativos vandalizados na Buraca</P>
<P>
Casas ao abandono</P>
<P>
Vidros partidos, portas arrancadas e estores desconjuntados é o cenário oferecido por um empreendimento cooperativo -- concluído há mais de dois anos -- a quem passa na estrada de Sintra, junto ao nó da Buraca. O conjunto habitacional, composto por dois edifícios de cinco pisos e cerca de 30 fogos, foi construído pela empresa Bucelato para a cooperativa Habijovem Lisboa e encontra-se completamente abandonado, à excepção de um apartamento onde está instalado um guarda. A obra foi financiada pelo Instituto Nacional de Habitação (INH) e orçou em perto de 200 mil contos.</P>
<P>
A ocupação dos imóveis, porém, nunca se verificou devido a problemas internos da cooperativa e à escassez de cooperadores interessados em adquirir casa num local com enormes problemas sociais, como é o caso do Bairro do Zambujal. O grosso dos fogos dessa urbanização foi feito pelo Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado para realojar famílias que antes residiam em barracas. O conjunto, ainda que recente, apresenta-se fortemente degradado, com os espaços públicos vandalizados e com uma elevada frequência de toxicodependentes.</P>
<P>
De acordo com informações recolhidas pelo PÚBLICO junto do INH, a cooperativa Habijovem Lisboa debate-se com uma profunda crise, a nível financeiro e de direcção, e tem-se deparado com enormes dificuldades para desbloquear o empreendimento do Zambujal. Ao todo estarão vendidos pouco mais de um terço dos fogos, mas nem sequer esses podem ser habitados, devido a problemas de licenciamento e a litígios com sub-empreiteiros que não terminaram alguns acabamentos. Entretanto, com o passar do tempo, crescem os custos de recuperação dos prédios, multiplicam-se os juros, aumenta o preço dos fogos e avolumam-se as dificuldades de os vender.</P>
<P>
A Habijovem Lisboa é uma das várias cooperativas criadas para facilitar o acesso dos casais jovens à habitação, de acordo com a legislação publicada para o efeito, e tem como principal responsável o arquitecto João Rosado Correia. A ideia inicial dos promotores das habijovens apontava para a o lançamento de uma rede nacional de cooperativas de habitação para jovens, mas o projecto acabou por ser abandonado, tendo algumas das cooperativas regionais sido desactivadas.</P>
<P>
No caso da Habijovem Lisboa, a situação actual é bastante complexa, na medida em que a Assembleia Geral não funciona -- existindo no seu lugar uma comissão de cooperadores -- e a direcção é assegurada apenas por João Correia. Além disso, os telefones que estavam em nome da Habijovem e serviam a sua sede, na Rua Jardim do Tabaco, foram cortados e substituídos por um outro que corresponde a uma assinante particular mas está instalado na cooperativa. O PÚBLICO tentou entrar em contacto com João Rosado Correia através desse número, sem nunca o ter conseguido ao longo da última semana.</P>
<P>
Quanto ao futuro dos 30 fogos do Zambujal, a direcção do INH, através do seu vogal Ponce de Leão, garante que está «aberta ao diálogo» e que tudo fará para viabilizar uma solução. Por agora há contactos com o presidente da cooperativa, com a comissão de cooperadores e com os empreiteiros, esperando-se que as partes cheguem acordo por forma a que os fogos possam ser ocupados.</P>
<P>
Segundo a mesma fonte do INH, o caso do Zambujal é o mais difícil que o instituto tem entre mãos, uma vez que o problema dos fogos cooperativos excedentários se atenuou fortemente desde há uma ano. «Em Agosto de 1993 havia uns 1500 fogos cooperativos por vender, o que constituía um forte motivo de preocupação. Presentemente esse stock está quase esgotado e restam disponíveis apenas uns 300 fogos no país inteiro», explica Ponce de Leão.</P>
<P>
O PÚBLICO apurou, entretanto, que a Câmara da Amadora, em cujo território se encontra o bairro do Zambujal, necessita de adquirir urgentemente umas dezenas de fogos para realojar as famílias que serão desalojadas pelas obras do Metro na zona da Pontinha. O que é curioso é que ainda ninguém a contactou nem a informou quanto à existência de 20 apartamentos por vender no bairro da Habijovem.</P>
<P>
José António Cerejo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-5400">
<P>
Vermelho</P>
<P>
Poluição no estuário do Sado -- A transferência da Lisnave para o Sado e consequente aumento de tráfego no porto de Setúbal, a agricultura e suinicultura nas margens do estuário, a transformação das salinas em viveiros de aquaculturas, os esgotos urbanos e a concentração industrial na Mitrena são factores de risco para a Reserva do Sado e para a população de golfinhos que ali habita. Sugeriram-se zonas de segurança onde se privilegiaria a conservação em vez do desenvolvimento industrial e estão em construção algumas estações de tratamento de efluentes, mas a pressão continua a ser superior às medidas de protecção.</P>
<P>
Marés negras -- Portugal continua na rota do perigo, sem mecanismos de vigilância capazes de evitar que os petroleiros limpem os seus tanques impunemente ao longo da costa portuguesa. Acordos assinados há muitos, mas as entidades que gerem a costa também são às dezenas. Investigação, prevenção e vigilância são instrumentos eficazes que estão ainda atrasados em Portugal.</P>
<P>
Vale da Telha -- É o pior exemplo do que se pode fazer em matéria urbanística. As entidades oficiais herdaram os erros feitos e vêem-se a braços com uma bota difícil de descalçar. O empreendimento sem infra-estruturas está agora a merecer um estudo de reconversão para a qual é preciso encontrar viabilidade técnico-económica. À destruição feita pelo betão ali colocado por Sousa Cintra o fogo veio dar o seu contributo. Os protestos aumentaram de tom quando o lucro com o corte indiscriminado da madeira ardida -- e também da não ardida -- foi parar aos cofres da câmara.</P>
<P>
Pressão urbanística sobre o litoral -- Apesar dos contínuos alertas e do esgotamento da imagem criada sobre a morte da galinha dos ovos de ouro, as pressões subsistem e alguns projectos continuam a ser aprovados pelas câmaras à revelia dos serviços das áreas protegidas. Outro drama são os compromissos existentes, difíceis de contornar sem que o Estado seja chamado à barra dos tribunais. Encontram-se soluções intermédias que, em áreas como o Sudoeste alentejano ou o massacrado Algarve, são tão desaconselhadas como deixar fazer tudo o que o empreiteiro desejava. A construção maciça nas áreas litorais contribui ainda para outros dois problemas: a falta de saneamento básico -- só agora a dar os primeiros passos -- e de abastecimento de água, duas dores de cabeça a que o Ministério do Ambiente tem destinados cerca de 100 milhões de contos.</P>
<P>
Turismo e conservação no Algarve -- Sessenta por cento do Algarve é área protegida, mas quase 100 por cento deste litoral é uma amálgama de oferta turística da má qualidade urbanística. Apesar das falências e dos prédios não totalmente ocupados, os projectos de construção continuam a chover nas câmaras e as aprovações percorrem caminhos ínvios. Conjugar turismo e conservação é a estratégia que todos defenderam diante do Presidente, porque o «turista quer bom ambiente», mas das palavras à realidade continua a dominar o gosto imediatista do lucro.</P>
<P>
Alqueva -- Apesar de a reforma da PAC suscitar sérias dúvidas sobre a valia agrícola que se retirará do Alqueva, o Alentejo desertificado continua a agarrar-se a esta barragem como a solução para todos os males, talvez por ser a única que alguém um dia lhe apresentou. Mas o erro da sua caríssima construção pode ser fatal para a região massacrada e contribuir para desfazer o último sonho dos alentejanos. À custa de investimentos públicos e locais (que poderiam ser canalizados para reais projectos de reconversão económica do Alentejo) e da destruição de valores ambientais e culturais.</P>
<P>
Desertificação do interior e crise agrícola -- É impossível falar de um problema sem falar do outro. O Portugal rural está agonizante e a reforma da PAC veio ainda mais acelerar o fim. O desenvolvimento faz-se, há muitos anos, no litoral e a tendência não parece inverter-se, antes agravar-se. Os habitantes do interior emigram desde sempre para as cidades e estrangeiro com regresso marcado apenas para Agosto. Haveria que rodar 180 graus e apresentar novas soluções que rivalizassem com a tendência generalizada de tentar salvar uma agricultura não competitiva a médio prazo. O interior é gestor de um património ambiental valiosíssimo que poderia fomentar novos turismos e novas agriculturas. Só é preciso ter a coragem de dar e assumir os instrumentos necessários a essa viragem de hábitos e mentalidades.</P>
<P>
Alpedrinha -- As decisões estão tomadas. Ao passar na Gardunha, o IP2 vai afectar irremediavelmente a bonita povoação de Alpedrinha. Sabendo como funciona o gabinete de Ferreira do Amaral, e uma vez que a «discussão pública» do traçado passou despercebida às populações, há poucas esperanças de alteração do traçado. Resta aguardar a resposta às queixas entregues na União Europeia. Mário Soares e o provedor de Justiça pronunciaram-se contra.</P>
<P>
Gestão hídrica em Portugal -- As principais críticas à gestão dos recursos hídricos portugueses assentam no facto de esta não se fazer por bacias, mas por regiões. Esta realidade traduz a bizarra divisão de responsabilidades sobre a água que se vive no país, uma vez que o planeamento é feito pelo Ministério do Ambiente e a gestão cabe ao gabinete do ministro do Planeamento. Outro problema é a inexistência de um Plano Hidrológico Português. O que se sabe é que, segundo o secretário de Estado do Ambiente, não estão previstas, no plano português em elaboração, transferências de água como em Espanha.</P>
<P>
Resíduos industriais -- Este é, sem dúvida, um dos maiores problemas ambientais ainda sem resposta. Apesar de certas empresas, como a Cires e a Quimigal, terem encontrado algumas soluções, a magna questão de tratar os resíduos tóxicos nacionais está adiada até se encontrar uma localização para a central. Depois do problema de Grândola, espera-se que, quando os estudos estiverem concluídos, no final deste ano, haja uma eficiente campanha de informação pública. Porque os solos e águas subterrâneas do país não podem esperar mais.</P>
<P>
Eucaliptos «versus» floresta portuguesa -- A plantação de eucaliptos e consequente destruição das poucas florestas como tais ainda existentes em Portugal -- o restante são monoculturas de árvores -- continuam a ter acérrimos defensores. Apesar da erosão dos solos e da destruição de habitats, do impulso que deu aos fogos e à desertificação rural e, finalmente, das dúvidas sobre a competitividade das celuloses portuguesas face à América do Sul, não se prevê uma racional contenção do plantio. Hoje são 500 mil hectares -- que se pensa serem mais do que suficientes --, mas que poderão vir a ser alargados dada a ausência de uma efectiva política florestal.</P>
<P>
Estudos de impacte ambiental -- A legislação existe, a União Europeia obriga, mas os estudos ou não são respeitados ou são pura e simplesmente falseados. Trata-se de um instrumento que poderia ser valioso, mas que continua a ser ignorado por quem manda nas obras que trazem maiores impactes ambientais: Ferreira do Amaral. Quando estes estudos deixarem de ser encarados como uma burocracia a ultrapassar ou um entrave ao desenvolvimento e passarem a ser vistos como um importante objecto de correctas políticas de ordenamento do território e do ambiente, talvez se chegue a algum lado.</P>
<P>
Monsanto: o problema das novas estruturas -- Sem se obrigar a licenciamento camarário, o Governo decidiu instalar aqui a cidade judiciária. Por sua vez, a Câmara de Lisboa, na gestão Abecasis, decidiu acolher em Monsanto o pólo universitário. É mais um bocado de mata que será engolido e, apesar dos «não pode ser» presidenciais, não é previsível que os responsáveis mudem de ideias. Só se um grande movimento popular conseguisse demover as cúpulas.</P>
<P>
A poluição das lagoas -- O incentivo à agro-pecuária nos Açores levou as pastagens a estender-se sobre as bacias hidrográficas das lagoas. O resultado foi desastroso: a fertilização química e os dejectos das vacas aceleraram o processo de eutrofização, revelando a necessidade de medidas urgentes para evitar que as lagoas se transformem em pântanos. Mas até agora pouco foi feito.</P>
<P>
Laurissilva ameaçada -- Nos Açores, a flora exótica guerreia diariamente com a flora autóctone, a laurissilva, que conta a história mais antiga do coberto vegetal do continente. A laurissilva, destruída pelas glaciações no continente europeu, sobrevive apenas nas ilhas atlânticas, mas nos Açores reduz-se a dez hectares. Há dois anos que se espera pela reclassificação das áreas protegidas no arquipélago, mas até agora ainda está tudo em estudo. As plantas infestantes continuam o seu caminho, livres para devastar o que resta do património florestal das ilhas.</P>
<P>
Ria do Alvor -- A Direcção-Geral de Portos, que aqui tem um brilhante exemplo da sua política de betonização e artificialização da costa, diz que agora é que vai recuperar os estragos que a construção dos molhes provocou. Um pouco tarde, considerando que a ria perdeu grande parte da sua beleza. É a política do remediar contra a do prevenir.</P>
<P>
Amarelo</P>
<P>
Costa Alentejana -- O cenário que já pairou sobre esta costa não podia ser pior. De Sines ao Burgau sucediam-se intenções iguais às que destruíram o Algarve. Depois fizeram-se planos e contiveram-se as construções, mas os Aivados não estão livres de perigo e casos como Vale da Telha continuam a ensombrar a costa mais selvagem da Europa. No entanto, muito se caminhou nos últimos dois anos e, se tudo não está a passos mais largos do sinal «verde», é porque ali falhou uma importante campanha de sensibilização e abundou a hipocrisia autárquica.</P>
<P>
Arqueologia subaquática -- Tanto na costa alentejana como em alguns pontos do Algarve, esconde-se debaixo de água um importante manancial arqueológico que poderia trazer o turismo de qualidade que tão apregoadamente se pretende para estas áreas. Os autarcas, acordados por alguns interessados no assunto, começam a aperceber-se da riqueza que têm à porta de casa, mas, como sempre, espera-se que a União Europeia dê a costumada ajudinha financeira</P>
<P>
Ponta da Piedade -- A erosão que se regista e as continuadas intenções de aqui construir fazem perigar a Ponta da Piedade. Mas um dos projectos foi cancelado e estuda-se agora, em conjunto com a Câmara de Lagos e o Ministério do Ambiente, o reordenamento da zona. Pelo menos, assim espera o Movimento Ecológico de Lagos, que encabeça o estudo.</P>
<P>
Aldeadávila -- A ameaça do depósito de resíduos nucleares no Douro Internacional ainda pesa sobre as populações fronteiriças porque, apesar das reticências da União Europeia, as autoridades espanholas nunca suspenderam o projecto e, pelo contrário, continuaram os testes geológicos. Soares tem esperanças de que o diálogo entre os dois países conduza a um entendimento, mas o perigo é grande.</P>
<P>
Plano Hidrológico Espanhol -- A ausência de um Plano Hidrológico Português, que contemple uma gestão conjunta das bacias internacionais, potencia os perigos dos desvios de água previstos no plano espanhol. A esperança de que o Douro, com as suas múltiplas barragens hidroeléctricas, não venha a ser altamente afectado reside na força do diálogo entre as autoridades portuguesas e as suas congéneres espanholas. O futuro dirá se este caso cairá no «vermelho» ou no «verde».</P>
<P>
Desvio do rio Tuela -- A resolução do desvio do Tuela parece mais simples do que o Plano Hidrológico Espanhol -- até porque não se insere nestas intenções --, mas, apesar de Soares argumentar que os compromissos entre os dois países datam da época fascista, o certo é que o país de Juan Carlos tem uma assinatura de Portugal a confirmar que o Tuela pode ficar em Espanha. Será outra vez o diálogo que poderá salvar a situação. O secretário de Estado do Ambiente assenta as suas esperanças nas reticências que forem colocadas durante o estudo de impacte ambiental, a realizar obrigatoriamente.</P>
<P>
Lobos em Montesinho -- Apesar de as populações de Montesinho não se revelarem tão hostis ao lobo como as do Gerês, a falta de pagamento das indemnizações aos pastores afectados faz perigar a protecção dos últimos representantes deste predador ibérico. O Parque Natural, entretanto, ajudou a proteger os rebanhos dos ataques dos lobos, mas é preciso mais do que a simples protecção desta espécie contra a vingança dos pastores. É, sim, necessário criar condições naturais para que a população destes animais atinja um nível estável, que assegure a sua sobrevivência.</P>
<P>
Poluição do Vale do Ave -- Os rios do Vale do Ave, contaminados por dezenas de fábricas têxteis, vêem agora uma luz ao fundo do túnel. Por um lado, devido ao encerramento de algumas unidades, por outro, devido ao esforço de tratamento de águas residuais, avaliado em 12 milhões de contos, que deverá estar pronto em 1995. Os municípios associaram-se e a União Europeia concedeu grande parte dos fundos necessários. Entretanto, também os resíduos sólidos estão na linha das preocupações.</P>
<P>
Desagrado contra as estações de tratamento -- A solução do problema anterior, se agrada a muitos, também desagrada a alguns. O problema reside na fobia do velho complexo NIMBY -- «Not in my backyard» ou «no meu quintal é que não». A falta de informação das populações sobre as estações de tratamento de resíduos sólidos e líquidos e, também, o exemplo de algumas experiências mal sucedidas transformam um excelente esforço de despoluição numa crise popular. A solução volta, como sempre, a residir na pedagogia.</P>
<P>
Lipor: reciclagem «versus» incineração -- O projecto Lipor II, que vem tratar dos resíduos sólidos do Grande Porto, é criticado por privilegiar a incineração em vez da reciclagem. Se é positivo o esforço de tratamento das toneladas de lixo que estas áreas superpovoadas produzem, é negativo ter-se instalado uma capacidade incineradora que esgota todos os resíduos acumulados, deixando assim de se tornar rentável retirar a este tratamento parte do lixo para reciclagem. No entanto, enquanto a população não for suficientemente educada para separar o lixo na origem e não se incentivarem as empresas de reciclagem portuguesas, este objectivo não vai ser alcançado.</P>
<P>
Educação ambiental -- Na década de 70, alguns pioneiros começaram, de escola em escola, a falar às crianças, pela primeira vez, na temática ambiental. Passados 20 anos, a sua inserção na vida escolar depende, quase exclusivamente, da menor ou maior sensibilidade dos professores. Já se caminhou muito, mas a meta está longe, porque o sistema escolar ainda não conseguiu impregnar-se desta nova/velha atitude em relação ao meio que nos rodeia. A mentalidade, em Portugal, continua estagnada, retrógrada e ambientalmente analfabeta.</P>
<P>
Ria de Aveiro -- A poluição química e industrial, os efluentes urbanos, a ocupação extrema da costa, as salinas transformadas em aquaculturas e o assoreamento são alguns dos problemas que afectam a ria de Aveiro. Para os primeiros há um projecto, proposto pela Câmara de Estarreja, que consiste na mistura dos diversos tipos de poluição originados pelas fábricas que, depois de juntos, se anulam. Para os restantes efluentes, há algumas obras feitas e 12 milhões de contos para a segunda fase do projecto de despoluição integral da ria, do qual ainda falta fazer muito. Os problemas seguintes são objecto de medidas estilo «bombeiro» ou puramente ignorados. Resta também um projecto, por enquanto no papel, para desassoreamento. A ria terá ainda de esperar uns bons anos, mas até lá poder-se-ia, se houvesse vontade, classificar algumas zonas que sobreviveram miraculosamente aos sucessivos ataques.</P>
<P>
Baixo Mondego -- O grande erro foi cometido durante a gestão de Mário Soares. O rio transformou-se num canal, as árvores morreram privadas de água e os agricultores ainda protestam que o emparcelamento não foi concluído e que a obra só serviu a construção civil e as celuloses. O Governo está a tentar minimizar os impactes causados, mas a obra vai prosseguir porque falta o canal periférico esquerdo. Os ambientalistas pedem que tudo seja feito de outra forma, mas não parecem ser estas as intenções do Estado. Por seu lado, a Direcção-Geral de Portos quer intervir no estuário, o que poderá vir a traduzir-se noutro erro monumental. Mesmo o emparcelamento agrícola não está a correr da melhor maneira, dado que não se prevêem as cortinas arbóreas para o vento. O Baixo Mondego só não está «vermelho» porque talvez ainda se consigam inverter as tendências.</P>
<P>
Cimpor e conservação geológica -- O tesouro geológico que os terrenos da Cimpor no cabo Mondego encerram talvez possa travar a exploração de calcário na serra da Boa Viagem. Certo é que, daqui a dez anos, a Cimpor fechará, mas o ideal era que o fizesse agora, como defendeu Soares. A câmara também terá que deixar de encher de lixo as feridas que a empresa deixa na serra.</P>
<P>
Fogos -- Apesar de, desde há dois anos, a área ardida vir a diminuir, é visível que, se todos os instrumentos de prevenção e combate fossem utilizados, o número seria menor. Este ano aumentou o dinheiro dado às corporações, mas a desertificação do interior, os terrenos acidentados, a monocultura de árvores, a não limpeza das matas e a mão criminosa acumulam nuvens cinzentas em cima da sobrevivência da floresta portuguesa.</P>
<P>
Poluição das celuloses -- As emissões das celuloses, através do seu próprio esforço e dos dinheiros europeus, foram reduzidas de quatro para um -- com excepção para a Celbi, que ainda não respeita os parâmetros definidos. Em contrapartida, esta é a primeira empresa que substituiu, no seu processo de branqueamento da pasta, o cloro pela oxigenação. Teresa Gouveia anunciou, na visita presidencial, que o próximo contrato-programa a celebrar entre as celuloses e o Governo será, precisamente, sobre a substituição do uso do cloro por tecnologias menos agressivas, como é a oxigenação. Finalmente, será construído um emissário submarino, que enviará para o oceano o esgoto negro pleno de matéria orgânica, o qual, apesar de já tratado pelas estações de tratamento, fere a vista na praia da Leirosa.</P>
<P>
Poder local e ambiente -- Uns dizem-se sensibilizados -- e até há alguns, poucos, que o demonstram --, outros desculpam-se com a falta de dinheiro e com o facto de só as construções lhes darem dinheiro. Resumindo e concluindo, a maioria apenas sabe que o ambiente custa dinheiro e, já que está a chegar um filão da União Europeia, esta é uma boa causa por que obter mais uns ecus. Esquecem-se de que a fonte fechará um dia e que o tal produto de luxo chamado ambiente mais não é do que a terra que vão legar aos filhos.</P>
<P>
Caça -- É o grande tema relegado para segundo plano durante a Presidência Aberta. A falta de uma legislação eficaz -- apesar de a última lei da caça, de 1992, ter dado alguns passos importantes -- é o principal problema, e a gestão das licenças feita por entidades que são também parte interessada causa grandes bicos-de-obra. Acrescem a falta de bons planos de ordenamento para as reservas de caça e o controlo de predadores nas zonas de caça especiais que é feito sem vigilância. A proibição de caçar em áreas protegidas foi o clamor deixado pelas associações ambientalistas.</P>
<P>
Poluição no Lis e suiniculturas -- A poluição do Lis, para a qual as suiniculturas contribuem em grande parte, está a ser alvo de um grande esforço de construção de estações de tratamento de águas residuais. Mas há muitas explorações sem licença sanitária e levantam-se dúvidas sobre se este negócio continuará rentável. Caso contrário, estarão a fazer-se obras para empresas que vão à falência, caindo no colo dos restantes o custo acrescido de gestão das estações de tratamento.</P>
<P>
Inquinação de águas subterrâneas na serra d'Aire -- Como se encontrava sempre uma fenda quando se construía uma casa, o costume era fazer aí todos os despejos. Passados os anos, em tempos menos chuvosos, todos estes esgotos acabaram por sair pela torneira dos habitantes. Sem água potável, o abastecimento em certas zonas faz-se por autotanque. Os protocolos de saneamento básico e abastecimento estão assinados e as promessas dizem que tudo vai arrancar. Mas a população está céptica -- afinal foram 30 anos à espera.</P>
<P>
Resíduos dos curtumes em Alcanena -- De cima parece que Alcanena tem centenas de laguinhos azuis, mas tudo não passa de montes de raspas da indústria de curtumes contaminadas por crómio. Os aterros para estes resíduos industriais e para as lamas da estação de tratamento de águas residuais já estão quase concluídos, pelo que este parece um problema prestes a ser resolvido. Tudo custou quase dois milhões de contos ao programa europeu Envireg.</P>
<P>
Despoluição do Alviela -- Dezembro de 1996 é a última data do programa para a despoluição do Alviela. Algumas das acções já estão concluídas, mas a redução da carga poluente do rio, através de estações de tratamento nas indústrias, é algo que só para finais deste ano se poderá ver. Saturado de esgotos, o rio fica reduzido a águas residuais quando no Verão a EPAL decide actuar nos Olhos de Água, retirando o precioso líquido para dar a Lisboa. As populações aguardam há três anos a conclusão das obras deste enorme sistema integrado de tratamento de efluentes.</P>
<P>
Verde</P>
<P>
Projecto transfronteiriço Algarve/Andaluzia -- É um projecto do eurodeputado socialista João Cravinho que já ganhou os apoios necessários em Bruxelas (20 mil contos) e os dos municípios. O objectivo é promover um estudo conjunto de Portugal e Espanha sobre as potencialidades de desenvolvimento que contemplem a vertente ambiental. Tudo isto para emendar erros cometidos.</P>
<P>
Defesa do Guadiana e criação da área de paisagem protegida -- Encabeçado pela Associação de Defesa do Património de Mértola e pela câmara, o projecto de criação de uma área protegida com gestão local no Vale do Guadiana foi desbloqueado poucos dias antes da Presidência Aberta. Será o primeiro com estas características a ser criado no âmbito da nova lei-quadro sobre as áreas protegidas</P>
<P>
Tejo Internacional -- O grande projecto da Quercus nesta área vai ser recompensado com a sua classificação como parque natural. Também desbloqueado antes da Presidência Aberta, este processo deixa para trás uma luta incansável da associação contra a caça e a eucaliptização da zona e pela protecção de espécies classificadas internacionalmente. No entanto, e apesar de a Quercus o ter feito ao longo dos últimos quatro anos, é preciso intensificar a sensibilização junto das populações. Dadas as pressões existentes, é urgente acelerar o processo de classificação.</P>
<P>
Serra da Nogueira como parte do Parque Natural -- Como aconteceu no Guadiana, também aqui são as populações a pedir a classificação desta serra, que por enquanto está fora dos limites do Parque Natural de Montesinho. A protecção do carvalho negral e a compreensão de que uma área protegida, ao invés de atrapalhar, pode ser motor de desenvolvimento para as populações motivaram o pedido, que foi bem aceite pelo Ministério do Ambiente.</P>
<P>
Parques biológicos -- O excelente exemplo dado pelo responsável do parque biológico de Gaia, um oásis natural no meio da urbanizada região do Porto e precioso em matéria de educação ambiental, foi agarrado por Carlos Pimenta, que sugeriu aos municípios a criação de uma rede nacional de parques biológicos. O repto está lançado e para o concretizar não são necessárias grandes fortunas. Perguntem em Avintes.</P>
<P>
Recuperação de aldeias serranas -- Na Lousã, já são duas as aldeias abandonadas que estão a ser recuperadas. Vai ser dada uma ajuda extra, através de um protocolo, já assinado, entre a entidade responsável pela recuperação -- a Associação para a Recuperação de Crianças Inadaptadas da Lousã --, a Câmara da Lousã e o Instituto Florestal, para formar guias da natureza e educadores ambientais, a operarem no âmbito do projecto das aldeias da Silveira.</P>
<P>
Os baleeiros açorianos -- A caça às baleias foi proibida, em 1981, apesar de os moldes artesanais em que esta era feita nos Açores já não assegurarem a competitividade, e portanto a concorrência, dos baleeiros em relação aos seus congéneres internacionais. Hoje, os museus e o negócio turístico da observação destes mamíferos levam centenas de pessoas às ilhas, favorecendo um negócio rendoso e completamente pacífico.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-30606"> 
<P>TROPA DE ELITE, OSSO DURO DE ROER, PEGA UM PEGA GERAL, TAMBÉM VAI PEGAR VOCÊ!</P>
 <P>Ontem, na esquina de casa, um camelô estendia seus murais com capas de DVDs mal impressas. Passei por ele sem me importar, era apenas mais um desses caras que atrapalham o nosso caminho pelas calçadas. Continuei rumo à sessão das 19h no Espaço de Cinema em Botafogo.</P>
 <P>Trinta passos adiante parei e lembrei do recente caso "Tropa de Elite: o filme tinha vazado no pirata, e desde o início da semana estava sendo vendido nas ruas do Rio. Titubeei um pouco, podia perder a sessão no cinema, mas acabei voltando para conferir os títulos que o camelô oferecia.</P>
 <P>Cheguei devagar, olhando meio de longe, um pouco constrangido, confesso. Ainda sou dessas pessoas que têm um certo pudor em ficar ali, cara a cara com o pirata. Logo encontrei dois títulos nacionais: Xuxa Gêmeas e Ó paí ó. Perguntei se ele tinha Tropa de Elite, o rapaz branquelo, com cara de rapper zona sul, boné e bermudão Billabong respondeu:</P>
 <P>- Com certeza! Tem sim.</P>
 <P>Quis saber mais sobre o filme, como se só tivesse ouvido falar através do burburinho das ruas:</P>
 <P>- Ah, esse não é o filme que teve os armamentos roubados no "Chapéu Mangueira"?</P>
 <P>- É esse mesmo. É com o Olavo da novela.</P>
 <P>- Que Olavo?</P>
 <P>- O Wagner, Wagner Moura.</P>
 <P>- Ah legal, então é esse mesmo. Quanto é?</P>
 <P>- É cinco.</P>
 <P>- E a qualidade é boa?</P>
 <P>- É sim, é DVD mesmo, não é VCD não. Mídia roxinha!</P>
 <P>- Tá completo ne? Não falta cena não!?</P>
 <P>- Completo!</P>
 <P>- Beleza então, se a qualidade não for boa eu volto aqui amanhã e troco.</P>
 <P>- Tranqüilo, tá garantido.</P>
 <P>E tava mesmo. A qualidade realmente era perfeita, som e imagem de primeira, cartelas e intertítulos em inglês! Só faltaram os créditos finais.</P>
 <P>Nessa, o camelo parou pra olhar uma conversa meio estranha que seu companheiro de banca travava com um sujeito meio cara de PM à paisana. Ficou ali, meio de esguelha, prestando atenção, e eu, ao lado, esperando o produto. Parecia que a conversa alheia fechava alguma combinação. Cutuquei:</P>
 <P>- E aê, tem o Tropa de Elite ou não? - perguntei de novo, querendo sair logo pro cinema.</P>
 <P>- Tem sim. Sai um Tropa aí - disse o branquelo pro chapa.</P>
 <P>O comparsa foi lá numa bolsa preta e pegou lá um plástico com uma folha mal impressa que trazia Tropa de Elite escrito com uma fonte meio "Linha Direta" e umas fotos não identificáveis que deviam reproduzir cenas do filme. Dentro vinha o DVD da "mídia roxinha", abri pra constatar. Me entregou logo dizendo:</P>
 <P>- Também tem aquele ali, com o Lázaro Ramos, "Ó pái ó".</P>
 <P>- Ó Paí ó, to ligado, esse eu já vi - o que não era verdade, só para não estender mais a transação.</P>
 <P>- Também tem o Caixa Dois, sabe qual é?</P>
 <P>- Sei sim, mas hoje só quero o Tropa mesmo - já quase íntimo do filme do Padilha.</P>
 <P>Paguei e fui pro cinema pensando na tamanha facilidade com que aquele filme tinha parado nas minhas mãos por 5 pratas, menos que um big mac...no esforço que devia ter sido fazer tudo aquilo: levantar a história com os Bopes, roteirizar em zilhões de tratamentos, reservar o espaço na agenda de caras como Tulé Peak (diretor de arte), Braulio Mantovani (roteirista) e Daniel Rezende (montador) - não por acaso, o mesmo trio ternura por trás de Cidade de Deus -, e além disso, aprovar o projeto, captar, produzir, filmar, ter as filmagens paralisadas pelo roubo de todo o armamento cenográfico, artefatos que protagonizam o filme do início ao fim, e ainda finalizar, negociar a comercialização, traçar uma estratégia de marketing, etc. Uma trabalheira danada. E depois de tudo isso, ver um pedaço mutilado do seu "filho" de 3 anos parar na mão de geral por 5 real (a versão que circula é que a cópia vendida pelos ambulantes é o segundo corte do filme, que já estaria na 16ª versão da montagem).</P>
 <P>É um caso inédito para o cinema brasileiro, e talvez para a Polícia também. Um filme que desperta tal interesse do público, de forma tão espontânea, que ganha as ruas pela via da ilegalidade antes do seu lançamento nos cinemas, numa avassaladora "não-ação" de marketing viral, ou numa curiosa referência àquilo mesmo de que trata sua história. O vazamento da cópia já está sendo investigado pela própria Polícia. Haja metalinguagem cinematográfica!</P>
 <P>Resta saber como isso vai repercutir daqui pra frente. Vai ser bom ou não? Quem pode ter certeza sobre o que o diretor José Padilha diz à Folha de S. Paulo: "que ninguém sabe o efeito que as vendas piratas terão sobre a bilheteria do filme, mas acredita na chance de não haver prejuízo à performance da venda de ingressos, já que, analisa, o público do DVD pirata é um e o dos cinemas, outro." Ou será que o boca a boca vai fazer o filme estourar? Vai virar reportagem do Fantástico? Ganhar as páginas policiais dos jornais mais uma vez?</P>
 <P>Mídia espontânea ou um baita furo pirata, ninguém pode dizer ainda. O que dá pra comentar do lado de cá é que o filme é brilhantemente aterrador. Um thriller que combina a crueza esquemática de Notícias de uma guerra particular e a cinematografia exuberante de Cidade de Deus. Esse é só o começo de uma grande História que vem por aí. Em breve, num cinema perto de você.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-38834">
<P>
A oposicionista Aung San Suu Kyi estava presa sem julgamento há seis anos no Sudeste Asiático </P>
<P>
Das agências internacionais </P>
<P>
O governo de Myanma libertou ontem a líder oposicionsita Aung San Suu Kyi, mantida sob prisão domiciliar durante quase seis anos.</P>
<P>
As autoridades de Myanma (ex-Birmânia, Sudeste Asiático) nunca julgaram Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz em 1991.</P>
<P>
Às 16h30 de ontem (10h em Brasília), o vice-diretor do serviço de inteligência, coronel Kyaw Win, foi à casa dela, na avenida universitária de Yangon (a capital, antes chamada Rangum) e informou à militante que a junta militar que governa o país havia decidido sua libertação.</P>
<P>
Segundo a agência de notícias japonesa "Kyodo", Suu Kyi, 50 anos, está livre para visitar qualquer pessoa e viajar a qualquer ponto de Myanma.</P>
<P>
"Alguns agentes continuam vigiando sua casa a pedido dela, mas Suu Kyi já é uma cidadã como qualquer outra", disse o coronel Win.</P>
<P>
Ela foi presa no dia 20 de julho de 1989, com base em uma lei anti-subversão de 1975. Ontem, antes do anúncio oficial, opositores exilados anunciaram que sua libertação era iminente, já que hoje seria o prazo limite estabelecido pela lei para sua libertação.</P>
<P>
Suu Kyi é filha de um dos heróis da independência da Birmânia e foi presa após enfrentar os dirigentes do país com uma série de discursos.</P>
<P>
O atual regime militar está no poder desde 1988, sucedendo a outro regime autoritário, derrubado após protestos pró-democracia.</P>
<P>
O partido de Suu Kyi, a Liga Nacional Democrática, venceu as eleições gerais de maio de 1990, mas os militares não reconheceram o resultado da votação e se recusaram a entregar o governo.</P>
<P>
A Anistia Internacional, organização pró-direitos humanos com sede em Londres, pediu a libertação de outros 40 presos políticos no país. Há 20 deputados presos, eleitos em 1990.</P>
<P>
"A situação dos direitos humanos em Myanma continua desesperadora", diz em comunicado.</P>
<P>
A libertação de Suu Kyi é vista por analistas financeiros como uma concessão do governo de Myanma para atrair mais investimentos externos. Como seus vizinhos do Sudeste Europeu, Myanma é um dos chamados novos tigres asiáticos, mas tem perdido investimentos para o Vietnã.</P>
<P>
A libertação de Suu Kyi contribuiu para romper o isolamento político do país, que deixou de receber ajuda internacional em 1988.</P>
<P>
"Mas ainda falta um longo caminho", diz Anthony Goldstone, do grupo Unidade de Inteligência Econômica.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-17730">
<P>
Na área do Patriarcado de Lisboa</P>
<P>
Estudo revela hábitos dos ciganos</P>
<P>
Um estudo sociodemográfico sobre a população cigana, elaborado pelo Secretariado Diocesano de Lisboa, foi divulgado ontem, no grande auditório da Torre do Tombo. A ser em breve publicado, o trabalho revela os hábitos de cerca de seis mil ciganos, na sua maioria jovens, que vivem na área do Patriarcado da capital.</P>
<P>
«Ao contrário da maioria dos países ocidentais, Portugal não tem um levantamento exaustivo e credível de toda a população cigana», que, segundo Fernanda Reis, secretária diocesana, «constitui uma minoria étnica de que muito se fala», mas na verdade muito pouco se sabe, em particular quanto à sua «realidade económica, social, habitacional e de estádio cultural».</P>
<P>
Para remediar esse «problema», o Secretariado vai em breve publicar o estudo já divulgado. O projecto, realizado no âmbito do apoio/financiamento do Fundo Social Europeu, baseia-se no contacto directo com a população cigana na área do Patriarcado de Lisboa e, segundo Fernanda Reis, «vem confirmar que a comunidade é realmente sedentária».</P>
<P>
De acordo com o estudo, «as más condições de vida, falta de dinheiro e toxicodependência» são os grandes «conflitos» da comunidade de 6043 ciganos (51 por cento homens), cuja faixa etária é, maioritariamente, jovem. A maior percentagem concentra-se na capital, seguida dos concelhos de Loures, Amadora, Cascais e Sintra.</P>
<P>
A maioria das 1446 famílias ciganas estudadas são casais. Nos 206 agregados familiares monoparentais, a maioria é constituída por viúvas. O casamento precoce, quase sempre entre os 16 e os 20 anos (sobretudo raparigas), realiza-se entre indivíduos da mesma etnia, embora apenas 46,99 por cento corresponda a uniões consanguíneas. A média de filhos por casal é de 3,94.</P>
<P>
«A instituição escolar parece estar fora do universo de preocupações de um número considerável de famílias», diz o estudo. O grupo de ciganos entre os dez e os 15 anos, em que não existem jovens com o 9º ano, apresenta taxas gerais de analfabetismo muito elevadas. Sobretudo os mais velhos e as raparigas. A partir dos 16 anos, a população é na sua maioria analfabeta, e quanto mais idosa, pior. A língua cigana, o caló, também só é falada fluentemente por 17,72 por cento da comunidade, em particular pelos homens.</P>
<P>
A venda ambulante, sem licença, é a principal ocupação dos ciganos, a partir dos 16 anos. Quase 80 por cento dedica-se a esta actividade com carácter permanente. A maioria dedica-se, pelo menos, a mais um trabalho.</P>
<P>
Os ciganos, sobretudo quanto às crianças -- porque quase todas são vacinadas --, dizem-se saudáveis. Muito poucas mães recorrem a consultas de planeamento familiar ou vão ao médico durante a gravidez. A maioria dos partos é em maternidades ou hospitais. O reumatismo e problemas cardiovasculares surgem como as principais doenças. Beneficiários da Caixa de Previdência são 76,03 por cento da comunidade.</P>
<P>
A grande ambição de 72,91 por cento dos inquiridos é ter «uma casa melhor». Barracas e casas sociais são as principais habitações. Em bairros de luxo vivem 1,6 por cento. Em vilas e pátios vivem 3,7 por cento. A falta de sanitários, água, duches, contrapondo a existência de muitos ratos, são as principais reclamações.</P>
<P>
No campo religioso, apesar da falta de uniformidade -- com incidência na Igreja Evangélica de Filadélfia --, todos se dizem profundamente cristãos: o Natal e o S. João são as festas com maior significado.</P>
<P>
Muito viajados, os ciganos dão largas à sua formação musical. Cerca de dez por cento toca um instrumento. À semelhança dos «familiares» Gipsy Kings, mais os homens que as mulheres.</P>
<P>
Diana Araújo</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-16505">
<P>
Especialistas preocupados com o futuro</P>
<P>
É preciso outro conceito de "velhice"</P>
<P>
Paula Torres de Carvalho</P>
<P>
O envelhecimento da população deixou de ser entendido apenas numa perspectiva demográfica e está cada vez mais a ser analisado como grande questão social do futuro. As suas consequências observar-se-ão sobretudo ao nível da organização do mercado de trabalho, de novos problemas para a Segurança Social e de uma agudização do conflito de gerações.</P>
<P>
As sociedades europeias de hoje terão necessariamente de se organizar de forma diferente para responder ao crescente desafio colocado pelo envelhecimento das suas populações. Em quase toda a Europa se observa um declínio dos níveis de fecundidade, a par com um aumento da esperança de vida que resultam num número cada vez maior de idosos.</P>
<P>
Uma das principais consequências desta progressiva mudança verificar-se-à principalmente ao nível das novas exigências que se colocarão à Segurança Social, sobretudo no que se refere a financiamentos. Prevê-se que, a médio prazo, o número de trabalhadores, cada vez mais velhos, não será suficiente para pagar as pensões aos reformados. A tendência, já observada em vários países, é para que o Estado aumente os impostos. O conflito de gerações agudizar-se- à, com os idosos a exigir maior protecção social, o trabalhador activo a protestar contra o aumento da carga fiscal e os jovens a querer preservar o seu estatuto privilegiado na sociedade.</P>
<P>
O envelhecimento da população transforma-se assim num verdadeiro problema social cujos efeitos se começam já a notar.</P>
<P>
Portugal não é excepção. Segundo números recentes do Instituto Nacional de Estatística, da população total do país que, em 1991 era de 9 862 670, há cerca de 1,4 milhões de portugueses com mais de 65 anos que constituem 14 por cento da população e as previsões apontam para que este número aumente para 20 por cento no ano 2020. Os mesmos dados indicam que a percentagem de jovens desceu de 40,5 para 30,1 por cento. Este fenómeno começou a adquirir maior dimensão na última década que assinala uma descida de 26 para 21 por cento do número de jovens, sendo nos arquipélagos dos Açores e da Madeira onde mais se acentua o envelhecimento.</P>
<P>
Este explica-se igualmente pelo aumento da esperança de vida. Segundo as estatísticas da Saúde referentes a 1991-92, embora a taxa de mortalidade tenha aumentado, morre-se cada vez mais tarde em Portugal. Mais de setenta por cento dos óbitos registados em 1991 correspondem a indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos.</P>
<P>
Por outro lado, o declínio dos níveis de fecundidade em Portugal contribui também para o aumento do envelhecimento. As estatísticas referem que a «descendência média» dos portugueses é de 1,4 filhos (a média comunitária é de 1,6 filhos) observando-se simultaneamente no país a taxa de mortalidade infantil mais elevada da Europa.</P>
<P>
Os efeitos do envelhecimento demográfico verificar-se-ão inevitavelmente ao nível da economia. Como refere Maria João Valente Rosa, professora de sociologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o fenómeno «pode ter consequências imediatas indesejáveis sobre a economia.»</P>
<P>
Num artigo intitulado «O desafio social do envelhecimento demográfico» publicado na revista «Análise Social», Maria João Rosa refere que o direito à segurança social e a generalização das reformas são factos que apontam a continuidade do aumento das despesas sociais para com as pensões de velhice. O acréscimo dos montantes das pensões, bem como daqueles que a estas têm direito, o aumento da esperança de vida que alarga o período de benefício das reformas e o maior número de beneficiários são algumas das razões que justificam esse aumento de despesas.</P>
<P>
Esta situação pode, na sua perspectiva, «conduzir a um conflito entre gerações», já que o financiamento das pensões é feito através da «repartição alargada.» Desta forma, as contribuições dos trabalhadores ou das empresas empregadoras são imediatamente transformadas em pensões. Para Maria João Rosa, esta técnica»resulta numa solidariedade geracional» e «supõe a existência de um equilíbrio anual entre quotizações (obtidas sobre os rendimentos de trabalho) e prestações (dirigidas aos reformados)».</P>
<P>
Segundo afirma, o factor demográfico é um dos três factores (além do económico e do sócio-político) que intervêm sobre essa forma de equilíbrio financeiro. Quando se verifica uma deterioração da relação idade pós-activa (beneficiária) e idade activa(contribuinte) em consequência do envelhecimento da população, esse equilíbrio é afectado, considera a socióloga.</P>
<P>
Na base de toda esta questão está contudo, na sua opinião, o próprio conceito de velhice, baseado em critérios de idade e de estatuto. «Os velhos encontram-se colectivamente identificados com um determinado grupo de idade com direito a prestações financeiras como contrapartida da perda do estatuto de activo, representando, enquanto tal, um subcapital humano porque `obsoletos' em termos económicos e dependentes financeiramente da sociedade» -- afirma.</P>
<P>
Um dos efeitos desta ideia socialmente estabelecida «é o agravamento de situações de marginalidade social.» Na sua perspectiva, «Em vez de uma concepção integrada do ciclo de vida, verifica-se uma ruptura artificial entre dois momentos da vida e duas idades: activa e pós-activa». E é principalmente pelo «peso daqueles que são discriminados socialmente em função de um critério discutível, porque arbitrário: a idade» que o envelhecimento demográfico terá «efeitos perversos sobre o equilíbrio social.»</P>
<P>
Considerando que o processo de envelhecimento biológico é diferente consoante os indivíduos, bem como as manifestações de redução da capacidade produtiva, Maria João Rosa defende que a este motivo é cada vez «menos pertinente» para justificar a situação de inactividade e de dependência financeira que caracteriza a chamada «terceira idade».</P>
<P>
Para repôr o equilíbrio, poderão ser adoptadas várias medidas, já aplicadas em alguns países, como o aumento da idade de reforma, da taxa ou do período de quotização ou a diminuição dos montantes das reformas. A longo prazo, contudo, estas iniciativas podem revelar-se insuficientes, caso se mantenha o envelhecimento demográfico. O agravamento do esforço contributivo ou a redução dos benefícios financeiros aos idosos, favorecem, na opinião da socióloga, «a emergência de uma luta de interesses, não entre classes, como no passado, mas entre gerações.»</P>
<P>
A esse propósito, Manuel Nazareth, professor catedrático, estudioso desta matéria, defende a necessidade de criar um novo conceito de solidariedade entre gerações, para conseguir conciliar a «atitude crescente de individualismo e de excesso de liberalismo com a necessidade de justiça social». s mosaico 30/3 2385</P>
<P>
No fundo do Lago Ness</P>
<P>
A vontade de encontrar o «monstro» que se diz habitar o lago Ness, na Grã-Bretanha, é tal que todos os métodos parecem bons. Um submarino especialmente preparado para os turistas em busca da arisca «Nessie» foi ontem lançado às águas profundas e lodosas do Ness. Os 5 curiosos que cabem em cada viagem só têm que pagar uns módicos 18 contos para explorarem o lago e descerem mesmo até aos 230 metros. Pelo formato dir-se-ia um autocarro submarino, todo branco, com os seus mais de dez metros e as suas 24 toneladas, e com os passageiros a poderem estar de pé, uma vantagem, já que deve ser difícil mantê-los sentados. Contudo, o bilhete não é garantia de se ver tão evasivo ser. As receitas vão financiar o Centro de Pesquisas que o «Monstro do Loch Ness» já merece e, entre passeios turísticos, o submarino, já alcunhado «máquina do tempo», vai explorar a geologia do lago desde há 12 mil anos. Mas nada de procurar o «monstro», visto a primeira vez nos idos de 1868. Para já, existe quem se queira casar a bordo do autocarro submarino e no mais fundo do Ness, e outros, mais ousados, querem alugá-lo para encontros amorosos, o que parece ser difícil, dada a necessidade de tripulação a bordo. Fora isto, já há, apesar do preço, 500 reservas e, se se pensar que os turistas anuais são qualquer coisa como 500 a 600 mil, o negócio parece garantido.</P>
<P>
El Raco recomenda-se</P>
<P>
Já alguma vez foi ou sabe onde fica o restaurante El Raco de Can Fabes? Se a resposta for não, é altura de ficar a saber, já que ele recebeu a classificação máxima do Guia gastronómico francês Michelin. O restaurante da cidade catalã de San Celoni, a 49 quilómetros de Barcelona, na vizinha Espanha, tornou-se o terceiro com três estrelas em Espanha, o que o deixa ao nível dos 20 grandes restaurantes franceses. E atenção, porque se a Espanha vê 100 dos seus restaurantes recomendados, nós só lá temos seis.</P>
<P>
O elefante da Páscoa</P>
<P>
Os ingleses, influenciados pela época, andam a tentar descobrir o mais original consumidor de ovos de chocolate. Ora, a mais recente inscrição é nada menos que uma elefanta grávida. É que a futura mãe, aceite a concurso pela firma de chocolates que o lançou, habituou-se a comer chocolate quando engravidou e não passa sem um como guloseima. Para já, parece bem colocada para ganhar.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-73091">
<P>
A ativista birmanesa Aung San Suu Kyi (foto), vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, visitou ontem o túmulo de seu pai. Foi a sua primeira aparição pública desde que as autoridades de Myanma a liberaram da prisão domiciliar a que esteve submetida por seis anos. Não houve incidentes.</P>
<P>
Polícia argentina vê ligação com atentado </P>
<P>
O comissário Pedro Klodczyk, ex-chefe da polícia da Província de Buenos Aires, admitiu que dois agentes mantinham ligações com Carlos Alberto Telledín, o único acusado pelo atentado à entidade judaica Amia, há um ano. A Justiça convocou para depor o rabino norte-americano Avi Weiss, que acusou membros do governo de estarem envolvidos no atentado.</P>
<P>
Empregado mata colegas nos EUA </P>
<P>
Um empregado da Prefeitura de Los Angeles ( Costa Oeste dos EUA) matou quatro colegas de trabalho ao entrar atirando no prédio em que trabalhava. Ele foi preso. A polícia não divulgou sua identidade e disse que ele estava "descontente" com seu emprego. Houve pânico no local.</P>
<P>
Berlusconi anuncia venda de canal de TV </P>
<P>
O empresário Silvio Berlusconi deve anunciar hoje a venda de parte de sua rede de TV para um grupo estrangeiro. Especula-se que os compradores sejam o príncipe saudita Al-Ualid, o sul-africano Johann Rupert e o alemão Leo Kirsch. Devem ser vendidos entre 20% e 30% das ações. O irmão de Berlusconi, Paolo, foi interrogado ontem. Ele é acusado de suborno contra o juiz Antonio Di Pietro.</P>
<P>
Cidade francesa proíbe mendigos </P>
<P>
A cidade de Mende (sul da França) proibiu o ingresso de mendigos. É a sexta localidade do país a tomar a medida. A primeira cidade a adotá-la foi La Rochelle, em 4 de julho. O premiê Alain Juppé condenou a iniciativa.</P>
<P>
Assessor de Samper admite ajuda de cartel </P>
<P>
Santiago Medina, tesoureiro de campanha do presidente colombiano, Ernesto Samper, admitiu ter recebido um cheque equivalente a US$ 50 mil de traficantes do Cartel de Cali. O cheque teria sido emitido por uma empresa usada como fachada. Ele deu as declarações à Procuradoria Geral do País.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-40817">
<P>
A festa do monstro</P>
<P>
O Loch Ness, na Escócia, será cruzado por um submarino de 35 pés, à razão de 4 imersões por dia, durante todo este Verão. Por períodos de uma hora, cinco passageiros têm oportunidade de explorar as profundezas do maior lago britânico, procurando inscrever o seu nome na história se conseguirem vislumbrar o famoso Monstro do lago -- Nessie para os amigos. Um pretexto para visitar as Terras Altas. O preço de cada bilhete é de 68.50 libras e as inscrições estão esgotadas para várias semanas. Informações e marcações podem ser obtidas através do tel/fax: (0044-285)760762.</P>
<P>
Três chiques tigres</P>
<P>
A colecção «Chic Safari», da Escada, evoca África em modelos clássicos, com elefantes estampados e bordados em tudo o que é roupa ou acessório; linhas longilíneas, em preto, branco cru e marfim. Na colecção «NewIntensity», as sedas e as malhas, lisas, adoptam tons de coral e vermelho-fogo. «Step into a Season» apresenta uma sofisticação de tipo retro-colonial, com casacos a três quartos e calças largas, em algodão e popeline; em branco e azul. À venda na Loja das Meias.</P>
<P>
Per donna</P>
<P>
Os pintores da Renascença italiana mostram-nos as mulheres privilegiadas da Toscânia a banharem-se em piscinas de pedra, no meio de uma suave paisagem de colinas. A Aramis propõe-lhe captar a mesma sensação de prazer e calma através da sua linha Tuscany per Donna. É composta por gel de banho, loção e creme de corpo perfumados, «body powder» (com pincel de aplicação) e «spray» desodorizante.</P>
<P>
Poética têxtil</P>
<P>
A Galeria Espiral, em Oeiras, tem em exposição trabalhos de Alves Dias, um artista que tem feito o seu percurso na área da tapeçaria. Até dia 14, pode ainda ver criações clássicas associadas a formas tridimensionais, com integração de materiais vários, do acrílico ao gesso, dos metais à madeira.</P>
<P>
Campo-e-praia</P>
<P>
Preparar as férias de Verão: Terra-a-Terra tem novos programas para o mês de Julho, a pensar em jovens dos 8 aos 13 anos. Para os amantes da montanha, propõe 10 dias na aldeia do Sabugueiro (Serra da Estrela), com mergulhos nas lagoas, montanhismo e muitos jogos. Mais perto do mar, há programa equestre e de praia, em Atouguia da Baleia (Peniche). Na impossibilidade de darmos aqui todas as informações, ligue para o tel. (01)870447 ou 8881094. Se o fizer nos próximos dias, ainda pode proporcionar às crianças um passeio pela serra de Sintra com piquenique na praia da Adraga.</P>
<P>
Chin-pitô</P>
<P>
Mestres chineses estão a dar aulas na Escola de Circo, em Lisboa, durante o corrente ano lectivo. Aos cursos de Técnicas Circenses e de Ginástica Acrobática, acrescentam pequenas representações da sua arte, todas as noites, no espaço do Chapitô. Sem alarde, vão «sensibilizando» os convivas para as acrobacias que justificam a sua filiação na notável Associação dos Artistas Acrobáticos da China e as diversas distinções que obtiveram naquele país.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-58305">
<P>
África do Sul um mês após a eleição de Mandela</P>
<P>
Um pragmatismo prenhe de esperanças</P>
<P>
A INDÚSTRIA sul-africana de armamento tenciona duplicar no próximo ano as suas exportações, o ministro da Justiça prepara um projecto de amnistia que deverá conduzir à libertação de elementos da extrema-direita branca e o Presidente Mandela continua a não fechar por completo a porta à ideia de um referendo em que os afrikaners digam se na verdade desejam um território autónomo.</P>
<P>
Todos estes factos demonstram, um mês após o conhecimento dos resultados das eleições legislativas na África do Sul e a escolha de Nelson Mandela para a Presidência da República, que a vitória do ANC nas urnas não significou nenhuma revolução e que a vida no país está a seguir o seu curso normal.</P>
<P>
Durante os anos em que os sul-africanos estiveram sujeitos a um boicote internacional, por terem em vigor um regime segregacionista, chamado apartheid, desenvolveram uma forte indústria de armamento centrada na empresa estatal Armscor, que dá trabalho a 80 mil pessoas.</P>
<P>
Agora que as sanções foram levantadas e que o grande capital se prepara para investir em grande no mais rico país africano, a Armscor, outrora vista pelo ANC como um dos instrumentos do regime opressor, recebeu o beneplácito de Mandela para expandir as suas actividades.</P>
<P>
No Ruanda, no Iraque, na Argentina, em Marrocos e no Zaire têm sido desde há anos usadas armas «made in South Africa», bem como na Líbia e na Somália. E em breve elas poderão ser um instrumento corrente no Reino Unido e em outros países democráticos, num perfeito sinal dos novos tempos.</P>
<P>
Depois de ter conseguido um bom entendimento com o rei dos zulus, Goodwill Zwelithini, de haver conseguido convencer o Inkatha a ir às urnas e de lhe entregar alguns ministérios, Nelson Mandela não quer de forma alguma desagradar ao establishment industrial-militar nem atiçar o ódio da extrema-direita branca.</P>
<P>
Um espírito conciliador</P>
<P>
Por isso mesmo, o Presidente saído das antigas fileiras revolucionárias preferiu adoptar uma atitude simplesmente reformista, namorar o general Constand Viljoen, chefe de fila dos militares que defendem um Volkstaat e permitir que o ministério da Justiça prepare uma amnistia susceptível de beneficiar uns quantos extremistas brancos.</P>
<P>
Mandela vai esta semana a Tunes, para a cimeira anual da Organização de Unidade Africana (OUA), depois de já haver estado em Harare na conferência em que a velha Linha da Frente se transformou numa espécie de Conselho da África Austral, para dar cobertura política à integração económica regional.</P>
<P>
A maioria negra da África do Sul já está representada na chefia do Estado e no Parlamento, mas os brancos que até há pouco detinham o monopólio do poder nada têm por enquanto a recear quanto à radical transformação do seu nível de vida.</P>
<P>
O Governo de Unidade Nacional constituído pelo ANC, o Partido Nacional e o Inkatha prometeu reduzir o défice orçamental, manter a disciplina financeira que tem vindo a ser imposta pelo ministro Derek Keys -- uma das caras que representa uma certa continuidade entre a anterior administração e a actual -- e não aumentar de imediato os impostos.</P>
<P>
Os empresários e os economistas estão satisfeitos com as primeiras semanas da administração Mandela e há quem tenha levantado até a hipótese de se aumentar o número de horas de laboração de certas empresas, criando turnos, como forma de se combater o desemprego e de se aumentarem as exportações.</P>
<P>
Senhora de poderosos recursos naturais e de uma vasta mão-de-obra, a África do Sul, uma vez libertada dos conflitos raciais e tribais que desde há séculos a têm marcado, apresenta todas as condições para se transformar num país em claro desenvolvimento, contrariando assim a tendência geral que se tem verificado no continente a que pertence.</P>
<P>
Um Governo representativo do querer expresso nas urnas por mais de 92 por cento da população poderá ser a fórmula mágica para salvar o país da maldição a que a maioria da África parece condenada. J. H.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-83696">
<P>
Açores depois da tempestade</P>
<P>
Os dias de normalidade regressaram aos Açores, depois da passagem da tempestade tropical «Tanya» que fustigou o arquipélago, entre quarta e quinta-feira. Faz-se agora o rescaldo da situação das ilhas mais afectadas -- Faial, Pico, São Jorge e Terceira.</P>
<P>
Quanto à ilha do Pico, as estradas já estão todas desobstruídas. No entanto, segundo declarações dos Bombeiros Voluntários das Lajes do Pico, ainda há muito por fazer em matéria de limpeza urbana. Ainda no concelho das Lajes, no Pico, a Escola Secundária e Básica encontra-se praticamente destruída, tal como acontece com outros recintos periféricos como cafés, clubes, etc, onde o mar e o vento provocaram elevados estragos. Desde as 19 horas do dia 1 que a electricidade desaparecera, tendo no entanto voltado a ser restabelecida, parcialmente, desde as 13 horas de ontem.</P>
<P>
Em São Jorge está tudo na normalidade. Apesar de ter sido uma das ilhas mais fustigadas pelo mau tempo, já foram reparadas as redes de electricidade e comunicações.</P>
<P>
Na ilha Terceira o quadro de «limpeza urbana» é igual. Também aqui a rede de água pública já foi restaurada, mas não em toda a ilha. A central termo-eléctrica que havia sofrido alguns danos provocados pela tempestade tropical também já voltou a funcionar, ainda antes do período de uma semana que se previa para a sua total recuperação.</P>
<P>
Na ilha do Faial, a mais afectada de todas, ainda não foi restabelecida a energia eléctrica em todos os concelhos. No entanto, também aqui, e, quanto à desobstrução das estradas, já se pode circular sem problemas desde as quatro horas da madrugada de ontem. Apenas a registar o desalojamento temporário de dois casais de idosos, cujas residências sofreram danos.</P>
<P>
Quanto ao tempo, nos Açores, o mar continua alteroso e o vento a soprar com algumas rajadas, embora com muito menos intensidade. As embarcações de pesca ainda não se fizeram ao mar. O tráfego aéreo já regressou à normalidade.</P>
<P>
António Vaz, em Ponta Delgada</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-97502">
<P>
Petróleo continua a subir</P>
<P>
O preço do barril de petróleo continuou ontem a subir, atingindo mesmo o seu valor mais elevado dos últimos cinco meses, quando o barril de Brent, o petróleo de referência do Mar do Norte, para entrega imediata se cotou a 16,35 dólares (2800 escudos). A presente subida dos preços do petróleo deve-se a trabalhos de manutenção nas plataformas do Mar do Norte [embora, ontem, uma fuga de gás tenha dado uma preciosa ajuda à subida]. Na Europa o valor do barril subiu ontem mais de 30 cêntimos relativamente ao fecho de sexta-feira, mas nos Estados Unidos a subida foi maior, ao registar-se um aumento que chegou a 41 cêntimos por barril face ao fecho da passada semana. No entanto, ao longo da sessão de ontem o preço do petróleo cairia, para se situar na casa dos 17,22 dólares.</P>
<P>
Roche compra empresa</P>
<P>
A empresa farmacêutica suíça Roche Holding vai adquirir a sua congénere norte-americana Syntex Corp. por 5,3 mil milhões de dólares (mais de 911,6 milhões de contos), anunciaram ontem as duas empresas, em Palo Alto, na Califórnia. A Syntex passará a ter o estatuto de empresa subsidiária da Roche.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-35103">
<P>
A vitória do povo do arco-íris</P>
<P>
Do nosso enviado</P>
<P>
José Eduardo Agualusa, na Cidade do Cabo</P>
<P>
Há quatro anos, em Fevereiro de 1990, Nelson Mandela escolheu a Grand Parade, na cidade do Cabo, para fazer o seu primeiro discurso como homem livre. Era o princípio do fim do apartheid. Ontem à tarde, quando surgiu à varanda do City Hall, Mandela falou já não apenas como homem livre, mas como Presidente de um país liberto. O seu nome não foi sequer votado. Foi eleito por aclamação. Perante mais de cem mil pessoas, assumiu-se como garante duma nova África do Sul multirracial.</P>
<P>
Nelson Mandela foi ontem proclamado Presidente da República da África do Sul. Pouco passava do meio-dia na Cidade do Cabo, sede do Parlamento. Na ausência de concorrentes, o presidente do supremo tribunal, juiz Michael Corbett, declarou-o chefe do Estado, sendo o seu nome longamente aclamado pelos deputados.</P>
<P>
Para a presidência da Assembleia Nacional foi eleita Frene Ginwala, uma advogada indiana, a primeira mulher a ocupar aquele cargo na África do Sul. Depois de eleita, declarou: «Pela primeira vez na História, temos um governo do povo, pelo povo e para o povo».</P>
<P>
Nelson Mandela, 75 anos, o grande vencedor das primeiras eleições multirraciais, entrara na sala cerca das 11h00, rodeado dos dois vice-Presidentes, Frederik de Klerk e Thabo Mbeki, e foi o primeiro a prestar juramento enquanto deputado, logo seguido do seu antecessor.</P>
<P>
Em lugar de destaque entre os convidados do novo Presidente, encontrava-se James Gregory, o chefe da cadeia de Robben Island, onde Mandela passou a maior parte dos seus 27 anos de prisão.</P>
<P>
Sublinhando esta atmosfera de reconciliação, o secretário-geral do ANC, Cyril Ramaphosa, caiu nos braços do seu adversário Mangosuthu Buthelezi. A seguir, foi a vez de Mandela abraçar o chefe do Inkatha, para depois saudar calorosamente o general Constand Viljoen, líder da Frente da Liberdade e defensor dum Estado branco, o Volkstaat.</P>
<P>
A tomada de posse terá lugar hoje, perante dignatários de todo o mundo, em Pretória, a capital.</P>
<P>
Toi-toi</P>
<P>
Qual o papel das diferentes etnias sul-africanas na luta de libertação? Segundo uma anedota, politicamente incorrecta, mas que corre entre os meios afectos ao ANC, os brancos conceberam as estratégias da luta, os negros fizeram o combate e os indianos administraram os fundos. Quanto aos mestiços, esses, estão agora a fazer a festa.</P>
<P>
A manifestação de euforia de ontem à tarde, na Grand Parade, só em parte confirmou a maior vocação festiva da comunidade mestiça. A magnífica praça, bem no coração histórico da cidade do Cabo, estava completamente cheia -- a Rádio da África do Sul avaliou a multidão em perto de cem mil pessoas --, mas era possível ver gente de todas as raças, dançando e cantando juntas.</P>
<P>
Um jovem branco, descalço e com uma cabeleira loira, ao estilo de Bob Marley, agitava um cartaz do ANC, enquanto uma senhora ao seu lado, também branca, vestia uma túnica africana estampada com o rosto de Mandela.</P>
<P>
Mais á frente um homem e uma mulher desdobravam uma faixa onde se podia ler «Viva (em português) os direitos dos gays na nova África do Sul».</P>
<P>
Uma das minorias menos conhecidas da África do Sul, os Malaios do Cabo, fez-se também representar com os seus trajes de festa. As primeiras centenas de manifestantes negros, trazidos em camionetas dos subúrbios miseráveis de Nguguletu e Khayelitcha, começaram a chegar pelas onze horas, avançando para o centro da praça em grupo compacto, nessa espécie de marcha dançante a que os sul-africanos chamam toi-toi. A maioria trazia camisas com palavras de ordem do ANC. Lendo essas palavras de ordem fica-se com uma ideia do programa do novo Governo: «Combatentes por um Ensino Popular», «Casas para Todos, Empregos para Todos», «Muitas Culturas, Uma Nação».</P>
<P>
Num grande palco montado em frente da City Hall, desfilaram durante mais de três horas uma dezena de bandas sul-africanas, numa rápida sucessão de ritmos e de cores: guerreiros zulus; um grupo de saxofonistas loiros; uma banda de mestiços, os Sexi-Boys, vestidos como um coral alentejano -- colete e chapéu preto --, e cantando em africaans e inglês. Foi o grupo que mereceu mais atenção popular, juntamente com os Amapondo e as suas marimbas.</P>
<P>
O aparecimento do arcebispo Desmond Tutu, prémio Nobel da Paz, na varanda da City Hall, foi saudado com uma enorme ovação. Tutu, no estilo exuberante que o caracteriza, apresentou o antigo Presidente Frederik de Klerk, e a multidão correspondeu com aplausos.</P>
<P>
Muito mais aplaudido foi o vice-Presidente Thabo Mbeki, apontado como o mais provável sucessor de Mandela à frente do ANC. Desmond Tutu começou por manifestar o seu orgulho em ser sul-africano agora que o apartheid acabou: «Dissemos não ao racismo. Dissemos sim ao perdão, à reconciliação e à unidade».</P>
<P>
A entrada de Nelson Mandela interrompeu-lhe o discurso. Tutu deu a mão ao novo Presidente da África do Sul enquanto a população gritava de entusiasmo.</P>
<P>
O Cabo da Boa Esperança</P>
<P>
Como vem sendo habitual, Nelson Mandela fez um discurso pacificador, repetindo várias vezes a ideia de que o país vive um momento histórico, de reencontro entre todos os sul-africanos, brancos, negros, mestiços e indianos: «Fomos mandatados pelo povo para transformar a África do Sul, de um país onde a maioria vivia com pouca esperança, em outro onde todos poderemos viver e trabalhar com dignidade».</P>
<P>
«A democracia baseia-se no princípio da maioria. Isto é particularmente verdade num país como o nosso onde a maioria viu sistematicamente negados os seus direitos. Mas ao mesmo tempo a democracia também exige que os direitos das minorias sejam salvaguardados». E prometeu uma nova ordem social «que respeitará totalmente a cultura, a língua e os direitos religiosos de todos os sectores da nossa sociedade e os direitos fundamentais dos indivíduos».</P>
<P>
Mandela recordou que foi exactamente na península do Cabo que desembarcaram os primeiros europeus, dando início à História da África do Sul: «Talvez tenha sido a História a determinar que seja precisamente aqui, neste Cabo da Boa Esperança, que nós lancemos hoje a primeira pedra para a construção de uma nova nação».</P>
<P>
Quando Nelson Mandela terminou o seu discurso, Desmond Tutu voltou a falar: «Deus fez-nos o povo do arco-íris», gritou. «Estamos livres hoje, finalmente livres!».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="Ytr433"> 
<P> Ronaldo volta a treinar com bola no Milan </P>
 <P> Fenômeno não participava de um coletivo desde novembro. Jogador se recupera de lesão </P>
 <P> Das agências de notícias Dubai, Emirados Árabes </P>
 <P> Depois de ser cotado para vestir a camisa do Flamengo, o Fenômeno parece, se não satisfeito, pelo menos conformado em retornar ao grupo do Milan. Após longo período se recuperando de uma lesão, Ronaldo calçou as chuteiras e voltou a treinar com bola, o que não fazia desde novembro. </P>
 <P> O atacante segue em recuperação. Nesta sexta-feira, participou da maior parte das atividades, em Dubai, nos Emirados Árabes. O técnico dividiu o elenco em dois times com 11 jogadores atuando na metade do gramado do estádio Al Maktoum. </P>
 <P> Em seguida, quando começou a movimentação com bola, Ronaldo seguiu correndo. Aí quem se destacou - negativamente, de acordo com o jornal italiano " La Gazzetta dello Sport " - foi o goleiro Dida. </P>
 <P> O brasileiro voltou a não passar segurança e no treino em campo reduzido seu time foi derrotado por 6 a 0. Três dos gols que levou eram defensáveis, segundo o jornal italiano. </P>
 <P> Alessandro Nesta saiu em defesa do companheiro. </P>
 <P> - Poderíamos ter vencido o Inter (2 a 1, o segundo gol em falha de Dida). Não podemos ficar pressionando o Dida. Estaremos ao seu lado e considero que ele está se portando de maneira positiva na concentração - explica. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="ric-47441"> 
<P>De bicicleta também pelo Ambiente</P>
 <P>Durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, em Bali, o Público teve uma secção designada "Eu contribuo", onde os leitores eram convidados a dizerem aquilo que fazem pelo Ambiente. Não parece ter havido muitos participantes, mas houve quem divulgasse a sua opção pela bicicleta como meio de transporte principal ou secundário.</P>
 <P>Joana Marinho, uma estudante universitária de 25 anos, de Vila do Conde: «Tudo começou quando os meus pais acoplaram às bicicletas cestinhos de verga para nos levarem, a mim e aos meus irmãos, nas deslocações ao supermercado e à praia. A partir dos seis anos, eu e o meu irmão mais velho íamos para a escola de bicicleta. Este hábito perdura até hoje, ao qual se acrescentaram muitas outras medidas.»</P>
 <P>Também Vítor Pereira, um recém-licenciado em Medicina, 28 anos, de Matosinhos, usa a bicicleta como opção de transporte: «(...) a ida para o trabalho, sempre que possível uso a bicicleta ou o transporte público.»</P>
 <P>Obrigada ao Hugo Jorge pela dica.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hjlll"> 
<P> Associação Académica de Coimbra </P>
 <P> A Associação Académica de Coimbra (AAC), fundada a 3 de Novembro de 1887, é a mais antiga associação de estudantes de Portugal. Representa os cerca de 20 000 estudantes da Universidade de Coimbra, que são automaticamente considerados seus sócios quando se encontrem inscritos nesta universidade. </P>
 <P> A AAC alberga uma série de secções culturais e desportivas. Entre as secções culturais pontificam, o Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) que realiza anualmente o
Festival " Caminhos do Cinema Português ", a Rádio Universidade de Coimbra (RUC), a Secção de Jornalismo (que edita o jornal universitário " A Cabra "), a secção de fado, o Grupo de folclore e etnografia (GEFAC) e os grupos de teatro (TEUC e CITAC). As secções desportivas abrangem um vasto leque de desportos, tais como o futebol, andebol, basquetebol, rugby, conoagem, natação, voleibol, ténis, artes marciais e xadrez, entre outros. A " Académica " é assim o "clube" mais eclético do pais, uma vez que "pratica" o maior número de modalidades. </P>
 <P> Também referido como " Académica ", o clube de futebol profissional mais conhecido de Coimbra, de seu verdadeiro nome Associação Académica de Coimbra - Organismo Autónomo de Futebol (AAC-OAF), é considerado o herdeiro da secção de futebol da AAC (que se mantém na pratica amadora), mas é hoje um clube independente, cuja ligação com a AAC é cada vez mais ténue. </P>
 <P> A AAC é dirigida pela Direcção Geral (DG), composta por estudantes, e eleita anualmente entre Novembro e Dezembro em eleições abertas a todos os sócios, tanto estudantes como os sócios seccionistas. À DG compete a administração da AAC bem como a representação política dos estudantes. Em termos políticos, é ainda de referir a importância das Assembleias Magnas, assembleias sobretudo de discussão da política da Academia, abertas a todos os sócios, cujas decisões têm de ser obrigatoriamente cumpridas, independentemente da opinião da DG. Este poder decisório da Assembleia Magna torna-a no palco de discussões acesas, sobretudo entre os estudantes politizados. No passado recente, tem havido no mínimo 5 - 6 Assembleias Magnas por ano, com participação oscilante, mas um mínimo de cerca de 200 sócios. Infelizmente, a falta de interesse generalizado por estas questões na nossa sociedade, particularmente nas faixas etárias mais jovens, faz-se reflectir na fraca participação das Assembleias Magnas [carece de fontes?]. No entanto, a AAC continua a lutar para pautar a política educativa do Ensino Superior em Portugal [carece de fontes?]. O actual edifício da AAC foi inaugurado em 1961 e alberga praticamente todas as secções da AAC, estando integrado num quarteirão que inclui ainda uma sala de espectáculos (Teatro Académico de Gil Vicente) e um complexo de cantinas. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-94838">
<P>
Mais de 100 mil pessoas e 54 chefes de Estado e de governo vão à comemoração no Hyde Park </P>
<P>
ROGÉRIO SIMÕES</P>
<P>
De Londres </P>
<P>
Cerca de 100 mil pessoas foram ontem ao Hyde Park, em Londres, para assistir à cerimônia central de comemoração pelos 50 anos da vitória dos Aliados na Europa na Segunda Guerra Mundial.</P>
<P>
O evento contou com a presença de 54 chefes de Estado e governo, entre eles o chanceler alemão, Helmut Kohl, o presidente francês, François Mitterrand, o rei Hussein, da Jordânia, e o presidente Fernando Henrique Cardoso.</P>
<P>
Os EUA foram representados pelo vice-presidente, Al Gore. O presidente norte-americano, Bill Clinton, recusou o convite do governo britânico, o que foi considerado mais um sinal de distanciamento entre os dois governos.</P>
<P>
Clinton participará apenas das comemorações em Moscou, que começam hoje.</P>
<P>
Comandada pela rainha Elizabeth 2ª, a cerimônia de ontem fez parte de um fim-de-semana de eventos na capital britânica, com banquetes, reunindo membros da família real e os convidados estrangeiros, e shows de música e dança para o público.</P>
<P>
As comemorações pelo "VE Day (Dia da Vitória na Europa) começaram no sábado, quando a rainha-mãe, Elizabeth, 94, discursou e recebeu a aclamação do público no Hyde Park.</P>
<P>
À noite, num jantar no Guildhall oferecido pela rainha aos chefes de Estado e governo, Elizabeth 2ª discursou sobre a necessidade de manutenção da paz conquistada 50 anos atrás.</P>
<P>
Eles também estiveram presentes à missa de ação de graças, realizada ontem de manhã na catedral de Saint Paul, uma das poucas construções de Londres que não foram atingidas pelos bombardeios alemães.</P>
<P>
Os líderes foram recebidos em seguida em um almoço no Palácio de Buckingham, de onde foram, de ônibus, para o Hyde Park.</P>
<P>
Depois de algumas apresentações musicais, a rainha Elizabeth 2ª e seu marido, o Duque de Edimburgo, comandaram os líderes estrangeiros e seus acompanhantes em uma cerimônia simbólica, em que cada um caminhava em direção a um globo acompanhado de uma criança.</P>
<P>
Em Belfast (Irlanda do Norte), um jantar ontem à noite, com a presença do príncipe Andrew, duque de York, marcaria o fim da guerra na Europa.</P>
<P>
Dez vereadores de Belfast do Sinn Fein, braço político do IRA (Exército Republicano Irlandês), recusaram o convite para o jantar.</P>
<P>
LEIA MAIS</P>
<P>
sobre o fim da Segunda Guerra no caderno especial 50 Anos Depois</P>
</DOC>

<DOC DOCID="HAREM-125-00429">
<P>Como se chama? Júlia Gonçalves Afonso .</P>
<P> Quantos anos tem? 75 anos .</P>
<P> Porque começou a tecer? Quem a ensinou? Comecei a tecer porque precisava.</P>
<P> Tecia para me fazerem o trabalho com o gado.</P>
<P> Punha-me ao pé das pessoas que teciam a chegar os fios para enfiarem as teias, e aprendi.</P>
<P> Havia muitas tecedeiras naquela época? Havia.</P>
<P> Em quase todas as casas havia tecedeiras.</P>
<P> Quais as peças que teciam nos teares? Linho, mantas de farrapos, cobertores, cobertas e o burel.</P>
<P> Essas peças eram para vender, ou para casa? A maior parte era para casa e para os amigos.</P>
<P> Às vezes ia tecer até para aldeias de fora, para quem me pedia.</P>
<P> Onde se guardavam? Guardavam-se nas caixas ou penduravam-se nas traves dos sobrados para não dar a traça nas peças de lã.</P>
<P> Como se chamava ao conjunto dessas peças todas? Chamava-se a 'limpeza da casa'.</P>
<P> Tinha grande valor a 'limpeza da casa'?Tinha muito valor, ainda hoje tem.</P>
<P> Eu ainda tenho lençóis bordados e desfiados.</P>
<P> Usavam-se para enfeitar a casa quando vinha o padre benzer na Páscoa.</P>
<P> Eu até fazia renda de nó, parecido com uma rede e depois bordava-se por cima dessa rede.</P>
<P> Hoje ainda tece? Ainda no outro dia teci, tenho uma peça posta.</P>
<P> Mas a minha coluna não deixa.</P>
<P> Estive dois dias no tear e agora estou bem mal.</P>
<P> O que faz? Cobertas, cobertores, com linho comprado em fio ainda há pouco teci uma toalha para o padre Manuel .</P>
<P> Quem costuma procurar estas peças para comprar? Se a gente as tivesse havia muito quem comprasse: emigrantes, turistas, etc.</P>
<P> Acha importante participar em feiras de artesanato e exposições? Acho muito importante.</P>
<P> Eu gostava muito.</P>
<P> Diga algumas em que já participou? Já fui a Vila Real , Soajo , Gerês e em todas as feiras de Montalegre , até já fui convidada para Espanha .</P>
<P> Tenho agora um convite para ir à Maia mas como a Câmara não dá transporte, não vou.</P>
<P> De qual gostou mais? Porquê? Gostei muito da feira do Soajo .</P>
<P> Foi bonito e muito alegre.</P>
<P> Qual era o seu trabalho nestas feiras? Vendia as peças que levava? Numas tecia, noutras fazia croça e em algumas fazia croché.</P>
<P> E expunha os trabalhos já feitos.</P>
<P> Não nunca vendi nada.</P>
<P> Custavam muito a fazer.</P>
<P> A quem tocarem sempre me rezarão uma missa por alma.</P>
<P> Acha que as pessoas se interessavam por estes trabalhos? Interessavam, gostavam muito de ver.</P>
<P> Queriam comprar mas eu não vendia.</P>
<P> Alguma das suas filhas sabe tecer? Sabe a Ana Maria .</P>
<P> As outras casaram cedo.</P>
<P> A Ana Maria tece mas se eu lhe puser a teia e para já só tece mantas de farrapos.</P>
<P> Fui eu que lhe comprei o tear.</P>
<P> Eu já fui monitora de um curso de tecedeiras em Montalegre .</P>
<P> Sei que além de tecedeira também é croceira, aliás tem uma fotografia numa página daInternet  , fale um pouco deste trabalho.</P>
<P> As croças também davam muito trabalho.</P>
<P> Eu gostava mais do tear.</P>
<P> Mas os rendimentos eram poucos e tínhamos que nos agarrar a tudo.</P>
<P> Além disso as croças faziam muita falta para nos abrigarmos no Inverno.</P>
<P> Eram pesadas mas mais quentes que estas capas de borracha que usam hoje.</P>
<P> Também fui monitora de um curso para croceiras a raparigas da minha aldeia e de fora.</P>
<P> Além de croças fazia também as plainas.</P>
<P> Neste curso chegamos a ir apanhar os 'jungos' a Paradela, Pisões, etc.</P>
<P> Por esses lameiros todos, para ensinar a preparar e tratar os 'jungos'.</P>
<P>Conte-nos um pouco da história da sua vida... </P>
<P>Em pequena fui à escola a Viade, depois fui servir.</P>
<P> Estive em casa do Pinto, em Brandim e depois em casa do Miranda cá em Parafita, estive lá muitos anos.</P>
<P> Onde além dos trabalhos agrícolas, tecia, fazia croça e remendava os criados.</P>
<P> Foi em casa dos Mirandas que conheci o meu marido que era de Brandim.</P>
<P> Depois casei contra vontade da minha família.</P>
<P> Trabalhou, o meu marido na barragem e mais tarde foi para França onde morreu (tinha a minha filha mais nova 2 anos).</P>
<P> E eu fiquei sozinha com 8 filhos, cá os criei.</P>
<P> Naquela altura não soube tratar dos documentos e não recebi nada.</P>
<P> Mais tarde é que um advogado me tratou dos papéis e consegui tirar uma pequena reforma mas nesta altura já tinha os filhos criados.</P>
</DOC>
</colHAREM>